POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO CENTRO DE APERFEIÇOAMENTO E ESTUDOS SUPERIORES CURSO SUPERIOR DE POLÍCIA CSP-I/2000

PROPOSTA DE UMA COLETÂNEA PARA SISTEMATIZAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS BÁSICOS DO COORDENADOR REGIONAL DE DEFESA CIVIL

AUTOR: TEN CEL PM ELIZEU ECLAIR TEIXEIRA BORGES ORIENTADOR: CEL PM CLODOMIR RAMOS MARCONDES

SÃO PAULO 2000

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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO CENTRO DE APERFEIÇOAMENTO E ESTUDOS SUPERIORES CURSO SUPERIOR DE POLÍCIA CSP-I/2000

PROPOSTA DE UMA COLETÂNEA PARA SISTEMATIZAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS BÁSICOS DO COORDENADOR REGIONAL DE DEFESA CIVIL

Monografia elaborada pelo TEN CEL PM ELIZEU ECLAIR TEIXEIRA BORGES, no Curso Superior de Polícia do Estado de São Paulo

SÃO PAULO 2000

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DEDICATÓRIA

“Meu amor, carinho e admiração à minha mulher Mazé e minhas filhas Vanessa, Priscilla e Danielle, pelo apoio e incentivo sempre presentes em minha vida”.

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SUMÁRIO

RESUMO ..................................................................................................... 9 INTRODUÇÃO...........................................................................................10 1 A DEFESA CIVIL NO ESTADO DE SÃO PAULO ................................13 1.1 O Estado de São Paulo .............................................................................13 1.2 Origem da Defesa Civil no Estado de São Paulo .......................................14 1.3 Composição do Sistema Estadual de Defesa Civil .....................................17 1.3.1 Coordenadorias Regionais de Defesa Civil.............................................18 1.4 Centro de Gerenciamento de Emergência da CEDEC ................................20 2 ORGANIZAÇÃO E ATUAÇÃO DA COMUNIDADE NAS AÇÕES DE DEFESA CIVIL ..........................................................................................21 2.1 Comitê de Coordenação ...........................................................................21 2.1.1 Avaliação das necessidades ...................................................................21 2.1.1.1 Informações gerais .............................................................................22 2.1.1.2 Solicitações de Auxílio .......................................................................22 2.1.1.3 Solicitações de saúde, pelo pessoal local, com base no número de pessoas que precisam de atendimento e no tipo de cuidados de saúde requeridos.....................................................................................................23 2.1.2 Assistência Externa...............................................................................23 2.1.3 Coordenação dos grupos de ajuda externa..............................................24 2.1.4 Agrupamento das famílias .....................................................................25 2.1.5 Abrigos provisórios e saneamento..........................................................26 2.1.6 Pessoas deslocadas ...............................................................................28 2.1.7 Monitorização dos estoques de alimentos...............................................30 2.1.8 Distribuição de alimentos......................................................................30

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2.1.9 Procedimento com animais ....................................................................31 2.1.10 Desenvolvimento após o desastre.........................................................33 3 CONCEITOS ESTABELECIDOS PELA POLÍTICA NACIONAL DE DEFESA CIVIL ..........................................................................................36 3.1 Desastre: Classificação Geral...................................................................36 3.1.1 Classificação dos desastres quanto à intensidade ....................................37 3.1.1.1 Desastres de nível I ............................................................................37 3.1.1.2 Desastres de nível II ...........................................................................38 3.1.1.3 Desastres de nível III..........................................................................38 3.1.1.4 Desastres de nível IV..........................................................................39 3.1.2 Classificação dos desastres quanto à evolução........................................39 3.1.3 Classificação dos desastres quanto à origem...........................................39 3.2 Risco ......................................................................................................40 3.3 Dano .......................................................................................................41 3.4 Vulnerabilidade.......................................................................................41 3.5 Ameaça ...................................................................................................42 3.6 Segurança................................................................................................42 3.7 Defesa Civil.............................................................................................42 3.8 Situação de Emergência ...........................................................................42 3.9 Estado de Calamidade Pública..................................................................43 4 VARIÁVEIS E MODELO NO PLANEJAMENTO DE DEFESA CIVIL ..........................................................................................................44 4.1 Levantamento Estrutural..........................................................................44 4.1.1 Dimensionamento .................................................................................44 4.1.2 Comunicações ......................................................................................44 4.1.3 Energia Elétrica ....................................................................................45 4.1.4 Transportes...........................................................................................46 4.1.5 Economia .............................................................................................47

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4.1.6 Educação..............................................................................................47 4.1.7 Saúde ..................................................................................................47 4.1.8 Meio Ambiente.....................................................................................48 4.1.9 Segurança.............................................................................................48 4.1.10 Órgãos Públicos no Município .............................................................49 4.1.11 Meios de Comunicação Social.............................................................49 4.1.12 Entidades Comunitárias.......................................................................50 4.1.13 Defesa Civil........................................................................................50 4.2 Plano Preventivo de Defesa Civil..............................................................53 4.2.1 Modelo de Plano Preventivo de Defesa Civil ( PPDC )...........................54 4.2.1.1 Legislação e Órgãos Componentes......................................................55 4.2.1.2 Organização do Plano Preventivo de Defesa Civil................................56 4.2.1.3 A Comunidade na Operação do PPDC ................................................57 4.3 Precipitações Pluviométricas ...................................................................57 4.3.1 Inundações ...........................................................................................58 4.3.2 Principais fatores que agravam as inundações urbanas............................59 4.3.2.1 Soluções para as inundações urbanas ..................................................60 4.3.2.1.1 Soluções Estruturais ........................................................................60 4.3.2.1.2 Soluções Não-Estruturais .................................................................61 5 DECLARAÇÃO DE SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA OU ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA E SEUS EFEITOS LEGAIS...........................63 5.1 Efeitos Legais na inobservância dos preceitos doutrinários e jurídicos na Decretação da Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública........65 5.1.1 Mandado de Segurança..........................................................................65 5.1.2 Ação Popular ........................................................................................66 5.1.3 Ação Civil Pública................................................................................67 5.1.4 Emprego Irregular de Verbas ou Rendas Públicas...................................68

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5.2 Implicações Jurídicas com o reconhecimento da situação de emergência ou calamidade pública........................................................................................69 5.2.1 Lei 8.666/93 – alterada pela Lei 8.883/94...............................................69 5.2.2 Decreto Federal n.º 66.204/70, alterado pelo Decreto n.º 91.198/85.........69 5.2.3 Artigos 136, 148 § I e 167 § 3º da Constituição Federal........................70 5.2.4 Decreto n.º 3.365/41 – Dispõe Sobre Desapropriação por Utilidade Pública..........................................................................................................71 5.2.5 Decreto n.º 84.685/90 – Regulamenta a Lei n.º 6.746/79, que trata do Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR.......................................................71 5.2.6 Código de Processo Civil.......................................................................72 6 COMISSÃO MUNICIPAL DE DEFESA CIVIL – CRIAÇÃO DE FUNDOS ESPECIAIS DE DEFESA CIVIL ...............................................73 6.1 Implantação.............................................................................................73 6.2 Organização ............................................................................................74 6.2.1 Seção de Apoio Administrativo .............................................................75 6.2.2 Seção de Minimização de Desastres ......................................................75 6.2.3 Seção de Operações ..............................................................................76 6.3 Atribuições..............................................................................................76 6.4 Disque Defesa Civil – Telefone 199..........................................................78 6.5 Fundo Especial para Calamidades ............................................................79 6.5.1 Dispositivos legais ................................................................................79 6.5.2 Criação de Fundo Especial de Defesa Civil ............................................81 7 CONVÊNIOS COM OS MUNICÍPIOS ...................................................86 7.1 Documentos Necessários para Assinatura de Convênio para Aquisição de Material de Construção..................................................................................87 7.1.1 Documentos Necessários Quando da Assinatura do Convênio.................89 7.2 Documentos Necessários para Assinatura de Convênio para Outras Obras Preventivas ou Recuperativas de Defesa Civil.................................................89

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7.2.1 Documentos Necessários Quando da Assinatura do Convênio.................91 7.3 Liberação de Recursos Materiais pela CEDEC ..........................................92 8 JUSTIFICATIVAS...................................................................................93 CONCLUSÃO.............................................................................................98 BIBLIOGRAFIA.......................................................................................100 ANEXO I - Modelo de Mensagem à Câmara Municipal...........................102 ANEXO II - Modelo de Projeto de Lei......................................................103 ANEXO III - Modelo de Decreto de Organização.....................................106 ANEXO IV - Modelo de Portaria de Nomeação........................................118 ANEXO V - Modelo de Decreto Municipal - Situação de Emergência .....120 ANEXO VI - Modelo de Decreto Municipal - Calamidade Pública ..........122 ANEXO VII - Relatório de Avaliação de Danos.......................................124 ANEXO VIII - Relatório de Primeiro Atendimento.................................136 ANEXO IX - Portaria CEDEC - 9 -610, de 11/12/95 ................................140 ANEXO X - Resolução CMIL - 4 - 610, de 16/11/95.................................143 ANEXO XI - Resolução CEDEC - 001/DIPLAN, de 10/09/97...................152

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RESUMO

A presente monografia "Proposta de uma Coletânea para Sistematização dos Procedimentos Básicos do Coordenador Regional de Defesa Civil", desenvolvida em oito capítulos, é uma contribuição para a consolidação do futuro Manual do REDEC. Apresentam-se ao Coordenador Regional, os conhecimentos técnicos mínimos, para que, junto da iniciativa privada e da comunidade, possibilitem o desenvolvimento de ações voltadas à proteção civil e à redução de desastres, objetivo principal da Defesa Civil. Com metodologia de coleta de dados baseada em pesquisa de mesa, bibliográfica e documental, abrangendo: - o ambiente estadual na visão da defesa civil, relacionamentos e gerenciamentos; - a participação da comunidade; - conceitos doutrinários; - variáveis no planejamento de defesa civil; - implicações legais nas emergências; - fluxo de recursos financeiros; - a participação municipal; - normas para convênio.

Apresenta-se

um

conjunto

interdependente

de

assuntos,

propiciando aos voluntários de Defesa Civil em nível de REDEC, condições de preparar-se para o atendimento de emergências e desastres.

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INTRODUÇÃO

O Sistema Estadual de Defesa Civil constitui-se no instrumento de coordenação dos esforços de todos os órgãos estaduais com os demais segmentos públicos, privados e com a comunidade em geral, tendo como principal objetivo, a redução de desastres, através da prevenção para emergência, ou oferecendo resposta reconstrução da área atingida. aos desastres e ou providenciando a

O Sistema Estadual de Defesa Civil, reorganizado através do Decreto Estadual n.º 40.151, de 16 de junho de 1995, estabelece, entre outros artigos, os órgãos regionais do Sistema Estadual e sua composição:

Artigo 10 – O Sistema Estadual de Defesa Civil tem a seguinte estrutura: I – ... II – Órgãos Regionais: as Coordenadorias Regionais de Defesa Civil – REDEC, distribuídas no interior do Estado e na Região Metropolitana da Grande São Paulo, vinculada à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil – CEDEC; III - ... Artigo 14 – As Coordenadorias Regionais de Defesa Civil – REDEC são órgãos regionais do Sistema Estadual, cabendo-lhes atuar dentro da respectiva região em apoio às Comissões Municipais de Defesa Civil, sempre em regime de cooperação

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Artigo 15 – O Coordenador Regional de Defesa Civil será designado, preferencialmente, dentre os representantes regionais das Secretarias de Estado e das entidades da Administração indireta do Estado.

Conforme estabelece o artigo 15, o Coordenador Regional será nomeado dentre os representantes dos Órgãos do Estado na região, portanto nem sempre, apesar do voluntariado, com os conhecimentos técnicos suficientes para a função, pois os assuntos envolvidos são bastante complexos, exigindo conhecimentos de grande amplitude ou especialização, onde se confirma a necessidade de aglutinação das normas e procedimentos, otimizando a

familiarização dos assuntos e programas envolvidos, facilitando o aprendizado. O objetivo desse trabalho monográfico, em oito capítulos, por meio de uma ampla pesquisa de mesa, é reunir a legislação e os fundamentos teóricos básicos, necessários a um coordenador regional de defesa civil, na sua tarefa de assessorar os municípios no planejamento e promoção da defesa da população contra desastres naturais ou provocados pelo homem, além da prevenção ou minimização de danos, socorro e assistência às populações atingidas e recuperação das áreas afetadas por desastres.

O presente trabalho, no primeiro capítulo, situa o leitor nos aspectos gerais da Defesa Civil: a estrutura do Estado, origem da Defesa Civil, composição do sistema e seu gerenciamento. A organização e atuação da comunidade são apresentadas no segundo capítulo.

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Os conceitos estabelecidos pela política nacional de Defesa Civil são vistos no terceiro capítulo. No quarto capítulo, são apresentadas as variáveis e o modelo no planejamento de defesa civil.

O quinto capítulo aborda a Declaração de Situação de Emergência e Estado de Calamidade Pública e os efeitos legais na inobservância dos preceitos doutrinários.

A implantação de uma Comissão Municipal de Defesa Civil e a criação de Fundo Especial Municipal de Defesa Civil compõem o sexto capítulo. O sétimo capítulo traz as normas para convênio do Estado com as Prefeituras, nas área da Defesa Civil.

Finalmente, o oitavo capítulo traz as justificativas dos assuntos compostos da coletânea.

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1 A DEFESA CIVIL NO ESTADO DE SÃO PAULO

1.1 O Estado de São Paulo1

Ocupando 3% do território brasileiro e com 34 milhões de habitantes ( 21 % da população brasileira) distribuídos em 645 municípios e 15 regiões administrativas, é a maior concentração produtiva e de mercado do País. Seu PIB é de ordem de US$ 240 bilhões, ou seja, 1/3 do PIB nacional, gerando 50% do PIB industrial brasileiro.

A região metropolitana da Capital, com 16 milhões de habitantes, é o terceiro aglomerado do planeta. O Estado possui 29 mil Km de rodovias pavimentadas, às quais se somam outras 170 mil de estradas secundárias. Sua malha ferroviária tem 5,5 mil Km. Seus portos de Santos e São Sebastião movimentam cerca de 20% da carga portuária brasileira.

Possui 33 aeroportos, dos quais 02 internacionais, sendo que um deles, o de Guarulhos, é o que apresenta maior movimento da América Latina. O Estado dispõe, ainda, de quatro refinarias de petróleo e 1.750 Km de oleodutos. Conta, também, com 22 grandes usinas hidroelétricas,

responsáveis pelo fornecimento de 79 mil gigawatts/hora/ano.

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O texto que se segue foi adaptado de uma publicação da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.

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A rede de Ensino conta com 9,7 milhões de alunos no ensino básico e fundamental e 540 mil em cursos superiores. Está em São Paulo a maior área contínua de mata Atlântica. São mais de 900 mil hectares de floresta, gerenciados pelo Estado.

1.2 Origem da Defesa Civil no Estado de São Paulo

Conforme

Clodomir

Ramos

Marcondes,

na

monografia

"Orientação Legal nas Ações de Emergências", a Defesa Civil do Estado de São Paulo teve como origem a ocorrência de precipitações pluviométricas anormais e grandes incêndios urbanos.

Afirma que na análise deste século vai-se encontrar eventos danosos, verdadeiras catástrofes, sensibilizando o povo paulista para a necessidade de um organismo capaz de prevenir tais acontecimentos ou, diante de eventos imprevisíveis, minimizar as perdas humanas e materiais, atender aos necessitados, restabelecendo a normalidade na área atingida. Dentre estes eventos, lista os seguintes: Em 1967, a ocorrência de chuvas intensas em Caraguatatuba, que vieram provocar a necessidade de inúmeras providências de socorro, que, embora improvisadas, controlaram a situação; Em 1969, chuvas intensas atingindo o interior e mesmo a Capital, determinando a criação, pelo governo, da 1ª Comissão de Defesa Civil, autolimitada pela sua própria finalidade;

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Em 1972, violento incêndio irrompe no Edifício Andraus, e nada preparado havia para atender tal situação; Em 1974, novamente a Capital é sacudida por catastrófico acontecimento, desta vez foi o incêndio do Edifício Joelma, que, uma vez mais, fez inúmeras vítimas. Observa que, além de diversos organismos públicos e entidades destinadas à assistência e filantropia, a comunidade em geral manifestava interesse em participar das atividades de socorro e assistenciais, mas tudo isso acontecia de forma desorganizada e até com desperdício de meios. Diante dos fatos, foi criado, na Secretaria de Economia e Planejamento, um grupo de trabalho para estudar medidas frente a essas ocorrências, onde o item relativo à mobilização e participação comunitária foi entregue à Casa Militar, que concluiu pela necessidade de um trabalho mais amplo, redundando em 1976 na criação do Sistema Estadual de Defesa Civil, operacionalizado por um departamento da Casa Militar.

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Figura 1: Placa alusiva em homenagem às dezenas de vítimas e sobreviventes do evento calamitoso de Caraguatatuba em 1967.

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O evento calamitoso de Caraguatatuba, em 1967, certamente foi o marco da criação do Sistema Estadual de Defesa Civil no Estado de São Paulo. A placa alusiva materializa a homenagem prestada por autoridades às dezenas de vítimas, aos sobreviventes e pessoal de socorro.

1.3 Composição do Sistema Estadual de Defesa Civil

CEDEC – Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, é o órgão central, subordinada diretamente ao Governador do Estado;

REDEC – Coordenadorias Regionais de Defesa Civil, são órgãos regionais, localizados em cada região administrativa do Estado e região Metropolitana de São Paulo; COMDEC – Comissão Municipal de Defesa Civil, poderá ser criada em todos os municípios do Estado, caso desejam integrar o sistema Estadual. Outros órgãos poderão ser acrescentados ao sistema, com a finalidade de se ampliarem as condições de prevenção e combate às calamidades, tais como: entidades públicas e privadas, organizações não governamentais (ONGs) etc.

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1.3.1 Coordenadorias Regionais de Defesa Civil

As

Coordenadorias Regionais de Defesa Civil (REDEC)

atuam no interior e na região metropolitana de São Paulo e são em número de quatorze ( veja mapa na página seguinte), tendo como principal atribuição a formação e o apoio às Comissões Municipais de Defesa Civil (COMDEC), uma em cada município. As ações de Defesa Civil, com a função básica de proteger a vida, desenvolvem-se nas seguintes fases: • preventiva, para preparar as populações, operada em situação de normalidade, sugerindo-se medidas e obras públicas para os pontos críticos, elaborando planos operacionais específicos; • socorro, conduzindo as vítimas aos hospitais; assistencial, encaminhando os flagelados a locais e abrigos seguros e atendendo-os com medicamentos, agasalhos, alimentos e conforto moral; • recuperativa, que possibilita o retorno à normalidade e, se possível, executando obras que, além de recuperar a área atingida pelo desastre, tenham caráter preventivo quanto a outros eventos adversos que possam assolar a comunidade, fechando-se, desta maneira, o círculo em que se inserem as fases de atuação de Defesa Civil. Um dos problemas mais sérios para a organização dos trabalhos de prevenção e combate às calamidades é obter a participação da comunidade. Isso porque, na época atual, especialmente nas grandes cidades, por suas características psicossociais, os cidadãos são levados a se situar em um universo maior, neutralizando a sua sensibilidade e reduzindo sua atenção a interesses mais próximos e imediatos ou a problemas locais de pequeno porte. O homem,

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cada vez mais, tende a preocupar-se com assuntos estranhos e distantes e chega a desconhecer as dificuldades de seus vizinhos.

Figura 2: Mapa do Estado de São Paulo com as áreas geográficas das Coordenadorias Regionais de Defesa Civil.

As Coordenadorias regionais de defesa Civil têm suas áreas coincidentes com as da administração do Estado, possibilitando perfeito entrosamento entre ambas através da designação honorária de membros das diversas Secretarias e Empresas do Estado, como Coordenadores Regionais de Defesa Civil. Estes profissionais passaram, juntamente com os técnicos da

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Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, a exercer estreita ligação com as prefeituras, orientado-as quanto às suas necessidades no tocante à execução de obras preventivas (galerias, muros de arrimo, casas) e recuperativas (pontes e reconstruções em geral) de Defesa Civil.

1.4 Centro de Gerenciamento de Emergência da CEDEC

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC) dispõe de um Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), com plantão 24 horas. Para receber as informações e acionar os meios necessários e os órgãos competentes para um pronto atendimento às regiões afetadas por desastres, o CGE conta com pessoal altamente qualificado e com vasta experiência. Além disso, em situações específicas, como por exemplo quando da vigência dos Planos Preventivos, o CGE conta com apoio de técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e IG (Instituto Geológico), que saem a campo para vistoriar determinado local de risco e, se for o caso, fazer a remoção de pessoas, interditar a área, tudo visando à preservação de vidas humanas.

Outro instrumento importante à disposição do CGE é a meteorologia. Através de informações recebidas dos radares meteorológicos de Bauru, Ponte Nova (Salesópolis), de órgãos como o INPE, INMET, duas meteorologistas elaboram boletins que são repassados às REDEC, diretamente às COMDEC nas prefeituras e até mesmo para algumas Secretarias de Estado. Em posse de tais boletins, providências podem ser tomadas com antecedência, a exemplo do que ocorreu no início de 1998, quando dezenas de famílias do Vale do Ribeira foram removidas para abrigos, antes que as águas cobrissem suas casas.

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2 ORGANIZAÇÃO E ATUAÇÃO DA COMUNIDADE NAS AÇÕES DE DEFESA CIVIL

Com o advento de um desastre, a comunidade é a primeira a sofrer os seus efeitos nocivos; portanto, as atividades de prevenção e preparação para emergências e desastres se constituem em algo de extrema importância.

2.1 Comitê de Coordenação

A fim de que os esforços da comunidade, mobilizada após o desastre, sejam mais eficazes, as autoridades locais deverão estabelecer imediatamente um comitê encarregado de coordenar as ações relacionadas com o desastre. O comitê deverá avaliar as conseqüências do desastre e lidar com os problemas essenciais, como o resgate de pessoas em desabamentos de edifícios, deslizamentos de terra, famílias isoladas, incêndios, etc.

Que meios devem ser utilizados ?

2.1.1 Avaliação das necessidades

Logo após ter estabelecido contato com as autoridades de níveis intermediários e central, o comitê de coordenação informar-lhes-á as necessidades, com o intuito de evitar enganos e obter assistência externa

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adequada. Deverão ser prestadas informações relativas aos problemas gerais e às ações de saúde.

2.1.1.1 Informações gerais

• • • materiais; • • •

Avaliação do número de desabrigados; Estimativa do número de vítimas; Avaliação do tipo, da extensão e da gravidade dos danos

Informações relativas a lugarejos isolados; Informações relativas a pessoas separadas das suas famílias; Previsão a respeito da evolução do fenômeno natural

responsável pelo desastre.

2.1.1.2 Solicitações de Auxílio

• • • “Trailers”, etc.); • • • •

Máquinas para trabalhar nos escombros; Meios de transporte, combustível; Abrigos (tendas, material para construção de abrigos,

Cobertores, roupas, botas, capas de chuva; Alimentos; Ferramentas, baterias, “containers”, materiais; Pessoal especializado em trabalhos de resgate;

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Outros.

2.1.1.3 Solicitações de saúde, pelo pessoal local, com base no número de pessoas que precisam de atendimento e no tipo de cuidados de saúde requeridos

• • • • •

Equipamentos e material de saúde; Remédios; Pessoal de saúde necessário; Hospitais adequadamente equipados para o encaminhamento

dos pacientes que não possam ser atendidos localmente; Meios e organização na evacuação dos feridos e enfermos.

No caso de não haver comunicação telefônica ou das linhas estarem interrompidas, o contato só poderá ser feito pelo rádio. Se a comunidade não tiver equipamento de rádio, os rádio-amadores algumas vezes poderão restabelecer o contato. Em todo caso, o comitê deverá ter um centro de comunicações ao seu dispor.

2.1.2 Assistência Externa

A solidariedade regional ou estadual é certamente de grande importância para as comunidades atingidas por um desastre. Pode ocorrer, contudo, que a assistência externa esteja calcada na idéia que os doadores externos se fazem do desastre, ou naquilo que estiverem dispostos a doar, em

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vez de espelhar as verdadeiras necessidades da comunidade atingida. Aliás, certas formas de assistência inadequada são uma constante, como lotes de remédios não solicitados, hospitais de campanha que permanecem vazios e pessoal médico desnecessário.

Conseqüentemente, é importante que a comunidade solicite, o mais cedo possível, o tipo de auxílio de que realmente precisa. A fim de canalizar mais eficazmente a assistência externa durante o período após o desastre, a comunidade poderá pedir aos doadores que enviem, inicialmente, um especialista encarregado de ajudar a avaliar as necessidades e a formular programas de reabilitação/reconstrução que a assistência externa possa sustentar. A experiência demonstra que a assistência internacional é muito mais importante no período após o desastre do que como auxílio de emergência.

2.1.3 Coordenação dos grupos de ajuda externa

A assistência de grupos externos (voluntários, associações) é importante. Entretanto, deverão ser tomadas medidas para evitar que cada grupo aja por conta própria, sem qualquer coordenação, e algumas vezes competindo ou em evidente conflito entre si. Especialmente quando a comunidade é pobre ou mal organizada, os grupos externos poderão provocar graves desequilíbrios e rixas, ou induzir à dependência. O ideal é que o grupo de coordenação oriente as atividades destes grupos. Quando a comunidade está desnorteada, uma tarefa essencial dos

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grupos externos será incentivar a ação das autoridades locais, do pessoal local de saúde e da comunidade, e ajudá-los a se organizarem, de modo que possam retomar o controle da situação. As entidades internacionais podem desempenhar um importante papel, ao consultar os comitês locais e convidar os doadores e os grupos externos a fazer o mesmo.

2.1.4 Agrupamento das famílias

O comitê de coordenação deverá agir rapidamente para estabelecer um sistema de contato permanente com as famílias vítimas do desastre. Uma maneira eficaz de montar esse sistema é subdividindo a comunidade em grupos que consistam de núcleos familiares vizinhos, e tendo uma pessoa encarregada de cada grupo. Essa pessoa poderá ser designada pelo grupo ou, se impraticável, ser selecionada pela autoridade local. Cada encarregado poderá delegar tarefas específicas aos diferentes membros do grupo. Os encarregados dos grupos deverão entrar em contato diariamente com o comitê de coordenação. Esse tipo de sistema permite: • • • Obter informações a respeito das necessidades; Passar informações ou instruções à população; Quando necessário, distribuir meios de sobrevivência

(roupas, cobertores, alimentos, etc.).

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O pessoal local de saúde também poderá utilizar esse sistema para atividades sanitárias.

2.1.5 Abrigos provisórios e saneamento

Quando o desastre exige a evacuação das casas, mas não da área, será necessário providenciar abrigo provisório para aqueles obrigados a deixar suas residências e que, geralmente, preferem ficar por perto. Esses abrigos provisórios deverão estar localizados nas propriedades abandonadas ou perto destas. Poderá ocorrer que a população se espalhe pelo local (lotes vazios, jardins, parques, praças, estacionamentos, quadras de esportes, etc.), utilizando qualquer coisa que estiver à mão (tábuas, plásticos, tendas, automóveis, “containers”, barcos, vagões de estada de ferro, edifícios em construção, escolas, edifícios públicos, etc.). As condições sanitárias poderão, então, sofrer rápida deterioração e será muito difícil avaliar as necessidades. As comunidades em risco ( e aqueles que se propuserem a abrigar populações deslocadas ) deverão selecionar os locais de abrigo provisório (antes de o desastre ocorrer) e empreender as obras preparatórias requeridas. As áreas onde serão localizados os abrigos provisórios deverão preencher os seguintes requisitos: • enchente; • Estar situadas, de preferência, em áreas com um pequeno Estar a salvo de inundações, acima do mais alto nível de

declive, que facilite a drenagem das águas pluviais e servidas;

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• • afundamento; • • •

Não estar muito próximas do lençol freático, a fim de evitar

que o solo fique alagado durante a estação chuvosa; Estar protegidas de queda de barreiras e não sujeitas a

Ser facilmente acessíveis e estarem perto do centro urbano; Estar a um nível acima dos desaguadouros; Estar a jusante das fontes de água potável.

Os locais para abrigos provisórios deverão estar dotados de abastecimento d'água, sanitários e depósito para lixo. Durante os primeiros dias, às vezes é necessário utilizar carrospipa para o transporte d'água, mas, assim que possível, deverão ser estabelecidos pontos de água, mediante a perfuração de poços artesianos ou poços comuns, ou a construção de aqueduto. Se o suprimento for deficiente, as pessoas congregarse-ão perto dos locais de abastecimento. Deverá haver um ponto de abastecimento com saídas múltiplas para cada 200/250 pessoas, mas algumas vezes é difícil atingir essa razão. O método mais simples de instalar os sanitários é fazer valas de aproximadamente 2m de profundidade por 80cm de largura (com comprimento variável) e cobri-las com pranchas, dotadas de assentos ou tábuas para agacharse. As coberturas deverão estar cobertas por tampa para impedir que as moscas entrem na vala. Os sanitários não devem ser instalados muito afastados dos abrigos provisórios.

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Deverão ser estabelecidos locais de depósito de lixo, onde os resíduos sólidos (lixo sólido) serão queimados e depois cobertos com terra para evitar a proliferação de moscas e roedores. Ao planejar os acampamentos provisórios, deverá evitar-se a disposição geométrica dos abrigos e sua distribuição em fileiras indistintas. Pelo contrário, deverão ser incentivados os agrupamentos familiares e a escolha espontânea das vizinhanças, embora mantendo um controle rigoroso das condições sanitárias. Se o acampamento tiver que ser utilizado durante um longo período, o planejamento deverá contemplar acomodações para uma

administração local, um centro de saúde e hospital, uma escola e, na medida do possível, outros serviços e atividades comunitárias.

2.1.6 Pessoas deslocadas

Neste item são considerados apenas indivíduos deslocados como resultado de secas ou fome. Em geral, os fluxos migratórios estão além das possibilidades das comunidades. Os governos devem planejar o assentamento das pessoas deslocadas, distribuindo-as nas áreas que melhor se adaptem a tais assentamentos ( com água, terra cultiváveis, pastos, possibilidades de desenvolvimento, condições socioculturais favoráveis, etc.).

Entretanto, quando não há planejamento, as pessoas deslocadas acabam nas periferias das cidades, em locais sem qualquer infra-estrutura. Quando a população migrante é muito grande, ocorre uma situação de emergência que se caracteriza por graves problemas sanitários e de sobrevivência. É fundamental começar a agir assim que possível, enquanto se

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espera intervenção governamental e auxílio internacional. As autoridades locais precisam estabelecer um comitê de coordenação para lidar com as emergências. Quando as entidades internacionais intervierem, deverão trabalhar em estreita colaboração com o comitê. É essencial tomar as seguintes medidas: a- Avaliar o local. Se não for possível prover água ao local de assentamento espontâneo ou se houver qualquer risco de inundação, afundamento do solo, etc., um outro local deverá ser escolhido e equipado, com a participação da população deslocada. As características dos locais adequados foram descritas na seção anterior. b- Organizar a população deslocada em agrupamentos familiares e selecionar os encarregados dos diversos grupos. Isso significa fazer um censo da população deslocada e daqueles que forem chegando. c- Unir a comunidade e a população deslocada na solução dos problemas mais iminentes: • • • vigilância de: • • Doenças transmissíveis, dando prioridade às doenças Instalação dos pontos de abastecimento d'água; Cavar as valas para os sanitários; Organizar a coleta e eliminação do lixo.

d- O pessoal local de saúde deverá estabelecer um sistema de

endêmicas, inclusive àquelas do local de origem da população deslocada; As condições de saúde e de nutrição das crianças.

As vantagens de estabelecer um posto de saúde provisório perto da população deslocada deverão ser consideradas. Deve-se tratar de cumprir os itens relacionados a seguir: • • Atenção de rotina; Imunização que acompanhe o plano nacional de vacinação;

30

• •

Educação sanitária; Atividades comunitárias.

Voluntários da comunidade e a organização da população deslocada deverão auxiliar o pessoal local de saúde.

2.1.7 Monitorização dos estoques de alimentos

Se houver risco de falta de alimentos, as autoridades locais e a comunidade deverão organizar um sistema de monitorização, a fim de evitar a especulação. Principalmente, é muito importante controlar os preços e monitorizar os dispositivos de abastecimento, armazenamento e distribuição dos alimentos a fim de impedir que estes desapareçam do mercado e seja vendidos “por baixo do pano”.

2.1.8 Distribuição de alimentos

Se houver risco de má nutrição resultante de escassez de alimentos, poderá ser necessário distribuir alimentos à população. Isso acontece, em especial, no caso de populações deslocadas. Na maioria dos casos, os alimentos vêm de fora. Entretanto, é importante que a comunidade se engaje ativamente na organização da distribuição dos alimentos. Poderá se estabelecer um comitê local, constituído por representantes da comunidade, indivíduos dentre a população flagelada e doadores. A constituição desse comitê, que

31

deverá coordenar a distribuição de alimentos, provavelmente ajudará a eliminar falhas, assim como a prevenir favoritismo e abusos. É importante que os alimentos distribuídos sejam culturalmente aceitáveis, assim como conhecidos e utilizados pela população. Quando for necessário distribuir alimentos vindos do exterior, que a população flagelada desconheça, deverão ser feitas demonstrações sobre sua preparação. Em comunidades muito pobres, deverá evitar-se a distribuição de alimentos manufaturados, de modo a não interferir com os hábitos alimentares e a capacidade de usar alimentos frescos locais.

Na medida do possível, a distribuição de alimentos preparados deverá ser evitada, uma vez que poderá sugerir que a população flagelada será assistida em massa. No campo da nutrição também é importante a afirmação do princípio de que a comunidade deve ser auxiliada a retomar suas atividades normais, sua autonomia e suas iniciativas.

2.1.9 Procedimento com animais

Também poderá ocorrer a dispersão ou a morte de animais ( em grande número nas enchentes, por exemplo). Os animais podem perder seus abrigos. Pode ocorrer a disseminação de zoonoses. Os cachorros podem voltar à vida selvagem e andar em matilhas. A comunidade, possivelmente mediante grupos de voluntários ( que serão mais eficazes se tiverem sido treinados antecipadamente), deverá tomar medidas para executar as tarefas essenciais relacionadas a seguir:

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destruir as carcaças dos animais: isso não é fácil porque são

difíceis de queimar, e enterrá-las implica uma grande mão-de-obra. Com freqüência, as carcaças precisam ser borrifadas com gasolina e cobertas com terra para protegê-las dos predadores, até que possam ser destruídas ou enterradas; • destruir partes de animais. O mesmo tratamento descrito para

as carcaças deverá ser dado aos pedaços de animais em açougues, matadouros e casas, quando não é possível manter a refrigeração; • Dar abrigo a animais desgarrados; capturá-los e tratá-los. Os

animais deverão ser reunidos em instalações específicas para esta finalidade, assim como alimentados. Assim que for possível, os serviços veterinários deverão: • matadouros; • • afetadas. Realizar vacinação em massa, dependendo dos riscos locais, Organizar a vigilância das zoonoses transmissíveis e dos

de raiva, febre aftosa, febre suína, pestes das aves, etc.; Eliminar os animais doentes ou isolar as propriedades rurais

As medidas para salvar os animais podem ser muito importantes nas áreas rurais e têm um grande impacto no moral e na recuperação econômica da comunidade.

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2.1.10 Desenvolvimento após o desastre

Os danos estruturais (casa, prédios públicos, fábricas, armazéns etc), e os danos às culturas e às criações, associados à interrupção das atividades de produção e comercialização, trazem graves dificuldades econômicas às comunidades atingidas. Alguns países possuem mecanismos jurídicos específicos para situações de calamidade, mediante os quais as áreas atingidas por um desastre, não apenas recebem auxílio financeiro, como também medidas essenciais ao retorno à vida econômica e social normal: reconstrução, construção de casas, planos de desenvolvimento, medidas de proteção e concessões temporárias às populações flageladas. Entretanto, certos perigos devem ser evitados. Com freqüência é necessário verificar se os trâmites burocráticos não estão colocando empecilhos à real disponibilidade dos recursos destinados às comunidades locais. Deverão ser desenvolvidos procedimentos administrativos e de controle para a situação de emergência que não prejudiquem as atividades de campo.

Algumas vezes os recursos financeiros disponíveis para atender a emergência podem provocar especulação ou atividades ilegais (preços exorbitantes, corrupção, crime organizado). Isso é tanto um problema político quanto de segurança pública, e será necessário estar preparado para agir com o maior rigor, não apenas porque essas atividades podem atrasar, prejudicar ou desencaminhar a recuperação econômica durante uma fase precária e difícil, já que traz desânimo à população, como também porque tira da ação pública toda sua credibilidade e cria condições para a desintegração e degradação da comunidade.

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Deverão ser evitadas as atividades econômicas inadequadas que criam distúrbios e desequilíbrios na comunidade, no que diz respeito aos recursos e ao potencial locais. Algumas vezes, a pressão de determinadas empresas ou grupos comerciais, atraídos pela possibilidade de grandes lucros, pode influenciar as autoridades públicas ou os indivíduos, instando-os a desenvolver atividades ou fazer escolhas que não estão de acordo com as necessidades prioritárias da área atingida pelo desastre. Ocasionalmente, a alocação de subsídios ou de auxílios especiais individuais ou familiares acaba afundando a população num estado de dependência. Esse tipo de fenômeno, criado por doações inadequadas, em qualidade e quantidade, deve ser vetado, a fim de evitar que o desenvolvimento da área seja gravemente prejudicado ou completamente bloqueado. Os recursos destinados à retomada do desenvolvimento deverão ser utilizados, principalmente, para: • iniciar e sustentar atividades locais de produção e

comercialização, baseadas na utilização e exploração dos recursos existentes na área ( deverão ser evitados os esquemas cujo êxito dependa, principalmente, de suprimentos, máquinas ou peças vindas do exterior); • Ministrar treinamento profissionalizante relativo às atividades

econômicas mencionadas anteriormente e os empregos que forem criados em consonância com a realidade local; • comunidade; • melhorar o transporte e as comunicações entre a comunidade estabelecer a infra-estrutura e os serviços essenciais à

atingida pelo desastre e o restante do país.

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A experiência demonstra que a recuperação é facilitada pela participação ativa dos diversos segmentos da comunidade na preparação e implementação dos planos de reconstrução e desenvolvimento. O pessoal local de saúde poderá fazer uma importante contribuição no desenvolvimento através das suas ações junto à comunidade e pela integração das atividades sanitárias às atividades projetadas para melhorar a qualidade de vida da população. Quanto aos serviços de saúde, o principal perigo está na restauração da atenção de saúde aos níveis que prevaleciam anteriormente, sem a devida análise crítica do funcionamento das estruturas preexistentes. É muito importante que a fase de reabilitação e reconstrução permita ir além das limitações dos serviços de saúde reveladas pelo desastre. Um desastre terá conseqüências muito mais graves numa região em que os recursos e os serviços existentes são insuficientes para atender às necessidades normalmente. Os desastres provêem uma oportunidade, que não deve ser desperdiçada, de dar prioridade às políticas de estabelecimento e organização de serviços de saúde coerentes com os objetivos, as estruturas e os métodos de trabalho da atenção primária de saúde.

36

3 CONCEITOS ESTABELECIDOS PELA POLÍTICA NACIONAL DE DEFESA CIVIL

3.1 Desastre: Classificação Geral

Resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem, sobre um ecossistema vulnerável, causando danos humanos, materiais e ambientais e conseqüentes prejuízos econômicos e sociais.

A intensidade de um desastre depende da interação entre a magnitude do evento adverso e a vulnerabilidade do sistema e é quantificada em função de danos e prejuízos. Embora para o leigo a idéia de desastre esteja intimamente

relacionada com a de subitaneidade, do ponto de vista técnico, os desastres não são necessariamente súbitos. É importante frisar que a intensidade do desastre não depende apenas da magnitude do fenômeno adverso, mas, principalmente, do grau de vulnerabilidade do cenário do desastre e do grupo social atingido.

Embora clássica, a classificação dos desastres quanto à tipologia em naturais, humanos e mistos, vem sendo contestada por autores modernos, que tendem a rotular todos os desastres como mistos, mas ainda permanece em vigor a classificação clássica estabelecida.

Os desastres são classificados quanto:

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- à intensidade; - à evolução; - à origem.

3.1.1 Classificação dos desastres quanto à intensidade

Quanto à intensidade, os desastres são classificados em 4 níveis: - nível I, desastres de pequena intensidade ou acidentes; - nível II, desastres de média intensidade; - nível III, desastres de grande intensidade; - nível IV, desastres de muito grande intensidade.

3.1.1.1 Desastres de nível I

Os desastres de pequena intensidade ou acidentes são caracterizados quando os danos causados são pouco importantes e os prejuízos são pouco vultosos e, por estes motivos, são mais facilmente suportáveis e superáveis pelas comunidades afetadas.

Nessas condições, a situação de normalidade é facilmente restabelecida com os recursos existentes e disponíveis na área (município) afetada e sem necessidade de grandes mobilizações.

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3.1.1.2 Desastres de nível II

Os desastres de intensidade média são caracterizados quando os danos causados são de alguma importância, e os prejuízos, embora não vultosos, são significativos. Apesar disso, esses desastres são suportáveis e superáveis por comunidades bem informadas, preparadas, participativas e facilmente mobilizáveis.

Nessas condições, a situação de normalidade pode ser restabelecida com os recursos existentes e disponíveis na área (município), desde que sejam racionalmente mobilizados e judiciosamente utilizados.

3.1.1.3 Desastres de nível III

Os desastres de grande intensidade são caracterizados quando os danos causados são importantes, e os prejuízos são vultosos. Apesar disso, esses desastres são superáveis e suportáveis por comunidades bem informadas, preparadas, participativas e facilmente mobilizáveis. Nessas condições, a situação de normalidade pode ser restabelecida, desde que os recursos mobilizados na área (município) afetada sejam reforçados com o aporte de recursos estaduais e federais.

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3.1.1.4 Desastres de nível IV

Os desastres de muito grande intensidade são caracterizados quando os danos causados são muito importantes e graves, e os prejuízos são muito vultosos e consideráveis. Nessas condições, esses desastres não são superáveis e suportáveis pelas comunidades, mesmo que bem informadas, preparadas, participativas e facilmente mobilizáveis, a menos que recebam ajuda de fora da área afetada.

Nessas condições, o restabelecimento da situação de normalidade depende da mobilização e da ação dos três níveis do Sistema Nacional de Defesa Civil e, em alguns casos, de ajuda internacional.

3.1.2 Classificação dos desastres quanto à evolução.

I - Desastres súbitos ou de evolução aguda II- Desastres de evolução crônica e gradual III-Desastres por somação de efeitos parciais

3.1.3 Classificação dos desastres quanto à origem

I - Desastres naturais II - Desastres humanos ou Antropogênicos III – Desastres mistos

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QUADRO 1 - RESUMO 1. Evolução • 1. Desastres súbitos ou de evolução aguda • 2. Desastres de evolução crônica e gradual • 3. Desastres por somação de efeitos parciais 2. Intensidade • • • •

1. Acidentes 2. Desastres de médio porte 3. Desastres de grande porte 4. Desastres de muito grande porte

3. Origem • 1. Desastres naturais • 2. Desastres humanos ou antropogênicos • 3. Desastres mistos

3.2 Risco

Medida de danos ou prejuízos potenciais, expressa em termos de probabilidade estatística de ocorrências e de intensidade ou grandeza das conseqüências previsíveis.

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Relação existente entre a probabilidade de que uma ameaça de evento adverso ou acidente determinado se concretize, com o grau de vulnerabilidade do sistema receptor a seus efeitos.

3.3 Dano

Medida que define a intensidade ou severidade da lesão resultante de um acidente ou evento adverso. Perda humana, material ou ambiental, física ou funcional, que pode resultar, caso seja perdido o controle sobre o risco.

Intensidade das perdas humanas, materiais ou ambientais, induzidas às pessoas, comunidades, instituições, instalações e ou ecossistemas, como conseqüência de um desastre.

3.4 Vulnerabilidade

Condição intrínseca ao corpo ou sistema receptor que, em interação com a magnitude do evento ou acidente, caracteriza os efeitos adversos, medidos em termos de intensidade dos danos prováveis. Relação existente entre a magnitude da ameaça, caso ela se concretize, e a intensidade do dano conseqüente.

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3.5 Ameaça

Estimativa de ocorrência e magnitude de um evento adverso, expressa em termos de probabilidade estatística de concretização do evento e da provável magnitude de sua manifestação.

3.6 Segurança

Estado de confiança, individual ou coletivo, baseado no conhecimento e no emprego de normas de proteção e na convicção de que os riscos de desastres foram reduzidos, em virtude de terem sido adotadas medidas minimizadoras.

3.7 Defesa Civil

Conjunto de ações preventivas, de socorro, assistenciais e reconstrutivas, destinadas a evitar ou minimizar os desastres, preservar o moral da população e restabelecer a normalidade social.

3.8 Situação de Emergência

Reconhecimento legal pelo poder público de situação anormal, provocada por desastre, causando danos suportáveis à comunidade afetada

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3.9 Estado de Calamidade Pública

Reconhecimento legal pelo poder público de situação anormal, provocada por desastre, causando sérios danos à comunidade afetada, inclusive à incolumidade ou à vida de seus integrantes.

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4 VARIÁVEIS E MODELO NO PLANEJAMENTO DE DEFESA CIVIL

4.1 Levantamento Estrutural

São atividades de prevenções desencadeadas nos municípios no sentido de promover levantamentos de dados, cadastramento de órgãos e entidades, visando à promoção da Defesa Civil no Municípios, traçar planos emergênciais e projetos destinados à implantação de obras de caráter preventivo. Essas atividades estão especificadas a seguir.

4.1.1 Dimensionamento

• • • • •

Qual é a área do município? Qual é o número de habitantes na zona urbana e rural? Qual é a distância do município à capital? Quais são os municípios limítrofes? Qual é a distância do município a outro mais próximo,

visando à ajuda mútua numa emergência? (identificação desse município).

4.1.2 Comunicações

Qual é a companhia telefônica que atende o município?

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• rural) • rural) • prefixo) • freqüência, banda) • •

Qual é o número de telefones instalados? ( Zona urbana e

Qual é a extensão da rede telefônica (Km) ? (zona urbana e

Quais são as estações de radioamadores? (freqüência, banda,

Quais são as estações de rádio da polícia? (Civil e Militar –

Quais são as estações de rádio de outros órgãos públicos?

(principais: órgãos, freqüência, banda) Quais são os números de telex e telefax de importância em

caso de emergência? (órgãos detentores)

4.1.3 Energia Elétrica

• • • •

Qual é a companhia de fornecimento? (Zona urbana e rural) Qual é a extensão da rede? (Zona urbana) Qual o número de famílias beneficiadas? (Zona urbana) Quais são as localidades rurais beneficiadas? ( extensão da

rede, famílias beneficiadas, distritos, vilas...)

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4.1.4 Transportes

• • • • • • • • balsa) • particular) • • • de passageiros) •

Quais são as rodovias federais? (denominação, Km no

município e acessos) Quais são as rodovias estaduais? (denominação, Km no

município e acessos) Quais são as rodovias municipais? (denominação e acessos) Quais são as ferrovias que servem o município? (Km no

município, linhas mortas, desvios...) Quais são as aerovias? (serviço de transporte aéreo) Quais são as empresas de transporte aéreo que operam? Quais são as características do aeroporto? (pista, tipos de

aeronave que operam, operação diurna e ou noturna e outros) Quais são as hidrovias do município? (incluindo serviço de

Quais são as empresas de transporte fluvial? (público e

Quais são os percursos e tempo? Quais são as linhas de transporte rodoviário que atendem o

município? (de carga e de passageiros) Quais são as empresas de transporte rodoviário? ( de carga e

Quantos veículos? ( de carga e de passageiros ).

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4.1.5 Economia

• importante? • importante? • maiores? •

Agricultura: Quais são os tipos de cultura? Qual a mais

Pecuária: Quais são as criações existentes? Qual a mais

Indústria: Quais são as indústrias instaladas? Quais as

Comércio: Qual é o número de estabelecimento comerciais?

Qual principal atividade comercial?

4.1.6 Educação

• •

Quantas Escolas Estaduais? (Zona urbana e rural, nomes,

localização, quantidade de sala e de alunos) Quantas Escolas Municipais? (Zona urbana e rural, nomes,

localização, quantidade de sala e de alunos)

4.1.7 Saúde

• • •

Quantos hospitais tem o município? Quais são? Há quantos leitos disponíveis por especialidade? Quantos e quais são os Centros e Postos de Saúde?

48

• • •

As Unidades Hospitalares e Centros de Saúde contam com

serviço de urgência ( Pronto Socorro)? Dispõem de ambulância? Quantas? (órgãos detentores) A Prefeitura tem Secretaria de Saúde? Tem médico

contratado? Mantém convênio com alguma entidade de saúde? Quais?

4.1.8 Meio Ambiente

• Qual? • Ambiente? • • • • •

A prefeitura tem órgão próprio que trate de meio ambiente?

Existe equipe, patrulha, núcleo ou Conselho de Meio

Houve algum caso de poluição ambiental no município? De

que espécie? (do ar, água ou solo) Houve vítimas? Que rio foi atingido? Que área foi afetada? Qual foi o agente poluidor? (químico, físico e biológico) Outros dados de interesse.

4.1.9 Segurança

• •

Quais são as Unidades de Polícia Militar existentes no

município? (denominação, endereço e telefone) Existe delegacia de polícia? (distritos, endereço e telefone)

49

• • aproximado) •

Existe Unidade do Corpo de Bombeiros? (denominação,

endereço e telefone) Existe Guarda Municipal? ( endereço, telefone e efetivo

Existe Tiro de Guerra? (especificar)

4.1.10 Órgãos Públicos no Município

• telefone) • telefone) • telefone)

Quais são os Órgãos Federais? (denominação, endereço,

Quais são os Órgãos Estaduais? (denominação, endereço,

Quais são as Secretarias e os Órgãos Municipais? (endereço,

4.1.11 Meios de Comunicação Social

• • • • • periodicidade)

Quais são as emissoras de TV captadas? Quais são as retransmissoras de TV? Quais são as estações de rádio do município? Quais são as outras estações de rádio ouvidas? Quais são os jornais existentes no municípios? (tiragem,

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• chegada) •

Quais são os jornais da capital mais lidos? (horário de

Qual é o jornal do município vizinho mais lido?

4.1.12 Entidades Comunitárias

• telefone) • • • • telefone)

Quais são os clubes sociais? (denominação, endereço,

Quais

são

as

entidades

beneficentes?

(denominação,

endereço, telefone) Quais são as associações voluntárias? (denominação,

endereço, telefone) Quais são as associações amigos de bairro ou congêneres?

(denominação, endereço, telefone) Quais são as entidades religiosas? (denominação, endereço,

4.1.13 Defesa Civil

Quais são os tipos de riscos mais comuns no município?

(áreas inundáveis, áreas de alagamento, áreas de risco geológico – deslizamentos, erosão...) • Há estudos de riscos e de vulnerabilidade?

51

• • • • recuperação) • casos? • • • preventivas? • envolvam riscos? • • perigosos? • perigosos? Quais? • •

Há sistemas de monitoramento de riscos? Se positivo, como é

feito o alerta e o alarme? Quais foram os principais desastres e como foi a atuação de

Defesa Civil Municipal? Que áreas foram mais atingidas? (dimensionamento e

comprometimento) Quais foram as providências adotadas? (socorro, assistência e

Quais foram as medidas preventivas adotadas para esses

Existem áreas perigosas com prováveis desmoronamentos?

Quais? (estimar número de desabrigados) Existem áreas sujeitas a inundações? Quais? ( estimar

números de desabrigados) Existem estudos ou projetos para a construção de obras

Existem áreas e pólos petroquímicos ou similares que

Existem aglomerados urbanos próximos? Há levantamento dos corredores de transporte de produtos

Existem rotas alternativas para transporte de produtos

Existem Planos de Auxílio Mútuo nessas áreas de risco? Em caso de desastres, há rotinas de procedimentos

preventivos ou específicos para a coordenação da emergência? Quais?

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• • • • alternativas? • • e sua localização) • • • • exigir? • • •

Quais são os recursos de que a prefeitura dispõe? (humanos e

materiais, especialmente em equipamentos) Existe estoque mínimo de alimentos e ou agasalhos para

atender desabrigados numa emergência? Quantos e de que tipo? No exaurimento dos recursos existentes, quais os municípios,

órgãos ou entidades que poderiam auxiliar? Diante desses eventos, quais seriam as vias de acesso

Quais são os hospitais que apoiariam o município no

esgotamento de seus recursos? Quantas famílias, em caso de emergência, podem ser

abrigadas em prédios públicos? (identificação dos prédios, o número de famílias

Quais seriam outras edificações utilizáveis para abrigos de

emergência? (identificação, capacidade e localização) Existe um plano de emergência municipal? Há um plano de chamada organizado e atualizado dos

responsáveis ou representantes dos órgãos integrantes do sistema? Existem meios de comunicação disponíveis de modo a reunir

os integrantes do sistema o mais rápido possível, sempre que a atuação assim o

Campanhas

de

divulgação

e

conscientização

são

desenvolvidas visando a motivar a colaboração e participação da comunidade? São desenvolvidos treinamentos visando a preparar as

comunidades para as emergências? Há incentivo para criação e organização das CODDEC e

NUDEC? É prestada orientação técnica e apoio em pessoal?

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4.2 Plano Preventivo de Defesa Civil

Inicia-se pelo levantamento do MAPA DE AMEAÇAS MÚLTIPLAS (MAM), também, chamado de mapa composto, sintético ou de superposição de ameaças, utilizado para analisar a vulnerabilidade e o risco de ocorrência de processos tecnológicos ou naturais no Município.

Figura 3: Processos Tecnológicos

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Com este instrumento de planejamento é possível reunir, em um só mapa, as informações mais precisas de uma área determinada, identificando as que requerem maiores informações ou atenção. O MAM facilita o planejamento da Defesa Civil nas ações de preparação de atendimento às emergências, à medida que proporciona informações técnicas para enfrentamento dos desastres. O MAM tem por objetivos: avaliar as vulnerabilidades; identificar a necessidade de novas informações; economizar meios e esforços; visualizar os riscos potenciais; identificar o perigo; difundir fontes geradoras de informações; difundir técnicas de Defesa Civil, indicação da necessidade de elaboração de planejamento

específico ou Plano Preventivo de Defesa Civil para áreas dos Municípios identificados como de risco.

4.2.1 Modelo de Plano Preventivo de Defesa Civil ( PPDC )

Em

1988,

chuvas

muito

intensas

provocaram

vários

escorregamentos na Serra do Mar, ocasionando mortes no bairro Cota, município de Cubatão. Em decorrência destes graves acidentes, o Governo do Estado solicitou a elaboração do relatório “Instabilidade da Serra do Mar no Estado de São Paulo-Situações de Risco”, cujo objetivo era a identificação de

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áreas ocupadas submetidas a riscos frente a processos de instabilização, principalmente escorregamentos, e a proposição de medidas que possibilitassem a prevenção, redução e eliminação destes riscos. Uma destas propostas foi a elaboração do Plano Preventivo de Defesa Civil – PPDC.

O PPDC é um dos poucos trabalhos, senão o único, efetivamente colocado em ação e que vem obtendo significativo êxito na prevenção de desastres naturais. O PPDC é operado através do acompanhamento das chuvas, previsão de meteorologia e vistorias de campo. O objetivo principal é evitar a ocorrência de mortes, através da remoção da população antes que escorregamentos atinjam suas moradias. Além disso o PPDC é responsável por dotar as Comissões Municipais de Defesa Civil – COMDEC - de instrumentos de ação, de modo a saber como proceder em situações de risco.

4.2.1.1 Legislação e Órgãos Componentes

Amparo Legal: Decreto Estadual n.º 42,565, de 1º de dezembro de 1997. Período de Operação: 1º de dezembro a 31 de março do ano subseqüente, podendo ser prorrogado. Instituições Participantes: CEDEC - Coordenadoria Estadual de Defesa Civil: coordenação geral do PPDC;

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REDEC – Regional de Defesa Civil: coordenação regional do PPDC; IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas; IG – Instituto Geológico: assessoria técnica à CEDEC, REDEC e COMDEC; COMDEC – Comissão Municipal de Defesa Civil: coordenação local do PPDC.

4.2.1.2 Organização do Plano Preventivo de Defesa Civil

O PPDC está organizado em 4 níveis: Observação, Atenção, Alerta e Alerta Máximo. Cada nível prevê várias ações. A principal ação de cada nível é apresentada no quadro a seguir.

QUADRO 2: PRINCIPAIS AÇÕES

NÍVEL OBSERVAÇÕES ATENÇÃO ALERTA ALERTA MÁXIMO

PRINCIPAIS AÇÕES
Acompanhamento dos índices pluviométricos Vistoria de campo nas áreas anteriormente identificadas Remoção preventiva da população das áreas de risco iminente indicadas pelas vistorias Remoção de toda a população que habita áreas de risco

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4.2.1.3 A Comunidade na Operação do PPDC

Os moradores das áreas de risco têm um papel fundamental na operação do PPDC. Eles podem manter os locais de risco sob observação, procurando os indícios de movimentação nas encostas. Estes indícios são: trincas no solo e nas casas, degraus de abatimento, árvores e postes inclinados, muros embarrigados, água das enxurradas mais barrentas que o normal.

4.3 Precipitações Pluviométricas

Uma tempestade se caracteriza por uma intensa e, por vezes, prolongada chuva, acompanhada de ventos fortes, granizo, trovões e relâmpagos. Nem sempre todos estes elementos estão presentes. Mas o excesso de chuvas é o principal componente da tempestade. A CEDEC informa rotineiramente quanto à aproximação das tempestades, mas durante o dia pode-se ver, de longe, que a nuvem que traz a tempestade é alta, volumosa e cinzento-escura e seu nome técnico é cúmulonimbo, ou CB. A par da beleza dessa pujante manifestação da natureza, a tempestade pode ser considerada um desastre natural pelos prejuízos em vidas e propriedades que causa nas áreas mais frágeis.

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De um ponto de vista técnico, uma tempestade pode ser estudada como no quadro a seguir.

QUADRO 3: COMO A DEFESA CIVIL VÊ UMA TEMPESTADE

DESASTRE

Tempestade

COMPONENTES CONSEQÜÊNCIAS PROBLEMAS A ENFRENTAR Mortos; Inundações; Feridos; Chuvas pesadas; Deslizamento de Contaminados; Ventos fortes; encostas; Desabrigados; Raios; Danos parciais ou falta de energia; Granizo; totais às estruturas; Falta de Frio intenso. Cortes nas linhas de Comunicações; abastecimento; Falta e Baixa visibilidade. contaminação da água; prejuízos morais, materiais e psicológicos; Congestionamentos de trânsito.

4.3.1 Inundações

São cheias excepcionais, fazendo com que os rios extravasem, ocupando áreas maiores, formando os chamados leitos maiores. Se as margens foram ocupadas, as águas invadem ruas, avenidas, indústrias, residências, etc.

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É um dos maiores problemas urbanos, redundando nos seguintes danos: - mortes por afogamento; - mortes por escorregamento de morros; - mortes por contaminação ( leptospirose e outras doenças ); - danos materiais ( moradias, comércio, indústrias, etc ) - congestionamentos; - perdas no trânsito ( cargas, veículos, etc. ); - destruição de veículos; - desvalorização comercial de áreas; - diversos outros fatores que deterioram ainda mais o padrão de vida urbano.

4.3.2 Principais fatores que agravam as inundações urbanas

- impermeabilização do solo; - urbanização sem o devido cuidado com a drenagem; - falta de planejamento urbano; - ocupação das áreas marginais; - traçado de avenidas, ruas, etc. - problema habitacional: ocupação de áreas marginais e morros (áreas de risco) por favelas; - grande produção de sedimentos (solos) provenientes de loteamentos e outros tipos de movimento de terra; - grande quantidade de lixo (resíduos de todos os tamanhos: carros, utensílios domésticos, pneus, sacos de lixo, plásticos, restos vegetais, etc.);

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- qualidade das águas (esgoto, poluição difusa, etc.); - obras de drenagem mal projetadas; - obras de drenagem com problemas de execução; - canalização de córregos sem a devida análise de impactos à jusante ( transferência de inundações de um ponto a outros); - soluções impróprias de canalização; - participação da sociedade (lixo, educação ambiental, etc.).

4.3.2.1 Soluções para as inundações urbanas

Podem ser classificadas em dois grandes grupos: - Soluções Estruturais; - Soluções Não-Estruturais.

4.3.2.1.1 Soluções Estruturais

As medidas estruturais, também chamadas de “pedra e cal “, têm por finalidade aumentar a segurança da comunidade, por intermédio de atividades construtivas.

Obras de Engenharia: - Canalização; - Barragens; - Galerias; - Retificação de córregos e rios;

61

- Outras melhorias em córregos e rios; - Dragagem ( desassoreamento); - Obras de retenção (reservatório); - Drenagem forçada em áreas baixas; - Bombeamento; - Túneis; - Microdrenagem.

4.3.2.1.2 Soluções Não-Estruturais

As medidas não-estruturais relacionam-se com a urbanização, com a mudança cultural e comportamental e com a implementação de normas técnicas e de regulamento de segurança, e têm por finalidade permitir o desenvolvimento das comunidades em harmonia com os ecossistemas naturais ou modificadas pelo homem: - Planejamento da Macro e Microdrenagem Urbana; - Leis de Uso e Ocupação do Solo (preservação das áreas marginais, manutenção de áreas verdes, disciplinamento da ocupação urbana, etc.); - Integração da drenagem urbana com outras intervenções urbanas; - Regras operativas de obras hidráulicas que considerem o controle de cheias; - Detenção do escoamento superficial gerado pela ocupação (parcela de solo impermeável) no próprio lote; - Adoção de pavimentos permeáveis; - Fiscalização intensa;

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- Educação Ambiental; - Sistema de coleta de lixo adequado; - Sistema eficiente de manutenção de obras de drenagem; - Participação da sociedade; - Sistema de Alerta (previsão de eventos hidrológicos críticos); - Plano de Ações Civis para minimizar os impactos das inundações (defesa civil, polícia, trânsito, serviço social, abrigos, hospitais, engenharia, etc.).

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5 DECLARAÇÃO DE SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA OU ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA E SEUS EFEITOS LEGAIS

A Resolução CMIL-4-610-CEDEC, de 16 de novembro de 1995, (anexo X – pág 147) em consonância com o disposto em legislação federal, estabeleceu critérios para a homologação da Declaração de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública, no Estado de São Paulo.

Situação de Emergência: Reconhecimento legal de situação anormal provocada por desastre, dando origem a prejuízos vultosos e causando danos suportáveis e ou superáveis pela comunidade afetada.

Estado de Calamidade Pública: Reconhecimento legal de situação anormal provocada por desastre, dando origem a prejuízos muito vultosos e causando danos dificilmente suportáveis e ou superáveis pela comunidade afetada, inclusive à incolumidade e à vida de seus integrantes.

O fato adverso acontece no município e, evidentemente, cabe à COMDEC coordenar as atividades e reunir os recursos para enfrentar o problema. Esgotados os meios locais, o município solicita auxílio à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, orientado pelo REDEC, que se encarregará de coordenar os esforços dos órgãos estaduais. Na eventualidade dos danos serem de maior monta, a CEDEC solicita a colaboração da Defesa Civil federal. Cabe ao Prefeito Municipal, ouvida a COMDEC, baixar decreto municipal considerando todo o município ou apenas determinada área dele em situação de emergência ou em estado de calamidade pública.

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O prazo de vigência desse decreto variará em função do ciclo evolutivo do desastre, entre 30, 60 e 90 dias, podendo ser prorrogado pelo prazo máximo de 180 dias consecutivos e ininterruptos, contados a partir da caracterização do desastre.

O Decreto Municipal deve ser encaminhado à CEDEC, a fim de que o Governo do Estado, por sua vez, homologue através de decreto a Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública existente no município, conforme estabelece o artigo 12 do Decreto Federal n.º 845, de 16 de agosto de 1993.

Caso necessário, ambos os decretos ( municipal e estadual ) devem ser encaminhados pela CEDEC ao Departamento de Defesa Civil – DEDEC/SEPRE/MPO -, a fim de que o órgão federal baixe PORTARIA MINISTERIAL reconhecendo o fato adverso acontecido no município. O DEDEC/SEPRE/MPO necessita receber: - o Decreto do Prefeito; - o Decreto do Governador ( homologando ); - a publicação deste no Diário Oficial do Estado; - ofício da CEDEC solicitando o “reconhecimento” por Portaria Federal.

Os modelos de Decreto Municipal para declaração de Situação de Emergência e Estado de Calamidade Pública estão anexos a este trabalho de Relatório de Primeiro atendimento e de Avaliação de Danos ( anexos: V - pág 123; VI – pág 125; VII – pág 127; VIII – pág 139, respectivamente ).

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5.1 Efeitos Legais na inobservância dos preceitos doutrinários e jurídicos na Decretação da Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública

A inobservância dos preceitos doutrinários ou legais de Defesa Civil, que definem a ação supletiva do Estado e ou União nos municípios assolados por desastres que configurem a situação de emergência ou estado de calamidade, ou destinação supletiva de recursos, a fim de atenderem obras preventivas, no intuito de prevenir ou minorizar as conseqüências danosas de eventos previsíveis, pode sujeitar a administração pública, bem como aos administradores, a várias medidas jurídicas.

5.1.1 Mandado de Segurança

Previsto no art. 5º, inciso LXIX da Constituição Federal, assim como na Lei Complementar N.º 1.533/51, confere aos indivíduos, admitindo-se também as entidades de direito público, instrumento legal para se defenderem de atos ilegais ou praticados com abuso de poder, por parte do poder público. Assim, se reconhecido o Estado de Calamidade Pública, fica autorizada, de acordo com o Art. 5º do Decreto Lei 3.365/41, a desapropriação por utilidade pública de qualquer bem. Suponha-se, a título ilustrativo, que o prefeito de determinado município queira com a decretação do Estado de Calamidade Pública devidamente reconhecido ( antes já homologado pelo Governador do Estado) atingir a desafeto político. Assim, o ato, embora eivado de forma legal, está

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totalmente contaminado pelo desvio da finalidade, podendo, a partir da decretação do Estado de Calamidade pelo Município, ser objeto de mandado de segurança, o qual terá como autoridades coatoras as responsáveis pela decretação, homologação e reconhecimento do Estado de Calamidade Pública.

Da mesma forma, a declaração ou manifestação do nãoatendimento com recursos suplementares por parte do Estado e ou da União, quando homologada e reconhecida a Situação Anormal ( Situação de Emergência ou Estado de Calamidade ), poderá acarretar mandado de segurança; pois, segundo os aspectos legais doutrinários, não há de se contestar nestas situações a falta do atendimento, pois trata-se de direito líquido e certo, uma vez que não há dúvida quanto à verdadeira situação de fato.

5.1.2 Ação Popular

Prevista no Art. 5º, LXXIII da Constituição Federal, e regulamentada na esfera infraconstitucional pela Lei 4.717/65, dá capacidade a qualquer cidadão em promovê-la, no intuito de anular ato lesivo ao patrimônio público ou à moralidade pública. Para tanto, entende-se como patrimônio público bens e direitos de valor econômico, artístico, estético ou histórico.

Ressalta-se que o mandado de segurança não obsta a possibilidade da promoção da ação popular ( súmula 101 do STF ).

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Assim, destinar Recurso Suplementar do Estado e ou União, por intermédio da Defesa Civil, sem contudo observar a tipicidade legal e doutrinária que possibilita tal destinação, faz com que as autoridades públicas que promovem o atendimento dos petitórios municipais, bem como estes, fiquem sujeitos à fiscalização popular, através da citada ação.

Para tanto, a documentação pertinente fica à disposição de qualquer cidadão, estando as entidades públicas obrigadas a fornecerem certidões e informações no prazo de 15 ( quinze ) dias, ficando sujeitas às penas da lei, no caso de desobediência.

Aliada à anulação do ato lesivo ou imoral ocorrerá a responsabilização administrativa, ficando o Ministério Público obrigado a promover a devida responsabilização civil ou criminal das partes envolvidas, no caso contra as autoridades públicas, funcionários ou administradores que autorizam, aprovam, ratificam ou praticam o ato impugnado, ainda que por omissão tiverem dado a oportunidade à lesão e contra os beneficiários diretos do mesmo.

5.1.3 Ação Civil Pública

Prevista na Lei 7.347/85, responsabiliza sem prejuízo da ação popular os danos causados ao patrimônio público que atinjam qualquer interesse difuso ou coletivo. Uma diferença entre a ação popular e ação civil pública é que qualquer cidadão pode promover a ação popular, já a ação civil pública só pode ser promovida pelos legitimados no art. 5º da retrocitada Lei (Ministério Público, União, Estado, Municípios, Autarquia, Empresa Pública, Fundação,

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Sociedade de Economia Mista ou Associação, que estejam constituídos pelo menos há um ano e incluam entre suas finalidades institucionais a proteção ao Meio Ambiente, ao Consumidor, ao Patrimônio Artístico, Estético, Histórico, Turístico e Paisagístico ou a qualquer outro interesse Difuso ao Coletivo). Da mesma forma, o atendimento descabido, em desacordo com a Legislação e Doutrina de Defesa Civil, aliado aos outros efeitos civis, criminais e administrativos, acarretará a anulação do ato. Por exemplo, o repasse de recurso suplementar do Estado e ou da União ao Município, através dos órgãos de Defesa Civil, sem contudo este não estar em situação legal que autorize o auxílio; neste caso, poderá ser o ato jurídico alvo de uma Ação Civil Pública.

5.1.4 Emprego Irregular de Verbas ou Rendas Públicas

É um tipo penal, previsto no art. 315 do Código Penal Brasileiro, que tem como objetivo manter os atos jurídicos que envolvam o erário público em consonância com a sua destinação legal. Assim, a destinação de recursos pela Defesa Civil, em desacordo com sua doutrina e legislação, poderá desencadear fato típico previsto no citado dispositivo de Lei. Quando a autoridade praticante do ato lesivo ao erário for Prefeito Municipal, deverá observar-se o contido no artigo 1º, inciso III, do Decreto Lei n.º 210/67.

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5.2 Implicações Jurídicas com o reconhecimento da situação de emergência ou calamidade pública

A decretação com a subseqüente homologação e reconhecimento da situação anormal poderá implicar uma série de direitos e até isenções de determinadas obrigações.

5.2.1 Lei 8.666/93 – alterada pela Lei 8.883/94

A presente Lei regulamenta o art. 37, inciso XXI da Constituição Federal, instituindo normas para licitações e contratos da administração pública. O art. 24, inciso IV, em situações definidas neste, dispensa a licitação para aquisição de bens e para a contratação de obras e serviços, os quais devem estar concluídos no prazo de 180 dias consecutivos e ininterruptos da ocorrência do fato que motivou a Declaração de Emergência ou do Estado de Calamidade. O artigo 89 do mesmo dispositivo legal tipifica o crime e sua pena no caso de dispensar licitação fora dos casos da Lei. Então, a caracterização da Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade deve coadunar de tal forma com os requisitos legais e doutrinários para não conduzir o administrador à prática do fato típico previsto nesse artigo.

5.2.2 Decreto Federal n.º 66.204/70, alterado pelo Decreto n.º 91.198/85

Dão precedentes jurídicos e administrativos, segundo os quais basta a decretação do Estado de Emergência para que o governo municipal e os

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proprietários rurais, comprovadamente afetados por desastre, possam pleitear benefícios relacionados a: - suprimento de recursos materiais disponíveis nos órgãos do SINDEC (Sistema Nacional de Defesa Civil) ou possam ser adquiridos com recursos financeiros previsto no orçamento ( medicamentos, alimentos, barracas, etc.); - transferência de recursos financeiros previstos em orçamento, mediante convênio, ajuste ou outros instrumentos previstos na legislação, para a execução de obras de recuperação ou reconstrução; - concessão de créditos subsidiados por bancos oficiais para que os governos municipais possam dispor de recursos para ações de resposta aos desastres; - prorrogação de prazos para pagamento de débitos a bancos oficiais, por produtores afetados por desastres; - concessão de créditos subsidiados por bancos oficiais para o custeio de atividades agropecuárias em propriedades rurais, comprovadamente afetadas por desastre.

5.2.3 Artigos 136, 148 § I e 167 § 3º da Constituição Federal Permitem: Abertura de crédito extraordinário para atender despesas imprevisíveis e urgentes decorrentes de calamidade pública (art.167§ 3º da CF); Instituir empréstimos compulsórios para atender despesas extraordinárias com calamidade pública (art. 148º § I da CF); Decretação de estado de defesa em locais atingidos por calamidade de grandes proporções na natureza (art. 136 da CF).

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Com base no art. 167 da CF, o Presidente da República poderá adotar medida provisória, com força da Lei, para regular o disposto neste artigo constitucional ( art. 62 da CF ). O Art. 148 da CF só será utilizado em desastres de tão grande proporção, que exigirão recursos elevadíssimo para o restabelecimento da situação de normalidade. O art. 136 da CF só será aplicado em desastres naturais de intensidade excepcional.

5.2.4 Decreto n.º 3.365/41 – Dispõe Sobre Desapropriação por Utilidade Pública.

O artigo 5º alínea "C", do diploma legal, faz-nos concluir que, em caso de calamidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados, pelos Municípios, Distrito Federal, Estado e ou União, mediante declaração de utilidade pública para facilitar as ações de resposta de desastres e reconstrução (Ex. Áreas de Risco).

5.2.5 Decreto n.º 84.685/90 – Regulamenta a Lei n.º 6.746/79, que trata do Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR

O artigo 13 do decreto mencionado indica que, em casos de Estado de Calamidade Pública, poder-se-á reduzir em até 90 % o imposto sobre propriedade rural.

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5.2.6 Código de Processo Civil

Conforme o disposto nos art. 177 e 182 do citado código, a decretação do Estado de Calamidade Pública poderá interferir nos prazos dos atos processuais, inclusive os peremptórios, contribuindo para a lentidão da justiça, pois neste caso os prazos processuais poderão ser prorrogados pelo juiz no prazo superior a 60 dias.

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6 COMISSÃO MUNICIPAL DE DEFESA CIVIL – CRIAÇÃO DE FUNDOS ESPECIAIS DE DEFESA CIVIL

A base da estrutura da Defesa Civil está no município. Isto se fundamenta no fato de que o município é o organismo político e administrativo mais próximo da comunidade, portanto mais vocacionado a ouvir, acompanhar e reconhecer as necessidades, anseios e dificuldades dos cidadãos.

Portanto, o coordenador regional de defesa civil tem o papel de incentivar a criação de COMDEC, assessorando o município nos passos a serem percorridos dentro da doutrina de defesa civil.

6.1 Implantação

Conscientizar e motivar os Poderes Executivo e Legislativo Municipal da importância e necessidade da implantação de uma COMDEC com a participação da população. Procedimento legais: - Mensagem do Prefeito à Câmara Municipal (anexo I, pág 100); - Projeto de Lei (anexo II, pág 101 ); - Decreto de Regulamentação da Lei (anexo III, pág 105 ); - Portaria de nomeação (anexo IV, pág 121 ).

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6.2 Organização

A Comissão Municipal de Defesa Civil – COMDEC - deverá estar subordinada diretamente ao prefeito municipal e será órgão de execução, coordenação e mobilização de todas as ações de defesa civil no município. A COMDEC deverá ser composta por: - um Coordenador Executivo; - um Conselho Municipal de Defesa Civil; - uma Seção de Apoio Administrativo; - uma Seção de Minimização de Desastres; - uma Seção de Operações.

O Coordenador Executivo da COMDEC deverá ser um profissional experiente e com reconhecida capacidade técnica, com acesso ao prefeito, grande capacidade de articulação e delegação de competência para tomar decisões em situações de crise.

O Coordenador Executivo da COMDEC, indicado pelo prefeito, e os chefes das Seções de Apoio Administrativo, de Minimização de Desastres e de Operações deverão fazer parte do quadro efetivo de funcionários da prefeitura municipal.

O Conselho Municipal de Defesa Civil, que atuará como órgão consultivo, deverá ser composto por no mínimo cinco membros e seus suplentes, escolhidos entre os líderes comunitários, dos clubes de serviços, instituições religiosas, associações de voluntários e os representantes dos poderes judiciário, legislativo e executivo.

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Os membros que irão compor o Conselho Municipal não receberão remuneração para esse fim. Caberá ao Conselho Municipal elaborar o seu próprio Regimento Interno.

6.2.1 Seção de Apoio Administrativo

Será responsável pela secretaria e pela previsão de recursos, tanto os materiais como os humanos.

6.2.2 Seção de Minimização de Desastres

Deverá ser composta por dois setores: Setor de Prevenção de Desastres, responsável pela Avaliação de Riscos aos quais o município está sujeito e Redução de Riscos de Desastres; Setor de Preparação para Emergências e Desastres, responsável pelo desenvolvimento institucional, de recursos humanos e científico-tecnológicos, mobilização, monitorização, alerta, alarme,

aparelhamento, apoio logístico, entre outros.

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6.2.3 Seção de Operações

Composta por dois setores, terá como atribuições: Setor de Resposta aos Desastres, responsável pelas atividades de socorro às populações em risco, assistência aos habitantes afetados e reabilitação dos cenários dos desastres; Setor de Reconstrução, responsável pelo restabelecimento dos serviços público essenciais, a economia da área, bem-estar da população e o moral social. Nos municípios com menos de 20.000 habitantes, a estrutura organizacional da COMDEC pode ser mais simplificada, contendo um coordenador executivo, uma secretaria e um setor técnico-operativo.

Nos municípios de maior porte, justifica-se a organização de um centro de comunicações, com plantão de 24 horas.

6.3 Atribuições

- promover a integração da Defesa Civil Municipal com entidades públicas e privadas e com os órgãos estaduais, regionais e federais; - estudar, definir e propor normas, planos e procedimentos que visem à prevenção, socorro e assistência da população e recuperação de áreas de risco ou quando estas forem atingidas por desastres; - informar as ocorrências de desastres ao REDEC e à CEDEC;

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- manter atualizadas e disponíveis as informações relacionadas com as ameaças, vulnerabilidade, áreas de risco e população vulnerável; - sugerir obras e medidas de prevenção com o intuito de reduzir desastres; - implantar o banco de dados e elaborar os mapas temáticos sobre ameaças, vulnerabilidade e riscos de desastres; - implementar ações de medidas não estruturais e medidas estruturais; - promover campanhas públicas e educativas para estimular o envolvimento da população, motivando ações relacionadas com a defesa civil, através da mídia local; - estar atenta às informações de alerta dos órgãos de previsão e acompanhamento para executar planos operacionais em tempo oportuno; - comunicar aos órgãos competentes quando a produção, o manuseio ou o transporte de produtos perigosos puserem em perigo a população; - capacitar recursos humanos para as ações de defesa civil; - implantar programas de treinamento para voluntariado; - estabelecer intercâmbio de ajuda com outros Municípios (comunidades irmanadas); - implantar e manter atualizado o cadastro de recursos humanos, materiais e equipamentos a serem convocados e utilizados em situações de anormalidades; - promover mobilização social visando à implantação de NUDEC’s (Núcleos de defesa civil).

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6.4 Disque Defesa Civil – Telefone 199

A Defesa Civil, com o apoio das empresas de telecomunicações do Estado, coloca à disposição das COMDEC o CÓDIGO ESPECIAL 199, que é um serviço telefônico especial, não tarifado, destinado à comunidade de emergência com a Defesa Civil, de âmbito local, tendo como público-alvo a população do município.

O referido código, portanto, classifica-se como serviço de utilidade pública de emergência, uma vez que facilita as chamadas telefônicas de urgência para atendimento a conflitos, calamidades, incêndios e outras situações de emergência.

A Resolução CEDEC N.º 001/DIPLAN, de 10 de setembro de 1997, estabelece critério e avaliação do Código Especial 199 – Defesa Civil. A solicitação de implantação do código Especial 199 deverá ser encaminhada por ofício pelo Prefeito Municipal ao Coordenador Estadual de Defesa Civil, atendendo a todas as solicitações contidas na Resolução citada (anexo XI – pág 158).

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6.5 Fundo Especial para Calamidades

6.5.1 Dispositivos legais

Do estudo dos dispositivos da Constituição Federal de 1988, relacionados com a defesa civil, conclui-se que o legislador preocupou-se com as repercussões dos desastres sobre a sociedade brasileira, estabelecendo através do parágrafo terceiro do artigo 167, que: - a abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender as despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou (estado) CALAMIDADE PÚBLICA , observado o disposto no artigo 62. O Caput do artigo 62 da Constituição Federal estabelece que: - em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força da lei, devendo submetê-las ao Congresso Nacional que, estando em recesso, será convocado

extraordinariamente para se reunir no prazo de 5 dias. Ainda o artigo 167 da Constituição Federal, em seu inciso IX, estabelece que: - é vedada a instituição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa. O Artigo 36 do Ato das Disposições Constitucionais transitórias estabelece que:

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- os fundos existentes na data da promulgação, excetuados os resultantes de isenções fiscais que passem a integrar patrimônio privado e os que interessem à defesa nacional, extinguir-se-ão, se não forem ratificados pelo Congresso Nacional, no prazo de dois anos; - o fundo Especial para Calamidades Públicas (Federal), instituído pelo Decreto-Lei n.º 950, de 13Out69, foi ratificado, nos termos do art. 36 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, por intermédio do Decreto Legislativo n.º 66, de 18 de dezembro de 1990. De acordo com o citado Decreto Legislativo e com a Lei n.º 8.490, de 19 de novembro de 1992, o Fundo Especial para Calamidades Públicas foi regulamentado pelo Decreto n.º 1080, de 08 de março de 1994. O fundamento básico dos fundos, como se pode notar, está ligado ao dinamismo com que se devem desenvolver determinadas atividades da administração pública, fazendo com que alguns de seus programas de trabalho, pela importância que se encontram, tenham um fluxo de recursos financeiros ágeis, garantindo um desenvolvimento integral e ininterrupto. Nesse sentido, o poder executivo vincula, por intermédio da lei orçamentária, recursos aos fundos, consignando determinadas receitas públicas, que não as provenientes de impostos e taxas e atividades tidas como especiais, por imposição constitucional, art. 167 inciso IV da Constituição Federal.

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6.5.2 Criação de Fundo Especial de Defesa Civil

Somando-se ao já mencionado, pode-se discorrer sobre a criação dos Fundos Especiais de Defesa Civil, utilizando-se para tanto do já abordado e inserindo outros fundamentos da legislação e doutrina de Defesa Civil. Os Fundos Municipais de Defesa Civil – FUMDEC - por sua peculiaridade e destinação, devem ser criados através de Lei, de iniciativa exclusiva do Poder Executivo, ficando sua regulamentação vinculada a decreto deste. A Lei de Criação especificará a origem de suas receitas, as quais por disposto constitucional, Art. 167 IV, como já mencionado, não poderão ser vinculadas a tributos, ressalvados os distinguidos na própria carta magna, devendo, por serem despesas públicas, estar autorizadas pelo Poder Legislativo, o qual o fará através de dotações orçamentárias, consolidando-as ano a ano no orçamento geral da municipalidade (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Assim, por exclusão, poderão integrar o FUMDEC as receitas provenientes de: - transferências de instituições privadas ( doações de empresas); - transferências de pessoas ( doações de pessoas físicas ); - multas e juros de mora; - transferências intergovernamentais (como por exemplo, convênios celebrados com a União e o Estado, em decorrência de Leis Especiais com destinação às atividades específicas do fundo); receitas patrimoniais imobiliárias (aluguéis, taxas de arrendamento, etc., pagos pelo uso do patrimônio público);

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- receitas patrimoniais mobiliárias ( rendimentos resultantes de aplicação das disponibilidades do fundo no mercado financeiro); - receitas diversas ( Renda de eventos realizados com a finalidade de patrocinar programas de Defesa Civil, renda de mercados, feiras livres, etc.); - indenizações ( compensação financeira pela utilização de recursos hídricos, exploração de recursos minerais, etc., tudo isso é claro em território nacional ). Tais recursos direcionam-se estritamente, no que concerne a sua utilização, às atividades precípuas de Defesa Civil, podendo sua destinação estar ligada a gastos com aquisição de material de consumo, transportes, serviços de terceiros, aquisição de bens de capital ( equipamentos e instalações e material permanente ) até obras e reconstruções. Assim, o município deve criar o FUMDEC de acordo com suas disponibilidades financeiras e sobretudo através de um trabalho de sensibilização da sociedade, pois, como já mencionado, a origem dos recursos podem partir de doações, festas, campanhas, etc. A utilização do Fundo deve estar relacionada com as principais dificuldades municipais, e dependerá de um estudo e planejamento das Comissões Municipais de Defesa Civil, as quais o farão através de um mapeamento dos principais riscos do município, bem como o período em que ocorrem. Um fator deveras importante é a previsão da transferência do saldo positivo na Lei que instituir o FUMDEC, de um exercício para o vindouro.

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Como todo fundo, o FUMDEC pode contar com normas peculiares de prestação de contas, no entanto deve-se ter o resguardo de não elidir as próprias do Tribunal de Contas. Outro fator relevante refere-se a uma característica dos Fundos Especiais, que é a de abster-se de personalidade jurídica, não contando com CGC próprio, assim ficam inibidos de realizar diretamente empréstimos, convênios, etc., os quais são firmados pelo chefe do executivo, devidamente autorizado pelo Poder Legislativo.

O Fundo poderá, de acordo com suas atividades previstas, realizar compras, patrocinar serviços e obras, para o que deverá observar o disposto na Lei das Licitações e Contratos ( Lei 8666, de 21 de junho de 1993, atualizada pela Lei 8883, de 08 de junho de 1994). Aqui cabe um destaque especial no que se refere ao inciso IV do artigo 24 da mencionada Legislação de obras e serviços, os quais devem estar concluídos no prazo de 180 dias, consecutivos e ininterruptos, quando da ocorrência do fato que motivou a declaração da Situação de Emergência ou do Estado de Calamidade Pública, os quais devem estar muito bem caracterizados. Para tanto, o município deve nortear-se na declaração dos parâmetros legais estabelecidos, sobretudo pela Resolução CMIL-4.610-CEDEC, de 16 de novembro de 1995, a qual de forma pioneira estabeleceu tais parâmetros. Assim deve a COMDEC inteirar-se de mais este pormenor, assessorando e propondo ao Prefeito Municipal, no que se refere à real situação do município frente ao desastre ocorrido, uma vez que a própria Lei de Licitações e Contratos tipifica, em seu artigo 89, como crime a dispensa de licitação fora dos casos legais.

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Quanto à recepção de recursos financeiros, a renda pública arrecadada pelo FUMDEC ( campanhas, festas, doações, etc.) deve ser informada à contadoria municipal, com objetivo de registro, uma vez que, se assim não fosse, estaria dificultando-se o controle interno e externo do Poder Executivo Municipal, no que tange aos recursos financeiros municipais. Neste mesmo contexto, cabe ressalvar que, quando receitas pertinentes ao fundo ingressarem previamente no tesouro municipal, o repasse da conta central do município e a conta do FUMDEC não importará em despesa, não carecendo de emissão de empenho.

Toda utilização dos recursos provenientes do FUMDEC dependerá para uso de uma prévia avaliação de uma junta ou conselho deliberativo, o qual, obedecendo ao estabelecido na Lei de Criação e no Decreto Regulamentador, delimitará sobre as aplicações dos recursos, fixando prioridades e submetendo estas, se for o caso, à aprovação do Prefeito Municipal. Poderá ainda a legislação pertinente possibilitar a aplicação em urgência de recursos financeiros "ad referendum", justificando-se as despesas decorrentes em prazo determinado. Importante também é que o presidente da Junta ou Conselho deverá juntamente com outro membro, designado nas funções de tesoureiro, movimentar a conta bancária do FUMDEC. A utilização dos recursos do FUMDEC deve buscar um grande relacionamento com as atividades típicas de Defesa Civil, assim ficarão "amarrados", "casados" a determinadas formas de ação, possibilitando uma destinação muito mais preventiva do que em fases de socorro, assistência ou recuperação, protegendo o patrimônio e minimizando os gastos públicos, que

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estatisticamente são maiores nestas três últimas. Assim, a Legislação de Criação poderá delimitar um montante a ser gasto em medidas estruturais (obras, aquisição de cestas básicas, colchonetes, cobertores, etc.) ou não estruturais (campanhas preventivas, publicidade, orientação a comunidade, cursos, etc.), destinando outros recursos para as demais fases. Pode ainda, de acordo com o montante do fundo, vincular sua utilização a ações eminentemente de emergência ou calamidades públicas; no entanto, tudo isso irá depender das condições e necessidades de cada município, conforme já mencionado anteriormente, e decorrerá de uma equação da disponibilidade de recursos financeiros e um levantamento dos principais riscos existentes ou dos que costumeiramente assolam o município.

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7 CONVÊNIOS COM OS MUNICÍPIOS

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil tem competência legal para celebrar convênio com os municípios para repasse de recursos financeiros com a finalidade de serem executadas obras preventivas e recuperativas de Defesa Civil. Entende-se por obras preventivas de Defesa Civil as medidas estruturais que têm por destino evitar ou minorar conseqüências danosas de eventos previsíveis, tais como chuvas, desabamentos, escorregamentos, destruição ou comprometimento de pontes, galerias de águas pluviais, etc., que de alguma forma possam atingir os serviços públicos, a economia local, o moral social e o bem-estar da população.

As obras recuperativas têm o propósito de restabelecer os serviços públicos, da economia local, do moral e do bem-estar da população atingida de alguma forma pelo eventos já exemplificados.

Em razão de essas necessidades estarem ligadas a uma atuação imediata do município, o qual por motivos outros não pode, muitas vezes, suplantar por si só essas dificuldades, é que a CEDEC celebra esses convênios, com o propósito de somar esforços e juntos atingirem o mesmo objetivo.

Os convênios dividem-se em duas espécies. A primeira destinase à aquisição de material de construção, com o objetivo de recuperar moradias atingidas por desastres, e conseqüentemente amparando os desabrigados. Para tanto, a CEDEC transfere importância da “Cesta-básica” para a moradia popular, e a Prefeitura Municipal como contrapartida se encarrega da mão-de-obra, bem

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como de toda a infra-estrutura necessária, que garanta as condições básicas das famílias a serem assentadas. Cabe também ao município o ônus de providenciar o terreno, de acordo com a legislação vigente.

A segunda espécie de convênio destina-se a outras obras recuperativas ou preventivas de Defesa Civil. Nesse convênio, a CEDEC transfere 70% dos recursos, e o Município terá a contrapartida de 30 %.

7.1 Documentos Necessários para Assinatura de Convênio para Aquisição de Material de Construção

- Estudo e levantamento, por meio de órgão técnico, dos locais de risco; - Fotografias, certificadas e ou rubricadas identificando o local afetado; - Boletim pluviométrico e outras informações fornecidas por órgãos técnicos que possam embasar a constatação de anormalidades; - Orçamento detalhado da obra e ou atividade especificando minuciosamente as necessidades, bem como o memorial descritivo dando uma visão global do problema e a solução técnica adequada ; - Cronograma físico-financeiro, que subsidiará a montagem do plano de licitação e gestão da obra; - Planta planimétrica ou mapa rodoviário do município, localizando a área atingida e identificando os pontos para os quais está solicitando recursos;

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- Estudo e levantamento de órgão técnico quanto ao local de assentamento no que se refere ao impacto ambiental e local de risco; - Relação de equipamentos, recursos humanos e materiais de que dispõe a Prefeitura Municipal, em condições de serem empregados nos trabalhos preventivos e ou recuperativos; - Cópia da Lei Orçamentária Municipal para o exercício em curso, síntese ou extrato, especificando apenas o elemento correspondente ao investimento ou conservação de obras e ou atividades; - Cópia do decreto de criação da Comissão Municipal de Defesa Civil – COMDEC; - Cópia da Portaria de nomeação dos membros da Comissão Municipal de Defesa Civil, atualizada; - Apresentar atestado de não impedimento de receber auxílios e subvenções do Estado em face de decisão emanada pelo Tribunal de Contas do Estado; - Comprovação de entrega da prestação de contas anual junto ao Tribunal de Contas do Estado; - Declaração da existência da devida contrapartida em mão de obra e infra-estrutura necessária; - Comprovação de que o Município aplicou 25% (vinte e cinco por cento), no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino, no exercício anterior; - Declaração que a formalização de processo referente à celebração de convênio com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil não contraria a Lei Orgânica do município; - Declaração de exercício do cargo do prefeito;

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- Declaração que a Prefeitura Municipal não pediu recursos financeiros para o mesmo objeto em outra Secretaria de Estado; - Certidão de filiação vintenária (tirar no cartório), se existe ou não, ação de usucapião; - Certidão de matrícula do imóvel, atualizada, onde conste não incidir sobre o mesmo quaisquer ônus e ou alienações (validade 30 dias), unificando a gleba de mais de uma matrícula; - Certidão negativa de tributos municipais no ano do exercício, localização e metragem; - Certidão do valor venal do imóvel no ano do exercício e o número-cadastro do mesmo na prefeitura, com localização e metragem.

7.1.1 Documentos Necessários Quando da Assinatura do Convênio

- Lei Municipal autorizando a celebração de convênio; - Abertura de conta especial, Defesa Civil, vinculada ao Fundo Municipal.

7.2 Documentos Necessários para Assinatura de Convênio para Outras Obras Preventivas ou Recuperativas de Defesa Civil

- Orçamento detalhado da obra, com as especificações e valores de acordo com a última edição da revista “Construção”; - Memorial Descritivo dando uma visão global do problema e a solução apresentada;

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- Projeto Básico da obra contendo planta, cortes e detalhes, cotados; - Cronograma físico-financeiro; - Relatório da COMDEC contendo antecedentes históricos e detalhes da ocorrência, bem como as providências já adotadas e as prioridades de atendimento; - Fotografias, certificadas e ou rubricadas, identificando o local afetado; - Boletim pluviométrico e outras informações fornecidas por órgãos técnicos que possam embasar a constatação da anormalidade; - Cópia de decreto de criação da COMDEC (Comissão Municipal de Defesa Civil); - Cópia da portaria de nomeação dos membros da Comissão Municipal de Defesa Civil, atualizada; - Relação dos equipamentos, recursos humanos e materiais de que dispõe a Prefeitura Municipal; - Comprovação de que o município aplicou vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferência, na manutenção e desenvolvimento do ensino, no exercício anterior; - Declaração de que o município não está impedido de receber recursos financeiros por parte do governo estadual; - Comprovação de entrega da prestação de contas anual junto ao Tribunal de Contas do Estado; - Certidão negativa de débito junto ao INSS – CND; - Declaração que a formalização de processo referente à celebração de convênio com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil não contraria a Lei Orgânica do município;

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- Cópia da síntese ou extrato da lei orçamentária municipal para o exercício em curso, especificando apenas o elemento correspondente ao investimento ou conservação de obras e ou atividades; - Declaração de exercício do cargo de prefeito; - Declaração do prefeito municipal de que não pediu recursos financeiros para o mesmo objeto em outra Secretaria de Estado; - Declaração da existência de contrapartida, pois na transferência de recursos financeiros, através de convênio pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, esta não poderá ser inferior a 30% do valor do convênio a ser desembolsado pelo Estado, para cada projeto ou atividade; - A contrapartida referida poderá constituir-se de até 10% do valor do objeto do pedido, em material, em recursos humanos ou quaisquer outros, desde que possa ser mensurado economicamente, devendo, contudo, haver um percentual mínimo de 20% dos recursos financeiros desembolsados pela própria prefeitura municipal; neste caso estes valores deverão constar no orçamento apresentado.

7.2.1 Documentos Necessários Quando da Assinatura do Convênio

- Lei Municipal autorizando a celebração de Convênio; - Abertura de conta especial, Defesa Civil, vinculada ao Fundo Municipal.

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7.3 Liberação de Recursos Materiais pela CEDEC

Após um evento desastroso, muitas vezes o Poder Público Municipal tem esgotado sua capacidade de atendimento, e então, nesses casos, torna-se necessário um conjunto de medidas imediatas para socorrer e dar assistências às populações vitimadas, através das atividades de logística da CEDEC. A portaria CEDEC – 9 – 610, de 11/12/95, disciplina a suplementação de estoque estratégico ( anexo IX – pág 143 ).

A CEDEC, precedida de uma solicitação formal do Prefeito Municipal ou do Presidente da COMDEC, poderá realizar a liberação de recursos materiais, dentro das disponibilidades, para as comunidades assoladas, de forma a suplementar as ações do poder público municipal.

Os Recursos liberados se destinarão exclusivamente para o atendimento da população vitimada por desastres, sendo vedada a utilização de tais recursos na formação ou manutenção de estoques estratégicos municipais, bem como em ações de assistência social.

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8 JUSTIFICATIVAS

O grande objetivo da Defesa Civil é a redução de desastres, que abrange, dentro de uma concepção de planejamento estratégico, quatro objetivos básicos: - prevenção de desastres; - preparação para emergências e desastres; - resposta aos desastres; - reconstrução. Os estudos relacionados com desastres demonstram que, na maioria das vezes, a intensidade dos desastres depende mais do grau de vulnerabilidade ou de insegurança intrínseca dos cenários e das comunidades em risco do que da magnitude dos eventos adversos. Como exemplo, pode-se citar que terremotos com magnitude de 6,5 graus na Escala Richter provocaram cinco mortos na Califórnia; vinte mil mortos no Cairo; e quarenta mil na Armênia.

A diferença na intensidade dos danos humanos foi estabelecida em função do grau de vulnerabilidade dos referidos cenários e das comunidades afetadas. O nível de vulnerabilidade foi poderosamente influenciado pelo desenvolvimento da engenharia anti-sísmica e pelo estado de preparação das comunidades locais. Notadamente em defesa civil, qualquer trabalho de planejamento deve ter um fundamento factível e realístico e estar em perfeita sintonia com os reclamos e os anseios da comunidade.

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Num cenário incerto e vulnerável, em que uma série de variáveis, por vezes desconhecidas, se altera sem aviso e a curto prazo, o conhecimento dos fundamentos da defesa civil possibilita identificar e conhecer as ameaças, planejar o futuro diante das limitações humanas e materiais, maximizando os benefícios e minimizando as surpresas.

Por essas razões, é desejável que os componentes da equipe técnica, ou mais precisamente o REDEC possua um bom repertório de conhecimentos sobre os fundamentos da defesa civil, objetivo desta monografia, embrião do Manual do Regional de Defesa Civil

Quanto mais amplo for o universo sobre o qual se tomará decisões ou sobre o qual se procurará intervir, maior é a possibilidade de se ter levado em consideração as mais diferentes variáveis que afetam o universo de análise e de provável intervenção. Significa que, quanto mais universal for o conhecimento, menor a probabilidade de erro, principalmente nas decisões emergenciais. Cada parte do conhecimento técnico, ou componentes deste, constitui um conjunto interdependente, visando a alcançar um objetivo determinado que necessita de unidade, de coerência entre si, de forma que os processos por ele desenvolvidos adquiram uma harmonia que permitirá o aumento da eficiência. A obtenção dessa unidade pode ser facilitada com a implementação de uma doutrina, um dos pontos principais na elaboração de qualquer planejamento em defesa civil.

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Portanto, esta Proposta de Coletânea para Sistematização dos Procedimentos Básicos do Coordenador Regional de Defesa Civil “constitui um conjunto interdependente”, visando a alcançar o objetivo traçado, que é fornecer ao Regional de Defesa Civil os conhecimentos necessários para o desempenho de sua missão.

Inicialmente, com a descrição da estrutura de Estado, mostra o ambiente onde o regional vai desenvolver seu trabalho , acrescido dos antecedentes históricos, composição do sistema, indicando seus relacionamentos verticais ou horizontais, e como o sistema é gerenciado pelo órgão central no âmbito do Estado. Como organizar a comunidade, qual a sua participação no evento desastroso, fatores respondidos no capítulo II, onde se propicia ao REDEC os conhecimentos mínimos necessários na organização de uma população.

A seguir, com os conceitos estabelecidos pela política nacional de defesa civil, tem-se a finalidade de implementar e promover uma doutrina única a todos os componentes do Sistema Nacional de Defesa Civil. Conforme consta no “caput” do capítulo 6, a base da estrutura da Defesa Civil está no município. Isto se fundamenta no fato de que o município é o organismo político e administrativo mais próximo da comunidade, acompanhando as necessidades, anseios e dificuldades dos munícipes. O conhecimento do Redec, nesta área, é fundamental, incentivando, promovendo e assessorando o município na implantação e principalmente operacionalização da COMDEC. Tão importante quanto a criação da COMDEC, é a criação do Fundo Municipal de Defesa Civil (Fundo Especial para Calamidades).

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O fundamento básico, como se pode notar dos fundos, está ligado ao dinamismo com que se devem desenvolver determinadas atividades da administração pública, fazendo com que alguns de seus programas de trabalho tenham um fluxo de recursos financeiros ágeis, garantindo um atendimento de defesa civil, integral e ininterrupto.

Após a criação da COMDEC, a orientação no planejamento de um Plano Global de Defesa Civil, as variáveis a serem levadas em consideração e um modelo aprovado de plano preventivo vêm complementar os conhecimentos para o planejamento estrutural na esfera municipal. Na Declaração de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública, com os modelos de decreto e todos seus efeitos legais, quando da não obediência dos preceitos doutrinários de defesa civil, procurou-se municiar o REDEC de todas as implicações legais que o caso requer, bem como assessorar os municípios que se enquadrem nessa situação, sem resvalar para a ilegalidade.

Finalmente no sétimo capítulo, após o conhecimento geral da defesa civil no Estado, tomar conhecimento dos conceitos doutrinários; conhecer passo a passo a implantação de uma COMDEC e de um Fundo Especial de Defesa Civil; como se organiza uma comunidade; as variáveis a serem levadas em consideração no planejamento de defesa civil; a Declaração de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública e seus efeitos legais, encerra-se com as normas para convênio entre Estados e municípios, para obras preventivas ou recuperativas, onde estão estabelecidas as orientações e os documentos necessários para assinatura de um convênio, indicando, ao Coordenador Regional de Defesa Civil, como assessorar as comunidades nas obras preventivas com o objetivo de prevenção ou reconstrução após o desastre.

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Esse conjunto interdependente de assuntos, após uma minuciosa pesquisa de mesa, bibliografias, documentos e a própria experiência do autor, consolida, em um único compêndio, os conhecimentos mínimos necessários a um Coordenador Regional de Defesa Civil, formando o embrião do futuro Manual do REDEC.

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CONCLUSÃO

Esta monografia foi concebida como instrumento de introdução ao assunto Defesa Civil em nível de REDEC. Ela não esgota o assunto, é apenas uma gota sobre o tema, que é vasto e ao mesmo tempo complexo. O estudo e a pesquisa são as respostas ao desconhecimento e à necessidade do aprendizado. Para que seu esforço seja bem aproveitado, é necessário que ele tenha clareza do que deve aprender e tenha orientações que o conduzam a bom termo. A Defesa Civil fundamenta-se na ativa participação da administração pública, da iniciativa privada e da comunidade, e por isso necessita dispor de uma eficiente retaguarda, que transmita conhecimentos técnicos, em condições de mobilizar todos os recursos disponíveis, visando ao desenvolvimento de ações voltadas à proteção civil e à redução de desastres, pois durante uma emergência, a população e os órgãos públicos aguardam um gerenciamento técnico para tomada de qualquer iniciativa, e o Regional de Defesa Civil é aquele que teoricamente tem que estar mais bem preparado, demonstrar confiança e conhecimento. Dessa forma, procurou-se alinhavar os assuntos mais

importantes, com base na doutrina nacional de defesa civil, formando uma base sólida de conhecimentos. Dentre os assuntos expostos, verificou-se que é fundamental a criação e a organização de um sistema de defesa civil, em âmbito municipal, para desenvolver as ações preventivas, tendo em vista estar o município mais

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próximo da comunidade, está mais vocacionado a ouvir, a acompanhar e a reconhecer as necessidades de sua autodefesa. Assim sendo, foram apresentados modelos nos anexos, colhidos no cenário da defesa civil nacional e estadual, para a criação e a organização do Sistema Municipal de Defesa Civil, decretação de estado de emergência ou calamidade pública, relatório de atendimento e avaliação de danos. Esta consolidação de assuntos referentes à defesa civil, pretende propiciar aos voluntários de Defesa Civil em nível de REDEC condições de preparar-se para o atendimento de emergências e desastres com a qualidade de que a população necessita. Concluindo esta monografia, fica a proposta ao Coordenador Estadual de Defesa Civil de criar um Grupo de Trabalho da CEDEC, para que, a partir dos princípios aqui listados, elabore o Manual do REDEC.

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BIBLIOGRAFIA

BRASIL, Ministério do Planejamento e Orçamento. Glossário de Defesa Civil – Estudos de Risco e Medicina de Desastres – Brasília: MPO, Departamento de Defesa Civil, 1988. CASTRO, Antonio Luiz Coimbra. Planejamento em Defesa Civil. Brasília: SEPR/MPO, v. I,II,III e IV, 1996.

________ Política Nacional de Defesa Civil. Brasília: SEPR/MPO, 1996. ________ Segurança Global da População. Brasília: SEPR/MPO, 1996.

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO.

Manual de Defesa Civil:

COMDEC – Organização e Funcionamento. São Paulo: CEDEC, 1991. ________ Manual de Defesa Civil: Plano de Emergência Municipal. São Paulo: CEDEC, 1991.

________ Manual de Defesa Civil: Síntese da Doutrina. ________ Manual de Defesa Civil: Sistema – Organização e

Funcionamento. São Paulo: CEDEC, 1991.

________

Manual de Defesa Civil: Subsídios Operacionais para

Funcionamento da COMDEC. São Paulo: CEDEC, 1991.

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JACOB, Ricardo. Defesa Civil – Plano Preventivo de Defesa Civil.. São Paulo: CEDEC, 1997. LUZ, Marcos da Silva. Planejamento Estratégico na Prevenção de Desastres aplicado ao Sistema Municipal de Defesa Civil. São Paulo:

CAES/PMESP,CAO-I/98. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. A atuação do pessoal local de saúde e da comunidade frente aos desastres naturais. Brasília: SEDEC, 1989.

PEREIRA, Jorge Luiz. Proposta de Regulamentação do Código Especial 199 – Disque Defesa Civil. São Paulo: CAO-I/PMESP, 1996. MARCONDES, Clodomir Ramos. Orientação Legal nas Ações de Emergência. CEDEC/IMESP, 1991.

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ANEXO I MODELO DE MENSAGEM À CÂMARA MUNICIPAL MENSAGEM Nº.................de..................................... de .......................

Excelentíssimos Senhores Vereadores:

Certo da importância desta iniciativa para a segurança e o bemestar dos cidadãos deste município, submetemos à elevada apreciação de Vossas Excelências o Projeto de Lei que objetiva instituir o Sistema Municipal de Defesa Civil. O presente Projeto estabelece a finalidade e os princípios fundamentais das atividades de Defesa Civil no Município, prevendo sua regulamentação através de decreto municipal. Ao submeter este dispositivo à apreciação dessa Egrégia Casa, estamos seguros de que os Senhores Vereadores saberão aperfeiçoá-lo e, sobretudo, reconhecer o grau de prioridade à sua aprovação. Aprovado o Projeto pela soberana vontade dos Senhores Membros dessa Casa, o Poder Público do Município poderá então dispor de um instrumento legal que, integrado às forças vivas da Comunidade, promoverá a organização, articulação e predisposição dos meios necessários para a autodefesa da municipalidade, por ocasião da ocorrência de eventos desastrosos. Aproveitamos a oportunidade para reiterar a Vossas Excelências os protestos de elevado apreço. de de 2000 (Prefeito Municipal)

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ANEXO II MODELO DE PROJETO DE LEI DE

INSTITUIÇÃO DO SISTEMA MUNICIPAL DE DEFESA CIVIL PROJETO DE LEI Nº ...... Institui o Sistema Municipal de Defesa Civil no Município de ......................................... A Câmara Municipal aprova e eu, o Prefeito do Município de ..............................., sanciono a seguinte Lei: Artigo 1º - O Sistema Municipal de Defesa Civil fica instituído nos termos desta Lei, com a finalidade de coordenar, em nível municipal, as medidas permanentes de defesa destinadas a prevenir conseqüências nocivas de eventos desastrosos e a socorrer as populações e as áreas atingidas por esses eventos. Artigo 2º - Para as finalidades desta Lei, denomina-se Defesa Civil o conjunto de medidas permanentes, preventivas, de socorro, assistenciais e recuperativas, destinadas a evitar conseqüências danosas de eventos desastrosos, preservar o moral da população e restabelecer o bem-estar social. Artigo 3º - O Sistema Municipal de Defesa Civil constitui o instrumento de coordenação dos esforços de todos os órgãos municipais, com os demais órgãos públicos e privados, e com a comunidade em geral, para o planejamento e a execução das medidas previstas nos artigos anteriores. Artigo 4º - Compõe o Sistema Municipal de Defesa Civil: I - A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil -COMDEC; II - As Coordenadorias Distritais de Defesa Civil -CODDEC: III - Os Núcleos Comunitários de Defesa Civil - NUDEC.

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Parágrafo Único - O Sistema Municipal de Defesa Civil integrará o Sistema Estadual e Nacional de Defesa Civil. Artigo 5º - A direção do Sistema Municipal de Defesa Civil caberá ao Prefeito Municipal, e será exercida através da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil ( COMDEC). Artigo 6º - A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil coordenará e orientará, em âmbito municipal, todas as medidas previstas no artigo 2º deste decreto. Artigo 7º - A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC) compor-se-á de: I - Coordenador Municipal; II - Secretaria Executiva; III - Conselho de Entidades da Administração Pública (CEAP); e IV - Conselho de Entidades não governamentais (CENG). Artigo 8º - O Coordenador da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil será indicado pelo Chefe do Executivo Municipal, a quem estará diretamente subordinado. Parágrafo Único - Ao Coordenador da COMDEC caberá o planejamento e a execução das ações da defesa civil no âmbito municipal. Artigo 9º - A Secretaria Executiva será dirigida por Secretário designado pelo Coordenador e prestará o necessário suporte administrativo ao Sistema, podendo ainda dispor de grupos de vistoria. Artigo 10 -O Conselho de Entidades da Administração Pública será composto por órgãos Públicos Municipais, Autarquias, Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista e Fundações, além de órgãos Públicos Estaduais e Federais existentes no município Artigo 11 - O Conselho de Entidades não-governamentais será constituído por representantes da iniciativa privada, com atuação no âmbito do

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município. Artigo 12 - Os servidores públicos designados para colaborar nas ações de defesa civil exercerão essas atividades sem prejuízo das. funções que ocupam, e não farão jus a qualquer espécie de gratificação ou remuneração especial. Parágrafo Único - A colaboração referida neste artigo será considerada prestação de serviço relevante e constará dos assentamentos dos referidos servidores. Artigo 13 - A organização das Coordenadorias Distritais e dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil ficará a cargo da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil. Artigo 14 - O Poder Executivo Municipal deverá providenciar a regulamentação do Sistema Municipal de Defesa Civil no prazo de........ dias a contar da publicação desta lei. Artigo 15 - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Prefeitura Municipal de ................................

...................... de ............................de 2000 (nome) Prefeito Municipal (nome) Secretário

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ANEXO III MODELO DE DECRETO DE ORGANIZAÇÃO DO

SISTEMA MUNICIPAL DE DEFESA CIVIL DECRETO Nº .......

Dispõe sobre a organização do Sistema Municipal de Defesa Civil e dá outras providências. O PREFEITO MUNICIPAL de ............................., no uso da atribuição que lhe confere o art...............da Lei Municipal n0 ...............(que cria o Sistema), e tendo em vista o disposto no Decreto Estadual n0 40.151, de 16 de junho de 1995, e; Considerando que a Defesa Civil é o conjunto de medidas preventivas, de socorro, assistenciais e recuperativas , destinadas a evitar conseqüências danosas de eventos previsíveis, manter elevado o moral da população e a restabelecer o bem-estar social, quando da ocorrência de desastres e calamidades; Considerando a necessidade de se organizar um Sistema permanente destinado a tratar dos encargos de Defesa Civil no Município de ........................ para proteção à população e seus bens por ocasião da ocorrência de eventos desastrosos; Considerando a necessidade de integração dos esforços entre os poderes constituídos municipais, de forma a se obter um melhor aproveitamento dos recursos existentes e um atendimento adequado às situações decorrentes de eventos adversos; Considerando a necessidade de se regular as diferentes formas de cooperação das forças vivas da comunidade, disciplinando e orientando a participação social de modo que todos se sintam responsáveis pela autodefesa e

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recompensados pelas contribuições feitas para o bem comum; e, Considerando, finalmente, a necessidade de este Município integrar-se ao Sistema Estadual de Defesa Civil. DECRETA: Art. lº - O Sistema Municipal de Defesa Civil, criado pela Lei Municipal nº ......... e vinculado ao Gabinete do Prefeito, tem a finalidade de coordenar as medidas permanentes de defesa destinadas a prevenir conseqüências nocivas de eventos desastrosos e a socorrer a população e as áreas atingidas por esses eventos. Parágrafo único - O Sistema Municipal de Defesa Civil, integrado ao Sistema Estadual e Nacional de Defesa Civil, é o instrumento de coordenação de esforços de todos os órgãos municipais com os demais órgãos públicos e privados, e com a comunidade em geral, para planejamento e execução das medidas previstas neste artigo. Art. 2º - Compõem o Sistema Municipal de Defesa Civil: I - A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil -COMDEC; II - As Coordenadorias Distritais de Defesa Civil - CODDEC; e III - Os Núcleos Comunitários de Defesa Civil - NUDEC; Art. 3º - A direção do Sistema Municipal de Defesa Civil caberá ao Prefeito Municipal, e será exercida através da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC). Art. 4º - A COMDEC será presidida pelo .......................... (Prefeito Municipal ou por pessoa por ele designada), sendo assim constituída: (podendo variar conforme disponibilidade e características do Município). I - Secretaria Executiva (Definir o órgão municipal que exercerá a Secretaria Executiva da COMDEC) ...... dará o suporte administrativo à COMDEC e centralizará as atividades de planejamento, coordenação e administração de recursos da COMDEC; II - Conselho de Entidades da Administração Pública (CEAP),

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composto por representantes das Secretarias Municipais ..... (Administrações Regionais, Autarquias, Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista e Fundações, quando o Município dispor e comportar esses Órgãos, cujos membros serão indicados pelos respectivos titulares. Representantes da Câmara de Vereadores, de órgãos estaduais ou federais também poderão fazer parte dessa estrutura, de modo a compor um mecanismo eficiente de ação comunitária); III - Conselho de Entidades Não-Governamentais (CENG), com representantes de associações e entidades da iniciativa privada, com atuação no âmbito Municipal; IV - Grupo de Vistoria, composto por engenheiros, técnicos e especialistas da Prefeitura Municipal ou de outros órgãos estaduais ou federais, instalados no Município, sob coordenação da Secretaria Executiva. Art. 5º - A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil COMDEC é o órgão central do Sistema Municipal de Defesa Civil e tem por finalidade; I - estudar e propor diretrizes com vistas à prevenção de desastres; II - estabelecer programas para assegurar o socorro e assistência às populações afetadas por desastres; e III - estabelecer medidas a serem desenvolvidas, por ocasião de desastres, a fim de possibilitar o retorno da área atingida à normalidade. Parágrafo Único - A participação dos órgãos estaduais e federais nas atividades de Defesa Civil executadas pela COMDEC, processar-se-á em forma de cooperação, mediante solicitação, quando se fizer necessária. Art. 6º - Constituem atribuições da COMDEC: I - coordenar as atividades de Defesa Civil no âmbito do Município; II - estudar, definir, propor normas, planos e procedimentos, visando à proteção da comunidade contra as conseqüências decorrentes de fatores anormais e adversos que atinjam o Município;

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III - promover e colaborar na execução de programas estaduais e federais de Defesa Civil, obedecendo ao princípio de que a ação de Defesa Civil inicia-se no Município, seguindo-se a participação do Estado e da União IV - estimular e desenvolver atividades, visando mobilizar a comunidade para iniciativas de Defesa Civil; V - adotar medidas preventivas no sentido de minorar os riscos e evitar perdas humanas e materiais, identificando os eventos adversos que possam ocorrer no Município; VI - fornecer subsídios, quando possível, para esclarecimentos relativos à Defesa Civil; VII - atuar coordenadamente com os órgãos estaduais e federais de Defesa Civil, tanto nos períodos de normalidade como de anormalidade VIII - comunicar ao órgão estadual de Defesa Civil as ocorrências consideradas de porte significativo e solicitar as providências que julgar necessárias. IX - promover e colaborar em campanhas educativas para esclarecimento geral da comunidade; X - manter intercâmbio com os municípios vizinhos, a fim de possibilitar ações conjuntas e auxilio mútuo, em caso de necessidade; XI - assegurar o funcionamento dos serviços públicos essenciais, durante a ocorrência de eventos adversos; XII - estudar, junto à Administração Municipal, a criação de um fundo para atendimento da população na Situação de Emergência ou no Estado de Calamidade Pública; XIII - desenvolver todas as atividades necessárias ao bom desempenho das atividades de defesa civil no município. Art. 7º - A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil – COMDEC - terá reuniões mensais para apreciação de pautas de trabalho, previamente elaboradas para estudos e conhecimento dos seus membros. § 1º - As reuniões extraordinárias da COMDEC realizar-se-ão sempre que houver manifestação de algum de seus membros ao Coordenador e a

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critério deste. § 2º - As proposições dos membros serão sempre submetidas à votação. § 3º - As reuniões ordinárias e extraordinárias somente serão realizadas quando houver o comparecimento de mais de 50% (cinqüenta por cento) de seus membros. § 4º - Qualquer um dos órgãos integrantes da estrutura organizacional da COMDEC poderá se reunir com seus membros, independentemente dos demais órgãos da COMDEC. § 5º - Poderão participar, a critério de seu Coordenador, pessoas estranhas à COMDEC, tendo em vista assegurar o entendimento e a colaboração dessas pessoas ou entidades e órgãos que representam, nos assuntos de interesse comum. § 6º - Em fase de emergência ou calamidade, o Coordenador acionará diretamente, ou através dos membros da COMDEC, sem a necessidade de qualquer ato formal, as providências indispensáveis ao atendimento imediato das áreas atingidas por eventos adversos. § 7º - As deliberações da COMDEC serão tomadas por maioria simples dos presentes, e formalizadas através de resoluções e instruções aprovadas por seus membros e firmadas pelo Coordenador. § 8º - As atas de cada reunião, depois de aprovada, será firmada pelo Coordenador e pelo Secretário Executivo. Art. 8º - Ao Coordenador da COMDEC compete: I - coordenar as atividades do Sistema Municipal de Defesa Civil II - convocar e presidir as reuniões da COMDEC; III - dirigir e representar a COMDEC perante o Prefeito, outras autoridades e em reuniões e cerimônias; IV - analisar e desdobrar o Plano Geral de Defesa Civil e os planos específicos elaborados pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil CEDEC - e Regionais de Defesa Civil - REDEC, objetivando a atuação da COMDEC em estreita ligação com a Defesa Civil Estadual;

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V - determinar a elaboração de planejamento das medidas preventivas a serem desencadeadas no município; VI - requisitar os serviços públicos municipais necessários à execução das atividades extraordinárias de defesa civil, sugeridas pela situação de anormalidade; VII - determinar e supervisionar as medidas de socorro e de assistência; VIII - elaborar estudos e propor soluções para as áreas de risco do município; IX - determinar, no caso de iminência ou ocorrência de desastres, o envio de técnicos especializados às áreas afetadas, para orientação do socorro e transmissão de informações à coordenadoria quanto às medidas a serem tomadas; X - determinar a elaboração e recomendar a execução de planos específicos para as emergências; XI - mobilizar os órgãos do Sistema Municipal de Defesa Civil e solicitar a cooperação dos órgãos estaduais e federais e das entidades nãogovernamentais, para as ações de socorro; XII - auxiliar, no que couber, os municípios vizinhos afetados por desastres; XIII - assumir pessoalmente a direção dos trabalhos de defesa civil, quando a situação assim o exigir; XIV - manter o Prefeito Municipal constantemente informado da ocorrência de eventos adversos e respectivas providências; XV - propor a aquisição de recursos materiais ou a realização de campanhas para arrecadação de gêneros alimentícios, roupas, agasalhos, remédios, observadas as instruções da CEDEC para atendimento de situações anormais e eventos adversos XVI - fiscalizar o recebimento, o armazenamento e a distribuição dos gêneros alimentícios e recursos materiais angariados por ocasião de eventos adversos.

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XVII - manter informada a CEDEC e a REDEC, encaminhando as informações referentes à defesa civil municipal, sobretudo em situação de anormalidade; XVIII - estimular a organização das Coordenadorias Distritais de Defesa Civil (CODDEC) e dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil, prestando-lhes orientação técnica e apoio em pessoal e material; XIX - determinar o levantamento de danos e o estudo da situação do município nos casos de emergência, objetivando a proposição, nos termos deste decreto, da declaração de “Situação de Emergência” ou “Estado de Calamidade Pública”; XX - propor a declaração de “Situação de Emergência” para a área atingida por eventos adversos, quando a situação exigir; XXI - propor ao Prefeito a declaração do Estado de Calamidade Pública; XXII - adotar as medidas necessárias para o acionamento dos órgãos do Sistema Municipal de Defesa Civil tão logo tenha notícias da ocorrência de qualquer evento desastroso, e no período necessário à normalização da situação adversa; XXIII - delegar atribuições aos membros da comissão sempre que necessário, observados os termos legais; e XXIV - participar das votações e declarar aprovadas as resoluções da COMDEC. Parágrafo Único - fica o Coordenador da COMDEC investido de todos os poderes necessários, que serão exercidos em nome do Prefeito, para baixar resoluções e ordens da COMDEC, durante a ocorrência do evento desastroso, e no período necessário à normalização da situação adversa. Art. 9º - À Secretaria Executiva, diretamente subordinada ao Coordenador da COMDEC, compete: I - dirigir os serviços administrativos e de arquivo da COMDEC; II - convocar os membros da COMDEC para reuniões; III - secretariar as reuniões da COMDEC e executar as tarefas

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que lhe forem determinadas; IV - realizar os estudos preliminares sobre os programas preventivos e oferecer propostas com o intuito de viabilizá-los; V - coordenar a execução dos levantamentos, vistorias, avaliações, estudos e exames especiais, atribuídos aos Grupos de Vistoria VI - propor ao Coordenador da COMDEC a organização de grupos de atividades específicas; VlI - receber, registrar e distribuir os voluntários pelos grupos de atividades, observando, sempre que possível e conveniente, o interesse e a especialidade de cada um; VIII - coordenar as comunicações e as informações de defesa civil, através de um Posto de Comunicação em permanente atividade; IX - esforçar-se pela efetivação do Sistema Municipal de Defesa Civil, trabalhando pela criação e ativação das Coordenadorias Distritais e das Núcleos Comunitárias de Defesa Civil em bairros, vilas, povoados, escolas, edifícios, empresas, entidades filantrópicas, centro social urbano e rural e outros; X - promover, como rotina de trabalho, a divulgação de matéria de defesa civil, procurando integrar a comunidade no trabalho preventivo e permanente; XI - manter estreita ligação com radioamadores, órgãos e empresas públicas e privadas, para utilização eventual de seu equipamento de telecomunicações durante a situação de emergência; XII - manter relação atualizada do pessoal do Sistema Municipal de Defesa Civil, com respectivos endereços e telefones; e XIII - elaborar escalas do pessoal da COMDEC, comunicandoas. Parágrafo Único - O cargo de Secretário Executivo da COMDEC será exercido por ............., que assumirá com exclusividade, sem acumulação, reservada a hipótese de encargos provisórios de outra área administrativa. Art. 10 - Ao Secretário Executivo compete: I - substituir o Coordenador da COMDEC em seus impedimentos

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e eventuais ausências; II - representar a COMDEC, por delegação de seu Presidente, em reuniões, cursos e seminários; III - incumbir-se de todas as atribuições afetas à Secretaria Executiva; IV - redigir as atas das reuniões e distribuí-las mediante aprovação da Coordenadoria; V - redigir toda a correspondência, relatórios anuais, comunicados, entre outros documentos, mediante aprovação da Coordenadoria; VI - participar das votações; VII - manter em dia arquivo de documentação e correspondência; e, VIII - propor e acompanhar a execução de planos de trabalho. Art. 11 - Ao Conselho de Entidades da Administração Pública (CEAP) compete: I - proceder estudos e elaborar planos solicitados pelo Coordenador da COMDEC; II - propor planos de trabalho; III - participar das reuniões e dos trabalhos da COMDEC; IV - coordenar os Grupos de Trabalho no âmbito de sua área de atuação; e, V - atuar harmonicamente com os demais órgãos integrantes da estrutura organizacional da COMDEC. Art. 12 - Ao Conselho de Entidades Não-Governamentais compete: I - realizar ações conjuntas com todos os órgãos da COMDEC e a comunidade, que visem execução de medidas de prevenção, prestação de socorro, assistência e recuperação de danos causados ao Município, além de outras ações relacionadas com a Defesa Civil, nas situações emergenciais; II - auxiliar o Coordenador da COMDEC, sempre que por ele for convocado para missões especiais;

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III - propor planos de trabalho consoante a sua área específica; IV - atuar coordenadamente com os demais órgãos integrantes da estrutura organizacional da COMDEC; V - participar das reuniões e dos trabalhos da COMDEC; e VI - realizar campanhas de esclarecimento sobre Defesa Civil junto à comunidade. § 1º - O Conselho de Entidades Não-Governamentais (CENG) será constituído por representantes de associações, entidades e empresas da iniciativa privada que manifestarem interesse em participar do Sistema Municipal de Defesa Civil, tendo sua direção atribuída a um dos seus integrantes. § 2º - O CENG, sob a supervisão do Coordenador da COMDEC, coordenará a arregimentação e mobilização dos recursos humanos e materiais oriundos de seus integrantes, assim como participará dos estudos e planos específicos na área de defesa civil, atuando de forma efetiva nas ocorrências de eventos adversos. § 3º - Os representantes das diversas entidades integrantes do CENG escolherão sua diretoria. § 4º - O Diretor do CENG participará das reuniões da COMDEC, podendo ser representado, com direito a opinar e participar do processo decisório, quando for o caso, através de votação. Art. 13 - O Grupo de Vistoria, composto por engenheiros, técnicos e especialistas da Prefeitura Municipal ou de órgãos estaduais e federais instalados no município, constituirá equipe especializada, de apoio administrativo, sob coordenação da Secretaria Executiva, com objetivo de assessoramento à COMDEC, nas atividades de vistoria, avaliações e outras atividades especiais. § 1º - O Grupo de Vistoria será convocado pelo Coordenador da COMDEC, dentre especialistas nas áreas a serem vistoriadas ou avaliadas, atuando de forma permanente na ocorrência de eventos adversos. § 2º - A critério do Coordenador da COMDEC, o Grupo de

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Vistoria poderá ter constituição ou organização provisória, respeitadas as necessidades da atividade de defesa civil no Município. § 3º - Quando não for possível contar com servidores municipais para sua constituição, o Grupo de Vistoria poderá ser organizado com colaboradores ou pessoal fornecido pelas entidades não-governamentais incluídas no GENG. Art. 14 - O Coordenador da COMDEC poderá constituir comissões para elaboração de planos e projetos específicos na área de defesa civil. Art. 15 - As Coordenadorias Distritais de Defesa Civil CODDECs - são órgãos integrantes do Sistema Municipal de Defesa Civil, competindo-lhes atuar dentro da respectiva localidade em apoio à COMDEC sempre em regime de cooperação, e sob a supervisão da Coordenadoria Municipal da Defesa Civil. Art. 16 - Os Núcleos Comunitários de Defesa Civil - NUDECs poderão ser instalados em escolas, edifícios, empresas, entidades assistenciais e religiosas, associações de bairro, centros sociais, e demais entidades representativas da comunidade, e objetivam estimular a participação da população nas ações municipais de defesa Civil, sob a forma de cooperação. Art. 17 - A COMDEC poderá recrutar voluntários e colaboradores para desenvolvimento das atividades de defesa civil. § 1º - São considerados voluntários todos aqueles que se apresentarem, espontaneamente, para auxiliarem nas atividades de defesa civil e que exercerem estas atividades sem qualquer remuneração. § 2º - São considerados colaboradores aqueles que se apresentarem para colaborar em tarefas específicas, que exijam habilidades ou especialização em determinada área, atendendo a convite formulado pelo Coordenador Municipal de Defesa Civil, colaborando sem remuneração por suas atividades no Sistema. § 3º - As atividades e serviços prestados pelos voluntários e colaboradores ao Sistema Municipal de Defesa Civil serão admitidas sem qualquer espécie de vínculo empregatício, obrigações trabalhistas ou ónus

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previdenciários de qualquer natureza, nos termos da lei. Art. 18 - A participação efetiva em operações de defesa civil será considerada como serviço relevante prestado ao município. Art. 19 - A Situação de Emergência ou o Estado de Calamidade Pública serão declarados pelo Prefeito Municipal, através de decreto municipal, fundamentado em laudo de avaliação da situação e publicação na imprensa oficial do município. § 1º - Para a declaração de Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública, será observado o contido no Decreto Estadual n0 40.151, de 16-6-95 e na Resolução n0 Cmil-4-610-CEDEC, de 16-11-95. § 2º - Caberá homologação por parte do Governador do Estado, nos termos art. 12 do Decreto Federal n0 895, de 16-8-93. Art. 20 - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Prefeitura Municipal de ...................., ..........de ..................de 2000

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ANEXO IV MODELO DE PORTARIA DE NOMEAÇÃO

Portaria nº .........., de ................ de ..................... 2000 Dispõe sobre a designação dos membros da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil - COMDEC. ...................................., Prefeito Municipal de .................no uso de suas atribuições legais e nos termos do art......... da Lei nº ......... , de ........ (ou Decreto nº ......... , d...............) Resolve: Artigo 1º - Designar as pessoas abaixo relacionadas para compor a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil - COMDEC, na seguinte conformidade: Coordenador da COMDEC ...........................(qualificação) ................. residente na rua ............................, nº ..............., nesta cidade; Secretário Executivo ...........................(qualificação) ................. residente na rua ............................, nº ..............., nesta cidade; CEAP ...........................(qualificação) ................. residente na rua ............................, nº ..............., nesta cidade; (quantos forem necessários)

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CENG ...........................(qualificação) ................. residente na rua ............................, nº ..............., nesta cidade; (quantos forem necessários) Artigo 2º - O serviço prestado em atividades de defesa civil será considerado relevante e constará dos assentamentos dos participantes. Artigo 3º - A presente Portaria entrará em vigor na data de sua publicação.

Cumpra-se e publique-se

Prefeitura Municipal de ..................................

Aos ..........de ....................de 2000

(nome) PREFEITO MUNICIPAL

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ANEXO V MODELO DE DECRETO MUNICIPAL

DECLARAÇÃO DE SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA PREFEITURA MUNICIPAL DE ............................. ESTADO DE ...............................

DECRETO Nº .........., de ...............de ................ de .......... Declara “Situação de Emergência no Município de

..............................(ou apenas uma área limitada)”. ........................., Prefeito Municipal de.................................., Estado de ............. no uso de suas atribuições legais ................... e tendo vista o estado em que se encontra o Município (ou o bairro tal/ou a zona tal), devido ................ (às fortes chuvas, vendavais, etc.); Considerando que (famílias desabrigadas, vítimas, n0, etc.); Considerando que (prejuízos materiais, interrupção de serviços essenciais, etc.); Considerando que (outras informações, se houver);

DECRETA:

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Art. 1º - Fica declarada a existência de Situação de Emergência no Município de ................... (ou área tal do Município), por ......... dias ou por ocasião do retorno à situação de normalidade. Art. 2º - Ficam autorizadas as Secretarias Municipais ......................... ou fica criado crédito extraordinário ..................... ou as despesas decorrentes ....................... , etc. Art. 3º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua promulgação ......................

Prefeitura Municipal de ...........................

(nome) Prefeito Municipal

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ANEXO VI MODELO DE DECRETO MUNICIPAL

DECLARAÇÃO DE ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA PREFEITURA MUNICIPAL DE ............................. ESTADO DE .............................

DECRETO Nº ........,de .................de ...................de ......... Declara “Estado de Calamidade Pública” no Município de ......................... (ou apenas uma área limitada).

.............................., Prefeito Municipal de ...................., Estado de ..................... no uso de suas atribuições legais ............ e tendo em vista o estado em que se encontra o Município (ou o bairro tal/ ou a zona tal), devido .............. (às fortes chuvas, vendavais, etc.); Considerando que (famílias desabrigadas, vítimas, n0, etc.); Considerando que (prejuízos materiais, interrupção de serviços essenciais, etc.); Considerando que (outras informações, se houver). DECRETA: Art. 1º - Fica declarado Estado de Calamidade Pública no Município de ....................... (ou área tal do município), por ........... dias ou por

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ocasião do retorno à situação de normalidade. Art. 2º - Ficam autorizadas as Secretarias Municipais .............. ou fica criado crédito extraordinário ............... ou as despesas decorrentes ........................, etc. Art. 3º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua promulgação ...................................

Prefeitura Municipal de ...................................

(nome) Prefeito Municipal

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ANEXO VII

COORDENADORIA ESTADUAL DE DEFESA CIVIL

AVALIAÇÃO DE DANOS
1. TIPIFICAÇÃO 2. DATA DE OCORRÊNCIA = DIA | MÊS | ANO | HORÁRIO

3. MUNICÍPIO

DECRETO MUNICIPAL Nº ______/____ DE _______/_______/________

4. ÁREA AFETADA – Especificar se urbana, identificando o tipo de ocupação (residencial, comercial, industrial, agrícola, pecuária e outros).

1. Tipificação: Construção: Ato, efeito, modo ou ato de construir obra nova, inexistente até o momento, destinada a evitar consequências danosas de eventos previsíveis ou restabelecer o bem estar social da população quando da ocorrência desses eventos. Recuperação: Ato ou efeito de recuperar, fazer com que a obra readquira as condições de eficiência e operacionalidade existente anteriormente ao acontecimento do desastre. Reconstrução: Construir novamente uma obra que foi destruída

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por desastres. Substituição: Ato ou efeito de substituir-se por uma obra, outra que foi total ou parcialmente destruída por desastres; ou que, na ocorrência de eventos previsíveis, venha a causar perigo à população. Obras Recuperativas: Conjunto de obras que visem restabelecer o bem-estar social da população atingida por desastres. 2. DATA DE OCORRÊNCIA: Registre o dia, mês, ano e, quando possível, o horário do desastre.

3. Município: Registre o nome do Município afetado e o n0 e data do Decreto de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública. 4. AREA AFETADA: Delimite e descreva a área afetada, com o máximo de precisão. Se necessário, anexe mapa ou croqui.

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5. CAUSAS DO DESASTRE – Descrever o fenômeno e a sua magnitude

6. DANOS HUMANOS

00 a 14 anos

15 a 59 anos

Acima de 60 anos

Todas as Gestantes

TOTAL

NÚMERO DE PESSOAS DESALOJADAS

DESABRIGADAS

DESLOCADAS

DESAPARECIDAS

LEVEMENTE FERIDAS

GRAVEMENTE FERIDAS

ENFERMAS

MORTAS

AFETADAS

5. CAUSA DO DESASTRE: Descreva o fenômeno adverso que provocou o desastre, informando sobre suas características e magnitude.

6. DANOS HUMANOS: Indique o número de pessoas afetadas, de acordo com as colunas das idades das mesmas e todas as gestantes na coluna específica, discriminando: Desalojadas: Pessoas cujas habitações foram evacuadas,

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danificadas ou destruídas mas que, não necessariamente, precisam de abrigos temporários. Desabrigadas: Pessoas desalojadas que necessitam de abrigos temporários. Deslocadas: Pessoas que migram das áreas afetadas por desastres (retirantes). Desaparecidas: Pessoas não localizadas e de destino desconhecido, em circunstâncias de desastres. Levemente Feridas: Pessoas feridas que não necessitam de hospitalização. Gravemente Feridas: Pessoas feridas que necessitam de hospitalização. Enfermas: Pessoas doentes em consequência de desastres. Mortas: Pessoas falecidas como consequência de desastres. Afetadas: Total de pessoas vitimadas de alguma forma, pelos desastres. (Normalmente o número de afetados é menor que a somaçâo das pessoas atingidas por danos humanos).

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7. DANOS MATERIAIS

DANIFICADAS Instalações NÚMERO R$

DESTRUÍDAS NÚMERO R$

TOTAL R$

RESIDÊNCIAS POPULARES

RESIDÊNCIAS – OUTRAS

PÚBLICAS DE SAÚDE

PÚBLICAS DE ENSINO

INFRA-ESTRUTURA PÚBLICA

PÚBLICAS – OUTRAS

COMUNITÁRIAS

PARTICULARES DE SAÚDE

PARTICULARES DE ENSINO

RURAIS

INDUSTRIAIS

COMERCIAIS E OUTRAS

7. DANOS MATERIAIS: Indique o número de edificações a reconstruir, discriminando: Residências Populares: Casas ou habitações de famílias de baixa renda (até 2 salários mínimos). Outras Residências: Casas ou habitações de famílias com maior capacidade econômica e que podem recuperá-las sem apoio do governo. Públicas de Saúde: Instalações públicas de saúde. Públicas de Ensino: Instalações públicas de ensino. Infra-Estrutura Pública: Obras públicas de infra-estrutura.

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Públicas - Outras: Outras instalações públicas. Comunitárias: Instalações comunitárias, como de convivência, creches e outras. Particulares de Saúde: Instalações particulares de saúde, como hospitais e centros médicos. Particulares de Ensino: Instalações particulares de ensino, como colégios. Rurais: Instalações rurais, como silos, paióis, armazéns, galpões e outras. Industriais: Instalações e plantas industriais. Comerciais e Outras: instalações prestadoras de serviço. Instalações comerciais e outras

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8. DANOS AMBIENTAIS 1 Recursos Naturais

INTENSIDADE DO ANO 2 3 4

VALOR ESTIMADO (R$ MIL)

ÁGUAS (POLUIÇÃO E CONTAMINAÇÃO)

Esgotos Sanitários Efluentes Industriais Resíduos Químicos Outros

SOLO (DEGRADAÇÃO)

Erosão Deslizamentos Contaminação Outros

AR (POLUIÇÃO E CONTAMINAÇÃO)

Gases Tóxicos Partículas em Suspensão Radioatividade Outros

FLORA E FAUNA (DEGRADAÇÃO)

Desmatamento Queimada Outros

8. DANOS AMBIENTAIS: Indique os danos ambientais e os recursos naturais afetados pelo desastre, de acordo com uma escala de intensidade variável entre 1 e 4 (baixa,

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média, alta e muito alta) e o custo, em Reais, para a recuperação dos ecossistemas afetados, discriminando: Água: Informe se as reservas de água de superfície ou de subsuperfície foram afetadas por: esgotos sanitários, efluentes industriais, resíduos químicos ou por outras fontes de poluição. Solo: Informe se o solo foi afetado por erosão, deslizamentos, contaminação ou por outros mecanismos de degradação. Ar: Informe se a qualidade do ar foi afetada por gases tóxicos, partículas em suspensão, radioatividade ou por outros mecanismos de poluição ou contaminação. Flora e Fauna: Informe se a biota foi afetada por desmatamento, queimada ou por outras causas.

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9. PREJUÍZOS ECONÔMICOS – (Especificar os prejuízos na agricultura, pecuária, indústria, comércio e outras atividades econômicas, descrevendo os valores e as quantidades).

10. PREJUÍZOS SOCIAIS – (Especificar os prejuízos nos serviços essenciais abastecimento d’água, sistema de energia elétrica, transporte, comunicação, esgoto, lixo, gás e outros).

11. INFORMAÇÕES SOBRE O MUNICÍPIO

POPULAÇÃO: VALOR ESTIMADO EM REAIS: VALOR DO PIB R$: ____________ ____________ DO ORÇAMENTO:

____________ ____________

DA ARRECADAÇÃO R$: ____________

9. PREJUÍZOS ECONÔMICOS: Registre os prejuízos econômicos discriminando o montante dos mesmos em função dos setores da economia afetados e definindo o percentual da produção afetada.

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10. PREJUÍZOS SOCIAIS: Registre as instalações e os serviços essenciais danificados ou interrompidos pelo desastre e o custo estimado da recuperação. Discrimine os principais sistemas afetados, como abastecimento de água, produção e distribuição de energia elétrica, esgotos sanitários, limpeza urbana e recolhimento do lixo, transporte e outros. 11. 1NFORMAÇÕES SOBRE O MUNICÍPIO: Informe sobre a população e sobre a capacidade econômica do Município afetado, estimando os valores, em Reais, do produto interno bruto (PIB), arrecadação e orçamento do Município.

12. AVALIAÇÃO CONCLUSIVA SOBRE A INTENSIDADE DO DESASTRE (PONDERAÇÃO)
Critérios Preponderantes Intensidade de Danos Humanos Materiais Ecológicos Vulto dos Prejuízos Econômicos Sociais Necessidades de Recursos Suplementares Nível de Intensidade do Desastre Grau de Vulnerabilidade Do Cenário Da Comunidade Padrão Evolutivo Desastre Tendência Agravamento do Nível de Ineficiência da Defesa Civil 1 2 3 4 Critérios Agravantes Importância dos Desastres Secundários 1 2 3 4

para

12. AVALIAÇÃO INTENSIDADE DOS DESASTRES:

CONCLUSIVA

SOBRE

A

Critérios Preponderantes: Registre o valor ponderado dos critérios preponderantes, de acordo com uma escala de intensidade crescente variável.

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Intensidade dos Danos: Discrimine os danos humanos, materiais e ambientais, de acordo com os seguintes valores ponderais; “1” suportáveis e/ou superáveis; “2” sérios. Intensidade dos Prejuízos: Discrimine os prejuízos econômicos e sociais, de acordo com os seguintes valores ponderais: “1” pouco vultosos; “2” medianamente vultosos ou significativos; “3” vultosos; e “4” muito vultosos. Necessidade de Recursos Suplementares: Discrimine as necessidades de recursos suplementares de acordo com os seguintes valores ponderais: “1” não significativa;” 2” pouco significativa; “3” significativa; e “4” muito significativa. Critérios Agravantes: Valores Ponderáveis: Registre o valor ponderado dos critérios agravantes relativos à importância dos desastres secundários, nível de eficiência da defesa civil local, e vulnerabilidades do cenário e da população, de acordo com uma escala de intensidade crescente variável entre 1 e 4. Padrão Evolutivo: Registre se o desastre é súbito ou gradual, previsível ou imprevisível. Tendência para Agravamento: Registre: SIM ou NAO, se o desastre apresenta tendência para agravamento. Com base na Classificação dos Desastres, em função do nível de intensidade, conclua avaliando o nível, de acordo com uma escala variável entre I e IV. Nível de Intensidade do Desastre: 1- Desastre de pequeno porte ou acidente II- Desastre de médio porte III- Desastre de grande porte IV - Desastre de muito grande porte.

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13. INSTITUIÇÃO INFORMANTE NOME DO INFORMANTE CARGO

TELEFONE ASS/CARIMBO DIA DATA MÊS ANO

14. OBSERVAÇÕES:

15. INSTITUIÇÃO VISTORIANTE NOME DO VISTORIANTE CARGO

TELEFONE ASS/CARIMBO DIA DATA MÊS ANO

13. INSTITUIÇÃO INFORMANTE: Identificação da fonte oficial das informações.

14. OBSERVAÇÕES: Para utilização em caso de qualquer outro esclarecimento. 15. INSTITUIÇÃO VISTORIANTE: Identificação da fonte vistoriadora.

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ANEXO VIII

COORDENADORIA ESTADUAL DE DEFESA CIVIL

RELATÓRIO DE PRIMEIRO ATENDIMENTO
1. MUNICÍPIO: 2. DATA: DIA MÊS ANO HORÁRIO

2. ÁREA ATINGIDA:

3. CAUSAS DO DESASTRE:

4. ESTOQUE ESTRATÉGICO:

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5. DANOS HUMANOS 00 a 14 anos Desalojadas Desabrigadas Afetadas
6. Nº DE PESSOAS DESALOJADAS ASSISTIDAS PELA DEFESA CIVIL __________.

15 a 59 anos

Acima de 60 anos

Gestantes

TOTAL

7. LOCAL DOS ABRIGOS

Nº ABRIGADOS ADULTOS

Nº ABRIGADOS CRIANÇAS

TOTAL _______________________

8. PROVIDÊNCIAS ADOTADAS:

9. NECESSIDADES URGENTES:

NOME

CARGO

ASS/CARIMBO

DATA

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Instruções de preenchimento do Relatório de Primeiro Atendimento: 1. Município: Registre o nome do Município assolado pelo evento desastroso. 2. Data de Ocorrência: Registre o dia, mês, ano e, quando possível, o horário do desastre. 3. Causas do Desastre: Descreva o fenômeno adverso que provocou o desastre, informando sobre suas características e magnitude. 4. Autonomia do Estoque Estratégico: Quantidade do Estoque Estratégico no que se refere a alimentos, colchões, cobertores, etc e por quanto tempo esse estoque é suficiente, por item, diante do evento. 5. Danos Humanos: Indique o número de pessoas afetadas, de acordo com as colunas das idades das mesmas e todas as gestantes na coluna especifica, independente da idade, discriminando: Desalojadas: Pessoas cujas habitações foram evacuadas, danificadas ou destruídas, mas que não precisam de abrigos temporários. Desabrigadas: Pessoas desalojadas que necessitam de abrigos temporários. Afetadas: Total de pessoas vitimadas de alguma forma, pelos desastres, porém não se confundindo com as Desalojadas e Desabrigadas. 6. N0 de pessoas desalojadas assistidas pela Defesa Civil: Pessoas que apesar de não estarem em abrigos da Prefeitura Municipal, tiveram seus pertences atingidos e necessitam de apoio emergencial. 7. Abrigos: Nome do local que serve como abrigo e o n0 de pessoas abrigadas nesse local separando em adultos e crianças. 8. Providências adotadas: o que o Poder Público Municipal executou com relação aos desabrigados, material já empregado, aquisições em andamento, apoios externos ao município, campanhas de mobilização comunitária com o objetivo de atender as vítimas do desastre.

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9. Necessidades urgentes: Materiais que a administração municipal necessita para suplementar a ação de assistência imediata as vítimas do desastre.

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ANEXO IX (Publicada no Diário Oficial de 15-12-95) PORTARIA CEDEC-9-610, DE 11-12-95 Disciplina a suplementação do estoque estratégico de materiais dos municípios face aos desastres e dá outras providências.

LOURIVAL COSTA RAMOS, Cel PM Secretário Chefe da Casa Militar e Coordenador Estadual de Defesa Civil, no uso de suas atribuições legais, - considerando o disposto no artigo 13, do Decreto Federal n0 845, de 16-8-93, e artigo 17, do Decreto n0 40.151, de 16-6-95, onde estabelecem que em situações de desastres a responsabilidade pelo primeiro atendimento é do Poder Público Municipal, cabendo ao Estado, posteriormente as ações supletivas, quando comprovadamente exaurida a capacidade de atendimento da administração local; - considerando que a resposta aos desastres correspondem a um conjunto de medidas necessárias para socorrer e dar assistência às populações vitimadas, através das atividades de logística, assistenciais e de promoção da saúde, conforme preconizado na alínea a, do inciso VII, do artigo 9º, do Decreto n0 40.151, de 16-6-95; - considerando que cabe ao Coordenador Estadual de Defesa Civil regular a liberação de recursos materiais disponíveis, para o atendimento das atividades de defesa civil conforme estabelecido no inciso XII, do artigo 13, e no artigo 20, tudo do Decreto n0 40.151, de 16-6-95, resolve: Artigo 1º - A liberação de recursos materiais, dentro da

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disponibilidade, pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil - CEDEC -para as comunidades assoladas por desastres, será feita de forma a suplementar as ações do Poder Público Municipal, responsável pelo primeiro atendimento. Parágrafo único - Para os efeitos desta Portaria, considera-se Desastre o contido no inciso II, do artigo 9º, do Decreto n0 40.151, de 16-6-95, e o contido nas alíneas a, b, c e d, tudo do inciso III. do artigo 2º, da Resolução CMIL-CEDEC-4-610, de 16-1 1-95. Artigo 2º - Os recursos materiais, aludidos no artigo anterior, compreendem os exigidos para garantir as necessidades básicas da população atingida por desastres. Artigo 3º - Entende-se como primeiro atendimento por parte do Poder Público Municipal, a retirada da população dos locais de risco, acomodando-a em locais seguros, estáveis e salubres, pré determinados, ou obtidos por meio da solidariedade do restante da comunidade, sendo que as necessidades básicas dessas pessoas serão supridas de imediato pelo estoque estratégico de materiais do município. Artigo 4º - O primeiro atendimento municipal, mencionado no artigo anterior, será de acordo com o plano de atuação da Comissão Municipal de Defesa Civil, que deverá identificar os locais que possam servir como abrigo e estabelecer um estoque estratégico, proporcional ao grau de vulnerabilidade do município, dentre outras providências. Artigo 5º - A liberação de recursos materiais pela CEDEC, deve ser precedida de uma solicitação formal do Chefe do Executivo Municipal ou do Presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil ao Coordenador Estadual de Defesa Civil, sendo esta acompanhada do Relatório de Primeiro Atendimento por parte do município, e cadastro da população a ser assistida pelos recursos materiais. § 1º - A solicitação municipal referida no “caput”, bem como, o

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relatório de primeiro atendimento, poderão ser encaminhados via “fax”, devendo seus originais e o cadastro da população a ser assistida serem apresentados à CEDEC no menor prazo. § 2º - O cadastro da população a ser assistida deverá conter: nome, nº do documento de identidade, número de dependentes e endereço. Artigo 6º - A prestação de contas do material repassado, será feita no prazo de 15 dias, a contar da liberação dos recursos materiais contendo: I. Comprovação do recebimento do material pela população cadastrada. II. Declaração do Chefe do Executivo Municipal ou do Presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil, de que o material repassado pela CEDEC, foi distribuído conforme o solicitado, sendo indicado nesta o período de distribuição. Artigo 7º - A liberação de recursos materiais será destinada exclusivamente, para o atendimento da população vitimada por desastres, ficando vedada a utilização de tais recursos na formação ou manutenção de estoques estratégicos municipais, bem como em ações de assistência social. Artigo 8º - A competência de liberação dos recursos materiais regulamentada por esta Portaria poderá ser delegada ao Diretor do Departamento de Defesa Civil ou seu representante, conforme preconizado na alínea n, do inciso II, do artigo 30, do Decreto n0 38.567, de 27-4-94. Artigo 9º - Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas as disposições em contrário, em especial a Portaria n0 CEDEC-001, de 16-2-90.

LOURIVAL COSTA RAMOS CEL PM SECRETÁRIO CHEFE DA CASA MILITAR COORDENADOR ESTADUAL DE DEFESA CIVIL

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ANEXO X RESOLUÇÃO CMIL-4-610-CEDEC, DE 16 DE NOVEMBRO DE 1995
(Publicado em 21 de novembro de 1995 - Diário Oficial - Volume 105 - Número 221)

Estabelece critérios para a Homologação da Declaração de Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública, no Estado de São Paulo.

O Secretário Chefe da Casa Militar e Coordenador Estadual de Defesa Civil, no uso de suas atribuições legais e Considerando o disposto no inciso IV, do artigo 6º, do Decreto Federal nº 845, de 16 de agosto de 1993, que estabelece a competência do Conselho Nacional de Defesa Civil - CONDEC, em aprovar critérios para a declaração, a homologação e o reconhecimento de Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública dentro do proposto pela Secretaria de Defesa Civil - SEDEC e, inexistindo até o momento qualquer critério estabelecido por aquele órgão; Considerando que a declaração de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública é da competência do Prefeito Municipal, quando o evento adverso só atingir o município, e de competência do Governador do Estado, quando o evento for de caráter regional, conforme dispõe o artigo 12 do Decreto Federal nº 845, de 16 de agosto de 1993, e o artigo 23 do Decreto nº 40.151, de 16 de junho de 1995; Considerando que o decreto que declara ou homologa uma Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública é ato da Administração Pública devendo estar amparado pelos princípios legais explícitos e implícitos no artigo 37 da Constituição da República Federativa do

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Brasil, reafirmados no artigo 111 da Constituição do Estado de São Paulo; Considerando que cabe ao Coordenador Estadual de Defesa Civil propor a homologação ou a decretação de Situação de Emergência e de Estado de Calamidade Pública nas áreas atingidas por desastres, conforme estabelece o inciso II, do artigo 13 do Decreto nº 40.151, de 16 de junho de 1995; Considerando o estabelecido no “caput” do artigo 30 do Decreto nº 38.567, de 27 de abril de 1994; Considerando que o Secretário Chefe da Casa Militar do Gabinete do Governador é o Coordenador Estadual de Defesa Civil, conforme preceitua a alínea “i “, do inciso II, do artigo 30, do Decreto n2 38.567, de 27 de abril de 1994; Considerando, o disposto no inciso II, do artigo 3º, do Decreto nº 1, de 11 de julho de 1972; Considerando a necessidade premente de serem estabelecidos tais critérios devido as suas consequências jurídicas e sociais, RESOLVE: SEÇÃO 1 Disposições Iniciais Artigo 1º - A declaração da Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública e sua proposta de homologação ao Governador do Estado seguirão os critérios estabelecidos por esta resolução e observada a legislação pertinente. Artigo 2º - Para os fins desta resolução considera-se: I - Situação de Emergência - Reconhecimento legal de situação anormal provocada por desastre, dando origem a prejuízo vultoso e causando danos suportáveis e/ou superáveis pela comunidade afetada;

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II - Estado de Calamidade Pública - Reconhecimento legal de situação anormal provocada por desastre, dando a origem a prejuízos muito vultosos e causando danos dificilmente suportáveis e/ou superáveis pela comunidade afetada, inclusive á incolumidade e á vida de seus integrantes; III - Desastre - É o resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem sobre uns ecossistema vulnerável, causando perdas humanas, danos materiais e ambientais e consequentes prejuízos econômicos e sociais. Classificam-se em: a) Desastres de Nível 1 - acidentes e/ou desastres de pequeno porte, caracterizados por danos pouco importantes, facilmente suportáveis e/ou superáveis, pela comunidade afetada e por prejuízos pouco vultosos. Não são caracterizadores de situação anormal (Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública); b) Desastres de Nível II - desastres de médio porte, caraterizados por danos que podem ser suportáveis e/ou superáveis por comunidades bem preparadas, e por prejuízos mediamente vultosos, ou apenas significativos. Não são, a princípio, causadores de situação anormal de Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública, no entanto, podem atingir uma faixa limítrofe com a Situação de Emergência, para tanto devem ser observados os critérios agravantes; c) Desastres de Nível III - desastres de grande porte, caracterizados por danos suportáveis e/ou superáveis por uma comunidade bem preparada, além de prejuízos vultosos. A situação de anormalidade pode ser superada com recursos do município reforçada ou suplementada por meios estaduais e/ou federais, caracterizando a Situação de Emergência; d) Desastres de Nível IV - desastres de muito grande porte, caracterizados por danos sérios, dificilmente suportáveis e/ou superáveis pela comunidade local, além de causar prejuízos vultosos. A volta da situação de

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normalidade depende de substancial ajuda de fora da área atingida, caracterizando o Estado de Calamidade Pública. IV - Danos - medida que define a intensidade ou severidade de um acidente ou desastre. Classificam-se em: a) Quanto á dificuldade de retorno a situação de normalidade: 1. danos sérios - têm caráter irreversível ou de recuperação muito difícil, raramente serão suportáveis e superáveis pelas comunidades locais; 2. danos suportáveis e/ou superáveis - têm caráter reversível ou de recuperação menos difícil, são mais facilmente suportáveis e superáveis pela comunidade local; b) Quanto ao objeto: 1. humanos desalojados, desabrigados, deslocados, desaparecidos, feridos gravemente, feridos levemente, enfermos e mortos; 2. materiais - edificações, instalações e outros bens; 3. meio ambiente - medidos em função do volume de recurso necessário para reabilitação do meio ambiente; V - Prejuízos - medida que define o volume de perdas econômicas ou sociais provocadas por desastres. Classificam-se em: a) Quanto á intensidade: 1. pouco vultosos - provocado por desastres de pequeno e médio porte (nível 1 e II); 2. medianamente vultosos - podem ser provocados por acidente de médio porte (nível II); 3. vultosos - provocados por desastres de porte (nível III); 4. muito vultosos - provocados por desastres de muito grande porte (nível III); b) Quanto ao objeto: 1. econômicos - aferidos pelo PIB (Produto Interno Bruto) em

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função dos seguintes fatores: agricultura, pecuária, indústria, comércio, mineração e transportes; 2. sociais - interrupção de funcionamento ou colapso nos serviços públicos essenciais (ex.: saúde, transporte, segurança pública, distribuição de energia elétrica, esgoto de águas pluviais, coleta de lixo, etc.); VI - Critérios Agravantes - são outros eventos ocorridos após o desastre, agravando a situação anormal da comunidade assolada, dificultando o retorno desta à situação de normalidade. São eles: a) Padrão Evolutivo do Desastre. Classificados em: 1. súbitos - ocorrem de forma inesperada e surpreendente, podendo ser inclusive previsíveis, se forem de natureza cíclica e de caráter sazonal; 2. gradual - ocorre agravamento progressivo da situação anormal; 3. por somação - somação de efeitos parciais, considerados a longo prazo; b) Ocorrência de Desastres Secundários: Desastres secundários que agravam a situação anormal provocada pelo desastre primitivo; c) Níveis de Preparação e Eficiência da Administração Pública e da Defesa Civil: Aferidos de acordo com a capacidade de resposta aos desastres e sobre o restabelecimento da situação de normalidade: d) Grau de vulnerabilidade do cenário do desastre e da comunidade local. Aferido através; 1. senso de percepção de riscos; 2. grau de segurança da população que é afetada pelos órgãos formadores da opinião publica; 3. vontade da administração pública municipal em aumentar a segurança da população; 4. responsabilidade e nível de competência da administração

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municipal. VII - Critérios Preponderantes - são os danos e prejuízos que irão caracterizar a intensidade do desastre e a necessidade ou não de recursos suplementares para o retorno da situação de normalidade; VIII - Necessidade de Recursos Suplementares - a necessidade ou não de recursos suplementares, será caracterizada pelos danos e prejuízos provocados pelo evento desastroso, classificando-se em: a) Não Significativa - provocada por danos pouco importantes e prejuízos pouco vultosos, facilmente superáveis e suportáveis pela comunidade afetada; b) Pouco Significativa -provocada por danos superáveis e/ou suportáveis e por prejuízos pouco vultosos, necessitando o município de pequeno suplemento de recursos para retornar a normalidade; c) Significativa - provocada por danos superáveis e/ou suportáveis e por prejuízos vultosos, ‘Necessitando de um suplemento expressivo para o retorno da situação de normalidade; d) Muito Significativa - provocada por danos sérios e por prejuízos muito vultosos, necessitando de substancial destinação de recursos suplementares; IX - Declaração da Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade - documento oficial (Decreto) que registra e divulga uma situação anormal provocada por desastre, com danos suportáveis ou não pela comunidade. São competentes para tal declaração, os Prefeitos Municipais e o Governador do Estado; X - Homologação da Situação de Emergência ou de Estado de f2alamidade Pública- aprovação e confirmação da situação declarada habilitando-a a produzir os efeitos jurídicos próprios.

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SEÇÃO II Do Procedimento Artigo 3º - A decretação da declaração da Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública é de competência do Prefeito Municipal, quando o evento desastroso atingir apenas o município, e do Governador do Estado, quando o evento for de carater regional, conforme estabelece o artigo 23 do Decreto Estadual nº 40.151 de 16 de Julho de 1995. § 1º - O decreto de Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública conterá a previsão de sua vigência e sua suspensão imediata após a volta à normalidade podendo o período de vigência ser ampliado, caso persistam as circunstâncias que deram causa ao flagelo, conforme dispõe o mesmo artigo do decreto citado no “caput “. § 2º - O decreto de competência do Prefeito Municipal mencionado no “caput” deverá identificar a área de risco iminente ou atingida e quais as consequências dos danos ocorridos ou possíveis de ocorrer, quando for o caso. § 3º - O prazo de vigência desse decreto variará em função do ciclo evolutivo do desastre, entre 30, 60 e 90 dias, podendo ser prorrogado pelo prazo máximo de 180 dias consecutivos e ininterruptos, contados a partir da caracterização do desastre. § 4º - A decretação da Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública será homologada pelo Governador de Estado, conforme estabelece o artigo 12 do Decreto Federal nº 845 de 16 de agosto de 1993. Artigo 4º - Caberá às Coordenadorias Regionais de Defesa Civil REDEC, dentro das suas respectivas regiões, bem como às Comissões Municipais de Defesa Civil - COMDEC, orientar e assessorar os prefeitos

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municipais, quanto à declaração da Situação de Emergência ou do Estado de Calamidade Pública, de acordo com os critérios estabelecidos por esta resolução. Artigo 5º - Havendo a declaração, através de decreto, da Situação de Emergência ou do Estado de Calamidade Pública pelo Prefeito Municipal, este deverá, no prazo de 24 horas, ser encaminhado ao Coordenador Estadual de Defesa Civil, solicitando a sua homologação pelo Governador do Estado. § 1º - O decreto municipal declarando a Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública e a solicitação de sua homologação, poderão ser encaminhados via “fax“, devendo seus originais serem apresentados à CEDEC no menor prazo possível. § 2º - Juntamente com o decreto deverá ser encaminhado mapa ou croqui das áreas afetadas pelo desastre. Artigo 6º - O Diretor do Departamento de Defesa Civil providenciará, nas 48 horas após o recebimento do decreto de Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública, a elaboração do relatório de avaliação de danos (anexo). Parágrafo único - O relatório de avaliação de danos será analisado tecnicamente pelo Diretor do Departamento de Defesa Civil, dentro dos critérios e considerações estabelecidos por esta resolução. Artigo 7º - O parecer do Diretor do Departamento de Defesa Civil será imediatamente encaminhado ao Coordenador Estadual de Defesa Civil, que o acolherá total ou parcialmente, propondo, se for o caso, a homologação do decreto municipal que declara a Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública, pelo Governador do Estado. Seção III

Disposições Finais

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Artigo 8º - Havendo a necessidade de se prorrogar a vigência do decreto de Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública, caberá ao Prefeito Municipal observar o contido no artigo 5 desta resolução. Parágrafo único - No caso de solicitação de homologação da prorrogação da Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública, o Diretor de Defesa Civil e o Coordenador Estadual de Defesa Civil, atenderão ao disposto nos artigos 5º, 6º e 7º desta resolução, naquilo que lhes couberem. Artigo 9º - Advindo norma regulamentadora por parte do Conselho Nacional de Defesa Civil aproveitar-se-á esta resolução naquilo que não for incompatível. Artigo 10 - Esta resolução entrará em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas as disposições em contrário.

LOURIVAL COSTA RAMOS CEL PM CHEFE DA CASA MILITAR COORDENADOR ESTADUAL DE DEFESA CIVIL

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ANEXO XI GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO GABINETE DO GOVERNADOR - CASA MILITAR COORDENADORIA ESTADUAL DE DEFESA CIVIL RESOLUÇÃO CEDEC Nº 001/DIPLAN, de 10-9-1997 Estabelece critérios para a implantação e avaliação do Código Especial 199 - Defesa Civil. O Secretário-Chefe da Casa Militar, na qualidade Coordenador Estadual de Defesa Civil, no uso de suas atribuições legais e,
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de

Considerando a sua competência prevista no inciso IV, artigo 13, do Decreto n 40.151, de 16 de junho de 1995; Considerando que a Defesa Civil se fundamenta numa ativa participação comunitária, tendo como base a organização municipal (identificada dentro do Sistema, como Comissão Municipal de Defesa Civil), a qual necessita dispor de uma eficiente rede de comunicações a fim de receber as informações e mobilizar os recursos disponíveis, num menor espaço de tempo possível (Rede de Emergência); Considerando que o Código Especial 199 - Defesa Civil é um serviço telefônico especial emergencial, não tarifado, destinado à comunicação de emergência com a Defesa Civil, no âmbito local, tendo como público alvo a população do Município; Considerando que a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil CEDEC, é o órgão que detém as atribuições, em âmbito estadual de orientar e coordenar todas as medidas preventivas de socorro relacionadas à Defesa Civil; Considerando por fim a necessidade de se estabelecer critérios técnicos para a implantação e avaliação de uso do Código Especial 199, visando sua correta destinação, como um importante instrumento de comunicação da

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comunidade com a Defesa Civil; e Após reuniões realizadas com as Prestadoras de Serviço Público de Telecomunicações, com amplo debate acerca de procedimentos técnicooperacionais conjuntos, RESOLVE: Artigo lº - A implantação do Código Especial 199 - Defesa Civil obedecerá os critérios estabelecidos pela Diretriz n0 CEDEC - 001/97, por esta resolução e pela legislação pertinente. Artigo 2º - Para os fins desta resolução considera-se o Código Especial 199 - Defesa Civil, um serviço telefônico especial, não tarifado, cuja finalidade é a de servir como canal de comunicação entre a população e órgãos locais de Defesa Civil, em casos de emergência. Artigo 3º - A solicitação de implantação do Código Especial 199 deverá ser encaminhada pelo Prefeito Municipal ao Coordenador Estadual de Defesa Civil, por ofício, acompanhado dos seguintes documentos: I - Cópia do Decreto de criação da Comissão Municipal de Defesa Civil - COMDEC; II - Cópia do Regimento Interno ou do Decreto de designação dos membros da COMDEC; III - Relatório descritivo das instalações, localização e operação da Central de Atendimento da COMDEC; e IV - Cópia do Plano Municipal de Defesa Civil. Artigo 4º - A solicitação será protocolada na Secretaria Executiva da CEDEC que providenciará a constituição de um Grupo de Trabalho (GT) para avaliação técnica. § 1º - Constituirá o Grupo de Trabalho (GT) a que se refere o caput deste artigo: I - O Coordenador Regional de Defesa Civil (da região pertinente); II - O Presidente da COMDEC interessada;

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III - Um representante da Prestadora de Telefonia local; e IV - Um representante, convidado, do Conselho Estadual de Telecomunicações - COETEL. § 2º - O Grupo de Trabalho deverá se reunir na sede da COMDEC do Município interessado e emitir laudo de vistoria. § 3º - Caberá à Secretaria Executiva da CEDEC estabelecer a data e o horário da reunião do Grupo de Trabalho, mediante contato prévio com seus membros. Artigo 5º - Aprovada a instalação através do laudo de vistoria, o Coordenador Estadual de Defesa Civil, por ofício, informará o Prefeito Municipal e através de Portaria autorizará a implantação do Código Especial 199 no Município interessado, com publicação em Diário Oficial. Parágrafo único - No caso de não aprovação, a Secretaria Executiva da CEDEC comunicará formalmente à COMDEC interessada, propondo as providências reparadoras necessárias. Artigo 6º - Publicada a Portaria a que se refere o caput do artigo anterior, o Coordenador Estadual de Defesa Civil encaminhará ofício ao Presidente da Empresa Prestadora do Serviço de Telefonia da área, solicitando a ativação do Código Especial 199 . Artigo 7º - Semestralmente, a contar da data da instalação do Código Especial 199, será procedida, pelo menos, uma avaliação técnica de operação. § 1º - A avaliação referida no caput deste artigo estará a cargo do Coordenador Regional de Defesa Civil respectivo, que emitirá seu parecer à CEDEC, de forma sucinta. § 2º - As instalações precedentes à presente publicação, também, serão objeto de avaliação semestral, tendo por base o mês de sua instalação, de forma a ajustá-las de acordo com às novas diretrizes. § 3º - Em consonância com o parágrafo anterior, o prazo de ajuste das instalações antecessoras às novas diretrizes do Código Especial 199 será de 120 (cento e vinte) dias a contar da data de publicação desta Resolução.

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Artigo 8º - Constatado a não observância dos requisitos técnicos necessários para a operação do Código Telefônico 199, nos termos do artigo anterior e seus parágrafos, a CEDEC solicitará ao Município, através de sua Comissão Municipal de Defesa Civil, as medidas reparadoras pertinentes ao caso e, em não sendo adotadas no prazo estipulado, encaminhará expediente à Empresa Prestadora, propondo a desativação do serviço. Artigo 9º - Advindo norma regulamentadora no âmbito federal sobre a utilização de Código Telefônico Especial aproveitar-se-á esta resolução naquilo que for compatível. Artigo 10 - Esta resolução entrará em vigor na data de sua publicação.

LOURIVAL COSTA RAMOS CORONEL PM SECRETÁRIO-CHEFE DA CASA MILITAR COORDENADOR ESTADUAL DE DEFESA CIVIL

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