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Série: The Drake Chronicles Livro 1

Hearts at Stake
Autora: Alyxandra Harvey

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Guia Humano sobre o Mundo dos Vampiros

POR LUCY

Vampiros Bem, mesmo que estejam um pouco mortas. Ou não mortos. Ou o que quer que seja. São pessoas calmas. Há tantas tribos de vampiros, sem mencionar os solitários, que seria impossível chegar a contar todos eles. Ao redor de Violet Hill, sem duvida, há algumas tribos que são mais conhecidas que as outras: Os Drakes, os Hounds, os Host, e os Hel-Blar. Mas, basicamente, todos os vampiros precisam de sangue para sobreviver e não gostam da luz do sol. E, bom, eles tem uns malvados feromônios que os fazem parecer ainda muito mais bonitos do que são e fazem com que os humanos fiquem um pouco confusos, quando se trata de doação involuntária de sangue. E o que mais? Não são perfeitos. São simplesmente Vampiros.

Os Drakes Minha melhor amiga, Solange Drake, vai converter-se em um vampiro em seu décimo sexto aniversario... Se a mudança de sangue não a matar. E é melhor que não. Não é culpa dela, ser portadora do gene vampiro. Todo mundo em sua família o tem - Seu pai, seus tios e seus sete irmãos mais velhos. A maioria dos vampiros se converte, quando são mordidos e pela troca de sangue. Mas há três antigas famílias que levam uma espécie de gene vampírico, que passa através do nascimento – só através da linha masculina: Os Drakes, os Amritas e os Joiks. Juntos formam o Conselho Raktapa. Mas ainda que, Solange tenha que beber sangue para sobreviver, e se mova tão rapidamente que a verei de forma muito borrada, e lhe saltem os caninos, não me importará. Ela continuará sendo minha melhor amiga.

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Montmartre Montmartre tem mais de quatrocentos anos de idade e é um não morto idiota. Ele quer obrigar Solange a se casar com ele, para assim poder compartilhar seu poder quando ela cumprir com a profecia que diz que as tribos de vampiros serão regidas pela primeira filha nascida de uma família de vampiros em centenas de anos. Ele pensa que, se casar-se com Solange poderá tê-la prisioneira para depois agir como o rei dos vampiros. Ha. Como se eu fosse deixar que isso acontecesse.

Hel-Blar Os Hel-Blar são vampiros cruéis, selvagens, que tem a pele azul e uma boca cheia de presas. Fedem a mofo e putrefação, e se alimentam de ambos: humanos e vampiros. Uma mordida de um Hel-Blar converterá a alguém, morto ou não morto, também em um Hel-Blar. Todos os temem; inclusive Helena Drake; e eu lhes asseguro, que ela não tem medo de qualquer coisa. São mais velhos que a sociedade, mas a maior parte deles foram criados por Montmartre, quando ele converteu humanos em vampiros e depois lhes deixou sozinhos para sobreviver a mudança de sangue sem nenhuma instrução. Aqueles que não morreram, categoricamente, perderam a razão devido a inanição. É melhor evitá-los.

Host Finalmente Montmartre aperfeiçoou sua mordida para converter os humanos. Ele percebeu, é claro, que devia dar-lhes um pouco de seu sangue para assim fazê-los fortes e uteis. Ele ainda os abandona depois de transformá-los, mas lhes dá a quantidade correta de sangue vampiro que os ajuda a lutar. E se sobrevivem a loucura, ele os recruta para seu próprio exercito: Os Host.

Os Hounds Os Hounds são uma tribo de vampiros solitários, e supersticiosos que vivem em cavernas. Se lhes chamar de os Mamau CWN – “Cães de caça da Mãe”. Tem dois pares de

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presas, em vez de uma só, como os vampiros do Conselho Raktapa ou ao dos Hel-Blar. E seguem a um Shaman – seu líder mágico. Montmartre os odeia porque usam esta habilidade mágica para encontrar aos vampiros recém convertidos que ele abandona, e os resgata, antes que ele os possa reclamar como parte dos Host.

Helios-Ra Os Helios-Ra são uma sociedade secreta que caça os vampiros. Preciso dizer mais? Não os entendo. Nem todos os vampiros são maus, assim como nem todas as pessoas são boas. Não importa se caçam Hel-Blar, mas espero que se mantenham longe de minha melhor amiga e sua família – incluindo o irmão dela, Nicholas, meu namorado.

Bem vindos ao meu mundo.

Lucy

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Prólogo
(Lucy)

Sexta à noite.
Normalmente eu não seria pega em flagrante1 em uma festa ao ar livre. Se vocês me perdoam o trocadilho. Este era um sacrifício supremo de minha parte pela minha melhor amiga, Solange, que estava realmente tendo um dia ruim, que estava prestes a se tornar numa semana realmente ruim. Seu aniversário de 16 anos estava chegando, e nós não estávamos falando em um carro novo ou um vestido rosa para seus doces 16 anos2. Não em sua família. Ainda que isto não fosse muito melhor. Ela estava parada no meio de um campo, tratando de beber vinho barato e fingindo que não gostaria de estar em qualquer lugar menos aqui. A música era passável, mas isso era tudo que podia falar a favor. Os carros estavam estacionados em um amplo circulo, o sol estava se pondo atrás das árvores com todas as cores vermelho sangue sendo desenhadas. Praticamente toda minha classe está aqui; não se tem muito o que fazer em um dos últimos fins de semana antes de começar as aulas. Pessoas dançavam e flertavam em um mar de bonés de baseball e jeans desbotados. Alguém arrotou alto. — Esta foi uma idéia terrível — murmurei. Solange sorriu gentilmente, abandonando seu copo plástico em cima do capô da caminhonete enferrujada de alguém.

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Inicialmente utilizado – caught dead – que na tradução literal seria – pega morta – , daí o trocadilho. Fazer 16 anos nos EUA é como fazer 15 anos no Brasil, é algo especial daí o – doces 16

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— Foi uma ótima idéia — Foi estúpido — admiti. Ela parecia tão triste ultimamente, esperava que uma completa mudança de ritmo pudesse distraí-la de toda esta preocupação. Em vez disso me fez querer expor meus dentes lamentavelmente humanos para os arruaceiros. O sapato de alguém roçou meus saltos, e quando olhei para trás, fui consagrada com demasiada informação a cerca dos hábitos sexuais dos meus colegas de classe. Eu chutei duramente a bota. — Ninguém merece ver isso — eu disse, indo embora rapidamente antes que mais roupa seja despida. O casal deu risadinhas e foi mais à dentro do milharal. Eu encarei Solange. — Em que demônios eu estava pensando? — Ela deu um sorrisinho. — Isso é raro em você Darren, da minha classe de matemática do ano passado, tropeçou em seu próprio pé e caiu na terra na nossa frente antes que eu pudesse responder. Seu sorriso era largo. Usualmente ele era suficientemente legal; na verdade ele, era a causa de eu não ter sido reprovada em matemática. Mas estava bêbado e desesperado para transar. — Oi Lucy — aparentemente a cerveja o fazia balbuciar. Meu nome saiu como ‘Loothee’ — o que era bem melhor que meu verdadeiro nome, que era Lucky 3. Eu tinha esse tipo de pais, mas fiz todos me chamarem de Lucy desde o primeiro dia da primeira série. — Oi Darren. Ele piscou para Solange. Mesmo em jeans e musculosa, ela parecia dramática. Era toda aquela pele e olhos pálidos. Sua franja preta estava rebelde porque ela tentou cortála sozinha. O resto era longo e passava dos ombros. O meu era um castanho normal e cortado na altura do meu queixo. Meu óculos era retro — com aro escuro e vagamente em forma de olho de gato. Eu não precisava deles para ver que Darren estava babando por Solange. Todos os garotos babavam por ela. Ela era linda, fim da discussão. — Quem é sua amiga? Ela é quente4. — Você já a conheceu antes — Solange estudava em casa, mas eu a levava por ai cada vez que podia. — Ponha-se sóbrio, Darren. Essa não é uma boa aparência para você.
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Significa sortudo (a) ou afortunado (a) em inglês. Gostosa.

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— Okay — Ele cuspiu grama fora de sua boca. Entrelacei meu braço com o dela. — Vamos sair daqui. O sol está começando a se pôr de qualquer forma e talvez possamos salvar o resto da noite. O vento era suave através do milho, fazendo agitarem-se os talos à medida que passávamos. As estrelas estavam começando a aparecer, como olhos de animais no escuro. Nós ainda podíamos escutar a música e as ocasionais risadas histéricas. O crepúsculo estava começando a aparecer como um suave véu azul. Havíamos caminhado desde a minha casa que estava a meia hora de distância. Provavelmente havíamos esperado tempo demais. Aceleramos o ritmo. E então Solange se deteve. — Que foi? — me congelei ao seu lado, me tencionando ao extremo. Eu estava bem ciente do que poderia estar ali fora. Nunca devia ter sugerido isto. Simplesmente a expus em mais perigo. Era uma idiota. Ela levantou uma mão, seus olhos subitamente tão pálidos que estavam quase descoloridos, um anel de gelo em volta de um lago negro. E porque estava assustava, franziu o cenho nas sombras que as rodeavam. Mamãe sempre dizia que a bravata era uma divida kármica que teria que superar. Ela estava basicamente dizendo que estava sendo insolente e insuportável por várias vidas. Mas de alguma forma não pensava que esta situação em particular necessitava de uma rodada de oms que era a forma favorita da minha mãe de limpar a bagagem kármica. Para a maioria dos bebês se canta canções de ninar, eu tive ‘Om Namah Shivaya’ quando estava realmente agitada. — Policiais? — eu sugeri, principalmente porque eles pareciam a melhor alternativa. — Eles sempre aparecem nessas festas. Ela sacudiu a cabeça, negando. Ela parecia delicada e etérea, como se ela fosse feita de pétalas de lírios. Poucos sabiam o mármore que essa suavidade escondia. — Eles estão perto — murmurou — Observando. — Corremos? — sugeri — Agora? Ela sacudiu a cabeça novamente, mas pelo menos começou a andar. — Se agirmos como presas, eles vão agir como predadores.

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Tentei não hiper ventilar, comecei a andar rapidamente mas com confiança, como se nós não estivéssemos sendo perseguidas. Algumas vezes eu realmente odeio a vida de Solange. Era totalmente injusta. — Você está ficando com raiva — ela disse suavemente. — Droga, lógico que estou. Estes bastardos mortos-vivos pensam que podem fazer isso com você só porque... — Quando você está nervosa seu coração bate mais rápido. É como a cereja num sorvete com calda quente. — Oh. Certo. — Eu sempre me esqueço desse pequeno detalhe. Talvez minha mãe esteja certa. Preciso começar a meditar. — Lucy, eu quero que você corra. — Cala a boca. — A incredulidade fazendo minha voz falhar. — Eles irão me seguir se eu correr na direção oposta. — Este é o pior plano que eu já ouvi. — Protestei, lutando contra a vontade de olhar para trás. Estúpido milharal assustador. Estúpidos perseguidores assustadores. Um grilo cantou de repente do alto de um talo e meu coração quase pulou do meu peito. Eu realmente apertei minhas mãos contra minha caixa toráxica, meio assustada. O grilo se calou e foi substituído pelo barulho dos pneus de carro. Os talos de milho se partiram. Um jipe familiar derrapou para uma parada poeirenta em nossa frente. — Nicholas, — Solange suspirou aliviada. — Entrem — falou bruscamente. Estava ligeiramente menos entusiasmada com seu irmão mais velho, mas tinha que reconhecer ele tinha bom timing. Com sua camisa preta e cabelo escuro, se fundindo com a noite. Só seus olhos o entregava, prateados e ferozes. Era lindo, não havia como negar, mas ele sempre soube como me faz querer enfiar um garfo em seus olhos. Como agora. — Dirija — ele disse para seu irmão Logan, que estava no volante. Ele nem mesmo me esperou entrar. Ele tirou o pé do freio. O carro acelerou. — Hey! — eu gritei.

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— Nicholas Drake, a deixe entrar no carro agora mesmo. — Solange deslizou para o meio dos assentos da frente. — Ela está bem. Nós temos que tirar você daqui. Eu me agarrei à janela meio aberta. Logan diminuiu. — Desculpe, Lucy, eu pensei que você já estava dentro. — Ele disse. — Você não entende? — eu perguntei a Nicholas, desagradada. — Se você me deixar aqui, agora que Solange está a salvo, eles irão me pegar para chegar a ela. Solange abriu a porta traseira e eu entrei. O carro acelerou. As sombras ajustaram-se ao nosso redor, ameaçadoras, famintas. Estremeci. Depois dei um tapa na cabeça de Nicholas. — Idiota.

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Um
(Solange)

Não posso crer que realmente ia simplesmente deixá-la ali. — Eu protestei

novamente enquanto Logan entrava em nossa pista, que estava coberta com sebes. O brilho sobrenatural dos olhos havia desaparecido, e não havia nada além de amoras maduras e grilos nos arbustos. Nossa fazenda não só era bem protegida, mas também era cercada de fazendas de outras famílias, com a floresta ao redor de todos eles. Os Drakes haviam vivido nesta área desde que era considerada selvagem e perigosa, o melhor era deixá-la para pistoleiros e foragidos. Agora era só minha casa. Mas perigosa de todo modo. — Ela estava bem — disse Nicholas mal-humorado. — Ela estaria segura assim que tivéssemos você longe dela. — Ele sempre a chamava só de ‘ela’, exceto na frente dela, quando a chamava de Lucky porque isso realmente a incomodava. Eles ficavam se irritando mutuamente desde que eram crianças. Existia uma piada familiar onde se dizia que as primeiras palavras de Lucy foram, ‘Nicholas está me irritando’. Não podia recordar de não conhecê-la. Ela havia me tirado da minha concha, inclusive quando éramos pequenas, ainda que não fosse até o meu quinto aniversário que comecei a chamá-la de minha melhor amiga, logo que arremessara uma bola de lama na cabeça de Nicholas por roubar minha torta de chocolate. Nós aprendemos a andar de bicicleta juntas e gostávamos dos mesmos filmes e falávamos a noite toda cada vez que tínhamos festas do pijama. — Ela estava bem, — insistiu Nicholas, capturando meu olhar. — Apesar de ser imprudente. — Ela estava tentando me ajudar.

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— Ela é humana, — ele disse, como se isso fosse uma doença debilitante, como se ele não fosse humano também, apesar da mudança. Nós não éramos morto-vivos, como contam os romances de terror, apesar de definitivamente parecermos durante a nossa transformação. Esse estereótipo em particular está tão profundamente ligado que algumas vezes é mais fácil aceitá-lo. A mãe de Lucy nos chama de ‘diferentemente capacitados’. — E você é um cretino. — Toquei sua manga. — Mas obrigado por vir buscar-me. — De nada, — murmurou. — Mas sabe que não deveria deixar que ela a convença a fazer algo. Nunca termina bem. — Eu sei. Mas você sabe como é Lucy. E suas intenções são boas. Grunhiu. Logan sorriu. — Ela está ficando mais bonita. Especialmente por trás. — Não, não está, — disse Nicholas. — E pare de olhar sua bunda. Eu definitivamente iria contar a Lucy que eles haviam estado falando sobre sua bunda. — Você é como um velho, — Logan disse com desprezo, desligando o motor. — Temos todo este poder. Deveríamos usá-lo. — Flertar não é um poder, — lhe disse secamente. — É se você é bom nisso. E eu sou muito bom. — Isso é o que você continua nos dizendo. — Ser encantador é meu dom, — ele disse modestamente. Ninguém mais poderia vestir semelhante camisa brega com babados e ter um rosto tão bonito. Os feromônios que os vampiros emitem é com um perigoso perfume que mantêm os humanos em transe e sobrecarregados com desejo, e os de Logan são particularmente bem calibrados. Eles não têm na verdade um perfume que possa ser descrito, exceto em meu caso ultimamente. É mais subliminar do que isso, com o poder de hipnotizar. Um pouco como o jeito que os animais podem cheirar uns aos outros na floresta, especialmente na época de acasalamento. Se o vampiro é particularmente poderoso, os humanos nem se lembram de ter sido a refeição; eles simplesmente terão desejo por carne mal passada ou espinafre. Se bebermos muito, eles ficam anêmicos. Os feromônios não funcionam em outros vampiros, exceto claro, os meus, que estão se tornando uma referência para todos os tipos de vampiros. Eu sou especial, e não

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de maneira boa, se você me perguntar. Vampiros raramente nascem, exceto em certas famílias ancestrais... Prova A: meus sete insuportáveis irmãos e eu. Porém sou a única garota. Em quase novecentos anos. E quanto mais perto fico do meu décimo sexto aniversario, mais eu atraio os outros para mim. É tudo muito estilo Branca de Neve, só que não atraio pássaros azuis e veados — só vampiros sanguinários que desejam sequestrar-me ou matar-me. A política vampírica é, no melhor dos casos, confusa, e todo os Drakes foram exilados da corte real desde que nasci. Fui considerada uma ameaça para a regente atual, Lady Natasha, porque minha genealogia é tão impressionante e porque existe alguma estúpida profecia de séculos atrás onde diz que as tribos vampiras serão propriamente unificadas sob a regência de uma filha nascida de uma família ancestral. E Lady Natasha, ao contrário de mim, não nasceu em uma família ancestral — mesmo que ela se considere a regente rainha vampira. Como se isso fosse minha culpa. Felizmente, minha família prefere muito mais viver tranquilamente exilada na floresta. Escutei suficiente rumores sobre nossa regente para estar feliz de jamais tê-la conhecido. Alimenta-se de humanos e raramente é discreta sobre isso; na verdade, ama a atenção e os vampiros fanáticos. Aparentemente não gosta de garotas jovens e bonitas, elas nunca parecem conseguir sobreviver as suas mudanças de humor. Tecnicamente, ela não deveria estar alimentando-se de humanos, e certamente não de uma forma tão despreocupada. Estava se convertendo em um problema, inclusive entre sua própria gente. Eles são monarcas que a seguem simplesmente porque é muito poderosa, não porque a respeitem de alguma forma. O medo, como sempre, é um grande motivo. E ultimamente tem estado convertendo cada vez mais humanos em vampiros, com o propósito de reunir seguidores. O conselho a põe nervosa, e eu a ponho nervosa, mas sobretudo, Leandre Montmartre, a põe nervosa. Ele tem esse efeito sobre todos nós. Ele tem estado convertendo humanos por quase trezentos anos agora e é tão violento e indiferente acerca disto, basicamente criou uma nova raça de vampiros. Ele os deixa no meio da transformação e com frequência os enterra na terra, para que

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completem a mudança por conta própria sem nenhuma ajuda em absoluto. A sede é tão grande que os deforma e dá-lhes um conjunto duplo de presas em vez de apenas um par retrátil. Aqueles que permanecem leais a Montmartre são chamados de Host. Aqueles que se negam chamam-se a si mesmos os Cwn Mamau, os Hounds das Matriarcas. Eles foram fortes o suficiente para sobreviver sozinhos, ou foram resgatados e treinados por outros Hounds. Todos sabem que desejam matar a Montmartre, mas são solitários demais para aceitar ajuda externa. São fortemente independentes, vivem em covas, servem a uma Shamanka5, e usam contas de ossos nos cabelos. São um pouco assustadores, mas nem de perto tão temíveis quanto às criações mais perigosas de Montmartre chamados Hel-Blar6, que tem a pele azulada, e todos os dentes em forma de presas, afiados como agulhas e não retráteis. Hel-Blar significa ‘morte azul’ em alguma linguagem Viking antiga. Sua mordida, conhecida como o ‘beijo’, pode infectar sem nenhuma classe de contaminação sanguínea, e existe o rumor que eles podem converter tanto humanos quanto vampiros em Hel-Blar. Até Montmartre os evita o máximo possível. Não é acostumado a limpar seus próprios desastres. E eles o querem morto até mais que os Hounds — quando eles estão lúcidos o suficiente para querer algo além de sangue. Os Host e os Hounds procuram se manter sãos, ao contrário dos Hel-Blar. Nada pode controlá-los, nem mesmo Montmartre. Vivemos pacíficamente com outros humanos, e nossa família é um dos poucos clãs ancestrais do Conselho de Raktapa. O conselho foi formado anos atrás quando as famílias perceberam que não eram como os outros vampiros: nossa mudança é genética. Transformamos-nos sem ser mordidos, mas necessitamos de sangue vampiro para sobreviver à transformação. Logo, somos quase imortais, como os outros, somos vulneráveis só a uma estaca através do coração, luz solar em excesso, ou decapitação. — Por acaso mamãe e papai sabem o que aconteceu depois da festa? — perguntei, finalmente saindo do carro e encarando a casa. O edifício original havia sido queimado durante a caça as bruxas de Salem, mesmo que não estivéssemos perto de Salem. As pessoas locais haviam sido supersticiosas e medrosas de cada pequena coisa. A casa foi reconstruída mais profundamente no refúgio da floresta. Era simples e até um pouco velha no exterior, mas a cabana de troncos ao estilo pioneiro ocultava um luxuoso interior cheio de sofás de veludo e lareiras. As roseiras nas janelas de vidro reforçadas eram um pouco desalinhadas, carvalhos velhos e majestosos. Eu amava cada pedaço dela. Incluindo a cara hostil e desaprovadora de minha mãe atrás do vidro. — Está ferrada, — murmurou Logan.
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Feminino de Shaman. Mitologia norueguesa Hel – Deusa da Morte, Blar – Negro como a morte.

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As mariposas foram correndo em direção das luzes. A porta de vidro rangeu quando eu empurrei para abri-la. — Solange Rosamund Drake. Eu estremeci. Atrás de mim, todos os meus irmãos fizeram o mesmo. Minha mãe, Elena, é intimidadora com seu longo cabelo preto e seus olhos pálidos, e o fato dela conseguir liquidar alguém com o dobro do seu tamanho com uma espada, uma estaca ou simplesmente com as mãos. — Ouch — sobrenome. — Logan sorriu compreensivamente para mim antes de se encaminhar para sala de estar e para fora do fogo cruzado. — Delator. — Belisquei Nicholas. Ele só ergueu uma sobrancelha. — Nicholas não nos disse nada. — Minha mãe o imobilizou com um olhar acusador. Ele se contorceu um pouco. Conheço homens grandes que retrocederam por causa desse olhar. — Um dos seus tios estava patrulhando o perímetro e viu sua fuga. — Fuga. — Revirei os olhos. — Não foi nada. Eles nem sequer saíram do milharal. Estavam simplesmente me observando. — Você tem que ter mais cuidado, — meu pai, Liam, disse calmamente da sua cadeira favorita. Que parecia um trono medieval. Sem surpresas nisso. Ele só nasceu em 1901, mas vivia como um rei. — Eu me sinto bem, — eu disse exasperada. Ele estava bebendo conhaque. Eu podia sentir o cheiro do outro lado da sala, assim como podia sentir a colônia do tio Geoffrey, o cão pequeno da tia Hyacinth e o denso perfume de rosas. Apenas mais um dos nossos pequenos presentes. Eu esfreguei meu nariz assim eu não iria espirrar. — O que são todas essas flores? — eu perguntei, notando as rosas. Tem dezenas e dezenas delas por todo lugar, em todas as tonalidades de vermelho, dentro de vasos de cristal, xícaras e potes de geléia. — De seus... admiradores, — meu pai me disse tristemente. — Que? — Admiradores, ahh… tá! Eles simplesmente vieram por meus feromônios. Não é minha culpa que cheiro estranho. Tomo banho todos os dias, mas aparentemente ainda cheiro a chocolate quente, lilases e algo mais impossível de descrever com precisão. Até Lucy comentou isso uma vez, e ela é quase imune a nós, tendo praticamente crescido aqui. Ninguém mais tem um odor tão notório, os feromônios

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são geralmente sutis e misteriosos. Eu realmente espero que desapareça quando estiver totalmente convertida. Ainda que a profecia e o legado de minha família no mundo vampírico, não desapareçam. Às vezes é uma droga ter uma família tão antiga e poderosa. — Querida, é um grande elogio, tenho certeza, — disse minha tia Hyacinth. Ela era tecnicamente minha tátara-tátara tia. Ela não parecia ter mais de quarenta, apesar de seguir a moda de sua juventude de sua tribo, como a maioria dos vampiros fazem. Seu vestido era estilo vitoriano, com um espartilho de renda e contas de vidro. — Quando eu tinha sua idade foi minha melhor época. Não há nada como a emoção de ser debutante. Todos esses homens ansiando por ti. — Senti um leve calafrio. — Hyacinth. — Papai fez uma careta. — Você nem sequer havia sido convertida nessa época e isso dificilmente é um baile de debutantes. Eles não desejam dançar valsa! Maldição! Meu tátara-tátara tio Edward havia se casado com a tia Hyacinth em 1853 e em 1877 a tinha convertido por sua insistência. Ela foi inspirada no eterno amor da rainha Vitória por seu marido e queria viver por séculos, ao lado de Edward. Embora eu nunca o conheci, já que ele morreu na Primeira Guerra Mundial, por um tiro em uma noite numa missão de espionagem para os Aliados, pois ele estava determinado a fazer sua parte. Ela esteve sozinha desde então. Olhei para o cartão creme preso num enorme buquê de rosas brancas numa caixa vermelha e congelei. — Montmartre? — gritei. — Ele me enviou flores? Papai lançou a caixa um olhar furioso. — Sim. — Estou colocando no incinerador, — disse sombriamente. O último que queria era Montmartre ou seu Host sabendo quem sou eu. Além disso, estava esperançosa de escapar, enquanto todos estavam distraídos. Deveria ter sabido melhor. — Você pode fazer isso mais tarde, — mamãe apontou um lugar. — Senta. Deixei-me cair sobre um sofá de veludo. Nicholas sentou-se também, juntando-se aos meus outros irmãos, que estavam todos me olhando severamente. — Vocês não têm nada melhor para fazer? — perguntei.

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— Que proteger a nossa chata irmã caçula? — Quinn disse pausadamente. — Não. Ser a única menina em uma família de rapazes teria sido bastante difícil de lidar, muito mais em uma família com a incrível habilidade de dar à luz os vampiros do sexo masculino. Mesmo entre os Drake, essa capacidade é rara. A maioria dos vampiros são convertidos — não nascidos. Minha mãe, por exemplo, foi humana até o meu pai transformá-la logo depois que eu nasci e eles decidiram que não queriam mais filhos. Ele nasceu humano também, como meus irmãos, até seu décimo sexto aniversário — quando ficou doente, do jeito como todos nós — e teria morrido se minha tia não lhe desse o seu sangue para beber. A lenda da família diz que o primeiro do nosso clã foi William Drake. Ninguém sabe como ele se transformou. Só sabemos que se casou com Veronique DuBois, uma dama de companhia da rainha Eleanor de Aquitaine. Um ano após seu casamento, ela entrou em trabalho de parto do seu primogênito. Depois 27 de horas de parto, a parteira disse a William que Veronique não iria sobreviver ao parto. Desesperados, William a transformou e seus gêmeos nasceram saudáveis. Porém em seu décimo sexto aniversário, os gêmeos enfraqueceram-se e tornaram-se sensíveis à luz solar. Eles estavam famintos, mas não podiam comer, sedentos, mas não podiam beber. Nada os agradava. Com exceção de sangue. E assim a família de vampiros Drake começa. Veronique, a mais velha sobrevivente dos Drake, é a matriarca da nossa família. William foi estacado por um caçador durante o reinado de Henrique VIII. Veronique raramente faz visitas, preferindo que vá a ela uma vez que tenha sobrevivido à transformação e pode assim se permitir apegar. Pelo menos não se juntou a nós esta noite, o que significava que não era uma reunião formal, apenas uma armadilha familiar. Ela era suficientemente aterradora que provavelmente poderia ter feito Lady Natasha correr de seu trono se isso fosse o que desejava. Felizmente para todos, prefere os bordados que as intrigas da corte. — Solange, está me escutando? Ergui minha cabeça rapidamente. — Sim. — Havia escutado esse sermão em particular, suficiente vezes nos últimos meses para conhecê-lo detalhadamente. — Nada aconteceu. Estão todos exagerando. — Eu me sentia culpada sim, mas sabia que era melhor não demonstrá-lo.

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— Havia pelo menos três deles no campo esta noite, talvez mais. — Nicholas franziu o cenho. — Você sabe que nem todos enviam flores. A maior parte deles simplesmente quer te pegar e correr. Franzi o cenho em resposta. — Eu podia lidar com isso. Nem estava completamente escuro ainda. Aliás, se eles eram tão perigosos, por que quase deixou Lucy para trás? — Ia deixar Lucy ali? — mamãe perguntou rispidamente, e Nicholas entrecerrou seus olhos em minha direção. Olhei-o com meus olhos satisfeita. Crescer com tantos irmãos me ensinou a doce arte de desorientação, a auto-preservação e a vingança, se não houvesse outras. — Ela estava bem. — Sabia que Nicholas estava tentando não cair do seu lugar. — Não iam atrás dela. E pelo amor de Deus, ela não é frágil. — Ela está sob a proteção desta família, — disse meu pai. — Eu sei, mas pode cuidar de si mesma. Quebrou meu nariz no Verão passado, não fez? — Pode ser que sim. — Tá bem, tá bem. — Nicholas recuou. — E você, mocinha. — Papai se virou para mim. Todos os meus irmãos sorriram, traidores. Eles pareciam semelhantes o suficiente para que as pessoas costumassem assumir que eram gêmeos. Quinn deixou o seu cabelo longo e Connor, como Sebastian, preferem desaparecer silenciosamente em segundo plano. Logan é o extravagante, e Nicholas passa a maior parte de seu tempo livre se preocupando comigo. Marcus e Duncan acabaram de chegar de uma viagem. Eles são bonitos, é como viver com um bando de modelos masculinos. E isso faz com que as meninas em torno deles agirem estupidamente. — Você tem que levar isso a sério. — Faço-o, papai, — disse silenciosamente. — Sabe, que o faço. — O que sei é que eles viram por ti e logo estará mais fraca que um gatinho cego. — Eu sei. — Isso é uma droga. Estava me metendo em problemas por uma festa que nem sequer havia querido ir em primeiro lugar. Eu gosto de estar sozinha e ficar na fazenda. Mas odeio estar trancada e sob vigilância.

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— Deixe a garota em paz, — disse Hyacinth, bebendo delicadamente de uma taça. Tinha aparência de suco de cereja. Mas não era. — Obrigado. — Engoli com dificuldade. Não mencionei? Era um pouco apreensiva em relação a sangue.

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Dois
(Lucy)

Lucy, é você?

Fechei a porta com um golpe, porém protestando em voz baixa. Nicholas me deixava tão furiosa. O que há de errado com ele também? — Lucy? — Sim, sou eu, — gritei. — Por onde você esteve? Quase começamos sem você, pequena. — Papai saiu da cozinha com uma tigela de pipoca quente, feita com o milho que cresce no quintal dos fundos. Era o mais perto de fast food que meus pais comem. Seu cabelo longo estava no habitual rabo-de-cavalo, suas mangas enroladas para mostrar as tatuagens de tartaruga e lobo. O lobo era seu símbolo pessoal, e a tartaruga nosso símbolo familiar. — Escolhe um filme, querida, — mamãe levantou a cabeça sob a bagunça de contas da mesa de café. Ela estava sentada de pernas cruzadas em jeans e uma blusa camponesa, amarrando cento e oito contas de quartzos rosa para fazer rosários. Ela os faz para dar de presente no ashram7. Meus pais assistiam todo ano, e estavam partindo amanhã, antes do amanhecer. — O que houve? Solange está bem? — Ela está bem. — Em grande parte. — Diga que pedimos ao swami8 que ore por ela. Por que parece estar tão mal humorada? — É o Nicholas. Às vezes ele me põe tão estressada.
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Situam-se afastados de habitações, em florestas ou regiões montanhosas, no meio de amenos ambientes naturais propícios à instrução espiritual e à meditação. 8 O título indica alguém com conhecimento e domínio da yoga, devoção aos deuses e ao mestre espiritual.

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— Querida, você sabe que a raiva envenena o seu corpo. Você sempre se estressou rápido. Por que você acha que tem alergias? Seu corpo está sempre na defensiva. — Mamãe. — Está bem, está bem, — ela disse. Papai piscou para mim e me passou a pipoca. — Você vai ficar bem sozinha enquanto estamos fora? Eu abasteci o refrigerador. — Com tofu? — sorri. — Eu não quero você se enchendo de fast food enquanto estamos fora, jovenzinha. Revirei meus olhos. — Bom, eu não vou ficar comendo vários tipos estranhos de tofu por duas semanas. Meus pais tinham seu próprio senso de justiça, mesmo que lutassem com sessões de yoga e eu desferindo socos. Chama-se rebelião familiar. Eu me sentia do mesmo jeito sobre tofu e sessões de yoga. Com certeza são boas para alma, mas uma vez respirei gás lacrimogêneo quando meus pais me levaram a um protesto contra o aquecimento global e eu jurei nunca mais ficar inerte no chão outra vez. Uma vez, papai foi atingido por uma bala de borracha, e o hematoma no seu peito me assustava mais que qualquer corporação global contaminadora ou algum desprezível ditador poderia fazer. Ainda mais assustador era o fato de não ter ficado com raiva, na verdade estava predisposto a isso. Quando eu completei quinze anos, eu finalmente fui capaz de convencê-los a me deixar para trás quando iam em seu retiro anual. — Talvez devêssemos chamar sua tia para cuidar de você, — disse mamãe. Não que eles não se preocupassem. — Fiquei bem ano passado e estarei esse ano, mamãe. Aliás, Lucinda está em Las Vegas com sua nova noiva, não lembra? — Mastiguei algumas pipocas. — Deixe de ficar inquieta, é ruim para seu chi9. — Ela te pegou, — sorriu papai. — Provavelmente fique com os Drake a maior parte das noites de qualquer maneira, como no ano passado, — a assegurei. — Sendo assim, podemos ver o filme agora? — Aumentei o volume antes que ela pudesse encontrar algo mais para se preocupar.

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Energia.

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Quando o filme acabou, meus pais foram para a cama e voltei para Solange. Eu só tinha a licença há alguns meses, mas o carro praticamente já se guiava até ali. Embora eu não vi uma única pessoa, sabia que tinha sido vista por vários guardas e os membros da família antes mesmo de chegar nas proximidades dos Drake. Não sei porque minha mãe estava tão preocupada; ela já havia pedido a Bruno, o chefe da guarda pessoal dos Drake, para me vigiar. Os cachorros não se incomodaram em latir quando eu saí. Havia três, grandes Bouviers , peludos e pretos, que pareciam mais ursos que cães. Poderiam ter sido intimidadores, se não fosse por estarem esfregando seus úmidos focinhos em meus bolsos e esperando por doces. Eu tinha mais medo do que poderiam causar com o abanar feroz de suas caudas.
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As luzes foram acesas — um amarelo suave chegava através das janelas. A luz estava sempre doce na casa dos Drake. Dei a volta pela lateral, esperando que a janela do quarto de Solange estivesse aberta. Eu poderia ter batido. Geralmente o fazia. Não era como se alguém estivesse dormindo, e eles perceberam minha presença de qualquer maneira. Mas eu não sabia se estava em apuros. Pediria desculpas se estivesse, mas odiava entrar despreparada. Os pais comuns já eram ruins o suficiente, os pais dela eram outra categoria. A janela de Solange estava fechada, então eu mandei uma mensagem de texto. Nada. — Lucky. Eu dei um grito tão agudo como um gato imerso em água fervendo, girando tão rápido que me provocou tonturas. Meu telefone caiu no mato. Nicholas sorriu satisfeito, saindo lentamente das sombras. Seus olhos pálidos brilharam. Respirando ofegante, batendo contra meu peito. Essa foi a segunda vez em uma noite que eu quase sufoco com meu próprio coração. Nicholas lambeu os lábios.Lembrei a advertência de Solange e tentei acalmar meu pulso. — Maldição, Nicky! — murmurei. Ele odiava ser chamado assim tanto quanto eu odiava ser chamada de Lucky. Deu um passo mais para perto, invadindo totalmente meu espaço pessoal. Eu odiava que ele fosse tão bonito, com seu cabelo escuro desgrenhado e sua expressão séria, como um antigo erudito. De repente havia algo mais em sua expressão, algo ligeiramente perverso. Dei um passo para trás, perguntando-me porque meu estomago estava estranho. Ele avançou e eu retrocedi um pouco mais, desconfiada,
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até que topei com a parede de troncos da casa. Lembrei, tarde demais, o mais simples dos avisos de Solange sobre vampiros: se você correr, eles vão te caçar. Isso está em sua natureza. Detive-me abruptamente e ergui meu queixo, tentando fingir que minhas costas não estavam pressionadas contra a parede e eu não tinha para onde ir. — Que foi? Ele estava perto o suficiente que suas pernas quase roçavam as minhas. Ele estava perto o suficiente, na verdade, como para beijar. Imediatamente me horrorizei de que a idéia tenha sequer passado pela minha cabeça. Tentei consolar-me com a idéia que provavelmente eram aqueles legendários feromônios. Estava acostumado com eles, mas não era totalmente imune. O fato era que ele estava me olhando como eu olho para chocolate derretido. Mordi meu lábio inferior. Ele piscou, e então seu rosto ficou impassível novamente, quase frio; mas eu notei o flash de calor nos seus olhos pálidos. — O que você fez foi estúpido, — ele disse. E esse é o Nicholas que eu conheço. É claro que ele não estava flertando comigo. Em que estava pensando? — Foi só uma festa. — Foi imprudente. — Passou uma mão por seu cabelo, o despenteando ainda mais. — Estamos tentando protegê-la. Não está facilitando as coisas. — Estavam-na sufocando. — Franzi o cenho. — E eu também a estava protegendo. — Colocando-a no mais desnecessário perigo só para flertar com alguns garotos bêbados? Isso não é um jogo. — Isso eu sei, — contestei bruscamente. — Mas você não a conhece como eu. E ela tem estado tão estressada por causa de você e seus opressivos babuínos que tem de irmãos, eu só queria animá-la. Ele pausou, e quando começou a falar novamente foi calmo. — Ela não pode proteger a si mesma se está preocupada em proteger você. Ouch. Golpe certeiro. A indignação sumiu, fazendo-me sentir humilhada e idiota.

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— Oh. — Como odiava quando ele tinha razão. — De acordo. Está bem. — Eu fui salva da sua resposta auto-satisfeita quando seu celular tocou discretamente dentro do bolso de sua calça preta. Ele só olhou para mim. — Vá para casa. Agora. Ele foi embora, deixando-me olhando suas costas. Recuperei meu telefone para mandar uma mensagem a Solange: Realmente seu irmão não me agrada. Eu protestei todo o caminho de volta para o carro. Os cachorros haviam me abandonado para seguir Nicholas, grunhindo baixo. Eu meio que esperava que o mordessem. Bem na parte traseira. Justo quando estava alcançando a maçaneta da porta do carro, uma mão agarrou meu ombro e me girou. Antes que eu pudesse emitir qualquer som, a boca de Nicholas estava sobre a minha. Ele me puxou bruscamente, aproximando-me. Seus olhos eram nublados da cor cinzenta da chuva. Seus lábios se moviam rapidamente. Não foi nem sequer um sussurro, mas até este som estava oculto pelo quase-mas-nem-de-todo beijo. — Não estamos sós. Petrifiquei-me. — Shhh. — Inclinou sua cabeça. Qualquer um que estivesse observando havia assumido que estava me beijando e desfrutando. Admito, eu também estava. Uma sombra moveu nos arbustos perto do muro, rápido demais para ser natural. Os grilos ficaram em silêncio. Conhecendo a agudez auditiva dos vampiros, lancei um olhar rápido e decidido sobre o ombro esquerdo de Nicholas. Ele não falou, nem sequer assentiu, mas sabia que ele entendia. Ele continuou me beijando, botando a língua para tocar a minha. Eu estava totalmente desconcentrada. Ele estava me guiando para fora do carro, guiando-me de costas, em direção a casa. — Não corra. — Mordeu levemente meu lábio inferior. — Eu sei. — Receosa de ser a única experimentando estes sentimentos interessantes, o mordisquei também. Suas mãos ficaram tensas. Sua boca estava no meu ouvido quando chegamos à varanda. No momento em que atingimos o primeiro piso mudou as palmas das mãos para minha cintura, meus quadris. Seus lábios estavam astuciosos, perversos.

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Perfeitos. Diante da porta da frente se deteve e me deu um brusco empurrão. Eu tropecei e atirei um vaso de rosas no chão. Fragmentos de vidro, pétalas vermelhas e água espalhada no chão de pedra. Meus lábios estavam inchados, senti um arrepio. Lucy, foco. Antes mesmo que pudesse recuperar o fôlego, o salão estava cheio de expressões sombrias dos meninos Drake. A mãe de Solange passou por mim, guiando-os para fora. Nicholas era uma mancha borrada entre os carvalhos. Havia os sons inconfundíveis de combate: grunhidos, assobios, e ossos quebrando-se. — Você está bem? — Solange praticamente saltou sobre mim. — Estou sim. Estava se dirigindo para fora atrás de seus irmãos quando a voz de seu pai atravessou a sala. — Não. — Papai. — Não. Estão aqui por você. Se sair agora, só irá piorar as coisas. Conhecia essa expressão em sua cara. Estava mordendo a língua. Sabia o quanto ela odiava isso. Helena era a guerreira da família, havia sido até quando ganhava competições de artes marciais ainda humana, e havia treinado bem seus filhos. Inclusive eu havia recebido o beneficio de alguns truques, mas nenhum deles serviria de algo esta noite. Ainda sim fiquei contente de saber como esmagar as bolas de alguém, e três maneiras diferentes de incapacitar alguém usando apenas o polegar. E pensar que eu costumava me preocupar com os exames semestrais. O corredor de entrada estava quente e civilizado, iluminado por lâmpadas incandescentes da Tiffany. Liam estava parado entre nós e a batalha feroz no jardim. Ele quase era alto o suficiente para tapar nossa visão, mas nos inclinamos nas suas laterais. Uma parte de mim não queria ver o que estava acontecendo, o resto não podia suportar não saber. As sombras se uniram, e eu vi presas brilharem e corpos saltando mais alto do que deveriam ter sido capazes. Os grunhidos eriçavam o cabelo da minha nuca. Nicholas era rápido e astuto, mas nunca o vi assim antes. Sua expressão era dura enquanto ele saltava e esquivava, ele se lançou na direção de um vampiro não muito mais velho que nós, de cabelo longo e ruivo. Ambos tropeçaram, mas apenas Nicholas aterriçou em pé. Senti-me excessivamente orgulhosa disto.

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Todos os irmãos de Solange pegaram os seus próprios, mas só Quinn parecia desfrutar isto. Ele ainda estava sorrindo quando um punho, se movendo tão rápido que era uma mancha cor de pele, quebrou seu nariz. O sangue fluiu para os lábios e ele lambeu. Helena riu por trás dele, dando um salto para evitar a estaca e caindo nas costas de seu atacante. Ele se desintegrou numa nuvem de poeira aos seus pés. — Quero um vivo e capaz de falar, — gritou Liam. Ele balançou a cabeça para Solange. — Sinceramente, sua mãe é pior que os garotos. Helena — elevou ligeiramente a voz — Deixa-me um, demônios. — Desmancha prazeres, — murmurou ela antes de retomar o controle. Seu chute voador só golpeou o vampiro contra a árvore em vez de esmagar suas costelas. Hyacinth fez um pequeno som atrás de nós. As pérolas negras ao redor de seu pescoço refletiam a luz, brilhando. — Isso dificilmente são maneiras de uma dama, — ela disse com tom de reprovação. O que era engraçado já que tinha ouvido histórias sobre o que ela fazia no seu tempo livre — e não havia sido tomar chá ou comer sanduíches de pepino. Um vampiro fugiu, desaparecendo na floresta. Um deles estremeceu, virou cinzas e espalhou-se através da cerca. A estaca caiu no chão. O segundo irmão mais velho de Solange, Sebastian, limpou suas mãos desapaixonadamente e logo voltou para ajudar sua mãe a arrastar o vampiro semi-inconsciente que havia jogado contra árvore até a casa. Connor estava falando baixo no celular com Bruno. Eu pressionei minhas costas contra a parede enquanto um desfile de presas e sorrisos ferozes passava por mim. Quando eles estavam todos reunidos na sala, eu os segui. Eu fui para minha poltrona de veludo roxa favorita perto da lareira. Solange ficou ao meu lado, seus olhos nunca deixando o jovem agora amarrado. Sua camisa estava rasgada, o cabelo castanho-avermelhado preso para trás num rabo-de-cavalo. Suas pálpebras se moveram, mas não abriram. Eu também não teria aberto se sete irmãos Drake estivessem em torno de mim, olhando-me fixamente. Sem falar de Helena, que os afastou com apenas um movimento do pulso. Ele inalou uma vez, suavemente. — Ele cheira como kith.11 — Sussurrou, mas balançou a cabeça. — Mais ou menos. Liam franziu o cenho, e inalou também.

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Derivação inglesa, forma de chamar em algumas ocasiões meninos pequenos canadenses ou o estilo canadense em geral.

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— Algo não está certo. — Ele entrecerrou seus olhos, irritado. — Braço esquerdo. Todos olharam, mesmo que não soubéssemos o que. A ponta de uma tatuagem saindo debaixo da manga arregaçada. Parecia um sol tribal estilizado, mas não podia ter certeza. — Droga, — sussurrou Nicholas. — Helios-Ra. Todos pareceram totalmente desanimados diante desse nome que parecia de histórias em quadrinho. Ele se mexeu. Havia uma brisa sutil de lilases e chocolate, quase isso, mas não de todo. Todos ainda estavam farejando o ar como cães de caça, com as narinas expandidas. — Que foi? — sussurrei para Solange. — Por que estão todos farejando assim? Está me assustando. Ela não teve tempo para me responder porque ele abriu os olhos repentinamente, como se alguém o tivesse apunhalado com algo afiado. Seus olhos não eram pálidos, não como de qualquer vampiro que eu tenha visto. Eram muito pretos e hostis.

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Três
(Solange)

Você é... m-mortal, — eu finalmente gaguejei. Eu sabia que Lucy gosta de

pensar que todos os vampiros tinham essa suave qualidade, mas eu não, e não apenas porque tecnicamente eu ainda não era uma vampira ainda. Ela era aquela com lenços de veludo frisado, e eu era aquela com barro seco nas calças. Mas, eu estava totalmente boquiaberta para ele. Ele era um caçador, e ele trabalhava para a organização que estava devotada em nos exterminar. A tatuagem de sol era a prova disso, destacada pela sua expressão: pura ira. Ótimo. — Eu não entendo. — Lucy sussurrou para mim. — Quem é ele? — Não um de nós. — Eu sussurrei de volta, meu olhar nunca deixando o dele. Eu não sabia o que eu estava lendo aqui, mas era complicado, o que sempre era. Eu tinha ouvido falar da colônia que alguns caçadores usavam; eles imitam os feromônios dos vampiros, para pegar um inimigo em potencia de guarda baixa. Nós acreditávamos completamente fora no jardim, até que ele teve que lutar com minha mãe, que teria matado ele, se meu pai não tivesse sido tão inflexível sobre a questão de ter alguém. Nicholas se posicionou a meio passo a nossa frente, irritantemente protetor como sempre. Ele não gostava de surpresas e perguntas não respondidas e nós estávamos dando a ele os dois. Eu tinha sido treinada como eles, mas nenhuns dos meus irmãos conseguiam colocar em suas grandes cabeças que eu não era delicada ou indefesa. O agente Helios-Ra usava plugues pretos no nariz, o que provava que ele sabia mais sobre nós do que nós sobre ele. Estendi a mão e o puxei para fora. — O que você esta fazendo aqui? — Eu poderia dizer que ele estava tentando prender a respiração. Eu poderia ter dito a ele que sua estratégia nunca funcionou por muito tempo. Ele olhou para mim minuciosamente.

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— Rastreando, — ele finalmente respondeu em uma voz afiada. — Deixe-me adivinhar, — eu disse, revoltada. — Porque eu sou assim tão linda e você não sabe por que , mas você tem que sempre ficar perto de mim? — Eu estava realmente começando a odiar essa coisa toda de feromônio. Ele piscou, quase sorriu. — Não exatamente. Eu pisquei de volta. — Oh. — Droga, ele ficou ainda mais atraente quando ele não parecia particularmente afetado pelo meu charme duvidoso. — Bem, quem é você, então? — Helios-Ra, — ele respondeu, seu tom de voz cortante. — Sim, nós entendemos isso. — Seu nome? — Papai fez uma careta. — Kieran Black. — Desde quando Helios-Ra estão na nossa pista? Da ultima vez que eu chequei, nós tínhamos um acordo. Nós não comemos humanos, então vocês não nos incomodam e nós não incomodamos vocês. Minha mãe aspirou. Ela tinha o acordo. Ela preferia lutar, muito mais ágil com armas do que com tato, mas meu pai era todo praticidade e tinha toda uma visão a longo prazo. Ele fez o acordo antes do meu irmão mais velho ter nascido, determinado a dar a seus filhos uma chance. Ele não nos queria sendo assediados e perseguidos pela confederação somente por que nós somos vampiros. Afinal, vampiros não são todos bons ou todos maus, não mais do que os humanos são. Mas tente dizer isso ao Helios-Ra. Só recentemente ele admitiram que ser um vampiro não era razão suficiente para matar a primeira vista. Ainda assim, velhas tradições são difíceis de morrer com eles, quase tão duro como para nós. Mas nossa família, ao menos, tem uma boa reputação. Nós bebemos principalmente sangue animal, apenas recorremos a sangue humano se for consensual, ou se estivermos doentes e não podemos nos curar sem ele. Se isso falhar, uma parada rápida no banco de sangue funciona bastante bem também. Nós nunca fomos selvagens; a doença tem estado na nossa linhagem por séculos, e cada geração nasce mais forte que a anterior. Não é fácil morrer, mesmo se você sabe que está indo para acordar mais tarde. E é ainda mais difícil controlar a sede de sangue. Ainda assim, dificilmente qualquer um de nós enlouqueceu mais durante o giro. Eu tinha que me lembrar desse fato um pouco a

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cada vez que eu olhava para o calendário para ver o meu aniversário cada vez mais perto. Lucy me cutucou. — Você parece melancólica, — ela disse abaixo de sua respiração. — Você esta pensando sobre isso de novo? Eu trouxe minha atenção de volta para o assunto em questão. Eu não podia me dar ao luxo de me desvencilhar com minha auto-piedade — ou pelo fato que esse agente Helios-Ra tinha realmente uma boa aparência, com seus olhos escuros e fortes maças do rosto. — As coisas mudaram, — ele disse. — Você deveria saber. Você quebrou o acordo. Os olhos de mamãe se estreitaram perigosamente. — O que você disse? — ela falou, macia como um rato perto de um gato adormecido. Uh-oh. Mamãe era grande sobre toda aquela coisa de honra. — Grande erro, — Lucy disse agradavelmente. Ela era muito mais sanguinária do que eu era, ironicamente. Ela teria sido uma vampira melhor do que eu. Eu atirei-lhe um olhar. — O que? — ela disse inocentemente. — Ele estava atrás de vocês, ele merece isso. Nicholas mal virou a cabeça. — Vocês se importam? — Sim, sim, — ele murmurou. Mamãe se aproximou o suficiente para que Kieran que estava suando e respirando tão superficialmente quanto podia. Nossos feromônios quando estávamos confundindo mortais para beber, não era nada comparado com os feromônios de quando estávamos com raiva. Seu corpo inteiro foi, provavelmente, inundado com adrenalina, tentando decidir entre lutar ou fugir. Eu não conseguia senti-lo ainda, mas em breve eu seria capaz de prová-la na minha língua, como bolhas de champanhe. Não era um pensamento particularmente reconfortante. — Você está nos acusando de quebrar um juramento? — A voz da mamãe era como gelo quebrado — cortante e perigosa. Ao lado dela, Sebastian mostrou os dentes. Seus dentes estavam retraídos, mas mesmo assim, havia algo muito afiado em seus

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dentes. Ele mal falava, mesmo conosco, e seu silêncio era terrível para aqueles que não o conheciam. — É de conhecimento comum. — É mesmo? — Drakes, — ele cuspiu. — Eu sei mais do que confiar em qualquer um de vocês. Bryron, um dos cachorros, rosnou. Quinn sorriu. — Deixe-me falar com ele, — ele sugeriu. Havia sempre algo perigoso em seus sorrisos. Papai levantou a mão. Quinn recuou, mas pouco. — Nós não quebramos o acordo. — Papai disse baixinho. — Helios-Ra disse que você quebrou. — Então Helios-Ra está desinformado. E eu não vou deixar sua organização colocar minha filha em perigo. Ele olhou para mim, desviei o olhar. — Se você me mantiver aqui, você estará quebrando o acordo. — Ele estava respirando pela boca, como se isso fosse ajudar. — Na verdade, você quebrou o acordo vindo até aqui em primeiro lugar, — a voz de papai era sedosa — Nós realmente não precisamos dessas regras. — Mamãe disse. — Eu... — Quantos anos você tem? — Papai perguntou. — Dezoito. Papai balançou a cabeça, desaminado. — Eles estão treinando os mais jovens. — Eles precisam ser aptos para se infiltrarem em escolas e faculdades para nos espionar, — Connor apontou. — Eu estou apenas fazendo o meu trabalho. Mantendo as pessoas seguras de monstros como vocês.

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— Pessoas como você são a razão para minha tia Ruby não querer mais sair de casa, — Eu falei. Ela perdeu o marido e três filhos para os caçadores e nunca realmente se recuperou da perda. O rosto dele ficou duro. — Monstros como vocês são a razão por meu pai estar morto. — Oh e nós nunca perdemos membros da nossa família para caçadores ou Helios? — Eu atirei para trás, embora eu me senti mal que ele havia perdido seu pai. — E eles não são monstros, você é intolerante, — Lucy interrompeu, indignada. Ela saltou para os pés. — É uma doença, seu ignorante pretensioso. Pessoas com diabetes ou artrite são monstros também? — Se o segredo não era tão importante, ela teria usado sua teoria na sua cruzada pessoal para fazer o mundo aceitar-nos. — Não é a mesma coisa. — É sim. — A garganta do meu pai foi arrancada. Houve um silêncio. Então meu pai franziu o cenho. — Somente os Hel-Blar arrancam a garganta fora, filho. — Um vampiro é um vampiro, — Kieran insistiu teimosamente. Lucy ficou com o rosto vermelho. — Realmente porque você esta aqui? — Papai pressionou antes que ela pudesse explodir. — Por causa da recompensa, — ele respondeu firmemente. Mamãe estava estranhamente quieta ainda. Seus olhos refletiam a luz e refletiu. — Que recompensa? — A recompensa pela família Drake. Alguém rosnou. O ar estava tão carregado que eu estava vagamente surpreendida não acender e pegar fogo. Papai pegou o telefone na mesa. Ele berrava ordens para o receptor, nem mesmo se preocupar com uma saudação. — Dobre as patrulhas. Obtenha a palavra de todos. Sim, mesmo ela. E o conselho. — Ele colocou o celular no bolso, a marcação com seriedade. Sua voz muda para um murmúrio eu não podia fazer totalmente para fora. Minha audição não era afiada o suficiente. Ainda.

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— Para que diabos é essa recompensa? — Sebastian exigiu. — Eu não sei. Quinn acabou estourando, inclinou-se para mais perto. — Você vai nos dizer. Kieran empalideceu ligeiramente, tentando quebrar o contato visual. Quinn, a mão fechada ao redor de sua garganta. Kieran pareceu um pouco confuso quando ele finalmente respondeu. — Foi publicado hoje à noite. — Ele estremeceu. O suor escorria pelo seu lábio superior. — Isto é sobre Solange? — Eu não sei. — Ele engasgou, tentou engolir. — Eu não sei, — ele repetiu. — Eu ouvi que havia uma recompensa, e eu queria. — Algo em sua voz me fez pensar que era menos sobre a ganância e mais sobre a chance de machucar à nossa família particular. Quinn recuou, deixando cair a sua mão a seu lado. — Algumas agências, atacando uma menina de quinze anos de idade. — Ele cuspiu. — Covardes. Kieran teve várias respirações profundas irregular. — Nós protegemos os inocentes. — Esta não é uma história em quadrinhos, idiota, — Lucy resmungou irritada. — Se você vai me matar também, acabe com isso. — Nós não vamos beber de pessoas como você — , Nicholas zombou, fazendo soar com mais insulto do que ele podia. — Você bebe dela? — Kieran acenou para Lucy. — Você já fez dela sua escrava? — Quem, Lucy? — Nicholas riu. — Ei. — Lucy falou. — Calado. Eu não estava inteiramente certa com quem que ela estava falando. — Isso não está nos levando a lugar nenhum — , disse Duncan em silêncio. Como Sebastian, ele raramente perdeu a paciência ou o seu foco. — Não vamos desviar. — Ele amarrou um lenço preto sobre a boca de Kieran, amarrou de forma segura. Papai assentiu com aprovação antes de apontar para a cozinha. — Cozinha. Agora.

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Nossa cozinha parecia com qualquer cozinha agrícola: uma enorme mesa de madeira, cadeiras com costas de pele, armários pintados, e uma chaleira no fogão. Havia uma cesta no balcão cheio de maçãs vermelhas e romãs e até comida na geladeira, principalmente para mim e para Lucy quando ela ficava mais. Na verdade, ela já estava servindo-se de um copo de suco de cranberry12. O sangue foi mantido em uma antiga adega, escondido na parede e travada com três fechaduras e um sistema de alarme. Essa foi uma precaução bastante nova, desde que o irmão de uma das ex-namoradas de Logan, tentou arrombar a adega depois de Logan tinha terminado com sua irmã. Os guardas não tinham parado ele, teria parecido suspeito de tê-los enxame para fora apenas porque alguém chegou à porta da frente sem ser convidado. Os cães pararam ele, porém, antes mesmo que mamãe tivesse. Ele não tinha passado do hall da frente. Foi só a sorte que ele não tinha visto na cozinha, com o jarro de sangue sobre o balcão. Preciso dizer que fomos encorajados a não namorar seres humanos depois disso. Agora, ao lado de Quinn com o mesmo ritmo contado; Nicholas inclinou-se contra a parede, de braços cruzados. O resto dos meus irmãos estavam sentados, embora seus músculos estivessem tensos para movimentos bruscos. Eu olhei para os campos escuros do outro lado de dentro do vidro com suspeita. Papai estava ao telefone de novo. Mamãe olhou para Lucy. — Nós deveríamos ligar para seus pais. — Não é possível. — Ela colocou o copo para baixo. — Eles estão no ashram13 por duas semanas, lembra? — O sol estava a subir ao longo do horizonte. — E eles sempre saem cedo para assistir o nascer do sol sobre o lago. Ela suspirou. — Claro que sim. Você vai ficar aqui, então. — Eu? Mas não tem ninguém atrás de mim. — Você faz parte desta família minha jovem, e sua mãe nunca iria me perdoar se eu te deixei desprotegida, especialmente agora, — Mamãe disse para Lucy severamente. — Sim, senhora. — Minha mãe era a única pessoa no planeta que era capaz de tirar esse tom manso de Lucy. Ninguém teria sequer sabido que existia. Eu deixei-me cair na cadeira ao lado dela e roubei um gole de seu suco. Tentei não imaginar que seria como beber sangue em vez. Meu estômago reclamou.

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Amora – um fruto silvestre. Ashram (Hinduísmo, local de congregação de seguidores de um determinado guru).

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— Isso é inaceitável, — a tia Hyacinth falou. — A família Drake tem um bom nome e honra. Eles não têm o direito de fazer isso. Estamos no conselho. — Vamos ir direto para a sede da Helios-Ra, — expressão dura. — Eu posso esclarecer isso. acrescentou Quinn, sua

— Como se o seu temperamento já nos ajudou. — Logan rosnou. — Cuidado irmãozinho. Estavam todos falando sobre os outros até que minha mãe limpou sua garganta. — Garotos. O silêncio caiu, com relutância, mas rapidamente. Papai desligando o seu telefone. Havia linhas ao redor da boca que eu nunca tinha visto antes. — O menino estava certo. A recompensa foi definida. Mamãe amaldiçoou. — Porquê? — ela perguntou. — Isso pode demorar um pouco para descobrirmos. Há já alguns desaparecimentos, os boatos que não fazem sentido. Eu tenho pessoas sobre isso. — Ele se inclinou sobre o balcão, os punhos cerrados. — Eu coloquei uma chamada para Hart e Lady Natasha. — Natasha? — Tia Hyacinth franziu a testa. — Isso é sábio? Ela está exilada de todos nós. — Eu sei — Hart era o chefe da Helios-Ra e não um fã de Lady Natasha. — Até que nós saibamos mais, ninguém deixa este imóvel sozinho. Solange, especialmente você. — Porque eu sou a única em prisão domiciliária? Isso é tão injusto. — Solange você sabe por quê. — Eu sei como cuidar de mim mesma. — Eu trinquei os dentes. — Sim, você sabe. Mas você sabe tão bem como eu que você não está em sua plena força. — Mas eu me sinto bem, — Eu estava tão cansada de dizer isso mais uma e outra vez. Eu já me sentia presa, sufocada. Mastigando meu próprio pé, como um animal preso em uma armadilha pela perna, se não me dessem algum espaço. — Sol, — Nicholas disse suavemente. — Por favor.

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Eu assobiava uma respiração frustrada. Quando olhei para a minha mãe, tenho a certeza do meu queixo estava lá em cima, o meu olhar firme. — Eu ainda vou para a minha cabana. — Se eles tentassem me impedir do forno e minha roda de oleiro, eu estaria louca pelo meu aniversário. Mamãe deve ter visto meu desespero. — Concordo. Tomei outra longa respiração, — OK. O telefone do papai tocou novamente. Ele ouviu em silêncio, apontando para Sebastian e Connor. — Seu tio Geoffrey está a caminho. E sua tia Ruby chegando, vá em frente e ajude-a a entrar. — O fato de que Ruby tenha sido convencida a deixar sua casa para vir para a nossa, explica sobre a gravidade da situação. Papai pegou a mão de Mamãe, com a boca apertada. — Nós vamos descobrir isso, — prometeu antes de nos enviar todos para os nossos respectivos quartos. — Você está bem? — Lucy me perguntou quando estávamos prontas para a cama. Começou por tirar os quilos de jóias de prata, que ela sempre usava, provando que é apenas um mito que os vampiros não podem tolerar a prata. — Eu estou bem, é todo mundo que está perdendo isso — eu murmurei. Ela bufou. — A grande surpresa. Você é a irmã caçula, o bebê, e você sabe como seus irmãos são. Revirei os olhos. — Como é ser filha única? — Como eu poderia saber? Seu irmão me incomoda tanto quanto eles podem. — Verdade. Lucy esperou até que mudasse para nossos pijamas antes de falar novamente. Ela usava uma longa camisola de algodão preta que parecia um vestido, e eu usava a minha calça de flanela favorita PJ e uma camiseta. Entre nós duas, ela sempre parecia ser a única a ser transformar em um vampiro. Eu suspirei. — Sol, — disse ela. — Eu nunca vi Nicholas tão nervoso, ou Logan. Eu estava proibida de ir para casa, lembra? — Eu me lembro, — eu disse baixinho. Eu não tinha sido expulsa de casa, mas eu certamente não tinha sido bem recebida no terceiro andar, onde todos os meus irmãos dormiam. Eu ouvi o silêncio natural e pálida visita de meus pais, preocupados com caras como eles tomaram turnos de estar com Logan e Nicholas no ano seguinte. Com os meus irmãos que eu tenho e muito jovem para saber realmente o que estava acontecendo, e

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meus pais haviam me mandado para as festas de Lucy. Sua mãe tinha-se forçado sobre mim e me alimentado com chocolate, que fez Lucy ficar louca desde que ela apenas nunca conseguia comer. Eu realmente não tinha entendido então. Eu entendia isso agora. — Então... o que realmente aconteceu? — ela me pressionou. — Eu sei que você vai ficar doente, mas é tão mau como isso tudo? Foi realmente horrível. — Não, está tudo bem, — eu menti subindo em minha cama. — Quero dizer, não é engraçado nem nada, mas você conhece os Drakes. Nós amamos uma boa dose de overdose de drama. Sim, uma mentira total. E eu não poderia contar a Lucy, ela realmente não iria entender. Ela abriu a boca para fazer-me outra pergunta. Uma batida suave na porta interrompeu. Ela me lançou um olhar como se eu tivesse orquestrado isso. — Sol, sou eu — Nicholas murmurou do outro lado da porta. — Posso entrar? — Claro, — eu disse enquanto Lucy sentava-se rapidamente e alisava os cabelos. Eu pisquei para ela. Desde quando ela se importa com sua aparência na frente de qualquer um dos meus irmãos? A porta não fez som em suas dobradiças enquanto Nicholas deslizava para dentro. Ele estava vestindo calça preta, mas sem camisa, como se tivesse sido interrompido enquanto trocava de roupa. Era evidente que algo estava acontecendo. Tal como claramente, Lucy estava tentando não olhar para o peitoral. Ele deu-lhe um olhar, franziu a testa. — O que? Ela olhou para longe. — Nada. — Parecia que ela poderia estar corada. Eu definitivamente iria falar com ela sobre isso mais tarde. Por agora, teria que esperar. — O que foi? — eu perguntei para ele. — Alguém está lá embaixo, — ele disse calmamente. — Ele estava espreitando pela janela, papai pegou-o após mamãe ameaçar comer o seu rosto. — Eca. — Lucy disse. — Vampiro

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— Espreitando pela janela? — Eu deslizei para fora debaixo do meu cobertor. — Isso não é bom. — Eles estão na biblioteca. Olhamos uma para a outra, então balançamos a cabeça e saimos correndo para o salão sem dizer uma palavra. A biblioteca era a única sala da casa onde nós poderíamos escutar corretamente. Nós descobrimos, graças a uma dica de Quinn, que se você deitar no chão do quarto de reposição que é perto ao meu e pressionar sua orelha no chão, pode muito bem ouvir tudo o que estava acontecendo. Nós estávamos esticadas sobre a madeira e nos contorcemos em posição. Nicholas estava entre nós, sobrecarregando o melhor ponto de audição. Seu rosto estava virado para Lucy. — Eu não posso ouvir — Ele colocou o dedo nos lábios dela, para impedi-la de dizer mais alguma coisa. Meus pais ouviriam nossos sussurros direito sobre a abertura. Havia desvantagens definitivas em ter pais vampiro: ter um segredo em torno deles era quase impossível. Pelo menos viria o meu aniversário, eu não seria a única a andar na ponta dos pés em torno da casa para escutar escondida. Eu ouviria tão bem quanto eles. — Existe uma única razão pela qual não vamos estacar você onde você está? — Minha mãe perguntou agradavelmente. — Eu não estou aqui pela recompensa, — uma voz masculina garantiu a ela. Era baixa e abafada, como se viesse de uma caixa muito grande. Eu não pude evitar, mas imaginei um lutador para baixo na biblioteca. — Eu dificilmente anunciaria a minha presença, eu iria? — Você não bateu exatamente na porta da frente, — disse o pai secamente. — Há humanos nesta casa, — disse ele como se fosse uma explicação suficiente. — Cheira-me pelo menos dois, mas não aqui nesta sala. Se nós éramos realmente afortunados, ele não me cheirou, e Lucy me olhou sobre a sua cabeça antes de ouvirmos o que mais ele tinha a dizer. — Eu vim para oferecer a minha fidelidade a sua filha. Pensando por um momento, eu poderia ter ficado sem ouvir isso.

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— Você vai? — Mamãe não parecia convencida. Papai estava provavelmente muito feliz com a idéia de negociar uma outra aliança. Eu meio que só queria ir para a cama. — Você é jurado de Lady Natasha, — Papai disse suavemente. — Você usa a marca de sua casa. — Eu estou jurado para a corte real, sim. — Foi uma distinção importante. — Mas há aqueles de nós que fazem o juramento à casa de Drake, e eu estou aqui representando eles. Droga. Essa coisa de profecia de novo. Por que ninguém acredita em mim quando eu digo que não quero ser uma princesa ou uma rainha ou o que quer seja? Eu não quero ser o pretexto para uma guerra civil dentro das tribos. Estremeci. — Nós vamos manter isso em mente. Precisaríamos prova de sua fidelidade, é claro. — Claro que sim. Quando chegar a hora, você terá a sua prova. — Ele parecia que estava se curvando. — Até lá então . Eu ouvi a janela fechando e mamãe e papai saindo da biblioteca. Suspirei e fechei os olhos. Eu me senti bem durante todo o dia, mas agora eu estava exausta, quase como se eu tivesse com gripe. — Desculpe-me, se quase te deixei para trás, — sussurrou Nicholas firmemente a Lucy. — Eu realmente pensei que não ia acompanhar-nos e você estaria mais segura na festa. O quê? — Ele perguntou quando ela não respondeu imediatamente. — Você nunca se desculpou para mim antes. — Eu disse desculpa na época que usei sua boneca como alvo para minha pistola de paintball. — Porque sua mãe estava puxando sua orelha. — Bem, tanto faz. Desculpe. — Obrigado. — Ela sussurrou. — De nada. — Ele sussurrou de volta. Eu de repente me senti de mais. Estranho. Nicholas ficou de pé. — Nós deveríamos ir.

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— Ela está dormindo, — Lucy disse. Eu não estava, mas eu não tinha a energia para dizer-lhe isso. — Eu a levo, — Nicholas disse sombriamente, me pegou e me carregou para o meu quarto.

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Quatro
(Lucy)

Sábado de manhã.
As manhãs eram sempre quietas na casa dos Drake, mesmo com quase vinte pessoas enfiadas em seus quartos minúsculos e salões estreitos. Luz do Sol brilhava nas janelas, feitas de algum tipo de vidro tratado. Os vampiros antigos podem estar no sol embora nunca realmente o amassem, mas perigosamente enfraquece os mais jovens, que não tiveram a oportunidade de construir uma imunidade. Eu nunca apreciei luz solar como agora, ou minha capacidade de comer todas as refeições com talheres. Apesar de, toda a coisa de sangue, os Drakes eram muito civilizados. Eles usavam copos e taças, não sacos de sangue de plástico. Lady Natasha, por todas as contas, não era civilizada. Ela foi a segunda Montmartre-em-comando e seu amante. Quando tinha cansado dele, ela aliou-se com uma família de vampiros poderosos. Ela sabia que os costumes dos vampiros, o anfitrião, e os cães, e ela estava decidida a trazê-los todos juntos sob sua liderança. Preconceitos correm profundamente, e até agora ela não conseguiu uni-los. Não foi por um motivo altruísta como terminar o que foi basicamente uma guerra civil, tudo era sobre poder para ela. E, possivelmente, degolar Montmartre. Eu tinha visto as rosas com o seu nome sobre elas. Eles não auguram nada de bom. Ele obviamente queria que a filha Drake lhe desses bebês vampiros, poder do conselho e as cortes reais se Solange realmente as assumisse. Ele queria tudo. Lady Natasha, queria ele tanto quanto ela queria poder, não estaria muito interessada em qualquer parte desse plano. Se a política de vampiros era como exames de história do ensino médio, eu estaria toda pronta.

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Solange ainda dormia, enrolada em torno de raios de sol que caiam em seu travesseiro. Eu já tinha notado que ela estava dormindo mais e mais. Eu estava começando a ficar nervosa por ela. Todos os outros pareciam pensar que era uma parte totalmente normal da mudança. Eu puxei um suéter sobre a minha camisola e acrescentei meias grossas. Era sempre muito frio na casa dos Drake, não importava a época do ano. Fui direto para a cozinha para fazer um pouco de chá e torradas. Ninguém mais estava acordado. Eu comi as torradas sentada, e então peguei a caneca com chá e o tomei vagando pela casa. No meu estado de sono, atordoada, eu realmente esqueci Kieran, amarrado a uma cadeira em um dos salões. Eu gelei, meio copo à boca. Seus olhos eram atentos, curiosos, nervosos. Eu não ia gostar de sua atitude, mas eu imaginei que eu estaria muito nervosa, se estivesse amarrada na casa de um vampiro. Especialmente se eu fosse um agente Helios-Ra com lavagem cerebral. A mordaça foi solta em volta do pescoço, deitada ao lado das abas de seu nariz. Durante o dia eu notei que ele estava vestindo calça jeans preta e uma camisa preta, com alças nuas onde Helena havia retirado suas armas. — Você parece que pertence a revista em quadrinhos de péssima qualidade, — eu disse-lhe alegremente. Ele olhou para mim. — Você realmente não se incomoda com a coisa toda de vampiro, não é? Dei de ombros. — o que seja. — Era óbvio que ele não sabia o que fazer comigo. Eu me aproximei curiosamente. Eu nunca tinha visto realmente um agente de Helios-Ra antes. Gostaria de saber qual era o alarido sobre isso. Ele era apenas mais velho do que nós. Suas mãos estavam amarradas nos pulsos levemente para que pudesse se mover um pouco, mas seus ombros estavam amarrados mais apertados envolta da cadeira. Usava botas militares de aço-de-coleira, também acompanhava na altura dos tornozelos. — O que os Drakes fizeram para você estar tão irritada? — Irritada? Você acabou de me chamar de irritada? — Eu falo o que vejo. Você é a garota estranha. — Isso do cara que acha que é um agente secreto. — Você deveria levar a Helios-Ra mais sério, — ele me avisou. Sorri para ele com muito pouco humor. — Eu não aceito ordens muito bem. — Eu levantei minhas sobrancelhas. — Então? Qual é a vingança? — Sua mandíbula apertadou.

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— Eu disse a você. — Sinto muito o seu pai morreu. Mas você não pode culpar todos os vampiros pelas ações de um. — Tentei som razoável, acalmá-lo. Minha mãe era natural naquele tipo de coisa. Eu? Nem tanto. — Isso se chama racismo. — Eles não são humanos. — Isso é tão fora de questão. — Ele ficou boquiaberto para mim. — O quê? — E, além disso, os Drakes são humanos, ou eram em sua maioria. E eles nunca fora desonestos e caçadores com população em geral. Não te ensinam alguma coisa no guia rápido dos segredos da academia? — Como é que você sabe algo sobre a academia? — Ele estava tentando não olhar assustado. — Por favor. É meio óbvio. — Você não entende. — Eu entendo exatamente, — eu disse. — Eles fizeram lavagem cerebral em você. — Ei, você é a única em algum tipo de culto de caçador. — Ele estreitou os olhos. — Esta não é uma piada, Lucy. Os Drakes mataram meu pai. — Eles não fizeram. — Você não sabe nem quem é meu pai. — Eu sei que você é um idiota. Ele me olhou por um longo momento em silêncio, como se estivesse procurando algo. Em seguida, ele olhou para a minha caneca. — Posso tomar um gole? — Ele perguntou. — Eu não tive nada para beber a noite toda. Eu não confiava nele, obviamente. Ele tinha escalado várias cercas sorrateiramente e em um terreno vampiro fortemente vigiado com intenções não tão educadas. Ainda assim, era só o chá. Como isso poderia ser perigoso? Eu me aproximei. Eu levantei a taça aos lábios e bebeu com gratidão.

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— Sinto muito, — ele sussurrou, sorrindo tristemente. Enfiou a mão direita sob o seu punho esquerdo e houve um pequeno estalo e uma nuvem que se parecia com açúcar em pó a partir de um frasco de costura em sua manga. Os perfumes pesados de chocolate e lírios pendurados entre nós. Isso me fez querer espirrar. — Eu sou uma bonita vampira imune a feromônios — Eu informei a ele altivamente, cruzando os braços. Ele não parecia decepcionado ou derrotado. — Você não está imune a esta mistura, — disse ele. — Sim, eu sou. Eu não sei o que você pensa, — A sala oscilou ligeiramente, como se eu fosse vê-la através de ondas de calor saindo do asfalto. — Que diabos? — Outra nuvem de pó. — Esta é uma mistura especial. — Ele parecia momentaneamente apologético. — Ninguém pode resistir por muito tempo. — Você não vai conseguir acabar com isso. — Todas as cores tomaram um tom estranho, tal como se estivessem cheios de luz. O vermelho das cortinas de veludo pareciam como se estivessem pingando sangue. — Eu vou gritar. — Abri minha boca. — Você não vai gritar — ele disse calmamente. Fechei minha boca. O sabor do cacau e flores me fez engasgar. Havia algo mais atado com os sabores, mas eu não poderia explica-lo. Licorice, ou uísque, algo assim. Eu me senti fraca, confusa. E embaixo a indefinição raiva, fogo. — Desate-me, Lucy. Minhas mãos tremulavam em frente. — Não, — eu sussurrei, olhando para eles como se pertencessem a outra pessoa. Eu enroladei meus dedos em minhas mãos. O suor escorria em meu cabelo, no meu rosto. Meus óculos deslizaram para baixo do meu nariz. — Não. — Desate-me, Lucy, — ele exigiu, com mais força. — Estou impressionado. Poucas pessoas precisam de uma repetição. Mas você não pode vencer contra isso, você só vai se machucar tentando.

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Lutei contra a compulsão freneticamente, e perdi. O nó afrouxou, caiu livre. Quando as suas mãos ficaram soltas, ele balançou as cordas do ombro e depois se inclinou para desatar as dos tornozelos. — Fique aí, Lucy. Não faça barulho, não faça um movimento até que eu vá embora. Lutei contra a tensão, mas era como se as cadeias fossem pegajosas, me abraçando forte. Os Drakes iam me matar. Eu tinha liberado sua única vantagem, que agora estava levantando a janela aberta e fugindo para o jardim irregular. Pelo menos ele não sabia sobre os alarmes silenciosos. Ainda assim, eles não eram suficientes. Eu assisti-o pular o muro de pedra decorativo, correndo por todo o campo, e caindo na floresta. O sol sorriu brilhantemente em sua cabeça. Ouvi passos, uma maldição suave, e a voz furiosa de Nicholas. — Que diabos você fez? A liberação foi abrupta e total. Senti meus músculos moles como água. Minha visão ficou cinza amarrotada e eu cai no tapete. Eu não queria desmaiar, mas me levou um momento para abrir os olhos novamente, um longo momento de todos os móveis para liquidar de volta em seus devidos lugares. Nicholas estava agachado ao meu lado, os olhos brilhando. — É pouco idiota. — O último filme da teia de aranha pegajosa da compulsão dissolvida. Eu estava ansiosa para me restabelecer, pânico correndo como furões com raiva por mim com a idéia de que os efeitos pudessem ser permanentes. A ansiedade me deixou náuseas. Eu me levantei de repente, como se eu tivesse sido picada com um aguilhão. A alegria de controlar meus membros outra vez era mais doce do que qualquer chocolate. Nicholas, possivelmente, não concordou. — Você tem que parar de quebrar meu nariz! — Ele gritou quando o resto da família trovejou dentro da sala, os dedos manchados de sangue enquanto ele colocava o nariz no lugar. — Oops, — eu disse, estremecendo. Era provavelmente uma boa coisa ele se curar tão rapidamente. Eu esfreguei minha testa onde eu cai em seu nariz. Minha respiração estava irregular, como se eu estivesse debaixo d'água por muito tempo. Quinn, apenas metade vestido, olhou para a cadeira vazia com as cordas enroladas como cobras dormindo. Sua expressão era quente, depois fria. — Onde está ele?

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— Ela deixou ele ir, — explicou Nicholas com força, levantando-se da posição agachada. Foi então que finalmente percebeu que ele estava vestindo apenas as calças do pijama. Seu peito estava nu, amarrado com músculos delgados. Minha respiração soou alto, mesmo para mim. O peso combinado de fúria indignada do Drakes me fez estremecer. Mais uma injecção de adrenalina no meu sangue. Grande. Eu já me sentia como se tivesse bebido um litro de café expresso. Eu não sabia se eu ia desmaiar ou explodir. Solange ajudou a me firmar. — Você está bem? — Eu acho que sim. — Meus dentes batiam. Eu lutei contra as lágrimas de frustração e culpa queimando atrás de minhas pálpebras. Nicholas soltou um suspiro desgostoso antes de envolver-me em cerca de um afegão e empurrando-me para o sofá. — Você está praticamente verde, — ele murmurou, empurrando minha cabeça entre os joelhos. — Respire — Helena foi à janela, rosnando. Sombras em seus olhos. O vidro pode fazer a luz do sol seguro, mas seus olhos ainda estavam pálidos e sensíveis. — Sinto muito — eu disse miseravelmente. — Eu só queria dar-lhe um gole de chá. Ele disse que estava com sede. — Eu poderia dizer que Liam estava a refrear o seu temperamento com uma enorme quantidade de força de vontade. Os tendões em seu pescoço se destacaram. Sua mandíbula poderia ter sido esculpida em mármore. — O que aconteceu? — Perguntou muito lentamente, com muita precisão. — Eu queria cavar um buraco. Ele jogou uma espécie de pó na minha cara. — Esfreguei meus braços refrigerados. Eu me perguntava se era um lado efeito da droga, ou se eu estava em choque. — Eu resisti em um primeiro momento, era como se fosse seus feromônios. Mas a segunda dose me pegou. Ele me disse para desamarrá-lo. — Fechei os olhos brevemente, irritada comigo mesmo. — E eu fiz. Eu não consegui parar. — De bom grado? Quinn gritou. — No fim? Liam o silenciou com um olhar e veio sentar-se diante de mim. Eu tentei evitar seus olhos, desisti. Não foi difícil, principalmente pela pouca paciência e recriminação em seu rosto.

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— Eu sinto muito. Eu tentei lutar contra isso. Era como estar hipnotizada ou coisa parecida. — Eu preciso que você me diga tudo que você lembrar. Descrevi o gosto, que agradou meu nariz, agarrado a minha camisola. — Hypnos, — Liam disse friamente. Helena voltou ao seu posto. Ela apontou para a mesa, e Connor foi recuperar uma pequena caixa de jóias da gaveta. Então ele usou um pequeno pincel para recolher qualquer resíduo de pó que podia da minha camisola e do tapete. — Nós nunca fomos capazes de ter um pouco em nossas mãos, — explicou Liam presunçosamente. — Mandaremos para Geoffrey analisá-lo. — Geoffrey dava aulas á noite, de biologia na faculdade local. Mas ele também tinha seu próprio laboratório e estava sempre correndo para experiências e estudar os brindes exclusivos dos Drakes. — Mas o que é? — Não temos certeza sobre todas as componentes, certamente contém uma das ervas zumbi. O resto, não sabemos o suficiente sobre, só que é muito poderoso. Aparentemente, ele deve ter pesquisado mais a fundo. — Ela estava escondida em sua manga. — Eu fiz uma careta. — Se eu vê-lo novamente, eu vou matá-lo. — Fique longe dele, — Nicholas interrompeu o meu discurso retórico. Eu o ignorei. — Agora o que vamos fazer? — Eu perguntei. — Agora vamos voltar para a cama e descansar um pouco, — Liam lembrou-me suavemente. — Vamos nos preocupar com isso. Solange bocejou o suficiente para dividir o rosto dela. Os irmãos estavam todos mais pálidos que o normal, as olheiras, como hematomas debaixo dos olhos de água colorida. Eles ainda eram jovens. Na verdade, Logan só havia se transformado dois anos atrás. Ele estava tão exausto parecia bêbado, mal conseguia ficar de pé por si mesmo. Sebastian apoiou-o, levando-o em direção à escada. Nicholas tinha se transformado ainda mais recentemente do que isso, então eu só assumiu sua irritação por ele estar ereto. Solange bocejou novamente. — Você vai ficar bem?

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Eu assenti. — Vá para a cama. — Era quase onze, mas ela foi tecendo um pouco sobre seus pés. O resto da família se afastou para seus respectivos aposentos particulares, Liam e Helena sussurrando um com o outro. Liam já estava discando o telefone celular. Apenas Nicholas permaneceu. Ele era da cor de leite. — Você não está subindo? — Eu perguntei. Ele se aproximou de mim. — Em um minuto. — Eu finalmente senti quente. O afegão caiu dos meus ombros. Ele estava olhando para mim como se quisesse me abrir, como a casca de uma laranja. Lembrei-me da sensação da sua boca na minha. Eu fiz uma careta, nervosa mas sem nenhum motivo. — O quê? — Eu só quero tentar algo. — Seu toque era suave, deslizando em meu rosto, meu braço, até ao meu pulso. Seus olhos eram como a chuva no outono, violento, misterioso, bonito. Hipnotizante. — Pare com isso, — eu sussurrei. — Fique longe de Kieran, — ele exigiu suavemente. — Ele é perigoso. — E você não é? — Vamos descobrir. — Ele fechou a distância entre nós antes que eu tivesse tempo para sequer piscar. — O que você está fazendo? — Eu não tenho nenhuma idéia, — admitiu. Seus lábios pairaram, apenas um sopro de distância da minha. — Eu pensei que você fosse louca por mim. Eu realmente queria inclinar para a frente, apenas muito ligeiramente. — Eu sou — Você também está tentando usar seu mojo vamp em mim. — Ele não funciona em você. — Lembre-se disso. — Minha voz era suave, como chantilly, e em desacordo com o meu sorriso orgulhoso. Nós não fechamos nossos olhos, nem mesmo quando nossos lábios se encontraram. Eu vibrava por todo caminho até os meus pés. Ele não era mais remotamente gelido, na verdade, parecia mais umidade de um dia de verão. Sua pele era fria. Eu meio que queria lambe-lo como se ele fosse sorvete. Quando sua língua tocou a

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minha, minhas pálpebras finalmente fecharam-se. Entreguei-me ao momento, tudo menos arremeçar isso. Eu queria que durasse pelos próximos anos pelo menos. Eu nunca me senti assim antes. Ele poderia perfeitamente tornar-se viciada. Imaginem se nós realmente gostamos um do outro.

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Cinco
(Solange)

Sábado a tarde.
Quando eu acordei, Lucy estava murmurando para ela mesma. O que não era raro, mas havia uma estridente linha especialmente para ela, mais do que normalmente o resultado de sua impaciência com a nossa ligação à internet lenta. Há varias fazendas que compõem o composto Drake, por volta de mil hectares, alguns sem qualquer fonte de alimentação. Nossa casa tinha a sorte de ter o serviço de satélite, mesmo que isso signifique uma conexão ruim quando era um dia nublado em outro lugar do continente. — Satelite estúpido. Eu precisava de uma calculadora para descobrir quantas vezes eu tinha acordado com ela gritando com o computador. Paciencia não é uma das qualidades de Lucy. Eu me aconcheguei mais nos cobertores. O sol parecia um pouco brilhante, mas eu gostei do seu calor no meu rosto. — Que horas são? — Eu bocejei. Lucy sacudiu-me um olhar. — Acabou de passar das duas, eu acho. Ela rabiscou em um pedaço de papel. — Plugs de nariz, definitivamente precisava deles. E uma faca de bolso, algo pontudo. Oooh! Ela interrompeu-se entusiasmada. — Arma de choque. Acha que eles vendem essas no eBay? Eu bocejei novamente e me apoiei em meus cotovelos. — Que diabos você esta fazendo agora? Eu perguntei.

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— Fazendo uma lista de suplementos. — Ela me respondeu sombriamente. — Não tenho nenhuma intenção de deixar que esse Helios-Ra com cara de imbecil me use outra vez para chegar em você. — Não foi sua culpa. Ela não parecia remotamente convencida. — Nicholas acha que é minha culpa. — Desde quando você se importa com o que ele pensa? Ela parou. — Oh, bom ponto. — Ela clicou com o mouse. — Hey, olha, eles tem pistolas elétricas. Tem uma com o desenho da Hello Kitty, eu acho. Talvez não seja muito difícil. — Seus olhos se arregalaram comicamente. — De que são feitas essas, ouro solido e diamantes? Não posso comprar isso com a minha mesada. Eu gemi, deixando minha cabeça cair de volta no meu travesseiro. — Lucy, você não pode comprar uma coisa dessas. Não é exatamente sutil. Ela mudou a expressão. — Eu também acho. Além disso, você sabe que a minha mãe provavelmente tem uma em um armazém. Ela girou em sua cadeira, com os olhos brilhando. — Acha que ela me daria uma? — Depois da ultima vez? De jeito nenhum. — O que? Vamos lá. Isso foi á séculos. — Ninguém se esqueceu o que aconteceu quando você a convenceu de te ensinar tiro com arco e flecha. — Como eu saberia que tinha boa pontaria? Ela havia estado muito muito perto de acertar Marcus no coração, o que o teria matado, como a qualquer outro. As flechas funcionam bem, mas não importa qual o material fosse, era pontudo e atravessaria o coração. Na verdade, foi bastante difícil de fazer: costelas, alvos não foram fáceis para furar. Ela franziu o cenho para mim.

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— Você está realmente pálida. Você está se sentindo bem? — Ela perguntou; — Deus, não você, também. — Puxei o travesseiro sobre meu rosto. — Eu estou bem. — Você está de mau humor. — Porque você está me incomodando. Ela me cutucou. — Eu nem sequer comecei a chateá-la. Eu descobri um olho. — Vá embora, Lucy. Estou cansada. — Tentei fazer com meu olho exposto um olhar frio, no qual minha mãe era tão boa. Lucy inclinou a cabeça. — Você esta ficando cada vez melhor nisso. A única coisa de ser melhor amiga de alguém por muito tempo é que mesmo se transformando em um vampiro não a perturbava realmente. Seu sorriso se suavizou. Genial. Meus truques vampirescos englobam compaixão, não medo. — Volte a dormir. — ela disse. A luz bateu nas lantejoulas de seu cachecol de veludo, fazendo-me piscar. — Vou continuar a fazer listas das maneiras dolorosas e muito lentas que eu possa fazer Kieran sofrer. Kieran. Fechei meus olhos, querendo saber porque não foi de todo esforço para chamar o tom exato de seus olhos escuros, hostis, como eles eram. Eu deveria estar pensando sobre a recompensa sobre nossas cabeças, não se devia ou não conseguir vê-lo novamente. Porque é claro que se eu chegar a vê-lo novamente, ele provavelmente iria tentar estacar meus irmãos ou a mim. Dificilmente um começo promissor para um relacionamento. Relacionamento. Em que diabos eu estava pensando? Sem dúvida, meu iminente aniversario estava me confundindo a cabeça. Não havia outra explicação. Eu só precisava de mais sono. Porque me sentia mais cansada que

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o habitual, como se manter meus olhos abertos fosse uma tarefa rídiculamente difícil. Quando eu acordei, de novo, eu estava sozinha no meu quarto. Meu estômago roncou alto. Eu me sentia melhor, descansada e claramente com fome. Talvez eu fizesse waffles com calda de uva. Eu não poderia imaginar-me não querendo comer uma pilha enorme deles com chantilly, mesmo que cada um de meus irmãos me garantisse que, desta vez na próxima semana, o próprio pensamento me faria náuseas. Assim, é melhor eu comer tanto quanto eu podia, enquanto eu podia. A casa estava quieta. O sol ainda não tinha se posto, meus irmãos provavelmente estariam dormindo. Meu pai podia ficar acordado o dia todo e até mesmo podia ficar na sombra de uma árvore. Mas hoje, eu sabia, ele estaria no telefone com cada vampiro que ele conhecia, e minha mãe provavelmente, estaria em um inventario de armas. Ela não é muito forte durante o dia ainda, mas ela ainda não seria capaz de se sentar, não depois de ontem à noite. A cozinha estava vazia apesar de Lucy ter deixado um pote de café para mim. Servi-me um copo e ele tinha um gosto bom, eu não estava mais com disposição de me alimentar mais. Nós estavamo sem xarope de mirtilo14. Quando meus pais saíam para fazer compras de mantimentos eles tendiam a trazer para casa : bife sangrantos e qualquer coisa vermelho: framboesas, cerejas, pimentas. Isso fazia cozinhar mais fácil. — Querida, tente o mousse de framboesa. Está fresco. Eu tentei esconder um arrepio quando me virei em um salto e sorri para ela. Ela ficou na porta, vestindo o que eu chamava roupão bordel vitoriano: todas as rendas e flores de veludo e franjas de seda. Seu longo cabelo castanho foi pego em um nó bagunçado. Seu cachorro, Mrs. Brown, fungou a seus pés. Se o Sr. Brown estava fora dos quartos da tia Hyacinth depois seguia-se que os outros cães, bebês gigantes que eram, estavam a encolher debaixo da mesa de jantar. Eles temiam o Sr. Brown da mesma maneira que eu temia reality na TV. — Vamos conversar. — Tia Hyacinth convidou depois servindo-se de um copo de licor de cereja. Ela gostava de experimentar com seu aroma comida e bebida de sangue. É por isso eu não tinha absolutamente nenhuma intenção de tocar na mousse de framboesa. Poderíamos tecnicamente comer comida normal, só que não tinha praticamente nenhum sabor e valor nutritivo para nenhum para nós. Somente o sangue nos mantêm vivos e saudáveis. Grotesco, grotesco, grotesco. Definitivamente eu tinha que superar essa fobia de sangue. E pronto.
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É uma fruta com muitas propriedade medicinais, se parece com a uva e é pouco conhecida aqui no Brasil.

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— Você vem? — Tia Hyacinth me chamou do topo da escada. Seguindo-a Mrs. Brown beliscando nos meus calcanhares com entusiasmo. Houve um gemido canino da sala de jantar. Tia Hyacinth tinha um conjunto de salas no segundo andar, assim como meus pais e eu, ao lado de um dos quartos. Tia Hyacinth preferiu viver conosco em vez de construir sua própria casa no composto Drake. Ela certamente poderia pagá-los. Nossa família tinha tido tempo suficiente para aprender a ser confortavelmente rica. No começo, houve um roubo considerável, o que nunca ninguém relatou, graças aos feromônios. Mas nos últimos cem anos, todos tinham começado a armazenar moedas e peças decorativas, que se transformou em valiosas antiguidades com muito pouco esforço. Na verdade, todas as crianças nascidas ou feitas na família Drake tinha um fundo, começou em seu nome sob a forma de uma caixa cheia de ouro antigo trancada no cofre do porão. Mas, não obstante a riqueza, tia Hyacinth alegou que estar sozinha a faz muito piegas. Sua palavra, não a minha, embora de acordo com amigos da escola, Lucy tinha um vocabulário estranho e um estranho sotaque, um perigo de serem educados em casa por uma família com membros nascidos em qualquer lugar a partir do século XII por diante. O quarto da tia Hyacinth era bonito, o que se esperaria de uma senhora que ainda está de luto pela morte da rainha Vitoria — que se recusou a mudar de sangue. Voltei minha atenção de volta à minha volta. Minha própria mudança, não só me fez insuportavelmente sonolenta, mas também tornou realmente difícil me concentrar. E o salão da tia Hyacinth não ajudava. E era um salão, e não uma sala de estar. A sala de estar. Eu aprendi a diferença antes que eu aprendi a soletrar a palavra. Com a grafia British correta, é claro, para a tia Hyacinth. Eu também aprendi ortografia medieval de palavras em honra de Veronique, com um toque francês em honra do seu património Aquitaine15 e moderno Inglês de mamãe e papai. Foi uma maravilha que eu nunca aprendi a soletrar meu nome. Sentei-me numa cadeira ao lado de uma enorme urna de cobre cheia de samambaias. Tia Hyacinth amava samambaias, que tinham sido a moda quando ela estava no auge, chegando em seu aniversário de dezoito anos. Ela usava um vestido de seda branco e fazendo sua reverência à rainha. Ela me ensinou a reverência e eu ensinei Lucy, que tinha praticado até que ela se entregou por cãibras nas pernas. O salão tinha toalhas de renda em todas as superfícies e castiçais de prata, e lâmpadas a óleo pintadas e silhuetas em molduras douradas. Havia um pequeno vestiário cheio de espartilhos e

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Aquitaine, região no sudoeste da França.

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anáguas e botas pontiagudas. Lucy e eu passavamos horas mexendo lá quando éramos pequenas. Lucy ainda mexe lá, se a tia Hyacinth deixar. Tia Hyacinth estava reclinada dramaticamente sobre um sofá de veludo, bebendo seu sangue com sabor de cereja. Mrs. Brown saltando até seu colo por seus pés, aceitando lascas de carne como lanche da tarde. Eu gostaria de saber, não pela primeira vez, se um vampiro poderia ser vegetariano. — Se você continuar se preocupando tanto, você terá rugas. — Ela me repreendeu gentilmente. — Eu não posso evitar. — Querida, seus irmãos sobreviveram à mudança. Como uma mulher Drake, que são muito mais fortes do que eles. Basta pensar, você vai acordar tão revigorada. Não há nenhum sentimento como isso. — Ela abanava-se com uma ventoinha de seda decorada com penas brancas. — E enquanto isso, você deve apreciar o cortejo. — Cortejo? Tia Hyacinth, eles estão bêbados pela minha particular essencia. E eles não se importam comigo, eles só querem me dar bebês com presas ou qualquer outra coisa. E eles querem o poder do nome de Drake. Não é exatamente romântico. Ela abanava mais. — Mas pode ser, se você usá-lo para sua vantagem. — Não, obrigado. Eu amava a minha tia, mas tinham determinados temas que nunca, nunca iríamos concordar, no ponto: os meninos. Também: namorados, maridos, técnicas de paquera, e o suposto conforto dos espartilhos. Tia Hyacinth inclinou-se para passar a mão sobre o meu cabelo. — Espanta-me como você é bonita, às vezes, mesmo com essa bagunça, o cabelo solto. Sua expressão era escura, feroz. Eu teria ficado aterrorizada se eu não a amasse tanto. — Nenhum mal acontecerá a você, Solange, não enquanto um de nós vivermos.

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E isso me assustou mais que tudo.

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Seis
(Lucy)

Sábado à tarde.
Deixei um bilhete na porta da geladeira e escapei para fora, mantendo o carro em ponto morto até que eu estava sozinha no caminho. Eu sabia que eles teriam mandado alguém comigo, mas eu não era essencial e eu não queria que Solange tivesse um único minuto a menos de proteção por causa de mim. Além disso, eu esperei até a parte mais ensolarada e brilhante do dia, e eu só precisava ter certeza que os gatos tinham bastante água e comida. Tudo que eu precisava estava na cidade, agradável locais públicos lotados ou no composto Drake. Eu sabia que Geoffrey estaria em seu laboratório, agora que ele tinha uma amostra do pó Hypnos. É realmente irritante que eu tenha sido o elo mais fraco. Kieran tinha muito a responder, o cretino. Eu dirigi até a última casa no local e dei a volta por atrás do celeiro. Geoffrey o havia usado como um laboratório durante décadas. Bati na porta antes de ir para dentro. Foi uma lição que eu tinha perfurado em mim desde que eu era velha o suficiente para saber que estava tudo bem em ignorar certas explosões e fumaça preta fora deste paticular celeiro, mas que nunca estaria bem em não bater. Geoffrey podia ouvir meu coração se aproximando, mas alguns de seus experimentos eram delicados e perigosos e ele não foi sempre capaz de se afastar deles ou fechá-los para a segurança do visitante. Geoffrey tinha me ajudado a passar no meu teste de biologia do ano passado e eu estava esperando que hoje ele seria tão útil. — Entre Lucy. — ele gritou, já soando distraído. Eu teria que fazer as minhas perguntas serem curtas. O celeiro foi equipado com equipamentos modernos, a maioria de hectares de unidades de refrigeração e balcões e pelo menos uma dúzia de extintores

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de incêndio. Geoffrey estava de pé sobre uma bandeja de copos, vestindo um jaleco amarrotado. — Oi, eu sei que você está ocupado e prometo ser rápida. — Eu disse, fazendo rugas no meu nariz ante ao cheiro familiar de formaldeído e álcool, com um tom de feno. Não tinha havido feno armazenado neste celeiro a quase cem anos, mas parece que o cheiro empoeirado nunca realmente foi embora. — Qualquer progresso com o Hypnos? — Essas coisas levam tempo, você sabe disso. Ele acrescentou uma gota de líquido azul em uma lamina e colocou-o sob um microscópio. — Assim eu sei que não é por isso que você está realmente aqui. — Me desculpe, eu vou embora. Ele olhou para cima. — Dificilmente é sua culpa — mesmo assim eu tenho que seguir as ordens se tenho um bocado de Hypnos. É muito potente, Lucy. — Eu sei. — Agora, o que posso fazer por você? Eu mordi meu lábio. — Eu quero saber sobre a mudança de sangue. — Você sabe sobre a mudança. — Não, eu não. Eu sei que é o grande mal e todos gritaram, mas é isso. E cada vez que eu pergunto para Solange, ela diz para não me preocupar. — E ela tem razão. — Por favor. Aparentemente eu estava a favor de suplicar. — Eu só quero entender para que eu possa ajudar. — Sorri suavemente.

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— Infelizmente, não há muito que você pode fazer para ajudar, minha querida. Esta é a batalha de Solange. — Solange é minha melhor amiga, — eu disse teimosamente. — Assim é a minha batalha também. Algo no meu rosto deve ter o convencido que eu estaria fazer um drama até que eu conseguisse o que queria, porque ele finalmente suspirou e disse: — Tudo bem, Lucy. Sente-se. — Sentei-me rapidamente, antes que ele pudesse mudar de idéia. — A mudança de sangue ainda é um misterio, — admitiu. — Eu tenho feito pesquisas e experimentos para entender melhor o desafio especial da nossa família, mas com graus variados de sucesso. Não é estritamente científico, nem é estritamente sobrenatural, por isso temos mais perguntas que respostas. Há apenas algumas poucas famílias de outros que podem procriar como nós fazemos. Todos os outros vampiros são feitos, não nascem. Tecnicamente, o Hel-Blar são feitos da mesma maneira, é só que eles têm uma violenta transformação mais, sem orientação ou tutoria, até que seja tarde demais. — São tão assustadores como todos podem ser? — Sim. — Os Hounds podem ficar doentes também? — Em uma maneira de falar, mas não como nós. Nossa mudança é genética, você entende. Tão próximo como posso explicá-lo, quando atingem a puberdade, em nossos jovens o fluxo de hormônios provoca a mudança. É como se o organismo atacasse a si mesmo e depois desligasse, até que é despertado por beber sangue de vampiros. Nossas crianças precisam ser muito fortes para lutar por ela e vencer. Engoli em seco. — Mas a maioria passa por ele, certo? — A maioria. — Por que alguns enlouquecem? É uma coisa hormonal, também? Como a TPM permanente? Ele sorriu brevemente.

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— Não é bem assim. É justo que alguns são mais fortes do que outros. A mudança de sangue é tão difícil, alguns apenas não podem segurar para si. Se eles recebem sangue suficiente apenas para sobreviver a sede de toma-los e é isso será tudo o que podem pensar, como os Hel-Blar. — Está me dizendo que Solange poderia se transformar em um deles, se ela não for forte o suficiente? — Eu gostaria de saber com certeza. O resultado mais provável seria que ela poderia simplesmente morrer e não despertar. — Isso é uma merda. — Eu fiz uma careta. — Mas Solange é forte o suficiente. Ela não vai morrer de verdade e ela não vai ficar louca. — Eu tenho certeza que você está certa, — disse Geoffrey — Ela tem genes fortes, que é um alivio. Bebendo o sangue de alguém da mesma linhagem vai recuperá-la o suficiente para vencer a batalha. Seu corpo não vai atacar o sangue novo, mas não pode criar sua própria fonte. Na primeira, ela vai precisar beber todos os dias para completar, a menos que ela fica mais velha. — Ela não vai ficar mais velha. Eu não tentei insistir no fato de que um dia eu ficaria enrugada e usando próteses e ela ainda pareceria jovem o bastante para ser minha neta. Isso era um grande preocupação no nosso caminho. — Ela não ficara velha fisicamente, não. Pelo menos não por alguns anos, após seu corpo se ajustar completamente à sua nova forma. Eu estou receoso que eu realmente não entendo a ciência por trás dessa adaptação ainda. Minha teoria é que é outro mecanismo de sobrevivência genética: chegarmos ao nosso ideal de idade, quando parecermos os mais fortes. É uma forma de afugentar os predadores, como fazer você parecer maior para afugentar um urso preto. — Oh. E seu feromônio especial é um mecanismo de sobrevivência também, certo? Como todos ficarma tão obcecados com ela? — Sim. É uma coisa de acasalamento. Todo mundo está querendo saber se ela vai ser capaz de carregar uma criança vampiro. — Grotesco.

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— Estude Darwin16, minha menina. Conforme-se. — Uma coisa mais, por que existem os Hel-Blar azul? — É um efeito colateral, como os seus dentes. Seus dentes extras que lhes permitam tomar as primeiras… refeições… Com tanta violência e ganância, que os deixam, para todos os ingurgitados e machucados. — Ah. — Eu tinha que aprender a parar de fazer estas perguntas. Eu nunca gostava da resposta. Engoli em seco. — Obrigado. Acho que eu deveria deixá-lo voltar ao trabalho. — Sim, Darwin vai precisar de ajuda quando eu passar. Ele voltou para o seu microscópio e eu sabia que ele tinha esquecido que eu estava lá no momento em que cheguei à porta. Não me senti melhor exatamente, mas pelo menos não sintia como se fosse o único no escuro mais. Fui para casa, correndo. Minha casa parecia muito tranquila de algum modo, demasiado vazia. A estátua de Kali17 de mamãe estava me olhando entre as tigelas de água. Tinha que substitui-la antes de meus pais voltassem— no caso. Parecia melodramático pensar assim, mas eu precisava estar preparada. Solange teria ficado feliz se escondendo em alguma cabine deserta até que isto tudo passasse, mas eu queria lutar. Meus pais ainda não entendiam a minha tendência violenta considerando a forma como fui criada: comer tofu, meditar, e ter viagens de longo percurso no meio do ano letivo para ver pinturas rupestres ou observar alces. A intolerância irracional da minha mãe se estende não apenas para as pessoas, mas para todas as espécies incluindo vampiros. Helena e minha mãe eram melhores amigas na escola, mas se separaram quando minha mãe foi para a faculdade e viajou ao redor do mundo para se encontrar. Então dez
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Charles Robert Darwin FRS (Shrewsbury, 12 de Fevereiro de 1809 — Downe, Kent, 19 de Abril de 1882) foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor [1] uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual . Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos na Biologia.
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Kali, do sânscrito Kālī (que significa, literalmente, A Negra), é uma das divindades mais cultuadas do Hinduísmo. Apresenta-se com aspecto terrível e a tradição inclui sacrifícios animais e antigamente humanos -segundo observado ainda pelos colonizadores ingleses no século XIX.

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anos depois minha mãe voltou para sua cidade natal. Uma noite ela foi em um dos passeios da lua cheia, ela trombou com Helena, que estava grávida de Solange e bebendo o sangue de um cervo que tinha matado para ajudar a saciar suas ânsias. Aparentemente, esse tipo de coisa só tinha acontecido quando Helena estava grávida de Solange e não com qualquer um dos seus sete irmãos. De qualquer forma, nenhuma quantidade de controle da mente de vampiro estava para fazer minha mãe vegetariana esquecer a particular visão. Helena não conseguia se esconder da minha mãe, e sua amizade foi reacendida, que foi assim que chegamos a estar tão perto e confortável com os Drakes. Mais confortável do que eles estavam conosco, no caso: Nicholas. Nicholas. Eu realmente desejava que ele beijasse mal. Teria sido muito mais fácil esquecêlo, nunca aconteceu, não quero saber se isso pode acontecer novamente. — Foco. — disse a mim mesma severamente, bloqueando nossa porta, um duplo clique. Eu prestei atenção a cada arbusto e árvore suspeita sobre o meu caminho de volta para a segurança do meu carro. Os pneus guinchavam, enviando nuvens de poeira, eu me apressei para fora de lá. A parte de trás do meu pescoço não relaxou completamente, até que eu tinha chegado na periferia da cidade, com suas galerias com cores de doces e sorveterias. A área era popular para os artistas, ambientalistas e colonos como meus pais. Havia poucos lugares com muito deserto para todo o denso bosque ao redor e cachoeiras escondidas e até mesmo os lobos, às vezes, cantando nas noites frias de Inverno. A combinação da paisagem agreste e o fato de que tudo aqui era muito privado e a aceitação de estilos de vida alternativos tornou um lugar perfeito para vampiros viverem sem serem descobertos. Pelo menos eu pensei que eram desconhecidos. Se não, ninguém falava sobre isso. Pessoas aqui são muito mais propensas a ficarem aquecidas sobre teorias de conspiração e sites de lixo nuclear. Primeiro, eu parei na farmácia para plugues de nariz e quase limpei a famacias deles. O caixa não tinha sequer piscado. Depois fui para a loja de ferragens para a caça e fornecimentos de camping, que era um grande negócio na cidade. Eu me senti um pouco idiota, eu admito, como o tipo de personagem de quadrinhos que eu tinha acusado Kieran de imitar. Mas eu estava determinada, também. Se houvesse qualquer coisa que aprendi com meus pais, além de como cortar madeira e pressionar a bomba de água, era que você tem que fazer aquilo que precisa ser feito e não deve queixar-se ou fingir que não era necessário. Depois, senti-me perfeitamente justificada em recompensar-me com um duplo

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latte de canela. E desde que meus pais não estavam lá, eu nem sequer usei o leite de soja. Isso era totalmente rebelde em nossa família. Eu estava voltando para uma casa onde o sangue era servido como um vinho fino e vegetarianismo não era exatamente uma opção. Eu estava a meio caminho de volta para o meu carro quando eu senti um frio na espinha em advertência. Engoli em seco e forcei-me a não acelerar ou desacelerar, para manter o meu ritmo e até mesmo esquecer. Havia uma família comendo cachorrosquentes em um banco, alguém em uma bicicleta, duas meninas andando com um pequeno Chihuahua. Havia algo mais, bem, aquele sentimento indescritível de ser vista, seguiu. Eu virei a esquina, os gramados verdes de um parque à minha esquerda, o meu carro mais abaixo à direita. Nenhum pedestre. O sol estava na calçada, seu toque suave nas minhas sandálias. Quase definitivamente não era um vampiro, então, estava muito quente e brilhante. Havia um mínimo tremor na miota de avelã. Eu não teria notado nada se não tivesse sido tão paranóica sobre todas as coisas ao meu redor. Adrenalina passou por mim. Eu esperava que eu ainda parecesse distraída, como qualquer outra garota, a beber o meu latte e com sacolas de compras. Eu esperei até que estava ao lado do avelã, antes de lancar o meu latte e gritar, lançando-me a quem estava se escondendo em torno de lá. Descemos em um emaranhado de pernas e soltando maldições. Vi calças pretas de carga, plugs pretos de nariz, olhos pretos. Seu nome de código era provavelmente Sombra. Kieran.

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Sete
(Solange)

Eu voltei ao meu pequeno galpão. O sol estava levemente batendo na parede de
madeira e no forno lá atrás. Eu precisava dos meus óculos de sol, mas pelo menos eu não me sentia tão cansada como na noite passada. Eu sabia que quando isso viesse até mim, minha família toda iria ser superprotetora e dramática, por isso era difícil saber quantos sintomas em sua longa lista eu poderia realmente esperar. Entrei no estúdio e fechei a porta muito deliberadamente. Eu não iria pensar sobre isso agora. Isso nunca ajudou de qualquer forma. O que fiz para ajudar foi enterrar as mãos na argila e o rítmico giro da minha roda de cerâmica. Estava empoeirado e calmo por aqui, bem como eu gosto. A janela durante muito tempo ofereceu a distração dos campos e das florestas selvagens, quando eu precisava deles. Minhas ferramentas e produtos químicos foram armazenados em tubos plásticos, as paredes foram equipadas com prateleiras de madeira, mas todas rangiam sob o peso de taças, copos e vasos de formato estranho. Lucy me dizia que eu deveria colocar meu material em lojas de galeria pelo lago para vendê-los. Não era uma má idéia. Embora a maiorias deles só abriam durante o dia, Lucy poderia fazer as entregas para mim se eu pedisse a ela. Era algo em que pensar. Se eu sobrevivesse ao meu aniversário, é claro. Eu o olhei com raiva e ataquei o barro. Estava frio e obediente em minhas determinadas mãos. Eu odiava ter medo, quase tanto quanto eu odiava ser mimada. Eu trabalhei até que o sol estava se pondo lentamente atrás das árvores. Gansos voando no alto, grasnando. Eu não estava nem perto de descobrir Kieran Black, a recompensa ou uma forma graciosa de fazer a mudança de sangue, pelo menos eu estava mais calma. E possivelmente novamente com fome. Enxuguei as mãos limpas e fui para fora, inalando

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profundamente o perfume das rosas silvestres e hortelã. Eu estava me esforçando, pensando e não estava prestando atenção ao meu redor. Primeiro erro. Eu podia não ter super audição ainda, mas a flecha assobiou perto de minha cabeça, eu podia ouvir o ar através da flecha. Um som oco em uma das árvores de carvalho, regando estilhaços. Ao mesmo tempo, alguém bateu em mim, enroscou-se em torno de mim como uma parka18 particularmente pesada. — Ufa! Que… — — Sai daqui, sua idiota19! — Era Bruno. Ele só volta ao seu sotaque escocês nativo quando está realmente chateado. — Entre na maldita casa. Corremos e subimos os degraus da varanda. Eu me senti como o presidente de um pequeno país sob ataque. Tudo o que ele precisava era o transmissor de orelha e um par de óculos espelhados. E um terno preto, mas eu acho que ele nunca usaria uma gravata, mesmo para nós. Ele parecia apenas como aquilo que era: um ex-motociclista com a cabeça raspada para disfarçar a calvície, e tatuagens junto do ombro. Ele começou a trabalhar para nós desde antes de eu nascer. Bruno me empurrou para dentro e bateu a porta atrás de nós. — Fique aqui, — ele berrou, correndo de volta para fora, gritando ordens em um walkie-talkie. O jardim estava silencioso, até mesmo os alegres pássaros foram esquecidos. Meu coração estava batendo descontroladamente, fazendo-me sentir tonta. A flecha tinha passado muito perto, muito perto. E somente uma organização teria usado flechas de madeira desse estilo. Helios-Ra. Eu me perguntava se tinha sido Kieran, escondido nas sombras, esperando eu virar as costas. O sol brilhava nas pedras de cascalho e na cerca de ferro preto. Nenhum vampiro antigo o suficiente para resistir a esse tipo de dia de verão seria capaz de esgueirar-se na propriedade. Alguém teria sentido o seu perfume de feromônio. Bruno voltou, olhando-me cruelmente. — Os túneis para você a partir de agora, garota. — Será que você pegou ele?
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Capa de borracha com capuz.

No original ijit - uma combinação da palavra "idiota"e "imbecil”.

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— Nem mesmo uma maldita pegada. — Ele coçou a cabeça. — Afaste-se da janela, Solange. Não é seguro. — Isto está ficando ridículo, — eu murmurei. — Concordo, — ele respondeu. — Eu estou indo para o porão, — eu disse a ele irritada. — Use o túnel — ele repetiu. Desci para o porão e usei o pequeno corredor que ligava a casa até a garagem. O segundo andar foi transformado em espaço de formação completa, com tapetes, sacos de perfuração, uma máquina de pesos e duas escadas rolantes. A parede do fundo era coberta com artes de esgrima e espadas. Eu não me incomodei com o uniforme ou a máscara porque eu estava praticando sozinha. Eu só precisava de distração. Se cerâmica não foi suficiente para realmente me acalmar, atirar e esfaquear um inimigo imaginário teria que fazer. Peguei a minha espada favorita, ou um florete, como era chamado na esgrima. Por hábito eu saudei o meu adversário inclinando. Então dou passos para frente e recuo algumas vezes para aquecer. Eu atirei, esfaqueei, desviei e defendi um golpe circular e desarmei. Eu atirei uma e outra vez até que meus músculos das coxas doíam e o suor pregou em meu cabelo. Eu abaixei a cabeça, desviei em baixo e espetei no alto. Recuo, réplica, recuo, réplica. Eu me sentia melhor, até que aconteceu de eu olhar pela janela e vi Bruno voltar para a casa arrastando um enorme saco cheio de pacotes e flores. Eu joguei meu florete de lado e corri degraus abaixo, através do túnel e até o hall da frente. Eu olhei para a mala aberta, ofegante e carrancuda. — Que diabos é isso? — Mais presentes, moça, — disse Bruno. — Nós estamos procurando vários ao longo da linha da propriedade. Por alguma razão, todos os presentes estavam realmente me irritando. Eu coloquei minha mão e puxei de dentro cartões postais, um buque de margaridas e algo que parecia um saco plástico cheio de sangue. — Isso é nojento. — Deixei-o imediatamente. A luz brilhava em algo de prata e eu puxei-o cuidadosamente. Era uma maçã, perfeitamente trabalhada de prata, com uma

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folha pendurada no tronco. A folha delicada foi gravada com um nome: Montmartre. Eu coloquei a maçã de lado para que eu pudesse limpar as mãos completamente de cooties20 Montmartre, e ela balançou na borda da mesa. Ela caiu no chão, e o topo aberto com pequenas dobradiças que eu não tinha visto. Sangue derramou da abertura, grosso e vermelho. O cheiro acobreado me fez engasgar, mas eu não tive tempo para reagir de outra forma. Eu estava muito ocupada olhando pela janela da frente. — Onde está o carro de Lucy?

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Doença imaginária, o termo pode ter se originado com referências aos piolhos, pulgas e outras pragas. Uma criança diz – pegar – cooties através de qualquer forma de contato físico, proximidade ou toque de uma pessoa – infectados ou de uma pessoa do sexo oposto da mesma idade.

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Oito
(Lucy)

Nossa!

— Eu não pensei, apenas reagi com toda a raiva, culpa e

preocupação que eu tenho levado o dia todo. Eu dei um soco bem no nariz. Ele recuou, agarrando seu rosto. — Merda, merda! — Isso mesmo, você seu bastardo ordinário — Movi rapidamente meus pés, ofegante. — Você vai me usar contra a minha melhor amiga, você vai? Ele enfiou a mão no bolso. Eu peguei primeiro, tirei o par de protetores de nariz que eu escondi ali, apenas no caso, e empurrei-os. — Oh, você não vai não, — eu agarrei-o, orgulhosa como um gato com a boca cheia de penas de canário. Eu estava indo redimir-me, se eu tivesse de socá-lo dez vezes mais para fazer isso. Meus dedos sentiram-se machucados, doloridos. Justificados. Houve uma pequenina, minúscula possibilidade de minha mãe estar certa sobre o meu temperamento. Kieran apenas piscou para mim, perplexo. — Quem te ensinou a dar um soco como esse? Eu sorri tristemente. — Os Drakes. Ele se mexeu, como se fosse se levantar. — Uh-uh-. Você fica bem ai ou eu vou gritar tão alto, que metade da cidade vai vir correndo. Você pode ser parte de algum clube secreto, mas ainda posso te prender por ser um caçador assustador. — Eu notei que ele estava tentando olhar à parte de trás do meu pescoço e meus pulsos. — E o que diabos você está fazendo agora? — Você não tem nenhuma cicatriz.

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— O quê? Ele afastou-se até que não estava mais esparramado no chão. O nariz dele parecia ferido, mas eu não tinha realmente quebrado. — Escravos de Sangue tem cicatrizes, por causa da alimentação. — Não use essa palavra, é um insulto. E isso me faz querer te chutar. Forte. Ele ergueu as mãos, palmas para cima e levantou-se plenamente. Dei um passo para trás, levantei o punho. Eu podia ver o cabo de uma faca na parte superior da sua bota. — Você tem que saber que os vampiros matam pessoas. — Eu poderia dizer que ele estava pensando em seu pai. Às vezes, era uma dor real que meu pai tinha incentivado uma sensação tão forte de empatia em mim. Ele não poderia ter-me ensinado matemática? — Kieran, humanos matam o tempo todo. E os Drakes não são assassinos. Eles não são Hel-Blar, eles sabem se controlar. — Eles são todos iguais. — Não me faça socar você novamente. Minha mão já tá doendo. Ele quase sorriu. — Você pode ser tão assustadora como Helena Drake, um dia. — Eu pretendo ser. — Você está no caminho certo. — Limpou o sangue do rosto, triste. Um carro passou na rua. — Deixe eles em paz, Black . — Não é tão simples assim. — É, muito. Helios-Ra tem um tratado ou tanto faz, assim cumpra-o. — Eu sou um agente novo. Eu tenho apenas dezoito anos. Você realmente acha que eu sou responsável por lá? Eu tenho ordens, assim como todos os outros. — Isso é conveniente, — Eu o zombei, recolhendo minhas coisas antes de me virar. — E totalmente defeituoso. — Eu parei na porta do lado do motorista. — Não seja um rato,21 Black.

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No original – lemming – é um pequeno animal roedor, parecido com um esquilo sem rabo.

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Quando voltei à fazenda, um dos guardas saiu de onde eu podia ver ele e sacudiu a cabeça em desaprovação. Ooops. Eu já estava vacilando quando eu mesma sai do carro e Nicholas abriu a porta de tela. Tanta coisa para esconder e por isso, nenhum bom senso. Nicholas estava com as narinas realmente alargadas. — Lucky . Eu alarguei a minha de volta e me senti como uma idiota. — Nicky. Eu o empurrei para passar, então gostaria de poder voltar para a varanda e lutar com ele. Eu ia ter que enfrentar Solange com rosto pálido, e claro preocupada todo o dia. — Lucy, você está bem? — Eu estou bem, Sol. Eu só precisava de suprimentos para a alimentação dos gatos. — Deixei minhas malas, senti Nicholas vir atrás de mim. Ela parecia tão aliviada, me senti culpada e apertei os dentes. Ninguém mais poderia me fazer sentir tão mal, sem dizer uma única palavra. Bruno estava fazendo um bom trabalho, porém, parecendo um pai decepcionado antes que saisse para patrulhar. — Eu teria alimentado seus gatos com sangue — resmungou Nicholas. Ele viu minhas sacolas da farmácia e olhou para mim incrédulo. — Você foi comprar batom? Em um momento como este? — Sim, isso mesmo, e uma máscara esfoliante. Não seja burro. Fui comprar comida. O sol filtrou pela janela, e ele recuou para longe, embora o vidro tenha sido especialmente tratado, ele não estava em perigo. Ele parecia cansado o suficiente para cair. Mesmo as sombras de seus olhos tinham sombras. — Você deveria estar na cama. — Eu estava na cama, — disse ele incisivamente. — Até que você foi às compras. — Eu precisava de protetores de nariz. — Levantei o par pendurado em uma corda no meu pescoço. — E eles já vieram a calhar. Ele estreitou os olhos em mim. — Por quê? — Ele agarrou meu pulso. — Porque, Lucy?

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Eu puxei de volta, mas não conseguiu romper seu aperto. — Por que. — Parei de puxar. Eu só ia deslocar o meu próprio pulso. — Corri para Kieran Black. Literalmente. Ambos olhavam para mim. — O quê? — Solange finalmente gritou. Nicholas virou mais minha mão. Seus olhos queimando, eram da cor de gelo, a minhas juntas cor de sangue. Dei de ombros timidamente. — Eu quase quebrei o nariz dele. — Eu meio que sorri. — Vou ter que me esforçar mais da próxima vez. Ele largou a minha mão, afastou-se. Havia algo de feroz em seu rosto, mesmo quando ele sorriu fracamente. — Eu acho que eu deveria estar feliz, eu não sou o único que você esmurra. Fiz uma careta para ele e cai em uma cadeira. Eu estava começando a ter dor nos músculos que eu não sabia que tinha. Havia ainda rosas por toda parte, e o cheiro era insuportável. — Ele machucou você? — O rosto de Solange estava duro. — Não, eu estou bem. — Assisti Nicholas tentando não contorcer seus pés. Ele olhava como se estivesse em um barco com ondas agitadas. — Volte a dormir, — eu disse, com mais suavidade do que tinha planejado. Eu empalideci quando algo me ocorreu. — Você não contou a seus pais, não é? — Não — disse Solange. — Eu apenas encontrei a sua nota. Eu nem sequer tive a chance de dizer a Nicholas. Ele só tropeçou fora de seu quarto, todo assustado. Nós duas viramos para olhar para ele. Eu pensei que ele poderia ruborizar-se, se os vampiros pudessem corar, ele estaria. — A casa cheirava mal — ele murmurou. Ele olhou para nós. — Cale a boca. Então ele subiu as escadas. Eu levantei minhas sobrancelhas. — Ele está ficando estranho.

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Solange bufou, pegou um punhado de protetores de nariz, spray refrescante, e uma faca de Bowie22 das minhas sacolas de plástico. — Então você está. Eu esperei até que estivéssemos sozinhas antes de empurrar Solange para seu quarto. — O que você está fazendo agora? — Ela murmurou quando eu fechei a porta e apertei minha orelha na madeira por um momento para me certificar de que ninguém estava ouvindo. E por ninguém, eu quis dizer Nicholas. — Ok, eu deveria ser totalmente uma espiã. — Eu sorri para ela. — Tudo o que preciso é de algum sotaque e eu poderia ser uma Bond Girl23. Ela gemeu. — O que você fez? — Eu roubei isto a Kieran, logo depois que eu bati nele. — Peguei um pequeno livro do bolso interior do meu casaco. Parecia bastante inócuo, esguio como um livreto de poesia, com uma fonte simples e ilustração de um sol na capa. Era o título que mais se destacava: Um Guia de Campo Para os Vampiros. Solange leu, piscou os olhos, leu novamente, e depois olhou para mim. — Um Guia de Campo Para os Vampiros? É uma piada? Eu ri alto. — Não. Apenas uma pequena lembrança dos Helios-Ra. — Sentamos na cama dela e colocamos o guia sobre o cobertor na nossa frente. Nós espiamos o índice, bufamos com a introdução pomposa e o juramento medieval que os pseudo-novos recrutas tinham que fazer. Havia um monte de coisas sobre o protocolo do caçador que poderia vir a ser útil um dia. Havia também uma seção inteira sobre a família Drake, e uma página dedicada apenas a Solange, listando seu status, como se ela fosse um tipo raro de rã que se pudesse procurar num pântano. — É um tanto assustador. — Ela fez uma careta. — Eu estou começando a sentir como a mulher barbada no carnaval.
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A faca Bowie é um estilo de lâmina fixa popularizado pela primeira vez com o coronel James – Jim – Bowie no início do século 19. Foi feito pela primeira vez por James Black , embora seu uso comum refere-se a qualquer grande faca da bainha com um ponto clip.
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Bond girl (em Portugal:miúda de Bond), é a denominação dada às personagens dos filmes de James Bond que tem relação romântica ou sexual com o agente 007 e que com o sucesso da série cinematográfica entre o público e a mídia, acabou também denominando as atrizes que as vivem nas telas. Geralmente as atrizes fazem o papel de heroínas indefesas resgatadas pelo herói, capangas dos vilões que caem nos braços de James Bond ou agentes secretas aliadas.

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— Eu nunca iria te deixar crescer a barba — eu assegurei-lhe, tentando aliviar o clima. Se ela pressionasse mais seus ombros apertado, sua clavícula, poderia quebrar. — Eu sou uma amiga muito boa para isso. — Puxa, obrigado. — Tudo num dia de trabalho. — Eu não posso acreditar que nos estudam assim. Quero dizer, Kieran sentar em uma sala de aula e sabe que eu uso calças largas e gosto de cerâmica? E como eles sabem disso afinal? E eu não sou solitária, droga, eu apenas não gosto de multidões. — Fez uma pausa. — Ok, então talvez eu seja solitária, e daí? E meu apelido não é — princesa Solange. — Dá um tempo. — Eu puxei o livro de suas mãos antes que ela pudesse torcê-lo ao meio. Ele abria. — Ei, de jeito nenhum. Estou aqui também. Seus olhos se estreitaram. — Você não está. — Eu totalmente estou. — Ok, isso é ir longe demais. — Aparentemente, Eu sou impetuosa e imprudente. — Eu inspirei. — Melhor do que ser um robô estúpido para alguma sociedade secreta. — Eu fiz uma dupla toma. — Sabia que um dos meus pontos fortes é o chato Nicholas? Ela riu, apesar de si mesma. — Ok, isso é a parte verdadeira. — Cale a boca, ele é o único que me irrita. — Bati o livro, pensativa. — Hmmm. — Oh, Deus. Esse — hmmm — nunca é bom. Eu a ignorei e estendi a mão para o telefone. — Eles sabem tudo sobre nós, não devemos conhecer um pouco sobre eles também? — Como? Você não pode apenas ligar para uma sociedade secreta. — Talvez não. Quero dizer, Kieran não pode ter uma página no MySpace, mas ele tem que viver em algum lugar, não é mesmo? Ele não é como Black Ops24 ou qualquer coisa, certo? — Acho que não. Espere o que você está fazendo? — Ela perguntou quando eu marquei 411.
24

Black Ops publica aplicativos e jogos, venderam milhões de jogos de guerra para o Playstation e Xbox.

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— Shhh. Olá? Kieran Black em Violet Hill. Endereço desconhecido. — Cobri o bocal do telefone. — Eu preciso de uma caneta. — Ela correu para sua mesa e praticamente jogou uma para mim. Eu escrevi no verso do guia. — Obrigado você, — disse antes de desligar. Solange e eu sorrimos uma para a outra, e parecia o sorriso de duas leoas prestes a derrubar uma gazela. Eu apertei cada número como se estivesse espremendo um inseto. Kieran atendeu no primeiro toque. — Mãe, pela terceira vez, eu tenho leite… — Não é sua mãe, — eu interrompi, rindo com Solange. — Quem é você? — Ele perguntou desconfiado. — É a Lucy. Ele fez um som muito agradável de asfixia. — O quê? Eu nunca lhe dei o meu número. — Você está na lista, gênio. Assim, você pode adicionar ao seu guia. Eu não sou só imprudente, eu sou engenhosa também. E Solange não é solitária, ela simplesmente não gosta de você. — Ela tinha um olhar estranho em sua face. — Você está bem? — Eu sussurrei para ela. — Deite-se. — Eu podia ouvir Kieran embaralhar o telefone, provavelmente procurando nos bolsos. — Você levou o meu guia! — Yup. Você quer isso de volta? Encontre-nos esta noite. — Os olhos de Solange se arregalaram. Acenei com a mão para sua preocupação. — Eu posso arranjar outro guia, — disse-me ele. — Sim, mas como pareceria um novo recruta, que perdeu um de seus perfis? — Eu o tinha ali. — Além disso, você me deve, Black. — E lá. Ele suspirou, como um homem velho. — Eu realmente não lhe devo, Hamilton. — Faz. — A Solange sabe que você está fazendo isso? — Interessante.

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— Sim, ela sabe. Você não acha que ela está cansada de brincar de gato e rato no meio de vocês? Ow, o quê? — Essa última parte eu disse no ar porque Solange tinha agarrado o telefone de mim, arranhando-me no processo. — Meu apelido não é Princesa, — ela disse seca. — Ótimo. Após o pôr-do-sol. — Sua voz endureceu. — Vá sozinho.

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Nove
(Solange)

Sábado de tardezinha, pôr-do-sol.
Aquela noite todos os meus irmãos estavam em um humor terrível. Mas meus pais estavam pior. — Nós temos algumas pistas, — meu pai disse firmemente de onde estava parado na frente da lareira — Porém nem perto do que eu gostaria de ter. Minha mãe estava usando seu colete de couro, um com vários bolsos escondidos. Isso não era um bom sinal. Ela só o usava para caçadas sérias ou dar uma surra em alguém. — Seu pai e eu temos que segui-los, assim como Hyacinth e seus tios o farão. — Tia Hyacinth deve ter estado fora rastreando assassinos, mas ela continuava parecendo elegante em sua roupa de cavalgada25 e jet cameo.26 Sua única concessão era um par de botas de bico fino e cadarços ao invés de sapatilhas de seda. — Geoffrey está em seu laboratório com a amostra de Hypnos. Ruby está... indisposto. — O que era uma forma educada de dizer isto. — Bruno vai patrulhar com seus homens. — Minha mãe olhou para meus irmãos. — Cada um de vocês ficará aqui e vigiará sua irmã. Exceto Sebastian, que já até saiu em sua missão. Eu fiquei boquiaberta enquanto a olhava, horrorizada. — Mãe, não. — Meus irmãos já eram intoleráveis. Seis deles incumbidos de me seguir deixaria todos loucos. Lucy encolheu-se simpaticamente. Mamãe lançou um olhar para mim. — Solange, você tem que levar isso a sério.

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— Mãe, eu levo a sério. Você sabe que eu levo. Mas você não tem irmãos, não sabe como é. Logan forçado a olhar com razão. — Somos ótimos irmãos. Os outros me ignoraram, acenando solenemente às ordens dos nossos pais. Eu gemi, frustrada. Eu teria que fazer Lucy quebrar o nariz de todos antes do final da noite. Era bom que ela já tivesse prática. Não era como se eu fosse ingrata ou não adorasse meus irmãos — era só que os homens Drake eram arrogantes, intransigentes e deliberadamente enlaçados ao complexo do cavaleiro branco27, especialmente quando se trata da irmãzinha mais nova. Eu assisti minha mãe apertar mais firmemente a bainha da arma, a tira de couro entre seus seios, a espada em seu ombro. Isto me fez sentir pequena, frustrada, inútil. Eu não conseguia nem achar no Google recompensas por procurados ou Hélios-Ra porque eu não acharia nada além de jogos online e vídeos de má qualidade. Eu admito que já tentei procurar Kieran, mas não apareceu nada. Eu os segui até as escadas do porão. Eles pegariam os túneis subterrâneos que interligavam todas as fazendas, com saídas na floresta e perto da cidade, assim como mais por dentro das montanhas. — Talvez vocês não devessem ir. — Eu não seria capaz de me perdoar se algum deles acabasse ferido por minha causa. Papai pôs sua mão no meu ombro. Ele não era alto, mas tinha a sólida, real atitude de um rei medieval. — Nós ficaremos bem. — Ele me assegurou, e eu quase acreditei nele. Eu os assisti partir, me sentindo completamente miserável quando ouvi a pesada porta de aço tinir fechada. Meus irmãos se posicionaram em um meio circulo a minha volta, me encarando. Isso já era um desastre. — Tudo bem. — Lucy fez seu caminho até mim e fez um movimento brusco de aceno, como se eles fossem moscas chatas que ela tentava espantar. — Saiam! — Ela apertou seus olhos. — Eu disse saiam! Eles se dispersaram, a maioria começando a se mexer. Apenas Logan permaneceu, escorado casualmente contra a parede. — Querida, eu não sou algum inseto que você pode espantar. — Querida? — Ela bufou amavelmente. — Você não tem noventa anos, também.
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Complexo de cavaleiro branco é estar sempre tentando salvar uma donzela indefesa.

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Ele se endireitou. — Eu sou encantador. — Ele a informou. — E mulheres gostam de carinho. — Mulheres sabem que você simplesmente não consegue lembrar seus nomes, mas elas gostam o bastante desse seu rostinho bonito para não se importarem. Agora dê a sua irmã algum espaço antes que ela entre em curto-circuito. Ele piscou para ela antes de sair. Ela piscou de volta. Eu sabia que eles estavam tentando acalmar os ânimos em consideração a mim. — Obrigada. — De nada. Você sabe que eu adoro mandar nos seus irmãos. Vamos lá para cima. Eu esperei até estarmos seguramente escondidas no meu quarto com o som num volume elevado para cobrir nossas vozes. — Como nós vamos fazer isso? — Eu perguntei. — Não acredito que a mamãe e o papai colocaram todos eles para me vigiar. — Está tudo bem, nós podemos fazer isso sem problemas. — Ela começou a andar entre a escrivaninha e o armário. — Nós só precisamos mantê-los distraídos de alguma maneira. — Ela pausou. — Connor vai estar em seu computador a noite inteira. Talvez nós pudéssemos pedir a ele para rastrear Kieran online, mantendo-o ocupado. — Isso definitivamente dará certo. E talvez você pudesse convencer os outros a ver um filme ou algo assim? Fazer parecer como se eu estivesse de mau humor e quisesse ficar sozinha. Ela concordou. — Brilhante. Eu já volto. Ela não demorou muito, e na hora que ela voltou eu já podia ouvir os barulhos de algum filme de ação na sala de televisão. Isto era conveniente já que a sala de televisão era no lado oposto do jardim-de-inverno, que tinha uma porta para o jardim. — Eu coloquei o filme num volume bem alto. — Ela me informou orgulhosamente. — Logan me olhou meio desconfiado, mas também está assistindo. Connor está na internet e Nicholas está trancado no seu quarto, então eu pensei que provavelmente era mais seguro deixá-lo lá. Se ele estiver meditando, isso pode nos dar algum tempo.

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Eu sacudi minha cabeça. — Nenhum tipo de meditação ou distração o tirará da nossa cola. Ela bufou. — Enquanto agirmos de modo suspeito, ele nos seguirá por um tempo sem dizer nada e pensando que é idéia dele. Além disso, será bom ter um pouco de instinto de vampiro do nosso lado. — Você é um pouco má, sabia? — Eu sorri ironicamente para ela. — Eu estive praticando. — Ela revidou com sua própria ironia. — Então, você está preparada para fazer isto? Eu acenei, colocando um sweater preto para que pudesse me infiltrar melhor nas sombras. — Você sabe que definitivamente essa é uma das nossas piores idéias? — Por favor, você prefere ficar sentada aqui e se preocupando? — Diabos, não. Vamos lá. — Era o que eu pensava. — Ela colocou sua cabeça para fora da janela. — Eu não acho que a gente pode descer daqui. — Não sem você cair de cabeça. — Eu a puxei para longe da janela. — Eu te vi na ginástica, lembra? — Hey, você nem ao menos vai à minha escola. — Naquela aula que você teve no parque, aquela vez você tropeçou no seu cadarço e levou uma fila de garotas de short rosa ao chão com você. — Oh. — Ela fez uma cara. — É verdade. — Nós vamos usar a escada dos fundos e vamos até o jardim de inverno. Por alguma razão nós tivemos que sufocar risadinhas enquanto descíamos as escadas. Eu senti como se estivesse em algum filme mudo ruim. Lucy apertou minha mão e usamos a perseguição de carro do filme para abafar nossos movimentos. Meus irmãos ainda eram jovens o suficiente para não conseguirem distinguir o som das batidas dos nossos corações através de todo aquele volume, apesar de pensarem que conseguem. O jardim estava escuro — nós lembramos de evitar as luzes com sensor de movimentos. Nós continuamos quietamente.

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— Como sabemos se podemos confiar nele? — Lucy perguntou preocupada, não parecendo mais tão confiante e espontânea agora que estávamos nos aproximando da borda da floresta. — Eu acho que podemos. — Eu não sei por que pensei isso, eu só o fiz. — Ah cara, é errado que agora eu esteja realmente esperando que Nicholas esteja nos seguindo? Eu balancei minha cabeça sem dizer nada. Eu meio que estava esperando a mesma coisa. Audição vampiresca seria uma vantagem nesse momento. Nós nos agachamos numa mata e esperamos. Minhas palmas estavam úmidas. Lucy mexia-se ansiosamente. Até os grilos pareciam sinistros. O barulho de um galho sendo quebrado fez com que eu e Lucy nos agarrássemos. — Solange? Lucy? Lucy apareceu, carrancuda. — Você me assustou como o inferno. Kieran recuou. — Igualmente. Levantei-me mais vagarosamente, me perguntando por que me sentia tímida. Este definitivamente não era o momento. Ele olhou para mim por um longo tempo, então acenou. Lucy olhou para ele, depois para mim. Se ela dissesse alguma coisa eu a mataria. Ela franziu seus lábios, mas misericordiosamente ficou quieta, no entanto ficou encarandoo suspeitosamente. — Você não tem que fazer isso. — Ele disse a ela. — Estou sozinho. — Me perdoe se não confio inteiramente em você. — Ela disparou de volta rudemente. — Você tentou matar minha melhor amiga. — Eu não tentei! — Ele exclamou ardorosamente. Lucy tinha a habilidade de fazer os caras voltarem a ter dez anos de idade. Que devia ter sido em seus estúpidos campos como monitora. — Ela nem estava no jardim. — Tecnicamente. — Ela bufou. — Você veio pela recompensa. — É. Esse é o meu trabalho. — Você deveria achar um novo. Seu chefe é um idiota.

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— Aqui está seu livro. — Eu disse quietamente, entregando o tutorial antes que eles começassem a puxar o cabelo um do outro. — Obrigado. — Nenhum de nós disse mais alguma coisa. Eu estava começando na esperança que Lucy se agarraria a ele de novo, quando ele finalmente desviou o olhar. — Por que você quer encontrar? — Você tem que saber que não quebrou o tratado. — Olha, como eu disse ao seu amigo mental aqui, eu não faço as regras. Eu apenas sou graduado. E mesmo assim, não é tudo parte do seu golpe? Para ser rainha? — É isso que eles estão dizendo? — Você não quer ser rainha? — Não, — eu disse enfaticamente. — Eu não. Olha, eu sou a primeira menina nascida na Câmara dos Drake. Isso é tudo. É apenas um grande negócio por causa de pessoas como você. Eu não pedi para isso. — Então, não deixe que eles transformá-la numa vampira. — Ah, com certeza, ela vai morrer em vez disso, — Lucy disse bruscamente. — Bom plano. Ele piscou para mim. — Você realmente faria? Isso não é um mito sobre as famílias antigas? — Não, não é um mito. E eu realmente não quero que minha família seja sendo caçada por causa de mim. Você não pode fazer alguma coisa? — Eu não estava certo porque eu estava pedindo-lhe ajuda, eu só sabia que nós realmente não tínhamos outras opções. Eu tinha que fazer alguma coisa e era isso. O problema era que ele não parecia totalmente convencido. — Se você realmente acredita que devo ser caçada, por que você não me mata agora? — Dei um passo mais perto dele, abrindo os braços. — Não seja estúpido. — Ele deu um passo para trás assustado, como se eu fosse uma coberta de armas. — Por que não? É o que você faz, não é?

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— Não é assim. Além disso, você é humana. Principalmente. — Por enquanto. Isso significa que você vai me matar depois do meu aniversário? — Não! Talvez. Eu não sei. Eu só quero encontrar quem matou meu pai. — Você estava tão convencido de que era um de nós. Cheguei ainda mais perto, pude ver a forma como suas pupilas estavam dilatadas. — Solange, — Lucy disse nervosamente. Eu não desviei o olhar de Kieran. — Então vá em frente. — Que diabos você pensa que está fazendo? Nicholas, criando fumaça nas madeiras. Eu estava meio-surpresa que ela não estava saindo de suas orelhas. Kieran procurando por uma das apostas sobre o seu cinto. — Não, — eu disse, dando um passo na frente dele. — Por favor. — Solange, entre — , Nicholas ordenou entre os dentes, Lucy entrou entre nós e estando fora do caminho dele, enquanto ela tentava impedi-lo. Ela agarrou seu braço como um macaco. — Nós sabemos o que estamos fazendo, — ela insistiu, arrastando os pés na grama longa. — Pare com isso, Nicholas. — Nós não vamos incomodá-lo novamente, — disse a Kieran, e por algum motivo a minha voz saiu com um som triste. Afastei-me dele. — Nick, vamos. Eu atravessava o campo sabendo que Nicholas me seguiria, não importa o quanto ele queria voltar para esmurrar Kieran. Eu não olhei para trás para ver o que Kieran fazia. Logan estava no quintal quando voltamos para a casa. — Eu sabia que algo estava acontecendo com vocês duas, — ele disse, fervendo. — Elas tiveram um encontro secreto com Kieran maldito Black, — Nicholas, informando aquela gentileza.

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— Oh, não era assim, — retrucou Lucy. — Me dá um tempo. — O que está errado com você? — a boca de Logan caiu aberta. Eu o empurrei para ir para dentro e, em seguida, desejei que eu não tivesse. Quinn, Connor, Marcus, e Duncan estavam me esperando na marquise, e cada um deles começaram a gritar ao mesmo tempo. Lucy fez uma careta, intensificando ao meu lado. — Ela está bem, — disse ela. — Ela está bem! — Ela gritou com o maximo de seus pulmões. Meus irmãos pausaram. O súbito silêncio foi quebrado por uma campainha do porão. Quinn e Connor saíram correndo. No momento em que entraram na sala para a cozinha, já estavam levando alguém até aos degraus. — London, — disse com surpresa. Ela era uma prima distante e que raramente via. Ela era magra e pálida e parecia muito com o seu nome, com cabelos pretos e tão elegante que sempre parecia como se ela tivesse andando na chuva. Havia tachas de prata nas orelhas, dezessete na última contagem, uma no nariz, e outra na sobrancelha esquerda. Usava roupas pretas apertadas, como sempre. — O que você está fazendo aqui? — Eu perguntei. — Você foi convocada. — Nossos pais não estão aqui, — disse. — Eu sei — respondeu ela. — Não é os pais que foram convocados, só você. — Por quem? — Madame Veronique. Eu recuei. — Eu não quero ir. — Você não pode recusar-se, exatamente. — Por que ela quer me ver? — Veronique nunca vê qualquer um de nós antes da mudança de sangue. Nunca. — Por que você acha? — Os dentes de London estavam para fora, não porque ela estava com raiva, ela sempre foi estressada, mas porque ela se recusou a ser qualquer coisa, mas o que ela era. Ela zombou de Lucy. Foi uma fonte constante de irritação, que Lucy tivesse sua maior parte imune a feromônios.

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— Isso tem que ficar aqui. — London não aprovava Lucy, nunca. Ela pensou que mortais eram muito frágeis para amizade, com nada da força necessária para levar o nosso segredo. E ela odiava que ela tivesse sido tão mortal, como Lucy, antes que se transformou, há três anos. — Como se eu quiser pendurar em torno de você por um único segundo a mais do que o absolutamente necessário, — Lucy agarrou. Eu sabia que ela estava mentindo, que tinha sido desesperada para dar uma olhada na Veronique há anos. Sob a bravata e temperamento, ela ficou desapontada. O pulso deve ter acelerado, porque London sorriu. Nicholas lambeu os lábios. Marcus assobiava entre seus dentes. — Má sorte, Sol. Aterrorizante de Veronique — Lucy pisou em seu pé. — Você não está ajudando. — Por que ela mandou? — Quinn franziu a testa para London. — Você ainda é uma das damas de Lady Natasha — em espera, não é? Ela assentiu duramente com a cabeça. Suas lealdades divididas eram um ponto sensível com todos. — Eu sirvo Veronique em primeiro lugar, como toda a gente na nossa família. — Isso não explica por que ela lhe enviou. — Porque Veronique não é a única que chamou Solange. A Lady Natasha também. Uma vez que Veronique tenha ouvido que Solange estava sendo chamada para a corte real, ela queria a visita primeiro. — Crap. — Meus olhos se arregalaram. — Ambos? Hoje à noite? — Solange não pode ir agora — disse Nicholas. — Não é seguro. London levantou peculiarmente uma sobrancelha. — Você sabe tão bem como eu que não é um pedido. Basta ser grata, já estava na área para Lady Nastasha não precisa enviar um dos seus meninos Araksaka. — O Araksaka eram temidos. Cada um deles usava a tatuagem real de Lady Natasha em seus rostos. Eles eram o seu exército privado que apenas respondia a ela. Sempre. E eles eram absolutamente implacáveis sob ela; não só a matar, mas a torturar também. — Inferno — murmurou Quinn. — Bem — Limpei minhas mãos nas minhas calças. — Vamos acabar com isso.

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London, abanou a cabeça. — Você não vai vestida assim. — Pisquei para a minha T-shirt e cargos28 que só tinha uma mancha de barro seco sobre o manguito. — Você ficaria rindo do Hall. E Lady Natasha iria ser insultada, que concedeu já uma suspensão temporária do exílio. Sem mencionar o que Veronique faria. — Não deveria ter exilado os Drakes, em primeiro lugar — murmurou Lucy. — Ela teve que, por causa da profecia. Você não entenderia — Me dá um tempo. — Lucy visivelmente se irritou com o desdém na voz de London. — Eu provavelmente sei mais sobre a sua própria história que você. A profecia foi feita durante o reinado de Henry oitavo, depois dele cortar a cabeça de Anne Boleyn. Algumas mulheres zangadas na Escócia entram em transe e balbuciavam uma decisão sobre o sangue-nascido de uma mulher Drake sobre as tribos, e quando Solange nasceu todos se assustaram sobre ela, incluindo Lady Natasha. — Pareceu orgulhosa de si mesma. — Vêem?! Eu realmente sei sobre isso. Embora, eu não entendo por que ela não é rainha Nathasha, em vez de Lady Natasha? Isso não faria mais sentido? — Ela não teve uma coroação, — explicou Logan. — Ela não é tecnicamente rainha, porque nós tecnicamente não temos rainhas. Temos tribos autônomas, as guerras civis e amor á tradição. — Então, qual é a grande coisa sobre Solange roubar sua coroa, então? Se tudo é semântica? — As tribos estão deixando Lady Natasha brincar de rainha porque ela costumava fazer parte do Host e ela conhece seus caminhos. E ela dizia poder voltar nos anos vinte, antes de que qualquer um de nós tinha nascido ainda, e uma filha Drake não era sequer um problema. As mulheres Drake foram desencorajadas na Corte, mas não completamente exiladas até que Solange nasceu. — Ela parece uma obra de arte. — Ela é a primeira a ter laços fortes o suficiente até mesmo para aspirar a governar. Ela é o tipo de nossa melhor aposta se quiser parar com todas as lutas e controlar a Hel-Blar. — Até Solange, — acrescentou Nicholas emburradamente. — Exatamente. — Logan assentiu. — Metade dos cortes seriam a favor de Solange se dessem a chance. Natasha poderia ser a nossa melhor aposta, mas ela é
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também uma vaca sedenta de poder e ainda totalmente obcecada com Montmartre. Toda a gente sabe isso. — Eu não quero aquela coroa estúpida, — eu murmurei. Eu odiei toda essa conversa de profecias e política. Como se eu mesma quisesse ser rainha. — Por que não a exila também? — Lucy perguntou a London. — Eu não sou realmente uma Drake. — London parecia irritada em ter que responder a pergunta. — É sim. — Eu fiz uma careta para ela. Ela apenas deu de ombros. — É diferente para mim. Enfim, você deve ser grata pelo exílio. Ela poderia ter sido morta ao nascer Solange, você sabe. — E fazer dela uma mártir? — Connor perguntou. — Ou despejar Veronique fora e têm que lidar com aquela ira ? Ou mandá-la parecer como se ela não acreditar-se ser a rainha legítima, afinal? — Ela é a rainha de direito, — London insistiu. Ela se virou para mim. — Mas você é a única Drake, que teve uma filha nascida, não fabricada. — Eu sei que eu sou, London. — Bem, então. Comece a olhar a parte. — Portanto, agora é um desfile de moda, também? — Eu resmungava, na sequência de London e Lucy para o meu quarto. London foi direto para o meu armário, fez uma careta. — Solange, honestamente. — O quê? — Você não pode usar nada disso. — Ela pode usar algo meu — sugeriu Lucy. — Eu tenho um gosto melhor. Lucy, com uma má reputação por excesso de embalagem, puxou um vestido fora da bolsa. Era mais como um pedaço de seda com rendas na bainha e voltas de franja frisada e costura para as tiras. Era a cor exata do vermelho vinho. — Isso vai ter que servir — disse London a contragosto.

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Mudei rapidamente, os nervos vibrando na minha barriga. Me vestindo como se eu estivesse indo para uma escola de dança que estava me deixando ainda mais ansiosa. Coloquei um par de chinelos chineses e a pulseira de prata que Hyacinth tinha me dado no ano passado. Meus irmãos alinhados no hall de entrada, cada um vestindo sua melhor roupa. Sebastian estava mesmo usando um terno. Logan foi o único que não tinha que mudar. Estava sempre elegante. — Vocês todos viram com a gente — eu disse, parando no último degrau. — Maldição, um direito que temos — Connor disse. — E sobre Lucy? Você ouviu o que a mãe disse. — Eu vou ficar bem — ela disse por trás de mim no corredor. — Não se preocupe comigo. Eu olhava para os meus irmãos como um motim. — Nós não estamos a deixando aqui sozinha. Nicholas afastou da parede. — Eu vou ficar. — Você não precisa, — murmurou Lucy. — Bom, — eu disse, ignorando-a. Minha boca estava seca. — Vamos.

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Dez
(Lucy)

No exato segundo em que a porta fechou atrás deles, Nicholas começou a
gritar. Acho que eu não deveria estar surpresa. — Não acredito que você fez aquilo! — Ele criticou. — Depois da festa no campo, os vampiros no jardim. Você não ouviu uma palavra do que eu disse? — Não, por que você não grita um pouquinho mais alto? — Isso não é brincadeira, Lucy. — Eu nunca disse que era. — Eu cruzei meus braços e assisti-o batendo os pés furiosamente pelo hall de entrada. — Nós fizemos o que precisava ser feito. Valeu a pena tentar. — Ele podia ter matado ela. E você. — Ele bateu a mão no lado da mesa, deslocando um vaso com rosas. Que caiu no chão, quebrando no mármore. Água e pétalas de rosas juntaram-se em suas botas. — Mas ele não matou. — A verdade era que eu ainda estava sentindo a adrenalina. Fechei minhas mãos em punhos para ele não conseguir vê-las tremendo. Talvez eu não tenha nascido para essa coisa de espião de qualquer forma. — E de todo jeito, você foi lá fora e lutou com um monte de vampiros loucos cheios de feromônios e não demos uma lição em você. — Não é a mesma coisa. — Certo. — Só para começar, eu sou bem mais difícil de ser morto que vocês duas.

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Era difícil argumentar contra aquilo. — Bem, tanto faz. — Eu murmurei fracamente. Encaramos-nos por mais um tempo. Pela primeira vez, eu podia mesmo ver a preocupação gravada em seus olhos e no modo como sua boca apertava. Ele não estava apenas pálido, ele estava fracamente cinza. Nós devemos ter realmente o assustado. Eu tentei imaginar o que ele sentiu ao ver sua irmã mais nova e a melhor amiga nos bosques a noite com um caçador Helios-Ra. Eu suspirei — Por mais que seja muito divertido ficar aqui gritando um com o outro, você acha que talvez pudéssemos fazer alguma outra coisa agora? Ele passou a mão pelo cabelo. — Está bem tarde. Você devia ir pra cama. — Você tá brincando? — Eu o encarei. — Como se eu fosse conseguir dormir. — Vai demorar horas até ouvirmos qualquer notícia. Eu mordi meu lábio inferior. — Veronique é realmente assustadora? Ele me olhou e concordou. — Há alguma coisa nela. — Ela não feriria Solange, certo? — Não, ela é realmente ligada na família e tradição e essas coisas. São com as Cortes Reais que eu estou preocupado. — Você já conseguiu falar com seus pais? — Não. — Bosta. — É. — Bem, não podemos ficar aqui sentados nos preocupando a noite toda. Eu tenho que fazer alguma coisa. — Por que você não chama outro caçador de vampiro para o chá? — Ele sugeriu secamente. Mas ele parecia mais calmo, menos como se ele tivesse apertando tanto o queixo que uma presa iria quebrar. — Como você conseguiu fazer aquilo, de qualquer forma? — Eu liguei para a telefonista. O número dele estava listado.

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— Sério? — E eu passei a mão em seu bolso. — Eu me envaideci como um pavão. Nicholas balançou a cabeça, sorrindo aquele raro torto sorriso que faz meu estômago se agitar. — Você não fez isso. — Eu fiz mesmo. E achei esse manual de guia dos Helios-Ra de vampiros. Suponho que todos os recrutas ganham uma cópia. Eu até estava nele: Sou uma pessoa de interesse. Eu viva. Eu pensei que ele ia ter uma crise de riso, mas seu rosto ficou tão frio que eu precisei me impedir de tremer. — Que? — Ele perguntou mortalmente calmo. — Helios-Ra te tem como alvo? Eu balancei minha cabeça rapidamente. — Não, nada desse tipo, não se preocupe. Era só uma página de perfil. Solange tem uma também. — O queixo dele caiu. Opa. Eu não deveria ter mencionado isso. Deus, talvez ele tivesse razão. Eu sou mesmo tagarela. Eu tentei dar um sorriso calmante. — De verdade, está tudo bem. Enfim, nós fizemos fotocópias de tudo na impressora da Sol. — E nós tivemos o Connor fazendo seus truques de nerd antes de London aparecer em seu costumeiro jeito alegrinho. — Inclinei minha cabeça. — Seu computador é mais rápido que o laptop de Solange. Acha que acharíamos alguma coisa sobre o caçador de recompensas ou Helios-Ra? Qualquer coisa? Ele pareceu pensativo. — Chateia ficar aqui sentado esperando. Mas Connor é o que sabe truques, não eu. Eu dei de ombros. — Vale a pena tentar. — Qualquer coisa para ocupar o tempo, porque senão eu iria revezar entre me preocupar com minha melhor amiga e imaginar quando é que seu irmão ficou tão incrivelmente atraente. — Nada disso me pareciam passatempos saudáveis. Nós fomos para o sótão, que tinha sido transformado em sete quartos, dois banheiros e uma sala de estar — tudo sem sequer uma janela. O quarto de Nicholas era o menor; Havia espaço apenas para uma cama, um guarda-roupa e sua mesa. Eu tive que sentar na ponta da cama desde que não havia outra cadeira. Estava quase arrumada, com um cobertor azul marinho. Na última vez que estive aqui em cima, havia lençóis de piratas e espadas de madeira. Dei uma olhada ao redor curiosamente. Tinha um porta iPod e montes de revistas de música e roupas em uma pilha no canto. Havia também uma pequena fotografia em sua

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cabeceira. Era uma de nós dois em meu aniversário de quinze anos. Eu estava rindo, a luz iluminando meus óculos e as lantejoulas do meu lenço, e Nicholas estava virado para mim, com um olhar sério e um pequeno sorriso. Eu toquei a moldura. — Eu nunca vi essa foto. — Eu disse quietamente. Meio que quis perguntar a ele se eu poderia ter uma cópia, mas eu não queria parecer feliz. Ele me olhou por cima do ombro de onde ele estava ligando o computador. — Não é... — Ele pegou a foto e jogou ela dentro da gaveta de sua mesa. — Não é nada. Mentiroso. Mesmo sabendo que aquilo não era sem significado, eu não sabia exatamente o que significava, também. Provavelmente não era nada demais. Eu não deveria ver coisas onde não há nada. Contudo, eu não podia me impedir de sorrir. — Para com isso. — Ele murmurou, sem nem tirar o olhar do teclado. Meu sorriso aumentou. — Estou falando sério. — Então como nós achamos e infiltramos a base de dados de uma sociedade secreta? — Eu perguntei. — Não faço idéia. Eu engatinhei para o topo da cama para ver o que ele estava escrevendo. — Ei, você até que leva jeito. — Eu disse aprovando. A tela estava cheia de códigos HTML. — Não consigo nem ler isso. — Não fique tão animada. — Ele me advertiu. Ele digitou mais um pouco, esperou, e digitou mais. Eu assisti, fiquei entediada, deitei na cama e encarei o teto. Ele pôs música, escolhendo algumas das minhas bandas favoritas. Ele digitou mais um pouco. Eu senti meus olhos fechando contra minha vontade. — Acha que seu namorado se importaria com a foto? — Ele finalmente perguntou baixinho, tão baixo que eu quase não ouvi. Aquilo me despertou. — Que namorado? — Eu sentei. — Eu tenho um namorado agora? — Jett ou Julius ou seja lá qual é o nome dele. — Julian? — Eu pisquei, confusa. — Você está totalmente por fora. Julian me chutou na época dos exames. Bem, na verdade, ele não me chutou. Eu só o encontrei com sua língua na boca de Jennifer King.

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— Você não parece chateada com isso. — Por favor, foi há muito tempo. Eu chamei ele de coisas, e então quando eu cheguei em casa, percebi que eu não me importava realmente. Nem me preocupei em comprar o enorme e necessário sundae com chocolate quente pela separação29. — Oh. Eu não sabia o que fazer com esse Nicholas. Parecia que nós estávamos prestes a ter um momento. Nunca tivemos um. Está bem, nos beijamos aquela vez — duas vezes. Mas não era para valer, era? O primeiro beijo foi apenas um pretexto, o segundo foi cientificamente testando minha imunidade a feromônios. Eu engoli seco, de repente nervosa. Não estava preparada para um momento. — Achei algo. O que era ótimo porque então eu claramente não estava para ter um momento. Tentei não me sentir desapontada. — O que você achou? — Eu perguntei, fingindo que minha voz não tremeu. — Não tenho certeza ainda, mas tem mais segurança do que qualquer coisa que eu já vi. — Ele franziu a testa. — Não consigo quebrar isso. Não tenho nem certeza se Connor consegue. — Mas ele tem por onde começar, certo? — Acho que sim. Ver se vale a pena. — Ele se afastou da mesa. — Precisamos tentar. — É. — Ele não parecia satisfeito. Eu toquei seu pé com minha bota. — Quer passar trote para Kieran? Ele sentou ao meu lado, sorrindo. — Talvez mais tarde. Nada te desanima, não é? — Claro que desanima. — Ele estava perto o suficiente para seu joelho encostarse ao meu. — Quando tudo isso acabar eu terei um choro e uma festa de auto-piedade. Mas agora, eu não tenho tempo. — Você é meio incrível.

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Ahhh isso é uma delícia. Do original, hot fudge sundae. Sorvete de baunilha e chocolate derretido. http://www.roadfood.com/photos/9133.jpg

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Eu olhei para ele pelo canto do meu olho, ficando vermelha. Era raro conseguir um elogio daqueles vindo dele. E muito bom. — Solange diz que eu sou meio maligna. — Isso também. — Posso te fazer uma pergunta? — Claro, — Ele respondeu cautelosamente. — Você ficou assustado durante sua mudança de sangue? Ele congelou. — Sim — Doeu? — Eu não conseguia agüentar a idéia de Solange sofrer. Não era justo. Ela era uma pessoa muito boa para passar por tudo isso. — Um pouco. Na maioria das vezes eu me sentia fraco e exausto, como se eu tivesse com febre alta. Quando eu cheguei a perder consciência eu já não me importava. Eu estava muito cansado. Eu senti muito agora por ter estado fora de casa, que eu não pude estar ali para ele. Eu podia facilmente imaginar ele se contorcendo de dor na sua cama, encharcado de suor, delirando. — Geoffrey diz que é meio como uma batalha. — E é. Parece que você está alucinando e até mesmo agora é difícil. Não tenho certeza do que foi real e do que não foi. Eu toquei seu joelho. — Sinto por ter tocado no assunto. — Não sinta. — Solange é realmente forte, — Eu disse novamente. — Mais forte do que qualquer um acha que ela é. — Eu sei. — O que te fez aguentar? — Eu sussurrei. — Você lembra? Ele concordou mas não me olhou. Quando ele não estava nem elaborando uma resposta, eu o olhei. — Que? É um segredo? Eu já não sei de todos os segredos obscuros que os Drake tem? Ele virou desconfortável. — Acho que sim.

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— O que então? — Você. Eu engoli, impressionada. — Eu? — Sim. — Ele levantou e foi para a porta, onde ele parou pelo mais breve segundo. — Você me fez aguentar.

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Onze
(Solange)

Eu não estava gostando disso. Nem estávamos lá ainda e eu já queria que
tivesse acabado. Não pegamos os túneis para Veronique. A casa dela fora de Violet Hill era completamente livre do Complexo Drake e da Corte Real de Natasha nas cavernas e de basicamente qualquer outro lugar. A casa era empoleirada numa colina e pintada de cinza escuro, com a frente estilo Vitoriano e pequenos espinheiros por todos os lados. Saído direto do Morro dos Ventos Uivantes. — Não acredito que ela veio aqui para isso, — Eu murmurei assim que Marcus virou na estrada. Milhas antes de atravessar entre floresta e em então, dirigir numa clareira em uma estrada estreita. — Ela nunca vem aqui. — Você é especial — Quinn me disse. — Ela veio por você. — Ótimo. Saímos do carro e eu tentei não comparar a batida das portas com tiros. Tudo por aqui parecia sombrio e definitivo. Tentei não pensar nisso. Eu estava deixando o melodrama da casa me afetar. Era da, tecnicamente, minha ta-ta-várias vezes — tataravó. Enquanto eu duvidava que ela me fizesse bolinhos, eu tinha que admitir que ela também não me faria mal. Cada um dos meus irmãos sobreviveu a uma apresentação formal. Eu também sobreviveria. Eu meio desejava que Lucy estivesse aqui; Eu poderia usar um pouco de sua atitude. Eu teria que apenas achar a minha própria. — Anda logo, irmãzinha. — Duncan me empurrou para a varanda. A porta abriu antes mesmo de batermos. Veronique não tinha guardas, mas ela tinha damas de companhia. A que atendeu a porta não mostrou nenhum pouco de emoção. Ela vestia um terno com saia lápis e tinha o cabelo preso atrás em um coque. Ela parecia competente e tão calorosa como o inverno num topo de uma montanha.

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— Você é esperada. — Ela disse. — Entre. — Ela saiu da frente. — Sou Marguerite. Apressamo-nos até o vestíbulo e então paramos ali hesitantes. Até mesmo Logan não estava flertando com ela. London fez careta, mas baixou a cabeça. Havia candelabros em todo o lugar, feitos com gotas escuras de cristal âmbar30. Lamparinas queimavam em baús de madeira que serviam como mesas. O cheiro parecia vagamente como incenso. Um escudo com o brasão da Família Drake estava pendurado na parede com o nosso lema: — Nox noctis, nostra domina, — que era basicamente — Noite, nossa amante. — Apenas Solange foi convocada, — Marguerite murmurou em desaprovação. — O resto de vocês esperem aqui. — Ela apontou para um longo banco de igreja. Meus irmãos sentaram obedientes, sem uma palavra. Isso era o suficiente para me assustar, mesmo sem a coisa toda de matriarca. — Você — Ela virou para mim — Me siga. — Eu inspirei profundamente e a segui no corredor. Haviam várias portas que levavam a salas de estar e gabinetes e uma enorme sala de jantar. Ela ignorou todas elas e fomos direto a um conjunto de portas francesas, abertas para um Salão de Festas com piso polido e tapeçarias na parede. — Madame. — Marguerite se curvou. — Ela chegou. Veronique sentou num daqueles bancos curvos acolchoados que apareciam em todos os filmes medievais que eu já vi. Ela usava um longo vestido azul-acinzentado com bordadas intricadas ao longo da bainha e longas mangas boca de sino. Seu cabelo era castanho — avelã, seus olhos eram tão pálidos que eram quase sem cor, como água. Ela estava tão parada, que não parecia real. Tinha algo definitivamente inumano em seu rosto. Eu engoli seco. Estava tão nervosa que pensei que iria vomitar nela. Quando ela moveu, apenas uma polegada, eu pulei. — Meu Deus, — ela murmurou numa voz distante e misteriosa como a aurora boreal. — Seu coração está como um pequeno beija-flor.

30

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— Me desculpe. — Eu não tinha certeza porque estava me desculpando, só que pareceu certo. Algum instinto dentro de mim tremeu, como um rato embaixo da sombra de uma águia. Com toda a beleza de porcelana, ela era o predador. — Então você é Solange Drake, — ela disse, considerando. — Sim, Madame. — Eu reverenciei, colocando cada detalhe que Hyacinth tinha cuidadosamente me ensinado. Não era uma cortesia qualquer a la Jane Austen; era uma completa reverencia. Eu pisei com meu pé direito na frente do meu esquerdo e curvei meus joelhos para fora e não para frente. Eu desci o mais baixo que eu podia sem tombar ou empinar minha bunda. Abaixei minha cabeça sutilmente. Eu rezei bastante para ela estar impressionada. — Muito bom — ela disse. — Você pode se levantar. Eu levantei e balancei só um pouco. Obrigada, tia Hyacinth. — Estou gratificada em saber que sua família lhe ensinou a etiqueta apropriada. — Obrigada, Madame. — Ela poderia dizer que eu estava começando a suar? Era difícil ficar em pé ali sob seu exame minucioso. Ela era tão composta, tão firme. — Eu soube que Lady Natasha chamou você para Corte dela. — Sim, Madame. — Ela não é confiável, aquela. — Não, Madame. — Você conhece a profecia, claro. Eu acenei. — Temos esperado por um longo tempo para uma garota nascer entre nós. Ótimo, sem pressão. — Sua mudança no sangue está acelerando. Eu consigo sentir isso em você. Mesmo aterrorizada como está, seu coração bate mais devagar do que deveria. Me pergunto se é por isso que senti como se fosse desmaiar. Eu levantei meu queixo. Não iria me envergonhar ou envergonhar minha família.

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— Você me parece forte o suficiente para sobreviver, pequena Solange. Eu posso não querer as Cortes Reais para mim mesma, mas não deixarei que as tirem de nossa família como se fossemos nada. Ela pegou uma longa corrente de prata da mesa ao lado dela. O frasco que vinha no fim era claro, tampado com prata e feito com mais trabalho em prata, feitos para parecerem como folhas de hera. — Você sabe o que é isso? — Não, eu não sei. — Ela levantou-o. Nesse ângulo eu podia ver que o frasco continha líquido vermelho-escuro dentro. — Oh. É sangue. — Meu mesmo, para ser precisa. — Ela balançou uma vez. Eu assisti hipnotizada, apesar de tudo. — Eu não compartilho meu sangue facilmente — apenas em ocasiões extremas, você entende. Eu não entendia na verdade. Mas se ela me fizesse beber aquilo, eu realmente iria vomitar nela. — Estou preparada para dar isso a você. Quando seu aniversário chegar, beba e isto lhe dará a força que precisa para afirmar seu legado. Não era provavelmente uma boa hora para dizer a ela que eu não queria ser rainha. — Seus irmãos não precisaram disto; Os homens Drake vêm se transformando há séculos. Mas você é diferente. Estou curiosa para ver o que irá acontecer, e muito pouco me provoca curiosidade esses dias. Então talvez ser a mulher barbada no carnaval não fosse tão ruim afinal. — Você terá que, com certeza, se provar merecedora. — Com... Certeza. — Porque só me entregar aquilo seria fácil demais. — Como eu faço isso? — Essas são habilidades que todas as mulheres Drake precisam saber, para honrar seu legado. Nós começaremos com bordado. Meu queixo caiu. — Bordado? — Eu era horrível em bordado. Tia Hyacinth tentou me ensinar, mas nós duas desistimos porque era uma causa perdida. Lucy, estranhamente, havia pego realmente rápido e bordou uma tapeçaria do Johnny Depp como Jack Sparrow para meu último aniversário. De alguma forma, eu não achei que isso iria me ajudar agora. — Receio que não sou muito boa em bordado.

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Seus lábios franziram. Minhas palmas ficaram úmidas. Suas presas saíram, tão pontudas e delicadas como pequenos punhais de ossos. — Isso é decepcionante, Solange. Eu ia morrer porque não sabia bordar rosas num travesseiro. — Sinto muito. — Eu sussurrei. — Você desenha? — Um pouco. Eu sei tornear. Suponho que você não tem um forno para cerâmica? — Não, mas devidamente anotado. — Ela acenou a mão e de repente Marguerite estava de volta. Eu não a vi sair e não a vi voltar. Ela estava carregando uma mesa pequena como se não pesasse nada e uma cadeira. Ela as colocou na minha frente, e então um bloco de notas e lápis. — Vá em frente, — Veronique murmurou. — Desenhe-me algo. Eu enxuguei minhas mãos e peguei o lápis, procurando ao meu redor algo para desenhar. Se ela me pedisse para desenhá-la, eu poderia muito bem me matar agora mesmo. Eu notei um vaso de barro no canto, segurando um buquê de estacas. Eu desenho vasos e potes o tempo todo, pegando idéias para meu trabalho na roda de modelagem. Eu quebrei a ponta do meu primeiro lápis. Peguei outro, mas precisei esperar até meus dedos pararem de tremer antes de tentar novamente. Dessa vez eu desenhei suavemente, tentando fingir que meu futuro não dependia realmente disso. Veronique deu uma olhada na minha página. — Passável. Eu soltei o ar num grande ufa. Ela era tipo a mais assustadora professora de todas. Me deixou contente que nunca fui para uma escola normal. — E agora música. Toca harpa? Piano? Harpa? Ela estava falando sério? Minha mãe me ensinou como evitar caçadores, atirar com uma besta e estacar um vampiro raivoso em vinte passos, não como tocar — Greensleeves31. — Eu... — Ela levantou de sua cadeira na velocidade de um vampiro ancião e na graça e postura de uma bailarina profissional. A bailarina profissional que ia agora me julgar.
31

Música popular no folclore inglês, escrita supostamente por Henrique VIII.

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— Nada de música? — Ela não parecia satisfeita. Eu dei um passo para trás antes de decidir me manter no lugar. Venho dizendo há anos para Lucy não correr porque apenas faz os vampiros perseguirem você. — Diga-me, o que você sabe fazer? Me senti inútil e insignificante. E não conseguia pensar numa só coisa que eu sabia fazer que pudesse impressioná-la. Como você impressiona uma vampira matriarca de 900 anos? — Matemática? — ela perguntou. — Sim, — Eu respondi, aliviada. — Sou boa em matemática. — História? — Sim. — Quando aconteceu a Batalha de Hastings? — 1066. — Quem foi o primeiro filho de Eleanor de Aquitânia a governar? — Ricardo Coração de Leão. — Em que ano meus gêmeos nasceram? — 1149. — Você luta? — Sim. — Com uma espada? — Sim. — Mostre-me. Ela bateu palmas uma vez e outra mulher entrou, vestindo o tradicional uniforme branco de esgrima e expressão facial neutra. Eu poderia dizer pelos olhos dela, que eram verde claro, que ela era um vampiro. Eu não tinha idéia se ela era uma Drake. E embora eu fosse muito boa em esgrima, como eu poderia ganhar de um vampiro? Eu continuava humana, e era tarde o suficiente para eu já estar bocejando agora se eu não tivesse tão assustada. Minha oponente me entregou uma mascara, o uniforme e espada.

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— Comecem, — Veronique mandou antes que eu tivesse chance de testar o balanço da lâmina na minha mão. Nós começamos. Eu a cumprimentei adequadamente, trazendo meu punho na altura dos meus olhos e curvando-me. Meu oponente fez o mesmo. Então ela atacou. Dei um passo cruzado para trás, bloqueando seu ataque. As lâminas das espadas se chocaram. Ela investiu novamente e eu a circulei lentamente dessa vez. Eu não toquei nela, nenhuma vez. Ela era rápida demais, um borrão branco. Nunca me senti mais lenta. Eu estava numa nítida desvantagem mas não parei. — Contra-ataque! — Veronique mandou, e eu obedeci, pisando na frente para atacar. Eu pisquei, tirando o suor dos meus olhos. Ela me bloqueou, fingiu atacar e então levou sua espada na direção da minha cabeça. Eu segurei a minha, paralela ao chão brilhante, e absorvi o poder do golpe em meus braços. A força disso fez meus ossos tremerem. Eu sabia que se ela quisesse, ela poderia ter me partido pela metade. — Já chega. — Veronique chamou, soando satisfeita. Eu abaixei meus braços, ofegando. Escutei som de passos no corredor e então estavam meus irmãos todos tentando passar pela porta ao mesmo tempo. — Solange! — Você está ferida? Quando eles perceberam que eu estava bem, eles pararam juntos, lábios cerrados. Seus olhos foram de mim, para Veronique, e então eles se curvaram em uníssono. — Bien, — ela disse a mim. — Você pode ir. Retirei minha máscara e deixei minha espada no chão. Estava a meio caminho da porta na minha pressa de sair dali quando ela me parou. — Solange. Eu quase gemi. — Sim, Madame? — Não esqueça disso. — Ela se moveu tão rápido que não a vi, mas ela estava de repente parada na minha frente. Até meus irmãos pareceram surpresos. Ela me entregou a garrafa. Eu passei a corrente pela minha cabeça. — Obrigada.

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Doze
(Lucy)

Nicholas sentou naquele seu jeito irritante, lendo através da fotocópia do guia
de campo. Ele olhou para cima, me observando andar para frente e para trás, para frente e para trás. — Não fazia idéia de que você se importava tanto com seu físico. Eu parei. — O quê? — Bem, você está fazendo aeróbica no meio da noite. Eu não tinha percebido que meu passo tinha praticamente se tornado uma corrida. Estava um pouco sem ar, meus músculos da perna estavam vibrando com tensão. Ele estava se abraçando com muito cuidado, como se fosse quebrar. Ou como se eu fosse. Eu fiz um esforço para acalmar meu pulso, me joguei no sofá e tentei relaxar tão irritantemente quanto ele, mas eu não podia apenas sentar ali esperando. Eu empilhei gravetos na lareira e acendi fogo. Estava muito quente lá fora para isso, mas eu precisava fazer algo. Nicholas relaxou os punhos. — Eu odeio isso — Eu disse assim que o fogo pegou. Não era o suficiente para me distrair. — Eu jamais teria notado. Você esconde seus sentimentos tão bem. — Ele sorriu torto. Fazia-o parecer quase acessível, aquecido por aquela beleza sobrenatural. Solange era a única Drake desleixada que eu já conheci, e eu não sabia se ela começaria de repente a usar vestidos góticos depois de seu aniversário.

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— Realmente, realmente odeio isso. — Eu acrescentei. Os jardins estavam escuros atrás do vidro tratado. Ou assim eu achava, uma vez que fechamos todas as cortinas, só para prevenir. Tudo ficou confortável, romântico. — Nunca devíamos tê-la deixado ir, — Eu disse. — Mesmo mandona do jeito que você é, Solange não obedece a você. — Não consigo entender porque, os Drakes são tão maleáveis. — Eu sentei reta assim que algo me ocorreu. — Ei, você tem a chave para o cofre. — Tenho? — Sim, você tem, — Eu disse a ele severamente. — E eu quero uma arma de choque. — Não é uma loja de departamento. Eu levantei, puxando suas mãos. Elas eram frias ao toque. Eu puxei mais, antes de me deixar distrair. — Vamos. Ele fez um grande drama suspirando como se eu estivesse louca, mas pelo menos ele me seguiu descendo as escadas e passando por corredores, alguns dos quais se duplicavam em direção ao cofre da família. Era mais do que um sistema de segurança, com saída secreta em túneis, oxigênio, abastecimentos de sangue, e armas. Eu nunca estive realmente aqui dentro antes. Eu bati meus saltos impacientemente. Ele balançou a cabeça. — Você está agindo como se tivéssemos o Papai Noel escondido aqui. Eu esfreguei minhas mãos juntas. — Isso é melhor do que um cara velho e gordo. Agora me dê. Ele me olhou secamente. — Você não deveria nem saber onde esta porta fica. — Por favor. Eu conheço cada canto dessa casa, incluindo as revistas obscenas que Quinn esconde embaixo da cama. — Eu joguei meu cabelo para trás. — Helios-Ra não tem chance comigo. Bastardos imundos. — Eu sabia que estava tagarelando, até mesmo para mim, mas eu precisava manter meu corpo longe de reagir a sua aproximação. Eu deveria ser imune aos seus feromônios. Deveria estar mais cansada do que eu pensava. Ele destrancou a porta, cobrindo com seu corpo para eu não conseguir ver se ele estava usando uma chave ou um código numérico. Ele provavelmente sabia que se eu realmente visse como a chave se parecia, eu tentaria roubá-la. A porta abriu silenciosa, pesadamente, e ele acendeu as luzes, que piscaram fracas antes de iluminarem a parede

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de prateleiras de aço cheias de caixas com flechas e estacas e estojos de balas. Armas estavam seguramente penduradas em uma prateleira de aço junto as espadas e claymores32 e machados em ganchos de ferro. Eu soltei um longo suspiro. Nicholas balançou a cabeça com minha avareza. — Essa foi uma má idéia. Eu toquei suavemente numa lâmina de gume afiado. — É ainda melhor do que eu imaginava. — Haviam cestas com bordões33 e clubes de combate e lanças. — Onde estão as armas de cho…ooh. Brilhante. Eu peguei uma besta, me virando para sorrir para Nicholas. Ele foi para trás, inclinando-se para sair do alcance da arma, de um jeito que teria quebrado uma espinha humana ao meio. Sua camisa preta esvoaçou como asas. Eu baixei a besta, revirando meus olhos. — Para com isso. Ele se ajeitou. — Todos nós lembramos o que você quase fez com Marcus. — Isso foi há dois anos. — Eu peguei uma aljava de flechas de madeira que pareciam mais com estacas. — Vou levar isso Ele me encarou. — Não, você não vai. E por que? Eu o encarei de volta. — Olá? Caçadores de Recompensas? Helios-Ra? Os mortos vivos? Escolha um. — Ninguém machucará você. — Não com isso em minha posse. — Eu coloquei a besta em meu ombro. Era surpreendentemente leve. Ele parecia querer discutir, mas mudou de idéia. Eu estava instantaneamente suspeitando. Não existia nada que ele amasse mais do que discutir comigo. Nós estivemos aperfeiçoando nossas habilidades um no outro por quase uma década. Em vez disso, ele abriu um baú de madeira esculpido que parecia pertencer a um filme de piratas. Ele puxou uma grossa corrente de prata, com detalhes a moda antiga. — Aqui, ponha isso. — Ele jogou em mim. Eu peguei a segundos de colidir com meu nariz.
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São antigas espadas escocesas.

33

Do inglês quatterstaff http://www.king-cart.com/store/oknight/ironshod_402803.jpg

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— O que é isso? — Um camafeu aproximadamente do tamanho de uma moeda de um dólar estava pendurado na corrente. Era cravado com a insígnia da família Drake, um dragão com folhas de hera em sua boca, símbolos de força e lealdade, respectivamente. Era lindo, acentuado com uma única pérola negra em forma de lágrima. — Como é que eu nunca vi isso antes? — Seus pais provavelmente tem um, mas eles nunca tiveram necessidade de usálo. Levantei aquilo para a luz. — Por que, é mágico ou alguma coisa? — Eu balancei gentilmente, esperando por alguma coisa esquisita acontecer. Ele sorriu para mim. O que era raro para ele, mas não o tipo de evento mágico que eu estava esperando acontecer. — Não, na verdade. — Ele me fez virar para que pudesse ajustar o fecho. Seus dedos estavam suaves e frios na parte de trás da minha nuca. Por alguma razão eu precisei controlar um delicado arrepio. — Pronto. — A voz dele parecia rouca. Fez cócegas na minha orelha. — Isso te manterá segura. Marca você como uma de nós. Vampiros ou os Helios-Ra reconhecerão isso e saberão que pegar você seria chamar atenção do clã Drake inteiro. Eu toquei brevemente no pingente. — Obrigada. — Obviamente eu não mostraria isso até ter certeza que não estava lidando com um caçador de recompensas. — Ele pausou. — Pensando bem, talvez você não a deva usar. — Ele levantou a mão, como se quisesse retira-la de mim. Eu dei um passo para trás, apertando o colar defensoramente. — De jeito nenhum. — As luzes piscaram duas vezes. Eu as encarei. — Queda de energia? — Alarme silencioso. Tem alguém aqui. Nós dois corremos para a porta, quase ficando presos, como num episódio de um seriado de comédia mal feita. — Fique atrás de mim, — ele disse. Seus olhos estavam estranhamente pálidos. O peso da besta era tranqüilizador em minhas mãos. — E tente não atirar nas minhas costas com essa coisa. — Tá, tá.

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Quando chegamos em cima, ele parou, narinas abertas. A porta da frente fechou silenciosamente. — Tio Geoffrey. — A tensão saiu de sua postura. Eu baixei a besta. — Não sabia que seu olfato era tão particular, — Eu disse. — Achei que você podia apenas dizer se era um vampiro ou não. — Todos tem cheiros diferentes. Se você está ao redor deles há bastante tempo, você meio que cataloga cada um — Ele não me olhou. — Você cheira a uma mistura de pimenta e chiclete de cereja. — Eu cheiro? — Antes que eu pudesse pressioná-lo por mais, ele saiu para o hall de entrada, onde seu tio estava colocando no chão uma caixa de papelão. — Mais presentes para Solange. — Ele disse secamente. — Bruno examinou tudo. Cuidado, — Ele adicionou quando nos inclinamos para olhar mais de perto no emaranhado de pacotes, embrulhados em tudo desde papel marrom até tecido prateado. O envelope amassado no topo tinha uma mancha meio marrom vazando dele. — Esse aí é um coração de gato, — Geoffrey disse calmamente. — Eca. — Eu recuei. — Que. Eca! — Um presente. — Ele deu de ombros, despreocupado. — É considerado uma iguaria em tribos mais remotas. — Certo, nojento... — Aquele era de um gatinho. Uma carta de amor, eu imagino. — Um gatinho? — Eu encarei por inteiros dez segundos, de boca aberta. Consegui fechá-la para engolir a ameaça de vômito. — Um gatinho? — Tio Geoffrey. — Nicholas tremeu. Os cães da família correram até lá para ver porque eu estava surtando. — Desculpe. Às vezes esqueço que ela não é inteiramente uma de nós. Mais tarde, eu me sentiria lisonjeada por isso. Mas agora eu estava com raiva. Bastante raiva. — Tem um endereço de retorno? Quem enviou isso? Vou chutar a bunda dele. — Tive que virar as costas para o pacote. — Não estou feliz com isso. Sério.

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— Percebemos, — Nicholas disse. Algo estava esquisito em sua expressão. Seu queixo estava tão firmemente fechado que me perguntei porque seus dentes não saltavam todos para fora. — Qual o problema com você? — Eu perguntei. — Nada. — Nicholas, você acabou de amassar seu anel, você está fechando seus punhos demais. — Cheira a doce. — O que? — Eu perguntei, confusa. — Sobre o que você está falando? Ele olhou para o envelope manchado. — Ainda está coberto de sangue. — Você não está falando sério. — Ele concordou uma vez, como se fosse a coisa mais difícil que ele já fez. — Isso é nojento. — Disse a ele. — De verdade. — Eu sei. — Está certo então. Nós fomos para a enorme sala de estar, onde seu tio já estava ocupado, no canto da biblioteca, tirando livros de suas prateleiras. Então ele sentou na mesa. Lampiões queimavam atrás de vidros de rubi. Byron, o mais velho Bouvier, lambeu meus dedos, sentindo minha agitação. Ver vampiros beberam sangue ou quebrar o pescoço um dos outros e desintegrá-los em pó era diferente de arrancar corações de gatinhos. Isso já era demais. — Calma, — Nicholas murmurou. Geoffrey nos olhou. — Lucky, sente-se, seu coração está acelerado. Se acelerar mais, você vai desmaiar. — Ela ainda está com raiva. — Ela pode estar com raiva sentada. Eu caí numa das cadeiras apoiando meus cotovelos sob a larga mesa, da mesma madeira de carvalho desgastada que as prateleiras. — Sua tia Hyacinth já voltou para casa?

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Nicholas balançou a cabeça. — Você é o primeiro. Geoffrey franziu a testa. — Eu sou? — Por que? — Ela não está atendendo seu telefone ou seu pager. Hmm. Bem, deixa para lá, tenho certeza que ela está bem. — Ele olhou ao redor. — Onde está Solange? Dormindo? Nicholas sentou ao meu lado. — Ela não está. Foi convocada por Lady Natasha. — Quê? — Geoffrey levantou tão rápido que seu contorno ficou borrado. — Por que? — London não quis dizer, ou provavelmente não sabia. Se ela soubesse, teria se gabado por isso. — Nicholas fez careta para a reação de seu tio. — E ela não teria vindo buscar se soubesse que havia perigo real para Solange. — Ela é meio deslumbrada pela realeza, meu garoto. — Geoffrey fechou seus olhos. — Merda. — Ele pegou seu telefone. — Nós sabemos quem enviou o caçador, Nicholas. — Ele pressionou um botão e um número discou rapidamente sozinho. — Quem? — Lady Natasha

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Treze
(Solange)

Deixamos o carro logo após a linha de propriedade da casa Geoffrey e usamos o
seu acesso ao túnel. O cheiro dos túneis, de umidade e fumaça das tochas nas partes menos utilizados dos corredores. Foi muito tranquilo — só havia passos suaves e minha respiração irregular. Era o caminho mais seguro para Lady Natasha da corte real. Ela fica na montanha durante os meses de Verão em um complicado sistema de caverna. Ela viaja o resto do ano entre as suas diferentes explorações, como uma rainha medieval. Nossa cidade é considerada o seu retiro de verão, simples e rústico, mas o suficiente para relaxar em uma semana estranha ou duas. E todos sabiam que o motivo real de Lady Natasha tinha escolhido para vir aqui foi o de manter o olho em nossa família. — Você tem certeza que ela não disse mais alguma coisa? — Eu perguntei a London. Se Lady Natasha esperava que fosse bordar ou dançar uma valsa, eu queria muito bem um aviso prévio neste momento. London abanou a cabeça. A luz trêmula brilhava fora de sua calça de couro apertada. — Ela é uma boa rainha, Solange. Você não precisa se preocupar. — London, no caso de você não notar, há uma recompensa por todas as nossas cabeças. A sua está incluída. E o nosso lado da família Drake foi exilado por anos. Ela encolheu os ombros com negligência, apesar de eu ver sua mão apertar. — Não é o mesmo para mim. Eu estava virada, eu sou nascida na família de Drake. — Seu pai casou-se com sua mãe e, em seguida, ele tornou seu vigésimo primeiro aniversário. Eu diria que faz de você um Drake. — Seja o que for.

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— Não é diferente do nosso pai transformando nossa mãe depois que Solange nasceu. London, deu de ombros novamente. Isso estava começando a me dar nos nervos. Nós não podíamos ser todos blasé34 como ela estava. Alguns de nós estávamos indo ser aterrados pela manhã. E por alguns de nós, eu queria dizer eu. — Mamãe e papai vão enlouquecer — , eu murmurei, tropeçando em Logan. — Ufa — Ele me equilibrou. — Cuidado. Você vai criar rugas de veludo. Connor parou também, na liderança. Ele levantou a mão. — Alguém está vindo. — Fique perto de mim. — As presas alongadas de Logan, brilhando completamente molhadas. — É provavelmente apenas uma guarda de honra, — London sussurrou. — Lady Natasha é grande em cerimônia. Quinn sacudiu a cabeça, narinas abertas. — Não acho que é isso. — Você está exagerando reações. Vampiros correram pelo corredor em direção a nós, alguns afundando nas paredes como formigas gigantes. Cada cabelo na parte de trás do meu pescoço se levantou. Talvez eles não eram Hel-Blar, mas eles eram guerreiros, ou juraram para Lady Natasha ou procurando a graça de nos matar. Connor, Quinn, Marcus formaram uma linha de frente em defesa, e Logan e Duncan circularam em torno como guarda costas. London e eu ficamos no meio. Peguei a estaca que ela me entregou. Eu não tenho lugar para guardar uma arma no presente vestido emprestado e estúpido. Eu não iria cometer esse erro novamente. A adrenalina correu através de mim, fazendo meus dedos tremem ligeiramente. O assobio rolou sobre nós, estalando como estática. Um dos vampiros, capturou Marcus no ombro. Ele imediatamente utilizou uma adaga em sua bainha de pulso35 para transformar o agressor em pó. Um grito de guerra ecoou pelo corredor. Um dos vampiros

34 35

Blasé, indivíduo entediado ou indiferente aos prazeres. É parecido com aqueles porta celulares sabe?

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rompeu a linha, saltando para baixo do teto, rosnando para mim. Eu chutei alto, para pegá-lo desprevenido. A faca de London os pegou ainda mais desprevenidos. Poeira cresceu brevemente. — Estaremos tão de castigo quando mamãe e papai souberem sobre isso. — Eles não estão Araksaka36 — disse London. — Esta não é a guarda real. — Como você sabe? — Sem as tatuagens. — Caçadores de recompensas — em seguida, Duncan disse com um grunhido, pegando um soco no olho. — Ai, caramba. — Sem ressentimentos. — O atacante feminino sorriu, saltando agilmente fora do alcance do golpe de seu retorno de chutar para fora, ao mesmo tempo. — Mas você está indo fazer-nos uma fortuna. — Morda-me, seu abutre. — Quinn se esparramou sobre as telhas, gemendo. Um velho homem em um terno risca de giz agarrou Quinn pelo cabelo, arrancando-o. — Hey! — Eu gritei, saltando entre Duncan e a menina e deu uma cotovelado em outro vampiro, que empinou na minha passagem. — Saia de cima do meu irmão! — Eu não estava rápida o suficiente ou forte o suficiente, não como eles eram, mas eu estava irritada, assustada e eles me subestimaram. Eu quebrei a rótula do atacante de Quinn e apostei nele antes que os outros pudessem reagir. Quinn saltou seus pés, sorrindo. — Obrigado, irmãzinha. — Eu sorri, enxugando as mãos limpas. — Curve-se! — acrescentou. Eu curvei. O vampiro levado pela corrente jogou montes de poeira em cima de mim, como pólen. Eu espirrava. Um dos vampiros, recentemente transformado, pelo olhar dele, sorriu para mim como se estivéssemos em um encontro. — Uma trepada especial? — Ele cheirou o ar e lambeu os beiços. — Venha, ao amor. — Ele passeou sobre, ou teria se não tivesse tropeçado no de pé Logan. — Eu poderia sugerir que você começe o inferno fora daqui? — Logan disse, arrancando em meu braço. — Corra, você sangrento lunático.

36

Regime militar em vigor durante o período de Kandyan no Sri Lanka. Neste caso que não são soldados da rainha.

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Corri alguns passos, parei quando ninguém me seguiu. — Eu não vou deixar vocês aqui! — Basta ir! — Não! — Solange! — Todos os cinco dos meus irmãos gritaram o meu nome. — Não! — Eu gritei de volta. — Vamos! — Eu sabia que não se coadunava com eles, não para acabar com os últimos dois vampiros, e minha mãe certamente não aprovaria qualquer um. Mas eu não queria mais mortes em minhas mãos. Nos filmes, quando um vampiro morre, há uma nuvem de poeira e anima todos, porque o bandido é morto. No meu mundo, o vampiro pode muito bem ser um dos meus irmãos. E, tecnicamente, embora os caçadores de recompensa me quererem morta, eu não tinha certeza se eram os bandidos ainda. Quero dizer, eles estavam seguindo ordens, certo? Será que eles sequer sabem que eu não queria nada a ver com Lady Natasha e sua coroa estúpida? Havia regras para esse tipo de coisa, mesmo que ninguém mais queria jogar por eles. Eu também não tive escrúpulos em utilizar culpa a meu favor. — Quem sabe quantos outros podem estar lá fora? Vocês querem que eu vá sozinha? Eles fizeram um coro coletivo de grunhidos irritados, sabendo muito bem o que eu estava fazendo, mas eles relutantemente, vieram comigo, que era tudo que eu queria. Nós rasgamos para baixo o corredor, arrastamos ligeiramente as telhas. Minha respiração era áspera e quente em meus pulmões, rasgando a minha garganta. Connor me atirou por cima de seu ombro, mal parando para ajustar meus batidos membros, e continuou correndo. Ele foi tão rápido, assim como o resto deles, que mais parecia borrões de cor em torno de mim. Meu estômago saltou dolorosamente para o ombro de Connor, mas nós não paramos até que havíamos chegado a uma porta enferrujada. Ele abriu o luar escorrendo por entre as árvores para o chão da floresta. Connor jogou-me para os seus pés. E esfregou minha barriga machucada. Quinn facilitou na frente, olhando para o mato. Ferns37 acenavam seus dedos verdes ao nosso redor. Nos movemos em silêncio por trás dele. Eu não poderia ter a velocidade de um vampiro ou um acompanhamento de perfume, mas eu tenho formação Drake e eu sabia como se mover sem ser ouvido ou visto. E eu conhecia a floresta, bem

37

Ferns é samambaia.

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como ninguém, certamente melhor do que Logan, que preferiam as ruas da cidade do que a lama em suas caras botas. O cheiro inebriante de agulhas de pinheiro e terra era calmante, refrigerando minha garganta.Não havia um único som de aves ou de coelho ou de veado. Todos conheciam o cheiro de um predador, animal ou outro. O vento fez cócegas nas árvores de carvalho. Quinn parou, levantou a mão. Esforcei-me para ouvir o que ele estava ouvindo, mas tudo o que pude captar eram comuns os sons da floresta: o vento, o rio, uma coruja. — Nós não estamos sozinhos, — Logan falou sem som para mim. Eu gelei, tentando não respirar, esperando que meu coração não pulsasse como um farol no centro das madeiras escuras. Eu poderia saber como andar para desviar de galhos ou não esmaga-las sob os pés, mas silenciar meu coração era um truque que eu não era tão empenhada em aprender. Nós poderíamos ser tão silenciosos como queríamos, mas se os vampiros estavam perto o bastante, eles me ouveriam. Frustração zumbia através de mim. Algo farfalhava, como asas de morcego. — Vá, — Logan agarrou, mas eu já estava batendo no chão. Era tão escuro e os vampiros eram tão rápidos, era como se as sombras haviam colidido em torno de mim, assobiando. Ossos quebrados e remendados, sangue aspergindo como chuva. Alguém resmungou. Eu não conseguia ver muito bem, não só era escuro, mas eu estava meio deitada em uma moita de samambaia. Eu subi e fiquei agachada. Logan colidiu no passo, maldição. O brilho de dentes e olhos na lua prateada. Outro vampiro rolou até mim, desembarcando aos meus pés. — Sinto o cheiro dela. — Parecia quase bêbado. — Ela está aqui. Ela é minha. — Oh, eu não pensaria assim, — eu murmurei tristemente, chegando perto de um ramo e quebrando no fim para que fique afiado e fragmentado. Eu não tinha levantado, só me sentei torcendo as mãos. Todos nós sabíamos que isto estava vindo, mesmo que eu, só agora verdadeiramente percebera o alcance e a magnitude da minha variação sanguínea. Todos, basicamente, pensaram em mim como uma égua vampiro, que pretende dar origem a alguns lotes reais de bebês vampiro. Nenhuma quantidade de rosas vermelhas enviado à minha porta estava indo fazer disso tudo bem. Bati meu calcanhar na parte de trás de seu joelho, que girou para atacar Marcus. Ele tropeçou, virou-se. Seu assobio irritado deslocou para um sorriso. — Solange. — Ele deu um passo em frente. — Sou Pierre.

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Eu levantei o ramo ameaçador. — Olha, esta é apenas uma coisa de feromônio38. Supere isso já. — Você é ainda mais bonita do que eu pensava que seria. — Ótimo. — O sarcasmo na minha voz não apareceu ser registrada. — Você sabe, foi realmente uma longa noite. Você pode ser assustador mais tarde? — Eu te amo. — Aparentemente, não. — Eu estava me sentindo cansada. Incrivelmente, eu me senti como se bocejasse, mesmo quando alguém resmungou em dor. — Entrando! — Quinn gritou. — Há mais deles do que nós pensamos. — Inclinei a cabeça à Pierre, que tentou um sorriso encantador. Marcus olhou para mim. — Você vai ficar doente? Irmãos. — Pierre, — disse. Será que meus cílios esvoaçantes seriam um exagero? E eu nem mesmo sei como tremular meus cílios? — Você poderia me ajudar? — Qualquer coisa para você, meu amor. Ok, então talvez essa coisa de feromônio pode ser útil, afinal. — Há caçadores de recompensa vindo. — Eu tentei um olhar inocente. Lucy teria caído rindo, se ela pudesse me ver agora. — Eles querem matar a mim e meus irmãos. — Eu não irei deixar isso acontecer — ele prometeu fervorosamente. — Ótimo. — Eu bati o ombro. — Vá em frente. Ele fez uma partida muito dramática enquando Marcus e eu assistimos. Quinn e Logan se juntaram a nós. — O que está acontecendo? — Solange tem apenas alguns seguidores melosos para lutar por nós. — Então o que estamos esperando? — Connor disse. — Vamos dar o fora daqui.

38

Uma substancia química que um animal pode liberar quando em contado com outra criatura da mesma espécie (exemplo atração sexual)

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Nós corremos, deixando para trás os sons de Pierre e seus amigos lutando contra os caçadores de recompensa. Eu realmente esperava que ele iria ganhar. Eu não gostava de pensar que eu o poderia ter enviado à sua morte. — Retardar não é exatamente o objetivo aqui, — disse Logan. — Não deveríamos ajudá-lo? — Não, devemos correr mais rápido. — Mas. . . — Solange, você está tão pálida, você brilha praticamente. Mova-se. Eu poderia ter argumentado mais, mas eu estava me sentindo muito lenta. Eu mal era capaz de empurrar um pé na frente do outro, não importa o heroísmo realizando para salvar um vampiro que eu estava indo provavelmente de qualquer maneira a participar, se os feromônios tinham nada a dizer sobre isso. — Sinto-me. . . engraçada. Connor me abanou de novo. Eu estava exausta demais para sentir-me particularmente alarmada, embora uma parte do meu cérebro registou que este não era o momento para uma soneca. — É só uma mudança, — ele disse. — Você está cansada. É normal. O bocejo era tão grande que me deixou com água os olhos. — Você tem certeza? — Eu não estava acordada o suficiente para ouvir a tempo a sua segurança.

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Quatorze
(Lucy)

Que diabos você quer dizer com Solange foi ver Veronique? E Natasha? —

Todos deram um passo saudável para trás, fora do alcance da fúria de Helena. — Eu disse especificamente que ela não podia sair de casa. Liam sentou em sua cadeira e bebeu um conhaque seriamente. O Pug de Hyacinth foi cheirar debaixo da porta da frente e lamentar-se. Mudei de pé para pé. O miasma39 da raiva e da espessura dos feromônios estava começando até mesmo a deixarme tonta. Liam estendeu a mão a sua esposa. — Eles vão fazer tudo certo — disse ele sombriamente. Eu nunca tinha ouvido a sua voz nesse o tom e o tipo particular, e espero que eu nunca irei ouvi-lo novamente. Ele fez os cabelos na parte de trás do meu pescoço arrepiar. — Por que Lady Natasha quer definir um prémio em primeiro lugar? — Nicholas perguntou quente. — Há um boato por aí, — explicou Sebastian. — Que Solange realmente vai tomar a coroa de Lady Natasha, logo que ela mudar. Olhamos para ele, todos os tipos de cenários terríveis, desdobrando no espaço entre nós. — Mas Solange odiaria isso, — disse. — Mas Lady Natasha nunca iria querer ser outra coisa — disse Helena. — Então, ela nunca entenderia, ou confiaria nela. Além disso, ela sabe que Montmartre está cortejando Solange, na sua própria torcida fashion. Mesmo que eles não estejam juntos há
39

Miasma, classificação de ambiente desagradável ou no sentido figurado de podridão.

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muito tempo, ela não compartilha muito bem. — Ela olhou para a janela. — Onde diabos está Hyacinth? Vai amanhecer logo. — Bruno tem seus meninos procurando por ela. — Eu deveria estar com eles. — Sebastian estava duro no canto, carrancudo. — Não. — Helena estreitou os olhos em sua direção. — Mãe. — Eu disse que não, Sebastian. Você já fez o suficiente hoje. — E a London? — Nicholas perguntou. — Ela é a única que chegou a entender Solange. Liam suspirou. — Ela é uma monarquista, como o resto do lado da família. Mas eu tenho que acreditar que ela não sabia sobre o perigo. — Não há mas. — Geoffrey bateu caneta na capa de um livro encadernado em couro. Seus cabelos presos para cima de qualquer maneira, ele tinha estado passando a mão por ele constantemente desde que cheguei aqui. Liam inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos brevemente. — Claro que há. — Terminei a análise da amostra Hypnos. — Liam se endireitou, os seus olhos como quente prata queimando. — Diga-me. — Várias drogas zumbi, como tínhamos assumido. — disse Geoffrey. — E? — Sua expressão era dura. Ele não parecia mais um cientista um pouco mais distraídos, ou como um considerável intelectual, que atraia todas as mulheres divorciadas na cidade. — É o sangue antigo. Antigo o suficiente para ser Enheduanna40. O silêncio caiu como um martelo, através de uma janela de vidro. Pisquei. — Quem é Enheduanna? — Sussurrei para Nicholas. Ninguém estava falando. Foi um tanto assustador, na verdade. — Olá?

40

Enheduanna (fim do século XXIV a. C.) foi a filha do rei Sargón de Akkad. Foi nomeada por seu pai suma-sacerdotisa de Nanna ou Nannar, a deusa-Lua sumeria, uma das maiores divinidades do panteón mesopotámico, em Ur.

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— Um antigo. — Geoffrey foi o único a responder-me, apesar dele não olhar para o meu caminho. O fogo crepitava baixinho, caindo para brasas na lareira. — O vampiro mais velho ainda vivo. — Oh. Hum, e? — E seu sangue tem efeitos mágicos. Como Hypnos, que tira a sua vontade. — Eu me lembro — Eu reprimi um arrepio. — Em vampiros também, não apenas em seres humanos. — Oh. — Meus olhos se arregalaram. — Oh! — Certamente. — disse Geoffrey concordou secamente. — E agora está nas mãos da Helios-Ra. — Quem é apenas marginalmente melhor do que Lady Natasha e suas tribos. — A trança preta de Helena estava levantada no ar quando ela girou para chutar a perna de uma cadeira espichada Queen Anne41. Aquilo partiu audivelmente. — Essa era da minha mãe, — murmurou Liam. — Isso é ruim — disse Nicholas para mim. — A coisa sobre vampiros, de qualquer tipo, é que nós estamos supostamente imunes a todos os outros feromônios. É o que nos impediu de aniquilar uns aos outros inteiramente com as guerras do clã. — Mas não mais, — eu sussurrei. — Não é mais. — Como é que eles sequer começaram? — Sebastian perguntou. — Posso garantir a você, estou pensando em pedir Hart42 para mim — Liam disse que através de seus dentes. — Ele está em seu caminho até aqui. — Aqui? — Sebastian bocejando para ele. — Você não está falando sério. — Ele era favorável. — Receptivo a estaquear cada um de nós em nossa própria casa, — resmungou Sebastian. — Não estamos mais seguros aqui e superamos ele. Eu permiti apenas um único companheiro.
41 42

Estilo de mobilia. Hart- Cervo, veado. Diminuitivo de nome próprio.

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— E um balde de pó Hypnos. — Sebastian, — Helena agarrou. — Seu pai sabe o que está fazendo. — Liam sorriu. — Vou lembrar disso, amor. Nicholas sentou-se, abanando a cabeça. — Então, o chefe da Helios-Ra está vindo aqui para o chá, Hypnos têm à sua disposição, Solange esteja, possivelmente, nas mãos da rainha vampira que definira o prémio em sua cabeça, e nós não podemos encontrar tia Hyacinth. Isto cobre tudo? — ele parecia de repente jovem e oprimido, como o Nicholas que eu conhecia antes de mudar. Toquei seu ombro. Antes que eu pudesse pensar em uma única útil coisa a dizer, o telefone celular de Liam vibrou no bolso do paletó. Ele olhou para o visor. — Bruno. — ele e Helena trocaram um olhar sombrio. — Hart e Hope estão aqui. — eles olharam para nós. — Lucy e Nicholas, subam no andar de cima. — Mãe! — Mas. — Agora — Liam insistiu. — Lucy, a presença de uma garota humana não vai ajudar a nossa causa no momento. E Nicholas, você pode ficar mal. Ele estava um pouco cambaleante em seus pés. O amanhecer devia estar enchendo o jardim do outro lado das cortinas. Nós arrastamos os pés escadas acima, relutantes, mas obedientes. Mais ou menos. Mamãe diz que meu temperamento não é a minha única bagagem karmica 43. Eu tenho essa coisa de receber ordens, não importa quão bem intencionado. E apesar de eu entender completamente por que poderia ser melhor para permanecer fora de vista, dificilmente seguido que eu deveria sentar-se sozinho no quarto de Solange e não sabia o que estava acontecendo.

43

Budismo: destino, sina, fado; carma.

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Só porque eles não deveriam me ver não significa que eu não poderia vê-los. — Lucy? Nicholas murmurou, parando quando ele percebeu que eu não o estava seguindo. — O que você está fazendo? Na verdade eu estava deitada de barriga no topo da escadaria curva. A partir desta vantagem eu poderia ver a porta da frente. Eu não podia ver na sala, mas ouvi Helena perguntar se Sebastian queria se retirar e sua recusa enfática. Ele tinha sido recentemente mudado, haviam passado só alguns anos depois de tudo, mas eu não teria saído também, se eu fosse ele. Não importa o quanto eu estivesse exausta. Eu me perguntei novamente onde Solange estava. E se ela estava bem. — Eles podem ouvir seu coração, você sabe. — Nicholas se estendeu ao meu lado. — Hey, eu estou lá em cima. Tecnicamente eu não estou quebrando as regras. — passei-lhe um olhar de soslaio. — Podem, mas eles realmente ouvem a minha localização exata? — Provavelmente não. — admitiu. Ele estava muito perto. Eu podia sentir o frio comprimento do seu corpo pressionando contra o meu. Seus olhos estavam muito pálidos, os dentes muito afiados. Se eu sou imune aos seus feromônios, então por que eu o encontro tão irritantemente atraente? Uma batida soou na porta da frente. Os cães entraram rapidamente no foyer44, rosnando. Sra. Brown latia de trás da porta do quarto de Hyacinth. Bruno acompanhou os chefes de Helios-Ra no interior, a sua expressão implacável e dura. Ele considerava os Drakes sua própria família, e Solange sobrinha honorária. — Hart e Hope. — murmurei. — Se você estiver indo para nomear os seus filhos assim, claro que vamos a pensar que vivemos em uma história em quadrinhos. — embora eu tenha que admitir, Hart era bonito, praticamente gentil. Seu cabelo era de caracois com prata e negligentemente bagunçado. — Ok, ele totalmente tinha posto em marcha essa coisa de gostoso/delicioso agente secreto acontecendo. Nicholas fez uma careta para mim. Eu não tenho que virar minha cabeça para olhar para ele e sentir o seu ardor nos olhos.

44

Na entrada da casa. Hall.

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A Hope era pequena, menos de cinco pés45 de altura, com uma cara alegre e um rabo de cavalo de balanço da coroa de sua cabeça. Ela usava calça jeans e um cinto de couro grosso pendurado com estacas sob sua camisola longa, e sandálias. De alguma forma eu não esperava que fosse tão ousado, em suas sandálias de tiras de prata. — Eles estão entrando. — sussurrei. — Eu posso ver isso. — resmungou Nicholas. Seu nariz se contraiu. — Você parece um coelho demente. — disse a ele. — O que você está fazendo? — Você mudou para shampoo de limão. — pisquei; o pensamento de volta para o meu chuveiro da manhã, que sentia como anos atrás. Ele estava certo. Suas mãos estavam fechadas, mas sua voz era suave e rouca. Ele virou a cabeça, e estava perto o suficiente para que seu cabelo escovasse na minha bochecha. — Cheira bem.

45

Aproximadamente 1,52 M

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Quinze
(Solange)

Eu só acordei porque tinha um bocado de lama e um pouco de terra dura como
travesseiro. — Ow. — me sentei, piscando ainda com sono. — Que merda aconteceu, garotos? — Shh. — Connor sussurrou para mim, sua mão cobrindo minha boca. — Não estamos sozinhos. — eu mal podia escutá-lo, ele estava falando tão baixo. Eu não podia escutar as batidas de corações ou porcos-espinhos assustados ou galhos estalando sob botas de combate, mas eu sabia que o resto dos meus irmãos, podia. Ele desenhou um sol na terra sob nossos pés. Eu mal pude distinguir o formato sob a luz do luar que passava entre os galhos. Então, não eram apenas vampiros que nos seguiam. Helios-Ra. O vento era quente, persistente. Os grilos haviam parado de cantar, sem dúvida sentindo os predadores em cada canto da floresta. Essa é a nossa floresta, maldição. Os Helios-Ra não tinham nada que fazer aqui. As sombras se mexiam por entre as árvores, dando um toque de sobrenatural ao ar noturno. Um vampiro gritou e virou pó, se dispersando por entre as folhas. A estaca de madeira de um Helios-Ra cravou-se na árvore atrás dela, enquanto ela desmoronava. Alguém gritou. Connor se juntou a briga antes que eu o pudesse parar. Marcus estava lutando, e Quinn, é claro, não poderia ser deixado fora de uma boa briga, sem importar as circunstâncias. Logan se colocou entre mim e a batalha, e Duncan estava guardando nossas costas. Foi a formação padrão, uma que minha mãe nos ensinou junto com o abecedário e o porquê não podíamos dizer que nossos pais tinham presas e tomavam sangue no lugar de café. Para que minha mãe estivesse verdadeiramente orgulhosa, deveríamos estar em um terreno alto.

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Não estávamos. Na verdade, nós nem sequer éramos conscientes de nós mesmos. — Onde está London? — perguntei. — Fugiu. — Logan respondeu severamente. — Ela escapou por um túnel enquanto você estava cochilando. — E não foram atrás dela? — Estávamos um pouco ocupados para suportar seu discurso de sabe-tudo. — Ela provavelmente sente-se mal por ter que me arrastar para a corte. — Muito ocupados para isso também. Ela estará bem, — acrescentou. — E de qualquer maneira, ela mencionou algo sobre fazer um reconhecimento por conta própria. A guarda real deveria ter estado lá para protegê-la se você era uma hospede de honra. Ela quer saber o que está acontecendo. — Tudo isto é um lamentável desastre de merda, isso é o que está acontecendo, — murmurei. — Não precisa ser um gênio para saber isso. Eu nem sabia o quão longe da fazenda nós estávamos, tendo dormido uma boa parte da jornada. Nós podíamos estar à meia hora ou três horas de distância. As estrelas eram débeis sobre nós, somente visíveis quando havia uma raja de vento particularmente violenta. Estudei seus padrões tanto quanto me foi possível. A lua estava baixa. — Está quase amanhecendo, — murmurei para Logan. — Temos que sair daqui. — Você acha? — ele murmurou de volta, usando esse tom reservado somente para a mais chata das irmãs pequenas. Levantei-me, sentindo como se me movesse através de água. Eu estava cansada, meus olhos ardiam e minha garganta lutando contra um bocejo. Logan encarou-me. — Se agache. Neguei com a cabeça. — Superamos em número. — Não é a primeira vez. — grunhiu, estacando o coração de um vampiro que Connor havia empurrado contra ele. Um silvo, uma explosão de poeira.

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— Posso cheirá-la. — alguém interrompeu, com uma excitação em sua voz. A lua continuava se pondo através do horizonte. Arrastei-me até chegar ao lado de Logan. Saquei estacas de seu coldre traseiro. — Fique baixa, maldição. — Ela é minha. — um dos vampiros captou minha essência, girando-se rapidamente de onde havia estado golpeando Duncan contra uma rocha. O vampiro olhou ao redor distraído. — Solange? Estou aqui por ti, meu amor. — Se começa a recitar poesia, vou estacá-lo eu mesmo, — prometi entre dentes. Duncan virou para nós, um corte profundo em sua cabeça sangrava excessivamente. O sangue gotejava por seu cabelo de um lado do rosto. As fossas nasais de Logan se expandiram ainda mais. — Não se supõe que era você que teria que golpeá-lo. — murmurou. — O bastardo é mais forte que parece. — Duncan lhe murmurou em resposta enquanto se apoiava contra uma árvore. Engoli em seco lutando contra as náuseas quando o seu sangue correu por entre meus dedos. — Você está bem? — Estou bem. — limpando seu rosto com a manga de sua camisa. — Já está se curando. Os sons de batalha se aproximaram. Perto demais. Eu ouvi o estalo de um galho quebrando. E então eu ouvi um rugido de Marcus. Não era um galho. Foi seu braço. Lancei uma de minhas estacas. Errei o coração do vampiro, mas o fiz tropeçar, rugindo. Marcus se escondeu nos arbustos, segurando o braço ferido. Quinn sorriu, apesar de estar lutando contra um vampiro e também contra um agente de Helios-Ra, que também estavam lutando entre eles. Os punhos fizeram um ruído surdo na carne. O sangue respingou no ar. A escuridão se desvanecia lentamente no cinza claro que precede o amanhecer, perdendo assim a vantagem da visão noturna. Sentei-me sobre meus calcanhares, pressionando meu estômago.

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— Logan. — disse. — São muitos. — Estamos bem. — insistiu. — Não estamos. — insisti de volta. — Vocês devem sair daqui. — Nós estamos tentando. — grunhiu Duncan. — Refiro-me agora. Sem mim. — Esquece-o. — Nós o cercamos. — anunciou uma voz através de algum tipo de amplificador. Quinn hesitou, no meio de um golpe. — Policiais? — Pior. — um vampiro grunhiu, agachando-se. — Helios-Ra. — Malditos sejam todos, nem sequer estão sendo sutis. — Nós só queremos a garota, não a recompensa, — a voz amplificada gritou. — Estamos dispostos a deixar o resto de vocês irem. — Bite me.46 — E a mim. — concordou seu novo amigo. O sol nascia no horizonte. Podia ver nos rostos dos meus irmãos. Pequenas gotas de suor na testa de Logan, e a temperatura de um vampiro era muito mais baixa que a de um humano. Ver algum suar era raro. Muito raro. Seu rosto parecia esgotado também, quase cinza pela fadiga. A mão de Duncan tremia enquanto se deixava cair a seus pés. Nós poderíamos lutar para abrir passagem entre eles. Afinal, eles logo teriam que procurar abrigo, tal como nós. Mas mesmo que conseguíssemos passar por eles com poucos danos, ainda teríamos que passar pelos Helios-Ra, que podiam ficar sobre a brilhante luz solar e simplesmente esperar que meus irmãos adoecessem e morressem. As minhas opções estavam se limitando drasticamente. Sabia o que teria que fazer. Também sabia que cada um de meus obstinados irmãos eram mais rápidos do que eu. Não podia esperar correr mais que eles. Mas podia pegá-los de surpresa.

46

Algo parecido com foda-se, mas que também é morda-me.

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Os deixei murmurar entre eles, e deixei que Logan me colocasse de pé. Os outros vampiros se dispersaram. As folhas apenas estremeciam nos seus rastros. Quinn e Marcus se aproximaram e Connor se moveu em nossa direção através do matagal. Uma flecha passou por entre as árvores e atingiu-lhe o ombro. Ele recuou, segurando o braço sangrento. — Estou bem. — nos disse, apertando a mandíbula com dor. — Um tiro de advertência. — gritou o agente. — O próximo acertará o coração. Meus irmãos estavam franzindo o cenho entre eles, arrastando Connor para colocá-lo a salvo. Agora ou nunca. Se pensasse demais poderia me acovardar. Agora. Afastei-me facilmente de Duncan, que estava virado para Connor que o sustentava de pé. Só Logan me bloqueava e ele não esperava que lhe desse uma joelhada nos rins e, em seguida, saltar sobre ele enquanto se contorcia. Então foi exatamente isso que fiz. Uma chuva de flechas de Helios-Ra voou sobre mim, atingindo o chão atrás de mim como as muralhas da fortaleza de um castelo. Essas flechas me protegiam dos meus irmãos, que tiveram que deter seu ataque frontal, mesmo que fosse só por um momento. — Prometam. — gritei, correndo mesmo que minhas pernas parecessem chumbo e meus pulmões queimavam. — Prometam deixar meus irmãos livres. — Prendam-na. Pularam ao meu redor como besouros. Afastei-me, todo instinto e adrenalina pulsando. Não tinham rostos, só óculos ocultando seus rostos, e roupas pretas, calças pretas, botas pretas. O sol nasceu no horizonte, passando suavemente por entre as folhas. — Corram idiotas! — gritei para meus irmãos enquanto meus braços eram amarrados. Sabia que eles não tinham outra opção. O sol já brilhava através das árvores.

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Não podiam chegar até em casa. Teriam que usar uma das covas ou casas de seguranças secretas, e por casa, em realidade me referia a um buraco no solo. — Tenho-a. — É ela? — disse um dos agentes enquanto começava a marchar através da floresta. Alguns de seus companheiros iam mancando, um deles me examinou. — É só uma garota. Sabia o que via: uma menina de quinze anos com o vestido destroçado e lamacento, e com arranhões nos braços por correr pela floresta. Seu companheiro deu de ombros. — A recompensa é a mesma. E de todas as formas, quando chegar seu aniversário ela será um monstro como o resto deles. — Os Drakes são bons. — murmurou alguém mais. — Eles pelo menos estão no Conselho de Raktapa. Agora, vocês poderiam parar com a maldita fofoca e se apressarem? Estava tão cansada que apenas podia ver claramente. Arrastei meus pés, dificilmente tendo energia para levantá-los do solo. — O que você tem? — ele vociferou. — Está ferida? — Estou cansada. — Já amanheceu, princesa, então mova seu traseiro. A manhã continuou a se desdobrar em torno de nós em uma nebulosa umidade rosa, como se nós estivéssemos sentados no centro de uma rosa após a chuva. As folhas balançavam sobre nós, tão verdes que quase brilhavam. Os pássaros cantavam alegremente, ignorando a minha situação. Agulhas de pinheiro esmagadas sob o nosso caminho. — Onde estão me levando? — perguntei, contendo um bocejo. Não responderam, enquanto formavam um apertado circulo ao meu redor, um que sabia não ter esperanças de atravessar, especialmente desde que me sentia tão forte quanto macarrão molhado. Piquei ante a luz do sol, meus olhos lacrimejantes. Tinha esperança que meus irmãos estivessem seguros. Estariam quase indefesos. Todos eles eram bastante novos na transformação que agora provavelmente estariam dormindo profundamente, tão profundamente que não poderia defender-se rapidamente se houvesse um ataque.

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Continuamos a marchar até que comecei a reconhecer onde estávamos. As montanhas estavam a nossa direita e um pequeno lago reluzia num vale mais abaixo. Um túnel passava justo debaixo de nós e nenhum dos presentes tinha conhecimento disto. Estava tão perto de uma rota de fuga que poderia estar muito bem do outro lado do planeta já que não poderia chegar lá. Mesmo que eu pudesse chegar a uma porta, o que duvidava, não podia arriscar-me a delatar a localização secreta do túnel aos Helios-Ra. Estava tão concentrada pensando, que não vi a sombra cinzenta pular do alto de um álamo alpino*, franzindo o cenho ferozmente. Vestia-se completamente de negro como os outros, e estava armado até os dentes. Seus olhos fixos em mim. — Que diabos está fazendo ela aqui? Kieran Black.

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Dezesseis
(Lucy)

Sábado à noite, muito tarde.
Eu ignorei as brincadeiras que foram trocadas com frieza desde que Nicholas mentia ao meu lado. Era realmente ruim achar que eu quisesse aconchegar-me ao seu lado. Isso era Nicholas. Byron foi uma distração bem-vinda enquanto subia as escadas e se colocava ao meu outro lado. Tinha a respiração acelerada e estava perto o bastante que ele babou no meu braço. Dei-lhe uma cotovelada. — Afaste-se, grandão. ― ele só me deu aquele olhar de cachorrinho, que pateticamente eu não podia resistir. — Pelo menos pare de babar. É grosseiro. — cocei sua orelha brevemente. — É um cão guardião. — sabia que os outros dois Bouviers estariam perto de Hart e Hope, olhando-os avidamente. — Quero te assegurar. — Hart estava dizendo na sala de estar. — Que estou oficialmente contra a recompensa pelo clã dos Drake, para que não haja mais mal entendidos. — Estamos felizes em escutar isso. — disse Liam suavemente. Só podia imaginar que mordaz resposta teria Helena. — Isso foi um acidente. — continuou Hart, soando duro. — E um que será corrigido imediatamente. — Sugiro que mantenha um controle mais rígido sobre sua organização, — disse Helena. — Ou vou deixar de controlar a minha.

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— Entendo. Seguimos sendo fiéis ao nosso trato. — interveio Hope. — Este é um problema interno e nunca deveria ter saído. Suas vozes diminuíram ligeiramente. Houve um tilintar de cristais. Eu me contorci, tentando olhar com cuidado em torno da escada na sala de estar. Eu podia ver a ponta de uma cadeira e nada mais. Não havia ninguém sentado nela. — Vou tentar chegar mais perto. — murmurei. Quando Nicholas não tentou me deter, me levantei e virei para olhá-lo. Ele estava dormindo. Sua bochecha sobre sua mão, sua pele pálida brilhava, e seu cabelo escuro bagunçado. Suas feições eram esculpidas, sensuais e obscuras. Era totalmente injusto o quão lindo era. Mesmo que realmente ele parecesse que estava roncando um pouco. Byron bufou e se virou. — Vocês dois são de muita ajuda. — eu disse. E então o silêncio foi interrompido. Não houve nenhum som real de advertência, só Hart saindo disparado da sala de estar, chocando contra a parede do hall e caindo desajeitadamente no chão. O lustre sobre ele se balançou alarmadamente. Por causa do som, Nicholas acordou sobressaltado e se jogou sobre mim, como se ele me protegesse de um míssil. Ele se pressionou contra mim, como uma placa de mármore frio. Parecia um pouco desorientado, e não de todo desperto. — Não consigo respirar. — resmunguei. Moveu-se ligeiramente, mas não saiu de cima de mim. Eu podia ver a franja espessa de seus cílios, seus cabelos que caiam sobre sua testa faziam cócegas na minha. — Hall. — engasguei. Ambos esticamos o pescoço. Helena marchou, toda de couro preto e fúria maternal. Byron correu escada abaixo. — Onde está a minha filha? — eu estava furiosa, seus olhos pálidos praticamente brilhavam. Liam a contornou, pronta para explodir. Eu pude ver tudo, mas a rédea de seu temperamento lutando para se libertar. Hope pegou uma estaca de seu cinto. — Eu não faria isso. — aconselhou Bruno calmamente. — Que demônios foi isso? — Hart se sentou, com seu olho esquerdo já roxo. Liam levantou seu celular. — Esse foi um dos meus filhos, escondido debaixo da terra devido a sua maldita associação.

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— Já te disse que não colocamos esta maldita recompensa. — Hart disse entre dentes. — Expliquei-o. — — Então explique a mim, humano, — Helena zombou. — Por que minha filha foi levada por seus agentes? Hart a olhou fixamente. — O que? Sebastian e Geoffrey se juntaram a eles na sala de estar. Boudicca latiu uma vez, impedindo Hart de fazer nada mais que sentar-se. Nicholas se afastou de mim, dando um grunhido baixo em sua garganta. — Isso é impossível, — insistiu Hart. Alcançou o próprio celular e discou um número. Ele gritou perguntas, amaldiçoando em voz baixa pelas respostas. A luz do sol tocou a janela em ambos os lados da entrada. — Uma unidade se revoltou. — ele declarou. Hope empalideceu. — Não. Helena farejou o ar com delicadeza, logo assentiu para seu marido. — Ele não está mentindo. — Ao meu lado, Nicholas farejou também. Franzindo o cenho. Franzi-lhe o cenho. — O que? — Não é uma mentira, mas há algo mais. Algo que não pode me deixar tranquilo. — Mais xampu de limão? — Não. Definitivamente não é isso. Bruno assinalou para os cachorros e eles retrocederam, deixando Hart ficar de pé. — Temos que prendê-los. — disse sombriamente. Perguntei-me se ele teria alguma arma presa num coldre de ombro debaixo do casaco. — Agora, antes que o dano seja irreversível. — Vejo-me obrigado a concordar. — Liam estendeu a mão. — De qualquer forma, nós temos um trato, Hart. E foi quebrado. Dada as circunstâncias, creio que uma demonstração de fé no trato. Hart suspirou. — O que tem em mente, Drake?

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— Um de vocês fica aqui. — Pegará reféns agora? — Vocês têm nossa filha. Sua segurança deve ser garantida. — Têm nossa palavra. — disse Hope. Liam levantou uma sobrancelha. — Não parece o suficiente. Hart esfregou o rosto cansadamente. — Bem. Bem. — repetiu. — Ficarei. — Hope virou para ele. — Não, eu ficarei. Algumas das unidades ainda me vêem como secretária. Eles te responderão mais rápido e reconsiderarão seus atos se realmente se converteram em corruptos. — ela endireitou os ombros. — Então, fico eu. — entrecerrou seus olhos. — Você não tem uma masmorra, têm? Porque espero um quarto de hospedes. — mostrou os dentes em uma aproximação de um sorriso. — Como uma demonstração de fé no tratado, claro. Hart olhou severamente para Liam, que retornou o olhar. — Espero que ela esteja a salvo aqui. Liam inclinou sua cabeça. — Enquanto nossa filha esteja a salvo. Hart apenas reprimiu um estremecimento. — Farei todo o possível. — disse. — E se o possível não for o suficiente, tudo bem? — Helena disse suavemente, sedosamente. — Pessoalmente acabarei com cada pessoa de sua associação. Entendido? Ele assentiu rigidamente. — Sua mãe é durona. — murmurei. — Você sabe; algo totalmente desconcertante dado sua sofisticação suave. Bruno mostrou a saída a Hart, seguido pelos cachorros, com exceção de Byron, quem seguiu olhando com desconfiança a Hope. Geoffrey indicou as escadas. — Seu quarto é por aqui. Nicholas e eu nos apressamos a levantar. Ele me levou pelo corredor, seus dedos ao redor dos meus. Entramos na habitação de Solange justo quando Geoffrey levava Hope a um dos quartos de hóspedes com seu próprio banheiro. Ele fechou a porta e trancou com

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chave, com um clique sinistro que pareceu reverberar. Ele fez uma pausa do outro lado da porta de Solange, e eu esperava meio que nos trancasse também. — Vão dormir; vocês dois. — murmurou antes de afastar-se. Virei para Nicholas, que já estava estirado sobre a cama de Solange, com sua cabeça descansando sobre a almofada de Hello Kitty que lhe dei no seu aniversário de nove anos. — O que nós fazemos agora? — perguntei. Meus olhos se sentindo arenosos e secos. Eu tinha estado acordada durante quase 24 horas. Sentia-me um pouco enjoada. Nicholas mesmo assim não abriu os olhos. — Tenho que dormir. — as palavras foram arrastadas. Sentei-me ao seu lado, tocando sua testa. Havia uma palidez doentia na sua pele. — Salve a Solange. Ele não disse nada por um longo tempo. Empurrei-o uma vez mais. — Nicholas? Nada. Sentia-me mal por dormir enquanto minha melhor amiga estava por ai a mercê dos caçadores de vampiros corruptos. Buffy não havia dormido. Eu? Não tanto. — Pare de falar sobre Buffy já. — murmurou Nicholas. Nem sequer me dei conta que havia falado em voz alta. Ele não abriu seus olhos, apenas estendeu a mão e puxou minha manga até que caí, deitada ao seu lado. — Vai dormir. A cama era macia e cheirava como amaciante de baunilha. Nicholas era uma presença reconfortante para mim. Ele já estava dormindo de novo. Não notaria se eu me aconchegar um pouco mais perto dele. Por motivos de segurança, claro. Havia caras maus por toda parte, depois de tudo. Uma pessoa nunca é demasiada cuidadosa. Moveu-se meio roncando e puxou-me para muito mais perto. Adormeci sentindo-me melhor do que havia sentido durante toda a semana.

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Dezessete
(Solange)

Se manca Black, isso não lhe diz respeito. — o agente na liderança disse tenso.

Seus ombros e mãos atadas se desviaram para o cabo de sua arma. A luz do sol brilhava nas lentes dos seus óculos de visão noturna, empurrado em cima de sua cabeça. Os outros trocaram olhares desconfiados. Havia algo no ar, algum segredo que eu não conhecia. — O inferno que isso não diz. — Kieran disse. — Olha, nos não precisamos de você, garoto. Vá para casa. — Vá para o inferno. — Kieran revidou — Eu sou um agente completo e mereço uma deixa. O que estava chiando entre nós, pareceu relaxar um pouco. — O que está dizendo Black? — Eu estou dizendo que a recompensa é suficiente para todos nós. Alguem bufou. — Seu tio sabe que você está fazendo isso? Ou você não ouviu? Helios nos chamou lá fora. — O quê? — perguntei. — Então o que diabos você está fazendo comigo? Kieran me ignorou. Black pendurou os plugs de nariz ao redor do seu pescoço e suas estacas alinhadas na pulseira de couro em seu peito. — A Rainha Vampira ainda tem uma recompensa por ela, não tem? Eu a quero — ele repetiu.

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Eu não sabia sobre isso, também. Eu estava começando a odiar meu décimo sexto aniversário. Um vestido branco poufy e um bolo com rosas feitas com um rosa bebê, e uma dança esquisita com rapazes de terno estava começando a soar como uma ótima alternativa. Sério. Inscreva-me. Eu nem sequer reclamaria. — Você terá que provar a si mesmo. Kieran puxou a manga de sua camisa , mostrando sua tatuagem de sol. — Eu tenho provado a mim mesmo, obrigada. — Estamos levando mais do que uma menina, não importa quão bizarra ela pode ser. — Que seja, olha, eu só quero o dinheiro. — ele empurrou em direção a mim. A floresta parecia brilhar com tanta intensidade, que sombreou meu rosto. A minha visão estava mais sensível do que jamais tinha sido. As árvores poderiam ser esculpidas por esmeraldas e preenchidas com os raios do sol. Seus olhos estavam suavemente escuros. E olhando para mim incisivamente. Eu olhei para trás. Ele quebrou o contato apenas o tempo suficiente para olhar a sua direita, bravo com o flash do relâmpago. Meu brilho perdeu algum do seu glamour enquanto eu tentava descobrir o que estava acontecendo. Os agentes estavam espalhados um pouco a sua direita. Não o suficiente para fugir, mas quase. Kieran tropeçou numa raiz de árvore, o cotovelo pegando um dos guardas no esterno. Ele cambaeou para trás. O fosso alargou. Kieran agarrou minha mão e jogou com a abertura breve. Eu podia senti-lo nas minhas costas, me empurrando para diante. Atrás de nós, os agentes gritaram. Um tiro ecoou, casca de uma árvore de pinheiro a centímetros de minha cabeça. Kieran me empurrou. — Corra mais rápido! — Tentando. — gaguejei. Só a adrenalina me manteve, e estava começando a fazerme sentir doente. Não havia nada de quieto ou vampirico sobre a forma como eu estava correndo pela floresta. Um surdo e cego gatinho poderia seguir meus traços.

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Eles estavam perto. Nós nunca seriamos capazes de ultrapassar eles. Especialmente, não, desde que eu estava ofegando e tropeçando. Eu tropecei no meu próprio pé e fui alastrando pela lama. Kieran estendeu a mão para me puxar de volta. — Não, espere. ― eu disse. Reconheci o entalhe no carvalho perto da minha cabeça, bem perto da raiz. A primeira vista não seria notável, na segunda pareceria como se um cervo ou coto teria se esfregado nela. Mas eu sabia o que era. Um corte em V de segurança.47 E com toda a certeza, quando eu cavei pelo mato, eu encontrei o cabo de madeira, fazendo parecer uma raiz exposta coberta por musgos. A verdadeira porta era apenas um pedaço de madeira e foi cuidadosamente coberta com lama e folhas que camuflaram após ter sido aberta. — Voce está louca? Levante-se. Em vez disso, eu empurrei em um agachamento e puxei a alça. Ela abriu um grande buraco com uma corda presa ao lado e pendendo para o fundo. — Vamos. — eu disse a ele, deslizando os pés primeiro. A corda queimou as mãos de Kieran, em um segundo, fechou a porta com uma conversão acima de nossas cabeças. A escuridão nos engoliu e meus pés tocaram o chão. Kieran pousou ao meu lado. Estendi a mão para executar provisóriamente a minha mão sobre as paredes, sensação de sujeira e raízes finas como cabelo. A terra caiu nos ombros de Kieran. — Huumm... Desculpa. Eu poderia ouvir sua respiração irregular e, a minha própria queimando meus pulmões. Não havia muito espaço de manobra. Eu desviei e bati na parede atrás de mim. Mudei de novo e meu quadril colidiu com o seu. Sua mão fechou-se sobre meu braço. — Espere. — sua voz era rouca. Ouvi-o vasculhar. Eu me perguntei se eu deveria estar preocupada com Hypnos em pó. Mas não fazia sentido para ele confiar em mim depois que ele me ajudou a fugir.
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No original Safety notch, notch em inglês tem vários significados como ele está se referindo a árvores seria aqueles corte em V que vimos nas árvores, quando desenhamos árvores colocamos um tipo de arroba @ no meio do tronco certo ? Então esse seria o notch e o corte em V, que ela fala.

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A menos que ele queria a recompensa para si mesmo. Eu estava perto o suficiente para ser capaz de atingir algum órgão vital com o meu pé ou o meu punho. Se ele estava inconsciente enquanto eu estava sob o efeito do Hypnos, ele não poderia tirar proveito do meu estado hipnotizado. Houve um clique e lancei-me a ele. Seus braços fecharam em volta de mim, e bateram na parece com força o suficiente para caber dentro de mim. Meus dentes cortaram no interior dos meus lábios. Eu sinti o gosto de sangue. Um brilho azul de uma vara de luz,48 que ele teria quebrado, encheu o espaço apertado. Ele não havia sido atingido pelo Hypnos, afinal, ele só estava encontrando uma fonte de luz em seu cinto. — Que porra? — ele grunhiu, esfregando o joelho machucado. Eu estava pressionada contra ele, do peito ao tornozelo. Eu esforcei-me inclinando para trás. Eu não tenho mais forças. Meu salto tinha raiva e não durou muito nele. Eu cedi um pouco. — Eu pensei que você estava sob o pó Hypnos. Seus olhos estavam muito escuros na estranha luz azul. Suas sobrancelhas quase juntas, ele estava tão profundamente carrancudo. — Eu tenho tentado salvar sua vida! — Hummn... Obrigada — tentei um sorriso, então decidi, apenas um olhar fulminante de volta. — Olha, foi um erro honesto. — Se você diz. Ele ainda não tinha me soltado. Quando ele soltou, eu estava encostada na parede, fechando os olhos. — Qaul é o problema com você? — ele perguntou. Eu podia ouvir a preocupação em sua voz, em baixo de toda irritação. — Voce esta machucada?

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(http://science.howstuffworks.com/innovation/light-stick2.html

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— Bloodchange. — O que..., agora? — ele pode ter acabado de chiar. — Em torno de dois dias, na verdade. Feliz aniversário para mim. — Isso não era para te deixar mais forte? — Claro. — eu disse secamente. — Se não me matar primeiro. — Nós não podemos ficar aqui. — O túnel nos leva a outra sala segura. — Eles não irão parar de nos procurar. Eles vão vasculhar a floresta inteira — Eu não posso mais correr. — eu disse me desculpando. — Eu apenas não posso. Puxa aquela alavanca ali, em cima da sua cabeça. Ele puxou e então saltou de volta para fora do caminho, quando uma porta se fechou, bloqueando o acesso para o túnel. — Dessa forma. — eu disse a ele, literalmente arrastando os pés. Ele veio ao meu lado, colocando o braço ao redor da minha cintura para me ajudar. — Eu estou bem. — murmurei. — Voce está praticamente verde. Exceto pelos adoráveis olhos vermelhos, claro. — Oh — minha vaidade doeu. Eu sabia que era estúpido, eu tinha problemas maiores. Mas eu ainda não queria parecer uma bagunça, desleixada e repugnante ao seu redor. Ele estava quente contra mim, e eu me senti gelada e tremia de repente. A umidade do subsolo não ajudava. Meus dentes batiam. Eu so precisava chegar em um canto onde eu poderia entrar em colapso. Kieran levou-me pelo corredor. Cheirava a lama e verde, água pingando em algum lugar que não podia ver. O túnel alargado e, em seguida, nos estávamos em uma câmera redonda com lajes no chão e uma cama estreita no canto atrás. Havia um baú que eu sabia era cheio de cobertores, fósforos e vários outros matérias, incluindo uma garrafa cheia de sangue. Havia uma outra porta trancada com um sistema de alarme. A luz vermelha piscou, como um olho. Kieran ajudou-me na cama, então ele olhou para o alarme, eu me inclinei para puxar os cobertores para fora da caixa de metal.

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— Você pode abri-la? Eu balancei minha cabeça. — A grade que você fechou no tunel e aquela porta são ambas conectadas automaticamente para ficarem trancadas até que o pôr-do-sol. — levantei uma sobrancelha. — Tenho certeza de que não tenho que explicar o porquê. — Eu não tinha ideia de nada disso aqui em baixo. É como uma casamata 49 de guerra dos velhos tempos. — é praticamente isso só que no subterrâneo. — Isso está aqui há pelo menos cem anos. Ajuda-nos a dar a volta e ficar longe do sol. — me inclinei sobre os cobertores, bocejando. — E já que estamos constantemente sendo atacados por franco-atiradores, guerreiros e idiotas, eu acho que é como em uma guerra — Eu sou um atirador, um guerreiro ou um idiota? — Não sei ainda. — Bem, muito obrigado por isso. — ele franziu a testa, olhando ao redor — Se os Helios-Ra encontrarem a abertura, nós vamos ficar presos aqui. — Eles não vão encontrar é muito bem camuflada. E há caminhos em volta do alarme, se nós realmente precisarmos deles. Mas ainda não. — tentei ligar para meus pais mas meu celular não funcionava. — Sem bateria. — murmurei e olhei para ele. — E o seu telefone? — Se eu ligá-lo agora, Helios vai ativar o chip do GPS. — sua voz suavizou. — Então eu acho que é só esperar. Minhas pálpebras estavam tão pesadas. Eu tive que assumir que eu podia confiar nele em não me enfiar uma estaca se eu adormecesse, porque eu não ia ser capaz de não dormir por muito mais tempo. E ele provou ser confiável o suficiente para um cochilo. Ouvi-o remexendo no peito e, em seguida a risca e o silvo de um fósforo sendo aceso e o pavio de uma vela queimando. O brilho artificial azul desbotado da luz da vela. O cheiro de cera derretida e umidade. — Voce esta com medo, Solange? Meus olhos abriram brevemente. Ele estava me observando atentamente, sentado sobre um coberto dobrado em cima do peito. A luz trêmula brilhava ao largo da ponta dos
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Albania_bunkers.jpg

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óculos em volta do pescoço e as pressões sobre suas calças de carga e de metal sob a pele raspada de suas botas de combate. — Medo de quê? — De ser um vampiro. Eu olhei para fora, e para trás. Ele ainda estava olhando para mim, como se não houvesse mais nada que valesse no mundo para contemplar. — Ás vezes. — murmurei. — Não muito sobre ser um vampiro, isso eu sempre soube. É mais sobre a mudança. — tremi. — O último dos meus irmãos que passou por isso quase não saiu do outro lado. — Eu não acho que foi tão perigoso. — É por isso que eles confundiram com o consumo no século XIX — O consumo? — Tuberculose. — Oh! — fez uma pausa. — Sério? — Eles não te ensinam isso na academia? — eu não poderia segurar um sorriso zombador muito pequeno. Ele não zombou de volta. — Não. Agora eu me senti mal por ser mesquinha. Ele tinha salvado minha vida, no final. — Nós temos os mesmo sintomas que tuberculose, especialmente nos olhos dos poetas românticos. Pálidos, cansados e tossindo sangue. — Isso é romântico? Eu tive que sorrir. — Romântico com R maiúsculo. Você sabe; como Byrin e Coleridge. Ele deu um arrepio de simulação. — Por favor, pare. Eu mal passei em Literatura Inglesa. Eu ri com desdém. — Eu não tive essa opção. Uma das minhas tias tinha Byron como amante.

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— Fala sério. — Sério. Fazia Lucy insanamente com ciúmes. — Essa garota é... — Minha melhor amiga. — eu disse com severidade. — Eu só ia falar que ela é única. — Ok então. — a sala estava girando lentamente, bordas borradas. Eu não seria capaz de combater a letargia muito mais tempo. — Então estamos claros. — Ela é apenas tão protetora como você é com ela, sabe. — eu podia ouvir o sorriso em sua voz. — Eu sei. Estou preocupada com ela. Acho que as coisas vão ficar realmente feias. — Acho que você esta certa. — É verdade que Helios cancelou a recompensa? — Sim. Virei para seu lado para que pudesse vê-lo sem ter que segurar minha cabeça, que agora pesava aproximadamente tanto como um carro. — Então porque eles estão atrás de mim? Ele mudou sua postura, como se algo que estava segurando-o não estivesse mais ali. — Uma das unidades trapaceou. Eu recebi uma chamada antes, logo que eles encontraram você e seus irmãos. Descansei minha face em minhas mãos. — Aquilo realmente acontece? Unidades trapacear, eu quero dizer? — Não em quase 200 anos, mas sim, acontece. Tem sido um ano ruim para a liga. Meu tio está no comando, ele é ótimo, ele realmente é, mais desde que seu parceiro foi substituído, não tem sido a mesma coisa. — Porque não? Quem era seu parceiro? — Meu pai.

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Eu tive que perguntar. Eu não sabia o que dizer. Lembrei-me dele dizendo sobre seu pai foi morto por um vampiro. Que me fez querer desculpar. O qual foi ridículo. Eu não tinha matado ele e ninguém que eu conhecia, então porque pedir desculpas? Será que ele pediria desculpas pelos Helios-Ra que mataram a namorada do meu primo? Ainda. Ele havia perdido seu pai. — Sinto muito pelo seu pai. Sua mandíbula se apertou. — Obrigada — sua voz era muito rouca. Algo floresceu bem ali no espaço escuro entre nós. Eu não sabia o que era, mas sabia o suficiente para saber que era raro e delicado. E parecia tão real que eu poderia esticar a mão e tocá-lo se eu tentasse. — Você pode dormir. — ele me disse baixinho. — Eu vou cuidar de você.

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Dezoito
(Lucy)

Domingo á tarde.
Eu acordei tarde no dia seguinte, sufocada pelo meu próprio cobertor vampírico. Tentei me mexer, mas Nicholas não se mexeu. Seus braços estavam ao meu redor, prendendo-me impiedosamente contra seu peito. Isso pode soar apaixonado em romances, mas na vida real, era desconfortável. Meu braço estava dormindo, meu nariz estava amassado contra o peito dele, e eu realmente tinha que fazer xixi. — Nicholas. — sussurrei. Nada. Empurrei seu ombro. Ainda nada. Nenhuma dessas novelas mesma nunca tinha feito algumas sugestões quanto à extracção de si mesmo a partir de um super abraço. Havia questões logísticas. Tal como o fato de que eu poderia quebrar o meu braço tentando me esquivar e que ele iria continuar dormindo. Eu me contorci de qualquer maneira, só por precaução. — Pô, Nicky, acorda, sua lesma morta. Não era um bom sinal quando eu nem poderia irritá-lo a uma resposta. Havia uma janela estreita ao lado da cama de Solange. Eu só poderia ser capaz de alcançar com meu dedo. Estiquei até o arco do meu pé e a parte de trás da minha perna começou uma cãibra dolorosa. — Isso é ridículo. — bufei, esticando mais distante. Pude sentir minha face ficando vermelha pelo esforço.

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Com sorte, isso seria exatamente o momento em que ele acordaria, me encontraria centímetros longe de sua cabeça, esforçando e ofegante como se eu estivesse passando por uma pedra nos rins. Finalmente consegui conectar os cabos da cortina com meus dedos. Uma puxada e uma rápida liberação e as cortinas romperam-se. O Sol do fim da tarde sobre a cama e sua cara pálida no rosto, ainda. O vidro era tratado, claro, então não era perigoso, mas os instintos de jovem vampiro do Nicholas fez ele recuar pelo repentino toque de luz. Ele se enterrou sob a segurança dos cobertores, deslocando o braço e jogando sobre sua cabeça por uma boa medida. O único problema foi que ele fez isso tão rápido, que a dinâmica me empurrou para fora da cama e para o chão. Caí com um guincho e uma exibição particularmente deselegante dos meus membros malhados, nenhum dos quais ajudou a fazer uma aterragem nem um pouco mais suave. Meu cotovelo formigava e meu cóccix latejava, e eu já tinha um conhecimento íntimo dos coelhinhos de poeira debaixo da cama da Solange. E a saia rodada 50 que eu pensei que tinha perdido ano passado, amassada debaixo de um baú coberto de adesivos. Sim, até mesmo as menininhas com linhagem vampírica vem uma fase de adesivos. Levantei-me, fazendo careta. Nicholas dormia em paz, parecendo exatamente como uma escultura de mármore de um anjo dormindo. Hah. Não havia nada angelical sobre a maneira como ele beijava. Quando eu me peguei com um riso reprimido ,eu percebi que eu era mais tonta do que pensava. Corri para fora do quarto antes que eu me constrangesse de forma irrevogável. A casa estava silenciosa. Boudicca dormia na frente da porta da Hope. Ela abanou o rabo quando me viu, mais por outro lado, não se mexeu. Liam deve ter mandado ela guardar o quarto. Fui buscar Sra. Brown e, em seguida, deixar ela sair para aterrorizar a vida selvagem no quintal. Uma coisa que eu aprendi na minha família é que se você tivesse

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No original Patchwork é esse tipo de saia .http://fashiontribes.typepad.com/main/images/jessica_ogden_patchwork_skirt_1.jpg

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um companheiro animal, nunca um animal, que era dependente de você, você faz jus as suas responsabilidades. Não há desculpas. Nunca. Quando eu tinha 7 anos eu implorei aos meus pais para ter um peixinho, porque eu amava alimentar aqueles que estão no templo budista que íamos a cada Ano Novo. Só que eu esqueci de alimentar o meu, e ele flutuava de barriga para cima numa triste manhã de domingo. Para dizer que minha mãe exagerou, seria vastamente, estar subestimando minha mãe. Nós tivemos um funeral, completo com um barco feiro de papel maché, que foi queimado mandando o espírito do meu peixinho dourado para Vahalla via Lake Violet.51 — Anda logo. — chamei Sra. Brown, que estava abanando o rabinho em alegria, encontrando um dos ossos abandonados do Byron na beira do gramado. O Sol estava suave, como mel quente derramado sobre a copa das árvores e rosas, brilhando pelas janelas da casa de fazenda. Era um daqueles longos e perfeitos dias de Verão apenas antes das aulas começarem. Solange e eu costumamos vagar pela cidade, reclamando sobre como entediadas estávamos e que droga seria voltar para escola e ela tinha que aprender a como servir o chá de maneira vitoriana. Você sabe, apenas em caso de Charlotte Bronte derramar chá em seu bolo. Eu daria tudo só para estar entediada agora mesmo. Desejei que nos soubéssemos onde Solange estava e se estava bem. Nos nem sabíamos se ela ainda estava consciente. Havia apenas dois dias ate seu aniversário. Se não tivesse alguém para ajuda-la no seu Bloodchange, ela estaria morta antes que ela ate tivesse uma chance de ter 16 ou então ela iria se transformar em uma Hel-Blar. Se ela já não estivesse morta. — Não pode pensar assim. — murmurei, retalhando a rosa que eu nem tinha percebido que escolhi. Pétalas rasgadas amontoavam bagunçadamente no chão. Sra. Brown as atacou com se ofendessem seu senso de ordem. Não escutei a janela sendo aberta, mais escutei Hope aumentar sua voz. — Lucky, não é? — Ninguém me chama assim. — olhei para cima, protegendo os olhos. — Há alarmes nas janelas, e se você pular, Byron irá persegui-la.

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Os nomes próprios preferi deixar no original, para quem não sabe Lake é rio.

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Estalei meus dedos para o cão peludo que virou-se sobre a varanda, de cabeça baixa de forma submissa, logo que viu a Sra. Brown. Como uma ameaça, que precisava trabalhar.

— Eu não vou pular. — assegurou-me Hope. — De qualquer forma, eu vou quebrar minha perna a esta distância. — Bom. — não sei mais o que dizer. — Eu posso levá-la daqui. — acrescentou ela em voz baixa. Agora eu sabia exatamente o que dizer. — Não só você. — eu disse impacientemente. — Não sou uma prisioneira, e os Drakes não são monstros. Eles são família. — Você não é um vampiro. — sua expressão escureceu. Eu não sabia que um rosto alegre poderia olhar com tanta raiva. — Eles te transformaram? — Não, claro que não. — fiz uma carreta de volta. — Espera, como você sabe meu nome? — Você e melhor amiga da Solange. Claro que sabemos quem você é. — Aqueles estúpidos guias de campo, certo? Você também sabe o quão repugnante você é? Perseguindo uma garota de 15 anos em suas roupas de comando? — Beber sangue não é repugnante? — Não quanto comer uma vaca morta. Ela balançou sua cabeça. — Kieran disse que você não estaria interessada na desintoxicação. — Desintoxicação? De que? Dos meus amigos? — Dos vampiros. Desse estilo de vida. — ela balançou a mão para o vidro tratado. — Desses sistemas de alarmes e as caminhadas noturnas e as lutas de espadas. — Okay, primeiro, acontece que eu amo lutas de espadas. Segundo, o que em, seu estilo de vida de agente assassino, de repente, é de alguma forma como uma pão caseiro do subúrbio? Por favor. — Oh, Lucky, não é assim.

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— É Lucy. — eu a corrigi entre meus dentes. — E, seu povo tentou matar minha melhor amiga, então você irá me perdoar se eu não estou interessada em aprender o aperto de mão secreto. Ela balançou sua cabeça tristemente. — Você deveria estar indo a encontros e saindo para o shopping. Não usando estacas no seu cinto. Balancei meus ombros. — Shoppings são uma droga. — Eu posso te ajudar. — Como você ajudou Solange? Não obrigada. — Você pode ter uma vida normal. Não é tão tarde para você. Eu quase ri. — Você claramente nunca conheceu meus pais. Normal nunca foi uma opção. — dobrei meus braços e sorri para ela sarcasticamente. — Você poderia deixar os Helios-Ra. Nós poderíamos te ajudar a parar de matar pessoas só porque eles têm uma condição médica que você não entende. Ela bufou . — Não é assim. — É totalmente assim. Deus. — Você é muito jovem. Não consegue imaginar. — Eu tenho 16, não sou idiota. — Nós poderíamos usar você. — ela fez um som como se fosse algo que eu deveria estar excitada. — Há tanta coisa que poderíamos te ensinar. Você tem instinto para isso, eu posso dizer. O pensamento me deu arrepios. — Não. — A oferta fica. Se você mudar de ideia. — ela parecia jovem, com rabo-de-cavalo e bochechas redondas. Ainda assim, o seu olhar era velho. Eu fui poupada da conversa quando Bruno veio caminhando pela área arborizada beira ao gramado. — Você é idiota, menina? — ele perguntou, com seu sotaque espessamente com desgosto. — É quase anoitecer. Ponha sua bunda para dentro.

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Eu não tinha notado que o céu tinha um tom lavanda e rosa, e as bordas queimando como papel em chamas. Ele encarou Hope. — E você, volte para dentro e fecha essa janela. Se você correr, nós temos maneiras de trazê-la de volta. Você não gostará de nenhuma. — Eu não sou uma prisioneira. — ela relembrou a ele gentilmente. — Eu estou aqui como um gesto de boa-fé. Ele bufou mas não respondeu, preferindo se deslocar para dentro como um grande tirano escocês. — Tudo bem, tudo bem, estou indo. — murmurei. — Alguém tinha que deixar a Sra. Brown sair. Ele bateu a porta do pátio atrás de mim e a trancou. Seus olhos estavam manchados com rodelas negras de cansaço. Sra. Brown perseguiu Byron em volta da sala de estar até ele se esconder em baixo da mesa de livros, choramingando. Aquilo, pelo menos, fez a noite parecer mais normal. Não demorou muito ate Liam e Helena descerem e se juntarem a nós, seguidos por Geoffrey e Nicholas. Por alguma razão quando ele olhou para mim, eu me senti corar. — Ainda nenhuma palavra de Hyacinth? — Helena disse tristemente sem rodeios. Bruno balançou a cabeça. — Nós não podemos rastrear o telefone dela. É possível que esteja fora de área. Liam balançou a cabeça. — Não exatamente. Eu conversei com Hart e ele reclama que nenhum dos seus tiveram contato com ela. — E nós acreditamos nele? — Nicholas perguntou, encostando contra a lareira e bocejando. O celular do Liam tocou no fundo de sua jaqueta de couro. Ele atendeu, ouviu e disse apenas uma palavra — Ótimo. — ele olhou para sua esposa. Seus ombros perderam um pouco da tensão e então a porta da frente abriu com o resto dos irmãos Drakes. Eles se apressaram, cobertos de lama, roupas rasgadas, e rostos com raiva. — Onde ela está? — Logan perguntou. — Onde está Solange? — Nós não sabemos. — Liam respondeu.

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Logan fechou seus olhos por um momento, sua cara pálida como pétalas de lírios. Quinn xingou violentamente. Connor socou a parece, amassando o gesso. — Onde está sua prima? — Helena franziu a testa, depois de dar uma olhada a mais em seus filhos para verificar se nenhum dele havia se machucado. — London decolou. — Marcus suspirou. — Ela trancou uma das grades atrás dela e decolou — O que? — Nicholas se afastou da parede. — Você está brincando. Ela te colocou nessa bagunça, em primeiro lugar. Logan se jogou na cadeira. — Eu acho que ela estava embaraçada. Ou confusa. Ela vem amanhã, Lady Natasha, você sabe disso. — E sobre Solange? — As boas noticias é que Veronique deu um frasco de sangue para ajudá-la na sua mudança. As más notícias é que a pequena idiota se entregou aos Helio-Ra para nos salvar — Não é bem assim. — Liam disse — Sua irmã se entregou para uma unidade trapaceira não reconhecida pelos Helios. — Bom isso é apenas ótimo. Os irmãos Drakes colocaram um estádio de futebol de vergonha para onde estavam indo. E não havia nada com as notícias sobre sua irmã caçula tinha se sacrificado por eles e para alguém, uma pessoa pior que os Helios-Ra. A linguagem atualmente acelerando no ar teria feito um notório marinheiro corar. Helena tinha assobiou com seu polegar e indicador, fazendo a gritaria diminuir. Ela estava em pé, sua longa tranca preta pendurada atrás, seus olhos pálidos como um relâmpago de Verão. — Chega. Nos não temos tempo para isso. — ela apontou para Logan e Nicholas. — Vocês dois fiquem aqui com Lucy. Sebastian, Geoffrey, seu pai e eu iremos encontrar sua irmã. O resto de vocês irão ajudar o time do Bruno a encontrar sua tia. — ela estalou seus dedos e foi como um tiro. — Isso é o final, nenhuma palavra de vocês. Vão. Agora. A casa esvaziou tão rápido que o silêncio pareceu como um tapa. Eu olhei do Nicholas para Logan.

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— Eles realmente não pensam que iremos ficar aqui sentados e esperando, né? — Claro que ele pensam. — Nicholas respondeu. — Olha, eu não vou mais ficar sentada. Solange precisa de nossa ajuda. — Você não sabe aonde está se metendo. — Logan disse — Você tem 16 e é humana. — Cala boca. — Quero dizer, Lucy. Solange iria nos matar se colocarmos você em perigo. — Logan, não seja um cuzão. — Eu tenho dormido na lama. Estou coberto de sujeira e sangue e essas eram minhas calças favoritas antes de eu pousar em merda de texugo. Eu mordi o lábio segurando um riso. — Merda de texugo? — Lucy. Beijei sua bochecha, frisando o nariz — Porque você não sobe, toma um banho. Se você parar de reclamar, eu até esperarei por você antes de descobrir o que fazer. Ele levantou, gemendo como um velho. — Eu acho que eu não gosto mais de você! Eu bati na sua cabeça. — Não seja bobo, você me ama. — Tente e fique longe de problemas durante 10 minutos, é o tempo que levarei para ficar limpo. — Não posso prometer nada. — respondi. Ele deu um sorriso para Nicholas — Boa sorte irmãozinho. Fiz uma careta pela suas costas. — O que isso quer dizer?

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Dezenove
(Solange)

Quando abri meus olhos, Kieran estava agachado próximo de mim, sua mão em
meu ombro. Eu recuei, instintivamente. Assustado, ele fez o mesmo. — Calma. — ele disse — Sou eu. Pisquei, enquanto me sentava. Senti como se um caminhão me atropelasse, e tivesse dado ré, para garantir que o trabalho estava feito corretamente. — Que horas são? — perguntei meio sonolenta. — Quase de noite. Eu tentei te acordar mais cedo, mas você não respondia. — ele adicionou, resmungando, enquanto se levantava — Eu prefiro estar fora daqui, antes do pôr do sol. Balancei meus pés, sobre a borda da cama. — Ok, me dê um minuto. — bocejei. Ele estava olhando pra mim. Eu resisti à vontade de limpar minha cara para ver se havia baba na minha bochecha ou algo assim. — Seus olhos. — O que, o que? — esfreguei-os violentamente, horrorizada com o pensamento, de que podia haver aquelas remelas nojentas. Ou eles podiam estar mais injetados? Eu ouvir falar que isso acontecia, na região branca dos olhos. — Eu acho... que a cor está mudando. — fez uma pausa — Isso é mesmo possível? — É só isso? Agora é você que está assustado comigo — murmurei de volta — Sinceramente.

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— Eu podia jurar que eles eram mais escuros antes de você dormir. — Eles eram. — Mas eles parecem realmente azuis agora. — Eles provavelmente estão. — respondi — Nossos olhos ficam mais claros. Os dos mais velhos geralmente ficam cinza. — Ah tá. Eu me mexi desconfortável. Eu não conseguia entender o modo como ele estava me olhando. Isso fez me sentir tímida e como boba. E eu não sou boba. — Você não quer sair daqui? — perguntei. — Yeah. Ele me entregou o casaco, que escorregou pelo longo vestido de Lucy. Estava rasgado e tinha lama de um lado. — Você está com fome? — gelei e olhei para ele através dos meus cílios. Ele não estava me oferecendo o sangue dele..., estava? Tentei não engasgar. — Eu apenas queria dizer. — suas orelhas ficaram vermelhas. — Barra de proteínas. — explicou ele puxando uma do bolso do seu colete. — Ah! — peguei dele e de repente meu estômago roncou. — Obrigada. — nós estávamos comendo tranquilamente enquanto tentava descobrir o que dizer para o cara que tentou me raptar por dinheiro e, em seguida, dentro de uma semana, me salvou de um grupo de seus irmãos armados. Eu acho que ele está fazendo isso para o seu precioso Helios-Ra, para parar a unidade de desonestos antes que causem danos graves e a reputação da liga, mas ainda assim, eu não poderia ajudar, mas sinto como se pudesse cuidar um pouco disso ou não sobreviveria até meu aniversário. — Você pode nos tirar daqui? — perguntou ele, uma vez que nós tínhamos terminado de comer nossas barras de chocolate. Ele tinha resolvido o problema da fome, mas me deu sede também. Minha garganta estava seca. — Ou será que nós temos que esperar até o sol se pôr. — È mais fácil esperarmos, mas acho que posso desligar o alarme — ergui uma sobrancelha, mas você terá que virar as costas.

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Ele virou-se lentamente. A visão da parte traseira era tão boa quanto o ponto de vista da frente. Eu praticamente poderia ouvir a Lucy na parte de trás da minha cabeça. Eu poderia ser a filha do vampiro, mas ela que era uma má influência. Nenhuma pergunta. Eu fiz certo, Kieran não estava espiando e minha mão digitou a senha. A luz vermelha passou para um vermelho vivo. Foi brilhante o suficiente para me causar um estrabismo, meus olhos lacrimejaram. — Merda. — Merda? O que você quer dizer com “Merda”? — Está tudo bem. — disse para o assegurar. — Eu apenas usei um código antigo. E o alarme enlouqueceu. — Você pode desligá-lo? — Claro. — eu parecia confiante para alguém que realmente não estava. Corri para lembrar os códigos. Havia uma rotação de no mínimo sete códigos, que foram alterados de forma aleatória e contínua. Eu tinha sido ensinada como uma criança aprende seu número de telefone. O segundo código não queria funcionar. Ou o terceiro. — Nós não vamos ser envenenados por gás ou algo assim? ― Kieran perguntou nervoso. — Claro que não. — parei. — Eu não acho. Eu bati o código seguinte, mas meus dedos estavam escorregadios e deslizou para fora o último número. Eu tentei de novo. A luz vermelha reluzia, em seguida, ficou verde. Meus ombros lançaram alguma tensão. — Viu? — eu disse calmamente. — Sem problemas — o portão destravou com um clique retumbante e eu o empurrei aberto. Kieran ficou em minhas costas. O cheiro de umidade intensificou e, em seguida, desapareceu, marcada pela luz do sol e de grama. O túnel nos levou a uma escada. Parei no degrau mais baixo. — Pronto? — Talvez você devesse deixar-me ir primeiro. — Esqueça isso. — subi para o próximo degrau. Sua mão fechada em volta do meu tornozelo. Eu olhei para ele. — Relaxa. Eu posso subir uma escada.

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— O que acontecerá quando chegarmos lá em cima, Solange? Nós corremos como o inferno até que estamos em casa sãos e salvos? É um plano básico, mas funciona para mim. — Talvez. Mas nós estamos chegando muito longe de onde desapareceu. E você está me dizendo que ia cair em torno de um dia inteiro, apenas no caso? — Eu gostaria de saber. — Bem, nós não podemos ficar aqui a noite toda. — depois de um momento de espera, meu tornozelo foi liberado. Eu ainda podia sentir a impressão da palma da mão quente na minha pele enquanto eu continuei a subir. O alçapão não abriu de imediato. Kieran teve de ficar entre mim e a parede, e nós dois empurramos até a porta se abrir. Uma lança de luz caiu sobre nós. Seus olhos eram da cor da terra, rico, tipo escuro que você acabou de conhecer a vontade de crescer as melhores flores, os melhores legumes. Ele estava muito perto, perto o suficiente para que eu pudesse ver os restos fracos de uma barba no queixo e no seu caminho patilhas que cresceram muito, raspadas numa linha reta, da forma como os homens em filmes como "Orgulho e Preconceito” sempre parecem as usar. Dava-lhe o ar de um pirata cavalheiro. As armas amarradas ao seu peito não doíam. Ele elevou-se acima, nunca quebrando o contato visual, mesmo quando ele se esgueirou por trás de mim e conseguiu ser o primeiro a sair do túnel, afinal. — Limpo. — ele chamou baixinho. Ele se abaixou para pegar meu braço e me puxou para cima e para fora, no chão da floresta. O sol filtrado suavemente entre as folhas, as sombras compridas e azuis sobre os fetos e agulhas de pinheiro caídas. Pássaros cantavam, alheios à nossa presença. Não havia pegadas no barro. Levantei-me, escovando as mãos no meu vestido. Kieran puxou uma bússola do bolso. — Não. — disse ele, apontando para através de um vale de samambaias e arbustos mais velhos. — Sua casa é por aqui. Noroeste. — Obrigado. — olhei em volta meio sem jeito, olhei para trás. — Eu acho que é isso, então? Ele franziu a testa. — O que você está falando? Eu não estou te deixando aqui sozinha. — engoli em seco e tentei sorrir. — Você tem seu material próprio para lidar com eles. Solange, seus olhos estão mudando de cor. — Então? O que isso tem a ver com alguma coisa?

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— Deixe-me colocar desta forma. — moveu-se tão rápido, fiquei impressionada apesar de mim mesma. Ele empurrou meu ombro. Eu tropecei, batendo em uma árvore de carvalho nas proximidades, em seguida, cai na lama. Meu ombro doeu. — Ouch! Que diabos foi isso? — Basta provar o meu ponto. — ele me disse sombriamente. — Você acha que eu não vejo como você está cansada? Como você está ficando mais fraca? Eu fiz uma careta, esfregando o meu braço. — Você me empurrou. — Mal lhe toquei. — ressaltou. — E você caiu. Eu garanto que com a unidade do Hellio-Ra será muito pior. Já para não falar da Senhora Natasha Bounty Hunters. Eu odiava que ele estava certo. — Estou te levando para casa. — olhou teimosamente. Eu tinha visto que a expressão particular de cada um dos irmãos, as minhas caras de uma vez ou outra. E não havia nenhuma maneira graciosa para mim, para transformá-lo para baixo. De jeito nenhum, lógico inteligente, também. Ele tinha armas. Eu não. Se alguém chegou para mim na floresta, a única coisa que eu podia fazer era bocejo para dormir. E esta era a menina de que Lady Natasha, a rainha dos vampiros, tinha medo. — Você vem? ― Kieran perguntou impaciente, mas com um meio sorriso, como se soubesse o que eu estava pensando. — Ok, mas se o ataque de vamps vier, eu quero que você fuja. — Claro que sim, logo após eu fazer piruetas em um tutu cor de rosa. — ele parou, esperou para me recuperar. — Vamos lá, já. — as madeiras estavam calmas e pacíficas, sob a vibração de insetos e coelhos escondidos e porcos. Alguns sapos na lagoa próxima, obscurecidos pelo laço verde de folhas de verão. Poderia ter sido romântico, se eu não estivesse convencida de que alguém estava esperando ao redor da curva para nos matar. Ele me inclinou um olhar pelo canto do olho. E outro. — O quê? — perguntei, sem virar a cabeça. — Você é estrábico. Faz seus olhos doerem? — Um pouco. Eu não tinha percebido bem como os músculos ao redor dos meus olhos estavam tensos até que ele mencionou isso. Meus olhos se sentiam mais sensíveis, com a luz do sol, ainda desbotada do jeito que era, foi atirar agulhas em meu rosto. Eu adorava sentar no

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sol com a Lucy. Fez-me um pouco triste de pensar que não seria capaz de fazer isso. Kieran entregou-me um par de óculos de sol. Seus dedos roçaram na minha pele. Ele realmente era uma espécie de doce de um agente do culto dedicado a exterminar a mim e minha família inteira. — Você vai ter dentes também? Eu quase parei meu caminho. Sua mão estava segurando a minha. — Acho que sim. — corri minha língua sobre os dentes. — Seu namorado está preocupado? — Eu não tenho um namorado. — eu disse com meu sorriso irônico. — É dificil trazer para casa para conhecer meus pais e meus irmãos. — Bom ponto — a palma de sua mão estava pressionada contra a minha. — Cuidado com o degrau. — nós rastejamos sobre as raízes expostas de uma árvore que deve ter caído na última tempestade. Não estava coberta de musgo, ou ainda aqueles babados cogumelos estranhos. Subimos para o vale, como o pôr do sol mais baixo por detrás do horizonte, deixando-nos ficar na espessura, das sombras frescas. O chão sob nossos pés era suave. Houve um sulco largo, como se algo tivesse escorregado para o chão do vale. Um pedaço de renda arrastou a partir de um galho quebrado no mato emaranhado. Meu coração gaguejou. Senti minhas mãos caírem, antes que eu pudesse formar uma frase coerente. Eu sabia de quem era o tipo de renda. — Não. — suspirei de pena como se fosse um negro esfarrapado rosa. — Não. — rasguei pela encosta abaixo, escorregando na lama, esfolando minhas canelas e as palmas das mãos. Ele atirou-se à minha passagem. Arranhava meus braços nus. — Solange! — Kieran chamava, correndo para alcançar-me. — Espere. Aonde você vai? — escorreguei e Ca-i poucos metros atrás. — Cuidado! — ele gritou atrás de mim. Eu mal sentia qualquer dor, eu estava tão focada em seguir a escala do corpo em raspar as folhas apodrecidas e agulhas de pinheiro. — Oh meu Deus. — disse eu, vendo um rufar de rendas e fitas. Eu conheço as saias pretas em qualquer lugar, o espartilho de seda e pérolas do jato. Tia Hyacinth — eu chamei, rastejando perto, arrancando fetos fora do meu caminho. — Tia Hyacinth, aguente, aguente. — ela estava deitada de costas, seu braço jogado sobre o rosto. Seu braço do cotovelo ao pulso e todo o lado esquerdo de seu rosto estavam empolados e crus. Apenas a idade dela e as sombras espessas do vale a tinham salvo do impacto total

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do sol. Mesmo assim, ela não estava se movendo, não estava a respondendo de todo. Eu pairava sobre ela, não queria tocá-la no caso de lhe causar mais dor. — É ela... — a pergunta de Kieran sumiu quando ele veio atrás de mim, ofegante. — Eu acho que ela ainda está viva, por assim dizer. — eu disse, engolindo o caroço de medo e tristeza se formando em minha garganta. — Ela é minha tia. — eu praticamente podia ver osso sob a ruína do seu rosto. A luz solar sozinha não teria feito esse tipo de dano. — Água benta. — eu disse pelos meus dentes. Água benta, era o que chamamos de água Helios-Ra, que eles usavam como uma arma. Usam-na com raios UV e vitamina D porque erámos mortalmente alérgicos a ela de tal forma concentrada. — Alguém jogou água benta sobre ela e, em seguida, empurrou-a para baixo pelo morro. A Hellios-Ra usa água benta, não é? — pressionei. — Solange. — disse ele baixinho, com firmeza. — Eles usam ou não? — gritei. Ele balançou a cabeça uma vez, irregular. — Às vezes. — Ainda assim se o campeonato é totalmente inocente em tudo? Olhe para ela! — Eu sinto muito. Eu sei como é perder a família. Meu pai foi morto pelos vampiros, lembra? — Eu não a perdi ainda. — disse sombriamente, puxando a corrente grossa debaixo de meu vestido. O líquido dentro era profundo, escuro. — O que é isso? — Kieran exigiu. — Sangue. — eu disse, não desviando o olhar da tia Hyacinth. Eu nunca tinha visto a sua aparência tão frágil, tão quieta. Não era justo. Ela havia sido caçada por mim, por causa do maldito prémio da minha cabeça. Ela teria estado segura a beber chá Earl Grey em casa ou criticando a reverência com Lucy se não era para mim. — Sangue antigo. — expliquei. — De Veronique Dubois, nossa matriarca. Ele tem propriedades curativas para qualquer pessoa da sua linhagem. Eu dar-lhe-ia o meu sangue, mas não serviria agora por causa da mudança. — não mencionei que o meu frasco continha apenas uma única dose, destinado a dar-me uma vantagem, mesmo que alguém estava lá para ajudar a transformar-me no minha aniversário. E ninguém estaria. E eu a ver com isso. Mas primeiro eu tinha que salvar a tia Hyacinth. Eu usei a minha unha do polegar para levantar a tampa, na dobradiça ligeira de gola.

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— Calma tia Hyacinth. — implorei. — Por favor, aguente. Por favor, por favor, aguente. — segurei o frasco à boca e o derrubei lentamente. O sangue jorrou sobre os lábios, preenchendo o vinco até que escorria por entre os dentes e abaixo do queixo. Ela estava tão pálida, quase azul enquanto suas veias se esforçavam para aceitar a única substância que pode salvá-la. Sua garganta se movia lentamente, espasmódica. — Ela engoliu. — eu quase chorei de alívio. Segurei o frasco na boca até que ela não conseguia engolir mais. Ela ainda não abriu os olhos, não falou. Mas ela parecia menos como se estivesse prestes a virar pó. — É tudo que eu posso fazer. — disse, deixando a cadeia em queda nos meus dedos. — Ela precisa de mais, mas esta fraca demais para terminar o resto agora. Vou deixar o frasco com ela para que alguém possa usá-lo para mantê-la viva, se se for encontrá-la em breve o suficiente para reavivá-la. Eu vasculhei seu retículo até que eu encontrei seu telefone celular. Ele virou fora quando ela tinha caído e o plástico estava rachado, a tela azul piscando quando eu finalmente consegui ligá-lo. Liguei o código para ativar o chip GPS. Nós não estávamos muito longe da fazenda. Alguém poderia a encontrar a tempo. Mas eu não podia deixá-los me encontrar. Meus irmãos tinham quase sido capturados e minha tia ficou ferida, tudo por causa de mim. Eu não poderia suportar se ela morresse ou meus pais fossem mortos lutando para me salvar. Lucy e pularia em cima da cabeça, se ela pensou que iria me salvar. Mesmo Kieran foi se colocar em perigo por mim e indo contra a sua formação. Eu não poderia deixar nenhum deles se sacrificar por mim. Eu simplesmente não conseguia. Todos queriam me salvar, mas eu só queria salvá-los. E só havia uma maneira de fazer isso. Eu sempre soube disso, mas eu esperava que eu estivesse errada. Ajoelhada na floresta com o corpo queimado da minha tia me convenceu que eu estava certa o tempo todo. Eu retirei o meu próprio telefone e não o liguei, apenas o coloquei suavemente no chão. E então bati nele repetidamente com uma pedra até que o caso se abriu e os interiores estavam amassados além do reparo. Eu olhei para Kieran, sabia que meu rosto tinha sido difícil pela forma como ele olhou para mim.

— Preciso de sua ajuda.

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Vinte
(Lucy)

Domingo de manhã.
Enquanto Logan limpava, levei os cachorros para fora novamente. Os jardins foram diferentes durante a noite. Grilos cantavam alegremente nos campos vizinhos da floresta. A lua estava amarela e pendurada entre farrapos de nuvens, como rendas. Nicholas estava de plantão na porta de trás e amarrado na escuridão. Seus olhos brilhavam. — Depressa. — disse ele. Eu não posso fazer xixi mais rápido. Ele não olhou para mim, virando bruscamente quando algo se mexeu nos arbustos. — Você sabe como ser discreta. Tudo que você precisa é um terno preto e sapatos brilhantes. Eu só estou sendo cuidadoso. — Bruno está lá fora e nós estamos apenas a três metros da porta. Além disso, ninguém está atrás de mim. — Disse a menina com uma fileira de estacas de madeira preso ao peito. ― fez uma pausa. — E esses são aqueles strass rosa? — São. — eu disse com orgulho. — Quem disse que você não pode vencer no estilo? E ver isso? — apontei para a fogueira ao lado do que eu decorei com strass rosa. Ele tinha uma caveira e ossos cruzados desenhada sobre ela com marcador preto. — O tema do pirata. — ele apenas balançou a cabeça para mim. Dei de ombros e puxei a coleira de Mrs. Brown, quando ela retorceu a sua extremidade dianteira inteira em uma roseira. — Saia daí. — disse a ela. — Antes que você tenha espinho até seu nariz. Tomou outro rebocador para convencê-la que eu estava falando sério. Ela andou para trás, coberta de pétalas de rosa. A luz da janela de Hope acima de nós fez um quadrado amarelo na grama nos meus pés. Ele pegou algo pendurado no parapeito

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debaixo da latada. Teve de esticar-se na ponta dos pés para alcançá-lo. Era um sol de bronze de grandes dimensões com raios irregulares numa tira de couro. Eu arranquei-o, perguntando se Hope tinha perdido quando ela se tinha pendurado para fora da janela, tentando me convencer a desistir da vida sórdida de uma escrava de sangue. — Vamos lá. — disse Nicholas, abrindo a porta para deixar os grandes cães ir para dentro. Mrs. Brown beliscou nos seus calcanhares, sorrindo no seu sorriso canino, quando saltou para fugir dela. Nicholas conduziu-me para a segurança do conservatório, a mão nas minhas costas. Eu podia sentir a frieza do seu toque com minha camisa. Estava escuro aqui também, cheio de lírios e laranjeiras e raras orquídeas vermelhas. Uma traça vibrou no teto de vidro, como se a lua fosse uma vela acesa sobre nossas cabeças. Nicholas não disse nada, e ele não se afastou, também. Ao contrário, ele baixou a cabeça, com a boca debaixo da minha orelha e depois à direita para baixo ao lado do meu pescoço. Minha cabeça pendeu para trás. Parte de mim esperava a raspagem dos dentes, mas não, foram só os lábios e sua língua. Eu era a única que fez pouco e pouco cuidado na sua orelha. Sua mão puxou-me mais contra ele. Foi uma luta para me lembrar por que não tinha conseguido ao longo de todos estes anos. Eu não conseguia pensar em uma única coisa sobre a briga. Eu não podia pensar em tudo, na verdade. Eu estava com calor e calafrios. Se eu fechar os olhos, eu poderia acreditar que estávamos em algum lugar exótico, na floresta ou um jardim secreto na Índia. Eu tinha apenas os braços em volta do pescoço de Nicholas quando as luzes piscaram, fora então. Nós congelamos. — Alarme. — sussurrou Nicholas. — Alguém abriu a porta do túnel no porão. — corremos no corredor, assim como Logan desceu correndo as escadas, o cabelo ainda molhado, a camisa meia abotoada. Havia uma sombra na porta de entrada para as etapas que conduzem as escadas. Quando ele avançou, vimos London, seus dentes para fora como de costume. Seus cabelos, normalmente tão estritamente alisado, era uma bagunça escura de picos de petróleo. — Você! — gritei e lançei-me para ela. Meu temperamento estourou como uma torta deixada muito tempo no forno. Os braços de Nicholas apertavam em volta do meu estômago, me segurando. Eu me sentia como um personagem de desenho animado, socos e chutes no ar e maldições. London só ficou lá, pálida e quieta. Isso em vez de me acalmar mais, Nicholas lutou para conter-me. Eu nunca tinha visto London quando ela não estava zombando de mim ou de tiro a boca fora. Ela não parecia humildemente arrependida. Isso me assustou tanto quanto, senão mais, com tudo o que tinha acontecido até agora.

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— Estou bem. — murmurei assim Nicholas me deixaria ir. Eu empurrei o meu cabelo dos meus olhos. — Onde diabos você esteve? — Logan exigiu, avançando em London com o tipo de fúria que eu nunca pensei ver em seu rosto bonito. — Pensamos que estivesse morta. Ou havia nos traído para a direita nas mãos da cadela. — Eu não sabia. — ela disse baixinho, miseravelmente. — Eu te juro, eu não sabia. — ela ergueu o queixo, o endurecimento de expressão para que ela parecesse um pouco mais como ela. — Onde está todo mundo? — Tentando encontrar Solange. ― Logan disse a ela. — Que se entregou para salvar a todos nós. — Eu não sabia que Natasha iria definir o prémio. Servi-a, durante anos, a amava como uma mãe. Como eu ia saber? Ou não se lembra de que ela estava lá para mim quando os Drakes não estavam? — eu não tinha ouvido falar desse defeito específico na árvore de família Drake. Eu só assumi que London sempre foi de mau humor o tempo todo, porque era a sua composição biológica. — Ela me pediu para trazer Solange a ela, para pôr fim à qualquer rumor que possa iniciar uma guerra civil. E ela pensa que Montmartre vai levá-la de volta quando não há nenhuma ameaça à sua coroa. — Porra, London. ― resmungou Nicholas. — Pensei que estava ajudando. E eu estou ao seu serviço, para a corte real. — London girou em cima dele. — O que eu deveria fazer? — Não é a mão da sua própria prima sobre a cadela, para começar. — Nicholas retrucou. Os olhos de London se estreitaram. Achei que ela ia lançar-se em um discurso vicioso, mas ao invés disso, ela deu três passos em direção a mim tão rápido que esbarrei na parede atrás de mim, tentando fugir dela. Se eu não fosse imune a seus feromônios, eu poderia ter desmaiado no ataque. Como era, fez vagamente uma tontura. Nicholas pisou na minha frente. — Pare com isso, London. — Onde você conseguiu isso? ― ela exigiu. Ela agarrou o sol bronze pendurado na alça de fecho entre os meus seios. Seu aperto era tão difícil, o bronze prejudicava. Eu estava preso entre ela, Nicholas, e a parede.

— Eu encontrei-o. Saia de cima mim.

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— Você sabe o que é isso? — Não. Eu encontrei-o sob a janela da Hope. — seus olhos pálidos ficaram rosa nas bordas. Eu nunca tinha visto isso antes. Eu me inclinei para fugir dela, mesmo que não houvesse lugar para ir. — Hope? A Hope está aqui? — ela girou, olhou para Logan. — Onde está ela? Onde está a cadela Helios? Ela é uma refém honrosa. Ela não se machuca, Solange não se machuca. ― Logan bloqueou a escada. ― Ela é uma traidora. ― ela disse tão silenciosamente que eu quase não ouvi-la. Eu ouvi os dentes moendo juntos, porém. — O que vocês estão falando? — Logan exigiu. — Voltei para a Corte depois que eu deixei você. Eu ainda tenho amigos lá, apesar do prémio, amigos que ajudarão os Drakes, se chegar a esse ponto. A esperança é Helios de dupla travessia. Ela tem sua própria unidade, conspirando secretamente com Lady Natasha. Se Lady Hope ajuda Natasha a se livrar de Solange e qualquer ameaça ao seu trono Drake, Lady Natasha, em contrapartida, ajuda a Hope a ganhar controle sobre a Helios-Ra, recusando o tratado com ninguém, mas ela. — Lady Natasha nunca teria tratados com seres humanos. — Logan disse calmamente. — Ela sempre se recusou. — Exatamente. Seria uma grande cartada para Helios. E Lady Natasha recebe seu próprio exército humano, pronto para acabar com qualquer vampiro que não a sirva. — Bem, isso é apenas enlouquecidamente grande. — Logan sacudiu a mão pelo cabelo. Ele bloqueou London quando tentava dardear em torno dele. — Você não pode matá-la. — insistiu. — A segurança de Solange só depende dela. Foi uma troca justa no momento. — Eu não estou preocupada com o direito de Solange agora. — London agarrou o disco solar a partir da alça, puxando-me para a frente com o impulso repentino. — Hey! — ropecei e depois me endireitei. — Ai, caramba. — Você sabe o que é isso? — London gritou em nós, segurando o sol. — Você tem alguma idéia? — ela jogou-o no chão e cuspiu nele. — Esta situação exige a unidade de Hope para ela. Eles sabiam que ela estava aqui, eles o sabiam o tempo todo.

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― Ela ofereceu-se. — eu sussurrei, olhando para Nicholas. — Lembra-se? Hart disse que ele ficaria, mas Hope insistiu. — É uma declaração de guerra. — London continuou. — Isso significa que eles estão no seu caminho aqui e agora, para libertá-la e matar alguém no seu caminho. Temos que sair daqui. Nós não podemos apenas a mão do composto sobre a casa da fazenda, mesmo dizendo que eles podem obter passando Bruno e sua tripulação.. — disse Logan. — Mas alguém tem que avisar os outros — argumentou Nicholas. — Chame-os. ― disse London. — Mas faça-o rápido. Temos que sair daqui. — E eu aposto qualquer coisa ou a mãe ou o pai ou ambos estão no seu caminho para a corte agora. Você sabe, o pai vai tentar falar sua maneira fora da graça. Ele estará andando para deixar em suas mãos. Logan puxou o telefone do bolso. — Vamos pelo menos avisar Bruno. — ligou, esperou, com a boca tensa. Seus dentes pareciam mais longos, mais nítidos. Ele desligou depois de um momento de calma, recortada conversa. — Boas notícias e más notícias. — começou a subir as escadas, levando-os dois de uma vez. Quando o resto seguiu, eu tinha que pegar a parte de trás da camisa Nicholas para acompanhar. — Encontraram a tia Hyacinth. Bruno está indo buscá-la. — Então, nós estamos por nossa conta. ― disse London sombria. — Além dos guardas. Que barulho é esse? — Nicholas franziu a testa como se apressou pelo corredor. Boudicca latiu alto, arranhando a porta da Hope. Demorou a Logan apenas um chute a arrombar a porta. O som foi o giro das pás do helicóptero. E Hope estava lançando-se para fora da janela, em direção a corda. As árvores dobradas, com folhas chicotadas no quarto pela força do vento. O som do motor sacudiu as paredes. A pintura do muro caiu, quebrando o vidro. Três vampiros e um grande cão pularam em Hope e nenhum deles chegou a tempo. Ela balançou fora do alcance, o seu rabo de cavalo loiro e sandálias de tiras incongruentes contra o helicóptero, e os agentes armados e a puxaram para dentro. Flechas choveram pela janela quando ela estava em segurança fora do caminho. Uma flecha veio bater com estrondo na cama, três no chão, outra perdeu a orelha do Logan só porque London empurrou por trás da cômoda. Pulei para Boudicca, para pegar sua coleira. Eu puxei-a para trás da porta, Nicholas nos empurrando tanto, quando nós não estávamos indo rápido o suficiente para seu gosto. Ele amaldiçoou o tempo todo.

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— É louca, deixa o cão. — Cale a boca, ela é um membro dessa família, também! — E ela sabe como sair do caminho. — Na sua família você bebe sangue. Na minha cuidamos dos animais. — Boudicca estava rosnando, forçando contra o meu punho, tentando voltar para a janela. ― E vocês dois são feitos um para o outro gritando. — Logan disse secamente. — Eles se foram. — Mas os outros estão vindo. — disse London. — Tripulação de terra. — acrescentou ela, quando apenas olhamos para ela. — Você realmente acha que vão deixar esta oportunidade passar por eles? Eles sabem que metade da família está espalhada, procurando Solange ou Hyacinth. — Bem, merda. — Exatamente. — Eu vou. — declarou Logan. — Você não pode. — eu disse, perseguindo-o pelas escadas. — Eu posso muito bem. ― ele acenou para Nicholas. — Deixe-a no cofre do quarto e a tranca dentro. — Morda-me, Logan. — atirei para trás, quente. — Você não pode simplesmente ir barganhar na Corte, seu idiota. Você é um Drake, e cada Caçador de recompensas no país está fora atrás de seu sangue. — Então? Não podemos simplesmente deixar que o resto deles vá no escuro. — Eu sei que eu estou sugerindo que você fique aqui com London e defenda a fazenda. — E você? ― Nicholas perguntou, desconfiado. — O que exatamente você acha que estará fazendo? — Hope estava tão entusiasmada por me ter juntado com a Helios-Ra. ― disse eu, agachada para pegar o pingente amolgado da Hope. — Então, por que não eu?

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Vinte e Um
(Solange)

Domingo à noite, mais tarde.
— Você parece horrível. ― disse Kieran. Eu teria olhado para ele, mas toda a minha concentração estava apenas em arrastar um pé na frente do outro. — Pare de dizer isso. — murmurei. Esperava que eu não estivesse gaguejando minhas palavras. Mesmo que minha língua estivesse cansada. A noite ajudou, meu metabolismo era mais forte quando o sol estava baixo. Vamos embora de manhã, eu sabia que ia passar direto para fora. Desmaiar não me preocupava tanto, mais sim saber se iria acordar novamente. Era quase meu aniversário. Nenhuma festa, obviamente, nenhuma prata embrulhada de presente ou bolo para mim, apenas pudim de sangue. Engasgo. Eu não poderia ajudar, mas me lembrei das lutas dos meus irmãos desesperados para sobreviver às suas mudanças de sangue. Eles haviam enfraquecido tão rápido, era quase como se estivessem em coma. Não durou muito tempo, mas atingiu duro e pesado. Apenas o elixir do sangue de Veronique iria me dar uma vantagem de combate. Um elixir que eu não tinha mais. Não posso mais pensar nisso. Ele não me faria qualquer bem e, mesmo assim, se eu tivesse que fazer tudo de novo, eu faria. Tropecei em uma raiz de árvore, peguei um ramo de carvalho, e quase arranco meu próprio olho para fora. Kieran pegou meu cotovelo. Eu tive que piscar rapidamente assim, havia apenas um dele, e não dois borrões dançando uns com os outros. — Você está ficando pior.

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— Se você me disser que pareço horrível de novo, eu vou chutar sua canela. — bocejei, balançando levemente. Amanhã. — Só tente não adormecer antes de bater no chão. Está mais difícil para você pegar esse caminho. Eu sabia que ele estava tentando soar confiante, mas eu podia sentir o cheiro da preocupação dele. Eu poderia realmente sentir o cheiro, como amêndoas queimadas. Estranho. Cheirei mais forte. Ele ergueu as sobrancelhas para mim. — Você está me cheirando? Eu sorri timidamente. — Sim, me desculpe. — esfreguei meu nariz. —Você está preocupado comigo. Cheira a amêndoas. — Sério? — Yeah. Estranho, né? — cheirei mais uma vez, franzi a testa. ― E sinto o cheiro de água parada, lama ou alguma coisa. — Eu cheiro como uma lagoa velha? Eu balancei minha cabeça lentamente enquanto minha sinapse52 esgotada finalmente disparou em linha reta. O treinamento da minha mãe me inundou, histórias que meus irmãos ouviram a partir da privacidade da escada que leva ao sótão. — Não é você. ― eu disse de repente. Hel-Blar. — Kieran congelou, mas apenas momentaneamente. — Aqui? Agora? Eu tentei fazer meus pés se moverem mais rapidamente. Ele pegou minha mão e me arrastou. Hel-Blar não deviam ser brincadeira. Fracamente azul, cheira a podridão, com os olhos avermelhados e um apetite insaciável por sangue. Animais ou humanos, querendo ou não. E silenciosos como morcegos. Ainda assim, minha audição deve estar ficando mais afiada até quando estou enfraquecida, porque podia ouvi-los escondidos entre as árvores, atrás de nós, à nossa volta como uma matilha de cães raivosos.

52

Area de encontro da célula nervosa.

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— Eles estão vindo. — sussurrei. — E eu não posso correr mais que eles assim. Kieran acenou sombriamente, balançando uma arma de aparência estranha, fora de seu cinto de segurança. — Água benta. — explicou. — Vou ter a certeza de estar fora da trajetória das balas desta vez. Fique atrás de mim. — disse ele desnecessáriamente. Eu já estava atrás dele, usando uma árvore para me sustentar em pé, um buquê de estacas afiadas na minha mão. O cheiro da decomposição da vegetação e cogumelos foi avassalador para minhas narinas sensíveis de repente. Engasguei. — Eles estão aqui. Só a sua velocidade era assustadora, junto com o brilho animal em seus olhos. Eles praticamente flutuaram, pálidos como espectros, magros a ponto de serem esqueléticos. Seus dentes eram afiados e pontudos, mas era assim em todos os dentes da cabeça deles. Um deles lambeu os lábios em mim. — Apenas experimentando, princesa. — ele demorou. — Você pode gostar. O que diz? Eu coloco rapidamente uma estaca no seu peito e ele explode em pó cor de liquens. Todos os vampiros desintegram-se em cinzas. Se eu morresse durante a mudança de sangue, eu viraria cinza também, mas isso poderia levar algumas horas. Tio Geoffrey alegou que era um mecanismo darwiniano de segurança, para ter certeza de que nunca seriam descobertos como uma espécie, mesmo depois de morrermos. Esse era o momento errado para pensar sobre isso. Os outros assobiaram e rosnaram e todos os pêlos dos meus braços se arrepiaram. Kieran disparou sua arma. Luzes estouram como brasas girando pelo ar, como um truque de carnaval. Outro perfume se juntou a podridão úmida: carne chamuscada, cabelo queimado. — Há muitos deles. — Kieran resmungou. Eu apenas resmunguei e joguei a estaca em outro. Ele errou seu alvo e arremessou de volta para nós tão rapidamente que segurou a bainha do meu vestido ao tronco. Cascas voaram em pedaços, cravando em minhas pernas. Eu xinguei e arranquei me livrando delas. — Muito próximo. — murmurei, cansada o suficiente para não me importar se cairia ou fosse comida.

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— Fique comigo. — Kieran me agarrou, atirando novamente. O Hel-Blar voou como uma boneca de pano e colidiu contra um dos seus amigos. Eu já estava de joelhos. Esse pedaço de samambaias grosso parecia tão convidativo. Kieran me rebocou com um braço e continuou a disparar com o outro. — Você deveria fugir. ― resmunguei com um bocejo. ― Você prometeu. — O inferno que prometi. ― ele me empurrou para trás de um olmo53 enorme. ― Temos que sair daqui. Há alguma de suas portas secretas por aqui? O luar era quase tão brilhante como a luz solar, queimando minhas pupilas. Todo o resto estava borrado. Eu apertei meus olhos, tentei decifrar a forma das árvores em torno de nós, os vales, a localização do rio. — Lá? ― sugeri hesitante. ― Do outro lado do vale. Talvez. Ele continuou atirando, para nos dar alguma cobertura, e me concentrei em não passar para fora. Essas pedras irregulares pareciam tão confortáveis como as samambaias. Basta um pequeno cochilo. — Não se atreva. ― Kieran disse bruscamente. ― Você não pode dormir ainda. — Mas estou tão cansada. — Continue se movendo. — Espere. As rochas… — esfreguei os olhos. — Há uma porta atrás das pedras. — Bom começo... Ooof. — um pequeno punhal atingiu seu braço, cortando o couro grosso e pele. O sangue jorrou vermelho como framboesas. Ele rangeu os dentes. — Simplesmente um corte. Continue se movendo. Eu tinha que rastejar através do mato, sentindo o tato através das folhas mortas. O ferro estava fresco em meus dedos, a ferrugem áspera contra a palma da mão. — Entendi. Kieran chutou um Hel-Blar que estava muito perto para o conforto. Ele chuta de novo, troca sua arma por pequenos frascos coloridos. O primeiro caiu no chão e quebrou,

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Árvore da família das ulmáceas, atinge de 20 a 30 m, madeira sólida e flexível, muito utilizada em carpintaria e serraria.

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liberando uma cruz entre a névoa e o pó. Era delicada como renda, pairando no ar. Sentime engraçada, hipnotizada pela maneira que se ela agarrava às folhas e ao He-Blar. Hypnos. — Parem. — Kieran comandou com seriedade. Os Hel-Blar pararam confusos. Eles sibilaram freneticamente, mas não se mexeram. Eu não quero mover. — Vocês. — disse ele aos vampiros lutando contra correntes invisíveis. — Vocês vão dar o fora daqui e não vão mais voltar. Vocês vão continuar andando até que saiam do país. E se vocês tentarem beber uma única gota de qualquer ser humano, vocês vão andar em linha reta no próximo nascer do sol. — um uivo, um gemido. — Vão. Embaralharam-se para longe. Fiquei onde estava incapaz de me mover. Kieran agachado ao meu lado, seu expressão pesarosa, mas determinada. — Sinto muito. ― disse ele. — Kier... — Shhh. ― ele me interrompeu. ― Não diga nada. — p pó Hypnos trabalhando em mim, fazendo minhas pernas pesadas, a minha voz fraquejando. — Eu tenho que fazer isso, Solange. — ele murmurou. Ele roçou um beijo na minha testa, suave como asas de uma mariposa. Raiva e medo queimando através de mim, a traição era um incêndio que podia queimar todo o chão da floresta. Quando sugeri a ele me trair, não pensei que ele faria, literalmente. Eu tinha sido uma idiota por confiar nele. E agora já era tarde demais.

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Vinte e Dois
(Lucy)

Domingo à noite, mais tarde ainda.
— Eu não sei como deixei você me dizer isto, — Nicholas murmurou e descemos para o corredor. — É uma má idéia. — É brilhante. — insisti com mais certeza do que realmente sentia. O corredor estava úmido, frio, restringido e dificílmente nos dava uma vantagem em uma luta. Mas a outra alternativa era o bosque, que fervilhavam com agentes renegados Helios. Às vezes, minha vida era estranha. Nicholas ficou perto, com o braço esticado para trás de modo que sua mão apertava a minha. Eu experimentei puxá-la. Ele puxou de volta. — Não consigo sentir meus dedos. — reclamei. Ele relaxou seu aperto, muito pouco. Seus olhos capturaram o brilho das luzes de tochas, refletindo como olhos poderosos de lobo. Ele não era o Nicholas com quem eu discutia quando era pequena, ele não era o mesmo Nicholas que tinha me beijado sem sentido ontem, era completamente outro Nicholas. O caçador tinha subido à superfície. Eu provavelmente deveria me preocupar com o fato de que eu estava prestes a entrar em uma corte de vampiros em vez de olhar para sua bunda. Olhar para a sua bunda me fez sentir com hiperventilação. — Respire. ― Nicholas murmurou, soando meio-tenso, meio-confortável. ― Seu coração não pode bater assim. Limpei minha mão na calça, esperando que a palma que ele estava segurando não estivesse tão suada. Eu tinha colocado um par de calças cargos de Solange, admitindo que parecia mais algo que um agente secreto usasse do que o minhas saias de veludo e lenços frisados. Tinha argila em todo o pé esquerdo. Isso me fez sentir vontade de chorar por

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algum motivo. Eu estava tentando tão esforçadamente não imaginar as centenas de coisas horríveis que poderiam ter acontecido com minha melhor amiga. Ela tinha que estar segura. Absolutamente nada mais era aceitável. O polegar de Nicholas fez pequenos círculos suaves sobre meus dedos. Eu soltei minha respiração reprimida. Meus olhos pararam de arder. Nós podemos fazer isso. Mas, tínhamos, era simples. — Estou bem. ― sussurrei. — Eu... — ele cortou a fala, apertou minha mão uma vez, forte. Meu coração parou, e depois saltou acelerado. Eu não conseguia ouvir nada além do sangue correndo em meus ouvidos e as gotas de água, ainda assim estava me esforçando para ouvir tudo possível. Ele franziu o nariz uma vez. Eu me tencionei toda, até minhas pálpebras eu senti apertando. Ele levantou três dedos. Como ele não falava, nem mesmo um sussurro, eu assumi que eram vampiros. Os passos de repente ficaram audíveis e eles estavam extremamente próximos. Estendi a mão para uma das minhas estacas, de repente me perguntando se eu seria realmente capaz de cravar no peito de alguém. Em teoria funcionava bem, como uma tentativa real de enfiar um pedaço de madeira branca atravessando a carne, ossos e coração, eu não tinha tanta certeza. Em todo caso, eu não tinha tempo para analisar minhas opções. Nicholas me empurrou contra a parede úmida. Sua mão puxou meu cabelo até minha cabeça e expôs meu pescoço. Ele arrancou o camafeu 54 Drake que eu tinha esquecido de tirar. Seus olhos encontraram os meus, os seus lábios levantando lentamente sobre os dentes. Seus caninos eram afiados, longos e brilhantes como pérolas. Eu não era tão imune aos seus feromônios como tinha assumido. Eu estava hipnotizada, e ele se apertou ainda mais em mim. E então nós não estávamos sozinhos. Eu poderia dizer que ele sabia que o momento em que do salão expeliu três vampiros, mas ele não se voltou, congelou ou se afastou. Ele só arrastou a boca sobre o arco do meu pescoço nu eu tremi. Minha besta foi atirada para trás, pendurando atrás de mim. — Hey. ― um deles riu. Nicholas se manteve de costas para eles, arriscado, mas não tão arriscado como ser reconhecido como um dos irmãos Drake. Seus dentes rasparam minha garganta. Estremeci de novo.

54

Um camafeu é uma pedra fina cinzelada de modo a formar uma figura em relevo (em oposição a entalhe) e que comporta ou não camadas superpostas de cores diferentes. No caso o brasão dos Drake.

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— Ocupado. ― ele falou lentamente para eles. ― Arranje o seu próprio. — Não há tempo para tomar uma bebida. ― respondeu um deles. ― Estamos caçando os Drakes. Viu algum? Nicholas deu de ombros. — Na fazenda, geralmente. Segunda porta virando a curva irá sair para a floresta. — disse imediatamente ansioso, à espera de armas dos agentes do Hope. — Obrigado. Ele apenas resmungou, mordiscando minha orelha. Meu cabelo caiu sobre seu rosto, vendando suas feições. Ficamos assim até que ele não pudesse mais ouvir os passos se afastando. Ele se empurrou longe de mim, como se fosse à coisa mais difícil que já tinha feito. Sua mandíbula estava firmemente cerrada e os músculos do seu rosto saltavam. — Essa foi por pouco. — ele rangeu os dentes. Balancei a cabeça, tentando recuperar o fôlego. Graças a Deus eles estavam com muita pressa. — Não foi isso que eu quis dizer. — ele sussurrou. — Oh. — fiquei onde estava, mesmo quando ele se encostou à parede oposta, passando a mão violentamente pelos cabelos. — Você está bem? — Vamos acabar com isso. — ele rosnou. — Como é que vamos encontrar os seus pais? — perguntei quando começamos a correr pelo corredor. — Se eles não estiverem na corte, devem estar fora do bosque. Portanto... ― ele empurrou uma grade aberta no teto e juntou suas mãos fazendo um apoio para que eu pudesse subir. Eu saltei, ele me jogou, e cai na terra meio de pernas para o ar. Eu me afastei fora do caminho. Ele disparou do chão, aterrissando graciosamente agachado. Tirou seu cabelo do rosto. — Vamos lá. O vento era quente, fazendo o seu caminho entre as folhas, mas não havia outros sons, nem um único cantar de grilos ou um coelho correndo para a segurança. Eu andei tomando tanto cuidado quanto podia, tentando não quebrar nenhum galho para dar a nossa localização. A montanha se agachou sobre nós, sólida e cheia de segredos. Eu

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costumava me preocupar com o sofrimento da vida selvagem, e não com a rainha dos vampiros. Corremos por algum tempo, até que eu tive que parar ofegante e descansar contra um olmo. Meus pulmões queimando e meu cabelo encharcado de suor. Apertei a mão no meu peito. — Só um minuto. ― eu disse ofegante. ― Só um minuto. Nicholas olhou ao redor, narinas abertas. — Nada. ― disse ele, seus punhos cerrados. ― Eu não posso cheirá-los em nenhum lugar, é tudo Lady Natasha e seu maldito Araksaka. — ele bateu em um galho pendurado baixo. — Solange não tem tempo sobrando. — Eu sei. ― eu disse calmamente. ― Mas ela é mais forte do que você pensa. — Não durante a mudança de sangue. Ela vai estar doente. — Mesmo assim. ― insisti teimosamente. ― Você não a conhece como eu. — Lucy. — pareceu abatido. — Escute, você tem que enfrentar... — Não. ― eu interrompi bravamente. ― Escuta você. Vamos encontrá-la. Vamos salvá-la. Ponto. Ok? ― pisquei para conter as lágrimas, lutando com uma bolha de histeria na minha garganta. — Tudo bem? Ele chegou mais perto, e eu tive que enxugar os olhos para que ele não estivesse embaçado. — Shh... — tocou meu rosto muito suavemente. — Ok, Lucy. Ok. Empurrei-me longe da árvore, embora ainda sentisse minhas pernas como geléia. Então nós continuamos procurando. Ele me olhou por um longo momento e depois assentiu. Se mamãe planejou atacar a corte, ela vai fazer através da entrada lateral lá. Ninguém a usa mais. Se não estiver lá, nós vamos deixar um recado para eles. Eu armei minha besta. Ele estremeceu. — Cuidado com essa coisa. — Yeah, yeah. Subimos no meio do mato, usando as raízes das árvores como apoio, o cascalho espalhado fazia barulho não importa o quão cuidadosa eu pisasse. A entrada estava

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bloqueada com pedras. Eles não estavam lá. Nicholas não perdeu a paciência de novo, apenas se agachou e fez marcas na pedra com a borda de uma pedra britada. Não tinha marcas lá, esperando por ele para decifrar. Seus pais não tinham ido por aquele caminho, afinal. — E se esse fosse o único plano do seu pai? — Então, ele já estaria lá, falando de tratados. — Eles ainda podem estar à procura de Solange, podem ter encontrado ela e a levaram para casa. — Talvez. — Então o que fazemos agora? — Plano B. Olhei para ele, e meu pescoço se arrepiou. — Plano B? Ele assentiu com seriedade. — Guarda Real, vindo do oeste. — Merda. Eu tateava o conjunto de algemas é que tinha encontrado na sala de armas. Tínhamos a certeza de abrir os elos na cadeia para nossa segurança caso o plano desse errado, eles já tinham. Ele estendeu os pulsos e eu agarrei e prendi. Eu, pelo menos, tinha mantido todas as minhas armas, embora ele me fizesse esconder minha estaca de strass rosa. Eu adicionei uma bravata a minha caminhada. Eu estava certa de que todos os agentes Helios-Ra aprenderam a ser arrogantes, juntamente com a forma de afiar suas armas e a forma adequada de aplicar água benta. — Por que você está mancando desse jeito? ― Nicholas exigiu. — Eu sou arrogante. ― informei a ele. — Parece que você está usando uma fralda. Encantador. E eu tinha uma paixão por esse cara. Espera. Eu tinha uma paixão por esse cara? — E agora? — perguntou ele. — Você está fazendo caras estranhas.

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— Nada. ― eu disse rapidamente. ― Não se preocupe. ― uma crise de cada vez. Falando de uma crise. Dois dos Araksaka de Natasha vieram para nós, rápidos como vespas. A insígnia da casa de Natasha foi tatuada sobre o lado esquerdo de seu rosto: três penas de corvo detalhadas. Um deles era um homem enorme com pele oleada que parecia pertencer à série de Conan, o Bárbaro. A outra era uma mulher pequena de cabelos negros cujo sorriso era selvagem o suficiente para fazer minhas palmas suarem novamente. — Quem é você? — ela exigiu. — Eu estou aqui para cobrar a recompensa. ― anunciei, a minha voz embargou apenas ligeiramente. Joguei meu cabelo no rosto de uma maneira que esperava ser bacana e indiferente e não como um tique nervoso, o que foi mais definitivamente. A mulher inalou, e estreitou os olhos. — Humana. — Vá embora, menina. ― disse o homem bruscamente. ― Você não quer vir aqui. A mulher deu um passo mais perto. ― Os seres humanos não recolhem prêmios. ― ela resmungou. — Helios. — mudei um pouco a besta, ainda mantendo-o ao nível do peito. A luz da lua brilhava no pingente amassado em volta do meu pescoço. — Estou com Hope, na verdade. Algo cintilou em seus rostos, mas eu não poderia lê-lo. Ela virou a cabeça em um gesto para nós seguir. Cutuquei Nicholas no ombro com a besta. — Mova-se. — ordenei. Ele caminhou lentamente na minha frente e eu tentei não olhar como se estivesse nervosa o suficiente para largar a minha besta e atirar no próprio pé. O que era uma possibilidade distinta. Demorou uma eternidade para descer e se aproximar da entrada da caverna. Mais dois guardas esperavam na porta. Eles não disseram uma palavra, apenas olharam para nós. A meio caminho de um túnel húmido, uma mulher com longos cabelos encaracolados caminhou observando, e vários outros guardas vieram atrás de nós. Eles curvaram, mas só rápidamente, assim imaginei que ela não era Lady Natasha. Eu esperava que a rainha da tribo dos vampiros não fosse tão rabugenta. Mas por outro lado nunca tinha conhecido a realeza dos vampiros de qualquer forma.

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— Este é um menino Drake? ― ela cheirou uma vez, com desdém. ― Bonito o suficiente, eu garanto, mas dificilmente parece valer toda a confusão. — Juliana, vá embora, — disse a guarda feminina repreendo-a impacientemente. Juliana franziu a testa. — Você deveria ser mais educada. Eu sou irmã da rainha, afinal. — Vá embora, minha senhora. ― disse a guarda alterada. ― As ordens de Lady Natasha são para mantê-la segura. — Não creio que essas crianças sejam um perigo para mim, — disse ela com desdém, mas no final das contas se afastou. O resto dos guardas pressionados atrás de mim. O silêncio prolongado, como uma corda prestes a estourar. Eu conhecia as regras: não demonstrar nenhum medo. E eu não podia simplesmente esperar até que eles decidissem rasgar minha garganta. — Olha; nós vamos ficar aqui a noite toda olhando um para o outro? Eu quero a minha recompensa. — Neste caminho. Na verdade, em pé ao redor estava começando a ter algum recurso. A caverna úmida deu lugar a um corredor de pedra em arco iluminado com lâmpadas de óleo colocado em fendas profundas. O chão de terra tornou-se coberto de azulejos com tapetes persas fomos mais fundo no labirinto cavernas. Os Araksaka se espalharam, três na frente, três atrás. Senti como se estivesse no meio de um sanduíche particularmente tenso de vampiros. Figuras de sombras se juntaram nas aberturas escuras para ver-nos passar. Olhos e os dentes brilhavam ameaçadoramente. No momento em que nós alcançamos a caverna central, era surpreendentemente alta, estalactites cravadas com pedras preciosas, uma multidão de vampiros de olhos palidos nos esperava. Quartzo55 brilhava nas paredes entre tapeçarias bordadas a mão mostrando vários acontecimentos e sabedoria na história dos vampiros. Havia um monte de fios vermelhos. A mobília era uma mistura eclética de antiguidades transmitida através dos séculos. Era principalmente de madeira antiga, com umas pátinas 56 suaves de idade, acentuados com algumas peças modernas, aqui e ali.

55 56

Mineral em forma de cristal que se apresenta em numerosas variedades. Pátina é um composto químico que se forma na superfície de um metal. Ela se forma naturalmente, pela exposição aos elementos e ao clima, ou artificialmente, com a adição de produtos químicos por artistas ou metalúrgicos.

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Eu estava tentando realmente não me concentrar nas vaias. Mesmo crescendo em torno dos Drakes não foi o bastante para imunizar-me de tantos vampiros. O ar estava tão denso com os feromônios que adrenalina derramava através do meu sangue. Eu me senti um pouco bêbada e nervosa com ele. Mais de um vampiro lambeu os lábios, olhando para mim como se eu fosse mousse de chocolate. Eu levantei a minha besta ameaçadoramente. Os vampiros recuaram, mas apenas um pouco. Havia espelhos por toda parte. Com grossas molduras douradas, cheval57 de vidros altos, pequenos cacos colados à parede. E no centro da caverna, havia um único trono feito com espinhos de madeira branca, do tipo que faz as melhores estacas, esculpida com dezenas de corvos pálidos. Cada pena foi meticulosamente detalhada, e seus olhos negros brilhavam na luz de tochas. Sentada no trono, sorrindo levemente, estava Lady Natasha. Ela era linda, claro, e dramática, com longos cabelos lisos loiros. Sua franja foi cortada em linha reta sobre as sobrancelhas arqueadas e olhos azuis pálidos tão leves que pareciam quase translúcidos. Ela era magra e branca como uma muda de bétula.58 — E o que temos aqui? — ela murmurou, sensual como uma noite de verão. Sua voz deteria o oceano, como se fosse um copo de água. Hansel e Gretel,59 perdido na floresta? Um riso suave ondulou sobre nós como cobertores de peles. Fechei meus joelhos para que não tremessem. — Eu vim pelo prêmio. — anunciei. — Eu capturei um Drake. — Quer agora? — um de seus guardas entregou-lhe uma taça de vidro cheia de sangue. Ela tomou um gole delicado, esfregou os lábios com um quadrado de renda. — E você é? — Estou com Hope. — Eu vejo. — ela inclinou a cabeça. — Sorriso arrogante, maçãs do rosto adoráveis. Sim, este é definitivamente uma das crias de Liam. — Vá para o inferno. ― cuspiu Nicholas. — E cria de Helena também, claramente. Maneiras abomináveis.

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Cheval de vidro é um espelho oscilante em um quadro, e grande o suficiente para refletir o valor de comprimento total. 58 As bétulas são arbustos ou árvores pequenas ou de tamanho médio, características de climas temperados do hemisfério norte. 59 Hansel e Gretel é um conto de fadas de origem germânica, gravado pelo Irmãos Grimm. A história de um irmão e irmã que descobrem uma casa de doces e bolo na floresta e uma bruxa devoradora de crianças.

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— A recompensa? — eu pedi, meu cérebro corria frenético. Precisávamos sair desta sala principal com a sua multidão de vampiros, mas eu não sabia como nos tirar de lá. E então ele passou de mal a pior. Muito, muito pior. Kieran Black aproximou-se de nossa direção, à direita dos guardas. Seu rosto de todos os ângulos tinha um sorriso afiado e insolente. Em suas mãos, ele segurava uma caixa de madeira incrustada de pérolas. Antes de qualquer um de nós pudesse se mover ou mesmo falar, ele abriu a tampa. Dentro, um coração pingava sangue através das dobradiças de ferro. — O coração de Solange Drake. — anunciou. — Vossa Majestade.

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Vinte e Três
(Lucy)

Tudo parou.
Não me atrevi a afastar o olhar do conglomerado vermelho sangrento na delicada caixa. As pérolas haviam ficado rosas sob o sangue que vazava. A náusea deu um nó no meu estômago. Não podia formar um pensamento coerente, não podia me mover, mal conseguia respirar. Não Solange. Não Solange. Kieran estava em pé, como qualquer bom soldado, olhando para frente, o sangue gotejava em seus pés. Ele estava coberto de lama e parecia cansado, suas mangas estavam enroladas mostrando sua tatuagem de Helios Ra. Fisicamente, nunca tinha odiado ninguém em minha vida do jeito que odiava ele agora. — Não. — disse finalmente. — Não é possível. — Tantos presentes. — Lady Natasha murmurou, erguendo-se graciosamente. E depois, veio o caos. — Minha pequena irmã. — Nicholas gritou, saltando no ar, as presas estendidas, e rompendo suas algemas. Ele tinha como objetivo a garganta de Kieran, seus olhos brilhavam como moedas de prata. Lady Natasha levantou uma sobrancelha, e foi como se ele tivesse deixado escapar um grito de guerra. Os Araksaka nos encurralaram tão rapidamente que suas tatuagens de plumas pareceram agitar-se. — Nicholas, atrás de você. — de qualquer maneira, não tinha servido muito ajudá-lo a entrar, mas bem agora, isso foi o suficiente para nos delatar totalmente. Eu era apenas

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uma unidade de Hope tentando salvar meu prisioneiro Drake. E eu tentei. Estava para pegar minhas estacas do envoltório, mas era como se eu estivesse me movendo em câmera lenta e todos os outros estavam em avanço rápido, como naqueles documentários sobre natureza, onde uma orquídea floresce e murcha em três segundos. Só que nós estávamos presos no meio de um jardim de vampiros, florescendo como videiras e beladonas sedentas de nosso sangue. Nicholas não pousou como havia planejado, tinha saído do curso devido a uma bota de vovó, voadora de uma Araksaka, a qual acertou-lhe em cheio no peito. Kieran foi empurrado e ele caiu a vários metros de distância, o coração sangrando, rolou através do chão. Parei em seco, enquanto este fazia uma parada perto do meu pé esquerdo. Eu tremia e sufocava com a bile em minha garganta e não lutei contra os guardas que me agarraram. — Afaste-se dela. — Nicholas lutou enquanto era arrastado de um dos seus pés com o nariz sangrando desagradavelmente. Kieran não me olhou. Lady Natasha fez um leve movimento com a mão. — Tanto drama. — disse ela, como se fossemos alguma espécie de show chato para ela. E tudo que eu sabia era que éramos o show para seu jantar. E o jantar, era outro assunto. — Eu não tenho tempo para crianças. — disse ela. — Ainda há preparativos que devo fazer para o baile de amanhã à noite. — bateu em um banquinho ao lado de seu trono. — Sente-se ao meu lado, querido menino. — sorriu para Kieran, mostrando os dentes como conchas polidas. — Temos muito que comemorar. A guerra civil foi evitada, graças a você. — Só quero o dinheiro. — cuspi. Eu não pude evitar. Estava imobilizada entre dois Araksaka e não havia nada que pudesse fazer. Por agora. Porque, com carga cármica ou não, se saísse viva de tudo isso, ia quebrar mais do que seu nariz. Lady Natasha inalou pelo nariz com desgosto. — Bárbaros. — ela agitou a mão. — Leve-os daqui, ok? Eles estão ficando chatos. Nicholas e eu fomos tirados á força do luxuoso salão. Eu era menor do que meus captores e meus pés pendiam um pouco, enquanto eles caminhavam. As escadas eram

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estreitas e úmidas, sobressaindo da pedra, e entramos em mais umidade e escuridão. Um deles me empurrou, e eu tropecei nos últimos passos, aterrissando duramente no meu quadril. Podia ouvir Nicholas lutando e chingando. — Lucy! Lucy, você está bem? — Estou bem. — consegui dizer, uma vez que meu fôlego voltou.— Ai! — fui puxada e colocada de pé de uma forma não tão suave. As escadas haviam nos levado para as masmorras. Masmorras reais, esculpidas em pedra, com portões de ferro escorregadios e alaridos repentinos de ratos. — Isto não é bom. — murmurei, tentando soar ousada e pretensiosa, como sempre. — Espero que não pensem que podem nos manter aqui. Temos amigos, vocês sabem; amigos desagradáveis. E vocês só servem a uma paranóica e egoísta, argh. Meu discurso acalorado foi interrompido abruptamente por uma mão em minha garganta. Não conseguia engolir, não conseguia respirar, só podia sentir que meu rosto estava avermelhando. Tentei fazer algum som, arranhar os duros e inflexíveis dedos. Os olhos que encontraram os meus eram frios, lacônicos. E um momento depois, eu fui lançada para trás, em uma cela, batendo contra a parede com bastante força, o que me fez ver estrelas. Eu desmoronei, ofegando. Nicholas foi lançado com um empurrão na outra única cela, que estava ao meu lado. — Minha família virá. — ele prometeu sombriamente. — Pode ser. — disse o guarda. — O Clã Drake presenciará a coroação final de Lady Natasha, sem ninguém para usurpar seu trono. — Solange não queria sua coroa estúpida. — rosnei pela garganta ferida. — Ou o seu trono. — Ela era uma ameaça, agora já não é. Abri a boca para gritar. Estava com raiva, arrasada e assustada e todas essas coisas faziam com que fosse difícil controlar o meu habitual temperamento. Os olhos de Nicholas brilharam para mim como um tipo de aviso. Ele estava certo. Poderia chingar e poderia me descontrolar tudo o que quisesse; isso não mudaria nada. Tinha hematomas em várias partes, e só tínhamos estado aqui menos de meia hora. Eu, não era exatamente uma força a qual se devesse temer.

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Larguei-me contra a parede e segurei minhas lágrimas até que a guarda real se foi e nos deixaram sozinhos, com as frias correntes de ar e mofo. Os soluços finalmente saíram diretamente de mim e não podia impedi-los. Eles eram altos e feios, não como as lágrimas dos filmes, que parecem sempre delicadas e frágeis. Minhas lágrimas foram ardor e picadas de mim e me fez sentir ainda um pouco melhor. Tinha conhecido Solange toda a minha vida. Às vezes, eu a conhecia melhor do que a mim mesma. Ela era solitária, inteligente e elegante, mesmo quando se mantinha firme em que não era nada disso. Era especial, e não apenas porque era a única filha de um vampiro. Ela era leal e sempre esteve lá para mim, não importava o quê. Era ela quem cuidava de mim nas minhas inúmeras lesões e doenças; foi quem me trouxe sorvete quando meus pais descobriram as sobremesas de tofu e não compravam nada mais que isso. Ela era tranquila, forte e artística. Era inconcebível que estivesse morta. Respirei profundamente e com dificuldade por causa das minhas lágrimas. Não estava certo. Supunha-se que isso não aconteceria. Devíamos estar em casa, onde ela beberia seu primeiro gole de sangue à meia-noite e acordaria com dezesseis anos e morta, ou renascida, tecnicamente, ou o que seja. Nunca isso. — Lucy. — Nicholas pressionava-se contra as grades de ferro. Eu não tinha idéia de quanto tempo ele tinha estava chamando meu nome. Eu estava encolhida, com meus olhos inchados. Limpei o nariz na minha manga. — Desculpe. — eu disse, piscando a última das lágrimas. Mais delas estavam suspensas, flutuando atrás de minhas pálpebras, formando um nó em minha garganta, mas tive que segurá-las. Não podia permitir-me ceder, mesmo quando o queria desesperadamente. Não pude forçar um sorriso, mas pelo menos consegui me sentar reta. Nicholas parecia preocupado e triste. — O que vamos fazer? —perguntei. Seus punhos foram pressionados firmemente em torno das barras. — Vamos sair daqui de alguma forma. Eles nos levarão ao salão para a festa. Lady Natasha quer tripudiar e mostrar aos clãs vampiros que derrotou os Drakes. Adotará uma posição superior. — Eu realmente a odeio. — Eu sei. — Não, eu quero dizer, muito, demais.

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— Eu também. — E Kieran, esse rato. — minha voz soava rouca. — Vou quebrar seu nariz de novo. E o resto dele. — Eu vou te ajudar. — Minha mãe vai me fazer passar muitos fins de semana na igreja pelos próximos dez anos, para me limpar de toda essa violência, se é que sobreviveremos. — Quando sobrevivermos. — ele corrigiu. Estava pálido; quase obscuro como a luz bruxuleante da única tocha na parede entre nós. A fumaça pairava perto do teto baixo, tornando as pedras mais escuras. — O amanhecer não está muito longe. — disse ele, frustrado. Seus olhos pareciam machucados, mesmo de longe. — Não poderei ficar acordado por mais tempo. — se sentou no chão e encostou a cabeça contra a parede. — Desculpe, não vou ser capaz de te proteger. — Vou te esperar. Ele deu um meio sorriso. — Não fale muito enquanto estou dormindo. — Não posso prometer nada. — Minha família virá. — disse ele novamente. Pensei no rosto sombrio de Liam, e na brilhante espada de Helena. — Eu não posso esperar.

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Vinte e Quatro
(Solange)

Fiquei lá por um longo tempo. Poderiam ter sido horas, dias, meses, tinha perdido a
conta. Só existia a minha respiração ficando cada vez mais longa; profunda e lenta. Sentiame como um dente de leão, transformada em algodão e sementes brancas, a deriva do desejo de alguma criança petulante. Eu esperava que minha família estivesse a salvo, dentro da velha casa de fazenda. Perderia suas salas e pisos estridentes e minha pequena varanda de cerâmica com vista para os campos, florestas e montanhas ao longe. Perderia a Nicholas, chateado porque fui cuidadosa, a Lucy discutindo com todos sobre tudo, perderia a tranquila confiança de Kieran. No inicio, pensei que eu tinha imaginado o fraco som metálico. Mas as vozes eram reais, ressoando até minha cama. Tentei me mover, abrir meus olhos, mas nada aconteceu. — Esta é a certa. — disse alguém. Sua voz era áspera. — Posso cheirá-la. — Sim, como o vinho de sangue esperando ser tomado. Os passos se aproximaram. Consegui abrir um olho, não o suficiente para que alguém percebesse; apenas o necessário para que a suave luz me mostrasse dois homens e uma mulher através da franja de meus cílios. Cada um dos seus rostos estava tatuado com três penas de corvo da casa real. Araksaka. Esforcei-me mais em mover-se, gritar, chutar. Era como se apenas estivesse em meu corpo, que não prestava atenção as minhas frenéticas ordens.

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— Você ainda não está pronta, querida? — tentei lutar, mas apenas pendurava molemente sobre seus braços quando me levantou. Sua boca estava muito perto do meu pescoço. Estremeci violentamente. — Só um pouquinho. — Michel, não. — alguém me arrancou de seus braços como uma maçã de uma árvore. — Lady Natasha arrancaria sua cabeça. — disse. — E o mais importante, a minha também. — Mas ela tem um cheiro tão delicioso. — Coloque teus malditos tampões no nariz! Você sabe que são as feromonas da mudança de sangue. — Desmancha prazeres. — Se vocês dois já terminaram de flertar. — a mulher retrucou, olhando para baixo enquanto escalava a corda de volta para a floresta. — Não temos muito tempo. Meu captor me jogou sobre seu ombro e subiu pela corda, rápido como um beija-flor. A luz na floresta era ligeiramente cinzenta, o céu como uma pérola negra. Eu podia sentir a aproximação do amanhecer, do jeito que nunca tinha sentido antes. Era como um peso sobre meu peito, como estar presa em correntes e ser jogada no mar. Os guardas pareciam tão astutos quanto eu, podia dizer pelo modo que eles baixaram suas cabeças e correram mais rápido do que eu havia visto um vampiro correra antes. As árvores tornaram-se borrões entre as sombras, as folhas soavam fracamente abaixo de nós enquanto passávamos. Os coiotes uivavam histericamente no vale atrás de nós. As montanhas se elevavam mais e mais, bloqueando o brilho da luz no horizonte. A mulher xingou. Correram mais rápido. Esperava que se transformassem em cinzas, mesmo que isso significasse que eu também o fizesse. Um instante depois; estávamos nas cavernas e eles saltaram para dentro como se seus pés estivessem queimando. Os primeiros raios de luz do céu caíram entre os galhos e bateram no chão. Iluminou o húmus, as samambaias e o vidoeiro branco. A mulher xingou novamente. — Malditamente perto. Essa seria o meu último momento de luz do sol. Para sempre. A pele de todo meu corpo coçava. Eu tinha certeza de que se tivesse ficado presa lá fora, eu teria me queimado tanto quanto os outros vampiros.

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Fui levada por um estreito túnel até uma sala circular com tapetes no chão e tapeçarias nas paredes. As tochas e velas presas estavam espalhadas por toda parte, como estrelas em uma clara noite de inverno. Os corvos grasnavam do chão ao teto em gaiolas de ferro forjado, seus olhos brilhantes como pérolas pretas. Os poucos vampiros ali, pararam de fazer o que estavam fazendo, e seguiram-nos a um trono branco, atrás de nós como a cauda de um vestido de noiva. Lady Natasha estava de pé, seu rosto tão pálido que poderia ter sido esculpido de uma pedra da lua. Até mesmo seu cabelo parecia atordoado, branco como orquídeas. Teria gostado desse breve momento de vitória, se não tivesse visto Kieran atrás dela igualmente pálido. O que estava fazendo aqui ainda? Nosso plano estava desmoronando ao nosso redor e não uma única coisa que eu poderia fazer sobre isso. — Essa é Solange Drake? — a voz de Lady Natasha era fria o suficiente para quebrar o aço. Não conseguia distinguir seu sotaque. Parecia vagamente francês; vagamente russo. O guarda que ainda me carregava caiu sobre um joelho. — Sim, minha Lady. Nós a encontramos na floresta. — O fizeram agora? — virou sua cabeça uma fração de polegada para Kieran. Ele estava me olhando fixamente, muitas emoções cruzavam seu rosto, não tive tempo de decifrá-las todas. Nosso plano não havia funcionado, afinal. Natasha fez um sinal para um prato de prata, no qual jazia um coração assado, nadando em uma piscina de sangue. A pérola que Kieran tinha pegado do cofre antes de me deixar para ir caçar, estava em uma caixa de ferro próxima. — E o que...? Diga-me, por favor, o que é esse alimento que estava prestes a comer? Kieran não respondeu, não afastou o olhar enquanto eu era solta no tapete. — Eu te fiz uma pergunta, garoto. — um tapa; e Kieran estava estatelado contra a mesa, espalhando um vaso de rosas, uma tigela de vidro e o prato de prata. O coração bateu o lado do trono e deslizou lentamente deixando um rastro de sangue. Eu teria engasgado, mas até minha garganta estava cansada demais pela mudança para reagir. Kieran tossiu, esfregando seu peito enquanto sentava-se. — É um coração de veado. — ele respondeu sem alteração. — Que inteligente. — ronronou. Um dos guardas reais fez uma careta pelo som.

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Ela levantou uma sobrancelha para o guarda ainda ajoelhado. — Temos muito a fazer, aparentemente. O baile continuará como o planejamos, e colocaremos a menina Drake sobre a plataforma assim todos poderão vê-la morrer, junto com qualquer ameaça à nossa unidade. — Não. — Kieran saltou sobre seus pés. Sorriu-lhe. — E você verá cada momento, depois do qual, arrancarei seu coração de seu fraco peito e o comerei. Vendo como me foi negado o meu alimento. — Solange não quer seu trono ou de Montmartre. — Kieran insistiu, agachando-se para ficar de costas a uma tapeçaria de uma jovem bebendo de um unicórnio branco, quando dois guardas começaram a se aproximar. — Ela não quer ser a rainha dos malditos vampiros. — Não seja estúpido. — Lady Natasha parou e virou para a porta. Suspirou. — Agora o que? Não me lembro de lhe ter convidado. — Houve uma mudança de planos. — Hope entrou na sala, dois agentes por trás dela. Seus olhos se estreitaram. — Kieran. Que diabos você está fazendo aqui? Natasha levantou o queixo. — Kieran?— repetiu friamente. — Como o filho do irmão de Hart? Quando o matou, você disse que tinha tudo sob controle. Kieran congelou. Parecia como se fosse se afogar em sua fúria. — O quê? — virou-se lentamente para Hope. — O que você acaba de dizer? — Tudo está sob controle, mas eu apenas não esperava que convidasse um agente Helios para sua corte. — Trouxe um coração. — Lady Natasha acenou para mim. Ainda deitada sobre o tapete. — Claramente não o dela. — Bem, os Drakes estão me procurando agora. — Hope retrucou. — Você. — Kieran cuspiu com seus punhos cerrados.

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Hope não parecia particularmente preocupada pelo ódio saindo dele. — Estou fazendo o que tenho que fazer para os Helios-Ra, e te garanto que é mais do que seu pai e seu tio poderiam ter conseguido. Lady Natasha entende isso. Nós cuidamos de nós mesmos. Kieran não se preocupou com mais uma discussão, lançou-se para ela. Não conseguiu alcançá-la, estando a apenas dois pés de distância, é claro, não com seus homens ali e os Araksaka também. Não tinha chance. Duvidava que ele se importasse. — Honestamente, os jovens de hoje em dia. — Natasha sacudiu sua mão, parecendo aborrecida. — Levem-nos.

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Vinte e Cinco
(Lucy)

Segunda de manhã.
Devo ter cochilado, embora com o pensamento de que parecia impossível. A som da abertura da trava de ferro me acordou. Eu estava em pé antes de meus olhos estarem ainda completamente abertos. Era o Conan extra que nos levou para o salão de ontem. Seus músculos eram maiores mesmo de perto, mas ele parecia um pouco abatido. Eu não tinha ideia de quanto tempo eu dormi, mas Nicholas estava frio em sua cela, nem mesmo se mexeu no som do portão de ferro se abrindo em suas dobradiças enferrujadas. Eu poderia ter tentado um dardo em torno do guarda mas era grande o suficiente para bloquear todo o espaço e, mesmo assim, onde eu iria? Subir as escadas para o salão principal? Ele colocou uma jarra de água no chão. — Você deve se limpar. Eu fiz uma careta. — O quê? Por que? — por algum motivo eu achava que sua voz soava familiar, mas eu tinha certeza que eu teria se lembrado dele se o tinha visto antes. — É esperada. — Bem, você pode ter o seu... — Fique aí, — ele avisou em voz baixa. — E mantenha a boca fechada. — ele estava realmente tentando me ajudar? A maçã que ele me jogou quase me bateu no rosto. Eu a peguei, mais por reflexo. Então eu percebi porque eu reconheci a voz dele. Ele era o vampiro que tinha vindo para a janela da casa da fazenda e ofereceu sua lealdade. Ele se endireitou ao som de passos na escada. Sua expressão era difícil, em branco. Duas mulheres vieram por trás dele, não tatuadas com as marcas de Araksaka mas não

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exatamente amigáveis, qualquer uma. Elas trouxeram uma cesta e um lindo vestido, todo de brocado e veludo bordado com um decote quadrado e rendas nas anáguas. Era borgonha com contas de cristal azul pálido e acentos no corpete e ao redor da bainha. O vestido no cabide foi colocado em um gancho de ferro destinado a correntes e outros métodos de tortura. Agora eu estava realmente confusa. Essa cesta estava cheia com uma escova de cabelos com suporte de prata, um espelho de mão, um quadrado de sabonete de lavanda, e os frascos de perfume que não esclareciam as coisas, nem mesmo um pouco. — Hum… o que é tudo isso? As mulheres me olhavam de forma crítica. — Ele deve servir. Os sapatos parecem muito pequenos, você terá que ir descalça. — Eu tenho que usar aquele traje? — em qualquer outro momento, eu teria ficado excitada para saltitar em algum vestido à moda antiga com pingentes de ornamentação. — Você não pode ir bem a um baile nessas coisas sujas, pode? — ela zombou da minha calça. — Seria um insulto à nossa rainha. — senti-me desconcertada. Eu realmente apertei a mão na minha têmpora. — Espere, é um baile de verdade? Com canapés e valsando de chinelos de vidro? — meu primeiro baile, e era em homenagem a uma assassina lunática e provavelmente acabaria com um vampiro me matando. E eu tinha que vestir-me para agradar, tem certeza? — Não fique com a roupa suja, — disse uma delas. — Por que não? — Lady Natasha ficaria... descontente. — Isso é totalmente surreal. — eu murmurei depois que elas me deixaram sozinha com o meu próprio vestido de baile. Havia um zíper em cima de lado, então pelo menos eu não estava na expectativa de contorcer-me em torno de fazer os meus próprios laços. Hyancinth sempre disse que a razão de-bem-fazer que senhoras tinham servas era porque nenhuma das roupas eram amigáveis. O vestido era bonito, embelezado a mão, cada detalhe feito com perfeição. E eu não queria usá-lo, nem um pouco. Eu dei um passo para trás como se estivesse mergulhado em veneno.

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Em vez de usar a água na jarra para me lavar, eu bebi cada gota. Eu estava com sede e bastante fome e meu estômago apertado ao redor da maçã que eu comi. Andei um pouco porque eu literalmente não tinha ideia de o que fazer comigo mesma. Esta era a última situação em que eu jamais esperava estar dentro. Eu estava completamente perdida. — Nicholas. — chamei. Ele estava de costas, imóvel como uma pedra. — Nicholas. — tentei novamente. Nada. Nem um lampejo de uma pestana. Eu desisti e voltei para medição dos passos. Após uma hora de passeio, minhas panturrilhas estavam tão doridas e eu estava me sentindo tonta. Eu usei o penico, enquanto eu sabia que Nicholas ainda estava dormindo, e então decidi colocar o vestido quando eu percebi que se os guardas descessem eu ainda estava nos cargos de Solange, eles provavelmente iriam tirá-los eles mesmo. Um vestido de algodão deslizante foi primeiro, seguido pelo pannier, que era basicamente dois cestos em um cinto de couro largo que passou pela minha cintura. Senti-me estranha e volumosa. O vestido foi em cima de tudo e era mais pesado do que parecia. O tecido era duro e apertado o suficiente para que eu não tivesse escolha senão ficar em pé. Havia uma gargantilha de veludo azul. Eu desejei que ainda tivesse o camafeu especial da família Drake, eu iria anexá-lo por despeito. E isso poderia me dar coragem. Como eu falei, um bom jogo, mas a verdade era que meus joelhos estavam fracos como água e eu me sentia mal do estômago. O pânico estava camuflado e me assombrava em suaves, ondas silenciosas, não bem escondido, mas nunca ia embora também. Então, quando Conan voltou, eu realmente pensei que estava tendo alucinações. Kieran foi jogado na cela de Nicholas, seu rosto ensanguentado e ferido, o braço esquerdo abraçado ao peito como se estivesse quebrado. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o corpo coberto pelos enormes braços de Conan, suavemente colocado sobre a cama dura ao meu lado.

Solange.

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Vinte e Seis
(Lucy)

Era surpreendentemente difícil abaixar ao lado de Solange, e não apenas por causa
do vestido ridículo. Sua cabeça pendia para um lado como se até o pescoço estava muito cansado para segurá-la. Eu não podia dizer se ela estava respirando, e minhas mãos tremiam enquanto eu me inclinava mais perto. Eu realmente não queria ver um buraco no peito da minha melhor amiga. Eu não queria apenas sujar um vestido de Lady Natasha, eu ia vomitar tudo sobre ele. — Não era o seu coração. — Kieran gemeu de sua cela. — Era um coração de cervo. — Cale-se. — atirei para trás. — Eu não sei se estou falando com você ainda. — toquei no ombro de Solange. Ela estava fria e coberta de lama. — Solange? — É o bloodchange. — Eu disse cale a boca, — joguei por cima do meu ombro. — Eu sei o que é, ela é minha melhor amiga, não é? — estreitei meus olhos. — E você parece como merda. — Braço quebrado. — ele concordou. Ele parecia cinzento, oco. — Hope matou meu pai. — Eu lhe disse que não foram os Drakes. — enruguei o meu nariz. Eu podia ouvir meu pai na minha cabeça, em um curso sobre a compaixão. — E eu sinto muito. Não que eu não ainda queira torcer o seu pescoço. — Eu tinha que ser crível, por todo o bem que fez. Hope estava lá lá em cima. Ela me deu distância. — Quer que eu quebre o seu nariz? — Inferno. Sim.

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— Vou adicioná-lo à minha lista. — O que você e Nicholas estão fazendo aqui? — Hope. — disse a ele. — Ela escapou e mandou a unidade dela para assumir a casa da fazenda. Nicholas e eu conseguimos sair disso. Nós estávamos esperando para avisar seus pais, mas nós não conseguimos encontrá-los. E eles ainda estão lá fora, procurando por Solange. — Tenho certeza que eles estão aqui, ou perto o suficiente de qualquer maneira. Eles não me parecem o tipo de ficar fora da ação por muito tempo. — É verdade. — eu disse, apoiando. Voltei-me para Solange. — Graças a Deus, ela está viva. Quando ela acordar eu vou matá-la. — eu escovava os cabelos para trás. — Se você pode me ouvir, Sol, é melhor você sair dessa. Eu sei que você consegue fazer isso! Seus irmãos namby60 fizeram isso, então você também pode. — descartei minha camisola estendida sobre ela. — Que diabos ela estava fazendo, afinal? — perguntei a Kieran. — Ela estava fugindo. — De jeito nenhum. — Encontramos Hyacinth. Meu coração parou. — E ela está...? — Ela deve sobreviver, se eles a levarem a sua casa com rapidez suficiente. — Supondo que ainda há uma casa, é claro. Hope pegou em sua mira. Ele se mexeu, praguejou quando ele esbarrou o braço. Atirei-lhe o meu cinto, uma vez que eu não tinha a certeza de que ele não seria capaz de obter o seu próprio fora. Nicholas ainda estava deitado em uma pilha no canto. — Aqui, prenda o seu braço. — Obrigado. — o suor escorria na testa enquanto ele trabalhava para embrulhar o cinturão em torno de seu ombro. Parecia que ele sabia o que estava fazendo. — Faz um monte de medicina no campo de batalha, não é? — Você conhece os Drakes.

60

Acrónimo de Not At My Backyard , traduzido literalmente como: não no meu quintal.

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— Bom ponto. Eu vi ele lutar e suspirar, irritado. — Eu acho que eu não te odeio depois de tudo. — Eu tentei salvá-la. — ele tirou o cinto apertando com os dentes. Linhas de dor gravaram ao redor de sua boca. — Era suposto ela estar segura no subterrâneo. — Tudo é uma confusão tal. — murmurei. — É pior do que você pensa. — Claro que é. — esfreguei minha cara. — Eu tenho medo de perguntar, eu realmente tenho. — pelo menos meu pânico parece ter-se tornado insensível. — Lady Natasha quer assistir a Solange morrer como entretenimento do louco baile dela. — tranquei os dentes. — Ah, eu não penso assim. — estendi a mão para o frasco de sangue de Veronique, Logan tinha dito que ela o usava no pescoço. Eu fiz uma careta, levantei a cabeça para ver se tinha ficado para trás dela. — Onde está o frasco? Kieran, onde está? — Ela o usou para salvar Hyacinth. — O quê? — deixei-lhe cair a cabeça, não muito gentilmente. — É a única coisa que poderia tê-la salvado. — bati no chão. — Você sabe o que isso significa? — perguntei severamente. — O quê? — Lady Natasha pode apenas começar seu desejo. Segunda à noite. Quando Nicholas finalmente acordou, não foi bonito. Ele passou de inconsciente para hiper alerta tão rápido que eu perdi a transição. — Seu bastardo sangrento. — seus olhos brilharam enquanto ele o perseguiu. — Você matou a minha irmã! — Espere... — Kieran gritou quando Nicholas agarrou seu braço quebrado. Ele chutou para fora, com o objetivo dos joelhos de Nicholas. Houve um gemido, mais sons de punhos e pés batendo carne. — Nicholas! — gritei por entre as grades. — Nicholas, pare com isso.

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— Ele matou Solange. — Não, ele não fez. — Kieran estava pendurado do chão, seu rosto indo roxo. — Ponha-o para baixo. — Ele tem que pagar. — Nicholas Drake. Ele não o largou, mas ele finalmente voltou a olhar para mim. Eu apontei para Solange, em sua na cama. Ele deixou cair Kieran tão rápido, que Kieran tropeçou. — Solange? Solange! — Ela não se moveu desde que a trouxeram aqui. Ele finalmente sorriu, parecendo o Nicholas que me lembrava da véspera de Natal quando ele conseguiu sua primeira moto. — Ela não está morta! — ele franziu o cenho. — Por que você não parece mais feliz? — Ela deu o seu frasco. — Ela lhe deu... filho da puta. Debrucei a minha testa nas frias barras. — Hoje, o dia apenas não presta. — tentei por um sorriso. — No lado positivo, eu posso vê-lo saltitar em collants. — só a sobrancelha se moveu, mas foi o suficiente. — Desculpe? Apontei para a pilha de roupas no chão aos seus pés. — Sua roupa formal. — ele olhou para elas, em seguida, de volta para mim. — Bonito vestido. Você pode respirar nessa coisa? — alisei a frente do meu vestido. — Seria mais divertido de usar, se não fosse o que eu ia ser enterrada dentro. — Você não vai ser enterrada. — ele fez uma pausa, levantando a roupa desconfiado. — Vampiros não enterram as suas vítimas. — acrescentou ele distraidamente. — Ei, procurando conforto aqui.

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— Sinto muito. — ele balançou o gibão, com folhos de rendas no punho. — Logan adoraria isso. — ele sorriu para mim. — Sem collants. — largou tudo. — Eu ainda não estou usando essa porcaria. — Ele parecia bastante inflexível. — Ela pode beijar meu... ei. — ele fez uma careta para Kieran. — Há apenas uma fantasia. Como é que você não precisa vestir-se como algum bobo do século XVIII? Kieran ainda estava segurando o braço, o cabelo molhado de suor. Ele parecia pálido, mas ainda conseguiu dar um sorriso de volta. — Eu não sou um príncipe da ilustre família Drake. — — Pára com isso. — as orelhas de Nicholas realmente ficaram vermelhas. Eu estava tão indo para provocá-lo sobre isso mais tarde. — Eu não sou um príncipe de sangue. — Pode muito bem ser. — Kieran encolheu o ombro bom. — Lady Natasha sabe que mais da metade da corte estaria desertando se Solange quisesse. Eles estão apenas esperando por uma oferta melhor. — Eu ainda não estou usando isso. — Nicholas puxou a fita sobre a manga do gibão de veludo preto. — Sim, você vai. — eu disse alegremente. — Ou então eles vão por você por nu quando vierem nos pegar. — ele me encarou por um longo tempo e, em seguida, tirou a camisa, murmurando maldições vis o tempo todo. Eu peguei um vislumbre de peito nu, me perguntei se eu deveria olhar para longe para lhe dar privacidade, então decidi que poderia ser minha última chance de vê-lo sem a camisa. Seus braços eram magros e esculpidos, como de um nadador. — Eu não cheguei a vê-la tirar suas roupas. — queixou-se. — Isso é o que você tem para dormir todos os dias, — eu brinquei de volta. Ele foi mais longe nas sombras para trocar as calças para as calças de couro. Muito ruim. Quando ele surgiu de novo, ele parecia muito bom mesmo que aquele não era seu estilo. E ele estava com sorte, não havia collants, depois de tudo. Ele inclinou a cabeça. — Você gosta.

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— Cale-se. — corei. Eu odiava a percepção extra-sensorial de vampiro. Não era justo que ele podia ouvir meu coração ou o cheiro da minha pele ou o que fosse. — Meninas são tão estranha. Kieran bufou. — Não brinque. — Por favor, vocês dois estavam lutando dez minutos atrás, e agora vocês são melhores amigos? — disse arrasada. — Rapazes são tão estranhos. — voltei-me para Solange, tocando a mão dela. — Ela ainda não está se movendo. Nicholas e Kieran ambos ficaram sombrios, quietos. — Ela vai precisar de sangue, — Nicholas disse finalmente. — Mas eu tenho certeza que Bruno pegou os meus pais até agora, e vão trazê-lo com eles. Duvido que seja segredo que Solange está aqui. Natasha faz e parece querer fazer isso com o maior público possível. — Não temos um plano? — Nós lutamos como o inferno. — Bom plano. — não foi muito antes de ouvirmos os Araksaka descendo os degraus de pedra para escoltar-nos ao salão. Eu não ia deixar de ir na mão de Solange, mesmo quando um deles a levantou para a deslizar para um manto bordado a prata sobre o vestido rasgado. Ela parecia tão frágil, com seus escuros cabelos e feições pálidas. Eles marcharam conosco lá para cima. Eles usavam camisas de seda branca e calções pesados, que deveriam ter feito eles parecerem bobos mas os faziam parecer ainda mais ferozes. Um deles me empurrou quando eu estava no caminho, porque eu estava continuando agarrada a Solange. Eu tropecei. — Ei, não toque a minha namorada. — Nicholas se agitou. — Namorada? — pisquei para ele. Ele pensou em mim como sua namorada? Então eu empurrei o guarda-costas, antes que alguém pudesse me ver corando. — Quero dizer, saia de mim. O salão estava lindo, lotado de velas e lanternas penduradas no tecto e ainda mais espelhos por toda parte. Aparentemente Lady Natasha realmente gostava de olhar para si mesma. Uma longa mesa apresentava inúmeras jarras de todo tipo: embutidos de prata com rubis, ouro, esculpida em mogno, porcelana pintada. Eu sabia que cada uma delas continha sangue. Músicos tocavam em um canto, as notas suaves de harpa, piano e violino à deriva em torno de nós.

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Os cortesãos de Lady Natasha eram fáceis de reconhecer, todos eles usavam penas de corvo em seus cabelos. O restante mantiveram suas alianças mais sutis; não sei o significado por trás da maioria dos pingentes e brasões de família bordados. Eu não vi nada de Londres ou ninguém da família Drake. Eu vi metros de veludo e seda bordada com fios de ouro, vestidos de brocado, perucas elaboradas. Eu não iria ter ficado inteiramente surpreendida se Maria Antoniette passeava perto. Eles descansavam estendidos ou reclinados graciosamente em chaises e pilhas de almofadas. Solange foi conduzida até um estrado coberto com um tecido de sari vermelho. No meio havia um esquife de vidro no qual ela foi estendida. Sua mão caiu sobre o lado e ali ficou molemente. Havia rosas em volta dela. Um corvo voou baixo de uma fenda no teto e pousou pacientemente aos pés de Solange.Outro corvo pousou, e outro. Logo ela foi cercada por enormes pássaros pretos, todos olhando para ela com expectativa. No relógio de avô de aspecto antigo poderia ver que era quase meia-noite. Quando ele tocasse sua décima segunda badalada, Solange teria de acordar imediatamente. Ou não. — Bem-vindos, bem-vindos. — Lady Natasha chamava do seu trono branco. Estávamos sendo levados em direção a ela. Ela usava um vestido branco de seda com lantejoulas sobre os panniers. Seu cabelo pálido caia em linha reta até aos cotovelos, e em sua cabeça ela usava uma coroa cornuda medieval pendurada com véus transparentes que drapeavam para o chão. Ela pingava diamantes, pois eles estavam em volta do pescoço, punhos, dedos e mesmo em torno de seus tornozelos sob a sombra de sua saia sino. Hope sentada ao lado dela em um vestido de noite e sandálias de salto alto. E justo quando eu pensei que não poderia ficar muito mais surreal, Lady Natasha bateu palmas regiamente. — Vamos começar as celebrações. A platéia rompeu em casais no amplo espaço do salão, e eles giravam em uma valsa enquanto a música aumentava. Eles usavam vestidos medievais, aventais escandinavos, coletes Tudor, com barbas de baleia, chinelos de dança vitorianos, ternos listrados de

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1920, arrojadas camisas pirata, e casacos de veludo. Eles circularam num caleidoscópio de cores e tecidos, até a pura pressa deles começara a fazer-me tonta. Solange ficou imóvel, mesmo o peito dela estava congelado, suspensa no bloodchange. Seus lábios ficaram roxos, como se estivessem machucados. O azul de suas veias traçada sob a sua pele de pergaminho, como rios por meio de uma paisagem de inverno. — Seus lábios estão se tornando azuis. — eu sussurrei para Nicholas.Ele balançou a cabeça tristemente. — Ela não tem muito tempo. Eu nunca me senti tão impotente na minha vida. Eu só consegui ficar lá, no elegante salão de baile dentro da montanha e ver minha melhor amiga a lutar para não morrer. Ela se moveu uma vez, sacudindo, como se a eletricidade disparasse através dela. Kieran tomou um passo à frente e foi rápidamente empurrado para trás por um dos guardas. A risada de Lady Natasha era leve e bonita. — Logo tudo isso vai acabar. — disse ela, vaidosamente. — Mais cedo do que você pensa.

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Vinte e Sete
(Lucy)

Voltamos reconhecendo a voz. Liam estava de pé em uma nuvem branca, usando
tampões de nariz de prata. Apontou aos três guardas que corriam em sua direção com machados. — Durmam. Cairam, os machados golpeando o chão. — Você. — Lady Natasha zombou. — Chegou muito tarde. Sua preciosa filha está para dormir para sempre. Meu trono está a salvo, meu reino está a salvo. — Isso é o que veremos. — disse Helena, sua espada brilhando, sua trança negra pendurada em suas costas. Seus filhos apareceram por trás deles, se uniram a Hart e seus agentes. Nunca havia visto tantos tampões de nariz e tanta equipe de luta negra em minha vida inteira. Os cortesões que dançavam a valsa mudaram para uma dança mais violenta. A música foi afogada pelo som das espadas se chocando. As tribos elegeram seus lados, e os Drake e Helios não foram tão superados em número como havia temido. Os Araksaka se convocaram ao redor de Lady Natasha, todos menos Conan. Eu fiz como me havia sugerido anteriormente, me mantive abaixada. De fato, arrastei-me sobre minhas mãos e joelhos em direção ao caixão. Os corvos ficaram com Solange, grasnando crueldades. Quando um inclinou sua cabeça com a intenção de picar o olho de Solange, peguei um pedaço de cristal e lancei. Soltou um grito e saiu voando, ofendido, em uma confusão de plumas. Desejava ter trazido minha besta. Helena estava girando como uma acrobata louca, lançando facas e espadas por onde passava. Deixava um rastro de poeira e cinzas atrás dela.

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Os agentes Helios estavam espalhados como besouros, soprando Hypnos para acabar com os vampiros em seu caminho. Era como o castelo da Bela Adormecida, senhoritas em finos vestidos e cavaleiros em complicados trajes, todos caindo dormidos sobre as tapeçarias Persas. Vasos de cristal caindo das mesas, cadeiras de madeira estilhaçadas pelo impacto. Os agentes de Hart ignoraram os cortesãos de Natasha uma vez que estes caiam dormindo, prefirindo atacar a desonesta unidade de Hope. O sangue salpicava nas pedras, os tapetes manchados. Liam se dirigiu ao caixão, sem afastar seus olhos de sua pálida filha. Venceu a três vampiros sem mover seu olhar uma única vez. Um dos homens de Hope voou para trás depois de um golpe feroz, seu rosto com machucado antes mesmo de bater na parede. Nicholas rolou para mim, aterrizando ao meu lado. Seus olhos eram ferozes. Agarrou meu queixo e me beijou forte. Havia terminado antes que tivesse tempo de raciocinar. — Mantenha-se abaixada. — ordenou. — Duh. — respondi, e devolvi o beijo, tão rápido e tão forte como ele, antes que voasse para pegar as estacas de um guarda adormecido. Se levantou de um salto e lançou como se fosse um confeti mortal. Todos se moviam tão rápido, que era como uma pintura de aquarelas, todos os borrões e manchas. Uma mulher vestida em seda rosa arreganhou os dentes e lançou uma estaca tão rápido como um avião. Logan pegou no ar antes de se enterrar no peito de Nicholas. — Uma pena arruinar uma jaqueta tão linda. — disse. — Você pegou seu tempo para chegar até aqui. — Nicholas respondeu com um sorriso, girando para avançar. Lutaram costas com costas como um furacão de fúria. Helena alcançou Lady Natasha com um sorriso feroz. Lady Natasha levantou o queixo com orgulho, mas ficou atrás de um de seus guardas. Helena reduziu seus corvos tatuados sem descanço, até que somente ficavam ela e a rainha. Suas espadas se encontraram, chocando como gelo caindo no mar. Hart seguiu Hope pelo tunel que ela tomou em busca de segurança. O resto da batalha continuou impossivelmente rápida e resistente para sempre.

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Continuei me arrastando através dos corpos, esquivando das botas voadoras e armas. Tinha que chegar a Solange. Alcancei o caixão com apenas alguns arranhões superficiais e uma contusão no cotovelo devido a um descuidado agente Helios-Ra. Dei tapas nos corvos até que se afastaram, pousando sobre um móvel e me olhando tão maldosamente. Solange estava fria, tão fria que meus dedos doeram. Suas palpebras e bochechas eram do mesmo tom purpura que seus lábios. Fazia sons estranhos, como se estivesse tentando respirar e não conseguisse. sua boca se abria e fechava, como um filhote de pássaro em busca de sua primeira refeição. E eu não tinha nada para lhe dar. O qual era nosso maior problema. — Natasha querida, você sempre soube como dar uma verdadeira festa. A luta parou. Era como se alguém houvesse pressionado o botão de pausa cósmico. Todo mundo se voltou para olhar ao vampiro de pé dentro da cova, rodeado por guerreiros com tunicas de couro marrons. Estava sorrindo, seu pálido rosto notável por baixo de seu cabelo negro. Poderia se pensar que tinha usado Hypnos pelo modo que as pessoas estavam reagindo. Avançou lentamente, como se tivesse todo o tempo do mundo. Sua guarda manteve seu ritmo. — Montmartre. — Lady Natasha murmurou satisfeita. — Sabia que viria. Leander Montmartre e seus Hosts. Lady Natasha era a única que estava satisfeita com este novo acontecimento. Ela na realidade se afastou de Helena para arrumar seu cabelo. Os espelhos refletiam seu sorriso de suficiência. — Sim querida, mas parece um pouco abatida. — seus olhos cinza seguiram a respiração irregular de Solange, e seus lábioas azuis. — Eu vim por ela na realidade. O sorriso se converteu em um grunhido. — Não. — Claro que sim. — cheirou o ar como se estive mesclado com perfume. — Ninguém mais o fará, certamente sabe disso. — Ela é uma menina. Você me ama.

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— Amor. — moveu sua surpreendente e bem cuidada mão. Havia esperado que tivesse unhas compridas incrustadas de sangue, assim de armazenar em sua aura. — Não seja banal. — Tem se deixado levar pelas profecias e os legados. Mas eu mudarei isso, já o verá. Ela está quase morta. — A terei, Natasha. — disse friamente. — Morrerá primeiro. — respondeu. — Araksaka! A ordem de Natasha seus guardas tatuados se lançaram para frente para atacar. Ela lançou uma estaca branca de espinhos, seus dentes brilhando. Os Host de Montmartre descobriram seus próprios dentes e saltaram para a briga. Os grunhidos fizeram que os pelos em meu braço se arrepiassem. Os vampiros se converteram em cinzas todos ao redor de Montmartre, como se estivesse de pé em um terreno sujo em um dia de ventania. — Um momento, por favor. — ele interrompeu. De novo a batalha se deteve. — Não há necessidade de diminuir nossos números deste modo. — disse agradavelmente. — Tudo o que quero é a garota. — Mantenha-se malditamente longe da minha filha! — Helena fervia. Lançou sua própria estaca, mas um dos Host interceptou antes que pudesse atingir seu objetivo. — Sua filha precisa de mim. — Montmartre lhe disse. — Portanto será melhor que tenha cuidado com teus modos quando me fale. — levantou uma corrente de prata com um vidro incrustado com folhas de hera de prata. — Meus Host estiveram rastrando pelos bosques e encontraram este artefato um tanto curioso. — cada um dos irmãos de Solange assobiou. — Eu tenho certeza que foi cheio com o sangue de Veronique, para o uso de Solange. Ficaram umas poucas gotas, mas deveriam ser suficientes. Mas bem parece como se necessitasse. Solange estava apenas respirando, e estava tão pálida que o azul de suas veias estava quase violeta. Estava morrendo.

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Ou ao ponto de se converter em um Hel-Blar. Não estava certa de qual era o pior. — Aguenta. — sussurrei. — Por favor, aguenta. — Estou preparado para permitir que ela tenha isto, — Montmartre continuou, balançando a corrente. Os Drake a olhavam, como se ele fosse um hipnotizador. — Mas vou necessitar algo em retorno. — O que você quer? — Liam perguntou; parado próximo a Helena, a mão em seu braço. Ela estava se esforçando para não explodir. — Quero a rainha, claro. — Eu sou a rainha. — Lady Natasha ladrou. Montmartre a ignorou, o que a enfureceu ainda mais. O branco de seus olhos estava lentamente pondo-se roxos. — Me deêm Solange, e eu lhe darei a sua vida. — De nenhum modo. — grasnei, embora ninguém me prestasse atenção. Liam repentinamente parecia mais velho, como se todos os seus anos lhe batessem de uma só vez. Assentiu com a cabeça uma vez. — Papai, não. — Quinn avançou. — Ela morrerá. — Liam disse. — Não resta muito tempo. Não temos opções. Montmartre fez uma reverência cortês e caminhou para o caixão, com um Host ao seu lado. Liam estava empurrando, tentando conter sua familia. — Confiem em mim. — sussurou. Sentia-me doente. Montmartre se inclinou e pegou o corpo insensível de Solange com seus braços. — Não. — Liam disse furioso. — Agora. De agora onde possamos ver. — Não recordo de ter oferecido isso. — disse. Solange parecia tão pequena contra seu peito.

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— Agora. Montmartre. — uma nova voz interrompeu, soando jovem mas rude. — Não ia nos convidar para as bodas? A garota aparentava minha idade, mas era um vampiro, assim que poderia ter cem anos pelo que sabia. Tinha o cabelo negro e comprido, usava uma túnica de couro e contas de osso em seus cabelos. Havia tatuagens em seus braços e mãos. CWN Mamau.61 Os Hounds. O Host grunhiu. A garota e seus guerreiros grunhiram em resposta. Estes eram os vampiros que Montmartre havia convertido, e que logo se voltaram contra ele. O Host odiava os Hounds, e isso se notava. Montmartre não aparentava estar satisfeito tampouco, e pela primeira vez, aparentava debilmente desconfortável. — Isabeau. Vai para casa, garotinha. — Os Hounds não apoiam sua reclamação ao trono. — disse com precisão, seu acento era francês. Assentiu em saudação a Liam e Helena. — Me desculpem pela demora. — boltou-se novamente para Montmartre. — Não seremos governados por você. — Pouco importa o que seus cachorros selvagens desejam. — disse, mas seu comportamento havia mudado. Inclusive eu podeia ve-lo. Não estavam tão confiantes. Fúria e algo mais que não podia distinguir as cores dos seus movimentos. Olhou ao seu Host. — Leve-o. Outra batalha. Os Hounds e o Host estavam igualados. O que estava bem depois de tudo, exceto que Solange não tinha essa quantidade de tempo. O sangue salpicava o solo junto com as cinzas. Eram tão rápidos e tão ferozes, que apenas tinha tempo para seguir o que estava acontecendo. Observei Nicholas arrastandose para frente, mantendo-se baixo. Logo desapareceu em um borrão e os pés de Montmartre saíram debaixo dele. Solange caiu de seus braços, aterrizando meio estendida contra o caixão.

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Na mitologia e no folclore galês, CWN Annwn ("cães de Annwn") foram os cães espectrais de Annwn, o outro mundo do mito Galês. Eles foram associados a uma forma de caça selvagem, presidida por Gwynn ap Nudd (ao invés de Arawn, rei de Annwn no Primeiro Ramo do Mabinogi).

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Um Hound enfiou o punho contra o rosto de Nicholas, logo saltou sobre o lugar onde um Host estava lutando com um Hound. Se preciptou sobre uma mesa e logo ficou imóvel. Gritei. — Humana! — a garota Hound gritou antes de agarrar o vidro do chão e lança-lo. Voou para mim, sua corrente prateada captando a luz das velas. Uma mão apanhou no ar. Não minha mão. — Está de brincadeira? — gritei. Era Juliana, a aborrecida irmã de Natasha, que havia estado ao nosso redor quando fomos capturados a primeira vez. Agitou o frasco para mim. Queria arrancar os olhos de sua cara. Lancei-me para ela. O que me faltava em sutileza o ganhava na raiva e a obstinada necessidade de vingança. Não ia perder Solange. Não de novo e não quando a cura estava tão perto. Por desgraça eu não era rival para Juliana. Isso ficou claro depois do primeiro golpe na minha cara. No segundo me agachei, mas não fui rápida o suficiente para evitar o terceiro, no meu estômago. Dobrei-me, com nauseas e sem respiração. Ela veio saltou e girou zombando de mim. Estiquei-me para ela e falhei. E logo Kieran estava repentinamente ali, balançando-se com seu braço bom. O vidro caiu ao lado de sua bota. Juliana tentou alcança-lo, mas a chutei, direto na garganta. Juliana girou grunhido, presas estendidas. Kieran estava mais perto do vidro e além do mais não podia lutar com ela com seu braço quebrado. — Olha. — lhe gritei. — Vai, vai, vai. Pegou o frasco e se deslizou ao lado de Solange enquanto eu quebrava uma delicada cadeira que teve a boa vontade de quebrar-se no impacto. Uma das pernas com detalhes rosa se separou. Ao menos agora teria uma arma. — Vou te matar, menina! — Juliana gritou. A perna da cadeira não atravessou seu coração, mas esteve perto o suficiente para fazê-la congelar, suspirar e apertar seu peito.

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— Lucy! — a estaca de Nicholas terminou meu trabalho. Cinzas cairam aos meus pés como névoa. Minha primeira matança vampirica. Quando chegasse a casa teria que recitar um sem número de orações para apaziguar minha mãe. E ao meu estômago revolto. Mas não neste momento; agora podia desfrutar deste momento de triunfo. Mas somente por um momento. Porque hoje foi um dia daqueles. Apoiei-me no respaldo de um banco, tentando convencer severamente ao meu diafragma que estar de pé era realmente necessário. Kieran se inclinou sobre Solange, depositando o conteúdo do frasco de prata entre seus lábios. Essas preciosas gotas baixaram por sua garganta. Ainda assim, ela não parecia particulamente sã. — Nicholas. — grasnei. — Não está funcionando. Lançou uma adaga enferrujada da manga. — Parou a enfermidade, mas agora precisa se alimentar. ― jogou um tamborete em um guarda Araksaka que estava se aproximando. — Necessita de sangue humano, é o melhor para a primeira vez. Estava tentando me arrastar até o caixão, mas Kieran já estava fazendo um corte superficial em seu antebraço. O sustentou sobre a boca de Solange, incitando-a a beber, sussurando. — Bebe. — lhe implorou. — Não posso te perder agora, não depois de tudo isso. Beba, demônios. Por alguma razão, o modo em que ele falou; amavél e desesperado, deslizou lágrimas quentes pelas minhas bochechas. Lady Natasha gritou, seu longo e pálido cabelo voando atrás dela como um estandarte. Seu vestido estava manchado de sangue. Vários dos corvos talhados em seu trono haviam quebrado. — Montmartre! Você me ama. — gritou, enquanto tentava se defender de Helena. Os Host de Montmartre não estavam perdendo sua batalha com os Hounds, mas muito menos estavam ganhando. Caçadores, vampiros rogues, meia corte real baixou ao mandato de Conan, e a familia Drake todos estava contra eles.

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Montmartre maldito. — Retirem-se. — ordenou. Os Host se retiraram no instante para formar um círculo ao seu redor. — Ela será minha rainha. — Montmartre prometeu antes de balançar sua mão. Os Host se pressionaram contra ele e se retiraram por um dos tuneis. Lady Natasha, abandonada por todos os lados, voltou sua raiva contra Helena. Helena fez girar uma estaca até que encontrou um bom agarre. A luta se extendeu, as duas mulheres determinadas, com uma inclinação para as armas antigas. Era uma bela dança, a sua maneira, lâminas resplandecentes e voando através do ar. Mas no final, a estaca de Helena encontrou seu ponto. Lady Natasha pestanejou sem compreender e logo seu vazio vestido caiu em um monte de delicada seda, cheia de cinzas. O ruído e a fúria do salão; deteve-se tão repentinamente, que praticamente faziaeco. Inclusive os Araksaka se detiveram. Um a um, os vampiros cairam de joelhos em frente a Helena. Em lugar de uma sucessão legitima, mate ao presente monarca e coroa garantida. Nicholas mancou para o meu lado e apertou minha mão fortemente. Apertei seus dedos, retrocedendo para que nossos corpos estivessem pressionados juntos, sentindo-me melhor ao sentir sua pele fria contra a minha. Nenhum dos dois falou. Não precisávamos. No caixão de cristal, Solange finalmente, engasgou uma vez, depois engoliu. Quando abriu os olhos e viu dezenas de vampiros ajoelhados em sua melhor vestimenta de cortesões, gemeu debilmente, o sangue manchando seus lábios. — Oh, Deus! Não sou uma rainha vampiro, certo?

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Epílogo
(Solange)

Encontrei Lucy na cidade. Ela estava decidida a me forçar a uma visão de uma vida
normal, e me encontrar para o café a cada quinta-feira era o seu plano atual. Ela estava me esperando no parque. Ainda não tinha passado uma semana desde que me transformei, e não estava pronta para enfrentar a tentação de um café da manhã cheio de corações batendo ao meu redor. Eu poderia ignorar os esquilos e raposas escondidos longe, nos arbustos. Lucy estava sentada em um banco com dois copos de papel e uma vasilha de plástico com o que restava de uma torta de cereja coberta com chocolate. Limpou as mãos cheias de migalhas. — Ainda estou comemorando. ― ela resmungou com a boca cheia. ― Eu não vou ser capaz de caber em minhas roupas, se continuar com isso. ― ela me olhou criticamente. — O que você está vestindo? u fiz uma careta na minha calça manchada de barro. — Então? — Eu não sabia que tinha de me vestir para você. — ela me olhou novamente. — Como você está se sentindo? — Eu estou bem. Você é tão má como meus irmãos. Sentia-me melhor do que bem, na verdade. Senti-me forte e alerta, meus olhos ampliando cada centelha de luz da lua, as estrelas, a iluminação pública. Foi um pouco perturbador, eu tinha que admitir, ouvir seu coração bater o calor e o cheiro do sangue dela apenas sob sua pele. E desconcertante saber que meus irmãos tinham razão: o sangue que provei era melhor do que chocolate. Na verdade, eu não conseguia me lembrar muito

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da noite nas cavernas, apenas o gosto de Kieran na minha boca. Ele tinha saído com o tio antes que eu pudesse agradecer-lhe adequadamente. — Alguma palavra de Kieran? ― Lucy perguntou calmamente, como se ela soubesse que eu estava pensando nele. Eu balancei minha cabeça, tentei não parecer como se me importasse. Eu tinha o suficiente para me ocupar, depois de tudo. Minha mãe era a nova rainha, o que significava que a Profecia não tinha sido cumprida tecnicamente. Não tínhamos certeza do que pensar sobre isso. E ainda estávamos substituindo toda uma parede da casa da fazenda, que tinha sido queimada pela unidade de Hope. Os jardins estavam cheios de água e fuligem. Bruno precisou levar pontos e Hyacinth não quer sair de seu quarto ou tirar o véu de renda preta de seu rosto. London desapareceu no túnel de novo, ninguém sabia para onde. E eu realmente peguei Nicholas enviando rosas para a casa de Lucy, eles ficavam no telefone um com o outro o tempo todo. E Montmartre ainda estava lá. Ele enviou um presente de noivado: um anel de diamante. Fui me limpar no banheiro. Então, eu estava muito ocupada para pensar em nada alem de Kieran Black. — Oh, aqui. — Lucy me passou um pacote amarrado com uma fita. Um presente de aniversário atrasado do meu pai. Ela revirou os olhos quando eu retirei um pedaço de chifre de veado gravado em uma armação de couro. Quando ele ouviu falar sobre o coração de cervo, ele disse para te dizer que o cervo é claramente o seu animal totem e deve ser honrado. Eu deslizei na minha cabeça quando ela sorveu o resto da sua bebida. Seus olhos lacrimejando. — Ai, ainda quente. — levantou-se rapidamente. Olhei para ela. — Aonde você vai? Eu acabei de chegar aqui. Ela sorriu para mim, seu olhar chicoteando levemente para a calçada. — Você tem um encontro. Eu gelei. — Lucy Hamilton, o que você fez? — Tenho que ir!

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Ela correu para fora do parque antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa. Eu não tenho que olhar para saber quem estava ali. Eu podia sentir o cheiro dele, o gosto dele. Kieran. — Solange. — disse ele suavemente. Ele parecia bem, mesmo com os hematomas no queixo indo amarelo e a atadura embalando seu braço. Ele não sorriu, mas o jeito que ele estava olhando para mim me fez sentir quente por toda parte. Levantei-me. — Kieran. Eu não sabia mais o que dizer. Então, me inclinei e beijei-o.

Fim!!
A série The Drake Chronicles continua em: Blood Feud

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"All Creatures of the night get together After Dark"