Capítulo 4 I O rio Tietê, as

obras de
retificação e a
sua ocupação
no século XX
Como objeto de estudo e reflexão, para a elaboração de
um projeto utópico, foi escolhida a área do rio Tietê e sua várzea.
Esse capítulo busca compreender o processo de retificação do rio
Tietê, detectando os principais problemas gerados por essa
intervenção. Para tanto, é feito um estudo do rio na época Que
precede a acelerada expansão urbana do início do século XX, o
que levou à intenção de drenar a várzea e retificar o Tietê. São
discutidos os equívocos ocorridos nesse processo de retificação.
Nesse capftulo também são mostrados o surgimento da
indústria automobllrstlca e o investimento num plano rodoviáriO,
o Que veio a justificar a Implantação das avenidas marginais ao
longo do rio retificado. Esclarece como é estreita a relação entre
o uso do automóvel e a degradação ocorrida na cidade.
A hipótese desse trabalho é que uma utopia pode ser um
método para definir metas e direções a serem perseguidas para a
transformação de uma cidade. o primeiro passo desse processo é
compreender a área em estudo e o percurso das Intervenções
realizadas. Essa compreensão é fundamental para que se entre em
contato com as caracterfsticas do local na sua origem, antes das
transformações feitas de maneira inadequada. ISSO vai dar subsídio
para Que uma proposta utópica e, portanto, profundamente
transformadora, possa ser feita.
utopía e ddades: proposítões
o rio Tietê e o início da urbanização da
cidade de São paulo
Até o último quarto dO século XIX, São paulo era uma cidade
de 240 mil habitantes (segundo o censo de 190m, ocupando a área
compreendida entre as várzeas dos rios Tietê, Tamanduateí e
Anhangabaú. NOS três primeiros séculos de colonização, São Paulo
foi um local de troca por escambo, sem transações com dinheiro,
o que dá uma idéia do pouco desenvolvimento da região. Eram
negociados panos de algodão, mantimentos, carnes, cera e couro.
Só em 1711 São paulo foi levada à categoria de cidade. sua maior
importância devia-se à localização estratégica entre Minas Gerais
e os campos de criação de gado do sul do país.
No fim do século XVIII, com a prOdução de cana-de-açúcar,
São paulo passa a integrar o circuito do comércio colonial. Isto se
reflete no aspecto da cidade.
"As ruas que até então eram encaradas como continuação
das casas, começaram a receber um tipo de acabamento que
lhes dava a condição de serem encaradas como lugar público.
Em 1780, por exemplo, 'se passou um edital para se fazer uma
postura de?nindO que tOda a pessoa Que tiver carros dêem
cada vez uma carrada de pedras para se fazerem as ruas desta
cidade' ". !SEABRA, 1987: 27)
"lentamente, delimitavam-se calçadas, ruas, becos e
serventias, fixando·se também o;'ifmites da propriedade
pública e privada, enquanto o Estado se erguia como
elemento' neutro' administrador do novo espaço urbano".
<Idem: 27)
Com a necessidade de expansão da área urbana da cidade
face ao desenvolvimento impulsionado pela lavoura cafeeira no
século XIX e em seguida à industrialização, as várzeas dos rios Tietê,
Pinheiros e Tamanduateí, configuraram um limite natural e
@
histórico dessa expansão. Na segunda metade do século XIX, a
Capítulo 4 _. Orío líetê, OI obras de retífícoção ...
circunscrição da área de várzea dos rios Tietê e Pinheiros pela
malha urbana Já eram evidentes. Na década de 1870, a cidade de
São paulo passa a ter um crescimento acelerado. A área urbana vai
se expandindo para além da área central (fig. 33 a 37l.
A partir de então, as várzeas dos rios Tietê e Pinheiros, .antes
consideradas terrenos rUins, começaram a ser vistas como área
com potencial para ser urbanizada. Entretanto, grandes obras de
drenagem faziam-se mister. o Tietê era um rio com leito sinuoso,
repleto de meandros com uma grande área de InUndação. AS cheias
eram freqOentes. Existiam vários portos de areia que constituíam
a principal atividade econômica do rio. Sua várzea era pouco
habitada. As raras casas do local eram anualmente alagadas pelas
águas das cheias, que traziam lixo e odor desagradável. por esta
razão, a popUlação que morava na várzea era chamada de varzeana,
termo que ganhou conotação pejorativa por ser a área mais pobre
e suja da cidade. A várzea era também onde existiam atividades
de lazer, sobretudo o futebol (fig.38l. Antes das obras de retificação
do rio Tietê, ocorridas entre as décadas de 1940 a 60, a área chegou
a contar com mais de mil campos de futebol.
Somando-se à necessidade de expansão urbana, havia
também um problema grave de saneamento, na área da várzea, a
ser enfrentado. Embora não fosse o principal motivo, a justificativa
mais frequentemente usada para a retificação do rio era a de
sanear o local que se tornava insalubre durante as cheias. No fim
do século XIX e começo do XX, a cidade de São Paulo foi atingida
por várias epidemias: varíola, morféia e febre amarela em 1875,
varíola tuberculose e febre amarela, entre 1893 e 1898, cólera em
1894, tuberculose em 1896, peste bubônica em 1901, novamente
varíola em 1908 e gripe espanhola em 1918. Essas epidemias
evidenciavam a falta de salubridade do local e mostravam a urgência
de obras de saneamento.
@
I
utopio e cidodes: proposições
A legiSlação fundiária
o processo de acelerada expansão da cidade de São Paulo foi
marcado desde o início por uma forte especulação de terras
urbanizáveis. A legislação fundiária no Brasil, no ?m do século XIX,
regulamentada pela lei de Terras, de 1853, não restringia o peso
da propriedade da terra urbana. Em países como a França, a Itália,
a Argentina, os Estados Unidos, a legislação fundiária reconhecia a
valorização da propriedade urbana decorrente de um investimento
públiCO. por isso buscava restringir esta valorização, coibindo a
especulação imobiliária, lançando tributos sobre a propriedade.
No Brasil, a propriedade fundiária urbana valorizou-se no processo
de produção da cidade sem encontrar obstáculOS. Odete Seabra
interpreta esse processo como sendo uma ausência de interesses
conflitantes entre os diversos segmentos da sociedade.
"Enquanto em outros países apareceu claramente que a
legislação era em si mesma a conformação de um conflito de
interesses, no Brasil e mais especialmente no caso de São
Paulo, a falta de uma legislação pode estar indicando uma
superpOSição de papéiS. Ou seja, proprietários rurais são ao
mesmo tempo proprietários urbanos e legisladores nas
assembléias. De modo que, a formação de um circuito urbano
avantajado de apropriação de mais valia social não lhes teria
causado nenhum pânico". Ub. Idem: 21)
AS questões envolvidas na drenagem
da várzea e na retificação dos
rios pinheiros e Tietê
Desde o início do século XX falava-se em retificar os rios
Tietê e Pinheiros, sob o pretexto de higienízar a cidade.
I
I
FreqÜentemente, após uma enchente, o rio mudava o seu curso,
traçando um novo desenhO, formando às vezes, ilhas. O presidente
@
da província de São paulo, souza Mello, afirmou em 1884 Que:
Copítulo 4 - Orio Tietê, os obros de retificoção ...
"durante seis meses por ano a cidade ficava sitiada por um
lago criado pelas águas desbordadas dos alvéolos Tamanduateí
e Tietê". (HISTÓRIA E ENERCIA: Rios, Reservatórios e Enchentes.
São paulo, Departamento de Patrimônio Histórico da
Eletropaulo, 1995: P. 88)
Os primeiros registros mostrando a necessidade de drenar
a várzea datam de 1866 e apontam a Intenção de usar esse terreno
para o crescimento da cidade. Os projetos mais antigos para as
obras de retificação de rios na cidade de São Paulo datam de 1842.
Em 1849 as obras de retificação do Tamanduateí, primeiro rio a
ser retificado, tiveram início.
Havia clubes nas margens dos rios que os usavam para a
prática de esportes, como regatas. Este era o caso do clube
Pinheiros, no rio Pinheiros (nessa época chamado de Germânia) e
das Regatas do Tietê, da Associação Atlética de São paulo e do
Espéria no Tietê. Isto mostra que o primeiro uso da várzea pós­
urbanização era voltado para o lazer. Havia competições de remo
e de natação Que foram realizadas até 1945, Quando foram
interrompidas, pois as águas já eram inadequadas para tal uso. A
principal competição era a de natação, Que tinha início na ponte
da Vila Maria (hoje Jânio Quadros) e término na Ponte Grande
(demolida com a retificação do rioL
A falta de legislação adequada e de impostos que
eventualmente inviabilizassem o acúmulo de terrenos não
edificados por um mesmo proprietário, favorecia a especulação
imobiliária Que ocorria na área urbana. NO início do século XX
começaram os estudos para viabilizar a retificação dOS rios Tietê e
Pinheiros.
A drenagem da várzea e a retificação dos Rios Tietê e
Pinheiros constituíam um processo de criação de terra urbana
I
com grandes possibilidades de ganhos para os investidores. A
I
retificação do rio Pinheiros foi feita com o propÓSito de produzir
I
energia elétrica. suas obras couberam à companhia canadense The
São Paulo Tramway Light and Power Company Limlted, conhecida
@
utopia e cidades: proposições
como Light, Que pôde negociar as terras drenadas livremente, pOis
recebeu, em troca da execução do trabalho, as terras abaixo da
cota máxima de inundação dO rio Pinheiros. Posteriormente, até
mesmo a Prefeitura de São paulO teve Que adquirir terras para
executar o proJeto das marginais, ou seja, comprou o Que antes já
lhe pertencia. O mesmo aconteceu com a área destinada ao
CEAGESP.
No caso da retificação do Rio Tietê, o prOjeto coube à
Prefeitura do Município de São paulo, Que foi, ao longo do tempo,
usando a área para projetos sociais como o Terminal Rodoviário
do Tietê, os acessos às pontes, a construção da Santa Casa, hoje
ocupada pelo Tribunal Criminal da Barra Funda, mas também para
outros? ns, como é o caso dO Anhembi, cuja negociação nunca
ficou multo clara.
A retificação dos rios era apresentada como única alternativa
plausfvel para resolver os problemas de enchentes e de
insalubridade das várzeas. Certamente, esta alternativa era a mais
conveniente para a Light, Que teria o seu investimento altamente
recompensado.
Face ao crescimento da DOPulação urbana e à necessidade
de saneamento da área, existiam outras alternativas Que poderiam
ter sido adotadas. por exemplo, poder-se-ia drenar a várzea sem
alterar radicalmente o curso do rio. outra possibilidade seria criar
um sistema de coleta e tratamento de esgoto adequado e
concomitantemente adensar a área urbana existente. Cabe
lembrar Que a cidade tinha nessa época uma densidade muito baixa
e mesmo com o crescimento intenso ocorrido no início do século
XX, manteve uma densidade muito aquém da encontrada em outras
metrópoles. Nessa época, a lei fundiária poderia ter sido alterada
para impedir a valorização das terras da várzea e lindeiras a ela e,
conseqüentemente, sua especulação.
C!kJ
Capítulo 4 - Orio Tietê, OI obras de retificoçõo ...
--.
1
Os interesses envolvidos na drenagem
I
da várzea
Havia interesses conflitantes na Questão da drenagem da
várzea. Por um lado, para preservar a área com solo drenado seria
necessário manter as barragens num nível muito baixo. No entanto,
para a geração de energia e sua conseqüente comercialização,
interessava Que as barragens estivessem sempre cheias. A Comissão
de Melhoramentos do rio Tietê, criada em 1924, para estudar e
solucionar os problemas das cheias dos rios Tietê e Pinheiros,
apresentou projeto coordenado por Francisco Saturnino Rodrigues
de Brito, criando Lagos da Ponte Grande e aterros, Que não foram
executados. Em março de 1929, Saturnino de Brito entregou à
Prefeitura de São paulo um relatório do plano de regularização
dos rios Tietê e Pinheiros. Nesse relatório ele lamenta a interrupção
de Observações iniciadas pela Comissão de saneamento em 1893,
chefiada pelo engenheiro José Antônio da Fonseca Rodrigues, e a
falta de estudos hidrológiCOS mais aprofundados. propõe Que os
46 km de rio sinuoso entre Osasco e Penha fossem retificados e
reduzidos a 26 km. projetou dois lagos de um milhão de metros
Quadrados de superfíCie cada, na área onde hoje se situa o campo
de Marte, para a prática de esportes e lazer. NO relatóriO, saturnino
de Brito cita a influência das represas da Light sobre o regime do
rio e recomenda o rebaixamento de um metro da cota máxima da
barragem de Paraíba.
·uma possibilidade técnica de regularização do regime do rio
poderia ser a de reter parte do volume de água nas cabeceiras
por ocasião das chuvas, para liberá-Ias, paulatinamente, nos
outros meses do ano. O que, de qUalquer forma. não suprimiria
obras no leito dO riO, mas poderia torná-Ias menos onerosas.
Essa possibilidade chegou a ser discutida, e mesmo a
I
Companhia Light, interessada na montagem do sistema
I
hidrelétrico de São paulo, teria conseguidO em 1925 uma
concessão para efetuar esses represamentos. Abandonou

1
utopia e cidades: proposições
esse projeto. definindo·se por outra alternativa: (SEABRA.
1987:27)
A atuação da Light nas questões da
retificação dos rios Tietê e pinheiros
À Light foi concedido, pela Lei 2249 de 1927, o direito de
reverter o curso original do Rio Pinheiros, captando águas no Rio
Tietê, com o propÓSito de gerar energia elétrica. Foi também
concedido o direito de canalizar, alargar, retificar e aprofundar os
leitos dOs rios Pinheiros e seus afluentes, Grande e Guarapiranga.
Além disso, foi-lhe concedidO o direito de desapropriar os bens e
terrenos das áreas de suas várzeas para fins de utilidade pública
ou de necessidade pública, sem fazer distinção entre as duas
categorias.
A enchente de 1929
O Decreto 4487 de novembro de 1928, concedia à Light as
terras da várzea dO Rio Pinheiros, sendo estabelecido Que a área
concedida seria correspondente à área máxima de cheia. Era
necessáriO, no entanto, demarcar essa área, uma vez Que não
existiam registros da tal cota máxima do rio. para tanto, foi usada
a enchente Que ocorreu pouco tempo depois, em fevereiro de
1929, enchente esta Que correspondia à pior de todos os tempos.
tendO as águas atingido a cota de 720.55m rià'ponte das Bandeiras,
no rio Tietê e na foz do rio Pinheiros. onde foram medidas, cotas
nunca antes relatadas. A cota máxima registrada anteriormente
I
foi de cerca de 719,80m (fig. 39). Há evidências de Que essa cheia
I
foi manipulada pela Light. exatamente com o intuito de garantir
I
uma vasta área e conseqüente valorização dOS investimentos da
I
companhia.
I
I
É certo Que no início de 1929 choveu muito na região de São
Paulo. No entanto, no mês de fevereiro, Quando ocorreu a grande
@
cheia dos Rios Tietê e Pinheiros, a preCipitação foi menor que em
Capítulo 4 - Orio Tietê, os obras de retificação ...
janeiro dO mesmo ano. A chuva registrada na primeira metade do
mês de fevereiro não corresponde a níveis alarmantes, sobretudo
nos dias Que antecederam às cheias. NO período entre os dias 15 e
20 houve um período de estiagem com dias ensolarados. O nível
mais alto registradO, ou seja. o pior dia da cheia. foi no dia 18 de
fevereiro, portanto alguns dias depois do término das chuvas.
Mesmo com vários dias seguidos de solo nível das águas não baixava
(fig. 40)
Os bairros atingidos pelas águas dos rios Tietê, Tamanduateí
e Pinheiros foram: canindé, Parque D. Pedro. Vila Elza, Vila Maria,
Vila EcOnomizadora, Bom Retiro, Barra Funda, Vila Anastácio (tendo
ficado ilhada), Casa verde, Limão, Freguesia dO Ó, Lapa, Pinheiros,
Cidade Jardim, Vila Leopoldina e outros. centenas de famílias foram
obrigadas a abandonar suas casas. O cenário era desolador. Sabia·
se Que a enchente era provocada pelas represas da Light. AS
manchetes dos jornais destacavam este fato como é o caso do
jornal "O Estado de São Paulo" de 16 de fevereiro de 1929 Que dizia:
AS águas das represas da Ught invadem Santo Amaro (nesta época
era muniCípio vizinho de São Paulo). A Ught não se pronunciava a
respeito.
"O silêncio da Companhia Light, embora assustador. tem
também uma lógica. Se algumas discussões fossem travadas.
muito facilmente se faria correlações entre o Decreto 4487
de 9 de novembro de 1928 e a necessidade Que tinha a
Companhia de demarcar no terreno o limite da sua jurisdição.
Pela CláUSUla XX do D. 4487: · ... antes, porém de realizar as obras
de canalização do Rio Pinheiros e seus afluentes, deverá a
Companhia submeter à aprovação dO Governo a planta da
área a desapropriar com indicação dos seus limites. bem como
o projeto detalhado das obras de saneamento ou dos
benefícios a realizar nesta área...'
"Esta parece ser a Questão fundamental, garantir-se de uma
superfície do terreno nas várzeas tão ampla Quanto possível,
utopia e cidades: propolições
sobre a qual exerceria os direitos contidos na Concessão que
obtivera".
"Restava o problema de tornar oficial os limites da 'enchente'
de 1929. Não foi difícil para a Companhia utilizar-se do trabalho
de engenheiros da Escola Politécnica para, no campo, fixar os
marcos necessários aos registros de nível, e em seguida conseguir
que peritos oficialmente designados reconhecessem também
no campo, as demarcações realizadas. A companhia Light
solicitara no jUdiciário uma vistoria ad·perpetum para demarcar
a linha de enchente de 1929, providência que foi atendida e
levada a cabo por peritos, conforme consta em documento
mantido nos arquivos da li9ht.
"Assim, no Decreto n° 8372 que acompanha as plantas 3845,
3846, 3847, 3848, 3849, estão ofiCializados os limites territoriais
da área de concessão 'a linha máxima de enchente', ou seja, o
ponto alcançado pelas águas na 'enchente' de 1929. Tudo
indica que foi uma inundação e não uma enchente.
"O que de fato acontecera é que no segundO dia de chuvas (dia
14), as represas que estavam cheias fOram abertas e a partir da
região de santo Amaro, propagou-se uma onda de cheias que
se sobrepõs às águas já existentes nas várzeas do Pinheiros e
alcançava, por efeito retardado, o rio Tietê." lidem: 191 e 192)
A única empresa a Questionar a demarcação da área a
ser recebida pela Light, foi a companhia City1, proprietária
de terras desapropriadas. A City questionou a legalidade do
uso da cota máxima da cheia de 1929, além de ter levantado a
suspeita de a enchente ter sido
1. City of São Paulo Improvements and
provocada. Mais tarde fez um acordo
Freehold Land Company Limited,
com a light, cedendO à companhia companhia inglesa instalada em São
Paulo em 1911, responsável pelO
apenas parte das terras desa·
loteamentos Jardim América, Jardim
Europa, Pacaembú e outros. @
propriadas.
Capítulo 4 - Orio Tietê, os obraI de retificação ...
A light teve um ganho duplo pelo seu investimento. Em
primeiro lugar, teve o retorno do investimento pela cobrança da
energia produzida. Em segundo, teve o ganho pela venda das terras,
valorizadas pelas obras de retificação dO Pinheiros, drenadas e
saneadas. Além disso, teve também o lucro obtido pelo crescimento
da cidade, Que passava por um momento de grande expansão.
portanto, a Ught teve um ganho muito maior do Que o mero
retorno do capital investido.
A retificação do rio Tietê
AS obras de retificação do rio Tietê foram adiadas várias
vezes. Na década de 20 a Questão da insalubridade já era bastante
crítica, porém a crise de 1929 e a revolução de 30 impediram o
início das obras. O projeto Que acabou sendo implantado foi o
prOjeto Cintra, elaborado por João Florence de Ulhoa cintra, chefe
dos trabalhos de retificação desde 1937. O projeto consistia em
canalizar o rio, mantendo uma declividade uniforme e constante
de Guarulhos a osasco, com a cota do canal coincidindo com o
fundo dO rio em Osasco e se aprofundando, até atingir GuarUlhos,
onde teria uma diferença de nível entre o fundo do rio e o fundo
do canal de aproximadamente 4 metros. A idéia dos dois diques
foi preterida pelo projeto Que dava ao rio um leito capaz de drenar
as águas, aterrando as depressões da várzea, por julgar que os
diques corriam o risco de se romper causandO fatalmente uma
inundação súbita, o Que desvalorizaria a área drenada.
AS obras no Tietê foram realizadas nas décadas de 50 e 60. Já
durante a construção do canal foram necessárias obras de
desassoreamento, pOiS um grande volume de resíduos sólidos
alcançava o Tietê. AS inundações, no entanto, continuaram a
ocorrer mesmo com a canalização do rio. Na década de 60, a
administração pÚblica discute a questão instalando, em 1963, uma
comissão parlamentar para avaliar os trabalhos de retificação. Por
outro lado, as questões burocráticas impediam que se agilizassem
as obras necessárias. O DAEE (Departamento de Águas e Energia
@
utopia e cídadel: p1QJ:l.oliçõel
Elétrica) ficou encarregado da administração das Questões dos riOS
e das várzeas do Tietê em São paulo, passando a assumir a
responsabilidade sobre o desassoreamento do canal, antes a cargo
da prefeitura do Município de São paulo.
A Questão do assoreamento do rio passa a ser um dos maiores
problemas a serem enfrentados pelas administrações municipais
deSde a retificação. Somando-se às obras de desassoreamento, o
bota-fora do material retirado constitui um problema de grande
magnitude. Os problemas gerados vão desde o custo do transporte
dos detritos, terra etc., até a deterioração ambiental da área aonde
esse material vai sendo despejado. Conforme a malha urbana vai
crescendo a situação agrava-se, pois cada nova construção
impermeabiliza total ou parcialmente o solo, e as águas de chuva,
Que antes eram em parte absorvidas pelo solo, vão sendo levadas
diretamente para o rio. outras áreas urbanas em crescimento fora
dO município de São paulo também vão contribuir para a deposição
de resídUOS e, nesse caso, o governo municipal não tem como
brecá-lo.
o rio Tietê e a implantação do
sistema viário
Quando as obras para a drenagem da várzea e retificação do
rio Tietê começaram a ser feitas na década de 1940, São Paulo
contava com uma popUlação de cerca de um milhão de habitantes.
Os automóveis eram raros e o transporte qiJe predominava era o
coletivo, bondes prinCipalmente. A pOPUlação da cidade foi
crescendo rapidamente, atingindo 4,7 milhões de habitantes em
1960, crescendo para 8,2 milhões ao longo da década de 60. A
execução das obras de retificação do Tietê dá-se na mesma época
da implantação da indústria automobilística no Brasil. Coincidem
também com o plano rodoviário nacional, iniciado no governo Dutra
em 1945, ap6s a notícia de Que o Brasil não estava incluído no
Plano MarshaL
Capítulo 4 - Orio Tietê, OI obrOl de retificação ...
o plano rodoviário vai incentivar a aquisição de automóveis
particulares. Em 1968 o governo cria a legislação para a aquisição
de carros através de consórcio, garantindo com isso o escoamento
da produção de veículos. Esta legislação foi inspirada no "fordismo",
Que foi um arranjo entre a Ford, chrvsler, a General Motors e o
governo americano para criar um consórcio com o Objetivo de
viabilizar a um operário (no início um operário da Ford), a compra
de um Ford T.
O fordismo teve início em 1914, Quando Ford implantou o
dia de trabalho de oito horas a cinco dólares para os operários da
linha de montagem de carros na sua fábrica em Dearborn, Michigan.
Com esse salário e uma jornada de trabalho reduzida, o trabalhador
teria condições de entrar no mercado consumidor, além de dispor
de horas de lazer, para Que pudesse dar vazão à produção industrial.
A partir daí, a industrialização teve um grande impulso, estando a
indústria automobilística numa pOSição de destaque. O automóvel
foi logo transformado em objeto do desejo e símbolo de status.
Ford apoiou-se na utopia de Franl< Lloyd Wright para Broadcare
City, reforçando o ideal de morar longe do centro da cidade e
pr6ximo ao campo.
"... foi a suburbanização e desconcentração da população e
da indústria le não a auto ajuda}, implícitas na concepção
modernista de Wright, que tornaria o principal elemento de
estímulo da demanda efetiva pelos produtos de Ford no
longo períOdO de expansão do pós-guerra a partir de
1945'.IHARVEY,1998: 122}
Até a década de 1930, a Europa s6 produzia carros para uma
elite. Desde então, começou a implantar as idéias de Ford, só
atingindo seus objetivos depois da Segunda Guerra Mundial, na
década de 1950. A implantação da indústria automobilística no Brasil
ocorre nesse cenário e já tem claro, desde seu início, a idéia de
tornar a aquiSição do automóvel acessível a uma fatia considerável
da popUlação.
utopia e cidades:
A industrialização ocorreu de forma desequilibrada no Brasil,
tendo sido concentrada na cidade de São paulo e cidades
adjacentes, Que foram rapidamente crescendo e constituindo uma
única mancha urbana. o escoamento da Produção automobilística
deu-se principalmente nessa área.
o fenômeno da explosão demográfiCa estava ligado ao
avanço tecnológico a partir da década de 1940 e ao rodovlarismo.
Estes fatores tiveram um grande impacto no desenho da cidade
de São paulo. A malha viária da cidade não estava preparada para
receber esse grande aumento de veículos em cirCUlação. A área
drenada dos rios Tietê e Pinheiros constituíam uma possibilidade
de ligação do leste e oeste, no caso da várzea do Tietê, e do
norte e sul, no Pinheiros. Os rios e suas várzeas, sempre tratados
como estorvo pelOS tomadores de decisão do desenho da cidade,
serviria então para abrigar um sistema viário, fazendo as conexões
mencionadas.
Como os rios eram encarados como canal para deposição da
sujeira da cidade e não como fonte de vida, lazer etc., o sistema
viário foi Implantado o mais próximo possível desses canais, sem
Que tivesse havido Qualquer preocupação em deixar uma área vazia
entre eles e o sistema viário, para Que constituíssem elementos
de possível preservação de vida Que poderia um dia ser recuperada.
Assim, o rio Tietê ficou sufocado entre duas avenidas com sete
pistas de cada lado, sem Qualquer condição de ser usado pela
pOPulação para um uso mais nobre como há menos de cem anos
parecia ser sua vocação: a prática de esportes, a pesca, o lazer ... A
várzea dos rios e seus mais de mil campos de futebol, berço da
cultura dO futebol brasileiro, seus clubes de regatas, seus barcos,
foram tragados pela força da industrialização, da necessidade da
geração de energia elétrica, da impOSição do escoamento da
Produção industrial, das pistas de alta velOCidade, ligando as várias
estradas que partem da cidade de São paulo.
como na enchente de 1929, ninguém reclamou. A população,
Que no início das obras de retificação era de cerca de um milhão
@
de habitantes, foi se multiplicando até chegar aos dez milhões de
Capítulo 4 - Orio Tietê, os obras de retificacõo ...
hoje. Assistiu passivamente a essas tranSformações, a essas perdas,
sem se dar conta da degradação urbana Que ocorria a sua volta.
Em 1999, São Paulo Chegou,à incrível marca de dois habitantes
para cada veíCUlO, ou seja, para seus dez milhões de habitantes,
cinco milhões de veículos. HOje, no mundo, produzem-se mais
carros do Que nascem crianças. Nem a crise do petróleo, iniciada
na década de 1970 foi capaz de conter essa tendência.
Concomitantemente, os investimentos do governo do estado em
transporte coletivo foram insuficientes. São paulo ainda hoje não
possui uma rede de metrô, contando apenas com Quatro linhas,
obviamente insuficiente para a popUlação.
O perímetro urbano segue crescendo. A espeCUlação
imobiliária vai lançando os limites da cidade para cada vez mais
longe. O valor da propriedade continua aumentando, o Que estimula
as pessoas a se afastarem dO centro, tornando o automóvel mais e
mais desejável. O sistema viário da cidade nessas alturas já está
bastante sobrecarregado. Grande parte dos percursos para se
chegar ao trabalhO hoje se dá na Marginal do Tietê.
AO mesmo tempo em Que este estado de caos se propaga,
não faltam propagandas associando a imagem do carro a poder,
virilidade, sedução, juventude, força, explorando essa característica
de poder Que o automóvel agrega a seu dono. Em contrapartida, a
cidade de São Paulo está cada vez mais caótica e a Indústria cada
vez mais satisfeita, aumentando seus lucros na mesma proporção
em Que a velocidade de deslocamento média diminui.
AS perspectivas de mudança desse panorama dO rio Tietê
são assustadoras. Nesse momento {2006} estão sendo realizadas
obras para amPliação da calha do rio. Esta é mais uma entre tantas
agressões Que o rio sofreu na tentativa de alterar seu
comportamento natural.
A somatória de todo um processo eqUiVOCado de ocupação
do solo urbano na várzea do rio Tietê, resultou numa situação
caótica vlvenclada hoje na cidade por toda a população. Como
conseqüênCia, temos um proble-ma de multo difícil NO
entanto, se essa várzea viesse a ser recuperada, a cidade
®
utopia e cidades: _________
proporcionaria a seus habitantes uma grande melhora na qualidade
de vida. Resolver a área da várzea do Tietê seria uma grande
contribuição para transformar a cidade num lugar digno e aprazível.
propostas para intervenção no rio Tietê
Multas propostas foram feitas para melhorar a situação do
rio Tietê. São apresentados aqui 13 projetos para a reurbanização
do local. Desde o início do século xx a várzea do Tietê vem sendo
reconhecida como uma área de grande potencial urbanístico da
cidade e, ao mesmo tempo, como um dos locais que apresentam
os piores problemas. Os projetos que se seguem foram realizadOS,
calcados nas mais diversas intenções. Alguns são pragmátiCOS e
Objetivos e buscam atender às expectativas do mercado imobiliário,
sempre preocupado em criar solo edificável a um custo baixo.
Outros possuem caráter utópico e visam propiciar uma
aproximação do habitante com a natureza e, portanto, privilegiam
a implantação de áreas verdes em detrimento de áreas edificadas.
A mais antiga das propostas é a de saturnino de Brito, que
teve como objetivo drenar a várzea do rio Tietê, solucionando o
problema das inundações. Em 1925, Francisco saturnlno Rodrigues
de Brito iniciou o relatório para melhoramentos do rio Tietê entre
Osasco e penha (fig. 41). Em 1928 concluiu o relatório, depois revisto
por Ulhoa Cintra e lysandro pereira da Silva, que serviu de base
para os trabalhos de retificação do rio PropOs retificar o rio
com um traçado basicamente igual ao que tem hoje, reduzindo de
46km para 28km o percurso do rio original. Além disso, projetou
diques laterais que teriam a função de receber as águas das cheias.
propOs o aprOfundamento da calha.
I
A partir de 1925 João Florence de Ulhoa Cintra foi chefe da
I
divisão de urbanismo da prefeitura de são paulo e da comissão do
I
Rio Tietê. Na sua gestão, propõe a construção de diques, para
I
I
receber as águas de inundação e o aumento da largura do canal,
logradouros públiCOS nas margens do rio. Cintra trabalha usando
@
uma proposta anterior de Fonseca Rodrigues. Quanto ao traçadO
Capítulo 4 - Orio Tietê, OI obras de retificação ••.
dO rio, ele sugere uma regularização do rio, mantendo uma
sinuosidade no canal. cria logradouros públicos ao longo do canal,
que se situaria no meio de uma avenida parque.
Em 1930, Prestes Maia elabora o Plano de Avenidas com a
intenção de organizar a ocupação territorial da cidade e sua
expansão que se acelerava (na época a cidade contava com cerca
de um milhão de habitantes). Foram propostas três avenidas
perimetrais articuladas por um sistema de avenidas radiais, sendo
a terceira perimetral (a mais externa), constituída em grande
parte pelas avenidas marginais. Prevê nas marginais do Tietê
avenidas de tráfego rápidO e edifícios monumentais, estações
de ferro, Instalações esportivas e o aeroporto da cidade (fig.
43 e 44J.
Jorge Wilheim, com a cOlaboração dO paisagista José
Cordeiro, apresentou em 1967 um trabalho para a reurbanlzação
do Vale dO Tietê. Teve como intenção resolver o problema da
descontinuidade leste-oeste, aliviar os congestionamentos na
travessia norte-sul, melhorar o tráfego de caminhões entre as
rodovias Dutra, AnhangOera e Anchieta, criar pOlítica para as áreas
verdes, disciplinar o tráfego de Onibus IntermuniCipais, programar
o uso de áreas públicas desocupadas e recuperar a função da várzea
a fim de remediar a parte já urbanizada. Foi proposta, para tanto,
a criação de uma via perlmetral norte ligando as rodovias Dutra,
Fernão Dias e AnhangOera. criou um sistema de retorno de cada
lado do canal para minimizar a necessidade de travessias pelas
pontes e propOs ampliar o sistema verde à leste, o que foi realizado
em parte em 1975 com a criação do Parque ECOlógico Tietê
projetado por Ruy Ohtake e Burle Marx (fig. 45J.
Com o objetivo de organizar corredores metropolitanos ao
I
longo dos rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí, englobando as
I
principais funções da cidade, que são: habitar, recrear, trabalhar
I
e circular, Cândido Malta campos Filho elaborou em 1973 uma
I
proposta para a área do Tietê (fig.46 e 47>. Ele comparou os custos
I
de transporte ferroviário e metroviário com o transporte por
automóveis individuais. Chegou à conclusão de que o sistema @
utopia e cidades: jlroposições
ferroviário é menos custoso que o rodoviário. A partir dessa
premissa, propôs um sistema ferroviário de transporte.
Ruy othake e equipe (Haron Cohen, Alfred Talaat, Dalton de
Luca, Helio pasta, José Maria Wiitaker de Asumpção, José Roberto
Graciano, leo Bonfim Junior, Maria Teresa Ramasini Furuiti, Maria
Thereza de Barros camargo, Regina Márcia do Amaral,'Ricardo Itsuo
ohtake) projetam em 1977 o parque Ecológico do Tietê (fig.48>.
Tiveram como intenção, proteger o rio Tietê através de um parque
de proporções metropolitanas, valorizando a relação paisagística
rio-cidade e recuperando, através do poder público, o uso
democrático do solo urbano. A proposta inclui toda a extensão do
rio, desde a sua nascente em salesópolis, a 120 km da cidade e
prevê a despoluição do rio e saneamento da cidade. O projeto
busca recuperar as margens do rio, corrigindo o equíVOCO que foi
a construção de avenidas marginais muito próximas ao rio.
Criar uma cidade porto-fluvial e, ao mesmo tempo, retomar
um sistema ferroviário articulando o sistema da cidade. É a idéia
de Paulo Mendes da Rocha na sua proposta de1980. Através da
articulação do rio Tietê com o sistema fluvial e o sistema ferroviário,
busca tornar São Paulo uma cidade porto-fluvial (fig. 49J.
oscar Niemeyer e equipe (HarOn Cohen, Helio Pasta, Helio
Penteado, Julio Katinsky, Maria Cecília schar-Iach, Ruy Ohtake,
Walter MakhohlJ realízaram um projeto em 1986 para um parque
no Tietê. O enfoque era recuperar espaços verdes e tranqüilidade
que a cidade exibia anos atrás. "Criar os encantos perdidos nesses
longos anos de desacerto e incompreensão- iProjeto Tietê, 1991:
22). A proposta prevê a criação de um "pulmão verde" com locais
de esporte, lazer, clubes, restaurantes, habitações, escritórios,
um centro cultural e um centro cíviCO. Propõe remover a avenida
marginal no lado sul do rio e imPlantar dez milhões de m
2
de áreas
verdes, recuperando uma das margens <lado sUIl, numa
prOfundidade variável entre 300 e 1000m (fig 50 e 51).
I
I
Com o projeto do Rio Novo de 1988, Décio Tozzi pretende
conferir uma nova imagem à paisagem das calhas dos rios Tietê e
@
Pinheiros através de um programa de convívio e lazer. Tozzi propõe
Copítulo 4 - Orio Tíetê, os obras de retificoçõo ...
um grande calçadão dotado de estares, ciclovias e quadras de
esporte, tendo sido retiradas as Marginais do entorno imediato
dos rios, criando um parque linear urbano (fig 52>'
Roberto loeb busca desenvolver um sistema metroviário
aéreo sobre a cidade na sua proposta de 1990. loeb propõe a
construção de edifícios de serviço de 60 pavimentos que suportam,
através de cabos, linhas de metrô. Estas torres são também
estações elevadas, e abrigam escritórios, lojas, cinemas habitação
etc (fig. 53).
Marcos Acayaba pretendeu corrigir a ruptura Que o rio e as
marginais constituem na estrutura metropolitana de São paulo com
a sua proposta de 1990. procurou urbanizar a área do rio através
de edifícios-ponte, aumentando a densidade da cidade e
conectando os dois lados do rio, retirando da área o tráfego de
caráter- rodoviário.
O projeto cria edifícios-ponte sobre o rio, tendo nos andares
mais baixos estacionamentos e áreas comerciais e nos mais altos
escritórios e apartamentos. O direito de construir seria concedido
mediante compromisso da manutenção do setor de influência
(cerca de 300m>. Foi proposta uma via expressa rebaixada e, no
nível dos edifícios-ponte, uma avenida de trânsito local.
Bruno Padovano procura repensar a relação entre as partes
do território para organizar o meio ambiente urbano adotando
estratégias locais e globais nas quais combina o processo de
desenvolvimento territorial solucionando problemas de alta
concentração em algumas partes e ao mesmo tempo de abandono
de áreas, revertendo o processo de degradação do meio-ambiente,
preservando a paisagem e a natureza. seu projeto foi o vencedor
dO Concurso nacional de idéias para o redesenvolVimento da área
do entorno dos rios Pinheiros e Tietê realizado pela prefeitura do
Município de São paulo em 1996. Na proposta estão incluídos a
despoluiÇão dos rios, utilização dos rios para navegação e
I
transporte de carga, criação de lagos artificiais, redesenho do I
sistema de transporte integrando trem, metrô, transporte fluvial
e individual.
@
utopia e cidades: proposições
Alexandre Delijaicov elabora um projeto para a orla fluvial da
grande São Paulo em 1998, com o objetivo de criar uma orla fluvial,
integrando o rio com a cidade de São Paulo. Para promover a
integração urbanística do rio com a cidade, Delijaicov estrutura
seu projeto destacando as funções de porto fluvial, parque e
habitação. Critica as ferrovias, as canalizações €i as avenidas
marginais que isolam o rio da cidade.
os trabalhos apresentados adotam como ponto de partida o
rio como ele se apresenta no momento de elaboração do projeto.
o fato de o rio ser retificado é aceito como inquestionável. Pouco
ou nada refletem a respeito das intervenções e erros existentes
no processo de ocupação da várzea, ainda que muitos reconheçam
a invasão da área de várzea. Também aceitam como fato a existência
e permanênCia das catorze pistas da Marginal. Tratam, portanto, a
reurbanlzação da área na superficialidade, pois aceitam todos os
elementos que formam a área degradada como imutáveis.
Oscar Nlemeyer é o único arquiteto que percebe a necessidade
de se retirar a Avenida Marginal, ao menos de uma das margens do
rio, Q lado que está mais próximo ao centro da cidade. os demais
lidam com o problema sem ir a fundo nas questões principais.
A despOluição das águas, assunto tratado por todos os
projetos, é apenas um dos aspectos a serem enfrentados.
Alguns projetos, como o de Bruno padovano, sugerem um
rio navegável. AS marinas e barcos colocados no rio produzem
bonitos desenhos, mas são inviáveis se as avenidas marginais
permanecerem como estão. com a rétificação dO rio e
conseqüente aumento da velocidade das águas, a idéia de torná-lo
navegável, não tem viabilidade. A grande alteração da velocidade
das águas na época de chuvas impossibilita a navegação em boa
parte do tempo. Além disso, como diz o geógrafO Aziz Ab'Sáber,
"a idéia, muitas vezes repetida, de utilizar o rio canalizadO
para cirCUlação leste-oeste, não tem força de aplicabilidade
porque já existem diferentes estruturas viárias paralelas ao
Tietê, e tal como a cidade se estruturou é quase Incom­
®
I
Capítulo 4 - Orio Tietê, os obrai de retificação ...
t
preensível aproveitar a via fluvial para interligar com rapidez
e eficiência setores que têm baixo nível de comple­
mentaridade: (Projeto Tietê: 1991)
o projeto de Prestes Maia é coerente com a época em que
foi concebido, quando a cidade de São Paulo contava com uma
popUlação de cerca de um milhão de habitantes. No seu Plano de
Avenidas, prestes Maia integra o rio à paisagem urbana, fazendo
dele um elemento estruturador da cidade e integradOr da zona
norte às outras zonas da cidade. Essa Idéia de construir avenidas
no fundo de vale foi iniciada com Prestes Maia e, hoje, podemos
constatar em várias cidades brasileiras que esse modelo destrói a
possibilidade de integração dos rios, fortes elementos naturais da
paisagem, com o resto das cidades.
Jorge Wilheim tem como prioridade aliviar o transito das
marginais, propondo uma via perimetral ligando as rodovias
Anhangüera, Anchieta e Dutra. É um projeto pragmático que
responde ao problema da cirCUlação de veículos pelas Avenidas
Marginais, que constitUi apenas um dos problemas do rio.
Ruy Ohtake reconhece o equívoco da construção das
marginais e as substitui por um parque linear ao longo do rio. O
rio seria preservado e protegidO por farta área verde, porém
constituiria uma divisão marcante entre a zona norte e as zonas
oeste, leste e centro da cidade.
Paulo Mendes da Rocha em seu projeto sai do âmbito urbano
e procura articular a cidade numa escala regional e continental,
ligando o sistema fluvial ao sistema ferroviário.
Marcos Acavaba, com a proposta de edifícios-ponte, trata a
área do rio como SOlo construível. A através de edifícios, integra a
zona norte com o resto da cidade.
Os projetos apresentadOS, com exceção do de Niemeyer,
não tocam no cerne da questão que é o isolamento do rio, I
provocado pelas avenidas marginais que secionam o espaço da I
várzea. Essa fragmentação do espaço, impede o uso das suas águas
I
e margens como área de lazer, impossibilitandO o contato das
pessoas com a natureza.
@
utopia e _________
Figura 33 Fonte: EMPLASA. Memória Urbana: A Grande São Paulo até 1940.
Figura 34 - Planta Geral da Cidade de São Paulo, 1905. (Fonte: Câmara Municipal de
São Paulo).
I
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Figura 35 - Loteamentos periféricos em 1897. (Fonte: SOMEKH, Nadia; CAMPOS.
Cândido Malta. A Cidade que não Pode Parar: Planos Urbanísticos de São Paulo no
Século XX)•
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Figura 36 Planta da Cidade de São Paulo .. 1914. (Fonte: EMPLASA. Memória Urbana:
A Grande São Paula até 1940).
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Capítulo 4 - Orio Tietê, as obras de retificação ...
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Capítulo 4 - Orio Tietê, OI obraI de retifi(oção ... utopia e (idades: proposições
REGISTRO DAS ÁGUAS MÁXIMAS DO RIO TIETÊ, NA ESCALA DA PONTE GRANDE
ENTRE OS ANOS DE 1893 E 1949
Figura 37 - (Fonte: TOLEDO, Benedito Lima de. Prestes Maia e as Origens do Urbanismo
Moderno em São Paulo).
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FONTE: COMISSÃO DE MELHORAMENTOS DO RIO TIETÊ· P. S. p, - 1950
Figura 39 Registro máximo das águas do rio Tietê.
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Figura 40 - Enchente de
1929 Avenida Leopoldina
(Fonte: HISTÓRIA E
ENERGIA: Rios, Reser­
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vatórios e Enchentes).
Figura 38 - Lazer no rio Tietê em 1930 (Fonte: HISTÓRIA E ENERGIA: Rios, Reservatórios e
Enchentes).
utopia e cidades: proposições
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Figura 41 - Projeto de melhoramentos do rio Tietê (Fonte: TOLEDO, Benedito Uma de. Perstes
Maia e as Origens do Urbanismo Modemo em São Paulo. São Paulo, Empresa das Artes, 1996).
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Figura 42 - Proposta de Ulhoa Cintra (Fonte: desenho Denise Falcão Pessoa).
Capítulo 4 - Orio Tietê, ai obras de retificoçào ...
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Figura 43 - Plano de Avenidas de Prestes Maia (Fonte: TOLEDO, Benedito Uma
de. Perstes Maia e as Origens do Urbanismo Moderno em São Paulo).
Figura 44 - Plano de Prestes Maia (Fonte: TOLEDO, Benedito Lima de. Prestes Maia e
as Origens do Urbanismo Modemo em São Paulo). @
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Capítulo 4 - O rio Tietê, os obras de retifico(õo ... utopia e cidades: proposkões
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(Fonte: Projeto Tietê.
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1991).
Figura 45 - O Parque Anhembi de Jorge Wilheim (Fonte: Projeto Tietê. Documento IAS SP. São
Paulo, Ed Pini, 1991).
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Figura 47 - Proposta de Cândido Malta (Fonte: Projeto Tietê. Documento IAB SP. São
Paulo, Ed Pini, 1991).
Fígura 48 Parque ecológíco de Ruy Ohtake (Fonte: Projeto Tietê. Documento IAS
SP. São Paulo, Ed Pini, 1991).
utopia e cidades: proposições
Figura 49 Projeto de Paulo Mendes da Rocha (Fonte: Projeto Tietê. Documento IAB
SP. São Paulo. Ed Pini. 1991).
Figura 50 Proposta de Oscar Niemeyer. (Fonte: Projeto Tietê. Documento IAB SP. São
Paulo. Ed Pini. 1991).
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Figura 51 Proposta de Oscar Niemeyer (Fonte: Projeto Tietê. Documento IAS SP. São
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Figura 52 - Tietê por Décio Tozzi (Fonte: Projeto TIetê. Documento IAS SP. São Paulo. Ed Pini,
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dade: Proposta de
Projeto para a Orla
Fluvial da Grande
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tação).
utopia e cidades: proposições
Figura 54
Proposta de
Bruno
Padovano
(Fonte:
MARGINAIS
Project in
Sao Paulo
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Projetto:
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Padovano.
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Roma,
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capítulo 5 I proposta
utópica para
uma
intervenção
na várzea do
rio Tietê
I

começaram a ser vistas como área com potencial para ser urbanizada. repleto de meandros com uma grande área de InUndação.utopía e ddades: proposítões Capítulo 4 _. entre 1893 e 1898. configuraram um limite natural e histórico dessa expansão. a cidade de São Paulo foi atingida por várias epidemias: varíola.'ifmites da propriedade pública e privada. NOS três primeiros séculos de colonização. Na década de 1870. o que dá uma idéia do pouco desenvolvimento da região. a I @ . AS cheias eram freqOentes. o Tietê era um rio com leito sinuoso. a cidade de São paulo passa a ter um crescimento acelerado. 33 a 37l. São paulo passa a integrar o circuito do comércio colonial. Em 1780. São paulo era uma cidade de 240 mil habitantes (segundo o censo de 190m. Sua várzea era pouco habitada. @ século XIX e em seguida à industrialização. fixando·se também o. "As ruas que até então eram encaradas como continuação das casas. com a prOdução de cana-de-açúcar. havia também um problema grave de saneamento. cera e couro. Pinheiros e Tamanduateí. Isto se reflete no aspecto da cidade. ruas. Tamanduateí e Anhangabaú. as várzeas dos rios Tietê. novamente varíola em 1908 e gripe espanhola em 1918. !SEABRA. sobretudo o futebol (fig.. grandes obras de drenagem faziam-se mister. Existiam vários portos de areia que constituíam a principal atividade econômica do rio. Embora não fosse o principal motivo. São Paulo foi um local de troca por escambo. OI obras de retífícoção . Entretanto. A partir de então.. carnes. 'se passou um edital para se fazer uma postura de?nindO que tOda a pessoa Que tiver carros dêem cada vez uma carrada de pedras para se fazerem as ruas desta cidade' ". peste bubônica em 1901.antes consideradas terrenos rUins. Só em 1711 São paulo foi levada à categoria de cidade. A várzea era também onde existiam atividades de lazer. A área urbana vai se expandindo para além da área central (fig. cólera em 1894. que traziam lixo e odor desagradável. ocupando a área compreendida entre as várzeas dos rios Tietê. a ser enfrentado. becos e serventias. No fim do século XVIII. Orío líetê. 1987: 27) "lentamente. No fim do século XIX e começo do XX. sua maior importância devia-se à localização estratégica entre Minas Gerais e os campos de criação de gado do sul do país. delimitavam-se calçadas. termo que ganhou conotação pejorativa por ser a área mais pobre e suja da cidade. por esta razão. por exemplo. Antes das obras de retificação do rio Tietê. . Essas epidemias evidenciavam a falta de salubridade do local e mostravam a urgência de obras de saneamento. tuberculose em 1896. enquanto o Estado se erguia como elemento' neutro' administrador do novo espaço urbano". Somando-se à necessidade de expansão urbana. as várzeas dos rios Tietê e Pinheiros.38l. a justificativa mais frequentemente usada para a retificação do rio era a de sanear o local que se tornava insalubre durante as cheias. <Idem: 27) Com a necessidade de expansão da área urbana da cidade face ao desenvolvimento impulsionado pela lavoura cafeeira no circunscrição da área de várzea dos rios Tietê e Pinheiros pela malha urbana Já eram evidentes. a área chegou a contar com mais de mil campos de futebol. a popUlação que morava na várzea era chamada de varzeana. varíola tuberculose e febre amarela. o rio Tietê e o início da urbanização da cidade de São paulo Até o último quarto dO século XIX. começaram a receber um tipo de acabamento que lhes dava a condição de serem encaradas como lugar público. As raras casas do local eram anualmente alagadas pelas águas das cheias. sem transações com dinheiro. morféia e febre amarela em 1875. mantimentos. ocorridas entre as décadas de 1940 a 60. na área da várzea. Eram negociados panos de algodão. Na segunda metade do século XIX.

A principal competição era a de natação. Reservatórios e Enchentes. formando às vezes. não restringia o peso da propriedade da terra urbana. 88) AS questões envolvidas na drenagem da várzea e na retificação dos rios pinheiros e Tietê I I Desde o início do século XX falava-se em retificar os rios Tietê e Pinheiros. 1995: P. por isso buscava restringir esta valorização. no ?m do século XIX. como regatas. Idem: 21) "durante seis meses por ano a cidade ficava sitiada por um lago criado pelas águas desbordadas dos alvéolos Tamanduateí e Tietê". sob o pretexto de higienízar a cidade. Isto mostra que o primeiro uso da várzea pós­ urbanização era voltado para o lazer. "Enquanto em outros países apareceu claramente que a legislação era em si mesma a conformação de um conflito de interesses. afirmou em 1884 Que: @ Os primeiros registros mostrando a necessidade de drenar a várzea datam de 1866 e apontam a Intenção de usar esse terreno para o crescimento da cidade. a Itália. a legislação fundiária reconhecia a valorização da propriedade urbana decorrente de um investimento públiCO. da Associação Atlética de São paulo e do Espéria no Tietê. O presidente da província de São paulo. São paulo. lançando tributos sobre a propriedade. proprietários rurais são ao mesmo tempo proprietários urbanos e legisladores nas assembléias. a formação de um circuito urbano avantajado de apropriação de mais valia social não lhes teria causado nenhum pânico". o rio mudava o seu curso. (HISTÓRIA E ENERCIA: Rios. no Brasil e mais especialmente no caso de São Paulo. Departamento de Patrimônio Histórico da Eletropaulo.. Havia clubes nas margens dos rios que os usavam para a prática de esportes. Quando foram interrompidas. regulamentada pela lei de Terras. FreqÜentemente. Este era o caso do clube Pinheiros. primeiro rio a ser retificado. Os projetos mais antigos para as obras de retificação de rios na cidade de São Paulo datam de 1842. tiveram início. De modo que.Orio Tietê. souza Mello. os Estados Unidos. Havia competições de remo e de natação Que foram realizadas até 1945. suas obras couberam à companhia canadense The São Paulo Tramway Light and Power Company Limlted. Que tinha início na ponte da Vila Maria (hoje Jânio Quadros) e término na Ponte Grande (demolida com a retificação do rioL A falta de legislação adequada e de impostos que eventualmente inviabilizassem o acúmulo de terrenos não edificados por um mesmo proprietário. coibindo a especulação imobiliária. A retificação do rio Pinheiros foi feita com o propÓSito de produzir energia elétrica. favorecia a especulação imobiliária Que ocorria na área urbana. A legiSlação fundiária o processo de acelerada expansão da cidade de São Paulo foi marcado desde o início por uma forte especulação de terras urbanizáveis. traçando um novo desenhO.. Ub. ilhas. Em 1849 as obras de retificação do Tamanduateí. NO início do século XX começaram os estudos para viabilizar a retificação dOS rios Tietê e Pinheiros. A legislação fundiária no Brasil. A drenagem da várzea e a retificação dos Rios Tietê e Pinheiros constituíam um processo de criação de terra urbana com grandes possibilidades de ganhos para os investidores. os obros de retificoção . conhecida I I I @ . a propriedade fundiária urbana valorizou-se no processo de produção da cidade sem encontrar obstáculOS. no rio Pinheiros (nessa época chamado de Germânia) e das Regatas do Tietê. a falta de uma legislação pode estar indicando uma superpOSição de papéiS. Em países como a França. a Argentina. após uma enchente. pois as águas já eram inadequadas para tal uso.utopio e cidodes: proposições Copítulo 4 . Odete Seabra interpreta esse processo como sendo uma ausência de interesses conflitantes entre os diversos segmentos da sociedade. Ou seja. de 1853. No Brasil.

para liberá-Ias. 1 como Light. esta alternativa era a mais conveniente para a Light. as terras abaixo da cota máxima de inundação dO rio Pinheiros. chefiada pelo engenheiro José Antônio da Fonseca Rodrigues. na área onde hoje se situa o campo de Marte. mas também para outros? ns. O que.Orio Tietê. A retificação dos rios era apresentada como única alternativa plausfvel para resolver os problemas de enchentes e de insalubridade das várzeas. existiam outras alternativas Que poderiam ter sido adotadas.. A Comissão de Melhoramentos do rio Tietê. ·uma possibilidade técnica de regularização do regime do rio poderia ser a de reter parte do volume de água nas cabeceiras por ocasião das chuvas. projetou dois lagos de um milhão de metros Quadrados de superfíCie cada. a construção da Santa Casa. hoje ocupada pelo Tribunal Criminal da Barra Funda. ou seja. Cabe lembrar Que a cidade tinha nessa época uma densidade muito baixa e mesmo com o crescimento intenso ocorrido no início do século XX. pOis recebeu. o prOjeto coube à Prefeitura do Município de São paulo. Que não foram executados. Posteriormente. para estudar e solucionar os problemas das cheias dos rios Tietê e Pinheiros. para a geração de energia e sua conseqüente comercialização. em troca da execução do trabalho. para preservar a área com solo drenado seria necessário manter as barragens num nível muito baixo. poder-se-ia drenar a várzea sem alterar radicalmente o curso do rio. nos outros meses do ano. e a falta de estudos hidrológiCOS mais aprofundados. Abandonou C!kJ C® . sua especulação. como é o caso dO Anhembi. Em março de 1929. os acessos às pontes. usando a área para projetos sociais como o Terminal Rodoviário do Tietê. Saturnino de Brito entregou à Prefeitura de São paulo um relatório do plano de regularização dos rios Tietê e Pinheiros. manteve uma densidade muito aquém da encontrada em outras metrópoles. e mesmo a I I I 1 Companhia Light. O mesmo aconteceu com a área destinada ao CEAGESP. por exemplo. OI obras de retificoçõo . Por um lado. apresentou projeto coordenado por Francisco Saturnino Rodrigues de Brito. Que teria o seu investimento altamente recompensado. paulatinamente. até mesmo a Prefeitura de São paulO teve Que adquirir terras para executar o proJeto das marginais. Certamente. --. Face ao crescimento da DOPulação urbana e à necessidade de saneamento da área. criada em 1924. propõe Que os 46 km de rio sinuoso entre Osasco e Penha fossem retificados e reduzidos a 26 km.utopia e cidades: proposições Capítulo 4 . não suprimiria obras no leito dO riO. Que pôde negociar as terras drenadas livremente. ao longo do tempo. interessava Que as barragens estivessem sempre cheias. a lei fundiária poderia ter sido alterada para impedir a valorização das terras da várzea e lindeiras a ela e. Essa possibilidade chegou a ser discutida. NO relatóriO. para a prática de esportes e lazer. Que foi. conseqüentemente. outra possibilidade seria criar um sistema de coleta e tratamento de esgoto adequado e concomitantemente adensar a área urbana existente. No entanto. saturnino de Brito cita a influência das represas da Light sobre o regime do rio e recomenda o rebaixamento de um metro da cota máxima da barragem de Paraíba.. cuja negociação nunca ficou multo clara. No caso da retificação do Rio Tietê. interessada na montagem do sistema hidrelétrico de São paulo. teria conseguidO em 1925 uma concessão para efetuar esses represamentos. Nessa época. comprou o Que antes já lhe pertencia. Os interesses envolvidos na drenagem da várzea Havia interesses conflitantes na Questão da drenagem da várzea. criando Lagos da Ponte Grande e aterros. de qUalquer forma. mas poderia torná-Ias menos onerosas. Nesse relatório ele lamenta a interrupção de Observações iniciadas pela Comissão de saneamento em 1893.

NO período entre os dias 15 e 20 houve um período de estiagem com dias ensolarados. deverá a Companhia submeter à aprovação dO Governo a planta da área a desapropriar com indicação dos seus limites. sem fazer distinção entre as duas categorias.' "Esta parece ser a Questão fundamental. Há evidências de Que essa cheia foi manipulada pela Light. A cota máxima registrada anteriormente foi de cerca de 719. para tanto. no entanto. Grande e Guarapiranga. sobretudo nos dias Que antecederam às cheias. Vila Elza. Freguesia dO Ó. Pela CláUSUla XX do D. o direito de reverter o curso original do Rio Pinheiros. muito facilmente se faria correlações entre o Decreto 4487 de 9 de novembro de 1928 e a necessidade Que tinha a Companhia de demarcar no terreno o limite da sua jurisdição. "O silêncio da Companhia Light. uma vez Que não existiam registros da tal cota máxima do rio.55m rià'ponte das Bandeiras.. A chuva registrada na primeira metade do mês de fevereiro não corresponde a níveis alarmantes. foi-lhe concedidO o direito de desapropriar os bens e terrenos das áreas de suas várzeas para fins de utilidade pública ou de necessidade pública. 39). No entanto. Bom Retiro. Além disso.80m (fig. pela Lei 2249 de 1927. no mês de fevereiro. O cenário era desolador. Se algumas discussões fossem travadas. Foi também concedido o direito de canalizar. 1987:27) A atuação da Light nas questões da retificação dos rios Tietê e pinheiros À Light foi concedido. porém de realizar as obras de canalização do Rio Pinheiros e seus afluentes.. ou seja. Vila Maria. 40) Os bairros atingidos pelas águas dos rios Tietê. AS manchetes dos jornais destacavam este fato como é o caso do jornal "O Estado de São Paulo" de 16 de fevereiro de 1929 Que dizia: AS águas das represas da Ught invadem Santo Amaro (nesta época era muniCípio vizinho de São Paulo). Quando ocorreu a grande cheia dos Rios Tietê e Pinheiros. sendo estabelecido Que a área concedida seria correspondente à área máxima de cheia.. 4487: ·. em fevereiro de 1929. A enchente de 1929 O Decreto 4487 de novembro de 1928. onde foram medidas. Vila EcOnomizadora. Casa verde.. Cidade Jardim. com o propÓSito de gerar energia elétrica. Vila Anastácio (tendo ficado ilhada). É certo Que no início de 1929 choveu muito na região de São Paulo. Tamanduateí e Pinheiros foram: canindé. exatamente com o intuito de garantir uma vasta área e conseqüente valorização dOS investimentos da companhia.Orio Tietê.. A Ught não se pronunciava a respeito.antes. Parque D. tendO as águas atingido a cota de 720. definindo·se por outra alternativa: (SEABRA. os obras de retificação . centenas de famílias foram obrigadas a abandonar suas casas. Era necessáriO. Limão. demarcar essa área. tem também uma lógica. bem como o projeto detalhado das obras de saneamento ou dos benefícios a realizar nesta área. Sabia· se Que a enchente era provocada pelas represas da Light. Mesmo com vários dias seguidos de solo nível das águas não baixava (fig. Lapa. Barra Funda. Pinheiros. Pedro.utopia e cidades: proposições Capítulo 4 . janeiro dO mesmo ano. captando águas no Rio Tietê. garantir-se de uma superfície do terreno nas várzeas tão ampla Quanto possível. foi usada a enchente Que ocorreu pouco tempo depois. a preCipitação foi menor que em I I I I I I @ . concedia à Light as terras da várzea dO Rio Pinheiros. enchente esta Que correspondia à pior de todos os tempos. Vila Leopoldina e outros. foi no dia 18 de fevereiro. alargar.. cotas nunca antes relatadas. esse projeto. portanto alguns dias depois do término das chuvas. O nível mais alto registradO. o pior dia da cheia. retificar e aprofundar os leitos dOs rios Pinheiros e seus afluentes. embora assustador. no rio Tietê e na foz do rio Pinheiros.

continuaram a ocorrer mesmo com a canalização do rio. O projeto Que acabou sendo implantado foi o prOjeto Cintra. Na década de 20 a Questão da insalubridade já era bastante crítica. sobre a qual exerceria os direitos contidos na Concessão que obtivera". A City questionou a legalidade do uso da cota máxima da cheia de 1929. no Decreto n° 8372 que acompanha as plantas 3845. as represas que estavam cheias fOram abertas e a partir da região de santo Amaro.. AS inundações. e em seguida conseguir que peritos oficialmente designados reconhecessem também no campo. O projeto consistia em canalizar o rio. responsável pelO loteamentos Jardim América. "O que de fato acontecera é que no segundO dia de chuvas (dia 14). O DAEE (Departamento de Águas e Energia @ A única empresa a Questionar a demarcação da área a ser recebida pela Light. chefe dos trabalhos de retificação desde 1937. uma comissão parlamentar para avaliar os trabalhos de retificação. as demarcações realizadas. a Ught teve um ganho muito maior do Que o mero retorno do capital investido. as questões burocráticas impediam que se agilizassem as obras necessárias. 3847. valorizadas pelas obras de retificação dO Pinheiros. ou seja. Por outro lado. porém a crise de 1929 e a revolução de 30 impediram o início das obras. propagou-se uma onda de cheias que se sobrepõs às águas já existentes nas várzeas do Pinheiros e alcançava. o Que desvalorizaria a área drenada.Orio Tietê. a administração pÚblica discute a questão instalando." lidem: 191 e 192) A light teve um ganho duplo pelo seu investimento. A companhia Light solicitara no jUdiciário uma vistoria ad·perpetum para demarcar a linha de enchente de 1929. por julgar que os diques corriam o risco de se romper causandO fatalmente uma inundação súbita. Pacaembú e outros. fixar os marcos necessários aos registros de nível. conforme consta em documento mantido nos arquivos da li9ht. proprietária de terras desapropriadas. 3848. teve o retorno do investimento pela cobrança da energia produzida. Em segundo. A idéia dos dois diques foi preterida pelo projeto Que dava ao rio um leito capaz de drenar as águas. aterrando as depressões da várzea. no entanto. AS obras no Tietê foram realizadas nas décadas de 50 e 60. foi a companhia City1. Já durante a construção do canal foram necessárias obras de desassoreamento.. 3849. 3846. propriadas. onde teria uma diferença de nível entre o fundo do rio e o fundo do canal de aproximadamente 4 metros. teve o ganho pela venda das terras. o ponto alcançado pelas águas na 'enchente' de 1929. Tudo indica que foi uma inundação e não uma enchente. "Assim. portanto. Na década de 60. além de ter levantado a suspeita de a enchente ter sido provocada. City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited. estão ofiCializados os limites territoriais da área de concessão 'a linha máxima de enchente'. no campo. Além disso. Mais tarde fez um acordo 1. os obraI de retificação . com a cota do canal coincidindo com o fundo dO rio em Osasco e se aprofundando. pOiS um grande volume de resíduos sólidos alcançava o Tietê. "Restava o problema de tornar oficial os limites da 'enchente' de 1929. Que passava por um momento de grande expansão. com a light. o rio Tietê. A retificação do rio Tietê AS obras de retificação do rio Tietê foram adiadas várias vezes. Não foi difícil para a Companhia utilizar-se do trabalho de engenheiros da Escola Politécnica para. em 1963. providência que foi atendida e levada a cabo por peritos. por efeito retardado. teve também o lucro obtido pelo crescimento da cidade. @ . Jardim Europa.utopia e cidades: propolições Capítulo 4 . elaborado por João Florence de Ulhoa cintra. drenadas e saneadas. mantendo uma declividade uniforme e constante de Guarulhos a osasco. até atingir GuarUlhos. cedendO à companhia companhia inglesa instalada em São apenas parte das terras desa· Paulo em 1911. Em primeiro lugar.

.. bondes prinCipalmente. ap6s a notícia de Que o Brasil não estava incluído no Plano MarshaL o plano rodoviário vai incentivar a aquisição de automóveis particulares. a Europa s6 produzia carros para uma elite. outras áreas urbanas em crescimento fora dO município de São paulo também vão contribuir para a deposição de resídUOS e. OI obrOl de retificação . . Ford apoiou-se na utopia de Franl< Lloyd Wright para Broadcare City. São Paulo contava com uma popUlação de cerca de um milhão de habitantes. o trabalhador teria condições de entrar no mercado consumidor. na década de 1950.1998: 122} qiJe Até a década de 1930. antes a cargo da prefeitura do Município de São paulo. para Que pudesse dar vazão à produção industrial. ". Em 1968 o governo cria a legislação para a aquisição de carros através de consórcio. Com esse salário e uma jornada de trabalho reduzida..7 milhões de habitantes em 1960.oliçõel Capítulo 4 . Elétrica) ficou encarregado da administração das Questões dos riOS e das várzeas do Tietê em São paulo. Os problemas gerados vão desde o custo do transporte dos detritos.IHARVEY. a compra de um Ford T. vão sendo levadas diretamente para o rio. o rio Tietê e a implantação do sistema viário Quando as obras para a drenagem da várzea e retificação do rio Tietê começaram a ser feitas na década de 1940. Coincidem também com o plano rodoviário nacional. garantindo com isso o escoamento da produção de veículos. estando a indústria automobilística numa pOSição de destaque. reforçando o ideal de morar longe do centro da cidade e pr6ximo ao campo. começou a implantar as idéias de Ford. pois cada nova construção impermeabiliza total ou parcialmente o solo. foi a suburbanização e desconcentração da população e da indústria le não a auto ajuda}. que tornaria o principal elemento de estímulo da demanda efetiva pelos produtos de Ford no longo períOdO de expansão do pós-guerra a partir de 1945'. o bota-fora do material retirado constitui um problema de grande magnitude. até a deterioração ambiental da área aonde esse material vai sendo despejado. implícitas na concepção modernista de Wright. a industrialização teve um grande impulso. A partir daí. além de dispor de horas de lazer. O automóvel foi logo transformado em objeto do desejo e símbolo de status. a General Motors e o governo americano para criar um consórcio com o Objetivo de viabilizar a um operário (no início um operário da Ford). terra etc. a idéia de tornar a aquiSição do automóvel acessível a uma fatia considerável da popUlação. A Questão do assoreamento do rio passa a ser um dos maiores problemas a serem enfrentados pelas administrações municipais deSde a retificação.Orio Tietê.utopia e cídadel: p1QJ:l. iniciado no governo Dutra em 1945.. desde seu início.. Esta legislação foi inspirada no "fordismo". A execução das obras de retificação do Tietê dá-se na mesma época da implantação da indústria automobilística no Brasil. passando a assumir a responsabilidade sobre o desassoreamento do canal. Conforme a malha urbana vai crescendo a situação agrava-se. Que antes eram em parte absorvidas pelo solo. Que foi um arranjo entre a Ford. crescendo para 8.2 milhões ao longo da década de 60. Somando-se às obras de desassoreamento. Michigan. Desde então. Os automóveis eram raros e o transporte predominava era o coletivo. A implantação da indústria automobilística no Brasil ocorre nesse cenário e já tem claro. Quando Ford implantou o dia de trabalho de oito horas a cinco dólares para os operários da linha de montagem de carros na sua fábrica em Dearborn. atingindo 4. O fordismo teve início em 1914. A pOPUlação da cidade foi crescendo rapidamente. nesse caso. chrvsler. o governo municipal não tem como brecá-lo. e as águas de chuva. só atingindo seus objetivos depois da Segunda Guerra Mundial.

A população. os obras de retificacõo . e do norte e sul. juventude. berço da cultura dO futebol brasileiro. sedução. Nesse momento {2006} estão sendo realizadas obras para amPliação da calha do rio. o rio Tietê ficou sufocado entre duas avenidas com sete pistas de cada lado. não faltam propagandas associando a imagem do carro a poder. Esta é mais uma entre tantas agressões Que o rio sofreu na tentativa de alterar seu comportamento natural. para Que constituíssem elementos de possível preservação de vida Que poderia um dia ser recuperada. força. das pistas de alta velOCidade.. O sistema viário da cidade nessas alturas já está bastante sobrecarregado. Assistiu passivamente a essas tranSformações. produzem-se mais carros do Que nascem crianças. contando apenas com Quatro linhas. no mundo. os investimentos do governo do estado em transporte coletivo foram insuficientes. Nem a crise do petróleo. obviamente insuficiente para a popUlação.. o Que estimula as pessoas a se afastarem dO centro. o lazer. AS perspectivas de mudança desse panorama dO rio Tietê são assustadoras. sem Qualquer condição de ser usado pela pOPulação para um uso mais nobre como há menos de cem anos parecia ser sua vocação: a prática de esportes. fazendo as conexões mencionadas. São paulo ainda hoje não possui uma rede de metrô. cinco milhões de veículos. da necessidade da geração de energia elétrica. iniciada na década de 1970 foi capaz de conter essa tendência. Que no início das obras de retificação era de cerca de um milhão de habitantes. como na enchente de 1929. tendo sido concentrada na cidade de São paulo e cidades adjacentes. ligando as várias estradas que partem da cidade de São paulo.à incrível marca de dois habitantes para cada veíCUlO.Orio Tietê. Estes fatores tiveram um grande impacto no desenho da cidade de São paulo. virilidade. Como conseqüênCia.. aumentando seus lucros na mesma proporção em Que a velocidade de deslocamento média diminui. no caso da várzea do Tietê. lazer etc. temos um proble-ma de multo difícil SOlução~ NO entanto.utopia e cidades: ~olições Capítulo 4 . HOje. A malha viária da cidade não estava preparada para receber esse grande aumento de veículos em cirCUlação. A área drenada dos rios Tietê e Pinheiros constituíam uma possibilidade de ligação do leste e oeste. a pesca. tornando o automóvel mais e mais desejável. A espeCUlação imobiliária vai lançando os limites da cidade para cada vez mais longe. @ A industrialização ocorreu de forma desequilibrada no Brasil. AO mesmo tempo em Que este estado de caos se propaga. ninguém reclamou. seus clubes de regatas. São Paulo Chegou.. Em 1999. sempre tratados como estorvo pelOS tomadores de decisão do desenho da cidade. se essa várzea viesse a ser recuperada. explorando essa característica de poder Que o automóvel agrega a seu dono. serviria então para abrigar um sistema viário. Concomitantemente. sem Que tivesse havido Qualquer preocupação em deixar uma área vazia entre eles e o sistema viário.. da impOSição do escoamento da Produção industrial. Que foram rapidamente crescendo e constituindo uma única mancha urbana. o fenômeno da explosão demográfiCa estava ligado ao avanço tecnológico a partir da década de 1940 e ao rodovlarismo. Grande parte dos percursos para se chegar ao trabalhO hoje se dá na Marginal do Tietê. Os rios e suas várzeas. seus barcos. Como os rios eram encarados como canal para deposição da sujeira da cidade e não como fonte de vida. ou seja. A várzea dos rios e seus mais de mil campos de futebol. sem se dar conta da degradação urbana Que ocorria a sua volta. a cidade ® . Ovalor da propriedade continua aumentando. o sistema viário foi Implantado o mais próximo possível desses canais. foi se multiplicando até chegar aos dez milhões de hoje. resultou numa situação caótica vlvenclada hoje na cidade por toda a população. o escoamento da Produção automobilística deu-se principalmente nessa área. O perímetro urbano segue crescendo. a cidade de São Paulo está cada vez mais caótica e a Indústria cada vez mais satisfeita. Assim. foram tragados pela força da industrialização. a essas perdas. Em contrapartida. para seus dez milhões de habitantes. A somatória de todo um processo eqUiVOCado de ocupação do solo urbano na várzea do rio Tietê. no Pinheiros.

solucionando o problema das inundações. que serviu de base para os trabalhos de retificação do rio Tiet~: PropOs retificar o rio com um traçado basicamente igual ao que tem hoje. englobando as principais funções da cidade. 43 e 44J. Resolver a área da várzea do Tietê seria uma grande contribuição para transformar a cidade num lugar digno e aprazível. 41). Prestes Maia elabora o Plano de Avenidas com a intenção de organizar a ocupação territorial da cidade e sua expansão que se acelerava (na época a cidade contava com cerca de um milhão de habitantes). privilegiam a implantação de áreas verdes em detrimento de áreas edificadas.. Desde o início do século xx a várzea do Tietê vem sendo reconhecida como uma área de grande potencial urbanístico da cidade e. Francisco saturnlno Rodrigues de Brito iniciou o relatório para melhoramentos do rio Tietê entre Osasco e penha (fig.l:p=. o que foi realizado em parte em 1975 com a criação do Parque ECOlógico Tietê projetado por Ruy Ohtake e Burle Marx (fig. reduzindo de 46km para 28km o percurso do rio original. OI obras de retificação ••. depois revisto por Ulhoa Cintra e lysandro pereira da Silva.O rio Tietê. estações de ferro. Os projetos que se seguem foram realizadOS. Ele comparou os custos de transporte ferroviário e metroviário com o transporte por automóveis individuais. com a cOlaboração dO paisagista José Cordeiro. propostas para intervenção no rio Tietê Multas propostas foram feitas para melhorar a situação do rio Tietê. recrear. como um dos locais que apresentam os piores problemas.:Jiç~õe::. Teve como intenção resolver o problema da descontinuidade leste-oeste. Em 1930. aliviar os congestionamentos na travessia norte-sul. que se situaria no meio de uma avenida parque. projetou diques laterais que teriam a função de receber as águas das cheias. Quanto ao traçadO I I I I I @ dO rio. Além disso. para tanto. a criação de uma via perlmetral norte ligando as rodovias Dutra. cria logradouros públicos ao longo do canal. Fernão Dias e AnhangOera. Na sua gestão.:. Em 1928 concluiu o relatório.. proporcionaria a seus habitantes uma grande melhora na qualidade de vida. que teve como objetivo drenar a várzea do rio Tietê. Pinheiros e Tamanduateí. Foram propostas três avenidas perimetrais articuladas por um sistema de avenidas radiais. A mais antiga das propostas é a de saturnino de Brito.::s_ _ _ _ _ _ _ __ Capítulo 4 . Cândido Malta campos Filho elaborou em 1973 uma proposta para a área do Tietê (fig.. Em 1925.:os:. trabalhar e circular. AnhangOera e Anchieta. Prevê nas marginais do Tietê avenidas de tráfego rápidO e edifícios monumentais. melhorar o tráfego de caminhões entre as rodovias Dutra. programar o uso de áreas públicas desocupadas e recuperar a função da várzea a fim de remediar a parte já urbanizada. Chegou à conclusão de que o sistema I I I I I @ . mantendo uma sinuosidade no canal. Cintra trabalha usando uma proposta anterior de Fonseca Rodrigues. ele sugere uma regularização do rio.. Alguns são pragmátiCOS e Objetivos e buscam atender às expectativas do mercado imobiliário. calcados nas mais diversas intenções.::ro:. propOs o aprOfundamento da calha. criar pOlítica para as áreas verdes. disciplinar o tráfego de Onibus IntermuniCipais. portanto. sendo a terceira perimetral (a mais externa). apresentou em 1967 um trabalho para a reurbanlzação do Vale dO Tietê. Jorge Wilheim. A partir de 1925 João Florence de Ulhoa Cintra foi chefe da divisão de urbanismo da prefeitura de são paulo e da comissão do Rio Tietê. Outros possuem caráter utópico e visam propiciar uma aproximação do habitante com a natureza e. propõe a construção de diques. ao mesmo tempo. sempre preocupado em criar solo edificável a um custo baixo.46 e 47>. Com o objetivo de organizar corredores metropolitanos ao longo dos rios Tietê. criou um sistema de retorno de cada lado do canal para minimizar a necessidade de travessias pelas pontes e propOs ampliar o sistema verde à leste. 45J. para receber as águas de inundação e o aumento da largura do canal. logradouros públiCOS nas margens do rio. São apresentados aqui 13 projetos para a reurbanização do local. Instalações esportivas e o aeroporto da cidade (fig. constituída em grande parte pelas avenidas marginais. que são: habitar.utopia e cidades: p. Foi proposta.

e abrigam escritórios. José Roberto Graciano. Na proposta estão incluídos a despoluiÇão dos rios. 49J. Com o projeto do Rio Novo de 1988. 1991: 22). loeb propõe a construção de edifícios de serviço de 60 pavimentos que suportam. Julio Katinsky. "Criar os encantos perdidos nesses longos anos de desacerto e incompreensão. José Maria Wiitaker de Asumpção. Ruy othake e equipe (Haron Cohen. 53). criação de lagos artificiais.48>.utopia e cidades: jlroposições Copítulo 4 . transporte fluvial e individual. Helio pasta. um centro cultural e um centro cíviCO. no nível dos edifícios-ponte. A partir dessa premissa. revertendo o processo de degradação do meio-ambiente. Criar uma cidade porto-fluvial e. Bruno Padovano procura repensar a relação entre as partes do território para organizar o meio ambiente urbano adotando estratégias locais e globais nas quais combina o processo de desenvolvimento territorial solucionando problemas de alta concentração em algumas partes e ao mesmo tempo de abandono de áreas. A proposta prevê a criação de um "pulmão verde" com locais de esporte. O projeto cria edifícios-ponte sobre o rio. ciclovias e quadras de esporte. busca tornar São Paulo uma cidade porto-fluvial (fig. a 120 km da cidade e prevê a despoluição do rio e saneamento da cidade. Propõe remover a avenida marginal no lado sul do rio e imPlantar dez milhões de m2 de áreas verdes. metrô. Maria Teresa Ramasini Furuiti. leo Bonfim Junior. recuperando uma das margens <lado sUIl. clubes. Alfred Talaat.. valorizando a relação paisagística rio-cidade e recuperando. o uso democrático do solo urbano. O direito de construir seria concedido mediante compromisso da manutenção do setor de influência (cerca de 300m>. numa prOfundidade variável entre 300 e 1000m (fig 50 e 51). aumentando a densidade da cidade e conectando os dois lados do rio. retirando da área o tráfego de caráter. retomar um sistema ferroviário articulando o sistema da cidade. escritórios. preservando a paisagem e a natureza. Décio Tozzi pretende conferir uma nova imagem à paisagem das calhas dos rios Tietê e Pinheiros através de um programa de convívio e lazer. criando um parque linear urbano (fig 52>' Roberto loeb busca desenvolver um sistema metroviário aéreo sobre a cidade na sua proposta de 1990.Orio Tíetê. Walter MakhohlJ realízaram um projeto em 1986 para um parque no Tietê. lojas. através de cabos. A proposta inclui toda a extensão do rio. ao mesmo tempo. linhas de metrô. os obras de retificoçõo . procurou urbanizar a área do rio através de edifícios-ponte.rodoviário. através do poder público. Ruy Ohtake. Helio Penteado. tendo nos andares mais baixos estacionamentos e áreas comerciais e nos mais altos escritórios e apartamentos.. Tiveram como intenção. seu projeto foi o vencedor dO Concurso nacional de idéias para o redesenvolVimento da área do entorno dos rios Pinheiros e Tietê realizado pela prefeitura do Município de São paulo em 1996. Maria Thereza de Barros camargo. Regina Márcia do Amaral. propôs um sistema ferroviário de transporte. corrigindo o equíVOCO que foi a construção de avenidas marginais muito próximas ao rio. proteger o rio Tietê através de um parque de proporções metropolitanas. tendo sido retiradas as Marginais do entorno imediato dos rios. O projeto busca recuperar as margens do rio. Maria Cecília schar-Iach. Foi proposta uma via expressa rebaixada e. habitações. utilização dos rios para navegação e transporte de carga. Marcos Acayaba pretendeu corrigir a ruptura Que o rio e as marginais constituem na estrutura metropolitana de São paulo com a sua proposta de 1990.'Ricardo Itsuo ohtake) projetam em 1977 o parque Ecológico do Tietê (fig. redesenho do sistema de transporte integrando trem. lazer. Através da articulação do rio Tietê com o sistema fluvial e o sistema ferroviário. I I @ ferroviário é menos custoso que o rodoviário. cinemas habitação etc (fig. Dalton de Luca. desde a sua nascente em salesópolis. I I @ . uma avenida de trânsito local. Tozzi propõe um grande calçadão dotado de estares. Helio Pasta.iProjeto Tietê. restaurantes. É a idéia de Paulo Mendes da Rocha na sua proposta de1980. Estas torres são também estações elevadas. O enfoque era recuperar espaços verdes e tranqüilidade que a cidade exibia anos atrás. oscar Niemeyer e equipe (HarOn Cohen.

fazendo dele um elemento estruturador da cidade e integradOr da zona norte às outras zonas da cidade. é apenas um dos aspectos a serem enfrentados. pois aceitam todos os elementos que formam a área degradada como imutáveis. prestes Maia integra o rio à paisagem urbana. mas são inviáveis se as avenidas marginais permanecerem como estão. impede o uso das suas águas e margens como área de lazer. com exceção do de Niemeyer. leste e centro da cidade. com o objetivo de criar uma orla fluvial. ainda que muitos reconheçam a invasão da área de várzea. podemos constatar em várias cidades brasileiras que esse modelo destrói a possibilidade de integração dos rios.. fortes elementos naturais da paisagem. Os projetos apresentadOS. os obrai de retificação . Delijaicov estrutura seu projeto destacando as funções de porto fluvial. assunto tratado por todos os projetos. Essa fragmentação do espaço. com o resto das cidades. No seu Plano de Avenidas. o fato de o rio ser retificado é aceito como inquestionável.Orio Tietê. A através de edifícios. muitas vezes repetida. sugerem um rio navegável. Marcos Acavaba. Alguns projetos. Pouco ou nada refletem a respeito das intervenções e erros existentes no processo de ocupação da várzea. Para promover a integração urbanística do rio com a cidade. com a proposta de edifícios-ponte. quando a cidade de São Paulo contava com uma popUlação de cerca de um milhão de habitantes. ligando o sistema fluvial ao sistema ferroviário. a reurbanlzação da área na superficialidade. e tal como a cidade se estruturou é quase Incom­ ® o projeto de Prestes Maia é coerente com a época em que foi concebido. Q lado que está mais próximo ao centro da cidade. ao menos de uma das margens do rio. de utilizar o rio canalizadO preensível aproveitar a via fluvial para interligar com rapidez e eficiência setores que têm baixo nível de comple­ mentaridade: (Projeto Tietê: 1991) I para cirCUlação leste-oeste. Jorge Wilheim tem como prioridade aliviar o transito das marginais. os trabalhos apresentados adotam como ponto de partida o rio como ele se apresenta no momento de elaboração do projeto. Além disso. Anchieta e Dutra. parque e habitação. não tem força de aplicabilidade porque já existem diferentes estruturas viárias paralelas ao Tietê. com a rétificação dO rio e conseqüente aumento da velocidade das águas. portanto. A despOluição das águas. integrando o rio com a cidade de São Paulo. A grande alteração da velocidade das águas na época de chuvas impossibilita a navegação em boa parte do tempo. porém constituiria uma divisão marcante entre a zona norte e as zonas oeste. Paulo Mendes da Rocha em seu projeto sai do âmbito urbano e procura articular a cidade numa escala regional e continental. que constitUi apenas um dos problemas do rio. I I I @ . os demais lidam com o problema sem ir a fundo nas questões principais. propondo uma via perimetral ligando as rodovias Anhangüera. trata a área do rio como SOlo construível. hoje. Ruy Ohtake reconhece o equívoco da construção das marginais e as substitui por um parque linear ao longo do rio.utopia e cidades: proposições Capítulo 4 . t Alexandre Delijaicov elabora um projeto para a orla fluvial da grande São Paulo em 1998. Critica as ferrovias. a idéia de torná-lo navegável. provocado pelas avenidas marginais que secionam o espaço da várzea. Também aceitam como fato a existência e permanênCia das catorze pistas da Marginal. como o de Bruno padovano. como diz o geógrafO Aziz Ab'Sáber. AS marinas e barcos colocados no rio produzem bonitos desenhos. "a idéia. É um projeto pragmático que responde ao problema da cirCUlação de veículos pelas Avenidas Marginais. Essa Idéia de construir avenidas no fundo de vale foi iniciada com Prestes Maia e. Oscar Nlemeyer é o único arquiteto que percebe a necessidade de se retirar a Avenida Marginal. não tem viabilidade.. impossibilitandO o contato das pessoas com a natureza. as canalizações €i as avenidas marginais que isolam o rio da cidade. integra a zona norte com o resto da cidade. Tratam. O rio seria preservado e protegidO por farta área verde. não tocam no cerne da questão que é o isolamento do rio.

~ltS . 1905.. CAMPOS.. - _. (Fonte: Câmara Municipal de São Paulo).".. Nadia.t:..qJ.pr:.Loteamentos periféricos em 1897.'~'IIoV QO.1I11'''l SÃO PA..liçc::.. --.- CARDIft\ I I I I I I I I I Figura 33 Fonte: EMPLASA.....po~s. Memória Urbana: A Grande São Paula até 1940).:o:.õe~s_________ Capítulo 4 .utopia e cl~~des:J:..O rio Tietê. Figura 35 . I I @ I I I Figura 36 Planta da Cidade de São Paulo .:.. @ . Memória Urbana: A Grande São Paulo até 1940.Ô' . (Fonte: EMPLASA.Planta Geral da Cidade de São Paulo. A Cidade que não Pode Parar: Planos Urbanísticos de São Paulo no Século XX)• . (Fonte: SOMEKH.~1.. as obras de retificação .ua. Figura 34 .. Cândido Malta. . 1914. GERAL ~L~~TA M ...Ul.

o z! «<ó 0:.. .. Reservatórios e Enchentes). NA ESCALA DA PONTE GRANDE ENTRE OS ANOS DE 1893 E 1949 r--.Enchente de 1929 Avenida Leopoldina (Fonte: HISTÓRIA E ENERGIA: Rios. p~t S.----------­ Figura 37 .I <!i 0<3 «w <J) ~~ w FONTE: COMISSÃO DE MELHORAMENTOS DO RIO TIETÊ· P.(Fonte: TOLEDO. OI obraI de retifi(oção . «:5 .:: w~ w (!)~ " o 1-'" z~ o~ fi) 0.utopia e (idades: proposições Capítulo 4 . Figura 40 . Benedito Lima de.Lazer no rio Tietê em 1930 (Fonte: HISTÓRIA E ENERGIA: Rios. Prestes Maia e as Origens do Urbanismo Moderno em São Paulo). @ ..1950 Figura 39 Registro máximo das águas do rio Tietê. Reser­ vatórios e Enchentes).. p. .O rio Tietê. ® Figura 38 . REGISTRO DAS ÁGUAS MÁXIMAS DO RIO TIETÊ...

Plano de Prestes Maia (Fonte: TOLEDO. 1996).Projeto de melhoramentos do rio Tietê (Fonte: TOLEDO.. Perstes Maia e as Origens do Urbanismo Moderno em São Paulo).. l I ~x~ • . ai obras de retificoçào . Prestes Maia e as Origens do Urbanismo Modemo em São Paulo). Benedito Uma de.Proposta de Ulhoa Cintra (Fonte: desenho Denise Falcão Pessoa). Perstes Maia e as Origens do Urbanismo Modemo em São Paulo. Figura 43 .".'F " I I @ Figura 42 ._ Figura 41 .Plano de Avenidas de Prestes Maia (Fonte: TOLEDO. @ 1 .Orio Tietê.--. Benedito Lima de.utopia e cidades: proposições Capítulo 4 .. Benedito Uma de. !. Empresa das Artes. São Paulo. Figura 44 .' ..

S co~t. \/ALES). Figura 45 . São Paulo. São Paulo. São Paulo. Ed Pini. Ed Pini. 1991). T_·-4""I« I I I Fígura 48 Parque ecológíco de Ruy Ohtake (Fonte: Projeto Tietê. os obras de retifico(õo . Documento IAB SP. Ed Pini. 1991).. São Paulo. Figura 46 .O Parque Anhembi de Jorge Wilheim (Fonte: Projeto Tietê.Estudo de Cândido Malta (Fonte: Projeto Tietê. Documento IAS SP.Proposta de Cândido Malta (Fonte: Projeto Tietê. @ @ . Documento IAS SP.es (viElT<OfOUl7"-NOS Os "TR. \}ale o\" 1<".c>r. T~ES FER-FDVI/". Ed Pini.5 Figura 47 . 1991). 1991). Documento IAS SP..ES PltlNCjp/I:.utopia e cidades: proposkões Capítulo 4 ..O rio Tietê.

.­ ! ...utopia e cidades: proposições Capítulo 4 . 1991 ).. São Paulo. ". Ed Pini..Tietê por Décio Tozzi (Fonte: Projeto TIetê.'. !l':.. Ed Pini. @ @ . Documento IAS SP. Ed Pini.­ ~~ ~ ....' f: . São Paulo. Documento IAS SP....Orio Tietê..' .... as obras de retificação . -J<l r -.~. Figura 52 ..t~B' " . 1991). ".. São Paulo. São Paulo.." "­ lk ' . Figura 50 Proposta de Oscar Niemeyer.. ~7'~~"'\ ~" Figura 51 Proposta de Oscar Niemeyer (Fonte: Projeto Tietê.. (Fonte: Projeto Tietê.~."0. Figura 49 Projeto de Paulo Mendes da Rocha (Fonte: Projeto Tietê. Documento IAB SP. 1991). ~u~~~ ~_J~J4-. Documento IAB SP. Ed Pini). ... v ~~ ~ ".

.w-/ . .' v \ ... ...16). .Tietê projetado por Rober­ to Loeb (Fonte: Proje­ to Tietê.. Roma. Ed Pini.:.lt/.}-i /"""J"--. Disser ­ tação).~~... \). í" /' " ">"".. j ... rJ..>. pg.. L:Arca 149./ .<_'"\' /"~'"~' \1.~-+"\\ ...V-C/."' /' r~.utopia e cidades: proposições Figura 53 ..-..4 ". ... Documento IAB SP._ r i --. ~..~'" " ~"~:?'<>v Q<:ª.. 1991). "?.>'~'"~" l:'O /'( ._~.Canal de derivação de Delijai­ cov (Fonte: Os Rios e o Desenho da Ci­ dade: Proposta de Projeto para a Orla Fluvial da Grande São Paulo. " "f. São Paulo.. capítulo 5 I proposta utópica para uma intervenção na várzea do rio Tietê ~::~ .5'?'.. ...~. Figura 54 Proposta de Bruno Padovano (Fonte: MARGINAIS Project in Sao Paulo Brazil Projetto: Bruno Padovano.!s./ / . "­ ..o -::!.--.7 i I @ Figura 55 .r '...'':.J- '/ A'''''' /r­ :~' ~ 6 .:'' .f'1" " '..'" ("../ .".

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