Universidade de Brasília Instituto de Ciências Sociais Departamento de Antropologia Antropologia das Sociedades Complexas (135143) Professora: Patrice Schuch

Semestre 01 de 2011 Ana Lívia Rolim Saraiva (090021231)

Neste relato, tratarei sobre os conceitos de agência, sujeito e subjetividade relacionadas ao personagem Neto do filme ´´Bicho de Sete Cabeças´´ (2001), dirigido por Lais Bodanzky e baseado no livro auto-biográfico ´´Canto dos Malditos´´, de Austregésilo Carrano Bueno. É necessário frisar que Austregésilo foi um dos militantes mais importantes do Movimento Nacional de Luta Antimanicomial no Brasil, atuando como representante de usuários na Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica do Ministério da Saúde, Membro da Comissão Intersetorial de Saúde Mental do Ministério da Saúde, defensor de indenizações para as vítimas do Holocausto Psiquiátrico Brasileiro e recebendo uma homenagem do presidente Lula, em maio de 2003, por sua participação no movimento de Reforma Psiquiátrica. Além disso, foi criado o Prêmio CARRANO de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos em sua homenagem, que visa dar continuidade ao Movimento de Luta Antimanicomial, apoiado pela Lei nº 10.216/2001 da reforma Psiquiátrica no Brasil.1 A venda do livro ´´Canto dos Malditos´´ foi proibida pela Justiça do Paraná em 2002 em todo o país (o livro só foi liberado novamente dois anos e meio depois), e o autor foi processado por ´´difamação´´ das instituições e médicos que denunciou em seu livro. Além disso, seu pedido de indenização pelos erros médicos que o levaram a repetidas internações em manicômios foi negado.2 Austregésilo faleceu de câncer no dia 27 de maio de 2008. Escolhi escrever sobre ele porque o filme me tocou muito e porque acho a história de vida e a militância de Austregésilo admiráveis. No filme, o personagem Neto é preso em uma instituição psiquiátrica por sua família, que o envia para lá devido ao seu ´´comportamento agressivo e rebelde´´ e seu suposto vício em maconha. O pai de Neto encontrou um cigarro de maconha no bolso
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agressividade e rebeldia. Homo Sacer. desenvolvido por Sherry Ortner. 2007. um vagabundo e decidiu interná. mas este lhe é inacessível. o diagnóstico médico. a qualquer custo (como nas palavras do médico: ´´a gente vai embaixo de qualquer viaduto aí e consegue um monte de internação´´) para continuar a receber verbas governamentais e a possibilidade em obter internos devido ao grande número de pessoas abandonadas por suas família. perpassa duas vertentes que se co. Neto por diversas vezes procura conversar com o médico responsável por seu diagnóstico. de alto controle médico sobre a vida dos pacientes. necessidade da clínica em ter um número determinado de pacientes. e cujas vidas são matáveis. lhe é prescrito um tratamento intensivo na clínica. Ele também busca resistir às medicações até que possa conversar com o médico.lo. sem que houvesse qualquer exame para comprová. Sem qualquer exame médico. choques elétricos. abusos físicos e psicológicos e vários tipos de regulamentação sob os corpos dos indivíduos. Ao longo de sua estadia na clínica. O conceito de ´´agência´´. P. pessoas que vivem nas ruas. o que é impossibilitado de fazer pelos enfermeiros. os pacientes desenvolvem formas próprias para lidar com a realidade brutal da clínica. pelo menos. mesmo em circunstâncias terríveis. determina um período de internação e desintoxicação prolongado. BH.lo na clínica.3 Contudo.relacionam: uma que ´´tem a ver com intencionalidade e com o fato de perseguir projetos culturalmente definidos´´ e outra que tem a ver com ´´agir no 3 AGAMBEM. sob doses diárias de psicotrópicos. sem conversar com ele sobre nada do que pretendia. uma crescente indústria de pscicotrópicos. 128 . porém com diagnóstico baseado na alegação dos pais de vício em maconha. Posteriormente. para tratar da ´´dependência de drogas´´ e do ´´distúrbio de personalidade´´. O poder soberano e a vida nua. Quando Neto chega na instituição. O que está por trás deste diagnóstico é a extrema distância que existe entre os médicos da instituição e os pacientes. por meses. uso excessivo de medicamentos psicotrópicos. punimentos em celas solitárias. resiste ao aprisionamento e se defende afirmando não ser viciado e que ´´maconha não vicia´´. inadimplência. que o sedam forçadamente e buscam convencê-lo a tomar os medicamentos dizendo que isso o deixará mais calmo e só assim ele poderá conversar com o médico.do casaco do filho e por isso alegou que o mesmo seria um maconheiro. O enfermeiro alega que ´´a Medicina diz outra coisa´´ e logo em seguida aplica um sedativo em Neto à força. Giorgio. Editora da UFMG.

vol. n. 2007.. jul. Poder e Projetos: reflexões sobre agência.´´4 Ou seja. 2007. quanto os projetos. Sherry B. Cornelia e FRY. às vezes muito significativa. Peter (Orgs. agência se refere a outro conceito desenvolvido por Ortner. Cornelia e FRY. Peter (Orgs. afeto. Miriam Pillar. 8 ORTNER.. a noção de agência põe em cheque a idéia de um poder totalizador. que a cultura é desigualmente constituída e vivenciada. ECKERT. o de ´´jogos sérios´´.dez. Como expressa Ortner: ´´os dominados sempre têm certa capacidade.7 Além disso. 46 . não se dá da mesma forma em diferentes contextos. Sherry B.). que detém todo o poder sobre si. Subjetividade e Crítica Cultural. Conferências e Diálogos: saberes e práticas antropológicas.´´9 A subjetividade tem relação de complementariedade com a agência. Mas não significa uma subjetividade inconsciente.). P. Horizontes Antropológicos. P. 58 5 Ibidem. 380 11 ORTNER. pelo contrário.dez. P.contexto de relações de desigualdade. 28. Sherry B. Conferências e Diálogos: saberes e práticas antropológicas. Sherry B. P. Sherry B. pensamento.). P. 28. porém culturalmente informada. 64 6 Ibidem. ou seja. medo e assim por diante. Sherry Ortner também contribui para uma fundamentação do conceito de subjetividade. desejos individuais e coletivos são aspectos que revelam que mesmo as pessoas em situação sob alto grau de dominação detêm certo controle sobre suas vidas. 46 9 ORTNER. 13. In: GROSSI. In: GROSSI. baseado em 4 ORTNER. de assimetria e de forças sociais. 382. Poder e Projetos: reflexões sobre agência. Peter (Orgs. n. 51 7 ORTNER. 376 10 Ibidem. Subjetividade e Crítica Cultural. Os ´´jogos sérios´´ são configurações de práticas da vida social desigual. Cornelia e FRY. já que informa o agir sobre o mundo.´´5 Ou seja. jul. Horizontes Antropológicos. Poder e Projetos: reflexões sobre agência. O poder é onipresente e a agência é uma característica universal. que na sua visão constitui ´´modos de percepção. ECKERT. desejo. ECKERT. 383. na medida em que constituem o cerne da questão de sujeito e proporcionam um entendimento da vida social em escala mais ampla. P. Conferências e Diálogos: saberes e práticas antropológicas. Miriam Pillar. P. ela se refere a uma ´´consciência cultural´´ e ´´historicamente específica´´.10 Estes conceitos aqui tratados são muito importantes para refletirmos sobre a etnografia de uma única pessoa. a autora reconhece que não existe uniformidade cultural. vol. tanto as resistências cotidianas. P. Miriam Pillar. In: GROSSI. 13. que são formações culturais que sempre implicam atores vistos como ´´agentes culturalmente variáveis e subjetivamente complexos´´8.6 Aqui a noção de cultura não é essencializadora. que animam os sujeitos atuantes. de exercer algum tipo de influência sobre a maneira como os acontecimentos se desenrolam.11 Uma importante crítica é desenvolvida pela autora em relação à noção de um sujeito universal. subjacentes às grandes estruturas de poder.

buscam se defender contra a enxurrada de medicamentos que lhes são dados e que alteram seus comportamentos. ou de linhas de fuga. onde um dá apoio ao outro. estabelecem vínculos e relações inter. pode. Através destes exemplos. não deixa seu cabelo ser cortado. Poder e Projetos: reflexões sobre agência. Sherry B. É exatamente contra esta noção que ela baseia seus conceitos de agência e subjetividade. São movimentos de ´´desterritorialização´´. que é justamente baseada na domesticação dos corpos para que estes se tornem mais facilmente manejáveis. etc. onde estão localizados os desejos para 12 ORTNER. que irão lhe deixar ´´xarope´´. 47 ..). fingir ser poeta sendo poeta´´ . queima medicamentos. Outro exemplo de agência e subjetividade é a de um senhor interno respeitado por todos. discute com enfermeiros. na medida em que finge. Peter (Orgs.pressupostos ocidentais de individualismo e de ´´triunfo´´ através da força de vontade. se não não dá. buscando oferecer conforto. ou dopado. relata suas terríveis experiências aos seus pais com a esperança que os mesmos lhe retirem da clínica. Para este senhor. tenta fugir. Miriam Pillar. É preciso fingir ser louco sendo louco. Essa é uma forma de burlar uma das principais características do regime da clínica psiquiátrica. que acompanha Neto por fora da cela solitária. ou seja. Conferências e Diálogos: saberes e práticas antropológicas. Como fala o amigo de Neto. É assim que Rogério. Rogério também recomenda que Neto não tome os medicamentos. segurando seu ´´guardador de idéias´´. O próprio Neto não se conforma com sua estadia na clínica. Isso aqui é pior do que prisão´´. ´´adiantando o relógio para o tempo passar mais rápido´´. como o amigo Biu. ECKERT. a historinha do super. e posteriormente Neto. Neto não aceita a verdade sobre ele mesmo que lhe foi imposta pelo conhecimento médico. ele resiste à sua situação. sonha com a vida no ``mundo do lado de fora´´. ele faz com que os outros pensem que ele foi submetido completamente. ´´cuidando dele´´ e ´´não deixando ninguém passar pela porta´´. P. Rogério: ´´não dá pra fugir da clínica não. existem aspectos dele que são incontroláveis. In: GROSSI. quando na verdade não foi.pessoais de apoio e solidariedade. que aconselha Neto: ``É preciso fingir. Cornelia e FRY.se analisar como Neto e seus amigos agem dentro deste ´´jogo sério´´ de forma que suas subjetividades e capacidades de agência estão o tempo todo presentes neste jogo de poderes. Desta forma.12 Citarei agora alguns exemplos do filme que demonstram como estes conceitos se aplicam à minha análise.homem que ´´vence na vida´´ apesar de todas as dificuldades. As relações de parceria entre os internos também são explicitadas no filme. bro..

5 14 ORTNER. oct.´´16 São estas ´´frestas´´ que se abrem quando Neto reage ao seu estado atual. de subjugação total.Deleuze: ´´pois o desejo está precisamente nas linhas de fuga. USP. de visitas. de individualidade dentro de um sistema onde todas as pessoas são tratadas de maneira indiferenciada. In: Revista de Antropologia. P. intocado pela opressão em algum domínio. horários rígidos de alimentação. In: GROSSI.´´13 Para Deleuze. que a vida não existe só em 13 DELEUZE.). Antropologia do Devir: psicofármacos – abandono social – desejo. É justamente a partir destas concepções. afinal. na conjugação e dissolução de fluxo. Poder e Projetos: reflexões sobre agência. 421 . ao mesmo tempo em que esmagam ou os colmatam´´. Paris. etc. de forma que sobre muito pouco da subjetividade de cada pessoa. Peter (Orgs. É justamente isso que a instituição busca fazer. 1994. Que existem caminhos possíveis (ainda que improváveis) imaginados e vividos. Desejo e Prazer.ou reificados. pode. oct. assim como para Ortner.humanidade´´ que busca-se produzir em tal instituição. quando nega seu diagnóstico de ´´vício`` e de ´´distúrbio de personalidade´´. 51. Gilles. P. 6 16 BIEHL. Assim como afirma o senhor idoso. Miriam Pillar. João. 2008. Magazine Littéraire. possivelmente para que se mantenha algo de si. Desejo e Prazer. as quais tornam o motor de um devir. mas sim uma ´´faca de dois gumes´´. 325. fora do asilo. dá uma resposta a ele.15 Ou seja. P. Por isso. Um espaço próprio. ´´É preciso fingir´´. quando se imagina vivendo uma outra vida. sobretudo os dispositivos de poder que se acham produzidos por esses agenciamentos. 325. disciplinarizar os comportamentos. E é justamente isso que a instituição não consegue fazer com Neto. com Rogério e com o senhor interno. Cornelia e FRY. Conferências e Diálogos: saberes e práticas antropológicas. que permaneça inatingível. tornar os corpos dóceis. Gilles.dispositivo. P. Tradução de: Désir et plaisir. 1994. Paris. que opera de cima para baixo e de baixo para cima. 2 SP. 58 15 DELEUZE. enquanto a agência existe independentemente deste macro. n. Tradução de: Désir et plaisir. Magazine Littéraire. o desejo é constituinte do campo social. de tempo livre no ´´pátio´´. 14 Para Deleuze: ´´já que o desejo agencia o campo social. pelo uso de uniformes. n. Vol. não é tão total assim. A própria noção de poder não é unilateral. que João Biehl se refere ao papel que o desejo (que tem primazia sobre o poder) tem no pensamento de Deleuze: ´´A ênfase de Deleuze no desejo e no modo humilde. são. n.se dizer que esta ´´ex. ECKERT. Sherry B. a agência não se dá apenas através de mecanismos de resistência. marginal e ´´minoritário´´ com que ele abre frestas em campos institucionais e sociais rígidos e. a resistência se refere apenas ao poder.

Assim. isto. a covardia do pai.lhe a mão com um cigarro durante uma visita na clínica: ´´Pai. pensar sobre sua vida. 51. P.´´19 Assim.. João. se torna Catkine. seu passado. O ato de escrever a carta não foi um ato de subjugação. n. a criação de uma saúde ou a invenção de uma gente. Agora você vai me ouvir. com poder de agência e subjetividade própria são aspectos que não deixam de existir. as coisas ficam muito boas quando a gente esquece.18 Para tratar desta noção de ´´códigos de vida´´ farei uma análise sobre a carta que Neto entrega a seu pai após queimar. Eu cheguei aqui. me fez menor que você. 441 20 Ibidem. Por isso. Neto comunica a seu pai toda sua frustração com o abandono pela própria família e a responsabilidade do pai.17 Assim. Tô te mostrando a porta da rua pra você sair sem eu te bater! Lembra duma frase que você me disse uma vez: Eu cheguei onde cheguei. P. significar-se para que a vida se torne possível. P. Foi um ato corajoso de dar sentido ao que lhe aconteceu. que passa a constituir sua própria pessoa. entender o processo. 427 19 Ibidem. USP. 17 BIEHL. Com a caneta.´´20 É preciso libertar-se.. Catkine escreve sobre o seu escrever: ´´Ninguém vai decifrar as palavras pra mim. Para Deleuze a escrita tem papel fundamental de liberação e de possibilidade de criação no mundo: ´´O objetivo último da literatura é libertar. 2 SP.. João Biehl desenvolve o conceito de ´´códigos de vida´´ para se referir aos modos pelos quais ´´a pessoa abandonada tenta se agarrar ao real´´ através de relatos escritos ou contados e que estes ´´funcionam como fonte e meio pelo qual eles articulam suas experiências passada e presente´´. a possibilidade de vida. de simples aceitação de sua condição atual. no delírio. só eu posso fazer isso. por causa do remédio ´´Akineton´´. Você conseguiu. que a vida vai além de todos os limites. que vive uma situação de certa forma parecida com a de Neto... Vol. para Catkine a escrita a possibilita descrever seu mundo. Antropologia do Devir: psicofármacos – abandono social – desejo. quero ver aonde você vai chegar? Pois é. Mas eu não esqueci o que você fez comigo. 2008. ao fazê-lo. abandonada num asilo por sua ex-família devido á perda de movimentos e suposta ´´loucura´´.. Aqui é o meu lugar. com a tinta. Seu mundo aí fora é grande demais pra mim.termos de limites.refletir. eu decifro.`` Catarina. In: Revista de Antropologia. sua história. 441 e 442 . sua condição de sujeito. A situação atual de Neto não o impossibilita de auto. 423 18 Ibidem. Eu não esqueci a sua covardia. nesta carta. P.

recontar sua história a partir de sua perspectiva. que tanto durante sua estadia na clínica.manicomial. bem como vários outros desenrolares.Neto) um elemento de agência do sujeito. Certamente que há um grande valor nesta narrativa não. de não permitir que apenas uma verdade seja dita sobre sua condição.hegemônica e nas elucidações e perspectivas das quais trata e é um pouquinho disto que busquei focalizar na minha abordagem.culpar os culpados. . quanto após sua saída de lá. Ou seja. É justamente esse recontar que torna sua história (Austregésilo. influenciaram não apenas a sua trajetória de vida e de militância anti.

folha. n. (http://www. Homo Sacer. Conferências e Diálogos: saberes e práticas antropológicas. Giorgio.). Direção: Lais Bodanzky. ECKERT. Sherry B. Subjetividade e Crítica Cultural. Vol. In: Revista de Antropologia. Último (http://www1. Magazine Littéraire. oct. Horizontes Antropológicos. 28. . 1994. vol. DELEUZE. USP. Sherry B. Instituto de Ação Tecnológica e Desenvolvimento Inovador. BIEHL. Miriam Pillar. In: GROSSI. Rio Filme Distribuidora e Fabrica Cinema. Folha de São Paulo. 51. 325. ORTNER. jul. Paris. n. ORTNER.dez. Poder e Projetos: reflexões sobre agência.uol. n.shtml) acesso no dia 04 de julho de 2011. 2007. Peter (Orgs. Editora da UFMG.iatdi.br/si/site/jornal_materia?codigo=324) Último acesso no dia 04 de julho de 2011. João. BICHO DE SETE CABEÇAS. e Gullane Filmes. O poder soberano e a vida nua. 2008. 2007.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u2404. Desejo e Prazer. 13. Dezenove Som e Imagens Produções Ltda. Tradução de: Désir et plaisir.com..Bibliografia: AGAMBEM. (2001) Realizadores: Buriti Filmes. Cornelia e FRY. 2 SP. Antropologia do Devir: psicofármacos – abandono social – desejo. Gilles.com. BH.

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