Traços de Transtorno de Personalidade Borderline, Percepção infantil, Invalidação Emocional, e Disfunção em relações amorosas atuais.

Resumo: O mecanismo através do qual a disfunção em relações amorosas atuais se desenvolve em indivíduos com sintomas do Transtorno de personalidade borderline ainda é obscuro. Um caminho possível podem ser experiências infantis de invalidação emocional pelos pais, que pode resultar em desenvolvimento pobre de habilidades de resolução de problemas sociais, ou respostas cognitivas como a divisão (splitting) que deterioram relações amorosas atuais. Este estudo examina a relação entre traços de TPB e disfunção em relações amorosas atuais, e demonstra que a percepção de invalidação emocional pelos pais durante a infância faz co-relação entre traços de TPB e a disfunção em relações amorosas atuais. Modelos de equações estruturais para testar o modelo hipotetizado em 758 jovens adultos de uma amostra etnicamente diversificada. O modelo proposto se adapta satisfatoriamente aos dados, a percepção de invalidação emocional durante a infância co-relaciona-se parcialmente com a disfunção em relações amorosas atuais, mesmo quando se controlou a variável de um episódio de depressão maior no último ano. Os achados deste estudo sugerem que indivíduos com traços de TPB experienciam disfunções de relacionamento que não podem ser atribuídas a uma co-morbidade da depressão, e que a percepção de invalidação emocional contribuem para esses problemas. Palavras Chave: transtorno de personalidade borderline, relações amorosas, invalidação emocional, depressão. 1$

Um dos traços distintivos do transtorno de personalidade borderline (TPB) é a presença de relações interpessoais tempestuosas. Especificamente, indivíduos com TPB experienciam “um padrão instável e intenso de relações interpessoais caracterizado por oscilação entre extremos de idealização e depreciação.” (American Psychiatric Association, 1994, p. 710). Todavia, o mecanismo pelo qual esses problemas interpessoais se desenvolvem permanece obscuro. Um constructo que pode oferecer alguns insights sobre esta questão é a “invalidação emocional” (Linehan, 1993). Invalidação emocional se refere à críticas e trivializações difusas da comunicação de experiências internas, bem como recorrentes punições de expressão emocional apropriada, pareada com reforço intermitente de exibições emocionais extremas. Uma forma importante de invalidação emocional que pode contribuir para o desenvolvimento de sintomas de TPB é a invalidação emocional por parte dos pais durante a infância. Invalidação emocional parental pode ter implicações particularmente importantes no funcionamento de relacionamentos atuais, porque invalidação emocional na infância pode influenciar relações amorosas atuais de

Moskowitz. Zuroff. Pilkonis.um indivíduo através do desenvolvimento de dificuldades nas habilidades de resolução de problemas sociais e distúrbios cognitivos como divisão (splitting). atividades sociais de lazer. (2004) examinaram traços de TPB em jovens adultos e constataram que traços de TPB predizeram prospectivamente mal ajustamento social para os eixos de patologia I e II. Bagge et al. Além disso. Em outro estudo de auto-monitoramento. Russl. 2$ TPB e a deterioração dos relacionamentos Pesquisas atuais documentam a relação entre TPB e problemas gerais de funcionamento interpessoal. Sookman & Paris (2007) constataram que indivíduos com TPB demonstraram comportamento interpessoal menos dominante. (2002) constatou que individuos com transtorno de personalidade Obsessivo-Compulsivo. e McCarty (2007) constataram que indivíduos com TPB tem números maiores de ex parceiros amorosos e terminaram mais relações das suas redes sociais em comparação com pacientes sem diagnóstico de transtorno de personalidade. . Outro propósito deste estudo foi testar a consistência da relação entre traços de TPB e as disfunções em relações amorosas atuais na presença de depressão. Por exemplo. outros estudos sugerem que o efeito da sintomatologia do TPB podem ser atenuados quando atribuídos a depressão e outros transtornos de personalidade. Numa avaliação recente do funcionamento de redes sociais Clifton. relacionamentos com a família extendida. Hill e colaboradores (2008) encontraram evidências de que a TPB era o único transtorno que predizia disfunção em relacionamentos amorosos (incluindo transtornos Eixo I e II). Eles também constataram que o estado de auto-estima e sentimentos de rejeição em indivíduos com níveis elevados de traços de TPB eram influenciados por stress interpessoal. Zeigler-Hill e Abraham (2006) constataram que indivíduos com níveis elevados de traços de TPB relataram experienciar mais eventos negativos chave durante o período de auto-monitoramento que o grupo controle com ausência de traços de TPB. Esquizotípico e Borderline. 3$ Algumas evidências também sugerem uma associação mais específica entre a sintomatologia de TPB e disfunção em relacionamentos amorosos. 4$ Embora o estudo de Hill et al (2008) constatou que indivíduos com TPB tinham mais disfunção de relacionamentos amorosos quando comparados com outros transtornos Eixo I e II. Skodol et al. e funcionamento ocupacional. Neste estudo pesquisadores operacionalizaram mal ajustamento social com disfunções no trabalho acadêmico. Finalmente. Evitativo. embora indivíduos com TPB relatassem dificuldades sociais e no trabalho. O propósito deste estudo foi explorar os efeitos da sintomatologia do TPB nas disfunções em relações amorosas atuais. mais submisso e mais querelante que o grupo controle sem sinais clínicos.

a experiência de invalidação emocional pode interferir no desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas sociais. Existem vários modos plausíveis pelos quais a invalidação emocional na infância pode contribuir para um funcionamento relacional pobre em indivíduos com sintomas de TPB. entretanto. Por exemplo. Esta teoria afirma que a invalidação emocional por parte de outros significativos resulta em desregulação emocional e comportamental em indivíduos com sintomatologia do TPB. 5$ Invalidação emocional e Sintomatologia do TPB Uma teoria importante do desenvolvimento da disfunção interpessoal na TPB é a teoria biopsico-social de Linehan (Linehan. deixando os indivíduos. Barrowclough. mais conflitos nessas relações. sem o conhecimento de modos apropriados pra lidar com dificuldades em relações amorosas (Bray. tem auto-estima instável Zeigler-Hill & Abraham. Isso pode se dar devido ao fato de que tentativas razoáveis de resolver problemas sociais (tais como tentar comunicar o problema) são desencorajadas ou punidas num ambiente emocionalmente invalidante. e baixo nível de satisfação com os parceiros nessas relações. frequentemente denominadas divisão (splitting). Klonsky. 6$ Outra possibilidade é que a invalidação emocional na infância poderia resultar em distúrbios cognitivos nos quais a percepção de outros flutua entre dicotomias tais como “bom” e “mal”. que mais tarde desenvolverão sintomas do TPB. altos índices de gravidez não planejada e abuso por parte dos parceiros amorosos. que. Por exemplo. Daley.experienciaram deterioração mais significativa do que indivíduos deprimidos em diferentes tipos de relações interpessoais com exceção das relações amorosas. desaparecem quando sintomas de depressão e sintomas do Eixo II não TPB eram incluídas no modelo estatístico. segundo constatado. há evidências que invalidação emocional na infância desempenha um papel na disfunção interpessoal do TPB. Além disso. 1993). pacientes com TPB tendem a relatar decréscimo do envolvimento e suporte parental (Zaniarini et al. e Hammen (2000) acompanharam garotas em idade colegial (ensino médio) durante 4 anos e exploraram o efeito do Eixo psicopatológico II em relações amorosas. Fiedller (2000) constatam que indivíduos com traços de TPB relatam sentimentos crescentes de conflitos com os pais e menos suporte de seus familiares durante a infância. Embora a invalidação emocional não tenha sido muito explorada em pesquisas.2007). Turkheimer. Graham e Clark (2006) sugeriram que o splitting pode ser um fenômeno cognitivo no qual indivíduos com baixa auto-estima (relevante para indivíduos com TPB. De modo que faz-se necessário mais pesquisas para determinar a consistência da relação entre TPB e disfunção nas relações amorosas no contexto de outras condições como a depressão. informações negativas e positivas de cada vez sobre um parceiro de relacionamento (em contraste com indivíduos de alta auto- . forçando indivíduos com TPB a recorrer a estratégias extremas tais como ameaçar ou implorar. Oltmanns. & Lobban. em suas memórias. 2006) segregam funcionalmente. Eles constataram que indivíduos com TPB tiveram números significativamente maiores de relações amorosas. 1997). Burge. Em outro estudo. mesmo depois de controlar variáveis de patologias gerais de personalidade. Estas associações.

Isto é importante pois a relação entre TPB e problemas em relações amorosas não manteve significância em alguns estudos depois do controle da variável para depressão (Daley et al. indivíduos com TPB podem perceber ações inócuas do parceiro (tais como passar tempo com amigos) como invalidação por atribuir sentidos preferencialmente negativos (i. Do contrário. e a invalidação pode resultar no desenvolvimento de crenças e cognições não adaptativas. 2007). Invalidação emocional na infância pode contribuir para este fenômeno porque pode contribuir para auto-estima instável. 2003). o que significa que indivíduos com traços sub-clínicos podem experienciar disfunções relevantes.) Outra razão plausível pela qual a invalidação emocional pode contribuir para disfunção em relacionamentos amorosos é que ela pode levar a uma percepção global de invalidação dentro da relação. Outro objetivo deste estudo foi investigar se a deterioração funcional nas relações românticas associadas com a sintomatologia do TPB foi incrementada com a deterioração associada com o Transtorno depressivo Maior (TDM). & Zimmerman. nossa hipótese é que a presença de traços de TPB (em níveis clínicos e subclínicos) prediziriam disfunções das relações amorosas atuais (ver figura 1). Há também sugestões que versões futuras do DSM devem partir de uma visão dimensional dos transtornos de personalidade (Widiger & Trull.e. . Cleland. a variabilidade na invalidação emocional por parte dos pais pode resultar que indivíduos experienciem seus pais como bons ou maus. Skodol et al. independentemente de ela estar presente ou não. 7$ No estudo a seguir. Nestes estudos foram atribuídas mais variâncias nas disfunções de relacionamento aos diagnósticos de depressão do que aos diagnósticos de TPB. que foram aprendidos na infância. garantindo assim o exame de todo o continuum dos sintomas de transtornos de personalidade.. Isso não impede que eles sejam percebidos como maus. A hipótese de que a invalidação media esta relação se justifica porque a experiência de invalidação emocional na infância pode causar déficits no desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas sociais. a maior parte do tempo os pais responderam negativamente. Assim. 2002). impactados pela invalidação. que pode resultar numa visão mais dicotômica dos outros. é relevante porque evidências atuais confirmam a presença dos sintomas de TPB como um continuum ao invés de um “táxon” (Rothschild. Daley et al. podem levar a problemas nas relações amorosas na idade adulta.e. a maior parte do tempo dependendo da forma como os pais agiram com eles (i. Haslam.. mas houve ocasionalmente boas interações. medo de abandono). 2000.estima que integram estas memórias). (2000) constataram que sintomatologia não específica do cluster B predizia mais efetivamente disfunção em relações amorosas que diagnósticos confirmados de TPB. lançamos a hipótese de que a percepção de invalidação emocional na infância media a relação entre TPB e disfunção nas relações amorosas atuais. os diagnósticos de TDM no último ano foram incluídos no nosso modelo como uma co-variável fixa. Por exemplo. Por exemplo. Explorar traços de TPB. ainda que em níveis menos severos. em parte via invalidação emocional parental. Estes problemas de desenvolvimento. especificamente no contexto da disfunção das relações amorosas. 8$ De modo adicional.

de modo que escores mais altos indicavam um maior número de traços de TPB presentes no participante. Loranger. e os itens para esta medida estão relatados no Apêndice.. Além disso. com as subamostras deste relato contendo: 27% (N_202) de participantes Brancos não-hispânicos (Caucasianos). dos quais todos foram entrevistados como parte de uma estudo mais abrangente (N_1803) sobre abuso de substâncias em jovens adultos. Estudos de fator analítico sugerem que o constructo TPB tem fatores 3-4. Selby & Joiner. A amostra maior foi propositalmente recrutada de modo a ter maiores proporções de minorias étnicas. e foi constatado que estes fatores diferenciam de certo modo em função da etnia (Sanislow et al. isso pode ser reflexo da verdadeira natureza do constructo TPB. Korfine. atualmente. Apesar do alpha de Cronbach ser de certo modo baixo para esta medida. 1997). todos estes dados foram analisados . ver Veja &Gil. altos escores nas questões do screener indicam alta probabilidade de diagnósticos de transtorno de personalidade com entrevistas clínicas estruturadas (Lenzenweger. O consentimento informado foi obtido de todos os participantes do estudo após uma completa descrição do estudo para todos os participantes. Para inclusão no estudo atual foi requisito que todos os participantes estivessem. O alpha de Cronbach para os itens de TPB foi 66.9$ Método Participantes Este estudo consistiu de uma amostra de 758 participantes representativa da comunidade (48% mulheres) entre as idades de 18 à 23 anos. desenhadas para medir sintomas de TPB. 46% (N_346) de participantes hispânicos. resultando em uma escala que mede não apenas sintomas potencialmente clínicos. 3_ de modo algum verdadeiro). A sub-amostra utilizada neste estudo foi representativa da amostra mais ampla com relação à raça. gênero e idade. Medidas 10$ Traços de TPB. em uma relação amorosa. Todos os 48 das escolas públicas de ensino médio e todos os 25 de ginásios públicos e escolas alternativas participaram da investigação prévia. Participantes foram solicitados a responder cada uma dessas questões tendo em vista o modo como se sentem sobre si mesmos numa escala Likert de 3 pontos (1_ absolutamente verdadeiro. 1994). 1998. Todos os participantes completaram entrevistas face-à-face (70%) ou pelo telefone (30%). Turner &Gil. 2002. bem como sintomas subclínicos. A comissão institucional de revisão da Florida State University aprovou os procedimentos utilizados para obter consentimento e proteger os direitos de bem-estar dos participantes. no prelo). 2% (N_20) participantes mestiços Hispânicos/Afro-americanos. 23% (N_173) participantes afroamericanos. Os participantes responderam à oito questões retiradas do International Personality Disorder Examination (IPDE) (Loranger et al. 2002). e 2% (N_16) outros. Todos os itens foram agregados ( e codificados reversamente quando necessário). & Neff. Estes dados foram coletados entre 1998 e 2000 como parte de um follow up de uma investigação originada quando os participantes estavam em idade ginasial e em ensino médio no condado de Miami-Dade (para mais informações. Os itens usados no screener do IPDE possuem evidências que sustentam a sua validade para avaliar patologias de transtorno de personalidade. 2_ De certo modo verdadeiro.

Wing. ou um score total de invalidação para o cuidador único. Evidências da validade dos diagnósticos do CIDI Michigan. (Robins. Todos itens foram agregados (e reversamente codificados quando necessário) de modo que altos escores indicassem mais invalidação emocional dos participantes por parte de seus pais. Kessler. e é desenhado para ser administrado por não clínicos treinados na sua utilização. baseada substancialmente no Diagnostic Interview Schedule (DIS. 1988. Helzer. deste modo. incluindo transtornos de humor (Blazer. Estes dois últimos modelos foram tomados de empréstimo do DIS (Robins et al. Zhao. avaliados em contraste com re-entrevistas clínicas estruturadas (Spitzer. & Helzer. & Ratcliff. Kessler. 11$ Invalidação emocional na infância pelos pais. Estas questões foram cifradas numa escala Likert de 1 (nunca) a 4 (muito frequentemente).. 12$ Episódio depressivo no ultimo ano. as medidas foram transformadas de modo que os escores representassem a média de escores de invalidação para os dois cuidadores. 1981). McGonagle. devido ao fato de 304 indivíduos provenientes de lares de um único cuidador (pai ou mãe). & First. World Health Organization 1990). que lidam elegantemente com a medida de erros e permitem uma estimação otimizada da relação entre variáveis de interesse. 1994). Wittchen. McGonagle. E também. Dados relacionados a um episódio depressivo no último ano foram utilizados como uma co-variável fixa no modelo. Robins. O CIDI é uma entrevista plenamente estruturada. Os itens consistem de afirmações tais . Estas questões foram perguntadas com o objetivo de determinar o nível de proximidade com o parceiro amoroso atual. Dados sobre a experiência de um episódio depressivo maior durante o último anos foi obtido através de entrevistas pessoais assistidas por computadores que permitiram uma estimação de diagnósticos do DSM-IV. Os itens utilizados para avaliar invalidação emocional na infância consistem de seis questões sobre a proximidade emocional dos participantes com suas mães e as mesmas seis questões sobre sua proximidade emocional com seus pais. Williams. & Swartz. Os itens consistem de questões tais como: “Por favor.Gibbon. A todos participantes foram dirigidas questões relacionadas suas histórias familiares. 1981) utilizados na NCS. uma medida geral de cada cuidador ou cuidadores do participante. O instrumento básico de foi o Michigan Composite International Diagnostic Interview (CIDI) utilizado na Pesquisa Nacional de Comorbidade (NCS.Croughan. 1994). & Nelson. Estes itens são citados no apêndice por não serem extraídos de uma medida padronizada. fornecendo. 1990). foram relatadas na maior parte da NSC (National Survey of Comorbidity). diga-me o quanto o seu pai/mãe era afetuoso com vc” e “parecia emocionalmente frio com você”. O alpha de Cronbach para os itens de invalidação foi de 86. 13$ Medidas de disfunção de relação Proximidade com o parceiro.pela utilização de modelos de equações estruturais.

deste modo. Esta medida também teve uma correlação positiva significativa com outras medidas de dificuldades em relacionamentos (ver tabela 1). Apesar da consistência interna desta medida ser baixa. é provável que isto reflita a verdadeira natureza do constructo. a variável latente de disfunção de relacionamento incluiu escalas de proximidade com o parceiro. novamente. Todos itens foram agregados (e reversamente codificados quando necessário) de modo que altos escores indicassem altos níveis de conflito no relacionamento. Todos itens foram respondidos com sim ou não e agregados de modo que altos escores indicavam distúrbios de relacionamento experienciado nos últimos 12 meses. Como exibido na Figura 1. e permite determinar se o modelo fornece boa adaptação aos dados. aumento nas discussões com questões tais como. Todas as análises foram conduzidas utlizando-se AMOS 6. “Descobriu que namorado(a) foi infiel. Os itens consistem de questões tais como. “Você tem muitos conflitos com o seu namorado(a)” e “Você não está segura se pode confiar no seu namorado(a)” Os itens foram cifrados numa escala Likert de 1 (não é verdade) a 3 (plenamente verdadeiro). permitindo. e alguns dos itens relacionam-se aos comportamentos do participante bem como dos parceiros amorosos. Estratégia analítica de dados 16$ Os dados deste estudo forma analisados através do modelo de equação estrutural (SEM). Participantes relataram qual o principal evento (tendo em vista a relação amorosa) que eles experienciaram nos últimos 12 meses. O modelo equação estrutural permite que um modelo hipotético de relações entre varáveis seja testado. 15$ Distúrbios de relacionamento no último ano. esses dados são idealmente apropriados para análise de dados com modelos de equação estrutural porque se analisa inclusive as medidas de erro. Esta escala consiste de 5 itens ligados à términos. O alpha de Cronbach para proximidade do parceiro foi 85. Estes itens não foram extraídos de uma medida padronizada por isso são listados no Apêndice. traições. 1999). Estes itens não foram extraídos de uma medida padronizada por isso são listados no Apêndice.como: “Você se sente muito próximo do seu namorado(a)” e “Não importa o que aconteça você sabe que o seu namorado(a) estará do seu lado”. conflito no relacionamento e distúrbios de relacionamento. O alpha de Cronbach para distúrbio no relacionamento foi 51. O alpha de Cronbach para proximidade do parceiro foi 73. e foi criada para capturar variância . Todos os itens foram cifrados numa escala Likert de 1(concordo plenamente) a 5 (discordo plenamente).” “Uma relação amorosa terminou”.0 (Arbuckle & Wothke. Nossa medida é feita sob um fenômeno de baixa pontuação básica. Estes itens não foram extraídos de uma medida padronizada por isso são listados no Apêndice. entre os quais não há sempre consistência. uma estimação otimizada da relação entre variáveis. Todos os itens foram agregados de modo que altos escores refletissem maior insatisfação no relacionamento. 14$ Conflito no relacionamento. Estas questões foram perguntadas com o objetivo de determinar o nível de stress e conflito que os participantes experienciam em seus relacionamentos atuais. À luz destas considerações.

compartilhada ( ao mesmo tempo que divide a medição de erro) entre essas escalas e para fornecer uma medida geral da disfunção nas relações amorosas atuais dos participantes. Devido à dados perdidos para algumas das variáveis ( 30 indivíduos tiveram dados perdidos aleatoriamente.19. Anderson. Trabalhamos com a hipótese de que um modelo parcialmente mediado forneceria melhor ajuste aos dados.96. outros índices de ajustes também foram utilizados. Preditores residuais para traços de TPB e disfunção de relacionamento também aparecem no modelo. médias. Uma avaliação de normalidade univariada revelou que nenhuma das variáveis era significativamente assimétrica ou com desvios extremos. incluindo o índice comparativo de ajuste (CFI).95. a média de raiz quadrada de aproximação do erro (RMSEA). estatísitica máxima de semelhança chi quadrado foi utilizada (não significância indicando que o modelo se ajusta perfeitamente aos dados). Devido ao fato do SEM ser sensível à distribuição anormal de variáveis foram conduzidas análises univariadas de normalidade. Schafer. 18$ Estatística Descritiva As correlações. Devido à diversidade desta amostra. FIML fornece menos dados distorcidos do que procedimentos ad hoc tais como rasura em lista ou em pares e imputação de média (Little & Rubin. 1987. O critério de corte padrão para bom ajuste consistiu de valores CFI maior que . e valores TLI 9 ou maior (Hu & Bentler. e índex de Tucker Lewis (TLI).06.1997). um valor de critério de corte para significância foi estabelecido em p 0. A criação desta variável latente foi importante dado que nenhuma medida utilizada para avaliar funcionamento em relacionamentos amorosos foi submetida à análise psicométrica rigorosa.05 . Estimação de máxima semelhança e informação plena (FIML. mas houve uma diferença de gênero significativa para as variáveis dos traços de TPB. 1957) foi utilizada. desvios padrões e alphas para as variáveis deste estudo são apresentadas na Tabela 1.82. 17& A fim de avaliar o modelo geral. análises de variância foram conduzidas para determinar se havia efeitos da etnicidade em alguma das vairáveis. menos de 4% de toda a amostra. 19$ Modelo de medição . Não existem também dados díspares significativos (definidos como desvio padrão 3 acima ou abaixo da média). SD _ 1. Não houve efeitos significativos para etnicidade em nenhuma das variáveis ao nível p _ . Devido à sensibilidade do chi quadrado a amostras grandes. Para testar estimativas de parâmetros individuais. as moças tiveram escores mais altos que os rapazes (male M _ 10. valores RMSEA menores que . female M _ 10. 1999). já que podem haver efeitos dos traços de TPB no funcionamento de relacionamentos atuais que não são atribuídos à percepção de invalidação emocional na infância. SD _ 2.5.58). ou diferenças significativas de gênero em alguma das variáveis.

Os coeficientes não padronizados e os erros padrão das rotas coeficientes para efeito indireto da invalidação emocional e disfunção de relacionamentos via sintomas TPB. O Sobel Test também apoiou efeitos mediacionais (z _ 1. Lockwood. 20$ Avaliação do modelo Model 1: Mediação parcial. 2002). Este modelo fornece bom ajuste aos dados. Foi previsto que os sintomas de TPB influenciariam a disfunção em relacionamentos através da Invalidação emocional.053. e um intervalo de confiança é gerado. p _ .Porque a variável latente de disfunção no relacionamento utilizou medidas não padronizadas como indicadores. West. o limite menor foi extremamente próximo de zero.00001 e 0. 1987). Distúrbio_ _ . então um Sobel (1982) Test foi ministrado para fornecer evidência adicional para os efeitos de mediação. Em adição. p _ . foi necessário incluir uma variável adicional na medida do modelo a fim de gerar índices de ajuste.54. Sintomas de TPB tiveram efeito direto e significativo na disfunção em relacionamentos. Utilizando-se desta configuração o modelo de medição ajustou-se bem aos dados _2(2) _ 2.86.59. RMSEA _ . a lógica para este método é adequada à testagem de mediação em modelos de equações estruturais (Bollen. assim. & Sheets. A experiência de um distúrbio depressivo maior no último ano não teve relação significativa com as variáveis latentes de Invalidação emocional e Disfunção no relacionamento.05).016. o que sugere não se melhorou o ajuste do modelo além do ajuste da variável latente.18).005. isso sugere a ausência de efeitos de mediação estatisticamente significantes. mas não com outras medidas observadas. O PRODCLIN examina o produto coeficientes não padronizados divididos pelos coeficientes de erros padronizados (__/___). O modelo de medição para disfunção no relacionamento não foi identificado (porque não passou a regra t). o efeito indireto para esta relação foi _ _ .30. examinamos o ajuste do modelo de medição onde a variável latente pôde se relacionar com o gênero. A correlação entre depressão e traços de TPB foi significativa (r _ . todos os parâmetros estimados foram significativos (p _. então seria improvável para melhorar o ajuste do modelo. e todas as variáveis observadas sobrepuseram significativamente às variáveis latentes (Proximidade _ _ . Apesar do efeito de mediação ser apoiado pelas analises do PRODCLIN. foi importante avaliar o ajuste do modelo de medição para esta variável. taxas inflacionadas do erro tipo I. p _ .. and Lockwood (2007) foi utilizado para examinar o impacto das variáveis mediadas no modelo estrutural de Disfunção de Relacionamentos. A variável gênero foi escolhida como um correlato no modelo de medição. Se os valores entre o limite maior e menor do intervalo de confiança inclui zero. TLI _ . Fritz.972. _2(6) _18. A correlação entre gênero e a variável latent não foi significativa. Conflito _ _ . CFI _ . ver MacKinnon.05).89. Hoffman. foram submetidos ao PRODCLIN para render um limite de confiança maior e menor de 95% de .34.05). Além disso. CFI _ . significant mediation effect.g. sem os problemas inerentes à outros métodos para testar mediação (e. RMSEA _ . Isso sugere que percepção de invalidação .023. Modelo 1 é exibido na Figura 1.004. p _ .998. O PRODCLIN programa desenvolvido por MacKinnon. com exceção dos efeitos da depressão na Invalidação emocional e disfunção de relacionamento.901. pois tinha uma pequena correlação com conflitos no relacionamento.37. Williams. Para tanto.

p _ . CFI _ . Invalidação emocional na infância pode levar indivíduos com traços de TPB a se comportar de modo provocativo para receber respostas emocionais de outros.113. Utilizamos dois modelos agregados de modo que seu ajuste aos dados pôde ser diretamente comparado. O modelo de equação estrutural no qual a percepção de invalidação emocional na infância faz mediação parcial da relação entre traços de TPB e disfunção no relacionamento atual forneceu bom ajuste aos dados. 22$ Discussão O presente estudo lida com lacunas importantes na pesquisa sobre a sintomatologia do TPB e disfunção no relacionamento amoroso. O resultado deste estudo sugere que a presença de sintomas de TPB prevê a disfunção de relacionamentos amorosos atuais e o faz via auto-percepção de invalidação emocional por parte dos pais. Por exemplo. mas poucas pesquisas realmente documentaram a relação entre invalidação emocional e a deterioração funcional de relações interpessoais em indivíduos com sintomas de TPB. 21$ Um modelo de mediação integral foi testado através da restrição da rota direta dos traços de TPB à Disfunção no relacionamento para zero. 23$ Pode haver diversas razões pelas quais a invalidação emocional na infância influencia problemas nas relações amorosas atuais. Isso mostrou que o modelo de mediação parcial forneceu melhor ajuste aos dados do que o modelo de mediação integral __2(1) _ 56. déficits na resolução de problemas sociais e splitting (divisão) podem ser resultados importantes da invalidação. TLI _ . Importante notar que a associação entre TPB e disfunção no relacionamento amoroso não foi atenuada mesmo quando atribuída a um diagnóstico de episódio depressivo maior no último ano. invalidação emocional por parte dos pais pode resultar em crenças anti-adaptativas.539. p _ . já que este pode ter sido um modo de eliciar respostas emocionais dos pais durante a infância. ou de que a expressão de problemas numa relação íntima é algo inaceitável. 1993). Modelo 2: Mediação integral. RMSEA _ .001. tais como a crença de ser alguém impossível de se amar.001. Este modelo forneceu um ajuste pobre para os dados _2(7) _ 75.846. Este modelo de mediação parcial ajustou-se aos dados de modo significativamente melhor que o modelo de mediação integral.46.emocional na infância faz mediação da associação entre traços de TPB e Disfunção no relacionamento. Também é importante notar que traços de TPB ainda prevê disfunção no relacionamento atual mesmo quando relacionado à percepção de invalidação emocional na infância.3. Isso sugere que traços de TPB podem levar a . Este achado é importante porque teorias atuais do TPB apontam para invalidação emocional como uma causa importante dos sintomas do transtorno (Linehan.

família extendida. Com base nos achados de Russell et al. tais como invalidação dos irmãos. um indivíduo com traços de TPB pode ter mais percepções negativas de seu relacionamento com seus pais durante a infância do que realmente é verdade. depressão no último ano não prevê invalidação emocional na infância. o que indica que outros fatores contribuem para disfunção no relacionamento. Uma explicação possível para este achado é que os indicadores de tinham mais itens pertencentes à um conflito de relacionamento manifesto e eventos problemáticos.problemas de relacionamento mesmo em indivíduos que não perceberam seus pais como emocionalmente invalidantes. Este achado sugere que traços de TPB contribuem para a deterioração funcional das relações amorosas acima e além da deterioração associada com o Transtorno depressivo maior. (2007). cada um desses pode contribuir para o desenvolvimento de traços de TPB e disfunção nas relações amorosas. Este achado. o que fornece algumas evidências iniciais da especificidade da relação entre invalidação emocional e TPB. colegas. tais como ataques verbais e comportamentos impulsivos (e. 24$ Outro achado importante deste estudo que os trqaços de TPB predisseram significativamente disfunção de relação amorosa atual mesmo depois de controlar a variável de diagnóstico de depressão no último ano. Assim. dado que problemas interpessoais são comumente associados à depressão. e menos a ver com satisfação geral na relação (para ambos os parceiros). levanta novas questões sobre o que exatamente os indivíduos com TPB fazem que resulta em disfunção interpessoal. entretanto. estas distorções provavelmente influenciam suas crenças sobre seus pais durante a infância o tanto quanto elas influenciam as suas percepções de suas relações atuais. 26$ Uma precaução ao se considerar os achados do presente estudo é que invalidação emocional real por parte dos pais durante a infância não foi avaliada. e sim a percepção de indivíduos que experienciaram invalidação emocional. Outros tipos de invalidação emocional na infância podem estar envolvidos no desenvolvimento futuro de disfunção no relacionamento. a rota da depressão para a disfunção de relacionamento não foi significante. 27$ .g. que mostrou que os indivíduos com TPB demonstraram mais comportamento querelante que o grupo controle não clínico. Ainda. auto-mutilação e abuso de substâncias). 25$ É importante também notar que em nosso modelo. Efeitos prováveis da depressão sobre a satisfação na relação talvez não contribuam para problemas manifestos de relação tanto quanto no caso dos traços de TPB. pois indivíduos com TPB têm cognições distorcidas sobre seus relacionamentos. Esta é uma distinção importante. Este achado foi inesperado. Parece possível que indivíduos com traços de TPB podem ser mais sensíveis emocionalmente à invalidação emocional (percebida ou real) em relações amorosas e respondem com comportamentos anti-adaptativos.

ajudar estes pacientes a superar problemas de relacionamentos pode inibir uma relação potencial recíproca entre baixa auto-estima e splitting. sugere que terapeutas devem prestar atenção especial às relações amorosas de seus pacientes com traços de TPB. Estudos futuros devem examinar o funcionamento de relações amorosas atuais em indivíduos diagnosticados com TPB por meio de entrevista clínica estruturada. indicadores de distúrbios de relacionamento tiveram baixa consistência interna. Particularmente. mas avaliados para sintomas de TPB. o achado de que os traços de TPB predizem disfunções nas relações amorosas acima e além dos problemas associados com o diagnóstico de depressão no último ano. os achados deste estudo apontam para a importância do funcionamento no relacionamento amoroso para compreensão da TPB. 2006). estudos futuros devem tentar replicar estes resultados utilizando medidas padronizadas. outro aspecto importante deste estudo é que ele foi conduzido em uma amostra ampla e etnicamente diversificada. Outra limitação é que os indivíduos neste estudo não foram formalmente diagnosticados com TPB. Apesar dessa limitação. pode ser útil em intervenções clínicas para tratar crenças mal-adaptativas. fornecendo alguma confiança de que a medida de disfunção de relacionamento neste estudo era razoavelmente válida. dissociação) (Graham & Clark. as questões apareceram como dignas de consideração e a medida de distúrbio de relacionamento teve co-relação positiva com outros indicadores de disfunção de relacionamento (como esperado). eles atrairão atenção para a importância de intervenções no funcionamento interpessoal no tratamento do TPB. os estudos deste achado possam não ser generalizáveis para indivíduos que têm realmente TPB. Além disso. Finalmente. déficits nas habilidades de resolução de problemas sociais. bem como instituições comunitárias de tratamento. 29$ Em suma. Dado que problemas interpessoais podem contribuir para baixo auto-estima nestes pacientes e baixa auto-estima foi relacionada com splitting (divisão. Hispânicos e Afro-americanos. 28$ Os achados do presente estudo implicações clínicas potencialmente importantes. o que sugere que os achados deste estudo são generalizáveis para Brancos. e tendências à splitting em indivíduos com traços de TPB que relatam disfunção de relacionamento amoroso. todos os três Indicadores sobrepuseram-se significamente na variável latente para disfunção de relacionamento. Os resultados devem ser replicados. Assim. Devido ao uso de medidas não padronizadas de disfunção de relacionamento neste estudo. . Ademais.Outra limitação potencial deste estudo é que não foram utilizadas medidas validadas de disfunção de relacionamento.

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