- Prazo (art.

593, I do CPP)

DA ATIPICIDADE DA CONDUTA Fernando Capez – Curso de Direito Penal – Parte Geral, Vol. 1, pág. 255, São Paulo, Editora Saraiva, 2005: “O crime impossível é aquele que, pela ineficácia total do meio empregado ou pela impropriedade absoluta do objeto material, é impossível de se consumar”. Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

punguista (ladrão extremamente habilidoso), por qual crime responde o agente se a vítima não tinha nenhum objeto? Se a vítima não traz nenhum objeto em seu poder, trata-se de crime impossível por absoluta impropriedade do objeto. Se o agente enfia a mão no bolso errado do cidadão trata-se de circunstancia acidental, respondendo então, por tentativa de furto.

Sobre isso observa Miguel Reale Júnior: “Enquanto no crime tentado a consumação deixa de ocorrer pela interferência de causa alheia à vontade do agente, no crime impossível a consumação jamais ocorrerá, e assim sendo, a ação não se configura como tentativa de crime, que se pretendia cometer, por ausência de tipicidade. Dessa forma, equivoca-se o legislador ao editar ‘não é punível a tentativa’ como se tratasse de causa de impunidade de um crime tentado configurado” [01]. REALE, Miguel Junior. Parte geral do Código Penal, cit. p.80.

CRIME IMPOSSÍVEL. Relator: Gaspar Marques Batista. em que o bem jurídico tutelado deve sofrer ameaça concreta. IMPROPRIEDADE ABSOLUTA DO OBJETO. TESE MANTIDA. Julgado em 12/03/2009). não se pode falar em crime tentado quando a res almejada pelo agente sequer se encontra no local do crime. ROUBO. DO REGIME INICIAL . TENTATIVA AFASTADA. Tribunal de Justiça do RS. Quarta Câmara Criminal. RES FURTIVA INEXISTENTE NO LOCAL.APELAÇÃO. Como o Código Penal adotou a teoria objetiva para punição da tentativa. (Apelação Crime Nº 70028059848.

.. 14..... foi denunciado pela prática do crime disposto no art... não conseguindo consumar o delito porque havia um Policial Militar à paisana em seu encalço........ no dia . prendendo-o logo em seguida. por falta de provas e alternativamente a exclusão das qualificadoras......... do Código Penal...............RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO Autos do processo nº .... em frente ao .. ao cumprimento da pena de 01 (um) ano e 02 (dois) meses de detenção... incisos I e IV c/c art. No momento processual oportuno.. foi condenado como incurso no referido artigo....... Da sentença.. segundo a exordial acusatória........ .. (origem) Apelante: .... 155.. tentou subtrair para si um veículo da marca .... a meta foi a absolvição... Apelado: Ministério Público do Estado de Minas Gerais Egrégio Tribunal. além do pagamento de 10 (dez) dias-multa.. Nas razões apresentadas.. Na Comarca de .. inciso II.. que as vítimas não sofreram prejuízo algum. para tanto.. § 4°.... pertencente a ... por volta de .. o Apelante foi pessoalmente intimado (fls... que se encontrava estacionado na rua . Em contra-razões.. modelo ... requereu o ilustre representante do Ministério Público a manutenção do que foi decidido.... no regime semiaberto. pois... argumentando..).. recorrendo por intermédio de seu advogado abaixo assinado. Colenda Câmara.

hábeis a prolação de um decreto de condenação.. a não ser a idéia de que poderia o Apelante ter furtado o bem... a respeitável sentença merece ser reformada.. foi corroborada pelo depoimento das testemunhas .. todo processo apresenta sempre algumas peculiaridades a serem exploradas. quanto à negativa da autoria do delito. DO MÉRITO Conforme se depreende dos autos.897 – 8ª C – Rel. deve-se aplicar o princípio do in dubio pro reo. (Policial Militar). inclusive. haja vista que novas teses defensivas dificilmente surgem para casos tão comuns como este... . negando a prática do crime a ele imputado na denúncia. Juiz a quo. e . as quais passaremos a expor. a míngua de elementos probatórios suficientemente básicos e robustos... a dúvida acerca da existência no delito. Pelas declarações de fls.. extrapola-se o teor das circunstâncias reais do fato narrado... o ora Apelante. demonstrando a ânsia do respeitável representante do Ministério Público em imputar ao Apelante a prática do delito.. Reiteraremos as bem fundamentadas alegações finais já expendidas alhures.... o que demonstra como sendo verdadeiras as suas afirmações. em seu depoimento prestado perante a autoridade Policial (fls. apresentando a mesma versão.055. “PROVA – DÚVIDAS SOBRE A AUTORIA DO DELITO – ABSOLVIÇÃO – NECESSIDADE – É necessária absolvição se remanescem sérias dúvidas sobre a autoria do delito. por se encontrar ao lado deste no ..1997)” A testemunha que o perseguiu apresentou depoimento despido de substância. podendo-se suscitar.. porém. Juiz Lopes de Oliveira – J. (TACRIMSP – AP 1. a hipótese fática subsume à solução adotada no julgado a seguir exposto... DA NEGATIVA DE AUTORIA Ecoa do elenco probatório que a versão apresentada pelo ora Apelante.).Não obstante a sabedoria do MM.06. inclusive. pois. 05. em juízo. Nessa índole. da maneira como estão aforadas nos autos. como a seguir restará demonstrado. descreveu todo o seu comportamento durante o iter criminis. como se não existisse nada de concreto.

torna impossível a produção do resultado visado pelo agente.. DA INIDONEIDADE DOS MEIOS EMPREGADOS PELO AGENTE O início da suposta ação delituosa se deu quando o Apelante estava em pé. a improficuidade dos meios empregados para a condenação em face da impossibilidade de o Apelante fugir do local sem que fosse alcançado rapidamente. estava trancada. pág. inclusive. pela sua situação ou condição. se não fosse impedido.. assim leciona: . portanto. diz que: "Dá-se a impropriedade absoluta do objeto quando inexiste o objeto material sobre o qual deveria recair a conduta.. em “Comentários ao Código Penal”. Editora Revista dos Tribunais. o que torna o meio empregado ainda mais ineficaz para perpetrar o delito. Nesse sentido. trancada e vigiada.. o Apelante foi flagrado no suposto iter criminis e sem dúvida. ou quando. PARADO ao lado do veículo estacionado na rua . mas também por um Policial Militar. pág. mais uma vez. embora o meio utilizado seja idôneo para o fim visado. as medidas tomadas e que cercaram a coisa de proteção tornaram totalmente impossível a subtração. 45.. Conclui-se.. a capacidade vaticinar do mais astuto dos eruditos hodiernos..momento da abordagem. Tanto é verdade que o mesmo foi visto tão-somente “forçando a maçaneta da porta do veículo”." (RT 520/386)” Desde o início." O também doutrinador penalista. reiteramos.. 1985. 4ª edição. em sua obra “Manual de Direito Penal”. Alicerçando melhor o entendimento. a res furtiva estava protegida.. não apenas por populares. 308 e 309. a jurisprudência de nossos Tribunais posiciona-se: "Tipifica-se crime impossível se. . suposição que transcende. que.. Cezar Roberto Bittencourt. Damásio de Jesus.

se o Apelante. Despertaria ele essa mesma suspeita se o Apelante estivesse num veículo Audi. até parecia um assaltante “de verdade”. facilitando a abordagem de policiais e populares ao vê-lo naquela situação? A porta. pois. pelo tipo de automóvel que possui. pelo que se armou contra ele. O flagrante esperado não é válido para configurar um crime que existiu apenas na aparência. Era impossível consumar o delito. por qual razão forçaria ele a maçaneta. na verdade – de que cometeria um crime. portava uma “chave falsa”. Ao que tudo indica. Excelências. pois nem sempre qualquer ofensa a esses bens ou interesses é suficiente para configurar o injusto típico. DA JURISPRUDÊNCIA FAVORÁVEL AO APELANTE . reitera-se. DO FLAGRANTE ESPERADO O ora Apelante foi seguido de perto por um policial. não furta. absurdamente. não houve gravidade alguma ao bem protegido. E ainda. na realidade. em condições normais como estava jamais abriria por apenas ser forçada sem o auxílio de uma ferramenta adequada. que facilmente abriria a porta. nada mais é que regressão às idéias de Lombroso. pois suspeitava de um veículo branco."A tipicidade penal exige uma ofensa de alguma gravidade aos bens jurídicos protegidos. a Súmula 145 do Supremo Tribunal Federal exterioriza a opinião majoritária de que “não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”. alertando outros companheiros também policiais. Em que pese o protagonismo inconsciente do Apelante na encenação. Ocorre que veículo não comete crime. Neste caso. cuja “tatuagem” social do Apelante acaba por defini-lo injustamente como um criminoso por critérios subjetivos do seu perseguidor. como afirmou a acusação. não foi empregada." Ora. o que. o que existiu foram prognósticos negativos para com a conduta do Apelante. UM FIAT BRANCO. o mesmo não ocorreria. atribuindo-lhe a idéia – fértil. por exemplo? Isto.

do flagrante esperado. Os Tribunais pátrios têm decidido em conformidade com a sentença absolutória. acostumados a encarar o outro com receio. do estado de necessidade. fazendo com que o agente se torne penalmente impunível. pois em nenhum momento o patrimônio esteve desprotegido. do crime impossível. Aramis Nassif . 17 do CP" (TACRIM." (TARS .RT 750/721)” Eis a razão do teor favorável ao Apelante: a sua relação com o Princípio da Lesividade.Rel. resta demonstrada a atipicidade da conduta do Apelante pela negativa da autoria e ausência de perigo ao bem jurídico tutelado. de uma extremidade à outra. por outro lado. que percebeu a ação do suspeito. este não merece qualquer reprimenda. conforme os julgados a seguir transcritos: "Inocorre tentativa de furto na hipótese em que o agente desperta a desconfiança dos seguranças do estabelecimento-vítima. Rela. que é. entendemos. Se a res esteve sob a vigilância de segurança. exemplificando. admitir-se-á. e ainda somos. Angélica de Almeida .Apenas portar “chave falsa”. O Apelante sequer havia iniciado a suposta execução. a presunção da inocência. tratando-se de crime impossível. Fomos. frisando. não legitima o Órgão Acusador a deflagrar uma denúncia. Se não há sequer risco de ofensa ao bem jurídico protegido. o bem juridicamente tutelado não esteve sob o risco de expropriação.Ap. todos os meios hábeis a conter o ímpeto do garantismo penal. portanto. Se se permite pré-julgar com base nisso. carregando uma faca? Não há ofensa a qualquer bem juridicamente protegido. como foi encontrada NO VEÍCULO com o Apelante. um indivíduo que atravessa a Praça Sete. taxandoo como “meliante”.SP . enfim. não sendo possível ao acusado se apossar dos objetos. muitas vezes. a prima oculi. na maioria das vezes apenas por nossas conjecturas. Assim. permanecendo vigiado. não há tipicidade material e. eis que o meio empregado foi absolutamente ineficaz.RJTACRIM 41/166)” "A tutela jurídica visa proteger os bens do patrimônio da vítima. apenas mexia na maçaneta do veículo sem utilizar a chave falsa. descaracterizado está o injusto penal. nos termos do art. e a qualquer tempo poderia evitar a prática delituosa. Qual crime comete. de forma contínua e ininterrupta. . fruto da nossa própria intolerância.

seja o presente recurso provido. do Código Penal. depois de recebido.. Pará de Minas (MG). . DOS PEDIDOS Pelo exposto.. devido ao acolhimento dos pedidos abaixo: A improcedência da denúncia. 155. 14.. absolvê-lo da imputação do crime previsto no art.esperando que seja conhecido e provido o seu recurso para.. de 2008. reformando a sentença recorrida... § 4°. do Código Penal Brasileiro. com a reforma da respeitável sentença monocrática. requer-se. 155. NOME DO ADVOGADO OAB N° .. I e IV. inciso II.. incisos I e IV c/c art.. com a conseqüente absolvição do Apelante no incurso do crime previsto no art. § 4°. de .

________________________.º ____________________ objeto: apelação de sentença condenatória e oferecimento de razões. combinado com o artigo 128. dos serviços gerais. interpor. p. convivente. por força do artigo 593. EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO __________________. que lhe foi prejudicial e adverso.º 80 de 12. ISTO POSTO. _______________________________ DEFENSOR PÚBLICO SUBSTITUTO OAB/UF _____________.Recebimento da presente peça.FURTO SIMPLES . ao Tribunal Superior. REQUER: I. COLENDA CÂMARA JULGADORA ÍNCLITO RELATOR "A verossimilhança. nos autos do processo crime em epígrafe. o presente recurso de apelação.0__. e somente esta autoriza uma sentença condenatória. Comentários ao Código Penal. ___ de ____________ de 2. inciso I. com as razões que lhe emprestam lastro. vol. 1981. 65) RAZÕES AO RECURSO DE APELAÇÃO FORMULADAS POR: __________________________________ . do Código de Processo Penal. para a devida e necessária reapreciação da matéria alvo de férreo litígio.RECURSO E RAZÕES . ____________________.. V. a presença de Vossa Excelência. remetendo-o. residente e domiciliado nesta cidade de ________________. brasileiro. vem.01. franqueando-se a contradita ao ilustre integrante do parquet. Nesses Termos Pede Deferimento. da Lei Complementar n. no prazo legal. inciso I. processo-crime n. irresignado e inconformado com apontado decisum.TENTATIVA . não é jamais a verdade ou a certeza.CRIME IMPOSSÍVEL PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE _________________ (__).94. respeitosamente. pelo Defensor Público subfirmado. Condenar um possível delinqüente é condenar um possível inocente" [*] NELSON HUNGRIA. ciente da sentença condenatória de folhas ________. por maior que seja. eis encontrar-se desavindo. após.

aliado ao fato de o recorrente ter restituído os objeto cobiçados de forma espontânea . como crime impossível. Não chegou a tirar para a rua.. O crime não envolve apenas a realização . seguindo-se.. Na ocasião referida pela denúncia. advogará pelo reconhecimento do crime impossível. ponto aríete da presente peça. A presença do funcionário não é a de testemunhar delitos.. dando-o como incurso nas sanções do artigo 155. num segundo momento. e a qualquer tempo poderia evitar a prática delituosa.Volve-se o presente recurso contra sentença condenatória editada pela notável e operoso julgador monocrático titular da _____ Vara Criminal da Comarca de ___________________. Tentativa de furto onde a res esteve sob vigilância de segurança que percebeu a ação do suspeito. Disse ele que tinha entrado para ir ao banheiro. condenou o apelante a expiar. conjugado com o artigo 14. que percebeu a ação do suspeito. o qual em oferecendo respaldo de agnição à denúncia. postulará pelo expunção da circunstância agravante da reincidência. ambos do Código Penal sob a clausura do regime semi-aberto. o depoente chegou em casa quando viu que o acusado estava saindo de dentro de sua residência. (. largando os objetos no lado da porta.tem-se. na medida em que o recorrente foi flagrado. do princípio da insignificância penal.. em grau de revista.." Ora. 1. pela pena de (05) cinco meses e (20) vinte dias de reclusão.) A tutela jurídica visa a proteger os bens do patrimônio da vítima. o bem juridicamente tutelado não esteve sob risco de expropriação. inexistiu crime. ante sua notória inconstitucionalidade. Bem juridicamente tutelado que não esteve sob risco de expropriação. quando ainda se encontrava no interior da residência da vítima. consoante depreende-se pelo depoimento prestado por esta à folha _____: ". A irresignação do apelante. por ausência de tipificação. que acabou sendo preso pela Polícia. longe está de configurar o delito de furto. pois.. aqui a dicção do artigo 17 do Código Penal. tratando-se de crime impossível. Se a res esteve sob a vigilância de ‘segurança’. por incontroverso. enquanto o depoente foi ver a sua mulher e o seu filho. carregando uma lixadeira de uma furadeira. caput. sendo que os passos do réu foram monitorados pela última. inciso II." ". acrescida da reprimenda pecuniária cifrada em (10) dez dias-multa... Neste sentido é a mais remansosa jurisprudência que jorra das cortes de justiça: "Crime impossível. tendo a ação desencadeada pelo réu sido controlada pela sedizente vítima. DOUTOR ____________________. antes se subsume ao crime impossível. e. seqüencial dos pontos alvo de discussão. temos que o delito imputado ao apelante é considerado pelo pretórios pátrios.sequer transpôs os umbrais da morada na posse destes . centra-se e condensa-se em três tópicos assim delineados: num primeiro momento. mas evitá-los.. pugnará pelo reconhecimento. visto que o réu não implementou o tipo. desde a primeira hora.. por derradeiro. Em seguida correu. que a conduta pelo mesmo encetada. a análise.. Gritou para seu patrão deter o acusado. Frente a tal peculiaridade.) CRIME IMPOSSÍVEL Segundo reluz dos elementos de prova coligidos no deambular da demanda. Caracterização. O acusado deixou os objetos do lado de dentro da casa. Passa-se.

em razão de sua natureza fragmentária e subsidiária só deve intervir.. ap.) PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA PENAL Sobremais. também. DYRCEU CINTRA. aos chamados espaço de conflito social. flagrantemente inconstitucional. 22. pois. Nesta alheta e diapasão. não podendo o mesmo expiar duas vezes pelo mesmo fato .06. Rel. a sentença estigmatizada. o qual possui como força motriz. em tela. que o fato imputado ao réu. inciso I. n.871/5. surge a figura da tentativa impossível" (JTACRIM: 64/256). ante ausência de tipicidade. MÁRCIO BÁRTOLI. o mesmo conduz ao reconhecimento do princípio da insignificância.995). tenha o recorrido agravada sua pena pela reincidência. apregoado pelo Direito Penal mínimo. vem despido de potencialidade lesiva. por se encontrar lastreada em premissas inverossímeis. ou que haja relativo sucesso na tentativa de sua consumação"(RT 750/721) "Quando a res permanece protegida. inclusive. esta. estéreis e titubeantes. injusto e deletério venha o réu a sofrer as conseqüências de um fato em si inócuo. para impor uma sanção.01. sequer saíram da esfera de disponibilidade da vítima. assoma imperioso o decalque de jurisprudência que jorra dos pretórios: "Ainda que formalmente a conduta executada pelo sujeito ativo preencha os elementos compositivos da norma incriminadora. 2. 3. sendo pois. a tornar viável. sob cuja inspiração e persecução penal deve desprazer o fato típico de escassa ou nenhuma lesividade" (TACRIM. fazendo-o fenecer.típica. quando a conduta praticada por outrem ofenda um bem jurídico considerado essencial à vida em comum ou à personalidade do homem de forma intensa e relevante que resulte uma danosidade que lesione ou o coloque em perigo concreto" (TACRIM.1966) "As preocupações do Direito Penal devem se atear aos fatos graves. .) DA REINCIDÊNCIA Outrossim.".073/2. inadmissível. exorcizar o delito. consigne-se. tornando absolutamente ineficaz o emprego adotado pelo agente. missão. mas não de forma substancial. reservada aos Preeminentes e Preclaros Desembargadores. a superação de meios defensivos empregados pela vítima. mas. Nas palavra literais da testemunha compromissada ________________ à folha ____:". 03.. jamais interferindo no espaço de consenso. o contexto fáctico. a moderna Criminologia sugere seja ela a ultima ratio da tutela dos bens jurídicos.ainda que a exasperação da pena venha dissimulada pela agravante estratificada no artigo 61.º 988. Salta. n. haja vista. aos olhos. clama e implora por sua reforma. ap. Aferido.1.º 909. na medida em que os bens da vida alvo de efêmera e episódica detenção. Vale dizer. que a vítima não padeceu qualquer abalo em seu tesouro. que pelo delito anterior o réu já foi penalizado. o princípio da insignificância. pois. porque o Direito Penal. do Código Penal sob o risco de incidir-se num bis in idem. que compõem essa Augusta Câmara Criminal. Conseqüentemente. é de se absolver o agente por atipicidade do comportamento realizado. Rel.

Garibaldi.04. ao crime impossível. CONSUMAÇÃO. e por decorrência decretada sua absolvição.Na longínqua e remotíssima hipótese de não ser acolhida a tese mor. DESPREZOU A FORMAL ADVERTÊNCIA EXPRESSA NESSA CONDENAÇÃO E. E LONGE DA VIGILÂNCIA DA VÍTIMA. j. o regime de cumprimento da pena. REQUER: I. CONSIDERANDO A GARANTIA CONSTITUCIONAL DA LIBERDADE.000. DESVALOR DE AGRAVAMENTO. REVELOU UMA CULPABILIDADE MAIS INTENSA. inciso III. NÃO LEVA EM CONTA QUE O DELINQÜENTE REINCIDENTE NEM SEMPRE E O MAIS PERVERSO. por decorrência. II. INCLUÍ-LA COMO CAUSA DE AGRAVAÇÃO DE PENA. seja o réu. ANTE AO EXPOSTO.2000). glosando-se da penabase. Embargos acolhidos para que prevaleça o voto minoritário que afasta o acréscimo da pena pela reincidência. QUANDO OCORRE A INVERSÃO DA POSSE DA RES.699. FAZENDO UMA RELEITURA DA LEI PENAL. DEVE-SE. Porquanto.Seja acolhida a primeira tese esgrimida pelo réu. O AGENTE PASSA A TER A TRANQÜILA DETENÇÃO DA COISA..º 70. é a posição adotada pela 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado. cujo decalque veiculase inarredável. já decidiu o Terceiro Grupo Criminal. alterando-se. PENA. o princípio da insignificância penal. Um mesmo fato não pode ser tomado em consideração duplamente porque possibilita uma inadmissível reiteração no exercício do jus puniendi do Estado. NA MEDIDA EM QUE SUBMETE O CONDENADO A UM PROCESSO DESSOCIALIZADOR. reunida no item supra. face subsumir-se a conduta pelo mesmo palmilhada. REINCIDÊNCIA. MÃO PODE O PRÓPRIO ESTADO. ALÉM DISSO. afora redimensionar-se a pena definitiva. OU SEJA. APENAS DAR VALOR POSITIVO AS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DA CONDUTA SOCIAL E PERSONALIDADE. . REL. (09 FLS) (Apelação Crime nº 70000847699.847. 6ª Câmara Criminal do TJRS.106. SÓ PODEM SER CONSIDERADAS PARA BENEFICIAR O ACUSADO. do Código de Processo Penal. E DENTRO DESTE RACIOCÍNIO. cumpre exorcizar-se a agravante da reincidência.Neste sentido. inciso III. caracteriza bis in idem. 27..916. DESEMBARGADOR DOUTOR SYLVIO BAPTISTA NETO. forte no artigo 386. No mesmo momento. face incidir na conduta pelo mesmo testilhada. FURTO. de igual sorte. SE APERFEIÇOA. MOMENTO. AINDA QUE POR CURTO ESPAÇO DE TEMPO. UM DOS ESTIMULADORES DA REINCIDÊNCIA.AGRAVAÇÃO DA PENA PELA REINCIDÊNCIA. o mês legado (vide folha ____).000. DOSIMETRIA. na apelação criminal n. nos embargos infringentes n.º 70. passará para o aberto. o qual de semiaberto. O MAIS PERIGOSO EM CONFRONTO COM O PRIMÁRIO. Predominância dos votos mais favoráveis do empate. A agravação da pena pela reincidência. TAMBÉM TEM-SE QUE AFASTAR O AGRAVAMENTO DA PUNIÇÃO PELA REINCIDÊNCIA. ASSIM. em 16 de junho de 2000 cuja ementa assoma de obrigatória transcrição: EMBARGOS INFRINGENTES . por ferir com maestria e propriedade a matéria submetida a desate. absolvido a teor do artigo 386. DESESTRUTURADO SUA PERSONALIDADE POR MEIO DE UM SISTEMA PENITENCIÁRIO DESUMANO E MARGINALIZADOR. O MAIS CULPÁVEL. E NÃO MAIS PARA LHE AGRAVAR A PENA. DEPOIS EXIGIR QUE SE EXACERBE A PUNIÇÃO A PRETEXTO DE QUE O AGENTE DESRESPEITOU A SENTENÇA ANTERIOR. O CRIME DE FURTO SE CONSUMA.

expurgando-se da sanção corporal (1) um mês legado pela agravante. o primado da JUSTIÇA! ____________________. que em assim decidindo. sobretudo. bem como alterando-se o regime de cumprimento da pena. estarão julgando de acordo com o direito e.0__. para o aberto. na gênese do verbo. _______________________________ DEFENSOR PÚBLICO SUBSTITUTO OAB/UF ______________. restabelecendo. em ___ de ___________ de 2. Certos estejam Vossas Excelências.Em qualquer circunstância. frente a reincidência. perfazendo e restaurando. mormente o Insigne e Culto Doutor Desembargador Relator do feito. . seja reputada tida e havida como inconstitucional a majoração da pena-base.III..