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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

ACÓRDÃO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
ACORDÁOIOECISAO MONOCRATICA
REGISTRAOO(A) SOB N ~
11111111111111111111111111111111111111111111111111
*01850734*
Vistos, relatados e discutidos estes autos de
Apelação n° 7257431-9, da Comarca de Mogi das Cruzes, em que
é Apelante Francisco Borsois Filho (Jus! Grat), sendo Apelado
Banco Abn Amro Real 5/a:
ACORDAM, em 17' Câmara Direito - Privado
do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, proferir a seguinte
decisão:
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Deram provimento parcial ao(s) recurso(s), v.u.
11
, de
conformidade com o relatório e voto do Relator, que integram este
acórdão.
Participaram do julgamento os(as)
Desembargadores(as) Térsio Ne ato, Maia da Rocha e Simões
de Vergueiro. Presi • cia do(a) sembargador(a) Maia da
Rocha.
Sa Paulo, 28 ~ d
~ g r a o
Relator(a)
2008.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
VOTO N°: 20728
APEL.N°, 7.257.431-9
COMARCA: MOGI DAS CRUZES
ACORDÃO
APTE. :FRANCISCO BORSOIS FILHO (JUST GRAT)
APDO. : BANCO ABN AMRO REAL S/A (NOVA DENOMINAÇÃO DO BANCO ABN AMRO SIA,
SUCESSOR POR INC. DO BANCO REAL S/ A)
PRELIMINAR - Falta de interesse de agir - lnocorrência -
Presença dos elementos da necessidade, adequação e utilidade da
prestação jurisdicional pretendida e resistida - Observância de que os
pedidos deduzidos na exordial não se limitam apenas ao reconhecimento da
inexistência da dívida, devendo as demais questões controvertidas serem
objeto de apreciação - Preliminar argüida pelo apelado rejeitada.
LITIGÃNCIA DE MÁ-FÉ - Não caracterização, conduta do
réu que não se enquadra em nenhuma das hipóteses trazidas pelo art. 17 do
CPC- Preliminar argüida pelo apelante rejeitada.
CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO - Mútuo - Consignação
extrajudicial dos valores devidos após o vencimento da obrigação -
Possibilidade - Tendo o devedor consignado o valor referente às três
parcelas inadimplidas e sendo devidamente notificado o credor, deveria este
último, caso não concordasse com o valor consignado, manifestar seu
desacordo no prazo de dez dias previsto no § 1° do art. 890 do CPC -
Decurso do prazo que enseja a aplicação do disposto no§ 2°do art. 890 do
CPC, reputando-se o devedor liberado da obrigação, ficando à disposição do
credor a quantia depositada - Reconhecimento da extinção da divida pela
quitação - Recurso provido neste aspecto.
RESPONSABILIDADE CIVIL- Danos morais- Manutenção
indevida do nome do autor em banco de dados de proteção ao crédito e
protesto indevido - Caracterização - Observância de que, uma vez ocorrida
a quitação da dívida no montante das três parcelas inadimplidas pelo
apelante, não poderia o apelado, à época dos fatos, manter o nome do
apelante junto ao SERASA - Observância, outrossim, de que o apelado
protestou nota promissória pelo valor total do débito e continuou a receber
os valores de forma parcelada - lndenização procedente - Recurso provido
neste aspecto.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO - Exigência de pagamento em
dobro da importância cobrada indevidamente - lnocorrência da i ótese
prevista no artigo 940 do Código Civil, não havendo notici e que o
tenha ajuizado ação de cobrança e nem de que a utora pagou
indevidamente o quantum cobrado - Recurso não provido neste aspecto.
-----: .... __ j---
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Trata-se de ação declaratóna de 1nex1stênc1a de div1da
cumulada com pedido de 1ndemzação por danos mora1s e repet1ção de mdéb1to
JUlgada Improcedente pela r sentença de fls. 1081110, CUJO relatóno se adota
Inconformado, o autor apelou alegando que real1zou a
consignação do valor devido nos termos do art 890 do CPC Af1rma que, uma vez
transcorndo o prazo do § 1° do refendo dispositiVO legal, reputou-se liberado da
obngação, a teor do § 2', do art 890, do CPC Aduz ter o apelado sacado nota
prom1ssóna e apresentado a protesto com valor 1ndev1do, englobando dív1da que.
além de Inexistente. Já hav1a s1do parcialmente paga Argumenta que o saque da
prom1ssóna e seu env1o a protesto, bem como o postenor apontamento JUnto ao
SERASA decorrem de dív1da que não ma1s ex1ste Assevera que o apelado
perdeu o d1re1to de d1scut1r os índices aplicados ao valor consignado po1s não se
mamfestou no prazo legal prev1sta no art 890 Requer seJa reformada a r
sentença ua quo", dando-se provimento ao recurso, condenando-se o apelado ao
pagamento da mdemzação por danos mora1s, repet1ção de mdéb1to e llt1gânc1a de
má-fé
O recurso fo1 regularmente processado, com resposta e ISento
de preparo
Em suas contra-razões, o apelado alega, em preliminar, que,
após o aJUizamento da ação. o autor acabou por qu1tar o contrata de
f1nanc1amento firmado entre as partes, c1rcunstãnc1a supervemente que configura
falta de Interesse de ag1r ao apelante
É o relatóno
Pnme1ramente, rejeitam-se as prehm1nares arguidas pelo
apelado e pelo apelante
Há mteresse de ag1r, po1s estão presentes os elementos da
necess1dade, adequação e utilidade da prestação JUriSdiCional pretendida e
res1s!lda
Não obstante tenha o apelado reconhecidO a qUitação do
déb1to que ongmou a hde, os ped1dos deduz1dos na exord1al não se hm1tam
apenas ao reconhecimento da mex1stênc1a da dívida, devendo as dema1s
questões contravertidas serem ObJeto de apreciação
Descab1da também a pretensão do apelante quanto à
condenação do apelado por llt1gânc1a de má-fé WPara a condenação em ht1gânc1a
de má-fé, faz-se necessáno o preenchimento de três requisitos, qua1s sejam que
a conduta da parte se subsuma a uma das hipóteses taxativamente elencadas no
art 17 do CPC, que à parte tenha s1do oferecida oportunidade de defesa (CF, art
s•, LV), e que da sua conduta resulte preJulzo processual à parte adversa" (RST J
1351187, 1461136)"
Não se enquadrando o caso dos autos em nenhuma das
hipóteses traZidas pelo art 17 do CPC, 1mpossivel a
l1t1gânc1a de má-fé.
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No ménto, o recurso merece provtmento, em parte
Os litigantes firmaram contrato de ftnanctamento para
aqutstção de veículo com pagamento que devena ser efetuado em 36 parcelas
tguats e consecuttvas
Após madtmplemento das parcelas referentes aos meses de
setembro, outubro e novembro de 2005, o autor procurou a qurtaçao do débrto
JUnto ao banco réu e, não obtendo sucesso, promoveu a constgnação extrajudtctal
do valor que entendeu devrdo, consoante drscrplrna do art 890 do CPC
O réu, devrdamente notrfrcado (fl 23), quedou-se rnerte e não
ofereceu recusa ao pagamento na quantta depositada, extrapolando-se o prazo
prevrsto no§ 1' do art 890 do CPC (cf declaração acostada a fi 24)
O MM Juízo monocráttco, constderando a prevtsão contratual
do venctmento antectpado da dívtda, JUlgou tmprocedente a ação por entender
que não era obngado o devedor, ora apelado, a receber de forma dtversa da
avençada
Sem razão, contudo
Destaca-se. em prrmerro lugar, que é perfertamente possivel a
consignação em pagamento do devedor em mora A cons1gnação, quando o
credor não recusar o valor consignado, demonstrando o seu mteresse, serv1rá
para purgar a mora do devedor
A esse resperto, Theotonro Negrão e José Roberto Ferrerra
Gouvêa anotam que
""Prestações atrasadas, se 1dõneas para o credor, podem ser
consrgnadas" (STJ-2' T, REsp 256 275-GO, rei Mrn Eliana Calmon, J 12 2 02,
negaram provrmento, v u, DJU 8 4 02, p 171)" (ln CÓDIGO DE PROCESSO
CIVIL E LEGISLAÇAO PROCESSUAL EM VIGOR, 38' edrção, Sararva, 2006,
pág 920)
Dessa forma, tendo o devedor consignado o valor referente
às três parcelas inad1mpl1das e sendo devidamente not1f1cado o credor, devena
este último, caso não concordasse com o valor consignado, manifestar seu
desacordo no prazo de dez dras prevrsto no§ 1' do art 890 do CPC
Não que a prev1são contratual de venc1mento antec1pado da
divrda não pudesse ser exrgrda do devedor Pelo contrário, não haverra rlegalidade
na cobrança da dív1da pelo seu total após o 1nad1mplemento assum1do pelo autor
Entretanto, a recusa no recebimento do valor consignado,
quer seJa pelo desacordo quanto aos indrces aplicados ao débrto, quer pelo drrerto
do réu quanto ao rntegral recebrmento do valor devrdo em função da prevrsão
contratual que prev1a o vencimento antecipado da dív1da, devena ter s1do
manifestada ao autor para que este tomasse CiênCia de seus mot1vos "Em
homenagem ao pnncíp1o da boa-fé, deve expor ao depositante a -es,
amda que sucintamente, porém de mane1ra que este po a exam1nar s
procedem ou não Se entender que o depósito não é integral, deverá especificar a
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tmportâncta faltante (v ar! 896 § ún)" (NEGRÃO, Theotomo e G O U V ~ A . José
Roberto Ferreira, CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL E LEGISLAÇÃO
PROCESSUAL EM VIGOR, 38' edtção, Saratva, 2006, pág 921)
Efetuado o depósito e uma vez decorndo o prazo refendo no
§ 1° do art 890 do CPC, comprovadamente sem mamfestação de recusa por
parte do credor, ora apelado, aphca-se o disposto no § 2° do mencionado
dtspostttvo legal, reputando-se o devedor liberado da obngaçâo, ftcando à
dtspostção do credor a quantia depositada
Desse modo, não há como não reconhecer a qu1tação da
quantia constgnada referentes ás três parcelas madtmplidas pelo apelante, haJa
v1sta a mérc1a do apelado em proceder à tempest1va contestação do valor
depositado
A cons1gnação do valor pelo devedor, a1nda que após o
venc1mento, bem como a respectiva qUitação decorrente da 1nérc1a do credor tem
s1do adm1t1da na JUnsprudêncla deste E Tnbunal de Justiça que, em caso análogo
ao presente. ass1m dec1d1u
"DUPLICATA MERCANTIL- Protesto por falta de pagamento
- Mora m solvendo- Ltberação do vinculo pela vta da constgnatóna extraJUdiCial-
Admtsstbthdade- lnctdêncta dos arltgos 890, §§ 1' e 2", do CPC e 959, mc1so I, do
Código C1v11 de 1916 - Ação ord1nána declaratóna de ext1nçâo de obngaçâo em
d1nhe1ro a med1da cautelar preparatóna JUlgadas procedentes - Recurso
1mprov1do HONORÁRIOS ADVOCATICIOS - Hipótese do sentença não
condenatóna - Arbitramento segundo prudente aprec1ação eqUJtatlva - Adequação
reconhecida - lnadênc1a do art1go 20, § 4", do CPC - Recurso 1mprov1do"
(Apelação no 1 102 255-6, Rei Des CORREIA LIMA, 20' CÃMARA DE DIREITO
PRIVADO, Julgado em 20 03 2007)
Reconhecida a quitação da divida no montante das três
parcelas 1nad1mpltdas pelo apelante, não podena o apelado, à época dos fatos,
negat1var o nome do apelante JUnto ao SERASA (documento de fi 28) e nem
protestar a nota prom1ssóna pelo valor total do débtto computando as parcelas Jâ
ad1mpl1das (documento de fi 13)
Como destacamos ac1ma, não havena problema no
venc1mento antecipado do total da dív1da em aberto No entanto, não podena a
mstltUição fmance1ra ré levar a protesto titulo CUJO valor englobava o das parcelas
Jâ qwtadas
Há de se ressalvar, no entanto, que a data do comumcado
em1t1do pelo SERASA, qual seJa, 27 de dezembro de 2005, demonstra que a
comumcação da 1nst1tU1ção f1nance1ra ao banco de dados deu-se dentro do prazo
para recusa do valor consignado, o qual exptrana em 29 de dezembro de 2005 (cf
AR Juntado a fi 23) Dessa fe1ta. sob esse pnsma, não podemos aftrmar que o
banco tenha 1nscnto de forma InJUStificada o nome do autor no c aus
pagadores, haJa v1sta que o déb1to decorrente das parcelas ad1mphdas a1
não havta s1do qUitado No entanto, nada prova que após o de urso do prazo do§
1° do art 890 do CPC e a liberação do autor quanto à obngação de pagamento
-
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das parcelas venc1das tenha a InStitUição retirado o nome do autor do banco de
dados do SERASA, o que certamente configura o dano moral
No que diz respeito ao protesto por valor que abarca parte da
dív1da Jâ paga, tal fato, por SI só, não ensejana condenação por danos mora1s
Todav1a, há de se notar que o autor continuou a honrar suas obngações no
âmbito do contrato -o que não fo1 recusado pelo réu -e acabou por qu1tar o valor
total devido, consoante afirmado pelo própno apelado em preliminar de suas
contra-razões de apelação
Dessa mane1ra, não podena o banco réu por um lado
continuar a receber o valor da dív1da em prestações e por outro protestar o
montante total da dívida antecipadamente venc1do, res1d1ndo aí o dano causado
pelo serv1ço e sua consequente responsab1hzação pelos danos mora1s causados
ao autor
Na JUnsprudêncla deste E. Tribunal de Just1ça encontramos o
segu1nte Julgado que se perfila com o entendimento ora adotado
"Ação de por danos mora1s Pagamento fe1to fora
do prazo em razão de mov1mento pared1sta da rede bancána Cons1gnação
extraJUdicial dos valores devedores Não questionamento por parte da 1nst1tU1ção.
f1nance1ra Inserção 1ndev1da do nome da consumidora no cadastro dos
1nad1mplentes Dano moral configurado e presum1do lndemzação por danos
mora1s não deve ser fixada em patamar elevado de modo a gerar um
ennquec1mento 11ic1to por parte daquele que a recebe, tampouco pode ser
estabelecida em patamar mín1mo que não gere qualquer reflexo em face do
ofensor, estimulando que este realize novamente a conduta Valor f1xado pela
dec1são de pnme1ro grau se mostra suf1c1ente para atender às f1nahdades do
1nst1tuto Recurso 1mprov1do" (Apelação n • 7170 631-5, Rei ARY
CASAGRANDE FILHO, 21' CÂMARA DE DIREITO PRIVADO "E", JUlgado em
15 05 2008)
Os danos mora1s ex1st1ram e devem ser 1nden1zados
o dano moral seJa um sentimento de pesar ínt1mo da
pessoa ofend1da, para o qual se não encontra est1mação perfeitamente adequada.
não é 1sso a razão para que se lhe recuse uma compensação qualquer Essa será
estabelecida, como e quando possível, por me1o de uma soma, que não
Importando uma exata reparação, todavia representará a úmca salvação cabível
nos hm1tes da forças humanas O d1nhe1ro não os extmgwrá de todo não se
atenuará mesmo por sua própna natureza. mas pelas vantagens que o seu valor
permutat1vo poderá proporcionar, compensando, 1nd1retamente e parcialmente,
embora, o suplício moral que os v1t1mados (Hermenegildo de
Barros, c1tado por Pontes de M1randa, 1n "Tratado de D1re1to Pnvado", v 53/228 e
229)
Quem suportar danos mora1s não
nem VIda fácil às custas daquele que o lesou o valor da lndenlzaçã
deve sempre levar em consideração o caráter d1dát1co para que o causador do ato
desastrado não volte a lesar terce1ros
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Venf1cando-se a ex1stênc1a do dano moral pela 1nscnção do
nome ao apelante no banco de dados de órgão de proteção ao crédito e protesto
de forma mdev1da, deve-se levar em consideração os transtornos por este
sofndos
Ass1m sendo, entendemos ser de bom alv1tre que o banco réu
seJa condenado a pagar ao autor mdemzação por danos morats ftxada no valor de
R$ 4 000,00 (quatro mtl reats), corngtdo monetanamente a parttr da publtcação do
acórdão, Incluído os JUros moratónos contados da c1tação
Não merece guanda, no entanto, o reclamo relatrvo à
repettção em dobro
Com efetto, a menctonada repettção de tndébtto, com a
ex1gênc1a do pagamento em dobro somente se JUStifica nos casos em que a parte
reclamante tenha, efettvamente, pago a tmportãncia cobrada e que o credor tenha
aJUIZado demanda extg1ndo o pagamento de quant1as 1ndev1das ou cobre
montante supenor ao realmente dev1do É o que se extrai do artigo 940 do atual
Códtgo Ctvtl e arttgo 42, parágrafo úntco, do Código de Defesa do Consumtdor O
mero protesto ou a mscnção em banco de dados de maus pagadores não se
enquadra nessas htpóteses
Por ter o autor de · ímma do ped1do, as verbas
da sucumbênc1a devem ser supo as pelo réu, que de rá arcar com as custas
e despesas processuais e com s honorános advocatíc1os, 1xados estes em 20%
(vtnte por cento) do valor da con enação

Danos morais.Preliminar argüida pelo apelado rejeitada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO . RESPONSABILIDADE CIVIL.Preliminar argüida pelo apelante rejeitada. deveria este último. 890 do CPC. não poderia o apelado. caso não concordasse com o valor consignado. :FRANCISCO BORSOIS FILHO (JUST GRAT) APDO.Observância de que. uma vez ocorrida a quitação da dívida no montante das três parcelas inadimplidas pelo apelante.lnocorrência Presença dos elementos da necessidade.Recurso não provido neste aspecto. CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO . LITIGÃNCIA DE MÁ-FÉ .Observância de que os pedidos deduzidos na exordial não se limitam apenas ao reconhecimento da inexistência da dívida.. outrossim.lnocorrência da i ótese prevista no artigo 940 do Código Civil. adequação e utilidade da prestação jurisdicional pretendida e resistida . de que o apelado protestou nota promissória pelo valor total do débito e continuou a receber os valores de forma parcelada . devendo as demais questões controvertidas serem objeto de apreciação .lndenização procedente .Tendo o devedor consignado o valor referente às três parcelas inadimplidas e sendo devidamente notificado o credor.Falta de interesse de agir . 890 do CPC Decurso do prazo que enseja a aplicação do disposto no§ 2° do art. não havendo notici e que o tenha ajuizado ação de cobrança e nem de que a utora pagou indevidamente o quantum cobrado . conduta do réu que não se enquadra em nenhuma das hipóteses trazidas pelo art.Recurso provido neste aspecto. DO BANCO REAL S/ A) PRELIMINAR ..Observância. 17 do CPC. -----:. reputando-se o devedor liberado da obrigação.Mútuo .__ j--- .Caracterização .N°.431-9 COMARCA: MOGI DAS CRUZES APTE.TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACORDÃO VOTO N°: 20728 APEL. manter o nome do apelante junto ao SERASA .. 7. ficando à disposição do credor a quantia depositada .Exigência de pagamento em dobro da importância cobrada indevidamente .257.Manutenção indevida do nome do autor em banco de dados de proteção ao crédito e protesto indevido . manifestar seu desacordo no prazo de dez dias previsto no § 1° do art.Reconhecimento da extinção da divida pela quitação . à época dos fatos.Consignação extrajudicial dos valores devidos após o vencimento da obrigação Possibilidade .Recurso provido neste aspecto.Não caracterização. : BANCO ABN AMRO REAL S/A (NOVA DENOMINAÇÃO DO BANCO ABN AMRO SIA. SUCESSOR POR INC.

do art 890. devendo as dema1s questões contravertidas serem ObJeto de apreciação Descab1da também a pretensão do apelante quanto à condenação do apelado por llt1gânc1a de má-fé WPara a condenação em ht1gânc1a de má-fé. repet1ção de mdéb1to e llt1gânc1a de má-fé O recurso fo1 regularmente processado. condenando-se o apelado ao pagamento da mdemzação por danos mora1s. CUJO relatóno se adota Inconformado. o apelado alega. o autor acabou por qu1tar o contrata de f1nanc1amento firmado entre as partes. faz-se necessáno o preenchimento de três requisitos.I-L"'-JZ' l1t1gânc1a de má-fé.TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 2 Trata-se de ação declaratóna de 1nex1stênc1a de div1da cumulada com pedido de 1ndemzação por danos mora1s e repet1ção de mdéb1to JUlgada Improcedente pela r sentença de fls. c1rcunstãnc1a supervemente que configura falta de Interesse de ag1r ao apelante É o relatóno Pnme1ramente. além de Inexistente. após o aJUizamento da ação. po1s estão presentes os elementos da necess1dade. 1mpossivel a conden~alil!l. . com resposta e ISento de preparo Em suas contra-razões. do CPC Aduz ter o apelado sacado nota prom1ssóna e apresentado a protesto com valor 1ndev1do. Já hav1a s1do parcialmente paga Argumenta que o saque da prom1ssóna e seu env1o a protesto. e que da sua conduta resulte preJulzo processual à parte adversa" (RST J 1351187. reputou-se liberado da obngação. englobando dív1da que. uma vez transcorndo o prazo do § 1° do refendo dispositiVO legal. que. bem como o postenor apontamento JUnto ao SERASA decorrem de dív1da que não ma1s ex1ste Assevera que o apelado perdeu o d1re1to de d1scut1r os índices aplicados ao valor consignado po1s não se mamfestou no prazo legal prev1sta no art 890 Requer seJa reformada a r sentença ua quo". 1461136)" Não se enquadrando o caso dos autos em nenhuma das hipóteses traZidas pelo art 17 do CPC. rejeitam-se as prehm1nares arguidas pelo apelado e pelo apelante Há mteresse de ag1r. a teor do § 2'. qua1s sejam que a conduta da parte se subsuma a uma das hipóteses taxativamente elencadas no art 17 do CPC. que à parte tenha s1do oferecida oportunidade de defesa (CF. em preliminar. o autor apelou alegando que real1zou a consignação do valor devido nos termos do art 890 do CPC Af1rma que. adequação e utilidade da prestação JUriSdiCional pretendida e res1s!lda Não obstante tenha o apelado reconhecidO a qUitação do déb1to que ongmou a hde. art s•. LV). dando-se provimento ao recurso. 1081110. os ped1dos deduz1dos na exord1al não se hm1tam apenas ao reconhecimento da mex1stênc1a da dívida.

v u. porém de mane1ra que este po a exam1nar s procedem ou não Se entender que o depósito não é integral. devrdamente notrfrcado (fl 23). pág 920) Dessa forma. promoveu a constgnação extrajudtctal do valor que entendeu devrdo. outubro e novembro de 2005. podem ser consrgnadas" (STJ-2' T. devena este último. Theotonro Negrão e José Roberto Ferrerra Gouvêa anotam que ""Prestações atrasadas. quedou-se rnerte e não ofereceu recusa ao pagamento na quantta depositada. quer seJa pelo desacordo quanto aos indrces aplicados ao débrto. se 1dõneas para o credor. em parte Os litigantes firmaram contrato de ftnanctamento para aqutstção de veículo com pagamento que devena ser efetuado em 36 parcelas tguats e consecuttvas Após madtmplemento das parcelas referentes aos meses de setembro. tendo o devedor consignado o valor referente às três parcelas inad1mpl1das e sendo devidamente not1f1cado o credor. demonstrando o seu mteresse. rei Mrn Eliana Calmon. não obtendo sucesso. o autor procurou a qurtaçao do débrto JUnto ao banco réu e. constderando a prevtsão contratual do venctmento antectpado da dívtda. amda que sucintamente. em prrmerro lugar. quando o credor não recusar o valor consignado. Sararva. o recurso merece provtmento. manifestar seu desacordo no prazo de dez dras prevrsto no§ 1' do art 890 do CPC Não que a prev1são contratual de venc1mento antec1pado da divrda não pudesse ser exrgrda do devedor Pelo contrário. DJU 8 4 02. ora apelado. não haverra rlegalidade na cobrança da dív1da pelo seu total após o 1nad1mplemento assum1do pelo autor Entretanto. REsp 256 275-GO. que é perfertamente possivel a consignação em pagamento do devedor em mora A cons1gnação. J 12 2 02. consoante drscrplrna do art 890 do CPC O réu. caso não concordasse com o valor consignado. a receber de forma dtversa da avençada Sem razão. deve expor ao depositante a -es. 38' edrção. quer pelo drrerto do réu quanto ao rntegral recebrmento do valor devrdo em função da prevrsão contratual que prev1a o vencimento antecipado da dív1da. devena ter s1do manifestada ao autor para que este tomasse CiênCia de seus mot1vos "Em homenagem ao pnncíp1o da boa-fé. serv1rá para purgar a mora do devedor A esse resperto. deverá especificar a . p 171)" (ln CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL E LEGISLAÇAO PROCESSUAL EM VIGOR. contudo Destaca-se.TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 3 No ménto. negaram provrmento. 2006. a recusa no recebimento do valor consignado. JUlgou tmprocedente a ação por entender que não era obngado o devedor. extrapolando-se o prazo prevrsto no§ 1' do art 890 do CPC (cf declaração acostada a fi 24) O MM Juízo monocráttco.

aphca-se o disposto no § 2° do mencionado dtspostttvo legal.Arbitramento segundo prudente aprec1ação eqUJtatlva . José Roberto Ferreira. não podena a mstltUição fmance1ra ré levar a protesto titulo CUJO valor englobava o das parcelas Jâ qwtadas Há de se ressalvar. do Código C1v11 de 1916 . não podena o apelado. qual seJa.Recurso 1mprov1do" (Apelação no 1 102 255-6. Julgado em 20 03 2007) Reconhecida a quitação da divida no montante das três parcelas 1nad1mpltdas pelo apelante. demonstra que a comumcação da 1nst1tU1ção f1nance1ra ao banco de dados deu-se dentro do prazo para recusa do valor consignado. que a data do comumcado em1t1do pelo SERASA. Theotomo e GOUV~A. mc1so I. 27 de dezembro de 2005. ftcando à dtspostção do credor a quantia depositada Desse modo. pág 921) Efetuado o depósito e uma vez decorndo o prazo refendo no § 1° do art 890 do CPC. o qual exptrana em 29 de dezembro de 2005 (cf AR Juntado a fi 23) Dessa fe1ta. haJa v1sta que o déb1to decorrente das parcelas ad1mphdas a1 não havta s1do qUitado No entanto. do CPC . §§ 1' e 2". à época dos fatos.Mora m solvendo. ass1m dec1d1u "DUPLICATA MERCANTIL. ora apelado.Ação ord1nána declaratóna de ext1nçâo de obngaçâo em d1nhe1ro a med1da cautelar preparatóna JUlgadas procedentes . Rei Des CORREIA LIMA. não há como não reconhecer a qu1tação da quantia constgnada referentes ás três parcelas madtmplidas pelo apelante. 20' CÃMARA DE DIREITO PRIVADO. não havena problema no venc1mento antecipado do total da dív1da em aberto No entanto.Recurso 1mprov1do HONORÁRIOS ADVOCATICIOS . Saratva. negat1var o nome do apelante JUnto ao SERASA (documento de fi 28) e nem protestar a nota prom1ssóna pelo valor total do débtto computando as parcelas Jâ ad1mpl1das (documento de fi 13) Como destacamos ac1ma.Hipótese do sentença não condenatóna .Ltberação do vinculo pela vta da constgnatóna extraJUdiCialAdmtsstbthdade. comprovadamente sem mamfestação de recusa por parte do credor. em caso análogo ao presente. bem como a respectiva qUitação decorrente da 1nérc1a do credor tem s1do adm1t1da na JUnsprudêncla deste E Tnbunal de Justiça que.TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 4 tmportâncta faltante (v ar! 896 § ún)" (NEGRÃO. § 4". haJa v1sta a mérc1a do apelado em proceder à tempest1va contestação do valor depositado A cons1gnação do valor pelo devedor. reputando-se o devedor liberado da obngaçâo. nada prova que após o de urso do prazo do§ 1° do art 890 do CPC e a liberação do autor quanto à obngação de pagamento - . a1nda que após o venc1mento. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL E LEGISLAÇÃO PROCESSUAL EM VIGOR.lnctdêncta dos arltgos 890. sob esse pnsma.Protesto por falta de pagamento . 2006.Adequação reconhecida . no entanto.lnadênc1a do art1go 20. não podemos aftrmar que o banco tenha 1nscnto de forma InJUStificada o nome do autor no c aus pagadores. 38' edtção. do CPC e 959.

como e quando possível. por me1o de uma soma. não podena o banco réu por um lado continuar a receber o valor da dív1da em prestações e por outro protestar o montante total da dívida antecipadamente venc1do. 1nd1retamente e parcialmente. c1tado por Pontes de M1randa. consoante afirmado pelo própno apelado em preliminar de suas contra-razões de apelação Dessa mane1ra. 21' CÂMARA DE DIREITO PRIVADO "E". f1nance1ra Inserção 1ndev1da do nome da consumidora no cadastro dos 1nad1mplentes Dano moral configurado e presum1do lndemzação por danos mora1s não deve ser fixada em patamar elevado de modo a gerar um ennquec1mento 11ic1to por parte daquele que a recebe. não é 1sso a razão para que se lhe recuse uma compensação qualquer Essa será estabelecida. Tribunal de Just1ça encontramos o segu1nte Julgado que se perfila com o entendimento ora adotado "Ação de mden~zação por danos mora1s Pagamento fe1to fora do prazo em razão de mov1mento pared1sta da rede bancána Cons1gnação extraJUdicial dos valores devedores Não questionamento por parte da 1nst1tU1ção. tal fato. v 53/228 e 229) Quem suportar danos mora1s não p~~ nem VIda fácil às custas daquele que o lesou Contudo~ o valor da lndenlzaçã deve sempre levar em consideração o caráter d1dát1co para que o causador do ato desastrado não volte a lesar terce1ros . JUlgado em 15 05 2008) Os danos mora1s ex1st1ram e devem ser 1nden1zados ~Embora o dano moral seJa um sentimento de pesar ínt1mo da pessoa ofend1da. por SI só. res1d1ndo aí o dano causado pelo serv1ço e sua consequente responsab1hzação pelos danos mora1s causados ao autor Na JUnsprudêncla deste E. tampouco pode ser estabelecida em patamar mín1mo que não gere qualquer reflexo em face do ofensor. compensando. o que certamente configura o dano moral No que diz respeito ao protesto por valor que abarca parte da dív1da Jâ paga. há de se notar que o autor continuou a honrar suas obngações no âmbito do contrato -o que não fo1 recusado pelo réu -e acabou por qu1tar o valor total devido. mas pelas vantagens que o seu valor permutat1vo poderá proporcionar. que não Importando uma exata reparação. todavia representará a úmca salvação cabível nos hm1tes da forças humanas O d1nhe1ro não os extmgwrá de todo não se atenuará mesmo por sua própna natureza. Rei ARY CASAGRANDE FILHO.TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 5 das parcelas venc1das tenha a InStitUição retirado o nome do autor do banco de dados do SERASA. embora. 1n "Tratado de D1re1to Pnvado". não ensejana condenação por danos mora1s Todav1a. o suplício moral que os v1t1mados expenmentam~ (Hermenegildo de Barros. para o qual se não encontra est1mação perfeitamente adequada. estimulando que este realize novamente a conduta Valor f1xado pela dec1são de pnme1ro grau se mostra suf1c1ente para atender às f1nahdades do 1nst1tuto Recurso 1mprov1do" (Apelação n • 7170 631-5.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 6 Venf1cando-se a ex1stênc1a do dano moral pela 1nscnção do nome ao apelante no banco de dados de órgão de proteção ao crédito e protesto de forma mdev1da. corngtdo monetanamente a parttr da publtcação do acórdão. entendemos ser de bom alv1tre que o banco réu seJa condenado a pagar ao autor mdemzação por danos morats ftxada no valor de R$ 4 000. do Código de Defesa do Consumtdor O mero protesto ou a mscnção em banco de dados de maus pagadores não se enquadra nessas htpóteses Por ter o autor de · ímma do ped1do. no entanto. efettvamente. o reclamo relatrvo à repettção em dobro Com efetto. com a ex1gênc1a do pagamento em dobro somente se JUStifica nos casos em que a parte reclamante tenha. pago a tmportãncia cobrada e que o credor tenha aJUIZado demanda extg1ndo o pagamento de quant1as 1ndev1das ou cobre montante supenor ao realmente dev1do É o que se extrai do artigo 940 do atual Códtgo Ctvtl e arttgo 42. as verbas da sucumbênc1a devem ser supo as pelo réu.00 (quatro mtl reats). a menctonada repettção de tndébtto. 1xados estes em 20% (vtnte por cento) do valor da con enação . Incluído os JUros moratónos contados da c1tação Não merece guanda. parágrafo úntco. deve-se levar em consideração os transtornos por este sofndos Ass1m sendo. que de rá arcar com as custas e despesas processuais e com s honorános advocatíc1os.