Grupo Parlamentar do Partido Socialista

Assembleia Municipal da Covilhã Sessão Ordinária de 9 de Dezembro de 2011
INTERVENÇÃO POLÍTICA

SECTOR EMPRESARIAL LOCAL
Exmo Senhor Presidente da Assembleia Municipal Exmos Senhores Deputados Municipais Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal Exmos Senhores Vereadores Exmos Senhores Presidentes das Juntas de Freguesia Exmos representantes da comunicação social Minhas senhoras e meus senhores, Enquadrado no Documento Verde da Reforma da Administração Local, o Governo divulgou no passado sábado as conclusões do Livro Branco do Sector Empresarial Local, tendo ficado na retina de todos, em especial da comunicação social, o passivo do sector, que atinge 2,4 Mil Milhões de Euros ou ainda o facto de um terço das empresas ter resultados económicos negativos. Importa no entanto, para além de títulos de jornais ou demagogia própria dos dias consequentes a este tipo de anúncios, perceber a história, a dinâmica e importância (ou não) deste sector na actividade económica da nossa região em geral e na Covilhã em particular. Mesmo estando autorizados a fazê-lo desde 1977, foi a Lei n.º 58/98, de 18 de Agosto que veio trazer dimensão a este subsector da nossa economia. No entanto, diz-nos o Livro Branco, a mesma padecia de algumas carências que mais tarde vieram a ser colmatadas pela Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro. Feita a resenha histórica, convém apenas acrescentar que este modelo não é exclusivo de Portugal e que por toda a Europa o mesmo foi sendo aplicado nas últimas décadas, pois este foi o mecanismo que, repita-se: por toda a Europa foi encontrado para optimizar os incentivos aos Quadros Comunitários de Apoio e ultrapassar um conjunto de limitações fiscais associadas ao regime de tratamento em sede de IRS. Assim, chegamos aos números e factos que podem e devem servir de reflexão, não em particular de qualquer empresa ou autarquia, mas num quadro abrangente e tendo em conta o momento económico e financeiro actual. Em 2009 existiam 392 empresas a integrar o SEL:  242 Sociedades comerciais,
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Assembleia Municipal da Covilhã – 09 de Dezembro de 2011

Grupo Parlamentar do Partido Socialista   123 entidades empresariais locais, e ainda 27 empresas sobre influência indirecta dos municípios nas mesmas.

No universo municipal, 142 Municípios não tinham qualquer empresa, 82 tinham apenas uma empresa mas existem casos até, de uma autarquia ter 8 ou 9 empresas integrantes do sector empresarial público. Apesar dos dados, fundamental, será avaliar os objectivos e a concretização ou não dos mesmos para os quais, um dia, o poder legislativo achou por bem conceder aos municípios a possibilidade de participarem na nossa economia deste modo. Globalmente, consideramos que as decisões relativas à criação deste modelo foram correctas, pois é indiscutível e perceptível nas populações a: - Melhoria na qualidade dos serviços prestados ou dos bens produzidos, - Melhoria na eficiência de gestão, - Facilidade na obtenção de financiamento Para nós, estes 3 pontos são premissas para que o sector mantenha, com os devidos ajustes, uma intervenção junto das populações, que nem sempre as autarquias enquanto órgãos autárquicos o conseguem realizar. As empresas municipais são fundamentais em algumas regiões e áreas de intervenção e não alinhamos na corrente de que as mesmas são criadas para de algum modo colocar pessoas ou beneficiar determinado partido, pessoa ou empresa privada. (basta observar o quadro de criação destas empresas no horizonte temporal, espacial e de predominância partidária) Melhoria na qualidade dos serviços prestados ou dos bens produzidos, Melhoria na eficiência de gestão ou Facilidade na obtenção de financiamento são premissas para que o sector mantenha, com os devidos ajustes, uma intervenção junto das populações, que nem sempre as autarquias enquanto órgãos autárquicos o permitem. Neste sentido, o primeiro ajuste que pode e deve ser feito é o da redefinição das áreas de intervenção. A maioria destas empresas está ligada a “Actividades artísticas, de espectáculos, desportivas e recreativas” (19%), seguida de “Captação, tratamento e distribuição de água; saneamento, gestão de resíduos e despoluição” (12%) tendo também relevo a “Construção” (9%). Ora, a importância de factores como a água/saneamento ou a construção (neste caso, muitas das vezes reconstrução/requalificação) é vital para o bem-estar das populações e justifica na maioria dos casos que os mesmos sejam geridos por empresas municipais, que não só apresentam as características já atrás referidas como ainda têm
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Grupo Parlamentar do Partido Socialista possibilidades mais alargadas de financiamentos (por exemplo no âmbito dos quadros comunitários). Mas no quadro actual, áreas como os espectáculos, o desporto, actividades administrativas, educação, infra-estruturas, turismo, restauração, etc… não poderão estar sob a alçada directa das autarquias? Pensamos que sim. Por outro lado, apesar de reafirmarmos a importância do sector, os dados são preocupantes:  Divida global de 2,4 Mil Milhões de Euros  43% das empresas têm Valor Acrescentado Bruto Negativo  Quase 50% destas empresas apresenta resultados líquidos negativos e 32% apresentam mesmo resultados económicos negativos (situação aliás que é verificada também no sector empresarial municipal da Câmara da Covilhã) É pois vital, como já foi referido, não radicalizar, mas modificar e racionalizar… Extinguir empresas municipais é tão necessário como modificar o mapa de Organização do Território ao nível de algumas freguesias urbanas ou de alguns municípios, ou seja, aqueles que pelas suas estruturas e bem-estar social global não se justifiquem.

Em suma, um Sector Empresarial Local onde seja permitido: Reintegrar algumas empresas nos serviços municipais. Criar nova legislação a delimitar os ramos de actividade. Comprovar a justificação da actividade no momento da criação. Maior Informação e Transparência. Mais e melhor fiscalização. E é aqui, nesta casa (AM), no âmbito daquilo que são também as alterações de competências decorrentes da Reforma da Administração Local que essa fiscalização deve ser reforçada.

Romeu Miguel Serra Afonso

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