XI JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2011 – UFRPE: Recife, 18 a 22 de outubro.

UNIVERSIDADE EMPREENDEDORA: UMA INVESTIGAÇÃO DA PERCEPÇÃO DOS DISCENTES DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO DA UAG/UFRPE PARA O EMPREENDEDORISMO Raphael Cordeiro de Andrade1, Alixandre Santana2

Introdução
O empreendedorismo no Brasil vem passando por um momento de crescimento e disseminação, conforme dados observados em GEM [1]. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor estima que em 2010 no Brasil, 17,5% da população adulta empreende seu próprio negócio com até três anos e meio de atividade, que supera a marca de 2009 de 15,3%. Lezana e Tonelli (2004) apud Vasconcelos Passsos e Lezana [7] asseveram que empreendedores são pessoas que buscam o beneficio, trabalhando sozinhos ou em grupo, sendo inovadores, identificando e criando oportunidades de negócios, montando e coordenando novas combinações de recursos (funções de produção) visando propiciar os melhores benefícios de suas inovações em um meio incerto. O empreendedor, motor do movimento de empreendedorismo, é considerado por Schumpeter como aquele que desenvolve uma atividade criativa refletida como uma inovação, que é sinônimo de aventura e pioneirismo. Já Drucker[2], considerado o “pai da administração moderna”, em sua perspectiva administrativa afirma que o empreendedor é aquele que empreende um negócio por conta própria, que organiza, administra e assume os riscos de gestão. [2] O empreendedorismo, especialmente em tempos de crise, serve como alternativa para os países alavancarem suas economias, minimizando assim as conseqüências sofridas em períodos como esses, gerando novos postos de trabalho e riqueza por meio da inovação. Em [3], de acordo com o modelo Hélice Tríplice que propõe a integração de instituições de ensinos, governo e iniciativas privadas, as instituições de ensino são a fonte de novos conhecimentos e tecnologias e ainda, em conjunto com a iniciativa privada, desenvolve produtos e serviços inovadores. Nessa esteira de raciocínio, o modelo prevê ainda que o governo atue a partir de planos políticos e metas voltadas para inovação e desenvolvimento [3] O empreendedorismo requer a mudança de atitudes e pró-atividade dos empreendedores inquietos. É nesse ponto que a educação empreendedora em particular, quando realizada dentro das instituições de ensino, promove inserção de uma nova cultura: a cultura e educação voltada para a realização de empreender. [4] Dada a importância do papel da Universidade no processo de formação de bons gestores e empreendedores, é de grande relevância saber se essa desperta nos alunos o interesse de abrir seu próprio negócio, e se, ainda, fornece embasamento teórico e subsídios que amparem o aluno interessado.

Visando a investigar o fenômeno da educação empreendedora na UFRPE/UAG, esse trabalho objetivou descrever o interesse dos alunos pela temática do empreendedorismo. Os sujeitos da pesquisas são os alunos ingressantes e os da turma do período mais avançado (sexto período), do curso de Bacharelado em Ciência da Computação da UFRPE/UAG.

Material e métodos
Quanto aos objetivos, a pesquisa é do tipo descritivo-exploratória e de natureza quantitativa e qualitativa A coleta de dados foi realizada através da aplicação de um formulário com perguntas abertas e fechadas. A pesquisa foi realizada no dia 12 de Setembro de 2011 nas turmas de primeiro e sexto período do curso de graduação em Bacharelado em Ciência da Computação na Universidade Federal Rural de Pernambuco – Unidade Acadêmica de Garanhuns (UFRPE / UAG). Foram escolhidas intencionalmente estas turmas, por se tratarem da turma ingressante e sexto período (turma mais avançada do curso). Cabe ressaltar que a turma do sexto período cursou a disciplina de empreendedorismo. O formulário utilizado para a coleta dos dados abordou a influência e histórico de empreendedores na família, o grau de interesse em abrir o próprio negócio, as dificuldades e empecilhos encontrados a iniciar a empresa e ainda a percepção dos alunos sobre enfoque de empreendedorismo dado no curso. A análise e a interpretação dos dados coletados foram feita de forma qualitativa, com o uso da análise de freqüência das respostas. Nas questões abertas, foi realizada uma análise de conteúdo. Segundo Bardin (2004), o domínio da análise de conteúdo inclui todas as iniciativas que procurem a explicitação e sistematização do conteúdo das mensagens

Resultados
A aplicação do formulário atingiu um universo de 35 alunos, sendo divididos em 24 alunos do primeiro período e outros 11 alunos no sexto período. No primeiro período, cerca de 33% (trinta e três por cento, 8 de 24) responderam ter familiares que possuem ou possuíram uma empresa. Já no sexto período, 55% tem familiares que possuem ou possuíram uma empresa. A presença desse fator, de acordo com a literatura de empreendedorismo[8], pode influenciar positivamente na decisão de empreender, embora não de forma não-determinística.

1. Raphael Cordeiro de Andrade é aluno graduando em Bacharelado em Ciência da Computação, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Unidade Acadêmica de Garanhuns. Av. Bom Pastor, s/n, Boa Vista, Garanhuns, PE, CEP 55297-970. Email: raphael.rca@gmail.com 2.Alixandre Santana é Professor Assistente do curso de Bacharelado em Ciência da Computação, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Unidade Acadêmica de Garanhuns. Av. Bom Pastor, s/n, Boa Vista, Garanhuns, PE, CEP 55297-970. Email: alixandre@uag.ufrpe.br Apoio financeiro: Pró-reitoria de Extensão – PRAE/UFRPE. Projeto Células empreendedoras.

No universo de 11 (onze) alunos do sexto período 9 (nove) demonstraram de médio a muito interesse. A influência da cultura familiar no despertar da intenção empreendedora em empresários ibero-americanos . . Nesta. LEZANA. F.: O processo de formação de empreendedores: a experiência da faculdade integrada do Recife – FIR. O conhecimento técnico adquirido no curso. possivelmente isso se deve ao fato deste já terem cursado a disciplina de Empreendedorismo. destacaram-se a falta de conhecimento técnico.pdf Acesso em 15 jan 2011.icesi. Discussão Dada a percentagem considerável de estudantes que tem interesse pelo tema. Cabe destacar que dentre aqueles um já possui seu próprio negócio. E.pdf [5] Projeto Células Empreendedoras. Homepage: http://www. Outro grupo menos representativo dentre os pesquisados defende que o curso focaliza em pesquisas e/ou carreira acadêmica. PASSOS. Pioneira. a própria motivação e promoção de valores próempreendedorismo dentro do curso. 18 a 22 de outubro. A. 3. CALVOSA. pode-se dizer que o incentivo que é perceptível pela maioria dos alunos pesquisados.XI JORNADA DE ENSINO. Já no sexto período. Dantas. Agradecimentos A Universidade Federal Rural de Pernambuco – Unidade Acadêmica de Garanhuns/ Pró-reitoria de extensão (PRAE) pelos recursos do Projeto Células Empreendedoras.co/dspace/bitstream/item/1903/1/26. a necessidade de alto investimento e a dificuldade de enxergar uma boa oportunidade. a universidade deve trabalhar disponibilizar meios que estimulem e potencializem esses discentes no sentido de empreender. alguns fatores foram citados pelos estudantes com relação ao incentivo ao empreendedorismo. Em: XI Simpósio de Administração da Produção. apenas metade concorda com o curso atende as expectativas de incentivo. Referências [1]Global Enterpreneurship Monitor GEM. PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2011 – UFRPE: Recife. Peter F. Quanto aos fatores inibidores para iniciar o próprio negócio. Entende-se por suporte. Homepage: http://www. D.br [6]BARDIN. Adicionalmente nas questões pesquisadas os alunos citaram outras iniciativas como o projeto Células Empreendedoras[5] como suporte e incentivo ao empreendedorismo. as dificuldades citadas não foram freqüentes. P. [4] LEITE. entende-se como incentivo.aspx? page=pub_gem_global_reports [2] DRUCKER. e/ou suporte fornecidos pelo curso e pela universidade para que aumentem o número de empreendimentos no curso de Ciência da Computação. os alunos criam planos de negócios investigando a viabilidade de idéias serem transformadas em oportunidades para empreender. Disponível em http://dspace. 39-45. exceto pela a alta carga tributária e falta de conhecimento técnico. G. Para este trabalho.. [8] DOLABELA. Laurence.edu. a maioria absoluta de 82% dos pesquisados responderam que acham que o curso dá incentivo. Á. R..icesi. Logística e Operações Internacionais. No período.. Na análise das questões abertas feitas nessa pesquisa. Análise de conteúdo. M. Dessa forma. G. 2008. Como considerações finais. Outros alunos disseram que a disciplina de Empreendedorismo ministrada no quinto período é um incentivo representativo para os alunos abrirem seu próprio negócio. Na turma do sexto período. Hélice Tríplice no Brasil: a Entrada da Universidade nas Parcerias Público-Privadas In: XII SEMEAD. A. infra-estrutura para apoiar os empreendimentos dos alunos. São Paulo. capacitação. C. L. .. ABDALLA.gemconsortium. por si só. Dos Santos. 18 (dezoito) alunos do primeiro período responderam que acham que o curso corresponderá suas expectativas. Observou-se que 21 (vinte um) alunos do primeiro período. [3] BATISTA. V. M. de um modo geral. de um universo de 24 (vinte e quatro) apresentaram de médio a muito interesse em abrir o próprio negócio.Homesite: http://www.co/ciela/anteriores/Papers/emtec/5. Quanto ao suporte à atividade de empreender. M. M. foi citado como um incentivo para empreender.org/about.celulasempreendedoras. 2004 [7] VASCONCELOS. 2010 Global Report. Inovação e Espírito Empreendedor. B. SP. ferramentas. mas que para esses ainda faltam meios . C. A temática do empreendedorismo em artigos científicos da Engenharia de Produção: um estudo de caso. J.Lisboa: Edições 70. São Paulo. pode-se concluir que dentre os alunos pesquisados. 2009. Já na turma ingressante.edu. há um grande interesse na área de empreendedorismo.com. ed. 1986. pg. dentre os pesquisados no primeiro período. 4 (quatro) de 11 (onze) alunos pesquisados responderam que acham que o curso não dará o suporte para abrir seu próprio negócio.

Descrição Figura 2. Resumo descritivo das respostas ao questionário aplicado Interes eemem s preender -1o Período B CC Médio a muito interesse Não tem interesse Interes eemem s preender -6o Período B CC Médio a muito interesse Não tem interesse 13% 18% 87% 82% Figura 1. Descrição Figura 3 – Maiores dificuldades para abrir o próprio negócio .Tabela 1.