Manual da Formação

Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho


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Formação





Técnico Superior de
Segurança e Higiene no
Trabalho











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Objectivos
Pretende-se que, no final da acção de formação, os formandos sejam
capazes de:
 Processos de identificação e avaliação dos riscos de operação existentes nas áreas
de trabalho;
 Medidas técnicas de controlo dos riscos de operação;
 Processos de avaliação e controlo de determinado tipo de riscos específicos.
Condições de utilização
Este manual foi concebido no âmbito da acção de formação em TÉCNICO
SUPERIOR DE SEGURANÇA E HIGIENE NO TRABALHO Acção 1/2009para
Bacharéis e Licenciados com idades compreendidas entre os 29 e 61 anos.
Modalidades de desenvolvimento
Aprendizagem/Aperfeiçoamento

Este manual é da responsabilidade de António Oliveira
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SEGURANÇA NO TRABALHO


















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Conteúdo
1. Avaliação e Controlo de Riscos Associados .................................................................... 8
1.1. Circulação, Riscos Horizontais e Verticais ..................................................................................................... 8
1.1.1. Introdução ......................................................................................................................................... 8
1.1.2. Riscos de circulação ......................................................................................................................... 8
1.1.3. Riscos horizontais ............................................................................................................................. 9
1.1.3.1. Andaimes ..................................................................................................................................... 9
1.1.4. Riscos verticais ............................................................................................................................... 10
1.1.4.1. Escadas de mão ......................................................................................................................... 10
1.1.4.2. Equipamentos de elevação de cargas ....................................................................................... 10
1.1.5. Legislação aplicável ........................................................................................................................ 11
1.1.6. Normalização aplicável ................................................................................................................... 11
1.2. Movimentação manual de cargas ................................................................................................................ 12
1.2.1. Introdução ....................................................................................................................................... 12
1.2.2. Medidas de prevenção .................................................................................................................... 13
1.2.3. Avaliação de referencia do risco ..................................................................................................... 14
1.2.3.1. Cargas máximas permitidas ....................................................................................................... 14
1.2.3.2. Características da carga ............................................................................................................ 15
1.2.3.3. Esforço excessivo ...................................................................................................................... 16
1.2.3.4. Medidas adequadas ................................................................................................................... 16
1.2.4. Mecânica corporal ........................................................................................................................... 17
1.2.4.1. Princípios básicos ...................................................................................................................... 17
1.3. Equipamentos dotados de visor ................................................................................................................... 20
1.3.1. Introdução ....................................................................................................................................... 20
1.3.2. Efeitos no organismo ...................................................................................................................... 20
1.3.3. Medidas de prevenção .................................................................................................................... 20
1.3.3.1. Medidas gerais de prevenção .................................................................................................... 20
1.3.3.2. Vigilância de saúde .................................................................................................................... 22
1.3.3.3. Formação e informação dos trabalhadores ................................................................................ 22
1.3.4. Legislação aplicável ........................................................................................................................ 22
1.4. Movimentação mecânica de cargas ............................................................................................................. 23
1.4.1. Introdução ....................................................................................................................................... 23
1.4.2. Componentes em interacção .......................................................................................................... 23
1.4.2.1. Material ....................................................................................................................................... 23
1.4.2.2. Deslocamento ............................................................................................................................ 23
1.4.2.3. Método ....................................................................................................................................... 24
1.4.3. Equipamentos de manobra ............................................................................................................. 24
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1.4.3.1. Equipamentos ............................................................................................................................ 25
1.4.3.2. Acessórios .................................................................................................................................. 27
1.4.4. Manutenção ................................................................................................................................ 28
1.4.5. Medidas básicas de segurança ....................................................................................................... 28
1.4.6. Legislaçâo aplicável ........................................................................................................................ 29
1.4.7. Normalização aplicável ................................................................................................................... 29
1.5. Máquinas ...................................................................................................................................................... 31
1.5.1. Introdução ....................................................................................................................................... 31
1.5.2. Definições ....................................................................................................................................... 31
1.5.2.1. Aquisição de máquinas .............................................................................................................. 33
1.5.3. Equipamento de trabalho ................................................................................................................ 33
1.5.3.1. Princípios de concepção ............................................................................................................ 33
1.5.3.2. Comandos .................................................................................................................................. 35
1.5.3.3. Avisos ......................................................................................................................................... 35
1.6. Segurança para máquinas ........................................................................................................................... 36
1.6.1. Riscos ............................................................................................................................................. 36
1.6.1.1. Riscos mecânicos ...................................................................................................................... 36
1.6.1.2. Outros tipos de riscos ................................................................................................................. 36
1.6.2. Características dos protectores e dispositivos de protecção .......................................................... 37
1.6.3. Manutenção .................................................................................................................................... 39
1.6.4. Manual de instruçôes ...................................................................................................................... 39
1.6.5. Legislação aplicável ........................................................................................................................ 40
1.6.6. Normalização aplicável ................................................................................................................... 41
1.7. Manutenção .................................................................................................................................................. 42
1.7.1. Introdução ....................................................................................................................................... 42
1.7.2. Ferramentas manuais ..................................................................................................................... 43
1.7.3. Manutenção eléctrica ...................................................................................................................... 43
1.7.3.1. Introdução .................................................................................................................................. 43
1.7.3.2. Consignação .............................................................................................................................. 44
1.7.3.3. Fusíveis ...................................................................................................................................... 45
1.7.3.4. Condutores ................................................................................................................................. 45
1.7.3.5. Gambiarras ................................................................................................................................. 46
1.7.3.6. Formação ................................................................................................................................... 46
1.7.4. Manutenção mecânica, hidráulica e pneumática ............................................................................ 47
1.7.5. Soldadura ........................................................................................................................................ 47
1.7.6. Trabalhos de manutenção em espaços confinados ........................................................................ 49
1.7.7. Lubrificação ..................................................................................................................................... 49
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1.7.8. Normalização aplicável ................................................................................................................... 50
1.8. Manutenção mecânica ................................................................................................................................. 51
1.8.1. Tipos de Máquinas Transportadoras .............................................................................................. 51
1.8.2. Aparelhos de Funcionamento Contínuo .......................................................................................... 51
1.8.3. Aparelhos de Funcionamento Descontínuo .................................................................................... 53
1.8.4. Portas e vias de circulação ............................................................................................................. 54
1.9. Armazenagem .............................................................................................................................................. 55
1.9.1. Introdução ....................................................................................................................................... 55
1.9.2. Armazenagem de produtos quimicos perigosos ............................................................................. 57
1.9.3. Armazenagem de materiais secos a granel .................................................................................... 57
1.9.4. Armazenagem de liquidos ............................................................................................................... 59
1.9.5. Armazenagem de gases ................................................................................................................. 59
1.9.6. Locais técnicos ................................................................................................................................ 59
1.9.6.1. Compressores ............................................................................................................................ 59
1.9.6.2. Recipientes sob pressão ............................................................................................................ 59
1.9.6.3. Fornos e estufas ......................................................................................................................... 59
1.9.6.4. Instalações frigorificas ................................................................................................................ 60
1.9.6.5. Locais de carga de baterias e acumuladores ............................................................................. 60
2. Avaliação e Controlo de Riscos específicos .................................................................. 61
2.1. Riscos eléctricos .......................................................................................................................................... 61
2.1.1. Introdução ....................................................................................................................................... 61
2.1.2. Riscos eléctricos ............................................................................................................................. 62
2.1.3. Risco de incêndio devido à corrente eléctrica ................................................................................. 62
2.1.4. Causas de sobreaquecimento ........................................................................................................ 62
2.1.5. Arco eléctrico .................................................................................................................................. 63
2.1.6. Atmosferas explosivas .................................................................................................................... 63
2.1.7. Concepção da instalação ................................................................................................................ 63
2.1.8. Quadro eléctrico .............................................................................................................................. 64
2.1.9. Protecção da instalação e canalizações ......................................................................................... 64
2.1.10. Efeitos principais de uma corrente eléctrica ................................................................................... 64
2.1.11. Riscos de electrização .................................................................................................................... 69
2.1.11.1. Choque Eléctrico ................................................................................................................... 69
2.1.11.2. Efeitos do Choque Eléctrico .................................................................................................. 69
2.1.12. Protecção contra choques eléctricos .............................................................................................. 72
2.1.12.1. Contactos directos ................................................................................................................. 72
2.1.12.2. Contactos indirectos .............................................................................................................. 73
2.1.13. Origem da electricidade estática ..................................................................................................... 76
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2.1.13.1. Medidas preventivas contra electricidade estática ................................................................ 76
2.1.14. Utilização e manutenção da instalação ........................................................................................... 77
2.1.15. Protecção contra descargas atmosféricas ...................................................................................... 77
2.1.16. Periodicidade aconselhável das verificações .................................................................................. 77
2.1.17. Cuidados úteis com a electricidade ................................................................................................ 79
2.1.18. Actuação em caso de acidentes eléctricos ..................................................................................... 80
2.1.19. Proteger-se e proteger a vitima de novo acidente .......................................................................... 80
2.1.20. Aplicação dos primeiros socorros ................................................................................................... 81
2.2. Substâncias Perigosas ................................................................................................................................. 83
2.2.1. Introdução ....................................................................................................................................... 83
2.2.2. Classificação de substancias químicas de grande risco ................................................................. 85
2.2.3. Sólidos inflamáveis ......................................................................................................................... 85
2.2.3.1. Plásticos e filmes ........................................................................................................................ 86
2.2.3.2. Metais ......................................................................................................................................... 88
2.2.3.3. Poeiras ....................................................................................................................................... 88
2.2.4. Equipamentos de protecção individual para emergências químicas .............................................. 89
2.2.4.1. Introdução .................................................................................................................................. 89
2.2.4.2. Vantagens e desvantagens dos vários níveis de protecção ...................................................... 91
3. Instrumentos de Medição e Detecção ............................................................................. 92
3.1. Explosivímetro .............................................................................................................................................. 92
3.1.1. Características ................................................................................................................................ 92
3.1.2. Acessórios ....................................................................................................................................... 93
3.2. Detectores de gás ........................................................................................................................................ 95
3.2.1. Detectores de um só gás ................................................................................................................ 95
3.2.2. Detector Portátil de Múltiplos Gases ............................................................................................... 95
3.2.3. Detectores de Vida Limitada de um só sensor ............................................................................... 95
3.2.4. Detectores Fixos ............................................................................................................................. 96
4. Bibliografia ........................................................................................................................ 97


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1. Avaliação e Controlo de Riscos Associados
1.1. Circulação, Riscos Horizontais e Verticais
1.1.1. Introdução
Uma grande percentagem dos acidentes que ocorrem é provocada por quedas ou escorregamentos. As quedas não
precisam de ser grandes para ser fatais, são imprevisíveis e, habitualmente, as zonas do corpo humano mais
atingidas são:
C Cabeça, que pode sofrer fracturas a velocidades de impacto de 15 a 24
km/h, ou seja, a uma queda equivalente de im de altura;
C Pés e tornozelos, que podem fracturar-se à velocidade de impacto de 13 a
15 km/h ou uma queda equivalente de 0,6 a 0,75 m altura;
C Pernas e braços;
C Coluna vertebral, que se pode fracturar à velocidade de impacto de 10
km/h ou à queda equivalente de 0,3 m de altura.
As quedas são um dos tipos de acidentes mais frequentes e a sua prevenção depende fundamentalmente da
organização da empresa.
Os riscos de queda podem ser devidos a três situações:
 Riscos de circulação;
 Riscos horizontais;
 Riscos verticais.

1.1.2. Riscos de circulação
A circulação diz respeito às actividades realizadas no solo como, por exemplo, circulação de veículos ou peões,
circulação em corredores no interior das instalações, etc..
O transporte de materiais e de produtos é responsável pela ocorrência de muitos acidentes, pelo que os corredores
e vias de circulação devem ser planeados de um modo simples e de fácil compreensão para os utilizadores.
Em relação às vias de circulação devem, para se evitar riscos, ser tomados em consideração os seguintes pontos:
C Estar perfeitamente identificadas e sinalizadas;
C Não haver resíduos, líquidos derramados ou zonas obstruídas com
materiais empilhados;
C Os pavimentas não devem ter buracos, lajes danificadas ou solo irregular;
C Haver uma nítida separação entre as zonas destinadas a operar com
máquinas e as destinadas à circulação de pessoas;
C Haver zonas de circulação próprias e diferenciadas para peões e para
veículos;
C Proporcionar formação adequada aos condutores dos veículos de transporte interno da empresa;
C Informar as pessoas exteriores à empresa das regras internas de circulação;
C Delimitar áreas destinadas ao armazenamento e estacionamento;
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C Desimpedir completamente as saídas de emergência;
C Dimensionar correctamente as vias de circulação para se proceder a trabalhos de manutenção e de revisão dos
equipamentos de forma segura e eficiente; devem ser suficientemente largas para comportar o movimento a que
se destinam e a evitar colisão de veículos;
C Iluminar as vias de circulação de forma adequada, principalmente em escadas e rampas;
C Colocar grades de protecção nos locais que ofereçam risco de queda;
C Sinalizar os locais a que dão acesso;
C Adaptar as vias de circulação à utilização de deficientes físicos.

1.1.3. Riscos horizontais
Os riscos horizontais são devidos a actividades efectuadas à mesma altura acima do solo como, por exemplo,
trabalhos em pontes rolantes, armazenagem suspensa, circulação em andaimes, etc.
Perante estes riscos, devem ser tomadas em consideração as seguintes recomendações:
C Para proteger os trabalhadores contra o risco de queda livre, as passagens situa das acima do solo deverão ter
dispositivos de protecção;
C Todos os trabalhadores que executem tarefas acima do solo deverão possuir equipamentos individuais de
protecção (cintos e cabos de segurança);
C O risco de colisão ou emaranhamento de dois equipamentos que operam à mesma altura deverá ser analisado
antes dos mesmos entrarem em funcionamento;
C Os operadores que trabalhem com equipamentos que funcionem em altura deve rão ter formação específica
para os trabalhos a executar.

1.1.3.1. Andaimes
Trata-se de um equipamento susceptível de provocar acidentes graves se não for
convenientemente montado e instalado com as protecções adequadas.
Os pontos a seguir indicados devem ser tomados em consideração:
C Devem ser montados e instalados por trabalhadores com formação adequada;
C Devem ser sólidos, resistentes e apresentar todas as garantias necessárias de
forma a impedir quedas de pessoas, materiais e ferramentas;
C Antes de serem montados, deve verificar-se o terreno onde vão ser instalados, escolhendo ou construindo
pontos sólidos de fixação;
C Quando da sua montagem, deve ser utilizado equipamento de protecção adequado contra quedas e deve
impedir-se a circulação de pessoas por baixo deles;
C Devem instalar-se guarda-corpos para impedir a queda de pessoas, materiais ou ferramentas;
C Os andaimes não devem ser utilizados antes de completamente montados;
C As tábuas-de-pé dos andaimes devem ser robustas, não devendo ser carregadas exageradamente mas sim
com as cargas repartidas ao longo do seu comprimento;
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C Os andaimes rolantes só devem ser deslocados lentamente, de preferência no sentido do seu comprimento, em
pavimentos desimpedidos e sem ninguém ou qual quer carga sobre eles;
C Os andaimes rolantes deverão ter as rodas bloqueadas antes de serem utilizados.

1.1.4. Riscos verticais
Os riscos verticais são resultantes de actividades que necessitam de um acesso em altura ou envolvam um risco de
queda de material, por exemplo, utilização de escadas, elevação de cargas, etc..
Os meios de circulação qa vertical deverão ser adaptados ao número de pessoas que os utilizam e as suas
dimensões adequadas aos objectos que por eles circulam.

1.1.4.1. Escadas de mão
As escadas de mão são causadoras de um elevado número de acidentes, devido principalmente á
sua má utilização e ao seu deficiente estado de conservação.
Os pontos a seguir indicados devem ser tomados em consideração:
C As escadas devem ser montadas num pavimento estável, horizontal, contra uma superfície sólida
e lisa de modo a não escorregarem ou tombarem; devem ultrapassar, pelo menos em um metro o
pavimento de trabalho a que dão acesso;
C Como qualquer equipamento só devem ser utilizadas escadas em bom estado de conservação. Montantes e
degraus danificados devem ser substituídos;
C A base da escada deve estar suficientemente afastada da superfície de apoio;
C Para que as escadas duplas não escorreguem, devem os dois montantes ser ligados por correntes ou cordas;
C Quando houver necessidade de se emendarem escadas, deve haver uma sobre posição de, pelo menos, cinco
degraus.

1.1.4.2. Equipamentos de elevação de cargas
Os equipamentos de elevação de cargas são, devido à sua função, susceptíveis de provocar acidentes
Assim, para os evitar, há que ter em consideração os pontos a seguir indicados:
C Qualquer equipamento de elevação de carga não deverá ser utilizado para movimentar valores
superiores aos indicados;
C Os equipamentos deverão ser inspeccionados regularmente por pessoal qualificado devendo para
isso existir procedimentos bastante rigorosos pois desgastes e falhas de material não são por vezes
detectáveis com facilidade;
C Devem ser só utilizados ganchos que não permitam o escape do anel ou da alça de segurança (ganchos
abertos não devem ser usados);
C Os equipamentos de elevação de cargas só devem ser manuseados por pessoal habilitado e devidamente
treinado. Pessoal não qualificado não sabe amarrar e empilhar correctamente cargas, o que pode dar origem a
acidentes graves;
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C As operações de elevação e movimentação de cargas volumosas e pesadas, por meio de guindastes fixos ou
móveis ou pontes rolantes, deverão ser acompanhadas por um segundo trabalhador que, por meio de
sinalização adequada, orientará o trabalhador que comanda o equipamento de elevação

1.1.5. Legislação aplicável
C Decreto-Lei nº 286/91 de 9 de Agosto
Estabelece as prescrições técnicas de construção, verificação e funcionamento a que devem obedecer os
aparelhos de elevação e movimentação
C Portaria nº 1209/91, de 19 de Dezembro
Regulamenta o conteúdo de declaração do fabricante e a marcação dos cabos metálicos, correntes de varão
redondo de aço e ganchos, destinados a operações de elevação e movimentação
C Decreto-Lei nº 378/93 de 5 de Novembro, alterado pelos Decretos-Lei nº 139/95 de 14 de Junho e nº 374/98,
de 24 de Novembro
Transpõe para o direito interno a Directiva 89/392/CEE, do Conselho, de 14 de Junho, alterada pelas
Directivas 91/368/CEE, do Conselho, de 20 de Junho, 93/44/CEE, do Conselho, de 14 de Junho e
93/68/CEE, do Conselho, de 22 de Junho, relativas à concepção e fabrico de máquinas e componentes de
segurança quando sejam colocados no mercado isoladamente, com vista a eliminar ou diminuir riscos para a
saúde e segurança quando utilizadas nas condições previstas pelo fabricante e de acordo com o fim a que
se destinam
Revoga: Decreto-Lei nº 386/88 de 25 de Outubro, Decreto Lei nº 273/91 de 7 de Agosto, Portaria nº 736/88
de 10 de Novembro, Decreto Lei nº 47575 de 3 de Março de 1967, Portarias n 933/91 e 934/91 de 13 de
Setembro e Portaria nº 1214/91 de 20 de Dezembro

1.1.6. Normalização aplicável
C Norma Portuguesa NP EN115:1996
C Regras de segurança para o fabrico e instalação de escadas mecânicas e tapetes rolantes
C Norma Portuguesa NP 1939:1988
C Aparelhos de elevação e movimentação. Aparelhos pesados. Regras de segurança
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1.2. Movimentação manual de cargas
1.2.1. Introdução
O transporte manual de cargas envolve partes ou todo o corpo, e mesmo que a carga a movimentar não seja muito
pesada ou volumosa, a baixa eficiência do sistema muscular humano torna este trabalho pesado, provocando
rapidamente fadiga com consequências gravosas, nomeadamente aumentando o risco de ocorrência de acidentes
de trabalho ou de incidência de doenças profissionais. Os estudos biomecânicos assumem particular importância
nas tarefas de transporte e levantamento de cargas, comuns a um grande número de actividades, nas quais se
inclui a Industria Metalomecânica, responsáveis por varias lesões, por vezes irreversíveis ou de difícil tratamento,
sobretudo ao nível da coluna.
A coluna vertebral, devido à sua estrutura em discos, é pouco resistente a forças contrárias ao seu eixo, como se
pode observar:








Quando se levanta a carga na posição o mais erecta possível, o esforço de compressão distribui-se uniformemente
sobre a superfície total de vértebras e discos.
Nesta posição consegue-se reduzir em cerca de 20% a compressão nos discos, em relação ao levantamento na
posição curvada.



Nos movimentos de flexão, o núcleo não está alinhado com o centro do disco intervertebral, pelo que se desloca
pelo efeito de cunha que exercem as vértebras sobre ele.








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Este efeito reveste-se de uma especial importância na região lombar cujas vértebras têm pouco limitado o
movimento de flexão. Nestas condições, as fibras concêntricas do anel fibroso comprimem-se na parte dianteira e
dilatam-se na parte posterior.
O núcleo deslocado para trás acrescenta tensão a estas fibras provocando sobre elas una pressão anormal.
Ao endireitar a coluna até à posição vertical, num disco em bom estado, o núcleo regressa ao centro do disco por
efeito do impulso que se exerce sobre as fibras elásticas do anel fibroso. Os movimentos de rotação da coluna
resultam perigosos porque provocam um efeito de cizalha sobre os discos intervertebrais da região lombar.
Podemos intuir que os esforços realizados com o tronco flexionado podem ser extremamente perigosos. A repetição
de movimentos que impõem aos discos esforços anormais (flexão de grande amplitude, rotações, etc.) conduz a
deterioramento progressivo dos discos intervertebrais. As fibras elásticas do anel fibroso, em particular, tendem a
romper-se.
Ao endireitar o corpo depois de uma flexão, uma parte do núcleo pode ser trilhada nessas fibras deterioradas. Os
nervos sensitivos da periferia do disco, irritados, provocam uma dor violenta que desencadeia, por reflexo, o
bloqueio dos músculos em posição de semiflexão. Este é o mecanismo do lumbago, tão frequente hoje em dia.
O transporte manual de cargas é quase sempre um trabalho pesado, ainda que a carga a movimentar não seja
pesada ou volumosa, sobretudo quando há necessidade de elevação e transporte para plataformas ou de subir
escadas.
Durante o esforço muscular estático os vasos sanguíneos do tecido muscular são comprimidos e o fluxo de sangue,
e com ele o fornecimento de oxigénio e açúcar, é diminuído.
Surge então a fadiga, que tem consequências gravosas, não só porque reduz a eficiência do trabalho, como pode
conduzir a acidentes.
A frequência destes acidentes é, geralmente, elevada e aumenta para o fim do dia de trabalho.
Existem dois tipos de levantamento de cargas no trabalho:
+ LEVANTAMENTO ESPORÁDICO: relacionado com a capacidade muscular;
+ LEVANTAMENTO REPETITIVO: onde acresce a capacidade energética do trabalhador e a fadiga
física.
Outros riscos associados à elevação e transporte manual de cargas são:
― Queda de objectos nos pés;
― Ferimentos causados por marcha sobre, choque contra, ou pancada por objectos penetrantes;
― Contusões provocadas por objectos penetrantes ou contundentes.
MOVIMENTAÇÃO MANUAL DE CARGAS: Qualquer operação de transporte e sustentação de uma carga, por um ou mais
trabalhadores, incluindo levantar, colocar, empurrar, puxar, transportar e deslocar, que devido às suas
características, ou às condições ergonómicas desfavoráveis comporte riscos para os mesmos, nomeadamente na
região dorso-lombar.

1.2.2. Medidas de prevenção
O decreto-lei n.º 330/93, de 25 de Setembro, transpõe para o direito interno a Directiva n.º 90/269/CEE, do
Conselho, relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde na movimentação manual de cargas:
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―… Organização do trabalho adequada ou utilizar os meios apropriados, nomeadamente mecânicos‖.
Este preceito em obediência aos princípios gerais da prevenção e ao critério geral de eficiência que enquadra tais
princípios estabelece que deverão ser prioridades as medidas de ELIMINAÇÃO DO RISCO.
A solução passa pela adopção de metodologias que permitam a mecanização e automatização da elevação e
transporte de cargas.
Parte dos riscos podem ser controlados pela utilização de dispositivos de protecção individual, tais como:
― Capacete;
― Luvas;
― Calçado de protecção;
― Aparelhos auxiliares.

1.2.3. Avaliação de referencia do risco
1.2.3.1. Cargas máximas permitidas
Se utilizamos um método correcto para elevação manual, a carga máxima admissível é bastante elevada, sendo
limitada apenas pela resistência dos músculos.
A capacidade de elevação das mulheres é cerca de 60% da capacidade de elevação dos homens, o que limita o seu
emprego em operações que envolvem movimentação manual.
A Portaria n.º 186/73 (alterado o n.1 e revogado o n.4 pela Portaria n.º 229/96, de 26 de Dezembro), de 13 de
Março, que regulamenta o trabalho feminino, limita a 27 kg a carga máxima que uma mulher pode despender
acidentalmente e a 15 kg quando em esforço médio regular. A mesma portaria limita ainda à mulher, durante a
gravidez e três meses após o parto, a 10 kg o transporte manual regular de cargas.
Os valores limite para elevação e transporte manual de cargas dependem dos seguintes parâmetros:
º Idade;
º Sexo;
º Duração da tarefa;
º Frequência do movimento de elevação e transporte;
º Capacidade física do trabalhador.
Através do seguinte quadro podemos obter aqueles valores com base numa combinação dos parâmetros indicados.
Valores limite em kg para a elevação e transporte manual de cargas para indivíduos entre 25 e 45 anos.

Frequência de elevação e/ou
transporte manual
HOMENS MULHERES
Em % de 1 dia de trabalho de
8 horas (ou turno)
CAPACIDADE FÍSICA CAPACIDADE FÍSICA
ELEVADA MÉDIA BAIXA ELEVADA MÉDIA BAIXA
0 a 17 50 40 30 30 20 15
18 a 54 32 25 18 16 12 9
55 a 82 20 14 9 9 6 4
83 a 100 10 6 3 5 3 1

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Estes valores devem reduzir-se de cerca de 40% para jovens com idade inferior a 15 anos e homens com idade
superior a 60 anos.
Para o transporte em percursos com comprimento superior a 2 metros devem reduzir-se os valores em questão, de:
― 20 % Para percursos de 2 a 10 m;
― 40 % Para percursos de 10 a 25 m;
― 60 % Para percursos de 25 e superiores.

1.2.3.2. Características da carga
Características da carga:
· Carga pesada:
o > 30 kg em operações ocasionais;
o > 20 kg em operações frequentes.
· Carga volumosa ou difícil de agarrar;
· Carga em equilíbrio instável ou com conteúdo sujeito a deslocação;
· Carga colocada de tal modo que deve ser mantida ou manipulada à distancia do tronco, ou com flexão
do tronco;
· Carga susceptível, devido ao seu aspecto exterior e à sua consistência, de provocar lesões ao
trabalhador, nomeadamente no caso de choque.






A inclinação da coluna para a frente ou para trás origina uma tensão elevada nos músculos e ligamentos do lado
convexo e uma grande compressão nas extremidades das vértebras e dos discos no lado concavo. Em tais posturas
extremas os elementos elásticos da coluna vertebral não podem cumprir as suas funções.






Os trabalhadores devem movimentar-se suave cautelosamente quando elevam ou transportam cargas, puxam ou
empurram veículos de modo a evitarem a adopção de posturas perigosas. Quando estiver em causa o
desenvolvimento de grandes esforços físicos, a coluna não deve ser inclinada, nem rodada sobre o seu eixo. Deve
ser utilizada como um suporte e nunca como uma articulação.

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A elevação e o transporte manual de cargas requerem um grau elevado de coordenação muscular. A desatenção, a
fadiga e a rigidez dos músculos e tendões sob influência do frio, humidade e correntes de ar, quando o vestuário de
trabalho não fornece protecção suficiente, podem impedir essa coordenação e conduzir a acidentes. Por outro lado,
o exercício e os movimentos executados correcta e moderadamente melhoram a agilidade física e fortalecem os
músculos locomotores e dorsais.

1.2.3.3. Esforço excessivo
― Quando seja excessivo para o trabalhador;
― Quando apenas possa ser realizado mediante um movimento de torção do tronco;
― Quando possa implicar um movimento brusco da carga;
― Quando seja realizada com o corpo em posição instável.

1.2.3.4. Medidas adequadas
― Condições de risco:
o Espaço livre, nomeadamente vertical, insuficiente;
o Pavimento plano com desníveis;
o Local que não permite um m.m.c. a uma altura segura ou postura correcta;
o Pavimento ou pontos de apoio instáveis.
o Frequência do trabalho;
o Períodos insuficientes de descanso fisiológico e recuperação;
o Grandes distancias de elevação, abaixamento ou transporte;
o Cadencia que não possa ser controlada pelo trabalhador.
― Procedimentos a adoptar:
o Identificar as causas do risco e factores individuais de risco, nomeadamente aptidão física;
o Proceder a nova avaliação após aplicação das medidas adoptadas.
― Informação / Formação:
o Sobre os riscos potenciais para a saúde devido à incorrecta movimentação manual de cargas;
o Peso máximo e características da carga;
o Centro de gravidade da carga e trabalhador;
o Outros riscos associados;
o Queda de objectos sobre os pés;
o Ferimentos por marcha, choque ou pancada.

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1.2.4. Mecânica corporal
1.2.4.1. Princípios básicos
+ A utilização dos músculos mais fortes e mais longos ao erguer ou movimentar objectos é uma medida de segurança e torna
o movimento mais eficiente;
+ A contracção dos músculos abdominais ao erguer ou puxar um peso, ajuda a estabilizar a pelve e proteger as vísceras;
+ A estabilidade de um corpo é maior quando tem uma base de sustentação larga e um centro de gravidade baixo;
+ A força requerida para manter o equilíbrio de um corpo aumenta conforme a linha de gravidade se afasta do centro da base
de apoio;
+ Puxar ou deslizar um corpo requer menos esforço que levantá-lo, porque implica um movimento oposto à força da
gravidade;
+ O atrito entre a força e a superfície sobre o qual se move, afecta o trabalho necessário para movê-lo;
+ Servir-se do próprio peso para deslocar um objecto requer menos energia no movimento;
+ As mudanças de actividade e posição contribuem para conservar o tonus muscular e evitar a fadiga.
POSTURA
―Um inter-relacionamento relativo das partes do corpo, portanto, o equilíbrio entre os ossos, músculos, tendões e
ligamentos, estruturas que sustentam e protegem o corpo contra agentes externos ou internos, que actuam na
tentativa de quebrar a harmonia estática ou dinâmica deste equilíbrio‖.
É a posição do corpo que envolve o mínimo de sobrecarga das estruturas com o menor gasto de energia
para o máximo de eficiência na utilização do corpo.
É a posição do corpo humano no espaço, quer em movimento quer em repouso, sem que esta provoque
dor, esforço ou fadiga. Os principais sistemas envolvidos na movimentação do corpo são:
― Sistema muscular;
― Sistema esquelético;
― Sistema nervoso.
NÃO SENDO POSSÍVEL MECANIZAR O LEVANTAMENTO DE CARGAS, para o levantamento manual podemos
apontar algumas recomendações:
× Posto de trabalho (bancadas, prateleiras, equipamentos, etc.) deve ser projectado tendo em conta a
ocorrência de tarefas que obrigam a levantamento de cargas;
× Limitar o levantamento de pesos a 20 kg, no máximo – (este valor, para levantamentos frequentes,
resulta de estudos efectuados pelo NIOSH – National Institute for Occupational and Health, USA),
para levantamentos repetitivos em determinadas circunstâncias;
× A carga deve possuir formas que facilitem pegar-lhes (furos laterais, pegas);
× Manter a carga na vertical;
× Manter os pesos próximos do corpo;
× Evitar torções do tronco;
× Manter os pés e as costas numa postura correcta;
× Evitar movimentos bruscos que provoquem picos de tensão;
× Alternar posturas e movimentos;
× Trabalhar em equipa.

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NÃO SENDO POSSÍVEL MECANIZAR O TRANSPORTE DE CARGAS
Devem adoptar-se alguns princípios, entre outros:
× Limitar a carga;
× Evitar carregar pesos só com uma mão;
× Utilizar equipamentos de transporte, de preferência com rodas;
× Utilizar o movimento do corpo a favor do movimento;
× Utilizar um piso duro e nivelado.
Há aparelhos de vários tipos que podem ser utilizados na indústria como auxiliares da movimentação manual. Os
mais vulgares são os seguintes:
+ CARROS DE MÃO
Podem ter 1, 2 ou 4 rodas e são usados para transportar materiais e objectos mais ou menos
volumosos ou pesados através de distâncias curtas.
As pegas devem ter resguardos salientes para evitar o contacto com portas, colunas, esquinas ou
outros obstáculos.
A carga deve ser distribuída uniformemente, mantendo-se o seu centro de gravidade o mais baixo
possível.
A visibilidade do percurso a efectuar é uma condição de segurança importante.









+ Rolos, tubos de pequeno diâmetro
São utilizados para o transporte de materiais e de peças mais ou menos volumosas.
+ Ventosas
São apropriadas para o transporte de peças de vidro. São constituídas por um punho de dupla
ventosa com alavancas, sendo estas utilizadas para aderência do punho à carga e para a sua
deslocação. Funciona por vácuo.






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+ Pinças ou Garras
São utilizadas para o transporte de chapas, carris ou toros de madeira.
+ Íman
Exercem uma tracção magnética sobre os materiais em ferro, servindo para o transporte de chapas
de grande superfície.
+ Sifões
Servem para vazar líquidos corrosivos ou tóxicos de uns recipientes para os outros.

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1.3. Equipamentos dotados de visor
1.3.1. Introdução
Hoje em dia, grande parte do trabalho é feita com a ajuda de suportes informáticos, sendo a apresentação da
informação feita através de visores.
Nestes termos, tornou-se necessário regular a utilização de equipamentos dotados de visor, tendo surgido o
Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro e a Portaria o 989/93 de 6 de Outubro.
Não existem contra-indicações formais para trabalhar com equipamentos dotados de visor, desde que o utilizador
disponha de visão normal (ou que a mesma se encontre bem corrigida) e não possua doenças específicas (por
exemplo, epilepsia sensível a estímulos luminosos, doença grave do aparelho osteoarticular, etc.).
No entanto, há que ter em atenção o facto de que a observação de um visor por um longo período de tempo
contínuo impõe um esforço importante aos músculos oculares, podendo levar o utilizador a ficar com a visão
―desfocada‖, voltando ao normal após um período de paragem para descanso, podendo ainda surgir outros sinais e
sintomas, entre os quais se destaca a fadiga.
Outro problema a ter em atenção neste tipo de trabalho é o movimento repetitivo dos dedos e das mãos e a
restrição imposta à postura.

1.3.2. Efeitos no organismo
Uma actividade que implique a utilização prolongada de equipamentos dotados de visor pode conduzir ao
aparecimento de alguns sintomas, entre os quais se salientam:
C Lacrimejo, conjuntivite e fadiga visual;
C Cefaleias (dores de cabeça);
C Artralgias e mialgias (dores nas articulações e músculos) dos segmentos do corpo mais solicitados
(mãos, antebraços, ombros e coluna).

1.3.3. Medidas de prevenção
1.3.3.1. Medidas gerais de prevenção
Para minimizar os riscos deste tipo de actividade há que respeitar os seguintes princípios:
C Os comandos de regulação de brilho e de contraste do visor deverão ser passíveis de adaptação ao
padrão individual de conforto de cada utilizador;
C Os caracteres deverão ser nítidos e sem oscilações. Recomenda-se trabalhar com caracteres negros em
fundo claro, de forma a provocar menor fadiga visual;
C O uso simultâneo de muitas cores só deverá ser utilizado quando se pretenda referenciar diferentes
classes de informação em textos extensos, chamando a atenção do utilizador;
C Deverá ser dada especial atenção à organização do posto de trabalho, adaptando-o ao padrão
individual de conforto de cada utilizador e às necessidades de cada tarefa:
+ Distância visual recomendável: 30 a 70cm (fig. 1);
+ Ângulo visual correcto: entre l5º a 30º abaixo da horizontal (fig. 1);
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+ Cadeira dotada de máxima flexibilidade quanto às várias possibilidades de regulação (altura e
inclinação do assento e do apoio lombar), possuindo, pele menos, cinco rodas, de forma a
assegurar estabilidade (fig. 1);
+ Teclado móvel e separado do visor, permitindo uma adequada horizontalização dos antebraços,
pulsos e mãos;
+ Possibilidade de utilizar acessórios para maior conforto, se a tarefa o justificar (por exemplo,
suporte de documentos, filtros, apoia-pés);
+ Possibilidade de fazer pausas, permitindo a diferente solicitação da visão e a movimentação
articular e muscular;

+ Não deverão ser esquecidos os postos de trabalho de pé, os quais deverão ter o seu tratamento
específico, tendo em conta a correcta colocação dos visores nas máquinas ou painéis de
comando, de modo a serem asseguradas as condições essenciais de trabalho de cada operador,
nomeadamente:
· Distância visual;
· Ângulo visual;
· Orientação de forma a evitar reflexos.
Também o ambiente de trabalho deverá ser o mais adequado possível, no que diz respeito, fundamentalmente:
+ Espaço de acordo com o tipo de trabalho — deverá permitir fácil mobilidade ao utilizador;
+ Deverá ser usado tom claro e mate, tanto nos equipamentos como nos revestimentos das paredes
e pavimentos, de forma a reduzir a possibilidade de encandeamento
+ Iluminação correcta de modo a reduzir a fadiga visual; deverão ser usados estores para regular a
intensidade da luz natural, o visor deverá estar posicionado perpendicularmente às janelas,
afastado delas o mais possível e colocado paralelamente em relação à iluminação do tecto (fig. 2);
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+ Níveis de ruído que não originem incómodo (nunca acima de 70 dB (A));
+ Condições de conforto térmico em termos de humidade relativa e de temperatura ambiente, em
função do tipo de actividade desenvolvida
+ Os efeitos de todos estes factores sobre a visão estão intimamente ligados à duração do trabalho
com equipamento dotado de visor; assim, quando surgirem ―picadas‖ nos olhos, dores de cabeça,
dores nas articulações e músculos ou outras sensações de desconforto, o utilizador deverá dar
conhecimento ao médico do trabalho para que este possa analisar cada caso em concreto.

1.3.3.2. Vigilância de saúde
Nos exames médicos do trabalho, nomeadamente nos exames de admissão e periódicos, os trabalhadores deverão
ser submetidos a:
C História clínica e exame objectivo direccionados para os sistemas nervoso, oftalmológico, psíquico e
osteoarticular;
C Rastreio adequado de visão e, quando tal se justifique, exame oftalmológico de especialidade.
Sempre que os resultados exames médicos o exigirem e os dispositivos normais de correcção não puderem ser
utilizados, deverão ser facultados aos trabalhadores dispositivos especiais de correcção concebidos para o tipo de
trabalho desenvolvido.

1.3.3.3. Formação e informação dos trabalhadores
Todos os trabalhadores devem receber formação adequada antes da utilização dos equipamentos dotados de visor
e ser informados dos riscos para a saúde inerentes a esta actividade e quais os meios de os minimizar.

1.3.4. Legislação aplicável
Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro
Transpõe para o direito interno a Directiva 9012701CEE, do Conselho, de 29 de Maio, relativa às prescrições
mínimas de segurança e de saúde para utilização pelos trabalhadores de equipamentos dotados de visor
Portaria nº 989/93 de 6 de Outubro
Regulamenta o Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro
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1.4. Movimentação mecânica de cargas
1.4.1. Introdução
A movimentação e o manuseamento de cargas são responsáveis por cerca de 30% dos acidentes de trabalho nas
diferentes fases do processo produtivo, provocados por queda levantamento de objectos, entaladela entre objectos,
etc.
A preocupação com estes números é ainda maior se se considerar que esta actividade na vida de uma empresa
ocupa cerca de 60 a 80% do ciclo de fabricação e que o peso de materiais normalmente movimentados numa
indústria corresponde a cerca de cinquenta toneladas por cada tonelada de produto acabado.

1.4.2. Componentes em interacção
Podemos dividir as variáveis envolvidas neste processo em três, cujas causas podem condicionar a movimentação
mecânica de cargas: o material, o deslocamento e o método, cada uma com riscos inerentes e consequências
diferentes.

1.4.2.1. Material
O modo como se apresenta o material pode influenciar as técnicas e recursos disponíveis:
a. O seu estado físico, se este é um sólido ou um líquido;
b. A natureza do material, por exemplo, se é explosivo, implica técnicas especiais de armazenagem e
movimentação;
c. As características do próprio material que podem causar dificuldades de manuseamento devido às suas
dimensões, peso, grau de perigosidade;
d. A quantidade de material a movimentar é outra das condicionantes a respeitar, especialmente quando
existem limites impostos pelos equipamentos. Por exemplo, cada aparelho de elevação accionado
mecanicamente (carros automotores e reboques) deve apresentar, de forma bem visível, a indicação da
capacidade máxima admissível de carga.

1.4.2.2. Deslocamento
A movimentação dos materiais é uma prática constante no dia-a-dia, implicando cuida dos especiais que devem ser
atempadamente previstos.
a. É importante estar definido e ser conhecido o local de origem e destino da mercadoria, para se
seleccionarem convenientemente os recursos. Como existem vários tipos de equipamentos, deverão
escolher-se aqueles que melhor respondem às necessidades considerando a distância a percorrer, a
inclinação e as características do local de origem e destino;
b. Deverá ser considerada a frequência com que se efectua cada movimentação, para se adoptar a melhor
via de circulação e o tipo de equipamento a utilizar. For exemplo, um deslocamento frequente requer
maiores cuidados do que um deslocamento ocasional, necessitando quaisquer deles regras de segurança
adequadas;
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c. A velocidade dos meios mecânicos de transporte deverá ser condicionada às características do percurso,
natureza da carga, possibilidade de travagem, tipo de locomoção e distância;
d. Deverá estabelecer-se o itinerário, antes de se iniciar qualquer actividade. Se o percurso é habitual deverá
estar bem projectado e concebido de forma a:
C Reduzir os riscos resultantes do tráfego;
C Considerar os diferentes tipos de veículos;
C Ter em conta o espaço disponível;
C Considerar a localização de outras vias de trânsito.
As vias de circulação de veículos deverão estar concebidas de forma a evitar:
C Ângulos e curvas bruscas;
C Rampas muito inclinadas;
C Passagens estreitas e tectos baixos.
Estas vias deverão ser marcadas de cada lado e a todo o seu comprimento por um traço contínuo e nítido e
mantidas livres de qualquer obstáculo.
As superfícies dos pavimentos em que esteja prevista a circulação de carros de transporte deverão ser
suficientemente lisas e isentas de cavidades, saliências e outros obstáculos, para que a circulação se efectue com
toda a segurança.
As vias-férreas fabris, se for o caso, deverão ser construídas tendo em conta a resistência do terreno, a qualidade e
colocação das travessas e dos carris, a curvatura e o declive, a carga útil e a velocidade do material rolante.
Para o caso de existirem placas giratórias, estas deverão ser equipadas com dispositivos de imobilização.

1.4.2.3. Método
O método a adoptar, como já houve oportunidade de referir, deverá ser escolhido atendendo à especificidade do
material e ao deslocamento a efectuar. Deverá sobretudo considerar-se:
a. A carga a transportar, pode constituir um risco. Por exemplo, um dos cuida dos a ter é baixar, tanto quanto
possível, o centro de gravidade da carga;
b. O tipo de embalagem, se são caixas de cartão, sacos ou a granel;
c. Antes de efectuar um deslocamento, deverá verificar-se se o equipamento é adequado à carga, ou seja,
se o peso da carga não excede a capacidade do equipamento;
d. O tipo de equipamento deverá ser escolhido em função da movimentação a efectuar. Dada a importância
desta componente, desenvolve-se em seguida este assunto.

1.4.3. Equipamentos de manobra
Existem vários tipos de equipamentos com características muito diferentes. A sua versatilidade permite uma eficaz
adequação à actividade desenvolvida. A melhor estratégia na redução do risco é escolher antecipadamente o meio
mais eficaz e adaptado, capaz de responder às solicitações.
Para efectuar algumas manobras existem equipamentos que exigem do homem só a condução, outros exigem a
condução e a propulsão, e ainda outros exigem a condução, a propulsão e a elevação parcial.
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Os equipamentos dividem-se em três grupos fundamentais e respectivos acessórios:

1.4.3.1. Equipamentos
Carros de transporte manual e mecânico
De entre os vários equipamentos deste género disponíveis no mercado, os mais
conhecidos e utilizados são:
+ Carros de transporte manual
C Os carros de transporte manual mais utilizados são os ‗porta-paletes‖,
que deverão ser utilizados tendo em conta a segurança e o tipo de
transporte a efectuar.
C As rodas devem ser adequadas aos ambientes e pavimentos.
C Devem ser dotados de um sistema de travagem e não deverão ser
utilizados em rampas ou superfícies inclinadas.
C As pegas ou varões de empurrar devem dispor de guarda-mãos.
+ Carros de transporte mecânico
O empilhador é provavelmente o transporte mecânico mais versátil e mais utilizado.
Todos os empilhadores são fabricados de acordo com normas (ASME
B56.1:1995, NFPA 505:1996, NFPA 70:1996;etc.) onde se estabelecem
as suas protecções, os ambientes de trabalho, os usos, as operações e a
sua manutenção.
São fabricados com especificações técnicas para se adaptarem a vários
tipos de cargas. Estas normas permitem escolher o tipo de empilhador a
utilizar em função das necessidades e riscos existentes.
Os empilhadores podem ser classificados pela sua fonte de energia,
posição do operador e formas de transportar a carga.
Quanto às fontes de energia, podem ser:
C Energia eléctrica armazenada em bateria que fazem accionar motores eléctricos;
C Motores a gasolina ou a diesel;
C Motores que queima GPL (gás) e combinações mistas.

Os empilhadores eléctricos são os menos poluentes e ruidosos, próprios para o interior de edifícios apresentando,
no entanto, alguns riscos em particular se não se respeitarem regras fundamentais como: a carga das baterias que
deve ser efectuada num local limpo e ventilado (retirando os tampões dos elementos da bateria). Os empilhadores a
diesel são os mais poluentes pois emitem altas percentagens de monóxido de carbono. Os de gás, quando bem
afinados, são pouco poluentes.
Em relação à posição do condutor, esta pode ser no interior da cabina do empilhador ou no exterior da máquina.
Também podem existir sistemas automáticos que dispensam condutor e que usam soluções electrónicas e rotas
preestabelecidas.
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As formas de transportar as cargas são as mais diversas, desde o reboque em cima de plataformas móveis de um
ponto para o outro nas instalações, até ao uso de ―garfos‖ para pegar, levantar do solo, transportar, elevar e
depositar cargas.
Existe por vezes o perigo dos empilhadores capotarem, dado o peso da carga, velo cidade e o modo de execução
da manobra. Para estas circunstâncias devem estar disponíveis protecções para salvaguardar o operador como, por
exemplo, guardas laterais e, em especial, uma protecção resistente sobre a cabeça do operador, protegendo-o
também da queda de objectos. A utilização dos ―garfos‖ deve provocar o afastamento da vertical do centro de
gravidade da carga. Esta situação pode ser crítica, principalmente em terrenos inclinados.
As cargas não deverão ser levantadas ou descidas durante o trajecto e os ―garfos‖ devem ser sempre colocados o
mais baixo possível mas sem bater nas irregularidades do pavimento. Quando a carga for muito volumosa, o
empilhador deverá ser conduzido de marcha-atrás, para permitir ao operador a visibilidade do trajecto.
Durante as operações de carga e descarga de camiões, utilizando empilhador, os camiões deverão estar bem
travados (de preferência com calces) e as rampas de acesso ao seu interior deverão ser anti-derrapantes, evitando
ressaltos e encravamentos das rodas dos empilhadores.
A segurança do operador deve estar salvaguardada, a sua posição deve permitir visibilidade em todas as direcções
e possibilidade de se escapar rapidamente em caso de acidente.
O empilhador deve possuir volante especial, buzina, ‗pirilampos‖ de sinalização e sinal sonoro de marcha-atrás,
devendo a indicação da sua capacidade estar bem visível.
Durante as manobras, o operador deve ter em atenção as estruturas superiores ou objectos próximos, tais como
cabos eléctricos, tubagens, ―sprinklers‖, colunas, contentores, quadros eléctricos, extintores de incêndio, portas
corta-fogo, etc. De qual quer forma, estas estruturas deverão estar equipadas com barreiras de protecção e
convenientemente sinalizadas.
Para facilitar a visibilidade deverão instalar-se espelhos de canto nas esquinas das estruturas (semelhantes aos
utilizados na circulação rodoviária). E aconselhável a utilização das buzinas sempre que o empilhador se aproximar
de locais com pouca visibilidade.
Os operadores e/ou condutores de empilhadores devem ser seleccionados, treina dos e só os qualificados deverão
exercer a actividade. Não é permitido o transporte de pessoas nos empilhadores, para além do condutor.
B. Equipamentos de elevação
Para a elevação de materiais existem equipamentos tão diversos como gruas, guinchos, guindastes, etc.,
que são comandados pelo homem.
As gruas são equipamentos com estruturas pesadas, com capacidade dê carga para várias toneladas.
Para além da elevação, têm translação motorizada em uma ou em duas direcções. Em vez de duas
direcções, algumas têm rotação e translação radial. Mais sofisticadas são as gruas automóveis, que
operam praticamente em todo o terreno e cujas lanças são extensíveis. As pontes rolantes são também
exemplos de gruas.
As gruas, como máquinas complexas que são, devem ser utilizadas de forma adequada para se evitarem acidentes.
As cargas devem ser colocadas na vertical das lanças, de modo a evitar solicitações laterais. Os comandos das
gruas devem ser bimanuais ou incluir o ―pedal do morto‖ para evitar manobras erradas.
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Os guinchos são equipamentos de elevação de cargas cuja translação, a existir, é efectuada manualmente. A
elevação pode ser feita por motor eléctrico, por motor pneumático ou manualmente, por cor rentes ou alavanca. A
capacidade de carga do aparelho não deve ser excedida.
As manobras das gruas e guinchos devem ser suaves, evitando arranques, paragens bruscas e velocidades
elevadas, de modo a não baloiçar demasiadamente a carga. No caso dos guinchos, é fundamental a existência de
travões ou ―patilhas‖ de segurança que impeçam a queda intempestiva das cargas.
Todos os componentes como tambores, cabos, correntes, polis e ganchos são elementos fundamentais para a boa
operação de gruas, guinchos e outros equipamentos de elevação. Todas estas partes móveis e elementos de
tracção contribuem para um bom funcionamento do equipamento.
Inspecções rigorosas e periódicas a estes elementos deverão ser feitas para detectar eventuais fissuras, desgastes,
deformações e danos nos materiais que reduzem as suas capacidades e condições de utilização. Tanto os cabos
como os ganchos deverão ser objecto de especial atenção, uma vez que são os componentes de maior desgaste
(destacando-se nos ganchos a possibilidade de deformação).
C. Sistemas Transportadores
Um sistema transportador é, segundo a ASME (American Society of Mechanical Engineers) um dispositivo
horizontal, inclinado ou vertical para movimentar ou transportar material a granel, embalagens ou objectos numa
cadência pré-determinada pelo dispositivo que tem pontos de carga e descarga previamente seleccionados, fixos ou
ajustáveis. Podem ser sistemas de correias, correntes, parafusos sem fim, por gravidade, por rolos, etc.
As engrenagens, correntes, rodas e outras partes móveis deste sistema deverão estar protegidas de modo a evitar
acidentes pessoais. Deverão existir sinais de AVISO nos pontos de carga e descarga, protecções e dispositivos de
paragem de emergência ao longo de todo o comprimento do sistema, Os operadores nunca deverão colocar os
braços e a cabeça debaixo das correias ou dos sistemas de propulsão, ou ainda transpor o sistema de um lado para
outro, sem ser por meio de passagens adequa das com guardas e corrimões, para evitar quedas sobre os
transportadores.

1.4.3.2. Acessórios
Alguns dos equipamentos atrás referenciados necessitam de acessórios corno cordas, esteiras, cintas e paletes
para auxílio da manobra. Estes acessórios são os meios de ligação entre as cargas e os equipamentos de elevação
que devem ser adaptados e manuseados correctamente pelos operadores. A sua correcta utilização exige um treino
específico.
As paletes, em especial, estão disponíveis no mercado em muitos formatos e materiais devendo optar-se pela mais
adequada em função da tarefa, Deverá, ainda, retirar-se de circulação toda e qualquer palete que apresente perigo
devido ao seu estado de degradação.

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1.4.4. Manutenção
Todos elementos da estrutura, mecanismos, fixadores e acessórios dos equipamentos de manobra devem ser de
boa construção, de materiais apropriados e resistentes e ser mantidos em bom estado de conservação e
funcionamento.
Após a fase de implementação, deverá continuar-se a dar importância ao equipamento, estabelecendo de imediato
e cumprindo o plano de manutenção (controlo, limpeza, conservação).

1.4.5. Medidas básicas de segurança
A segurança oferecida pelo equipamento só é potencializada e efectiva se se cumprirem os procedimentos de
utilização da máquina e se o estado de saúde do operador for adequado.
Existem fundamentalmente três processos através dos quais se assegura a integridade física das pessoas.
a. Mantendo o homem afastado da máquina através de:
C Barreiras;
C Vedações;
C Elementos sensíveis de detecção de movimento.
No entanto, este processo apresenta um risco residual porque requer sempre intervenção activa ou passiva de
pessoas.
b. Mantendo a máquina afastada do homem através de:
C Interruptores manuais e/ou automáticos;
C Freios manuais, auxiliados mecanicamente ou aplicados à potencia.
Por exemplo, os carro por motores de combustão não devem ser utilizados na proximidade de locais com poeiras
explosivas ou vapores inflamáveis e/ou no interior de edifícios onde a ventilação não seja suficiente para eliminar os
riscos ocasionados pelos gases de escapes.
c. Os dispositivos da precaução, utilizando sinalização activa e passiva. Algumas situações à frente
apresentadas demonstram a aplicação desta medida.
Por exemplo:
C Os condutores dos aparelhos de elevação não os devem deixar sem vigilância quando estiver
suspensa uma carga. Neste caso, o próprio condutor fará o aviso necessário;
C Quando é necessário deslocar cargas perigosas por cima de locais de trabalho, tais como metal em
fusão ou objectos presos a electroímanes, deve lançar-se um sinal de advertência eficaz a fim de
alertar os trabalhadores para abandonar a zona perigosa;
C Os sinais que indiquem condições de perigo em zonas de trânsito devem ser convenientemente
iluminados durante o serviço nocturno;
a elevação e transporte de cargas por aparelhos de elevação devem ser regulados por um código de sinalização
que comporte, para cada manobra, um sinal distinto feito, de preferência, por movimentos dos braços ou das mãos,
devendo os sinaleiros ser facilmente identificáveis à vista.
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1.4.6. Legislaçâo aplicável
Portaria ri 53/71 de 3 de Fevereiro, na redacção dada pela Portaria n 702/80 de 22 de Setembro
Aprova o Regulamento Geral de Segurança e Higiene do Trabalho nos Estabelecimentos Industriais
Decreto-lei nº 110/91, de 18 de Março
Aprova os Regulamentos de segurança de elevadores escadas mecânicas e tapetes rolantes
Decreto-lei nº 286/91, de 9 de Agosto
Estabelece as prescrições técnicas de construção, verificação e funcionamento a que devem obedecer os aparelhos
de elevação e movimentação
Portaria nº de 2 de Março
Aprova como Regulamento de Segurança de Ascensores Eléctricos (RSAE) a norma
NP-3163-1:1988
Decreto-lei nº 378/93 de 5 de Novembro, alterado pelos Decretos-lei nº 139/95 de 14 de Junho e nº 374/98, de 24
de Novembro
Transpõe para o direito interno a Directiva 89/392/CEE, do Conselho, de 14 de Junho, alterada pelas Directivas
91/368/CEE, do Conselho, de 20 de Junho, 93/44/CEE, do Conselho, de 14 de Junho e 93/68/CEE, do Conselho, de
22 de Junho, relativas à concepção e fabrico de máquinas e componentes de segurança q sejam colocados no
mercado isoladamente, com vista a eliminar ou diminuir riscos para a saúde e segurança quando utilizadas nas
condições previstas pelo fabricante e de acordo com o fim a que se destinam.
Revoga: Decreto-lei nº 386/88 de 25 de Outubro, Decreto-lei nº 273/91 de 7 de Agosto, Portaria nº 736/88 de 10 de
Novembro, Decreto-lei nº 47575 de 3 de Março de 1967, Portarias nº 933/91 e 934/91 de 13 de Setembro e Portaria
n 1214/91 de 20 de Dezembro
Decreto-lei nº 295/98, de 22 de Setembro
Estabelece os princípios gerais de segurança relativos aos ascensores e respectivos componentes, transpondo para
o direito interno a Directiva n 95/16/CE de 29 de Junho
Decreto-lei nº 82/99, de 16 de Março
Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva nº 89/655/CEE, do Conselho, de 30 de Novembro de 1989,
alterada pela Directiva n 95/63/CE, do Conselho, de 5 de Dezembro de 1995, relativa às prescrições mínimas de
segurança e de saúde para a utilização pelos trabalhadores de equipamentos de trabalho

1.4.7. Normalização aplicável
C Norma Portuguesa NP 1748:1985 - Aparelhos de elevação e movimentação. Aparelhos de elevação de série. Terminologia
ilustrada: Lista de termos equivalentes
C Norma Portuguesa NP 3163-1:1988 - Regras de Segurança para a construção e instalação de ascensores e monta-cargas.
Parte 1: Ascensores Eléctricos
C National Fire Protection Association NFPA 70:1996 - National Electrical Code
C National Fire Protection Association NFPA 505:1996 - Powered Industrial Trucks, including type designations, areas of use,
maintenance, and operation
C American Society for Mechanical Engineers ASME B56.11.4:1994 - Hook-types and Fork Carriers for Powered Industrial
Forklifts Trucks
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C American Society for Mechanical Engineers ASME B56.1:1995 Safety Standards for Low Lift and High Lift Trucks
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1.5. Máquinas
1.5.1. Introdução
Associados à utilização de máquinas estão vários riscos para a saúde e segurança das pessoas podendo, em
certos casos, provocar acidentes de trabalho e doenças relacionadas com o trabalho
Com o desenvolvimento tecnológico, as máquinas atingiram melhores níveis de eficiência mas, por outro lado,
agravaram-se ou surgiram novos riscos inerentes à sua utilização. Por vezes, os dispositivos de segurança não são
suficientes para evitar o contacto com zonas perigosas, assim a necessidade de as identificar e controlar é
importante para a prevenção de acidentes.
Com a abertura do mercado e a consequente possibilidade de livre circulação de produtos, houve necessidade de
(in) formar os fabricantes e consumidores para conhecer e respeitar os requisitos de segurança, criando-se
legislação específica e normalização.

1.5.2. Definições
Para facilitar a comunicação nesta matéria, são definidos seguidamente alguns conceitos fundamentais,
imprescindíveis para gerir toda a informação disponível nesta área.

a) «Máquina»:
i) Conjunto, equipado ou destinado a ser equipado com um sistema de accionamento diferente da força
humana ou animal directamente aplicada, composto por peças ou componentes ligados entre si, dos quais
pelo menos um é móvel, reunidos de forma solidária com vista a uma aplicação definida;
ii) Conjunto referido na subalínea anterior a que faltam apenas elementos de ligação ao local de utilização
ou de conexão com as fontes de energia e de movimento;
iii) Conjunto referido nas subalíneas i) e ii) pronto para ser instalado, que só pode funcionar no estado em
que se encontra após montagem num veículo ou instalação num edifício ou numa construção;
iv) Conjunto de máquinas referido nas subalíneas i),
ii) e iii) e ou quase -máquinas referidas na alínea g) que, para a obtenção de um mesmo resultado, estão
dispostas e são comandadas de modo a serem solidárias no seu funcionamento;
v) Conjunto de peças ou de componentes ligados entre si, dos quais pelo menos um é móvel, reunidos de
forma solidária com vista a elevarem cargas, cuja única fonte de energia é a força humana aplicada
directamente;
b) «Equipamento intermutável»
Dispositivo que, após a entrada em serviço de uma máquina ou de um tractor, é montado nesta ou neste
pelo próprio operador para modificar a sua função ou introduzir uma nova função, desde que o referido
equipamento não constitua uma ferramenta;
c) «Componente de segurança»
Qualquer componente:
i) Que serve para garantir uma função de segurança; e
ii) Que é colocado isoladamente no mercado; e
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iii) Cuja avaria e ou mau funcionamento ponham em perigo a segurança das pessoas; e
iv) Que não é indispensável para o funcionamento da máquina ou que pode ser substituído por
outros componentes que garantam o funcionamento da máquina;
d) «Acessório de elevação»
Componente ou equipamento não ligado à máquina de elevação que permite a preensão da carga e é
colocado entre a máquina e a carga ou sobre a própria carga ou destinado a fazer parte integrante da
carga e que é colocado isoladamente no mercado; são igualmente considerados como acessórios de
elevação as lingas e seus componentes;
e) «Correntes, cabos e correias»
As correntes, os cabos e as correias concebidas e construídas para efeitos de elevação como
componentes das máquinas ou dos acessórios de elevação;
f) «Dispositivo amovível de transmissão mecânica»
O componente amovível destinado à transmissão de potência entre uma máquina automotora ou um
tractor e uma máquina receptora, ligando -os ao primeiro apoio fixo, sendo que sempre que seja colocado
no mercado com o protector deve considerar -se como um só produto;
g) «Quase -máquina»
O conjunto que quase constitui uma máquina mas que não pode assegurar por si só uma aplicação
específica, como é o caso de um sistema de accionamento e que se destina a ser exclusivamente
incorporada ou montada noutras máquinas ou noutras quase–máquinas ou equipamentos com vista à
constituição de uma máquina à qual é aplicável o presente decreto -lei;
h) «Colocação no mercado»
A primeira colocação à disposição na Comunidade, a título oneroso ou gratuito, de uma máquina ou
quase-máquina com vista a distribuição ou utilização;
i) «Fabricante»:
i) Qualquer pessoa singular ou colectiva responsável pela concepção e ou pelo fabrico de uma máquina
ou quase–máquina abrangida pelo presente decreto -lei, bem como pela conformidade da máquina ou
quase -máquina com o presente decreto-lei tendo em vista a sua colocação no mercado, com o seu
próprio nome ou a sua própria marca ou para seu uso próprio;
ii) Na falta de fabricante na acepção da subalínea anterior, considera -se fabricante qualquer pessoa
singular ou colectiva que proceda à colocação no mercado ou à entrada em serviço de uma máquina ou
quase-máquina abrangida pelo presente decreto-lei;
j) «Mandatário»
Qualquer pessoa singular ou colectiva, estabelecida na Comunidade, que tenha recebido um mandato
escrito do fabricante para cumprir, em seu nome, a totalidade ou parte das obrigações e formalidades
ligadas ao presente decreto -lei;
l) «Entrada em serviço»
a primeira utilização, na Comunidade, de uma máquina abrangida pelo presente decreto--lei de acordo
com o fim a que se destina;
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m) «Norma harmonizada»
a especificação técnica, não obrigatória, adoptada por um organismo de normalização, a saber, o Comité
Europeu de Normalização (CEN), o Comité Europeu de Normalização Electrotécnica (CENELEC) ou o
Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações (ETSI), com base num mandato conferido pela
Comissão de acordo com os procedimentos estabelecidos na Directiva n.º 98/34/CE, do Parlamento
Europeu e do Conselho, de 22 de Junho, relativa a um procedimento de informação no domínio das
normas e regulamentações técnicas e das regras relativas aos serviços da sociedade da informação,
transposta para a ordem jurídica interna pelo Decreto -Lei n.º 58/2000, de 18 de Abril, com as alterações
de que foi objecto.

1.5.2.1. Aquisição de máquinas
A aquisição de qualquer equipamento deve ser precedida da elaboração de um caderno de encargos onde deverão
estar bem explícitas todas as regras de segurança. Cada equipamento adquirido deverá possuir um manual de
instruções com informação precisa sobre a sua manipulação e componente de segurança, devendo ser redigido em
Português e de fácil compreensão.

1.5.3. Equipamento de trabalho
Os equipamentos de trabalho devem respeitar as regras técnicas relativas às exigências essenciais de segurança e
protecção da saúde, não só pela exigência inerente à Directiva Máquinas (declaração de conformidade,
procedimentos de comprovação complementares e marcação ―CE‖), mas também pelo facto dos custos de
execução serem mais baixos e a instalação mais fácil durante a fase de concepção. Quando não for possível
cumprir todos os requisitos legalmente estabelecidos, deverão ser adoptadas de uma forma inequívoca, por parte do
fabricante, medidas que garantam as condições de segurança.

1.5.3.1. Princípios de concepção
As soluções mais fiáveis devem ser concebidas de origem, pela sua eficiência e baixo custo. Por isso, existem
alguns princípios fundamentais que devem ser amplamente estudados, antes de se conceber um equipamento:
C Respeitar prioridades na concepção: para que o risco de um equipamento seja o mais baixo
possível e a eficácia maior na prevenção de acidentes, deve respeitar se a seguinte hierarquia:
+ Eliminar ou reduzir os riscos;
+ Adoptar medidas de protecção especiais para riscos que não possam ser eliminados;
+ Por último, informar os utentes dos seus perigos, dar formação específica e disponibilizar
equipamento de protecção individual.
C Segurança de produto— conceber um equipamento prevendo utilizações em condições normais
e/ou anormais para evitar a sua utilização indevida;
C Ergonomia — respeitar os princípios ergonómicos, ou seja, a fadiga, constrangimentos psíquicos
(―stress‖) devem ser reduzidos ao mínimo possível
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C Equipamentos de protecção individual — Se for caso disso, o fabricante deve impor as limitações
necessárias ou previsíveis à utilização de equipamentos de protecção individual;
C Acessórios — As máquinas devem ser fornecidas com todos os equipamentos e acessórios
especiais e essenciais para poderem ser utilizadas sem risco;
C Instalação — A máquina deve poder ser colocada num lugar sem riscos; caso não possa ser
transportada à mão, deve estar equipada com acessórios que permitam a preensão por um meio de
elevação, caso contrário, deve ter disponível pegas ou outros sistemas.

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1.5.3.2. Comandos
Os comandos devem ser seguros e fiáveis de forma a não originar situações perigosas
em caso de erro de lógica nas manobras.
O botão de arranque de uma máquina só deve ser accionado por uma acção
voluntária sobre um órgão de comando previsto para o efeito.
Cada máquina deve estar equipada com um ou vários dispositivos de paragem de
emergência, por meio dos quais possam ser evitadas situações de perigo latente ou
existente.
O modo de comando seleccionado deve ter prioridade sobre todos os outros sistemas de comando, com excepção
da paragem de emergência.
Os suportes lógicos do diálogo entre o operador e o sistema de comando ou de controlo de uma máquina devem ser
orientados para o utilizador.

1.5.3.3. Avisos
As informações disponíveis para se operar com uma máquina devem ser precisas e de fácil compreensão.
Se for caso disso, a máquina deve possuir dispositivos de alerta que não sejam ambíguos e respeitem as cores e
sinais de segurança.
Mesmo assim, se continuarem a existir riscos pela especificidade do equipamento (por exemplo: armário eléctrico,
fonte radioactiva), o aviso deve estar ilustrado com pictogramas e legendado em português.
Em função da sua natureza, a máquina deve possuir todas as indicações indispensáveis à segurança de utilização
(por exemplo, frequência máxima de rotação de deter minados elementos rotativos, diâmetro máximo de
ferramentas que podem ser monta dos, massa, etc.).
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1.6. Segurança para máquinas
1.6.1. Riscos
1.6.1.1. Riscos mecânicos
Alguns dos riscos que podem provocar lesões físicas ou funcionais são
descritos como:
C Falta de estabilidade do equipamento;
C Resistência dos materiais (fadiga, envelhecimento, corrosão,
abrasão);
C Risco de quedas ou projecções de objectos (peças
maquinadas, ferramentas, aparas, fragmentos, resíduos,
etc.);
C Arestas vivas, ângulos vivos ou superfícies rugosas
susceptíveis de causarem ferimentos.
1.6.1.2. Outros tipos de riscos
C Fontes de alimentação: eléctrica, hidráulica, pneumática, térmica;
C Cargas electrostáticas;
C Erros de montagem ou remontagem;
C Temperaturas extremas, muito elevadas ou muito baixas;
C Incêndio e de explosão;
C Ruído e vibrações;
C Radiações;
C Equipamento laser;
C Emissões de poeiras e gases.
C Regra geral, os protectores devem ser robustos e permitir
intervenções de manutenção.
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1.6.2. Características dos protectores e dispositivos de protecção
Os dispositivos de protecção devem ser inseridos nos sistemas de comando e garantir a impossibilidade de alcançar
os elementos móveis. Em caso de avaria, devem provocar a paragem dos elementos móveis.
Um protector é um elemento de uma máquina utilizado especificamente para garantir uma protecção por meio de
uma barreira material. Consoante a sua construção, um protector pode ter designações diferentes, tais como:
―cárter‖, tampa, resguardo, porta, cercadura fechada e podem classificar-se em:

Tipo de protector
Protector fixo Protector mantido no seu lugar (i.e. fechado), quer de maneira permanente (por soldadura),
quer por meio de elementos de fixação (parafusos, porcas, etc.) que só permitem que o
protector seja remo vido ou aberto com auxílio de uma ferramenta.
Protector móvel Protector que se pode abrir sem utilizar nenhuma ferramenta e que geralmente é ligado por
elementos mecânicos (por meio de dobradiças, por exemplo) à estrutura da máquina ou a
um elemento fixo vizinho.
Protector regulável Protector fixo ou móvel que é regulável no seu conjunto ou que contém parte ou partes
reguláveis. A regulação mantém-se inalterada durante uma determinada operação.


Protectores com dispositivos de:
Encravamento Protector associado a um dispositivo de encravamento de modo que:
C As funções perigosas da máquina ―cobertas‖ pelo protector não possam operar
enquanto o protector não estiver fechado;
C Se o protector for aberto durante a operação das funções perigosas da máquina, é
dada uma ordem de paragem;
C Desde que o protector esteja fechado, as funções perigosas da máquina ―cobertas‖
pelo protector podem operar, mas o fecho do protector não inicia por si próprio a
operação de tais funções (exemplo: a máquina pára quando alguém ou algo avança
sobre a área de perigo),
Bloqueio Protector associado a um dispositivo de encravamento e um dispositivo de bloqueio
mecânico, de modo que:
C As funções perigosas da máquina ―cobertas‖ pelo protector não possam operar
enquanto o protector não estiver fechado e bloqueado;
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C O protector permanece bloqueado na posição de fechado até que tenha desaparecido o
risco de ferimento devido às funções perigosas da máquina;
C Quando o protector estiver bloqueado na posição de fechado, as funções perigosas da
máquina podem operar, mas o fecho e o bloqueio do protector não iniciam por si
próprios a operação de tais funções (exemplo: uma grade que só permite o
funcionamento da máquina quando está correctamente posicionada).
Protectores com
comando de
arranque
Protector associado a um dispositivo de encravamento (ou de bloqueio), de modo que:
C As funções perigosas da máquina ―cobertas‖ pelo protector não possam operar até que
o protector esteja fechado;
C O fecho do protector inicie a operação da(s) função(ões) perigosa(s) da máquina;
C (exemplo: painéis automáticos móveis para protecção das máquinas como prensas,
máquinas de moldar plástico e borracha, por injecção ou compressão, com carga ou
descarga manual).



Dispositivos sensores: Por exemplo: dispositivos electrossensíveis especialmente concebidos para a
detecção da presença de pessoas, nomeadamente, barreiras invisíveis, tapetes
sensíveis detectores electromagnéticos.

Estrutura de protecção contra o risco de viragem


Dispositivos de comando:
De acção continuada Manter o comando, botão, etc. premido.
Bimanuais Blocos lógicos destinados a assegurar funções de segurança por meio de
comandos bimanuais.
Por movimento limitado (passo a passo).
Estruturas de protecção contra riscos de queda de objectos
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1.6.3. Manutenção
As operações de manutenção, na grande maioria das vezes, são as principais causadoras de acidentes, devido ao
factor surpresa e por serem, maioritariamente, tarefas não ―standardizadas‖.
Por isso, estas operações devem ser feitas com a máquina parada e com zonas de acesso próprias.
As fontes de energia devem estar identificadas e permitir o seu bloqueamento ou interrupção com facilidade. De
preferência, devem colocar-se dispositivos de segurança para evitar o arranque acidental pois muitos acidentes
ocorrem quando uma máquina é accionada por acaso durante o trabalho de manutenção.

1.6.4. Manual de instruçôes
Cada máquina deve ser acompanhada de um manual de instruções com informações precisas sobre a sua
manipulação e componente de segurança. Este deve acompanhar a máquina, ser redigido em português (se se
destinar ao mercado nacional) e de fácil compreensão.
O manual deve estar tão completo quanto possível e contemplar informações como a movimentação (transporte),
instalação, colocação em serviço, regulação, operação, manutenção, reparação, montagem, desmontagem,
montagem de ferramentas e acessórios, etc., bem como as respectivas instruções de segurança.
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1.6.5. Legislação aplicável
C Decreto-lei nº 383/89 de 6 de Novembro
Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva 85/374/CEE, do Conselho, de 25 de Julho, relativa à
aproximação das disposições legislativas, regulamentares e administrativas dos Estados membros em matéria
de responsabilidade decorrente de produtos defeituosos.
C Directiva 92/31/CEE do conselho, de 28 de Abril de 1992 — Altera a Directiva 89/336/CEE de 3 de Maio
C Decreto-lei nº 74/92 de 29 de Abril, alterado pelo Decreto-lei nº 98/95 de 17 de Maio.
Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva 89/336/CEE do Conselho, de 3 de Maio, respeitante à
compatibilidade electromagnética, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Directiva 93/68/CEE, do
Conselho, de 22 de Julho, respeitante à marcação ―CE‖.
C Decreto-lei nº 378/93 de 5 de Novembro, alterado pelos Decretos-lei nº 139/95 de 14 de Junho e nº 374/98 de
24 de Novembro.
Transpõe para o direito interno a Directiva 89/392/CEE, do Conselho, de 14 de Junho, alterada pelas Directivas
91/368/CEE, do Conselho, de 20 de Junho, 93/44/CEE, do Conselho, de 14 de Junho e 93/68/CEE, do
Conselho, de 22 de Junho, relativas à concepção e fabrico de máquinas e componentes de segurança quando
sejam colocados no mercado isoladamente, com vista a eliminar ou diminuir riscos para a saúde e segurança
quando utilizadas nas condições previstas pelo fabricante e de acordo com o fim a que se destinam.
Revoga: Decreto-lei nº 386/88 de 25 de Outubro, Decreto-lei nº 273/91 de 7 de Agosto, Portaria nº 736188 de
10 de Novembro, Decreto-lei nº 47575 de 3 de Março de 1967, Portarias nº 933/91 e 934/91 de 13 de Setembro
e Portaria nº 1214/91 de 20 de Dezembro.
C Portaria nº 145/94 de 12 de Março, alterada pela Portaria nº 280/96 de 22Julho
Regulamenta o Decreto-lei nº 378/93 de 5 de Novembro, alterado pelo Decreto-lei nº 139/95 de 14 de Junho.
C Decreto-lei nº 214/95 de 18 de Agosto
Estabelece as condições de utilização e de comercialização de máquinas usadas, com vista a eliminar os riscos
para a saúde e segurança das pessoas, quando utilizadas de acordo com os fins a que se destinam
C Decreto-Lei n.º 50/2005 de 25 de Fevereiro
O Decreto-Lei n.º 82/99, de 16 de Março, regula as prescrições mínimas de segurança e saúde dos
trabalhadores na utilização de equipamentos de trabalho, transpondo para a ordem jurídica interna a Directiva
n.º 89/655/CEE, do Conselho, de 30 de Novembro, alterada pela Directiva n.º 95/63/CE, do Conselho, de 5 de
Dezembro
C Decreto-Lei n.º 103/2008 de 24 de Junho
A Directiva n.º 98/37/CE será revogada, a partir de 29 de Dezembro de 2009, pela Directiva n.º 2006/42/CE, do
Parlamento Europeu e do Conselho, de 17 de Maio, relativa às máquinas e que altera a Directiva n.º 95/16/CE,
do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de Junho, relativa à aproximação das legislações dos Estados
membros respeitantes aos ascensores, transposta para a ordem jurídica interna pelo Decreto -Lei n.º 295/98,
de 22 de Setembro.
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1.6.6. Normalização aplicável
C Norma Portuguesa NP EN 292-1:1993
C Segurança de Máquinas. Conceitos fundamentais, princípios gerais de concepção. Parte 1:
Terminologia básica, metodologia
C Norma Portuguesa NP EN 292-2:1993
C Segurança de Máquinas. Conceitos fundamentais, princípios gerais de concepção. Parte 2: princípios
técnicos e especificações
C Norma Portuguesa NP EN 294:1996
C Segurança de Máquinas. Distâncias de segurança para impedir que os membros superiores alcancem
zonas perigosas
C Norma Portuguesa NP EN 349:1996
C Segurança de Máquinas. Distâncias mínimas para evitar o esmagamento de partes do corpo humano
C Norma Portuguesa NP EN 418:1996
Segurança de Máquinas. Equipamento de paragem de emergência, aspectos funcionais — Princípios
de concepção
C Norma Portuguesa NP ENV 1070:1996
Segurança de Máquinas. Terminologia
C B55304:1988
Code of practice for safety of machinery
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1.7. Manutenção
1.7.1. Introdução
Conjuntamente com as verificações programadas, fazem parte do programa de
manutenção de uma empresa os controlos periódicos e os trabalhos de reparação.
No decurso da manutenção, as condições de trabalho podem ser muito diferentes,
apresentando novos riscos, uma vez que estas operações não fazem parte das tarefas
quotidianas na utilização dos equipamentos e podem abranger desde um simples
controlo diário de funcionamento até ao restauro do próprio edifício onde se situam as
instalações fabris.
Por este motivo e de uma maneira geral, é utilizada uma grande variedade de
ferramentas, máquinas, equipamentos de movimentação, de elevação, de controlo,
etc., o que obriga à aplicação de uma vasta gama de conhecimentos.
Ao fazer-se a manutenção de uma máquina ferramenta são necessários não só
conhecimentos mecânicos, eléctricos, electrónicos e pneumáticos mas também de
lubrificação e até de pintura
É muito vasto e complexo o campo da manutenção, o que obriga a adopção de procedimentos de segurança muito
rigorosos, quer seja para uma simples manutenção de rotina, quer seja para uma operação de manutenção bastante
profunda de uma máquina automática, na qual seja necessário substituir peças, ou mesmo partes completas da
máquina.
Por vezes, uma operação de rotina feita de modo descuidado pode ser responsável por um acidente bastante grave.
Antes de executar qualquer trabalho de manutenção, deverá proceder-se a uma rápida planificação de segurança,
com inclusão dos seguintes pontos:
1. Identificar os riscos;
2. Avaliar soluções alternativas;
3. Seleccionar a acção apropriada;
4. Programar os recursos a afectar;
5. Implementar a actuação;
6. Avaliar os resultados;
7. Ponderar o grau de eficácia obtido
Não é possível enumerar, no âmbito de um trabalho deste tipo, todos os procedimentos de segurança a ter quando
da realização de uma operação de manutenção, pelo que iremos falar de algumas situações mais comuns e
susceptíveis de provocar acidentes.
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1.7.2. Ferramentas manuais
Devido ao amplo uso de ferramentas manuais e à elevada frequência e gravidade dos acidentes por elas
provocados deverá, quando da sua utilização, ter-se em consideração os seguintes pontos:
C Seleccionar a ferra menta correcta para o trabalho a
executar, nunca ultrapassando a sua capacidade;
C Utilizar sempre ferramentas em bom estado de
conservação. Verificar os cabos e pegas das ferra
mentas, não caindo na tentação de os fixar de
maneira artesanal com emendas, pregos ou
parafusos, braçadeiras ou de qualquer outra maneira
menos correcta, pois são sempre pontos fracos que,
cedendo, podem ser a causa de acidentes;
C Usar as ferramentas correctamente;
C Guardar as ferramentas em locais apropriados. Não deverão estar amontoadas em caixas ou prateleiras, mas
ter o seu Focal de guarda próprio, perfeitamente identificado;
C Transportar as ferramentas em cintos próprios ou em bolsas agarradas à cintura dos trabalhadores, o que lhes
permitirá ter as mãos livres para subir escadas ou andai mes;
C Utilizar sempre óculos de protecção, luvas, capacetes e outros equipamentos de protecção individual
adequados ao trabalho a executar;
C Proceder a inspecções periódicas por pessoal especializado, verificando o funcionamento das ferramentas e
detectando possíveis pontos de desgaste e de rotura. Criar para cada ferramenta uma ficha onde esteja
indicado quando foi feita a última inspecção ou reparação, do que constou, peças substituídas e a data prevista
para nova inspecção;
C Nas ferramentas manuais de corte verificar sempre o estado da lâmina e os seus ângulos de corte, pois um
ângulo errado pode ser responsável por um grave acidente;
C As ferramentas de percussão (martelos, escopros, marretas, etc.) deverão ser fabricadas em material
adequado, não devendo apresentar rebarbas que se poderão soltar, causando lesões.

1.7.3. Manutenção eléctrica
1.7.3.1. Introdução
Motores, interruptores, comutadores, disjuntores e equipamentos similares sofrem
desgastes, quebras e necessitam de ajustamentos. Para serem seguros e prestarem
um bom serviço, estes equipamentos eléctricos deverão ter sempre uma correcta
manutenção.
Reparações em circuitos e aparelhos eléctricos deverão ser sempre feitos por
pessoal técnico experiente.
Só deverá utilizar-se equipamento eléctrico normalizado e certificado. Equipamento
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de qualidade inferior e não certificado poderá ser perigoso devido a defeitos de projecto, material ou montagem.
Antes de se começar qualquer trabalho de manutenção eléctrica, o pessoal que o irá executar deverá certificar-se
que a alimentação eléctrica foi cortada, testando por meio de instrumento de medida adequado.
O pessoal de manutenção deverá ser instruído no uso de equipamento eléctrico de teste e de medida como, por
exemplo, identificar pontos de teste, diagramas de circuitos, sondas, pinças, etc.
Alicates, chaves de parafusos, luzes de teste e outras ferramentas usadas em trabalhos de reparação eléctrica
deverão ser isolados.
Quando tenham que ser realizados trabalhos de manutenção ou de reparação em condutores com corrente
eléctrica, é aconselhável haver sempre dois ou mais operadores a trabalhar juntos. O supervisor deverá fornecer
procedimentos de trabalho detalhados a ser seguidos e verificar se as equipas de manutenção possuem e usam
equipamentos de protecção adequados.
O grau de precisão do equipamento necessário deverá ser determinado pelo tipo de circuito, pela natureza do
trabalho e pelas condições em que este deverá ser executado.
Uma boa prática de segurança é, não só utilizar o equipamento de protecção mas verificar se este está em
condições, inspeccionando-o antes do uso e periodicamente.

1.7.3.2. Consignação
O arranque intempestivo de equipamentos ou a ligação de circuitos (que poderão ser desencadeados por controlos
automáticos ou manuais) são susceptíveis de causar danos graves, devido a choque
eléctrico ou a acidentes provocados por peças em movimento. Por exemplo, um
arranque inesperado de um motor poderá causar lesões em trabalhadores que o
estejam a reparar; do mesmo modo, a inesperada ligação de um equipamento poderá
produzir electrização (choque eléctrico).
Por esta razão, quando um equipamento eléctrico vai ser reparado ou modificado, o
circuito deverá ser desligado (―OFF‖) e o interruptor de comando bloqueado com um
―cadeado‖. Deverão colocar-se etiquetas contendo a descrição do trabalho, indicando o
nome da pessoa que o está a realizar e o departamento envolvido. No entanto, sinais
ou etiquetas isoladas não garantem uma protecção tão eficaz como a colocação dos cadeados.
Por causa do grave risco para a saúde, o procedimento de implementação de um sistema de cadeados deverá ser
instituído e treinado com todo o pessoal da manutenção.
Cada trabalhador da manutenção terá o seu cadeado que deverá aplicar sempre que executar manutenções de
equipamento eléctrico.
Deverão ser sempre usados cadeados de boa qualidade, não devendo haver chaves iguais, assegurando-se que
cada chave serve unicamente num cadeado. Não é recomendável o uso de chaves mestras e, no caso de haver
duplicados, estes deverão ser sempre guardados sob um rígido controlo.
Cada cadeado deverá ter o número ou o nome do trabalhador que o utiliza.
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Para que o sistema de cadeado esteja operacional, é necessário que os diversos equipamentos possuam um porta-
cadeados. Nas oficinas onde são utilizados equipamentos antigos, ou onde estão instalados equipamentos anti-
deflagrantes ou anti-poeiras, é necessário que sejam construídas ligações onde se possam aplicar os cadeados.
Quando há mais do que uma pessoa a trabalhar no mesmo equipamento, deverá usar-se um adaptador para
aplicação simultânea de diversos cadeados para que cada trabalhador aplique o seu próprio cadeado antes de
começar a trabalhar.
Seja qual for o método utilizado para manter os interruptores desligados (―0FF‖), deverá manter-se um controlo
efectivo por meio de uma constante supervisão e treino na rotina de segurança.
Apresenta-se, seguidamente, um exemplo de método eficaz para assegurar um correcto uso de cadeados:
1. Alertar o operador e outros utilizadores de que o sistema vai ser desligado;
2. Actuar no corte geral de corrente para que o equipamento fique desligado;
3. Colocar o seu cadeado no interruptor de comando, alavanca, válvula, mesmo que alguém tenha colocado
outro cadeado antes de si; só se estará protegido quando o seu cadeado estiver colocado.
4. Sinais e barreiras são necessários para identificação mas não substituem os cadeados;
5. Verificar o cadeado para assegurar que o equipamento está efectivamente desligado;
6. Trabalhar com calma e serenidade;
7. Quando se terminar o trabalho retirar o cadeado, o sinal e as barreiras. Não permitir que os retirem por si
e verificar que nunca se irá expor outra pessoa ao perigo. Assegurar-se que o equipamento está livre e
limpo;
8. Ligar o sistema.

1.7.3.3. Fusíveis
Quando for necessário retirar um fusível, o sistema eléctrico deverá ser previamente desligado por meio do seu
interruptor. O fusível deverá ser retirado com um arranca fusíveis, devidamente isolado.
É importante que o fusível seja substituído por um outro do mesmo tipo, tamanho e capacidade.
Uma prática adicional de segurança é a de retirar os fusíveis do quadro eléctrico de um circuito ou de uma máquina
quando se está a procederá sua reparação ou alteração. No entanto, esta prática não substitui o uso de cadeados,
pois alguém pode, inadvertidamente, colocar outros fusíveis e ligar o circuito.
Em situação de emergência e quando a área em redor da caixa de fusíveis estiver molhada, deverão ser utilizadas
pelos trabalhadores luvas dieléctricas, plataformas isoladas ou botas de borracha.

1.7.3.4. Condutores
As instalações eléctricas deverão ser efectuadas de acordo com normalização e legislação vigente.
Antes de ser colocada em funcionamento, qualquer instalação eléctrica deverá ser inspeccionada por pessoal
qualificado. Legalmente, todas as instalações eléctricas necessitam de ter um técnico responsável.
O uso de condutores provisórios deverá ser sempre de evitar, mesmo que a sua montagem cumpra as regras de
segurança.
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Instalações eléctricas provisórias e temporárias realizadas em locais em construção ou alteração deverão ser
protegidas capazmente contra riscos mecânicos e verificadas frequentemente, pois podem ser alteradas sem se ter
em consideração a capacidade dos condutores.
Técnicos e pessoal de manutenção deverão ter sempre como norma inspeccionar frequentemente condutores,
fichas e ligações eléctricas das ferramentas portáteis, verificando se o condutor de ligação à terra está ligado
correctamente e se o perno de ligação à terra da ficha não foi retirado.
Quando surgir qualquer dúvida sobre a segurança de uma ferramenta ou da sua ligação eléctrica, esta deverá ser
retirada de serviço e enviada para inspecção e reparação por pessoal qualificado.
Quando houver necessidade de se instalar equipamento adicional em condições temporárias em .circuitos já
existentes, este só deverá ser feito com a instalação conjunta de um interruptor individual no ramal a ser instalado e
de um adaptador para colocação de cadeado e etiquetas. Esta precaução evitará interrupções no circuito principal
quando houver necessidade de desligar o ramal.

1.7.3.5. Gambiarras
Nos trabalhos de manutenção, principalmente em reparação de máquinas e em locais com fraca
iluminação, usam-se com frequência gambiarras para melhorar a visibilidade da tarefa que está a
ser executada.
Trata-se de um equipamento muito simples mas que pode provocar acidentes, por vezes graves,
devido ao desgaste de material ou à aplicação de componentes inadequados ou de qualidade
inferior.
A gambiarra deve ter uma estrutura e um punho feitos de material isolante, devendo a lâmpada
estar envolta por uma grade de protecção.
Modernamente, existem gambiarras com lâmpadas fluorescentes em armaduras inquebráveis que são preferíveis às
de lâmpada incandescente.
Por ser um equipamento que se deteriora rapidamente, por exemplo, por cortes no cabo eléctrico, deve ser
inspeccionado com frequência para detecção de possíveis avarias.

1.7.3.6. Formação
Desvios no uso seguro de práticas correctas na instalação de equipamentos eléctricos e electrónicos resultam
muitas vezes em acidentes que podem lesionar ou matar pessoas. Consequentemente, um programa de segurança
deverá incluir a formação de todos aqueles que trabalham com equipamentos eléctricos e electrónicos,
As acções de formação deverão incluir treino em reanimação cardio-respiratória, sinalização de segurança,
equipamentos de protecção (individual e colectiva) e procedimentos operacionais de segurança. É essencial que
cada um seja treinado para actuar em situações de emergência e seja instruído para nunca trabalhar sozinho em
situações de risco.
Os supervisores deverão dar instruções aos seus colaboradores para que estes os informem imediatamente de
qualquer situação de acidente eléctrico e da necessidade de manterem uma apertada supervisão sobre todas as
operações que envolvam o uso de equipamento eléctrico ou electrónico.
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De igual modo, deverão dar instruções aos seus colaboradores para que estes os informem imediatamente de
qualquer defeito eléctrico observado e das reparações ou substituições que possam efectuar.

1.7.4. Manutenção mecânica, hidráulica e pneumática
O que anteriormente foi dito para a manutenção eléctrica aplica-se na generalidade às tarefas de manutenção
mecânica, hidráulica ou pneumática.
A formação adequada, a execução dos trabalhos por pessoal técnico experiente, ouso de cadeados e todas as
outras considerações anteriormente descritas são perfeita mente adaptáveis a estes tipos de manutenção pelo que
não se julga necessária a sua repetição.
Como em todos os trabalhos de manutenção, é fundamental avaliar previamente os riscos da tarefa que se pretende
executar, efectuando-a em condições seguras através da utilização de equipamentos adequados e técnicas
apropriadas.
A ocorrência de acidentes durante as operações de manutenção é frequentemente motivada pela urgente
necessidade de ter os equipamentos em funcionamento, não permitindo que as diversas etapas da manutenção ou
reparação sejam executadas adequadamente, utilizando-se assim ferramentas e métodos expeditos, por vezes
menos apropriados mas disponíveis, que levam a descurar a segurança das tarefas em causa.

1.7.5. Soldadura
Nos trabalhos de manutenção é vulgar recorrer-se a operações de soldadura, quer
eléctrica quer oxiacetilénica. Em ambos os casos devem ser tomadas medidas de
segurança, pois são operações que envolvem riscos não só para os trabalhadores
que as efectuam, como para todos aqueles que se encontram perto do local onde
elas estão a ser efectuadas.
Os trabalhadores devem usar equipamentos de protecção individual como luvas,
óculos ou máscara para proteger os olhos contra o arco de soldadura. De notar que
o arco luminoso produzido pela soldadura é composto por raios infravermelhos e
ultravioletas, pelo que os óculos ou máscaras devem possuir filtros. Para proteger
os outros trabalhadores dos efeitos do arco eléctrico, o local onde a soldadura está
a ser feita deverá ser isolado por meio de divisórias.
Qualquer tipo de soldadura produz fumos bastante intensos, que poderão ser
tóxicos em função do tipo de solda utilizada, pelo que é necessária uma boa exaustão, principalmente quando se
trabalha em locais fechados.
Antes de se proceder a qualquer soldadura, deverá verificar-se se no local ou na sua proximidade não se encontram
guardados produtos inflamáveis, pois a soldadura produz um elevado número de faíscas que poderão cair a
distância apreciável, principal mente quando a soldadura está a ser realizada em pontos elevados.
Sempre que se proceda a soldaduras em tanques, contentores ou quaisquer outros recipientes usados para guardar
produtos inflamáveis ou gases, deverá proceder-se à extracção prévia destes e à sua cuidadosa limpeza.
O aparelho de soldadura eléctrica deve estar ligado à terra.
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Na soldadura oxiacetilénica, devido à existência de gases em garrafas e de mangueiras ou condutas, é necessário
ter outras precauções suplementares. As mangueiras devem ser diferenciáveis, estar protegidas contra o calor,
objectos cortantes e sujidade, principalmente óleos ou outras gorduras, pois estas substâncias, mesmo em peque
nas quantidades, podem provocar explosões em contacto com o oxigénio. Devem também estar providas de
válvulas anti-retorno de chama.
Antes de se proceder à soldadura oxiacetilénica, deverá verificar-se a possibilidade de, em caso de incêndio, se
retirarem rapidamente as garrafas do local, colocando-as em local seguro e protegidas do calor
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1.7.6. Trabalhos de manutenção em espaços confinados
Por vezes, é necessária proceder a trabalhos de manutenção em espaços
fechados, tais como depósitos, cisternas, contentores, túneis, galerias, etc., onde,
devido à possível existência de vapores ou gases nocivos, é necessário tomar-se
precauções adicionais:
Deverá tentar fazer-se uma ventilação cuidadosa do local; os trabalhadores
deverão utilizar equipamentos individuais de protecção apropriados (máscara de
circuito fechado) e estar equipados com um arnês de segurança. Todos os arneses
de segurança devem estar providos de um cabo individual manobrado por outro
trabalhador fora do espaço confinado, pronto a intervir e, em caso de necessidade,
dar o alarme.

1.7.7. Lubrificação
Uma das operações realizadas frequentemente pela manutenção é a lubrificação de máquinas, substituindo óleos e
massas
Normalmente são trabalhos que não evidenciam um risco elevado mas, como qualquer trabalho de manutenção,
deverão ser executados segundo determinadas regras, principalmente de higiene.
Assim, devem ser tomados em consideração os seguintes pontos:
C Utilizar vestuário adequado de protecção, tal como fatos de trabalho, luvas, óculos, botas, aventais,
protecções para as pernas, etc.;
C Limpar a superfície da máquina antes de efectuar a operação, evitando-se assim que se suje
desnecessariamente o fato de trabalho;
C Utilizar sempre panos ou desperdícios limpos; não colocar dentro dos bolsos panos sujos de óleo;
C Utilizar um creme adequado para substituir a gordura natural da pele, em especial os trabalhadores
tenham tendência para a pele seca;
C No fim de cada turno, os trabalhadores que executam operações de lubrificação deverão trocar de
roupa, lavando-se com água quente e com um sabão líquido não abrasivo; nunca utilizar pó de
limpeza abrasivo, areia, serradura, etc., para tirar a sujidade das mãos;
C Limpar e desinfectar prontamente todas as feridas, mesmo que pequenas, ocorridas durante trabalho
de lubrificação, empregando água e sabão e aplicando em seguida um penso esterilizado ou algum
tratamento indicado pelo Serviço de Saúde; consultar este Serviço logo que se manifeste qualquer
inflamação de pele, independentemente da sua localização. Pode tratar-se de uma inflamação sem
importância e que apenas necessite de um pequeno tratamento ou que nem sequer esteja
relacionada com o trabalho executado mas, de qualquer modo, a demora no seu tratamento poderá
ter efeitos nocivos para a saúde;
C Não deitar no esgoto os óleos usados, pois tal não é legalmente permitido contactar uma firma
especializada e credenciada para a recolha de produtos deste tipo.
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1.7.8. Normalização aplicável
C Norma Portuguesa NP 2036:1986
Higiene e Segurança no Trabalho. Ferramentas portáteis. Requisitos de Gerais de Concepção e
Utilização
C Norma Portuguesa NP 2198:1986
Higiene e Segurança no Trabalho. Ferramentas portáteis manuais. Requisitos de Segurança
C Norma Portuguesa EN 165:1997
Protecção Individual dos Olhos. Vocabulário
C Norma Portuguesa NP 2310:1989
Higiene e Segurança no Trabalho. Equipamento de Protecção Individual. Luva de protecção.
Definições, classificação e dimensões
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1.8. Manutenção mecânica
1.8.1. Tipos de Máquinas Transportadoras
Os aparelhos ou máquinas transportadoras podem agrupar-se em dois grandes tipos:
a) Aparelhos de funcionamento continuo, que asseguram uma circulação permanente ou quase
permanente dos materiais transportados;
b) Aparelhos de funcionamento descontinuo ou alternado, que têm dois ciclos de funcionamento —
ida com a carga e volta em vazio.

1.8.2. Aparelhos de Funcionamento Contínuo
Telas ou correias transportadoras
Consistem numa tela geralmente em borracha artificial (neoprene), cujo movimento, produzido através de um motor
eléctrico, é conduzido por tambores cilíndricos. Apresentam uma série de riscos que podem ser controlados através
de medidas preventivas:
C Devem ser previstos sistemas de paragem de emergência em intervalos que não excedam 8 metros;
C As polias nas extremidades da correia devem ser protegidas para impedir um eventual esmagamento
de dedos;
C A passagem de pessoas de um lado para o outro por cima das telas transportadoras deve ser feita
através de passadiços fixos ou amovíveis, com guardas;
C As operações de conservação, tais como lubrificações e reparações, devem ser feitas com o motor
desligado.
Transportadores por gravidade (ou de plano inclinado)
Este tipo de transportadores depende, exclusivamente, da força gravitacional e o risco de acidente é caracterizado
pelo eventual esmagamento do operário pela carga.
Como medidas de prevenção de acidentes citamos:
C O transportador deve estar equipado com dispositivos mecânicos ou eléctricos que impeçam a
introdução das mãos nas áreas de perigo;
C Qualquer bloqueio no transportador nunca deve ser superado fazendo uso das mãos, mas sim
mediante a utilização de varas especiais.
Transportadores ou elevadores de copos ou cestas
São, fundamentalmente, constituídos por uma roda circular, a qual tem, no seu perímetro exterior e a toda a volta,
copos ou cestas suspensas num eixo, podendo nele serem fixos ou móveis.
Nestes transportadores devem observar-se os mesmos cuidados que nos transportadores de tela. Sempre que
possível, todo o mecanismo devera ser blindado e, se o não for, ao nível e nas passagens de pavimentos deverá
existir uma grade ou vedação que impeça a aproximação de pessoas.
Transportadores aéreos em cadeia ou por trolleys
São utilizados, por exemplo, nas fábricas de automóveis. Os materiais ou objectos transportados em cadeia aérea
ao longo de um cabo são suspensos por uma série de ganchos suspensos na cadeia em intervalos regulares.
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Os objectos devem circular a uma altura suficientemente elevada, de modo a não atingirem pessoas no seu
deslocamento.
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Transportadores de parafuso sem fim (parafuso de Arquimedes)
São constituídos por parafusos que produzem a movimentação da carga, girando em torno do seu eixo. Devem ser
cuidadosamente cobertos com blindagens robustas e bem fixadas, sobretudo quando estes transportadores ficam
ao nível do solo.

1.8.3. Aparelhos de Funcionamento Descontínuo
Gruas, guindastes e pontes rolantes
São muito utilizados em portos, na construção civil e na indústria metalomecânica.
Os factores gerais de segurança baseiam-se, essencialmente na sua capacidade de carga e estado dos seus
componentes, tais como cabos, estropos, roldana, ganchos, etc. Assim:
C Todos os aparelhos deverão ter bem visível a indicação da carga máxima admissível;
C O ângulo de suspensão das cargas deve ser o menor possível. Quanto menor for esse ângulo, maior
será a carga admissível a elevar;
C Os estropos (cabos de suspensão) têm grande importância na segurança das cargas, devendo o seu
diâmetro, a sua constituição e o seu grau de uso merecerem a maior atenção;
C Os ganchos de suspensão devem estar protegidos por fechos de segurança a fim de impedir o
desprendimento dos cabos e consequente embate com obstáculos;
C O responsável pela manobra de um guindaste, de uma grua ou de uma ponte rolante deve ser
compreendido por todo o pessoal interveniente. Existe um código de sinais para esse efeito;
C Nunca se deve passar ou estacionar debaixo de cargas suspensas;
C Dispositivos de protecção individual, tais como luvas, capacete e botas de biqueira de aço, devem, em
princípio, ser utilizados.
Macacos hidráulicos e mecânicos
São dispositivos que servem para erguer cargas sobre eles colocadas, por exemplo, nas oficinas de reparação de
automóveis, sendo dotados de comando hidráulico (por óleo) ou para simples mudança de pneus (macacos
mecânicos).
Empilhadores
São dos dispositivos mecânicos de manutenção mais utilizados na
indústria. Quanto à energia utilizada, podem ser de dois tipos:
a) Com motor de explosão ou combustão;
b) Com motor eléctrico, alimentado por baterias.
A utilização correcta de um empilhador deve obedecer aos seguintes
procedimentos de segurança:
C No início de um dia ou de um turno de trabalho, verificar
o funcionamento da buzina, travões, comandos hidráulicos, o estado e pressão dos pneus, o
abastecimento de gasolina (gás ou gasóleo) ou o estado das baterias, conforme o caso, a água e
o óleo;
C Nunca ultrapassar a carga máxima prevista;
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C Assegurar-se que a carga está perfeitamente equilibrada, amarrada e calçada sobre os suportes,
de forma a evitar todo o risco de escorregamento e queda;
C Não conduzir o empilhador com a carga em posição elevada;
C Circular com velocidade moderada, reduzindo-a à aproximação de cruzamentos ou de portas;
C Proibir o transporte de passageiros;
C A descida de uma rampa com carga deve ser feita em marcha-atrás;
C Nunca abandonar o empilhador sem colocar os comandos na posição de paragem, accionar o
travão de mão e retirar a chave de ignição.
Ascensores e monta-cargas
São utilizados na movimentação vertical, nomeadamente em estaleiros de construção civil, em prédios de certa
altura (instalações provisórias) ou ainda em Industrias ou edificações (instalações definitivas).
Existem disposições regulamentares especiais para estes tipos de transportadores que devem respeitadas
(Regulamento de segurança de ascensores eléctricos, contido na norma portuguesa NP-316311 (1988), aprovada
pela Portada n° 376191, de 2 de Mato).
Os acidentes em ascensores e monta-cargas dão-se, fundamentalmente, quando:
C Há partes de carga salientes da cabina;
C O espaço da cabina é exíguo;
C Há deterioração dos cabos;
C Não existe porta do lado de acesso (caso de alguns monta-cargas provisórios).

1.8.4. Portas e vias de circulação
As portas são sempre um obstáculo à livre circulação entre secções, obrigando a pausas prejudiciais nos ciclos de
manutenção. Haverá que tomar precauções especiais a fim de evitar essas paragens, que no caso de veículos
motorizados têm imensos inconvenientes, como sejam o abandono dos veículos pelos condutores com os motores a
trabalhar.
Para obstar a este inconveniente devem utilizar-se portas leves e de preferência em plástico transparente ou ainda
em plástico opaco com janela à altura adequada de forma a ver-se a zona soais próxima da sala contígua. Há
portas que abrem automaticamente pela passagem da carga sobre o interruptor colocado no pavimento e outras
que abrem pelo encosto da carga.
A sinalização e a demarcação de faixas de passagem nos pavimentos contribuem para aumentar a segurança da
circulação nas zonas industriais.
Por ultimo, deverá salientar-se o Decreto-Lei nº 82/99, de 16 de Março, que transpõe para a ordem jurídica interna a
Directiva n° 89/655/CEE, do Conselho, de 30 de Novembro, alterada pela Directiva n° 95/63/CE, do Conselho, de 5
de Dezembro, relativa às prescrições mínimas de Segurança e Saúde para a utilização pelos trabalhadores de
equipamentos de trabalho. Regulamentam-se naquele diploma os requisitos mínimos de segurança de alguns
equipamentos de trabalho, designadamente equipamentos móveis e para elevação de cargas, tendo sido ainda
definidas regras sobre a utilização dos mesmos.
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1.9. Armazenagem
1.9.1. Introdução
A armazenagem culmina a sequência de operações elevação/transporte/descarga.
São numerosos os acidentes ocorridos por armazenagem inadequada e insegura. As regras básicas de segurança
de uma armazenagem são:
C O peso do material a ser depositado não deve ser superior à resistência do piso;
C As pilhas devem ficar afastadas pelo menos 50 cm das paredes a fim de não forçar a estrutura do
edifício, permitir uma ventilação adequada e facilitar um eventual combate a incêndio;
C A armazenagem dos materiais não deve prejudicar a ventilação, a iluminação e o trânsito de pessoas
e viaturas;
C A disposição das pilhas não deve dificultar o acesso aos meios de combate a incêndio e às saídas de
emergência;
C Devem ser removidos pregos, arames e cintas partidas que se projectam para fora, constituindo
perigo;
C Ao depositar materiais não deixar saliências fora do alinhamento;
C Quando a armazenagem for manual, empilhar apenas até 2 metros de altura. Sendo mecânica, não
armazenar a uma altura que possa causar a instabilidade das pilhas.



Armazenagem de tubos cilíndricos com interposição de cavaletes de madeira.


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Armazenagem de sacos em paletes de madeira.





Armazenamento de bidões com dispositivos anti-rolamento.


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Armazenagem de chapas em posição vertical.

1.9.2. Armazenagem de produtos quimicos perigosos
As instalações de armazenagem devem ser concebidas de acordo com a natureza dos produtos a armazenar, dos
equipamentos de trabalho necessários para a movimentação de cargas e dos riscos inerentes (incêndio, explosão,
intoxicação, quedas e choques).
Tendo em conta que os produtos a armazenar podem ser matérias-primas, produtos intermédios, produtos finais, ou
resíduos, torna-se necessário a demarcação e/ou separação destas zonas relativamente às zonas sociais e de
produção.
A armazenagem dos produtos ou substâncias inflamáveis, perigosos, tóxicos ou infectantes deve ser efectuada em
compartimento próprio, não comunicando directamente com os locais de trabalho e respeitando sempre a
incompatibilidade entre produtos.
Estas zonas deverão:
― Ter sistema de ventilação eficiente, de modo a impedir acumulação perigosa de gases ou vapores;
― Fechar hermeticamente, de modo a evitar que os locais de trabalho sejam inundados pelos cheiros,
gases ou vapores;
― Dispor de instalação eléctrica blindada e antideflagrante e sistemas de detecção e/ou extinção
automática, quando os produtos armazenados forem inflamáveis ou explosivos, simples ou
misturados.

1.9.3. Armazenagem de materiais secos a granel
Devem ser previstas superfícies resistentes, estáveis e com área suficiente de modo a evitar-se armazenagem em
altura.
Prever vias de circulação para todos os veículos e zonas para carga e descarga dos produtos.
Quando possível, estes materiais devem ser armazenados em silos que permitam a sua descarga pelo fundo.
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Os silos devem ser construídos com materiais resistentes ao fogo, cobertos, e munidos de sistema de ventilação
eficaz.
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1.9.4. Armazenagem de liquidos
Prever reservatórios situados acima do solo ou fossas, dotados dos dispositivos necessários para garantir a sua
manutenção segura, incluindo tinas de retenção para recolha de eventuais derrames.

1.9.5. Armazenagem de gases
Devem ser concebidos locais de armazenagem no exterior dos edifícios para a colocação de botijas de gás com
cobertura ligeira e boa ventilação, e dotados de dispositivos para evitar a sua queda.
Nota: Deverá ter-se em atenção nos casos de armazenagem de produtos perigosos o disposto em legislação
específica relativa à prevenção de riscos industriais graves.

1.9.6. Locais técnicos
Os locais técnicos são muitas vezes esquecidos aquando da concepção dos locais de trabalho. A sua localização e
as suas características construtivas devem ser estudadas simultaneamente com os outros edifícios, tendo em conta
os riscos específicos que geram, assim como as dificuldades de intervenção, manutenção e substituição de
materiais.

1.9.6.1. Compressores
Tendo em conta que estes equipamentos produzem ruído e vibrações, os locais para a sua instalação devem ser
isolados dos locais de trabalho.
Na sua construção devem ser utilizados materiais absorventes das ondas sonoras, dispositivos anti-vibratórios e
grelhas de ventilação.

1.9.6.2. Recipientes sob pressão
Os locais destinados a estes equipamentos devem estar isolados das restantes áreas de trabalho, ter em conta as
necessidades de manutenção quotidiana e espaço suficiente para possíveis reparações. Estes locais deverão ter
uma boa ventilação, e iluminação que permita uma leitura fácil dos instrumentos de controlo.

1.9.6.3. Fornos e estufas
Os pavimentos adjacentes aos fornos e estufas, as plataformas, os passadiços e escadas de acesso devem ser
construídos de materiais incombustíveis e resistentes ao fogo.
As paredes e partes exteriores dos fornos e estufas devem ser isolados termicamente ou protegidos de contacto
acidental. Devem ser concebidas protecções contra radiações térmicas e luminosas.
Instalar cúpulas ou bocas de aspiração ligadas a condutas para evacuação de gases, vapores ou fumos libertados.

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1.9.6.4. Instalações frigorificas
As instalações frigoríficas devem ser convenientemente iluminadas e dispor de espaço suficiente para a inspecção e
a manutenção dos condensadores.
As portas das câmaras frigoríficas devem possuir fechos que permitam a sua abertura tanto do exterior como do
interior, e, no caso de disporem de fechadura, devem existir dispositivos de alarme, accionáveis no interior das
câmaras, que comuniquem com a sala das máquinas e com o guarda da instalação.
Deverão ser previstas câmaras de transição.

1.9.6.5. Locais de carga de baterias e acumuladores
Tendo em conta os riscos de explosão inerentes a estes equipamentos, esses locais devem ser:
· Implantados em locais afastados de toda a produção de chama ou faísca;
· Bem ventilados;
· Construído com materiais incombustíveis.
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2. Avaliação e Controlo de Riscos específicos
2.1. Riscos eléctricos
2.1.1. Introdução

A crescente utilização da energia eléctrica em todos os domínios da vida actual torna, cada vez mais, necessária
uma orientação dirigida aos utilizadores da electricidade no sentido de se familiarizarem com os meios técnicos de
protecção contra os riscos inerentes a essa energia.
A informação do público – principalmente dos consumidores domésticos – acerca dos riscos inerentes à utilização
da energia eléctrica e à maneira correcta de os prevenir tem tido, na ultima década, um considerável incremento,
quer a nível nacional, quer a nível internacional.
O cumprimento do estipulado no Estatuto do Técnico Responsável por Instalações Eléctricas de Serviço Particular
(Decreto regulamentar n.º 31/83, de 18 de Abril) e a consequente participação em impresso próprio à entidade
fiscalizadora dos acidentes de origem eléctrica é essencial para que as estatísticas das instalações eléctricas
possam fornecer informações detalhadas sobre a acidentabilidade eléctrica e assim melhorar os programas de
prevenção.
A electricidade é um fenómeno natural. Resulta da existência de cargas eléctricas nos átomos que constituem a
matéria. No núcleo dos átomos há cargas eléctricas positivas fixas (protões) e em torno do núcleo há cargas
eléctricas negativas móveis (electrões).
O átomo está em equilíbrio eléctrico, ou seja, o balanço da sua carga eléctrica total é zero, pois há igual número de
cargas positivas e negativas. Se forem extraídos electrões a um átomo, este equilíbrio é quebrado e o átomo fica
ionizado. Quer isto dizer que fica com excesso de carga positiva. Existem substâncias, como o vidro, a ebonite, o
âmbar e outras que apresentam esta propriedade de se ionizar quando são friccionadas.
Verifica-se que dois corpos electrizados, próximos um do outro, exercem forças entre si, de atracção se as
electrizações dos dois forem de sinal contrário (uma positiva outra negativa)







e de repulsão se forem do mesmo sinal.
O físico francês Coulomb estudou este fenómeno e estabeleceu experimentalmente uma fórmula para calcular esta
força (Lei de Coulomb).
Se for estabelecida uma ligação entre dois corpos electrizados em que haja diferença entre si na concentração de
cargas, verifica-se o aparecimento de uma corrente eléctrica de cargas de um para o outro, até ser estabelecido o
equilíbrio de potencial entre os dois corpos.
Todos os fenómenos eléctricos resultam deste comportamento.
-
+
F F
F
F
- -
F
+ +
F
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O homem aprendeu a criar diferenças de potencial artificialmente, primeiro por fricção de dois corpos e depois por
outros processos, de forma a poder produzir correntes eléctricas e utilizar os seus efeitos. Os aparelhos que
originam esta diferença de potencial (ddp) são os geradores eléctricos.
Alem das forças eléctricas já referidas, verifica-se que uma corrente eléctrica dá origem a um fenómeno chamado
electromagnetismo. Trata-se da criação de uma zona em torno de um condutor na qual se manifesta a atracção de
certos materiais chamados ferromagnéticos, como o ferro. O cobre, por exemplo, não apresenta esta propriedade.

2.1.2. Riscos eléctricos
Tal como acontece com outras formas de energia, a electricidade apresenta discos e pode causar acidentes cujas
consequências podem resultar em danos pessoais, materiais ou ambos.
― Riscos Materiais
Normalmente resultantes de incêndios e/ou explosões provocados por deficiências nas
instalações.
― Riscos Pessoais
Resultantes da passagem de corrente eléctrica pelo corpo humano.

2.1.3. Risco de incêndio devido à corrente eléctrica
Nas instalações onde existe grande número de substancias inflamáveis, a corrente eléctrica, pode estar na origem
dos incêndios, normalmente devidos:
× A sobreaquecimentos devido à deterioração do material isolante dos condutores eléctricos, por efeito
de Joule, cuja expressão traduz a quantidade de calor produzida por uma corrente eléctrica:

Onde:
Q ¬ representa a quantidade de calor;
R ¬ representa a resistência;
I ¬ é a intensidade da corrente eléctrica;
T ¬ é o tempo de duração de passagem dessa corrente.
× Ao arco eléctrico produzido por equipamentos ou por electricidade estática;
× Defeito dos equipamentos que podem provocar faíscas susceptíveis de provocarem explosões
quando a trabalhar em atmosferas explosivas.

2.1.4. Causas de sobreaquecimento
As principais causas de sobreaquecimento, são as SOBRE-INTENSIDADES, ou seja, correntes eléctricas de
intensidade excessiva, em relação ao valor calculado par o respectivo condutor. Estas sobre-intensidades, por sua
vez têm origens diversas:
º SOBRECARGAS
Quando a corrente que percorre o condutor é superior à intensidade para a qual ele foi projectado
(intensidade nominal). Esta situação ocorre habitualmente quando se ligam cargas em excesso.
Q = R . I
2
.
T
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º CURTO-CIRCUITO
Quando se tocam dois condutores entre os quais existe uma determinada diferença de potencial e
entre os quais a resistência é muito pequena ou nula. Esta situação que provoca a passagem
instantânea de correntes de valor elevado, provoca quase sempre a fusão dos condutores
acompanhada de pequenas explosões.
º DEFEITOS DE ISOLAMENTO
Devidos à má execução da instalação ou de equipamentos eléctricos, ao envelhecimento do material,
ou ao tratamento negligente dos cabos de ligação, permitindo que os veículos passem por cima
provocando trilhamentos.
º RESISTÊNCIA DE CONTACTO
Resultante de ligações eléctricas através de contactos imperfeitos, como ligações mal apertadas ou
terminais algo soltos, provocando uma resistência elevada à passagem da corrente.

2.1.5. Arco eléctrico
O arco eléctrico que pode estar na origem de muitos incêndios numa oficina, resulta normalmente de:
º Trabalhos de soldadura;
º Faíscas produzidas pelo funcionamento anormal de equipamento eléctrico;
º Faíscas produzidas pela electricidade estática e por descargas atmosféricas.

2.1.6. Atmosferas explosivas
O trabalho com equipamentos eléctricos em atmosferas explosivas está na origem de muitos incêndios e explosões.
Nestes locais, os vários componentes da instalação, nomeadamente lâmpadas e tomadas, devem obedecer a
características especiais antideflagrantes.

2.1.7. Concepção da instalação
Uma instalação eléctrica é o conjunto de:
º Componentes que permitem ou podem permitirem a passagem da corrente (fios condutores,
protecções);
º Componentes que não permitindo a passagem de corrente são essenciais ao seu funcionamento, tais
como tubos, caixas, suportes, isoladores, etc.
DE UM MODO GERAL, AS INSTALAÇÕES DEVEM:
a. Estar convenientemente subdivididas, considerando:
º Pelo menos, 2 circuitos de iluminação:
º Circuitos distintos para tomadas e iluminação;
º Circuitos distintos para aparelhos de grande potencia ou de características especiais
de funcionamento.
b. Estar convenientemente protegidas:
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º Os órgãos de protecção e de comando devem interromper os condutores de fase
(nunca devem cortar somente o neutro);
º As protecções das instalações eléctricas devem ser selectivas, de modo a que os
defeitos em determinado local do circuito não se repercutam noutro circuito.

2.1.8. Quadro eléctrico
O Quadro, é um conjunto de aparelhos, convenientemente agrupados, incluindo as suas ligações, estruturas de
suporte ou invólucro, destinado a proteger, comandar ou controlar instalações eléctricas.
Numa instalação os quadros eléctricos são o primeiro elemento receptor e distribuidor de energia. Devem possuir:
º Um condutor de protecção para ligação à terra;
º Um disjuntor magnetotérmico para protecção da instalação contra sobreaquecimentos, sobre-
intensidades e curto-circuitos;
º Um interruptor diferencial de alta sensibilidade para protecção das pessoas contra a electrocussão.

2.1.9. Protecção da instalação e canalizações
Para eliminar ou reduzir os riscos eléctricos na sua origem, é fundamental a adopção de uma série de medidas no
sentido de proteger as instalações e canalizações eléctricas, nomeadamente contra sobre-intensidades provocadas
por:
º Sobrecargas;
º Curto circuitos:
Os dispositivos mais importantes, são:
º Contactores-disjuntores providos de relés térmicos para protecção contra sobrecargas;
º Relés electromagnéticos e corta-circuitos fusíveis para protecção contra curto-circuitos.

2.1.10. Efeitos principais de uma corrente eléctrica
Os efeitos principais de uma corrente eléctrica que atravesse o corpo humano, são:
º Percepção;
º Tetanizaçao;
º Paragem Respiratória;
º Queimaduras;
º Fibrilação Ventricular.
C LIMIAR DE PERCEPÇÃO
O limiar de percepção representa o valor mínimo da corrente sentida por uma pessoa e que apenas
representa uma sensação de formigueiro.
A publicação IEC 479 (Comissão electrónica Internacional) aceita como valor médio do limiar de
percepção 0,005 Ampere.
C TETANIZAÇAO
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É um fenómeno decorrente da contracção muscular produzida por um impulso eléctrico. Se ao primeiro
impulso se seguirem outros, periodicamente intervalados, a força de contracção do musculo aumenta de
maneira progressiva, originando uma contracção que se designa por tetânica ou tetanização. Se a
frequência do estímulo ultrapassa um certo limite, o músculo é levado à contracção completa.
Se o fenómeno descrito acontece em corrente alternada, o contacto da vítima com o eléctrodo em tensão
perdura no tempo e pode produzir asfixia, conduzindo, eventualmente, a um estado de inconsciência.
A corrente continua pode também produzir tetanização se for suficiente a sua intensidade e o tempo
durante o qual actua.
O valor mais elevado da corrente para a qual uma pessoa é ainda capaz de largar o objecto em tensão
com que está em contacto é o limiar de não largar.
LIMITE DO NÃO LARGAR
Define-se como o valor máximo da corrente para a qual um indivíduo pode suportar e largar um condutor
activo (condutor afecto à passagem da corrente eléctrica).
Experiências indicam para este limite os seguintes valores médios:
o Em corrente alternada 50/60 Hz ¬ 10 mA para mulheres ¬ 18 mA para homens;
o Em corrente contínua ¬ 51 mA para mulheres ¬ 76 mA para homens.
A CEI 479 indica como limiar de largar 10 mA.
Correntes inferiores a este limite, mesmo não ocasionando graves lesões directas no organismo, podem
estar na origem de quedas, acidentes com partes móveis de maquinas, etc.
C PARAGEM RESPIRATÓRIA
Correntes superiores ao limite de largar podem provocar nas vitimas uma paragem respiratória, pois a
passagem da corrente, devido à contracção dos músculos ligados à respiração e/ou aos centros que os
comandam, produzem asfixia que, permanecendo a passagem da corrente, levam à perda de consciência
e morte por sufocamento.
Se a corrente perdurar, aumenta, rapidamente, o risco de morte por asfixia. Por isso, é fundamental
realizar no mais curto lapso de tempo (3 e 4 minutos no máximo) a respiração artificial, a fim de evitar a
asfixia da vítima ou, eventualmente, lesões irreversíveis no tecido cerebral.
C QUEIMADURAS
Sendo a passagem da corrente eléctrica acompanhada por desenvolvimento de calor, por efeito de Joule,
uma das consequências mais frequentes dos acidentes eléctricos são as queimaduras.
A gravidade das queimaduras eléctricas está associada aos seguintes parâmetros físicos.
― Tensão;
― Intensidade de corrente;
― Tempo de passagem de corrente.
Deve-se notar que as queimaduras eléctricas devido a correntes de alta tensão são particularmente
graves, pois para alem de queimaduras nos pontos de contacto, podem surgir queimaduras profundas ao
longo do trajecto da corrente eléctrica, ao nível das massas musculares, dos tendões, etc.
Estas queimaduras revelam-se mais intensas nas zonas de entrada e saída da corrente porque:
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· A pele, quando comparada com os tecidos internos, apresenta uma elevada
resistência eléctrica;
· À resistência da pele soma-se a resistência de contacto entre a pele e as partes sob
tensão;
· Nos pontos de entrada e saída da corrente, sobretudo se as áreas de contacto forem
pequenas, a densidade de corrente é maior.
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QUEIMADURAS ELECTROTÉRMICAS
As queimaduras devido à passagem da corrente – queimaduras electrotérmicas – estão ligadas à libertação de calor
(W) ao longo do trajecto da corrente e a sua importância depende da lei de Joule:


W ¬ representa a libertação de calor;
I ¬ é a intensidade da corrente eléctrica;
R ¬ resistência do corpo humano
t ¬ é o tempo de duração de passagem dessa corrente.
Estas queimaduras que assumem graves proporções nos acidentes eléctricos com alta tensão, são as de mais difícil
tratamento, podendo provocar a morte por insuficiência renal.
QUEIMADURAS POR ARCO
São as queimaduras provocadas pela libertação de calor por arco eléctrico, como acontece na soldadura.
São muito mais vulgares do que as electrotérmicas e em tudo idênticas às queimaduras térmicas de qualquer outra
origem. Nos acidentes com correntes de alta tensão podem atingir uma parte importante da superfície cutânea e
serem agravadas pela combustão do vestuário.
Uma das particularidades da queimadura por arco, quando esta surge ao nível dos olhos, é a possibilidade de
conjuntivites e de outras sequelas do aparelho visual.
QUEIMADURAS MISTAS
Em certos casos, o arco eléctrico e a passagem de corrente associam-se para realizar quer queimaduras
superficiais, devido ao arco, quer queimaduras profundas, devido à passagem da corrente.
Este tipo de queimaduras observa-se sobretudo na indústria e nos acidentes eléctricos com alta tensão.
MARCA ELÉCTRICA
A marca eléctrica, pequena lesão (queimadura) arredondada ou ovalada, que parece incrustada na pele sã, reveste-
se de uma grande importância sob o ponto de vista médico-legal.
C FIBRILAÇÃO VENTRICULAR
Este fenómeno fisiológico é o mais grave que pode ocorrer devido à passagem da corrente eléctrica.
Deve-se ao facto de aos impulsos eléctricos naturais que provocam a contracção muscular do músculo
cardíaco, se vir sobrepor uma corrente externa que faz com que as fibras ventriculares passem a contrair-
se de modo descontrolado.
À actividade eléctrica normal corresponde o pulsar ritmado do músculo cardíaco; sob acção da actividade
eléctrica perturbadora as fibras passam a contrair-se de maneira desordenada, surgindo, então o
fenómeno da fibrilação ventricular.
Este fenómeno constitui a principal causa da morte por acção da corrente eléctrica.
A fibrilação ventricular foi, durante muito tempo, considerada um fenómeno irreversível, isto é, mesmo que
cessasse a causa que a produziu, ela persistia até ocasionar a morte. Actualmente, com o recurso ao
desfibrilador, pode parar-se a fibrilação e assim conseguir-se a recuperação da vítima. No entanto, como
W = R. I
2
. t
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já se referiu, é imprescindível não perder tempo na prestação dos primeiros socorros – massagem
cardíaca e respiração boca a boca, até que o desfibrilador possa ser utilizado.

+ Factor de Corrente do Coração
É difícil definir um limiar para a fibrilação ventricular pois é impossível a experimentação directa sobre o Homem e é
difícil extrapolar para este os resultados obtidos nos animais. Alem disso, a corrente que atinge o coração – causa
directa da fibrilação – é só uma parte da corrente que flúi através do corpo humano.
Para quantificar a influencia do trajecto da corrente alternada no inicio da fibrilação ventricular introduziu-se um
coeficiente de correcção – o factor corrente do coração – designado por F.
Toma-se como referencia o trajecto mão esquerda – pés.
O factor corrente do coração permite calcular as correntes I para vários trajectos, representando o mesmo perigo de
fibrilação ventricular que o correspondente à corrente de referencia Iref entre a mão esquerda e os dois pés.



Para diferentes trajectos de corrente, o factor de corrente do coração apresenta os seguintes valores:
Trajecto da Corrente
Factor de Corrente do
Coração
Mão esquerda – pé esquerdo, pé direito ou os dois pés 1,0
Duas mãos – dois pés 1,0
Mão esquerda – mão direita 0,4
Mão direita – pé esquerdo, pé direito ou os dois pés 0,8
Costas – mão direita 0,3
Costas – mão esquerda 0,7
Peito – mão direita 1,3
Peito – mão esquerda 1,5
Nádega – mão esquerda, mão direita ou as duas mãos 0,7

+ Período Vulnerável
Existe um breve intervalo de tempo no ciclo cardíaco, no qual o ventrículo é electricamente instável.
Se os estímulos são aplicados nesta fase do ciclo cardíaco, a probabilidade de fibrilação ventricular aumenta
consideravelmente.
Este intervalo de tempo designa-se por período vulnerável e corresponde à primeira parte da onda T no
electrocardiograma. Representa, aproximadamente, 10% a 20% do ciclo cardíaco.
+ Limiar de Fibrilação
As mais recentes pesquisas sobre electropatolagia permitem concluir que a intensidade de corrente de fibrilação é
variável, existindo dois limiares:
I = I
ref
/
F
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― Um, elevado, quando o tempo de passagem da corrente é curto, isto é, inferior a cerca de um terço
do ciclo cardíaco;
― Outro, muito mais baixo, quando o tempo de passagem é longo, isto é, superior a vários ciclos
cardíacos. Neste caso, uma intensidade, em princípio insuficiente para iniciar a fibrilação, vai gerar
uma contracção dos ventrículos fora de tempo (extra-sistole), provocando uma diminuição
considerável do limiar de fibrilação.
Valores elevados de intensidade de corrente não provocam fibrilação. Podem, contudo, determinar a paragem do
coração ou induzir alterações orgânicas permanentes no sistema cardiovascular.
Para a corrente continua e para tempos de contacto superiores à duração do ciclo cardíaco, o limiar de fibrilação é
várias vezes superior ao verificado em corrente alternada. Para tempos de contacto inferiores a 200 milissegundos,
o limiar de fibrilação é, aproximadamente, o mesmo que em corrente alternada expresso em valor eficaz.
Correntes elevadas não provocam, de um modo geral, fibrilação; podem, no entanto provocar uma paragem
cardíaca ou produzir alterações orgânicas irreversíveis no sistema cardíaco.

2.1.11. Riscos de electrização
2.1.11.1. Choque Eléctrico
O choque eléctrico é o efeito patofisiológico que resulta da passagem de uma corrente eléctrica através do corpo
humano. Quando o resultado deste efeito é a morte é habitual designar-se por ELECTROCUSSÃO.
A possibilidade da passagem da corrente eléctrica pelo corpo humano depende muito das características da
instalação eléctrica e respectivos circuitos, de algumas características (normais e/ou anormais) de funcionamento
dos mesmos, dos dispositivos de protecção neles existentes ou não, e do tipo de aparelhos a eles ligados.

2.1.11.2. Efeitos do Choque Eléctrico
Estes efeitos dependem fundamentalmente dos seguintes factores:
× Tipo de corrente;
× Intensidade da corrente;
× Efeitos patológicos da corrente;
× Tempo do contacto;
× Percurso da corrente;
× Resistência do corpo (humidade da pele).

TIPO DE CORRENTE
Existem dois tipos de corrente:
C Alternada;
C Continua.
Para intensidades iguais o risco representado pela corrente alternada é maior. Para a corrente alternada o risco
diminui com o aumento da frequência (em Portugal, a frequência de distribuição é de 50 Hz).

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INTENSIDADE DA CORRENTE
A intensidade é o factor mais importante do fenómeno do choque eléctrico. A CEI 479 – 1, define 5 zonas de efeitos
para as correntes alternadas de 15 a 100 Hz, considerando pessoas de 50 kg e um trajecto de corrente entre mão –
mão ou mão – pé.

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EFEITOS PATOLÓGICOS DA CORRENTE
C De 0,1 a 0,5 mA – leve percepção superficial, normalmente sem nenhum efeito patológico (zona 1);

C De 0,5 a 10 mA – pode provocar uma paralisia ligeira nos músculos dos braços com principio de
tetanização (zona 2);

C De 10 a 30 mA – não se verifica nenhum efeito fisiológico perigoso se a corrente for interrompida no
prazo de 5 segundos (zona 2 e 3);

C De 30 a 500 mA – provoca a paralisia dos músculos do tórax com sensação de sufocamento; existe
ainda a possibilidade de fibrilação cardíaca (zona 4);

C Superior a 500 mA – provoca lesões cardíacas irreversíveis ou mortais; atente-se que, em
determinadas circunstancias, correntes entre 25 – 30 mA já são perigosas.

TEMPO DE CONTACTO
Como já se observou, existe uma relação directa entre a gravidade da lesão e o tempo de contacto durante o qual a
pessoa está submetida ao contacto eléctrico. Decorre deste facto a importância da protecção individual.

PERCURSO DA CORRENTE
Já se viu como este percurso é importante para o fenómeno da fibrilação.

RESISTÊNCIA OU IMPEDÂNCIA DO CORPO
O corpo humano é constituído por um conjunto de líquidos e tecidos orgânicos de resistividade variável. Na
perspectiva da electricidade, pode-se considerar o corpo constituído por um conjunto de resistências e
condensadores. O valor da resistência da pele depende de factores tais como:
= Tipo de Contacto
A resistência do corpo humano depende do trajecto da corrente.
Na prática, quando se fala da resistência do corpo humano, podem considerar-se os
seguintes valores médios, em função do trajecto da corrente:
o Mão – pé 1000 a 1500 Ω;
o Mão – mão 1000 a 1500 Ω;
o Mão – tórax 450 a 700 Ω;
= A Humidade da Pele
A humidade diminui a resistência da pele; a pele seca e calosa oferece maior resistência.
= Superfície de Contacto
O aumento da área de contacto diminui a resistência do corpo.

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= Tempo de Contacto
A resistência diminui com o tempo de contacto.
= Pressão de Contacto
A maior pressão de contacto corresponde uma menor resistência.
= Tensão de Contacto
A resistência do corpo diminui com o aumento da tensão aplicada. Na realidade, as medidas
de protecção são tomadas tendo em conta a diferença de potencial a que estão submetidos
dois pontos diferentes do corpo humano.
Tensão de segurança
É o valor da tensão de contacto que pode ser indefinidamente suportada pelo organismo sem acarretar efeitos
fisiopatológicos perigosos. O RSIUEE, refere os seguintes valores:
= 50 V, quando não há massas susceptíveis de serem empunhadas;
= 25 V, se houver massas susceptíveis de serem empunhadas ou aparelhos portáteis com
massas acessíveis.
2.1.12. Protecção contra choques eléctricos
A protecção contra choques eléctricos está dependente de uma série de variáveis, entre as quais se destacam o
tipo de contactos.
O Regulamento de Segurança de Instalações de Utilização de Energia Eléctrica – RSIUEE (Decreto-Lei n.º
740/74, de 26 de Dezembro) define a protecção das pessoas.
As situações susceptíveis de ocasionar o choque eléctrico devem-se fundamentalmente a dois tipos de contactos:
= Contactos Directos;
= Contactos Indirectos.

2.1.12.1. Contactos directos
Quando se toca directamente num condutor activo ou neutro de uma instalação (partes sob tensão).

MEIOS DE PROTECÇÃO CONTRA CONTACTOS DIRECTOS
= Afastamento das partes activas;
= Por isolamento das partes da instalação normalmente sob tensão;
= Por interposição de obstáculos que impeçam qualquer contacto acidental com as partes
activas;
= Utilizando tensões baixas, não excedendo os 50 V.

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2.1.12.2. Contactos indirectos
Quando se toca numa parte da instalação que em qualquer massa ou elemento condutor estranho à instalação
eléctrica, não exista tensão superior à de segurança.

MEIOS DE PROTECÇÃO CONTRA CONTACTOS INDIRECTOS
Estas medidas ou meios devem assegurar que em qualquer massa ou elemento condutor
estranho à instalação eléctrica, não exista uma tensão superior à de segurança.
Podem incluir-se em dois grupos:

· GRUPO I – medidas ou disposições destinados a suprimir o próprio risco, fazendo com que os
contactos não sejam perigosos ou impedindo contactos simultâneos de massas com elementos
condutores, entre os quais possa surgir uma diferença de potencial perigosa;

· Grupo II – medidas ou disposições com o objectivo de ligar massas à terra, directamente ou por
intermédio do neutro da instalação, associando-se a um dispositivo de corte automático que
desligue a instalação ou parte da instalação defeituosa.

MEDIDAS DE PROTECÇÃO DO GRUPO I
a. Separação de circuitos de utilização das fontes de energia, por via de transformadores (CA) ou de
conversores (CC);
b. Utilização de tensões reduzidas de segurança;
c. Separação entre as partes activas e as massas acessíveis, através de isolamento de protecção
(classe II);
d. Inacessibilidade simultânea de massas e elementos condutores;
e. Isolamento de protecção;
f. Estabelecimento de ligações equipotenciais.

UTILIZAÇÃO DE TENSÃO REDUZIDA DE SEGURANÇA
Esta medida consiste no emprego de tensões abaixo dos 50 V. a utilização destas tensões deve ter em conta as
condições do meio:
· 24 V, de valor eficaz para os locais húmidos;
· 50 V, para os locais secos.
Nestes circuitos deve ainda tomar-se em consideração:
· Os circuitos de muito baixa tensão, não podem ter qualquer contacto por terra com outros circuitos de
tensão superior;
· Material isolante empregue nestes circuitos deve ser igual ao utilizado para 250 V;
· Os cabos flexíveis de alimentação devem ser resistentes ao óleo e a dobragens.
ISOLAMENTO DE PROTECÇÃO
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Esta medida consiste em isolar as partes metálicas de um aparelho ou equipamento eléctrico, de modo a evitar que
se possam tocar partes metálicas que, não devendo estar normalmente em tensão, o podem estar por defeito.
Este tipo de isolamento deve ser obrigatório em todas as pequenas ferramentas eléctricas manuais: berbequins,
rectificadoras, etc.
Os equipamentos ou ferramentas assim isolados não necessitam de ligação à terra. São designados de Classe II, e
devem obrigatoriamente apresentar o símbolo.
MEDIDAS DE PROTECÇÃO DO GRUPO II
A protecção por ligação à terra consiste na união, por meio de condutores, de todas as partes metálicas de uma
instalação com uma derivação final à terra, através de um eléctrodo. Esta medida, obriga:
· Ligação das massas à terra;
· Um dispositivo de corte automático que garanta o corte da corrente em tempo oportuno.
LIGAÇÃO DAS MASSAS À TERRA
Numa instalação sem ligação à terra a corrente ocasionada por um defeito passa totalmente através do
corpo humano e, se a tensão de massa for superior a 50 V, a corrente pode ser perigosa.
Se a massa estiver ligada à terra através de uma resistência de pequeno valor, a maior parte da corrente
passará através da resistência e não pelo corpo humano.
Existem vários tipos de ligação à terra, designados normalmente por associação de duas ou três letras,
designando a primeira situação do neutro em relação à terra, e a segunda, a situação das massas em
relação à terra; a terceira letra fornece uma informação complementar sobre as funções do condutor de
protecção.

















A ligação das massas à Terra constitui uma medida de protecção contra choques eléctricos.
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Destacam-se:
Sistema TT
· Neutro está ligado à terra e as massas são ligadas à terra através de eléctrodos próprios, distintos do
neutro.
― Este sistema é maioritariamente utilizado em instalações industriais e domésticas.
Sistema TN
· Neutro ligado à terra e as massas ligadas ao ponto neutro por condutores de protecção.
― Se o neutro e o de protecção se confundem, o sistema é designado por TNC.
― Se o condutor neutro e o de protecção são separados, o sistema é designado por TNS.
Sistema IT
· Neutro não ligado à terra (neutro isolado) ou está ligado por intermédio de uma impedância (neutro
impedante).
Resistência de Terra
· A resistência de terra deve ter o menor valor possível e não deve ser superior a 10 Ω. A tensão de
segurança de funcionamento do aparelho de protecção é de 25 ou 50 volt, conforme as massas são
empunháveis ou não.
Protecção Diferencial
· Os aparelhos de protecção sensíveis à corrente diferencial-residual deverão assegurar, directa ou
indirectamente, o corte omnipolar do circuito em que estão inseridos e ser dotados de dispositivo que
permita sem meios especiais, verificar o seu estado de funcionamento. Estes aparelhos actuam num
tempo determinado, atingindo a corrente de fuga, ou residual, um valor mínimo. Em função deste
valor mínimo, consideram-se as seguintes classes de sensibilidade:
SENSIBILIDADE VALOR
BAIXA IΔn > 1000 Ma
MÉDIA 30 < IΔn ≤ 1000 mA
ALTA 12 < IΔn ≤ 30 mA
MUITO ALTA IΔn ≤ 12 mA

Características da Terra
· Todos os sistemas de protecção estão directa ou indirectamente relacionados com a terra, pois a
corrente que percorre o corpo humano escoa-se, regra geral, para a terra; isto só acontece quando se
está isolado da mesma e em contacto simultâneo com dois pontos a potencial diferente. Esta ligação
é assegurada por um eléctrodo de terra que pode ter varias formas e tem que ser montado de acordo
com algumas regras. A resistência de terra deve ser medida, podendo ser utilizado mais do que um
método.


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2.1.13. Origem da electricidade estática
A electricidade estática é um fenómeno a que todas as pessoas estão sujeitas e já experimentaram em algum
momento da sua vida como por exemplo ao sair e bater a porta de um automóvel ou ao despir roupas de tecido
acrílico.
A electricidade estática pode obter-se por contacto entre dois corpos, podendo esse contacto ser provocado por
compressão ou expansão, por aquecimento ou arrefecimento, por fragmentação, atrito ou indução, aproximando um
corpo condutor no estado neutro de um corpo carregado. O corpo, inicialmente neutro, vai electrizar-se por indução
ou influência.
As pessoas são carregadas electricamente quer pelo seu deslocamento sobre o solo, principalmente se calçam
sapatos com solas isolantes, quer pelo atrito de roupas entre si ou com o corpo (uma pessoa pode, facilmente
deslocar-se com 5000 V sob a sua roupa).
As quantidades de electricidade que devido a essa electrização se acumulam, podem ser suficientes para dar lugar
a uma descarga disjuntiva ao contacto da pessoa com uma massa metálica. As consequências serão, normalmente,
inofensivas excepto se, por um acto reflexo, as pessoas se colocam em contacto com uma máquina em movimento,
se desequilibram, caindo de locais elevados, ou se a atmosfera a ambiente está carregada de vapores ou gases
inflamáveis.
A electricidade estática pode ocorrer na transferência de produtos sólidos entre recipientes, na preparação de
superfícies aquando da colocação de telas devido às forças de atrito exercidas.
A electrização dos líquidos nas canalizações pode ocorrer por atrito ao longo das paredes, por choques com
obstáculos, por mudança brusca de direcção, por redução da secção das
canalizações ou por interposição de filtros. No caso da carga e descarga de
líquidos inflamáveis essa electrização é particularmente perigosa.
No meio industrial as correias de transmissão em movimento à volta de
tambores e todos os sistemas similares em que uma fita se move sobre rolos
desenvolvem, por contacto, cargas electrostáticas cuja importância depende
da natureza e dimensão dos materiais utilizados.

2.1.13.1. Medidas preventivas contra electricidade estática
As principais medidas preventivas, para evitar a formação ou acumulação de cargas eléctricas, exigem:
· A humidificação da atmosfera;
· O aumento, até um valor suficiente, da condutibilidade dos isolantes;
· A ligação à terra;
· A neutralização das cargas;
· A redução dos atritos.




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Ligação à terra para descarga de electricidade estática.

2.1.14. Utilização e manutenção da instalação
Mesmo no pressuposto de se estar perante uma instalação bem concebida, devem ter-se em conta alguns
procedimentos com vista à utilização e manutenção correcta da mesma.
Destacam-se os seguintes:
· Não tocar em elementos nus de uma instalação eléctrica;
· Verificar se os isolamentos estão em bom estado;
· Não danificar o isolamento dos fios condutores puxando pelos cabos de alimentação dos
equipamentos e ferramentas para os desligar das tomadas;
· Manter os fios e outras peças condutoras bem ligadas e apertadas nos bornes, evitando faíscas e
sobreaquecimentos;
· Verificar se os circuitos possuem um condutor de protecção (Fio de Terra) e se as tomadas possuem
pólo de terra e alvéolos protegidos;
· Em ambientes com riscos especiais deve-se trabalhar sempre com:
- Tensões reduzidas (menores que 25 volt);
- Transformadores de isolamento de segurança;
- Equipamentos de trabalho de dupla protecção eléctrica.
· Nunca reparar um aparelho eléctrico sem antes o desligar da energia;
· Utilizar sempre um aparelho eléctrico em condições de segurança.

2.1.15. Protecção contra descargas atmosféricas
Este tipo de protecção (pára-raios) e o sistema a adoptar depende do índice de risco que, para alem da incidência
das descargas atmosféricas em determinada região, é função de:
· Utilização do edifício;
· Tipo e altura da construção;
· Equipamentos instalados no interior;
· Tipo de isolamentos da estrutura.

2.1.16. Periodicidade aconselhável das verificações
1. As instalações e os materiais eléctricos em geral, antes da primeira colocação em serviço, devem ser
sujeitos ao controlo completo do seu bom estado, feito por pessoa competente, desde que não exista um
certificado do construtor;
2. As instalações e os materiais eléctricos em geral, após modificação ou reparação, devem ser sujeitos ao
controlo completo do seu bom estado, feito por pessoa competente, desde que não exista um certificado
passado pela empresa que efectuou a operação;
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3. As instalações e os materiais eléctricos fixos devem ser sujeitos, de 4 em 4 anos, a um controlo completo
do seu bom estado, feito por pessoa competente. Deve ser constatado o bom estado da instalação e dos
materiais a ela ligados, por inspecção visual, verificando a conformidade dos circuitos e dos aparelhos
com os projectos. Deve ser feito o exame do estado de conservação das instalações e materiais, muito em
especial das protecções contra riscos de contacto directo e indirecto, e das protecções contra sobre-
intensidades;
· A resistência das tomadas de terra deve ser a mais baixa possível, mas sempre inferior a 100 Ω,
para as terras que participam na protecção contra contactos indirectos por dispositivos diferenciais
residuais.
· A resistência total dos circuitos de protecção (ligações equipotenciais, condutores de ligação às
tomadas de terra, etc.) deve ser inferior a 1 Ω.
· A resistência de isolamento entre condutores activos (fases e neutro em corrente alternada,
condutores positivo, negativo e compensador em corrente continua) de um circuito de potência ou de
comando, deve ser superior a 1000 Ω por volt de tensão nominal, sendo no mínimo de 250000 Ω
para os comprimentos totais ou secções de circuito inferiores a 100 metros.
· A resistência de isolamento entre partes activas e massas dos aparelhos eléctricos deve ser superior
a 1000 Ω por volt de tensão nominal, sendo no mínimo de 250000 Ω.
4. Os materiais eléctricos não fixos, linhas de ligação munidas de fichas, extensões e cabos flexíveis com
fichas e tomadas, devem ser sujeitos, no mínimo de 6 em 6 meses, ao controlo do seu bom estado, feito
por pessoa competente;
5. os dispositivos de protecção de corrente diferencial residual em instalações ou materiais não fixos devem
ser sujeitos uma vez por mês ao controlo do seu bom estado, feito pelo utilizador;
6. os disjuntores de protecção de corrente diferencial residual e os de tensão de defeito em instalações
moveis, devem ser diariamente sujeitos ao controlo do seu bom funcionamento, feito pelo utilizador, por
accionamento dos seus dispositivos de comando;
7. Os equipamentos isoladores de protecção pessoal devem ser sujeitos, no mínimo de 6 em 6 meses (em
função da utilização), ao controlo do bom estado do ponto de vista da segurança, feito por pessoa
competente. Os equipamentos isoladores de protecção pessoal devem ser sujeitos, pelo utilizador, ao
controlo dos seus defeitos visíveis antes de cada utilização.


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2.1.17. Cuidados úteis com a electricidade

Só um electricista qualificado e designado para o efeito pode instalar, modificar, reparar, fazer a manutenção das
instalações eléctricas.
Todo o improviso é fonte de acidentes graves como por exemplo as electrocussões.








È necessário ter cuidado com a proximidade de cabos aéreos ou subterrâneos sob tensão. Devem respeitar-se as
distâncias de segurança.







Só devem ser utilizadas
lâmpadas portáteis regulamentares e nunca lâmpadas instaladas provisoriamente.






As junções, as fichas, etc., devem ser manipuladas com prudência. Devem utilizar-se fichas e tomadas de corrente
normalizadas.





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Nunca se devem fazer ligações ou arranjos provisórios, nem modificar instalações eléctricas. Deve assinalar-se
imediatamente qualquer anomalia ou qualquer defeito ao chefe directo, ou ao electricista responsável.






Para se retirar uma ficha de uma tomada de
corrente deve puxar-se pela ficha, e não pelo cabo de alimentação.








Se uma ferramenta eléctrica tiver sofrido uma pancada ou queda, não deve ser utilizada sem passar por um exame
efectuado por uma pessoa competente. As ferramentas eléctricas não devem ser utilizadas na presença de
humidade.

2.1.18. Actuação em caso de acidentes eléctricos
A morte por electrocussão só surge, em geral, muito depois do acidente, por terem faltado os socorros necessários.
A sobrevivência da vítima de um acidente eléctrico depende muitas vezes da actuação imediata dos seus
companheiros.
Uma electrização ou uma hemorragia grave podem matar em alguns minutos, antes da chegada de socorros
qualificados, se não forem logo prestados ao acidentado alguns cuidados básicos. Nem só as pessoas com
formação de Primeiros Socorros podem salvar vidas nestas circunstâncias. Qualquer pessoa, ao testemunhar um
acidente, se agir depressa, mas sem precipitações, poderá ajudar a manter viva a vitima até à chegada dos
socorros qualificados.

2.1.19. Proteger-se e proteger a vitima de novo acidente
· Antes de efectuar qualquer gesto para a reanimação do acidentado, verificar que este não está em contacto
com uma peça em tensão, ou susceptível de ficar em tensão, por exemplo no caso de uma religação;
· Para afastar a vitima da peça em tensão:
× Cortar imediatamente a corrente eléctrica se existir um dispositivo de corte no local do acidente;
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× Caso não exista dispositivo de corte no local do acidente e se a instalação for de Baixa Tensão,
provocar um curto-circuito a fim de obter os mesmos resultados, tendo o cuidado de se colocar fora
do alcance dos efeitos do curto-circuito.
· Se não for possível cortar a corrente, a pessoa que vai afastar o acidentado deverá:
× Proteger-se utilizando materiais isolantes adequados ao nível da tensão – luvas, varas, tapetes,
estrados, etc. – recordando que a presença de humidade pode torná-los condutores;
× Tomar cuidado para não se colocar em contacto directo, ou por intermédio de objectos condutores,
com uma peça em tensão.
· Se o acidente ocorreu em cima de um apoio, e a vitima se manteve em contacto com peças em tensão, afastá-
la:
× Ou mantendo a distancia de segurança, utilizando uma vara isolante para a afastar;
× Ou ao contacto, depois de ter procedido ao corte da corrente e à ligação à terra.
· Se os condutores estiverem em contacto com o solo, directamente ou através do apoio, ninguém deve
aproximar-se a menos de 18 metros dos pontos de contacto antes de ter sido desligada a corrente (para evitar
acidentes pela tensão que passa no solo); qualquer pessoa que se movimente dentro desta distância deve
fazê-lo com passos muito curtos, sempre no sentido do afastamento do ponto de contacto.

2.1.20. Aplicação dos primeiros socorros
Logo que a protecção esteja assegurada é essencial examinar a vítima, antes mesmo de alertar os socorros
qualificados.
+ Verificar se:
= O tórax e o abdómen se movimentam com a respiração;
= O ar sai normalmente pela boca e nariz;
= Tem uma lesão evidente.
Depois de fazer o exame rápido da situação da vitima, a testemunha deve mandar alguém alertar os Primeiros
Socorros ou fazê-lo ela própria, mas só depois de assegurar a respiração da vitima.
+ Para assegurar a respiração da vitima, em caso de estar parada (tórax e abdómen imóveis, não
havendo saída de ar pela boca e nariz), é necessário desobstruir as vias respiratórias (boca e
traqueia):
= Desapertar ou aliviar qualquer vestuário que possa dificultar a respiração;
= Inclinar a cabeça para trás, não deixando que a língua a entrada de ar;
= Passar um dedo pelo interior da boca para a limpar, no caso de ter havido vómito.
+ Se a respiração não for retomada:
= Aplicar imediatamente um método de respiração artificial, boca-a-boca ou boca-nariz, que
deverá manter-se até que cheguem os socorros qualificados ou que a vitima comece a
respirar.
CHAMAR OS PRIMEIROS SOCORROS E AFASTAR OS CURIOSOS
O alerta deve ser feito para os serviços de socorro locais ou, na sua falta, para os socorros nacionais (112).
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+ A comunicação deve:
= Fornecer a localização precisa do acidente bem como o número do telefone onde está a
fazer a chamada;
= Dar indicações da natureza do acidente, do estado aparente da vítima e dos cuidados de
urgência efectuados.
+ É, pois, fundamental que todo o pessoal conheça:
= O nome dos socorristas internos;
= A lista e números de telefone dos socorros de urgência, que deve estar afixada junto dos
telefones do local de trabalho e nas viaturas;
= A localização da caixa de Primeiros Socorros.
OUTROS CUIDADOS A PRESTAR ANTES DA CHEGADA DOS SOCORROS QUALIFICADOS
DEITAR A VÍTIMA
· Se a vitima está consciente e se respira, deitá-la de costas num local plano, salvo se tem:
- Ferimentos na face – deitar em posição lateral de segurança;
- Ferimentos no tórax – colocar em posição semi-sentada;
- Ferimentos no ventre – deitar de costas mas com as pernas semi-fletidas.
· Se a vitima está inconsciente mas respira, deitá-la em posição lateral de segurança (PLS).

PARAR AS HEMORRAGIAS
· No caso de grande hemorragia, comprimir directamente a ferida com a mão, com os dedos ou com o
punho;
· No caso de hemorragia menos importante, uma compressa pode substituir a compressão manual.

FRACTURAS
· Tentar que a vítima permaneça imobilizada, aguardando os Primeiros Socorros qualificados.

FERIDAS E QUEIMADURAS
· Lavar as feridas com água limpa. Não utilizar qualquer outro produto além da água;
· Nunca lavar as queimaduras de origem eléctrica.
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2.2. Substâncias Perigosas
2.2.1. Introdução
Nos nossos dias os produtos químicos têm aplicações muito diversificadas, pelo que a sua utilização se estende a
múltiplas actividades. Por este facto, a produção e utilização de produtos químicos constitui um importante factor de
desenvolvimento.
São numerosos os produtos químicos usados na actualidade. Na base de dados do Chemical Abstract Service
(CAS) encontram-se registados cerca de 5 milhões de produtos e, conforme dados divulgados pela Environmental
Protection Agency (EPA-EUA) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), são descobertos por ano, 500 a 1000
novos produtos.
A utilização de alguns produtos químicos, designados por ―produtos químicos perigosos‖, podem comportar
riscos graves para o homem e/ou para o ambiente. Estes riscos podem tomar diversas formas que resultam das
características físicas, químicas, toxicológicas e ecotoxicológicas das substâncias em causa.
Os acidentes ou incidentes que têm origem no manuseamento de produtos químicos são frequentes, ocorrendo não
só nas actividades ligadas ao sector químico, mas também em variados locais de trabalho, como oficinas,
lavandarias, indústria têxtil, manufactura de sapatas e nas unidades de metalomecânica. Também nas actividades
domésticas, nomeadamente nos actos de limpeza, e em actividades de lazer, como a pintura e trabalhos de
colagem, podem acontecer situações acidentais de exposição a químicos.
Considerando a importância que a utilização de produtos químicos assume na sociedade moderna, e também os
efeitos dessa utilização na saúde humana e no ambiente, vários organismos têm vindo a constituir bases de dados
sobre produtos químicos.
Na União Europeia (EU), tendo em vista o conhecimento da utilização de produtos químicos, existem duas listagens
de substâncias químicas: a European Inventory of Existing Commercial Substances) EINECS), referente às
substâncias químicas existentes no mercado comunitário em 18 de Setembro de 1981, e a European List Notificated
Commercial Substances (ELINCS), listagem de substâncias notificadas no mercado comunitário após 18 de
Setembro de 1981, esta ultima é actualizada anualmente pela Comissão da União Europeia.
No controlo dos problemas inerentes à utilização de produtos químicos é muito importante o processo de
notificação das substâncias e preparações.
Define-se notificação como o acto pelo qual os documentos contendo as informações exigidas por lei, são
apresentados pelo fabricante das substâncias ou por interposta pessoa, à autoridade competente para esse acto, de
um Estado membro. Em Portugal, as entidades competentes para a notificação são, para as substancias, a
Direcção Geral do Ambiente e, para as preparações, a Direcção Geral da Industria.
O conhecimento das características toxicológicas das substâncias é um elemento muito importante para as
actividades que têm por objectivo a protecção da saúde dos utilizadores de produtos químicos. Existem variadas
fontes de informação sobre as características físico-químicas, toxicológicas e ecotoxicológicas das substâncias
químicas. Uma dessas fontes é da autoria do National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH – EUA) e
toma a forma de uma base de dados toxicológicos e de informação adicional, designada por Registry of Toxic
Effects of Chemical Substances (RTECS). Esta base contem elementos de interesse para a indústria e para os
técnicos de segurança, higiene e saúde.
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Também pode ser obtida informação sobre produtos químicos através do International Programme on Chemical
Safety (IPCS). Este programa foi estabelecido por três organismos em parceria: a Organização Internacional do
Trabalho (OIT ou ILO), o United Nations Environment Programme (UNEP) e a Organização Mundial de Saúde (OMS
ou WHO), em 1980.
Entre as áreas de intervenção do IPCS destaca-se: a avaliação dos riscos químicos para a saúde humana e o
ambiente, e a gestão e prevenção das exposições a tóxicos.
Também a Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR, US Departament of Health & Human
Services – EUA) dispõe de um conjunto de informação sobre produtos químicos, na forma de fichas toxicológicas de
substâncias diversas, que se designam por TOXFAQs.
Para a prevenção dos riscos associados ao manuseamento dos produtos químicos é fundamental, por um lado,
identificar os perigos específicos de cada substância ou preparação e, por outro lado, fazer chegar essa informação
a todos os utilizadores.
O acesso à informação pertinente sobre o produto químico e, consequentemente, sobre os riscos associados à sua
utilização constitui, portanto, a base fundamental de qualquer intervenção com o objectivo de eliminar ou reduzir os
riscos inerentes a essa utilização.
Existem várias Directivas comunitárias que versam a utilização de produtos químicos e que tem por objectivo a
protecção dos consumidores e do ambiente. Estas Directivas visam aprovar os princípios genéricos do regime de
notificação de substâncias químicas, a gestão da informação sobre riscos potenciais para a saúde humana e o
ambiente, e respectiva avaliação, assim como a classificação, embalagem e rotulagem dessas substâncias.
As portarias referidas aprovam, respectivamente:
× O «Regulamento para a Notificação de Substancias Químicas e para a Classificação, Embalagem e
Rotulagem de Substancias Perigosas»;
× O «Regulamento para a Classificação, Embalagem e Rotulagem das Preparações Perigosas».
De toda a informação existente nestes regulamentos, destaca-se, por se considerar como mais relevante para a
protecção dos utilizadores de produtos químicos e, portanto, para os técnicos de segurança, higiene e saúde, a que
se relaciona com os aspectos ligados à identificação da substância ou preparação e ao reconhecimento da sua
perigosidade.
A classificação de perigosidade de uma substância é feita de acordo com determinados ensaios (referidos no
Regulamento para a Notificação de Substancias Químicas e para a Classificação, Embalagem e Rotulagem de
Substancias Perigosas).
As substâncias classificadas como perigosas agrupam-se nas seguintes categorias:
× Explosivas;
× Comburentes;
× Extremamente inflamáveis;
× Facilmente inflamáveis;
× Inflamáveis;
× Muito tóxicas,
× Tóxicas;
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× Nocivas;
× Corrosivas;
× Irritantes;
× Sensibilizantes;
× Cancerígenas;
× Mutagénicas;
× Tóxicas para a reprodução;
× Perigosas para o ambiente.
Cabe aos fabricantes, importadores ou distribuidores proceder à avaliação prévia dos perigos que os produtos
químicos que colocam no mercado podem apresentar. Também é da sua responsabilidade a classificação do
produto químico, numa das categorias referidas. A cada uma destas categorias corresponde um símbolo e um
conjunto de indicações.

2.2.2. Classificação de substancias químicas de grande risco
São substâncias que podem, através de reacções químicas, provocar incêndios ou contribuir para o agravamento
dos mesmos. Com excepção dos explosivos, reconhecidamente perigosos, merecem cuidados especiais quanto ao
seu manuseamento e armazenamento as substancias químicas classificadas de grande risco:
O Sólidos inflamáveis;
O Plásticos e filmes;
O Agentes oxidantes,
O Ácidos e outros corrosivos.

2.2.3. Sólidos inflamáveis
São consideradas sólidas inflamáveis as substâncias que se incendeiam facilmente, ou provocam incêndios, quer
seja por fricção, quer seja pela exposição ao ar, quer seja absorção de humidade, quer seja por absorção de uma
pequena quantidade de calor.
a. Quanto à fricção:
× Enxofre;
× Fósforo (vermelho, branco ou amarelo);
× Persulfato de fósforo;
× Peróxido de benzol seco.
b. Quanto à exposição ao ar:
× Boro;
× Carvão vegetal;
× Perro pirofórico;
× Fósforo (vermelho, branco ou amarelo);
× Hidratos;
× Lítios;
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× Nitrato de cálcio;
× Pó de zinco.
c. Quanto à absorção da humidade:
× Cálcio;
× Carbonato de alumínio;
× Carbureto de cálcio;
× Hidratos;
× Hidrosulfito de sódio;
× Magnésio (se finamente dividido);
× Oxido de cálcio;
× Peróxido de bário;
× Pó de alumínio;
× Pó de bronze;
× Pó de zinco;
× Potássio;
× Selénio;
× Sódio;
× Sulfito de ferro;
d. Quanto à absorção de uma pequena quantidade de calor:
× Carvão vegetal;
× Dinitrocanilina;
× Dinitrobenzol;
× Nitrato de celulose (nitrocelulose);
× Pentasulfato de antimónio;
× Pentasulfato de sódio;
× Piroxilina;
× Pó de zircónio;
× Sesquisulfato de fósforo.

2.2.3.1. Plásticos e filmes
Os plásticos à base de nitrocelulose (por exemplo, o celulóide) inflamam-se um pouco acima dos 100 ºC.
Decompõe-se a temperaturas da ordem dos 150 ºC, sendo que a sua decomposição é acompanhada por uma
elevação de temperatura podendo originar a sua combustão espontânea. Queimam muito rapidamente.
Os plásticos à base de goma-laca queimam muito vagarosamente. Devem ser manuseados cautelosamente,
sempre em pequenas quantidades e evitando a ocorrência de chama e luz. Deve ser proibido foguear ou ter
cigarros acesos na presença destes materiais.
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São substancias sólidas que contem apreciável quantidade de oxigénio e são capazes de facilitar ou mesmo
provocar incêndios quando em contacto com materiais combustíveis. Libertam o seu oxigénio à temperatura
ambiente ou sob efeito do calor.
Indicam-se alguns destes oxidantes:
- Acido crómico;
- Acido perclórico;
- Bromato de potássio;
- Cloreto de bário;
- Cloreto de cálcio;
- Cloreto de potássio;
- Cloreto de zinco;
- Hipoclorito de cálcio;
- Hipoclorito de sódio;
- Nitrato de amónio;
- Nitrato de bário;
- Nitrato de cobalto;
- Nitrato de cobre;
- Nitrato de chumbo;
- Nitrato de ferro;
- Nitrato de magnésio;
- Nitrato de níquel;
- Nitrato de potássio;
- Nitrato de prata;
- Nitrato de sódio;
- Nitrato de tório;
- Nitrato de urânio;
- Perclorato de amónio;
- Perclorato de sódio;
- Permanganato de amónio;
- Permanganato de potássio;
- Peróxido de bário;
- Peróxido de estrôncio;
- Peróxido de potássio;
- Peróxido de sódio.
São substâncias que, em contacto com matérias combustíveis, podem desenvolver calor suficiente para provocar
um incêndio ou forte corrosão. Os principais ácidos e corrosivos são:
- Acido muriático;
- Acido clorídrico;
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- Acido crómico (solução);
- Acido fluorídrico;
- Acido nítrico;
- Acido perclórico;
- Acido sulfúrico;
- Bromo;
- Cloreto de acetil;
- Cloreto de benzil;
- Cloreto de cloracetil;
- Cloreto de enxofre;
- Oxicloreto de fósforo;
- Pentacloreto de antimónio;
- Peróxido de hidrogénio;
- Agua oxigenada (8 a 45 %);
- Trióxido de enxofre.

2.2.3.2. Metais
Os metais existem na natureza, não no estado puro, mas geralmente sob a forma de óxidos. Este é o seu estado
mais estável, o que significa que, em certas condições favoráveis, os metais tenderão sempre a reagir com o
oxigénio.
São considerados uma classe à parte, diferente da dos restantes combustíveis sólidos, porque em fogos envolvendo
metais é interdito o uso de água como agente extintor. Esta proibição justifica-se porque os metais, dadas as suas
afinidades com o oxigénio, decompõem a molécula de água utilizando o oxigénio para continuar a arder e deixando
livre o hidrogénio, que constitui naturalmente um factor agravante em relação ao fogo inicial.

2.2.3.3. Poeiras
O estado de divisão da matéria é um factor de grande importância para o desenvolvimento de uma combustão.
Deste modo temos que, quanto maior for a relação superfície/volume do material, tanto mais rapidamente o
corpo aumentará de temperatura e entrará em combustão.
As poeiras em suspensão no ar constituem, dentro de certos limites de concentração, misturas explosivas. Mesmo
que a poeira não esteja em suspensão, mas formando uma camada sobre uma superfície sólida, o risco não está
afastado, pois essas camadas podem sofrer combustão lenta, podem ocorrer reacções químicas exotéricas que
levem à auto-inflamaçao ou podem, quando perturbadas (vibrações ou explosões noutro local) levantar-se e formar
nuvens explosivas.
Em principio, qualquer material susceptível de sofrer oxidação é capaz de explodir quando pulverizado e em
suspensão no ar. O risco existe em qualquer indústria onde se verifique o transporte, armazenagem ou
processamento de materiais pulverizados, de cereais a carvão, de metais a produtos farmacêuticos.
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2.2.4. Equipamentos de protecção individual para emergências químicas
2.2.4.1. Introdução
Devido aos riscos associados ao manuseamento das substâncias químicas perigosas, o homem precisa de
salvaguardar o seu estado de saúde de forma a evitar a absorção do organismo humano via cutânea.
Devido às propriedades químicas das substâncias, existe a necessidade de conhecer previamente as substancias
de forma a posteriormente escolher os EPI‘s.


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NÍVEL A DE PROTECÇÃO
Deve ser utilizado quando for necessário o maior índice de protecção respiratória, à pele e aos olhos. É composto
de:
+ Aparelho autónomo de respiração com pressão positiva ou linha de ar mandado;
+ Roupa de encapsulamento completo;
+ Luvas internas, externas e botas resistentes a produtos químicos;
+ Capacete interno à roupa;
+ Rádio.

Escolha o Nível A de protecção sempre que:
+ A substância química for identificada e for necessário o mais alto nível de protecção para o sistema
respiratório, pele e olhos;
+ Houver suspeita da presença de substâncias com alto potencial de danos à pele e o contacto for
possível, depende da actividade a ser realizada;
+ Forem realizados atendimentos em locais confinados e sem ventilação;
+ Leituras directas em equipamentos de monitorização indicarem concentrações perigosas de gases /
vapores na atmosfera; por exemplo, valores acima do IDLH (concentração imediatamente perigosa à
vida e à saúde).
NÍVEL B DE PROTECÇÃO
Deve ser utilizado quando for necessário o maior índice de protecção respiratória, porem a protecção para a pele
encontra-se num grau inferior. É composto de:
+ Aparelho autónomo de respiração com pressão positiva;
+ Roupa de protecção contra respingos químicos confeccionada em 1 ou 2 peças;
+ Luvas internas, externas e botas resistentes a produtos químicos;
+ Capacete;
+ Rádio.
Escolha o Nível B de protecção sempre que:
+ O produto e sua concentração forem identificados e requererem um alto grau de protecção
respiratória sem, no entanto, exigir esse nível de protecção para a pele; por exemplo, atmosferas
contendo concentração de produto IDLH sem oferecer riscos à pele ou ainda quando não for possível
utilizar mascaras com filtro químico para aquela concentração e pelo tempo necessário para a
actividade exercida;
+ Concentração de oxigénio no ambiente inferior a 19,5 % em volume;
+ For poço provável a formação de gases ou vapores em altas concentrações de forma que possam ser
danosas à pele.
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NÍVEL C DE PROTECÇÃO
Deve ser utilizado quando se deseja um grau de protecção respiratória inferior ao Nível B, porem com protecção
para a pele nas mesmas condições. É composto de:
+ Aparelho autónomo de respiração sem pressão positiva ou mascara facial com filtro químico;
+ Roupa de protecção contra respingos químicos confeccionada em 1 ou 2 peças;
+ Luvas internas, externas e botas resistentes a produtos químicos;
+ Capacete;
+ Rádio.
Escolha o Nível C de protecção sempre que:
+ A concentração de oxigénio no ambiente não for inferior a 19,5 % em volume;
+ O produto for identificado e a sua concentração puder ser reduzida a um valor inferior ao seu limite de
tolerância com o uso de mascaras filtrantes;
+ Concentração do produto não for superior ao IDLH;
+ O trabalho a ser realizado não exigir o uso de mascara autónoma de respiração.

NÍVEL D DE PROTECÇÃO
Deve ser utilizado somente como uniforme ou roupa de trabalho e em locais não sujeitos a riscos ao sistema
respiratório ou a pele. Este nível não prevê qualquer protecção contra riscos químicos. É composto de:
+ Macacões, uniformes ou roupas de trabalho;
+ Botas ou sapatos de couro ou borracha resistentes a produtos químicos;
+ Óculos ou viseiras de segurança;
+ Capacete.
Escolha o Nível D de protecção sempre que:
+ Não houver contaminante presente na atmosfera;
+ Não houver qualquer possibilidade de respingos, imersão ou risco potencial de inalação de qualquer
produto químico.
2.2.4.2. Vantagens e desvantagens dos vários níveis de protecção

NÍVEL DE
PROTECÇÃO
VANTAGENS DESVANTAGENS
A
· Maior nível de protecção;
· Requer pouco treino.
· Volumoso e desconfortável;
· Acesso limitado à mascara autónoma;
· Duração de uso limitado, especialmente com a mascara
autónoma;
· Custo inicial da roupa
B
· Baixo custo e peso;
· Longa vida útil;
· Fácil acesso à mascara autónoma;
· Boa para atmosferas acima do IDLH, desde que a
substancia não seja tóxica à pele.
· Protecção incompleta à pele;
· Não pode ser utilizada para substâncias tóxicas à pele;
· Necessita de significativo treino antes do uso.
C
· Relativamente barata;
· Fácil de usar;
· Baixo peso;
· Longa vida útil.
· Somente para atmosferas com concentração de O2 maior que
19,5 % em vol.
· O ambiente deve, obrigatoriamente, estar caracterizado e as
substâncias devem ser conhecidas.

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3. Instrumentos de Medição e Detecção
3.1. Explosivímetro








Indicador de Gás Combustível

3.1.1. Características
• Detecta rapidamente e mede concentrações de gases e vapores combustíveis no ar.
• Apropriado para utilização com amostragem remota.
• Caixa em alumínio muito resistente, possibilita uso em condições rudes e agressivas.
• Quatro modelos desenvolvidos para aplicações particulares.
Descrição
O Explosímetro Indicador de Gás Combustível detecta e mede concentrações de gases ou vapores combustíveis no
ar. A unidade possui caixa injectada em alumínio com bulbo aspirador conectado do lado oposto da entrada de
amostra.
O instrumento pode ser usado directamente no ambiente em que se está monitorizando ou
através de linha de amostragem, extraindo amostras de áreas remotas. Para evitar que
poeira ou humidade venham penetrar no sistema, um filtro substituível de algodão é
colocado na entrada de amostra.
Um filtro de carvão pode substituir o filtro normal para ajudar na diferenciação entre gás
natural (metano) e vapores combustíveis, tais como gasolina.
Todos os quatro modelos de Explosímetros atendem ao uso em serviços públicos e
telefónicos, refinarias, indústrias em geral, minas, transporte de combustíveis rodoviários ou navais, entre outros.
O Explosímetro Indicador de Gás Combustível é excelente para testar espaços confinados tais como interiores de
tanques, poços e embarcações. A unidade também é efectiva para testar áreas confinadas encontradas em
tratamento de esgoto, refinarias e indústrias de tintas.
O painel do instrumento é muito simples, um único ponto de ajuste que estabelece a tensão do filamento detector e
um indicador com escala iluminada calibrado de 0 à 100% L.I.E. (limite inferior de explosividade).
Operação
O instrumento funciona pela acção catalítica de um filamento de platina em contacto com a amostra de gás ou vapor
combustível. O filamento é aquecido à temperatura de operação através de corrente eléctrica. Quando o gás de
amostra entra em contacto com o filamento aquecido, a combustão aumenta a temperatura na proporção de
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quantidade de combustível na amostra. Um circuito ponte de Wheatstone, incorporando o filamento em um de seus
braços, mede a variação da resistência eléctrica, ocorrida devido ao aumento de temperatura, que é proporcional a
concentração de gás presente na amostra.
A amostra é aspirada pelo bulbo aspirador, passando através do filtro, do retentor de chama, entrando em contacto
com o filamento na câmara de combustão, saindo por outro retentor de chama e deixando o instrumento pelo bulbo.
Quando não mais que 1,5 metros de linha de amostragem são usados, as leituras são obtidas na segunda actuação
do bulbo.
Concentrações de até 100% do L.I.E. são medidas directamente no medidor. Concentrações na faixa explosiva são
indicadas pela deflexão total do ponteiro do medidor. Utilizando um tubo de diluição, concentrações acima do L.I.E.
são diluídas com ar em proporções seleccionadas de maneira que a medida fique dentro da escala do instrumento;
podendo facilmente calcular a concentração real.
Nota: O operador do instrumento deverá estar familiarizado com todas as informações contidas no manual de
instruções.
Limitações
Silanos, silicones, silicatos e outros compostos de silício na amostra testada podem debilitar seriamente a resposta
dos Explosímetros Indicadores de Gás Combustível.
Ainda que por poucos minutos e quantidades pequenas esses materiais envenenam rapidamente o filamento,
portanto este não responderá correctamente. Quando houver suspeita da presença destes compostos, verifique
constantemente a resposta do instrumento, pelo menos uma vez a cada cinco testes.
Para alguns explosímetros, os vapores de gasolina contendo compostos de chumbo, também envenenam os
filamentos detectores rapidamente. Quando tais vapores estiverem presentes, utilize um filtro inibidor para evitar
seus efeitos.
Os Explosímetros Indicadores de Gás Combustível não são adequados para uso em atmosferas com oxigénio
deficiente. Pelo menos 10% de oxigénio deve estar presente para que o sensor funcione apropriadamente.

3.1.2. Acessórios

Linha de Amostragem
Para testes remotos ou em lugares de difícil acesso, linha de amostragens são disponíveis em vários comprimentos.
As linhas são de borracha sintética com conexões para acoplar ao instrumento, pontas de prova ou linha adicional.

Ponta de Prova
Um tubo rígido que facilita os testes em janelas de inspecção, poços e outros
espaços confinados. Use pontas de prova dieléctricas próximo de possíveis fontes
de alta tensão para minimizar o risco de choque eléctrico.

Ponta de Prova Sólida
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Para testes em tanques que possam conter líquidos, a ponta de prova sólida evita que o sistema de amostragem
absorva líquido.

Filtros de Carvão
Filtros de carvão podem ser usados em um porta cartucho externo para absorver vapores orgânicos, e ajudar a
distinguir entre gás natural e vapores combustíveis em amostra.


Cartucho Externo
Para adaptar os cartuchos de carvão, algodão ou filtro inibidor como pré-filtro. Conecta-se à conexão de entrada de
amostra do instrumento.

Filtro Inibidor
Para ser usado em outros que não o Modelo 5 quando se testa atmosferas que contenham vapores de gasolina com
compostos de chumbo.


Conjunto Decantador
Para evitar que líquidos entrem no instrumento, um decantador adaptável à conexão de
entrada do instrumento pode ser usado.
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3.2. Detectores de gás
3.2.1. Detectores de um só gás



3.2.2. Detector Portátil de Múltiplos Gases
*Caixa polietileno ABS coberto por metal
*Resistente a RFI
*Operação mediante um botão
*Ecrã de fácil leitura
*Várias linguagens para operação
*Bomba para amostragem automática,
*Alarme de baixo fluxo de ar
*Armazenamento até 40 horas de operação
*Disponibilidade de transmissão de dados
*Sensores: LEL, O2, CO, NH3, SO2, CI2, Dúo-Tox (CO/H2S), NO2, PH3.
*Indicador de vida útil de sensores
*Sensor substituível no terreno
*Disponibilidade de transmissão de dados
*Auto calibração através de um botão
*Aviso de calibração

3.2.3. Detectores de Vida Limitada de um só sensor
*Vida limitada, compacto e robusto
*Caixa de polietileno ABS coberta RFI
*Sensores: CO, SH2, O2
*Botão para prova integrado
*Alarme de duplo tom e luz vermelha
*Alarme fixo a dois níveis
*Sensor electroquímico

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3.2.4. Detectores Fixos
















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4. Bibliografia
Miguel, Alberto Sérgio S.R. (Janeiro 2004): Manual de Higiene e Segurança no Trabalho. 7.ª Edição. Porto Editora.
Porto.
Roberts-Phelps, Graham (Outubro 2001): Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho – Jogos para Formadores. 1.ª
Edição. Colecção do Formador Prático. Editora Monitor. Lisboa.
Roxo, Manuel M. (Junho 2004): Segurança e Saúde do Trabalho: Avaliação e Controlo de Riscos. 1.ª Edição.
Livraria Almedina. Coimbra.
Dias, L. M. Alves; Pissarra, Pedro M. M. (Março 2002): Segurança no Trabalho na Construção. Documentos de
apoio às aulas da Disciplina de Segurança no Trabalho da Construção do Curso de Engenharia Civil. Universidade
Lusófona. Lisboa.
Dias, L. M. Alves e Fonseca, M. Santos, ―Plano de Segurança e de Saúde na Construção‖, IST— Departamento de
Engenharia Civil e IDICT – ISHST, Novembro 1996
Direcção Geral de Higiene e Segurança no Trabalho, Ministério do Emprego e Segurança Social, ―Boletim de
Prevenção no Trabalho nº 127 (vol. 11), Março 1989

Cabral, Fernando e Veiga, Rui (2000) Manual de Higiene, Segurança, Saúde e Prevenção de Acidentes de
Trabalho, Verlag Dashofer; Edições Profissionais Lda, Lisboa.

Melo, João (2002) Manual de Higiene do Trabalho, Escola Superior de Ciências Empresariais, Setúbal.
EFACEC, ―Manual de Higiene e Segurança e Saúde no Trabalho‖, 1996
EFACEC, ―Regras de Segurança para Montadores Electricistas de Alta e Média Tensão‖, 1984
Lauwerys, R. ―Tóxico Industrie et Intoxications Professionel Masson, 3 édition, 1990
Apontamentos coligidos de várias publicações do IDICT – ISHST
IDICT – ISHST ―Serviços de Prevenção das Empresas - Livro Verde‖, IDICT – ISHST , 2 edição, 1997
IDICT – ISHST ―Código Internacional de Ética para os Profissionais de Saúde Ocupacional‖
IDICT – ISHST ―Concepção dos Locais de Trabalho‖, Guia de Apoio Segurança e Saúde no Trabalho, Informação
Técnica 2
IDICT – ISHST Manual de Formação ―Segurança, Saúde e Condições de Trabalho‖ (versão Portuguesa do
―Safety— Health and Working Conditions), Janeiro 1996
Apontamentos coligidos de várias publicações do Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo.
Legislação diversa portuguesa e da União Europeia sobre Segurança, Saúde, Higiene e Medicina no Trabalho.
Indelma, ―Manual de Primeiros Socorros‖, 1996




Manual da Formação
Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho

Objectivos Pretende-se que, no final da acção de formação, os formandos sejam capazes de:
 Processos de identificação e avaliação dos riscos de operação existentes nas áreas de trabalho;   Medidas técnicas de controlo dos riscos de operação; Processos de avaliação e controlo de determinado tipo de riscos específicos.

Condições de utilização Este manual foi concebido no âmbito da acção de formação em TÉCNICO SUPERIOR DE SEGURANÇA E HIGIENE NO TRABALHO Acção 1/2009para Bacharéis e Licenciados com idades compreendidas entre os 29 e 61 anos. Modalidades de desenvolvimento
Aprendizagem/Aperfeiçoamento

Este manual é da responsabilidade de António Oliveira

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SEGURANÇA NO TRABALHO

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...................3................................2.......1.............................2................... 1..................3........................3.. 1..............3.. 1............................................................................................................... 20 1.. Introdução .............. 17 1...................................................2.................................3..00 4 ............. Introdução .................................. 23 Método ...................................................2.......... 13 Avaliação de referencia do risco ........................................ Introdução .................................... 1..... 20 Medidas de prevenção ..........................................4..........................1....3.............3...................................................................................................................................... 1..................................................... 8 1....4...2............................................................ 10 Escadas de mão .................................... 1..........................................................5.................................................................1............................................ 15 Esforço excessivo ..............................3.....................................................................1..................................................... 9 Andaimes .................................... 1................................................................ 1................. 1........................................................2.................................................................1................. 16 Medidas adequadas .2................. 16 Mecânica corporal ................................3.... 1.................. 22 Legislação aplicável ...1...........2............................... 12 1.......................... 11 Normalização aplicável .........4............ 14 Características da carga .......................1..................................................................................................2............................................... 1....... 1......................................... 10 Equipamentos de elevação de cargas ... Introdução ..2....... 1.........................................................................................................6...........3......................................2................................4................................................................1.........................1...............................................4................................................................................................................................................................ 10 Legislação aplicável .......................................4.............................................................................. 1..........2............. 20 Vigilância de saúde ...................... 8 Riscos horizontais ....................................................4......................................................................2....................................................................... 1..........3.......085....3.........4............................ Avaliação e Controlo de Riscos Associados ....3.....................1. 1....... 23 Deslocamento ...... 1.. 23 1...................3.. 9 Riscos verticais ........................... 22 Formação e informação dos trabalhadores .....................................2. 1.......................................... 1............4...........................................................4...............................Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Conteúdo 1... 1............1..........1....................................3......1...................................................1........... 8 Riscos de circulação ......................................................................................... 23 Componentes em interacção ... 14 Cargas máximas permitidas .... Riscos Horizontais e Verticais ...................1.............................................. 22 1.................. 17 Princípios básicos ....................... Equipamentos dotados de visor .................3........... 1....2........ 20 Efeitos no organismo ...... 8 Circulação........1...................1....2................................................ 1...2.................................................................. 1........................ 1.2...................3..................3............4............................ 24 Equipamentos de manobra .......................................4........ 1............. 24 amb.... 1........................................1. Movimentação mecânica de cargas ........2.... 23 Material.... 1..........................................3.............3.........................3........ 1............................................3....................4.....................................4.................................................................. 12 Medidas de prevenção ...............2..........................1... 20 Medidas gerais de prevenção ..3...................................................... 11 Movimentação manual de cargas .............2............ 1..............................1............................................

.................. 1......................... 1......... 36 Riscos mecânicos ............................... 35 Avisos .1...................... 1................ 1.......................................................................................................... 47 Soldadura ........................... Manutenção.........................................................2.......... 39 Manual de instruçôes .... 1.2.............. 1.2.............................................. 33 Equipamento de trabalho .......5.......................................................................................7...........5...00 5 ................................3.................. 40 Normalização aplicável ................................ 42 1....................................1...................................2..5...........3.............................................. Segurança para máquinas ...... 46 Formação ................2............085.... 1...............................................................................................1......................................... 1............ 1........ 1.....................6.....6.......................................................................................................................................................3............ 1............................ 29 Normalização aplicável ..................................................................................1.............................................2..................................... 29 Máquinas ................................6...........6.........4..............4.1.................................................................................................................. 1...........6..................... 46 Manutenção mecânica...............7........................... 43 Manutenção eléctrica ................ 43 Consignação ............................... 37 Manutenção ...........................6..............................4.....................3............................ 36 1............... 36 Características dos protectores e dispositivos de protecção ................3.......... 28 Legislaçâo aplicável .................... 1......................7..................... 28 Medidas básicas de segurança .............................................4...4.....5....................................... 1.......6.............................................................7.. 49 amb..................................................................................................................7.................... 1....3......5........ 1....... 1................... 1.................................................. 31 Definições ......................................3.............................. Introdução .1............................7.5...................................................................................................................... 39 Legislação aplicável ..........................4...................................................3...................3........................................................................................................... 1..................................7...........................7.......................... 1............................................................... 1................... 1.............................3........... Riscos ....... 31 1...........3.............................. 1............................................................................................................ 1.........3...........................6........7..............................................................3................ 49 Lubrificação .............5............................4.................... hidráulica e pneumática ......................................5...............................4.................................... 47 Trabalhos de manutenção em espaços confinados ......7.1................7.3.............. 44 Fusíveis ................5........................................ 43 Introdução .............................................. 25 Acessórios ........... 42 Ferramentas manuais .........................1.. 1................................... 45 Condutores ..... 27 Manutenção ............................................... 31 Aquisição de máquinas ............................................................... 41 1....................2...................................Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1....................3..............1................................................................... 1...................................................................................7...... 35 1....................... 36 Outros tipos de riscos ...... 33 Comandos ....4...... 1....3......1.4....................................................5..7..............................................................................................7......6...... 1...............6.............6................................... 33 Princípios de concepção ...................6..............................6.............. 1............................................................................................ Introdução ............................................................5................. 1............... 1............................................................................................5............... Equipamentos ...............................7.......................................................2...................... 45 Gambiarras ..............................................7..

9... 63 Atmosferas explosivas .......13...8.......................9....................9....................8.......................................... 57 Armazenagem de materiais secos a granel ............6......Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1.................1......................................................................... 59 Compressores . Introdução . Protecção contra choques eléctricos .6..................................1........................ 2........................1..... 51 1..................................................................................................5.....................................4.......... 73 2..............1................................................................................ 1.................................................................................. 59 Recipientes sob pressão ........................................................................................... 60 2.......2...2.............. Normalização aplicável ... Armazenagem ... 57 Armazenagem de liquidos ..........................................1...............................9........... 61 Riscos eléctricos .........................................4......8............................................................................................................................................................. 1.... 1..................1............................................................... 63 Concepção da instalação .. 2............1............. 2.............................................................................. 2.................... 76 amb....................................................... 1.......................................... 1........................................................... 62 Arco eléctrico ....................9.....................................................1.......11..................... 69 Choque Eléctrico . 1..1.......1...........9...................................................... 2......6............................ 63 Quadro eléctrico ........................... 59 Fornos e estufas........................... 2................. 1........................................................................................................................1..8........................................6.............................. 69 Contactos directos .....................2............................. 61 Riscos eléctricos ...................3........................................................... 2............................................ 2...................................................9........................... 2.....................2................ 55 1......................................5....................................................................................9......7............................. Avaliação e Controlo de Riscos específicos .. 55 Armazenagem de produtos quimicos perigosos ............................. Tipos de Máquinas Transportadoras ............................... 62 Risco de incêndio devido à corrente eléctrica ...........................................................1..........................12.....................................................11.......8...........1.................... 72 Contactos indirectos .....1......4........................................8.................................................... 2..................2............................................................................ 60 Locais de carga de baterias e acumuladores .........................8... 1.....9........9..............1................ 2.....................1...................................................10....................................................6...................................................................................12.......... 51 Aparelhos de Funcionamento Descontínuo .......................... 2........... 1....................1.............................. 61 2..................1............2........ 2..... 50 Manutenção mecânica ...... 1............... 64 Riscos de electrização .................................................................4................. 2..... 59 Locais técnicos ....................11..1.....................................3..............................................6...............1.....3............. 1..................... 69 Efeitos do Choque Eléctrico ...9....... 64 Protecção da instalação e canalizações ............................................................................... 2..............3.....................................................1..1.......................9.... 59 Instalações frigorificas ...............................1...5.....7..............12............. 51 Aparelhos de Funcionamento Contínuo ................................... Introdução ............................................................1............................................. 1..9.......00 6 ....... 64 Efeitos principais de uma corrente eléctrica ................. 62 Causas de sobreaquecimento ............ 1...................... 53 Portas e vias de circulação ...... 1............ 2..........6................................... 72 Origem da electricidade estática ........... 54 1............................................................................085............................ 59 Armazenagem de gases ......................................

.............18.........13..................00 7 .................................................. 77 Cuidados úteis com a electricidade ...... Medidas preventivas contra electricidade estática .... 2....................... 86 Metais ................................ 95 Detectores de Vida Limitada de um só sensor ............................................................................... 2...........19... 95 Detectores Fixos ............ 2..... 3.......2.................... 95 Detector Portátil de Múltiplos Gases .....................................................................................................................4........1............4.......................................................................1.......................................... 92 Explosivímetro ........................... 3............................................................................ Bibliografia ................................3......... 2......... 3..........................................................1........................................................................1............................. 83 Classificação de substancias químicas de grande risco ........................ 85 Sólidos inflamáveis .............................Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 2...................................................................................... Características ...........................................085......................... 2............................................ 77 Protecção contra descargas atmosféricas ..............2...... 2........................................................14...........16....................................................................2.......... Instrumentos de Medição e Detecção ..............1............................ 91 3.2......... 2...............1.... 89 Introdução ................1............................................2...........1............ 2............................... 96 4.........17..............................1...................... 2................2........................ 92 3........... 2...2.............. 80 Aplicação dos primeiros socorros .....................2...3................1........ 88 Poeiras ........................................................ 77 Periodicidade aconselhável das verificações ................. 80 Proteger-se e proteger a vitima de novo acidente .....1...................2.............. 88 Equipamentos de protecção individual para emergências químicas ........................................................4..............................1.3............... 3.................................................................. 83 2.....2...... 93 Detectores de gás .............................. 76 Utilização e manutenção da instalação ............ 2...............1........................ 2....3.............................2....................................................4............................................................................................................ 2............2. 92 Acessórios ................. 2..2.......1....1.....1...........................................................................2............................ 79 Actuação em caso de acidentes eléctricos ... Detectores de um só gás ...........................2.............................3.................................. 97 amb............................20............. Introdução ........... 3............... 3......3................................... 89 Vantagens e desvantagens dos vários níveis de protecção .......................................... 2...................2...................................................2........ 81 Substâncias Perigosas .................................2......2.............................. 95 3................................................................1.......15.............. 2................ 85 Plásticos e filmes .........................................................................2.........................................................................

Circulação. circulação em corredores no interior das instalações. Riscos de circulação.  Não haver resíduos. que podem fracturar-se à velocidade de impacto de 13 a 15 km/h ou uma queda equivalente de 0. líquidos derramados ou zonas obstruídas com materiais empilhados. Avaliação e Controlo de Riscos Associados 1.  Pés e tornozelos. são imprevisíveis e. lajes danificadas ou solo irregular.6 a 0. pelo que os corredores e vias de circulação devem ser planeados de um modo simples e de fácil compreensão para os utilizadores.2. ou seja. 1. por exemplo. as zonas do corpo humano mais atingidas são:  Cabeça. As quedas não precisam de ser grandes para ser fatais. Os riscos de queda podem ser devidos a três situações:    1. As quedas são um dos tipos de acidentes mais frequentes e a sua prevenção depende fundamentalmente da organização da empresa.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. Riscos Horizontais e Verticais Introdução Uma grande percentagem dos acidentes que ocorrem é provocada por quedas ou escorregamentos.  Os pavimentas não devem ter buracos. que pode sofrer fracturas a velocidades de impacto de 15 a 24 km/h. para se evitar riscos.  Coluna vertebral. habitualmente.085.75 m altura.  Haver uma nítida separação entre as zonas destinadas a operar com máquinas e as destinadas à circulação de pessoas. etc. Riscos de circulação A circulação diz respeito às actividades realizadas no solo como. a uma queda equivalente de im de altura. que se pode fracturar à velocidade de impacto de 10 km/h ou à queda equivalente de 0. Riscos horizontais.  Pernas e braços.3 m de altura..  Proporcionar formação adequada aos condutores dos veículos de transporte interno da empresa.1.  Delimitar áreas destinadas ao armazenamento e estacionamento. ser tomados em consideração os seguintes pontos:  Estar perfeitamente identificadas e sinalizadas. Riscos verticais.00 8 . circulação de veículos ou peões. amb.1.1.1.  Haver zonas de circulação próprias e diferenciadas para peões e para veículos.  Informar as pessoas exteriores à empresa das regras internas de circulação. Em relação às vias de circulação devem. O transporte de materiais e de produtos é responsável pela ocorrência de muitos acidentes.

materiais e ferramentas.1. não devendo ser carregadas exageradamente mas sim com as cargas repartidas ao longo do seu comprimento. 1.1. trabalhos em pontes rolantes. as passagens situa das acima do solo deverão ter dispositivos de protecção. Riscos horizontais Os riscos horizontais são devidos a actividades efectuadas à mesma altura acima do solo como.  Todos os trabalhadores que executem tarefas acima do solo deverão possuir equipamentos individuais de protecção (cintos e cabos de segurança).  As tábuas-de-pé dos andaimes devem ser robustas. deve ser utilizado equipamento de protecção adequado contra quedas e deve impedir-se a circulação de pessoas por baixo deles. por exemplo.  O risco de colisão ou emaranhamento de dois equipamentos que operam à mesma altura deverá ser analisado antes dos mesmos entrarem em funcionamento.  Antes de serem montados.  Iluminar as vias de circulação de forma adequada.  Sinalizar os locais a que dão acesso.  Devem instalar-se guarda-corpos para impedir a queda de pessoas. Perante estes riscos. etc. resistentes e apresentar todas as garantias necessárias de forma a impedir quedas de pessoas. escolhendo ou construindo pontos sólidos de fixação. Os pontos a seguir indicados devem ser tomados em consideração:  Devem ser montados e instalados por trabalhadores com formação adequada. devem ser suficientemente largas para comportar o movimento a que se destinam e a evitar colisão de veículos.  Os andaimes não devem ser utilizados antes de completamente montados. deve verificar-se o terreno onde vão ser instalados.00 9 .085.  Os operadores que trabalhem com equipamentos que funcionem em altura deve rão ter formação específica para os trabalhos a executar.1.3. armazenagem suspensa. materiais ou ferramentas. devem ser tomadas em consideração as seguintes recomendações:  Para proteger os trabalhadores contra o risco de queda livre.  Colocar grades de protecção nos locais que ofereçam risco de queda. circulação em andaimes.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Desimpedir completamente as saídas de emergência.  Quando da sua montagem. Andaimes Trata-se de um equipamento susceptível de provocar acidentes graves se não for convenientemente montado e instalado com as protecções adequadas.  Devem ser sólidos. principalmente em escadas e rampas. 1.3.  Adaptar as vias de circulação à utilização de deficientes físicos. amb.  Dimensionar correctamente as vias de circulação para se proceder a trabalhos de manutenção e de revisão dos equipamentos de forma segura e eficiente.

etc. devem os dois montantes ser ligados por correntes ou cordas.  Quando houver necessidade de se emendarem escadas.1.4. 1.2.4. contra uma superfície sólida e lisa de modo a não escorregarem ou tombarem. devido principalmente á sua má utilização e ao seu deficiente estado de conservação. devido à sua função. o que pode dar origem a acidentes graves.  Como qualquer equipamento só devem ser utilizadas escadas em bom estado de conservação. susceptíveis de provocar acidentes Assim..1. Montantes e degraus danificados devem ser substituídos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Os andaimes rolantes só devem ser deslocados lentamente. horizontal.00 10 . 1. pelo menos em um metro o pavimento de trabalho a que dão acesso. por exemplo.  Para que as escadas duplas não escorreguem. amb. há que ter em consideração os pontos a seguir indicados:  Qualquer equipamento de elevação de carga não deverá ser utilizado para movimentar valores superiores aos indicados.  A base da escada deve estar suficientemente afastada da superfície de apoio. devem ultrapassar.085.  Devem ser só utilizados ganchos que não permitam o escape do anel ou da alça de segurança (ganchos abertos não devem ser usados). 1. pelo menos. elevação de cargas.  Os equipamentos de elevação de cargas só devem ser manuseados por pessoal habilitado e devidamente treinado.  Os andaimes rolantes deverão ter as rodas bloqueadas antes de serem utilizados. em pavimentos desimpedidos e sem ninguém ou qual quer carga sobre eles. Equipamentos de elevação de cargas Os equipamentos de elevação de cargas são. Os pontos a seguir indicados devem ser tomados em consideração:  As escadas devem ser montadas num pavimento estável. Escadas de mão As escadas de mão são causadoras de um elevado número de acidentes. Pessoal não qualificado não sabe amarrar e empilhar correctamente cargas.4. deve haver uma sobre posição de. para os evitar.  Os equipamentos deverão ser inspeccionados regularmente por pessoal qualificado devendo para isso existir procedimentos bastante rigorosos pois desgastes e falhas de material não são por vezes detectáveis com facilidade. cinco degraus. de preferência no sentido do seu comprimento. Riscos verticais Os riscos verticais são resultantes de actividades que necessitam de um acesso em altura ou envolvam um risco de queda de material.1. Os meios de circulação qa vertical deverão ser adaptados ao número de pessoas que os utilizam e as suas dimensões adequadas aos objectos que por eles circulam.1. utilização de escadas.

5. Normalização aplicável  Norma Portuguesa NP EN115:1996  Regras de segurança para o fabrico e instalação de escadas mecânicas e tapetes rolantes  Norma Portuguesa NP 1939:1988  Aparelhos de elevação e movimentação. de 20 de Junho. Regras de segurança amb. do Conselho. por meio de guindastes fixos ou móveis ou pontes rolantes. Portaria nº 736/88 de 10 de Novembro.00 11 . de 19 de Dezembro Regulamenta o conteúdo de declaração do fabricante e a marcação dos cabos metálicos. do Conselho.1.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  As operações de elevação e movimentação de cargas volumosas e pesadas. Decreto Lei nº 273/91 de 7 de Agosto. de 22 de Junho. de 24 de Novembro Transpõe para o direito interno a Directiva 89/392/CEE. alterado pelos Decretos-Lei nº 139/95 de 14 de Junho e nº 374/98. Decreto Lei nº 47575 de 3 de Março de 1967. com vista a eliminar ou diminuir riscos para a saúde e segurança quando utilizadas nas condições previstas pelo fabricante e de acordo com o fim a que se destinam Revoga: Decreto-Lei nº 386/88 de 25 de Outubro. de 14 de Junho. Portarias n 933/91 e 934/91 de 13 de Setembro e Portaria nº 1214/91 de 20 de Dezembro 1. verificação e funcionamento a que devem obedecer os aparelhos de elevação e movimentação  Decreto-Lei nº 286/91 de 9 de Agosto  Portaria nº 1209/91. alterada pelas Directivas 91/368/CEE.6.085. Aparelhos pesados. correntes de varão redondo de aço e ganchos. do Conselho. 93/44/CEE. orientará o trabalhador que comanda o equipamento de elevação 1. destinados a operações de elevação e movimentação  Decreto-Lei nº 378/93 de 5 de Novembro. relativas à concepção e fabrico de máquinas e componentes de segurança quando sejam colocados no mercado isoladamente. do Conselho. por meio de sinalização adequada. Legislação aplicável Estabelece as prescrições técnicas de construção. de 14 de Junho e 93/68/CEE. deverão ser acompanhadas por um segundo trabalhador que.1.

e mesmo que a carga a movimentar não seja muito pesada ou volumosa. provocando rapidamente fadiga com consequências gravosas. Nos movimentos de flexão. pelo que se desloca pelo efeito de cunha que exercem as vértebras sobre ele.085. amb. é pouco resistente a forças contrárias ao seu eixo. o núcleo não está alinhado com o centro do disco intervertebral. A coluna vertebral. comuns a um grande número de actividades. o esforço de compressão distribui-se uniformemente sobre a superfície total de vértebras e discos. como se pode observar: Quando se levanta a carga na posição o mais erecta possível. nas quais se inclui a Industria Metalomecânica. nomeadamente aumentando o risco de ocorrência de acidentes de trabalho ou de incidência de doenças profissionais. 1. sobretudo ao nível da coluna. responsáveis por varias lesões. Movimentação manual de cargas Introdução O transporte manual de cargas envolve partes ou todo o corpo. a baixa eficiência do sistema muscular humano torna este trabalho pesado.2. por vezes irreversíveis ou de difícil tratamento. devido à sua estrutura em discos.00 12 .1. em relação ao levantamento na posição curvada. Os estudos biomecânicos assumem particular importância nas tarefas de transporte e levantamento de cargas. Nesta posição consegue-se reduzir em cerca de 20% a compressão nos discos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1.2.

transpõe para o direito interno a Directiva n. relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde na movimentação manual de cargas: amb. Medidas de prevenção O decreto-lei n.) conduz a deterioramento progressivo dos discos intervertebrais. puxar. A frequência destes acidentes é. O núcleo deslocado para trás acrescenta tensão a estas fibras provocando sobre elas una pressão anormal.º 90/269/CEE. 1. Os nervos sensitivos da periferia do disco. elevada e aumenta para o fim do dia de trabalho. o bloqueio dos músculos em posição de semiflexão. A repetição de movimentos que impõem aos discos esforços anormais (flexão de grande amplitude.00 13 . é diminuído. sobretudo quando há necessidade de elevação e transporte para plataformas ou de subir escadas. que tem consequências gravosas. por um ou mais trabalhadores. ― Contusões provocadas por objectos penetrantes ou contundentes. Existem dois tipos de levantamento de cargas no trabalho:  LEVANTAMENTO ESPORÁDICO: relacionado com a capacidade muscular. em particular. Ao endireitar a coluna até à posição vertical. do Conselho. uma parte do núcleo pode ser trilhada nessas fibras deterioradas. irritados.2. as fibras concêntricas do anel fibroso comprimem-se na parte dianteira e dilatam-se na parte posterior. Nestas condições.  LEVANTAMENTO REPETITIVO: onde acresce a capacidade energética do trabalhador e a fadiga física. não só porque reduz a eficiência do trabalho.085. Surge então a fadiga. que devido às suas características. choque contra. O transporte manual de cargas é quase sempre um trabalho pesado. provocam uma dor violenta que desencadeia. Este é o mecanismo do lumbago. Podemos intuir que os esforços realizados com o tronco flexionado podem ser extremamente perigosos. como pode conduzir a acidentes. incluindo levantar. nomeadamente na região dorso-lombar. geralmente. transportar e deslocar. Outros riscos associados à elevação e transporte manual de cargas são: ― Queda de objectos nos pés. num disco em bom estado. As fibras elásticas do anel fibroso. rotações. ainda que a carga a movimentar não seja pesada ou volumosa. etc. tão frequente hoje em dia. ― Ferimentos causados por marcha sobre. Ao endireitar o corpo depois de uma flexão. ou às condições ergonómicas desfavoráveis comporte riscos para os mesmos. por reflexo. ou pancada por objectos penetrantes. tendem a romper-se. Os movimentos de rotação da coluna resultam perigosos porque provocam um efeito de cizalha sobre os discos intervertebrais da região lombar.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Este efeito reveste-se de uma especial importância na região lombar cujas vértebras têm pouco limitado o movimento de flexão. MOVIMENTAÇÃO MANUAL DE CARGAS: Qualquer operação de transporte e sustentação de uma carga. empurrar.º 330/93.2. colocar. Durante o esforço muscular estático os vasos sanguíneos do tecido muscular são comprimidos e o fluxo de sangue. de 25 de Setembro. e com ele o fornecimento de oxigénio e açúcar. o núcleo regressa ao centro do disco por efeito do impulso que se exerce sobre as fibras elásticas do anel fibroso.

Valores limite em kg para a elevação e transporte manual de cargas para indivíduos entre 25 e 45 anos. sendo limitada apenas pela resistência dos músculos.1 e revogado o n. Frequência do movimento de elevação e transporte. o que limita o seu emprego em operações que envolvem movimentação manual.4 pela Portaria n. 1. Este preceito em obediência aos princípios gerais da prevenção e ao critério geral de eficiência que enquadra tais princípios estabelece que deverão ser prioridades as medidas de ELIMINAÇÃO DO RISCO. a 10 kg o transporte manual regular de cargas. Parte dos riscos podem ser controlados pela utilização de dispositivos de protecção individual. Cargas máximas permitidas Se utilizamos um método correcto para elevação manual. Frequência de elevação e/ou transporte manual Em % de 1 dia de trabalho de 8 horas (ou turno) 0 a 17 18 a 54 55 a 82 83 a 100 ELEVADA 50 32 20 10 HOMENS CAPACIDADE FÍSICA MÉDIA 40 25 14 6 BAIXA 30 18 9 3 MULHERES CAPACIDADE FÍSICA ELEVADA 30 16 9 5 MÉDIA 20 12 6 3 BAIXA 15 9 4 1 amb. limita a 27 kg a carga máxima que uma mulher pode despender acidentalmente e a 15 kg quando em esforço médio regular. de 13 de Março.º 186/73 (alterado o n. A Portaria n.3. nomeadamente mecânicos‖. A capacidade de elevação das mulheres é cerca de 60% da capacidade de elevação dos homens. durante a gravidez e três meses após o parto. Avaliação de referencia do risco 1. a carga máxima admissível é bastante elevada. Luvas.085.00 14 . Duração da tarefa.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho ―… Organização do trabalho adequada ou utilizar os meios apropriados. Os valores limite para elevação e transporte manual de cargas dependem dos seguintes parâmetros:      Idade. de 26 de Dezembro). Capacidade física do trabalhador. que regulamenta o trabalho feminino. Aparelhos auxiliares.2.1. tais como: ― ― ― ― Capacete. Através do seguinte quadro podemos obter aqueles valores com base numa combinação dos parâmetros indicados. A mesma portaria limita ainda à mulher. Calçado de protecção.º 229/96. A solução passa pela adopção de metodologias que permitam a mecanização e automatização da elevação e transporte de cargas. Sexo.3.2.

ou com flexão do tronco. 1.2. Quando estiver em causa o desenvolvimento de grandes esforços físicos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Estes valores devem reduzir-se de cerca de 40% para jovens com idade inferior a 15 anos e homens com idade superior a 60 anos. ― 60 % Para percursos de 25 e superiores. Características da carga Características da carga:  Carga pesada: o o > 30 kg em operações ocasionais.085.  Carga susceptível.  Carga colocada de tal modo que deve ser mantida ou manipulada à distancia do tronco. nomeadamente no caso de choque.2. > 20 kg em operações frequentes. ― 40 % Para percursos de 10 a 25 m. Para o transporte em percursos com comprimento superior a 2 metros devem reduzir-se os valores em questão.  Carga volumosa ou difícil de agarrar. devido ao seu aspecto exterior e à sua consistência. de: ― 20 % Para percursos de 2 a 10 m. amb.3. a coluna não deve ser inclinada. Os trabalhadores devem movimentar-se suave cautelosamente quando elevam ou transportam cargas. Em tais posturas extremas os elementos elásticos da coluna vertebral não podem cumprir as suas funções. de provocar lesões ao trabalhador. A inclinação da coluna para a frente ou para trás origina uma tensão elevada nos músculos e ligamentos do lado convexo e uma grande compressão nas extremidades das vértebras e dos discos no lado concavo. Deve ser utilizada como um suporte e nunca como uma articulação. puxam ou empurram veículos de modo a evitarem a adopção de posturas perigosas. nem rodada sobre o seu eixo.00 15 .  Carga em equilíbrio instável ou com conteúdo sujeito a deslocação.

― Quando possa implicar um movimento brusco da carga. Queda de objectos sobre os pés. Grandes distancias de elevação. Peso máximo e características da carga.3. o exercício e os movimentos executados correcta e moderadamente melhoram a agilidade física e fortalecem os músculos locomotores e dorsais. Centro de gravidade da carga e trabalhador. abaixamento ou transporte.m. 1. Esforço excessivo ― Quando seja excessivo para o trabalhador. quando o vestuário de trabalho não fornece protecção suficiente. Períodos insuficientes de descanso fisiológico e recuperação. ― Procedimentos a adoptar: ― Informação / Formação: amb.085.3.2. Pavimento ou pontos de apoio instáveis. Medidas adequadas ― Condições de risco: o o o o o o o o o o o o o o o o Espaço livre. choque ou pancada. Identificar as causas do risco e factores individuais de risco. insuficiente. A desatenção.2.c. podem impedir essa coordenação e conduzir a acidentes. a uma altura segura ou postura correcta. Cadencia que não possa ser controlada pelo trabalhador. Proceder a nova avaliação após aplicação das medidas adoptadas. a fadiga e a rigidez dos músculos e tendões sob influência do frio. Outros riscos associados. 1. ― Quando apenas possa ser realizado mediante um movimento de torção do tronco. ― Quando seja realizada com o corpo em posição instável. Ferimentos por marcha. Sobre os riscos potenciais para a saúde devido à incorrecta movimentação manual de cargas. Frequência do trabalho. Pavimento plano com desníveis.4. nomeadamente aptidão física. humidade e correntes de ar.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho A elevação e o transporte manual de cargas requerem um grau elevado de coordenação muscular. Local que não permite um m. Por outro lado.00 16 . nomeadamente vertical.3.

2. músculos. A estabilidade de um corpo é maior quando tem uma base de sustentação larga e um centro de gravidade baixo.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1.         A carga deve possuir formas que facilitem pegar-lhes (furos laterais. Os principais sistemas envolvidos na movimentação do corpo são: ― Sistema muscular. equipamentos. ― Sistema nervoso. etc. tendões e ligamentos. Limitar o levantamento de pesos a 20 kg. amb. É a posição do corpo humano no espaço. para levantamentos frequentes. Evitar torções do tronco. para levantamentos repetitivos em determinadas circunstâncias. O atrito entre a força e a superfície sobre o qual se move. ajuda a estabilizar a pelve e proteger as vísceras. que actuam na tentativa de quebrar a harmonia estática ou dinâmica deste equilíbrio‖. para o levantamento manual podemos apontar algumas recomendações:   Posto de trabalho (bancadas. USA). afecta o trabalho necessário para movê-lo. portanto.00 17 . Manter os pesos próximos do corpo. sem que esta provoque dor. resulta de estudos efectuados pelo NIOSH – National Institute for Occupational and Health.         Mecânica corporal 1. porque implica um movimento oposto à força da gravidade. Manter os pés e as costas numa postura correcta. Evitar movimentos bruscos que provoquem picos de tensão. As mudanças de actividade e posição contribuem para conservar o tonus muscular e evitar a fadiga.1. Puxar ou deslizar um corpo requer menos esforço que levantá-lo. A força requerida para manter o equilíbrio de um corpo aumenta conforme a linha de gravidade se afasta do centro da base de apoio. ― Sistema esquelético.4. POSTURA ―Um inter-relacionamento relativo das partes do corpo.4. no máximo – (este valor. quer em movimento quer em repouso. estruturas que sustentam e protegem o corpo contra agentes externos ou internos. Servir-se do próprio peso para deslocar um objecto requer menos energia no movimento. Princípios básicos A utilização dos músculos mais fortes e mais longos ao erguer ou movimentar objectos é uma medida de segurança e torna o movimento mais eficiente. É a posição do corpo que envolve o mínimo de sobrecarga das estruturas com o menor gasto de energia para o máximo de eficiência na utilização do corpo. A contracção dos músculos abdominais ao erguer ou puxar um peso.2. prateleiras. Trabalhar em equipa. esforço ou fadiga. Manter a carga na vertical. NÃO SENDO POSSÍVEL MECANIZAR O LEVANTAMENTO DE CARGAS. o equilíbrio entre os ossos.) deve ser projectado tendo em conta a ocorrência de tarefas que obrigam a levantamento de cargas. pegas).085. Alternar posturas e movimentos.

2 ou 4 rodas e são usados para transportar materiais e objectos mais ou menos volumosos ou pesados através de distâncias curtas. Utilizar o movimento do corpo a favor do movimento. sendo estas utilizadas para aderência do punho à carga e para a sua deslocação. São constituídas por um punho de dupla ventosa com alavancas. As pegas devem ter resguardos salientes para evitar o contacto com portas.  Ventosas São apropriadas para o transporte de peças de vidro. amb. Utilizar equipamentos de transporte.  Rolos. Os mais vulgares são os seguintes:  CARROS DE MÃO Podem ter 1.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho NÃO SENDO POSSÍVEL MECANIZAR O TRANSPORTE DE CARGAS Devem adoptar-se alguns princípios. tubos de pequeno diâmetro São utilizados para o transporte de materiais e de peças mais ou menos volumosas. Funciona por vácuo. Há aparelhos de vários tipos que podem ser utilizados na indústria como auxiliares da movimentação manual. Evitar carregar pesos só com uma mão. esquinas ou outros obstáculos. Utilizar um piso duro e nivelado. entre outros:      Limitar a carga. colunas. de preferência com rodas.00 18 .085. A visibilidade do percurso a efectuar é uma condição de segurança importante. A carga deve ser distribuída uniformemente. mantendo-se o seu centro de gravidade o mais baixo possível.

Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Pinças ou Garras São utilizadas para o transporte de chapas.  Sifões Servem para vazar líquidos corrosivos ou tóxicos de uns recipientes para os outros.  Íman Exercem uma tracção magnética sobre os materiais em ferro. amb.00 19 . carris ou toros de madeira. servindo para o transporte de chapas de grande superfície.085.

tendo surgido o Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro e a Portaria o 989/93 de 6 de Outubro. de forma a provocar menor fadiga visual. Efeitos no organismo Uma actividade que implique a utilização prolongada de equipamentos dotados de visor pode conduzir ao aparecimento de alguns sintomas.  O uso simultâneo de muitas cores só deverá ser utilizado quando se pretenda referenciar diferentes classes de informação em textos extensos. Não existem contra-indicações formais para trabalhar com equipamentos dotados de visor. amb. adaptando-o ao padrão individual de conforto de cada utilizador e às necessidades de cada tarefa:  Distância visual recomendável: 30 a 70cm (fig. tornou-se necessário regular a utilização de equipamentos dotados de visor. No entanto.  Os caracteres deverão ser nítidos e sem oscilações. Equipamentos dotados de visor Introdução Hoje em dia. entre os quais se destaca a fadiga. epilepsia sensível a estímulos luminosos. Nestes termos.  Artralgias e mialgias (dores nas articulações e músculos) dos segmentos do corpo mais solicitados (mãos. Medidas de prevenção 1. Recomenda-se trabalhar com caracteres negros em fundo claro. podendo levar o utilizador a ficar com a visão ―desfocada‖. ombros e coluna).1. chamando a atenção do utilizador.00 20 . etc. 1).  Ângulo visual correcto: entre l5º a 30º abaixo da horizontal (fig. entre os quais se salientam:  Lacrimejo.2. doença grave do aparelho osteoarticular. podendo ainda surgir outros sinais e sintomas.1. sendo a apresentação da informação feita através de visores. 1. desde que o utilizador disponha de visão normal (ou que a mesma se encontre bem corrigida) e não possua doenças específicas (por exemplo. grande parte do trabalho é feita com a ajuda de suportes informáticos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1.085. 1. voltando ao normal após um período de paragem para descanso.3.3.3.).3. conjuntivite e fadiga visual.  Deverá ser dada especial atenção à organização do posto de trabalho. 1. Medidas gerais de prevenção Para minimizar os riscos deste tipo de actividade há que respeitar os seguintes princípios:  Os comandos de regulação de brilho e de contraste do visor deverão ser passíveis de adaptação ao padrão individual de conforto de cada utilizador. Outro problema a ter em atenção neste tipo de trabalho é o movimento repetitivo dos dedos e das mãos e a restrição imposta à postura. há que ter em atenção o facto de que a observação de um visor por um longo período de tempo contínuo impõe um esforço importante aos músculos oculares.3.3.3.  Cefaleias (dores de cabeça). 1). antebraços.

Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Cadeira dotada de máxima flexibilidade quanto às várias possibilidades de regulação (altura e inclinação do assento e do apoio lombar).085. possuindo. tanto nos equipamentos como nos revestimentos das paredes e pavimentos.  Possibilidade de utilizar acessórios para maior conforto. Também o ambiente de trabalho deverá ser o mais adequado possível.  Teclado móvel e separado do visor. apoia-pés). Deverá ser usado tom claro e mate. suporte de documentos. de forma a reduzir a possibilidade de encandeamento Iluminação correcta de modo a reduzir a fadiga visual. de forma a assegurar estabilidade (fig.00 21 . 1). de modo a serem asseguradas as condições essenciais de trabalho de cada operador. Orientação de forma a evitar reflexos. tendo em conta a correcta colocação dos visores nas máquinas ou painéis de comando. o visor deverá estar posicionado perpendicularmente às janelas. permitindo a diferente solicitação da visão e a movimentação articular e muscular. afastado delas o mais possível e colocado paralelamente em relação à iluminação do tecto (fig. deverão ser usados estores para regular a intensidade da luz natural.  Possibilidade de fazer pausas. nomeadamente:       Distância visual. pulsos e mãos. no que diz respeito. amb.  Não deverão ser esquecidos os postos de trabalho de pé. Ângulo visual. se a tarefa o justificar (por exemplo. fundamentalmente: Espaço de acordo com o tipo de trabalho — deverá permitir fácil mobilidade ao utilizador. filtros. permitindo uma adequada horizontalização dos antebraços. pele menos. cinco rodas. os quais deverão ter o seu tratamento específico. 2).

085. do Conselho.3. nomeadamente nos exames de admissão e periódicos. o utilizador deverá dar conhecimento ao médico do trabalho para que este possa analisar cada caso em concreto. Sempre que os resultados exames médicos o exigirem e os dispositivos normais de correcção não puderem ser utilizados. Formação e informação dos trabalhadores Todos os trabalhadores devem receber formação adequada antes da utilização dos equipamentos dotados de visor e ser informados dos riscos para a saúde inerentes a esta actividade e quais os meios de os minimizar. quando tal se justifique. Legislação aplicável Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro Transpõe para o direito interno a Directiva 9012701CEE. os trabalhadores deverão ser submetidos a:  História clínica e exame objectivo direccionados para os sistemas nervoso.3. quando surgirem ―picadas‖ nos olhos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho    Níveis de ruído que não originem incómodo (nunca acima de 70 dB (A)).2.4.3. oftalmológico. 1.00 22 . exame oftalmológico de especialidade. dores de cabeça. Condições de conforto térmico em termos de humidade relativa e de temperatura ambiente. assim. 1. relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde para utilização pelos trabalhadores de equipamentos dotados de visor Portaria nº 989/93 de 6 de Outubro Regulamenta o Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro amb.3. de 29 de Maio. psíquico e osteoarticular. Vigilância de saúde Nos exames médicos do trabalho.3. dores nas articulações e músculos ou outras sensações de desconforto.  Rastreio adequado de visão e.3. deverão ser facultados aos trabalhadores dispositivos especiais de correcção concebidos para o tipo de trabalho desenvolvido. 1. em função do tipo de actividade desenvolvida Os efeitos de todos estes factores sobre a visão estão intimamente ligados à duração do trabalho com equipamento dotado de visor.

O seu estado físico. grau de perigosidade.4.2. para se adoptar a melhor via de circulação e o tipo de equipamento a utilizar. cada uma com riscos inerentes e consequências diferentes. cujas causas podem condicionar a movimentação mecânica de cargas: o material. Por exemplo. a inclinação e as características do local de origem e destino. Deverá ser considerada a frequência com que se efectua cada movimentação. por exemplo. implicando cuida dos especiais que devem ser atempadamente previstos. peso. provocados por queda levantamento de objectos. 1. para se seleccionarem convenientemente os recursos.1.2.2. Movimentação mecânica de cargas Introdução A movimentação e o manuseamento de cargas são responsáveis por cerca de 30% dos acidentes de trabalho nas diferentes fases do processo produtivo. 1. o deslocamento e o método. de forma bem visível. um deslocamento frequente requer maiores cuidados do que um deslocamento ocasional. Material O modo como se apresenta o material pode influenciar as técnicas e recursos disponíveis: a. a.4.4.00 23 . b. etc. 1. A natureza do material.2. As características do próprio material que podem causar dificuldades de manuseamento devido às suas dimensões. se este é um sólido ou um líquido. se é explosivo. 1. d. b.4. Componentes em interacção Podemos dividir as variáveis envolvidas neste processo em três.4. For exemplo. necessitando quaisquer deles regras de segurança adequadas. amb. entaladela entre objectos. É importante estar definido e ser conhecido o local de origem e destino da mercadoria. Como existem vários tipos de equipamentos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. A preocupação com estes números é ainda maior se se considerar que esta actividade na vida de uma empresa ocupa cerca de 60 a 80% do ciclo de fabricação e que o peso de materiais normalmente movimentados numa indústria corresponde a cerca de cinquenta toneladas por cada tonelada de produto acabado. cada aparelho de elevação accionado mecanicamente (carros automotores e reboques) deve apresentar.085. implica técnicas especiais de armazenagem e movimentação. Deslocamento A movimentação dos materiais é uma prática constante no dia-a-dia. c. A quantidade de material a movimentar é outra das condicionantes a respeitar. a indicação da capacidade máxima admissível de carga.1. especialmente quando existem limites impostos pelos equipamentos. deverão escolher-se aqueles que melhor respondem às necessidades considerando a distância a percorrer.

Antes de efectuar um deslocamento.  Rampas muito inclinadas. 1. Estas vias deverão ser marcadas de cada lado e a todo o seu comprimento por um traço contínuo e nítido e mantidas livres de qualquer obstáculo. Deverá estabelecer-se o itinerário. A velocidade dos meios mecânicos de transporte deverá ser condicionada às características do percurso. d. A carga a transportar. sacos ou a granel. se for o caso. O tipo de embalagem. tipo de locomoção e distância.4. outros exigem a condução e a propulsão. Método O método a adoptar. um dos cuida dos a ter é baixar. como já houve oportunidade de referir. a propulsão e a elevação parcial. capaz de responder às solicitações. amb.085. Para o caso de existirem placas giratórias.  Considerar os diferentes tipos de veículos.  Ter em conta o espaço disponível. Dada a importância desta componente. antes de se iniciar qualquer actividade.00 24 . d. Por exemplo. As vias-férreas fabris. a curvatura e o declive.3. o centro de gravidade da carga. se o peso da carga não excede a capacidade do equipamento. se são caixas de cartão. e ainda outros exigem a condução.  Considerar a localização de outras vias de trânsito. A melhor estratégia na redução do risco é escolher antecipadamente o meio mais eficaz e adaptado. tanto quanto possível. c. deverão ser construídas tendo em conta a resistência do terreno. Equipamentos de manobra Existem vários tipos de equipamentos com características muito diferentes. deverá ser escolhido atendendo à especificidade do material e ao deslocamento a efectuar. O tipo de equipamento deverá ser escolhido em função da movimentação a efectuar. Deverá sobretudo considerar-se: a.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho c. para que a circulação se efectue com toda a segurança. saliências e outros obstáculos. b. natureza da carga. A sua versatilidade permite uma eficaz adequação à actividade desenvolvida. ou seja. possibilidade de travagem. estas deverão ser equipadas com dispositivos de imobilização. As vias de circulação de veículos deverão estar concebidas de forma a evitar:  Ângulos e curvas bruscas.2. deverá verificar-se se o equipamento é adequado à carga. a carga útil e a velocidade do material rolante.4. pode constituir um risco. 1.  Passagens estreitas e tectos baixos. desenvolve-se em seguida este assunto. Se o percurso é habitual deverá estar bem projectado e concebido de forma a:  Reduzir os riscos resultantes do tráfego. a qualidade e colocação das travessas e dos carris.3. Para efectuar algumas manobras existem equipamentos que exigem do homem só a condução. As superfícies dos pavimentos em que esteja prevista a circulação de carros de transporte deverão ser suficientemente lisas e isentas de cavidades.

 Motores a gasolina ou a diesel.  Carros de transporte mecânico O empilhador é provavelmente o transporte mecânico mais versátil e mais utilizado.  Devem ser dotados de um sistema de travagem e não deverão ser utilizados em rampas ou superfícies inclinadas. posição do operador e formas de transportar a carga. que deverão ser utilizados tendo em conta a segurança e o tipo de transporte a efectuar. São fabricados com especificações técnicas para se adaptarem a vários tipos de cargas.etc. os mais conhecidos e utilizados são:  Carros de transporte manual  Os carros de transporte manual mais utilizados são os ‗porta-paletes‖. Os empilhadores a diesel são os mais poluentes pois emitem altas percentagens de monóxido de carbono. quando bem afinados. os usos.00 25 . esta pode ser no interior da cabina do empilhador ou no exterior da máquina. são pouco poluentes. no entanto. podem ser:  Energia eléctrica armazenada em bateria que fazem accionar motores eléctricos.085. Os de gás.  Motores que queima GPL (gás) e combinações mistas. Em relação à posição do condutor. Também podem existir sistemas automáticos que dispensam condutor e que usam soluções electrónicas e rotas preestabelecidas. próprios para o interior de edifícios apresentando. as operações e a sua manutenção. NFPA 505:1996.3.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Os equipamentos dividem-se em três grupos fundamentais e respectivos acessórios: 1. alguns riscos em particular se não se respeitarem regras fundamentais como: a carga das baterias que deve ser efectuada num local limpo e ventilado (retirando os tampões dos elementos da bateria). Quanto às fontes de energia.  As rodas devem ser adequadas aos ambientes e pavimentos. NFPA 70:1996.  As pegas ou varões de empurrar devem dispor de guarda-mãos. Estas normas permitem escolher o tipo de empilhador a utilizar em função das necessidades e riscos existentes.1. Os empilhadores eléctricos são os menos poluentes e ruidosos. Os empilhadores podem ser classificados pela sua fonte de energia. Todos os empilhadores são fabricados de acordo com normas (ASME B56.) onde se estabelecem as suas protecções. os ambientes de trabalho.1:1995. amb. Equipamentos Carros de transporte manual e mecânico De entre os vários equipamentos deste género disponíveis no mercado.4.

Durante as manobras. até ao uso de ―garfos‖ para pegar. contentores. Equipamentos de elevação Para a elevação de materiais existem equipamentos tão diversos como gruas. Quando a carga for muito volumosa. velo cidade e o modo de execução da manobra. Para facilitar a visibilidade deverão instalar-se espelhos de canto nas esquinas das estruturas (semelhantes aos utilizados na circulação rodoviária).085. Existe por vezes o perigo dos empilhadores capotarem. que são comandados pelo homem. uma protecção resistente sobre a cabeça do operador. B. Não é permitido o transporte de pessoas nos empilhadores. etc. algumas têm rotação e translação radial. têm translação motorizada em uma ou em duas direcções. ‗pirilampos‖ de sinalização e sinal sonoro de marcha-atrás. com capacidade dê carga para várias toneladas. colunas. amb. a sua posição deve permitir visibilidade em todas as direcções e possibilidade de se escapar rapidamente em caso de acidente. buzina. Para além da elevação. como máquinas complexas que são. para permitir ao operador a visibilidade do trajecto. quadros eléctricos. ―sprinklers‖.00 26 . evitando ressaltos e encravamentos das rodas dos empilhadores. devem ser utilizadas de forma adequada para se evitarem acidentes. Em vez de duas direcções. O empilhador deve possuir volante especial. por exemplo. As pontes rolantes são também exemplos de gruas. transportar. E aconselhável a utilização das buzinas sempre que o empilhador se aproximar de locais com pouca visibilidade. tubagens. devendo a indicação da sua capacidade estar bem visível.. que operam praticamente em todo o terreno e cujas lanças são extensíveis. guindastes. Mais sofisticadas são as gruas automóveis. protegendo-o também da queda de objectos. principalmente em terrenos inclinados. guardas laterais e. desde o reboque em cima de plataformas móveis de um ponto para o outro nas instalações. A segurança do operador deve estar salvaguardada. De qual quer forma. para além do condutor. Para estas circunstâncias devem estar disponíveis protecções para salvaguardar o operador como. treina dos e só os qualificados deverão exercer a actividade. estas estruturas deverão estar equipadas com barreiras de protecção e convenientemente sinalizadas. A utilização dos ―garfos‖ deve provocar o afastamento da vertical do centro de gravidade da carga. elevar e depositar cargas. etc. Esta situação pode ser crítica. As cargas não deverão ser levantadas ou descidas durante o trajecto e os ―garfos‖ devem ser sempre colocados o mais baixo possível mas sem bater nas irregularidades do pavimento. de modo a evitar solicitações laterais. o empilhador deverá ser conduzido de marcha-atrás. os camiões deverão estar bem travados (de preferência com calces) e as rampas de acesso ao seu interior deverão ser anti-derrapantes. levantar do solo. As cargas devem ser colocadas na vertical das lanças. extintores de incêndio. dado o peso da carga. utilizando empilhador. Os comandos das gruas devem ser bimanuais ou incluir o ―pedal do morto‖ para evitar manobras erradas. guinchos. portas corta-fogo. tais como cabos eléctricos. o operador deve ter em atenção as estruturas superiores ou objectos próximos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho As formas de transportar as cargas são as mais diversas. Durante as operações de carga e descarga de camiões. em especial. As gruas são equipamentos com estruturas pesadas. As gruas. Os operadores e/ou condutores de empilhadores devem ser seleccionados.

2. desgastes.00 27 . por motor pneumático ou manualmente. cabos. C. uma vez que são os componentes de maior desgaste (destacando-se nos ganchos a possibilidade de deformação). ainda. para evitar quedas sobre os transportadores. evitando arranques. Todas estas partes móveis e elementos de tracção contribuem para um bom funcionamento do equipamento. correntes. A sua correcta utilização exige um treino específico.4. As paletes. segundo a ASME (American Society of Mechanical Engineers) um dispositivo horizontal. protecções e dispositivos de paragem de emergência ao longo de todo o comprimento do sistema. ou ainda transpor o sistema de um lado para outro. No caso dos guinchos. etc. A elevação pode ser feita por motor eléctrico. parafusos sem fim. por rolos. Estes acessórios são os meios de ligação entre as cargas e os equipamentos de elevação que devem ser adaptados e manuseados correctamente pelos operadores. Deverá. Os operadores nunca deverão colocar os braços e a cabeça debaixo das correias ou dos sistemas de propulsão. a existir. embalagens ou objectos numa cadência pré-determinada pelo dispositivo que tem pontos de carga e descarga previamente seleccionados. correntes. Tanto os cabos como os ganchos deverão ser objecto de especial atenção. retirar-se de circulação toda e qualquer palete que apresente perigo devido ao seu estado de degradação. em especial. esteiras. Podem ser sistemas de correias. Todos os componentes como tambores. As manobras das gruas e guinchos devem ser suaves. cintas e paletes para auxílio da manobra. Sistemas Transportadores Um sistema transportador é. fixos ou ajustáveis. 1. Acessórios Alguns dos equipamentos atrás referenciados necessitam de acessórios corno cordas. de modo a não baloiçar demasiadamente a carga.085.3. Deverão existir sinais de AVISO nos pontos de carga e descarga. é efectuada manualmente. deformações e danos nos materiais que reduzem as suas capacidades e condições de utilização. Inspecções rigorosas e periódicas a estes elementos deverão ser feitas para detectar eventuais fissuras. A capacidade de carga do aparelho não deve ser excedida. por gravidade. As engrenagens. amb. por cor rentes ou alavanca. rodas e outras partes móveis deste sistema deverão estar protegidas de modo a evitar acidentes pessoais. correntes.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Os guinchos são equipamentos de elevação de cargas cuja translação. estão disponíveis no mercado em muitos formatos e materiais devendo optar-se pela mais adequada em função da tarefa. polis e ganchos são elementos fundamentais para a boa operação de gruas. inclinado ou vertical para movimentar ou transportar material a granel. guinchos e outros equipamentos de elevação. sem ser por meio de passagens adequa das com guardas e corrimões. é fundamental a existência de travões ou ―patilhas‖ de segurança que impeçam a queda intempestiva das cargas. paragens bruscas e velocidades elevadas.

Medidas básicas de segurança A segurança oferecida pelo equipamento só é potencializada e efectiva se se cumprirem os procedimentos de utilização da máquina e se o estado de saúde do operador for adequado. Mantendo o homem afastado da máquina através de:  Barreiras. No entanto. Após a fase de implementação. de materiais apropriados e resistentes e ser mantidos em bom estado de conservação e funcionamento. utilizando sinalização activa e passiva.  Vedações. os carro por motores de combustão não devem ser utilizados na proximidade de locais com poeiras explosivas ou vapores inflamáveis e/ou no interior de edifícios onde a ventilação não seja suficiente para eliminar os riscos ocasionados pelos gases de escapes.  Os sinais que indiquem condições de perigo em zonas de trânsito devem ser convenientemente iluminados durante o serviço nocturno.4. limpeza. Mantendo a máquina afastada do homem através de:  Interruptores manuais e/ou automáticos. Por exemplo:  Os condutores dos aparelhos de elevação não os devem deixar sem vigilância quando estiver suspensa uma carga. a elevação e transporte de cargas por aparelhos de elevação devem ser regulados por um código de sinalização que comporte. Neste caso.5. Existem fundamentalmente três processos através dos quais se assegura a integridade física das pessoas. Por exemplo. b. devendo os sinaleiros ser facilmente identificáveis à vista. de preferência. estabelecendo de imediato e cumprindo o plano de manutenção (controlo. Manutenção Todos elementos da estrutura. para cada manobra. amb.  Quando é necessário deslocar cargas perigosas por cima de locais de trabalho.4. a. fixadores e acessórios dos equipamentos de manobra devem ser de boa construção. auxiliados mecanicamente ou aplicados à potencia.085. o próprio condutor fará o aviso necessário. tais como metal em fusão ou objectos presos a electroímanes. conservação).  Freios manuais. mecanismos.00 28 . deverá continuar-se a dar importância ao equipamento. Os dispositivos da precaução. c.  Elementos sensíveis de detecção de movimento. deve lançar-se um sinal de advertência eficaz a fim de alertar os trabalhadores para abandonar a zona perigosa. 1.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. este processo apresenta um risco residual porque requer sempre intervenção activa ou passiva de pessoas. por movimentos dos braços ou das mãos. Algumas situações à frente apresentadas demonstram a aplicação desta medida.4. um sinal distinto feito.

na redacção dada pela Portaria n 702/80 de 22 de Setembro Aprova o Regulamento Geral de Segurança e Higiene do Trabalho nos Estabelecimentos Industriais Decreto-lei nº 110/91. de 24 de Novembro Transpõe para o direito interno a Directiva 89/392/CEE. de 20 de Junho. de 5 de Dezembro de 1995.6.Hook-types and Fork Carriers for Powered Industrial Forklifts Trucks amb. alterado pelos Decretos-lei nº 139/95 de 14 de Junho e nº 374/98. areas of use. de 14 de Junho e 93/68/CEE. de 14 de Junho. relativas à concepção e fabrico de máquinas e componentes de segurança q sejam colocados no mercado isoladamente. Terminologia ilustrada: Lista de termos equivalentes Norma Portuguesa NP 3163-1:1988 . de 22 de Setembro Estabelece os princípios gerais de segurança relativos aos ascensores e respectivos componentes.11.4.7. do Conselho. com vista a eliminar ou diminuir riscos para a saúde e segurança quando utilizadas nas condições previstas pelo fabricante e de acordo com o fim a que se destinam. Decreto-lei nº 273/91 de 7 de Agosto. do Conselho. Legislaçâo aplicável Portaria ri 53/71 de 3 de Fevereiro. and operation American Society for Mechanical Engineers ASME B56. do Conselho.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. de 30 de Novembro de 1989. transpondo para o direito interno a Directiva n 95/16/CE de 29 de Junho Decreto-lei nº 82/99. de 9 de Agosto Estabelece as prescrições técnicas de construção. Parte 1: Ascensores Eléctricos National Fire Protection Association NFPA 70:1996 .4. Decreto-lei nº 47575 de 3 de Março de 1967.085. relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde para a utilização pelos trabalhadores de equipamentos de trabalho 1.00 29 . including type designations. do Conselho.Aparelhos de elevação e movimentação. Portaria nº 736/88 de 10 de Novembro.Powered Industrial Trucks. do Conselho. alterada pelas Directivas 91/368/CEE. Revoga: Decreto-lei nº 386/88 de 25 de Outubro. de 18 de Março Aprova os Regulamentos de segurança de elevadores escadas mecânicas e tapetes rolantes Decreto-lei nº 286/91. verificação e funcionamento a que devem obedecer os aparelhos de elevação e movimentação Portaria nº de 2 de Março Aprova como Regulamento de Segurança de Ascensores Eléctricos (RSAE) a norma NP-3163-1:1988 Decreto-lei nº 378/93 de 5 de Novembro. maintenance. Normalização aplicável      Norma Portuguesa NP 1748:1985 . Aparelhos de elevação de série. de 16 de Março Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva nº 89/655/CEE. Portarias nº 933/91 e 934/91 de 13 de Setembro e Portaria n 1214/91 de 20 de Dezembro Decreto-lei nº 295/98.Regras de Segurança para a construção e instalação de ascensores e monta-cargas. alterada pela Directiva n 95/63/CE.National Electrical Code National Fire Protection Association NFPA 505:1996 .4:1994 . 93/44/CEE. do Conselho. de 22 de Junho.

Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  American Society for Mechanical Engineers ASME B56.085.00 30 .1:1995 Safety Standards for Low Lift and High Lift Trucks amb.

v) Conjunto de peças ou de componentes ligados entre si.5.2. dos quais pelo menos um é móvel. os dispositivos de segurança não são suficientes para evitar o contacto com zonas perigosas. Por vezes. é montado nesta ou neste pelo próprio operador para modificar a sua função ou introduzir uma nova função. estão dispostas e são comandadas de modo a serem solidárias no seu funcionamento. assim a necessidade de as identificar e controlar é importante para a prevenção de acidentes. para a obtenção de um mesmo resultado. as máquinas atingiram melhores níveis de eficiência mas. Máquinas Introdução Associados à utilização de máquinas estão vários riscos para a saúde e segurança das pessoas podendo. reunidos de forma solidária com vista a uma aplicação definida. provocar acidentes de trabalho e doenças relacionadas com o trabalho Com o desenvolvimento tecnológico. e amb.1. a) «Máquina»: i) Conjunto. agravaram-se ou surgiram novos riscos inerentes à sua utilização. em certos casos.5. equipado ou destinado a ser equipado com um sistema de accionamento diferente da força humana ou animal directamente aplicada. Definições Para facilitar a comunicação nesta matéria. imprescindíveis para gerir toda a informação disponível nesta área. e ii) Que é colocado isoladamente no mercado.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1.085. ii) e iii) e ou quase -máquinas referidas na alínea g) que. que só pode funcionar no estado em que se encontra após montagem num veículo ou instalação num edifício ou numa construção. dos quais pelo menos um é móvel. 1.5. iv) Conjunto de máquinas referido nas subalíneas i). houve necessidade de (in) formar os fabricantes e consumidores para conhecer e respeitar os requisitos de segurança. c) «Componente de segurança» Qualquer componente: i) Que serve para garantir uma função de segurança. composto por peças ou componentes ligados entre si. iii) Conjunto referido nas subalíneas i) e ii) pronto para ser instalado. após a entrada em serviço de uma máquina ou de um tractor. desde que o referido equipamento não constitua uma ferramenta. 1. criando-se legislação específica e normalização. por outro lado. reunidos de forma solidária com vista a elevarem cargas. são definidos seguidamente alguns conceitos fundamentais. b) «Equipamento intermutável» Dispositivo que.00 31 . cuja única fonte de energia é a força humana aplicada directamente. ii) Conjunto referido na subalínea anterior a que faltam apenas elementos de ligação ao local de utilização ou de conexão com as fontes de energia e de movimento. Com a abertura do mercado e a consequente possibilidade de livre circulação de produtos.

i) «Fabricante»: i) Qualquer pessoa singular ou colectiva responsável pela concepção e ou pelo fabrico de uma máquina ou quase–máquina abrangida pelo presente decreto -lei. sendo que sempre que seja colocado no mercado com o protector deve considerar -se como um só produto. g) «Quase -máquina» O conjunto que quase constitui uma máquina mas que não pode assegurar por si só uma aplicação específica. h) «Colocação no mercado» A primeira colocação à disposição na Comunidade. como é o caso de um sistema de accionamento e que se destina a ser exclusivamente incorporada ou montada noutras máquinas ou noutras quase–máquinas ou equipamentos com vista à constituição de uma máquina à qual é aplicável o presente decreto -lei. a totalidade ou parte das obrigações e formalidades ligadas ao presente decreto -lei. estabelecida na Comunidade. bem como pela conformidade da máquina ou quase -máquina com o presente decreto-lei tendo em vista a sua colocação no mercado.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho iii) Cuja avaria e ou mau funcionamento ponham em perigo a segurança das pessoas. a título oneroso ou gratuito. cabos e correias» As correntes. e iv) Que não é indispensável para o funcionamento da máquina ou que pode ser substituído por outros componentes que garantam o funcionamento da máquina. em seu nome. ligando -os ao primeiro apoio fixo. que tenha recebido um mandato escrito do fabricante para cumprir. l) «Entrada em serviço» a primeira utilização. na Comunidade. os cabos e as correias concebidas e construídas para efeitos de elevação como componentes das máquinas ou dos acessórios de elevação. d) «Acessório de elevação» Componente ou equipamento não ligado à máquina de elevação que permite a preensão da carga e é colocado entre a máquina e a carga ou sobre a própria carga ou destinado a fazer parte integrante da carga e que é colocado isoladamente no mercado. são igualmente considerados como acessórios de elevação as lingas e seus componentes. com o seu próprio nome ou a sua própria marca ou para seu uso próprio.00 32 . de uma máquina ou quase-máquina com vista a distribuição ou utilização.085. de uma máquina abrangida pelo presente decreto--lei de acordo com o fim a que se destina. e) «Correntes. j) «Mandatário» Qualquer pessoa singular ou colectiva. amb. considera -se fabricante qualquer pessoa singular ou colectiva que proceda à colocação no mercado ou à entrada em serviço de uma máquina ou quase-máquina abrangida pelo presente decreto-lei. ii) Na falta de fabricante na acepção da subalínea anterior. f) «Dispositivo amovível de transmissão mecânica» O componente amovível destinado à transmissão de potência entre uma máquina automotora ou um tractor e uma máquina receptora.

 Segurança de produto— conceber um equipamento prevendo utilizações em condições normais e/ou anormais para evitar a sua utilização indevida.1. por parte do fabricante. antes de se conceber um equipamento:  Respeitar prioridades na concepção: para que o risco de um equipamento seja o mais baixo possível e a eficácia maior na prevenção de acidentes.00 33 . constrangimentos psíquicos (―stress‖) devem ser reduzidos ao mínimo possível amb.3. com as alterações de que foi objecto. 1. mas também pelo facto dos custos de execução serem mais baixos e a instalação mais fácil durante a fase de concepção. do Parlamento Europeu e do Conselho. o Comité Europeu de Normalização Electrotécnica (CENELEC) ou o Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações (ETSI). relativa a um procedimento de informação no domínio das normas e regulamentações técnicas e das regras relativas aos serviços da sociedade da informação. deverão ser adoptadas de uma forma inequívoca.  Ergonomia — respeitar os princípios ergonómicos. ou seja. a saber. devendo ser redigido em Português e de fácil compreensão.º 58/2000.5. transposta para a ordem jurídica interna pelo Decreto -Lei n. adoptada por um organismo de normalização. procedimentos de comprovação complementares e marcação ―CE‖). Por isso. Equipamento de trabalho Os equipamentos de trabalho devem respeitar as regras técnicas relativas às exigências essenciais de segurança e protecção da saúde.5.1.  Adoptar medidas de protecção especiais para riscos que não possam ser eliminados. pela sua eficiência e baixo custo.  Por último. existem alguns princípios fundamentais que devem ser amplamente estudados. medidas que garantam as condições de segurança. 1. o Comité Europeu de Normalização (CEN). dar formação específica e disponibilizar equipamento de protecção individual. informar os utentes dos seus perigos. deve respeitar se a seguinte hierarquia:  Eliminar ou reduzir os riscos.5.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho m) «Norma harmonizada» a especificação técnica.º 98/34/CE. 1. de 22 de Junho. não só pela exigência inerente à Directiva Máquinas (declaração de conformidade.085. não obrigatória. Princípios de concepção As soluções mais fiáveis devem ser concebidas de origem.3.2. a fadiga. de 18 de Abril. com base num mandato conferido pela Comissão de acordo com os procedimentos estabelecidos na Directiva n. Cada equipamento adquirido deverá possuir um manual de instruções com informação precisa sobre a sua manipulação e componente de segurança. Aquisição de máquinas A aquisição de qualquer equipamento deve ser precedida da elaboração de um caderno de encargos onde deverão estar bem explícitas todas as regras de segurança. Quando não for possível cumprir todos os requisitos legalmente estabelecidos.

caso contrário.085. deve estar equipada com acessórios que permitam a preensão por um meio de elevação.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Equipamentos de protecção individual — Se for caso disso.00 34 .  Acessórios — As máquinas devem ser fornecidas com todos os equipamentos e acessórios especiais e essenciais para poderem ser utilizadas sem risco. amb. o fabricante deve impor as limitações necessárias ou previsíveis à utilização de equipamentos de protecção individual. caso não possa ser transportada à mão.  Instalação — A máquina deve poder ser colocada num lugar sem riscos. deve ter disponível pegas ou outros sistemas.

Comandos Os comandos devem ser seguros e fiáveis de forma a não originar situações perigosas em caso de erro de lógica nas manobras. o aviso deve estar ilustrado com pictogramas e legendado em português.5. Mesmo assim.). 1.3.3. por meio dos quais possam ser evitadas situações de perigo latente ou existente.2. massa. diâmetro máximo de ferramentas que podem ser monta dos. Os suportes lógicos do diálogo entre o operador e o sistema de comando ou de controlo de uma máquina devem ser orientados para o utilizador.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. a máquina deve possuir todas as indicações indispensáveis à segurança de utilização (por exemplo. O botão de arranque de uma máquina só deve ser accionado por uma acção voluntária sobre um órgão de comando previsto para o efeito. Em função da sua natureza. O modo de comando seleccionado deve ter prioridade sobre todos os outros sistemas de comando. a máquina deve possuir dispositivos de alerta que não sejam ambíguos e respeitem as cores e sinais de segurança. frequência máxima de rotação de deter minados elementos rotativos. etc. amb.085.5. se continuarem a existir riscos pela especificidade do equipamento (por exemplo: armário eléctrico. Cada máquina deve estar equipada com um ou vários dispositivos de paragem de emergência. com excepção da paragem de emergência. fonte radioactiva). Avisos As informações disponíveis para se operar com uma máquina devem ser precisas e de fácil compreensão. Se for caso disso.00 35 .3.

Outros tipos de riscos  Fontes de alimentação: eléctrica.  Emissões de poeiras e gases.  Incêndio e de explosão.1.  Risco de quedas ou projecções de objectos (peças maquinadas. os protectores devem ser robustos e permitir intervenções de manutenção. muito elevadas ou muito baixas.  Temperaturas extremas.00 36 . Riscos mecânicos Alguns dos riscos que podem provocar lesões físicas ou funcionais são descritos como:  Falta de estabilidade do equipamento.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. etc. resíduos.1. ferramentas. hidráulica. fragmentos. abrasão).6.).1. amb.  Regra geral.  Radiações.085. aparas.2.  Erros de montagem ou remontagem.1.  Arestas vivas.  Cargas electrostáticas. 1. pneumática. corrosão. térmica. envelhecimento.6.  Ruído e vibrações. ângulos vivos ou superfícies rugosas susceptíveis de causarem ferimentos.6. 1.  Equipamento laser.6.  Resistência dos materiais (fadiga. Segurança para máquinas Riscos 1.

etc.085. Bloqueio Protector associado a um dispositivo de encravamento e um dispositivo de bloqueio mecânico. fechado). Consoante a sua construção. Características dos protectores e dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção devem ser inseridos nos sistemas de comando e garantir a impossibilidade de alcançar os elementos móveis. amb.00 37 . as funções perigosas da máquina ―cobertas‖ pelo protector podem operar. Em caso de avaria.  Desde que o protector esteja fechado. devem provocar a paragem dos elementos móveis.6. A regulação mantém-se inalterada durante uma determinada operação. cercadura fechada e podem classificar-se em: Tipo de protector Protector fixo Protector mantido no seu lugar (i. quer por meio de elementos de fixação (parafusos. Protectores com dispositivos de: Encravamento Protector associado a um dispositivo de encravamento de modo que:  As funções perigosas da máquina ―cobertas‖ pelo protector não possam operar enquanto o protector não estiver fechado. mas o fecho do protector não inicia por si próprio a operação de tais funções (exemplo: a máquina pára quando alguém ou algo avança sobre a área de perigo).2. por exemplo) à estrutura da máquina ou a um elemento fixo vizinho.  Se o protector for aberto durante a operação das funções perigosas da máquina. é dada uma ordem de paragem.) que só permitem que o protector seja remo vido ou aberto com auxílio de uma ferramenta. Um protector é um elemento de uma máquina utilizado especificamente para garantir uma protecção por meio de uma barreira material. resguardo. tampa.e. Protector móvel Protector que se pode abrir sem utilizar nenhuma ferramenta e que geralmente é ligado por elementos mecânicos (por meio de dobradiças. Protector regulável Protector fixo ou móvel que é regulável no seu conjunto ou que contém parte ou partes reguláveis. porcas.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. de modo que:  As funções perigosas da máquina ―cobertas‖ pelo protector não possam operar enquanto o protector não estiver fechado e bloqueado. porta. quer de maneira permanente (por soldadura). tais como: ―cárter‖. um protector pode ter designações diferentes.

(passo a passo). Estrutura de protecção contra o risco de viragem Estruturas de protecção contra riscos de queda de objectos amb.  O fecho do protector inicie a operação da(s) função(ões) perigosa(s) da máquina. com carga ou descarga manual). de modo que:  As funções perigosas da máquina ―cobertas‖ pelo protector não possam operar até que o protector esteja fechado. botão. Protectores com comando de arranque Protector associado a um dispositivo de encravamento (ou de bloqueio). máquinas de moldar plástico e borracha. por injecção ou compressão. tapetes sensíveis detectores electromagnéticos.  (exemplo: painéis automáticos móveis para protecção das máquinas como prensas. Blocos lógicos destinados a assegurar funções de segurança por meio de comandos bimanuais.085. as funções perigosas da máquina podem operar. Dispositivos de comando: De acção continuada Bimanuais Por movimento limitado Dispositivos sensores: Manter o comando. etc. premido. barreiras invisíveis. mas o fecho e o bloqueio do protector não iniciam por si próprios a operação de tais funções (exemplo: uma grade que só permite o funcionamento da máquina quando está correctamente posicionada).Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  O protector permanece bloqueado na posição de fechado até que tenha desaparecido o risco de ferimento devido às funções perigosas da máquina. Por exemplo: dispositivos electrossensíveis especialmente concebidos para a detecção da presença de pessoas.00 38 . nomeadamente.  Quando o protector estiver bloqueado na posição de fechado.

Manual da Formação
Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho

1.6.3.

Manutenção

As operações de manutenção, na grande maioria das vezes, são as principais causadoras de acidentes, devido ao factor surpresa e por serem, maioritariamente, tarefas não ―standardizadas‖. Por isso, estas operações devem ser feitas com a máquina parada e com zonas de acesso próprias. As fontes de energia devem estar identificadas e permitir o seu bloqueamento ou interrupção com facilidade. De preferência, devem colocar-se dispositivos de segurança para evitar o arranque acidental pois muitos acidentes ocorrem quando uma máquina é accionada por acaso durante o trabalho de manutenção. 1.6.4. Manual de instruçôes

Cada máquina deve ser acompanhada de um manual de instruções com informações precisas sobre a sua manipulação e componente de segurança. Este deve acompanhar a máquina, ser redigido em português (se se destinar ao mercado nacional) e de fácil compreensão. O manual deve estar tão completo quanto possível e contemplar informações como a movimentação (transporte), instalação, colocação em serviço, regulação, operação, manutenção, reparação, montagem, desmontagem, montagem de ferramentas e acessórios, etc., bem como as respectivas instruções de segurança.

amb.085.00

39

Manual da Formação
Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho

1.6.5.

Legislação aplicável

 Decreto-lei nº 383/89 de 6 de Novembro
Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva 85/374/CEE, do Conselho, de 25 de Julho, relativa à aproximação das disposições legislativas, regulamentares e administrativas dos Estados membros em matéria de responsabilidade decorrente de produtos defeituosos.

 Directiva 92/31/CEE do conselho, de 28 de Abril de 1992 — Altera a Directiva 89/336/CEE de 3 de Maio  Decreto-lei nº 74/92 de 29 de Abril, alterado pelo Decreto-lei nº 98/95 de 17 de Maio.
Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva 89/336/CEE do Conselho, de 3 de Maio, respeitante à compatibilidade electromagnética, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Directiva 93/68/CEE, do Conselho, de 22 de Julho, respeitante à marcação ―CE‖.

 Decreto-lei nº 378/93 de 5 de Novembro, alterado pelos Decretos-lei nº 139/95 de 14 de Junho e nº 374/98 de
24 de Novembro. Transpõe para o direito interno a Directiva 89/392/CEE, do Conselho, de 14 de Junho, alterada pelas Directivas 91/368/CEE, do Conselho, de 20 de Junho, 93/44/CEE, do Conselho, de 14 de Junho e 93/68/CEE, do Conselho, de 22 de Junho, relativas à concepção e fabrico de máquinas e componentes de segurança quando sejam colocados no mercado isoladamente, com vista a eliminar ou diminuir riscos para a saúde e segurança quando utilizadas nas condições previstas pelo fabricante e de acordo com o fim a que se destinam. Revoga: Decreto-lei nº 386/88 de 25 de Outubro, Decreto-lei nº 273/91 de 7 de Agosto, Portaria nº 736188 de 10 de Novembro, Decreto-lei nº 47575 de 3 de Março de 1967, Portarias nº 933/91 e 934/91 de 13 de Setembro e Portaria nº 1214/91 de 20 de Dezembro.

 Portaria nº 145/94 de 12 de Março, alterada pela Portaria nº 280/96 de 22Julho
Regulamenta o Decreto-lei nº 378/93 de 5 de Novembro, alterado pelo Decreto-lei nº 139/95 de 14 de Junho.

 Decreto-lei nº 214/95 de 18 de Agosto
Estabelece as condições de utilização e de comercialização de máquinas usadas, com vista a eliminar os riscos para a saúde e segurança das pessoas, quando utilizadas de acordo com os fins a que se destinam

 Decreto-Lei n.º 50/2005 de 25 de Fevereiro
O Decreto-Lei n.º 82/99, de 16 de Março, regula as prescrições mínimas de segurança e saúde dos trabalhadores na utilização de equipamentos de trabalho, transpondo para a ordem jurídica interna a Directiva n.º 89/655/CEE, do Conselho, de 30 de Novembro, alterada pela Directiva n.º 95/63/CE, do Conselho, de 5 de Dezembro

 Decreto-Lei n.º 103/2008 de 24 de Junho
A Directiva n.º 98/37/CE será revogada, a partir de 29 de Dezembro de 2009, pela Directiva n.º 2006/42/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 17 de Maio, relativa às máquinas e que altera a Directiva n.º 95/16/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de Junho, relativa à aproximação das legislações dos Estados membros respeitantes aos ascensores, transposta para a ordem jurídica interna pelo Decreto -Lei n.º 295/98, de 22 de Setembro.

amb.085.00

40

Manual da Formação
Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho

1.6.6.

Normalização aplicável

 Norma Portuguesa NP EN 292-1:1993  Segurança de Máquinas. Conceitos fundamentais, princípios gerais de concepção. Parte 1:
Terminologia básica, metodologia

 Norma Portuguesa NP EN 292-2:1993  Segurança de Máquinas. Conceitos fundamentais, princípios gerais de concepção. Parte 2: princípios
técnicos e especificações

 Norma Portuguesa NP EN 294:1996  Segurança de Máquinas. Distâncias de segurança para impedir que os membros superiores alcancem
zonas perigosas

 Norma Portuguesa NP EN 349:1996  Segurança de Máquinas. Distâncias mínimas para evitar o esmagamento de partes do corpo humano  Norma Portuguesa NP EN 418:1996
Segurança de Máquinas. Equipamento de paragem de emergência, aspectos funcionais — Princípios de concepção

 Norma Portuguesa NP ENV 1070:1996
Segurança de Máquinas. Terminologia

 B55304:1988
Code of practice for safety of machinery

amb.085.00

41

Avaliar os resultados. Por vezes. equipamentos de movimentação. quer seja para uma simples manutenção de rotina. 1. fazem parte do programa de manutenção de uma empresa os controlos periódicos e os trabalhos de reparação. amb. 5.00 42 . de controlo. as condições de trabalho podem ser muito diferentes. eléctricos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1.7. Antes de executar qualquer trabalho de manutenção. 7. na qual seja necessário substituir peças. o que obriga à aplicação de uma vasta gama de conhecimentos.1. Identificar os riscos. quer seja para uma operação de manutenção bastante profunda de uma máquina automática. No decurso da manutenção. Implementar a actuação. de elevação. uma operação de rotina feita de modo descuidado pode ser responsável por um acidente bastante grave. 4. ou mesmo partes completas da máquina. deverá proceder-se a uma rápida planificação de segurança. 3. Seleccionar a acção apropriada. electrónicos e pneumáticos mas também de lubrificação e até de pintura É muito vasto e complexo o campo da manutenção. no âmbito de um trabalho deste tipo. pelo que iremos falar de algumas situações mais comuns e susceptíveis de provocar acidentes.085. com inclusão dos seguintes pontos: 1. etc. Ao fazer-se a manutenção de uma máquina ferramenta são necessários não só conhecimentos mecânicos. Por este motivo e de uma maneira geral.7. Avaliar soluções alternativas. o que obriga a adopção de procedimentos de segurança muito rigorosos. Manutenção Introdução Conjuntamente com as verificações programadas. Ponderar o grau de eficácia obtido Não é possível enumerar. uma vez que estas operações não fazem parte das tarefas quotidianas na utilização dos equipamentos e podem abranger desde um simples controlo diário de funcionamento até ao restauro do próprio edifício onde se situam as instalações fabris. 6. máquinas. todos os procedimentos de segurança a ter quando da realização de uma operação de manutenção. é utilizada uma grande variedade de ferramentas. apresentando novos riscos.. Programar os recursos a afectar. 2.

ter-se em consideração os seguintes pontos:  Seleccionar a ferra menta correcta para o trabalho a executar. etc.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. nunca ultrapassando a sua capacidade. luvas.  Usar as ferramentas correctamente. marretas. peças substituídas e a data prevista para nova inspecção.  Utilizar sempre óculos de protecção. 1.7.  Guardar as ferramentas em locais apropriados. Introdução Motores. Não deverão estar amontoadas em caixas ou prateleiras. Equipamento amb. Reparações em circuitos e aparelhos eléctricos deverão ser sempre feitos por pessoal técnico experiente.3. perfeitamente identificado.2. mas ter o seu Focal de guarda próprio.3. braçadeiras ou de qualquer outra maneira menos correcta. escopros.  As ferramentas de percussão (martelos. Só deverá utilizar-se equipamento eléctrico normalizado e certificado. verificando o funcionamento das ferramentas e detectando possíveis pontos de desgaste e de rotura.1. não caindo na tentação de os fixar de maneira artesanal com emendas. do que constou.  Nas ferramentas manuais de corte verificar sempre o estado da lâmina e os seus ângulos de corte. estes equipamentos eléctricos deverão ter sempre uma correcta manutenção. capacetes e outros equipamentos de protecção individual adequados ao trabalho a executar. causando lesões.  Transportar as ferramentas em cintos próprios ou em bolsas agarradas à cintura dos trabalhadores.7.7. o que lhes permitirá ter as mãos livres para subir escadas ou andai mes. Manutenção eléctrica 1. comutadores.  Utilizar sempre ferramentas em bom estado de conservação. quebras e necessitam de ajustamentos. Criar para cada ferramenta uma ficha onde esteja indicado quando foi feita a última inspecção ou reparação.) deverão ser fabricadas em material adequado.00 43 . pois um ângulo errado pode ser responsável por um grave acidente. pois são sempre pontos fracos que. quando da sua utilização. pregos ou parafusos. Ferramentas manuais Devido ao amplo uso de ferramentas manuais e à elevada frequência e gravidade dos acidentes por elas provocados deverá. não devendo apresentar rebarbas que se poderão soltar. Verificar os cabos e pegas das ferra mentas.085. podem ser a causa de acidentes. cedendo.  Proceder a inspecções periódicas por pessoal especializado. Para serem seguros e prestarem um bom serviço. interruptores. disjuntores e equipamentos similares sofrem desgastes.

devido a choque eléctrico ou a acidentes provocados por peças em movimento. sondas.7. sinais ou etiquetas isoladas não garantem uma protecção tão eficaz como a colocação dos cadeados. quando um equipamento eléctrico vai ser reparado ou modificado. etc. Deverão ser sempre usados cadeados de boa qualidade. Cada trabalhador da manutenção terá o seu cadeado que deverá aplicar sempre que executar manutenções de equipamento eléctrico. identificar pontos de teste. Por causa do grave risco para a saúde. Alicates. O grau de precisão do equipamento necessário deverá ser determinado pelo tipo de circuito. é aconselhável haver sempre dois ou mais operadores a trabalhar juntos. diagramas de circuitos. estes deverão ser sempre guardados sob um rígido controlo. Cada cadeado deverá ter o número ou o nome do trabalhador que o utiliza. Por esta razão.2. O supervisor deverá fornecer procedimentos de trabalho detalhados a ser seguidos e verificar se as equipas de manutenção possuem e usam equipamentos de protecção adequados. por exemplo. indicando o nome da pessoa que o está a realizar e o departamento envolvido.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho de qualidade inferior e não certificado poderá ser perigoso devido a defeitos de projecto. do mesmo modo. 1. chaves de parafusos. não só utilizar o equipamento de protecção mas verificar se este está em condições. amb. O pessoal de manutenção deverá ser instruído no uso de equipamento eléctrico de teste e de medida como. Não é recomendável o uso de chaves mestras e. Por exemplo. o pessoal que o irá executar deverá certificar-se que a alimentação eléctrica foi cortada. Deverão colocar-se etiquetas contendo a descrição do trabalho.00 44 . o procedimento de implementação de um sistema de cadeados deverá ser instituído e treinado com todo o pessoal da manutenção. a inesperada ligação de um equipamento poderá produzir electrização (choque eléctrico). pinças. assegurando-se que cada chave serve unicamente num cadeado.3. Antes de se começar qualquer trabalho de manutenção eléctrica.085. luzes de teste e outras ferramentas usadas em trabalhos de reparação eléctrica deverão ser isolados. inspeccionando-o antes do uso e periodicamente. no caso de haver duplicados. material ou montagem. Uma boa prática de segurança é. pela natureza do trabalho e pelas condições em que este deverá ser executado. não devendo haver chaves iguais. No entanto. o circuito deverá ser desligado (―OFF‖) e o interruptor de comando bloqueado com um ―cadeado‖. Consignação O arranque intempestivo de equipamentos ou a ligação de circuitos (que poderão ser desencadeados por controlos automáticos ou manuais) são susceptíveis de causar danos graves. testando por meio de instrumento de medida adequado. um arranque inesperado de um motor poderá causar lesões em trabalhadores que o estejam a reparar. Quando tenham que ser realizados trabalhos de manutenção ou de reparação em condutores com corrente eléctrica.

um exemplo de método eficaz para assegurar um correcto uso de cadeados: 1. Uma prática adicional de segurança é a de retirar os fusíveis do quadro eléctrico de um circuito ou de uma máquina quando se está a procederá sua reparação ou alteração. 7. plataformas isoladas ou botas de borracha. Quando há mais do que uma pessoa a trabalhar no mesmo equipamento. colocar outros fusíveis e ligar o circuito. válvula. mesmo que alguém tenha colocado outro cadeado antes de si. deverá manter-se um controlo efectivo por meio de uma constante supervisão e treino na rotina de segurança. É importante que o fusível seja substituído por um outro do mesmo tipo. Fusíveis Quando for necessário retirar um fusível.085.7. Quando se terminar o trabalho retirar o cadeado. 4. Trabalhar com calma e serenidade.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Para que o sistema de cadeado esteja operacional. No entanto. O fusível deverá ser retirado com um arranca fusíveis.4. esta prática não substitui o uso de cadeados. amb. todas as instalações eléctricas necessitam de ter um técnico responsável. qualquer instalação eléctrica deverá ser inspeccionada por pessoal qualificado. 1. 5.00 45 . Antes de ser colocada em funcionamento. alavanca. Verificar o cadeado para assegurar que o equipamento está efectivamente desligado. Colocar o seu cadeado no interruptor de comando. Sinais e barreiras são necessários para identificação mas não substituem os cadeados. é necessário que os diversos equipamentos possuam um portacadeados. Condutores As instalações eléctricas deverão ser efectuadas de acordo com normalização e legislação vigente. O uso de condutores provisórios deverá ser sempre de evitar.7. deverá usar-se um adaptador para aplicação simultânea de diversos cadeados para que cada trabalhador aplique o seu próprio cadeado antes de começar a trabalhar. inadvertidamente. Em situação de emergência e quando a área em redor da caixa de fusíveis estiver molhada. Seja qual for o método utilizado para manter os interruptores desligados (―0FF‖). 2. ou onde estão instalados equipamentos antideflagrantes ou anti-poeiras. deverão ser utilizadas pelos trabalhadores luvas dieléctricas. mesmo que a sua montagem cumpra as regras de segurança. pois alguém pode. 8. Não permitir que os retirem por si e verificar que nunca se irá expor outra pessoa ao perigo. é necessário que sejam construídas ligações onde se possam aplicar os cadeados. Apresenta-se. 3. Nas oficinas onde são utilizados equipamentos antigos. 6. Ligar o sistema. o sinal e as barreiras. o sistema eléctrico deverá ser previamente desligado por meio do seu interruptor. Actuar no corte geral de corrente para que o equipamento fique desligado. tamanho e capacidade. só se estará protegido quando o seu cadeado estiver colocado.3. Alertar o operador e outros utilizadores de que o sistema vai ser desligado. Legalmente. seguidamente. devidamente isolado.3. Assegurar-se que o equipamento está livre e limpo. 1.3.

Modernamente.6. usam-se com frequência gambiarras para melhorar a visibilidade da tarefa que está a ser executada. esta deverá ser retirada de serviço e enviada para inspecção e reparação por pessoal qualificado. equipamentos de protecção (individual e colectiva) e procedimentos operacionais de segurança. Trata-se de um equipamento muito simples mas que pode provocar acidentes. pois podem ser alteradas sem se ter em consideração a capacidade dos condutores.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Instalações eléctricas provisórias e temporárias realizadas em locais em construção ou alteração deverão ser protegidas capazmente contra riscos mecânicos e verificadas frequentemente.7.3. devendo a lâmpada estar envolta por uma grade de protecção. principalmente em reparação de máquinas e em locais com fraca iluminação. existem gambiarras com lâmpadas fluorescentes em armaduras inquebráveis que são preferíveis às de lâmpada incandescente.00 46 . Esta precaução evitará interrupções no circuito principal quando houver necessidade de desligar o ramal. devido ao desgaste de material ou à aplicação de componentes inadequados ou de qualidade inferior. sinalização de segurança. Formação Desvios no uso seguro de práticas correctas na instalação de equipamentos eléctricos e electrónicos resultam muitas vezes em acidentes que podem lesionar ou matar pessoas. por vezes graves. Quando houver necessidade de se instalar equipamento adicional em condições temporárias em .7. verificando se o condutor de ligação à terra está ligado correctamente e se o perno de ligação à terra da ficha não foi retirado. 1. deve ser inspeccionado com frequência para detecção de possíveis avarias. fichas e ligações eléctricas das ferramentas portáteis. amb. Por ser um equipamento que se deteriora rapidamente. Os supervisores deverão dar instruções aos seus colaboradores para que estes os informem imediatamente de qualquer situação de acidente eléctrico e da necessidade de manterem uma apertada supervisão sobre todas as operações que envolvam o uso de equipamento eléctrico ou electrónico. As acções de formação deverão incluir treino em reanimação cardio-respiratória. Quando surgir qualquer dúvida sobre a segurança de uma ferramenta ou da sua ligação eléctrica.3. É essencial que cada um seja treinado para actuar em situações de emergência e seja instruído para nunca trabalhar sozinho em situações de risco. por exemplo.5. este só deverá ser feito com a instalação conjunta de um interruptor individual no ramal a ser instalado e de um adaptador para colocação de cadeado e etiquetas.085.circuitos já existentes. por cortes no cabo eléctrico. Técnicos e pessoal de manutenção deverão ter sempre como norma inspeccionar frequentemente condutores. Gambiarras Nos trabalhos de manutenção. A gambiarra deve ter uma estrutura e um punho feitos de material isolante. 1. um programa de segurança deverá incluir a formação de todos aqueles que trabalham com equipamentos eléctricos e electrónicos. Consequentemente.

hidráulica ou pneumática. pois são operações que envolvem riscos não só para os trabalhadores que as efectuam. Manutenção mecânica. por vezes menos apropriados mas disponíveis. O aparelho de soldadura eléctrica deve estar ligado à terra. pelo que os óculos ou máscaras devem possuir filtros.4.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho De igual modo. 1. Em ambos os casos devem ser tomadas medidas de segurança. não permitindo que as diversas etapas da manutenção ou reparação sejam executadas adequadamente. pelo que é necessária uma boa exaustão. De notar que o arco luminoso produzido pela soldadura é composto por raios infravermelhos e ultravioletas. A formação adequada. é fundamental avaliar previamente os riscos da tarefa que se pretende executar. como para todos aqueles que se encontram perto do local onde elas estão a ser efectuadas. utilizando-se assim ferramentas e métodos expeditos. Qualquer tipo de soldadura produz fumos bastante intensos. principal mente quando a soldadura está a ser realizada em pontos elevados. pois a soldadura produz um elevado número de faíscas que poderão cair a distância apreciável. Os trabalhadores devem usar equipamentos de protecção individual como luvas. deverá verificar-se se no local ou na sua proximidade não se encontram guardados produtos inflamáveis. Soldadura Nos trabalhos de manutenção é vulgar recorrer-se a operações de soldadura. deverão dar instruções aos seus colaboradores para que estes os informem imediatamente de qualquer defeito eléctrico observado e das reparações ou substituições que possam efectuar. ouso de cadeados e todas as outras considerações anteriormente descritas são perfeita mente adaptáveis a estes tipos de manutenção pelo que não se julga necessária a sua repetição. Sempre que se proceda a soldaduras em tanques.7. hidráulica e pneumática O que anteriormente foi dito para a manutenção eléctrica aplica-se na generalidade às tarefas de manutenção mecânica. contentores ou quaisquer outros recipientes usados para guardar produtos inflamáveis ou gases.00 47 . Antes de se proceder a qualquer soldadura. amb. 1. quer eléctrica quer oxiacetilénica. A ocorrência de acidentes durante as operações de manutenção é frequentemente motivada pela urgente necessidade de ter os equipamentos em funcionamento.085. efectuando-a em condições seguras através da utilização de equipamentos adequados e técnicas apropriadas.7. que poderão ser tóxicos em função do tipo de solda utilizada. principalmente quando se trabalha em locais fechados. Para proteger os outros trabalhadores dos efeitos do arco eléctrico. óculos ou máscara para proteger os olhos contra o arco de soldadura. o local onde a soldadura está a ser feita deverá ser isolado por meio de divisórias. deverá proceder-se à extracção prévia destes e à sua cuidadosa limpeza. que levam a descurar a segurança das tarefas em causa. a execução dos trabalhos por pessoal técnico experiente. Como em todos os trabalhos de manutenção.5.

principalmente óleos ou outras gorduras. pois estas substâncias. devido à existência de gases em garrafas e de mangueiras ou condutas. se retirarem rapidamente as garrafas do local. em caso de incêndio. objectos cortantes e sujidade. colocando-as em local seguro e protegidas do calor amb.085. Devem também estar providas de válvulas anti-retorno de chama. deverá verificar-se a possibilidade de. Antes de se proceder à soldadura oxiacetilénica.00 48 . podem provocar explosões em contacto com o oxigénio. estar protegidas contra o calor. As mangueiras devem ser diferenciáveis.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Na soldadura oxiacetilénica. mesmo em peque nas quantidades. é necessário ter outras precauções suplementares.

 Utilizar sempre panos ou desperdícios limpos.7.6. luvas.7.  Não deitar no esgoto os óleos usados. a demora no seu tratamento poderá ter efeitos nocivos para a saúde. aventais... óculos. principalmente de higiene.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. de qualquer modo. os trabalhadores deverão utilizar equipamentos individuais de protecção apropriados (máscara de circuito fechado) e estar equipados com um arnês de segurança. dar o alarme. Trabalhos de manutenção em espaços confinados Por vezes.  Utilizar um creme adequado para substituir a gordura natural da pele.. botas. em caso de necessidade. etc. como qualquer trabalho de manutenção. nunca utilizar pó de limpeza abrasivo. tal como fatos de trabalho. devem ser tomados em consideração os seguintes pontos: Lubrificação Uma das operações realizadas frequentemente pela manutenção é a lubrificação de máquinas. Assim. cisternas. consultar este Serviço logo que se manifeste qualquer inflamação de pele. deverão ser executados segundo determinadas regras. em especial os trabalhadores tenham tendência para a pele seca. não colocar dentro dos bolsos panos sujos de óleo.7. pronto a intervir e. serradura.085. túneis. Todos os arneses de segurança devem estar providos de um cabo individual manobrado por outro trabalhador fora do espaço confinado. contentores. independentemente da sua localização. ocorridas durante trabalho de lubrificação. pois tal não é legalmente permitido contactar uma firma especializada e credenciada para a recolha de produtos deste tipo. substituindo óleos e  Utilizar vestuário adequado de protecção. onde. amb. galerias.  Limpar e desinfectar prontamente todas as feridas. tais como depósitos. é necessária proceder a trabalhos de manutenção em espaços fechados. evitando-se assim que se suje desnecessariamente o fato de trabalho. massas Normalmente são trabalhos que não evidenciam um risco elevado mas. areia. os trabalhadores que executam operações de lubrificação deverão trocar de roupa. 1. Pode tratar-se de uma inflamação sem importância e que apenas necessite de um pequeno tratamento ou que nem sequer esteja relacionada com o trabalho executado mas. etc. protecções para as pernas. lavando-se com água quente e com um sabão líquido não abrasivo. empregando água e sabão e aplicando em seguida um penso esterilizado ou algum tratamento indicado pelo Serviço de Saúde.  Limpar a superfície da máquina antes de efectuar a operação. para tirar a sujidade das mãos.00 49 . é necessário tomar-se precauções adicionais: Deverá tentar fazer-se uma ventilação cuidadosa do local. devido à possível existência de vapores ou gases nocivos.  No fim de cada turno. etc. mesmo que pequenas.

Requisitos de Gerais de Concepção e Utilização  Norma Portuguesa NP 2198:1986 Higiene e Segurança no Trabalho. Requisitos de Segurança  Norma Portuguesa EN 165:1997 Protecção Individual dos Olhos. Definições. Ferramentas portáteis manuais.8. Vocabulário  Norma Portuguesa NP 2310:1989 Higiene e Segurança no Trabalho. Equipamento de Protecção Individual. Ferramentas portáteis.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. Normalização aplicável  Norma Portuguesa NP 2036:1986 Higiene e Segurança no Trabalho. classificação e dimensões amb.7.00 50 .085. Luva de protecção.

Apresentam uma série de riscos que podem ser controlados através de medidas preventivas:  Devem ser previstos sistemas de paragem de emergência em intervalos que não excedam 8 metros. se o não for. Nestes transportadores devem observar-se os mesmos cuidados que nos transportadores de tela. por exemplo. no seu perímetro exterior e a toda a volta.8. cujo movimento. é conduzido por tambores cilíndricos. tais como lubrificações e reparações.  Qualquer bloqueio no transportador nunca deve ser superado fazendo uso das mãos. a qual tem.  As operações de conservação.  A passagem de pessoas de um lado para o outro por cima das telas transportadoras deve ser feita através de passadiços fixos ou amovíveis. Os materiais ou objectos transportados em cadeia aérea ao longo de um cabo são suspensos por uma série de ganchos suspensos na cadeia em intervalos regulares.00 51 . exclusivamente. Os aparelhos ou máquinas transportadoras podem agrupar-se em dois grandes tipos: 1. Transportadores aéreos em cadeia ou por trolleys São utilizados. nas fábricas de automóveis. todo o mecanismo devera ser blindado e.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. produzido através de um motor eléctrico.085. devem ser feitas com o motor desligado. constituídos por uma roda circular. da força gravitacional e o risco de acidente é caracterizado pelo eventual esmagamento do operário pela carga.1.8. b) Aparelhos de funcionamento descontinuo ou alternado. fundamentalmente. Manutenção mecânica Tipos de Máquinas Transportadoras a) Aparelhos de funcionamento continuo. que asseguram uma circulação permanente ou quase permanente dos materiais transportados. mas sim mediante a utilização de varas especiais. que têm dois ciclos de funcionamento — ida com a carga e volta em vazio.2. com guardas.8.  As polias nas extremidades da correia devem ser protegidas para impedir um eventual esmagamento de dedos. ao nível e nas passagens de pavimentos deverá existir uma grade ou vedação que impeça a aproximação de pessoas. 1. Aparelhos de Funcionamento Contínuo Telas ou correias transportadoras Consistem numa tela geralmente em borracha artificial (neoprene). copos ou cestas suspensas num eixo. podendo nele serem fixos ou móveis. Como medidas de prevenção de acidentes citamos:  O transportador deve estar equipado com dispositivos mecânicos ou eléctricos que impeçam a introdução das mãos nas áreas de perigo. Sempre que possível. Transportadores ou elevadores de copos ou cestas São. Transportadores por gravidade (ou de plano inclinado) Este tipo de transportadores depende. amb.

00 52 . amb. de modo a não atingirem pessoas no seu deslocamento.085.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Os objectos devem circular a uma altura suficientemente elevada.

ganchos. Assim:  Todos os aparelhos deverão ter bem visível a indicação da carga máxima admissível. Existe um código de sinais para esse efeito. travões. guindastes e pontes rolantes São muito utilizados em portos.  Os estropos (cabos de suspensão) têm grande importância na segurança das cargas. a água e o óleo. na construção civil e na indústria metalomecânica. de uma grua ou de uma ponte rolante deve ser compreendido por todo o pessoal interveniente. verificar o funcionamento da buzina. ser utilizados. Macacos hidráulicos e mecânicos São dispositivos que servem para erguer cargas sobre eles colocadas. devem. essencialmente na sua capacidade de carga e estado dos seus componentes. tais como luvas. devendo o seu diâmetro. Quanto à energia utilizada.  Dispositivos de protecção individual. Empilhadores São dos dispositivos mecânicos de manutenção mais utilizados na indústria. sobretudo quando estes transportadores ficam ao nível do solo. o abastecimento de gasolina (gás ou gasóleo) ou o estado das baterias. amb.  Nunca se deve passar ou estacionar debaixo de cargas suspensas. tais como cabos.  Os ganchos de suspensão devem estar protegidos por fechos de segurança a fim de impedir o desprendimento dos cabos e consequente embate com obstáculos. Devem ser cuidadosamente cobertos com blindagens robustas e bem fixadas. por exemplo. maior será a carga admissível a elevar. estropos.00 53 . Quanto menor for esse ângulo. capacete e botas de biqueira de aço. A utilização correcta de um empilhador deve obedecer aos seguintes procedimentos de segurança:  No início de um dia ou de um turno de trabalho.  O responsável pela manobra de um guindaste. 1.8. a sua constituição e o seu grau de uso merecerem a maior atenção. b) Com motor eléctrico. podem ser de dois tipos: a) Com motor de explosão ou combustão.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Transportadores de parafuso sem fim (parafuso de Arquimedes) São constituídos por parafusos que produzem a movimentação da carga. conforme o caso.085.  Nunca ultrapassar a carga máxima prevista. Os factores gerais de segurança baseiam-se. Aparelhos de Funcionamento Descontínuo Gruas. em princípio.  O ângulo de suspensão das cargas deve ser o menor possível. roldana.3. nas oficinas de reparação de automóveis. alimentado por baterias. etc. sendo dotados de comando hidráulico (por óleo) ou para simples mudança de pneus (macacos mecânicos). o estado e pressão dos pneus. girando em torno do seu eixo. comandos hidráulicos.

A sinalização e a demarcação de faixas de passagem nos pavimentos contribuem para aumentar a segurança da circulação nas zonas industriais. do Conselho. Existem disposições regulamentares especiais para estes tipos de transportadores que devem respeitadas (Regulamento de segurança de ascensores eléctricos. Para obstar a este inconveniente devem utilizar-se portas leves e de preferência em plástico transparente ou ainda em plástico opaco com janela à altura adequada de forma a ver-se a zona soais próxima da sala contígua.  A descida de uma rampa com carga deve ser feita em marcha-atrás. de 30 de Novembro.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Assegurar-se que a carga está perfeitamente equilibrada. Há portas que abrem automaticamente pela passagem da carga sobre o interruptor colocado no pavimento e outras que abrem pelo encosto da carga.085. de forma a evitar todo o risco de escorregamento e queda. aprovada pela Portada n° 376191.  Nunca abandonar o empilhador sem colocar os comandos na posição de paragem. amarrada e calçada sobre os suportes.  Há deterioração dos cabos. Regulamentam-se naquele diploma os requisitos mínimos de segurança de alguns equipamentos de trabalho. Portas e vias de circulação As portas são sempre um obstáculo à livre circulação entre secções.8.4. como sejam o abandono dos veículos pelos condutores com os motores a trabalhar. do Conselho. de 5 de Dezembro. nomeadamente em estaleiros de construção civil. de 16 de Março. em prédios de certa altura (instalações provisórias) ou ainda em Industrias ou edificações (instalações definitivas). Ascensores e monta-cargas São utilizados na movimentação vertical. que transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva n° 89/655/CEE. contido na norma portuguesa NP-316311 (1988).  Proibir o transporte de passageiros. obrigando a pausas prejudiciais nos ciclos de manutenção. que no caso de veículos motorizados têm imensos inconvenientes. quando:  Há partes de carga salientes da cabina.  Não existe porta do lado de acesso (caso de alguns monta-cargas provisórios). tendo sido ainda definidas regras sobre a utilização dos mesmos. amb. relativa às prescrições mínimas de Segurança e Saúde para a utilização pelos trabalhadores de equipamentos de trabalho. accionar o travão de mão e retirar a chave de ignição. Os acidentes em ascensores e monta-cargas dão-se.  Circular com velocidade moderada. reduzindo-a à aproximação de cruzamentos ou de portas.00 54 .  Não conduzir o empilhador com a carga em posição elevada. designadamente equipamentos móveis e para elevação de cargas. 1.  O espaço da cabina é exíguo. deverá salientar-se o Decreto-Lei nº 82/99. Haverá que tomar precauções especiais a fim de evitar essas paragens. fundamentalmente. de 2 de Mato). Por ultimo. alterada pela Directiva n° 95/63/CE.

As regras básicas de segurança de uma armazenagem são:  O peso do material a ser depositado não deve ser superior à resistência do piso.  A armazenagem dos materiais não deve prejudicar a ventilação.9. constituindo perigo.  Devem ser removidos pregos. Armazenagem Introdução A armazenagem culmina a sequência de operações elevação/transporte/descarga. arames e cintas partidas que se projectam para fora.9. amb. Sendo mecânica.  Ao depositar materiais não deixar saliências fora do alinhamento. a iluminação e o trânsito de pessoas e viaturas.  As pilhas devem ficar afastadas pelo menos 50 cm das paredes a fim de não forçar a estrutura do edifício.1.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. permitir uma ventilação adequada e facilitar um eventual combate a incêndio. empilhar apenas até 2 metros de altura.  Quando a armazenagem for manual. Armazenagem de tubos cilíndricos com interposição de cavaletes de madeira.085. não armazenar a uma altura que possa causar a instabilidade das pilhas. São numerosos os acidentes ocorridos por armazenagem inadequada e insegura.  A disposição das pilhas não deve dificultar o acesso aos meios de combate a incêndio e às saídas de emergência. 1.00 55 .

00 56 . Armazenamento de bidões com dispositivos anti-rolamento.085. amb.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Armazenagem de sacos em paletes de madeira.

A armazenagem dos produtos ou substâncias inflamáveis. quando os produtos armazenados forem inflamáveis ou explosivos. tóxicos ou infectantes deve ser efectuada em compartimento próprio. explosão. Armazenagem de materiais secos a granel Devem ser previstas superfícies resistentes. simples ou misturados.00 57 .085. estes materiais devem ser armazenados em silos que permitam a sua descarga pelo fundo. 1.9.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Armazenagem de chapas em posição vertical. ou resíduos. Armazenagem de produtos quimicos perigosos As instalações de armazenagem devem ser concebidas de acordo com a natureza dos produtos a armazenar. Prever vias de circulação para todos os veículos e zonas para carga e descarga dos produtos. torna-se necessário a demarcação e/ou separação destas zonas relativamente às zonas sociais e de produção.9. produtos finais. ― Fechar hermeticamente.2. perigosos. Tendo em conta que os produtos a armazenar podem ser matérias-primas. produtos intermédios. não comunicando directamente com os locais de trabalho e respeitando sempre a incompatibilidade entre produtos. Quando possível. ― Dispor de instalação eléctrica blindada e antideflagrante e sistemas de detecção e/ou extinção automática. altura.3. de modo a impedir acumulação perigosa de gases ou vapores. Estas zonas deverão: ― Ter sistema de ventilação eficiente. 1. intoxicação. gases ou vapores. quedas e choques). de modo a evitar que os locais de trabalho sejam inundados pelos cheiros. estáveis e com área suficiente de modo a evitar-se armazenagem em amb. dos equipamentos de trabalho necessários para a movimentação de cargas e dos riscos inerentes (incêndio.

e munidos de sistema de ventilação eficaz. amb.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Os silos devem ser construídos com materiais resistentes ao fogo.085.00 58 . cobertos.

085. assim como as dificuldades de intervenção. amb. Recipientes sob pressão Os locais destinados a estes equipamentos devem estar isolados das restantes áreas de trabalho.1. Devem ser concebidas protecções contra radiações térmicas e luminosas. Armazenagem de gases Devem ser concebidos locais de armazenagem no exterior dos edifícios para a colocação de botijas de gás com cobertura ligeira e boa ventilação. manutenção e substituição de materiais. ter em conta as necessidades de manutenção quotidiana e espaço suficiente para possíveis reparações. Nota: Deverá ter-se em atenção nos casos de armazenagem de produtos perigosos o disposto em legislação específica relativa à prevenção de riscos industriais graves.00 59 . dotados dos dispositivos necessários para garantir a sua manutenção segura. Na sua construção devem ser utilizados materiais absorventes das ondas sonoras.4. tendo em conta os riscos específicos que geram.9. Estes locais deverão ter uma boa ventilação. Locais técnicos Os locais técnicos são muitas vezes esquecidos aquando da concepção dos locais de trabalho. dispositivos anti-vibratórios e grelhas de ventilação. As paredes e partes exteriores dos fornos e estufas devem ser isolados termicamente ou protegidos de contacto acidental. Instalar cúpulas ou bocas de aspiração ligadas a condutas para evacuação de gases. 1. e dotados de dispositivos para evitar a sua queda. 1.6. Armazenagem de liquidos Prever reservatórios situados acima do solo ou fossas. 1.9.6. Fornos e estufas Os pavimentos adjacentes aos fornos e estufas. 1. os locais para a sua instalação devem ser isolados dos locais de trabalho. 1.9.3. Compressores Tendo em conta que estes equipamentos produzem ruído e vibrações.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1.9.9.6. incluindo tinas de retenção para recolha de eventuais derrames.6. as plataformas.2.9. A sua localização e as suas características construtivas devem ser estudadas simultaneamente com os outros edifícios. os passadiços e escadas de acesso devem ser construídos de materiais incombustíveis e resistentes ao fogo. vapores ou fumos libertados. e iluminação que permita uma leitura fácil dos instrumentos de controlo.5.

6.9.6. Instalações frigorificas As instalações frigoríficas devem ser convenientemente iluminadas e dispor de espaço suficiente para a inspecção e a manutenção dos condensadores. no caso de disporem de fechadura. As portas das câmaras frigoríficas devem possuir fechos que permitam a sua abertura tanto do exterior como do interior. amb. Locais de carga de baterias e acumuladores Tendo em conta os riscos de explosão inerentes a estes equipamentos.00 60 .085.4. que comuniquem com a sala das máquinas e com o guarda da instalação.  Bem ventilados. 1.5. Deverão ser previstas câmaras de transição.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 1. devem existir dispositivos de alarme. accionáveis no interior das câmaras.9.  Construído com materiais incombustíveis. esses locais devem ser:  Implantados em locais afastados de toda a produção de chama ou faísca. e.

F F + F F + + . A informação do público – principalmente dos consumidores domésticos – acerca dos riscos inerentes à utilização da energia eléctrica e à maneira correcta de os prevenir tem tido. exercem forças entre si. Se for estabelecida uma ligação entre dois corpos electrizados em que haja diferença entre si na concentração de cargas. Riscos eléctricos Introdução A crescente utilização da energia eléctrica em todos os domínios da vida actual torna.- O físico francês Coulomb estudou este fenómeno e estabeleceu experimentalmente uma fórmula para calcular esta força (Lei de Coulomb). verifica-se o aparecimento de uma corrente eléctrica de cargas de um para o outro.1.00 61 . cada vez mais.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 2. Resulta da existência de cargas eléctricas nos átomos que constituem a matéria. Verifica-se que dois corpos electrizados. A electricidade é um fenómeno natural. Avaliação e Controlo de Riscos específicos 2.085. quer a nível nacional.º 31/83. ou seja. Existem substâncias. pois há igual número de cargas positivas e negativas. quer a nível internacional. O átomo está em equilíbrio eléctrico. Todos os fenómenos eléctricos resultam deste comportamento. No núcleo dos átomos há cargas eléctricas positivas fixas (protões) e em torno do núcleo há cargas eléctricas negativas móveis (electrões). O cumprimento do estipulado no Estatuto do Técnico Responsável por Instalações Eléctricas de Serviço Particular (Decreto regulamentar n. este equilíbrio é quebrado e o átomo fica ionizado. de atracção se as electrizações dos dois forem de sinal contrário (uma positiva outra negativa) F F e de repulsão se forem do mesmo sinal. Se forem extraídos electrões a um átomo.1. 2. um considerável incremento.1. Quer isto dizer que fica com excesso de carga positiva. de 18 de Abril) e a consequente participação em impresso próprio à entidade fiscalizadora dos acidentes de origem eléctrica é essencial para que as estatísticas das instalações eléctricas possam fornecer informações detalhadas sobre a acidentabilidade eléctrica e assim melhorar os programas de prevenção. o balanço da sua carga eléctrica total é zero. o âmbar e outras que apresentam esta propriedade de se ionizar quando são friccionadas. a ebonite. amb. próximos um do outro. até ser estabelecido o equilíbrio de potencial entre os dois corpos. na ultima década. necessária uma orientação dirigida aos utilizadores da electricidade no sentido de se familiarizarem com os meios técnicos de protecção contra os riscos inerentes a essa energia. como o vidro.

2.1. 2.2.00 62 . ― Riscos Materiais Normalmente resultantes de incêndios e/ou explosões provocados por deficiências nas instalações. de forma a poder produzir correntes eléctricas e utilizar os seus efeitos. correntes eléctricas de intensidade excessiva.4.1. T  é o tempo de duração de passagem dessa corrente. por efeito de Joule. ― Riscos Pessoais Resultantes da passagem de corrente eléctrica pelo corpo humano. I2 . primeiro por fricção de dois corpos e depois por outros processos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho O homem aprendeu a criar diferenças de potencial artificialmente. normalmente devidos:  A sobreaquecimentos devido à deterioração do material isolante dos condutores eléctricos. T Q  representa a quantidade de calor. a electricidade apresenta discos e pode causar acidentes cujas consequências podem resultar em danos pessoais. Riscos eléctricos Tal como acontece com outras formas de energia. I  é a intensidade da corrente eléctrica. 2. Os aparelhos que originam esta diferença de potencial (ddp) são os geradores eléctricos. Alem das forças eléctricas já referidas. As principais causas de sobreaquecimento. Esta situação ocorre habitualmente quando se ligam cargas em excesso. pode estar na origem dos incêndios.085. em relação ao valor calculado par o respectivo condutor. materiais ou ambos.   Ao arco eléctrico produzido por equipamentos ou por electricidade estática. Trata-se da criação de uma zona em torno de um condutor na qual se manifesta a atracção de certos materiais chamados ferromagnéticos. Risco de incêndio devido à corrente eléctrica Nas instalações onde existe grande número de substancias inflamáveis. por exemplo.3. Defeito dos equipamentos que podem provocar faíscas susceptíveis de provocarem explosões quando a trabalhar em atmosferas explosivas. Estas sobre-intensidades. a corrente eléctrica. verifica-se que uma corrente eléctrica dá origem a um fenómeno chamado electromagnetismo. cuja expressão traduz a quantidade de calor produzida por uma corrente eléctrica: Onde: R  representa a resistência. ou seja. como o ferro. amb. O cobre.1. Causas de sobreaquecimento Q = R . são as SOBRE-INTENSIDADES. por sua vez têm origens diversas:  SOBRECARGAS Quando a corrente que percorre o condutor é superior à intensidade para a qual ele foi projectado (intensidade nominal). não apresenta esta propriedade.

Arco eléctrico O arco eléctrico que pode estar na origem de muitos incêndios numa oficina. tais como tubos.6. provoca quase sempre a fusão dos condutores acompanhada de pequenas explosões.  Componentes que não permitindo a passagem de corrente são essenciais ao seu funcionamento. Esta situação que provoca a passagem instantânea de correntes de valor elevado. etc.  RESISTÊNCIA DE CONTACTO Resultante de ligações eléctricas através de contactos imperfeitos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  CURTO-CIRCUITO Quando se tocam dois condutores entre os quais existe uma determinada diferença de potencial e entre os quais a resistência é muito pequena ou nula. como ligações mal apertadas ou terminais algo soltos. devem obedecer a características especiais antideflagrantes.1.  DEFEITOS DE ISOLAMENTO Devidos à má execução da instalação ou de equipamentos eléctricos.  Circuitos distintos para aparelhos de grande potencia ou de características especiais de funcionamento. caixas. DE UM MODO GERAL.1.00 63 . Estar convenientemente protegidas: amb. 2 circuitos de iluminação:  Circuitos distintos para tomadas e iluminação. nomeadamente lâmpadas e tomadas. permitindo que os veículos passem por cima provocando trilhamentos. suportes.7. 2. Atmosferas explosivas O trabalho com equipamentos eléctricos em atmosferas explosivas está na origem de muitos incêndios e explosões. Estar convenientemente subdivididas. 2. Nestes locais. provocando uma resistência elevada à passagem da corrente. resulta normalmente de:  Trabalhos de soldadura. b.5. AS INSTALAÇÕES DEVEM: a.085. 2. considerando:  Pelo menos. isoladores. ao envelhecimento do material. ou ao tratamento negligente dos cabos de ligação.  Faíscas produzidas pelo funcionamento anormal de equipamento eléctrico.  Faíscas produzidas pela electricidade estática e por descargas atmosféricas. os vários componentes da instalação. Concepção da instalação Uma instalação eléctrica é o conjunto de:  Componentes que permitem ou podem permitirem a passagem da corrente (fios condutores.1. protecções).

1.  As protecções das instalações eléctricas devem ser selectivas. 2.00 64 .9.  Um disjuntor magnetotérmico para protecção da instalação contra sobreaquecimentos. A publicação IEC 479 (Comissão electrónica Internacional) aceita como valor médio do limiar de percepção 0. é um conjunto de aparelhos. são:  Contactores-disjuntores providos de relés térmicos para protecção contra sobrecargas. 2. são:  Percepção.  Tetanizaçao.  TETANIZAÇAO amb.  Queimaduras.1.1. convenientemente agrupados.10. nomeadamente contra sobre-intensidades provocadas por:  Sobrecargas. destinado a proteger. sobreintensidades e curto-circuitos. 2. Devem possuir:  Um condutor de protecção para ligação à terra. é fundamental a adopção de uma série de medidas no sentido de proteger as instalações e canalizações eléctricas.  Relés electromagnéticos e corta-circuitos fusíveis para protecção contra curto-circuitos.  Fibrilação Ventricular. incluindo as suas ligações.005 Ampere.  Um interruptor diferencial de alta sensibilidade para protecção das pessoas contra a electrocussão. de modo a que os defeitos em determinado local do circuito não se repercutam noutro circuito. Quadro eléctrico O Quadro.  Curto circuitos: Os dispositivos mais importantes. Numa instalação os quadros eléctricos são o primeiro elemento receptor e distribuidor de energia.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Os órgãos de protecção e de comando devem interromper os condutores de fase (nunca devem cortar somente o neutro). Protecção da instalação e canalizações Para eliminar ou reduzir os riscos eléctricos na sua origem.  Paragem Respiratória. Efeitos principais de uma corrente eléctrica Os efeitos principais de uma corrente eléctrica que atravesse o corpo humano. comandar ou controlar instalações eléctricas.085.8. estruturas de suporte ou invólucro.  LIMIAR DE PERCEPÇÃO O limiar de percepção representa o valor mínimo da corrente sentida por uma pessoa e que apenas representa uma sensação de formigueiro.

00 65 . Experiências indicam para este limite os seguintes valores médios: o o Em corrente alternada 50/60 Hz  10 mA para mulheres  18 mA para homens. Em corrente contínua  51 mA para mulheres  76 mA para homens. por efeito de Joule. lesões irreversíveis no tecido cerebral.085. Correntes inferiores a este limite. ao nível das massas musculares. a um estado de inconsciência. originando uma contracção que se designa por tetânica ou tetanização. Se o fenómeno descrito acontece em corrente alternada. Se ao primeiro impulso se seguirem outros. o risco de morte por asfixia. pois a passagem da corrente. uma das consequências mais frequentes dos acidentes eléctricos são as queimaduras. A gravidade das queimaduras eléctricas está associada aos seguintes parâmetros físicos. produzem asfixia que. etc. Deve-se notar que as queimaduras eléctricas devido a correntes de alta tensão são particularmente graves. ― Tensão. eventualmente. Estas queimaduras revelam-se mais intensas nas zonas de entrada e saída da corrente porque: amb. é fundamental realizar no mais curto lapso de tempo (3 e 4 minutos no máximo) a respiração artificial.  PARAGEM RESPIRATÓRIA Correntes superiores ao limite de largar podem provocar nas vitimas uma paragem respiratória. rapidamente. ― Tempo de passagem de corrente. ― Intensidade de corrente. eventualmente. podem surgir queimaduras profundas ao longo do trajecto da corrente eléctrica. A CEI 479 indica como limiar de largar 10 mA. pois para alem de queimaduras nos pontos de contacto. mesmo não ocasionando graves lesões directas no organismo. podem estar na origem de quedas. permanecendo a passagem da corrente. etc. levam à perda de consciência e morte por sufocamento. o músculo é levado à contracção completa. devido à contracção dos músculos ligados à respiração e/ou aos centros que os comandam.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho É um fenómeno decorrente da contracção muscular produzida por um impulso eléctrico.  QUEIMADURAS Sendo a passagem da corrente eléctrica acompanhada por desenvolvimento de calor. LIMITE DO NÃO LARGAR Define-se como o valor máximo da corrente para a qual um indivíduo pode suportar e largar um condutor activo (condutor afecto à passagem da corrente eléctrica). O valor mais elevado da corrente para a qual uma pessoa é ainda capaz de largar o objecto em tensão com que está em contacto é o limiar de não largar. periodicamente intervalados. Se a corrente perdurar. A corrente continua pode também produzir tetanização se for suficiente a sua intensidade e o tempo durante o qual actua. a fim de evitar a asfixia da vítima ou. o contacto da vítima com o eléctrodo em tensão perdura no tempo e pode produzir asfixia. Se a frequência do estímulo ultrapassa um certo limite. aumenta. acidentes com partes móveis de maquinas. Por isso. conduzindo. dos tendões. a força de contracção do musculo aumenta de maneira progressiva.

apresenta uma elevada resistência eléctrica. quando comparada com os tecidos internos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho    A pele.085. Nos pontos de entrada e saída da corrente.00 66 . amb. sobretudo se as áreas de contacto forem pequenas. À resistência da pele soma-se a resistência de contacto entre a pele e as partes sob tensão. a densidade de corrente é maior.

pode parar-se a fibrilação e assim conseguir-se a recuperação da vítima. No entanto. I2. se vir sobrepor uma corrente externa que faz com que as fibras ventriculares passem a contrairse de modo descontrolado. pequena lesão (queimadura) arredondada ou ovalada. então o fenómeno da fibrilação ventricular. que parece incrustada na pele sã. surgindo. isto é.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho QUEIMADURAS ELECTROTÉRMICAS As queimaduras devido à passagem da corrente – queimaduras electrotérmicas – estão ligadas à libertação de calor (W) ao longo do trajecto da corrente e a sua importância depende da lei de Joule: W = R. São muito mais vulgares do que as electrotérmicas e em tudo idênticas às queimaduras térmicas de qualquer outra origem. Uma das particularidades da queimadura por arco. podendo provocar a morte por insuficiência renal. A fibrilação ventricular foi. QUEIMADURAS MISTAS Em certos casos. considerada um fenómeno irreversível. quer queimaduras profundas. devido ao arco. sob acção da actividade eléctrica perturbadora as fibras passam a contrair-se de maneira desordenada. Estas queimaduras que assumem graves proporções nos acidentes eléctricos com alta tensão. são as de mais difícil tratamento. revestese de uma grande importância sob o ponto de vista médico-legal. Nos acidentes com correntes de alta tensão podem atingir uma parte importante da superfície cutânea e serem agravadas pela combustão do vestuário. Actualmente.  FIBRILAÇÃO VENTRICULAR Este fenómeno fisiológico é o mais grave que pode ocorrer devido à passagem da corrente eléctrica. I  é a intensidade da corrente eléctrica. Este tipo de queimaduras observa-se sobretudo na indústria e nos acidentes eléctricos com alta tensão. MARCA ELÉCTRICA A marca eléctrica. quando esta surge ao nível dos olhos. como amb. é a possibilidade de conjuntivites e de outras sequelas do aparelho visual. À actividade eléctrica normal corresponde o pulsar ritmado do músculo cardíaco. o arco eléctrico e a passagem de corrente associam-se para realizar quer queimaduras superficiais. mesmo que cessasse a causa que a produziu. QUEIMADURAS POR ARCO São as queimaduras provocadas pela libertação de calor por arco eléctrico. com o recurso ao desfibrilador. Deve-se ao facto de aos impulsos eléctricos naturais que provocam a contracção muscular do músculo cardíaco. t W  representa a libertação de calor. devido à passagem da corrente. durante muito tempo. ela persistia até ocasionar a morte.00 67 . R  resistência do corpo humano t  é o tempo de duração de passagem dessa corrente. Este fenómeno constitui a principal causa da morte por acção da corrente eléctrica.085. como acontece na soldadura.

Este intervalo de tempo designa-se por período vulnerável e corresponde à primeira parte da onda T no electrocardiograma. representando o mesmo perigo de fibrilação ventricular que o correspondente à corrente de referencia Iref entre a mão esquerda e os dois pés. pé direito ou os dois pés Duas mãos – dois pés Mão esquerda – mão direita Mão direita – pé esquerdo. aproximadamente.  Factor de Corrente do Coração É difícil definir um limiar para a fibrilação ventricular pois é impossível a experimentação directa sobre o Homem e é difícil extrapolar para este os resultados obtidos nos animais. Toma-se como referencia o trajecto mão esquerda – pés.085. Para quantificar a influencia do trajecto da corrente alternada no inicio da fibrilação ventricular introduziu-se um coeficiente de correcção – o factor corrente do coração – designado por F.3 0. Se os estímulos são aplicados nesta fase do ciclo cardíaco. 10% a 20% do ciclo cardíaco.0 1.5 0.0 0.  Limiar de Fibrilação As mais recentes pesquisas sobre electropatolagia permitem concluir que a intensidade de corrente de fibrilação é variável.4 0. é imprescindível não perder tempo na prestação dos primeiros socorros – massagem cardíaca e respiração boca a boca. Representa. pé direito ou os dois pés Costas – mão direita Costas – mão esquerda Peito – mão direita Peito – mão esquerda Nádega – mão esquerda. no qual o ventrículo é electricamente instável. a probabilidade de fibrilação ventricular aumenta consideravelmente. I = Iref / F Para diferentes trajectos de corrente.3 1.7 amb. até que o desfibrilador possa ser utilizado. O factor corrente do coração permite calcular as correntes I para vários trajectos. existindo dois limiares: Factor de Corrente do Coração 1.7 1.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho já se referiu. mão direita ou as duas mãos  Período Vulnerável Existe um breve intervalo de tempo no ciclo cardíaco.8 0. Alem disso.00 68 . a corrente que atinge o coração – causa directa da fibrilação – é só uma parte da corrente que flúi através do corpo humano. o factor de corrente do coração apresenta os seguintes valores: Trajecto da Corrente Mão esquerda – pé esquerdo.

o mesmo que em corrente alternada expresso em valor eficaz. Intensidade da corrente. Para intensidades iguais o risco representado pela corrente alternada é maior. fibrilação. Para a corrente alternada o risco diminui com o aumento da frequência (em Portugal. superior a vários ciclos cardíacos.1. amb.1. Correntes elevadas não provocam. Percurso da corrente. podem. provocando uma diminuição considerável do limiar de fibrilação. muito mais baixo. ― Outro. contudo. o limiar de fibrilação é. determinar a paragem do coração ou induzir alterações orgânicas permanentes no sistema cardiovascular. Efeitos do Choque Eléctrico Estes efeitos dependem fundamentalmente dos seguintes factores:       Tipo de corrente. no entanto provocar uma paragem cardíaca ou produzir alterações orgânicas irreversíveis no sistema cardíaco. Choque Eléctrico O choque eléctrico é o efeito patofisiológico que resulta da passagem de uma corrente eléctrica através do corpo humano. isto é. em princípio insuficiente para iniciar a fibrilação.1. Efeitos patológicos da corrente.1. vai gerar uma contracção dos ventrículos fora de tempo (extra-sistole). 2. isto é.11. Para a corrente continua e para tempos de contacto superiores à duração do ciclo cardíaco. aproximadamente. TIPO DE CORRENTE Existem dois tipos de corrente:  Alternada.2. Neste caso. Tempo do contacto. quando o tempo de passagem da corrente é curto. o limiar de fibrilação é várias vezes superior ao verificado em corrente alternada. quando o tempo de passagem é longo. A possibilidade da passagem da corrente eléctrica pelo corpo humano depende muito das características da instalação eléctrica e respectivos circuitos.085. dos dispositivos de protecção neles existentes ou não.00 69 . Riscos de electrização 2. elevado. 2. uma intensidade. Para tempos de contacto inferiores a 200 milissegundos. a frequência de distribuição é de 50 Hz). Valores elevados de intensidade de corrente não provocam fibrilação. inferior a cerca de um terço do ciclo cardíaco. de um modo geral. de algumas características (normais e/ou anormais) de funcionamento dos mesmos. e do tipo de aparelhos a eles ligados.11. Podem. Resistência do corpo (humidade da pele).11.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho ― Um. Quando o resultado deste efeito é a morte é habitual designar-se por ELECTROCUSSÃO.  Continua.

00 70 . amb.085.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho INTENSIDADE DA CORRENTE A intensidade é o factor mais importante do fenómeno do choque eléctrico. considerando pessoas de 50 kg e um trajecto de corrente entre mão – mão ou mão – pé. A CEI 479 – 1. define 5 zonas de efeitos para as correntes alternadas de 15 a 100 Hz.

amb. o Mão – tórax 450 a 700 Ω.5 mA – leve percepção superficial.  Superior a 500 mA – provoca lesões cardíacas irreversíveis ou mortais. existe ainda a possibilidade de fibrilação cardíaca (zona 4). a pele seca e calosa oferece maior resistência. PERCURSO DA CORRENTE Já se viu como este percurso é importante para o fenómeno da fibrilação. o Mão – mão 1000 a 1500 Ω.  De 30 a 500 mA – provoca a paralisia dos músculos do tórax com sensação de sufocamento.00 71 . Decorre deste facto a importância da protecção individual.1 a 0. podem considerar-se os seguintes valores médios.085.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho EFEITOS PATOLÓGICOS DA CORRENTE  De 0. existe uma relação directa entre a gravidade da lesão e o tempo de contacto durante o qual a pessoa está submetida ao contacto eléctrico. em determinadas circunstancias.5 a 10 mA – pode provocar uma paralisia ligeira nos músculos dos braços com principio de tetanização (zona 2). atente-se que. quando se fala da resistência do corpo humano. em função do trajecto da corrente: o Mão – pé 1000 a 1500 Ω. Na prática.  Superfície de Contacto O aumento da área de contacto diminui a resistência do corpo. normalmente sem nenhum efeito patológico (zona 1). TEMPO DE CONTACTO Como já se observou. pode-se considerar o corpo constituído por um conjunto de resistências e condensadores.  A Humidade da Pele A humidade diminui a resistência da pele.  De 0. O valor da resistência da pele depende de factores tais como:  Tipo de Contacto A resistência do corpo humano depende do trajecto da corrente. Na perspectiva da electricidade. correntes entre 25 – 30 mA já são perigosas. RESISTÊNCIA OU IMPEDÂNCIA DO CORPO O corpo humano é constituído por um conjunto de líquidos e tecidos orgânicos de resistividade variável.  De 10 a 30 mA – não se verifica nenhum efeito fisiológico perigoso se a corrente for interrompida no prazo de 5 segundos (zona 2 e 3).

2. O Regulamento de Segurança de Instalações de Utilização de Energia Eléctrica – RSIUEE (Decreto-Lei n.  Por isolamento das partes da instalação normalmente sob tensão. de 26 de Dezembro) define a protecção das pessoas. O RSIUEE. amb. 2.12.º 740/74. Protecção contra choques eléctricos A protecção contra choques eléctricos está dependente de uma série de variáveis.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Tempo de Contacto A resistência diminui com o tempo de contacto.  Por interposição de obstáculos que impeçam qualquer contacto acidental com as partes activas.  Utilizando tensões baixas. MEIOS DE PROTECÇÃO CONTRA CONTACTOS DIRECTOS  Afastamento das partes activas. as medidas de protecção são tomadas tendo em conta a diferença de potencial a que estão submetidos dois pontos diferentes do corpo humano.  25 V.1.00 72 .12. Na realidade.085.  Tensão de Contacto A resistência do corpo diminui com o aumento da tensão aplicada. quando não há massas susceptíveis de serem empunhadas.1. refere os seguintes valores:  50 V. Tensão de segurança É o valor da tensão de contacto que pode ser indefinidamente suportada pelo organismo sem acarretar efeitos fisiopatológicos perigosos.  Pressão de Contacto A maior pressão de contacto corresponde uma menor resistência. não excedendo os 50 V. se houver massas susceptíveis de serem empunhadas ou aparelhos portáteis com massas acessíveis. Contactos directos Quando se toca directamente num condutor activo ou neutro de uma instalação (partes sob tensão).  Contactos Indirectos.1. As situações susceptíveis de ocasionar o choque eléctrico devem-se fundamentalmente a dois tipos de contactos:  Contactos Directos. entre as quais se destacam o tipo de contactos.

Utilização de tensões reduzidas de segurança. Os circuitos de muito baixa tensão. UTILIZAÇÃO DE TENSÃO REDUZIDA DE SEGURANÇA Esta medida consiste no emprego de tensões abaixo dos 50 V. por via de transformadores (CA) ou de conversores (CC). Estabelecimento de ligações equipotenciais.1. f. Material isolante empregue nestes circuitos deve ser igual ao utilizado para 250 V. através de isolamento de protecção (classe II). Isolamento de protecção. 50 V. Inacessibilidade simultânea de massas e elementos condutores. directamente ou por intermédio do neutro da instalação.085. c. de valor eficaz para os locais húmidos.12. d. a utilização destas tensões deve ter em conta as condições do meio:      24 V. fazendo com que os contactos não sejam perigosos ou impedindo contactos simultâneos de massas com elementos condutores. não exista uma tensão superior à de segurança.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 2. Contactos indirectos Quando se toca numa parte da instalação que em qualquer massa ou elemento condutor estranho à instalação eléctrica. Separação entre as partes activas e as massas acessíveis. associando-se a um dispositivo de corte automático que desligue a instalação ou parte da instalação defeituosa. Separação de circuitos de utilização das fontes de energia. e. Podem incluir-se em dois grupos:  GRUPO I – medidas ou disposições destinados a suprimir o próprio risco.  Grupo II – medidas ou disposições com o objectivo de ligar massas à terra. não exista tensão superior à de segurança. b. MEIOS DE PROTECÇÃO CONTRA CONTACTOS INDIRECTOS Estas medidas ou meios devem assegurar que em qualquer massa ou elemento condutor estranho à instalação eléctrica. Nestes circuitos deve ainda tomar-se em consideração: ISOLAMENTO DE PROTECÇÃO amb. não podem ter qualquer contacto por terra com outros circuitos de tensão superior. entre os quais possa surgir uma diferença de potencial perigosa.00 73 . Os cabos flexíveis de alimentação devem ser resistentes ao óleo e a dobragens.2. MEDIDAS DE PROTECÇÃO DO GRUPO I a. para os locais secos.

São designados de Classe II. Se a massa estiver ligada à terra através de uma resistência de pequeno valor. Os equipamentos ou ferramentas assim isolados não necessitam de ligação à terra. Um dispositivo de corte automático que garanta o corte da corrente em tempo oportuno.00 74 . Este tipo de isolamento deve ser obrigatório em todas as pequenas ferramentas eléctricas manuais: berbequins. não devendo estar normalmente em tensão.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Esta medida consiste em isolar as partes metálicas de um aparelho ou equipamento eléctrico. de todas as partes metálicas de uma instalação com uma derivação final à terra. amb. a situação das massas em relação à terra. de modo a evitar que se possam tocar partes metálicas que. designando a primeira situação do neutro em relação à terra. e devem obrigatoriamente apresentar o símbolo. obriga:   Ligação das massas à terra. A ligação das massas à Terra constitui uma medida de protecção contra choques eléctricos. e a segunda. o podem estar por defeito. LIGAÇÃO DAS MASSAS À TERRA Numa instalação sem ligação à terra a corrente ocasionada por um defeito passa totalmente através do corpo humano e. Esta medida. a corrente pode ser perigosa. rectificadoras. a maior parte da corrente passará através da resistência e não pelo corpo humano.085. se a tensão de massa for superior a 50 V. por meio de condutores. Existem vários tipos de ligação à terra. através de um eléctrodo. a terceira letra fornece uma informação complementar sobre as funções do condutor de protecção. etc. MEDIDAS DE PROTECÇÃO DO GRUPO II A protecção por ligação à terra consiste na união. designados normalmente por associação de duas ou três letras.

o corte omnipolar do circuito em que estão inseridos e ser dotados de dispositivo que permita sem meios especiais. para a terra. pois a corrente que percorre o corpo humano escoa-se. distintos do neutro. VALOR IΔn > 1000 Ma 30 < IΔn ≤ 1000 mA 12 < IΔn ≤ 30 mA IΔn ≤ 12 mA amb. Resistência de Terra  A resistência de terra deve ter o menor valor possível e não deve ser superior a 10 Ω. ou residual. podendo ser utilizado mais do que um método. Em função deste valor mínimo. ― Se o condutor neutro e o de protecção são separados. Sistema TN  Neutro ligado à terra e as massas ligadas ao ponto neutro por condutores de protecção. A resistência de terra deve ser medida.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Destacam-se: Sistema TT  Neutro está ligado à terra e as massas são ligadas à terra através de eléctrodos próprios. o sistema é designado por TNC. ― Este sistema é maioritariamente utilizado em instalações industriais e domésticas. consideram-se as seguintes classes de sensibilidade: SENSIBILIDADE BAIXA MÉDIA ALTA MUITO ALTA Características da Terra  Todos os sistemas de protecção estão directa ou indirectamente relacionados com a terra. Protecção Diferencial  Os aparelhos de protecção sensíveis à corrente diferencial-residual deverão assegurar. conforme as massas são empunháveis ou não. Estes aparelhos actuam num tempo determinado. atingindo a corrente de fuga. um valor mínimo. regra geral. Sistema IT  Neutro não ligado à terra (neutro isolado) ou está ligado por intermédio de uma impedância (neutro impedante). isto só acontece quando se está isolado da mesma e em contacto simultâneo com dois pontos a potencial diferente. o sistema é designado por TNS.00 75 . verificar o seu estado de funcionamento. Esta ligação é assegurada por um eléctrodo de terra que pode ter varias formas e tem que ser montado de acordo com algumas regras. A tensão de segurança de funcionamento do aparelho de protecção é de 25 ou 50 volt. ― Se o neutro e o de protecção se confundem.085. directa ou indirectamente.

da condutibilidade dos isolantes. 2. vai electrizar-se por indução ou influência. O corpo. se desequilibram. amb. No caso da carga e descarga de líquidos inflamáveis essa electrização é particularmente perigosa.00 76 . caindo de locais elevados. inofensivas excepto se. por contacto. podendo esse contacto ser provocado por compressão ou expansão. por aquecimento ou arrefecimento. O aumento. as pessoas se colocam em contacto com uma máquina em movimento. por um acto reflexo. ou se a atmosfera a ambiente está carregada de vapores ou gases inflamáveis. para evitar a formação ou acumulação de cargas eléctricas. Origem da electricidade estática A electricidade estática é um fenómeno a que todas as pessoas estão sujeitas e já experimentaram em algum momento da sua vida como por exemplo ao sair e bater a porta de um automóvel ou ao despir roupas de tecido acrílico.1. A redução dos atritos.1. podem ser suficientes para dar lugar a uma descarga disjuntiva ao contacto da pessoa com uma massa metálica.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 2. A ligação à terra. por choques com obstáculos.13. A neutralização das cargas. A electricidade estática pode obter-se por contacto entre dois corpos. cargas electrostáticas cuja importância depende da natureza e dimensão dos materiais utilizados. na preparação de superfícies aquando da colocação de telas devido às forças de atrito exercidas. As quantidades de electricidade que devido a essa electrização se acumulam. No meio industrial as correias de transmissão em movimento à volta de tambores e todos os sistemas similares em que uma fita se move sobre rolos desenvolvem.085. por fragmentação. A electricidade estática pode ocorrer na transferência de produtos sólidos entre recipientes. A electrização dos líquidos nas canalizações pode ocorrer por atrito ao longo das paredes.1. atrito ou indução. Medidas preventivas contra electricidade estática As principais medidas preventivas. principalmente se calçam sapatos com solas isolantes. quer pelo atrito de roupas entre si ou com o corpo (uma pessoa pode. normalmente. inicialmente neutro. As consequências serão. As pessoas são carregadas electricamente quer pelo seu deslocamento sobre o solo. por redução da secção das canalizações ou por interposição de filtros. por mudança brusca de direcção. até um valor suficiente.13. aproximando um corpo condutor no estado neutro de um corpo carregado. facilmente deslocar-se com 5000 V sob a sua roupa). exigem:      A humidificação da atmosfera.

feito por pessoa competente.1. evitando faíscas e sobreaquecimentos.085. Manter os fios e outras peças condutoras bem ligadas e apertadas nos bornes. é função de:     2. amb.14. Destacam-se os seguintes:       Não tocar em elementos nus de uma instalação eléctrica. 2. Periodicidade aconselhável das verificações As instalações e os materiais eléctricos em geral. Utilização e manutenção da instalação Mesmo no pressuposto de se estar perante uma instalação bem concebida. As instalações e os materiais eléctricos em geral. Tipo de isolamentos da estrutura. devem ter-se em conta alguns procedimentos com vista à utilização e manutenção correcta da mesma. Utilizar sempre um aparelho eléctrico em condições de segurança. Nunca reparar um aparelho eléctrico sem antes o desligar da energia. Não danificar o isolamento dos fios condutores puxando pelos cabos de alimentação dos equipamentos e ferramentas para os desligar das tomadas.00 77 .16. Verificar se os isolamentos estão em bom estado. feito por pessoa competente. Equipamentos instalados no interior. desde que não exista um certificado passado pela empresa que efectuou a operação. devem ser sujeitos ao controlo completo do seu bom estado.  Equipamentos de trabalho de dupla protecção eléctrica.   2. Tipo e altura da construção. após modificação ou reparação. desde que não exista um certificado do construtor.1. Em ambientes com riscos especiais deve-se trabalhar sempre com:  Tensões reduzidas (menores que 25 volt).  Transformadores de isolamento de segurança. 1.1. Protecção contra descargas atmosféricas Este tipo de protecção (pára-raios) e o sistema a adoptar depende do índice de risco que.15. para alem da incidência das descargas atmosféricas em determinada região. Utilização do edifício. Verificar se os circuitos possuem um condutor de protecção (Fio de Terra) e se as tomadas possuem pólo de terra e alvéolos protegidos. antes da primeira colocação em serviço. 2. devem ser sujeitos ao controlo completo do seu bom estado.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Ligação à terra para descarga de electricidade estática.

e das protecções contra sobreintensidades.   A resistência total dos circuitos de protecção (ligações equipotenciais. Os equipamentos isoladores de protecção pessoal devem ser sujeitos. etc. por accionamento dos seus dispositivos de comando. 5. verificando a conformidade dos circuitos e dos aparelhos com os projectos. negativo e compensador em corrente continua) de um circuito de potência ou de comando.085. pelo utilizador.00 78 . deve ser superior a 1000 Ω por volt de tensão nominal. para as terras que participam na protecção contra contactos indirectos por dispositivos diferenciais residuais.  A resistência das tomadas de terra deve ser a mais baixa possível. condutores positivo. 7. sendo no mínimo de 250000 Ω. os dispositivos de protecção de corrente diferencial residual em instalações ou materiais não fixos devem ser sujeitos uma vez por mês ao controlo do seu bom estado. por inspecção visual. ao controlo dos seus defeitos visíveis antes de cada utilização. sendo no mínimo de 250000 Ω para os comprimentos totais ou secções de circuito inferiores a 100 metros. A resistência de isolamento entre condutores activos (fases e neutro em corrente alternada. no mínimo de 6 em 6 meses (em função da utilização). os disjuntores de protecção de corrente diferencial residual e os de tensão de defeito em instalações moveis. condutores de ligação às tomadas de terra. no mínimo de 6 em 6 meses. feito por pessoa competente. Deve ser constatado o bom estado da instalação e dos materiais a ela ligados. ao controlo do seu bom estado. ao controlo do bom estado do ponto de vista da segurança. 4. devem ser sujeitos. Deve ser feito o exame do estado de conservação das instalações e materiais. linhas de ligação munidas de fichas. Os equipamentos isoladores de protecção pessoal devem ser sujeitos. feito por pessoa competente. a um controlo completo do seu bom estado. feito pelo utilizador. extensões e cabos flexíveis com fichas e tomadas. As instalações e os materiais eléctricos fixos devem ser sujeitos. devem ser diariamente sujeitos ao controlo do seu bom funcionamento.  A resistência de isolamento entre partes activas e massas dos aparelhos eléctricos deve ser superior a 1000 Ω por volt de tensão nominal.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 3. muito em especial das protecções contra riscos de contacto directo e indirecto. 6.) deve ser inferior a 1 Ω. mas sempre inferior a 100 Ω. amb. Os materiais eléctricos não fixos. feito por pessoa competente. feito pelo utilizador. de 4 em 4 anos.

È necessário ter cuidado com a proximidade de cabos aéreos ou subterrâneos sob tensão. as fichas.. As junções. Devem respeitar-se as distâncias de segurança. Cuidados úteis com a electricidade Só um electricista qualificado e designado para o efeito pode instalar. reparar. Só devem ser utilizadas lâmpadas portáteis regulamentares e nunca lâmpadas instaladas provisoriamente.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 2.00 79 . etc. Todo o improviso é fonte de acidentes graves como por exemplo as electrocussões.085. devem ser manipuladas com prudência.17.1. fazer a manutenção das instalações eléctricas. modificar. Devem utilizar-se fichas e tomadas de corrente normalizadas. amb.

1. Uma electrização ou uma hemorragia grave podem matar em alguns minutos. por terem faltado os socorros necessários. não deve ser utilizada sem passar por um exame efectuado por uma pessoa competente. Qualquer pessoa. muito depois do acidente. As ferramentas eléctricas não devem ser utilizadas na presença de humidade. em geral.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Nunca se devem fazer ligações ou arranjos provisórios. poderá ajudar a manter viva a vitima até à chegada dos socorros qualificados. Para afastar a vitima da peça em tensão:  Cortar imediatamente a corrente eléctrica se existir um dispositivo de corte no local do acidente.18.19. 2. verificar que este não está em contacto com uma peça em tensão. nem modificar instalações eléctricas. por exemplo no caso de uma religação. A sobrevivência da vítima de um acidente eléctrico depende muitas vezes da actuação imediata dos seus companheiros.00 80 . 2. amb. se não forem logo prestados ao acidentado alguns cuidados básicos.1. ou susceptível de ficar em tensão. Actuação em caso de acidentes eléctricos A morte por electrocussão só surge.   Proteger-se e proteger a vitima de novo acidente Antes de efectuar qualquer gesto para a reanimação do acidentado. Deve assinalar-se imediatamente qualquer anomalia ou qualquer defeito ao chefe directo. mas sem precipitações. antes da chegada de socorros qualificados. ou ao electricista responsável. Nem só as pessoas com formação de Primeiros Socorros podem salvar vidas nestas circunstâncias. Para se retirar uma ficha corrente deve puxar-se pela ficha. se agir depressa. ao testemunhar um acidente. Se uma ferramenta eléctrica tiver sofrido uma pancada ou queda.085. e de uma tomada de não pelo cabo de alimentação.

20. qualquer pessoa que se movimente dentro desta distância deve fazê-lo com passos muito curtos. e a vitima se manteve em contacto com peças em tensão.085. mas só depois de assegurar a respiração da vitima.  Inclinar a cabeça para trás. – recordando que a presença de humidade pode torná-los condutores. Depois de fazer o exame rápido da situação da vitima. que deverá manter-se até que cheguem os socorros qualificados ou que a vitima comece a respirar. para os socorros nacionais (112). Aplicação dos primeiros socorros Logo que a protecção esteja assegurada é essencial examinar a vítima.  Tem uma lesão evidente. utilizando uma vara isolante para a afastar.  Para assegurar a respiração da vitima. ninguém deve aproximar-se a menos de 18 metros dos pontos de contacto antes de ter sido desligada a corrente (para evitar acidentes pela tensão que passa no solo). ou por intermédio de objectos condutores.  Se a respiração não for retomada:  Aplicar imediatamente um método de respiração artificial. afastála:   Ou mantendo a distancia de segurança. etc. na sua falta. varas. a testemunha deve mandar alguém alertar os Primeiros Socorros ou fazê-lo ela própria.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Caso não exista dispositivo de corte no local do acidente e se a instalação for de Baixa Tensão. tendo o cuidado de se colocar fora do alcance dos efeitos do curto-circuito.  Se o acidente ocorreu em cima de um apoio. a pessoa que vai afastar o acidentado deverá:   Proteger-se utilizando materiais isolantes adequados ao nível da tensão – luvas. amb. no caso de ter havido vómito.  Passar um dedo pelo interior da boca para a limpar. CHAMAR OS PRIMEIROS SOCORROS E AFASTAR OS CURIOSOS O alerta deve ser feito para os serviços de socorro locais ou. estrados. Ou ao contacto. provocar um curto-circuito a fim de obter os mesmos resultados. com uma peça em tensão.1. 2. boca-a-boca ou boca-nariz. Tomar cuidado para não se colocar em contacto directo.  Se não for possível cortar a corrente.  Se os condutores estiverem em contacto com o solo. directamente ou através do apoio. sempre no sentido do afastamento do ponto de contacto. em caso de estar parada (tórax e abdómen imóveis. é necessário desobstruir as vias respiratórias (boca e traqueia):  Desapertar ou aliviar qualquer vestuário que possa dificultar a respiração.00 81 . depois de ter procedido ao corte da corrente e à ligação à terra. não deixando que a língua a entrada de ar.  Verificar se:  O tórax e o abdómen se movimentam com a respiração. tapetes. antes mesmo de alertar os socorros qualificados.  O ar sai normalmente pela boca e nariz. não havendo saída de ar pela boca e nariz).

com os dedos ou com o punho.  A lista e números de telefone dos socorros de urgência.  Se a vitima está inconsciente mas respira. OUTROS CUIDADOS A PRESTAR ANTES DA CHEGADA DOS SOCORROS QUALIFICADOS DEITAR A VÍTIMA  Se a vitima está consciente e se respira. uma compressa pode substituir a compressão manual. Tentar que a vítima permaneça imobilizada. pois. PARAR AS HEMORRAGIAS   FRACTURAS  No caso de grande hemorragia.  A localização da caixa de Primeiros Socorros. salvo se tem:  Ferimentos na face – deitar em posição lateral de segurança. Não utilizar qualquer outro produto além da água.085.  Dar indicações da natureza do acidente. Nunca lavar as queimaduras de origem eléctrica.  Ferimentos no tórax – colocar em posição semi-sentada. que deve estar afixada junto dos telefones do local de trabalho e nas viaturas.  É. comprimir directamente a ferida com a mão. amb. do estado aparente da vítima e dos cuidados de urgência efectuados. No caso de hemorragia menos importante.00 82 . deitá-la em posição lateral de segurança (PLS). FERIDAS E QUEIMADURAS   Lavar as feridas com água limpa. aguardando os Primeiros Socorros qualificados.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  A comunicação deve:  Fornecer a localização precisa do acidente bem como o número do telefone onde está a fazer a chamada. deitá-la de costas num local plano. fundamental que todo o pessoal conheça:  O nome dos socorristas internos.  Ferimentos no ventre – deitar de costas mas com as pernas semi-fletidas.

Define-se notificação como o acto pelo qual os documentos contendo as informações exigidas por lei. são apresentados pelo fabricante das substâncias ou por interposta pessoa. Uma dessas fontes é da autoria do National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH – EUA) e toma a forma de uma base de dados toxicológicos e de informação adicional. manufactura de sapatas e nas unidades de metalomecânica. Esta base contem elementos de interesse para a indústria e para os técnicos de segurança.00 83 . tendo em vista o conhecimento da utilização de produtos químicos. designada por Registry of Toxic Effects of Chemical Substances (RTECS). Na base de dados do Chemical Abstract Service (CAS) encontram-se registados cerca de 5 milhões de produtos e. listagem de substâncias notificadas no mercado comunitário após 18 de Setembro de 1981. toxicológicas e ecotoxicológicas das substâncias químicas. 500 a 1000 novos produtos. para as substancias. No controlo dos problemas inerentes à utilização de produtos químicos é muito importante o processo de notificação das substâncias e preparações. para as preparações. Também nas actividades domésticas.2. conforme dados divulgados pela Environmental Protection Agency (EPA-EUA) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). e também os efeitos dessa utilização na saúde humana e no ambiente. e a European List Notificated Commercial Substances (ELINCS). e em actividades de lazer. São numerosos os produtos químicos usados na actualidade. 2. Substâncias Perigosas Introdução Nos nossos dias os produtos químicos têm aplicações muito diversificadas.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 2. existem duas listagens de substâncias químicas: a European Inventory of Existing Commercial Substances) EINECS). podem acontecer situações acidentais de exposição a químicos. como a pintura e trabalhos de colagem. lavandarias. Estes riscos podem tomar diversas formas que resultam das características físicas. pelo que a sua utilização se estende a múltiplas actividades. Por este facto. higiene e saúde. Existem variadas fontes de informação sobre as características físico-químicas. esta ultima é actualizada anualmente pela Comissão da União Europeia. Na União Europeia (EU). podem comportar riscos graves para o homem e/ou para o ambiente.085. A utilização de alguns produtos químicos. como oficinas. amb. designados por ―produtos químicos perigosos‖. as entidades competentes para a notificação são. O conhecimento das características toxicológicas das substâncias é um elemento muito importante para as actividades que têm por objectivo a protecção da saúde dos utilizadores de produtos químicos. químicas. mas também em variados locais de trabalho. de um Estado membro.1. a Direcção Geral do Ambiente e. vários organismos têm vindo a constituir bases de dados sobre produtos químicos. são descobertos por ano. referente às substâncias químicas existentes no mercado comunitário em 18 de Setembro de 1981. Em Portugal. nomeadamente nos actos de limpeza. a produção e utilização de produtos químicos constitui um importante factor de desenvolvimento.2. Considerando a importância que a utilização de produtos químicos assume na sociedade moderna. ocorrendo não só nas actividades ligadas ao sector químico. toxicológicas e ecotoxicológicas das substâncias em causa. à autoridade competente para esse acto. a Direcção Geral da Industria. Os acidentes ou incidentes que têm origem no manuseamento de produtos químicos são frequentes. indústria têxtil.

consequentemente. por se considerar como mais relevante para a protecção dos utilizadores de produtos químicos e. Este programa foi estabelecido por três organismos em parceria: a Organização Internacional do Trabalho (OIT ou ILO). As substâncias classificadas como perigosas agrupam-se nas seguintes categorias:        Explosivas. assim como a classificação. A classificação de perigosidade de uma substância é feita de acordo com determinados ensaios (referidos no Regulamento para a Notificação de Substancias Químicas e para a Classificação. higiene e saúde. portanto. para os técnicos de segurança. o United Nations Environment Programme (UNEP) e a Organização Mundial de Saúde (OMS ou WHO). por outro lado. na forma de fichas toxicológicas de substâncias diversas. Embalagem e Rotulagem de Substancias Perigosas). amb. De toda a informação existente nestes regulamentos. O acesso à informação pertinente sobre o produto químico e. sobre os riscos associados à sua utilização constitui.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho Também pode ser obtida informação sobre produtos químicos através do International Programme on Chemical Safety (IPCS). Embalagem e Rotulagem de Substancias Perigosas». fazer chegar essa informação a todos os utilizadores. US Departament of Health & Human Services – EUA) dispõe de um conjunto de informação sobre produtos químicos. Estas Directivas visam aprovar os princípios genéricos do regime de notificação de substâncias químicas. Muito tóxicas. respectivamente:   O «Regulamento para a Notificação de Substancias Químicas e para a Classificação. Entre as áreas de intervenção do IPCS destaca-se: a avaliação dos riscos químicos para a saúde humana e o ambiente. por um lado. Comburentes. Existem várias Directivas comunitárias que versam a utilização de produtos químicos e que tem por objectivo a protecção dos consumidores e do ambiente. e a gestão e prevenção das exposições a tóxicos. embalagem e rotulagem dessas substâncias. identificar os perigos específicos de cada substância ou preparação e. Facilmente inflamáveis. e respectiva avaliação. que se designam por TOXFAQs. a que se relaciona com os aspectos ligados à identificação da substância ou preparação e ao reconhecimento da sua perigosidade.00 84 .085. Tóxicas. a base fundamental de qualquer intervenção com o objectivo de eliminar ou reduzir os riscos inerentes a essa utilização. em 1980. Também a Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR. Embalagem e Rotulagem das Preparações Perigosas». O «Regulamento para a Classificação. As portarias referidas aprovam. portanto. destaca-se. Para a prevenção dos riscos associados ao manuseamento dos produtos químicos é fundamental. Inflamáveis. a gestão da informação sobre riscos potenciais para a saúde humana e o ambiente. Extremamente inflamáveis.

A cada uma destas categorias corresponde um símbolo e um conjunto de indicações. Corrosivas. numa das categorias referidas. Boro. branco ou amarelo). 2. Quanto à fricção:     b. importadores ou distribuidores proceder à avaliação prévia dos perigos que os produtos químicos que colocam no mercado podem apresentar. Fósforo (vermelho. quer seja por fricção.  Agentes oxidantes. Fósforo (vermelho.       Enxofre. Carvão vegetal. Hidratos. através de reacções químicas.085. Irritantes. Classificação de substancias químicas de grande risco São substâncias que podem. Cabe aos fabricantes.2.3. 2. a. quer seja pela exposição ao ar. Lítios.00 85 . ou provocam incêndios. Peróxido de benzol seco. quer seja absorção de humidade. Tóxicas para a reprodução. Perigosas para o ambiente. Persulfato de fósforo.2. Cancerígenas.  Ácidos e outros corrosivos. provocar incêndios ou contribuir para o agravamento dos mesmos. Com excepção dos explosivos. quer seja por absorção de uma pequena quantidade de calor.  Plásticos e filmes.2. Também é da sua responsabilidade a classificação do produto químico. reconhecidamente perigosos. Perro pirofórico. Sólidos inflamáveis São consideradas sólidas inflamáveis as substâncias que se incendeiam facilmente. Mutagénicas.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho         Nocivas. branco ou amarelo). Quanto à exposição ao ar: amb. merecem cuidados especiais quanto ao seu manuseamento e armazenamento as substancias químicas classificadas de grande risco:  Sólidos inflamáveis. Sensibilizantes.

Quanto à absorção da humidade: Quanto à absorção de uma pequena quantidade de calor: 2. Dinitrobenzol.00 86 . Queimam muito rapidamente. Carbureto de cálcio. Dinitrocanilina.085. Sódio.          Nitrato de cálcio. Pó de zinco. Selénio.1. Peróxido de bário. Potássio. Devem ser manuseados cautelosamente. Pentasulfato de sódio. o celulóide) inflamam-se um pouco acima dos 100 ºC. Pentasulfato de antimónio. Piroxilina. Carvão vegetal. Pó de zinco. sempre em pequenas quantidades e evitando a ocorrência de chama e luz.3. Pó de alumínio. Hidrosulfito de sódio. Os plásticos à base de goma-laca queimam muito vagarosamente. Sesquisulfato de fósforo. Sulfito de ferro. Carbonato de alumínio. Magnésio (se finamente dividido). Decompõe-se a temperaturas da ordem dos 150 ºC. Cálcio.                d. Hidratos.2. Pó de bronze. sendo que a sua decomposição é acompanhada por uma elevação de temperatura podendo originar a sua combustão espontânea. Plásticos e filmes Os plásticos à base de nitrocelulose (por exemplo.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho   c. Pó de zircónio. Deve ser proibido foguear ou ter cigarros acesos na presença destes materiais. Oxido de cálcio. Nitrato de celulose (nitrocelulose). amb.

 Peróxido de potássio.  Peróxido de estrôncio.  Nitrato de potássio. em contacto com matérias combustíveis.  Acido clorídrico. podem desenvolver calor suficiente para provocar um incêndio ou forte corrosão.  Hipoclorito de cálcio.  Perclorato de amónio.  Nitrato de bário. Libertam o seu oxigénio à temperatura ambiente ou sob efeito do calor.00 87 .  Nitrato de tório.  Peróxido de bário.  Bromato de potássio.  Perclorato de sódio.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho São substancias sólidas que contem apreciável quantidade de oxigénio e são capazes de facilitar ou mesmo provocar incêndios quando em contacto com materiais combustíveis.  Cloreto de zinco.  Cloreto de cálcio.  Acido perclórico.  Nitrato de chumbo.  Nitrato de sódio. Os principais ácidos e corrosivos são:  Acido muriático.  Cloreto de potássio.  Hipoclorito de sódio.  Nitrato de magnésio.  Peróxido de sódio. Indicam-se alguns destes oxidantes:  Acido crómico. amb.  Permanganato de amónio.  Nitrato de amónio.  Cloreto de bário.  Nitrato de prata.  Permanganato de potássio.  Nitrato de ferro. São substâncias que.  Nitrato de urânio.085.  Nitrato de níquel.  Nitrato de cobalto.  Nitrato de cobre.

2.  Acido nítrico.3. quanto maior for a relação superfície/volume do material. em certas condições favoráveis.  Acido perclórico. pois essas camadas podem sofrer combustão lenta.3.  Peróxido de hidrogénio. mas geralmente sob a forma de óxidos. tanto mais rapidamente o corpo aumentará de temperatura e entrará em combustão. As poeiras em suspensão no ar constituem. não no estado puro.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho  Acido crómico (solução). qualquer material susceptível de sofrer oxidação é capaz de explodir quando pulverizado e em suspensão no ar. diferente da dos restantes combustíveis sólidos. Mesmo que a poeira não esteja em suspensão. misturas explosivas. Esta proibição justifica-se porque os metais.  Trióxido de enxofre. o risco não está afastado. Metais Os metais existem na natureza. decompõem a molécula de água utilizando o oxigénio para continuar a arder e deixando livre o hidrogénio. o que significa que.  Cloreto de enxofre. amb. de cereais a carvão. 2.00 88 . os metais tenderão sempre a reagir com o oxigénio.  Bromo. 2. Deste modo temos que. que constitui naturalmente um factor agravante em relação ao fogo inicial.  Pentacloreto de antimónio.  Cloreto de acetil.  Cloreto de cloracetil.2. Este é o seu estado mais estável.  Acido sulfúrico. de metais a produtos farmacêuticos. Em principio.2.  Cloreto de benzil. porque em fogos envolvendo metais é interdito o uso de água como agente extintor.  Oxicloreto de fósforo. dentro de certos limites de concentração.  Agua oxigenada (8 a 45 %). mas formando uma camada sobre uma superfície sólida. Poeiras O estado de divisão da matéria é um factor de grande importância para o desenvolvimento de uma combustão. armazenagem ou processamento de materiais pulverizados.085. dadas as suas afinidades com o oxigénio. quando perturbadas (vibrações ou explosões noutro local) levantar-se e formar nuvens explosivas. podem ocorrer reacções químicas exotéricas que levem à auto-inflamaçao ou podem.3.  Acido fluorídrico. São considerados uma classe à parte. O risco existe em qualquer indústria onde se verifique o transporte.

085.2.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 2. existe a necessidade de conhecer previamente as substancias de forma a posteriormente escolher os EPI‘s.4. Introdução Devido aos riscos associados ao manuseamento das substâncias químicas perigosas.1.2. Devido às propriedades químicas das substâncias.00 89 .4. Equipamentos de protecção individual para emergências químicas 2. o homem precisa de salvaguardar o seu estado de saúde de forma a evitar a absorção do organismo humano via cutânea. amb.

5 % em volume.085. É composto de:  Aparelho autónomo de respiração com pressão positiva ou linha de ar mandado.  Leituras directas em equipamentos de monitorização indicarem concentrações perigosas de gases / vapores na atmosfera.  Houver suspeita da presença de substâncias com alto potencial de danos à pele e o contacto for possível.00 90 .  For poço provável a formação de gases ou vapores em altas concentrações de forma que possam ser danosas à pele. no entanto. pele e olhos.  Luvas internas. NÍVEL B DE PROTECÇÃO Deve ser utilizado quando for necessário o maior índice de protecção respiratória.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho NÍVEL A DE PROTECÇÃO Deve ser utilizado quando for necessário o maior índice de protecção respiratória. à pele e aos olhos. É composto de:  Aparelho autónomo de respiração com pressão positiva. por exemplo.  Roupa de encapsulamento completo. externas e botas resistentes a produtos químicos. atmosferas contendo concentração de produto IDLH sem oferecer riscos à pele ou ainda quando não for possível utilizar mascaras com filtro químico para aquela concentração e pelo tempo necessário para a actividade exercida. depende da actividade a ser realizada.  Luvas internas.  Forem realizados atendimentos em locais confinados e sem ventilação. porem a protecção para a pele encontra-se num grau inferior.  Concentração de oxigénio no ambiente inferior a 19. por exemplo.  Capacete interno à roupa. amb. Escolha o Nível A de protecção sempre que:  A substância química for identificada e for necessário o mais alto nível de protecção para o sistema respiratório.  Capacete. externas e botas resistentes a produtos químicos.  Rádio. valores acima do IDLH (concentração imediatamente perigosa à vida e à saúde).  Rádio.  Roupa de protecção contra respingos químicos confeccionada em 1 ou 2 peças. exigir esse nível de protecção para a pele. Escolha o Nível B de protecção sempre que:  O produto e sua concentração forem identificados e requererem um alto grau de protecção respiratória sem.

especialmente com a mascara autónoma.  Fácil acesso à mascara autónoma.2. porem com protecção para a pele nas mesmas condições. É composto de:  Macacões. desde que a substancia não seja tóxica à pele.  Baixo custo e peso.  Necessita de significativo treino antes do uso.  O produto for identificado e a sua concentração puder ser reduzida a um valor inferior ao seu limite de tolerância com o uso de mascaras filtrantes.  Botas ou sapatos de couro ou borracha resistentes a produtos químicos.  Longa vida útil.085.  Longa vida útil.  Custo inicial da roupa  Protecção incompleta à pele.  Fácil de usar. NÍVEL D DE PROTECÇÃO Deve ser utilizado somente como uniforme ou roupa de trabalho e em locais não sujeitos a riscos ao sistema respiratório ou a pele. imersão ou risco potencial de inalação de qualquer produto químico.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho NÍVEL C DE PROTECÇÃO Deve ser utilizado quando se deseja um grau de protecção respiratória inferior ao Nível B.  O ambiente deve. B C amb.  Não pode ser utilizada para substâncias tóxicas à pele.4.  Capacete. Escolha o Nível C de protecção sempre que:  A concentração de oxigénio no ambiente não for inferior a 19. estar caracterizado e as substâncias devem ser conhecidas.00 91 .  Rádio. Este nível não prevê qualquer protecção contra riscos químicos.  Não houver qualquer possibilidade de respingos.  O trabalho a ser realizado não exigir o uso de mascara autónoma de respiração.2. externas e botas resistentes a produtos químicos. obrigatoriamente.  Requer pouco treino.  Baixo peso. DESVANTAGENS  Volumoso e desconfortável.5 % em vol.  Concentração do produto não for superior ao IDLH.  Luvas internas.  Acesso limitado à mascara autónoma.  Capacete. Escolha o Nível D de protecção sempre que:  Não houver contaminante presente na atmosfera. É composto de:  Aparelho autónomo de respiração sem pressão positiva ou mascara facial com filtro químico.5 % em volume.  Boa para atmosferas acima do IDLH.  Somente para atmosferas com concentração de O2 maior que 19. 2. Vantagens e desvantagens dos vários níveis de protecção NÍVEL DE PROTECÇÃO A VANTAGENS  Maior nível de protecção.  Roupa de protecção contra respingos químicos confeccionada em 1 ou 2 peças. uniformes ou roupas de trabalho.  Duração de uso limitado.  Relativamente barata.  Óculos ou viseiras de segurança.

O filamento é aquecido à temperatura de operação através de corrente eléctrica.1. indústrias em geral.00 92 . Instrumentos de Medição e Detecção 3. (limite inferior de explosividade). • Caixa em alumínio muito resistente.1.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 3.E. • Apropriado para utilização com amostragem remota. A unidade também é efectiva para testar áreas confinadas encontradas em tratamento de esgoto.085. um único ponto de ajuste que estabelece a tensão do filamento detector e um indicador com escala iluminada calibrado de 0 à 100% L. transporte de combustíveis rodoviários ou navais. Descrição O Explosímetro Indicador de Gás Combustível detecta e mede concentrações de gases ou vapores combustíveis no ar. O Explosímetro Indicador de Gás Combustível é excelente para testar espaços confinados tais como interiores de tanques.I. A unidade possui caixa injectada em alumínio com bulbo aspirador conectado do lado oposto da entrada de amostra. O painel do instrumento é muito simples. a combustão aumenta a temperatura na proporção de amb.1. O instrumento pode ser usado directamente no ambiente em que se está monitorizando ou através de linha de amostragem. minas. Todos os quatro modelos de Explosímetros atendem ao uso em serviços públicos e telefónicos. Para evitar que poeira ou humidade venham penetrar no sistema. extraindo amostras de áreas remotas. entre outros. Quando o gás de amostra entra em contacto com o filamento aquecido. Um filtro de carvão pode substituir o filtro normal para ajudar na diferenciação entre gás natural (metano) e vapores combustíveis. Explosivímetro Indicador de Gás Combustível 3. • Quatro modelos desenvolvidos para aplicações particulares. poços e embarcações. tais como gasolina. Operação O instrumento funciona pela acção catalítica de um filamento de platina em contacto com a amostra de gás ou vapor combustível. refinarias. Características • Detecta rapidamente e mede concentrações de gases e vapores combustíveis no ar. refinarias e indústrias de tintas. um filtro substituível de algodão é colocado na entrada de amostra. possibilita uso em condições rudes e agressivas.

2. Para alguns explosímetros.00 93 . concentrações acima do L. Ponta de Prova Um tubo rígido que facilita os testes em janelas de inspecção.E. Quando houver suspeita da presença destes compostos. entrando em contacto com o filamento na câmara de combustão.085.I. passando através do filtro. Concentrações na faixa explosiva são indicadas pela deflexão total do ponteiro do medidor.E. mede a variação da resistência eléctrica. que é proporcional a concentração de gás presente na amostra. as leituras são obtidas na segunda actuação do bulbo. são medidas directamente no medidor. Ainda que por poucos minutos e quantidades pequenas esses materiais envenenam rapidamente o filamento. Limitações Silanos. Quando tais vapores estiverem presentes. pelo menos uma vez a cada cinco testes. Nota: O operador do instrumento deverá estar familiarizado com todas as informações contidas no manual de instruções. Use pontas de prova dieléctricas próximo de possíveis fontes de alta tensão para minimizar o risco de choque eléctrico. incorporando o filamento em um de seus braços. utilize um filtro inibidor para evitar seus efeitos. Ponta de Prova Sólida amb.1. silicatos e outros compostos de silício na amostra testada podem debilitar seriamente a resposta dos Explosímetros Indicadores de Gás Combustível. Um circuito ponte de Wheatstone. ocorrida devido ao aumento de temperatura. também envenenam os filamentos detectores rapidamente. Os Explosímetros Indicadores de Gás Combustível não são adequados para uso em atmosferas com oxigénio deficiente. Concentrações de até 100% do L. pontas de prova ou linha adicional. silicones. Acessórios Linha de Amostragem Para testes remotos ou em lugares de difícil acesso. linha de amostragens são disponíveis em vários comprimentos.Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho quantidade de combustível na amostra.I. Quando não mais que 1. saindo por outro retentor de chama e deixando o instrumento pelo bulbo. A amostra é aspirada pelo bulbo aspirador. Utilizando um tubo de diluição. os vapores de gasolina contendo compostos de chumbo. podendo facilmente calcular a concentração real.5 metros de linha de amostragem são usados. Pelo menos 10% de oxigénio deve estar presente para que o sensor funcione apropriadamente. do retentor de chama. portanto este não responderá correctamente. As linhas são de borracha sintética com conexões para acoplar ao instrumento. são diluídas com ar em proporções seleccionadas de maneira que a medida fique dentro da escala do instrumento. poços e outros espaços confinados. 3. verifique constantemente a resposta do instrumento.

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Para testes em tanques que possam conter líquidos, a ponta de prova sólida evita que o sistema de amostragem absorva líquido. Filtros de Carvão Filtros de carvão podem ser usados em um porta cartucho externo para absorver vapores orgânicos, e ajudar a distinguir entre gás natural e vapores combustíveis em amostra.

Cartucho Externo Para adaptar os cartuchos de carvão, algodão ou filtro inibidor como pré-filtro. Conecta-se à conexão de entrada de amostra do instrumento. Filtro Inibidor Para ser usado em outros que não o Modelo 5 quando se testa atmosferas que contenham vapores de gasolina com compostos de chumbo.

Conjunto Decantador Para evitar que líquidos entrem no instrumento, um decantador adaptável à conexão de entrada do instrumento pode ser usado.

amb.085.00

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3.2. 3.2.1.

Detectores de gás Detectores de um só gás

3.2.2.

Detector Portátil de Múltiplos Gases

*Caixa polietileno ABS coberto por metal *Resistente a RFI *Operação mediante um botão *Ecrã de fácil leitura *Várias linguagens para operação *Bomba para amostragem automática, *Alarme de baixo fluxo de ar *Armazenamento até 40 horas de operação *Disponibilidade de transmissão de dados *Sensores: LEL, O2, CO, NH3, SO2, CI2, Dúo-Tox (CO/H2S), NO2, PH3. *Indicador de vida útil de sensores *Sensor substituível no terreno *Disponibilidade de transmissão de dados *Auto calibração através de um botão *Aviso de calibração 3.2.3. Detectores de Vida Limitada de um só sensor

*Vida limitada, compacto e robusto *Caixa de polietileno ABS coberta RFI *Sensores: CO, SH2, O2 *Botão para prova integrado *Alarme de duplo tom e luz vermelha *Alarme fixo a dois níveis *Sensor electroquímico

amb.085.00

95

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3.2.4.

Detectores Fixos

amb.085.00

96

085. Rui (2000) Manual de Higiene. Lisboa. Saúde e Prevenção de Acidentes de Trabalho. Verlag Dashofer.ª Edição. ―Manual de Higiene e Segurança e Saúde no Trabalho‖. Edições Profissionais Lda. ―Manual de Primeiros Socorros‖. 1984 Lauwerys. M. Manuel M. Novembro 1996 Direcção Geral de Higiene e Segurança no Trabalho. 3 édition. Guia de Apoio Segurança e Saúde no Trabalho. (Junho 2004): Segurança e Saúde do Trabalho: Avaliação e Controlo de Riscos. M. Pedro M.ª Edição. (Janeiro 2004): Manual de Higiene e Segurança no Trabalho. João (2002) Manual de Higiene do Trabalho. Pissarra. 1997 IDICT – ISHST ―Código Internacional de Ética para os Profissionais de Saúde Ocupacional‖ IDICT – ISHST ―Concepção dos Locais de Trabalho‖. ―Regras de Segurança para Montadores Electricistas de Alta e Média Tensão‖. L. Higiene e Saúde no Trabalho – Jogos para Formadores. 1990 Apontamentos coligidos de várias publicações do IDICT – ISHST IDICT – ISHST ―Serviços de Prevenção das Empresas .Manual da Formação Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho 4. Alves. ―Tóxico Industrie et Intoxications Professionel Masson. Dias. Livraria Almedina. Lisboa. EFACEC. IDICT – ISHST . Higiene e Medicina no Trabalho. Legislação diversa portuguesa e da União Europeia sobre Segurança.Livro Verde‖. Janeiro 1996 Apontamentos coligidos de várias publicações do Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo.R. Universidade Lusófona. L. (Março 2002): Segurança no Trabalho na Construção. Alves e Fonseca.00 97 . Saúde e Condições de Trabalho‖ (versão Portuguesa do ―Safety— Health and Working Conditions). Indelma. 11). Escola Superior de Ciências Empresariais. M. Roxo. Ministério do Emprego e Segurança Social. Informação Técnica 2 IDICT – ISHST Manual de Formação ―Segurança. Dias. 1996 EFACEC. Fernando e Veiga. Roberts-Phelps. 1996 amb. R. Setúbal. Coimbra. Saúde. Colecção do Formador Prático. M. IST— Departamento de Engenharia Civil e IDICT – ISHST. Santos. Porto. Alberto Sérgio S. 2 edição. Melo. 7. ―Boletim de Prevenção no Trabalho nº 127 (vol.ª Edição. Editora Monitor. Graham (Outubro 2001): Segurança. Documentos de apoio às aulas da Disciplina de Segurança no Trabalho da Construção do Curso de Engenharia Civil. 1. Lisboa. Porto Editora. Bibliografia Miguel. ―Plano de Segurança e de Saúde na Construção‖. Segurança. 1. Março 1989 Cabral.

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