Antero de Quental

Antero, como activista intervencionista, como pensador e como poeta, marcou a alteração da mentalidade portuguesa a partir do último quartel do século XIX. Observando, por exemplo, a sua obra literária, nota-se a revolta e o inconformismo. Há uma reflexão profunda sobre o mundo, sobre os problemas sociais e os mistérios existenciais. Mas reflecte para agir. Daí o seu carácter forte de líder, que o transformou no mestre e mentor, inspirador e símbolo da Geração de 70. A poesia de Antero traduz as suas vivências e anseios. Nela se encontra uma faceta luminosa ou apolínea, tradutora do seu ardor revolucionário e de grande elevação moral, e outra nocturna, que remete para o pessimismo e para o desejo de evasão. O Antero apolíneo exprime a Luz, a Razão e o Amor como fontes da harmonia do Universo; e o Antero nocturno canta a noite, a morte, o pessimismo e um certo niilismo. • A poesia anteriana divide-se em quatro fases:

* Na primeira fase, exprime o amor espiritual, à maneira de Petrarca, sem a sensualidade da lírica de Garrett, mas cantando a mulher como ser adorável, uma “visão”, como sucede em Ideal, Beatrice, Abnegação ou Idílio; * Na segunda fase, traduz as preocupações sociais, o desejo profundo de construir um mundo novo, considerando que a poesia é a voz da revolução que visa a Justiça, o Amor e a Liberdade, como em A um Poeta, Evolução, Hino à Razão, Tese e Antítese, A Ideia; * Na terceira fase, há um grande pessimismo e frustração a traduzir uma certa decepção da luta, como em O Palácio da Ventura, Despondency, Nox; * Numa quarta fase, parece reconciliar-se e busca o descanso merecido “na mão de Deus”, como em Na Mão de Deus, Salmo, A um Crucifixo, À Virgem Santíssima, Solemnia Verba.

A primeira fase: os ideais amorosos, o amor espiritual A primeira fase, ligada à produção da juventude, mostra que os ideais amorosos e outros são uma constante quando somos jovens. Sonhamos e idealizamos o ser amado e concebemos o amor como ideal perfeito. Tal como acontece ao comum dos mortais, também Antero sonhou e idealizou a mulher e o amor. A segunda fase: o apostolado social: A obra da segunda fase revela a sua grande elevação moral e o seu ardor revolucionário, que o leva a considerar que “A poesia é a voz da revolução”. A terceira fase: o pessimismo As dúvidas e a verificação de que o seu apostolado não estava a conseguir os objectivos que desejava, aliado ao agravamento da sua doença, conduziram Antero de Quental a sentir-se decepcionado, mergulhando num estado de pessimismo. Quem se empenha como ele, de

Analexandra

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Não consegue libertar-se das adversidades. A quarta fase: a metafísica e o regresso a Deus São muitas as decepções de Antero de Quental. Analexandra 2 . fica frustrado. mas de novo persegue uma ideal que agora se confunde com o Bem Supremo. frequentemente. O pensamento de Deus surge. Resta-lhe uma última esperança – o pensamento divino –. embora sempre demarcado das concepções religiosas tradicionais.forma apaixonada. numa campanha para alterar mentalidades e não sente a promoção do espírito da sociedade moderna. associado à morte.