Sistema eleitoral e sistema de partidos na Venezuela: O pluralismo ameaçado?

Praticamente todos os países da América Latina passaram por períodos politicamente conturbados durante grande parte do século XX, alternando fases de alguma estabilidade democrática com outras de regimes ditatoriais.1 A Venezuela antecipou-se à maioria dos seus vizinhos sul-americanos, afastando, em 1958, as ditaduras militares que se tinham instalado à frente dos destinos do país durante quase toda a primeira metade do século. Nesse mesmo ano, as principais forças políticas subscreveram um pacto, que ficou conhecido com Punto Fijo,2 visando estabelecer as bases de uma Constituição democrática e um programa mínimo comum que permitisse consolidar a democracia, comprometendo-se os partidos subscritores a formar um governo de unidade nacional após a realização de eleições. Foi a partir do referido pacto que se aprovou a Constituição de 1961, que vigoraria, com algumas alterações, até 1999, ano em que Hugo Chávez, eleito nas eleições presidenciais de 1998, conseguiu fazer aprovar uma nova lei fundamental por si proposta.3 O descrédito dos partidos tradicionais durante a década que antecedeu a chegada de Chávez ao poder, o aparecimento de novos partidos e o quadro constitucional de 1999 que deu origem a um novo sistema eleitoral, provocaram uma transformação profunda no sistema partidário venezuelano. Realizando-se em 2010 eleições legislativas na Venezuela, importa tentar perceber se o actual sistema eleitoral e o sistema de partidos que debilmente se foi recompondo poderão ainda conferir um carácter competitivo ao acto eleitoral ou se o mesmo se encontra condicionado podendo redundar numa ameaça ao pluralismo partidário. Para tanto proceder-se-á à revisão dos conceitos a empregar, à análise das normas constitucionais relevantes e da legislação eleitoral, à identificação das principais forças políticas em presença e à comparação dos resultados de diferentes eleições e referendos realizados nos últimos anos. 1. Sistemas eleitorais e sistemas de partidos Sistema eleitoral é o conjunto de normas que, num determinado sistema político, regulam a selecção daqueles que ocupam cargos públicos de natureza electiva, através da

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O México surge como uma das raras excepções, configurando, durante setenta anos, entre 1929 e 2000, um caso particular de estabilidade, com eleições regulares mas não competitivas, dada a hegemonia do partido no poder em todo esse período, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), inicialmente designado Partido Nacional Revolucionário (V. Sartori, 2005, pp. 285-288). 2 Esta designação correspondia ao nome da quinta, nos arredores de Caracas, onde o pacto foi subscrito pelos três principais partidos, Acción Democrática (AD), Comité de Organización Politica Electoral Independiente (COPEI) e Unión Republicana Democrática (URD). Sobre o pacto de Punto Fijo v. Viciano Pastor & Martínez Dalmau, 2001, pp. 24-27. 3 Sobre o período decorrido entre o derrube da última ditadura e a eleição de Hugo Chávez, v. Viciano Pastor & Martínez Dalmau, 2001, pp. 21-144.

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50). Teixeira. 7 Reynolds et al. 2004. como as eleições primárias nos Estados Unidos da América e as eleições legislativas em países como o Kuwait. Reynolds et al. 2 . nos quais vence o candidato ou a lista8 que obtiver maior número de votos numa única volta (maioria simples ou relativa). Aubet.7 podem ser V.5% dos votos. 6 V. Será este último conceito que servirá de referência fundamental para o presente estudo. a Síria e outros. Alguns autores. com diferentes fórmulas de conversão de votos em mandatos. nas eleições legislativas. Importará acrescentar alguns outros aspectos que relevam para a caracterização do sistema eleitoral. em que são admitidos à segunda volta todos os candidatos que tenham obtido mais de 12. o financiamento das campanhas e a fixação de condições para a divulgação das candidaturas e dos respectivos programas. incluem no âmbito do sistema eleitoral o regime de eleições internas nos partidos políticos. p. a duração dos mandatos. 29-30) distingue duas definições de sistema eleitoral: uma “em sentido amplo”. 10 Sobre as fórmulas de conversão de votos em mandatos v. envolvendo os aspectos normativos do processo eleitoral e o “quadro histórico e sociopolítico” (Teixeira. Reynolds et al. p. abrangendo apenas “o conjunto de elementos normativos e sociopolíticos que configuram a transformação de votos em mandatos. Martin. 756-757. um quarto. Martin. Existem. pp.6 Teixeira (2009. 2009. pp. pp. 14-28. sendo neste caso mais frequente o princípio da maioria absoluta9. quase sempre. no processo de eleição de representantes para cargos políticos. 34) o conceito incluí “el establecimiento de la distribución de las circunscripciones. 2006. círculos uninominais. 2006. a regra da eleição de todos os membros da lista que recolhe maior número de votos. excepções importantes. Assim sendo. pp. 39-128. no que respeita ao quadro normativo. V. pp. agrupadas em três famílias: a) Sistemas maioritários ou de pluralidade. 2006. em circunscrições plurinominais. como a composição do corpo de eleitores. b) Sistemas de representação proporcional. 2009. A este sistema dá-se o nome de sistema de “voto em bloco” (v. aos três sistemas referidos. 8 Os sistemas maioritários têm. em menor ou maior 4 5 de acordo com alguns autores. p. V. de los procesos de votación y de los métodos de conversión de votos en escaños”. pp. por base. ou em duas voltas. 20. 2006. p. tendo por base a expressão das preferências dos eleitores”. ainda Colomer. 102 e 186-203. importa identificar as tipologias dominantes dos sistemas eleitorais. 2006. empregue frequentemente no século XIX. 2000. p. que inclui a generalidade dos aspectos atrás referidos. 58) constituem o sistema eleitoral. 61). 31) em que o mesmo se desenvolve. p. 2004. ganhando o que tiver mais votos mesmo que não alcance a maioria absoluta (v. aspecto que não deixa de ser relevante dado o papel que os partidos têm na designação de candidatos aos órgãos do Estado. a Líbia.participação dos cidadãos eleitores. no entanto. em que se aplica. 66-91. como Cox. de la forma de la candidatura.10 assegurando. outra “em sentido restrito”. o de eleições indirectas. 9 Não é assim em França. Este autor acrescenta.4 Segundo Nohlen (2004.5 Para este autor as normas “que rigen una competencia electoral entre los partidos y dentro de ellos” (Cox. que. em círculos plurinominais.

independentemente da sua votação. Sartori (1985. 106). os mandatos de representação proporcional para atenuar a desproporcionalidade que os resultados da votação nos círculos uninominais possam causar (representação proporcional personalizada)13. p. que fazem notar que um sistema dito proporcional pode conduzir a resultados tão ou mais desproporcionais quanto os sistemas maioritários. que permite ao eleitor escolher o nome que prefere. 2006. onde vigorou um sistema similar durante algum tempo. dependendo esse facto de aspectos como a dimensão dos círculos eleitorais e a existência. que não condicionam o eleitorado uma vez que. 30-31 15 Sartori (1985. provocando uma reordenação da mesma em função do número de votos de cada candidato. pp. introduz uma outra classificação:16 a) Sistemas fortes.11 c) Sistemas mistos ou combinados. e a Grécia. ficando apenas um terço para a representação proporcional. 31-32 e 85-90). mas naquele que mais aprecia de entre os dois melhor posicionados. 13 Sistema empregue. no entanto. quanto menores forem as circunscrição menor será a garantia de proporcionalidade nos resultados eleitorais e. uma aproximação entre a proporção dos votos expressos e os mandatos atribuídos a cada concorrente. Nohlen. 16 V. Sartori. 14 V. 2006. por outro lado. sem tais normas. Reynolds. p. 120). 1985. obteriam representação. autonomamente (sistemas paralelos)12 ou de forma interdependente. Importa sublinhar. que esta taxonomia é questionada por Sartori e Nohlen. servindo. na Alemanha e México (v. sendo utilizado na Rússia. p. que teve um sistema em que o partido mais votado assegurava dois terços dos lugares no parlamento. levando-o a votar. em círculos uninominais. Japão. de mecanismos de ajustamento dos resultados. na votação para a câmara baixa do parlamento (V. mas é também de representação proporcional o sistema de “voto único transferível”. Analisando o efeito condicionador que os sistemas produzem no eleitorado este autor. p. em que coexistem elementos dos dois anteriores. no qual os mandatos são atribuídos pela ordem dos candidatos na lista apresentada no respectivo círculo. 2007. 3 . pp. Utiliza-se na República da Irlanda. 14 De facto. Reynolds et al. não no candidato da sua preferência. em certa medida. Por isso. entre outros países (v. sendo absolutamente proporcionais e não estando sujeitos a cláusulas barreira. a desproporcionalidade própria dos sistemas maioritários. Reynolds et al. na lista. pp. ou não. como bonificações ao partido mais votado ou “cláusulas barreira”.grau. b) Sistemas débeis. 11 O mais comum é o sistema de lista fechada. 2006. 12 É um sistema que atenua. permitem a representação de todos quantos obtenham votos mínimos para o efeito. neste caso. que condicionam consideravelmente o eleitorado. Filipinas. distorcem também os resultados reduzindo a proporcionalidade e afastando mesmo competidores que. 19) prefere avaliar os sistemas num contínuo entre sistemas “puros” ou totalmente proporcionais e “impuros” ou desproporcionais. a atribuição de “prémios” aos partidos mais votados. assegurando-lhes maioria parlamentar absoluta15 e a existência de cláusulas que fixam uma percentagem de votos abaixo da qual os partidos deixam de estar representados. 20-21. ou naquele que pode impedir a eleição do candidato de que não gosta. nomeadamente. 21) cita o Paraguai.

e anos 60. 2005. Duverger. No entanto. 377-477): recrutamento dos actores. actualmente objecto de vasta bibliografia.c) Sistemas mistos. consoante se encontrem pouco ou muito estruturados. Sartori (1985. pp. 93-101). b) Panebianco (2005. 58-59). No entanto. com Lipset & Rokkan (v. o sistema é pouco estruturado. implantação territorial alargada e capacidade de mobilização dos seus membros e simpatizantes. actividade regular. sendo necessário esperar pelos anos 50. Apesar deste conjunto de elementos que poderão ser comuns. dirigida apenas à operacionalização da análise proposta. p. um partido é “una institución que a) busca influencia en el seno del Estado. individualmente. pp. apresentação de propostas programáticas concorrentes. ao partido de “massas”. com pensadores como Bolingbroke. exercício da governação. Hume e Burke (v. pois. hasta cierto punto «agregar intereses»”. exercício da oposição e oferta de alternativas de governo. Segundo Ware (2004. com Ostrogorsky. 28-42). 1967). é no início do século XX. 2005. 4 . Michels e Weber. os partidos têm outras características que os diferenciam e que têm sido identificadas ao longo dos tempos por distintos autores: a) Duverger (2002.17 A esta definição importa acrescentar algumas das funções dos partidos enumeradas por Duverger (2002. Michels e Duverger com uma estrutura forte. Sartori. caracterizar sumariamente os partidos políticos e a tipologia dos sistemas de partidos. tem uma estrutura incipiente e se mobiliza apenas para os actos eleitorais e para o exercício do poder. Sartori. mas a partir do momento em que é “el partido el que pasa a poner en el cargo al individuo”. 22) adverte para o facto de também os sistemas de partidos poderem condicionar o eleitorado. Importará. Lipset & Rokkan. p. 513-520) estabelece uma dicotomia entre partido “burocrático de massa” e partido “profissional-eleitoral” dando realce à evolução do partido de massas caracterizado por Weber. o que volta a condicionar o eleitorado embora oferecendo mais alternativas do que os referidos na alínea a). puesto que normalmente defiende más de un único interés social intenta. com Duverger (v. que esta problemática conhece uma abordagem mais aprofundada (v. como são os sistemas proporcionais com círculos pequenos e com cláusulas barreira. que vive de membros notáveis. contrapõe o partido de “quadros”. a menudo intentando ocupar posiciones en el gobierno y b). representação da opinião e intermediação entre os cidadãos e o Estado. fortes-débeis. percebendo os eleitores que existe um percurso prévio ao acto eleitoral no qual o partido desempenha um papel de “canalización natural de la sociedad política”. para se chegar à visão dos partidos como sistema. com um elevado número de membros. nos quais poucos partidos conseguirão representação. original publicado em 1951). A dimensão do presente ensaio impõe uma selecção cuidada da revisão de conceitos. 17 O estudo dos partidos políticos começou ainda no século XVIII. 2002. pp. Considera que enquanto o eleitor tem de escolher uma pessoa. 31). o sistema atinge a “etapa de consolidación estructural enquanto sistema”.

muito especialmente. 5 . que suportam o seu funcionamento e os custos das campanhas eleitorais. 2001. 47-48) propuseram um modelo explicativo da evolução dos sistemas de partidos. mais homogéneas. Os partidos com “capacidade de coligação” são aqueles que podem contribuir para a formação de um governo ou para o apoio parlamentar necessário a um governo minoritário e os que têm 18 Lipset. constituindo um subsistema dentro dos sistemas políticos. pontualmente. 231) estabeleceu uma primeira fórmula de classificação dos sistemas de partidos. observando a realidade social mais recente. sublinhou que “the model *…+ as dynamic properties”. a existência de alianças. embora. 18 A proposta de Duverger baseada no número de partidos em presença foi questionada por diferentes autores. uma vez que o seu principal objectivo é preservar as posições alcançadas. “Owner-Worker”. pp. c) Katz & Mair (2008. Lipset & Rokkan (1967. d) Kirchheimer (cit. Para além das características que os distinguem. 2004. 2005. 6). “Land-Industry”. com fraca organização vertical. designando-os “catch-all party” ou partido “apanha tudo”. o número de partidos. 11-13 e Panebianco. os partidos políticos interagem entre si e com outros agentes. para um modelo crescentemente profissionalizado. financiado por grupos de interesses e fundos públicos. p. com sociedades menos expostas aos factores de clivagem tradicionais e. entre os quais Sartori. identificou a evolução dos partidos no sentido de oferecerem propostas menos marcadas por bases ideológicas e centradas nas políticas públicas capazes de responder às aspirações de um vasto leque de pessoas e de interesses. Duverger (2002. in Lopes. mais de três décadas depois da publicação da obra de co-autoria com Rokkan. portanto. pp. tendo por base um conjunto de elementos como a dimensão dos partidos. para aferir se as formações partidárias deveriam contar para a caracterização do sistema. p. “State-Church”. tendo como dirigentes pessoas que acumulam a função partidária com cargos públicos remunerados. pp. admitindo “new alignments *…+ in response to major social transformations” (Lipset. perdendo gradualmente a capacidade de intermediação entre os cidadãos e o Estado. tendo por base quatro clivagens: “Center-Periphery”.hierarquizada. que veio defender a necessidade de introduzir variáveis qualitativas como a “capacidade de coligação” e a “capacidade de chantagem”. Anos mais tarde. algumas delas se possam sobrepor. a localização geográfica e. 510-512). de decisão colectiva e participação activa dos membros. pp. 53-59) introduzem novos factores de análise ao definirem “partido cartel” como o partido que sobrevive com base em subvenções do Estado. de direcção personalizada.

potencial suficiente para condicionar a acção dos partidos no governo. consoante os partidos possam. mas usando a sua posição para manipular o processo eleitoral. Sartori. pp. Os partidos políticos. 2. Sartori. recorrendo a todos os métodos. Este último sistema pode ainda subdividir-se em dois tipos: a) Sistema de partido hegemónico-ideológico. que permanece largos períodos no poder. o primeiro ligado à Internacional Socialista e o segundo de inspiração democrata cristã.20 Os sistemas competitivos podem ser: a) De partido predominante. como os camponeses e os católicos. Sobre estes tipos de sistemas. 2005. com 6 a 8 partidos e grande polarização. d) De pluralismo extremo. 21 Entenda-se por “polarização” a distância ideológica entre os partidos (v. na oposição. 160-165. com dois partidos com capacidade de vencer e alternar ciclicamente no poder. disputar livremente eleições. Sartori. 166-170 e 281-292. competindo com outros partidos que não conseguem afirmar-se como alternativa por não convencerem o eleitorado. b) Sistema de partido hegemónico-pragmático. b) De partido hegemónico. c) De pluralismo limitado. e) Atomizados.19 A partir desse critério. 2005. b) De bipartidarismo. coexistindo com outros partidos. de que é exemplo o Partido Revolucionário Institucional do México. pp. Sartori propôs a divisão dos sistemas em “competitivos” e “não competitivos”. p. 6 . têm. antes e depois da eleição de Hugo Chávez A cena política venezuelana foi dominada durante grande parte da segunda metade do século XX por dois partidos que partilharam e alternaram no poder: Acción Democrática (AD) e Comité de Organización Política Electoral Independiente (COPEI). sendo anti-sistema. incluindo a eliminação física de adversários. cometendo fraudes e distorcendo as regras. com mais de 8 partidos. v. por sua vez. podem ser: a) De partido único. como o que esteve vigente na Polónia comunista. ou não. 2005. que se manteve no poder durante 70 anos.“capacidade de chantagem” são aqueles que. com maioria absoluta. 167). com 3 a 5 partidos e baixa polarização21. o qual vence de forma legítima eleições sucessivas com maioria suficiente para governar. Os sistemas não competitivos. admitindo a existência de partidos aliados do partido do regime para enquadrar determinados grupos. Foram os dois principais partidos do Punto Fijo e foram ambos responsáveis por uma gradual descrença no 19 20 V.

apesar de ter sido excluído do pacto de Punto Fijo. Viciano Pastor e Martínez Dalmau. importa referir que: a) O PCV surgiu. alinhadas. de inspiração liberal. quando o seu candidato presidencial ficou em segundo lugar. 24 Sobre URD v. como AD. fundado em 1941. LCR e MAS. segundo a fórmula de Lipset & Rokkan. ano em 22 Sobre AD e COPEI v. enquanto os demais se aproximam do conceito de partidos “de quadros”. Movimiento al Socialismo (MAS). 7 . e COPEI. Movimiento Electoral del Pueblo (MEP) e Convergencia Nacional (Convergencia). 510-538. Viciano Pastor e Martínez Dalmau. de Duverger. pp. devido à forma como se financiaram com dinheiros do orçamento do Estado e como partilharam os cargos públicos. começaram por ser. desencadeou acções de guerrilha. 2001. cabendo igualmente os dois na categoria de “partido-cartel”. com uma intervenção política mais assente na visibilidade dos seus dirigentes. 33-36. Apoiou a Constituição de 1961. na definição de Kirchheimer. protegendo-se mutuamente quando o governo mudava. 5-12. 2001a. Passou depois a agir no quadro da legalidade. Álvarez. 2001. em 1931. constituído em 1946. com o FMI. Começando por privilegiar a acção na área sindical. inspirado pela revolução cubana.23 b) URD.funcionamento de um modelo de democracia formal em que as clientelas partidárias se instalaram nos aparelhos do Estado e das empresas públicas. La Causa Radical (LCR). COPEI e PCV podem ser incluídos na categoria de partido “de massas”.24 c) LCR resultou de uma cisão do PCV. Ainda assim. permitem a sua inclusão no conceito de “catch-all party”. tem sido uma incubadora de quadros políticos que alimentaram outros partidos. A aproximação entre ambos. 553-573.488-492 e Vaivads. a partir de 1962. 2001. clandestinamente. AD. em 1971. de Katz & Mair. que manteve até ao final dessa década. o esbatimento das suas posições ideológicas e a natureza das opções programáticas. com uma organização por células ou secções. 23 Sobre o PCV v. adquiriu relevância no sistema partidário depois de 1988. AD. sendo ultrapassado pelo MAS como terceira força. fundado em 1946. pp. 32-33. pp. Molina 2001b. pp. os partidos que tiveram participação na formação de maiorias governamentais antes de 1998 foram: Partido Comunista de Venezuela (PCV). a partir de certa altura. teve o melhor resultado em 1958. Molina. Para além destes dois. A partir de 1973 foi perdendo importância.22 Dos demais partidos deste período. sem conseguir resultados eleitorais expressivos. número significativo de membros e acção política continuada. a expressão das clivagens Estado-igreja e proprietáriotrabalhador. 2001. mas. Unión Republicana Democrática (URD). sendo o primeiro laico e de trabalhadores e o segundo de inspiração cristã e representante dos interesses empresariais.

Luis Prieto Figueroa. 113-114. 28 O partido Convergencia teve um fulgor efémero.29 A candidatura de Hugo Chávez. resultou de uma cisão de LCR. encabeçada por Hugo Chávez. 2001. determinada por Hugo Chávez. MAS e LCR a enfrentarem cisões entre membros anti e pró Chávez e PCV e MEP a entrarem decididamente na órbita dos apoiantes do presidente eleito. em 1998. criado em 1971. 8 .25 d) MAS. Este segundo grupo acabou por evoluir com a fusão de diversas formações no Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV). Viciano Pastor & Martínez Dalmau. pp. líder histórico de COPEI. 27 Sobre o MEP v. Sobre o MAS v. acabando por apoiar. e a segunda. Esta eleição representou o derradeiro esforço para salvar o regime em declínio. O presidente Andrés Pérez foi destituído poucos meses depois.que elegeu os primeiros deputados e o primeiro governador estadual. acusado de corrupção (v. Em 1993 participou na coligação que elegeu o presidente Rafael Caldera. e a mudança de rumo da algumas outras. De entre os novos partidos importa destacar os seguintes. que venceu. 104-113. liderada pelo contra-almirante Grüber Odremán. sem sucesso. com AD. em 1993. em Novembro. actuou inicialmente no meio universitário e cresceu até se situar como terceiro partido entre 1973 e 1988. em 1997. também por cisão do PCV. 2001. para concorrer às eleições presidenciais. a primeira. 555. em 1993. Os principais partidos que surgiram após a crise dos partidos tradicionais podem ser. pp. por decisão judicial. foi fundado por Rafael Caldera. em Fevereiro. que se afastou dos partidos tradicionais. 29 Sobre Convergencia v. apoiou Hugo Chávez até 2006. 1996. 497-509 e Petkoff. em função dos resultados obtidos nos actos eleitorais entretanto realizados: a) Patria Para Todos (PPT). Com implantação junto dos movimentos sociais. 2001. divididos em dois grupos: aqueles que renasceram dos partidos tradicionais e se opõem ao novo presidente e aqueles que se formaram por iniciativa do próprio Chávez ou de apoiantes seus. 2001. Viciano Pastor & Martínez Dalmau. 139-144. URD e Convergencia a manifestarem total oposição ao despontar do chavismo. Hernández Márquez.27 f) Convergencia.26 e) MEP foi constituído em 1967 por uma insólita ruptura na AD. liderada pelo então presidente desta formação. pp. após as tentativas de golpe de Estado de 1992 e a exoneração do presidente Andrés Pérez. p. pp. pp. partido de centro-direita. quase desaparecendo depois de concluído o mandato presidencial de Caldera.Lopez Maya. 1989. 28 Em 1992 ocorreram duas tentativas de golpe de Estado. integrando o seu governo. mas recusou integrar o 25 26 Sobre LCR v. que transitaram para a oposição. Nas décadas de 70 e 80 tentou várias formas de aliança com outros partidos de esquerda. 90-93). levou a um reposicionamento de todos estes partidos. a eleição de Rafael Caldera. Foi a terceira força mais votada em 1993. Vaivads. COPEI. quase todos.

Tem expressão relevante apenas neste Estado. reunindo políticos. 9 . pp. González. 2006. 34 Sobre o MPJ v. 2003. 2004. 2007. pp. pp. 36 Sobre PSUV v. al mismo tiempo que permite la existência de partidos de oposición periféricos o secundarios que no pongan en peligro su control del poder político” (Azcargorta & Hernández. formado em 1998 para apoiar a candidatura presidencial de Salas Römer. 2007.PSUV. surgiu em 1998 como suporte da candidatura de Hugo Chávez à presidência. Sobre MVR v. 585-599 e Viciano Pastor & Martínez Dalmau. 2007. PODEMOS. 124-125. no ano seguinte. Hidalgo Trenado. 539-552. ex deputado do COPEI e ex governador do Estado de Carabobo. Obuchi & Penfold. Monaldi.32 d) Un Nuevo Tiempo (UNT). p. p. p. que foi governador do Estado de Zulia. 2001. 2001. Álvarez.34 f) Por la Democracia Social (PODEMOS). o que parece confirmar a intenção de “monopolizar el poder. acabou por ser confirmado como aliado do novo partido. O PSUV reclama contar com mais de sete milhões de membros. 15-20 e Lalander. onde o partido tem a sua maior implantação. os quais se deveriam extinguir para dar corpo a uma nova realidade. 282. Fundado em 2001 recusou integrar o PSUV e passou à oposição. ex militares e intelectuais de diferentes quadrantes. 2001. Pereira Almao. pp. PPT e PCV não aceitaram integrar o PSUV. Lalander. 45 e Pereira Almao. Continua a ter o seu principal baluarte no Estado de Zulia. muito centrada no Estado Miranda. 574-584. 33 Sobre o UNT v. o MEP e outros partidos sem expressão eleitoral. 2009. 16). Manuel Rosales. sob a liderança de um destacado ex membro da AD. 35 g) Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) é o nome da formação com a qual Chávez tentou unificar mais de duas dezenas de partidos que o apoiavam. “Associación Cívica Primero Justicia”. entrando os dois primeiros em rotura com o chavismo. pp. Lalander.33 e) Movimiento Primero Justicia (MPJ) é um partido liberal formado em 2000 por membros de uma ONG. 2001. 234-235 e López Maya. 2008. pp. Chávez foi eleito e o MVR ficou em segundo lugar nas eleições legislativas. Em 2005 elegeu 118 dos 167 deputados e. 32 Sobre PRVZ v. o mais populoso do país. dissolveu-se para incorporar o PSUV. 46-47.30 b) Movimiento Vª República (MVR). Azcargorta & Hernández. enquanto o terceiro. concorrendo autonomamente às eleições de 2010. 35 Sobre PODEMOS v. 236-237 e Nuñez Muñoz & Pineda Morán. pp. pp. assumindo-se hoje como independente dos blocos pró e anti Chávez. foi constituído em 2000. depois de AD. sendo a única voz discordante com algum peso no parlamento.31 c) Proyecto Venezuela (PRVZ). depois de críticas mútuas. 2004. Constituído em 2007 absorveu o MVR. teve a sua origem em quadros do MAS que pretendiam apoiar Chávez. 12-13.36 30 31 Sobre o PPT v. alcaide da cidade de Maracaído e candidato derrotado por Chávez nas eleições presidenciais de 2005.

e quanto ao uso de recursos públicos para estimular o voto no partido do governo. quanto à disparidade das condições de acesso aos meios de comunicação. registando-se. COPEI. Numa primeira fase. mas antes situações em que um partido alcançou duas maiorias absolutas descontínuas (AD em 1973 e 1983). URD. o partido indicado é só o do Presidente eleito. Campins – COPEI J. Caldera . nomeadamente durante as campanhas eleitorais. O sistema de partidos na Venezuela O facto de AD e COPEI se apresentarem como os únicos partidos com potencial para alternarem no poder. Nohlen (2004. Frente Democrático Popular (FDP) e Cruzada Cívica Nacionalista (CCN) foram partidos formados para apoiar candidaturas presidenciais derrotadas e tiveram vida efémera. numa segunda fase.3. COPEI. Viciano Pastor & Martínez Dalmau (2001. levou alguns autores a classificarem o sistema de partidos deste período como bipartidarismo. MAS. mesmo quando outros apoiaram a eleição. Caldera – Convergencia Hugo Chávez – MVR Total Dep. Betancourt – AD Raúl Leoni – AD R. 37 Molina (2001a. situações de governos de coligação envolvendo outras formações partidárias. 491) designa o sistema como “bipartidarismo atenuado”. p. A partir de 2000 os resultados eleitorais sugerem uma evolução do sistema no sentido da consolidação de um partido predominante. o sistema de partidos venezuelano no período em causa. AD.38 Uma análise do Quadro I permite compreender que não existiu alternância entre dois partidos com maioria absoluta e capacidade para governar por si só.37 No entanto. seguindo rigorosamente o critério proposto por Sartori. 370) reduz o período às duas décadas entre 1968 e 1988. Quadro I). 133 178 214 200 199 200 201 203 AD 73 66 66 102 88 113 97 55 COPEI 19 38 59 64 84 60 67 53 URD 34 29 17 5 3 3 2 1 MAS 9 11 10 18 24 MEP 25 8 4 3 2 1 Outros Relevantes** PCV – 7 IPFN – 22 FDP – 16 CCN – 21 FDP – 11 CCN – 7 LCR – 40 Convergencia – 26 MVR – 46 PRVZ – 20 PPT – 7 LCR – 6 Convergencia – 4 Outros 3 partidos – 7 5 partidos – 15 4 partidos – 5 6 partidos – 9 6 partidos –11 6 partidos –15 3 partidos –3 1998 207 62 28 1 17 1 10 partidos – 15 Fonte: CNE Estadísticas Electorales.COPEI Andrés Pérez – AD H. *Por razões de espaço. a mudança se dá apenas com as eleições de 1993 (v. na verdade. estaria mais próximo do “pluralismo limitado” do que do bipartidarismo. 10 . p. Quadro I – Presidentes e deputados eleitos por partido (1958-1998) Ano 1958 1963 1968 1973 1978 1983 1988 1993 Presidenciais* R. MAS e MEP e. AD. entre 1968 e 1993. para além destes dois períodos. na maior parte do período os partidos com capacidade de coligação não ultrapassavam os cinco. Lusinchi – AD Andrés Pérez – AD R. 38 Seguindo o critério de Sartori. pp. sendo reduzida a polarização entre si. e mesmo até 1998. **Independientes Pro-Frente Nacional (IPFN). LCR e Convergencia. podendo degenerar em partido hegemónico caso se confirmem as suspeições alimentadas por diferentes sectores quanto à transparência dos actos eleitorais. 49-51) consideram o sistema bipartidário. quando.

Quadro III – Participação e abstenção nas eleições legislativas de 2005 e na eleição de governadores estaduais de 2008 – Círculos com mais de 1 milhão de eleitores 2005 2008 Abstenção Participação Eleitores Abstenção Participação 77% 23% 2. dado o realinhamento dos deputados face à criação do PSUV. Tornou-se clara a consolidação de novas clivagens na sociedade e no sistema de partidos. no seu seio. disponível em http://www.727. a esquerda e a direita do período anterior a 1998. os partidos da oposição retiraram as suas candidaturas.334 882.133. mas sim o alcaide de Caracas (Município Libertador). mas inclui. COPEI. MAS.335. que soma um total de 141 dos 167 deputados (v. AD. ** A actual composição da Assembleia eleita em 2005 é substancialmente diferente.593 40% 60% 74% 26% 1. que.unidadvenezuela. Chávez – MVR H.708 31% 69% 80% 20% 1.500. *No Distrito Capital não é eleito governador.043.039 39% 61% 76% 24% 1.445 1.506. PODEMOS e diversos outros agrupamentos mais pequenos constituíram uma frente eleitoral. 11 . público-privado e autocracia-democracia.39 Não deixa de ser curioso verificar que.601 34% 66% 73% 27% 1.org/.ve/?q=directiva). 207 165 167 MVR 46 92 118 AD 62 33 COPEI 28 6 PRVZ 20 6 MAS 17 6 Outros relevantes PPT – 7 LCR – 6 MPJ – 5 Podemos – 19 PPT – 10 PCV – 7 Outros 13 partidos – 21 10 partidos – 17 12 partidos – 13 Fonte: CNE Estadísticas Electorales. o bloco da Unidad Democrática representa a direita.216 36% 64% 76% 24% 1. Não podemos ignorar. De facto. nos Estados com mais eleitores.137. Para as eleições de 2010. verifica-se uma diferença enorme. Comparando a participação eleitoral nas eleições legislativas de 2005 e nas eleições para governadores estaduais de 2008. Unidad Democrática. PSUV. na clivagem com a esquerda. todavia. apresentando-se em bloco contra o PSUV aliado ao PCV.980 933. estaduais e municipais. mostra a formação de dois grandes blocos. a favor e contra Hugo Chávez. UNT.psuv. * Com a Constituição de 1999 o mandato presidencial passou a ter uma duração de 7 anos.338. Circulo eleitoral Zulia Miranda Distrito Capital* Carabobo Lara Aragua Eleitores 1. que sugere prudência na análise da evolução do sistema de partidos. presidenciais.928 1. LCR.565 1. Chávez – MVR Total Dep.937 34% 66% Fonte: CNE Estadísticas Electorales.org. acedido em 2 de Junho de 2010. URD.078. PRVZ. constituída por PSUV e PCV. e que a abstenção rondou os 80% nessas eleições. Unidad Democrática.Quadro II – Presidentes e deputados eleitos por partido (1998-2005) Ano 1998 2000 2005** Presidenciais* H. MPJ. em 2005. partidos como LCR e MAS eram as 39 V. in http://www. protestando contra a falta de imparcialidade e isenção por parte do Conselho Nacional Eleitoral. confirmando a capacidade de ajustamento da teoria de Lipset & Rokkan: as clivagem esquerda-direita.920 A prática dos últimos actos eleitorais.779.

392 4. 2004.5 6. A percentagem indicada corresponde aos votos de cada partido dentro das coligações. *** PODEMOS apoiou a reeleição de Chávez em 2006.354 Referendo reeleição 6.2 1. por escassa margem.3 5. 373) aquilo que mais claramente os une. voltando a perder em 2009.3 1.4 37.8 0.4 PCV – 1 1. *Em 2008 os candidatos opositores de Chávez. 40 Incluí-se o Distrito Metropolitano.5 1. 41 Num total de 23 Estados. Como se pode verificar no Quadro IV. coligados.193.formações mais à esquerda no parlamento eleito em 1993. que abrange o Estado Miranda e o Distrito Capital. o bloco da oposição venceu em 2007. sendo a resistência a um regime de “personalização do poder” (Stoppino.4 PCV – 1. optou-se pelo resultado do “Bloco A” (o mais importante dos dois conjuntos de reformas a referendar e o que teve resultado mais renhido). 12 . Quadro V – % de votos atribuídos aos maiores partidos nas eleições presidenciais em 2006 e para governadores estaduais40 em 2008 (Estados com mais de 1 milhão de eleitores)* Eleição MVR PSUV 41.9 0.310. o bloco oposicionista é um bloco fragmentado. p. onde o eleito tem estatuto de alcaide da área metropolitana de Caracas. enquanto.7 3. é o da votação nos dois blocos nas mais recentes eleições de âmbito nacional. Esta convergência de partidos tão distintos está relacionada com a clivagem autocraciademocracia.6 PCV – 1. depois de uma derrota expressiva no ano anterior.1 41.2 2.1 1.2 41.3 25. mas em 2008 apoiou os candidatos da oposição.1 6 2.8 3.2 41 Chavistas** PPT PCV 5.9 1. 2006 – Presidenciais 2008 – Aragua 2008 – Carabobo 2008 – Dist.9 15. 41 Miranda e Zulia.6 5. embora possam divergir quanto à extensão da intervenção do Estado na economia. ** PPT e PCV apoiaram em alguns Estados candidatos próprios e não os do PSUV. o PSUV se revela capaz de repetir maiorias absolutas sozinho.7 0.5 0. apesar da aliança estratégica que tem conseguido estabelecer nos últimos actos eleitorais.292.9 6.4 0.7 2.7 51.4 4. venceram ainda em Nova Esparta e Táchira.7 2.4 4. Ano 2006 2007 2009 Um último quadro permite perceber a fragmentação partidária. à esquerda.7 1.4 0.8 2.4 0.3 12. que têm menos de um milhão de eleitores.8 2. no referendo de 2007.1 0. 2008 – Lara 2008 – Miranda 2008 – Zulia Verifica-se que.379.6 17.1 0. sendo COPEI e URD as posicionadas mais à direita.482 5. Quadro IV – Votos obtidos pelos blocos da situação e da oposição em escrutínios nacionais (2006-2009) Escrutínio Votos pró-Chávez Votos pró-oposição* Presidenciais 7. Metrop.9 2.4 11. advogando todos também o direito à propriedade privada.4 17.309.7 5. venceram em Carabobo. *Nas presidenciais os votos indicados são os de Manuel Rosales.9 39.7 53.2 PCV – 0. com uma participação eleitoral elevadíssima.5 0.3 1.466 Referendo constitucional 4.3 Podemos*** PODEMOS UNT Oposicionistas MPJ AD COPEI PRVZ 2.2 Fonte: CNE Estadísticas Electorales.2 6.4 10.080 4. Distrito Metropolitano (alcaide).6 PCV – 1.504. Um outro dado importante para a análise do sistema nesta vertente dicotómica.839 Fonte: CNE Estadísticas Electorales.7 0.5 13.

43 Este princípio. Concejo Nacional Electoral. ao invés do que acontece nos sistemas de representação proporcional personalizada. De facto. o mesmo candidato pode ser proposto por vários partidos. artigo 8 da LOPE). a reposta à questão colocada no parágrafo anterior. anterior à aprovação da LOPE. por exemplo. tratando-se de um sistema “paralelo”.gov.cne. PODEMOS.43 Para as eleições legislativas vigora um sistema misto. 44 V. Governador estadual e Alcaide. Esta característica leva a que se possa considerar o sistema venezuelano um sistema forte.cne. regem-se pela regra da maioria relativa.42 De acordo com o artigo 7 da LOPE.ve/documentos/LOPE2009.pdf 13 . em círculos uninominais.ve/elecciones/2010/parlamentarias/documentos/CIRCUNSCRIPCIONES_ELECTORALES2010. estadual e municipal.cne. tal como todos os restantes actos eleitorais de âmbito nacional. de 12 de Agosto de 2009. O sistema eleitoral na República Bolivariana da Venezuela O sistema eleitoral é um dos factores que mais pode influir no sistema de partidos e dele dependerá. acedido a 3 de Junho de 2010. para efeito de apuramento do resultado. com um determinado número de deputados a eleger por um método proporcional e os restantes em círculos de representação personalizada. disponível em http://www.ve/. aprovada a 31 de Julho de 2009. publicada na Gaceta Oficial de la República Bolivariana de Venezuela.ve/. de tipo paralelo. As eleições para a Assembleia Nacional estão reguladas através da Lei Orgânica de Processos Eleitorais (LOPE). LOPE. em grande medida. nos quais a desproporcionalidade que possa resultar da eleição uninominal é corrigida nas circunscrições de representação proporcional. que podem ser uninominais ou de dois ou três eleitos (v. como está representado no Quadro V (p. http://www.gov. ainda as circunscrições definidas pelo Conselho Nacional Eleitoral. sendo somados os votos de todos os partidos coligados. nº 5. que já vigorava no Estatuto Eleitoral do Poder Público. com seis ou sete partidos relevantes (PSUV. 42 V. UNT. No caso de alianças. as eleições de natureza unipessoal. in CNE. uma vez que os círculos de representação proporcional são de reduzida dimensão e.gov. na Alemanha. segundo a classificação de Sartori. COPEI e PV) e forte polarização. http://www. atribuindo-se a eleição ao partido que obtenha maior número de votos de entre os que fazem parte da coligação (artigo 23 da LOPE). como acontece.cne.928 Extrordinário. para Presidente da República. disponível em http://www. 12). 4.O resultado das eleições de 2010 poderá ajudar a identificar uma tendência entre as duas opções que se colocam em matéria de caracterização do sistema de partidos: a consolidação do PSUV como partido predominante ou a abertura para um sistema de pluralismo extremo e polarizado. AD. permite apurar o contributo de cada partido para uma eleição uninominal.gov.pdf. MPJ. ainda que não se trate de um sistema uninominal. não existe nenhuma interdependência entre os mesmos e as demais circunscrições (v. o apuramento dos resultados é absolutamente autónomo nos diferentes círculos. para as eleições legislativas de 2010. in CNE. artigos 8 e 19 da LOPE). acedido em 2 de Junho de 2010.44 É um sistema que em pouco contribui para atenuar a desproporcionalidade inerente aos sistemas uninominais.

uma vez que não se usa apenas um voto.45 mais um para atribuir na votação por representação proporcional (artigo 16 da LOPE). mesmo que a distância entre as duas forças políticas seja de escassas décimas. segundo o princípio da representação proporcional e os demais em circunscrições nominais. Em Estados como o de Lara.php. Ou seja. o maior partido. na votação de representação proporcional.48 embora com uma diferença em relação a outros sistemas que aplicam a mesma fórmula: em caso de empate na atribuição do último lugar em disputa. uma vez mais. facilitando a actual lei práticas de gerrymandering46. para cada um dos 12 candidatos a eleger por maioria relativa (v.cne. da mesma forma. este cabe ao partido menos votado (cf. 48 Não há uma referência expressa ao método de Hondt. Em cada Estado e no Distrito Capital. 47 No Distrito Capital. uma vez que permite a divisão de municípios e a junção de freguesias contíguas de diferentes municípios (artigo 19/1 da LOPE). da situação e da oposição. Cada eleitor tem tantos votos quantos os candidatos nominais a eleger na sua circunscrição. LOSPP). acedido em 2 de Junho de 2010. com nove mandatos no total. em inglês.gov. nota 8). 14 .47 A conversão de votos em mandatos faz-se por maioria relativa para os candidatos nominais e pelo método das médias mais altas. de acordo com a fórmula de Hondt (artigo 20 da LOPE). pelo menos. 2 e 3 (número máximo de lugares a eleger nas circunscrições de representação proporcional). que mantinha o município como unidade base (cf. salamandra. três são eleitos por lista. por 1. através da divisão sucessiva dos votos obtidos por cada força. governador de Massashusetts. 45 Não se trata de um sistema de “voto em bloco” (v. pp. 50 O segundo partido arrisca-se a eleger apenas um deputado. a cidade de Caracas. artigo 14 da Lei Orgânica do Sufrágio e da Participação Política. em 1812. ao contrário da legislação anterior. o que permite que o partido mais votado tenha fortes possibilidades de eleger todos os candidatos nominais e. sendo sete em três circunscrições nominais (uma com três mandatos e duas com dois cada) e um. 42-44 e Nohlen. Este sistema permite que um eleitor possa escolher candidatos de partidos diferentes. A designação deriva do nome deste politico e de salamander. 54). artigos 14 e 15 da LOPE). nas próximas eleições todos os candidatos que surjam fora dos dois grandes blocos. para favorecer o seu partido.uma vez que condiciona. Este facto torna particularmente sensível a constituição das circunscrições. será eleito o da lista mais votada. tendo menos votos que o adversário. mas sim a descrição dos passos correspondentes ao apuramento dos quocientes para ordenar os candidatos eleitos. http://www. foram constituídos 12 círculos uninominais. devido ao facto de um dos círculos ter ficado com uma forma rara. tenderão a ser prejudicados. 49 Em Portugal. p. Em Zúlia. a anterior lei estabelecia como circunscrição básica a freguesia ou um conjunto de freguesias contíguas. que só elegeu 11 parlamentares (v. um dos de representação proporcional. são apenas dois os eleitos por representação proporcional (v. 46 Prática adoptada por Elbridge Gerry.49 Esta solução favorece. de 16 de Maio. com as alterações posteriormente introduzidas). artigo 16º/d. do total de dois. da Lei nº 14/79. O partido de Gerry conseguiu 29 eleitos. Martin. 2004. A LOSPP encontra-se disponível in Consejo Nacional Electoral. Estado em que é maioritário o UNT. parecida à desse animal. Se o números total do Estado for inferior a dez.ve/documentos/leyorg_01. 2006. os eleitores a votar no candidato melhor posicionado para atingir um determinado objectivo e não no da sua preferência. o partido mais votado pode ficar com oito eleitos. se o número de candidatos a eleger for igual ou superior a dez. nesta última votação e no total. caso surjam dois ou mais quocientes iguais para atribuição do último mandato. 50 Lara é um bastião do PSUV. nota 43). ao contrário do “voto em bloco”.

ainda que ganhe as eleições por escassa margem. fortemente desproporcional e viciado. com relevo para a constituição do PSUV. embora pareça menos provável. Os resultados das eleições estaduais de 2008 mostram que a oposição unida conseguiu eleger governadores nos Estados mais populosos.5. em que os votos da oposição podem ser mais dispersos. nota 49). tomar decisões que requerem maiorias qualificadas.asambleanacional. devido à constituição dos círculos de maioria relativa. nomeadamente nos governos estaduais. artigo 203 da Constituição. in Asamblea Nacional.52 51 Por exemplo. disponível em http://www. devido ao facto de não terem concorrido às eleições de 2005.gob. o afastamento da Assembleia Nacional dos partidos da oposição. parece existir uma forte possibilidade de as eleições de 2010 representarem um passo adicional no sentido da institucionalização do PSUV como um partido predominante. para além daqueles que foram referenciados. só poderão ser analisados à posteriori. aparentemente. b) O sistema de partidos. que permitam ao Presidente legislar por decreto. com uma polarização muito forte entre dois blocos de forças políticas apoiantes e opositoras de Hugo Chávez. o que não acontece nas eleições para deputados nacionais. Alguns. como a isenção das entidades públicas e dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral e a transparência do próprio acto eleitoral. 2010). à partida. De facto. em qualquer sistema eleitoral. c) O sistema eleitoral. o PSUV surge com 32% das intenções de voto. os partidos da oposição com 25% e independentes oposicionistas com 21% (v. necessita de maioria de três quintos dos membros da Assembleia (cf. de forma a. sobre a organização dos poderes públicos e sobre os direitos constitucionais. à medida em que consiga ir ocupando o espaço político ainda preenchido pelos demais partidos. e a formação da plataforma Unidad Democrática. de momento.asambleanacional. o que lhe permitiria. muito conhecidos nos respectivos Estados. http://www. Neste quadro. nomeadamente. acedido em 29 de Maio de 2010). como é perceptível no exemplo dado dos Estados Lara e Zulia (v. 52 Na sondagem mais recente. podendo evoluir para partido hegemónico.ve/index. é influenciado por uma série de outros factores de âmbito conjuntural. são: a) O contexto em que as eleições decorrem. divulgada a 28-05-2010. carece de maioria de dois terços e a aprovação de leis habilitantes. Assim sendo. favorecer o PSUV. Vinogradoff.51 A hipótese de o sistema acabar por favorecer a oposição não é de todo impossível. Conclusões O resultado das eleições. em 2007.gob. a desproporção que o sistema eleitoral favorece pode conduzir a uma situação em que o PSUV mantenha uma larguíssima maioria de deputados.ve/.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=250&Itemid=185&lang =es. No entanto a natureza dessas eleições facilitava a concentração do voto personalizado nos candidatos a governador. 15 . reforçando o seu poder e o domínio de todos os sectores do Estado. coligando grande parte dos actuais partidos oposicionistas. os elementos mais relevantes a ter em conta. a aprovação de leis orgânicas. pondo em risco o pluralismo partidário e a competitividade eleitoral.

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