O Pêndulo -Para uma Teoria Económica do CatolicismoPor: Pedro Arroja 2010

Abstract

Não existe uma teoria económica do Catolicismo, mesmo se a Doutrina Social da Igreja fornece as bases para que uma tal teoria seja construída e algumas tentativas tenham sido feitas no passado. Em consequência, nos países predominantemente católicos do sul da Europa – Portugal, Espanha, Itália – e da América Latina, os economistas são educados nas universidades na teoria económica e política do Liberalismo e do Socialismo que estão na base das democracias modernas. O Liberalismo e o Socialismo são doutrinas distintamente protestantes, o primeiro com origem nos moralistas escoceses do século XVIII, o segundo com origem nos filósofos idealistas alemães do século XIX. Não existe um único Prémio Nobel da Economia oriundo dos países distintamente católicos do sul da Europa e da América Latina. Este artigo visa lançar as bases de uma teoria económica do Catolicismo. Esta teoria assenta em três pilares teológicos fundamentais – subsidiaridade, solidariedade e personalismo – e na atitude intelectual do realismo católico que enfatiza o presente e o concreto, o aqui e o agora, por oposição às ideologias Liberal e Socialista que põem o ênfase na transformação da sociedade, no abstracto e no futuro. O paradigma da socioeconomia católica é a família. Particular atenção é consagrada à diferença entre, por um lado o personalismo católico, e, por outro, o individualismo liberal e o colectivismo socialista, e suas implicações sobre os processos e as instituições sociais, como o mercado, a democracia e o Estado. A socieconomia de tradição católica pura é comparada com as socieconomias puras de tradição Liberal e Socialista, respectivamente, no que respeita às suas instituições e processos sociais. Uma aplicação de política económica é feita em relação ao tema do comércio-livre. A conclusão mais importante que emerge desta comparação é o equilíbrio que caracteriza a socieconomia do catolicismo por oposição aos excessos e riscos a que são propensas as socioeconomias do Liberalismo e do Socialismo. A doutrina católica age na sociedade como uma espécie de força da gravidade que puxa o pêndulo constantemente para a sua posição de equilíbrio. Outras conclusões incluem a de que a economia católica pura, em comparação com as economias puras do socialismo e do liberalismo, respectivamente, é mais concorrencial, mais flexível e menos corrupta; ela promove uma malha apertada de relações interpessoais que aumentam a segurança do emprego e promovem a estabilidade económica; ela torna mais expedito o processo de reafectação de recursos e minimiza o desemprego, e favorece a propensão de um trabalhador se tornar empresário; ela está menos exposta, e oferece maior resistência, às crises económicas e financeiras internacionais.

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1. Introdução [1]

Não existe nenhuma civilização humana, presente ou passada, que não tenha tido a ideia de Deus. Não se trata de discutir se Deus existe ou não. Trata-se, antes, de afirmar um facto da realidade: não existe civilização humana que não tenha tido a ideia de Deus. Provavelmente, Deus é mesmo a única ideia comum a todas elas. A civilização Ocidental ou Cristã não é excepção.

A Reforma Protestante do século XVI dividiu a Europa Ocidental em duas áreas culturais de influência distinta, a França sendo a fronteira. A norte, ficaram os países predominantemente protestantes, como a Alemanha, a Holanda, a Dinamarca, a Suíça, os países Escandinavos e a Grã-Bretanha. A sul, ficaram os países onde o protestantismo foi contido, e que mantiveram uma cultura predominantemente católica, como Espanha, Portugal, Itália, mais a ortodoxa Grécia. A expansão colonial do século XVI foi marcada pelo mesmo padrão. Os dois países da América do Norte - Canadá e EUA -, herdaram a cultura predominantemente protestante da Inglaterra. A América do sul e central herdou a cultura predominantemente católica dos seus colonizadores, Portugal e Espanha. A origem da Reforma Protestante é atribuída a Lutero (1483-1546) quando em 1618 afixou as suas célebres 95 teses de contestação à Igreja Católica na porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha. Na Suíça, Calvino (1509-1564) viria a ser um dos maiores protagonistas do movimento protestante. Porém, antes de Lutero e Calvino, o movimento protestante tinha tido precursores na Inglaterra e na Boémia (actual República Checa), com John Wicliffe (1320-1384) e Jan Hus (1369-1415), respectivamente. As ideias destes homens nunca penetraram de modo significativo nos países do sul da Europa, como Portugal, Espanha e Itália. Impedir a penetração das ideias protestantes e outras heresias, assegurando a homogeneidade católica, foi o grande objectivo da Inquisição Ibérica. Portugal e Espanha são mesmo considerados os líderes da reacção à Reforma Protestante – a chamada Contra-Reforma. A Reforma religiosa produziu divisões profundas nos países do centro e do norte da Europa e foi a causa de numerosas guerras religiosas. A principal, a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) entre Protestantes e Católicos, às vezes considerada a Primeira Guerra Mundial, causou milhões de mortos, sobretudo na Alemanha. Pelo contrário, Portugal, Espanha e Itália nunca foram o palco de guerras religiosas. Em comparação com o número de vítimas das guerras religiosas na Europa central e do norte, as vítimas da Inquisição Ibérica foram em número insignificante.

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O movimento protestante nunca conseguiu assegurar a unidade e, em breve, se dividiu. Estima-se que existam hoje mais de trinta mil seitas protestantes. A contestação da autoridade da Igreja Católica como mediadora entre Deus e o homem e, em particular, a contestação da autoridade do Papa, é hoje o único traço que une a multiplicidade das seitas oriundas do protestantismo. Liberalismo e Socialismo. Tendo negado a autoridade da Igreja, numa altura em que a religião possuía uma influência decisiva sobre o espírito das pessoas e a sua maneira de organizar a vida, a cultura protestante teve necessidade de desenvolver doutrinas que, em substituição da doutrina da Igreja, permitissem às pessoas sujeitas à sua influência refazerem a sua vida pessoal e social quer em termos espirituais quer em termos materiais. Neste último campo, várias doutrinas emergiram do protestantismo e ganharam forma a partir do século XVIII, as mais importantes sendo o Liberalismo na Grã-Bretanha e o Socialismo na Alemanha. O Liberalismo moderno é um descendente directo do protestantismo britânico. Teve origem na anti-católica, presbiteriana Escócia, pela mão dos chamados moralistas escoceses do século XVIII, como Adam Ferguson, David Hume e Adam Smith. David Hume, o primeiro filósofo ateu moderno, é, por vezes, considerado o pai do liberalismo moderno. O seu amigo Adam Smith é considerado o fundador da Ciência Económica, com a publicação em 1776 do livro “A Riqueza das Nações”. Na Alemanha, a patir do século XVIII, e sob a influência de Immanuel Kant, às vezes chamado o filósofo do protestantismo, desenvolvia-se a corrente de pensamento que, prosseguindo em Hegel e Marx, viria a dar origem ao Socialismo moderno. Uma das teses mais influentes de Kant foi a de considerar que somente os fenómenos possuindo manifestações exteriores podem ser objecto de discussão racional. Fenómenos de natureza espiritual, como a crença em Deus, ficam excluídos da esfera da razão. A partir de Kant, a marca distintiva da atitude racional ou científica passa a ser a exclusão de Deus de toda a consideração, uma ideia que já se encontra em Hume em virtude do seu ateísmo. A primeira consequência desta ideia é a de que os cientistas, para serem verdadeiramente cientistas (ou racionais), têm de colocar Deus de lado. Na Ciência Económica, e nas ciências sociais em geral, a característica da cientificidade passou a ser tratar a sociedade como se Deus não existisse. A segunda consequência foi a de desvalorizar o pensamento católico como não-científico, considerando que o catolicismo, com a sua insistência na ideia de Deus, não é uma doutrina racional. Nos países onde a cultura católica permaneceu dominante - como Portugal, Espanha e Itália – os seus intelectuais e cientistas não apenas subscreveram a desvalorização racional da sua cultura, como passaram a ser educados em correntes de pensamento que, sendo protestantes na origem, são estranhas à sua cultura. Em particular, da cultura católica não saiu nenhum pensamento económico original e continuado porque o 3

retira todo este estatuto ao homem. Não existe um só economista proveniente dos países predominantemente católicos do sul da Europa ou da América Latina. Pode perguntar-se que diferença faz a um economista incluir ou excluir Deus da sua ciência.catolicismo passou a ser científico. a única doutrina perfeitamente racional. tem vindo a insistir contra a atitude intelectual moderna. A característica comum é que são países católicos. A principal consequência é. a desvalorização do homem e da razão humana. Por países. [3] No domínio das ciência sociais. A diferença é radical. remetendo-o para o domínio da fé. de origem protestante. que não tenha tido um Deus. Desde há vários anos.um acrónimo inglês não benevolente para Portugal. a esmagadora maioria provém dos países predominantemente protestantes do norte da Europa e da América do norte. Ireland. Alemanha. não é. Italy. O Papa considera que a atitude kantiana de excluir Deus do domínio da razão. o teólogo Joseph Ratzinger. que não exclui Deus do escrutínio da razão e que permite chegar a Deus pela razão . A única excepção é a Grécia. Spain. Neste sentido. Holanda e Rússia. Israel. que é a marca distintiva da ciência moderna. de tratar a sociedade como se a ideia de Deus não existisse. [2] considerado a priori como sendo não-racional ou não- Os resultados desta atitude não são surpreendentes. Aparentemente. A sua exclusão. é legítimo dizer que a Ciência Económica moderna não é realista porque se ocupa de uma sociedade que não existe nem nunca existiu – uma sociedade sem Deus. Greece. que funcionam bem nos países predominantemente protestantes. não funcionam eficazmente nos países de predomínio católico. pois. é uma auto-mutilação da razão que possui sérias consequências. a responsabilidade pela crise da economia europeia e do euro foi colocada sobre aqueles países que se convencionou designar por PIIGS . actual Papa Bento XVI. Dos cinquenta e um economistas galardoados com o Prémio Nobel da Economia desde a sua criação em 1969. e cuja tradição de cristianismo ortodoxo é muito próxima da tradição católica. A inclusão de Deus. presente ou passada. Reino Unido (8). de acordo com a tradição cristã. A Ciência Económica moderna trata a sociedade como se Deus não existisse. faz olhar o homem como tendo sido feito à imagem e semelhança de Deus. França. Suécia (2). O Papa afirma que o Catolicismo é a Religião da Razão. 4 . um país onde as ideias protestantes da Reforma também nunca penetraram de forma significativa. talvez. Noruega (2). como faz Kant. como a Economia. A Religião da Razão. instituições como a da moeda única.e não pela fé. mesmo se a realidade é a de que não é possível nomear uma única sociedade humana. a lista dos galardoados é a seguinte: EUA (34). difícil reconhecer razão ao Papa. Mais recentemente.

que são aracionais. no Catecismo está incorporada a chamada Doutrina Social da Igreja. e por isso é um ser único e irrepetível. [4] O novo Catecismo é uma obra filosófica considerável resumindo em cerca de três mil artigos dois milénios de doutrinação da Igreja. Foi a democracia alemã que produziu Hitler e o holocausto. a quem se pode pedir responsabilidades e exigir racionalidade. Quem governa um país deixa de ser uma autoridade pessoal. aquele que ele considera mais importante é o Catecismo da Igreja Católica. onde cada homem é essencialmente igual aos outros. ao qual não se pode pedir responsabilidades ou exigir racionalidade. cede o lugar ao individualismo protestante-liberal. como a lei. ou ainda ao colectivismo protestante-socialista. daquilo que se poderia esperar. Não havendo ninguém que os controle e responda por eles. Foi o liberalismo anglo-saxónico que produziu a Grande Depressão dos anos 30 e mais recentemente a actual crise económico-financeira.Excluindo Deus da sociedade. estes processos podem conduzir ao mais alto nível de prosperidade económica e de harmonia social. Ferguson). económicos. de matriz germânica (Kant. de matriz anglo-saxónica (Hume. Smith. Como já aconteceu no passado e pode vir a acontecer no futuro. para passar a ser o processo impessoal do mercado. Ao contrário. como podem igualmente conduzir à ruína e à destruição. na sua qualidade de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Inquisição) que presidiu à comissão que elaborou o novo Catecismo da Igreja promulgado pelo Papa João Paulo II em 1993. como o mercado e a democracia. e passam a ser governados por processos impessoais. em que cada homem é uma criação de Deus. o qual não é susceptível de imputação de responsabilidades ou de exigência de racionalidade. mas o processo impessoal da democracia . A tradição personalista do cristianismo. O homem e a razão humana são substituídos por processos impessoais. Quem decide a afectação dos recursos na sociedade deixa de ser uma autoridade pessoalizada. desaparece o conceito de autoridade pessoalizada (à imagem de Deus). Quando a economia e a sociedade deixam de ser governados pela razão humana. 2. Hegel. sociais e da ciência.o povo -. a qual é substituída por autoridades impessoais. Maximizar a Vida Humana Entre os muitos livros que o Papa Bento XVI publicou na sua qualidade de teólogo e académico. Marx)). 5 . Em particular. Ele trata também de temas políticos. onde cada homem é insignificante perante a sociedade. porém. o Catecismo não trata apenas de matérias teológicas e litúrgicas. Foi o então Cardeal Ratzinger. os resultados passam a ser aleatórios. a democracia e o mercado. desencadeada pela falência do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers.

A partir do final do século XIX e perante a ofensiva. O documento fundador da chamada Doutrina Social da Igreja é a Encíclica Rerum Novarum (1891) do Papa Leão XIII. O fim visado pelo Socialismo é a maximização da igualdade material entre os cidadãos. infinitamente perfeito e bem-aventurado em Si mesmo. a conhecê-lo e a amá-lo com todas 6 . João: PAI. às vezes chamado amor ao próximo ou caridade. É à luz do objectivo de igualdade que as diferentes medidas que são advogadas pelo Socialismo . como a empresa privada. a estatização de certos meios de produção. na minimização da intervenção do Estado. o Catecismo da Igreja Católica cita S. Ele está próximo do homem. único Deus verdadeiro e aquele que enviaste.. (. 3) e dedica o seu primeiro artigo precisamente à vida humana e à relação fraternal entre os homens: "1. num desígnio de pura bondade. a democracia. Chama-o e ajuda-o a procurá-Lo. qual o fim ou objectivo que o Catolicismo visa atingir e quais os principais instrumentos que se propõe utilizar para atingir esse fim. a Igreja decidiu dar forma organizada ao seu pensamento social. criou livremente o homem para o tornar participante da sua vida bem-aventurada. como o mercado. exige que se estabeleça. a gratuitidade da saúde e da educação. duração (a máxima esperança de vida) e qualidade (a melhor vida possível). Daí o seu ênfase na propriedade privada.) é esta a vida eterna: que te conheçam a Ti.. Jesus Cristo" (Jo. a segurança social. que teve seguimento em outras Encíclicas e documentos conciliares publicados ao longo dos anos e que hoje formam o pensamento social católico.conhecer e amar a Deus Deus. tal como definido pelo próprio indivíduo. nos processos sociais espontâneos. É este pensamento social que fornece as bases para a edificação de uma teoria socioeconómica do catolicismo. 17. na livre iniciativa. sempre e em toda a parte. O Liberalismo propõe-se maximizar o bem-estar individual.e a vida humana no seu triplo aspecto de quantidade (o maior número possível de pessoas na Terra). No Prólogo. Por isso. e nas instituições voluntárias. A vida do homem . etc. e o principal instrumento para alcançar esse fim é o poder coercivo do Estado. E o Catolicismo. [5] A construção de uma teoria socioeconómica do Catolicismo.como a tributação progressiva. – se articulam racionalmente. O principal instrumento utilizado para conseguir esse objectivo é o amor fraternal. em primeiro lugar. e a sua comparação com o Socialismo e o Liberalismo. que fim visa o Catolicismo atingir ou maximizar? A resposta é a vida humana . e utiliza a liberdade individual como instrumento principal. primeiro do pensamento liberal e depois do pensamento socialista.

(. dispersos pelo pecado. Assim. herdeiros da sua vida bem aventurada. pois é a esta luz que elas fazem sentido racional. Pilares Teológicos A Doutrina Social da Igreja assenta em três pilares teológicos fundamentais solidariedade. a Igreja não pode ser favorável ao aborto porque ele não favorece a vida humana.o personalismo católico é transformado no individualismo liberal. pois.as suas forças. que é um valor também defendido pelo Catolicismo. O Princípio da Subsidiaridade é uma das traves-mestras do pensamento social católico. convertida na minimalidade liberal Subsidiaridade. personalismo e subsidiaridade. Convoca todos os homens. vigiar. incluindo aqueles que são prosseguidos pelo Socialismo e pelo Liberalismo. tanto maior serão a autoridade e a eficácia sociais. Persuadam-se todos os que governam de que quanto mais perfeita ordem hierárquica reinar entre as várias associações. mas perverte-os .a solidariedade -. Este Princípio foi formulado pelo Papa Pio XI na Encíclica Quadragesimo Anno (1931) e afirma que uma sociedade ou instituição de ordem superior não deve interferir nas funções e competências que podem ser eficazmente desempenhadas por uma sociedade ou instituição de ordem inferior: “Deixe. e a subsidiaridade católica é. 3. que Ele enviou como redentor e salvador na plenitude dos tempos. desempenhar mais livre. segundo este princípio da função «subsidiária». mediante seu Filho. então. no Espírito Santo. Da mesma forma. às vezes chamado Estado-polícia. que a absorveriam demasiado. Poderá. portanto.)" [6] É à luz deste objectivo de maximização da vida humana que devem ser entendidas as posições da Igreja Católica em matéria económica e social.. por exemplo. O Socialismo tem em vista a igualdade material entre os cidadãos.. 7 . a autoridade pública ao cuidado de associações inferiores aqueles negócios de menor importância. e tanto mais feliz e fecundo será o estado da nação. Porém. por vezes. para a unidade da sua família que é a Igreja. conforme os casos e a necessidade requeiram. O Liberalismo tem em vista o bem-estar individual. N'Ele e por Ele. que o Catolicismo também defende. a Igreja não pode ser favorável ao casamento homossexual porque daí não resulta vida alguma. mas não os outros dois.” [8] O Liberalismo defende um Estado mínimo. enérgica e eficazmente o que só a ela compete porque só ela o pode fazer: dirigir. da justiça e da segurança interna. seus filhos de adopção e. chama os homens a tornarem-se. urgir e reprimir. O Liberalismo partilha dois deles. sendo o objectivo do Catolicismo o de maximizar a vida humana.[7] O Socialismo partilha um destes temas . atribuindo-lhe as funções mínimas da defesa externa. o fim prosseguido pelo Catolicismo é um valor mais abrangente – a vida humana – sem o qual nenhum dos outros valores fazem sentido.

às chamadas comunidades intermédias: "Além da família. através dos seus arranjos e instituições espontâneas. invoca imediatamente a ideia da família. por um princípio de unidade. De facto. não conseguem preencher. recebe «talentos» que enriquecem a sua identidade e cujos frutos deve desenvolver. que é a comunidade de base do Catolicismo. a ideia de comunidade. para servir a pessoa humana e por isso cada homem "é devedor de dedicação às comunidades de que faz parte". também outras sociedades intermédias desenvolvem funções primárias e constroem específicas redes de solidariedade. o Socialismo defende um Estado grande – o Estado-Providência . estende-se depois. precisa dos outros para realizar a sua vocação humana e divina. O Estado Subsidiário é aquele que só é chamado a desempenhar as funções que as pessoas na comunidade. dependendo dos costumes e das tradições de vida de cada comunidade. ou com qualquer outra situação intermédia. e em primeiro lugar. saúde.) Através dela. por conseguinte. G. obedece a regras específicas. partindo da família. e portanto o sentimento da solidariedade. Cada comunidade define-se pelo bem a que tende e. uma ideia sui generis e que a Igreja Católica é a única verdadeira Igreja porque só ela trata todos os homens como fazendo parte de uma comunidade que os engloba a todos . em última instância. etc. de facto. Daí o ênfase que a Doutrina Social da Igreja coloca na comunidade. A palavra Igreja deriva do grego Ecclesia que significa comunidade e a palavra Católica tem também origem no grego. o seu apreço pela ideia comunitária. As comunidades humanas existem.Pelo contrário. maturam como comunidades reais de pessoas e 8 . [11] A ideia da pessoa humana como "herdeira" da comunidade. (. cada homem é constituído «herdeiro». o sujeito e o fim de todas as instituições sociais. pretendendo a Igreja ser uma comunidade universal. Esta solução é compatível com o Estado mínimo do Liberalismo. Mas a pessoa humana é e deve ser o princípio.). de modo orgânico.o qual. O Catolicismo defende o Estado Subsidiário.. cada um é devedor de dedicação às comunidades de que faz parte e de respeito às autoridades encarregadas do bem comum. Ele precisa dos outros para aprender com os outros. e como seu fim último.uma verdadeira comunidade universal [9]. Porém. é central ao pensamento social católico: "Sociedade é o conjunto de pessoas ligadas. significando universal. Solidariedade. [10] Nenhum homem se torna uma verdadeira pessoa humana vivendo numa ilha deserta como Robinson Crusoé. ".. educação. com o Estado-Providência do socialismo. Com toda a razão. que ultrapassa cada uma delas. precisa dos outros para se diferenciar deles e formar a sua personalidade. junta todo um conjunto de funções sociais igualizadoras (segurança social. Chesterton afirmou que a ideia de uma Igreja Católica é. K. ela própria. às funções anteriores. Estas.

e não o contrário". no outro extremo. impedindo-o de cair no anonimato e na massificação. De forma breve. ao passo que o personalismo vê neles mais diferenças do que semelhanças. as corporações e só em último lugar o Estado. como qualquer outra casa.. que está ordenada para ela". ao serviço do qual estão todas as comunidades humanas sem excepção. Mas o Liberalismo incorre numa outra heresia que. O indivíduo é hoje muitas vezes sufocado entre dois polos: o Estado e o mercado". a mais pequena de todas as comunidades humanas . E. a opção preferencial da Igreja é a de que as comunidades humanas se organizem segundo um processo de bottom up. o conjunto dos atributos 9 . portanto. é uma heresia da doutrina personalista do Catolicismo. o continente (v. religiosas. Na família cada ser humano tem um peso específico e é importante. [12] Apesar de se afirmar Católica e ambicionar. constrói-se de baixo para cima.dinamizam o tecido social. porque a casa universal que ela pretende realizar. as cooperativas. mais adiante. Personalismo. União Europeia) e só em último lugar o mundo. o estabelecimento de uma comunidade universal. não é na comunidade mundial que a Igreja coloca a sua ordem de prioridades. a região. o município. Tratase de substituir o personalismo católico pelo individualismo liberal. seguindo-se por ordem decrescente de preferência. pondo o homem a servir a sociedade. Neste sentido.a família . profissionais. incluindo os sindicatos) as empresas. na comunidade mundial. as instituições de crédito mútuo. A distinção está na ideia de personalidade. o homem é. o seu peso e a sua importância tendem a diminuir até praticamente se desvanecerem. a origem. a nação. recreativas. Sendo o homem criado à imagem e semelhança de Deus. sendo mais subtil. que inverte esta ordem das coisas. assistenciais. não deixa de ser muito mais corrosiva. infelizmente frequente na sociedade moderna. Pelo contrário.g. pode dizer-se que o individualismo vê nos homens mais semelhanças do que diferenças. o sujeito e o fim último de todas as coisas. No termos do Catecismo. "A ordem das coisas deve estar subordinada à ordem das pessoas. é naquela comunidade que se encontra no polo oposto do espectro comunitário em termos de extensão. "A pessoa humana representa o fim último da sociedade. [13] O Socialismo. desportivas. a ideia de que cada homem é um mero fragmento da sociedade e essencialmente igual a todos os outros. Esta opção preferencial pela pequena comunidade e pela pequena instituição encontra a sua raiz no personalismo católico e no fim transcendental do homem. na ordem terrena. Em termos de organização política a comunidade preferencial da Igreja é também a mais pequena a freguesia -.e é a partir daí e por ordem decrescente de importância que ela chega à comunidade universal A seguir à família vêm as associações (culturais.

é uma das características principais do Protestantismo. a pessoa não é apenas um indivíduo. ele é algo supremo e real". Porém. [15] A primeira consequência da atitude kantiana já foi referida. valioso em si mesmo. o espírito humano é uma área relegada para fora do escrutínio racional (ou da ciência). [14] Este regresso à visão grega do homem como um indivíduo . a pessoa. incluindo os muitos seres humanos individuais. A crença em Deus passa ser um acto de pura fé. de estar no ser (“verum est ens”) para passar a estar nos factos (“verum quia factum”). dois olhos. mas uma pessoa. se. O Papa Bento XVI expôs assim a diferença num livro publicado originalmente em 1968: "(.. mas apenas as suas aparências ou manifestações exteriores (fenómenos). Deus fica fora do escrutínio da razão. uma reprodução resultante da difusão da idéia na matéria. apenas como indivíduos.. ao colocar o ênfase nos factos exteriores (um nariz. a coisa real é o único e o universal. Deixando de fora do escrutínio da razão a dimensão interior do homem. e parece-me que esta passagem do indivíduo para a pessoa contém toda a transição da antiguidade para a Cristandade. uma boca. 10 . ou apenas uma manifestação fragmentada do universal. portanto. Não se pode chegar a Deus pela razão. As reproduções são sempre secundárias. A verdade deixa. Este ser definido não é algo de meramente secundário. O pensamento grego sempre considerou as muitas criaturas individuais. Esta crença em Deus. como a Economia. a propensão para se alimentar e dormir. uma «pessoa». como o único e o irrepetível. sem qualquer base racional. única e irrepetível. única e irrepetível . Como um mínimo ele é um máximo. distintivos e irrepetíveis de cada ser humano. e ao considerar que só estes podem ser objecto de escrutínio racional. Kant afirmou que o homem não pode nunca conhecer a realidade íntima das coisas (númeno). Não há diferenças substanciais entre eles. é ao mesmo tempo a última e a maior coisa. A segunda consequência é a desvalorização do homem. resultantes da separação da ideia na matéria. por vezes e justamente. mas. Se Deus é espírito e se só se pode chegar a Ele pelo espírito. Se no domínio das ciências da natureza esta mudança de paradigma não tem consequências (uma rocha de granito é essencialmente igual no interior e no exterior). chamado o Filósofo do Protestantismo. e por isso Kant é..). do Platonismo para a fé. assim. e essencialmente diferente de todos os outros.foi o resultado de uma mudança de atitude característica da modernidade e que atingiu a sua plenitude com Kant . porque é sobretudo a sua dimensão interior ou espiritual que torna cada homem único e irrepetível. perde-se o sentido da sua espiritualidade ou da sua personalidade. por outro lado. então. como puro acto de fé. o paradigma protestante ou kantiano torna os homens essencialmente iguais. que é o real. não um indivíduo.) a mais pequena coisa que pode amar é uma das maiores. no domínio das ciências do homem e da sociedade. etc. o particular é mais que o universal. Cada homem é apenas mais um no meio da multidão. e não como uma pessoa .um ser único dotado de uma personalidade própria. as suas consequências são radicais.um mero fragmento da sociedade igual a tantos outros . O Cristão vê no homem. precisamente. Nesta visão do mundo.únicos.

do distante e do futuro. em lugar de ser um espectador do passado. O paradigma protestante-kantiano segundo o qual a verdade está nos factos. o historicismo. e a teoria da evolução de Darwin não é senão mais uma manifestação desta nova atitude em relação à Verdade. A Verdade passa a estar no fazer ("verum quia faciendum"). Realismo Crítico.A Ciência Económica moderna.Foi esta atitude que conduziu à ciência moderna. como se estivesse a contemplar as peças de um museu.[16] É desta alteração de paradigma que surgem as ideologias modernas e a ideia de progresso: a verdade passa a estar no futuro. e.o Ser . é certamente frustrante ficar a contemplar os factos da história. ao qual se chega através do faciendum . Daqui resultou. com as suas leis e as suas comprovações empíricas de natureza estatística. 4. e sobre o qual ele pretende assentar todo o ordenamento social. é necessário mudá-lo". e num futuro construído pelo homem. conduzindo ao desenvolvimento das ciências naturais e das chamadas ciências do homem. Antes de estabelecer as suas previsões acerca do capitalismo. Nem a ideia de mercado. mas todas deviam ser felizes. 11 . Porém. para um intelectual. que é central ao Liberalismo moderno. é substituído pelo pensamento abstracto. Existem pessoas infelizes no mundo. se tornar o seu principal actor no futuro? Nas palavras do próprio Marx "Até agora os filósofos interpretaram meramente o mundo de várias maneiras. O pensamento concreto. nunca teria sido possível sem esta transformação. suficientemente igual aos outros para que possa ser massificado e objecto de tratamento estatístico. E se ele próprio fizer os factos. a convicção de que é possível mudar o mundo para melhor através da acção deliberada do homem. porque é na história que se encontram os factos. em particular. incluindo os cientistas. e não no ser. A realidade presente . do aqui e do agora. porque a partir de então foram eles que passaram a decidir o que é a Verdade. tornando-o um mero facto da natureza. conferiu um estatuto importante aos intelectuais. conduzindo directamente à ideia de progresso e ao construtivismo social.o Devia Ser. Para isso. A ideia kantiana de que a verdade está nos factos teria o seu desenvolvimento natural em Marx. mas foi ela também que depromoveu o homem de pessoa a indivíduo. Marx fez um estudo histórico exaustivo acerca das relações de produção. como processo social espontâneo.cede o lugar à abstracção do futuro . seria possível sem esta transformação. o que há a fazer é minimizar o papel da autoridade e maximizar a esfera da liberdade individual.

e para esse efeito utiliza o poder coercivo do Estado com funções igualizadoras. e em nome da igualdade material entre as pessoas. tal como deveria ser. que realismo existe no Socialismo. que o Socialismo e o Liberalismo partilham como suposição central do carácter científico ou racional das suas doutrinas? É uma hipóteses irrealista. em realidades que ou são meramente exteriores e. a doutrina do Liberalismo. famílias. ideias que não respeitam à realidade mas que se pretendem impor à realidade. O Liberalismo e o Socialismo são produtos da mente. sem essa tradição. associações. possui uma grande tradição de desempenhar satisfatoriamente uma série de funções que outra. se essa comunidade já deu provas de não ser capaz de desempenhar espontaneamente certas funções sociais que lhe são essenciais? A única solução realista é a solução católica do Estado subsidiário. que é a única realidade . As ideias do Socialismo e do Liberalismo não se referem à realidade tal como ela é. ou que são realidades meramente desejáveis. por isso. mas que. etc. que é a de chamar o Estado a intervir na sociedade somente para fazer aquilo que mais ninguém (pessoas. e o seu ênfase na capacidades ilimitada da razão 12 . responde o Catolicismo. O seu apego estrito à realidade tal como ela é. O Socialismo parte do facto de que existem desigualdades no mundo. Aquilo que é comum ao Liberalismo e ao Socialismo é que eles não tratam da realidade. devia existir. tratam dum mundo que não existe. porque não existe nenhuma sociedade. que leva a privilegiar o presente e o concreto. Mais uma vez está presente a dicotomia entre o que é e o que deve ser. só consegue preencher através do Estado? E que aderência à realidade está presente quando se impõe a uma comunidade.) consegue fazer. e por isso. o socialismo recomenda o Estado-Providência que é uma Estado grande. nas suas perspectivas respectivas. Enquanto o Catolicismo está centrado no Ser. e não como deveria ser. o liberalismo recomenda o Estado-mínimo. mas a uma realidade imaginária. presente ou passada. De facto. E o que dizer da exclusão de Deus da sociedade. incompletas. por exemplo. Pelo contrário. como pretende o Liberalismo. igrejas. na essência.uma realidade concreta e presente – as doutrinas saídas do protestantismo. empresas. através dos seus arranjos espontâneos. que pretende impor um Estado grande a uma comunidade que.Esta é. um Estado mínimo. mas que muitas delas deviam ser abolidas para que o mundo fosse melhor. Assim. imaginárias. Que tem o Catolicismo a dizer nesta contenda? A posição do Catolicismo é a de afirmar que ambas são soluções irrealistas. em nome da maximização do bem-estar individual. como o Socialismo e o Liberalismo centram-se nos factos. que não tenha tido um Deus. e por isso têm sido justamente consideradas ideologias.

Por outras palavras. Substituindo o personalismo católico pelo individualismo protestante. também levanta a questão de saber qual deve ser a linha de rumo desse pensamento. por isso. que possam aplicar-se monotonicamente a todas as comunidades humanas. como o Socialismo e o Liberalismo que se vêem a si próprias como soluções universais de organização social. A Doutrina Social da Igreja tem sido frequentemente criticada por ser imensamente vaga. e argumenta que este processo impessoal promove o bem-estar da sociedade. não existem soluções universais no sentido de Kant. na essência. e mais conformes às suas tradições históricas. [19] Esta posição é contrária à das modernas ideologias. eis. o que é que há de essencial. Paradigma Católico "A Igreja não tem modelos sociais a propor". as características da atitude intelectual que tem sido designada por Realismo Cristão ou Realismo Crítico. ou paradigma. políticos e culturais que se entrelaçam mutuamente" [18] Por outras palavras. escreve o Papa João Paulo II na Encíclica Centesimus Annus. O Papa logo a seguir acrescenta: “Os modelos reais e eficazes poderão nascer apenas no quadro das diversas situações históricas. no internacionalismo socialista e no globalismo liberal. as quais se exprimem. qual a ideia-base. A contribuição da Igreja é a de oferecer a sua doutrina social como "orientação ideal indispensável". pode dizer-se que a Doutrina Social da Igreja abre um potencial de criatividade considerável para pensar soluções aos problemas sociais e humanos. Cada comunidade humana tem de encontrar as soluções para os seus próprios problemas e os arranjos institucionais mais adequados aos problemas que enfrenta. na Doutrina Social da Igreja. sem necessidade de qualquer intervenção 13 . ou chave. A ciência económica prevalecente é uma ciência protestante. graças ao esforço dos responsáveis que enfrentam os problemas concretos em todos os seus aspectos sociais. [17] 5. respectivamente. ela tem despertado o interesse da investigação académica. menos ainda talvez nas de Ciência Política. ela olha para o mercado como um processo de massas.para inquirir mesmo sobre os assuntos do espírito humano. Porém. nem nas Faculdades de Economia nem nas de Sociologia. o livre arbítrio ou a imortalidade da alma. económicos. como Deus. que um economista ou sociólogo pode erigir como guia para construir uma verdadeira doutrina ou ciência económica do catolicismo? A questão não é sem importância. Neste sentido.

afinal o que a Igreja Católica pretende é algo de muito simples . a igualdade. o personalismo. mas à qual. em certos casos. porque é uma ideia perceptível por todas as pessoas. a liberdade. a solidariedade. a autoridade é dispensável. por seu turno. a ciência económica moderna permaneceu estranha .como a igualdade. possuindo o potencial para entrarem em conflito.e torna-se igual aos outros. Basta que cada homem seja deixado livre para prosseguir os seus próprios interesses. só podem conviver através de um delicado equilíbrio. o personalismo e o comunitarismo católico.a sua personalidade . um átomo da sociedade. a ideia de família é a mais simples que se poderia imaginar. É a célebre mão-invisível de Adam Smith. a liberdade.na realidade. aquilo que a Igreja pretende é fazer da humanidade uma família universal. Vista a esta luz. as instituições. adversa -. os comportamentos e os processos que ocorrem também na família. logo a seguir ao da vida. e que possa fornecer alguma luz ao economista ou ao sociólogo que pretenda construir uma teoria socioeconómica do catolicismo. o homem deve respeito e.construir uma família onde quer que existam pessoas 6. O Catolicismo assenta na ideia de comunidade. Cada homem é despido das suas características peculiares . a justiça e a tradição num equilíbrio viável? A resposta é afirmativa. É a instituição da família. uma comunidade que está ao serviço da pessoa humana.e não de família de quatro ou cinco -. Existe. e isso certamente coloca problemas específicos. A única diferença é que agora se trata de uma família de dez ou cinquenta milhões de pessoas. e da aparente aridez da sua Doutrina Social. e ao mesmo tempo combine a autoridade. a justiça. ou sequer divina. perde-se todo o sentido católico de comunidade. como ponto de partida de uma teoria socieconómica do catolicismo. Outros valores são defendidos num patamar logo a seguir . algo que promova a vida humana e esteja baseada no amor ao próximo. uma teoria socioeconómica do catolicismo está necessariamente orientada para defender os valores. Removendo a autoridade. à tradição católica. Na realidade. na realidade. no caso de um país. no caso do mundo inteiro . Terceira Via 14 . a tradição . a qual é substituída pela mão-invisível do mercado. que é a ciência económica moderna. De qualquer modo. finalmente. E. No meio de toda a sua complexidade teológica.humana. O cimento dessa comunidade é o amor ao próximo ou caridade que é o valor supremo do Catolicismo. cada homem passa a ser uma ilha. a solidariedade. Nesta heresia protestante. Existe alguma instituição onde confluam estes valores pela mesma hierarquia.os quais. as leis do mercado verificam-se com tanto mais precisão quanto mais os homens forem iguais uns aos outros. ou mesmo de seis mil milhões. a autoridade. obediência.

Mas se por «capitalismo» se entende um sistema onde a liberdade no sector da economia não está enquadrada num sólido contexto jurídico que a coloque ao serviço da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimensão desta liberdade. o Socialismo e o Liberalismo. Ao mesmo tempo. e uma certa propensão para gerar desigualdades sociais. Um processo social impessoal é aquele em que. os velhos e os incapazes. a resposta é certamente positiva. do mercado. invocando o Princípio da Subsidiaridade. da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produção. 15 . embora muitas pessoas participem nele. porventura. nem aí deixou de qualificar a sua apreciação e de lhe impor sérias reservas: "(. então a resposta é sem dúvida negativa". E mesmo quando. o Papa João Paulo II reconheceu a superioridade do Capitalismo ou Liberalismo.Desde a Encíclica Rerum Novarum (1891) do Papa Leão XIII que o pensamento oficial católico se demarcou claramente dos dois sistemas económicos em confronto. poluição). embora talvez fosse mais apropriado falar de «economia de empresa». ou simplesmente de «economia livre». afirmando constituir-se como uma Terceira Via. na Encíclica Centesimus Annus (1991). Nem poderia ser de outro modo. da livre criatividade humana no sector da economia. encontrar uma declaração mais favorável ao liberalismo económico e às suas instituições. a Igreja recusa subscrever na íntegra as teses do Liberalismo: "Como vimos atrás. a Encíclica remete o Estado para o papel mais modesto que cada sociedade humana concreta pode comportar. nenhuma delas é responsável pelos seus resultados finais.. o mercado e a liberdade de iniciativa..) pode-se porventura dizer que. este o modelo que se deve propor aos países do Terceiro Mundo que procuram a estrada do verdadeiro progresso económico e civil? A resposta apresenta-se obviamente complexa. É um processo de massas. as reservas que a Igreja coloca a uma sociedade baseada primordialmente no mercado devem-se ao facto de o mercado ser um processo social impessoal. após a falência do comunismo. que é o de só ser chamado a desempenhar as funções que todas as outras instituições sociais se mostrem incapazes de desempenhar. a tendência para excluir os jovens. é inaceitável a afirmação de que a derrocada do denominado «socialismo real» deixe o capitalismo como único modelo de organização social". cujo centro seja ético e religioso. [20] Seria difícil. Se por «capitalismo» se indica um sistema económico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa. na esfera estrita da economia. mesmo assim. a incapacidade para produzir os chamados bens públicos. como a dificuldade em lidar com as chamadas externalidades (v. a propriedade privada. cem anos depois. A Igreja imputa ao sistema social baseado na instituição do mercado muitas das críticas que são conhecidas. [21] Porém.. Porém. [22] Mercado.g. como a empresa. o sistema social vencedor é o capitalismo e que para ele se devem encaminhar os esforços dos países que procuram reconstruir as suas economias e a sua sociedade? É. uma alternativa doutrinal quer ao Socialismo quer ao Liberalismo. talvez.

é uma abstracção . às vezes verdadeiras comunidades onde as pessoas se conhecem. e mais importante objecção. Em vista do seu personalismo doutrinário. Estado-Providência. e nisso . Porém. A segunda. torna-se uma abstracção. em vista da sua grandeza ou da sua extensão. afim de pessoalizar os seus resultados.). ele deixa de ser pessoalizado. e ninguém possa ser responsabilizado por isso. são danosos para os outros e para a socieadade. sendo no seu interesse próprio. à medida que o mercado alarga o seu âmbito tornando-se nacional e. não as pessoas ao serviço da sociedade. como a sociedade. subsidiariamente. tem um peso insignificante nos seus resultados finais (preços. e deixa de se saber ao certo ao serviço de quem ele está. A primeira objecção é a de que a sociedade não é uma pessoa . é um mercado onde participam milhões de pessoas. individualmente ou em grupo. em condições de concorrência. reside a sua principal vantagem. a fazê-lo. nível de emprego. então ele abre caminho à irresponsabilidade .a possibilidade de qualquer dos intervenientes. ameaçam tornar-se impessoais. um processo impessoal. quantidade de emprego gerado. Daí que a Igreja defenda que o mercado tem de ser supervisionado por uma autoridade. e onde os benefícios que produzem estão visíveis aos olhos de todos. nas múltiplas trocas entre consumidores e vendedores. estes comportamentos têm uma importância diminuta. quando ele se torna global. a Igreja não pode deixar de estabelecer limites às instituições e aos processos sociais que. por isso mesmo. então terá de ser o Estado.A Igreja possui apreço pelos mercados locais. e mais ainda um mercado global. por exemplo. Mas quando generalizados. Beneficia a sociedade como um todo. maximizando o bem-estar social (medido. É a sociedade que tem de estar ao serviço das pessoas. mas onde cada pessoa. Este mercado serve a quem e beneficia quem? Os economistas respondem que um grande mercado impessoal não visa servir ou beneficiar alguém em particular. não fica mesmo excluída a possibilidade de que o mercado livre conduza ao colapso da sociedade. adoptar comportamentos que. E se não aparecerem na sociedade instituições espontâneas que o façam. Um mercado nacional. onde ninguém é responsável pelos seus resultados. na realidade. etc.argumentam eles -. lucros dos participantes. A Igreja não pode aceitar esta resposta. Enquanto permanecerem isolados. quantidades produzidas. é a de que se o mercado é. não de abstracções. está neste caso o Estado moderno que se tornou a instituição central do socialismodemocrático ou social-democracia: 16 . pela soma dos chamados excedentes dos produtores e dos consumidores). mais ainda. Para além do mercado.e o personalismo católico exige que as instituições e os processos sociais estejam ao serviço das pessoas.

quer na Inglaterra pré-Reforma quer na Península Ibérica (aqui chamados Cortes) numa altura em que a Igreja tinha uma influência dominante sobre 17 . até por um sufrágio muito vasto que. que remete essa função.. como no caso dos toxicómanos: todas estas são pessoas que podem ser ajudadas eficazmente apenas por quem lhes ofereça. "outras sociedades intermédias [que] desenvolvem funções primárias e constroem específicas redes de solidariedade". frequentemente. um certo tipo de necessidades requer uma resposta que não seja apenas material. Ao intervir directamente... Desde os primórdios do Cristianismo que a Igreja defende.. obviamente. parece conhecer melhor a necessidade e ser mais capaz de satisfazê-la quem a ela está mais vizinho e vai ao encontro do necessitado. As instituições primárias de assistência são a família e a própria Igreja que neste campo "sempre esteve presente com as suas obras" [25] e. incluía também os leigos. Acrescente-se que. nos últimos anos. a solução defendida pela Igreja Católica. a um vasto alargamento . o Estado assistencial provoca a perda de energias humanas e o aumento exagerado do sector estatal. porém. talvez o mais anti -católico governante da Alemanha moderna. e a uma democracia que.. o Estado deve ser a última solução racional. Não faltaram.. A primeira é. e são as únicas capazes de lhes prestar uma assistência personalizada. e foi criado para substituir a influência da Igreja nas suas funções assistenciais. [23] Depois. o «Estado do bem-estar» . Porém. Também neste âmbito se deve respeitar o princípio da subsidariedade: uma sociedade de ordem superior não deve interferir na vida interna de uma sociedade de ordem inferior. já existiam Parlamentos em todo o mundo católico. anciãos ou doentes e em toda as diversas formas que exigem assistência. além dos cuidados necessários. Hayek. o apelo a uma assistência personalizada e a defesa das instituições de solidariedade que estão mais próximas dos carenciados: "De facto. além dos clérigos. Os Papas sempre foram eleitos democraticamente. Pense-se na condição dos refugiados. e pratica. Muito antes dos modernos Parlamentos. mas que saiba compreender nelas a exigência humana mais profunda. um apoio sinceramente fraterno" . emigrantes. a crítica da Igreja à extensão e à impessoalidade do Estado-assistencial é parte de uma crítica mais ampla ao Estado democrático moderno. porque são elas que melhor conhecem as suas necessidades. [26] O Estado-Providência moderno é uma criação de Bismarck.. excessos e abusos que provocaram . A. no imperativo cristão de ajudar os necessitados. se tornou uma democracia ilimitada. fortes críticas ao Estado do bem-estar. ainda. e nos primórdios do Cristianismo. [24]. [27] Democracia."Assistiu-se. irresponsabilizando a sociedade. com um acréscimo enorme de despesas". qualificado como «Estado assistencial». dominado mais por lógica burocráticas do que pela preocupação de servir os usuários. a democracia. nas palavras do economista F. de forma prioritária. As anomalias e defeitos do Estado assistencial derivam de uma inadequada compreensão das suas tarefas. para as instituições que estão mais próximas dos carenciados.. [de] um novo tipo de estado. privando-a das suas competências . Porém.

ainda assim. as próprias instituições políticas. Porém. um processo impessoal: "Pelo que fica dito. [29] Porém. não se segue que os homens não tenham a liberdade de eleger as pessoas investidas na missão de a exercer. a doutrina que acabamos de expor é plenamente conciliável com qualquer espécie de regime genuinamente democrático". foi ainda durante a Segunda Guerra Mundial. consagrada ao desenvolvimento humano. o Papa João XXIII fez questão de salientar que não existe nenhuma incompatibilidade entre o Catolicismo e a democracia. [28] Na Encíclica Sollicitudo Rei Socialis (1987). A democracia moderna com o seu sufrágio universal é. por parte da Igreja Católica.é a inimiga capital da verdadeira democracia e do seu ideal de liberdade e igualdade".toda a sociedade ocidental.como nós acabámos de defini-la . um peso de 1% nesse resultado. e menos certo era ainda o regime político sob o qual viriam a organizar-se. para substituir regimes corruptos. tem sido por vezes argumentado que a Igreja possui uma relação difícil com a Democracia. Trata-se do primeiro reconhecimento explícito. portanto. que favoreçam a participação". aparece clara outra conclusão: a massa . das virtualidades positivas da democracia moderna. Na Encíclica Pacem in Terris (1963). Pelo contrário: "Do facto de a autoridade derivar de Deus. em particular. que o Papa Pio XII. De forma não surpreendente. o Papa João Paulo II vai mais longe e vê na democracia uma contribuição para o desenvolvimento: "Outras nações precisam de reformar algumas estruturas injustas e. depois das experiências traumatizantes que se seguiram à Revolução Francesa. tal como o mercado. Porém. esse momento acontece quando a democracia se torna um fenómenos de massas e. numa altura em que os vencedores não eram ainda certos. um processo impessoal. A sua própria história na eleição democrática do Papa a tinha levado de um sufrágio aberto aos padres e até ao leigos para o actual sistema em que o Papa é eleito apenas por cerca de uma centena de cardeais. onde todos participam mas ninguém é responsável pelos resultados finais. bem como de determinar as formas de governo e os limites e regras segundo os quais se há-de exercer a autoridade. [30] Não foram apenas as democracias saídas da Revolução Francesa que tinham alertado a Igreja para os perigos da massificação trazida pelo sufrágio universal. ditatoriais e autoritários por regimes democráticos. porque cada um teve. consagrou a Encíclica Benignitas et Humanitas (1944) ao tema da democracia. é também neste documento que se contém o limite a partir do qual a confiança da Igreja na democracia tende a desvanecer-se. Quando cem eleitores escolhem democraticamente o líder da sua comunidade. no caso de a escolha ser má. ainda é possível responsabilizar cada um deles pelo resultado final. Mas quando a 18 . Por esta razão.

também já o tinha intuído. líder da Escola da Escolha Pública. resultados que não são atribuíveis a ninguém em particular e que ninguém pode controlar. não é possível chamar à razão um processo social impessoal. num argumento que é constantemente reiterado pela Igreja. e exigir-lhe reformas. são também a-racionais. a democracia e o mercado.como a democracia e o mercado . podem ser bons para o homem e o bem comum. que é a de permitir a substituição pacífica dos governantes. como acontece nas democracias modernas. O economista James Buchanan. A resposta é que a Terceira Via proposta pela Igreja defende que todos os processos sociais devem ser institucionalizados. A 19 . Estes resultados. Em particular. o mercado ou mesmo a democracia) a Igreja recomenda uma instituição seja para o enquadrar seja para o controlar.ninguém em posição de autoridade que os controle. Existe o risco de uma comunidade humana se arruinar e destruir quando está sujeita à aleatoriedade dos resultados de processos sociais impessoais. e a preocupação é sempre a mesma – a de o pessoalizar e responsabilizar alguém pelos seus resultados finais. como podem ser maus. ninguém os pode corrigir porque não é possível pedir responsabilidades nem ao mercado nem ao povo.eleição é feita entre 10 ou 200 milhões de eleitores. só assim é possível pedir responsabilidades e exigir reformas quando os processos e as instituições sociais deixaram de assegurar o bem comum. Só assim se pode esperar uma comunidade humana governada pela razão. Mais ainda. ganhou o Prémio Nobel em 1986 largamente por este argumento. que os utilizam em seu benefício próprio e contra o bem comum da sociedade. Friedrich Hayek. É diferente se no topo de cada instituição ou processo social estiver uma autoridade humana livre que não tenha de reportar a ninguém senão a Deus. Não será exagerado dizer que por cada processo social (como as reivindicações operárias. Por isso. É possível chamar uma autoridade à razão. Pior ainda. a Igreja Católica não pode subscrever uma democracia ilimitada. eles correm o risco de serem apropriados por grupos de interesses particularmente bem colocados. o peso de cada eleitor no resultado final tende para zero. sendo aleatórios. em lugar de os deixar sem controlo humano. é altura de perguntar o que é que distingue a Terceira Via de organização económica e social proposta pela Igreja. anulando a principal vantagem da democracia. e o mau chefe poderá então ter de ser removido por meios anti-democráticos. e em que é que ela difere das soluções propostas pelo Liberalismo e pelo Socialismo. Torna-se impossível responsabilizar alguém por uma má escolha. Chegado a este ponto. Prémio Nobel em 1974. Processos Sociais Institucionalizados. produzem resultados aleatórios. não possuindo os processos impessoais . sendo processos impessoais.

nos seus processos e instituições principais.. país) torna-se também um processo impessoal. um país assente nas ideias puras do Catolicismo e compará-lo com os países assentes. 7. mas só de modo subsidiário. É o poder coercivo do Estado o instrumento privilegiado do Socialismo para realizar o seu fim de igualdade material entre todos os cidadãos. o Liberalismo procura minimizar a esfera de acção do Estado. país. seguindo-se todas as outras instituições privadas e finalmente. Processos sociais. quando praticada em larga escala (v. mundo) se torna um processo impessoal. A razão humana é justamente a força da gravidade em que consiste o Catolicismo.g. e sem coerção. respectivamente por PS e PL. existindo uma opção preferencial pelas instituições públicas em detrimento das privadas. impedindo-o de entrar numa roda-livre de destruição. Instituição Principal. em primeiro lugar o valor do amor ao próximo ou caridade. é possível agora descrever.. e o Estado deve ser mínimo. É através das instituições estabelecidas livremente. Este é um processo que. que é o instrumento principal através do qual o Catolicismo visa atingir o seu fim de maximização da vida humana. daí resultando o seu ênfase na liberdade individual. O País Liberal (PL) privilegia a empresa privada e as outras instituições espontâneas da sociedade. essa força que constantemente puxa o pêndulo social para o equilíbrio. que é o símbolo da coerção. No País Socialista (PS) a principal instituição é o Estado. Sociedade Com base no que ficou dito anteriormente.razão humana aparece então como a última e decisiva defesa contra a destruição da sociedade e da civilização. como o processo do mercado. O PS põe o ênfase no processo político e na democracia. O País Católico é designado abreviadamente por PC e os países socialista e liberal.g. No País Católico (PC) a principal instituição é a família. e através dele 20 . que o liberalismo realiza o seu fim de maximizar o bem-estar ou felicidade individual. O Socialismo visa dirigir a sociedade a partir do Estado. É na família que o homem vive. nas ideias puras do Socialismo e do Liberalismo. a fim de que cada um possa atingir os seus fins na vida com um mínimo de interferência. Na sua ânsia de maximizar a esfera privada de liberdade. A democracia. Esta secção ocupa-se das instituições e processos sociais e a seguinte das instituições e processos económicos. o Estado e as outras instituições públicas. O PL põe o ênfase nos processos sociais espontâneos. quando praticado em larga escala (v. respectivamente.

escolas.é temperar os excessos do personalismo com os valores comunitários. ninguém precisa de ninguém e todos precisam do Estado. O PS vê na nação a principal comunidade e no Estado a principal instituição. confessionais e públicas. institutos de formação e reorientação profissional. Por isso. portanto. subsídios de desemprego e de pobreza. -. universidades.escolas.g. O sistema de educação é aberto a instituições privadas. por isso. A educação na família é excessivamente personalizada e. o Estado acompanha o cidadão desde o berço até a caixão. As instituições confessionais são aceites. O PL é propenso ao divórcio. não rejeita que eles tenham de ser submetidos ao controlo da autoridade política para protecção da comunidade. preferindo ver o mercado e a democracia como processos locais ou de pequeno grupo e. os quais visam igualizar a condição material de todos os cidadãos educação e saúde gratuitas. A educação é essencialmente laica. mas ao contrário do PL. O PC vê o casamento como uma aliança para a vida entre um homem e uma mulher. etc. institutos profissionais. O casamento mantém-se enquanto durar o interesse das duas partes e desfaz-se logo que uma das partes deixe de ver nele benefício próprio.) e estando submetidas à tutela do Estado. a família torna-se uma instituição dispensável e o casamento é desincentivado. em concorrência umas com as outras e oferecendo no mercado uma grande diversidade de programas educacionais. No PC. etc. Educação. O PC opta pelos processos sociais pessoais. e aos frutos dessa união. programas. infantários. O PC encoraja o casamento e desencoraja o divórcio. são fontes de desigualdades entre os cidadãos. e as instituições privadas e confessionais só são toleradas se se comportarem como as instituições públicas congéneres (v. etc. pessoalizáveis. uma das funções da Escola .. O PL vê o casamento como um contrato destinado a promover o interesse-próprio dos participantes. A família é a principal comunidade do PC e a sua mais importante instituição. a principal instituição educacional é a Família. Em consequência. a autoridade política 21 . e as instituições públicas de educação devem ser minimizadas. mediante a qual os esposos se comprometem a proteger-se mutuamente. O sistema educacional é assegurado através de uma grande variedade de instituições privadas . O Estado controla a educação por forma a assegurar que ela é igual para todos e todos têm iguais oportunidades de acesso. como o mercado. No PL a principal instituição educacional é a Escola a par com a Família e só em último lugar o Estado. devendo estas últimas revestir um carácter subsidiário. O PC atribui primazia aos processos sociais espontâneos como o mercado. etc. O sistema educacional é fortemente politizado e organizado de cima para baixo. infantários. condições de acesso. Neste país. universidades. As pessoas são seguras de todos os riscos e necessidades da vida através de programas do Estado.realizar o seu ideal igualitário. tendo o Estado no vértice e utilizando uma variedade de instituições públicas . Família.embora não a única . A política não tem qualquer lugar na definição do sistema de educação do país. fazendo parte do leque de escolhas aberto aos cidadãos. considerando que os processos sociais espontâneos. No PS a principal instituição educacional é o Estado. seguindo-se a Escola e só em último lugar o Estado.

o acto ilícito é visto como uma ofensa ao homem e à comunidade. Neste país. A característica principal da justiça é a imparcialidade. justiça é retribuição. Na vida profissional. justiça é igualdade. Por isso. Não existe diferença entre os papeis do homem e da mulher na sociedade. o equilíbrio entre a necessidade de penalizar e o valor católico do amor ao próximo. quem foi prejudicado precisa de ser ressarcido. O atributo principal da justiça é a compaixão. a administração da justiça tende a ser vista à mesma luz como uma repartição equitativa dos benefícios e dos custos. normalmente através de empregos no Estado. Não sendo a família favorecida neste país. Neste país onde prevalece a lógica do contrato e do negócio. No PL a diferença é apreciada e as mulheres tendem a distinguir-se claramente dos homens nas suas expressões exteriores. Neste país. programas educacionais mínimos aos quais todas as escolas devem submeter-se. a vida profissional é feita em concorrência. O sistema público de justiça. As decisões dos tribunais tendem a favorecer a parte mais carenciada. que é uma figura feminina [31]. reciprocamente. A capacidade para penalizar é vista como um atributo masculino e. No PC. este é o país onde os homens menos precisam das mulheres. A mãe educa os 22 . os juizes no PC tendem a ser homens. a função da Igreja. Justiça. portanto o país onde as mulheres menos são valorizadas. por isso. Este é um atributo feminino por isso a profissão de juiz tende frequentemente a ser desempenhada por mulheres. mas o atributo da moderação é um atributo feminino. No País Liberal. fazendo das mulheres advogados de defesa por excelência. em nome dos valores da comunidade. onde as promoções são feitas por antiguidade ou legisladas por quotas. Condição Feminina. Neste país. é a de interceder junto de Deus em favor do pecador). A principal característica da justiça no país católico é a moderação. penalizando a diferença para promover a igualdade. (No sacramento católico da confissão onde comparecem perante Deus o pecador e a Igreja. Este é o país que mais diferencia as profissões masculinas e femininas segundo a sua eficácia económica. o país onde as mulheres menos precisam dos homens e os homens menos são valorizados). é utilizado para realizar o ideal igualitário da sociedade socialista. a profissão de juiz tende a ser desempenhada sobretudo por homens. Quem lucrou com um acto ilícito precisa de ser penalizado. ninguém precisa de ninguém e todos precisam do Estado. e a relação homem-mulher é uma troca permanente. No PS as mulheres são vistas como sendo iguais aos homens de acordo com o ideal igualitário prevalecente. (e. O criminoso tende a ser visto como uma vítima da sociedade e das desigualdades prevalecentes. justiça é equidade (fairness). As família é valorizada embora o divórcio seja frequente. Por isso. as mulheres ascendem normalmente às mesmas posições dos homens. Este é um atributo sobretudo masculino.intervém no sistema de educação definindo. as mulheres tendem a educar sozinhas os filhos que resultam sobretudo de relações ocasionais. e uma ofensa precisa ser castigada. As mulheres são vistas pelos homens como parceiras de negócios. No PS. como as outras instituições do Estado.

O PS procura realizar no Estado Democrático a síntese da Autoridade (Estado) com a Liberdade (Democracia). O Socialismo desencoraja o sentido comunitário. para obterem um emprego ou venderem um produto. o PL visa minimizar o papel da autoridade na sociedade a qual é sempre vista como um impedimento à liberdade. A função da autoridade é a de limitar a liberdade. A característica principal das relações pessoais é a amizade . No PL. No PC a liberdade é também a possibilidade de cada um fazer aquilo que quer. Esta função confere-lhe um ascendente permanente sobre os homens. No PL liberal é o interesse que domina as relações entre as pessoas. rápidas. a assistência no desemprego. Para o Socialismo. No PS todas as pessoas dependem. as mulheres mais valorizam os homens). Por isso. que se exibe logo na família. por forma que esta seja apenas utilizada para o bem – nunca para o mal. a liberdade é uma liberdade primariamente política. até para a educação dos filhos. Liberdade e Autoridade. As relações pessoais tendem a assemelhar-se a relações de negócio. Cada um precisa de todos s e todos valorizam cada um no desempenho das suas respectivas funções e na sua personalidade única. reciprocamente. O paradigma da autoridade católica é a 23 . do Estado para os seus empregos. Existe uma grande diferença entre os papeis do homem e da mulher na sociedade. No PC. As pessoas têm necessidade umas das outras por interesse-próprio. e todos dependem do Estado. Por isso. Não precisam uns dos outros. A mulher é a principal educadora dos filhos. O PC favorece a pequena comunidade onde todos se conhecem. e a Autoridade privilegiada é a autoridade do Estado Democrático.uma forma do amor cristão ao próximo. a capacidade para participar nos processos de decisão colectivos ou democráticos. Existe uma certa distinção entre profissões femininas e profissões masculina. as relações de família e de negócios tendem a interpenetrar-se. é a capacidade para cada um fazer aquilo que quer. com o mínimo de constrangimentos. Este é o país de relações pessoais mais intensas que. a começar pela família. superficiais e contratuais. mas como uma restrição importante – a de que não seja para mal dos outros. é o país onde os homens mais valorizam as mulheres (e. duram para a vida. e de modo a tornar os filhos independentes o mais rapidamente possível. durando apenas enquanto durar o interesse das partes. cuja autoridade mais próxima eles vêem sempre como sendo uma figura feminina . na doença e na velhice.a da mãe. a liberdade tem um significado diferente. O PC valoriza a diferença e vê a mulher e o homem como sendo complementares. O ascendente da mulher confere aos países de tradição católica características predominantemente femininas. em última instância. Ninguém depende de ninguém. A característica principal das relações pessoais neste país é a indiferença. O elevado sentido comunitário encoraja o espírito associativo.filhos em posição de igualdade com o pai e segundo a filosofia de troca prevalecente na sociedade. frequentemente. Todos se sentem iguais porque todos têm acesso aos mesmos serviços prestados pelo Estado. a mais importante instituição do PC. embora a maior parte delas sejam desempenhadas por homens e mulheres. Relações Pessoais.

A religião é um produto de 24 . O PC também coloca o ênfase na propriedade privada. que o mundo será melhor se todas as pessoas forem iguais. o meio essencial para o homem realizar os fins que ele próprio se propõe na vida. A propriedade pública é olhada como um impedimento à realização dos fins pessoais e uma fonte de ineficiência económica. O homem de negócios é o modelo social deste país. Dentre todas as correntes do cristianismo. Deus é um obstáculo à realização socialista da igualdade porque é Ele a fonte de todas as diferenças humanas. como é próprio de um país comercial que oferece uma vasta gama de produtos acessível a todas as bolsas e para todas as preferências. Modelos Sociais. passando pelo agnosticismo. O Socialismo sabe que pode utilizar o poder coercivo do Estado para tornar todos os homens iguais por fora. o Socialismo é o reino dos ateus. Por isso. desprezando a vida espiritual do homem que se manifesta através da religião. e daqueles que Deus pôs à sua guarda . Compete. Existem religiões para todas as variedades e para todos os gostos.autoridade do pai (ou da mãe) face ao filho. A propriedade privada é olhada com desconfiança e como fonte de desigualdades. ao homem. e que o Estado democrático é a instituição apropriada para operar essa mudança. que é vista como um elemento realizador da personalidade humana. Não se cumprindo esta condição. O futuro a Deus pertence. mas para os tornar iguais por dentro é preciso acabar com Deus. pelo contrário. ao contrário do Liberalismo. o Socialismo ressente principalmente o catolicismo.a começar pela sua família. A iniciativa individual é agora o motor da mudança e a instituição privilegiada é a empresa. O PC não acredita que o mundo possa ser melhorado pela acção individual ou colectiva do homem. põe o ênfase na propriedade privada. Na sua pretensão de tornar os homens todos iguais só lhe interessam os factos que revelam a igualdade ou a diferença. a saber. Por isso. O PS é anti-religioso. por ser a mais personalista. impõe-lhe uma condição. em primeiro lugar. mas. nunca o mal – é o paradigma da liberdade católica. o político democrata é modelo social no PS porque é pela sua acção empenhada que se realizará o ideal da sociedade socialista. portanto. O PL liberal oferece o mais amplo espectro religioso que vai desde o ateísmo até ao mais extremo teísmo. Religião. Construir e educar uma família é a primeira e mais importante tarefa que se exige a cada homem O pai de família é o modelo social do PC. O PL. e por isso o Socialismo é materialista. que o mundo será melhor se todas as pessoas forem livres de prosseguirem os seus próprios fins na vida sem qualquer subjugação à comunidade. cuidar de si próprio. a de que ela esteja também ao serviço do bem comum. O PL também acredita que é possível mudar o mundo para melhor. Propriedade. O PS põe o ênfase na propriedade pública que é vista como um meio para realizar o seu fim da igualdade material entre os homens. e a liberdade do filho – que é uma liberdade para fazer o bem. o recurso à propriedade pública é recomendado. No PS acredita-se que é possível mudar o mundo para melhor.

No PC a empresa é organizada primariamente para prover ao sustento da família. No PL. a Igreja é a garantia da liberdade política e da liberdade individual. No PS o Estado é a principal entidade económica e a empresa pública a forma de organização empresarial dominante. mas pela esperança de as catequizar. horários. o que vai fazer e em que condições exerce o seu trabalho. uma espécie de produtos feitos à medida do consumidor. a religião é um assunto público e as manifestações de religiosidade no país católico tendem a ser públicas. zelando para que o poder político não cometa abusos nem excessos sobre as pessoas. O PC valoriza fortemente a religião. Exige-se ao trabalhador a produtividade máxima e as promoções são feitas de acordo com o mérito. cumprindo um horário. A produção é organizada para o mercado nacional para responder às necessidades da nação. A religião católica fornece o código moral da sociedade. segundo as suas preferências. O trabalhador segue as decisões do Estado. embora outras religiões. etc. O PL impõe a máxima mobilidade aos 25 . No PL a empresa dominante é a empresa privada. salários. desta forma garantindo a liberdade religiosa. No PL. a religião é um assunto da esfera privada de cada um e as manifestações religiosas possuem um carácter privado e discreto. e as condições em que o vai desempenhar são determinadas pelo mercado. a vida do trabalhador está dependente do mercado. No PS. 8. Em consequência. aí se encontrando a mais ampla variedade de personalidades humanas. os locais (vilas. a vida do trabalhador está dependente do Estado. O trabalhador predominante é o funcionário público. Economia Empresa. que é a comunidade central do Socialismo. cidades. O país católico é personalista. existem grandes religiões. A Igreja convive com o Estado numa relação de independência e igualdade. as quais determinarão onde vai viver. por vezes. É o mercado internacional que selecciona quais os bens a produzir. a produção é feita para o mercado mundial. Neste país. países) onde eles se vão produzir. Trabalhador. A natureza da produção. executando ordens da hierarquia e sendo promovido por antiguidade ou por virtude de conexões políticas. A forma dominante de organização empresarial é a pequena empresa familiar orientada para um mercado que é sobretudo local. o tipo de emprego que vai obter. Por isso. a forma de grande sociedade anónima e multinacional. pequenas religiões e até religiões individuais. Neste país.) são determinadas pelo Estado. não porque se acredite nelas. a empresa privada assume. O local onde o trabalhador vai viver. a sua localização e as condições em que é efectuada (tecnologia. A produção é organizada para o mercado mundial e. por isso. sejam toleradas. as regras do jogo essenciais que permitem aos homens viver em sociedade de forma pacífica e próspera. Existe uma única e verdadeira religião. e as condições em que serão produzidos.consumo individual que cada um é livre ou não de consumir. bem como o ateísmo e o agnosticismo.

As contribuições são obrigatórias e as condições em que cada pessoa se pode reformar são fixadas pelo Estado . fundos privados de pensões. Trabalha-se para viver. num extremo. por arranjos comunitários espontâneos (família. no outro. montante da pensão. define o carácter 26 . um homem fica à mercê de instituições privadas de solidariedade que disponibilizam hospícios para os desalojados.. como no PL. em condições de impessoalidade não muito diferentes dos lares de idosos do caso anterior. com participação de empresas privadas. e do qual receberão a sua pensão de reforma. O país liberal oferece todo o espectro de paradigmas de organização industrial definidos pelos economistas. A velhice é um risco maior no PL porque. pois o trabalhador é frequentemente membro da família que detém a empresa. Prevalece a empresa privada. onde acabarão os seus dias. a reforma é. A pessoalidade no tratamento dos velhos é uma característica do PC que resulta do seu sentido comunitário. terão à sua disposição uma rede de lares para idosos gerida pelo Estado. Os sectores de actividade que possuem relevância política são dominados pelo Estado. No país Católico. A empresa privada possui um carácter subsidiário e o sector concorrencial é residual e prevalecente nas indústrias sem relevância política. A existência de economias de escala e de escopo. barreiras à entrada na indústria. a vida do trabalhador é uma extensão da sua vida familiar. a organização industrial é definida inteiramente pelas forças do mercado.g.g. No PC. O cartel controlado politicamente é frequente. Igreja. A promoção do trabalhador acompanha o desenvolvimento da empresa-familiar e os trabalhadores assalariados são frequentemente vistos como membros da família sendo avaliados tanto pela sua produtividade quanto pela sua lealdade à causa familiar e dedicação. caixas de pensões. em instituições comunitárias próximas da sua família e dos seus amigos. cuidar dos netos. No PS existe um sistema nacional de pensões de reforma. ou institucionais (v. Junta de Freguesia). em casos de incapacidade. acções.). No PL cada um é suposto prover para a sua própria reforma através de poupanças realizadas durante a sua vida activa e aplicadas em produtos financeiros disponíveis no mercado (depósitos bancários. Organização Industrial. etc.. etc.g. rendas de imóveis). No PS a organização industrial é definida pelo Estado. No PL. Existem oligopólios.. directamente ou através de empresas públicas. na ausência de poupanças adequadas.idade da reforma. desde a concorrência perfeita. assistência aos pobres e doentes) e. associações de assistência mútua. a qual pode ir até à emigração para o estrangeiro. Os idosos que perderam a autonomia e que não dispõem de outras soluções. até ao monopólio. Assistência Social.. mas não se vive para o trabalho. para o qual todos são obrigados a contribuir durante a sua vida activa. etc. Os idosos vivem os seus últimos anos no seio da família e da comunidade com funções activas numa (v. em parte. onde normalmente pontifica uma empresa pública. e passando pela concorrência monopolística e o oligopólio. assegurada pelo próprio. em parte. Todos os sectores de actividade tendem a ser regulamentados pelo Estado. A forma de organização industrial dominante é o monopólio do Estado. funções domésticas) e noutra (v.trabalhadores. através de poupanças durante a sua vida activa e.

A porta está aberta para que eles utilizem esse dinheiro em proveito próprio. tendo sucesso. Porém. a qual não será necessariamente concedida. Neste país. Pelo contrário. Empresários. uma nova pequena fábrica de botões. este é o país que mais favorece o enriquecimento pessoal na vida empresarial. A corrupção será sempre pequena porque os interesses são pequenos . o PC minimiza a corrupção. a simpatia ou a competência técnica do empresário. Corrupção. O Estado ocupa os sectores de actividade não servidos pela economia privada. O PC. Ao Estado compete também.mais ou menos monopolístico de cada sector de actividade económica. No PL. fazendo do PL o país por excelência das grandes empresas privadas. um homem tem toda a liberdade para abrir uma empresa.a massa anónima de accionistas. fornecer à comunidades os bens e serviços que não são fornecidos espontaneamente pelo mercado. e eles tomam decisões com o dinheiro dos outros . e é suficiente para o novo empresários sobreviver. o Estado leva em impostos uma parte substancial dos lucros do empresário e do seu salário de gestor. O crescimento das empresas está limitado pela perda do controlo familiar. primeiro a nível local e depois a nível regional e nacional. Um novo restaurante. uma nova oficina de reparação de automóveis. No PC a organização industrial é definida em primeiro lugar pelo mercado local e subsidiariamente pelo Estado. vai-se defrontar com o cartel das grandes empresas já estabelecidas. Não é fácil a um empregado utilizar em proveito próprio o dinheiro do patrão. o Estado regulamenta ao detalhe como é que as empresas podem funcionar e as obrigações a que estão sujeitas. 27 . no limite. Os monopólios naturais são frequentes. um novo consultório médico tem sempre lugar. O PS não aprecia empresários. que pode ser apenas o carácter. e nos outros é necessária uma licença do Estado. Aí são os gestores das grandes sociedades anónimas e multinacionais que tomam decisões com o dinheiro dos outros . o arruinam. vendo neles uma fonte potencial de desigualdades sociais. Por isso. faz a diferença. A corrupção é um traço característico do PS. e aquele que melhor aproxima o modelo de concorrência dos economistas. pelo contrário. mas nos sectores mais lucrativos. No PL existe também o potencial para a grande corrupção. e até prosperar.o dinheiro da massa anónima dos contribuintes. No PS não é fácil a um homem tornar-se empresário. sob os olhos deste. Estes é o país das pequenas empresas familiares. O PC é o reino da pequena empresa privada. e assim também os oligopólios que frequentemente degeneram em carteis. é o reino das pequenas empresas familiares e concorrenciais.as empresas são pequenas e o Estado também é pequeno. assumindo a forma de empresa-familiar. que o desencorajam e. que não possuem meios eficazes para os fiscalizar. No PS são os políticos e os gestores das grandes empresas públicas que dominam a economia. Uma pequena diferença em relação às empresas existentes. de forma subsidiária. as grandes empresas do PC tendem a possuir uma dimensão moderada. os principais sectores de actividade estão monopolizados pelo Estado. Através de uma multiplicidade de prescrições. No final.

e que não serão propriamente adeptos de o ver subir a ele. e gradualmente ajustar-se a ela. emigração). melhora os produtos existentes.). pode conhecer e acompanhar essa alteração desde o primeiro sinal.com a sua máquina pesada e lenta . Porém. Numa economia liberal. todos os produtos. Ao mesmo tempo. subsídios de deslocação. a rotina que se vive num departamento do Estado ou numa empresa pública. O desemprego dos recursos. convive com ela .. e acabar despedido. A sua readaptação ao processo produtivo exigirá. a empresa familiar. um certo tempo vai passar até que as novas necessidades sejam vistas pelo poder político como possuindo uma dimensão nacional. se o inovador conseguir vingar dentro da organização. a lógica do lucro favorece um reajustamento mais rápido da oferta à procura do que no caso anterior. O homem inovador tem acima de si vários escalões da hierarquia. fazendo aquilo que lhes mandam fazer. do que como um símbolo a imitar. Criatividade. a intervenção do Estado (v. inventa novas tecnologias e processos de produção mais baratos. e que dão mais lucros à empresa. cursos de formação e reorientação profissional. O desemprego ou a obsolescência dos recursos nesta comunidade é muito pouco provável. o empresário. O PS não estimula a criatividade. tem dezenas de colegas que competem com ele para a próxima promoção. A alternativa é o desemprego e a obsolescência do seu capital humano.na realidade. a segurança. os trabalhadores devem estar prontos a mudar várias vezes de profissão ao longo da vida e a deslocarem-se entre países. em geral. ao seu lado.e onde mais intimamente a conhece. e a sua reafectação pode exigir custos intoleráveis para o trabalhador e a sua família (v. todos os procedimentos estão estandardizados e obedecem a prescrições rígidas. Recursos serão prontamente lançados no desemprego. O PL responde às necessidades da população mundial (procura) através da empresa privada. O PS responde às necessidades da população nacional através do Estado. possui uma capacidade de ajustamento que não está presente nem no Estado nem na grande empresa privada. frequentemente multinacional (oferta). sendo pequena.. e a inovação tiver 28 .tratará de organizar a produção para se adaptar às novas necessidades. Quando as necessidades da população mundial se alteram. A inovação cria novos produtos. Este é o reino da burocracia. Quando as necessidades da população local se alteram. Quando as necessidades da população (procura) se alteram. às vezes muito grande. etc. O PC responde às necessidades da população local (procura). A economia é dominada pelo Estado e por grandes empresas públicas.Afectação dos Recursos. A oferta reage com lentidão à procura. Esta é a economia em que a oferta mais perto está da procura . geralmente através da pequena empresa familiar (oferta). e. é inevitável. O homem inovador tem mais probabilidades de ser visto aqui como um perturbador da ordem estabelecida. Os empregados comportam-se como funcionários públicos. porque não estão sujeitos à disciplina das perdas. todas as tarefas. Só então. Finalmente. que não são necessariamente receptivos às suas ideias visionárias. No PL existe uma grande pressão à inovação. tudo isto se processa dentro de uma grande empresa. Ninguém deseja ver perturbada a paz. O Estado e as empresas públicas sobrevivem mesmo sem inovar. que vive no meio dela.g.g. o Estado (oferta) . que resulta do desajustamento entre a oferta e a procura.

não é o dinheiro. A economia de inspiração católica procura encontrar um compromisso entre o funcionamento livre dos mercados e a intervenção das autoridades políticas. ou mais barato. A economia de PC é propensa à criatividade e a uma criatividade realista. A economia liberal é o reino do funcionamento espontâneo dos mercados. e as diferenças são o exacto oposto daquilo que o Socialismo visa realizar . e a intervenção do Estado na economia. que é aquela que visa satisfazer melhor. O Liberalismo rejeita a ideia de uma política económica e. O PC enfatiza a comunidade local (vila. envolvendo cláusulas de protecção e reciprocidade. as necessidades de pessoas que ele próprio conhece . Política Económica. revestindo frequentemente a forma de empresa familiar. como o dinheiro.os seus vizinhos. No PC o empresário possui total liberdade criativa porque na sua empresa familiar ele é que é o patrão. No PS existe a Administração Central do Estado e nenhuma forma de administração regional ou local tem importância signigicativa. mas também o interesse. O PL é o reino 29 . não do inovador. Porém. cidade). a qual deve ser sempre subsidiária Economia Espacial. A produção deve ser organizada para servir indistintamente o mundo e a empresa privilegiada é a empresa possuindo uma dimensão internacional ou multinacional.que seja igual para todos os países. porque no caso da inovação ter sucesso é ele que beneficia por inteiro. É certo que os recursos da empresa familiar.sucesso comercial. A produção deve ser organizada para satisfazer as necessidades locais. o tempo.as chamadas regras do jogo .. O PS põe o ênfase na comunidade nacional.) que afectam todos de forma igual. e a empresa privilegiada é a empresa local. A regionalização introduz diferenças na provisão dos bens e dos serviços públicos. O PL coloca o ênfase na comunidade internacional. e que sirva para arbitrar os conflitos de interesses entre países. etc. encontram o seu reino na economia de inspiração socialista.a igualdade. etc. As regiões do país e as localidades são servidas por extensões da burocracia do Estado Central. aceita a existência de uma instituição supranacional cuja função principal é a de estabelecer e garantir uma legislação eonómica . que é o ser humano. A política económica entre localidades reveste sobretudo a forma de acordos comerciais. A gestão da economia é feita a partir do Estado central através de políticas (fiscal. A política macroeconómica de inspiração keynesiana. os lucros são da empresa. e de joint ventures tendentes à produção conjunta de bens que cada uma das comunidades não consegue assegurar por si própria. Não apenas liberdade. Só existe um recurso que pode inovar. O poder local e regional não é valorizado. A política económica exerce-se primariamente ao nível da localidade e só subsidiariamente ao nível da região e do país. A política económica pratica-se à escala do país e para servir os interesses do país. nem o tempo nem qualquer outro recurso que pode inovar. frequentemente revestindo a forma de empresa pública. A produção deve ser organizada para servir o país e a empresa privilegiada é a empresa possuindo uma dimensão nacional. ao dispor do empresário familiar não são grandes. no máximo. O PS é centralizador e não admite qualquer forma de regionalização do poder político. monetária.

As comunidades locais são valorizadas e alguma autonomia é devida. Pode até o Estado declarar-se insolvente que a economia continua a funcionar através da sua enorme teia de empresas familiares. as crises resultam não da falência de grandes empresas privadas. cada um ambicionaria ter um Estado só para si e feito à sua medida. No PC. Comércio Livre? 30 . A insolvência do Estado corresponde ao colapso económico do país. No PS. o Estado é o maior empregador e a maior instituição económica. Neles. com a Espanha e Portugal). as crises económicas e financeiras também são possíveis. A maioria são pequenas empresas familiares. No PS. mas somente até ao ponto em que não ponha em causa a unidade da comunidade de ordem imediatamente superior . de tal modo que toda a actividade económica do país depende. 9. mas da insolvência dos Estados nacionais (como agora na Zona Euro está a acontecer com a Grécia e. directa ou indirectamente. cujos governos retiram ao governo central às vezes competências muito amplas.a comunidade regional. Pela mesma razão a comunidade regional é valorizada. porque ela é formada por uma malha muito pequena e muito apertada de relações pessoais e empresas familiares. O Estado é geralmente pequeno. nem a descentralização extrema do Liberalismo. Basta que uma grande empresa abra falência para ela desencadear efeitos devastadores em todo o país e até no mundo. Este país valoriza o poder local e regional até ao ponto em que eles não ponham em risco o poder central. nem a centralização absoluta do Socialismo. O PC oferece uma solução de compromisso entre as duas soluções anteriores. desde que não ponha em risco a unidade da comunidade nacional. do Estado. no limite. as pessoas são levadas a associar-se por interesses locais e regionais comuns e a estabelecer comunidades políticas locais e regionais. (A actual crise financeira foi desencadeada pela falência do banco americano de investimentos Lehman Brothers). Sectores inteiros de actividade podem ser arrastados (como o sector da banca de investimentos) e a crise propagar-se a todo o país e até a outros países (a Islândia. perdendo-se o controlo familiar). e mesmo as grandes empresas familiares só podem atingir uma dimensão moderada (para crescerem necessitariam de recorrer a capitais externos à família. não há grandes instituições. pelo contrário. Neste país. que não tem efeitos visíveis na sociedade. O PL está sujeito a crises económicas e financeiras. o país mais desenvolvido do mundo segundo a ONU. Tal não sendo possível. Este é o país dos individualistas onde. e os seus efeitos são ainda mais abrangentes. praticamente desapareceu do mapa económico em resultado da crise). uma empresa familiar pode ir à falência. em menor medida. Não há crise que destrua esta sociedade ou a leve ao colapso.da descentralização regional e local. Este é o país que leva o poder local e regional ao máximo. às vezes comprometendo a própria unidade nacional. porque é subsidiário. Crises económicas e financeiras.

ficando apenas a outra parte (aqueles que o produzem a um custo unitário inferior a 7. o produto passa a vender-se no país ao preço de 7. só conta aquilo que se vê . e o seu ganho é medido pelo acréscimo do excedente do consumidor. medido pela soma do excedente dos consumidores com o excedente dos produtores. Esta atitude moderna conduz a erros consideráveis. Os produtores nacionais perdem com a abertura do mercado e a sua perda é medida pela redução do excedente do produtor.As secções anteriores descreveram brevemente as principais instituições e processos da socioeconomia católica. Quanto aos produtores nacionais. uma parte deles vai à falência (todos aqueles que produzem o bem a um custo unitário superior a 7). onde a produção nacional do bem X está concentrada? 31 . a medida de bem-estar dos consumidores. a abertura ao comércio livre é boa para o país porque aumenta o bem-estar da sociedade. com a abertura do mercado. Sob condições de comércio livre. Prova a ciência económica . Portanto. a medida de bem-estar dos produtores. na tradição de David Ricardo. vai o país deixar ir à falência uma série de empresas nacionais. respectivamente. A diferença entre a procura e a oferta ao preço do mercado é abastecida agora por produtores estrangeiros.que. Em nome de uma massa anónima de cidadãos poder agora comprar o bem X ao preço de 7. em lugar de 10. Os consumidores nacionais ganham com a abertura do mercado. passa por cima do conceito católico de comunidade. A Doutrina Social da Igreja não pode aceitar sem qualificações e reservas o argumento dos economistas em favor do comércio livre Ele esquece o princípio católico da personalidade. e dispensa a ideia católica de autoridade.. o bemestar social. e lançar no desemprego um terço da população de Vila Mariz. O tema do comércio livre é utilizado. Consideremos uma país onde um certo número de produtores produzem um certo bem X e o vendem ao preço de 10. O propósito desta secção é o de contrastar a doutrina católica com as doutrinas socialista e liberal de um ponto de vista da sua aplicação à resolução de problemas concretos. em comparação com as socieconomias socialista e liberal. afirma as vantagens do comércio livre. incluindo a Economia. uma ideia que está na base da União Europeia e da globalização e das dificuldades actuais dos países predominantemente católicos do sul da Europa.os factos.o que evitarei fazer aqui . como aquele que. Os consumidores beneficiam. No mundo este bem é produzido e vendido ao preço de 7 por unidade. Deve este país abrir-se ao comércio internacional? Para a ciência económica a resposta é afirmativa. aumenta ( e isto é assim porque o acréscimo do excedente dos consumidores é maior do que a redução do excedente dos produtores nacionais em resultado da abertura do mercado). No paradigma da ciência moderna.

perante consequências potencialmente graves para a população de Vila Mariz se tome a decisão de abrir o país ao comércio internacional. e não o aumentarão para 14 ou 15. para proteger a comunidade de Vila Mariz. Isso é um facto. E os "factos" futuros em que assenta tal cálculo. Se alguém o pode saber são os próprios habitante de Vila Mariz. A verdade está nestas pessoas. O cálculo em favor do comércio livre considera apenas os custos de produção. das oficinas de reparação de automóveis e das padarias e. supõese que. ponderada a situação. Parte da população de Vila Mariz corre o risco de desemprego porque não consegue produzir o bem X a um custo mais baixo do que 7 euros por unidade. mas não esgota a realidade. que dizer deles? Esta é a essência da cláusula "ceteris paribus" familiar aos economistas. Supõem-se tantas coisas futuras de tal modo inverosímeis. manterão o preço de 7 euros no futuro. a própria comunidade de Vila Mariz.. que é um argumento de inspiração protestante. No julgamento dos economistas de abrir o país às importações livres do bem X. em última instância. tomam-se como "factos" tantas expectativas futuras de tal modo irrealistas que a única conclusão racional é a de que nenhum economista. caso elas sejam necessárias. esta parte da população de Vila Mariz é negligenciada e várias expectativas futuras são consideradas como "factos". sem que as pessoas afectadas sejam ouvidas. etc. a teologia católica afirma o princípio oposto. Ela não leva em linha conta a perda de auto-estima dos trabalhadores.Não vale a pena dizer que a sociedade é mais importante que os trabalhadores de Vila Mariz ameaçados de desemprego porque a Igreja não aceita esse argumento. dos cabeleireiros. que é a de factor produtivo. não em factos seleccionados e trabalhados por argumento racional abstracto pelos cientistas da Economia. as suas relações de amizade. como fazem os produtores estrangeiros. não irão também à falência metade dos restaurantes. Na realidade. o de que cada homem é mais importante do que a sociedade. Supõe-se cada trabalhador de Vila Mariz que for para o desemprego arranjará um emprego alternativo. o risco a que ficam expostas as suas famílias em resultado de eles cairem no desemprego. supõe-se que os produtores estrangeiros. E não dispensa uma autoridade que arbitre os interesses envolvidos e que. A Doutrina Social da Igreja não pode consentir que. 32 . trabalhando meramente sobre os factos e com base no argumento abstracto pode algum dia chegar à verdade acerca dos verdadeiros custos impostos sobre a população de Vila Mariz resultantes de o país se abrir ao comércio internacional. e portanto toma cada trabalhador de Vila Mariz numa única dimensão. depois de terem eliminado a concorrência do bem X em Vila Mariz. apesar de um terço dos trabalhadores de Vila Mariz cairem no desemprego e dos respectivos empresários irem à falência. tome as medidas.

do bem X tem de ser negociada entre os representantes da indústria e as autoridades nacionais.Perguntar-se-á.personalismo. acima de tudo. nem uma outra em que todos são diferentes e não possuem nada em comum. A comunidade tem responsabilidades para com estes homens. nem a total insegurança do emprego privado. Esta característica de equilíbrio ou moderação da socieconomia católica é parte da essência do Catolicismo. uma solução de equilíbrio que pondere racionalmente os interesses em jogo. a fim de que todos os interesses sejam respeitados. dependendo das circunstâncias concretas de cada caso. Tem de ser uma solução que ponha em primeiro lugar os trabalhadores e empresários de Vila Mariz . Nem o mercado global nem a democracia ilimitada. mas uns e outros em número moderado. Nem a segurança absoluta do emprego estatal. mas a solução intermédia do EstadoSubsidiário. neste momento. mas uma solução de compromisso. Equilíbrio. e que os avalie não apenas pela sua produtividade a produzir o bem X. mas também nas suas outras e múltiplas dimensões de homens e membros da comunidade. Nem a grande empresa pública nem a grande empresa privada. mas a empresa familiar que pode ir até uma dimensão moderada. mas que não pode ser a solução abstracta e impessoal dos economistas. se a Igreja Católica é a favor do proteccionismo económico e contra o comércio livre. mas mercados locais e regionais e a democracia limitada. Nem uma nem outra coisa. e os arbitre imparcialmente através de uma autoridade. Nem o livrecambismo liberal nem o proteccionismo socialista. solidariedade. Esta parece ser a palavra-chave da socieconomia de tradição católica em comparação com a socioeconomia do Liberalismo e do Socialismo. Nem o grande EstadoProvidência nem o pequeno Estado-mínimo. 10. Nem um sociedade onde todos são iguais. Equilíbrio. Conclusão: Equilíbrio O Catolicismo não é livre-cambista nem proteccionista. a qual é. mas o compromisso do emprego na empresa familiar. O Catolicismo é a favor de soluções de equilíbrio que. Nem um país só de burocratas nem outro só de empresários. respeitem os princípios teológicos da Igreja . mas gradual. antes um equilíbrio entre o homem e a comunidade. A solução final. que pode ir desde o proteccionismo absoluto até à importação livre. Mas então qual a solução que a doutrina católica recomenda para o problema de saber se se deve ou não abrir o país à importação livre do bem X? Recomenda uma solução de compromisso. da mesma forma que eles têm responsabilidades para com a comunidade. Imagine-se uma rocha 33 . subsidiaridade.

que visa limitar as oscilações do pêndulo dentro de limites bem definidos. assente sobre um dos vértices. Como já aconteceu no passado. É esta a essência da Igreja Católica -. que permite a um pêndulo oscilar livremente. um equilíbrio delicado entre uma infinidade de forças opostas. Um pequeno descuido. um balanço delicado que. Equilíbrio é também a essência da Doutrina Social da Igreja. e a pedra cairá para o outro lado. porque a acção invisível. Imaginem-se agora muitos homens a fazer como o primeiro e outros tantos a fazer como o segundo. a autoridade e a anarquia. o egoísmo e a caridade. o pêndulo pode oscilar livremente entre os seus extremos. está lá para o trazer de volta à posição de equilíbrio. quando é perturbado. Imagine-se. uma espécie de equilibrador automático. entre o bem e o mal. Um homem que se aproxime de um dos lados e lhe dê um sopro numa face. um outro homem lhe dê um sopro com igual delicadeza para manter a pedra de pé. deixa às sociedades de tradição católica uma grande liberdade para a oscilação. a ortodoxia e a heresia.muito grande e com muitos vértices. está lá para a trazer de volta ao equilíbrio. como o Liberalismo ou o Socialismo. se descontrolar e destruir. e a pedra sempre de pé. o amor e o ódio. a liberdade e a escravidão. onde a Igreja Católica não é uma instituição central. na tradição católica.. Trata-se do equilíbrio entre uma multiplicidade de extremos opostos. Mas. Para que tal não aconteça é necessário que em posição exactamente simétrica. sob pena de a sociedade ficar em risco e. com o seu ênfase nos processos sociais pessoalizados e. Daí a tradição proibicionista do protestantismo. uma sociedade baseada nas doutrinas de inspiração protestante. e a pedra cai. Nas sociedades de predomínio protestante. É uma posição de equilíbrio muito difícil de atingir e de manter. mas ainda assim. a igualdade e a diferença. O Catolicismo é uma espécie de força invisível. ainda que delicado. desencadeia as suas próprias forças correctoras. ao mesmo tempo.. uma conciliação permanente entre todos os extremos e todos os opostos. O Catolicismo. Pelo contrário. apenas assente sobre um dos seus vértices. essa rocha erecta. Pelo contrário. no limite. Uma sociedade baseada nos princípios do Catolicismo pode oscilar muito mas nunca se destruirá. o crente e o ateu . vícios ou exageros não podem ser tolerados. pode facilmente descontrolar-se e auto-destruir-se. o homem e a comunidade. na razão humana. entre Deus e o diabo. a inovação e a tradição. possível. certos comportamentos que representam excessos. em seguida. semelhante à força da gravidade. portanto. confere-lhes uma capacidade espontânea para voltarem ao equilíbrio que as sociedades de influência protestante não possuem. mas que a todo o momento o traz de volta à posição de equilíbrio. 34 . mas moderadora da Igreja Católica. uma pequena força a mais de um dos lados. com o seu ênfase nos processos impessoais e na limitação da razão humana. Esta acção moderadora da Igreja entre extremos opostos.

Thornton. Monika K. in Santiago Madrigal (ed. Francisco: Harper. [4] Catecismo da Igreja Católica. Brien. Minnesota: Liturgical Press. Evangelii Nuntiandi (1975) João Paulo II. Tb. pp. S.). 1987 João Paulo II. 2004. sob o título: “The Pendulum: Towards an Economic Theory of the Catholic Society” .Notas e Referências: [1] Uma versão condensada deste artigo foi apresentada na Pontifícia Universidade de Santa Cruz. Varenne (ed. 2007. 1981 João Paulo II. [6] Catecismo: 1. Small is Beatiful (1973) [3] Joseph Ratzinger. 1994. Introduction to Christianity.). p. Mater et Magistra (1961) João XXIII. Catholicism. 2008. Dignitatis Humanae (1965) Concílio Vaticano II. 1993. nº 5-6 e 10-12. Madrid: Editorial Homo Legens. [16] Ibid. [7] Michael Glazier. S. Laborem Exercens. Hellwig (eds. The Modern Catholic Encyclopedia. 1192-96. 2004. 58-59. K. [13] Catecismo: 1912. Coimbra: Gráfica de Coimbra. SJ. Susan B. Redemptor Hominis. “Fe y Ciencias Naturales en el pensamiento de Joseph Ratzinger”. Por Qué Soy Católico. 1979 João Paulo II. 1991 Bento XVI. Madrid: SanPablo. nº 8-17. Rerum Novarum (1891) Pio XI. [18] Centesimus Annus: 43. Schumacher. tb. no 7º Seminário Profissional de Agências de Comunicação da Igreja. The Servile State (1912) e E. Centesimus Annus. [20] Centesimus Annus: 42. [2] Duas tentativas sem seguimento para desenvolver um pensamento económico de matriz católica são Hilaire Beloc. “Europe’s Crisis of Culture” (2005) in John F. pp. Pawel Kapusta. [12] Centesimus Annus: 49. Ecclesium Suam (1964) Concílio Vaticano II. Populorum Progressio (1967) Paulo VI. [17] Richard P. 2009 [10] Catecismo: 1880 [11] Cf. Quadragesimo Anno (1931) Pio XII. 158-161. [15] Ibid. El Pensamiento de Joseph Ratzinger. New York: HarperOne. F. 1929. [19] Ibid. [21] Centesimus Annus: 48. The Essential Pope Benedict XVI: His Central Writings and Speeches. Gaudium et Spes (1965) Paulo VI. 1980 João Paulo II. Cf.. [9] G. pp. 325-335. 786. Pacem in Terris (1963) Paulo VI. [14] Joseph Ratzinger. 2009. Francisco: Ignatius Press. Sollicitudo Rei Socialis.. Convenientes ex Universo (1971) Paulo VI. La Sollenità della Pentecoste (1941) Pio XII. Octogesima Adveniens (1971) Sínodo dos Bispos. pp. Dives in Misericordia. [8] Quadragesimo Anno: 80. Chesterton. Collegeville.). Roma. Abril de 2010. Benignitas et Humanitas (1944) João XXIII. [5] A Doutrina Social da Igreja está exposta nas seguintes Encíclicas e documentos conciliares: Leão XIII. pp. 277-294. Dignitate in Veritate.63-66. 35 . pp. Catecismo: 1881.

Hans Urs von Balthasar. [28] Pacem in Terris: 52 [29] Sollicitudo Rei Socialis: 44 [30] Benignitas et Humanitas: 17 [31] Cardeal Joseph Ratzinger. A.[22] Centesimus Annus: 35.1979. Legislation and Liberty (3vols. Chicago: The University of Chicago Press. 36 . [25] Centesimus Annus: 49. 1973. Hayek. [24] Ibid. [23] Centesimus Annus: 48.).1976. [26] Ibid. Maria: Primeira Igreja. 2004. Law. Coimbra:Gráfica de Coimbra. [27] F.

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