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MIRIAN SUAREZ FONSECA

Papel da Família na Construção de uma Escola Democrática: Plano de Unidade Didática.

JACAREZINHO 2008

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MIRIAN SUAREZ FONSECA

Papel da Família na Construção de uma Escola Democrática: Plano de Unidade Didática.
Projeto de intervenção pedagógica na escola. Área PDE: Gestão Escolar. NRE: Jacarezinho/Paraná. IES vinculada: UEPG

Professor Orientador IES: Mestre Simone Flach

JACAREZINHO 2008

.......................................................................................1 IDENTIFICAÇÃO ......................................................................................... INTRODUÇÃO . 4 1............. .. 8 2..........1 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA ............. 16 2............... 18 3..................... 24 ....................................... .................... .....................3 PAPEL E PARTICIPAÇÃO DAS INSTÂNCIAS COLEGIADAS .................. SUPORTE TEÓRICO ............................................................................ 6 2. A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO FAMÍLIA/ESCOLA – UM EXERCÍCIO PARA A DEMOCRACIA..................3 SUMÁRIO 1.... 4 2............................................................. 13 2.5 GERENCIAMENTO DE RECURSOS........ ................................................... 4 1. ..................................................................... 17 2................................................... 21 4...............................6 AUTONOMIA = DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA.......... 6 2.....4 AÇÕES QUE ENVOLVEM OUTRAS PARCERIAS....................................................................................................2 APRESENTAÇÃO .......... CONSIDERAÇÕES FINAIS..............2 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA ........

alunos.4 1. INTRODUÇÃO TEMA O fortalecimento da educação democrática através da participação da comunidade no âmbito escolar. Atualmente. através de um processo democrático de gestão. deve ser incentivada a construção de um projeto pedagógico de forma a assegurar o envolvimento dos órgãos de decisão colegiada.1 IDENTIFICAÇÃO Professor PDE: MIRIAN SUAREZ FONSECA ÁREA PDE: GESTÃO ESCOLAR NRE: JACAREZINHO PARANÁ Professor Orientador IES: MESTRE SIMONE FLACH IES Vinculada: UEPG Escola de Implementação: ESCOLA ESTADUAL PEDRO GONÇALVES LOPES E. Dentre esses fatores. Nesse sentido. são inúmeros os fatores que influenciam o sucesso ou o fracasso dos alunos na escola. Nessa perspectiva.2 APRESENTAÇÃO A meta principal desta unidade didática é demonstrar as possibilidades de efetivar um processo democrático através da participação da comunidade escolar na gestão escolar. a escola terá maiores condições de visualizar suas reais possibilidades para contribuir e elevar os níveis de desempenho dos alunos. funcionários. principalmente a comunidade escolar. grêmio estudantil e APMF. o presente texto procura analisar as diversas formas de participação dos pais ou responsáveis no . 1. um pode ser considerado como central: a participação ou não da família na escola.F Publico objeto da intervenção: Comunidade escolar: pais. professores e gestor. 1. Defende-se a idéia de que.

funcionários e comunidade em geral). se entende todos aqueles que direta ou indiretamente contribuem para o funcionamento dos estabelecimentos escolares (alunos. pois junto com a escola compartilha interesses comuns na busca por uma educação de qualidade. Por comunidade escolar. a família do educando assume lugar central na discussão. FREIRE. PARO. apontam a promoção da participação da comunidade escolar como necessária para a efetivação da educação democrática no âmbito educacional. como SAVIANI. de forma a contribuir com o fortalecimento da discussão sobre seus direitos e deveres neste processo. LIBÂNEO. Nessa perspectiva. . Muitos estudiosos da educação. pais e professores.5 processo escolar.

em todos os níveis. Deslocando esta idéia de participação para a educação. o importante movimento dos educadores ocorrido na década de 30. a LDB aprovada em 1996. de longa data. Ao fazê-lo. pode-se considerar que foi a ação das forças da sociedade civil que provocou os pequenos avanços conquistados.1 ASPECTOS GERAIS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA No Brasil. a Constituição institucionalizou. SUPORTE TEÓRICO 2. enaltecia a importância da democratização da educação no país. como direito a um ensino de qualidade e à participação democrática na gestão das unidades escolares e dos sistemas de ensino. dentre inúmeras reivindicações. a gestão democrática. o qual. o processo de democratização da sociedade tem se revelado lento e difícil de ser conquistado. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação básica. em vários momentos. dispõe que: Art.6 2. instituído com a Constituição Brasileira. E. Podemos afirmar que o processo de conquista da democratização da educação brasileira passou por vários estágios. práticas ocorrentes em vários sistemas de ensino estaduais e municipais. podemos identificar poucas oportunidades de participação. Num primeiro momento a idéia de democratização foi compreendida como direito universal ao acesso e. afirmando o principio da gestão democrática. A Constituição Federal promulgada no ano de 1988 estabeleceu como um dos princípios do ensino público brasileiro. Podemos identificar. no âmbito federal. Isso de deve ao processo de formação da sociedade brasileira. neste sentido. mais tarde. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: .14. pois a democratização tem sido uma bandeira dos movimentos sociais no Brasil. que culminou com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. pois em seus vários momentos históricos. na história da educação brasileira.

Nesse sentido. contando com a participação dos profissionais da educação e a participação das comunidades escolar e local em Conselhos Escolares ou equivalentes. passando a existir como promessa e não como realidade. p. cabe esclarecer que somente a previsão legal não garante a realidade e a equidade dos direitos.7 l – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político pedagógico da escola. não se faz com palavras desencarnadas. muitos estudiosos da educação apontam a promoção da participação da comunidade escolar como necessária para a efetivação da gestão democrática no âmbito educacional. mas com reflexão e prática”. a LDB. para que a gestão democrática aconteça. previstos tanto na Constituição Federal brasileira quanto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN. E. Assim. (Freire. ou seja. sendo necessária a sua revisão anual. Os dispositivos constitucionais e a determinação legal. 2003. .91) O presente projeto resulta de uma pesquisa de cunho teórico-prático. A esse respeito. entende-se ser necessária a garantia de mecanismos e condições para que espaços de participação. visando atender as necessidades encontradas na realidade concreta. A democracia também se torna fictícia. ao encaminhar para os sistemas de ensino as normas para a gestão democrática. de acordo com Paulo Freire: “a democracia como qualquer sonho. Trazendo esta discussão para o campo específico da escola. ll – participação das comunidades escolar e local em Conselhos Escolares ou equivalentes. prevêem a gestão democrática como princípio do ensino. indica dois instrumentos fundamentais: a elaboração do Projeto Político Pedagógico da escola. tomada de decisões e descentralização do poder ocorram. Desse modo. a lei estabelece o principio da gestão democrática. a necessidade de que a gestão das escolas se efetive por meio de processos coletivos envolvendo a participação da comunidade local e escolar.

corporativas e autoritárias. 2.Nessa perspectiva. professores. com base no que temos. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão.No sentido etimológico. o projeto político-pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. realizar. funcionários e comunidade em geral). .O projeto político-pedagógico.8 Por comunidade escolar se entende todos aqueles que direta ou indiretamente contribuem para o funcionamento dos estabelecimentos escolares (alunos. pais.Ao construirmos os projetos de nossas escolas. que significa lançar para adiante. É antever um futuro diferente do presente. pois junto com a escola compartilha interesses comuns na busca por uma educação de qualidade. a família dos educandos assume lugar central na discussão. . Empresa. O que é projeto político-pedagógico: .2 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA Conceituando o projeto político-pedagógico. por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. planejamos o que temos intenção de fazer. buscando eliminar as relações competitivas. o tempo projeto vem do latim projectu. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. buscando o possível. empreendimento. Nessa perspectiva. Plano. O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. . Lançamo-nos para diante. ao se constituir em processo democrático de decisões. intento. desígnio. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos. particípio passado do verbo projicere. . Redação provisória de lei.

A construção do projeto político-pedagógico requer continuidade das ações. Para tanto. precisa criar condições para gerar outra forma de organização do trabalho pedagógico. fundação na reflexão coletiva. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. . Nessa caminhada será importante ressaltar que o projeto político-pedagógico busca a organização do trabalho pedagógico da escola na sua globalidade. para se desvencilhar da divisão do trabalho. procurando preservar a visão de totalidade. é preciso entender que o projeto político pedagógico da escola aponta algumas indicações necessárias para a organização do trabalho pedagógico. lugar de debate.Desse modo. o projeto político pedagógico tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula. Segundo LIBÂNEO: A tendência nas práticas de avaliação. . numa perspectiva de educação emancipatória é assegurar cada vez mais nas instituições o caráter educativo da educação: meio de revisão das ações do professor – práticas de ensino. interação com os alunos – de modo que tome decisões com maior conhecimento de causa. Portanto. ela precisa de um tempo razoável de reflexão e ação.A reorganização da escola deverá ser buscada de dentro para fora.A principal possibilidade de construção do projeto político-pedagógico passa pela relativa autonomia da escola. incluindo sua relação com o contexto social imediato. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. A avaliação emancipatória tem três características: . O fulcro para a realização dessa tarefa será o empenho coletivo na construção de um projeto político-pedagógico e isso implica fazer rupturas com o existente para avançar. . Isto significa resgatar a escola como espaço público. de sua fragmentação e do controle hierárquico. descentralização.9 . ressaltado anteriormente. democratização do processo de tomada de decisões e instalação de um processo coletivo de avaliação de cunho emancipatório. . para se ter um mínimo necessário à consolidação de sua proposta.É preciso entender o projeto político-pedagógico da escola como uma reflexão de seu cotidiano. do diálogo.A escola. .

todos os atos pedagógicos ou administrativos deverão ser determinados em conjunto por todos os envolvidos com a escola. as pessoas ressignificam suas experiências. a chance de que dêem certo é bem maior. reafirmam suas identidades. dão sentido aos seus projetos individuais e coletivos. sistematizar e significar as atividades desenvolvidas pela escola como um todo.ELABORAÇÃO/ PARTICIPAÇÃO E INTERAÇÃO A gestão da escola se traduz cotidianamente como ato político. Logo. pois implica sempre uma tomada de posição dos pais. . de participação de toda a comunidade escolar.10 . explicitam seus sonhos e utopias. resgatam. possibilidades e propostas de ação. diretrizes e propostas de ação para melhor organizar. funcionários e estudantes. professores. na construção de sua identidade como espaço-tempo pedagógico implica o compromisso com o partilhamento do poder por meio de mecanismos.avaliação democrática em que os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar. Caminhar na direção da democracia na escola. Quando estas são tomadas pelos principais interessados na qualidade da escola. reafirmam e atualizam valores. p. . .O projeto político pedagógico da escola pode ser inicialmente entendido como um processo de mudança e de antecipação do futuro que estabelece princípios. Sua dimensão pressupõe uma construção participativa que envolve ativamente os diversos segmentos escolares.auto-avaliação. a sua construção não pode ser individual. 2004. . estabelecem novas relações de convívio e indicam o horizonte de novos caminhos. mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação-análise-reflexão-planejamento. deve ser coletiva. Ao desenvolvê-lo. . demonstram seus saberes. pelo contrário. envolvendo os diversos segmentos da escola na discussão e tomada de decisões.avaliação compreensiva e global do processo de ensino e aprendizagem. Portanto. em que o professor é também um investigador (LIBÂNEO. refletem suas práticas. 258-259).

sugestões para o diálogo educativo. o senso crítico e a criatividade podem ser muito relevantes para elevar a auto-estima dos alunos de modo a propiciar maior disponibilidade para o estudo e.ESTRATÉGIAS PARA ARTICULAÇÃO E PARTICIPAÇÃO DA FAMILIA E COMUNIDADE Ouve-se constantemente que a escola é uma extensão da família e que esta delega à escola tarefas que ela mesma não tem condições de realizar. A participação da família e comunidade na escola pode ocorrer por meio de correspondências. investe-se na conquista dos pais e. ou tem medo de ser intrometida. visitas. Deve-se partir do principio de que a família gostaria de participar muito mais das atividades da escola. o diretor pode estudar a situação das famílias de sua escola. exposição dos trabalhos dos alunos. atividades recreativas. é preciso trabalhar com respeito. com certeza. tudo se torna mais difícil. conseguir sucesso na qualidade de ensino. não sabe como fazer. na permanência dos alunos na escola. e só não o faz porque não tem tempo. Acompanhar as atividades e avaliá-las leva-nos à reflexão. assim. ver como elas gastam o seu tempo. cordialidade e atenção à relação com os pais e mães de nossos alunos. Enfim.ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DO PROJETO POLITICO PEDAGÓGICO. em breve a direção da escola terá um verdadeiro exército de colaboradores. nem que seja por amostragem. de introduzir a presença dos pais na escola. realização do conselho de classe com a participação dos alunos e palestras educativas.11 . . Mas na hora de trabalhar em harmonia com a família. comemorações participativas em dias festivos. Ao começar com pequenas coisas e ir alargando as possibilidades. como elas percebem uma aproximação mais rica com sua escola. A flexibilidade. consequentemente. com base em dados concretos sobre como a escola se organiza para colocar em ação seu projeto . Assim. Com esse principio.

Serão aplicados questionários e feitas entrevistas individuais ou em grupos. Primeiro. busca explicar e compreender criticamente as causas da existência de problemas. Considerando a avaliação dessa forma. . A avaliação do projeto político pedagógico. parte da necessidade de se conhecer a realidade escolar.12 político pedagógico. pois o objetivo principal é a aprendizagem dos alunos. O Grêmio Estudantil irá colocar sua opinião sobre os problemas da escola e propor soluções. ela imprime uma direção às ações dos educadores e educandos. numa visão crítica. se o reforço escolar está ajudando na aprendizagem das matérias. perguntando aos alunos. a avaliação é um ato dinâmico que qualifica e oferece subsídios ao projeto político pedagógico. As mães e pais serão ouvidos nas reuniões ou em entrevistas individuais. as condições de trabalho e as dificuldades encontradas. busca visão crítica. se houve melhoria na merenda. A avaliação geral do desempenho dos docentes. Segundo. A equipe pedagógica irá analisar os dados de frequência às aulas. é possível salientar dois pontos importantes. Portanto. O diretor e o Conselho Escolar irão avaliar se as metas propostas estão sendo atingidas e a APMF acompanhará a utilização dos recursos financeiros aplicados para o desenvolvimento das ações. acompanhar e avaliar o projeto político pedagógico é avaliar os resultados da própria organização do trabalho pedagógico. verificando se estão sendo utilizados corretamente. se a escola está mais organizada. por exemplo. suas mudanças e se esforça para propor ações alternativas. se há mais e melhores livros de leitura. de evasão e aproveitamento escolar. A avaliação tem um compromisso mais amplo do que a mera eficiência e eficácia das propostas conservadoras. o que estão achando das orientações ou atendimento de saúde. parte da necessidade de se conhecer a realidade escolar. se eles estão gostando das atividades de artes e esportes. bem como suas relações. pedagogos e funcionários se fará através de reuniões periódicas onde os participantes irão falar sobre os resultados que estão sendo obtidos.

O Grêmio deve ser resultado da vontade dos próprios alunos. na implementação de uma gestão democrática que é um processo político através do qual as pessoas na escola discutem. há que se pensar que o movimento de luta e resistência dos educadores é indispensável para ampliar as possibilidades e apressar as mudanças necessárias. São eles que devem reconhecer a sua importância. sustentado no diálogo. solucionam problemas e os encaminham. Este processo. mas é resultante.3 PAPEL E PARTICIPAÇÃO DAS INSTÂNCIAS COLEGIADAS .GRÊMIO ESTUDANTIL. ocupa um papel central na construção de processos de participação e. definir o seu perfil e cumprir importante papel . portanto. Finalmente. controlam e avaliam o conjunto das ações voltadas ao desenvolvimento da própria escola. podem representar melhor a rica experiência que é a busca coletiva dos anseios. diferentes grupos que se articulam informalmente em torno das mais variadas razões e motivos. O importante é compreender que esse não se efetiva por decreto. conhecer as dificuldades e efetuar correções. desejos e aspirações dos estudantes. pois só assim é possível avaliar se o que foi planejado está sendo feito. O projeto político pedagógico que deve ser elaborado e avaliado por todos que fazem parte da escola. Por serem institucionalizados. deliberam e planejam. portarias ou resolução. dentro e fora dos muros da escola. Sem o registro perde-se a memória do que ocorreu e prejudica-se a continuidade da ação.13 É fundamental que tudo seja registrado. tem como base a participação efetiva de todos os segmentos da comunidade escolar. da concepção de gestão e de participação. sobretudo. Dentro de uma escola. acompanham. 2. o respeito às normas coletivamente construídas para os processos de tomadas de decisões e a garantia de amplo acesso às informações aos sujeitos da escola. surgem quase naturalmente. A organização dos grêmios estudantis é um deles e favorece o relacionamento e a convivência entre os nossos jovens.

na direção do processo ensino-aprendizagem. cultural e política. através do voto secreto. • Acompanhar e aperfeiçoar o processo de aprendizagem dos alunos. as escolas têm utilizado diferentes formas de efetivar esta forma de participação. cultural e esportivo da nossa juventude. A gestão democrática implica a efetivação de novos processos de organização e gestão baseados em uma dinâmica que favoreça os processos coletivos e participativos de decisão. como um órgão colegiado cabe: • Estudar e interpretar a aprendizagem na sua relação com o trabalho do professor. . A representação discente tem se mostrado como importante oportunidade de participação nas diversas ações da escola. como o conselho de classe. proposta pelo plano curricular. mas representam o coletivo de alunos em atividades importantes. organizando debates. . efetiva um processo de eleição dos representantes de turma. Ao Conselho de Classe. Uma delas. agindo como mediadores entre a turma e a equipe pedagógica e administrativa. onde vão avaliar os colegas e eleger aquele que melhor representa os seus interesses. . Para tanto. Estes alunos representam a turma não apenas nas reivindicações. que tem se mostrado muito eficaz.ELEIÇÃO DE ALUNOS REPRESENTANTES DE TURMA.CONSELHO DE CLASSE.14 na formação e no desenvolvimento educacional. As atividades dos Grêmios Estudantis representam para muitos jovens os primeiros passos na vida social. Além de oportunizar a participação na vida da escola. bem como diagnosticar seus resultados. esta forma de escolha faz os alunos vivenciarem o processo de democracia. torneios esportivos e outras festividades. apresentações teatrais. festivais de musica. é aquela que no início do ano letivo.

estudantes. funcionários. os problemas e as potencialidades da escola e propõe soluções. Essas reuniões serão lavradas em ata. para o cumprimento da função social. tem um importante papel no redimensionamento da gestão democrática. funcionários e outras pessoas da comunidade na administração escolar. o ECA e o Regimento Escolar. eleitos no início do ano letivo. financeiras e pedagógicas da escola. como mecanismos de participação da comunidade na escola. O Conselho Escolar tem papel decisivo na democratização da educação e da escola. sobre a organização e realização do trabalho pedagógico e administrativo da instituição escolar. Permitir a participação dos representantes de turma. definir e acompanhar e desenvolvimento do projeto político pedagógico . consultiva e avaliativa. . Compartilhar decisões significa envolver pais. medida em que reúne diretores. pais e outros representantes da comunidade para discutir. Ele é um importante espaço neste processo. • Utilizar procedimentos que assegurem a comparação com parâmetros indicados pelos conteúdos necessários de ensino. professores. com a organização dos conteúdos e o encaminhamento metodológico. pois professores e alunos têm oportunidade de se situar.15 • Analisar os resultados da aprendizagem na relação com o desempenho da turma. professores. Ele analisa o desempenho. Os conselhos escolares.CONSELHO ESCOLAR. observando a Constituição. em conformidade com as políticas e diretrizes educacionais da SEED. a LDB. As reuniões ordinárias serão bimestrais e as extraordinárias convocadas com 24 horas de antecedência. evitando a comparação dos alunos. de natureza deliberativa. Em um órgão colegiado. O Conselho decide sobre questões administrativas. e a partir daí. representativo da Comunidade Escolar. ambas com pauta claramente definida. comprometer-se com a transformação da realidade. já estão presentes em muitas escolas.

APMF. não tendo caráter político-partidário. Cabe a ela discutir. É um órgão de representação dos Pais. racial e nem fins lucrativos. não sendo remunerados os seus Dirigentes e Conselheiros e constituído por prazo indeterminado. debatido e analisado dentro do contexto nacional e internacional em que vivemos. . visto que os pais pouco sabem sobre características de aprendizagem. Portanto. Este é o mecanismo que traz bons frutos no trabalho integrado entre direção e APMF. além de gerir e administrar os recursos financeiros próprios e os que lhes forem repassados através de convênios. conjunta com o Conselho Escolar e registrados em livro de ata.16 da escola que deve ser visto. religioso. além disso. por isso a dificuldade em participar da vida escolar dos filhos. Gestão Democrática. de acordo com as prioridades estabelecidas em reunião. colaborar e decidir sobre as ações para assistência ao educando. pois como diz PARO: . 2. devendo considerar a necessidade da família. por isso ela é de extrema importância dentro da escola. ela é responsável pelo recebimento e aplicação das verbas repassadas às escolas pelos órgãos públicos e pelo recebimento de doações. levando-as a vivenciar situações que possibilitem se sentirem participantes ativos nessa parceria e não meros expectadores.4 AÇÕES QUE ENVOLVEM OUTRAS PARCERIAS A relação de parceria deve ter como ponto de partida a própria escola. o aprimoramento do ensino e para a integração família-escolacomunidade. As APMF’s foram criadas para promover a integração escola-comunidade por meio da organização das atividades sociais. Como uma associação a serviço da escola. oferecer suporte material ao trabalho pedagógico. o papel da escola na construção dessa parceria é fundamental. Mestres e Funcionários do Estabelecimento de Ensino.

se bem administrados. 25). com compromisso administrativo e financeiro. POLICIA MILITAR – drogas. a escola conta com recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola – PDDE que são repassados anualmente e do Programa Fundo Rotativo. reverter-se em beneficio dos pais. É possível imaginar um tipo de relação que não consista simplesmente de uma “ajuda” gratuita dos pais à escola. pode favorecer a educação escolar e.. por um lado.Para manutenção e melhoria da infra-estrutura física e pedagógica. mensalmente.Programa Estadual de Resistência às Drogas e Violência). orientação sexual (palestra e teatro).17 . Tais recursos.. a escola poderá desenvolver projetos ligados a Temas da Vida cidadã. Conta Normal. por outro.é possível imaginar um tipo de relação entre pais e escola que não esteja fundada na exploração dos primeiros pela segunda. POSTO DE SAÚDE – higiene. . saúde. poderão oferecer o suporte necessário para as ações educativas. ipso facto. A educação para a cidadania requer que questões sociais sejam apresentadas para aprendizagem e reflexão dos alunos. Para tanto. em que ambos se apropriem de uma concepção elaborada de educação que. Para isso. p. a escola poderá contar com a colaboração de alguns segmentos da sociedade para desenvolvimento dos mesmos. o 2. é um bem cultural para ambos. Pode-se pensar em uma integração dos pais com a escola. na forma da melhoria da educação de seus filhos (PARO. 2007. prevenção. paz e segurança (palestra para a comunidade escolar com a participação do PROERD .5 GERENCIAMENTO DE RECURSOS . como: SANEPAR – meio ambiente (palestra e passeio ecológico).

11). (. autodeterminação. Ao longo dos séculos. consequentemente. 2002. O processo de conquista da autonomia do educador requer maior autonomia da escola e.) O que o educador deve fazer quando ensinar é possibilitar os alunos a se tornarem eles mesmos. Contemporaneamente. Portanto. auto-formação. auto-governo e constituindo uma forte reivindicação dos o movimentos termo vem emancipatórios. a idéia de uma educação anti-autoritária. ao fazer isso. menor interferência externa. ele ou ela vive a experiência relacionar democraticamente como autoridade com a liberdade dos alunos (FREIRE.. E o educador ou educadora como um intelectual tem que intervir.6 AUTONOMIA = DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA Autonomia indica que eu enquanto indivíduo. tem que ter posicionamento. tenho condições de realização. aparecendo na literatura acadêmica sob diferentes matizes ideológicos. (GADOTTI. E. A democratização da educação pressupõe a democratização do conhecimento. a educação enquanto processo de conscientização (desalineação) tem tudo a ver com a autonomia.18 2. foi gradativamente construindo a noção de autonomia dos alunos e da escola. enquanto sujeito. Conforme Gadotti O debate moderno em torno do tema remonta ao processo dialógico de ensinar-aprender contido na filosofia grega. 35). . p. Não pode ser um mero facilitador. p. autonomia do educador. muitas vezes compreendida como autogestão. vinculados à idéia de ampliação da participação política no que tange questões de descentralização e/ou desconcentração do poder estatal. 2003..

as diversas dependências em que os indivíduos e . A autonomia é um conceito relacional (somos sempre autônomos de alguém ou alguma coisa) pelo que a ação se exerce sempre num contexto de interdependência e num sistema de relações. orientar. ou menos autônomos. 1996. p. pode dizer-se que essa alteração vai no sentido de transferir poderes e funções do nível nacional e regional para o nível local. Quanto mais criticamente a liberdade assuma o limite necessário tanto mais autoridade tem ela. 2004. podemos ser autônomos em relação a umas coisas e não em relação a outras. destacaremos a importância do diálogo entre escolacomunidade. à faculdade que os indivíduos (ou as organizações) têm de se regerem por regras próprias. se a autonomia pressupõe a liberdade (e capacidade) de decidir. A autonomia é. A autonomia é também um conceito que exprime sempre um certo grau de relatividade: somos mais. podemos perceber que a escola adquire certa autonomia. Contudo. uma maneira de gerir. 105).19 O grande problema que se coloca ao educador ou à educadora de opção democrática é como trabalhar no sentido de fazer possível que a necessidade do limite seja assumida eticamente pela liberdade. reconhecendo a escola como um lugar central de gestão e a comunidade local (em particular pais dos alunos) como um parceiro na decisão na tomada de decisão. para continuar lutando em seu nome (FREIRE. De um modo geral. eticamente falando. O conceito de autonomia está etimologicamente ligado à idéia de autogoverno. isto é. p. A partir da descentralização do poder. as exigências e as propostas da legislação brasileira sobre a autonomia e por fim.13). Neste trabalho iremos abordar alguns aspectos relacionados à gestão democrática da escola. (BARROSO. ela não se confunde com a “independência”. por isso.

no artigo 26 escreve: “Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. referente à Educação Básica. o currículo deve estar de acordo com as peculiaridades de cada região e as escolas têm a possibilidade de adequá-lo às suas necessidades. 16). da cultura. Quando à organização do currículo. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. como também para a construção de sua identidade junto à comunidade em que está inserida. da economia e da clientela”. ser implementada em cada sistema de ensino escolar. (BARROSO. por uma parte diversificada. p. de acordo com a lei (LDB 9394/96). no capitulo II. de acordo com suas próprias Leis. Ao estudar a Legislação Brasileira podemos perceber que a escola tem liberdade e autonomia para sua organização. 2001. a LDB 9394/96. . Portanto. Sendo assim.20 os grupos se encontram no seu meio biológico ou social. podemos perceber que a Legislação Brasileira possibilita às escolas certa autonomia para o seu funcionamento.

diminuindo assim a distância observada entre essas duas instituições educacionais. de forma que a família. dos alunos.2007. A escola deve também exercer sua função educativa junto aos pais. constituindo-se como prática formativa. Participação significa a atuação dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola. metodológico e curricular. Pois como diz PARO: Assim. dos professores. Pois.16).. interferindo assim na estrutura e na dinâmica escolar. informando. vem transferindo para a escola funções que deveriam ser sua. certos processos de tomada de decisão (LIBÂNEO. Procura entender essa realidade para buscar orientações que possam fortalecer essa relação. A escola e a família têm passado por profundas transformações ao longo da história. 2004. p. em vista das circunstâncias.21 3. Há dois sentidos de participação articulados entre si.139). buscando formas de conseguir a adesão da família para sua tarefa de desenvolver nos educandos atitudes positivas educadoras com relação ao aprender e ao estudar. como elemento pedagógico. Há a participação como meio de conquista da autonomia da escola. (PARO. A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO FAMÍLIA/ESCOLA – UM EXERCÍCIO PARA A DEMOCRACIA O presente texto tem por finalidade colaborar com a discussão e reflexão sobre a necessidade da relação família/escola. Portanto uma boa relação entre a Família e Escola deve estar presente em qualquer trabalho educativo que tenha como principal alvo o aluno. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham. . a escola que toma como objetivo de preocupação levar o aluno a querer aprender precisa ter presente a continuidade entre a educação familiar e a escolar. p. discutindo. institucionalmente..

Segundo PARO. À medida que a escola abrir espaços e criar mecanismos para atrair a família para o ambiente escolar. educadores brasileiros dedicam estudos e pesquisas sobre a gestão democrática na escola.22 orientando sobre os mais variados assuntos. Pois. Portanto. sustentada justamente por esta relação (FAMÍLIA/ESCOLA). Paro. Segundo Saviani. trazendo-os para o convívio da escola. defendem que a educação inserida em uma sociedade globalizada e centrada no conhecimento. Levar o aluno a querer aprender implica um acordo tanto com educandos. de participação na vida da escola (PARO. escola e família possam proporcionar um bom desempenho escolar e social às crianças. para conhecer a família é necessário que a escola abra suas portas. Entretanto. numa palavra. intensificando e garantindo sua permanência através de reuniões mais interessantes e motivadoras. quanto com seus pais. em especial pais e responsáveis pelos estudantes.I). é um dos fatores importantes . fazendo-os sujeitos. são peças fundamentais ao desenvolvimento da criança. pois dificilmente será conseguida alguma mudança senão se partir de uma postura positiva da instituição com relação aos usuários. para que em reciprocidade. de convivência verdadeiramente humana. É aqui que entra a questão da participação da população na escola. em parceria com a escola e vice-versa. mostrando-lhes quão importante é sua participação e fazendo uma escola pública de acordo com seus interesses de cidadãos (PARO. p. 1995 b. 2007. A família. oferecendo ocasiões de diálogo. é importante que a família esteja engajada no processo ensinoaprendizagem para que a criança se sinta protegida dentro do âmbito escolar. novas oportunidades com certeza irão surgir para que seja desenvolvida uma educação de qualidade. p. 16).

40). a escola-instituição para que cumpra sua função. necessariamente dialógico.108). para a transmissão do saber histórico produzido: (Saviani.p. um modelo de gestão democrática participativa tem na autonomia um dos seus mais importantes princípios. diferente de seus primórdios.23 para o desenvolvimento social. O processo de desenvolvimento humano. é indispensável o trabalho de equipe. Isso tudo acarreta características especiais e importância sem limites à escola pública enquanto instância da divisão social do trabalho. 2004. p. Nesse modelo de gestão. . 2004. o acúmulo de informações e a velocidade com que acontecem foi dando forma à educação escolar uma necessidade. onde a cultura e a educação eram passadas no próprio meio do aprendiz. incumbida da universalização do saber (Paro. não dominador. acesso a todos por si só não garante uma educação igualitária e de qualidade. Diante do processo democrático da Sociedade. a educação só pode dar-se mediante o processo pedagógico.76). de forma colaborativa e solidária. A educação deve ser direito de todos os indivíduos enquanto viabilizadora de sua condição de seres humanos. 2003 p. Hoje. implicando a livre escolha de objetivos e processos de trabalho e construção conjunta do ambiente de trabalho. visando à formação e à aprendizagem dos alunos. Para a universalização da escola. que garanta a condição de sujeito tanto do educador quanto ao educando. bem como condição primordial para melhoria da qualidade de vida das pessoas. e seus mestres eram os anciões da comunidade. Uma equipe é um grupo de pessoas que trabalha junto. Por sua característica de relação humana. Os discursos de nossas autoridades educacionais estão repletos de belas propostas que nunca chegam a se concretizar inteiramente por que no momento de sua execução faltam vontade política e os recursos (tão abundantes para outros misteres) capazes de levá-las efetivamente a bom termo (Paro. Portanto. necessita também ser democrática.

não podem ser excluídos desse processo. A relação Família-Escola torna-se fundamental no processo educativo da criança. Existem possibilidades. É nessas possibilidades que os gestores das escolas precisam acreditar e implementar ações que coloquem em prática esta parceria tão importante quanto necessária. a família desempenha importante papel. CONSIDERAÇÕES FINAIS. É importante ressaltar que no processo de gestão democrática da escola pública. Nesse sentido. . mas estes não são insuperáveis. é preciso admitir que a participação dos pais no processo escolar e educativo apresenta limites. É evidente que a gestão democrática por si só não garante o pleno funcionamento da escola. todavia é o caminho mais curto para minimizar as dificuldades históricas das escolas na rede pública e os pais. a interação FamíliaEscola se faz necessária para que ambas conheçam suas realidades e construam coletivamente uma relação de diálogo mútuo. apesar das dificuldades e diversidades que as envolveram. Contudo. procurando meios para que se concretize essa parceria. enquanto integrantes da comunidade escolar.24 4.

BARROSO. Rio de Janeiro Esplanada. ago. Ilma P. PARO. Nosso Fazer. Vitor Henrique. PARO. FREIRE. 2001. Gestão democrática da escola pública.A. SÃO PAULO: Ática. Pedagogia Histórico – Crítica: primeiras aproximações. 1998. 1. p.I LIBÂNEO. Myles. Curitiba. Petrópolis: Vozes. 1995b. 2004. E ampl. Cortez. São Paulo: Autores Associados. (org) “O Projeto Político Pedagógico da Escola: Uma construção possível. ver. 2003. – São Paulo: xamã. 2000. Organização e gestão da escola: teoria e prática/José Carlos Libâneo. O reforço da autonomia das escolas e flexibilização da gestão escolar em Portugal. DERMEVAL. Gestão democrática: participação da comunidade na escola. novos desafios. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa/Paulo Freire. 2004. GADOTTI. V. – São Paulo: Paz e \terra. revista e ampliada-Goiânia: Editora Alternativa. ano I. Qualidade do ensino: a contribuição dos pais/ Vitor Henrique Paro. Lei de diretrizes e bases da educação: lei 9. Gestão democrática da educação: atuais tendências. São Paulo. ed. ed. SAVIANI.25 REFERÊNCIAS BRASIL. VEIGA. Campinas. Campinas. Paulo & Horton. Naura Syria Carapeto (org. Educação e sociedade. 9. Paulo. 2003. V. 5. 3 ed.). . 1996(Coleção Leitura) FREIRE. – 3. O caminho se faz caminhando: conversas sobre educação e mudança social. rei mp. 3. João. Ação pedagógica e prática social transformadora. 8. Moacir. Parirus. H. 2007. ed. Vitor Henrique. 11ª ed. In: FERREIRA. José Carlos.394/96. PARO. n.

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