Moção aprovada pelos professores presentes na reunião sindical de 23 de Outubro de 2008, na Escola E.B. 2,3 de Pinhal de Frades.

Após a sessão de esclarecimentos prestada pela Dirigente Sindical, os professores presentes decidiram elaborar o presente texto que submetem ao conhecimento e subscrição dos professores deste Agrupamento. Considerando que: 1º Os professores avaliadores / avaliados mantêm muitas dúvidas sobre a forma como irão avaliar / ser avaliados, nomeadamente, no que respeita a determinados parâmetros que constam das imposições legais do processo de avaliação; 2º Não se vislumbra ainda, de que modo se operacionalizará na prática a atribuição final das classificações de Excelente / Muito Bom / Bom / Regular e Insuficiente, desconhecendo-se, por exemplo, o peso relativo de determinados parâmetros de avaliação e desconhecendo-se também de que forma se podem evidenciar, de modo que seja fiável, certas práticas e certos resultados que estão sujeitos a avaliação; 3º Existem professores que irão ser avaliados por colegas que não pertencem à sua área científica, o que contraria as recomendações do Conselho Científico de Avaliação Docente. Neste cenário, quer os professores que avaliam quer os avaliados estão em situação de desigualdade relativamente àqueles com quem não se verifica o mesmo; 4º Apesar das determinações constantes do Dec. Regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro e do Dec. Regulamentar nº 4/2008 de 5 de Fevereiro, os pareceres emitidos pelo Conselho Cientifico de Avaliação Docente não estão a ser tidos em conta, nomeadamente no que se refere ao parâmetro da melhoria dos resultados escolares dos alunos; 5º O trabalho que se vem exigindo aos professores, no sentido de operacionalizar o modelo de avaliação de docentes, tem prejudicado o trabalho com os alunos, principalmente, na preparação e organização das actividades lectivas. Para não penalizar seriamente aquilo que é a função máxima de um professor, os docentes estão a trabalhar, gratuitamente, na escola e em casa, muito mais horas do que a lei determina, sendo obrigados a prescindir dos momentos de descanso e de apoio às suas famílias, aos quais têm direito como qualquer outro cidadão; 6º A apresentação de Objectivos Individuais na data agendada, desconhecendo-se ainda os aspectos supra-citados, inicia um percurso cujo trajecto e ponto de chegada se desconhecem; 7º A avaliação que resultará do final de todo este processo terá repercussões decisivas no futuro da carreira dos professores, quer em termos de progressão na carreira, quer em termos de futuras colocações decorrentes do concurso de professores; 8º O modelo é de tal forma complexo, burocrático e gerador de arbitrariedades que se torna extremamente penoso encontrar processos de operacionalização consensuais que sejam, simultaneamente, exequíveis e fiáveis para o fim a que se destinam; 9º O desnorte a que se assiste é de tal ordem que cada escola, para um mesmo fim, está a estabelecer os seus próprios instrumentos e critérios intermédios de avaliação, o que criará, inevitavelmente, desigualdades entre professores de escolas diferentes. 10º Havendo procedimentos que estão regulamentados no Código do Processo Administrativo e nas actuais leis em vigor, existem dúvidas sobre a legalidade de certos procedimentos adoptados. Tal situação não oferece garantias, quer aos avaliadores, quer aos avaliados, de que o processo esteja absolutamente isento de irregularidades, à luz de tudo o que está actualmente legislado; Reconhecendo todos os esforços e trabalho realizados na nossa escola para tentar implementar uma avaliação minimamente assertiva, quer pela Comissão de Coordenação da Avaliação de

Desempenho quer por todos os órgãos com responsabilidades neste processo, os professores abaixo assinados repudiam o modelo de avaliação imposto pela tutela, no quadro que actualmente está desenhado, e solicitam, a todos os órgãos com poderes decisivos nesta escola, a suspensão imediata de todos os procedimentos de avaliação até que o Ministério da Educação solucione, de forma objectiva, fiável, exequível e justa os problemas acima enunciados. Todos os subscritores consideram que a avaliação de docentes é fundamental para dignificar a sua carreira e para regular e elevar a qualidade do ensino nas Escolas. Todos estão dispostos a defender estes princípios e lamentam que eles não se encontrem no actual modelo.