JIHAD E O REINO DE DEUS

Silas Tostes

1

1. INTRODUÇÃO Nosso propósito primeiro, é compreender as diferentes concepções de jihad. Isto nos possibilitará ver que muçulmanos diferentes, pensam de maneiras diferentes. Entre as várias concepções de jihad, há a versão defensiva e a agressiva. Espera-se com jihad agressivo, uso da luta armada na causa de Alá, libertar o homem e implantar o reino de Deus na terra. Isto se dá por meio do estabelecimento de um governo islâmico, regido pela Xaria.1 Governo de Alá, ou governo islâmico sob esta legislação, é entendido como o reino de Deus na terra. Neste tipo de jihad, percebe-se que os muçulmanos estão preparados para abrir mão de tudo, como a própria vida, parentesco e nacionalidade. Em segundo lugar, definiremos em que base se implanta e expande-se o reino de Deus, segundo as Escrituras Bíblicas, até que este atinja sua plenitude. Veremos que havia a possibilidade do homem pertencer ao reino de Deus antes de Israel. Depois podia pertencer a este pela instrumentalidade desta nação. O exemplo e proclamação de Israel eram elementos importantes da tarefa, de trazer de volta o homem para o domínio divino. Na época do Velho Testamento foi prometido a vinda do reino messiânico. Uma vez que o Messias é Deus, o reino messiânico não deixa de ser uma manifestação do reino de Deus. Sendo assim, a vinda do reino messiânico em Jesus, era a própria implantação do reino de Deus. Este terá sua plenitude com Sua segunda vinda, e enquanto isto, cresce pela obra missionária. O exemplo e a proclamação da Igreja são elementos importantes da tarefa de trazer de volta o homem para o domínio divino. Mesmo que Israel e a Igreja possam pertencer ao reino, este não se limita a estas duas realidades. Espera-se com esta meditação sobre o reino de Deus nas Escrituras Bíblicas, despertar a Igreja para a obra missionária. Quem sabe esta se envolverá na expansão do reino, pela obra missionária, com o mesmo desprendimento e paixão dos muçulmanos em jihad agressivo. Claro que sem o uso de violência. A despeito da conotação negativa da palavra jihad; para aqueles que não são muçulmanos, e logo a associam com violência, procuraremos ser objetivos e destituídos de idéias préconcebidas quanto ao assunto. Isto se faz necessário para uma boa compreensão do assunto. A relevância de nosso tema é vista por meio de várias razões. Primeira, tem sido noticiado pela imprensa, que o Islamismo possui muitos seguidores. Segundo Jaime Klintowitz, jornalista
Lei que governa uma nação ou estado islâmico, tendo por base o Alcorão e o exemplo de Mohammad, sunnah, que foi preservado no Hadith. Há vários versos do Alcorão que ensinam que o exemplo e orientações de Mohammad devem ser seguidos, tais como: 33:21; 48:10; 59:7 e 33:36.
1

2

da Revista Veja, o Islamismo tem hoje 1,2 bilhões de adeptos.2 Isto representa um quinto da população mundial. O mesmo artigo informa que o Islamismo governa cinqüenta países do mundo.3 Segunda razão, sabemos que o Islamismo também possui ardor missionário, esforçandose por difundir-se em todo o mundo livre. Isto é facilmente visto por suas mesquitas construídas e inúmeros livros escritos e publicados ao redor do mundo. Há nas últimas páginas do livro Islamismo Mandamentos Fundamentais por Mohammad Ahmad Abou Fares, publicado por MS Indústria Gráfica e Editora Monte Santo Ltda, vinte e cinco fotos de mesquitas construídas no Brasil. Tem sido observado por nós, que onde há uma mesquita, há também um esforço de proselitização, o qual se dá através da distribuição de livros religiosos islâmicos, doações do Alcorão, e às vezes, há também distribuição de cestas básicas para a comunidade carente local. Terceira razão, neste contexto de avanço numérico e divulgação do Islã por meio de inúmeras publicações. Fomos também impactados pelo atentado de 11 de setembro de 2001, em Nova York. Vimos para surpresa do mundo, duas torres de cento e dez andares cada, desabarem causando milhares de mortes. Tal atentado resultou na guerra no Afeganistão contra o terrorismo, assim como em outros desdobramentos. Neste contexto, nos pareceu confuso ouvir autoridades islâmicas afirmando, que o Islamismo é religião da paz e da fraternidade. A realidade das imagens de televisão porém, não pareciam atestar isto. Percebemos então, que deveríamos nos propor a compreender o que é jihad, e descobrir porque uns muçulmanos pregam a paz, e outros a guerra na causa de Alá. Enquanto uns falam de paz, outros sempre armados estão dispostos a matar e morrer por suas convicções. Porquê tal diferença? O que é jihad? Quarta razão, a presente reflexão plenamente se justifica, se considerarmos o número baixo de evangélicos que são missionários transculturais. Segundo a Sepal4, somente 1500 cristãos evangélicos brasileiros estão nesta categoria. Entre estes, somente 13% estão entre os chamados povos sem acesso ao Evangelho, ou seja, mais ou menos 195 obreiros transculturais. Os demais trabalham em áreas onde há pessoas que já ouviram falar de Jesus. Se com 15% de evangélicos no Brasil, temos um número tão baixo de missionários, onde está nosso ardor por missões? Se somos 20 milhões de evangélicos, 1500 missionários é porcentagem nula, se

Klintowitz, J. Islã a Derrota do Fanatismo. Revista Veja, São Paulo, Editora Abril, 1º de Março de 2000. p. 46. Ibid. p. 46. 4 As estatísticas da Sepal (Serviço de Evangelização para a América Latina), foram publicados no catálogo da AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras) feito em conjunto com a Sepal, impresso em 2000.
3

2

3

Partimos do pressuposto que a Bíblia é a Palavra de Deus. Já nos tempos de Jesus estavam divididos em três grupos: Lei. com uma pequena parte da mesma. como prática da luta na causa de Deus. Assim como por outros muçulmanos. interessados na ideologia que motiva o terrorismo. Isto seria confundir uma realidade complexa. A decisão deste concílio foi promulgada quatro anos mais tarde pelo 3º Sínodo de Cartage. e pelo Movimento da Juventude Islâmica Abu Bakr Assidik. ou organizações islâmicas. Assim como os vinte e sete livros do Novo Testamento listados no Sínodo de Hippo A. Esta será muito usada para entendermos missões. O assunto da veracidade das Escrituras é importante. ressaltamos a importância de A. Evidence That Demands a Verdict. Policarpo. segundo as Escrituras. 1993. Contudo. contida no livro. p. o nosso assunto não é o terrorismo islâmico. Irineu e Inácio. como registrado nos escritos de Atanásio de Alexandria. 393.5 Utilizaremos textos escritos por muçulmanos e acadêmicos. Contudo. estavam apenas reconhecendo que estes livros possuíam autoridade apostólica. Yusuf Ali. 37-38. utilizaremos a pesquisa sobre terrorismo internacional feita por Yossef Bodansky. e em suas doutrinas e informações. porém não faz parte do propósito deste trabalho. Não nos deteremos porém. e a riqueza de pensamento. sendo neste status infalível em sua revelação de Deus. aceitamos os livros do Velho Testamento reconhecidos pelos judeus com este status. Alpha.D. J. Como texto bíblico inspirado. 5 McDowell. Na ocasião. que expressaram suas idéias em páginas da internet. é digna de toda aceitação. sendo no total 39. Haverá alguma menção ao terrorismo islâmico aqui e ali. 4 . Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. É verdade que num dado momento. Estes serão devidamente mencionados ao longo do capítulo dois. Os mesmos foram publicados pelo Centro de Divulgação do Islã Para América Latina. e não no terrorismo em si.considerarmos que 1% de 20 milhões seria 200 mil. e como tal. Estaremos neste caso. quanto ao assunto. nos pormenores quanto ao terrorismo islâmico. UK. que representam de maneira acurada quais são as diferentes concepções de jihad. em nosso contexto histórico atual. Entre as várias fontes islâmicas pesquisadas. Justino o Mártir. Não queremos dar a impressão que jihad é o mesmo que terrorismo. Profetas e os Escritos. isto faremos para ilustrar e explanar a ideologia propulsora de jihad como luta armada. Representam fontes de respeito que demonstram as diferentes posições islâmicas. devido a ligação disto com jihad agressivo.

MarsaM Editora Jornalística. por se situarem entre as que mais se coadunavam com os requisitos necessários. o serão segundo a versão em português. El. feita por João Ferreira de Almeida. Abu Dawud. Os vários tipos de esforço (jihad). Parece-nos muito relevante as opiniões de Hayek. feita pelo Prof. Diretor do Centro Islâmico do Brasil e Coordenador dos Assuntos Islâmicos da América Latina. mas utilizaremos hadith como aparece nos mais diversos textos utilizados em inglês. Não faz sentido como não muçulmanos. Jihad como santidade pessoal. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado.7 Utilizaremos as Escrituras Bíblicas para entendermos o reino de Deus na perspectiva cristã. que trazem a devida luz para que uma boa interpretação do Alcorão seja feita. No segundo capítulo. Desenvolveremos o assunto desta maneira. S. que muito nos auxiliou neste sentido. Muçulmano. refere as tradições aceitas pelos muçulmanos. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado.The Holy Qur’an. 1994. O Significado dos Versos do Alcorão Sagrado. segundo o artigo 51 da Carta das Nações Unidas. o foram segundo a versão para o português.6 Todos os versos do Alcorão citados. Jihad como luta armada em defesa própria. revista e atualizada no Brasil. Dr. pois em suas próprias palavras disse: Na maioria dos casos seguimos as exegeses do Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos e do professor Mohammad Mahmud Hijazi. numa perspectiva islâmica. afirmarmos o que diz o Alcorão. a ele vão os nossos agradecimentos. se somente nos atermos ao seu significado lingüístico. começaremos mostrando que há diferença de opinião quanto a jihad. Depois. Confiamos este trabalho aos eruditos islâmicos de respeito. Samir El Hayek. como luta armada. veremos as limitações de entendimento. 6 Hayek. Talvez isto seja o certo. São relatos que registram as palavras e ações de Mohammad. XVIII. At Tirmidhi e An Nasa’i. 7 Ibid. Há seis coletâneas de Hadith aceitas pelos sunitas: AlBukhari. Nisto consiste nossa fonte de pesquisa para entendermos o assunto biblicamente. Abdalla Abdel Chakur Kamel. 5 . ser ou não obrigatório a todo muçulmano. Os xiitas tem suas próprias coletâneas. quando ainda na permanência da dúvida a respeito do significado de algum termo. jihad eqüivale ao direito de autodefesa. como comentadores dos versos do Alcorão. Todos os textos citados. Por fim. consideraremos os respectivos sub-itens quanto ao tema: O significado etimológico de jihad. E. que se espera de um muçulmano como ensinados no Alcorão e no Hadith8. Brasil. Em seguida. Ibn Majah. 8 Hadith significa narração. As vezes Hadith é escrito hadite em português. Neste caso. e de Samir El Hayek. recorremos à ajuda inestimável de S. p.

da palavra árabe que descreve o status de um não muçulmano. regido pela Xaria. numa sociedade islâmica. há os que preferem Dhimmis. nos deteremos na manifestação contemporânea de jihad agressivo. Depois. por ser em si assuntos aparte. liberdade e justiça nos termos desta concepção. Embora usado com freqüência na literatura. ser um não muçulmano em uma sociedade islâmica. extirpando desta a idolatria. Zimmi é umas delas. sem que isto signifique envolvimento em atos de violência. Isto nos levará a compreender contra o que esta concepção luta em nossos dias. a palavra “islamita” não costuma ser utilizada por jornalistas americanos e por outros autores. jihad tem a dimensão política de tomada do poder. como uma maneira de fazer justiça. o Califa reunia em si o poder religioso e temporal. ou ser Zimmi10. Espera-se com jihad agressivo ter o reino de Deus implantado na terra. e da pena de morte para o apóstata do Islã. destituí-se governos islâmicos considerados infiéis. precisam ser entendidos segundo a perspectiva islâmica dos mesmos. “fundamentalismo islâmico” ou “militante 9 Direito de escolha. de acordo com o que se busca e se pratica sob a bandeira do Islã. Assim toda a terra estará sob o domínio de Alá em seu reino. que preferem expressões como “intelectual islâmico”. havendo inúmeras variações entre estas duas opções. a comunidade islâmica marcharia em jihad agressivo até a conquista do mundo. O termo “islamita” denota a avassaladora predominância do aspecto político – especialmente o radicalismo. Esta o faz contra líderes e governos islâmicos. ou o direito de escolha9. usaremos sempre Zimmi. como ocorreu até o quarto Califa. na interpretação de seus seguidores. que julgam não ser tão islâmicos como deveriam. Esta terminologia pode ser enganosa. 10 Há diferentes formas de transliteração nas línguas européias. Neste momento. Como conseqüência. Estes itens serão explicados no apêndice de número um. em segundo lugar. que discordam dos atos de violência como o de 11 de setembro de 2001 em Nova York. Bodansky utiliza o termo islamita para os chamados radicais. assim como contra o Ocidente. o extremismo e a militância -. primeiro. É inevitável num dado momento. Por fim. e não ser ofensivo a maior parte dos muçulmanos.Jihad como luta armada para dar ao homem liberdade. removendo regimes não islâmicos. Naquela ocasião. Nesta concepção. entre ser muçulmano. Em nosso caso. o Islã será implantado em toda a terra sob a liderança deste Califa. Estes são regularmente chamados na imprensa de muçulmanos fundamentalistas. unindo a comunidade islâmica mundial em uma única ummah (comunidade). um Califa será escolhido e instituído como o líder mundial do Islamismo. O alvo é duplo. 6 . ou seja. não fazermos menção dos muçulmanos mais extremados ou radicais. pois alguém pode ser fundamentalista em suas doutrinas. no contexto do que é ser Zimmi.

Esperamos assim. Em seguida. Segundo. Tal uso. Quinto. Em quarto lugar. o homem poderá ser restaurado e estar novamente no reino. Nisto temos a estrutura do nosso pensamento. podendo isto dar uma idéia errada. que muçulmano é o mesmo que violento. Sexto. Sétimo. Subdividimos este item em: O homem distanciou-se do reino de Deus. sabemos que o Deus eterno saberá saciar esta busca por justiça. errarmos menos e não difundirmos idéias errôneas sobre eles. possuem um sincero anelo por um mundo melhor e submisso a Deus. a relação da Igreja com o reino. Mesmo que discordemos do método proposto por eles. como ocorre a integração do gentio ao reino de Deus no Novo Testamento. o retorno do homem ao reino de Deus pela obra redentora de Jesus. veremos se a Igreja substitui Israel no Novo Testamento. Décimo. consideraremos a possibilidade segundo algumas passagens bíblicas. o que seria uma injustiça. no entanto. consideraremos a plenitude futura do reino. Nono. 7 . Terceiro. evitar o usa da palavra muçulmano num contexto de violência. Primeiro. a possibilidade de se pertencer ao reino no Novo Testamento. utilizaremos o termo islamita para nos referir aos radicais. pois a maioria dos muçulmanos não são extremados. Esperamos desta forma. Subdividimos este item em: A vinda do reino em Jesus com a encarnação de Jesus. e ai o consideraremos à luz das Escrituras. verdade e por Ele. como se dava na prática a incorporação do gentio ao reino de Deus. a expansão do reino de Deus pela obra missionária. Oitavo. podiase pertencer ao reino pela instrumentalidade de Israel. Sugeriríamos neste caso. sem intenção. Depois o definiremos. uso da violência. consideraremos a possibilidade de se pertencer ao reino de Deus no Velho Testamento. que muçulmanos em jihad agressivo. faremos as ressalvas iniciais e depois definiremos o que queremos dizer por reino de Deus. dificulta a distinção entre a maioria dos muçulmanos e uma minoria que inclui terroristas extremistas. o exemplo da Igreja quanto ao que é estar no reino de Deus. Depois. singulares exemplos dos gentios sendo incorporados no reino. Seguiremos os seguintes passos ao abordarmos o assunto no Velho Testamento. Como Bodansky. antes de propriamente iniciarmos. podia-se pertencer ao reino sem Israel. Perceberemos no desenvolver do conteúdo. faremos várias ressalvas quanto ao reino de Deus. tanto por seu exemplo como proclamação. a promessa do reino messiânico. do reino ser tomado a força pelo uso da luta armada. No capítulo três.islâmico”. a obra missionária só é realizada se superarmos nossos preconceitos.

por exemplo. manchado pelo pecado. considerarmos o assunto do reino de Deus. 2.O capítulo quatro conterá nossa conclusão. temos em mente tanto a proclamação da mensagem. que nos mostrará as diferentes concepções de jihad. influências do adjetivo externamente imposto ao conceito. pela expressão alcorânica. Jihad é uma palavra estrangeira. Jihad é normalmente descrito como guerra santa no Ocidente. DIFERENTES CONCEPÇÕES DE JIHAD O historiador Douglas E. Esta redenção refere-se à restauração integral do homem. após este ter se separado do Criador pelo pecado de Adão. e do livro The Islamic Gunpowder Empires in World History. Evitaremos assim. Notou que muçulmanos diferentes possuem concepções diferentes de jihad. e respeitaremos a escolha de um outro autor ao fazermos as citações. Respeitaremos esta diferença nas citações. no Alcorão. (lutando no caminho. Passemos ao desenvolvimento do assunto. Contudo. como também à restauração do corpo e seu uso como templo do Espírito Santo (1Co. Streusand. tanto da alma como do corpo. autor do livros: The Formation of the Mughal Empire. caso venhamos adjetivar jihad. O mesmo pode ocorrer com outras palavras. como a expressão prática de sua dimensão social. Isto ficou claro por meio de declarações 8 . poderemos ter casos em que a concordância estará no gênero feminino. Num dado momento faremos uso da palavra missões ou obra missionária. Para em seguida. Missões refere-se à obra redentora de Deus. 6:15. Muitas vezes jihad é adjetivado com a expressão Qilal fi sabillah. nas citações poderá ser escrita com sh (Sharia). usam este adjetivo (santa) entre aspas para expressar descontentamento. parecem não gostar desta descrição. 19-20). tanto em sua constituição material e como espiritual. Mas o homem foi. é importante definirmos bem o que queremos dizer por isto. O Criador não fez somente o espirito. ou na causa de Deus). Optamos então. fez também o corpo. Os muçulmanos porém. manteremos um padrão. Nas citações de diferentes autores. a usaremos nas sentenças fazendo–a concordar com o gênero masculino. Há inúmeras maneiras de escrevermos palavras transliteradas do árabe. segundo as Escrituras Bíblicas. provendo ao homem salvação. não só ao relacionamento restaurado com o Criador. escreveremos Xaria para nos referir a lei islâmica. A salvação redentiva refere-se portanto. Ao pensar em missões então. tanto espiritual como material.

ict. luta no campo de batalho em autodefesa. 1994. como definiu MSA. jihad é bem mais complexo do que consta nestas duas definições. Vemos então. Ou jihad é um esforço para melhora social. Ele disse: Bem vindos. Citado por Streusand. em maio de 1994. Definir jihad então. era o menor. ou é luta no campo de batalha. luta contra a tirania. 9 . Citado por Streusand. em 06/11/2001. Segundo Cair.il/articles/articledet.1 Será que jihad como luta armada é uma prática obrigatória a todo muçulmano? 11 Boston Globe. A idéia de jihad como algo mais complexo. Extraído de http://tariq. em 06/11/2001. já era presente desde os dias de Mohammad. alguns o negam.. no mesmo artigo. Todavia. 13 Boston Globe. 14 Jihad in The Holy Quran and Hadith.il/articles/articledet. Naquela ocasião. “Um grupo de soldados foram até o Santo Profeta (vindo de uma batalha). What Does Jihad Mean? Extraído do site http://www.distintas feitas ao jornal The Boston Globe.cfm?articleid=402.11 Por outro lado. D. 12 Mujahid refere-se ao que participa ou esforça-se em Jihad. como definiu CAIR.. “Jihad é um conceito islâmico abrangente que inclui luta para melhorar a qualidade de vida em uma sociedade. Aqui damos uma breve olhada.” Percebemos então. 2.ict..13 O parêntesis foi acrescentado por mim. Al-Tasharraf. que na ocasião havia recentemente distribuído o documento chamado. What Does Jihad Mean? Extraído do site http://www. como sonho realizado em prol das causas islâmicas. que é o jihad maior? Ele disse: O esforço de um servo contra seus baixos desejos. May 24. p.org. Diary of a Mujahid12. E. The Muslim Students Association (MSA). no diário de um Mujahid. D.bitshop.cfm?articleid=402. 3-4. autodefesa. 1. se faz necessário. ou luta contra a tirania e opressão”.htm em 16/11/2001. vós viestes do jihad menor para o maior. outros o desaprovam e escondem suas próprias fraquezas e relutância quanto a isto (jihad). por meio do qual seu editor definia jihad como um conflito de armas: Enquanto sonhamos com jihad. Alguém perguntou. 1994. O jihad maior era a luta contra impurezas pessoais.com/misconceptions/jihad/jinqh. p. p. Desenvolveremos este capítulo como sugerido na introdução. 7014. Outros procuram explicá-lo. p. Na verdade. E. Part 1. Segundo o Hadith. que há uma divergência entre os muçulmanos do que vem a ser jihad. May 24. organização islâmica cuja sede encontra-se em Washington. disse claramente que jihad não é guerra santa. que já naquela época havia uma noção de pelo menos dois tipos de jihad. 1. The Council on American-Islamic Relations (CAIR).org. enquanto que jihad como luta armada. que teve seu sonho realizado no campo de batalha.

Streusand afirma. 2001. compartilhava desta mesma convicção: “os que atribuem o poder a Deus não podem permanecer de braços cruzados com respeito ao Islã. A al-Qaeda quer manter vivo e ativo este elemento. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. como a E-shahada16. 25. Os juristas entendem que jihad não é uma obrigação de todo muçulmano. não declarado do Islã (os outros são as palavras sagradas do Islã: preces. Outros muçulmanos entendem que não. Casa do Islã. principalmente 15 Streusand. somente se a comunidade islâmica. tornando-o parte do dia-a-dia dos muçulmanos. A al-Qaeda foi criada para travar uma jihad contra os infiéis.cfm?articleid=402. jihad agressivo não é obrigatório a todo muçulmano. em 06/11/2001. 10 . 18 Imposto ou taxa religiosa. que representa 2. 2. há outros autores ou muçulmanos islamitas. estivesse sobre ataque inesperado.5% da renda anual. E. A jihad é um dos elementos. Seria obrigatório a todos. Bin Laden. que segundo diversos juristas islâmicos. Para Bin Laden. jejuar durante o mês de Ramadã e se houver recursos financeiros. 19 Bodansky. as orações são feitas segundo a liturgia estabelecida com gestos. A. Contudo.Os islamitas dizem que este tipo de jihad é obrigatório a todo muçulmano. pagar o Zakat18. possui esta posição e espera que tal prática seja parte do dia-a-dia de um muçulmano. Dar al-Islam. citado por Bodansky. mesmo que jihad não faça parte dos cinco pilares. onde se ora em cinco períodos diários. peregrinação a Meca e doação de esmolas). há outras formas de oração também.19 Sayyid Mohammad Qtub20. mas um indivíduo muçulmano não precisa participar nisto. Rio de Janeiros.” 17 Oração aqui deve ser entendido no sentido islâmico. que entendem jihad agressivo como uma obrigação a todos. 20 Destacado pensador islâmico. fazer a peregrinação a Meca. Somente em emergências. Y. jejum. Neste caso. quando a Dar al-Islam sofre um ataque inesperado. orar cinco vezes ao dia17. a falha da comunidade islâmica em fazer jihad é pecaminosa.org. desde de que outros muçulmanos o façam. mas uma obrigação geral da comunidade islâmica. Toda pessoa antiislâmica tem medo dela (jihad). ou das cinco práticas da religião islâmica.ict. Ediouro Publicações S. 16 Declaração de fé islâmica: “Não há Deus senão Alá e Mohammad é seu mensageiro. Brasil.il/articles/articledet. p.15 Por outro lado. especialmente para enfrentar a investida dos países infiéis contra os Estados Islâmicos. What Does Jihad Mean? Extraído do site http://www. esperam que todos os muçulmanos participem de jihad como guerra. Mas em condições normais. que será considerado mais adiante no texto. p. posturas e recitações em árabe. D.

Para Compreender o Islamismo. quando o país estava sob o domínio inglês e antes da separação do Paquistão. será desenvolvida em lugar oportuno. somente em situações de inesperado ataque a comunidade islâmica. mas adiante no texto. Publicado pelo Movimento da Juventude Islâmica Abu Bakr Assidik. p. vindo a morrer em 1979. mas como pilar de todas as práticas islâmicas. sugere que nem sempre jihad agressivo é visto como obrigatório. Brasil. S. Aliman Abul A’la. É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e. cuja intenção era trazer a comunidade islâmica contemporânea. todavia. para preservar o estado islâmico e proteger seus cidadãos. Na ocasião. Por outro lado. este é obrigatório. na Índia. Aliman Abul A’la Maududi. organização islamita sediada no Reino Unido. Jihad Is The Pillar of Islam and Its Top Most Part. 22 Hiz ut-Tahrir. jihad era obrigatório a todo muçulmano: “Este sacrifício extremo (referindo-se a jihad) muçulmanos”. O Partido da Libertação. 23 A discussão se jihad foi utilizado ou não para expansão do Islã. Verdadeiramente. Foi autor de vários livros. M. 2. Alguns autores como Streusand portanto.org/english/leafleats/january499. Os muçulmanos não terão uma posição internacional importante sem isto (jihad). não só vê jihad como uma obrigação. Centrais Impressoras Brasileiras Ltda. pois como no passado foi a ferramenta que permitiu a expansão do Islã23. Gráfica e ano não mencionados.2 Limitações se entendermos jihad somente etimologicamente 25 recai sobre todos os Qtub. p. Para Compreender O Islamismo. Parêntesis acrescentado por mim. 137. p. Os islamitas pensam que sim. Maududi nasceu em 1902. hoje não poder ser diferente. Qtub pregou jihad agressivo como norma do Islã.24 Mesmo para o considerado moderado.org/english/leafleats/january499. p. veremos como esta prática contrapõe-se a defensiva. 2.21 Em outras palavras. 101.htm. Jihad Is The Pillar of Islam and Its Top Most Part. devem se envolver em jihad para a libertação do homem. gosteis de algo que vos seja prejudicial. Deus sabe e vós ignorais. Sayyid Mohammad Qtub e nas convicções da organização Hizb ut-Tahrir. jihad é o pilar do dever é a parte mais importante deste. 1. na apresentação do livro de Maududi. embora a repudieis.hizb-uttahrir. Extraído de http://www. Fundamentou sua convicção citando a Surata 2:216: “Está vos prescrita a luta (pela causa de Deus). pois é método que Alá tornou obrigatório para a propagação do Islã.quando este pretende libertar os homens dos usurpadores do poder”. 21 11 .”22 Prossegue em sua argumentação quanto a jihad agressivo como dever islâmico. Não há um total consenso portanto. 1989. Segundo Anwar Abdussalam Al Kabti. muçulmanos islamitas como Bin Laden. em 16/11/2001. e não ficarem parados. Hizb ut-Tahrir. se jihad como luta armada é obrigatório a todos muçulmanos. Normas no Caminho do Islã. quiça.hizb-uttahrir. Extraído de http://www. 24 Hiz ut-Tahrir. em 16/11/2001.htm. 25 Maududi. mais próxima da comunidade islâmica primitiva.

Definir Jihad etimologicamente ajuda-nos a entendê-lo. Limitarmos a isso contudo, não nos levará a uma compreensão mais abrangente. Já vimos que mesmo nos dias de Mohammad, havia um conceito de jihad maior e menor, e isto não se percebe por definição etimológica. Pela etimologia não perceberíamos as mais diversas variações do conceito, como santidade pessoal, defensivo e agressivo. O Dr. Walid Phares, escrevendo como um cristão no contexto do Oriente Médio, em resposta ao artigo publicado pelo Palestine Times em agosto de 1997, chamado: A Christian Perception of Islam, the Struggle for Dialogue and Peace. O artigo provavelmente foi um editorial, pois o Dr. Phares refere-se ao seu autor várias vezes, sem citar seu nome. Em sua resposta, no artigo entitulado: Don’t Pervert History: Jihad Is Jihad, o Dr. Phares questiona o valor da explicação etimológica de jihad, pois esta não contém sua dimensão política. O autor escreve que “Jihad é normalmente traduzido como guerra santa, caracterização que normalmente, contudo, não reflete, totalmente e profundamente, a essência do termo”. Ele explica que “a palavra Jihad vem do substantivo verbal, do verbo árabe Jahada, significando esforço, ou lutar.” É verdade que a raiz linguística de Jihad, vem de Jihd (esforço), ou do verbo Jihad (esforço constante). Contudo, o debate não é sobre o significado lingüístico de Jihad, e sim sobre seu significado político. Por exemplo, ninguém examinaria o conceito de cruzada do ponto de vista lingüístico somente. A palavra cruzada esta relacionada com cruz; se isto o fizéssemos, seu significado seria, “atuar em prol da cruz”. Mas isto não representaria a realidade do movimento, nem seu significado, como se encontra na língua inglesa hoje.26 Independente de seu significado etimológico, o Dr. Phares está convencido que jihad, “historicamente, foi uma ofensiva que moveu os árabes muçulmanos da península árabe, para a Espanha até a Índia”.27 Claro que a opinião do Dr. Phares sobre jihad, somente revela sua convicção sobre o assunto, ou seja, jihad foi utilizado para expansão do Islã. Há outras concepções que ignorou. Contudo, jihad agressivo tem sido uma realidade ao longo dos século. Na sua opinião, prender-se ao significado etimológico de jihad, é esquecer de sua aplicação histórica e prática, o que não seria correto. Aqueles que inventaram jihad no sétimo século, o fizeram para propósitos particulares, e são os autores do conceito, como tais, precisam ser respeitados intelectualmente. Se alguns de seus herdeiros desejam mudar
26

Phares, W. Don’t Pervert History: Jihad Is Jihad. Artigo inicialmente publicado no Palestine Times em Agosto de 1997. Extraído do site http://www.wlo-usa.org/Opinion/Phares/Jihad.htm., em 16/11/2001, p. 1 27 Ibid., p. 2

12

seu significado, do que até então era aceito, deveriam dizer isto claramente e agir segundo este novo conceito. No mundo cristão, cristãos modernos condenaram as Cruzadas. Não rescreveram a história para as legitimarem. Os que crêem que Jihad como guerra santa é um pecado, devem ter a coragem de deslegitimar o conceito como tal, e ter esta prática como proscrita.28 Na verdade, prender-se ao sentido etimológico de jihad, é não só ignorar a concepção crida pelo Dr. Phares, Jihad para expansão do Islã, como as demais existentes. Sua colocação quanto a não chegarmos ao entendimento preciso de uma palavra, se só a analisarmos etimologicamente é boa. Assim como sua colocação, de que não podemos rescrever a história, mas devemos sim, rejeitar o que nela entendemos não ser bom. Contudo, suas observações podem ter sido duras demais, caso o autor do artigo a quem se opunha, aceitasse jihad somente como autodefesa. Isto não ficou claro no mesmo. Talvez o Dr. Phares tenha trabalho somente como uma concepção, ou suposição quanto ao que é Jihad. Certamente que os muçulmanos que entendem jihad defensivamente, discordam da concepção agressiva, e possuem uma leitura da história bem distinta da que foi apresentada pelo Dr. Phares. Precisamos de um entendimento quanto a jihad portanto, que vá além da etimologia da palavra, incluindo nisto as variações do conceito. Entender Jihad então, é mais complexo que compreender significado lingüístico. Sabemos que palavras possuem mais que um significado, dependendo do contexto no qual são usadas. Além disto, algumas representam conceitos religiosos, sociais e políticos. Este é o caso de jihad. Tendo feito as considerações acima, passamos a definir jihad etimologicamente. Isto é um começo necessário, o primeiro passo no processo de entendermos o assunto. 2.3 O significado etimológico de Jihad A raiz de Jihad é jaahada, significando esforçar. Jihad é o substantivo de jaahada. Seu significado dado no dicionário Mufradat of Raghib, o dicionário clássico de termos alcorânicos é o seguinte: “Exercer poder em repelir o inimigo. Jihad é de três tipos: contra um inimigo visível; contra o diabo; e contra o ego, (page 100, na seção letra j, seguida da letra h)”.29 O dicionário Lane’s Arabic-English Lexicon, define Jihad também nestes mesmos termos: Jihad, é um substantivo infinitivo de jaahada, que apropriadamente significa usar ou exercer o máximo de força, esforços ou habilidades,
28 29

Ibid., p. 3. Jihad in Holy Quran and Hadith. Extraído de http://tariq.bitshop.com/misconceptions/jihad/jinqh.htm, em 16/11/2001, p. 1.

13

diante de um objeto de desaprovação; e este pode ser de três tipos, a saber, um inimigo visível, o diabo, o ego; todos estes estão incluídos no termo como usado na Surata 22:77.30 A idéia predominante do substantivo verbal jihad em sua etimologia, portanto, é esforçarse determinadamente ao máximo.31 Na prática, refere-se a jihad como sinônimo de esforço. E neste sentido, jihad é esforço como ação política, econômica e social.32 E assim, pode se referir aos mais variados esforços, como o esforço de um estudante para passar de ano; ou de um empregado para realizar seu trabalho e manter boas relações com o patrão; ou de um político em aumentar sua popularidade com os eleitores; podendo até mesmo, se referir ao esforço de não muçulmanos também.33 Esta variedade de aplicação é vista no Alcorão e Hadith. 2.4 Jihad como esforço no Alcorão e Hadith Vejamos os vários exemplos. 2.4.1 Esforço dos não muçulmanos Um exemplo de não muçulmanos em jihad como esforço, foi dado por M. Amir Ali34 ao citar a Surata 29:8: “E recomendamos ao homem benevolência para com seus pais; porém, se te forçarem (jahadaka) a associar-Me ao que ignorais, não lhes obedeçais. Sabei (todos vós) que o vosso retorno será a Mim, e, então, inteirar-vos-ei de tudo quanto houverdes feito”. Neste caso, pais incrédulos estariam se esforçando para transformarem seus filhos muçulmanos, em politeístas (associar-me ao que ignorais, ou seja, a outras divindades). Isto é totalmente condenado no Islamismo. Mesmo a crença em Jesus como Deus, ou em um Deus trino, também é politeísmo (shirk), pecado que não tem perdão no Islamismo, como vimos no livro, O Islamismo e a Trindade. No exemplo citado, os pais estariam se esforçando, jihad, para tirar os filhos do Islamismo. Além deste caso, o Dr. M. Amir Ali, demonstrou que jihad como esforço determinado tem vários significados especiais. Como os veremos a seguir. 2.4.2 Esforço reconhecendo o Criador e o amando sobre tudo
30 31

Ibid., p. 1 Streusand, D. E. What Does Jihad Mean?. Extraído do site http://www.ict.org.il/articles/articledet.cfm?articleid=402, em 06/11/2001, p. 1. 32 Stacey, V. Islamismo e Cristo: Reflexões Perante o Islamismo. Brasil. Revista Capacitando. Circulação Interna. No. 10. 2001, p. 36. 33 Ali, M. A. Jihad Explained. III&E Brochure Series; No. 18, published by The Institute of Islamic Information and Education (III&E). Extraído do site http://www.csus.edu/org/msa/jihad.htm, em 06/11/2001, p. 1. 34 Como Ali é um nome muito comum, citaremos sempre o nome completo para não nos confundir com uma outra pessoa.

14

III&E Brochure Series. entrar no Paraíso. 2. vossos filhos. dentre vós. para demonstrar que se necessário devem sacrificar tudo.Ó fiéis. 38 Ali. se preferirem a incredulidade à fé. 939. pois é feito com a arma da revelação: “Ele luta o maior jihad.edu/org/msa/jihad. que o muçulmano precisa lutar (esforçarse) para colocar Deus35 em primeiro lugar. 36 35 15 .. No. Extraído do site http://www.htm. M.csus. have striven como traduzido por A. bem como a luta (jihad). ambições mundanas e sobre nossas vidas. com ele (o Alcorão). A. vossas esposas. para permanecer muçulmano. Amir Ali.40 Somente são fiéis aqueles que crêem em Deus e em seu mensageiro e não duvidam. Jihad Explained. A palavra Alá em árabe. p. vossos irmãos. até que Deus venha cumprir os Seus desígnios. com a arma da revelação”. Published by Islamic Propagation Centre International. 39 Ali. Esforço para permanecer no caminho islâmico e para divulgar o Islã M. Amir Ali. Yusuf Ali. p. M. que os tomarem por confidentes. que inclui o uso do Alcorão. III&E Brochure Series. Parêntesis acrescentado por mim. 29:6 e 2:155 e 3:14239: “Pretendeis. 3-4. mas combate-os (jihadhum) com denota..4.38 2. Amir Ali) os seus bens e a suas pessoas pela causa de Deus. amigos e da sociedade A oposição a crença islâmica por parte dos pais. riquezas.edu/org/msa/jihad.36 2. que combatem (jahadu) e que são perseverantes?”. Allah.4. esforçarem neste sentido ao máximo. os bens que tenhais adquirido. 2. Citou então a Surata 49:15. acima dos pais. acaso. Parêntesis acrescentado por mim. Sabei que Ele não ilumina os depravados (Surata 9:23-24). Jihad Explained. são-vos mais queridos do que Deus e Seu mensageiro. amigos e sociedade. Segundo M. 40 Ibid. como a Surata 22:78. published by The Instiute of Islamic Information and Education (III&E). aqueles. cuja estagnação temeis e as casas nas quais residis. o uso do Alcorão em Jihad contra os críticos do Islamismo é o maior de todos. p. Dize-lhes: Se vossos pais.csus. 37 Ibid. No. citou vários versos do Alcorão para estabelecer que é necessário perseverança. em 06/11/2001. Amir Ali provou seu ponto ao citar a Surata 25:52: “Não dês ouvidos aos incrédulos.htm. não tomeis por confidentes vossos pais e irmãos. aguardai.. Gráfica e ano não especificados. é tanto usada no Alcorão como na Bíblia para Deus. M. published by The Instiute of Islamic Information and Education (III&E). Extraído do site http://www. The Holy Qur’na. o comércio. Ali. 18. A. p. mas sacrificam (esforçam com seus bens. 2. serão iníquos. sem que Deus Se assegure daqueles. Nota 3110. Yusuf Ali e destacado por M. precisa ser resistida por meio de um esforço. vossa tribo.3 Esforço resistindo a pressão de pais. 18. para permanecerem muçulmanos. A. está claro nestes versos. em 06/11/2001.37 Segundo A. Yusuf. dentre vós.4.. Estes são os verazes”.. p.

(Sahih Al-Bukhari no. que ensinam que é necessário esforço na prática de boas ações. Em I ‘tisam bil Kitab wal Sunna. Yusuf Ali. Amir Ali.5 Esforço para praticar ações justas Ações justas para M. disse: “A senda permanece aberta. são as que esforçam na causa de Alá.edu/org/msa/jihad. 43 Ali. um partido de minha comunidade não deixará de ser triunfante sendo os que Ibid. Além das citações alcorânicas. “Então se esforce em servi-los. 5972)”. Ibid. p. é propagar o Islã. 44 Ali.42 A. Yusuf. No. 96:11.htm.csus. Um outro homem. se guardarem seus corações para Deus e trabalharem em esforço (jihad) certo. 3. assim não deveríamos participar nisto?” Ele respondeu. p. numa certa ocasião perguntou: Que tipo de jihad é melhor? Ele respondeu. naquilo que lhe é agradável e tido por certo. ao comentar a parte do verso 69 da Surata 29. Um homem perguntou: “Deveria participar em Jihad? Ele respondeu (Mohammad). O profeta disse.Demonstrou também que perseverança é necessária para comunicar a mensagem do Islã (Surata 41:33). almas e recursos.44 Um outro exemplo de Jihad como esforço em boa ação. III&E Brochure Series.. Published by Islamic Propagation Centre International. (Sunan Al-Nasai no. “Ó mensageiro de Alá. encaminhá-los-emos pela Nossa senda. O mensageiro de Alá disse: O mujahid é o que esforça-se contra si mesmo em favor de Alá. quanto àqueles que diligenciam (jahadu. The Holy Qur’na. “Mas o melhor dos jihads é uma perfeita Hajj (peregrinação a Meca). 3. A. Jihad Explained. Aisha. Sabei que Deus está com os benfeitores”. se esforçar na causa de Alá. 4209)”. Nota 3503.4. e não os que se envolvem em lutas. A. “Você tem pais? O homem respondeu que sim. há várias tradições (Hadiths). encontra-se em Al-Bukhari.41 2. 3. Os que isto fazem são os verdadeiros mujahids (os que participam de Jihad). published by The Instiute of Islamic Information and Education (III&E). é o mais claro no ponto que jihad não é usado exclusivamente para luta. “a palavra da verdade em vez de dirigente opressivo”. Extraído do site http://www. (Al-Bukhari no. no quarto capítulo lê-se isto: “O dito do Santo Profeta. 42 41 16 . (Sahih Ibn Hibban no. a esposa do profeta perguntou. de todas as coleções de Hadith. p. A boa ação neste caso. como enfatizado por Amir Ali) por nossa causa. 4862). com todas suas mentes. diligenciam por nossa causa.. Bukhari. Gráfica e ano não especificados. 2784)”. encaminhá-los-emos pela Nossa senda. vemos jihad como a melhor das ações. Citou então a Surata 29:69: “Por outra. 1048.43 Jihad neste caso é então. p. 18. M.

Notes on a Theme in Islamic Spirituality. e nem outro. tem tido enorme influência entre os sufistas..49 Neste caso. Percebemos então. p. D.. que já naquela época havia distintas concepções. e a partir daí surgiram os xiítas que escolherem Ali como o líder. “Al-Jihad al-Akbar. deveria ser o Califa. jihad é concebido como uma luta interior e não política.45 2. não é formado por lutadores. e dos Assassinos Jihad in The Holy Quran and Hadith. mas por pessoas de estudo. ahl al—‘ilm (homens de estudo)”. p.50 Esta concepção sufista de jihad. Assim na visão de Bukhari. Mohammad teria ensinado que jihad. Ele foi revolucionário em seus dias.47 Mesmo que a tradição acima não conste nas coleções de Hadith mais autoritativas. Ele disse: Bem vindos. Houve uma divisão. vós viestes do Jihad menor para o maior. Lutou contra os mongóis e os cruzados.48 Os sufistas entendem jihad como uma luta contra as tentações de instintos básicos e contra o politeísmo. Extraído de http://tariq. Segundo o Hadith. e muito ativo em jihad como luta armada. 3. seguindo a tradição deixada pelos Kharijis51 do sétimo século.. 49 Ibid. What Does Jihad Mean?. Part 1. 47 Sufistas são muçulmanos voltados a inúmeras práticas místicas. houve os 45 17 . p. Como este jihad obtêm-se insights espirituais. 70. como esforço contra os baixos desejos. “Um grupo de soldados foram até o Santo Profeta (vindo de uma batalha). A questão foi por fim levada aos companheiros de Mohammad. é menos importante que jihad. 3-4. como Ibn Taymiya (1268-1328). recebeu oposição por parte daqueles que o concebiam politicamente. 5-6. constitui então. Al-Tasharraf.ict. como em Al-Bukhari. p. enquanto que jihad como luta armada. participação em guerra. ou luta contra os baixos desejos. Estes são os aprendizes. p. Extraído do site http://www.cfm?articleid=402 em 06/11/2001. Entre os seguidores de Ali. 225-242. 48 Streusand. 46 Ibid. E. que é o Jihad maior? Ele disse: O esforço de um servo contra seus baixos desejos. Citando John Renard.bitshop. O jihad maior era uma luta para pureza pessoal. 4.org.il/articles/articledet. como já dizemos.com/misconceptions/jihad/jinqh. lutar.5 Jihad como santidade pessoal Já vimos como devido a uma tradição. que disseminam a verdade e estão engajados na propagação do Islã.sustentam a verdade. p. em 06/11/2001. Ibn Taymiya construía sua prática islâmica. o partido vitorioso dos que pertencem a comunidade do Profeta. era o menor. Alguém perguntou. p. Muslim World 78 (1998). 50 Ibid. esforçando-se contra a impureza interior. A idéia de esforço. Retirar-se do mundo em busca mística.46 Neste caso jihad é controlar. 4 51 Houve disputa entre os muçulmanos para decidirem se Muawiya. num avanço em jihad maior.htm em 16/11/2001. ou Ali deveria ser o quarto Califa. Decidiram que nem um.

6 Jihad defensivo Streusand afirmou que há outras palavras em árabe que sem obscuridade se referem a guerra. apesar de não ser tão influente como jihad político. 1986.ict. qualquer um poderia ser o Califa. 1988. p. p. 57 Ibid. The Translation of the Meaning of Sahih al-Bukhari. como para Taymiya. D. sob um governo islâmico. Chicago: Universaty of Chicago Press. Decidiram que os demais muçulmanos eram apóstatas e os atacavam. que este refere-se a luta armada. Certamente que há muita diferença entre luta para autodefesa. Brasil. de luta armada.cfm?articleid=402 em 06/11/2001. 1.56 Além disto. 56 Ibid. 6. R. Escolheram Abdulah como Califa. e luta como forma revolucionária para implementação da Xaria. mas em secreto atacavam com crueldade. como algo inventado. 52 “Os assassinos era liderados por Hussan II.il/articles/articledet. como al-Bukhari. porque então havia permitido que a questão fosse decidida por homens. Tornaram-se grandes recitadores do Alcorão.. esta forma de jihad é ainda praticada no mundo islâmico. 8 vols. A palavra assassino vem de hashishiyun – haxixe em persa-. Edição 169. 22. p. Editora Abril. p. mas foram se exterminado. Citando Bernardo Lewis. Segundo este grupo. What Does Jihad Mean?. Ibn al-Qayyim al-Jawziya (1292-1350). 45. aparentemente era pacíficos. considerou a tradição sobre o maior jihad. De Judas a Bin Laden. entendiam Jihad como uma obrigação militar. 53 Streusand. se considerarmos sua raiz. droga que os Nizarins supostamente inalavam antes de saírem às ruas para matar sultões. ou de esforço na forma de guerra. Contudo. mulás.52 Tanto para estes. juristas e tradicionalistas muçulmanos. 1. (New York. os Kharijis. Macmillan. pois se Alá o havia escolhido para ser o Califa.” Burgierman. D. E.org. The Neglected Duty: The Creed of Sadat’s Assassins and Islamic Resurgence in the Middle East. Khan. contém sua medida de ambigüidade. não verídico.Outubro de 2001. pois matavam seus próprios líderes.. que há debate em torno de seu conceito. Bernard Lewis descobriu que a grande maioria dos teólogos clássicos. The Political Language of Islam.Fikr:1981) 4:34-204. (Medina: Dar al. 54 Ibid. Contudo. p. p. 55 Ibid.54 2.53 O discípulo de Ibn Taymiya. 72 18 . Em outras palavras. Citando Johannes J. como deviam. que ficaram bravos. que em suas opiniões não impunham a Xaria. 1.57 Há uma conotação em Jihad então.55 Jihad em si. era correto fazer jihad contra dirigentes islâmicos. grão mestre dos Nizarins. ulemás e xeques. p. Extraído do site http://www. 102. ambos chamados The Great Jihad. um grupo dissidente islâmico que entraria para a história com outro nome: Ordem dos assassinos. pois há 199 referências nas coletâneas de tradições mais aceitas. as quais assumem que jihad é luta armada. 2. transl..do século 9. Revista Super Interessante. p. e isto seria visto pela recitação do Alcorão e pela Sunnah (seguir o exemplo de Mohammad). por isso. Jansen. vizires. por meio dos quais pedia que as idéias sufistas fossem mais difundidas. Citando Muhammad Ibn Isma’il Bukhari. Deixarem Ali e formaram um grupo a parte. G. como qital e harb. é inegável que há na palavra uma conotação bélica. Muhammad M. É inegável porém. Sadat escreveu dois artigos para o jornal Sufista em 1958 e 1979. e seu uso em passagens do Alcorão e no Hadith.. a despeito de Jihad significar esforço.

H. A argumentação é convincente e equilibrada. Hammudah Abdalati58. Deus os teria aliviado. Tal revelação segundo Abdalati. pararam-se as perseguições. publicado na Malásia em 197859. como em Meca. só depois de ter recebido permissão divina. 59 A variação de ortografia de Islã para Islão. quando um representantes de cada tribo o golpearia na cama. 60 Abdalati. o Islão nunca 58 Graduado pela famosa Universidade de Al-Azhar no Cairo. p. porém é questionada pela concepção agressiva. Malaysia. até ao ponto dos opositores de Mohammad preparam-se para assassinálo. a crerem no Deus Único e Verdadeiro. da liberdade e da paz. Como resultado.Aqui trataremos somente de jihad defensivo. Seu apelo foi recebido com resistência. 221-225. Segundo Abdalati. ou morriam. em língua portuguesa. encontra-se na Surata 22:38-41. nos primórdios do Islamismo. lutou após ter sido agredido pelos maquenses (moradores de Meca. Foi professor de sociologia em Siracusa nos EUA. O Islão Em Foco. Neste caso. jihad só foi praticado pela pregação e divulgação do Islã. explica-se pelo fato do tradutor viver em Portugal. Do contrário. Bhd. Contudo. que apoia jihad defensivo nos termos do parágrafo acima. ou tribo dos coraixitas). o termo é utilizado para guerra. diz respeito a natureza e propósito das guerras. Mohammad teria recebido a permissão para imigrar para Medina (Surata 8:30 e 9:40). Segundo os muçulmanos que concebem jihad defensivamente. Mesmo que na ocasião tenha usado a força.60 A conclusão de Abdalati portanto. Segundo este autor. segundo Abdalati. Conforme passou a pregar abertamente veio a ser perseguido. é um bom exemplo de como se desenvolve o raciocínio. Em outras palavras. Mohammad sob ordem divina convocou uma reunião pública para chamar os presentes. ou se defendiam. A questão que se lida quando se discute jihad como luta armada. jihad como guerra foi em autodefesa. A história islâmica encerra. Os fatos teriam se desenvolvido. Polygraphic Press Sdn. quando já estava em Medina. Sendo assim. Nem por isso. autor do livro. naturalmente. o fez segundo os muçulmanos. a qual será abordada no próximo item. após ter sido agredido. é que os muçulmanos só puderam lutar em autodefesa. de autodefesa e restauração da justiça. 19 . Contudo nesta ocasião. ao ponto de terem sido boicotados por um tempo. episódios de guerra legal e justificada. 1981. os coraixitas passaram a organizar saques e ataques contra a comunidade islâmica. somente em situações que Mohammad participou de batalhas. em Estudos Islâmicos. sua comunidade teria sofrido brutalidades. Embora tão realista em sua abordagem (quanto as guerras). quando deu-lhes uma revelação que os permitia lutar em legítima defesa. após terem sido agredidos. O Islão Em Foco.

se algo não tivesse sido feito. ou para ganhos materiais por meio de saques. Normalmente citam somente os versos 39 e 40 desta Surata. igrejas. Segundo este Hadith. onde o nome de Deus é freqüentemente celebrado. 226-227.bitshop. um de uma tradição de Bukhari. 63 Extraído do site http://tariq. sinagogas e mesquitas. em 16/11/2001. 2-3. teria então ocorrido uma grande destruição de mosteiros. Itálico acrescentado por mim. do verso 52 da Surata 25.64 Procurou estabelecer seu ponto de vista.htm. citando mais dois exemplos. Estes não estão satisfeitos com aquela tese simplista sobre a expansão do Islão pela força. São aqueles que foram expulsos injustamente dos seus lares.com/misconceptions/jihad/jinqh. Na ocasião portanto. ou jihad. contém a revelação que permitiu os muçulmanos se defenderem dos ataques. e outro de uma comentário feito por Razi. pois foram atacados e expulsos injustamente de seus lares. p. só foi permitido em autodefesa.. Eles atribuem esta expansão às guerras de agressão iniciadas pelos muçulmanos.62 Assim como Abdalati. pela força. Há ainda outra tese defendida por certas pessoas. e injustiças que sofriam. está convencido também que combate. Ele permitiu (o combate) aos que foram atacados. p. o mais longe possível. teriam sido destruídos mosteiros. nem de qualquer outra origem. recusou a lutar tomando partido 61 62 Ibid. que foram motivados por necessidades e circunstâncias econômicas. Surah 2. Abdalati claramente se opôs a posição de que jihad teria ocorrido para expansão do Islã. 20 . o Califa Ibn Umar.61 Parêntesis acrescentado por mim. Deus é Poderoso para socorrê-los. igrejas. após esta revelação. vários autores entendem que a passagem alcorânica. chapter 30.. em verdade. A tradição de Bukhari encontra-se no Book of Tafsir under verse “Fight them till there is an end to mischief”. 219-220. Surata 22:3841. p. Há muitos que pensam que aqueles muçulmanos foram impulsionados pelo fervor religioso a expandirem o Islão. Uma outra tendência interpretativa é a daqueles pretensos intelectuais ou autoridades e críticos esclarecidos. como defesa pela espada. só porque disseram: Nosso Senhor é Deus! E se Deus não tivesse refreado os instintos malignos de uns em relação aos outros. assim como não entreteve guerras de agressão e não iniciou tais guerras. sinagogas e mesquitas. O autor do artigo Jihad in Holy Quran and Hadith63. Ibid.tolerou a agressão da sua própria parte. que atribuem às guerras muçulmanas à paixão pelo saque e pelas incursões.

Outros dizem que se refere a lutar.htm em 16/11/2001. Razi nasceu em 543/1149. El. 330). contra os coraixitas de Makka.com/misconceptions/jihad/jinqh. 6. 70 Ibid.. quando a pequena comunidade muçulmana não apenas lutava pela sua própria existência. pois este foi revelado em Meca.bitshop. 67 Jihad in The Holy Quran and Hadith. S. Como não havia nenhum perigo imposto pelos não muçulmanos. 1994. ou imposição aos não muçulmanos. 69 Berry. 6. mas sim. Costumava atrair inúmeros alunos para suas palestras. Zakaria El Berry. apoia-se no comentário de Imam Fakhar-ud-Din Razi.. 3. Sua explicação baseava-se no fato. Umar segundo esta tradição então. o primeiro significado é o mais correto.69 Procurou demonstrar a credibilidade de sua opinião. teve muitos inimigos.68 O Dr. por email. p. foi a tentativa de reconciliar filosofia e tradições religiosas. em 11/03/2000. Os Direitos Humanos no Islã. feroz e amante da desordem. argumentava que Jihad pela espada não era uma obrigação. Segundo Fareh.66 Na Surata 25:52 diz: ““Não dês ouvidos aos incrédulos. Centro de Divulgação do Islã Para A América Latina. p. E a ordem de lutar foi dada em Medina (Tafsir Kabir. p. Extraído de http://tariq.67 Samir El Hayek também entende que a Surata 22:39-40. Brasil. forçando-os a abraçarem o Islã. O trabalho principal de sua vida. na ocasião. 42. Há os que dizem que se refere as ambas atividades. apoia a posição de jihad em defesa própria. alguns dizem que se refere aos esforços de pregação. Brasil. 21 . Iv. 60:8-9 e 9:5. p. MarsaM Editora Jornalística. 43. p. para combater a agressão. citando também as Suratas 2:190 a 194. sobre este verso Razi afirmou : Quanto ao verso combata-os com denoda. afirmou o seguinte em favor de jihad defensivo: “A maior parte dos jurisprudentes confirmam. Z. com ele (o Alcorão)”. Ele respondeu que lutar era necessário quando os muçulmanos eram poucos. que a luta foi permitida não para difusão da religião. por isso. Centrais Impressoras Brasileiras Ltda. Seus ensinos eram polêmicos. A permissão para que um povo virtuoso lute contra outro povo. e o Islã estava em perigo. possuindo o título. R. mas pela própria existência da Fé no Único e verdadeiro Deus. e por isso. não era certo fazer jihad. após citar a Sura 22:39-40.65 Seu último argumento em favor de jihad em autodefesa. p. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado. 66 Fareh.. p. era plenamente justificada.386.entre dois grupos de muçulmanos. em Al Raiy. Contudo. Shaikh al Islam. mas combata-os com denoda. pois isto não seria em autodefesa. Ibid. vindo a morrer em 606/1209. 68 Hayek. que os muçulmanos não estavam sob ataque.70 64 65 Ibid. Era possuidor de um racionalismo invejável para sua época. Foi um grande e respeitado erudito do Islamismo. vol.

A guerra é somente permissível em defesa própria. 72 Ibid. senão contra os iníquos (verso 193). porém. como os versos 190 e 193 da Surata 2. Mas.csus. igualmente. 73 Hayek. na mesma proporção.. de que os muçulmanos só podem fazer jihad em autodefesa. 1994. também citou também a Surata 22:39-4071. apoiando jihad defensivo. da mesma forma. em 16/11/2001. os muçulmanos ficariam livres para. 4. as cercanias de Makka eram consideradas sagradas. 33 22 . aqueles que vos combatem.. os limites rigorosos não devem ser molestados. Porém. p. À semelhança disso. Além disto. não pratiqueis agressão. Nota 77. Ao comentar a Surata 2:190 Hayek disse. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sagrada. se uma das partes não a respeita. Ou talvez a palavra “reciprocidade” expresse melhor essa conjuntura. se desistirem. para estabelecer jihad defensivamente. porém.74 71 Ali. se ali vos combaterem.M. mas no sentido de restabelecer a paz e liberdade de culto a Deus.72 Está claro nos mesmos. ela deve ser conduzida com vigor. 4. M. Brasil.htm. sobre os versos 190 e 194. III&E Brochure Series. A. nem tampouco a paz deve ser negada quando o inimigo a propõe. matai-os. e todas as profanações serão castigadas com a pena de talião. Combatei. Qualquer convenção torna-se ineficaz. Jihad Explained. e com limites bem definidos. combatei-os no mesmo mês. porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. p. 18.33 74 Ibid. E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. a menos que vos ataquem. e em seguida o comentário de Hayek. locais em que a guerra era proibida. El. porque Deus não estima os agressores (verso 190).73 Ao comentar o verso 194 da Surata 2 afirmou. Amir Ali.edu/org/msa/jihad. rechaçai-o. temei a Deus e sabei que Ele está com os que o temem (verso 194). Matai-os onde quer que os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram. as árvores e as plantações não devem ser extirpadas. citou outras passagens alcorânicas. Transcrevemos a Surata 2:190-194. Se vos atacarem no mês sagrado. Se os inimigos do Islã infringissem tal conceito. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado. Itálicos acrescentados por mim. Tal será o castigo dos incrédulos (verso 191). pela causa de Deus. Tem de haver uma lei de igualdade. De qualquer modo. Extraído do site http://www. published by The Instiute of Islamic Information and Education (III&E). Ibid. não haverá mais hostilidades. Uma vez empreendida. p. o infringirem. MarsaM Editora Jornalística. No.. não de modo implacável. S. p. A quem vos agredir.

75 A Surata 16:125. Centrais Impressoras Brasileiras Ltda. Deus sabe e vós ignorais. 1994. S.Além destas duas Suratas citadas até o momento. p. neste mundo e no outro. até que o mensageiro permitiu que pegassem em armas. Centrais Impressoras Brasileiras Ltda. 47-48. Berry. El. Há outras passagens no Alcorão. Zakaria El Berry. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado. Brasil. 77 Hayek. e serão condenados ao inferno. Itálico acrescentado por mim. Nota 52. p. Z. Está-vos prescrita a luta (pela causa de Deus).77 Há muitos outros versos no Alcorão. privar os demais da Mesquita Sagrada e expulsar dela (Makka) os seus habitantes é mais grave ainda. Surata 9:5. É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e. O comentário de Hayek sobre esta passagem reforça sua convicção de jihad defensivo. Os incrédulos. aos olhos de Deus. A intolerância e a perseguição. Brasil. onde permanecerão eternamente. Os Direitos Humanos no Islã. p. causaram. se fordes pacientes será preferível para os que forem pacientes”. 41. porém. por parte de uma súcia de idólatras de Makka. 23 . até vos fazerem renunciar à vossa religião. aqueles dentre vós que renegarem a sua fé e morrerem incrédulos tornarão as suas obras sem efeito. Quanto a este verso. que ensinam a guerra contra os idólatras. Surata 22:39-40 e 2:190-194. não cessarão de vos combater. Brasil. Centro de Divulgação do Islã Para A América Latina. Centro de Divulgação do Islã Para A América Latina. seguidos dos comentários de Hayek. O mais famoso é o chamado verso da espada. Z. para efetuarem a defesa própria. inenarráveis adversidades ao Mensageiro do Islã e aos seus companheiros.78 O citamos.. 37. todavia. Os Direitos Humanos no Islã. dize-lhes: A luta durante este mês é um grave pecado. foi citada pelo Dr. assim como o verso 36 da mesma Surata. Quando te perguntarem se é lícito combater no mês sagrado. Na mais estrita eqüidade não devemos desferir golpe maior do que aquele que recebemos. São outros exemplo que procuram alicerçar o 75 76 Ibid. negá-lo. Eles suportaram tudo com humildade e incansável paciência. enquanto puderem. que permite a guerra em autodefesa. embora a repudieis. como a Surata 2:216-217. Hayek diz o seguinte: “As palavras (estas do verso 125 da Surata 16) são suficientemente amplas para cobrirem todas as porfias. MarsaM Editora Jornalística. 78 Berry. 314. quiça. desviar os fiéis da senda de Deus. para alicerçar a concepção de jihad defensivo76: “Quando castigardes. segundo a perspectiva de alguns muçulmanos quanto a isto. porque a perseguição é pior do que o homicídio. porém. porém. gosteis de algo que vos seja prejudicial. fazei-o de mesmo modo como fostes castigados. disputas e lutas humanas.

753.81 Todas referindo-se as perseguições.Nabi And The Orientalists. ou de assédio. Brasil. por um pretexto ou por outro.. Embora a defesa do Islamismo não seja um dogma fundamental. tal é a religião correta. forçando-os a imigrar para Medina. Durante estes meses não vos condeneis.conceito de jihad defensivo. (Surata 9:5). De acordo com o termo português. Muhammad Mohar Ali. Mas quando os meses sagrados houverem transcorrido. p. Sabei que Deus é Indulgente. ou de emboscada e outros estratagemas. (Surata 9:36). caso se arrependam. e combatei unanimemente os idólatras. 216. Quatro deles são sagrados. como consta no Alcorão. Para Deus o número de meses é de doze. `a sua necessidade e importância. S.80 Comentando a Surata 9:36. que os muçulmanos teriam passado em Meca. como oposição a opressão. Jihad significa esforço máximo e contínuo de cada um. está certamente empenhado em Jihad. segundo a interpretação de alguns muçulmanos. Arábia Saudita. p. abri-lhes o caminho. e sabei que Deus está com os tementes. Jihad é uma das partes da defesa do Islamismo. matai os idólatras. M. tal como eles vos combatem. O combate até poderá tomar a forma de matança. o jurista islâmico Alimam Abul A’la Maududi. 1997. El.79 Comentando a Surata 9:5.. Mas em linguagem vulgar. porém. no Alcorão e no Hadith (tradições). M. 81 Ali. observam a oração e paguem o zakat. onde quer que os acheis. repetidamente. ela deve ser encetada com vigor. perpetram a 79 80 Hayek. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado. É-lhes dito que não se deixem enganar quanto a isso. ou de aprisionamentto. p. segundo esta posição. disse que Jihad deve ser empreendido como guerra se necessário. Misericordiosíssimo. Neste contexto de perseguição era-lhes lícito se defenderem. 3:195 e 8:30. desde o dia em que Ele criou os céus e a terra. Além destes autores. Quando a guerra se torna inevitável. não se pode lutar com “luvas de pelica”. 24 . capturai-os. devido aos seus escrúpulos quanto aos meses proibidos. 16:41. King Fahd Complex For The Printing Of The Holy Qur’an & Centre For The Service Of Sunnah and Sîrat Madinah.. era-lhes permitido que se defendessem em todos os meses. acossai-os e espreita-os. Sîrat Al. 216. foi dada ênfase.. como reza o Livro Divino. como inimigos do Islamismo. Os muçulmanos viam-se em desvantagem. acrescenta a lista de passagens alcorânicas citadas até o momento. também as Suratas 59:8. poderá significar “guerra justa” empreendida em nome de Deus e contra aqueles que. MarsaM Editora Jornalística. Ibid. Quantos a estes versos Hayek comentou. Um homem que se empenha física ou mentalmente ou que gasta a sua saúde “ao serviço de Deus”. 1994. Caso os idólatras combatessem em todos os meses.

83 O porta voz do papa João Paulo II. Mesmo que deploremos todas as formas de guerras.. continuando livre. esta defesa tomou a forma de luta para libertação nacional. mas há neste tipo de posição defensiva quanto a jihad. 1989. Torcemos para que a maior parte dos muçulmanos venham compartilhar desta posição. 136-137. 82 25 . p. Esta tem a vantagem de ter consenso com o artigo 51 da carta da Nações Unidas (autodefesa). Não que apoiemos as guerras. 84 Ibid. gostaríamos que prevalece-se. e com a opinião do Vaticano a este respeito. Às vezes. pois é preciso notar que em nome da paz. Editora Abril. p. isso significa que um país agredido tem o direito natural de revidar para se defender. foram cometidas muitas injustiças. impõe-se aí o direito à autodefesa. do domínio inglês na Índia. Brasil. Aliman Abul A’la. A idéia de jihad em defesa própria portanto.84 Vemos que jihad defensivo procura alicerçar-se em versos do Alcorão.82 Itálicos acrescentados por mim. Contudo. p. Quando a Guerra É Justa. quando se pensa em jihad como guerra. A linguagem extremamente cautelosa do artigo 51 estabelece: “Nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva no caso de ocorrer um ataque armado contra um membro das Nações Unidas”. em resposta a uma agressão. ainda que implique o uso de meios que possam ser agressivos. do ponto de vista do direito internacional. pela Carta das Nações Unidas. causadas por convicções religiosas. 65. Provavelmente esta seja a opção mais aceita hoje em dia. Este sacrifício extremo de vidas recai sobre todos os muçulmanos. Revista Veja. questiona-se se de fato historicamente jihad foi defensivo. monsenhor Joaquín Navarro Valls. pois é a que permitirá a existência de sociedades pluralistas sem guerras de agressão. Nesse sentido. ou se foi exercido agressivamente para implantação Maududi. 83 Artigo Especial. é bem difundida entre os muçulmanos. afirmou após o atentado de 11 de setembro de 2001 em Nova York: Se alguém causou um grande dano à sociedade e se existe o risco de que. o papa não é um pacifista. 66. Estes parecem transmitir a idéia de que os muçulmanos foram previamente agredidos. possa voltar a fazê-lo. Mais tarde veremos como que para Maududi. Centrais Impressoras Brasileiras Ltda. O exercício da força de um Estado contra outro é governado. é mais prudente reagir do que ser passivo. Para Comprender o Islamismo. Certamente é a opção que como não muçulmanos. São Paulo. um consenso com o princípio de autodefesa.opressão. Em linguagem popular. 3 de Outubro de 2001.

Islam As It Sees Itself As Others See It As It Is.7 Jihad Agressivo Veremos como que na opinião de Mamede. também ensinou que jihad foi para expansão do Islã. Qtub. 938.. como em Sahih Muslim III. Apenas os primeiros quatro Califas. Jihad – serviu naturalmente para a expansão da Fé. temos uma exemplo de variedade de convicção entre os muçulmanos. 219-220.. esse esforço. Malaysia. alguns anos após a morte do Profeta. Nos primórdios do Islão. Abdalati. Nosso próximo item questiona esta posição. citando várias fontes. A palavra árabe jihad deverá traduzir-se corretamente por esforço no caminho de Deus. segundo a legislação por Ele dada. 26 .. a aproximação para passarem à coexistência e ao diálogo. 1981. Começamos a ver ambas as possibilidades a seguir. é a palavra dada a toda luta que um muçulmano deve lançar contra o mau na forma em que esteja. Assim jihad no Islã não é um ato de violência direcionado indiscretamente contra os não muçulmanos. Mas ressaltam também haver base nas tradições para um entendimento oposto. Omar (634-644). Entre eles temos Gerhard Nehls and Walter Eric. Polygraphic Press Sdn. 44. 2. No próprio livro de Abdalati. houve jihad para expansão do Islã. cada vez mais. O tradutor Suleiman Valy Mamede. Na época presente. tanto as “guerras santas” – de acordo com o significado que se dá no Ocidente – como as cruzadas. como tal. mesmo que isto seja ultrapassado hoje. deve sempre prosseguir o seu esforço para continuar fazer reinar e estender sobre a terra os direitos de Deus previstos no Alcorão (9:20).85 Itálicos acrescentados por mim. reuniam simultaneamente os dois poderes atrás referidos. C. Estão conscientes de que há tradições que apoiam jihad defensivo. escreveu na nota introdutória.. e finalmente à cooperação. Bhd.da Xaria. Além destes. Eric e Streusand. respectivamente Abu Becre (reinou de 632 a 634 d. estão felizmente ultrapassadas. altura em que os Califas (isto é. ou se foi exercido agressivamente para os propósitos que Abdalati se opôs. Presidente da Comunidade Islâmica em Lisboa em 1978. 85 Suleiman Valy Mamede em nota editorail no. A sua idéia central é esta: a Comunidade. Nehls. O Islão Em Foco. com a intenção de remover a idolatria e implantar um regime que se submete a Deus. H. p. como para expansão do Islã e para saques. Sayyid M. os representantes do Profeta na terra) deixaram de reter simultaneamente o poder temporal e espiritual. O Islão Em Foco. Otman (644-656) e Ali (656-661). Alguns autores procuram fundamentar este tipo de entendimento. que jihad foi utilizado para expansão do Islã. que escreveram o livro. porém esta idéia foi abandonada. e os homens e suas culturas procuram. p.

El.. ou tornarem-se Zimmis. acredita-se que mulheres fazia parte do encorajamento para jihad. há o paraíso eterno e um grande benefício espiritual. que se tornou um significado técnico. p. 412). e possuírem todos os direitos desta comunidade. 89 Ibid. i. tacitamente dispostos a se submeter aos ideais impostos pelo Estado Muçulmano. Abu Hurairah relatou que o mensageiro de Alá disse: Para qualquer vila que vá e se estabeleça. 340 – na nota explicativa).86 Por outro lado. Este tipo de jihad é condicionado a um motivo puro i. S.e. p. 253. a saber: aceitar o Islã. Além destes duas motivações. era uma capitação exigida daqueles que não aceitavam o Islã. lá há sua porção. Segundo alguns juristas. que informam claramente ter havido nos primórdios do Islã. há grande ganho com os despojos e com a conquista de um país.e. ou serem mortos caso Nehls G. MarsaM Editora Jornalística. 28. e qualquer vila que desobedeça a Alá e seu mensageiro. 1994.. 28. 440). . 87 Ibid. como o uso de jovens virgens. Se a derrota ocorre. Se a vitória é conseguida. p. para o estabelecimento do reino de Alá na terra (Mishkat II. Este é o melhor método de ganho tanto espiritual como temporal.87 Jihad nesta citação é concebido em autodefesa. segundo a Surata 8:41). (Mishkat II. And Eric W. um quinto é para Alá e seu mensageiro (Mohammad. 86 27 . as vezes concessões foram feitas aos soldados para recreação. 88 Ibid. Published by Life Challenge Africa. mas que concordavam em viver sob a sua proteção. Nehls and Eric citam mais duas tradições. constam as motivações para jihad. Esta possui suas funções materiais e morais. 1995. Islam As It Sees Itself As Others See It As It is.88 O penúltimo parágrafo e os itálicos foram acrescentados por mim. auto preservação e a preservação da ordem moral no mundo. e o restante para vós. p. p. inclusive a de pagar o imposto jizya90. p. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado. p.89 Uma vez derrotados. Hayek. Jihad é o maior dos atos meritórios aos olhos do Islã e é a melhor fonte de ganhos. 28-29. os não muçulmanos tinham três escolhas. p. enquanto que o derivado. Brasil. deste modo. 29. p. 220. motivações para ganho material e expansão. (Miskhat II. estando. as quais se opôs Abdalati. porém explica que o mesmo era fonte de muito ganho.Qilal fi sabillah (lutando na causa de Deus) é somente um aspecto de jihad. 90 Segundo Hayek: Seu significado é compensação. Mesmo este qilal (lutar) no Islã não é um ato de brutalidade desequilibrada. Kenya. mas deve ser levado a cabo somente com a intenção de autodefesa. com todas as restrições impostas aos não muçulmanos. que não pode se comparar com qualquer outra fonte. na prática de jihad.. (Mishkat II. estão também conscientes de que em outras fontes islâmicas.

escolhessem permanecerem idólatras.91 Sendo assim, fora os ganhos com os saques e despojos, havia também o ganho com jizya. No caso da conquista de Khaibar, além de jizya, os judeus tiveram que passar a pagar cinqüenta porcento da produção da terra para Mohammad (Miskhat II, p. 455 – nota de rodapé).92 Sendo este o caso, houve incentivo material e desejo de expansão do Islã, na prática de jihad como guerra no início do Islã. Tendo isto em mente, interpretasse os versos do Alcorão que ordenam matar os incrédulos e idólatras, tais como, nas Suratas 9:5; 47:4; 9:29; 8:39, como jihad agressivo em prol destas motivações.93 De qualquer maneira, há tradições que apoiam ambas interpretações, defensiva e agressiva, como já vimos. Streusand está entre os que vê jihad, inicialmente como prática para a expansão do Islã. Mostrou em seu resumo histórico, que até a época moderna havia três concepções. O jihad maior para santidade pessoal; jihad, segundo o conceito desenvolvido por Ibn Taymiya, contra dirigentes islâmicos, que não impunham a Xaria como deviam, ou não eram tão islâmicos como deveriam; e jihad para expansão do Islã.94 Jihad para expansão do Islã, provem do conceito por meio do qual o mundo está dividido em duas áreas; a islâmica, Casa do Islã, Dar al-Islam; e a não islâmica, Casa da Guerra, Dar alHarb. Isto implica em guerra perpétua até que a área não islâmica esteja sob o domínio do Islã, tornando-se Dar al-Islam.95 Neste caso, o Islã almeja domínio territorial e político, implantando ali a sua lei, submetendo muçulmanos e não muçulmanos aos termos da mesma. É importante ressaltar, que mesmo nesta perspectiva, não se espera fazer das pessoas muçulmanas a força, pois seria contrário a Surata 2:25696, que afirma não haver imposição quanto à religião. Claro que há a opção para o povo do Livro, judeus e cristãos, de se tornarem Zimmis.97 Na época de Mohammad, os idólatras se convertiam, ou morriam, mas aos poucos passaram também a ter a mesmo possibilidade dos judeus e cristãos, caso escolhessem permanecerem em suas religiões, ou seja, tornavam-se Zimmis. Isto ocorreu na conquista da

91

Nehls G. And Eric W. , Islam As It Sees Itself As Others See It As It is. Published by Life Challenge Africa. Kenya. 1995, p. 29. Citando o Dictionary of Islam, p. 243. 92 Ibid., p. 30. 93 Ibid., p. 28-29. 94 Streusand, D. E. What Does Jihad Mean?. Extraído do site http://www.ict.org.il/articles/articledet.cfm?articleid=402 em 06/11/2001, p. 4. 95 Ibid., p. 2. 96 Não há imposição quanto à religião, porque já se destacou a verdade do erro.... (Surata 2:256). 97 Leia o apêndice número 1 para entender este conceito.

28

Pérsia e do sub-continente indiano, quando os zoroastras e hindus não foram exterminados, mas incluídos na categoria Zimmi.98 É importante ressaltar, que neste tipo de concepção de jihad, não se espera que o Islã trave guerras incessantes com áreas não islâmicas, pois nem sempre teria condições para tal. Assim como houve tratados de trégua e paz durante os dias de Mohammad, como o tratado de Hudaybiya, o mesmo pode ser feito pelo mundo islâmico.99 Principalmente se na ocasião, não forem tão potentes militarmente. Streusand entende que o conceito de jihad defensivo, é algo mais recente na história. Sugere que este tenha começado a se desenvolver, como conseqüência do levante Indiano chamado, Indian Mutiny em 1857.100 Nesta ocasião, o Sir Sayyid Ahmad Khan, escrevendo para uma audiência britânica, argumentou que jihad podia ser usado somente em autodefesa. Não se podia com isto, justificar mais resistência contra o governo britânico, pois segundo sua perspectiva, este não interferia com a prática do Islã.101 Segundo esta linha de raciocínio, escritores modernistas argumentaram que jihad era somente defensivo, procurando provar que todas as guerras travadas por Mohammad e os quatro Califas, foram defensivas.102 Com esta perspectiva de jihad, a OIC (Organization of the Islamic States), organização que abriga como membros quase todos os estados islâmicos, expressou um interesse em reconciliar direito internacional com Xaria.103 Streusand coloca como uma inovação, entre as transformações que jihad para expansão do Islã sofreu ao longo da história, a concepção do jurista indiano, e mais tarde paquistanês, Abu alA ‘la Maududi (1906-56). Este argumentou em prol de jihad, nem tanto para expansão, mas como prática necessária para libertação do poder colonial. Seu conceito de jihad assemelhava-se a movimento de libertação nacional. Neste sentido, o jihad dos palestinos tem suas raízes nesta linha de pensamento, pois mais almejam independência, do que a expansão do Islã.104 Segundo Streusand, Maududi teve seus seguidores em Hasan al-Banna (1906-49)105, e em Sayyid M. Qtub (1906-56). Ambos conceberam jihad como revolução islâmica, que traria o
98

Streusand, D. E. What Does Jihad Mean?. Extraído do site http://www.ict.org.il/articles/articledet.cfm?articleid=402 em 06/11/2001, p 2. 99 Ibid., p, 2. 100 Ibid., p. 4. 101 Ibid., p. 4. 102 Ibid., p. 4. 103 Ibid., p. 4. 104 Ibid., p. 4-5.

29

reino, o governo de Alá, pela implantação da Xaria.106 Estes pensadores muçulmanos assemelham-se a Ibn Taymiya, pois jihad para eles, inclui derrubar governos e líderes islâmicos, que na concepção deles, não estão de acordo, ou não estão implantando na sua totalidade a Xaria. Assim líderes como Gamal Abdel Nasser e Anwara as-Sadat, não eram verdadeiramente muçulmanos, e não podiam liderar jihad, nem mesmo contra Israel.107 Nos mesmos termos, se encaixa a revolução islâmica liderada por Ayatollah Khomeini (1903-89). Quando o ex-rei foi destituído por não ter sido tão islâmico como deveria, e por não ter implantado a Xaria não sua totalidade. Em 1979 o Irã era bem ocidentalizado, com a queda do regime, implantou-se ali um regime islâmico fundamentalista. Vimos até o momento segundo Streusand, que jihad era até a era moderna, prática utilizada para avanço do Islã, para santidade pessoal e contra lideres muçulmanos, que não implantavam a Xaria como deviam. Passou a ser jihad defensivo, por meio do desenvolvimento de argumentação quanto a isto, por pessoas como Sir Sayyid Ahmad Khan. Ganhou a dimensão de luta de libertação nacional com Maududi, o qual teve seus seguidores, em Sayyid M. Qtub. Este a semelhança de Ibn Taymiya, como já vimos, concebia jihad contra governos islâmicos. Talvez por isso foi executado, como nos informou Bodansky.108 A influência de Qtub pode ser vista num estado islamita como o Sudão, pois Segundo Bodansky, houve em 1991 uma aliança entre o Sudão e o Irã, exatamente por que o líder espiritual do Sudão, Hassan Abdallah al-Turabi, entendia que seus compromissos teológicos estavam definidos entre o qtubismo e o Khomeinismo (doutrinas do xiita aiatolá Khomeini). Qtub portanto, exerce forte influência entre os mais extremados.109 Nos voltamos agora para as idéias de Qtub, o faremos resumidamente, como se encontram no livro Normas no Caminho do Islã. Qtub discorda totalmente dos que concebem Jihad defensivamente. Segundo ele, tal concepção foi desenvolvido por constrangimento, diante dos ataques dos orientalistas ocidentais .110

Este fundou em 1928 a organização islamita Fraternidade Islâmica no Egito. Streusand, D. E. What Does Jihad Mean?. Extraído do site http://www.ict.org.il/articles/articledet.cfm?articleid=402 em 06/11/2001, p. 5. 107 Ibid., p. 5. 108 Bodansky, Y. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. Brasil, Rio de Janeiros, Ediouro Publicações S. A. 2001, p. 162. 109 Ibid., p. 82. 110 Ocidentais que se especializam em estudos orientais, incluindo nisto o estudo do Islã e da complexa língua árabe.
106

105

30

113 Vemos que para Qtub então. tanto pelo uso da espada. Em outras palavras.. Publicado pelo Movimento da Juventude Islâmica Abu Bakr Assidik. como derrotados apresentam a luta no Islã. sob a legislação Xaria. S. Normas no Caminho do Islã.Os que compreendem a natureza desta religião – no sentido modernocompreendem a imposição do movimento islâmico através da ação. Qutb. Com isto em mente. podemos assegurar os profundos motivos da penetração do Islã no mundo pela luta e compreender sua própria natureza.. Precisamos compreender seu conceito de idolatria e função do Islã. jihad agressivo deve se empreendido para libertação do homem e implantação da Xaria. confirmação da unidade divina. em seu sentido restrito. 111 31 . Com extensão do sentido da palavra “defesa”. M. Compreende de que aquilo não se tratava de uma ação defensiva no sentido estrito da palavra. e leva o homem a adoração do único Deus. tal como o entende. pois no Islã Deus não é triuno. na concepção deste destacado pensador islâmico. p 94. é o triunfo da lei Divina na terra. mostrando como Mohammad passou de proclamador. Se às vezes é necessário chamar este movimento da luta do Islã com o termo “ação defensiva”.111 O estudo profundo das circunstâncias que acarretaram essa situação não permite afirmar que a “defesa”. contra todos os fatores que limitam sua liberdade e freiam sua ação. Assumindo-se com isto. colocando em seu lugar um governo muçulmano. que é uma promessa solene para a libertação do ser humano do jugo dos demais e uma confirmação da unidade divina e do seu poder no mundo. era a base do movimento islâmico. que assim livra-se da idolatria. Gráfica e ano não mencionados. Para entendermos jihad ofensivo. devemos levar em consideração de que se trata de uma “defesa do ser humano”. como querem admitir os derrotados perante a situação atual e ante o ataque dissimulado dos orientalistas. sob a pressão da situação atual de um lado e o pérfido ataque dos orientalistas contra o Islã do outro. ficará mais claro entender sua leitura histórica. p. não resistiram ao ataque dos orientalistas. Único Deus no Islamismo é a negação do Deus das Escrituras Bíblicas.. Os que possuem tendência a buscar vagas razões. necessárias para o desenvolvimento da expansão islâmica. Veja os itálicos na citação. jihad tem por alvo libertar o homem. Esta libertação é concebida em termos de destituição de governos não islâmicos pela luta..112 Qtub só concebe jihad defensivo. como pelo uso da persuasão de idéias. se for aceita uma definição mais abrangente que inclua o propósito deste. do termo atual de guerra preventiva ou defensiva. 112 Ibid. 109. ou Lei divina.

Fica bem entendido que quando os poderes vêm dos seres humanos. mencionamos mais dois exemplos. 221. que o homem é idólatra por não estar submisso ao Único Deus. sob alguma forma. consideram-se deuses e ao próximo considerando escravos. refere-se a submissão do homem ao homem. de suas organizações e suas situações. e pelo exemplo de Mohammad. p. Gráfica e ano não mencionados. O Islã quer aproximar a humanidade de Deus e libertá-la do domínio das criaturas. é um Estado Islâmico onde a Xaria esteja implementada na sua plenitude. 115 Ibid. segundo a lei dada a Mohammad. Isto se dá por meio de obediência de leis desenvolvidas pelo homem. que a pior das subordinações é a que consiste em obedecer às leis concebidas pelos homens. supõe-se que os seres personifiquem o Criador e. 143. em lugar de se submeter-se a Ele. 117 Ibid. é obedecer as leis por Ele reveladas na Xaria. o oposto é idolatria. 94-95.. Normas no Caminho do Islã. repelir completamente o poder dos seres sob todas as formas. em vez de se submeter a Deus. Tal adoração só é atributo do direito divino. e por fim. esteja na terra. 114 113 32 . 116 Qutb. Ibid. S. deixando de lado os usurpadores que dominam as pessoas pelas legislações que eles mesmos instauram.115 A idolatria significa a submissão das pessoas a seus semelhantes. Este reconhecimento significa o desconhecimento do poder de Deus. Todos os que a praticam com os outros abandonam a religião de Deus. as criaturas de Deus devem aceitar o domínio de seus semelhantes. com a intenção de remover a idolatria. Subtende-se aqui. a Xaria. Alguns não executam as punições de sangue. libertando o homem...117 Servir a Deus então. estão são incrédulos. O alvo final é o estabelecimento do reino de Deus. Esta lei foi recebida pela revelação do Alcorão. Como judeus e cristãos não estão submissos a Xaria. p.114 Idolatria para Qtub.para um guerreiro em autodefesa. que na concepção de Qtub. Nem todo estado islâmico possui a Xaria implementada na sua plenitude. com vistas a subjugar outros homens. Publicado pelo Movimento da Juventude Islâmica Abu Bakr Assidik.. de fato. de toda situação dominada pelo poder dos seres humanos que. p. um guerreiro em jihad agressivo.. p. ou idólatras. O Islã considera. M. 86-87. como preservado no Hadith: “Deve-se referir à palavra de Deus (o Alcorão) e o comportamento de seu Profeta (exemplo ou sunnah) para conhecer o que Deus quer”.116 Reconhecer a absoluta unidade divina quer dizer. como cortar a mão de quem rouba. As mesma idéia quanto a idolatria é mencionada inúmeras vezes por Qtub. consequentemente. Isto pode ser visto pelos islamitas como governos não islâmico..

tem si ai uma sociedade islâmica.. por meio do Alcorão.O Apóstolo de Deus afirmou que a “obediência as leis é uma espécie de “adoração”. que o homem deve se submeter para não ser idólatra. 120 Ibid. 128. p. p. pois se submetem a um outro conjunto de legislação. todas as sociedades que não são islâmicas. primeiramente por sua negação a Deus. e de seu exemplo. 90-91.. podemos dizer: toda sociedade que não limita sua submissão ao Deus Único. p. Se sociedade islâmica não é idólatra. pois esta submissa. Parêntesis acrescentado por mim. Atribuem a eficácia da vida do homem e sua história à economia ou aos meios de produção.. 118 119 Ibid. sunnah. 130. A sociedade incrédula é toda sociedade que não é muçulmana. A sociedade muçulmana só pode ser constituída com a formação de um grupo de pessoas que decide se consagrar unicamente à submissão total a Deus. Nesta o homem se submete ao partido e não Deus.121 Parêntesis acrescentado por mim. a qual não é idólatra. p.. pois se submete a Deus. que não sejam as decretadas por Ele e reveladas por intermédio de seu Apóstolo. e purificando suas legislações de receber algo que não seja da parte de Deus. as regras e os deveres religiosos. à exemplo das práticas dos judeus e dos cristãos incrédulos. são idólatras.. 121 Ibid. 127. pelos ritos de adoração e pelas legislações jurídicas (referindo-se a Xaria). 33 .. As sociedades comunistas fazem parte desse quadro. Ibid. e não a Xaria. as não islâmicas o são. Quando um grupo de pessoas aceitam estas leis. Se temos objetividade. Esta submissão é representada pelo conceito das crenças. Em outras palavras. leis jurídicas da Xaria). purificando seus cultos de serem dirigidos para outra divindade além de Deus. que não se submetem a Xaria. é a que foi dado por Deus a Mohammad. inclusive a comunista. assim como as legislações jurídicas (está subtendido aqui. negando Sua existência.118 Não se pode ser servo de Deus quando se submete a outras legislações.119 Lei divina então..120 Esta submissão ou adoração é traduzida pelo conceito de fé. Os marxistas atribuem a causa da existência ao materialismo e à natureza. que tem desobedecido aos mandamentos recebidos de só adorarem ao Deus Único.

Antigamente. como visto no livro. 124 Ibid.123 No contexto do que é idolatria para Qtub. 223. A função do Islã não é coexistir com a idolatria. que negam a unidade divina. p. para se implantar ali um governo islâmico. espalhadas nos distintos rincões do mundo. 126 Ibid. expulsar a idolatria da direção da humanidade e tomar o seu lugar para orientá-la. 125 Ibid.. comprando-os com o nível que o Islã quer atribuir à humanidade..122 Nestes mesmos termos. sob qualquer forma de incredulidade.. Seja sob a adoção de um filho ou sob a forma da Trindade. na destituição deste governo. ou por autoridades não islâmicas. Qtub presume que judeus e cristãos. que não se baseiam na submissão ao Deus Único. 233. fazem parte. sua função consiste em retirar as pessoas da idolatria para convertê-las ao Islamismo. a qual normalmente é imposta por um governo. 220-221.. regidas por autoridades clericais.124 A função do Islã é pois.. ao não admitirem o direito divino na soberania e não fazendo depender a autoridade na legislação de Deus. supondo que a direção coletiva é uma verdade. Como idolatria está ligada a legislação que não é a islâmica. devido as divergências doutrinárias do Islamismo.Segundo: por criarem um regime de submissão ao partido que estimam. porque autorizaram este direito aos rabinos e sacerdotes.. Estas sociedades também fazem parte do quadro. também.. entendemos qual é a função do Islã em removêla. desde quadro..126 122 123 Ibid. que só pode ser de Deus. repeli-lo-emos porque são baixos e atrasados. 136-137.125 O melhor argumento do Islã é que veio para modificar os demais sistemas e não para conservá-los. Deus os acusou de incredulidade. 133.. quer venham do Ocidente ou do Oriente. com o Judaísmo e Cristianismo.. p. p. teríamos as sociedades cristãs e judaicas. Talvez tenha em mente as regras das igrejas e sinagogas. As sociedades judaicas e cristãs. cerimônias e festividades.. 34 . tendo por pressuposto que não condizem com a vontade de Deus. A função do Islã implica então. devido a seus ritos de adoração. associando Deus a outros partidários (shirk.. 135. por seus conceitos alterados da crença. segundo a religião de Deus. como ensinado por ele. mas constituem organizações de pessoas que tem o direito máximo da soberania. seguem legislações elaboradas por homens e regidas por suas organizações. Nós repelimos estes regimes. O Islamismo e a Trindade). baseados nos desviados e alterados conceitos. p. Também por seus regimes e legislações.

p. Assim como permissão para lutar contra os adeptos do livro. conforme a leitura histórica de Qtub. um guerreiro agressivo contra a idolatria. O Profeta dedicou dez anos para admoestar as pessoas sobre sua missão. é o mesmo que um estado islâmico. 80. no entendimento de Qtub. como já vimos. A primeira. segundo Qtub. na Surata 9. Mohammad inicialmente somente proclamou a mensagem. Ibid. Segundo o exemplo de Mohammad.127 A permissão para lutar contra os idólatras foi dado. para que o poder de Deus reinasse em toda a terra. Segundo ele. 130 Ibid. e se necessário a forca. proibido de lutar em Meca. Mas isto passa por etapas definidas. até que pagassem o tributo. Qtub faz uma interpretação distinta em relação aos autores muçulmanos. jihad é um movimento que visa libertar o homem da adoração ao seu semelhante. que vêem na Surata 9. Reino de Deus aqui. onde a Xaria esteja implementada.. durante os dez primeiros anos da revelação. 127 128 Ibid. para jihad agressivo contra os idólatras. para Jihad agressivo contra judeus e cristãos. 129 Ibid. 2:190.128 Qtub procura fundamentar com textos do Alcorão. encara a tarefa seriamente usando proclamação. paciência e mansidão.131 Isto passa pela implantação do reino de Deus. Deus recomendou ao Profeta mais tarde. sem fazer uso das armas nem exigir tributo.O processo de remoção de governos idólatras passa por jihad agressivo. p.. seu entendimento histórico de como Mohammad passou de um proclamador. ao um guerreiro em autodefesa. e por fim. para o período proclamativo. 97-99. depois foi autorizado a se defender. para o período de luta em autodefesa. justifica para Jihad defensivo somente. é libertar o homem da adoração ao seu semelhantes. fazendo o compreender. até que pagassem o tributo. autorizando-o a lutar contra os que combatiam. judeus e cristãos. lutar agressivamente contra a idolatria. 22:41. que só pode adorar a Deus. p. 83.. pressupõe o uso da força. e por fim. p. Tal estabelecimento do reino. segundo o que foi praticado por Mohammad. 35 . e a Surata 9:29. Foi-lhe recomendado ter. Citou a Surata 4:77.130 O alvo principal neste processo. as Suratas Surata 4:39.129 Neste caso. e a Suratas 9:36. Em seguida. que tomasse o caminho do exílio. 80-81. foi autorizado a combater os idólatras em geral.

não se impõe conversão ao Islamismo.133 Vemos então.134 Claro que uma vez que o poder é tomado pelo combate. 8:38-40 e 4:7776. a tarefa dos apóstolos de Deus pelo triunfo de seu reino na terra teria sido muito fácil. 88. Veja a nota 132 novamente. 134 Ibid.. Estabelecer o reino de Deus na terra. A terra sobre a qual não reina o Islã e que não está submetida a suas instituições. Não se pode realizar tudo isso pela simples persuasão. tanto para defesa. 109-111. ou seja. 86. Esta tomada de poder não implica em conversão a força. p. é considerada pelo muçulmanos como uma “casa inimiga”. tais como: Surata 9:29-32. Neste sentido. São várias passagens alcorânicas que encorajam o combate contra os idólatras. Qtub se expressa nestes termos. e nela possuam bens e interesse. tem toda uma dimensão política de tomada do poder. a casa de todos os que crêem na religião de Deus como lei. que a concepção de jihad por Qtub.. abolir o reino dos seres.. p. p. 133 Ibid. 36 . encontrase no Alcorão.O reino de Deus na terra não se baseia no poder dos religiosos. entre elas. porque os que se apropriaram do poder de Deus na terra para dominar ao próximo não renunciarão somente pela influência de pregações e persuasão. fazendo valer a suprema autoridade da lei divina e repelindo as feitas pelos seres.. à qual deve combater. que nos termos islamitas promoverá direito e justiça. expansão do Islã. 211. como os adeptos do Livro que vivem na “casa do Islã”. mas baseia-se em que a lei de Deus seja a que governa e decide tudo. conforme a lei concebida de antemão. o mesmo que implantar o reino de Deus para Qtub. onde a Casa do Islã está em guerra com a área não islâmica. instituindo assim estado islâmico. Ibid. mesmo que não sejam muçulmanos. Ao se estabelecer um estado islâmico. 131 132 Ibid. tirar o poder das mãos dos agressores e entregá-lo a Deus.132 Qtub entende que as justificativas deste tipo de jihad para remoção da idolatria. assim como já observado por Streusand. a Xaria é ali implementada. Sendo isto. mesmo que a terra seja seu país e na qual se encontrem seus parentes. Se assim fosse.. como para libertação do homem. p. os contrários podem se tornar Zimmis. até a era moderna havia três tipos de concepção de Jihad. é uma concepção de acordo com o que foi sugerido por Streusand... para estabelecimento de um novo tipo estado. Esta é realmente “a casa do Islã”.

. 2001. A.. p. Hussain nasceu no Ocidente ao norte de Londres. Não há mais que uma nação. não considera a Inglaterra sua pátria. e no qual reina a lei de Deus. sua mãe. um exemplo claro disto. p. na qual se tem um estado muçulmano...136 O muçulmano não pode ter. Por conseguinte. (Qtub citou a Surata 58:22. 134: “à qual deve combater. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. Shah Jalal Hussain.135 Para a tomada de poder. nacionalidade e parentesco no Islã.. 136 135 37 . o parentesco para um muçulmano não é o que o liga a seu pai. tão logo. que está sediado em Londres e é liderado por Omar Bakri. p. Ibid. por conseguinte outra pátria além daquela onde reina a religião de Deus. tem em um de seus membros.O Islã não tinha a finalidade de atrair as pessoas para a fé por intermédio da força. para fundamentar sua convicção de parentesco). Ediouro Publicações S. ocorreu de ter nascido e viver na Grã Ibid. 92-93... Este conceito de Qtub precisa ser entendido à luz de sua convicção sobre o que é pátria. 138 Bodansky. O único parentesco que o muçulmano pode ter é o que emana de sua fé em Deus e que o liga aos outros que compartilham sua fé. cujas regras se executam ali e onde os muçulmanos velam uns pelos outros. 137 Ibid. como citamos. efetivamente os indivíduos para que possam escolher livremente a crença que lhes convier. era. 202-203. disse Hussain. Rio de Janeiros.137 O grupo islamita Al-Muhajiroun. por que não era unicamente uma fé. e sua relação com ela deverá ser a guerra. Tinha por meta abolir os regimes e os governos que exercem a exploração do homem por seu semelhante. que faz dele um membro da “nação muçulmana” na “casa do Islã”. e nela possuam bens e interesse”. p. Leia novamente a nota no.. Contudo. Qualquer outra nação é somente hostilidade para o muçulmano. não pode ter outra nacionalidade além de sua fé. seu irmão e sua esposa. Y. Brasil. considerado representante de Osama Bin Laden no Ocidente138. estando disposto a lutar contra a mesma na causa do Islã. então libertar . o muçulmano deve estar preparado para abrir mão de nacionalidade e parentesco. a nação do Islã. seja necessário.. uma última promessa para libertação do homem do jugo do seu semelhante. “Sou um muçulmano. o muçulmano por outro lado. Declarou em entrevista ao jornal Daily Mail: “Não me considero britânico”. depois de libertá-los de todas as pressões políticas e de anunciar-lhes a verdade sobre estas coisas. 201. 19. mesmo que a terra seja seu país e na qual se encontrem seus parentes.

84-87. p. December 17.. 142 Cavalcante R. como aceitos no Ocidente. 140 139 38 . e não quando morre em qualquer outra guerra”. afirma que não apenas foi-lhe prometido o paraíso. 2001. Brasil. 145 Annaduy. p. p.145 A Lei (Xaria) cuja prática se requer seja instituída pelos muçulmanos é aquela que foi trazida ao mundo pelos profetas. H.139 Na luta em favor do Islã contra liberdade e a democracia. Revista Veja. “Só é considerado mártir aquele que morre nessa tarefa.. 44. indo ao paraíso por ter feito a vontade de Deus e por lutar contra os que nos atacam. que mártir é somente o que morre na causa de Alá. mais chance de chegar lá. não cessará a oposição a esta lei. Editora Abril. Gráfica e ano não mencionados. Monday. Este é somente um lugar onde vivo – nacionalidade não significa nada para os muçulmanos”.141 Não só Hussain está disposto a morrer em jihad agressivo. 143 Thomas. 13. mas muitos outros. Centro de Divulgação do Islã Para A América Latina. como lhe disseram também que seus parentes e amigos teriam. se ele morresse em ação. São Paulo. simplesmente punha em prática aquilo que é a convicção de Qtub. O Islã e o Mundo. Ibid. 2001. Terror Na Cabeça. p. 131. que lutou contra os EUA no Afeganistão. p. Normas no Caminho do Islã. A. autor do livro O Islã e o Mundo. Haverá sempre uma ou outra Daily Mail. Strange Trip To The Taliban. 30-36. As vezes esperam ser recompensados com prazeres sexuais no paraíso. E enquanto o mundo existir. A Teologia da Fanatização. significa o esforço inflexível para atingir aquele que for o objetivo mais nobre da terra. A Long. September 17. preso em 1996 antes de detonar uma bomba em Israel. expressa o que é a convicção dos islamitas. era necessário impor-se uma longa e contínua luta. pagos à sua família para tocar a vida até encontrá-lo no céu.. Para isso. Newsweek. Publicado pelo Movimento da Juventude Islâmica Abu Bakr Assidik.142 A semelhança de Hussain. 24 de Outubro de 2001. p. Brasil. Super Interessante. o resumimos nas palavras de Abul Hassan Annaduy. liberdade e democracia são mentiras”.. Edição 169.140 Neste sentido. em jihad agressivo.143 Convicções islamitas são difundidas por meio de muitas escolas por todo o mundo islâmico. o americano John Walker. 214.-Outubro de 2001. E não só isso: o pacote pós morte incluiria o direito de casar com 72 virgens no paraíso e 6000 dólares para serem gastos aqui na terra. 144 Artigo Especial. Jihad na nomenclatura islâmica. E. S. M.144 Depois deste passeio procurando entender o que é jihad agressivo. Não pode haver nada mais nobre para um muçulmano do que vir a merecer a graça de Deus. O terrorista Abdallah Sakran. através de uma completa submissão à vontade de Dele. Editora Abril. p. 13 141 Qutb. Hussain está disposto enganchar-se até ao martírio: “Tornaria-me alegremente um mártir. 1990.Bretanha.

estes governos não são considerados tão islâmicos como deveriam. uma forte conotação política de revolução para tomada do poder. tem o alvo de ver o reino de Deus. Unidos desta maneira. os verdadeiros crentes se lançariam então rumo à etapa final – arrebatar o resto do planeta. sob a liderança de um único Califa. é uma fase interminável da vida humana. Revista Veja. a união da religião e do Estado é um ideal ordenado por Deus – sua separação. p.. ou o reino de Deus na terra. unificados sob esse governo ideal. como por seus valores como democracia. chamada ummah. tornam-se Zimmis... e depois unificar todo o mundo islâmico. direitos humanos e uma maior liberdade para a mulher.146 Parêntesis acrescentado por mim. que são regidos por legislações não divinas. 10 de Outubro de 2001. Editora Abril. Tendo havido a revolução. p. devem ser varridos do mapa. Para se tomar o poder e implantar na terra o reino de Alá. tanto por sua decadência. Sendo isto o mesmo que governo. O Que Querem Os Fundamentalistas. Em seguida. a lei corânica.força que resistirá e a rejeitará. uma das quais é a guerra. Tudo isso sob o signo da charia. 52. regidos pela Xaria. todas as sociedades muçulmanas devem se unir numa comunidade única. Há nesta concepção de jihad. Ibid. Nesta luta. os que não aceitam o Islã. O alvo é substituí-los por governos legítimos. Este tipo de mentalidade é expressa no documento liberado por Osama Bin Laden. prosseguirão a implantação do governo de Alá no mundo. portanto. Jihad.. Ela pode assumir várias formas. Com este propósito luta-se contra o Ocidente. 2. Os governos dos países muçulmanos considerados corrompidos pela influência ocidental. Para retornar ao “verdadeiro Islã”. Neste caso. implanta-se ali governos muçulmanos. espera-se formar uma única comunidade islâmica regida pela Xaria. São Paulo. Artigo Especial. 132-133.8 Jihad agressivo contemporâneo Jihad agressivo como se manifesta em nossos dias. implantado na terra. chamado: A Bomba Nuclear do Islã. removendo com isto regimes não islâmicos. guerra na causa de Alá. chamado Califado. caso estejam associados com o decadente Ocidente. eliminar a idolatria. Sem fronteiras nacionais. uma invenção ocidental que provocou o declínio do mundo muçulmano. espera-se com jihad agressivo. em termos islâmicos. Na ótica fundamentalista.147 Nesta ótica. Em outras palavras. parentesco e da própria vida. opõe-se a governos islâmicos. 147 146 39 . deve estar preparado para abrir mão de nacionalidade. retornando assim ao período áureo dos quatro primeiros Califas da história islâmica.

A segunda fase de jihad é contra o Ocidente. assim como contra governos muçulmanos que se ocidentalizaram. Ibid. ou possuem alianças 148 149 Ibid. em entrevista ao jornalista Alcino Leite Neto. A. A Fraternidade Islâmica por isso. 25 de Dezembro de 2001.tal como foi estabelecida há quase 1400 anos. A 14. resume este tipo de realidade atual de jihad agressivo. por ter se associado ao Ocidente. 152 Taheri. decapitação para assassinos ou hereges. 52. 40 . p. no artigo O Ódio Dos Muçulmanos Ao Ocidente É Cultivado Por Governos e Imprensa.151 Esta leitura de jihad agressivo contemporâneo. Folha de São Paulo. p. queria assassiná-lo. por meio de regulares sermões nas mesquitas. p. foi a Fraternidade Muçulmana fundada em 1928.148 A primeira organização islamita. Revista Veja. Tanto nos sermões. 53. Amir Taheri. 71. pior. como nos livros. 26 de Dezembro de 2001. apedrejamento para as adúlteras. Editora Abril. luta contra o Ocidente. A. O Ódio Dos Muçulmanos Ao Ocidente É Cultivado Por Governos e Imprensa. como “uma guerra civil no interior do mundo árabe-muçulmano. p. eliminando do mundo islâmico o conceito de estado-nação laico. que se propôs a atingir estes alvos. mudanças nos padrões familiares e outras transformações que sucedem nas sociedades ocidentais. São Paulo. pelo xeque Hasan al Banna. da Folha de São Paulo.149 O historidor francês.. materialismo. como Nasser. 150 Neto.153 Jihad agressivo contemporâneo portanto.150 A primeira fase de jihad é contra o Islã infiel. entre os que querem modernizar o Islã e os que querem islamizar a modernidade”. Entre os males a serem combatidos. a emancipação da mulher. devido a sua decadência e valores. 72. Marc Ferro. p. também foi feita pelo escritor e jornalista iraniano.152 Claro que os muçulmanos que não concordam com esta linha de raciocínio. 151 Ibid. a oposição ao Ocidente se expressa o retratando “como uma civilização baseada em cobiça. também são alvos do jihad agressivo. falta de religião. Disse que esta oposição ao Ocidente é vista por todo o mundo muçulmano. com castigos coerentes com as sociedades tribais da época: amputação de membros para os ladrões.. encontram-se as liberdades individuais. corrupção e. O alvo é um movimento pan-islâmico unificando a ummah. 153 Ibid. O Mundo Muçulmano Trava Guerra Civil.. Assim como por uma infinidade de livros regulamente publicados sobre este tema. Apresentam o Islã como “a única fé verdadeira” e a última chance para a humanidade salvar-se da degeneração moral e da destruição completa”. L..

46.157 154 Bodansky. Este processo deveria avançar até o estabelecimento de uma ummah unida. 155 Ibid. Y. como no caso da Arábia Saudita e Kwait. “O partido de Satã é aquele grupo de pessoas que fingem acreditar no Islamismo mas são. Sugeriu que força tem que ser usada. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. e estabelecer governos sob a Xaria. What Does Jihad Mean?. os assassinos de Sadat expressaram a ideologia por trás do assassinato. 46. 2001. na realidade. argumentou que jihad como luta armada é o pilar e o coração do Islã.. Escreveu em 1975 o livro.cfm?articleid=402 em 06/11/2001. um suporte essencial ao partido do demônio. contra a terra toda. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. embora os comunistas fossem. ele não via como a fonte do mal. 156 Ibid. em vez de procurar a unidade dos muçulmanos.il/articles/articledet. os primeiros inimigos do Islã”. encontra-se no livro escrito por Yossef Bodansky. e não via outra saída senão a militância islâmica. Brasil. Abd al_Salam Faraj. 157 Streusand. como necessário em prol do estabelecimento de um governo verdadeiramente islâmico. quando escrevi sobre o partido de Satã”. admitiu.org. foi mais tarde executado. de acordo com Uthman.. 41 . p.156 No panfleto Neglected Duty. Estes contaram com a ajuda do Ocidente para se livrarem do Iraque. p. “Muitos imaginaram que eu me referia ao partido comunista. Ediouro Publicações S.155 Este tipo de mentalidade foi bem encorajada com a vitória da revolução islamita iraniana em 1979. p. em jihad agressivo. Entre eles. Mas. obtendo nisto a solução do problema. um dos primeiros ideólogos dos islamitas.ict. Ele considerava a exposição à vida ocidental cotidiana a fonte da crescente crise do Islã. 5. pois somente isto pode destruir os ídolos. Na época não via o comunismo como o maior inimigo.154Vários exemplos desta linha de pensamento islamita. sobre a liderança de Khomeini. The Party of God in Struggle with the Party of Satan. encorajava jihad contra Sadat ou governos ocidentalizados.com o Ocidente. 76. O autor do texto. D. Os islamitas passaram realmente a acreditarem que era possível derrubar os governos ocidentalizados. devido a influência que o Ocidente estava tendo sobre o mundo islâmico. Rio de Janeiros. Extraído do site http://www. A. Por meio desta obra. nos termos sugeridos por Uthman e Qtub. escreveu. temos o escritor e engenheiro egípcio Wail Uthman. O panfleto procurou justificar o uso de violência em jihad agressivo. E. A sua negligência levou o mundo islâmico a ser atualmente inferior aos avanços do Ocidente. p.

Segundo Bodansky. ou seja. em última instância. p. Rio de Janeiros. Todos os muçulmanos deveriam cumprir com sua obrigação para com jihad. Ambos os tipos de jihad (referindo-se ao jihad que na época de 1984 e 1988 era travado no Afeganistão.. até que fosse estabelecida a ummah. por ser este ajudado pelo Ocidente. todo o mundo. do abraço mortal da ocidentalização. como a unificação da ummah pela remoção de governos aliados ao Ocidente. p. 160 Ibid. Os islamitas chamam de Califado o Estado pan-islâmico unificado que governaria o Coração do Islã e. na Arábia Saudita. é Abdallah Yussuf Azzam. para libertação do mundo muçulmano. como a Árabia Saudita.. Idéias similares as de Azzam são vistas na nota enviada por Osama Bin Laden aos organizadores de uma conferência islamita no Paquistão. incluía opor-se a governos islâmicos pró-Ocidente.. afirmando que os muçulmanos devem “fazer todo esforço possível” para estabelecer um governo verdadeiramente islâmico. e implementação do reino de Alá na terra. Este é messiânico. Brasil. ele dizia aos seus alunos. dominando ali os lugares sagrados por meio de jihad. 159 158 42 . Neste sentido. Mas refere-se também. a restauração do Califado e a expansão de Daral-Islam.159 Azzam também ensinava que a luta contra o Ocidente.160 Parêntesis acrescentado por mim. Azzam formulou sua doutrina da importância central de jihad. Este provavelmente foi seu aluno quando estudava engenheira na Universidade Rei Abdul Aziz. inclui jihad contra Israel. a necessidade de vitória em Israel.. não religiosos). Somos gratos pelos seus esforços em apoiar a luta dos mujadins para expulsar as forças americanas da terra sagrada (da Árabia Saudita).158 Outro ideólogo de forte influência sobre os islamitas. além do travado contra governos islâmicos) integrariam um esforço maior – implantar a lei de Alá na terra. p. Ediouro Publicações S. em novembro de 1988. Não Ibid. e a lei de Alá sobre toda a terra. na luta contra um regime não islâmico em sua pátria (referindo-se a líderes muçulmanos de estados seculares.The Neglected Duty define os atuais governantes islâmicos (similares a Sadat) como apóstatas. 52.. Y. 5. 2001. 61. inclusive sobre Osama Bin Laden. nenhuma conferência e nenhum diálogo”. Bodansky. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. em Jidá. A. Esta não só expressas as idéias já vistas. “Jihad é um rifle apenas: nenhuma negociação. jihad contra Ocidente.

72. Sendo isto. inclusive quanto ao conceito de 161 162 Ibid. o apoio dos EUA a Israel ajuda a aumentar a tensão entre os islamitas e o Ocidente. p.. e a sharia islâmica seja imposta sobre a terra de Deus. da mesma forma eles são também obrigados por sua religião a apoiar o governo do Talibã no Afeganistão. governo. o Talibã estabeleceu o sistema de Deus na terra de Deus. vemos seu entendimento do que é o governo de Alá. assim como o implementado por Khomeini no Irã em 1979. Mesmo que Israel seja varrido do mapa. Estes possuem muitas diferenças.163 O processo de unificação da ummah. para impor a sharia. por que ao impor a sharia no Afeganistão. Exemplos históricos desta perspectiva foi o governo instituído pelo Talibã. O Ódio Dos Muçulmanos Ao Ocidente É Cultivado Por Governos e Imprensa. 425. p. passa pela unificação de xiitas e sunitas. crentes e não crentes. que haverá jihad contra o Ocidente e todo o mundo. pois tinha o Talibã como modelo do que é ter a Xaria implementada. 26 de Dezembro de 2001. 425. que mesmo que Israel seja eliminado. Editora Abril.. o mesmo que o sistema ou o reino de Deus na terra. é essencial que todos os muçulmanos estabeleçam um sistema islâmico com base nos ensinos do profeta Maomé. os dois maiores grupos muçulmanos. 43 . Obviamente. p. A.162 Fica claro portanto. Taheri está convencido disto. Eles odeiam a democracia – qualificada por Khomeini “como forma de prostituição”.161 Nesta mesma nota de Bin Laden.e os direitos humanos que trata como iguais homens e mulheres. uma vez que a Xaria deve ser implementada por toda terra. Ibid. São Paulo. É verdade também. Revista Veja. Como é uma obrigação religiosa para todo muçulmano apoiar a luta dos mujadins pela libertação dos lugares sagrados. Se por um lado.preciso lhes dizer que essa luta sagrada deve continuar até que Bait-ulMuqaddas (a colina do Templo em Jerusalém) e outros lugares sagrados dos muçulmanos sejam libertados da ocupação por parte dos não muçulmanos. para o estabelecimento do governo de Alá. ou sistema de Deus na terra é o estabelecimento de um governos islâmico. que na perspectiva islamita. radicais haverá no mundo muçulmano convencidos da missão divina de uma “guerra santa” contra o Ocidente liderado pelos Estados Unidos. 163 Taheri. regido pela Xaria.

Y. e depois os unificando. Líderes islamitas legítimos. Ediouro Publicações S. Rio de Janeiros. a ser combatida. descrita pala primeira vez pelo egípcio Sayyid Muhammad Qtub nos anos 50. a qual é um guarda-chuva de todas as organizações islamitas. advoga que. A doutrina sunita. sendo o Estado-Nação uma entidade não islâmica. jahiliyyah. tomando o poder. separadamente. 2001. contra a qual os muçulmanos seriam obrigados a lutar. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. de que o Estado moderno é uma barbárie. 77. Segundo Bodansky. sendo o Estado-Nação uma realidade inegável. tanto para as comprometidas com jihad local. Há diferenças profundas entre os xiitas e sunitas em relação a expansão da revolução do Islã pela criação de um Califado na era moderna. Brasil. deixava pouca dúvida quanto ao que fazer: “Não é função do Islã Bodansky. A doutrina xiita.164 Esta luta contra os Estados-Nação do mundo islâmico. a influência de Qtub nas decisões e ideais islamitas. a AIM (Movimento Islâmico Armado). era fundamental a definição do Estado moderno como jahiliyyah – a barbárie-. e depois vitória sobre o resto do mundo. Essa determinação está por trás do patrocínio e apoio iraniano a numerosas organizações islamitas terroristas e subversivas. não pode ser considerado válido para a propagação do Islã. como Khomeini. tanto no mundo muçulmano como no Ocidente. e à luta contra a jahiliyyah. concorda com a crença de Qtub. 164 44 . O decreto de Qtub. que cresceu a partir de meados de 1940. e depois unificar esses países em um único Califado. A. sediada em Cartum. como as que estão engajadas em prol de causas pan-islâmicas. Qtub era especialmente reconhecido por seus marcantes julgamentos sobre as relações entre os fiéis e o Estado secular moderno. argumenta que. p. Inclui-se nisto. que a liderança do AIM agora declarava válido e atual. renovou em 1995 a conclamação de Qtub às armas.Estado-Nação. Vemos neste tipo de tomada de posição de AIM. os movimentos islamitas devem primeiro estabelecer governos islâmicos nos países. Neles. Mas se vai haver unidade da ummah para destituição de governos pró-Ocidente no mundo islâmico. assim como a explicação de como os islamitas atuam no mundo islâmico e no mundo livre. jihad agressivo também nos Estados modernos onde grandes comunidades muçulmanas vivem sob regimes não muçulmanos. fraternidade tem que falar mais alto. teriam o direito e a obrigação de apoiar ativamente todas as revoluções islamitas e combater seus inimigos – principalmente os Estados Unidos – em nome da solidariedade islâmica.

autodefesa implicava em luta para libertação nacional do domínio colonial. p. Claro que devido a inferioridade militar dos islamitas.166 Podemos afirmar que Jihad agressivo contemporâneo. A jahiliyyah será jahiliyyah em qualquer tempo. 251. contudo. jihad tem dois desdobramentos. Zakaria El Barry. isto é. há também a idéia de jihad contra os desejos impuros. Bodansky. como afirmou M. pretendem marchar sobre toda a terra implantando o governo de Alá. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. condições para responder a pergunta. praticantes de boas ações. Amir Ali. O sentido etimológico de jihad. e assim por diante. p. 9:5. há os que argumentam baseados em inúmeros versos do Alcorão. 162-163. Samir El Hayek. incentivando os muçulmanos a serem perseverantes. Y. nem será hoje ou no futuro. Além disto. Com este sentido. não pode. a ter a possibilidade de adorar o único Deus. ocultar seu sentido bélico. Concordam com esta linha de raciocínio Hammudah Abdalati. sob as orientações da Xaria.. A. 166 165 45 . Não foi assim quando ele primeiro surgiu no mundo. 2001. Depois disto. ou reino de Deus. unificar a comunidade islâmica mundial e estabelecer o Califado. Rio de Janeiros. e contra governos islâmicos pró-Ocidente. bem difundida e aceita entre os sufistas. e com tal sentido. divulgadores do Islã. Hassan Abdallah al-Tubari é um expoente ideólogo islamita e líder espiritual no Sudão. Para Mauddudi. Como uma organização de orientação religiosa. “O dever maior do Islã é destruir e destituir a jahiliyyah da liderança dos homens”. Nisto se assemelham a Ibn Taymiya. um desvio da adoração ao único Alá e da forma de vida prescrita por Alá”. Ediouro Publicações S.comprometer-se com os conceitos da jahiliyyah presentes no mundo ou conviver na mesma terra com o sistema jahili. 36. a AIM tinha o direito e a obrigação de participar de uma luta mundial contra a barbárie. assim como de outros ideólogos de mesma linha. decretara Qtub e Tubari165 concordava. pois não há limite para as muitas boas situações que alguém deve se esforçar. 216-217. Muhammad Mohar Ali e Aliman Abul A’la Maududi. Opõem vigorosamente contra o Ocidente. que jihad só pode ser empreendido em autodefesa. 22:39-40. há exemplos no Alcorão e Hadith. 167 Ibid. 16:125. se utilizarem de guerrilha e terrorismo. como nas Suratas 2:190-194. Qtub não via alternativa que não fosse a luta armada total . Levando o homem assim. Brasil.167 Devemos ter depois desta explanação. Esperam tomar o poder político e religioso.a jihad – para a libertação dos fiéis da servidão à jahiliyyah.. o que é jihad? Vimos que jihad etimologicamente significa esforço máximo. segue nos passos de Qtub.. escolheram nesta luta armada atual.

Na expressão contemporânea de jihad agressivo. Sayyid M. implantando no lugar destes governos islâmicos. por meio do qual se espera obter um mundo melhor. onde a Casa do Islã. em jihad agressivo para a implementação da Xaria. Neste caso. Abdallah Yussuf Azzam. como no caso de Sir Sayyid Ahmad Khan da Índia.Douglas E. mas também se opôs veementemente a concepção de jihad defensivo. mas no caso do mundo islâmico. Contrapondo-se a concepção de jihad defensivo. levando o homem a poder servir o único Deus. Seguem assim nos passos dos assassinos. torna-se Zimmi. Dar al-Harb. que na opinião deles não são tão islâmicos como deveriam. Os agressivos querem eliminar governos. como ensinado por Sayyid M. Esta concepção tem de positivo estar de acordo com o artigo 51 da Carta das Nações. e por isso. Caso escolha não fazê-lo. O alvo é remover a idolatria. Qtub. Esperase nesta concepção de jihad. Wail Uthman e outros similares. temos jihad agressivo. não são a causa primeira. O conflito atual entre o Ocidente e os islamitas. segundo o julgamento dos islamitas. há muita tensão no mundo islâmico. Casa da Guerra. mas principalmente entre a versão defensiva e agressiva. Fez uma leitura da história na qual Mohammad inicialmente fora apenas um proclamador. Este processo deve continuar até o domínio do Islã por toda terra. kharijis e Ibn Taymiya. segundo a perspectiva islamita. Neste caso. e por fim. precisa ser entendido pela ótica de jihad agressivo. que não fazem parte da Xaria. distingue-se da concepção defensiva. Sua interpretação da Surata 9. a luta pela implantação do reino de Deus. passa pela destruição de Israel. Neste caso isto é entendido como a implantação de um estado islâmico. Dar al-Islam. sob as leis da Xaria. Devido as várias concepções de jihad. Qtub não só ensinou jihad agressivo. Streusand entende que concepção defensiva de jihad é bem mais recente na história. Envolveu-se depois em Medina com jihad defensivo. ou como a própria implantação do reino de Deus na terra. deve dominar a não islâmica. quando muito servem como incentivadores de jihad agressivo. Marc Ferro chama isto de guerra civil que está sendo travada no interior do mundo 46 . ou são pró-Ocidente. assim como da história islâmica. Claro que problemas sociais e injustiças causam conflitos. jihad tem dimensão política de tomada de poder. e outros modernistas. do Ocidente e de tudo que está sujeito a leis. destituir-se regimes não tão islâmicos. sob as diretrizes da Xaria. Esta teria surgido no contexto do relacionamento dos muçulmanos com os poderes coloniais. permitire um melhor convívio e aceitação internacional do Islã. pois não implementam a Xaria em sua totalidade.

170 Bodansky. Streusand afirma que em nenhum momento da história houve unidade total dos muçulmanos em jihad contra o Ocidente. entre os que querem modernizar o Islã. ou a convocação feita por Saddan Hussein. apesar do ideal e esforço para que o mundo islâmico esteja unido. Ediouro Publicações S. 169 168 47 . What Does Jihad Mean?. Extraído do site http://www. Durante as colonizações européias do mundo islâmico. 61. pela obra missionária.ict.1 Ressalvas iniciais. abrem mão de suas vidas. nunca houve jihad agressivo. pelas Escrituras Bíblicas. faremos várias ressalvas quanto ao assunto. Streusand. 6. Nisto temos a estrutura do nosso pensamento. Rio de Janeiros.il/articles/articledet. L. p. A.org. Contudo. nacionalidade e parentes. e os que querem islamizar a modernidade”. O Mundo Muçulmano Trava Guerra Civil. p. foi a declaração Otomana contra os aliados em 1914. O REINO DE DEUS NAS ESCRITURAS BÍBLICAS Antes de propriamente iniciarmos. Para isto. 2001. e conhecem a realidade do poder de sua ressurreição. isto não tem ocorrido. Y. isto não tem ocorrido.169 A estes apelos por jihad contra o Ocidente. Seguiremos os passos propostos na introdução.cfm?articleid=402 em 06/11/2001. A.árabe-muçulmano. A tentativa mais sistemática de mobilizar o mundo islâmico em jihad contra o Ocidente. Depois o definiremos.168 Considerações finais. Apesar do esforço em unificar o mundo islâmico em jihad contra o Ocidente. acrescentamos a convocação para jihad global feita por Osama Bin Laden. Enquanto outros convictos que obtiveram a verdade em Jesus. são tão reticentes em se envolverem com a expansão do reino de Deus. Estes não oram. 25 de Dezembro de 2001. Chama-nos a atenção que os islamitas são tão dispostos em ver o reino de Deus implantando na terra. não contribuem. envolvendo todo o mundo islâmico em prol da região explorada. e assim lute contra o Ocidente e o mundo em prol da implantação do governo de Deus.170 Em outras palavras. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. veremos como se implanta o reino de Deus na terra. Os movimentos sempre foram isolados. 3. Com a intenção de mudarmos isto. Brasil. e depois o mundo. não mobilizou o mundo islâmico em luta armada contra o ocidente. E. ou de defesa própria. e ai o consideraremos à luz das Escrituras. não evangelizam e não atendem o chamado missionário. D. falhou em seu alvo. Folha de São Paulo. 3. As chamadas atuais de jihad contra Israel. e definição Neto. Esta também não foi correspondida pelo mundo islâmico.

desfazer as injustiças sociais. pois isto indica com que perspectiva entendemos os textos que serão citados. Em termos históricos. 171 48 . sob o lema “Deus vult” (Deus o quer).171 Isto faz das cruzadas em nada diferente de jihad agressivo. Cristãos e Muçulmanos: Uma longa História de Conflito. podemos nos referir ao reino como uma realidade múltipla. judeus e cristãos de Jerusalém.172 Trilharemos porém. Não é tão fácil definir reino de Deus. promover mudanças que venham viabilizar um mundo melhor. 38-43. sem que uma de suas facetas não se opõe as demais. A. temos outras ressalvas a fazer. mesmo que não seja por isto responsável. R. Se faz necessário primeiro. O caminho das Escrituras e o caminho da história. Brasil. pois se trata de uma realidade aparentemente paradoxal. Na verdade. Este já estava presente antes de Jesus. p. e por isso. 18:36). Brasil. Editorial Sinodal. Ano XXXIV – No. 273. como chegou com sua vinda. Teologia da Libertação e Marxismo – Uma Relação Em Busca de Explicação. Caso tivessem sido vitoriosos. Editora Ultimato Ltda. o Cristianismo não difere em nada de jihad agressivo. Novembro-Dezembro de 2001. Estas aparentes realidades opostas faz do assunto um desafio. Revista Ultimato. A Teologia da Libertação tem como sua fonte a história e não as Escrituras Bíblicas. A primeira cruzada foi pregada pelo para Urbano II. o caminho das Escrituras Bíblicas. As Cruzadas se propuseram a reconquistar terras bíblicas com o uso da espada. teriam implantado ali domínio religioso e político. Souza. E. p. em Clermount na França. 51. como é verdade que está no mundo. tanto é verdade que Deus reina sobre tudo. e com isto. Além disto. pois visa a conquista do poder político. a Teologia de Libertação não difere de jihad agressivo. Mas isto não o impede de reinar soberanamente tanto sobre estes. 1996. pois esta é a maneira de entendermos como se dá a implantação do reino de Deus. se pensarmos nas Cruzadas (1096-1291). pode tomar dois caminhos. definir o que queremos dizer por reino de Deus. Nesse sentido. Depois de uma horrível carnificina contra os habitantes muçulmanos. os cruzados implantaram naquela cidade e região um reino cristão que não chegou a durar um século (1099-1187). em 1095. como é verdade que Ele não reina no coração daqueles que não o servem. pois tanto não é deste mundo (Jo. E em parte foi o que ocorreu enquanto durou a aventura. como sobre o mal. propõe como alvo a tomada do poder por meio de revolução.Nossa consideração quanto a implantação do reino de Deus em termos cristãos. Mas antes que o façamos. e terá a plenitude com Sua segunda vinda. Matos. ou na Teologia de Libertação. 172 Mueller. Faz uma leitura marxista da realidade. Espera-se com o compartilhar dos meios de produção.

Governos e instituições sempre terão sua medida de maldade devido o pecado do homem. o reino não se limitaria a isto. o que fará deste mundo um lugar não justo e santo. senão em domínio voluntário e serviçal. faria parte deste. conforme os servos de Deus agem como sal e luz da terra. aumentar o número dos cidadãos do reino. No exemplo encontra-se a dimensão do ser e do fazer o que Deus espera de nós. o reino que não é deste mundo. como em parceria com o governo e a sociedade. 5:13-16). claro que suas leis e propostas injustas. segundo as Escrituras Bíblicas. Estes com suas imperfeições são instrumentos de Deus (Rm. Se não o faz diretamente. que abominamos os regimes. regido por leis ou princípios das Escrituras. A dimensão social do reino de Deus deve ser tornar a realidade do mundo ao nosso redor. até que o reino atinja sua plenitude com a vinda de Jesus (Ap. o fazemos entendendo ser isto. Além disto. ou seria fortemente influenciada pelo mesmo. não queremos dizer com isto. o senhorio divino sobre sua criação e sobre o homem. Uma vez que Deus reina sobre toda sua criação e universo. pois mesmo que isto acontecesse.É importante também deixarmos claro que o reino de Deus. aceitaremos tudo que é imposto por um governo. espera-se com proclamação. pode ser exemplificado por um tipo de governo. Neste caso. devem ser modificadas pelo trabalho de sal e luz da terra. 5:13-16). 13:17). e não pelo uso da violência. por meio da adesão voluntária expressa na fé em Jesus. podem ser melhores ou piores. as quais regerão todos os níveis da sociedade. devemos agir como transformadores sociais (Mt. o faz soberanamente. Por outro lado. é visto por meio de exemplo e proclamação. o reino não é um tipo de governo humano que se estabelece. podemos nos envolver em projetos de promoção humana. por isso. Como cidadãos de um reino onde não há injustiças. Contudo. 13:24). tanto a nível de instituições beneficentes independentes. É verdade que não há obrigatoriedade na religião. a proclamação acrescenta na atuação dos cidadãos do reino. 11:15-17). esforçando-nos pacificamente para que haja leis justas. Ao falarmos no reino como governo de Deus. o aspecto exortação e ensino. Ao dizermos que o reino de Deus não é um tipo de regime. por meio de nossa influência. O trabalho do sal e luz do mundo (Mt. certamente em domínio soberano de Deus. Não que nesta qualidade. Provavelmente a maior parte das pessoas. Mesmo que uma sociedade justa não é em si o reino de Deus. ou seja. estará no mundo e crescerá até a sua plenitude. sempre preferirá não estar no reino (Lc. até mesmo sobre o mal. em situação ideal. como na monarquia em Israel. Mas de qualquer maneira. viver em obediência a Deus. 49 .

é o mesmo que dizer que no cumprimento das profecias em Jesus. Dn. 7:13-16. No geral. que tanto o reino já chegou. como reino dos céus. como se expande pela obra missionária. 103:19 e Dn. Espera-se por exemplo e proclamação. Os judeus como sinal de respeito. 20:6. Deus reina tanto sobre os que o servem. até que este chegue a sua plenitude. 2Pe. é o mesmo que falar do reino de Cristo (Is. Deus promete a vinda do reino do Messias (2Sm. como ainda terá sua plenitude com a segunda vinda de Jesus. 50 . (2Cr. Gn. Mas Deus prometeu reverter este processo. veio por fim. isto claramente se percebe por meio das passagens correlatas nos Evangelhos. a menos que estejamos fazendo uma citação de texto. Dn. 9:6-7. e como tal. Mesmo sem a existência de Israel havia a possibilidade do homem estar submisso a Deus. Sendo este Deus. Neste contexto. 59:13. 4:25). no trazer de volta o homem ao conhecimento e submissão divina. 2:44 e 7:14). mas com o surgimento desta nação. Israel não foi um bom instrumento. 7:13-14. A monarquia de Davi e de Salomão foi sua melhor fase. Após as ressalvas acima. fará que na prática sejam o sal e luz do mundo. podia-se agora pelo seu exemplo e proclamação. E desta forma. Como se percebe que Mateus escrevia para leitores judaicos. 1:32-33. refere-se ao governo. atrair para o Seu reino aqueles que não são Seus servos. colocar-se sobre um outro senhorio. 1:11 e Ap. mas o prático senhorio divino de suas vidas. Esta obra uma vez exercitada. 3. Is. por tratar-se de sinônimo. Reino de Deus portanto. A expressão reino dos céus tão comum em Mateus. levando o reino a se expandir. ou senhorio de Deus. integrar o gentio ao povo da aliança (Êx. evitavam o usar o nome de Deus em vão. afirma-se que o reino expande-se pelo exercício da obra missionária de seus cidadãos. como sobre os que não o servem. A expressão reino de Deus.Como Deus é triuno. 11:15). teriam conhecimento de Deus. se referem portanto. evitou assim usar a expressão reino de Deus. o reinado de Deus sobre eles. obtendo assim a identidade judaica. Neste sentido. 2:44. 9:7. Dizemos portanto. 12:48). pela queda. serão agentes de transformação social. 3:15. e a Ele poderiam ser submissos. 68:31. ao mesmo ponto. não será por nós usada. Desta maneira. não o será apenas soberanamente. Uma vez que por exemplo e proclamação atrai-se mais pessoas para o reino. falar de seu reino. 67:7. Sl. 72:11. assim Ele reina supremo e soberano sobre sua criação. Lc. podemos definir o que queremos dizer por reino de Deus.2 O reino no Velho Testamento Inicialmente veremos como que o homem criado em comunhão e submissão a Deus. utilizando reino dos céus.

como Adão tinha no Éden. houve a criação dos anjos de Deus. como a Igreja pertencem ao reino. Ele é Deus de toda a raça humana. teríamos a expansão normal. devido a sua obra expiatória e proclamativa. uma vez que Deus reina soberanamente sobre toda terra. mas realizado pela Igreja. e na multiplicação deste. pois é Criador de todos. Por isso. percebemos que o ápice de tudo é a criação do homem à imagem e semelhança de Deus. At. pois todas são dignas por espelharem o Criador. foi dado ao homem antes do pecado: “E Deus os abençoou. 1:1). expressar-se. não sofreria destruição. Caso o homem tivesse se espalhado pela terra sem pecado. natural e até mesmo biológica do reino de Deus pela terra. e lhes disse: Sede fecundos. e enchei a terra e sujeita-a. 173 51 . então. então. somente Deus na eternidade. e sobre todo o animal que rasteja sobre a terra”. e dominai sobre os peixes do mar. pois a serpente já existia e se manifestou no jardim do Éden. e ao reino de Deus. o planeta terra. 3. Tanto Israel. o Deus de todo o homem. O homem no Velho Testamento é apresentado como um ser de valor. Todas possuem a mesma imagem divina.1 O homem distanciou-se do reino de Deus O Velho Testamento revela que havia um período que não havia nada. 1:27-28. os gentios permanecem com sua identidade gentílica. Sendo que Israel. Depois da partida do Messias. 1:28). teríamos o homem sobre o senhorio de Deus. 1:28. e no enchimento da terra. Como Deus criou o ser humano. Contudo. 17:26). Uma vez que esta é formada por judeus e gentios. foi dele que surgiram todas as raças e culturas (Gn. A salvação do homem por iniciativa de Deus. Devido a estas qualidades o homem pode exercer domínio sobre a criação (Gn. autenticada com seus sinais. não excluí nenhum raça.2. multiplicai-vos. Nos relatos de Gênesis 1 e 2. não há uma raça que seja melhor do que outra. a obra continuaria pela Igreja. na integração à Igreja. não teria a extinção de animais e nem haveria a opressão do homem pelo homem. teria seu papel missionário não anulado. mesmo que o homem ainda não o conheça. então.173 Certamente que antes da criação do mundo material.seria dado ao homem. mas o reino não se limita a estas duas realidades. pois foi criado à imagem e semelhança de Deus. Deus passou a criar (Gn. Assim. pois não criaram o homem. Nestes termos. O mandamento de Gn. Deus é então. tais como: raciocinar. sociabilizar-se e ter relacionamento com o Criador. A semelhança com o Criador refere-se às capacidades que nos diferenciam dos animais irracionais. Os deuses das nações não possuem nenhum direito. Todas compartilham uma mesma origem. a possibilidade deste pertencer ao reino de Deus. sobre as aves dos céus. No Novo Testamento.

Deus o fez macho e fêmea. Deus ao salvar o homem. Fica claro então. Fica implícito que o mandamento era uma aliança entre Deus e a humanidade. Percebemos que o pecado de Adão não somente o afetou. Jesus chama o diabo de príncipe deste mundo (Jo. Mt. incluía não só Adão. veio por fim. o homem que deveria dominar sobre a terra (Gn. que este passou a estar sob o domínio de um outro senhor. permitiu através da queda do homem. 52 . 4:8-9). Todavia. A aliança era com Adão e sua descendência. 2: 17. a mercê de satanás. até que este atinja sua plenitude. assim como por um só homem entrou o pecado no mundo. pois certamente morreria. mas toda a raça humana. Percebe-se com a queda do homem. 1:28). o qual passou a ter autoridade sobre aquele. 67:7. Em outras palavras. mas o fez em pecado e separado de Deus. que a salvação do homem tem que reverter o processo destrutivo começado pela queda. e não somente uma aliança entre Deus e Adão. está escrito que ao ter criado o homem. Gn. referimos a separação da humanidade de Deus. voltará a relacionar-se com Deus e virá a exercer domínio sobre a terra corretamente. perdeu seu direito. O uso da palavra Adão em Gênesis apoia esta idéia. colocou-se a mercê de um outro reino. 4:25). a serpente. tenha autoridade aqui.2 O homem poderá ser restaurado e estar novamente no reino de Deus Percebemos então. 20:6. é verdade também. encher a terra. 59:13. estar novamente sobre o senhorio divino. 5:19). humanidade. que o mandamento divino para o homem não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. ou seja. 5:1-2. pelo pecado de Adão.isto não ocorreu. O homem deve assim. 3. pois ao se separar de Deus pelo pecado. pois não é usada somente como nome do primeiro homem. trabalha para reverter as conseqüências da queda. 72:11. 5:19. com todas as conseqüências negativas desta situação. 68:31. que em sua soberania. Desta maneira. o homem que inicialmente pertencia ao reino de Deus.2. Neste sentido. mas a toda a raça humana. Em Gn. enquanto é verdade que Deus reina soberanamente sobre a terra (2Cr. passando a terra estar sob o domínio de satanás (1Jo. e os chamou Adão (humanidade). 103:19 e Dn. Desta maneira. O homem criado à imagem e semelhança de Deus. precisava agora retornar a esta realidade. Romanos 5:12 afirma que: “Portanto. e pelo pecado a morte. Por queda do homem. e não de Deus. dando-lhe a oportunidade de pertencer novamente ao reino de Deus. assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram”. Há um domínio de satanás (1Jo. Sendo assim . que o diabo por ora. e por isso que seu pecado afetou a todos. 12:31). mas também significando humanidade. Sl.

Temos em Jesus. 3:1-6). Pecado é não estar de acordo com o padrão de Deus em atos ou pensamentos (Mt. o diabo (Cl. 87). através de Jesus (Lc. ou “semente da mulher”. pela queda. Is. destruiria a serpente. At. 20:3 e Mc. 2:14-15. No processo de ser salvo. triunfando sobre eles ali. a possibilidade de estar novamente sob o senhorio divino. 86:9. 45:22. mesmo que seja ferido por ela. e tu lhe ferirás o calcanhar”. 19:6. Na hora de Jesus. ou seja. Ele se encarnou por obra do Espírito Santo. Gn. assim mesmo despojou principados e potestades. o processo destrutivo da queda. por isso. 19:19-25. 2: 16-17). 28 e 1 Sm. Em outras palavras. masculino. voltando a ter relacionamento com Deus. Um homem portanto. 24:47). Jesus foi ferido na cruz para que houvesse salvação às nações (Lc. o homem terá a imagem divina em si. é ter errado o alvo estabelecido pelo Criador (1Sm. agora manchada pelo pecado. ele é o descendente da mulher. destruidor da natureza e racista em suas relações com o próximo. 15:23). 68:31-32. 8:29). a sua hora175 era também o próprio momento de ser expulso o príncipe deste mundo. A palavra no original para “ferir a serpente”. 24:44-49). restaurada em Cristo (Rm. pois esta é a maneira de se eliminar uma serpente. não será explorador. Se o processo reversivo ocorre. 5:31). passou a ser escravo do pecado (Jo. Nas palavras de Jesus. shoof. 12:31. Esta obra é de caráter universal. dando ao homem a oportunidade de estar novamente sob o senhorio divino. Jo. 28:1820). o diabo. O homem. este em seguida fez a promessa da salvação de Gn. 27. no original. pois Ele veio para salvá-lo de seu pecado (Lc. 2:11. 8:34). a consumação final da obra redentora de Deus. Mt. 3:8). 12:31).Neste caso. 12: 30). Este te ferirá cabeça.2. 12:3. Sl.3 Podia-se pertencer ao reino de Deus sem Israel A idéia básica de redenção é comprar de volta um escravo para colocá-lo em liberdade. 3:16-19). é rebelião contra Ele (Rm. pois Deus reverte os feitos da queda. ou não colocá-lo em primeiro lugar (Êx. 15:23). indicando que era uma promessa da vinda de um homem). Mesmo que foi ferido na cruz. 1:77. Êx. o qual demonstrou que Deus provê salvação para todas às nações (Gn. 5:21-22. Esta promessa revela a vinda do Senhor Jesus. 1Jo. significa esmagar. Deus salvou o homem. 2:14-15. era Jesus que reverteria por sua obra redentora. o diabo (Jo. opressor. Ele derrotou a serpente.174 Tendo o homem caído e sido amaldiçoado e julgado por Deus (Gn. foi colocado em liberdade em relação ao pecado. Isto é condizente com o Velho Testamento. 174 53 . 3. pois ele destruiu a serpente. esmagando sua cabeça. 3:15: “E porei inimizade entre ti e a mulher. Ao ser redimido pelo perdão dos pecados. viria e destruiria a serpente. dando ao homem criado a sua imagem e semelhança. entre a tua descendência e o seu descendente (o pronome está na 3 ª pessoa do singular. separando-se de Deus pelo pecado da desobediência (Gn. o faz devido ao fato de Deus ser redentor.

6:11: “A terra estava corrompida à vista de Deus. Após o dilúvio que veio como julgamento de Deus sobre uma sociedade corrompida. Ele era um homem temente a Deus. por isso. quando os filhos de Deus resolvem casar-se com as filhas dos homens. somente Noé. Enos e descendentes (Gn. Esta encontra-se em Gn. e cheia de violência”. Não temos muitos detalhes. havendo sempre uma minoria disposta a se submeter a Deus e não a serpente. 4:26). 8:20. não havia mais justo. 9: 9-13: 175 176 Hora no ensino de Jesus refere-se a sua morte na cruz (Jo 2:4. Estes haviam passado a se unir em casamento com mulheres que não temiam a Deus (Gn. 6). mais lhes agradaram. mas que por ocasião da época de Gn 6. 12:27. 6:1-2: Como se foram multiplicando os homens na terra. filho de Sete. passou de geração a geração. e por isso veio o dilúvio. então. 6 e 7). e pertence-se ao seu reino. o qual foi separado não por seus méritos. no contexto da passagem de Gn. as que entre todas. A população mundial era muito corrompida e violenta. há um processo de corrupção do gênero humano. Percebemos que Enoque (Gn. e passar a ser do reino de Deus. como da Abraâmica chegaram. 12:23. mas pela fé (Hb. Gn. 5:24). 7:30. (Gn. mas sabemos que esta união entre os filhos de Deus176 e as filhas do homens. 6:1-2. 14:18-20). os descendentes de Enos. o dilúvio é anunciado a Noé (Gn. tomaram para si mulheres. 6:11). 6:11-22). recomeçando tudo com ele e a sua descendência. e isto sem a instrumentalidade de Israel. Gn. 6:12). Deus firma uma aliança com Noé. quando Deus em julgamento exterminaria a humanidade. Há uma interpretação que entende ser filhos de Deus. 4:26). Infere-se por estas passagens. serviam a Deus. que conhecimento de Deus obtido no Éden. Neste contexto. e lhes nasceram filhas. Noé (Gn. digna de ser julgada severamente por Deus (Gn. não eram mais fiéis ao Senhor. Na época de Noé (Gn. 54 .Mesmo no período do Velho Testamento. resultou em grande decadência da raça humana. 6:9) e Melquisedeque (Gn. Até então eram servos de Deus (Gn. podia-se deixar de pertencer ao outro reino. e vemos por destas alianças. vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas. que Deus sempre quis ter na terra um povo que o servisse. 16:32 e 17:1). 11:7). Os dias da aliança Noaica. 13:1.

Cão e Jafé. para perpétuas gerações. É uma aliança com toda a humanidade. como havia Deus ordenado em Gn. Noé. Vemos então. Na justiça divina Deus poderia destruí-los. Então. antes do dilúvio.Eis que estabeleço a minha aliança convosco e com a vossa descendência. 10. e para todos os povos. De tal maneira. os animais domésticos e os animais selváticos que saíram da arca. mas não com dilúvio. que não esteja incluído. válida para todos os tempos. o reino de Deus estaria implantado. Vieram a existir pela multiplicação da raça humana. 9:9-13. 10:15-19). O homem estava na mesma situação de outrora. pois Deus havia prometido não mais destruir a terra com as águas de dilúvio. por isso. é uma aliança universal e irrevogável. por meio da confusão da língua que falavam. e com todos os seres viventes que estão convosco: assim as aves. após o dilúvio. Vemos no capítulo 10 de Gênesis. Gn. vemos Deus julgando os descendentes de Noé. e até teria muitos motivos para isto. e estavam debaixo dos termos da aliança noaica. 10:21. e entre todos os seres viventes que estão convosco. que em vez de adorá-lo como o único Deus. Não há nesta um povo ou uma tribo. seus descendentes e com os animais. Por quê ocorreu isto? Vemos que o problema das nações de Gn. gerações perpétuas. vivo e Criador de 55 . 9:9-13. Infelizmente a sociedade estabelecida e preservada por Deus. melhores ou piores. segundo a aliança noaica. Estabeleço minha aliança convosco: não será mais destruída toda a carne por águas de dilúvio. Gênesis 10 reflete o cumprimento desta aliança. segundo sua aliança com a humanidade. Criou-se assim. Não há entre as nações de Gn. será por sinal da aliança entre mim e a terra. nem mais haverá dilúvio para destruir toda a terra. 1:28. Porei nas nuvens o meu arco. e neste sentido. pois todas eram descendentes de Noé. Disse Deus: Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós. que o homem havia se distanciado de Deus outra vez. Vemos que esta é uma aliança entre Deus. e com a vossa descendência. teríamos tido uma terra submissa a Deus. ressalta que aquelas são todas as nações que vieram a existir da descendência de Nóe. que Deus começou tudo novamente por Noé que era justo. Contudo. 11:1-9. As nações de Canaã estão listadas em (Gn. Gênesis 10:32. as nações representadas. mas pelo os espalhar pela terra. mas isto não ocorreu. São nações que descenderam dos três filhos de Noé: Sem. estava agora mais uma vez corrompida. a possibilidade da terra ser mais uma vez cheia pela multiplicação da raça humana. As que descenderam de Sem estão listadas a partir de Gn. Gn. o que enviaria? Em Gn. Deus não mais enviaria dilúvio. como todos os animais da terra. 10 está no fato. Se seus descendentes seguissem nos passos dele.

Sem mais e nem menos. Alguns pensam que seriam Zigurates. os descendentes de Noé estão na mesma situação pré-diluviana. pois procuravam não se espalhar pela terra. eram nações que não tinham conhecimento de Deus. Contudo. nada somos e nem poderíamos ser sem Ele. e queimemo-los bem. façamos tijolos. 12. O pecado de desobediência. Em vez de servi-lo e temê-lo. Quem é ele? Seria alguém especial? O que sabemos é que Deus se manifestou a Abrão. que a idéia era estabelecer um nome. e tornemos célebres o nosso nome. mas estabelecerem um nome para si mesmos. e uma torre cujo tope chegue até aos céus. Eram lugares de envolvimento com deuses locais e adoração aos astros. Vemos que Deus se revela a um homem chamado Abrão179. Como iria isto ocorrer? Temos a partir de Gn. Disseram: vinde edifiquemos para nós uma cidade. A Ele deve ser dada toda honra e glória.177 Não procuravam glorificar a Deus e honrá-lo como tal. e o betume. Deus havia espalhado o homem. fosse abençoado. que tanto desagradou a Deus. 178 Não sabemos o que seria a torre e seu uso.178 Queriam ser célebres e não se espalharem pela terra. serem iguais a Deus. Era trazê-lo sob seu senhorio e reino novamente. Estavam agora espalhados pela terra e separados por línguas diferentes. Contudo. A intenção divina revelada em Gn 3:15. Não seria isto procurar para si a glória devida somente ao Criador? Ele a tudo deu vida e existência. torres comuns no tempo dos sumérios. Gn. após o dilúvio. Desobedeciam assim. o desenrolar de um plano divino. se colocando no lugar de Deus. para que não sejamos espalhados por toda a terra. 11:3-4: E disseram uns aos outros: Vinde. que aparece na história bíblica. por isto. para que o homem de todas as nações. percebemos por Gn 11:3-4. por meio da construção de uma cidade e torre. O resultado do julgamento de Deus foi o cumprimento de Gn. Não havia Deus ordenado que o homem se multiplicasse e enchesse a terra? Contudo. simplesmente considerar o que está no texto. basta para nosso propósito. espalhando-os pela terra. 56 . pensaram que ao terem conhecimento do bem e do mal iriam. formando as nações. quiseram ser iguais a Ele. Não são submissos a Deus. até então um desconhecido sem importância. onde havia no topo os símbolos do zodíaco. Contudo. o relato bíblico se volta para a chamada dele. de argamassa. 1:28.tudo. voltasse a se relacionar com o Criador e ser-lhe submisso. perdidas sem relacionamento com o Criador. estavam portanto. e não lhe estavam submissos. estavam como Adão e Eva. era salvar o homem que havia se perdido. 3:5. Gn. 1:28. e fez com 177 Adão e Eva ludibriados pela serpente. Deus os visitou por fim com julgamento. 179 O nome Abrão significa Pai exaltado. Como não serviam a Deus. também o mandamento de Gn. estava ligado ao desejo de serem iguais ao Criador. Os tijolos serviram-lhes de pedra.

Deus se manifesta a Abrão e lhe faz a seguinte promessa em Gn. 12:1-3: 57 .ele e sua descendência uma aliança.

24:38. 26:4) e Jacó (Gn. toda a revelação que temos de Deus. da tua parentela e da casa de teu pai. mas uma revelação especifica a cada família da terra. sendo luz do Senhor entres estes povos. a palavra usada na ocasião é goy go’-ee. Judeus eram também os apóstolos e os primeiros cristãos (Rm. e te abençoarei. foi reafirmada para Isaque em Gn. e vai para a terra que te mostrarei. 9:4-5). Foi uma testemunha entre os povos de Canaã (Gn. e isto é tão importante. Jesus disse para a mulher samaritana que salvação vem dos judeus (Jo. se refere as nações. Quando a promessa de Gn. Se tu uma bênção: abençoarei os que te abençoarem. as alianças. no reino de Deus. demonstra que Deus não quer dar somente revelação superficial sua a cada nação. 15:6). 180 58 . O uso de duas palavras diferentes para a promessa de Gn. 16:15. 1:1). e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. por isso. 182 Dos judeus vem não somente o salvador Jesus. para que fossem abençoadas. agora passa a formar uma nação. e te engrandecerei o nome. 15:6). por isso é pai de todo o que crê. É significativo que em Gênesis 17:5.182 Deus se manifestou a Abraão (Gn. 12:3. pessoas de todas as famílias da terra o seriam. 12:1020). A chamada de Abraão tinha por finalidade abençoar as nações. mas os profetas.181 O objetivo da aliança abraâmica era universal. A palavra família. voltarem a estar sob o senhorio divino. através de quem todas as famílias da terra podem obter a salvação pela fé. é também usada em Gênesis com este sentido nas passagens Gn. Ele peregrinou pela Terra Prometida. pois era de família idólatra (Js.19: 22-33. Foi testemunha entre os de Gerar (Gn. Ambas as partes da promessa são interligadas. pai de uma multidão. 28:14). 15:6. Este conhecimento deveria agora ser levado às nações. a cada indivíduo (Mc. 26:4. Na verdade. de ti farei uma grande nação. para abençoar as demais por meio desta. como Abraão já estava. pois Deus estava no processo de formar uma nação. Deus havia espalhado o homem pela terra formando as nações (Gn. que foi depois reafirmado para Isaque (Gn. tinham conhecimento do Criador. no Egito e entre os de Gerar. (Mt. 12:1-3). Foi testemunha no Egito (Gn. de Gn. que é descendente de Abrão. não foi baseada em mérito humano. 4:22). serem abençoadas por meio dele.Ora disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra. Assim podiam pelo testemunho de Abraão. 12:1-3. Pois como ele foi justificado pela fé (Gn. 40-41 e 28:14. A eleição de Abraão e descendentes foi um ato de graça. mish-paw-khan. 20: 1-18). Vemos exemplos disto por meio da vida de Abraão. 181 Gl 3:6-14 esclarece como Deus cumpriu sua promessa a Abraão. 13: 17). a qual deve ser traduzida como nação. 24:2). 1Tm. para assim abençoar todas as famílias da terra. enfim. pois creu e isto lhe foi imputado por justiça (Gn. como Abraão o fez. todas as famílias180. Fez isto através de Jesus Cristo. Foi também um excelente intercessor pelas nações (Gn. Percebemos que esta promessa tem duas partes. em ti serão benditas todas as famílias da terra. pai exaltado. 11). 20:17). A primeira. 2:4). 12:1-3. as Escrituras. Deus muda o nome de Abrão. se refere à formação de uma grande nação através de Abraão. A segunda. Gn. para Abraão.

uma nação. que era a mais desenvolvida na época. A eleição de Abraão e de Israel em Abraão (Gn. Isto incluía serem reino de sacerdotes. 41. para ser governador do Egito (Gn. 19:4-8). 66:5-6. Israel deve ser benção às nações. Somos então. 40). também na aliança Sinaitica. 3. 184 183 59 . Saiu da prisão. e assim entraram em aliança com Ele (Êx. Experimentaram portanto. Desta forma. o conhecemos por fé. Foi enviado à força para o Egito e vendido como escravo (Gn. 103:7. 3) e ao povo pelas pragas (Êx 7 a 12). Este conhecimento experimental começou com a manifestação a Moisés (Êx. 1:2). 15:1. 5.4 Podia-se pertencer ao reino de Deus pela instrumentalidade de Israel Vemos o propósito de Deus em reverter o processo da queda. Sl. 39:7-20).184 O fato de que foram resgatados de lá. após uma revelação pessoal do Senhor a nós (Jo. Tanto em uma (aliança Abraâmica) como na outra (aliança Sinaitica). é a vida de José. 185 Obediência vem depois de revelação divina. e não estar sob o domínio de um outro reino. pagando por isto ser encarcerado (Gn. 3:5). (Êx.Um outro grande exemplo de Deus usando Israel183 para revelar-se às nações no livro de Gênesis. e obtiveram assim conhecimento experimental de Deus. Tanto uma como outra. Este propósito se renova com a aliança sinaitica.185 Usamos a palavra Israel para nos referir aos judeus como um povo. 37:7-9). foi depois confirmada com a aliança no monte Sinai. após terem deixado o Egito (Êx. os preparou para a aliança. revela o propósito de escolha divina de Israel. chamados a obediência e a santidade (1Co. Mq. O Faraó reconheceu em José alguém que temia a Deus (Gn. Não obedecemos e praticamos obras para conhecê-lo. Qual era este propósito? Abençoar às nações como Abraão e José o fizeram. mas só poderiam sê-lo em obediência. pelo dom que Deus lhe havia dado de interpretar sonhos. que Deus era Deus. Estando ali . não abriu mão dos princípios morais do Deus que conhecia e lhe falava em sonhos (Gn. A história de seu livramento mediante grandiosa manifestação do poder de Deus. Desta maneira. o conhecimento de Deus chegava aos povos e podiam voltar a estar submissos a Deus. Israel seria instrumento divino para trazer de volta o homem ao seu Criador. 19). 105:8-10. é um dos temas mais importantes do Velho Testamento (Êx. o conhecimento do Deus de Abraão chegava agora ao governante daquela nação. Nos termos desta. 37).2. 105. ver em especial verso 38). Recusou-se a adulterar com a esposa de Potifar. 19:5-6). 1:8-14). 6:3-4). 12:1-3). Se quisesse podia agora servir a este Deus. Esta foi firmada após a libertação da escravidão no Egito (Êx.

dirão: Certamente este grande povo é gente sábia e entendida. 7:1-5). Veja alguns dos vários aspectos que formavam este quadro: Não deveria haver pobreza. Baker Book House. 18:24-25. Em segundo lugar. Não deveriam oprimir o pobre com juros. 19:5) levaria os povos a saber que seu Deus era o único. Daniel e Jonas. porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que. Guardai-vos. Enquanto seu papel proclamador é visto no livro de Isaías. 34:11-16. Israel seria assim. tanto por seu exemplo. Este exemplo que se esperava de Israel é claramente visto na Torá. reconhecerem que o Deus de Israel. que levaria as nações por meio deste bom testemunho. Israel deveria ser uma nação tão socialmente justa e santa. Is. O apóstolo Paulo ensinou o mesmo (1Co. Êx. The Mission of The Church in the World. 32:17 e Sl. demonstra a influência de Roger E. 187 O papel proclamativo de Israel como adiante citado. 12:1-3. USA. 10:19-20). Dt. Israel devia somente servi-lo como Deus. (Lv. Israel deveria ser reino de sacerdotes no serviço às nações.O propósito divino em eleger Israel era duplo. Hedlund em meu pensamento por meio do livro. não estar envolvido com idolatria. Lv. um modelo do que é estar no reino de Deus. (Êx 20:3-6). era o verdadeiro. 19:5-6). 10:3-4. 28:1. Dt. ouvindo todos estes estatutos. Esta obediência seria vista na observância das leis que regulava os aspectos sociais. entre os dez revelados em Êx. 1991. todas as vezes que o invocamos? E que nação há. Primeiro. 186 60 . como me mandou o Senhor meu Deus. 4: 5-8. 20:1-17. como por sua proclamação. 15:4-11. 10). Se assim o fossem. Os profetas também foram rigorosos na condenação da idolatria (Jr. 47:8).186 Os três primeiros mandamentos. Dt. que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o Senhor nosso Deus. e cumpri-os. para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. nenhum outro há senão ele. Dt. como instrumento de revelação divina aos povos que não conheciam a Deus. pois. se tornariam inúteis para o serviço de reino de sacerdotes (Êx. Pois. sem saberem que estavam sendo desobedientes (Êx. As práticas decadentes e idólatras de Canaã foram condenadas de tal maneira. 45:6. 35: Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos. sendo uma benção às famílias da terra. (Êx. 9. (Gn. 23:2333.187 A Torá ensina que a obediência de Israel aos mandamentos divinos (Êx. 18:1-30. 19:5-6). pela obediência aos mandamentos. econômicos e religiosos da nação. referia-se à proibição da idolatria e do sincretismo. Israel estaria assim. Em outras palavras. Duas passagens do Velho Testamento revelam que por trás dos ídolos há a operação de demônios (Dt. 106:37). 22:25). que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho? A ti te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus. que não havia a possibilidade de serem sincretistas.

por isso. havia redistribuição da terra a cada cinqüenta anos (Lv. Desta maneira. 10:18-19). Pv. Não podiam abusar dos estrangeiros (Êx. e de que o Senhor teu Deus te remiu: pelo que hoje te ordeno”. Escravos deveriam ser libertos a cada sete anos (Êx. 22:3).Deus estabeleceu um sistema no qual havia juizes. Havia leis protegendo os criminosos de castigos excessivos (Dt. 6-9. Justiça deveria ser feita ao pobre (Êx. incluía cuidado dos estrangeiros. aos órfãos e viúvas. 21:2. 22:13). preservava-se o ambiente. 10:18). Dt. A base para a justiça social estava na redenção do Êxodo Dt. Como resultado. Sl. 23:9). 23:1-2). 22:21. 21:3). 189 Os profetas mais tarde reforçaram o que havia sido revelado no Torá sobre justiça social. Parte da produção deveria ficar no campo para ajuda dos necessitados e estrangeiros (Dt. Isto seria na prática uma demonstração do que é conhecer a Deus ou não. (Êx. como o fez Salomão (1Re 4:1-19). Justiça socialespelha o próprio caráter de Deus (Êx. Não deveriam comer a ave mãe (Dt. 25:39 em diante). Não deveriam oprimir órfãos. 17-18). Deveriam cuidar do estrangeiro necessitado e amá-lo. 16:20). 22:21-23. Jeremias condenou enriquecimento por meios injustos (Jr. 22:6-7). 15:12 em diante). 23:6). Leis guardando os direitos dos escravos (Lv. Não deveria haver em Israel um elite detentora dos bens. 19). Deveria haver preservação da natureza. enquanto os outros padeciam. 20:19). Oséias ensinou que conhecer a Deus é estar desposado com Deus 188 61 .189 O exemplo de Israel como demonstração aos gentios do que estar sob o domínio divino. (Dt. Não deveriam destruir as árvores das cidades conquistadas (Dt. 14:29). Ensinou que fazer justiça era conhecer a Deus (Jr. 37:28. inclusive os filhos de Samuel (1Sm. A injustiça é totalmente condenada (Êx. e não serem corruptos (Dt. Infelizmente alguns juizes foram corruptos. o reino foi divido (1Re 12). No período da monarquia houve também desobediência aos termos da aliança. 2:2-3. 22:16). 16:20. 15:15: “Lembrar-te-ás de que fostes servos na terra do Egito. assim haveria possibilidade de mais reprodução e perpetuação da espécie. que eram membros das doze tribos. 16:19)188. 23:1-3. Dt. 22:22. 19:5-7). Parte dos produtos dizimados deveriam atender as necessidades dos estrangeiros (Dt. por meio destes. deveria haver justiça na nação. 8:3). 22:21-27. O livro de Rute nos dá um exemplo disto (Rt. viúvas e estrangeiros (Jr. 24:19-21). Dt. 25). Neste sentido Jeremias estava em total concordância com o que havia sido revelado em Êx. 24:14). Justiça deveria também ser estendida ao estrangeiro (Êx. Dt. Na qualidade de juizes deveriam ser justos (Dt. Jeosafá veio a restabelecer justiça depois (2Cr.

2:19-20). 35). e te em justiça. 10:25-37 e Tg. para seres a minha salvação até a extremidade da terra”. deveria ser mais ativo na propagação do conhecimento de Deus que possuía. O verso 3 do mesmo capítulo. misericórdia e fidelidade (Os. te chamei em justiça. o Senhor. Is. Israel é luz para os gentios (Is. 4: 5-8. para restaurares as tribos de Jacó. nos capítulos 40-55. diz o Senhor”. como no caso de Jonas. Sua proclamação foi forçada. mas pela circunstância do exílio.Como o exemplo de Israel era revelacional às nações (Dt. 42:6-7. começamos por Isaías. Quem é este servo e sua missão? De maneira resumida. tomar-te-ei pela mão. por isso. os levaria a serem eficazes nesta tarefa. diz ele: pouco é o seres meu servo. 22:34-40. 12:28-34. os quais se referem ao Servo do Senhor. como o futuro Messias. 43:1. afirma que Israel é o servo do Senhor. Mc. 43:9-10: “Todas as nações se congreguem. veja Mt. 49. Is. Apesar de seus problemas. Israel foi claramente chamado para ser testemunha do Senhor às nações. temos: Is. 6:5. e não os oprimamos (Is. e os povos se reunam. Is. Esta porém. ali se reforça a idéia que o Servo deve levar conhecimento de Deus às nações: “Eu. dependia do exemplo de Israel. temos: Is. como a que seria realizada pelo Messias. 49: 6). 58:6-7).. podemos dizer que o Servo é tanto Israel. por quem Deus seria glorificado: “E me disse: Tu és o meu servo. amar a Deus sobre todas as coisas e a próximo como a si mesmo. é digno de ser redimido Is. pois proclamação do conhecimento de Deus deveria ser exercitada. és Israel por quem hei de ser glorificado”. isto não entendeu e nem foi voluntário. e te guardarei. não se limitava a isso. Lc. benignidade. quem dentre eles pode anunciar isto. As vezes as passagens tanto se referem à obra que Israel deveria realizar. Isaías ensinou que o desejo de Deus. ou esteve entre os gentios como Daniel e seus amigos. Lv. vós sois minhas testemunhas. Isaías. Em outra passagem. é que ajudemos os necessitados. Os mandamentos mais importantes. 41: 8-9. e tornares a trazer os remanescentes de Israel.19:5-6) portanto. Israel é um servo é rebelde Is. Israel contudo. 43:22. Além destes textos.. Caso Israel tivesse entendido isto. por isso.. teria sido ativo e se envolvido na proclamação de seu conhecimento de Deus aos gentios. 49:16. 19:18. pois assim cumpriria-se toda a justiça (Dt. 62 . Com a intenção de entendermos como Israel também tinha um papel proclamativo. 49:6: “Sim. Daniel e Jonas nos dão base para tal afirmação. Contudo. também te dei como luz para os gentios. A tarefa de sacerdote às nações (Êx. 2:8-9). Entre as passagens que demonstram Israel como o servo de Deus. juízo.

Is. Jesus entendeu que este sofrimento do servo do Senhor.. Mt. Em Isaías portanto. 42 também se cumpria no Messias. É ungido por Deus para um ministério aos gentios. Tarsis (Espanha). 63 . Pul e Lude. como o fez em Mt. 1Pe 2:24-25. 12: 17-21). 42:4 e Is. mas também pelo benefício de sua morte expiatória (Is.. 28:18-20. 50:6. 22:37). 3:13. Is. Dt. 42:1.. pois há muitas passagens que falam dele como vitorioso. 21:23). e nem viram a sua glória. 42:1 e 4: “O meu escolhido. Então. 9. seria anunciado a glória do Senhor. 28:18-20).cumprindo Is. 53). pois foi exaltado (Sl. pelos escolhidos de entre as nações. a Tubal e Javã . Isto não era somente presença piedosa entre as nações. mas não sem antes se tornar por morte expiatória o redentor (Is. No geral Israel não foi esta testemunha. 6-7). 53. assim como o Messias também faria. De fato ele o é. contemplarão a glória do Senhor. 17:25. que jamais ouvirão falar de mim. Deus ajuntará todas as nações e línguas. Jesus é. levando-lhes justiça. Justiça messiânica vem pelo sofrimento do servo do Senhor Is. Pute). 12:38. mas anunciar ativo da verdade e conhecimento de Deus. o servo sofredor do Senhor. outros para Javã (Grécia) e outros às terras do mar mais remotas. 53:3-6). se cumpria nele Lc. “até que ponha na terra o direito. tinha que ser testemunha do Senhor às nações. de entre as nações salvas. 52:13-15. A maneira com se deu a morte do Messias. haveria um sinal do Senhor: Porei entre elas (as nações) um sinal. 8:3235. Os apóstolos assim o fizeram (Jo. 1Pe 2:8). enviaria seus servos às nações. para abrires os olhos aos cegos. 27:10. 191 Segundo esta passagem. Há outras passagens sobre o Servo do Senhor em Isaías. (Is. (Is. Is. através de morte maldita. Entre os que seriam ajuntados. e ele promulgará o direito aos gentios.191 190 O conceito de Messias sofredor tem sido uma dificuldade para os judeus. 7. Sua morte expia pecados (Is. 66:18-23. Então. para lugares que nunca ouviram falar do Deus de Israel. nem virão a minha glória. e as terras do mar aguardarão a sua doutrina”. gentios poderiam pertencer a Deus. eles anunciarão a minha glória. O Messias por fim. se for o mesmo lugar de Ez.. 42:1-4 foi aplicado a Jesus em Mt. em quem minha alma se compraz: pus sobre ele meu Espírito. Deus enviaria alguns a Pul (provavelmente um lugar perto da Etiópia. Ele é obediente (Is. Israel como luz às nações portanto..farei mediador da aliança com o povo. 53). portanto. e alguns dos que foram salvos enviarei às nações. 8:17. Não só por sua proclamação. Lc. Em outras palavras. por ter morrido pelo homem (Gl. No entendimento do Novo Testamento. Mt. 53:5-6. At.190 Desta maneira. a Tarsis. não só para lugares mais conhecidos. 52:13). 24:46. vemos que tanto Israel deveria ter levado conhecimento de Deus por proclamação. 10-12). pessoas de todos os povos. pois seria redentor pelo sofrimento.. Is. outros para Tubal (nação da Ásia Menor). e a Ele serem submissos. 9:22. Um vez que os judeus não compreenderam pelas Escrituras os sofrimentos do Messias. que se aplicam somente ao Messias. até mesmo para os mais remotos. até às terras do mar mais remotas. os enviados do Senhor (seus missionários. coopera para que o Messias seja também pedra de tropeço (Is. 50:4-5). todos os povos. e luz para os gentios. Is. 110:1. para tirares da prisão o cativo e do cárcere os que jazem em trevas”. No Novo Testamento. 8:14-15.

Sabemos que as cerimônias de culto eram somente celebradas pela membros da tribo de Levi. levando conhecimento de Deus. até os lugares mais remotos. A geração do tempo de Jonas. 7:11-27. 17). 1:20). não precisam oferecer sacrifício de animais. gentios obtiveram conhecimento do Deus verdadeiro. mas forçados pela circunstância do exílio. ninivitas se levantarão no juízo com esta geração. mas de novo.. Como reino de sacerdotes. Fez seu papal proclamativo. pregando em Nínive. Em Daniel. mas oferecem sacrifícios espirituais (oração e louvor. porque se arrependeram com a pregação de Jonas. 3:1-2). Isto é visto em Jonas e em Daniel. Porque assim como Jonas foi sinal para os ninivitas. E isto em todas as nações: fazei discípulos de todas as nações.. mas não com compaixão. foi salva e julgará os judeus do tempo de Jesus. diz que de entre os gentios alguns seriam chamados para serem levitas e sacerdotes. vemos Israel entre os gentios. 64 . o qual permitiu que gentios viessem a pertencer a Deus. senão o de Jonas. Isto fez por meio de uma tempestade e um grande peixe (Jn. Jonas por meio destes eventos. Agora Isaías 66:21. depois do sacrifício perfeito de Jesus (Hb. A Daniel foi dada a capacidade de interpretar sonhos (Dn. Temos por meio destes quatro homens. 8:5. Escolheram não se corromper com os alimentos que eram oferecidos ao ídolos (Dn. e a condenarão. 12. não fizeram esta obra voluntariamente. como sacerdotes (Êx. mais não de homens feitos a imagem e semelhança do Criador (Jn. são chamados para declararem as virtudes daquele que os chamou das trevas para a luz (2Pe 2:9-10). E eis aqui está quem é maior do que Jonas. Infelizmente porém. 3:10). Em Jonas. 4:1-2). 4:6-11). há somente dois exemplos por meio dos quais. Como membros do Corpo de Cristo. Torcia para que Deus não tivesse deles misericórdia (Jn. 19:5-6). 2Pe 2:5) a Deus. O fez por circunstâncias. temos um outro exemplo de Israel levando conhecimento de Deus. O resultado deste trabalho missionário será: toda a carne adorará perante o Senhor (Is. dando-lhes sabedoria e inteligência (Dn. Os assírios porém. 1:17). o Filho do homem o será para esta geração. Assim Deus os abençoou. contudo. forçado por Deus e não voluntariamente. alguns seriam tomados como levitas e sacerdotes. Podia ter compaixão de uma planta. 1:8). Estava totalmente controlado por seus preconceitos. e por isso por meio deles. A passagem também diz que de entre eles. 28:18-20). exemplos de como Deus queria usar os judeus para abençoar as nações. 66:23). Deus força seu profeta a obedecê-lo. 1:4. se arrependeram e não foram destruídos (Jn. 4:3). arrependeuse e foi reenviado (Jn.. Jesus disse em Lc. mas nenhum sinal lhe será dado.11:29-30: Esta é geração perversa! Pede um sinal. Daniel e seus amigos eram fiéis a Deus. De fato os gentios são chamados para levarem a glória do Senhor às nações (Mt. e 9:23-28).Contudo. fez o trabalho esperando que os assírios viessem a ser destruídos. Isto levou Jonas a desejar a própria morte (Jn.

demonstrando que ele passaria por um período de insanidade. e o Senhor dos reis”. eu. Daniel foi engrandecido e se tornou governador de toda a província (Dn. e a etíope (Nu. exalço e glorifico ao Rei do céu. o reconheceu como tal. e pode humilhar aos que andam na soberba”. 11:31). pois. 2:11. 2:19). que obter conhecimento de Deus por meio de Israel. devido ao livramento dos amigos de Daniel da fornalha. e os seus caminhos justos. Raabe (Js. foi a revelação do Deus de Israel aos gentios. O resultado foi o reconhecimento do rei. Na passagem sobre o sonho de Nabucodonosor. Similarmente as esposas de Moisés. que eram quenezeus (Js. os estrangeiros poderiam ser incorporados a Israel. Assim como. por repreensão de seu pecado (Dn. e assim vir a fazer parte do povo da aliança. O rei depois de restaurado glorificou a Deus como tal. Nesta condição.O resultado de tanta consagração e santidade ao Senhor. Dn. 1:16.2. 6:25. Certamente que estrangeiros foram incorporados a Israel. Nabucodonosor. compreenderia que somente o Altíssimo tem domínio sobre todos os reinos dos homens (Dn. louvo. implicava em receber uma nova identidade. em como poderia os estrangeiros pertencer ao povo da aliança. agindo como animal. Jz. Passava-se ser judeu. Calebe e Otniel. a midianita (Êx. como se dava isto? Temos a resposta em Êx. Rute (Rt. que o rei reconheceu que havia Deus. mesmo que o fosse de origem gentílica. 65 . porque todas as suas obras são verdadeiras. ali se explica que por meio da circuncisão. Mt. resta nos pensar. 4:26-27). eram como o natural da terra. 18:6). Desta forma. Se os estrangeiros se incorporavam a Israel. 6:25-28. vemos que Raabe e Rute foram integradas. após ter visto como Deus livrou Daniel da cova dos leões.5 Como se dava na prática a incorporação do gentio ao reino de Deus Uma vez que Israel pelo seu exemplo e proclamação deveria levar conhecimento de Deus às nações. Os quenezeus eram um braço dos edomitas. Concluímos portanto. 2:48). somente Daniel foi capaz de contálo e dar sua interpretação (Dn. o vosso Deus é Deus dos deuses. 14:14. ao se submeterem ao domínio de Deus. Em Daniel 4. 4:25). 3. 12:1). 1:5). Neste livro temos outros bons exemplos: Vemos em Daniel 3: 28-29. 4:37: “Agora. não descendentes de Jacó. 12:48. 3:9). há o relato de mais uma interpretação de sonho por Daniel. Interpretou o sonho de Nabucodonosor. Hb. O mesmo ocorreu com o Rei Dario em Dn. que só o Deus de Daniel era Deus: “Disse o rei a Daniel: Certamente. obtendo assim a cidadania nacional (Êx 12:48).

como Davi (1Sm. 5:7. demonstrado pela obediência aos seus mandamentos (Rm. Infelizmente depois. as nações deveriam ir a Israel (1Re. quando este ainda não havia se envolvido com idolatria (1Re11:1-8). em seu período inicial. mas pela eficácia de seu exemplo. 10:9. Nem tanto por sua proclamação. como nos mostrou Isaías. servia a Deus. Não que Israel fosse o reino. Israel assim atraía os estrangeiros para si. era o mesmo que pertencer ao reino de Deus. 3. 2 Cr. aqueles que tinham suas vidas sob o senhorio divino. demonstraria o que é pertencer ao reino de Deus. ou divino a ser implantado (2Sm. 17:14-15). manifestação de sabedoria divina (1Re. 11:5. por isso de todos os povos vinha pessoas para ouvi-la (1Re. At. o faz soberanamente. 4:29. O reino então.6 Singulares exemplos de gentios sendo incorporados ao reino de Deus O período monárquico de Davi e Salomão. Israel nem mesmo estaria no reino por ser Israel. puderam ver que havia Deus em Israel (1Re.2. então. Estava até mesmo prevista na lei (Dt. havia paz (1 Re.A incorporação de estrangeiros a Israel era um movimento centrípeto. como servo do Senhor (1Re. 8:4-20). O povo sob a influência de rei. ligados a satanás (Sl. Deus era Senhor e não os falsos deuses. 11). Pertencer a Israel como judeu temente a Deus (Rm. Todavia a monarquia. 13:22). Naquela ocasião. 12:48). Vemos isto. 12:48). 13:14. se não faz diretamente. O mesmo é verdade para o reinado de Salomão. 4:34). se Israel tivesse feito seu papel de proclamador. Deus reina sobre toda a terra e não se limita a uma nação. Como já dizemos nas ressalvas gerais. pois tanto Hirão. 11:5). 106:37-38). consiste num bom momento. 8:22. Infelizmente não durou tanto. quando Israel levou aos gentios conhecimento de Deus. igualmente temente. mas somente pertencia a este. Êx. Havia em Salomão uma consciência de que Deus deveria ser conhecido pelos povos da terra (1Re. não se limitava a Israel. o remanescente). durante o reinado de Davi. Zc. 8:43. Ao mesmo tempo era centrifugo. não houve temor de Deus. Esta ajudou a entenderem a idéia de reino messiânico. ou como gentio incorporado a nação (Êx. 8: 41-43. pois estavam assim submissos a Deus. 34). a qual superava a sabedoria das nações (1Re 4:30-31). os povos da terra não puderam 66 . Desta maneira. ou seja. e Israel tornou-se assim ineficiente para levar conhecimento de Deus às nações. como a rainha de Sabá. desde de que o rei tivesse seu coração segundo o de Deus. 60). não era necessariamente má. pois neste. 4:25). O pedido de Israel por um rei implicou na rejeição da teocracia (1Sm. 9:23). Monarquia exercida por meio de um rei santo. 7:13-14).

O período monárquico e os demais do Israel antigo. mas por meio da vinda do perfeito. que o Messias seria sacerdote na ordem de Melquisedeque. e não a satanás. seria sacerdote. No Salmo 110 fica claro. 7:13-16. A divindade do Messias é vista neste Salmo em seu verso 1. De qualquer maneira. Jr. Nos Salmos 2 e 22. 7:14. Is. O Messias teria então. Com a vinda do Messias. livra-nos das suas mãos.no geral. se cumpriria a promessa de Deus a Abraão (Gn 12:3).7 A promessa do reino messiânico Temos visto que havia a possibilidade do judeu e gentio no período do Velho Testamento. 23:5-6. pela instrumentalidade de Israel. pois no Velho Testamento tinha-se somente a sombra do perfeito (Hb. Israel no geral não exerceu seu papel de sacerdote eficazmente. debaixo de seus pés. como nos Salmos messiânicos. Temos várias passagens no Velho Testamento que tratam da futura vinda do reino do Messias. colocando todos os inimigos de Deus. experimentarem o que era estar sob o senhorio de Deus. não só Israel seria salvo (Is. a mesma função de Israel. 9:6-7. livrando-o das ameaças de Senaqueribe. 2:44 e 7:13-14). é o mesmo que a vinda do reino de Deus. então. somava as funções de sacerdócio e realeza (Sl. 11:11-12). 2:8): “Pede-me.2. Há casos isolados. A lei de Moisés instruía que poderia ser sacerdote somente os da família de Arão (Êx. a vinda do próprio Deus em carne (2Sm. ó Senhor nosso Deus. Assenta-te à minha direita. pois. Como estas passagens citadas indicam. e eu te darei as nações por herança. como a da viúva de Sarepta e do leproso Naamã. Seu sacerdócio era assim universal. de que se Deus interviesse. não nos fornecem ilustrações abundantes de Israel como sacerdote do Senhor às nações (Êx 19:5-6). Is. Haveria ainda uma implantação do reino de Deus. 10:1). seria rei sobre toda a terra. até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés”. para que todos os reinos da terra saibam que só tu és Deus”. Desta maneira. estarem em submissão a Deus. Dn. citado em Lc. mas todas as nações (Is. 110: 1-2). ou seja. 2Re 19: “Agora. Assim como havia uma consciência em Ezequias. 11:10). 3. Mas sendo de uma ordem superior. mas teria as nações por herança (Sl. nem pelo exemplo e nem pelo proclamar. A vinda de seu reino então. demonstram que o Messias seria rejeitado e sofreria. 28:1-2). o Messias é divino. Contudo. pois ali uma Pessoa da divindade fala a outra: “Disse o Senhor ao meu Senhor. o sacerdócio da linha de Melquisedeque. a obra não estava completa. 4:25-27. os povos saberiam que o Deus de Israel era Deus. e as extremidades da 67 .

4:34. Jr. 3:2. 7:14). O homem pode agora estar debaixo do domínio divino. Passemos portanto. Deus pode ser servido ou não pelo homem. Concluímos que no pensar de Jesus. 7:13-16. uma implantação do reino de Deus pelo Messias. 7:14. se cumpriram em Jesus. levaria salvação até os confins da terra. pois outrora prometido (2 Sm. profetizaram que haveria no futuro. 11:15-17). pela manifestação do divino Messias (2Sm. Is. Expande-se pela obra missionária ordenada por Jesus a sua Igreja. e seu precursor João Batista. (Ap. Gn. O Messias portanto. Foi por ele. 53. 9:7-6. 12:3. Is. manifestou-se com sua primeira vinda. O reino de Deus é dado aos santos (Dn. pois tanto em um período como no outro. 2:44. Jesus usou inúmeras vezes este título messiânico para si. é ele quem governa as nações”. A grande diferença se dá no fato que as promessas de redenção e implantação do reino de Deus. por ser 68 . 7:18. perante ele se prostrarão as famílias da terra. 2:44 e 7:13-14). com a segunda sua vinda. 49:6 e Is. 3. Jesus anunciou a chegada deste reino. 4:17. entendendo se tratar dele. A centralidade de Jesus só é possível. por ser Ele quem é e por sua obra redentora do homem. Pois do Senhor é o reino. proclamado (Mt. O assunto do o reino de Deus no Novo Testamento. Is. a vinda do reino com a encarnação de Jesus. Lc. pelo divino Messias. Neste está revelado que o reino é universal. A vinda futura do reino de Deus. por meio de Jesus. consideraremos os seguintes itens. 23:5-6. Is. 6:26. 2:44 e 7:13-14). Enquanto que a plenitude do reino ocorrerá. Dn. Primeiro. 27). 7:13-16. eterno e dominará sobre os demais reino da terra (Dn. também foi enfatizado no livro de Daniel. 3 A possibilidade de pertencer ao reino no Novo Testamento No Novo Testamento não temos Deus reinando mais do que já o fazia no Velho Testamento. 9:6-7. Os Salmos messiânicos portanto.terra por tua possessão”. 22:27: “Lembrar-se-ão do Senhor e a ele se converterão os confins da terra. tem sua centralidade em Jesus. Dn. Será implantado pelo Filho do homem (Dn. 21:31). Ele era o implantador do reino de Deus. 10:7. como prometido em Gn. a nosso próximo item. 7:13). exercendo seu papel de rei do reino e sacerdote às nações. 3:15. onde consideraremos a vinda do reino de Deus. Com a finalidade de entendermos o assunto do reino de Deus no Novo Testamento. Esta herança será recebida conforme todas as famílias da terra se convertessem e se prostressem a ele Sl.

1Jo. 192 69 . 1:69. 4. Is. Jo.12. Sendo isto. At. Seu sacrifício não foi um plano mau sucedido.15. Ap. 193 Jesus é o redentor (Lc. Ap. Jr. 1Co. 18:36. 1:19). 10. 12:3. 1Pe. pois Ele era Deus em carne. está seu reino. 3. 53:12.3. Pelos apóstolos (Mt. 3. 12:23. 1:14). Ap. Como fora predito que Deus se encarnaria (Is. Mt.30. é estar sob seu senhorio. ou seja. 7:14. 20:28. 53:5. 1:18-19. 3:15. 1:3) Sendo Deus era preexistente. 7:13-14. 4:15. Jo. o exemplo da Igreja quanto ao que é estar no reino de Deus. O reino de Deus portanto. 23:42. 1:7. Gl. 5:2. 1:31. 3:5. Hb. 6:67. 7. 6:35. ele se torna assim o único intercessor e mediador entre Deus e os homens (Is. é o mesmo que o prometido reino do divino Messias (Is. e dá ao homem a possibilidade de estar novamente Sua divindade foi atestada por Ele (Lc. 38. 17:5. 5:9. Jesus reverte o processo da queda. 9:5. 10:17-18. 20:28. Em sexto lugar. 61:1. 9:28. 26.3. 1:4. Em quinto lugar. 10:30. 16:15). 5:9). a importância de sua redenção para que o homem pudesse voltar a estar sob o domínio de Deus. 5:2. 2. em lugar do pecador ((Is. 7:26. Desta maneira. 9:22. Fl.3. 2Co. 3:11). Rm. 16. 22:69-70. Este foi voluntário (Jo. 37. Ef. 7:14). 9:7. 17:14). pois Ele não está sob o domínio de outrem.193 Como o salvador e redentor. pois Jesus predisse seu próprio sofrimento (Mc. 1Jo. 7:13-14. 12:50. Conhecer Jesus e aceitá-lo. Hb.quem Ele é. 5:1. Sua morte foi substitutiva. pois Ele é Deus. 10:9).. levou os pecados de muitos (Is. Em nono lugar. 5:6. Lc. pois não tinha pecado (Hb. Ap. 8:31. Rm. 1Pe. “arrependei porque é chegado o reino dos céus”. Jo. At. 2. seu reino também o é. 1:1). 5:15. 3. o mesmo que estar no reino de Deus. Fl. e portanto. por isso podia dizer. Lc. 2:44. 3:16-17. Ap. Rm. 4. 12:45. 9:6-7. Sl. Em sétimo lugar. 1:5). 68. Sua encarnação tinha um propósito. 2Pe. At. Hb. a obra missionária só é realizada se superarmos nossos preconceitos. 2:9. 2:24. a expansão do reino de Deus pela obra missionária. 11:15). Como Jesus é o Messias prometido (Sl. 3:6.9. Dn. 2 Sm. o verbo eterno (Jo. 8:58. 3:14. Rm. Rm. 19:10). 16:16. 2:4. Lc. para remir o homem (Is. 8:3. 7:3. 5:24. 10:38).192 Onde Ele estava. Gn. 1Pe.12. Jesus. 1:11. porém. 3:5). sua primeira vinda. Em terceiro lugar. Dn. 2:9). 45:7. veremos se a Igreja substitui Israel no Novo Testamento. 2:44 e 7:13-14). 23:5-6. Hb. 15:13.2 O retorno do homem ao reino de Deus pela obra redentora de Jesus Como o Messias. Is. (Mq. É expiatório (Mt. Jr. 1Jo. Lc. a relação da Igreja com o reino. Como Deus é eterno. Jesus é o salvador de todos os povos (Jo. 3:14). 9:6. 2:7. 23:5-6). 53. Em oitavo lugar. 14:7-10. 1Jo 4:2). 28. como ocorre a integração do gentio ao reino de Deus no Novo Testamento. Jo. 3:9). Justificação é pela fé em Jesus (Hb. 1pe. A manifestação do reino de Deus por Ele. 1Co. 2:37. 1:5. 1:1-2. consideraremos a plenitude futura do reino. 53:12. Jo. 20:31. 4:27. 15. Jo. Rm. 22:13). 4:18. Rm. 5:9). 24. At. 1:32-33. Mt. 22:30. Ap. 1:4. 3:13. 24. Jo. Em segundo lugar. morrer em sacrifício pelo homem. 15. estava Deus. Em quarto lugar. 59:16. 1:14. 22 e Is. é o mesmo que o reino de Cristo. e onde Deus está. 3:15. Jo. Jo. 11:25. Lc. Uma vez que o sacrifício de Jesus salva. Cl. se fez carne (Lc. 9:24. 16:28. 9:14. Dn. Seu sacrifício é santo e agradável a Deus. (Is. o redentor prometido de Gn. no seu reino.29. 1Pe.1 A vinda do reino com a encarnação de Jesus O reino de Deus chegou com a manifestação de Jesus. Jo. O homem para ser salvo tem que crer nele (Jo. Gl. Hb. Rm. que habitou entre nós (Jo. Hb.28. 2:22. Gl.

consistindo isto em uma prova de que sua morte como sacrifício pelo homem. 2:5. como havia previsto. Sl. porém isto não é certo. Contudo. foi atestada como aceita por Deus por sua ressurreição. 2Pe. 1:20-22). 1Jo. At. 16:10. At. Assim como Israel não era o reino.3. Jo. tiveram inicialmente dificuldades em crer que Jesus ressuscitaria (Mc. 20:19. então. Jesus venceu o pecado. 9:62. todavia. que o Cristianismo não teria credibilidade. Como o homem se separou de Deus voluntariamente com sua queda. 11. que com a queda foi manchada pelo pecado. por meio do poder de Deus manifesto na mesma (Ef. seria todo o reino. Mc. então ficaria provado que não tinha pecado. Além destas. Ele ressuscitou. 3. estando isto de acordo com as Escrituras. 1Jo. mas também edificar sua Igreja (Mt. Sendo isto. ter fé para herdá-lo. 8:29. então não é possível entrar em seu reino sem arrependimento de pecados. O reino se manifestou com a vinda de Jesus. disse que ressuscitaria (Mt. Lc. 3:3). Rm. fora aceita por Deus.3 A relação da Igreja com o reino Jesus não veio só trazer o cumprimento do messiânico reino prometido. 2:24). 2:32. 25:34-35. permanecesse morto como qualquer um outro. (1Co. então ficaria comprovado que Ele era como qualquer outro pecador. 8:1-17. 10:17-18). o leva a estar novamente sobre o domínio divino. 16:21. Caso Jesus ao ter morrido.194 O processo salvífico. 9:9. Jesus por isso dizia: “Arrependei-vos porque é chegado o reino dos céus”. pois eram suas testemunhas (At. Jo. não precisava morrer (Hb. Jesus que não tinha pecado. 25:19. 14:22. 4:33). passar por muitas tribulações At. 3:2. 12:23-24. a morte e diabo na cruz (Cl. Sendo isto verdade. devido a morte de Jesus pelo pecado do homem. 24:44-47). Deus é santo. E se não tivesse ressuscitado. 2:19-22.195 Jesus ao salvar o homem. 17-18). perseverança Lc. 1:22. A morte de Jesus para a salvação do homem. 26:23). 15:14. 194 70 . 20:9). 37-38). mas estaria no reino em condições ideais. Ele morreu pelo pecado do homem (Jo. 1:14. transformando-o sua imagem (Rm. não podiam rete-lo. Lc. 13:34-35). É por isso que os grilhões da morte (At. 26:32. 2:15. 15:16). porém. 7:26-28 ). 195 Sabemos que a morte é conseqüência de pecado (Gn. uma vez que o reinado soberano de Deus. 2:24 ). estende-se por toda a terra. 16:13. como humildade Mt. mas nem por isso. é o resultado prático do processo de santificação por meio do Espírito Santo (Ez. 4:17). o mesmo que restaurar a imagem de Deus no homem. Os apóstolos. 16:18). pela reversão da queda. 9:10. principalmente arrependimento de pecados. 3:15. é importante que voluntariamente volte-se para o reino de Deus. Este processo de restauração da imagem divina no homem. mas nem por isto se apropria deste automaticamente. não haveria como restaurar a credibilidade da sua mensagem. foi atestado por Deus como aceito por sua ressurreição. no reino de Deus. Foi uma morte voluntária (Jo. Contudo. pois enquanto estava vivo. então não é vã nossa fé. Tg. pregação e esperança. É verdade também caso Jesus não tivesse ressuscitado. 5:3. Demonstrou isto pela ressurreição. demoraram para crer quando ela se deu (Mt. amor expresso aos necessitados. casos todos os judeus servissem a Deus. mais tarde a anunciaram (At. 24:9. Mt. 2:6). Isto pode nos levar a confundir a Igreja com o reino de Deus. há condições para isto. (Mt. mas se ressuscitasse.sobre o domínio de Deus.37:28.

como já é feita no céu. (Mt. A Igreja pertence ao reino. pois já passaram. Não é por que alguém é membro da Igreja. Estes gozarão a plenitude do reino de Deus. tais como a morte. o reino que já havia chegado em Jesus. 53:12. Estes o conheceram por fé. (Mt. luto. 11:17). (Ef. novamente acessível. 4:20. Juntos formam o Corpo de Cristo na terra (Ef. 72:11. Gl. 22:5). (Mt. 22:2). 2:24. 16:16-17. (Ap. 5:9-10.3. levou os pecados de muitos (Is. 59:13. se manifestará na segunda vinda de Jesus. 3:5). 2:9-10). Apocalipse 21 e 22 revelam o fim daqueles que de todas as nações serão redimidos e salvos pelo sangue do cordeiro(Ap. que na primeira vinda de Jesus. 53:5. Nesta ocasião. Ali na Nova Jerusalém estará a árvore da vida. Rm.Neste termos. que automaticamente pertence ao reino sem as condições já mencionadas. 2:8. o Senhor da Igreja. 103:19 e Dn. 1Pe. 5:30. 32). 3. Sabemos porém. 7:9. 22:14). Sl. estarão para sempre com Ele. 68:31. 1Co. Desta maneira. 20:6. 1Pe. 5:9). Gn. 3:13). em lugar do pecador ((Is. Nesta época. não se entra ou permanece no reino. Ap. 16:18. Sendo assim. Mc. Na ocasião. Suas folhas serão para a cura das nações. 2:44. 10:9-10). Contudo. Contudo. 24. 2Co. é também um evento futuro (Dn. 11:15). 5:15. Ele não estabeleceu um reino com esta proporção. Está edificada sobre a rocha que é Ele. 12:3). Jo. esta pertence ao reino de Deus. reconhecem o senhorio de Jesus. 3:15. pois Ele é Deus. O Senhor reinará para sempre (Ap. Rm. 1:23. 9:28. Hb. 2:44. Uma vez que os membros da Igreja. que as nações e as famílias da terra. O reino messiânico mundial porém. 5:6. pranto e as lágrimas decorrentes das adversidades (Ap. 15:3. 1Co. que faziam parte do plano redentivo de Deus. 7:14. Estas precisam ser observadas. Sua morte foi substitutiva. 21:4). 6:10). o reino de Deus não se limita a Igreja. 12:23. pois na nesta hora os reinos da terra se curvarão diante dele (Ap. (Gn. 7:14. Na ocasião. o mesmo é verdade no Novo Testamento para a Igreja. 1Jo. não haverá as primeiras coisas. do contrário. Seu clímax se dá com a volta de Jesus. 4:25). a vontade de Deus estará sendo feita na terra. fora somente o Servo sofredor para remissão de pecado. Seus membros reconhecem seu senhorio. 71 . o reino de Deus atingirá sua plenitude. 67:7. pois é a comunidade que Jesus está formando na terra. 3:6). 53:12. mas este não se limita a esta. Ap. Vemos então. 9:1. por sua crucificação (Is. Deus reina sobre toda a terra (2Cr. é verdade que Igreja pertence ao reino.4 A plenitude futura do reino As profecias falavam de um reino messiânico mundial Dn.

Só haverá a separação no final. Ele pode ser reconhecido como Senhor. 1:13). este se expande pela terra. mas o diabo semeia o joio. 8:1. demonstra que haverá crescimento. como foi ensinado por Jesus. 4:43. Isto só acontecerá se os discípulos de Jesus. At. Mas como é que o reino de Deus se expande? 3. 1:14. pois por meio desta. o homem pode passar a estar sob o senhorio de Deus. Tanto no entendimento de Jesus. 9:2. deixa claro que Deus é o Senhor da colheita. expande-se pela obra missionária. 16:16. A parábola da colheita (Mt. que na sua soberania Deus. levarem seu ensino a sério. 28:23). 13:36-43). A obra de proclamação da chegada do reino por Jesus. exemplifica que enquanto o reino de Deus está em atuação. é o mesmo que dizer que o reino está expandindo-se. mas com perda da maior parte das sementes. enquanto o reino não atinge sua plenitude.3. que Deus não possui a submissão de todos os homens da terra. continua através de sua Igreja (Mc. A parábola do semeador (Mt. A universalidade do reino de Deus é claramente vista no ensino de Jesus. Lc. A parábola do sal da terra e luz do mundo (Mt. que eram gentios. que se esclarece a dimensão universal do reino de Deus (Mt. terá no futuro sua plenitude. Sim. 5:13-16). 8:12. A parábola do joio (Mt. Desta maneira. 13-1-23). Em outras palavras. a que vinga vem a frutificar em abundância. pois só eles possuem a luz que ilumina este mundo (Jo. não queremos dizer com isto. 16:15. 72 . Lc. Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem. inclusive os colossenses. 13:10. um outro reino também está. Obra missionária que expande o reino. e isto se dá por meio da obra missionária. veja também Jo. está ligada ao fato que o reino de Deus é universal (Mt. 4:35). Mc. homens. 13:24-30). Contudo.5 A expansão do reino de Deus pela obra missionária Vimos que o reino já veio. mas enquanto isto. por um número maior de pessoas. Mas é verdade também. homens de todas as nações. É na explicação desta parábola. como de seus discípulos. 9:37-38. At. 24:14. 1:8). o reino de Deus havia chegado.Quando dizemos que o reino de Deus terá sua plenitude. este não reine. puderam ser transportados do império das trevas. 24:47. 28:18-20. ilustram a dimensão universal do reino de Deus. mas é necessário ceifeiros. e o homem podia participar deste. 1:9). Ele reina sobre a terra. que sejam levantados para o trabalho. para o reino do Filho do seu amor (Cl. E se isto ocorre. 20:25. O campo é o mundo.

se a Igreja for testemunha do Senhor. Deve ser prioritário o senhorio de Jesus sobre nossas vidas. e como a ovelha e a dracma. 49:6. 13:44-45). 5:9-10. 10: 10. 24:14). 14:7-14) e da ceia (Lc. depende de missões? A passagem de Rm. ilustram o quanto Deus quer salvar o homem. 9:1-2. como muitos ao longo dos séculos o tem sido. invocarão aquele em que não creram? E como crerão naquele de quem nunca ouviram? E como ouvirão. levando o Evangelho a todas as nações (Lc. 21:8. Mt. temos o ensino de como o reino de Deus crescerá até ter sua plenitude mundial. (Ap. também mencionam que nem todos entrarão ou participarão da plenitude do reino de Deus (Ap. assim pessoas do oriente e do ocidente se assentarão a mesa com Abraão. Haverá entre os gentios. Jo. será salvo. 22:27. que estavam perdidas. Cumpre-se através da obra missionária então. Lc. as preditas conversões dos gentios (Gn. 15. 12:3. se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!. Sl. Mt. 22:18. 6:33). 3:15. Os servos do Senhor devem ir ao mundo para encontrar os necessitados. Is. Só há uma maneira de revertemos este quadro. Neste sentido. O esforço missionário para salvar os gentios é visto nas parábolas do casamento (Lc. ilustram o grande valor de se pertencer ao reino de Deus. 12:11). 22:1-14). Quando o encontramos. As parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor (Mt. enquanto há tempo. 14:15-24. 8:10). Já vimos que Apocalipse 21 e 22. Gn. os que crerão como o centurião romano (Mt. inclui-se nisto os gentios. 7:9. 19:11-27). só se converterão conforme o evangelho do reino for anunciado em todo o mundo (Mt. As parábolas de Lc. Isaque e Jacó (Lc. porém. Gn. 13:31-33). temos que tê-lo como prioridade. E para isto devemos usar todos os nossos talentos em prol deste (Mt. Sl. 86:9. coxos. Será que a salvação do perdido. apesar de pagaram o preço com suas próprias vidas. Isto só será possível porém. 24:44-47). É triste mas Apocalipse 21 e 22. 20:4. 10:13-15 diz que sim: Todo aquele que invocar o nome do Senhor. 22:15). 13:28-29. (Jo. Se o reino de Deus é universal. realizando a obra missionária. 73 . 60:3). (Ap. retratam o fim daqueles que de todas as nações serão redimidos e salvos pelo sangue do cordeiro. Isto é. 22:14). pobres. cegos e oprimidos. 14:6 e Ap. 25:14-30.Nas parábolas do grão de mostarda e do fermente (Mt. 8:11-12). e de pessoas de todas as nações. o reino e sua justiça deve ser buscado em primeiro lugar (Mt. Como. Pois Jesus é o único que pode dar vida. Quer fazê--lo como o filho pródigo. Contudo.

Tanto para o judeu. a história do samaritano leproso curado (Lc. como a viúva recebeu Elias como profeta. ressoando nesta passagem a revelação de Is. 3:15. Este será tirado dos judeus e dado aos gentios (Mt. Além destas passagens em Marcos e Lucas. 16:31. 13:22-30. mesmo que seus discípulos se opusessem a isto (Mt. Podemos ver isto nos seguintes textos (Jo. 10:25-37). para se cumprir assim a palavra de Is. 8:11-12. Jesus cura a filha da mulher siro-fenícia. Lc. como sua Casa de Oração (Mc. indigou-se devido ao mau uso do templo. 42:1-4. 17:11-19). pois ensinam respectivamente. 19. Jesus atende o pedido do centurião romano. Is. que salvação é para todas as nações (Lc. 196 74 . para ilustrar que tendo sido rejeitado pelo judeus. 16:16. 7:9). 4:12-17). 8:12. o evangelho precisaria ser pregado em todo o mundo (Mc. é ensinado claramente em Lucas. que os gentios seriam aceitos. 4:14). Mas para isto. 21:43 e 24:14. 11:15-17). Enquanto que sua plenitude se dará com a vinda do rei do reino de Deus. 15:21-28). 10. 8:11-12). antes que venha o O mesmo ocorre em Marcos. Rm. Gn. 6:14. 4:9 e 1 Jo. 13). At. 15:38-39). 12:46-47. Muito significativo é a purificação do templo em Mt. 4:42. 3:7-8). como ia até eles. 10:13-15). 9:1-2. 4:25-27). que excluía a possibilidade dos gentios usá-lo. A fama de Jesus rapidamente se espalhou e atraiu a gentios também (Mc. tais como: Jesus afirmou. Is. levando-se de volta para o seu reino. Jesus não só atraía os gentios. 8:5-11. o próprio Senhor (Ap.21:6). Nesta ocasião. que os os gentios estarão na plenitude do Reino de Deus (Mt. 1 Jo. Muito significativo são as passagens de Mt. Lucas e João. 12:3. 14:15-24. Jesus era portanto. há outras no Novo Testamento que atestam que salvação é para todo o que crê em Jesus (Mc. reconheceu que Jesus era o Filho de Deus (Mc. e diz que não havia em Israel alguém que cria como ele (Mt. a história do bom samaritano (Lc. um gentio. Há similares exemplos em Lucas. voltou a ministrar em território gentio (Mc. 13:29 e 24:44-47). menção da fé de um gentio. 17. que os gentios o receberiam. Além destas passagens em João. como nestes exemplos em Mateus196: Jesus começou seu ministério na Galiléia dos gentios (Mt. centurião romano (Lc. 3:16. Jesus citou Is. língua povo e nação. na parábola do grande banquete (Lc. o uso da palavra mundo nos escritos de João. Ef. 33. pois a vinha lhes seria passada. Jesus não poderia ter deixado de ensiná-la nos Evangelhos. 49:6. 12:9. mas isto depende de missões (Mt. atesta para o fato que Deus quer salvar o homem. 1:5). 49:6. 45:22. 11:27. Sendo a obra de missões tão importante para a obra de expansão do reino. 5:1-20). para que possam ter sua chance de salvação. 7:24-25). 21:43). 5:9-10). Nesta percebe-se que Deus deve ser adorado e servido por todos os povos. 21:12-13. 13:10). Mateus cita Is. 29. 24:14. 9:5. Não somente isto. crescerá. 1:9. 1 Jo. luz para os gentios também. como fora profetizado em Gn. e Naamã a Eliseu (Lc. vemos que os gentios seriam inclusos no reino de Deus. em Mt. 2:2. 2:8 e 1Pe. após ser por eles rejeitado como o Messias. 11:17). não contenderia e seria aceito pelos gentios. Rm. 10:9. mas todas as nações ouvirão o Evangelho do Reino. 51. O reino portanto. como para o gentio. Is. 56:7. pois salvação é para todo aquele que crê. 52:10. 12:15-21. 17:21. Ele foi morto e com seu sangue comprará pessoas de toda tribo. um centurião romano. fica claro em Mc. Jesus entrou em território gentio (Mc. (Ap.

Desta maneira. 1:16). que fossem às nações. Era importante. atendeu esta mulher gentia e fez menção da sua fé (Mt. inclusive as que se referiam à sua rejeição como Messias. 20:7). o judeu (Mt. que temos que entender. precisamos considerar estas passagens em seus contextos e à luz do que Jesus ensinou sobre as nações. pois esta é a maneira divina de trazer o homem de volta ao seu reino. 197 75 . que os permitiria a ser testemunhas em todo o mundo (At. 24:44-47. como Messias de Israel. 15:24. pois sua obra de expiação do pecado do homem ainda não havia sido realizada. Como Messias de Israel. Poderíamos concluir baseado nestas passagens. Mc. o “ide e fazei discípulos de todas nações”. que se concentrasse em Israel. a comunidade que se reúne para adoração e edificação (At. mas ainda não havia morrido pelo homem.197 Claro que se a Igreja está ativa em missões. terão sua possibilidade de retornarem para o senhorio divino. É no contexto destas passagens. Deixou claro à mulher cananéia que havia uma ordem de prioridade.. ordenado por Jesus em Mt. 15:28). e a sua morte para perdão de pecados(Is. Contudo. 10:5-6. Todas as nações portanto. primeiro do judeu e também do grego”. que Jesus não se interessava pelos gentios. nem entreis em cidade de samaritanos”. quando seria anunciado aos gentios? A resposta é simples. 53. Contudo.. anunciar a morte de Jesus após estes fatos? Enquanto Jesus estava na terra.fim (Mt. Se primeiro o Evangelho deveria ser anunciado aos judeus. Contudo. Mateus 10:5-6. se não tivesse Ele mesmo ministrado aos gentios. Por quê. 1:16). Lc. 49:6). 1:8). não era hora de ser anunciado aos gentios. que Jesus disse: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel”. como Mt. 20:21 e At 1: 8. 10:13-15). o Evangelho deveria ser anunciado aos gentios após sua morte e ressurreição. só estava seguido a ordem de prioridade (Rm. 1:16). Jesus foi enviado a Israel. primeiro. 2:42. Jesus tinha também uma missão aos gentios (Is. o Evangelho teria que ser anunciado a todo mundo (Mt. é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. 16:15. Aparentemente há um desinteresse pelos gentios. Judeus e gentios serão salvos. Sl. como prometido no Velho Testamento. 24:44-47). É importante notar que há uma ordem no processo de anunciar a salvação ao mundo. não ensinam que Jesus não se interessava pelos gentios. parece substanciar a idéia que Jesus não tinha interesse nos gentios: “Não tomeis rumo aos gentios. Então. Temos como o ápice do ensino missionário de Jesus. A Igreja não é só portanto. até que este atinja sua plenitude. Foi após estes fatos que Ele deu a Igreja a Grande Comissão. o evangelho deveria ser anunciado aos judeus (Mt. Jesus não recusou os gentios. as passagens denominadas de Grande Comissão. Deus que assim incluir todos em seu reino. Na ocasião. os discípulos preocupavamse com a manifestação futura do reino. 24:14). então. 28:18-20. Segundo o ensino de Jesus. 28:18-20. era o salvador do mundo. Vemos que Jesus ensinou que a expansão do reino se dá pela obra missionária. Vemos que Mt. Jo. 15:24 e 10:5-6. o qual é necessário ser praticado para a expansão do reino de Deus. Nas palavras de Paulo: “O evangelho. veja também Rm. 22). Lc. cumpriam-se as profecias messiânicas. Primeiro. Depois de sua morte expiatória. Vemos em Mateus 15:24. Em Atos 1:6. mas Jesus queria que se preocupassem com a vinda do Espírito Santo. mas deve estar ativa no trabalho de evangelização (At. 28:19. conforme o Evangelho é anunciado pelos missionários e crido pelos ouvintes (Rm. estará assim em plena ação em seu papel proclamativo como instrumento de Deus. Não faria sentido Jesus ordenar aos seus discípulos. Rm. nem havia ressuscitado dos mortos e nem enviado o Espírito Santo para capacitar a Igreja.

30).3. se não superarmos nossos preconceitos. Dos judeus vem as Escrituras. Os judeus consideravam impuro todo o que não se submetesse à lei mosaica. 4:15-16).5:28. Não que Israel perde seu propósito. 2:11-22. um só templo (Ef. 28:18-20. Não é só o fundamento desta. Pedro disse: “Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça” (At. após Deus ter-lhe A base da Igreja é seu salvador judeu ((Ef. Jo. mas se não houvesse insistência do Espírito Santo. 3:26-29). o mesmo não ocorrerá. juntos devem evangelizar o mundo. Seus apóstolos são judeus (Ef. 11:17-18 e 15:7-8. 2:16. do sangue e outros pontos. 13-14). 20:21). 2:20). Abordaremos At.7 A obra missionária só é realizada se superarmos nosso preconceitos Mesmo que o reino de Deus expanda-se pela obra missionária. 10:28). a igreja recebe o mandamento de evangelizar as nações (Mt. e não teria levado para o reino de Deus. Em outras palavras. 5:25). 20:21 e At. 12. 42. os apóstolos e a salvação (Jo. que Deus ignorará a atuação de Israel em evangelização mundial. At. 3:6. A Igreja é a comunidade dos salvos em Jesus. os gentios foram justificado pela fé. um só povo. pois o Messias de Israel ordenou a sua Igreja a ir e fazer discípulos de todas as nações (Mt. Cornélio e sua família. 5:23. pois o faz por meio do elemento judaico da Igreja. Como Abraão. mas o tem realizado por meio da Igreja. 2:20. 28:20. como foi no caso de Pedro. 28:1820). e foi ativo em missões. 16:26. Jo. o Messias. Ele. veio a compreender. que morreu pela Igreja (Ef. mas sua cabeça também (Ef. Estes formam agora um só corpo. Gl. pois a base e origem da Igreja é judaica. Esta precisa levar a salvação de Jesus a todas as nações (Rm. não teria realizado a obra de missões. 4:4. a igreja é seu Corpo (Ef. 3:28). 17:18. inclusive as leis dietárias. 1:5. 3:11. Não podemos dizer então. Ef. 8:4. Vemos que Pedro dificilmente seria um missionário transcultural. tinha sérias dificuldades em relacionar-se com estrangeiros. 1:22). 2:2-3. uma só família. 3. 3. visto no livro de Atos. Este foi ensinado por Jesus.3. por isso. 1:8). pois esta é formada por judeus e gentios. 16. daqueles que se tornaram filhos de Abraão pela fé (Gl. Mt.198 A origem da Igreja é judaica. 1Co. Sim. Não há dúvida de que Pedro precisou transpor grandes barreiras culturais antes de evangelizar os gentios. Foi através do trabalho evangelístico dos judeus. não nos permite afirmar que Israel tenha falhado. como At. 10:34-35 e seu contexto. que o Igreja foi formada.6 Será que a Igreja substitui Israel no Novo Testamento? Parece que a resposta a pergunta é sim e não. Nesta condição. e isto em si. 4:22). Contudo. mesmo depois de ter andado com Jesus. 198 76 . 5:23. Nisto perceberemos como Pedro se superou. como a questão da carne de porco. devido à sua formação religiosa judaica. 19. 3:9. Não.

199 O sermão dele foi claro: Jesus é o Senhor (At. por ter Pedro entrado em casa de gentios (At. Certamente creram e receberam Jesus em seus corações. 41). As mesmas idéias expressas por Pedro em At. morte e ressurreição de Jesus. Deus o ressuscitou (At. 10:45). e sabemos isto por que lhes concedeu o Espírito Santo. quem somos nós para resistir a Deus? (At. Não precisavam tornarem-se judeus para serem salvos. Aliás não podia ser diferente. Em outras palavras. Ele precisou se explicar e o fez historiando tudo o que havia ocorrido. 28:18-20). 200 O batismo de Cornélio e família causou alvoroço. Sua conclusão foi simples: Se Deus aceitou os gentios ao crerem. (At. 15:6.200 Os gentios foram assim incorporados a Igreja. 10:40). recusar-lhes o batismo (At. 11:17.199 O resumo do que Pedro declarou para Cornélio e seus familiares é este: somos testemunhas dos feitos. 10:44). 10:28). morte e ressurreição (At. pois Deus que conhece o homem e seu interior. Esta mudança de atitude de Pedro era necessária. Assim Pedro argumentou que os gentios eram aceitos por Deus. Ele foi crucificado e morto (At. foram testemunhas de seus feitos. 11:3). fazia milagres e sinais (At. são justificados pela graça mediante fé em Jesus (At. Ele tem o testemunho de todos os profetas (At. 15:7-11). 10:39. 11:17). são vistas em At. Seus ouvintes glorificaram a Deus. 15:7-11). podia agora reconhecer que Deus não faz acepção de raças ou de pessoas. 10:43). Percebemos então. 10:46-48). no caso da conversão de Cornélio e seus familiares.mostrado que “a nenhum homem devia considerar comum ou impuro”(At. Pedro teve papel chave no entendimento de que os gentios eram salvos pela fé em Jesus. dizendo: “Logo. tendo por base a fé em Jesus. mas para isto. Nada mais deveria ser colocado sobre eles. 10:3435). também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (At. pois Deus provou que os aceitava ao dar-lhes o Espírito Santo. Ele era ungido de Deus. mediante a resoluta atitude de Pedro. 10:38). 11:17. 15:7-11. aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (At. O entendimento e experiência dele com o Espírito Santo. Pedro e os demais que com Ele conviveram. 77 . 10:36). 10:24. é o modelo de que a justificação da Igreja é pela fé. Pedro disse: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas. sabemos que tudo isto ocorreu em cumprimento das Escrituras. também se converterem a padrões religiosos e culturais judaicos? Judeus cristãos em Jerusalém estavam chocados. para que por sobre os gentios exigências que Deus não fez? (At. 10:42). 11:17). 10:39). 12:48). Gl.11:17). Os judeus amigos de Pedro se admiravam de que Deus concedesse a gentios o Espírito Santo (At. 3:6-14). 10:9-16). Estava claro para Pedro. quem crê nele tem seus pecados perdoados. Ele os mandou pregar ao povo que é o juiz de vivos e mortos (At. imediatamente lhes concedeu o Espírito Santo (At. aprendeu a não se assim como os judeus (Gn. Abraão. pelo contrário. pois gentios estavam sendo incorporados à Igreja. que aquilo que o ensino de Jesus sobre as nações ainda não havia feito por Pedro. tendo se convertido a Jesus. e quem nele crê recebe remissão de pecados (At. Ele é o juiz de vivos e mortos. a visão dos animais impuros dada pelo Espírito Santo o fez (At. 10:36). 10:43). o que no Velho Testamento era necessário (Êx. 10:43. que tanto judeus como gentios. Pedro liberto de seu preconceito pregou para Cornélio e familiares (At. Com sua atitude mudada. Pedro percebeu que não podia neste caso. deu base para se expressar no Concílio em Jerusalém. O que fazer com eles? Deveriam ser circuncidados e tornarem-se judeus? Será que era necessário aos gentios para servirem a Deus. em qualquer nação. do contrário jamais cumpriria o ide de Jesus (Mt. o pai dos judeus.

O exemplo da Igreja pode ser visto. expresso no seu cuidado ((Mt. Dt. 22:34-40. 6:1-13). conforme esta demonstra os sinais do reino. Como no reino de Deus não há doenças e domínio de demônios. seu senhorio em nossas 78 . O exemplo da Igreja contudo. Todos em Cristo são um. 1:14. tendo o confirmado com os sinais (Mc. 20:25. vemos os discípulos de Jesus anunciaram o reino de Deus (Mc. Tiago tinha o entendimento de que o compromisso com Deus. 12:48). o que o homem fez em relação ao próximo. o fez também pelo seu cuidado ao próximo. Tg. 3:28-29). Nos sinais do reino demonstrados por Jesus. fez com sinais de cura e libertação. era a prova da chegada do reino de Deus. Mc. 10:25-37. Assim como Israel deveria ser exemplo no Velho Testamento. 4:43. Segunda esta perspectiva. 3.8 Como ocorre a integração do gentio ao reino de Deus no Novo Testamento? No Velho Testamento havia uma processo de judeização do gentio. como o fez Jesus. 8:1. Ao se amar o próximo. descendentes de Abraão e herdeiros das promessas. incluía-se cuidado ao próximo no alimentá-lo (Jo. 12:28: “Mas. Lc. mas também ensinou que o julgamento terá por base. 8:17.deixar levar pelo seu preconceito contra os estrangeiros. e isto ocorreu com a atuação do Espírito Santo (At. cumpre-se toda justiça. As diferenças raciais. Vemos isto também pelas várias curas e libertações de demônios do livro de Atos. 16:16. 28:23). 20). Por outro lado. do que é tê-lo como Senhor. Isto revela se seus servos.9 O exemplo da Igreja quanto ao que é estar no reino de Deus Deus não deseja que a Igreja somente proclame o reino. é vista pelo amor ao próximo. se eu expulso os demônios pelo Espírito Santo de Deus. 6:5.3. 12:28-34. Não há no ensino de Jesus a possibilidade de proclamação destituída do exemplo. não faz com que uns sejam mais importantes que os outros. e se pratica a verdadeira religião. (Mt. 25:31-46). A dimensão social do reino demonstrada pela Igreja. Jesus ao anunciar a chegada do reino . At. a qual é revelado no cuidado dos órfãos e viúvas (Tg. 5:17. 9:2.3. 1:27). Expulsar demônios então. (Gl. não se limitou somente a estes dois sinais. ao obter conhecimento de Deus por meio de Israel (Êx. Neste sentido. 8:12. 10:28). e estar no seu reino. Mc. Lc. Lc. no Novo Testamento conforme a Igreja leva conhecimento de Deus às nações. Lv. 16:17. 19:18). 3:11. a semelhança de Israel. sociais e sexuais no Novo Testamento. 1:3. 2:8-9. Mt. 3. 15).11:20). Lc. Não somente demonstrou isto. não se anula a identidade gentílica (At. logo é chegado a vós o reino de Deus”. mas que também seja exemplo do que é estar nele. o realmente o são (Mt.

basearia-se no Sermão da Montanha. 26 de Dezembro de 2001. 107. p. 6. R. 79 . Ano 34. 24:17 e 1 Co. Wright concorda com Seth Stevenson. Contudo. que este justificaria sua violência. e no repartir de seus bens com os mais necessitados (At. vemos a Igreja demonstrando os sinais do reino. no cuidado das viúvas em At.203 A passagem diz o seguinte. Estas são para ele o mesmo que ações prática. como exemplo de que a Bíblia não está insenta de textos beligerantes. 2:15). Edição 170. D. citou a passagem de Dt.-Novembro de 2001. 3. Quando de aproximares e alguma cidade para pelejar contra ela. Porém. Revista Super Interessante.3. 107. oferecerlhe-ás a paz. 16:1-4). Bin Laden não quisesse destruir o World Trade Center. da Silva não é tão incomum.. 203 Ibid. não mencionamos o uso de violência como instrumento de implantação do reino de Deus. Não diferente do que temos sido ensinados por Jesus em Mt. 15:26. utilizando-se da passagem na qual vemos Jesus purificando o templo.. em termos bíblicos. 51.vidas.. Editora Abril. Brasil. A Igreja portanto. que ao escrever para a revista eletrônica Slate. Editora Abril. líder dos judeus na conquista da Terra Prometida. não só proclamou mais demonstrou por seu exemplo. (Rm.”201 A convicção de Eliane M. mas não há como negar que personagens do Antigo Testamento. E se por outro lado. Quem Vai Ceder No Fim Será a Religião Reacionária. p. disse que não faz sentido ir à cata de versos do Alcorão incendiários para entender o atentado de 11 de setembro. mesmo que o fundamentalismo islâmico esteja envolvido nisto. 202 Wright. Segundo Eliane Moura da Silva. Robert Wright no artigo. Maomé era um guerreiro e um estadista em defesa de sua fé. Estas poderiam ser entendidas como incentivos a esta prática por diversos propósitos.. 4:34-35). R. 6. Desta mesma maneira. e te abrir as portas. Segundo seu entendimento. também eram. Sugere caso Osama Bin Laden fosse cristão. professora de religiões na Unicamp: “Tanto a Bíblia quanto o Alcorão têm trechos de violência. Se a sua resposta é de paz. R. o que é estar no reino de Deus.10 Considerando a possibilidade bíblica do reino ser tomado a força Em nossa consideração do assunto até o momento. Brasil. At. R. como Josué. o problema está mais nas pessoas do que nos textos propriamente. até mesmo na implantação do reino de Deus. A Palavra de Deus. é visto em nossas boas obras. Cavalcante. todo o povo que nela se achar. 20:10-18. 40.s como dar roupa e alimento ao necessitado (Tg. 25: 31-46 e demonstrado por Ele em Jo. é inegável que há mensagens de violência no Velho Testamento. Revista Veja. segundo Wright. no. p. Vergara. será sujeito a trabalhos forçados e te servirá. na oferta para os irmãos em necessidade da Judéia. se 201 Burgierman.202 Neste sentido.

destruí-las-ás totalmente: aos heteus. mas espada: (Mt. todo o seu despojo. para que não vos ensinem a fazer segundo todas as suas abominações. 1994. A. usarmos de violência na implantação do reino de Deus. que fizeram a seus deuses. aos heveus. eram inevitáveis. ao dizer aos discípulos. pois isto influenciará nossa prática cristã. em termos bíblicos. pois em ambos livros há passagens beligerantes. vendo nas Escrituras a possibilidade bíblica de estarmos envolvidos em atos de violência. Jesus estaria na ocasião como um bom 204 Hayek. deveriam vender sua capa comprar uma (Lc. p. afirma não haver distinção entre o Alcorão e a Bíblia. mas as mulheres. Ao comentar a Surata 8:67 disse. 12 80 . 1984. E o Senhor teu Deus a dará na tua mão. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado. p. mas te fizer guerra. Até Jesus. e os animais. haverá sempre os que farão uso destas para justificarem suas violências. e aos jebuseus. Islamic Propagation Centre Internacional.204 Parêntesis acrescentado por mim. A conclusão que Wright chega portanto. aos amorreus. pois pecaríeis contra o Senhor vosso Deus. tomarás para ti.205 Segundo ele. as crianças. temos diante de nós o desafio de definirmos se é certo ou não. uma vez que Jesus estava consciente que Judas o trairia (Jo. então a sitiarás. e tudo o que houver na cidade.ela não fizer a paz contigo. 22:35-36). cuja missão era mais limitada (somente para Israel na perspectiva islâmica). não ficaria parado sem fazer nada. S. não deixarás com vida tudo o que tem fôlego. Ou usá-la para qualquer outro propósito. Certamente que isto é uma possibilidade. 205 Deedat. 213. El. Assim farás a todas as cidades que estiverem mui longe de ti. como te ordenou o Senhor teu Deus. e todos os de sexo masculino que houver nela passará ao fio da espada. por isso. que se não tivessem uma espada. Ahmed Deedat desenvolve um pouco este tipo de argumentação islâmica no livro. e desfrutarás o despojo dos teus inimigos. 13:27). Hayek está convencido que mesmo Jesus estaria disposto a se envolver em luta armada. Em seu entendimento. E entre seus seguidores. Não vim trazer-lhes a paz. RSA. Crucifixion or Cruci-fiction. Crucifixion or Cruci-fiction. que não forem da cidades destes povos. MarsaM Editora Jornalística. Porém das cidades destas nações que o Senhor teu Deus te dá em herança. A destruição e a matança. 10:34). Este tipo de argumentação. Antes. não se limita ao Velho Testamento. aos ferezeus. aos cananeus. conquanto repugnantes a uma alma meiga como a de Mohammad. Brasil. quando o mal tentava sobrepujar o bem. Deedat está convencido que Jesus se preparou para jihad. teve de dizer: “Não julgueis que vim trazer paz à terra. que te deu o Senhor teu Deus.

Para um livro nesta condição. iminente prisão. mais fracassou. Jesus vai a luta. como destacado por Wright. temos que 206 207 Ibid.208 Deedat convence-se de sua posição também por meio de textos como (Mt. 10:34. Deedat entende que Ele foi pego de surpresa. uma vez que havia mais soldados do que antecipava. como sugerido por Deedat e Hayek. Jesus foi preso. e sim. que depende mais da pessoa do que propriamente dos textos. concluiremos que não podemos fazer uso de violência como expressão da fé cristã. o fazem para denegri-lo. como no Alcorão. nem mesmo com o propósito de termos o reino de Deus implantado na terra. ou para alterarem o significado dos textos. Nesta hora. evitando o uso de uma boa exegese. Antes de propriamente considerarmos o assunto das guerras. 12. Já que não podia vencer. pois todos os que lançam mão da espada. 19:27: “executai-os em minha presença”. uma vez que há tanto na Bíblia. segundo Deedat. 20. e nem mesmo lutou. Neste caso. modificando sua estratégia. pensam que Jesus incentivou a violência. Será que estas nos dão base hoje para justificar alguma expressão violenta da fé cristã? Certamente que não. pois não esperava um conflito com soldados romanos. dizendo : “Embainha a tua espada. repreendeu o discípulo que usou a espada. a possibilidade pela influência de textos beligerantes. um número bem menor de guardas do templo.206 Sendo assim. 209 Ibid. textos beligerantes. Claro que uma outra opção é discordarmos disto tudo. seguindo o exemplo de Jesus. p. Ou estarmos em envolvidos em jihad. mudou novamente a estratégia. Ibid. 208 Ibid.. No caso deste último. pois o usavam constante. 22:38). Hayek e Deedat. pois estão convictos que este livro está corrompido. parece haver muita verdade neste. precisava agora mudar sua estratégia. por meio de uma correta interpretação dos textos. e por Lc. Temos diante de nós então. já citado por Hayek). Contudo. à espada perecerão”. (Mt. Começamos com o fato que Israel no Velho Testamento esteve envolvidos em guerras.209 Wright sugere então. Jesus teria até mesmo se preparado para jihad. 26:52). É interessante vermos muçulmanos usando a Bíblia. 12-13.. uma vez que não esperava tantos soldados romanos. p. p. Mas com a mudança na situação. mais uma vez como um bom general.. pois de fato havia ensinado a oferecerem a outra face e perdoarem setenta vezes sete. em hipótese alguma.general. 81 . mas com os guardas do templo.207 Infelizmente. de fazermos uso de violência. p. e o fez com duas espadas (Lc. 20..

o que Deus usaria como instrumento de julgamento a partir daí? Vemos que Deus usou guerras de extermínio. Contudo. Temos que lembrar que Deus é longânimo (Is. 1 Sm. Seu próximo passo na história em termos de julgamento. Estas são guerras de nação contra nação. até que se completasse a medida de iniquidade dos amorreus (Gn. 31:1-2). 3:9). Guerra contra os amalequitas (Êx. 3:20. 11). pois espera e trabalha para o arrependimento do homem. Este só foi dado. mas extrema. sem que seu povo tenha que estar ativamente envolvido nestas. 9:9-13). Jz. e já havia espalhado o homem pela terra. após uma longa espera de quatrocentos anos. que Deus o julgou com o dilúvio (Gn. foi espalhar o homem confundindo sua língua (Gn. de Abraão a Josué. 1 Pe. em irar-se e julgar. Queria fazê-lo por meio de Israel. ao considerarmos o assunto da aliança Noaica. na história de seus julgamentos. Se na história Deus ainda continua usando guerras como julgamento. que a única opção é a destruição deste. sejam 82 . Esta não era uma medida normal. o fazem como cidadãos de um país em auto defesa. 9:22. Vemos que para este tipo de julgamento. Infelizmente. temos somente mais dois casos em que guerras foram ordenadas a Israel. entendeu que deveriam ser destruídos. baseado nestas ordens de guerra. 7). devido ao seu elevadíssimo grau de corrupção. não podemos em hipótese alguma. alheia as Escrituras. Se estes participam de guerras hoje. Ele é tardio portanto. Entre as abominações daqueles povos. 2:1-4). 20:16-18). E talvez. o faz soberanamente (Is. 45:1-7. Além destas guerras contra Canaã. Uma vez que Deus não usaria mais dilúvio como julgamento. assim como foi o dilúvio. Apesar que na prática não o foram. Já vimos isto com detalhes. deduzirmos que ações violentas fazem parte do modelo cristão de vida. Rm. Isto nos mostra a longevidade da misericórdia divina.colocá-las no contexto dos julgamentos divinos. o homem as vezes chega a um grau de corrupção tal. quando julgou ser necessário eliminar uma nação. pois deveriam ser totalmente destruídas (Dt. e não instigadas por uma expressão da fé cristã. 13:5. 17:8. 15:16). 9:11-12. Na ocasião. pois Israel não obedeceu e fez alianças com os povos da terra (Jz. também como julgamentos divinos. Vimos também que Deus prometera não enviar mais dilúvio (Gn. 18:9-14). houve um mandamento especifico da parte de Deus. 10:5-6. Deus por fim. 15:1-3) e contra os midianitas (Num. 48:9. 5:8). 42:25. e não como principio espiritual de vida. o homem era tão corrupto (Gn. Estas consistem em momentos únicos de Deus. 2 Pe. incluía queimar vivos seus próprios filhos (Dt. 6). devido ao grau de corrupção da humanidade. Foi isto que deveria ter ocorrido com as nações de Canaã.

Deus deu ao seu povo instruções sobre a mesma (Dt. é não entender qual era o propósito da passagem para o Israel antigo. pois o texto está fora de seu contexto. até mesmo membros familiares. 20:13). entre os que 83 . o fez erradamente. mas no sentido de divisão. mas caso não houvesse esta possibilidade. ou até mesmo alguma forma de inimizade. 10:34). O faremos na eternidade com Deus. não permitiu que construísse o templo por causa de suas muitas guerras (1 Re. mas não tem como o sabemos agora. mas a mesma passagem em Lucas não nos deixa errar: “Supondes que vim para dar paz à terra? Não. (Mt. não está relacionado ao incentivo da violência. Não há portanto. Está claro que o uso da palavra espada no ensino de Jesus. 10:34-36). deveriam lutar então. em relação ao que crêem. se deram no contexto de que como nação tinha o direito de defesa própria. Não que isto fosse um mandamento para saírem em conquista do mundo. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai. Claro que no contexto de guerras como parte da vida. até que exterminassem os homens. Esta deveria ser evitada a todo custo. Veja isto: “Não penseis que vim trazer paz à terra. (Mt. Esta divisão se faz entre os que crêem e os que não crêem. divisão. uma aprovação total dos envolvimentos bélicos de Davi. 5:3). entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. mas ao fato que a fé em Jesus. é a conclusão lógica do sentido no qual Jesus usa a palavra espada. 20:10-15. nestas passagens. o contrário porém. Caso algum rei ou juiz esteve envolvido em guerra de agressão. que estariam envolvidos em guerra. 12:51). oferecendo a paz.”. Deus contudo. A espada palavra ali. (Lc. (2 Sm. como nação. mas espada”. O uso de Mt. As demais guerras de Israel. pois vim causar divisão. permissão para uma expressão violenta da fé cristã. 20:10-15).” No texto a expressão. não se refere a luta armada. como mencionado por Wright.em alguns casos até mesmo julgamentos divinos. As vezes os que não crêem se ofendem tanto. Não há nas Escrituras o mandamento para serem violentos e matarem. a única solução era luta até a derrota do exército inimigo. Não está tão claro se todas as guerras de Davi foram em defesa própria. não vim trazer paz. ei vo-lo afirmo. O alvo principal é não haver guerra oferecendo a paz. Não vim trazer-lhes a paz. não faz sentido. que há um isolamento. mas caso realmente não tivessem opção. 8). mas espada. Inferir de Dt. separa ou divide. é verdade (Êx. Poderíamos estar errados. antes. Assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa”. ou de agressão. mas instruções para os momentos da história. 10:34 por Hayek e Deedat: “Não julgueis que vim trazer paz à terra.

28:20). não utilizou-se das doze legiões de anjos a sua disposição. Será que se contentaria somente com duas? E se estava contente. Jesus disse no final do sermão da montanha. “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Nesta parábola. Ao obedecermos Jesus. visto estar perto de Jerusalém e lhes parecer que o reino de Deus havia de manifestar-se imediatamente. mudar a estratégia não faz sentido. onde está inserida. Além disto. Não temos no ensino de Jesus portanto. Mas é certo que nas Escrituras. 7:24). Esta foi ensinada por Jesus para instruir os discípulos sobre o fato que a plenitude do reino não estava próxima. Não podemos com a alegação de que Jesus era um grande general.”. 19:27: “executai-os em minha presença”. Neste sentido. porque então pediu que vendessem a capa e comprassem espadas? Faz isto sentido? Ora. o raciocínio de Deedat é duplamente ilógico. se era guerra que Jesus queria. 19:14). como no caso do rei Esequias (Is. um certo homem que reina (Lc. 37:36). 17). A Parábola das Dez Minas. afirmar que Ele mudava aqui e ali seu ensino. (Mt.crêem e os que não crêem. permissão para mudá-lo. ou faz? Deedat também fez uso da afirmação que consta no verso Lc. seremos os campeões das boas ações. 19:13). 26:53)? Livraria-se assim dos inimigos. Caso ele pudesse nos mostrar sua licença para alterar as palavras de Jesus. porquê então ao ser preso. (Lc. e podendo utilizar-se de anjos. Imaginar que Jesus estava preparado para guerra. Há uma certa rebelião por parte de alguns 84 . Esqueceu-se de avaliar a expressão no contexto da parábola. 2:14. Após sua ressurreição. querendo com isto justificar o uso de violência. e ganharia tempo para se reorganizar. Se por um momento imaginarmos Jesus se organizando para uma batalha. pedisse que comprassem espadas. (Mt. não estarão em paz. 19:1127). ordenou a seus discípulos que fizessem outros seguidores. 19:11). optou mais uma vez como um bom general. oferecendo a outra face. onde ensinara que o homem deveria não ser violento e vingativo. (Mt. (Lc. E isto não o fazemos para justificar violência. faz uma viagem e deixa que seus servos fiquem administrando suas minas (lc. Poderíamos até mesmo concordar com as colocações de Deedat. e nem mesmo para justificar uma boa ação. que o prudente é “todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica”. apesar que se aproximavam de Jerusalém: “Jesus propôs uma parábola. 5:39). Jesus veio para que tenhamos paz com Deus e com inimigos. conforme por meio dele nos encontramos com Deus (Ef. e neste contexto. (Mt.

que revelam que com a volta de Jesus haverá julgamento. se dará o julgamento (Mt. dizendo: ““Embainha a tua espada. estava sendo consistente com seu ensino quanto a não sermos violentos. e com as suas próprias previsões sobre sua morte. crucificação e morte. Mc. Além desta. Lc. 9:44. 18:31-34. Se não podemos aceitar as colocações de Deedat. aprisionamento. 19:27). Mc. 26:51). 19:15). então o que nos contentará como uma boa explicação destes textos? Certamente que desde a hora que Jesus disse que Judas o trairia. 22:38). voltou da viagem. Lc.concidadãos que não querem estar-lhe submissos (Lc. à espada perecerão”.”. Seus servos tiveram que prestar contas de como administraram as minas. e não é justificativa para os servos de Deus usarem violência na face da terra. versos 14-15. Jesus assinalava para uma nova situação com a crucificação. Só ai haverá a execução dos inimigos. 19:27. 22:35-38. há outras passagens como em Judas. Mc. K. Mesmo no futuro a execução não se refere a atos de violência humanos. como já vimos. A execução é futura com o retorno do rei. 19:14). pois não era de violência que se tratava sua colocação. 2. E. que se trata de uma parábola sobre o fato que o reino de Deus está presente. e retomou posse de seu reino (Lc. por não ter ele licença para mudar as palavras de Jesus. Small. (Mt. que são aqueles que não se submeteram a Deus. o rei do reino de Deus. 30/05/1996. 9:31. teriam que ter os devidos suprimentos. Lc. alforge e sandálias. eis ai duas espadas. 8:31. 17:22-23. 16:21. 210 85 . e para isto. 12:39-40. julgamento. e não é uma licença para os servos de Deus. administradores das minas. como bolsa. 20:18-19.210 Jesus prontamente repreendeu o discípulo que usou a espada (Mt. Na passagem de Lc. pois quando Jesus voltar. Mc. pois todos os que lançam mão da espada. Este rei por fim. Answering Islam Homepage. 9:22. 17:12. ver especialmente o verso 31: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele. A lista sugerida por Small é a seguinte: Mt. 25:31-46. (Lc. por ser duplamente ilógico e por ter ignorado o contexto de Lc. pós volta de Jesus. 10:33-34. mas Jesus disse: “basta”. 21:33-39. ou utilizaram seus talentos para Deus. A execução se refere portanto. (Lc. 12:1-12. mas ao julgamento de Deus. p. 26:52). Vemos então. 22:38). outrora não necessários. Aqueles que se rebelaram foram executados (Lc. Extraído da internet em 10/09/2000. serem aqui na terra violentos. Espada aqui tem o sentido de estar preparado para o novo momento. Inicialmente quando um dos discípulos disse: “Senhor. mas não tem ainda sua plenitude. ao julgamento divino. 16:4. então se assentará no trono da sua glória”. pensava como Deedat. Evidence For The Death Of Jesus On The Cross. Este o terá com a volta do rei Jesus.

11:29. 3:14. Mc. Lc. Em outras palavras. De qualquer maneira. expresso e visto nas boas ações. O ensino de Jesus foi bem entendido pelos discípulos. afirma que o verso pode ser interpretado como Lc. 26:12. 35. (Mt. Assim como pelo exemplo demonstrado no amor ao próximo. e os que se esforçam se apoderam dele”. seguida dos sinais das curas. concluiria-se que Jesus estaria ensinando jihad agressivo. Mesmo quando Jesus em sua humanidade disse ao Pai. morte e ressurreição de Jesus. Há ainda um verso que se interpretado na perspectiva de Deedat. uma mudança de planos em jihad. Jesus se destacava por ser manso e não violento (Mt. 14:24. como se cumpriria as Escrituras sobre a redenção que teríamos no Messias? Além do mais. na implementação do reino de Deus na terra. 10:15-18. Está claro então. o fez condicionando seu dizer. a proclamação. Se lembrarmos que jihad etimologicamente significa esforço. eu espontaneamente a dou. para remissão do pecado do homem (Lc.”. “Se possível passe de mim este cálice!”. 10:45. Is. 1 Pe. 19:30). e. (Mt. 12:50. Ninguém a tira de mim. sim. 6:51. terá um sentido bem belicoso: “Desde de os dias de João até agora o reino dos céus é tomado por esforço.” Não houve no momento dos sofrimentos de Jesus. Este mandato recebi de meu Pai. Jo. crucificação. porque eu dou a minha vida para a reassumir. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Entre as várias previsões quanto ao sofrimento. (Lc. a opção de Deedat é ilógica e destituída de licença para mudar o ensino de Jesus. Destaca-se Jo. 24:44-48). libertações demoníacas e cuidado social. porque não sabem o que fazem”. cumpriu-se tudo que estava previsto no Velho Testamento e no ensino de Jesus sobre sua morte. 13:34. 10:17-18: “Por isso o Pai me ama. 26:39). e isto seria voluntário. pois predisse inúmeras vezes que morreria. Ele foi consistente com seu ensino e suas previsões para aquele momento. 23:37. E até mesmo na hora de sua morte. tiveram como ferramentas para a implantação do reino de Deus. 53:7. como tu queres. ao fato. 86 . 23:34). 20:9-19. 26:31-32. (Jo. (Mt. 26:39). que Jesus não tencionava o uso da luta armada ao dizer vende sua capa e compre uma espada. não seja como eu quero. pois suas últimas palavras foram: “Tudo está consumado”. 17:25. 26:28. 16:16. quando disse: “Pai perdoa-lhes. Mc. 12:30-32. que importava cumprir-se a vontade do Pai nele: “Todavia.Sua consistência foi até a cruz. Russel Shed em nota explicativa. pelo contrário. 26:2. 2:21-23). 11:12). pois já vimos que em Atos. Não poderia naquela hora invocar a ajuda de anjos? Pois neste caso.

foi um proclamador na Judéia as margens do Jordão (Mt. que não há a possibilidade biblicamente de se implantar o reino de Deus pela luta armada. 6). 1:29-34). assim não nos dá.“uma referência à violência de certos judeus que pensaram em estabelecer o reino pela força bélica. 3:11-14). Vimos que o reino de Deus se manifestou com a primeira vinda de Jesus. Tal como o faz a proclamação e exemplo de João Batista. Ele destacou-se por ser o cumprimento da profecia de Is. Brasil. 11:12 porém. 14:22). e como tal. e ser ativo em proclamação. o ensino e vida de Jesus. Isto era possível até mesmo antes de Israel.211 O texto de Mt. (Lc. Vemos então. e por sua vez. Isto seria visto pela falta de egoísmo. Novo Testamento. pois Ele era Deus em carne. Não temos no exemplo de João Batista. 17. Tendo também batizado e testificado que Jesus era o Cristo. se manifestou por Ele. Ensinou que o reino tem sua expansão pela obra missionária. Jesus o anunciou e procurou trazer para o reino um maior número possível de judeus e gentios. 3:2. o reino crescia pela obra missionária de Israel. ausência de corrupção por parte dos publicanos e ausência de abuso de poder por parte dos soldados. por anunciar a chegada do Messias e convocar o povo para o batismo de arrependimento. que judeus e gentios podiam deixar de estar debaixo do domínio de satanás e pertencer ao reino de Deus. A necessidade de se arrependerem-se de seus pecados e serem batizados. Mas há muito de perseverança nesta. refere-se a necessidade de apoderar-se do reino com determinação e perseverança. preexistente (Jo. Em outras palavras. 3:5-6). Destacava-se então. Isto prosseguirá. devido as dificuldades em entrar no mesmo (At. Vimos no Velho Testamento. Bíblia Vida Nova. nada que incite a luta armada. Edições Vida Nova. até que este atinja sua plenitude com sua segunda vinda. 40:3. com o batismo de arrependimento (Mt. Pregava a chegada do reino de Deus. 3:2). o reino terá a sua plenitude com a volta de Jesus. Não há nada na vida de João Batista que sugira implantação do reino pelo uso da violência. mas esta não foi realizada. 211 Shed R. porém no geral. pois o reino de Deus. assim como da Igreja Primitiva. p. e depois por sua instrumentalidade. Jesus é central no tema. 1976. (como era o caso entre os zelotes)”. Mas para isto Israel deveria ser um bom exemplo do que era estar no reino. expande-se pela obra missionária ensinada e ordenada por Jesus. não foi bem sucedido. Sendo assim. (Mt. As guerras nos Velho Testamento não nos dão base para isto. 87 .

Além disto. e isto ela o fez. resgate do império das trevas um maior número possível de pessoas. Concordam com esta linha de raciocínio Hammudah Abdalati. vimos que não há base nas Escrituras para usarmos de violência. ocultar o sentido de jihad como guerra. este o tem realizado ao pertencer a Igreja. Muhammad Mohar Ali e Aliman Abul A’la Mawdudi. e assim. CONCLUSÃO Vimos que jihad etimologicamente significa esforço máximo. há os que argumentam baseados em inúmeros versos do Alcorão. formada por judeus e gentios. 9:5. foram mais tarde também demonstrados pela Igreja. Neste processo. permitirá um melhor convívio e aceitação internacional do Islã. se superarmos nossos preconceitos. 36. Aliman Abul A’la Maududi. como curas. De qualquer maneira. não anula Israel. o gentio não perde sua identidade. Seus ensinos influenciaram muito o fundador da Fraternidade Muçulmana. bem difundida e aceita entre os sufistas. O papel missionário da Igreja. como afirmou M. Streusand entende que por esta época. Esta não só devia anunciar a chegada do reino. 88 .Vimos também que os sinais do reino demonstrados por Jesus. Ficou claro que a obra missionária só será realizada. Jesus espera agora que sua Igreja. 16:125. pois não há limite para as muitas boas situações que alguém deve se esforçar. praticantes de boas ações. e outros modernistas. assim como Sayyid M. há exemplos no Alcorão e Hadith. libertações demoníacas e cuidado social. Amir Ali. e com tal sentido. o xeque Hasan al Banna. Douglas E. desenvolveu a concepção de jihad para libertação nacional. incentivando os muçulmanos a serem perseverantes. O sentido etimológico não pode contudo. como no caso de Sir Sayyid Ahmad Khan. 216-217. divulgadores do Islã e assim por diante. Com este sentido. Zakaria El Barry. Samir El Hayek. não podemos usá-la na implantação do reino de Deus. Além disto. que jihad só pode ser empreendido em autodefesa. como nas Suratas 2:190-194. como Pedro o fez por ocasião de entrada na casa de Cornélio no reino. 22:39-40. Streusand entende que tal concepção de jihad é bem mais recente na história. e por isso. Qtub. ao se relacionarem com os britânicos que dominavam a Índia. como demonstrá-lo por seus sinais. esta concepção está de acordo com o artigo 51 da Carta das Nações. 4. tem surgido no contexto do relacionamento dos muçulmanos com os poderes coloniais. como expressão prática da fé cristã. há também a idéia de jihad contra os desejos impuros. jihad tem dois desdobramentos.

Casa da Guerra. precisa ser entendido pela ótica de jihad agressivo. envolvendo-se depois em Medina. onde Mohammad inicialmente era apenas um proclamador. espera-se destituir-se regimes não islâmicos.212 Vimos no Velho Testamento. Neste caso. 25 de Dezembro de 2001. segundo a perspectiva islamita. e levando o homem a poder servir o único Deus. entre os que querem modernizar o Islã. Claro que problemas sociais e injustiças causam conflitos. esperando com isto obter um mundo melhor. há muita tensão no mundo islâmico. Qtub não só ensinou isto.Contrapondo-se com a concepção de jihad defensivo. espera-se com isto estar removendo a idolatria. pessoas como Hassan Abdallah al-Turabi e Osama Bin Laden. Dar al-Islam. temos jihad agressivo. e 212 Neto. Os conflitos atuais entre o Ocidente e os islamitas. implantando no lugar destes. mas os propulsores e incentivadores de jihad agressivo. passa pela destruição de Israel. mas se opôs veementemente a concepção de jihad defensivo. onde se espera que Casa do Islã. que na opinião deles não são tão islâmicos como deveriam. sob as diretrizes da Xaria. jihad tem toda uma dimensão política de tomada de poder. Neste caso. não são a causa primeira. com jihad defensivo e por fim. como o concebem. torna-se Zimmi. que não fazem parte da Xaria. pois os agressivos. Sua interpretação da Surata 9. distingue-se da concepção defensiva. Devido a esta diferença de concepções de jihad. O Mundo Muçulmano Trava Guerra Civil. Dar al-Harb. pois não implementam a Xaria em sua totalidade. mas no caso do mundo islâmico. seguem nos passos dos assassinos. que judeus e gentios podiam deixar de estar debaixo do domínio de satanás e pertencer ao reino de Deus. Este fez uma leitura da história. Isto era possível até mesmo antes de Israel. Marc Ferro chama isto de guerra civil que está sendo travada no interior do mundo árabe-muçulmano. A. em jihad agressivo para a implementação da Xaria. e os que querem islamizar a modernidade”. nos termos da Xaria e do governo de Deus. Este processo deve continuar até o domínio do Islã por toda terra. L. Caso escolha não fazê-lo. do Ocidente e de tudo que está sujeito as leis. A influência de Qtub é vista e sentida na ideologia que rege os alvos e comportamento dos islamitas. mas principalmente entre a versão defensiva e agressiva. Na expressão contemporânea de jihad. a luta pela implantação do reino de Deus. domine a não islâmica. Folha de São Paulo. Os islamitas portanto. Sayyid M. kharijis e Ibn Taymiya. governos islâmicos. Outros pensadores da mesma linha e influência com os islamitas são Wail Uthman e Abdallah Yussuf Azzam. 89 . querem eliminar governos.

O reino já foi implantado por Jesus. familiares e até mesmo da vida. terá a sua plenitude com a volta de Jesus. não anula Israel. Ficou claro que a obra missionária só será realizada. não foi bem sucedido.br 90 . não podemos usá-la na implantação do reino de Deus. 1:19-20). Mas para isto Israel deveria ser um bom exemplo do que era estar no reino.com.aup. como Pedro o fez por ocasião de entrada na casa de Cornélio no reino. Ensinou que o reino tem sua expansão pela obra missionária. cresce pela obra missionária e terá sua plenitude com a volta do rei Jesus. expande-se pela obra missionária. Jesus espera agora que sua Igreja.2010. Jesus é central no tema.brasil. até que este chegue a sua plenitude com a volta de Jesus. Jesus o anunciou e procurou trazer para o reino um maior número possível de judeus e gentios. Você pode começar a se envolver orando. formada por judeus e gentios. Além disto. o reino crescia pela obra missionária de Israel. Isto prosseguirá. e ser ativo em proclamação. libertações demoníacas e cuidado social. procure se preparar sob a orientação de seu pastor. Esta não só devia anunciar a chegada do reino. se superarmos nossos preconceitos. Sendo assim. resgate do império das trevas o maior número possível de pessoas. Vimos também que os sinais do reino demonstrados por Jesus. o gentio não perde sua identidade. mas esta não foi realizada. e assim. Neste processo. pois Ele era Deus em carne. ensinada e ordenada por Jesus. Esta é a maneira cristã de vermos o reino de Deus se expandido. porém no geral. e isto ela o fez. visite o site www. pois o reino de Deus se manifestou por Ele. Se no Islamismo vemos pessoas tão dispostas a abrirem mão de suas nacionalidades. como demonstrá-lo por seus sinais. manifesto na ressurreição de Jesus (Ef. E o site www. Visite também o site www. contribuindo e caso o Senhor te chame para missões. até que este atinja sua plenitude com sua segunda vinda. este o tem realizado ao pertencer a Igreja. Este poderá te encaminhar para uma boa agência missionária. O papel missionário da Igreja. como curas. vimos que não há base nas Escrituras para usarmos de violência. como pode pessoas que dizem conhecer a realidade do poder de Deus. como expressão prática da fé cristã. Em outras palavras.org para obter informações do povos menos evangelizados do mundo. Para começar pelo menos orando.org para obter informações dos municípios menos evangelizados do Brasil. O reino por sua vez.missaoantioquia. serem tão reticentes em se envolverem com a obra missionária. Vimos que o reino de Deus se manifestou com a primeira vinda de Jesus. foram mais tarde também demonstrados pela Igreja.depois por sua instrumentalidade.

Bodansky. Z. Jihad Explained. Centro de Divulgação do Islã Para A América Latina. H. Centrais Impressoras Brasileiras Ltda. A. Annaduy. Edição 169. São Paulo. Cavalcante. terá sua plenitude com sua segunda vinda.csus. Quando a Guerra É Justa. Endowments Da’wah and Guidance Kingdom of Saudi Arabia. H.O reino de Deus manifestou-se em Jesus. H. Editora Abril.edu/org/msa/jihad. 1981. Ali. Bhd. Brasil. Y. 18... 91 . The Religion of Truth. impresso em 2000. expande-se pela obra missionária. Printed and Published by Ministry of Islamic Affairs. Editora Abril. Ali. em 06/11/2001. São Paulo. Editora Abril. R. Arábia Saudita. Ediouro Publicações S. Ali.-Outubro de 2001. D. São Paulo. Sîrat Al. 1997. A. O Que Querem Os Fundamentalistas. Revista Veja. Centro de Divulgação do Islã Para A América Latina. Berry.Nabi And The Orientalists. Brasil. 1416 H. A. No. Revista Super Interessante. 24 de Outubro de 2001. D. III&E Brochure Series. Envolva-se! BIBLIOGRAFIA Abdalati. M. 10 de Outubro de 2001. The Holy Qur’na. A. A.htm. Extraído do site http://www.. Rio de Janeiros. Yusuf. Os Direitos Humanos no Islã. R. 3 de Outubro de 2001. 2001. Catálogo da Associação de Missões Transculturais Brasileiras) feito em conjunto com a Sepal. Published by Islamic Propagation Centre International. Edição 170. Brasil. Brasil. Bin Laden O Homem que Declarou Guerra à América. Enquanto isto. 1989. Editora Abril. Revista Veja. O Islã e o Mundo. A Teologia da Fanatização. Vergara. Al-Omar. King Fahd Complex For The Printing Of The Holy Qur’an & Centre For The Service Of Sunnah and Sîrat Madinah. O Islão Em Foco. Editora Abril. De Judas a Bin Laden. published by The Institute of Islamic Information and Education (III&E). Gráfica e ano não especificados. Brasil. Burgierman. Polygraphic Press Sdn.-Novembro de 2001. Artigo Especial. Burgierman. 1990. A Palavra de Deus. Malaysia. Revista Veja. Artigo Especial. M. R. Revista Super Interessante. M. R. Artigo Especial. R.

Published by Life Challenge Africa.htm. Hedlund. Maududi. 1995.Cavalcante R. Deedat. Maududi. Islamic Propagation Centre Internacional.. 1991. The Mission of The Church in the World. Centrais Impressoras Brasileiras Ltda.com/misconceptions/jihad/jinqh.hizbut-tahrir. Hayek. El. Edição 169. E. MarsaM Editora Jornalística. Alpha. Publicado pelo Movimento da Juventude Islâmica Abu Bakr Assidik. 1994. Jihad Is The Pillar of Islam and Its Top Most Part. 1996. 273. A. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado. Gráfica e ano não mencionados. Islam As It Sees Itself As Others See It As It Is. J. Revista Ultimato. Brasil. September 17.org/Opinion/Phares/Jihad. Brasil. Normas no Caminho do Islã. Souza. Islã a Derrota do Fanatismo. Kenya. 1989. E. RSA. Qtub. Klintowitz. Phares. Aliman Abul A’la. Centro de Divulgação do Islã Para a América Latina. Brasil. L.htm. Evidence That Demands a Verdict. R. Ltda. em 16/11/2001. Folha de São Paulo. Nehls G.org/english/leafleats/january499. And Eric W. Editora Ultimato. 1º de Março de 2000. 1984. Teologia da Libertação e Marxismo – Uma Relação Em Busca de Explicação. Brasil. Brasil. Neto. 25 de Dezembro de 2001. Baker Book House. Editora Abril. W. São Paulo. .bitshop. R. Mueller. Editora Abril. O Mundo Muçulmano Trava Guerra Civil. Crucifixion or Cruci-fiction. Ano XXXIV – No. J. A. em 16/11/2001. Monday. S. A. Artigo inicialmente publicado no Palestine Times em Agosto de 1997. O Islã Código de Vida Para os Não Muçulmanos. S. Super Interessante.wlo-usa. USA. Don’t Pervert History: Jihad Is Jihad.-Outubro de 2001. Aliman Abul A’la. 1993. Editorial Sinodal. Brasil. Matos. Jihad in The Holy Quran and Hadith. Daily Mail. Para Compreender o Islamismo. Extraído do site http://www.htm. Novembro-Dezembro de 2001. UK. 2001. McDowell. Terror Na Cabeça. Cristãos e Muçulmanos: Uma longa História de Conflito. Hiz ut-Tahrir. em 16/11/2001. 92 . Extraído de http://www. Revista Veja. M. 1989. Extraído de http://tariq.

2001. Novo Testamento. Rights of Non-Muslims in an Islamic State. Não há imposição de religião. Small. O Ódio Dos Muçulmanos Ao Ocidente É Cultivado Por Governos e Imprensa. Bíblia Vida Nova. Revista Veja. Newsweek. contudo. Wright. dando-lhe o direito de escolha.htm. A. Streusand. Islamismo e Cristo: Reflexões Perante o Islamismo. E. E. K. é promover jihad agressivo. Extarído do site www.org.org/NonMuslims/rights. Evidence For The Death Of Jesus On The Cross. a sua Xaria. Shed R. São Paulo. para assim eliminar toda forma de idolatria. serão Zimmis. R. não dado por Deus. Thomas. 1976. 26 de Dezembro de 2001. Esta se manifesta por meio de governos. Brasil. Em 93 . Definir o que é ser Zimmi e suas limitações. V. Stacey. Revista Veja. Edições Vida Nova. 10. Samuel Shahid em seu texto entitulado. Circulação Interna. entre se submeter a Deus. E. 2001. tem por alvo libertar o homem. A Long. Extraído do site Answering Islam Homepage. Rights of Non-Muslims in an Islamic State.cfm?articleid=402. D. Liberdade religiosa no Islã. instituições. pela obediência prática da Xaria. 51. Idolatria consiste no fato que estas instituições se submetem a um corpo legislativo. Ano 34. Já vimos que para Qtub. Jihad agressivo neste caso. Revista Capacitando. Vimos que um dos alvos de Qtub. No. em 01/11/2001. no. Inicialmente é necessário ter entendimento do que é um estado islâmico. Editora Abril.answeringislam. ou se tornar Zimmi. What Does Jihad Mean? Extraído do site http://www. Editora Abril. APÊNDICE I LIBERDADE RELIGIOSA NO ISLÃ Dividiremos nossa abordagem em dois itens. Brasil. apostasia no Islã. em vez de se submeterem a Ele. em 06/11/2001. Brasil.Shahid. 26 de Dezembro de 2001. Taheri. isto é o mesmo que um certo grupo que voluntariamente se submete a Xaria. Caso cristãos e judeus prefiram permanecer em sua religiões. em 10/09/2000. nos esclarece o que é ser Zimmi numa sociedade islâmica. precisa ser considerada e entendida no contexto do que é ser Zimmi.ict. S. Strange Trip To The Taliban. religiões. Em seguida. segundo sua perspectiva islamita. December 17.il/articles/articledet.

Hanifites. Nas palavras de Maududi: “Um estado islâmico é essencialmente um estado ideológico. Submetem assim. S. S.216 O propósito do imposto jizya. Como um estado ideológico. Os Hanbilites e os Shafi’ites. Lahore. 217 É bem alcorânico o propósito humilhante e coercivo do imposto cobrado do Zimmi. Não deixa de ser Shahid. p. Isto se vê pela Surata 9:29: “Combatei aqueles que não crêem em Deus e no Dia do Juízo Final. aqueles que subscrevem a este pela a aceitação da ideologia islâmica. ou seja. Há também os Zimmis. p.htm. Pakistan.215 Há quatro escolas de jurisprudência no Islã. Neste caso.org/NonMuslims/rights. Rights of Non-Muslims in an Islamic State. 1. este pode ser um visitante a negócios. Se um grupo se submete a Xaria. um imposto sobre aqueles que não estão ideologicamente de acordo com o Islamismo. ou alguma lei constitucional do país. Extarído em 01/11/2001 do site www.. temos ai então.214 Há três tipos de não muçulmanos numa sociedade islâmica. haverá discriminação entre os que são muçulmanos e os que não são. Os Hanifites e Malikites. a Xaria. humilhar217 e oprimir os zimmis. são os Hudnas. segundo o Sheik Najih Ibn Abadulla. Este imposto será suspenso conforme. na categoria de Zimmi. nem se abstêm do que Deus e Seu mensageiro 213 94 . Isto é explicado mais adiante no texto. citando Ibn Qayyim al-Jawziyya é múltiplo. Aqueles que acabaram de ser conquistados. Se estes tiverem que optar entre obedecer a Xaria. p. ou um estudante. entre os que aceitam a ideologia. Hanbilites (está é a mais severa e fundamentalista) e Shafi’ites. Rights of Non-Muslims in an Islamic State. p. que também concordam em pagar jizya. Nisto incluise os zoroastras e qualquer outro tipo de não muçulmano. 216 Ibid. e assim é radicalmente oposto de um estado nacional”. Islamic Publications.. 215 Ibid.answeringislam. a ideologia prioritariamente. O Musta’min. 214 Ibid. e possuem com os muçulmanos um acordo de trégua. Há no Islamismo portanto. São aqueles não muçulmanos em uma sociedade islâmica. independente de onde estão. ou que nacionalidade possuam. devem escolher a Xaria em primeiro lugar. um estado islâmico. e os que não o fazem. em troca de proteção e segurança.outras palavras. 3. Estes pagam a jizya. a judeus e cristãos. 1982.. 2. LTD. o estado islâmico tem como cidadãos plenos. concordam que jizya deve ser aceito por todo infiel que não se converta. ou um visitante por qualquer outro propósito. Entre estas escolas há suas variações. estes se tornam muçulmanos. Malikites. Está incluído nisto. 1.213 Obedece assim. entendem que o contrato jizya só pode ser oferecido aos que crêem no Deus supremo. Citando Maududi. Abul Ala’.

jizya é oferecido em troca por residência em um Estado Islâmico. proibiram. pois no Islamismo só Alá é Deus e Mohammad é seu mensageiro.218 Assim fica claro o que é liberdade religiosa no Islã. mushrikun. Poupar o sangue (dos Zimmis). seu alvo é humilhar a impiedade e seus seguidores. Como Zimmis então. Velhas aqui são as igrejas históricas que se encontram no Egito. ou seja. Rights of Non-Muslims in an Islamic State. p. “Desde de que a religião inteira pertence a Deus. os Muftis. são culpados do pecado imperdoável. Ser politeísta. e os insultar. Isto é muito grave. judeus e cristãos não podem praticar suas religiões abertamente. até que paguem humilhados a Jizya que possam e se sintam submissos”. praticar sua religião com restrições. O texto alcorânico indica isto quando diz: “até que paguem jizya que possam e se sintam submissos. 95 .htm. podendo pelo pagamento de jizya. S. Podem somente restaurar as velhas.answeringislam. Nesta condição. shirk. Não podem colocar os sinal da cruz em suas casas e igrejas. assim os muçulmanos não ouviram estas heresias. por ocasião da conquista destas terras. ser um símbolo de humilhação dos infiéis. é o mesmo que cometer o pecado imperdoável.org/NonMuslims/rights. 218 Shahid. Sendo isto verdade. como desejam.uma forma de pagamento para que possam continuar morando na terra. Isto deve continuar até que este aceite o Islã. na categoria Zimmi a Xaria. Não podem construir novas igrejas. e nem professam a verdadeira religião daqueles que receberam o Livro (referindo-se a judeus e cristãos). pois é um sinal de infidelidade. pois teriam associado o homem de Nazaré a Deus. pois estas são abominações. no entendimento dos juristas muçulmanos. Os cristãos são politeístas. Como já vimos no livro. Os Zimmis são considerados politeístas. como se ele o fosse. Impor jizya sobre os seguidores da impiedade e oprimi-los é exigido na religião de Deus. Extarído em 01/11/2001 do site www. Jordânia e outros países islâmicos. Assim Ibn Qayyim acrescenta. associar alguém ou um objeto a Deus. e como os Shafi’ites indicam. como um insulto e uma punição. O que contradiz isto é deixar os infiéis livres para apreciar e praticar sua religião. e assim teriam poder e autoridade. O não muçulmano paga um imposto. estabelece-se várias restrições aos Zimmis. (Surata 9:29)”. O Islamismo e a Trindade. 3. como se este tivesse natureza divina. que na cultura e religião significa estar sendo humilhado. Submetendo assim. oprimido e punido. Não podem orar ou ler seus livros sagrados em alta voz.

Ou se torna muçulmano. Não podem servir o exército. Aliman Abul A’la. significando isto. Contudo isto. pelo culto e pela observância. Sendo isto irreconciliável. 219 220 Ibid. Já vimos o suficiente para entendermos. a menos que haja grande necessidade para isto. com o artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. pela prática. pela pregação do Zimmi. p. e pelas leis próprias estabelecidas para os Zimmis. 96 . Se não é dado aos muçulmanos o direito de ouvir e escolher. direito de escolha e livre prática religiosa. ser humilhado. Maududi. Todo homem tem o direito à liberdade de pensamento. O Islã Código de Vida Para os Não Muçulmanos. Nas palavras de Maududi.Não podem fazer seus cultos publicamente. p. consciência e religião. não se submete assim ao artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Estado Islâmico não poderá ingerir-se no direito pessoal dos não muçulmanos. em público ou em particular. mas têm até o direito de criticarem o Islã dentro dos limites prescritos pela lei e pela decência.. e poderão praticar a vontade os seus ritos e cerimônias religiosas como lhes aprouver”. que não há no Islã plena liberdade religiosa. Percebemos por Maududi. ou através dos meios de comunicação. que os Zimmi “gozarão de plena liberdade de pensamento e crença. e poderão praticar a vontade os seus ritos e cerimônias religiosas como lhes aprouver. Este irá por meio deste imposto. o qual diz. e restrito em sua liberdade religiosa. este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença. Brasil. Podem ir sossegadamente aos seus lugares de adoração. isolada ou coletiva. ou se torna Zimmi. Não poderão apenas propagar a sua religião. 4. ao ter suas terras dominadas pela sistema islâmico. só se parece com liberdade religiosa. pelo ensino. 53.220 Percebemos então. pois em seguida afirma: “não poderão a penas propagar a sua religião”. assim como pela falta de liberdade deste em propagar a sua fé.219 A estas restrições acrescentamos a falta de liberdade de propagarem sua fé. que tipo de liberdade o não muçulmano terá. Eles gozarão de plena liberdade de pensamento e crença. pelas restrições acima impostas ao Zimmi. 1989. O assunto sobre o direito dos Zimmis é vasto. Centro de Divulgação do Islã Para a América Latina.

tem o direito de se tornar muçulmano. pago pelo muçulmano). após tornar-se muçulmano. O Dr. o jejum. Citou então a Surata 3:72-75.. como a prática da oração. Exatamente como teria ocorrido nos dias de Mohammad. O apóstata terá a chance de se arrepender e será encorajado para isto. Centrais Impressoras Brasileiras Ltda. o faz enganosamente. 222 Ibid. mas se “persistir no erro. mas uma vez muçulmano. assim terá os plenos direitos do estado ideológico islâmico.222 O Dr.. 223 Ibid. Em outras palavras.. não há muçulmano algum convicto. p. que troque a sua religião. pois a literatura islâmica nos informa sem reservas. 224 Ibid. são estes os apóstatas e devem ser punidos. A discussão sobre apostasia no Islã é interessante. Berry diz que: “a opinião geral da jurisprudência islâmica aprova a execução do muçulmano apóstata seja homem ou mulher”.221 Parêntesis acrescentado por mim. p. 25. pesará sobre si a pena de morte. nesta religião. um esforço em esconder o fato que o apóstata é digno de morte. após conhecer os Berry. para depois deixar o Islamismo. a qual se refere a judeus que naqueles dias se fizeram muçulmanos falsamente. O Dr. caso queira deixar o Islã um dia. Por outro lado porém. porém. também fere o artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sendo assim. Esta falta de opção de escolha. 27-28.224 O Dr. p. Centro de Divulgação do Islã Para A América Latina. p. Zakaria El Berry a aborda no livro.223 Este autor está convencido que o apóstata é aquele que ao se dizer muçulmano. a peregrinação. a proibição da ingestão de bebidas alcoólicas e a alimentação de carne suína”. Segundo ele.O Zimmi porém. mas o Zakat. o pagamento do tributo (não é jizya pago pelo Zimmi. o Zimmi com todas as suas dificuldades práticas. 221 97 . Não há segredo quanto a isto. será punido com a morte”. Brasil. 27. poderá pela constante humilhação ser encorajado a se tornar muçulmano. Os Direitos Humanos no Islã. Os Direitos Humanos no Islã. Não há entre os eruditos do Islã. Berry está convencido que nenhum muçulmano verdadeiro. deixará o Islamismo: “Na realidade. 25. Z. Berry define apóstata como aquele que nega: Total e categoricamente nega um preceito prescrito pela religião islâmica. só sai do Islamismo pagando o preço da morte. basta não jejuar durante o Ramadã e já é digno de morte.

Berry afirma que o Islã não é incompatível “com a referida doutrina da liberdade religiosa”. Ao comentar a Sura 5:54 disse. e liberdade religiosa. Precisamos compartilhar da mesma convicção do Dr. 225 226 Ibid. assim como jamais um verdadeiro muçulmano o fará. Samir El Hayek. A premissa do Dr.. MarsaM Editora Jornalística. Sabemos que esta prática não condiz com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. El. 137. a perda será deles próprios. 1994. então. que nenhum nunca sinceramente desejou deixar o Islamismo. que os apóstatas são somente os falsos. Berry tem que ser verdadeira. O Significado dos Versículos do Alcorão Sagrado.. p. De qualquer maneira. Os acontecimentos antigos e atuais atestam isso”. quanto a possibilidade de nenhum muçulmano ter se deixado o Islamismo ao longo dos séculos. porque então creríamos nesta? Fica portanto. Brasil. Porém. Berry. 27. que entre mais de um bilhão de muçulmanos no mundo. e se a estes somarmos todos que ao longo dos séculos já faleceram. mesmo que isto não seja razoável em sua opinião. Não nos parece razoável crer. a ponte de se apartarem do espírito dos ensinamentos de Deus. com pena de morte ao apóstata. o desafio para o Islamismo conciliar liberdade religiosa. não é só a lógica humana que nos impede de firmarmos tal posição. ou tenha a ele aderido. 98 . os que aderiram o Islã com engano. p. para aceitarmos que não há incompatibilidade entre pena de morte para o apóstata. Se assim fizerem. mesmo numa religião racional e de senso comum como o Islã. e que os verdadeiros muçulmanos jamais desejarão deixar o Islã.227 Se nem Hayek acredita no pressuposto do Dr. ao corpo dos muçulmanos. é da opinião que há a possibilidade de um muçulmano deixar o Islamismo. Berry. p. há aqui uma admoestação. o Dr.princípios sublimes do Islã autêntico. então.225 Crendo então. e de que os muçulmanos não se tornem tão autosatisfeitos ou arrogantes. 227 Hayek. quer tenha nascido muçulmano. E nisto não há conflito com o artigo 18 da Declaração Universal do Direitos Humanos. para não haver conflito ente o Islã e a liberdade religiosa prescrita no referido artigo.226 A conclusão lógica é esta. se ninguém desvia do Islã. Por “porque muitos homens são depravados” (versículo 49 desta surata) deduz-se como inevitável que deva haver apóstatas. não se pune ninguém com a morte. 31. Ibid. O Prof. no sentido de que não se repita a história dos judeus. S.

escrito por Abdul Rahman Ben Hammad Al-Omar. Sendo assim. do contrário. Portanto.231 As palavras de A-Omar só nos permite concluir o seguinte.228 Segundo Al-Omar. O Islã não permite nenhuma transgressão destes. judeus e cristãos devem ser considerados incrédulos. shirk. 231 Ibid. as quais podem ser resumidas na quebra de todo e qualquer preceito islâmico.. Printed and Published by Ministry of Islamic Affairs. 1416 H. Quando alguém comete apostasia no Islã. obedecendo livremente todos os preceitos de Alá. não devem ser comunicadas. Vemos mais um exemplo disto no livro. todo o seu comportamento deve ser dentro dos limites explicados nos mandamentos de Alá. e comportar-se de acordo com as leis islâmicas. os quais são fonte de misericórdia. H. assim.. as violações que levam a apostasia são inúmeras. Conclui-se portanto. p. há muitos outras violações. Alá ordena ao muçulmano que permaneça na verdade”. rejeita a verdade depois que a conheceu. 91-93. não há segredo na literatura islâmica quanto a pena de morte para o apóstata. ao se tornar cristão. um muçulmano será digno de morte. p. Neste seu autor diz. Liberdade individual é garantida no Islã dentro dos limites da leis islâmicas. The Religion of Truth. poderá levar o muçulmano a pena de morte. The Religion of Truth. o muçulmano é livre para permanecer assim. do jejum do ramadã. Apostasia no Islã é um crime grave punível com a morte. 99 . 230 Ibid. Endowments Da’wah and Guidance Kingdom of Saudi Arabia. Segundo o Islã. Al-Omar diz que: “O Islã confere liberdade de opinião para o muçulmano na condição que não a use para violar os preceitos islâmicos. como o pecado de associar alguém a Alá.229 Uma mera quebra da oração diária. desde de que estas não violem as lei de Alá. não merece a vida e perde seu direito de existir (Raison-d’etre). Opiniões contrárias as leis de Alá. No Islã.. ou falta de pagamento de Zakat. A.. p. ele perde 228 Al-Omar. 93-94. Claro que este conceito de apostasia impõe limite a liberdade religiosa. Além destas. 93.Como já afirmamos. p.230 Prossegue dizendo: Tal sistema baseia-se no respeito a opinião alheia. o homem e tudo que possui pertence a Alá. 90. que por esta perspectiva. resultam em corrupção e falsidade. R. 229 Ibid. Mas se sua apostasia é devido a violação de um dos princípios do Islã. ele deve se arrepender e pedir a Alá por perdão. num estado islâmico mais restrito e rigoroso. e portanto.

É nestes termos que suas expressões como: “tal sistema baseia-se no respeito a opinião alheia”. que liberdade é esta? Como se concilia Islã e direitos humanos internacionais? Que liberdade jihad agressivo quer oferecer ao mundo? Será que é bom ser Zimmi? Será que é bom ser digno de morte ao desejar deixar o Islamismo? 100 .seu direito de existir. pois estas estão condicionadas aos seus complementos. ou “dentro dos limites da leis islâmicas”. ou “liberdade de opinião para o muçulmano na condição que não a use para violar os preceitos islâmicos”. ou “o Islã confere liberdade de opinião para o muçulmano”. do contrário é digno de morte. a qual deve praticá-la com várias restrições. ou “liberdade individual é garantida no Islã”. devem ser entendidas. tais como: “Tal sistema baseia-se no respeito a opinião alheia desde de que estas não violem as lei de Alá”. Assim como ao Zimmi não lhe é permitido divulgar sua fé. Se liberdade religiosa no Islã. limita-se a permitir que o homem não deixe e nem desobedeça o Islã.