2147 – PENA – ROUBO – ARTIGO 157, § 2º, INCISOS I E II, DO CÓDIGO PENAL – PLEITOS DE PERDÃO JUDICIAL OU DE REDUÇÃO DE PENA – ARTIGOS 13 E 14, DA LEI

Nº 9.807/99 – ALEGAÇÃO DE QUE OS BENEFÍCIOS DESTES ARTIGOS SÃO APLICÁVEIS, NÃO SÓ AO CRIME DE EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO, MAS, TAMBÉM, AO DE ROUBO COM DUAS CAUSAS DE AUMENTO DE PENA – LIMINAR INDEFERIDA. “DECISÃO: 1. Trata-se de habeas corpus, impetrado pela

Procuradoria Geral do Estado, em favor de ROBSON GERALDINI DE OLIVEIRA, que estaria na iminência de ser preso em virtude do trânsito em julgado de decisão do Superior Tribunal de Justiça, nos autos do RESP nº 815.838. Conforme a inicial: “O paciente interpôs recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça postulando, em virtude do previsto nos artigos 13 e 13 da Lei nº 9.807/99, o reconhecimento do perdão judicial ou subsidiariamente a redução da pena que lhe foi imposta pela imputação da prática do crime previsto no art. 157, § 2º, incisos I e II do Código Penal. O recurso especial não foi conhecido, por entender o E. Superior Tribunal de Justiça que a análise da presença das circunstâncias previstas no art. 13, § único da referida lei exigiria análise de fatos e provas. Interpostos embargos de declaração demonstrando que a questão é estritamente de direito, a não incidir ao caso a análise do contexto fático-probatório, foram estes rejeitados sob argumento de não permitirem reexame de mérito. Interpostos novos embargos de declaração, ressaltando a natureza jurídica da discussão, foi apreciada a extensão da norma,

ARTS. . realidades distantes do tempo de consumação do tipo do art. 13 E 14 DA LEI Nº 9. INAPLICABILIDADE.807/99. não se aplicam ao roubo qualificado. pois a teleologia da norma buscou atender à situação permanente e duradoura do crime de extorsão mediante seqüestro.807/99. DISCUSSÃO ACÓRDÃO. fazendo jus o paciente à redução da pena ou a perdão judicial. Embargos acolhidos. Tribunal Superior sua aplicação por entender que 'a teleologia da norma buscou atender à situação permanente e duradoura do crime de extorsão mediante seqüestro'. FÁTICO. pois. a negativa deste ou daquela e a iminência da execução da pena estariam a desafiar a concessão de ordem liminar. porém para negar provimento ao recurso especial. situação visível pelo fato da colaboração se dar na investigação e no processo. INCONGRUÊNCIA COM O PERMISSIVO LEGAL. Entende a impetrante que da decisão adviria constrangimento ilegal ao paciente. 3-4). Os benefícios do perdão judicial e da diminuição da pena.restringindo o e. 2. 13 e 14 da Lei nº 9. 157. EXAME CONTRADIÇÃO. ACERCA DA EXTENSÃO DA NORMA.” (fls. PERDÃO JUDICIAL E DIMINUIÇÃO DA PENA. Não é caso de liminar. O acórdão está assim ementado: “EMBARGOS FUNDAMENTOS DO DE DECLARAÇÃO. sob a óptica dos arts. ROUBO QUALIFICADO.

pena reduzida de um a dois terços. 14. desde que dessa colaboração tenha resultado: I – a identificação dos demais co-autores ou partícipes da ação criminosa. gravidade e repercussão social do fato criminoso. 13 e 14 da Lei nº 9. 13.Os arts. sendo primário. Parágrafo único. porque. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do terá crime. A concessão do perdão judicial levará em conta a personalidade do beneficiado e a natureza. Art.” (grifei) A leitura superficial do art. tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e o processo criminal. no caso de condenação. não . conceder o perdão judicial e a conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que. II – a localização da vítima com a sua integridade física preservada. deveras. de ofício ou a requerimento das partes. Poderá o juiz. III – a recuperação total ou parcial do produto do crime. 13 poderia provar a tese da impetrante acerca da não limitação da norma benéfica aos casos de extorsão mediante seqüestro. Em primeiro lugar.807/99 têm a seguinte redação: “Art. circunstâncias. na localização da vítima com vida e na recuperação total ou parcial do produto do crime.

não impediria o favor em casos como o presente (de roubo). ao criar situação de perplexidade aos destinatários. ou não. porque o texto não indica. quer nos incisos. Análise mais detida sugere. o réu cuja colaboração conduzisse ao alcance de um só resultado dentre os previstos no art. de colaboração da qual resultasse a recuperação total ou parcial do produto do crime (inc. Esse relevo propicia tratamento . a localização da vítima com a sua integridade física preservada. o que. 14). cuja colaboração levasse à (a identificação dos a da punibilidade. todavia. É que. para a redução da pena (art. a redução da pena de um a dois terços! Ou seja. prima facie. teria direito. não se confirmar à luz da interpretação lógico-sistemática. que a única diferença relevante entre as hipóteses legais está na primariedade do colaborador. e não.há menção alguma a determinada espécie de crime. na hipótese. conceder-se-ia maior benefício a quem prestasse colaboração menos eficiente do ponto de vista dos resultados. 13). obtenção dos três resultados demais co-autores ou partícipes da ação criminosa. 13 (a identificação dos demais co-autores ou partícipes da ação criminosa. III). se fora correta. Tal inteligência parece. tão-somente. por exemplo. se os resultados seriam cumulativos. em segundo. exigida para o perdão judicial (art. ou a recuperação total ou parcial do produto do crime) faria jus a perdão judicial. localização da vítima com a sua integridade física preservada e a recuperação total ou parcial do produto do crime). quer no caput. porém. com conseqüente extinção e aqueloutro.

sem prejuízo do disposto no § único do art. 18 de abril de 2005”. 3.homogêneo e lógico acerca da exigência da somatória dos resultados para consecução de ambos os benefícios: acaso primário o colaborador. tem razão a impetrante. Cezar Peluso – decisão de 18. O crime pelo qual foi acusado e condenado o paciente não se enquadra dentre os que possibilitariam colaboração tal qual exigida pelos textos considerados. por que não consta dos autos que sua colaboração tenha conduzido a “localização da vítima com a sua integridade física preservada” (art. à PGR. se reincidente. Mas isso não invalida o entendimento de que só se aplicam a crimes em relação aos quais se possa identificar produto/s do crime. (b) uma vítima com a integridade física ameaçada e (c) Daí. Min. inc. Brasília. 11-12). redução da pena. ser-lhe-á concedido perdão judicial.04. págs 13/14). Tudo. Assim. é claro. Publique-se e intime-se pessoalmente o impetrante. 13. quando sustenta que os favores legais não estão vinculados a certa espécie de crime. Do exposto. por ausência de vítima com (cf. fls.05 – DJU 26. (STF – Medida Cautelar em HC nº 85. I). . 13.05. supra) (a) o concurso de agentes.04. Após. indefiro a liminar.701-9-SP – Rel. integridade física ameaçada (letra “b”.