O MASTODONTE ECONÔMICO E A NOVA LÓGICA INTERNACIONAL

O planeta está sendo virado de cabeça pra baixo. O mundo desenvolvido desaba. Países em desenvolvimento explodem em crescimento. Mas há algo curioso. Vejam: durante todo o final do século passado, ao longo dos duros anos 80 e 90, dissemos e repetimos à exaustão que era preciso que o Brasil revolucionasse sua matriz exportadora. Era preciso apropriar tecnologia e agregar qualidade competitiva à indústria brasileira para avançar sobre novos quadrantes do mercado mundial. O Brasil não pode ser apenas um vendedor de commoditties ou produtos primários para o mundo. Isso é inteiramente verdadeiro. No entanto, há algo de novo acontecendo nos oceanos e nós não percebemos claramente ainda. Há um supertransatlântico econômico movendo poderosamente suas engrenagens e, de certo modo, fazendo com que toda essa lógica ganhe um novo sentido. A China atingiu um PIB de 7,46 trilhões de dólares em 2011. O Japão e a Alemanha, que foram ultrapassados na última década, jamais voltarão a encostar na China. A China assusta com seu crescimento irresistível: 9,11% no ano passado. A grande Alemanha? Não foi além de um crescimento de 3%. O Brasil? Não mais do que 2,8%. O gigante oriental dá um passo e faz tremer as camadas mesozóicas da Terra. Essa megapotência impõe-se duramente aos parceiros: os produtos industrializados brasileiros têm enorme dificuldade de acesso ao mercado chinês. A estratégia comercial da Chna é simples: estreita o gargalo de entrada de nossos produtos industrializados lá e, em contrapartida, compra quantidades colossais de minério de ferro e soja para alimentar sua indústria e sua população de 1 bilhão e 400 milhões de seres - amplia com nossa matéria-prima seus empregos industriais e reduz a fome de sua vastidão demográfica. A garganta voraz da China estabeleceu elevou o patamar de preços dessas commoditties. E - pelo menos temporariamente - o Brasil ganha com isso. O supertransatlântico é, ao mesmo tempo, uma superlocomotiva. Uma superlocomotiva que exerce sua posição dominante e não dá muitas opções aos vagões que se engajam em seu vasto e poderoso comboio. A Fundação de Economia e Estatística do RGS noticiou ontem que foi a soja que sustentou o crescimento das nossas exportações em 2011. Um dos maiores compradores: a China. Há um terremoto geoeconômico no mundo - com certeza. A premissa de que precisamos ampliar nossa pauta industrial de exportações continua sendo rigorosamente irrefutável. Estamos, nos entanto, submetendo-nos aos termos de intercâmbio impostos pelo poderoso dragão chinês. E aceitando um papel subalterno no tabuleiro mundial. Por outro lado, sou obrigado também a reconhecer: se o Brasil não fosse grande produtor de alimentos e minério...não sei, não...talvez estivéssemos descarrilados.

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