Neste capítulo

matéria 2. Física quântica 3. A Física das partículas elementares 4. Física nuclear
1. Estrutura da

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Capítulo

A Física do “muito pequeno”

Registro de experimento com feixe de partículas interagindo em um meio superaquecido, parcialmente líquido e parcialmente gasoso. Esse experimento possibilita a visualização de uma sequência de pequenas bolhas, como se fosse um rastro, que torna perceptível a trajetória de uma partícula atômica. Trata-se, portanto, da evidência indireta de fenômenos atômicos, uma vez que não existe nenhum tipo de equipamento que possibilite a observação direta de átomos.

Debate inicial
1. A imagem é resultado de um experimento no qual um campo magnético atua na direção perpendicular à do plano da fotografia. As linhas observadas correspondem às trajetórias de partículas lançadas na direção do plano da folha. Em sua opinião, essas partículas têm carga elétrica? Por quê? 2. Utilizando argumentos físicos, explique as diferentes trajetórias descritas por essas partículas. 3. As estrelas são imensas massas de gases de composição já conhecida. Em sua opinião, como os cientistas fazem para determinar a composição química desses corpos celestes? 4. Prótons, elétrons e nêutrons são os componentes elementares do átomo. Você concorda com essa afirmação? Em sua opinião, há partículas ainda menores que constituem essas três citadas? 5. O ENIAC foi o primeiro computador eletrônico, construído no século XX. Pesava 30 toneladas e consumia cerca de 150 kW. Quais avanços da ciência permitiram reduzir o tamanho, o peso e o consumo dessas máquinas a ponto de reduzi-las ao tamanho dos microcomputadores atuais?

Primeiras anotações
Considere as respostas obtidas no debate acima e responda no caderno. 1. Em sua opinião, as partículas elementares identificadas no debate acima seriam as últimas partículas do átomo ou elas também são formadas por outras partículas ainda menores? 2. Como é possível detectar a existência de átomos, prótons, nêutrons ou outras partículas elementares? 3. Com tantos problemas importantes para serem resolvidos, como fome, epidemias, miséria, etc., você acha que vale a pena investir em pesquisas sobre a estrutura da matéria? Justifique.
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1. Estrutura da matéria
Desde a Antiguidade busca-se compreender a origem e evolução do Universo. Faz parte dessa busca tentar entender o que compõe a matéria, como ela é organizada, de que maneira ocorrem as interações entre os diferentes tipos de objetos, materiais, substâncias e elementos. Já na Grécia antiga, por exemplo, defendia-se a ideia de que todas as coisas que constituem o mundo físico seriam formadas por átomos, que seriam a menor divisão possível da matéria.
Ligado ao tema A tabela de Dalton
Dalton criou uma tabela que relacionava cada elemento conhecido na época com um símbolo diferente e mostrava ainda algumas combinações entre elementos, as quais, segundo ele, formavam as substâncias conhecidas. Segundo Dalton, as substâncias podiam ser compostas por dois elementos (binário), três elementos (terciário), e assim por diante. A ideia de molécula, portanto, começava a se sedimentar.
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  O átomo de Dalton
A retomada da ideia do átomo, ainda no Renascimento, pelo filósofo francês Pierre Gassendi (1592-1655), e o desenvolvimento da ciência moderna, após o Renascimento, contribuíram para a formulação da teoria atômica, por John Dalton (1766-1844), em 1808 (leia o boxe ao lado). Os estudos de Dalton são considerados a primeira evidência consistente do modelo da matéria feita de átomos.

  O átomo de Thomson
Também por meio de experimentos, Joseph John Thomson (1856-1940) propôs que os átomos constituintes da matéria seriam diferentes do modelo que havia sido proposto por Dalton. Ao longo do século XIX, com o desenvolvimento tecnológico, houve a construção dos tubos de Crookes, que eram tubos de vidro selados, dos quais o ar era extraído. Seu funcionamento tinha como base a aplicação de alta tensão entre duas placas metálicas – o anodo e o catodo – colocadas em seu interior. No tubo, quando não era retirado todo o ar, o anodo brilhava com uma cor esverdeada; quando havia vácuo, era possível ver um feixe brilhando entre o catodo e o anodo, mostrando que havia corrente elétrica nessa região. Esse feixe foi chamado de raio catódico, uma vez que partia do catodo.
alta voltagem

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Terciário 27 28

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Quaternário 31 32

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luz visível
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Quinquenário 34 anodo Tubo de Crookes funcionando: visualização de feixe entre o catodo e o anodo.

Sextagenário 35

catodo

bomba de vácuo

Heptagenário 37 36

Thomson realizou esse experimento e, além disso, submeteu o feixe à ação de um campo magnético e de um campo elétrico. Observou, então, que na presença desses campos, a trajetória do feixe era desviada. Sabia-se, à época, que somente era possível um corpo interagir com campos elétricos e magnéticos se houvesse carga elétrica. Assim, Thomson deduziu que havia partículas portadoras de carga elétrica no feixe. Mais ainda: de acordo com seus experimentos, concluiu que o sinal das cargas envolvidas no feixe era negativo. Por fim, calculou a razão carga/massa dessas partículas. Como o feixe saia do catodo e chegava no anodo, Thomson concluiu que havia partículas negativas no catodo. Ocorre que este estava neutro antes do lançamento do feixe, de modo que essa neutralidade somente era possível porque havia cargas positivas também no anodo. Thomson propôs um novo modelo para o átomo, afirmando que era constituído por fluido contínuo com carga positiva em cuja superfície flutuavam cargas negativas. Esse modelo, que ficou conhecido como “pudim de passas”, passou a ser o mais aceito, porque propunha uma explicação para os raios catódicos que o modelo de esferas indivisíveis de Dalton não explicava.

Representação de modelos de átomo em livro publicado por Dalton no ano de 1808. Cada esfera representava um tipo de átomo. A junção de alguns desses átomos formava as substâncias. Essas junções podiam ser binárias, terciárias, etc.

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Modelo de átomo proposto por Thomson após seus experimentos.

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A Física do “muito pequeno”

  O átomo de Rutherford
Após as descobertas de Thomson, cientistas de vários países propuseram e realizaram vários experimentos para compreender o mundo atômico. Entre o final do século XIX e o início do século XX, os resultados desses experimentos divergiam das teorias da Física, incluindo as leis de Newton. Um dos principais cientistas da época foi Ernest Rutherford (1871-1937), que havia sido aluno de Thomson na Inglaterra. Ele não somente descobriu alguns desses resultados que não eram explicados pela Física da época, como também chegou a propor um novo modelo atômico para explicá-los. Um dos resultados inesperados descobertos por Rutherford (1871-1937), está relacionado à própria estrutura do átomo. Rutherford e seus colegas físicos, o alemão Hans Geiger (1882-1945) e o britânico Ernest Marsden (1889-1970), faziam experimentos sobre o espalhamento de partículas nos quais bombardeavam um alvo fixo, uma finíssima folha de ouro, com um feixe de partículas alfa. Ao redor da folha foi colocado um detector para verificar o desvio das partículas. O resultado esperado da experiência, realizada em 1911, considerando-se o modelo atômico proposto por Thomson, era que as partículas alfa atravessariam o alvo, sofrendo um desvio de apenas alguns poucos graus em sua trajetória por causa da interação elétrica com as cargas (sabia-se, à época, que partículas alfa tinham carga elétrica positiva e que eram capazes de atravessar essas finas películas de alguns materiais). Algumas partículas alfa, porém, foram ricocheteadas ao atingirem partes dos átomos e sofreram grandes desvios.
feixes transmitidos lâmina de ouro tela fluorescente p partículas alfa ulas partículas alfa núcleo atômico

Para refletir ` Na experiência de Rutherford apresentada nesta página, seria possível prever também a existência do nêutron? Justifique sua resposta.

feixes refletidos

fonte de partículas alfa lâmina de sulfeto de zinco raio de partículas alfa cápsula de chumbo Figura 1. Esquema simplificado do arranjo experimental de Rutherford em 1911. átomos da folha de ouro Figura 2. Átomos interagindo com o feixe de partículas alfa, segundo o modelo de Rutherford. No esquema, podem-se perceber feixes ricocheteando em algumas partes internas dos átomos. Esquema sem escala e com cores-fantasia.

núcleo

elétrons

Figura 3. Modelo atômico proposto por Rutherford. Esquema sem escala e com cores-fantasia.

Os desvios observados não podiam ser explicados pelo modelo de Thomson. Para explicar a causa desses desvios, Rutherford, por meio de seguidos arranjos experimentais e cálculos, propôs que toda a carga positiva do átomo e grande parte de sua massa estavam concentrados em uma pequena região do seu interior, a qual ele chamou de núcleo. Assim, Rutherford propôs um outro modelo atômico que substituiu o de Thomson. Segundo esse modelo, as partículas de carga negativa (os elétrons) orbitariam ao redor do núcleo em um movimento contínuo, sem que acontecesse nenhum choque entre eles, e haveria regiões vazias (vácuo), sem a presença de nenhuma partícula em grande parte do átomo. Contudo, o modelo proposto por Rutherford não respondia a algumas questões, como o fato de os elétrons se moverem ao redor do núcleo em um movimento circular com aceleração centrípeta (devido à força coulombiana). Segundo a teoria eletromagnética de James Clerk Maxwell (1831-1879), cargas elétricas aceleradas emitiriam radiação. Contudo, se os elétrons emitissem radiação, perderiam energia, e consequentemente, velocidade, o que faria com que eles colapsassem e colidissem com o núcleo, o que não era observado.

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Exercícios resolvidos
1. Uma das maneiras de representar a interação entre átomos em Química é por meio da fórmula eletrônica, representada abaixo. Na1 1 Cº 2 Na 1 Cº a) Identificar o modelo de átomo utilizado. b) Descrever o que essas representações mostram em relação aos elétrons. Resposta a) O modelo de átomo utilizado considera os elétrons como pequenas esferas separadas do núcleo atômico. Trata-se, portanto, do modelo de Rutherford. b) A representação evidencia que o sódio (Na) transfere um elétron ao cloro (Cº), realizando a ligação iônica. Nesse caso, estão representados somente os elétrons que participam da ligação. 2. Considerando-se os modelos atômicos apresentados, fazer o que se pede a seguir. a) Diferenciar o modelo de Thomson do modelo de Rutherford. b) Identificar questões não solucionadas ou suscitadas pelo modelo de átomo de Rutherford. Resposta a) No modelo de Thomson, o átomo era composto por uma esfera maciça positiva, na qual estavam incrustados os elétrons, de carga negativa. Assim, não havia espaços vazios no interior do átomo. Já no modelo de Rutherford, toda a carga positiva estava concentrada em um núcleo no interior do átomo, que também continha a maior parte de sua massa. Os elétrons orbitavam o núcleo, sem colidirem entre si. Nesse modelo, entre o núcleo e os elétrons havia espaços vazios. b) Quando Rutherford propôs seu modelo, ele não explicou por que os elétrons não cairiam no núcleo devido à atração eletromagnética, e também não explicou como os elétrons se movimentavam em órbitas sem colidirem e sem haver perda de energia.
Responda a todas as questões em seu caderno.

Exercícios propostos
3. Em Química, uma das maneiras de representar a interação entre dois átomos é H H a) Descreva o que essa representação mostra em relação aos elétrons. b) Identifique o modelo de átomo utilizado na representação. 4. A fotografia a seguir é de cristais de sal de cozinha (NaCº), e o modelo ao lado dela é da estrutura desse sal.

núcleo atômico partículas alfa

átomos da folha de ouro

Explique o que esse resultado experimental evidencia a respeito da estrutura do átomo. 8. A experiência de Rutherford esclareceu dúvidas sobre o peso de diferentes substâncias. Explique por que um átomo de prata pesa cerca de 137 vezes mais que um átomo de hidrogênio, embora o átomo de prata não seja 137 vezes maior que o de hidrogênio. 9. Julgue se o núcleo do átomo poderia ser considerado negativo no modelo de Rutherford. Justifique sua resposta, com base nos resultados da experiência de Rutherford. 10. Explique o sentido da frase “A matéria é feita em grande parte de espaços vazios”. 11. O filósofo grego Demócrito, muitas vezes considerado o pai do atomismo, considerava que os átomos tinham diferentes formas geométricas, e associava a essas formas as propriedades de cada elemento. Hoje, o modelo proposto por Demócrito foi superado. Julgue se a contribuição de Demócrito foi relevante para a ciência, justificando seus argumentos.

Cº� Na�

Identifique e descreva o modelo atômico utilizado no esquema do NaCº. 5. Julgue se a Química adota um único modelo para elaborar suas explicações, justificando sua resposta. 6. Frequentemente, o modelo de Rutherford é descrito como um “modelo planetário do átomo”. Opine a respeito, justificando seus argumentos. 7. Um resultado observado no experimento de Rutherford foi que algumas partículas atravessavam o alvo sem sofrer nenhum desvio em relação ao feixe inicial.

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