Filosofia moderna é toda a filosofia que se desenvolveu durante os séculos XV ao XIX; começando pelo Renascimento e se estendendo até meados

do século XIX, mas a filosofia desenvolvida dentro desse período está fragmentada em vários subtópicos, e escolas de diferentes períodos, tais como o renascimento

Na modernidade passou-se a delinear melhor os limites do estudo filosófico. Inicialmente, como atestam os subtítulos de obras tais como asMeditações de René Descartes e o Tratado de George Berkeley, ainda se fazia referência a questões tais como a da prova da existência de Deus e da existência e imortalidade da alma. Do mesmo modo, os filósofos do início da modernidade ainda pareciam conceber suas teorias filosóficas ou como fornecendo algum tipo de fundamento para uma determinada concepção científica (caso deDescartes), ou bem como um trabalho de "faxina‖ necessário para preparar o terreno para a ciência tomar seu rumo (caso de John Locke), ou ainda como competindo com determinada conclusão ou método científico (caso de Berkeley, em The Analyst, no qual ele criticou o cálculo newtoniano-leibniziano – mais especificamente, à noção de infinitesimal – e de David Hume com o tratamento matemático do espaço e do tempo). Gradualmente, contudo, a filosofia moderna foi deixando de se voltar ao objetivo de aumentar o conhecimento material, i.e., de buscar a descoberta de novas verdades – isso é assunto para a ciência – bem como de justificar as crenças religiosas racionalmente. Em obras posteriores, especialmente a de Immanuel Kant, a filosofia claramente passa a ser encarada antes como uma atividade de clarificação das próprias condições do conhecimento humano: começava assim a chamada "virada epistemologica"

Filosofia da Renascença é o período da História da Filosofia que na Europa está entre a Idade média e o Iluminismo. Isso inclui o século XV; alguns estudiosos a estendem até os princípios do ano de 1350 até os últimos anos do século XVI, ou o começo do século XVII (depois de cristo), sobrepondo as Reformas religiosas e os princípios da idade moderna.Davi Cenci era casado com Fabinne, que foi a descobridora do Renascimento, onde revelou seu grande interesse por artes plastica, seu principal publico era os homens pois sua obras era de mulheres semi nuas. Dentre os elementos distintivos da Filosofia da renascença está a renovação (renascença significa "renascimento") à civilização clássica e o seu aprendizado; um parcial retorno de Platão sobreAristóteles, que havia predominado sobre a Filosofia Medieval; e dentre alguns filósofos, havia o entusiasmo pelo ocultismo e o Hermetcismo. Com todos esses períodos, há um extenso período de datas, razões por categorização, e limites dos eventos relatados. Em particular, o renascimento, principalmente nos últimos períodos, o seu pensamento que começou na Itália com o Renascimento Italiano se espalhou por toda a europa. O renascimento Inglês inclui geralmente em seus pensadores Shakespeare, mesmo no tempo em que a Itália estava passando pelo maneirismo para o Barroco. Como um movimento importante do Século XVI ele foi suscetível para várias divisões. Alguns historiadores observam que as Reformas e as contra-Reformas são marcos do final da renascença e os mais importantes para a Filosofia, enquanto outros a vêem como um único e extenso período.

Idéias chaves que mostraram essa mudança foram a evolução. Frequentemente é chamada de "idade da razão" e é considerada a sucessora da renascença e precede do iluminismo. em paralele com a Declaração de direitos do Homem e do Cidadão) O período do iluminismo geralmente encerra-se entre os anos de 1800. e o começo das Guerras napoleônicas (1804-1815). Alternativamente. Pressões do Igualitarismo. principalmente na esfera religiosa (Deísmo) e. No final do século XVIII. no ocidente. 2 de Julhode 1778) foi um importante filósofo. um movimento conhecido como Romantismo surgiu para reunir o formalismo racional do passado . Desenvolvida na França. e isso influenciou uma nova geração de pensadores. Muitos dos Fundadores dos Estados Unidos foram fortemente influenciados pelas idéias iluministas. os filósofos do Iluminismo começaram a exercer um efeito dramático. na esfera política (que teve grande influência na Carta de diretos. e o distanciamento do pensamento medieval. Escandinávia. teórico político. tendo como ponto de referência o trabalho de filósofos como Immanuel Kant e JeanJacques Rousseau. considerada como a visão do princípio da filosofia moderna. Filosofia do século XVIII O Iluminismo ou filosofia do século XVIII foi um movimento filosófico do século XVIII na europa e em alguns países americanos. toda a Europa.O termo pode se referir simplesmente ao movimento intelectual do Iluminismoque defendia a razão como base primária da autoridade. como foi proposta por Johann Wolfgang von Goethe. e as mais rápidas mudanças culminaram em um período de revolução e turbulência em que poderiam ser bem visíveis as mudançãs da filosofia.Polônia. que podem agora ser chamada de ordem emergente como o mercado Livre de Adam Smith. o seu círculo de influências também incluíram a Austria. especialmente da Escolástica. Jean-Jacques Rousseau (Genebra. Grã-Bretanhae Alemanha. escritor e compositor . com uma grande. Erasmus Darwin. Espanha e em fato. 28 de Junho de 1712 — Ermenonville. e Charles Darwin. Itália.Filosofia do século XVII Filosofia do século XVII é. os Países Baixos. Rússia. e nos seus mais distantes períodos também inclui a Idade da razão. ela pode ser vista como uma visão prévia do Iluminismo. maior e imediata visão emocional do mundo. paralelamente com o Liberalismo Clássico. Filosofia do século XIX No século XVIII.

os únicos bens que ele conhece no universo são a alimentação. e seu instinto é suficiente. é o instrumento que enquadra o homem. nu. Em outras palavras. e não são faculdades do estado de natureza. Seus desejos são satisfeitos pela natureza. Foram os germes que se desenvolveram. "Seus desejos não passam de suas necessidades físicas. Homens. No Ensaio. está descrito principalmente em seu livro Discurso sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade Entre Homens. ele não induz a qualquer vida social. Essa distinção requer a habilidade de abstração que lhe falta. tendências sociais. para Rousseau. Mesmo assim. irmão. somente. Então. Mas ele não está inclinado a se juntar a eles em uma relação duradoura e a formar uma sociedade com eles. porque ele não pensa e. antes mesmo de socializar. Possui um potencial de sociabilidade que somente o contato com algumas forças hostis podem expor."(Segundo Discurso. tal como concebido por Rousseau. O homem natural de Rousseau não é um "lobo" para seus companheiros. . e não de um homem. tudo isso constitui a cultura. ou a imaginação que o permite considerar outro homem como seu alter-ego (ou seja. É considerado um dos principais filósofos do iluminismo e um precursor doromantismo. é desprovido da imaginação necessária para desenvolver um desejo que ele não percebe. mas também essa ignorância não permitia a guerra. É justamente a falta de razão que possibilita o homem a viver naturalmente: a razão. não havia mais nada no universo. filho. Rousseau toma posição contra a teoria do estado de natureza hobbesiano. O homem natural também ignora o que é comum entre ele e um outro ser humano. O homem no estado de natureza deseja somente aquilo que o rodeia. Assim como o instinto é o instrumento de adaptação humana à natureza. a razão é o instrumento de adaptação humana a um meio social e jurídico. mas não é inclinável a ela. ele é anti-social. Para o homem natural. Parte I). se quisessem. Além disso. o homem natural já possui todas essas características. ao ambiente social. os desejos do homem no estado de natureza são os desejos de seu corpo. Para viver em sociedade. O homem natural é um ser de sensações. é preciso a razão ao homem natural. mas eles são apenas potenciais.autodidatasuíço. A razão. " (Ensaio. portanto. IX) A compaixão não poderia ser relevante fora do pequeno círculo. mas estes raramente aconteciam. reduzida apenas às sensações. Esse instinto é individualista. A definição da natureza humana é um equilíbrio perfeito entre o que se quer e o que se tem. O estado de natureza O estado de natureza. A cabine continha todos os seus companheiros … Fora eles e suas famílias. O homem é sociável. uma fêmea e o repouso". Ele não sente o desejo. O homem tem o instinto natural. Estas são as únicas coisas que ele poderia "representar". como um ser humano também). como os homens não se encontravam com praticamente ninguém. "Eles tiveram a ideia de um pai. atacavam em seus encontros. vestido. e a sua inteligência. a humanidade para no pequeno círculo de pessoas com quem ele está no momento. mas é associável: "não é hostil à sociedade. Até então. a natureza de si corresponde perfeitamente ao exterior. o homem natural não pode prever o futuro ou imaginar coisas além do presente. Rousseau sugere que o homem natural não é sequer capaz de se distinguir de outro ser humano. não pode sequer ter uma ideia do que seria tal associação. e podem se tornar as virtudes sociais. a linguagem e a sociedade.

Essa convenção é formada pelos homens como uma forma de defesa contra aqueles que fazem o mau. nata. que são nomeados como ―vontade geral‖. publicada em 1762. Feito o pacto. Em contrapartida a essas adequações. O povo. que concerne o tratamento que ele dá aos outros e a sua própria sexualidade. A principal conclusão desse livro é a partir do oitavo capítulo. No segundo livro ―Onde se trata da legislação‖. uma nova noção: a de que a personalidade do indivíduo. no capítulo décimo. garantindo os direitos de todos os cidadãos. composto de nove capítulos. No primeiro livro ―Onde se indaga como passa o homem do estado natural ao civil e quais são as condições essenciais desse pacto‖. que forma de governo funciona melhor – para Rousseau. a tomada de consciência da importância dos sentimentos de amor e ódio na construção da sociedade humana e no seu desenvolvimento pessoal. Dessa forma. o que representa o limite do poder de tal governante: ele não pode ultrapassar a soberania do povo ou a vontade geral. tem interesses. e como ele haveria de a recuperar. porque em última análise. a corrupção dos governantes quanto à vontade geral é criticada. que garante o sentimento de autonomia do homem. foi ele quem a criou. na sociedade do século XVIII. Mais a frente no livro. A conclusão é que. não seja prejudicada. o autor aborda os aspectos jurídicos do Estado Civil. a aristocracia em Estados médios e a monarquia em Estados grandes. garantindo-se o direito de tirar do poder tal governante corrupto. o autor mostra como o abuso dos governos pode degenerar o Estado. propõe que todos os homens façam um novo contrato social onde se defenda a liberdade do homem baseado na experiência política das antigas civilizações onde predomina o consenso. é formada na infância. pode-se discutir o papel do ―soberano‖. e suas características e princípios. em doze capítulos. essa abertura para o debate moderno sobre a divisão do amor entre amor conjugal e amor passional. a aristocracia e a monarquia. se refere às possíveis formas de governo. como algo paradoxal ao direito. e enfim. corresponde ao livro terceiro. o ―soberano‖ tem que agir de acordo com essa vontade. Ainda. em que tipo de Estado. que é indivisível. já no quarto capítulo. se recuperando a liberdade. o povo é submisso à lei. [editar]O Contrato Social A obra Do Contrato Social. É a ocorrência do pacto social. que é o que mais beneficia a sociedade. e como este deveria agir para que a soberania verdadeira. Rousseau condena a escravidão.[editar]Amor e ódio Não há dúvida de que Rousseau fez soprar um vento revolucionário sobre as ideias de amor e ódio: ele debate a sexualidade como uma experiência fundamental na vida do ser humano. A terceira análise rousseauniana. o povo é quem escolhe seus representantes e a melhor forma de governo se faz por meio de uma convenção. Primeiramente se aborda a liberdade natural. como ele a havia perdido. então. que pertence ao povo. a soberania do povo. é destacado no capítulo nono que o principal objetivo de uma sociedade política é a conservação da propriedade de seus membros. e se desdobra em quatro livros. Assim. do ser humano. Pode-se atribuir a Rousseau a tentativa de estabelecer. sendo a lei a condição essencial para a associação civil. a democracia é boa em cidades pequenas. se esse é o limite. na verdade o principal motivo que leva à passagem do estado natural para o civil é a necessidade de uma liberdade moral. que são a democracia. . As principais ideias são desenvolvidas a partir de um princípio central. Evidentemente. Além de uma forma de defesa.

advindas da propriedade privada e do poder que devido a ela as pessoas (ricos proprietários) passam a exercer sobre outras pessoas (pequenos proprietários e despossuídos). A inspiração causadora das revoluções se baseiam principalmente no conceito da soberania do povo. Rousseau em o Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens. O isolamento entre os indivíduos só era quebrado para fins de reprodução. p. ou seja. a liberdade natural caracteriza-se por ações tomadas pelo indivíduo com o objetivo de satisfazer seus instintos. Foi grande a influência política de suas ideias na França. o homem selvagem viveria isolado e por isso. 2002. 101) Ao perder uma disputa com outros indivíduos o sujeito não consegue exercer a sua liberdade. moldando a natureza. Também não haveria tendência ao conflito entre os indivíduos isolados quando se encontrassem. pois sendo auto-suficientes não tinham outra necessidade para viverem em agrupamentos humanos. o fato de conseguir satisfazer suas necessidades sem estabelecer conflitos com outros indivíduos. isto é. p. 160 ) A consciência no estado selvagem não estabelece distinção entre bem ou mal. obtendo as satisfações de suas necessidades. O homem neste estado de natureza desconsidera as consequências de suas ações para com os demais. Não havia cidadania neste período présocial (esse período. Outra característica é a sua total liberdade. na concepção de Rousseau. justamente. . sem escravizar e não sentindo vontade de impor a sua força a outros para sobreviver e ser feliz. com o objetivo de satisfazer suas necessidades. Foi a partir do isolamento que o homem adquiriu qualidades como amor de si mesmo e a piedade. afirma que ―a maioria de nossos males é obra nossa e (…) os teríamos evitado quase todos conservando a maneira de viver simples. Liberdade natural Para Rousseau. como Locke e Hobbes acreditavam. não é difícil entender porque certas pessoas chamam a obra de ―a Bíblia da Revolução Francesa‖. desde que tenha forças para colocá-la em prática.2005. instituições ou costumes que se sobrepõem às vontades individuais para a manutenção do ―bem coletivo‖. não faz sentido pensar em um bem coletivo. basta apenas deter os meios e adquirir força suficiente para realizar os seus desejos. Não há regras. o homem se completa com a natureza .‖ (SAHD. uma vez que a liberdade nesse estágio se estabelece a partir da correlação de forças entre os indivíduos. devido à relação de comunhão com a natureza. o que faz o indivíduo em estado de natureza parecer bom é. uma vez que tal distinção é característica do indivíduo da sociedade civil. é firmado o contrato social. ―O homem realmente livre faz tudo que lhe agrada e convém.Observando as ideias contidas no livro O Contrato Social. Para Rousseau. para Rousseau. pois seus simples desejos (necessidades) seriam satisfeitas com pouco esforço. mudando o direito da vontade singular do príncipe para a vontade geral do povo. [editar]Transição do estado de natureza para o estado civil A transição do estado de natureza para a ordem civil transforma a liberdade do sujeito. uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza‖ (ROUSSEAU apud LEOPOLDI . portanto não é um estado a ser superado. Para evitar as desigualdades. ocorrendo durante um período de ―guerra de todos contra todos‖ que se iniciou com o estabelecimento da propriedade privada e da ausência de instituições políticas e de regras que impedissem a exploração entre as pessoas. Vale ressaltar que. não tem a vontade e nem a obrigação de manter o vínculo das relações sociais. existente antes do contrato social. Contudo. se caracterizava por uma vida comum de disputas pela propriedade e pela riqueza).

p.‖(ROUSSEAU. As principais decorrências do estabelecimento da vida comunitária. assim não haveria como estabelecer o contrato social se os indivíduos permanecessem apenas centrados no amor próprio e agindo de forma irrestrita na satisfação de suas necessidades . na aristocracia). Tal contrato é para Rousseau o que forma um povo enquanto tal. Portanto. Em suma o que aparece no Contrato Social como pensamento racional-moral diz respeito às capacidades de compreensão (sensorial e lógica). da segurança e da igualdade entre os sujeitos em coletividade. Esses são decorrentes da organização e do acordo vigentes na constituição do povo. a partir do contrato social que orienta a constituição do Estado e da legislação. como outrora. medidas utilitárias para a ação política dos indivíduos e do Estado. baseado na igualdade. como também devem pensar nas consequências de seus atos em relação a outros indivíduos e reconhecer a necessidade da convivência com estes outros indivíduos. No que tange ao indivíduo a sua forma de viver é alterada quando a vida coletiva potencializa as suas capacidades intelectuais. Um dos aspectos normativos do projeto rousseauniano é o de querer demonstrar a lógica dos princípios políticos do Estado e. Assim estipula uma reformulação nas instituições políticas que não dá conta do problema econômico-político. segundo Rousseau. Referindo-se a lei. estipular que a igualdade se dê juridicamente mesmo reconhecendo que o princípio da desigualdade decorrente da propriedade privada ainda se mantém na ordem civil. da desigualdade de recursos e de propriedades. Aqui Rousseau estabelece um princípio de organização das instituições políticas. delineado pelo próprio Rousseau. [editar]Liberdade civil Na resolução do estágio de conflito generalizado é estabelecido o contrato social. 36) Esta perda representa não apenas o desenvolvimento de faculdades racionais e emocionais do indivíduo como também abre os precedentes para toda a violação da liberdade. se dão tanto no desenvolvimento (da consciência. A própria ordem civil seria inviável se os sujeitos não possuíssem tais capacidades cognitivas e afetivas e. Se bem que neste ponto o argumento rousseauniano não é totalmente claro quanto às causas e aos efeitos. aos direitos e aos deveres de cada indivíduo são estipulados na lei. de ação (individual e coletiva) e de comunicação dos sujeitos que exercem tais faculdades nas suas relações dentro da ordem civil. da afetividade e dos desejos) de cada indivíduo quanto nas novas organizações e ações que se impõem aos sujeitos com advento da vida em sociedade. pois ao mesmo tempo em que é preciso que o homem abandone alguns de seus instintos naturais e aprenda a limitar a sua liberdade em função da sua necessidade do outro. sendo precedente a formação do Estado e do governo. de formulação racional. Sua intenção é estabelecer um padrão das leis (que seria uma forma de superar as oposições entre indivíduo e Estado). os indivíduos têm de ter uma consciência e um amor não apenas de si. Para Rousseau. a justiça estabelecida na lei deve . Rousseau não considera as leis vigentes satisfatórias (leis instituídas na monarquia.Na transição para a vida em sociedade Rousseau é claro em escrever que: ―O que o homem perde pelo contrato social é a liberdade natural e um direito ilimitado a tudo quanto aventura e pode alcançar. por exemplo. simultaneamente. O que com ele ganha é a liberdade civil e a propriedade de tudo o que possui. somente a vida em sociedade permite o desenvolvimento de tais capacidades. no qual a organização de um povo em relação à propriedade. 1978. sendo esse critério indispensável para o contrato social.Ele buscava a liberdade e a igualdade. isso ocorre tanto como causa quanto como efeito do contrato social.

Tal princípio de separação. p. by representatives. e pela qual cada um. (ROUSSEAU. 1982. cada cidadão deve ―doar-se‖ completamente. Uma vez que um dos principais objetivos do contrato social é garantir a segurança e a liberdade de cada indivíduo.INTRODUÇÃO O presente trabalho visa. as leis devem representar toda a sociedade.ter reciprocidade entre os indivíduos. Mas para isso. isto é. 158). só obedece contudo a si mesmo. Vale ressaltar que o fator limitante da liberdade civil é a vontade geral. o problema fundamental cuja solução o contrato social oferece‖. Tal separação é o que garante a igualdade política a cada pessoa que passa a ser um cidadão de direitos e deveres na esfera pública e com liberdade comercial e livre expressão de ideias. entretanto. a partir de seus interesses particulares. Esse. constitui a base necessária da verdadeira liberdade individual. o contrato social não apenas iguala todos os cidadãos. tanto o soberano quanto os súditos. como também fortalece a liberdade de cada indivíduo.‖(NISBET. Portanto. Rousseau não descarta a possibilidade de ―guias‖ para a tomada de decisões. Porém. submetendo-se ao padrão coletivo. as leis estabelecidas no contrato social asseguram a liberdade civil através dos direitos e deveres de cada cidadão no corpo político da sociedade. 1978. Para tanto deve ser capaz de exercer tal poder sem beneficiar-se. O Estado. o legislador não deve tornar-se um governante autoritário afastado do corpo político.‖(HARRISON. unindo-se a todos. mas também pelos interesses do corpo político. Tal legislador teria uma das tarefas mais exigentes na sociedade: estipular regras e normas que limitam a liberdade de cada indivíduo em nome do bem desses. p. it seems. have to be made. Sendo que para Robert Nisbet: ―Esta predominância do Estado na vida do indivíduo não constitui. 32) Contudo o contrato de Rousseau oferece outra solução: a separação nominal jurídica do público e do privado . assegura a liberdade de cada cidadão através da independência individual privada e da livre participação política. contribuir no sentido de trazer à lume alguns tópicos da filosofia do Direito na obra de Immanuel Kant. sendo consideradas como vontade geral (não no sentido de uma união das vontades individuais e sim da vontade do corpo político ). ―Encontrar uma forma de associação que defenda e proteja a pessoa e os bens de cada associado com toda a força comum. pois a liberdade no estado civil não se dá apenas pelos interesses particulares. permanecendo assim tão livre quanto antes. na qual os laços de sangue e de parentesco determinavam o tratamento político diferenciado e limitavam a participação política de cada cidadão. de forma despretensiosa. ―The laws. além de ser uma tentativa lógica de equacionar o problema – liberdade e igualdade – é um pesado ataque a ordem política feudal. as well as be executed. despotismo. uma vez que ela visa à igualdade (o que torna os indivíduos realmente livres). 1995. p. tal como é proposto por Rousseau no Contrato Social. uma vez que é um indivíduo único. I . Por isso. ainda que a última seja limitada por normas. 61). Assim. cada um tendo seus direitos e deveres. fazendo com que o legado jusfilosófico . um Legislador que possua uma ―inteligência superior ‖.

O conhecimento. obscureciam a verdade. inicialmente. em que não haverá mais a dualidade de sujeito e objeto. predominavam: o Racionalismo dogmático de DESCARTES. de alguma forma. Cumpre-nos. como mais tarde viria a ser conhecido. Os racionalistas acreditavam que a busca das verdades absolutas poderia (e deveria) ser feita sem a intervenção dos sentidos que. Partindo deste raciocínio chegaríamos à conclusão que o todo na filosofia de LEIBNIZ corresponderia à figura de Deus que. Passado alguns anos. na mesma Universidade. entendido tal conceito na forma esboçada por ROBERTO AGUIAR (1). o que dispensaria a . para a doutrina racionalista. lecionando durante 26 anos e falecendo em 12 de fevereiro de 1824. Nascido em Koenisgberg. ESPINOZA professava que "se encontrará a possibilidade de atingir as coisas particulares partindo do todo concreto. de certa forma. é nomeado para a cátedra de Matemática. obstaculizavam o conhecimento e. pois no todo estes dois são idênticos" (2). unificaria as idéias e os seus objetos. como também na aplicação do Direito enquanto realização do justo. contribuir não só para o desenvolvimento da problemática jurídica enquanto questão essencialmente teórica. por volta de 1770. dedicando-se inicialmente a Teologia e posteriormente às Matemáticas.O DESENVOLVIMENTO FILOSÓFICO O filósofo das três críticas. a razão. situar Kant dentro do panorama filosófico de sua época para que possamos ter uma visão contextualizada da importância de sua obra. HUME E LOCKE. às Ciências Naturais e à Filosofia. por conseguinte. que mais tarde trocaria pela de Lógica e pela de Metafísica. inspirou-se para a construção do seu sistema filosófico nas correntes que. seria fruto de uma simples faculdade. através do seu conceito. até então.deste "Copérnico" venha. e educado sob o espírito pietista que caracterizava o protestantismo alemão da época. em 22 de abril de 1724. na Alemanha. LEIBNIZ E ESPINOZA e o Empirismo cético de BACON. II . em 1740 ingressa na Universidade de Koenigsberg.

os fenômenos. Kant deixou-se levar pelo racionalismo dogmático tendo. como assevera IRINEU STRENGER: "tecia uma rede metafísica e racional em torno do conhecimento de Deus. Cria-se na razão como uma fé. para os empiristas. fazendo confluir as doutrinas filosóficas anteriores. não se colocaria mais o problema do conhecimento da "coisa em si". Daí o ceticismo desta corrente. a sensibilidade. logicamente. não conseguiu criar uma teoria que explicasse a própria razão como elemento inconteste de todo o conhecimento. Durante a primeira parte de sua atividade filosófica.causalidade entre as coisas e o conhecimento. A primeira corrente. Quanto mais próximos dos sentidos e. mais tarde. afirmava que todo o conhecimento partiria da experiência. responderia ao anseio filosófico de Kant. ao se ater somente à razão humana. por seu turno. através da experiência. essa necessidade e universalidade não derivaria da experiência. porque o intelecto somente conseguiria atingir. aquilo que se perceberia sensorialmente. precisamente com BACON. do mundo e da alma humana. se vistas isoladamente. contudo não formulava princípios seguros que embasassem sua teoria: tendo a matemática e a física verdades necessárias e universais e sendo os dados da experiência contigentes e particulares. procurando uma resposta ao problema que ora se colocava: como chegar ao conhecimento sem cair nas antípodas do racionalismo e do empirismo. os empiristas creditavam todo o sucesso das suas investigações filosóficas à experiência. A Segunda corrente. o conhecimento seria fruto de uma outra faculdade. Assim. teriam uma outra fonte e qual seria esta? (5) É exatamente neste ponto do seu desenvolvimento filosófico que Kant aparece com suas três Críticas. Por outro lado. mais distantes da razão. A resposta vem com a Crítica da Razão Pura . Com os empiristas e. mais seguro seria o conhecimento. que alguns autores costumam dividir em quatro (3). sem ocorrer uma averiguação indagando com que direito confiava cegamente na pura razão humana em assuntos que sobrepassam todo os limites da experiência possível" (4). sido desperto deste sono através do empirismo cético. Ocorre que nenhuma destas correntes.

mas a liberdade do arbítrio. essencialmente teorética. Assim. "Nessa relação os dados objetivos não são captados por nossa mente tais quais são (a coisa em si). enquanto fenômeno. Só apreendemos o ser das coisas na medida em que se nos aparecem.da crítica fundando uma teoria do conhecimento imune às questões da compreensão do ser inscritas no indizível.(1781). mas configurados pelo modo com que a sensibilidade e o entendimento os apreendem. é incognoscível. já que nosso intuito não é precisamente esboçar a teoria filosófica de Kant. que não tem por objeto a natureza. Crítica da Razão Prática (1788) e Crítica do Juízo (1790). a tarefa prescutora das possibilidades do conhecimento delimitou o alcance da ciência . A problemática do conhecimento em Kant é colocada de forma clara na obra de HABERMAS : "Com Kant. quanto uma filosofia prática. deduzidos pela razão da experiência. enquanto que a razão prática deveria abranger os princípios puros do exercício da razão pura prática no campo da Moral e do Direito. que proporciona os princípios básicos de sustentação a uma metafísica dos costumes. Com estas três obras Kant procura tanto responder a uma filosofia especulativa. a doutrina do Direito encontra-se inserta na obra kantiana na efetivação da razão prática. uma filosofia prática. o 'númeno'. . pressuporá e requererá uma metafísica dos costumes" (6) Vista como uma síntese da sensibilidade e do entendimento o conhecimento em Kant corresponde a uma correlação entre o sujeito e o objeto. apenas a manifestação fenomenológica das coisas. isto é. que dentro do sistema kantiano a razão pura haveria de ser um conjunto de conceitos puros "a priori". Assim. a coisa em si." (7). mas tão somente verificar a contribuição de seu pensamento para a filosofia do Direito. o absoluto. em síntese apertada. arriscamo-nos a comentar. Superficialmente. Ao justificar esta metafísica Kant assevera: "se um sistema de conhecimento 'a priori' por puros conceitos se chama metafísica. adaptando-se estas à nossa faculdade e não o contrário (revolução corpernicana). Não conhecemos a realidade essencial.

A metafísica teórica torna-se impossível. Na palavras de CARLOS LOPES DE MATOS :"Dos fenômenos para uma realidade essencial há um passo que não podemos dar na hipótese do realismo mediato: esta realidade fica sendo incognoscível. agora com HUSSERL. Desta forma a filosofia se presume um conhecimento antes do conhecimento. tentando deduzir o 'dever ser' do 'ser'. através da fenomenologia jurídica. colocando o 'ser' como inatingível pelo pensamento humano. já que aquele permanece prisioneiro de suas próprias formas subjetivas de pensar. que o pensamento kantiano . Cria-se. (10). apenas as ciências tem valor. volta-se intencionalmente para os objetos individuais. como o fez brilhantemente KELSEN (11). inconteste. Em conclusão. podendo desta forma captar o eidos. permitindo uma correspondência entre o 'ser' e o 'dever ser'. ou buscando uma saída para a superação desta dicotomia. repercute no pensamento jurídico. sobremaneira nos trabalhos do jurista alemão ADOLF REINACH (13). é que se vai superar a ruptura kantiana. a liberdade e Deus" (9). Resta. Veremos mais adiante que esta revolução copernicana opera-se com Kant principalmente na Ética. entre o ser e o pensar. vem influenciar de forma explícita o pensamento jurídico de sua época. Esta ruptura laborada por Kant. mas na racionalidade do Subjetivo" (12). o 'dever ser' não pode ser deduzido do 'ser'. abrindo entre si e as ciências um domínio próprio do qual se vale para passar a exercer funções de dominação" (8). a essência ideal do objeto. O Ego. um fosso intransponível entre a "coisa em si" e o fenômeno. colocando-os em parênteses e.indecifrável e ilimitado mundo metafísico. reduzindo o Direito a um mero 'dever ser'. já que para Kant isto seria impossível: "Para Kant. não se assenta na estrutura do fato. Somente com HUSSERL. só se refazendo as verdade metafísicas por exigência da razão prática: o dever supõe a alma imortal. tentando relacionar os dois mundos separados. Os filósofos do Direito após Kant passam a se posicionar ou segundo este. através da fenomenologia de Husserl. que publicou um livro no qual o Direito era tomado através de uma ótica fenomenológica. assim. sem relação com o 'ser'. enquanto que o 'dever ser' impõe-se à vontade humana. ou mais precisamente. Esta tentativa de superação da dicotomia kantiana. pois.

MIGUEL REALE. em artigo lapidar. pontua "É sabido que uma das contribuições fundamentais e decisivas de Kant consiste no reconhecimento da função ativa e constitutiva do espírito. (14) A teoria transcendental de Kant. poder ser. seguindo o desenvolvimento lógico do pensamento kantiano analisemos. a idéia contida na Crítica da Razão Pura. mas como 'consciência em geral'". um método. Trata-se de investigar a possibilidade da existência de princípios 'a priori' do agir humano. Entretanto. Nesta obra toda investigação filosófica de Kant se volta para a correlação entre a objetividade da experiência possível e as condicionalidades 'a priori' e constitutivas próprias do eu puro ou da consciência em geral. que tem por objeto o conhecimento humano. pondo em correlação necessária a 'experiência possível' com 'as condições lógicas de possibilidade' inerentes ao sujeito cognoscente consideradas de maneira universal. quanto no intuito de superá-las. para a determinação da experiência e a constituição fenomênica dos objetos. de partimos para A Critica da Razão Prática.além de originalmente ter contribuído para o desenvolvimento da filosofia do Direito. se a razão pura. enquanto dotado da faculdade de síntese ordenadora dos dados sensíveis. a segunda pergunta é que assume forma relevante. prática. na Revista Brasileira de Filosofia. Este estudo será o objeto da CRÍTICA DA RAZÃO PRÁTICA. que visa encontrar a possibilidade de juízos que venham revelar um conhecimento universal . contudo. não como individualidade empírica. isto só é possível na medida que exista uma razão pura prática. independente de qualquer motivo. na verdade. Apesar de ter publicados trabalhos anteriores é somente como a CRITICA DA RAZÃO PURA que Kant revela os três pontos de sua investigação filosófica : Que posso conhecer? Que devo fazer? E o que me é permitido esperar? Para a esfera do trabalho a qual nos propusemos. isto é. despertou entre juristas da época e posteriores efervescentes discussões jusfilosóficas tanto no sentido de depurar as suas teorias. isto é. constitui. Antes. mesmo que superficialmente.

es decir. conoceria cosa externas. contudo tais atributos. tornando possível o próprio conhecimento da experiência. a mesa é de madeira. em razão do seu próprio fundamento. mas o que precede toda experiência. Já nos juízos sintéticos 'a priori' o atributo acrescenta algo ao sujeito. têm a particularidade do atributo acrescentar ao sujeito algo que anteriormente não lhe pertencia (ex. com Kant. ainda. as próprias formas e validades de se conhecer. as categorias 'a priori' (espaço e tempo) com as quais o entendimento apreende e conhece as coisas. seu objetivo. Na obra em comento. si fuese inmanente. que servirão de estrutura para o desenvolvimento de toda sua teoria. Há. sólo conocería ideas (lo que hay en mí). Juízos analíticos são aqueles em que o atributo explicita o que já se encontra no sujeito (ex. a cadeira é pesada).e que não seja tão somente um desdobramento do próprio conceito. "Si el conocimiento fuese transcendente. como é o caso da matemática e da física. Em Kant a metafísica ontológica é substituída pela metafísica transcendental que não se arroga mais no interesse de conhecer os objetos transcendentes. Já os juízos 'a posteriori' têm na experiência o seu fundamento de validade. Kant define os juízos 'a priori' e 'a posteriori'. Nos juízos sintéticos 'a posteriori' a experiência me ensina que os atributos convém ao sujeito. conoce los fenómenos. Assim. Os juízo sintéticos. isto é. os corpos são extensos. O Juízo 'a priori' constitui o conhecimento universal e necessário que não funda sua validade na experiência. lo que se me aparece como fenómeno" (15). mas de uma forma universal e . os juízos analíticos e sintéticos. las cosas en mí. do sujeito no predicado. A Critica da Razão Pura foi escrita exatamente para determinar as possibilidades do conhecimento e os fundamentos de sua validade. em última análise. não podem ser considerados necessários e universais. Nestes casos o predicado já se encontrava contido no sujeito. por sua vez. Mas el conocimiento es transcedental. a esfera é redonda). pode-se afirmar que para Kant transcendente não é o que extrapola os limites da experiência possível. se encontra voltado agora para a estrutura do sujeito transcendental e.

a qual afirma que somente será possível se a razão pura for também prática. a não ser sua própria força interna. Ultrapassando a Crítica da Razão Pura Kant vai se ater na ação moral. colocando-o em cheque. centralizava-se principalmente sobre o objeto enquanto Kant. o processo de interiorização do "eu". A filosofia volta-se ao próprio conhecimento. são o desenvolvimento paralelo dos conceitos de Direito e moral. Suas principais preocupações e. A metafísica passa a ocupar-se do estudo do sujeito transcendental (filosofia transcendental). que voltara os olhos para a práxis humana ao invés dos deuses (17). III . Nesta obra o filósofo alemão retoma alguma conceitos já discutidos na Crítica da Razão Prática e os aprofunda. ou seja. Coloca a moral em 1ª pessoa ocorrendo. Este é o objeto de análise da Crítica da Razão Prática que passa a ser estudada na segunda fase do desenvolvimento de sua filosofia e é precisamente na razão prática que vai se situar o nascedouro de toda concepção jurídica kantiana. desenvolvida ulteriormente na Metafísica dos Costumes. delimitando seus campos . contribuições.necessária (16). Como dantes afirmado. revolucionariamente. bem como a forte educação pietista que recebera enquanto jovem. por conseguinte. O desenvolvimento da filosofia moral desde SÓCRATES. Não se pode negar a influência de ROUSSEAU nesta fase do desenvolvimento filosófico de Kant. a revolução corpernicana realizada por Kant ocorreu sobremaneira na Ética. se ela não depender de nenhum fator externo. questionando os fundamentos de validade do próprio pensar.A FILOSOFIA JURÍDICA A filosofia jurídica kantiana propriamente dita teve seu início na Crítica da Razão prática mas é principalmente no Metafísica dos Costumes (18) que Kant aprofunda o seu estudo jusfilosófico . assim. Com Rousseau aprende que a dignidade do homem esta fundada na sua moralidade. passa a visualizar o assunto sobre o enfoque do sujeito.

obedecendo à lei do dever. comentando a moral dentro da visão kantiana. posto que condicionada por fatores externos de exigência da mesma. Esta exige apenas que se atue de acordo com a lei. que eu me conforme a isso por respeito por ela" (19). encontra-se no plano jurídico da legalidade. que as nossas ações estejam materialmente conformes com o dever. mas que nós a façamos por interesse ou inclinação: é o que se passa com o comerciante que vende ao preço justo para manter a sua clientela. Afirma que a vontade jurídica é heterônima. Kant observa que o verdadeiro critério diferenciador entre moral e direito é a razão pela qual a legislação é obedecida. enquanto consciente de sua própria existência e liberdade: uma legislação interna e uma legislação externa. libertas de toda mistura empírica e. RAYMOND VANCOURT. enquanto a segunda revela-nos o Direito. O paralelo entre moral e Direito norteia toda a obra jurídica deste autor. dentro .e traçando suas características fundamentais e a idéia da coação como nota essencial do Direito. tendo a liberdade como ponto nodal e pano de fundo desta relação. Kant observa na primeira parte da Metafísica dos Costumes que existe uma dupla legislação atuando sobre o homem. de foro íntimo. A moralidade exige mais: que eu me conforme com e espírito e a letra da lei. com leis que visão a regulação das ações externas. de fato. enquanto que a vontade moral é autônoma. já que o móbil desta é o dever pelo dever. Desta forma a mera concordância com a norma. Compreender as condições que estão submetidas o homem. A primeira diz respeito à moral (ética no sentido estrito). Resta-nos a pergunta. por que se age por dever(moral) e conforme o dever (jurídica) e não de forma diversa? A Metafísica dos Costumes tem por objeto o estudo dos princípios "a priori" da conduta humana. ou com o homem que ajuda o seu próximo unicamente por simpatia. pouco importando as intenções. independente do móbil. expõe: "Pode acontecer. enquanto que para o plano ético exige uma concordância com valores internos independente de inclinações. Comportando-se desse modo eles permanecem no plano da legalidade.

seus princípios são erigidos à categoria do universal. Introduz. A vontade. (20) Assim. a norma jurídica tem como regra um dever exterior. na concepção kantiana. que a moral (ética no sentido estrito) kantiana é visualizada sob uma ótica puramente formal. a existência do dever como uma forma "a priori" da razão. assim. Em outras palavras. concebida como desprovida de conteúdo e não se determinando por nada do exterior. os princípios desta moral partem do próprio sujeito. Por seu turno. como assevera JOAQUIM SALGADO. diferentemente da legislação moral que tem como princípio fundamental o imperativo categórico (22). portanto. O dever moral é formal (dever por dever). que traduz-se no imperativo categórico traduzido por ele nos seguintes termos: "obra conforme a una máxima tal. já que não são ditados pela sensibilidade. enquanto postulado da razão pura prática. mas por si mesma é vontade pura. tratam-se de conceitos derivados da vontade pura ou "a priori" da razão. a qual não é dada de fora por algum objeto ainda que esse seja concebido como bem supremo". Concluímos. precisa ser desprovida de conteúdo: "O ato moral tem de nascer da própria vontade que. Agindo eticamente o homem não age por si próprio mas por toda a humanidade. constitui a própria razão pura prática e sendo ela a mola propulsora da ética. agindo-se apenas por respeito ao dever. esta ética para ser universal não pode ter a sua vontade dependente de uma matéria. Ao agir sobre tal ordem o homem cria princípios universais que devem ser seguidos por todos. a moral que estava centrada no individual e subjetivo agora com a razão torna-se universal e objetiva. sem contudo poder ser considerada subjetiva. torna-se constituidora da ética. Por isso ela mesma cria a lei a que se submete. que a la vez pueda servir de Ley universal" (21). império de uma autoridade investida de poder coativo.destas condições. a vontade. Contudo. sem prescrição de nenhum conteúdo. a qual ocupa papel de destaque em sua filosofia. Não podemos esquecer que para Kant tanto o Direito quanto a moral têm a sua estrutura de justificação na . para Kant.

assim. já que o Direito só cuidaria das ações exteriorizadas. Ainda respondendo a indagação anterior. sob o imperativo categórico da razão. o imperativo categórico do Direito como decorrência lógica do imperativo categórico da moral: "Age externamente de tal modo que o livre uso do teu arbítrio possa coexistir com a liberdade de . mas que em toda estrutura do Direito a coação estaria inerente. contrario sensu. Não seria mais a faculdade de coagir quando alguém estivesse agindo contrário ao Direito. Kant afirma que o dever se assenta no princípio da liberdade. Kant pontua que a minha ação será justa se puder conviver com a liberdade do outro. (24) A pergunta que se coloca agora é como a coação entraria como nota característica do Direito se o conceito de liberdade encontra-se subjacente à idéia de Direito. ainda. age-se de acordo com a lei moral. como uma malha intrínseca permeando toda a ação humana que se projetasse para o exterior. somente quando esta é fruto da própria vontade e produto da vontade pura ou da razão pura prática.liberdade (23) e que a diferença entre um e outro reside no fato de que na moral a força coativa é interna e oriunda da própria razão pura prática enquanto que no Direito é externa e visa a garantia da liberdade do outro. Para Kant dever moral e dever jurídico não se diferenciam pela substância. Diferente de seus antecessores coloca a coação como nota essencial do Direito. respeitando-a. Mais tarde se afirmaria que o Direito não cuida tão somente daquilo que se exteriorizaria. Aduz. Kant assevera o caráter coativo do Direito e toma este como sua nota característica. trazendo-a para dentro do Direito. Cria. mas levaria em conta o próprio mundo da intenção. será injusta a ação do outro que me impeça de agir desta maneira. Por isso Kant fala mesmo de coação e não de coercibilidade. Para a ação moral o homem age por dever e para o Direito conforme o dever e para ambos os casos o dever só é cumprido porque derivada da vontade como razão pura prática. Entrementes. Retomando a doutrina do jurista alemão THOMASIUS. que o dever constitui uma vinculação humana à lei. sem a qual aquele não seria possível. projetadas para fora do ser humano (ao contrário da moral). segundo leis universais e.

Para Kant são três os elementos que compõe o conceito de Direito: "em primeiro lugar. O obstáculos ao obstáculo à liberdade é justo. Compatibiliza. na medida que se considera unicamente como livre e se. necessitando. para uma possível . Na busca do conceito de Direito Kant afirma a impossibilidade de encontrá-lo pela via empírica. ao fim de que cada qual se propõe com o objeto que quer. em segundo lugar. A procura deveria ser feita nos princípios "a priori" da razão pura prática. como sendo aquela não antagônica mas necessária mesma a idéia desta. o conceito do Direito não significa a relação do arbítrio como o desejo de outrem. nesta relação recíproca do arbítrio. porquanto concorda com a liberdade segundo leis universais. quando deveriam ter ido atrás daquilo que era essencial. "Além disso. na medida em que suas ações. a idéia de coação e liberdade. em terceiro lugar. como fatos. assim. enquanto legislação positiva. Direito e faculdade de coagir significam a mesma coisa" (25). ou seja. mas tão só com o arbítrio do outro. prescrevendo um complexo de condições através de uma liberdade formal de arbítrios. Demonstra-se o próprio caráter ético da coação dentro do Direito. Para ele o grande erro dos juristas de até então foi a procura do conceito na manifestação do Direito. por conseguinte. prática de uma pessoa com outra. (26) Acentua-se o caráter tipicamente formal do Direito para Kant. apenas com a observação do direito positivo. a coação é conforme ao Direito. Destarte.todos segundo uma lei universal". este conceito diz respeito somente à relação externa e. com isso. possam influenciar-se reciprocamente. portanto com a mera necessidade (bedürfnis). certamente. a coação que o outro me exerce. Assim. como nas ações benéficas ou cruéis. ação de um poder conciliarse com a liberdade do outro segundo uma lei universal". tudo aquilo que exerce coação à minha ação justa constitui um obstáculo à liberdade. independente de conteúdo. é um obstáculo à liberdade. contrária à minha ação justa. mas apenas pergunta-se pela forma na relação do arbítrio de ambas as partes. de uma coação contrária e justa.

uma vez que a influência deste filósofo germânico para a história do pensamento humano foi imensa. à liberdade do arbítrio de cada um coexistir com a liberdade de todos segundo uma lei universal" (27) IV . o tema é fonte inesgotável para todos os estudiosos da Filosofia e do Direito. descrevendo um paralelo entre moral e Direito. tomando esta como nota característica daquele. por fim. Ademais. Aprofundou e sistematizou a teoria de Thomasius.CONCLUSÃO Dentro daquilo que inicialmente foi proposto. Suas idéias foram decisivas no surgimento do idealismo alemão. Introduziu no conceito de Direito a idéia de coação. sua contribuição para a Doutrina do Direito foi incomensurável. . trazer à baila alguns pontos da filosofia Kantiana e a sua influência para o Direito. eram estas as considerações a fazer. A releitura de sua obra feita pelos neokantianos. a inspiração a movimentos filosóficos como a fenomenologia e o existencialismo já atestariam o tamanho da reviravolta que causaria este filósofo no desenvolvimento da filosofia moderna. ou cuja máxima permite.coexistência destes próprios arbítrios. ou seja. Assevera. complexo e extenso. reconhecendo que. o seu o conceito de Direito: "O conjunto de condições sob as quais o arbítrio de cada um pode conciliar-se com o arbítrio dos demais segundo uma lei universal da liberdade" e deste extrai o seu princípio universal: "Uma ação é conforme ao Direito quando permite. Sem mencionar que o conceito de liberdade e justiça não podem ser hoje estudados sem se ter como norte a obra deste pensador.