SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Produção de Steven Haft, Direção de Peter Weir.

Estados Unidos: Buena Vista distribuidora, 1989. 1 Dvd (128 min.): Son., Color.

O filme Sociedade dos Poetas Mortos tem como cenário uma escola/internato masculino chamado Welton, um internato de educação tradicional baseada nos princípios da Tradição, Honra, Disciplina e Excelência. Neste espaço onde existem muitas regras a serem cumpridas e as punições são severas, um grupo de garotos, inspirando-se em seu novo professor (John Keating), decidem recriar a sociedade secreta do qual ele fazia parte, a sociedade dos poetas mortos. A escola é reconhecida por encaminhar os seus alunos para as melhores Universidades dos Estados Unidos e por isso foi escolhida pelos pais dos alunos. O estilo pedagógico adotado é totalmente baseado no conhecimento científico e a literatura e as artes dramáticas não recebem grande importância. Ao ingressarem na escola, os alunos já possuem seus futuros determinados pelos seus pais. Serão médicos, advogados ou qualquer profissional de grande influência. As profissões relativas às artes ou a literatura, não são sequer cogitadas. Porém a chegada do novo professor de literatura, John Keating, que também foi aluno da escola, e sua forma de ensinar totalmente destoante da dos outros professores, chamou atenção dos alunos. Os lemas “carpe Diem” (Aproveitem o dia) e “tornem suas vidas extraordinárias”, soa para os alunos como convites, que são renovados em todas as aulas. O modo de ensinar de Keating desperta nos alunos a sensibilidade literária e a vontade de promover mudanças em suas vidas, mesmo que para isto seja necessário ir de encontro ao desejo de seus pais. É uma constante no filme a questão do poder exercido pelos pais e a escola sobre os alunos. O tempo inteiro é pregada a obediência e a submissão às regras estabelecidas pela instituição, que são bastante severas. Existem muitas atividades a serem cumpridas e os horários de estudo devem ser cumpridos a risca, ficando pouco (ou nenhum) tempo para o lazer.

a vida em sociedade também nos coloca deveres a serem cumpridos. levou a um desfecho inesperado: o suicídio de Neil Perry. eles compreendam que seus direitos não assam por cima dos direitos alheios. um dos integrantes do grupo. Atualmente não se pode pensar em educação sem pensar na formação de indivíduos críticos. que existem limites. e não existem fórmulas prontas e preestabelecidas para isso. É importante que ao mesmo tempo em que conheçam seus direitos. não funciona mais hoje. escola e professores na educação dos alunos. No entanto. Um dos maiores desafios encontrados nos dias de hoje. Além de colocar a dinâmica das relações de poder entre os indivíduos e fazer uma crítica ao desrespeito das liberdades individuais. acendida pelo Professor Keating. escrevendo também as suas próprias poesias. que eles são seres em formação. que possuem personalidades ainda em desenvolvimento e cabe aos responsáveis por estes alunos (sejam pais. escola. que não resistiu a pressão das expectativas de seu pai com relação ao seu futuro. Como saber a medida de disciplina e liberdade a oferecer aos alunos? Deve-se ter em mente ao educar crianças. Keating conhecia a importância de se ter uma certa prudência no uso da liberdade e a importância de se usá-la com sabedoria. A sociedade tem evoluído com o tempo. expressar suas opiniões e “dar asas” a sua criatividade. Keating acabou sendo responsabilizado e demitido. e um sábio sabe qual é a hora”. Formar indivíduos é uma tarefa difícil. Na busca dos culpados pelo ocorrido Com Neil. Apesar de se passar em 1959 e nos Estados Unidos. portanto os modelos de educação também devem evoluir. o filme também discute o papel dos pais.A sociedade funciona para os alunos como um momento em que eles têm liberdade para pensar por si mesmos. Em um momento do filme ele alerta a personagem Charlie sobre este assunto: “Tirar a essência da vida não significa afogar-se nela. Porém a centelha de liberdade. professores) contribuir para que estas personalidades se desenvolvam da melhor forma possível. que conhecem seus direitos e lutam por eles. O que funcionava dez anos atrás. . Claro que há hora para atrever-se e há hora para ter cuidado. a temática do filme não está fora de nossa realidade.

No sentido de apontar aos alunos os caminhos que eles podem seguir e pensar sobre suas implicações. Mesmo sendo um professor bem intencionado e não podendo ser culpado da morte do aluno. curiosas. frequentamos espaços diferentes. até que eles sejam capazes de decidir por se mesmos. tenham uma boa formação. não é possível lançar uma ideia e esperar que todos reajam igualmente a ela. manter um certo controle. ara que as crianças que nascem nos dias de hoje.No filme. uma disciplina que oprime. Keating foi imprudente. Uma disciplina que prega a submissão e a aceitação de ideias e planos alheios aos alunos. críticas. É necessário se ter muito cuidado ao propor aos alunos alguma ideia. Claro que não a disciplina colocada no filme. É necessário encontrar um equilíbrio entre a liberdade e a disciplina no contexto educacional. é necessário sim. . Viemos de famílias diferentes. Mas uma espécie de disciplina que funcionasse como uma orientação. temos diferentes gostos e formas de ver a vida. É antes necessário conhecer em que contexto social eles está inserido. Todos somos diferentes. Portanto. ansiosas por conhecimento. acredito que ninguém teve de fato uma correta em relação aos estudantes estava correta. humilha. Só não se pode esperar que os indivíduos se formem sozinhos. uma certa disciplina.