Área temática: Marketing e Comunicação Comunicação Organizacional: Aplicação da Análise de Correspondência em uma Empresa Multinacional Brasileira AUTORES ELISA

THOMAS Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS thomaselisa2003@yahoo.com.br CLÁUDIA MADRID CAPPRA Unisinos editoramadrid@hotmail.com FLAVIO CARACCIO Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS flavio_caraccio@uol.com.br LÍVIA CASTRO D''AVILA Unisinos livia@vetorial.net MAGDA BORTOLINI DELAZZERI Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS magdadelazzeri@ibest.com.br Resumo A análise da comunicação organizacional em uma empresa multinacional brasileira do setor químico é o objetivo desta pesquisa. Através da replicação da escala desenvolvida por Penley e Hawkins (1985), buscou-se entender as dimensões de comunicação de tarefas, comunicação sobre desempenho, comunicação sobre carreira, resposta do líder e comunicação pessoal. Foi conduzido um estudo quantitativo com 193 profissionais alocados em três departamentos (administrativo, comercial e industrial), distribuídos em quatro filiais, sendo uma delas localizada no exterior. O questionário foi aplicado, utilizando uma escala do tipo Likert, e os dados foram submetidos a uma análise de confiabilidade e validade. Através do software quantitativo SPSS, utilizou-se a análise de correspondência para investigar se a relação de variáveis como a localização do funcionário e sua área de trabalho são elementos influenciadores no processo de comunicação. Os resultados deste estudo demonstram que existem variações significativas em algumas variáveis relacionadas às características inerentes à função e inerentes às regiões geográficas das unidades. Palavras-chave: estatística, comunicação organizacional, análise de correspondência.

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The questionnaire was applied using a Likert scale. career communication. commercial and industrial).Abstract The analysis of organizational communication in a multinational company of the Brazilian chemical industry is the goal of this research. organizational communication. performance communication. and data were submitted to reliability and validity analysis. distributed into four subsidiaries. A quantitative study was conducted with 193 professionals from three departments (administrative. 2 . communication responsiveness and personal communication were examined. one of them located abroad. correspondence analysis. The results of this study show that there are significant variations in some variables related to the characteristics of the function and the geographical regions of units. the correspondence analysis was used to investigate whether the relationship of variables as location of the worker and its department are elements of influence in the communicational process. Through the replication of the scale developed by Penley and Hawkins (1985). Key-words: statistics. the dimensions of task communication. Through SPSS quantitative software.

Para a análise do constructo utilizou-se a técnica de análise de correspondência (AC) com o emprego do software SPSS. comunicação sobre desempenho. Este estudo foi realizado em unidades estratégicas de negócio de uma empresa multinacional brasileira. Pode ser considerada também um fator humanizador das relações de trabalho. A apresentação dos resultados e as análises referentes a este estudo fornecem uma base empírica importante para a reflexão de profissionais envolvidos com as questões de comunicação interna em organizações empresariais.1 INTRODUÇÃO A comunicação interna é um fator estratégico para o sucesso das organizações. A escala sobre comunicação de Penley e Hawkins (1985) aborda as dimensões: comunicação de tarefas. É importante que todos os funcionários saibam quais são os objetivos da organização. No presente trabalho. envolve pelo menos dois atores (emissor e receptor). investigando a relação entre comunicação e liderança e a influência de questões como a localização do funcionário. 3 . como transmitir tarefas. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2. 1997). A manutenção efetiva das práticas de comunicação é importante nas empresas e segmentos organizacionais complexos. metas e formas de atuação. 1 Comunicação O processo da comunicação é relacional. permitindo abrir os canais de comunicação entre a organização e seu pessoal. Além disto. (4) Coleta e análise dos dados e (5) Considerações finais. A pesquisa quantitativa fez uma replicação da escala desenvolvida por Penley e Hawkins (1985) e disponibilizada no Handbook of Organizational Measurement (Price. envolvendo funcionários das áreas comerciais. sua missão e valores. seja para aproximar membros da equipe. podendo ser útil para pesquisadores propostos a utilizar tal metodologia. Por tratar-se de replicação de um estudo. a manutenção efetiva das práticas de comunicação auxilia a consolidação da identidade da organização junto aos seus públicos. analisamos a comunicação como sendo a transmissão de informações entre membros de uma organização. o estudo está disposto na seguinte estrutura: (2) Referencial teórico. com escritórios comerciais e fábricas dispersos em diversas localidades no Brasil e no exterior. comunicação sobre a carreira. o mesmo referencial teórico foi baseado nas indicações do estudo original. comunicação de resposta do líder e comunicação pessoal. O objetivo deste artigo é analisar a comunicação organizacional e apresentar a análise de correspondência como uma técnica estatística para medi-la. administrativas e industriais. fundamental para os resultados do negócio. (3) Metodologia. Trata-se de uma técnica de análise descritiva e exploratória de dados adequada para analisar simultaneamente as relações existentes entre um grande conjunto de variáveis. sua área de trabalho e o tempo de serviço como elementos influenciadores nesse processo. estratégias. sendo que o principal benefício buscado é a construção e o fortalecimento de relacionamentos. Após esta breve introdução. para que todos saibam a respeito dos objetivos.

195). para possibilitar a medição da comunicação vertical descendente entre funcionários. Desta forma. A literatura sobre o campo demonstra uma lacuna na atenção sobre a comunicação entre líderes e subordinados. bem como para uma eficiente coordenação do esforço dos membros no nível hierárquico adequado” (TANNENBAUM. segundo pesquisa de Gould e Penley (apud PENLEY E HAWKINS. seja através de ordens diretas. esse sistema requer meios para a transmissão de informações. Essa comunicação é considerada quando “se diz a um subordinado o que fazer.Segundo Tannenbaum (1984). 4) A comunicação de resposta refere-se ao fato de o superior ouvir os subordinados e responder a questões levantadas por eles. 1984). medir a comunicação interpessoal em organizações é difícil devido à natureza subjetiva da mesma. A intenção dessas instruções é assegurar um desempenho confiável no trabalho. o superior encoraja o desenvolvimento dos funcionários. p. E foi com essa intenção que Penley e Hawkins (1985) desenvolveram uma escala com 19 perguntas para medir a comunicação. horizontal (entre os pares). entre organizações e da organização com a sociedade.192). 2) Na comunicação sobre desempenho. O transporte de informações adequadas por parte da liderança formal fornece uma base para a “aceitação das decisões. a fim de evitar confusões. 1984. a escala é válida na análise da comunicação vertical descendente que é vital nas operações organizacionais (HALL.314). Torna-se mais difícil de realizar quando não há critérios claros previamente estabelecidos sobre a realização das tarefas para o julgamento por parte do superior. o superior transmite informações a respeito da qualidade do trabalho dos subordinados. Pesquisadores têm tentado definir liderança de diversas maneiras. Porém. pois ela analisa somente a comunicação vertical descendente (na direção do superior ao subordinado). 1984. Uma associação entre aspectos de comunicação sobre carreira e progressão salarial demonstra a importância deste item. Pode ser tanto positivo quanto negativo. Segundo Penley e Hawking (1985). o superior informa os subordinados sobre o que precisa ser feito. não abordando a comunicação vertical ascendente (subordinado-superior). entre unidades. 3) Na comunicação sobre carreira. o superior discute oportunidades de treinamento com os subordinados e lhes dá conselhos sobre a carreira. Os pesquisadores focam pouco sobre o conteúdo da comunicação ou sobre o comportamento dos membros organizacionais. indecisões ou problemas de coordenação. considerando principalmente o comportamento dos membros da organização. elevada qualidade de tomada de decisões e a implementação das decisões pelos interessados. p. p. O autor afirma que a eficácia da organização está estreitamente relacionada com a sua eficácia no manejo da informação (TANNENBAUM. refletidos posteriormente na formulação da escala: 1) Na comunicação de tarefas. 4 . sessões de treinamento ou descrições de um cargo” (HALL. O fluxo de informações deve seguir um padrão de natureza centralizada.137). dividida em cinco dimensões. Porém. O líder aqui é considerado como o superior imediato de cada funcionário-respondente. p. descreve mudanças no ambiente de trabalho e indica políticas organizacionais. 1985. para o fundamental sistema de comunicação das organizações ser eficaz. 1984. É importante salientar que esta escala é limitada em relação à comunicação organizacional como um todo. a comunicação organizacional entre superior e subordinado pode ser dividida em cinco dimensões.

Por isso. caracterizando as razões para o baixo coeficiente. 3 METODOLOGIA O presente artigo teve como objetivo replicar a escala utilizada desenvolvida por Penley e Hawkins (1985). maior a confiabilidade da escala. onde definem cinco dimensões.5) A comunicação pessoal examina a extensão até onde a família e interesses não relacionados com trabalho são discutidos na relação superior-subordinado. com a escala proposta utilizando medidas de sete graus do tipo Likert. 2005a). Resultado Se eu tiver um problema. Com base na variação do alfa. apresentando apenas um valor baixo. Se eu tiver um problema. os resultados foram considerados bons e muito bons (HAIR.” (HAIR et al. no que diz respeito à idade. Carreira Meu supervisor discute comigo como conseguir treinamento adicional. Dimensão Tarefa Questão Alterada Meu supervisor não discute comigo como lidar com problemas no meu trabalho. Assim essas duas variáveis foram retiradas da análise. os escores (classificações) para as perguntas individuais (itens) que compreendam a escala deverão ser correlacionados. relacionado ao construto Comunicação de tarefas. São mensagens de integração entre os atores e manutenção dessa relação. Fonte: autores. 2005b. Assim foram aplicados questionários (conforme Anexo 1). quanto mais fortes as correlações. sendo transformadas em itens reversos. Antes de utilizar o construto para análise. com questões específicas. assim. Para a medida da confiabilidade são analisados os coeficientes de correlação.. QUADRO 1: Questões transformadas em itens reversos. Meu supervisor não discute comigo como conseguir treinamento adicional. Pessoal Meu supervisor pergunta sobre minha família.198). Um instrumento é considerado confiável quando ao ser aplicado repetidas vezes apresenta resultados coerentes. meu supervisor está disposto a ouvir. tempo de serviço. para o melhor entendimento da comunicação. Segundo Finn e Kayande (2004). Questão Original Meu supervisor discute comigo como lidar com problemas no meu trabalho. deve-se garantir que as variáveis selecionadas para medir o conceito o fazem de forma precisa (validade) e coerente (confiabilidade).531. Meu supervisor não pergunta sobre minha família. Com o objetivo de reduzir a tendenciosidade de posição. foi aplicada a confiabilidade através do Alfa de Cronbach para cada um dos construtos propostos. p.1 Análise de Confiabilidade e Validade A escala utilizada neste artigo representa um conjunto de indicadores de medição utilizados para observar a Comunicação nas organizações. que apresentou valor do alfa de 0. Foram incluídas ainda questões de classificação. conforme apresenatdo no quadro 1. quando se trata de uma escala multidimensional deve-se aplicar a análise de confiabilidade para cada uma das dimensões. A interpretação da aplicação da confiabilidade neste item permitiu perceber que os itens T3 e T4 apresentaram cargas baixas de associação com os demais itens. as questões foram ordenadas de forma intercaladas entre as cinco dimensões e ainda quatro questões da escala foram invertidas. 5 . localidade e departamento. após aplicados os questionários e tabuladas as respostas. 3. meu supervisor não está disposto a ouvir. “Para que sejam confiáveis.

O refinamento e agrupamento dos itens são demonstrados na tabela 1. para uma amostra de 100 respostas. algumas variáveis apresentaram valores de correlação muito baixos. ou valores próximos em mais de um fator. 2004). Para confirmar o agrupamento dos fatores nos cinco construtos propostos na sobre comunicação foi aplicada a técnica da análise fatorial. Assim foram testadas as variáveis considerando seu agrupamento em cinco fatores. apud FINN. índice que compara as correlações totais entre pares de variáveis com as correlações parciais entre os pares).Meyer – Olkin. e as comunalidades (fator que analisa a correspondência de cada variável com o todo). Portanto nesta análise foram desconsideradas as variáveis que apresentavam cargas menores do que este valor. porém. Considerando que a análise fatorial aplicada com método “Principal Componentes” com rotação ortogonal é utilizada para redução de dados e o método “Principal Axis Factor” com rotação “Oblimim” é principalmente utilizado para verificar a força das correlações entre as variáveis (FINN. foram aplicadas análises com base nos dois métodos de extração e rotação. A análise permitiu observar que apesar de a medida KMO (Kaiser . Na primeira tentativa de aplicação da análise fatorial foram consideradas as características iniciais propostas no modelo de escala original. Num primeiro momento foi utilizada uma análise com método de extração Principal Components e método de rotação Varimax. KAYANDE. segundo Hair (2005a). Valecir (1977. serem consideradas altas. e num segundo momento Principal Axis Factor e método de rotação Oblimin. 6 . A escala foi refinada retirando-se aqueles itens que apresentavam as características citadas. KAYANDE. que as duas análises não apresentam resultados muito diferentes. para verificar a combinação de variáveis a fim de obter os itens válidos para medir a comunicação. o segundo método seria o mais indicado neste caso.Para garantir a validade da escala foi aplicada a abordagem de validade de construto. Os valores de correlações. deve ser de no mínimo 0. 2004) afirma. Neste artigo.55.

Meu superior discute comigo como conseguir treinamento adicional. C Alfa= 0. Quando eu faço uma pergunta. 2. Itens foram excluídos se a sua inclusão diminuísse o coeficiente Alfa para a dimensão. Meu superior conversa sobre suas atividades e interesses não relacionado com trabalho. meu superior faz de tudo para me conseguir uma resposta. Meu superior discute comigo como lidar com problemas no meu trabalho. Meu superior pergunta sobre meus interesses fora do trabalho. Itens foram excluídos quando a carga de correlação era menor que 0. D Alfa= 0. Meu superior me deixa atento às necessidades de futuras oportunidades de vagas na minha trajetória profissional.889 8. meu superior está disposto a ouvir. R Alfa=0. 4. Comunicação sobre desempenho Meu superior me deixa saber (me fala) quais áreas no meu desempenho são/estão fracas. Meu superior me dá conselhos sobre o desenvolvimento de minha carreira/ profissão.55 ou quando apresentava cargas altas em mais de um fator. 3.55 ou quando apresentava cargas altas em mais de um fator. Meu superior me deixa saber (me fala) qual trabalho precisa ser feito. Comunicação sobre carreira Meu superior me encoraja a desenvolver minha carreira/ profissão. Meu superior reserva um tempo para escutar o que eu tenho a dizer. Se eu faço um pedido ao meu superior.714 6. Meu superior me fornece informações sobre oportunidades de treinamentos. Meu superior nos deixa saber (nos fala) de mudanças que estão por vir.531 5. Meu superior me deixa saber (me fala) sobre a qualidade do meu trabalho. eu sei que vou recebe uma resposta.TABELA 1: Confiabilidade.852 7. Variável Confiabilidade Dimensões Alfa Cronbach 1 originais Principal components Varimax 2 Principal axis factor oblimin 3 Comunicação de tarefas Meu superior explica claramente as políticas de mudança. 1.834 T1 T2 T3 T4 D1 D2 D3 C1 C2 C3 C4 C5 R1 R2 R3 R4 P1 P2 P3 5 5 5 5 2 2 2 1 1 1 1 1 4 4 4 4 3 3 3 F5 4 F5 4 F3 F3 F2 F2 5 F2 5 F2 5 F1 6 F1 6 F1 6 F1 6 F1 6 F4 F4 F4 F4 7 7 7 7 F2 F3 F1 F1 F1 F1 F1 F1 F2 F2 F2 F2 F1 F1 F1 F2 F2 F2 F1 F3 8 F3 8 F3 8 F1 7 . Comunicação pessoal Meu superior pergunta sobre minha família. P Alfa=0. Itens foram excluídos quando a carga de correlação era menor que 0. Meu superior me deixa saber (me fala) como eu posso fazer o meu trabalho de maneira melhor. validade e refinamento da escala. Comunicação de resposta Se eu tiver um problema. T Alfa=0.

todas as variáveis apresentaram valores altos. Os autores acrescentam que é uma técnica composicional porque o mapa perceptual é baseado na associação entre objetos e um conjunto de características descritivas ou atributos especificados pelo pesquisador. A região sul. A hipótese de existência de correlação entre grupos de variáveis pesquisadas foi confirmada com a obtenção de algumas correlações expressivas. que conforme Finn e Kayande (2004) é principalmente utilizada para verificar a força das correlações entre as variáveis. A área comercial.Também foi considerada a aplicação da técnica sem a determinação do número de fatores.2 Análise de Correspondência É de fundamental importância garantir o alinhamento perfeito entre os objetivos estratégicos da empresa e a operacionalização de atividades. H2. garantindo o encaminhamento de ações perfeitamente relacionadas entre si e coerentes com os objetivos corporativos. procurando assim obter a melhor combinação dos dados. Segundo Hair et al. Neste estudo. as seguintes hipóteses foram formuladas: H0. apresentará níveis de correspondência mais elevados do que as demais áreas pesquisadas. Na análise gráfica.Meyer – Olkin). A aplicabilidade da análise de correspondência refere-se à necessidade de tentar identificar algum vínculo de correspondência entre o perfil dos respondentes e os fatores gerados pela análise fatorial. Quanto à comunalidade das variáveis.822. 3. O objetivo é obter-se o maior grau de explicação em duas dimensões para que as informações possam ser representadas graficamente.849 e 0. correspondente à porcentagem da variância de cada uma que é explicada pelos fatores obtidos na análise fatorial. Considerando-se também que a análise correspondência é aplicada com base em duas variáveis categóricas. a análise de correspondência trata-se de uma técnica de interdependência descritiva e exploratória muito usada para a redução dimensional e o mapeamento perceptual. por estar mais envolvida no processo de acompanhamento de metas de faturamento. sendo o método mais indicado neste caso. (2005b). na medida em que pontos mais próximos são similares. H1. são importantes as distâncias dos pontos aos eixos representativos das dimensões. a análise de correspondência foi aplicada com base no agrupamento dos construtos obtidos na análise fatorial. para a primeira e segunda análises respectivamente. foi de 0. os testes realizados utilizaram os dois construtos obtidos na análise 8 . permitindo então a identificação das estruturas existentes na matriz original. A análise de correspondência trabalha com os dados dispostos em uma matriz de múltiplas entradas e reproduz as distâncias entre linhas e colunas em uma outra matriz de menor dimensão. o que indicou a conveniência da aplicação da Análise Fatorial. Não existe diferença significativa de comunicação entre área e tarefa e entre região e pessoal. Para verificar as correspondências propostas nas hipóteses foi aplicada a técnica de análise de correspondência. Nesse sentido. apresentará níveis de correspondência mais elevados do que as demais regiões pesquisadas. por estar mais próxima da matriz. Buscou-se o resultado obtido utilizando método de extração Principal Axis Factor combinado com método de rotação Oblimin. A medida final do KMO (Kaiser .

1 Coleta de dados Os questionários foram aplicados em uma unidade estratégica de negócio com o total de 193 funcionários. em outra análise. e num segundo momento.0 % Fonte: Relatório SPSS. correspondendo a 72% do total de questionários. e transformadas de variáveis métricas para categóricas. Para tanto. Os funcionários estão distribuídos em quatro regiões geográficas (sul. comercial e industrial). Foram mensurados o tempo de serviço e a idade do funcionário. Foi construída a partir do agrupamento da escala original métrica de 7 pontos em uma escala categórica com três categorias: Concordo. Região Freqüência % Sul 45 38. analisou-se vínculos de correspondência entre as variáveis AREA e TAREFA.4 % Exterior 11 9. nordeste e exterior) e três departamentos (administrativo. e desses. Essa transformação esta relacionada com uma recodificação das variáveis considerando apenas três categorias.9 % Comercial 56 48. com o objetivo de avaliar a existência de relação entre estas características e o nível de comunicação nas dimensões mencionadas anteriormente.8 % Sudeste 34 29. entre PESSOAL e REGIÃO. respondentes por região. TABELA 3: Estatística descritiva. Adaptado pelos autores.3 % Industrial 45 38. sudeste. foram criadas duas novas variáveis TAREFA e PESSOAL.5 % Total 116 100. Com base nos respondentes do questionário aplicado.fatorial.8 % Total 116 100. Departamento Freqüência % Administrativo 15 12. Adaptado pelos autores. obtendo 138 respostas.3 % Nordeste 26 22. Em termos de tempo de serviço foram obtidas as distribuições abaixo mencionadas: 9 . 4 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS 4. Discordo e Indiferente. Desta forma. que representam a média dos valores respondidos nas questões que compõe cada construto.0 % Fonte: Relatório SPSS. 116 (84%) considerados válidos. respondentes por departamento. obteve-se a seguinte distribuição estatística: TABELA 2: Estatística descritiva.

159 a 4 graus de liberdade Fonte: Relatório SPSS.994 . percebemos que há uma relação entre área industrial e administrativa demonstrando um baixo nível de comunicação.077 63. aos respondentes com opinião indiferente. Inicialmente foi testada a independência entre as variáveis. o valor 3 aos que concordam. demonstram-se as relações de maior associação entre a variável AREA e TAREFA.000 . confirmando a adequação do uso da Análise de Correspondência. 4. onde o valor 1 refere-se aos respondentes que discordam. respondentes por tempo de serviço. Durante esta análise. Adaptado pelos autores.TABELA 4: Estatística descritiva. Já a área comercial demonstrou um alto grau de 10 . foi definida uma variável TAREFA em categorias. Adaptado pelos autores.4 % mais de 5 anos 55 47. a hipótese H0 é rejeitada ao nível de significância de 5%. o valor 3 aos da área administrativa. Proporção de Inércia Valor Acumulado . Dimensão 1 2 Total Valor .264 .000a 1. Tempo de serviço Freqüência % menos de 1 ano 7 6.541 .006 1.059 Inércia .000 Valor de Confiança Desvio padrão Correlação . Através dos questionários aplicados os respondentes das respectivas áreas apresentaram alto índice de discordância em relação a comunicação com seus supervisores.0 % 1 a 2 anos 21 18.736 . Teste de independência das variáveis.4 % Total 116 100. o valor 2. o valor 2 aos da área industrial e.0 % Fonte: Relatório SPSS. a fim de se ter uma avaliação prévia da pertinência do uso da análise de correspondência posteriormente. a fim de se entenderem preliminarmente as relações entre fatores afins. Nenhuma das categorias da ÁREA analisadas mostraram-se indiferentes quanto à relação de comunicação com seus superiores. Pelo mapeamento no gráfico 1.994 . TABELA 5.1 % 2 a 5 anos 33 28. o critério fundamental foi considerar como base para a pesquisa apenas funcionários que tivessem algum grau de subordinação em relação a outro nível hierárquico da organização.049 -.003 . Partindo da proposta inicial do estudo de avaliar a relação entre comunicação e liderança. A tabela 5 apresenta os resultados do teste de independência de variáveis. foi criada outra variável ÁREA definida em três categorias. onde o valor 1 refere-se às respostas dos respondentes que trabalham na área comercial. Da mesma maneira.2 Análise entre as variáveis TAREFA e AREA Para a aplicação da ferramenta de análise.000 1. Pelo teste Qui-Quadrado.544 Qui-quadrado Sig.

o valor 3 aos que concordam. 11 .concordância neste quesito. foi definida uma variável PESSOAL em categorias.25 -1.5 1. Adaptado pelos autores. o valor 2. entende-se que os seus superiores possuem um bom nível de comunicação relacionado à tarefa. a fim de se ter uma avaliação prévia da pertinência do uso da análise de correspondência posteriormente. Conclui-se que existe realmente uma associação das respostas da amostra. A tabela 6 apresenta os resultados do teste de independência de variáveis. o valor 3 para a região nordeste e o valor 4 para a região exterior. Da mesma maneira.25 0. 4. o valor 2 aos da região sudeste. onde o valor 1 refere-se às respostas dos respondentes que trabalham na região sul. Normalização Simétrica Área Tarefa Tarefa2 0. Inicialmente foi testada a independência entre as variáveis. a fim de se entenderem preliminarmente as relações entre fatores afins. ou seja.75 0.3 Análise entre as variáveis PESSOAL e REGIÃO Para a aplicação da ferramenta de análise.50 0.0 0. aos respondentes com opinião indiferente. confirma-se a adequação do uso da Análise de Correspondência.0 1. Pelo teste Qui-Quadrado. GRÁFICO 1 – Mapeamento Percentual. quanto aos fatores gerados e os respectivos perfis.5 Fonte: Relatório SPSS. foi criada outra variável REGIÃO definida em três categorias.00 -0.5 0.0 adm Concordo Discordo com ind Indiferente -0. onde o valor 1 refere-se aos respondentes que discordam.

Conclui-se que existe realmente um baixo nível de discordância de uma forma geral. com uma maior concentração nos níveis de indiferença e concordância nas regiões analisadas.743 1. Pelo mapeamento no gráfico 2.TABELA 6: Independência das variáveis Dimensão 1 2 Total a 6 degrees of freedom Valor . ocorreu um alto índice de concordância.556 . Adaptado pelos autores. Foi constatado também que na região nordeste.000 .100 Qui-quadrado Sig.026 .073a 1. é percebível a não existência de nenhuma discordância com relação à comunicação com seus superiores. 12 .067 . Normalização Simétrica Fonte: Relatório SPSS.000 Fonte: Relatório SPSS. No exterior.189 11. tanto na região sudeste como no exterior.094 .000 1.743 . demonstram-se as relações de maior associação entre a variável REGIÃO e PESSOAL.257 . percebemos que na região sul demonstra um alto nível de indiferença. Proporção de Inércia Valor de Confiança Valor Acumulado Desvio padrão Correlação . Durante esta análise. Adaptado pelos autores.160 Inércia .074 .272 . há um alto grau de discordância e. GRÁFICO 2 – Mapeamento perceptual.

não foi confirmada. por estar mais envolvida no processo de acompanhamento das metas de faturamento. Enquanto esse estudo foi específico para responder questões relacionadas ao alcance de metas e diferenças entre níveis de comunicação entre departamentos e de forma superficial de geografias. A conclusão formada ao longo das análises. A distância física da matriz influencia também o acompanhamento de implementação de ferramentas de comunicação. É influenciada tanto pelo agente receptor como pelo emissor. revisões periódicas de desempenho e disponibilização de treinamento. nesse caso principalmente influenciadas por questões de características pessoais de liderança. como por exemplo.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A comunicação. disparidade na sua composição. Ainda. pois os resultados apresentaram um alto grau de indiferença. o exterior não apresentou discordância com relação à comunicação com seus superiores. pode-se perceber que a hipótese 2. Podemos entender que esse estudo possui algumas limitações inerentes ao construto. os respondentes estão dispersos em diversas áreas (industrial. sendo que todos eles estão na área comercial. como por exemplo. e ainda. estudos futuros podem ser direcionados para avaliar a relação entre tempo de serviço e a comunicação. Através da aplicação da escala proposta. pôde-se perceber que o contexto de aplicação não apresentou os resultados esperados pelo modelo de base de Penley e Hawkins (1985). O processo de classificação acrescentou um valor inestimável de permitir definições de ações específicas nos agrupamentos identificados. estudos podem ser conduzidos para avaliar a relação entre 13 . que o fluxo de informações é influenciado por questões ambientais do cenário em que está se processando. seja para aproximar membros da equipe. corroborando a hipótese 1. possui apenas 11 respondentes na amostra. conforme mencionado no referencial teórico é elemento fundamental nas empresas e segmentos organizacionais. pode-se concluir que a área comercial. torna possível afirmar que existem variações significativas em algumas variáveis específicas que estão relacionadas às características inerentes à função (ex. Ainda. a amostra englobar um público heterogêneo com relação ao seu perfil. influenciando a avaliação do quesito comunicação. comercial e administrativo). Pelo presente estudo. como transmitir tarefas. tendo a liderança um papel fundamental nesse processo. Provavelmente. devido a este dado. e discutindo o assunto com profissionais da empresa em questão. que simboliza o processo de alinhamento entre metas organizacionais e metas individuais. enquanto que na região sul. A análise de correspondência foi extremamente valiosa no grande volume de dados para posterior aplicação de outras técnicas estatísticas para maior precisão das análises. A região exterior. pelo estudo conduzido. por exemplo. apresenta níveis de correspondência acima do que o nível de comunicação dos demais departamentos pesquisados. A aplicação da escala inicialmente utilizada em um público relativamente heterogêneo (diversas áreas e diversas regiões) apresentou limitação que demandou a depuração das variáveis ao longo do processo de análise. A utilização da análise de correspondência como metodologia estatística permitiu que os dados levantados na pesquisa sobre comunicação evitassem possíveis interpretações equivocadas que seriam formuladas pela análise independente de cada variável. o resultado das questões de comunicação pessoal na área industrial é distante dos demais departamentos) e inerentes às regiões geográficas.

Academy of Management Journal 28(2). e KAYANDE. estudando a correspondência entre os fatores AREA e REGIÃO. HALL. Rio de Janeiro: PrenticeHall. ed. Porto Alegre: Bookman. Pages 37-52 HAIR. PENLEY. et al. áreas e resultados organizacionais. International Journal of Manpower.L. 1997. 1975. REFERÊNCIAS FINN. E. 3. 1985. ed. 309–328. Scale modification: alternative approaches and their consequences. J. 5. J. TANNENBAUM. J. Fundamentos de métodos de pesquisa em administração. as duas análises podem ser correlacionadas. Ainda. 4/5/6. Studying Interpersonal Communication in Organizations: A Leadership Application. relacionando a percepção de comunicação sobre desenvolvimento pessoal (coberto pela dimensão de carreira). tanto para TAREFA como para PESSOAL. treinamento e resultados. A. Richard H. Análise multivariada de dados. HAIR. 18 No. Handbook of Organizational Measurement. O controle nas organizações. January 2004. Porto Alegre: Bookman. pp.S. treinamentos efetivamente realizados e resultados empresariais alcançados. F. por exemplo. Vol. Journal of Retailing. Como sugestão para estudos futuros. PRICE. 2005a. avaliando o impacto da comunicação no resultado organizacional propriamente dito. F. U. Organizações : Estrutura e processos. Issue 1. A. Volume 80. B. 14 .comunicação. et al. 1984. Petrópolis: Editora Vozes Ltda. É possível também fazer estudos de correlação entre regiões. 2005b. e HAWKINS. de um só departamento ou em uma única unidade física da organização. esta escala pode ser aplicada em uma amostra mais homogênea. L. 305-558.

Se eu tiver um problema. eu sei que vou receber uma resposta. meu supervisor não está disposto a ouvir. Meu supervisor me deixa saber (me fala) qual trabalho precisa ser feito. assinalando com um X o quadro correspondente: Discordo Totalmente P3 1 Concordo Totalmente 2 3 4 5 6 7 Meu supervisor pergunta sobre meus interesses fora do trabalho. Meu supervisor me encoraja a desenvolver minha carreira/ profissão. Meu supervisor me deixa saber (me fala) sobre a qualidade do meu trabalho. 1 R3 2 1 2 3 4 5 6 7 T4 3 1 2 3 4 5 6 7 C3 4 1 2 3 4 5 6 7 T2 5 1 2 3 4 5 6 7 P1 6 1 2 3 4 5 6 7 C5 7 1 2 3 4 5 6 7 D3 8 1 2 3 4 5 6 7 T3 9 1 2 3 4 5 6 7 P2 10 1 2 3 4 5 6 7 C4 11 1 2 3 4 5 6 7 D2 12 1 2 3 4 5 6 7 R1 13 1 2 3 4 5 6 7 C2 14 1 2 3 4 5 6 7 R2 15 1 2 3 4 5 6 7 D1 16 1 2 3 4 5 6 7 R4 17 1 2 3 4 5 6 7 C1 18 1 2 3 4 5 6 7 T1 19 1 2 3 4 5 6 7 Idade: 18-25 26-34 35-49 50-59 60 ou mais Região: Sul Sudeste Nordeste Exterior 1 2 3 4 Tempo de serviço: funcionário a menos de 1 ano funcionário entre 1 e 2 anos funcionárioentre 2 e 5 anos funcionário à mais de 5 anos Área: Administrativa Comercial Industrial 1 2 3 Sexo: Masculino Feminino 15 . Meu supervisor me dá conselhos sobre o desenvolvimento de minha carreira/ profissão. Meu supervisor conversa sobre suas atividades e interesses não relacionados com trabalho. Meu supervisor me fornece informações sobre oportunidades de treinamentos. Meu supervisor me deixa saber (me fala) quais áreas no meu desempenho são/estão fracas.ANEXO 1 – Questionário aplicado QUESTIONÁRIO Favor classificar a sua opinião sobre as questões abaixo. Meu supervisor reserva um tempo para escutar o que eu tenho a dizer. Meu supervisor não pergunta sobre minha família. Meu supervisor não discute comigo como lidar com problemas no meu trabalho. Quando eu faço uma pergunta. Meu supervisor me deixa saber (me fala) como eu posso fazer o meu trabalho de maneira melhor. Meu supervisor nos deixa saber (nos fala) de mudanças que estão por vir. Meu supervisor me deixa atento às necessidades de futuras oportunidades de vagas na minha trajetória profissional. Meu supervisor não discute comigo como conseguir treinamento adicional. meu supervisor faz de tudo para me conseguir uma resposta. Meu supervisor explica claramente as políticas de mudança. Se eu faço um pedido ao meu supervisor.

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