CGU/2008 – Descortinando os bastidores da vitória

WALLACE SOUSA CIRCUNCISÃO Blog Desafiando Limites

Brasília, DF – outubro/2011

Aprovação AFC – CGU/2008 (4ª Edição - Outubro/2011)
Descortinando os bastidores da vitória
Sumário: da forma como foi projetado, é possível ir direto ao tópico de seu interesse, embora seja recomendável a leitura sequencial. Publicado originalmente em 07/julho/2008: CGU/2008 - Descortinando os bastidores da vitória (há várias perguntas respondidas nesse tópico).

Parte I
1. Por que eu mesmo postei esta história? 2. Uma pequena advertência. 3. Por que a Controladoria-Geral da União? 4. Por que não o Tribunal de Contas da União?

Parte II
5. Edital: Antes x Depois – as diferenças. 5.1. Estudando pelo edital anterior. 5.2. Saiu! Analisando o edital: planejando e calculando friamente. 5.3. Que área escolher? 5.4. Quando o nº das vagas desanima. 5.5. Quando o edital valoriza o desempenho médio (ou mediano) nas provas.

Parte III
6. As estratégias de preparação, o grande diferencial. 6.1. Como, quando e em que investir? 6.2. Erros e acertos. 6.3. Simulados, exercícios e provas. 2

6.4. Local e ambiente, qual escolher. 6.5. Fazer cursinho ou estudar sozinho? 6.6. É válido sacrificar (investir) as férias no estudo? 6.7. Sobre a alimentação, alguma dica? 6.8. A hora “H”, o que fazer e como fazer na prova. 6.9. C ou não C: eis a questão. 6.10. Inversão de papéis: pense como a Banca. 6.11. Apenas ler ou interagir com o texto? 6.12. A importância de se fazer associações do conteúdo com fatos conhecidos. 6.13. Véspera, estudar ou descansar? 6.14. Qual a melhor estratégia para uma discursiva?

Parte IV
7. Equilíbrio emocional saudável durante os estudos: Como conseguir isso? 7.1. Como lidar com as incertezas? 7.2. Quando o inesperado chega sem pedir licença. 7.3. Chegou a crise, e agora? 7.4. Tensão emocional, como contornar a ansiedade? 7.5. A importância do apoio familiar. 7.6. Bons relacionamentos e colheita de resultados. 7.7. Atitude de vencedor: se você quer vencer, aja como vencedor. 7.8. O poder benéfico da desilusão: MPU2007 e TRT2007.

Parte V
8. A utilidade do fórum. 9. Milagres existem! Sou prova disso. 10. Quando nossos sonhos se realizam. 11. Plano B: o que fazer após um possível revés. 12. Quem sou eu, afinal? 13. Considerações finais: por que eu escrevi isto. 14. Bibliografia sugerida, e outros materiais úteis. 3

Parte VI

Anexos: basicamente são fotos que demonstram na prática como a preparação se desenrolou durante o período dos estudos.

1. Acompanhamento de estudo diário CGU2008 – semana anterior; 2. Acompanhamento de estudo diário CGU2008 – véspera; 3. Avaliação de estudos CGU2008; 4. Decreto 6.170/2007 – Convênios; 5. Instrução Normativa 47 – TCU; 6. Lei 8.443/1992 – LOTCU; 7. Lei 8.745/1993 – Prova 2; 8. Ciclo CGU2008 16h pós-edital; 9. Ciclo CGU2008 16h pré-edital; 10. Instrução Normativa 01 – SFC; 11. Fevereiro CGU2008; 12. Pilha de livros; 13. Pastas coloridas; 14. Planejamento última semana;

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Aprovação AFC-CGU/2008
(3ª Edição – Maio/2009)

Descortinando os bastidores da vitória.

Parte I
1. Por que eu mesmo postei esta história?

Bom, para início de conversa, penso que muitos já me conhecem por causa de minha entrevista anterior, que você pode ler aqui: wallysou, postada pelo Gus. Lá eu contei muita coisa interessante, uma visão mais romântica da vida de concurseiro, derrotas e conquistas necessárias que fazem parte obrigatória de nossa caminhada rumo à vitória almejada. Se fosse para escolher, eu preferira o mesmo caminho, ou seja, que outro postasse, mas resolvi fazer diferente por um detalhe: caso eu postasse alguma informação errônea, seria mais fácil editá-la e corrigi-la, ao passo que se fosse postada por outra pessoa, seria inconveniente ou inviável. Talvez tenha tido alguma outra, mas essa foi a razão principal mesmo. Aqui também cabe a mesma advertência da 1ª entrevista: essa é uma outra loooooooonga história ;o).
2. Uma pequena advertência:

Eu havia pensado seriamente se incluiria nesta entrevista alguns aspectos off-topic que aconteceram, porque têm a ver com minhas crenças, fé, modo de ver as coisas, etc. Após pensar bastante, cheguei à conclusão que seria desonesto de minha parte omiti-las – mesmo que isso me custasse diminuir a amplitude dos beneficiados ou o recebimento de eventuais críticas – visto que estão de tal modo entranhadas em meu modo de vida e atitudes que sua omissão causaria mais mal que bem para o entendimento de como as coisas se desenrolaram. Obviamente, a forma como coloco a questão de minha fé pode ofender alguns, por isso estou sendo honesto avisando que, caso seja-lhe ofensivo ler sobre fé (cristã, especificamente), aqui é o lugar e momento de parar a leitura e não seguir adiante, pois você evitará ser influenciado “ negativamente” por mim =o). Também mencionarei alguns fatores “sobrenaturais”, mas nada de absurdo. Aos como eu, tementes a Deus, também quero fazer questão de abordar a fé de um aspecto diferente: atuante, afinal fé sem obras é morta.
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Da mesma forma, fé sem estudo e sem esforço não garante aprovação para ninguém. Sim, porque um dia eu já pensei diferente, que era necessário apenas a fé, e mais nada, para passar. Graças a Deus, aprendi que não, e quero compartilhar essas experiências com vocês. Outra coisa muito importante: apesar dos êxitos alcançados, não estou postando uma “receita infalível” de sucesso. O que estou postando é mais um guia de orientações básicas para quem se encontra um pouco perdido ou iniciando, para que possa organizar e orientar seus esforços para alcançar um resultado satisfatório. Leia com carinho e bom senso e procure aproveitar as dicas que lhe servirem, adaptando-as ao seu próprio estilo e jeito de ser, não fazendo delas modelos inflexíveis ou “imexíveis”, ok? Não ficarei chateado se você alterá-las para que se encaixem ao seu jeito; elas não são “vacas sagradas” nem fazem parte de nenhum “cânon” concurseiro, que nem sei se existe. É adequado, também, dizer que estou procurando escrever como se estivesse contando minha experiência em uma roda de amigos, regada a chimarrão ou suco de uva (não bebo álcool ;o), no maior clima de informalidade possível. Não tenho a pretensão de usar terminologia técnica ou rebuscada, embora possa usá-la em algum momento necessário. Este não é um Tomo de Literatura Clássica, antes é um manual prático, regado a experiências bastante pessoais e, durante a leitura, você irá perceber isso de forma cristalina. Inicie a leitura como se estivesse lendo um livro de aventuras, ao invés de um livro científico. E, se gostar, continue a leitura. Entenda também, por favor, que há inúmeros materiais sobre o tema “concursos” que merecem sua atenção, e este não se propõe a substituí-los. Talvez, humildemente, complementá-los. Ou, sendo mais realista, servindo de distração e refrigério, permitindo um descanso mental, antes de retornar a eles. Será um divertimento, encare assim, e não se decepcionará. Talvez você venha a rir, se emocionar ou sentir algum outro sentimento nostálgico mas, no final, verá que é apenas mais uma história de enredo batido: lutar, sofrer, perder e, finalmente, vencer. Bom, agora que todas as advertências – pelo menos penso que sim – já foram feitas, àqueles que desejarem continuar, espero que apreciem a viagem que lhes proponho e que esta lhes seja agradável. Divirta-se. ;o)
3. Por que a Controladoria-Geral da União – CGU?

Boa pergunta. Por que CGU? Não me lembro de todos os detalhes, nem mencioná-los aqui seria relevante, mas sempre acalentei o desejo de um dia fazer parte da elite dos concurseiros do país, e meus resultados anteriores me animavam a isso.
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Faz algum tempo que comecei a me preparar para fazer o concurso da Receita Federal, quando ele saísse. Estudei um pouco de Dir. Tributário, mas não consegui encontrar muito ânimo nisso. Daí tentei também estudar um pouco informática, que dizem que no Auditor da Receita (AFRF) pegam pesado (aqui surgiu meu interesse por Linux, que se transformou em paixão). Essa paquera com o AFRF não foi avante, apesar de em 1994 eu quase ter passado no Técnico do Tesouro Nacional (TTN, hoje ATRF), que foi uma baita decepção, na época. Quase ter passado deveria, teoricamente, me inspirar a tentar outra vez. Todavia, com relação à CGU, conheci alguns amigos que trabalhavam lá, firmei amizades e conheci um pouco do órgão e do trabalho. Fui atraído pela forma de trabalho, pelo objetivo e razão de ser da instituição. Lembro-me de ter visitado a Regional da CGU de onde morava e ter falado para um desses amigos: “vou estudar para um dia trabalhar aqui, me espere no próximo concurso”! Então, algum tempo depois, um desses meus amigos me disse que já estavam em andamento os preparativos para o novo concurso, isso em setembro de 2007 (o que não era assim uma informação privilegiada, pois nos fóruns todos sabiam que o concurso em voga estava pra vencer no fim do ano e já haviam feito a 2ª chamada, dos 50%). Isso me motivou bastante, foi mais ou menos um estalo: é isso que eu quero, é por isso que vou lutar. Então me programei pra começar a estudar a partir de outubro pois, tendo em vista que demoro a pegar ritmo, precisava iniciar com antecedência. Foi nessa mesma época que tomei uma decisão meio louca: iria sair o concurso para agente de tributos da SEFAZ/MT, um cargo com quase a mesma remuneração da CGU, com boas perspectivas de melhorar ainda mais, e com aproximadamente 70 vagas, mas, por motivos particulares, optei pela CGU. Todavia, quando saiu o edital da CGU, com apenas 06 vagas para a área que me atraiu, tive que reviver uma boa dose da convicção que tive ao escolher a CGU para não me arrepender da escolha, mas no final permaneci firme em meu propósito pela CGU. Alguns achavam que eu estava meio doido, querendo concorrer com apenas 06 vagas para Brasília e desprezar 70 num bom concurso estadual (as dúvidas acerca de minha sanidade mental não serão resolvidas neste depoimento ;o). Ainda bem que passei na CGU, já imaginou a gozação que iriam fazer em cima de mim? =o) Outra coisa que me animou a escolher CGU foi ter amigos a quem admirava trabalhando no órgão, de fato um fator a mais de motivação. Posso dizer, sem hipocrisia, que o desejo de trabalhar lá adveio muito mais por fatores como identificação e vocação com o trabalho realizado do que pelo salário. Não sei se existe amor à 1ª vista, ou à 1ª estudada em concursos, mas acho que fui vítima desse mal. Obviamente, o salário também motivava, mas não era o principal. Acho importante ressaltar isso, porque quando a motivação é estritamente financeira, os esforços,
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geralmente, deixam a desejar. Como administrador, sei e entendo os motivos disso (pesquise na net sobre “fatores higiênicos e motivacionais” para entender), por isso não me deixei cair nessa armadilha. Entretanto, agora que, a partir de 2009/10, $AFC/CGU = 0,95$AFRFB, o Controle Interno passará a ser ainda mais disputado do que já é. Vai ter aquela sensação de deja vu: “quem tá dentro não sai, quem tá fora quer entrar”. ;o) Obviamente, reconheço duas coisas: 1. é possível ir mais longe, e o TCU é uma dessas possibilidades; 2. posso ir mais longe, se houver a quantidade de dedicação e empenho necessários para se alcançar o objetivo desejado. Todavia, também precisamos aproveitar as oportunidades para comemorar e desfrutar das realizações. Além disso, ser bem-sucedido é alcançar o objetivo proposto, não importa se alguém concorda ou discorda de seus sonhos. Sonhe seu sonho, e viva-o da melhor maneira. Triste daquele que procura viver o sonho dos outros, sem jamais tentar viver os seus próprios. Em suma: saboreie sua vitória, aproveite cada instante, mesmo porque uma vitória bem saboreada traz um gostinho inconfundível de quero mais!
4. Por que não o Tribunal de Contas da União – TCU?

Bom, para resumir em poucas palavras, a diferença entre CGU (Controladoria Geral da União) e TCU (Tribunal de Contas da União) é que uns ganham [um pouco] mais para fazer quase a mesma coisa em menos tempo (entenda como mais períodos de folga e recesso no ano). Obviamente, muitos Analistas de Finanças e Controle (AFC's) nutrem um desejo indisfarçável pelo TCU, afinal se podem me pagar mais pra fazer a mesma coisa e em menos tempo (férias 2x ao ano ;o), por que não? Além disso, pode-se falar sobre um maior status proporcionado pelo TCU. Ademais, está em trâmite um PL para aumento do $$ de ACE/TCU que, se se concretizar, deve continuar fomentando o êxodo, ou seja, para quem quer e pode, TCU ainda é uma excelente meta, mesmo porque há outros aspectos que atraem os postulantes ao TCU: o excelente clima organizacional, bom ambiente de trabalho e benefícios indiretos são apenas alguns deles. [Atualizando: o projeto colocou o salário do TCU na pequena lacuna de 5% entre a Receita e a CGU, colocando esses cargos na elite do serviço público brasileiro] Além disso, não considero prejudicial esse desejo de melhorar, visto que, ao se preparar para o TCU, um AFC também se torna um servidor mais capacitado e detentor de mais conhecimentos, tornando-se
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ainda mais útil à CGU. Há também um lado positivo na insatisfação, se moderada e direcionada. A CGU, principalmente nas regionais, tem um grande volume de trabalho e viagens, e esse é outro fator de migração, afinal nem só de pão viverá o homem =o). Entretanto, apesar desses motivos altamente justificáveis, não fui mordido por essa mosca azul: nem o dinheiro nem o status são coisas que me seduzem a esse ponto, pois na relação custo x benefício, outros fatores pesam para mim, como o fato de estar estudando há algum tempo, ter feito outros concursos (em pese ter tido êxito) e desejo de começar uma carreira, progredir profissionalmente, dedicar-me a projetos familiares e pessoais, enfim, coisas que terminam pesando na balança. E, no meu caso específico, há um detalhe adicional: fiz um acordo com minha esposa (e com Deus também) que se eu passasse na CGU, pararia de estudar para concursos, pois ela estava cansada de me dividir com os livros e apostilas, sendo que para ela sobrava só o resto (bagaço), ou seja, ela estava ficando sempre em 2º, 3º, 4º {n} lugar! Sendo sincero, se eu não tivesse me saído bem na CGU, certamente apontaria minhas baterias em direção ao CESPE/ISC (Instituto Serzedello Corrêa) com força total. Se eu fosse também um pouco mais ambicioso, já que havia me saído bem na CGU, poderia continuar a peleja, mas a questão do custo x benefício para mim, além da vocação e admiração pela CGU, falaram mais alto. Obviamente, após o resultado da CGU, senti-me bem e, fazendo uma fria análise, no nível de preparação que cheguei, seria plenamente possível competir por uma vaga no TCU ou Receita Federal. Todavia, manter um ritmo de estudos elevado é complicado, pois o isolamento (leia-se “viver para os livros”) cobra um alto preço, nem sempre compensador, e o estresse pós-prova cobra um preço muito alto. Talvez um dia eu possa querer sair, ou até mesmo sair da CGU, mas penso que a motivação financeira nunca será a predominante ou principal. Para concluir, conversando com um colega, via msn, ele comentou: “Para passar no TCU tem que ser 'nerd', viver pros livros. Estuda tanto que até a esposa larga! Mas, se passar, ela volta... hehe”. Daí eu respondi: assim eu não quero, pois minha esposa vale mais que um cargo, e se ela voltasse só pelo dinheiro, aí quem não ia querer era eu! =op Vôtz (típica interjeição nordestina que significa: ... ah, deixa pra lá!) o.O Agora falando sério: eu não trocaria minha esposa por cargo nenhum, por maior que fosse o status ou o salário dele, pois sou daqueles que creem que a felicidade não se compra, por dinheiro algum deste mundo. A Bíblia diz que “quem encontra uma esposa, encontra algo excelente; recebeu uma bênção do Senhor” e “Uma esposa exemplar: feliz quem a encontrar! É muito mais valiosa que os rubis”. Provérbios 18.22 e 31.10 (Nova Versão Internacional – NVI). Vou contar uma anedota para ilustrar o que quero dizer:
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“um homem sempre ficava intrigado porque a grama de seu vizinho era mais verde que a sua, ou, pelo menos, aparentava sê-lo. Um dia, sem suportar aquela angústia que lhe consumia, pois já havia feito de tudo para, ao menos, igualar sua grama à dele, sem sucesso, perguntou-lhe, enfim: “vizinho, poderia me dizer o porquê de sua grama ser tão verde, pois já tentei de tudo e a minha não consegue se igualar à sua”! - Simples – o outro lhe respondeu – eu uso TINTA VERDE!” Não inveje a grama do vizinho (nem qualquer outra coisa dele). Cultive seu próprio quintal, regando seu jardim com o melhor adubo que dispuser, pois, muitas vezes, aquilo que cobiçamos do outro não nos trará felicidade, mas apenas decepção e frustração, ou seja, é uma mera ilusão.

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Parte II
5. Edital: Antes x Depois – as diferenças.

Tem muita diferença de um edital para outro, às vezes até demais. Que o digam alguns que estavam estudando para a CGU desde maio/junho2007 pelo edital antigo e, quando saiu o novo, simplesmente desistiram. Logo, é bom deixarmos claro que estudar pelo edital anterior pode ser tanto uma bênção quanto uma maldição. Temos apenas que saber exatamente onde começa uma e termina a outra para não termos nossos esforços frustrados. Embora eu não considere nenhum tempo de estudo perdido, mesmo tendo estudado “Políticas Sociais e de Infra” pelo edital anterior e totalmente desprezado no novo edital, o que deu desgosto foi ter adquirido alguns livros (que não foram baratos) e que não serviram depois... =o/ Talvez a coisa mais importante a se planejar para estudar em um edital seja usar a técnica dos “4 I's”: estude o “imprescindível”, leia o “importante”, folheie o “interessante” e descarte o “irrelevante”. Poderei abrir um tópico específico ( 4 I's) sobre este assunto, se houver interessados, em minha sala.
5.1. Estudando pelo edital anterior.

O que estudar pelo edital anterior? Boa pergunta. Infelizmente, nem sempre temos a melhor resposta. Mas podemos saber, pelo menos, o que deve ser evitado e o que é praxe. O que evitar: estudar matérias muito específicas e que não são costumeiramente cobradas, pois você correrá o risco de estudar em vão. O que focar: matérias básicas, que são repetidamente cobradas, tais como Port, D. Adm, D. Const, L8112, 8666, 9784, Contab. Geral/Pública, D. Tribut, etc., (dependendo do concurso e da área escolhida, você deve focar as principais matérias e estudar as secundárias apenas se houver razoável certeza de que cairão). É justamente ANTES DE SAIR O EDITAL que o estudo metódico, rotineiro e disciplinado das matérias básicas atua desbravando o caminho até a tão sonhada aprovação.
5.2. Saiu! Analisando o edital: planejando e calculando friamente.

Uma coisa que não deve ser feita: esperar o edital sair para começar a estudar. No meu caso, o início dos estudos se deu em outubro2007, apesar de uma forma ainda tímida. Eu costumo dizer que, como
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demoro a pegar ritmo, tenho que começar bem antes. É como se eu estivesse em uma corrida e quando dessem o tiro de largada (edital) eu já viesse correndo e embalado. Quanto menos talento se tem, mais esforço se deve fazer. Certa vez, um amigo meu (me) disse: “passar em concurso não deve ser muito difícil não, afinal até o wallysou passa!”, mas o pior é que é verdade mesmo. Fazendo o que eu faço, da forma como eu faço – ou até melhor -, passar será regra, não passar é que será a exceção. E uma das grandes ferramentas é, sem dúvida, a detida análise do edital do concurso. Quando sai o edital, eu não estudo! Apenas me debruço nele e começo a olhá-lo como se estivesse escolhendo uma jovem para ser minha esposa (!), ou seja, olho os mínimos detalhes: imprimo, destaco e, principalmente, disseco o conteúdo programático de forma a poder ver EXATAMENTE aquilo que a banca está pedindo. Somente fazendo assim – dissecando -, é possível estudar TODO – ou quase todo – o programa, acompanhando: o que já foi feito (pretérito); o que ainda falta (futuro); e, muito importante, o que precisa ser revisto (futuro do pretérito).

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Como diria uma açougueiro: “vamos por partes”. Da próxima vez que você se deparar com um edital, seja um “napoleão”: dividir para conquistar! ;o)
5.3. Que área escolher?

Essa pergunta, apesar de aparentemente simples, pode ser respondida de diversas formas, e a resposta, se inadequada, pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. Ao analisar o edital CGU2008, vime diante desse dilema: qual área escolher? Eu estava me preparando para disputar as vagas de meu estado, onde estavam programadas 10 vagas, deduzidas do resultado do Concurso de Remoção. Eu estava imaginando que seriam umas 6-7 para AFC's (analista de finanças e controle) e 3-4 para TFC's (técnico de finanças e controle). Vieram 8 para TFC's e apenas 2 para AFC's, e além disso eu estava me preparando para a área de auditoria geral (Controle Interno), e as vagas abertas foram para Saúde. =o/ Então o próximo passo era decidir: para que e para onde? Olhei para Brasília (BSB): 58 vagas CI, só que eram para Brasília (o que significava, entre outras coisas, nota de corte alta, os concurseiros mais bem preparados, etc.)! Bateu aquele receio natural e avaliei que, de fato, eu não tinha nível para concorrer às vagas de BSB, para a área de CI, ainda mais com aquelas mudanças loucas do Edital.
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Foi um período de frustração e certo desespero, pois parecia que meus esforços haviam sido em vão, até aquela data. Enquanto eu olhava desconsolado para o edital, vi a pequena e desprezada área de Desenvolvimento Institucional (DI), com apenas 06 vagas. Fui avaliar as matérias e observei que ali eu teria uma pequena chance de atingir um desempenho razoável. Reservadas as devidas proporções, eu teria a mesma chance de entrar em CI com 58 vagas ou em DI com 06, ou seja, de uma forma ou de outra, chances mínimas. Eu havia conhecido BSB fazia pouco tempo e havia gostado, a despeito de um certo preconceito anterior (infundado). A área de DI, por sua vez, despertou em mim um sentimento estranho de repulsa e admiração: repulsa pelas poucas vagas e admiração pela identidade de conteúdo. Quando, em minha mente, eu decidi, a despeito de tudo (histórico de muitas desistências em CI, questão dos 50% a mais; em oposição às raríssimas desistências e nota de corte alta em DI, etc), tentar uma das vagas de DI, algo dentro de mim me deu a certeza de que eu havia feito a escolha certa. Aquilo sim era um desafio, além de eu ter analisado que, naquela área, eu iria investir e buscar atingir todo meu potencial, coisa que dificilmente eu faria em CI, pois eram mais vagas, um conteúdo estranho a minha formação e o medo da concorrência total. A escolha da área deve levar em conta, também, os seguintes fatores: o perfil dos candidatos que irão disputar uma vaga com você; a correlação entre as matérias que, até então, você já estudou e as que serão exigidas no e o esforço adicional que você terá de fazer para estudar as matérias "inéditas" do certame.

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certame;

Qual área escolher? Escolha a área que te desafie a atingir o seu potencial máximo, aquela que te desperte um desejo de trabalhar naquilo e te leve a superar limites. A fibra de um vencedor é feita da união desses ingredientes: gostar de desafios, desejo de superação e anseio pela conquista almejada.
5.4. Quando o nº das vagas desanima.

Quando você se deparar com um nº de vagas menor do que gostaria, seja proativo: você precisa de apenas uma, deixe os outros se preocuparem com as que sobrarem! =o) Pode parecer esquisito o que eu falei, mas mesmo assim, esquisito, é verdade.

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Quando eu estava para me preparar para o concurso do DNIT2006 eram apenas 3 vagas. Eu vinha de um desempenho apenas regular no concurso anterior – TRE2005 –, com um razoável nº de vagas (60) e estava há, praticamente, um ano parado. Mas uma palavra (leia minha entrevista anterior para saber mais) me tirou daquela inércia e tomei uma decisão: “Acabei de descobrir o culpado por meu atual estado deplorável: eu mesmo! A partir de hoje deixarei de ser parte do problema e me tornarei parte da solução! Estudarei para concursos e só pararei quando eu tiver passado em um dos bons!” (eta cabra macho... =op) Bom, daí um dia comentando com minha esposa que havia aberto o concurso do DNIT, que eu ia estudar e ia estudar pra passar e tal, ela pergunta: “quantas vagas?”, e eu respondo: “3”. “Amor – ela pergunta – não tinha um com mais vagas não?”, EU: “amor, concurso bom é assim mesmo: difícil e com poucas vagas, além disso, eu só preciso de UMA!”. A história tem outros detalhes interessantes, mas, no final resume-se assim: passei em 2º. Se você vai prestar um concurso com poucas vagas, evite: 1. desanimar por serem poucas vagas; e , 2. impressionar-se pela concorrência. Você tem apenas um concorrente de peso, que pode destruir seus sonhos: você mesmo. Vença a si mesmo e vencerá, sem muita dificuldade, todos os demais obstáculos.
5.5. Quando o edital valoriza o desempenho médio (ou mediano) nas provas.

O edital CGU2008 foi um edital, de várias formas, atípico. Entretanto, esta parece ser a tendência do futuro. Analisando-o bem, entendi que ele estava visando a um tipo específico de candidato: o mediano ou coerente. O que seria esse candidato mediano ou coerente (acho que fui eu que criei essa denominação)? Seria um candidato que não possui um desempenho espetacular em uma disciplina em especial, mas também não possui deficiências relevantes a ponto de se preocupar em ser reprovado no ponto de corte. Eu sou assim: sem muitos atrativos e sem muitos defeitos. Esse foi mais um motivo para escolher DI: dificilmente alguém arrebentaria em alguma matéria a ponto de deixar o restante comendo poeira. Então me programei para tentar fazer o máximo que pudesse de tudo, privilegiando as matérias mais importantes, mas sem deixar nenhuma matéria, na medida do possível, desprezada. Meu objetivo era claro: chegar aos 18 que teriam sua discursiva corrigida e fazer uma discursiva irrepreensível, o que quase consegui. Em suma, acho que aquele edital foi feito sob medida pra mim, apenas explorei ao máximo minhas
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aptidões para tentar atingir o máximo de pontos possíveis. E, graças a Deus, foi uma estratégia vitoriosa. Postarei, em anexo, um arquivo com o gráfico do desempenho obtido para tentar demonstrar o que disse.

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Parte III
6. As estratégias de preparação, o grande diferencial.

Como eu disse anteriormente, a estratégia correta é um diferencial que não pode ser desprezado, um verdadeiro “plus a mais”. Vamos tentar explorar um pouco sobre como fazer uma estratégia adequada e bemsucedida, voltada para concurseiros, principalmente para os menos experientes.
6.1. Como, quando e em que investir?

Como: dando preferência aos livros, ainda mais se você pensa a longo prazo, pois eles serão úteis em outros certames; apostilas somente se você conhecer a procedência ou for indicação de alguém confiável que já usou e aprovou. Quando: sempre que for oportuno, pois é melhor você investir agora e depois ter um retorno garantido já no 1º salário do que economizar e ver a aprovação escapar por entre seus dedos por conta alguns míseros pontos que você faria, sem dúvida, se estivesse de posse de um bom material. Em que: eu, particularmente, recomendo os livros das ed. Campus, Ferreira e Método (não estou ganhando nada com isso, ok? ;o), principalmente as coleções voltadas para concursos e as de provas e exercícios comentados. São apenas sugestões, e certamente deve haver outras, mas, que são do meu conhecimento, recomendo essas. O site EuVouPassar (EVP), para ser sincero, não conhecia, mas já vi tanta gente falando bem que devia ser bom e fui olhar. Fiquei encantado com a proposta, a visão de ajudar os concurseiros, além de ter um valor acessível e a reputação de ótimos professores por trás. Quem sabe, se for possível, eu também consiga uma forma de ajudar o site. Recomendo FIRMEMENTE. Outro livro que recomendo fortemente é Direito Constitucional Esquematizado, do profº Pedro Lenza, com uma didática excelente, principalmente a última edição. Se você conhecer os bons materiais, ficará mais fácil reconhecer outros igualmente bons quando os vir. Uma outra sugestão é investir em materiais que lhe propiciem melhor organização pessoal: no meu caso, escolhi pastas coloridas para cada grupo de disciplinas do edital para organizar matérias, simulados, etc. É muito proveitoso.
6.2. Erros e acertos. 16

Erros e acertos são conceitos muito abstratos e, por vezes, difíceis de serem quantificados, mas tentarei falar algo que possa ser útil o suficiente para auxílio dos colegas. Erros: sem dúvida, os maiores foram a ansiedade e a excessiva auto-cobrança.

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Esses erros emocionais costumam cobrar os preços mais caros, e superá-los não é tarefa fácil – mais adiante vou explicar como consegui retomar o equilíbrio emocional antes da prova. Os acertos: antecipar-me ao edital estudando (esse é básico); estudar por ciclos (leia o texto do Alex Meirelles, na bibliografia sugerida); programação de férias para estudar antes da prova (possibilita um “gás” muito bom); foco no essencial (principalmente na discursiva); dissecar e cumprir o edital (acho que estudei 99% daquilo que me propus – as exceções

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ficaram a cargo de Rac. Lógico e Conh. Gerais, meus piores desempenhos, mas cujo peso era mínimo no total). Enfim, nada do outro mundo. Quer ser bem-sucedido? Lembre-se do antigo ditado: “O único lugar onde Sucesso vem antes do Trabalho é no dicionário”.
6.3. Simulados, exercícios e provas.

Falar sobre isso chega a ser um “chover no molhado”, mas nunca é demais repetir: quem quer fazer uma boa prova tem de treinar (exercitar) em provas anteriores à exaustão! Como bem frisou o Alex Meirelles, citando o Gustavo Barchet: fazer provas anteriores é simplesmente imprescindível! Vou citar apenas alguns benefícios para se fazer simulados, exercícios e provas (de qualidade): agilidade para o dia da prova na resolução das questões, principalmente se o tempo estiver escasso, como foi o caso da P2 de AFC/CGU2008 e da P1 + Discursiva; o outro grande benefício é que se fica conhecendo o estilo da banca, tornando-se quase um amigo íntimo, “adivinhando” os próximos passos (ou questões, se preferir).
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Neste aspecto, p.ex., eu sabia que precisava tirar uma boa nota em Português, 1º critério de desempate, além de valer 30 preciosos pontos. Para isso, somente exercitando. Verdade seja dita, aprendi muito português com a Prof.ª Cláudia Kozlowski (apesar do sobrenome esquisito a mulher manja de Português como poucos marmanjos – desculpe o trocadilho ;o). Então, o que eu fiz? Imprimi várias provas – umas 2-3 dezenas – de português da ESAF e mandei brasa. Além disso, adquiri um livro muito bom do profº Décio Sena, questões comentadas ESAF. Devorei o livro e comi as provas na sobremesa. Resultado: gabaritei português. Obviamente, a prova não foi tão difícil, até por causa da Discursiva, acho, mas foi muito bom para meu desempenho, além de me permitir o luxo de não perder pontos na Discursiva com gramática, ortografia, pontuação, etc.
6.4. Local e ambiente, qual escolher.

Isso, como alguém costuma dizer, “vareia” de cada um. No meu caso, estudar no PC não é uma boa opção: a concentração é baixa, termino vendo outras coisas, msn pipoca na tela... ;op Se puder, vá para uma biblioteca, ou escolha um lugar calmo, tranqüilo e isolado de ruídos. O benefício da biblioteca é que algumas são climatizadas e lá você se sente desafiado – eu me sentia – vendo pessoas estudando muito e compromissadas com seu objetivo (no meu caso, era a biblioteca de um bom cursinho preparatório). Enfim, cada qual é cada qual com seu cada um =o), então tente descobrir onde você pode render o máximo do seu potencial e não se satisfaça com menos que isto: seu desempenho máximo.
6.5. Fazer cursinho ou estudar sozinho?

Essa é outra coisa que também “vareia”. Eu já fiz cursinho estilo pacote, com todos aqueles problemas de uns profºs bons e outros não, etc. Já fiz “turma de exercícios”, que considero essencial quando você está em um nível avançado, para dar aquela sintonia fina, e já estudei sozinho também. Mas recomendo estudar sozinho, na maioria dos casos, apenas se você já está em um alto nível de aprendizado e desempenho. Para a CGU, estudei sozinho. Claro, sem um bom material, é suicídio, então cerque-se de bons materiais, sempre, sozinho ou em cursinho. Para saber qual decisão tomar, verifique sua “curva de aprendizado”: se você está rendendo bem sozinho, procure uma turma de exercícios ou algo específico, mas se ainda está capengando, procure uma alternativa viável, um bom cursinho ou um grupo de estudos, p.ex.

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6.6. É válido sacrificar (ou investir) férias no estudo?

Sim. Com certeza é. Principalmente se for imediatamente antes da prova, quando você pode chegar “voando baixo”. Claro que há contra-indicações, como voltar ao trabalho cansado, etc., mas os benefícios compensam. E, se você passar, nem se fala! =o) É adequado tentar programar todo o período para coincidir seu término na data ou imediatamente após a prova, para possibilitar um direcionamento total, sem distrações. Não é fácil conseguir isso, mas, sendo possível, é altamente recomendável.
6.7. Sobre a alimentação, alguma dica?

Serei sucinto aqui, pois não é minha área e não quero incorrer no risco de dar sugestões equivocadas, então vou apenas falar sobre minha experiência pessoal: Eu gostava bastante de tomar suco integral de uva pela manhã, puro e em pequenas doses, bem cedo, antes de qualquer outra coisa, e, às vezes, associava com iogurte (tomava um e depois o outro, que fique bem claro ;o). Além disso, também privilegiava sucos naturais e frutas, bastante verdura e legumes no almoço, etc. Como sou evangélico, questões como bebidas e fumo são irrelevantes para mim, então nem me deterei nesse aspecto. À noite eu gostava de sopas de legumes. Sendo bastante sincero, não sei dizer se essas coisas foram benéficas, mas mal não fizeram. Também evitei os complexos vitamínicos prontos, aqueles de farmácia, por desnecessidade mesmo. Sobre exercícios físicos, fui relapso, praticamente “paradão”, e senti que isso fez falta. Para tentar compensar, às vezes fui até à biblioteca a pé, ou caminhei com minha esposa em um parque arborizado, o que me fez sentir um pouco melhor, fisicamente falando. Físico é algo do qual não se deve descuidar, principalmente com essas táticas esafianas de “vencer pelo cansaço”.
6.8. A hora “H”, o que fazer e como fazer na prova.

Na hora da prova, o que se tem a fazer é super simples: responder corretamente as questões! =o) A dificuldade toda está em saber como fazer isso. Entretanto, para se fazer uma boa prova não basta apenas estudar bem. Existem outros fatores que também ajudam – ou atrapalham – o candidato na hora “H”. Alguns desses estão, infelizmente, fora do controle normal, como acidentes de trânsito, doenças inesperadas, etc. É possível minimizar esses imprevistos, como sair mais cedo de casa, cuidar da saúde, etc.
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Mas, vamos assumir que você venceu o trânsito e contornou o famoso “frio na barriga” (ou diarréia de prova ;o) e está agora diante da prova, só você e ela, o que fazer? Primeira coisa: esfrie a cabeça, ficar nervoso não vai ajudar em nada, então faça o que você sabe e estudou. Se não der certo nesse, bola pra frente (que atrás vem muito concorrente). Para te ajudar nessa hora difícil e altamente solitária (esses momentos de solidão onde ninguém pode te substituir, como tirar as famosas fotos 3x4, p.ex. =op), algumas orientações básicas podem ser úteis. Algumas delas são: avaliar a prova, se está difícil e que matéria está mais cabeluda, se são questões compridas, se o tema da redação é justamente aquele que você desprezou, etc. Fazendo assim, você poderá traçar uma estratégia para responder a prova dentro de suas possibilidades. Tem gente que, quando vê uma prova difícil, pensa: “me ferrei”. Embora isso possa ser verdade, eu já passei em concurso (2º lugar) em que tinha me “ferrado” simplesmente porque os outros tinham se “ferrado” mais do que eu! Nunca, jamais, desista de fazer uma prova. Nem que seja para aprender a não repetir a burrada mais à frente. Na resolução, faça primeiro as mais fáceis e, se estiver seguro, nem olhe mais para elas, pois o tempo pode faltar para resolver outras ou marcar no gabarito. Procure analisar sempre a relação custo-benefício de investir boa parte do tempo em questões LONGAS ou TRABALHOSAS em detrimento de questões do tipo SABE-OU-NÃO-SABE. É bom ressaltar que, em uma mesma matéria, as questões geralmente têm a mesma pontuação, ou seja, dar PRIORIDADE a questões difíceis não trará ao candidato um acréscimo em sua nota, já que a pontuação é a mesma para ambas. O bom candidato é aquele que tem a maturidade e a frieza de escolher as questões que devem ser respondidas primeiro. E, geralmente, não é na ordem proposta pelo enunciado das questões, pois a banca faz isso de propósito justamente para detonar os ânimos dos menos avisados. Gabarito, aliás, é uma coisa meio “sagrada”: não foi feito pra rascunhar, amassar, riscar nem cuspir. E o coitado também não é o culpado se você não sabe a resposta, respeite a integridade física do rapaz (estou falando do gabarito, mas também serve para o fiscal ;o). Programe-se para visitar o nobre “wanderley cardoso” (também conhecido por WC) e escutar aquele som inconfundível de água escoando pelo ralo, e, quem sabe, ajuda a desentopir alguma inopinada veia artística escondida e, na volta, você acerta – nem que seja no chute – aquela questão ridícula que o infeliz do examinador tirou daquele livro empoeirado de 1900 e antigamente? =op Falando sério, de tanto você ficar sentado, pode ser que a circulação fique prejudicada e só o fato de
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levantar, andar, lavar o rosto, além das outras coisas normais, pode dar justamente aquele famoso “refrescar a cuca” tão necessário para angariar mais um bendito pontinho. Afinal, você sabe, é de questão em questão que o concurseiro preenche o gabarito. ;op
6.9. C ou não C: eis a questão.

Se tem uma coisa que aprendi debaixo de muita porrada foi marcar uma questão e deixar ela bem quietinha depois. Aff... já perdi a conta de quantas questões marquei, desmarquei e remarquei só pra depois ficar me martirizando – em vão – quando fui conferir o gabarito e ver, desolado, que aquela questão alterada me dava a aprovação ou uma melhor colocação! Nessa preparação para a CGU, depois de muita hesitação, fiz um verdadeiro acordo com minha mão: “MARQUE E PRONTO, NÃO ME VENHA DESMARCAR DEPOIS!”. E como foi duro manter essa promessa... Depois de fazer “trocentas” questões da ESAF, observei que ela, até então, nunca tinha repetido uma mesma alternativa por 3 vezes, ou seja, AAA, BBB, CCC, etc. Para se fazer uma boa prova, às vezes não basta apenas estudar bem a matéria, temos que fazer além do que o costumeiro. E conhecer o padrão de aleatoriedade utilizado pela banca no gabarito é uma dessas coisas que podem fazer uma grande diferença a nosso favor. Bom, mas na P3 da CGU/DI, me vi diante do seguinte dilema: q. 17, 18 e 19; eu sabia, ou pensava que sabia, mais ou menos, as q. 17 e 19, e ambas eram “C”. Na q.18 fiquei uma eternidade tentando decifrar tanto a pergunta como a possível resposta. Estava a ponto de desistir quando cheguei à – feliz – conclusão que a mais provável era a alternativa “C”. Vi-me diante do dilema de mudar uma das outras 2 “C”, porque eu não conhecia nenhuma prova da ESAF (não me lembrava mesmo, acho que aquela foi a 1ª) com 3 alternativas iguais e repetidas. “C ou não C, eis a questão!”, era meu dilema. Lembrei-me do meu acordo, então, com a mão tremendo, fiz um 'xis' em cima do 3º “C” e virei a página. Quando dava aquela vontade louca de mudar, me lembrava de um conselho de um profº: “Para o bem ou para o mal, marcou, marcou. Na dúvida, deixa marcado, não mude!”. E não é que, quando saiu o gabarito, tava lá: “CCC”? Graças a Deus, tinha acertado as 3, e cada uma valia 3 pontos, ou seja, nove pontos ganhos no total! Quase chorei de alegria, mais para compensar as outras vezes que deu vontade de chorar de raiva. Se você comparar o resultado, verificará que apenas 3 pontos perdidos seriam cruciais. Pense nisso, quando se vir diante de um grande dilema existencial bem na hora da prova: “C ou não C, eis a questão”.
6.10. Inversão de papéis: pense como a Banca. 21

Este é outro benefício de se fazer exercícios da banca à exaustão: aprender como são os exercícios dela, ou como ela os elabora. Houve um tempo em que eu estava me saindo muito mal em uma matéria específica (Convênios – P3). Nos simulados que postavam no fórum, de todos, eu quase sempre ficava segurando a lanterna. Um dia, enchi o saco de ficar sempre atrás e tomei uma atitude: “eu vou fazer um simulado tão feroz dessa matéria que, se o próprio examinador da ESAF fosse resolver, ele seria reprovado!”. Era sobre uma IN (instrução normativa 01) da STN sobre convênios, e pense numa coisa chata, ela é mais. Mas, chata ou não, eram 30 pontos em jogo, para minha angústia. Então, após tentar ler umas 3 vezes essa bendita IN e sempre me arrebentar nos simulados, olhei com bastante carinho para ela e disse: “minha filha, agora somos só nós dois, prepare-se para conhecer o lado negro da força!”. Elaborei, dispondo de todas as maiores artimanhas possíveis e imagináveis, 20 “meninas super-poderosas”, digo questões escabrosas. Postei lá no fórum e esperei, esfregando as mãos ao melhor estilo “Gargamel” dos Smurfs (vixe, essa é velha, hein!). O primeiro que tentou logo acusou o golpe: teve que recorrer a Doril & Cia. Ltda para recuperar a sanidade mental, após a ousada tentativa. De uns 10 corajosos que apareceram para responder, a maior nota foi de uma colega que respondeu parte do simulado com a IN do lado e, ainda assim, fez 60%! Para vocês terem uma idéia, nem mesmo EU sabia responder sem consultar a IN! ;op Minha revisão de Convênios foi esse simulado (do qual tive que rever o gabarito de umas 2-3 questões) e ver qual era a resposta correta e o porquê de sê-la, atentando bem para as terríveis pegadinhas. Na P3 quase gabaritei essa matéria, pois o nível foi bem abaixo do simulado que eu elaborei =op. Se o nível das questões da prova fosse aquele do meu simulado, talvez se contasse nos dedos de uma mão quem fizesse 60% das questões de convênio. Pense: se eu fosse o examinador da ESAF, o que eu faria para dificultar a vida dos pobres concurseiros que se atrevessem a responder minhas questões? Outra coisa importante: às vezes, temos de ser ousados e arriscarmos. A prova de Direito Constitucional do Concurso CGU2006 foi de amargar, com pouca jurisprudência e muita literalidade, com umas pegadinhas de tirar do sério, e que, inclusive, tirou muito candidato preparado do páreo. Eu estava simplesmente “horríver” em DCO, principalmente em doutrina/jurisprudência, mas, analisando as provas recentes da ESAF, deduzi que a tendência era de continuar explorando a literalidade da CF com algumas variações e um pouco de doutrina. Então, foquei minhas baterias em “decorebis CF1988 mutatis”, e fiz uma revisão geral em Teoria do Estado e das Constituições e em Controle de
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Constitucionalidade. Graças a Deus, acertei em cheio, pois a prova veio bem dentro daquilo que previ (ou apostei) e, a despeito de estar quase sempre me arrebentando nos simulados do Fórum, na P2-DCO emplaquei 13/15 questões, um verdadeiro feito para mim.
6.11. Apenas ler ou interagir com o texto?

Esta foi uma grande dificuldade: conseguir assimilar textos legais, principalmente a lei seca. E olhe que já fui bom nisso, estudando para a FCC. Todavia, a ESAF consegue ser ainda mais cruel que a FCC quando se trata de cobrar lei seca. Ela não tem escrúpulos em elaborar as questões com as pegadinhas mais escrotas jamais vistas. Se não existir, ela inventa. De início, estava apenas lendo: assimilação 'zero'. Depois, tentei sublinhar de grafite: assimilação mínima. Então acordei para a vida e tentei a última cartada: marcar, riscar e desenhar com marca-textos coloridos. Foi minha salvação, uma mudança da água para o vinho. Não sei explicar o motivo, mas depois de 3 revisões marcando e remarcando com cores diferentes, saí da quase total obscuridade para a luz. Outra coisa importante: deixei a preguiça de lado e botei pra quebrar: só parava de estudar uma lei quando estava sabendo de verdade ela. A velha 8666/93, p.ex., tornou-se amiga íntima, ao lado da IN01/STN, de convênios e, por sinal, fiz 18/20 questões, após as anulações, no total de 54/60 pontos (P3). Vou deixar bem claro, para você não esquecer: Não economize onde o retorno compensa!
6.12. A importância de se fazer associações do conteúdo com fatos conhecidos.

Sobre esse assunto é um pouco complicado ficar somente na teoria, então vou tentar postar alguns arquivos demonstrando como eu fazia na prática, principalmente naqueles assuntos muito teóricos, como a IN de auditoria da CGU, LOA-TCU, etc. Quando não for possível postar, poderei ou hospedar em um servidor de arquivos online.
6.13. Véspera, estudar ou descansar?

Essa experiência eu tive dos dois lados: estudando e descansando. Dizer que há uma forma padrão é desprezar as idiossincrasias (fatores individuais de cada um) e correr o risco de estabelecer uma receita padrão que, para muitos, será contraproducente. Vou contar, resumidamente, como foi comigo (leia minha entrevista anterior para detalhes
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adicionais): para o DNIT estudei na véspera e foi essencial; para o TRF1 também estudei, mas acho que atrapalhou mais que ajudou; para o MPU não estudei, e foi bom o retorno; para o TRT também não estudei e fui um desastre, apesar de nesse concurso outros fatores terem pesado, cfe. falarei adiante; para a CGU, tirei a sexta-feira da semana santa para visitar uns parentes detidos, digo: fui fazer uma visita ao zoológico. =op Foi uma bênção: espaireci e desestressei muito vendo onça, anta, jacaré, algazarra de macacos e araras. Recomendo. Na hora da prova estava tinindo. A lição que tiro de tudo isso é: se você estudar, mas estudar bem mesmo, a véspera pode ser deixada para saneamento mental sem problemas. Mas, se você não teve muito tempo para estudar, o último dia pode ser uma oportunidade imperdível de consolidar alguma coisa importante, sem, contudo, abusar. Quanto ao TRT, meu maior pecado foi ter relaxado “demais”, perdendo o foco. Tudo isso porque deixei a ansiedade me dominar: até suei na hora da prova, a despeito do ar-condicionado estar gelando até pensamento. Quer um conselho? Estude muito antes para que possa descansar na véspera, mas sempre respeitando sua curva de aprendizado pessoal.
6.14. Qual a melhor estratégia para uma discursiva?

Acerca de estratégia, existe praticamente uma para cada estrategista, mas qual a melhor a escolher? Apesar de achar muito válido explorar as estratégias vencedoras, penso ser igualmente útil explorar porque algumas deram errado. Nem sempre é fácil copiar uma estratégia vitoriosa, tendo em vista as grandes diferenças pessoais entre cada candidato, mas é bastante fácil observar onde e como um erro foi cometido e optar por não repeti-lo. Deixe-me dizer, resumidamente, quais foram meus principais parâmetros que me permitiram tirar uma boa nota (86/90 pts = 95,5%) na discursiva, simplesmente essencial para minha classificação, que foi: 5º na objetiva, 3º na discursiva e 3º no geral, além de 12º na pontuação geral, desconsiderando-se as diferenças de áreas. Penso que não seja muito honesto fazer tal comparação, pois as P3 foram tão diferentes que simplesmente não há parâmetro de comparação entre as áreas, no máximo uma simples observação de pontuação total, sem qualquer juízo de valor. Mas vamos aos acertos: 1. treinar bem, exercitar-se escrevendo à mão mesmo, possibilitando fortalecer os músculos e tendões para os esforços que virão. Além disso, há também a questão de exercitar o raciocínio e a agilidade de transferir o que está no mais recôndito do cérebro para o mais branco do papel;
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2. programar-se para fazer o máximo com aquilo que se dispõe, ou seja, escrever tudo o que puder dentro do tempo que tiver. Acredito que os maiores erros foram justamente ignorar esses procedimentos básicos para se redigir uma boa discursiva, e conheço alguns casos que ilustram bem isso: a falta de exercitar redação e a falta de uma programação de tempo escasso. Alguns chegaram na discursiva apenas com a cara e a coragem, achando que sabiam da matéria e era apenas ter o trabalho de transferir dos neurônios para a folha. Ledo engano: o tema que a ESAF pediu e a forma como pediu simplesmente derrubou muitos candidatos bem preparados. Não cometa jamais este erro: ir para a guerra despreparado e desprevenido, e fazer prova, da ESAF especialmente, é um verdadeiro teste de sobrevivência em um front de guerra, de onde somente os mais preparados retornam vivos para contar a história (e a vitória). Outros estavam super-preparados para redigirem um ótima discursiva, mas se perderam no planejamento e desperdiçaram tempo precioso para resolver a P1, sem conseguir resolvê-la ou passar para o gabarito. Tanto uns como outros devem ter ficado abalados emocionalmente e, certamente, tiveram seu desempenho prejudicado na resolução das P2 e P3, praticamente anulando suas chances de aprovação. Minha estratégia para a discursiva foi meio “exótica”, pois, apesar de achar que havia tempo suficiente para se fazer um bom rascunho e passá-lo para a folha definitiva, sempre procurei preparar-me mentalmente para fazê-la diretamente na folha definitiva, se preciso fosse. Após resolver a P1 com certa rapidez (em torno de 2 horas), detive-me na análise da discursiva, reservando apenas 20 minutos para o gabarito e alocando todo o restante do tempo para explorar minuciosamente seu tema e forma de cobrança, tentando evitar armadilhas e conseguir explorar ao máximo aquilo que eu poderia render. Seguindo dica do JBourne, elaborei um esquema bem estruturado, tanto para me guiar naquilo que deveria ser explorado como para causar uma boa impressão no examinador. Somente nesse esboço gastei um bom tempo (aprox. uns 45 minutos), mas tenho certeza de que valeu cada minuto investido. Parti para a escrita propriamente dita e verifiquei, com certa aflição, que possivelmente não daria tempo para fazer um rascunho e depois passá-lo a limpo, se eu levasse em conta o cansaço dos músculos da mão e a pressão pelo tempo, induzindo a erros banais. Naquele momento de incerteza, tomei uma decisão ousada: passar a limpo o que já tinha escrito – apenas umas 20 linhas – e continuar do ponto onde havia parado. Redigir (escrever) tornou-se uma ação lenta e minuciosa, quase obsessiva, atentando aos mínimos detalhes de gramática e legibilidade. Refletindo agora sobre isso, posso afirmar: SE eu tivesse feito um rascunho e DEPOIS passado a limpo, talvez tivesse tirado uma nota ainda maior, MAS poderia também não ter dado tempo para concluí-la,
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logo, pesando os prós e os contras, chego à conclusão que fiz a melhor escolha, ou seja, “fazer o melhor que puder usando os recursos que dispuser”. Para se passar em um concurso de alto nível, deve-se planejar até os mínimos detalhes, pois pode ser justamente um pequeno detalhe que vai fazer uma enorme diferença.

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Parte IV
7. Equilíbrio emocional saudável durante os estudos: Como conseguir isso?

Eis uma pergunta difícil de ser respondida, ainda mais por um leigo como eu. Eu sei apenas que equilíbrio emocional é imprescindível durante os estudos devido a ter passado boa parte do tempo estressado simplesmente porque estudava bastante, mas não conseguia um bom rendimento nos exercícios. Para tentar falar algo que seja minimamente útil a quem ler estas orientações, acredito que a melhor coisa a fazer é: isolar o que pode causar o desequilíbrio e como lidar com isso da melhor maneira.

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É adequado, neste momento, fazer um esclarecimento: em que pese este texto trazer muitas orientações e dicas interessantes, não há pretensão de ser exaustivo. Pretendo que ele seja, no máximo, complementar. Por isso, busque outras fontes igualmente úteis e confiáveis para formatar o seu próprio método de estudos e forma de preparação que se adapte ao seu modo de ser. Lembre-se: o melhor método é aquele que funciona para você, ainda que para outro seja ineficaz.
7.1. Como lidar com as incertezas?

Sendo bem sucinto e prático: reduza os fatores de estresse e evite ficar pensando, digo desperdiçando seu precioso tempo se angustiando pelo dia da prova, pela pouca quantidade de vagas ou pela alta concorrência. Resumindo: estude, faça seu melhor antes para render seu melhor depois. Encare também os desafios com serenidade, seriedade e disciplina. Nada como poder olhar para trás e dizer a si mesmo, mesmo não tendo se saído tão bem: “fiz o meu melhor, não tenho do que me arrepender”. Eu te garanto, é muito melhor do que ficar angustiado pensando que se fizesse só um pouquinho a mais, esforçado-se um pouquinho mais chegaria lá. Se você der tudo de si, ficará mais fácil tentar se superar, além do mais, quando se chega nesse ponto, faltam, regra geral, apenas alguns ajustes finos para alcançar o topo. Creia-me, o que estou dizendo é a mais pura realidade: dê o seu melhor e, se ainda não foi suficiente, tente superar seus limites. É possível sim, eu fiz isso.

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7.2. Quando o inesperado chega sem pedir licença.

Às vezes, acontecem algumas coisas conosco que chegamos a nos perguntar se fomos sorteados em alguma loteria às avessas: “tinha que ser justo comigo?”. Eu havia programado minhas férias para coincidir fazer as provas somente estudando e nada mais. Ótimo, até aí tudo bem (apesar de ter havido uma alteração imprevista que frustrou esse planejamento, cfe. falarei adiante). Mas, no 1º dia das férias, em plena segunda-feira à tarde, comodamente sentado na cadeira da biblioteca, fui “premiado” com uma virose fenomenal, arrasa-quarteirão. Ambiente fechado, lotado de gente, ar-condicionado, já viu a cena né... pois então, fiquei passando mal dia após dia até que na quinta-feira, não suportando a dor no pulmão – cheguei a pensar que era pneumonia – baixei ao hospital. Após a medicação de praxe e uma palavra de tranqüilidade do médico, afirmando que não era pneumonia, fui para casa e no outro dia amanheci melhor, quase bom. Mas, sempre tem um “mas” [...], minha esposa – e maior incentivadora – é que arruína. Lá vou eu de novo para o hospital, dessa feita, acompanhá-la. Mesmo diagnóstico e quase a mesma medicação. Pensei: “vai ficar boa também”, mas na quarta-feira seguinte, ou seja, 2ª semana de férias, tive que retornar com ela para o hospital. Dessa vez ela ficou internada sem previsão de alta (plaquetas baixas, entre outras coisas). Somente foi sair no sábado após o almoço. Quando eu ia visitá-la, levava livros e tal, mas era bastante complicado estudar no hospital, e no apto. tinha uma “bendita” Tira-Visão (TV) ligada – minto, eram 2, uma virada pra lá e outra pra cá, numa verdadeira conspiração anti-estudos – que tornavam o estudo quase impraticável. Bom, mas ela teve alta. Na 3ª semana das férias o que é que eu fiz? Tive de acompanhá-la novamente ao hospital para exames, quase todos os dias pela manhã – quando não era pra fazer, era pra pegar o resultado e passar pela médica. Por causa da medicação durante a internação, deu gastrite, teve que fazer endoscopia e mais o escambau de exames de praxe. Só faltaram pedir pra ela cuspir no chão e medir o tempo de secagem da saliva. d;o) Bom, tirando esses “pequenos” contratempos básicos, tive “quase” todas as DUAS últimas semanas para me dedicar aos estudos, quando não estava ao lado dela, claro. Lembro-me de uma noite, no hospital, quando minha esposa estava internada, e eu sentado num daqueles sofás de recepção (pense num lugar propício para ficar mais abatido que frango de granja), quando bateu um desânimo e aquela velha opinião formada sobre tudo: “é... se eu não passar, nem tinha como mesmo, desse jeito. As pessoas vão entender...”. Mas aí eu me insurgi contra aquele pensamento ridículo e pessimista e disse a mim mesmo: agora é que eu vou botar pra quebrar, dê o que der, não vou desistir, se não
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passar não passei, mas parar na beira do caminho eu não vou!”. Bendita decisão. Claro, não ficava com ela o tempo todo, apenas ia visitá-la todo dia, geralmente à noite, após estudar, enquanto que nos dias de exames, geralmente pela manhã, eu a acompanhava com os livros a tiracolo e tentava estudar na recepção, sem muito resultado aparente. Todavia, só o fato de não desistir pesou muito a favor. Olha, se você também está passando por dificuldades, você não é o único nem foi escolhido pra bode expiatório, e isso não é desculpa para desistir nem jogar tudo pra cima e depois ficar tentando achar culpados pro seu fracasso. Levante a cabeça, continue se esforçando e creia que Deus pode mudar sua situação, pois para Ele não existe coisa difícil, basta você não desistir e confiar. Estou dizendo isso sem qualquer floreio ou tentativa de bajular ninguém, essa foi a minha experiência real, sem aumentar nem diminuir. Creia-me, vale a pena continuar lutando.
7.3. Chegou a crise, e agora?

Embora você possa fazer tudo certo em termos de preparação e esforço, empenhar-se ao máximo, salvo melhor juízo, você também é humano, e ser humano tem limite. Em algum momento da caminhada, esse limite é desafiado, mas estou me referindo ao limite emocional, de suportar toda a pressão e ainda continuar lutando. Comigo também foi assim: cheguei um dia em casa, para almoçar, totalmente esgotado (emocionalmente). Tomei um banho e deitei na cama, olhando pro teto e sem saber o que fazer, desconsolado. Minha esposa entrou no quarto e tomou um susto: “o que aconteceu? - Não sei, estou cansado...”. É exatamente nesses momentos que descobrimos algumas coisas sobre nós mesmos: de que material somos feitos, até onde vai nossa resistência e quão firmes são nossos propósitos. Além disso, é nesses momentos que descobrimos também com quem podemos contar e a quem recorrer nos tempos de angústia. Há um verso bíblico que sempre me impressiona, e já me ajudou bastante, que diz assim: “Se você vacila no dia da dificuldade, como será limitada sua força”, Provérbios 24.10 – NVI. Quando passei por situação parecida antes do concurso do MPU (mais detalhes na entrevista anterior), recebi uma mensagem marcante que, entre outras coisas, dizia: “Quando a luta está mais ferrenha é que você deve desferir os golpes mais fortes. Você nunca sabe se está perto ou longe do fim da batalha, então não desista da luta” (mais ou menos assim). É justamente nos piores momentos que devemos tentar extrair o melhor de nós, aquela força
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escondida lá no íntimo, aquele mínimo e sutil detalhe que diferencia campeões de “borrões”. Crises todos têm, mas vitórias nem todos, por quê? Porque não sabem aproveitar a oportunidade para se superarem e surpreenderem. A crise é um daqueles momentos especiais que forjam a fibra de um verdadeiro campeão, é aquele “feeling” que separa o antes e o depois da nossa história. Está em crise? Persevere na batalha, pois logo adiante se encontram os louros da vitória à sua espera.
7.4. Tensão emocional, como contornar a ansiedade?

Se controlar a ansiedade fosse fácil, ser psiquiatra ou terapeuta não seria sonho profissional de tantas pessoas, e nem a indústria farmacêutica ganharia rios de dinheiro com venda de antidepressivos, não é mesmo? ;op Entre os diversos e úteis conselhos que poderiam ser dados, vou elencar os que julgo essenciais e básicos: 1. concentre-se no agora e, 2. mantenha o foco em suas metas, em seus objetivos. A pior coisa que pode acontecer a algum concurseiro é ele perder o foco e se deixar levar pelas distrações. Se você conseguir fazer isso – manter o foco e continuar concentrado –, não irá ficar perdendo tempo ansioso e preocupado com o que ainda não aconteceu, angustiado pelo que deixou de acontecer ou lamentando o que deu errado.
7.5. A importância do apoio familiar.

Sejamos honestos: ser concurseiro é um desafio para poucos, mas ser filho/pai/mãe/cônjuge de concurseiro é dose pra leão. Algumas pessoas confundem foco e meta com egoísmo e ambição desmedida. Pergunto: de que adianta você ter um grande resultado ou vitória se não tiver com quem compartilhar, alguém especial para te parabenizar? Eu, particularmente, sinto tanto prazer – até mais, eu diria – em ser parabenizado por alguém que eu admiro ou gosto do que propriamente ver meu nome no DOU. Claro, existem exceções, aqueles que estão tentando mostrar algo para alguém ou para si mesmos, etc. Mas, de minha parte, eu tenho um estilo de vida que me norteia: “nenhuma vitória compensa o fracasso de um relacionamento”. Neste caso específico, refirome ao casamento, mas pode ser ampliado para relacionamento com os pais, filhos, etc.

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Ao começar a escrever este parágrafo, estava pensando inicialmente apenas na vitória, mas agora me dei conta de que o apoio nos momentos difíceis é imprescindível. Lembro-me de minha experiência com o TRE2005, recém-casado e recém-desempregado (pedi demissão para estudar), aprovado fora das vagas sem perspectiva de ser chamado ou quando. Se não fosse o apoio de minha esposa, não sei como teria sido. Graças a Deus, hoje estou contando muitas vitórias com ela do meu lado, que foi peça importante em todo esse processo. Quem é concurseiro está sempre sendo tentado a virar as costas para os que o amam e a viver em um mundinho só dele, isolado do resto do mundo. Eu julgo que esse é um dos maiores desafios de todo concurseiro: vencer profissionalmente sem perder familiarmente (pessoalmente). Eu, como administrador, sempre peso o custo x benefício de tudo, mesmo das pequenas coisas. Se algum dia eu quiser ir para o TCU, p.ex., a primeira pessoa com quem conversarei e pedirei uma opinião será minha esposa, pois somos uma equipe: ela ora e eu faço a prova. Até agora, o nível de aproveitamento tem sido fantástico! ;op
7.6. Bons relacionamentos e colheita de resultados.

Bom, já falei um pouco sobre minha parceria (bastante produtiva) com minha esposa, mas quero fazer justiça aqui a algumas pessoas que também considero relevantes nesta vitória da CGU (nas conquistas anteriores também tive muita ajuda, e na entrevista anterior fiz os devidos créditos). Alguns colegas que trabalham na CGU, cujos nomes irei omitir por razões óbvias, foram fonte de inspiração e encorajamento. Certo dia, quando eu estava bastante agoniado e inseguro, liguei para um desses colegas e perguntei como havia sido para ele, como havia sido sua preparação, etc. Ele me contou sobre suas angústias e inseguranças antes da prova, das batalhas, a dificuldade de se estudar no horário do almoço, de ter sido beneficiado nos recursos, enfim, de como Deus o havia abençoado de modo a coroar seus esforços com êxito. O que ele havia passado era bem semelhante ao que eu estava passando, então refleti: “se ele conseguiu, eu também posso, se Deus abençoou ele, vai me abençoar também”. Às vezes, nós precisamos somente de uma palavra de conforto e incentivo para continuar avançando, a despeito das nuvens escuras das dúvidas que pairam ameaçadoramente no horizonte. Outro que me ajudou muito foi um super-espião-agente-secreto, que atende pelo codinome “Jason Bourne”. =o) Nossa história começou assim: eu abri um tópico “vc poderia criticar (sem dó) essa discursiva?” e postei uma discursiva lá. Esse cara veio do nada e fez um tremendo regaço nela, destrinchando e pondo as tripas (da redação) para fora. De início, fiquei horrorizado por descobrir o quão incompetente eu era para escrever (na verdade, eu havia posto como se não fosse minha para que as pessoas pudessem criticar sem reservas). Depois fiquei chocado ao cair a ficha do quanto eu teria de melhorar para atingir um nível
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satisfatório, competitivo. Entrei em contato com o autor da carnificina – fez jus ao nome do personagem do filme homônimo – e, humildemente, pedi para ter a chance de aprender aos seus pés. Foi uma parceria muito produtiva para mim: ele não só me mostrava onde eu estava pecando, onde deveria melhorar e como, etc., mas também indicava livros excelentes e compartilhávamos material. Minha aprovação, em grande parte, deve-se a ouvir seus conselhos (e pô-los em prática, lógico), além de costumeiramente receber suas palavras de incentivo e encorajamento. Jason, tenho para contigo uma dívida impagável, e sempre me lembrarei de ti em minhas orações. Outra amizade agradável que angariei no fórum foi a do “conc_eng_civil”, simplesmente o 1º colocado nacional na CGU e atualmente auditor do TCU. Eu sabia que ele estava super-preparado e apostava minhas fichas em sua aprovação. Sua fantástica colocação foi uma agradável surpresa, aliás nem tanto, pois já havia sonhado com isso (falarei mais adiante). Certa vez, notando que eu estava um pouco deprê, mais abatido que peru de véspera de natal, ele me mandou a seguinte mensagem: “Cara, Tenho sentido que você está com o moral um pouco baixo. Gostaria de te dizer que isso não se justifica, certo? Você já mostrou a você mesmo o seu potencial e atualmente está no páreo de qualquer concurso que tentar. Acho que estamos na reta final desse concurso e o melhor é focar no que pode gerar maior custo-benefício. Assim, se seu desempenho pode melhorar mais em AFO e TEC, dedique a elas mesmo, de acordo com o que disse. Após o concurso, se você achar que não está bem em determinada matéria, pegue o período pós-concurso para dedicar-se a elas. Apesar do que afirmei, não crie em si mesmo a impressão de que está mal em DCO e DAD, como tem feito ultimamente. Não acho que você esteja em dificuldades com essas disciplinas, mas se tiver faça exercícios e revisões agora e foque nelas com afinco após o concurso. Sobre o sorvete, acho uma ótima idéia (já preparou sua esposa para a mudança à BSB?). Já disse: vc sempre estará no páreo e se eu tiver o privilégio de passar (tá complicado!!!) poderemos conhecer-nos pessoalmente. Por fim, quero te dizer minha teoria sobre concursos (formulei depois do TCU): Um concurso desse tem sempre poucas centenas de pessoas que estão em condições de passar (eu nos considero nesse grupo). Tem um grupo especial de caras sensacionais (tipo aqueles que ficam entre os 10 primeiros em concursos nacionais...rsrs) e esses vão passar. Mas as 40 vagas que sobram vão ser distribuídas ao acaso, sorte ou manobra divina. Ou seja, vai depender do estado de espírito do cara, das questões que caírem na prova, matérias que sabe mais o menos e tal... Por isso, o importante é sempre estudar e fazer os concursos que uma hora chega nossa vez. E essa hora é o melhor momento de passar, que Deus está guardando pacientemente. E nos exigindo apenas trabalho. Um grande abraço e motive-se nesse final, que você estará dentro (desde que seja o melhor momento para você)”.

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Tem certas coisas que nada pode pagar e, entre essas, figuram as palavras de encorajamento de algumas pessoas que fazem diferença em nossas vidas. Também desejo registrar meus agradecimentos ao Rafael S.A. do FConcurseiros, 1º colocado na Área “ESTATÍSTICA E C. ATUARIAIS”, por várias sugestões úteis. Alguns comentários que acrescentei neste depoimento são adaptações praticamente “ipsis literis” de algumas sugestões dele. Além disso, ele contribuiu como revisor do texto finalizado e seus comentários expandiram meu entendimento para incluir alguns trechos extras que enriqueceram o texto. Rafael, grato pelas ricas contribuições.
7.7. Atitude de vencedor: se você quer vencer, aja como vencedor.

Talvez um dos maiores males que podem acontecer na vida de um concurseiro seja nutrir uma autoimagem negativa ou, em outras palavras, uma visão derrotista, o famoso “coitadismo”, “isso só acontece comigo”, etc. Eu também fui vítima desse mal, inclusive nesse concurso da CGU. Para se vencer esse mau sentimento, autodestrutivo, tem que ser ousado, desafiar os limites mesmo. Conforme contei (na entrevista anterior) sobre a preparação para o MPU, houve um momento crucial em que precisei me rebelar contra meus sentimentos que iria naufragar e, na preparação para a CGU, tive que tomar uma posição diante do mesmo inimigo invisível, porém ferrenho: o sentimento de que, não importa o que você faça, alguma coisa vai dar errada. Eu descobri que esses sentimentos podem, literalmente, nos derrubar e nos deixar prostrados. Certo dia, fim de fevereiro para começo de março, estava em casa pela manhã, sozinho, (pois minha esposa estava internada), tentando estudar, quando bateu aquele sentimento quase incontrolável de angústia misturado com desespero. Em poucos instantes, então, tornou-se impossível estudar e até mesmo pensar de forma sensata (o medo realmente nos deixa terrivelmente abalados). Nesse momento, precisei recorrer a um elemento que me é caro: a fé. Eu me lembrei da história bíblica da luta entre Davi x Golias e estava mesmo me sentindo como um jovem semi-indefeso diante de um gigante amedrontador. Olhando de dentro de casa pela janela e contemplando a rua, visualizei aquele “gigante” que estava tentando me aterrorizar, e então disparei: “ESAF, você é um gigante mas, se Deus quiser, Ele pode te entregar nas minhas mãos!”. Sentindo a fé crescer dentro de mim, resolvi ser mais ousado: “ESAF, você é um gigante, mas Deus VAI te entregar nas minhas mãos, e todo o Brasil vai saber que, quando Deus quer abençoar alguém, não existem limites para o que Ele pode fazer!”. De imediato, confesso, não senti nenhuma mudança visível, mas no decorrer dos dias o estudo
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começou a render e a fluir naturalmente. Estou falando de uns 20 dias antes da prova, e foi exatamente a partir daí que minha aprovação começou a se desenhar de forma concreta no horizonte. Vou repetir algo que disse na entrevista anterior: quem ora e estuda se sai melhor do que quem apenas estuda. Os benefícios são inúmeros, e posso citar os psicológicos e emocionais entre os que considero os maiores. Todavia, verdade seja dita, não sou ingênuo a ponto de dizer: “ah, já orei, está tudo bem, posso descansar agora”. Não estou tentando incentivar ninguém a ficar proferindo “palavras mágicas” e depois largar tudo, encostar os livros ou depor as armas. Não senhor! A partir de então, dediquei-me ainda mais, só que mais sereno e produtivo nos estudos. Há vários fatores que contribuíram, mas vou ser bem sincero – e espero que não me interpretem como estar sendo arrogante por dizer isso –, nos últimos 15 dias antes da prova, eu não duvidava mais de minha aprovação, coisa que, até então, julgava bastante improvável. Acho que a palavra convicção tem diversas acepções, mas nada se compara quando você a experimenta na prática. Pode ser que nem todos com atitudes de vencedor cheguem realmente a vencer (imediatamente), mas julgo impossível alguém com atitude pessimista vencer alguma coisa em qualquer tempo. Entre a chance de vencer, e poder continuar tentando até conseguir, e a certeza de fracassar, que alternativa você vai escolher? Outro dia, meditando novamente na história bíblica de Davi x Golias, lembrei-me de que, antes de enfrentar o gigante, Davi lutou com um urso e um leão. Enquanto pensava nisso, caiu a ficha e descobri: “antes de enfrentar o gigante, é preciso treinar com o leão e com o urso!”. Foi aí que pensei – “já conquistei grandes vitórias: TRF1 e MPU (que representariam o leão e o urso), então chegou a hora de desafiar o gigante (a ESAF)”! É muito recomendável que você procure dar tudo de si ANTES da prova, para chegar, se preciso for, 110% preparado, pois nunca se sabe o que a banca está programando para detonar os incautos. Certa feita, durante os exaustivos estudos para o TRF1, em outubro de 2006, quando eu acordava de madrugada para estudar, trabalhava o dia todo e ainda encontrava ânimo para ficar estudando até quase 23h, em um dia especialmente cansativo, dei uma “cochilada” braba na biblioteca, à noite, deitando em cima do livro. Não sei quantos minutos cochilei, mas ao abrir os olhos, pude notar alguém sorrindo, conversando discretamente com seu colega ao lado e referindo-se a mim. Todavia, quando o resultado do TRF1 saiu, meu nome estava entre os 1ºs, algumas dezenas de posições acima dos meus “sorridentes” colegas. Quer um conselho de campeão? “Durma e babe” em cima do livro para não chorar em cima da prova!
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7.8. O poder benéfico da desilusão: MPU2007 e TRT2007.

Outro dia, vendo o orkut, vi o título de uma comunidade que me deixou intrigado: “Decepção não mata, ensina viver”. Apesar de não concordar totalmente com essa afirmação, há um fundo de verdade muito grande nela. Pelo menos comigo, e olhe que foram tantas que já perdi a conta – e nem quero achá-la -, as decepções me ensinaram muito. Conforme citei aquele versículo de Provérbios 24.10, quando você se deixa vencer pela decepção e pelo medo, o mundo se torna um lugar sombrio de se viver. Não sou psicólogo ou psiquiatra para entrar no mérito das causas de depressão ou de suas formas de tratamento – apesar de eu mesmo já ter passado por isso, saber como é terrível, e me curado, literalmente, com oração 3x/dia durante uns 3-4 meses – mas o entregar-se por causa de decepções certamente deve ser uma das causas mais significativas. Todo concurseiro vitorioso – pelo menos os que eu conheço – que se preze tem uma história de decepções, e superações também, lógico, para contar. Se todo mundo passa por decepção, por que somente alguns, ou pelo menos a minoria, dão a volta por cima? Acho que a resposta mais simples é: o que importa de fato não é o que a decepção faz com você, mas o que você faz com a decepção que você sofreu. Decepção, apesar de ser algo abstrato, causa uma dor muito profunda e, em não poucos casos, permanentes cicatrizes. Levar pancada e continuar lutando, com fortes lembranças da dor, presente ou passada, é tarefa para poucos. No meu caso, preciso lamber as feridas e me curar antes para depois partir para outra luta. Mas, depois que me curo, volto mais forte para a peleja. Vou contar, brevemente, sobre duas decepções que eu tive que me foram excelentes professoras: MPU2007 e TRT2007. Há significativas diferenças entre ambas, mas as lições foram muito produtivas. O MPU2007 foi uma bênção que quase se transforma em maldição. Vou explicar: passei em 1º para meu estado e 5º no Brasil (+ 24.000 inscritos) e, assim que saiu o resultado, fui visitar o local onde eu, ingenuamente, achava que, brevemente, iria trabalhar. A recepção foi sui generis: o sujeito que era chefe lá me perguntou para qual cargo: 1º para Analista Administrativo, respondi. O indivíduo teve a capacidade de me dizer: “ah... que pena... não chama! Mas, não desanima não viu, o TRT tá aí, estuda que você passa!”. Primeira grande lição: nem todos se alegram com sua vitória, principalmente aqueles que se sentirem ameaçados por você. Responda-me: de que adianta você passar em 1º, ou entre os primeiros, se não te chamarem? Outra lição: faça um concurso para um órgão que chame e, nesse tópico, elenco os concursos que saem apenas com “cadastro reserva”, que foi o caso do MPU para o meu cargo. Assim, faça para um cargo que tenha vaga garantida ou que chamem bastante aprovados, mesmo que depois você saia para outro melhor.
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Bom, diante dessa perspectiva sombria, resolvi fazer mesmo o TRT. Duas coisas contribuíram para que eu me desse mal nesse concurso (nem tanto, afinal 31º/1850 candidatos não foi tãããão mal assim, concorda? ;o): 1ª: novas responsabilidades em meu serviço, exigindo bastante de mim; 2ª: estar me achando o “tal” por estar passando em tudo (essa foi a pior).

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Eu pensava que ia arrebentar de novo, e poderia voltar lá e esfregar o resultado na cara do indivíduo. Infelizmente – felizmente, melhor dizendo -, ao invés de arrebentar eu é que fui arrebentado. Simples assim. Receita infalível para o fracasso: cansaço + soberba (arrogância). Fiquei até com vergonha de voltar ao cursinho onde havia estudado, por não ter ficado, novamente, entre os primeiros. Benditas humilhações, tanto a do MPU quanto a do TRT. Hoje, sou muito grato a Deus por essas duas experiências: se eu tivesse sido chamado no MPU, certamente teria me acomodado e, dificilmente, passaria na CGU. Já a do TRT foi altamente pedagógica: ter me saído mal naquela prova permitiu-me encarar a CGU com um olhar mais humilde e realista, “pé no chão”. Eu ficava sempre me dizendo: “eu trocaria alegremente minhas aprovações no MPU e TRF1 pela CGU, tranqüilamente!”. Você consegue imaginar o tamanho do meu sorriso ao escrever estas linhas? =o) Em verdade, tenho motivos de sobra para ser grato a Deus, inclusive pelas decepções pelas quais passei.

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Parte V
8. A utilidade do fórum.

O FConcurseiros é um lugar especial, repleto de pessoas especiais. E, como ferramenta auxiliar de preparação, é insubstituível. Ouso afirmar que, sem a ajuda do FConcurseiros, minha aprovação seria improvável. Não estou querendo bajular ninguém, inclusive não conheço os administradores, mas justiça seja feita: o FConcurseiros é um aliado fantástico na preparação de alguém que quer vencer no mundo dos concursos, principalmente os de grande porte. Entre seus principais benefícios, vou citar: salas de professores excelentes, prestativos e atuantes; os simulados e seus respectivos comentários; criação de grupo de estudos; os grandes contribuidores (o http://www.adinoel.com/ - Adinoel – é um grande exemplo); as amizades produtivas, conforme já citei; notícias e comentários; e, para mim, os mais importantes, sala das entrevistas, com dicas de quem já chegou lá; elaboração de um ranking confiável e representativo, o que possibilita uma análise das reais auxílio na preparação de recursos contra o gabarito provisório.

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chances de se estar dentre as vagas quando sair o resultado definitivo; e,

9. Milagres existem! Sou prova disso.

O propósito deste tópico não é dizer que Deus intervém a favor de alguém de forma injusta, deixando de fora uma pessoa que estuda e aprovando outra que não estudou, não é isso. Afinal, Deus não é injusto, e a Bíblia deixa bem claro que Ele abençoa nosso esforço, não a nossa ociosidade ou preguiça. Todavia, sabe aqueles momentos em que tudo parece dar errado? Pois é, mas também existem alguns momentos especiais em nossa vida que as coisas dão certo. Veja meu caso: eu havia programado minhas férias para coincidir justamente um mês antes das provas da data prevista no Edital (08 e 09 de março), mas, por uma questão administrativa, fora de meu controle, tive de adiá-las em duas semanas, quebrando meu planejamento. Fiquei chateado, desabafei com minha esposa e tal, que seriam duas semanas a menos num momento crucial e que, certamente, fariam muita falta, etc. Mas então vem o adiamento das provas, em 15 dias. Vibrei. Para mim foi ótimo.
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Obviamente, para outros foi prejudicial, mas, no geral, penso que todos se beneficiaram por ser um tempo a mais para estudar. Talvez o fato de as notas dos aprovados terem sido mais elevadas do que se supunha corrobore isso. No meu caso, esses 15 dias foram tudo o que eu precisava para tirar o atraso da virose e conseguir chegar na prova competitivo. Minhas férias venceram bem na quarta-feira anterior à prova, e pedi ao meu chefe a dispensa da quinta-feira, para compensar depois (sexta-feira foi feriado) e consegui estudar dentro daquilo que me programei. Às vezes, é nos detalhes que vemos a mão de Deus trabalhar em nosso favor, e temos de estar atentos para nos darmos conta disso. Milagre faz parte da minha vida, inclusive o fato de estar vivo, mas quis apenas falar sobre algo que foi importante para mim, dentro do assunto 'concurso'. Falar sobre anjos, voz de Deus e outras coisas igualmente extraordinárias fica para outra ocasião, num tema pertinente a esse assunto, ok? ;o)
10. Quando nossos sonhos se realizam.

Título sugestivo, não? =op Se você prestou atenção, em minha assinatura diz “Não desista dos seus sonhos!”, percebeu? Pois é, sou um cara muito sonhador. No vídeo sugerido, o pastor Silas Malafaia conta que disse ao seu sogro que tinha um sonho (objetivo), e este lhe respondeu: “Sonha, meu filho. Sonhar é bom e faz bem pra saúde!”, e hoje ele conta que Deus realizou seus sonhos, após muito esforço e dedicação. Vou contar apenas dois sonhos, já que na entrevista anterior contei outros: um é meu e o outro foi de minha esposa. O dela foi assim: quando eu saí para fazer a P1 e aquela discursiva de tema totalmente inesperado, ela ficou orando e cochilou. Nesse cochilo, sonhou com um avião, na verdade apenas a cauda dele, como se estivesse decolando, de saída para algum lugar. Viu também cinco estrelas no horizonte, brilhantes. Depois viu uma bandeira enorme do Brasil, tremulando. Quando eu cheguei, animado após a prova (P1 e Disc), sentindo que havia me saído bem, ela me contou. De imediato identifiquei que era Brasília, por causa da bandeira, coisa que ela não sabia, e que o avião representaria a mudança, a ida para lá. Sobre as cinco estrelas ficamos pensando o que poderia ser: elite do Governo, carreira top (5 estrelas)? Bom, quando saiu o resultado provisório da discursiva, eu fiquei em 5º na objetiva, que é uma possível interpretação das 5 estrelas, além de ter sido uma grande bênção pelo fato de eu ter ficado dentro das seis vagas oferecidas no edital. Agora minha vez: tive um sonho com o resultado definitivo, aliás dois sonhos. No 1º via o resultado de CI, e lá estava o nome do meu amigo Fred (conc_eng_civil) em primeirão, e ele ficou em 1º MESMO
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(geral)! Parabéns Fred! Quando eu ia olhar o resultado da minha área, o celular despertou e acordei... ;o) Uns dias depois, sonhei novamente, desta feita vendo uma espécie de cartão de desempenho, e nela estava escrito “C” e “1”. Fiquei meditando o que seria o “C” e interpretei, erroneamente, no sonho, que “1” queria dizer “primeiro” (até hoje não sei o que queria dizer, se era 1ª chamada, ou outra coisa...). Depois de algum tempo meditando, quando acordei, achei que esse “C” poderia significar 3º (1º = A, 2º = B, etc). De fato, minha nota na Discursiva foi a 3º, pois dois empataram em 1º e, no geral, fiquei em 3º. Quando eu ia tentar olhar a listagem geral, para ver quem tinha passado, o telefone tocou e eu acordei! =op Uma das frases que mais me chamam a atenção é: “Não desista dos seus sonhos!”, e a escolhi para estar em minha assinatura do fórum. Você tem sonhos? Lute para torná-los realidade. Viva com a cabeça nas nuvens, mas sempre com os pés no chão.
11. Plano B: o que fazer após um possível revés.

Sofrer um revés é algo a que todos estamos sujeitos. Não conheço ninguém com uma história de sucesso que não tenha fracassos para contar. Outrossim, os fracassos podem ser excelentes mestres, se tão somente atentarmos para as falhas que eles apontam em nós mesmos. Na maioria das vezes, desprezamos e tentamos ocultar os erros e fracassos, mas deveríamos olhar para eles, apesar da dor, com mais carinho. Uma derrota pode ser como um espelho, revelando erros que, teimosamente, tentávamos esconder de nós mesmos. A primeira coisa que deve ficar claro acerca de um fracasso ou revés é que só erra quem tenta, quem vai até o final. Procure aprender, em primeiro lugar, com seus erros. Já assistiu algum filme de artes marciais, em que o mestre usa uma varinha para corrigir seus alunos, quando eles erram? Notou como as “varadas” doem? Mas são aquelas “varadas” que ajudam a construir um campeão. Deixando um pouco o romantismo de lado, eu já levei muitas “varadas” da vida. Lembro-me do concurso TTN1994 (se não me enganei com o ano), quando fui olhar se meu nome estava entre os aprovados. Eu tinha quase certeza de que não estaria, mas chegar lá e ter a certeza de que não estava foi muito doloroso. Sentei em um banco da praça próxima e senti que o mundo tinha desabado em cima de mim. Fiquei totalmente arrasado. Outro desastre semelhante foi em 2005, no concurso do TRE, cujos detalhes já descrevi anteriormente. Após não ver meu nome entre as vagas (para o qual já fui chamado, há quase um ano e declinei), desiludi-me comigo mesmo e abandonei os livros por praticamente todo o ano de 2005. Lição de mestre: reprovação é meio do caminho, nunca fim da estrada. Não existe beco sem saída em termos de
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concurso: se você não tem talento para ser aprovado, conquiste sua aprovação por meio do esforço, na marra mesmo. Para fugir dessas decepções que paralisam, você deve SEMPRE ter em mente que, se seu objetivo é passar em um concurso, somente se deve parar após atingir sua meta. As reprovações farão parte do processo, queira você ou não, goste ou não. Aprenda a conviver com elas, da mesma forma que os atletas olímpicos, principalmente os campeões, aprenderam a conviver com a dor. Receita de medalha olímpica: muito suor e muitas lágrimas. Receita de aprovação em concurso: muito fosfato queimado e muitas lágrimas também, tanto antes (reprovações = tristeza) como depois (aprovações = alegria). E isso porque nem mencionei as famosas dores nas costas, no pescoço, regiões glúteas, etc. ;op Sejamos sinceros e realistas: as vitórias adoçam a nossa vida, mas são as derrotas que nos ensinam a sermos pessoas melhores. É muito gostoso e agradável saborear as vitórias, mas é o sabor amargo da derrota que molda nosso caráter e nos capacita a lidar com as conquistas de forma positiva, sem incorrermos no pecado da soberba. Abraham Lincoln, 16º presidente norte-americano, considerado um dos melhores presidentes que os EUA já tiveram, foi alguém marcado por derrotas políticas e pessoais ao longo de sua vida, tragicamente encurtada por um assassinato. Entretanto, essas mesmas derrotas foram molas propulsoras para lhe conceder a maturidade necessária para enfrentar um dos momentos cruciais da história norteamericana: a Guerra da Secessão. Sem qualquer floreio, a história dos EUA pode ser dividida em duas etapas: antes e depois de Lincoln.

Leia o breve texto abaixo e reflita um pouco sobre isso: “Quando o grande pianista polonês, Ignace Paderewski, escolheu estudar piano, seu professor de música disse que suas mãos eram muito pequenas para dominar o teclado. Quando o grande tenor italiano, Enrico Caruso, buscou as primeiras orientações, o professor lhe disse que sua voz soava como o vento assobiando pela janela. Quando o grande estadista da Inglaterra vitoriana, Benjamin Disraeli, tentou falar no Parlamento pela primeira vez, membros o vaiaram e riram quando ele disse: "Eu me sento agora, mas chegará o tempo quando vocês ouvirão falar de mim." Henry Ford esqueceu de pôr uma marcha à ré em seu primeiro carro. Albert Einstein não conseguiu passar nos exames de entrada da universidade em sua primeira tentativa. Thomas Edison gastou dois milhões de dólares em uma invenção que provou ser de pouco valor. Muito poucos conseguem êxito em sua primeira vez. Fracassos, fracassos repetidos, são impressões digitais na estrada que conduz ao sucesso. A vida de Abraão Lincoln pôde demonstrar que a única vez que você não falha é a última vez que você tenta algo e funciona. O caminho para a vitória pode estar repleto de "fracassos".

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Muitas vezes passamos os dias a murmurar pela falta de sorte ou por nossa aparente incompetência para as grandes conquistas. Tentamos e tentamos e parece que nada dá certo. A frustração nos assola, as decepções se acumulam, parece que todo mundo ri de nossos fracassos”. (Paulo Roberto Barbosa, [Reflexoes2] #2# Você Vencerá, Creia Nisso!, http://www.ministeriopararefletir.com)

Talvez seja um pouco petulante de minha parte dizer isso, mas, quem sabe, as derrotas não o estão preparando para algum grande desafio vindouro, onde o destino de inúmeras pessoas estará sob seus ombros? Nós podemos dizer que também temos nosso Lincoln, o presidente Lula da Silva. É possível que muitos discordem de que ele seja um bom presidente, a despeito de muitas conquistas alcançadas em seus dois mandatos, mas tenho certeza que as derrotas foram úteis para ensiná-lo a gerir a nação de uma forma melhor do que se ele não tivesse provado o sabor amargo da derrota em suas três tentativas anteriores. Assim também, muitos servidores que hoje são exemplo de competência e profissionalismo, aprenderam por meio dos fracassos a construir uma carreira de sucesso. A vida pode nos dar muitas experiências amargas, mas ainda assim é possível transformar o fel em mel. Algumas pessoas que conheço, que são um verdadeiro “doce” de pessoa, me dizem que isso é possível.
12. Quem sou eu, afinal?

Geralmente, quando se escreve algo do tipo, diz-se quem é, porque escreveu, etc., mas, neste caso, achei desnecessário fazer isso no começo. E digo os motivos: 1. por causa da entrevista anterior, não sou tão desconhecido de boa parte dos foristas; 2. tentar mitigar um possível engrandecimento de ego, tão comum em nossos dias e, às vezes, não tão fácil de ser identificado por quem escreve. Ninguém precisa ler um texto de auto-exaltação, que quase sempre é chato, ainda mais um desse tamanho, e não queria ser eu mais um contribuinte desse esforço inócuo e irrelevante, ainda mais neste espaço, que tenho na mais alta consideração. Deixem me contar um pouca de minha história de vida pessoal: sou nordestino, nascido no interior, no coração do semi-árido (caatinga – por favor, não confunda com mau-cheiro ;o). Passei boa parte de minha infância no “sítio”, correndo pelo meio do mato, pisando nos espinhos e caçando rolinha. Em resumo: uma criança super normal, e, na época que nasci, ainda passei pela experiência de ver meu pai indo em direção a SP em busca de uma vida melhor. Eu e mamãe fomos depois. Sim, eu também fui retirante, sim senhor. Moramos quase 08 anos no estado de São Paulo, sempre estudando em escola pública, que na época era bem mais precária que hoje em termos de infra-estrutura. Observo com certa tristeza que os jovens de hoje têm praticamente tudo nas mãos e desprezam os recursos postos à sua disposição pelos governos e pela
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sociedade, desperdiçando a chande de um futuro melhor. Cheguei lá aos 04 anos, tempos difíceis mas de boas recordações, pois as más deixamos para trás, não é mesmo? ;o) Voltei a morar na cidade em que nasci ao completar 12 anos, no sertão do Rio Grande do Norte, mais precisamente a região do seridó. Depois fiz vestibular para a capital, aos 18, e morei numa residência universitária, para estudantes carentes do interior. Em suma, é uma história cheia de traços interessantes. Depois de formado voltei a morar com meus pais, que naquela época já haviam se mudado para a capital (Natal/RN). Fiquei desempregado, meu pai teve a triste experiência de ver seu comércio ir à lona, e eu de acompanhar de perto, sem poder fazer muita coisa para impedir isso. Depois dessa seqüência de fatos tristes, mudamo-nos para o Centro-Oeste, uma pequena cidade de 6 mil habitantes, encravada no coração da floresta amazônica (ou bem perto disso), para recomeçar a vida. Lutas e vitórias que moldam nosso caráter e forjam nossa determinação, ou seja, que nos ajudam a escrever nossa história. Depois de alguns poucos anos, quase estabelecido (era Chefe de Gabinete do Prefeito que, em termos financeiros, não queria dizer muito), recebi uma proposta de mudança meio mirabolante, pedi demissão e me mudei para a capital do Mato Grosso, Cuiabá. O negócio naufragou dois meses depois e me vi sem solução aparente, sozinho em uma cidade até então desconhecida. Mas não desisti: se eu havia tomado aquela decisão, tinha que honrar minhas calças e me sustentar e, lógico, confiar em Deus, pois tinha absoluta certeza da decisão que havia tomado. Bom, sobre ter casado e pedido demissão para estudar para o TRE – e não ter passado dentro das vagas – vocês já devem ter lido na entrevista anterior, então vou pular essa parte. Enfim, o que estou querendo dizer NÃO é que sofri pra caramba e agora posso contar uma história vitoriosa para vocês, não é isso. Veja, minha mãe, faz pouco tempo, concluiu o segundo grau e está cursando faculdade, agora aos 58 anos, e Deus me concedeu o privilégio de incentivá-la e ajudar em seu custeio. Meu pai sempre teve que trabalhar para nos sustentar, desde cedo teve que aprender a manejar uma enxada antes de saber como se manejava um lápis. Certa vez, trabalhando em um garimpo, batalhando pelo nosso pão diário, sofreu um grave acidente e quase ficou paralítico, e hoje sua batalha é para conseguir se aposentar, após muitos anos de trabalho árduo e honesto. Apesar de não ter concluído o 1º Grau, é muito inteligente e, por incrível que possa parecer, tem uma letra muito bonita – assim como minha mãe, aos quais aprendi a imitar – e, se não fosse a falta de oportunidades, seria muito mais hoje do que eu possa ser um dia. Eu consegui minhas vitórias com muito esforço e estudo, mas eles somente com esforço e força de vontade, pois o estudo foi um luxo que reservaram para mim e meus irmãos, e como sou grato a eles por isso. Bem, se eu não estou querendo me exaltar, o que estou querendo então? Estou querendo dizer que, se eu, alguém tão sem aptidões especiais, tão sem fatos marcantes para me considerar um “escolhido” para vencer, consegui, por que você não pode conseguir também? Olha, se você tem dificuldades, use-as para
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crescer e te dar a motivação de querer vencer. Se você tem tudo o que precisa para vencer, não desperdice a chance. Eu tive que lutar contra muitos concorrentes, estudando sozinho, sem fazer um bom cursinho, com matérias específicas para o cargo que concorri, tendo de correr atrás (e recebendo auxílio valioso de muitos colegas), com todas aquelas dificuldades que listei lá atrás e, a despeito de tudo isso, conquistei uma nota acima de minha capacidade natural, previsível. Se eu consegui esse feito, qualquer um pode conseguir também. Eu não sou especial, não sou superdotado, não recebi privilégios especiais, mas, apesar de tudo, cheguei lá. O que te impede de conquistar também? Nada. Leia de novo minha história: tem alguma coisa de fantástica nela? Não. Por favor, não desista, você também pode conquistar. Espelhe-se em meu exemplo: do nada para o tudo, do anonimato para o reconhecimento nacional. Esse privilégio não é exclusivo meu, nem a porta foi fechada para novos atores. Escreva sua história de sucesso você também. Eu terei o maior prazer de lê-la quando aqui – ou em outro lugar – quando for publicada. Apenas não desista. Na Bíblia tem um verso interessante: “O fim das coisas é melhor do que o seu início”, Ec 7.8; tá difícil amigo? Ainda não é o fim, porque o fim é melhor. Não sei em que ponto da caminhada você se encontra, se perto ou longe de seu objetivo, mas uma coisa é certa: só se deve parar após cruzar a linha de chegada, por mais doloroso que seja o percurso. Que Deus te abençoe. Obrigado pela paciência de ler até o fim. ;o)
13. Considerações finais: por que eu escrevi isto.

Se ainda lhe sobrou algum ânimo para continuar lendo, mesmo depois de tanta coisa, quero compartilhar o porquê de ter escrito isso. Todavia, permita-me uma pergunta: você identificou meu nome em algum lugar? Será que eu me esqueci do mais importante, me identificar? Não, eu não me esqueci, na verdade foi proposital. Quando me propus – sim, ninguém me pediu isso – a escrever este relato, pensei principalmente em ajudar alguém que precisava de uma palavra de apoio, conforto e incentivo para não desistir no meio do caminho, como eu já fiz um dia. Esse foi um dos motivos de escrever, e não me identificar tem um objetivo bastante específico: estou abdicando de ter meu nome conhecido em âmbito nacional para que esta história não fique fechada, tendo meu nome estampado no lacre, e assim fique mofando, esquecida, em algum canto de gaveta qualquer. Quero deixá-la em aberto justamente para que ela se torne a sua história. Eu gostaria sinceramente que quem a for ler, ao se identificar com os problemas e dificuldades enfrentados, possa se sentir motivado a experimentar as conquistas também. Quero que esta história seja genérica justamente para permitir que
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outras pessoas possam lê-la e copiar para suas vidas. Talvez os detalhes sejam diferentes, claro, mas o cerne permanecerá o mesmo: superação de limites, vitória diante dos obstáculos. E quero convidar você, caro leitor, a escrever a sua história tomando por base a minha. Os problemas você já possui, e sei que não precisa de mais nenhum, mas acrescente uma pitada de motivação em sua vida e mude o roteiro da sua história. Escreva uma história vitoriosa, que pode até ser mais interessante e bonita que a minha, não terei inveja nem ciúmes dela, esteja tranqüilo quanto a isso. Mas, que seja uma história real, que você também tenha vitórias para contar. Não precisa ser para contar para todo mundo, pode ser apenas para seus pais, seus filhos, seu cônjuge, seus amigos, mas escreva essa história. Eu ficarei muito feliz se essa que acabei de contar servir de inspiração para a sua. O segundo motivo de escrever isso é que, assim eu penso, o serviço público precisa cada vez mais de servidores que atendam ao binômio “Honestidade x Competência”. Com isso estou querendo dizer que os atuais não são nem competentes nem honestos? Longe de mim. Há, com certeza, muitos servidores competentes e honestos no serviço público, e o fato de se estarem abrindo cada vez mais concursos com lisura e transparência só vem corroborar isso. O que quero dizer é que a demanda por pessoas assim aumenta a cada dia, por conta do crescimento econômico, “investiment grade”, maior consumo e produção nacional, etc., havendo necessidade tanto de se elevar a qualidade como a quantidade de serviços públicos prestados à população. E eu acredito convictamente que, se quero que o serviço público melhore, devo contribuir de alguma forma para isso. Evidentemente, sozinho não conseguirei muita coisa, pois ninguém faz nada sozinho. Então decidi contribuir para que aqueles que, como eu, enfrentam dificuldades mas acalentam o sonho de serem bons servidores, possam ter acesso a um histórico confiável de erros a evitar e acertos a copiar, nessa verdadeira aventura que é a busca por um cargo público. Desde o 1º Grau, aprendi que foi Cristóvão Colombo quem descobriu a América e Pedro Álvares Cabral quem descobriu o Brasil, lá nos idos de 1500. Depois vem aquela história da Independência, Proclamação da República e blá, blá, blá. Todavia, desde que me entendo por gente intelectualmente crítica, ainda não consegui ver na prática essa tão falada Independência que todo ano se comemora. Na época do Brasil Colônia, éramos espoliados pelos estrangeiros, mas agora a coisa mudou: somos espoliados pelos próprios brasileiros. Penso que 500 anos é um tempo mais que suficiente para uma nação atingir sua maioridade e maturidade política, econômica e cultural. Não é bem isso que vemos no nosso dia-a-dia, onde muitos institutos democráticos não são respeitados, onde a população, de modo geral, é aviltada pelas práticas
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corruptas de uma corja de malandros que agem como um “Robin Hood” às avessas, tirando dos pobres para dar aos ricos. E quem são os atores dessa tragédia? São brasileiros, como nós, mas que agem como se fossem uma chaga maligna, um câncer na sociedade. Enquanto nós continuarmos apenas na platéia, nunca veremos nenhum “espetáculo de crescimento” acontecer diante de nossos olhos. Temos mesmo é que sair dessa letargia e nos tornarmos os atores de uma mudança positiva e definitiva, onde os maiores beneficiados seremos nós mesmos. Veja, 500 anos de exploração não são suficientes para aprendermos que devemos tomar as rédeas de nosso futuro das mãos de quem apenas quer se servir de nós? Chega de sermos espoliados, de servirmos de quintal de quem quer que seja, estrangeiro ou brasileiro. É preciso acabar com esse sentimento de impunidade vigente, é preciso mudar. E essa mudança tem que começar em nós e por nós. Será que ainda teremos que suportar outros 500? Espero sinceramente que não. E escrevi isso na tentativa – espero que não malograda – de sensibilizá-lo a fazer parte dessa história maior, que é a história de sucesso do nosso país. É o sucesso das várias individualidades que culmina no sucesso da coletividade. Se nós formos bem-sucedidos, na verdadeira acepção da palavra, não na base da “lei de Gérson”, a do “levar vantagem em tudo”, a nação também será bem-sucedida. Nós precisamos ter uma ambição maior do que apenas querermos ser campeões mundiais de futebol, de 4 em 4 anos, enquanto nossas crianças continuam passando fome porque alguém desviou os recursos da merenda escolar, ou adoecendo porque os recursos para o saneamento básico estão enchendo os bolsos de algum “lalau” da vida [que a santa PF o (de)tenha em bom lugar]. É preciso mais do que isso. Desejo, sinceramente, que as dezenas e dezenas de horas que investi nessa minha tentativa de contribuir para que as coisas mudem para melhor não sejam em vão. Contribua você também para um Brasil melhor: ajude seus compatriotas a vencerem também. E, para muitos, alimentar-se todo dia já é uma vitória e tanto. Mas, se queremos de fato sermos 1º Mundo, ainda há muito trabalho a ser feito. Você não gostaria de ser parte na construção dessa história?
14. Bibliografia sugerida, e outros materiais úteis.

Talvez você esperasse encontrar aqui a bibliografia que utilizei para a CGU, não é mesmo? Entretanto, não é essa a intenção, e vou explicar o motivo: já existem excelentes listas bibliográficas, inclusive aprendi a montar a minha lendo as indicações do Demétrius Pepice (Deme) e as do Alexandre Meirelles.

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Outro motivo relevante é que bibliografia sempre fica desatualizada, surgem novos materiais e, no fórum, sempre tem alguém que posta boas indicações a cada novo edital que surge. Logo, julgo desnecessário fazer indicação bibliográfica específica, pelos motivos citados, e a intenção é indicar obras motivacionais, já que é nessa área que temos certa dificuldade de encontrar materiais relevantes e interessantes. Tentarei ser bem eclético, sugerindo vários tipos de materiais que possam levar qualquer pessoa a se motivar, inspirar e se preparar, não apenas para um concurso, mas para a vida de modo geral. Vamos às sugestões: filmes para inspirar e motivar:
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Homens de Honra (Men of Honor, 2000), com Robert De Niro e Cuba Gooding Jr.; Quase Deuses (Something the Lord Made, 2005), baseado em fatos reais; Desafiando gigantes (Facing the Giants, 2006), sobre o futebol americano; À procura da felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006), com Will Smith; Os grandes debates (The Great Debaters, 2007), com Denzel Washington; O poder da esperança (Music Whitin, 2007), baseado em fatos reais.

livros para orientar, motivar e direcionar:
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Transformando suor em ouro. Bernardinho, Sextante, 2007. O sucesso de amanhã começa hoje. John C. Maxwell, Ed. Mundo Cristão, 2005; Automotivação, alta performance. Zig Ziglar, Ed. Mundo Cristão, 2008; Surpreenda-se com seu potencial. John C. Maxwell, Ed. Mundo Cristão, 2008;

site da editora: www.mundocristao.com.br

sites, artigos e/ou autores de relevância no tema 'concursos' :
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Nanci Azevedo Cavaco (artigos diversos no site da ed. Ferreira); William Douglas (http://www.williamdouglas.com.br/index.php); Alexandre Meirelles (http://meirellesedeme.googlepages.com/); EuVouPassar (www.euvoupassar.com.br)

outros:
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Pregação: Ânimo – O Agente Ativador do Ser; Vídeos do Youtube: pesquise “Paul Potts” e “Triathlon – Determinação”;

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Parte VI

Anexos
1. Acompanhamento de estudo diário CGU2008 – semana anterior; 2. Acompanhamento de estudo diário CGU2008 – véspera; 3. Avaliação de estudos CGU2008; 4. Decreto 6.170/2007 – Convênios; 5. Instrução Normativa 47 – TCU; 6. Lei 8.443/1992 – LOTCU; 7. Lei 8.745/1993 – Prova 2; 8. Ciclo CGU2008 16h pós-edital; 9. Ciclo CGU2008 16h pré-edital; 10. Instrução Normativa 01 – SFC; 11. Fevereiro CGU2008; 12. Pilha de livros; 13. Pastas coloridas; 14. Planejamento última semana;

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Acompanhamento de estudo diário CGU2008 – semana anterior

acompanhamento de estudo diário CGU2008 – véspera

Obs.: o nº 10/5 representa total de páginas de acompanhamento = 10 e páginas após edital = 05

Avaliação de estudos CGU2008

Decreto 6.170/2007 – Convênios

Instrução Normativa 47 – TCU

Lei 8443 – LOTCU

Lei 8745/1993 - P2

Ciclo CGU2008 16h pós-edital

Ciclo CGU2008 16h pré-edital

Instrução Normativa 01 – SFC

Fevereiro CGU2008 – horas diárias estudadas

Pilha de livros

Pastas coloridas

Planejamento da última semana

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