You are on page 1of 2

AMBIENTE E CIDADANIA Evitar a poluição do Ar interior

Ao contrário da ideia muitas vezes generalizada, a poluição do ar também se faz sentir no interior dos edifícios (casas, escritórios, escolas, hotéis, hospitais, centros comerciais, etc.), sendo muitas vezes mais elevada do que no exterior, e é cada vez mais referida como estando na origem de vários problemas de saúde pública. Actualmente as pessoas passam cerca de 90% do tempo dentro de recintos fechados, onde estão frequentemente expostas a um diversificado cocktail de poluentes provenientes de fontes várias: fumo de tabaco, combustão de derivados do petróleo, tintas, vernizes, materiais com amianto, materiais e equipamentos emissores de radiações (como o Radão, gás radioactivo sem cheiro nem cor, cancerígeno, que escapa das paredes construídas em granito; radiações emitidas pelos ecrãs de televisão e pelos monitores de computador), carpetes, mobiliário, insecticidas, produtos de limpeza, cosméticos e perfumes, lareiras, aparelhos de refrigeração e aquecimento; para além de outras fontes existentes no exterior. Em alguns edifícios é possível encontrarem-se concentrações preocupantes de pólen, fungos prejudiciais, ácaros e bactérias. O fumo de cigarro contém perto de 4 mil substâncias, destas, cerca de 1%, ou seja, 40, são tóxicas e potencialmente cancerígenas, como o benzeno. Os efeitos prejudiciais à saúde são inúmeros, assim por exemplo: reduz a esperança média de vida tanto dos fumadores como de quem com eles convive; aumento da incidência de cancro no pulmão, na laringe e na boca; aumento do risco de doenças de coração, alergias, etc.; menopausa precoce, aumento de probabilidade de aborto espontâneo nas mulheres fumadoras; aumento da percentagem de impotência sexual nos homens fumadores. Esta enorme diversidade de fontes que degradam a qualidade do ar nos recintos fechados é responsável pelo "síndrome de edifício doente", conjunto de sintomas sentidos pelos ocupantes dos edifícios relacionados com a permanência no seu interior. Esses sintomas são: crises de asma e rinite alérgica, dores de cabeças, tonturas, náuseas, irritação dos olhos, da pele e das vias respiratórias, perda de capacidades intelectuais (concentração, desinteresse e outros distúrbios) e cancro. Sendo as crianças mais sensíveis aos efeitos dos poluentes dos “edifícios doentes”. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a exposição à poluição dentro de portas poderá matar 3 milhões de pessoas, por ano, em todo o Mundo. Sugestões para evitar a poluição do ar interior: 1- Manter os edifícios e habitações bem arejados, particularmente quando são novos ou foram recentemente remodelados, após a utilização de insecticidas, nos primeiros dias após a realização de pinturas e a colocação de carpetes. 2- Ter plantas verdes, pois ajudam a restabelecer a qualidade do ar, um vaso por cada 5 m2 é uma boa medida de prevenção contra intoxicações provocadas pelo uso doméstico de produtos químicos, como os produtos à base de amoníaco. 3- Não fumar em locais fechados, mesmo que não haja indicação de proibição. 4- Nunca deixar o carro a trabalhar na garagem. 5- Evitar os produtos tóxicos: escolher produtos de limpeza menos tóxicos e utilizá-los convenientemente; evitar as tintas com metais pesados, insecticidas ou pesticidas, ambientadores. 6- Não utilizar produtos contendo amianto, as fibras libertadas são cancerígenas. 7- Garantir uma adequada manutenção dos sistemas de ar condicionado. 8- Não ver televisão por longos períodos e manter uma distância de, pelo menos, 2 metros do ecrãn. 9- Fazer intervalos regulares ao trabalhar com um computador, e nunca trabalhar com a parte de trás do computador virada para nós, pois é aí que libertam a maior parte das radiações.

Bibliografia: 1- Quercus Ambiente Outubro 2004, p.12

2-

Filipe Costa Pinto, “Poupar mais, poluir menos – guia prático de acção ecológica”, edições Nova Gaia, 2004, p.14-15, 66, 77