REGIMES POLÍTICOS: a democracia.

A passagem da sociedade política medieval para a moderna – mais precisamente no século XVIII – os regimes absolutistas, onde a soberania era uma característica do governante – por isto soberano – não mais atendiam aos interesses e necessidades sociais, haja vista que um grupo social tomara conta do cenário político, jurídico e econômico, instituindo uma nova cultura: o capitalismo. Tal grupo social era a classe dos comerciantes, mais conhecida como burguesia. Dentre as inúmeras características dessa fase, uma das mais importantes foi a transferência da titularidade e da legitimidade da soberania. Em linhas gerais, esse elemento formador do Estado sai da esfera íntima – da pessoa – do governante e passa às mãos do povo, pois são a estes que a sociedade política moderna deve dirigir suas políticas. Nesse sentido, para que se garantisse que a soberania originasse-se no povo, ocorrera outra grande evolução: a criação do Estado democrático. Três são os fatores históricos que modelaram a democracia moderna e contemporânea: a revolução inglesa, a revolução americana e a revolução francesa. Destaca-se que o atual estágio democrático é a evolução daquilo que se propôs no século XVIII1. E, com isso, fica o seguinte questionamento: o conceito e o objetivo da democracia moderna e contemporânea possuem a mesma origem? E a resposta é: não. No que tange ao objetivo, o governo do povo serve – conforme já dito – como garantidor de determinados valores culturais, que tem sua origem na pessoa. Com relação ao conceito, democracia significa governo do povo. Sua origem deu-se nas póleis, onde os cidadãos reuniam-se em praça pública – ágora – e indicavam quem seriam os gestores das normas que regeriam a vida social, as quais também eram ali definidas. Assim, do conceito surge o primeiro tipo de democracia: a direta. Esta, atualmente, não é utilizada2, haja vista a complexidade do mundo contemporâneo3, bem como da administração e gestão públicas.

O objetivo principal da instituição da democracia popular foi a de resguardar determinados valores considerados inerentes à pessoa, tais como a liberdade, a igualdade, a vida, a propriedade privada, dentre outros. Em outros termos, com a ascensão da burguesia – comerciantes – e o advento do capitalismo - por consequência lógica do individualismo - não havia mais espaço para as monarquias absolutistas, posto que o ideal burguês não se concretizaria com a manutenção de uma classe detentora de vantagens exclusivas. A soberania deveria trocar de titularidade. E isto se deu através da instituição da democracia. 2 Presentemente discute-se muito sobre a democracia representativa como sendo a democracia direta, o que se discorda. Posto que não há como o povo exercer todo o comando público, ou seja, o mesmo não atua como administrador, mas sim como consultor e em casos específicos. 3 Outro fator que deve ser considerado é o conceito de cidadão. Na época clássica quem detinha essa classificação, advinha de um grupo muito seleto de pessoas – geralmente era atributo exclusivo do despotés. Atualmente o conceito de cidadão - apesar de não ser atributo de todo o nacional – não mais se considera como restrito, mas sim como qualitativo, já que depende de determinadas características. No caso do Brasil a características que confere a qualidade de cidadão a um nacional é a capacidade política ativa, em que o critério autorizativo é a idade: 16 anos – facultativamente – e 18 anos – obrigatoriamente.

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o § 2 O projeto de lei de iniciativa popular não poderá ser rejeitado por vício de forma. reconhece-se certa participação jurídica em relação a determinadas matérias. 13. no mínimo. consoante as normas do Regimento Interno. o § 1 O projeto de lei de iniciativa popular deverá circunscrever-se a um só assunto. por seu órgão competente. 7 Art. Destaca-se. observadas formas previamente prescritas – geralmente nas constituições. na forma e nos casos previstos nesta Constituição. o referendo e a iniciativa popular) Art. 5 4 . Democracia semidireta ou semi-indireta: entende-se por essa espécie como aquela em que as deliberações coletivas – públicas e individuais de interesse público – realizam-se pelos representantes eleitos. Aludidas formas previamente prescritas são5: A – iniciativa popular: caracteriza-se como um direito assegurado ao povo para elaborar projetos de lei e submetê-los ao parlamento. tais não serão abordados posto que não guardam referência com a realidade nacional. pois se exige um número mínimo de assinaturas para que a iniciativa torne-se um projeto de lei.iniciativa popular. por oportuno. um por cento do eleitorado nacional. Lei 9. Uma vez cumprida às formalidades exigidas em lei. aos Tribunais Superiores. o povo possui poder de deliberação direta em determinados assuntos. Com base nisso.907/98 (regulamenta o plebiscito. mas sim um grupo de cidadãos. que há outros mecanismo oriundos desse tipo de democracia. 6 Atualmente há um exemplo de iniciativa popular que virou lei. distribuído pelo menos por cinco Estados. com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. Além disso. distribuído pelo menos por cinco Estados. verificando o cumprimento das exigências estabelecidas no art. com valor igual para todos. 61. Entretanto. § 2º . ao Presidente da República. não é qualquer cidadão. dependendo do ente-federado8. Nesse sentido.e no intuito de garantir e proteger os valores da pessoa – não havia como o povo deliberar sobre todos os assuntos que tivessem relação com as suas necessidades e interesses. como fazer para que isso se efetive? E a resposta é: através da escolha de representantes eleitos por cidadãos detentores do sufrágio universal4. subscrito por. e. A iniciativa popular consiste na apresentação de projeto de lei à Câmara dos Deputados. providenciar a correção de eventuais impropriedades de técnica legislativa ou de redação.A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por. ao ProcuradorGeral da República e aos cidadãos. cuja validade se sujeita ao seu arbítrio.a iniciativa popular no Brasil6: a constituição federal7 não outorgou a qualquer pessoa à iniciativa para propô-la. A Câmara dos Deputados. ao Supremo Tribunal Federal. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados. dará seguimento à iniciativa popular. será obrigatoriamente recebido e incluído como objeto de deliberação legislativa. as quais serão expostas na sequência. A iniciativa popular somente cabe para casos de lei Abordar-se-á esse signo – especificamente . No entanto. cabendo à Câmara dos Deputados.Devido à evolução das sociedades políticas . dependendo da atuação – maior ou menor – do povo no governo ter-se-ão outros dois tipos de democracia. No entanto. no mínimo. do Senado Federal ou do Congresso Nacional.no decorrer do texto. Somente o cidadão é que pode ser o titular. tais como o recall e o veto popular. 14. com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. como são os reais detentores da soberania e a democracia é o governo do povo. nos termos da lei. 14. um por cento do eleitorado nacional. Art. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. 8 Art. . 13 e respectivos parágrafos. mediante: III . O projeto ficou conhecido como “ficha limpa”.

Art. 12. será apreciada pela câmara dos deputados9. com valor igual para todos. quem pode exercer esse direito é somente o cidadão. a contar da promulgação de lei ou adoção de medida administrativa.A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual. até mesmo. o plebiscito é uma consulta feita previamente à elaboração de uma lei. de conformidade com esta Lei. através de manifestação de. B – referendo: constitui-se como uma espécie de limitação das assembleias representativas. presente a maioria absoluta de seus membros. no gozo de seus direitos políticos. o qual pode. o Art.] XIII . legislativa ou administrativa. o qual versou sobre a proibição ou não do comércio de armas e munição. da cidade ou de bairros. 18 da Constituição Federal. Art. do Distrito Federal e dos Municípios. eleitos.iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município. pelo menos..] § 4º . segue o processo legislativo ordinário10.. em cada Território e no Distrito Federal. está sujeita a emendas pelos parlamentares. 6 Nas demais questões.ordinária ou lei complementar. 2 Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância. cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição. 32. O referendo pode ser convocado no prazo de trinta dias.907/98 (regulamenta o plebiscito. [. Em outras palavras. por proposta de um terço. Sua utilização dá-se para a introdução de uma legislação ordinária ou. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. cinco por cento do eleitorado.. mediante: II . . através de decreto legislativo. 47. C – plebiscito: serve para obter a opinião do povo sobre uma futura iniciativa legislativa que esteja em pauta. 45. 10 Art. e no caso do § 3 do art. a sua autorização é de competência exclusiva do congresso nacional. . respectivamente. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo. e. de competência dos Estados. 3 Nas questões de relevância nacional. vetá-la. uma emenda constitucional. Art. 14. [. o plebiscito e o referendo são convocados mediante decreto legislativo. para que esta seja ou não confirmada. também. Art. o plebiscito e o referendo serão convocados de conformidade.referendo. de natureza constitucional.. 27. Lei 9. 27. 29. [. que se relacione de maneira direta com a consulta popular. é sancionada pelo presidente da república. 11. Salvo disposição constitucional em contrário.. 9 Art. Art. É uma consulta que se faz à opinião pública depois de uma tomada de decisão. o o Art. com a Constituição Estadual e com a Lei Orgânica. 12 Art.o referendo no Brasil11: a constituição da república12 acolheu esse instituto oriundo da democracia semidireta ou semi-indireta. 11 Um exemplo de referendo no país foi o realizado no dia 23 de outubro de 2003. o referendo e a iniciativa popular) o Art. pelo sistema proporcional. as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos.. Contrário ao referendo. em cada Estado. nos termos da lei. Tem como objetivo o questionamento ao povo se ele confirma ou não ma decisão já tomada. desde que haja um interesse público relevante como objeto. de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo. é a convocação do povo antes da criação do ato legislativo – lei – cabendo a ele aprovar ou denegar o que se tenha submetido.Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. A tramitação dos projetos de plebiscito e referendo obedecerá às normas do Regimento Comum do Congresso Nacional. dos membros que compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional. o § 2 O referendo é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo.] § 3º . no mínimo.

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