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AMBIENTE E CIDADANIA

Não, à queima de lixo !!
É uma prática muito vulgar fazer fogueiras para queimar lixos, pensando-se que com isso se consegue fazer “desaparecer” aquilo que nos incomoda, o certo é que não se devem queimar lixos, principalmente, plásticos, porque são libertados produtos altamente tóxicos para a atmosfera. Para melhor compreensão desta questão, convém apresentar alguns dos produtos tóxicos libertados e quais os seus efeitos no Ambiente e saúde pública. - Dioxinas São dos mais tóxicos compostos químicos conhecidos, são cerca de 30.000 vezes mais venenosos que a estricnina, basta um grama para que 100 milhões de pessoas tenham absorvido a quantidade máxima de dioxinas para toda a sua vida. Acumulam-se no líquido amniótico, glândula mamária (e, consequentemente, saindo pelo leite materno), no cérebro, na gordura de peixes de águas frias (exemplo: salmão), etc. Os seus efeitos são inúmeros, dos quais se destacam os seguintes: 1- Infertilidade masculina, devido a anormalidades no desenvolvimento dos testículos, produção de espermatozóides com defeitos e diminuição da concentração de espermatozóides no esperma. 2- Aumento da concepção de crianças do sexo feminino. 3- Aumento da taxa de cancros, por exemplo, dos testículos. 4- Aumento de malformações congénitas. - Furanos Provocam o cancro. - Metais Pesados (Chumbo, cádmio) Estão contidos nas tintas de impressão. O cádmio acumula-se nos rins e pulmões, o chumbo, nos ossos. Causam, por exemplo, cancros, alterações no comportamento, dificuldades de aprendizagem (particularmente nas crianças), etc., devido a lesões no sistema nervoso. Todos estes tóxicos são extremamente venenosos e persistentes, acumulando-se nos seres vivos, dado que são eliminados muito lentamente, podendo ultrapassar dezenas de anos e espalham-se por todo o planeta! - Outros São ainda libertadas outras substâncias, tais como ácido clorídrico, dióxido de carbono, dióxido de enxofre, etc., responsáveis pelo efeito de estufa e pelas chuvas ácidas. Para além disto, queimar lixo é um desperdício de matérias-primas e de energia. Reciclar papel poupa 3 vezes mais energia do que a que se obtém queimando esse mesmo papel e no caso dos plásticos poupa-se 5 vezes mais. De facto, a reciclagem permite poupar matérias-primas e energia, reduzir a poluição (do ar, água e solos), criar postos de trabalho, etc., porque respeita uma lei básica da natureza que é: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.” É por estes motivos que os ambientalistas não concordam com as centrais de incineração e defendem que o lixo deve ser o mais aproveitado possível para reciclagem. Existem neste momento duas incineradoras em Portugal Continental, uma em S. João da Talha (Lisboa) e outra no Porto, e uma na ilha da Madeira, que foram fortemente contestadas pelas populações envolventes e por associações ambientalistas e merecem uma permanente contestação até que um dia venham a ser proibidas, tal como já aconteceu nalguns estados dos Estados Unidos da América. A queima dos resíduos das podas também deve ser evitada, pois ao queimar estes resíduos estamos a desperdiçar matéria orgânica, indispensável à fertilização do solo, assim em alternativa devem ser triturados e espalhados no solo para facilitar a sua decomposição ou utilizados para compostagem (isto é, produção de composto ou adubo natural).

Mª Alexandra Azevedo
Médica Veterinária, Vice-presidente da Direcção do MPI – Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente

Bibliografia: 1- “O tratamento dos lixos”, Teixo n.º 1 Verão de 1994, p. 21 2- “Ambiente em números”, ABC Ambiente, 24 de Fevereiro de 1995, p. 24 3- “Espermatozóides em queda”, ABC Ambiente, Agosto 1999, p. 12 4-- “Poluentes orgânicos persistentes (POP’s)”, ABC Ambiente, Maio 2000, p. 7. 5- “O “Livro Verde” sobre o PVC”, ABC Ambiente, Outubro 2000, p. 20. 6- “Saúde ameaçada”, ABC Ambiente, Fevereiro 2001, p. 21. 7- “Parecer sobre gestão dos Resíduos Urbanos da ERSUC”, Quercus, Julho 2003.