POLÍCIA MILITAR DA BAHIA DEPARTAMENTO DE ENSINO CENTRO DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS

CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS

Apostila de Orientação

CRISES” “GERENCIAMENTO DE CRISES”

2011

Polícia Militar da Bahia
DEPARTAMENTO DE ENSINO CENTRO DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS

GERENCIAMENTO DE CRISES

Sandro do Nascimento, desempregado - vítima da sociedade - faz refém a professora Geisa F. Gonçalves, no episódio que ficou conhecido como ônibus 174. Rio de Janeiro em 12/06/2000.

Cap PM Júlio César Ferreira Santos Ten PM Jorge Ramos de Lima Filho

Agosto - 2011

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para cada vitória ganha. não precisa temer o resultado de cem batalhas. sofrerá também uma derrota. Sun Tzu. Se você se conhece mas não conhece o inimigo.Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo. Extraído do Livro “A Arte da Guerra” 3 . Se você não conhece o inimigo nem a si mesmo.C. 500 a. perderá todas as batalhas.

Para a Academia Nacional do FBI (Federal Bureau of Investigation). da criminalidade e da inobservância aos direitos humanos. necessário se faz capacitá-lo de tal forma que ele tenha um leque. no Brasil a doutrina sobre gerenciamento de crises é um tema recente. o entendimento passou a ser de que ocorrências policiais desta natureza requerem um tratamento diferenciado e especializado. têm catalogado e estudado milhares de crises ocorridas nos Estados Unidos e. consciente e ao mesmo tempo necessitada de respostas policiais eficientes e eficazes. impuseram. capacitando o policial na identificação. o surgimento de uma crise é bastante provável. situações onde pessoas são tomadas como reféns. a partir desses estudos. no exercício da sua função. na classificação e na tomada de decisões durante o processo. O processo evolutivo da violência. estabelecendo condutas e noções de ação planejada para a Polícia no gerenciamento de eventos cruciais. é necessário sim. principalmente se ele surpreende um crime em andamento. Outro entendimento digno de registro mostra que não basta tão somente aumentar o número de policiais nas ruas para que as pessoas se sintam seguras e tranqüilas. criando um verdadeiro impasse e colocando em risco o mais valioso bem que um ser humano pode ter. cada vez mais. tendo como reflexos imediatos. já não possui mais espaço em uma sociedade tão exigente. Com essa convicção formada. desempenhar seu mister com tranqüilidade e autoconfiança. como já fora vivenciado no passado. partimos do pressuposto de que. tem comprovado a necessidade cada vez maior do aprimoramento das instituições policiais e em especial dos seus profissionais. nas últimas quatro décadas. aumentar nas ruas a quantidade de policiais com preparo técnico profissional. o Sistema de Defesa Social NorteAmericano. Por outro lado. de alternativas táticas para a resolução das ocorrências com as quais irá se deparar. Nas situações que a intervenção do aparato policial se faz essencialmente necessário. buscando a maior probabilidade de acerto. a contextualização mais evidente de que para o policial. o mais amplo possível. Uma vez observados e pontuados tais situações críticas. os fundamentos teóricos servem de suporte para o atendimento de eventos cruciais. as instituições policiais ao enfrentamento de ocorrências que fujam da normalidade buscando conhecimentos técnicos na sua resolução.Apresentação O cenário de violência instalado e vivenciado pela sociedade brasileira nos últimos anos. Essa é. Desta forma. combater a criminalidade de forma empírica. a vida. com toda certeza. 4 .

ou um processo rápido e de fácil solução de problemas. (. soluções individualizadas que demandam cuidadosa análise e reflexão". O atendimento de ocorrências de alto risco exige das instituições policiais muito mais que boa vontade. pela complexidade que se apresenta.) é uma tarefa que implica na resolução de problemas com base em probabilidades. portanto.tendo o Delegado da Polícia Federal Roberto das Chagas Monteiro como sendo o primeiro profissional e estudioso a publicar uma apostila relacionada ao assunto na década de 1990. Cada crise apresenta características únicas e exige. como explica o TC PMTO Glauber de Oliveira Santos. ganham destaque nacional e porque não afirmar internacional e certamente os seus possíveis erros tenderão a serem submetidos à divulgação. "exige das instituições policiais formação e treinamento especiais. Porém é importante lembrar que não é uma ciência exata. O gerenciamento de crises. empírica. rusticidade e experiências acumuladas. Não se pode admitir neste ramo de atuação... uma polícia amadorística. sobretudo porque as ações como essas. pessoas que atendam perfis específicos para cada atividade desenvolvida no teatro de operações. Ten PMBA Jorge Ramos de Lima Filho 5 . expondo as fragilidades encontradas nas instituições policiais.

ÍNDICE Origem do Gerenciamento de Crises A Crise O Gerenciamento de Crises Características das Crises Objetivo do Gerenciamento de Crises Critérios de ação Classificação dos graus de risco Níveis de resposta Fases do processo de Gerenciamento de Crises FASE DA PRÉ-CONFRONTAÇÃO FASE DA CONFRONTAÇÃO (RESPOSTA IMEDIATA ou AÇÃO) FASE DA PÓS-CONFRONTAÇÃO DE UM EVENTO CRÍTICO Alternativas táticas NEGOCIAÇÃO CARACTERÍSTICAS QUE DEVE TER O NEGOCIADOR OBJETIVOS DA NEGOCIAÇÃO TÁTICAS DE NEGOCIAÇÃO .Regras Básicas TÉCNICAS NÃO-LETAIS O TIRO DE COMPROMETIMENTO (SNIPER) A INVASÃO TÁTICA Elementos de informações Fontes de informação BIBLIOGRAFIA 06 06 09 11 12 12 13 14 15 15 17 21 21 22 22 23 23 23 24 25 25 26 27 6 .

Cumpre guardar essa noção. aos seus integrantes. É um evento imprevisível capaz de provocar prejuízos significativos a uma instituição e. É bem verdade que o termo crise sofreu um processo de banalização nos últimos anos. “a capacidade de bem julgar”. Podemos até afirmar que tal disciplina se apresenta como sendo essencialmente necessária na cartilha dos executivos de polícia daquele país. a oportunidade de rever conceitos e métodos. Pai da Medicina. o resultado de tal conscientização sobre sua importância. já vem sendo consolidada a praticamente duas décadas recebendo um tratamento de caráter científico nos EUA. O estudo etimológico da palavra “crise” nos mostra o seu verdadeiro significado atual. A primeira – e muito apropriada – aplicação do termo ocorreu na Medicina. é o que perdurará da ação policial. e em especial na Academia Nacional do FBI (Federal Bureau of Investigation). O termo “crise” – que possui variações mínimas em muitos idiomas – origina-se do grego krinein. a oportunidade de mudar o mundo. consequentemente. No chinês. nos cursos de especialização e aperfeiçoamento de policiais. quanto para os Encarregados da Aplicação da Lei nos dias atuais: na essência do termo “crise” está uma qualidade – mais arte do que ciência – definida como “a capacidade de bem julgar”. estando atualmente o assunto consolidado em bases doutrinárias consistentes. mais apropriadamente. que quer dizer “decidir” ou. fazendo com o que. Todo momento de crise traz embutida a oportunidade de crescer. o Gerenciamento de Crises tornou-se matéria de tão grande importância. 7 . este lado positivo do fenômeno. Segundo Salignac (2001): A ciência política considera uma crise quando o Estado percebe uma brusca mudança na vida em sociedade. não há uma distinção clara entre os conceitos de “crise” e “oportunidade”. Nas Academias de Polícia dos EUA. na Grécia Antiga. A Crise Primeiramente temos que entender que crise é diferente de problema. No “gerenciamento de crises”. Destarte. muita das vezes. o mesmo ideograma representa as duas idéias e o tradutor ocidental certamente escolherá o significado que lhe aparecer mais apropriado. há uma lição prática a observar: a “crise” não deve ser vista como algo apenas negativo. com teor manifestamente violento. como também. válida tanto para Hipócrates. que é ministrada tanto nos cursos de formação.Origem do Gerenciamento de Crises A doutrina estudada e aplicada sobre Gerenciamento de Crises no Brasil. Em diversos idiomas orientais. têm proporcionado uma padronização no atendimento de ocorrências em eventos cruciais. enfim. Raro será o noticiário ou o jornal que não dispense a veiculação da palavra crise no seu contexto.

difícil e perigoso aponta a crise. Por outro lado. Gabinete de Segurança Institucional da República Federativa do Brasil. O Delegado da Polícia Federal Roberto das Chagas Monteiro. O Gabinete de Segurança Institucional da República Federativa do Brasil. a responsabilidade de gerenciar e solucionar as situações cruciais são exclusivamente das instituições policiais e a expressão “solução aceitável”. seja no segmento moral. caracterizado por um estado de grandes tensões. segundo o FBI. deverá necessariamente possuir uma solução aceitável em todos os segmentos da sociedade. com elevada probabilidade de agravamento – e risco de sérias conseqüências – não permitindo que se anteveja com clareza o curso de sua evolução”. traduzindo-se em um momento perigoso ou difícil de um processo do qual deve emergir uma solução. (grifo nosso) FBI Destacamos a expressão “resposta especial da Polícia” para ressaltarmos que. político. como sendo: “Um evento ou situação crucial que exige uma resposta especial da Polícia. enfim. cita o conceito de crise adotada pela Academia Nacional do FBI. Parte-se da situação crítica para a crise. a fim de assegurar uma solução aceitável”. ético e até mesmo no segmento religioso. por mais simples que seja a solução para uma crise. Para o Gabinete de Gerenciamento de Crises – GCRISES da Polícia Militar do Ceará. o evento grave. a crise é também conhecida como evento ou situação crucial e se mal administrada. o fato que leva à crise é o que se denomina situação crítica. da paz social. da normalidade. Uma verdadeira manifestação violenta e imprevisível do rompimento do equilíbrio. internas ou externas ao País. o conceito de crise se apresenta como sendo: 8 . para mostrar e ao mesmo tempo chamar a atenção que não é utilizando qualquer forma ou qualquer método que resolvemos um evento crucial. No contexto policial. ou seja. pois.repentino e rápido. pode macular a credibilidade e a imagem da instituição policial. em uma de suas obras (1994). Há uma crise quando a tranqüilidade social está em dissonância com a realidade percebida. de diversas origens possíveis. utiliza a definição de crise como sendo: “Fenômeno complexo.

então vejamos: “Fenômeno sócio-político-administrativo que possui natureza crucial e necessita de uma intervenção especial dos órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social.Tentativas de suicídio.Capturas de fugitivos. torna-se conveniente e importante registrar alguns exemplos de crises. que exija uma resposta especial da Polícia. atos de terrorismo. . assaltos a bancos com reféns. seqüestros.Rebelião em Estabelecimentos Prisionais.Seqüestro de pessoas.Ameaça de bombas.Assalto com tomada de reféns. . entendê-lo e juntos buscarem soluções aceitáveis objetivando sempre preservar vidas humanas e aplicar a Lei. . e que possa manifestar-se através de motins em presídios. inclusive com risco de vida para as pessoas envolvidas. em que os órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social do Estado terão que dar uma resposta especial: . . . coordenados pela Polícia.Invasão de terras.Atos de terrorismo. 9 . nos mostra o balizamento oriundo do conceito formulado pelo FBI. Definido o que seja crise no contexto policial. . bloqueios de estradas. objetivando abordálo. devem identificá-lo.“Todo o incidente ou situação crucial não rotineira. GCRISES da PMCE O conceito de crise desenvolvido e aplicado pela Polícia Militar do Estado da Bahia. com emprego de técnicas especializadas”. surpreendendo as autoridades e exigindo uma postura imediata das mesmas. entendê-lo e solucioná-lo de forma a preservar vidas humanas”. . em razão da possibilidade de agravamento conjuntural. . ocupação ilegal de terras. dentre outras ocorrências de vulto. tentativas de suicídio.Assalto a bancos com reféns. PMBA Uma crise é um problema de certa gravidade e urgência que os órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social.

“o Gerenciamento de Crises por sua vez pode ser descrito. já estamos fazendo parte desta antecipação. pois cada crise apresenta características exclusivas. sejam medidas de antecipação. pode causar estranheza o conceito ora firmado e consolidado pelo FBI e uma das características da crise. de uma seqüência lógica para resolver problemas que são fundamentados em possibilidades. ao nos prepararmos técnica e profissionalmente. prevenção e resolução de uma crise. construindo. de conformidade com a legislação vigente e com o emprego das técnicas especializadas. 10 .” (grifo nosso) FBI Importante ter destacado do conceito de Gerenciamento de Crises formulado pelo FBI. primeiramente teremos que fazer o seguinte questionamento: como pode um evento crucial. no primeiro momento. O Gabinete de Gerenciamento de Crises – GCRISES da Polícia Militar do Ceará considera o Gerenciamento de Crises. como sendo: “Considera-se Gerenciamento de Crises o processo eficaz de se identificar. que se utiliza. muitas vezes. estudando. adequados para solução de crise. firmando a doutrina sobre Gerenciamento de Crises. como uma metodologia. Da mesma forma que. Como nos ensina o Ten PMES Irio Doria Junior (SENASP 2007). A Academia Nacional do FBI conceitua o Gerenciamento de Crises. ou seja. ou seja. ter como uma de suas características a imprevisibilidade e no conceito de gerenciamento de crises. já faz parte desta prevenção tão bem preconizada no conceito formulado pelo FBI. enfim. uma crise. uma vez instaurada. supondo que eu trabalhe num Estabelecimento Prisional e o simples fato de estar preparando um “plano de contingência”. da seguinte forma: “Gerenciamento de Crises é o processo de identificar. O Gerenciamento de Crises pode ser descrito como um processo racional e analítico de resolver problemas baseados em probabilidades. uma resposta imediata que acontecerá através do gerenciamento. as expressões “antecipação” e “prevenção”. que exigem uma cuidadosa análise e reflexão”. formulado pelo FBI. pois. obter e aplicar. exigirá dos órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social do Estado.O Gerenciamento de Crises A crise. Para que se possa entender melhor as supostas “incoerências”. ou seja. os recursos estratégicos. obter e aplicar os recursos necessários à antecipação. a imprevisibilidade. possuir a expressão “antecipação” e “prevenção”. como se antecipar ou prevenir algo que é imprevisível? Simples! Fazendo o que estamos neste momento. soluções particulares. exigindo. Devemos observar que o Gerenciamento de Crises não é uma ciência exata.

GCRISES da PMCE Não obstante o conceito de Gerenciamento de Crises formulado pelo FBI. ou seja. em consonância com a doutrina norte-americana. de onde podemos afirmar que. 3. PMBA Conforme menciona Ten PMES Doria (SENASP 2007). a Polícia Militar do Estado da Bahia. por suas características. podemos afirmar que a capacidade de gerenciar crises torna-se necessária para todas as organizações policiais. no cenário da Segurança Pública. tática e administrativa por equipes de profissionais. Os órgãos encarregados de gerenciar e resolver a crise agem em nome do Estado. A crise é não-seletiva e é inesperada. faz com que os erros que porventura possam ser cometidos pelas instituições policiais no processo de gerenciamento de crises sejam vistos sob uma lente de aumento. poderá gerar problemas de responsabilidade civil para o Estado. onde o Gerente da crise deve estar preparado para ser o administrador de todo um cenário.prevenção e/ou resolução. ninguém está imune à ocorrência de uma crise em sua área de atuação e tampouco poderá prever quando esse evento vai ocorrer. se o processo for mal conduzido. resolução e estudo de ocorrências de alto risco”. Assim sendo. 2. 11 . visando identificar. geram e criam. estratégica. A veiculação dos fatos pela mídia durante o desencadear de um evento crucial. sempre situações decisivas. obter e aplicar os recursos necessários à prevenção. as ocorrências que envolvem crises policiais. especialmente nos casos em que houver mortes de reféns ou pessoas inocentes. Além do que. pelas seguintes razões: 1. voltados para a utilização de conhecimentos técnico-científicos no fenômeno de crise. a ampla divulgação de tais erros causa um desgaste da confiança e por sua vez um descrédito da sociedade nas instituições policiais e um constrangimento natural dentro da própria comunidade policial. define Gerenciamento de Crises sendo: “O processo de gestão política. a fim de assegurar o completo restabelecimento da ordem pública e da normalidade da situação”.

em um curto espaço de tempo. mesmo quando a vida em risco é a do próprio indivíduo causador da crise. Planejamento analítico especial e capacidade de implementação: Sobre a necessidade de um planejamento analítico especial é importante salientar que a análise e o planejamento. essa situação é caracterizada como uma crise. Sendo assim. principalmente. mas não podemos prever quando.Características das Crises A doutrina norte-americana formulada pela Academia Nacional do FBI (EUA). buscando suicidar-se. enumera três características principais sobre um evento crucial: AMEAÇA À VIDA – Configura-se como um componente essencial do evento crítico. devemos estar preparados para enfrentar qualquer crise. 12 . IMPREVISIBILIDADE – A crise é não-seletiva e inesperada. Contudo. Sabemos que ela vai acontecer. a qualquer hora. econômicos. as instituições policiais não podem se valer da possibilidade de se preparar tão somente quando o evento crítico acontecer. Deve avaliar potenciais riscos e preparar planos preventivos para agir em relação a cada situação. é a única cujos efeitos podem ser minimizados. isto é. graças a um preparo e a um treinamento prévio da organização para o enfrentamento de eventos críticos. em qualquer local. NECESSIDADE DE: Postura organizacional não-rotineira: A necessidade de uma postura organizacional não-rotineira é de todas as características essenciais. são consideravelmente prejudicados por fatores como a insuficiência de informações sobre o evento crítico. a intervenção da mídia e o tumulto de massa geralmente causado por situações dessa natureza. agilidade e rapidez nas decisões. durante o desenrolar de uma crise. ainda que inexistam outras vidas em perigo. a que causa maiores transtornos ao processo de gerenciamento. políticos e ideológicos. COMPRESSÃO DE TEMPO (urgência) – Os processos decisórios que envolvem discussões para adoção de posturas no ambiente operacional devem ser realizados. quando a instituição policial não desprende energias suficientes para se planejar antes mesmo da crise acontecer. qualquer pessoa ou instituição pode ser atingida a qualquer instante. Assim. por exemplo. se alguém ameaça se jogar do alto de um prédio. A capacidade de implementação resume-se na habilidade que terá o Gerente da crise em mobilizar todos os recursos necessários para solucionar a crise. O gerenciamento de uma crise deve ser trabalhado sob uma compreensão de tempo e considerando os mais complexos problemas: sejam sociais. Os eventos cruciais de alta complexidade impõem às autoridades policiais responsáveis pelo seu gerenciamento: urgência.

o GERENTE DA CRISE (mais alta autoridade presente no teatro de operações) tomará decisões das mais diversas espécies e pertinentes aos mais variados assuntos. PRESERVAR VIDAS e APLICAR A LEI. 13 .é o primeiro e mais urgente questionamento a ser feito. na proteção do patrimônio público privado. etc. possa contribuir para uma momentânea fuga ou vitória dos elementos causadores da crise. nos mostra que toda e qualquer ação têm que levar em conta se os riscos dela advindos são compensados pelos resultados.Considerações legais especiais: Com relação às considerações legais especiais exigidas pelos eventos críticos. legítima defesa. estrito cumprimento do dever legal. ao se ter notícia do desencadeamento de uma crise. Para balizar e facilitar o processo decisório no curso de uma crise. A aplicação da lei deverá consistir na prisão dos infratores protagonistas da crise. o aspecto da competência para atuar é aquele que primeiro vem à baila. cabe ressaltar que. que se traduzem em referenciais para nortear a tomada de decisões. responsabilidade civil. O Gerente de uma situação de crise deve ter sempre em mente esses objetivos. em absoluta ordem axiológica. O critério da validade do risco. Critérios de ação No decorrer do processo do gerenciamento de uma crise. Objetivo do Gerenciamento de Crises O Gerenciamento de Crises tem como principal objetivo. a validade do risco e a aceitabilidade. além de reflexões sobre temas como estado de necessidade. os policiais e até mesmo os criminosos. garantindo o estado de direito. os reféns. a saber: a necessidade. A preservação de vidas serve para todos os envolvidos no cenário da crise. O critério da necessidade indica que toda e qualquer ação somente deve ser implementada quando for indispensável. o público em geral.. a doutrina estabelece o que se chamam critérios de ação. como também. sendo muito importante na sua solução um perfeito entrosamento entre as autoridades responsáveis pelas organizações policiais envolvidas. “Quem ficará encarregado do gerenciamento?” . A doutrina de Gerenciamento de Crises do FBI estabelece três critérios de ação. mesmo que optando por preservar vidas de inocentes.

sem reféns. Essa classificação obedece a um escalonamento de quatro graus: 1º Grau – ALTO RISCO 2º Grau – ALTÍSSIMO RISCO 3º Grau – AMEAÇA EXTRAORDINÁRIA 4º Grau – AMEAÇA EXÓTICA CLASSIFICAÇÃO TIPOS EXEMPLOS (FBI) Assalto a banco promovido por uma ou 1º GRAU ALTO RISCO duas pessoas armadas de pistola ou revólver. o GERENTE DA CRISE. Resumindo. deve fazê-lo lembrando que. esta dentro dos princípios morais e éticos da sociedade? Classificação dos graus de risco O objetivo de estudarmos e entendermos a classificação dos graus de risco ou ameaça dos eventos críticos. no momento das suas tomadas de decisões. ACEITABILIDADE MORAL – Toda decisão para ser tomada deve levar em consideração aspectos de moralidade e bons costumes. 3º GRAU AMEAÇA EXTRAORDINÁRIA Terroristas armados de metralhadoras ou 14 . o resultado da mesma não pode exigir de seus comandados a prática de ações que causem constrangimentos à corporação policial. ACEITABILIDADE LEGAL – Toda decisão deve ser tomada com base nos princípios ditados pelas leis. A avaliação da classificação do grau de risco deve ser uma das primeiras ações a ser mentalizada pelo Gerente da crise. implica em que toda ação deve ter respaldo legal. Um assalto a banco por dois elementos 2º GRAU ALTÍSSIMO RISCO armados mantendo três ou quatro pessoas como reféns. é para dimensionarmos os recursos humanos e materiais a serem empregados na ocorrência de forma que não fiquem super ou subdimensionados. moral e ético. deve estar a todo o momento se questionando sobre as suas determinações ou decisões: É necessário correr este risco ou existe uma outra forma de se resolver? Vale a pena correr este risco? A minha decisão possui um respaldo legal. ao tomar uma decisão.A aceitabilidade. ACEITABILIDADE ÉTICA – O responsável pelo gerenciamento da crise.

desde o início. ou seja. Um indivíduo de posse de um recipiente. As guarnições do Policiamento Ordinário e as guarnições da Cia Especial de área com o apoio de Unidades Especializadas poderão atender a ocorrência. possibilitando. ameaça uma população. Níveis de resposta Os níveis de resposta correlacionam-se com o grau de risco do evento crítico. representado por uma crise. 4º GRAU AMEAÇA EXÓTICA afirmando que seu conteúdo é radioativo e de alto poder destrutivo ou letal. As guarnições do Policiamento Ordinário e as guarnições da Cia Especial de área com o apoio de Unidades Especializadas poderão atender a ocorrência.outras armas automáticas. Uma correta avaliação do grau de risco ou ameaça. por um motivo qualquer. o nível de resposta sobe gradativamente na escala hierárquica. NÍVEL RECURSOS EFETIVO ORDINÁRIO UM + CIA ESPECIAL EFETIVO ORDINÁRIO + DOIS CIA ESPECIAL + COE TODOS DO NÍVEL DOIS TRÊS + REFORÇO RESPOSTA As guarnições do Policiamento Ordinário e as guarnições da Cia Especial de área poderão atender a ocorrência. juntamente com outros efetivos de reforço. TODOS DO NÍVEL TRÊS QUATRO + ASSESSORIA ESPECIAL As equipes especializadas são empregadas com o auxílio de áreas específicas. o oferecimento de um 15 . mantendo oitenta reféns a bordo de uma aeronave. concorre favoravelmente. na medida em que cresce o vulto da crise. para a solução do evento.

ou seja. que irão permitir aos órgãos e pessoas envolvidos em um evento crítico. 144. Apesar de constar na Constituição Federal de 1988. perdas de tempo desnecessárias (MONTEIRO. cabendo às Policiais Militares o 16 . São todos aqueles procedimentos fundamentais. Fases do processo de Gerenciamento de Crises Quando falamos sobre fases do processo de Gerenciamento de Crises. planejando-se para que possa atender qualquer crise que vier acontecer na sua esfera de competência. além de subsidiar o Poder Judiciário através do Inquérito Policial dos elementos para o início da ação penal. atribuindo às Policiais Civis a repressão mediata. administrativamente. A ausência e ou carência de uma destas fases proporcionarão dificuldades ou até mesmo impedirá uma resposta satisfatória para sociedade. Esta é a fase em que nos encontramos neste exato momento. possuir condições de interagir de maneira pró-ativa com as situações encontradas. o primeiro pensamento que nos vem a cabeça. da elaboração de um plano de contingência ou segurança. estudo. . NORMATIZAÇÃO A normatização serve antes de tudo como o embasamento legal de atuação dos órgãos envolvidos.nível de resposta adequado à situação. . É a fase da normatização. As fases do processo de Gerenciamento de Crises são divididas em: . 1994). Durante esta fase. estruturação e treinamento. como também. pesquisa) de doutrina. evitando-se. é que o processo de Gerenciamento de Crises só se inicia quando o evento crucial explode. arranhando desta forma a credibilidade do Sistema de Defesa Social (SDF) e colocando vidas em risco. no seu Art. observaremos que ele continua mesmo tendo sido solucionado a crise. a competência dos órgãos do Sistema de Defesa Social (SDF). FASE DA PRÉ-CONFRONTAÇÃO (PREPARO) É a fase que antecede a confrontação do evento crucial.Fase da pré-confrontação. operacionalmente através de instruções e operações simuladas. da formação (apresentação. Entretanto. a doutrina nos ensina que o processo de Gerenciamento de Crises se inicia muito antes da crise eclodir. a instituição policial se prepara.Fase da pós-confrontação. elucidar delitos. em relação à logística. através da investigação policial. destarte.Fase da confrontação.

17 . ficou irreversível a necessidade de criação de uma estrutura específica para tratar do assunto. proporcionando a sociedade baiana. esta estagnação poderá custar uma preciosa vida. pessoas e negócios sensíveis. mesmo com a existência do policiamento preventivo. avaliando-se dentro do Estado os locais. Em alguns estados membros da União existe norma específica sobre a matéria. contra a escalada da violência que vitima a nossa sociedade. no Estado da Bahia as instituições de um modo geral têm trabalhado numa constante harmônica cooperação. evitando assim. a Secretaria de Segurança Pública tem transmitido aos integrantes do Sistema de Defesa Social (SDF). os profissionais que atuam nesta área não podem se permitir parar no tempo. ESTRUTURAÇÃO Com aumento de ocorrência desta natureza. PLANO DE CONTIGÊNCIA OU SEGURANÇA O plano de contingência ou segurança está intimamente relacionado ao planejamento estratégico que é elaborado pelas instituições. espaço definido e principalmente equipamentos eficientes para fazer frente aos eventos críticos. com cursos. estágios. FORMAÇÃO DE DOUTRINA É de fundamental importância que os envolvidos em eventos críticos tenham o conhecimento dos procedimentos a serem adotados quando na confrontação e através de um programa contínuo e criterioso de divulgação. palestras e oficinas. o aprimoramento técnicoprofissional deve ser contínuo. para não reduzir ou até mesmo anular. TREINAMENTO Como já entendemos que crise é um fenômeno social. o conflito de atribuições. tendo o devido cuidado com referencia ao nível de informação. a repressão imediata (instantânea). reduzindo desta forma a incidência dessas ocorrências ou minimizando seus efeitos quando é deflagrada. notáveis e importantes na nossa estrutura.Policiamento Ostensivo. ou seja. as técnicas de respostas. avaliando através de estudo de casos os procedimentos adotados em todas as ocorrências. formando um banco de dados eficiente. Muito embora. com pessoal treinado. ocorrendo o delito o PM deverá de imediato agir em defesa da sociedade. e como fenômeno social está sempre num processo de mudanças. logo. utilizadas pelo Sistema de defesa Social do Estado. bons resultados na resolução de conflitos críticos. a necessidade de padronização de posturas e de cooperação para resolução dos conflitos da vida moderna. pois.

pois. A ação de isolar o ponto crítico se desenvolve praticamente ao mesmo tempo em que a de conter a crise. Os perpetradores devem ser isolados de forma que se imponha a eles a sensação de 18 .. a contenção é o impedimento do deslocamento do ponto crítico”. (grifo nosso) É a fase do conflito propriamente dito. “a contenção de uma crise consiste em evitar que ela se alastre. imediatamente a eclosão de um evento de alta complexidade. onde ocorre a resposta imediata da Polícia através de ações urgentes de controle da área crítica. em 2001. Permite que a Polícia assuma o controle como único veículo de interlocução. os Policiais Militares que estão no serviço de policiamento ostensivo. impedindo que o causador: Aumente o número de reféns. Tenham acesso a recursos que facilitem ou ampliem o seu potencial ofensivo. Quanto melhor o isolamento melhor a possibilidade de negociação. Completa ainda. sistema de abastecimento de água. ISOLAMENTO É a ação policial que visa cortar todos os meios de contato. Amplie a área de controle. audiovisual e ou material dos envolvidos diretamente no conflito. impedindo que os seqüestradores aumentem o número de reféns. tenham acesso a mais armamento. Segundo Monteiro (1994) “(. visando interromper o contato da vítima ou refém e principalmente do causador com o exterior.) de uma resposta imediata eficiente depende quase que 60% do êxito da missão policial no gerenciamento de uma crise”. linha telefônica. na maioria dos casos são eles que serão os primeiros a se depararem com tais ocorrências. é a ação policial que visa evitar o agravamento da situação ou que ela se alastre. visual. vias de escape. acontecido no Rio de Janeiro. guarnecidas. ampliem a área sob seu controle. ou melhor. É o “congelamento” do objetivo (local). são de extrema importância. uma vez conhecedores da doutrina sobre gerenciamento de situações cruciais. Conquiste posições mais seguras. conquistem posições mais seguras. exemplificando a contenção que fora realizada na manutenção do perpetrador dentro do ônibus no caso do Ônibus 174. dividida nas seguintes etapas: CONTENÇÃO Como menciona Ten PMES Doria (SENASP 2007). Enfim..FASE DA CONFRONTAÇÃO (RESPOSTA IMEDIATA ou AÇÃO) A fase de confrontação ou resposta imediata corresponde ao momento em que as primeiras medidas devem ser adotadas. Recomenda-se o corte de energia elétrica. isto é. Nesta fase. ou seja. gás e qualquer outro meio de independência por parte dos causadores.

) dentro do isolamento será feito a evacuação das pessoas que não são envolvidas com a ocorrência. armamento utilizado. das vítimas ou reféns e dos protagonistas do evento. conhecimento do espaço físico. a exemplo de curiosos.. são acionados outras autoridades para o local. policiais de folga ou de serviço em outra área de atuação. por não termos os elementos essenciais de informações. PERÍMETROS DE SEGURANÇA São os anéis de controle. a imprensa. pois dependeremos de vários fatores como: espaço físico onde esta ocorrendo a crise. mais difícil sua manutenção. a ressalva do Ten PMES Doria (SENASP 2007).estarem completamente sozinhos. como: transeuntes e trabalhadores do local. da imprensa. • PERÍMETRO INTERMEDIÁRIO É local onde é estabelecida toda estrutura operacional para resolução do conflito. Após a evacuação serão determinados os perímetros interno e externo. vale lembrar que quanto maior suas dimensões. etc. através de entendimento do escalão superior. Torna-se conveniente registrar. poder de letalidade do armamento que está sendo utilizado e a tipologia do causador do evento crítico. este deverá iniciar o processo de negociação assim que as condições do terreno o permitam. que propiciam a segurança da população. como número de reféns ou vítimas. 19 . Mesmo que a autoridade que primeiro tiver contato com a crise não seja um negociador oficial. neste perímetro ficam instalados: COMANDANTE DO TEATRO DE OPERAÇÕES (CTO) A competência para gerir as atividades policiais é atribuída naturalmente aos Comandantes de Unidade Operacional.. quantidade de causadores. etc.” INÍCIO DAS NEGOCIAÇÕES Considerado o momento mais tenso. das autoridades envolvidas. • PERÍMETRO EXTERNO É o local onde deverão ficar todas as pessoas que não estão envolvidas diretamente com o conflito. a depender do grau de risco e proporcionalidade da ocorrência. É o principal momento em que o policial pode encontrar uma certa agressividade por parte dos causadores. O Comandante do Teatro de Operações é: Autoridade máxima para todas as ações no local. “(. A técnica recomenda que este contato inicial seja através de instrumentos de comunicação como megafone. INTERMEDIÁRIO e INTERNO. Os perímetros de segurança geralmente são divididos em três etapas: EXTERNO. A sua forma e tamanho podem variar de acordo com cada ocorrência.

20 . observando os critérios de ação. Tem controle direto sobre os negociadores. CHEFE DO GRUPO DE APOIO OPERACIONAL Coordena os elementos de apoio operacional envolvido no gerenciamento das subunidades operacionais. É quem estabelece e supervisiona a cadeia de comando e assegura uma coordenação com o seu substituto. financeiro e logístico. Assegura o cumprimento das estratégias do CTO. Determina condições viáveis de negociação e as recomenda ao CTO. É quem determina à estratégica. COMANDANTE DO GRUPO TÁTICO Tem o controle direto sobre a zona estéril. É quem autoriza todas as ações táticas (com exceção das abordagens emergenciais). visando apoiar as estratégias concebidas pelo CTO. Assegura a coordenação de iniciativas táticas com os integrantes do grupo tático. Pessoal de logística. CHEFE DO GRUPO DE VIGILÂNCIA TÉCNICA É quem recomenda as opções de vigilância técnica ao CTO. do acionamento do plano de chamada e da elaboração de escalas de serviço. Prepara à vigilância técnica de modo a retro alimentar o sistema de defesa social e respaldar a ação policial. Formula planos táticos específicos. Formula táticas de negociação específicas e apresenta ao CTO para aprovação. CHEFE DO GRUPO DE NEGOCIADORES Está subordinado diretamente ao CTO. dos grupamentos especializados da unidade. envolvidos no gerenciamento como: Pessoal de informações. Determina as opções táticas viáveis e as recomenda ao CTO.Quem adota as medidas doutrinárias. Faz levantamento periódico da situação psicológica dos causadores. CHEFE DO GRUPO DE APOIO ADMINISTRATIVO Coordena os elementos de apoio administrativo. bem como do negociador principal. Assegura a comunicação rápida das informações passadas pelos atiradores de precisão.

processa. Epidemiologia. ASSESSORIA DE IMPRENSA Preferencialmente terá a frente dessa missão. Antes de iniciar cada contato com a imprensa. falar antes com o CTO. GRUPO DE INFORMAÇÕES Coleta.Elementos de assessoria exógena. com vistas à coleta de informações. Prover e coordenar a distribuição de víveres e local de repouso da tropa. Utilizar a própria mídia como fator de sucesso no gerenciamento da crise. Deve estar se policiando para não passar. Energia Nuclear. GRUPO DE ASSESSORIA EXÓGENA Aplicação de assessoria de profissionais ligados a áreas de conhecimentos não dominados pelo aparelho policial. GRUPO DE LOGÍSTICA Têm como missão: Prover e coordenar o sistema de transporte entre o local da crise e a repartição policial. Prover e coordenar os serviços de manutenção. É o único elemento responsável pela divulgação dos fatos. CGT e Negociadores). formando o que se denomina de zona estéril. os reféns (se houver) e os policiais especialmente designados. técnicas ou táticas empregadas na operação. sobre o que vai ser passado. alguém que conheça de Comunicação Social. somente devem permanecer os perpetradores. analisa e difunde informações atuais e oportunas a todos os usuários (CTO. Assessoria de imprensa. • PERÍMETRO INTERNO O perímetro tático interno é um cordão de isolamento que circula o ponto crítico. Exemplo: Medicina. de forma alguma. Matem um completo inventário dos equipamentos e demais insumos utilizados no local da crise. 21 . para as devidas orientações. etc. No seu interior. Desenvolve e assegura a consecução de diretrizes investigatórias.

Estudo de Caso pormenorizado (Fotos. visando verificar o seu estado de saúde.Técnicas não-letais. pois. ao final da ocorrência mesmo que a pessoa não queira ser atendida. é o acionamento de atendimento médico para o local. Autuação em Flagrante dos causadores torna-se uma conseqüência natural na maioria das ocorrências de Gerenciamento de Crises. depoimentos. atribuindo inclusive. torna-se conveniente que um profissional da área de saúde. documentos etc.Invasão tática. filmagens. moral e ética. possa fazer este primeiro contato. responsabilidades aos seus autores. Relatório do Evento (Fatos e críticas): Constar tudo que for julgado importante sobre a ocorrência. . reportagens. e com riqueza de detalhes.FASE DA PÓS-CONFRONTAÇÃO DE UM EVENTO CRÍTICO Fase que sucede o encerramento de um evento crítico. Estabelecida a negociação por parte do aparelho policial. Algumas pessoas acreditam que com a libertação dos reféns a ocorrência já está terminada. manuscritos. entrevistas. ela tem que está pautada antes de tudo na aceitabilidade legal. 22 . .).Tiro de comprometimento. . e desta forma evitar certas surpresas.Negociação. vamos citar algumas dentre as varias medidas que o aparelho policial precisa adotar após a confrontação: Atendimento médico para os reféns ou vítimas: Uma das primeiras medidas a serem tomadas. Alternativas táticas De acordo com a doutrina norte-americana. não podemos esquecer que este relatório é uma das peças fundamentais do processo legal. Cumprimento das garantias: Não podemos garantir o que não podemos cumprir. as alternativas táticas existentes no processo de Gerenciamento de Crises são: .

Espírito de equipe. Perspicácia. a utilização de religiosos. CARACTERÍSTICAS QUE DEVE TER O NEGOCIADOR: • • • • • • • • • Conhecimento global da doutrina. 23 . sendo muitas as suas atribuições. Comunicabilidade. políticos e até Secretários de Segurança Pública como negociadores. não seja um negociador oficial. pessoa com treinamento específico. O papel mais específico do negociador é o de ser intermediário entre os causadores da crise e o Comandante do Teatro de Operações. e a sua reincidência somente encontra explicação razoável no fato de a grande maioria das organizações policiais do país não ser dotada de uma equipe de negociadores constantemente treinada para essa missão”. Disciplina Autoconfiança Autocontrole. como número de reféns ou vítimas. as exigências dos causadores do evento crítico e a postura das autoridades. etc. Tal prática tem-se revelado inteiramente condenável. Mesmo que a autoridade que primeiro tiver contato com a crise. Fleugma e paciência. com resultados prejudiciais para um eficiente gerenciamento dos eventos críticos. como já ocorreram e ocorrem em diversas ocasiões. psicólogos.NEGOCIAÇÃO Considerado o momento mais tenso. O negociador. Respeitabilidade e confiabilidade. na busca de uma solução aceitável. influente ou não. Não ter poder de decisão. ainda assim. conhecimento do espaço físico. quantidade de causadores. este deverá iniciar o processo de negociação assim que as condições do terreno permitir. armamento utilizado. A técnica recomenda que este contato inicial seja através de instrumentos de comunicação como megafone. tem um papel de grande responsabilidade no processo de gerenciamento de crises. Monteiro (1994) cita em uma de suas obras que: “Faz parte da história policial recente. Ele é o canal de conversação que se desenvolve entre. Assim sendo. por não termos os elementos essenciais de informações. Maleabilidade. no Brasil. É o principal momento em que o policial pode encontrar uma certa agressividade por parte dos causadores. não pode a sua função ser desempenhada por qualquer outra pessoa.

Procure abrandar as exigências. onde o PM atua em uma ocorrência policial que. Evite dirigir a sua atenção as vítimas com muita freqüência e não os chame de refém. Abrandar exigências. Nunca estabeleça um prazo fatal e procure não aceitar prazo fatal. Segundo o conceito adotado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. evitando truques. TÉCNICAS NÃO-LETAIS É o conjunto de métodos utilizados para resolver um determinado litígio ou realizar uma diligência policial. Essa alternativa tática. Procure ganhar tempo. Colher informações. com o passar do tempo e seu emprego. Não ofereça nada ao indivíduo.é mais importante ser um bom ouvinte que um bom conversador. é: “Toda ação coroada de êxito. somente utilizando a arma de fogo após esgotarem tais recursos”. Não permita qualquer troca de reféns. faça o correto emprego dos meios auxiliares para contenção da ação ilícita. Nunca diga a palavra “NÃO”. TÁTICAS DE NEGOCIAÇÃO .OBJETIVOS DA NEGOCIAÇÃO: • • • • Ganhar tempo. Segundo De Souza e Riani (2007. Não faça sugestões alternativas. de modo a preservar as vidas das pessoas envolvidas na situação. se forem mal empregados. podem ocasionar a morte. Deixe o indivíduo falar . têm mostrado que os equipamentos tidos como não-letais. dependendo do desfecho. Não envolva pessoas “não policiais” no processo de negociação. Prover um suporte tático. além de Não produzir o efeito desejado. Seja tão honesto quanto possível. 4). p. 24 . principalmente não troque um negociador por refém.Regras Básicas: • • • • • • • • • • • • • • • Estabilize e contenha a situação. Escolha a ocasião correta para fazer contato. Evite negociar cara a cara. Atenda pequenas exigências.

afirmar que as terminologias “não letal”. de modo a preservar as vidas das pessoas envolvidas na situação (. e impacto controlado. munições e equipamentos não-letais em atuações policiais. durante atuação policial ou militar. No entanto. e não do resultado incondicional do uso de tais tecnologias ou equipamentos. o ponto mais sensível de todos os grupos de elite do mundo. utilização e aplicação de técnicas. p. • Armas não-letais são as projetadas e empregadas especificamente para incapacitar pessoal ou material. em crises com reféns localizados. então. Podem ser empregadas em armas convencionais ou específicas para atuações não-letais. privação visual por ação de fumaça e luz... Podemos. Ser um sniper (atirador de elite) transcende ter uma arma qualquer e uma luneta de pontaria. “menos letal” e “menos que letal” podem ser usados. mucosas e sistema respiratório. As armas não-letais atuam através de ruído. grandes estragos tem sido feitos pelos snipers. armamento. por diversas razões. Essas armas objetivam inibir ou neutralizar temporariamente a agressividade do indivíduo através de debilitação ou incapacitação. Um fato curioso é que. O TIRO DE COMPROMETIMENTO (SNIPER) Segundo Lucca (2002. sobretudo. • Tecnologias não-letais – conjunto de conhecimentos e princípios científicos utilizados na produção e emprego de equipamentos não-letais. 2007. O tiro de comprometimento constitui também uma alternativa tática de fundamental importância para resolução de crises envolvendo reféns localizados. inclusive os equipamentos de proteção individual (EPI’s). do polígono formado pelo treinamento. munição e equipamento. • Equipamentos não-letais – todos os artefatos – inclusive os não classificados como armas – desenvolvidos com finalidade de preservar vidas. a aplicação dessa alternativa tática necessita de uma avaliação minuciosa de todo o contexto. danos indesejáveis à propriedade e comprometimento do meio ambiente.) somente utilizando a arma de fogo após esgotarem tais recursos. pois referem-se ao objetivo a ser alcançado. 7). • Munições não letais – são as munições desenvolvidas com objetivo de causar a redução da capacidade operativa e/ou combativa do agressor ou oponente. 4). tecnologias. ferimentos permanentes no pessoal. p. para acertar um tiro na cabeça. minimizando mortes. • Técnicas não-letais – conjunto de métodos utilizados para resolver um determinado litígio ou realizar uma diligência policial.• Não-letal é o conceito que rege toda a produção. limitação de movimentos através de choque elétrico. irritação da pele. que são os elementos fundamentais para que o objetivo idealizado seja alcançado. portanto. sendo. A decisão de um gerente de crises em fazer o uso de tal alternativa tática é de grande 25 . armas. (DE SOUZA E RIANI.

o risco de vida para o refém. 2002. só se admite a aplicação dessa alternativa tática quando. no momento da ocorrência. A INVASÃO TÁTICA A invasão tática representa. Isso deve ser entendido no que diz respeito somente ao seu posicionamento e também quando de ordens expressas que lhe autorizem o emprego do armamento. na situação em andamento.responsabilidade e deve ser efetuada. p. em geral. captor) REFÉM OU VÍTIMA OBJETIVO(local) ARMAS 26 . para o policial e para o transgressor da lei. O atirador de elite só atua mediante autorização. quer atuando para a eliminação total do risco (LUCCA. como conseqüência. Elementos de informações P R O A PERPETRADOR (causador. a última alternativa a ser empregada em uma ocorrência com reféns localizados. quando todas as outras forem inadequadas e quando o cenário para tal fato seja favorável. Dessa forma. aumentando. 109). quer preservando a vida do criminoso. Isso por si só. o risco em relação aos reféns se torna um risco ameaçador à integridade física dos mesmos ou ainda quando. vai de encontro com um dos objetivos principais do gerenciamento de crises que é a preservação da vida. Isso ocorre porque o emprego da invasão tática acentua o risco da operação. houver uma grande possibilidade de sucesso do time tático.

amor e cumplicidade. 27 .Negociadores.Atiradores de Elite.Documentos.Pessoas que conhecem a síndrome.O tempo.Investigação.Reféns liberados ou escapados.Patologias psicológicas.Pessoa com idiomas diferentes. .Pequeno espaço físico.Mídia. etc. . .Reféns e causadores de sexos opostos.Fontes de informação . .Reduzido número de reféns e causadores.Exploração Tática. . causadores. . . . . etc. . .Vigilância Técnica. Síndrome de Estocolmo É uma ambiência psicológica desenvolvida a partir de momentos cruciais das vidas das pessoas envolvidas nas crises (negociadores. FATORES QUE FACILITAM: .) de onde advêm os sentimentos de proteção. zelo. reféns.Drogas. . . INSTALAÇÃO DA SÍNDROME DE ESTOCOLMO FATORES QUE DIFICULTAM: .

Sugestões de filmes: .A Negociação (The Negociator). Gary Gray. EUA.BIBLIOGRAFIA . 1998. Consultor-Sênior do Centro de Regional de Treinamento em Segurança Pública (TREINASP) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça.Refém (Hostage). Dir: F. Distrito Federal. EUA. docente e coordenador do componente de segurança pública do Núcleo de Estudos em Defesa. 2005. Dir: Florent Siri. . Dir: Nicholas Kendall. atualmente com exercício no Gabinete do Secretário-Executivo do Ministério da Justiça. . Negotiador). Distrito Federal. Dir: Rihard Donner. . Distrito Federal. EUA/CANADÁ. Dir: Spike Lee.O Plano Perfeito (Inside man). Pesquisador Associado do Núcleo de Estudos em Defesa. EUA. .Manual do Curso Básico de Gerenciamento de Crises – CBGC da PMBA. Tenente-Coronel Reformado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Carlos Eugênio Timo.A Negociadora (FBI. Especialista (MBA) em Gestão da Segurança Pública e Defesa Social e Bacharel em Direito.Texto: "JANELAS QUEBRADAS" . 2005. . Luiz Carlos. *** MAGALHÃES. Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF) de Brasília. Gestor Público Federal. Agente de Polícia Federal. Professor Doutor em Educação ("The George Washington University") com dissertação doutoral sobre treinamento policial. . 28 .UMA INTERPRETAÇÃO BRASILEIRA. docente do Núcleo de Estudos em Defesa. EUA. 2006.16 Quadras (16 Blocks). Distrito Federal e do curso de graduação em Relações Internacionais do UniCEUB de Brasília. 2006. Professor Mestre em Relações Internacionais (Universidade de Brasília) e Justiça Criminal ("The London School of Economics).Apostila da disciplina Gerenciamento de Crises – CFAP Autor: Cap PM Júlio César Ferreira Santos. Autores: * DANTAS. . Ten PMES José Roberto da Silva Fahning. ** BRITO.Constituição da República Federativa do Brasil. Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF) de Brasília.Apostila do Curso de Gerenciamento de Crises – SENASP. Autores: Ten PMES Irio Doria Junior. Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF) de Brasília. . George Felipe de Lima.

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