José AFonso da Silva é Professor Titular aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde também foi responsável

pelo Curso de Direito Urbanístico em Pós-Graduação. É Procurador do Estado de São Paulo aposentado, além de ter sido Professor LivreDocente de Direito Financeiro, de Processo Civil e de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da UFMG. É membro do Instituto dos Advogados do Brasil, do Instituto dos Advogados do Pará e do Instituto Iberoamericano de Derecho Constitucional (cuja Seção Brasileira organizou e preside); do Instituto de Derecho Político y Constitucional da Faculdade de Ciência Jurídicas e Sociais da Universidade Nacional de La Plata (Argentina) e membro correspondente do Instituto de Derecho Parlamentario del Senado de la Nación Argentina e da Academía Nacional de Derecho de Córdoba (Argentina). Publicou várias obras, dentre as quais se destacam: Recurso Extraordinário no Direito Processual Brasileiro; Ação Popular Constitucional; Orçamento-Programa no Brasil; Do Recurso Adesivo no Processo Civil Brasileiro; Execução Fiscal; O Municipio e a Constituição; Mandado de Injunção e "Habeas Data "; O Prefeito e o Município; Principios do Processo de Formação das Leis no Direito Constitucional; Sistema Tributário Nacional; Tributos e Normas de Politica Fiscal na Constituição; além de inúmeros artigos, pareceres e colaborações em revistas especializadas, sobre temas de Direito Constitucional, Administrativo, Municipal, Financeiro, Tributário e Processual Civil. Além do já clássico Curso de Direito Constitucional Positivo (15<*-*> ed., 1998), é autor, também, do Direito Urbanistico Brasileiro (2ª ed., 2<*-*> tir., 1997), Direito Ambiental Constitucional (2ª ed., 2<*-*> tir., 1997) e Manual do vereador (4<*-*> ed., 1997), publicados por esta Editora. APLICABILIDADE DAS NORMAS CONStItUCIONAIS

MALHEIROS EDITORES <012> josé Afonso da Silva

APLICABILIDADE

DAS NORMAS CONS7'IT'UCIONAIS

3<*-*> ediFão, revirta, amj<*-*>liada e atuali<*-*>ada

:<*-*>f,:7 L<*-*>5<*-*>..-r = <*-*> MALHEIROS : <*-*> <*-*>EDiTORES <012> APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

¸ JOSÉ AFONSO DA SILVA 1 edição, 1967; 2<*-*> edição, 7982. ISBN 85-7420-045-X

Direitor rereruador desta edição por MALHEIROS EDITORES LTDA. Rua Paer de Araújo, 29, conjunto 171 CEP 04531-940 - São Paulo - SP Tel : (011) 822-9205 - Fax.' (011) 829-2495

Comparição pC Editorial Ltda.

Capa Criação: Vânia Lúcia Amato Arte: PC Editorial Ltda.

Impresso no Brasil Printedin Bra<*-*>il 04-1998 Em memória de DORACY DE MARIA DI MUNNO CORRÉA Ah, minha querida amiga, é como diz a .canção sertaneja: "Uma scdade é dor que não consola, quanto mais dói a gente quer lembrar". (Mourão da Porteira, Raul Torres e José Pacifico) <012> SUMÁRIO INTRODUÇÃO COLOCAÇÃODOTEMA ..... .......................... .... I - O tema ..... ..................... ................... ll - Limitcs de<*-*>indagaçào ............ .. ,............ Ill - Plano da monograEta ................................... N - Referências bibliográficas .............................. TíruLo I - CONSTITUIÇÃO E NORMAS CONSTITUCIONAIS Cnríruco I - SENTIDO E ESTRUTURA DAS CONSTITUIÇÕES I - Introduçào ............................................. ll - Constituiçào em sentido sociológico ...................... Ill - Constituiçào em scntido político ......................... N - Constituieão em scntido jurídico ......................... V - Conccito estrutural de constituição ............ ............. VI - Constituição em sentido formal .......................... VII - Constituição rígida e normas constitucionais.............. Cneiruc.o II - NATUREZA JURÍDICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS I - Norznas constitucionais...................................... II - Direito constitucional e constituição ....................... lll - Estrutura lógica e natureza das normas constitucionais ..... IV - Condiç<*-*>es de aplicabilidade das nomtas constitucionais .... V -- <*-*>ig<*-*>ncia ........... . . . ..................... . ... VI - "Vacatio constitutionis" ... . ........ ... . ........ VII - Legitimidade ..... . ................ ................ VIII - Eficácia ........ .. ...................... ... Tíruc.o II - EFICÁ CIA JURÍDICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS Cnrírut.o I - NORMAS CONSTITUCIONAIS QUANTO ,4 EFICÁCIA I - O problema da eficácia das norxnas constitucionais ......... ll - Normas constitucionais mandatórias e normas constitucionais diretórias Ill - Noimas constitucionais "self-executing" e "not self-executing" ... N - Concepção moderna sobre a eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais: o problema terminológico. . . ..

V - A tríplice característica das normas constitucionais quanto à eficácia c aplicabilidade ...................... . ... ...... 81 CArírul.o II - NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA PLENA I - Normas de eficácia plena na Constituiçào ............... 8R II - Características básicas 91 Ill - Natureza e conceito........................... 101 N - Condiç<*-*>es gerais de aplicabilidadc ................. 101 CnríruLo III - lVORM.4S CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA CONTIDA I - Razào desta classificaçào.. . ...... .. .. ...... 103 II - Características e enumeraçào........................... 104 llI - Razào da possibilidade de delimitaçào dc cficácia dcssas nonnas 114 IV - Natureza e conceito .............................. 116 V - Condiç<*-*>cs gerais de aplicabilidade ..... ...... 116 CneíruLo IV - NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA Seçào I -NORMAS CONSTITUCIONAIS DE PRINCÍPIO I - Probleina terminológico .. .. ................. II - Classificaçào das normas constitucionais de princípio ...... .. Ill - Normas constitucionais dc princípio, nonnas constitucionais <*-*>de princípios gcrais e princípios gerais do dircito constitucional .... Scção II -NORMAS CONSTITUCIONAIS DE PRINCÍPIO INSTITUTIVO IV - Outra vez o problema tenninológico ..... . V - Caracterizaçào e cxemplificaçào VI - Funçào, naturcza e conccito...... VII - Eficácia ....... VIII - Condiç<*-*>cs gcrais dc aplicabilidade ........... .... .. Seçào III - NORMAS CONSTITUCIONAIS DE PRINCÍPIO PROGRAMÁTICO <*-*><*-*> IX - Conccito ...... . ......... . ........................ X - Localizaçào das normas programáticas .......... .............. XI - Normas programáticas e direitos sociais ...................... XII - Normas programáticas e fins da ordem econômica e social ....... XIII - Disposiç<*-*>es programáticas c princípios constitucionais ..... XIV - Normas programáticas no sistema constitucional brasileiro ..... XV - Natureza dos direitos sociais .... . ............... ...... XVI - Juridicidade XVII - Funçào e relevância .. ............. ... .............. XVIII- Normas programáticas e rcgime político ........... ...... XIX - Nonnas programáticas e interprctaçào do Direito ............... XX - Normas programáticas e constitucionalidade das leis ............ XXI - Normas programáticas e leis anteriores incompatíveis .... .. ..... XXII - Condiç<*-*>cs gerais de aplicabilidade ............... .... Seção IV - INSTRUMENTOS DA EFICÁCIA CON S TlTUCIONAL XXIII - Questào de ordem ... .. .............. ...... XXIV - O ad. SQ, § 1'<*-*>, da Constituiçào ...................... XXV - Mandado dc injunçào ...................... . ......... ...... XXVI - Inconstitucionalidade por omissáo ....... . ............. . . . XXVII- Iniciativa popular........ . ......... . . ............ SUMÁRIO CAPÍTULO V - EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS E TUTELA DE SITUAÇ'ÊES SUBJETIVAS I - Programa II – Proteção jurídica dos interesses e direitos subjetivos

lll - Classificaçào e conceito dc situações subjetivas IV - Normas constitucionais de eficácia plena c tutela das situações jurídicas subjetivas V - Normas constitucionais de eficácia contida e proteção das situaç•cs subjetivas VI - Normas constitucionais dc princípio institutivo e tutcla das situaç<*-*>es subjetivas ................................ VII - Normas programáticas e tutela das <*-*>situaçôes subjetivas ... CneíruLo VI - ESTRUTURA NORMATIVA DAS CONSTITUI<*-*>ÊES E EFIC.4 CIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS I - Estnxtura c clcmentos das constituiç•es ................. II - Eficácia das normas constitucionais orgânicas ... . .. ...... - Eficácia das normas constitucionais limitativas ................... IV - Eficácia das normas constitucionais sócio-ideológicas ....... V - Eficácia das normas de estabilizaçào constitucional .... .. ...... VI - Eficácia das normas dc aplicabilidadc da constituiçào .... CnPíruLo VII - EFICÁCIA JURÍDICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS E ORDEM JURÍDICA I - Colocaçào do tcma ...... .............. II - Constituiçào c ordemjurídica......................................... Ill - Unidade da ordem jurídica e Estado ficdcral ........ . . IV - Validade fomial e material das nonnas jurídicas.......... V - Eficácia ab-rogativa das normas constitucionais .............. VI - Eficácia construtiva das normas constitucionass............... VI1 - Constituiçào vi<*-*>entc c nonnas constitucionais anteriores ... TíruLo III - .. . APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS E LEIS COMPLEMElVT ARES DA CONSTITUIÇÃO CnPíruLo I - INTEGRAÇÃO DA EFICtl CIA DAS NORMAS CONSTITUCIOl<*-*>ÁlS I I - Aplicaçào da constituiçào .... .. ......... ....... I II - Sistema de integraçào das normas <*-*>constitucionais ....... Ill - Leis integrativas das normas constitucionais ............. N - Leis complementares da constituiçào, conceito e espccies<*-*>.... i V - Leis complementares no direito constitucional brasileiro .... CAPíruc.o II - LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇ'ÃO FEDERAL I - O termo "lei" na Constituiçào Federal.......... í II - Referência às leis complementares na Constituiçào.... . Ill - Normas constitucionais dependentes de leis complementares . N -Naturezajurídica ............ ............... V - Conceito ... ...................... VI - Leis complementares e a Constituição ...... .............. . 245 vii - Leis complementares e leis constitucionais ........... 246 Vm - Leis complementares e leis ordinárias ............ . . ..... 246 IX -<*-*>Leis complementares e leis delegadas ......... .......... 250 X - Leis complementares e medidas provisórias .... ......... . 251 XI - Processo legislativo das leis complementares ......... .. .. 251 XII - Formação das leis complementares c promulgaçào das leis por decurso de prazo 256 CONCLUSÊES ... . .......................... ....... .......... .... 261

BIBLIOGRAFIA ... .......... ..... 265 INTROD UÇ'<*-*>4 O <012> COLOCAÇÃO DO TEMA I- O tema. II- Limites de indagação. III- Plano da monogrnfia. Ili- Referências bibliográf ヘ cas. I - O tema 1. Esta monografia se propõe a estudar a aplicabilidade das normas constitucionais. Aplicabilidade significa qualidade do que é aplicável. No sentido jurídico, diz-se da norma que tem possibilidade de ser aplicada, isto é, da norma que tem capacidade de produzir efeitos jurídicos. Não se cogita de saber se ela produz efetivamente esses efeitos. Isso já seria uma perspectiva sociológica, e diz respeito à sua eficácia social,<*-*> enquanto nosso tema se situa no campo da ciência jurídica, não da sociologia jurídica. 2. O tema não tinha sido tratado sistematicamente entre nós antes da 1<*-*> edição desta monografia. Fora suscitado apenas em aula do Pro<028> José Horácio Meirelles Teixeira (que citamos entre parênteses em diversas passagens da nossa monografia), segundo a fonnulação de Crisafulli consoante se revela com a publicação de seu Curso de direito constitucional, Rio de Janeiro, Forense Universitária, 199 I, organizado a partir de apostilas de suas aulas e atualizado pela Profa. Maria Garcia, pp. 285 e ss. Esta inonografia teve uina repercussão nacional e internacional que nos suipreendeu. Mais surpreendente para nós foi sua intensa utilização nos tribunais; mas, apesar de sempre inuito citada pela doutrina e jurisprudência, não provocou inelhores estudos sisteináticos sobre o teina - coino, aliás, reconhece Luís Roberto Baizoso,' cuja obra trata de tema diverso, ainda que conexo. Sinceramente esperávamos uma produção inais ampla e mais aprofundada da matéria, ainda Que alguns textos de boa qualidade tenhain sido produzidos, suscitados, ineQuívoca e confessadamente, pela nossa monografia, tais coino: Rosah Russomano, "Das norinas constitucionais prograináticas", in Paulo Bonavides e outros, As tendências atuais do direito público (homenagem r<*-*>o Piof. Afonso Arinos), Rio de Janeiro, Forense, 1976, pp. 267-286; Marçal Justen Filho,' "Eficácia das normas constitucionais (relendo José Afonso da Silva)", Revista do IAP 5/38-71, I981; Celso Ribeiro Bastos e Carlos Ayres de Brito, Interpretação e aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Saraiva, 1982, com a confessada pretensão de propor "categorização mais abrangente e com diversa nomenclatura" (p. 21, nota 7); Celso Antônio Bandeira de Mello, "Eficácia das nonnas constitucionais sobre a justiça social", tese apresentada à IX Conferência Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Florianópolis, 1982; Luiz Pinto Ferreira, "Eficácia ', verbete na Enciclopédia Saraiva de Direito, v. 30, 1979; Geraldo Ataliba, "Eficácia das nonnas constitucionais e leis complementares, RDP 13/35, 1968; Maria Helena Diniz, Norma constitucional e seus efeitos, 1 e 2 eds., São Paulo, Saraiva, 1989 e I992; Flávia C.

Revista da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo 37/63-74. Aceitá-la seria um obstáculo à tese pretendida. Celso Bastos e Carlos Ayres de Brito. se propuseram "perlustrar novos caminhos que mais adequadamente iluminassem o tema da aplicabilidade das nonnas constitucionais" (p. Limitação de juros. embora reconhecendo merecimento científico à nossa classificação das normas constitucionais. cientificamente falando. Comentários ao ait. Ficamos sempre pensando que esse trabalho se ressentiu um pouco de maior pesquisa e meditação. a expor nossa doutrina e contestar-lhe a validade. como outros. Faz outras observaç<*-*>es desqualificadoras de nossa doutrina. servindo-se. São Paulo. como instrumento de análise. se o tema não tinha sido tratado sistematicamente entre nós. Não pode ser seguida". sob o conceito de self executing provisions e not self executing provisions e de mandatory provisions e directory provisions. que serão leinbradas nos lugares próprios nesta nova edição de nosso texto. segundo o crítico. o autor propôs também outra classificação das normas constitucionais sob o ponto de vista da eficácia e aplicabilidade. a que faremos referência em outro lugar. propicia aos leitores mais uma fonte de reflexão sobre o formoso tema. essa tese seria impossível. pareceu-lhe em primeiro lugar que nosso conceito de eficácia jurídica pennaneceu algo obscuro e inútil se não se deterininassem os requisitos da existência da capacidade de produzir efeitos jurídicos. com algumas idéias originais. Outras críticas do professor serão apreciadas no texto na oportunidade devida. a propósito da classificação das norinas constitucionais quanto à eficácia e à aplicabilidade. José Afonso da Silva. Segundo a doutrina sustentada nesta monografia.1990.192 da Constitu:ção de 1988 era de eficácia limitada e de aplicabilidade dependente da lei coinplementar prevista no caput do artigo. a tese de que o § 3'<*-*> do art. que teve enonne repercussão no Brasil pela pena de Ruy Barbosa e Pontes de Miranda. O texto de Marçal Justen Filho desenvolve crítica à nossa obra. para chegar à conclusão pretendida. Manoel Gonçalves Ferreira Filho dedica quase todo o seu parecer "O Sistema Financeiro Nacional. para esses estudos. provocada pelos dissídios suscitados pela aplicação da Constituição de 1948. especialinente se dedicarain a formular "uma categorização mais abrangente e com diversa nomenclatura". Sintetiza com fdelidade nossa classificação e finalmente observa: "Sein embargo do merecido respeito de que desfiuta o Prof. Apenas aqui cuinpre dizer que o ilustre professor e amigo queria sustentar. e o debate cientí ico da matéria encontrou na teoria constitucional italiana nova formulação. da Cons- . Essa reelaboração doutrinária. contudo. então. 2). mas procurara contribuir. pp. Todos me honram muito com citaç<*-*>es e referências elogiosas. Saraiva. Mas. 130-152. está hoje superada. "Constituição e transformação social: a eficácia das normas constitucionais programáticas e a concretização dos direitos e garantias fundainentais". a sua lição. a veleidade de consegui-la. tambéin não era novo. no referido parecer. Mas certamente foi uin texto a mais que. A jurisprudência e a doutrina americanas suscitaram-no. tinha necessariamente que buscar desqualificar a validade de nossa classificação das nonnas constitucionais quanto à eficácia e aplicabilidade. de sorte que o ínclito professor. Mas essa doutrina. não havia atingido ainda uma solução satisfatória. é falha. como não dedicamos atenção a essa matéria é que. logo que a Constituição dos Estados Unidos da América do Norte começou a ser aplicada. nosso conceito de eficácia era algo dúbio. in Direito constitucional econômico.Piovesan. nem esta obra tivera.1992. I 92". não nos parecendo que a nova nomenclatura tenha corrigido eventual falha da nossa.

convenç•es e usos constitucionais. nem dos precedentes históricos que a infonnam. com vigor. certos conceitos fundamentais da çiência i do direito constitucional. na segunda edição. efetivamente cumprida. l. a falta de coincidência entre a constituição fonnal e a constituição efetiva ou material. da sua Emenda Constitucional n. e nos limites dessa capacidade. exigível. como os de constituição. também não as há verdadeiramente escritas".9 6. o Título II cuidará da questão da eficácia jurídica das normas constitucionais. daqui por diante chamada apenas Corzstituição Federal. mesmo nos países de constituição escrita. afinal.tituição do Brasil de 1967.' muitas vezes a despeito mesmo das normas escritas. como fulcro a Constituição.essas implicaç<*-*>es sócio-políticas. o que é feito no Título I. o Direito dotado de supremacia e de superlegalidade.Plano da monografia 7. pois "uma coisa é a constituição vigente. a Como a aplicabilidade é a qualidade do que é aplicável. de 17 de outubro de 1969. Quantas nonnas constitucionais ficam letra morta! E quantos preceitos da constituição disp<*-*>em num sentido e a prática constitucional resolve em outro!6 Tal é a força dos costumes. depois. Nossa pesquisa terá. outra. procurando dilucidar o tema segundo as disposiç<*-*>es da Constituição Fe- . "nos países de Constituição escrita como o Brasil. não situaremos nosso estudo no campo da sociologia jurídica. isto é. Tampouco olvidaremos que não há experiênciajurídica em que a força normativa dos fatos desempenhe tão relevante papel colz<*-*>na atuação do direito constitucional. sem desprezar . Mas não podemos insular as normas constitucionais da ordem social em que se inserem. A problemática do tema exige sejam colocados e defmidos. desde logo aplicável. como pressupostos prévios. considerada como fonte formal do direito constitucional. nem do sistema de valores que visam a realizar.<*-*> Afonso Arinos salienta bem esse aspecto quando afirma que. com força obrigatória.4 4. Pretendemos circunscrever-nos em os limites da ciência do Direito. Assim como não há Constituição verdadeiramente costumeira. outra é a constituição eficaz. pois. a constituição aplicada.s 5. sejam as de eficácia menos efetiva e mais sujeitas ao desrespeito e à inaplicabilidade. É paradoxal que as normas supremas da ordem jurídica. muito menos. o campo do Direito Constitucional é muito mais extenso d• que o Direito consignado na Constituição. e agora se atualiza em face da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. nonnas constitucionais e quest<*-*>es conexas.e. A sociologia jurídico-constitucional realça. Procuraremos ter sempre em mente a lição segundo a qual "a regra de Direito deve viger para atualizar efetivnmente este ou aquele valor". e a norma constitucional só é aplicável na medida em que é capaz de produzir efeitos jurídicos. solenemente proInulgadá. aplicada e eflcaz".Limites de indagação 3. Sem desconhecer . examinando a aplicabilidade das normas constitucionais no sentido posto no início desta introdução. II . lll .

quando a obra citada não tenha tradução no vernáculo. I . seguida da página. na análise procedida no Título II. como artigos e coInentários de acórdãos. 13. é que constituirá o objeto nuclear de nossa preocupação. terminando com o estudo das leis complementares da Constituição. V. d:zer duas palavras sobre a u. cuja aplicabilidade postula uma normação integrativa ulterior. As obras são indicadas nas notas de rodapé precedidas do nome do autor quando este já não tenha sido mencionado no texto. IV . Comporta. Assim. Procuramos fundamentar-nos em trabalhos jurídicos de reconhecido valor. além do autor. 12. como assinala Herman Heller. Citamos. finalmente. quando de autores estrangeiros.Introdução. de inegável autoridade. desvinculada da realidade social e vazia de conteúdo axiológico. diz sempre muito pouco. basicamente. Descobrir-se-á. Pois.Constituição em sentidoformal. Vez por outra. no entanto. o Título III trata dos meios integrativos da eficácia das normas constitucionais. o que envolve um conjunto de valores. cit.Constituiçào em sentido sociológico.Introdução l. no fm do volume. TÍTULO I CONSTITUIÇÃ O E NORMAS CONSTITUCIONAIS <012> CAPÍTULO I SENTIDO E ESTRUTURA DAS CONSTITUIÇÕES I .deral. Os<*-*>demais elementos (edição. Usamos de abreviaturas de praxe (ob. 9. Por isso. a obra desenvolve-se de conformidade com o plano Ininuciosamente apresentado no sumário que antecede estas páginas. casa editora e data) constam da bibliografa geral. recorremos a manuais. VII. v1. IIIConstituição em sentido política. que existem normas constitucionais de eficácia limitada. 10. mas como uma estrutura. especialInente de autores estrangeiros. A constituição. As citaç<*-*>es do texto. quase sempre de nossa autoria.Constituição em sentidojuridico. Nas notas de rodapé utilizamos. o título da obra. tam5ém. trabalhos menores. II .) sempre Que isso não perturbe a imediata identificação da obra.Conceito estrutural de constituição. mais freqüentemente. não como nonna pura. a constituição. Mas aqui mesmo já se vislumbra um campo de profundas di- .Constituição rigida e normas constitucionais. IV. mas só aqueles estritamente vinculados ao tema da monografia. se se prescinde da nonnalidade social positivamente valorada. os quais são. como mera fonnação normativa de sentido. Citam-se.tilização da bibliografia.<*-*> 2. considerada como uma conexão de sentido.Referências bibliográficas ll. o original. foram feitas na versão portuguesa. como sistema de nonnas jurídicas.

não dá critérios para reconhecê-la exterior e juridicamente. na verdade como eficácia social da regra jurídica.a Constituição da República Federativa do Brasil -. não nos diz sequer onde está o conceito de toda constituição. c) a constituição não se sustenta numa norma transcendente.4 Para ele. se. a origem da ordem constitucional positiva.adverte García-Pelayo . pois. nas suas várias tendências. O sociologismo jurídico exacerba essa influência fática. que sentido lhe damos. para a compreensão da análise. o ser tem sua própria estrutura. para uma grande parte do pensamento do século XIX ."é a projeção do sociologismo no campo constitucional". O sociologismo. "apresentando-o como simples componente dos fenômenos sociais e suscetível de ser estudado segundo nexos de causalidade não diversos dos que ordenam os fatos do mundo fsico". que. a fonte. da qual emerge ou à qual deve adaptar-se o dever-ser. afirma que o conceito jurídico. concebendo a constituição comofato.vergências doutrinárias: em que sentido se deve tomar a constituição: no sociológico. e não de dever-ser. embora pretendamos examinar a aplicabilidade das norn-<**>as de uma constituição concreta . cabendo ao constituinte. d) enfim. O direito constitucional manifesta-se rico de influência da realidade social e política. As constituiç<*-*>es. apenas reunir e sistematizar esses dados concretos num documento formal. II . ou por ele deduzido logicainente de certos princí. algo inventado ou criado pelo homem. mas não diz o que uma constituição é.ó considerada esta como praticidade e efetividade das normas. que é rebelde à pura normatividade e não se deixa dominar por ela. importa muito saber. Para bem fixar os limites de nossa pesquisa e evitar perspectiva unilateral. 5. "O conceito sociológico de constituição" . assim. a essência .' Ressalvadas as posiç<*-*>es particulares.ConstitaiÇão em sentido sociológico 3. deve procurar-se na própria realidade social. o que fazem. que só teria sentido na medida em que correspou<*-*>desse àquelas relaç<*-*>es materiais que representam a verdadeira e efetiva constituição.3 4. pois a sociedade tem sua própria "legalidade". em determinado lugar e em determinada conjuntura histórica.pios. como diriam os racionalistas. Indagando da verdadeira essência do conceito de constituição. Ao contrário. a concepção racionalista da constituição gira sobre o momento de validez. como pretendem os formalistas em geral. não são meros produtos da razão. a concepção sociológica o faz sobre a vigência. apenas diz como se formam as constituiç<*-*>es. em seus estratos mais profundos.e não somente para Marx -. b) a constituição é imanência das situaç<*-*>es e estruturas sociais do presente. se tanto. normativo. antes que como norma. no que respeita ao Direito. expriine uma poslção jurídica que concebe o Direito como fato social. no político ou no jurídico? . são resultados de algo que se encontra em relação concreta e viva com as forças sociais. se identificam com situaç<*-*>es e relaç<*-*>es econômicas. o sociologismo constitucional fundamenta-se nas seguintes afirmaç<*-*>es: a) a constituição é primordialmente uma forma de ser. Lassalle é exímio representante do sociologismo constitucional. mister se faz definamos nossa posição em torno dessa indagação. e isso só será conseguido mediante uma perquirição teórica e geral do problema.

para demonstrar os interesses econômicos subjacentes a toda forma constitucional e para demonstrar "que é inteiramente falso o conceito de que a Constituição é uma peça de legislação abstrata. tem necessariamente que sucumbir ante o empuxo da constituição real. inegavelmente. I ' Os problemas constitucionais . a "folha de papel". pois. onde não se reflete nenhum intere<*-*>se do grupo e não se reconhece nenhum antagonismo econômico. que a proporção de forças efetivas. direta e certeiramente.<*-*>'<*-*> mas não aceita a acusação. Beard destaca que está documentadamente comprovado que a Inaior parte dos membros da Convenção de Filadélfia reconhecia que a propriedade tinha direito especial na . Charles A. de que professava a teoria de que o Poder deveria antepor-se ao Direito. feito com extraordinária destreza por homens que tinham. o Direito prima sobre o Poder. desde esse momento. Io Desse modo. ele denomina folha de papel. contudo. verdades que a experiência constitucional. são transportados para "uma folha de papel". recebem expressão escrita. a constituição escrita. senão na medida eIn que dão expressão fiel aos fatores de poder imperantes na realidade social. mais que tal e como são. de que o Poder prevalece sobre o Direito. em razão do mesmo. seus direitos de propriedade. na balança. ou.9 Os fatores reais do poder convertem-se em fatoresjuridicos quando. as constituiç<*-*>es escritas não têm valor nem são duráveis. a sorna dos fatores r<*-*>ais do poder que regem nesse pais. publicou uma obra em 1913 que causou enorme impacto na literatura constitucional norte-americana. em essência.constitucional. confrma. cedo ou tarde. e a escrita.<*-*> Para ele.afirma Lassalle . estala inevitavelmente um conflito que não há maneira de eludir e.não são.ll Esse conflito irredutível importará sempre o desrespeito e o descumprimento da constituição escrita. em instituiç<*-*>es jurídicas. Pelo contrário. observados certos procedimentos. a que. acaba por converter-se em normas. para distinguir daquela. e somente se resolverá se esta for modificada para ajustar-se à constituição real. e que. Beard. foi um documento desta índole. mediante a transformação dos fatores reais do poder. para ele. numa pesquisa sobre os interesses que há por trás da constituição. primariamente. Onde a constituição escritn não corresponde à real. I <*-*> á A teoria de Lassalle ressalta. e quem atentar contra eles atentará contra a lei. que se lhe fez. <028>sta . os interesses análogos do país em geral". a verdadeira constituição é a real e efetiva. então. problemas de direito. que começa sendo mero fato. e será castigado. formada pela soma dos fatores reais e efetivos que regem na sociedade. da época e de agora. mas a teoria que estava sustentando não se desenvolvia no plano do dever-ser. incorporados a um papel. já não são simples fatores reais de poder.s e esses fatores reais dopoder constituem a força ativa e eficaz que informa todas as leis e instituiç<*-*>es jurídicas da sociedade em questão. invocaram. mas de poder.a constituição escrita . mas transmudam-se em direito.só é hoa e durável quando corresponde à constituição real. relacionam-se as duas constituiç<*-*>es de um país: a real e e Jetiva. segundo Lassalle.I<*-*> Nas conclus<*-*>es do seu livro.l6 Procede <*-*>le a uma interpretação econômica da Constituição dos Estados Unidos da América. das verdadeiras forças vigentes no país. mas no plano do que real e verdadeiramente é. constituição de um pais é. àquela que tem suas raízes nos fatores de poder que regem no pnis.l3 Admite ele. então. fazendo com que não possam ser em substância.

em termos políticos. ao admitir "que cada regime econômico cria.<*-*><*-*> Daí se pode concluir que. que se consubstanciam numa fórmula de compromisso e harmonia da sociedade.23 &. como sustentaram. Estuda o Estado e o Direito em seu desenvolvimento. assim como esta não foi criada "por todo o povo". Pinto Ferreira observa que é evidente a atuação da realidade social (econômica e cultural) sobre os textos constitucionais e que o ideal de constituição está condicionado historicamente. por sua vez. nem tampouco "pelos Estados". desejavam anulá-la. Laski de certo Inodo participa dessa opinião. que possuem os instrumentos essenciais do poder econômico". sob a forma que conhecemos. na concepção marxista. São produto da divisão da sociedade em classes antagônicas e constituem um instrumento nas mãos da classe dominnnte dentro do tipo dado de relaç<*-*>es de produção. A teoria marxista do Estado e do Direito considera a mudança revolucionária de um tipo histórico de Estado e de Direito. Decalque rigoroso das contradiç<*-*>es dialéticas da sociedade. antes de tudo. Para os marxistas. por outro lado. "constituída em lei" e determinada pelas condiç<*-*>es da existência material. a constituição é um produto das relaç<*-*>es de produção e visa a assegurar os interesses da classe dominante. como afirlriam os juristas. determinada pelas condiç<*-*>es da existência material. por longo tempo. <*-*> III . quando sustenta que "a Constituição britânica. que é a aplicação do materialismo dialético ao estudo da sociedade.24 Guiando-se pelas teses do materialismo histórico. sendo a origem deste nas contradiç<*-*>es entre as relaç<*-*>es de produção e o desenvolvimento das forças produtivas. a teoria marxista-leninista do Estado e do Direito considera os fenômenos estatais e jurídicos.iências da irresistível evolução econômica do mundo. Foi obra de um grupo compacto. como uma mudança qualitativa ("salto") preparada pelas mudanças quantitativas anteriores.'I e acha que os "textos legislativos constitucionais são uma fotografia em miniatura da paisagem social. que garante seus interesses de classe. como um fenômeno sujeito a leis. que é a constituição". representando a nonna suprema da organização estatal.Constituição. Sociológica é também a concepção marxista da constituição. entre os elementos da vida social que nascem e se extinguem.22 O próprio Ruy Barbosa já dizia que as constituiç<*-*>es são conseqi. de um paralelogramo particular de forças econômicas".ls 7. o Estado e o Direito são partes essenciais da superestrutura que se erige sobre as relaç<*-*>es de produção da sociedade dividida em classes. os que. Qualquer Estado é. na luta entre o novo e o velho. no Sul. mediante a pressão de fatores sócio-culturais e espirituais. é uma simples expressão.Constitaição em sentido politico 9.zo Entre nós.I9 Aliás. a organização política da classe dominante. em sua interconexão com o regime econômico da sociedade dividida em classes. sobretudo. noutro trabalho exprime ele a mesma concepção em termos gerais e mais profundos. enquanto todo Direito representa a vontade desta classe. No fundo. nas contradiç<*-*>es entre as classes. como também da infra-estrutura econômica das sociedades. cujos interesses não reconheciam fronteiras estaduais e que eram realmente de âmbito nacional. a concepção política da constituição revela certa fa- . que se sucederam gradualmente. uma ordem política que representa os interesses daqueles que dominam o regime.

vida democrática etc. a qual é a concreta situação de conjunto da unidade politica e ordennção social de um certo Estndo. Por outro lado. significando: o próprio Estado. Em sentido absoluto. correspondendo ao conceito de lei constitucional concreta. lei das leis. tido como ideal. esse ideal era o da constituição liberal-democráticn: escrita.. só existirá constituição quando um documento escrito corresponder a certo ideal de organização política. a constituição identiflca-se com certo conteúdo político e social. 14. que assegurasse um sistema de garantia da liberdade burguesa e a separação dos Poderes. para Schmitt. aqui.3o 12. que não contêmessa importância. b) sentido relativo. não tem constituição". 10. modo concreto de supra e subordiriação. nesse sentido. classificando-os em quatro grupos: a) sentido absoluto. normas de normas.ceta do sociologismo. constituição escrita. nesse caso. Em sentido positivo. Nesse caso. teremos oportunidade de ver que esse é um conceito de constituição em sentido material. mas é dada por uma unidade política concreta. formais. um sistema de normas supremas.zs finalmente. a constituição só contém a determinação consciente da concreta forma de conjunto pela qual se pronuncia ou decide a unidade política. um aspecto do sociologismo jurídico-constitucional. igual a uma série de leis constitucionais. segundo a formulação de Carl Schmitt. regulação legal fundamental. o conceito de constituição fixa-se. tem-se a constituição eIn sentido formal. Em sentido relativo. a partir de uma força e energia subjacente ou operante na base. Para o constitucionalismo do século passado. que dizem respeito à própria existência política concreta da nação: estrutura e órgãos do Estado. A constituição em sentido positivo surge através de um nto do poder constituinte. inequivocamente. consideradas como as únicas legítimas. dever-ser. rígida. a constituição é considerada como decisãopoliticafundamental.16 da Declaração dos Direitos do Homem de 1789: "Toda sociedade onde não está assegurada a garantia dos direitos. como formação renovada e ereção dessa unidade. nem determinada separação dos Poderes. a constituição aparece como uma pluralidade de leis particulares. isto é. decisão concreta de conjunto sobre o modo eforma de existência da unidadepolitica. todos os sentidos do vocábulo constituição. c) sentidopositivo. é o único e verdadeiro conceito de constituição. que a considera como decisão politicafundamental. embora fgurem no texto constitucional. o Estado é a constituição. Só entram no conceito de constituição aqueles dispositivos constitucionais de grande relevância política." Esse. e aí se revela.3i 13. conforme declarava o art. identiflcada com o conceito de constituição rígida. a constituição é considerada como um todo unitário. Schmitt pesquisou. Para decantar esse conceito de constituição. anteriormente existente. segundo características externas e acessórias. normação total da vida do Estado. forma especial de dominio. os outros. só sendo possível um conceito de constituição quando se distinguem constituição e lei constitucional. na literatura político-jurídica. são simples leis constitucionais. 29 11. d) sentido ideal. Em sentido ideal. direitos dos cidadãos. adotando detenninadas ideologias e soluç<*-*>es.'<*-*> princípio do vir a ser dinâmico dã unidade política. A constituição não se dá a si mesma. e ela vale em virtude dessa vontade política existencial daquele .'6 a forma de governo.

os arts.12 e 14. e foram inscritos nela para ficarem ao abrigo de modificaç<*-*>es pelas leis ordinárias. no conceito schmittiano. tudo que assegura esses princípios é constitucional e. o âmbito de suas competências e as relaç<*-*>es entre eles. nada tein de constitucional aquilo que não os assegura. ou norma. "um complexo normativo estabelecido de uma só vez.(poder constituinte) que a dá. para os quais a atividade jurídica é.z. em maior ou menor gra<*-*>. entre muitos dos dispositivos mencionados há regras que. Salvo estas. pois. algo deduzido de certos princípios mais ou menos imutáveis. e do monarca na monarquia autêntica. mero produto da razão. então. fundamento da democracia representativa e participativa.36 18. De acordo com esses conceitos de Carl Schmitt. pois toda lei. por conseqüência. onde se declara que o Brasil é uma República Federativa. Assim mesmo. norina fundamental. todas as demais disposiç<*-*>es constitucionais são simples leis constitucionais. ou lei fundamental de organização do Estado e da vida jurídica de um país. modificar a realidade social. o art. Essas e os demais preceitos de nossa Lei Maior seriam simples leis constitucionais. ao Poder Executivo e ao Poder Judiciário (arts.33 Nisso se caracterizam o decisionismo e o voluntarismo de Carl Schmitt: constituição como decisão política fundamental.34 Todas as deinais normas são relativas e secundárias diante daquelas decis<*-*>es fundamentais. em última instância. de uma decisão política prévia. 16. necessita. 44-125). exaustiva e sistemática. pois."3<*-*> Só seria. que interessa ao jurista como tal. Em resumo. mas no fundo ou por detrás de toda normatividade está uma decisão politica do titular do poder constituinte. Na concepção juridica. também. constituição aquilo que realizasse o ideal do Estado libe- . na qual. sobre organização federal e repartição de competências entre as órbitas de governo da Federação (divisão territorial ou vertical dos Poderes). "Por conseqüência. que consagra o princípio da divisão. o art. 1Q. 2Q. para a sua validade. base da organização do sistéma presidencialista. 15. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal.Constitaição em sentidojuridico 17. o parágrafo único do art. capazes de moldar. a constituição se apresenta essencialmente como norma juridica. 5g. que contêm a declaração dos direitos democráticos e fundamentais do homem. onde se estatui Que todo podei emana do povo. inclusive a lei constitucional. cuja validade pressup<*-*>e uma constituição. Essa concepção nasceu com o constitucionalismo moderno e está vinculada à idéia de Estado liberal e ao racionalismo. adotada por um poder ou autoridade politicamente existente. ou seja. não poderão ser consideradas como de constituição. IQ. para Schmitt a essência da constituição não se acha numa lei. A constituição é. como regulação normativa. disciplinar. bem como os arts. se estabelecem as funç<*-*>es fundamentais do Estado e se regulam os órgãos. A constituição será. de uma maneira total. válida somente em razão da vontade do poder que a estabelece. do povo na democracia. 18 a 43 e 145 a 162. um sistema de normas". os dispositivos básicos referentes ao Poder Legislativo. harmonia e independência dos Poderes (divisãó funcional ou horizontal dos Poderes).3s IV. isto é. e a constituição é a garantia desses princípios. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. na Carta Magna do Brasil. constituição seriam apenas aqueles dispositivos que contêm o que ele chama de decisão política fundamental.

V. Kelsen. cuja função é servir de fundamento lógico transcendental da validade da constituição jurídico-positiva. Pecam pela unilateralidade as concepç<*-*>es sociológica.4' Para manter-se fiel ao seu normativisino puro. A constituição é. estruturado segundo a teoria da separação dos Poderes. política ou filosó ica. mas caiu no exagero do nonnativismo. ein coerência com seu normativismo metodológico. Foi obrigado a procurar um fundamento também nonnativo para a constituição. conjunto de nonnas jurídicas que somente podem ser alteradas observando-se certas prescriç<*-*>es especiais 44 Conceito que bem revela a preocupação normativista da teoria pura do Direito. sem qualquer pretensão a fundamentação sociológica. político ou filosófico. A concepção jurídica da constituição coloca-se em posição antagônica à concepção sociológica. desde logo. isto é. onde se verifica tanta iniluência da realidade social. relacionados com a nonna positiva. mas estes são problemas metajurídicos. política e normativa pura.filosófico. A constituição jurídico positiva.43 21. destaca que o direito constitucio- .Conceito estrutural de canstituição 23. conjunto de nonnas que regulam a criação de outras normas. qualquer dado ou elemento sociológico. que concebe o Direito apenas como direito positivo. especialmente no campo do direito constitucional. Kelsen não pode adinitir como fundamento da constituição positiva algo de real. porém. lei nacional no seu mais alto grau. 22. mas ao sociólogo e ao filósofo. equivale à norma positiva suprema. A teoria de Kelsen teve o mérito de revelar a natureza de dever-ser da norma jurídica. Várias tentativas têm sido feitas para superar esse parcialismo no configurar o conceito de constituição. meramente pensada. Seu formalismo não se compadece eom a experiência jurídica. considerada como nonna. uma realidade social complexa.3s 19. política e ideológica. e uma declaração fonnal dos direitos fündamentais do homein. como puro dever-ser. segundo diz.4l De acordo com o prüneiro.39 no que bein claramente se op<*-*>e aos conceitos sociológico. que reduz o objeto da ciência jurídica a pouco mais que uma lógica jurídica. na concepção kelseniana. e também que o Direito é inspirado por teorias e princípios filosóficos. por sua vez exacerbada pelo sociologismo. tão-só.4o 20. García-Pelayo. como esta já é. Sua teoria pura do Direito visa a expurgar a ciência jurídica de toda classe de juízo de valor moral ou político. traduzido num documento escrito que contivesse a organização do poder político. não desconhece que na base de todo Direito existein dados sociais. A palavra constituição é tomada por Kelsen em dois seu<*-*>idos: no lógico juridico e no juridico positivo. constituição significa a norma fundamental hipotética. como a vontade popular. que consistiria num mandamento mais ou menos deste tipo: conduza-se naforma ordenada pelo autor da primeira constituição . que o explica e à qual ele se destina. e seu estudo não compete ao jurista como tal. norma positiva suprema. o direito natural ou o bem comum. conforme já expusemos. mas de uin conceito ideal de constituição. ou certo documento solene. de uma concepção fonnal. que existe apenas como um pressuposto lógico da validade das normas constitucionais positivas. por definição. e.ral. então. teve que cogitar de uma norma fundamental. nonna hipotética. 24. Kelsen levou-a às últiinas conseQüências. Não se trata. político e ideal de constituição. e nonna pura. social ou .

complementando-se reciprocamente.<*-*>o 26. que. buscando superar aquelas concepç<*-*>es parciais. a nonnad<*-*> extrajuridicamente e a que o é juridicamente". qualquer que seja a expressão de suas normas . moda etc. como todo Direito. que subestima completamente a nonnatividade. ou transacional. Inoral.4<*-*> e concebe a constituição como parte integrante da ordemjur<*-*>idica. mas condicionam-se mutuainente. exaltando. pois. e. absoluta ou de compromisso. da ordem estatal e da estrutura politica. a nonnalidade e a normatividade. que consiste numa normalidade da conduta normada jurídica ou extrajuridicainente (costume. A constiti<ição não rlormada. constitui-se de "uma normalidade puramente empírica originada de Inodo constante e regular das motivaç<*-*>es naturais como a terra. não seja. religião.4<*-*> Contesta a validade da teoria de Carl SchInitt Que limita a constituição a decis<*-*>es políticas fundarnentais.4g 25. Nesta se integram o ser e o dever-ser constitucional.nal vigente. assim como a nonnatividade <*-*>urídica e a extrajurídica. por sua vez. cabe descobrir em sua base uns "princípios" políticos sustentadores". Acrescenta Heller que não existe constituição que. sistemática ou assistemática -.49 Procura mostrar também o erro oposto de Carl Schmitt. para a validade e existência das normas jurídicas. como tais.<*-*>4 sobre essa infra-estrutura da constituição não normada ergue-se a constiti<ição normadr<*-*>. a imitação. mas a síntese da tensão entre norma e realidade com que se defronta. a existencialidade. além de uma forma de atividade meramen:e normal. ou seja. cabalmente. que não quer isso dizer que se trate de três objetos independentes entre si. que priva as normas de seu sentido serldever-ser e entende Que não cabe manter a usual rigidez entre as leis do ser e as do dever-ser. vendo-se imediatamente obrigado a pôr em relevo a importância que tem o momento da "observância ordinária" para a positividade. o ser e o dever-ser. e. uma concreção de valores políticos. Contesta o normativismo kelseniano. Heller também perquire um conceito unitário de constituição. de modo que vem a conceber a constituição não como norma. em toda constituição estatal. não só se sup<*-*>em. como status real. e como conteúdos parciais da constituição política total"a constituição não normada e a normada. no conceito de constituição. ao mesmo tempo. além da coInunidade histórica e cultural". no qual aparecem. de maneira racional.). mas só como decisão. uma fonna de atividade normada. um ser fonnado por normas. diz ser preciso "distinguir. se não se vinculam em relação teleológica com ditas decis<*-*>es. toda constituição [adita) representa. isto é. o sangue. e. "Demais. o contágio psíquico coletivo. Para Heller a constituição estatal forma um todo.<*-*><*-*> Vê-se. urbanidade.46 Adverte. dentro desta. não é menos certo que estas só têm sentido em sua vinculação com aquelas. visto Que tais decis<*-*>es não seriam nada se não se inserissem num sistema de nonnas e entidades concretas. trata-se de três momentos de uma Inesma realidade. não é pura nonna. em seguida." A não normadn e a normada são conteúdos parciais da constituiçcco total. tanto que Kelsen não pôde desenvolver sua teoria inteiramente. em contrário. se é certo que tais normas e entidades carecem de sentido. Heller não é bastante .<*-*>' Não se pode separar (diz ele) a normalidade e a nonnatividade.' 1 Realmente. que a constituição normada se integra de normas constitucionais jurídicas e nonnas constitucionais não jurídicas.legal ou consuetudinária.

com freqüência. Sente-se que Heller procura salvar o conceito unitário de constituição. tanto que se podem notar. a qual não se caracteriza propriamente pela sua forma escrita. um conceito estrutural de constituição. em sua concepção. Exprime-se. s<*-*>parada e emancipada da realidade social. ser e dever-ser. a teoria dogmática. mas pelo fato de pretender regular a estrutura total do Estado num documento escrito único . três conceitos distintos de constituição: constituição politica como realidade social.intento frustrado. a constituiçào não normada (realidade sócio-cultural)6' e a conslituição normada (normativa. mero deverser.claro no estabelecer essa distinção. normalidade e normatividade. A verdade. como mera formação normativa de sentido.'6 Ina nifestando-se em fonna consuetudinária ou legislada. intrínseca dos seus aspectos econômico. em que a constituição real. o Inestre pernambucano concebe: "A constituição to- . ficando sempre uma idéia de camadas mais ou menos unidas. porém. 28. diz sempre muito pouco". mas desempenhando também uma flInção diretora e uma função preceptiva.b' "Se se prescinde da nonnalidade social positivamente valorada . Mas pode-se definir a constituição nonnada juridicamente como a conscientemente estabelecida e organizada. forma a infra-estrutura da constituição normativa jurídica. para Heller há uma complexa conexão entre a constituição e a realidade social total. que têm caráter autônomo e que. na unidade de uma ordenação fundamental e suprema". Entre nós. sociológico.6' Em suma. porque em tal documento não podem figurar todos os preceitos jurídicos da organização estatal.'s Condena. porém. que considera a constituição jurídica como uma fonnação nonnativa de sentido. jurídica e extrajuridicamente)66 são conteúdos parciais da Constituição política total. visto entender que a normatividade do direito constitucional só se pode conceber. aí. uma importância subordinada e juridicamente derivada. constituiçãojurídica destncnda e constituição escritn. de todo em todo oportuno [salienta] conceber uma visão compreensiva e sintética da constituição total.6<*-*> configurando elementos estáticos e dinâmicos.6o 27.6s "Seria. coube especialmente a Pinto Ferreira tentar a formulação de um conceito de constituição total.69 A partir daí. decidem contra o tradicional. sendo ela expressão das relaç<*-*>es de poder. sobre a estrutura básica do Estado. como relaç<*-*>es reais de poder. pois. a respeito dos quais todas as demais normas jurídicas devem ter. mas só alguns. fundamentais e supremos. tanto fsicas como psíquicas. [adverte] a Constituição.'9 Nesse contexto insere ele a constituição escrita dos Estados modernos. "tnediante o qual se processa a integração dialética dos vários conteúdos da vida coletiva. sem dúvida. com clareza. Inas considera a autonomia das partes integrantes numa espécie de união hipostática. partindo da complexa conexão que existe entre o Direito como norma objetiva e a realidade total. tão-só.juridico efilosófico.6l nutna vinculação sem propriatnente interpenetração identificadora.<*-*>' sendo também expressão das relaç<*-*>es de poder.64 Assim. tanto fisicas como psíquicas. a fim de abranQer o seu conceito eIn uma perspectiva unitária". eIn última instância. é que o nosso autor não conseguiu a<*-*>uzlidade conceitual perquirida. parecendo nada Inais ter feito que hipostasiar os vários conceitos parciais de constituição.

coino conteúdo. Compreende os elementos jurídicos estruturais da sociedade estatal. Mas naquele instante regein as norizias escritas como fonna de interpretação dos eleinentos estruturais . iinpondo e assegurando detenninado valor que o poder entende coino Inais adeQuado. os sentimentos e instituiç<*-*>es dominantes da comunidade humana. algo Que tein. os princípios da justiça. mas de elementos e membros que se enlaçam num todo unitário.<*-*>' Isso não impede que o estudioso dê preferência a dada perspectiva. assim.). certos modos de agir eizi sociedade transformam-se em condutas humanas valoradas historicamente e constituem-se em fundamento do existir da comunidade. Probleina. coino fornla. símile de que se serve o ínclito constitlIcionalista. transluzem essa consciência social. direito natural e segurança coletiva. coino certa corrente doutrinária pretende. mas apenas apresenta estratos ou camadas de natureza constitucional superpostos. uizi complexo de norinas (escritas ou costuineiras). A constituição há de ser considerada no seu aspecto norinativo. ou da interferência do poder. como sítnbolos de uma economia individualista ou coletivista. o sistema de nonnas jurídicas que. Pode estudá-la sob ângulo predoininanteinente formal. seu valor jurídico.<*-*>o Esse conceito. corporificando-a ein uma carta política. que lhe dá o conteúdo fático e o sentido axiológico. 29. e. A constituição seria. políticas. Trata-se de um cotnplexo. logo em seguida as representaç<*-*>es coletivas da sociedade. Ela é sempre normativa. a realização dos valores Que apontam para o existir da comunidade. como é tudo aquilo que integra uin conjunto de valores. não de partes que se adicionam ou se somam. cotno reflexos da consciência comunal. embora não o inais justo. O sentido jurídico de constitlIição não se obterá se a considerarmos desgarrada da totalidade da vida individual. considerada coino conexcto de sentido. mas dá prevalência a seu sentido fonnal como regras de conduta ein sua interferên- . como o ideal do regime constitucional perfeito". de sua aplicabilidade. como uin edificio de quatro andares: ein baixo a infraestrutura das relaç<*-*>es econômicas. Não pode ser coinpreendida e interpretada se não se tiver em mente essa estrutura. o poder.tal seria. Pode oconer desajuste entre as regras escritas de uin documento constitucional e uina projeção ideal de constituição. fonnoso eIn sua expressão verbal e essencial. como se percebe. Pois bem. pois.quando nada. sem conexão com o conjunto da comunidade como interferência das condutas entre sujeitos e instituiç<*-*>es sociais<*-*><*-*> e políticas. 30. e. inas como norma na sua conexão com a realidade social. que não despreza a influência dos fatores reais do poder. Mas a constituição não se confunde com o regime político. coino causa criadora e recriadora. buscando i-esponder à questão jurídica<*-*>ia atuação de suas nonnas. formando os elementos constitucionais do grupo social que o constituinte intui e revela como preceitos normativos fundamentais. religiosas etc. do que é bem característica a idéia de "andares de uIn edifício". não como norma pura. se inspirando nos antecedentes econômicos e histórico-sociais.' . não nos dá ainda uma visão unitária da constituição. O teina desta monografia considerará a constituição segundo a perspectiva fonnal. a técnica de produção e de trabalho. acima de tudo. ou dos valores assegurados. a conduta inotivada pelas relaç<*-*>es sociais (econômicas. finalinente. ou do lado do conteúdo. seu significado na ordein jurídica presente. coino fim. depois. Que envolve vigência e eficácia jurídica das norinas constitucionais.

34. que envolve o conceito contraposto de constituição em sentido material. e aos direitos políticos e individuais dos cidadãos. mas concreto . coino bein ilustra o art. esse seu modo de existir. visando a determinados fins. na tenninologia de Lassalle. identifica-se com a organização do Estado. ou a concreta situação de conjunto da unidade política e ordenação social de detenninado Estado. entretanto. sob certa forma. no correr destas consideraç<*-*>es.<*-*>4 que. reconhecemos que a teoria constitucional distingue os conceitos formal e material de constituição. a constituição material designa as normas constitttcionais escritas que regulam a estrutura do Estado. na forina admitida pela doutrina ein geral. A constituição ent sentido material é concebida. Quando ele concebe a constituição como decisão política fundamental. aparentemente original. usos e costuines políticos. nada mais diz do que constituição em sentido material e constituição em sentido fonnal. qualquer que seja. Precatemo-nos.<*-*>ó o que equivale a dizer constituição material. Nesse sentido real é que se diz que todo Estado tem uma constituição.a Constituição Federal da República Federativa do Brasil. este deve ser exercido por alguéin. que regulam a transmissão do poder. Para ele. métodos e lünites. Ver-se-á. porém. Prevenida. Se acüna inanifestamos uma concepção unitária de constituição. na acepção ampla. agora. "sünbolizada nas tradiç<*-*>es. tudo o que não é constitucional pode ser alterado. único verdadeiro. é a sua constittlição. para usarmos express<*-*>es de Carl Schmitt. ou constituição real e efetiva. surge de um ato do poder constituinte. Mais restritamente. na realidade está se referindo àquilo que a doutrina chama. nuina constituição em sentido formal. 32. que contéin a totalidade da unidade política considerada ein sua particular forma de existência. a objeção. segundo certas regras. não num sentido puramente conceitual e abstrato. Esse inodo de existir do Estado é que se chama constitttição no sentido material. Quando se refere a leis constitucionais. A perspectiva acima apontada circunscreve nosso campo de indagação à constituiçãoformal. a criação e funcionamento dos seus órgãos". significa a situação total da unidade e ordenação política. VI .<*-*>s Se o Estado se manifesta como unidade de poder. em sentido estrito. está concebendo a noção de constituição em sentido formal. cujas ndrmas serão o objeto de nosso estudo. 33. a organização de seus órgãos e os direitos fundainentais do homem. a constituição em sentido positivo.Constituição em sentido Jormal 31. nesse caso. diante dos valores políticos e jurídicos que elas apontain para o viver e conviver social. de uma possível objeção. numa acepção ampla e noutra restrita.cia intersubjetiva.<*-*><*-*> Assim é que Heller fala em constituição não norinada. sem as fonnalidades referidas. a constituição só consubstancia a determinação consciente da concreta forma de conjunto pela qual sé <*-*>ronun- . parece impróprio falar-se. apresenta uin dos conceitos absolutos da constituição. pelas legislaturas ordinárias". em doutrina. de constituição material. com regime político. A distinção de Carl Schinitt entre constituição e leis constitucionais. assim. que não existe tal incoerência. No sentido amplo. 178 da Constituição do linpério: "É só constitilcional o que diz respeito aos lünites e atribuiç<*-*>es respectivas dos poderes políticos. se todo Estado existe de certo modo. nesse caso.<*-*><*-*> Em suma.

178. constituição como norma objetiva. serão concebidas coino constitucionais. dizer que o conceito. b) da distinção entre nonnas constitucionais e nonnas coinplementares e ordinárias. legislada. recebem o conceito de nonnas constitucionais em razão do documento a que aderem.s' Por conseguinte.Constituição rigida e normas constitucionais 36. todas as disposiç<*-*>es da Constituição Federal. em realidade. para o fim de considerarem-se umas como de constituição e outras. aqui considerado. a uin ou inais docuinentos solenemente estabelecidos pelo poder constituinte e somente modificáveis por processos e fonnalidades especiais previstos no texto constitucional. Se estas pudessein ser inodificadas pela legislação ordinária. no conceito de constituição. Isso. é de fundainental importância na teoria do direito constitucional contemporâneo. consubstanciado na imutabilidade relativa da constituição. e porque os partidos que determinam o conteúdo da constituição aproveitam o ensejo para emprestar o caráter de leis constitucionais a seus postulados. como assinalainos. equivale ao conceito de constituição em sentido material restrito.go Assim. Constitui. a peculiar fonna de existir do Estado. porque contém numerosas prescriç<*-*>es particulares que só foram inscritas nela para ficarem ao abrigo das cambiantes maiorias parlamentares. 35. nesta obra. reduzida. É verdade que muitas disposiç<*-*>es que figurain nas constituiç<*-*>es modernas não têin natureza estrita de regras constitucionais. O conceito fonnal. portanto. "Em todos os países com Constituiçóes escritas [concltli) se tem hoje. ejá o dissera a nossa Constituição imperial no seu art. de constituição formal corresponde ao conceito de constituição escrita e rígida. em nossas consideraç<*-*>es. pouco importando o seu conteúdo. c) da supreinacia forinal das norinas constitucionais. Mas. Todas as nonnas insertas nesse documento-ato do poder constituinte são constitucionais. leis constitucionais. O conceito de rigidez.cia ou decide a unidade política. não há distinção a ser feita entre prescriç<*-*>es constitucionais escritas. lato sensu. somente as prescriç<*-*>es constitucionais qile consagram essas decis<*-*>es políticas fundamentais entrain. Não obstante isso. a constituição em sentido formal não é outra coisa senão uma série de leis constitucionais escritas. Juridicamente. só uma pluralidade de leis constitucionais escritas". para ele. sein distinção quanto ao conteúdo específico.<*-*>9 Por conseguinte. considerado relativo. condena esse conceito formal de constituição. as deinais normas das constituiç<*-*>es escritas são simples leis constitucionais. pois. não. pelo fato de constarein delas. VII . Vale. suporte da própria eficcicinjuridica das nonnas constitucionais. o conceitoformal de constituição é de suma importância para a fixação da eficácia jurídica das normas constitucionais. ainda. Funciona coino pressuposto: n) do próprio conceito de constituição ein sentido formal. sua eficácia ficaria irremediavelinente coinproinetida. tainbéin. Constituição fonnal será. aqui adotado. 3 ? Já verificamos que a constituição em sentidoformal é um con- . pluralidade de leis particulares. no entanto. Para ele. sob fonna escrita.sl Schmitt. op<*-*>e-se ao conceito de constituição ein sentido material.

Rigidez constitucional significa imutabilidade da constituição por processos ordinários de elaboração legislativa. coino desde logo se vê. A Constit<*-*><*-*>zição do Iinpério brasileiro era parte rígida e parte flexível. pois. no conceito formal. do ponto de vista formal.g<*-*> Considera a cláusula de emendas tão fundamental. que não se está. do fato de ser a constituição que organiza as competências resulta sua superioridade material. 178. quer seja escrita. equivalente à constituição legislada. dentro como fora do documento supreino. aqui. ao inverso. jurídica: só as constituiç<*-*>es escritas entrain nesse conceito. "que quase diria que é a própria constituição".9o 41. Georges Burdeau sustenta que a constitüição é a lei suprema do Estado.s`<*-*> Há exemplos de constituiç<*-*>es escritas flexíveis. de seu título jurídico. resultante do fato de que a ordein jlirídica repouse sobre ela. apenas. nein. formalmente falando. Herinan Finer chega inesmo a dizer que "a essência de uma constituição é sua rigidez em comparação com as leis ordinárias.s<*-*> Do ponto de vista sociológico a assertiva é procedente. que uma constituição. já citado. especialmente porque faz sobressair a eficácia superior das nonnas constitucionais. sein que se considere seu caráter escrito ou costuineiro. realça que é somente no caso de rigidez constitucional que se pode falar em supremacia formal da constituição. Sob esse aspecto. aliás. 38. porque emendar é desconstituir ou reconstituir". Tem-se flexibilidade constitucional qliando nenhuma forina especial é prevista para a sua revisão. como foram as Constituiç<*-*>es francesas de 1814 e 1830 e a imperial italiana (Estatuto Albertino) de 1848. 39.ss Exagero. Mas nem toda constituição escrita é rígida. confundindo constituição escrita coin constituição rígida. Afirma-se. mas com muito de verdade. pelo quê essas autoridades não poderiain ir de encontro à constituição sein se despojarem. Mas há constituiç•es escritas flexíveis.s9 acrescentando que "a previsão de uin modo especial de revisão constitucional dá nascimento à distinção de duas categorias de leis: as leis ordinárias e as leis constitucionais". do consenso geral da doutrina que as "regras constitucionais são dotadas de uma superioridade evidente com respeito às . trata-se de problema de natureza puramente formal. É. sem dúvida. criando coinpetências. Podemos definir uma constituição como o processo de sua emenda. Repare-se. Isso não exclui o reconhecünento de norinas constitucionais materiais. há que ser escritn e r-igida. constituição não-escrita com constituição flexível. 40. O próprio Burdeau. e pode ser adinitida uina supremacia material da constituição. e avulta bem a importância do assunto.s6 Essa doutrina de Blirdeau é plenainente válida no plano sociológico. coino o autor salienta. conforme estatuía seli art. esse. ela é necessariainente superior às autoridades naquelas investidas. nela se origine e só nela obtenha validade. e o máximo que se pode extrair daí é que as constituiç<*-*>es juridicamente rígidas são necessariainente escritas. por outro lado.s' Conceito. em conseqizência.junto de nonnas e princípios contidos nuin documento solene estabelecido pelo poder constituinte e soinente inodificável por processos especiais previstos no seu próprio texto. a supremacia da constituição está intimamente ligada ao conceito de sua rigidez jurídica. escrita e rígida. Mas. quer seja costuineira.

afirinada por Burdeau. normas compleinentares e normas ordinárias. e as constituiç<*-*>es contemporâneas receberam a sugestão da necessidade. por seu caráter fundamentalinente sintético. em nossos dias. Assim consideraremos todas as disposiç<*-*>es da Constituição Federal. o teina que pretendemos desenvolver nesta monografia.94 42. ein virtude do instrumento a que aderem. das normas escritas. contudo. por exerl<*-*>.. a exprimir a idéia de Direito coino diretiva da atividade estatal. A questão fere. de se inserir nos textos constitucionais alguma coisa que dissessepara onde e como se vai". Apenas queremos deixar frisado. onde as normas de caráter programático aparecein amiúde. ein sentido formal. deixa muitos deles às leis ordinárias. todas as que se achain inscritas numa constituição rígida. não se destina apenas a definir o estatuto orgânico do Estado. muitas matérias não-constitucionais por natureza. Constituem conteúdo de leis ordinárias: o Código Eleitoral e o Estatuto dos Partidos. da especial relevância dos costumes e usos constitucionais. nem deve. ou complementares. por isso. Não pode. salientando o caráter social e a rigidez das constituiç<*-*>es contemporâneas. hoje admitida pela doutrina unânime dos autores. não pode descer a pormenores. porque inscritas na constituição. o que exigiria mais imperatividade na caracterização dos fins do Estado do que a simples programaticidade de algumas regras. inas. todas as institüiç<*-*>es políticas. muitas vezes. 37 a 42. significa o mesino que aquela idéia de Direito como diretiva da atividade estatal. como as que figuram nos parágrafos do art. ou que devem constituir apenas desdobramentos de normas e princípios constitucionais. porque esta. conceituada como imutabilidade relativa ou estabilidade das regras constitucionais. é um erro considerar essas normas como estranhas ao conteúdo lógico da constituição. Por outro lado. regular todos os assuntos. Mas a constituição rígida.plo. para concluir: a "direção nova refletiu-se na própria técnica constitucional. adquirem a natureza de normas constitucionais. que serão objeto particular de nosso estudo. Mas Pontes de Miranda não se esquece de acrescentar: "Longe estão. Basta a observação. também. sobre a Administração e o funcionalismo público. É o que ocorre. Disso deflui a distinção entre normas constitucionais. tais diplomas fundamentais dos Estados de hoje da adoção de fins precisos. neste instante. de cheio.9' E Pontes de Miranda. Muitas existem fora dele. mas tal não ünplica declarar que todas as normas constitucionais se acham inscritas num documento solene e rígido. a despeito. mesmo. por todos sentida. a assuntos tidos como de menor relevo. inas simplesmente matérias de direito civil. refere o fracasso do liberalismo econômico. de eficácia bem inais acentuada do que a das norinas escritas e. 226 da Constituição Federal sobre o casamento e a maioria das constantes dos arts. com normas fundamentais disciplinadoras dos direitos eleitorais e partidos políticos.9i SupŠrioridade que é corolário da rigidez da constituição.deinais normas jurídicas da coletividade estatal". das suas hesitantes constituiç<*-*>es". Segundo Georges Burdeau. às vezes assaz obscuras e vagas.93 o que. administrativo. Mas estas. Que por normas constitucionais entendemos. que esvaziou de fins precisos o Estado. . Delas a constituição apenas consigna os princípios básicos. ultima ratio. são incluídas numa constituição formal. processual etc.

todas as que integram uma constituição rígida. . IVCondiç<*-*>es de nplicabilidnde das nornsas constitucionnis. mas estas são constitucionais apenas em sentido Inaterial. 1. direta ou indiretamente. a palavra regra seria uma proposição lingüística destinada a dirigir. qúe aderem a tal documento também são constitucionais.Iigêncin. seu poder. até porque se tornaram formais na medida em que nele foram inscritas.Nor<*-*>mas constit<*-*><*-*>cionnis. nos códigos eleitorais. que são as que assinalam meios necessários para conseguir os fins propostos. V Il1. 17 e 93 e ss. I Isso não exclui o reconhecimento de disposiç<**>es de conteúdo constitucionalfora desse documento solene estabelecido pelo poder constituinte. Nessa perspectiva. Ti. que são as que estabelecem pautas de comportamento. Nesse sentido. como vimos.Normas constitucionais l. Não vamos fazer ainda nesta edição uma distinção importante que toma a i<*-*>egra como gênero e rioi<*-*>mas como simples espécies daquelas. Importa. como as regras de competência e atribuiç<*-*>es. I . das demais prescriç<*-*>es do ordenaInento jurídico.CAPÍTULO II <*-*>:ATUREZA JURÍDIC<*-*>4 DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS I. como<*-*>. coincidindo. ms reglas del Derecho y las reglas de losjuegos. por sua hierarquia. apenas o conceito de normas constitucionais formais. II. Mas é preciso notar que as norm<*-*>s constitucionais. lil . que dizem respeito à existência de um campo prático de atuação. pp. no entanto.E Jicácia.Legitirnidade. Normas constitucionais são todas as regras que integram uma constituição rígida. o material e o formal. nada interessando seu conteúdo efetivo."Pacatio constitutionis ". as quais. por natureza (normas constitucionais materiais).Estrutc<ra lógicn e naturezn dns normns constih<cionnis. e só estas seriam normas. aqui. assim as que definem a existência do Estado. sua forma.s que se contêm. porque só elas constituem fundamento de validade do ordenamento jurídico.Direito constitcicionnl e constitc<*-*>içno. que é a constituição dogmática formal. um preceito de deverser. evidentemente. pois. regras deônticas ou normns. porque só elas exprimem dever-ser (c<028> Gregorio Robles. III . VII . a ação humana. perdem muito de seu signiflcado constitucional precisamente porque não se distinguem.). regras técnicns ou de procedimento. por exemplo. as regras são de hês tipos: regrns ónticns. assim consideradas.

3 Essa posição assenta-se numa distinção muito radical entre direito constitucional material e direito constitucional formal e numa interpretação errônea da imperatividade das nonnas jurídicas. 215 da Constituição Federal e seus parágrafos. já examinamos esse problema ao cuidarmos dos vários conceitos de constituição. constantes do texto de uma constituição rígida. é. e só têm valor político ou ético. não será lícito recusar juridicidade constitucional àquelas não substancialmente desse caráter. mas só um programa de normas jurídicas futuras. 6. Há até quem negue natureza jurídica a algilmas disposiç<*-*>es das constituiç<*-*>es contemporâneas. esta constitui a fonte primordial do direito constitucional. na constituição. Essa Questão foi ainplamente debatida na doutrina italiana. indigenas e afro-brasileiras. 4. e das de outros gr-upos participantes do processo civilizatório nacional. Uma das conseqüências da rigidez é exatamente transformar ein constitucionais todas as disposiç<*-*>es Que integrain a constituição. II . concluindo "que. regras que não têm natureza de direito constitucional. como se esclareceu acima.2. uma vez inscritas nuina constituição rígida. funcionamento de seus órgãos. e apoiará e incentivará a valorização e a dfusão das matzfestaç<*-*>es culturais. Diz=se que disposiç<*-*>es como essas não são sequer nonnas jurídicas.somente nesse sentido. porque algumas disposiç<*-*>es se refiram. e menos razão cabe àQueles que recusatn juridicidade a certas prescriç<*-*>es de tal documento. Certa doutrina sustenta que existem.Direito constitucional e constituição 3. e são normas de direito constitucionalformal todas as prescriç<*-*>es Que o poder constituinte inseriu numa constituição rígida. tendo Saverio de Simone sustentado a natureza de nonnas jurídicas de todas as que figurem na constituição. como seriam exemplos aquelas dos arts. 5. que parece tão claro. b) o Estado protegerá as manifestaç<*-*>es das culturas populares. Para essa concepção. de sua diversidade de posição nonnativa. todavia.e nesse sentido. motivo de larga controvérsia doutrinária. tais como: a) o Estado garantirá a todos o pleno exercicio dos direitos culturais e o acesso àsfontes da cultura nacional. se se pode falar de uma variada destinação das nossas disposiç<*-*>es . Nos países de constituição rígida. As nonnas materialmente constitucionais transmudain-se ein normas de direito constitucional forinal. neste capítulo. De ceito inodo. que. mas . Embora. se possa distinguir normas constitucionais por natureza e em sentido substancial.' pois existem normas constitucionais fora da constituição. mas com este não se confunde. direitos e deveres dos cidadãos. ein doutrina. iguais às demais. Isso. merecerá nosso exame naquilo que interessa ao tema deste trabalho. em particular ao legisla- . De onde nos parecer sem cabünento a distinção doutrinária segundo a qual há nas cartas políticas norinas não constitucionais. começando nossa discussão pelas relaç<*-*>es entre direito constitucional e constituição. são normas de direito constitucional material aQuelas Que versain sobre a estrutura do Estado. pouco ünportando sua natureza material.

Não só deve ficar firmada a natureza jurídica de todas as norinas das constituiç<*-*>es rígidas. e especialmente destacando o importante papel que as chamadas nonnas programáticas exercem na ordem jurídica e no regime político do país.<*-*> Adiciona. se se pode pleitear-Ihe a revisão. Nossa Constituição. diversamente normativas. Significa isso que todas as disposiç<*-*>es que a integram são formalmente constitucionais. ou pode até dispor de inodo divergente. especialinente em relação às programáticas. afmnou que aquelas se limitam a indicar uma direção ao legislador futuro. nas quais vê sünples indicação ao legislador futuro.Estrutura lógica e natureza das normas constitucionais 8. [diz bein Meuccio Ruini] e qualquer uina dá lugar a ásperas contendas. de inodo unívoco. e assim por diante -. não se pode falar. outras aos cidadãos. negando-lhes. Nossa tese situa-se precisamente nesse terreno árduo da ciência do Direito ein geral e da ciência do direito constitucional em particular. a mínima eficácia jurídica. Que pode segui-las ou não. quando é aprovada. no entanto. 6169). inas são aplicáveis até onde possam. a um sumário exame. Ora. Algumas delas são plenamente eficazes e de aplicabilidade imediata. mas. necessário. nos termos de seu art. Azzariti.4 7. assim. Nenhuina.dor. não são de aplicabilidade ünediata. Todas são normativas. outras ainda a todos aqueles que se encontrem residindo no Estado. dependem de legislação que lhes integre o sentido e atue sua incidência. não só reafirmando a eficácia jurídica. inenos pareçam tais". Ill . só pode ser modificada por processo legislativo diverso do previsto para a formação das outras leis (arts. pois Que todas são. por isso. 9. as quais não são verdadeiramente normas jurídicas e poderiam ser desobedecidas pelo legislador. em seguida. fonnando um sistema de normas que se condicionam reciprocamente. de todas as disposiç<*-*>es constitucionais. mais ou inenos. 60. tenham ou não a Qualidade de cidadãos. Mas isso não significa que haja em seu texto regras não-jurídicas.' Toda constituição nasce para ser aplicada. função e natureza. como sua natureza de direito constitucional. de diferente força cogente das disposiç<*-*>es. como a maioria das cartas pollticas contemporâneas. mas só é aplicável na inedida em Que corresponde às aspiraç<*-*>es sócio-culturais da coinunidade a Que se destina. distinguindo as normas constitucionais em diretivas e preceptlvns. Queremos demonstrar a improcedência daquela posição negativista. "Nenhuma Constituição é perfeita. outras são de eficácia reduzida. como a já mencionada corrente doutrinária sustenta. porém. cotzstitucionalmente cogentes para seus destinatários.ó Muitas de suas nonnas precisam ser regulamentadas por uina legislação integrativa ulterior Que lhes dê execução e aplicabilidade plena. ou que sejam. sem violar a constituição. nossa Constituição ainda é de natureza rígida. e a possibilidade de uma aplicação direta ou mediata à relação social não pode levar a pensar na existência de disposiç<*-*>es que não sejam normativas. que nonnas desse gênero existem eIn . por postularem finalidades diferentes. mesmo aQuelas Que. 10. desde que. pode sair completa da autoridade constituinte. mas coordenadas e inter-relacionadas entre si. respeitá-la e atuá-la". outras a cidadãos e a órgãos do Estado. só pelo fato de estarein nela. de uina vez e toda arinada. contém regras de diversos tipos. maior ou menor. torna-se a Constituição e.

toda vez que se verificarem determinadas hipóteses. 11. não forma sentido admitir que nesse conjunto normativo existam disposiç<*-*>es não-jurídicas. comandos.<*-*>' Assim.ió 12. também. como se sustenta para as normas programáticas. fixam competências. e hoje ele diz. A doutrina de Duguit foi seriamente contestada. aqlIela distinção das normas em diretivas e preceptivas vem sofrendo o embate dos constitucionalistas. itnperativas. 9 Essa doutrina guarda certa semelhança com a tese de Duguit. imperativos. somente por isso. "permanecem diretivos e as leis deles divergentes não se tornam. regras jurídicas propriamente ditas. os legisladores não estariam obrigados a seguir-Ihes a orientação. de acordo com o seu sentido. não obriga a coisa alguma. Inas se lizpita a indicar certas conseqüências. Quase todas as normas da ordem jurídica são de natureza técnica. por excelência. e não como comandos ou imperativos. Se uma constituição é um documento jurídico. constituindo o estatuto social.il Poucas seriam. assim. Daí sua doutrina de que o Direito é um conjunto de regras técnicas de caráter meramente hipotético e indicativo.numa ordenação constitucional. e fundamentalmente jurídico. parecendo-lhe infundada a opinião de que o caráter rígido da constituição exclua semelhantes normas. que observa que os princípios constitucionais de caráter diretivo. pois também são permiss<*-*>es e atribuiç<*-*>es depoder e competência. não seriam propriamente jurídicas. Na doutrina kelseniana as . e poderiam desrespeitá-las sem conseqüência. antes.io As regras construtivas ou técnicas são estabelecidas para assegurar. e. isto é.todas as constituiç<*-*>es. da primeira à últitna.s Expressa o ponto de vista de Pierandrei. organizam tnedidas.1<*-*> É freqüente ler-se que Kelsen concebe as nonnas jurídicas como juízos hipotéticos. Is Pode ter sido assim o Kelsen dos primeiros escritos. as normas constitucionais direiivas não seriam normas jurídicas. sem rebuços. na medida do possível. contêm um preceito jurídico. sendo. que as normas jurídicas não são juízos.I9 Assim mesmo. mas simples regras indicativas da legislação futura. O problema está ligado à controvertida questão da estrutura lógica das normas jurídicas. que estabeleceu a distinção entre regras normativas e regras constnztivas ou técnicas.2o o que nos parece irrelevante. absolutamente inderrogáveis".<*-*>3 e hoje não tem Inais prestígio. mas nas reediç<*-*>es de seus trabalhos fundamentais sua posição é outra. não sendo normas imperativas . inválidas". porque as normas permissivas e atributivas de poder ou competência também contêm coInandos e imperativos no sentido de um dever-ser que imp<*-*>e (dados certos pressupostos) uma conduta prevista. a aplicação e o respeito das regras nonnativas. Para a concepção tradicional. acrescenta que não são apenas comandos. como tais. as normas jurídicas. são as que imp<*-*>em ao homem determinada ação ou abstenção. pois não imp<*-*>em ação nem otnissão. condição Inesma da Inanutenção da vida social. uma exigência de ação ou de omissão". enunciados sobre um objeto dado ao conhecimento. meramente diretivas e indicativas. para ele. "dizer que uma ordenação é rígida não significa dizer que suas disposiç<*-*>es são. são. a obrigatoriedade de um comportamento. a "regra jurídica traduz um imperativo. mesmo numa ordenação rígida.l' Seria mesmo de estranhar houvesse nonnas não jurídicasmeramente indicativas . mandamentos.no entendimento da doutrina que estamos expondo -. uIn sistema normativo. As normativas. são imperativas apenas na medida em que Iigam uma regrá<*-*>jurídica. constituem-se regra orgânica.I4 Do mesmo modo.

e nonnas jurídicas constitucionais. são eficazes e aplicáveis na inedida em que são efetivamente observadas e cumpridas. no sentido psicológico de um ato de vontade. ou não age. agora. atribuindo situaç<*-*>es de vantagem e de vínculo ou desvantagem. como demons<*-*>raremos com mais vagar. não sejam normas jurídicas. cotno fazia a de 1824. quando nada. enfim. pode-se dizer que as normas constitilcionais. Todas as disposiç<*-*>es constitucionais têm a estrutura lógica e o sentido das normas jurídicas. concebendo a norma jurídica como juízo disjuntivo. são criadas para reger relaç<*-*>es sociais. Ora. mas de uma regra que imp<*-*>e determinado comportamento.proposiç<*-*>es jurídicas é que são juízos hipotéticos. a concepção da norma como imperativo não encerra o conceito de ordem nem de mandado. procura e' indica o dispositivo adaptável a um fato determinado. afirmaç<*-*>es sobre um objeto dado ao conhecimento. Firmada.'3 Carlos Cossio. que ele está interpretando a imperatividade como ordem ou mandado. gestos ou outros signos.'6 "Aplicação de uma norma. São imperativos que enlaçam dois ou mais sujeitos de uma relação.Condiç<*-*>es de aplicabilidade das normas constitucionais 14. para quem as regras jurídicas são mandados ou ordens. além da interpretação. As nonnas jurídicas. Juridicamente. eficácia? 16. interpretando. tal como uma norma lho prescreve ou positivamente consente. desde que a própria constituição não tenha estabelecido distinç<*-*>es expressas. como: Estará em vigor? Será válida ou legítima? Será apta para produzir os efeitos pretendidos. sob a conseqüência de. assim. ou precisará de outras normas que lhe desenvolvam o sentido? Em outras palavras: tem. Sociologicamente. condutas humanas.'<*-*> I5. 13. contudo.'I não são imperativos. Aplica-se a lei. incidir eventualmente uma sanção. inclusive as constitucionais. como outras. Submete às prescriç<*-*>es da lei uma relação da vida real. a tese de que todas as disposiç<*-*>es da constituição rígida têm estrutura e natureza jurídico-constitucionais.178. cabe. se são legítünas." Sente-se. a aplicabilidade das normas constitucionais (também de outras) depende especialmente de saber se estão vigentes. [adverte Kelsen] é ainda o juízo através do qual exprimiinos que um indivíduo se conduz. mas juízos. "no enquadrar um caso concreto em a norma jurídica adequada. de acordo com o poder ou competência que uma nortna lhe atribui". Por ou= tras palavras: tem por objeto descobrir o modo e os meios de amparar juridicamente uin interesse humano". IV . diz Cossio. ou se não conduz. só porque não têm uma eficácia positiva direta e imediata. ou que ele age. contudo. É errôneo pretender que certas disposiç<*-*>es constitucionais. ou não tem. atribuindo direitos e obrigaç<*-*>es recíprocas.'4 tece vigorosa crítica ao imperativismo. em seu art. que têm como objeto a conduta de outra pessoa. Aplicabilidade exprime uma possibilidade de aplicação. não sendo espontaneamente observado. indagar das condiç<*-*>es de sua aplicabilidade." O que ele refuta é a tese de Austin. Esta consiste na atuação concreta da norma. isto é. e a expressão do mesmo ato por meio de palavras. se têm eficá- .zs Mas uma norina só é aplicável plenamente se estiver aparelhada para incidir. para serem aplicadas. no entanto. o que suscita várias quest<*-*>es.

tratando-se de norma constitucional. aqui. entrara em vigor no dia 30 do inesmo inês e ano. às autoridades incumbidas de fazêla executar e às pessoas por ela atingidas. estabelecem prazos de realização de situaç<*-*>es a partir de sua promulgação. em 17 de outubro de 1969. sendo. sob certas condiç<*-*>es. dependa de outras normas integrativas. na verdade. V . enfün. mas para que a eficácia se verifique é necessário que a norina coinece a vigorar. A Constituição do Brasil de 1967.e assim as leis em geral . que é o período Que vai da publicação do ato promulgatório até a efetiva entrada da lei em vigor. que todas as suas disposiç<*-*>es entraram no mundo jurídico com pretensão de reger os fatos nelas previstos. no seu art.contéin uma cláusula de vigência. sofrera depois mais 26 Emendas.1 Q deu nova redação à totalidade da Constituição de 1967. pois. A atual Constituição de 1988 não trouxe cláusula de vigência e de promulgação. salvo casos expressamente mencionados nas Disposiç<*-*>es Transitórias. 19. com isso. A Constituição de 1969. ein síntese. A vigência é condição de efetivação da eficácia. deterininou a entrada ein vigor da nova Carta Política que nela se continha. e passaram a constituir fundamento de validade ou de invalidade. a oportunidade de se prepararem para a sua aplicação". é o que vereinos nos parágrafos que seguem. é tomada no seu sentido técnico-formal de norma que foi regularmente promulgada e publicada. na realidade. é o modo específico da existência da norma jurídica. 189. a qualidade da norizia que a faz existir juridicamente e a torna de observância obrigatória. Vale dizer. não raro. no sentido indicado. A ocoirência desses dados constitui condição geral para a aplicabilidade das normas constitucionais. de sorte que coin esta é que ela entrou em vigor. foi protnulgada em 24 dejaneiro de 1967 mas determinou. ainda que a plenitude desta. pondo-a a vigorar ("A presente Emenda entrará ein vigor no dia 30 de outubro de 1969 '). como justamente se pretende inostrar nesta monografia. válidos os atos praticados na sua conforinidade. portanto.<*-*><*-*> Vacatio constitntionis " 20.cia.Vigência 17. especialmente das Disposiç<*-*>es Transitórias. que entraria em vigor no dia 15 de março do mesmo ano. O art. A teoria jurídica conhece a vacatio legis. promulgada como Einenda Constitucional 1. 2<*-*> continha a cláusula de vigência que. VI . isto é. A constituição . Tigêneia (do verbo viger. coin a condição de entrar em vigor em data deterininada.3<*-*> . Vigência. elaborou nova Constituição e a outorgou ao povo brasileiro autoritariamente. A vigêtlcia. que a faz exigível. Isso. 18. O art. cláusula que determina o momento em que ela coineçará a vigorar e. toroar-se apta a produzir os efeitos próprios de seu conteúdo. "e por duas raz<*-*>es se justifica: porque faz a lei mais e melhor conhecida e porque proporciona. como veremos mais embaixo. por exemplo. àquela.'9 Vigência não se confunde com eficácia. aliás. a qual. desde sua entrada em vigor com sua promulgação no dia 5 de outubro de I988. Mas vários de seus dispositivos. Essa Emenda tinha dois artigos. do latim vigere) é.3o Durante a vacatio legis continuam em vigor as nonnas anteriores reguladoras da mesma matéria e interesses.

NATUREZA JURÍDICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS S S Por outro lado. estabeleceu: "A presente Constituição entrará em vigor logo após as eleiçóes do Conselho Nacional e do Conselho Comunal. A Constituição Federal de 1969 foi promulgada no dia 17 de outubro de I969 e entrou em vigor no dia 30 do mesmo mês. pois. a constituição não regula nada. complementares ou ordinárias. torna-se válida e executável desde o dia em que a constituição entrar em vigor. Nesse período. no mês de abril de 1911". Na primeira oportunidade estranhou-se o procedimento. que não pudemos determinar. Não são de grande valia os casos da Itália e de Mônaco. e suas várias Emendas. Várias normas. Não se tem verificado vacatio constitutionis no constitucionalismo universal. pois. Nesse período. mas ficam revogadas. em ambos os casos. embora já exista. 22. Como a Constituição foi dada em Paris a 5 de janeiro de 1911. com novas implicaç<*-*>es. No caso. vacatio legis corzstitutionalis. mas sua natureza não difere da vacatio Iegis em geral. Não é. No dia 27 de dezembro de 1947. só atua o dispositivo que marcou o momento de sua entrada em vigor. Enrico De Nicola. portanto. que não cabe discutir nesta oportunidade. a promulgou. que Quebrou uma tradição do constitucionalismo brasileiro. foram revogadas. um período de vacatio. . para entrar em vigor no dia 15 de março de 1967. mas não em vigor. Todavia. desde que não se conformem com os ditames deste. promulgadas após 24 de janeiro de 1967 até 15 de março do mesmo ano foram certamente criadas segundo os atos institucionais em vigor. mas. vez que estava determinado que entraria em vigor no dia 1Q de janeiro de 1948. ou simplesmente vacatio constitutionis. Houve. não existe juridicamente em sua totalidade. por infringirem regras da nova Constituição do Brasil. qual seja: a de a Constituição entrar em vigor na data de sua publicação. praticamente. comum a vacatio constitutionis. e entrará em vigor no dia IQ dejaneiro de l948". continua a reger os destinos do Estado a lei maior que já existia.21. no mais tardar. verificou-se um período de vacatio. o Chefe de Estado. Essas eleiç<*-*>es realizar-se-ão. A Constituição monegasca. Depois. as leis que porventura tenham sido promulgadas no período de vacatio constitutionis em conformidade com regras constitucionais vigentes valem enquanto durar a vacatio. A Constituição do Brasil de 1967 foi promulgada e publicada no dia 24 de janeiro de 1967. se não houver sido suspensa sua executoriedade na forma prevista. entrou em vigor a Constituição de 1969. numa disposição transitória. Toda lei ordinária que tenha sido criada no período de vacatio constitutionis será inválida se contrariar as normas constitucionais existentes. com a entrada em vigor do novo texto constitucional. porque. por inconstituc<*-*>ionais. visto que não conseguimos apurar Quando se deram as eleiç<*-*>es mencionadas no te'<*-*>to. O inciso XVIII das Disposiç<*-*>es Finais e Provisórias da Constituição italiana estatuiu: "A presente Constituição será promulgada pelo Chefe provisório do Estado nos cinco dias seguintes à sua aprovação pela Assembléia Constituinte. mesmo quando esteja de acordo com a constituição já promulgada. de sorte que houve uma vacatio constitutionis de Quatro dias. após sua declaração de inconstitucionalidade.

na justificativa da legitimidade das normas constitucionais. um fundamento de validade nos fatos.'9 Por outro lado. devido ao caráter criador de Direito que o poder tem. Uma constituição. desconhece a construção dialética da realidade estatal e é. na mesma realidade constitucional na qual um aparece sempre juntó'eom o outro".33 Mas. e devem ser ineflcazes juridicamente. inválidas. não podem encontrar sua legitimidade em outras da ordenação jurídica positiva. cuja unidade. já é o sistema nonnativo de grau mais elevado na ordenação jurídica do país. há que recusar a concepção de que a constituição recebe sua validade jurídica de uma norma com validade meramente lógica e desprovida de poder (posição de Kelsen). nas relaç<*-*>es sociais. a criação de uma constituição é obra do poder. criticando especialmente Kelsen e Schmitt. pois toda espécie de normação jurídica . Heller. busca. sua tese não nos parece merecer acolhida.Legitimidade 23. sem dúvida.VII . especialmente porque subordina a existência do poder constituinte a uma idéia de normação." Informa e confere validade a todo o ordenamento normativo nacional. Lassalle é extremado ao afirmar que os canh<*-*>es são importantes fundamentos de uma constituição. admitindo-se como fundamento da validade da constituição os fatores reais do poder. [conclui] hão de manter-se logicamente separados. se as normas constitucionais gozam dessa supremacia e. Essas posiç<*-*>es prescindem ora do poder. falsa já de saída. porém. objetividade ou subjetividade. e está intimamente ligada ao conceito de constituição. segundo um princípio de compatibilidade vertical. onde buscam elas o fundamento de sua validade? Se as nonnas constitucionais regulam a criação das nonnas de hierarquia inferior e lhes dão condiç<*-*>es de legitimidade. inconstitucionais. É através do poder constituinte que . não nos permite conceber a constituição como "decisão" de um poder sem norma (posição de Lassalle e Schmitt). formal e substancialmente. e acrescenta que o caráter de criador de poder.3<*-*> E Carl Schmitt diz que a constituição vale em virtude da vontade política existeneial daquele que a dá. por isso. O nonnativismo puro de Kelsen sustenta que a constituição encontra o fundamento de sua validade na normafundamental. ora do Direito. por outra parte. pois. que tem o Direito. com os ditames da constituição.3s Se a crítica de Heller é procedente. Regula a produção das demais normas da ordem jurídica. pressuposta e hipotética. Situa-se no vértice das fontes formais do Direito. mas aparecem relacionados. Importa dizer: a legitimidade dessas normas decorre de uma situação hierárquica em que as inferiores recebem sua validade da superior. coesão e conexão de sentido encontram nela seu fundamento.também a normação constitucional . A questão é controvertida. em princípio. São legítimas na medida em Que sejam constitucionais.36 26.34 Mas sua doutrina pode ser entendida mais moderadamente. ser e dever ser da Constituição. mas. As normas ordinárias e mesmo as complementares são legítiInas quando se confonnam. 24. norma ou vontade. que elemento é capaz de criá-las legitimamente? 25. demonstra que toda teoria que prescinda da alternativa Direito ou poder.pressup<*-*>e tal vontade como existente. As demais normas jurídicas que dela discordarem ou divergirem são ilegítimas.'<*-*> "Eficácia e validade. por isso mesmo.

O erro está em conceber o poder como mera situação fática. enquanto as demais normas inferiores. o poder interfere continuamente na formulação das normas jurídicas. e estas são legítimas na medida em que a decisão promane de um titular legítimo do poder constituinte. na determinação de uma via normativa possível. Ora.4' 28. ao contrário (prossegue ele). não nega a competência de uma autoridade constituinte na formação constitucional. e é o poder constituinte. surgem da decisão de um poder especial dimanado da própria soberania do povo. acaba por. como fenômeno sóciocultural. no entanto. sustentar a mesma coisa. As normas assim criadas não valem só porque promanaram de uma decisão. Mas as normas constitucionais. Heller não admite a concepção de constituição como "decisão" sem norma. ou para reformá-la nos limites por ela Inesma estatuídos. Curioso notar que Heller. condicionadas. Miguel Reale já destacou o engano em que incide o decisionismo (de que Carl Schmitt é representante conspícuo no plano constitucional). a decisão. Dele parte a decisão definidora de uma das vias normativas possíveis conaturais da contextura social. no seu sistema. do poder de reformar ou emendá-la. a decisão provém de um poder constituinte originário. sem os perigos e riscos que seriam representados pelo poder. confundido com a força. porque toma a decisão como um ato isolado do conjunto das circunstâncias sociais e dos motivos axiológicos que cercam quem deve decidir. para tanto. sempre pertence ao povo. mas esta autoridade já é. mas porque correspondem a um querer social predominante no momento. aquela "inserção do poder no processo Inesmo da normatividade jurídica". é que ocorreu usurpação. mas como "princípios éticos de Direito". nos fala Miguel Reale. uma autoridade normada. naturalmente. mesmo porque. o estabelecimento de uma constituição. se cuida de modificar uma constituição existente. "não quaisquer preceitos jurídicos positivos.4l Isso não é muito diferente de uma Gründnorm. pela norma fundamental pressuposta. pode ser atribuída à própria legislatura ordinária. Nos Estados Democráticos o poder constituinte pertence ao povo. É verdade que ele. 27.4' Mas também condena aquela tendência abstratista. e. Só o povo é legítimo para determinar. então. por serem informadoras e condicionadoras da ordem jurídica total. genericamente. não se está concebendo um novo decisionismo. Mas. algo mais que uma relação fática e instável de dominação.4o A tese de Kelsen é inaceitável exatamente porque repele a interferência do poder na fundame<*-*>ntação da legitimidade das normas constitucionais. uma constituição necessita. das que já constituem um modo de ser social. Aliás. em última instância. quando diz que a questão da legitimidade de uma constituição não pode. no que se encontra implícita uma idéia de norma. confundido facilmente com a força e o arbítrio. não limitado juridicamente. Estas últimas têm sua validade fundada nos ditames das regras constitucionais. Quando se trata de estabelecer uma constituição nova. por si ou por seus representantes. surgem da decisão dos poderes constituidos e derivados. se uma constituição vem de outra fonte. de umajustificação segundo principios éticos de Direito. se. para valer como ordenação conforme com o Direito). ser respondida referindo-se a seu nascimento segundo quaisquer preceitos juridicos positivos. de que. primariamente. contestando a validade da teoria kelseniana. válidos com antecedência.se manifesta. Falando-se em decisão. válidos com antecedência". . Decisão. revestida. como já vimos. ainda que hipoteticamente. para ser constituição (isto é. que visa a criar um "reino ideal do Direito". é interferência dopoder. aqui.

A verdade. por isso mesmo. na Constituição Federal de 1988. a assertiva de Barile: "A nova ordem. com o fim de votar uma constituição. mas porque o Golpe. sem sombra de dúvida.12.<*-*><*-*>ao mesmo tempo. que se traduziu.Eficcácia 30. legitimando o exercício do poder com a adoção de nova idéia de Direito. Não é certo que o Ato Institucional 1 o tenha mantido. ele era e é o representante do povo. Segundo á<*-*>firmara. VIII . Pois para isso pode ser que a força arbitrária é que a sustente. c•nferindo à cidadania uma Carta ainda mais ilegítima. Com base neles é possível concluir pela ilegitimidade de uma constituição ainda que ela esteja sendo obedecida. se o Congresso Nacional estava em funcionamento. O que se pode dizer é que não o destruiu.embora se deva dizer também que há alguns princípios universalmente aceitos. Não que as Forças Armadas não o pudessem fazer. decorrentes dos sistemas normativos existentes e predominantes. não poderia haver. dois representantes da soberania popular: o Congresso e o grupo dito revolucionário.29. Aquele Congresso fora eleito pelo povo. e só isso lhe dava legitimidade. que orientam a questão de legitimidade das constituiç<*-*>es independendo da ordem que cessou. de 13. Ora. para tanto convocada. não teve força para tanto. que. poderia legitimamente reformá-la. não tenha podido destruí-lo. uIn poder constituinte cujo titular o delega a outro órgão. porque proviera do exercício do poder conslituinte delegado ao Congresso Nacional pelo titular do poder revolucionário. valendo. finalmente. primeiro rompendo-a pelo malfadado Ato Institucional 5. é que a questão da ilegitimidade da constituição estabelecida se torna matéria acadêmica. a propósito.44 Essa criação artificial era inteiramente dispensável. Se o Congresso existia e de fato perdurou. como instituição e representação popular. à vista das críticas e impugnaç<*-*>es à legitimidade da Constituição do Brasil de 1967. nos limites da Constituição de 1946. eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais cons- . Por conseguinte. que. Outra constituição somente poderia legitimamente ser estabelecida por uma assembléia constituinte originária. no entanto. causa e base dos conflitos políticos que dominaram o País por tanto tempo. senão pela ordem que cessou. ergueu a teoria dopoder constituinte delegado. Nessas situaç<*-*>es. aquela Constituição era legítima. mesmo porque contém. as forças psicológicas também contam. e parece que elas prevaleceram em favor do Congresso Nacional. e que.o garantiam antes do Movimento. em si. constituiu o instrumento mais brutal que a ordem jurídica do País conheceu.68. clamou por uma Assembléia Constituinte que reconstitucionalizasse o Estado. por ter cessado. embora mutilado pelos expurgos. único titular do poder constituinte. cumprida e aplicada. que acabaram pondo-a abaixo. Uma norma só é aplicável na medida em que é eficaz. Paulo Sarasate. que nasce do exercício ilegítimo da função de revisão. pela Emenda Constitucional 1/69. Aquela Constituição de 1967 não resistiu ao embate das forças do arbítrio. depois. isto é. outorgada pela Junta Militar que empolgara ditatorialmente o poder. é incapaz de formular tal valoração"4<*-*> . só ele encarnava a vontade popular e só ele. Realmente. desde sua independência. o qual se manteve com os mesmos fundamentos que. não poderia ser considerada ilegítima. uma contradição implícita. Não o fez porque não pôde. e muito. talvez por receio de criar situaç<*-*>es insustentáveis.

vigência. não é particular da teoria do direito constitucional. como positividade. não disp<*-*>e de aplicabilidade.tituem fenômenos conexos. praticidade. 2. Vigente é "o Direito que obtém. porque a eficácia das normas constitucionais será o objeto de cogitação no título seguinte. do mesino Cossio. para aludir à existência do Direito. Não insistiremos no tema aqui. 3. sem ter conseguido força real suficiente para impor-se aos indivíduos e grupos sociais". Para que haja essa possibilidade.o I NORMAS CONSTITUCIONAIS QUANTO À EFICÁCIA I .Concepção moderna sobre a eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais: o problema terminológiço. em realidade. facticidade e efetividade do Direito. TÍTULO II EFICÁCIA JURÍDICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS <012> Cnrírui. especialinente as chainadas programáticas. se é verdade que a positividade não se pode desligar da vigência e da eficácia.1 A teoria egológica do Dü-eito. I11. A questão.3 tais termos têm conotaç<*-*>es próprias e não se confundem numa sinonímia jurídica. como possibilidade de aplicação. observância. aspectos talvez do mesmo fenômeno. eficácia.Normas constitucionais "selfexecuting" e "not self executing". todos. "reconhecendo que positividade. eficácia. vigêricia. O sociologismo jurídico reduz o problema da vigência ao da eficácia. Esta se revela. fala unicamente da validez e da vigência do Direito. o que se imiscui na conduta dos homens ein sociedade e não o que simplesmente se contéin na letra da lei. os juristas recorrem a diversas palavras. mas da ciência jurídica em geral.2 Eliminar o problema por essa forma não nos parece. VA triplice característica das normas constitucionais quanto à ejicácia e aplicabilidade. esta como realizabilidade. em absoluto. o que dificulta ainda mais sua solução e até mesmo sua formulação científica. a norma há que ser capaz de produzir efeitos jurídicos. Se a norma não disp<*-*>e de todos os requisitos para sua aplicação aos casos concretos.O problema da eficácia das normas constitucionais. encarados por prismas diferentes: aquela como potencialidade. Carlos Cossio bem acentua as discrepâncias doutrinárias quando diz que. assim. pois. aplicação eficaz. I . termos existenciais que aludem à mesma coisa e que se podem usar como vocábulos sinônimos". falta-lhe eficácia. observância. não adQuirem vigência enquanto uma lei ordinária ou complementar não as atuar efetiva- .O problema da eficácia das normas constitucionais 1. IP. 31. aliás. resolve a dificuldade fazendo desaparecer o problema. II . facticidade e efetividade do Direito são. resolvê-lo. no que tange à existência do Direito.Normas constitucionais mandatórias e normas constitucionais diretórias. O problema da eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais começa com as incertezas terminológicas.4 Sob essa perspectiva é que se costuina dizer que muitas nonnas constitucionais.

Direitó positivo se op<*-*>e a direito natural. se bem que entre vigência e eficácia possa existir uina certa conexão. a circunstância de que uma conduta huinana conforme à norma se verifica na ordein dos fatos. designa a existência específica de uina norma. como nóta Cossio. enquanto a eficácia pertence à ordein do ser. <*-*>o 6. ao regular desde logo.l<*-*> Eficácia é a capacidade de atingir objetivos previamente fixados coino metas.<*-*>6 nesse sentido. a vigência da eficácia. coino diz Kelsen. com precisão. e não à ordein do ser. <*-*> <*-*> opondo-se ao dir<*-*>eito histór-ico. exigibilidade ou executoriedade da nonna. referese ao Direito presente. em últüna análise. como atual. positividade significa. mediante normas bilaterais e atributivas. relaç<*-*>es e comportamentos de que cogita. Por isso é que se diz que a eficáciajuridica da nonna designa a qualidade de pr<*-*>oduzir. o Que já a perdeu.' "Dizer que uina norina vale (é vigente) traduz algo diferente do que se diz quando se afirina Que ela é efetivainente aplicada e respeitada. que vêm a ser. 4. Tratando-se de nonnas jurídicas. "existência cotno presença do Direito". Vigência significa a existência específica da norma. a realidade empírica da experiência. II . efeitos juridicos. op<**>ese a direito natural.i' refere-se ao fato de que a norma é realinente obedecida e aplicada.<*-*>4 É o que tecnicamente se chama efetividade da nonna.Positividade do Direito exprime a característica de um Direito que rege. desde Que entende que esta pertence à ordem do dever-ser.Vigência do Direito. caracteriza o Direito que rege. a conduta humana. A vigência da norma. coino possibilidade . a eficácia diz respeito à aplicabilidade. a eficácia consiste na capacidade de atingir os objetivos nela traduzidos. da norma como objeto do Direito. as relaç<*-*>es sociais.Eficácia do Direito: toma-se a expressão ein dois sentidos.9 É inais do Que vigência e eficácia. no entanto."6 Kelsen dá nítida prevalência à vigência.ou menor gr-au. pertence à ordem do dever-ser. antes de ser seguida e aplicada. pode ser histórico.mente. da circunstância de uma conduta huinana confonne à norma se verificar na ordem dos fatos". O norinativisino distingue.<*-*> Uma norina jurídica.<*-*>' nesse sentido. III . Que a aludida "existência como presença do Direito". "porque [como nota Miguel Reale] podemos conceber três modalidades de direito positivo: o dotado atualinente de vigência. e o que está ein vias de obtê-la". em maior. isto é. A eficácia social designa uma efetiva conduta acorde coin a prevista pela norma. entra em vigor antes de tornar-se eficaz. ao "fato real de que ela é efetivamente aplicada e seguida. para ele. socialmente postas. Em resumo: I . realizar os ditames jurídicos objetivados pelo legislador. "hic et nunc ". in concreto. agui e agorn. A lição de Kelsen é bastante clara a esse respeito. portanto. dos fatos. ou Direito vigente. mas acha que um mínimo de eficácia é condição de vigência da norma. mais. ejicácia é o fato de que a norma é efetivamente aplicada e seguida. a eficácia da nonna diz respeito.s 5 A positividade do Direito não se confunde com sua vigência nem coin sua eficácia. as situaç<*-*>es. isto é.

Mas percebe-se que. desses dois tipos. encontramos uma norma preceptiva e outra negativa: "é livre a manifestação do pensamento. apesar disso. 3) "não haverá juízo ou tribunal de exceção" (art. os conscritos" (art.i<*-*> Essa questão. porque o produto final objetivado pela norma se consubstancia no controle socizl que ela pretende. SQ. 5) "Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e. 5Q. 5<*-*>. 6) "É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar" (art. diversos. embora seja de teoria geral do Direito. Às vezes. III). [norma preceptiva) sendo vedado o anonimato [norma proibitiva)" (art.de sua aplicação jurídica. e não puramente de direito constitucional. num sünples dispositivo. bastando citar os exemplos seguintes. 5Q. O alcance dos objetivos da norina constitui a efetividade. No plano da eficácia jurídica . Por isso é que.e em proibitivas .as que imp<*-*>em uma conduta positiva . a uma significação ilosófica. sem distinção de qualquer natureza" (art. "é inviolável o sigilo da correspondência (art. se fala em eficácia social em relação à efetividade. § 4ó). 3) "A competência da União para einitir moeda será exercida exclusivamente pelo banco central" (art.. são. onde a afirmativa de direitos subjetivos em favor dos indivíduosimporta a negativa da ação . por se reduzir. visto que um mesmo comando pode traduzir-se sob forma preceptiva ou proibitiva. deve.as que imp<*-*>em uma omissão. por exeinplo. a medida da extensão em que o objetivo é alcançado. coino já anotamos antes. As normas constitucionais são. como nota Del Vecchio. 2) "nenhuma pena passará da pessoa do condenado" (art. no entanto.Normas constitucionais mandatórias e normas constitucionais diretórias 7. bein característicos: a) preceptivas:1) "Todos são iguais perante a lei. IV). e não ser efetivainente cuinprida no plano social.is o que é palpável em direito constitucional. XLU). 7) "Ao militar são proibidas a sindicalização e a greve" (art.164). § 3ó. 5<*-*>. 44). ser examinada aqui. Esta é.14. Essa distinção é de pouca importância. pode gerar certos efeitos jurídicos. O caráter imperativo das normas jurídicas revela-se no determinar uma conduta positiva ou uma omissão. não-fazer. 5ó. caput). tratando-se de nonnas jurídicas. portanto. 4) "a casa é asilo inviolável do indivíduo" (art.que é o que nos interessa neste trabalho -. daí distinguirem-se as normas jurídicas ein preceptivas . coino. 142. SQ. um agir ou um não-agir. durante o período do serviço militar obrigatório. XXXVII). relacionando-se ao produto final. a ciência do Direito enfrenta o probleina da classificação das nonnas. Uina norina pode ter eficácia jurídica sem ser socialinente eficaz. muitas vezes. isto é. "para explicar a inaneira como o imperativo se manifesta". II . Os dois sentidos da palavra eficácia. § 2<*-*>). IV). XI). uma conduta omissjva. 17. b) proibitivas: 1) "ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante" (art. os sentidos são conexos. acima apontados. pois. XII). um não-atuar. o de revogar nonnas anteriores. em grand<*-*> porção. especialmente no capítulo dos direitos e garantias fundamentais. 2) "O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional" (art. 8. para verificar-se até que ponto as nonnas constitucionais se ajustam a ela. enquanto a eficácia jurídica é apenas a possibilidade de que isso venha a acontecer.

Seria.impor uma omissão). como demonstram seus "considerandos". mas dependem de outras. 25. 22. ao estatuir que ninguém será obrigado afazer ou deixar defazer alguma coisa senão em virtude de lei . mas partiu de premissa inaceitável para o caso .42. visto que não são bastantes por si mesmas. errôneo pensar assim. por via de regra. ou explicativas.19 Essa classificação pode induzir a pensar que a ela pertencem as chamadas normas constitucionais ciuto-aplicáveis e as não auto-nplicáveis. diria se afirmasse que seu caráter imperativo decorre do fato de. a lei constitucional (Lei 105. Exemplo típico de uma nonna proibitiva que tem real significação preceptiva é a do inciso II do art. porque são suficientes por si mesmas. não precisa ser dada pelo Direito. entre nós. As duas formas.'<*-*> do art. abrirem exceção a normas proibitivas. como é exemplo famoso. § 3Q. como se vê.'o e . § 4<*-*>. Del Vecchio demonstrou o contrário. 60.'9 do art.valendo dizer. exceçóes a regras proibitivas existentes na ordem jurídica. em si. porque as normas permissivas constituem.<*-*>' daí dizer que as nonnas pennissivas não têm. § 3<*-*>. Nonnas permissivns (ou facultativas) são as que atribuem uma permissão. no direito constitucional. pois." as interpretativas também definem e conceituam o sentido de outras normas.'o As primeiras seriam as pi'imár-ias.10. em termos preceptivos: "todos são considerados inocentes até o trânsito em julgado de sentença condenatória". 9. fornecem a base constitucional das normas juridicas preceptivas (obrigar alguém a fazer .'I mas achamos que as interpretativas e as permissivas também poderiam ser consideradas da mesma natureza. outras nonnas são chamadas secundárias. I. porém. visto que a permissão.do Poder Público. em princípio. 182.determinar uma conduta positiva) e das normasjuridicas proibitivas (obrigar alguém a deixar de fazer .1840) interpretativa do Atd Adicional à Constituição de 25 de março de 1824. ou "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença condenatória" equivale. e as não aúto-aplicáveis seriam secundárias. também: "é inviolável o sigilo da correspondência" significa.'s do art. SQ da Constituição.qual seja. com freqüência.'<*-*> Equívoco manifesto.'' do parágrafo único do art. Para Del Vecchio essas duas espécies de normas são primnrias. A existência dessas normas induziu parte da doutrina a afirmar que nem todo Direito é imperativo. por si mesmas. em termos preceptivos: "é garantido o sigilo da correspondência". o que ocorre. sem determinar a obrigatoriedade de uma conduta positiva ou omissiva. exprimem diretamente uma regra obrigatória do agir. a que devemos reportar-nos para compreender aquelas exatamente. de 12. assim parece-nos lícito classificartambém a Lei Constitucional 8. 154. Podem admitir-se normas constitucionais explicativas e interpretativas.5. como são os casos do art. pois por normas secundárias Del Vecchio entende as regras declarativas. em termos preceptivos: só a lei pode obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. razão de ser. 18.'6 do art. Assim. Melhor. de 12. a de que "é juridicamente penzl<*-*>tido tudo aquilo que juridicamente não é proibido". por dependerem de outras normas que lhes completem a eficácia. isto é. aquelas bastantes em si e estas não-bastantes em si. As declarativas ou explicativas contêm definiç<*-*>es de vocábulos ou de conceitos. por suficientes por si mesmas.

26. III . quer para a realização de serviços locais de competência dos Municípios autônomos. 1<*-*> e também ao princípio da autonomia dos Estados. mediante lei específica para área incluída no plano diretor.. como é exemplo frisante a competên- . sucessivamente. eit. aglomeraç<**>es urbanas e microrregi<*-*>es constituídas por agrupamentos de Municípios limítrofes.parcelamento ou edificação compulsórios. sob pena. de: I . subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros. nos termos da lei federal. assim a maioria das regras de competência.imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo. II . ao princípio da indelegabilidade de atribuiç<*-*>es e à rigidez da repartição de competências constitucionais. e do Congresso Nacional por lei complementar" . com prazo <012> 7O APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS tantos outros da nossa Constituição. do proprietário do solo urbano não edificado. mas aí foi cauteloso ao indicar que tal ocorre em geral. Permitindo emendas à Constituição. p. "É facultado ao Poder Público municipal..desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal.exceção ao princípio da indissolubilidade dos Estados configurado no art. Ob. exigir. mediante aprovação da populaçáo diretamente interessada. 28. Sem essa regra permissiva não haveria possibilidade das modií'ica s indicadas. 24. desde que sejam não-cumulativos e náo tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição. 25. 27. o planejamento e a execução de funç•es públicas de interesse comum . 288. Ob. p. 288. que promova seu adequado aproveitamento. "Os Estados podem incorporar-se entre si. 30. para integrar a organização. quebrando-Ihe a possibilidade de rigidez absoluta. Permitindo à União a criação de outros impostos que não os previstos na Constituição.como exceção ao princípio da autonomia municipal quer para se organizarem em consórcio. Permite aos Estados instituir regi•es metropolitanas. através de plebiscito. cit. "Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre quest<*-*>es específicas das matérias relacionadas neste artigo" . as quais contêm simples faculdade ou autorização para o exercício do poder outorgado. subutilizado ou não utilizado.exceção à competência privativa da União. 29. ou formarem novos Estados ou Territórios Federais.23.

de nonnas constitucionais dispositivas. só é facultado a Estados e Distrito Federal deliberar sobre isenção. irrenunciáveis ou inderrogáveis. § 2<*-*>. no entanto.). era necessária em face do direito de propriedade.é que as separa em normas coercitivns (ius cogens. Nonnas que são. VI e XII. pennissivas e proibitivas. em normaspreceptivas (ou. a questão relativa à existência. as normas são. 155.a qual resume todas as outras . por exemplo) e as que outorgam certas competências sem obrigar o seu exercício. haja possibilidade de uso do poder discricionário. portanto. os Estados não são obrigados a decretar os impostos de slIa competência. imperativas) e em normasproibitivas. por exemplo. conforme os incisos VI e XII. nesses casos. Coercitivas. imperativas. estabelecendo direitos.153. por isso. dadas certas condiç<*-*>es ou hipóteses previstas. taxativas. 10. que limita a ação do Poder Público. "g"). "g". na terminologia de Del Vecchio)3I e normas dispositivas (ius disp•sitivum). por isso. Controvertida é. permite à União decretar os impostos nele indicados. grupos etc.3' Todas são. asse<*-*>urados o valor real da indenização e os juros legais". e só serão aplicáveis na inexistência de acordo das partes. por isso. e especialmente para sujeitar o proprietário às sanç<*-*>es constantes dos incisos do dispositivo. incentivos e beneficios fiscais na fonna estabelecida em lei complementar. E um ato ou lei que estatua de outro jeito será fulminado . Isso é ponto pacífico. por princípio. pois. em parcelas anuais. porQue. embora. como veremos. ou não. essas nonnas facultativas afguram-se tão vinculantes como as demais.3<*-*> Mas essas nonnas não são facultativas no sentido das penniss<*-*>es do direito privado. ao mesmo tempo proíbe a Estados e Municípios instituírem os mesmos tributos. Mas. mas estão impedidos de criar outros) ou vedam a obtenção dos fins nelas previstos de outro modo que não na fonna. de acordo com a doutrina.3' Dispositivas são as que "completam outras ou ajudam a vontade das partes a atingir seus objetivos legais. classificando-se.36 de resgate de até dez anos. Il. As normas constitucionais penencem essencialmente ao ius cogens. mediante normas que. Quando o art.34 às quais pertencem as normas de interpretação e as integrativas ou supletivas. segundo outros. As relaç<*-*>es de direito constitucional são relaçóes de poderes entre si e entre estes e sujeitos privados (indivíduos. são as que imp<*-*>em uma ação ou uma abstenção independentemente da vontade das partes. limites e condiç<*-*>es que autorizam (assim. excluem qualquer outro (assim.cia para decretar tributos. normas cogentes. incidem obrigatoriamente. Sem a permissào constante do cnput o Poder Público municipal não estaria autorizado fazer as imposiç<*-*>es ao titular da propriedade no nível previsto. tais as que admitem a celebração de convênios para certos fins (art. obrigaç<*-*>es e deveres de natureza pública. No fundo. porém. não deixam margem à atuação da vontade dos agentes constitucionais. iguais e sucessivas. A per missão. ao mesmo tempo.33 São nonnas que possibilitam uma acomodação particular. ao facultarem um modo de agir. A clássica distinção das normas jurídicas sob o ponto de vista da eficácia . com base eIn nonnas de aplicação facultativa. porque da natureza imperativa do Direito não se segue que ele não leve em conta ou suprima sempre a vontade individual".

a saber. diretórias". sem que esta seja. Não há no direito constitucional nonnas supletivas no sentido em que essa expressão é usada no direito privado. há. e cláusulas diretivas.4<*-*> 13. indispensável e imperativa. por isso. com razão. que Ihes provém não de sua matéria. devem ser tidas como limitativas do poder a cujo exercício se aplicam. b) as directory provisions (prescriç<*-*>es diretórias). não podendo conceber que se reserve ao legislador o arbítrio de distinguilas. pelo menos. e as seglIndas como Inandatórias por natureza. . de passagem. que "uma provisão constitucional. pois. eIn tal regime. a distinção das normas constitucionais em mandatórias e diretórias. Cooley criticou severamente essa doutrina dos tribunais. que seriam cláusulas constitucionais essenciais ou materiais cujo cumprimento é obrigatório e inescusável. quando. Ora. de caráter impositivo e peremptório. e em acessórias ou de mera conveniência.dos. entre leis constitucionais fonnais e materiais. em tennos mais amplos e mais profundos. por não conterem matéria de natureza ou de essência constitucional. consideradas as primeiras como meramente diretórias. fonnulada eIn outros tennos.matéria de interesse público ou relativa a direitos individuais. para o efeito de sua observância. a mesma força. absolutamente. Inas por serem essencial e substancialmente constitucionais. Se forem estabelecidas normas a respeito do tempo no qual uIn poder deve ser exercido. de caráter não-obrigatório. não por i ヘ gurarem no instrumento da constituição. sem que isso importasse inconstitucionalidade de seu ato. Quando estudamos a natureza jurídica das nonnas constitucionais. é uma provisão essencial. podendo ser até desrespeitadas pela legislação ordinária.de inconstitucionalidade. ao regime de constituição escrita ou rígida a distinção entre leis constitucionais eIn sentido material e fonnal. ao slIstentar que as constituiç<*-*>es contêm cláusulas preceptivns. Aceitamos plenamente essa argumentação.3s Francisco Campos acha. ou do modo pelo qual o seu exercício pode ter lugar. são indistintamente constitucionais todas as cláusulas constantes da constituição. exatamente porque se contém no instrumento da constituição. "As Constituiç<*-*>es [diz ele] normalmente não contêm normas de procediInento.4<*-*> E acrescenta. seja Qual for o seu conteúdo ou natureza". portanto". terão. É certo que a jurispnzdência none-americana pretendeu distinguir as nonnas constitucionais em duas categorias: cz) as mandatoryprovisions (prescriç<*-*>es mandatórias). mas do caráter do instrumento a que aderem. 12. Aliás. eIn essenciais ou substafiCiais. igualmente. de ordem substancial.pressuposição irremovível por argumentos em contrário . então. isto é. Não podemos esperar que se encontrem na Constituição preceitos que o povo não tenha considerado de alta importância e dignos de fgurar num instrumento que se destina a controlar igualmente o governo e os governados e a constituir a justa medida dos poderes conferi. por envolver de fato ou por pressuposto do legislador constituinte . mais adiante. uma forte presunção de que esse tempo e esse Inodo condicionam a validade da manifestação do poder". [prossegue Francisco Campos] todas elas de ordem constitucional. como se verá Quando formos examinar certa corrente doutrinária italiana que ressuscitou. que essa "distinção é a mesn ia. como vimos. imperativas ou Inandatórias. salvo se as consideram necessárias à prática de algum ato. [continua) repugna. inválida. podendo o legislador comum dispor de outro modo. de caráter regulamentar. o assunto já foi focalizado.'9 "Sendo.

revestir-lhes a ossatura delineada. difundiu a doutrina entre nós. por regularem diretamente as Inatérias. Ao legislador cumpre. respectivamente. de disposiç<*-*>es (normas. descer às minúcias de sua aplicação. ou os encargos. ainda.Normas constitucionais <*-*><*-*>self executing " e <*-*><*-*>not self executing" 14. as mais das vezes. nem criar ou in<**> dicar um processo especial. por via de regra. donde extrai hipóteses de normas constitucionais . autoaplicáveis. situações ou comportamentos de que cogitam. bastantes em si. que outorgam. fundado nos autores e na jurisprudência norte-americanos. se<*-*> gundo o seu critério. ou not selfacting.III . impor-lhes o organismo adequado. cujo uso tem de aguardar que a Legislatura. eIn self erecuting provisions e rzot sel J executing provisions. princípios e regras de caráter geral. que impõem: estabelecem competências. nem devem. foram a jurisprudência e a doutrina constitucional norte-americanas que conceberam e elaboraram a classificação das normas constitucionais. não-bastantes eIn si) são as de aplicabilidade dependente de leis ordinárias. do ponto de vista de sua aplicabilidade. ordinariamente. bastantes em si) são as desde logo aplicáveis. mediante a Qual se possa fruir e resguardar o direito outorgado. ou. entre nós.44 I5. sem estabelecer normas por cujo meio se logre dar a esses princípios vigor de lei".4<*-*> 16. a uma indicação. Ruy Barbosa. não-bastantes em si. e que não é auto-aplicável.4' A distinção surgiu da verificação de que as constituiç<*-*>es consubstanciam normas. sumas de princípios gerais. ou executar o dever imposto. "largas sínteses. enquanto normas constitucionais not seljexecuting (ou not selfenforcinlg. e disposiç<*-*>es não autoaplicáveis. atribuiç<*-*>es. pela sua própria natureza. Como acontece com quase todos os grandes temas do direito constitucional. os habilite a se exercerem". quando nos formece uma regra. São. ou self acting. dos seus zl<*-*>ios de execução e preservação". poderes. Cooley conceitua-as do seguinte modo: "Pode-se dizer que uma norma constitucional é auto-executável. porque revestidas de plena eficácia jurídica. normas constitucionais self executing (ou sel J enforcing.4' Ruy Barbosa. e conceitua as normas auto-executáveis como sendo "as determinaç<*-*>es. ou aplicáveis por si mesmas. a um traço. só se encontra o substractum de cada instituição nas suas normas dominantes. cláusulas) auto-aplicáveis ou auto-executáveis. não auto-executáveis. oferece ampla exemplificação. a?nda. auto-executáveis. a uma característica. a estrutura de cada uma. reduzida. Segundo a mencionada doutrina. analisando aquela doutrina. onde. na expressão de Ruy.4' que os autores divulgaram. ou. quando Ineramente indica princípios. ou não auto-executáveis. já que não podem. ou não-erecutáveis por si mesmas. e lhes dar capacidade de ação". a serem convenientemente desenvolvidos e aplicados pelo legislador ordinário. pela tradução. e aquelas onde o direito instituído se ache annado por si mesmo. para executar as quais não se haja Inister de constituir ou designar uma autoridade. não auto-aplicáveis.46 Não auto-executáveis são as que "não revestem dos Ineios de ação essenciais ao seu exercício os direitos.

justamente. ainda que relativa e reduzida. porque teremos que voltar ao tema. De fato. já reconhecia que "não há. coinpreendidos na respectiva categoria. imunidades e prerrogativas constitucionais. então.. III . pois sugere a existência.49 Nem as normas ditas auto-aplicáveis produzem por si mesmas todos os efeitos possíveis. a Qtle se cometa especificamente essa execução. porque geral e abstrata. é incompleta. quando fala eIn regras "sem estabelecer normas por cujo Ineio se logre dar a esses princípios vigor de lei".) .o preenchimento de certos requisitos para sua execução. existein. a doutrina atual sobre a aplicabilidade das nonnas constitucionais op<*-*>e sérios reparos à teoria exposta e procura reelaborar a matéria. O próprio Ruy. para a sua execução: I . de normas ineficazes e destituídas de imperatividade. e seriam aquelas que consubstanciam: I . a que se deva atribuir meramente o valor moral de conselhos. na detenninação desse limite. nestas. também são auto-aplicáveis as Que não reclamem. sob outras perspectivas e segundo exigência do conteúdo sócio-ideológico das constituiç<*-*>es do após-guerra. IV . completa. no entanto. "porque todas são.. ditadas pela soberania nacional ou popular aos seus órgãos". ou seja. constitucionamlente cogentes ein relação a seus destinatários". pelo conceito acima.<*-*>o tambéin se pode sustentar que nenhuma é. cláusulas. cada norina.a elaboração de outras normas legislativas que lhes revistam de meios de ação. coino nota Crisafulli. nossa análise se apoiará em tese mais consentânea com o constitucionalistno contemporâneo.vedaç<*-*>es e proibiç<*-*>es constitucionais. nem às necessidades práticas de aplicação das constituiç<*-*>es. visto que "não se saberia verdadeirainente em que fazer consistir o caráter completo de uma norma. numa Constituição. como bem demonstra o conceito de Cooley.a criação ou indicação de processos esz<*-*><*-*>ciais de sua execução. até onde seja suscetivel de execução. com efeito. 17. Todas têm força imperativa de regras. III .os princípios da declaração dos direitos fundamentais do homem. II . avisos ou liç<*-*>es. suficientemente explícitas sobre o assunto de que tratam. tanto que necessita do trabalho do intérprete para tornar-se concretainente aplicável aos casos singulares da vida social.as isenç<*-*>es. quando. II . pois são sempre passíveis de novos desenvolvimentos mediante legislação ordinária. Prescindimos de dar exemplos aqui. Do inestno inodo que se pode afinnar que não há nonna constitucional alguma de todo ineficaz. deinais disso. porque já se apresentam armadas por si Inesmas desses meios. nem as ditas não auto-aplicáveis são de eficácia nula. como assinala De Sünone.auto-aplicciveis por<*-*> nature<*-*>a. Cada norina constitucional é seinpre executável por si mesma até onde possa. à realidade das coisas e às exigências da ciência jurídica. A classificação pura e simples das normas constitucionais em auto-aplicáveis e não auto-aplicáveis não corresponde. de inodo unívoco. normas mais ou menos (.a designação de autoridades.4s Além dessas. pois produzein efeitos jurídicos e têm eficácia. em certo sentido. em si. O probleina situase. na verificação de quais os efeitos parciais e possíveis de cada uma.

ante o qual a norina jurídica consti- . assim coino das deinais norinas de princípios constantes das cartas poiíticas do inundo atual. a ünportância das normas prograináticas que revelatn o novo caráter das constituiç<*-*>es contemporâneas. contudo. a Corte de Cassação Penal repelia uma tese radical. ainda que imprecisamente. A teoria clássica norte-americana não destaca. mais voltadas para a efetivação de valores sociais. sem düvida. tainbéin o futuro legislador ordinário. que são principalmente preceptivas. por natureza. a natureza e os efeitos jurídicos das normas constitucionais. perseguindo a concretização do bein comuin. A resolução daquela Corte firmou o princípio geral de que uma norma da Constituição tem a eficácia de revogar tacitamente as disposiç<*-*>es de lei que sejain coin ela incoinpatíveis. que consagrain novos valores e reclamam a realização de outros ideais na vida política e social. Disso tudo deflui (coino notou Meirelles Teixeira) a necessidade de reelaboração doutrinária da matéria. como acentua a crítica.<*-*> . em outros tennos. einpenhando-se ein largos dissídios doutrinários desde os pontos de vista mais extreinados até alcançar uina orientação. aproveitando-se.'<*-*> O julgado.<*-*>6 Outros julgados vierain sem tardança. com valor e eficácia diversos. Incitados por decis<*-*>es judiciais sobre a eficácia e aplicabilidade de certas norinas da Constituição de seu país. ou. que sustentava que a Constituição continha. monnente porque salientam a grande iinportância das chamadas norinas prograináticas na ordenação j urídica em que se inserein. mas já capaz de produzir resultados alentadores. que requerein operaç<*-*>es mais ou menos demoradas e coinplexas de interpretação para preencher-se o hiato que seinpre separa a regra abstrata do caso historicainente individual que se trata de regular concretamente". os autores italianos concentrarain-se na análise científica do teina. aléin dos sujeitos de direito. ainda não satisfatória.<*-*>3 IV. A Constituição italiana entrou em vigor no dia 1Q de janeiro de 1948. inas que tainbém podein ser apenas diretivas ou prograináticas. inas os tangenciou. porém. o Tribunal Penal de Roina proferia uma decisão que suscitou ünportantes problemas sobre a eficácia jurídica e a aplicabilidade das normas constitucionais e pôs ein questão as relaç<*-*>es destas coin as leis precedentes. não oferecendo uma visão ordenada e científica de seus variados efeitos jurídicos. forinulação mais adequada àqueles novos conteúdos das constituiç<*-*>es contemporâneas. não enfrentou outros probleinas que as norinas constitucionais provocain relativainente à sua eficácia e aplicabilidade. somente normas diretivas. e estatuía "que a Constituição é um complexo de normas jurídicas. e puseram ein xeque o valor. Já no dia 19 do inesino mês e ano.'4 20.<*-*><*-*> 18. inuito do ensinainento da clássica teoria das normas auto-aplicáveis e não auto-aplicáveis. A 7 de fevereiro de 1948.Concepção moderna sobl-e a eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais: o problema terminológico 19. construindo uina teoria que as classifica ein categorias. enquanto tenhain por destinatário. dando margein a que a doutrina os pusesse na pauta dos debates. dando-Ihe.incompletas.

mas geraram penetrante crítica. Archivio Penale. e. "Rapporti della Costituzioni con le leggi anteriori". pp. a negar juridicidade às primeiras. inesmo que a lei delas divirja. O simples fato de serein inscritas nela atribui-lhes natureza de normas fundainentais e essenciais.são preceptivas. às vezes. cit. Segunda Parte. quando. inas algumas são de ünediata aplicação. No mesmo sentido Giovanni Bemieri. mas fundado em pressupostos diversos. Só da Constituição Federal de 1988. quanto à eficácia. maio-junho/48. também. não coincidem. nein de seu valor nonnativo. e Salvatore Villari.<*-*>s Dessa decisão surgiram duas afirmativas que encontraram eco em parte da doutrina. não sendo nem mesmo verdadeiras nonnas jurídicas. Archivio Penale. conforme vimos. as normas consagradas na Constituição . p.6o men sine lege. o que equivale. sustenta que a constituição formal não é lei. como todas as nortnas jurídicas. 217. Tese acolhida por Azzariti.'<*-*> Acabóu concluindo. poréin. aos órgãos incumbidos de . quer-se dizer que as normas da constitiiição formal são preceptivas.instrumento jurídico dotado de supremacia e superlegalidade . "Sulla natura giuridica della Costituzione". conseqüentemente. semelhante àquela distinção das normas em mandatórias e diretórias da doutrina norte-ainericana. aquela instrumental e de fato. empreceptivas e diretivas. hoje ultrapassada. outras não. quer-se dizer que as normas da constituiçàoformal são diretivas e seivem para indicar. ainda serão válidas. e seria mesmo de estranhar houvesse numa constituição rígida . negando-lhes qualquer eficácia. correspondente ao inciso XXXIX do art. 98 e 99. novembrodezembro/ 50. 59. que é a única constituição vigente. às vezes de ncctureza juridica.tucional é posta nuin grau hierárquico inais elevado. são de natur-eza programática. Primeira Parte. Mais precisainente. A segunda refere-se à distinção das normas constitucionais em programáticas e de natureza jurídica. tece severas críticas a essa teoria. e não se pode duvidar de sua juridicidade. que sustentou que essas nonnas puramente diretivas se lünitam a indicar uina via ao legislador futuro. Ob. que as disposiç<*-*>es constitucionais. comentando a questionada sentença. 409. ao contrário.feita exceção daquelas que habitualmente Ihe constituam o preâmbulo . p. É inister examinar caso por caso". como inostra a einenta do acórdão. sua eficácia jurídica é conferida pela coincidência com a constituição permanente..'9 A maioria dos autores. A primeira consistiu na classificação das normas constitucionais. assim mesmo foi tido como de caráter diretivo pela Suprema Corte de Cassação italiana no julgado mencionado.nonnas que não fossem de natureza jurídica. quando as normas da constitutçãoformal coincidem com as da constituição efetiva ou de fato.

60. di modo que. cit. obrigatórias. Balla<012> SO APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS 21. a pesquisa e a capacitação tecnológica" (art. Cf. p. come tutte le norme giuridiche. non avendo forza cogente propria. e não excluein. obrigatórias. conforme os ditames da justiça social". já dissera Ruy. c) nonnas preceptivas. inas não de aplicabilidade imediata.. ob. Flaminio Franchini. per avere forza cogente sua propria. continua ad avere vigore anche dopo la emanazione di una Costiturione scrita che.. com todas essas discordâncias6l e posiç<*-*>es insustentáveis. onde pode ter alguma validade. gli organi legislativi facciono cessare 1'efficacia di una norma que. non pu• automaticamente fare considerare decaduta una norma preesistente in contraste con la Costituzioneformale". como a declaração do art. Não há norma constitucional de valor meramente inoral ou de conselho. inas dão somente diretivas ao legislador futuro. 23. avisos ou liç<*-*>es.. enquanto a sua apli- . "Efficacia delle norme costituzionale". maio-junho/50. porque requerein outras norinas jurídicas integrativas. b) nonnas preceptivas. de aplicabilidade imediata. 22. 218). Ugo Natoli. e situa-se no plano puramente sociológico. mas isso não autoriza recusarlhes juridicidade. dirigidas essencialmente ao legislador. Archivio Penale. con un atto valido (legge). que assiin se apresenta: a) normas diretivas. Todo princípio inserto numa constituição rígida adquire dimensão jurídica. quanto à eficácia e aplicabilidade. p. "O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultilra nacional" (art. imalidam tambéin novas leis infringentes. o que a constitnição efetiva quer.) tem por fm assegurar a todos existência digna. oupr-ogramáticas.6' As normas diretivas não contêm qualquer preceito concreto. inas. ou estas: "O Estado proinoverá e incentivará o desenvolvimento científico. consoante mostrainos noutro lugar. as leis preexistentes. de qualquer inaneira. 215). a jurisprudência e a doutrina italianas formularam uma classificação das normas constitucionais. Primeira Parte. mesmo aqueles de caráter mais acentuadamente ideológico-programático. a possibilidade de que sejain einanadas leis não confonnes coin elas. Enfiin. "Si tratterebe [conclui o autor] di un invito ad uniformarsi alla Costitt<*-*>zione effetiva. As normas preceptivas de aplicabilidade dir<*-*>eta inas não imediata. 203.manifestar a vontade do Estado. Não se nega que as normas constitucionais têm eficácia e valor jurídico diversos umas de outras. invalidam <**>ualquer lei nova discordante e inodificam ou ab-rogam as anteriores que coin elas contrastein. de modo absoluto. 170 da Constituição: "A ordein econôinica (. e menos ainda atingein. A confusão do autor enhe eficácia jurídica e eficácia social é evidente. As nor-mas preceptivas de aplicabilidade ünediata contêin coinandos jurídicos de aplicação direta e imediata.

.. prevista ou requerida. como não raro se afirma. 103. sua distinção. sob esse aspecto. em substancioso parecer. ob. tidas pela doutrina supra como diretivas e ineficazes. do ponto de vista de sua e icáciajurídica. Todas elas irradiain efeitos jurídicos. Biscaretti di Ruffia. nas páginas ulteriores. 230. O que se pode admitir é que a eficácia de certas normas constitucionais não se manifesta na plenitude dos efeitos jurídicos pretendidos pelo constituinte enquanto não se emitir uma normação jurídica ordinária ou complementar executória.dore Pallieri.ó3 Essa classificação e sua terminologia são falsas e inaceitáveis. 62. 321-327. pp. ainda. 220 e ss.. deve ressaltar essa característica básica e ater-se à circunstância de que se di- . trabalho cit. ob. ao repelir a distinção enhe normas mandatórias e diretórias.A triplice caracteristica das normas constitucionais quanto à eficácia e aplicabilidade 24. Primeira Parte. maio-junho/50. sob o título de "Elaboração legislativa". Mostraremos. a um teinpo. portanto. como já vimos no texto. que as chamadas normas programáticas. mesmo as permissivas. Gaetano Azzariti. Temos que partir. com base na melhor doutrina. trabalho cit. importando seinpre uina inovação da ordein jurídica preexistente à entrada em vigor da constituição a que aderein e a nova ordenação instaurada. daquela premissa já tantas vezes enunciada: não há nonna constitucional alguina destituída de eficácia. cit. NORMAS CONSTITUCIONAIS QUANTO À EFICÁCIA S 1 cação permanecer suspensa. exercein relevante função na ordenação jurídica do país e têin efeitos jurídicos de suma importância. Archivio Penale. Pannain. I de seu Direito constitucional. não se dirigindo só aos legisladores. aqui.já sustentava ajuridicidade de todas as normas constitucionais. para. Cf. não atingirão a eficácia das leis anteriores.. De resto. V. na nota anterior. 23. que todas as normas jurídicas são dotadas de imperatividade. Francisco Campos. oferecer uin desdobramento que servirá. já demonstramos. cit. Para as várias posiç<*-*>es: Remo Pannain. proferido em 1919. que já criticamos. Normas puramente diretivas não existem nas constituiç<*-*>es contemporâneas. 61. ob. dar um passo a inais na caracterização das normas constitucionais. p. pela própria ünprocedência das premissas em que assentam. É o que tentaremos resumir no parágrafo seguinte. hoje incorporado ao v. pp. cit. pois fundamentam-se na distinção entre normas constitucionais jurídicas e não-jurídicas. que constitui a base de sua aplicabilidade. Se todas têin eficácia. p. É preciso. de análise deinonstrativa e de sustentação científica.64 Em sentido geral. depois de indicar a insuficiência de outra posição doutrinária.

as nonnas do terceiro grupo são todas as que não produzein. mas prevêein meios ou conceitos que pennitein manter sua eficácia contida em certos limites. imediata. Em vez. de dividir as nonnas constitucionais.ferenciam tão-só quanto ao grau de seus efeitos jurídicos. porque o legislador constituinte. ainda. não dirigidos aos valores-fins da nonna. não estabeleceu. Na primeira categoria incluein-se todas as nonnas que. É fácil observar. ou. melhor. a fim de fazerse uina separação de certas normas que prevêem uma legislação futura mas não podem ser enquadradas entre as de eficácia limitada. todos os seus efeitos essenciais. conquanto tenham uma incidência reduzida e surtam outros efeitos não-essenciais. Basta uin exemplo extraído de nossa Constituição. III . desde a entrada ein vigor da constituição. sobre a matéria. Parece-nos necessário discriminar ainda mais. uina normatividade para isso suficiente. As norinas de eficácia contida tainbém são de aplicabilidade diretrc. porque somente incidein totalinente sobre esses interesses após uma norinatividade ulterior que Ihes desenvolva a eficácia. II . porque este criou. b) normas constitucionais de eficácia limitadn.6<*-*> Essa classificação considera as nonnas referentes aos direitos e garantias fundamentais como de legislação. porque sujeitas a restriç<*-*>es previstas ou dependentes de regulamentação que lünite sua eficácia e aplicabilidade. enquanto as normas de eficácia lünitada são de aplicabilidade indireta. mediata e reduzida. imediata e integral sobre os interesses objeto de sua regulamentação jurídica. por qualquer motivo. desde logo. a nosso ver. já que nos capítulos seguintes examinaremos essa matéria ponnenorizadamente.normas constitucionais de eficácia limitada ou reduzida. quando mencionam uina legislação futura que regulainente seus limites. todos os objetivos visados pelo legislador constituinte. uma nonnatividade para isso bastante. Ao contrário. pode-se dizer que as nonnas de eficácia plena sejain de aplicabilidade direta. que as nonnas de eficácia lünitada apresentam categorias distintas. comparando-se duas de suas disposiç<*-*>es: a) "A lei disporá sobre a organiza- .normas constitucionais de eficácia plena. que seriam aquelas de ünediata aplicação. dadas certas circunstâncias. incidindo direta e imediatainente sobre a matéria que lhes constitui objeto. distin<*-*><*-*>liindo-se estas. discriminando-as em três categorias: I . 25. como insinuam certos autores: a) nonnas constitucionais de eficácia plena. É insuficiente. com a simples entrada em vigor. deixando essa tarefa ao legislador ordinário ou a outro órgão do Estado. quanto à eficácia e aplicabilidade. ein: I) normas de legislação e 2) nonnas pi<*-*>ogr<*-*>rrni<*-*>cticas. mas apenas a certos valoresineios e condicionantes. Por isso.normas constitucionais de eficácia contida. produzem todos os seus efer<*-*>os essenciais (ou têm a possibilidade de produzi-los). pois. separá-las em dois grupos. pela sünples leitura das constituiç<*-*>es contemporâneas. 26. achamos mais adequado considerá-las sob tríplice característica. em dois giupos. como melhor se esclarecerá depois. Deixamos de dar exemplos aqui. O segundo grupo também se constitui de normas que incidein imediatainente e produzein (ou podem produzir) todos os efeitos queridos. mas não integral.

). que não têin conteúdo ético-social. cultural etc. . ou: "É dever do Estado fomentar práticas desportivas fonnais e não-fonnais..). conforme dispuser a lei". aí. como direito de cada um (. pois há normas programáticas que tainbém são de legislação.. a expressão t2orn2as de legislação não indica o conteúdo da nonna.66 Essa terminologia não corresponde. critério ein que se baseia a distinção. Trata-se.. ainda: "A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho da República" (art. 90.. constituindo verdadeiramente prograinas de ação social (econômica. pois não regulam direta e ünediatainente a matéria referente às entidades e órgãos inencionados. 196 e 217. Deinais. Baseada nessas circunstâncias. que as prescriç<*-*>es têm eficácia reduzida. no entanto. a doutrina. estruturação e atribuiç<*-*>es dos Ministérios" (art.. b) "A saúde é direito de todos e dever do Estado (. § 2Q).. ou. que versam sobre inatéria eminentemente ético-social. ou não. As últünas não remetein à lei. estabelecem apenas uma finalidade. mas se inserem na parte organizativa da constituição. poréin.. não imp<*-*>e propriamente uma obrigação jurídica. . e deve ser atendido. de prescriç<*-*>es constitucionais de eficácia limitada. como já indicamos. mediante normatividade ulterior. estabeleceu uma divisão das normas de eficácia limitada em dois grupos: a) normas programáticas. o constituinte incumbiu ao legislador ordinário a sua executoriedade. lünitam-se a positivar principios ou esquemas sobre a matéria objeto da cogitação do constituinte. Reconhecemos a dificuldade de encontrar uma terminologia que exprima sinteticamente e com fidelidade o fenôineno que está nos preocupando. como desde logo se vê. § 2<*-*>').).. segundc o qual a saúde e o desporto para todos e cada um se incluem entre os fins estatais. e: "A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho de Defesa Nacional" (art. por isso.ção adininistrativa ejudiciária dos Territórios" (art... como é exeinplo a do inciso V do art... como as dos arts. refirain-se. a lei disporá .)" (ait. como aquela primeiramente apresentada. regulará . <012> 84 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS Aquelas dependem de legislação (a lei disporá . o qua? deixa ao legislador ordinário ou a outros órgãos de governo sua concreção normativa. "dever do Estado". 217).. porque remetem à lei para incidir. inas traduz um princípio. mas reQuerem uina política pertinente à satisfação dos fins positivos nelas indicados. mas também se nota sua diferença ein relação àquelas outras.. . especialmente quanto aos objetivos sociais e aos meios de sua atuação prática. um princípio. Todas as normas de eficácia reduzida. mas não imp<*-*>ein propriamente ao legislador a tarefa de atuá-las. citados. 88). e b) nonnas de legislação.)" (art. 91. 203 da Constituição: "garantia de um salário mínimo de beneficio mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria inanutenção ou de tê-la provida por sua família.. ou: "A lei disporá sobre a criação. 27. o constituinte preferiu incuinbir dessa tarefa o legislador ordinário (a lei indicará.196). . à realidade. 33). etc. regulará . religiosa. sente-se.

a uina legislação futura. as normas constitucionais em hês categorias: a) normas concessivas depoderesjuridicos. sem que se pretenda substituir a nossa. e outras. normas cuja eficácia é contida em certos limites pelo legislador ordinário ou por outro sistema (poder de polícia. À vista do que acaba de ser exposto. b) normas concessivas de direitos. ordem pública etc. I). Por outro lado. servirá para lünitar a expansão da eficácia normativa. 37. Se a contenção. bons costumes. que traz certamente uma boa conhibuição ao tema.). conforme o seguinte esquema: Nonnas constitucionais quanto à eficácia e aplicabilidade (1) normas de eficácia plena e aplicabilidade direta. como ele próprio diz. pelo quê se poderá admitir. e c) normas meramente indicadoras de umafinalidade a ser atingida (cf. como já admitünos. 28. o direito conferido não fica na dependência da lei futura. não ocorrer. as restriç<*-*>es ao exercício desse direito é que dependem de legislação. mas possivelmente não integral (3) normas de eficácia limitada (a) declaratórias de princípios institutivos ou organizativos (b) declaratórias de princípio programático6s 68. porque há nonnas constitiicionais de eficácia direta e aplicabilidade imediata Que também. como ilustram algumas normas que outorgam direitos e garantias constitucionais. mencionam uina legislação futura. o critério da legislação futura é falho. Distingue. assim. A diferença é que umas declaram princípios regulativos ou institutivos. imediata e integral (2) normas de eficácia contida e aplicabilidade direta e imediata. Celso Antônio Bandeira de Mello ofereceu uma classificação das normas constitucionais do ponto de vista da posição juridica em que os administrados se vêem imediatamente investidos em decorrência das regras constitucionais. Exemplo: "os cargos. por lei restritiva. em conseqizência. . a classe das normas de eficácia contida. a norma será de aplicabilidade imediata e expansiva. cremos que já é possível apresentar uma classificação mais aproximada da realidade constitucional de nossos dias. Esta. Em casos como esse.6<*-*> isto é. empregos e funç<*-*>es públicas são acessíveis aos brasileiros que preenchain os requisitos estabelecidos em lei" (art. princípios programáticos.

pp. b) noimas constitucionais definidoras de direito. o da eshutura normativa das constituiç<*-*>es. a todas. na sua ânsia de inovação. Celso Ribeiro Bastos e Carlos Ayres de Brito. e b) por via de integração. são: a) por via de aplicação. Os capítulos seguintes serão dedicados ao desenvolvimento <*-*>la análise dessas normas e de sua problemática.como: a) normas constitucionais de organização. As primeiras.). FlorianópolisSC. e c) normas constitucionais programáticas (ob. Antes. Separar a aplicabiNORMAS CONSTITUCIONAIS QUANTO À EFICÁCIA S 7 29. 8 apresentada à IX Conferência Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil. mas se pode dizer que a terminologia "normas definidoras de uma finalidade a ser atingida". por afastar uma terminologia hoje muito eótf5prometida com ideologias desqualificadoras do caráter jurídico dessas normas. lidade (normas de incidência) da e icácia (normas de produção de efeitos) não beneficia em nada a clareza da matéria. também: a) normas de e Jicácia parcial. 14 e ss. cit. Distinguem a normas constitucionais em dois grupos: a) normas constitucionais quanto ao modo de incidência. normas irregulamentáveis e normas restringiveis (cf Interpretação e apCicabilidade das normas constitucionais. que são normas complementáveis. à sua vez. distinguindo-se em normas regulamentáveis e normas irregulamentáveis. não melhorou em nada a nossa. reservando-se um capítulo para cada categoria. merece atenção. e b) normas constitucionais quanto à produção de efeitos. "Separata". 26. Em outros três capítulos procuraremos descortinar outras quest<*-*>es que as envolvem. com outros temas constitucionais e gerais."Eficácia das normas constitucionais sobre justiça social".82. As segundas são de dois tipos. Não é o caso. 88) . que corresponde às tradicionalmente chamadasprogramáticas. acabaram produzindo uma classificação confusa. p. aqui.está em outro plano. p.. que é objeto do Capítulo VI deste Título II desta monografia.5. de fazer apreciação sobre essa classificação. lamentavelmente. confunde e cria . A classificação de Luís Roberto Barroso . que. distinguindo-se em normas regulamentáveis. distinguindo-se em normas complementáveis e normas restringiveis. tese n. e b) normas de eficácia plena. 63).

Caracteristicas básicas. Pinto Ferreira sugere a seguinte classificação: a) normas constitucionais de e Jicácia absoluta. não emendáveis. II/212-223).redundâncias desnecessárias. t. Não nos parece cabível a classe de normas de eficácia absoluta de Pinto Feireira e Maria Helena Diniz. ITi . com força paralisante total sobre as normas que lhes conflitarem. c) normas constitucionais de eficácia contida. mas. "De . uma vez que se baseia em critério de modificabilidade constitucional. sob diversos critérios (cf.1 S9 CAPÍTULO II NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA PLENA I-Normas de eficáciaplena na Constituição. I . A clássica teoria norte-americana sobre a aplicabilidade das normas constitucionais sustentava serem excepcionais os casos em que as disposiç<*-*>es da constituição eram. Deste ponto de vista. c) normas constitucionais a se e normas sobre normns cortsCitucionais (p 21 fi). nada mais são do çue normas de eficácia plena.Natureza e conceito. Maria Helena Diniz prop<*-*>e a seguinte classificação: a) normas com eficácia absoluta. Jorge Miranda faz uma classificação das normas constitucionais muito útil. 30). II. 97). <012> NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA PLF<*-*>. sua classificação se reduz a não mais do que: a) normas constitucionais preceptivas e normas constitucionais programáticas.'b) normas com eficácia plena. c) noimas com e icácia relativa restringivel. d) normas constitucionais de eficácia limitada (como as programáticas) (cf "Eficácia (direito constitucional)". b) normas constitucionais exeqiiiveis e não-exeqiüveis. b) normas constitucionais de eficácia plena. Enciclopédia Saraiva de Direito. v. Mai:ual de direito constitucional. III . p. e não no critério da aplicabilidade. por si mesmas. d) normas com eficácia relativa complementável ou dependente de complementação (Norma constitucional e seus efeitos. executórias.Condiç<*-*>es gerais de aplicabilidade. constihicionalmente emendáveis. do ponto de vista da eficácia e aplicabilidade.lVormas de eficácia plena na Constituição l.

6Q/915. A orientação doútrinária Inoderna é no sentido de reconhecer eficácia plena e aplicabilidade imediata à maioria das normas constitucionais. [acrescentava-se] os atos da Assembléia Constituinte só depois de completados com a legislação. pessoalmente. as quais até bem recentemente não passavam de princípios programáticos. nota 3. de quem é a traduçào apresentada no texto). o Executivo e o Judiciário". 153. e as normas que estatuem as atribuiç<*-*>es dos órgãos dos Poderes Legislativo. o Legislativo. Comentários á Constituiçãc Federal brasileira. imp<*-*>em ao titular da competência uma conduta na fonna prevista. a proibição de outras entidades ou órgãos exercerem aquelas atribuiç<*-*>es e. "The cases are exceptional where constitutional provisions enforce themselves. como as que defnem competências de entidades federativas ou de órgãos de governo. b) "Todo o poder emana do povo. de suas normas. 1<*-*> e parágrafo único e 2" da Constituição: a) "A República Federativa do Brasil. i Hoje prevalece entendimento diverso. na real verdade. p. Mesmo assim. 84 e 101-122). que tem sua eficácia temperada pela possibilidade de membros do Legislativo participarem do Ministério (art. para. formada pela união indissolúvel dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. Executivo e Judiciário (arts.)". por outro lado. mediante convocação. revelou acentuada tendência para deixar ao legislador ordinário a integração e complementação I. se ocorrerem certos pressupostos. que os supre. pela faculdade conferida aos Ministros para.. uma simples análise mostra que a maioria de seus dispositivos acolhe nonnas de eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata.ordinário. 145. as quais aparecem como desdobraInento e explicitação do conteúdo das regras básicas constantes dos arts. por um lado. no entanto. 2. mesmo a grande parte daquelas de caráter sócio-ideológico. c) "São Poderes da União.. Torna-se cada vez mais concreta a outorga dos direitos e garantias sociais das constituiç<**>es. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. 155 e 156 (repartição de competências tributárias). A Constituição Federal. implicam. v. American and English Enciclop. 56. comparecerem perante as Comiss<*-*>es ou o Plenário de qualquer das Casas do Con- . visto que tais atribuiç<*-*>es constituem atividades ínsitas no conjunto de fins que justificam a existência do Estado. ofLaw. ordinarily the labors of the Convention have to be suplemented by legislation before becoming operative" (67 Missouri 265. 48 e 49. constitui-se em Estado Democrático de Direito (. nos termos desta Constituição". pela obrigação de Ministros de Estado comparecerem perante as Casas ou Comiss<*-*>es do Congresso. independentes e harmônicos entre si. regra. I). 21 (competência da União). 51 e 52. a seu pedido. como são exemplos as hipóteses contempladas nos arts. se podem executar". 480. 70 e 71. Sob essa aparência. prestarem informaç<*-*>es acerca de assunto previamente determinado (art. 50). essa. in Ruy Barbosa. Muitas dessas normas se apresentam em forma de mera autorização ou estatuição de simples faculdade. 25 a 28 e 29 e 30 (competência dos Estados e Municípios).

definindo a forma do Estado brasileiro.14 e 6I.. segundo o conteúdo e significado que defluem das normas relativas à função legiferante.") aparece como uma proclamação. diz Carlo Esposito que prescriç<*-*>es do gênero "o Brasil é uina República" ("L'Italia Š una Repubblica") só na aparência são meramente descritivas. Ora. que o exerce por seus representantes eleitos ou diretamente. as duas disposiç<*-*>es se parecem. fondata sul lavoro").' Mas isso não vale apenas para a proclamação de que a Itália é uma Repúbttca (O Brasil é uma República). e que. é certo que semelhantes proclamaç<*-*>es têm valor jurídico só nos limites em que têm base nos fatos. à iniciativa popular e ao referendo (arts. 18 e 33 e 145 a 156."fondata sul lavoro" -. De outra parte. <012> 9O APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTTTUCIONAIS Carlo Esposito preocupou-se com esse problema em relação a uma cláusula semelhante do art. pela delegação legislativa ao Presidente da República (art. definindo a forma do Governo brasileiro. a defendê-la. 44-134) e relativas aos direitos políticos e sistema eleitoral (arts. por isso. 68). em princípio.gresso Nacional e exporem assunto de relevância de seu Ministério (art. 50. 1<*-*> de nossa Carta Magna encontramos basicamente três declaraç<*-*>es: a) o Brasil é uma República. em caso de relevância e urgência (art. em realidade. Já. pela competência do Executivo para expedir medidas provisórias. com força de lei. inas tainbém recognitivo de uma situação realmente existente. e talvez valha para todas as regras jurídicas em maior medida do que comumente se crê. aos direitos políticos e eleitorais e aos direitos individuais e garantias constitucionais. postulam e resuinein todas as disposiç<*-*>es que tendem a consolidar a forma de governo existente. § 2<**>). Mas no art. à da Constituição italia- . c) o Brasil é uma democracia representativa de conteúdo participati vo. correspondente. com respeito à regra de que a República Federativa do Brasil se constitui em um Estado Democrático de Direito. em forma descritiva.1<*-*>. mas para todas as disposiç<*-*>es fundamentais da constituição. cujo sentido e conteúdo se integram das descriç<*-*>es normativas referentes à estrutura e funcionamento dos órgãos governamentais (arts. 14-17).1Q ("A República Federativa do Brasil [é] formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal ."3 A mesma afirinativa se poderia fazer a propósito da prescrição segundo a qual o Brasil é uma Federação (República Federativa). Excluída a parte final . b) o Brasil é uma Federação. "Elas.. A do art. elas não têm só um caráter normativo. § 1<*-*>). ein que o poder emana do povo. parágrafo único. 3 As normas apontadas mostram-se. como a regra implícita de que o Brasil é uma democracia e a regra básica do regimeo poder emana do povo. que o exerce por representantes eleitos ou diretamente -. l<*-*> da Constituição italiana ("L'Italia Š una Repubblica democratica. a estabilizá-la. ou se tem significação de regra substancial de Direito. donde indagar-se se ela tem valor meramente declarativo e recognitivo. cujo sentido e conteúdo se entremostram nas normas de repartição de coinpetência contidas entre os arts. 62). quase todas.

por nós já citada.9 É bem verdade que a jurisprudência italiana de onde emanou a teoria do exame de caso por caso fixou um princípio geral. Com base nessa teoria de interpretação caso por caso. maio junho/48. conforme o pensamento de Schmitt5 . a despeito dos enunciados peremptórios das disposiç<*-*>es que os contêm. que deve ser um dos valores-meios básicos do direito constitucional. decis•es em Archivio Pertale. fondata sul lavoro"). Esposito entende ter significado substancial. de grande importância prática. "A expressão [diz ele] não tem só valor de resumo das disposiç<*-*>es singulares sobre a igualdade perante a lei. é que o mesmo Schmitt chega a afirmar que são mais que leis e normaç<*-*>es. pois deixa especialmente os governados ao desabrigo da certeza do Direito.Caracteristicas básicas 5. Essas idéias gerais sobre aquelas normas fundamentais . sobre a escolha direta ou indireta do governo por parte do povo. visto que tal tese acaba por destruir-lhes a natureza jurídica. e de outras semeIhantes. V-VI.<*-*> Essa solução empírica provoca insegurança nas relaç<*-*>es jurídicas constitucionais. aquela Corte Suprema foi considerando como de caráter programático (eficácia limitada. II . esse.na ("L'Italia Š una Repubblica democratica. Constitui. não obstante. Foi ela acerbamente criticada pela doutrina italiana. Não é fácil determinar um critério para distinguir as normas constitucionais de eficácia plena daquelas de eficácia contida ou limitada.demonstram que se trata de normas de eficácia plena.6 com exagero inegável. 25. portanto. Cf.verdadeiras decis<*-*>es políticas concretas que denunciam a forma política de ser do povo brasileiro e formam o pressuposto básico para todas as normaç<*-*>es ulteriores. e a sua solução se reveste.4 4. qual seja: 7. p. não atual) normas da Constituição italiana que sancionam direitos fundamentais e garantias constitucionais. menos o "fondata sul lavoro". ha valore programmatico e non obbliga il giudice" (corrigimos o equívoco do texto. mas diz-nos qual seja o espírito informador das disposiç<*-*>es singulares. Uma famosa decisão da Corte de Cassação italiana. um problema tormentoso de interpretação das normas constitucionais. assim os de liberdade de manifestação do pensamento e de imprensa e a irretroatividade da lei penal. mas também a dar ao Estado uma organização democrática". por isso. Estas não tendem só a garantir os indivíduos do Estado. que cita o art.onde se afirma: "La norma contenuta nell'art. 215 . 28. relativa alla irretroatività della legge penale. talvez. 2ó comma. a quem se dirigem e. 6. de associação e de imprensa. inclusive para as leis constitucionais. .s sem embargo de ter encontrado apoio em alguns autores. sobre a abolição dos títulos nobiliárquicos. que efeitos possam e devam produzir. mesmo. sobre a liberdade de reunião. sobre a participação do povo no governo. Segunda Parte. tomou como critério de distinção o exame de caso por caso para se saber de que eficácia sejam dotadas as normas constitucionais. della Costituzione. fascs.

base da primeira decisão supracitada. e Archivio Penale. per la pratica attuazione. que é a constituição permanente. ao contrário. 21. 25) -. e até admitimos outra passagem de suas observaç<*-*>es segundo a qual aquela opinião dá lugar ao arbítrio. "non hanno bisogno di essere integrate". lo scritto e ogni altro mezzo di diffuzione. não tendo força cogente própria. Quando as normas da constituiçãoformal coincidem com as da constituição efetiva. ?1 della Costituzione della Repubblica Ita)iana afferma principi diretivi e programmatici che abbisognano. Q. são claramente completas essas normas. apóia sua tese na distinção entre constituiçãoformai e constituição efetiva. fascs. estatui. V-VI. não pode automaticamente ab-rogar uma norma preexistente em contraste com a constituiçãoformal. Piromallo afirma que é inadmissível. a basear-se na exposição de Remo Pannain. segundo Villari. de acordo com nossa terminologia). XXXIX). na 2á alínea (comma): "Nessuno pu• essere punito se non in forza di una legge che sia entrata in vigore prima del fatto commesso". di una elaborazione legislativa che non Š stata esaurita con la legge sulla stampa 8 febbraio 1948 n. nunca se duvidou de sua aplicabilidade imediata e. emitindo uma lei que faça cessar a eficácia de outra que tem força cogente própria e continua a ter vigor mesmo depois da emanação de uma constituição escrita que. diz que tal resulta numa usurpação das funç<*-*>es do legislador. seqüestro judicial de publicaçôes. se não houver tal coincidência. 2?6. O art. p. 5Q.li Nisso concordamos com ele. maio-junho/50. disp<*-*>e: "Tutt ヘ hanno diritto di manifestare liberamente il proprio pensiero con la parola. nesta delicada matéria. 25. dizem-se preceptivas (de eficácia plena. <*-*> o 7.l' mas dele já nos afastamos quando. instrumental e de fato. são diretivas (de eficácia limitada. logo. como tal. cuja ementa diz. e única vigente.em vez do art. Segunda Parte. em seqüência a essa assertiva.<*-*>5 . Nossa Constituição eontempla normas idênticas (art. ou pela autoridade policial. é preciso resolver o problema pela raiz e de uma vez por todas. permitindo. e. nítida e plenamente eficazes e de aplicabilidade imediata. ater-se ao critério falaz do "caso por caso" e que. 47". e. o de que são normas preceptivas de imediata aplicação (eficácia plena) aquelas que. ou seja: aquela só tem eficácia jurídica se coincide com a última.<*-*>rt. declarando que ela é uma superlei. Só o fato de ser norma proibitiva já lhe dá o valor de regra imediatamente cogente. segundo a lição de Villari. nos termos da lei. entre nós. na primeira parte: "L'art. La stampa non pu• essere soggetta ad autorizzazione o censura". só obriga o legislador futuro. para sua aplicação. programáticas) e servem para indicar ao legislador a necessidade de manifestar a vontade do Estado. e vedam publicaç<*-*>es e espetáculos contrários aos bons costumes. fundamento da segunda decisão mencionada. de sua eficácia plena.<*-*>' É que ele. em caso de urgência. uma vez que as demais regras daquele artigo estatuem sobre princípios de contenção dessa eficácia.14 sustenta que todas as disposiç<*-*>es da constituição se dirigem indistintamente ao legislador.

não cria nada? 8. em outras palavras.ls nesses casos. aos órgãos legislativos a incumbência de da: origem a normas que conferem corpo e substância aos princípios diretivos". não pode o constituinte regular tudo diretainente. dando-lhes valor preponderantemente diretivo. cujo processo de revisão se converte. mesino porque afasta o problema. todavia. nulificando a rigidez das constituiç<*-*>es. com superpor-se a legislatura ordinária ao poder constituinte. I <*-*> Deinais. ainda permaneceria um problema: que validade tem o ato constituinte. a lei ordinária ou complementar às normas constitucionais. porém. qual seja: a quein cabe aferir essa coincidência. assim. atribuindo. então. inantendo. agora. com inadmitir norinas constitucionais de eficácia plena. a assertiva de Que as normas da constituição formal só são eficazes (preceptivas) quando coincidem com a constituição efetiva deixa em aberto uma grave questão. numa farsa das mais grosseiras. ao Poder Legislativo ordinário a tarefa de desenvolver princípio fundamental já sancionado na própria norma. em sua soberania. Calamandrei interpreta o contraste entre uma lei e uma norma constitucional.I9 mas isso é exceção. . o poder constituinte.'o Enfim. como Azzariti. quer dizer. foi-se inais longe. escrita. 136 da Constituição italiana. então. destituído de juridicidade. pois que. Parte ele da tese de Kelsen segundo a qual não pode haver qualquer contradição entre duas normas que pertencem a diferentes níveis na ordem jurídica. ensina Flaminio Franchini. "o próprio constituinte. Ora. apoiadas ainbas na diferença entre constituição formal e constituição material. Não escapa à crítica a orientação de Calamandrei. conforine.'<*-*> A lei constitucional não desceria. então.Trata-se de uma tese perigosa. tornaria a lei ordinária necessariamente ineficaz desde o início". que não vicia diretamente o ato legislativo. apenas. não há contradição entre a norma inferior e a superior. que chega às mesmas conseqüências. ao executivo ou ao judiciário? Qualquer que seja. mas coino um contraste subjetivo de poderes ou órgãos. coin toda razão. pois. ein vez de oferecer solução. não é dificil identificar essa doutrina com a superada distinção das normas ein mandatórias e diretórias. a conseqüência lógica é a inversão de valores. 9. embora fundada em pressupostos diferentes. acham que até pode ele dispor de inodo contrário aos princípios diretivosló -. como um documento sem força cogente própria. a opinião de Piromallo e de Villari não resiste à análise científica fundada nos pressupostos do direito constitucional. que deixa sem resposta. ao órgão legislativo. da afinnativa de que as normas constitucionais têm como destinatário apenas o legislador ordinário. primeiramente. é que limita o seu próprio poder. implícito (ipotizzato) no art. a resposta. realça sua inviabilidade. como não há meios jurídicos para constranger o legislador a cumprir a obrigação de legislar . coin considerar a constituição formal. se houvesse. a norma constitucional se dirige ao legislador futuro: "Entre as leis ordinárias e as leis constitucionais não há nunca a possibilidade de uma colisão direta sob o mesmo plano. sua supremacia. confere ele. Em verdade. Por outro lado. nein é oportuno que o faça. e a natureza das indagaç<*-*>es. Na verdade. especialmente pelas premissas em que se fundamenta." não como uma incompatibilidade objetiva.'I Firmado nessa doutrina.e alguns autores. parte.

ein confronto com a lei ordinária. ein realidade. afirmada com exclusiva referência à legislação. os destinatários podem ser. segundo o citado autor. com (L 77 )I . Essa generalização permitiu a justa observação de Pannain segundo a qual. na especificação de seus destinatários".<*-*>9 Sua construção doutrinária não soluciona o problema. outras. é inevitável inferir que na Constituição italiana (mas a situação se aplica à teoria das constituiç<*-*>es conteinporâneas. somente em confronto com os órgãos estatais e especialmente com o legislador. determinados órgãos. enquanto as outras se dirigein direta e unicamente ao legislador. do mesmo inodo que as normas internacionais só têm eficácia e aplicabilidade mediante uma lei interna. "Imediatamente preceptivas. como tais. sem responder. ou seja. de algum modo. e. por exemplo. e com base em que critérios se pode fazer essa determinação. ao invés. Crisafulli também sustentou esse critério. isto é. por nós. ou os indivíduos. ao mesmo tempo. no entanto. negando-as. mas umas em confrorzto com todos os sujeitos da ordemjuridica em conjunto. '4 Com esta comparação bem se compreendein as conseqüências da tese: ou seja. na mesma situação etn que se encontrain respectivamente noimas internacionais e normas internas.'s Mas o próprio Franchini parece não muito seguro da validade desse critério. dentro dos tennos Constituição-lei ordinária. Daí. Parece-nos. tendc<*-*>em vista relaç<*-*>es particulares. as outras. 10. em relação ao qual são obrigatórias. na direção das normas constitucionais. o legislador coino tal.z<*-*> E a norma. a pouco feliz diferenciação das normas "programáticas" de qualQuer outra. também. aceita esta construção. Por isso. ao denunciar as dificuldades para entrever quais sejam os destinatários das normas constitucionais e ao indagar. sobre quem determina quais são os destinatários de cada uina. dizendo que todas as normas constitucionais são preceptivas. inclusive à do Brasil) não existem normas de imediata aplicação e. poderes e deveres somente para aqueles que sejam.à regulainentação concreta das relaç<*-*>es dos indivíduos e se encontraria. Calamandrei tira as mesmas conseqizências a que chegou a tese de Piroinallo e Villari a respeito da eficácia e aplicabilidade das nonnas constitucionais.z6 pois umas têin. interessados e obrigados. enfün.'o Crisafulli. abrogantes daquelas que lhes estão em contraste. frustrada a tentativa de basear-se a distinção entre normas constitucionais de eficácia plena e as de eficácia liinitada na natureza dos destinatários dessas normas. enquanto diretamente reguladoras das matérias que lhes formam o objeto específico. afirmando-se que as primeiras têm como destinatários todos os sujeitos da ordem jurídica estatal em geral. isto é. Flaminio Franchini adota tal critério quando diz que a "razão que faz distinguir uinas norinas das outras reside. tende a criar direitos e obrigaç<*-*>es. inudou de opinião. a preceptividade obrigatória das normas constitucionais "prograináticas" foi. mais de um daqueles acima lembrados. confonne se dirija a um ou outro sujeito. ou os cidadãos.z5 Assim. conforme textualmente afirma no trecho seguinte: "Em um primeiro momento. confirma-se o que dissemos acima: fundado em pressupostos diversos. assim também as normas constitucionais somente adquirem eficácia na medida em que as normas ordinárias lhes dão executoriedade. a crítica que expendemos em torno da teoria dos últimos vale para a posição do primeiro. a quem prescrevem certos coinportamentos relativamente à disciplina a dar às matérias que lhes formam o objeto mediato ou indireto".

o que se deva entender por destinatários das nonnas jurídicas. encontramos normas de eficácia plena que também se dirigem ao legislador com tal efeito. 4ó. lícito é afirmar que. III . uma vez que. por assentar-se numa premissa não definida. portanto. realinente. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada"). "Art. como são exemplos claros estas: "Art. 3<*-*>. O critério é. o têm como destinatário. 2<*-*>. prescrevendo-lhe a consecução de certos fins. mas aos Poderes Públicos ou ao Estado..a fonna federativa de Estado. desde que é muito controvertida a questão dos destinatários das normas jurídicas. à sua atividade determinados limites positivos e negativos. indeterminada e indefmida para que possa servir de critério para distinção das normas do ponto de vista de sua eficácia e aplicabilidade. eIn relação ao destinatário. por vários motivos que aduziremos em seguida. Porque normas programáticas existem que nem de leve se referem ao legislador como seu destinatário. as dos incisos XXXV e XXXVI do mesmo art. as do § 4<**> do mesmo artigo ("Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I .. 5<*-*> (respectivamente: "A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". seriam de eficácia plena. tendo por equívoco o probleina dos "destinatários" das normas. que vincula também o legislador. elas se destinam ao Estado-sujeito. já que.)". 215. sendo o órgão legislativo um desses Poderes. então se pode falar em destinatários apenas tendo em vista que essas pessoas. . 60 da Constituição de 1988 ("A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal. Porque. Porque. conforme é pacífico na doutrina. Dizer-se que as normas de eficácia limitada são aquelas que têm por destinatário o legislador não resolve nosso problema. 69 ("As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta" dos membros das<*-*>asas do Congresso Nacional).base no critério dos destinatários. ao certo. estabelecendo o principio da igualdade perante a lei. não se poderia falar em normas de eticácia limitada. l<*-*>. porque todos o devein. universal e periódico. para ele. estão mais diretamente sujeitas à incidência de tais normas. de certo modo. dada sua particular situação social prevista. ein realidade.3z ll. Porque.a separação dos Poderes. Se o termo quer significar aqueles que devem obediência a seu coinando. II . De fato. a do § 1<*-*> do art. estabelecendo-Ihes direitos e obrigaç<*-*>es. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais (. A questão é por demais fluida. o autor. de estado de defesa ou de estado de sítio"). 5<*-*>. todas. falso. tomada a expressão destinatário nuin sentido mais estrito. a do caput do art.o voto direto. mas isso não exclui a obrigatoriedade delas em relação a outras pessoas ou grupos. por exemplo. como. como significando vinculação direta e obrigatória. a do art. IV os direitos e garantias individuais"). sendo as normas constitucionais particularmente destinadas a estruturar o Estado e seus Poderes. pondo. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento cientí5co . secreto. Nein inesmo se sabe. não se pode discriminar. e: "A lei não prejudicará o direito adquirido. sublinhava que é apenas parcialmente exato dizer Que as norinas programáticas se dirigem ao legislador. a pesquisa e a capacitação tecnológica ". Se se refere àquela classe ou grupo de pessoas cujo comportamento ou relaç<*-*>es certas normas regulain de modo mais direto e específico. noutra passagem. 218.

76). completa no que determina. ainda. 4. não nos parece possível estabelecer um critério único e seguro para distinguir as normas constitucionais de eficácia NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA PLENA 99 I. extraídos. "Cada legislatura durará quatro anos" (art. comportamentos ou interesses vinculados a determinada matéria. que se comp<*-*>e da Câmara dos Deputados e do Senado Federal" (art. lhe é supérfluo o auxílio supletivo da lei.. Na verdade. quanto ao mais. da Constituição Federal. mutatis mutandis. "O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República. e realizar tudo o que exprime". relativamente ao interesse descrito na norma. nesse sentido. eom o respectivo número de ordem" (art. Mas poder-se-ão fxar regras gerais sobre o assunto. aqui e ali.. 77" (art. 15). 28. em seáundo turno. "A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da CâIn ara dos Deputados e do Senado Federal. no que as conclus<*-*>es da clássica doutrina norte-americana sobre <*-*>le podem oferecer. realizar-se-á no primeiro domingo de outubro. o disposto no art. do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores.)" (art. com a redação da Emenda 16/97).. 3. Não se trata de regular a matéria em si. é possível afirmar-se que esta é completa e juridicamente dotada de plena eflcácia. Isso se reconhece pela própria linguagem do texto. "A República Federativa do Brasil [é) formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal (. e a posse ocorrerá em 1Q de janeiro do ano subseqüente. pelo sistema proporcional. qual a conduta positiva ou negativa a seguir. § 4Q). e no último domingo de outubro. ilustram essa idéia geral sobre as norznas plenamente eflcazes e de aplicabilidade imediata: l. se houver. será a norma que contenha todos os eleInentos e requisitos para a sua incidência direta. embora possa não ser socialmente eficaz. para exprimir tudo o que intenta. em primeiro turno. autiliado pelos Ministros de Estado" (art. 44). parágrafo único). uma norma constitucional é auto-aplicável (correspondente. em cada Estado. 46.12. 7. 45). 5.3' Completa. "É vedada a cassação de direitos políticos (. "As taxas não poderão ter base de cálculo própria d2*i npos- . "Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três senadores com Inandato de oito anos" (art. "A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado . com precisão. Alguns exemplos. 6. 10. contribuição valiosa. "O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional. em cada Território e no Distrito Federal" (art.. 44. 60. "É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar" (art.lena das demais. Quando essa regillamentação nonnativa é tal que se pode saber. observado. § 3<*-*>). § I<*-*>). mas de definir certas situaç<*-*>es. porque a norma de eficácia plena disp<*-*>e peremptoriamente sobre os interesses regLllados. Segundo essa doutrina. "A Câmara dos Deputados comp<*-*>e-se de representantes do povo. 8. 9. eleitos.34 2. Todas as normas regulam certos interesses em relação a detenninada matéria. para mandato de quatro anos. às de eflcácia plena) "quando.1Q).)" (art. 17.

No dizer clássico. dá ela a impressão de eficácia muito mais ampla do que realmente tem. e) não exijam a elaboração de novas normas legislativas que lhes coinpletem o alcance e o sentido.Condições gerais de aplicabilidade I5. isoladamente. As condiç<*-*>es gerais para essa aplicabilidade são a existência apenas do aparato jurisdicional.Natureza e conceito 14. ou lhes fixem o conteúdo. o que significa: aplicam-se só pelo fato de serem normas jurídicas. entre as regras organizativas e limitativas dos poderes estatais. predominantemente. Mas podemos adiantar que estabelecein conduta jurídica positiva ou negativa com comando certo e definido. se a compreendermos dentro do conjunto de disposiç<*-*>es reguladoras de um detenninado instituto. no caso. veremos que ela se integra do earáter pleno necessário à sua aplicabilidade imediata. 226. porque já se apresentam suficientemente explícitas na definição dos interesses nelas regulados. d) não indiquem processos especiais de sua execução. São de aplicabilidade imediata. Quanto à natureza. ll. imunidades e prerrogativas. produzem. contudo.3' IV . III . § lá). são auto-aplicáveis. § 2ó). direta e normativamente. muitas vezes. comportamentos e situaç<*-*>es. como já acenamos anteriormente. ou têm possibilidade de prodttzir todos os efeitos essenciais. pois outras normas há na Constituição que restringem o âmbito de incidênciadessas normas ou. como se pode ver. c) não designem órgãos ou autoridades especiais a que incumbam especificamente sua execução. incrustando-se. a existência do Estado e de seus órgãos. XIII. e podein conceituar-se como sendo aquelas gue. abrem exceç<*-*>es à sua incidência. As consideraç<*-*>es feitas acima já nos pennitem delinear a natureza e o conceito das normas constitucionais de eficácia plena. relativamente aos interesses. Convém observar que. 13. pelo menos. uma norma insulada não se apresenta com o caráter peremptório de sua eficácia plena. "O casamento é civil e gratuita a celebração" (art. 145.tos" (art. 44). e a de que o Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional (art. desde a entrada em vigor da constituição. Nesse particular. são de eficácia plena as nonnas constitucionais que: a) contenham vedaç<*-*>es ou proibiç<*-*>es. b) confiram isenç<*-*>es. As normas de e icácia plena incidem diretamente sobre os interesses a que o constituinte quis dar expressão normativa. . Em suma. mas. Outras vezes. que o legislador constituinte. que pressup<*-*>em. a clássica doutrina norte-americana sobre as normas auto-aplicáveis é válida. guis regular. 37. como é o caso da vedação de equiparação e vinculação prevista no art. bem se compreenderá que só ficará de initivamente fixada após examinarmos as normas constitucionais de eflcácia contida e de eficácia limitada. porque dotadas de todos os meios e elementos necessários à sua executoriedade.

Rnzão da possibilidade de delimitação da eficácia dessns normas. necessidade ou uti1. inotivo por que alguns as incluein entre as normas de eficácia limitada. se se assemelham às de eficácia limitada pela possibilidade de regulamentação legislativa.Razào desta classificação. coino se dá coin as de eficácia limitada. com relação a elas.110.Condiç<*-*>es gerais de aplicabilidade. Ob. pois. importam limitação da eficácia de normas geradoras de situaç<*-*>es subjetivas ativas ou de vantagem. a legislação futura. mas certos conceitos de larga difusão no direito público. antes de completar-lhes a eficácia. II . ou seja. ainda. a nosso ver. mediante legislação futura ou outros meios. e. porquanto o fato de remeterem a uma legislação futura não autoriza equipará-las a outras que exigem uma normatividade ulterior integrativa de sua eficácia. segurança nacional ou pública. I . Muitas dessas normas fazem inenção a uma legislação futura.Caracteristicas e enumeração . bons costumes.. não destacaram. Isso implica o surgimento de um grupo de normas constitucionais diferentes das de eficácia plena e das de eficácia limitada. com a lei prevista ou a ocorrência de determinadas circunstâncias que fazem incidir outras normas constitucionais. virá impedir a expansão da integridade de seu comando jurídico. Acresce.2 2. tais coino ordem pública. de equívoco manifesto.<*-*> Trata-se. que se ocuparam mais largamente com a definição da eficácia das normas constitucionais. que. que alguinas normas desse tipo indicam elementos de sua restrição que não a lei. que não as programáticas. V . aquelas que Crisafulli denomina normas de legislação. II . III . em sua classificação.Nntureza e conceito. porque. ein vez de ampliá-lo.. onde introduz a nomenclatura normas de legislação. perigo público iminente etc. integridade nacional. delas se distanciam pela possibilidade de contenção de sua eficácia.conforme mostraremos daqui a pouco -. exigindo tratamento à parte. cit. Os constitucionalistas. IV . <012> 1 O4 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS lidade pública. conquanto se pareçam com aquelas (são de aplicabilidade ünediata) sob o aspecto da aplicabilidade.Razão desta classificação l. O contrário é que se verifica . p. destas se afastam sob o ponto de vista da aplicabilidade e porQue a intervenção do legislador tem sentido exatainente contrário: restringe o âinbito de sua eficácia e aplicabilidade. as normas de eficácia contida.Caracteristicns e enun:eração.CAPÍTULO III NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA CONTIDA I .

Seg. fixada em lei. Se lei não houver. "I limiti delle sittuazioni attivi". que: "Às Forças Armadas coinpete. 220. NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA CONTIDA 1 OS V . Sobre esse assunto. que encontram fundamento no inciso IV e no art. Que a prestação alternativa depende de lei. como dito no itein V do n.Enquanto o legislador ordinário não expedir a normação restritiva. nafornia dn lei. supra. sua eficácia será plena. a liberdade de crença assegurada no inciso VI do inesino artigo e de convicção filosófica ou política. 4.damentais. fixndn em lei". mas o apelo ao legislador ordinário visa a restringir-lhes a plenitude da eficácia. e no n. o § 1Q do art. qualQuer restrição ou sanção será inconstitiicional. após alistados. se ocorrerem certos pressupostos de fato <*-*>estado de sítio. cf. como forinas de manifestação de pensamento. ale<**>a- . Sem necessidade de pesquisa mais aprofundada. de vez que a interferência do legislador ordinário.1953. visto que o legislador constituinte deu normatividade suficiente aos interesses vinculados à inatéria de que cogitam. inesino ocorrendo a escusa. Que implica a limitação de sua eficácia. em geral. nisso também diferem das normas de eficácia limitada. para hipótese especial. III . 5. inas também elas vão despontado em outros contextos. § 2<*-*>. solicitam a intervenção do legislador ordüiário. IV . Pádua. como valor societário ou político a preservar. II -. indivíduos ou grupos. inas essa eficácia pode ser contida (restr-ingida) em relação àquele que se exiinir de obrigação legal imposta a todos e se recusar a cumprir prestação alternativa.São norinas Que. em relação a estas. Confirina-se. Nessa parte. 3.. por exeinplo). infra. salvo se as invocar para exünir-se de obrigação legal a todos ünposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa. Art. 15. descobriremos na Constituição Federal a ocorrência das normas de ef ヘ cácia contida especialinente entre aquelas Que instituem direitos e garantias fun.Sua eficácia pode ainda ser afastada pela incidência de outras normas constitucionais. II soggettoprivato neCla Costit<*-*><*-*>zione itaüana. ordem pública etc. VIII: "ninguéin será privado de direitos por inotivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. ein teinpo de paz. 143 o confirina quando estatui.3. regulamentando os direitos subjetivos que delas decorrem para os cidadãos. em regra. 2. 5<*-*>. nesse inciso.São de aplicabilidade direta e imediata. Legislação restr<*-*>itiva. A peculiaridade das normas de eficácia contida confgura-se nos seguintes pontos: I . 6. especialmente Sec. salvo a aplicação do disposto no art. a regra é plenainente eficaz e de aplicabilidade imediata. IV (perda dos direitos políticos do escusante). tem o escopo de lhes conferir plena eficácia e aplicabilidade concreta e positiva.). atribuir serviçc alternativo aos Que.Algumas dessas normas já contêm um conceito ético juridicizado (bons costumes. fazendo expressa remissão a uma legislação futura. Paolo Barile. que revela uma daQuelas norinas constitucionais Que servein de contenção à eficácia de outras. que fixe "prestação alternativa" a ser cuinprida. Ofereceremos alguns exemplos em seguida.

que o princípio da liberdade de exercício profissional. O legislador ordinário. No direito administrativo brasileiro há leis que disp<*-*>em sobre os requisitos para concorrer aos cargos. nitidainente. Aqui. salvo a aplicação do art. como aprovação em concurso público .rem ünperativo de consciência. Só o terá coin a lei que definir a forma de exercício da competência. em sentido teórico. a liberdade é ampla.o que. 5Q. atendidas as qualificaç<*-*>esprofissionais que a lei estabelecer". I. como previa o art. não houver lei que preveja essas qualificaç<*-*>es. tratar-se-á. contudo. XIII: "é livre o exercício de qualquer trabalho. aplicabilidade indireta e mediata. para se eximirem de atividades de caráter essencialinente tnilitar". não obstante. pode estabelecer qualificaç<*-*>es profissionais para tanto. Aqui. de algo concreto: da liberdade do indivíduo de determinar-se em relação ao trabalho. empregos e funç<*-*>es públicas. empregos e funç<*-*>es públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei". é de aplicabilidade imediata. e a regra da liberdade se aplica desembaraçadamente. Se assim for. SQ supratranscrito. já mencionado acima. mas de eficácia limitada. Trata-se. Esse dispositivo era inteiramente desnecessário. antes de constituir uma restrição. Antes disso. a todos. A própria Constituição prevê alguns requisitos. Mas. a norma não é de eficácia contida. ao contrário. aliás. Do mesmo tipo. a norma não tem aplicabilidade. de natureza programática. trabalho que possibilitasse existência digna. não apenas o seu exercício. as Forças Armadas não poderiam atribuir serviço alternativo ao escusante. 37. Seu conteúdo envolve também a escolha do trabalho. que disp<*-*>e: "os cargos. é a regra do art. surge o direito subjetivo pleno do interessado. Outro exeinplo .art. consignado no dispositivo. parágrafo único. 15. ofício ou profssão. segundo se<*-*> próprio entendimento e conveniência. entendendo-se coino tal o decorrente de crença religiosa e de convicção flosófica ou política. supondo que detenninado Município não tenha lei própria que estabeleça requisitos de acessibilidade aos cargos públicos municipais. Mas também entra nesse objeto Que o exercício da coinpetência delin<*-*>ada fica na dependência daforma da lei. quando assegurava. inas o da previsão de coinpetência das Forças Armadas para atribuir seiviços alternativos a Quem alegue imperativo de consciência para eximirse de serviço inilitar. Sem a lei. Ele só tein a novidade de que o seu objeto não é o de estatuir sobre a liberdade de religião. conforir<*-*>e autoriza o texto constitucional em tela. porQue a competência prevista só se integrará com a definição legal de sua forma de exercício. Parece-nos. isso não impede a aplicabilidade daquela garantia constitucional fun- . para sua atuação. IV. do oficio ou da profssão. de uma norina de eficácia limitada e aplicabilidade dependente de legislação . da Constituição de 1946. não se cogita do direito de trabalho. A lei só pode interferir para exigir certa habilitação para o exercício de uma ou outra profissão ou oficio. é uma garantia de oportunidade para todos.isto é. Na ausência de lei. Essa nonna requer um pouco mais de atenção.145. Se. oficio e profissão. na verdade. pois dá a ünpressão de que a liberdade nela reconhecida fica na dependência da lei que deverá estabelecer as qualificaç<*-*>es profissionais. convicção filosófica ou política. nuin caso concreto. porQue a questão específica de que cuida já se subsuine na regra do inciso VIII do art. e nein caberia sanção alguma.

caput e §§ 1<*-*> a 3<*-*>. assim como os analfabetos (alistáveis) são excluídos (excepcionados) da regra geral de que todo alistável (uma vez alistado) é elegível (art. em segundo lugar. Primeiro porque nesse dispositivo se inscreve uina norma de eficácia limitada e porque dependente de lei no que tange à instituição de outras inelegibilidades. enquanto outras dependein de lei complementar.NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA CON7IDA cional. da regra geral. hoje. em que ela não deve incidir. no caso. de contenção. pois. pois a regra é plenamente eficaz e de aplicabilidade ünediata. IV. ein hipótese particular. §§ 4Q-7<*-*>). neste. hão que se subordinar à idéia de que seu sentido. Normas constitucionais de contenção da eficácia de outras. § 9<*-*>. encontraremos no art. aspectos particulares. 14. nos §§ 4<*-*> a 7<*-*> se acham norinas de contenção da eficácia e aplicabilidade das norinas e princípios que defluein do inesino art. 6.e aQui está o nosso probleina -. porque não se trata de um sistema de excluir. VI e VIII. inas. inenos os analfabetos. considerada a vida pregressa do candidato. de aplicabilidade imediata. como é o caso do § 2ó do art. cujo objetivo e conteúdo básico estão nele delineados. Exeinplo inais notório e expressivo. e a normalidade e legitimidade das eleiç<*-*>es contra a influência do poder econôinico ou o abuso do exercício de função. O conjunto de normas que. Veja-se que as regras de contenção não constituem mero sistema de exceç<*-*>es. que excepciona os estrangeiros e os conscritos da regra do § 1<*-*> do artigo.14. § 4Q). coino se nota. integra os sistemas de estabilização e defesa da Constituição contra processos violentos de mudança e perturbação do ordenamento constitucional forma um amplo le- . denotamos a coinplexidade da questão da eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais. a essa eficácia expansiva. que importa contenção da ainpla aplicabilidade das nonnas do art. 15. Mas é certo que as regras de contenção têm um regime interpretativ<*-*> semelhante às regras de exceção. onde se estatui que lei compleinentar estabelecerá outros casos de inelegibilidade. mas objeti<*-*><*-*>a o estabeleciinento de restriç<*-*>es à sua eficácia. Quer dizer: o princípio é o de que o direito à elegibilidade se aplica amplamente. a Constituição já estatui casos de inelegibilidade. contudo. suas determinaçôes não podem ultrapassar à técnica de seu enunciado limitado. 14. Já indicamos a norina do art. 14. IV. Em terceiro lugar . nos limites dos objetivos e conteíldo do § 9<*-*> do mesmo art. a Inoralidade para o exercício do inandato. que conferem a elegibilidade dos alistáveis. pois. teinos que alguinas hipóteses de inelegibilidades já decorrem da própria norina constitucional (art.que ele já possui por si -. à lei prevista neste último dispositivo. Aqui. 14: "proteger a probidade administrativa. e ainda autorizain que lei complementar institua outras regras restritivas. 14. 5<*-*>. cargo ou einprego na administração". A lei prevista no inciso questionado não tein por objeto dar-Ihe aplicabilidade . aliás. sendo normas restritivas de di<012> 1 OS APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS reitos fundamentais. esses dispositivos já trazem regras de restriç<*-*>es. Assün.

que regulam o estado de defesa e o estado de sítio (arts. Ordem pública e bons costumes.3 O que se entende por ordem pública? A caracterização de seu significado é de suma iinportância. afastam. Seria de toda conveniência que a doutrina e a jurisprudência buscassem um conceito objetivo de ordem pública. coin base quase sempre em sua apreciação subjetiva dos fatos. 153 da Constituição de 1969 falava ein ordem coino conceito restxitivo do direito de reunir-se sem arinas (irz verbis: . 142). não só porque ilustra a noss<*-*>tese. porque não se sabe precisamente o que significa minimo ético. 136141). Vamos examinar. podemos adiantar que os de ordem pública e paz social o permeiam ainda. I). importam conter. no que tange à produção de seus efeitos e de sua aplicação. [ensina Hely Lopes Meirelles] não pode a autoridade anular as liberdades públicas ou aniquilar os direitos fundainentais do indivíduo assegurados na Constituição".136). 17. simplesinente. § Só. 144. limitativas de certos direitos fundamentais. ou simplesmente ordem (art. expressamente indicados. Acresce. Tais sistemas. Um exemplo expressivo tínhamos no art. que é justamente "a faculdade de que disp<*-*>e a Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens. outras cuja eficácia sofre restriç<*-*>es por inotivo de ordem pública. da Constituição de 1969. temporariamente. mas especialmente porque se pode indagar se esses conceitos éticos juridicizados não perduram no ordenamento constitucional vigente. sob a invocação dopoder de policia. bons costumes e paz social. mas ordem democrática dela se divorcia. e outras vezes são substancialmente idênticas. a eficácia e aplicabilidade de nonnas constitucionais outorgantes de direitos fundamentais do homem. no conjunto. tida como um dos valores-meios do Direito. para que normas de outorga daqueles direitos fiquem contidas (paralisadas).6 o que não satisfaz. temporariainente. O conceito de ordem pública é controvertido. agora. sendo bem mais restrita e de outro conteúdo. Esta última certamente tem o mesmo sentido de ordem pública.iela. diz o mesmo que regime democr<*-*>ático. Einbora a Constituição de 1988 não tenha reproduzido um texto coin o mesmo teor. ainda. Que declarava que era plena a liberdade de consciência e ficava assegurado aos crentes o exercício dos cultos religiosos que não contrariassem a ordem pública e os bons costumes.' Virga a entende como minimo ético de um determinado momento. porque se trata de algo destinado a limitar situaç<*-*>es subjetivas de vantagem outorgadas pela Constituição. Demos exemplos de normas de eficácia contida mediante lei e outras normas constitucionais.<*-*> "Mas. § 1Q. a eficácia e a aplicabiiidade imediata dos direitos e garantias fundamentais. paz social (art. equivale àql. na verdade.s O § 27 do art. observados certos pressupostos de fato. como fundamento expresso do poder de polícia e de outras formas de limitação de direitos. a ordem politica e social também. do art. têm-se praticado as maiores arbitrariedades. Basta uin decreto do Presidente da República. quando elas autorizam apenas a atuação do poder de polícia.4 embora assim não se qualifique. 7.que de regras que. Certamente. vale a pena discutir a questão. tais como ordem politica e social (art. Em nome dessas express<*-*>es.153. em benefício da coletividade ou do próprio Estado". que esla usa de outras express<*-*>es correlatas que às vezes se afastam muito da expressão "ordem pública". atividades e direitos individuriis. ou ordem.

mas "os motivos de ordem pública"."'o Essas justas palavras de Lapierre bem mostrain a dificuldade de dar um conceito de ordem pública. autorizado a limitar a eficácia das normas constitucionais consagradoras de situaç<*-*>es subjetivas ativas."Todos podem reunir-se sem armas. p " 13 a curto razo a rática de crimes. sob essa perspectiva. A Constituição vigente não aceita mais essa restritiva. E só o poder político disp<*-*>e de meios necessários para assumir essa função reformadora. uma tensão entre ordem e progresso. mas também ressaltam a imprescindível moderação que se deve adotar na utilização do poder de polícia. cuideinos de outro conceito que o art.'<*-*> claramente se percebe a impossibilidade de fixar-lhe um conceito com validade universal e permanente. bem como a designação. sein dúvida. isenta de ameaça de violência ou de sublevação que tenha produzido ou que supostamente possa produzir. A ordem pública é. esquecido de que não existe uina ordem ideal. transformadas. com iminência de desforço pessoal.l4 Assim colocado o problema da ordem pública. Seu coneeito é dificil de fixar objetivamente. Certamente que sua inanutenção não pode transinudar numa arbitrariedade. Ela deixa de ser tal quando discuss<*-*>es. reprimir as postulaç<*-*>es do progresso.i2 e. como são estas a que estamos dedicando nossa atenção. divergências. mas coino limite exeepcional a situaç<*-*>es st<bjetivas ntivas. de controvérsias e até de certas rusgas interpessoais. do local da reunião"). ameaçada de sublevaç<*-*>es que tenham produzido. uma situação de pacífica convivência social. renovadas. a curto prazo. Aquela Constituição. Há.9 "As instituiç•es devem continuamente ser ajustadas. indicando a obrigação de seguir a mais apta ao escopo de evitar a perturbação da pacífica convivência social. não admitia a possibilidade de cultos religiosos contrários aos bons costumes. que nos parece mais adequada. ou supostamente possam produzir. da Constituição de 1969 trazia coino limite à e icácia daquela norma definidora da liberdade religiosa e de culto: os bons costumes. sob a capa de inanutenção da ordein pública. A expressão bons costumes é daquelas que aparecem no Direito com o objetivo de justificar a atuação da competência discricionária do Poder Público. pois que somente autoriza a atuação da coinpetência discricionária do poder. a ordem social verdadeira é inuito mais uina obra a fazer e refazer no curso do tempo. assün. p . Se nenhuma ordem é jamais perfeita e definitiva. não intervindo a autoridade senão para manter a ordem. de debates. e inenos ainda pode e te. diz ele: "Motivos de ordem pública subsistem toda vez que o direito positivo concede à autoridade administrativa um poder de escolha entre várias soluç<*-*>es. por esta. Em suina. A evo- . A lei poderá detenzlinar os casos em que será necessária a comunicação prévia à autoridade. que são dois aspectos do processo social. de violência ou do crüne. do que uin dado coinpleto a conservar tal qual é. a prática de crimes. Ao poder político cabe a função de inanter um mínimo de ordem e estimular um tnáximo de progresso. § SQ. Convivência pacífica não signifíca isenta de divergências. como se esta fosse a função primordial do poder político. pois a prática revelou que o mais importante era a manutenção da ordem. utn estático e outro dinâinico.153. rusgas e outras contendas ameaçain chegar às vias de fato. assim. não tanto como justificação da interferência do poder de polícia. Barile não chega a definir a ordem pública.

pois. mas um Estado que deixa a moral à consciência dos indivíduos e se limita a tutelá-la sob o prisma exclusivo da convivência pacífica e.Ig O texto desta.aí. coin a transformação de hábitos e atitudes que num momento podem contrariar os bons costuines. em outra obra sua. A lei poderá definir melhor esses locais não-típicos de culto mas necessários ao exercício da liberdade religiosa. como dissemos em outra obra. mas a idéia de bons costumes como ordem moral é subjacente ao ordenamento jurídico.lução social sempre importa mudança da tábua de valores. sem condicionamentos. circunscrevendo a autonomia de sujeitos privados. Eni'Im.I6 isso porque um conceito de "moralidade média". mas os incisos XXIV e XXV oferecem os elementos de suas limitaç<*-*>es. por exemplo . quando estatui a iinunidade fis<*-*>ál sobre "templos de qualquer culto" (art. segundo afirma. que não é "Estado ético" . SQ garante o direito de propriedade. São outros tantos conceitos que interferem com a eficácia de detenninadas normas constitucionais. É evidente. que não está sujeita a condicionamentos. assim o tem a ConstitlIição. na forma da lei. e protege os locais de culto e suas liturgias. permitindo sua desapropriação por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Isso é parte da liberdade de exercício dos cultos.I<*-*> Excluiu o equívoco conceito da moralidade média. interesse social ott econômico. O inciso XXII do art. O dispositivo comp<*-*>e-se de duas partes: assegura a liberdade de ezercicio dos cultos religiosos. declara assegurado o livre exercicio dos cultos religiosos e garantida.praças.<*-*>9 que não é a lei que vai definir os locais do culto e suas liturgias. no caso em exame. n proteção aos locais de culto e a suas liturgias. 150. e em outro momento já se tornam perfeitamente coinpatíveis com ele. É claro Que há locais . bem como seu uso pela autoridade competente no caso de perigo público iminente. 9. Mas a liberdade de culto se estende à sua prática nos lugares e logradouros públicos. Aliás. segurança nacional e integridade nacional. especialmente em relação ao direito de propriedade. mas também esta liberdade não tem sua eflcácia dependendo da lei referida. I) e protegê-los . perigo público iminente. "b"). a liberdade de culto está <*-*>=arantida.que não são propriamente locais de culto. A segurança pública é outro conceito de que se serve o poder de . Neles se realizam cultos mais no exercício da liberdade de reunião do que no da liberdade religiosa. que são os templos. mas. é estranho à função do Estado Democrático. pois. Barile define o bom costume como "aquele coinplexo de regras Que a opinião pública reconhece válidas nuin dado inomento histórico eizi relação à proteção contra a obscenidade e contra as ofensas à decência pública". Com base neles o Poder Público pode limitar situaç<*-*>es subjetivas. sob o prisma da obscenidade e da decência pública. Esta. Com a lei ou sem ela. correspondente ao anterior. cumpre aos Poderes Públicos não embaraçar o exercício dos cultos religiosos (art. Segurança pública. aqui.I<*-*> Aceitamos a doutrina do autor. edificaç<*-*>es com as características próprias da respectiva religião. que figurava nessa definição. sim. naforma da lei. e aí também ele merece proteção da lei. com a observação de que a Constituição de 1988 não traz explicitamente aquela expressão. VI. naforma da lei. 19. não é restritiva da liberdaade de culto. 8 Necessidade ou utilidade pública. indiretainente. E deverá estabelecer normas de proteção destes e dos locais em que o culto nonnalmente se verifica.

que é. ou para prestar socorro. I). essencialmente. O artigo declara que a segurança públicn. de modo a que o exercício dos direitos por uns não prejudique os direitos dos demais. faz expressa menção à segurança pública como limite às situaç<*-*>es subjetivas de vantagem. que nele se penetre à noite. ou quase sempre. O sistema de contenção da eflcácia das normas constitucionais exposto acima tem sua razão de ser fundada nos fms gerais e sociais do Estado moderno. Mas este. Não fere a integridade nacional o fato de governador e povo de um Estado se oporem politicamente ao governo da União. é exercida para n preservação dn ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.2l a nossa não é tão explícita. militas vezes. assim como medidas de defesa contra as calamidades públicas. SQ da Constituição. salvo nos limites do gozo e reivindicação de seus próprios direitos e defesa de seus legítimos interesses. Finalmente. portanto. de modo a permitir que todos gozem de seus direitos e exerçam suas atividades sem perturbação de outrem. mas o conceito consta do art. em que o princípio da segurança nacional pairava sobre a eficácia de quase todas as normas constitucionais. defesa da Pátria (art. Esta é uma atividade de vigilância. mesmo sem consentimento do morador. a União pode intervir nos Estados (art. quer para constituir-se em país independente. dever do Estado. quer para integrar-se noutro país. como se sabe. . 144.2o A Constituição italiana. em vários dispositivos. § 1<*-*>. III . 91). Não se confunde a segurança pública com a segurançn nacional. a restrição de direitos e garantias fundamentais. Outro conceito correlato àqueles é o de integridade nacional. visa. medidas de proteção e defesa da saúde pública. com restriç<*-*>es às liberdades públicas. A idéia que prevalece agora é a de defesa nacional (art. 10.Razão da possibilidade de delimitação de eficácia dessas normas 11. como fundamento do poder de polícia. Como se nota. a segurança pública consiste numa situação de preservação ou restabelecimento daquela convivência social (ordem pública). prevenção e repressão de condutas delituosas. a tutelar a liberdade de todos. em caso de flagrante delito ou desastre. 34. derrogando as nonnas consagradoras da autonomia estadual. da incolumidade das pessoas e do patrimônio público e privado. estatuindo a inviolabilidade do domicílio. através dos órgãos de policia que enumera. ao limitar a autonomia dos sujeitos privados. III). nem Inedidas especiais no caso de estado de sítio ou estado de defesa. que ocorre no caso de um Estado ou parte dele pretender desligar-se da Federação. Integridade nacional. um poder de limites a direitos individuais. Mas o abuso dessa atividade gera motivo para interposição de habeas corpus e responsabilização da autoridade abusiva. Todos esses conceitos constituem base de limitaç<*-*>es (contenção) de direitos constitucionais. que. como é a hipótese do inciso XI do an. é noção correspondente à integridade do território nacional. conceito hoje reduzido a expressão menos abrangente. direito e responsabilidade de todos. da higiene e saniticrias também autorizam a atuação do poderd<*-*> polícia (polícia sanitária).polícia com o escopo de "acertar a conduta dos indivíduos com vista à observância dos limites impostos pela lei à sua liberdade". Tal fato não justifica nem a intervenção no Estado. 142) e segurança do território nacional (art. no entanto. Com base nele. 91. como no sistema constitucional revogado. pennite. O exercício dessa atividade importa.

Isso caracteriza o modo de produção capitalista. assegurar a ordem pública. desde logo. sufocando as liberdades públicas ou reduzindo-as a expressão insignificante. dando prevalência aos interesses coletivos. nela. cuja eflcácia e aplicabilidade fícam delimitadas ao equilíbrio perseguido pelo Estado. o elemento sócio-ideológico revelador do compromisso entre o Estado Liberal e o Estado Social intervencionista é mais acentuado. procurar realizar o bem-estar social. As normas de eficácia contida . para a consecução desses objetivos. Contudo. tutelar a s<*-*>gurança pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio dos indivíduos. a regular o exercício dos direitos e autonomias conferidos aos indivíduos e entidades pelas normas constitucionais. a de 1967 e a de 1969 revela. porque essa atuação estatal ainda se insere no princípio básico do capitalismo. para defender-se. a de 1969 deu praticamente nenhuma democracia política (tantas restriç<*-*>es opôs aos direitos fundamentais e garantias constitucionais) e restringiu mais as concess<*-*>es à democracia social. com bastante realce aos direitos sociais. nem por circunstancial exploração direta de atividade econômica pelo Estado e possível monopolização de alguma área econômica. No caso brasileiro. que esta é politicamente mais autoritária e socialmente menos liberal que aquelas.de que estamos cuidando neste capítulo . o bem comum. como um de seus fins historicamente ínsitos em sua existência. Mas isso é ainda uma aspiração. Vale dizer: em relação à Carta Magna de 1946 e mesmo à Constituição de 1967.têm natureza de normas imperativas. IV. As constituiç<*-*>es modernas continuam sendo instrumentos de compromisso. possibilitando a igualdade de oportunidade a todos. Se assim continuasse. Inanter a integridade de seu território. O Estado tende cada vez mais a ser social. que não deixa de ser tal por eventual ingerência do Estado na economia. A Constituição de 1988 mudou esse panorama. Se ao Estado compete. onde prevalecem os ditames liberais individualistas. certamente que.12. positivas ou negati- . porque ela se apóia inteiramente na apropriação privada dos meios de produção e na iniciativa privada (art. formulando autoritarismo sob o slogan de que a democracia precisava restringir-se. que é a <012> 1 I 6 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS apropriação exclusiva por uma classe dos meios de produção. não tardaria que se suicidasse com os instrumentos da própria defesa. quer por lei. 170). prover a defesa nacional contra invas<*-*>es ou ameaça de invas<*-*>es externas. uma comparação entre a Constituição de 1946. Esta era uma característica daquele período: o Inedo do socialismo ou de uma simples democracia socializante ia engolindo a democracia política. E é exatamente nessa adoção de fins sociais prevalentes à proteção dos fins individuais que o Estado Democrático de Direito se distingue do Estado Liberal individualista. na busca da efetivação da prosperidade da comunidade. 13. quer por conceitos gerais (como os vistos).Natureza e conceito 14. sem embargo de que a ordem econômica nela consubstanciada não é senão uma forma econômica capitalista. antes que aos indivíduos. há que ser autorizado pela constituição (nos estritos termos de suas normas).

<*-*>as, limitadoras do poder público, valendo dizer: consagradoras, em regra, de direitos subjetivos dos indivíduos ou de entidades públicas ou privadas. E as regras de contenção de sua eficácia constituem limitaç<*-*>es a esses direitos e autonomias; ou, segundo uma teoria moderna, de que ainda trataremos, são regras e conceitos limitativos das situaç<*-*>es subjetivas de vantagem." I5. Normas de eficácia contida, portanto, são aquelas em que o legislador constituinte regulou suficientemente os interesses relativos a determinada matéria, mas deixou margem à atuação restritiva porparte da competência discricionária do Poder Público, nos termos que a lei estabelecer ou nos termos de conceitos gerais nelas enunciados. V- Condiç<*-*>es gerais de aplicabilidade 16. São elas normas de aplicabilidade imediata e direta. Tendo eficácia independente da interferência do legislador ordinário, sua aplicabilidade não fica condicionada a uma normação ultePf<*-*>r, mas fica dependente dos limites (daí: eficácia contida) que ulteriormente se lhe estabeleçam mediante lei, ou de que as circunstâncias restritivas, constitucionalmente admitidas, ocorram (atuação do Poder Público para manter a ordem, a segurança pública, a defesa nacional, a integridade nacional etc., na forma permitida pelo direito objetivo). CAPÍTULO IV NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA SEÇ'ÃO I - NORNl AS CONSTITUCIONAIS DE PRINCÍPIO: IProblema terminológico.11- Classificação das normas constitucionais de principio. III - Normas constitucionais de princípio, normas constitucionais deprincipios gerais eprincipios gerais do direito constitucional. SEÇÃO II- NORMAS CONSTITUCIONAIS DE PRINCÍPIO INSTITUT IvO: IV- Outra vez o problema terminológico. V- Caracterização e exemplif ヘ cação. Til- Função, natureza e conceito. lill - Eficácia. VIII - Condiç<*-*>es gerais de aplicabilidade. SEÇÃO 11I - NORMAS CONSTITUCIONAIS DE PRINCÍPIO PROGRAMÁ TICO: IX - Conceito. X - Localização das normas p<*-*>ogramáticas. XI - Normas programáticas e direitos sociais. Xll - Normns progrnmáticas efins da ordem econômica e social. Xlll - Disposiç<*-*>es programáticas e principios constitucionais. XIV- Normas programáticas no sistema constitucional brasileiro. Xv - Natureza dos direitos sociais. XPI - Juridicidade. XVII - Função e releváncia. XvIlI - Normas programáticas e regime politico. XIX - IVormas prngramáticas e interpretação do Diieito. XX - Normas programáticas e constitucionalidade das leis. XXI - Normas programáticas e leis anteriores incompativeis. XXII- Condiç•esgerais de aplicabilidade. SEÇÃOIV-INSTRU MENTOS DA EFICÁCIA CONSTiTUCIONAL: XXIII - Questdo de ordem. XXIV- O art. 5", ,<*-*> ló, da Constituição. XYv- Mandndo de injunçào. XXVI - Inconstitucionalidade por omissão. X JiIil1 - Iniciativa popular SEçAo I - lVORM AS CONSTITUCIONAIS DE PRIlVCÍPlO

I - Problema terminológico 1. O problema da linguagem constitui o grande drazr<*-*>a da metodologia jurídica. A busca do termo próprio, a especificação do sentido <012> 11 S APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS em que uma palavra está sendo empregada, são tarefas que se colocam como preliminares, especialmente para o publicista, a quem não fica mal possuir a neurose do termo certo, da precisão técnica, mas não ao ponto de perder de vista a lição de Galizia segundo a qual "o jurista, operando com enunciaç<*-*>es lingüísticas, deve formular uma linguagem científica, que, procurando adequar-se a uma maior exatidão e especificidade, tenda, contemporaneamente, a apartar-se, o menos possível, da linguagem comum".I 2. Não raro, porém, acontece que o publicista rebusca os escaninhos da rica língua portuguesa e não depara uma expressão adequada para exprimir o objeto que tem em mente. Dança ele, então, na terminologia imprecisa, e acaba cunhando uma própria, tomado ainda da dúvida sobre se expressa com precisão o conceito pretendido. Foi assim que preferimos denominar normas constitucionais de principio aquelas em que se subdividem as normas constitucionais de eficácia limitada, ou seja, aquelas que dependem de outras providências para que possam surtir os efeitos essenciais colimados pelo legislador constituinte. II - Classificação das normas constitucionais de principio 3. Conforme delineamos páginas atrás, as normas constitucionais de eficácia limitada são de dois tipos: a) as definidoras de principio ir2stitutivo ou organizativo, que, por brevidade, temos chamado de normas constitucionais de princípio institutivo; b) as definidoras deprincipio programático, ou, simplesmente, normas constitucionais de<*-*>princípio programático. III - Normas constitucionais de principio, normas constitucionais deprincipiosgerais e principios gerais do direito constitucional 4. Nossa primeira tarefa, aqui, consiste em evitar confundir três conceitos correlatos, quais sejam: a) normas constitucionais deprincipio; b) normas constitucionais de principios gerais, também denominadas normas principios; e c) principios gerais do direito constitucional. 5. A palavra "princípio" é equívoca. Nas três hipóteses supra aparece com sentidos fundamentalmente diversos. Quando falamos em normas definidoras de principio institutivo, a palavra "princípio" se apresenta na acepção própria de começo ou inicio, isto é, são normas que contêm o ir:icio ou esquema de determinado órgão, entidade ou instituição, deixando a efetiva criação, estruturação ou formação para a lei complementar ou ordinária, como dá exemplo o art. 33 da Constituição: "A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios".

6. Diferentes são as normas constitucionais de principios gerais, ou normas principios. Estas são, segundo Crisafulli, "as normas fundamentais de que derivam logicamente (e em que, portanto, já se manifestam implicitamente) as normas particulares regulando imediatamente relaç<**>es e situaçóes específicas da vida social".2 Mais adequado seria chamálas de normasfundamentais (a Constituição de 1988 as chama de principiosfundamentais), de que as normas particulares são mero desdobramento analítico. Fundamentais são, por exemplo, as seguintes normas da Constituição: a) "A República Federativa do Brasil [é] formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal" (art. l<*-*>, caput); b) "Todo o poder emana do povo , que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição" (art. IQ,. parágrafo único); c) "São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário" (art. 2Q). Pode-se dizer que as normas da Constituição constantes dos arts. 18 a 133 são dependentes daquelas fundamentais, delas constituindo desdobramentos, salvo, dentre as normas particulares dos arts. 18 a 133, as que contêm matéria de direito administrativo (arts. 37-42) e outras não tipicamente referentes à estrutura do Estado, à organização dos Poderes, suas atribuiç<*-*>es ou competências. 7. Certas normas cónstitucionais não são propriamente fundamentais, mas contêm principios gerais informadores de toda a ordem jurídica nacional, como as que consagram o princípio da isonomia (art. SQ e seu inciso I), o princípio da legalidade (art. 5<*-*>, inciso II), o princípio da irretroatividade das leis (art. 5<*-*>, XXXVI), os princípios da organização partidária (art.17). Mas essas normas-princípios e as de princípios gerais distinguemse basicamente daquelas que denominamos normas constitucionais de I. Scienza giuridica e dirito costituzionale, p. 53. 2. La Costituzione e le sue disposizioni di principio, p. 8. <012> APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS VORMAS CONSTITUCIONAIS DE EPICÁCIA LIMITADA 121 princípio ou de esquema, pois estas são de eficácia limitada e de aplicabilidade indireta, isto é, dependentes de legislação ou outra providência, enquanto aquelas são de eficácia plena e aplicabilidade imediata - auto-aplicáveis, na terminologia norte-americana. 8. Profundamente diversos são os princípios gerais do direito constitucional. "A ciência do direito constitucional [diz Pinto Feizeira] induz da realidade histórico-social os lineamentos básicos, os grandes principios constitucionais, que servem de base à estiuturação do Estado. Os princípios essenciais assim estabelecidos são os summn genera do direito constitucional, fórmulas básicas ou postos-chaves de inteipretação e construção teórica do constitucionalismo".3 Em magnífico livro sobre os princípios gerais do direito constitucional moderno,4 destaca a divergência dos juristas na formulação desses princípios,<*-*> e ele próprio tennina por indicar cinco grandes princípios do direito constitucional inoderno: a) o principio da supremacia da corzstituição; b) o principio democrático; c) o principio liberal; d) o prirzcipio do socialismo; e) o principio dofederalismo.6 9. Não se nos afigura que esses princípios considerados por Pinto

não têin a natureza socialista em seittido técnico. em rigor. no máximo pode ser encarado como uina tendência. embora ainda com características prograináticas. Ed. decorrente da declaração dos direitos individuais e garantias constitucionais. de se ter cautela na afirmativa. princípios gerais do direito constitucional moderno. Tais princípios gerais distinguem-se das normas constitucionais de princípio. Principios gerais do direito constituciona! moderno.8 Vereinos essa concepção mais adiante. RT. é coisa sobre que a doutrina não controverte. v. i) o da representação partidária etc. 10. todos. b) o do federalismo. sem negar a existência real de princípios gerais do direito constitucional. sem que isso signifque. Talvez fosse válido entendê-los coino princípios universais. Assim. em dois volumes. do ensino e da cultura. Ob.1/53 e 54. pois que nem todos são encontrados em todos os sisteinas constitucionais. Que os princípios gerais do Direito (seja do Direito como ordenaçãojurídica. objetos. a adoção de regime essencialmente diverso do capitalismo. supra. Há quem os considere como princípios instihlcionais que funcionam como critérios infoimadores das leis existentes. por serem induzidos do direito constitucional comparado. 5. como imperativos.. <*-*> o da proteção da família. afigura-se possível admitir alguns deles: a) o da supremacia das normas constitucionais. 3. SEçno II -NORMAS CONSTITUCIONAIS DE PRINCÍPIO INSTITUTIVO . 6. relaç<*-*>es.. que podem ter seu estudo destacado da dogmática jurídico-constitucional.1971). especialmente as programáticas. nuin sentido universal. cit. c) o da autonomia municipal. seja de um ramo particular da ciênciajurídica) não são normas. envolvendo o da autonomia dos Estados. está na 5<*-*> edição. cit. inas tão-só revelain o intervencionismo estatal. e) o da proteção da autonomia individual em face do poder. só existe ern número relativainente pequeno de ordenaç<*-*>es constitucionais. 4.Ferreira possam ser. como estas últimas. formam temas de uma teoria geral do direito constitucio>tal. hoje constantes da maioria das constituiç<*-*>es. por envolverem conceitos gerais. <*-*> o da proteção social do trabalhador. Mesino assim. v. como o do sistema de governo.<*-*> Certos autores arrolam entre tais princípios as nonnas constitucionais de princípio (esquema). e assim concebido é princípio lünitado à ordenação constitucional positiva. e nossa Constituição o tein coino uinprincípie<**>f'uiidamerital. O princípio federalista. de um ponto de vista ontológico. pois não constituem normas. O princípio do socialisino. Idem. O que é possível afirmar é que aqueles princípios e outros. v I/50 e 51. que estamos utilizando I São Paulo. Ob. desde que as declaraç<*-*>es de direitos sociais.1/51 e 52. por exeinplo. induzidos da realidade histórico-constitucional de cada povo. sua forma. h) o da independência da Magistratura. d) o do controle jurisdicional da constitucionalidade das leis. entre nós. a repartição ou colaboração de Poderes etc. mas princípios induzidos de um conjunto de normas.

<012> 122 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS 12. separando-as das normas programáticas (que chamazn de normas diretivas). Crisafulli chama-as de normas de legislação. Aqui também o problema terminológico se nos antep<*-*>e como questão prévia. cit. porém. Para distingui-las das nonnas programáticas (Que também são de princípio. ou. eomo é exemplo a do § 2ó do art. Assim Alessandro Levi. se não houvesse norznas nãó-organizativas que também podem depender de legislação. ou not selfactingprovisions.express<*-*>es traduzidas no direito constitucional brasileiro por disposiç<*-*>es ou normas não auto-aplicáveis. de aplicabilidade ou eficácia diferida. os problemas gerais referentes às normas constitucionais de princípio. ou. órgãos ou entidades. p.IV . Teoria generale del Diritto. podemos dedicar-nos. not sel J executing provisions. Na jurisprudência e na doutrina clássica nozte-americana erazn denominadas. reconhecemos. um como que inicio de estruturnção de instituiç<*-*>es. ainda. ainda. mediante leis complementares ou ordinárias integrativas. pp. mas qualquer outra seria ainda mais deficiente. ainda. ou p 9 Ilão-executáveis or si nzesmas. São de eficácia limitada porque é o legislador ordinário que Ihes vai conferir executoriedade plena. esquematizadoras de programas). A evolução dos estudos dessa matéria. as normas de que se trata aqui são as não-prograznáticas dependentes de legislação. conceberam-nas como normas preceptivas de aplicabilidade iião-imedintn. ao lado das programáticas. Ora.lo mas taznbém as tem como disposiç<*-*>es constitucionais de principio. ob.Outra vez o prohlema terminológico ll. agora. é situar bem o problema. 227: "A lei disporá sobre nonnas de construção dos logradouros e dos edificios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo. como a pretender que nada significam enquanto o legislador não emitir regras jurídicas que as complementem. como querem aQueles que as chaznazn de nozmas de eficácia ou aplicabilidade diferida. 13. um pouco descuidada entre nós. não-bastantes em si. a fizn de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência". àquela espécie que denominamos normas constitucionais de princípio institutivo. de Alessandro Levi. ou. certamente encontrará terminologia mais precisa e adequada. not selfenforcingprovisions . É a opinião. todaviá<*-*>destituídas de aplicabilidade. 14. Não são. definindo com segurança as express<*-*>es ou . 8. Dilucidados. porque dependentes de legislação. por exemplo. 7. O impoztante. Não é perfeita a denominação. ou não auto-executáveis. A jurisprudência e certa corrente doutrinária italianas. porquanto contêm esquemas gerais. Tais normas são de eficácia limitada e de aplicabilidade mediata ou indireta.<*-*>l A expressão normas de legislação seria a mais aproxiznada da realidade.110 e 112. j unto com as puramente programáticas. como ficaram acima. preferimos designá-las como normas de principio institutivo.111.. pelo quê também poderiam chamar-se normas de prineipio orgânico ou organizativo.

163: "Lei complementar disporá sobre: I . I.<*-*>pndi- .161: "Cabe à lei complementar: I .Caracterização e exemplificação IS A caracterização fundamental das normas constitucionais de princípio institutivo está no fato de indicarem uma legislação futura que lhes complete a eficácia e lhes dê efetiva aplicação. Preferiu o constituinte.finanças públicas. segundo o qual a criação de Território. VI . jurisdição.dispor sobre o acompanhamento. de sozte a que.termos empregados. 90: "A lei regulará a organiznção e o funcionamento do Conselho da República" (igual disposição consta do § 2<*-*> do art. garantias e condiç<*-*>es de exercicio dos órgãos da Justiça do Trabalho. ou a do art. ou. 159. incluída a das autarquias. V .estabelecer normas sobre a entrega dos recursos de que trata o art. dos Estados.operaç<*-*>es de câmbi<*-*> realizadas por órgãos e entidades da União. IV emissão e resgate de títulos da dívida pública. o que se percebe pelas remiss<*-*>es aos dispositivos onde tais regras principais são estatuídas. 91 para o Conselho de Defesa l<*-*> Taciozzal). investidura. metodologicamente. aliás. V. ainda. o objeto indicado fque devidamente circunscrito. competência. do cálculo das quotas e da liberação das participaç<*-*>es previstas nos arts. a do § 2<*-*> do art. cozno a do art.dívida pública externa e interna. de aplicabilidade imediata. 157. Afunção.113: "A lei disporá sobre a constituição. parágrafo único. assegurada a paridade de representação de trabalhadores e empregadores". III . resguardadas as características <*-*>. Umas deixam larga margem ao poder discricionário do legislador. II ."A lei disporá sobre a organização administrativn ejudiciária dos Territórios" -. especialmente sobre os critérios de rateio dos fundos previstos em seu inciso I.definir valor adicionado para fins do disposto no art. separar em dispositivo próprio o aspecto dependente de legislação ein relação às regras principais de aplicabilidade iinediata. objetivando promover o equilíbrio sócio-econômico entre Estados e entre Municípios. sua transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão regularnentadas em lei complementar. III . 33 . VII compatibilização das funç<*-*>es das instituiç<*-*>es oficiais de crédito da União.i3 VI .fiscalização das instituiç•es financeiras. natureza e conceito 16. também o art. como é o caso do art.158 e 159".concessão de garantias pelas entidades públicas. Essa a nossa preocupação na terminologia utilizada. 18 da Constituição. como a do § 2Q do azt. não a veleidade de inovaç<*-*>es. 158.Função.<*-*><*-*> Outras deixam para o legislador ordinário (ou complementar) apenas aspectos secundários. II . do Distrito Federal e dos Municípios. ou seja. independente da existência da lei). outras já indicam o conteúdo da lei. nesses casos. fundaç•es e demais entidades controladas pelo Poder Público. V. pelos beneficiários. a natureza e o conceito das normas constitucionais de que estamos cogitando não têm sido objeto de apreciação doutrinária princípios a serem desenvolvidos na lei. quase todos.

criação ou insti- . 37. mas não imediata. Parece contraditório dizer-se que o beneficio corresponde à totalidade dos vencimentos. A compreensão do texto depende da invocação do que estatui o inciso XI do art. é problema controvertido. sua função primordial é a de esqueinatizar a organização. No que se distinguem. ao mesmo tempo em que se fala em limite estnbelecido em lei. 37. Sobre o assunto já expusemos a tese de Azzariti. de certo inodo. do disposto no § 5ó do art. 40 se refere. ambos os tipos. salvo a terininologia. igualmente. É caso. É a esta lei que aquele dispositivo do § 5Q do art. aqui e ali. 17. mediante prestaç<*-*>es positivas. As programáticas envolvem uin conteúdo social e objetivam a interferência do Estado na ordem econômico-social. no âmbito dos Poderes. 40: "O beneficio da pensão por morte corresponderá à totalidade dos vencimentos ou proventos do servidor falecido. podemos concordar. por exemplo. notareinos que alguns autores as colocam de parelha com as programáticas. Respigando-se. com ampla enumeração do conteúdo da lei complementar<*-*> nele prevista. mesmo porque constituem. Têm.i4 Não recapitularemos a crítica já feita a tal doutrina. observado o disposto no parágrafo anterior". apenas repetiremos que para Azzariti a diferença básica está em que as prograináticas não seriam normas jurídicas. se aproximam. Aqui se prevêem tetos de veneimentos e lei que fixará limite máximo da remuneração em espécie. que as considera como preceptivns. Deixando para a seção seguinte o exame dos problemas específicos das normas programáticas. apoiada na jurispr. V. através da democracia social. mas dando só indicaç<*-*>es ao legislador futuro. natureza organizativa. a fim de propiciar a realização do beizi comum. norinas de eficácia limitada.zdência italiana.. o art. diremos Que os dois tipos se distinguem por seus fins e conteúdos. 13. mas só nisso se assemelham. com o quê. enquanto as outras o são. As de princípio institutivo têm conteúdo organizativo e regulativo de órgãos e entidades. e as poucas soluç<*-*>es propostas não satisfazem as exigências científicas. dotadas de comandos jurídicos de aplicação direta. E da natureza destas. VORMAS CONSTI7UCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA 125 ria. Há disposiç•es que ficam ininteligíveis se não se tiverem em mente outras normas constitucionais. especificainente.ç<*-*>es operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional". É preciso atentar para o fato de que isso não significa que uma lei pode estabelecer o limite da pensão abaixo da totalidade dos vencimentos. Quer dizer: a totalidade dos vencimentos está contida nos limites máximos previstos no inciso XI do art. até o limite estabelecido em lei. destituídas de preceito concreto. 192. porque requerem outras normas jurídicas integrativas. pois. e as programáticas seriain áiretivns. O benefício da pensão se contém no mesmo limite. respectivas atribuiç<*-*>es e relaç<*-*>es.

da Constituição. os critérios. precisamente. das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar" (art. § 4g). ou esse efeito elas só adquirem com a lei integrativa? Que ünportância construtiva têm elas na ordem jurídica ulterior? Uma lei ordinária ou compleinentar posterior que as contrarie será inconstitucional ? .quer ver atendido. por raz<*-*>es várias. essas normas deixam menor ou maior campo à atuação discricionária do legislador ordinário. inas. entidades ou institutos. pois. quando inais não seja. Problema doutrinário sério acha-se. abre-se. na configuração dessa eficácia. As nonnas constitucionais de princípio institutivo. Confornie já observamos. são de eficácinjuridica limitada. 69). I . Eis al as indagaç<*-*>es fundamentais que teremos de responder.Impositivns são as que determinam ao legislador. em termos peremptórios. mas sempre há um inínimo que um poder mais elevado . também.o constituinte . O legislador constituinte reconhece a conveniência de disciplinar certa matéria relativamente à organização de instituiç<*-*>es constitucionais. uma possibilidade para o órgão legislativo atuar de certa forina. como estas: a) a ocupação e utilização das faixas de fronteiras serão reguladas em lei (art. que efeitos p . mediante lei. como as programáticas (temos dito sempre). 19. normas constitucionais de principio institutivo aquelas através das quais o legislador constituinte traça esquemas gerais de estruturação e atribuiç<*-*>es de órgãos. pelo Governo do Distrito Federal. Uma vez comece a vigorar a constituição. em vigor. São. por exemplo. Entram imediatamente. Leia-se. a legislação ordinária anterior conflitante. e será bom começannos com uma distinção dessas normas sob o aspecto da obrigatoriedade. uma lei cujo processo de fonnação tem características peculiares: maioria absoluta (art. "Leifederal disporá sobre a utilização. como começo) sobre o assunto. ou não.Eficácia 20. as condiç<**>es e as circunstâncias previstos na norma mesma. ao mesmo tempo. e até de pressão. 18. "A !ei disporá sobre a organização administrativa e judiciai-ia dos Territórios" (art. os requisitos. 20. VII . g roduzem desde lo o essas normas. as normas constitucionais de princípio institutivo podem ser impositivas oufacultativas. indicando uma possibilidnde (a criação e eventual transfonnação de Territórios) e uma nonna de atuação: essa criação há que ser feita inediante lei complementar. incumbindo ao legislador ordinário a complementação do que foi iniciado. Com efeito. ou isso só se verifica com a emissão da nonna ordinária ou complementar integrativa? Invalidain. segundo a forma. ao menos. para que o legismdor ordinário os estruture em definitivo. § 2Q. a emissão de uma legislação integrativa.tuição dessas entidades ou órgãos.18. 32. § 2<*-*>). aí se encontra uma norma dessas que representam insignificante vontade do constituinte. 33). limita-se a traçar esquemas gerais (princípios. 21. "a lei fixará o limite . isto é. o art.

5. § 2Q).). I). significa dar aos Estados e à União a faculda- . art.regular as limitaç<*-*>es constitucionais ao poder de tributar. 87. bros del Gobierno' (cf.. "A lei disporá sobre a criaçào. n. ?2.. 88). igualmente art. mediante lei complementar (..)" <012> 12S APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (art. limitain-se a dar ao legislador ordinário a possibilidade de instituir ou regular a situação nelas delineada. leur indemnité. 3Q comma: "La legge provvede all'ordinamento della Presidenza del Consiglio e determina il nuinero.. 111.. medinnte lei complementar (. I" (art. 121). le régime des inéligibilités et des incompatibilités". "A lei estadunl poderá criar.. "A Uniãopoderá instituir: (.. estruturação e atribuiç<*-*>es dos Ministérios" (art. em inatéria tributária. 91.Facultntivas ou permissivas.)" (art. "A lei regumrá a organização e o funcionamento do Conselho da República" (art. por exeinplo: a) na italiana. II . b) na francesa. 37. Vejam-se esses dois últimos casos. 195.116. aglomeraç<*-*>es urbanas e microrregi<*-*>es (. [os crimes) contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira" (art.103.105. "Cabe à lei complementar: I .. ou "a Uniãopoderá. parágrafo único). 154. isto é.)" (art. dos juízes de direito e das juntas eleitorais" (art. também arts.. art.) ". obedecido o disposto no art. encontramos tais normas bastante disseminadas em nossa Constituição. "A lei disciplinará a remoção ou a permuta de juízes dos Tribunais Regionais Federais e determinará sua jurisdição e sede" (art. instituir regi<*-*>es metropolitanas. § 5Q).124. § 3<*-*>).. Mas nas constituiç<*-*>es contemporâneas são encontradiças. 125. 3.109. parágrafo único). XI). 165.. 25: "Une loifixe la durée des pouvoirs dechaque assemblée.122. IIIestabelecer normas gerais em inatéria de legislação tributária. Dizer "os Estadospoderào. 25. também arts. e 163). n. les conditions d'éligibilité. mediante proposta do Tribunal de Justiça.máximo e a relação de valores entre a maior e a menor remuneração NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA dos servidores públicos (. c) na espanhola.) media. 90.)". II . "A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho" (art. 3.. não imp<*-*>em uma obrigação.)" (art. -`A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a inanutenção ou expansão da seguridade social. etc.tte lei complementar.. 113 e 128. especialmente sobre: (. le nombre de ses meinbres. cf.dispor sobre conflitos de competência. 4: "La ley regulará el estatuto e incompatibilidades de los iniein. n. le attribuzioni e 1'organizzazione dei ministeri". 3. n.)" (art. § 9Q. "Aos juízes federais compete processar e julgar: (. 107. Aliás. VI). também arts. art. § 3Q. 95... a Justiça Militar estadual (. segunda parte. 98. medinnte lei comple<*-*>nentar. 154. Assim. como são exemplos as seguintes: "Lei complementarpoderá autorizar os Estados a legislar sobre quest<*-*>es específicas das matérias relacionadas neste artigo" (art.. § 2ó. os Estados.) nos casos deter-minados por lei. 146. iinpostos não previstos no artigo anterior (.. § 4ó).. "Lei conlplementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais. "Os Estados poderão. entre a União. § 3<*-*>).117. o Distrito Federal e os Municípios.

como o direito de petição (que não surte qualquer efeito.63). se achar conveniente .A 129 Se o comando impositivo não for cumprido.<*-*>cional. as normasfacultativas apenas lhe atribuem poderes para disciplinar o assunto. demonstra que aquela obrigatoriedade é de pequena eficácia.. para ele. A propósito. NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMI?AD. a inconstitucionalidade por omissão. no caso). será dada ciência ao Poder coinpetente para a adoção das providências necessárias (. por falta de sanção específica.I' 23. 103 da Constituição de 1988. forma e condiç<*-*>es nela consignados. do que deflui. o mandado de injunção e a iniciativa popular. o princípio da discricionariedade do legislador continua intacto. Probleina que se ergue de imediato é o de saber qual o valor das normas constitucionais que imp<*-*>em ao legislador o dever de legislar na forma prevista. ad essi derivante dalla norma costüuzionale" (p. cit.de de dispor sobre as matérias indicadas. mas eles só podem fazê-lo por meio da lei mencionada. na fonna.). 4ó do Ato das Disposiç<*-*>es Transitórias da Constituição de São Paulo. 64). a advertência de Levi de que ninguém é legitimado para o exer- . assün ainda. pp.isto é.. visto que.. Em outras palavras: qual a natureza da obrigação constitucionalmente ünposta ao legislador no sentido de emitir normas integrativas? A observação. agora. coinplementar ou ordinária. não se pode constranger o legislador a legislar. que agora é sindicável e controlável jurídica e jurisdicionalmente. Mostra que no sistema italiano há outros meios para constranger o legislador. 16. pp. condiç<*-*>es e para os fins previstos. No sistema pátrio. coino já anotamos em outro livro. a regra constitucional é vinculante quanto aos limites. indicando ser possível regular a matéria -. ob. Algumas normas obrigatórias chegam.)". uma vez tomada a iniciativa. e é também o caso de várias disposiç<*-*>es transitórias e finais da Constituição italiana. Como se percebe desses exemplos. já que ele não está obrigado a legislar. como a petição. Crisafulli (ob. nos termos estabelecidos. 24.. no entanto. não têm sido usados convenientemente.. no elitanto. ao menos juridicamente. a iniciativa popular e a iniciativa dos Conselhos regionais (p.I6 15. Vezio Crisafulli. de 13 de maio de 1967. "declarada a inconstitucionalidade por oinissão de inedida para tornar efetiva norma constitucional. por força do § 2Q do art. porque. como foi exemplo o art. é o mesmo é que declarar: "Lei complementar estadual poderá instituir regi<*-*>es metropolitanas (. inesmo. mas. acha. discricionariedade completa quanto à iniciativa dessa regulamentação. que isso "non esclude la incostituzionalità in cui sono incorsi gli organi legislativi contrawenendo all'obligo di provvedere su una certa materia. dão-lhe mera faculdade. segundo o qual. "Lei complementar da União poderá instituir (. 62 e 63. também existem alguns desses meios. 63 e 64) reconhece a dificuldade do problema.)" 22.I<*-*> valendo. cit. Mas.. nem mesmo naqueles casos em que Ihe é prefixado prazo. cf.. que. a marcar data até a qual a lei reguladora deverá estar votada. a inera ciência ao Legislativo pode ser ineficaz.. as normas impositivas estatuem a obrigatoriedade de o legislador emitir uma lei. a omissão do legislador poderá constituir um comportamento inconstitucional. colhida na prática constj.

e isso tein ünportância prática. É conhecida a tese doutrinária segundo a qual uma lei dependente de regulainento nela indicado somente começa a vigorar a partir da emissão do regulamento. ninguém tein direito subjetivo à aprovação de qualquer lei. Os tribunais. salvo se esta expressamente dispuser em contrário.I9 Certamente que. Sua eficácia integral é que fica na dependência da lei integrativa. Nossa Lei de Introdução ao Código Civil não sufraga essa doutrina. De início pretendé <*-*>se que sein a proinulgação da lei referida a Adininistração não estava obrigada a expedir as certid<*-*>es solicitadas.. Einbora talvez não caiba mais a outra observação de Levi. nein tolhe a ocorrência de certos efeitos jurídicos.a expedição das certid<*-*>es requeridas para defesa de direito". Que dispunha: "A lei nssegurarri: (.1Q e 2<*-*> da Lei de Introdução ao Código Civil. sendo. inuitas das leis referidas ein suas nonnas de eficácia lünitadajá existein. poréin. no entanto. praticamente se eQuivalein as norinas constitucionais de princípio institutivo impositivas e facultativas. entenderain dispensável a lei para a aplicação do inciso constitucional. especialinente após o reconhecimento jurisdicional dessa inconstitucionalidade. pois. sanção específica. O Que se pode dizer é que a lei dependente de regulamento só é executória com a decretação daquele. são aplicáveis até onde possam. emitida esta (a preexistência a isso se equivale). Exemplo disso tivemos com o § 36. Essa assertiva tein seu fundamento no fato de que a discricionariedade do legislador diante das nonnas constitucionais de eficácia incoinpleta só se verifica quanto à iniciativa da lei integrativa. comete o eQuívoco de confundir vigência com eficácia. a obrigação de legislar. lembrada nas ediç<*-*>es anteriores desta inonografia. inciso III. o que não é comuin. não poderão mais ser revogadas pura e simplesmente. à obrigatoriedade de emissão de leis integrativas.) III . se terá uina atividade legislativa inconstitucional e sujeita ao controle jurisdicional. Essas consideraç<*-*>es já estão a indicar que sustentamos que as nonnas constitucionais de princípio institutivo entram em vigorjuntamente com a constituição. porque tais leis preexistentes. 25. Falta-lhe. A distinção não é acadêmica.isto é.. como revogação das leis anteriores contrárias ou na fonna consagrada nos arts. 141 da Constituição de 1946. a questão passa a ser jurí. tendo a Constituição reconhecido a inconstitucionalidade por omissão. A norma constitucional dependente de legislação também entra em vigor na data prevista na constituição. interferindo o legislador ordinário tão-só para aperfeiçoamento de sua aplicabilidade.dico-constitucional. contudo. como a nossa. ainda que detenninada no texto da constituição. tem natureza jurídica e moral. devendo notar-se que muitas delas são quase de eficácia plena. ao surgir uma constituição. Pois tais normas. com o quê sua revogação pura e simples abre uin vazio que não mais é permitido constitucionalmente. reco- . visto ter a lei aderido ao ditaine da lei maior. segundo a qual era forçoso concluir que "aqui se trata de uina obrigação de natureza política e nãojurídica". Entretanto. desde que entrain em vigor. aí. a nosso ver. inas isso não exclui a entrada ein vigor da lei na data prevista. Tem conseqüências práticas de relevo. facultado ao legislador modificar a lei. integrativas.cício de uma pretensão jurídica objetivando o adiinplemento de tal prestação por parte dos órgãos legislativoslg . desde que mantenha seus termos na conformidade do princípio ou esquema que Ihe ditou o constituinte. do art. Quanto. que. pois.

essa era uma regra plenamente eficaz. 14. porque a Constituição de 1988 recuperou a competência dos Estados. Veja-se. assegurando diretamente o direito de obter certid<*-*>es ein repartiç<*-*>es públicas para a defesa de direitos e esclarecünento de situaç<*-*>es de interesse pessoal (art. Seu exaine. tanto que a Adininistração o aplicou 'seinpre. mantido na de 1969. é imediatamente aplicável. institutiva. VI e VII). no entanto. "b"). Mas o art. § 2Q. mas não teve.153. só por si. Aí o limite da eficácia daquela noima constitucional: teve eficácia revogativa. nesse limite. SQ. Claro está Qüe essa disposição teve plena eficácia revogativa da legislação anterior. A Constituição de 1988 elüninou a exigência da lei. 15. nesse ponto. da Constituição do Brasil de 1967. restringindo-se. então. bem como as resoluç<*-*>es de Câmaras Municipais que. XXXIV. que autorizarain a reinuneração de todos os vereadores. A qilestão tinha voltado ao sistema anterior. da Constituição de 1969. § 2Q. alterando. 29. negativa. organizativa. ou não. e incidiu desde 15 de março de 1967. impossibilitados de criar novos Municípios com base nos reQuisitos previstos em suas leis. que passara para o art. fusão e desmembramento de Municípios. para estabelecer os reQuisitos para a criação. desde 15 de março de 1967. tornarain-se inválidas todas as nonnas de lei estadual que disciplinavam o assunto. é inuito útil. porQue mostra certas particularidades da eficácia e aplicabilidade de determinadas norinas constitucionais. 14 não regulava diretamente os requisitos para tal im. ele está superado pela superveniência de nonnas. competência Que ficou revogada com aquele art. Hoje.nhecendo-lhe plena eficácia. Outro caso interessante era o da disposição do art. incorporação. sem inaior relutância. deve ser analisada sob dois ângulos: a) ao dizer que somente teriam remuneração os vereadores das Capitais e Municípios indicados. 16. § 35. data da entrada ein vigor da Constituição de 1967. O mesmo aconteceu com disposição idêntica da Constituição de 1969 consubstanciada no art. Ali se dizia que a lei complementar estabeleceria os requisitos mínimos de população e renda pública e a forma de consulta prévia às populaç<*-*>es locais para a criação de novos Municípios. O referido dispositivo dizia o seguinte: "Soinente terão reinuneração os vereadores das Capitais e dos Municípios de população superior a cem mil habitantes. fcando os Estados. Regra como essa. o art. Há hipóteses em que o inté<*-*>rete tem Que recorrer a situaç<**>es pretéritas para decidir até que ponto a norma dependente de legislação possui eficácia e. de lei complementar. Esses requisitos para a criação de Municípios eram fixados em leis estaduais. situaç<*-*>es anteriores. eficácia construtiva. dentro dos limites e critérios fxados em lei compleinentar". inclusive da Constituição vigente (art. conferiam subsídios a seus vereadores que não os das Capitais e dos Municípios com popu<012> 1 i ? APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS . do ponto de vista da eficácia e aplicabilidade. mas a Emenda Constitucional 15/97 voltou a exigir que a lei estadual que cuidar da criação e transformação de Município só o faça "dentro de período detenninado por lei complementar federal". exprimia uma proibição de reinunerar outros vereadores. 26. de imediato. 14 da Constituição do Brasil de 1967. então. assim. para sua atuação positiva. apenas a traçar esquemas dependentes. por lei complementar estadual. por exemplo.

até que a lei complementar lhe desse nova configuração.167. b) se traçam esquemas novos. pois que.165 e as regras dos arts. 2) nas hipóteses em que os vereadores não eram remunerados anteriormente. Daí já podemos fxar uma primeira orientação sobre a eficácia dessas normas constitucionais: a) se são confirmativas de situação jurídica preexistente. NORDl. em espécie. diz que cabe à lei complementar "dispor sobre o exercício financeiro. Assim. que admitiu.16. que somente postulam lei integrativa para aspectos secundários. não aplicável. 166. até que a Iei integrativa lhe imponha a alteração prevista. Evolui mais ainda na Constituição de 1988. a remuneração de todos os vereadores.4S COVSTITUCIOVAIS DE EFICÁCIA LIMITADA 13 3 28. e a nova situação somente poderá começar a ser formada com a promulgação da lei integrativa. outorgara um direito cuja eficácia. e estes. problemas mais delicados. setenta e cinco por cento daquela estabelecida. 27. sem a lei complementar. que regulou. como aqueles geI-ados pelas normas constitucionais de eficácia limitada. 28 do Ato Institucional 2. por exemplo. em tal caso. a elaboração e a organização do plano plurianual. A questão evoluiujá na Constituição de 1969. e. o assunto: "a remuneração dos vereadores corresponderá a. Existem. os prazos. atribuindo remuneração a tais vereadores. por dois motivos: 1) para os vereadores que já percebiam remuneração. esta permanece reconhecida. aquela regra constitucional foi simplesmente confirmativa. c) se traçam esquema contrário a situaç<*-*>es preexistentes. também invalidam as normas agasalhadoras dessas situaç<*-*>es. 29. o art. poderiam sê-lo com base no inciso constitucional em questão. da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual". § 2<*-*>). se não existisse. para deputados estaduais (.'o mas. infringiria aquela do art. para eles. através do estabelecimento de novos limites e critérios. a vigência. de sorte que qualquer norma que fosse criada. pois estes decorrem de outras normas e princípios constitucionais plenamente eficazes. revogam normas jurídicas preexistentes. devendo perdurar. 168 e 169. a situação jurídica básica preexistente teve sua continuidade reconhecida. então. 27. em espécie (art. porém. § 9Q. por si. não era de grande realce. b) ao dizer que somente os vereadores das Capitais e dos Municípios de população superior a cem mil habitantes teriam remuneração dentro dos limites e critérios fixados em lei complementar. Quer dizer: a norma constitucional dependia dos limites e critérios que a lei complementar haveria de estabelecer. nem por isso deixaria de haver exercício financeiro e orçamentos pílblicos. conforme o art. I. mediante norma de eficácia limitada.)" (art.. como era. no caso.. a nonna não tinha aplicabilidade imediata e direta. bastando lembrar o caput do art. e a situação nova só será validamente configurada com a promulgação da lei integrativa. ela criou sitllação nova que só poderia serjuridicamente configurada dentro dos limites e critérios previstos na lei complementar. instituidoras de situaçóes contrárias ao princípio nelas consubstanciado. como era.165. que obrigam a vota- . no máximo. § 2<*-*>.lação superior a cem mil habitantes. por seu lado. têm remuneraçãó correspondente a setenta e cinco por cento da que os deputados federais recebem. VI). A lei já <*-*>existe. mas. em relação à situação preexistente. nos limites e segundo critérios estabelecidos em lei complementar. fixada pelas respectivas Câmaras Municipais para a legislatura seguinte.

aquele dispositivo não precisaria existir. 165 visou. nesse caso.64. por conseguinte. o legislador estadual foi autorizado a criar a Justiça Militar nos tennos do art. Assün . nem mesmo a traçar um esquema que devesse ser preenchido pela lei nele mencionada. pois a matéria esquematizada lá já é conteúdo de outras normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata.ção de plano plurianual. sequer cabe declaração de inconstitucionalidade por oinissão. de 17. salvo a existência de outra norma constitucional. vinculado ao texto constitucional se resolver disciplinar os interesses ou instituiç<*-*>es consignados à sua discrição. ficariam praticamente inertes. pois. 125. Que permanece inerte até a sua superveniência. Até aqui temos nos preocupado coin a análise das norinas impositivas. com suas atribuiç<*-*>es e competências. que não se promulgasse a lei complementar prevista no art. em regra. a permitir que lei federal dispusesse sobre a matéria com validade para todas as entidades públicas. esta desaparecerá sob a eficácia das nonnas que esQuematizarain a situação nova. 29. Vale. se o legislador não se utilizar da faculdade que lhe é outorgada. Fica.3. a não-ex ヘ stência de uma lei integrativa de determinada regra constitucional importa a limitação de quase todo um conjunto de disposiç<*-*>es. dizer que. Alguinas palavras devem ser ditas sobre as quefncultrtm ao legislador emitir lei sobre deterininado assunto. O legislador tem apenas uma faculdade. pois sua ratio essendi já se encontra no art. não é puramente acadêmica. Em certos casos. até porque.320. organizar ou instituir situaç<*-*>es diferenteinente das previstas em outras normas ou princípios constitucionais. não podendo sequer ser censurado moral ou politicamente se não a toinar. Sabemos que as normas constitucionais acima referidas já encontraram vigentes as leis nelás mencionadas. 31. além de outras. do art. 111 e no art. Rigorosamente. § 3<*-*>. a cujos princípios estão subordinados os Estados e os Municípios.só para dar uin exemplo ligeiro -. tão-somente. Suponha-se. Tais nonnaspermissivns. I. há que respeitar. prevalecerão as situaç<*-*>es instituídas nas normas ou princípios excepcionados. porém. mas deixa à lei ordinária a regulamentação de aspectos de seu funcionamento. 30.1 e II. Mostra isso que aquele dispositivo do § 9<*-*>. Quanto à iniciativa da lei. e serve para nos pouparmos do exame fastidioso e empírico de caso por caso. porque esclarece aspectos interessantes da eficácia das normas constitucionais dependentes de legislação. Mas a discussão do assunto. 113 da Constituição. recebidas sucessivamente pelas Constituiç<*-*>es de 1967. No entanto. com possibilitar-nos mais uma conclusão: quando um conjunto de normas constitucionais prevê a instituição de um órgão. de leis de diretrizes orçamentárias e dos orçamentos anuais para a União. que servem de embasamento à Lei 4. 24. juízes de direito e das juntas eleitorais. a exigência de . que dá competência à União para legislar sobre normas gerais de direito financeiro e orçamento. aqui. inantendo a situação pretérita (sendo o caso). exatamente regulando normas idênticas da Constituição de 1946. Se entender conva<**>iente IIsar dessa faculdade. por exemplo. tem discricionariedade coinpleta. Semelhantemente ocorreria a propósito do disposto no § 3ó do art. praticamente essa lei interfere coin todo o conjunto. a respeito do funcionamento da Justiça do Trabalho. Não chega.1969 e agora também pela vigente. abrein a possibilidade de regular. 121 da Constituição sobre a organização e a competência dos tribunais. Não só os ditames desse artigo. mas todas as prescriç<*-*>es constitucionais pertinentes aos procedimentos eleitorais.

como nota Duclos. com a finalidade de proteger o indivíduo contra a usurpação e os abusos do Estado. 34. dadas as circunstâncias de sua incidência. Esta. Pelo que deixamos exposto. independentemente da lei prevista. ainda que revele sünples esquema. porQuanto. afastar uina possível confusão que esse fenômeno pode gerar: a lei é mero instrumento subordinado. Que não é a única entidade que imp<*-*>e relaç<*-*>es coati- .sso entre o liberalismo capitalista e o intervencionismo. o que prova que são dotadas de imperatividade. seguem a orientação que terininamos de inencionar.p><*-*>évin proposta do Tr-ibunnl de Justiçn. NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA 13S 33. inclusive em relação a normas da constituição preexistente (tema que será desenvolvido noutro capítulo. cujo objetivo "é a liberação do indivíduo das coaç<*-*>es autoritárias. As constituiç<*-*>es contemporâneas constituem documentos jurídicos de compronii. consagrando uma declaração dos direitos do hoinem. contudo.NORMAS CONSTITUCION<*-*>4lS DE PRIr VCÍPlO PROGRAMÁTICO IX . Finalmente. sua participação no estabelecünento da regra. pois limitam a ação do titular da permissão. obrigam detenninado comportainento.'<*-*> e. de modo específico). mediante lei. desse inodo. estará obrigado a observar". Em regra. mas não destituídas de eficácia. vale como instrumento de sua executoriedade. Mas sua completa aplicabilidade depende da proinulgação de lei integrativa. O Estado Liberal firmou a restrição dos fins estatais. cabe breve consideração sobre as condiç<*-*>es gerais de aplicabilidade das normas constitucionais de princípio institutivo. o que se percebe pela confguração de elementos autônoinos que contenham. As normas constitucionais em tela são de aplicabilidade imediata no que tange à legislação anterior. SEçno III . Convéin. VIII. configurou uma deinocracia política.Conceito 35. sila lei será inconstitucional. ein todos os doinínios. bem como em relação à legislação futura.<*-*>3 E "a experiência histórica [conforme acentua Pelayo] acabou demonstralido que o Estado não é o único que oprime o desenvolvünento da personalidade. podemos asseverar que elas são aplicáveis." Mas "o Estado liberal permaneceu indiferente ao uso que seria feito das liberdades e aos resultados Que daí se seguissem: efeito da crença otünista na harmonia dos interesses" . coino estatuto negntivo. Que a elas tein que se conformar. no caso. a norma constitucional. enquanto possain. as normas que facu?tam ao legislador regular determinado assunto.Condições gerais de aplicabilidade 32. Se não cuinprir tais exigências. Que. continua a ter sua característica básica de regra jurídica dotada de supremacia hierárquica. São permissivas.

Que pretende. ao contrário.vas de convivência. sup<*-*>e a ampliação de sua atividade e a intervenção na vida econômico-social que permanecia à sua margein. Muitas normas são traduzidas no texto supreino apenas em pr-incipio. o que sup<*-*>e a passagem para uina econoinia planificada. coin seus princípios de direitos econômicos e sociais. como esquemas genéricos. em luta com os princípios liberais. que o conceito apresentado. São estas que constituem as normas constitucionais deprincipioprogrnmático. especialmente. ela. a situaç<*-*>es e poderes extraestatais". o conceito de democracia se transforma. coinportando uin conjunto de disposiç<*-*>es concernentes tanto aos direitos dos trabalhadores como à estrutura da econoinia e ao estatuto dos cidadãos.'s Vem daí o conceito de constituiçn`o-dirige>zte. O Estado evolui. Que estudaremos nesta seção. por exemplo. 37. cotnprometendo sua eficácia e aplicabilidade ünediata.'6 36. que estudou as normas programáticas em sucessivos . o enunciado de suas normas assumiu. ein sua realização. constituinte ou não.'4 como os raciais.3o Este acréscüno fnal é de suina iinportância para coinpreender a posição do autor. eclesiásticos e. o que. pelas Quais se hão de orientar os Poderes Públicos.'<*-*> O eonjunto desses princípios forma o chainado conteúdo social das constituiç<*-*>es. Crisafulli. foi ininuciosa e. sente-se nele a influência da doutrina das normns diretórias dos ainericanos ou das normns diretivas dos italianos. sup<*-*>e o domínio da educação por paite do Estado". grande imprecisão. Por isso. a participação na gestão das einpresas (deinocratização das empresas).'9 de que a Constituição de 1988 é exemplo destacado. de cujas press<*-*>es interessa libertar-se. que são coino programas dados à sua função". "enquanto estende seus inétodos e critérios a esferas situadas inicialmente à inargem do Estado: à econoinia. coin seu conceito de democracia política. no seu compromisso com as conquistas liberais e com um plano de evolução política de conteúdo social. em vez de editar regrajurídica de aplicação concreta. cuja procedência já refutainos. que pretende que a representação popular fiscalize a vida econôinica do país. Para Pontes de rdiranda: "Regras jurídicas programáticas são aquelas em que o legislador. se há que ser inais Que uina mera declaração. não raro.'<*-*> Esse "processo de democratização sucessiva. A legislação. à educação etc. qualificando-se democracia social.. não revela. o que. simples programas a serein desenvolvidos ulterionnente pela atividade dos legisladores ordinários. por requerer providências ulteriores para incidir concretamente. com a subseqüente diminuição da esfera individual diante do Estado que postula a democracia na educação. naturalmente. a execuçào e a própria Justiça ficam sujeitas a esses ditaines. Sua problemática coineça com as dificuldades em se lhes dar um conceito preciso. acentua-se cada vez mais". Esse einbate entre o liberalisino. os poderes econômicos. como antes o pretendeu no Estado. apenas traçalinhas diretoras. ein si. muitas vezes. e que as mesmas liberdades liberais estão condicionadas. e o intervencionisino ou o socialismo repercute nos textos das constituiç<*-*>es contemporâneas. e apresenta-se justamente coino meio apropriado para realizar a libertação dessas press<*-*>es. enquanto define fins e prograinas de ação futura no sentido de uma orientação social deinocrática.

aquilo que não poderão fazer) relativamente aos assuntos determinados". tomada. ao prescreverem ofim a atingir indicam. outrossim. o que importa definir o sentido geral da ordem .3s Outra é q<*-*>.3<*-*> Vincula as nonnas programáticas à disciplina das relaç<*-*>es econômicosociais e ético-sociais. a expressão direitos sociais num sentido abrangente também dos econômicos e culturais. A relevância hodiema do estudo da eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais manifesta-se mais acentuadamente na sua consideração em relação às chamadas normas programáticas. precisamente coino uin programa que a eles incuinbe a obrigação de realizar nos modos e nas fonnas das respectivas atividades". como se jurídicas e imperativas não fossem. determinadas situaç<*-*>es e relaç<*-*>es (a que se referem). de direção política e administrativos. destacam essa relevância. inais ein geral. pelo qiIal a República italiana éfi<nd<*-*>ida sobre o trnb<*-*>dho". determinados interesses. 1<*-*>'. em vez de regular. foi. ein coerência coin a definição do art.Localização das normas programáticas 39. pois. pois. o âmbito da discricionariedade legislativa. elas constituíain um verdadeiro prograina de ação (e. em vez de regular diretn e imedintamente. legislativos. Uma é que ainda se ouve em relação à Constituição de 1988 que ela está repleta de normas de intenção. b) normas programáticas que. inicialmente. jurisdicionais e administrativos). os meios aptos a isso. com base na Constituição italiana. e reservando espaço para esclarecimentos e especificaç<*-*>es ulteriores.3' Prograináticas .ze tais normas haduzem os elementos sócio-ideológicos da constituição.36 38. por sua vez. ou seja. segundo princípios deinocraticamente avançados e realistas. isto é. a incidir sobre ditas matérias. Três raz<*-*>es. que prescrevem aos órgãos estatais certo fim Inais ou menos específico a alcançar. regulam comportamentos públicos destinados. lim:tando.são "aquelas norinas constitucionais coin as Quais um prograina de ação é assumido pelo Estado e assinalado aos seus órgãos. e. como programas das respectivns atividndes. do Estado ein sentido amplo.'4 Distingue ele as nonnas programáticas em dois grupos: a) normas programáticas de simples escopo. Para ele. aqui." Finalmente: "Normas que. estabelecem aquilo que os governantes deverão ou poderão fazer (e. limitou-se a traçar-lhes osprincipiospara serem cumpr-idos pelos seus órgr'cos (legislativos. paulatinainente.'<*-*> X . executivos. decantando-Ihes o conceito. cabendo aos próprios órgãos a liberdade de adotar os meios que julgarem mais idôneos nesse sentido. da ordenação da sociedade estatal. talvez de maior importância. antes de tudo. inversamente.define etn outro lugar . Aceitando as linhas fundamentais dessa doutrina. Uma terceira razão. visando r<*-*> realização dosfins sociais do Estado.<*-*>1 ensaios. podemos conceber como programáticns aquelas normns constitucionais através das quais o constituinte. onde se acham os direitos sociais. desde o primeiro momento de modo direto e imediato. ao menos em linhns gernis. de legislação): "uin programa tendo coino objeto principal a disciplina das relaç<*-*>es sociais. é que indicam os fins e objetivos do Estado. pelo menos.

entre as de eficácia limitada. na justa observação de Canotillto. Vale a pena expender algumas reflex<*-*>es que esclareçam outros aspectos dessa nova visão Que se vai tendo dessas normas.4o Sua eflcácia não depende da intermediação do legislador.4i Esse fenômeno de subjetivação e de positivação começa a concretizar-se também em relação aos direitos econômicos. contra a doutrina corrente. que aqui reafirmamos.39 Essa é a linha que as constituiç<*-*>es e a doutrina (alemã especialmente. assim. observamos que elas imp<*-*>em certos limites à autonomia de determinados sujeitos. pois a ordem econôinica e social adquire dimensão juríd<*-*>ica a partir do momento em que as constituiç<*-*>es passaram a disciplma-las sisteinaticamente. no "curso do século XIX. 40. sociais e culturais. [como denota Biscaretti di Ruffia] a enunciação desses direitos sofreu dupla transformação: passou para o texto das Constituiç<*-*>es. a intervenção do legislador ordinário (ou seja. Elas se localizam. Sobretudo. que pretendia que cada direito individual fosse organizado. sustentamos. concepção que as entende. de imediata nplicnbilidnde. Pois as normas constitucionais que enunciain os direitos individuais são de aplicabilidade imediata e direta. o caráter concreto de normasjuridicas positivas. até então abstratas. não raro. na nossa afirmativa de sua eficácia limitada e de sua aplicabilidade dependente de emissão de uma normatividade futura. e não como autênticas nonnas jurídicas imediatamente preceptivas e directamente aplicáveis pelos tribunais ou quaisquer outras autoridades". com reflexo em Portugal) vêm tentando superar. É que há muito está superada a chamada "regulamentação da liberdade". a idéia de que não sejam autêntico direito ntL<*-*>al. válidas para os indivíduos dos respectivos Estados (dita subjetivação). privados ou públicos. imprimindo às suas fórmulas. XI .jurídica. desde que. e ditam comportamentos públicos em razão dos interesses a serem regulados. foi certamente um passo avançado na compreensão das disposiç<*-*>es constitucionais programáticas. Nos nossos estudos sobre as normas programáticas sempre as entendemos vinculadas à disciplina das relaç<*-*>es econômico-sociais. isto é. a tal propósito. que as condiç<*-*>es e os limites de sua aplicabilidade fossem determinados por uma lei orgânica. como vimos. Essa doutrina. seu caráter imperativo e seu caráter vinculativo. Contudo. dirigidas ao legislador. Pois a afirmação. talvez ela ainda se ressentisse de certa dubiedade no que tange à aplicabilidade dessas disposiç<*-*>es. do caráterjurídico e positivo dessas nonnas não basta para que surtam os efeitos que seu conteúdo geralmente requer. sua positivação)".Normas programáticas e direitos sociais 41. como elementos sócio-ideo?ógicos que revelam o caráter de compromisso das constituiç<*-*>es contemporâneas entre o Es- . mesmo peremptória. Restou. Nas ediç<*-*>es anteriores desta monografia firmamos a tese da eficácia jurídica das nonnas programáticas. "como linhas programáticas. e. e. integrouse também de outras nonnas destinadas a atuar uma completa e ponnenorizada regulamentação jurídico-constitucional de seus pontos mais delicados. procuramos realçar seu importante papel na ordem jurídica e no regime político do País. de modo a não requerer ulteriormente.

170 e 193 da Constituição de 1988 prescrevem para as ordens econômica e social. pp. É que ela só se concretizará mediante eqiiitativa distribuição da riqueza nacional. 695 e 696.. espiritual e política. 42. como instnzmentos de tutela dos menos favorecidos. 41.43 tendente a instaurar um regime de democracia substancial. <*-*> ed. Esta é o fm que os arts. J. a redução das desigualdades i<*-*>egio>Ic<*-*>is e pessoais e a busca do pleno emprego . como é o nosso caso. Tudo depende da aplicação das normas constitucionais que contêm essas determinantes. como bem assinala Natoli. ao determinarem a realização de fms sociais. o Estado Social intervencionista e. Ora. Cf. A Constituição de 1988 é mais incisiva no conceber a ordem econômica sujeita aos ditames da justiça social para o fin i de assegurar a todos existência digna. NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA 14 I mental transformar-se em programa nor<*-*>mativo do Estado e da sociedade. Mais concretamente: como pode (se é que pode) uma constituição servir de fundamento normativo para o alargamento das tarefas estaduais e para a incorporação de fins econômico-sociais. buscando atribuir fins ao Estado. mais recentemente. ainda concebidas como programáticas. As normas programáticas são de grande importância.Normas programáticas efins da ordem ecor:ômica e social 43. a defesa do meio ambiente. a fIm de possibilitar sua concretização prática. por outro lado. Cf. Cogita-se de responder à seguinte questão. Essa característica teleológica lhes confere relevância e função de princípios gerais de toda a ordem jurídica. porque procuram dizer para oilde e como se vai. esvaziado pelo liberalismo econômico. pois um regime de justiça social será aquele em que cada um deve poder dispor dos meios materiais de viver confortavelmente segundo as exigências de sua natureza fisica.0 problema que se coloca agudamente na doutrina recente consiste em buscar Inecanismos constitucionais e fundamentos teóricos para superar o caráter abstrato e incompleto das norinas defnidoras de direitos sociais. Direito coristituciorial. como dissemos. Diritto costituzionale. posta pcr Canotilho: "ein que medida pode uina lei funda40. Traz. a promessa constitucional de realização da justiça social não se efetivara na prática. mecanisinos na ordem social voltados à sua efetivação. através da atuação de programas de intervenção na ordem econômica. com vistas a assegurar a todos existência digna. o reconhecimento dos direitos sociais. positivamente vinculantes das instâncias de regulação jurídica?"4' XII . não tem tido a eficácia necessária para reequilibrar a posição de inferioridade que lhes impede o efetivo exercício das liberdades garantidas. Preordena alguns princípios da ordem econômica .a defesn do consumidor.44 Um regime democrático de justiça social não aceita as profundas desigualdades. J. a pobreza e a miséria. pp. no sistema anterior. Não é fácil realizar ajustiça social num sistema em que predomina a concentração da riqueza. Dá à justiça social um conteúdo preciso.1993. Assim.que possibilitam a coinpreensão de que o capitalisino concebido há de humanizar-se (se é que isso seja possível).tado Liberal individualista. esses princípios . Gomes Canotilho. conforme os ditames dajustiça social. o Estado Democrático de Direito.185 e ss.

"são [como observain Canotilho e Vital Moreira) "núcleos de condensaç<*-*>es" nos quais confluem valores e bens constitucionais". conhecimento e aplicação do direito positivo". As normns são preceitos que tutelam situaç<*-*>es subjetivás de vantagein ou de vínculo.46 47. Gomes Canotilho. atualinente. XIII . NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA I43 fundnmentais. de certo inodo. o que completa.4<*-*> Recusa a idéia de que os principios juridicos fundamentnis se reduzam a simples principios gerais de Direito ou regras juridicns gerais ou se inscrevam numa ordem jurídica suprapositiva (jusnaturalismo). refere-se "a principiosfundamentais historicamente objetivndos e progressivamente introduzidos na consciênciajuridicn geral e que encontram uma recepção expressn ou implicita no texto constitucional. 46. agora eIn correlação com as norinas programáticas. Não é que seja destituída de valor jurídico e de eficácia a detenninante constitucional de Que as ordens econôinica e social objetivein realizar a justiça social. vinculain pessoal ou entidades à obrigação de submeter-se às exigências de realizar uma prestação. a fim de que seja tido em conta na aplicação das nonnas definidoras dos direitos sociais do hoinein. por outro lado. J. Entende-os como direito positivo e fonte de Direito. O tema mereceu consideraç<*-*>es esclarecedoras de Canotilho. Esta é uina deterininante essencial que imp<*-*>e e obriga que todas as demais regras da constituição econôtnica sejam entendidas e operadas ein função dela. os principios politicos constitucionnlmente conformadores são os que explicitnm ns vnloraç<*-*>es politicnsfi<ndamen- . quando fala em princípios jurídicos fundamentais como fonte de direito constitucional. a coineçar pela distinção entre normas e principios. Os principios são ordenaç<*-*>es que se irradiam e ünantam os sistemas de norinas. 46.Disposiç<*-*>es programáticas e principios constitucionais 45. Constituição da República Portuguesn anotndn. III. v 1Q/41 e 42. p. b) os principios politicos constitucionalmente conformadores. reconhecem. Não se confundem disposiç<*-*>es programáticas e principios constitucionais. le<*-*><*-*>ando ein conta. E mais releva essa importância quando se lembra que parte da doutrina reconhece que ajustiçc<*-*> social se erige em fator de legitünação constitucional. 44.4s Por outro lado. Mas. Constituição dirigente. Voltainos. J. à questão dos princípios constitucionais. Refere-se ele a dois tipos de princípios: a) os principios juridicos 45. Cf. a matéria tratada no n. Pertencem à ordem jurídica positiva e constituem uin importante fundainento para a interpretação. como prometemos. por uin lado. 24. aQui.4<*-*> A questão. as liç<*-*>es de Canotilho e Vital Moreira. Cf. consiste mais em compreender a natureza desse valorfim das ordens econôinica e social. supra. a pessoas ou entidades a faculdade de realizar certos interesses por ato próprio ou exigindo ação ou abstenção de outrein e.e esses mecanismos. ação ou abstenção ein favor de outrem. nesta oportunidade. ou seja.

193. ibidem. As primeiras dependem da atividade do legislador e estão vinculadas ao princípio da legalidade.propriedade privada. existem as normas definidoras de direitos econômicos e sociais específicos. pp. ibidem.são da inesma natureza.191. ele inclui as disposiç<*-*>es caracterizadoras da organização econômica e social. Suas efiçácia e aplicabilidade dependem inuito de seu enunciado e de sua conexão com outras normas. defesa do meio ainbiente. 49. Informadas por esses princípios. ibidem.'I Assim. que se imp<*-*>e ao aplicador da Constituição. pp. a fim de distinguir as disposiç<*-*>es programáticas e os princípios políticos constitucionais conformadores das ordens econômica e social.<*-*>o 48. 48. que penneia todos os direitos econômicos e sociais.1<*-*> ed. uinas mencionam uina legislação futura. função social da propriedade. toda a ordenação constitucional. p..192 e 193. mas apenas no sentido de que definem as bases dos fins e tarefas estatais e enquanto p<*-*>em os objetivos e detenninaç<*-*>es do programa a ser cumprido pelo Estado... Idem.. pp. os principios politicos constitucionalmente conformadores são normas gerais que a própria constituição ou o legislador desdobram em normas mais precisas e individualizadoras. Canotilho. Mais adiante examinareinos a repercussão que tein o § 1<*-*> do . as outras ora são referidas aos Poderes Públicos ou aos agentes da ordem econômica e social ein geral. nem lhes têin dado aplicação adequada. quer no momento de sua aplicação".180 e ss. Finaliza observando que. p. Os demais princípios infonnadores da ordein econômica . 50.tais do legislador constituinte. Direito constitucional. Cf. lá ed. Esses princípios são programáticos. busca do pleno einprego .1<*-*> ed. mais uma vez.189 e 190. 1983. No entanto.1993.. hão de reputar-se plenainente eficazes e diretamente aplicáveis. Idem. livre concorrência. nos quais se condensam as opç<*-*>es políticas fundamentais e se reflete a ideologia inspiradora da constituição. É de extrema importância ter ein mente essas consideraç<*-*>es. p.194. redução das desigualdades regionais e sociais. Cf. também. Idem. I<*-*> ed. Delas. 47. a fün de assegurar a todos existência digna.. 51. 49. porque nela se traduz um princípio político constitucionalmente confonnador. embora nem a doutrina nein a jurisprudência tenham percebido o seu alcance. Apenas esses princípios preordenain-se e hão que hannonizar-se em vista do principio-fim que é a realização da justiça social. Constituição dirigente.49 Entre elas. Constituem Direito imediatamente vigente e são diretamente aplicáveis. tal "como acontece em relação aos princípios jurídicos fundamentais. Houve inovaç<*-*>es nas cdiç<*-*>es posteriores: c<028> 6á ed. <012> 144 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS a determinação eonstitucional segundo a qual as ordens econ6mica e social têm por fim realizar a justiça social constitui uma nor-ma-fim. outras não indicam. mas não só eles como. e 346 e ss. Nesse sentido. todos os órgãos do poder devem considerá-los como principios recton=s e operantes quer no momento da criação do Direito. coino principios-condição da justiça social. defesa do consumidor. coino eles exprimem as concepç<*-*>es políticas fundamentais do poder constituinte.

longe de serein ineros convites para legislar. diz ele] contra as oiniss<*-*>es inconstitucionais do legislador. nossa Constituição fundainenta até mesmo a invocação judicial contra as oinissôes inconstitucionais do legislador. fundainentando poderes jurídicos subjectivos. como temos dito. revelam um compromisso . pelo texto do § 1Q do art. é que se pode falar de direitos subjectivos ". Significa isso repelir a tese dos direitos econômicos. judicialmente accionável". A força imediatamente vinculante que hoje se atribui a ttma parte dos di>eitosfundamentais (os direitos. 5<*-*> da Constituição sobre a aplicabilidade dos direitos sociais considerados direitos fundainentais. sobretudo legislativos. Por isso. existem para além da lei por virtude da constituição. sustenta que "a força dirigente dos direitos fundamentais justifica que se ultrapasse a degradação dos direitos sociais. Essas normas. o objecto clássico da pretensão jurídica fundada num direito subjetivo: de uma pretensão de omissão dos Poderes Públicos (direito a exigir que o Estado se abstenlla de interferir nos direitos. quando.<*-*>4 51. rzo que r-espeita aos direitos a prestaç<*-*>es.No<*-*><*-*>mas programáticas no sistema constitacional brasileiro 52. SQ e pelo mandado de injunção. 50. Por ora.'' "A sua disciplina [acrescenta) é obrigatória e as directivas por elas definidas.art. tese que assenta fundainentadainente na concepção de que tais diretivas "não alicerçam qualquer pretensão subjectiva. "os direitos subjectivos a prestaç<*-*>es. sociais e culturais) inverte. pois só "quando o legislador concretiza essas diretivas. sociais e culturais coino simples direitos legais. podendo ser invocados [embora não judicialmente. desde logo. o autor pôde dizer com tranqüilidade que "a forçn dirigente e determinante dos direitos a prestaç<*-*>es (econômicos. liberdades e garantias e os direitos de natureza análoga) pode e deve ser interpretada. A lição do citado autor é rica de conseqizências no aspecto considerado. logo. econômicos e culturais (na parte em que se implicam direitos a prestaç<*-*>es estaduais) ein "simples direitos legais". no seiztido defuridamentar originariamente esses direitos. liberdades e garantias) transita-se para uma proibição de omissão (direito a exigir que o Estado intervenha activamente no sentido de assegurar prestaç<*-*>es aos cidadãos)".<*-*>' Só temos Que observar Que. XIV . pois que são direitos originários a prestaç<*-*>es fun<*-*>ados na constituição e não direitos a prestaç<*-*>es derivados da lei". que tainbém leinbra que daí não se pode concluir pela não-preceptividade de tais nonnas. refutando a tese. mesmo que não haja imposição constitucional dirigidn expressamente rto legislador".'3 não no âmbito da própria nonna constitucional programática. assumein o caráter de verdadeiras inlposiç<*-*>es constitucionais de actividade legiferante". basta dizer que quase todas aquelas normas pressup<*-*>ein ou até exigein a einanação de outr<**>atos. ao contrário do que afrina Canotilho. consoante nota Canotilho. "os direitos subjectivos só existem no âmbito da lei ordinária". [prossegue] inesmo quando não concretizados.

1946. aQuele. Merece ainda repetir o que já dissemos em outro passo: há normas progrnmáticas que mencionam uma legislaçãofutura para atuação positiva do programa previsto. afirma: "O espírito é o mesmo e a inocuidade das medidas sociais prometidas é idêntica. As Constituiç<*-*>es brasileiras de 1937. enquanto outras nào a indicam. con- . Visto isso. Fábio Lucas. excepcionalmente.Normas progr-amáticas vincltmdns ao princípio dn legalidade: a) "participação nos lucros. delas teinos exemplos em outros lugares. mas não inteira razão. não passam de meros aforismos. em luta aberta contra as injustiças do individualismo capitalista. no afá de reduzi-la a uma expressão formal do neoliberalismo. e. Que desfigura suas conQuistas sociais. Poder-se-ia dizer que as declaraç<*-*>es dos direitos fundamentais do homem. e há as Que postulam observância de toda a ordem sócio-econômica. nesse assunto. em três categorias: I . Que é uma aspiração do nosso tempo. porque não são meros aforismos ou simples aspiraç<*-*>es vagas. muitas vezes aparecendo de emaranhado com regras de eficácia plena ou com aquelas de princípios institutivos. postularam a realização dos valores jurídicos da segurança. podemos indicar. na verdade. como aquelas. como veremos. por via de emendas. desvinculada da remuneração. enquanto as declaraç<*-*>es constitucionais dos direitos econômicos e sociais pretendem a realização do valor-fim do Direito: ajustiça social. do século XVII. com boas raz<*-*>es. a Constituição de 1934. mas tão-só naqueles artigos sem força mandamental.<*-*>6 Boas raz<**>es. 55. 53. 1967 e 1969 seguiram. Com essas observaç<*-*>es. porQue vincula os programas das primeiras ao princípio da legalidade. diante das quais qualquer sujeito. revela-se. exemplificativamente. dissemos. comparando as Constituiç<*-*>es de 1946 e 1934 (e poderíamos incluir as de 1967 e 1969).entre as forças políticas liberais e tradicionais e as reivindicaç<*-*>es populares de justiça social. resguardando-se das idéias socializantes. ainda. segundo os sujeitos Inais diretamente vinculados. ficando dependentes da atividade do legislador e de sua discricionariedade . que age em sentido oposto ao princípio comporta-se inconstitucionalmente. que funcionam apenas como vaga aspiração e que. Nossas Constituiç<*-*>es não ficaram alheias a esse movimento. porque o comproinisso entre o liberalismo e o socialismo não resultou em muitas concess<*-*>es a este último. normas de princípio programático. notando-se que. mais progressista do que as anteriores. porque não deixam de ter influência na ordem jurídica e no condicionamento do regime político. meras frases de bom senso. desde 1934 sob a influência da Constituição de Weimar de 1919. e. vai retalhando-a. já é possível indicar as normas de princípio programático da Constituição de 1988. 54. do ponto de vista dos fns sociais do Estado. Contéin. pouco mais ou menos. A atual deu uIn largo passo no sentido da democracia social. nein sempre carecendo de lei para seu cumprimento. embora elas se concentrem nos Títulos VII e VIII. ainda assim. as normas programáticas da Constituição. contudo. da administração e dajurisdição (até onde possam). são-no apenas até certo ponto.ao passo que as demais vinculam todo o Poder Público -. Prometem-se mundos e fundos. e abre campo à discricionariedade da legislação. público ou privado. participação na gestão da empresa. mas inteiramente desprotegidas de providências legais que lhes dêem execução". A Constituição vigente.<*-*><*-*> Isso tem importância. quanto a seu conteúdo social. ou resultados. da ordem e da certeza.

XXVII). Cumpre apenas observar. etc. Estado protegerá as manifestaç<*-*>es das culturas populares (.deixam menos margem à conveniência e oportunidade do que aquela outra. a programaticidade da norma é clara. 7ó.'s pode-se afirmar que a norma deixou de ser programática. que. a lei é que tem que procurar a forma de proteção.. concretizando-se. d) "A lei reprimirá o abuso do poder econôinico que vise à dominação dos mercados. em parte pelo menos. enquanto a lei é que tein que criar programas específicos para proteger os trabalhadores em face da automação. "O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico (. que não se abre sequer legitimidade específica para uma possível impetração do mandado de injunção.Normas pr<*-*>ogramáticas referidas aos Poderes Públicos. essa matéria exige regulainentação legal (art. c) "proteção em face de autoinação.. mais adiante. desvinculada do salário. XI). quando a lei é criada. a lei até já existe. II . notando-se que umas vinculam só os Poderes da União. IX).desde que. p<*-*> estas encontram seu fundamento na própria nonna constitucional que as estabelece. a norma deixa de ser programática. realmente. a norma já aponta um beneficiário mais direto: os trabalhadores. por fim. aqui tambéin o beneficiário na norma é abstrato. o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social. 218.. e) "A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conheciinento de bens e valores culturais" (art.) desenvolvimento econômico e social" (art. Mas não é a lei que cria as situaç<*-*>es jurídicas subjetivas.forme definido em lei" (art. fonnação e aperfeiçoamento de seus recursos hurnanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurein ao einpregado. participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho" (art. nos termos da lei" (art. 2) "Coinpete à União desapropriar por interesse social.. mediante prévia e justa indenização em títulos da . não muda nada. NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA 149 para fins de reforma agrária. já que fica dificil estabelecer o direito subjetivo direto de alguém. XX). nesse caso. convém esclarecer que. à elüninação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros" (art. 216. IV). pois pode acontecer que a lei é igualmente tão abstrata que. 173.)". 2 I.. Também as entendemos como programáticas. § 4<*-*>). destinatários da proteção prometida. 7Q.)" .. nesses casos. o objeto do programa a ser fxado pela lei é tão genérico e abstrato. mediante incentivos específicos. 48.<*-*>9 b) "proteção do mercado de trabalho da mulher. no fundo. com as observaç<*-*>es que fizemos no texto. § 4Q). assiin como um mecanismo para sua aplicação (o CADE). aqui.I) à qual coinpete "elaborar e executar planos nacionais e regionais de (. como a lei já existe. porque a lei lhe deu concreção prática . enquanto outras incluein também os órgãos estaduais e municipais: a) à União . § 3<*-*>). a lei o tenha feito. 7Q. na forma da lei" (art. criação de tecnologia adequada ao País.<*-*> "A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa.

ocorre. 218. com a redação da Emenda Constitucional 14/96).. 211. e o programa aí previsto só vai saindo. mesma observação feita acima. vigilância. obrigaç<*-*>es administrativas de aparelhar-se para executar a norma. no mínimo. 217). programada na cabeça do art. ainda. tem especial proteção do Estado" (art. de fonna a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados. vale ainda consignar que os §§ 1Q a SQ exigem tantas norinas legais para sua aplicabilidade que acabam transformando a regra do cr<*-*>put do artigo ein dependente de um verdadeiro emaranhado de legislação. como direito de cada um (. III . ao Distrito Federal e aos Municípios" (art.)" (art. fundada na valorização do traba- . § 3<**>). a partir do segundo ano de sua emissão. com cláusula de preservação do valor real. e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional" (art. não se acham.6o 5) "O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico. 3) "A Lmião (. e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestaç<*-*>es culturais" (art.184). 6) "O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência. 7) "A família. a pesquisa e a capacitação tecnológicas" (art. e concederá aos que delas se ocupem meios e condiç<*-*>es especiais de trabalho" (art. 227. 218). tombainento e desapropriação. por pressão de movimentos sociais. que algumas dessas providências já constam de lei (Decreto-lei 25/37). a inesma observação feita acüna cabe aqui. o que confere eficácia e aplicabilidade à norma. § 1<*-*>). porque apontain para fns futuros e servein de pauta de valores para inovimentos que as queiram ver aplicadas e cumpridas. nesses dois exeinplos teinos uin peremptoriedade da norina. 215. mas aí é que está a relevância das norinas programáticas. que a faz iiifieri para a eficácia plena. promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro. base da sociedade. 2) "O Estado protegerá as manifestaç<**>es culturais populares. coino o MST. resgatáveis no prazo de até vinte anos. aí. e cuja utilização será definida em lei" (art..Normas programáticas dirigidas à ordem econômico-social em ger-nl: a) "A ordem econômica. a duras penas. até com inaior razão. apesar de um certo sentido de programa a realizar. na economia. função redistributiva e supletiva. indígenas e afro-brasileiras. dada a enumeração de providências que devem ser tomadas para aplicar a norma. e de outras formas de acautelainento e preservação" (art. 226). por meio de inventários.. 216.) exercerá. traduzidos. ao menos um interesse legítüno que ünplica. ein matéria educacional. 4) "É dever do Estado fomentar práticas desportivas <012> I J O APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS formais e não-forznais. 3) "O Poder Público. registros. assim também as disposiç<*-*>es do § 8Q desse mesmo artigo e do § 1Q do art. se não direitos subjetivos. talvez. e todos eles pretendem realizar o princípio da justiça social. normas de sentido teleoIógico. 215). § 1Q. b) aos Poderes Públicos em geral -1 ) "O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional. é de notar que os §§ 1<*-*> a SQ são especificaç<*-*>es do caput. aqui. 170 e seus incisos. a ponto de poder-se discutir se. § 1 <**>).. coin a colaboração da coinunidade.dívida agrária. pesquisa e tecnologia.

combate à ignorância. Certa corrente concebe os direitos sociais não como verdadeiros direitos. tem por im assegurar a todos existência digna. III . constituem um meio positivo para dar um conteúdo real e uma possibilidade de exercício eficaz a todos os direitos e liberdades". XV . limitaç<*-*>es aos Poderes Públicos cotno também às autonomias privadas. mas como garantias institucionais. em princípio. não se trata de programaticidade. amparo à família. agora. não sendo operantes relativamente aos interesses que lhes constituem objeto específico e essencial. cit. como teremos oportunidade de mostrar. intervenção do Esta60. como programa a ser realizado pelo Estado.que. e reconhece neles a natureza de direitos fundamentais. mais adiante desenvolveremos discussão sobre esse tema. nem o direito à educação (art.193). e até "se estima que. tais como: realização dajustiça social e existência digna. delinear as características básicas das nonnas de princípio programático: I . 56 Convém notar que a separação que acabamos de fazer tem validade puramente genérica. estímulo à cultura. por meio de leis ordinárias ou de outras providências. II .São normas que têm por objeto a disciplina dos interesses econômico-sociais. São direitos fundamentais do homem-social. contudo. por todos. mas produzem importantes efeitos jurídicos. NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA IS1 do na ordem econômica. p. vem refutando essa tese. negando-lhes a característica de direitos fundamentais. mais que uma categoria de direitos fundamentais. permite-nos. valorização do trabalho. Aqui. porque em ambos os casos a norma institui um dever correlato de um sujeito detenninado: o Estado . assistência social. 196). 104). observados os seguintes princípíos: (. Se esta não é satisfeita. ainda. 170). A doutrina mais conseqüente. de descutnpritnento da nonna. uma daquelas situaç<*-*>es em que a palavra "direito" não qualifica uma situação jurídica subjetiva que propic?e exigibilidade efetiva de determinada conduta..São normas que não tiveram força suficiente para se desenvolver integralmente. porque.São normas de eficácia reduzida. 205). embora um pouco extensa. ao lado dos direitos individuais. nos liinites de sua eficácia.Natureza dos direitos sociais 58. A exemplificação apresentada. a<*-*>programáticas devem ser observadas. XV) faremos. mas de desrespeito ao direito. tem a obrigação de satisfazer aquele direito. hipótese criticada por Luís Roberto Banoso (ob.. com alguma distinção para melhor compreensão da natureza dessas prestaç<*-*>es positivas. desenvolvimento econômico. Não incluímos aqui nem o direito à saúde (art. b) "A ordem social tem como base o primado do trabalho. repressão ao abuso do poder econômico. conforme os ditames da justiça social.. políticos e do direito à nacionalidade. No tópico seguinte (n. à ciência e à tecnologia. uma rápida discussão sobre o tema.lho humano e na livre iniciativa. como nonnas jurídicas. 57. por isso. em maior ou menor grau. mesmo porque elas traduzem. e como objetivo o bem-estar e ajustiça sociais" (art.6I . sendo acolhidas.)" (art.

Eis o seu texto: "O reconhecimento. hoje combatida seriamente. fazendo distinç<*-*>es que conduzem a um entendimento mais adequado das normas constitucionais com dimensão programática. igualmente. uma dimensão subjectiva e unta dimensão objectiva. Por isso. a efetivação de muitos desses direitos depende do estabelecimento de instituiç<*-*>es. mas não engendra. nos termos de tal doutrina.63 60. É Canotilho que mais uma vez nos fornece a lição correta. caracterizam-se como prestaç<*-*>es positivas impostas às autoridades públicas pela Constituição (i>>Iposiç<*-*>es constitucionnis). qualquer exigência juridicamente válida.) estamos a salientar a dimensão institucional de um direito". pois. Assim o princípio do seu art.. o princípio seria posto de lado.Juridicidade 61. referindo-se a certas normas programáticas da Constituição italiana. Ainda aqui a caracterização material de um direito fundamental não tolera esta inversão de planos: os direitos à educação.64 XVI . A Constituição seguiu essa doutrina. mediante exemplo expressivo: "Quando se afirma que o direito á habitação é um direito do cidadão estamos a acentuar o caráter individual do direito. ."A República reconhece a todos os cidadãos o direito ao trabalho e favorece as condiç<*-*>es que tornam esse direito efetivo" . como a pretensão não pode serjudicialmente exigida. Não poucos autores negamjuridicidade às nonnas cons<*-*>Icionais programáticas. não se enquadrando. destinado a fornecer prestaç<*-*>es existenciais imanentes àquele direito. considera-se que. Seriam normas sem conteúdo imperativo. É certo que. a doutrina tende a salientar apenas o dever objectivo da prestação pelos entes públicos e a minimizar o seu conteúdo subjectivo. por si. do direito à saúde é diferente da imposição constitucional que exige a criação do Serviço Nacional de Saúde. vinculativas de todos os órgãos do Estado. incluindo-os entre os direitos fundamentais no seu Título II. Em outra obra Canotilho exprime-se ainda com maior precisão. bastando tachá-la de programática e. saúde e assistência não deixam de ser direitos subjectivos pelo facto de não serem criadas as condiç<*-*>es materiais e institucionais necessárias à fruição desses direitos". 4<*-*> -. Como as prestaç<*-*>es têm. é responsável pela caracterização como programática de toda norma constitucional incômoda.59.6' A partir daí. o autor chega. com isso. quando afirmamos que para assegurar o direito à habitação incumbe ao Estado programar e executar uma política de habitação inserida em plano de reordenamento geral do território e apoiada em planos de urbanização (. para tanto. esta prestação é o objecto da pretensão dos particulares e do dever concretamente imposto ao legislador através das imposiç<*-*>es constitucionais. por exemplo. assim. Não lhes tira essa natureza o fato de sua realização poder depender de providências positivas do Poder Público.6<*-*> Seria fácil. em geral. no modelo clássico de direito subjectivo.. mesmo.não é (para o jusfilósofo peninsular) senão o enunciado solene de um programa político que deveria ser traduzido em lei. por impraticabilidade. diz Que imp<*-*>em dever propriamente moral. a afirmar que esses direitos são regras jurídicas diretamente aplicáveis. descartar-se da incidência de uma regra. antes que jurídico. 66 Essa tese.6' Del Vecchio. Todavia.

programático. e apresentar-se. isto é. eIn favor de todos aqueles sujeitos que se acham em condiç<*-*>es de se beneficiar coni a <*-*><*-*>antagetn de sua aplicação e observância. ainda que diminuta. Por outro lado. inas sempre imperatividade. normas que expressam "apenas uma finalidade a ser cumprida obrigatoriamente pelo Poder Público.<*-*>4 64. distintas e aparentemente autônomas. "sempre se poderia observar que o preceito jurídico pode também articular-se (além de numa só) em uma série de disposiç<*-*>es normativas. sendo. delas resultantes. o certo é que sua vinculatividade vem sendo mais e mais reconhecida. porém. Em suma. com isso.<*-*>o argumentando que <*-*>nunciam verdadeiras nonnas jurídicas e. na sua íntima essência. atribuindolhes eficácia jurídica diversa.'i 63. sem indicar as condutas específicas que satisfariam o bem jurídico consagrado na regra". deve ser afirmada só pelo "fato de constarem de um texto de lei". também cada vez mais. como conseqüência da eficácia formal prevalecente da fonte (a constituição). indefinida" 69 Crisafulli.ssecou sucessivamente a temática das normas programáticas. Signifi- . podendo. em mero esquema.<*-*>' O segundo é incisivo quando afnna ser errôneo pretender distinguir. se anteriores e contrárias. pelo quê estas. são tão preceptivas como as outras. a expressão utilizada.imperatividade que se afere nos limites de stia eficácia. para um fim a ser atingido. a incidir sobre as matérias que lhes são objeto.62.6s sendo de repelir a pretensa injuridicidade de regras pertencentes a uma constituição. no que respeita às leis ordinárias. privados ou públicos. Mesmo prescindindo (como ressalta Natoli) da secular disputa a respeito da imperatividade das nonnas jurídicas. Sua juridicidade. esses comportamento e comando. em texto já citado. fala eIn regras jurídicas programáticas como algo que era políticopartidário. e especialmente a uma constituição rígida. sua característica de programas. regulam comportamentos públicos destinados. Pontes de Miranda e Alfredo Buzaid não vacilaram no reconhecer-lhes juridicidade e eficácia. ainda que reduzida).7' Não nos parece melhorar muito a terminologia. o que vale dizer que perdetn elas. se elas imp<*-*>em certos limites à autonomia de determinados sujeitos. São normas deprincipio teleológico porque apontam. entretanto. por sua vez. sem. como. caracterizando a bilateralidade atributiva essencial a toda regra de direito. por isso. Qualquer que seja. O primeiro. programáticas ou de orientação. e que. cerceando-se. em todo caso. apontar os meios a serem adotados parà atingi-la. por exemplo. são inconstitucionais. Ora. nesse limite.<*-*>' Entre nós. a ponto. criatn uma situação não apenas de expectativa. de se procurar nova nomenclatura para defini-las. se posteriores e conflitantes. a priori. Inas de vantagem efetiva. não é necessário que tal preceito tenha um conteúdo concreto. vinculantes. contudo. somente à luz de sua coordenação sistemática. sustentou-lhes a juridicidade (e a eficácia. de que deve ser infonnada a regulamentação concreta de toda uma série. Decorre disso um vínculo jurídico inequívoco. que di. regule uma situação bem de inida e específica. mesmo. cada vez Inais a doutrina eIn geral afirma o caráter vinculativo das normas programáticas. nisso claramente se encontra seti caráter imperativo . que no assunto programado não podem ter outro programa. isto é. cláusulas mandatórias e diretórias. se ditam comportamentos públicos em razão dos interesses a serem regulados. flcam invalidadas. aparecer como critério geral. ao invés. numa constituição. que constitui o enlace entre os sujeitos da relação nelas fundada. e entrou no sistema jurídico. a atividade dos legisladores futuros.

As normas programáticas. ao menos. ainda. através da atuação de programas de intervenção na ordem econômica. a instaurar um regime de democracia substancial. com função tipicamente instrumental) para esse fim fundamental. nas quais estão presentes forças políticas contrapostas". além de princípios esquemáticos para atuação legislativa futura.<*-*>9 XV Ill . deriva de serem princípios de ordem constitucional .<*-*>6 Essa característica teleológica confere-lhes relevância e função de princípios gerais de toda a ordem jurídica. ao determinarem a realização de fins sociais. aqui. também aplicáveis nos limites dessa eficácia. pelo menos tendencialmente substancial.que. [afirma Natoli] enquanto persegue a eliminação do privilégio econômico e a instauração de condiç<*-*>es. introduzidas na constituição como resultado do conilito de interesses. com as quais se determinam os fins e as linhas de desenvolvimento da nova ordem. salvo o destaque de que. com suficiente tranqiiilidade. esvaziado pelo liberalismo econômico. e que as normas programáticas se coordenam (enquanto tais. e investem toda a ordenação jurídica. São. que se exprime através das constituiç<*-*>es convencionais. ou seja. verdade que os princípios expressos em tais normas projetam a sua relevância bem para aléin dos limites da matéria específica.<*-*><*-*> para quem "a Constituição. Isso mesmo significa.<*-*>s 66. E pode afirmar-se. sua imperatividade direta é reconhecida. contrastantes. prevalentemente negativo". como se verá. aparece como a resultante de um acordo de respeito recíproco entre forças políticas diversas e. 68. que éa essência da ordemjurídica. Se o regime. como imposição constitucional aos órgãos públicos. de fato. São normas que contêm. "se qualifica como um regime de democracia. Pontes de Miranda admite que elas procuram dizer para onde e como se vai. uma tentativa de superação da democracia formal e tendem.e que pode aparecer. que a sua relevância não pode ser excluída ou suspensa pela falta da prevista legislação ulterior de atuação. também princípios gerais infonnadores de toda a ordem jurídica. que lhe está na base e que ela consagra. eram excluídos no sistema tradicional. mas que ela se explica. outrossim. em que se consente a participação na formação da direção política geral também de todos aqueles que. sob vários aspectos. se pode conceber coino próprio de todos os princípios gerais. consoante resumiremos em seguida. Ao contrário. caracterizando o tipo de regime. Xvii . por isso. com vistas à realização da justiça social e do bem comum. é. de resto. que os momentos fundamentais de tal acordo são indicados precisamente nas nonnas programáticas.ca que o fato de dependerem de providências institucionais para sua realização não quer dizer que não tenham eficácia. buscando atribuir fins ao Estado. sob o plano histórico. como bem assinala Natoli. consubstanciando . um regime misto. Donde deflui que elas. num sentido todo particular . para as quais as próprias norinas são ditadas. importam.Normas programáticas e regime politico 67. A assertiva de que as normas programáticas são tão jurídicas como outras não basta para realçar sua relevância e função. por ora.Função e relevância 65. como visto.

um compromisso entre forças políticas contrárias, estão na base mesma do regüne político, compreendido este como "um complexo estrutural de princípios e forças políticas que configuram a concepção do Estado e da sociedade, e que inspiram sua ordenação jurídica".so

à Constituição Federal de 1988, hoje com maior razão, visto ser esta roais social do que aquela. 69. A caracterização das normas programáticas ccmo princípios gerais informadores do regime político e de sua ordein jurídica dáIhes importância fundamental, como orientação axiológica para a compreensão do sistema jurídico nacional. O significado disso consubstancia-se no reconhecimento de que têin elas uma ef ヘ cácin interpretativa que ultrapassa, nesse ponto, a outras do sistema constitucional ou legal, porQuanto apontam os fins sociais e as exigências do bein comum, que constituem vetores da aplicação da lei. 70. A interpretação jurídica resulta numa compreensão valorativa, num juízo de valor que não se extrai do nada, mas, ao contrário, decorre da intuição das tendências sócio-culturais da comunidade, e fundamenta-se nos "cânones axiológicos que pertencem à ordein jurídica viQente".gi Recaséns Siches coloca inagistralmente esses novos fundamentos da interpretação do Direito quando diz que, "na função judicial, se produzem valoraç<*-*>es ou estimativas". "Isso [prossegue ele] não quer significar que tais valoraç<*-*>es ou estimativas sejam a projeção do critério axiológico pessoal do juiz, de seu juízo valorativo individual. Pelo contrário, as mais das vezes, sucede, e assim deve ser, que o juiz emprega, como critérios valoradores, precisamente as pautas axiológicas consagradas na ordem jurídica positiva, e trata de interpretar esses cânones estabelecidos pela ordem vigente, pondo-os ein relação com as situaç<*-*>es concretas de fato que se lhe antolham. Inclusive naqueles casos que apresentam uma especial dificuldade e muita complicação, o que o juiz faz ordinariamente, e isto é o que deve fazer, consiste em investigar quais são os critérios hierárquicos de valor, sobre os quais está fundada e pelos quais está inspirada a ordem jurídica positiva, e servir-se deles para resolver o caso submetido à sua jurisdição".g' 71. Eis onde se descobre a grande relevância das norznas programáticas. Constituem elas, como regras reveladoras das tendências sócio-culturais da comunidade, princípios básicos que, entre outros, informam a coneepção do Estado e da sociedade e inspiram sua ordein jurídica positiva vigente. Ora, conjugada essa idéia com os fundamentos da interpretação indicados por Recaséns Siches, acima transcritos, vê-se que elas se manifestam exatamente como aqueles critérios hierárguicos de valor sobre os quais estáfundada epelos guais se inspira a ordem juridica positiva, de gue deve servir-se ojuiz para resolver o caso submetido ct suajurisdição, coino todo intérprete e aplicador do direito objetivo. 72. Esses ditaines estão, aliás, configilrados expressamente na ordem jurídica brasileira, quando estatui, no art. 5Q da Lei de Introdução ao Código Civil, que, na rtplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e ns exigêrzcias do bem contum. Ora, as norinas constitucionais de princípio programático têm por objeto pre-

cisamente configurar os fins sociais a Que se dirigem o Estado e a sociedade, consoante exigências do bein coinum; se assim é, toda lei ou norma (inclusive as constitucionais) integrante da ordein jurídica nacional há que conformar-se à pauta de valor indicada, ao menos tendencialinente, pelas normas programáticas da constituição. XX - Normas programáticas e constitucionalidade das leis 73. Do que expusemos nos parágrafos anteriores, fácil é extrair outro efeito notabilíssimo das norinas constitucionais programáticas, como exprime Balladore Pallieri, que conclui: "Prescrevem à legislação ordinária uma via a seguir; não conseguem constranger, juridicainente, o legislador a seguir aquela via, mas o coinpelem, quandó nada, a não seguir outra diversa. Seria inconstitucional a lei que dispusesse de inodo contrário a quanto a constituição comanda. E, além disso, uina vez dada execução à norma constitucional, o legislador ordinário não pode voltar atrás".s3 74. Assim, descortina-se a eficácia das normas programáticas ein relação à legislação futura, desvendando, aí, sua função de condicionamento da atividade do legislador ordinário, mas também da administração e da jurisdição, cujos atos hão de respeitar os princípios nelas consagrados. Pontes de Miranda é preciso sobre o assunto, prelecionando que: "A legislação, a execução e a própria Justiça ficam su-

83. Diritto costituzionale, p. 322. NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA 1 S9 jeitas a esses ditames, que são como programas dados à sua fiznção";s4 e, mais adiante, reafirma que elas cerceiam a atividade dos legisladores futuros, Que, no assunto programado, não podem ter outro programa.s' É que as normas prograináticas se resolvem, prima facie, num vínculo ao Poder Legislativo, quer lhe assinalem somente certo fim a atingir, quer estabeleçam, desde logo, restriç<*-*>es, limites, observância de certas diretrizes, critérios ou esQueinas gerais, para alcançar o escopo proposto.s6 "Ein ambas as hipóteses [sustenta Crisafulli] não há dúvida de que a inobservância das normas constitucionais programáticas por parte do órgão legislativo será motivo de invalidade, total ou parcial, do ato de exercício de seu poder, ou seja, da lei deliberada de modo contrário ou diverso de quanto disposto na constituição. Analogicamente, deve dizer-se, de resto, também nos casos de normas facultativas, quando não tenham sido respeitados os liinites e as condiç<*-*>es estabelecidos pelas próprias norinas".s<*-*> 75. Por exemplo, a Constituição Federal, no art. 7Q, assegura aos trabalhadores os direitos ali enuinerados, "além de outros que visem à inelhoria de sua condição social". Esta última parte do dispositivo, coino já salientainos, é de natureza prograinática, e, agora, podemos acrescentar que é daquelas que se limitam a indicar ceito fiin a atingir: inelhoria da condição social do trabalhador. A respeito desses outros direitos Que podein ser outorgados aos trabalhadores o legislador ordinário tein ainpla discricionariedade, mas, assiin mestno, está condicionado ao fiin ali proposto - melhoria da condição social do trabalhador. Qualquer providência do Poder Público, específica ou geral,

que contravenha a esse fim é inválida e pode ser declarada sua inconstitucionalidade pelo juiz, sendo de notar que este tambéin goza de discricionariedade no determinar o conteúdo finalístico daquela regra programática, já que a Constituição não den o sentido do que se deva entender por melhoria da condição social do trabalhador. O juiz a isso poderá claegar mediante interpretação da pauta de valor que lhe oferecem a ordem jurídica e, especialmente, os demais princípios programáticos e fundamentais inscritos na vigente Carta Magna. 76. Mas há normas constitucionais programáticas que já indicam certos critérios a serem seguidos pelo legislador. Assim, por exemplo, o art. 170 da Constituição diz que "a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social", mas adiciona certos princípios que entende básicos para se alcançar o fim proposto, ou seja: "I - soberania nacional; II - propriedade privada; III - função social da propriedade; IV - livre concorrência<*-*> V - defesa do consumidor; VI - defesa do meio ambiente; VIIredução das desigualdades regionais e sociais; VIII - busca do pleno emprego; IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País". Qualquer lei que atente contra algum desses princípios deve ser declarada inconstitucional. Aqui, também, o julgamento de valor do juiz lhe deixa terreno amplo para o exercício de uma função interpretativa criadora, porque a Constituição não dá o conceito de valorização do trabalho humano, nem de existência digna, nem de ditames da justiça social, limitando-se a indicar certos princípios a serem observados, mas não bem definidos. Tais conceitos o juiz os encontrará nas ciências sociais e éticas e, ainda, nas valoraç<*-*>es e convicç<*-*>es sociais vigentes, lembradas por Recaséns Siches.ss 77. Por conseguinte, todas as nonnas que reconhecem direitos sociais, ainda quando sejam programáticas, vinculam os órgãos estatais, de tal sorte que "o Poder Legislativo não pode emanar leis cont<*-*>re estes direitos e, por outro lado, está vinculado à adoção das medidas necessárias à sua concretização; ao Poder Judiciário está vedado, seja através de elementos processuais, seja nas próprias decis<*-*>es judiciais, prejudicar a consistência de tais direitos; ao poder executivo imp<*-*>e-se, tal como ao legislativo, actuar de fonna a proteger e impulsionar a realização concreta dos mesmos direitos".s9 XXI - Normas programáticas e leis anteriores incompativeis 78. Grave debate travou-se na doutrina italiana a respeito das relaç<*-*>es entre as normas constitucionais programáticas e as leis anterio88. Ob. cit., especialmente pp. 225 e ss. 89. C<028> J. J. Gomes Canotilho. Direito co<*-*>:stitucional, p. 184. NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA 161 res à constituição. O problema, lá, tornou-se agudo, visto que vigia, antes, uma ordemjurídica fascista, impregnada de normas despóticas, que, de pronto, se revelaram incompatíveis com a ordem instaurada pela Constituição de 1<*-*> dejaneiro de 1948.

por ele admitida. se dá inconstitucionalidade. bem se compreende a diferença de efeitos conforme sejain as leis anteriores consideradas inconstitucionais ou revogadas. Postos esses princípios. haveria revogação ou seria também uma hipótese de inconstitucionalidade da lei precedente. nos tennos do art.9<*-*> Com esse fundamento. senão quando expressamente o faça. 52. se se tratasse de inconstitucionalidade.79. A questão é muito controvertida. produziu validamente seus efeitos.94 Se existiu. à primeira vista. não anula a lei.. ainda que incompatíveis. outros entendem ser ex nunc. foi aplicada . negando eficácia jurídica a certas normas tidas por ela como programáticas. nos termos do art. seria. vazada nos seguintes termos: "A revogação se verifica quando a lei.9o Vários autores contestaram essa doutrina. 13 6). No entanto. revelou eficácia. desde o seu nascimento. o caso seria da competência da Magistratura comum. Se se decidisse pela revogação.9<*-*> Tem conseqüências práticas interessantes. ainda que tacitamente. que nos parece correta. no caso. Mas há outras conseqüências práticas que postulam uma solução teórica do assunto. a anterior. mas simplesmente lhe retira a eficácia. Lúcio Bittencourt discorda daquela posição. A discussão da preliminar não é acadêmica. da CF. então. Alguns julgados da própria Corte Suprema do País. Quando se diz que a lei posterior revoga. a declaração surte efeitos ex tunc.96 Seu argumento básico é o de Que "a teoria da ab-rogação das leis sup<*-*>e normas da mesma autoridade. Castro Nunes sustentou que. X. onde qualquer juiz é competente tanto para reconhecer da revogação como para declarar a inconstitucionalidade da lei. a revogação expressa. 80. No que tange ao cnso concreto.9<*-*> O sistema italiano é expresso sobre esse ponto: n lei declarnda inconstitucional cessa sun eficácia desde o dia seguinte no da publicação da decisão (Constituição. uma excrescência constitucional. irmaram a tese de que tais normas não invalidavam leis ordinárias preexistentes. nem a revoga. teoricamente. Esse aspecto não tem importância no sistema brasileiro. sup<*-*>ein-se no cotejo leis do mesmo nível". isto é. No dissídio. Essas leis somente perderiam a eficácia quando fossem revogadas pelas leis integrativas das disposiç<*-*>es constitucionais. Uns afirmam ser ex tunc92 os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. que não revoga nem anula a lei. só tein efeitos daí por diante. eficaz e aplicável. "posto que nulamente seja". pode parecer. pois a Constituição não revoga leis. uma questão preliminar foi logo colocada: qual a de saber se. essa manifestação do Senado. tachada de incompatível coin a . a lei continua eficaz e aplicável até que o Senado suspenda sua executoriedade. até que o Senado Federal sizspenda sua executoriedade. sustentando uma tese intermediária.9' Parece que o problema deve ser decidido considerando-se dois aspectos. Na Itália a questão se resolvia ainda num problema de determinação da competência jurisdicional para pronunciar a invalidade da lei preexistente incompatível. fulminando a relação jurídica fundada na lei inconstitucional. ex nunc. art. A declaração de inconstitucionalidade surte efeitos in casu et interpartes. competente seria a Corte Constitucional. 136 da Carta Política peninsular. Pois até então a lei existiu. como. a lei continua em vigor. entre nós. no caso. 81.

Não. A revogação é conseqüência da inconstitucionalidade". as norinas programáticas revelam-se com eficácia tão plena como qualquer outra. uma lei inconstitucional. inesmo. na técnica jurídica pura. como aQuela que visa ao amparo da cultura pelo Estado. situaç<*-*>es. comportainentos e atividades na esfera de alcance do princípio ou esquema que contêm especialinente condicionando a atividade dos órgãos do Poder Público e criando situaç<*-*>es jurídicas de vantagens ou de vínculo (o que ainda vereinos). podem ser aplicadas independentemente de lei. Não se trata. ou ein coordenação com outras normas constitucionais). sua aplicação plena. contudo. lhes dê capacidade de execução em terinos de regulamentação daqueles interesses visados. pelo menos em referência às normas programáticas. Relevante. 131. integrando-lhe a eficácia. Aliás. ao menos. sejam de eficácia plena. Se nos colocamos na tese de Lúcio Bittencourt e discutimos longamente o problema é porQue há efeitos diversos se se adotar uma ou outra das soluç<*-*>es puras. "le due norme in conflito non hanno il medesimo oggetto" (La Costituzione e Ic sue disposizioni di principio. como a Que decorre em virtude de conflito intertemporal entre duas leis da mesma hierarQuia. relativainente aos interesses essenciais que exprimem os princípios genéricos e esquemáticos. pouco importa dizer se há inconstitucionalidade pura e simples. de uin mínüno de eficácia . p. <012> 16-1 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS dinária (a Constituição vigente. de revogação pura e simples. 57) 98. Em conclusão. regem. do ponto de vista da eficácia das normas programáticas em relação às leis precedentes. podemos indicar as condiç<*-*>es gerais de aplicabilidade das normas constitucionais programáticas. se há revogação pura e simples ou se há revogação por inconstitucionalidade. e porque ainda tereinos Que voltar a esse problema em tennos globais . no caso. inas por meio de outras providências. sempre. Senda também dotadas. pois. A tese vale para todas as normas constitucionais. porém. pelo menos nesse aspecto. depende da emissão de uma normatividade futura. não aceitando a tese da revogação. cit. pouco importando que tenha precedido o Estatuto Político ou lhe seja posterior. uma lei incompatível com a Constituição é.Condiç<*-*>es gerais de aplicabilidade 83.pelo Quê já fica fixada nossa posição XXII . mediante lei orda lei anterior incompatível.Constituição.. E a lei anterior com elas incoinpatível deve ser considerada revogada. 84. 85.9s 82. Nesse ponto. de eficácia contida ou de eficácia limitada. Chegados a este ponto. até onde possam (por si. em sentido próprio). foi sábia em não exigir a integração por meio de lei coinplementar. é fixar a tese dessa eficácia invalidadora das normas preexistentes incompatíveis. já se achava em vigor por ocasião do advento desta. por inconstitucionalidade. Muitas. p. em Que o legislador ordinário. inclusive as programáticas. Como norinas de eficácia limitada. as normas programáticas têm eficácia jurídica . Ob.

as norinas que revelam os direitos sociais. incluindo aí os direitos individuais. preordenou alguns insttumentos. em face dessas normas. direta e vinculante nos casos seguintes: I . não pode deixar de aplicá-las. § IQ da Constituição O Título II da Constituição contém a decmrnção dos direitos e garantiasfundamentais. mas algumas. especialmente às programáticas. O art. coletivos. contudo. Isso. proteção dos valores da justiça social e revelação dos componentes do bem comum. como o problema se situa basicainente no campo das normas referentes aos direitos sociais. III . de vantagem ou'áé desvantagein.informam a concepção do Estado e da sociedade e inspiram sua ordenação jurídica. que serão sinteticamente examinados a seguir. SEçno IV . IV . porque a Constituição mesma faz depender de legislação ulterior a aplicabilidade de algumas nonnas definidoras de direitos sociais e coletivos. sendo invocado a propósito de uma sitiação concreta nelas garantida. até onde as instituiç<*-*>es ofereçam condiç<*-*>es para seu atendimento.Questão de ordem 86. Mas. Por regra. significa que o Poder Judiciário. 6ó a 1 I. VI . são de eficácia limitada e aplicabilidade indireta. mediante a atribuição de fns sociais. pelo visto. sociais.O art 5". estatui que "as normas definidoras dos direitos e garantias fundainentais têin aplicação imediata".imediata. V . por seu lado. Isso abrange. § 1<*-*>'. k II .INST RU M ElVTOS DA EFICÁCIA CONSTITUCIONAL XXIII . . que declara todas de aplicação imediata? Em primeiro lugar. Em segundo lugar. as nonnas que consubstanciam os direitos fundamentais democráticos e individuais são de eficácia contida e aplicabilidade imediata. Então.99 enquanto as que definem os direitos sociais tendem a sê-lo também na Constituição vigente. A Constituição de 1988 preocupa-se com sua eficácia e aplicabilidade.constituem sentido teleológico para a interpretação.criam situaç<*-*>es jurídicas subjetivas.condicionam a atividade discricionária da Administração e do Judiciário. NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LInlITADA 16S XXIV. significa Que elas são aplicáveis até onde possam. nos tennos dos arts. o que será visto no capítulo seguinte. com a conseqüência de serem inconstitucionais as leis ou atos que as ferirem.estabelecein um dever para o legislador ordinário. não resolve todas as quest<*-*>es. Tais instrumentos visam à eficácia e aplicabilidade de todas as normas de direitos e garantias fundamentais. 5ó. que valor tem o disposto no § 1<*-*> do art. especialmente as que mencionam uma lei integradora. 5Q. de nacionalidade e políticos.condicionam a legislação futura. do assunto vamos tratar aqui. para tanto. integração e aplicação das normas jurídicas.

que. XXVIII e XXIX. XXVII . no interesse do impetrante. para fazê-lo em trinta dias". do art. 103. pessoas e entidades que podem propor a ação direta visando à declaração da omissão.pode ser ineficaz. A mera ciência ao Poder Legislativo . Contudo. XXVI . 283 da Constituição portuguesa.Poder competente tratando-se de omissão de lei . será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. Sua função seria fazer valer. A Constituição de 1988 foi abeberar o instituto no art. à soberania e à cidadania" (art. como é o caso. LXXI). a Constihzição mesma faz depender de legislação ulterior a aplicabilidade de algumas normas definidoras de direitos e garantias individuais.conferindo ao interessado o direito reclamado. nas conseqizências do seu reconhecimento. Apenas dispôs. no § 2Q do art. SQ. Mas a interpretação do Supremo Tribunal Federal tolheu essa função que lhe dava razão de existir.Mandado de injunção Este é o instrumento que. Ela é prevista no art. no entanto. "declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. <012> 166 APLICABILIDADE DAS NORMAS COVSTITUCIONAIS em geral é inviabilizado pela falta de regulamentação. nos . Assim é o enunciado de sua previsão constitucional: "Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de nonna regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade.Inconstitucionalidade por omissão A inconstitucionalidadepor omissão verifica-se nos casos em que não sejam praticados atos legislativos ou executivos requeridos para tornar plenamente aplicáveis normas constitucionais que postulam lei ou providência administrativa ulterior para que os direitos ou situaç<*-*>es nelas previstos se efetivem na prática. embora um dever moral de legislar possa impulsionar o Legislativo a atender ao julgado. por exemplo. um direito ou prerrogativa previsto em norma constitucional cujo exercício 99. 61. § 2ó. já que ele não pode ser obrigado a legislar. em se tratando de órgão administrativo. XXV .Iniciativa popular O exercício da iniciativa popular também pode contribuir para a elaboração de leis ordinárias ou complementares integradoras da eficácia de normas constitucionais. torna todas as normas constitucionais potencialinente aplicáveis diretamente. Prevê autoridades. para considerá-lo mero meio de obtenção de declaração da inconstitucionalidade por omissão. Foi tímida. 5Q da Constituição. correlacionado com o citado § ló do art. 5s. segundo as instituiç<**>ES existentes.

Classif ヘ cação e conceito de situaç<*-*>es subjetivas. Se vamos cuidar do tema é apenas porque ele tem vinculação com a eficácia das normas constitucionais. daremos uina classi icação das situaç<*-*>es subjetivas.6 não .4 4. II . ll . O estudo das situaç<*-*>es jurídicas deve partir da consideração dos interesses e da sua proteção pela ordem jurídica. considerado objetivamente. Que chamamos interesse. traz um peso específico. mas a falta de iniciativa das leis o pode.tennos seguintes: "A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por. IPNormas constitucionais de e Jicácia plena e tutela das situaç<*-*>es juridicas subjetivas. Começaremos com as relaç<*-*>es entre interesses e Direito. "Interesse [diz Carnelutti] não é . para. subjetivamente se toma um interesse". depois. relacionando essa tutela com as categorias em que concebemos a eficácia dessas normas. Sujeito do interesse é o homem. l<*-*>l . Escopo do Direito é tutelar os bens ou interesses. CAPÍTULO V EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS E TUTELA DE SITUA<*-*>ÊES SUBJETIVAS I . [esclarece Camelutti] esta situação se verifica. 2. a respeito de um bem: homem e bem são os dois termos da relação. revolver essa dis uta. Nosso programa é bem Inais modesto. no mínimo.3 Essencialmente. VII . Em seguida.um juizo. I . examinarmos até que ponto as nonnas constitucionais as protegem. A omissão do Poder Legislativo não pode ser totalmente suprida pela participação popular. V. objeto dele é o bem". Ofereceremos noç<*-*>es gerais sobre o assunto.Normas constitucionais de eficácia contida e proteção das situaç<*-*>es subjetivas. O problema das situaç<*-*>es jurídicas subjetivas é muito controp vertido em doutrina. nos limites suficientes à compreensão da temática do capítulo.Normas programáticas e tutela das situaç<*-*>es subjetivas.Proteçãojuridica dos interesses e direitos subjetivos 3. aparece como um bem. o mesmo disse Jellinek: "Tudo aquilo Que. III.Proteçãojuridica dos interesses e direitos subjetivos. Se interesse é a situação de um hotnem favorável à satisfação de uma necessidade. Não cabe. que estimulará a atividade dos legisladores. portanto.Programa 1. distribuído pelo menos por cinco Estados.5 Jhering concebeu o direito subjetivo como interesse juridicamente protegido.Programa. subscrita por milhares de eleitores. e por certo que a iniciativa. mas uma posição do homem. um por cento do eleitorado nacional. com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles".Normas constitucionais de principio institutivo e tutela das situaç<*-*>es subjetivas.2 "Os meios para a satisfação das necessidades do homem são os bens. precisamente a posiçãofavorável à satisfação de uma necessidade". aqui.

AQueles interesses Que o Direito tem como valor digno de tutela são osjuridicamente relevantes. 12. III . dizem-se interesses juridicnmente irrelevantes. modernamente parece assente que nem todo interesse juridicamente protegido se inclui na categoria dos direitos subjetivos..1l soggettoprivato nella Costituzione italiana. perfeitos. cit.9 6.<*-*>o Isso coloca. pp. 8. com Barile. 8. ou de acordo com o puro subjetivismo. direitos condicionados.. 25.. Ob. os interesses legitimos. 49. 9. distinguem-se os simples interesses. Camelutti disserta sobre ele.s Jellinek concilia as duas posiç<*-*>es no seu conceito de direito subjetivo. Daí surgir a noção de situaç<*-*>esjuridicas subjetivas. a concepção de Jhering do direito subjetivo como interesse juridicamente protegido op<*-*>e-se à definição do direito subjetivo como poder da vontade. pp. enquanto dirigido a um bem ou interesse". A terminologia sobre o assunto ainda é incerta. desde logo. 163. mas conforme certos valores. p. 221 e ss. p. Quando o Direito não protege certos interesses. interesses simples. e sua proteção é tanto mais intensa quanto mais eficazes forem as normas Que as têm como objeto.ii D—guit distingue situaç<*-*>es jurídicas objetivas e subjetivas. interesses legítimos. não propriamente como substituta do conceito de direito subjetivo. p. 11. cit. Cf. os direitos condicionados e os direitos subjetivos. Introd<*-*>icción al Derecho. que "é o poder de querer Que tem o homem. poderes e faculdades". como o mais das vezes acontece. 10. 36. abrangente de todos os interesses relevantes para o Direito. 226 e ss. visto que às "idéias de bem se unem as de valor e interesse. mas como uma concepção mais ampla.. Como se sabe. Ob. o problema da classificação das situaç<*-*>es jurídicas subjetivas.<*-*> 5.Classificação e conceito de situaç<*-*>es subjetivas 7. A noção de interesses e suas espécies permite-nos dizer. e o interesse expressa o valor do bem em relação com um sujeito e seus fins". cit. <012> 17O APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS Quando. Que as "situaç<*-*>es ativas conferem direitos subjetivos. O valor nos dá a medida da utilidade do bem. As situnç<*-*>esjuridicas subjetivas envolvem a consideração desses interesses juridicamente relevantes. Aftalión. falando em situaç<*-*>es jurídicas ativas e passivas. Jean Dabin. ob.como mero interesse psicológico. Ob. as expectativas de direito. cit. p. Nesta classe. não os tem como valor digzio de sua tutela. reconhecido e protegido pela ordemjurídica. Olano e V'ilanova.i' "A situação jurídica passiva [diz Carnelutti] consiste na subordinação de Itm inter-esse realizada mediante uma medida iuridica. a medida adotada é uma .

conforine lição de Barile. constituindo-se na figura dos direitos subjetivos. desde já. coino o interesse simples. a situação se concretiza na subordinação de um interesse. oferecem todos os elementos necessários à realização ou vedação dos interesses e situaç<*-*>es nelas previstos. em vez de situaç<*-*>es subjetivas passivas e situaç<*-*>es subjetivas ativas. quais são protegidas pelas normas de eficácia limitada de princípio institutivo e. um vinculo imposto à vontade pem subordinação de um interesse. Tal será nossa preocupação nos tópicos seguintes. o interesse protegido revelará outras situaç<*-*>es jurídicas subjetivas. direitos subjetivos para os indivíduos ou entidades a que conferem uma situação subjetiva de vantagem. através de uma medidajuridica". . o interesse legítimo.Normas constitacionais de eficáciapleita e tutela das situaç<*-*>esjuridicas subjetivas ll. quais são tuteladas pelas normas constitucionais de eficácia contida. quais delas são protegidas pelas norinas constitucionais de eficácia lünitada de princípio programático. [conclui Carnelutti] a situaçãojuridica ativa. mediante um vinculo imposto n vontade ou. 10. 9 Daí podermos conceituar situação juridica subjetiva como a posição que os individuos ou entidades ocupam nas relaç<*-*>esjuridicas. e gt<e Ihespossibilita realizar certos interessesjuridicamenteprotegidos ou os constrange a subordinar-se a eles. IV. Quase sempre. Se essa proteção for indireta. A tutela é praticamente idêntica para as situaç<*-*>es subjetivas negativas ou de vinculo. de o indivíduo ou entidade realizar certo interesse por ato próprio ou exigindo ação ou omissão de terceiros.sanção. As normas constitucionais de eficácia plena regulam diretamente situaç<*-*>es. ação ou abstenção. Ao contrário. cabe verificar quais dessas situaç<*-*>es jurídicas são tuteladas pelas norznas constitucionais de eficácia plena. recebenteles proteção direta. Podemos. comportamentos e interesses. consiste naprevalência de um interesse. uma ação ou uma omissão. supracitada. plena e especí ica. tratando-se das situaç<*-*>es subjetivas de vantagem. Sendo de aplicabilidade imediata. Geram. que é tenno correlato da outra. operada esta no sentido de vincular a vontade do titular do interesse subordinado mediante o temor do mal ameaçado. por si. invertendo os tennos. reconhecida pela norma jurídica. Expostas assim essas noç<*-*>es gerais. a situação subjetiva de vinculo consiste no dever ou na obrigação de submeter-se o indivíduo (ou entidade) às exigências de realizar uma prestação. Se esses interesses protegidos são daQueles que a ordein jurídica considera um valor fundante ou importante do Direito. finalmente. respectivamente. limitada e genérica. I' A situação subjetiva de vantagem consiste na possibilidade.I3 "Por sua vez. a expectativa de direito ou o direito condicionado. Este tipo de situação jurídica toma o nome de obrigação". linp<*-*>ein.<*-*>4 Crisafulli prefere falar em situaç<*-*>es subjetivas negativas ou de vinculo e em sitilaçóes subjetivas positivas ou de vantagem. enunciar um princípio geral sobre o assunto: a tutela é tanto mais intensa quanto mais conlpletafor a eficácia da norma constitucional.

os Estados-membros têin direito subjetivo à sua autonomia. Assim. Consubstanciam. I<*-*>). mandado de segurança. porque é compreensível que as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata protejam diretamente as situaç<*-*>es jurídicas subjetivas. Nein todas prevêem uma sanção específica. "a". e situaç<*-*>es subjetivas de vínculo ou negativas aos agentes do Poder Público. A segurança e a certeza (em tese) de que seremos igualmente protegidos ou punidos pela lei. I5. sem distinção de raça. os Estados prejudicados poderão recorrer ao Poder Judiciário. A certeza de que nosso lar não pode ser invadido. inas quando desrespeitadas. por exemplo. Assiin. 16. visando à declaração da inconstitucionalidade do ato viciado. por exemplo. conferem situaç<*-*>es jurídicas subjetivas de vantagem aos governados. Por outro lado. quase todas. Se a União praticar ato de invasão dessa esfera de coinpetência. de modo específico. certeza. recorrendo ao Judiciário para obter a declaração de inconstitucionalidade da lei tributária em tela. para fazer cessar a interferência inconstitucional. As normas constitucionais de eficácia contida. ferido um nosso direito. Porque tais interesses se revelam como valores importantes para a ordem social. essa invasão de competência dá direito de o contribuinte recusar o paga<012> 172 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS mento do tributo. as normas constitucionais oferecem instrumentos diretos à sua proteção: habeas corpus. dessas relaç<*-*>es de competência podem surgir direitos subjetivos individuais. porQue envolvem outras tantas normas particulares específicas. a não ser em casos especialíssimos autorizados pela própria Constituição. dão lugar a um julgamento de inconstitucionalidade. A certeza de Que.Normas constitucionais de eficácia contida e proteção das situaç<*-*>es subjetivas 14. habeas data. Os interesses aí protegidos constituem valores-meios do Direito: segurança jurídica. como a de que o Brasil é uma República Federativa. Não precisamos insistir na questão. os direitos fundamentais e democráticos do homem e as garantias a esses direitos. A segurança de poder ir e vir sem ser molestado arbitrariamente. mandado de injunção etc. Mesmo aqueLas regras com aparência proclamatória. 102. portanto. proporcionam proteção a certas situaç<*-*>es subjetivas. ordem. obteremos o pronunciamento jurisdicional a respeito. V.--direito de petição. no caso de um Estado decretar um tributo de competência municipal ou federal. configuradas como direito subjetivo.12. como vimos. Delas decorrem direitos subjetivos para os . etc. Se os Estados é que invadirem terreno privativo da União. Traduzem elas uma limitação ao Poder Público em suas relaç<*-*>es com os governados. na forma prevista nas norinas constitucionais de repartição de coinpetências decorrentes do fato de o Brasil ser uina Federação (art. cor ou situação social. poderá esta inover ação direta. nos tennos do art. 13. que imp<*-*>em comportainentos que hão de ser compatíveis com o princípio fundamental que elas all<*-*>ergain. I. Essas nonnas tutelam valores de alta relevância para os indivíduos.

um interesse protegido naquela regra do art. defesa nacional etc. Por enquanto não se pode nem dizer que milite em favor dos interessados uma expectativa de direito. dadas certas circunstâncias previstas nas regras de contenção de eficácia dessas normas. hoje. Essas regras de contenção (lei reguladora do direito. 18. Mas o contrário também pode ocorrer. certamente. que a criação de Territórios Federais bem como sua transformação em Estado serão reguladas por lei complementar. qual seja: o da proteção jurídico-constitucional da ordem pública. conceitos gerais. mas não quer dizer que não criem situaç<*-*>es jurídicas subjetivas. Essa contenção só pode atuar circunstancialmente. ali. como foi visto.) formam situaç<*-*>es jurídicas em favor dos Poderes Públicos. O art. § 2Q. é frágil e só com muito boa vontade pode admitir-se a existência do interesse legítimo. aqui. Como também valeria o da transfonnação dos Estados ou o da criação de Municípios.indivíduos. Existe. dada a ofensa à ordem pública. pode o poder Público impedir a realização de determinado culto religioso (art. Se a situação de vantagem protegida (meramente imaginada. para que se efetive a situação delineada. 19. ainda. Deve-se. um interesse legítimo de debater a criação de um Território Federal ou a transformação de algum (que vier a existir) em novo Estado. segurança pública. outro interesse sobreleva àquele.l6 Isso seria ditadura. como apontamos acima. da Constituição é um caso típico. como: ordem pública. VI . É necessária uma normatividade complementar para que a regra se torne capaz de disciplinar eficazInente o assunto. nesses casos manifestam-se situaç<*-*>es jurídicas de vantagem e situaç<*-*>es jurídicas negativas entre sujeitos de uma mesma relação jurídica constitucional. já que não há Territórios) no art. são de eficácia limitada. novo Estado-membro (esta é uma mera suposição. não lhe dá. § 2<*-*>. As normas de princípio institutivo. pois nem Território existe. Como se nota. § 2Q. 18. não de modo contínuo.Normas constitucionais de principio institutivo e tutela das situaç<*-*>es subjetivas 18. apenas. Seria. Suponha-se que determinada população de um Território deseje formar. Vale o exemplo como ilustração. § 2ó. Bastam alguns exemplos para mostrar que tal acontece. A norma do art. é fora de dúvida que ele tutela situaç<*-*>es subjetivas ne- . direito de pleitear isso. EFICÁCIA DAS NORMAS E TU7ELA DE SITUAÇ<*-*>ES SUBlETIVAS 173 17. talvez. Diz-se. Assim. 20. conforme atue a norma em sua eficácia positiva para o indivíduo ou incidam as regras de sua contenção. bons costumes. VI). 18. pois. de pleitear a regulamentação complementar do assunto. 18. Essa situação só ocorre quando o direito é devidamente regulamentado e o possível interessado ainda não conseguiu os requisitos e pressupostos para auferi-lo. 5<*-*>. acrescentar que as regras de contenção da eficácia daquelas normas não podem ir ao ponto de suprimir as situaç<*-*>es subjetivas eIn favor dos governados. como já vimos. referidas no §§ 3Q e 4ó). porque esse interesse não foi regulado diretamente pelo constituinte. Isso indica que os interesses por elas protegidos o são com intensidade diminuta. por exemplo. ali.

que podem gerar a exigibilidade característica do direito subjetivo. que.22 24. Sempre há interesse protegido. Situaç<*-*>es do tipo das previstas acima podem ser criadas pela generalidade das normas de princípio institutivo. outras Inenos. manifesta-se um comportainento inconstitucional e o ato que daí deflui fica sujeito ao controle de constitucionalidade. portanto. "é o Estado mesmo. atendendo-se aos interesses de quantos o desejavam. certamente. de impugnar o ato decorrente do abuso. surge o direito subjetivo. como sujeito unitário. por isso mesino. detenninadas pelas nonnas constitucionais prograináticas". para com a coletividade. Com eles. As situaç<*-*>es de vínculo ou negativas são geralmente intensas. prejudicado eventualinente coin desineinbramento de seu território. "O problema [diz Crisafulli. a que está vinculado o legislador. que se autolimita. da parte de eventuais prejudicados. não podendo exercê-lo de modo contrário e diverso do que tais nonnas indicam. pois. não pode dispor de modo diverso. derivam vínculos para o legislador. Mas o fez. a perseguir certos fns e. não . "Uma situação subjetiva que. dependendo do grau de inteireza de sua eficácia. Umas mais. Das nonnas programáticas.'o Mas não só o legislador está obrigado a agir de acordo com os ditames programáticos. raramente passam de interesse legítimo. de certo modo. no nosso direito positivo.gativas ou de vínculo. deriva. obrigando-se. mais ou menos intenso. estão vinculados a isso. As nonnas programáticas são de eficácia limitada. Nesse caso. ultrapassando esses limites. que o estudou carinhosamente) deve ser examinado sob o duplo aspecto das situaç<*-*>es subjetivas negativas ou de vinculo e das situaç<*-*>es subjetivas positivas ou de vantagem. Para aquela corrente doutrinária que lhes nega juridicidade. em geral. muitas ficam restritas ao interesse simples.i<*-*> 23. VII . bem próximas das que confguram as norinas de e icácia plena. e. bem como a atividade jurisdicional. As situaç<*-*>es positivas ou de vantagens. destinam-se a proteger certos interesses."I9 Há que exercer seu poder dentro de certos limites. suficientes para configurar nossa posição. Mas isso é feito sein lei complementar.<*-*>i Já verificainos que as normas programáticas condicionam a atividade discricionária da Administração. Nisso se caracteriza a situação subjetiva de vínculo imposta por tais normas. visto Que os Poderes Públicos somente podem atuar nos limites que elas estabelecem. surge o direito subjetivo de outro Estado. de que aqui apresentamos apenas as idéias gerais.Normas programáticas e tutela das situaç<*-*>es subjetivas " 22. das normas programáticas é. 21. mas. Se isso ocorrer. criadas por essas normas. de impugnar judicialinente a situação criada. Essas atividades não podem desenvolver-se contra os fins e objetivos postos pelas normas constitucionais programáticas. Imagine-se que o hipotético novo Estado seja criado. Mais controvertida é a questão de saber se as nonnas constihzcionais programáticas produzein situaç<*-*>es subjetivas de vantngenl ou positivas. como qualquer norina jurídica. a assumir a proteção de certos interesses". Is para o administrador e para o juiz. e até outras pessoas. inteiramente de acordo com a de Crisafulli. o dever jurídico de o legislador confonnar-se a elas no desenvolvimento de sua competência.

certamente protegem um interesse geral.170.. mas não conferem aos beneficiários desse interesse o poder de exigir sua satisfação. 226 ("A família . do art.'3 O primeiro expressamente declara que as situaç<*-*>es subjetivas de vantagem.170. do art. No máximo. 27.têm elas capacidade de tutelar qualquer espécie de interesse. nem fixando sua extensão."). tem por fm assegurar a todos existência digna. Mas certamente produzem situaç<*-*>es subjetivas de vantagem que podem caracterizar simples interesse. inclusive essa negativista. VII ("redução das desigualdades regionais e sociais"). coloca-nos numa posição mais compreensiva. Mesmo sob esse ponto lavra discordância entre os aut<*-*><*-*>res. Firmada a tese inicial de que as normas programáticas protegem interesses juridicamente relevantes. Essa doutrinajá foi por nós repelida na sua essência. a pesQuisa e a capacitação tecnológicas").'4 26. não delimitando seu objeto. por outro lado. que delas derivam. 218 ("O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico. 205 ("A educação. 215 ("O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional . adinitimos que nem sempre têm capacidade para tutelar diretamente direitos particulares desde logo exigíveis.. tem especial proteção do Estado"). em prol de inquilinos contra o senhorio. Na Itália.. contudo. § ló ("A pesQuisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado. pode ser invocado contra o abuso desse direito.. Delas surge interesse legítimo que fundamenta sua invocação para embasar solução de dissídios em favor de seus beneficiários. não fornecem os ineios para sua realização antes que o le<**>islador cumpra o dever de coinpletá-las com providências executivas. entre ou tras semelhantes. logo. 28. do art. já tutelam mais intensamente os interesses referidos. 218. . III ("função social da propriedade").. tendo em vista o bem público e o progresso das ciências"). do art. em certas circunstâncias. Crisafulli e Natoli. não criain situaç<*-*>es jurídicas positivas nem de simples interesse. 170. por exemplo. o que implica a refutação de suas conseqüências. dois dos mais lúcidos estudiosos das normas constitucionais programáticas. de interesse legitimo. aí se verifica um interesse simples."). de expectntiva de direito. Normas programáticas como as do art. na acepção tradicional do termo. do art. não exigível positivamente pelos eventuais beneficiários. direito de todos e dever do Estado. O princípio da função social da propriedade. importa a assertiva de Que as normas programáticas regulam juridicamente certos interesses. e especialmente impor atuaç<*-*>es positit ."). de direito subjetivo? 25. do art.. Que situaç<*-*>es subjetivas de vantagem criam elas? De simples interesse. do art.. VIII ("busca do pleno emprego"). simples expectativa. e. 170. apenas admitem que elas asseguram interesses legitimos. que podem ter uma expectativa de sua concretização através da legislação integrativa ou de outra atividade do Poder Público. 184 (possibilidade de "desapropriação para fins de reforma agrária"). caput ("a ordem econômica . conforme os ditames da justiça social . além dos simples interesses. Isso.. interesse legítimo e até direito subjetivo. e outras semelhantes. Normas prograináticas como as do art. Um exame mais atento do assunto. não chegam a ter a consistência do direito subjetivo. do art..

pp. que não podem desenvolver suas atividades senão nos limites e do modo como elas determinam em seu programa. em primeiro lugar. Tutelam interesses legítimos que são. 29 Ein certos casos as normas programáticas produzem direito subjetivo. nos seus princípios. Pois bem. qilando contrários aos ditames das norinas programáticas. coino poder de exigir uma prestação fundada numa norma constitucional programática. ora um agir que crie. Aliás. 25. 208. embora ainda programaticamente. nas suas diretrizes. do tom de comando não só para . direitos subjetivos dos interessados em indagar se as leis e regulamentosfiscais se conformaram com a personalização e a graduação nos casos compativeis com o seu emprego. porém. 202 da Constituição de 1946. em seu aspecto negativo. O cânon do art. a Constituição até já reconhece como direito público subjetivo o acesso ao ensino obrigatório (art. 202 reveste-se. como possibilidade de exigir que o Poder Público não pratique atos que a contravenham. o art. In verbis: "À semelhança de inúmeros outros dispositivos. essas normas geram situaç<*-*>es subjetivas negativas para o legislador e para a Administração. a regra pode servir de base para sustentar certas situaç<**>es subjetivas do educando. cf. nosso Direito urbanistico brasileiro. se o poder de exigir uma abstenção se apresenta como direito subjetivo. Como vimos. através do controle de constitucionalidade das leis. aos órgãos do Poder Judiciário na interpretação e aplicação dos textos pelos quais se regule a tributação. decorrentes daQuelas atividades. [prossegue) aquela disposição envolve comando para criação do direito objetivo segundo determinada diretriz. modifique ou extinga relaç<*-*>es jurídicas.'6 de caráter programático. <012> 17S APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTTT'UCIONAIS Aliomar Baleeiro. Sobre esse princípio. 202 da Constituição condensa diretrizes imperativas. que confere a seu beneficiário uma possibilidade de invalidação dos atos. as normas programáticas se revelam aptas a proteger tal .'<*-*> Por outro lado. Tais norinas programáticas encontram-se no limiar da plena eficácia.vas ou abstenç<*-*>es ao proprietário. 65 e ss. reconheceu-lhe a capacidade de criar direitos subjetivos aos interessados. ora uma prestação. norina Que tein como contrapartida a responsabilidade da autoridade coinpetente pelo não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público (art. em segundo lugar. no interesse da coletividade. Se não se tem o direito subjetivo no seu aspecto positivo. 208. Essa situação de dever iinporta o surgimento de uma situação jurídica contraposta. § 1Q). situação subjetiva. § 2Q). "Destarte. a todas as competências para elaboração de atos-regras. as leis e regulamentos fiscais. surge ele. mas não exclui. se a educação é direito de todos. considerado este como a possibilidade de exigir ora uma abstenção. direito subjetivo infieri. assim. discorrendo sobre o art. aos nossos olhos. como alguémjá disse. e.

279 (grifos nossos). Uma constituição é um conjunto sistemático e orgânico de normas. Rezava o dispositivo citado: "Os tributos terão caráter pessoal sempre que isso for possível. aliás. não restringe sua douhina ao mencionado art. cit. p. o patrimônio. incontestavelmente. como o do art. especialmente para conferir efetividade a esses objetivos. 157. e vários outros da Constituição. 159.Ef ヘ cácia das normas constitucionais sócio-ideológicas. 141 da Constituição (de 1946). II. 29.166. Estende a doutrina no tópico seguinte a outros dispositivos da Constituição de 1946 tidos como programáticos. nem todos os dispositivos citados são de natureza programática. até que se libertem pela rede da legislação ordinária.Estrutura e elementos das constituiç<*-*>es l. facultado à Adminishação tributária.174. 144. o que já seria bastante para Que se pudesse generalizá-la.zs e expressamente declara: "Os arts. apresenta-se como um todo unitário. basta um simples passar de olhos sobre o texto constitucional para verifi- . geram-nos em seu aspecto negativo.147. 163. respeitados os direitos individuais e nos termos da lei. Limitaç•es constitucionais ao poder de tributar. 156. IV. Mas. uma codificação de normas. identificar. 151. h. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte. vinculam os legisladores e os juízes".E J<*-*>cácia das normas constitucionais limitativas.Eficácia das normas constitucionais orgânicas. 141. 202.175. O vigente art. 26.145. podemos encerrar essas consideraç<*-*>es com a afirm<*-*>iva de que.148. confome demonstramos. Vai além. contêm igualmente outras tantas diretrizes condensadas.Estrutura e elementos das constituiç<*-*>es. Enfim. e serão graduados conforme a capacidade econômica do contribuinte". 146."2<*-*> Baleeiro. se as normas constitucionais programáticas não produzem direitos subjetivos em seu aspecto positivo. III . Para nós. 145. l<*-*>l . desde que se trata de uma tese aplicável a todas as normas programáticas. cujos efeitos práticos são prisioneiros do texto. 79 e 80.Eficácia das normas de estabilização constitucional.o legislador senão também para ojuiz. os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte". § 1Q.'9 30. I .164. CAPÍTULO VI ESTRUTURA NORMATIVA DAS CONSTITUIÇÕES E EFICÍCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS I. pp.. Ob. 158. Em regra. 27. organizadas coerentemente. Não obstante isso. 150. reza: "Sempre que possível. 28. que o poder constituinte julgou fundamentais para a coletividade estatal.Ef ヘ cácia das normas de aplicabilidade da constituição. Refere-se a artigos da Constituição de 1946.

bem como as leis fundamentais do período absolutista limitavam-se ao aspecto organizativo da estrutura estatal e de seus órgãos supremos. ob. então.car-se que suas normas incidem sobre matérias de natureza e finalidades as mais diversas. e como uma forma através da qual o poder político-social se converte em poder estatal. 47.5 2. Teoria de la Constitución. como algo que. As antigas. de outro lado. embora já se insinuassem na estrutura constitucional do absolutismo outros elementos que não se podiam conceituar como meramente orgânicos. Sob outro aspecto . dentro dela. de fato. certos tipos ou categorias de normas que a generalidade dos autores denomina elementos das constituiç<*-*>es. p. talvez. O termo é de García-Pelayo. no dizer de Carl Schmitt: "de um lado. continham simples elementos orgânicos. compostas de dois elementos..3 2. regras constitucionais técnicas ou procedimentais e regras constitucionais deônticas. jurídica e política. pp. como certas garantias formais. tomando o termo regra constitucional como gênero. A observação demonstra que cada categoria dessas normas ou elementos corresponde a determinado período histórico. sob o ponto de vista ontológico. pode-se tambérn classificá-la.s em regras constitucionais ônticas. e. certas prerrogativas da classe nobre e clerical. elementos novos que se integram na estrutura normativa das cartas políticas. está condicionado por ideais políticos. introduziu um elemento novo na estrutura constitucional: os direitos individuais ao lado do elemento orgânico. 4. como já acenamos antes -. com repercussão tambéin no tema da eficácia e aplicabilidade. de que nasceu o Estado Liberal. segundo a formulação de Montesquieu da técnica da divisão funcional dos Poderes e a formulação norte-americana da técnica da divisão vertical ou territorial dos Poderes. Daí surgiram as constituiç<*-*>es burguesas. caracterizando os direitos individuais. em nós. Se cogitamos do problema em termos gnosiológicos. ESTRUTURA NORMATIVA DAS CONSTITUIÇÕES E EFICÁCIA 1 S 1 . achava-se naqueles elementos orgânicos. e loc. supra. como um conjunto de normas jurídicas com determinado conteúdo. tais eram. enfim. que serve para pôr em prática o princípio da distribuição: o poder do Estado (limitado em princípio) se divide e se encerra em um sistema de competências circunscritas. e. distinguindo-se. o elemento político de que há de deduzir-se aforn:a de governo (. Mas a essência constitucional. por exemplo.. costumeiras ou escritas. sociológico e político". Idem. ao segundo chama de principio de organização ou orgânico. em sua estrutura e funcionamento. a cada etapa histórica. fulcro do Estado Federal. Suas normas. os princípios do Estado de Direito para a proteção da liberdade burguesaperante o Estado. Daí decorre que a "simples enunciação da palavra constituição provoca. a constituição se nos converte em um campo de aplicação de esquemas interpretativos de caráter jurídico. a cada tipo de estrutura sócio-cultural que definia um tipo de organização estatal. A revolução burguesa. cits.digamos.) propriamente ditã<*-*>4 Ao primeiro elemento denomina ele principio de distribuição ou de participação. agora. 3.147 e 231. uma espécie de representaç<*-*>es de índole estatal. em sua feição material. A evolução do constitucionalismo apanha. I Desse caráter polifacético das constituiç<*-*>esz originou-se o tema de sua estrutura normativa. Pensâmo-la como uma organização dos poderes supremos do Estado.

independente e completo em si mesmo. 7. declarando os direitos individuais dos cidadãos. segundo a doutrina de Bolingbroke. se une com elementospoliticojormais. como elemento sócio-ideológico. pp. com disposiç<*-*>es sobre organização dos Poderes. o conjunto de direitos econômicos e sociais do homem. estatuindo os principios fundamentais da divisão e equilíbrio dos Poderes. como elementos orgânicos. pela primeira vez. as constituiç<*-*>es contemporâneas. na mesma trilha. de 1789: "uma sociedade. t. b) elemento orgânico. E veio a Constituição de Weimar e consigna. como elementos limitati6. cit. que consagram determinados princípios e normas fundamentais .<*-*> Adolfo Posada também distingue no conteúdo das constituiç<*-*>es duas categorias de elementos: a) elemento dogmático. os direitos sociais e econômicos. Sob esses dois planos. ao lado dos direitos individuais. destaca que. entre outras normas formais ou de aplicabilidade e determinadoras da rigidez e defesa da constituição (normas de estabilização constitucional). ao lado de uma declaração dos direitos individuais. Locke e Montesquieu". trazem sempre um capítulo sobre a ordem econômica e social. . A Revolução de 1848 já inscreve no texto de sua Constituição provisória o direito de trabalho. a Constituição do México de 1917 sistematiza. p.6 Pinto Ferreira. I/17 e 18. <012> I 82 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS vos do poder. Ob. em geral.g Bem se vê que essa posição não difere da de Carl Schmitt. 233 e 234.16 da Declaração dos Direitos do Homern e do Cidadão. Em seguida. com suas express<*-*>es e declaraç<*-*>es definidoras e imperativas. no sentido de que o elemento próprio do Estado de Direito. não possui constituição".3. Tratado de derechopolitico. 47. determinação de suas respectivas funç<*-*>es e das relaç<*-*>es entre as instituiç<*-*>es que desempenham. ao lado dos seus direitos políticos. 8.. O próprio Schmitt concebe essa estrutura constitucional burguesa como constituição mista. válida apenas para as constituiç<*-*>es puramente liberais. "esses primeiros atos legislativos e constitucionais compunham-se de duas partes principais: um Bill ou Declaration of Rights. na qual não está assegurada a garantia dos direitos do homem e do cidadão. Assim.. e um Plan of Government. 4. palmilhando a trilha da Constituição de Weimar. a Revolução Soviética proclama a "Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado". as condiç<*-*>es e garantias da personalidade e certos direitos de liberdade etc. numa forma transacional e de compromisso. o conteúdo das constituiç<*-*>es satisfazia os requisitos do art. Depois. no determinar a estrutura da constituição. e um conjunto de normas estruturadoras do Estado e de seus órgãos.por exemplo: a fonte ou sede da soberania. por não levar em conta os elementos de compromisso e ideológicos das constituiç<*-*>es contemporâneas. Da constituição. nem determinada a separação de Poderes.

A constituição transformou-se. assim.os direitos individuais e liberdades fundamentais e sua proteção contra a intervenção de um ou de todos os detentores do poder. das constituiç<*-*>es contemporâneas. as que contêm os elementos limitativos dopoder consubstanciando especialmente o elenco dos direitos democráticos e individuais do homem. p. planejado igualmente com antecedência. e especialmente de Meirelles Teixeira. um documento de estrutura complexa numa unidade sistemático-formal. portanto. significando simultaneamente uma distribuição e. 153. as que consagram os elementos destinados a assegurar a solução de conflitos constitucio- . submetendo o processo do poder a uma direção autocrática etc. num conceito ao qual convergem diversas esferas da realidade. segundo sua natureza. A propósito. em sua estrutura normativa. com a finalidade de evitar que um deles.o método racional da reforma constitucional -. para evitar a concentração do poder nas mãos de um único e autocrático detentor do poder. Outros autores discutiram o tema. dispositivos e instituiç<*-*>es em forma de freios e contrapesos.. que quase se poderia dizer que uma constituição ilão parece estar completa quando não está imbuída. por todas as partes. no caso de não se produzir a cooperação exigida pela constituição. 10. c) um mecanismo.função oufinalidade: l) normas constitucionais orgânicas são as que contêm os elementos orgânicos do Estado e do poder. integrado de vários elementos. já citamos Pinto Felzeira. para quem uma constituição autêntica deve conter. bem como as garantias constitucionais desses direitos. Posada e Schmitt. razão por que os autores descobrem. cinco categorias de elementos. I3 3) normas constitucionais sócio-ideológicas. as que consubstanciam os elementos ideológicos. sem embargo de reconhecer o autor citado que "as recentes constituiç<*-*>es são tão conscientemente ideológicas. para evitar os bloqueios respeetivos entre os diferentes detentores autônomos do poder. 5. isto é. nela. como mínimo irredutível. uma limitação do exercício do poder político.l4 4) normas de estabilização constitucional. a lei fundamental deverá conter um reconhecimento expresso de certas esferas de autodeterminação individual . os seguintes elementos fundamentais: a) a diferenciação das diversas tarefas estatais e sua atribuição a diferentes órgãos estatais ou detentores do poder. de determinada ideologia". aqui. de compromisso. p. também estabelecido de antemão. b) um mecanismo planejado que estabeleça a cooperação dos diversos detentores do poder. para a adaptação pacífica da ordein fundamental às cainbiantes condiç<*-*>es <**>óciais e políticas .lo 9. Teoria de la constitución. Idem. d) um método. ESTRUTURA NORMATIVA DAS CONSTITUIÇ<*-*>ES E EFICÁCIA 1 S3 6. bastando-nos. para evitar o recurso à ilegalidade. à força ou à revolução. Servindo-nos dos dados da teoria constitucional desses autores.9 Nenhuma palavra foi reservada aos elementos sócio-ideológicos das constituiç<*-*>es contemporâneas. indicar a posição de Karl Loewenstein. e) fnalmente. resolva o impasse por seus próprios meios. de natureza econômica e social. podemos distinguir.l' 2) normas constitucionais limitativas. 212.ll bem como da observação direta do conteúdo das constituiç<*-*>es conteinporâneas.

l5 5) normas constitucionais de aplicabilidade. como se inserem num sistema. de eficácia plena e de aplicabilidade imediata. nas Disposiç<*-*>es Transitórias e nas regras sobr<*-*> promulgação e vigência. <012> 1 S4 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS Convém. A natureza. cit. ainda que estes mais voltados para a sustentação do regime. predominantemente. 85 e 86. ll . e III. nos seus Títulos III . condicionam-se reciprocamente. formando uma rede interpenetrante que confere coerência e unidade ao sistema. mas de maneira predominante. e também nos arts. a função e a finalidade desses elementos constituem pressupostos em que se assenta a maior ou inenor eficácia das normas constitucionais. não de um modo absoluto. I<*-*> Influenciam-se mutuamente. as que regulam os elementosformais de aplicabilidade da constituição. "a". 44135). X. de sorte que não se pode inteipretar uns sem ter presente a significação dos demais.183. 12. pela conexão recíproca de significados. como o nome . As normas de estabiiização constitucional podem ser encontradas nos arts. 11. Sendo. 16. As normas que coinp<*-*>ein o elenlento orgânico são. está intimamente vinculada a essa categorização e discriminação dos elementos da constituição. 6<*-*>-1 I) e os Títulos VII ("Da Ordem Econômica e Financeira". Esses elementos acham-se no Preâmbulo. adiantar que os elementos da constituição não têm valor isoladamente. sob a rubrica "Dos Direitos e Garantias Fundamentais" (arts.l6 7.exatameate denominado "Da Organização do Estado" (arts. 14. arts. 34-36. arts. geralmente. A eficácia jurídica das normas constitucionais. 102. pois. 15.nais e a defesa da constituição. Os elementos orgânicos da Constituição Federal concentram-se. como em seguida veremos. p. Mas isso não exclui a existência de significaç<*-*>es particulares e peculiares a cada bloco de normas Que. em conjunto.Eficácia das normas constitucionais orgânicas 8. arts.e IV . O Capítulo II do Título II ("Dos Direitos Sociais". 170-192) e VIII ("Da Ordem Social". 136-141.. SQ e 17). 193-232) contêm os elementos sócio-ideológicos."Da Organização dos Poderes" (arts. e cada instituição constitucional concorre para integrar o sentido das outras. Os elementos limitativos da Constituição Federal acham-se no seu Título II. 97. Ob. 13. constituem uma como que subunidade do todo e formam os elementos em si. 52. I. contudo. 18-43) .

segundo as conveniências do momento. onde as divergências inter-órgãos têm sido uma tônica de nossa experiência. ou não. porém. dos Poderes Públicos e de suas relaç<*-*>es entre si e com os governados. com alguma discricionariedade. são predominantemente de eficácia plena e aplicabilidade imediata. aqui. Precisamente porque essas normas constitucionais procuram exprimir a parte substancial daquilo que se costuma denominar de constituição material. como é exemplo o sistema brasileiro. Não cabe. cit. como seria a análise supra-acenada. visto que aí se observa não tanto um problema de eficácia jurídica das normas constitucionais. que interfere com o tema mais profundo da eficácia social (efetividade) da constituição. com precisão. basta compulsar nosso Estatuto Maior para verificar-se que o poder constituinte regulou direta e suficientemente a organização do Estado brasileiro e a estrutura dos Poderes govemamentais. através da definição de competências e respectivas funç<*-*>es. o constituinte se absteve de dar uma normação completa a certas norinas organizativas. p.. Por um motivo ou outro. expressando um juízo de valor. um julgamento de valor sobre esta última Questão. ob. 189. Que não a sociológica. limitando-se a delinear a estrutura orgânica de certas instituiç<*-*>es. disposiç<*-*>es de natureza organizativa da estrutura do Estado. em dizer que. não se está. quando se fala que regulou direta e suficientemente. isto é. . deixando para o legislador ordinário a complementação de sua eficácia. 9. C<028> J. postulando-se sua substituição pelo sistema parlamentarista. mas. complementasse a obra esboçada. da aplicabilidade imediata. muitas existem a respeito das quais o constituinte preferiu simplesmente debuxar princípios e esquemas. ESTRUTURA NORMATIVA DAS CONS7ITUIÇ<*-*>ES E rFICÁCIA 1 S) tas e a realidade subjacente.18 a 135 de nossa Carta Política. não se está exprimindo a idéia de que o tenha feito bem. ao qual se atribui a responsabilidade pelas crises permanentes.s maleável e propiciador de mais colaboração entre os Poderes. sob pena de abrirem oportunidade aconflitos constitucionais insolúveis. Do ponto de vistajurídico ein que nos colocamos. Verdade que nem assim tais conflitos são evitáveis. bem se compreende Que tais disposiç<*-*>es contenham normas que regulem e disciplinem. Apressamo-nos. mediante uina normatividade ulterior. um divórcio entre es- 17. no sentido de que as normas sobre essa matéria emanaram do constituinte com eficácia plena e capaz de incidir com a entrada em vigor da Carta Magna. especialmente. a fonte dos Poderes. a ponto de debater-se contra o presidencialismo. H. hão que ditar preceitos desde logo incidentes sobre o assunto de que cogitain. consubstanciadas nos arts. a forma de governo.está a indicar. E. abrindo a oportunidade para Que o legislador ordinário. mai. 10. se essas normas constitucionais orgânicas. Nossa preocupação situa-se noutra ordem de idéias. enfim. a forma de Estado. Meirelles Teixeira. das normas constitucionais. a divisão destes entre os órgãos governainentais (divisão funcional) e entre entidades territoriais (divisão vertical). mas um juízo de realidade.

que apenas devem ser acomodadas aos princípios ino- . funcionamento e competência da Justiça Militar (art. à constituição. 143). 18. ao exercício financeiro e gestão financeira (art. I). <*-*>2). do Distrito Federal e dos Municípios (art. 124. a atribuiç<*-*>es do Vice-Presidente da República (art. "c"). São de eficácia limitada. § 3Q). 146. IV). § 5ó). atribuiç<*-*>es e estatuto dos Ministérios Públicos (art. § 3<*-*>. 85. 23. § l<*-*>). ao estatuto da Magistratura (art. § 2<*-*>. à fixação de normas para a çooperação entre a União. à organização. sendo. pois. garantias e condiç<*-*>es de exercício dos órgãos da Justiça do Trabalho (art. à permissão para forças estrangeiras transitarem pelo território nacional ou nele permanecerem temporariamente (art. parágrafo único).ll. à organização. 79. parágrafo único). 113). de notar ser aí o seu cainpo propício. à instituição de juntas de conciliação e ulgamento. 142. à organização e funcionamento dos Conselho da República e da Defesa Nacional (arts. 90. e 91. VI. Dependem. 128. de uma legislação ulterior que lhes integre a aplicabilidade. 22 (parágrafo único desse artigo). às limitaç<*-*>es da competência estadual e municipal no que tange a suas dívidas públicas (art. Disso decorre a presença de várias normas constitucionais de princípio institutivo entre as de natureza orgânica. à organização administrativa e judiciária dos Territórios (art. à instituição de empréstimo compulsório (art. 52. à definição dos crimes de responsabilidade do Presidente da República. à obrigação de todos os brasileiros ao serviço militar (art. esse requisitos foram regulados pelo constituinte diretamente em relação aos servidores civis. investidura. à fixação de alíquotas mínimas e máximas nas operaç<*-*>es internas do imposto sobre circulação de mercadorias e prestação de serviços . os Estados.121). dos juízes de direito e das juntas eleitorais (art. o Distrito Federal e os Municípios (art. ao esta<012> 1 S 6 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS belecimento de requisitos para a imunidade fiscal das instituiç<*-*>es de educação e assistência social (art. aos limites de despesas com o pessoal da União. 93). à autorização aos Estados para legislar sobre Quest<*-*>es específicas das matérias relacionadas no ait. § 2Q). X. do respectivo processo e julgamento (art. à competência do Tribunal Superior do Trabalho (art. Assim são as que se referem à criação de Territórios e de Municípios (art. 125. §§ 2Q e 4Q). V). dos Estados. § 2Q. já incidiram (ou têm possibilidade de incidir) imediatamente. § 2Q). à atribuição de sua jurisdição a juízes de direito (art. 155. por isso. à organização e competência dos tribunais. 142. estabilidade e outras condiç<*-*>es de transferência do servidor militar para a inatividade (art. à atribuição de encargos paramilitares às mulheres e eclesiásticos (art. art. 148). 165. 143. mesmo. VI e VII). aos con:litos de competência em matéria'tributária (ait. nos termos dessas leis preexistentes. 40). ao limite de idade.ICMS (art. 111. parágrafo único). como já icou dito. jurisdição. pelo quê elas. parágrafo único). à criação de tribunais e juízes Inilitares estaduais (art. 21. § 3<**>). A maioria dessas normas remete a uma legislação que já existia ao tempo de sua entrada em vigor. competência. preparo e emprego das Forças Armadas (art. § 9Q). 169). 150. à organização. 33).

5Q e 14 a 17. comporta assinalar que raramente se encontram normas constituciona?s de eficácia contida e de princípio programático entre os elementos orgânicos da Constituição. as normas que autorizam a criação de tributos também são dessa natureza (consoante já dissemos). que pode. esta se faz indispensável. Há. As normas limitativas (elementos dogmáticos ou limitativos) imp<*-*>em restriç<*-*>es e deveres aos poderes governantes e. Distrito Federal e Municípios). e estas não podem efetivar-se sem previsão legal (art. requisitos e condiç<*-*>es estabelecidos para o uso da faculdade outorgada. mas está vinculado à forma. Situain-se predoininantemente entre os dispositivos que estatuem sobre as declaraç<*-*>es dos direitos fizndamentais e democráticos e garantias constitucionais desses direitos.vadores que a Constituição. por se tratar de emprego de recursos públicos. São essas normas. 22. 12.155. ou não. há que obedecer às regras constitucionais que determinam seja feito mediante lei (art. segundo a forma. 150. Ora. I ("os cargos. 16. § 1Q). conferem direitos subjetivos aos governados. parágrafo único. decidindo fazê-lo.154. embora a norma não mencione a necessidade de lei.149. outras de resolução senatorial ou de decreto. senão daquelas conferidas. o art.Eficácia das normas constitucionais limitativas 15. ainda. mas. porventura. São aquelas que estatuem diretamente sobre os interesses configurados mas prevêein.Is 50. V. condiç<*-*>es e limites estatuídos no conjunto de disposiç<*-*>es sobre o Sistema Tributário Nacional. em casos especí icos. também. I50. Finalmente.156. no sentido de que não se pode usar de outras competências. já que se trata de realização de despesas. as quais têm sua eficácia e aplicabilidade sempre subordinadas à vontade do destinatário da autorização. De eficácia contida parece-nos ser a do art. . especialinente entre os arts. dotadas de eficácia vedatória. § IQ. Em nosso Estatuto Político Máximo aparecem concentradas no Título II. contudo.153. § 7Q. No mais das vezes. por exigência de outras disposiç<*-*>es constitucionais ou em razão da matéria de que se cogita. entre as quais "a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e. 148. para o desporto de alto rendimento". em contrapartida. Págínas atrás. I). que prevê o fomento de práticas desportivas. claramente necessita dessa normatividade posterior. 13. utilizar-se da competência ahibuída. afinal. Aliás. que goza de inteira discricionariedade quanto à sua aplicação. Estados. pois estatuem mera possibilidade de instituição dos tributos indicados a cada entidade pública (União. contempla nos seus incisos algumas medidas para tornar realidade o fomento prometido. § 2Q. 136 e 137. 37. Por ESTRUTURA NORMATIVA DAS CONSTITUIÇÕES E EFICÁCIA 187 exemplo. pelos seus termos. Há casos em que a norma constitucional não menciona uma legislação que lhe dê eficácia. II. XIX. nessa parte da Constituição muitas normas de caráter facultativo (arts. a norma constitucional limitou-se a eonstitucionalizar regras ou orientação ordinária precedente. 37. umas dependentes de lei. 14. parágrafo único. distinguimos um conjunto de normas que denominamos normas de eficácia contida. III . tenha trazido. 167). 217. mas. empregos e funç<*-*>es públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei").

). para sempre. se poderá ser vedada em certos períodos críticos da nação. cabendo. entretanto. repetir que normas de eficácia contida são também aquelas que fazem referência à ordem pública.'o Logo adiante. Do exposto conclui-se facilinente que as normas limitativas são de eficácia contida. para verificarmos particularidades relativainente ao assunto agora vinculado com a eficácia dos elementos dogmáticos ou lünitativos. A ausência de lei regulamentar significa incondicionamento do exercício do direito outorgado. a fim de que o exercício desses direitos e o auferimento dessas vantagens por uns não venham a prejudicar os interesses dos outros. a regra não sofrerá limitações. 17. <*-*>9 Esta deve decorrer de uma lei. 5ó. ou a circundasse de tais restriç<*-*>es que praticamente alcançasse o mesino resultado". à qual cabe decidir se a greve será admitida só para fins econômicos ou também para fins políticos..enfim. estatui: "aos autores pertence o direito exclusivo de utilização. pelo quê nos permitimos longa citação do seu pensamento: "A determinação dos liinites entre os quais é exercitável o direito de greve é deixada ao arbítrio da lei. O direito dos herdeiros. mas o direito fundamental de greve deverá ser salvaguardado. como conceitos que condicionam a atividade discricionária do poder de polícia. se deverá ser admitida para todos os trabalhadores ou se poderá ser excluída para aqueles que prestem certos serviços. a nossa Magistratura (. no caso.iência. uma idéia do problema. e seria inconstitucional a lei que a vetasse. não havendo a lei.. no entanto. ao tema. XXVII. Mas a segunda norma do dispositivo já contém uma regra que possibilita a contenção de sua eficácia. que dispõe que o direito de greve se exercita no âmbito das leis que o regulam) situa bem o problema. que terá de circunscrever-se a regulamentar o exercício daqueles direitos. não se poderá impedir a transmissão por herança dos direitos autorais. para oferecer novos exeinplos. A lei poderá opor limitaç<*-*>es. a norma não é propriamente de eficácia limitada. É um direito que não depende de lei. transmissivel ao herdeiros pelo tempo gue a leifixar". A primeira parte do dispositivo confere um direito incondicionado e incondicionável. e tais direitos ingressarão no patrimônio do herdeiro. opera-se eficaz e diretamente uma vez verificada a condição de fato implícita: morte do titular do direito autoral. Já temos. e assim por diante. É de advertir que esses conceitos e elementos de contenção das normas constitucionais definidoras de direitos. Se ela for promulgada. publicação ou reprodução de suas obras. Pois bem. desde que esta não tolha completamente a eficácia da regra constitucional.meios de conter sua própria eficácia em limites que atendam à ordem pública. então apresentada. assim. à segurança. Note-se bem: embora mencione uma legislação ulterior. nota-se claramente que as norinas de eficácia contida (ou com possibilidade de ser contida por uma regulamentação ulterior ou por conceitos gerais nelas consignados) manifestam-se. tem admitido que o princípio posto . per se stante. Esta virá para contê-lo no tempo. bons costumes etc. 40 da Constituição italiana. não podem tolhêlos completamente. A regra do art. Balladore Pallieri (comentando o art. conclui: "Falta ainda a lei dispondo sobre o direito de greve. pela exemplificação. Há limites nessa liinitação. Mas. à efetividade mesma dos direitos e vantagens nela outorgados -. dar-se-á a restrição nela imposta. detendo-se onde obtiver uin equilíbrio tal que todos possam igualmente auferir da situação de vantagem conferida. todavia. aos bons costumes . com mais freqi. por ela.. Voltemos. constituindo norma plenamente eficaz e imediatamente aplicável. naquela expressão "pelo tempo que a lei fixar". entre as disposiç<*-*>es que consagram os direitos democráticos e individuais do homem e as garantias constitucionais.

com ou sem fiança"). se<*-*>undo a doutrina. I. em quarto lugar. especialmente de princípio institutivo. 5. que assim rezava: "É assegurada aos acusados plena defesa. 153. era o retrocesso verificado em relação à defesa do acusado. agora. reforçado pela norma do § IQ do mesmo art. apesar disso. em termos completos. 5<*-*>: "LV . e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. o que envolvia tatnbém o principio da isonomia processual. de uma constituição a outra. assinada pela autoridade competente. claro estava que a lei é que iria assegurar. será entregue ao preso dentro em vinte e quatro horas".ninguéin será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória. enquanto a de 1946 estatuía que ninguém seria levado à prisão ou nela detido se prestasse fiança permitida em lei. 153. Exemplos disso eram encontrados especialmente na Constituição revogada. enunciando aquelas normas com eficácia plena (art. peremptoriamente. Mas existem também as de eficácia plena. em primeiro lugar. se tem que sua eficácia se revela plena.no caso. porém. em processo judicial ou administrativo. 5<*-*>: "As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplieação ünediata". o que. que. significando isso que ao acusado cabia sempre defender-se amplamente. determinava que a instrução criminal seria contraditória. segundo o qual a lei asseguraria aos acusados ampla defesa. no § 25 do seu art. Há casos em que a Constituição submete algum procedimento à . Certo é que. ein segundo lugar vinha à colação o disposto no § 4<*-*> do mesmo art. em condições de declarar que as normas liInitativas em sua maioria são de eficácia contida. Não são mais direitos dependentes de lei. III. que consubstanciava a garantia da jurisdição. dependente de legislação. examinada em face de outras. sendo. bastando lembrar as consubstanciadas no art. que podem. e também para destacar que uma norma isolada pode parecer de eficácia reduzida mas. 18. como estava na Constituição de 1969. com todos os meios e recursos essenciais a ela. Tudo isso. assün. com os recursos a ela inerentes. Essas considerações são feitas para mostrar a natureza das normas constitucionais. assumir maior ou menor eficácia. aquela norma do § 15 do art. que assegurava o principio da igualdade perante a lei. A Constituição de 1988 retomou a tradição da Constituição de 1946. com os meios e recursos a ela inerentes". 153. da Constituição Federal. IV etc. além do mais.aos litigantes. importava também a segurança do processo e da defesa. em terceiro lugar vinha ainda a pêlo o § 1<*-*> do mesmo art. com os nomes do acusador e das testemunhas. acusador (Estado ou particular) e acusado. II.153 da Carta de 1969 dizia que a lei disporia sobre a prestação defiança.pela Constituição vale. já encontrou leis assecuratórias da ampla defesa. 141. que reduziu a eficácia das seguintes normas assecuratórias dos direitos fundamentais do homem e garantias constitucionais. que. 153 da Carta de 1969 deveria ser entendida em consonância com o § 16 do mesmo dispositivo. que se manifestava no tratamento igual às partes . fazendo-as depender de legislação integrativa: o § 12 do art. Estamos. que não poderiam ser inodificadas para restringir a amplitude da defesa dos acusados. sem indicar para quê. "LXVI . e o direito de greve subsiste desde então". pois saem diretamente das normas constitucionais que os enunciam. ao passo que a matéria fora regulada direta e eficazmente pelo constituinte de 1946. de natureza confirmativa das norinas preexistentes. mais grave. Encontramos entre os elementos dogmáticos ou limitativos regras de eficácia limitada.. prevista no § 15 do art. desde a nota de culpa. finalmente. aquele § 15.

no entanto. e deveria estar entre as normas da ordem econômica. A eficácia das normas constitucionais sócio-ideológicas (que. direitos que. É certo que os eleinentos sócio-ideológicos das constituiç<*-*>es trazem a marca de compromisso que caracteriza o constitucionalismo contemporâneo. tendo em vista o § IQ do art. 20. na falta da lei. de acordo com certa corrente doutrinária. hoje aparecem como regras de eficácia plena e aplicabilidade imediata. Se não existisse. O fato de a norma constar como direito individual tem que ter conseqüência. vão elas captando mais e mais conteúdo concreto. § 4ó. 170232) merece exame atento. Mas. Só numa situação como essa? No caso em exame. A lei já existe. Que significado tem o § ló do art. mediante justa e prévia indenização em dinheiro. mas apenas mediante um procedünento que a lei há de instituir. e muitas de suas disposiç<*-*>es não conseguiram força diretamente operante. 5Q. nesse caso. o direito do artista contratado para uma novela televisiva de participar nos resultados dos negócios posteriores que a emissora contratante auferir com a venda da novela para outra emissora no País ou no Estrangeiro. r2os termos dn lei: a) a proteção às participaç<*-*>es individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas. temos um norina de eficácia limitada de princípio institutivo (institui um procedimento). . enquanto outras ingressaram no rol daquelas de princípio institutivo. Interessa observar que. em virtude do quê prospera acerltuada tendência de considerá-las. A parte final refere-se aos casos de pagamento em títulos (arts. limitando-se a traçar princípios e esquemas programáticos. Aí é que está a eficácia da norma por estar entre as de direitos individuais. por exemplo. de natureza programática e de nenhuma eficácia. inclusive nas atividades desportivas: b) o direito de fscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores. III. ou por interesse social. de constituição em constituição. segundo expressão de Crisafulli. nas constituiç<*-*>es anteriores. e várias delas que. Mas. dado que é aí que se localizam as disposiç<*-*>es incômodas. A norma gera direitos individuais. e 184). a lei mencionada no texto é imprescindível para definir cláusulas contratuais que se devam organizar em favor do participante em obras coletivas etc. Veja-se. eIn nossa Carta Constitucional Básica. 19. o que é um reforço ao direito de propriedade consignado no inciso XXII do mesmo art. simples programa a ser desenvolvido mediante lei. Mas o § 1<*-*> do art. cuja validade já confutamos. Quer dizer: ela prevê a possibilidade de desapropriação. 182. aos intérpretes e às respectivas representaç<*-*>es sindicais e associativas". a desapropriação não poderia realizar-se. aos poucos. o Poder Judiciário não pode deixar de apreciar pleitos de interessados que provem a ocorrência de fatos que lhes dêem tais direitos. o texto do inciso XXIV do art. Mais di icil de analisar e entender é a norina do inciso XXVIII do art. se acham entre os arts. Uma situação protegida aí é. porque se acha inserida entre estes. Como conciliar a incoerência? Vê-se que a norma não é típica de direito individual. embora os contratos sejam omissos na sua previsão. como exemplo. todas ou quase todas. 5<*-*>'. 5": "a lei estabelecercc o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública. ressumbravam mero ideal a ser atingido. o gozo desses direitos só se efetiva nos termos postos pela lei. SQ declara que "as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata". por se referir a relações contratuais. ressalvados os casos previstos nesta Constituição". Então. são assegurados apenas nos termos dn lei. 5<*-*>: "são assegurados.lei com o intuito de reforçar um direito fundamental ou uina garantia constitucional.

Já apontamos. embora. porém.A Constituição vigente regula diretamente os direitos dos trabalhadores. 208. entre os previstos. nossas vistas para as normas sócio-ideológicas de eficácia plena. ela deu um passo à frente em relação ao correspondente art. art. 200. Aqui. para. com particular atenção àquelas que conferem direitos aos trabalhadores. o direito de participação nos lucros. pois o não-cumprimento real da regra não lhe retira a capacidade de reger diretamente o interesse nela previsto. 157 da Carta de 1946. 207 e § 2<*-*> (EC 11/96. 9Q. 181. ait. 192. <012> 19<*-*>1 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTrf UCIONAIS Nem se diga que há direitos. Comentários à Constituiçdo de 1946. Tais preceitos tinham nítido sabor programático. em dezessete itens e uin parágrafo.173. XX e XXVII. 174. menos os §§ 3Q e 4Q. além deles.172. com seus parágrafos. 23. bastantes em si. 177 e seus incisos (não os parágrafos). 194. 2I5 (também eficácia jurídica plena. 177. 22.)". limitar-nos-emos a indicar. § 3Q (a aplicabilidade desse § 3<*-*> não depende da lei complementar prevista no caput do artigo. outras. § 3Q. entre as sócio-ideológicas. dizia que a legislação do trabalho e a da pr-evidência social obedecerão aos seguintes preceitos. como o da "redução dos riscos inerentes ao trabalho. caput e seus §§ 1Q(EC 6/95).175 e seu parágrafo único. as noimas programáticas da Constituição vigente. 8Q (liberdade sindical. art. agora. depois. parágrafo único. exemplificativamente. coin razão. art.princípio institutivo). 209 a 212. ainda programáticos. 222 e 223. e o da . programaticamente. art. 180.. alguns dos dispositivos que as contêm: art. 214 e 218 e § 4Q. 220. art. Voltemos. art. além de outros que visem à rnelhoria da condição dos trabalhadores". que não podem ser auferidos de imediato. já foi regulamentado. arts. 22.z de natureza diferente: algumas. porque tein autonomia própria e poderia até constituir-se em artigo autônomo).. com efeito. deixando de ser programático. em termos inequívocos: "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. inciso XI. 192. diretamente estabelecida pela Constituição). 7Q da Constituição. Vamos. 226. no art. 176. Reservainos o espaço final desta parte de nosso estudo para um exame mais detido das noimas do art. Em seguida. 7Q. § 3ó. e 228. alhures. 2ó e 3<*-*> do art. reservando-se. descortinarmos as de eficácia plena. 24. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (. t. Este. Contêmprincípio institutivo as disposiç<*-*>es dos arts. Pontes de Miranda visse neles regras jurídicas . expunha os preceitos que a lei deveria consagrar. higiene e segurança". §§ 1". o § 1<*-*> é de eficácia limitada -.21. as de princípio institutivo primeiramente. São várias. 3Q e 4Q. por meio de normas de saúde. VI/10. arts. outros que. se a regulamentação é ou não satisfatória é outra questão) foram diretamente conferidos pelo constituinte aos trabalhadores. art. mostrar. onde estatui. art. § 2Q. nem sua aplicabilidade imediata). mas não socialmente efetiva. 206. arts. não. visem à melhoria de sua condição social. que são de natureza institutiva. Não parece haver dúvida: todos os direitos constantes dos incisos daquele artigo (salvo os direitos indicados nos incisos V.

"assistência gratuita aos flhos e dependentes desde o nascimento até seis anos de idade em creches e pré-escolas" (art. 7ó, XXII e XXV). Pode ser problemático e até difícil o cumprimento do dever contraposto a esse direito. Mas aos trabalhadores corre um reconhecimento de sua exigibilidade, podendo, para tanto, recorrer às vias judiciais para constranger as instituiç<*-*>es de previdência ao adünplemento da prestação assistencial prevista. Não precisamos examinar todas as normas, que agora tomaram sentido de uma real declaração dos direitos dos trabalhadores. Analisemos, contudo, o direito de greve, asseDurado no art. 9Q aos trabalhadores, a quem compete, ainda, decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender, salvo a greve dos servidores públicos (art. 37, VII). Aí, a Constituição confere aos trabalhadores o direito de greve, diretamente. Será inconstitucional a lei Que vise a regular o direito de greve. A lei referida no § 1<**> do art. 9ó não interfere com a eficácia do direito de greve, em si, mas incide no seu procedimento em relação aos serviços ou atividades essenciais, porque disp<*-*>e sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade; e, nesse caso, a operação da greve fica sujeita à observância do que dispuser a lei. Há, aí, num limite bastante estreito, uma forma de norma de eficácia contida. Tudo isso significa que não mais se poderá fazer distinção entre greve econômica e greve política para considerar uma ou outra ilícita. Os fins, os motivos, da parede não mais podem justificar interférência do Poder Público sob a alegação de ilicitude, já que aos trabalhadores corre o direito de decidir sobre os interesse que devam defender por meio do direito de greve. A lei que assün dispuser restringirá a norma constitucional, e terá sua validade comprometida. E a autoridade que assim agir estará cometendo crime de responsabilidade, se não outro mais grave. Diferente é o direito de greve previsto para os servidores públicos, conforme disp<*-*>e o art. 37, VII: "o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei complementar". Na prática , "é quase o mesmo que recusar o direito prometido; prüneiro porque, se a lei não vier, o direito inexistirá; segundo porque, vindo, não há parâmetro para seu conteúdo, tanto pode ser mais aberta como mais restritiva. Depende da coirelação de forças. Por isso, é melhor constar ESTRUTURA NORMA?IVA DAS CONSTI?UIÇÕES E EFICÁCI.A I 9S o direito com esses condicionamentos do que não ser constitilcionalmente reconhecido, z3 V- Eficácia das normas de estabilização constitucional 2ó. As constituições são feitas para perdurar regendo as estruturas, situações, comportamentos e condutas que suas normas têm como aferidas aos valores jurídicos necessários à convivência social na coinunidade a que se referem. A permanência de determinada ordem constitucional depende de fatores extrínsecos e de fatores intrínsecos. Os extrínsecos, que asseguram a durabilidade da constituição, são de ordem sociológica e psicológica, como ocorre na Inglaterra. Os intrínsecos são técnicas, criadas pelas próprias nonnas constitucionais, destinadas a assegurar a sua estabilidade e defesa. "A Constituição, [diz Pontes de Miranda) pelo fato de existir, é

lei. Como lei imp<*-*>e-se. As leis ou são infringidas pelos indivíduos, ou pelos próprios órgãos do Estado. Defendê-las é um dos propósitos técnicos. A defesa da Constituição deve passar à frente de Qualquer lei, por ser a lei que constitui o Estado, depois de construido. Além de ser defendida contra as violaç<*-*>es, reage a Constituição contra as tentativas de mudança que não atenderem às regras sobre reforma".24 27. A essas nonnas que provêem sobre as técnicas de defesa da constituição é que chamamos de normas de estabilização constitucional. Fornecem os elementos assecuratórios da durabilidade da constituição, estatuindo sobre defesa, guarda e rigidez constitucional.z5 Mas, ainda na lição de Pontes de Miranda, "a técnica da defesa da Constituição eompoita problemas diversíssimos, como o problema da guarda da Constituição e o da rigidez constitucional, aquele ligado a órgão defensivo e este ao coeficiente de estabiÞidade das regras constitucionais".'6 23. Cf. nosso Curso de direito constita<*-*>cionalpositii<*-*>o, p. 669. 24. "Defesa, guarda e rigidez das constituiç<*-*>es", RDA 4/3. 25. Pontes de N:iranda, in "Defesa, guarda e rigidez das constituiç<**>es ", RDA 4/1-12 e 5/1-2<*-*>, cuidou magnificamente do tema sob a perspectiva das técnicas existentes. Esse ângulo não é o que nos está preocupando aqui, pelo quê só é exposto na medida suficiente à sua compreensão. A nós interessa apenas examinar a eficácia dessas técnicas. 26. Trabalho cit. supra, RDA 4/3. <012> l 96 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS As normas constitucionais de estabilização (ou defesa) da constituição indicam-nos não só as técnicas e os meios para tanto, mas também: a) a quem cabe defendê-la e guardá-la; b) contra Quein se dirigirão a defesa e guarda. 28. Rigidez constitucional e inconstitucionalidade das leis. São dois sistemas técnicos das constituiç<*-*>es modernas destinados a assegurar sua estabilidade contra as izivestidas do legislador ordinário. l. A rigidez, como se sabe e já dissemos, refere-se à maior dificuldade da mudança das constituiç<*-*>es e confere às suas normas supremacia jurídica em relação às demais regras jurídicas da ordenação estatal. Impede sua modificação por via de legislação ordinária ou complementar e gera a invalidade ou ineficácia das leis e atos Que a infringirem. Significa isso Que as normas que consubstanciam o princípio da rigidez constitucional funcionam, a um tempo, como instrumentos assecuratórios da eficácia das outras disposiç<*-*>es inseridas no estatuto maior do Estado e como reguladoras dessa eficácia no tempo, visto que, admitindo sua modificação mediante lei de emenda constitucional, demonstram que sua ünutabilidade não é absoluta, mas relativa. A norma constitucional que permite emendas à Constituição Federal é meramente facultativa, quanto à propositura da mudança: "A Constituição poderá ser emendada" - diz o art. 60. As demais regras sobre o assunto (incisos e parágrafos do art. 60) são todas de eficácia

plena e de aplicabilidade imediata, uma vez desencadeado o processo de elaboração da emenda constitucional. Ao discriminar, no art. 60, os titulares do poder de iniciativa da emenda, a Constituição não imp<*-*>e a obrigação de utilizar-se desse poder, mas é itnpositiva no <**>zitido de que a iniciativa só pertence àqueles titulares ali indicados, e mais: há que respeitar os requisitos exigidos nos incisos I e III do mesmo artigo. São também plenamente eficazes e de incidência direta as regras dos §§ 2Q e 3<*-*> relativamente ao modo de funcionamento do Congresso Nacional, discussão, votação, aprovação e promulgação da emenda constitucional. Não se tratando de matéria interna corporrs, o desrespeito a essas regras ünporta inconstitucionalidade da lei de reforma da Carta Magna. Merecein destaque, no teina Que nos ocupa, as normas dos §§ 1<*-*> e 4ó, pela relevância que apresentam ein relação à e icácia das normas constitucionais. O segundo institui um núcleo juridicamente imodificável - "Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendenI ESTRUTURA NORMATIVA DAS CONSTITUIÇ<*-*>ES E EFICÁCIA I 97 te a abolir: I - a fozTna federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais" -, ampliando o núcleo ünodificável em relação às constituiç<*-*>es anteriores. O primeiro retira a eficácia das disposiç<*-*>es sobre emenda constitucional Quando outro grupo de normas de estabilização e defesa da Constituição (as que regulam a intervenção federal, o estado de defesa e o estado de sítio) incidem. Eis aí, nesta última hipótese, um fenômeno curioso ligado ao tema da eficácia das normas constitucionais. No instante em que um gzupo de normas manifesta sua eficácia, por via de uin mecanismo de coordenação e recíproco condicionamento, retrai-se a eficácia de outras disposiç<*-*>es; a norma do Questionado § 1 <*-*> do art. 60 vincula a técnica de revisão constitucional com a técnica de defesa da ordem criada e sustentada pela Constituição, Quando estatui: "A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio". Mais importantes, contudo, são as normas do § 4Q, que vedam emenda constitucional tendente a abolir as situaç<*-*>es constitucionais ali enumeradas, como visto acima. Sua eficácia é plena e sua aplicabilidade é direta e completa, desde que a Constituição entrou em vigor. Assim, por exemplo, a norma do inciso I do § 4Q do art. 60 impozta conferir eficácia jurídica permanente às normas que estruturam a Federação. Não apenas à regra declaratória do art. 1<*-*> da Carta Política , mas a todas as normas que constituain desdobramentó lógico do princípio federativo, como, por exemplo, as que conferem autonomia aos Estados-membros (o que implica a existência de órgãos próprios e uin mínimo de competências exclusivas).'<*-*> O inciso II do mesmo parágrafo reporta-se às regras do art. 14. O inciso III, ao princípio esculpido no art. 2Q ("São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário"), com os desdobramentos do Título IV sobre a organização dos Poderes. Finalmente, o inci-

A questão da inconstitucionalidade das leis vincula-se ao da rigidez da Constituição.o Procuradór-Geral da República.a Mesa da Câmara dos Deputados. VII . Compete ao Supremo Tribunal Federal. proferidas pelo supremo Tribunal Federal..o Presidente da República. c) "Art. citará. c) julgar válida lei ou ato de governo local çontestado em face da Constituição". § 4ó: "A ação declaratória de constitucionalidade poderá ser proposta pelo Presidente da Repílblica. 102.. h) art. 103. b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. o Advogado-Geral da União. Interessa apenas destacar as normas da Constituição Federal que cuidam do assunto. as causas decididas em única ou última instância. Somente pelo voto da inaioria absoluta de seus membros ou 27. IX . V . produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante. 97. cabendo-lhe: I . <*-*> art. VI .o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição. mediante recurso extraordinário. in El federalismo. 52.. 190. "E1 Estado federal en el derecho positivo'.confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional".julgar. § 1<*-*>: "O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas aç<*-*>es de inconstitucionali<*-*><**>de e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal". e) "Art. Charles Durand. Compete privativamente ao Senado Federal: (. pela Mesa da Câmara dos Deputados ou pelo Procu- .processar e julgar originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal.so IV envolve os direitos e garantias individuais referidos no art.. b) "Art. § 2Q: "Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional.) III . São as seguintes: a) "Azt. em tese.103. nas aç<*-*>es declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. 5<**>. VIII .a Mesa de Assembléia Legislativa. relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo".) X . II . d) art. 102. Cf. i) art. IV . 2. previamente. no todo ou em parte.103. para verificarmos a natureza de sua eficácia. Do teina não trataremos aqui. de norma legal ou ato normativo. 103. <012> 198 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTTTUCIONAIS dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". p.suspender a execução. I03.partido político com representação no Congresso Nacional.<*-*> art. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal". que defenderá o ato ou texto impugnado". § 2ó: "As decis<*-*>es definitivas de mérito. a guarda da Constituição. § 3<*-*>: "Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. Podem propor a ação de inconstitucionalidade: I . em se tratando de órgão administrativo. pela Mesa do Senado Federal. (. III . precipuamente .o Governador de Estado.a Mesa do Senado Federal. para fazê-lo em trinta dias".

X.e. Os arts. 165 e 166). Por isso. de eflcácia plena e aplicabilidade imediata. vigência e cessação do estado de sítio. porque. com isso. determinando Inedidas coercitivas autorizadas nos limites fixados no § l<*-*> do art. 136. quando um grupo de insurretos pretenda aplicar um golpe de Estado para derrubar o Presidente da República. A Constituição regula o processo legislativo (arts.ÁCIA dem sem necessidade de legislação ulterior. § 2<*-*>). Observe-se que essas normas interferem com aquelas que conferem o poder de legislar e de emitir decretos e prolatar sentenças. Presume-se que os atos legislativos se conformem à Constituição e a respeitem. em certa medida. que pode ser decretado pelo Presidente da República. 137). desde que não excedam o prazo de sessenta dias. Daí a razão por que sua ineficácia geral (erga omnes) se dará: a) com a publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal no caso de declaração da inconstitucionalidade em ação direta (art. prorrogável uma vez por igual período (art. inciESTRUTURA NORMATIVA DAS CONSTITUIÇÕES E EFIC. 52. como se vê. "a") e no caso de decisão de mérito nas aç<*-*>es declaratórias de constitucionalidade (art.declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira". § 2Q). a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporç<*-*>es na natureza". As medidas autorizadas são de interferência coativa na autonomia privada dos indivíduos e serviços públicos. duração. verificados os pressupostos e situaç<*-*>es descritas.138 e 139 estatuem normas sobre amplitude. em decisão definitiva tomada pelo voto da maioria de seus membros (arts. I.devem sê-lo . medidas coercitivas. E note-se o conceito de ordem pública e de paz social como preceito de contenção da eficácia de normas consubstanciadoras de direitos fundamentais. 102. São normas. milita em seu favor uma presunção de constitucionalidade. 61-69.rador-Geral da República". b) depois que o Senado Federal suspender a executoriedade da lei julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 29.com base em normas constitucionais também de eficácia plena.comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa. Todas essas normas visam à estabilização e à defesa da Consti<012> ?OO APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS tuição. contra processos violentos de mudança ou perturbação da ordem constitucional. está-se defendendo diretamente a norma constitucional que garante um determinado período presiden- . Por exemplo. II . nos casos de: "I . O primeiro indicado é o estado de defesa (art. embora existam leis que disciplinem processos e procedimentos visando à declaração de inconstitucionalidade das leis e demais atos. ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. depois de autorizado pelo Congresso Nacional (art. Estado de defesa e estado de sitio. 102. "para presen<*-*>ar ou prontamente restabelecer. as normas de estado de sítio podem ser utilizadas para impedi-lo . O estado de sitio pode ser decretado pelo Presidente de República. pois são feitos . e 97). 136). em locais restritos e determinados. 136.

Mas essas normas têm eficácia limitada. especialmente o Supremo Tribunal Federal. também. 32. Tais órgãos são os seguintes: a) os juízes e tribunais. Responsabilidade do Presidente da República. e nisso eles são plenamente eficazes e de aplicabilidade imediata. c) a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Intervenção nos Estados. e 139. O desencadeamento da eficácia dessas normas importa diminuição ou até suspensão da eficácia de outras. o Presidente não é obrigado a decretar nenhum dos estados indicados. Não pode. Há. III e IV. e) "a segurança interna do País". 31. o estado de sítio e a intervenção nos Estados. 86. estabeleça as regras de seu processo e julgamento. porque aqueles artigos já oferecem quase todo o seu conteúdo.e. A lei especial há que respeitá-los. a eficácia . 34 e 35. Entretanto. por inconstitucional. verificados os pressupostos indicados nos arts. inventar outros crimes de responsabilidade além dos previstos. 30. Finalinente. 85 e seus incisos I. Outorga-se-lhe simples faculdade para tanto. garantias e prerrogativas. uma vez utilizada esta. § 1Q. Finalmente. especialmente das que conferem direitos. Se a rebelião visa à mudança de regime. Eis aqui outro instituto constitucional previsto com a finalidade de estabilização e defesa da Constituição. 85 e 86 da Constituição constituem regras de princípio institutivo. a quem cabe decretar o estado de defesa. 34 a 36 do nosso Estatuto Maior. Órgãos de guarda da Constituição. 136.cial. poucas palavras sobre as normas que indicam os órgãos incumbidos da guarda da Constituição. Especialmente são dessa natureza as do art. consoante enumeração dos arts. que consideram crimes de responsabilidade do Presidente os atos dele que atentarem contra: á) "a Constituição Federal". é mais acentuado que o de decretar o sítio. obrigatoriedade de fazê-lo quando ocorrem os requisitos previstos no art. do Ministério Público e dos Poderes constitucionais dos Estados". II. se havia lei anterior regulando a matéria. Vale dizer que as normas dos arts. com o quê sua eficácia fica reduzida. entre outras. À ESTRUTURA NORMATIVA DAS CONSTITUIÇ<*-*>ES E EFICÁCIA 201 lei especial cabe completá-las. 36. deverá ater-se apenas aos pormenores. a parte dessa lei que contrariar tais dispositivos fica revogada. essas normas têm a mesma natureza daquelas do estado de sítio. c) "o livre exercício do Poder Legislativo. como se viu. pois dependem de lei especial que defina esses crimes. O processo e o julgainento terão. Algumas normas sobre a responsabilidade do Presidente da República também devein ser incluídas entre as de estabilização e defesa da Constituição. Dão os princípios. individuais e sociais". mesmo. o desencadeamento da eficácia das nonnas de estado de sítio objetiva assegurar a defesa . do Poder Judiciário. b) "a existência da União". b) o Presidente da República. e seu desrespeito pode gerar a interferência do Poder Judiciário. Suas normas constain dos arts. d) "o exercício dos direitos políticos. Há que restringir-se à defnição destes. as demais normas pertinentes são de eficácia plena e imediata aplicabilidade. que têm o dever de declarar a inconstitucionalidade das leis e atos que infrinjam normas constitucionais. assim mesmo com observância do esquema típico indicado para cada um. a essa lei não restou muito que regular. aos quais coinpetem. ante os princípios traçados pelas regras dos dois dispositivos citados. No entanto. que respeitar as bases e procedimentos já enunciados no art. Naquilo que a lei inovar será inconstitucional. pois. Quanto à eficácia. apenas o dever de intervir. respec- .de todas as normas da Constituição que o sustentam. por exemplo. Mas. II e III.

tambéin com uma declaração de direitos e uma síntese das lutas do povo tcheco-eslovaco. o Povo dos Estados Unidos.171. estabelecer a justiça. assim enunciado: "Nós. declarar procedente a acusação e o julgamento do Presi<*-*> dente dá República nos crimes de responsabilidade. que continha a declaração dos direitos políticos e sociais do homem. É a parte que precede o texto articulado das constituiç<*-*>es. Valia. Sua extensão varia de constituição para constituição. decretamos e promulgamos a seguinte Constituição dos Estados Unidos do Brasil". 34. todas as pessoas. Curto era o preâinbulo da Constituição do Brasil de 1967: "O Congresso Nacional. entidades. destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais. Fundamentalmente. a segurança. no entanto. como preâmbulo. representantes do Povo Brasileiro. os representantes do Povo Brasileiro. VI . a igualdade e a justiça como valores su- . as disposiç<*-*>es sobre a promulgação.que foi mantido na de 1969. o preâmbulo da Constituição da antiga Tcheco-EslováQuia de 1948. e) as Forças Armadas. I. como órgão de consulta do Presidente da República (art. prover à defesa comum. e nós chamamos simplesinente de normas de aplicabilidadc da constituição. publicação e momento inicial de vigência da con. a que compete a suspensão da executoriedade das leis ou decretos inconstitucionais. O da Constituição de 1946 era do teor seguinte: "Nós. promulgamos e estabelecemos a Constituição para os Estados Unidos da América".<*-*> o Conselho da República. as disposiç<*-*>es transitórias. no que tangia à fundamentação da autoridade outor<*-*>ante da Einenda Constitucional. d) o Senado Federal. 91). <*-*> o Conselho de Defesa Nacional. garantir a tranqüilidade interna. a da Áustria. o conjunto de "considerandos" justificativos de sua proinulgação. sendo exeinplo a da Albânia. também. que se destinain a defender os poderes constitucionais. invocando a proteção de Deus. a fim de formar uma união mais perfeita. Assim.Eficácia das normas de aplicabilidade da constituição 33. Efetivamente longo era o preâmbulo da Constituição francesa de 1946. por força do seu art. promover o bem-estar geral e assegurar os beneficios da liberdade para nós e para os nossos descendentes. salvo só aquela invocação à proteção de Deus. Mais extenso é o preâmbulo da Constituição dos Estados Unidos da América.tivamente. o desenvolvimento. com a única mudança do nome "Constituição do Brasil" para "Constituição da República Federativa do Brasil". Preâmbulo. a da Bélgica e a da Dinamarca. A Constituição de 1988 traz o seguinte preâmbulo: "Nós. tambéin como órgão de consulta do Presidente da República(art. reunidos em Asseinbléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático. reunidos. órgãos e instituiç<*-*>es a que a Constituição deu coinpetência para propor a ação de inconstitucionalidade. As constituiç<*-*>es costumam trazer certas normas e princípios que condicionam aspectos de sua aplicabilidade. a liberdade.stituição. com a particularidade de ser considerado como parte da Constituição. Tudo isso mudou com a Queda do regime comunista. o bem-estar. decreta e promulga a seguinte Constituição do Brasil" . em Assembléia Constituinte para organizar um regime democrático. h) de certo inodo. não passava de cláusula promulgatória. Não é raro ausência de preâmbulo nas constituiç<*-*>es. A elas e eles a doutrina dá o nome de elementos de aplicabilidade da constituição. a lei e a ordem. 89). sob a proteção de Deus. Assim são o preâmbiclo.

no mínimo. sob a proteção de Deus. um valor jurídico igual a esta". 86. p. posto Que dão sentido às normas jurídicas. 376. p. reconhecendo nele simples diretivas básicas do regime constitucional. 31. a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil". Carl Friedrich reconhece nele particular iinportância porQue reflete a opinião pública à qual cada constituição deve sua força. Mesmo nessas partes." Impende observar que Vedel está analisando o preâmbulo da Constituição francesa de 1946. p. com a solução pacífica das controvérsias. Teorin general del Derecho y del Estado. 326. Georges Burdeau. porque tal preâmbulo deve necessariamente ter mais do que um valor declarativo".se pode extrair verdadeiras norinas jurídicas.33 Vedel defende a tese de que o "preâmbulo. Manuel éJémentaire de droit constitutionnel. especialmente de ordem moral e filosófica. rebatendo a teoria Que os tratava quase sempre como "simples declaraç<*-*>es". para qiiem o preâmbulo "expressa as idéias políticas. ESTRUTURA NORMATIVA DAS CONSTITUIÇÕES E EFICÁCIA 2O3 Controverte-se em doutrina quanto ao valor do preambulo das constituiç<*-*>es. não dispositivo. o preâmbulo não estipula norinas definidas ein relação coin a conduta huinana e. há partes imprecisas.3o Burdeau entende Que o preâmbulo. ou "notícias históricas". Derechoconstitucionalcomparado.34 Mas reconhece que nele. 29.31 Carl Schmitt sustentou que as Constituiç<*-*>es da Alemanha de 1871 e 1919 continham preâmbulos em que a decisão política se encontrava formulada de inaneira singularmente clara e penetrante. vagas. Cf. Tem uin caráter antes ideológico que jurídico". ou declaraç<*-*>es de valor meramente enunciativo. Ob. 30. após expor o pensamento de Schmitt. carece de um conteúdo juridicamente ünportante.3' García-Pelayo. na ordem intema e internacional. 34. fixa a atitude do regime diante dos grandes probleinas sociais. texto votado pela constituinte sob um título geral recobrindo o conjunto do texto constitucional. morais e religiosas Que a Constituição tende a promover. p. La démocratie constitutionnelle.'9 Mas a Questão está longe de ser pacífica. políticos e internacionais.. que Carl Friedrich acha ser "uma anomalia jurídica.1949. 33. qualQuer que seja. 32. cit. pluralista e sem preconceitos. não titubeia ein considerar as declaraç<*-*>es contidas no preâmbulo como parte integrante e essencial da ordein jurídica constitucional. de que não . A generalidade dos autores recusa-lhe natureza normativa no sentido técnico jurídico. vê 28. <012> 2O4 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTTTTICIONAIS conseqüências jurídicas.p. 29. Paris. promulgamos. faz parte integrante da Constituição e tem. Geralmente.'s É essa a opinião de Kelsen. 309. porém. fundada na hannonia social e comprometida. submetido como tal ao referendum. pp 71 e 376.111.36 Dessas idéias até aqui expostas parece ser possível fxar uma tese .premos de uma sociedade fraterna. Droit constitutionnel et institutions politiques. por conseguinte. Teoría de la constitución. p.

39 Em qualquer dessas hipóteses. Sua eficácia transitória operou-se completamente. Trazem um conjunto de nonnas geralmente separado do corpo da constituição. Há casos em que tudo isso vem misturado a declaraç<*-*>es de direitos e garantias constitucionais. entende que o inverso é racional e logicamente recomendável: na dúvida quanto à interpretação e aplicação de dispositivos das disposiç<*-*>es transitórias. como a nossa de 1946 e a vigente. Essa é a melhor técnica. pois. lhes dá valor de lei. Exemplo típico é a regra constante do art. eles fazem referência implícita a uma situação passada indesejável e postulam a construção de uma ordem constitucional com outra direção. Têm. 1Q do Ato das Disposiç<*-*>es Constitucionais Transitórias da Constituição Federal: "O Presidente da República. sendo que a jurisprudência francesa. Não é mais norma jurídica. porém. pelo menos. Assim são. deve o intérprete recorrer ao disposto na parte permanente da constituição. mais aplicação no futuro. perdendo a razão de ser. social e filosófico do regime instaurado pela constituição. cometem à lei a regulamentação de . Por isso. uma espécie de lei supletiva. se contêm uma declaração de direitos políticos e sociais do homem. Mas seu caráter transitório indica que regulam situaç<*-*>es individuais e específicas. exprimem um princípio básico. Disposiç<*-*>es transitórias. eficácia plena e aplicabilidade imediata.a constituição oferece como regra geral. com numeração própria dos artigos.4o 35. Têm. os preâmbulos valem como orientação para a interpretação e aplicação das normas constitucionais. valem como regra de princípio programático. defender e cumprir a Constituição. exaurem-se. uma vez aplicadas e esgotados os interesses regulados. como anota Liet-Veaux.3s outras vezes.e para um futuro indefmido e um número também indefinido de casos e situaç<*-*>es .geral sobre a eficácia e valor jurídico dos preâmbulos das constituiç<*-*>es. pois.3<*-*> ou uma situação de luta na perseguição de propósitos de justiça e liberdade. No mais das vezes. em geral. não tendo. o mesmo valor jurídico das normas constitucionais permanentes. mas simples proposição sintática com valor meratnente histórico. geralmente ligados à passagem de uma ordem constitucional a outra. pois aqui se encontram os critérios e soluç<*-*>es quenormalmente . Algumas. no entanto. de sorte que. Foi aplicada. em regra. Esaotou-se. o Presidente do Supremo Tribunal Federal e os membros do Congresso Nacional prestarão o compromisso de manter. As normas transitórias têm. Tendo sido elaboradas e promulgadas pelo constituinte. porque se trata de regular e resolver problemas e situaç<*-*>es de caráter transitório. mas. todas as que figuram no Ato das Disposiç<*-*>es Transitórias. Outras vão se esgotando aos poucos. eficácia interpretativa e integrativa. os autores entendem que de seus dispositivos não se pode tirar argumento para interpretação da parte permanente da cons'ituição. Muitas já se esgotaram. como visto. político. São normas que regulam situaç<*-*>es ou resolvem problemas de ex<*-*>eção. revestem-se do mesmo valor jurídico da parte pennanente da constituição. A mesma doutrina. De uma solução excepcional para situaç<*-*>es excepcionais seria absurdo extrair argumentos para resolver situaç<*-*>es e problemas de caráter geral e futuros. Quer isso dizer que são normas constitucionais. As nonnas das disposiç<*-*>es transitórias fazem parte integrante da constituição. pelo desaparecimento do objeto cogitado. no ato e na data de sua promulgação".

inconstitucional efetivá-lo. 50 e 62. Nesse caso.177 já seriam bastantes para demonstrar que esta não conferia direito à efetividade a professor algum sem prestar concurso público. embora superado em boa parte. Decis<*-*>es nesse sentido feriam a Constituição. O servidor não deixou de ser servidor. o qual se conceitua em razão do cargo público. § 2Q. Mas também não se lhe poderia dar inais que isso. A lei que o fizesse infringiria o disposto no § 1Q do art.efetividade.re concurso pciblico. em relação aos servidores referidos no art.e nenhuin outro .mas só a esta . Exemplo frisante encontramos na Constituição de 1967. contassem. que. Houvera decis<*-*>es de primeira instância dando não só estabilidade. os funcionários.interesses sobre certas matérias (arts. Mas sua eficácia é transitória e sua aplicabilidade se exaure com o desaparecimento da situação excepcional regulada. 99 e o § 1<*-*> deste estatuíam Que eram estáveis. Seu art. se contrariasse norma constitucional permanente. que. e ninguém poderia ser efetivado ou adqcciiic<*-*> estabilidade. Estes . No caso de dúvida na interpretação de uma disposição transitó- .frise-se bem -. Mesmo que não houvesse. desconheciam que havia normas especiais exigindo concurso para os cargos iniciais e finais das carreiras do Magistério de grau médio e superior. coin as conseqüências a ela inerentes: não poder ser demitido ou dispensado sem as garantias do processo administrativo em que se lhe assegurasse ampla defesa. quando nomeados por conctcrso (princípio que se preserva no art. sem prestar concurso público. é uma garantia constitucional do funcionário que se estendeu ao servidor beneficiado. mas só no caso concreto. só ganhou estabilidade. A Constituição deu o geral . não precisava lei para verificar-se o direito conferido. mas também efetividade. Nesse particular a norina era plenainente eficaz e de aplicabilidade iinediata. contudo. como funcionários. pelo menos. que continuava a prevalecer. as consideraç<*-*>es que expendemos sobre a eficácia da regra do § 2ó do art. da Adininistração centralizada ou autárquica.estavam plenamente garantidos só pela norma constitucional transitória. Era.podiain ser efetivados. diz respeito à titularidade de atcibuiç<**>es e responsabilidades específicas de um cargo. Seus direitos relativos à estabilidade . A efetividade é vínculo do funcionário ao cargo. mantemos aqui. 177 não abriu exceção ao princípio permanente previsto no § 1Q do art. a professores catedráticos oficiais. dos Estados e dos Municípios. pois. Celeuma. criara a interpretação desse dispositivo transitório relativamente aos professores do ensino oficial.estabilidade -. Veio o § 2Q do art. por exemplo). porQue sua discussão ilustra a discussão do tema. Abriu-se. suas atribuiç<*-*>es e responsabilidades. 177. aí. não ao cargo. Abrem elas exceç<*-*>es a princípios consubstanciados nas normas permanentes da constituição. Não se transformou einfuncionário no sentido do direito administrativo brasileiro. 41 da Constituição vigente). exceção ao disposto no art. 99. cinco anos de serviço público. como funcionário. 49. à data da sua promulgação (24 dejaneiro de 1967). se nào prestas. mas não deu o específico .177 das Disposiç<*-*>es Transitórias da mesma Constituição e conferiu estabilidade aos servidores da União. 99 referente à efetividade. não efetividade. é vínculo ao serviço público. o § 2Q do art. Não havia providência alguina a toinar para que esse direito integrasse o patrimônio jurídico do servidor que estivesse na situação prevista. Deu-se estabilidade a quein não fizera concurso público. Estabilidade . após dois anos. tainbéin. 99. Aquela significa que o servidor não pode ser demitido do serviço público sein processo administrativo.

mediante prova de habilitação. em comissão). simultaneamente. Mas não tem ela um artigo com a cláusula de vigência. etc.com destaque. Não existia no projeto da Constituição (art. 2<*-*> da Emenda. 36. o meio de efetivá-los seria dar-lhes um. aí. pois esta. 206. A norma em tela acrescentou "sempre" e "público". 1Q da Emenda. consistindo em concurso público de provas e títulos quando se tratar de ensino oficial". V) estipulava: "O provimento dos cargos iniciais e finais das carreiras do Magistério de grau médio e superior será feito. mas o sempre afasta nitidamente a incidência da regra transitória. representantes do Povo Brasileiro (. tanto que foram as primeiras a ser executadas.). diz o dispositivo. A de promulgação. em relação àqueles servidores. implicaria o provimento de cargo sem concurso.68 (disp<*-*>e sobre a integração dos servidores abrangidos pelo art. exigir-se-á concurso de títulos ou provas".como aconteceu -. Considerando (. art. o art. 9Q do Ato das Disposiç<*-*>es Transitórias da Constituição do Estado).1 R9 da Constituição do Brasil.. com o texto da Constituição de 1969. republicada. o advérbio teve que ser inserido (aliás. retificada com publicação no dia 2l de outubro de l969.). 177.118.) promulgamos. Ora.. tem especial relevo para a inteipretação do § 2Q do art. Como a Constituição de 1969 foi outorgada e mediante Emenda. Considerando (. no texto. nein era preciso. Introduziu-se esta. como em nenhum outro (salvo os de confiança. no dia 30 de outubro de l969. até porque as . "promulgam a seguinte Emenda à Constituição de 24 de janeiro de 1967: (. O art.. mas n. de 20. Encerrava esse novo texto o art. embasada em seis "considerandos". V. 168. . Por isso é que dissemos que aquela norma transitória não alberga a efetividade. no ensino secundário oficial e no superior oficial ou livre. A Constituição de 1988 traz a cláusula de promulgação inserida no Preâmbulo: "Nós. daquela Constituição (como o vigente art. já que. Continha . por meio do qual se dava redação integral ao novo texto constitucional). estipulava: "Esta Constituição será promulgada.. 168). VI: "para o provimento das cátedras. sob a proteção de Deus.)" (seguia-se o art.168 também. Era desnecessário porque mesmo sem ele não se poderia prover ninguém naqueles cargos.)". separaram-se as duas cláusulas. se deu no dia 20 de outubro de l969. pelas Mesas das Casas do Congresso Nacional e entrará em vigor no dia 15 de março de 1967". não sendo titulares de cargos. redação de 1967.ria. sempre. duas cláusulas: a de promulgação e a de vigência. assim. Ele apareceu. sem concurso público. Sempre. por isso veio entre vírgulas).. que continha a cláusula de vigência: "A presente Emenda entrará em vigor no dia 30 de outubro de 1969".. o que significa dizer que a Constituição entraria eIn vigor imediatamente à sua publicação . para que ficasse bem certo que a regra transitória não poderia atingir a situação ali prevista. publicação e vigência. a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil". do Exército e da Aeronáutica Militar (. que dependia de ampla justificação e fundamentação. deve o intérprete recorrer às normas permanentes para extrair o exato sentido daquela.. Promulgação... O princípio vem da Constituição de 1946. exatamente porque também surgiu aquela exceção transitória. já vimos. lendo-se: "Os Ministros da Marinha de Guerra.. que nela se continha. A publicação dessa Emenda. antecedia o texto articulado. porque também não existia a disposição transitória em debate. § 3Q. finalmente.5. E esse advérbio. Eram normas de eficácia plena e aplicabilidade imediata. Para a nossa argumentação o piíblico não importa tanto. inconstitucionalmente.. como fez a Lei paulista 10.

Ver-se-á. para essa doutrina. e.' Trata-se da teoria gradualista da ordem jurídica. focalizada nas páginas precedentes. a qual representa. II . positiva.Tialidadeformal e material das normasjuridicas. a ordem jurídica constitui uma unidade na pluralidade. quanto a saber quando uma norma pertence a determinada ordem jurídica. ll . embora não seja .Colocação do tema. a norma jurídica que tenha sido criada de acordo com determinada regra. a constituição formal. esta lei deriva sua validade da constituição.l 3.Colocação do tema 1. como lei suprema. PII .Constituição vigente e normas constitucionais anteriores. não obstante. o vínculo entre todas as nonnas que integram uma determinada ordem jurídica. finalmente. A temática deste capítulo já foi. escrita. que se comp<*-*>e de nonnas escalonadas hierarquicamente: uma norma individualizada vale porque foi criada de conformidade com uma lei. porque ainda não se chegou a um acordo doutrinário sequer sobre o conceito de ordem ou ordenação jurídica. V. a volta a ela equivale a uma recapitulação e conclus<*-*>es gerais da matéria. a uma constituição que seja historicamente a primeira.Eficácia ab-rogativa das normas constitucionais. Ili .<*-*> Claro está que. lil . em doutrina. que a aparência indica.3 É válida . segundo Kelsen. Nesses casos. IIIUnidade da ordem juridica e Estado Federal. como fonte comum. unidade que se exprime na circunstância de poder ser descrita em proposiç<*-*>es jurídicas que não se contradizem.Constituição e ordem juridica. A relação constituição-ordem juridica é menos pacífica. I. enquanto tenha sido estabelecida por um órgão competente e na forma prescrita pela própria constituição.6 Segundo essa teoria. "que é o fundamento de validade de todas as normas pertencentes a uma e mesma ordem jurídica". e só por isso. e esta. integra a ordem jurídica.Constitaição e ordem juridica 2. que prismas novos serão descortinados.2 considerado o sistema referido como de natureza dinâmica. cuja validade decorre da normafundamental. Nem é de estranhar seja assim.normas constitucionais não ficam sujeitas às regras sobre vigência das leis contidas na Lei de Introdução ao Códiáo Civil. CAPÍTULO VII EFICÁCIA JURÍDICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS E ORDEM JURÍDICA I . hipotética e simplesmente pressuposta. Para Kelsen a ordem jurídica é um sistema de normas. de outra norma superior a ela. E esta talvez encontre seu fundamento de validade noutra constituição mais antiga. até chegar-se. e assim de grau em grau. sob muitos aspectos. até a normafundamental. é problema estreitamente ligado à razão de validade de cada uma.E Jicácia construtiva das normas constitucionais.4 Uma nonna jurídica deriva sua validade de outra norma jurídica superior.

não fazendo arte da ordem estatal. seria "designação de um fato que não tem vigência por si pró<*-*><*-*> 14 p prio. 169. 31).. p.. 14. mas disciplina reguladora de condutas consideradas no seu aspecto recíproco. "não teriam o caráter e força de direito objetivo. Apud Gaetano Azzariti. II/19. 40. p.<*-*><*-*> A ordem jurídica será. a lei. em vista de fins sociais. I/ IO e ss. Teoriapura do Direito. 15. Para Norberto Bobbio: "L'ordenamento giuridico (come ogni altro sistema normativo) Š un insieme di norme" (cf. e não mero conjunto de normas justapostas e de contatos efêmeros.9 4. Essa imprecisão no situar a constituição na ordem jurídica não é de estranhar. que recusa juridicidade às normas constitucionais programáticas. Nega-se-lhe. lIl. Cf. que qualifica e regula o comportamento recíproco e complementar deles próprios". Istituzioni di diritto pubblico. mas requereriam. cit. não conseguindo saber 9. mesmo. assim. ob. Archivio Penale.s Todavia. especialmente. Levi concebe a ordem jurídica como "um sistema de relaç<*-*>es jurídicas". também Biscaretti di Ruffia. assim. 23. p. apesar disso. 12. I/60 e v. p.lo sendo a "relaçãojurídica todo vínculo entre sujeitos. No mesmo sentido: Costantino Mortati. p. t. trad.<*-*>3 5. Salvatore Villari. 30.. mas a referida normafundamental hipotética. 33. considerada em função da norma de Direito. defende a tese do pluralismo da ordemjurídica.1' Essa doutrina afasta o formalismo puro de Kelsen. refuta. 11. sem ser institucionalista. Sua base nitidamente empírico-sociológica não chega sequer a situar a posição da constituição no sistema. isso porque seus fundamentos. sistema. não é ela que dá validade à ordem jurídica. 217 e ss. p. Cf. Teoria generale del Diritto. De acordo com a teoria kelseniana. Suas normas. cf. p. p. que. de Maria Celeste Cordeiro Leite dos Santos. Teoria generale de Diritto. v. se essa constituição é que fundamenta a criação de normas jurídicas. também Teoria do ordenamentojuridico. Diritto costituzionale. aquela tese. mesmo quando fossem completas. 13. um sistema de relaç<*-*>es intersubjetivas. mas sua formulação não destaca a coerência do sistema normativo que comp<*-*>e toda ordem jurídica. como já salientamos. mas a recebe de fora. no sistema de constituição rígida a distinção entre constituição material e formal tem significado irrelevante. influenciados também pela concepção institucional do Direito.isso que diz Kelsen. Idem. Idem. 121. levam necessariamente à admissão de uma pluralidade de ordens jurídicas no Estado. 10. <012> 212 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTTTUCIONAIS . o caráter de lei. uma transformação a ser cumprida pelo legislador ordinário. como depois acrescenta o autor. para tornar-se direito objetivo". pois há até uma doutrina que recusa concebê-la como parte da ordem jurídica. pp. trabalho cit. No máximo. para quem a constituição em sentido material é que regula a criação de normasjurídicas gerais e. Idem. Is Azzariti.

a doutrina de Kelsen sobre a ordem jurídica pode ser aceita. para a formação das normas de grau inferior. negando juridicidade a certas normas constitucionais.que é o que nos interessa aqui -. a teoria da Gründnorm. idôneos para apresentá-la dotada de uina atividade dirigida a um fim particular <*-*>m politico)". e é de singular importância. isto é. e estas são norntas . porque. na verdade. indicando <*-*>o conjunto dos elementos organizativos necessários para que subsis<*-*>a determinado Estado. O princípio lógico de compatibilidade apenas nos diz que duas normas contraditórias não podem ser ainbas válidas. 6. entre normas de igual hierarquia). Quer dizer que é válida a norma compatível com as normas de grau superior. que denominamos fundamentação de validade. propriamente. Se aquela não integra a ordem jurídica. I6 Ele mesmo. "A incompatibilidade horizontal . enquanto se considera ordenada segundo um mínimo de elementos organizativos (força politica). Assim. que parte da constituição não integra a ordem jurídica. acaba por admitir. a específica comunidade social subjacente à ordem jurídica. enlaçadas por uma relação de fundamentação ou dei-ivação. por prescindível.por exemplo. poderemos conceber a ordem jurídica como reunião de normas vinculadas entre si por umafundamentação unitária. cuja criação seria tarefa exclusiva do legislador futuro". entre nonnas de grau superior e normas de grau inferior) e relaç<*-*>es de compatibilidade horizontal (isto é."z<*-*> 9. pois. implicitamente ao menos. a estrutura escalonada da ordenação. já Que dela depende. a última se identifica com ela. Ora. entre duas leisresolve-se pelos juristas de acordo com o princípio lexposterior derogat priori. constituem uma estrutura normativa específica. afastada apenas."como se possa sustentar que as normas constitucionais sejam a base. a ordem jurídica será aquele complexo de normas que. aceitando a validade da lei posterior no teinpo e a derrogação (inclusive tácita) da anterior. que funcionam como fundainento de validade da inferior. Mas este princípio não é de caráter puramente lógico. Olano e Vilanova] relaç<*-*>es de compatibilidade vertical (quer dizer. e mais que <*-*>sso. e. Donde ser a constituição o conjunto de normasfundantes de todas as demais que pertencem à ordem jurídica. como vimos.<*-*>s Se dermos ênfase estruturalista ao conceito. o princípio da compatibilidade vertical entronca com o conceito de supremacia das normas constitucionais. determina uma norma fundante ou de grau sc<*-*>perior e uma normafundada ou de grau inferior. mas não formem parte da ordem jurídica do Estado. 8.l9 Essa relação de fundamentação deriva da circunstância de que uma norma é válida quando é criada de acordo com o procedi<*-*>itento previsto em outra de grau superior.i ' 7. No sentido lógico jormal . entretanto. porque foi criada com base no procedimento deterininado nas mesmas. corresponde ao regime politico. já que é mister acudir ao fato temporal da data da sanção da lei. b) a exigência de uma norma suprema que fundamente a validade de todas as outras. A incompatibilidade vertical resolve-se em favor das normas de grau superior. que dão o procedimento. direta ou indiretamente. A conseQizência lógica dessa doutrina deriva de radical distinção entre constituição formal e constituição material. "Há [escrevem Aftalión. Esta relação. coino dissemos.2o o que traz duas conseqüências importantes: a) a exigência de compatibilidade entre as normas pertencentes à mesma ordem jurídica.

Ambasformam uma única ordem total. mas . e nisso se inanifesta uin princípio de eficácia constitucional que domina toda a estrutura normativa do País. a despeito de o autor não ser tão explícito nesse sentido. Se. porquanto todas as normas positivas têm sua razão de validade. A tese do unitarismo da ordem jurídica parece que não se compadece com o federalismo consagrado na Constituição Federal. como se nota. pois.. as nonnas locais formam ordens jurídicas locais. oferece. órgãos locais que ditam normas válidas somente para uma parte deste território. a que confere validade.Unidade da ordemjuridica e Estado Federal 10. Imediatamente. com efeito. Os defensores da pluralidade de ordens juridicas dentro do Estado destacam. uma ordem jurídica total. também. veremos que no Estado Federal a ordem jurídica é uma só. UAS NURMAS CONSTTTUCIONAIS dem jurídica federal e as ordens jurídicas das entidades regionais autônomas. não se trata de um conflito hierárquico de normas. fundamento para a tese contrária. Mesmo Kelsen. que informa com seus princípios e regras. lll. pelo visto defensor do unitarismo. mas tambéin é parte dessa mesma ordem jurídica. 201. As normas que não forein compatíveis com ela perdem sua validade. como fundamento de validade específica da ordem central ou nacional. porém. e ditam normas válidas para todo o território.22 11. já que a validade de ambas as ordens normativas está referida a uma norma de grau superior: a Constituição nacional.discriminando a competência central e as competências locais -. a existência de uma or21. na Constituição Federal. que formaria. e b) existem. Há. assim. torna-se inválida e inconstitucional. Uma lei estadual vale enquanto se conforma com a esfera de competência do Estado para regular determinada matéria. ob. Aftalión coloca bem esse problema. Se uma lei federal invade a competência estadual ou municipal. por conseguinte. nos lembrarinos de que a ordem jurídica estatal é uma estrutura normativa escalonada ou graduada segundo uma fundamentação unitária. Esta coloca-se. ainda que com estreiteza. no mesmo. paralelamente aos anteriores. duas ordens de autoridades e de normas: as centrais ou nacionais e as locais ou provinciais. quando considerada do ponto de vista de seu fundamento de validade. Esta última funciona não somente como fundamento geral de validade da ordem total . Essa competência foi conferida pela Constituição Federal.2' O autor.fundadas em relação à constituição. com sua doutrina das três ordens. p. No Brasil é a Constituição Federal que fundamenta a validade de todas as regras jurídicas da União. <012> APL ICABlLIUAUH. mas não é diferente no Brasil e em outras Federaç<*-*>es. estabelecendo as autoridades que a integram e sua competência". ao dizer que "um Estado tem estrutura federal quando impera. mas. dos Estados e dos Municípios. cit. Cf. disserta tendo sob as vistas a Federação argentina. no vértice da ordem jurídica. certo grau de descentralização. e todas dariam uma coInunidade total. enquanto: a) existem órgãos centrais que estendem sua competência a todo o território do Estado. ao afirmar que as normas centrais formam uma ordem jurídica central. e até de vigência.

Historia de lafilosofa. como a de uma fonte.'5 Assim também a constituição e a ordem jurídica que ela cria e a que dá realidade e que para ela. os impulsos revivificantes da dinâmica social. Relembremos aqui uma imagem já utilizada a propósito do tema: a constituição é como aquele Uno da filosofa de Plotino que "devido a uma espécie de superabundância. se volta. 581. porque é a norma constitucional. sob dois aspectos: a)formalmente. dentro da esfera de com- . não aquela constituição material. Cf. por emanação. produz. voltar a convalidar os novos conteúdos axiológicos que a vão enriquecendo no evolver cultural da comunidade. enquanto devem sec formadas por autoridades criadas de acordo com ela. "Mas o produzido procura permanecer o mais perto possível de seu produtor. para contemplá-lo. identificada com o regime político. Émile Bréhier. As normas da ordem jurídica. Tudo isso demonstra a unidade da ordem jurídica nacional. Esta se encontra na cúspide da pirâmide normativa nacional. que tem seu fundamento de validade na Constituição Federal. não perdem nada expandindo-se. mas para enriquecê-la de sentido estimativo. assim " como o ser vivo produz seu semelhante. I/580. t.de um conflito de competências. 25.24 O "Uno se estende e multiplica: a realidade. pois desta também se formam os princípios gerais do Direito. mal procedeu. 12. cujo excesso se derrama. depois. por reflexão. e guardam em si toda a realidade". no entanto. do qual recebe toda a sua realidade. Constituição Federal). da qual esta recebe os princípios fundamentais e a razão de sua validade. por emanaç<**>es. Mediatamente. consoante temos visto. <012> APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS os sociais) do homem. que dirá a que esfera governamental cabe regular o assunto suscitante do conflito. expande-se numa multiplicidade hierarquizada de gêneros e espécies que se formam mediante uma espécie de dialética (a divisão platônica) e de movimentos espirituais. veriflca-se também uma relação hierárquica. que vai ser aplicada na invalidação da norma infringente da regra de competência naquela estabelecida. desde os gêneros supremos". volta-se para seu produtor". A constituição de que cuida o direito constitucional é apenas aquela que estrutura o Estado e seus órgãos e estatui sobre os direitos fundamentais (incluindo 24. Mas não é uma constituição da ordem jurídica. a luz. sobre a qual derrama seus princípios informadores e dela recebe. realiza a produção de algo que procede do princípio. fundamentam sua validade na constituição (no Brasil. indistinta no Uno. 13. a constituição constitui também a ordem jurídica. Idem. o ser vivo. como a de uma luz que se difunde". por reflexão.'6 IV. De certo modo. e. a fonte.Validadeformal e material das normasjuridicas 14. superior. p. para. que se resolve sempre com base na norma superior: a Constituição Federal. não só para contemplá-la.

conferia validade às normas da ordem jurídica por ela informada. acha ela em vigor. afirma: "A Constituição é rasoura que desbasta o Direito anterior. ob. A doutrina só tem admitido a incompatibilidade horizontal entre normas de mesmo nível. deveinos frisar bem -.quer as de eficácia plena. Teoria geral do Direito.3i .petência e conforme o procedimento por ela estabelecido. enquanto o conteúdo de tais normas deve ajustar-se aos preceitos da constituição. serão materialmente inconstitucionais. as norinas emendatórias não adquirem validade formal. de que já falamos. quer quanto às que se lhes seguein. Cf. pp. 60 da vigente Carta Política. A propósito do tema. b) materialmente. 26. sobre o tema. Olano e Vilanova. EFICÁCIA JURÍDICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS 2 I <*-*> ocorre uma relação de incompatibilidade vertical. o que não se dá entre a constituição e as leis ordinárias ou complementares. sua razão de validade se encontra na constituição anterior.incidem. também Machado Neto.<*-*><*-*> Nisso se manifesta o princípio da supremacia das normas constitucionais na ordem jurídica nacional .3o Todas as normas constitucionais . salvo se a própria constituição expressamente dispuser de outro modo. Vindo a nova constituição. tenderem a abolir a Federação. normas inferiores que coin ela conflitam. ou as de eficácia limitada. o problema de saber se. segundo Kels<*-*>n. por sua vez.de todas as normas constitucionais. secreto.. 80. por exeinplo. as programáticas inclusive . O princípio é o da incidência imediata das normas constitucionais. quer ein relação às normas que lhes precedein. e talvez em plena eficácia. 208 e 209.Eficácia ab-rogativa das normas constitucionais 16. Tal fato não se coaduna com o princípio da compatibilidade da ordem jurídica. para que só subsista o que é compatível com a nova estrutura e as novas regras jurídicas constitucionais". quer as de eficácia contida. cit. consoante o procedimento previsto no art. Se uina constituição não for a primeira. em relação à Argentina. ou o voto direto. que. imediatamente. que expressamente admitem o princípio da incompatibilidade horizontal entre elas e as normas inferiores e prescrevem a ab-rogação de leis. V. e isso é o primeiro sinal de sua eficácia. ou a separação de Poderes. ao contrário. Aftalión. 15.'s mas é verdade que. universal e periódico.19-124. Se não se atenderem às regras procedimentais ali consignadas. ou existiram. Aquela refere-se a um vínculo intertemporal de normas. 27. Pontes de Miranda. decretos e regulamentos que lhes sejam contrários. p. Se. ob. nessa hipótese. às vezes.29 18. O mesmo se dá com as normas de emenda constitucional. se verifica uma relação de incompatibilidade horizontal ou se. Constituiç<*-*>es existem. cit. pp. na conformidade do princípio lexposterior derogatpriori. ou direitos e garantias individuais. elas titubeiam entre uin princípio e outro (horizontal ou vertical) e pronunciam que essas normas conflitantes ficam sem nenhum efeito. cujo desenvolvimento escapa aos limites de nossas indagaç<*-*>es. c<028> Maria Galizia. então. nos limites de sua eficácia.. Surge. 17.

segundo a qual se dá uma revogação por inconstitucionalidade. <012> 21 S APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (art. mas tão-só com a finalidade de aprovar atos praticados pelo chamado Comando Supremo da Revolução de 1964 e outros baixados com base em atos institucionais e complementares (art. se este não houvesse sido revogado pelo art. pode ser expressa ou tácita. 183) confümavam a legislação anterior que. naquilo que não a contrariasse explícita ou implicitamente. art. 113. 1 de l969. de Luxemburgo (art. Nossa Constituição de 1891 cuidou do assunto no art.3' A Constituição de 1988. ou estas se tomam inconstitucionais? Já estudamos o assunto. p. Idem. como? Ab-rogando as normas anteriores. Tais dispositivos ficaram superados com a Emenda Constitucional 11. sepultou todo esse lixo autoritário. Também as Constituiç<*-*>es de 1934 28. por incompatibilidade vertical. 173). 117). 3 81. . Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda n. de todas elas. Essa eficácia ab-rogativa das norinas constitucionais. dois princípios: a) o da continuidade da ordem juridica sob a nova constituição. da Suíça (art. t. 30. finalmente. não contrariasse suas disposiç<*-*>es.Desbasta. explícita ou implicitamente. Diante disso. que diz que as normas contrárias são ab-rogadas e sem efeiio. 173 da Constituição do Brasil de 1967. "no que contrariarem a Constituição Federal". não se preocupou com o assunto. b) o da ab-rogação das normas anteriores contrárias. pela revogação por inconstitucionalidade de todas as normas com ela incompatíveis. Disposiç<*-*>es idênticas foram reproduzidas nos arts. ficou superada a ampla discussão que empreendemos às pp. que procurara compatibilizar regras jurídicas do ordenainento constitucional. 2Q das Disposiç<*-*>es Transitórias). 31. de 13. A Constituição de 1988. 3<*-*> passara a cuidar do problema da permanência dos atos praticados com base nos atos institucionais e complementares que foram por ele revogados expressamente. Mas os mesmos prineípios são admitidos quando a constituição silencia sobre as normas jurídicas anteriores. e que seria pertinente também em ralação ao art. Constituiçào de Liechtenstein. 83: "Continuam em vigor.7<*-*>. expressamente. 181 da Carta de 1969.10. 29. por incompatibilidade verdadeiramente vertical. numa por assün dizer revogação por invalidação. 113). enquanto não revogadas. a respeito da eficácia ab-rogativa das normas programáticas. Assim nossas Constituiç<*-*>es de 1891 (art. cujo art. 181 e 182 da Carta de 1969. visando a esclarecer dúvidas do texto do art. VI/38<*-*>. Nessas regras consubstanciavam-se. como a de 1946. Cf. mas coin uina solução de incompatibilidade horizontal. 3Q da Emenda 11/78. 206 e 207 da ld edição deste volume. A Constituição do Brasil de 1967. se a técnica jurídica não nos censurar por isso. Pontes de Miranda. concordando com a tese de Lúcio Bittencourt. as leis do antigo regime no que explícita ou implicitamente não forem contrárias ao sistema do govemo firmado pela Constituição e aos princípios nela consagrados". 187) e de 1937 (art. cuidou parcialmente do tema. explícita ou implicitamente. 19. 83) e de 1934 (art.

Algumas constituiçôes declaram iccvcilidns as norcnas ordinárias conflitantes. quando entra em vigor. pelo quê permanecem em vigor todas as normas ordinárias precedentes. com pureza. como Mortati e Villari. especialmente quando a nova constituição deriva de um movimento revolucionário. mas uma simples mutação de regime. Arrima-se ele em outro princípio. § 17. somente reconhecem como autêntica a constituição em sentido material. o princípio da incompatibilidade vertical. assim. 105 ("À partir de la date d'entrée en vigeur de la Constitution par sa publication dans le Monitecee<*-*> OfTrciel sont annullées les dispositions des lois. escrita. Repudiada essa posição. encontra normas jurídicas vigendo validamente. como é o caso da atual Constituição Federal. É. então. não vale como lei. resolvem expressamente. 22. adotando-se. em verdade. décrets. São as normas anteriores como que recriadas pela constituição que sucede. até que outra lei ordinária as inodifique. 32. O principio da continuidade opera mesmo quando a nova constituição não confirme expressamente as normas compatíveis. determinando ou confirmando-lhe a eficácia. por força do regime constitucional precedente. com entender que a constituição formal. Por isso é que alguns autores. no entanto. ou seja. art. a da Romênia (comunista). como se disse aci- . Complica-o. a questão da continuidade da legislação anterioi. aquela concepção não dá propriamente solução a tal problema. mesmo as incompatíveis.Eficácia construtiva das normas constitucionais 20. como já verificamos. EFICÁCIA JURlDICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS Z<*-*>9 Aparece. 21. confundida com o regime político. perfeitamente dispensável o apelo a essa concepção para solucionar o problema da continuidade das normas jurídicas anteriores compatíveis com a nova ordem constitucional. cumpre ressaltar que a continuidade da legislação precedente constitui um aspecto da eficácia construtiva das notmas constitucionais. porque se entende que a mudança eonstitucional não implica o surgimento de um novo Estado. rŠglements et autres dispositions contraires à la Constitution"). no da continuidade do Estado. quando não as contrarie explícita ou implicitamente. É o chamado principio da continuidade da ordem juridica precedente naquilo em que atende ao princípio da compatibilidade com a nova ordem constitucional.VI. visto que essa legislação recebe da nova carta política outro jato de luz revivificador que a revaloriza para a ordem jurídica nascente. não sendo a priIneira. que muitas constituiç<*-*>es.i. Uma constituição. ?.33 Mas não se trata de mera recepção fria e passiva. porque. Aliás. e da antiga Tcheco-Eslováquia. É esse o fenômeno que a técnica jurídico-constitucional denomina recepção da lei anterior: "por recepção entende-se o procedimento pelo qual um ordenamento incorpora no próprio sistema a disciplina normativa de uma dada matéria assim como foi estabelecida num outro ordenamento".

novos interesses. vai desfgurando-a no sentido neoliberal. também Teoria generale del Diritto. 169. Cf. dependendo da posição axiológica do intérprete. cit. 34 Mas não é só nesse aspecto que se manifesta a eficácia construtiva das normas constitucionais. 282. É somente o conteúdo dessas normas que permanece o mesmo. Norberto Bobbio. de uin ponto de vista jurídico. uma revivificação.138. Teoria do orclenamentojuridico. refornzulaç<*-*>es de elevado alcance. isso significa que a nova ordem jurídica atribui validade (dá vigor) a norinas que têm o mesmo conteúdo de norinas da velha ordem. p. Mas a frase "permanece válida" não 33.cípios pela nova ordem constitucional". isso é possível somente porque lhes foi conferida validade. Cf. continuam a ser válidas são. novo. p. 63/333. Algumas vezes há retrocessos. e Ives Gandra Martins. As leis que. (.ma. novas leis cujo significado coincide com o das velhas. dito reforma constitucional. adota. Elas não são idênticas às velhas leis. A lição de Kelsen é precisa sob esse aspecto: "Grande parte da velha ordem jurídica "peimanece" válida no quadro da nova ordem. regulamentando novas formas de vida. Quando nova constituição entra em vigor sempre traz algo de diferente.. . normas da velha ordem. aqui e ali. não na velha.. Esse algo diferente. dentro do sistema. Pressup<*-*>e-se que uma nova ordem constitucional vise a implantar nova ordem sócio-jurídica e traga. parecer. deduzido das idéias ou da ideologia Que impulsionaram as mudanças operadas no regime. também: Manoel Gonçalves Ferreira Filho. não o fundamento de sua validade. isto é. há uma recriação. porque o fundamento de sua validade é diverso. p. quando mais não seja. O fundamento de sua validade reside na nova constituição. "Competência legislativa retirada dos Estados para os Mun. A Constituição de 1988 é radicalmente diversa delas pelo seu sentido progressista. que não se sabe onde dará. expressa ou tacitamente. RT 645/13 e ss. pela nova constituição. mas também esta trouxe.. Šxerce um estímulo na produção de regras jurídicas. O fenômeno é um caso de recepção (similar à recepção do direito romano). v. inas uin processo de retalhação. e entre ambas não existe continuidade nem do ponto de vista da prüneira. segundo a inexata linguagem corrente. C<028> Teoria general del Derecho y del Estado. para melhor ou para pior. ao menos um programa de atuação governamental. A nova ordem "recebe". 34. <012> 2O APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS dá uma descrição adequada do fenômeno. nem do ponto de vista da segunda". como em ceitos aspectos da Constituição do Brasil e da de 1969. apontando para uma democracia participativa e de conteúdo social. Enciclopédia Sarnivn de Direito.) Se leis emanadas sob a velha constituição "continuam a ser válidas" sob a nova. cf. A "recepção" é um procedimento abreviado de criação do Direito.

A maioria das cartas constitucionais. Pois bem. dizendo que "as Constituiç<*-*>es escritas podem conter. por exemplo. Cf.. n. assim como os estatutos provinciais e locais". mas como leis de caráter ordinário. e que são igualmente compatíveis com outros regimes. ao mesmo tempo. a da antiga Tcheco-Eslováquia. sobrevivem a ela e absolutamente não caem com ela. Algumas constituiç<*-*>es expressamente consideram revogadas a constituição e as leis constitucionais precedentes. depois de abolida a constituição. detenhamo-nos noutra questão inter. assim como a Constituição de 20 de janeiro de 1337 (1921) com suas adiç<*-*>es e modificaç<*-*>es. ensina Carl Schmitt que algumas prescriç<*-*>es legal-constitucionais podem seguir valendo como prescriç<*-*>es legais. I: "No dia em que a presente Constituição entrar em vigor. o mais das vezes. Nesse particular. 104: "A Constituição de 1293 (1876) e as modificaç<*-*>es que lhe foram introduzidas ulteriormente. que não têm nenhuma relação necessária com a forma do Estado ou do Governo estabelecido pela Constituição que as contém. 121 do Recueil des lois. 186. Corre uma doutrina de que essas normas permanecem em vigor. contudo. o princípio da compatibilidade horizontal no que tange àquelas Que conflitem com as normas constitucionais sucessivas: lexposterior derogatpriori. cessa a validade da Carta Constitucional da República tcheca aprovada pela Lei de 29 de fevereiro de 1920. 137: "A Lei Fundamental de 24 de agosto de 1815 fica abolida. I: "A Constituição bávara de 14 de agosto de 1919 fica ab-rogada".'5 Esmein já sustentara o mesmo ponto de vista. que só pertenciam à Constituição revogada por um liame fático. São regras de direito administra35. admite-se Que disposiç<*-*>es dessa natureza. <012> APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS tivo ou de direito penal. ou semelhante. Foi o que fzeram.EFICÁCIA JURÍDICA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS 221 VII . não traz regra abrogativa. § 173. e que absolutamente não são objeto delas. 25. Desgarram-se da Constituição. Teoria de la constitución. e é por . art. e a da Turquia. Finalmente. art. a da Bélgica. Dá-se-lhes tratamento de leis ordinárias . por exemplo. Resta o problema de saber qual a situação das normas não incompatíveis e cuja inatéria não tenha sido objeto de nova regulamentação constitucional.ssante: a relação entre a constituição vigente e as normas da constituição anterior. assim como as leis constitucionais que foram declaradas coino suas partes". senão pela forma. A propósito. Isso se verifica mesmo quando as normas anteriores não sejam incompatíveis. das normas constitucionais precedentes.Constituição vigente e normas constitucionais anteriores 23. ficam ab-rogadas". são reconduzidas à qualidade destas. não na sua Qualidade de normas constitucionais. Prevalece também o princípio de Que a lei posterior que regula novamente a mesma matéria revoga a anterior. art. Foram inscritas no texto constitucional unicamente para se lhes dar maior força e estabilidade. ainda sem especial reconhecimento legal.no fundo é o que são . disposiç<*-*>es que não são constitucionais. pp. 32 e 33. aplica-se.mas. em sua inteireza. e contêm. em que estavam encaixadas. 24. a Constituição da Baviera.

significa isso que a nova ordem constitucional as quis desqualificar. Éléments de droit constitcitionnelfrançais et comparé. claramente calcado no texto de Esmein. Toda constituição é feita para ser aplicada. conceito e espécies. No mesmo sentido: Pontes de Miranda.3' 36.Leis complementares no direito constitucional brasileiro. 37. IV . Certas car- . sem citá-lo no mesmo. Manoel Gonçalves Ferreira Filho aceita a tese da desconstitucionalização com a transformação da norma de lei ordinária (cf. 582. tal como a constituição que as acolhia. daí por diante. podem. mas. Direito constitucional comparado: I. se uma constituição nova é elaborada pelo poder constituinte que não reproduz determinadas normas não essencialmente constitucionais (administrativas. porém. I/249 e 250. t. li . temos dúvidas de sua validade e conveniência.Leis integrativas das normas constitucionais. A revolução não fez mais que desconstitucionalizá-las". pp. também como normas jurídicas vigentes. I . p. constnzir uma nova ordem jurídica. Pois. III . Comentários à ConstituiGão de 1967 com a Emenda n.) insertas na constituição apenas para lhes dar maior estabilidade. Nasce com o destino de reger a vida de uma nação. como outra lei qualquer. informar e inspirar um determinado regime político-social. ser modificadas pelo legislador ordinário. TÍTULO III APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS E LEIS COMPLEMENTARES DA CONSTITUI<*-*>Ã O <012> CAPÍTULO I INTEGRA <*-*>f1 O DA EFICtl CIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS I . mas. Isso quer dizer que ficam igualmente revogadas.Sistema de integração das iiormas constitucionais. perdem a eficácia de normas constitucionais.36 Na edição anterior aceitamos essa doutrina da desconstitucionalização das normas jurídicas.Aplicação da constituição. ao mesmo tempo.Aplicação da constituição l. I de 1969. I 10 e ss). não apenas como normas constitucionais. civis etc.Leis complementares da constituição.Opoder constituinte.isso Que permanecem em vigor. II . Cf. e. Hoje.

mais dificil ainda é pô-la em inovimento e fazê-la funcionar. servem para fundamentar regimes de força e autoritarismo." "Não é adinissível [conclui] que uma Constituição permaneça parcialmente desaplicada e se prolongue um vácuo e uma fase de incerteza do Direito. em nossa vida política. para serein aplicadas. efetivamente cumprida. especialmente do Legislativo ordinário. em grande parte. outra é a Constituição eficaz. como vimos. para que seja totalmente cumprida. Também ela. disse Enrico De Nicola. Por muitos modos se pode integrar as normas constitucionais. desde logo aplicável. juridicamente falando. econômica e social". ficando sua aplicação efetiva e positiva dependente da atividade dos órgãos governamentais. comportamentos e situaç<*-*>es nelas cogitadas. a Constituição. [assevera Ruini] se é dificil fazer uma Constituição. de proceder a um esforço coordenado e sistemático para atuar "finalmente". por isso. isto é. não só mediante lei ulterior. geradoras. a Constituição aplicada. especialmente os de natureza programática. para adquirir plena eficácia jurídica. que querem dizer normas a que o legislador constituinte deu fonnulação suficiente para reger as condutas. ter uma constituição proinulgada e forinalmente vigente. outra. com aparência formal de constituição. que dão a tônica dos fins sociais do Estado e revelam aquela área de compromisso entre o libe<012> APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ralismo e o dirigismo. dependein. pois "<*-*>. exigível.' II . que destaquei. completando-lhe a eficácia.Sistema de integração das normas constitucionais S. tomatn mais grave e ünperioso o dever que têm. A Constituição de 1946. com efeito."1 4. Governo. <*-*> A Constituição de 1988 aí está. a inenos que se refaça ou se inodifque o edifício constitucional.tas constitucionais. sem aplicação. afinal. impende atuá-la. Mesmo as norinas plenamente eficazes. "Infelizinente. . depende. naquilo que foi incorporado pelo regime democrático anterior e permanece. entre a democracia política e a democracia social. como se recorda. através de leis que transmitam vida e energia a grande número de dispositivos. As dificuldades objetivas. do cumprünento de certos requisitos ou de um inínimo de organização. Mas. soleneinente promulgada. A não-integração normativa dessas normas constitui um descumprimento do compromisso e revela o logro em que caíram as forças políticas que as defenderam e as fizeram introduzir no sistema constitucional vigente. às vezes. Não basta. administrativa. pennaneceu. 3. porque o Poder Legislativo não editou as normas complementares necessárias à plena eficácia de várias de suas disposiç<*-*>es. País. muitas e muitas nonnas constitucionais têm eficácia limitada.zma é a Constituição vigente. mas isto é um imperativo inderrogável. de integração normativa. Mas quando se fala ein normas constitucionais de eficácia plena tomase a expressão em termos jurídicos. Parlamento. como acontece com a generalidade das constituiç<*-*>es contemporâneas. coin força obrigatória.

§ 9Q. g) resoluç<*-*>es do Senado Federal. § 4Q. trata-se de lei federal. tudo depende da competência para regular a matéria prevista. tainbém certas nonnas programáticas podein ser atuadas por atos do Executivo. 236. § 5Q). alteração das alíquotas ou das bases de cálculo dos impostos previstos no art. conforme veremos adiante).155. H. 137. § 2<*-*>). quer as de princípio programático. decretos. por exemplo. 36. 25. a proteção à cultura e incentivo ao desenvolvimento científico. parágrafo único). Curso de direito constitucional. §§ 2Q. III. c) uma leifederal (arts. etc. na maior parte. parágrafo único. aliás. 18. C<028> II Farlamento e la sua riforma.<*-*> decreto do Executivo Federal. A Constituição menciona. la Costituzione nella sua applicazio>ie. 158. III. e § 2Q. etc. e § 1<*-*>. parágrafo único). parágrafo único. ou. 25. "a lei estabelecerá". "b" e "c". 219.. 220. e até de referendum popular. convênios. 34. rarainente a matéria é de competência privativa dos Estados ou Municípios. á Um sistema de integração das normas constitucionais existe para aquelas de eficácia limitada. quer as de princípio institutivo. 91. para que fique a União impedida de dispor sobre ela. Não precisamos dar muitos exemplos. 85. 32. e nas dezenas de artigos onde aparecem express<*-*>es tais como: "a lei disporá". 225. 2. Cf. IV. parágrafo único. § ló). "como dispuser a lei" etc. 218). 5Q.. h) as constituiç<*-*>es estaditais (art. 3Q e 4Q. como. e 138). j) as leis a oânicas . como se disse acima. i) uina lei estadual (arts. "b". d) uma lei especial (art. 128. coino para a aplicação das norinas sobre a intervenção nos Estados (art. meios de aplicabilidade de normas de eficácia limitada: n) uma lei complementar ou lei complementar federal ou da União (arts. aplicação das normas sobre o estado de defesa (art. IN7EGRAÇÃO DA EFICÁCIA DAS NORhlAS CONSTI7UCIONAIS de situaç<*-*>es subjetivas de vantagem ou desvantagem. 7Q. 215. 24. 7. "a". § 6Q. essa. e) uma lei (arts. 36.136) e o estado de sítio (arts. 364. 14. § 4Q. desde a entrada da constituição em vigor. 216. 88. XX e XXVII. I. § 2<*-*>. Comp<*-*>e-se de diversos elementos normativos: leis. § 1 ó. "a lei regulará". a situação de competência decidirá de que lei se cuida. Meirelles Teixeira. pelo menos.120.153. §§ 2Q e 4Q. resoluç<*-*>es. § 3<*-*>. é a técnica mais usada. § 1<*-*>. 7ó. à pesquisa e a capacitação tecnológica (arts. a União também fica autorizada a emitir lei de validade nacional sobre o assunto. II. b) uma lei complementar estadual (arts. VI.158. IV. essa lei pode ser federal ou estadual. mais raramente municipal. p. § 2<*-*>. enfim. como meios de integração da eficácia de suas normas.). 105. onde esse instituto de democracia direta é admitido. 18. II). I. 102. 90. "a lei assegurará". II e IV. 75. "nos termos da lei". IV e V). § 5<*-*>. § 3Q. 128. como certos liinites à autonoinia tributária e financeira dos Estados (arts.1. XXVIII e XXIX. J. p.

Não as mencionaremos daQui por diante. como vimos. particularmente. 29) e do Distrito Federal (art.Leis integrativas das normas constitucionais 8.municipais (art. 68. que quer dizer leis comuns. todas as leis são complementares. Estas. especial mas ordinária. constituem apenas uma espécie daquelas. se reserva esta denominação para aquelas leis sem as quais deterINTEGRAÇÀO DA EFf CÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ii. Os dois tipos de leis aqui mostrados constam do art. 32). correndo daí a diferença do processo de sua elaboração (art. mediante a integração de sua eficácia. Todas as leis integrativas referidas completam a eficácia das normas constitucionais. Por outro lado. <012> APLICABILIDADE DAS NO RblAS CONSTITUCIONAIS III . IV. § 4<*-*>. Nessa acepção lata. Contudo. São elas instrumentos de aplicação efíciente das normas de eficácia limitada. e b) normas de princípio programático. 69). há diversas espécies de leis designadas para efetivar a aplicabilidade dessas nonnas. quando fala de iniciativa de leis complementares e ordinárias. de leis orgânicas. leis ordinárias. observe-se que a Constituição. até . chamando-as. RDA 7/381) afirma: "Em princípio. 12. parágrafo único. ou simplesmente leis. Estas. todas são leis complementares da constituição. 61. Também poderão ser objeto de medidas provisórias. consoante vimos acima. b) leis complementares. Geralmente. porque se destinam a complementar princípios básicos enunciados na Constituição. o exame das leis integrativas das nonnas constitucionais de eficácia limitada.Leis complementares da constituição.' A dou3. interesses e organização excepcionados no § 1<*-*> e incisos do mesmo artigo. A propósito. cabe observar Que a Constituição também admite leis complementares estaduais. 85. porém. desde que não versem sobre as matérias. tornando plenamente eficazes os seus dispositivos. mantida na de 1969 e reforçada na de 1988: a) as leisfederais. Interessa-nos. conceito e espécies ll. Em sentido amplo. ou desenvolvendo os princípios neles contidos. desde que respeitados os requisitos do art. Víctor Nunes Leal ("Leis complementares da Constituição". 18. fala em lei especial.9 trina andou vacilando na conceituação e distinção das leis complementares. igualInente ordinária é a lei estadual referida no art. às quais dedicaremos o capítulo seguinte. As leis ordinárias supramencionadas podem ser elaboradas também mediante a delegação legislativa prevista no art. no mais das vezes. como destacamos acima. no art. 62. leis complementares da constituição são todas as leis que a completem. 9. Interessa destacar uma distinção introduzida pela Constituição de 1967. desdobram-se em dois tipos: a) normas de princípio institutivo. na verdade. que a doutrina. 10.

II . 60.Leis complementares comuns são aquelas leis ordinárias Que visam à aplicação dos demais dispositivos constitucionais.agora. várias leis complementares da Constituição de 1875. 47 e 48. bastante equívoca. segundo Burdeau. Há quem inclua entre estas leis fundamentais as que são referidas nos preceitos constitucionais relativos à declaração dos direitos individuais. p. já de si suficientes.Leis complementares orgânicas. de si. 121.Leis complementaresfundnmentais. organização do Ministério Público (art. art. à regulamentação de certas atividades particulares etc. No sistema constitucional brasileiro isso não se dá. eficazes e imediatamente aplicáveis. onde mosha que a expressào leisfundarnentais é empregada em vários sentidos. C<028> Droit canstitutionnel et institutians politiques. eram verdadeiramentefundamentais. mas restritivas. instituiç<*-*>es e serviços estatais. 4. J. a delimitação dos direitos desta em respeito dos Estados-membros".' melhor dizer que são aquelas que dão fonna e regulamentação aos órgãos do Estado e aos entes menores. organização e competência de tribunais eleitorais (art. e também. 128. mudando o sentido da . Meirelles Teixeira. Curso de direito constitucional. H. cit. distorcer o sentido do preceito complementado. portanto. H. bem como "toda limitação normada das faculdades ou atividades estatais" 4 . Na França. que seriam "toda regulação orgânica de competência e procedimento para as atividades estatais politicamente impottantes. pois. discriminava em três classes: I . e as que desenvolvem aqueles preceitos constitucionais sobre os direitos políticos. à sua política social. Cf. mas. são as que tratam de Quest<*-*>es relativas às instituiç<*-*>es constitucionais. § 5<*-*>. <012> <*-*> <*-*> <*-*> fl APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTf TUCIONAIS 13. a Lei Orgânica da Magistratura (Estatuto da Magistratura. também mediante lei complementar). pp. 32). convém não olvidar que essas leis são puramente complementares das normas constitucionais. conforme vimos. 29) e a do Distrito Federal (art.. em uma Federação. 362. p. Cf. contêm a eficácia daquelas nonnas eIn detenninados limites: não são complementares dessas normas. ao contrário. n<*-*>ficirelles Teixeira. Exemplo: típicas são a Lei Orgânica dos Municípios (art. 93). porque. mas dessa natureza são. 362. Finalmente.6 minados dispositivos constitucionais não podem ser aplicados". Cf Carl Schmitt. hoje veiculada por lei complementar. especialmente os relativos aos fins do Estado. 5. por exemplo. 6. sendo. também J. Teoria de la constitución. e as leis ali mencionadas não lhes desenvolvem os preceitos. p. III . ob. as normas que consubstanciam esses direitos são. consideradas orgânicas. leis complementares). Não podem.

nos termos do art. item SQ. art. § I<*-*>. Cf. dispunha: "Uma lei particular especificará a natureza destes delitos e a maneira de proceder contra eles" (hoje não é diferente. o art. '<*-*> V . pois tanto infringe a constituição desbordar de seus princípios e esQuemas como atuá-los pela metade. A primeira Constituição republicana também continha normas de eficácia limitada (cf. 377. RDA 7/382. 85.constituição. o art. 162 (atribuiç<*-*>es e distrito dos juízes de paz). Isso desbordaria de sua competência.9 Mas não se vai tirar daí a possibilidade de "permitir-se na lei aquilo que a Constituição. INTEGRAGÃO DA EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS 231 lação do Império". 77. Vários outros casos se encontram na Constituição imperial: art. consoante acentua Víctor Nunes Leal. art. não permite".s Carlos Maximiliano também reconhece o grande valor da longa e uniforme prática constitucional. 10. lei interpretativa de texto constitucional. destinada a interpretar alguns artigos da reforma constitucional (Ato Adicional à Constituição do Império. art. RDA 7/382.. 27. A Constituição do Império conheceu-as em sentido amplo: seu art. O mais importante nessa Constituição. no direito constitucional brasileiro. Mas há que desenvolvê-los inteiramente. parágrafo único. em muitos casos de interpretação duvidosa. A lei. Hermenêutica e aplicação do Direito.1840. Qualquer lei que complete texto constitucional há que limitar-se a desenvolver os princípios traçados no texto.134. dando-Ihe determinada interpretação. Víctor Nunes Leal. e implicaria verdadeira mutação constitucional por via indireta. a ação legislativa é útil e às vezes imprescindível. competência e autoridade da Administração provincial).<*-*> Não existe interpretação autêntica da constituição. são as cláusulas 33 e 34 do art. trabalho cit.1834). § 3<**>. p. arts.169 (organização das Câmaras Municipais). A doutrina não tem dúvida em declarar que absolutamente não é licito à lei complementar seja de gue tipo for prvcurarfixar o sentido ou o alcance duvidoso do texto constitucional. referindo-se aos crimes de responsabilidade dos Ministros. não obstante entenda que. 34. Idem. IS. Lei que o pretendesse efetivamente estaria emendando o estatuto político. e o número dos deputados relativamente à popu7. 9. As leis complementares não constituem fenômeno novo no direito constitucional positivo brasileiro. respectivamente. 164 (atribuiç<*-*>es. 157 (processo da ação popular). de 12. 97 também estatuía: "Uma lei regulamentar marcará o modo prático das eleiç<*-*>es. 362. C<028> "Leis complementares da Constituição".Leis complementares no direito constitucional brasileiro 14. Verdade que já houve. § 2<*-*>). não é meio hábil para dirimir controvérsias constitucionais. 8. estipulavam competir ao Congresso Nacional: a) decretar as leis e resolu- . 6ó. 71. para os fins que temos em mira. p. 13. 33. embora em forma pouco precisa.5. e isso só é possível atendendo-se às regras expressas para tanto. Em ambos os casos ocorre uma deformação constitucional. da Constituição). dizia: "A lei determinará as qualidades precisas para se obter carta de naturalização". que. Cf. como foi a Lei 105. 28.

<012> 232 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS econômicas e partiu para a previsão do dirigismo estatal. que não foram efetivados. mas que deve ser mudada.ç<*-*>es necessárias ao exercicio dos poderes que pertencem à União. não tendo tomado consciência dos problemas sociais. sofrendo a influência da Constituição de Weimar de 1919. 17. ela também reconheceu que era incompleta e precisava de leis orgânicas que lhe dessem plena eficácia jurídica. como o princípio da participação nos lucros das empresas. os aspectos fundamentais de uma democracia social restaram incompletos. abundou em normas programáticas. Ruy Barbosa. Por outro lado. A segunda. II/ 478. Mas o aspecto mais relevante . acolheu os princípios de intervenção do Estado na ordem econômica e social (art. Grande dicionárioportuguês. n. 20. na terminologia até agora adotada. senão a denominação específica.<*-*>1 16. porém. mas não lhes acrescentou nada de novo. citando Fr. então. Esta era mais sintética. b) decretar as leis orgânicas para a execução completa da Constituição. 115 e ss. Verdadeiramente. Durante a vigência da Constituição de 1946 veio a Emenda Parlamentarista de 1961 e deu destaque às leis complementares. foram objeto de regulamentação. A Constituição de 1934. nem por isso editou normas de eficácia mais completa. às leis complementares orgânicas. mas foi menos proáramática. a Emenda Constitucional 18 também denominou leis complementares a muitas que deveriam complementar a eficácia de suas normas. que vêm a ser "as que têm por objeto regular o modo e a ação das instituiç<*-*>es ou estabelecimentos. 39. 18. ela era muito mais incompleta que a Carta Constitucional precedente. 3Q/1280. os direitos dos trabalhadores rurais etc. Cf. ficara nos elementos orgânicos e limitativos dos Poderes. ditando leis de caráter social. pois. Depois. menciona a competência do Poder Legislativo para decretar leis orgânicas para a completa execução da Constituição. A Constituição de 1967 e sua Emenda 1 (Constituição de 1969) mencionaram vários tipos de leis destinadas a complementar suas disposiç<*-*>es de eficácia limitada. como veremos. Com isso. A primeira dessas cláusulas refere-se às leis complementaresfundamentais. v. uma organização. como no seu modelo. v. suas normas. A outra lembrou-se das relaç<*-*>es sócio11. Domingos Vieira. visando a assegurar melhor condição de vida aos trabalhadores e a algumas incurs<*-*>es intervencionistas na economia. Como a de 1891. como veremos no capítulo seguinte. mais extensa e minuciosa na organização dos Poderes Públicos.). e seu art. neste aspecto. limitaram-se a colocar princípios programáticos. como o repouso remunerado. 19. Comentários à Constituição Federal brasileira. Coube ao regime de 1937 (cuja Carta também tendeu para o dirigismo e a proteção das relaç<*-*>es sociais dos trabalhadores) o desenvolvimento de vários princípios programáticos. cujo princípio foi consagrado por uma lei precedente". assim. um princlpio.1. A Constituição de 1946 seguiu a mesma esteira da de 1934. porque constantemente remetia à lei ordinária a incumbência de complementar uma regra. Muitas normas que nesta última eram dessa natureza receberam formulação capaz de atuar independentemente de lei. Outros. editar poucas normas. com características especiais. mas de eficácia plena na sua maioria. o direito de greve. Pôde. a repressão ao abuso do poder econômico. No entanto. No entanto.

na Assembléia Nacional Constituinte. Nem sempre o faz com primor técnico e unifonnidade terminológica.O termo "lei " na Constituição Federal. VI . como no art.Leis camplementares e leis constitucionais.Leis complementares e leis ordinárias.O termo "lei " na Constituição Federal 1. II. ou também admite a interferência de lei estadual. não mais do que a Constituição Federal da Alemanha.111. Muitas dessas leis já existiam ao tempo em que ela entrou em vigor. não raro desnecessariamente. em lei orgânica.Leis complementares e a Constituição.Leis complementares e medidas provisórias.Formação das leis complementares e promulgação das leis por decurso de prazo. Houve mesmo. ora em lei estadual. A palavra "lei" aparece cerca de 300 vezes nos 246 artigos da Constituição e nos 73 de seu Ato das Disposiç<*-*>es Transitórias. lei federal . 21. Já examinamos a eficácia das normas constitucionais da Carta Magna vigente. 39.foi o referente às leis complementares da Constituição. porém. I. no mais das vezes sem critério. larga acolhida às leis complementares.Leis complementares e leis delegadas. VConceito. Deu ela. XII . outras vezes.l Ora fala em lei federal. no sentido que as Constituiç<*-*>es de 1967 e de 1969 atribuíram a essa categoria de leis.Processo legislativo das leis complementares. simplesmente. sem chegar a ter natureza de leis constitucionais. Tudo que não se resolvia no texto constitucional ou nas negociaç<*-*>es políticas logo recebia a sugestão de ser deixado para uma lei complementar. outras refere-se à lei. § 1<*-*>. de modo que elas pululam no texto da Constituição. VIII . noutro lugar menciona lei especial.Normas constitucionais dependentes de leis complementares. CAPÍTULO II LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇ'ÃO FEDERAL I . É o que veremos no capítulo seguinte. I . Em muitos dispositivos prevê uma lei complementar. VIII e XI. e agora. qualificada ou não. A Constituição Federal utiliza da palavra "lei" abundantemente. Iv .Natureza juridica. quando usa apenas a palavra "lei". que.Referência às leis complementares na Constituição. que elas erigiram numa normação de natureza diversa das leis ordinárias. II . e art. VII . com seus 146 artigos apenas. 37. Como já notamos. 1. X . inscreve a palavra "lei" com várias combinaç•es (lei fundamental. XI . V. IX. Também ela menciona vários tipos de leis destinadas a complementar suas disposiç<*-*>es de eficácia limitada. até lei complementar estadual. um exagerado apego e apelo às leis complementares da Constituição. é necessário recorrer-se aos princípios da competência para se decidir se a matéria só postula regulamentação por lei federal.

sobre normas legislativas. 22 da Emenda Constitucional 4/61. porém. designada pelo Presidente da República para elaborar o anteprojeto de Emenda Constitucional. salvo o breve interregno parlamentarista.etc. nos termos em que. "A" e "B". que inodificou o Sistema Tributário Nacional. mediante leis votadas nas duas Casas do Congresso Nacional. sein dar às leis com2.' Se assün era nos regimes constitucionais anteriores. neste capítulo. de 15. 39). 3. orgânicas e comuns.). nenhuma hierarquia do ponto de vista da eficácia em relação às outras leis declaradas não-complementares. complementando a organização do sistema parlamentar de governo e estabelecendo outras disposiç<*-*>es. foram promulgadas duas leis complementares: a) Lei Complementar 1. o primeiro. no sentido estrito. dispondo sobre a vacância ministerial e dando outras providências. trabalho cit. mesmo feita a classificação delas em fundainentais.62. criava a figura das leis complementares com rigidez maior que a das leis oi-dinárias (art. a problemática das leis complementares. RDA 7/382. A doutrina desde muito tempo vem teorizando sobre as leis compleInentares da Constituição. Transforma- .62. desde a Constituição de 1967 e agora na Constituição vigente. EI concepto de ley en la Constitución alemana. não tinham elas qualquer situação especial no direito positivo brasileiro. e. as leis compleinentares adquiriram superioridade fonnal relativamente às outras leis. b) Lei Complementar 2. e umas e outras se interpretam segundo as mesmas regras destinadas a resolver conflitos de leis no teinpo". de I7. têm a mesma eficácia jurídica. mas toinava a expressão ein sentido lato. apresentou dois anteprojetos. 5<*-*>). conforme observa Víctor Nunes Leal.. Cf. Com essa característica eficacial. mais de 300 vezes (c<028> Christian Starck.3 Delas voltou-se a cogitar na Emenda Constitucional 18. pela maioria absoluta dos seus membros". complementares oü não. Todas as leis. esse tipo de lei complementar insinuou-se no direito constitucional brasileiro através do art. como é intuitivo. tão-só. Com base nesse dispositivo. Interessa-nos. A Comissão de Reforma. verificaremos. em seguida. consoante já vünos.i <*-*>1 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS 2. in verbis: "A designação de leis complementares não envolve. p. inclusive fixando data do refer<*-*>endcim popular. num stntus interinédio entre leis constitucionais e leis ordinárias. que se pronunciou contra o sistema.7. No fnal.9. reformulado. o chamado Ato Adicional que instituiu o parlamentarisino efêmero. somente foi submetido ao Congresso Nacional o projeto "A". Dizia o dispositivo: "Poder-se-á complementar a organização do sistema parlamentarista de governo ora instituído. 3. LEIS CONlPLEhIENTARES NA CONSTITIiIÇÃO FEDERAL 23S plementares a situação hierárquica prevista inicialmente. ao Ato Adicional. <012> ? . que a Constituição concebeu.

II . sem distinção relativamente às demais leis ali citadas. as leis complementares surgiram em vários de seus dispositivos. esta pode ser considerada complementar. vii: lei complementar destinada a definir os termos e limites de greve dos servidores públicos. o que se verifica em trinta e sete de seus dispositivos. <*-*> I": lei complementar destinada a estabelecer o nílinero de deputados por Estado e Distrito Federal. 49. XIII . conforme plebiscito da população interessada. Mas a Constituição de 1967 instituiu.art. parágrafo único: lei complementar destinada a autorizar os Estados a legislar sobre quest<*-*>es específicas das matérias relacionadas no artigo.art. outra lei. o Distrito Federal e os Municípios. 23. IV: lei complementar destinada a estabelecer casos de permissão para que forças estrangeiras transitem no território nacional.§ 4Q: lei coinplementar destinada a estabelecer o período de criação. 59. <012> APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS IX . parágrafo único: lei complementar sobre elaboração e consolidação de leis. II: lei complementar destinada a estabelecer casos de permissão para que forças estrangeiras transitem no território nacional. Em sentido amplo.art.art. 43. 7Q. <*-*> lQ: lei complementar destinada a estabelecer exceç<*-*>es às regras de aposentadoria voluntária. <*-*> IQ: lei complementar destinada a dispor sobre reQi<*-*>es em desenvolvimento. V .Referência às leis complementares na Constituição 4.art. completa. X . parágra Jo único: lei complementar destinada a fixar normas para a cooperação entre a União e os Estados. porque integra. XII . a figura das leis complementares em sentido estrito. destinadas a atuar apenas as normas constitucionais que as prevêem expressamente.§ <*-*>: lei complementar destinada a estabelecer outros casos de inelegibilidades.art. l8. para sua aplicação ou execução.art. São leis complementares da constituição. 22. a eficácia daquela. incorporação. 5. III . toda vez que uma norma constitucional de eficácia limitada exige.arr. conferindo-lhes eficácia superior à das deinais leis do País. IV . VI . II . no sentido referido.do o Projeto na Emenda 18. . . <*-*> 3<*-*>: lei complementar destinada à transformação de Estados. . I8. salvo quanto à denominação. 21. l8. a de 1969 reafirmou e a atual manteve. 40. que aproveitou a idéia lançada no ait.art. VII . 45. 3 7. <*-*> 2<*-*>: lei complementar destinada a regular a criação de Territórios Federais e sua transformação em Estados. l4.art.art. XI . I: lei complementar destinada a regular a relação de emprego. 22 da Emenda Parlamentarista. como segue: I . Mas foi por aí que aquelas entraram na Constituição de 1967. VIII . aquelas a que a vigente Carta Política faz referência expressa.art.art. fusão e desmembramento de Municípios por lei estadual.art. como ficou dito. XIV .

<*-*> 9Q. da lei de diretrizes orçamentárias e do orçamento anual . III: lei complementar sobre competência para a instituição do imposto causa mortis. . XXXII . I e II: lei complementar destinada a fixar o exercício financeiro etc. a regular as limitaç<*-*>es do poder de tributar e a estabelecer norinas gerais em matéria de legislação tributária. XXIII . para o processo judicial de desapropriação.art. 1. XXII . 155. XXVI . XXI . vii: lei complementar sobre a forma do controle externo da atividade policial pelo Ministério Público. l34.art. XXX . 128.131: lei complementar destinada a estabelecer a organização e funcionamento da Advocacia-Geral da União.art.art. I 65. l66. XII: lei complementar destinada a defnir situaç<*-*>es sobre o ICMS. 146. I2l: lei coinplementar sobre organização e competência de órgãos judiciais eleitorais.1: lei compleinentar destinada à forma de expedição de notificação nos procedimentos administrativos de competência do Ministério Público. l56. . lll: lei complementar destinada a defnir serviços de qualquer natureza. XXXIII . XVI .art.art.art. <*-*> IQ: lei complementar sobre normas gerais a serem adotadas na organização.§ 3<*-*>. XXVIII . parágrafo único: lei complementar destinada a conferir atribuiç<*-*>es ao Vice-Presidente da República.<*-*> 6Q: lei complementar sobre iniciativa de lei do plano plurianual. I ll e III: lei complementar sobre regras e critérios de distribuição de receitas previstas nos art.. I e II: lei coinpleinentar sobre a fixação de alíquotas e exclusão de incidência do imposto municipal sobre serviços de qualquer natureza.153.go das Forças Armadas. I a Illl: lei complementar sobre finanças públicas etc. <*-*> 2Q. <*-*> l<*-*>. XXXI .154. XIX .art.art. parágrafo único: lei complementar destinada a organizar a Defensoria Pública da Lmião e do Distrito Federal e dos Territórios . XXXV .16l. 84.art. 79. XXIX . l29. 142.art. de rito sumário. I..art. XVII . XXXIV . XXXVI .148: lei complementar permitindo instituir empréstimos compulsórios. 184.art.art.art. <*-*> 3Q: lei complementar sobre procedünento contraditório especial. XXVII .art. XVIII . 93: lei complementar sobre o Estatuo da Magistratura. no preparo e no empre.art.art.155. <*-*> 4Q: lei coinplementar sobre destituição de Procuradores-Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Territórios. XX .XV .art. l63.art. l29.art.158 e 159.art. II e III: lei coinpleinentar destinada a dispor sobre conflitos de competência ein matéria tribiItária. XXII: lei complementar destinada a estabelecer casos de permissão para Que forças estrangeiras transitem no território nacional.156. LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 23<*-*> XXV . 157. XXIV . I: lei complementar permitindo à União instituir outros impostos não previstos no art. .

confonne aprovação em plebiscito da população diretamente interessada. fixando normas para o cumprimento do disposto nos arts. § 3<*-*>. porque nesta obra só interessam as leis complementares federais. também. coino a lei coinpleinentar que aparece em vários dispositivos do Sistema Tributário.70. subdividir ou desmembrar Estados. Convém.XXXVII . o § 17 da Constituição da Finlândia. <012> APLICABILIDADE DAS NORMAS CONS7ITUCIONAIS 6. II. 49. 61 e 68. e no art. muito parecidas com as nossas leis complementares. da Constituição de 1969. 25. São em tomo de 300. inasjá previstos no direito constitucional comparado 4 4. § 3ó. inovação da Constituição de 1967. etc. de 7. Surgiram no regime anterior leis complementares sein referência específica na Constituição de 1969. mas como procedimento (arts. Já exaininamos a eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais nos seus aspectos gerais e fundamentais. nas hipóteses de previsão de lei coinplementar concreta. III . IV. a Lei Complementar 8. Que há dispositivos que mencionam a lei complementar não como integrativa da Constituição.71. contudo. que aparece em vários dispositivos. com o Quê. § 9á. instituindo o PRORURAL. usa-se a lei complementar. como é a que consta do art. l92: lei complementar destinada a regular o Sistema Financeiro Nacional. natureza e conceito dessa categoria de atos legislativos. como indicamos no item XVII do número anterior. função. 98 e 108.12.aqui. de 25. a Lei Compleinentar 10. Assim. § 1<*-*>. aqui. e 128. As leis compleinentares tomaram-se moda. De fato. a Lei Coinpleinentar 11. algumas constituiç<*-*>es européias mencionam leis orgânicas. Claro está que não é necessário uma lei complementar para cada um dos dispositivos que a mencionam.9. analisar. porque isso nos auxiliará a descortinar a espécie. Por outro lado. de . que foi satisfeito com a Lei Orgânica da Câmara dos Deputados. 21. no sentido adotado. 165.71. de 6. instituindo o PASEP. é a mesma dos aits. § Só). Em São Paulo elas proliferam a propósito de tudo.Normas constitucionais dependentes de leis complementares 7. e 84. instituindo o PIS. Observe-se. § I<*-*>). por exemplo. Assim. 18. aquelas dependentes de leis complementares. se está deformando uin conceito que deveria ser preservado com maior rigor. 166. Note-se que não estão considerados nesse rol os dispositivos Que prevêein lei complementar. a denominada Lei Orgânica da Magistratura Nacional. ter-se-á que elaborar uma para cada caso. destinada a incorporar. finalidade.5. a lei coinplementar referida no art. de 3. Já são inais de 90. Sempre que se Quer dar uina certa majestade à regulainentação de determinada matéria.5. § 6<*-*> .art. e aquela que aparece no art. na verdade. até por remissão expressa. XXII.70.estadual (arts. como a Lei Complementar 7.

Enfim. para quê lei complementar sobre relação de emprego (arl. Também a Constituição francesa de 1958 prevê diversas leis orgânicas com aquelas características (c<028> Georges Burdeau. especialmente. I). § 3<*-*>) e. Mas. elementos do fato gerador. coino nonnas gerais de direito tributário. como atribuiç<*-*>es do Vice-Presidente da República e alguinas daquelas que interferem com autonomia dos Estados e Municípios. regulamentação de competência para o imposto causa mortis.1. Situam-se entre as que instituem a estrutura federativa do Estado brasileiro e as que visem à formação dos Poderes e à disciplina de suas relaç<*-*>es: I . 9. 60 e ss. 7<*-*>. e. não há razão para que seja veiculada inediante lei compleinentar. prevêem sua integração por lei ordinária. que as normas constitucionais dependentes de leis complementares estabelecem princípios esquemáticos institutivos. exclusão de incidência. fixar alíQuotas e estabelecer casos de exclusão de incidência de impostos municipais. seinpre foi objeto de lei ordinária. do ICMS. 113). jurisdição. pois já houve a experiência da Emenda Parlamentarista.casos de inelegibilidade. no mesmo sentido estrito. II . integração de regi<*-*>es de desenvolvünento e composição dos organismos regionais. impedünento a Estados e Municípios para lançar einpréstünos compulsórios. garantias e condiç<*-*>es de exercício dos órgãos da Justiça do Trabalho (art. IV .13. a Constituição não foi suficientemente técnica. III .criação e transformação de Estados. embora a inatéria eleitoral tenha forte conteúdo constitucional material. até porque outras norinas de eficácia limitada de princípio organizativo de órgãos judiciários. permitidos só à União.relaç<*-*>es entre os Poderes. limitaç<*-*>es à competência e poderes estaduais e municipais. A rigor. pp. 1 I I. competência. Droit constitutionnel et instituLEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 239 8. também não é inovação da Constituição do Brasil de 1967.). Podemos declarar. investidura. grosso modo. Matéria de estrita competência federal. 121). Territórios e Municípios. o Código Eleitoral. conf<*-*>ito e disciplina do poder tributante. continuando a albergar leis complementares como a referente à organização e coinpetência dos tribunais. para dificultar sua regulamentação? Fora tions politiques. que propiciou a promulgação de duas leis complementares. como é o caso da lei que deve dispor sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho (art. dos juízes de direito e das juntas eleitorais (ait. de igual relevância.?8. <012> ?-1O APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS . isenç<*-*>es etc. parece que se Quis dar às leis complementares da Constituição aquela característica das leis compleinentares fundamentais de que j á falamos.forças estrangeiras no território nacional. ainda nesse passo. a que se prevê para dispor sobre a constituição. naquela acolhido. Igualmente.

Tais requisitos. insalubres ou perigosas (art. para merecer lei compleinentar? É futilização do conceito.qual seja. o de que o termo "lei". se a iei de greve é matéria de competência federal. A lei complementar prevista no art. que. A primeira hipótese. poderiam estabelecer essa cooperação por convênio. 155. durante a elaboração da Carta Magna. § ló)? Que relevância tem isso. XII. 40.<*-*> A segunda hipótese consta. implica o estabelecünento de norina geral aplicável também a Magistratura dos Estados. art. I1. aí. porque se trata de lei reguladora das lünitaç<*-*>es ao poder de tributar. No regime da Constituição anterior anotamos três hipóteses ein que a palavra "lei" aparecia sem qualificação. à formação dos Poderes e suas relaç<*-*>es.146. 10. assim. nada mais a justifica.). VII). instituindo o Estatuto da Magistratura. A terceira também consta do art. Para quê lei complementar para definir termos e limites de greve dos servidores (art. essencialmente. 155. 19. § 2Q. VI. com natureza de Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Valem. exclusiva? Por que lei complementar sünplesmente para abrir exceç<*-*>es ao teinpo de seiviço nos casos de exercício de atividades consideradas penosas. Lei complementar tributária. § 1<*-*>. 128. III. A situação é de lei coinplementar. LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇÀO FEDERAL 241 a eficácia de nonnas constitucionais referentes à estrutura do Estado. estão especificados no art. §§ 2Q e 7<*-*>. só serve para interferir na autonomia de Estados. quando destinado a regular limiiaç<*-*>es de poder de tributar. pp. hoje. hoje.isso. As dos arts. 18. § 1Q. 23 seria dispensável se houvesse sido mantido o sistema tradicional de previsão de um convênio para tal fim. § 1Q (hoje.14 do Código Tributário Nacional. a função e a finalidade de integrar 5. quando prevê a ünunidade tributária de instituiç<*-*>es de educação e assistência social. "c". a lei ali referida é a lei coinpleinentar prevista no art. contudo. "e". e 23. não tem cabimento a lei compleinentar do art. A lei complementar prevista no parágrafo único do art. II). requerendo lei complementar. podemos afirmar que as leis complementares da Constiíuição têm. 93 tem razão de ser porque. § 5Q. sempre se refere à lei complementar mencionada no art. III. sem ela. em sua redação de . a lei compleinentar. 45. A rigor. exigindo lei compleinentar sobre o imposto de transmissão causn mortis e doação. 174 e ss. II. e 131 também seriain desnecessárias. Os casos que desbordam dessa regra decorrem de defeito técnico e surgiram em razão de situaç<*-*>es especiais. Distrito Federal e Municípios. obseivados os requisitos da lei. ainda que só um bastasse . Visto isso. que entendeInos seguramente tratar-se de lei complementar: arts. assim como a União coin eles. "c".150. hoje. e até sem previsão constitucional. coino forma de leis orgânicas de instituiç<*-*>es a que se quer dar relevância constitucional. é a do art. 146. José Souto Maior Borges demonstrou-o com abundância de argumentos (cf. do art. 37.

"Esta introdução de uma escala intennediária na hierarquia das leis justifica-se. comentando o art. I4 Miguel Reale. ob. sein rebuços. leis ordinárias. entendeu que tinham a natureza jurídica de leis ordinárias paraconsti tuciona is. embora feita no Ato Adicional de 1961.1967 e na Constituinte da Constituição de 1988. não participam da sua natureza e permanecem. p. parece ter tido sua fonte na Constituição francesa de 1958. Idem. cujo processo legislativo difere do consignado para as leis ordinárias. porque poucas páginas antes dissera. ainda. Io e."<*-*> 13. que prevê diversas leis orgânicas. e é também o que diz Paulo Sarasate. às leis orgânicas.9 e também 6. "Tendo em conta a abundância das leis orgânicas previstas pela Constituição de 1958 e a importância dos probleinas que resolvem. A naturezajuridica das leis complementares da nossa Constituição não é coisa fácil de fxar. a propósito. a propósito das leis complementares ao Ato Adicional de 196 I. 61. 9.. a esta mesma concepção: leis intercalares. Que a introdução das leis coinplementares. i ' . no sentido estrito. com evidente caráter de leis complementares fundamentais. que não se poderia reduzi-las a leis ordinárias puras.s mas foi contraditório. Georges Burdeau. Idem. acima citada.i' Volta. 22 da Emenda Parlamentarista. IV . Comentários à Cor<*-*>stituição de 1946. acima de tudo. Pontes de Miranda. pelo fato de que a elaboração e a modificação das leis orgânicas obedecem a um processo especial. por conseguinte. um lugar especial entre as leis constitucionais e as leis ordinárias. que eram leis orzlinárias. cuja lição. ibidem. Diz ele: "Até o presente.6 A identidade de função e finalidade entre as leis orgânicas fundamentais do direito constitucional francês vigente e as nossas leis complementares da Constituição permite-nos recoirer a Georges Burdeau. ainda que completem a constituição. parece que tem cabimento rever a concepção antiga e dar. Devemos lembrar. a doutrina considerava que.180 <012> 242 APLICABILmADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS que não eram leis constitucionais. dizia que as regras jurídicas das leis complementares são de direito constitucional. leis entre as emendas à constituição e as leis ordinárias. Cf. afirma tratar-se de leis intercalares. Cf. leis intermediárias na hierarquia das leis. pode orientar-nos no assunto. 8.<*-*>3 o que exprime aquela mesma doutrina de Burdeau.Natureza juridica 12. depois. de um ponto de vista fonnal. t. aqui. p. cit. Suplemento I. VIII/184. 7.1 <*-*> concluindo. as leis orgânicas não fazem parte dela.

As Que envolverem problemas municipais se incluem no direito municipal. Não constituem regras de modificação da Constituição. São elas. Mas. Terão elas a natureza jurídica que seu conteúdo indicar. Idem. As leis complementares não constituem um ramo próprio do Direito. em razão da matéria de que tratam.Data venia dos ínclitos juristas. Cf Parlamentarismo brasileiro. como o Código Tributário Nacional. Idem. As leis complementares referentes à matéria tributária integram o direto tributário. pp. somos forçados a admitir que tais modos de entender não decidem da natureza jurídica das leis complementares. embora formalmente não o sejam. ibidem. como também o teriam aquelas Que completassem a organização do sistema parlamentar de governo.aprovação por maioria absoluta dos membros das duas Casas do Congresso Nacional . como visto. t. e Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda n. que só cogita das normas constantes da Constituição. que diz serem leis de hierarquia intermediária. pode-se aceitar a doutrina de Miguel Reale de que se trata de leis paraconstitucionais. embora de caráter fundamental. 13. As que instituírem outras inelegibilidades são de direito político eleitoral. haver leis compl<*-*>mentares Que. consoante previa o art. Idem. a respeito delas não se pode falar na existência de um Direito intermediário ou paraconstitucional. III/136. 22 do Ato Adicional de 1961. I5. que as considera leis intercalares. mas nem sempre pertencem ao direito constitucional. nem se integram nesta. III/140. Consideradas do lado de sua hierarquia. porQue sua função complementar. ou se tem condiç<*-*>es de formar um ramo autônomo. 14. A rigidez que lhes foi atribuída . As que estabelecem sobre a Magistratura nacional são de direito judiciário. só desse lado. Completam a Constituição. ainda nos parece ficar pendente o problema da sua natureza jurídica. t. porque não as situam numa dada categoria da ciência jurídica. 14. ibidem. pp. . sejam de direito constitucional. refere-se ao conteúdo das normas integradas.1 de l969. e assim por diante.não é suficiente para lhes dar a natureza de direito constitucional em sentido formal. de direito constitucional? Do ponto de vista formal. 15. LEIS COMPLEMENTARES VA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 243 deau. As que cuidam. ou mesmo a de Pontes de Miranda. ou a de Bur10. ibidem. Comentários à Canstituição de 1967. Cf. pois. podendo. certamente que não o são. 12. nem lhes sustentam a autonomia dogmática. dos orçamentos plurianuais de investimentos são de caráter fnanceiro. eliminando o "ordinárias" da expressão. 110 e 111. então. O fato mesmo de reconhecer-se que elas ocupam um lugar intermediário entre as leis constitucionais e as leis ordinárias demonstra que não constituem direito constitucional. Cf. 332 e 333. A Constituição do Brasil ao alcance de todos. por exemplo. A natureza jurídica de um instituto ou princípio implica o decidir a que ramo do Direito pertence. I 1. e da natureza desse conteúdo retiram sua própria natureza. Mas as que criarem novos Estados e Territórios têm natureza de direito constitucional em sentido material.

razão por Que as entendemos como leis complementares fundamentais. especialmente tendo em vista a falta de técnica da Constituição na caracterização da função e finalidades das leis complementares. têm por objetivo regular os preceitos constitucionais cuja aplicação delas depende expressamente". 19. contendo principio institutivo ou de criação de órgãos e sujeitas à aprovação pela maioria absoluta dos membros das duas Casas do Congresso Nacional.leis complementares da Constituição. . 18. abalançamo-nos a dizer: leis complementares da Constiiuição são leis integrativas de normas constitucionais de eficácia limitadn. tnodificar essa tenninologia. Quer determinando sua criação. cit. na sua elaboração.Conceito 16.V . elas buscam completar ou desenvolver princípios consubstanciados no sistema normativo fundamental da Constituição. conto as leis orgânicas municipais e a do Distrito Federal. Tudo isso dificulta a formulação de um conceito sintético desses atos legislativos. Mas citamos hipóteses 16. em leis complementares fundamentais. I <*-*> Por outro lado. A criação constitucional dessa figura típica de leis complementares obriga a rever a doutrina que dividia as leis complementares. como gênero.leis integrativas orgânicas. Sugerimos se utilize. Devemos. reservando a expressão leis complementares da Constituição apenas para designar aquelas assim previstas no Estatuto Básico da República ou em constituiç<*-*>es estaduais. sujeitas a quorum especial para aprovação. vimos um caso em que a Constituição não menciona expressamente lei complementar. em sentido amplo.leis orgânicas de entidadesfederativas. de que estamos tratando neste capítulo. ou da Constituição. aprovadas no mínimo pela maioria absoluta dos membros das duas Casas do Congresso Nacional. leis complementares orgânicas e leis complementares comuns. Cf. a expressão leis irztegrntivas das normas constitucionais. O conceito é aceitável. os demais termos de votação das leis ordinárias.. 333. Verificamos Que. em essência. mas de simples leis complementares orgânicas.<*-*>6 17. as assim concebidas na Carta Magna vigente. ou seja. "c"). e será sempre passível de crítica.150. que cotnpreenderão as espécies seguintes: I . ob. Paulo Sarasate define como "leis complementares aQuelas que. Qualquer am que se ofereça deixará sempre muito a desejar. e observados. as que visam a integrar a eficácia e dar aplicabilidade a normas constitucionais que contenhatn princípio institutivo de órgãos menores. desde a vigência da Constituição de 1967. p. <012> 244 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS em que elas não têm esse sentido. Com essas ressalvas e cautelas. II . aQueles princípics vinculados a quest<*-*>es políticas fundamentais. IV. mas seguramente dela se cuida (arts. III .

as duas últimas continuam . Por isso. são complementares da Constituição Federal. uma observação: e é a de que.leis inlegrntivas sócio-ideológicas. quanto ao processo de sua formação. 32).e assim convém que o seja . disso não podem desbordar. porque sua aprovação depende do voto favorável da maioria absoluta dos membros das duas Casas do Congresso Nacional (art. a regra jurídica é nula. Integram a ordemjurídica nacional numa escala imediatamente abaixo das normas constitucionais. Pontes de Miranda foi claro quanto a esse ponto. se situam entre as que delineiam os fins sociais do Estado. As leis complementares. na realidade. as chamadas leis or<*-*>gánicas complementares da constituição entram quase sempre na categoria de leis complementares fundamentais. São. que. porém. '. as que se prop<*-*>em a integrar a eficácia de normas constitucionais de princípio programático. assim como a Lei Orgânica do Distrito Federal (art. o Congresso Nacional invadiu a esfera jurídica da Constituição de 1967. lá também. 69). a característica de normas constitucionais do poder constituinte decorrente. hierarquicamente inferiores à Constituição. Sua função é de tnera complementariedade. sancionadas. Convém fazer. como no direito constitucional europeu continental em geral. 21. como de instituiç<*-*>es e serviços. como visto. sua validade afere-se segundo o princípio da compatibilidade vertical. que ofendeu o sistema. Nem se há de servir delas para interpretar a Constituição ou qualquer de suas normas. ou de alguma das emendas constitucionais. é nulo. Aprovadas nesses termos. ao redigir alguma lei complementar. por ofensa à Constituição . ou o elemento da regra jurídica. estão sujeitas ao controle de constitucionalidade. IV . aqui.17. como outra lei qualquer. As primeiras são de hierarquia intennediária entre as constitucionais e as ordinárias.leis ordinárias. C<028> Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda n. adquiriram relativa rigidez. promulgadas e publicadas. .ls concluindo: "Se. no sistema constitucional vigente. as segundas têm. t. sim.o Que tem grande relevância no tocante ao recurso 18. Caso típico no Brasil sãs as leis orgánicas municipais (art. que. não havendo. atribuiç<*-*>es e modo de funcionamento. no sistema francês. e somente podem ser alteradas pelo mesmo processo.Leis complementares e a Constitaição 20. 29). muita pureza no assunto. i LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇÀO FEDERAL 24S quer apenas ordenando a fixação de sua competência. VI . 1 de 1969. entram em vigor. Sendo inferiores à Constituição.

Não se pode recusar razão a essa doutrina. No mesmo sentido pronunciou-se Miguel Reale a respeito das leis complementares ao tempo do Ato Adicional parlamentarista (cf. <*-*>9 uma relação hierárquica também naquelas hipóteses em que a lei com! plementar seja normativa.2' da Constituição e. se coloca em ní23. As leis constitucionais modificam a Constituição. gundo ele. <012> <*-*>46 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTTTUCIONAIS LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTI7UIGÃO FEDERAL 247 "G. isso r<*-*>um para sua aprovação no Congresso. mas isso não exclui maç<*-*>es ativas". ilegal. que "as leis ordinárias são inferiores às leis complementares. pelo quê têm que respeitá-las". apesar da discordância de Pon( indica relação hierárquica. Após a publicação do texto surgiram importantes trabalhos sobre as leis complementares da Constituição. sem maior distinção. ( mar-se a seu fundamento de validade. de tal sorte que tais atos hão que confortes de Miranda.<*-*> mos na lá edição: "A lei ordinária que ofender a lei complementar é ção entre estas e a Constituição.cação das leis complementares. que criticou acerbamente a doutrina da rela22.III/140 e 141. § 2Q). ca- . como previsto nos arts. Ao con<*-*> fundamentam a validade de outros atos normativos". acaba reconhecendo-a em relação à maioria dos caemendas ou reforma da Constituição. estas só se diferenciam das leis ordinárias no tocante ao guo. 111 e 112). portanto. por isso. as do segundo grupo.Leis complementares e leis constitucioi:ais latória de outras normas. aqui. e <**> sos previstos de lei complementar. à decretação de inconstitucionalidade e outras legiti. como veremos mais abaixo. aqui. . Constituem normas constitucionais em sentido formal. ou seja. ou inconstitucional?" 1'lll . O próprio Souto Maior Borges (no regime da Constituição anterior). Por leis constitucionais entendemos.. que. Não são desse tipo as leis complementares que estatuem do-se nela. Nesse aspecto. gozam de superioridade ein relação às leis Essas consideraç<*-*>es facilitam a resposta à indagação que lançacomplementares. Parlamentnrismo brasileiro. I. porque o processo de sua formação ' cretos legislativos e convênios). a partir de uma adequada classifi60. '. e 2Q) leis complementares que não exige outros requisitos que não são previstos para as últimas. que acolhemos prazerosamente. valendo. as que importem ção hierárquica. Na lá edição desta monografia dissemos.C vel superior.Leis complementares e leis ordinárias 24. elas se inserem em dois grupos: "1Q) leis complementares 60.<*-*>i Se as do pritrário. que fundamentam a validade de atos normativos (leis ordinárias. extraordinário. Serável de três quintos dos membros das duas Casas do Congresso (art. por sobre situação concreta. Também serão consideradas aprovadas se obtiverem o voto favo. as leis complementares se lhes assemelham. porque resolvem a quesonde já se nota que têm a mesma hierarquia das deinais disposiç<*-*>es tão individualizadamente "em campo privativo".' meiro grupo fundamentam a validade de outros atos normativos. integran. estabeleça regra limitativa e reguVII . deMas a rigidez daquelas é maior. pp. 59. o mesmo que se disse quanto à rela.

como a do art. b) suspensividade de sua execução por resolução do Senado Federal . São Paulo. ou seja. III. C<028> ob. dizer que a questão é de reserva legal ql<*-*>alificccda. fundante da validade de outros atos normativos. Cf. Poder-se-ia. 97).'3 A situação agora é diferente. 1971. A questão da ofensa à lei complementar. 84-90. que se resolve pelo confronto entre a lei ordinária (ou outro ato) e a própria Constituição. São Paulo. agora. isto é.141. Mesmo nas hipóteses 21. que goza de presunção constitucional de validade. sua regulamentação por lei ordinária. então. por invasão de competência. como teríamos um modo de invalidar lei. 22. sem a observância das regras de controle de constitucionalidade: a) exigência de maioria absoluta dos tribunais (art. porque uma lei federal ordinária pode também ser inválida por ferir lei complementar. quando ferisse normas constitucionais.1975. de modo indireto.. p. ob. 25. Nesses termos. da Constituição de 1988) também se alegava tratar-se de inconstitucionalidade.. RT. porque lei inconstitucional nào é nula. Ed. a resposta àquela indagação ainda tem relevância. teremos simplesmente uma invasão de competência. cit.146 (Código Tributário Nacional). nas pp. ibidem <012> 24S APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS em que se erguia a questão da invalidade de uma lei local em face da lei federal (caso do recurso extraordinário do art.bendo destacar as monografias de Geraldo Ataliba e de Souto Maior. "nula". 19. que. l Antes da Constituição de 1967 uma lei somente poderia ser invalidada na forma prevista para o controle de constitucionalidade da lei. A resposta a essa indagação é ainda pertinente em confronto com as leis complementares que fundamentam a validade de outros atos normativos. na medida em que certas matérias são reservadas pem Constitl<içno à lei complementar. a exaustiva exemplificação do autor relativa aos dois grupos de lei complementar. Lei complementar na Constituiçào. RT/ EDUC. assim. se não houver ainda lei complementar regulando a matéria mesmo nesse caso. só se coloca se esta já existir e for de natureza normativa. Lei complementar tributár<*-*>ia. só não estamos de acordo com aqueles "nulo". Ed. V. José Souto Maior Borges. 102. 20. Geraldo Ataliba. p. "c". afirmando que antes se trataria de relação de competência ratione materiae. Idem.'o Alguns desses trabalhos procuraram refutar a tese da relação hierárquica entre lei compleinentar e lei ordinária. Dizer que se trata de mera ilegalidade não só repugna considerar uma lei ilegal. 83. Manteremos a discussão da matéria tal como foi proposta na lá edição. evidentemente. cit. Mas acrescentaremos. vedada.

lembrado acima. Mesmo que disponha sobre matéria a ela não reservada pela Constituição. às quais deseje imprimir maior estabilidade. mas também de . não há na vigente Constituição qualquer . todavia. Tratar-se-á. já usada na Itália preferentemente ao tenno inconstitucionalidade. depende da matéria regulamentada".(art. Apenas num caso. nosso Recurso extraordinário no direitoprocessual brasileiro. lei ordinária que ofenda uma lei complementar estará vumerando a própria Constituição.z6 A citação é longa. "Posição hierárquica da lei complementar". uma relação de competência. como espécie normativa autônoma. dispositivos que tornam determinadas matérias privativas de lei complementar. Sobre o assunto. pelo constituinte. E o controle de ilegitimidade constitucional atenderia aos mesmos princípios do controle de inconstitucionalidade. visto que disciplinará interesses que esta determina sejam regulados por ela. que é a que ficou ofendida . ou seja. Pronunciamo-nos. Themis .<*-*><*-*> Acrescenta. destarte. Existem. não poderá ser alterada ou revogada". X). ao colocá-las fora do alcance de maiorias ocasionais. pp. subordinado ao princípio da compatibilidade vertical. Pode. LEIS COhIPLEMENTARES NA CONSTITUIÇÀO FEDERAL 24J " constitucional. o que é coisa rigorosamente diversa. sim. norma. 24. na nonna de maior superioridade hierárquica. o legislador adotar a forma de lei complementar para cuidar não apenas das matérias a esta entregues. 26. ou princípio. que entende que a lei complementar só é tal na medida em que disciplina matéria especiflcamente prevista na Constituição a ser veiculada por essa categoria normativa. 217 e 223. em caráter privativo. com todas as suas conseqüências. A existência de um campo de reserva de lei complementar.24 Nesse passo o autor se confronta com a generalidade da doutrina. O autor citado refuta a doutrina segundo a qual "a lei complementar. quando uma regra jurídica ordinária conilite com uma complementar. independentemente da matéria que regula. mas necessária para apreender todo o pensamento do autor. Cf.a Constituição. existem normas e princípios que autori- . é certo.Revista da ESMEC 1/103. de conflito de normas. ou até dos denominados acordos de lideranças". 52. então. que: "A rigor. entroncando. em geral. Poderíamos cunhar para o caso a expressão ilegitimidade constitucional. pelo controle de constitucionalidade das leis. Reconhece-se. outras. o termo lei" sem qualificação se refere à lei complementar prevista no contexto da ma' téria limitaç<*-*>es ao poder de tributar. que expressa ou implicitamente autorize a conclusão de que a lei complementar somente pode cuidar das matérias a esta reservadas pela Constituição. não quer dizer que não possa a lei complementar cuidar de outras matérias. e deve. Com efeito. Hugo de Brito Machado também sustenta a tese de que "a lei complementar é espécie nonnativa superior à lei ordinária. pois. à lei complementar compete tão-só disciplinar a matéria expressamente a ela reservada por dispositivo 23. Na verdade. a título de argumentação.

a admitir a doutrina . ingressaríamos. Uma lei não deixa de ser ordinária quando não se exige outra forma. porque bastaria pôr o nome num ato legislativo de "lei complementar" para que tivesse essa natureza. as subtraem da possibilidade de delegação legislados membros do Congresso Nacional (art. porque se deu a essas leis um proção. especifica separadamente lei complementar e lei ordinária. 104 e 105. três quintos) quando expressamente seja previsto em dispositivo constitucional (art. ainda que. que nal à competência de lei complementar. ao contrário dos . co importa com que quorum em cada caso concreto ela foi aprovada. Somente podem ser objeto de medidas provisórias. pou. por natureza.Leis complementares e medidas provisórias conceito.69 da Constido autor. só se obtém votando-se a lei na forma prevista no art. a propósito do poder de iniciativa. 47). e aí elas não seriam mais do Que leis 29. <012> ?50 APLICABILlllADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 251 te dispôs que a Iei complementar depende do voto da maioria absoluta que. num mero nominalismo intuição. 69. O art. Fora disso a matéria é de lei ordinária. 26. bem ordinárias. mesmo que tenha sido aprovada pela unanimidade das duas Casas do Congresso Nacional. e em conseqüência. p. o que só se descobre pela indicação expressa da Constituição.zam a conclusão de que a lei complementar somente pode cuidar das matérias a ela reservadas pela Constituição. sem nenhuma correspondência às exigências constitucionais. Fora disso. pp.104. Que lei complementiva: tar? Só pode ser aquela que é expressamente indicada pela ConstituiSegundo.47? Só pela matéria indicada em dispositivo constitucioabsoluta de votos dos Inembros das duas Casas do Congresso. dois terços. comum. ao discriminar os atos legislativos. o lei complementar para que se atenda ao disposto no art. Os mesmos argumentos acima expendidos servem para emordinárias.69). reconhecendo as duas espécies. Idem. conforme o disposto nos arts. sem conque não ocorreria se fossem formadas por via de delegação: maioria trariar o art. basar a conclusão de Que as matérias dependentes de leis complementares não podem ser reguladas por medidas provisórias. como é que se vai reconhecer quando um projeto é de cesso de fonnação especial que a Constituição quer seja obedecido. mas também porque segue um procedimento ordinário. 59. Idem. 65 e 66. 61 também reconhece separadamente a ambas. conseqüente. e estaríamos banalizando o X . nesse assunto. podendo até supor uma situação radical em que viríamos a ' ter apenas leis complementares. Lei ordinária é tal não apenas porque é aprovada por qatorum. E a Constituição expressamenI 25. Demais. e de acordo com o princípio segundo o qual só depende de quorum especial (maioria absoluta. O art. e só se vai saber se o caso é de iniciativa de lei complementar se a Inatéria de que se trata exige tal tipo de lei.

b) a legislação sobre: I . e se a Constituição exiVêm elas situadas logo após as emendas constitucionais.68. VII . os direitos individuais. IV . permitiu a delegação legislativa. entre as te é porque lhes conferiu valor preponderante e importância política regras jurídicas componentes da ordem jurídica nacional. porque. do Ato não ocorre com medidas provisórias. V . III exclui matéria reservada à lei complementar da regra de delegação.22. legislativos. rompeu com tradicional princípio do direito constitucional brato de procedimento legislativo que lhe garanta essa condição.leis delegadas. Se se exige maioria absoluta para aprovação e regulamentação da matéria A Constituição de 1967. Excetuou.emendas à Constituição. primeiro. § 1Q. são paraconstitucionais. como se sujeita à lei complementar.a organização do Poder JudiXI . não decretos legislativos.Leis complementares e leis delegadas ' decretos-leis da Constituição de 1969.resoluç<*-*>es ". bem assim os da competência privativa da Câso legislativo configurado na Constituição. 28.IX. mara dos Deputados ou do Senado Federal e a matéria reser-vada n lei complementar. políti30. logicamente essa matéria só pode ser objesabe. <012> <*-*> ) 2 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTTTUCIONAIS Essa peculiar situação hierárquica (com as observaç<*-*>es já feitas) sobressai do art. Nesse passo.planos plurianuais. desde sua redação originária.medidas provisórias. tivo vigente. Seguindo a ça de lei. os casos seguintes: a) os atos de competência exclusiva do ' complementar somente por esta pode efetivar-se. que explicitamente boração de: I . Os requisitos especiais do processo legislativo das leis comcos e eleitorais. O art. em princípio. esteira das constituiç<*-*>es contemporâneas. consoante o procesCongresso Nacional. Quer dizer que são aprovadas pelo voto da maioria absoluta dos meinbros das Casas do Congresso Nacional. da Constituição. hoje.Processo legislativo das leis complementares ciário e do Ministério Público. II . sendo constitucionais. estatuindo que "oprocesso legislativo compreende a elaconforme se vê do art. diretrizes orçamentárias e orplementares é que lhes deram configuração própria no sistema normaçamentos (art. § 1Q). A complementação de normas constitucionais dependentes de lei entretanto. a carreira e a garantia de seus membros.62). elas não estão sujeitas a restri27. Leis complementares podem ser delegadas? ç<*-*>es quanto à matéria (art. indica-se-lhes a rigidez relativa. 69: "As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta". porque as matérias objeto delas. . dentre os demais atos res podem ser delegadas. é expresso que não podem.leis ordinárias. Ficou superada a nossa discussão sobre se leis complementa<*-*> 31.68. II . o que foi mantido na Constituição de 1988(art. o que sileiro Que (salvo a autorização do art. que desde logo vigoram com forAdicional de 1961) sempre vedou a delegação de poderes. III .59 da Constituição destacou-as. numa giu sua regulamentação através de uma normatividade mais importan( colocação que revela sua posição hierárquica. parágrafo único.a nacionalidade. VI Isso se justifica. coin o estabelecimento de guo- .68).leis complementares. a cidadania. A questão é de procedimento.

e) do Presidente da República. 107. Incuinbe notar que a Constituição não definiu várias quest<*-*>es relativas ao processo legislativo das leis complementares. foi expresso para a lei complementar que era prevista no art. Sobre o conceito de iniciativa. aqui. pp. da Constituição de 1988. Cf. como antes. se reconhece não serem elas leis ordinárias. LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇÀO FEDERAL 2S3 Geral da República e aos cidadãos. Pontes de Miranda sustenta que independem de sanção. Cf. que serão observados na sua elaboração os demais termos da votação das leis ordinárias. . A iniciativa. b) o da discussão. ao Supreino Tribunal Federal. A Constituição traça regras de competência a respeito do assunto e reserva a determinado titular competência exclusiva para dar início ao processo legislativo sobre matérias Que especifica. v. TST. cuja matéria hoje está disciplinada no art. Nada mais.'9 Os titulares do poder de iniciativa das leis são discriminados expressainente pela Constituição. oportunamente. h) do Procurador-Geral da República. além do mais. visando à regulamentação de certos interesses vinciIlados a deterininada inatéria. com o quê. <*-*> de Tribunal Superior (STJ. <*-*> do Supremo Tribunal Federal. Regulou apenas o quorum para sua aprovação. hoje. Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda n. Não se diz agora. t. Iniciativa das leis complementares. 18. Por isso. hoje resolvido (art. 61). d) de qualquer comissão do Senado Federal.. c) de qualquer comissão da Câmara dos Deputados. Têin que ser observados os demais termos da votação das leis ordinárias. b) de qualquer Senador da República. §§ 2Q e 3Q. 29. mas de tipo distinto. na forma e nos casos previstos nesta Constituição". III/140. ao Presidente da República. porque é implícita essa condição de sua fonnação. podemos dizer que a iniciativa das leis constitui o poder de apresentar proposiç<*-*>es ao titular da função legiferante.'<*-*> Mostraremos. pelo menos. coino: a) o da iniciativa dessas leis.maioria absoluta . ao Procurador27.rum especial . i) popular (qualquer cidadão). 33. com conteúdo mais desenvolvido. 61. ficando o resto à observância dos demais termos da votação das leis ordinárias. 32. 1 de l969. incluindo expressamente as leis complementares. nosso Princípios do processo deformaçào das leis no direito constitc<cional. 3<*-*> da Constituição de 1969. Não ingressaremos. 28. matéria de que já cogitamos noutro trabalho. que não lhe assiste razão nesse ponto. nossa ob. pode ser: a) de qualquer deputado federal.para sua aprovação. Isso não tem itnportância. A iniciativa das leis coniplementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou comissão da Câmara dos Deputados. nesse sentido.'s De modo muito sünplificado. conseqüentemente. aos Tribunais Superiores. c) o da sanção e do veto. p. cit. 103 e ss. TSE. do Senado Federal ou do Congresso Nacional. d) o da proinulgação e publicação. Mas é certo que ficaram problemas pendentes. In verbis: "Art. STM). nos problemas teóricos da iniciativa legislativa. a serem solucionados pelo intérprete.

estruturação e atribuiç<*-*>es dos Ministérios e órgãos da Administração Pública. a lei complementar prevista nos arts. vale apenas em relação a outros titulares da iniciativa legislativa constante do caput do art. por força do que disp<*-*>e o art. as atribuiç<*-*>es e o estatuto do Ministério Público da União. parágrafo único. reforina e transferência de inilitares para a inatividade. II. só o Poder Executivo disp<*-*>e de condiçóes para dar iniciativa a leis complementares como a que versa sobre finanças públicas. as demais leis complementares da Constituição são de iniciativa legislativa concorrente entre deputados. do Distrito Federal e dos Territórios. e 166. 61. 165. seiviços públicos e pessoal da administração dos Territórios. b) disponhain sobre: b. combinado com o art. 61. b.3) servidores públicos da União e Territórios. no entanto. da Advocacia-Geral da União e da Defensoria Pública da União deve ser objeto de lei complementar. <012> <*-*> )4 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTll'UCIONAIS Ao Supremo Tribunal Federal pertence. especialmente as previstas no art. § 9Q. estabilidade e aposentadoria de civis. por força do que disp<*-*>em os arts.2) organização administrativa e judiciária. Entre essas inatérias.192).. bem coino norinas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados. concessão de garantias pelas entidades públicas etc. Mas o mesmo art. a lei coinplementar que define os termos e limites de suas greves (art.4) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União. senadores.Assim. VII) se inclui entre as de iniciativa privativa do Presidente da República. Da mesma forma ocorre com as leis complementares tributárias. 61.<*-*>) criação. com o art.131 e 134. 128. A verdade. combinado o disposto no art. comiss<*-*>es da Câmara e do Senado. Os tribunais só têm iniciativa legislativa reservada. Assim também a organização do Ministério Público. § 6<*-*>. b. Não podem iniciar leis que não sejam expressamente reservadas à sua iniciativa exclusiva.163. caput.l) criação de cargos. b. 96. § 1". dívida pública externa e interna. algumas constituein conteúdo de lei coinpleinentar. faculta ao Procurador-Geral da República a iniciativa da lei complementar que estabelece sua organização. II. no que tange aos servidores. 93. seu regime jurídico. "a". 61. com exclusividade.146 (matéria do Código Tributário Nacio- . por exemplo. à vista do disposto no art. Presidente da República e cidadão. é que a maioria das leis complementares acaba sendo de iniciativa só do Presidente da República. Assim. Einbora não seja especificamente explícito. no caso. 128. de modo que a iniciativa privativa que se reconhece ao Presidente da República. § 5ó. matéria tributária e orçainentária. Tirando essas competências privativas do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores e do Presidente da República. só o Presidente da República tein competência para a iniciativa das leis que: a) fixem ou modifiquein os efetivos das Forças Annadas. A lei complementar prevista no art. tambéin acaba sendo de competência privativa do Presidente da República. § 5Q. a iniciativa da lei complementar que institui o Estatuto da Magistratura. Assim. e a que regula o Sistema Financeiro Nacional (art. b. 37. provimento de cargos. prevista no art. funç<*-*>es ou empregos públicos na Administração direta ou autárquica ou aumento de sua remuneração. 121 parece ser de iniciativa exclusiva do Tribunal Superior Eleitoral.

Esse mesmo procedimento ocorrerá se a iniciativa da lei complementar for de um deputado. É mesmo explícito no afirmar que a lei complementar referida no art. começarão a discussão e a votação do projeto. 65. aprovando-as também por znaioria absoluta. qual seja: a de que os Regimentos Internos das Casas do Congresso podem determinar . mas interpenetrantes. insinua que as leis complementares independem de sanção. neste. Cabe. 35. emendado (sendo o caso) e votado. 50 da Constituição de 1969 somente mandou fossem "observados os demais termos da votação das leis ordinárias" . 64).e geralmente o fazem . III . de uma das comiss<*-*>es da Câmara. 65 e 66).nal) e no art. 148 sobre empréstimo compulsório. 69). se não for aprovado por maioria absoluta no Senado. 65). devendo ser submetido à sanção e promulgação (arts. 3Q da Constituição "independe de sanção do Presidente da República". 65 e 66). e não se falou em sanção do Presidente da República -. também.isto é. que podem ser aprovadas por maioria absoluta. 34. com a aprovação do projeto por maioria absoluta dos membros das duas Casas do Congresso Nacional e observância dos demais termos da votação das leis ordinárias. Se o Senado o rejeitar. será enviado à sanção e promulgação (arts. assim. Se o Senado o aprovar por Inaioria absoluta de seus membros. será arquivado (art. logicamente. volverá à Câmara para que esta aprecie as emendas (art. onde passará por um único turno de discussão e votação.Se a lei complementar partiu de iniciativa do Presidente da República. a não ser apenas o guorum para sua aprovação. Se for emendado. São fases distintas. desse modo. ou rejeitando-as. voltará ao Senado para apreciação das emendas. Isso porque no processo legislativo não existe votação de lei sem discussão. II . estará concluída a votação do projeto. Em qualquer desses casos. Snnção e veto. rejeitar o projeto. sem debates. de maioria absoluta (art. do Supremo Tribunal Federal (art. Pontes de Miranda. Se aí for aprovado sem emendas e por maioria absoluta. já dis- . O processo de formação das leis complementares há de observar os termos da votação das leis ordinárias. Em todas essas votaç<*-*>es o quorum previsto no art. I . praticamente indestacáveis. 93) e dos Tribunais Superiores. seu projeto será apresentado à Câmara dos Deputados (art. na respectiva fase de votação. onde será revisto em um só turno de discussão e votação (art. Apreciadas as emendas pela Câmara (sendo o caso). Se for aprovado pela maioria absoluta da Câmara Alta. que. onde será discLltido. apenas. 69 deverá ser atingido para a aprovação do projeto. será remetido ao Senado. será este arquivado. será considerado aprovado. LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 255 parágrafo único). ou rejeitadas. Se a Câmara. será submetido à sanção e promulgação. Sendo aprovado pela maioria absoluta dos membros da Câmara. Se o emendar.mais de uma discussão e votação do projeto na Câmara iniciadora. do Procurador-Geral da República ou do cidadão. será remetido à Câmara. 65). Discussão e votação. uma vez que a Constituição não lhe impôs nenhum procedimento especial.Nessas hipóteses todas foram satisfeitas as exigências do processo legislativa das leis complementares.3o Nesse ponto. só votação. o projeto estará aprovado e em condiç<*-*>es de ser remetido à sanção e promulgação. na fase de revisão.Se a iniciativa for de um senador ou de comissão do Senado. uma última nota sobre o assunto. Significa Que incidem todos os dispositivos sobre a discussão e a votação aplicáveis ao processo de formação das leis ordinárias. tendo em mira que o art.

Sobre o tema já discorremos uma vez. ressalvado apenas o guorum de maioria absoluta para sua formação. t. logicamente. sem controvérsia.Formação das leis complementares e promulgação das leis por decurso de prazo 37. exatamente o contrário verifica-se: a) ela constitui regra geral. Dizia esse artigo que o Presidente da República poderia enviar ao Congresso Na- . não havendo necessidade de aprofundá-lo aqui. 36. na forma dos §§ l<*-*> e 2<*-*> do art. 51 da Constituição Federal de 1969 (hoje. nem teria cabimento fazê-lo. e a publicação delas deve seguir-se como fase de pronTulgação. como sempre aconteceu. Hoje. nem por outra autoridade. Promulgação e publicação. Cf. Nestes incluem-se quest<*-*>es que devem ser providas mediante leis complementares. como acontece com as emendas à Constituição (art. porqúe romperia com os limites deste trabalho. 208 e ss. Nem por isso se há de concluir que não lhes sejam aplicados os termos de elaboração das leis ordinárias. como é a hipótese do plano plurianual (inciso II). como fase desta. Comentários à Constitu:ção de l967 com a Emenda n. para que não se lhes aplicasse a regra geral. como registro histórico). de Tribunais Superiores e do Procurador-Geral da República. nosso Principios do processo deformaçdo das leis no direito constitucional. também são vetáveis. também o é. c) o art. inclusive as de iniciativa do Supremo Tribunal Federal. No caso da sanção. dispor. 69 sequer manda observar os demais termos da votação das leis ordinárias. e aquela. a questão é diferente.30. Esta é ato obrigatório. III/I 40. 1 de l969. sujeitas às regras de promulgação consignadas nos arts. 60). Se as leis complementares são sancionáveis e vetáveis pelo Presidente da República. 31. mediante lei. pelo quê se deve admitir que elas dependem de sanção presidencial. não nos parecia assistir razão ao ínclito constitucionalista. LEIS COhlPLEMEVTARES NA CONSTITUIÇÀO FEDERAL 2S7 mas vale a pena manter o texto. com sanção do Presidente da República. 48 estatui que compete ao Congresso Nacional.31 XII . Cf. e 224 e ss. e especialmente sobre as enumeradas nos seus diversos incisos. pp. o art. 65 e 66. e ineqlIivocamente as leis complementares tratam de matéria da competência da União. sobre todas as matérias de competência da União. <012> <*-*> ) 6 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS semos. Se essas leis comportam sanção. b) não se declarou que as leis complementares seriam promulgadas pelas Mesas das duas Casas do Congresso Nacional. 66 da Constituição. estão. somente devendo ser excluída expressamente. Problema que suscitou debates doutrinários foi o de saber se as leis complementares estavam sujeitas ao procedimento previsto no art.

com o Poder Executivo reconhecendo que não poderia sancionar o projeto pelo simples decurso de prazo. em se tratando de leis complementares. prevaleceu. No caso de o Senado apresentar emendas. deveria ser apreciado dentro de quarenta e cinco dias. seria o pro. especialmente das leis ordinárias. §§ 3<*-*> e 4<*-*>). acenado no texto. 54 da Constituição de 1967. Não se pode conceber aprovação de lei complementar que não se faça com a presença. afnal. no § 5<*-*>. em indagação feita pelo Sr. e o § 6Q excluía do disposto no artigo a tramitação dos projetos de codificação. 51 da Constituição 1969. <012> 2) S APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS O Relator da matéria na Comissão Especial que examinou o assunto. que. jeto considerado aprovado. de 8. A Carta Política .' cional projeto de lei sobre qualquer matéria. Nesse sentido. A Oposição. poderia solicitar que a apreciação do projeto se fzesse em quarenta dias. 38. é a exigência de uma aprovação por maioria absoluta dos membros das duas Casas do Congresso Nacional. expendendo outras consideraç<*-*>es que reforçaram aquele entendimento. Por outro lado. se o Presidente da República julgasse urgente a medida. nos termos seguintes: "Ainda há pouco. levantou questão de ordem. salientei que. A questão de ordem foi solucionada favoravelmente. a contar do seu recebimento na Câmara dos Deputados. na votação. o problema foi novamente agitado.11. 60 daquela Constituição. encaminhando o projeto de lei complementar (Projeto 732/67) sobre investimentos plurianuais. Deputado Flores Soares. pronunciou-se no mesmo sentido. parece-me irrepreensível a argumentação produzida pelo ilustre Líder. O § 2Q do artigo dispunha que. findo o qual seriam tidas como aprovadas (art. 945947. ressalvava-se. embora a questão tenha sido resolvida por via de um arranjo antes que por um reconhecimento iniludível. de maioria absoluta de ambas as Casas do Congresso Nacional". em sessão conjunta do Congresso Nacional. A mensagem presidencial marcara prazo para sua aprovação na forma prevista no art. deputado Rafael de Almeida Magalhães. através de seu líder na Câmara. Esgotados esses prazos sem deliberação. a que corresponde o art. do Ato das Disposiç<*-*>es Constitucionais Transitórias. por ocasião da votação dos projetos de leis orgânicas previstas no art. o qual. de que tratava o parágrafo único do art. A controvérsia ergueu-se a propósito da discussão da Mensagem 17/67 do Presidente da República. inclusive o parecer do Relator. que os prazos referidos não correriam nos períodos de recesso do Congresso Nacional. 39 Em São Paulo.32 32. se assim o solicitasse. e em igual prazo no Senado Federal. sua apreciação pela Câmara dos Deputados far-se-ia no prazo de dez dias. II. ainda que de iniciativa do Presidente da República. deputado Mário Covas. 51. a exigência feita pela Constituição consiste num requisito cuja satisfação se distingue das demais leis.67. indagando do Presidente do Congresso Nacional se as leis complementares estavam sujeitas a tal procedimento. fundamentando seu ponto de vista contrário. Deputado Mário Covas. Sr. C<028> debate no Diário do Congresso Nacional 66. pp. 4<*-*>.

II. Diúrio da Asscmbléia de 13. o Código Judiciário. Veja-se bem: da votação.3' A questão foi respondida negativamente. a Lei Orgânica do Ministério Público. LEIS COMPLEMENTARES NA CONSTITUIÇÀO rEDERAL 259 processo de formação das leis complementares. Quando se quis fosse aplicada outra regra referente às leis ordinárias. o texto foi expresso: "observados os demais termos da votação das leis ordinárias". não tinham sido apreciados pelo Legislativo estadual. se o Presidente da República solicitar urgência para apreciação . A questão. Pois. 50 era o único dispositivo que estatuía sobre o processo legislativo das leis complementares. Considerado tudo isso. a isso só se ? chegava votando-se o projeto. tem outro regime jurídico. 41. que disciplinava a aprovação automática de projetos de lei por decurso de prazo. da Constituição do Estado. se licnitava a indicar sua existência. dentre as leis ordinárias. dentro de um ano. Os fundamentos para afastar a incidência do procedimento de aprovação automática são os mesmos. 51 ". Pontes de Miranda. determinou que seriam votados ou adaptados. do deputado Chopin Tavares de Lima. vencido o prazo. a mesma argumentação expendida no Congresso Nacional a respeito das leis complementares. e 21 daquela Carta estadual. O Executivo estadual apresentou os projetos pertinentes. 4Q. era necessário o voto da maioria absoluta. tanto é verdade que. já que o art. naquele inciso. A regra do art.3. que. Cf. onde a questáo de ordem. a Lei Orgânica da Polícia.68. líder da Oposiçáo. 40. não da aprovação sem votação. em Que indagava se o disposto no art.estadual de 1967. § 1Q (prazo de urgência para considerar aprovado projeto de lei). 18. porque se prevê . in verbis: "Quanto às leis complementares. II. quando faltavam sessenta dias para completar o prazo de um ano previsto no mencionado art. o Estatuto dos Servidores Civis do Estado. O art. excetuou os códigos. indicou a inaplicabilidade do art. para a aprovação destas. concordamos plenamente com aqueles que sustentavam a inaplicabilidade do art. 24. a Lei de Oficialização de Cartórios e Serventias da Justiça e a Lei de Paridade dos Servidores. para o caso. 46. hoje. vem reproduzida. § 1Q. 24. e o Governo promulgou como lei aqueles projetos que. de sorte que apenas seriam aplicáveis nos casos expressos e para a forznação das leis ordinárias. a tramitação é no Congresso Nacional e não se há de pensar em invocação do art. 51 da Constituição Federal ao processo de formação das leis complementares.34 42. bem tundamentada. 51 bem como as das constituiç<*-*>es estaduais sobre aprovação automática eram restritivas e estabeleciam exceção. valendo. 51 da Constituição Federal de 1969 ao 33. numa penada. Aqui também coube ao líder da Oposição apresentar Questão de ordem. a Lei Orgânica das Autarquias e Entidades Paraestatais. o Código de Educação. se aplicava a projeto de lei complementar previsto nos arts. exatamente em atendimento ao disposto no art. Então. à Assembléia Legislativa. isto é. daQuelas que não exigissem quorum qualificado para sua aprovação. se. é de convir que a questão de ordem era inteiramente procedente.

a proposição será incluída na ordem do dia. sinteticamente.Tainbém não satisfaz as exigências científicas a doutrina italiana que concebe as normas constitucionais como preceptivas e diretivas. compreendem dois grupos: c. V. inas coinpreendida como uma estnztura que envolve conexão de sentido. Quer dizer: não há mais a aprovação de projeto de lei por decurso de prazo. o ' argumento fundamental que se erguia contra a submissão de projeto de lei complementar ao sistema de aprovação por decurso de prazoqual seja. Em suma: o importante é que será sempre satisfeito o requisito do art. uma vez que serão votados e.Deve-se ter por superada a clássica teoria norte-americana que distinguia as normas constitucionais ein auto-aplicáveis e não auto-aplicáveis. Portanto. b) normas constitucionais de eficácia contida e aplicabilidade imediata. as conclus<*-*>es seguintes : I .1 de 1969. e estas em normas de legislação e normas pr<*-*>ogramáticas. IV . se não a obtiverem. Logo. que são aquelas que . VI. que.l) normas de eficácia limitada. nada impede que também projetos de lei complementar sejam submetidos ao regime dos parágrafos do art. que é o da aprovação do projeto de lei complementar por maioria absoluta.Não nos parece igualmente satisfatória a tese que as divide apenas em dois grupos: a) nonnas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata. 64. Comentúrios à Constituição de 1967 com a Emenda n. VII . <012> CONCL USÊES A monografia preocupou-se com o tema da aplicabilidade das normas constitucionais. sendo de repelir a tese que sustenta o contrário.desapareceu.Todas as normas que integram uma constituição têm natureza jurídica. em virtude do instrumento a qiie aderem. c) normas constitucionais de eficácia limitada ou reduzida. para que se ultime a votação. 69.Do ponto de vista da eficácia e aplicabilidade. se obtiverem a maioria absoluta. e b) normas constitucionais de eficácia limitada. t. como no sistema anterior. definidoras de princípio institutivo. II . as nonnas constitucionais devem ser consideradas sob três aspectos: a) normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata. Cf. aprovados. 34. sobrestando-se a deliberação quanto aos demais assuntos. Nossa análise permite enunciar. rejeitados. não considerada norma pura.de projeto de sua iniciativa. o de aprovação sem maioria absoluta .Todas as norinas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica e imediatamente aplicáveis nos limites dessa eficácia.Todas as disposiç<*-*>es de uma constituição rígida são constitucionais. IIIll 55. Teve como objeto a constituição formal e rígida. Ill . por seu lado. inas passíveis <012> APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS de restrição.

As de princípio institutivo encontrain-se principalmente na parte orgânica da constituição. co Nc Lus<*-*> Es 263 Configuram a idéia do regime político e inspiram sua ordenação jurídica. bem coino direito subjetivo negativo. Criam situaç<*-*>es subjetivas de vantagem ou de vínculo. carece de ser revista a doutrina antes vigente sobre as leis complementares. Por essa razão. enquanto as de princípio programático coinp<*-*>em os elementos sócioideológicos que caracterizam as cartas magnas contemporâneas. uma legislação ulterior para sua aplicação efetiva. enfim. Enfim. apontam os valores sociais. em geral. Não necessitam de providência normativa ulterior para sua aplicação. para cuja realização deve estar voltada toda a ordem jurídico-política nacional. Xlll .2) normas de eficácia limitada. definidoras de princípio programático. não receberam do constituinte nonnatividade suficiente para sua aplicação. X . Condicionam a atividade dos órgãos do Poder Público. Todas elas possuem eficácia ab-rogativa da legislação precedente incompatível e criam situaç<*-*>es subjetivas simples e de interesse legítimo. enfim.As normas programáticas. sem distinção. em geral. mas. além da eficácia supramencionada.As normas constitucionais de eficácia limitada postulam. mediante uina providência normativa ou inesmo adininistrativa ulterior. Trata-se de uma eficácia ab-rogativa das normas inferiores incompatíveis. criou a figura das leis complementares em sentido estrito e especial. são dotadas. de uma eficácia superior a todas as demais normas que comp<*-*>em a ordem jurídica nacional. que devem ser cumpridos pelo Estado. que são aquelas que traçam esquemas de fins sociais. Situam-se especialinente entre os elementos limitativos da constituição. o qual deixou ao legislador ordinário a tarefa de completar a regulamentação da matéria nelas traçada em princípio ou esquema. devendo chamar-se genericamente leis integrativas da .As normas constitucionais de eficácia plena são as que receberam do constituinte normatividade suficiente à sua incidência imediata. especialmente o da justiça social.) não destinados a desenvolver sua aplicabilidade. IX .As normas constitucionais de eficácia contida também receberam do constituinte normatividade suficiente para reger os interesses de que cogitam.As normas constitucionais. Criam situaç<*-*>es subjetivas de vantagem. pennitindo lünitaç<*-*>es à sua eficácia e aplicabilidade. X11.prevêem esquemas genéricos de instituição de uin órgão ou entidade. Mas prevêein meios norinativos (leis. Indicam o sentido dos fins sociais e do bem comum que devem guiar o intérprete e o aplicador do Direito. Situam-se predominanteinente entre os elementos orgânicos da constituição. caracterizadas coino direitos subjetivos positivos. A Constituição Federal. Em sentido amplo. e construtiva da ordem jurídica sucessiva. XI. c. geram situaç<*-*>es subjetivas de vínculo. todas as leis destinadas a completar a eficácia e a aplicabilidade das normas constitucionais foram denominadas leis complementares da constituição. desde logo exigíveis.As normas de eficácia limitada. VIII. ao contrário. contudo. conceitos genéricos etc. desempenham papel de relevo na ordem jurídico-política do país. cuja estruturação definitiva o legislador constituinte deixou para a legislação ordinária. Todas.

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