0 MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL CAMPUS DE TRÊS LAGOAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS CURSO

DE GEOGRAFIA ± BACHARELADO

ESTUDO DO SOLO-RELEVO-ÁGUA-VEGETAÇÃO NA ÁREA DE LAGOA SALITRADA, NA FAZENDA FIRME, NA REGIÃO SUDOESTE DO PANTANAL DA NHECOLÂNDIA, MS

Orientador: Prof. Dr. Arnaldo Yoso Sakamoto Discente: Raphael Costa Cristovam da Rocha

Novembro 2011

............................................................. 18 Índice de Figuras Figura 4: Mapa de uso e ocupação do solo com a imagem aérea............................................................... ................................... 8 Figura 7: Perfil Topográfico da lagoa Salitrada na fazenda Firme.... 12 Figura 10: Perfil pedomorfológico da lagoa Salitrada na fazenda Firme. ....................................................................................... 17 Bibliografia ...................................................... 4 Resultados e Discussão ...... ........................ ................................ 2 Introdução .................................... ............................................... ....................................................... 7 Considerações Finais ............................................................. 9 Figura 8: Perfil Topográfico da lagoa Salitrada na fazenda Firme............................................................................ .............................................. 9 Figura 11: Concreções esverdeadas e amareladas no solo............................................................................ 11 Figura 9: Perfil pedomorfológico da lagoa Salitrada na fazenda Firme............................. 2 Materiais e Métodos .................................................... 6 Figura 5: Mapa de uso e ocupação do solo sem a imagem aérea........................................................................................................................................................................................................Sumário Resumo ................................... 16 Índice de Fotos Foto 1: Material arenoso presente em toda extensão da topossequência........ Pantanal da Nhecolândia................................. 10 1 ..... 7 Figura 6: Lagoa Salitrada com macrofitas em seu meio........... Pantanal da Nhecolândia ......................................................................................... ..........................

sendo estes: arenoso seco. A fazenda Firme. Av. 3484. Campus de Três Lagoas. que se caracteriza por ser uma região de caráter de cheias e vazantes. Três Lagoas. Foram realizadas atividades técnico-científicas de campo. está localizada na sub-região da Nhecolândia. 2 . ² Discente do Curso de Geografia. NA REGIÃO SUDOESTE DO PANTANAL DA NHECOLÂNDIA. A grande presença de camada verde implica na importância de estudos futuros para o melhor entendimento do dinamismo dessa lagoa para que posteriormente o uso desse local seja melhor utilizado e preservado. escuro arenoso-argiloso úmido. na topossequência cinco horizontes distintos. Este trabalho teve como objetivo a análise literária e pedomórfica das tradagens realizadas para o melhor entendimento e visualização dos horizontes constituintes do solo na lagoa Salitrada. constituído por sedimentos arenosos finos depositados pelo rio Taquari (e com área de 23. coleta de amostras de solo e descrição dos horizontes. de lagoas doces e salinas. Campus de Três Lagoas. Palavras-chaves: Pedologia. Topossequencia. Introdução O Pantanal Mato-Grossense (figura 1) abrange uma vasta área distinguida como planície de inundação. Conclui se que os resultados obtidos revelam uma dinâmica necessária a ser estudada dado aos resultados obtidos em campo proporcionando um entendimento melhor do local para posteriores estudos na melhoria local. onde se localiza a lagoa Salitrada.ESTUDO DO SOLO-RELEVO-ÁGUA-VEGETAÇÃO NA ÁREA DE LAGOA SALITRADA. ¹Professor Adjunto do Departamento de Ciências Humanas. Topografia. MS ¹ARNALDO YOSO SAKAMOTO ²RAPHAEL COSTA CRISTOVAM DA ROCHA Apoio Financeiro: PROPP/UFMS. base do estudo das topossequência.574 km²). Os resultados preliminares apresentaram. arenoso úmido. como: tradagens com trado tipo holandês. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Apoio Financeiro: PROPP/UFMS. escuro esverdeado e camada verde. o qual conforma paisagens distintas e de evolução recente. PIBIC-CNPq/UFMS. e os pontos de coordenadas geográficas com o auxílio de GPS (Global Positioning System) para marcar o local de estudo. MS CEP 79610-100. NA FAZENDA FIRME. Resumo O Pantanal Mato-Grossense possui 11 sub-regiões. Ranulpho Marques Leal. PIBIC-CNPq/UFMS. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

como: A unidade é contornada pela Depressão do Rio Paraguai. e descontinuamente a norte. a nordeste. pg 190) e Silva e Abdon (1988 apud Bacani et al. Figura 1: Localização e compartimentação do Pantanal Mato-Grossense. Em decorrência. a leste. Trata-se de uma extensa superfície de acumulação de topografia bastante plana e frequentemente sujeita a inundações. e com os Planaltos Residuais de Urucum ± Amolar. em deposição pelo rio Taquari. com vegetação de gramíneas e pequenas lagoas (baías) são uma sucessão constante. formando um leque aluvial. articula-se com pequenos trechos do Planalto dos Guimarães. A sua superfície irregular. 2006) estabelecem a localização do Pantanal e caracteriza a sua geomorfologia. desde o início do período Quaternário. cuja rede de drenagem é comandada pelo rio Paraguai. 3 . sul e oeste.Alvarenga (1982. É totalmente constituída por sedimentos arenosos finos (95%). a leste. conserva ainda a sua configuração tipicamente aluvial. segmentos dos Planaltos do Taquari ± Itiquira e Maracaju ± Campo Grande. Fonte: Silva e Abdon (1988) apud Bacani et al (2006) Noel Gomes da Cunha (1980. onde os cordões arenosos (diques marginais). pg 2) em estudo dos solos do Pantanal descreve sobre a Nhecolândia: É uma das sub-regiões que compõem o Pantanal Mato-Grossense. composta por um mesorelevo movimentado. a oeste. de modo quase contínuo.

planícies fluviais e que testemunhariam processos pedogenéticos e morfogenéticos responsáveis pela evolução e dinâmica da superfície terrestre. porção sudeste (figura 2).Queiroz Neto (2001) afirma que o estudo do solo pode evidenciar fatores condicionantes para a formação de paisagens e que as formações superficiais são materiais inconsolidados que recobre parcialmente a parte emersa da crosta terrestre. porção noroeste (figura 3). foi usado na abertura de cada ponto de tradagem um trado tipo holandês com extensões. químicos ou biológicos) e que podem ter sido remanejadas ou retrabalhadas sobre superfícies de erosão. sacos plásticos para coleta de amostras de solo e o GPS (Global Position System). Na realização das topossequências. provenientes da alteração das rochas por intemperismo (físicos. para o georreferenciamento do ponto. para o melhor entendimento e visualização dos horizontes constituintes e. num total de 120m. O objetivo deste trabalho é de mostrar as diferentes unidades pedomórficas da lagoa Salitrada na fazenda Firme. da área de estudo. Materiais e Métodos Foram realizados cinco tradagens sentido norte-sul. num total de 160m e três tradagens sentido sul-norte. 4 . na região do Pantanal da Nhecolândia. utilizar as técnicas topográficas e cartográficas para representar e compreender a organização vertical e horizontal dos solos desta área da lagoa.

Através do nivelamento topográfico detalhado da área da lagoa salitrada. tantas quantas forem necessárias para desenhar sobre o corte topográfico todos os volumes identificados e relacionar às oscilações do nível freático. foram elaborados perfis pedomorfológicos e topográficos com o auxílio do software Corel Draw 12 mostrando 5 . horizontes diferentes: fazem-se tradagens intermediárias. a abertura de trincheira para estabelecer os níveis de contato entre os horizontes. Os dados topográficos foram levantados com o auxílio de um nível a laser.Figura 2: Esboço topossequência Norte-Sul Figura 3: Esboço topossequência Sul-Norte A análise morfológica de distribuição vertical e horizontal da cobertura pedológica foi baseada na metodologia de análise bidimensional proposta por Boulet (1988). procurou associar estas relações às medidas do nível freático. 1997). procurou mostrar as relações espaciais entre diferentes unidades geomórficas e aos estudos dos solos e distribuição da vegetação. podendo desta forma constatar todas as variações horizontais e verticais que ocorrem no solo estudado... geralmente. 1988 apud SAKAMOTO. Esta metodologia foi adaptada às condições do Pantanal por Sakamoto (1997) que diz: [. (BOULET.] consiste na realização de tradagens ao longo de um transecto do topo a base da vertente. pode ser também realizada. Posteriormente no Laboratório de Estudos Ambientais (LABORAM) e no Laboratório de Sensoriamento Remoto (LA-SER) do Campus de Três Lagoas da UFMS. As tradagens mostram.

caracterizando-os de acordo com a tabela Munsell e mapas de uso e ocupação do solo da área da lagoa salitrada com o auxílio do software Google Earth e Corel Draw 12 para a elaboração dos mesmos (figuras 4 e 5).em cada tradagem. Figura 4: Mapa de uso e ocupação do solo com a imagem aérea. 6 . os horizontes verticais e horizontais.

A lagoa Salitrada se conforma num contorno de um semicírculo (meia lua) apresentando macrófitas (figura 6) em seu meio. Resultados e Discussão As atividades de campo possibilitaram o reconhecimento das características pedomorfológicas da topossequência realizada na lagoa Salitrada da Fazenda Firme no Pantanal da Nhecolândia. constituído de gramíneas baixas nos primeiros 30m e nos próximos 60m são constituídos de gramíneas de porte mais alto seguido de uma transição entre vegetação arbustiva de pequeno porte a uma pequena cordilheira com pequeno desmatamento. sendo o seu entorno. Na porção noroeste. 7 . na porção sudeste. Não possui praia em seu redor. em seguida observamos um renque de Carandás. a lagoa não possui praia em seu redor. constituído de gramíneas baixas nos primeiros 20m e nos próximos 90m são constituídos de gramíneas de porte mais alto.Figura 5: Mapa de uso e ocupação do solo sem a imagem aérea. distantes de sua margem e não há mata da cordilheira em seu redor.

O nível da topografia. Na porção noroeste. 8 . sendo assim sua elevação 305. Já aos 60m do ponto de origem. em seguida uma pequena elevação junto à aproximação dos renques de carandás. com 205. Os primeiros 50m de extensão da topossequência da vertente sul induz uma redução em sua elevação e por conseguinte.Figura 6: Lagoa Salitrada com macrófitas em seu meio. este inclina de forma menos acentuada em relação aos outros pontos. ganha uma elevação de 72cm em relação ao nível base da lagoa. Aos 90m. apresenta uma leve elevação em sua vertente com direção ao renque de carandás. Já no último ponto. em seguida em direção ao campo aberto. uma declividade após a tradagem 2. intermediária. porção sudeste da lagoa Salitrada (figura 7). Nos primeiros 30m.9cm desde o nível base.4cm. tanto da tradagem quanto da medição topográfica. o nível da topografia se conforma em uma gradual elevação desde a sua vertente com direção à cordilheira. Essa última sofre uma declividade de aproximadamente 10cm em sua topografia. sua elevação é bastante acentuada. sua inclinação aumenta em torno de 1m. sendo 398cm de elevação (figura 8).

observaram-se vários horizontes distintos sendo estes descritos e interpretados a seguir.Figura 7: Perfil Topográfico da lagoa Salitrada na fazenda Firme. 9 . Com relação aos perfis pedomorfológicos da lagoa salitrada (figuras 9 e 10). Figura 8: Perfil Topográfico da lagoa Salitrada na fazenda Firme.

ocorrendo também à presença de manchas escuras a muito escuras de cores entre 10YR 2/2 (Marrom muito escuro) a 10 YR 3/2 (marrom acinzentado muito escuro). sendo mais espesso na vertente norte da lagoa diminuindo a espessura na aproximação do campo.Na figura 9. com presença de raízes. 10 . com coloração muito mais escura que a primeira. de transição do 10YR 6/3 (marrom pálido) para 10YR 2/2 (marrom muito escuro) e 10YR 3/2 (marrom acinzentado muito escuro). este material (foto 1) está presente em toda a extensão da topossequência. Somente na tradagem 5 foi observada uma mudança abrupta na coloração do solo de 10YR 6/2 (marrom acinzentado muito claro) para 10YR 4/2 (marrom acinzentado escuro) voltando depois de 20cm de perfuração para 10YR 6/4 (marrom amarelado claro). de material fino. sua primeira camada superficial é constituída de solo de coloração clara. além das manchas e raízes apresenta nas tradagens 3 e 5 concreções esverdeadas e amareladas milimétricas e centimétricas (figura 11). A segunda camada refere-se a um material de textura arenosa. Subsuperficialmente. textura arenosa. de consistência solta. Em profundidade é observado um aumento de umidade e leve escurecimento de cor deste material. Foto 1: Material arenoso presente em toda extensão da topossequência. úmida. com grande presença de material orgânico associado à decomposição de raízes. fina..

Identificou-se em toda sua extensão manchas grandes e intensas. A quarta camada aparece apenas nas tradagens 3. consistência plasticizada. Em sua consistência é percebível a presença de leve pegajosidade e plasticidade. O material aparece muito cimentado e úmido. desde 10YR 2/2 (marrom muito escuro) para 10YR 4/1 (cinza escuro). Esta camada apresenta também filetes e concreções milimétricas e centimétricas com as mesmas variações de cores que apresentam as manchas. de textura arenosa média ou argilo-arenosa.5Y 3/0 (verde muito escuro) e filetes cinza esverdeados 11 . úmida. A quinta camada é constituída por um material de coloração verde 5Y 5/1 (cinza) e 4/5G (verde). A transição para este horizonte é de maneira abrupta. A terceira camada refere-se a um material de textura arenosa média ou areno-argilosa. com acúmulo de material orgânico. A seqüência posterior na transição deste horizonte orgânico é geralmente para um horizonte de coloração esverdeada com manchas de coloração 2. escura 10YR 2/2 (marrom muito escuro).5Y 3/0 (marrom acinzentado muito escuro) (figura 9) que se observa somente nesta tradagem que foi encontrado este material esverdeado. 4 e 5 em profundidade e de material com características argilo-arenosas e de coloração esverdeada. classificada como plástico e pegajoso. Trata-se de um horizonte de pouca espessura em profundidade principalmente nas extremidades da vertente com presença de machas acinzentadas escuras 2.Figura 11: Concreções esverdeadas e amareladas no solo. Trata-se de um horizonte areno-argiloso.

Figura 9: Perfil pedomorfológico da lagoa Salitrada na fazenda Firme. Pantanal da Nhecolândia. 12 .

de material fino. Um material de cor esverdeada e de textura pegajosa foi encontrado somente nas tradagens 4 e 5. A sexta camada ocorre a transição de seu horizonte de forma abrupta. A terceira. sem presença de raízes e com manchas escuras. ocorrendo sua transição abruptamente após a sexta camada. de textura pegajosa. Analisando a figura 11. sendo este mais presente nas tradagens 2 e 3 onde a presença de gramíneas altas predominam. com um grande aumento de umidade devido à aproximação do nível do freático. a presença de um material arenoso e de textura clara. possuindo um material esverdeado (camada verde) FOR GLEI 5 10GY. À medida que essa camada escurece. foi encontrado raízes de porte fino e porte grande entre 0 e 40 cm de tradagem. de consistência seco. A segunda camada apresenta uma coloração mais clara 10YR 6/3 (marrom pálido) que a primeira. em profundidade de 40cm. textura areno-argiloso com presença de manchas cor ocre e de grande profundidade. Manchas amareladas foram encontradas nas tradagens 4 e 5. e manchas escuras esverdeadas foram encontradas na tradagem 3. textura arenosa. material fino. com presença de raízes e manchas escuras e leve umidade. Em toda topossequência. Porém na tradagem 3. com presença de filetes pretos e concreções centimétricas de cor ocre. A definição da profundidade da tradagem se deu em virtude da dificuldade de tradar o solo e pelo desmoronamento das amostras devido ao contato com o nível do freático. na tradagem 1. sua primeira camada é constituída de solo de coloração amarronzada 10YR 5/3 (cinza). de grande pegajosidade em sua consistência. de consistência pegajosa. de textura arenosa.Na figura 10 foi observado em toda topossequência. 13 . Foi observado na área do renque de carandás que o lençol freático está mais próximo da superfície do que nas outras tradagens. de textura arenosa-úmida para areno-argiloso. A sétima camada encontrada é de cor 10YR 5/4 (bruno acinzentado). Este material é encontrada novamente na terceira tradagem. quarta e quinta camada consiste em um gradual aumento na coloração de seu material partindo de 10YR 3/1 (marron acinzentado escuro) até 7YR 3/2 (preto amarronzado). percebesse que a presença do lençol freático esta em toda essa parte com exceção somente na tradagem 5 onde foi observado um material úmido porém não tão escuro quanto o restante das amostras coletadas nas outras tradagens. sendo iniciada em 130cm de profundidade e seu término em 400cm. foi encontrado uma camada verde. sem presença de raízes e menor umidade.

com presença de raízes e manchas escuras. sem presença de raízes. a primeira camada é composta de um material de cor 10YR 6/2 (cinza brunado claro). A quinta camada é constituída de material de textura areno-argiloso. de textura pegajosa e consistência plasticizada. sua coloração ganha intensidade sendo sua transição abrupta para a cor 10YR 5/4 (bruno acinzentado). A tradagem 3 possui. sendo esta a última camada encontrada. Essa camada se repete em profundidade na tradagem 1 em sua sétima camada. fui coletado somente 20cm de material. Sua textura é arenosa. escuro 10YR 5/1 (cinza). nas tradagens 1 e 3. um solo de cor 10YR 4/3 (cinza) de textura arenosa. Trata-se de um horizonte de pouca espessura em profundidade. devido a dificuldade de coletar as amostras. Manchas escuras. Presença de manchas verdes (camada verde). Este horizonte é de grande espessura em profundidade. atingindo o nível do freático e de coloração 10YR 6/3 (bruno pálido). de consistência pegajosa. Esta quarta camada também é encontrada em profundidade na tradagem 1. de profundidade de 100cm. Na figura 11. Um excesso de umidade é contido neste horizonte. filetes e manchas escuras de cor 10YR 3/2 (marron acinzentado muito escuro) e com um gradual aumento de umidade. não sendo possível encontrar na tradagem 2 devido a dificuldade na coleta de amostras após o nível do freático ter sido alcançado. Sua segunda camada apresenta ligeira umidade. ligeiramente úmido. presença de manchas escuras. de textura areno-argilosa. classificada como plástico e pegajoso. textura arenosa. com coloração 10YR 5/3 (bruno acinzentado). Em toda topossequência foi encontrado raízes finas e grandes em torno de 20cm a 60cm de tradagem. O escurecimento do material só ocorre nas tradagens 1 e 2 14 . manchas escuras de cor 10YR 4/1 (cinza escuro). É de razoável espessura em profundidade. ocorrendo uma transição de cores para 10YR 5/4 (bruno acinezentado) ao nível do freático. com presença de raízes finas e grossas. textura arenosa e consistência pegajosa. É de textura arenosa e consistência pegajosa. consistência plasticizada. foi encontrado uma grande presença de camada verde. Na segunda camada. em sua primeira camada. A sexta camada. sendo este camada verde FOR GLEI 5 10GY. devido sua profundida iniciar ao nível do freático. A terceira camada é de cor 10YR 4/1 (cinza escuro) com estrutura areno-argiloso. Apresenta manchas de cor amarelada e no nível do freático. de consistência pegajosa. de cores ocres e esverdeadas foram encontradas em todas as tradagens. amarelas.Na tradagem 2. é possível visualizar pequenos nódulos e manchas amarelados. Na terceira camada.

A presença de um material arenoso e de textura clara. impossibilitando tal procedimento. Foi observado que o nível do freático está mais próximo da superfície na tradagem 2. A análise granulométrica das amostras coletadas não foi possível de realização devido à indisponibilidade de recursos laboratoriais. sendo este mais presente nas tradagens 2 e 3 onde a presença de uma vegetação arbustiva predomina é encontrado em grande espessura de profundidade. ambas. sendo assim. sendo que dentro da cordilheira e do campo aberto com predomínio gramíneas baixas esta presente em profundidade de 240cm. não sendo possível coletar amostra suficiente para a sua análise.à medida que se aproximam do nível do freático. sendo o oposto na tradagem 3 onde este material clarifica. 15 . A dificuldade na coleta de amostras após o nível do freático é ocasionado pelo desmoronamento do material no trado holandês. o limite de perfuração para cada tradagem. onde a vegetação é de transição entre gramíneas baixas para vegetação arbustiva.

Pantanal da Nhecolândia .16 Figura 10: Perfil pedomorfológico da lagoa Salitrada na fazenda Firme.

Já na porção noroeste. A enorme presença de camada verde revela uma disparidade na fisionomia em relação à porção sudeste da lagoa pois. Observa-se também a presença de raízes e manchas escuras na maioria das tradagens. a coloração de suas camadas sofre um gradual clareamento em direção ao nível do freático enquanto que nas outras tradagens. aparece com abundância no campo aberto de gramíneas baixas entre a lagoa e a cordilheira. Foi observado que a presença da camada arenosa e clara é muito maior do que as outras camadas sendo este presente em toda topossequência da porção sudeste da lagoa. Conclui-se que a importância da elaboração do perfil pedomorfológico e o estudo das tradagens permitem uma clara representação e descrição da pedomorfologia desta lagoa e representar sua influência no processo de constituição da fisionomia da paisagem local. mas com expressiva presença de material claro e arenoso. Interessantemente na tradagem 3 da porção noroeste da lagoa. sendo que na primeira tradagem. isso ocorre de forma oposta. a presença é maior de um material um pouco mais escuro e úmido. . a quantidade encontrada neste local é excessiva em comparação demonstrando que estudos posteriores devem ser realizados para o melhor entendimento da dinâmica local. porém aparece somente abaixo da camada úmida e escura e na transição dos renques de carandás para a gramínea. A presença de uma camada mais escura pode ser observada e entendida por estar no mesmo segmento do lençol freático. A presença da camada esverdeada. ela aparece acima do nível do freático.17 Considerações Finais A realização da tradagem e posteriormente a análise literária do material obtido em atividade técnico-científica de campo proporcionou um fácil e rápido entendimento das diferentes camadas e horizontes da lagoa salitrada da fazenda Firme no Pantanal da Nhecolândia. na porção sudeste da lagoa e na porção noroeste.

ABDON. Mapeamento da cobertura vegetal e uso do solo no Pantanal da baixa Nhecolândia: um estudo comparativo entre os anos de 1987 e 2004. Estudo de Formações Superficiais no Brasil. QUEIROZ NETO. 2006: pg. 161-224. V. MS´.. H.Bibliografia ALVARENGA. 18 . Campo Grande. CUNHA. SILVA. (Circular técnico. 1997. Caracterização pedomorfológica e compreensão dos processos pedogenéticos da lagoa salitrada: Pantanal da Nhecolândia. Delimitação do Pantanal Brasileiro e suas sub-regiões. 1).. 11... SAKAMOTO. p 65-78 RESENDE FILHO. Dissertação em nível de Mestrado. (Tese de doutoramento) Faculdade de Filosofia. Y.J.. SILVA. Anais. S. Pesquisa Agropecuária Brasileira: v. Pantanal Mato-Grossense. Três Lagoas. MS. BOULET. Y. R. 1984. M. M. Fazenda São Miguel do Firme. J. Estudo Geomorfológico Aplicado a Bacia do Alto Paraguai e Pantanais Mato-Grossenses. M. EMBRAPA-EUPAE de Corumbá. J. Secretaria Geral. A. 1988. N. SP. 1980. Ministério das Minas e Energia. Letras e Ciências Humanas/USP São Paulo. Considerações sobre os solos da sub-região da Nhecolândia. Variabilidade de salinidade de uma área em uma baía/vazante na Fazenda Nhumirim. XX Cong. Projeto RADAMBRASIL. KUX. In: BRASIL. Revista do Instituto Geológico. 2007. pg 1703-1711. Bras. 33. P. M. BACANI.M. Série Geomorfologia. V. (Especialização) UFMS/CPTL. 2003. A. Aquidauana ± MS: UFMS. A. São Paulo: 22(1/2). SAKAMOTO.. EMBRAPA/INPE. de Ciência do Solo: pg 79-90. R. Corumbá. Campinas. S. pg. G.E. Boletim Técnico. QUENOL. Análise estrutural da cobertura pedológica e cartográfica In: ³A responsabilidade social da Ciência do Solo´. In: Anais 1° Simpósio de Geotecnologias no Pantanal. 1988. T. 2001. 302-311. S. A. H.H. H. PINHEIRO. Pantanal da Nhecolândia: Estudo de um Método Cartográfico. ³Dinâmica Hídrica em uma Lagoa ³Salina´ e seu entorno no Pantanal da Nhecolândia: Contribuição ao Estudo das Relações Entre o Meio Físico e a Ocupação. 2006.. BRASIL.

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