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Rosely Vargas de Florianópolis Medidas para a preservação de uma das maiores reservas de água doce do mundo começarão a ser

definidas nesta quarta-feira. Representantes dos governos dos países do Mercosul se reunirão com técnicos do Banco Mundial (Bird) e do Global Environnemental Facility (GEF), em Santa Fé, Argentina, para discutir a implementação do projeto de gerenciamento e proteção ambiental do Aqüífero Guarani, um reservatório gigante de água subterrânea que se estende desde o Centro-Oeste do Brasil até o nordeste da Argentina, passando pelo Paraguai e pelo Uruguai. O projeto “Proteção Ambiental e Gerenciamento Sustentável Integrado do Aqüífero Guarani” foi proposto pelo Bird, que deverá arcar com US$ 14 milhões a fundo perdido para a sua realização. O custo total está estimado em US$ 25 milhões e a agência executora é a Organização dos Estados Americanos (OEA). A sua implementação, programada para os próximos quatro anos, ficará a cargo dos governos e de universidades dos quatro países do Mercosul. Segundo o coordenador técnico do empreendimento no Brasil, geólogo Luiz Amore, a reunião de Santa Fé servirá para a instalação do conselho superior do projeto e para a realização da sua primeira reunião. Como se trata de um conselho internacional; será formado por integrantes dos ministérios de Relações Exteriores e do Meio Ambiente dos quatro países. Ele acrescenta que a política adotada pelo governo federal em relação ao projeto foi a da descentralização. “Todos os oito estados envolvidos puderam indicar um representante para integrar a delegação”, afirma. Amore participará da 1 reunião como observador técnico, O secretário de Recursos Hídricos, Raymundo José Santos Garrido, o diretor nacional do projeto, Lauro Sérgio Figueiredo, e o ministro Pedro Fernando Bastos, das Relações Exteriores, serão os representantes brasileiros no conselho superior. As Organizações Não-Governamentais (ONGs) do Mercosul não aceitam ficar do lado de fora da reunião. Líderes das organizações estão reivindicando uma cadeira no conselho superior que ficará responsável pela gestão do projeto. “Queremos uma vaga no comitê para fiscalizar o uso dos recursos. financeiros”, diz Leonardo Morelli, presidente do Grito das Aguas, uma rede brasileira que congrega quase uma dezena de ONGs voltadas à proteção ambiental. • Para Morelli, a participação direta das ONGs no comitê de gestão servirá, por exemplo, para evitar desvios de verbas ou de metas do projeto, “As ONGs têm melhores condições de denunciar irregularidades, caso ocorram”, argumenta. • “Quando for colocado em prática, o projeto resultará em investimentos da ordem de US$ 1 bilhão em obras de infra-estrutura, como saneamento básico”, diz Morelli. Essa é uma razão adicional, segundo ele, para que as ONGs consigam espaço no comitê internacional de gestão do projeto. “Até agora, a resistência em permitir o ingresso do nosso setor no comitê internacional vem dos governos, e não dos técnicos do Bird”, acrescenta.

Na sexta-feira, Morelli recebeu do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, a confirmação de que as ONGs vão poder participar do encontro na Argentina. “Presentes na reunião, temos mais chances de conseguir a cadeira no conselho superior que será responsável pela gestão do projeto de gerenciamento e da

com temperaturas entre 33 e 45 graus e uma produção de cerca de 100 mil litros por hora. O Brasil concentra dois terços da área do reservatório e abastece mais de 300 cidades com a sua água. • A falta de mecanismos para controlar a perfuração. o aqüífero vêm sendo usado de maneira descontrolada e o seu potencial começa a ser colocado em risco. As maiores ameaças vêm da poluição nas áreas de extração e recarga do reservatório. Segundo documento do GEF com a proposta para fundos do Bird. Por isso. é apontado como um dos maiores tesouros naturais do planeta. o projeto tratará das questões referentes aos recursos hídricos subterrâneos e ao meio ambiente de forma integrada. As ações terão como alvo o combate à poluição e à exploração excessiva do aqüífero. Estimativas do GEF indicam que o Guarani tem capacidade para atender à demanda de água de uma população de 360 milhões de pessoas. conforme avaliação dos técnicos do GEF e de geólogos envolvidos no projeto. cuja área total é de 1. diz ele.proteção ambiental do Aqüífero Guarany”. Outro ponto forte do aqüífero tem a ver com a qualidade de sua água.139 milhão de quilômetros quadrados. . • Apesar da riqueza. Em várias áreas a água emerge naturalmente. a extração e a poluição nos quatro países do Mercosul é um dos problemas mais graves apontados pelos especialistas no documento do GEF.