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CAPÍTULO 78

CUBO MÁGICO
Novela de

JOÃO PEDRO TUSSET
Escrita por

João Pedro Tusset
Direção Ary Coslov Marcelo Travesso Direção geral Ricardo Waddington Personagens deste capítulo AMELINHA ANTÔNIA CAMILA CARLÃO COUTINHO DANIEL DÉBORA EVA FERNANDA INÁCIO LIA MIMI NICOLE NUNO PÉRICLES RENATO RODRIGO SOLANGE

Atenção “Este texto é de propriedade intelectual exclusiva da WEB-SATELLITE LTDA. e por conter informações confidenciais, não poderá ser copiado, cedido, vendido ou divulgado de qualquer forma e por qualquer meio, sem o prévio e expresso consentimento da mesma. No caso de violação do sigilo, a parte infratora estará sujeita às penalidades previstas em lei e/ou contrato.

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CENA 0/INTRODUÇÃO:
INSERIR LEGENDA: NO CAPÍTULO ANTERIOR DE CUBO MÁGICO... ESTA CENA FUNCIONA COMO UM COMPACTO QUE INICIA OS CAPÍTULOS, CONTENDO A ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR, DANDO O CLIMAX PARA A CONTINUAÇÃO DO ACONTECIMENTO. EVA LIA — Mandou me chamar Lia? — (ALTO) Eva! Evinha! Surpresa em me ver onde eu estou? EVA — (PÕE O CORPO PRA FRENTE) Você é uma ladra, você não vale nada mesmo não é? LIA — Que agressividade é essa com a sua grande amiga e cunhada Lia? EVA — Diga logo o que você quer de mim, anda. Tenho que voltar pra minha sala. LIA — Não vai voltar não, porque você tá demitida querida. EVA LIA — (CAMBALEIA) Demitida? — Isso mesmo, demitida. Não quero mais nenhum rastro de Castanho na minha empresa. Pegue suas trouxinhas, dê meia volta e suma. Entendeu bem ou eu preciso desenhar? LIA ENCARA EVA. CLOSE EM EVA. CORTA PARA:

CENA 1/CUBO MÁGICO/SALA DA PRESIDÊNCIA – INT/DIA:
CONTINUAÇÃO DA ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR. EVA ACABA DE SER DEMITIDA POR LIA. EVA — (CONFUSA) Peraí, como assim, você tá me demitindo?

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LIA

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— (RELAXA NA CADEIRA) Ih, já vi que além de songa-monga é surda.

EVA

— Isso... isso é uma afronta! (RÁPIDA) Você não tem o direito de me demitir, Lia!

LIA

— Como não tenho? Tenho sim! Posso fazer o que eu bem entendo. Esqueceu que quem manda agora sou eu?

EVA

— Você não vale nada, meu Deus, não bastasse acabar com a vida do meu irmão agora quer acabar com a minha?

LIA

— Eu já disse honey. Não quero ninguém da família Castanho dentro da minha empresa. Porque você acha que eu deixaria que você trabalhasse aqui?

EVA

— Por que você não tem noção nenhuma de comando, você não sabe gerir uma empresa, coisa que eu sei. Você só está assumindo essa presidência agora por pura vaidade, pra mostrar que é melhor, e não porque sabe fazer.

LIA

— (SE ENCOSTA NA MESA) Você está duvidando da minha capacidade, Eva? Você sabe que eu sou capaz de muitas coisas.

EVA LIA

— De enganar, de mentir... — Olha, eu não quero mais ouvir nada. Você entendeu bem o que eu disse. Tá demitida mesmo, duplamente demitida. Pegue logo seus trapos e saia daqui.

EVA LIA EVA

— Eu vou sim, não tem problema. — Ficou mansinha? Acho ótimo! — Agora eu te deixo um recado Lia. Te cuida, porque eu, Eva Castanho, vou fazer questão de pisotear a sua cara quando você cair, porque você vai cair, ah você vai...

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LIA EVA

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— Quem caiu foi você e a sua família nojenta.

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— (ENCARA) A sua glória não vai demorar para acabar.

E EVA SAI, NERVOSA. LIA SE ATIRA NOVAMENTE NA CADEIRA E NEM SE PREOCUPA COM AS PALAVRAS DELA. LIA — (PARA SI MESMA) Chata essa Eva, chata mesmo. Acha que me mete medo. Coitada! Esconde mais coisas do que aparenta... CORTA PARA:

CENA 2/CHÁ COM PIMENTA/SALA DE FERNANDA – INT/DIA:
RODRIGO ACABA DE CONTAR PARA DANIEL E FERNANDA QUE AMBOS SÃO PRIMOS. CAMILA TAMBÉM ALI. DANIEL — Claro! Agora tudo faz sentido pra mim, aquele ódio do Cássio, aquela vontade desmedida se destruir o papai, era porque eles eram irmãos. RODRIGO FERNANDA — Uma história um tanto impressionante. — (APÁTICA) O papai nunca me contou nada porque Rodrigo? Eu devia saber disso. RODRIGO — Ele quis te poupar Fernanda. Ele sabia que você não ia suportar a dor de saber que era prima-irmã do seu marido... naquela época. DANIEL FERNANDA — Eu nunca poderia imaginar, até parece mentira. — Nós somos parentes Daniel, temos o mesmo sangue. Eu também sou Castanho. Feliz agora? DANIEL — Não Fernanda. Você acha que eu gostaria de ter mais alguma relação com você? Mas vejo que infelizmente estaremos sempre unidos pelos laços de sangue...

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FERNANDA

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— Vejo que realmente você não me perdoou pelos erros que eu cometi.

DANIEL

— (RI) Eu devo ter cara de ser muito idiota mesmo não é? As duas mulheres com quem me casei são umas vadias que me enganaram.

FERNANDA

— Por favor, eu já me arrependi de tudo que fiz. Não fiz por maldade Daniel, fiz por desespero, por amor. A Lia não, ela fez porque é má, não tem coração.

DANIEL

— As duas me enganaram da mesma forma. Pelo menos a Lia teve a decência de esfregar tudo na minha cara. Já você sempre se escondeu atrás dos seus erros.

FERNANDA ENCHE SEUS OLHOS DE LÁGRIMAS. DANIEL — Acho que já ouvi o bastante. Vou pra casa.

DANIEL BEIJA CAMILA E VAI EMBORA. FERNANDA CAI NO CHORO. RODRIGO CONSOLA A IRMÃ. FERNANDA RODRIGO — Ele nunca mais vai me amar Rodrigo, nunca mais... — Não fala assim querida, ele ainda está baqueado por tudo que sofreu. FERNANDA — Nós somos primos Rodrigo, eu e o Daniel! Ele nunca mais vai me ver como mulher! CAMILA — Isso não significa nada Fernanda. Com essa descoberta, eu e o Rodrigo também somos primos e nem por isso nossa relação foi abalada. RODRIGO — Camila tem razão, continuamos mais apaixonados do que nunca. Nada vai conseguir separar nosso amor. CAMILA — Dê um tempo pro meu irmão Fernanda, ele precisa esfriar a cabeça e esquecer tudo que passou. FERNANDA — Tenho medo que esse tempo dure a vida inteira, e que eu morra até lá. CORTA PARA:

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CENA 3/RESTAURANTE – INT/DIA:
NICOLE E ISABEL SENTADAS EM UMA MESA, DISPOSTA NO

RESTAURANTE. NICOLE BEBE UM SUCO, ISABEL NÃO BEBE NADA. ISABEL — Eu fiquei muito abalada pelo que vi aquele dia sabe? Aquela mulher sendo morta, na janela da frente, sem dó nem piedade, nossa, quando eu lembro até passo mal. NICOLE — Eu não entendo como você conseguiu guardar isso pra você Isabel. ISABEL — Eu fiquei com muito medo dona Nicole. Uma pessoa foi assassinada e eu sabia disso. Imagina se quem matou me descobre? Eu posso acabar morrendo também. NICOLE — É um tanto complicado, mas saiba que você é a única testemunha, a testemunha ocular deste crime. ISABEL — As vezes eu queria nem ter visto. Quando chego na minha sacada e olho pro outro lado, sempre me vem a mente a cena, da morte... NICOLE — Mas me conte, você tem certeza que viu uma moça loira, alta? ISABEL — Vi sim, só não lembro bem de seu rosto, mas sabia que era bonita. NICOLE ISABEL — E a mulher que foi assassinada? — Uma senhora, um tanto baixinha, magra também, de cabelos pretos. NICOLE — Eu vou ser bem sincera com você dona Isabel. O motivo que eu quis ter essa conversa com a senhora é que eu conheço a assassina. ISABEL NICOLE — (CHOQUE) Conhece? — Na verdade eu sou a assassina, ou melhor, é o que todos pensam. Isso não passou de um plano pra me

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incriminar, entende? Uma moça, a loira, assassinou a tal senhora na minha sala, no Cubo Mágico, com a minha tesoura, com as minhas digitais, pra pensarem que fui eu. ISABEL NICOLE — Nossa, é um tanto assustador. — Eu fui presa, mas pude responder o processo em liberdade. Agora, está chegando a data do julgamento e muito provavelmente eu serei acusada por esse crime. ISABEL NICOLE — Mas pelo que a senhora disse não é a assassina. — Não sou, mas não existem provas para isso. Para a justiça eu matei a tal senhora de cabelos pretos. ISABEL NICOLE — Entendo. — Agora, quando escutei a sua conversa com a sua amiga, eu me dei conta que você é a única pessoa que pode me ajudar nisso, que pode testemunhar ao meu favor e dizer o que viu, que sabe que eu não matei ninguém. ISABEL NICOLE — Então é pra isso que você quis conversar comigo. — Por favor Isabel, eu sei que eu sou uma desconhecida pra você, que nos conhecemos a minutos atrás, meu eu imploro. Me ajuda! ISABEL NICOLE — (DESCONFIADA) Eu não sei... — Vamos fazer o seguinte. Não precisa me responder nada agora. Vamos nos encontrar outro dia para que você me dê a resposta que eu quero ouvir. ISABEL NICOLE — Tudo bem, é melhor assim. — Beleza. A senhora deve ser uma mulher justa e vai saber o que fazer. AS DUAS SE OLHAM. CORTA PARA:

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CENA 4/QUITINETE – INT/DIA:
SONOPLASTIA: VIDEO GAMES – LANA DEL REY. CAM ABRE NUM FRASCO DE COMPRIMIDOS, ENCIMA DE UMA MESINHA. ANTÔNIA ESTÁ DE COSTAS, NA BEIRA DA JANELA, OBSERVANDO LÁ FORA. UM VENTO SOPRA SOBRE SEUS CABELOS E ELA FECHA A VIDRAÇA. ANTÔNIA SE VIRA, COM UMA APARÊNCIA PÉSSIMA, TRISTE, PÁLIDA, SEM VIDA. ELA OLHA EM DIREÇÃO OS COMPRIMIDOS E RESPIRA FUNDO. CORTA PARA ANTÔNIA SENTADA EM VOLTA DA MESINHA, COM CANETA E PAPEL NA MÃO, ESCREVENDO UMA CARTA. ALGUNS SEGUNDOS DEPOIS ELA TERMINA A CARTA E A DEIXA ALI ENCIMA. VAI ATÉ A COZINHA, VOLTA COM UM COPO DE ÁGUA. PEGA OS COMPRIMIDOS ENCIMA DA MESINHA E OS OBSERVA. TIRA UMA GRANDE QUANTIDADE, ESVAZIA O VIDRO E VAI BEBENDO OS COMPRIMIDOS, UM POR UM, ATÉ ACABAR. CLOSE EM ANTÔNIA. ANTÔNIA SE DEITA DELICADAMENTE NO SOFÁ, COM OS DOIS BRAÇOS SOBRE O PEITO E FECHA OS OLHOS. CORTA PARA:

CENA 5/FLASH ROMANCE/SALA DE INÁCIO – INT/DIA:
NUNO JOGADO NO TAPETE DA SALA DO PAI, BRINCANDO COM UM QUEBRA-CABEÇAS. INÁCIO EM SUA MESA. O TELEFONE TOCA. INÁCIO — (ATENDE) Alô? (SURPRESO) Ah, olá delegado.

NUNO OUVE E SE LEVANTA. FICA NA FRENTE DA MESA DO PAI, ESCUTANDO A CONVERSA. INÁCIO — (TELEFONE) Sim, é Inácio Ferraz. (TEMPO) Exatamente, fazem meses que eu não tenho notícias dela, estou bastante preocupado, afinal é a mãe dos meus filhos. (SE LEVANTA) Descobriram pra onde ela se mudou? Espera aí, vou anotar. INÁCIO PEGA UM BLOCO E UMA CANETA, VAI ANOTANDO ALGUMA COISA.

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INÁCIO

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— (TELEFONE) Já anotei. (TEMPO) Muito obrigado delegado, vou agora mesmo atrás dela. Até mais ver.

NUNO INÁCIO

— (SE ADIANTA) É sobre a mamãe? — É sim filho, descobriram que ela alugou uma quitinete num bairro qualquer da cidade.

NUNO INÁCIO

— Você vai até lá? — Vou sim, agora. Fica tranqüilo aí, retorno logo mais, o local é perto daqui.

NUNO

— Manda beijos meus pra ela. Diz que eu estou com saudades.

INÁCIO

— (SORRI) Eu mando sim.

INÁCIO PEGA AS CHAVES DO CARRO E SAI. CLOSE EM NUNO. CORTA PARA:

CENA 6/CASA DE EVA E INÁCIO/SALA – INT/DIA:
EVA CHORA COPIOSAMENTE, SENTADA NO SOFÁ DA SALA. DANIEL TENTA ACALMAR A IRMÃ. DANIEL — Eu não acredito que aquela vagabunda teve a coragem de fazer isso, de te demitir! EVA — Foi horrível Daniel, aquela mulher é um monstro. Ela fez como se eu não significasse nada praquela empresa. DANIEL — Nada do que ela diz importa, eu sei que você é muito competente. EVA — (SE LEVANTA) Que raiva que eu fiquei, que ódio! Minha vontade era de dar na cara dela, mas eu me segurei! DANIEL — Eu te prometo Eva, prometo que eu vou destruí-la. Vou vingar a morte do papai e recuperar tudo que é nosso.

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EVA DANIEL

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— Pode contar comigo nessa, agora é guerra contra ela! — O Venâncio me ligou, realmente eu assinei aqueles documentos, não tem contestação. Passei tudo para minha esposa legalmente.

EVA

— Um plano que ela já estava montando a muito tempo, só faltava a carta final.

DANIEL

— Eu já entrei com o pedido da guarda do Edu, Venâncio vai fazer tudo pra mim.

EVA DANIEL CORTA PARA:

— É torcer pra você conseguir. — É um processo longo, mas vou vencer

CENA 7/CALÇADÃO DE COPACABANA/QUIOSQUE – EXT/DIA:
MIMI E COUTINHO SENTADOS NUMA MESINHA FORA DO QUIOSQUE, BEBENDO ÁGUA DE COCO. ELES CONVERSAM. MIMI — Valeu por ter me chamado pra dar um passeio, tava precisando. COUTINHO MIMI — Você parece estar cansada. — Estou cansada sim, mas de tanta coisa sabe? Desde a morte do meu irmão! COUTINHO MIMI — E eu tô aqui pra te fazer companhia. — Obrigado mesmo Coutinho. Me preocupo com você saindo assim do seu trabalho, pode se complicar. COUTINHO — Não tem problemas, o delegado Carlão me permitiu essa folguinha. MIMI — Sabe cara, que eu até gosto de ficar batendo papo contigo? Tu é engraçado. COUTINHO MIMI — E você é linda. — (SEM GRAÇA) Nossa...

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COUTINHO

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— Mimi, eu posso fazer uma coisa que eu quero fazer a muito tempo?

MIMI COUTINHO

— Dependendo do que é. — É isso.

COUTINHO ERGUE O CORPO E ARRANCA UM BEIJO DE MIMI. ELE SAI DO BEIJO. ELA SORRI. MIMI COUTINHO MIMI COUTINHO MIMI — Era isso? — Era. Gostou? — Não! Muito meloso. — Pois o seu é mais babado do que aquela banda. — (ACHA GRAÇA) Tô brincando rapaz. Olha aí, não falei? Tu é hilário. COUTINHO MIMI — Então quer dizer que você gostou? — Cá entre nós? (MURMURA) Amei!

OS DOIS SORRIEM UM PRO OUTRO. CORTA PARA:

CENA 8/POISON CLUB/SALA DE NICOLE – INT/DIA:
NICOLE SENTADA EM SUA CADEIRA, BEBENDO UM CHÁ. AMELINHA NA FRENTE DELA. AMELINHA — E então Nick, você encontrou uma mulher que testemunhou a morte da vovozinha lá? NICOLE — Por ironia do destino eu encontrei, é uma tal de Isabel. Uma criatura com trajes deagradáveis, mas que pode me ajudar e muito. AMELINHA — Mas pelo que você me disse ela não está afim de colaborar. NICOLE — Ela tá com medo Amelinha, é natural, afinal ela testemunhou um assassinato.

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AMELINHA

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— Acredito que você vai adotar de seus meios nada ortodoxos para convencer a pobre diaba a colaborar, estou certa?

NICOLE

— Está certa.

NICOLE FAZ UM GESTO COM AS MÃOS, QUE SIGNIFICA DINHEIRO. AMELINHA NICOLE — O que é isso amiga, está com frieira nos dedos? — Não entendeu o que eu fiz Amelinha? (REPETE O GESTO) AMELINHA NICOLE — Não entendi. — Não tem importância! Vamos falar do que nos interessa, que é a nossa festa de hoje. Contratou os engolidores de espada? AMELINHA — É claro, ai que tudo que deve ser engolir espadas.

E ELAS CONTINUAM CONVERSANDO FORA DO ÁUDIO. CORTA PARA:

CENA 9/RIO DE JANEIRO/CENAS – EXT/NOITE:
SONOPLASTIA: I WANNA GO – BRITNEY SPEARS. A CIDADE VAI ANOITECENDO... TOMADA COM MUTO RITMO,

MOSTRANDO O PRÉDIOS ILUMINADOS, AS RUAS ENFEITADAS PARA O NATAL, ETC. CORTA PARA:

CENA 10/APARTAMENTO DE DÉBORA E PÉRICLES/QUARTO – INT/DIA:
DÉBORA SENTADA NA PONTA DA CAMA, PENSATIVA. PÉRICLES SAI DO BANHEIRO, DE PIJAMAS. PÉRICLES DÉBORA PÉRICLES — Não vai deitar Debby? — Eu tô muito eufórica para dormir! — Ainda a história do filho do Alberto e da Solange?

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DÉBORA

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— Ai Péricles, essa história tá me corroendo! Existe um bafão e eu sei disso, pense como estou.

PÉRICLES

— Tome um remedinho pra dormir, essa agitação acaba em minutos.

DÉBORA

— (SE LEVANTA) Vou fazer melhor. (PEGA A BOLSA)

PÉRICLES DÉBORA CORTA PARA:

— Aonde cê vai? — (DIRETA) Na polícia!

CENA 11/QUITINETE – INT/NOITE:
ANTÔNIA CONTINUA SEU SONO PROFUNDO. A CARTA AINDA ENCIMA DA MÊSA, INTÁCTA. INÁCIO SURGE NA PORTA, BATE, MAS ESTÁ ABERTA. ELE ENTRA E DÁ DE CARA COM ANTÔNIA DESMAIADA. INÁCIO — (SURPRESO) Antônia?

ELE OLHA EM VOLTA E VÊ A CARTA ENCIMA DA MESA. INÁCIO — (PREOCUPADO) Ô meu Deus, não pode ser... Você não fez isso Antônia... CORTA PARA:

CENA 12/MANSÃO DOS CASTANHO – EXT/NOITE:
CORTA PARA:

CENA 13/MANSÃO DOS CASTANHO/SALA – INT/NOITE:
LIA ABRE A PORTA E ENTRA, MEXENDO NOS CABELOS. RENATO ESTÁ SENTADO NO SOFÁ, LENDO UM JORNAL. LIA RENATO LIA — (SORRIDENTE) Boa noite! Cheguei! — E então. Pela sua cara o dia deve ter sido ótimo. — Na verdade foi ótimo porque eu humilhei todo mundo, mas é muita coisa pra fazer. Uma complicação!

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RENATO

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— É minha filha, achou que ia pegar a presidência e que ia ser tudo uma maravilha, se enganou...

LIA

— Ah quer saber? Não importa, é só o primeiro dia, como tempo eu acostumo.

RENATO

— Bom, eu tenho uma notícia que com certeza vai deixar seu dia mais feliz.

LIA RENATO LIA

— (SE SENTA) O que foi? — Já defini a data do nosso casamento. — (SE LEVANTA) Já definiu? Como assim? Sem consultar a noiva?

RENATO

— Como a noiva estava pouco de lixando pro casamento, eu tratei de fazer isso.

LIA

— E será que a noiva pode saber em que dia vai se casar?

RENATO LIA

— Dentro de um mês querida. — Mas dentro de um mês é muito tempo! Eu tenho que arrumar a festa, o vestido!

RENATO

— Não vai ser necessário, nos casaremos apenas no civil, não na igreja. A festa vai ser particular.

LIA

— (DESANIMADA) Que beleza hein, eu já pensando numa festança!

RENATO

— Festa? Vamos convidar quem? Todos nos odeiam Lia! Somos só eu e você!

LIA

— Você tem razão. Agora, que eu queria organizar uma festa de arrebentar a boca do balão, ah eu queria.

RENATO LIA

— No seu aniversário nós fazemos. — Só uma coisa Renato. Se você tá achando que agora vai mandar em mim, definir que eu faço ou deixo de fazer, tá muito enganado, ouviu bem?

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RENATO LIA

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— Eu não tenho intenção nenhuma de fazer isso. — Quem manda agora sou eu, eu que tenho dinheiro e te sustento. Já te falei que fazer com você o que eu fiz com a Dalva vai ser fácil.

RENATO

— Você realmente não tem pudor nenhum de matar, não é Lia?

LIA

— Eu fui presa anos atrás porque cometi um assassinato. Lembra?

RENATO CONCORDA. CLOSE EM LIA. CORTA PARA:

CENA

14/APARTAMENTO

DE

MAURÍCIO/QUARTO

INT/NOITE:
SONOPLASTIA: RIBBON IN THE SKY – STEVIE WONDER. SOLANGE ENTRA NO QUARTO ONDE ELA E MIMI DORMEM. ELA SE SENTA EM SUA CAMA E OBSERVA UMA FOTO ENCIMA DO CRIADO-MUDO: ELA, SEU MARIDO VIRGÍLIO, MAURÍCIO, MIMI E ANDRÉ CRIANÇAS. SOLANGE ALISA O ROSTO DE ANDRÉ. SOLANGE — Que saudades meu filho, por que tinham que fazer aquele horror com você. MMI ENTRA NO QUARTO. VÊ A MÃE. MIMI SOLANGE — Lembrando do passado? — Lembrando do seu irmão. De como ele era. Era difícil conviver com ele, mas ele faz falta. MIMI SOLANGE — Ô se faz. — E pensar que ele chegava a ponto de se prostituir Mimi, é um absurdo. MIMI — Infelizmente eu descobri o segredo dele de um jeito nada legal.

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SOLANGE

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— Você não me contou tudo sobre isso filha. Como você descobriu?

MIMI

— Eu vi ele saindo com uma mulher, fui atrás e descobri.

SOLANGE

— E quem era essa mulher? Eu conheço?

MIMI BAIXA A CABEÇA, HESITA. SOLANGE MIMI SOLANGE MIMI SOLANGE MIMI — (FORTE) Me fala quem é Mimi. — (HESITA) Não posso! — Pode sim, eu quero saber. Me fala! — Tudo bem, a senhora quem pediu. — Anda, abre a boca! — A amante do André era a sua amiga, a Nicole. Nicole Medeiros. SOLANGE MIMI — (PASMA) A Nicole? — Sim, e eu tenho como provar. Tenho impressas conversas dele e dela que achei no nosso antigo computador. CLOSE EM SOLANGE, TRANSTORNADA. CORTA PARA:

CENA 15/DELEGACIA/SALA DE CARLÃO – INT/NOITE:
DÉBORA SENTADA NUMA CADEIRA NA FRENTE DO DELEGADO. ELE A ENCARA. DÉBORA NERVOSA. CARLÃO — A senhora queria muito falar comigo, exigia. Qual o problema dona Débora? É sobre seu marido? Soube que ele saiu da cadeia. DÉBORA CARLÃO — Saiu sim, mas não é nada sobre isso. — Estou aqui pra lhe ouvir. Desabafe.

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DÉBORA

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— É algo que eu descobri, ou melhor, que eu sabia a muito tempo e fui lembrar logo agora.

CARLÃO DÉBORA

— (INCLINA O CORPO) Fale dona Débora. — Quem me contou foi a Branca Cavalcanti, vítima do assassino do Cubo Mágico. Ela descobriu algo terrível.

CARLÃO DÉBORA

— (SE INTERESSA) Pois bem. — Ela descobriu que, bom... que Alberto Castanho teve um filho bastardo com Solange Moura, a costureira.

CARLÃO DÉBORA

— (SURPRESO) Não me diga. — E eu tenho fortes suspeitas de que a Branca foi assassinada porque sabia desse segredo. E ela não podia saber. Ninguém podia.

CLOSE EM DÉBORA, AGITADA. CARLÃO SURPRESO. A IMAGEM CONGELA E FORMA AS FACES DE UM CUBO MÁGICO. UMA MÃO “PEGA” O CUBO DA TELA E COMEÇA A ORGANIZAR OS LADOS. CORTA.

(FINAL DO CAPÍTULO) Os créditos sobem ao som de “Video Games – Lana Del Rey”.