lntrodução à filosofia da linguagem

DO SIGNO ÀO DISCURSO

para os quais não há uma mente ou razão soberana, mas um esforço das idéias e da linguagem para chegar ao conhecimento das coisas.

Z. SlcNo

E

REFERÊNCrA

Com notáveis avanços e, ao mesmo tempo com sérios entraves, a análise de saussure é ponto obrigatório na discussão da relação dos signos com o chamado fator extralingüístico. A lingüística, a fim de poder constituir-se como ciência, deve ocupar-se da Ìangue e não da porole, segundo
saussure, pois esta ultima representa um verdadeiro obstáculo epistemológico

para

o lingüista. A referência fica

fora da linguagem, uma vez que para a

Iinguagem contam apenas às relações intra-sígnicas. o que tem duas conseqüências, sendo a primeira produtiva, pois, como veremos, falar é relacionar signos entre si e não signos com a realidade. A segunda conseqüência é mais problemática: a lingüística estruturaÌ é constrangida a abandonar o problema da referência para preservar o caráter científico da própria

lingüística. Pela ótica estruturalista, referir depende de fatores extralingüísticos (o que é extremamente questionável, como veremos ao longo deste trabalho). Assim, cabe à filosofia e/ou à lógica estabelecer a relação na qual se encontram implicadas as questões da verdade, verificabilidade, valor de verdade e outras, nenhuma delas pertinente à
lingüística, segundo Saussure.

2.1. O signo lingüístico
Para Saussure, a análise da ringuagem deve ter caráter científico,

o que

se obtém circulscrevendo

o objeto de estudo da linguagem naquilo que

No curso de lingüístico gerd (1916, obra póstuma, fruto das anotações de seus aÌunos), eÌe explica que "língua" não é o mesmo que linguagem. Todas as sociedades possuem um meio de comunicação
lcngue.

ele chamou de

articulado, a linguagem. Dificilmente se chega à unidade da linguagem por eÌa ser "multiforme" e demandar a abordagem fisica, fisiológica, psíquica,
estando ao mesmo tempo no domínio do individual e do social. por detrás
2B

I.

SIGNO

T RTATIDÀII

das inúmeras línguas, é preciso localizar algo comum para se fazer ciência

e que possa também dar conta da noção de articulação lingüística.
Segundo Saussure,

no corte entre fatos sincrônicos, que são atuais um
sistema de signos:

e

efetivos, e fatos diacrônicos, que são históricos, temporais, a língua pertence aos primeiros, pois é

A língua é um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo sociaÌ para permitir essa faculdade nos indivíduos

(.)

É um todo por si e um princípio de classiÍìcação

(1e7s:17). Atualmente diríamos que a língua é uma esÍutura. fornece

A

coletividade

o insÍumento essencial à faculdade de articular

palalras. Para

haver língua é preciso que idéias distintas correspondam a signos distintos.
Para encontrar a língua em

meio à linguagem, Saussure alalisa o circuito da fala que demanda pelo menos dois indiúduos que possuem em sua consciência conceitos associados às representações dos signos lingüísticos

ou imagens acústicas que exprimem signos, Implica ainda que haja uma
parte fisica, a das ondas sonoras, e uma parte psíquica (imagens verbais conceitos). Todo esse processo
e

úvendo em sociedade. responsáveis por esse fenômeno, que é sempre pessoal, pois toda da língua é obra de indivíduos.

e mantido por homens Nem a palte fisica, nem a parte psíquica foram
desenvolvido
execução

foi

Para que todos pudessem executar a fala, foi-se armazenando, segundo
Saussure

um

sistemo gromoticoÌ

(grifo nosso) que existe virtualmente em cada cérebro ou,

mais exatamente, nos cérebros de um conjunto de indivíduos (1975: Trata-se

2l).

do par opositivo línguo/folo. A língua é social, essenciaÌ, não demanda uma tomada de consciência, o indivíduo não pode criá-la nem
modificá-la. Requer aprendizado e vem Íìxada pela comunidade que a fala.
É homogênea, une

o sentido à imagem acústica, é um

sistema de signos

que exprime idéias, situado entre as instiluições humanas. A semiologia é a ciência que estuda "a vida dos signos no seio da úda social" (1975 2+),
29

Ambos são termos "psíquicos" e seu vínculo também é psíquico. Contudo. uma vez que os fenômenos da Íala "são individuais e momentâneos". independentemente de sua vontade. por exemplo. Ao lado da lingüística da língua. que se encontra "depositada" no cérebro de cada um. EIa é o meio de aprendizado da língua materna. O que forma a unidade lingüística são dois termos. A seqüência fonológica só é um signo se exprime um conceito. mais abstrato ainda. o que faz evoluir a língua. Iinguística propriamente dita é apenas a lingriística da língua. "O signo lingüístico não une uma coisa e uma palawa. porém é enganoso concebê-los um como lingüístico e o outro exterior ao lingüístico. não perturba as imagens acústicas da língua. Esta aÍirmação é fundamental para a lingüística e tem profundas conseqüências para a filosofia da linguagem. todos eles dependem. que não é uma simples lista de termos correspondentes a coisas. A lingüística faz parte da ciência da semiologia. sincronia e diacronia. há a lingüística da fala. língua e fala. como se fosse um dicionário com exemplares idênticos distribúdos a cada indiúduo. tanto que se pode falar consigo mesmo sem pronunciar som algum. inclusive historicamente a Íala precedeu a Iíngua. para funcionar. Não há idéias acabadas anteriores à palawa. não pode ser estudada sem a língua. 1975: 80). do caráter articulatório da língua Íalada. A significado combinação de ambos chama-se signo. subordinada à primeira. Compõe-se de fonemas. 30 I . essa alteração é puramente fonética. uma não existe sem a outra. A imagem acústica não é o som. como veremos. É co-o que uma esftuntra inconsciente formada pelas regras que possibütam toda e qualquer emissão significativa. Como a fala é individual e acessória. O conceito é chamado de significcnte. A relação entre palavras e coisas não provém de uma correspondência um por um.DO SIGNO ÀO DISCURSO seu funcionamento e as leis que os regem. mas a impressão do som no psiquismo. mas um conceito e uma imagem acústica" (Saussure. Por isso. À imagem acústica vem sempre associado um e a imagem acústica é chamada de conceito. Emissor e receptor. Se na fala se alteram sons.

Cada telmo fi. pois é um valor. o signiÍìcante pode ser "trocado". Um termo não decorre da simples união entre signiÍìcado e significante. Esses valores são fixados pelo uso. O signo terá uma signiÍìcação. o conceito. funciona mediante relações sincrônicas como um sistema de valores puros. pois a união enffe significado e significante é arbitrária. aÍìrma Saussure. O símbolo não possui o caráter de arbitrariedade. não há idéias que se possaÌn estabelecer previamente aos signos' Inte- foi um lingüsta e não um Íìlósofo quem evidenciou que pensamento sem articulação da linguagem é vazio (e não sem os dados do sentido. tornam-se formas cuios valores são relativos a seu papel e posição. pois a baÌança vem sempre associada à idéia de justiça. mas sim apontar paÌa o aspecto imotivado da relação entre signidade dizer que ficado e significante. Poderia bem ser outra seqüência de signiÍìcante. Combinados. Quer dizer. Pensamento e som. por algo diverso dele. A idéia. como queria. o signo resultante é também um valor com relação aos demais signos da língua.I Todo signo SIGNO I RTAIIDÀDT é orbitrâiio. o conceito. exemplifica Saussure. A substância Íônica também é ressante observar que indistinta sem os signiÍìcantes. reveste de vaÌor cada termo. Kant). o significado de "mar". um . As idéias. seriam massa amorfa sem os signos. significado e significante são como verso e reverso da mesma folha de papel. Tanto é que o significado de "boi" tem os signiÍìcantes fbozuf] do lado francês da fronteira e [ok] do lado alemão. ou mais apropriadamente. não há um laço natural entre eles na realidade.lciona de modo a articuÌar a fixação de uma idéia a rrn som e faz com que determinado som se torne signo de determinada idéia. corta-se também o oufto. por exemplo. ao cortar-se rrm. ou o pensamento. isto é. mas de regras que definem seu lugar e ftlção no interior do sistema e este recorta. A língua é feita de signos estruturados de acordo com regras supraindividuais. Tomando a significação como resuÌtado da associação enrre signiÍìcante e signiÍìcado. com a discutível exceção das onomatopéias. Saussure não pretende com a noção de arbitrarie- o signo depende da liwe escolha de cada um ou de cada Iíngua. não está ligado por nenhuma relação prévia aos sons [mor] que lhe servem de signiÍicante. mostrando que há uma motivação e não pura arbitrariedade.

seja por meio de quantificadores da lógica proposicional) foi eleita a forma privilegiada. a não ser pelo ângulo da sociolingüística: a de que a linguagem descreve a realidade através das proposições. Assim "guardar" pode vir associada e ser comutada com "conservar". a de um sujeito lógico e sua relação com urn predicado. Til como no jogo de xadrez. desde seus pioneiros Sapir e Whorf. cujas Ìeis são universais. ao lado dessas relações horizontais. As pesquisas em sociolingüística. que forma os sintagmas. O problemo da referêncio püo Saussure Como vimos. as peças valem pela sua locúzação. enÍìm. desmontaram uma noção largamente aceita entre os primeiros Íìlósofos alalíticos. passando pela Gramática de port-Royal. o léxico é exclusivo de cada língua. modelo univer- sal e necessário para toda e qualquer frase ou emissão verbal. que língua. regras para formar frases e nelas O mecanismo da linguagem funciona por 2. a proposição (seja na forma sujeito/predicado. whorf discípulo de sapir. A articuÌação prevê. radicalizou as idéias de seu mestre na sociolingüística. sob a superficie das frases gramaticais. o que espelharia a relação que todo ser na reaÌidade tem com seu predicado. único modo de produzir significado. é delimitado e determinado pelos ouüos signos do sistema da Daí o caráter opositivo dos signos. predominava a noção de que a linguagem reflete o pensamento. "confa todos". Hoje. configurando-a através da forma lógica.DO SIGNO ÀO DISCURSO valor. "manter". até o verificacionismo de Carnap. há uma articulação lógica mais profunda. pelas regras do jogo. com exceção de chomsky. as associações verticais entre paradigmas que formam grupamentos viÌtuais. essa dupla articulação de "encaixar" elementos virtuais. Desde Aristóteles. elementar e invariável da linguagem. como: "reÌer". para whorf até 32 . "ügiar". que é raramente criticada. tanto a lingüstica como a Íìlosofia da linguagem rejeitam a no$o de universalidade e a necessidade de uma estrutura que seja fulcro. até o século XVI[.2. movimentação. Para Sapir. Há uma combinatória não linear de elementos. "Deus é bom".

As combinações de elementos em produtos sintéticos demonstram a possibilidade de imagens do cosmo diferentes da estrutura proposicional. pois a comunidade lingüística recorta a natureza. como variam a sintaxe e o léxico. variam. objetos. "Esses fatores entraram em interação com os modelos (pctterns) Iingüísticos hopi. a "lógica". dir-se-ia. Os apaches dizem: "como a água ou a fonte. estados. Assim é que os Hopi (tribo norteamericana). depende das Iínguas e das culturas. Determinadas propriedades ou predicados são atribuídos a uma substância. concebe-a através dos códigos das Ìínguas. o mundo é organizado conceptualmente pelas significações que atribuímos e não poderia ser diferente. elas influenciaram seu modo de vida. o pensamento. sentimento forte de colaboração e de religiosidade. Assim. o verbo vem ligado às coisas. os tipos de raciocínios. retratam os entes. moÌdaram-nos e foram por sua vez moldados por eles. Já os Hopi vêem o mundo como um conjunto de acontecimentos. sendo necessário desenvolver um trabalho árduo na estreita dependência de um escasso regime de chuvas. por exemplo: "É uma fonte que jorra". devido a fatores geográficos e hábitos culturais. o ser é aquilo de que se substâncias 1r) ìi . produtos. típica do modelo aristotélico que molda o pensamento nas proposições compostas de sujeito e predicado que. formando toda uma concepção de mundo.I SICNO T RIÀIÌDADT mesmo a organização sintática é particular e própria de cada língua. especialmen- te nos contatos mais simples e imediatos com a natureza. Nas línguas indo-européias. conforme suas necessidades básicas. o cosmo é reificado. Habitavam um terreno árido. universal. De acordo com Whorf. so podemos pensar numa Ìíngua. o modo de conhecer a realidade. explica whorf. não contendo uma forma lógica. e. conforme lemos em Schaff (1957: 152-lS8). Na tradição ocidental. Tudo isso fez com que tivessem laços sólidos com a tradição. ao mesmo tempo. matriz geradora. desenvolveram sua língua e sua cultura. a brancura move-se para bai- senvolvido pouco a pouco a concepção de mundo xo". inferências etc. As línguas que obedecem ao padrão europeu tendem a distinguir no mundo coisas. formavam uma sociedade agrícola isolada. cada modelo lingüístico realiza certos tipos de observação do seu meio. as em seus aspectos. tendo-se assim de- hopi". por sua vez.

Saussure contradiz o princípio. fmaison]. como vimos. nem universal nem compulsório. fHcus]. ao trato comunicativo e à manutenção das tradições' Do que se conclui que a linguística sugere meios para lidar com o problema da relação ente significação e realidade. como demonstrou Benveniste em Princípios de lingüísticc gercì (1966). quer sob o ponto de vista lexical e semântico. o modelo proposicional não é. de que a lingüística é a ciências das formas. o signo.DO SIGNO ÀO DISCURSO predica algo.e d. pois os signiÍicantes acima relacionados se reportam à mesma realidade. de signiÍìcar aÌgo para alguém. compreensível e teoricamente produtiva a ploposta de Saussure de que a significação não decorre de uma ligação obrigatória com as coisas. ou as coisas para efeitos de significa34 . ao obieto fisico ou cultural chamado "casa". o referente não conta para a compreensão e para o funcionamento dos signos. Desse modo. Não é obrigatoriamente pela relação referencial que o signo tem a capacidade de realizar semiose. Daí a necessidad. a realidade. e não ao significado lingüístico "casa". Isto mostra que Saussure acaba por introduzir um terceiro elemento no interior do signo que é a própria coisc externc. ou seia. As diferenças sintáticas e semânticas apontadas pela sociolingüística não impedem que todas as línguas sejam igualmente aptas ao conhecimento e à lida com as coisas e situações. O tropeço teórico de Saussure reside na sua proposta de que entre o significante e o significado não há nenhuma ligação interior. É iusti-flcável. justamente aquilo que ele pretendera deixar de lado. isto é. Assim também não há nada nas coisas ou situações que as ligue magicamente ao signo' Na lingüística de vertente estrutural-saussuriana. quer sob o ponto de vista da organização sintátrco-lexical das línguas (sua estrutura). por ele mesmo enunciado. epistemicamente falando. importa ressaltar iustarnente a complexidade da linguagem. O signiÍìcado "casa" tem como signiÍìcantes fccsc]. segundo Benveniste. Para a sociolingüística. ao conffáIio da suposição de Saussure' Mesmo Ìevando-se em contra que os propósitos de Sapir e Saussure não sejam os mesmos. a organização sintática segmenta a realidade em substânclas com seus atributos.e excÌuir a substância. extralingüístico. é arbitrário e convencional.

Por isso seria necessário uma correção de rota ao significado é necessário. Importa a competência verbal. isto é. não se está autorizado a sair dos limites da frase gramatical. portanto. sintáticas e semânticas. compreensível. Pela tradição estruturalista. Os signos designam. a realidade externa à língua não conta para a significação. Mas. e nisso Saussure está correto. Ela cabe à filosofia. é guiada (ou até mesmo "produzída". suscetível de comunicação verbal.I SIGNO I RIÀIIDÀDT ção e compreensão do signo. entre dizer e ser. significam. não há como "resolver" o probÌema da referência. como pensam as teorias representacionistas da linguagem e do conhecimento. As palawas se combinam mediante regras gramaticais. no pen- samento de Saussure. e Benveniste propõe que o laço que une o significante o "arbitrário é que tal signo e não tal ourro seia aplicado a tal elemento da realidade e não a taÌ outro" (Benveniste. Se houvesse uma conexão necessária entre o signo e o objeto que ele designa. Falar Ìimitar-se-ia a nomear. Como significação e não o inverso. de estabelecer uma relação entre as palawas e as coisas. A referência às coisas. pois que a ÍìIosofia da linguagem não se limita à descrição dos elementos constitutivos das línguas. a capacidade lingüística de semiotização. Não são eles que realizam a reÌação propriamente dita de referir. através dela a realidade é recortada (tanto pelo léxico como pela estrutura sintático-semântica) e tornada significativa. interior ao signo e não arbitrário. das relações intra-sígnicas evita Nesse sentido. a relação entre signo e realidade não deve e nem pode ser resolvida pelo lingüista. como discutiremos mais adiante no 3" capítulo) pela desfazer problemas filosóficos. ficaria prejudicada. O signo. para a lingüística esrrutural a linguagem é o lugar onde as idéias emergem. para a produção de todas e somente aquelas que são frases da língua. r)F . querem dizer algo. como propusera Saussure. porém não rcÏerem. é compreendido por oposição a outros signos no jogo de regras internas do sistema da longue. de significação. podemos concluir com acerto. as considerações da lingüística estrutural são pertinentes para a coisa mesma. Tratar incluir a "coisa" no interior do significado. ainda que a questão da referência seja Íìlosófica.1966: 52).

Já o lingüista trabalha com a "domínio do arbitrário é relerelação entre signiÍìcante e signiÍicado. às trocas Ìingüísticas. Iíngua agencia os signos distintos e distintivos para dar forma às expressões. A introdução do real no lingüístico. no entanto. Objeto e nome se confi:ndem. meio de tradução do pensamento. Distinguir essas funções. ele é essa realidade". aÍìrma Benveniste (1966:52). são as razões invocadas para deixar a referência de fora do âmbito da lingüística. e o gado para fora da compreensão do signo Ìingüístico" (1966:52). convencioncis. Lingua"afirmar" a gem e significação não têm função denotativa. Nada simples enganoso do que este cartesianismo fáciÌ' A linguagem não é um conjunto de sinais. a código de sinais de que cada um se precário para comunicar o claro e límpido pensamento. observa Lopes (1977:249-250).DO SIGNO ÀO DISCUÌSO o Íìca fora do sistema. Pelo contrário. o Íalalte considera haver "entre o signo e a realidade uma adequação totaÌ: o signo recobre e dirige a realidade. frases gramaticais). 36 . pensar contraditoriamente como fez Saussure. sujeitado ao meio que dos códigos lingüísticos. Já o denototum que os seqüências sonoras e a elas relacionar signiÍìcados. com suas construções (as "realidade".o pensamento. a signiÍìcação não decorre da referência. de realidade. esquecendo-se signos são necessária. que funcionaÌn como que sintetizando a no sentido kantiano do termo "sintetizar"' Devido ao fenômeno da transparência Ìingüística. e este é um ponto bastante conftoveltido. que a reiação entre significante e significado é O que conduz à importante noção de que a língua não se limita a puro serve instrumento d. são as Ìínguas. O senso cornum costuma afumar as palawas são meros sons. completa A Benveniste. que as línguas são limitadas' que o pensamento mais claro e distinto encontra neÌas um obstáculo para explessar-se. uma espécie de código teÌegráÍico. aos signos. sendo problema que cabe ao Íìlósofo resolver. problema. que o significante varia conforme as línguas. ou melhor. isto é. implicaria que se poderiam inventaÏ designotum. Em outras palavras. não deve ser decorrência o dos motivos saussurianos de preserval o caráter cientíÍìco da lingüística.

passando pela ldade Média. e frlzer a análise avançar até os atos de discurso. Seriam ou não as palavras aptas a denominar os conceitos.. da forma. e pouco avançou além dessa consideração. ocorre que esse problema só pode ser equacionado se levarmos em conta justamente o que Saussure apontara como secundário. impede quaìquer tentativa de tratamento científico. a questão de como é possível que a um signo corresponda um objeto. que necessariamente envolve fatores do contexto e da situação. entre a coisa e sua denominação. a pcrole. as interações verbais. simpÌesmente por se traüü de fenômenos variáveis. a intenção. individual e acessório. questão da cientificidade da lingüística (em que pese o fardo de supor ser necessária essa discussão do estatuto epistemológico de . o que for da ordem da Íala e do discurso. tanto pela filosofia da linguagem. Desde platão.I SIGNO I RIÀIIDADT argumentando que ela é uma ciência acerca do sistema. Isto porque o resuÌtado será excÌuir toda uma série de fatores e fenômenos nada seculdários.ciência") e do seu alcance. só assim o problema da relação linguagem/ 3. 37 . das regras que comandam as rínguas (ciência da rangue). ou seja. supra-sensível. denominado de "idéia" ou "conceito". e muito. e por sua vez. os conceitos seriam as imagens mentais ou signos mentais das coisas reais? Saussure Grande parte da filosofia clássica não duvida de que há um mundo real de um lado e o pensamento de outro lado. de fala e os atos mundo receberá tratamento mais satisfatório. há algo "mental". com o que fica evidente a necessidade de sair dos Ìimites do signo e das relações exclusivaúente intra-sígnicas. da estrutura. não só a coisa referida (conototum) como também a fala. como pela lingüística. CoNcErTo E oBIETo diz que o significado corresponde a um conceito. o uso. ou como afirma Saussure. acaba não sendo analisado pela ciência da lilguagem. cujo caráter aleatório. prenhe de conceitos e idéias. Aos filósofos importa. como vere- A mos com chomsky e com as discussões sobre o estatuto da "análise do discurso". Enfim. continua sendo um probrema cruciaÌ.

DO SIGNO ÀO DISCURSO O nominalismo de Occam é uma exceção à tendência generalizada de atribuir aos nomes uma relação direta com os conceitos espelharourepresentararealidad'e. motivam a ação e Íìcaria inÌnteÌigível. Basta então nomeá-los.ede. em si e por si próprios' é pública' E' mais: sujeito. perdura até Kant conhece são os fenômenos' Kant.adiferençaentreumacasa.o da coisa-em-si". como se ouoproblemametafisicoporexcelênciaconsistisseemconheceloque independntemente de um são exatamente os seres.bemacabada'. a realidade não é maquinação ou elucubração 3B . os conceitos de e outra "rústica" reside na coisa em si e daí viriam . são as situações que mental' o conhecimento. Evidentemente. O que possibilita pensar a coisa ou é uma capacidade de signiÍìcar. a linguagem é um fator que é um puro conceito mentaÌ' sécuÌo XIX.omundoexterior'Paraonominalismo' signos que reúnem os conceitos não passam de nomes.. Kant.casa.cabana''queossignosapenastraduziriam?oprobÌema pertinentes para é: exatamente onde no objeto estariam as diferenças que se o nomeie? Realistaseconceptualistaspensamassim:arealidadeüazemsi'discrio problema filosóÍìco' minados. sem algum tipo de semiotização codiÍìcadora. ou melhor.. de sujeitos que falam' A linguagem impossível conhecer Kant. rubricas' simples seres individuais sob encarregados de um nome geral' O "reinad. de verbaÌizar? Diantededoisoumaisobjetosfisicos. contudo.seuslimitesousemelhanças são impostos identificadores provêm exclusivamente deles mesmos' pelareaÌidade?PorexempÌo. já havia mosüado ser do entendimento e da algo em si mesmo: é preciso que as formas puras que' sem essas razão discriminem os fenômenos da reaiidade externa' Hoje diríamos que sem formas. a coisa em sl não é cognoscível. o que se instrumento da sensibiÌidade as coisas tais como eÌas se manifestam pelo as formas e do entendimento. os seres.. preocupa-se apenas com só passa a contar a partir do puras da razáo. como diz Habermas' e do pensamento (172+-1804)' Para que reflete as coisas em conceitos. não passariam de um amonloado caótico' a "reaÌidade" a Ìinguagem. como dissemos acima..

39 . como o famoso exemplo de Putnam. íalar não é relacionar uma coisa com urna paÌawa. até mesmo a mais simples intervenções do homem no mundo seria impraticável. mas relacionar signos entre si. "há um gato no capacho". nem à tarefa pÌatônica da conceptualização. "se"). a mais banal. signo lingüístico é operacionaÌ. como preconiza o estruturaÌismo de vertente saussuriana. como sustentaremos mais adiante nos capítulos III e IV Não se limita à tarefa adâmica da nomeação. por isso é preciso mais de que um código decifrador. "moÌdados" pela linguagem. não está simplesmenre no lugar de aÌgo. longe de instaurar o caos e de representar um empecilho para a propalada aquisição do status de ciência por parte da lingüística. sem a Ìinguagem nomeando. de processo sígnico. enfim. as paÌavras também seïvem para faÌar das coisas. ou não. como saussure mostrou. mais do que uma relação um poï um entre signo e coisa nomeada para que uma frase. que são. os signos não possuem um significado fixo (fixidez essa pressuposta por todos aqueÌes que concebem a Ìinguagem como código de signos etiquetados). ou melhor. recortando. A própria capacidade de nomear ou de denotar não é intrínseca ao signo. discriminando.Ì SÌGNO T RTAÌIDADI Não obstante. Não há um universo lingüístico à parte. tem sido campo fertil para a pesquisa lingüística. sem algum tipo de semiose. A linguagem também depende de fatores externos. E isso por diversas razões: há signos que absolutamente não possuem referente ("não". seja dita e compreendida.. utilizar sentenças que sirvam para referir-se a fatos no mr. situando. enfim. é discutível.ndo. o pensamento é lingüístico. o pensamento não o é um tabernáculo onde os conceitos abstratos são encerrados. esclarecendo. por sua vez. afirmando etc. das Portanto. os signos não são etiquetas das coisas. como se eÌe estivesse ligado por um cordão mágico a seu referente. Contrariamente ao que pensa a tradição filosofica. formular frases. isto é. signos voÌem. designando. se isso se deve ao sistema. mesmo porque a fala.

Em vez de pensar o conceito como imagem abstrata e suporte do significado. ou nuÌn há uma entidade ideal ou uma idéia correspondente ao felino que o signo "gato" nomeia? O conceito serviria de ponte abstrata cogito cartesiano. Eles dão conta desta tarefa? Acreditamos que não há nenhum ganho em pressupor que além dos signos haja entidades mentais. Para que multiplicar entidades? AIém disso. é devem poder traduzir o mais fielmente possível o conceito que express. mais do que ajuda a explicar a referência. Há quem pense que os conceitos são independentes das lín- o caso de BaÌdinger (1980) e de Chomsky (2000). de como com as palawas pretendemos identificar algo ou uma atrapalha 40 . O mesmo conceito pode ser realizado por mais de um signo. a Íìm de que falante e ouyinte se compreendam. seja como conceito mentaÌ. a noção de significado. e paÌa o segundo fazem parte da estrutura inata da mente. afinaÌ a virada lingüística ocorreu. Os significados guas. seja como objeto abstrato. Os conceiros formam um campo ou urn sistema lógico/mental de relações. Dois problemas se põem: os conceitos mentais e universais não seriam uma mera duplicação que apenas sofistica os significados? Pretende-se que os conceitos sejam o meio através do qual se dá a relação entre palawas e coisas. cujas estruturas provêm das diversas línguas. isto é.D() SIGNO AO DISCURSO Um dos diversos problemas a que o exemplo dá margem é justamente o do conceito mental "gato". conceitua certa faceta da realidade através de significações (traços que compõem o significado). entre signo e coisa? A tradição platônico-cartesiana perdeu força na modernidade. o problema da referência. que expressam apropriadamente este ou aquele significado pertencente ao sistema da língua. para o primeiro. Num suposto uliverso platônico. motivado pela situação.Ìm. EIes funcionam no interior do esquema de comunicação/compreensão de expressões lingüísticas da segúnte forma: um Íalante. há quem afirme o conceito como o próprio conteúdo das formas lingüísticas. a modernidade experimenta um processo de arejamento no céu platônico e no cogito cartesiano. mas as ultrapassam.

O nível da frase é o nível superior para as semânticas de cunho estrutural e representa o limite da Iíngua como sistema de signos. A semântica do signo limita-se ao estudo dos traços que compõem o significado. É tro ponto de interseção entre as cadeias sintagmáticas e paradigmáticas que o signo recebe signiÍìcado. horizontais. isto é. 4. uma substância. realizam essa mágica. conforme se leve em consideração seja apenas a língua. porém "cheguemos e ou" é anômala. de acordo com as regras fonológicas. como saber se o conceito é apropriado à coisa? A lingüística estrutural não tem meios de mostrar qual seja a natureza dessa relação e nem pretende tê-Ìos. cuja expressão é o o discur- discurso". signiÍìcante e significado são os dois lados da mesma moeda. e relações paradigmáticas entre elementos que podem . sintáticas e semân- A frase "nós cheguemos tarde" é uma frase de alguns idioletos da língua portuguesa. Essa é uma contribuição valiosa da lingüística para lodas os Íìlósofos da linguagem cujos pressupostos sejam pós-metafisicos. diz Benveniste (1966: 130). entre os elementos que regem a construção de vir a ocupar o lugar nrtual de cada signo. Para Saussure. diferentes teorias semânticas.I SIGNO T RIÀLIDÀDI situação para aÌguém e somos bem-sucedidos nessa empreitada. que é a frase gramaticalmente bem construída. que é o fonema. provavelmente ticas. servindo apenas como exemplo. espelhados em significados Iingüísticos. Por último. até a maior unidade significativa. em substituições verticais. A língua prevê relações sintagmáticas. nada ga- nha com a pressuposição de que os conceitos. o da língua como instrumento de comunicação. Daí derivam. "entramos num outro universo. O signiÍìcado frases. ou o par língua/fala. Se tivesse essa pretensão acabaria por abrir mão justamente da noção de que signo é valor e não uma entidade em si. Os LrMrrEs DA sEMÂNTICA A lingüística estuda desde a menor unidade significativa. ou ainda so. A partir daí. jamais será dita.

. Quaado aÌguém diz "vamos!". ocupação virtual de posição de signos que estão na memória de cada falante). excluindo dados do contexto. "as garotas" (subs- tituição vertical. sinonímias. como "as gurias". Evidentemente. O problema para a semântica é delimitar seu nível superior.. Por isso Katz e Fodor circunscrevem a semân- tica à capacidade que tem o falante de detectar ambigüidades. pode mudar conforme as circunstâncias da fala. Devido a sua competência lingüística. e do fato de poder ser substituído pelos signos associados a ele. aplicando tão-somente regras gramaticais. o valor de cada signo. são geradas todas e apenas aquelas frases da língua. Diz Saussure: Nossa memória tem de reserva todos os tipos de sintagmas mais ou menos complexos. este Íìgura por um lado na série "vai!" e "vão!". o falante produz e reconhece frases já ouvidas e/ou ditas. Num nível profundo. associada num primeiro momento às teses de Chomsky sobre a geração de toda e qualquer frase de uma língua pela competência verbal. bem como frases novas. por outro lado. "comamos!" etc. e outras oposições serão necessárias para fazer aparecer um outro valor (1975: 151). e é a oposição de "vamosl" com essas formas que determina a escolha. o significado de "as meninas" provém da posição sujeito e da fi-rnção nominal.) Em o que é preciso variar para obter a diferenciação própria da unidade buscada. "vamos!" evoca a série "subamos!". seria preciso construir uma teoria que pudesse dar conta desse imenso universo do falante e das inumeráveis e variáveis situações de fala. e. mas o estudo propriamente lingüístico deve aler-se àquilo que o sistema da Iíngua permite formular através do jogo combinatório das regras de articulação dos signos no interior das frases. por estarem fora do limite superior da descrição semântica. "elas". Mude-se a idéia a exprimir. de qualquer espécie ou extensão que possam ter. Ao levar-se em conta o contexto da Íala para selecionar o significado de uma frase.DO SIGN() À() DISCURSO depende da posição que meninas atravessaram o signo ocupa e da função que exerce. cada série sabemos Igualmente tendo como limite a frase estruturada. (. no momento de empregá-los. juntarnente com seu significado. anomalias. adota a noção chomskiana de produtividade. Em "as a rua". a semântica componencial de Katz e Fodor. Como +2 I . fazemos intervir os grupos associativos para fixar nossa esco- lha.

são que sinonímia.I SÌGNO I RT'qIIDÀDT Chomsky restringiu-se à sintaxe. com Para saber se "bochelor". Trata-se de uma teoria semântica que pouco avança com reração à noção de campo semântico. marcadores semânticos que fornecem informação semântica (humano. distinguidores que especificam o item lexical com relação a sinônimos. os signos. o que não está previsto no dicionário da semântica componencial. as restrições de seleção decorrem da fala e do contexto. o problema da relação entre significação e referência. é que permite o efeito pessoa.). onde também importam os traços distinguidores e a circunscrição de um limite. como desejado. verbo). AÌém disso. as definições nada mais o que permanece insolúvel o caso das conotações que envolvem itens derivados de subcodigos. E mais: para usar adequadamente os distinguidores. Apesar do esforço para evitar o apelo à situação de discurso. De outro modo. animal. xingar aÌguém com "você é uma portal" seria ininteligível por ferir a restrição de seleção para a qual "porta" é objeto fisico e por isso não pode ser atribuído a uma A associação do significado de "porta" a algo inerte. aré meados da década de 19g0. objeto etc. macho. Katz e Fodor é que empreenderam uma tentativa de dar conta da semântica. restrições de seleção que fecham a descrição semântica das ocorrências conforme a apropriação do uso. informação sintática (nome. Daí a pergunra: a língua (lcngue) ou a comperência do faÌante bastam para dar conta do significado? são suficientes para dar conta de como 43 . Seus componen- um dicionário contendo os itens lexicais. designa homem jovem solteiro ou foca na época do acasalamento. como observa Lopes no famoso exemplo de Katz e Fodor. ficando de lado a frase dita em situação. é preciso já se ter em mente o item escolhido. regras de projeção que dizem como cada item do dicionário pode ser integrado para formar as tes são: frases. por entender que a semântica não pertence ao terreno das sólidas conquistas da ciência (no capítulo IV voltaremos a essa questão). a escolha entre o distinguidor "solteiro" e "animal jovem foca sem parceiro na época de acasalar" pressupõe que se conhece antecipadamente aquilo que se quis explicar ou significar (Lopes: 1977). o falante. adjetivo. (1977).

não há uma relação um por um entre signo e rearidade. que consideramos fundamental para explicar o significado e compreender o problema da referência. a própria intenção significativa fica arterada (nos próximos capítulos retomamos o problema da fixação do referente). o que pode ser considerado um pleito justo. ao mesmo tempo. deixar o problema da referência para o filósofo resolver. o que dá margem a interrogações que ficam suspensas: se as dicotomias língua/Íara. da cria um impasse. a expressibilidade. por um lado. o apelo ao ouvinte. se. como é o caso das várias Íacetas da linguagem. que.. uma vez que o universo lingüístico não é um universo à parte e. deixa-se intocado o problema filosófico da referência sob o pretexto de que a realidade e a relação de referência extrapolam o limite do propriamente lingüístico. lidar com as conotações. arnarrar a linguagem à reÌação um por Ì. a retórica. a língua semiotiza a realidade. e a sua função na caracterização dos marcadores semânticos e na configuração dos campos semânticos.entre signo e realidade implica emascular a linguagem da força Essa situação que ultrapassa a simples nomeação. o jogo com metáforas. mas insuficientes por deixarem de lado a peúormonce verbal. com o dizer situado. é uma atitude que peca pela incongruência: dificilmente a semântica consegue evitar o apelo ao extralingüístico. o falante reÌaciona signos entre si).D() SIGNO ÀO DISCUÌìSO operar com itens lexicais no interior de códigos. ou até mesmo. no fundo. No enta'to. nas quais. tais como a função designativa. a argumentação. não passam de análises do tipo competência/pertormance.. como ao reaÌidade (situação de fala) para dar valor semântico a certas frases. distinguir entre significação e denotação é um dos saldos positivos da herança estruturalista (como úmos. gostaríamos de evitar que a discussão desembocasse na disputa bizantina: há ou não sentido literar? ou nas soruções que separam o componente lingüístico do componente retórico. competência/pertormonce se sustentam. como no caso acima apontado dos distinguidores. limi++ . por outro. se não for possível identificar o referente que o falante tem em vista ao usar tal signo. ao mesmo tempo. as conotaçôes etc. recorre-se "teste.

o significado do qual ela é o suporte mate- rial. fora do campo da lingüística. Mas. o estado de coisa muda.IDÀDÌ tam-se à distinção saussuriana língua/fala. Desse modo. objeto ou ente aos quais o signo teria de corresponder para que o sentido se efetivasse. AIiás. isto é. aquele dos signos e suas 45 . aquilo que os falantes estão aptos a formular e compreender através dos diversos processos signiÍìcativos. contém não-ser. os filósofos já haúam percebido a necessidade de distinguir a expressão verbal. como "os homens são mortais". segundo Jakobson. Se significado for o concei- to aderido a um significante.I SIGNO I RIÀI. ao ser empregado. que. quando ütos. a que ou a quem pode referir. o patamar estrutural. A função designativa ou referencial. Designa-se. entre eles. assumem o papel de enunciados. pois. ampliar a semântica para dar conta de dois fatores: intensão de um termo. um termo mostrará sua extensão. algo é dito num contexto verbal sem a necessidade da correlação imediata com a ocorrência de uma situação. é passageiro. então a relação acima fica. Por isso mesmo. situação intencionada lingüístico. que se. antes dele. e a de todos os entes a que um signo pode referir- por integrar certas possibilidades em sua intensão que. ao ser verbalizadas. enfatiza o contexto. remete-se com o signo a uma ou experimentada e nesta operação o que se transmite. o significado difere do referente. Mesmo termos isolados. o mais versátil e freqüente. que abordaremos no próximo capítulo. por exemplo. Já a idéia da coisa permanece. Nada muito diferente da tese de Frege. evidentemente. que são as propriedades que extensão. nem é um signo. se revestem de determinado significado. mas uma mensagem veiculada por meio de signos. propositadamente. Não é o termo isolado que refere e sim as expressões que tomam a forma de juízos. É a éa classe o cfucunscrevem. o processo verbal. As expressões são associadas a propriedades. É preciso. o problema da relação entre signo e realidade depende da postura com relação a significado e referência. Ocorre por meio da verbalização de um daignotum e não de um denototum. Como observa Umberto Eco. é um signo e não um objeto. e o estado de coisa. o logos é distinto dos seres individuais. Para Platão.

Peirce resolve o impasse de Saussure: se o signo nao retira sua signiÍicação da denotação. ou que supõe. como mosüa- rarn. ou uma influência. cabe perguntar se não há. o processo semiose). efeitos provocados no ouvinte. a cooperação de três sujeitos. é preciso sair dos lirnites exdusivarnente estïutüais da língua. que são o signo. Pr€selv€ as conüibúções produtivas do esÚu- turüsmo de vertente saussuriana (a capacidade designadora. depende d. situações discursivas. aliás. apêndices. a lógica e a semiótica experimentaram. como fica.1. O esquemo tiangulcr de A ÍìlosoÍìa da linguagem. nela e por ela que uma culnra úve. cristaìizado numa espécie de dicionário. a relação das paÌal'ras com o mundo? Afinal a linguagem não é um jogo solitário e auto-suficiente' 5. seiam considerados todos eles como secund. isto é. seu objeto e seu interpretante. uma contribuição mais satisfatória para a compreensão da relação signo/ realidade que. em 46 . A pragmática vem a ser o horizonte teórico. Peirce partiu de um esquema triangular muito diferente do de Saussure (a quem.arios. com esse filósofo do pragmatismo norte-americano. não conheceu): a relação de semiose designa uma ação. Apenas uma concepção sem peias para acolher produtivamente rìma direSo pragmática pode satisfazer essas exigências. A CONTRIBUIçÃO DE PEIRCE Peirce 5. Ocorre que a língua não é. Uma das vantagens desse enfoque é eútar o mito da monossemia. se ele não está simplesmen- te no lugar de algo. ao mesmo tempo. É nela que o pensamento habita' É Nesta alnlla da discussão. quer dizer. uhmtea questão da denotação e evite as de limitações teóricas da semân- tica restrita às noções de campo semântico e de análise componencial. pressupostos. de que o significado esteja pronto. por exemplo. Sapir e Whorf um código lransmissor de informações.DO SIGNO ÀO DISCURSO combinações. Esta relação ternária de influência não pode. derivações. recursos pragmáticos. então. um impulso inovador. implicaturas.o discurso e não da frase gramatical. que é. na esfera da semiótica. e que a produção de sentidos diversos mediante conotaçóes.

o da secundidade. produzindo as diversas experiências. A ação no mundo precisa levar em conta o passado. seja por similaridade. não somente dois (Bougnoux. que opõe resistência. seu objeto (não somente a coisa ou a situação. a realidade obrigando a reconhecer algo fora. tais corno. o signo pertence a esse nível. tudo o que pode ser. completos em si. Ìiberdade.I SIGNO I RTÀLIDÀDI nenhum caso. TRANSUAçÃO' ocorre mediação ou modificação da primeiridade e da secundidade pela terceiridade. esplIrar nesse momento. euando um homem presenteia uma muÌhea há o ato mecârÌico de ennega. ter Peirce pergunta pelo que ocorre na no sécuÌo passado na Terra e não em Marte. conhecimento científico depende do fururo. esforça-se para abrir. A ser maior do que B. úda. aÌgo +7 . os fenômenos simples e liwes. No nível da primeiridade. através de processos comunicativos. oBsIsrÊNcIA: ocorre pelo contato com alguma ouÍa coisa que obriga a uma modificação. seja por diferença. rem-se a noüdade. representa algo paru a idéia que provoca ou modifica. ou seja. úda. que são as coisas fora de quaÌquer suporte ou de relação referencial. numa ação governada pela razão. 2000: 55). caráter tríplice dessa ação reside na intenna ação mental. a reações. o futuro se apresenta nas formas mentais. como na pergunta sobre o resultado da variação provocada num dado aspecto de um fenômeno. evitando a pergunta metafisica sobre o fundamento. A secundidade caracteriza-se pelo aspecto relacional. o homem trabalha com rxna capacidade ou poder divinatório (ainda que potencial) de fazer suposições. o ORIGINATIDADE: designa o ser ral como ele é. intenções e expectativas. mas o modo de apÌicar o signo) isto é. que opeïam nouÍo nível. pois está reÌacionado a aÌgo fora dele. a emissão de sons e o o objeto sendo pego pela muÌher. SigniÍìcar supõe aqui três termos. como nos conflitos. o rúdo das teclas do computador. em nível primário. é veículo para comunicar à mente aÌgo exterior. reage. Daí Peirce propor as seguhtes características: So. Se alguém torce uma maçaneta para entrar. reduzir-se a ação entre pares. Já em nascido ouno nível. cria mediações genuínas. porém encontra resistência. Trata-se de uma situação de relação mútua. Por exemplo. o mundo mesmo contém apenas o que Peirce chama de "primeiridade".

algo conhecido e que tenha existido ou que se espera existir. mas que possui um segundo objeto. O exemplo é de Peirce: acordo de manhã. medidas. o interpretante. Ás aês categoúcs do signo Não há uma ordem cronológica ou lógica entre índice. ser torta deliciosa. Como a significação de uma representação é outra representação. ou conjunto. interpreta uma idéia a que os signos dão lugar. infinidade. conforme explica Eco. Uma operação leva a outra. 4B . as famosas distinções do signo peircianas. para essa pessoa saber a que está se referindo.tm signo cujo objeto imediato é o tempo naquela ocasião. relações. e assim por diante. o signo provoca a ftm de comunicar urna O interpretante é um outro signo e também. Se alguém aponta algo para uma pessoa. é preciso escolher as maçãs e aplicar aqueles requisitos para que a torta atinja o padrão de qualidade desejado. não vem solta. um comportamento. inteligência.2. tem-se uma série infinita. ícone e sim- bolo. por exemplo. generaliza a partir do momento em que segue a receita com seus passos e regras costumeiros. a idéia que significação. uma qualidade. como um saber constituído. a sensação que presrrmivelmente tive ao oÌhar pela janela.D() $GNO AO DISCURSO é representado. partes de um conjunto. é preciso que os "referenciais" possam ser reconhecidos. mas é uma qualidade que ocoïre em mim. Se alguém vai fazer uma torta de maçã. que permite ligar o signo a um objeto. Essas relações são intermediadas por um terceiro termo. como uma torta de maçã que precisa ser feita com maçãs frescas. objeto de experiência. nem muito doces e nem muito azedas etc. Para taÌ. crescimento. ingredientes. Os objetos podem ser fatos. O interpretante pode também ser uma ação. difusão. O código para Peirce funciona como uma leitura. 5. continuidade. ou seja. Por isso não se deve confi-rndir o interpretante com o receptor do signo. mas não inteiramence e sim com respeito a uma qualidade ou aspecto. esposa. E essa quaÌidade. a que Eco chama de semiose infinito. antes de minha logo pergunta: "Como está o dia hoje?" É . que Pertencem à terceiridade as idéias de generaÌidade. infilitamente.

Porém. seja um signo degenerado em grau mais aÌto é um ícone. não provoca a necessidade de distinguir o signo de sua designação. uma relação obsistente com o original. e por isso mesmo. explica Bougnoux (2000: 206). A 49 . sem a mediação de intenção mentaÌ. ExempliÍìca Peirce: Vejo um homem que anda gingando. tendo uma qualidade em comum com o objeto e sendo modiÍìcado pelo objeto. Tudo o que nos surpreende é um índice na medida em que assinala a junção entre duas porções da experiência (Peirce. não realiza corte semiótico algum. que facilitam e encarninham os conteúdos da comunicação. pois a significação de seu objeto deve-se a um relação genuína com ele. pois não representa a coisa. sem levar em conta o interpretante ou o código. enquanto me mostram como outra pessoa provavelmente agiria (1977: 28). Uma batida na porta é um índice. portanto. na entonação. únculos diretos nas relações de comunicação. como o sintoma médico. aliás)". Assim é que um retrato de aÌguém que eu não conheço é convincenre. Corte semiótico implica a "distância" entre o mundo exterior ou mundo reaÌ dos objetos designados e o signo. afetado realmente pela coisa. tendo. não se trata de um ícone perfeito.. que o mundo está separado do signo. Peirce exemplifica: Já É o c"so de como eu agiria em certas circunstâncias. O índice refere-se ao objeto que denota por ser afetado por ele. Isso é uma indicaçâo provável de que um marhheiro. mas as manifesta com sua üvacidade própria. os índices não precisam levar em conta o corte semiótico. Pelo retrato forma-se uma idéia da pessoa que ele representa. Por exemplo. Elas provocam um desengate mais nítido entre signo e coisa nomeada.. Dada sua natureza dpica. 1977 67). isto é. Um quadrante solar ou um relógio indicom a hora. nos olhares. Trata-se de um signo "degenerado". nos gestos.. caso das imagens. Serve para estabelecer contato. com a face da pessoa. Assim é que "a palavra'cão' não morde (nem sua imagem. visto ser obra de um fotógrafo.I SI(]NO T RIATIDÀDI O ÍruUCn é um fragmento retirado da coisa. a batida na porta caracte- rística de alguém querendo entrar é indicial. significam apenas pela qualidade da semelhança..

A partir de duas fotografias. por hábito ou o sÍMBoto como vimos em Saussure. outras verdades podem ser descobertas além das que determinam sua construção. o símbolo se constitui como signo por ser usado e compreendido como tal. Pelo ícone. o signo é um ícone quando se refere ao objeto que esse signo denota pelos caracteres do próprio signo. Não há sÍmbolo sem interpretante. e não um índice.o. Entre um sinal rodoviário de curva perigosa e a curva que se tem de percorrer vai uma enoïme distância que a semiotização do muldo anula e ao mesmo tempo reconstrói. é a imagem menral.DO SIGNO ÀO DISCURSO noção de semelhança não é tão simples quanto parece à primeira vista. de construções arquitetônicas. é um signo que se refere ao objeto que denora devido a uma "lei". tem caráter arbitrário. No caso da foto de identidade. o ícone não é a imagem externa. uma coisa é ícone de outra quando houver uma semelhança e essa outra Assim. É como se algo pudesse ser substituído por outro que com ele se assemelhe. a relação estabelecida enrre um simples pedaço de papel brilhante contendo certas manchas e a identificação do rosto de alguém demanda toda uma série de relações e ilações levadas a cabo por uma percepção resultante da cultura. Mas se alguém explica que baÌão é algo como pela compreensão dessa significação. propriamente dita. o gesto funciona como indicador. pois quaÌquer elocução de um discurso significa apenas convenS. da educação. a imagem cria neste caso. Quando há uma conexão fisica entre a pessoa e sua fotografia. pode-se desenhar um mapa. observando-se um ícone. no caso de formulas algébricas. coisa for utilizada como signo. o símbolo pode ser constituído por rÌm índice. um símbolo. Idem no caso de um desenho de uma estátua. uma idéia pode ser diretamente comunicada. de peças de decoração etc. uma imagem de algo ou um diagrama podem ser icônicos. s0 . Traços são recolhidos e analisados num material diverso daquele do fenômeno representado. imitação dos objetos. quer o objeto exista ou não. um círculo. como quando alguém üz: "Lá está um balão" e aponta para ele. tem-se um ícone. a uma associação de idéias que leva o símbolo a ser interpretado como referindo àquele objeto. a uma regra de leitura.

Diz Peirce: Ao signo assim criado denomino nterpretonte do primeiro signo. Representa esse objeto não em todos os seus aspectos. todo signo determina um interpretante. na mente do ouvinte. Dirige-se a alguém. cria na mente dessa pessoa um signo equivalente ou talvez mais desenvolvido. como palawas. rrna sucessão de sons como g-a-t-o faz corn que suas réplicas sejam interpretadas como signiÍìcando "gato". Quando se pergunta pelo que é necessário para que os signos possam aplicar-se a qualquer objeto. do símbolo diz que no funuo aqueles sons devem obedecer à mesma descrição.I SIGNO I RIATIDÀ}I Um signo genuíno é um signo transuacional ou símbolo. isto é. O signo representa alguma coisa. signos correspondentes. frases. Assirn. é aquilo que sob certo aspecto ou modo representa algo para alguém. ou representomen. que eu chamei fundomento Idéia aqui deve ser tomada no sentido em que dizemos que alguém pensa ou relembra o que estava pensando. um signo. trata-se do terreno da gramática pura. Toda emissão discursiva é um signo genuíno. e possam ser verdadeiros. Assim. ou representamen. ou melhor. mas com referência a um tipo de idéia. está ligado ao fundamento. descrição. Em suma. Na retórica. que é tambem um signo. pois a palavra em si não tem existência. como dissemos. AÍìrma Peirce (1977: 29): As palawas só representam os objetos que representam e signiÍìcam as qualidades que signiÍìcam porque vão determinar. seu objeto. Quando se enfoca o que é verdadeiro quanto ao representamen usado de modo a incorporar um signo. O que escrevemos ou pronunciamos não passa de répÌicas. Pelo hábito ou lei adquirida. tem-se a Ìógica. . seja a índices. o signo. ao objeto e ao interpretante. seu ser consiste em que os falantes a ela se conformem. O representamen é uma regïa que determina seu interpretante. pois. Os sons inicialmente reportaya-rn-se seja a ícones. O interpretaÍìte que também deve obedecer àquela do representamen (1977: 46). Iivros e signos convencionais que são símbolos. depende de um interpretante para ser compreendido. estuda-se como urn signo acarreta outro. mas esse caráter se perdeu com o signo-palawa.

pala Peirce. Evidentemente há fenômenos externos. não deve ser pÌrra e simplesmente confundido com os objetos fisicos. ïoda cognição está em constante mudança. só pensamos com signos..... uma vez que também se pode tratar de algo imaginário. portanto. quando se pensa. Todo pensamento é um signo. necessariamente existir em signos (1980: 68). um signo ampliado por uma explicação mais ampla. euem afirma "Aristóteles é homem. é a partir de ou- nos símbolos que um novo símbolo pode surgir . especialmente dos ícones ou dos signos que são icônicos e também simbólicos. o próprio pensamento surge como signo.. isto é. A consciência ou sensação demanda uma imagem. Assim. pensou também que todos os homens são ÍaÌíveis. Para Peirce. porém. os símbolos são constituídos pelo desenvolvimento de outros signos.DO SIGN() ÀO DISCURS() O signo relaciona-se com o objeto que. O significado ou o objeto de um símbolo denotc algo e significa uma generalidade ao mesmo tempo. explica Peirce. Se alguém cria um novo símbolo. (. deve haver uma explicação. o momento passado requer uma série infinita de momentos e precisa ser interpretado em outro pensamento. uma concepção. Segundo Peirce. ou outra representação servindo de signo. Todo pensamento vem de ter havido outro pensamen- to. denomi- nam-se conceitos suas partes-símbolo. dirige-se ao outro. Uma vez existindo. espalhase entre as pessoas. No uso e na prática seu signiÍìcado cresce (1977:26).. poïranto é falível". (. Estes signos mentais são de natureza mista. quer dizer. que será também outro signo. Para que um signo represente o objeto ou o conjunto de objetos.) signo sob algum aspecto ou quaÌidade que o liga a seu objero (1980: 73). Daí a noção peirciana de semiose infinita. Todo pensamento deve. ele o faz por meio de pensamentos que envolvem conceitos.) signo para algum objeto que se lhe equivale nesse pensamento. o úlico pensamento que se pode conhecer é o pensamento em signo. acrescentando: 52 . Signo para algum pensamento que o interpreta. acontecendo em termos de signos.

a lógica que é um signo indicador do objero que denora Ìrna situação acerca da qual crgummto é signo porque representa e determina o interpretante. determina-se Íila. por exemplo. as condições de verdade do símbolo e dos outros signos com relação aos seus objetos. chegase a urna certa conclusão e passa-se a outo tema ou assunto. A Ìógica crítica esruda as condições de referência. Entre ele e o dado experimental da segunda premissa. os argumentos originários são as abduções. fato afirmado na primeira premissa é o elemento codificado que já se conhece. ou seja. o pensamento pensado no pensamento seguinte. ou seja. ou seja. Para Peirce. não há uma relação de contigüidade. como as demonstrações de Euclides. o que ele chama de objeto imediato da consciência no pensamento. pelos quais os fatos representados nas premissas precisam seï apresentados na conclusão. A lógica gramatical especuÌativa é a doutrina dos símbolos e outros signos que têm caráter significante. Os signos podem ser: um termo que deixa seu objeto. que é também um signo.3. SIGNO T RIATIDADI o signo-pensamento Esta perspectiva é representa o objeto na perspectiva sob a qual o pensa. provavelmente provêm deste saco". Finalmente a Ìógica transuacional estuda as condições gerais de referência dos símbolos e outros signos aos interpretantes que eÌes querem determinar. segue-se que um signo sempre remete a outro. o termo recebe uma certa significação. também chamado de condusão. como todo signo determina um interpretante. ao qual serve de signo. portanto. seu interpretante ser aquilo que pode ser. estes felloes são brancos. e. e deixa o interpretante liwe.I. em que os fatos os apresentados nas premissas precisam ser apresentados na conclusão e po- dem ser verdadeiros sem que a conclusão o seja. Á semiótico como lógico dos signos é a ciência dos signos. portanto. rìm Há argumentos dedutivos. A abdução toma como hipótese uma coneJJ Fr) o . 5. uma se proposiç0o. nurna conversa. Exemplo: "Todos feilões deste saco são brancos.

e representação pura e simples entre enunciado superada pela concepção de Peirce' s4 . se o caso em foco é resultado ou não da regra aplicada.umcientista.ConhecerparaPeirceérelacionaredassiÍìcarpormeio podem constituir de signos. esta pode ser o ou contexto quadro referencial de uma língua.. isto é' por uma espécie de de aprender com a experiência" (1977: 45)' constituem uma um quadro ou abstração junto com a observação' Depois de esboçado deduzir' ou ainda' esquema. os fatos constituem um ícone porque pretendemleplesental. sendo da língua itaÌiana' Pela contemplaria a hipótese da língua inglesa e o segundo' abdução. e tenta-se apÌicá-Ìo aos signos' Como se vê' a Essa dequeopensamentoespelhaarealidadeeatraduznalinguagem.tenta-seempregarrlrrìsistemaderegrasdesigniÍìcaçãopeÌasquais umsignoadquiriráseuprópriosignificado'explicaEco(1981:118-121)'Na têm semelhança com o que abdução. assim se entende por que os fatos na abdução umahipotese.Porexemplo. sempre suieita a revisões futuras. O pragmatismo de Peirce faz-se . se dão os fatos' ousa supor semelhanças pelas quais explicará como anterior o argumento indutlvo provém de uma abdução ou hipótese ou não a e de predições dedutivas.aolançarhipótesesexplicativas.relação e fato' é inteiramente d.DO SIGNO AO DISCURSO não são provadas' xão física anterior e uma relação de causa e efeito que o fragmento de uma Tudo se passa como se alguém estivesse examinando conectado ao fragmento carta onde se Iê "cone" e tivesse de decidir se está que o primeiro onde se lê"sugor" ou a outro onde se Ìê"e gotto". simpÌesmente' a semiótica' notar quando ele diz que geraÌ dos signos. os indícios circunstanciais de abdução. eles são empregados para compreender ou habituaÌ suposição abduzir. Após a experimentação' confirma-se Já É preciso analisar verdade da hipotese. Eles conduzem à interpretação d.e uma regra de signiÍìcação pelas representa a tentativa ousada de um sistema de regras quais o signo adquire seu signiÍìcado' doutrina Ìógica de que faia Peirce é. A abdução de fala.o que devem ser oS Calacteres de todos os signos uti_ as aÍìrmações sobre inteligência capaz iizados por uma inteligência'cientíÍìca'.

por sua rrez. Este. é apenas meio (sofrível. como bem mostrou o estruturalismo e antes dele a concepção peirciana de signo. o sujeito não é o centro da atividade lingüística. não passa. pelo contrário. através dos signos. A reÌação entre signo e coisa não é a de uma adequação representativa direta. objeto é objeto para um signo-pensamento. Estabelecido o óbvio corte semiótico (o signo não é a coisa. Há interlocutores situados. não há para Peirce o sujeito com sua mente como se fosse uma substância plena de representações. que é. não há uma mente funcionando como um receptáculo contendo pensamentos que represen- tam coisas ou estado de coisa. supor uma ruridade [ranscendental do sujeito que se abre para o muldo ou pela qual o mundo se abre. Como o signo não é algo que serve à mente. pois ele só faz sentido na medida em que serve de objeto para um signo que o interpreta. nem está no lugar da coisa). se refere. usar signos 55 . nem é uma relação de pura exterioridade. é considerado como pura representação das coisas tais como elas sõo nc reolidade. e apontam numa direção que iremos explorar. cujo conteúdo vem da idéia que repïesenta as coisas. diga-se de passagem) para significar o pensamento. ao passo que a linguagem.IDÀDT É aificit avaliar todas as conseqüências da contribuição de peirce ao problema da referência e da signiÍìcação.I SÌ(ìNO T RTÀ]./pensamento para representar a realidade/objeto. designando. Para Peirce. Peirce critica a concepção ingênua de que o signo é a marca ou etiqueta de um objeto. Ora. é na atividade lingüística que há intersubjetividade. é no signo. o próprio pensamento é sígnico. e de que a linguagem funciona apenas nomeando. Levando-se em conta que. pode-se supor que não é a chamada "realidade" em si que é representada. Se o signo leva à interpretação. o pensamenlo interpreta o outro que lhe serve de signo. A mente do sujeito não é uma mente pensante de estilo cartesiano. segundo Eco. "captando" o objeto através do puro pensamento. resta o problema de como se estabelece a relação entre a significação lingüística e aquilo que com ela se designa. para Peirce. outro signo. ou como se diz. mas algumas delas saltam à vista. de ficção. e o se nomeia. por sua vez.

a Iinguagem é o lugar onde emergem as signiÍicações.urdo da vida compartilhado intersubjetivamente (1997: 3 1-32). de acordo com Habermas. todas elas são abaladas pela semiótica de Peirce. como diz Eco. s6 . o que mosÍa a atualidade de suas idéias. inferência. interior e exterior. a concepção de uma subjetividade reinando solitariamente ou de uma razão soberana como queïia Kant. lógica e retórica estão interrelacionadas em suas múltiplas funções. A linguagem "semioriza" a realidade. mostra que gramática. sistemas de significação.ìr. processos de comunicação. Linguagem/pensamento nada mais é do que a ação humana constitutiva da realidade. e dos limites da relação do sujeito que conhece confrontando suas representações em face do objeto conhecido leva a pens. no interior de um mr.D() SIGNO ÀO DISCURS() implica interpretação. evita o logocentrismo do estruturalismo (análise exclusiva dos signos verbais) ampliando a linguagem para aÌém da Iinguagem verbal. que somos semiose em ato. cujos membros se entendem entre si sobre algo no mundo. a concepção de realidade objetiva em si. critica a noção de sujeito como cogito ou mente. É possível inclusive aÍirmar com Peirce que a palawa usada pelo homem é o próprio homem. O pragmatismo de Peirce conduz ao patarnar da pragmática. A concepção metafisica de uma reÌação dual entre sujeito e objeto. que o mr:ldo como síntese de possíveis fatos só se constitui para uma comulidade de interpretação. da tradição empirista. Sair dos ÌÍmites impostos pela estrutura da língua. Peirce mostra que não há pensamento sem lÍnguagem. vista como um sistema funcionando em si e por si. abdução. A linguagem não é um simples código de informações de mensagens cifradas a serem decifradas pela relação denotativa signo/referente.