A Caminho do Desenvolvimento Sustentável O Caso de Três Municípios no Estado do Rio Grande do Sul Prof. Dr.

Luis Felipe Nascimento Professor na Escola de Administração –EA/UFRGS Grupo Interdisciplinar de Gestão Ambiental – GIGA/UFRGS Prof. Dr. Miguel Sattler Escola de Engenharia /UFRGS Grupo Interdisciplinar de Gestão Ambiental – GIGA/UFRGS Prof. Dr. Marco Aurélio Araújo Instituto de Química - IQ/UFRGS Grupo Interdisciplinar de Gestão Ambiental – GIGA/UFRGS SUMÁRIO 1. Introdução 1. INTRODUÇÃO 2. CASO DE NOVA HARTZ 3. CASO DE VIAMÃO 4. CASO DE PORTO ALEGRE 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O conceito de Desenvolvimento Sustentável para os municípios propõe a implementação de políticas, planos, programas e ações que promovam a qualidade de vida e o desenvolvimento social e econômico de forma mais eqüitativa. Vários municípios brasileiros já iniciaram a implantação de suas respectivas Agenda 21 locais, ou estão desenvolvendo ações visando um desenvolvimento mais sustentável. No Estado do Rio Grande do Sul foram analisados três municípios que estão a caminho do desenvolvimento sustentável e que possuem condições de contorno muito diferentes. Este artigo apresenta o caso dos municípios de Nova Hartz com 13 mil habitantes, de Viamão com 230 mil habitantes e de Porto Alegre com 1,3 milhão de habitantes. Os três municípios estão, dentro das suas condições, desenvolvendo esforços para reduzir o problema do lixo, da poluição industrial, desenvolver tecnologias habitacionais sustentáveis, etc. O relato destes casos demonstra que, independente do tamanho do município e das condições existentes, se houver vontade política e

(deixar o espaço abaixo em branco)

05% são residentes na área rural. Entretanto.308. Desta forma Nova Hartz acumulou um passivo ambiental nas suas matas e arroios. A imigração alemã na região que teve na agricultura familiar a base da economia. quando instalaram-se as primeiras fabricas de calçado. sendo que 77. O Produto Interno Bruto ( PIB) de 1998 foi de 105.74 milhões de dólares e o PIB per capita neste mesmo ano foi de 12. na região do Estado denominada Depressão Central. Isto faz com que qualquer ação ambiental tenha presente a proteção deste importante recurso natural.646 habitantes. aproximadamente. apesar de pertencerem a unidades distintas. unidades de produção terceirizadas de base familiar. A seguir são descritos os três casos investigados. o abastecimento de água se dá pela exploração de águas subterrâneas. fazendo com que a descarga de efluentes líquidos nos arroios não seja preocupante. aproximadamente. Os projetos descritos encontram-se em fases distintas. ou seja na montagem e acabamento do calçado. Possuindo um lençol subterrâneo qualitativo e quantitativo. 45 km de 2 . através de. denominado de Grupo Interdisciplinar de Gestão Ambiental (GIGA). O atual déficit habitacional de Nova Hartz é de 700 unidades habitacionais. sendo que alguns em fase de préexecução. capital do Estado do Rio Grande Sul. Nova Hartz não possui rede de abastecimento de água. onde 8. Até os dias de hoje. O esgoto pluvial é canalizado através de. bem como de infra-estrutura relacionada ao tratamento de água e esgoto. interagem no mesmo grupo de pesquisa. Constituem-se hoje como os maiores problemas ambientais: o esgoto sem tratamento.000 poços artesianos na área urbana e da captação de vertentes e de “olhos d’água” na área rural. Nova Hartz possui uma área total de 58. Entretanto. ainda permanecem da forma antiga. produzindo aí um grande volume de resíduos sólidos classe I. Em Nova Hartz não há presença de curtumes. os assim denominados ateliês. Esta situação mudou bastante desde a Lei Estadual dos Resíduos Sólidos e dos crimes ambientais.72 Km2. resíduos sólidos industriais. Até bem pouco tempo. 395 unidades locais com até 04 pessoas ocupadas. 25 unidades com até 19 pessoas ocupadas e 14 unidades com até 1000 pessoas ocupadas. o desmatamento e o uso inadequado dos solos. entre o Vale dos Sinos e Paranhama. desenvolvimento mais Os dados apresentados neste trabalho foram coletados através das pesquisas realizadas na Escola de Administração. 2. O Caso de Nova Hartz O Município de Nova Hartz está localizado ao norte da região metropolitana. Possui uma população de 12. da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). as indústrias simplesmente despejavam os resíduos onde lhes fosse conveniente.42 dólares. 5. a partir década de 50 mudou sua vocação econômica.2 capacidade de mobilização. e outros já concluídos ou em fase de conclusão. que é considerado perigoso. as indústrias calçadistas trabalham na ponta do processo. a aproximadamente 75 Km de Porto Alegre. a indústria calçadista é a principal atividade econômica do município. na Escola de Engenharia e no Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). poluição do lençol freático em decorrência destes.38 Km2 correspondem a área urbana e 50.95% são residentes na área urbana e 22.34 Km2 à área rural. Nova Hartz foi o segundo município do Vale dos Sinos com maior PIB per capita de 1998. O município caracteríza-se por pequenas empresas tendo. Os autores e seus orientandos de mestrado e doutorado. é possível sim promover um sustentável.

O projeto foi posteriormente atualizado objetivando projetar e construir um conjunto de 49 edificações habitacionais sustentáveis. saúde. incorporando modos de vida. . ainda oportunidades de empregos.Modelagem e desenvolvimento de projetos. incorporando de um lado. Na forma concebida.Implementação e ocupação. entre outras. assim como para a população de Nova Hartz (colha-e-pague) e também para demonstração e educação ambiental. Em cada casa espera-se ter todo o suprimento de alimentos necessário para cada família. Estes incluem a pesquisa do terreno. Está previsto um pomar / horta.Desenvolvimento do produto. projetos de suprimento de energias alternativas. Acredita-se que a função da residência está além de ser uma simples proteção.financiado pela FINEP e Caixa Econômica Federal. os princípios do desenvolvimento sustentável. O projeto como um todo será desenvolvido em quatro etapas: . os quais através de um protótipo para demonstração serão avaliados contextualmente incluindo questões sociais. reaproveitamento da água das chuvas. técnicas. Na gleba 2.3 ha. Por se constituir em uma área com características naturais de banhado. ainda. gerenciamento de resíduos líquidos e sólidos. comunicações etc. Para efetivamente monitorar o modo de vida urbano e avaliar o feedback das soluções técnicas que pretendem ser desenvolvidas foi criado o Centro de Pesquisa. através do qual está em sendo executado um projeto de pesquisa relacionado à implantação de um Centro Experimental de Tecnologias Habitacionais Sustentáveis – CETHS . com frutas e vegetais. ambientais e culturais. O projeto foi inicialmente concebido para ter 20 casas em uma escala pequena para ser facilmente gerenciada. em uma infra-estrutura de mínimo impacto ambiental. pretende-se implantar uma nova área de demonstração. etc. com características complementares. dando também opções de vida social para toda a comunidade. o projeto de zoneamento. Em 2001 está sendo desenvolvida uma parceria com o Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil/UFRGS. Em sua função de Centro Demonstrativo o CETHS pretende ser um laboratório experimental para projetos. bem como para a preservação e incremento de elementos da flora e fauna local. a satisfação do usuário está privilegiada. denominada de gleba 1. para produção ecológica de alimentos para a comunidade do CETHS. e de outro lado. um centro social/educacional para educação diurna de jovens e noturna de adultos.3 rede. a idéia de residência como um habitat do homem no contexto social em que o mesmo está inserido. e o esgoto cloacal é equacionado sobre a forma de sumidouros e fossas individualmente nas habitações. o desenvolvimento dos projetos de arquitetura para as casas e outros prédios. esta área será utilizada. porquanto o entendimento é a habitação como um fim em si mesmo. ligada a práticas agrícolas sustentáveis. adjacente à gleba 1. criando. para o polimento dos efluentes tratados (no nível secundário) da comunidade a ser implantada na gleba 1. Em conjunto.Monitoramento. O CETHS surgiu. o qual através da garantia de condições microclimáticas estáveis terá condições de suportar picos de temperatura. incluindo também suprimento de água e energia. . 3 . A implantação deste Centro Experimental ocorrerá em uma área de 2. as glebas 1 e 2 constituirão dois Centros Experimentais. preterindo o fator econômico-financeiro da habitação como elemento alavancador de geração de riqueza e renda. Também privilegiam-se projetos de agricultura para produção de alimentos no local. mantidas as demais características do Centro. . educação e relação com o meio social e natural. cedida pela Prefeitura Municipal de Nova Hartz. A fase de modelagem e desenvolvimento dos projetos inclui todas as etapas relativas ao planejamento da infra-estrutura física e ao apoio funcional das atividades a serem desenvolvidas localmente.

Como norma geral referencial.4 Na construção da unidade individual se fará uso de materiais de construção locais. Os prédios usarão técnicas de energia solar passiva. sistemas biológicos processarão os resíduos para produzir o gás metano. O início das obras está previsto para dezembro de 2001. -água: um sistema integrado do fluxo de água permitirá a pesquisa e demonstração de técnicas como a aquacultura. Outros resíduos podem ser compostados ou receber tratamento biológico para produção gás metano. a Prefeitura Municipal de Viamão mobilizou as entidades locais e buscou apoio na Universidade Federal do Rio Grande do Sul para discutir e elaborar um plano de desenvolvimento de longo prazo para Viamão. Tanto a implementação futura do centro. necessitarão da participação de equipes multidisciplinares de diversas instituições. maximização das possibilidades de uso múltiplo e redução do consumo de água. A casa será desenhada de maneira a acomodar toda a família com área de 46 m2 e espaço para posterior expansão. combinado com o fato de estar numa região metropolitana. A construção será inicialmente realizada por funcionários da Prefeitura Municipal de Nova Hartz. consumo reduzido de energia e parcimônia. uso ótimo da energia disponível e reforço das interações sociais. -resíduos: através de uma operação racional. atender sua demanda energética através do uso de recursos locais. O Caso de Viamão O Município de Viamão está localizado na região metropolitana de Porto Alegre. Preocupada com os impactos e com as repercussões desta alteração de perfil. aumentaram também os impactos ambientais. -alimentação: atenção particular será dada para práticas tais como: proteção das características do solo. o centro propiciará à sociedade um melhor entendimento do desenvolvimento sustentável e de seu manejo. A Prefeitura Municipal de Viamão percebeu que este Município dispõe de uma situação previlegiada. demonstração e pesquisa e. como: -energia: o centro pretende. O objetivo principal desta fase é a geração de indicadores para a avaliação das tecnologias propostas considerando o impacto social ambiental que elas produzem além de permitir uma comparação entre as soluções tradicionais e as propostas alternativas. incluindo madeira. -prédios: o formato arquitetônico do centro combinará os seguintes propósitos: integração com o meio. do uso de fertilizantes e outros produtos químicos. através de sua operacionalização. rural e urbana permite ao Município. Os materiais de construção para as primeiras 8 unidades já estão disponíveis. 3. Viamão deixou de ser uma cidade considerada “dormitório” e transformou-se num atrativo município para a instalação de empresas. o centro minimizará a energia e o consumo de materiais que também reduzirão os resíduos. tijolos ou blocos de pedra de diversas origens. Os resíduos de cozinha podem servir para alimentar animais. como a sua operacionalização. com cerca de 230 mil habitantes. o preço cobrado será de 150 a 200 dólares por metro quadrado para a construção das casas. turbinas eólicas poderão ser instalados para bombear água do sub-solo e até mesmo produzir eletricidade. provavelmente. ou até eliminação total. com possibilidade de incorporar alguns futuros moradores ao longo do processo construtivo. Com a instalação de grandes empresas. com mais facilidade. tanto quanto possível. ambientes tipicamente rurais que preservam o meio ambiente. Esta diversidade ambiental. Dos resíduos evitados. 4 . após a conclusão. pois possui parques ecológicos. o material orgânico pode ser reintroduzido dentro do ecossistema local. Através de técnicas de informação. desenvolver projetos visando um desenvolvimento sustentável. irrigação e tratamento biológico da água servida.

Para tanto. pois vislumbra que os resultados obtidos poderão sensibilizar as demais empresas do Município e contribuir para a redução dos impactos ambientais e para um incremento na competitividade das empresas. secagem. terá o suporte técnico da UFRGS e de outras instituições que atuam neste ramo. Para tanto. as plantas medicinais e aromáticas. com a participação de algumas ONGs. .do fomento a implantação de tecnologias limpas nas empresas já instaladas no município.do fomento à economia solidária. a Prefeitura entrou no Projeto como parceira e assumiu a responsabilidade de disseminar os resultados no Município. Destaca-se a implantação do Projeto Nharupá e do Projeto de Produção Mais Limpa. O projeto propõe a implantação da Agenda 21 local. Alguns sub-projetos ainda estão na fase da captação de recursos. dos agentes econômicos. que beneficiem a matéria-prima local. educativos. A Prefeitura Municipal de Viamão.do fomento ao turismo rural e ao ecoturismo. além da UFRGS e das Secretarias Municipais. captação de recursos financeiros e de implantação. aromáticas e condimentares. da Associação Comercial e Industrial de Viamão (ACIVI). comércio e o beneficiamento de plantas medicinais. .da atração de indústrias que gerem alto valor agregado. estimulou as empresas a participar deste projeto.do aproveitamento de matérias-primas locais e do seu beneficiamento e industrialização no próprio município. Sindicatos de Trabalhadores. bem como para a geração de renda na zona rural e urbana. O Projeto Aumento de Eficiência nos Processos Produtivos em Empresas no Município de Viamão é um projeto que está sendo desenvolvido em duas indústrias no Município de Viamão sob a coordenação do Grupo Interdisciplinar de Gestão Ambiental (GIGA/UFRGS). tendo também alguns projetos com recursos aprovados que deverão iniciar em breve. .do desenvolvimento de novas cadeias produtivas como a piscicultura. . comercialização e instalação de indústrias para a extração de óleos essenciais. fortalecendo os aspectos sócio-econômico e ambiental do Município nos próximos 20 anos. Secretarias de Estado do Rio Grande do Sul e com o apoio do Movimento Comunitário. Este projeto tem uma forte preocupação com o resgate do conhecimento popular quanto a utilização e cultivo de plantas medicinais.5 Como resultado dos debates sobre o futuro de Viamão. . como é o caso da Incubadora Empresarial Tecnológica no Distrito Industrial do Cocão. EMATER. após a realização de uma série de debates. que gerem grande número de postos de trabalho e que tenham compromisso com a qualidade ambiental do município. ONGs. O Projeto da instalação do pólo regional de plantas medicinais e aromáticas em Viamão conta. o qual tem por objetivos promover o desenvolvimento do Município de forma integral. .da integração entre a zona rural e a zona urbana. elaboração de projetos específicos. integra as iniciativas das Secretarias Municipais. A produção de medicamentos fitoterápicos para uso humano e para os animais. instituições públicas. incentiva a formação de uma cadeia produtiva com o plantio. O Projeto está dividido nas fases de diagnóstico.do estímulo a utilização de matérias-primas e energias renováveis no processo produtivo. 5 . de Produtores e da Comunidade em geral. através: . integrando o conhecimento científico e o popular. surgiu o Projeto denominado de “Viamão Mais 20”. outros já estão sendo implantados. . O Projeto Nharupá visa fomentar a produção.

Algumas medidas estão sendo analisadas. basta lembrar que foi a primeira cidade a ter uma secretaria municipal de meio ambiente. Identificar as possíveis mudanças nos processos produtivos das empresas participantes do projeto visando a redução do consumo de água e energia .3 milhão de habitantes. de fazer visitas a outras empresas do mesmo ramo. Entre seus objetivos estão : 1. poder público. O Caso de Porto Alegre O Município de Porto Alegre possui uma área de 476 km2 e conta com cerca de 1.6 O Projeto está sendo financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa no Rio Grande do Sul (FAPERGS) e conta com uma contrapartida de 20% das empresas e da Prefeitura. O Projeto está sendo desenvolvido através da análise dos casos da Indústria Texon. Trata-se portanto de um projeto de interação universidade-empresa que visa analisar os processos produtivos de empresas localizadas no Município de Viamão buscando a redução do consumo de água e de energia. 2. 3. Verificar as tecnologias disponíveis que poderão ser utilizadas nas empresas investigadas . Analisar o aumento da eficiência dos processos produtivos resultante da implementação do projeto e disseminar os resultados obtidos para as demais empresas do Munícipio e do Estado do Rio Grande do Sul. o Município de Porto Alegre está conseguindo avanços significativos na busca da promoção de um desenvolvimento mais sustentável. de boa qualidade. A Indústria Texon tem como principal problema o descarte de 300 mil litros de água por mês. Historicamente Porto Alegre tem demonstrado sua preocupação com o meio ambiente. tanto para a redução da geração de serragem. agência de fomento e instituições de ensino e pesquisa. Apesar da alta densidade populacional e das atividades industriais existentes. tem permitido uma boa interação da equipe de trabalho com as empresas e dado sinais de que os objetivos serão alcançados até fevereiro de 2002. Este workshop será voltado para as demais empresas do Município e região e tem por objetivos apresentar e discutir os resultados obtidos. prazo previsto para o encerramento do projeto. Está localizado as margens do lago Guaíba. apenas nas operações de corte e aplainamento da madeira adquirida. 6 . bem como para dar um destino mais nobre a este resíduo. bem como o aumento da competitividade destas empresas. a montagem de uma fábrica de produtos sanitários no mesmo local. Embora estas duas industrias possuam processos industriais distintos. a qual poderia beneficiar-se da água que atualmente é jogada fora como rejeito do processo produtivo. A dinâmica utilizada de manter alunos bolsistas nas empresas. fabricante de esquadrias de madeira. e da Empresa IVEL. 4. e é uma das regiões mais industrializadas do Estado do Rio Grande do Sul. As análises realizadas apontam como uma alternativa. Os resultados obtidos pelas medidas de curto prazo implantadas nas empresas serão divulgados num workshop em março de 2002. Será também uma oportunidade para a discussão de novas formas de interação entre o setor empresarial. Já a Empresa IVEL possui um elevado consumo de energia e a geração de uma grande quantidade de resíduos. que é fabricante de soro fisiológico. de realizar reuniões periódicas com as empresas. o que significa uma concentração populacional de cerca de 2700 habitantes/km2. O Quadro 1 mostra alguns indicadores do Município de Porto Alegre. O diagnóstico realizado identificou uma perda de cerca de 30% da madeira. Estes resultados poderão subsidiar a política de fomento industrial do Município. elas apresentam problemas semelhantes quanto ao excessivo consumo de água e energia.

Fossa séptica (trat.12 há Poluição Atmosférica(1) Emissão veicular diária: 3. 1997(3) e DMAE. Sendo a sub bacia da Ponta do Coatis a menor com 0. p. 12 % desocupado Áreas de baixa vulnerabilidade: 230. A Prefeitura Municipal de Porto Alegre estruturou um Sistema de Gestão Ambiental (SGA).89 Km2 – 24% do Município .06 Km2 – 14% do Município . A partir de 1990.94Km2. primário) 29% Fonte: SILVA (2000). DMLU. Nesta há uma grande variedade dimensional.060 ha (11% do Município): Parque Estadual do Delta do Jacuí : 4. 2. 480. Este sistema está baseado em três princípios: a integração das políticas setoriais.300 km de rede coletora local ou de rua (microdrenagem). Média per capita de produção diária domiciliar: 650g/hab Coleta seletiva: produção diária 40 t. DEP. 1997 (4) Área do Município Áreas Verdes(1) Percebe-se que a gestão ambiental no Município de Porto Alegre vai além de um manejo ambiental.508m2).74 rede cloacal. 9 % desocupado Áreas de média vulnerabilidade: 114. 11 parques (5.72% de esgoto coletado :50. com um índice de área verde de 13.59 Km2 e a do Arroio do Salso a maior com 92.040 em Viamão) Reserva Biológica do Lami: 77 há Reserva Ecológica do Morro Santana: 350 há Parque Morro do Osso: 350 há Jardim Botânico: 43.85Km2 Continental. Secundário) 15%. com dados da SMAM. semelhante ao existente em empresas privadas.06 Km2 – 14% do Município Ocupação Urbana (4): . Adaptado de Menegat et al.508 m2).2% ocupado.000 pontos de captação. 44. (1998. 1997(2). 24 Km de diques externos e 44 Km de diques internos Inundações (SPI) – (4) Poluição do Solo(1) 1280 tanques de combustível instalados em 254 postos de serviços Resíduos Sólidos (3) Produção diária de Lixo : 1426 t Domiciliar/Vila: 874 t.45 Km2 Insular 395 praças (3.415.997 domicílios (4) Esgotamento Sanitário (4) 79.050. ou mesmo além de uma gestão do saneamento. Arborização Urbana(1) Cerca de um milhão de unidades em vias públicas.792 t/dia em 1996 Poluição Hídrica Industrial (1) 93 indústrias cadastradas no programa de controle Sistema Pluvial(2) 2 casas de bombas (+16 do SPI).21% ocupado.205). 1998 (1). 12 % desocupado (Conforme índice geológico) Áreas de alta vulnerabilidade: 65. foram desenvolvidos esforços visando o estabelecimento de uma política multisetorial.12% ocupado.62 m2/hab somente sobre estas áreas Bacias Hidrográfica 27 sub bacias.88 Km2 – 48% do Município . (30g/hab) Vulnerabilidade do solo à Áreas de muito alta vulnerabilidade: 65.423 há Parque Saint-Hilaire: 140 ha em Porto Alegre (+1. 45. 189 espécies Unidades de conservação (1) Área total de 5. 28.98% rede mista (pluvial) 44% do esgoto coletado é tratado: ETE (trat. 6 do Rio Gravataí (incluindo sua várzea) e 21 que desembocam diretamente no Lago Guaíba.30 Km2 : 431. 27 % desocupado Abastecimento de Água Tratada 99% da população atendida.5% ocupado. o que resultou na constituição de um fórum que reúne os diversos órgãos 7 . a participação informada do cidadão e o conhecimento científico dos sistemas naturais e construídos.7 Quadro 1: Indicadores Ambientais de Porto Alegre 476. 75 Km de canais e condutos fechados Sistema de Proteção contra 16 casas de bombas.

pois recupera pessoas que estavam excluídas do mercado de trabalho e garante uma renda para centenas de famílias. A coleta seletiva é realizada uma vez por semana. que usualmente somente são encontradas parcialmente desenvolvidas e aplicadas em diferentes locais é o elemento diferenciado desta projeto. que é comercializada pelas associações de trabalhadores que operam os galpões de triagem. O FPMAS constituiu-se como um organismo gestor do SGA. Os oito galpões de triagem distribuídos pela cidade absorvem os resíduos coletados pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Em 1992 foi instituído o Fórum Permanente de Meio Ambiente e Saneamento (FPMAS). Outro programa desenvolvido em Porto Alegre que já atingiu reconhecimento em nível nacional. No caso de Nova Hartz. a relação do setor com o conjunto das políticas de governo e as questões estratégicas que envolvem as secretarias. amplas e gerais quanto a uma postura da Prefeitura quanto ao meio ambiente. Departamento Municipal de Habitação (DEMHAB). O Centro proposto 8 . A oportunidade de agregar em um único local uma série inteira de estratégias ambientais. resultantes de definições claras. Secretaria de Governo Municipal(SGM). Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A Prefeitura de Porto Alegre participa de diversos programas e projetos visando a construção de um desenvolvimento mais sustentável. foi priorizado a busca por soluções relativas à habitação para populações de baixa renda. através de sua Assessoria de Meio Ambiente e Saneamento que coordena o FPMAS e a implantação da Agenda 21 em Porto Alegre. em parceira com instituições de ensino e pesquisa e com a sociedade. Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). o que dificultou a integração das políticas setoriais. Por outro lado. visando a construção de um desenvolvimento sustentável. e refletindo as diferentes perspectivas ambientais dos seus membros. o FPMAS era composto pelos Secretários e Diretores dos órgãos membros. Segundo SILVA (2000). Coordenação de Relações com a Comunidade (CRC). O Fórum tinha por objetivos discutir a estratégia do setor. Na Prefeitura de Porto Alegre constata-se uma falta de informação a todos os membros da organização sobre o SGA. Trata-se de um projeto de grande impacto social e ambiental. quando comparado o SGA da Prefeitura com os princípios que regem um SGA numa empresa privada.8 da Prefeitura mais diretamente vinculados as questões ambiental. quando comparados os procedimentos adotados com os princípios propostos para a Gestão Ambiental numa organização. Considerações Finais Os três casos apresentados possuem intervenções do poder público municipal. A gestão ambiental realizada no Município de Porto Alegre apresenta algumas falhas. pois há uma secretaria específica para a questão ambiental (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) e a estrutura do Fórum Permanente de Meio Ambiente e Saneamento (FPMAS). Programa Guaíba Vive (PGV) e o Gabinete do Prefeito. Participavam das reuniões do FPMAS a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM). não há como negar a existência e funcionalidade de um SGA na Prefeitura de Porto Alegre. O “lixo seco” recolhido torna-se matéria-prima. Departamento Municipal de Águas e Esgotos (DMAE). o que em uma empresa seria em definido como o “Manual do Sistema de Gestão Ambiental”. em 100% dos bairros da cidade. que fazem parte da grande região hidrográfica que abrange os rios das principais regiões econômicas do Estado. Departamento de Esgotos Pluviais (DEP). Secretaria do Planejamento Municipal (SPM). 5. é a Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos Urbanos. o que destaca a importância política que lhe era atribuída nos primeiros anos de funicioamento. Cabe destacar o Programa Pró-Guaíba. do qual participam outros 251 municípios.

Ian. um agente responsável e uma articulação entre os diversos setores envolvidos.. Robin. e LOPES. prejudicando o potencial turístico e a qualidade de vida da população.. Com o DMLU é Limpeza.br/port/SE/agen21/agint. DMLU. & ROVATTI. 1998 p. pois possui uma política definida. Marcelo M. foi destacado uma ação da Prefeitura visando estimular a adoção das técnicas de Produção Mais Limpa. LEGARD. DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE LIMPEZA URBANA DA PORTO ALEGRE. J. Wrana M. BRITTO. Revista de Administração Pública.31 (2). 5. Cristina A. Clóvis C. S. Pode-se dizer que existe um SGA. Maria L.295-305 CHRISTIE. Os atores do desenvolvimento urbano sustentado: reflexões sobre a gestão “integral” do espaço urbano In: PANIZZI. A Prefeitura Municipal de Porto Alegre é a que apresenta a melhor estruturação para gerir a questão ambiental. C. 1993. PORTO. Iara Regina. ROLFE.html. Arquivo capturado em 13 de dezembro de 1998.135-52. A. João F.9 (CETHS) pretende ser uma referência consultiva em desenvolvimento sustentável para todos os interessados. [de]. DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE LIMPEZA URBANA DA PORTO ALEGRE. CARRARO.1999 (em CD ROM) CASTELLO. Contribuições da perspectiva institucional para a análise das organizações In : XXII ENANPAD. London: PSI-Policy Studies Institute. MENEGAT R. Estudos Urbanos : Porto Alegre e seu Planejamento Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS/PMPA. CARVALHO. Fernando D. C.mma. No caso de Viamão. O que se pode constatar é que independente do tamanho do município. VIEIRA. Com o aumento do população. Rio de Janeiro. Luis A. pois a atual Administração Municipal percebeu que a industrialização do Município poderá trazer mais perdas do que ganhos.gov. SILVA N. F. Referencias Bibliográficas: AGENDA 21 Integral para Consulta On-Line [on-line] Disponível na Internet via WWW. Brasil:ANPAD. 1995. E. Heather. Rualdo. Atlas Ambiental de Porto Alegre. da Universidade/UFRGS. J. Porto Alegre: DMLU. URL: http://www. 1997b. BARBIERI. Porto Alegre: DMLU. 9 anos de Coleta Seletiva. articulada com as instituições de ensino e pesquisa e com as organizações sociais. FERNANDES. P. crescem também os impactos ambientais.. A Gestão Ambiental Pública em Porto Alegre in : MENEGAT. v. L. 19-22 de setembro de 1999. é necessário uma ação do poder público. Anais do ENANPAD. Porto Alegre: Ed. [1999] (folheto) DMLU. Cleaner Production in Industry: Integrating business goals and environmental management.199-202. [2000] (folheto) 9 . Foz do Iguaçu. mar-abr. p.. Políticas públicas indutoras de inovações tecnológicas ambientalmente saudáveis. D.. p.

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