2011/2 – Matem´tica Discreta – AD1 a Resolu¸˜es co

Caro aluno de MD, esta AD1 trata da aplica¸˜o dos conhecimentos ca de linguagem e l´gica na interpreta¸˜o de textos matem´ticos e o ca a resolu¸˜o de problemas. ca Antes de iniciar a resolu¸˜o das quest˜es e a reda¸˜o das suas resca o ca postas, vocˆ deve estudar detalhademente os conte´dos das aulas e u 1, 2 e 3 do M´dulo 0. L´ vocˆ encontrar´ os conceitos, os resultao a e a dos e as nota¸˜es que vocˆ pode e deve usar na reda¸˜o das suas co e ca resolu¸˜es. co Lembre-se que em nossa disciplina a justificativa das resolu¸˜es ´ co e t˜o importante quanto a solu¸˜o das quest˜es. Assim, em tudo o a ca o que se pede, justifique as suas respostas.

1. Considere o seguinte texto sobre equa¸˜es do primeiro grau, frequentemente encontrado nos co livros de matem´tica: a Equa¸˜o do primeiro grau ´ toda express˜o em uma vari´vel real x que (ap´s uma ca e a a o s´rie de aplica¸˜es das leis aritm´ticas b´sicas) pode ser reduzida ` forma ax + b = 0, e co e a a onde a e b s˜o n´meros reais e a ̸= 0. a u Para determinar a solu¸˜o de uma equa¸˜o do primeiro grau ax + b = 0, note que, ca ca como a ̸= 0, temos: ax + b = 0 ⇔ ax = −b ⇔ x = Assim, a solu¸˜o de ax + b = 0 ´ ca e b x=− . a Baseado no texto acima: (a) Diga se, na sua opini˜o, a express˜o a a 4x − 6 = 2(2x − 3) ´ ou n˜o uma equa¸˜o do primeiro grau. e a ca (b) Determine se cada uma das express˜es o (1) (2) (3) (4) o conjunto solu¸˜o de uma equa¸˜o do primeiro grau ax + b = 0 ca ca b x=− a ax + b = 0 ⇔ ax = −b a e b s˜o n´meros reais e a ̸= 0 a u −b . a

´ ou n˜o uma proposi¸˜o. e a ca Al´m disso, para cada express˜o que for uma proposi¸˜o, classifique-a como atˆmica ou e a ca o molecular. Se ela for atˆmica, determine se ela ´ da forma sujeito e propriedade ou da o e forma rela¸˜o entre v´rios sujeitos, especificando os sujeitos, propriedades e rela¸˜es, ca a co de acrodo com o caso. E se ela for molecular, classifique-a como nega¸˜o, conjun¸˜o, ca ca disjun¸˜o, implica¸˜o ou biimplica¸˜o, especificando as proposi¸˜es atˆmicas a partir ca ca ca co o das quais ela foi formada.

1

a e ca a e A express˜o (2) a b a ´ uma proposi¸˜o atˆmica. ca e ca o Assim. a a e ca (b) A express˜o (1) a o conjunto solu¸˜o de uma equa¸˜o do primeiro grau ax + b = 0 ca ca n˜o ´ uma proposi¸˜o pois n˜o possui ocorrˆncia de verbo. b ´ n´mero real e a = 0. a A express˜o (4) a a e b s˜o n´meros reais e a ̸= 0 a u ´ uma proposi¸˜o molecular.Resolu¸˜o da Quest˜o 1: ca a (a) Aplicando as leis aritm´ticas b´sicas. a u e ca Observe que a proposi¸˜o a e b s˜o n´meros reais ´ uma proposi¸˜o molecular que ´ uma ca a u e ca e conjun¸˜o. temos: e a 4x − 6 = 2(2x − 3) ⇔ 4x − 6 = 4x − 6 ⇔ 0 = 0 A express˜o 0 = 0 n˜o ´ da forma ax + b = 0. as proposi¸˜es atˆmicas que formam a proposi¸˜o co o ca ax + b = 0 ⇔ ax = −b s˜o ax + b = 0 e ax = −b. observe que a proposi¸˜o a ̸= 0 ´ uma proposi¸˜o molecular que ´ uma nega¸˜o. ca o e ca o Assim. a a a e a express˜o 4x − 6 = 2(2x − 3) n˜o ´ uma equa¸˜o do primeiro grau. que ´ uma biimplica¸˜o. na minha opini˜o. Sua primeira componente ´ a proposi¸˜o atˆmica a ´ n´mero real e sua segunda ca e ca o e u componente ´ a proposi¸˜o atˆmica b ´ n´mero real. as proposi¸˜es atˆmicas que formam a proposi¸˜o co o ca a e b s˜o n´meros reais e a ̸= 0 a u s˜o a ´ n´mero real. Assim. que ´ uma conjun¸˜o. Sua primeira componente ´ a proposi¸˜o e ca e ca e ca a e b s˜o n´meros reais e sua segunda componente ´ a proposi¸˜o a ̸= 0. da forma rela¸˜o entre dois sujeitos. e ca o e u Al´m disso. e a x=− A express˜o (3) a ax + b = 0 ⇔ ax = −b ´ uma proposi¸˜o molecular. Sua primeira componente ´ a proposie ca e ca e ¸˜o atˆmica ax + b = 0 e sua segunda componente ´ a proposi¸˜o atˆmica ax = −b. onde a ̸= 0. e ca e ca e ca Sua proposi¸˜o negada ´ a proposi¸˜o atˆmica a = 0. O primeiro sujeito ´ x e o e ca o ca e b segundo sujeito ´ − . a e u e u 2 .

e ca a Baseado no que foi dito. co (a) 2 ser natural ´ condi¸˜o suficiente. a Duas das mais usadas s˜o: a φ ´ condi¸˜o suficiente para ψ e ca e ψ ´ condi¸˜o necess´ria para φ. e somente se. para 2 ser ´ e ca ımpar. e ca a Al´m disso. e nem necess´ria para 2 ser quadrado perfeito. a e ca a (c) 2 ser natural ´ condi¸˜o necess´ria. (b) 2 ser ´ ımpar n˜o ´ condi¸˜o necess´ria para 2 ser primo. ent˜o ψ. ent˜o ψ) e (se ψ. usualmente. a e ca a (e) 2 ser natural ´ condi¸˜o necess´ria e suficiente para 2 ser inteiro e n˜o negativo. ent˜o φ) a a ela tamb´m ´. ψ ´ equivalente a conjun¸˜o (de duas implica¸˜es): e ca co (se φ. e ca a a (d) 2 ser natural n˜o ´ condi¸˜o suficiente. ent˜o 2 ´ ´ e a e ımpar . para 2 ser ´ e ca ımpar pode ser reescrita como se 2 ´ natural. h´ v´rias maneiras alternativas de se escrever a implica¸˜o a a a ca se φ. e ca a 3 . Avaliando esta proposi¸˜o temos: ca se 2 ´ natural. a proposi¸˜o ´ F . como a biimplica¸˜o e ca φ se. mas n˜o suficiente para 2 ser par.2. ca e (b) A proposi¸˜o ca 2 ser ´ ımpar n˜o ´ condi¸˜o necess´ria para 2 ser primo a e ca a pode ser reescrita como n˜o ´ o caso que: 2 ser ´ a e ımpar ´ condi¸˜o necess´ria para 2 ser primo. escrita como: e e φ ´ condi¸˜o necess´ria e suficiente para ψ. Na linguagem matem´tica. V F F Assim. e ca a a Resolu¸˜o da Quest˜o 2: ca a (a) A proposi¸˜o ca 2 ser natural ´ condi¸˜o suficiente. ent˜o 2 ´ ´ e a e ımpar. classifique as proposi¸˜es abaixo como V ou F .

ent˜o 2 ´ par .que por sua vez pode ser rescrita como n˜o ´ o caso que: se 2 ´ primo. temos: ca a e n˜o ´ o caso que: se 2 ´ quadrado perfeito. de acordo com a tabela verdade do e. ent˜o 2 ´ quadrado perfeito a e e a e e n˜o ´ o caso que: se 2 ´ quadrado perfeito. a proposi¸˜o ´ V . ent˜o 2 ´ natural. Avaliando esta proposi¸˜o temos: ca n˜o ´ o caso que: se 2 ´ primo. a e e ca a que por sua vez pode ser reescrita como n˜o ´ o caso que: se 2 ´ natural. ent˜o 2 ´ ´ a e e a e ımpar . a e e a e Avaliando a segunda componente da conjun¸˜o. temos: ca n˜o ´ o caso que: se 2 ´ natural. mas n˜o suficiente para 2 ser par e ca a a pode ser reescrita como 2 ser natural ´ condi¸˜o necess´ria para 2 ser par e ca a e n˜o ´ o caso que: 2 ser natural ´ condi¸˜o suficiente para 2 ser par. a e e F V F V 4 . ent˜o 2 ´ natural a e e n˜o ´ o caso que: se 2 ´ natural. e nem necess´ria para 2 ser quadrado perfeito a e ca a pode ser reescrita como n˜o ´ o caso que: 2 ser natural ´ condi¸˜o suficiente para 2 ser quadrado perfeito a e e ca e n˜o ´ o caso que: 2 ser natural ´ condi¸˜o necess´ria para 2 ser quadrado perfeito. V F V F Assim. ent˜o 2 ´ par . ent˜o 2 ´ ´ a e e a e ımpar. ca e (c) A proposi¸˜o ca 2 ser natural ´ condi¸˜o necess´ria. a e e ca que por sua vez pode ser reescrita como se 2 ser par. ca e (d) A proposi¸˜o ca 2 ser natural n˜o ´ condi¸˜o suficiente. ent˜o 2 ´ par. a proposi¸˜o ´ F . a e e a e V V F V Assim. a e e a e Avaliando a segunda componente da conjun¸˜o.

de acordo com a tabela verdade do e. temos: ca 2 ´ natural. de acordo com a tabela verdade do e. ca e 5 .Assim. a proposi¸˜o ´ V . se. e somente se: 2 ´ inteiro e 2 ´ n˜o-negativo e e e a Avaliando esta biimplica¸˜o. e ca a a que por sua vez pode ser reescrita como 2 ´ natural se. ca e (e) A proposi¸˜o ca 2 ser natural ´ condi¸˜o necess´ria e suficiente para 2 ser inteiro e n˜o-negativo e ca a a pode ser reescrita como 2 ser natural ´ condi¸˜o necess´ria e suficiente para: 2 ser inteiro e 2 ser n˜o-negativo. a proposi¸˜o ´ F . e e e a V V V V V Assim. e somente se: 2 ´ inteiro e 2 ´ n˜o-negativo .

o famoso detetive Sherlock Holmes e disse o seguinte: Para resolver um mist´rio. ´ a solu¸˜o. ψ e θ. 2 e 4 contradizem φ pois. sabemos que φ ´ verdadeira e nestes casos ela ´ avaliada como falsa. e e a e De acordo com o esquema de simboliza¸˜o: ca p q : ele ´ culpado e : ela ´ culpada. por co hip´tese. Quando perguntado sobre o seu m´todo de trabalho. e a a e ψ : Ele ´ culpado ou ela ´ culpada. e ele n˜o ´ culpado. mesmo improv´vel. e a proposi¸˜o pode ser simbolizada como: ca φ : (p ∨ q) ∧ (∼ p) Considere agora a tabela verdade de φ: p V V F F q V F V F p∨q V V V F ∼p φ F F F F V V V F 1 2 3 4 Observe que cada interpreta¸˜o de φ representa uma das possibilidades para ele ou ela ser ca culpado. ent˜o ele ´ culpado. e 6 . em e a e conjunto com no¸˜es da l´gica matem´tica. (b) Fa¸a a tabela verdade de φ e elimine as interpreta¸˜es que contradizem φ. ca a e Por exemplo. Assim. c co (c) Avalie ψ considerando apenas as interpreta¸oes restantes em (b) e elimine as que conc˜ tradizem ψ.3. de acordo com o modelo acima. e e θ : Se ela ´ culpada. considere o mist´rio para o qual sabemos ser verdadeiro que: e Ele ´ culpado ou ela ´ culpada. e Agora. e a e Resolva este mist´rio de forma puramente mecˆnica. 2 e 4 s˜o imposs´ co a ıveis e a unica possibilidade que resta ´ a representada na ´ e interpreta¸˜o 3 que. as o e e interpreta¸˜es 1. ent˜o ela n˜o ´ culpada. eu simplemente elimino tudo o que ´ imposs´ e e ıvel. a e ca O m´todo de Holmes pode ser adaptado. adaptando o m´todo de Holmes. elimine as que conco tradizem θ e descubra quem ´ o culpado. de acordo com o m´todo de Holmes. considere o mist´rio para o qual sabemos ser verdadeiro que: e φ : Se ele ´ culpado. (d) Avalie θ considerando apenas as interpreta¸˜es restantes em (c). A tabela verdade mostra que as interpreta¸˜es 1. em conjunto com algumas no¸˜es da l´gica matem´e co o a tica. Aquilo que resta. para a resolu¸˜o de forma puramente mecˆnica de alguns mist´rios. ´ a solu¸˜o do mist´rio: ele n˜o ´ ca e e ca e a e culpado e ela ´ culpada. isto ´: co o a e (a) Simbolize φ.

e e a e c ⃝ 2011 M´rcia Cerioli e Petrucio Viana a Coordena¸˜o da Disciplina MD/CEDERJ-UAB ca 7 . ca podemos concluir que ela ´ imposs´ e ıvel. ´ ca e ca Resolu¸˜o da Quest˜o 3: ca a De acordo com o esquema de simboliza¸˜o: ca p q : ele ´ culpado e : ela ´ culpada. ap´s a o e e o an´lise da(s) tabela(s). ´ a solu¸˜o do e ca e e ca mist´rio: ele ´ culpado e ela n˜o ´ culpada. mas apenas que ela ´ poss´ e e ıvel. as unicas possibilidades que ´ restam s˜o as representadas nas interpreta¸˜es 2 e 3. 3. Assim. quando uma interpreta¸˜o tem valor V . temos: co p V F F q F V F ψ V V F 2 3 4 Esta tabela mostra que a interpreta¸˜o 4 ´ imposs´ ca e ıvel. as unicas possibi´ lidades que restam s˜o as representadas nas interpreta¸˜es 2. ela pode ser eliminada de considera¸˜o. e as proposi¸˜es podem ser simbolizada como: co φ ψ θ Agora. n˜o poca a demos concluir que ela ´ a verdade. Neste caso. chegarmos a exatamente uma possibilidade a V . de acordo com o m´todo de Holmes. considere a tabela verdade de φ: p V V F F q V F V F ∼q F V F V φ F V V V 1 2 3 4 : p → (∼ q) : p∨q : q→p A tabela verdade de φ mostra que a interpreta¸˜o 1 ´ imposs´ ca e ıvel. Assim. pois contradiz algo que sabemos. Assim. a co Avaliando θ nestas interpreta¸˜es. (3) S´ podemos resolver um mist´rio por este m´todo se. e 4. a co Avaliando ψ nestas interpreta¸˜es. a unica possibilidade que resta ´ ´ a representada na interpreta¸˜o 2 que. ca (2) Entretanto. Assim. temos: co p V F q F V θ V F 2 3 Esta tabela mostra que a interpreta¸˜o 3 ´ imposs´ ca e ıvel.´ E importante notar que o m´todo de Holmes tem a seguinte proe priedade: (1) Quando uma interpreta¸˜o numa tabela verdade tem valor F . a unica interpreta¸˜o restante ´ a solu¸˜o.