2 HISTÓRICO

2.1 O surgimento da liberdade religiosa nas Constituições Federais do Brasil.

Ruy Barbosa, citado por Fernando Lima (http://jus.com.br/revista/texto/2320) nos diz que entre as liberdades sociais, nenhuma é tão congenial ao homem, e tão nobre, e tão frutificativa, e tão civilizadora, e tão pacífica, e tão filha do Evangelho, como a liberdade religiosa." No Brasil, até 1890, o legislador constituinte intitulou que o catolicismo era a religião adotada como oficial. Assim, preconizava o artigo 5º da Constituição Federal de 1824, confirmando a existência do padroado no Brasil: “A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto domestico, ou particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior do Templo”.(sic)

Para melhor desenvolvimento do trabalho, insta trazer ponderações a respeito do padroado. Segundo explicações do site Glossário de história da Universidade Unicamp (//www.histedbr.fae.unicamp.br), o padroado versava na obtenção de privilégios e direitos, tendo a coroa real como guardiã das missões eclesiásticas na África, na Ásia e no Brasil. Assim, a monarquia interferia diretamente nas atividades do Clero. No período Colonial e no período Imperial, este na figura de D. Pedro II, a Igreja padecia de controle político rígido, onde os

a partir do período denominado questões religiosas.” 1 (Estado) do poder religioso. efetivou a separação entre o Estado e a Igreja. subvencionar ou embaraçar o exercício de cultos religiosos. ministrada no curso de pós-graduação lato sensu televirtual em Direito Tributário. no artigo 11º.representantes eclesiásticos. como à União: estabelecer. onde se passou a proibir a intervenção estatal em matéria religiosa. no capítulo sobre instituições religiosas afirma que: “ Esta liberdade foi uma conquista importante da humanidade que permitiu a convivência de múltiplas manifestações da fé ou espiritualidade e separa. Imunidade tributária para impostos: entidades assistenciais e religiosas ( art. em Imunidades Tributárias para Impostos: entidades assistenciais e religiosas1. o Vaticano passou a condenar e impor doutrinas rígidas com relação às sociedades secretas. no artigo 72 § 7º. A partir de então. O texto constitucional de 1891. bem como o direito de se associarem para este fim e principalmente a possibilidade de adquirir bens. “b” e “c” da CF/88. o poder político se o modelo de Estado Laico. Marlene Kempfer.UNIDERP/LFG . rezava que : „é vedado aos Estados. estabelecia-se o conflito entre Igreja Católica e Império. inclusive na suspensão e condenação de vários padres e bispos. Material da 7ª aula da disciplina Sistema Constitucional Tributário: Princípios e Imunidades. surgia grande divergência uma vez que a maioria dos políticos importantes do Império integravam a Maçonaria.§ 3º passou a garantir o direito ao exercício público e livre da prática de cultos religiosos. acatassem as ordens gerais. a laicização do Estado Brasileiro. que se operou entre 1870 a 1875. A Carta Magna ainda. confirmando o que se destacava no Decreto 119-A de 07 de janeiro de 1890. definitivamente. consagrando a plena liberdade de cultos e extinguindo o padroado. nomeava os representantes religiosos. no artigo 72. Marlene Kempfer. Surgia então. o que ocasionou. VI. Somente com a Constituição de 1891. De acordo com mesmo site. em troca de pagamento de pecúnia. Embora os padres do Brasil. consolidando- BASSOLI. 150.

que a Constituição de 1946. deixou de inovar sobre o tema em apreço. sem rebuço. posteriormente englobada pela Emenda Constitucional nº 1/1969. 141. De se ressaltar. substancialmente destacaram a liberdade religiosa trazida pelo texto constitucional anterior.As Constituições que se seguiram. Da mesma forma. enxergar –se a incondicional abordagem da liberdade religiosa na Carta Magna de 1937. que após a Emenda Constitucional 01/69. Almeida ( 2011. desde que não contravenham à ordem pública e aos bons costume. seguida pela Constituição de 1967. intangíveis nos diplomas constitucionais anteriores. a permissividade da prática dos ritos religiosos nos moldes já defendidos pela legislação anterior.” . consignando. à subsistência. aliás. É o que se percebe no teor do artigo 113. à segurança individual e à propriedade. Cabe pontuarmos. nos termos seguintes: V.É inviolável a liberdade de consciência e de crença e garantido o livre exercício dos cultos religiosos. Neste sentido. também referiu-se á expressão religiosa.§10 da Constituição de 1946. não inovou a respeito do tema. que a Constituição de 1967. p. máximas. As associações religiosas adquirem personalidade jurídica nos termos da lei civil. assim como já constava no art. desde que não desonrasse a repercussão discricionária do Poder Executivo. 63) nos ensina : “ Até mesmo a redemocratização nacional instaurada no Brasil pela Constituição de 1946 referendou timidamente o exercício dos cultos religiosos e a liberdade de consciência. inciso V da Constituição da República de 1934: “ Art 113 . enaltecendo desproporcionalmente a garantia da ordenança pública necessária e os bons costumes.A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade.

A partir de 1988.Para Almeida ( op. especialmente no campo da tributação. .cit). O reflexo desta inviolabilidade. foi alastrado para outros planos constitucionais. o avanço primordial que consagrou o tema liberdade religiosa. onde o legislador constituinte o incluiu no inciso VI do artigo 5º. ocorreu pelo nascimento da Constituição Federal de 1988. se passa a discutir efetivamente acerca da imunidade religiosa para templos de qualquer culto. tornando inviolável a liberdade de consciência e de crença. assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e protegendo os espaços físicos de realizações dos cultos e das liturgias.

Na visão etimológica. impedindo para determinadas áreas.br). livre de encargos ou munus. registra a história que a imunidade tributária era um privilégio geralmente concedidos para preservar interesses particulares dos governantes.2. para resguardar determinados princípios fundamentais do regime. Conforme o autor. 2. Em um aspecto sistemático. referindo-se atualmente como uma garantia constitucional. sem a qual não se pode criar leis. tal característica deixou de existir após o liberalismo econômico.CONCEITOS DE IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS Nos dizeres de Bernardo Ribeiro Morais ( 1998. a existência de tal poder. Na Antiguidade. pg.lfg. citado por Dias ( disponível em http://www. Referindo-se a conclusão de desobrigação onerosa. 23). Segundo Ricardo Silva ( 2008. . a regra de não incidência constitui. Consistindo em uma palavra que significa negação de munus . segundo Morais ( op.IMUNIDADE TRIBUTÁRIA – ETIMOLOGIA E ASPECTOS RELEVANTES. impostos ou definir obrigação tributária. immunitate. utilizado pelo legislador constituinte. p.2 . citando Claudio Carneiro Coelho. sendo que o prefixo in traz a ideia de sem encargo. em texto que reproduz de Ricardo Lobo Torres as imunidades fiscais eram forma de limitação do poder da realeza. enfatizando a não incidência tributária sobre o senhorio e a Igreja. o vocábulo imunidade origina do latim immunitas. Cit) “ instrumento político-constitucional.com. desobrigando-se de qualquer valor social ou cultural. a imunidade tributária trata-se de um princípio constitucional que obsta a instituição de impostos pelo poder fiscal.11-12). conforme Bernardo Ribeiro de Moraes. tendo como consequência a inexistência da competência tributária.

ao criar in abstracto tributos. ao fazê-lo. culturais. a imunidade tributária decorre de uma limitação negativa a (op. apenas recria. vê-se a braços com o seguinte dilema: ou praticamente reproduz o que a Constituição –e. citado por Sabbag (2011. ao afirmar que “as imunidades tornam inconstitucionais leis ordinárias que delas divergem”. isto é. Ao passo que o legislador constituinte resguardou certas situações e pessoas físicas e jurídicas. há vícios de inconstitucionalidade. É o que nos assegura com propriedade o Ilustre Aliomar Baleeiro. em homenagem a norma imunizadora”. Para Sabbag equivale a afirmar que existem estruturas fundamentais ao regime que não serão perturbadas pela tributação. Estados. na ânsia de ser original.na defesa. advém da Constituição. É de se ressaltar que em sua maioria as regras de limitação ao poder de tributar encontram-se expostas no artigo 150 da Carta Magna de 1988. se há desrespeito a regra de imunidade. Em que pese o seu aspecto formal. da incolumidade de certos valores éticos. acaba ultrapassando as barreiras que ela lhe levantou e ressalva o campo da inconstitucionalidade” Assim. conforme já analisado no capítulo anterior. o que nela já se encontra previsto – ou. por tratar-se de uma garantia expressa do legislador constituinte. a fonte normativa capaz de estabelecêlas será sempre a Constituição Federal. . num grau de concentração maior. o vigor do preceito imunitório é exatamente reduzir. sociais e políticos”. p. cit) “ isso competência tributária. Cit) conclui: “o legislador de cada pessoa política ( União. sendo assim. Roque Antônio Carrazza ( op. Municípios ou Distrito Federal) ao tributar. Neste diapasão. limitar o poder fiscal das pessoas jurídicas de Direito Público. 283). Com efeito. Nada obstante.

contidas no texto da Constituição Federal. José Souto Maior Borges. O setor social abrangido pela imunidade está fora do âmbito da tributação. 149): "tradicionalmente estudada como uma limitação do poder de tributar‟ no sentido de supressão. como vimos. 172) afirma que : “ A imunidade não exclui nem suprime competências tributárias. a imunidade configura simples técnica legislativa por meio da qual o constituinte exclui do campo tributável determinadas situações sobre as quais ele não quer que incida este ou aquele gravame fiscal. de modo expressivo. O Autor. de proibição ou vedação do poder de tributar. 282) afirma que “ a regra jurídica de imunidade insere-se no plano das regras negativas de competência. Não se trata de uma amputação ou supressão do poder de tributar. Neste sentido. ainda a define como ( op. nas situações imunes. em regra.Corroborando os entendimentos expostos.cit) preconiza que: “a imunidade é forma qualificada de não incidência que decorre da supressão de competência impositiva sobre certos pressupostos na Constituição” Já para Luciano Amaro (2004. não existe ( nem preexiste) poder de tributar. sobre o gênero de situação pelo qual aquelas estariam compreendidas. não poderá ser objeto de exploração pelos entes públicos”. pela boa razão e que . citado por Sabagg ( 2011. Cit): “ uma classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas. Mizabel Derzi (op. Previamente excluído. as de imunidades tributárias”. p. p. e que estabelecem. uma vez que estas representam o resultado de uma conjunção de normas constitucionais. a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas”. Paulo de Barros Carvalho ( 2004. p. cuja instituição é autorizada. entre elas. Ainda." .

onde reconhece as normas imunizadoras como garantias individuais do contribuinte: . p. a liberdade religiosa. IV – os direitos e garantias individuais”. reconheceu que as regras de não incidência tributária constitui cláusula pétrea.3 .. 161) em julgamento a respeito da ofensa vinculada por emendas constitucionais à regra da anterioridade. O Supremo Tribunal Federal. 2. conforme Palsen ( 2011. Consoante estudado anteriormente.. Isto porque.IMUNIDADE TRIBUTÁRIA COMO CLAÚSULA PÉTREA. determina que serão insuscetíveis de excepcionalizaçção. ainda que por meio de Emendas Constitucionais. estipulando os controles das competências das entidades fiscais e garantindo verdadeiros direitos subjetivos aos apontados na Constituição Federal como seus destinatários. a Constituição Federal.Destarte. Deste modo. que originou a chamada limitação ao poder de tributar. trata-se de uma garantia individual. o preceito imunizatório. a Carta Magna garante em seu artigo 60 § 4º que “ não serão objetos de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir . modificação ou extinção. assegurada no artigo 5ª do então Texto Maior. determina os alcances do poder tributário. Permite-se trazer à baile trrcho do voto proferido pelo Ministro Celso de Mello na ADIN 939.

que a imunidade é um meio de não incidência constitucional.“ 2. 285): A imunidade é o instituto de sede constitucional. ao passo que a isenção trata-se de uma possibilidade de . Enquanto a norma imunizante revela uma dispensa constitucional de tributo. P. a regra isentiva indica uma dispensa legal. no campo da tributação”. Pode-se afirma.3 – IMUNIDADE TRIBUTÁRIA E ISENÇÃO Para melhor deslinde sobre o tema proposto neste trabalho mister se faz conceituar e diferenciar imunidade tributária de isenção tributária. Conforme nos ensina Sabagg( 2011. então.

no desenho das competências impositivas. e não a comandos isencionais. Tal entendimento. na imunidade não há a ocorrência do fato gerador. representando o obstáculo. em que ela. Já a isenção é antecedida da ocorrência do fato gerador. Sabagg ( op. vêse nítido erro do Legislador. referem-se normas de imunidade. Cit) citando o ácordão do RE 168. e não constitucional. o que obsta qualquer possibilidade de cobrança das pessoas imunes. São normas constitucionais não cuidam da problemática da incidência. Deste modo. regra de isenção. em alguns dispositivos constitucionais tratados como isenção. Na imunidade. constantes no texto constitucional. Para carvalho ( 2004.dispensa dos preceitos normativos por meio de uma lei complementar ( ou ordinária). tendo ocorrido fato gerador e nascido o liame jurídico-obrigacional. Firmando o entendimento exposto Sabbag ( 2011. Sua dinâmica pressupõe um encontro normativo. A este respeito. pois são na realidade formas de imunidades. opera como expediente redutor do campo de abrangência”. não há que se falar em relação jurídico-tributária. Cit) entende que: “se dá no plano da legislação ordinária. Haverá isenção apenas quando a previsão for legal. conclui: “ é fato que tais dispositivos. 285) nos revela ser este o posicionamento da Suprema Corte Federal: “ Para o STF. que se fia a estes rudimentos conceituais aqui brevemente expostos. É o que acontece no preceito do artigo 195. encontra agasalho na judiciosa jurisprudência do STF: . Importa ressaltar que. p. aliás. atuando em instante que a antecede” Em relação a isenção o Autor ( op. de uma forma especial.§5º.§ 7º( citar) e 184. mas posteriormente surge uma lei que dispensa o seu pagamento. uma vez que a norma imunizadora está fora do campo de incidência do tributo. à incidência de tributos sobre determinados fatos. p.110. o que se inibe com a isenção é o lançamento do tributo. situações ou pessoas”. decorrente de regra da Constituição. 184) “ o preceito da imunidade exerce a função de colaborar.

a Segunda Turma desta Corte.. DJ 19-05-2000 PP-00020 EMENT VOL-01991-01 PP-00087)” 2.4. Há uma corrente que defende que a interpretação deve ser restritiva.instituir impostos sobre: a) patrimônio. em 28. Há divergentes posicionamentos quanto a interpretação do dispositivo mencionado.09.. por sua vez. uns dos outros. decidiu. que o § 5º do artigo 184 da Constituição. 150.628. . das instituições de educação e de assistência social. aos Estados.„EMENTA: Recurso extraordinário. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte.) VI . relator o eminente Ministro Maurício Corrêa. ao Distrito Federal e aos Municípios (. não podem ser tributados. Ao estudarmos o tema em apreço. Relator(a): Min. inclusive suas fundações. sim. renda ou serviços dos partidos políticos.IMUNIDADE TRIBUTÁRIA AOS ENTES DO ARTIGO 150. uma questão discutida pela doutrina não pode deixar de ser analisada. INCISO VI. MOREIRA ALVES. ao julgar o RE 169. atendidos os requisitos da lei. dado o seu caráter indenizatório. não concede isenção. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Primeira Turma.(RE 168110. sendo que os títulos da dívida agrária constituem moeda de pagamento da justa indenização devida pela desapropriação de imóveis por interesse social e. tem por fim não onerar o procedimento expropriatório ou dificultar a realização da reforma agrária. . por unanimidade de votos. b) templos de qualquer culto. Menciona o artigo 150. ao passo que abrange tão somente os impostos. que. renda ou serviços.. mas.99. embora aluda a isenção de tributos com relação às operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. sem fins lucrativos. imunidade. c) patrimônio.. julgado em 04/04/2000. é vedado à União. VI da Constituição Federal: Seção II DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR Art. Alcance da imunidade tributária relativa aos títulos da dívida agrária. das entidades sindicais dos trabalhadores.Há pouco.

Imunidade tributária para impostos: entidades assistenciais e religiosas ( art. detém grande amplitude na doutrina. alínea “b”. Para Kempfer ( op. Marlene Kempfer. Complementa ainda a Autora: “ A imunidade como instrumento tributário para viabilizar tal propósito deve dirigir-se à competência tributária na instituição de tributos. o conjunto de coisas)” Tal concepção é defendida por Pontes de Miranda. ou seja. 3.UNIDERP/LFG . em seu artigo 150. ministrada no curso de pós-graduação lato sensu televirtual em Direito Tributário. conforme Sabagg ( 2011. importa conceituar o que vem a ser “templos de qualquer culto”. VI. afirma que não pode tal interpretação ser restritiva. a Constituição Federal. “b” e “c” da CF/88. Somente desta forma.2 – CONCEITO DE TEMPLOS E QUALQUER CULTO. tem-se na palavra templo. há autorização constitucional para os entes federados produzirem leis que lhes autoriza a cobrança das entidades de assistência social e de dos demais tributos: taxas. contribuições e empréstimos compulsórios. renda ou pessoas a imunidade a ela garantida. Para a teoria clássico-restritiva. 2 BASSOLI. Para tanto surgiram três teorias que buscam definir o que é Templo. apenas a delimitação do local destinado a celebração do culto. contribuições de melhorias. ter-se-á garantia de efetiva desoneração de encargos fiscais. 324). em Imunidades Tributárias para Impostos: entidades assistenciais e religiosas2: “Portanto.Para esta corrente doutrinária.AS IMUNIDADES PARA TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. Conforme Sabbag ( op. não se pode estender a imunidade para os demais tributos. O conceito de Culto. garante a imunidade para templos de qualquer culto. conclui a respeito desta corrente. Material da 7ª aula da disciplina Sistema Constitucional Tributário: Princípios e Imunidades. 150. Cada ente federado poderá usar a competência para instituir isenções para os outros tributos se assim entender por legítimos”. Marlene Kempfer. Cit) este corrente defende que o desígno da imunidade seria de estimular as instituições a atuar no terceiro setor. Para melhor deslinde do trabalho. 3. p. se há delimitação ao seu espaço físico e o quanto se estende ao seu patrimônio. uma vez que diante da autonomia dos entes federados a isenção é uma prerrogativa que se exerce por meio de Lei e as instituições não teriam proteção constituição” 3.cit) trata-se da “coisificação do templo religioso ( universitas rerum. Paulo de Barros Carvalho e Sacha Calmon Navarro Coelho. inciso VI. Corrente oposta.1 – Introdução Consoante transcrito no capítulo anterior. por estar expressa na norma constitucional qual espécie tributária não será tributada.

mas a instituição. p. instituição. não a ordem religiosa. O renomado doutrinador Ives Gandra Martins. citado por Palsen ( 2011. percebe-se que esta corrente tem em comum com a anteriormente exposta. em rigor. 324). mas as próprias Igrejas. Não o prédio. mediante a concessão de isenção. Neste passo. ou o edifício principal onde se celebra a cerimônia pública. não são. filantrópicas. O que o Constituinte declarou é que sem quaisquer restrições. desde que não empregados para fins econômicos”. para o ilustre Professor. os templos de qualquer culto. Sabagg ( 2011. pois esta pode gozar de isenção quanto a seus bens. o local destinado ao culto bem como seus anexos. 325) nos revela que não é considerado templo “ apenas a igreja. nestes casos. faz-se a ligação de templo como atividade. organização ou associação mantenedora de templos. menciona que para esta teoria restritiva templo é apenas o espaço de realização do culto. O mestre. p. que considera templo na concepção de entidade. trata-se de matéria estranha à imunidade. mas o estado de ser. na dicção constitucional. indústrias e atividades. é tudo aquilo que de uma forma ou de outra viabiliza a realização do culto. Apesar de um pouco mais ampla. seguido por Roque Antônio Carrazza e Hugo de Brito Machado. pois dependerá de favor fiscal do legislador infraconstitucional. citando Flávio Campos. os anexos por força de compreensão.Ricardo Silva ( colocar) citando o entendimento abordado por Sacha Calmon Navarro Coelho. encontra-se a teoria moderna. o convento. É de . as Igrejas de qualquer culto são imunes de todos os impostos. a sinagoga. Contudo. inclusive a casa ou residência do pároco ou do pastor. 233) indica seu aceitação a corrente analisada: “ ora. citado por Sabagg ( 2011.” Em que pese a teoria clássico-liberal. os prédios onde os cultos se realizam. se caritativas. imune é o templo. mas também a dependência acaso contígua. p. Divergindo dos posicionamentos anteriores. indicando mais do que o espaço físico ou seus anexos. são imunes do pagamento de impostos. ou seus adjuntos. o fato de proteger apenas o espaço físico de realização de cultos. Perfilha deste entendimento Aliomar Baleeiro. Conclui o Autor : “Portanto. rendas e serviços. diz que templo.

se lembrar que o vocábulo Igreja tanto serve para designar a instituição como o prédio. Portanto. o conceito de templo está ligado as organizações religiosas e suas manifestações. . o mesmo se pode dizer do vocábulo prédio”. extrapolando os conceitos anteriores que o restringem ao espaço físico.

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