JOrgE D u r á n | S i lV iO T En D l Er | r Ob Er T O S A n T O S | r ODrig O MOn TE | KáTiA COE lh O , A bC

FESTIVAIS

Beta vai a Cannes e Tribeca

rodrIgo SIquEIrA CorAÇÕES SuJoS

E a travessia de Terra Deu, Terra Come O novo filme de Vicente Amorim e David França Mendes
n.08 | inverno . 2010
revista trimestral www.revistabeta.com.br
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ISSN 2177-4684

ALEXA! Jon FAuEr, ASC TESTA A noVA ArrI

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Behind the Screen

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Organizer Albrecht GmbH Fon +49-(0)89-272948-20 Fax +49-(0)89-272948-22 info@cinec.de www.cinec.de

8 M for th In 1 w 8 – un Cin te w w. 20 S ich e E rna cin e M, qu tio ec pte O,C ipm na .d m en l Tr e be , t a ad r2 nd e F 01 Te air 0 ch no lo gy

ExpEDIENTE

BETA publisher taYla tZirUlNiK diretor de redação tHiaGO iaCOCCa editor tHiaGO iaCOCCa produtora editorial rOBerta CalÁBria revisora viviaN matsUsHita diretor de arte PeDrO saitO ilustração teODOrO POPPOviC colunistas CarlOs eBert e eDilamar GalvÃO colaboradores alexaNDre CarvalHO DOs saNtOs, aNDré BUsHatsKY, BrUNO mellO CastaNHO, CaiO ZerBiNi, CiNemateCa Brasileira, JUlia mOtta, laUra GUimarÃes, lUara Oliveira, lUCas ParaiZO, mariaNa NUNes, teODOrO POPPOviC e YUri mOraes correspondentes J. alaN leBaNOwsKi, taNia BrimsON e HéCtOr rUll convidado especial JOrGe DUrÁN

TZ EDITORA diretora executiva taYla tZirUlNiK diretor comercial sammY siKri vendas de anúncios NiNa GOmes fale conosco sUGestões, DúviDas, CrítiCas e COmeNtÁriOs: cartas@revistabeta.com.br para assinar tel.: 11 3825.4015 de 2˚ a 6˚, das 10h às 18h e-mail: vendas@tzeditora.com site: www.tzeditora.com edições passadas Peça a seU JOrNaleirO OU aCesse www.tzeditora.com Para COmPra ON-liNe. para anunciar tel.: 11 3825.4015 e-mail: comercial@revistabeta.com.br gráfica iBeP distribuição COrreiOs aCF tUPi / imPressO esPeCial rUa PiaUí, 1164 Casa 1 CONsOlaçÃO sÃO PaUlO, sP CeP 01241-000 www.revistabeta.com.br
A revista BETA é publicada trimestralmente pela TZ EdITorA. O conteúdo das matérias é de total responsabilidade do autor, e não reflete necessariamente a opinião da BETA. (ISSN: 2177-4684)

4 | inverno . 2010

Vídeo e TV. E você. Ah. O livro – que traz lições de como realizar um filme com baixo orçamento à disposição – é mais uma conquista do projeto encampado há dois anos pela nossa equipe: oferecer ao leitor conteúdo que possa auxiliar na realização de produções audiovisuais no Brasil. pode fazer um bolão de que muita coisa nessa linha ainda está por vir. capaz de lidar com as diferenças de uma maneira mais simples que em outras terras.Vila Olímpia CEP 04549-011 São Paulo . em Terra Estrangeira. iniciada na edição passada.com. Além disso. Vídeo e TV. Terra Deu. Recebemos inúmeros cidadãos de todos os continentes do mundo. nossos correspondentes deram um pulinho em Tribeca e Cannes para nos contar. Thiago iacocca Diretor de Redação iacocca@revistabeta.com. O filme de Rodrigo Siqueira rendeu uma entrevista extensa. Rua Baluarte. o que de melhor aconteceu por lá. E. do norteamericano John Gaspard. Em Tudo é Brasil. não poderia pensar diferente. em A Opinião Pública. avós ou simplesmente ao sobrenome “gringo”.br Cinema. a mais democrática das seções.br www. Por enquanto. continuamos trilhando nosso caminho rumo à internacionalização e ao intercâmbio de ideias e conceitos.artlux. vencedor do festival É Tudo Verdade. o que nos confere um espírito livre. Não é raro conhecer pessoas que torcem por outras seleções. O Brasil é e sempre será um país de imigrantes. Nós sabemos que é difícil competir com a Copa do Mundo. caro 6 | inverno . que você acompanha na seção Terra em Transe. Vicente Amorim. Em tempos de Copa do Mundo. e pelo roteirista David França Mendes. 313 . deixamos você com uma edição repleta de boas reportagens. como não podia deixar de ser. em singelas homenagens aos pais. o destaque é Corações Sujos. Cinema. A revista BETA. Temos também a estreia dos quadrinhos na revista. isso fica ainda mais latente.SP Tel/Fax: 11 3845-1345 E-mail: artlux@artlux. não perca a matéria sobre o filme sueco Regretters.br Distribuidor autorizado . A matéria de capa traz um documentário especial. ArtLux QU AL IDA DE NO AT EN DI ME NT O ! ArtLux Iluminação Cênica Ltda. cujos detalhes de concepção foram revelados por seu diretor. representante legítima do espírito brasileiro. 8. Após a consagrada parceria com a revista Film and Digital Times. Terra Come. apontamos Os Fuzis para Silvio Tendler e publicamos um texto que vai muito além do cinema do roteirista Jorge Durán. com Underdog de Yuri Moraes. 2010 leitor. O lançamento do primeiro livro sob o selo da TZ Editora só veio corroborar isso. já pode ser adquirido nas livrarias (e em nosso site).EDITORIAl InternacIonal Um país de imigrantes. Barato e Sob Controle. e um imperdível Infográfico com dicas de quem entende do riscado sobre filmes futebolísticos. em O Viajante. mas temos certeza de que você não vai se arrepender de desfrutar a BETA n.com. Rápido.

1.movingtrack.com. 8 | inverno . parceiros e anunciantes pelo incentivo à realização de nossa publicação. 2010 RUA BAUMANN.apoiadores e parceiros Rubens FeRnandes JunioR TUDO EM UMA LOCADORA SÓ A beta agradece seus apoiadores.br .411 · VILA LEOPOLDINA · SÃO PAULO SP · 11 3837 9424 · 11 3831 5985 www.

com.br sÃO PaUlO. rJ Yuri MOrAES yurifmoraes@gmail.com Paris.br sÃO PaUlO.br sÃO PaUlO.fr Paris.com. 2010 .com sÃO PaUlO.com sÃO PaUlO. esPaNHa TAYlA TZirulniK tayla@revistabeta.com sÃO PaUlO.com sÃO PaUlO.br sÃO PaUlO. sP SébASTiEn DOliDOn sebastien@dolidon.com. sP J.com sÃO PaUlO.luara@gmail. sP JuliAnA KiM juliana@revistabeta.com. sP JuliA MOTTA julia@revistabeta.com BarCelONa.com. eUa TEODOrO POPPOViC teocentrismo@yahoo. rJ brunO MEllO CASTAnhO mellocastanho@yahoo. sP AlEXAnDrE CArVAlhO DOS SAnTOS alexandre.cOlABORADORES: INvERNO 2010 luArA OliVEirA luarago@gmail.br sÃO PaUlO. AlAn lEbAnOwSKi lebanowski@gmail. sP CAiO ZErbini caionz@hotmail. sP luCAS PArAiZO lparaizo@uol. sP MAriAnA nunES mariananunes01@hotmail. FraNça ClAuDiA MESquiTA claudmesq@gmail.com lOs aNGeles. sP TAniA briMSOn taniabrimson@gmail.com. FraNça héCTOr rull megarule@hotmail. sP lAurA guiMArãES criacao.com sÃO PaUlO.com.br riO De JaNeirO. sP AnDré buShATSKY andbusha@hotmail.com sÃO PaUlO.rolleiflex@terra. sP 10 | inverno .br riO De JaNeirO.

índice

diamante bruto O Fim e O PrincíPiO

98 quEriDA MãE

22 MOViMEnTAçãO DO MErCADO 14 rObErTO SAnTOS

O melhor curta dentro e fora do é tudo verdade Os diretores tinham apenas cinco rolinhos de super-8

Projetos audiovisuais em andamento no Brasil

102 FlOrES EM ViDA

conterrâneos velhos de guerra

Um grande momento de Neorrealismo luiz quem? Conheça mais um homem do cinema

18 PErFil: luiZ DE bArrOS

COLUNA

106 EDilAMAr gAlVãO

woody allen não é apenas um comediante

tudo é brasil

28 COrAçõES SuJOS

terra estrangeira

108 rEgrETTErS

vicente amorim e David França mendes contam como o livro se transformou em roteiro, e depois em filme. Christiane Jatahy: dos palcos às telas a codireção de adrian steinway e Paula Fabiana

O cineasta sueco marcus lindeen investigou o arrependimento Conheça seth Gordon e descubra o que cinema tem a ver com economia

34 A FAlTA quE nOS MOVE

112 FrEAKOnOMiCS

40 ESSA MAlDiTA VOnTADE DE SEr PáSSArO

o cinema falado

116 DublAgEM

INFOGRÁFICO

44 COPA DO MunDO

O jogo de perde e ganha da tradução analisado pelos dubladores

saiba quais são os filmes de futebol preferidos de alguns cineastas

matou a família e foi ao cinema

122 lAnçAMEnTOS

O último trimestre nas salas de cinema

terra em transe

48 ViSSungOS E DiAMAnTES 50 buDruS

Conheça Terra Deu, Terra Come, Pedro de alexina e rodrigo siqueira O protesto de Júlia Bacha O trash e cult terror tupiniquim

AO REDOR DO BRASIL... E DO MUNDO

124 ÀS COMPrAS

DvDs, Blu-rays, livros e afins

52 Zé DO CAiXãO

classificados

127 COMPrA, VEnDA E SErViçOS 128 nA VErEDA

SEÇÃO ESPECIAL: FILM AND DIGITAL TIMES

68 AlEXA

a opinião pública

Jon Fauer detalha a nova câmera da arri

O roteirista e diretor Jorge Durán faz uma análise sobre a sociedade, o espetáculo e o cinema

COLUNA

78 CArlOS EbErT, AbC

a luz de Berger em A Fita Branca

Quadrinhos

130 unDErDOg

Uma novela gráfica, por Yuri moraes

o viajante

80 CAnnES

Pela primeira vez a bETA vai a Cotê d’azur O cinema de manhattan

OS FUZIS

130 SilViO TEnDlEr

92 TribECA
12 | inverno . 2010

Utopia x Barbárie

08 | 13

Estevam Avellar

Divulgação

O fIm E O pRINcípIO Por Juliana Kim

LA rEdoTA Cesar Charlone dirige La Redota, que conta a história de José Gervásio Artigas e da independência do Uruguai. O longa faz parte da coleção “Libertadores”, projeto da TVE – La Televisión Española, que reúne outros oito filmes abordando a emancipação da América Latina, como um documentário sobre Tiradentes, dirigido por Marcelo Gomes.
Divulgação

MÃo nA LuVA Roberto Bomtempo prepara seu longa Mão na Luva, adaptação de uma peça de Oduvaldo Vianna Filho. Com codireção de José Joffily, o filme é produzido pela Sala 2, com coprodução da Movimento Carioca e da Camisa Listrada. As filmagens estão previstas para junho/julho de 2010. TAIgA FILMES Filmado em Vassouras e em Barra do Piraí, Peso da Massa, Leveza do Pão trata do desejo de morrer da senhora Madalena, uma padeira de Jotuomba, cidade antes muito rica e agora falida. Com direção de Julia Murat, roteiro de Julia e Maria Clara Escobar. Coprodução entre Brasil, França e Argentina.
Tati Senna

A CASA ELÉTrICA Filmado no Brasil e na Argentina, o filme foi escrito e dirigido por Gustavo Fogaça, e mostra a história do imigrante italiano Savério Leonetti, que criou a primeira fábrica de gramofones da América Latina e o segundo selo discográfico. O imigrante será interpretado por Nicola Siri.

TV ZEro Onde a Coruja Dorme é um documentário sobre o sambista Bezerra da Silva, com roteiro e direção de Márcia Derraik e Simplício Neto, fotografia de Mauro Pinheiro Jr. e montagem de Leonardo Domingues. Bruna Surfistinha – O Doce Veneno do Escorpião chega aos cinemas no segundo semestre, distribuído pela Imagem Filmes em parceria com a RioFilme. A produtora ainda prepara outro longa: A Senhora das Imagens, com direção de Roberto Berliner.
Divulgação

TrABALHAr CAnSA Com filmagens em Paulínia e em São Paulo, o longa tem roteiro e direção de Juliana Rojas e Marco Dutra, e produção da Dezenove Som e Imagens. Vencedor do edital de Paulínia, em 2009, recebeu verba de R$ 600.000,00. PrAÇA WALT dISnEY A diretora de arte Renata Pinheiro estreou na direção com o curta SuperBarroco, agora prepara Praça Walt Disney, vencedor do edital de curtas do MinC. Pinheiro divide a direção com Sergio Oliveira. ToTAL EnTErTAInMEnT O ator e diretor de televisão Marcos Paulo fará sua estreia no cinema dirigindo Assalto ao Banco Central, sobre a história do maior assalto do país, em que mais de R$ 164,7 milhões foram levados do cofre do Banco Central de Fortaleza, em 6 de agosto de 2005, por um túnel de 80 metros de extensão. Renê Belmonte assina o roteiro e José Roberto Eliezer fotografa o filme. O projeto tem coprodução da Fox Film. SugESTÃo BETA

Aline Moraes

Jorge Chichile

CALAnguEIroS O diretor Flávio Cândido prepara seu segundo longa: Calangueiros – uma Viagem Caipira pela Estrada Real. Flávio também está em préprodução do documentário A Derrota do Changri-lá, sobre o pesqueiro afundado por uma embarcação alemã, em 1943, e seus tripulantes.
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ElEvado 3.5 O documentário Elevado 3.5, vencedor do É Tudo Verdade em 2007, somente agora chega ao circuito comercial. O filme tem como argumento o monstruoso Minhocão e seu entorno e foi destaque da seção Terra em Transe da edição n. 2 da BETA (ainda com o nome de PLANO B).

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cONTERRâNEOS vElhOS DE guERRA Por Alexandre Carvalho dos Santos

HuMAnISMo PrÉ-CInEMA noVo
O BRáS NEORREAlISTA DE ROBERTO SANTOS Em O Grande MOMentO

da plateia gritou “fogo” e uma multidão em tumulto tentou sair do cinema ao mesmo tempo, provocando mortes e ferimentos nos espectadores. Mas foi em 1958 que dois cinemas do Brás, o Roxy e o Glória, teriam a oportunidade de exibir o primeiro filme de um diretor nascido e criado nas entranhas do bairro. O nome do artista, filho de um retocador de fotografias: Roberto Santos; seu filme de estreia: O Grande Momento.
LAnÇAdo PArA nÃo SEr VISTo

A história do primeiro filme do diretor Roberto Santos começou noventa anos antes de sua produção. Foi em 1867 que a inauguração de uma estação de trem no Brás deu início ao desenvolvimento do comércio e da indústria nessa região da zona leste de São Paulo. Os trilhos urbanos atraíram para o bairro imigrantes – principalmente italianos – interessados nos terrenos vendidos ainda a preço de banana. O custo baixo tinha explicação: na época das chuvas, as águas do Tamanduateí inundavam o Brás, as ruas ficavam intransitáveis e as condições de vida, espartanas. Mais tarde, já na década de 1940, migrantes nordestinos passaram a contribuir para a formação social da região, que ainda hoje é conhecida por seu comércio popular. Com toda uma classe operária ansiosa por entretenimento de baixo custo, o Brás foi também um bairro de cinemas na primeira metade do século XX – época em que os cinemas eram de bairro. O Teatro Colombo, inaugurado em 1908, passou a exibir filmes quando foi arrendado pela Companhia Cinematográfica Brasileira. Já o elegante Theatro Oberdan seria palco de uma tragédia: durante a cena de um filme em que um avião está em chamas, alguém
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Mais do que a produção de um conterrâneo, o filme era e é o próprio Brás: suas ruas italianadas, os vizinhos que se metem na vida dos outros, sem a solidão dos apartamentos, seus personagens líricos, quase sempre com problemas de dinheiro, e seus amores, conflitos, a esperança de uma vida melhor. Poucos foram, no entanto, os vizinhos que tiveram a chance de conferir se o filme era fiel à cor local. Isso porque, apesar de ter recebido boas críticas, O Grande Momento foi mais uma vítima da distribuição criminosa, que esconde bons filmes brasileiros para exibir apelos comerciais vindos de fora. Além de ter ficado apenas uma semana em cartaz, o filme teve uma estratégia de lançamento suicida: sua estreia foi programada para o dia 31 de dezembro de 1958, quando o mundo inteiro se vestia de branco para o réveillon. Para se ter uma ideia, em frente ao República, cinema onde o filme foi exibido, corriam os participantes da São Silvestre.
dE BEM CoM A CríTICA

O lançamento equivocado de O Grande Momento não seria o único na carreira de Roberto Santos. A Hora e a Vez de Augusto Matraga, sua obra-prima e um dos favoritos, em 1966, ao prêmio de melhor filme em Cannes – perderia para Um Homem, Uma Mulher, de Claude Lelouch –, não teve mais que duas semanas de exibição em São Paulo – embora as críticas fossem, desde o primeiro momento, exultantes. Mas sucesso de público nunca foi a perfeita tradução de qualidade cinematográfica, e os comentários da crítica da época sobre O Grande Momento confirmam isso.
08 | 17

Nem que para isso seja preciso vender sua bicicleta. é verdade. galãs e vedetes. notou o jornalista Inimá Simões. no bem-sucedido começo de sua carreira. fazendo valer sua intuição de que as coisas podem ser melhores do que são. é influência confessa. fotógrafos de rua e gente de bairro.ATor E ATrIZ SEM dESEnCAnTo Glauber Rocha diria que o filme era novo para o Brasil daquela virada dos anos 1950 para os 1960. O diretor subiu numa árvore. A crítica social.” Ao apresentar o cotidiano de pequenos comerciantes. Ladrões de Bicicleta. e que um dos conflitos principais seja a necessidade de vender a bicicleta para pagar seu casamento – seu “grande momento”. 2010 Para quem não viu. “Ensaiava Romeu e Julieta quando recebeu o roteiro. até entender que a repressão pré-AI-5 ainda não era das mais brabas. estrelas da Vera Cruz. de John Steinbeck. “Miriam acabou comendo muito sanduíche de mortadela e passou muito frio. Roberto tinha pais simpáticos ao anarquismo e era. que soube traduzir seu espírito sem perder a autenticidade. engendrada no passado de esquerda do diretor. muitos anos depois. com um pé na tradição. o diretor passaria um tempo escondido. de 1952. A empatia com o militante Guarnieri foi imediata. Roberto Santos dá uma demonstração prática de aculturação brasileira dos preceitos neorrealistas”. não consegue ocultar de todo um encanto. talvez desse pistas do homem que. Era a ousadia de um homem diante de circunstâncias adversas. Afastou-se. de que. Embora tenha alguns elementos de comédia. que o protagonista. Quando o golpe de 1964 deu o primeiro susto nos artistas de esquerda. no bairro do Brás. diferentemente do que os grandes estúdios ofereciam. que estranhou as condições paupérrimas da produção do filme. tinha mais dívida com a matriz italiana do cinema realizado no pós-guerra. no final. do comercialismo das produções da Vera Cruz. Curiosamente. vá de bicicleta de um lado para o outro no filme. um artista atuante. O Grande Momento capta admiravelmente – brasileiramente – o ambiente urbano do crisol do Brás em São Paulo. E para o bem do filme brasileiro. o bem que. portanto. “Não se veem no filme os tropeções de outras tentativas de crônica realista. tudo pode dar certo. Sua primeira influência. ali. O Grande Momento apresenta a preparação do casamento de Zeca (Guarnieri) e Ângela (Miriam Pérsia). Roberto Santos encontrou seu ator principal no combativo Teatro de Arena. Para conseguir o dinheiro necessário ao casamento. autor do livro Roberto Santos – A Hora e a Vez de um Cineasta. apontou o crítico e cineasta Alex Viany. o diretor seguia as conclusões do I Congresso Paulista do Cinema Brasileiro. Assim. que chegaria a presidir um sindicato de profissionais do cinema. Roberto. Algo que. Há um clima de resistente otimismo entre o casal protagonista e as pessoas que o envolvem. alfaiates. afirmando que Roberto Santos tinha personalidade de autor – personalidade que. Talvez fosse a crença de seu diretor. Roberto Santos.” Não é coincidência. além de instrumento de lazer. a escolha de Guarnieri como protagonista acabou provocando um efêmero problema no início das filmagens: o ator não sabia andar de bicicleta. Roberto começou com um filme de narrativa clássica. “Com espantosa segurança. mesmo quando tudo parece perdido. pelos anônimos do dia a dia. para evitar que fosse cortada. Já Miriam Pérsia era uma jovem atriz de teatro. em frente à sua casa. ele mesmo. Se o Cinema Novo era um mestiço com sangue russo e francês (Einsenstein e Nouvelle Vague). de Vittorio De Sica. mas provavelmente esperava algum conforto na produção”. é na opressão provocada pela falta de dinheiro que o filme se guia. Fato curioso. que pedia obras que refletissem a vida. expressa em O Grande Momento. na peça Ratos e Homens. protagonizaria um episódio tão comovente quanto revelador. lá permanecendo teimosamente. onde havia trabalhado como continuísta e assistente de direção. Zeca vende sua bicicleta. que dão leveza ao conjunto. é ferramenta de trabalho. é sem dúvida o neorrealismo. ao lado de Nelson Pereira dos Santos. Mas há um tom discordante entre O Grande Momento e a linha seguida pelos neorrealistas italianos. 18 | inverno . diferenciava os artistas dos burocratas da câmera. palhaços. assim como Nelson. Algo que Nelson Pereira dos Santos também havia feito em seu Rio 40 Graus. uma graça brasileira. mas pouco tinha da aproximação cinemanovista com os filmes de Godard. Roberto Santos substituiu os heróis. os costumes e os tipos do povo. para o baiano. apesar de ser apontado como um dos pais do Cinema Novo. interpretado por Gianfrancesco Guarnieri. .

A direção coube a Ítalo Dandini. onde entrou na prestigiada Academia Julian. Nos quinze anos seguintes. Encontrando dificuldade para exibir seus filmes. à encenação e à marcação de luz das cópias. O trabalho ficou a cargo de sua produtora.um DOS mAIORES cINEASTAS BRASIlEIROS. com diálogos mordazes e números musicais em abundância. dedicou-se à montagem. realizou. Luiz de Barros. poderia ter usado o título de visconde do Bom Conselho. nasceu no Rio de Janeiro. Depravação (1926). produtor. documentários com temas relevantes. Atendendo o desejo da família. Em 1933. ainda. onde estudou pintura decorativa e cenografia. que teve carreira retumbante nos cinemas. Lá fez filmes. curtas-metragens musicais e acabou por consolidar a comédia musical cinediana: crítica de costumes. começou a realizar um trabalho mais popular e comercial. e um documentário sobre os males da sífilis. mas. cONTERRâNEOS vElhOS DE guERRA PErFIL BrASILEIro LuIZ dE BArroS Por André Bushatsky Luiz Moretzhon da Cunha e Figueiredo da Fonseca de Almeida e Barros Castelo Branco Teixeira de Barros. Transferindo-se para São Paulo. Era o que precisava para ser conquistado pelo cinema! Voltou ao Brasil em 1914 e realizou A Viuvinha. Depois seguiu seus desejos e foi para a Europa. e. Reservou os papéis principais para ele e para sua esposa. escreveu peças musicais. Guilherme Teixeira e Teixeira de Barros. tendo como cenário os liberados costumes cariocas. se interessou pela arte cinematográfica quando assistiu a uma filmagem de Max Linder. Seu trabalho seguinte foi Perdida (1915). protagonizado por Leopoldo Fróes. trabalhos com os atores caipiras Tom Bill e Genésio Arruda. no filme Sang Andalou. adaptado do romance de José de Alencar. entre um trabalho e outro. Quando sua parceria com a Cinédia terminou. em 12 de setembro de 1893. Maravilhas e Pétalas de Rosas. Na vida civil. conhecida como Grande Companhia de Estilização Folclórica. Thereza Morandi. trabalhou na Cinédia. insatisfeito com o 20 | inverno . onde atuou como produtor e diretor. roteirista. O filme ganhou notoriedade e elogios. Empolgado. mas só até o terceiro ano. dedicou-se ao teatro de revista: trabalhou inicialmente na companhia Tro-ló-ló e depois organizou a sua própria companhia. Sempre preocupado em aprimorar as técnicas cinematográficas. Acabou convidado para o papel do rei espanhol Afonso XIII. Começou por Milão. quE TAlvEZ REmETESSE à quANTIDADE DE fIlmES quE ElE vIRIA A fAZER. diretor de fotografia e ator. entre elas: Elas. Assim. montador. Acabaram-se os Otários (1929). a Guanabara Film. fOI REgISTRADO cOm um NOmE “gRANDE”. focou seu roteiros nos relacionamentos amorosos. a Rataplan. no Teatro Cassino. voltou ao Rio de Janeiro e montou. 2010 resultado. Após o fechamento da Guanabara Film. Ainda em São Paulo. produziu o primeiro filme brasileiro sonorizado. herdado de um antepassado que foi ministro na época do Império. Ainda nas décadas de 1930 e 1940. a Companhia Teatral Uiara. Ainda no campo das denominações. queimou o filme antes de sua exibição. em Alma Sertaneja (1919). foi até os estúdios Gaumont e disse ser um famoso ator do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. com grandes artistas. estudou Direito. Aí. Na Cidade Luz. conhecido apenas como Luiz de Barros. era creditado como Teixeira Barros. temos a nudez de Otília Amorim. realizou um terço de sua filmo- 08 | 21 . Foi diretor de cinema. Em seguida foi a Paris. escabroso melodrama sobre viciados em drogas. como Rio Grande do Sul (1922).

Quatro anos antes de sua morte. O filme elogiou a sua capacidade de improvisação e o seu desembaraço diante das circunstâncias. reportagens para cinejornais. se não possuísse um grande amor pelo cinema e um grande conhecimento de todos os seus setores. Alex Viany escreveu: “Luiz de Barros não possui apenas uma filmografia longa e uma importância histórica. capaz de quebrar qualquer galho. dirigiu mais de uma centena de filmes: documentários. dirigiu Ele.em 1972. Sobre ele. em tão árduas condições. comédias. Ninguém faria tantos filmes. ao realizar trabalhos para terceiros e também em sociedade com os exibidores. Luiz de Barros faleceu aos 88 anos de idade. por não conseguir mais financiamento para os seus projetos. [Ele] é a própria encarnação do cineasta improvisador. comédias musicais. ela. em 1981. reCeBe O PrêmiO COrUJa De OUrO PelO CONJUNtO De sUa OBra. de Lucien Mellinger. Encerrou suas atividades no início dos anos 1960. sem o qual a ideia de um cinema brasileiro há muito teria desaparecido”. filmes carnavalescos e filmes militares. adaptações literárias. 2010 . quem? (1977). Recebeu homenagem no curta-metragem O incrível Lulu de Barros (1971). deixando um legado de filmes e uma história que todos nós deveríamos conhecer. 22 | inverno . quaisquer que fossem elas. grafia. Em sessenta anos de cinema.

que promoveu algumas alterações na montagem. além de devolver as cores de algumas cenas. uma convenção do cinema silencioso. Braza Dormida. 2010 thesouro perdido Texto fornecido pela Cinemateca Brasileira Braza DormiDa (1928) De HumBerto mauro É considerado um marco por absorver de maneira consistente as práticas correntes no cinema universal.24 | inverno . A restauração recuperou alguns letreiros perdidos. as chamadas viragens. de Humberto Mauro foi restaurado pela Cinemateca Brasileira. Braza Dormida foi distribuído pela Universal Pictures do Brasil. mas também pela maneira com que revela a originalidade de Mauro ao transformar essas referências e criar um estilo próprio. o salto qualitativo se deve à fotografia de Edgar Brasil. . O filme é uma das obras mais elaboradas do “Ciclo de Cataguases”. cortes de algumas sequências e novos letreiros. dentro dos chamados “ciclos regionais” do cinema brasileiro antigo. e à manipulação dos negativos feita nos laboratórios de Paolo Benedetti. Em 2008. 08 | 25 No que se refere à parte técnica. movimento cinematográfico ocorrido nos anos 20. o grande iluminador do cinema brasileiro.

isso para mim é fundamental. que me são próximos. “O David é meu parceiro criativo há mais de vinte anos e acho que. “O que mais eu poderia querer?”. revela o diretor. adequação e pertencimento. mas. que é uma grande reportagem e não um romance. e deve ser algo que faça do filme. refletir sobre esses temas. o diretor Vicente Amorim buscava um novo projeto que falasse sobre identidade. é umA ADApTAçãO DE DAvID fRANçA mENDES DA OBRA lITERáRIA hOmôNImA DE fERNANDO mORAIS TuDO é BRASIl Por Tayla Tzirulnik nA dIrEÇÃo do roTEIro depois de finalizar O Caminho das Nuvens (2003). 2010 já que. COrações sujOs. sendo um filme de época. Poderia fazer um filme acessível e.O pRóxImO fIlmE DE vIcENTE AmORIm. o fato de Vicente ser o diretor ajudou muito. ele e o roteirista David França Mendes tiveram bastante trabalho. três foram realizados com ele. racismo. pelo bem das nossas vaidades. na época. para Amorim o livro abria a possibilidade de realizar um thriller contendo uma história de amor. Quando o li. Ele vai muito além da elaboração de uma ideia minha”. 26 | inverno . passado há quase sete décadas. Dos meus quatro longas. “As questões por trás da trama – intolerância. Segundo David. – são tão urgentes hoje quanto eram na época. Trabalho que durou aproximadamente cinco anos. Com os direitos comprados pela Mixer desde 2003. “Já trabalhamos muito juntos e isso 08 | 27 . “Digo que trabalhamos por telepatia. se for incluída a pesquisa. Corações Sujos. mas sem a intenção. para chegar a um recorte do livro. completa o diretor. a abordagem e as premissas que nortearam o roteiro sempre foram as mesmas. manipulação da verdade etc. completa. na minha opinião. uma obra atual”. me dei conta de que poderia fazer um filme que falasse desses temas (adequação e identidade) e muito mais. vou continuar dizendo isso por mais vinte”. mas não sabia exatamente que filme seria este. brinca Vicente. ainda assim. de adaptá-lo. a empatia tem que transcender a identificação do espectador com os personagens e seu interesse pela trama em si. De acordo com o diretor. E. “Eu já havia comprado o livro do Fernando Morais. e que constituem o cerne da maioria das questões de qualquer população de imigrantes”. por motivos pessoais.

David também procurou pessoas que tiveram relação com os acontecimentos. Usamos o vermelho de forma bem pontual. em São Paulo. sempre deixou claro que o filme seria o que Vicente quisesse. “gente comum”. noturna. O protagonista questiona seu comportamento e as ações do grupo quando é sondado para recriar uma fotografia que comprovaria a vitória do Japão na guerra e. Mas tivemos um ligeirinho e um “steadicano” para alguns planos com a câmera na altura do chão. Eu era assistente de câmera e já fotografava pequenos projetos para ele. não só pelo prazer de trabalhar com um amigo. “O espectador pode até admirar o personagem que não se transforma. chefiados pelo Cinco e Meia e pelo Jorginho. O Vicente gostou. o protagonista já está envolvido com a organização e depois de um determinado episódio. PESquISA França Mendes nunca chegou a se encontrar ou conversar com Fernando Morais. O Vicente queria contar essa história não só por meio dos personagens. por 28 | inverno . da Teleimage. tinham quatro pessoas cada. David conta que o termo Shindo Renmei não foi usado em nenhum momento. e isso é um presente para qualquer fotógrafo. o reflexo no vidro dessa mesma imagem. ao perceber a incoerência. busca “consertar o erro”. por exemplo. hospedado no hotel Nikkei. em que controlar a relação entre a contraluz e a qualidade da chuva. mas passou três semanas no bairro da Liberdade. para humanizar a história. Tínhamos que fazer um recorte e existiam vários caminhos possíveis”. Fiquei muito feliz quando ele me convidou para fotografar o projeto (em 2008). “O foco principal é a relação desse casal num contexto específico”. foi bem complicado. o que é muito importante na produção de um filme em que a ambição de produção é um pouco maior que o orçamento existente. a partir de referências do livro e de sua própria imaginação. mas não se identifica com ele”. “Existem dois conflitos no roteiro. Quando o filme começa. em que tínhamos uma imagem no reflexo de um vidro. ocasião em que conversou muito com a então diretora do Museu da Imigração Japonesa. E outra cena. Para algumas sequências. o processo foi o padrão: o roteirista leu o livro e conversou com o diretor. indicando suas fontes e ajudando em tudo que precisaram. Mas tivemos diferentes looks de telecine offline e o negativo da Fuji foi muito bem em todos eles. ele definitivamente passa a fazer parte do grupo. Ele sempre me ofereceu oportunidades para crescer profissionalmente como diretor de fotografia. explica David. mas também pela densidade do material a ser filmado. Qual era o tamanho da equipe? O departamento de elétrica e o de maquinaria. mas também através da imagem. Já a equipe de câmera se desdobrou em algumas funções. com o uso do desfoque e da distorção em algumas sequências. Ele recebeu os stills da continuista e já conversamos um pouco sobre o que pretendo atingir. criar. Tive que equacionar a imagem real. e o conflito do casal”. e Miyuki. E não encontramos nenhuma dificuldade em Paulínia. Excelentes locações. a cada alteração. com luz natural. que funciona como fio condutor do longa. uma professora que acompanha a transformação do marido. Uma cena de luta. é formado por Takahashi. opressiva. muito pelo contrário. pouca gama de meios-tons. Tivemos uma equipe extra na preparação de algumas locações. e uma Aaton 35 III. Quais foram as facilidades e as dificuldades de se filmar em Paulínia? Corações Sujos foi quase todo filmado nos arredores da cidade. não existe dramaturgia. decidiu. junto ao diretor. um fotógrafo que se envolve nas ações da Shindo Renmei. Pontuamos também certos momentos psicológicos do filme. respectivamente. e uma terceira pessoa no fundo. apoio local e uma colaboração acima do comum das condições metereológicas! facilita. como câmera A (2 perfurações). que são as ações violentas das quais o protagonista participa. usamos também uma Eymo 35 mm. Os dois apreciam o processo de preparação e têm capacidade de antecipação. Fernando Morais foi muito colaborativo em todo processo de pesquisa. “A primeira coisa era decidir quais seriam os temas e por que seria interessante contar aquela história”. pontua. que variava dependendo de quanto vento existia no momento. como. Até brigar é mais fácil”. O casal de japoneses. 2010 exemplo. a filha que assistiu ao 08 | 29 . preto absoluto e altas luzes que incomodam. pelo menos não no roteiro. diz David. O Lico Queiroz. que. “O livro é uma reportagem. observa David. mas disse que gostaria de ter uma palheta de cor restrita. a relação de um jovem casal de imigrantes. Qual foi a câmera utilizada? Uma Aaton Penelope. O trabalho do Daniel Flaksman (arte) e da Cris Kangussu (figurino) foi fundamental. Foi um filme realizado basicamente com a câmera na mão. Depois de feito o convite para escrever o roteiro da adaptação. O colorista vai ser o Theodoro. filmada durante uma chuva forte. ao mesmo tempo. Qual cena foi mais difícil de iluminar e por quê? Duas cenas me vêm à cabeça. que me toca profundamente. Algum processo de revelação especial? Uma parte de uma sequência (que aparece em dois momentos do filme) foi revelada sem branqueador. o exterior. e dessaturei bastante a cor. Eliminei os tons frios quase em sua totalidade. explica. foi primeiro assistente e operador de câmera. Intolerância é um assunto universal.A FOTOGRAFIA POR RODRIGO MONTE Como você entrou no projeto? Sou amigo do Vicente e já trabalhamos juntos diversas vezes. Como fecharam o conceito da fotografia? Sempre vi o filme com um contraste elevado. Li várias versões do roteiro e. o filme crescia em qualidade. como câmera B em algumas diárias (3 perfurações). Segundo o diretor. explica o roteirista.

Além do mais. “Eu não entendo roteirista que não faz pesquisa”.” Para ajudar na familiarização com os personagens. em finalização Direção: vicente amorim roteiro: David França mendes Produção: vicente amorim. SHIndo rEnMEI A organização nasceu em São Paulo após o fim da Segunda Guerra (1945) e compreendia os imigrantes japoneses que se recusavam a acreditar na notícia da rendição do Japão. em que todos os personagens falam a mesma língua (alemão. misturados com outros que 30 | inverno . diretor de fotografia). as outras expectativas – comercial e artística – existem. na Paraíba. eiji Okuda. O importante era o admitir. “Fazendo o 2000 Nordestes.” A intenção de Vicente com Corações Sujos foi realizar um filme que estivesse à altura de suas próprias expectativas. takako tokiwa. A colônia nipônica se dividiu e a Shindo Renmei declarou guerra aos “corações sujos”. Perguntamos para ela o que um filme deveria ter. “Visitei Tupã e outros lugares onde as coisas de fato aconteceram. é um pouco frustrante”. dIáLogoS FICHA TÉCnICA COrAçõES SuJOS Brasil. nossa identidade. correndo o risco de ser injusto. diretor e roteirista trabalham no roteiro de um filme cuja produção ficará a cargo da Mixer e da Arte. 2010 falam português e a dificuldade de comunicação e entendimento entre eles é um dos temas centrais do filme. “Me deu muita aflição saber que os diálogos seriam modificados. no caso). Kimiko Yo. os nomes deles são todos de amigos descendentes japoneses e de personagens de livros de autores como Haruki Murakami e Junichiro Tanizaki. e sobre intolerância. conclui. Será o segundo road movie que farão juntos. diz o roteirista sobre a tradução dos diálogos para o japonês. para não criar um spoiler). Questionado se existe uma cena ou um momento no filme de que goste mais. cuja afinidade com o autor era nula. João Daniel tikhomiroff e michel tikhomiroff Fotografia: rodrigo monte Montagem: Diana vasconcellos Elenco: tsuyoshi ihara. shun sugata. uma reflexão sobre as consequências de nossas escolhas. com o David e o Rodrigo (Monte. E ela respondeu na lata: ‘romance e ação’.. talvez o último assassinato do filme (não vou dizer de quem é. Vicente é cauteloso. ética dos samurais etc. Gil ribeiro. É aceitável num filme como Um Homem Bom. e. “O que eu poderia saber sobre um casal de japoneses dos anos 1940? Fiz pesquisa. “É como perguntar para um pai se ele tem um filho preferido. Mas quando você tem personagens que estariam falando japonês. mas só irão aflorar depois do primeiro corte. li muita coisa a respeito de nacionalismo. Mas.” A solução encontrada pelo roteirista foi reduzir os diálogos e confiar na imagem. “Talvez o filme seja mais do que 70% em japonês. e encontrei tanto parentes de vítimas e quase vítimas como um senhor. acusados de traição à pátria pelo crime de acreditar na derrota japonesa. No momento. aí não dá. explica o diretor.. o mais difícil foi “pensar” como um imigrante japonês dos anos 1940. que você verta o filme para outro idioma (inglês). a pesquisa o ajudou a contextualizar aquele casal de época. conclui David. 2010. O ganhar ou perder a guerra era irrelevante. racismo e fundamentalismo”. ficaria horrivelmente caricato”. Corações Sujos tem os dois. Para ele. Para David. entrevistamos uma moça em Patos. que disse: ‘Eu só não matei porque fui preso antes’. eduardo moscovis e Celine miyuki comum você ver diálogos com raciocínios distantes daquela realidade que vemos na tela. espero. “É muito .O diretor vicente amorim no set assassinato do próprio pai. ex-membro da Shindo Renmei. ou “derrotistas”.” Segundo o roteirista.

que essa inquietação artística atingisse outras formas de expressão narrativa. era levar para o cinema o mesmo leitmotiv que burlava as fronteiras entre realidade e ficção no palco e 32 | inverno . O sexto ator nunca chegou. A Falta que Nos Move.Em a Falta que nOs MOve. portanto. 2010 08 | 33 . estreou na sessão Novos Rumos do último Festival do Rio e passou pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e pela Mostra Tiradentes. da diretora carioca Christiane Jatahy. aceitou o dinheiro de volta e foi embora. cinco atores narravam experiências pessoais. aparentemente aleatórias. Christiane aprimora sua construção dramática. Christiane Jatahy sempre aderiu ao fator risco em suas propostas autorais. A DIRETORA chRISTINE JATAhy ApRESENTA umA NOvA hIpóTESE AcERcA DE SINTOmAS culTuRAIS cADA vEZ mAIS pRESENTES NA vIDA cONTEmpORâNEA TuDO é BRASIl ou TodAS AS HISTÓrIAS SÃo FICÇÃo Por Lucas Paraizo durante uma apresentação do espetáculo teatral A Falta que Nos Move. Era natural. um espectador pediu seu dinheiro de volta depois de cronometrar 28 minutos até que um integrante do elenco – supostamente atrasado – chegasse ao teatro e a história começasse. dessa vez. Desde as prolíferas encenações ao ar livre dos clássicos infantis de seu finado Grupo Tal à trilogia iniciada com o espetáculo Conjugado e finalizada com o recente Corte Seco. Sem resposta. O desafio. o filme. Foi quando o ator Kiko Mascarenhas perguntou à plateia: “Alguém quer falar alguma coisa ou tem alguma história para contar?”. da Vértice Companhia de Teatro. O espetáculo já havia começado. Durante a espera. O espectador impaciente contestou: “Quero saber quando vocês vão começar a peça”. que preenchessem a ausência do sexto integrante do grupo. Respeitada diretora teatral. E atingiu.

na montagem. Não só ao elenco. Em A Falta que Nos Move forma é conteúdo. A potência dramática alcançada por seus protagonistas faz do arriscado procedimento fílmico um aliado do discurso. na direção de fotografia. A Falta que Nos Move não promoveu encontros apenas na tela. Christiane tinha claro que. Ciente do risco de filmar um espetáculo. além da diretora. em A Falta que Nos Move elas estão presentes para serem lembradas. E se na peça o texto parecia um grande improviso (apesar de nada ali ser aleatório). e Sérgio Mekler. apesar de querer provocar reações derivadas de um mesmo objetivo. o resultado não seria o mesmo. No andar de baixo da casa onde a ação acontece. que se reuniram por um projeto em que todos acreditavam”. O que pode parecer um obstáculo maneirista prova ser um sistema de comunicação transformador. Walter Carvalho. E mais do que diferente. lembra a diretora. quase trinta profissionais. Um filme sobre as entrelinhas no meio das ações a cineasta Christiane Jatahy e falas de seus personagens. Se na peça cinco atores utilizavam o dispositivo da espera para radicalizar a experiência do espectador. a do cinema e a do teatro. A presença evidente da câmera e das mensagens de texto enviadas aos celulares dos atores reforça a ideia central e interfere na recepção diegética do filme: O que faz parte da história? Quais são os limites entre realidade e ficção? Quem é ator e quem é personagem? Estas são apenas algumas das perguntas que o espectador é instigado a responder. A Falta que Nos Move é um filme sobre o que não é dito. um modelo possível. É o seu conteúdo que prevalece. Mesmo com a simplicidade de produção e orçamento. Resultado: seis meses de ensaio. Produzido por Flávio Tambellini. Engessados por um modelo de 08 | 35 . seu resultado vai além disso. Se. no filme esse efeito dependia do que Christiane chama de reação. evidentemente. Se a forma narrativa de A Falta que Nos Move é o que chama atenção à primeira vista. os meios para isso eram completamente diferentes. mas ao espectador. nem direção via SMS. Não fosse assim. já que a trama começa. Tão simples e direto como propõe seu acertado título. quase trinta profissionais registravam a reunião de cinco amigos à espera do sexto convidado que (agora sim!) poderia chegar a qualquer momento. Uma história sobre a necessidade e a importância do encontro. Nem câmeras em quadro. técnicos e colaboradores. treze horas contínuas de filmagem registradas por três câmeras e atores dirigidos via men34 | inverno .encontrar seu próprio efeito nas telas. a maneira de provocar tensão entre realidade e ficção dependia de como os atores reagiriam ao roteiro. Uma maneira cinematográfica. as câmeras precisam ser esquecidas. no filme essa espera deveria ser outra. Reality show? Definitivamente não. se arriscaram junto com Christiane Jatahy em um modelo diferente de fazer cinema. nem roteiro evidente impedem que o filme emocione. experiente produtor e diretor de títulos importantes do cinema nacional. “Eram duas famílias. Mesmo verborrágico. entre atores. o projeto encarou dificuldades para conseguir recursos e ser filmado. Fora dela além de Flávio. Era preciso uma nova maneira de contar aquela história. O caminho escolhido estava na forma de filmar. no fenômeno mediático que afetou a noção audiovisual entre realidade e ficção. Para a diretora. 2010 sagem de texto no celular. no momento em que é projetada.

Pedro Brício. Beachtek. motivadora e que nunca perde o foco principal: alcançar o público e fazer com que ele encontre seu lugar naquela história. HPRC. Ikan. na casa da diretora. Tiffen. Uma ação pequena. 2010 . Canon. Kiko mascarenhas e marina vianna Microfones sem fio Sennheiser Claquetes Eletrônicas e Standard Sun Gun Litepanels e Ikan Tripés Secced e Manfrotto www.com. Christiane Jatahy utiliza seus melhores recursos e referências para apontar um caminho despretensioso e intrigante.DSLR na Bureau Turbine a sua câmera Acessórios e complementos para câmeras DSLR locação e venda atores em cena captação que não contempla formatos experimentais. Pelican Case..br tel 11 3044-1633 Visite o Showroom de segunda a sexta-feira das 9 às 18hrs Pronta-entrega Garantia Pagamento em 3x sem juros 36 | inverno . PSC. Daniela Fortes. Kata. Principalmente quando esses padrões estão contaminados por modelos enrijecidos pelo tempo. com três câmeras digitais.com. os ensaios avançavam e a urgência de filmar era evidente. colorido. SDHC. Provocar os padrões narrativos de contar histórias não é tarefa fácil. digital Direção: Christiane Jatahy roteiro: lulu silva telles e Christiane Jatahy Produção: Flávio tambellini (tambellini Filmes e Produções audiovisuais ltda. Na Bureau. diretora e produtor se depararam com obstáculos capazes de comprometer a realização do filme. E assim foi: com o aval da equipe e cerca de vinte mil reais para os custos irredutíveis. Secced. em A Falta que Nos Move. Mesmo que ele não saiba que essa história já tenha começado. FilmGear M Y CM MY CY CMY Adaptadores de áudio Beachtek Monitores Ikan e Panasonic Suportes Zacuto e Vocas Pára-sol e Follow Focus Vocas e Petroff K Lentes Zeiss e Canon Cartões CF. 100 min.) Direção de Fotografia: walter Carvalho Montagem: sérgio mekler Música: lucas marcier.bureaudv. Manfrotto. Atores e equipe estavam prontos para registrar aquela experiência. Vocas. Mas. 2010. Era preciso uma decisão em conjunto. você encontra as melhores marcas: C Red Rock Micro. O tempo passava. Litepanels. luciano Correa e rodrigo marçal Elenco: Cristina amadeo.br info@bureaudv. Zacuto. Secced. P2 SanDisk e Lexar Malas e mochilas Kata e Alhva Malas Rígidas HPRC e Nanuk FICHA TÉCnICA A FAlTA quE nOS MOVE Brasil. A Falta que Nos Move foi filmado em dezembro de 2007. Sennheiser.

Ele também é estilista e sabe encontrar uma linguagem gótica.. Participam do elenco Cynthia Falabella. O elenco foi uma grande alegria nesse filme”. A contribuição do Heitor para o filme foi muito grande. foi um ótimo exercício de liberdade de expressão”. A princípio.. Como ela afirma no parágrafo acima. mais ou menos uma semana antes do início da filmagem. Via o trabalho de luz da Kátia e do Naji e a direção no set e ia na onda deles. “na hora de pensar uma equipe. Naji foi chamado para operar a câmera. a solidão. me concentrei na direção de Adrian e Paula. porque não tínhamos video assist. Formulamos uma narrativa que contemplasse diferentes tipos de prisão. Heitor completa: “Entrei no filme bem no final da pré. os diretores Adrian Steinway e Paula Fabiana conceberam a história de Essa Maldita Vontade de ser Pássaro. “Tivemos a sorte de ter um diretor de arte ousado o bastante para entender nossa proposta e executá-la.. e Naji Sdiki. por ser Super-8. precisava achar um operador de câmera em quem eu e os diretores confiássemos 100%. No início de 2001. Elias Andreato. pós-moderna e sem exageros”. FoTogrAFIA 38 | inverno . os diretores contaram com Heitor Werneck assinando a arte do filme. Quando voltei para 08 | 39 . Leopoldo Pacheco. Fiquei muito feliz com o elenco. anteriormente Kátia e ele haviam rodado um curta juntos. o preconceito são formas de “enjaulamento” que nos fazem cultivar essa maldita vontade de ser pássaro”. a paixão. define Steinway.. Foi então que comecei a me interessar pelo formato.. foi um presente. o que obviamente foi um desafio. diz Katinha. eu adoro cabaré. A fOTOgRAfIA DE KáTIA cOElhO E NAJI SDIKI E O fORmATO SupER-8 SERvEm cOmO TuDO é BRASIl Por Mariana Nunes um DESAfIO ESTImulANTE EnIgMA dA LuZ Em três semanas. A diretora completa elogiando o elenco: “O Adrian também é um dos protagonistas do filme. “Há duas histórias que se entrelaçam nesse filme: a da bailarina que se vê obrigada a dançar num cabaré burlesco e a de um violoncelista que tem sede incontrolável por uma misteriosa vingança. Ele é um ator com técnica. sempre admirei isso nele. Foi a primeira vez que assinaram juntos a fotografia. Martha Nowill. como era uma equipe pequena. em suas mais diversas acepções. a leitura que os atores deram aos seus personagens foi algo maravilhoso. Na verdade. ela tinha que ser múltipla. A ideia era criar personagens que sentissem um desejo sublime de liberdade. que se comprava sem qualquer dificuldade em algumas lojas. diz Adrian. a Katinha.. Fiz o filme sem ler o roteiro. houve uma série de dificuldades que soubemos superar juntos”.... Katinha diz que foi sem querer. 2010 Cacá bernardes A direção de fotografia de Essa Maldita Vontade de ser Pássaro foi assinada por Kátia Coelho. foi ótimo o respeito dos diretores e de todos. logo me lembrei dele”. eu usei o filme como terapia e como exercício.Em essa Maldita vOntade de ser PássarO. O espírito lúdico me fascina. então poder eternizar um cabaré sempre é um presente. “foi uma produção difícil. pois se trata de um filme de baixo orçamento.. como eu gosto de trabalhar com as mesmas pessoas na equipe. logo surgiu uma relação de parceria e de troca de ideias muito frequente. o longa foi rodado em Super-8. a vingança.. nunca ninguém ia saber o que estava acontecendo. isso esbarra em autoria”. “Naji tem uma grande precisão e beleza em seus enquadramentos e.. Paula diz que a parceria na direção foi uma ótima experiência. o não compromisso. Lorenzo Martin e Rodrigo Nogueira. A diretora Paula Fabiana explica a escolha da fotografia: “Eu estudei cinema em Madri. eu saía na rua e as pessoas estavam filmando em Super-8. Com a proposta de criar um filme lúdico. com referências de Fassbinder e da Nouvelle Vague. na Espanha. O sonho.

passeios de câ- mera. em alguns momentos exclusivamente dele e não minha.. descobriam uma forma de colocar a decupagem de mesa na prática. mais um assistente de câmera e três assistentes de elétrica. Naji entrou no longa-metragem depois do processo dos testes. havia uma troca. Clara.o Brasil. Foram gastos 170 cartuchos de filme. então. improvisado. surgiu enquanto filmavam. já conhecíamos o visual da Super-8. os passeios de câmera que Naji foi acrescentando durante as filmagens. acrescenta que “a parte do contraste e sombrio ficou muito mais pertinente com a criação dele. o resto foi modificado na hora. produzimos curtas no mesmo formato. Kátia explica: “toda a decupagem foi feita antes da filmagem. 2010 Fotos: Cacá bernardes . A equipe de fotografia foi formada pelos dois. Naji acrescenta: “foi um processo muito democrático. esse filme foi bem diferente. às vezes parávamos até para votar. tem normalmente uma característica muito militar. plantas baixas com posicionamento de câmera etc. Optamos. contrastada. Kátia brinca dizendo que “o sombrio surgiu com a entrada do Naji”. Essa fotografia sombria. e a cor no filme está ligada à personagem feminina. toda imagem teve muito trabalho com foco. cinema não é democrático. já que não participou do processo de decupagem. a surpresa trouxe uma elaboração no roteiro.. Depois de assistir os testes. e gostamos da experiência. O Adrian pesquisou e descobriu um estúdio nos Estados Unidos que corta rolos 35 mm para Super-8. então. assim. ela resolveu misturar as emulsões dos filmes. nessa época. Michel. já que a equipe era enxuta. a decupagem foi trabalhada para cumprirmos uma meta”. As filmagens aconteceram durante quatro semanas. de qualquer forma.. com mapas. por exemplo. por realizar o longa com uma câmera profissional.. Ele também montava a luz.. A fotografia é composta de referências lúdicas. Kátia. comprada nesse estúdio (Pro8mm)”. como. Setenta porcento disso foi seguido. Já o sombrio acompanha o personagem masculino. 08 | 41 40 | inverno . O início dos cuidados com a fotografia no formato se deu com os testes que Katinha fez antes de as filmagens começarem. foi acontecendo”. Fizemos dois curtas premiados. (risos)!”. À medida que assistiam ao material. criar múltiplas texturas de acordo com a história e com os personagens.. conheci o Adrian. mas. que tinha acabado de voltar dos Estados Unidos. muito mais belo que qualquer visual de câmera digital.

passaram a fazer um mesmo take em dois rolos diferentes. O resultado foi uma imagem de rara beleza. rodrigo Nogueira. Com sua aguçada sensibilidade. 2010. Com pouca luz. achamos que tínhamos mandado negativo virgem sem querer. adrian steinway. roteiro e produção executiva: adrian steinway e Paula Fabiana Co-produção: massa real Fotografia: Kátia Coelho e Nadji sidki Direção de Arte: Heitor werneck Elenco: Cynthia Falabella. um master HD). A finalização também será realizada no Brasil: a cópia das fitas.. Clarice abujamra. da Fuji. bastante enigmático. Naji explica: “ela é difícil de trabalhar. lorenzo martin. quando era possível. leopoldo Pacheco. não tem o video assist. exceto o primeiro teste.. era difícil de ver.” .. a telecinagem e a passagem para película (ampliação para 35 mm). nossa proposta era muito modesta. entramos em contato com a Pro8mm e a Kodak e não desvendamos o que pode ter acontecido”. o 50D e o 200D. 2010 pleta: “nós pesquisamos muito. mas o laboratório confirmou que o filme havia passado pela câmera. O fato aconteceu uma segunda vez. a marcação de luz (que será feita a partir de um HD produzido na Pro8mm.. Quando a encontramos. sweet Bird. por isso. mas. da Kodak. revelado na Pro8mm e feito apenas com o Fuji Reala 500D.. ela e Naji fizeram milagres. o manuseio e o foco são difíceis.. Todos os testes foram feitos na Mega. sem exposição”. Para finalizar. Naji acrescenta: “à primeira vista. três rolos de filme passaram pela câmera e não tinham absolutamente nada. Os filmes utilizados foram o Reala 500D. então. a Pro8mm (empresa norte-americana especializada em Super-8) adapta a câmera. martha Nowill. Katinha com42 | inverno . tinha apenas uma lente de zoom. de qualquer forma. ela aceitou o desafio de trabalhar num formato que é pouco usado e. a partir daí. o diretor Adrian fala sobre a equipe de fotografia: “A Kátia Coelho foi uma grande parceira em nossa empreitada. Ela acompanhou as várias versões do roteiro. em finalização Direção.FICHA TÉCnICA ESSA MAlDiTA VOnTADE DE SEr PáSSArO Brasil. teco tavares e luciana Caruso Quanto à câmera. Os fotógrafos comentam um mistério que aconteceu durante as filmagens.”.

mas em época de Copa. talvez o único que levava a inocência para dentro de campo. O Milagre de Berna tem uma reconstituiçao muito bem feita das jogadas do time alemao na copa de 1954 em que se misturam imagens reais e fictícias. Morte e a sensação contínua de espera em uma das melhores fases do cinema do diretor. Parece que este esporte.” Fernando Bonassi. que recria um episódio mitológico na história dos Mundiais -. COnFirA O quE FOi lEMbrADO. diretor e roteirista 7 MêS DE COPA DO MunDO EXigE uMA rETrOSPECTiVA SObrE FilMES E DOCuMEnTáriOS quE TrATAM DO FuTEbOl COMO ElEMEnTO ESSEnCiAl À nArrATiVA.” Kiko Goifman. Futebol é um animal vivo mas muito frágil. desde criança.” Esmir Filho. cineasta INfOgRáfIcO 11 “Eu odeio futebol. aleGria do Povo (1962) de Joaquim Pedro de Andrade “É como se desse ao mito a existência concreta da bola. eu fazia outra coisa.” Fernando Meirelles.” rodrigo Siqueira. diretor Boleiros – era Uma Vez o FUteBol… (1998) de Ugo Giorgetti “Pela nostalgia e o amor que todos os personagens tem pelo futebol. cineasta “Uma boa ficção sobre futebol ainda está para ser produzida. cineasta 1 44 | inverno . os jogadores coodjuvantes. A montagem é maravilhosa.” thiago iacocca. quando ensaiado e encenado. são entrevistados também. escritor e roteirista Canal 100 (1959-1986) de Carlos Niemeyer “A experiência de estar num campo de futebol jamais foi melhor mimetizada em filme do que no cinejornal semanal mantido por quase três décadas por Niemeyer. 9 1958 – O AnO em que O mundO descObriu O brAsil (2008) de José Carlos Asbeg “No documentário.” Jorge Durán.” amir labaki. aleGria do Povo (1962) de Joaquim Pedro de Andrade “Acho futebol talvez o mais difícil dos temas a ser tratado pelo cinema . para prestar atenção em coisas mais importantes no mundo ao seu redor. sempre odiei. Crítico de cinema (Valor/Folha) e diretor do festival É tudo Verdade Garrincha.com perícia técnica combinada a um espírito romântico. Por isso a cena emblemática do meu longa Os Famosos e os Duendes da Morte. editor da BETA 5 3 4 O Milagre de Berna (2003) de Sönke Wortmann “Gosto do cuidado de diversos filmes recentes que abordam direta ou indiretamente o futebol.e pela TV. ultrapassa as manjadas coletâneas de gols e dribles. O filme retrata o jogador mais tipicamente brasileiro da História. onde o menino deixa a quadra onde é obrigado a jogar futebol. Os documentários são sempre melhores. diretor de fotografia 8 10 6 Rio 40 GRaus (1955) de Nelson Perereira dos Santos “O filme apresenta o futebol brasileiro como parte da canalhice geral que nos caracteriza neste setor. 2010 08 | 45 . mas com o traçado poético que suas pernas a trabalhavam. gostaria de destacar este filme. que falam com grande orgulho sobre terem sido driblados por Pelé e Garrincha ou terem levado gols dos brasileiros. Tudo termina com um épico jogo entre soldados aliados e militares alemães. com cartolas mandarins e contratos e conchavos escusos em todos os níveis comercialmente rentáveis das federações.” Sérgio rizzo.” Gustavo Hadba.O MedO dO GOleirO diante dO Pênalti (1972) de Wim Wenders “A angústia que nasce a partir de um fracasso no futebol motiva a trama. além dos nomes famosos. jornalista e professor 2 Garrincha. A bETA COnViDOu AlgunS PrOFiSSiOnAiS ligADOS AO CinEMA PArA AJuDAr A rESgATAr TíTulOS DESSA ESCASSA PrODuçãO. Enquanto todos assistiam a Copa.a inesperada vitória da Alemanha na final de 1954 contra a favorita Hungria .” Marçal aquino. Além de ser um filme generoso como poucos. escritor e roteirista Fuga Para a Vitória (1981) de John Huston “Gosto muito do filme que tem Sylvester Stallone e Pelé no elenco e se passa na 2ª Guerra Mundial. perde seu vigor. Filmaço. se tentar amarra-lo ele morre de tristeza.

vENcEDOR DO é TuDO vERDADE 2010. 81 anos. Pedro é um excepcional contador de histórias. os segredos dispostos em seus 88 minutos. Pedro é morador de Quartel do Indaiá. documentário). Pedro de Alexina. curandeiro. Garimpeiro. cantador. verdadeiro guardião da memória e da oralidade de um grupo. terra COMe.RODRIgO SIquEIRA. Descendente de escravos que trabalhavam na extração de diamantes. 36 anos. de mapas ou regras para efetuar o percurso. nas Minas Gerais do tempo do Império. Terra Come. cujas obras acompanharam Rodrigo Siqueira durante todo o percurso de realização de Terra Deu. o filme alterna regimes (ficção. comuns nos séculos XVIII e XIX. DIRETOR DO DOcumENTáRIO terra deu. cONcEDEu ENTREvISTA ExcluSIvA à BETA E DEu DImENSõES DO quE SIgNIfIcA A cOmplExA mISSãO DE REAlIZAR um fIlmE pROfuNDO E ORIgINAl Por Cláudia Mesquita TERRA Em TRANSE Terra Deu. mito e fabulação. TrAVESSIA 46 | inverno . Sua fala remete aos personagens e narradores dos livros de João Guimarães Rosa. maravilhados. Não dispomos. ele é um dos últimos conhecedores dos vissungos. longa documental dirigido por Rodrigo Siqueira. Melhor documentário da Competição Brasileira do 15º Festival É Tudo Verdade (2010). vivências. pouco a pouco. Benzedor. Terra Come. antigo quilombo vizinho a Diamantina (MG). as cantigas em dialeto banguela cantadas durante os rituais fúnebres da região. espectadores. no ritmo de seu protagonista. tateamos e descobrimos. coloca-nos em uma travessia. Não é o único de seus saberes e poderes. Inseguros. 2010 08 | 47 . em cujas histórias e performances se enredam memórias.

mais bem curtidos por quem se dispõe a atravessá-lo. Terra Come. é afirmar o existente. Pedro. querendo entender o máximo do que ele me contava. As duas como médium da memória. o conto. de 2003. A crença é no que ele me conta. sem paternalismo. ou não fabulei eu mesmo? Se estava ali. Garimpamos juntos. observador. Estávamos operando duas coisas. com vontade de empatia. uma atividade econômica (o garimpo). processar e levar adiante o dito. Procedi assim no filme. ora questionando. Ele é o maior contador de histórias que já ouvi. uma época. de suspender descrenças e buscar empatia com o regime do personagem. A relação com seu Pedro era deveras intensa para que eu me posicionasse como um entrevistador. sua atitude parece ter sido a de desejar acreditar. Crer. Ouvido serve pra ouvir e olho. a passagem decisiva da temática cultural relevante para o retrato complexo de um personagem (o primeiro longa. uma encenação. Tem uma relação de confiança. em seu segundo longa-metragem. o mito. um duelo. 2010 “A Morte. Bateu o santo. E. Um gigante. 08 | 49 . o Rap Representa. dedicava-se ao movimento hip hop em contextos urbanos). Juntos e cúmplices. pra ver. Em Terra Deu. não nos vínculos que essas coisas possam ter com o factual. realizado com Júnia Torres. acontecimento.” “Existe Ele” (o “dito”. 48 | inverno . quando estava às vésperas de começar a filmar. A princípio. é porque já acreditava de algum jeito. Aqui Favela. fazendo a tradição e o mito existirem no presente. de fora pra dentro. E que concretude tem a memória? Não havia outra alternativa para que o filme existisse. um pesquisador frio. cineasta e personagem se engajam em um jogo de fazer cinema. refratado e multiplicado pela atuação singular de Pedro de Alexina. Quando conheci seu Pedro.Rodrigo encontra tamanho personagem com respeito. uma conversa. tudo se enreda na fala e performance do personagem. Temos segredos. Dizer mais é revelar os segredos do filme. depois a minha memória a decodificar a dele. fala e escuta (no caso do realizador. a memória dele. mas também com proximidade. Nada diferente do que é se relacionar com qualquer pessoa com quem se tem afinidade. imediatamente fiquei encantado. existe Ela. o tema aparece encarnado. Rodrigo efetua. Fábula. desassombro. Ora acreditando no que me falava. diante disso. o “Boneco”). também o olhar). de alguma maneira. pensava que deveria ultrapassar os propósitos que estavam no projeto. Não faria sentido me prender a um assunto de interesse único. como um ouvinte curioso. ora duvidando em silêncio. protagonista de seu filme. Fizemos planos. um dos encantos de Pedro de Alexina. Interessado na memória africana. E seu Pedro também sempre foi um menino curioso. uma partilha. a não ser escutar. o “Sujo”. convivendo com seu Pedro de Alexina para ouvi-lo. Como foi assim proceder? que desafios se apresentaram? rodrIgo SIquEIrA Como posso descrer do que não vivi. cuja experiência concentra as contradições de uma localidade. O método foi este: o de menino curioso e respeitoso. memória.

a coisa foi ficando como uma brincadeira de desafio. E sempre que propunha alguma coisa. os filmes que vi. a memória correspondeu. Então ele me chamou de canto. não pode esmorecer. E fomos até de manhã. Eu conheci seu Pedro no dia 1º de janeiro de 2005. o passado e a vida dele. 08 | 51 . vi dois filmes que me marcaram muito e me puseram a pensar em como faria o Terra Deu. 50 | inverno . que Nossa Senhora ajuda. acendeu o cachimbo e me perguntou: “E você. conta. inventiva e dialógica? Como o tema tradicional se fez retrato íntimo? Como o relevante “patrimônio imaterial” se fez encenação. deu uma risadinha e completou: “Mas se o freguês tem um palpite. como que se colocando ligeiramente “de fora” das situações em que ele mesmo atua. não sei se antes ou depois de filmar. Quando assisti. Ele chegou e conversamos ininterruptamente por três fitas de 60 minutos. na hora. na capacidade de invenção do narrador. E eu dava corda. fumou do cachimbo e me disse mais ou menos assim: “Então você tem que saber que. Quando escutamos que ele estava chegando. como ele queria – e deu trabalho pra achar –. como fica evidente no filme. E assim foi. algumas encenações tenha sido fundamental para que a conversa entre vocês se colocasse em outro patamar: não a busca por “verdades” sobre a tradição. mais honesto com a minha ligação com a história que eu estava contando. o filme harmoniza “assunto e forma com destreza”. Tatu cavou. Como se eu jogasse um verso e ele devolvesse outro. eu pensei que não teria filme. a nossa relação começou a se aprofundar. E eu disse que. Nessa noite. conversando com dona Lúcia e tomando café. Para quem partia do interesse por uma temática tradicional (a memória africana e. E tem coisa mais “infilmável” que a memória? Antes de começar. a obrigação tá feita”. invoca. a memória dos vissungos. a gente tem que saber que pode não achar nada”. mais curioso o ouvinte fica. porque está lá o seu Pedro. fala. com o meu jeito de contar. Mas enquanto não consegui uma sanfona de oito baixos. ele acrescentava outras. Segundo ele. mas também com todo o panteão de personagens e mitos pessoais que carrego comigo. E transita por um repertório riquíssimo na tradição oral. ele não estava e dona Lúcia mandou Abel ir chamá-lo. sentado na cozinha. No entanto. a corroborar a veracidade do narrado. Terra Come. como que piscando para você (e para nós). a partir daí resolvi fazer um filme pessoal mesmo. seu Pedro narra um tipo de história que é muito popular no Brasil. matreiramente. Quando desliguei a câmera. Aos poucos. bebendo e tocando. como que remetendo o ouvinte a um tempo remoto e vinculando a narrativa a duas “testemunhas” de reputação ilibada – Cristo e são Pedro –. ao que ele retrucou: “quem sabe. 2010 Não prometi nada. como te ocorreu essa maneira de abordar não tradicional. Talvez a proposta de realizar. espetava mais. livre. Ele viu o meu semblante de sujeito preocupado. Em geral. o que vai fazer?”. E é na performance. Eu definitivamente não tenho um perfil acadêmico. ao modo como ele processa simbolicamente as coisas. Ou pelo menos me alertaram os desejos. disse que voltaria para fazer um filme com ele. Enfim. mas falar sobre tudo o que carrega o seu conhecedor: sobre o garimpo. regado a muitas histórias e goles de cachaça. Um foi Santiago. No prólogo do filme. deu na lapa. Fui lá e fiz. esse Trancoso. sisudamente. Elas só permanecem se os ouvintes seguirem seus passos até o fim. não saía muita coisa. quando um sujeito. percebi que poderia fazer o meu de uma maneira mais livre. assim como ele era um garimpeiro que vivia procurando diamantes. a música chegou. Esperei mais de uma hora. brincadeira de cinema? Algumas referências foram importantes? Na sala de espera do aeroporto. eu procurava histórias. quando você voltar. me respondendo e me apresentando novas possibilidades. particularmente. Uma vez li sobre a tradição das histórias de Trancoso. fotógrafo) e lhe disse o seguinte: os vissungos estão lá. Onde diabos isso vai dar? Esse é o jogo. a caminho de Diamantina. jogo. Ele fez uma pausa. e ele ampliava ainda mais. se eu já não queria me apegar a um dogma conceitual. não me traz uma sanfona?”. a performance do narrador é fundamental para que se mantenha a audiência. Nessas histórias. suscitando ambivalências. Quando começou a tocar. sobre os velhos. Aos poucos. E. O negócio era falar sobre os vissungos. Fui lhe entregar o instrumento no dia 31 de dezembro de 2005. Mas o meu garimpo era diferente. Como escreveu Eduardo Escorel. sem perceber que tínhamos virado o ano. mas o estabelecimento de um jogo. que se constrói a atenção e o vínculo do ouvinte com o que se conta. naquela região de Minas gerais). Filmar o “infilmável”. havia quase vinte anos que não tocava sanfona. resolve catalogar as narrativas de cunho fantasioso que ele já ouvira. tem que acreditar e ir até o fundo. quando a gente sai de casa. Quanto mais fabuloso. descreve. apresentei todo mundo da equipe e expliquei o que cada um estava fazendo ali. O filme não foi “elaborado” e referenciado antes de filmá-lo. aquela utopia que move alguns documentaristas. que surgiram em Portugal no século XVI. “No tempo que Cristo mais são Pedro andavam pelo mundo…” Há uma infinidade de histórias que começam assim. Cheguei à casa dele. em resenha publicada em seu blog. sobre o Quartel. essas histórias carregam sabedoria disfarçada de simplicidade. Ele afirma e sorri. Levei de novo uma câmera.Pedro está sempre sorrindo. pois “tinha um moço querendo falar com ele”. sobre os mortos. no filme. Elas só existem se houver quem as ouça. sobre ele. liguei a câmera e fui “recebê-lo” na trilha que vinha da mata fechada. do João Moreira Salles. talvez herdada de uma tradição do catolicismo popular português. Ele queria entender como funcionava o meu trabalho. Tentar olhar por detrás disso tudo pra chegar à memória dele. eu chamei o Pierre (de Kerchove. carregado com as leituras que fiz. Propus que representássemos algumas situações para abrir possibilidades de entrarmos nessas histórias. eu também era um garimpeiro. Como te ocorreu essa proposta? de que maneira vocês negociaram? Seu Pedro é um exímio contador de histórias. não voltei. como que a querer saber até que ponto o narrador vai conduzi-lo. sobre os sonhos.

Começamos a filmar no dia 29. Um gigante que me fez sombra e deu refresco. entramos na história da morte do pai. desde os tempos áureos do garimpo. do riso gaiato à seriedade. nessa cena se coloca uma amigável disputa de poderes – da tecnologia moderna e da tradição –. No dia seguinte. pois tinha lido sobre a importância simbólica do boi na região. Em algum momento. Na verdade. a filmagem enveredou para o campo do invisível. 1º de maio. Falamos quase o dia inteiro sobre histórias de assombração e almas penadas e dos espíritos dos antigos que habitam a região. Seu Pedro trazia a ambiguidade em si mesmo. Está ali o aparato. Conta-se que. E tive a sensação de que o filme começara bem. Como foi assumir esse papel? Chegamos ao Quartel no dia 27 de abril. Feiticeiro mesmo. 80% do nosso tempo ficávamos com seu Pedro. obviamente. no século XVIII. seu Pidrim fala de si e exprime seu universo cultural (“vocês têm parte com o diabo!”). também. o dono do boi e a filha do dono do boi. Quando o seu Pidrim Pessanha diz que somos mais “sabidos” que os negros feiticeiros do Quartel. conhecida como Boi de Santa Cruz. A propósito. no sentido mágico do termo. a dúvida. É impressionante a variação de humor dele. Quando chegou a noite. foi quem me motivou a fazer e me colocou nas maiores sinucas formais. sabido é quem tem o dom do encantamento. Em um mesmo plano. no Quartel. pra mim. mas não chegou a usufruir dela. quando um freguês encontrava muitos diamantes. no tempo dos antigos. a verdade e a invenção. sobre quem é “mais sabido”. Sem falar muito. Havia. e estava presente de uma maneira muito legal. essa sombra trouxe escuridão. Seu Pedro representava o dono do boi e usava a máscara. Estava obcecado e queria porque queria fazer uma narrativa roseana. Ali está um encontro emblemático entre “diferenças”. acrescentou desespero. tudo era feito com o consentimento das pessoas. Esse sujeito se chama João Guimarães Rosa. Quando vi que essa questão estava no material bruto que eu apurara. cúmplice daquela representação. a equipe. Fiquei curioso para ver.O outro foi Jogo de Cena. fiquei febril. Durante a filmagem. nessa sequência. porque seu Pidrim diz muito de quem ele é espontaneamente. ele quer dizer exatamente nesse contexto mágico. a alma desse freguês não achava sossego e ficava circulando pela região a vigiar o tesouro enterrado. E carregava equipamentos pequenos: uma câmera e um gravador. a atuação e a autorrepresentação. tem outro cidadão ao qual me apeguei e tomei companhia durante todas as etapas de realização do filme. Tomei consciência de que estava mexendo num troço que era o mesmo com que o Coutinho estava lidando. Não entrávamos onde não éramos convidados. o filme assina explicitamente um pacto com a manipulação cinematográfica. entre quem filma e quem é filmado. Foi seu Pedro quem propôs o teatro como João Batista? Foi logo compreensível o significado daquela máscara? naquele momento. foi decisiva. o boi. Quando morria. ele o enterrava e não dizia a ninguém onde. Pelo que soube. No dia 2 de maio. Em outras ocasiões. poderia dizer que. pois 08 | 53 52 | inverno . no tempo das pessoas. reagindo ao que é “do outro” – o aparelho de filmar –. a conversa girou em torno dos antepassados do seu Pedro. você sentiu exercer poder demais? Quanto a exercer poder. não sei dizer direito. 2010 . a data tradicional para fazer essa brincadeira. Ali. na região há muitos tesouros enterrados. falamos com pouquíssimas pessoas. a pessoa filmada e a sombra do Outro. apesar de circular em uma Rural azul. Brincamos um pouco e ele marcou para fazermos a valer no dia 3 de maio. durante a realização. Consequentemente. muitos espíritos a circular. que encontrou uma grupiara. Seu Pedro havia preparado um brinquedo para nos mostrar. De certa maneira. A equipe era pequena e muito discreta. quando nos enquadra como sabidos. Era um bumba-meu-boi típico da região. Gosto muito dessa sequência. por diversas fontes. na posição de ator. seu Pedro assume outro personagem e coloca você. para filmar ou brincar. vai do espanto bem-humorado à desconfiança. e fica uma pergunta no ar. É notável a primeira aparição do personagem seu Pidrim no filme. ele muda o tom abruptamente. ali a sinuca do que é real e do que é representação. Afora isso.

E veio como um preto-velho. Quando eu voltei da filmagem. Pode dizer mais sobre o desafio dessa montagem tão elaborada? A proposta. fizemos a gravação do boi. Comecei a montar. As possibilidades de abordagem eram infinitas. aliás. É como a experiência de ir a Ouro Preto e sentir no ar o peso da história daquele lugar. riquíssimo. E eu queria fazer o filme como quem faz uma rede sem fios para pescar nesse rio sem margens. como diria o Rosa. Mas acredito naquilo que o Escorel diz: no material bruto só tem um filme possível. perdi completamente a concentração. é preciso atravessá-lo para compartilhar suas descobertas. No dia 3 de maio.. à medida que aprofundava a percepção sobre o material. Pensei que ele nos fosse mostrar alguma coisa. Tive momentos de agonia e de angústia profundas. Quanto mais ele inventava. Mas a máscara já havia sido transportada para um outro espaço simbólico. o universo cultural e social de toda uma coletividade. se não era ator. já que esse material era bastante fragmentado e o desafio era estabelecer as relações possíveis com o restante do material. está em um texto de abertura do Sagarana. seguida da preparação do corpo. O Rosa tem uma frase que. ancestralidade e fabulação. história e convivência com todos: família. verdades (sobre o imaginário. outra coisa que não era mais o boi. Sabia que tínhamos aberto uma picada em terreno denso.. Parei de novo. Mas estava possuído. esses três eixos poderiam ser um só. na verdade. já veio como um outro. as suas memórias. ele se levanta e vai para o quarto em silêncio. pertencente a um outro tempo. o mundo do trabalho. uma evidência da construção fílmica. finalmente. diferentes critérios na condução da montagem. E. a memória. nele. o difícil é encontrá-lo. sem nenhum aviso prévio. apresentava outras infinitas possibilidades dentro de cada um deles. Nesse momento. do documentário como mise-en-scene também. cercado de memória. Quando vi o material bruto de cabo a rabo.foi morto envenenado por pessoas que queriam ficar com os diamantes. É impressionante como há. o Benjamim (filho do diretor) nasceu. com voz de velho. Proposta insana essa minha. e (3) louco. um personagem que não era ele: “Como vai você. vá lá. meu netim?”. Ele então vestiu a máscara e um roupão de banho. O processo de montagem foi bastante complicado e teve muitas mudanças. mas fui incompetente ao tentar passar o que queria. fiquei espantado. Nesse sentido. 08 | 55 a morte de João Batista. surpreso. Há também. parecia que podíamos sentir uma certa presença das almas que habitaram a região. fazer isso na mesa de montagem é que são elas.. 2010 E penei pra achar o sujeito. mesmo quando os assuntos eram outros. ele me puxa para dentro da cena. Era de uma riqueza espantosa. e retomei a montagem. Parei a montagem. Acho que não sou bom ator. ancorado em uma estratégia de criação de atmosferas. Até conseguir ver que. e também alterna. as relações sociais e seu universo simbólico. talvez por todas as histórias que ouvimos. Eram três eixos cujo material. era construir uma narrativa que criasse uma atmosfera predominante no filme. naquele teatro. equipe e comunidade. de maneira que as sequências flutuassem nessa atmosfera – reproduzindo e imprimindo. No começo. o cortejo fúnebre acompanhado pelos vissungos e o enterro. Ganhou forma. Após essa conversa. o velório. com o máximo de representações que eu pudesse envolver e vincular à narrativa. sem muito purismo. Mas dei corda àquilo tudo. Sem combinar nada. Além do mais. sobre a história. (2) a máscara e o teatro criados por Pedro. como alguns críticos se referem à narrativa roseana: narrativa em estado gasoso. as quais eram: (1) a vida de seu Pedro. atuei. pelo menos pensava dirigir alguma coisa. sabia que seria inevitável que documentário e ficção entrassem um no outro. se não me falha a memória.). Ou. Tracei três linhas-eixo de condução para o filme (e tracei literalmente como linhas em um quadro que ficava pendurado na ilha). Mesmo assim. fiquei louco. como disse. Nós o seguimos com a câmera ligada. Quando saiu do quarto. para que eu representasse com ele o papel de um forasteiro que veio procurar um suposto tesouro enterrado. Esse outro personagem voltou várias vezes e ecoou por dias e dias. ou espero tê-lo encontrado. o filme é rico em táticas de abordagem. trata-se de construção de atmosferas mesmo. ele ia falando comigo como se eu já soubesse o papel que deveria representar. E ainda por cima com uma proposta formal que se pretendia aberta. corpo. que incluía a sua história pessoal. não entramos manejando as “regras” de antemão. sobre o homem rico que seu Pedro poderia ter sido. 54 | inverno . Agora. concepções de mundo etc. em que ele diz que o mundo ideal do peixe é um rio sem margens. as relações familiares. E foi esse outro espaço que me interessou. tentei trabalhar com uma montadora. Enquanto ficamos no Quartel do Indaiá. mais eu o estimulava. uma ousadia que quase me deixou . fui descobrindo novas ligações possíveis entre os eixos. Voltei minha vida e meus olhos para ele. a atmosfera que vivenciamos durante a filmagem. pelo mise-en-abyme (a cena dentro da cena).

a intenção era que fossem porosas e cheias de fissuras. cair na facilidade de uma montagem a la videoarte. Só assim seria possível obter variações narrativas. É assim: “as novelas se suspendem em pontos precisos. criando atmosferas que se interpenetram ou ecoam filme afora.Como não estava fazendo um livro e sim um filme documentário. 2010 . 56 | inverno . incidental e garimpada por lá mesmo. criando atmosferas e sensações a partir de paisagens visuais e uma trilha de efeitos sonoros distorcidos para dar o tom. Resgatei. numa caderneta de anotações. Pois essas suspensões são fundamentais para a montagem de Terra Deu. São as frestas por onde se pode tentar espiar o que não está na tela. A propósito. Terra Come. isso foi muito difícil. ora roçando a poesia. Mesmo que sua imaginação tomasse algum atalho ou desvio. Queria que o espectador pudesse passar por elas como se percorresse um mapa. com sub-estórias dentro das sub-estórias que são as sequências. Não queria. quando o revejo. o filme não tem trilha sonora composta. Fico sempre com a sensação de que alguma coisa ali me escapa. O que chamam de “restos enigmáticos” é o que parece dar ao filme um aspecto interessante: manter o engajamento do espectador pela curiosidade de tocar o desconhecido. que elas tivessem um interesse em si mesmas. É também por esses restos enigmáticos que eu mesmo tento entrar em novos caminhos no filme. algo que li em um texto sobre a forma de narrar do Guimarães Rosa no tríptico de Corpo de Baile. Ou mesmo beirando o suspense. de jeito nenhum. que de alguma maneira ela voltasse para a trilha central. Mas queria que não se fechassem. ao contrário. Outra característica que desejava para a montagem é que cada sequência obedecesse a uma dinâmica interna. a observar várias outras fendas pelas quais ele pudesse se desviar. ora privilegiando aspectos dramáticos. é crua. deixando restos enigmáticos”. Mas que seguisse adiante. e eventualmente uma curva dramática própria.

VoCê TEVE ESSA PrEoCuPAÇÃo dE FAZEr uMA ArTE ConTrA AS ConVEnÇÕES? TERRA Em TRANSE DEmOROu. não lê cinema. O homem dos efeitos especiais. o choro ou o medo. eu fui o primeiro no gênero. ForA dA ACAdEMIA E ATÉ LongE dA TEorIA. mas tem que ter a primeira vez. 2010 Não cheguei a ser cinéfilo. Então. Eu TAMBÉM TrABALHo CoM CInEMA E TEnHo PASSAdo Por ESSAS dIFICuLdAdES. você tem uma madame que tem um caso com um marginal. como ele mesmo conta. Realmente eu fui um iluminado. o país do nosso candomblé. fui criticado. Fiz. esquerda. porque Faz. de repente. Então. E acho que o Brasil é. conturbada. da nossa macumba. lance o seu livro. Este me dizia: “Mojica. devo ir falar com ele novamente. um país que você tem uma moradora de favela tendo caso com um ministro. passar de exemplar do cinema trash para figura cult.. cONJuNTO quE O cONSOlIDOu cOmO umA DAS ImpORTANTES pERSONAlIDADES DO cINEmA NAcIONAl TError TuPInIquIM Talvez um dos cineastas brasileiros mais incompreendidos. para que os outros te imitem.. ficaria. assim. CoMo ErA A SuA rELAÇÃo CoM ELE? Fomos amigos. Eu até fiz um pacto com o Lula e. de repente. você sente que pra conseguir esse dinheiro não é fácil. porque é o que realmente somos. original e. Só agora. pois o Lula disse que ia rever isso. CHEgou uM dETErMInAdo MoMEnTo EM quE VoCê rESoLVEu ESTudAr CInEMA? MoJICA Não. acho que vai chocar o público e provocar o que eu quero. vendo de tudo. de quem ninguém pode tirar o mérito. E CoMo VoCê ConSEguIA? Sempre gostei muito do cinema artesansal e. atravessava paredes.. um general e. É coisa nossa. temos que explorar isso com mais cautela e acho que tinha que ter verba especial para fazer o que é nosso e deixar de lado o que é gringo. bati na tecla e. Vão dizer que eu era um homem que pegava uma vassoura e saía voando. Da mesma forma. teria se saído melhor. por décadas. Sempre elogio muito o Polansky. mas a verba vem só pra uma panela e. seja o riso. mas cresci dentro de um cinema. se ele tivesse seguido aquela linha. Em um boteco na região central de São Paulo. Ele dá uma verba pro cinema. FEZ SEu PrIMEIro CurTA AoS 10 AnoS dE IdAdE E FoI. ele existe mesmo”. ao mesmo tempo. no Brasil. do FoLCLorE BrASILEIro MESMo. Sempre tive problemas com a censura e. INfluêNcIAS E SEu pARTIculAR MOdus OPerandi. eu tenho a impressão de que. tupiniquim mesmo”.Por Bruno Mello Castanho o PErSonAgEM ZÉ do CAIXÃo FoI TÃo ASSIMILAdo quE HoJE FAZ PArTE dA CuLTurA PoPuLAr BrASILEIrA. mesmo com o Encarnação do Demônio. um país de superstição. Luís Sérgio Person. fui conhecer quem eram os censores que tanto me prendiam. vi que aqueles que me censuravam não tinham a menor condição de entender realmente o meu cinema e percebi que era um sistema muito errado mesmo. MAS SEM dúVIdA Há uM ConSEnSo dE quE É uM doS MAIS AuTênTICoS E orIgInAIS. porque eles começaram a colocar a mão no meu rosto e dizer “ele é de carne e osso. direita. pedi uma câmera 16 mm e fiz meu primeiro curta. nunca estudei cinema. aprendi fazendo e criei uma linguagem única. é que estão surgindo pessoas para fazer o terror. em 78. em essência. uMA PErgunTA dA quAL nÃo PodEMoS ESCAPAr É: VoCê CHEgou A SEr uM CInEASTA CInÉFILo? quAIS SÃo AS grAndES oBrAS ou dIrETorES quE VoCê AdMIrA? tive por perto os maiores diretores do Brasil: Júlio Bressane. Eu fiquei apavorado. Com certeza. uM dIrETor quE APrEndEu FAZEndo. Glauber Rocha e Rogério Sganzerla. frankensteins. hoje dizem que “tem verba pro cinema nacional”. o gLAuBEr roCHA FoI uM CInEASTA quE TE APoIou nA PráTICA E quE TAMBÉM goSTAVA MuITo do SEu CInEMA. o SEu CInEMA SEMPrE FoI ou MuITo ELogIAdo ou MuITo ConTESTAdo. de repente. se eu morresse amanhã. lobisomens. e não há outro igual. tive a 08 | 59 . é só aquele grupo que pega o dinheiro. 58 | inverno . esse ano. Mojica recebeu a revista para uma conversa sobre as particularidades de uma carreira cinematográfica tão inventiva. como o Boitatá ou o Saci-Pererê.. é fantástico. depois de mais de cinquenta anos. Exatamente. Queria saber como eu conseguia fazer tudo só com aquele espaço tão pequeno. Aos 10 anos. acho que é o único país que já tem o seu folclore formado e nós não podemos ter vergonha de falar sobre isso. um bandido. faço de uma maneira que. José Mojica Marins teve que ser reconhecido primeiramente no exterior para. Faça o seu cinema. Não obedeço a ordem de planos. Ele nunca mais conseguiu repetir uma coisa parecida e acho que. FALAndo uM PouCo SoBrE A SuA oBrA EM gErAL. Então. como dizem os norte-americanos. dE FATo. com o seu Bebê de Rosemary. eixo. Você faz algo que não tem nada a ver com os dráculas. mAS A BETA fINAlmENTE ENTREvISTOu O DIRETOR JOSé mOJIcA mARINS. Querem que você tenha experiência. Tem também um grande diretor e produtor que é o Spielberg. ele chegou a visitar o meu estúdio e ficou deslumbrado. É. em vez de bicicleta. VoCê FoI uM CInEASTA quE rESPIrou CInEMA dESdE CrIAnÇA. quE NOS REvElOu DETAlhES DE SuA cARREIRA.

Existe um grupo. usei o computador apenas duas ou três vezes. Zé não conseguiu encontrar a mulher ideal. SE ConFundE MuITo o MoJICA CoM o ZÉ do CAIXÃo E MuITA gEnTE. Hoje. numa cama. até o fim do próximo mês. TE ConHECE CoMo o ZÉ do CAIXÃo. em Minas Gerais. pois meu pai era gerente de cinema. ainda é a fita que fiz em protesto. Já eram artistas e tive o privilégio de ser criado dentro de um cinema. após o reconhecimento dos norte-americanos. em película 35 mm. até um pouco romântica e bondosa. quem vê uma fita minha. o Zé do Caixão deixou sete mulheres grávidas e devo fazer. mas trabalhando. que está fazendo a produção do filme sobre a minha vida. ACHo quE A SuA TrAJETÓrIA CoM o CInEMA rESuME BEM A HISTÓrIA dE InVEnÇÕES do PrÓPrIo CInEMA. mas na vida real sou uma pessoa.. Estou terminando as minhas memórias e pretendo lançá-las no ano que vem. Essa coisa de fazer manualmente me tornou um dos cineastas mais econômicos do Brasil.com. eu morrer filmando. achei fantástica e devo fazê-la. Acho que existe realmente uma diferença muito grande. quAIS SÃo oS SEuS ProJEToS FuTuroS? o quE VoCê PrETEndE FAZEr dAquI PArA FrEnTE? Seria uma dádiva se Deus me concedesse esse desejo. nArrAVA oS SEuS FILMES durAnTE A EXIBIÇÃo E VEM TAMBÉM dE uMA FAMíLIA CIrCEnSE. quem sabe no ano que vem. É. Sete Ventres para o Demônio. Interessante é que hoje. sobre um cara que estuprava mulheres. meu pai era toureiro e minha mãe dançava tango. VoCê CoMEÇou FAZEndo FILME SEM EdITAr. Já teve vezes em que eu dirigi carregado numa padiola. 60 | inverno . Zé do Caixão gosta de espancar mulher. VoCê FALA quE A MAIor MorTE quE VoCê PodErIA TEr SErIA MorrEr no SET dE FILMAgEM. O Despertar da Besta é também a minha obra mais corajosa. eu tenho. no último filme.oportunidade de colocar isso em prática. Eu tive esposas fantásticas. não ver a câmera e morrer. o que era trash virou cult. EdITAndo dIrETo nA CâMErA. O pessoal chamava as minhas fitas de trash. A MELHOR COLEÇÃO DE FILMES DO BRASIL. mas terminaria aí. EM uMA EnTrEVISTA. mas não entregava os pontos não. Eu só paro se morrer mesmo. Hoje.com. a minha Escola de Arte Dramática e voltar a dar aula.br pedidos@lumefilmes. vê uma fita cult. Não sei se é porque tenho sete filhos e onze netos. Eu faço isso na fita. acho que faço um longa com 150 mil reais. quAIS SÃo oS PonToS EM CoMuM EnTrE o MoJICA CInEASTA E o PErSonAgEM ZÉ do CAIXÃo? VoCê ConSEguE ESCoLHEr quAL É A SuA grAndE oBrA. InCLuSIVE. Devo também reabrir. em primeiro lugar. 2010 PARA QUEM ACHA QUE CINEMA NÃO É SOMENTE PIPOCA. Gostei da história. aquele cinema quadrado. e agora foi lançada em DVD. NAS MELHORES LOJAS E LOCADORAS. de levantarmos uma verba para o meu próximo longa. Acho que eu derrubaria até Satanás e ia acabar no céu se morresse num set de filmagem. Agora. porque eu jamais daria certo se fosse fazer um cinema que todo mundo faz. Zé do Caixão não tem medo de morrer e eu tenho. ficar doente. creio. conheça também a coleção LUME CLáSSICOS # 98 32354860 www.lumefilmes.br . que é o que eu gostaria: morrer. acho que seria o maior castigo para todos os pecados que eu cometi na Terra. Zé não tem filhos. Nunca procurei estudar. Se estiver doente. com o André Barcinski. e vai parecer que foram gastos 15 milhões. com um pessoal de Pouso Alegre. pois fiz a fita numa época tenebrosa da didatura militar. que seria a continuação do Encarnação. que na época não foi para o circuito comercial. também. que espero que seja Corpo Seco. Estou combinando. vou pro set até terminar a fita. A dE quE VoCê MAIS goSTA? Acho que a maior obra. Além disso.. É uma lenda de Pouso Alegre.

como mostraram para o mundo inteiro que é possível fazer uma luta pacífica. O depoimento do soldado israelense Yasmina poderia ter sido registrado entre muitos outros conflitos que há anos colocam em lados opostos palestinos e israelenses. em 2003. e. com as primeiras pedras e cercas que davam início à construção de um muro de proteção. uma honra ter sido convidada para um festival tão importante. Os poucos mais de 1. DA BRASIlEIRA JulIA BAchA. Em breve. O filme está participando de quase todos os principais festivais de cinema do mundo. da cineasta brasileira Julia Bacha. como a Fatah e o Hamas. o documentário será exibido no Festival de Jerusalém e já ganhou a admiração explicita até do polêmico Michael Moore.DOcumENTáRIO Budrus. que desde a adolescência sempre foi boa de briga. concedido a indivíduos e organizações com ações de destaque em direitos humanos. do outro. Colocar essas histórias no mapa é ressaltar como cada um pode ter um papel importante no processo de paz”. 2010 . REvElA cOmO pROTESTOS pAcífIcOS uNIRAm ISRAElENSES E pAlESTINOS E ImpEDIRAm TERRA Em TRANSE A cONSTRuçãO DE um muRO DE SEguRANçA Muro dE HuMAnIdAdE Por Júlia Motta “Somos como robôs. da Jordânia. afirma Julia. a principal fonte de renda das diversas famílias. que historicamente está ligada à criação de Israel e que conviveu por tantos anos com o um muro dividindo o país. e judeus progressistas. O filme mostra como a união dos moradores foi capaz de impedir a construção do muro e colocou lado a lado facções palestinas rivais.500 habitantes de Budrus acordaram um dia. Foi emocionante estar na Alemanha. Em Nova York ganhou uma sessão de gala patrocinada pela rainha Noor. Mas as palavras de Yasmina foram retiradas do documentário Budrus. que entregou a Julia o prêmio King Hussein Leadership Prize. O vilarejo perderia mais de um quilômetro quadrado de terras. hospital e escola. O documentário recebeu o segundo Prêmio do Público da Berlinale e tem arrancado aplausos por onde passa. Os moradores não só conseguiram mudar a rota do muro. “Berlim foi muito especial. O muro cortaria parte do cemitério e deixaria de um lado. 08 | 63 62 | inverno . É impressionante como um tema tão controverso está fazendo as pessoas ficarem tão envolvidas. um campo com 3 mil oliveiras. E temos ordem para empurrar os manifestantes e darmos continuidade aos trabalhos”. a 25 minutos de Jerusalém. que mostra como protestos pacíficos foram responsáveis por alterar a história de um vilarejo na Cisjordânia.

observa a diretora. conseguiu o apoio das mulheres. que é neta de libaneses e passou por diversas dificuldades para viajar até Budrus “Era sempre difícil entrar na Cisjordania. Já eu buscava mostrar os dois lados. “A mídia cobre o conflito entre Israel e Palestina sempre da mesma forma. mais de 700 moradores marcha das mulheres em Budrus – quase a metade da população do vilarejo – precisou esperar duas horas para ver seus rostos na tela. Para a cineasta de 29 anos.” O documentário mostra como Murrar começou a incentivar os moradores de Budrus a impedir a 64 | inverno . A vontade de Julia era seguir a carreira acadêmica. relembra Julia numa segunda-feira de maio.Os moradores de Budrus vivem sob a ameaça de um confronto iminente. São mais de 50 passeatas organizadas pelo ativista. numa brecha de sua agenda atribulada de divulgação do filme. Filmavam para ter uma documentação em caso de violação dos direitos humanos. mas tudo levava à sua história”. ele passou a indicar outros líderes. conquistar sua confiança. Uma câmera de vídeo muitas vezes pode ser uma maneira de evitar a agressão física. articulou os homens. critica ela. até conseguir que o muro fosse desviado para fora dos limites geográficos da cidade. “O processo inicial foi ganhar Morrar. O exército israelense invadiu o local porque estavam tirando fotos da bandeira. Primeiro. Começaram a atirar e prenderam um rapaz. 2010 construção do muro. e passou a integrar esta tradicional sociedade acadêmica americana que tem entre seus membros os ex-presidentes Bill Clinton e George Bush. o que deixa de fora as mobilizações da sociedade civil e suas conquistas”. “As crianças ficaram assustadas. Murrar com outros pais foram lá e depois de conversarem com os soldados. Reunidos numa escola para meninas. que tiveram um papel fundamental. me humilhavam e me faziam chorar muito. depois.” Filha do economista Edmar Bacha e da vereadora do Rio de Janeiro Andrea Gouveia Vieira. . me interrogavam por horas. por telefone. Ele é uma pessoa humilde e achava que não valia a pena fazer o filme. diz Julia. Pensei em desistir várias vezes. o documentário é um testemunho que foge das grandes coberturas jornalísticas e revela um outro lado do conflito através da coexistência pacífica. Foram cinco anos capturando imagens da região. dado a um só aluno. Julia vive em Nova York desde 1998. A gente nunca sabia o que ia acontecer. Foram dez meses de resistência pacífica. Formou-se aos 22 anos e recebeu o prêmio Phi Beta Kappa. “O olhar dos ativistas era outro. A primeira cena do filme mostra um palestino observando a organização de forças armadas israelenses no vilarejo. trancou a faculdade de Direito da PUC-Rio e seguiu para Universidade Columbia para estudar inglês. tudo se resolveu. Acabou estudando História e se especializou em Oriente Médio. Aos 17 anos. Eles adoraram o filme. É nessas horas que a gente se dá conta que isso é normal na vida de pessoas que habitam um território ocupado”. A estreia do filme se deu em Budrus. as pessoas cantavam e eles perceberam a importância de suas ações. Depois. com a ajuda da filha. “Foi um dia lindo e intenso. por meio de entrevistas. No aeroporto. o pai. num total de 200 horas de material bruto. de registros in loco das passeatas e de imagens gravadas pelas mãos de 12 ativistas políticos. entrevistar também os soldados de Israel e ir além do momento do conflito”. O documentário revela pela história do líder comunitário Ayer Morrar e de sua filha de 15 anos como foi possível alterar o caminho dessa história.

projeto que reúne parentes de pessoas mortas em decorrência do terrorismo. Ao lado de Jehane. disponíveis em árabe. Carregamos as experiências das nossas vida. a dupla concorreu ao prêmio de melhor roteiro de documentário pelo Writers Guild of America (WGA.São Paulo . acabou tendo seu visto negado. resultado de uma imersão de 17 66 | inverno . membro do Hamas A cada t amigos matriculados três por indicação. 650 . A ONG tem no seu acervo mais de 80 entrevistas de personagens dos dois lados do conflito. que faça as pessoas ficarem atentas e que se identifiquem com os personagens.Final Cut Pro .Garageband . mas. Com os dias contatos como estudante nos Estados Unidos. ganhe um treinamento Aprendeu a falar farsi. em 2005. o sindicato dos roteiristas de Hollywood).br Alameda Barros. em 2003. Julia. Com sede em Washington e escritório em Jerusalém.br / www. que foi comontadora e corroteirista do filme. O mais difícil é contar uma história bem.Shake .Soundtrack Pro . conheceu na Columbia a cineasta americana de origem egípcia Jehane Noujaim.com. hebraico e inglês.com.Studio Motion Treinamentos CENTRO DE TREINAMENTO AUTORIZADO (ATC) Assimilate Scratch Treinamentos particular ou em grupos de 4 participantes ahmed awwad. Daí. então. o idioma persa. a ONG tem como propósito estabelecer canais de divulgação para iniciativas pacifistas entre civis israelenses e palestinos.Primeiro Andar . que seja emocionante.com.Motion .studiomotion. Temos os nossos próprios preconceitos.Color . “Ela me propôs ir para o Egito com ela para produzir um documentário sobre a cobertura da Guerra do Iraque pelo ponto de vista da rede de TV Al Jazeera. para fazer mestrado da Universidade de Teerã. que questionou a cobertura da mídia na guerra do Iraque”. Busquei nos meus trabalhos um lado mais humanista. e ficou em segundo lugar.SP Telefones: 11 3825-6612 / contato@studiomotion. Com apoio da Just Vision.studiomotion. fundadora da ONG Just Vision. e encontrei no cinema essa linguagem. 2010 meses no cotidiano palestino. nasceu o Control Room. Foi esse trabalho que abriu os olhos da historiadora para o cinema: “É muito interessante trabalhar com uma equipe com visões diferentes.Photoshop . No período ela acompanhou as reuniões do Círculo das Famílias.br .After Effects .Operador de Câmera www.Logic Pro . com a invasão do Iraque pelos EUA. apesar de serem assuntos políticos. explica Julia. foi apresentada à israelense Ronit Avni.” Treinamentos em destaques . a cineasta brasileira dirigiu Ponto de Encontro. atrás de Super Size Me – A Diete do Palhaço (Morgan Spurlock).

o modelo básico com viewfinder eletrônico. Stephan Schenck. ISO) e WB (Temperatura de cor). Isso é uma boa notícia para aqueles que procuram uma câmera que não determine se você é destro. O primeiro protótipo “funcional” da Alexa (ARRI) foi exibido “fora de competição” no belo auditório Renoir Salon. Duas semanas depois do evento da RED. para uma multidão de groupies da tecnologia. Cada botão controla uma função. pode ser encontrado em www. Shutter. eu estava implorando pelo retorno do encaixe de suporte de mão no lado esquerdo. da escola de cinema francesa La Fémis. em abril. O que me espantou foi a facilidade de se fazer o setup. Todos os direitos reservados. cineasta que se divide entre suas residências em Paris e no nordeste de Munique. em inglês. EI (Exposure Index. e em que ombro te parece mais cômodo utilizá-la.fIlm AND DIgITAl TImES ALEXA: A PrEMIèrE EM PArIS Parece um evento da rEd. O lançamento oficial foi na NAB (National Association of Broadcast). ASC © 2009 Film and Digital Times.com 68 | inverno . Essa era a primeira das três Alexas – a A-EV. ficamos sabendo que os controles de operação foram colocados na parte de cima. Essa reunião de diretores de fotografia da AFC teve um quórum maior do que uma premiação da ASC. do lado direito ou esquerdo. Las Vegas. não é preciso se aprofundar muito pelo menu. deixando espaço para dois encaixes de suporte de mão. o diretor-geral do Departamento de Câmeras da ARRI. Vista (por mim) pela última vez na IBC como uma maquete e uma matriz de contato eletrônica. Também disse que a empresa não tem planos de abrir uma locadora de equipamentos na França. Traduzido por Tayla Tzirulnik. Depois. Você poderá usar o baseplate da 235 ou um plate de câmera de vídeo. O artigo original. A maioria de nós aprendeu a mexer na câmera em cinco minutos. Posso falar a verdade? A navegação nos menus é tão fácil que até um diretor de fotografia entende. se olha com o olho direito ou esquerdo. iniciou a apresentação anunciando que a ARRI se juntou à AFC como membro patrocinador. 2010 08 | 69 . ausente em todas as câmeras lançadas desde então. Ele confirmou que a ARRI exibirá no Micro Salon em 2011 e que acaba de contratar Natasza Chroscicki como consultora de relações públicas e marketing. De novo. O viewfinder é ajustável para o conforto de praticamente qualquer operador. Schenck apresentou Frank van Vught. e você pode ver todos os seus settings de uma vez só. Parece-me tão mais fácil acoplar os suportes de mão. publicado sob licença. Alexa fica confortável no ombro. Visto pela última vez na Arriflex 16SR3. um de cada lado. Será que o segundo assistente de câmera se tornará o novo engenheiro de vídeo? Os comandos e botões são familiares como os de qualquer câmera: FPS.fdtimes. O display é intuitivo. uma câmera simétrica. Por Jon Fauer.

durabilidade e com design à prova do futuro.” Segurança do aeroporto: “Película ou Digital?” 70 | inverno . sob todos os outros fios. para proteger os cabos BNC. temos acessórios e funções que não existiam nos primeiros protótipos. as principais características da Alexa serão anunciadas: performance da imagem. É muito mais simples. “O senhor está carregando computadores pessoais de grande porte na sua mala?” Entregador da Alexa: “São as novas câmeras de cinema da ARRI. Capas para BNC: o corpo da câmera do lado direito foi ampliado em dois lugares. É um LEMO 10 pinos que carrega Ethernet e força. Você poderia ligá-la. já que a apresentação de uma câmera da ARRI como esta seria inevitavelmente uma corrida da Türkenstrasse até o aeroporto de Munique enquanto estão prestes a fechar as portas do avião do voo 452 da Lufthansa. Ethernet: existe um fio de Ethernet remodelado. Philippe Parain.2 e 3. Estes são protótipos que realmente funcionam e estão prontos para um público bem mais exigente do que um segurança de aeroporto: Hollywood e Las Vegas. por favor?” É claro que a Alexa liga imediatamente. HoLLYWood E LAS VEgAS Os modelos working já foram apresentados em Hollywood e todo mundo já conheceu a câmera durante a NAB As imagens que você vê aqui são de modelos 3-D. Botões customisáveis: rotulados 1. é bom ter opções. virá acompanhada por uma lateral SCH-1. o diretor executivo da Angénieux. Neste modelo. com a câmera Alexa na mão. Posso imaginar a cena no aeroporto. Viewfinder: agora ele é muito menor. antes de ela se tornar ambidestra. mais rápidas ou mais atraentes.” Segurança do aeroporto: “Ah. O que há atrás da porta da esquerda? O lado esquerdo é todo modular. eficiência da filmagem à pós-produção. que será deslocada para acomodar gravadores on-board fabricados por terceiros. Abaixo. com os quatro modelos da Alexa acomodados em quatro bagagens de mão. . O lado direito da câmera tem um botão maior que leva a uma tela com mais opções. A Alexa virá com um módulo de memória removível (RSM – Removable Storage Module) acoplado. Quando surgirem outras tecnologias de armazenamento. e eles não giram. você poderá substituir o antigo RSM por um modelo novo. Uma vez nos Estados Unidos. flexibilidade. com o mesmo estilo da alça da câmera Arri 416 CCH-1.Alça superior: a nova alça. Agora pode mover-se para cima e para baixo. além de ir para a direita e para a esquerda. Este módulo irá aceitar memory cards. para frente e para trás.) Entregador da Alexa: “Digital. Entrada para suporte de mão. é muito mais resistente que o refinado cabo RJ-45 (logo haverá um LEMO para o RJ-45). Com a rapidez do desenvolvimento das tecnologias de memória. Para conectar e remover o viewfinder do bracket basta pressionar um botão. Construído para suportar os rigores da filmagem. trajeto Munique – Los Angeles. PrÓXIMA PArAdA. 2010 (Lembre-se de que Munique é a cidade natal da companhia. tanto no lado esquerdo como no direito. a nova Alexa! Eu li sobre ela na Film and Digital Times. diretamente nos encaixes em vez de nas longarinas. Viewfinder Mounting Bracket VMB-1: o viewfinder mounting bracket foi completamente remodelado.

2010 .72 | inverno .

a Alexa demonstrou uma reprodução estável da parede marrom. Anna Foerster. e um buterfly 4x4 à direita. Geralmente. usado para a projeção de cinema digital). basicamente a mesma do hardware interno utilizado pela Sony quando você grava em fita HDCamSR a 440Mbits. e muitas cenas. por isso tivemos que usar o sinal duallink HD-SDI (4:4:4) vindo direto da câmera. Olhe a imagem acima.5 stops na Alexa. Ao lado temos a mesma imagem. 08 | 75 . marcada a 4 stops sub-exposto. Atualmente. quanto maior o tamanho do pixel do sensor. a ARRI foi bem. já que muitas latitudes de exposição de câmeras digitais são reduzidas quando selecionada uma sensibilidade maior ou menor do que a sensibilidade natural. A luz que vaza pela janela e se enfraquece na escuridão resultou num gradiente perfeito do branco ao marrom. nosso futuro cinematográfico será luminoso.5 microns ou menos). de novo. que é reduzida internamente para 1920x 1080. por isso. Marc Weigert é produtor e supervisor de efeitos especiais (já premiado com um Emmy). de Emmerich. Ao ver a imagem de mais perto. e longas . tecido e paredes) são visíveis. ARRI conseguiu medir 13. com marcação de 2 stops super-exposta. Não mais. Os arquivos JPG2000 têm uma com- pressão 4:1. como abaixo. têm menos ruído do que as digitais compactas “pointand-shoot” com sensores de 3. são marcadas na câmera como “ISO”. dirigido por Roland Emmerich e a minissérie de Dean Devlin e Bryan Singer The Triangle. Utilizamos um gravador digital portátil CODEX captando em sequência de imagem no formato JPG2000 (que também é o padrão para DCDMs . minisséries. Marc está produzindo e supervisionando os efeitos especiais do filme Anonymous. mas ela estava fascinada pelo tema. Nossa diretora de fotografia. Depois de três dias de testes. deve-se ser cuidadoso. Muitos dos detalhes nas áreas escuras (cabelo. Então sabíamos que precisaríamos de uma câmera de pouca granulação e alta sensibilidade. Com sensores de maior resolução e projetores já anunciados e em desenvolvimento. Puxar 2 stops na marcação é o equivalente a um ISO 3200. 2010 você ajuste o ganho por etapas de dB. O sensor ALEVIII da ALEXA tem um tamanho de pixel de 8. rebatendo a luz da janela. As câmeras digitais still usam índices de exposição (gerado pela adição ou subtração do ganho) que são similares às classificações de ISO na película. estou convencido de que esta câmera e seu sensor são um grande passo para a cinematografia digital e abrem novas possibilidades com as quais apenas sonhávamos. o que aumenta o ISO.8 microns e up. Os sensores digitais são um pouco mais flexíveis do que a película. todos os detalhes de luz alta na janela são preservados. começamos a pesquisar um “território desconhecido” para um próximo longametragem de orçamento significantemente menor. O look me pareceu de película. mais sharp e com muito pouco ruído… Nota de Jon fauer. Um dos fatores que nos impedia de filmar em digital era o dynamic range. A luz do dia vem pela janela de um HMI 4k e 6k rebatido. sem aquele edge-sharperning tão comum nas câmeras de video broadcast.25 microns.” existem dois conceitos que são importantes: o dynamic range e a reprodução de cor. Nas velas não se vê aquela aura vermelha difusa que algumas vezes o filtro ótico low-pass gera. e.TESTE CoM A ALEXA Por Marc Weigert Depois de filmar 2012.Digital Cinema Distribution Master. De qualquer forma. acontecem frente a um fundo verde. A sensibilidade à luz pode ser modificada ao estabelecer o ganho de sinal. As câmeras fotográficas D-SLRs. A gravação ARRI RAW ainda não estava disponível para nós. Existe uma fonte de HMI 400w como luz de enchimento. Para alguém vindo direto do “mundo do celulóide. Grande parte do filme será rodado em cenários de baixas luzes. uma comparação entre a RED e a ALEXA. menos ruído. ASc: Marc escreveu uma versão mais longa deste artigo para a revista Definition Magazine. Algumas câmeras HD permitem que 74 | inverno . Em termos de reprodução de cor. O sensor da ARRI tem uma resolução nativa de 2280 x 1620 pixels. O nível de ruído é absolutamente aceitável. alterando efetivamente o ISO. nunca filmou um longa totalmente em digital.especialmente 2012. Algumas câmeras digitais permitem que você ajuste o obturador além de180˚. Nas áreas de luz baixa. com pixels a partir de 6. com pouco grão. Faz um bom tempo que eu e meus colegas de efeitos especiais digitais preferimos o ruído digital à granulação da película. Sob a bandeira da Uncharted ele produziu e coproduziu diversos telefimes. É presidente da Uncharted Territory in Los Angeles. fundada em 1999 com o sócio Volker Engel.

difícil de separar. mas com uma força expressiva extraordinária. termina por construir um complexo painel da sociedade rural do país antes da Primeira Guerra Mundial. mas diz que fica “impaciente com esses mentirosos que prometem mundos e fundos e no final entregam m. ABc A FitA BrAncA . Segundo a dupla. “combinar a luz rebatida produzida pelos aparatos do sistema com a luz natural existente e também com as luzes de estúdio convencionais”. Para mim.. construindo cenários no interior de uma aldeia de verdade. todas as sutilezas da iluminação dos grandes mestres. enfrentando todos os problemas de se filmar em locais exíguos. detalha todas as reflexões primárias. Para contar essa história.. difusões e absorções. colabora com seu compatriota. Berger é um diretor de fotografia austríaco que. permitindo “entender”. A Fita Branca é um dos melhores filmes produzidos em 2009. naturalista na superfície. e finalizado numa Baselight Eight grading suite. desde 1991. a ideia de filmar em preto e branco não foi para conferir à obra uma aparência de época. a vila é sacudida por uma série de eventos violentos e inexplicados. Essas são todas as variedades de tipos de luz. lembrei-me imediatamente das ilustrações feita pelo próprio Henri Alekan para o seu magnífico livro Des Lumières et des Ombres. mas sim para expressar certas sutilezas de comportamento que a cor certamente distrairia. 2010 neado em 4K (escâner Northlight).2 e 0.. segundo ele. e foram tão eficientes contando uma história. Berger e demais colaboradores fizeram uma preparação meticulosa. que a coloca além de qualquer gênero. . Alekan mostra as mudanças de direção e a perda de intensidade da luz ao interagir com o ambiente. por assim dizer. no capítulo “Arquitetura da Luz”. é um daqueles raros filmes que reinventam a cinematografia para encontrar sua linguagem. os quais expõem as mazelas sociais e humanas de seus moradores e prenunciam a tempestade do nacional-socialismo que se já formava ao longe no horizonte. A última colaboração de Berger com Haneke. A aparente simplicidade e aridez da narrativa – que vai alinhando fatos extraordinários ocorridos numa pequena aldeia no interior da Alemanha em 1913. Considerações técnicas à parte. com feixes paralelos. esca76 | inverno . durante o reinado do kaiser Guilherme II. A ideia por trás do sistema é.. o filme tem uma atmosfera visual densa. Como rodar em película P&B ficou praticamente impossível nos dias atuais. Haneke.” Essas palavras estão na página de introdução da B&B Cine Reflect Lighting System na internet. Berger declara não ter nenhum preconceito contra câmeras digitais.8 Kw ). Cheia de segredos. o filme foi captado em película 35 mm (Kodak VISION3 500T 5219.cOluNA: cARlOS EBERT. rebatidos em sete tipos diferentes de painéis (paniflectors). Nada mais existe. Poucas vezes forma e conteúdo se apresentaram de forma tão orgânica. Ao ler isso. VISION2 250D 5205 e VISION2 500T 5212). Nessas condições. A Fita Branca (Das Weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte).ÁustriA 2009 “Você pode aprender muito quando observa atentamente a luz natural. rancores e eivada de repressão. onde. Existe apenas uma fonte de luz na natureza: o Sol. ressentimentos. o sistema de fontes intensas (HMIs de 1. secundárias e terciárias sofridas pela luz principal em cenas de seus filmes e também em pinturas de Rembrandt e Caravaggio.”. demonstrou plenamente sua eficiência e principalmente as sutilezas que as luzes difusas e direcionadas podem proporcionar. e resumem a filosofia de seus criadores Christian Bartenbach e Christian Berger com relação à luz cinematográfica. o cineasta Michael Haneke. O resto são reflexões.

Ainda que novamente reforçada por espessas camadas de brilho. Algo como uma peregrinação atemporal. Sem mencionar as cerimônias de abertura e encerramento. descascados. com uma devoção litúrgica digna da Praça de São Pedro ou de Meca. cujos lábios vermelho-escarlate pregavam a intencio78 | inverno . No Palais des Festivals. com grãos de filmes e nostalgia cinemática. desencadeando na memória referências fantásticas de pôsteres apagados. de alguma forma a principal instituição francesa de cinema consegue prender-se a rituais com uma solenidade religiosa inflexível. 2010 08 | 79 . A edição deste ano não fez exceções. conduzidas por uma Kristin Scott Thomas em um traje neorretrô de sacerdotisa (de salto alto). a etiqueta arcaica de Cannes envolveu a ascensão da crème de la crème do cinema pelo tapete vermelho. Depois de 64 anos de existência. a pequena cidade mediterrânea rodopiou por anacronismos temporais de fantasmagoria histórica em uma quinzena passageira.AS AlTERNATIvAS DE um fESTIvAl O vIAJANTE: fRANçA Texto: Tania Brimson Tradução: Roberta Calábria Fotos: Sébastien Dolidon CAMInHoS dE CAnnES Há alguma coisa peculiarmente sagrada sobre o Festival de Cannes.

orçamentos. Este ano. talvez porque para industriais seja concedido uma plataforma separada para investir no “cinema-in-themaking” – o sótão do Palais des Festivals abriga o maior mercado de cinema do mundo –. Michael Rowe merecidamente recebeu a Caméra d’Or (Melhor Primeiro Filme) por Año Bisiesto: o extremamente rude – embora delicado e metafórico – retrato de um relacionamento sadomasoquista que lentamente caminha em direção a um profundamente sensível. entre os muitos concorrentes latino-americanos de baixo orçamento. Un Certain Regard.. nacionalidades. a ostentação das celebri- dades tanto quanto o oportunismo dos paparazzi. e a lista continua. uma piada interna conceitual do DJ francês Mr. 2010 08 | 81 . E.. Juntamente com seus princípios: a subjetividade de um júri de artistas – incidentalmente presidido por Tim Burton –. O resultado é que a parafernália decorosa acaba encorajando o fanatismo. o culto fundamental de Cannes ainda está enraizado na observação do cinema. Talvez porque isso anuncie o prestígio de sua imagem mais do que o de seus filmes. Uma fortaleza. corretamente autoproclamado “tributo ao México e ao povo mexicano”. o que quer que seja. muda. excepcionalmente. talvez ainda porque ele se expande em diversas seleções de filmes (a Compétition oficial. Como essa edição primorosamente mostrou. o respeito mútuo e a diversidade estilística que fazem de Cannes “uma fortaleza protegendo o cinema” – dixit Spielberg. e assim por diante. Oizo. E não apenas no sentido nobre: a cobertura pesada de romantismo refinado trai o esforço de preservar a reputação e o prestígio do festival. E ainda está.nalidade. os filmes que competiam pela Palme d’Or (o principal prêmio de Cannes) foram selecionados com uma indiferença muito similar tanto 80 | inverno . que promove o primeiro e o segundo filme do diretor). a exceção de Cannes sobrevive. baseada na história de um pneu serial-killer (Rubber). por baixo da superfície. a Semaine de la Critique e a Quinzaine des Réalisateurs (quinzena dos diretores) foram particularmente prolíficas no sentido de expressões “alternativas” pegas na contracorrente do sentido dominante: um “suspense” uruguaio filmado com câmera digital em um único plano sequência (La Casa Muda). uma lenta. infinitamente poética gema do cinema mineral italiano (Le Quattre Volte). de alguma forma. Cannes simboliza mais do que uma vitrine para o cinema inédito. experimentos estilísticos. Quinzaine des Réalisateurs e Semaine de la Critique. um marco. voyeurismo barato e a exibição entediante do jet set do que com uma absoluta paixão por cinema. a promoção de uma variedade infinita de formas. um culto. em uma era na qual o culto coletivo enterrado sob a elegante pátina do tempo frequentemente tem mais a ver com frivolidade jornalística. e tendemos a esquecer que Spielberg estava certo. Mas.

2010 Veneza..). Takeshi Kitano e Wang Xiaoshuai) e os três diretores franceses (Mathieu Amalric. Bertrand Tavernier e Xavier Beuvoisa com seu soberbo Of God and Men) fizeram a carência virtual da indústria dos Estados Unidos ainda mais palpável (Fair Game foi o único filme norte-americano indicado à Palma). O risco de comentários isentos de uma argumentação construtiva é que eles tendem a se lançar de volta para o punhado de especialistas em cinema que emitem as suas opiniões em primeiro lugar. o filme premiado com a Palme d’Or. de Weerasethakul – um trabalho lento. o que eles falham em admitir é que o excelente Uncle Boonmee confirma que Cannes continua “Cannes” por atestar a qualidade artística. juntos. Lee Changdong. qualidade e exibição. místico e vaporoso. 82 | inverno .pelos cânones blockbusters como pelo gosto do público em geral. foi insistentemente acusado de pretensão hermética e “tédio” cinematográfico pela imprensa francesa. como o principal sustentáculo do cinema de auteur. assombrado pelo fantasma das crenças tailandesas ancestrais –. Em uma indústria cinematográfica bipolar. Cannes 2010 sofreu uma crítica severa por essa seletividade “obscura”. “le festival international du film” ainda se mantém firmemente de pé num extremo do espectro cinematográfico. 08 | 83 . desse modo. enquanto o outro extremo é ocupado pelo Oscar. permanecendo. particularmente se acontece de os poucos sortudos serem de elites jornalísticas aterrorizadas pela ideia de serem severas demais para o gosto de seus leitores. Apichatpong Weerasethakul. esses extremos garantam um estado de conciliação. No processo. com acusações que abrangiam desde mentalidade pequena até o elitismo de uma arte pretensiosa e afetada e a desconexão com o público. apesar da proliferação de outros festivais “casas da arte” (Berlim. Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives. os cinco concorrentes asiáticos (Im Sangsoo. Talvez. de Ridley Scott. Em termos de originalidade. Particularmente. A menos que uma destas seja o inóspito cavalo branco medieval que trouxe o Robin Hood.. para as telas da cérémonie d’ouverture de Cannes 2010. dividida entre Hollywood e o resto do mundo. por meio do qual cada lado concorda em nunca pisar na grama do outro – com esse je ne sais quoi de aceitação mútua que dá espaço a exceções. Sundance.

possui certa inclinação empresarial e. E O fATO DE OfEREcER cONTEúDO ON-lINE TAlvEZ SIRvA pARA O vIAJANTE: E. também integram a programação do festival. Tribeca surgiu em 2002 como um empreendimento criado para revitalizar cultural e financeiramente a baixa Manhattan. pode ser considerado decisivamente uma empreitada de sucesso. no despertar dos ataques ao World Trade Center em 2001.u. quais serão os objetivos futuros? Com um parceiro e cofundador como a American Express. ainda esteja em busca de identidade. 08 | 85 .A. por isso fil84 | inverno . “Sundance Reminded”). um festival internacional notável e. Considerando que o Tribeca deu a Nova York. tanto de cineastas estreantes como de nomes consolidados. com o êxito do renascimento da baixa Manhattan. 2010 mes independentes e estrangeiros. segundo seu website. Alan Lebanowski Enviado especial a Nova York Tradução: Tayla Tzirulnik cONSOlIDá-lO DE umA vEZ pOR TODAS TrIBECA: A BuSCA PELA IdEnTIdAdE Se Sundance é um partidário de meia-idade entre os principais festivais norte-americanos de cinema possui a convicção da experiência e talvez também certa inclinação para autoavaliar-se (como ficou evidenciado por sua campanha deste ano. Mas. É claro que nenhum festival existe apenas para exibir filmes de estúdio.O fESTIvAl NOvA-IORquINO Já fIguRA ENTRE OS pRINcIpAIS EvENTOS DO gêNERO Em TODO O muNDO. tão rica em história cinematográfica. Por J. talvez por sua pouca idade. Não existia qualquer pretensão de que o foco ali fosse unicamente os filmes independentes – a primeira edição do festival contou com estreias como Star Wars II: O Ataque dos Clones e Homem-Aranha 3. já gerou estimados 600 milhões de dólares de atividade econômica para a cidade. então o Tribeca Film Festival é um jovem novo-rico que subiu rápido na escala social.

O segundo longa do roteirista e diretor francês Kim Chapiron. The Arbor. Outros filmes. fica difícil falar por todo o festival. Tribeca é uma franquia ambiciosa. um passo importante para corrigir o desequilíbrio de gêneros que existe nas profissões de diretor e roteirista. Kekilli como melhor atriz. Foi na exibição de The Infidel. e não tanto pela Frame de Shrek Para Sempre escolha segura que Chapiron fez por um casting composto de criminosos juvenis. Devo observar que esta edição do Tribeca contou com 767 representantes da indústria. (Vale ressaltar que os festivais de cinema contam cada vez mais com a participação e premiação de mulheres como diretoras. por meio de exibições e exposição na mídia. é claro. insiste que existe uma divisão entre “Igreja e Estado” quando se trata do interesse investido pelo Tribeca Film nos doze filmes de que é o distribuidor e o papel do festival de promover todos os filmes de sua programação. como Geoffrey Gilmore. premiando When We Leave como melhor filme. Dog Pound transborda tensão. o que. é uma representação autêntica e cativante de um centro de detenção juvenil nos EUA. Please Give) já chegaram ao evento com distribuidores acertados. Bernard como melhor diretor de documentário e Chapiron como melhor diretor de ficção. Tribeca Film e Tribeca Film Festival – não irá ter cuidado especial para assegurar que seus filmes recebam uma atenção mais do que adequada da imprensa e da indústria. então lhe resta buscar distribuidores do modo tradicional. 08 | 87 86 | inverno . tensões raciais e intimidação levam a trocas de violência brutais. por meio de camadas fascinantes e complexas realidades. Dog Pound. com mais interesses do que simplesmente exibir os últimos lançamentos do cinema independente e com uma visão que vai além do bairro que dá nome ao festival. segundo muitos profissionais da área.) Infelizmente. O roteirista e diretor alemão Feo Aladag estreou When We Leave. de uma obstinada jovem muçulmana presa entre essas duas forças é absolutamente instigante e insinua que a atriz poderia se tornar uma estrela internacional. para ser franco. é a forma que mais permite experimentação aos cineastas atuais. exceto por alguns outros filmes além desses citados. Gilmore diz: “O velho molde de promoção precisa ser ampliado”.um foco especial nos cineastas nova-iorquinos. entretanto. com público certo (Rush: Beyond the Lighted Stage. Ainda assim. Eu assisti a uma dúzia de sessões de imprensa antes de finalmente ver um representante de filme entregando kits de imprensa. uma contínua aceitação de filmes de estúdio (este ano. companhia cujos sócios são os fundadores do festival: Jane Rosenthal. Mas parece que nenhum filme menor teve grande repercussão no festival deste ano. não terão muita dificuldade em encontrar compradores. plataforma on-line que exibe uma versão limitada do festival. que coloca um tema social numa clássica situação dramática. Nancy Schafer. onde disputas territoriais. Mas se você é um dos muitos diretores cujo filme não é distribuído pelo Tribeca Film. O que me preocupou foi o baixo quórum nas sessões para imprensa – as pequenas salas reservadas aos jornalistas raramente completavam metade da lotação. em que o amor familiar é contraposto à tradição inflexível. Essa ampliação significa atingir um mercado doméstico mais vasto – com ambos serviços on-demand – e o novo Tribeca Film Festival Virtual. o filme de abertura foi Shrek Para Sempre). Last Play at Shea). o Tribeca Film (financiado pela Tribeca Enterprises. realizado por Sibel Kekilli. A abordagem inovadora de Bernard reforça a afirmação viável de que o documentário. a empresa de re- lações públicas do próprio Tribeca. comédia sobre um britânico paquistanês que descobre ter sido adotado e ter nascido judeu – e o representante era da Rubenstein. desde o fim do festival. uma exposição aberta voltada ao público familiar. Onde os interesses do festival e dos cineastas convergem e em que ponto eles divergem? A habilidade de distribuição do Tribeca Film pode ser um poderoso meio para cineastas emergentes que estreiam no festival. e ênfase na expansão da marca e do negócio. O filme de estreia do diretor inglês Clio Bernard. Robert De Niro e Craig Hatkoff). Essa versão foi lançada especialmente para cinéfilos e não necessariamente para representantes de distribuidoras – embora os oito longas disponíveis on-line estejam buscando distribuidores nos EUA. é um documentário sem precedentes. 2010 . aqueles que compõem o recém-criado braço de distribuição do festival. O retrato. Existe tensão entre um festival de cinema e uma entidade empresarial com seus próprios interesses e seu papel de sistema de apoio para promover filmes e cineastas. os programadores não me pareceram comprometidos em defender os filmes que eles selecionaram para exibir – exceto. E. Alguns dos grandes filmes exibidos (Freakonomics. como assisti a um quarto dos 84 títulos exibidos. parece insensato achar que a unidade familiar – composta por Tribeca Enterprises. muito do que eu vi era medíocre. não Cena do premiado When We Leave houve qualquer anúncio de distribuidoras sobre grandes aquisições feitas durante esse evento. A diretora executiva do festival. Os jurados de Tribeca reconheceram esses trabalhos excepcionais. as quais ecoam no próprio trabalho do dramaturgo. que atuam como extras e mesmo em alguns papéis secundários. que conta a história do dramaturgo inglês Andrea Dunbar e o trágico legado de sua filha problemática. O Tribeca deste ano exibiu excelentes trabalhos de diversas novas “vozes” cinematográficas. Mas. é insuficiente no mercado atual. mais do que a narrativa.

com grande potencial para crescimento e para trazer benefícios para o festival e os cineastas.atores em cena no filme The Infidel Cena do filme The Arbor para o internacional. disponível somente nos EUA. Em termos de inovação e de expansão dos trabalhos de cineastas independentes. tanto para o mercado nacional como Sempre se questionou a capacidade de o Tribeca Film Festival servir como um mercado viável para a venda de filmes. Muito foi dito sobre a “crise de identidade” do Tribeca e Rosenthal mesma admitiu que. Mas. os quais reconhecem a brecha que existe entre os filmes comerciais e aqueles de mérito artístico. mas também são um mecanismo de apoio para a comunidade cinematográfica e são reconhecidos como o lugar onde curadores cinéfilos. por isso. no passado. e inclui oito longas. comprometido em apoiar cineastas emergentes e consolidados. divulgando os trabalhos desses profissionais a uma audiência internacional sem precedentes. como Shrek Para Sempre. além de exibições ao ar livre de clássicos mainstream. o Tribeca Film Festival Virtual talvez seja o empreendimento mais interessante. é uma versão limitada e on-line do festival. do Tribeca Film e a entrada na área de distribuição. o festival criou um “chicote cultural”. Essa nova empreitada irá levar o festival a novos territórios e deixará parte dos cineastas à sua própria sorte? Não há dúvidas de que os festivais de cinema sejam um negócio. 2010 . podem usar sua posição para defender filmes menos atrativos comercialmente. mas tal empenho não tem qualquer resultado no contínuo problema de atrair compradores para os muitos filmes que não estão sob os cuidados do Tribeca Film. O pacote virtual. com o advento 88 | inverno . grandes festivais como o Tribeca poderiam criar eventos online. este ano. abrindo o festival para uma grande audiência em potencial e. O lançamento do Tribeca Film como plataforma de distribuição e marketing é uma resposta a esse dilema. Uma vez que a rapidez e a acessibilidade da internet continuam a se expandir. consequentemente. todo o programa de curtas do festival e acesso ao vivo a perguntas e repostas e outros conteúdos transmitidos via internet. uma vez que ele acontece quase na mesma época que o Festival de Cannes. a questão da identidade se volta para os cineastas. Talvez essa nova plataforma virtual venha a criar uma identidade para o Tribeca Film Festival. pelo valor de 45 dólares. o que potencialmente divide a atenção dos compradores. como o tapete vermelho e alguns debates. Combinando os já esperados filmes independentes e estrangeiros com grandes títulos. Um festival de cinema não existe sem os filmes e. o festival pode parecer inseguro de sua missão. esses eventos têm uma dívida com filmes e cineastas. a um número maior de compradores. como um evento inovador.

“Minhas parceiras. mas produzir o filme e imaginar como ele seria feito envolvia o ‘lidar com essa história toda’. E escrevia muito bem.” Conhecer a mãe através de suas cartas e a sensibilidade impressa na tela já seriam suficientes para um bom documentário. e a tradução em imagens. uma das maiores preocupações da diretora foi de que o filme não parecesse um clipe de cartas. O texto das cartas. a diretora. Quando encontrei a Lurdinha. e Tina Hardy. ela escrevia pra mim’. Até definir. foi absurdamente emocionante. desde as impressões do voo que a trouxe até bem próximo de sua morte. “Isso eu ganhei com o filme. Tudo fica interessante contado daquela maneira. São pessoas de quem eu gosto e respeito pra caramba. Ver a reação das pessoas quando ouvem as palavras de minha mãe é como se eu a estivesse apresentando pra elas: ‘Olha. A opção foi deixar as filmagens mais livres. Durante o processo. narrado na voz da diretora. o que ela viu. vENcEDOR DO pRêmIO DE mElhOR cuRTA-mETRAgEm DO fESTIvAl é TuDO vERDADE. Dá gosto conhecê-la junto com a filha. A cada carta. A máquina [de escrever. essa é a minha mãe!’ E isso me dá um prazer imenso.” Querida Mãe é um diálogo entre as palavras de Zélia e o olhar de Patricia. Duas jornadas: a mãe em São Paulo. a maternidade. o que ela lembrou. que fez a fotografia. “No começo. A gravidez. tiradora de onda. E fui descobrindo que não tinha outro jeito a não ser estar lá dentro. “O que o filme fez. relembra Patricia. tinha apenas 11 meses quando perdeu sua mãe. As imagens pre- cisavam conversar com as palavras. cada passo do filme: a mãe que Patricia descobriu era uma figura! Uma mulher interessante. Essas coisas não podiam ficar de fora”. 2010 . por exemplo. pessoas e lugares que sua mãe conheceu. conta com um inusitado detalhe: Patricia Corlins. Zélia Maria. e que a leitura das cartas repetidas vezes ainda não tinha me dado. mas Querida Mãe tem uma particularidade especial. dentro da inspiração de cada texto. que montou. e dividi essa história com elas. fã de James Dean e carnaval. e a busca da filha por sensações. que era a melhor amiga da minha mãe. também foram fundamentais para o resultado do filme. e ela se tornou um personagem. e muito pouco ouviu falar dela até os 30 anos. no Parque da Jaqueira. e o filme ficar pronto. disse Patricia. Um elemento que define tudo o que vem a seguir. Como foi sua chegada. observadora. O que aconteceu depois. Dá gosto ouvir as cartas que for- mam o roteiro de sua trajetória em terras paulistanas. foi criar essa admiração um pouco mais dissociada. Tudo começou quando Patricia conheceu sua avó materna. “Não tinha um roteiro decupado. Um dia ela falou: ‘Leva a máquina com você’. explica. é umA hISTóRIA EScRITA A quATRO mãOS DIAmANTE BRuTO Por Laura Guimarães Tudo SoBrE MInHA MÃE Parceria das boas entre mãe e filha. foram doze anos. e dela recebeu as cartas de Zélia. foi mais ‘a gente vai gravar em tais e tais lugares porque lá tem esse sentimento da carta’”. o curta documentário Querida Mãe. como se fosse alguém vendo de fora – ‘Como essa mulher escrevia bem!’”. que acompanha Patricia durante todo o filme]. Julia Zakia. a vizinhança. “Eu fui pro Recife conhecer minha avó e ela falou: ‘quando sua mãe foi pra São Paulo.” 08 | 91 90 | inverno . Tudo interessa. a doença. foi ideia da Tina. eu não queria aparecer.O DOcumENTáRIO querida Mãe. Quem foi essa mulher. A cidade. Esmeraldina. Essas cartas são quase toda a fonte de informação que eu tenho da minha mãe e demorei muito tempo pra saber o que fazer com elas.

Lazara mora na casa da filha. resiste às transformações velozes e impiedosas da sociedade. já serviu como negócio. Talvez. pois é lá que se sente em casa. tenha se passado num ambiente como esse. e não são raros os visitantes que entram para bater um papo com ela.AS FLorES rEAIS SÃo ETErnAS cuRTA fIlmADO Em SupER-8 TRAZ à TONA A TEmáTIcA DAS RElAçõES humANAS NO ESpAçO uRBANO DIAmANTE BRuTO Por Caio Zerbini o assunto do documentário Flores em Vida. O padre da igreja pressiona as autoridades para tirarem Lazara de lá e derrubarem a casinha. dona da floricultura. mas não vende mais flores e está caindo aos pedaços. “Por que Deus não me leva?”. é na floricultura que Lazara passa seus dias. Ainda que muitos se incomodem com a presença de Lazara e outros muitos nem a percebam. bem diferente. tratando-a de forma íntima e fraterna. em Piracicaba. Marques e Eduardo Consonni. o curta sugere reflexões profundas acerca do tempo e do espaço. como se ela fosse de fato a avó de criação deles. e nos faz questionar qual dos lados é o mais insano. como Lazara. Mas o contexto do filme é outro. Esbanjando vitalidade. entretanto. abundantes no telhado e na frente da floricultura. A inadequação da condição de Lazara é tão gritante que ela mesmo a questiona. 2010 invisível. típico de uma pequena cidade do interior em alguma época distante. tranquilo. zona sul de São Paulo. a floricultura. Somam-se a isso o frenesi dos transeuntes e o barulho ensurdecedor e constante do trânsito. que lhe fazem companhia. são de apreensão ainda menos lógica. em frente a uma igreja. não são só as pombas. os fregueses que entram à procura de flores saem frustrados e perplexos por não poderem comprá-las. que fazem da floricultura um lugar quase 92 | inverno . mas passa os dias em sua pequena floricultura – talvez banca de flores seja um nome mais adequado – no meio de uma praça. se tornou uma figura conhecida. Essa descrição sugere um cenário bucólico. como é chamada por alguns frequentadores da praça. A “vovó”. Mesmo diante de toda essa hostilidade. pergunta-se. Talvez a própria infância de Lazara. Por meio de um mergulho na rotina aparentemente surreal de Lazara Crystal. Lazara tem mais de 90 anos. sintam-se peixes fora d’água e vejam um 08 | 93 . Os temas abordados pelo filme. é um paradoxo: uma floricultura que não vende flores. na praça Santa Rita de Cássia. Finalmente. dirigido por Rodrigo T.

Para compensar a notícia ruim. Rodrigo comprou uma Super-8 num mercado de pulgas. o grande mérito de Flores em Vida é propor uma linguagem completamente inserida na temática do filme. estão eternizados. uma história curiosa em relação à câmera usada na filmagem. porém. Da mesma forma que alguns artistas plásticos vinculam o suporte à concepção de sua obra. Numa película de 8 milímetros. O simpático e solidário velhinho. Os diretores tinham apenas cinco rolinhos de negativo. inclusive. como a de Lazara. a assincronia torna o filme ainda mais instigante. e que ilustra bem esse paralelo. uma espécie de refúgio onde o tempo passa numa velocidade diferente. de apreensão não linear ou lógica. Essa montagem. está de acordo com a temática de investigação humana do filme. mas. 2010 . emprestou a Super-8 que uma cliente levara para consertar. Vale registrar que. o que totalizava cerca de quinze minutos de material bruto. Pelo contrário. oásis naquela casinha rosa que não vende rosas. a opção dos diretores por filmar em Super-8 escancara a resistência oscilante de Lazara. não exigiu nenhum 94 | inverno . Isso fez com que optassem por uma montagem peculiar. Em viagem a Berlim. sem a preocupação de sincronizar o áudio das falas de Lazara com as imagens correspondentes. Assim. quando esta matéria foi escrita. Os diretores levaramna para o conserto e foi constatado que um dente da engrenagem estava quebrado.tipo de contrato formal pelo empréstimo e a câmera esquecida foi usada para rodar o filme. mas nunca se dera ao trabalho de ir buscar. Os últimos suspiros de resistência da “vovó”. não faz com que o documentário perca harmonia ou ritmo. Em termos cinematográficos. no entanto. O senhor da lojinha que diagnosticou o problema disse aos diretores que o único sujeito que consertava essa engrenagem havia morrido. além de remeter com sensibilidade à situação sufocante da protagonista. os doze minutos do curta são o resultado da edição de mais de quatro horas de áudio e apenas quinze minutos de imagem. a floricultura já havia sido demolida e a última notícia que Rodrigo e Eduardo tiveram de Lazara foi de que ela estava internada num asilo em Piracicaba. Há. de uma geração considerada ultrapassada. pois. a câmera parou de funcionar. depois de trinta segundos rodando. sua cidade natal. que insiste em remar contra a corrente apesar de sua inconformidade com a sociedade a sua volta e seus avanços tecnológicos.

incapaz por essência e definição de capturar o infinito do mundo. no primeiro ensaio de O mito de Sísifo. já adverte: há uma primeira e principal pergunta que a filosofia deve responder se quiser se levar a sério: a vida vale a pena? Diante desta. mas. dedicado e sedutor ator que mora num barco. depois de apaixonar-se pelo físico.são o duplo do diretor no filme a conversar com a platéia. o filme. Pois se. 96 | inverno . além disso. morrerem todos no final. Eles morrem. sequer são capazes de dar sozinhos a descarga do banheiro. tosco homem de neanderthal que a havia abandonado com sua melhor amiga. o diretor seja ainda um romântico. 08 | 97 . no caso. de espírito e corpo libertos para viver sua sexualidade reprimida num feliz casamento com dois homens. No desenrolar de histórias paralelas. Paradoxal mesmo é que. uma espécie de filósofo existencialista niilista despertado para a realidade do mundo. por fim. por acaso. uma “experiência” de vida. descrer em Deus e sofisticar seu discurso de minhoca.cOluNA: EDIlAmAR gAlvãO ConHECIMEnTo CoMo nEuroSE Woody Allen não é apenas um comediante. É interessante notar. de sugestivo nome Melodie St. Ficamos espremidos entre o ethos (caráter) e o daimon (espírito. Bem mais inteligente que novela das oito. explora sua miséria para. Divertissement. O físico judeu de Woody Allen em Whatever Works é. parece. Como não diminui o espanto a equação invertida: a comédia se revelar trágica. paradoxalmente. por assim dizer. a moça. A desmedida e hamartia do sábio como aprendemos com a pena de Ulisses na Ilíada. Médium. na verdade. todas as outras questões não passam de “perfumaria”. força externa. para então o quê? Começar a morrer. Discursos de elaboração e transferência. a síndrome do pânico. o marido. pelo menos. quem poderia “salvar” este herói trágico (ou esta razão trágica)? Um pouco de acaso e ingenuidade. Não poderei neste espaço apontar mais detalhadamente o modo como o filme desenrola tais idéias.e o ator que o interpreta . a misoginia e um infantil medo do escuro. compreende tudo e comete sua segunda tentativa frustrada de suicídio. Este físico que se arroga o poder de ter a “visão total” é manco. A arrogância aqui parece a expressão mais cristalina da verdade do mundo. romântico. a vida não tiver nenhuma graça. É sabido pela antropologia. que a consciência e “visão total” do físico tenham por sintoma uma enorme lista de neuroses que inclui. arte e ciência. pois o suicídio continuamente a “atualiza”. Passa-se praticamente uma vida inteira para que penosamente se construa uma ideia de eu. entretanto. Mesmo assim é arrogância. Afinal. Ela separa-se do marido-mestre-sábiotutor que aceita. por sua vez. A consciência trágica seria mais ou menos a “revelação”. Camus. A primeira conseguiu apenas deixá-lo ridiculamente manco. Quem sabe não seja essa sua “visão manca” do mundo? Já sabemos pelo procedimento “clássico” de Allen que o físico . precursora da corrente migratória familiar vinda diretamente da cidade de Éden(!). Ann Celestine. torna-se objeto de amor à primeira vista de um lindo. analisa Pascal. Nosso “herói”. a hipocondria. em meio a dor de cotovelo da rejeição de sua ex-esposa e atual mulher liberada. a filosofia e a psicanálise que diante da consciência da morte o homem inventa a cultura. a filha. E. Um ser miserável. além do seu característico mau-humor. seu absurdo e crueldade pelo conhecimento da materialidade intrínseca das coisas e dos homens. fazendo-o cair justamente em cima de uma próxima cara metade. não se furtará a tentar retirar-se deste vale de lágrimas habitado por minhocas (os seres humanos). basta pensar seriamente por alguns minutos para se deparar com o “absurdo do mundo”. conforme já afirmava o Eclesiastes. 2010 A dor da consciência é o espanto da morte. diante do medo e da consciência da morte. nesta fábula sobre o acaso e a visão trágica da vida antes de morrer todo mundo casa no final – do filme. ou seja. a obsessão pela rotina para “acalmar seu espírito” e defendêlo do caos. o despertar do conhecimento de que o destino do homem escapa-lhe à vontade e ainda assim não serve de desculpa para livrá-lo da culpa e da pena das “escolhas” feitas diante das inúmeras e improváveis circunstâncias do acaso. etc. casar. E de saias bem curtas. “passatempo” da existência para não ficar obcecada pelo sofrimento da consciência de sua finitude. O dispositivo moderno da metalinguagem é usado para incluir o espectador na história distanciando-o da ficção ao mesmo tempo em que o faz “consciente” da reflexão do diretor. sábios ou loucos. entretenimento. É também um sujeito trágico no sentido grego da palavra. comover. além de trágico é divertidíssimo. a mãe carola do interior transforma-se numa fotógrafa famosa. sendo por isso necessário inventar um dispositivo inteligente que o faça. retorna e. advertindo-a a não esperar sensações boas de sua história. Impossível ignorá-la. Que sua visão nos faça rir não diminui o espanto. Além do mais. ainda romântico. sai do armário e encontra o homem da sua vida. Um sujeito cuja consciência é trágica. Sua dupla tentativa de suicídio é um fracasso. defendem-se de sua ignorância valendo-se da religião que. E tudo que há nela: religião. se quisermos). diria parte significativa da psicanálise. ação e/ou intervenção do destino ou acaso.

um dos primeiros homens a passar por essa cirurgia na Suécia. Sentados num cenário de fundo preto. respectivamente. TuDo é CoNSTruíDo.”.. 2010 . que em 1967 e 1994. com um projetor de slides entre eles. os dois se arrependeram. e hoje espera uma segunda cirurgia para voltar a ser homem. depois da transformação desejada. decidiram passar por uma cirurgia para mudar de sexo. do outro. Mikael. na esperança de escapar da situação incômoda em que se encontravam em dado momento de suas vidas. que se rebatizou de Mikaela durante um período. Da época em que viveu como mulher. O DIRETOR mARcuS lINDEEN TERRA ESTRANgEIRA: SuécIA cONvERSOu ExcluSIvAmENTE cOm A BETA uMA METAMorFoSE AMBuLAnTE o documentário de estreia do sueco Marcus Lindeen.Por Tayla Tzirulnik “Não ACreDITo que oS DoCumeNTárIoS SejAm oBjeTIvoS ou verDADeS eSSeNCIAIS. De um lado. Orlando. vai guardar (apenas) duas perucas e dois vestidos como “lembrança”. marCUs liNDeeN O DOcumENTáRIO SuEcO reGretters TEm O méRITO DE AvAlIAR O ARREpENDImENTO humANO. 08 | 99 98 | inverno . Mas as expectativas com essa nova vida eram maiores do que a realidade e.. nos apresenta Orlando e Mikael. Angrarna (em português algo como “Arrependidos”). e que escolheu o nome Isadora para sua nova personalidade (inspirado na bailarina norteamericana Isadora Duncan). Orlando e Mikael discorrem sobre suas escolhas enquanto acompanham slides e trechos registrados em super8mm de suas versões femininas.

Mas na mesma noite em que o programa foi ao ar. AnTES dA FILMAgEM? Na verdade não… o FILME É BASICAMEnTE uMA ConVErSA TêTe-àTêTe. o maior teatro da Suécia. o diretor. Ele ficou emocionado com as interpretações e orgulhoso de como o trabalho havia sido bem recebido.atmo. e Hot Docs. claro. e escreve peças teatrais. para então transformar as fitas de áudio em uma peça teatral na qual atores representariam Mikael e Orlando. então tive a ideia de um encontro entre Mikael e Orlando. 2010 MArCuS LIndEEn Aos 30 anos. para montar uma pequena peça ali. ao invés de eu entrevistá-los. Eles fazem Cartaz do filme com o título sueco 08 | 101 . Para resolver essa questão. em Estocolmo.se No início. Naquela época. em Berlim. assistir a um ator no palco interpretando-o. Orlando ligou para a estação e disse que ele tinha ouvido o programa e que se reconheceu pela primeira vez na vida. o texto foi traduzido para o francês. formou-se pelo Dramatiska Institutet. Por quE PrIMEIro uMA PEÇA TEATrAL E dEPoIS uM FILME? ProCurou ConSuLTAr ALguM ESPECIALISTA. Ele queria dividir sua história. com um grande público que reagiu muito positiva e respeitosamente ao que era contado.Por quE ACHA quE MIkAEL Mudou dE oPInIÃo E dECIdIu PArTICIPAr? Acho que ele assistiu à peça e compreendeu o que eu queria realizar com o filme. CIrurgIÃo. Provavelmente o único que se arrependeu de algo tão irrevogável como uma operação de mudança de sexo. E foi o que eu fiz. eu tinha acabado de iniciar meus estudos no curso de direção teatral da Dramatiska Institutet e havia sido sondado pelo Stockholms Stadsteater. E. em Toronto. tive a ideia de gravar apenas o som do encontro entre eles. Já encenaram a peça no Teatro Nacional de Oslo. é o que faz de Regretters um filme tão excepcional. teve um efeito terapêutico. no período em que o diretor excursionava pela América do Norte para participar dos festivais Full Frame. via e-mail. e uma leitura dela foi feita no The Schaubühne. Aliás. CoMo VoCê ConHECEu MIkAEL E orLAndo? MArCuS LIndEEn Há alguns anos eu trabalhava “reALIzá-Lo FoI umA mANeIrA De LIDAr Com A TerríveL CoNCreTIzAção De que A vIDA é umA Só”. Mikael não queria aparecer num filme. Acho que aquilo tudo lhe pareceu fortalecedor. acabo de saber que um teatro de Porto Alegre se interessou em traduzir o texto para o português. de certo modo. Tinha medo de ser reconhecido. Fizemos um programa com o tema “arrependimento”. Seria ótimo. CoMo PSIquIATrA. o alemão e o inglês. havia se submetido a uma operação de mudança de sexo e se arrependera da decisão. E acho que. Por quE ESSA ESCoLHA? Orlando (ex-isadora) e o diretor marcus lindeen Leia a seguir entrevista concedida por Lindeen à BETA. que estreia com o documentário Regretters. Naquela época achei que ele era único. na Noruega. marCUs liNDeeN como apresentador de um programa semanal de cultura na National Swedish Radio. Ele também 100 | inverno . Acho que a decisão de deixá-los conversar entre si. Uma das pessoas que entrevistei foi Mikael. diferentes tipos de arrependimento. Entendeu que eu não queria nem estragar nem explorar sua vida. A versão teatral de Regretters fez um grande sucesso e foi filmada pela televisão nacional. em Nova York. Saiba mais em www.

Entendendo isso. Hoje. porque isso pode interferir na autenticidade. Mas é claro que eu queria falar do medo que todos nós sentimos de tomar decisões das quais podemos nos arrepender. o FILME dISCuTE A VELHICE. CoMo o PúBLICo rEAgIu Ao doCuMEnTárIo? O filme acabou de estrear no cinema aqui na Suécia. e uma vez que nos encontramos. 700. A conversa era familiar. particularmente. onde estamos em constante busca de “nós mesmos”. é visto como um fracasso. módulo 3 – 05509-000 – (11) 3034-0088 Rio de Janeiro – Av. olhar para trás e não ter arrependimentos. Tudo é construído. quAL É o TEMA do FILME? O filme é dirigido.br . Gostaria que ele fosse mais longo. como cineasta. Em documentários. E se eu decidisse tentar ser diferente – hétero. mesmo que refizéssemos dez tomadas da mesma fala. É claro que deixei que falassem. 500.pdf 1 2/6/2010 sucesso impossível. mudar de sexo uma segunda vez. Felizmente aprendi a não ter medo de tomar com outras estruturas. sala 504 – 90880-481 – (51) 3207-5584 CS5 www. E doa muito. Queremos que a vida tenha essa estrutura dramática linear. e um modo menos explorador de abordá-lo era ter os próprios protagonistas se questionando. Uma grande inspiração foi Jantar com André. Mas não acredito que os documentários mikael e Orlando conversam no set Gostaria que o filme fosse sobre tudo isso. me tornei um grande fã de criar grandes dramas a partir de uma simples narração de história. Mas e se você perceber que deveria ter feito escolhas diferentes no passado? Como consertar isso? Arrependerse é um tabu. Isso foi único. mesmo que eu venha que as pessoas façam novas a me arrepender. eu acho… TRE INAME TR E INA ME N T OS MEN AFTER EFFECTS PREMIERE PRO PHOTOSHOP FLASH ILLUSTRATOR SOUNDBOOTH ENCORE C M Y CM MY CY “I DoN’T kNoW Who I Am”. VoCê rEALMEnTE dEu LIBErdAdE PArA ELES ConVErSArEM? ou Tudo FoI dIrIgIdo? sejam objetivos ou verdades essenciais. 2010 São Paulo – Rua Alvarenga. será que Acho que realizá-lo foi uma maneira de lidar minha família e meus amigos com a terrível concretização de que a vida é uma aceitariam? Ou eles apenas me só. amo diálogos. O tema do filme já é em si muito impressionante. Todo mundo quer um final feliz. Nós realmente contratamos Orlando e Mikael como atores. Muitas delas foram ao cinema pensando que iriam testemunhar duas histórias de vida muito estranhas e extremas. ALÉM dA quESTÃo do gênEro E dA IdEnTIdAdE. então preferi estar lá. AS dECISÕES ToMAdAS. Ou que continuam lutando e conseguiram algum festival se interesse por ele.. Adoraria exibir o filme no Brasil. Desde que trabalhei no rádio. elas não acabem miseráveis e presas. Orlando e Mikael peça seja encenada em Porto Alegre logo. mas muitas das conversas são fruto de alguma instrução minha. OrlaNDO CMY K 102 | inverno . o que me parece uma espécie de 15:36:06 SE ArrEPEndE dE ALgo nA rEALIZAÇÃo do FILME? anuncio_beta_03. você não pode pagar para que as pessoas fiquem diante da câmera. Permitir decisões. E eu já recebi uma grande resposta de pessoas que o adoraram. Minha ambição era usar a mudança de sexo como metáfora para todas as grandes decisões e transformações da vida. São achariam confuso? Acho que tantas as coisas que quero realizar e o tempo é tão deveríamos ser mais tolerantes curto. Não na mesma extensão que um roteiro fechado. e com a pressão de fazer as escolhas certas. 521. teoricamente. das Américas. e percebam que sempre PLAnEJA EXIBI-Lo Por AquI? é possível transformar a vida. para reformularem uma resposta. Para que escolhas.woc. acho que foi a maneira mais honesta de incluir Orlando e Mikael no processo da filmagem. ainda que doa. bl 23 sala 203 – 22640-100 – (21) 3079-1088 Porto Alegre – Rua José de Alencar. eu sou gay. Temos permissão de “assumir” um novo eu apenas uma vez. mas saíram da sala sentindo identificação com aqueles dois homens.com.. Por exemplo. Eles entenderam quais eram seus papéis e o que esperávamos deles.com. para que eu pudesse ter mais acesso a eles e mais liberdade no set. AS ESCoLHAS FEITAS. queria proporcionar ao espectador. E eu.br | info@woc.perguntas um ao outro que eu nunca faria. será possível conviver com as escolhas em suas vidas. por isso tiveram suas próprias ideias e influenciaram diretamente o projeto. de Louis Malle (cineasta francês). digamos – e começasse a Por quE ESSE FILME? viver com uma mulher. Deitar em seu leito de morte. manipulando aquela realidade para que ela fosse verdadeira àquilo que eu. Espero que a Quero dizer. deveríamos nos transformar nesse eu interior. mas eu pedia que parassem e fizessem outra pergunta.

o do Jerecki tem o tema mais forte. Na verdade. parecessem um filme. mas então percebi que o que o filme precisava era de alguém que fizesse com que aqueles documentários. nÃo? SABIA o quE SErIA nECESSárIo PArA “CoLAr” oS FILMES? oS EXCênTrICoS leve.TERRA ESTRANgEIRA: E.u. juntos. MAS VoCê TInHA LIdo o LIVro E Já TInHA uMA IdEIA do quE SErIA o MATErIAL. Achei que AS vinhetinhAS e A SuA eSpécie de próloGo e epíloGo trouxerAm certA eStruturA e coerênciA pArA um filme em que oS cApítuloS vAriAm muito em termoS de tom. Os outros diretores são Alex Gibney (Taxi to the Dark Side).A. quase pop. Rachel Grady e Heidi Ewing (Jesus Camp) e Eugene Jarecki (Why We Fight). foi uma oportunidade para incluir umas vinhetas do livro. Por J. Freakonomics parece ser um novo jeito de fazer documentário. ASSiStindo Ao documentário. mas o problema é que não podíamos fazer essas vinhetas até assistir ao material final dos outros. Dubner. Gordon teve a tarefa de apresentar o filme e criar vinhetas para tecer o projeto numa peça única. Chad Troutwine. porque o do Morgan é dos capítulos. Eram tão diversos que eu e o produtor. e o de Heidi e Rachel é bem direto. achamos que era necessário alguém para balancear tudo aquilo e criar uma unidade. Seth Gordon Verdade. verité. não apenas pela criação conjunta. um dos seis diretores do documentário Freakonomics. 2010 08 | 105 . mas por sua própria forma: uma espécie de ensaio provocativo-social sem muitos precedentes cinematográficos. cresci num ambiente no qual era comum conversar sobre economia comportamental na 104 | inverno . o do Gibney é jornalismo investigativo pesado. mas é feito todo em animação. ou seja. Enquanto cada um dos cineastas dirigiu um capítulo do livro. Alan Lebanowski Tradução: Tayla Tzirulnik A BETA conversou com Seth Gordon (King of Kong: A Fistful of Quarters). A ideia original era que eu dirigisse um Meus pais são cientistas sociais. Levitt e de Stephen J. Morgan Spurlock (Supersize Me – A Dieta do Palhaço). adaptação do best-seller do economista D. Decidimos isso um ano e meio atrás. não teria ficado tão coerente. Caso contrário.

assim como a entrevista com Levitt e Dubner. está diretamente relacionada à exibição. que doa computadores para bibliotecas ao redor do mundo. o que levou a uma redução significativa do número de gravidezes indesejadas. de repente você passa a falar de algo real que afeta a todos nós. e isso causou muita repercussão. mas se você torná-los concretos e falar: “Clinton e Giuliani levaram os créditos pela queda de crimes e isso não tinha nada a ver com eles”.O diretor Seth Gordon e Stephen J. ele fez apenas a trilha das vinhetas. os números que os pesquisadores e os economistas olham estão popularizados por um argumento retórico que sustenta uma posição política. dE LEVITT E duBnEr no FILME. Grande parte de ligar as partes era criar um tema com nosso compositor. Amanda. mesa de jantar. em vez de usar isso para vender um produto ou uma “agenda” política. Por CAuSA dA ProFISSÃo dE SEuS (O trecho de Eugene Jarecki no filme compreende a conclusão de Levitt de que a diminuição significativa de crimes nos Estados Unidos. MESMo quE nÃo quEIrAMoS VEr o SEnTIdo. Concordo. o livro é apolítico. Houve muita polêmica — o lance do aquecimento global no novo livro deles. Eu achava que. independentemente da abordagem que cada diretor empregasse em cada parte. porque o futuro 08 | 107 . Dubner. APESAr do FATo dE LEVITT SEr ALguÉM quE VoCê dESCrEVErIA CoMo APoLíTICo… Não. 2010 E é apolítico. não tenho ideia de qual seja a preferência política deles. me entreguem o material. oS EConoMISTAS nÃo ESTÃo SEndo roMânTICoS. ou na política por trás do argumento. Para mim. animação em Flash – After Effects mesmo –. Um exemplo: meus pais trabalhavam para a Fundação Gates. eles basicamente dizem que é um esfriamento global. do telefilme Roe vs. isso sim! MuITo CorAJoSo E TE APrESEnTou uM dESAFIo. Tínhamos animação em stop motion. Eles são o oposto. no início dos anos 1970. A seção de Heidi e Rachel questiona se é possível ou não subornar um aluno da nona série a ter êxito na escola. e tentem não deixar muito longo”. Na verdade. todos teríamos um diálogo mais saudável se fôssemos honestos quanto aos números. ESTou CurIoSo. uMA VEZ quE oS ConCEIToS do LIVro SÃo MAIS FAMILIArES PArA VoCê. é como desfazer os argumentos usados numa agenda política. FAZ SEnTIdo. Não. A música ajudou bastante. quando eles suspeitam que houve uma busca deliberada por estatísticas. Wade. CoMo VoCê MESMo dISSE. PArECESSE uM FILME CoMPLETo. Do que escutei deles e do que está no livro. Muitas vezes. o SEu CoMPoSITor CoMPôS PArA Todo o FILME? ISSo É FASCInAnTE… É corajoso. Cada trecho de um diretor é um filme em si e está creditado dessa maneira. que poderiam tornar-se criminosos na época em que a criminalidade baixou. filmagem de verdade e imagem de arquivo. jornalista e coautor do livro PAIS. quando ele tentou suborná-la para usar o penico na hora certa e do jeito certo. realmente. a explicação do capítulo “Roe vs. Wade” cristaliza por que Levitt e Dubner são pensadores originais. MAS PErCEBEM quAIS AÇÕES PodEMoS uSAr PArA TornAr o ProCESSo LEgíTIMo. tratar o material – porque mesmo nossas vinhetas diferem muito uma das outras. e acho que o livro é um ótimo trabalho por deixar esse conhecimento acessível a todos — é um livro ilusoriamente complicado. A PArTE dIrIgIdA Por HEIdI EWIng E rACHEL grAdY (EM quE uM gruPo dE EConoMISTAS. era um modo muito concreto para se chegar a um princípio da economia. InCLuIndo LEVITT. TEnTAM SuBornAr uM ALuno dA nonA SÉrIE PArA quE ELE MELHorE SuAS noTAS) É uMA dAS quAIS SE uTILIZA doS PrInCíPIoS PArA TEnTAr gErAr ALguM BEM SoCIAL. CoM o dESEJo dE ELEVAr A CuLTurA E SEr HonESTo CoM ELA. dE quE HAVIA HuMAnISMo no TrABALHo. Todos os princípios que sustentam o livro me são familiares. nos anos 1990. Você rapidamente cai nesse lugar abstrato. quando se fala desses princípios. Mas. Já PEnSou EM CoMo o LIVro E AgorA o FILME AJudAM A InTroduZIr ESSA LInHA dE PEnSAMEnTo nuM AMBIEnTE MAInSTrEAM? Eu TIVE A IMPrESSÃo. se você olhar para os números.) É uM ConCEITo BEM ProVoCATIVo quE. E questionar. Não estão interessados num simples resumo. É um livro difícil de explicar. 106 | inverno . A IdEIA dE quE ELES EnXErgAM A InForMAÇÃo dE Modo quE rEVELE ALgo SoBrE o CoMPorTAMEnTo HuMAno nuM níVEL CuLTurAL. E isso é mensurável? É por isso também que o histórico dos meus pais é relevante para mim. VoCê ConCordA CoM ISSo? Eu refleti muito sobre como a economia parece uma disciplina maçante e impenetrável até que você a explique do jeito certo e então ela parece completamente relevante para tudo que fazemos e como vivemos e também como funciona um sistema capitalista. porque eles eram sempre requisitados por instituições para avaliar se algo acontecia ou não. Isso significa a não existência de toda uma geração potencial de bebês não desejados. eu conseguiria encontrar um modo de trabalhar um trecho do livro que ajudasse a organizar o trabalho deles. quE FoI JunTAr Tudo ISSo dE uM Modo quE. Chad (Troutwine) basicamente deu um cheque aos cineastas e disse. “Façam o que quiserem. e eles (Levitt e Dubner) fazem o oposto. o princípio que confirma isso é o estudo do incentivo e eu achei que a história de Levitt e sua filha.

e passamos um mês e meio dedicando nosso tempo exclusivamente nisso. o máximo delas possível. “ajudamos alguém ou não?”. Eu queria entrevistar os dois juntos. Eu achava a história da pólio interessante. E acho que esse clima está bastante presente no livro.PArA A EnTrEVISTA. extraímos o que tinha de melhor. ou poderíamos facilmente cair numa conversa chata e acadêmica. Quando não anuncio_beta_03. oS FILMES Já ESTAVAM MAIS ou MEnoS EdITAdoS. e por isso estou particularmente interessado em como esses incentivos destruíram esse processo.woc. módulo 3 – 05509-000 – (11) 3034-0088 Rio de Janeiro – Av. 2 2/6/2010 15:37:17 Sim! A conversa flui bem. se for abordado da maneira correta. quAndo VoCê oS EnTrEVISTou. Animação em stop motion. quAndo VoCê oS CoLoCou. VoCê PôdE dESEnHAr AS PErgunTAS PArA FECHAr o FILME E LIgAr uMA CoISA à ouTrA? Eu imaginava que a parte de Heidi e Rachel iria trabalhar ou com a criação dos filhos ou com incentivos. Mas eu estava sob muita pressão. Acho que Levitt mostra o ponto dele ao não tomar a posição do que “deveria” fazer. o suporte técnico para os computadores que as pessoas querem usar. de repente. Você percebe como isso tudo é relevante para o livro. 521. geek. se tem escolha. eu e minha mulher tivemos um bebê no dia 4 de fevereiro. brincando. para dar leveza ao filme. e foi perto do dia 20 de janeiro que concordamos. SOFTWARE C M Y CM MY CY CMY K CREATIVE SUITE PRODUCTION PREMIUM São Paulo – Rua Alvarenga. que nenhum dos outros diretores iria abordar. das Américas. goSTEI dE ASSISTI-LoS E ouVI-LoS. 108 | inverno . A questão é: podemos influenciar o resultado futuro com esses incentivos? Não é meu problema se deveríamos ou não.) Eu queria que eles falassem sobre causalidade versus correlação. sala 504 – 90880-481 – (51) 3207-5584 CS5 After E ects Premiere Pro Photoshop Extended Flash Professional Illustrator Soundbooth OnLocation Encore www. tirando sarro um do outro. É. Escolher ser o cara que faria o filme parecer um só implicava ter que esperar todos os outros terminarem.pdf você se foca mais. bl 23 sala 203 – 22640-100 – (21) 3079-1088 08 Porto Alegre – Rua José de Alencar. Existem diversas maneiras para avaliar isso. mas sim do que “pode” fazer. Acho que o Levitt não está necessariamente interessado em fazer “o bem” com isso. então buscamos anedotas. porque não existe nada melhor do que um prazo. e extremamente relevante para todos nós. dIAnTE dE SI. apenas me pergunto: “podemos?”. Só. E sabia que o setor imobiliário (uma seção do livro) era um princípio interessante. Por outro lado. Eu mesmo estou procurando uma casa para comprar.da informação – estamos falando de bibliotecas e pesquisa – vai ser digital. A ConVErSA É FLuIdA E dE uM JEITo ACAdêMICo. quE CErTAMEnTE TE BEnEFICIou. Abrimos o filme com eles rindo. o que significava que meu prazo seria bem apertado para um deadline de festival.br | 109 . 2010 (Durante um período dos anos 1950. todas voltadas a separar a verdade. 500.br | info@woc. É divertido de ler e eu queria que o filme também tivesse essa energia. O resultado da instalação desses computadores foi inesperado. acreditavase que a pólio era causada pelo consumo exagerado de sorvete. se você falar sobre isso do jeito errado. estaremos prontos para o Tribeca”. Eu sabia também que definições de termos tiradas do dicionário deixariam o espectador com sono.com. E ainda não tínhamos filmado nada (risos). não é fácil. “ok. EXISTE ALgo CHArMoSo nELES. quAnTo TEMPo durou A EnTrEVISTA CoM LEVITT E duBnEr? Três horas. em que você combina plates e pessoas animadas diante desses plates. Porque esse é um princípio extremamente acadêmico. Isso significa que o bibliotecário que escolheu a profissão porque ama bibliotecas se torna. Então a Fundação Gates contratou meus pais para avaliar. ELES TêM CErTo CArISMA.com. E o projeto era bem ambicioso. nos Estado Unidos. Tivemos que nos concentrar. Então gravamos a entrevista. estou feliz. para saber como eles interagiam. 700.

Olha. dá de vinte em todos eles! – Mas. O white man original é trocado por “um branquinho”. Ele era um bolha. entre outros. dito por Eddie Murphy. tempo em que falou por Al Pacino. de uma vez por todas. Como é mesmo o nome do baixinho. ele derrotou Joe Louis! – Joe Louis tinha 75 anos ali! – Eu sei lá quantos anos ele tinha. troncudinho. há mais de quarenta anos na profissão de dublador. e o Rocky Marciano? – Ah.DuBlADORES E EmpRESáRIOS O cINEmA fAlADO Por Luara Oliveira cOmENTAm A vERSãO BRASIlEIRA FALAndo A MInHA LínguA – Você está louco da cabeça! Joe Louis foi o maior boxeador que já existiu. aquele? – É Mike Tyson. Como muitos dos companheiros de ofício. um bolha! – Ah. 137! – Ai meu Deus. Em Um Príncipe em Nova York (1988). Sempre que eu falo de boxe. Ele sempre mentiu a idade. Frank Sinatra nunca esteve aqui. você que é colado com Joe Louis. Rocky Marciano. Roberto Benigni. – Joe Louis estava fora dos ringues quando enfrentou Rocky Marciano. sentou o traseiro aqui e eu disse: “Frank. – É isso mesmo. E arrota: Rocky Marciano. Vou te dizer uma coisa. tava demorando. uma vez o Frank Sinatra veio aqui. “pro inferno” com os fuck you da versão em inglês. Rocky Marciano era bom. – Pro inferno. mas. comparado ao Joe Louis. pro inferno e pro inferno! (E você agora?) 110 | inverno .” Quem teoriza sobre o fenômeno é Nelson Machado. afirma só assistir às versões brasileiras. Rocky Marciano era um bolha. é Mário Jorge de Andrade quem substitui o shit. bem melhor que. você não engole de outro. tem filme que é pra assistir dublado mesmo! “Aquilo que você viu pela primeira vez de um jeito.) Bem melhor que Cassius Clay. só sei que ele levou pau. pelo “bolha” que sempre ouvíamos à tarde. quantos anos ele tem?”. Dá de vinte no Mike Tyson. Ah. Sabe o que Frank disse: “Joe Louis tem 137 anos”. Tava com 76 anos nas costas. bem melhor que Sugar Ray. “vou ao 08 | 111 . um branquinho tenta me empurrar Rocky Marciano goela abaixo. tava demorando. – Mike Tyson! Parece um bulldog. no sofá. um bolha que derrotou Joe Louis. Wesley Snipes. Ele escondia a idade quase sempre. e hanging out with vira “colado com ele”. 2010 O locutor Guilherme Briggs A discussão histórica de Clarence com os colegas barbeiros e um cliente é um dos momentos altos da dublagem brasileira... cá entre nós. (Eu já cuido de vocês aí...

pelo menos eu. Nosso trabalho é apenas uma ferramenta para que o filme chegue ao público. hoje. antigo AIC. A única lição que posso dar é sente e observe os profissionais. dubladora desde criança e. Muita coisa mudou daquele tempo para cá. Um trabalho realmente tedioso. eu tenho que ouvir a voz dele”. seis. um a mais não fará diferença… que conselho daria a um iniciante? As coisas mudaram muito nos últimos anos.. a indústria está tão moderna que se monta estúdio em qualquer quartinho. dicção perfeita. ao dublador ele é absolutamente necessário. Mas há uns dez anos que já se grava um a um. minha mãe me trazia pra cá e eu ficava o dia inteiro assistindo como eles faziam. principalmente. Sem dúvida alguma. Reunia tudo: capacidade de interpretação. de vez em quando. o VTI “temporariamente não está atuando no mercado de dublagem”. para saber como funciona a dublagem na Espanha e. mas não te ensinam a interpretar. o Álamo. barulhos inesperados que acabam sendo gravados… Existe alguém que seja uma referência da dublagem para você? A melhor voz da história da dublagem espanhola era a de Manuel (o Manolo) Cano. Foi aí que comecei minha carreira de ator: dublando filmes pornográficos. loop 3’. o Delart. De mulher. ensinam uma ou outra regra. já que “mutila” a interpretação do ator… Sempre acreditei que é impossível melhorar a versão original. O processo era bem caro. na Catalunha. Então não é só saber inglês. O BKS. já era o antigo Gravasom. o Cinelab já realizava as versões em português para filmes da Disney. Mais do que tudo. bairro de São Paulo. uma excelente professora e melhor ainda como pessoa. “Tem coisas que. porque muitas piadas em inglês não têm sentido nenhum para nós. gerente de produção do estúdio Delart e filho de um dos pioneiros da dublagem no país. Atualmente. há quanto tempo você trabalha com dublagem? Faz oito anos que fiz meu primeiro take junto com Rafael Ordoñez. na Vila Romana. no Rio de Janeiro. Por mais que eu ache que o Nelson Batista fez legal. À época. há quem considere a dublagem um crime. isso é algo seu. assistir a E O Vento Levou ou a Star Wars lendo o tempo inteiro… acredito que as legendas também prejudiquem o trabalho do diretor de fotografia. Vivien Leigh. que já dublou Katharine Hepburn. legendado. Porque nós investimos muito. é bom trabalhar com vontade e tentar ser o melhor sem ter que pisar em ninguém. seguida por Rin-Tin-Tin e Papai Sabe Tudo. né? Você cortava a película de 35 (mm) em loops – até hoje eles chamam de loop cada 20 segundos de filme. segundo a administração. diferentes timbres… Brilhava especialmente em cenas intimistas. Recomendaria a profissão de dublador? Se você gosta. ser ator já vale para algo. por exemplo. 08 | 113 . siga adiante! Somos muitos os que passam fome. compara Sergio de la Riva. qual a coisa mais esquisita que já presenciou num estúdio de dublagem? Mil coisas… (risos) Já vi gente dormindo.. Hoje. em que me diverti muito fazendo os personagens e trabalhando com um elenco de profissionais realmente incrível. lamenta Daniela Piquet. Pinóquio (1940) e Dumbo (1941). o elenco era composto por atores consagrados das radionovelas.O estúdio BKs funciona desde 1958 na mesma casa. 112 | inverno . Porque eu assisti pela primeira vez na minha vida no original. antes disso. mas confessa fraqueza diante de alguns atores.! E respeite o sindicato dos dubladores! cinema e escolho o dublado”. mas ter cultura geral também. VErSÃo BrASILEIrA: ZEZInHo ProduÇÕES A duBLAgEM CATALÃ Por Héctor Rull A BETA conversou com o dublador David Navarro Rebés.. foi a série da Hello Kitty. Há poucos tradutores bons”. só no Rio tem quinze. Se antes tinham quatro ou cinco estúdios no país.. mas é o que me recordo com mais carinho. “Quem vai ficar são os pequeninhos. Mas. Apertavam meu braço quando eu tinha que falar”. E o último? Um filme de guerra. Carlos de la Riva. desabafa. como a da série Ford na TV. como Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Ah. “Como não tinha quem cuidasse de mim. a princípio. hoje. “Tem que ter uma boa tradução. bota tudo no computador e digitaliza num HD”. No início. para mim. O Herbert Richards fechou. relembra. “desde a tecnologia até a maneira de gravar. em que eu era um sargento. para matar a saudade. você gravava todo mundo junto. Jerry Lewis. As pessoas têm a possibilidade de ver um filme sem dublagem. porque. a gente tinha projetores. diretora do estúdio da família. ‘fala tal. explica De la Riva. passo o filme inteiro lendo o texto amarelo. inclusive o próprio dublador. por sua vez. Até que faltou alguém e precisavam dublar um bichinho. mas que precisa ser feito.. Foi de lá que vieram as primeiras dublagens para a televisão realizadas em solo nacional. antigamente. Doris Day etc. eu assisto no original. mas. dezesseis. Os estúdios tinham que ser muito grandes para caber cinco. A gente tem uma estrutura com cinquenta funcionários.. 2010 “Outra coisa. Ah. já que. e abrem-se novos estúdios cada vez mais”. É unânime: os estúdios grandes estão sofrendo com a nova configuração do setor. mas. é a única versão que existe. Os cursos servem para te apresentar o mundo da dublagem. qual foi seu primeiro trabalho como profissional? Não sei se foi o primeiro. o BKS. Se a um bom ator convém um bom texto. sete atores. fez algum curso? Estudei em duas escolas de dublagem de Barcelona e uma delas me chamou para fazer uma prova de voz em estúdio. a grande profissional é Elsa Fábregas. que.. um mestre que infelizmente já faleceu.. sinceramente.

ando preocupado”. Você vê projetos que a gente fazia com tanto carinho e com uma acústica maravilhosa. A entonação curiosa com a qual Marthus Matias presenteou o personagem Fred Flintstone. A salvação veio da mente de Jacob Karol e de Edwin Hopkins. a dublagem nasce logo na sequência. E você fica pensando: como vai ser o futuro? Eu não sei. E não importa se é animação. verde. quAL É. eles investiram em um estúdio para conseguir o certificado Dolby. Por isso. Essa infinita diversidade de combinações é muito atraente. O BKS também diversificou as atividades e.) O desenho animado sempre representou parte importante no mercado de dublagem e concentra os maiores casos em que a obra dublada é melhor que a original. É uma concorrência desleal. conta o empresário do Delart.O. a legenda não fez muito sucesso. 2010 máximo. sendo dublados de qualquer jeito. no início. a diretora chegava ao ponto de falar: ‘Guilherme. ter cinco olhos.. Nanico!” E Popeye e Homer Simpson.. a técnica prejudicava os analfabetos. Dublando Frekazoid!. por meio de um sistema capaz de sincronizar áudio e imagem. eu brinco. se dedica a animações em 2D e 3D.. As pessoas achavam difícil ler e acompanhar a história ao mesmo tempo. É meio assustador”. O carisma que Orlando Drummond Cardoso e Mário Monjardim deram aos inseparáveis Scooby-Doo e Salsicha. Recentemente. FrEd? ArquEoLogIA Se os primeiros filmes falados datam de 1925. (L. Eu fico muito feliz. ser um habitante de Plutão. seguido por Luzes de Nova York (1929).. os quais. Absolutamente inviável. há alguns anos. filme ou série. 1999. possibilita a liberação da criatividade ao 114 | inverno . além disso. “Ei. um mesmo filme em línguas diferentes. a dublagem tem que ser benfeita. O Cantor de Jazz (1927) é considerado o primeiro filme dublado. você tá bem?’ Eu virava um monstrinho no estúdio. a empresa carioca já colocou em marcha os planos de migrar para a mixagem de filmes nacionais. parecia uma criança de oito anos que comeu um quilo de açúcar. ao mesmo tempo. “Você pode fazer um personagem ficar grande. O que fazer para que falantes de idiomas diferentes entendam a história? A primeira tentativa foi traduzir o roteiro e escrevê-lo na tela. comenta Briggs. 2010). Alguns estúdios chegaram a produzir. 08 | 115 . merece ser tratada com seriedade. mas. que também emprestou voz à franquia Toy Story (1995. Assim surge a dublagem.sala de mixagem para cinema da Delart e tem pessoas que trabalham com quatro. conseguiram substituir as vozes originais dos atores por outras gravadas em estúdio.

) Direção e Produção toni venturi Direção de Produção Giba Cuscianna roteiro Daniel Chaia Fotografia Jay Yamashita arte rudi Bohn Som Direto samuel Braga Montagem rodrigo menecucci Trilha Gustavo Kurlat e ruben Feffer Produção Executiva sérgio Kieling Produtora Olhar imaginário Distribuidora moviemobz inFAnTil.) Direção Felipe Hirsch e Daniela thomas Direção de Produção Cristina alves Produção Pedro igor alcantara. Arte marcelo escañuela Figurino andréa simonetti Som direto Geraldo ribeiro Montagem Caroline leone Trilha Nelo Johan Produtora Dezenove som e imagens Distribuidora warner Bros SonHoS rouBAdoS DrAMA. Pictures. Dias Fotografia walter Carvalho arte José Joaquim Som direto leandro lima Montagem mair tavares Trilha Fabio mondego. 2009. Brasil (100 min. maria ionescu e sara silveira roteiro will eno e sam lipsyte Fotografia mauro Pinheiro Jr. 2007. 2010. Fabiano Gullane.) Direção laís Bodanzky Direção de Produção Pablo torrecillas Produção Caio Gullane.) Direção e roteiro Paulo Halm Direção de Produção Cacala Carvana Fotografia Nonato estrela Arte renata Pinheiro Figurino reka Koves Som direto toninho muricy Montagem luiz Guimarães de Castro Trilha andré moraes Produção Executiva Heloisa rezende Distribuidora Downtown Filmes e riofilme A CASA VErdE rITA CAdILLAC . Brasil e argentina (93 min. BNegão e marcelo Yuka Produção Executiva ana rosa tendler Produtora e Distribuidora Caliban Produções Cinematográficas ltDa mARçO HISTÓrIAS dE AMor durAM APEnAS 90 MInuToS DrAMA. Brasil (124 min.. Beto amaral.) Direção e Produção sandra werneck Direção de Produção Fernando Zagallo roteiro Paulo Halm. 2009. Fael mondego e marco tommaso Produção Executiva elisa tolomelli Produtora Cineluz Co-Produtora estudios mega. 2009. Debora ivanov e Gabriel lacerda roteiro luiz Bolognesi Fotografia mauro Pinheiro Jr. sandra werneck. AnTES dE AMAnHÃ DOC.) Direção e Montagem marco abujamra Co-Direção João Pimentel Produção maria angela menezes. Brasil (75 min.) Direção e roteiro silvio tendler Montagem Bernardo Pimenta Trilha Cabruera. 2008. 2009.) Direção Christine liu Direção de Produção Chica mendonça roteiro Daniela Capelato Fotografia Heloisa Passos Som direto valéria Ferro Montagem willem Dias Produção executiva Chica mendonça e Christine liu Produtora vega Filmes 08 | 117 . Arte valdy lopes Figurino Cássio Brasil Montagem lívia serpa Trilha arthur de Faria Produtora Nós Outros Produções e Dezenove som e imagens Distribuidora europa Filmes 116 | inverno .ABRIl oS FAMoSoS E oS duEndES dA MorTE DrAMA.. Brasil e França (101 min. Brasil (73 min. José Joffily e mauricio O. mariana marinho e marco abujamra roteiro João Pimentel e marco abujamra Fotografia marco Oliveira Som Direto Nina Belloto Trilha Jards macalé Produtora tema eventos Culturais e Dona rosa Filmes Distribuidora moviemobz AS MELHorES CoISAS do Mundo DrAMA.A LAdY do PoVo DOC. Brasil (90 min. Brasil (71 min. arte Cássio amarante Figurino Caia Guimarães Som direto louis robin Montagem Daniel rezende Trilha BiD Produção Executiva rui Pires e Caio Gullane Produtora Gullane Co-Produtora warner Bros. Brasil (100 min. 2009. 2009.. 2010 dEPoIS dE onTEM. Brasil (120 min.) Direção e roteiro Paulo Nascimento Direção de Produção mônica Catalane arocha Produção marilaine Castro da Costa e Paulo Nascimento Fotografia roberto laguna Arte voltaire Danckwardt Figurino márcia matte Som direto andré sittoni Montagem marcio Papel Trilha Duca leindecker Produção Executiva marilaine Castro da Costa Produtora accorde Filmes Co-Produtora Distribuidora espaço Filmes JArdS MACALÉ uM MorCEgo nA PorTA PrInCIPAL DOC. adriana Falcão. Brasil (77 min.) Direção esmir Filho Direção de Produção lili Bandeira Produção sara silveira e maria ionescu roteiro esmir Filho e ismael Caneppele Fotografia mauro Pinheiro Jr.. 2009. michelle Franz. Casa redonda e Buriti Filmes Distribuidora warner Bros Pictures InSoLAÇÃo DrAMA. 2009. Caíque Botkay. labocine Distribuidora europa Filmes CHICo XAVIEr mATOu A fAmIlIA E fOI AO cINEmA Drama.) Direção e Produção Daniel Filho roteiro marcos Bernstein Fotografia Nonato estrela Arte Claudio amaral Peixoto Figurino Bia salgado Som direto Carlos alberto lopes Montagem Diana vasconcellos Trilha egberto Gismonti Produção Executiva Julio Uchôa Produtora lereby Co-Produtora Globo Filmes e estação da luz Distribuidora Columbia/sony Pictures e Downtown Filmes uToPIA E BArBárIE DOC.

Joaquim de almeida LIVro o CInEMA dE quEnTIn TArAnTIno de mauro Baptista Preço: aprox. O drama sobre duas mães e a relação com as filhas é. 2004. Jorge Furtado e Giba assis Brasil Fotografia Jacob solitrenick Arte Fiapo Barth Figurino rosângela Cortinhas Som direto rafael rodrigues Montagem Giba assis Brasil Direção Musical leo Henkin Produção Executiva Nora Goulart e luciana tomasi Produtora Casa de Cinema de Porto alegre Distribuidora imagem Filmes quInCAS BErro dáguA COMéDiA.50 SoLo DrAMA. 2005.i. de novo.) Direção roberto Carminatti Produção erico Ginez e roberto Carminatti roteiro roberto Carminatti. Cao Guimarães e marcos m. que analisa. marcos Trilha O Grivo Produção Executiva Beto magalhães e Cao Guimarães Produtora Cinco em Ponto AO REDOR DO BRASIL… E DO MUNDO mAIO SEgurAnÇA nACIonAL AçãO. 2009. renato müller Produção Executiva marilaine Castro da Costa Produtora accorde Filmes dIrEITo dE AMAr (A SIngLE MAn) Dir tom Ford Preço: a definir VIAJo PorquE PrECISo. Brasil (104 min. e agora roteirista. acaba de publicar o livro O Cinema de Quentin Tarantino. Mauro Baptista. Kim Basinger.) Direção José Joffily Direção de Produção Jaime lozano Produção José Joffily e Heloisa rezende roteiro Paulo Halm e melanie Dimantas Fotografia Nonato estrela Arte Claudio amaral Peixoto Figurino ellen millet Montagem Pedro Bronz Trilha Jaques morelenbaum Produção Executiva Heloisa rezende Produtora Coevos Filmes Distribuidora imagem Filmes Ao SuL dE SETEMBro DrAMA.) Direção e Montagem Cao Guimarães Direção de Produção Beto magalhães Fotografia Beto magalhães.) Direção e roteirista amauri tangará Produção tati mendes Fotografia Cleumo segond arte edilamar Calil Som direto José Carlos Barbosa e Diego Borges Montagem silvia Hayashi Trilha renato teixeira Produtora Cia d’artes do Brasil Distribuidora Polifilme AnTES quE o Mundo ACABE DrAMA. Tom Ford (mais conhecido por revitalizar a Gucci). Films e international motion Factory inc. 2009.. Rogelio (2000). ana luiza azevedo. que parece mais sugar do que ajudar. Brasil (74 min.) Direção ana luiza azevedo roteiro Paulo Halm.) Direção e roteiro Paulo Nascimento Produção marilaine Castro da Costa e Paulo Nascimento Direção de Produção mônica Catalane arocha Fotografia roberto laguna Arte voltaire Danckwardt Figurino márcia matte Som direto andré sittoni montagem marcio Papel Trilha andré trento. 2009. Elenco: Colin Firth. O filme merece ser visto. John Corbett.) Direção e roteiro marcelo Gomes e Karim aïnouz Direção de Produção Juliana Carapeba e Germana Pereira Produção João vieira Jr. Brasil (80 min.A ALMA do oSSo DOC. 2010. Daniel Ortizt Fotografia Jota Passos e Bruno Fantini Montagem Natara Ney e manoel Jorge da silva Direção musical Juliano Cortuah Produção Executiva Diogo Boni Produtora G. 2010 O doutor em cinema pela USP. diretor e produtor. Interessante e preciso! 08 | 119 . 2009. o professor George (Colin Firth) vive sozinho entre sua casa e o trabalho. Brasil (120 min. Produção e roteiro Ugo Giorgetti Fotografia Carlos ebert Som direto luciano raposo Montagem marc de rossi Trilha mauro Giorgetti Produção Executiva malu Oliveira Produtora sP Filmes de são Paulo Distribuidora Filmes do estação 118 | inverno . disseca a obra do diretor norte-americano através de seus sete longas-metragens. matthew Goode Este é o primeiro filme de Guillermo depois do fim da parceria com o diretor mexicano Alejandro Iñárritu. Brasil (111 min. Brasil (72 min. Brasil (102 min. narrado por histórias que se cruzam. Guillermo deu um passo à frente e dois para trás. mas parece que. e Daniela Capelato Fotografia Heloisa Passos Montagem Karen Harley Trilha Chambaril Produção Executiva livia de melo e Nara aragão Produtora rec Produtores e Daniela Capelato Co-Produtora Gullane Distribuidora espaço Filmes oLHoS AZuIS DrAMA. Elenco: Charlize theron. o então roteirista Guillermo Arriaga só havia dirigido um curtametragem. Não poderia ser mais simples. ao deixar o parceiro mexicano de fora. 2009. Desolado com a perda de seu grande amor. Antes deste longa.) Direção e roteiro sérgio machado Direção de Produção Cláudia reis e Beth accioly Fotografia toca seabra Arte adrian Cooper Figurino Kika lopes Som direto José louzeiro Montagem marcio Hashimoto Trilha Beto villares Produção Executiva walter salles e mauricio ramos Produtora videofilmes Co-Produtora Globofilmes e miravista Distribuidora Buena vista international Um dia. r$ 38. Brasil (75 min. Belo filme de estreia do estilista. Julianne moore. Bruno Fantini. VoLTo PorquE TE AMo DrAMA. e vez ou outra recorre à amiga de longa data Charley (Julianne Moore). marcos Som direto marcos m. 2009. ou melhor. Brasil (104 min. um amor e três personagens. cronológica.) Direção. talvez não passasse de mais um melodrama. Distribuidora europa Filmes dVds Sugestões do outono VIdAS quE SE CruZAM (THE BurnIng PLAn) eUa – ar / 2008 / 107 min / cor Dir Guillermo arriaga Preço: a definir EM TEu noME DrAMA. Fiquei com a impressão de que se essa história fosse contada de forma linear.

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tem direito a esse tipo de inocência. muitas vezes estimulantes. um ensaio sobre fotografia. Sem embargo. dos mais simples aos mais sofisticados. filmes. escreve Susan Sontag em seu livro Diante da dor dos outros (2003). incorporados intimamente. Um contínuo desfile de ofertas de produtos: de ideias. O que vemos parece nos informar sobre o que ocorreu no mundo nas últimas 24 horas. que incluiu uma trilha sonora adequada? A do editor-chefe de jornalismo que decidiu as imagens a ser transmitidas e deu uma ordem para as notícias. cONSEquENTEmENTE. alguns programas de entretenimento. DeBOrD. vai sendo incluída publicidade de produtos. entre outros temas. ainda não alcançou a idade adulta em termos morais e psicológicos”1. No caso dos telejornais. insinuantes. ou eventos culturais etc. mas bem parece uma encenação do que poderia ser a “realidade”. cremes faciais. dando a 122 | inverno . em matéria de horrores e de crueldades a sangue frio. Diante da dor dos outros. Olhando a programação da televisão. telenovelas e. Guy. todos fazendo o melhor de si para informar o respeitável público. ou telenovelas. mulheres nuas. promessas políticas. susan. 1997. a esse grau de ignorância ou amnésia”. dos mais baratos aos mais caros. ou escândalos e crimes horrendos e sempre. ou programas de variedades. O ROTEIRISTA JORgE DuRáN é O cONvIDADO DA SEçãO E fAZ umA ANálISE SOBRE A RElAçãO DA SOcIEDADE cOm O ESpETáculO E. que realidade é essa que resume as últimas 24 horas do mundo em aproximadamente 20 minutos? A realidade que o fotógrafo gravou no lugar dos fatos e o jornalista resume em poucas frases? A realidade que o editor de imagens editou. violência.? A realidade do mundo em que se vive? Entre uma notícia e outra.A OpINIãO púBlIcA NA EDIçãO INvERNO 2010 DA BETA. 2 08 | 123 . rio de Janeiro: Contraponto. à agência de publicidade. é difícil discordar de Sontag. inexoravelmente. contra outros seres humanos. 2010 essas imagens o sentido que lhe pareceu mais apropriado? A realidade do produtor musical. se devem surgir antes ou depois de tal ou qual comercial ou conveniência política? O que se está presenciando diante desses telejornais. da Educação ou da Cultura? Ao Governo? Ao Estado? Neste caso. os telejornais diários. aspectos sociais. seminuas. principalmente. de superficialidade. No parágrafo anterior a esse. após certa idade. carros velozes (certamente livres da responsabilidade do respeito às leis do trânsito). 2003. alguém que continue a sentir-se decepcionado (e até incrédulo) diante de provas daquilo que os seres humanos são capazes de infligir. todos sugerindo soluções “ao alcance da sua mão”. ao dono da emissora? À vidente mais próxima? Ao seu psicólogo? Ao ministro das Comunicações. representado por quem? Não é preciso esclarecer que as mesmas questões podem ser levantadas a partir da observação de jornais e revistas. entrevistas. são Paulo: Companhia das letras. cOm O cINEmA NA VEREDA Por Jorge Durán “Ninguém. Tudo isso organizado para que o espectador sinta que esses produtos também façam parte da “sua realidade”? Da realidade de quem? A quem se dirigir para esclarecer essa questão? À televisão. 1 sONtaG. essa sucessão de imagens e sons que cria estímulos os quais podem ser sentidos. A sociedade do espetáculo. Tudo o que se assiste quer nos dizer que estamos vendo a realidade. tratamentos de beleza. Ou o respeitável cidadão? Cada banca de jornal é uma fonte de informação organizada conforme o gosto do encarregado do local: manchetes sobre política e economia mais visíveis. conforme o dia ou a hora. ou revistas de artistas e fofocas. ela escreve: “Alguém que se sinta sempre surpreso com a existência de fatos degradantes. esportes. É esse constante recorte de imagens da realidade.

perversidades. um espetáculo de que participamos e somos protagonistas2. por gente comum. mas de aceitá-los. em verdade pode ser que não percebamos de que aquele no espelho é também um simulacro de quem se É de facto. Não é o realismo que poderá resolver essa questão. São impressões que não nasceram do nada. que não agregaria nada novo. não está excluído das obrigações comuns a todos: subsistir. ou em entrevista. Mas. mesmo sem ser bem compreendidas. A arte. não teria sentido sufocar um cinema de reflexão em prol de um cinema de simples entretenimento. Ninguém obriga o artista a encarar a realidade para desconstruí-la e reconstruí-la. a possibilidade da mudança. sobre quem são os outros. ou expressá-la do modo que a sente e a entende. exercer uma cidadania plena exige do cidadão um olhar crítico e lúcido. Não se trataria de excluir olhares. ou. Certamente não é a televisão ou a imprensa ou os meios de comunicação ou a publicidade os possíveis responsáveis por nenhuma dessas possíveis distorções. até que ponto se está construindo no Brasil um cinema que liberte o olhar de quem vê os filmes brasileiros. Por uma razão obvia: é esse o seu trabalho. o artista. mas de experiências do Real. necessidades. 08 | 125 . não submisso a modas ou ideias que. Mas isso obriga a que. estão sendo assumidos como “nosso mundo”. essa seria uma posição conservadora. Também não há por que descartá-lo. dessa forma. opaco. procurar prazer. sobre como estamos vivendo. por causa de seus pontos de vista nos filmes que realizou logo no início da Revolução Cubana: “Não vejo por que não possam transitar pela mesma vereda pessoas que pensam de maneira diferente”. já que ambos contribuem para a construção de cidadãos. de outra parte. “soam bem” e são aceitas sem questionamento. com diversidade de ideias. ou meramente interesseira. em circunstâncias nada favoráveis. Quantos dos conflitos de outros países. desigual. o cinema brasileiro tem a dar – e está dando – uma contribuição de vital importância. particularmente do jovem espectador. essa forma de realidade construída com imagens escolhidas por interesses vários. nessa tarefa. Porém é preciso ter uma maioria de cidadãos com renda suficiente para que se permitam optar pelo espetáculo que desejam ver. ou que então reforçaria o que há neste momento. sem reflexão sobre se estão de acordo com as nossas ideias. a sua atividade cotidiana. “tudo o que vemos é parte de um espetáculo. Aceitar um mundo que parece nosso. onde está o olhar casual. sensível. vulgar. Não faltam filmes com ambas as propostas na cinematografia do Brasil atual. os sentimentos.como “nossos mais profundos desejos. tem a possibilidade de refletir e de construir. 2010 não nos pertence. à procura de seu próprio espaço no mundo. Também não é obrigatório o artista olhar para o mundo optando por construir sua própria realidade. para subsistir e sobreviver. sobreviver. de alguma forma. a opinião sobre quem somos. e imaginarmos estar vendo alguém real. emoções”: seria essa a ÚNICA REALIDADE? Como muitos dizem. tornando opaco um Eu independente. A questão essencial é entender. sentimentos. propostas. E. nem por isso menos importantes. mas a forma de olhar do cineasta. talvez tenham nascido da vontade de evitar o “desconforto” que é olhar a REALIDADE que nos circunda. de outras culturas. que não demandem esforços adicionais ao realizado no dia a dia. Isso ainda não acontece e. que pode ou não ser uma forma de expressá-la de maneira consistente. como disse o cineasta cubano Tomás Gutiérrez Alea em um de seus textos. que repudiar essa “construção” seria negar-se a si mesmo a possibilidade de refletir. Não seria “(UM) HOMEM ARANHA” indispensável na construção do olhar. não massificado. O cinema feito hoje no Brasil está participando da construção de uma “cara” para o “Brasil real” – aquele país que existe de fato. Não se trataria aqui de censurar ou considerar menor. Guerras. e quem se expressa por meio dela. buscar sua fe- licidade. mas 124 | inverno . ou sentir. se proveja o espectador de instrumentos de conhecimento e de interpretação sólidos. Se concordarmos com as palavras de Gutiérrez Alea. Se nos olharmos no espelho. Ele. crimes. não são mais que parte do ESPETÁCULO”. sentimentos. A questão primordial neste momento seria entender. a observação pessoal. que lhe permitam localizar o espetáculo escolhido em relação ao mundo em que ele vive. o amor. um país em plena construção e mudança. lúcida. refletir. projetos. Talvez essas questões estejam sendo substituídas por fórmulas fáceis. Certamente são construções feitas por pessoas. o espetáculo continuará restrito a pequenos setores. Tudo é tão difuso.

quADRINhOS Por Yuri Moraes 126 | inverno . 2010 08 | 127 .

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14. Docu-biografia continua sendo filão? O documentário tem heróis e personagens da mesma forma que a ficção. Documentário é cinema para intelectual? Não necessariamente. perseverança. 12.” BArBárIE 10. paciência. Existe muita reportagem hoje disfarçada de documentário? Sim. 9. E ASSumE cOm lOuvOR SEuS pONTOS DE vISTA.. 8. O que o documentarista tem que falta ao diretor de ficção e viceversa? Nada. Em Toda a Memória do Mundo (Toute la mémoire du Monde. Documentário pode ser classificado como gênero? Sim. Um grande documentarista brasileiro é: Wladimir Carvalho. Silvio! Ser punheteiro na vida. um anjo escroto me disse: Vai. UTOPIA 1. 15. SILVIo TEndLEr “Quando nasci. mAS ElE AINDA TEm muITA cOISA A DIZER. claro. de Alain Resnais. Um documentário que precisa ser feito no Brasil é: Alma Imoral. utOPia e BarBárie. há uma mania de imitar a televisão. 4. Existe roteiro no documentário? Depende do filme. 7.. RESumE DEZENOvE ANOS DE pESquISA E OpINIãO Em os fuzis Por Lucas Paraizo DuAS hORAS DE fIlmE. Há documentários demais feitos no Brasil e conteúdo de menos? Nunca é demais. meu próximo trabalho (risos). Faria um filme que não fosse possível contar com imagens do real. mas o público já não é o mesmo. 2010 17. na Bahia. Faz parte da teoria das espécies. garra. 130 | inverno .NEm TãO NOvO NO FrOnt. seria: documentarista. 6. 1956). Um documentário que não precisava ter sido feito no Brasil é: tem uma babaquice de direita circulando por aí. . nem sempre. Um documentário marcante foi: A Sexta Face do Pentágono (La Sixième Face du Pentagone. Pior aluno de todas as turmas e de todas as escolas que frequentei. e como! 16. 2. Uma virtude do documentário brasileiro é: contar nossa história e do nosso ponto de vista. de Chris Marker. TENDO cARlOS DRummOND DE ANDRADE cOmO EScuDO (Ou ESpADA?) O DOcumENTARISTA. me (re) encontrei com a vida através do cinema e da história. sou documentarista e sou feliz. Um problema do documentário brasileiro é: a despolitização acelerada. Bons. certo? Cinema em shopping é sinal de consumo e não de pensar. Documentarista é cineasta marginalizado? Por quê? Onde? Quando? Como? Eu não sou cachorro não. História que jamais poderia ser contada em forma de documentário. Para dirigir um documentário é preciso… Talento. ADORA pROvOcAR. 3. SIlvIO TENDlER cARREgA O fuZIl DA vEZ. tem roteiro. defendendo a ditadura. 5. Se fizesse uma ficção. 18. sobre o que seria? A Revolta dos Alfaiates de 1794. Hoje o documentário se popularizou. quE lEvOu mAIS DE um mIlhãO DE ESpEcTADORES AO cINEmA. obstinação. Não quero ser outra coisa na vida: Cineasta transgressor. 11. 1968). a quantidade que gera qualidade. 13. Não fosse o senhor documentarista. SEu úlTImO TRABAlhO.

à venda no www. Jon Favreau. Roger Corman. Robert Rodríguez e outros. Terry Gilliam. John Cassavetes. imprimiram sua visão na película e aprenderam grandes lições durante todo o processo. John Carpenter. Mas todos superaram problemas. Darren Aronofsky. uma câmera na mão e nenhum dinheiro no bolso. Outros nem tanto. Peter Bogdanovich. autor do livro Uma ideia na cabeça. George Romero.com e livrarias . Como fazer cinema de baixo orçamento por: Francis Ford Coppola. David Lynch.RÁPIDO.." John Gaspard.tzeditora. Terry Jones. Ron Howard.. BARATO E SOB CONTROLE "Alguns dos filmes e dos cineastas são familiares. Steven Soderbergh.

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