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Direito Romano I

Eduardo C. Silveira Vita Marchi

Bibliografia

* Moreira Alves, José Carlos - Direito Romano I * Correa, A e Sciacia, Gaetano - Manual de Direito Romano * Marky, Thomas - Curso Elementar de Direito Romano

1. Introdução 1.1. Utilidade do Estudo do Direito Romano Direito Romano: instituto jurídico aplicado por suas soluções práticas Dele deriva o Direito Civil: Obrigações Propriedade Família Sucessões

1.2. Introdução Histórica O Direito Romano é a principal e a mais original contribuição de Roma à humanidade. 1.2.1. Periodização **Período Pré-Clássico Fundação (séc. VII a.C.) até o séc. III a.C. Período marcado pelo rigor e formalismo. O Direito era baseado nos costumes dos povos originais. Pautado na religião e aplicado pelos pontífices. Era baseado em dois sistemas que coexistiam: costumes (Iura) e leis escritas (Legis). É o momento do surgimento da legislação mais importante e a primeira a ser sistematizada: Lei das 12 Tábuas (450 a.C.). Os pontífices eram responsáveis pela divulgação dos dias "fastos" e os dias "nefastos". No final do período os procedimentos jurídicos já são divulgados publicamente (Ius Flavianum).

**Período Clássico Do séc. III a.C. até o séc. II d.C. Rigor e formalismo do período anterior são abrandados. Desenvolvimento da "Jurisprudentia" (prudência do Direito), surgimento do Direito científico. Sistematização e classificação do Direito (influência helênica). Transformação do processo jurídico, libertando-se do rigor préclássico. O magistrado tinha poder de "Imperium", a aplicação do Direito segundo sua interpretação individual. Direito aplicado na prática, no concreto. **Período Pós-Clássico Do séc. III d.C. até o séc. VI d.C. Decadência e obscurantismo. Textos clássicos passam a ser usados como referência; surge um caos na aplicação das normas jurídicas. No final desse período surgem as compilações e codificações gerais. O Imperador Justiniano irá recuperar o Direito Romano Clássico. Criou uma comissão encarregada de compilar os textos do juristas clássicos. Foram criados os livros: Codex - Normas Imperiais (530 d.C) Digesto - Copilação da Jurisprudência (533 d.C) Institutas - Manual Didático (533 d.C) Novelas - Novas Normas Imperiais, especialmente as de Justiniano (565 d.C) Esse conjunto foi batizado de "Corpus Iuris Civilis" ou Código Justiniano

1.2.2. As Fontes do Direito Romano * Fontes de Cognição - informações por meio das quais pode-se conhecer as normas do Direito. * Fontes de Produção - meios pelos quais se criam as normas jurídicas (formas de expressão do Direito). * Fontes de Produção do Direito Romano * Direito Arcaico Costumes ("Mores Maiorum") - tácito consenso de um povo arraigado pela longa reprodução. Opinião geral de que a norma deve ser cumprida. Tinha que ser um hábito antigo (inveterado). Leis ("Leges") - norma escrita e promulgada por um órgão competente. As leis eram votadas em comícios populares, por patrícios e plebeus. As leis também poderiam ser votada em comícios apenas por plebeus ("plebiscita"). As leis podiam ser "Lex Data" (Outorgada) ou "Lex Rogata" (Promulgada). A Lei das 12 Tábuas era uma "Lex Rogata".
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* Direito Clássico Surge, na transição, a "Iurisprudentia", que eram as respostas dos jurisconsultos às consultas formuladas pelos populares. "Edicta" - eram as fórmulas que os magistrados publicavam explicitando como ele procederia na aplicação da lei; o poder de emiti-las era chamado de "Imperium". Constituições Imperiais - Atos de vontade normativa do imperador que passavam a ter força de lei. "Senatusconsulta" - normas e decisões tomadas pelo Senado.

2. Parte Geral 2.1. Conceito de Direito e suas Classificações 2.1.1. Conceito de ius * Sentido Objetivo Sinônimo de Norma / Regra jurídica. Normas de conduta impostas pelos Estado a fim de assegurar a convivência social. Além disso, também têm a disposição de estabelecer as consequências para o caso de transgressão da norma, aplicando uma sanção ** "ius Civile"- ou "ius quiritarium", o Direito Antigo, só aplicável aos cidadãos romanos. ** "ius Gentium" - Direito consuetudinário, com normas aplicáveis a todos, romanos ou não. Direito natural, baseado na regras da natureza, como as relativas ao matrimônio, procriação e educação dos filhos. * Sentido Subjetivo Faculdade de agir concedida pelo Direito. Faculdade concedida a alguém, pelo Direito Objetivo ( ), de exigir certa conduta alheia. O Direito Subjetivo pode ser classificado em:
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** familiares - incluem os direitos relativos ao casamento, ao pátrio poder e à tutela e curatela. ** obrigações *** direitos reais - direitos que conferem um poder absoluto sobre as coisas do mundo externo (Exemplo: o proprietário de um prédio pode exigir o respeito por seu direito sobre ele a todos).

1 A todo princípio do Direito Objetivo correspondia um princípio do Direito Subjetivo. Nos casos de interesse público (homicídio, lesão corporal etc) não havia Direito Subjetivo, na medida em que não havia opção do exercício ou não do direito de alguém.

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1.era o Direito elaborado e introduzido pelos pretores.2.normas que se desviam dos princípios gerais do Direito. mas onde exista interesse público (do Estado). que. das leis. mas onde exista interesse público (do Estado). Aplicação da Norma Jurídica 4 . classifica-se como Direito Público.normas que regulam as relações entre os Estados ou entre o Estado e os indivíduos (particulares). 2. também dos senatus consultos e constituições imperiais. * Direito Dispositivo .normas que estão em conformidade com os princípios gerais do Direito e.*** obrigações . mais tarde. Nos casos de normas que afetem apenas indivíduos.direitos que existem tão-somente entre pessoas determinadas e vinculam uma (devedor) à outra (credor) (Exemplo: o locatário de um prédio só tem direito obrigacional contra a pessoa que o alugou a ele). com base em seu "Imperium" introduzia novidades. c) "Ius Cogens / Dispositivum" * Direito Cogente .2. classifica-se como Direito Congenere. Nos casos de normas que afetem apenas indivíduos. e. * "Ius Honorarium" . coisas e situações.normas de Direito Público que não podem ser modificadas por acordos entre particulares (Exemplo: o valor expresso de uma mercadoria em um contrato de compra e venda).provinham dos costumes. 2. * Direito Privado . Classificação Dogmática a) "Ius Civile / Ius Honorarium" * "Ius Civile" .normas que regulam as relações entre os indivíduos (particulares).normas que podem ser alteradas por particulares (Exemplo: a responsabilidade de uma mercadoria defeituosa em um contrato de compra e venda). portanto. portanto. aplicáveis a todos as pessoas. criava novas regras e modificava as antigas regras do "ius civile". d) "Comune / Singulare" * Direito Comum . dos plebiscitos e. b) "Ius Publicus / Privatum" * Direito Público . * Direito Singular . aplicáveis penas para certas pessoas ou situações (Exemplo: normas sobre o usucapião de coisa furtada). que vão contra a lógica do Direito.

são entidades artificiais que também possuem capacidade de ter direitos e obrigações. A regra jurídica é aplicável a todos e a sua ignorância não isenta ninguém de suas sanções (no caso do Direito Romano isso não era válido para as mulheres. Sua característica fundamental é terem personalidades distintas da de seus componentes. aos soldados em campanha e aos camponeses). É preciso estabelecer o verdadeiro sentido. como no exemplo citado. que lhe seja contrária. ou quando a data de sua entrada em vigor estiver explícita. a interpretação ("Interpretatio") da mesma. Ela deixa de produzir seus efeitos sempre que termina sua vigência. Podem ser de caráter privado ou público. as vezes. lógica. considerar o cidadão romano que caia prisioneiro do inimigo e em seu poder falecia como tendo morrido antes de ser capturado). Sujeitos do Direito São sujeitos do Direito Romano as Pessoas Físicas ( ) e Pessoas Jurídicas 2 2. o Direito vale-se de outros dois instrumentos para a aplicação da norma jurídica: Presunção . 2.3. (Saber a lei não é apenas entender suas palavras. este conhecimento dá-se através das provas permitidas pelo Direito (documentos.é a aceitação como verdadeiro de um fato provável (Exemplo: o filho nascido entre 180 e 300 dias após a convivência conjugal é presumido como legítimo).3. sempre que se tratar de seus interesses. 5 . com sua promulgação. histórica e sistemática que reconstitua a real vontade do legislador.). normalmente. o ente humano vivo. os menores de 25 anos. entra em vigor. Interpretação sintática. Antes da aplicação é preciso uma crítica externa da norma. também chamadas de Pessoas Morais. Pessoa Jurídica As Pessoas Jurídicas. Da mesma forma é preciso o conhecimento dos fatos em discussão no caso concreto. 2. Pessoa Física Pessoa física é o ser vivente. testemunho. Ficção . 2 Pessoa era a entidade que possui Capacidade Jurídica (ou Capacidade de Direito).Para aplicar uma norma é preciso conhece-la e conhecer o fato concerto. ou. perícias etc. Caso a presunção não seja absoluta é aceita a apresentação de prova em contrário. A norma jurídica entra em vigor.1. "Scire leges nom hoc est verba earum tenere.2.é a consideração de um fato inverídico como verdadeiro (Exemplo: considerar como nascido o nascituro. sed vim ac potestatem".3. mas sim conhecer sua força) Entretanto. ou quando outra norma.

um objeto ou um animal. Se um cidadão romano fosse capturado imediatamente seus direitos em Roma ficavam suspensos. Se ele conseguisse libertar-se e voltar ao território romano. Modernamente. é a aptidão para fazer parte de uma relação jurídica. é a aptidão para praticar atos jurídicos. Caso não tivesse. em Roma. 4o Personalidade Civil). o indivíduo precisaria ter a forma humana ("contra forman humanus genere" e não ser "monstrum vel prodigium") no momento no nascimento. readquiria-os em decorrência do "postiliminium" ( ).1. cidadão masculino que possuía a Capacidade de Direito da família. por problemas 4 3 A sociedade romana era baseada no "pater familia". 6 . não ter nenhum ascendente masculino vivo ( ) ("Status Familiae"). Capacidade de Fato.1. seria considerado natimorto. no Direito moderno. Capacidades no Direito Romano Capacidade Jurídica.Condições a) ser livre ("Status Libertatis"). b) ser cidadão romano ("Status Civitatis"): c) ser "sui iuris". era considerado como uma coisa ("res").1.4. isto é. basta o nascimento. ou Capacidade de Exercício de Direitos. As causas da escravidão podem ser divididas em dois grupos: as causas do "ius gentium" e as causas do "ius ciuile". Essa Capacidade difere da Capacidade de Fato.4. ** Causas do "ius gentium" Eram duas formas de tornar-se escravo. celebrar atos (manifestações da vontade que gerem fatos jurídicos) 2.2. 2. a) "Status Libertatis" * Escravidão O escravo não tinha direitos em Roma. Caso morresse em cativeiro. no entanto tinha restrições à sua Capacidade de Fato. Capacidade Jurídica . Era necessário cumprir certas condições. a existência. ou Capacidade de Agir. A mulher que se enquadrasse nos requisitos poderia possuir essa Capacidade. Capacidades Jurídica de Fato ou de Direito Em Roma não bastava o simples nascimento com vida para adquirir a Capacidade Jurídica. 3 Além das anteriores. quer do lado ativo ou do lado passivo das obrigações. art. Alguns autores ainda relacionam uma quinta exigência: o recém-nascido precisaria ser viável. que fosse independente de pátrio poder. ter "vitalidade". No caso do Direto Brasileiro essa idade é de 21 anos. por pressuposição. no Direito moderno. Os requisitos para essa Capacidade são a idade e o pleno desenvolvimento mental.4. a partir dessa modalidade do Direito romano: pela captura e pelo nascimento. para adquirir a Capacidade Jurídica de Gozo (no Código Civil.

As forma de manumissão variaram durante a história de Roma. onde o magistrado tocava ritualmente o escravo com uma pequena vara. Normalmente o liberto tinha algumas restrições. O liberto. através da ficção do "postiliminium". e) o ladrão preso em flagrante. ou nascera escravo e obtivera alforria. 7 . A manumissão pelas modalidades do "ius ciuile" fazia com que o escravo estrangeiro adquirisse a cidadania romana. tornara-se escravo e reconquistara a liberdade.realizada através de um simulacro de um processo jurídico. * Liberdade No Direito Romano havia duas espécie de pessoas livres: o ingênuo e o liberto. como cidadão livre. portanto era como se seus direitos nunca houvessem deixado de existir. ou se fora havia adquirido sua liberdade retroativamente. que reduziam sua capacidade jurídica frente a seu patrono (antigo senhor). Por seu lado.quando a libertação do escravo era dada quando seu senhor. O filho de uma escrava no momento do nascimento. * "manumissio testamento" . ou nascera livre. a munumissão do "ius honorario" mantinha a condição do escravo liberto como a de estrangeiro. convocado. isto é. as mais importantes foram: * "manumissio uindicta" . b) o que. ** Causas do "ius ciuile" No Direito Romano pré-clássico: a) aquele que não prestava declarações ao censo. Isso foi alterado durante a evolução do Direito romano. f) o devedor insolvente. 4 "Postiliminium" . A manumissão é o ato de libertação do escrevo pelo seu senhor. Ingênuo era aquele que nunca tinha sido escravo em sua vida. caso a mãe em algum momento da gravidez tivesse sido livre. consideraria o nascido como livre. Quanto ao nascimento. seria escravo. Um escravo poderia ser libertado por manumissão ("manumissio") ou por disposição de lei. a condição da mãe determinava a condição do filho. ainda que o pai fosse um homem livre. * 'manumissio censu". dando-lhe liberdade. ao morrer. considerava-se a ficção que ele tivesse morrido durante a captura. contudo.com herança. concedia-lhe a manumissão através de seu testamento. e g) o "filius familia" vendido por seu "pater familias".ficção pela qual o escravo que conseguiu evadir-se do cativeiro era considerado como se nunca tivesse sido escravizado. c) o desertor. d) aquele que fosse entregue a nação estrangeira que ele tivesse ofendido.quando o dono autorizava o escravo a se incluído nas listas do recenseamento. não se apresentava ao Exército.

1.4.habitantes do Lácio.capacidade de fazer testamento e de ser herdeiro.habitantes de colonias recentes. exceto de Roma. ** "latinus priscus" .capacidade de votar nos comícios.b) "Status Civitatis" * "Civis" . * "Alieni Iuris" . 8 . c) "Status Familiae" * "Sui Iuris" . perdia os três status (liberdade. ** "ius honorium" . ** "latinus juniarus" .(de Direito seu) "pater familias" e mulheres não vinculadas a um "pater familias". Estavam sujeitos apenas ao "ius gentium".(de Direito dos outros) submetido ao patrio poder de um "pater familias".capacidade de realizar atos patrimoniais. ** "dediticio" . direitos comuns aos romanos e aos estrangeiros. * "Latinus" . Não podia ter patrimônio próprio.estrangeiros. Capitis Deminutio Alteração em um dos três status de cidadania. Habitantes de regiões dominadas que mantinham suas cidades e suas regras jurídicas intactas. ** "ius suffragii" . ** "ius conubii" . ** "alicuius civitatis" . cidadania. ** "latinus coloniarus" .2. tinha limitação patrimonial. que por resistirem à dominação. tiveram suas cidades e suas estruturas jurídicas destruidas. ** "testamenti factio" .escravos libertos pelos modos dos "ius honorarium". Possuía: ** "ius commerce" . 2. * "Peregrinus" . ** "ius action" .regiam-se pelo "ius gentium".capacidade de ser eleito para um cargo da magistratura.capacidade de ser parte em um processo.capacidade de constituir família legalmente.habitantes das colonias antigas. e por suas regras próprias.estrangeiros propriamente ditos que estavam subordinados ao Império Romano. A Capacidade de Direito vai regredindo conforme a classificação vai aumentando. plena Capacidade Jurídica de Direito.cidadão romano.tornar-se escravo. * "capitis deminutio maximum" . família). nem fazer testamento.

total capacidade de fato.entre sete anos e a puberdade. Curador era o representante dos incapazes. a "Lex Laetoria" estabeleceu que os menores de 25 anos poderiam requerer a nulidade de atos jurídicos que o tivessem lesado. Capacidade de Fato Capacidade para agir em nome próprio em uma relação jurídica. Dependia da idade. ** "Infantia maiores". 5 Esse representante poderia ser um tutor ou um curador. era considerado parcialmente incapaz. Tutor era o representante dos incapazes que tivessem uma incapacidade natural (idade ou sexo). Podiam praticar atos jurídicos que não lesassem seu patrimônio. eram parcialmente capazes.* "capitis deminutio medium" . que não os prejudicassem. nos outros casos. b) Sexo As mulheres eram relativamente incapazes. 2. e não podia participar de atos solenes na qualidade de testemunha. a) Idade * Inpúbere .mulheres menores de 12 anos e homens menores de 14 anos: ** Infante . caso não tivesses a assessoria de um representante. Além disso outras causas podiam restringir a Capacidade Jurídica de Gozo. ou semi-incapazes..C. Eram incapazes para atos que provocassem uma redução de seu patrimônio.naturalizar-se ou sofrer o exílio.menores de sete anos. perdia dois status (cidadania. As mulheres não tinham capacidade para direitos públicos e sofriam restrições quanto ao direito privado. eram absolutamente incapazes.adoção. perdia um status (família). nem à tutela. necessitando um curador. 5 * Púbere . 9 . No século II a.2. necessitando de um curador. * "capitis deminutio minimum" . Nos atos potencialmente prejudiciais era necessária a anuência de um representante ( ). ou de sua família. do sexo. família). c) Sanidade Mental Os loucos de todo o gênero eram totalmente incapazes. d) Prodigalidade Aquele que dilapidasse seu patrimônio. da sanidade mental e da prodigalidade. A mulher não tinha direito ao pátrio poder. Seus atos necessitavam a representação de um tutor.4. No Direito pós-clássico havia a exigência que o menor de 25 anos tivesse sempre a assistência do representante.

em sua massa.5. coisas que não podem ser apropriadas pelos particulares em sua totalidade. *** "Res religiosae" Coisas destinadas ao culto dos deuses inferiores (proteção aos mortos "manes"): túmulos e objetos enterrados com os mortos. *** "Res sanctae" Coisas colocadas em favor doas divindades para a proteção das cidades e de seus logradouros. um animal etc. o mar etc. por serem destinadas ao uso público: ruas. b) Coisas corpóreas e não corpóreas * Coisas corpóreas . ** "Res humani iuris" Coisas colocadas fora de comercialização por necessidades de natureza humana. Objetos de Direito (coisas ou bens) Objetos de Direito. Buscam satisfazer as necessidades humanas na órbita do Direito. 10 . não podem fazer parte do patrimônio de particulares.2. isto é. coisas que podem ser percebidas pelo sentidos: um livro. praças etc. coisas. a) Coisas comercializáveis e não comercializáveis * "Res in commercio" São aquelas que podem ser adquiridas por particulares * "Res extra commercio" Coisas que por sua natureza. por pertencerem à natureza: o ar. *** "Res publicae" Coisas pertencentes ao Estado. ** "Res divini iuris" Coisas assim classificadas por terem funções religiosas *** "Res sacrae" Coisas destinadas ao culto dos deuses superiores: templos etc. são entidades com valor econômico que podem ser objeto de relações jurídicas. *** "Res communes omnius" Coisas comuns a todos os homens. ou destinação.aquelas que se apresentam como entidades concretas.

Ocorria nas coisas de menor valor. * Coisa indivisível . natural ou artificial (Exemplos: um terreno). cujas características impedem que sejam substituídas por outras do mesmo gênero (Exemplo: um quadro. Para os romanos todos os direitos. * Coisa infungível .). direito sobre patentes etc. 6 Alienar . um animal etc). * Coisas divisível .coisas para cuja alienação ( ) era necessário um ato solene.Coisas que eram alienadas pelo simples ato da "traditio. um edifício etc). burros) e as servidões prediais de aqueduto e de passagem. comodato etc. formal.aquelas especificamente consideradas.aquelas que não podem ser trocadas e que só podem ser tocadas e percebidas pelo intelecto (no Direito moderno: direitos autorais. e) Coisas consumível e inconsumível * Coisas consumível . concreta.aquelas que cada parte perde seu valor proporcional ao todo (Exemplo: um quadro.). metal etc.). 7 d) Coisas fungíveis e não fungíveis (não-fungível) * Coisas fungíveis . f) Coisas simples.tornar algo alheio. Estavam nessa categoria os imóveis.). vacas. de um bem a outrem. os animais de tiro e carga (cavalos.são aquelas que podem ser usadas apenas uma vez (Exemplos: comida.são aquelas que podem ser divididas sem que cada uma das partes perca seu valor proporcional ao todo (Exemplos: arroz. bebida etc. c) "Res mancipi" e "Res nec mancipi" * "Res mancipi" ..* Coisas incorpóreas . uma estátua etc.aquelas que permitem um uso repetido sem que sejam destruidas. * Coisa composta . estavam nessa categoria. de "mancipatio". de outrem. 7 Tradição era a transferência material. qualidade e quantidade.). conservando sua utilidade econômica-social (Exemplo: um quadro. todas as situações jurídicas. os escravos. 6 * "Res nec mancipi" .). são aquelas que a individualidade de cada unidade não tem relevância jurídica (Exemplos: arroz. ocorriam nas coisas de maior valor econômico-social em uma economia agrícola.aquelas que são formadas pela união artificial de várias partes (Exemplo: um carro. da tradição ( ). um terreno etc. composta e coletiva (ou universal) * Coisas simples . Poderia ser por venda.são aquelas substituíveis por outras do mesmo gênero. uma estátua.são aquelas que representam uma unidade orgânica. * Coisa inconsumível . um vestido etc. 11 . e) Coisas divisível e indivisível O conceito de divisível está ligado ao valor econômico da coisa. farinha.

* Extinção de direitos ou * Modificação de direitos Ato Jurídico . úteis (uma pintura nova) ou voluptuária (uma piscina). só juridicamente ligadas entre sí (Exemplo: um rebanho. * Coisa acessória . que. 12 . instrumentos de trabalho agrícola etc). ou descobrir um terreno em propriedade alheia). 8 O Ato Jurídico pode dividir-se em Ato Material e Negócio Jurídico. g) Coisas principal e acessória * Coisas principal . 2. o ato jurídico ilícito não se classifica como ato jurídico. No entanto. construções. Já o Negócio Jurídico existe uma expressa declaração de vontade. lícito ou ilícito. h) Fruto * Frutos são coisas novas produzidas natural e periodicamente por uma outra.6. As rendas obtidas com a locação e arrendamento de coisas também são frutos enquanto fizer parte da coisa frugífera não têm individualidade própria.6.eventos involuntários (naturais) ou voluntários.é o fato jurídico voluntário lícito ( ). seguem sempre a sorte da coisa principal (Exemplo: árvores de um terreno. i) Benfeitoria * Benfeitorias são gastos com coisas acessórias ou pertenças à coisa principal. Podem ser: necessárias (um telhado novo). ele é desprovido de uma declaração expressa de vontade (Exemplos: construir uma casa em terreno alheio.aquelas que estão ligadas a uma coisa principal. dirigida a um fim prático no mundo do Direito (Exemplos: contratos. Classificação dos Atos Jurídicos 8 Para a doutrina brasileira. uma biblioteca etc). se chama de frugífera. Nos Atos Materiais apesar de ser um ato voluntário. testamentos etc) 2. Essas consequências podem ser: * Aquisição de direitos.* Coisa coletiva ou universal .o exemplo é um terreno.abrangem um aglomerado de coisas simples.1. É uma manifestação de vontade que gera consequências jurídicas. alguns autores entendem o ato jurídico como fato jurídico voluntário. por isso mesmo. que gerem consequências jurídicas. Atos Jurídicos Fato Jurídico . seguindo assim a sorte da coisa principal. para melhorar e aumentar a utilidade desta.

a) Quanto à sua formação * unilateral .atos onde para cada uma das partes implica em vantagens e desvantagens (Exemplo: contratos de compra e venda. * abstratos .aqueles cuja causa não pode ser identificada (Exemplo: títulos ao portador. 2. c) quanto à causa * causais . onde a vantagem é obter o dinheiro e a desvantagem é ter que livrar-se do bem). * informais ou não solenes .para que um ato exista é preciso ter uma parte (ato unilateral.aquele para cuja formação são necessárias a expressão da vontade de duas ou mais pessoas (Exemplo: qualquer contrato). que após sua circulação em várias mãos não se conhece mais a sua causa inicial). * bilateral .são os atos jurídicos cujos efeitos só ocorrem após a morte daquele que expressa a vontade (Exemplo: testamento).aqueles cuja manifestação de vontade não exige uma solenidade jurídica (Exemplo: a compra de um bem de pequeno valor que se concretiza com a simples tradição do bem. poder ser identificada. 13 .cuja manifestação de vontade deve revestir-se necessariamente de solenidade prevista na lei (Exemplo: compra de um imóvel e seu registro no Cartório). manifestação de vontade e objeto. entre os vivos (Exemplo: qualquer contrato). b) quanto à forma * formais ou solenes . ou partes (ato bilateral). ou cessam. função econômico-social. Conteúdo dos Atos Jurídicos Os elementos de um ato jurídico podem ser essenciais.para o qual basta a vontade expressa de uma só pessoa (Exemplo: testamento). * gratuitos . d) quanto à produção e cessação dos efeitos jurídicos * "inter vivos" .atos nos quais as vantagens não implicam em nenhuma desvantagem (Exemplo: doação).6. Poderia dividir-se em: * essenciais quanto à existência .aqueles cuja causa. naturais ou acidentais a) Elementos Essenciais Eram aqueles sem os quais não existe o ato. e) quanto às vantagens e desvantagens * onerosos . qualificando o ato (Exemplo: contratos de compra e venda). * "mortis causa" .são os atos jurídicos cujos efeitos se produzem.2.

o ato jurídico pode ser nulo (sem efeito jurídico) ou anulável (pode ser tornado sem efeito. determinado ou determinável. Com relação a isso. Torna o ato anulável.faz com que os efeitos fiquem suspensos até o momento da verificação do evento. 2. b) Erro 14 .simulação de um ato e a realização de um ato dissimulado. * acidentais de modo ou encargo . O Direito pós-clássico criou formas de constranger o beneficiário que não realizasse o ato pedido.faz com que os efeitos existam desde o princípio. possível. Podem ser: * acidentais quanto à condição . Vícios dos Atos Jurídicos Vício do ato jurídico existe quando há discrepância entre a vontade interna e a sua manifestação.simulação de um ato que ambas as partes não desejam realmente praticar * relativa . b) Elementos Naturais Aqueles que naturalmente fazem parte do negócio. * acidentais de termo .para que o ato jurídico produza seus efeitos é necessário que exista a capacidade de fato e a de direito e legitimidade da parte.6. ou das partes.* essenciais quanto à validade . sem a possibilidade de frustração. Também pode ser um termo suspensivo ou um termo resolutivo. mas persistem seus efeitos anteriores). O objeto precisa ser lícito.O Direito Romano só conheceu o ato nulo.cláusula ou elementos acidental que faz depender a produção dos efeitos da verificação de um evento futuro e incerto.cláusula ou elemento acidentais de um ato que faz depender a produção dos efeitos da verificação de um evento futuro e certo. Existe a certeza.3. c) Elementos Acidentais Elementos que podem ou não fazer parte do ato jurídico. ** acidentais de condição resolutiva . mas as partes podem afastar de comum acordo.cláusula ou elemento acidental de um ato pelo qual o autor de uma liberalidade pede ao destinatário da mesma uma ação em contrapartida. * absoluta . A data é que pode ser fixada ou não. o anulável só foi introduzido no Direito recente. ** acidentais de condição suspensiva . Os vícios podem ser: a) Simulação Quando ambas as partes simulam uma manifestação de vontade que não existe. oculto. mas verificando-se o evento os efeitos cessem. É necessário que a manifestação de vontade esteja isenta de vícios.

pela atuação do pretor. é a pequena dose de malícia que existe em qualquer negócio. com a obrigação de prestar contar ao representado (Exemplo: a atuação dos tutores e curadores).não anulava o ato. * "dolus bonus" . Todas as consequências e obrigações recaem sobre o representado. física ou psíquica. 2.quando a divergência recai na identidade física do objeto (Exemplo: comprar o lote 12 de um terreno pensando estar comprado o 13).o representante age em seu próprio nome. por exemplo. Direitos Reais 3. * erro de objeto . Representação nos Atos Jurídicos Não existia no Direito Romano. Conceito 15 .Divergência entre a vontade interna e sua manifestação. pode ou não anular o ato jurídico.6.1. 3. O ato jurídico também poderia ser nulo por outras causas.o representante age imediatamente em nome do representado.divergência quanto à identidade de uma das partes essenciais ao ato (Exemplo: comprar algo de quem não é realmente seu proprietário). c) Dolo Quando uma das partes faz a outra incidir em um erro através de um comportamento maliciosos. ir contra a moral e os bons costumes.quando recai sobre a qualidade essencial do objeto (Exemplo: comprar uma peça de cobre pensando estar comprado uma de ouro). No Direito Moderno pode ser: * Imediata . Reconhecido apenas pelo "Ius Honorarium. Contra essa parte cabia uma ação penal. d) Coação Quando uma das partes exerce algum tipo de pressão.4. * erro quanto ao negócio . * erro de pessoa . * erro de substância .discrepância no que se refere à essência do ato (Exemplo: vender uma casa pensado estar alugando-a). Quando o erro recai sobre uma elemento não essencial do ato ele não era anulado. Os erros que o anulam são: Era reconhecido expressamente pelo "Ius Civile". ilegal sobre a outra parte. * Mediata . * "dolus malus". é a ação maliciosamente grave para enganar a outra parte.anulava o ato.

1. a posse dividia-se entre relações objetivas e subjetivas do indivíduo com a coisa. como no caso do usucapião. Diferia dos Direitos Pessoais. hipoteca. uma vez que eram válidos "erga omnes". direito sobre a coisa. diferentemente dos Direitos Obrigacionais. Assim. Os Direitos Reais. usufruto. eram limitados pelo ordenamento.podiam ser: servidões.Direito Real é o Direito das coisas. "potestas".2. que era a capacidade de perseguir a coisa contra quem quer que a tivesse tomado injustamente. eram exercidos impondo uma obrigação passiva universal ("erga omnes").penhor. ter a possibilidade de usa-la. Posse Posse ("possessio") era o poder de fato sobre uma coisa. pois. e d) outorgavam ao titular o direito de seqüela. "actiones in rem" contra quem quer que tivesse turbado do Direito do titular. Eram características dos Direitos Reais: 9 10 a) atribuiam ao titular do Direito um poder. b) eram Direitos absolutos que impunham a todos a obrigação de abster-se na relação do indivíduo com a coisa. Assim: Posse seria a união da capacidade de usar a coisa com a intenção de tê-la para si 9 Os Direitos Reais.era quando os Direitos Reais eram passados do proprietário para outra pessoa. "Animus" seria o "animus domini". mas sim ter disponibilidade sobre a coisa. * de gozo . uso (todas do Direito arcaico). Era aquele que se exercia diretamente sobre elas. a posse era adquirida com "corpore et anima". enfiteuse. 3. ter a intenção de ter a coisa para si. todos precisam saber quais eram eles.1. que eram independentes da vontade ( ). A posse relacionava-se com a propriedade na medida em que a primeira poderia fazer com que surjisse a segunda. no qual as características apresentavam-se claramente. c) eram protegidos por ações reais. * de garantia . superfície (Direito clássico). Classificação dos Direitos Reais Os Direitos Reais classificavam-se em: a) Propriedade . que eram exercidos sobre pessoas ( ). ou Direito das Obrigações. b) Direitos sobre coisas alheias . 10 Diz-se que um Direito é independente da vontade quando ele não pode ser tipificado pelos indivíduos segundo suas vontades.Direito Real pleno. No século XIX. Savigny deu uma definição moderna de posse: "corpore" não significava necessariamente uma relação de proximidade com a coisa. 3. Segundo análises dos trabalhos dos juristas romanos. Diferia da propriedade que era um poder de direito sobre uma coisa. 16 .

não gerando efeitos jurídicos e sem proteção (Exemplos: a locação. proibindo a ação de outrem sobre a relação de posse. ou não viciosa.quando o proprietário cede a posse. avaliado objetivamente pela lei. O "ius honorarium" considerava a posse de duas formas: a) justa . 3.presença do "corpus" + "animus". Poderia-se fazer uma distinção entre posse e detenção: * Posse . Valia por um ano e verificava.obtida através da violência. o possuidor retomava-a. desde que justa. a lei era quem determina que tinha e quem não tinha "animus". mas seu exercício era perturbado.apenas a presença do "corpus". Cabia para as coisas imóveis e tinha a validade de um ano. exceto contra o verdadeiro proprietário.adquirida através de um vício. do "ius honorarium". nesse intervalo. A posse tinha dois efeitos práticos concretos: aquisição de propriedade por usucapião e a requisição dos interditos possessórios de reintegração (contra o esbulho) e a de manutenção (contra a turbação). 3. não tratando da questão da propriedade. Os interditos referiam-se exclusivamente à posse. que poderiam ser: * "vi" . * "clam" . Protegiam a posse do Esbulho.1. a outrem. quando a posse era tomada. A posse viciosa é protegida pelos interditos contra todos.O "animus" era o elemento subjetivo. era protegida por intermédio dos interditos ("interdictum") frutos da ação do pretor. Interditos Possessórios Os interditos possessórios podiam ser de dois tipos: a) Interditos Proibitórios * "uti possidetis" . a título precário.tinha caráter dúplice. do direito. caso a posse fosse perdida. o comodato. ou * "precário". 17 . gerando efeitos jurídicos e tendo proteção jurídica. e da Turbação. * "utrubi" . Proteção Possesória A posse. e b) viciosa . quando a posse não é tomada. ou Restitutórios.. quem ficou com mais tempo com a coisa. isto é.2. * Detenção . Poderiam ser: Proibitórios. ao fato. visando a manutenção da mesma.2.válido para as coisas moveis.2. valendo tanto para a turbação como contra o esbulho. o depósito).obtida clandestinamente.

Com o Direito Justinianeu essas diferentes concepções foram fundidas em uma só. sobre uma coisa só poderia existir um Direito de propriedade. etc.3. fruir e dispor ( ) sobre a coisa ("ius utendi. Era o Direito de usar. para vender.valer-se das características da coisa. Tinha como característica a elasticidade da propriedade ( ).1.1.obter os frutos proporcionados pela coisa.1. isto é. Dispor . * "de precario". Propriedade 3. c) propriedade peregrina Garantia aos estrangeiros a posse de coisas "res mancipi".ter total disposição sobre a coisa.b) Interditos Restitutórios * "unde vi" . na prática.3. apresentando várias significações: a) propriedade quiritária Aquela referente aos cidadãos romanos. 11 Usar . 12 Elasticidade da Propriedade .era a capacidade que a propriedade tinha de. Essas e outras formas faziam com que. o Direito de propriedade fosse realizado efetivamente. assim como todas as outras causas de distinção.usado para obter a posse perdida por meio da precariedade. 18 . Era um poder absoluto que impõe "erga omnes" seu respeito. O Conceito autônomo de propriedade surgiu no Direito clássico. Desapareceramm as distinções entre os cidadãos e os estrangeiros.3. Representava tudo aquilo que estivesse sob "potestas" de um "pater familias". arrendar. 3. Conceito O Direito de propriedade era a capacidade dada a alguém de exercer um poder absoluto sobre uma coisa. Evolução do Conceito No Direito Romano antigo não havia o conceito de propriedade. fruendi et abuteri rem suam"). dar. apesar de não poderem realizar a cerimônia formal de transição. Era ligada ao princípios do "ius quritarium" na medida que sua aquisição se dava através do "mancipatio" ou do usucapião. restritos aos cidadãos. 11 12 3. recuperar sua integralidade. a que era fruto de uma ação reivindicatória. A propriedade também era um poder exclusivo. dar em comodato. após a cessação de uma limitação ao seu exercício pleno. tinha a validade de um ano. também tinha a validade de um ano. Fruir . b) propriedade pretoriana Quando o cidadão romano comprava uma coisa "res mancipi" sem a realização do "mancipatio". O Direito do proprietário era garantido pelo pretor.usado para obter a posse perdida por meios violentos.

13 a um Direito que. essas imissões poderiam ser materiais ou imateriais (mau cheiro. sem acesso a uma via pública. mas que prejudicavam os vizinhos. podiam exigir dos proprietários dos terrenos encravantes passagem forçada por seus imóveis.3. ruído. proprietário da árvore. isso garantia melhor iluminação. Os textos romanos determinavam que "as águas deveriam correr naturalmente" ("naturaliter"). Limitações à Propriedade Limitações ao Direito de propriedade eram as restrições impostas por lei tese. Também havia a limitação de altura dos imóveis em 70 pés (época de Augusto). Eram limitações legais: a) distância legal Os proprietários rurais precisavam manter uma distância de no mínimo cinco pés ("limines") de seu vizinho para garantir a circulação. 19 . dia sim. Já no fosse gradativamente da função social da d) imissões (invasões) Era o critério geral nas relações de vizinhança. colhesse os frutos caídos. f) passagem forçada Os proprietários de terrenos encravados. que eram terminantemente proibidos. calor etc). dia não. b) luz e panorama Regulamentava a abertura de janelas para as propriedades vizinhas e a fixação de distâncias mínimas entre paredes dos vizinhos. Os problemas advindos de questões desse tipo geraram os "atos emulativos" ( ). ou o equivalente a cinco andares. 13 Atos emulativos . o desenvolvimento social fez com que esse Direito limitado.C. desde que não realizasse imissões em terrenos dos vizinhos. fumaça.eram atos que podem ou não trazer benefícios para o proprietário. em à propriedade.2. Os proprietários não podiam fazer obras que aumentasse ou diminuíssem o volume de água para seus vizinhos. sempre que surgisse um interesse social maior. a descoberta de minérios permitia que um indivíduo explorasse terreno alheio. O princípio propriedade surgiu nesse período. desde que pagasse uma taxa. O proprietário poderia servir-se da coisa como lhe aprouvese. da mesma maneira. seria absoluto. ventilação e segurança nas grandes cidades. g) mineração Segundo uma texto legal dos século IV a. por exigências agrícolas.3. e) árvores limítrofes O Direito Romano entendia que. No Direito Romano arcaico não havia limitações período clássico. o proprietário de um imóvel que em seu vizinho tivesse uma árvore limítrofe teria que tolerar os ramos acima de 15 pés. c) regime das águas Referia-se à utilização das águas dos rio e manaciais.. teria que aceitar que seu vizinho.

3. como por exemplo no usufruto. sendo classificados como: 3. cujo o dono não fosse conhecido. d) Ocupação Aquisição de propriedade de modo originário. b) Especificação Aquisição de propriedade de modo originário onde o indivíduo construía uma obra de arte. Para o Direito Romano. apropriação de bens do inimigo. na enfiteuse etc.3. Caso o especificador tivesse agido de má fé. apropriação de coisas abandonadas etc). se o inventor não fosse o dono do local onde a coisa foi descoberta ele deveria dividir com o proprietário o valor do bem encontrado. Também alguém que não fosse o proprietário da coisa poderia adquirir o fruto. baseado na posse das coisas sem dono ("res nullius") bastando apenas a posse da coisa (Exemplos: caça e pesca. cada uma das suas partes não poderia retornar a seus estados anteriores.h) terrenos ribeirinhos Os terrenos sobre os quais passassem cursos de água navegáveis obrigavam que seus proprietários tolerassem a navegação. de maneira que. com material do qual não fosse proprietário. O inventor perderia o direito ao bem caso tivesse trabalhado para o proprietário procurando esse mesmo bem.3. a obra especificada ficaria com o proprietário. c) Invenção Aquisição de propriedade de modo originário de algo que estava oculto a muito tempo. caso contrário (uma estátua de um bloco de mármore). Coisa principal era aquela que tenha a mesma finalidade econômico- 20 . que pode nem existir. que deveria indenizar o proprietário no valor da matéria-prima. e) União de coisas (Acessão) Aquisição de propriedade de modo originário pela união de coisa dita acessória à coisa principal. Ela voltava ao proprietário caso a obra especificada pudesse retornar à situação anterior (fusão de uma estátua de bronze). que não se aplicava a coisas imóveis.3. Essa aquisição poderia ser feita de vários modos. caso separado o produto da união. inexistindo qualquer relação entre ele e o proprietário anterior. ou tivesse agido contra a vontade do mesmo. Aquisição da Propriedade Eram os fatos jurídicos aos quais o ordenamento jurídico atribuiam o efeito de gerar a transferência da propriedade. a) Aquisição de Frutos Aquisição de propriedade de modo originário onde o proprietário de coisa frugífera adquiria a propriedade dos frutos. a obra especificada ficaria com o especificador. a pesca e todos os trabalhos oriundos dessas atividades.1 Modos Originários de Aquisição Eram aquele que tinham por base uma relação imediata do adquirente com a coisa. por exemplo.3.

21 . isto é. Leito Abandonado . que se junta a outras terras. a) "Macipatio" Aquisição de propriedade de modo derivado usado para a aquisição de "res mancipi".3. Usucapião O Usucapião ("Usus capere". Chamava-se derivada porque o Direito do adquirente derivava do Direito do antigo proprietário. O proprietário da coisa acessória tinha direito a uma indenização. as causas. Poderia ser: simbólica.é quando surgem por sedimentação terras no meio de leitos de rios.coisa suscetível de aquisição quiritária. avulsão. ilha surgida ( ) ).3. o alienante.3. O pretor concedia o direito de propriedade também simulando um ato jurídico. onde a posse prolongada. acrescentando terreno. aquele que tinham por base uma relação jurídica entre o adquirente e o proprietário anterior. Nos modos derivados aplicava-se o princípio: ninguém pode transferir a outrem mais direitos do que tenha ("Nemo plus iuris ad alium transferre potest. "brevi manu".desgarramento de um bloco de terra junto a um rio. quando o alienante continua a usar a coisa. Era um ato jurídico abstrato e formal originado na fase arcaica do Direito Romano. Ilha Surgida . 14 3.depósito de terra nas margens de um rio. homologando as vontades das partes. perdendo posteriormente o caráter exclusivo de compra e venda. leito abandonado. o leito de um rio fica exposto.social da coisa final resultante. No Direito Romano era a aquisição de propriedade para o caso e um vício inerente ao ato jurídico.quando. quando o bem já estava sob a posse do adquirente. (Exemplos: aluvião. sem oposição do proprietário. gerava a propriedade quiritária. não bastando simplesmente a transferência da coisa. não importando para o ato os motivos. c) "Traditio" Aquisição de propriedade de modo derivado que era a simples entrega do bem ao adquirente. Era causal. No Direito Romano Clássico eram requisitos do usucapião: a) "res in commercio" .3. aquela restrita aos cidadãos romanos. 3. Era usada tanto para "res mancipi" quanto para "res nec mancipi". mesmo após a transferência do direito de propriedade. Era usada tanto para "res mancipi" quanto para "res nec mancipi". não cabendo essa classificação para coisas obtidas de maneira ilícita. quando o bem estava distante. sendo apenas indicado.2 Modos Derivados de Aquisição Era.3. quam ipsis haberet"). passando a ser usada para todas as transações de bens de grande importância economico-social. sem qualquer outra formalidade. devido às secas.4.3.1. Avulsão . 14 Aluvião . b) "In iure cessio" (Cessão em juízo) Aquisição de propriedade de modo derivado que era usada quando alguém queria vender algo a outrem e o adquirente simulava um ato reivindicatório sobre a coisa alienada. que "per si" justificaria a aquisição da propriedade caso não existisse o vício. quando algo era entregue no lugar da coisa. Modos Especiais de Aquisição da Propriedade 3. da transação. "longa manu". era necessária também a causa da transferência.captar pelo uso) era uma forma especial de aquisição da propriedade. e "constitutum possessorium".3.

ou condôminos ("socii").3.dois anos para coisa imóvel e um ano para outros bens. doação etc).ato jurídico que era a base da pretensão. d) justo título . Proteção à Propriedade Os meios processuais para a proteção do Direito de Propriedade eram: a) Ação Reivindicatória ("Rei Vindicatio") Meio processual de defesa contra a perda do direito em sua totalidade. Defesa contra a perda do Direito de Propriedade em sua totalidade.3. No Direito Romano Clássico esse prazo foi alterado para dez e três anos respectivamente. hipotecar. esse prazo subia para 20 anos para as coisas imóveis.consciência de não estar lesando o direito alheio. e e) boa fé .4. feitas também em boa-fé. quando a posse passava de uma pessoa para outra esta poderia somar os dois tempos para fins de usucapião ("acessio temporis"). quando surgia independentemente da vontade das partes . A Co-Propriedade. Co-Propriedade ou Condomínio A Co-Propriedade ("Communio") era uma espécie de comunhão jurídica que se apresenta quando a mesma coisa fosse de propriedade de uma pluralidade de pessoas. 3. o possuidor. Quando a propriedade era restituída a seu proprietário. c) prazo . cada um dos condôminos poderia alienar. Com relação à cota ideal. 3. as voluptuárias não eram reembolsadas. Era uma ação requerida pelo proprietário destituído da posse e a ele cabia o ônus da prova. quando desejada pelas partes. no caso das partes residirem na mesma localidade. uma vez que ninguém podia tranferir mais direitos que tivesse. que seria válido caso não fosse o vício no modo (Exemplo: compra e venda. 22 . quanto à causa que a determina. deveriam ser restituídas caso fossem necessárias e/ou úteis. b) "Actio Negatoria" Meio processual de defesa do Direito de propriedade perdido em um se seus atributos (usar. Caso o possuidor de boa-fé não fosse reeembolsado pelas benfeitorias úteis e necessárias ele teria o direito de reter o bem até que houvesse o pagamento. não estaria obrigado a restituir os frutos da coisa obtidos antes da notificação da ação. no caso de residirem em localidades diferentes. mas também que os proprietários anteriores tinham o Direito. ou porção ideal ( ). ou incidental. ou quinhão ideal. dispor livremente de sua parte. 15 15 Parte abstrata que fundida às outras partes compunham a totalidade do Direito de Propriedade. Algo que afetasse a propriedade como um todo pressupunha a unanimidade da vontade das partes. Quanto à estrutura pressupunha que os co-proprietários. não basta provar que era proprietário da coisa. As benfeitorias.b) posse prolongada. Em Roma. fruir. poderia ser voluntária. caso estivesse movido por boa-fé.5. possuissem cada um uma cota ideal. Sua maior dificuldade era quanto à prova da propriedade. dispor).

que era uma limitação legal ao Direito de Propriedade. pondo em exercício seu direito de veto ("prohibitio").1. diferia do Direito de passagem. a divisão ou alienação do bem. proporcionalmente às outras partes.4 Direitos Reais Sobre Coisa Alheia Eram Direitos Reais limitados. Servidões Prediais Era um direito que o proprietário de um imóvel (prédio) dominante tinha o direito sobre um prédio serviente. 3.4.quando as partes decidiam pela divisão ou alienação do bem voluntariamente. * judicial . a solução seria extinguir a co-propriedade. uma vez que era livremente decidida entre as partes. 3. 23 . Essa extinção poderia ser: * voluntária . d) "Utilitas" Para ser constituída a servidão precisaria representar uma vantagem concreta ao prédio dominante sobre o prédio serviente.4. As servidões prediais eram direito "erga omnes". que. judicialmente.quando qualquer co-proprietário pedia. Era quando um proprietário adquiria um direito sobre um imóvel adjacente.1. uma vez estabelecidas assumiam o caráter de um Direito Real perpétuo. Podriam ser: 3.A Co-Propriedade possuia dois institutos: a) "Ius Adcrescendi" (Direito de Acrescentar) Havendo a renúncia de um dos condôminos de sua parte. b) Indivisível c) "Vicinitas" Só poderia ser estabelecida entre prédios vizinhos. esta seria acrescida. Características das Servidões Prediais a) Voluntária Originária de um acordo de vontade entre as partes. No caso de não houvesse acordo.1. b) "Ius Prohibendi" (Direito de Proibir) Cada co-proprietário teria o Direito de proibir qualquer atividade material sobre a coisa por parte de outro.

permissão para a construção de uma aqueduto (16).encravar uma viga ou coluna no imóvel do vizinho. Criação e Extinção das Servidões Prediais As servidões constituiam-se voluntariamente entre as partes. b) "in iure cessio" . 3. c) "deductio servitutis" .e) "Perpétua Causa" Era um direito permanente. * "Tignus immitendi" . * "Oneris Ferendi" . * "Altius non tollendi" .passagem a pé ou com animais (16). ** "Via" . com animais ou veículos (16). 24 . * de água ** "Aquae dutus" . * "Flumen" .quando um proprietário aliena um prédio contíguo ao seu. os mais comuns eram: a) Rústicas (prédios com atividades rurais) * de passagem ( ) 16 ** "Iter" .permissão para que animais bebessem água. * de pasto b) Urbanas (prédios de moradia) * "Stilicidium" .no caso das servidões recentes.no caso das servidões antigas.passagem de pessoas a pé (16).4. garantindo para sí uma servidão. eram considerados bens mancipi.canaleta para escoar águas acumuladas para o vizinho.1. para sua transmissão exigiam o "mancipatio".3. ** "Haustus" .2.impor uma altura limite ao prédio vizinho. 16 Institutos do Direto Romano Arcaico.1. Espécies de Servidões Prediais As servidões poderiam ser de vários tipos.a pé. não podendo ser estabelecida como algo temporário.escorar a construção sobre a do vizinho. através de: a) "mancipatio" ou pelo "in iure cessio" . ** "Actus" . f) "Passiva" A atitude do proprietário do prédio serviente constituía sempre uma atitude passiva.permissão para que as águas de chuva escoassem para o prédio vizinho. 3.4.

pela destruição da propriedade. O essencial para o conteúdo era a capacidade de fruir (que engloba a capacidade de usar). permitindo um amplo direito de gozo. Para compensar essa amplitude.quando o proprietário dos dois prédios fosse a mesma pessoa.quando acomercialização do prédio serviente deixava de ser livre. pertenceria ao proprietário. Podia constitui-se tanto sobre coisas móveis quanto sobre coisas imóveis. por legado. Servidões Pessoais Era quando um prédio prestava uma utilidade a uma pessoa.a constituição de uma servidão por decisão judicial. na constituição do usufruto. A extinção do usufruto dava-se: pela morte. legado de herança. restando ao proprietário apenas o direito de dispor ("nudus proprietas"). e pelo "non usus". limitado no tempo. "deductio" no "mancipatio" (ressalva para si o direito de usufruto). tanto os frutos naturais (repostos pela natureza de tempos em tempos) ou dos frutos civis (juros. 25 . pela confusão ("consolidatio") dos dois papeis jurídicos na mesma pessoa. e por "pactio et stipulatio".4. 3.quando houvesse a extinção permanente da utilidade do prédio serviente. a) Usufruto Era um Direito Real inalienável. que atribuia a seu titular as faculdades de usar uma coisa alheia inconsumível e de perceber-lhe os frutos. as servidões pessoais eram limitadas no tempo. Quanto aos escravos. pertencendo ao "nudus proprietas". Uma vez constituído. e) "adiudicatio" . nem mesmo. alugueis etc).quando o proprietário da servidão deixava de utilizá-la por mais de dois anos. Os "partus ancilae" não eram considerados frutos. Tudo que não fosse juridicamente classificado como fruto. deixa uma servidão para seu vizinho. d) "utilitas" . e) "usucapio libertatis" .renúncia do titular do prédio domiante.2. quando da partilha de bens. A extinção das servidões poderiam ser através de: a) "in iure cessio" . A defesa do instituto era o mesmo da propriedade: "rei vindicatio usufructus". por "capitis diminutio maximo". A "Lex Scibonia"proibia a constituição de servidão por usucapião. o usufrutário não poderia. b) "res extra-commercio" . o Direito de propriedade ficava desprovido das capacidades de usar e fruir. Era constituído por: "in iure cessio". fazer benfeitorias necessárias. seus filhos eram uma exceção no instituto.quando alguém. c) "confusio" . deixando inalterada a substância e a destinação sócio-econômica da mesma.d) "legatum per vendicationem" .

3. caso a dívida não fosse paga. Penhor O penhor ("pignus") era um tipo de direito real que consistia na transferência atual da posse de uma coisa do devedor ao credor. Sobre a coisa cedida em penhor dizia-se coisa empenhada. mas essa "Lex" passou a ser proibida na Época Clássica. Hipoteca 26 . tinha o direito de usar e fruir de um prédio alheio. Ao ser concedido. por meio da qual o adquirente/ credor/ fiduciário obrigava-se a retransferir a propriedade da coisa ao alienante/ devedor/ fiduciante quando houvesse o pagamento da dívida. Segundo um acerto entre as parte. Originalmente. que era o direito de vender a coisa em nome do proprietário. Eram figuras acessórias a uma obrigação principal. Superfície Direito de construir em um terreno alheio. o "credor pignoraticio".2. enquanto a locação é um direito obrigacional. Esse credor tinha a posse mas o devedor continuava proprietário. isto é. o devedor. 3. deixando a seus herdeiros. o "canon".2. Transferência esta decorrente de um contrato real de penhor. 3. quando houvesse o cumprimento da obrigação principal.6 Direitos Reais de Garantia Eram parcelas dos Direito de propriedade que um devedor transferia a um credor como garantia do pagamento de uma dívida. 3. Pela "Lex Comissoria".6.1. Apesar de não ter o "animus domini". O proprietário tinha o direito de receber um valor simbólico. o credor poderia colher os frutos da coisa.O usufruto diferia da locação por ser um direito real. Enfiteuse Quando uma das partes.5. As partes eram. como forma de abatimento da dívida ("anticrese"). o possuidor tinha os mesmos direitos do enfiteuta. o enfiteuta era considerado possuidor do prédio. a enfiteuse foi criada para a ocupação de terras públicas em regiões conquistadas. o não pagamento da dívida transferia para o credor a propriedade da coisa. O "credor pignoraticio" tinha o direito de possuir ("ius possidente") sem o direito ao uso da coisa. 3. o enfiteuta. podendo tranformá-lo e aliená-lo. de um lado.5 Direitos Reais de Gozo Sobre Coisa Alheia 3. e de outro.1. com o intuito de garantia. uma taxa de dois por cento do valor da alienação do prédio. 3. Fidúcia Consistia na transferência de uma coisa do devedor ao credor com a inserção de uma cláusula no ato da transferência da propriedade ("mancipatio" ou "in iure cessio"). 3. um cláusula adendada ao contrato.5. Além disso tinha o direito de receber o "laudemium".6. por tempo indeterminado. O "credor pignoraticio" tinha o "ius distrahendi".6.

Seguia. os princípios do penhor. de tomar a posse da coisa e vendê-la em nome do proprietário/devedor. 27 . No entanto. transferia ao credor o direito real em potência . em linha gerais. no caso de não ser paga a dívida.

parte para a guerra na Gália. liberta. caio devolve a Tício o imóvel em perfeito estado.Tábua IV. No caso concreto. No entanto há precedentes. Os parentes de Caio. o magistrado. que nasce defeituosa. Caio. O caso é levado ao pretor. peixes do rio que por ali passava e ouro de uma mina nela existente. No Direito Clássico: por ter nascido de uma mulher que era escrava no momento de seu nascimento. Assim. Caio é usufrutuário de uma fazenda pertencente a Tício. De Jure Patrio. a criança seria considerada livre. Dessa forma ganhava cidadania romana. item I. No entanto.Direito Romano . adquirindo a capacidade jurídica e tornando-se "pater familias". entretanto. uma sociedade que valorizava a eugenia e a perfeição física. Assim. a criança nem ao menos tem o direito de estar viva. recém-casado. e em seu testamento verifica-se que ele concedia liberdade à mulher. que durante este tempo Caio havia retirado verduras da horta de seu imóvel.Tábua IV. Que atitude tomaria o magistrado? O princípio de que a paternidade só é reconhecida até dez meses após a morte do pai existe des de o Direito Romano Arcaico (Lei das 12 Tábuas . O que o jurista lhe responderia? Com relação à mulher: Segundo o princípio do "manumissio testamento" ela seria livre quando o herdeiro aceitasse a herança. No Direito Justinianeu: no Direito pós-clássico. sua esposa. 02.o recémnascido que tenha qualquer deformidade física (monstruoso) deve ser morto imediatamente. Tício descobre. a criança. Isso explicaria o fato de nem ao menos ter sido citada no testamento do proprietário de sua mãe. Tício exige a devolução de todas essas coisas. ela comporia a herança deixada pelo proprietário a seus herdeiros. no entanto. Findo o prazo do usufruto. 03. Logo depois morre o proprietário da escrava. Cinco meses mais tarde. através da presunção simples pode admitir que o filho é de Caio. Dessa forma. e havia ainda tomado para si todos os bezerros e escravos nascidos na fazenda durante o tempo do usufruto.C) era manco. Cláudia. sem. estaria morto há muito tempo. Durante a guerra. De Jure Patrio. sem um dos braços. junto com os exércitos de Júlio César. apresenta então uma criança de dois meses como única herdeira de seu marido. acusam-na de adultério e suspeitam que o pai da criança seja Tício. em razão dos maus tratos do cativeiro. Um ano mais tarde chega a notícia de que fora capturado pelos gauleses e. inciso IV). ela. Sentindo-se lesado. o próprio Imperador Claudius (41 d. porém. essa escreva dá a luz a uma criança. Que orientação o advogado daria a Caio? 28 . Portando.C a 54 d. inciso I). segundo as causas do "ius gentium" a criança seria considerada escrava. segundo os boatos. perdia a condição de estrangeira. fazer referência ao recém-nascido. como a mulher teve parte de sua gestação na condição de livre. mudou-se a orientação com base na ficção de que o nascituro se por nascido quando se tratar de seu interesse. o que lhe obrigava a andar de maneira claudicante. uma mulher estrangeira é capturada e vendida em Roma como escreva. item II. A mulher procura então um jurista e lhe pede que lhe explique a situação jurídica dela e da criança.Casos Práticos 01. Com relação à criança: São possíveis duas respostas com relação à criança dependendo do período histórico a que se esteja referindo. a presunção simples admite contra-prova por parte dos parentes do "de cujus". Observação: Pelo Direito Romano Arcaico (Lei das 12 Tábuas . Sua existência violava uma das leis de Roma.

já que ele fora concebido enquanto a vaca lhe pertencia. ao manusear aquela obra. em virtude de um "senatus consulto". profissional especializada em limpeza e desinfecção de bibliotecas. Públio é um indivíduo impúbere. fica sabendo que. não poderia realizar atos jurídicos "per si". ou qualquer outro bem seu. a viúva-meeira e única herdeira. Christian contrata os serviços de Dorothéa D. ou o ato solene e formal antes de sua tradição. Com a morte do famoso professor Karl Zimmerman. Públio não poderia vender seu cavalo. do início do principado. portanto. o indignado pai procura um jurista. vende a biblioteca de dez mil precisos volumes de seu finado marido ao alfarrabista Anselm A. a cria pertence ao comprador da vaca (os frutos pertencem ao proprietário da coisa frugífera). Para sua surpresa no entanto. passou-se a admitir que fossem objeto de usufruto as coisas consumíveis.A orientação que poderia ser dada a Caio por seu advogado seria: o princípio do usufruto seria o direito de usar e desfrutar a coisa alheia sem alterar a sua substância ("ius alienis rebus utendi fruendi alua rerum substantia"). sem a presença desse representante. por ser surdomudo. necessitando dessa forma um representante que as pronuncia. o que não ocorreu. Dessa forma. um exame veterinário revelou. Supondo que tivesse sido assistida. pedindo orientação quanto à possibilidade de anular o negócio. a) Pelo ponto de vista do objeto. uma vez que os filhos das escravas não são considerados frutos. Seu objeto seria constituído apenas pelas coisas inconsumíveis. Mévio.. o que obrigava ao usufrutuário a restituir o equivalente à coisas consumível quando da extinção do usufruto. Isso pode ser verificado de duas formas. o qual no entanto não aceita a reclamação e se opõe à anulação da compra e venda. Um cavalo e um bem "mancipi". Ao saber do ocorrido. 06. Semprônia não tinha capacidade de fato. Caio precisaria devolver a propriedade com o número exato de animais que lá existiam no instante de suas posse. que pressupõe a declaração de fórmulas rituais. Como tal necessita o auxílio de um representante para a realização de todos os atos jurídicos que onerem seu patrimônio. Para que o ato jurídico tivesse validade. Tempos depois. o "pater familias" de Mévio vai se queixar ao Tutor de Públio. como imaginara. Diante da recusa. 05. visitando o alfarrábio deste último Christian C. A camponesa Semprônia vendeu a Caio duas vacas prenhes. ele deveria devolvê-los ao "dominus proprietatis". Semprônia procurou Caio. uma vez que os animais são "res mancipi". 04. o melhor procedimento para Caio seria o pagamento do valor correspondente às verduras da horta. encontra entre as páginas do livro 29 . Dessa forma. Por ser camponesa e mulher. exigindo a anulação da venda dessa vaca. O órfão Públio. b) Pelo ponto de vista dos sujeitos. sejam imóveis. não tem condições físicas de pronuncias essas palavras. Bertha Zimmerman. a venda das duas vacas era nula. que fizera parte da biblioteca de Zimmerman. quanto aos escravos e nascidos na fazenda durante o tempo do usufruto. de dez anos de idade. pelo Direito Romano. Esta. Sem saber o que fazer. Para piorar. isto é sua comercialização exige o "mancipatio". Dessa forma. Dias depois. uma das vacas pariu. o ato não seria válido. no entanto. Caio se sentiu lesado pelo fato de a segunda vaca não estar prenhe. Todo ato de compra e venda é um ato oneroso uma vez que quem vende abre mão de seu direito sobre o objeto. fato que ela desconhecia quando fixou o preço da venda. Quanto aos animais. e que a transmissão da propriedade tivesse sido realizada através do "mancipatio". que a prenhez da segunda vaca era apenas aparente. No entanto. Passado algum tempo. No entanto. ela precisaria da assitência de um curador. Adquire uma obra do século XIX. Como não houve esse representante. ela decide consultar um jurisconsulto. convence por meio de gestos o surdo-mudo Mévio a comprar seu cavalo por um preço substancialmente acima do mercado. o ato seria válido não podendo ser anulado por nenhuma das duas partes. Que orientação o jurista daria? A orientação seria de que o ato não é válido. aos peixes do rio e do ouro retirado da mina. animadas ou inanimadas. acreditando ter direito ao Bezerro que nascera.

Tício encontrou o cavalo e. avaliada em 75 mil marcos alemães. Semanas depois. porém. foi encontrada na propriedade de Christian C. Caso a viúva reivindique a propriedade da nota ela deve provar que a tinha antes da venda a Anselm A. Caio o avista e reconhecendo o animal. alegando e provando que a carroça. Caio detém-se por algum tempo em uma taberna para descansar e beber um vinho. e Tício também se esquece de devolvê-la. portanto lhe pertence.. Caio aluga a Tício uma carroça pelo prazo de um ano. Perto dali. pretendendo utilizar-se dos meios judiciais cabíveis contra o que considerara um injusto esbulho da posse. na verdade. pois não vendera a nota. sempre pertencera a ele. que sai pelas ruas de Roma. A quem dever-se-ia atribuir a propriedade de tal cédula? Podem ser previstas duas soluções para o caso. Outra solução diz respeito ao modo originário de aquisição de propriedade por invenção. Passado esse tempo. ela tem direito à metade do valor da mesma. Como Dorothéa D. Um ano mais tarde aparece Mévio. cujo proprietário é desconhecido. Deixou o cavalo amarrado diante do estabelecimento. toma-o para si. a propriedade volta para ela. Tício pergunta a seu advogado se está obrigado a entrega-la a Mévio. e não a Caio. foi contratada especificamente para a limpeza do livro. apenas os livros. julgado-o abandonado. O que o advogado de Mévio lhe aconselharia? 08. O que o advogado de Mévio lhe aconselharia? 30 . 07. Enquanto passeava com seu cavalo recém adquirido. Mévio relata o ocorrido ao pretor. ou seja US$ 50 mil. A nota.uma raríssima cédula de dinheiro do século XVIII. mas dera um nó frouxo e o animal escapou. não se preocupa em pedi-la de volta. obriga Mévio a desmontar à força e se apodera violentamente do animal que lhe pertencia. caso consiga. Tício empresta seu cavalo a seu amigo Mévio. e tendo ela encontrado a nota.

Sumário 31 .