You are on page 1of 9

VARIAÇÕES SAZONAIS DA ILHA DE CALOR URBANA NA CIDADE DE BELEM - PA Antonio Carlos Lôla da Costa Universidade Federal do Pará Avenida

Perimetral 01 Lola@ufpa.br Arthur Mattos

ABSTRACT The urban heat island is a characteristic phenomenon of all cities and metropolitan areas; however, their distribution and intensity is proportional to the growth of the city and of its population, being more intense during the days of the week, when the urban activities are maximum, and low during the weekend. Urban rural temperature differences - are more accentuated during the hot season, when the largest thermal amplitudes are verified in the rural area. It also varies with the use type and occupation of the soil, with the geographical location, besides the hour of the day and of the season, being more expressive in conditions of clear sky and calm wind. The identification and dimensioning of the phenomenon of the urban heat island, as well as its correlation with other characteristic factors of urban areas, can provide important subsidies to the study of the urban planning, in a way to make possible the improvement of the environmental quality. In relation to quantification of the intensity of the urban heat island " in the city of Belém, great seasonal variations were observed, their maximum intensity (4,5°C) happened at the less rainy time, that extends from June to November, and in very urbanized areas and deficient of arborização, while, at the rainy time, from December to May, their intensity was strongly decreased (1,5°C), due to the effect of the pluvial precipitations, which turns the city relatively homogeneous in thermal terms.

INTRODUÇÃO

O rápido e desordenado crescimento das cidades, em especial em países não desenvolvidos, tem tornado difícil proporcionar condições ideais de vida a seus habitantes. Dentre as diversas atividades humanas potencialmente capazes de provocar alterações meteorológicas de pequena e de meso - escala, a urbanização apresenta-se como uma das que mais contribuem para tais alterações (MAITELLI, 1991; GOLDREICH, 1992; JÁUREGUI, 1992). O aumento da temperatura do ar nas cidades, em relação ao seu ambiente vizinho, gerado por alterações das características térmicas das superfícies, decorrentes da substituição, pelo homem, de áreas verdes por edificações e pavimentação, além de alterações hidrológicas e aerodinâmicas, é conhecido na literatura como o efeito da “ilha de calor urbana”. Deste modo, a ilha de calor urbana é uma das mais acentuadas modificações atmosféricas atribuídas ao processo de urbanização ( LOWRY, 1967). O termo “ilha de calor urbana” apareceu pela primeira vez na literatura de linguagem meteorológica inglesa em um trabalho de GORDON MANLEY (1958), no Quarterly Journal of the Royal Meteorological Society, porém, existe a possibilidade de seu emprego anteriormente em algum outro trabalho (LANDSBERG, 1981). A ilha de calor é o reflexo de mudanças microclimáticas em conseqüência de alterações da superfície urbana feita pelo homem. Tais mudanças estão relacionadas com as alterações do balanço de energia e de radiação que ocorrem na zona urbana como conseqüência da substituição de superfícies naturais por superfícies pavimentadas e construções, que armazenam parte da energia recebida durante o dia, liberando-o para o ambiente após o por do sol. Deste modo, a energia que seria utilizada para evaporar a umidade presente na superfície, é diretamente absorvida pela superfície urbana, aquecendo-a mais que o seu entorno rural. O calor de origem antrópico, assim como, a poluição atmosférica, também são fatores fundamentais nessas alterações (LANDSBERG, 1981). A cidade de Belém (latitude 01° 23’S , longitude 48° 29’W e altitude de 13 metros, apesar de se localizar em uma Região Brasileira relativamente pouco desenvolvida, nas últimas décadas vem apresentando um grande
2357

com a finalidade de proporcionar o melhor entendimento do comportamento do clima urbano de Belém. a latitude. Em termo de valor médio anual. caracterizado por terras firmes. Certamente. sendo que aproximadamente 60% de suas terras encontram-se abaixo da cota de 4. composta por 39 ilhas.2 Km2. O objetivo principal deste trabalho é estudar a variabilidade sazonal da intensidade da ilha de calor urbana na na cidade de Belém . Devido à pequena variabilidade anual da temperatura média do ar. bastante modificadas pelo processo ocupacional urbano. com algumas manchas de podzois hidromórficos. Belém apresenta uma topografia praticamente plana. respectivamente. Quanto às características de relevo. que corresponde à região continental de Belém e Icoaraci. areias e concrecionário laterítico. março e abril. dentre outros: o tipo de superfície. dando subsídios à projetos de urbanização que visem otimizar o espaço físico sem grandes agressões ao meio ambiente.. atualmente. o crescimento da cidade. predomina o latossolo amarelo. e uma área insular. Deste modo. os quais cobrem uma área de. as variações sazonais nessa Região são classificadas em função da variabilidade anual das precipitações pluviométricas. onde as superfícies naturais são bruscamente substituídas por construções e outros tipos de superfícies artificiais. Na parte de terra firme. onde existe grande disponibilidade de umidade e energia durante todo o ano. Dentre os fatores responsáveis pelas variações térmicas de um local. MATERIAIS E MÉTODOS Descrição da área de estudo O município de Belém é composto por uma área terrestre. até certo ponto carente de um planejamento adequado. que estende-se de dezembro até maio. e compreende uma área de 173. na área urbana tais características originais encontram-se. o total de precipitação pluviométrica anual é bastante elevado. com um valor médio da ordem de 2. Precipitação pluviométrica Pela sua localização Equatorial.529 habitantes (SEGEP. e considerando-se a pequena quantidade de pesquisas desenvolvidas sobre esse tema. com 27. a inclinação. para definir subsídios às ações dos profissionais interessados em estudos de melhoria da qualidade ambiental em cidades da Região Equatorial. relacionado ao processo de urbanização.7°C. como também na Região Equatorial.PA. aproximadamente. a área de estudo apresenta uma pequena variabilidade anual na sua temperatura média.Pa.crescimento urbano. de um modo geral. o seu valor é de 26. costuma-se dividir o ano em duas estações distintas: uma chuvosa. se restringiu à área Sudoeste de seu espaço físico territorial. Principais características climáticas da região Temperatura do ar A variação diária da temperatura do ar está diretamente relacionada com a absorção da radiação solar pela superfície.9°C e 25. A presente pesquisa foi desenvolvida na área urbana da cidade de Belém . o conteúdo de umidade. que correspondem aos meses de maior nebulosidade e precipitação pluviométrica.2 Km2. Como observa-se. merecem destaque. As menores temperaturas médias são verificadas nos meses de fevereiro. as quais totalizam uma área de 343. cujas coordenadas geográficas são 01° 23’S e 48° 29’W. o dia do ano e a hora do dia. a área urbana da cidade de Belém é formada pelo agrupamento de 20 bairros.2°C. e outra estação menos 2358 . Sendo assim.5°C . 150 Km2. 1995). sendo que o máximo valor ocorre no mês de outubro e o mínimo no mês de março. Até meados dos anos sessenta.893 mm. Tendo em vista que tal crescimento urbano é um dos principais fatores contribuintes para alterações no clima urbano de uma cidade.0 metros acima do nível do mar. não só na cidade de Belém. caracterizando-se pela verticalização e expansão horizontal indiscriminada. e abriga uma população residente de 828. estando situada às margens do Rio Guamá e Baia do Guajará. Por estar localizado na Região Equatorial. a amplitude térmica média anual é de apenas 2. o que contribui para o menor aquecimento da superfície. a cor. inclusive analisando o comportamento da ilha de calor urbana. tornase evidente a importância do desenvolvimento da presente pesquisa.

Quanto à distribuição diária das precipitações pluviométricas. valor este considerado bastante elevado. Os meses de fevereiro.1940). estas ocorrerem no período das 16:00 horas às 06:00 horas. sendo que em nenhum dos meses o seu valor médio é inferior a 5/10 da abobada celeste. março e abril contribuem com apenas 14 % do total de brilho solar anual. para o mês de agosto. com uma precipitação pluviométrica média de 436 mm e 112 mm. que incorpora. Dentre as diferentes classificações climáticas atualmente aceitas. estando em torno de 8 %. precipitação pluviométrica e características sazonais. quando predomina grande nebulosidade. a de THORNTHWAITE (1948). A oscilação média anual é relativamente pequena. com os menores valores ocorrendo no mês de fevereiro. Essa grande variação anual está associada diretamente com a variação média anual da nebulosidade. onde predominam os movimentos ascendentes das massas de ar atmosféricas. esta região apresenta um valor médio anual elevado de umidade relativa do ar. podemos destacar. com baixas velocidades médias anuais. Os maiores valores ocorrem nos meses de fevereiro. oscilando entre um mínimo de 99 horas para o mês de fevereiro. e THORNTHWAITE & MATHER (1955) aperfeiçoaram o método anterior. nos meses de outubro e novembro. com uma média de 91%. provocada. Brilho solar A exemplo da evaporação total. geralmente. o seu valor médio é de 6/10. Ventos Localizada na região de confluência dos ventos Alísios. estando esta distribuição diretamente relacionada com a oscilação latitudinal da ZCIT. onde a pequena porcentagem de cobertura do céu proporciona a ocorrência de elevadas temperaturas . inibindo o aquecimento da superfície. até um valor máximo de 256 horas. Classificação climática As inúmeras variações no clima de um local para outro. diminuindo em seguida até atingir os valores mínimos.0 m/s. a cidade de Belém apresenta direção predominante dos ventos de Norte e Nordeste. esta não apresenta um padrão bem definido. pelo deslocamento anual da ZCIT. no mês de novembro. a de KOEPPEN (1846 . Nebulosidade Devido às características de elevada umidade do ar associada com a grande disponibilidade de energia solar anual. respectivamente. embora exista uma certa tendência de. onde os maiores valores coincidem com a passagem deste sistema sobre a Região. a capacidade de campo e a taxa de utilização da umidade do solo para a evapotranspiração passaram a depender da profundidade. a evaporação média anual é elevada e da ordem de 771 mm. a nebulosidade média mensal é elevada durante grande parte do ano. Os meses mais chuvosos e menos chuvosos são março e novembro. consequentemente. sendo que os menores valores ocorrem. valores da temperatura do ar. Entretanto. até um máximo de 83mm. o brilho solar também sofre grandes variações médias mensais nessa Região. principalmente. proporcionadas por diferentes combinações dos processos atmosféricos. Nos meses mais chuvosos a nebulosidade média chega a alcançar valores da ordem de 8/10. Em tais modificações. quando predomina grande nebulosidade. Evaporação Devido a grande disponibilidade de energia. dentre outras. a oscilação média mensal é bem acentuada. com média de 38. oscilando entre 1. produzem. além da vegetação. enquanto que o valor médio anual é de aproximadamente 84%. do tipo e da estrutura do solo. proporcionado pela pequena variação anual da inclinação dos raios solares na Região. que introduziu o balanço hídrico em sua classificação.chuvosa.5mm. uma grande variedade de tipos climáticos. na época menos chuvosa. março e abril. que vai de junho a novembro.0 m/s e 2. na estação chuvosa. Em termos anuais. 2359 . Umidade relativa do ar Por se encontrar em uma faixa de baixas pressões atmosféricas. da ordem de 83%.

8°C. Cremação e Guamá. as variações térmicas ocorridas entre os diferentes bairros da área estudada. variando desde um máximo de 34. que oscilou entre 13:00 e 15:00 horas. bairros tipicamente horizontais e com mínima porcentagem de arborização urbana.2°C no bairro da Marambaia. A segunda campanha foi realizada no mês de fevereiro de 1996. As amplitudes térmicas durante esta campanha sofreram grandes variações. onde a porcentagem de vegetação ainda é bastante elevada. ou seja. Ao contrário do que foi observado em relação às temperaturas médias do ar. Quando considerada a classificação de Thorthwaite. A estação meteorológica de superfície do Instituto Nacional de Meteorologia. basicamente em todos os pontos. na estação menos chuvosa da Região. proporcionam temperaturas máximas mais amenas.50m acima da superfície do solo. apesar das grandes diferenças encontradas na tipologia de uso e ocupação do ambiente urbano. sendo a sua base constituída por uma estrutura móvel. Na realização desta pesquisa a distribuição foi feita de modo que cada bairro apresentasse. pelo menos. apesar da grande atividade antrópica. Quando montado. culminando com valores mínimos por volta das 06:00 horas. ocorrido no bairro do 2360 . com pequena deficiência de água. do tipo Afi. além da segurança dos equipamentos e dos observadores meteorológicos. isto é. com pequena amplitude térmica anual e precipitação média mensal superior a 60 mm.50m de profundidade. ela é classificada como clima muito úmido. até um mínimo de 31.2°C. assim como. essas variaram de um máximo de 25. com a finalidade de aumentar a refletividade da radiação solar. onde realizaram-se observações horárias consecutivas de temperatura do ar utilizando-se para isto termômetros convencionais de mercúrio com precisão de 0. Entretanto. onde a circulação do vento era facilitada.40m de largura e 0.2°C.60m de altura. do tipo B4A’r Dados utilizados Foram realizadas duas campanhas intensivas de coleta de dados. RESULTADOS E DISCUSSÃO Temperatura do ar Durante a primeira campanha experimental. Tais abrigos foram construídos com paredes e portas em veneziana. realizada no período menos chuvoso da Região. a facilidade de operação. até um valor mínimo de 23. 0. verificados nos bairros do Campina. sua altura média era de 1. com o objetivo de se quantificar a intensidade da ilha de calor urbana na cidade de Belém. e por encontrar-se em uma área periférica próxima da área urbana da Belém. A partir desse momento teve início um declínio gradativo. onde realizaram-se as mesmas medidas mencionadas anteriormente. o comportamento padrão para a Região Equatorial. foi considerada como uma estação rural.2°C. ou seja. Em relação às temperaturas mínimas. como já era esperado. medindo 0. A primeira campanha ocorreu no mês de outubro de 1995. Em todas as campanhas experimentais foram utilizados os dados meteorológicos observados na estação meteorológica de superfície do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). os critérios adotados foram a representatividade da área de estudo. Para a seleção dos locais de coleta de dados meteorológicos. sofreu um aumento gradativo desde as primeiras horas da manhã até atingir um máximo. onde a grande porcentagem de arborização urbana associada com a considerável verticalização. estes não apresentaram grandes variações. dependendo das condições meteorológicas predominantes. com fácil desmonte.Segundo Koeppen. verificadas nos bairros do Jurunas e Reduto. a temperatura média horária do ar apresentado. em todos os locais. durante as 24 horas diárias e ao longo de todo o período estudado. e totalmente pintado com tinta branca. Em relação às temperaturas médias diárias. na estação chuvosa da Região. onde a pequena porcentagem de edificações associada com a elevada porcentagem de vegetação contribui para este maior resfriamento. enquanto que os mínimos ocorreram nos locais próximos de área com grande porcentagem de arborização e com pequena atividade antrópica. pelo fato de estar localizada em uma área tipicamente rural. a cidade de Belém pode ser classificada como de clima tropical chuvoso. um local de observação e que esse fosse o mais representativo possível das características gerais daquele bairro.8°C nos bairros de Batista Campos e Nazaré. as temperaturas máximas encontradas nos diversos ambientes urbanos foram consideravelmente distintas. tendo o valor máximo de 11. os maiores valores foram observados nos locais com características de cobertura vegetal deficiente e elevada porcentagem de calçamento e edificações. bairros estes caracterizados por apresentarem mínima porcentagem de arborização urbana e grande atividade antrópicas. além de intensa atividade antrópica. Foram utilizados abrigos meteorológicos de madeira.

os dados analisados foram somente os coincidentes nas duas épocas do ano.7 27.0 24.1 9.6 3.0 24.3 28.8 2.8 8.7 28.0 25.2 7.5 1.1 27.5 12.2 24.6 24.4 2.4 25.2 2. onde a grande porcentagem de edificações elevadas contribuem para a absorção de grande.9 3.0 23.2 9.6 28.9 2.4 24.6 3.0 24.8 7.2 2.6 25. Quanto à amplitude térmica mínima.7 28.7 Amplitude Térmica (°C) 8.4 2.5 1. ao passo que durante as horas noturnas esta energia é facilmente liberada para o espaço.6 9.7 Temperatura mínima do ar (°C) 25.0 25.2 32.4 3.4 8.4 25.5 9.8 29.4 7.6 2.6 10.2 8.2 26.0 10.8 9.8 9.3 25.9 2.8 25.Valores médios diários da temperatura do ar durante a Segunda campanha de coleta de dados Ponto Temperatura média do ar (°C) 27.2 22.3 27.0 3.0 34.0 32. As tabelas 01 e 02 mostram o comportamento sazonal das diversas temperaturas nos diferentes locais de coleta de dados.7 27. TABELA 01 .5 9.4 9.2 24.8 28.6 30.6 9.8 10. esta foi de 6.5 8.1 3.2 3.2 33.4 23.8 34.2 32.9 11.6 6.0 32.6 33.8 5.7 28.8 33. deste modo.8 33.0 34.5 28.6 31.5 11.0 25.8 32.0 27.6 29.4 8.1 Temperatura máxima do ar (°C) 31.5 9.7 6.4 8.1 11.6 5.4 11.8 8. acarretando.0 33.7 6.7 26.2 4.2 23.2 24.8 9.6 24. um grande resfriamento.0 25.8 34.0 24.1 Coeficiente de Variação (%) 10.3 1.0 2.2 28.7 26. para a realização deste trabalho.6 Desvio Padrão (%) 2.4 7.8 30.2 27.4 31.0 24.8 6.Guamá.4 1.2 25. O menor número de coleta de dados durante a campanha realizada no período chuvoso foi devido a problemas de operacionais.0 32.2 1. onde a ausência quase que total de vegetação associado com a característica de construções predominantemente horizontais facilitaram o aquecimento durante as horas diurnas.1 26.3 10.6 33.9 3.9 11.4 32.Valores médios diários da temperatura do ar durante a primeira campanha de coleta de dados Ponto Temperatura média do ar (°C) 28.6 24.0 27.0 25.0 8.4 2.4 01 03 05 08 09 10 12 13 14 15 16 17 Rural 2361 .4 3.8 31.4 8.2 2.1 26.3 2.2 11.7 28.0 7.6 34.8 28. entretanto.0 7.6 10.6 26.4 8.7 28.4 8.2 10.2 2.0 24.2 Desvio Coeficiente de Padrão (%) Variação (%) 2.5 2.6 23.7 Temperatura máxima do ar (°C) 33. A Tabela 03 apresenta as principais características urbanas nas proximidades dos locais de estudo.9 3.8 10.7 6. verificada no bairro de Batista Campos.2 11.7 10.1 8.0 25.7 12.1 26.8 26.0 5.8 7.8 4.8°C.2 33.1 Amplitude Térmica (°C) 6.5 9.0 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 Rural TABELA 02 .3 8.4 27.8 32.2 24.1 12.8 26.2 8.8 34.1 3.9 27.6 31.0 33.5 Temperatura mínima do ar (°C) 25.

0 30.0 2. Nesse horário é marcante a influência da vegetação no sentido de amenizar o aquecimento local.5 35.0°C.0 Edificações (%) Outros (%) 2.0 2. No período das 04:00 às 06:00 horas foram verificadas as menores temperaturas do dia.5 4.0 73.0 8.TABELA 03 . Os valores mínimos foram de 30.5 0.0 78. sendo as mínimas de 23.0 81.0 0.0 5.0 8. começa a ocorrer o primeiro aquecimento nos diferentes bairros.0 15.5 3.5 0. Pontos Asfalto (%) 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 Rural 14.5 5. embora àqueles verticalizados e com grande porcentagem de vegetação apresentem menores aquecimentos. A configuração da distribuição das temperaturas ainda permanece relativamente semelhante à do horário anterior. agora ocorrendo na região central da cidade.0 78.5 3.0 60.0 11.5 0.0 3. É bem caracterizada nesse horário a presença de dois núcleos de temperaturas mais baixas ocorrendo nos bairros mais periféricos.0 64. sendo bem caracterizado a presença de um núcleo de baixas temperaturas localizado em local de grande arborização e verticalização. com o nascer do sol. edificações e vegetação nas proximidades dos locais de observações meteorológicas.0°C enquanto que as máximas alcançaram 34.0 87.5 3.0 8.0 0.0 0. Apesar deste relativo resfriamento.0 3.0 6. As temperaturas mínimas foram de 31. A distribuição espacial é bastante caótica.0 12. e ocorreram em locais com pequena porcentagem de arborização e com edificações predominantemente baixas.5 70. o aquecimento é mais pronunciado.0°C enquanto que os máximos de 32.Distribuição de calçamento.0 0.0°C.0 85. Das 13:00 às 15:00 horas ocorrem os maiores aquecimentos em todos os bairros.0 2.0 73.5 20. Das 16:00 às 18:00 horas.5 15.0 9.0 70. verificadas nos bairros mais periféricos.0°C. sendo as diferenças térmicas relativamente pequenas.5 3.0 3.5 0. os bairros mais verticalizados ainda apresentam temperaturas mínimas superiores aos demais bairros.5 0.0 1. certamente devido a intensificação das atividades urbanas.0 0. a um máximo de 28°C na parte central da cidade.0 1.0 14. Com o 2362 .0 1.0 14. mais urbanizada.5 70.0 1.0 8.0 71. variando entre 24.0 15. enquanto que a região central.0 75. A distribuição espacial da temperatura do ar começa a sofrer modificações.0 Distribuição espacial da temperatura do ar Em relação a distribuição espacial da temperatura do ar. sendo que nos bairros mais urbanizados.0°C encontradas nos bairros periféricos. proporcionando a formação de alguns núcleos de baixas temperaturas.0 0.0 4.0 71. embora seja marcante a importância da estrutura urbana.5 Calçamento Cimento (%) 11.5 0. no período das 01:00 às 03:00 horas as temperaturas apresentaram-se relativamente baixas.5 10.5 16.0 7.5°C ocorreram nos bairros centrais com grande deficiência de arborização. No período das 07:00 às 09:00 horas.5 0.0 2. onde a pequena verticalização associada com a proximidade de grandes massas verdes proporcionam um maior resfriamento noturno. Nesse horário as temperaturas oscilam entre um mínimo de 25.0 3. enquanto que as máximas de 25.0 81.0 1.0 1.0°C. observa-se um grande núcleo de temperaturas mais elevadas.0 12.0 0.0 99.5 Vegetação (%) 1.5 12.0 0.5 3.0 4.0 1.0 9. com os menores valores sendo verificados nos bairros mais periféricos da cidade.0°C e 26.5 91.0 7.0 2.0 2. No período das 10:00 às 12:00 horas verifica-se grande aquecimento em todos os bairros.0 11.5 0.5 2.0 0.5 1.0 12.0 77.0 9.

A configuração espacial da temperatura começa a apresentar um padrão bem definido. Diferenças térmicas sazonais entre ambientes urbanos e rural Na quantificação das variações térmicas entre os diferentes ambientes urbanos em relação ao ambiente rural. e um núcleo central. Observa-se que durante a época menos chuvosa o ambiente urbano foi sempre mais quente que o ambiente rural. com valores de 32. As menores diferenças ocorrem entre as 10:00 e 15:00 horas. foi observado que. sendo que em muitos casos os efeitos da ilha de calor urbana podem ser desprezados. caracterizado pela queda brusca destas diferenças após os horários marcados por precipitações. A configuração espacial das temperaturas é mais intensamente definida nesse horário. onde predomina grande porcentagem de edificações e outros materiais absorventes de energia.5°C. de um modo geral. sendo que o resfriamento é bastante acentuado.5°C. devido a forte incidência dos raios solares em ambos os ambientes. as maiores diferenças ocorreram nos locais com pouca ou nenhuma arborização e com grande porcentagem de edificações e calçamento. com dois núcleos de baixas. alcançando valores máximos de 27.5°C.declínio do sol. onde as temperaturas são relativamente maiores. que normalmente ocorrem após as 14:00 horas local. As figuras 01e 02 mostram exemplos característicos das diferenças térmicas sazonais encontradas entre a área rural e a área urbana no presente estudo.0°C. devido ao efeito do sombreamento. Aqui pode-se verificar a máxima intensidade da ocorrência da “ilha de calor urbana”. sendo as maiores temperaturas verificadas nesses locais. Grandes diferenças podem ser observadas em ambientes urbanos providos de vegetação e edificações elevadas.0 °C mais aquecidos que os bairros periféricos. principalmente nos horários após o por do sol. com máximos valores na área comercial. podem até apresentar valores menores que os verificados nas áreas rurais. em média. De uma maneira geral a intensidade das diferenças térmicas entre ambientes urbanos e rural não ultrapassam 2. este resfriamento se dá de forma consideravelmente mais lenta. localizados na periferia da cidade. principalmente nos bairros mais periféricos. que em muitos casos. com dois núcleos de baixas temperaturas localizados nos bairros mais periféricos.5°C. começa a haver o resfriamento gradativo em todos os bairros. sendo intensificadas as diferenças observadas no horário anterior. Das 22:00 às 24 horas as diferenças térmicas encontradas entre os diversos bairros já tornaram-se relativamente pequenas.0°C.0°C. oscilando em torno de 28. sendo que nos bairros centrais. onde os materiais urbanos absorventes de energia apresentam-se em pequenas proporções. em torno de 29. enquanto que nos bairros periféricos os menores valores são observados. Tais precipitações proporcionam uma redução generalizada das temperaturas em todos os bairros. prolongando-se até cerca de 03 a 04 horas. e oscilando entre 24. e com temperaturas oscilando entre 25. onde o vento relativamente forte também contribui para intensificar o resfriamento noturno.0°C. onde os bairros centrais e mais urbanizados apresentam-se. Quando se trata da época chuvosa. Das 19:00 às 21:00 horas foi verificado um grande resfriamento diferencial. o comportamento das diferenças térmicas entre o ambiente urbano e rural apresenta um padrão bem diferente. sendo que tal diferença chega a valores da ordem de 4. 2363 Tu-r (oC) . e um grande núcleo de maiores temperaturas posicionado ao longo da região central da cidade. Ponto 01 4 3 2 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Hora Local FIGURA 01 – Diferenças térmicas entre área urbana e área rural durante a época menos chuvosa da região. até 4.

devido às precipitações pluviais. ao passo que os menores valores foram verificados nos horários diurnos e em bairros com grande porcentagem de arborização. Em termos médios horários.A 2364 . p. n. uma vez que grandes áreas deixam de ser aquecidas diretamente pela radiação solar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS GOLDREICH. 407-420. que torna a cidade relativamente homogênea em termos térmicos. o que poderia ser alcançado com o aumento gradativo da arborização. e nas áreas muito urbanizadas e deficientes de arborização.5°C). diminuindo deste modo o desconforto térmico da Região. Em relação a quantificação da intensidade da “ilha de calor urbana” na cidade de Belém. CONCLUSÕES Os resultados obtidos durante esta pesquisa mostraram claramente a grande influência da estrutura urbana no comportamento de alguns elementos meteorológicos. 3. tendo apresentado uma tendência dos maiores valores ocorrerem nos horários noturnos.PA. v. Pelo fato da cidade de Belém estar localizada na Região Equatorial. na época menos chuvosa. Y. principalmente na temperatura do ar na cidade de Belém . Outro elemento que apresentou um papel de fundamental importância no sentido de proporcionar também a ocorrência de temperaturas máximas mais amenas no ambiente urbano foram as edificações elevadas. em bairros densamente urbanizados. que estende-se de junho a novembro. na época chuvosa. 26B. sendo que após este horário. onde predominam temperaturas do ar elevadas durante todo o ano. Quanto aos elementos da estrutura urbana que são potencialmente capazes de proporcionar variações meteorológicas significativas. devido ao efeito das precipitações pluviais. foram observadas grandes variações sazonais. torna-se fundamental a implementação de medidas que visem proporcionar um menor aquecimento na área urbana da cidade de Belém.5°C) ocorrido na época menos chuvosa. tanto pública como domiciliar. Atmospheric Environment. as diferenças térmicas verificadas entre os ambientes urbanos e rural tornaram-se praticamente desprezíveis. através do efeito de sombreamento. a sua intensidade foi fortemente diminuída (1. a ridge .Ponto 01 6 5 4 3 2 1 0 -1 1 -2 -3 Tu-r (oC) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Hora Local FIGURA 02 – Diferenças térmicas entre área urbana e área rural durante a época chuvosa da região. a vegetação apresentou um papel fundamental no sentido de amenizar as temperaturas máximas do ar. a ilha de calor urbana sofreu grandes variações em função das características do ambiente urbano estudado. Na época chuvosa os maiores valores ocorreram no período do nascer do sol até aproximadamente 13:00 horas. tendo a sua máxima intensidade (4. ao passo que. Deste modo. Urban climate studies in Johannesburg. um pequeno aumento na temperatura do ar pode proporcionar um grande desconforto térmico. 1992. que vai de dezembro a maio. A sub-Tropical city located on review.

Mexico. Academic Press. 391-396.15-23. 1991. 1992.561-571.2. Scientific American. ZAMPARONI. Aspects of heat-island development in Guadalajara. p.3. A. O. . LOMBARDO.PR. in: Encontro Nacional de Estudos sobre Meio Ambiente. MAITELLI. LANDSBERG. n. Atmospheric v. comunicações. H. 2365 . The urban climate. 1967. P. p.P. 3. W.JAUREGUÍ. New York. E. E. Ilha de calor em Cuiabá-MT: Uma abordagem de clima urbano. n. Londrina-PR. G. G. A.26B.217. M. v. Environment. T. . LOWRY. The climate of cities. p. Londrina . C. 1981.