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Direitos de personalidade e Direito do Trabalho Estêvão Mallet(*) 1. Introdução; 2. A CLT e os direitos de personalidade; 3. Direito à vida e à integridade física; 4.

Direito ao nome; 5. Direito à intimidade; 6. Tutela dos direitos de personalidade. 1. Introdução. O Código Civil anterior, ao tratar das pessoas, não cuidava especificamente dos direitos de personalidade. Desconsiderava a existência de tal categoria jurídica. Os direitos de personalidade, no entanto, como sublinha com toda propriedade Silvio Rodrigues são “inerentes a pessoa humana”1 ou, conforme preferem outros, são direitos primordiais2. Não podem, pois, ser ignorados ou negligenciados. Merecem reconhecimento, “baseiem-se ou não em previsão legal”3. Logo, o silêncio do legislador apenas evidencia menor desenvolvimento da ciência jurídica. Não inibe, de nenhuma maneira, a afirmação da existência dos direitos de personalidade, conquanto a expressa regulamentação torne mais simples a sua aplicação. Daí o mérito do novo Código Civil ao dedicar um Capítulo à matéria. O avanço normativo não impede que se reconheçam, todavia, as deficiências da regulamentação posta. Em primeiro lugar, faltou regra abrangente e de caráter geral, como a do art. 70º, do Código Civil português, que protege os indivíduos, em termos amplos, contra qualquer ofensa “à sua personalidade física ou moral”. Em outros pontos, o texto legal ressente-se da ausência de mais atenta e cuidadosa revisão, tal como a feita por Rui Barbosa no Código anterior. O parágrafo único, do art. 12, é um bom exemplo. A referência à condição de “sobrevivente” do cônjuge, para que possa ele agir em juízo, resultado de transposição mecânica, para o direito brasileiro, do art. 71º, n. 2, do Código Civil português, não se justifica. Sua eliminação não prejudicaria em nada a compreensão da norma, já que a ninguém ocorreria imaginar ação ajuizada por cônjuge
(*)

Professor de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Doutor e Livre Docente em Direito e advogado. 1 Direito Civil – Parte Geral, São Paulo, Saraiva, 1986, vol. I, n. 30-B, p. 85. 2 Francesco Degni, Le persone fisiche e i diritti della personalità, Torino, UTET, 1939, n. 55, p. 163. 3 José de Oliveira Ascensão, Direito Civil – Teoria Geral, Coimbra, Coimbra Editora, 2000, vol. I, n. 43, p. 84.

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49. conhecida como Statuto dei diritti dei lavoratori. il manifeste les égards voulus pour sa santé et veille au maintien de la moralité. E tanto é assim que o parágrafo único. publicada com o título “O novo Código Civil e o Direito do Trabalho” em O impacto do Novo Código Civil no Direito do Trabalho. 21. 373-A. inciso VI. A lacuna. ao editar regra com o mesmo significado. 3º. sendo o empregado. o art. Merece referência. a doutrina assinala que os direitos de personalidade. em que se lê: “L’employeur protège et respecte. sempre e necessariamente. tenha sido dado com a Lei italiana n. aludiu simplesmente a cônjuge. 2. do art. em redação mais simples e mais elegante. p. pessoa física (art.799. le cas échéant. de 20 de maio de 1970. o que se mostra tanto mais injustificável quanto é certo que. nos arts. em 19. que tratou da relação de emprego como se nela as obrigações das partes se restringissem à prestação do trabalho pelo empregado. Tudo ficou limitado ao plano meramente patrimonial. 179). Les contrats du travail. José Affonso Dallegrave Neto e Luiz Eduardo Gunther (organizadores). evoluíram da quase completa abstenção à posição de relevo que hoje ocupam (François Gaudu e Raymond Vatinet. com algumas poucas e raras exceções. de outro lado. 482. 5 Em França. não se ocupou detidamente dos direitos de personalidade. por exemplo. 1. dans les rapports de travail. p. outrossim. LGDJ.falecido4. decorre da visão reducionista do legislador. il veille à ce que les travailleurs ne soient pas harcelés sexuellement et qu’ils ne soient pas. os direitos de personalidade encontram-se inevitavelmente em causa em todo e qualquer contrato de trabalho. do Código suíço das obrigações. A Consolidação das Leis do Trabalho. n. désavantagés en raison de tels actes”.10. constante do defeituoso – porque restritivo do ponto de vista subjetivo e vago quanto ao conteúdo – art. a qual principia exatamente com o Título dedicado à “libertà e dignità del lavoratore”. e ao pagamento da remuneração pelo empregador. São Paulo. introduzido pela Lei n. n. En particulier. na mesma linha do antigo Código Civil. própria da época em que editada a CLT. 2 . Talvez o primeiro passo no sentido de abandonar semelhante concepção reducionista. no campo trabalhista. A CLT e os direitos da personalidade. Outro é a recente proibição de revistas íntimas. 9. LTr. 2003. da CLT). Outro passo muito importante corresponde ao 4 A crítica já havia sido formulada em palestra apresentada no XVIII Encontro dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 2ª Região. à ofensa à honra e boa fama como hipótese de justa causa para rescisão do contrato de trabalho. la personnalité du travailleur. 328. dominante no Direito do Trabalho não apenas no Brasil como em outros países5. Paris. de um lado. e 483.2002. Um caso é a rápida e discreta referência. 209. 2001. alínea “j”. 300. alínea “e”.

1º. aprovado em agosto de 2003 e em vigor desde 1º de dezembro do mesmo ano. Contém apenas as disposições dos arts. em cujos arts. tomo I. Milano. da Constituição. a referência ao art. do art. inciso III. por ofensa a direito de personalidade do empregado. inciso II. Daí porque serão examinadas apenas as mais relevantes. da Constituição – em que se prevê adicional para o trabalho penoso. Giuffrè. impondo limites à disposição do próprio corpo e a tratamento médico ou intervenção cirúrgica. Não se deve imaginar que todo e qualquer contrato de trabalho. n. § 1º. Os dois primeiros – e mais importantes – direitos de personalidade a mencionar correspondem ao direito à vida e ao direito à integridade física7. seja pelas peculiaridades da relação de emprego. 7 Adriano de Cupis. seja por conta das imperfeições das normas postas. 192 e 193. Não bastasse. simplesmente. como evidencia a consideração dos direitos de personalidade com mais direto reflexo no Direito do Trabalho6. implicando atividade de risco ou contato com condições insalubre. 8º. Direito Civil – Teoria Geral cit. p. 15º a 21º contém-se toda uma subseção dedicada aos direitos de personalidade no âmbito da relação de emprego. como já visto. estruturados em regime de numerus apertus8. 166. por conta da função exercida. 44. no art. nos termos do art. de regra geral que os proteja. Sem embargo. como. 14 e 15. p. 1959. da CLT. 3 . n. para afastar a conclusão. ilícito. inciso XXIII. a risco ou. O Código Civil brasileiro carece. especialmente com o novo Código Civil. seja. 88. nos termos do parágrafo único. Direito à vida e à integridade física. da referência. ainda. o direito à vida e o direito à integridade física adquirem maior relevo diante da possibilidade de exposição do empregado.. A apontada lacuna da legislação trabalhista brasileira é preenchida com a aplicação subsidiária do direito comum. a agentes agressivos à sua saúde. insalubre ou perigoso – caberia invocar ainda os arts. 13. o reconhecimento do genérico direito à vida e à integridade física decorre não apenas da atipicidade dos direitos de personalidade. o que não deixa de suscitar questões algo delicadas. I diritti della personalità. 8 José de Oliveira Ascensão. 46. 3. à dignidade da pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil. do Código Civil. O mero pagamento de algum adicional 6 As limitações de espaço impostas ao presente estudo não permitem análise exaustiva de todas as implicações de cada um dos diferentes direitos de personalidade no Direito do Trabalho. 102. No campo trabalhista. 7º.Código do Trabalho de Portugal. da CLT.

o direito de postular o reconhecimento da rescisão motivada do contrato. domínio em que a norma deve “s´adapter à des techniques progressant de plus em plus vite et aux possibilites quelquefois vertigineuse qu´elles ouvrait sur l´avenir” (Droits en synergie sur le travail. 1997. A. désignées par les organisations les plus représentatives des employeurs et des travailleurs intéressées. Diritto del lavoro. 12 Cf. ps. Bruxelles. L'autorité compétente devra fixer les critères permettant de définir les risques d'exposition à la pollution de l'air. sobre proteção dos trabalhadores contra riscos provocados pelo ambiente de trabalho. do Código suíço das obrigações 11. 2. Luisa Galantino. da Organização Internacional do Trabalho. do Código Civil italiano10 e art. 2. les mesures commandées par l’expérience.remuneratório não é suficiente. la santé et l’intégrité personnelle du travailleur. et adaptées aux conditions de l’exploitation ou du ménage. como. Ainda sobre o tema. n. 9 Cf. Società Editrice Libreria. 11 “Il (o empregador) prend. 365 e segs. Torino. alínea “c”). Ramírez Martinez. 483. Coimbra Editora. Lors de l'élaboration des critères et de la détermination des limites d'exposition. O direito geral de personalidade. Direito ao nome. au bruit et aux vibrations sur les lieux de travail et. 2087. 87). 3. 13 Teoria del negocio illecito nel diritto civile italiano. sem prejuízo da aplicação das demais sanções administrativa e penais eventualmente cabíveis. art. Giappichelli. a Convenção n. outrossim. e Juan M. para a perfeita licitude da contratação. a adoção das medidas de prevenção adequadas. derivada do contrato de trabalho. Satisfeitas as apontadas condições. estabelece. le cas échéant. com pagamento da indenização devida pelo empregador (CLT. 10 “L'imprenditore è tenuto ad adottare nell'esercizio dell'impresa le misure che. 1997. les limites d'exposition. 4. Les critères et les limites d'exposition devront être fixés. Rabindranath V. p. sur la base de ces critères. Na verdade. o que supõe tanto a relevância social do trabalho. applicables en l’état de la technique. segundo realçado pelo art. complétés et révisés à des intervalles réguliers. 328. l'autorité compétente devra prendre en considération l'avis de personnes qualifiées du point de vue technique. p. especialmente art. em conformidade com o conhecimento técnico e científico disponível9. Confere-lhe. devra préciser. Milano. l'esperienza e la tecnica. 148. sono necessarie a tutelare l'integrità fisica e la personalità morale dei prestatori di lavoro”. ainda. secondo la particolarità del lavoro. 232. todavia. voltado a satisfazer interesse legítimo da coletividade. 4 . cf. Convenção n. de tendência em matéria de proteção dos trabalhadores contra riscos provocados pelo ambiente de trabalho. à la lumière des connaissances et des données nouvelles nationales et internationales en tenant compte. 4. Valencia. Realçando a necessidade de que as medidas de proteção se adaptem à evolução do conhecimento. não contraste com a ordem pública. 155. p. necessário é que a exposição a risco. Do contrário. dans la mesure où les rapports de travail et la nature du travail permettent équitablement de l’exiger de lui”. já identificado por Ferrara13. independentemente da forma como se dá o exercício da atividade pelo empregado. Bruylant. Capelo de Sousa. em seu art. 8: “1. 468. Curso de derecho del trabajo. 1995. 1914. como mostra Jean-Michel Servais. não haverá como reputar-se ofendido o direito de personalidade do empregado12. Trata-se. a ilicitude do objeto confere ao trabalhador mais do que o simples direito de recusar-se a prestar o serviço. p. Tirant lo Blanch. 408 e 409. de toute augmentation des risques professionnels résultant de l'exposition simultanée à plusieurs facteurs nocifs sur le lieu de travail”. dans la mesure du possible. pour protéger la vie. Coimbra.

de renúncia ao direito de uso do nome. para identificar os empregados. Não se cuida. 6. do Código Civil.. como deixa expresso o art. de apelido. Coimbra. todavia. Em primeiro lugar. O direito ao nome desdobra-se em duas diferentes faculdades. p. que a aceite. como imagem. Também o uso para outros fins. Introdução ao Direito Civil. repetindo o art.. a vedação “não é só para fins de propaganda comercial”18. 72º. Enunciou-se. 1987. no caso. do Código Civil. Como conseqüência da primeira faculdade inerente ao direito ao nome.. Coimbra Editora. p. Por isso. o nome ou outros atributos da personalidade do empregado. p. evitando-se nomes menos eufônicos ou pouco comuns. compreendidos o prenome e o sobrenome (art. n. sujeita-se a autorização prévia. que não fica afastada pela regra do art. n. na parte que aqui interessa: “Ogni persona ha diritto al nome che le è per legge attribuito. especificamente no campo dos direitos de personalidade. 48. sem autorização. 6. Em segundo lugar. Abrange o direito de usar o próprio nome e o direito de se opor a que outrem o use 15. 93. é freqüente a utilização. 18) e conferiu-se ao pseudônimo adotado para atividades lícitas a mesma tutela conferida ao nome (art. Já a regulamentação estabelecida pelo art. 16 A propósito. ainda que involuntariamente. voz ou. situação diversa e inconfundível16. I. mais uma vez. do Código Civil italiano. 19). Código Civil anotado. é sempre revogável17. Silvio Rodrigues. como letra.” 15 Orlando Gomes. 82. Direito Civil – Teoria Geral cit. não é apenas o uso do nome que depende de autorização. como bem sublinha. Rio de Janeiro. do Código Civil português. pode o empregado oporse à prática. do nome alheio em propaganda comercial (art. o direito de toda pessoa ao nome. pseudônimo ou nome de guerra. Nel nome si comprendono il prenome e il cognome. em propaganda comercial ou não. O consentimento. vol. 1986. 18. Forense. 30-G. ao desprezo público (art. Também o uso de outros atributos da personalidade. 110. n. Em alguns ramos de atividade. que não o comercial. 17). até mesmo. é indevidamente restritiva em pelo menos dois aspectos. no entanto. Vedou-se o uso. sem prévia autorização. para o uso do nome alheio. 141. 14 Dispõe o art. do Código Civil italiano. Proibiu-se o emprego de nome de outrem em publicações ou representações que exponham o seu titular. 11. 17 Pires de Lima e Antunes Varela. José de Oliveira Ascensão. 18 Direito Civil – Parte Geral cit. 16)14. maneira de caminhar etc. mas de mera renúncia ao exercício desse direito. 5 . traços característicos de determinadas pessoas.O direito ao nome recebeu mais ampla disciplina no Código Civil. depende de autorização. p. usar. não pode o empregador. 98. Nada impede.

no caso Halford v. Il ne peut y avoir ingérence d'une autorité publique dans l'exercice de ce droit que pour autant que cette ingérence est prévue par la loi et qu'elle constitue une mesure qui. Em certas situações. processo n. O último preceito menciona o caráter inviolável da vida privada da pessoa natural. Paul. 20. Rel.08. correspondente ao “right to be let alone” do direito norte-americano19. da Convenção Européia de Direitos do Homem: “1. R) n. p.358. RO n. TRT . em hipótese envolvendo interceptação telefônica de conversa de empregado realizada no local de trabalho: “44. § 43. Reino Unido. a mesma Corte assinalou. foi regulado pelos arts. como já foi visto. Black´s Law Dictionary.01. dans une société démocratique. à la défense de l'ordre et à la prévention des infractions pénales. É o caso. Direito à intimidade.02.341/95. 2ª T. julg. o direito à preservação de sua intimidade20. Já antes. 20 e 21. Conserva. portanto. Rel. da Convenção Européia de Direitos do Homem21. Ac. Juiz Valdir Florindo. 2. 8-1)”. 20 6 . Henry Campbell Black. decisão de 4 de maio de 2000. Aliás. Independentemente de cláusula expressa. a fim de evitar-se discussão judicial e facilitar-se a prova. não se despoja. Romênia.A anuência do empregado para uso de algum atributo de sua personalidade não reclama termo escrito. no momento em que celebra um contrato de trabalho. O direito à intimidade. assinalou-se: “A inserção do empregado no ambiente de trabalho não lhe retira os direitos da personalidade. dos quais o direito à intimidade constitui uma espécie. embora seja recomendável a observância dessa forma. interpretando o art. do médico contratado para atuar como responsável pela produção de determinado fármaco. peuvent se trouver compris dans les notions de "vie privée" et de "correspondance" visées à l'article 8 par. em decisão de 25 de junho de 1997. ou à la protection des droits et libertés d'autrui”.”(TRT – 3ª Reg. assinalou que “aucune raison de principe ne permet d'exclure les activités professionnelles ou commerciales de la notion de « vie privée »”22. a Corte Européia de Direitos Humanos.. em alguns contratos de trabalho o uso do nome do empregado pelo empregador resulta do próprio objeto da prestação de serviço. processo n. est nécessaire à la sécurité nationale. 16. O empregado. em 29. 21 Tem a seguinte redação o art. Mas os direitos de 19 Cf. p. à la sûreté publique. concebe-se até mesmo anuência meramente implícita. Juíza Alice Monteiro de Barros. 6ª T. Com efeito. 28...03. para citar apenas um exemplo. de seus direitos de personalidade.. il ressort clairement de sa jurisprudence que les appels téléphoniques émanant de locaux professionnels. 8º. de son domicile et de sa correspondance.2002. ainda. a indicação do nome do trabalhador na embalagem do produto decorre do objeto da contratação e prescinde de autorização expressa. 20030363599. West Publishing. 1. 8º. Pour la Cour. 1 (art. 18956-2003-902-02-00. No mesmo sentido. n. 22 Caso Rotaru v. 1968.022/2001.605/92. 06). 5. PJ. do novo Código Civil. Toute personne a droit au respect de sa vie privée et familiale. Bem a propósito.07. tout comme ceux provenant du domicile. à la protection de la santé ou de la morale.03 in DOE SP.2ª Reg. em 22. julg. TRT 2ª de 01.2002 in DJMG de 09. St. au bien-être économique du pays.

Realmente. Dalloz. Sua importância. Paris. por força do art. do Código Civil. 393. o principal limite imposto ao direito à intimidade do empregado resulta do poder diretivo do empregador. 26 Do poder diretivo na empresa. 48. “para verificar a sua conformidade com as ordens dadas”26. Como. 25 Trattato di diritto civile italiano. Nas precisas palavras de Octavio Bueno Magano. Louis Favoreu e outros. 1. 4. Ainda que se afirme a natureza fundamental de certos direitos de personalidade. além de outros atributos. 7 . dada a relevância e a plasticidade dos valores em conflito. n. p. p. especialmente se considerados os novos meios de fiscalização propiciados por aparatos eletrônicos – como câmeras de circuito fechado de televisão colocadas no local de trabalho ou programas instalados no computador da empresa. como os direitos em geral. aquele que. 2000. quais os limites para a legítima fiscalização da atividade do empregado? O problema suscitado longe está de ser de simples resolução. 1982. “Al concetto di diritto – adverte Ferrara – non è incompatibile quello di limite. p. direito de personalidade de que não se priva aquele que aceita prestar serviços de forma subordinada? Em outros termos. Roma. 185. ademais. da CLT. Droit des libertés fondamentales. p. Em matéria de relação de emprego.. 2º. diversamente do que ocorre no direito italiano. Dessa prerrogativa deflui o direito de fiscalizar o cumprimento das obrigações contratuais do empregado. n. encontra-se o empregador legitimamente habilitado a acompanhar a atividade do empregado. inerente ao contrato de trabalho. Isso levaria a evidente paradoxo: a existência de relação de emprego sem elemento essencial à configuração do poder diretivo. da atividade do empregado. Não havendo proibição expressa de fiscalização do trabalho por meio eletrônico ou com o auxílio de câmeras de circuito fechado de televisão. p. 21.personalidade. 92. com a preservação da intimidade do empregado. do Statuto dei 23 24 José de Oliveira Ascensão. 118. n. acha-se investido da prerrogativa de dirigir a prestação pessoal de serviço. compatibilizar o direito do empregador de fiscalizar a prestação pessoal de serviço. a proibição total e absoluta de fiscalização. anzi vi è inerente”25. Daí porque não se pode tirar do art. 198. empregador é. n. pelo empregador. Athenaeum. 1921. nem assim caberia considerá-los ilimitados24. porém. nos termos do art. São Paulo. Saraiva. é enorme. para rastrear páginas consultadas na rede mundial (Internet) ou mensagens eletrônicas enviadas e recebidas – que expõem muito mais intensamente a intimidade do empregado. Direito Civil – Teoria Geral cit. 61. não são ilimitados23.

sempre que previamente divulgado o procedimento de fiscalização. tomo VII. deve considerar-se lícita a prática29. 3. Assim. L. 3. com a dignidade da pessoa humana. informar previamente o empregado da existência do aparato de fiscalização. 8 . ou mesmo no direito português. 1. Droit du Travail. inciso IV). do Código do Trabalho28. da Nova Gales do Sul.. 3. 32 Art. n. não se afigura ilegal a gravação de conversa telefônica que o empregado entabula no aparelho cedido pela empresa.2004. 29 Jean-Claude Javillier. p. tal como exigido no direito francês32 e. 30 Art. como regra geral. 2. embora. ainda. 20º. em virtude do art. in re ipsa. de 1998. 34 Pontes de Miranda. § 755. o que chamou de revista íntima (art. n. Rio de Janeiro. que atua como préexcludente de ilicitude34. 31 TST – 2ª T. desde que “the employer has notified employees at the workplace (or a body representing a substantial number of the employees) in writing of the intended video surveillance for the purpose referred to in that subsection before it is carried out. 20. na Austrália33. Tratado de direito privado. em sua seção 7. sur les moyens ou les techniques permettant un contrôle de l'activité des salariés. A CLT não contém regra abrangente sobre os limites à fiscalização da atividade do empregado por meio de revista pessoal. do Estatuto de los Trabajadores: “El empresario podrá adoptar las medidas que estime más oportunas de vigilancia y control para verificar el cumplimiento por el trabajador de sus obligaciones y deberes laborales. en su caso”. Somente proíbe. ainda assim. Dalloz.11. préalablement à la décision de mise en oeuvre dans l'entreprise. n. Rel. 4). Borsoi. envolvendo “the purpose of ensuring the security of the workplace or persons in it”(sec. porém.. 28 “O empregador não pode utilizar meios de vigilância a distância no local de trabalho.02. 1999. n. 334. 33 O Workplace Video Surveillance Act. p. na legislação da Nova Gales do Sul. em 26. 373-A. “a”).” (sec. n. no direito espanhol30 e já recomendada pela jurisprudência nacional31. A utilização de meio de comunicação que de antemão se sabe não ser reservado e estar sujeito a fiscalização impede que se invoque a proteção conferida à intimidade. e. n.779/1999. 432-2-1. 437. Conquanto tenha o legislador vedado tal prática apenas em relação à mulher – tanto que inseriu o dispositivo no Capítulo dedicado à proteção do trabalho 27 “È vietato l´uso di impianti audiovisivi e di altre apparecchiature per finalità di controlo a distanza dell ´attività dei lavoratori”. admitida. De rigor. 1955.”. 125. Juiz Convocado Samuel Corrêa Leite. Não se concebe vigilância clandestina. Há consentimento à quebra da intimidade. admite a prática em circunstâncias limitadas. guardando en su adopción y aplicación la consideración debida a su dignidad humana y teniendo en cuenta la capacidad real de los trabajadores disminuidos. 7. O mesmo vale para o exame de mensagens eletrônicas e para o rastreamento de páginas consultadas na rede mundial (Internet). mal redigida e mal situada. para uso durante o serviço e em atividade ligada ao objeto do contrato de trabalho. n. do Code du Travail: “Le comité d'entreprise est informé et consulté. com a finalidade de controlar o desempenho profissional do trabalhador”. RR n. essa sim incompatível. a fiscalização do trabalho do empregado por meio de câmeras de vídeo. aliás.diritti dei lavoratori27. em norma cheia de imperfeições. julg. mediante o emprego de equipamento tecnológico. proíba. 2003 in DJU de 06. oculta ou dissimulada. 533. Paris. 7.

O fato de a empregadora possuir como atividade-fim o transporte e a guarda de dinheiro. p. 149. de realizar revistas que não ofendam a intimidade do empregado e não o exponham a situações vexatórias e humilhantes”(TRT – 3ª Reg. tem a faculdade. 37 Assim. RO nº 8932/97. Em primeiro lugar.. em doutrina. bem suscetível de subtração e ocultação. inclusive a revista. 74. 533. 2ª T. p. já que o empregador está obrigado a zelar para que medicamentos não sejam objeto de tráfico ilícito. Martínez Vivot. Rel. Octavio Bueno Magano. julg. e inciso I. A proteção constitucional da intimidade e da vida privada do empregado.”(TRT – 3ª Reg. Em qualquer caso.. No mesmo sentido. Juíza Alice Monteiro de Barros julg. Alice Monteiro de Barros.12. p. 373-A da CLT. que não tenham caráter íntimo. 5ª T. é evidente que se há de interpretar a norma ampliativamente. expressamente.596/2001. inclusive. inclusive psicotrópicos. 1996. as seguintes decisões: “Indenização por dano moral. p. 221.”(TST – 2ª T. o art. São Paulo. sacolas ou armários. 13. O fato de a empresa trabalhar com produtos farmacêuticos. Aliás. desde que não seja vexatória. até permite a revista. encontram amparo no poder diretivo do empregador35 e não violam o dever de boa-fé contratual36. e Arnaldo Sussekind e Luiz Inácio Carvalho. de modo que o mesmo óbice favoreça todos os trabalhadores. “Indenização por danos morais.. 21) e “Dano moral. 63). A boa-fé no Direito Individual do Trabalho. X. mesmo porque não há na legislação brasileira nenhum dispositivo legal proibindo expressamente a inspeção e perquirição pessoal. Na jurisprudência. Como quer que seja.. Sandra Lia Simón.305/2001. Astrea. LTr. ejecutar o extinguir el contrato o la relación de trabajo” (art.. inclusive menores e homens. 5º. 2ª T. Revista. porém. peremptoriamente afastadas37. Indenização. O mesmo se pode dizer de exame de bolsas. Proteção à intimidade do empregado. 14.10. Revista do empregado – limites in Direito do Trabalho e Previdência Social – Pareceres. 2003 in DJU de 06. Em sentido contrário. RR n. não exclui. 36 Tanto é correta a assertiva que a Ley de Contrato de Trabajo argentina. Rel. genérico e não atente contra o pudor do homem médio. Revista.1. o empregador não só pode. 9 . in DJMG de 14. 146. p. Não estão. da Constituição). ajustando su conducta a lo que es propio de un buen empleador y de un buen trabajador. 1997.2001. de fácil subtração e/ou ocultação. também rejeitando a possibilidade de revistas: “. como ocorre na legislação italiana. Juiz Convocado Samuel Corrêa Leite. tanto al celebrar.. Direito individual do trabalho. p.05. outras formas de revista ou de inspeção. LTr.não há circunstância que autorize o empregador a proceder à revista de seus empregados. RO n. a providência há de ser necessária ou “seriamente 35 Julio J. 243.2001. São Paulo.11. inserido no capítulo do trabalho da mulher. embora expressamente imponha aos sujeitos ligados por vínculo de emprego a obrigação de “obrar de buena fe. Na qualidade de dono e gestor do empreendimento econômico. julg. 70). realmente justifica fiscalização rigorosa. em 30.12.02.779/1999. Rel. evitando a sua comercialização indiscriminada. a fim de adequála ao princípio da isonomia (art.. 2000. inclusive a revista. em 04. p. 212. 1992. Juiz Fernando Antônio Ferreira in DJMG de 30. portanto. a utilização de “sistemas de controles personales del trabajador destinados a la protección de los bienes del empleador” (art. São Paulo. vol. LTr. negando genericamente a possibilidade de revistas. São Paulo. e Eduardo Milléo Baracat. há diversos limites a observar..11.” (TRT – 3ª Reg.2001 in DJMG de 12. p. Buenos Aires..2001. em 26. justifica uma fiscalização mais rigorosa. Elementos del derecho del trabajo y de la seguridad social. 2003.feminino –. 21). antes permite. especialmente quando exerce atividade-fim ligada à comercialização de produtos de valor considerável.2004). Seria mesmo contraditório admitir-se a revista de pessoas e não a de seus pertences. 15). como meio de proteger o patrimônio do empregador.998. RO n.. Juiz Ricardo Marcelo Silva. LTr. impessoal.. Desde que o exercício do poder diretivo seja regular. caput... como deve proteger seu patrimônio. Rel.

assegurar a observância de parâmetros imparciais e objetivos de 38 Cecília Assanti e Giuseppe Pera. Madrid. p. en su ausencia del centro de trabajo. Min.. isso sim. 2002. que a revista não ofenda a dignidade do trabalhador. 40 Trata-se de acórdão do Supremo Tribunal Federal. Rel. É preciso. En su realización se respetará al máximo la dignidad e intimidad del trabajador y se contará con la asistencia de un representante legal de los trabajadores o. Exige-se. do Estatuto de los Trabajadores da Espanha42. em que se cuida de situação atípica na qual se pretende .. todavia. de outro lado.”(STF – 1ª T. para preservação da dignidade da pessoa40. ao contrário do que já se pretendeu41. para o uso de equipamentos eletrônicos de fiscalização. nas circunstâncias.05.de resto. 1981..deferimento. apenas para obter prova de reforço . 18. fica ela vedada. 10 . assim redigido: “Los sistemas de controles personales del trabajador destinados a la protección de los bienes del empleador deberán siempre salvaguardar la dignidad del trabajador y deberán practicarse con discreción y se harán por medios de selección automática destinados a la totalidad del personal”. dentro del centro de trabajo y en horas de trabajo.1998. 1972. prévia autorização judicial. Sepúlveda Pertence. nenhum procedimento de revista poderá ter caráter discriminatório ou persecutório. en sus taquillas y efectos particulares. Se o mesmo resultado puder ser obtido sem a revista. com a seguinte ementa: “DNA: submissão compulsória ao fornecimento de sangue para a pesquisa do DNA:. 146. Padova. seguidamente invocado no âmbito do controle de constitucionalidade das leis. Editoriales de Derecho Reunidas. equilíbrio entre a medida aplicada e o fim a atingir-se. a sua participação na perícia substantivaria.. da Ley de Contrato de Trabajo.. em processo que tem por objeto a pretensão de terceiro de ver-se declarado o pai biológico da criança nascida na constância do casamento do paciente: hipótese na qual. à luz do princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade. Por fim.consigliabili per la tutela del patrimonio aziendale”38.do HC na espécie. São Paulo. HC 76060/SC. 43 Art. cuando sean necesarios para la protección del patrimonio empresarial y del de los demás trabajadores de la empresa. como impropriamente determina a legislação argentina43. 44) 41 Edilton Meireles. p.03. Deve o empregado. se impõe evitar a afronta à dignidade pessoal que. p. 70. Não se faz necessária.submeter ao exame o pai presumido. A revista pode não ser necessária em todos os setores da empresa. mas já empregado em matéria de direito de personalidade. julg. Não basta sua simples conveniência39. de otro trabajador de la empresa. isso sim. 39 José Ignácio García Nenet. como disposto no art. 68. CEDAM. outrossim. siempre que ello fuera posible”. 42 “Sólo podrán realizarse registros sobre la persona del trabajador. p. El Estatuto de los Trabajadores – Comentarios a la Ley 8/1980. tal como se impõe. LTr. Mera decorrência do princípio geral da proporcionalidade. Impostergável é. segundo sublinhado acima. o que não significa necessariamente extensão da medida a todos os empregados. ser previamente avisado da possibilidade da revista. Commento allo statuto dei diritti dei lavoratori.1998 in DJU de 15. em 31. sem qualquer distinção. O novo Código Civil e o Direito do Trabalho. 19.

187). Le candidat à un emploi ou le salarié est tenu d'y répondre de bonne foi”. da Lei n. do Código do Trabalho de Portugal. art. Do contrário. Há certas informações cuja prestação é obrigatória. São Paulo. 66. au candidat à un emploi ou à un salarié ne peuvent avoir comme finalité que d'apprécier sa capacité à occuper l'emploi proposé ou ses aptitudes professionnelles. também podem ser pedidas. 17º. 198. A experiência anterior do empregado constitui um exemplo. 77. n. não pelo ato em si da revista. LTr. Droit du travail et société – Les relations individuelles de travail. A boa-fé no contrato de emprego. e art. 1939. 293. volume terzo. 2001. 95. Rennes. É o caso do endereço do empregado. e Américo Plá Rodriguez. p. 1996.. Talvez se possa até mesmo falar em dever 44 45 Renato Corrado. 46 Art. nos termos do art. embora não obrigatórias. Proteção à intimidade do empregado cit. Presses Universitaires de Rennes. Torino. 47 Art. Trattato di diritto del lavoro. sejam “estritamente necessárias e relevantes para avaliar da aptidão (do trabalhador) no que respeita à execução do contrato de trabalho”. e Francisco Rossal de Araújo. É preciso que haja pertinência da indagação frente aos termos do contrato de trabalho48. Luiz de Pinho Pedereira da Silva. para efeito de tributação dos rendimentos decorrentes do trabalho assalariado47. 195. mas pela forma ilegítima e abusiva como ela é realizada (Código Civil. il faut encore les réaliser correctement. 387. Dalloz. p. sous quelque forme que ce soit. p. 125. 121-6. 11 . n. 1998. UTET. do Decreto n. de modo que o empregador as pode legitimamente solicitar.247. de acordo com a observação de Josserand. 4º. Paris. De l´esprit des droits et de leur relativité. do Código do Trabalho Francês. do Decreto n. da contratação ou durante a vigência da relação de trabalho. 7º. assim redigido: “Les informations demandées. 9. 3. Nuevos aportes sobre la protección a la intimidad del trabajador em Direito do Trabalho – Estudos em homenagem ao Prof. Também o número de dependentes do empregado deve ser informado. 1969. p. inciso III. p.000. LTr. pois.250. inciso I. desde que.seleção dos que serão revistados44. São Paulo. haverá ilicitude. “il ne suffit pas d´exercer nos droits conformément à la bonne foi. 49 Alice Monteiro de Barros. 240. tendo em conta a regulamentação estabelecida para o benefício do vale-transporte46. prudemment” 45. 286. regra bastante próxima à do art. Ces informations doivent présenter un lien direct et nécessaire avec l'emploi proposé ou avec l'évaluation des aptitudes professionnelles. Nada há de irregular em o empregador indagar o candidato ao emprego a respeito do assunto49. 48 Jacques Le Goff. L. p. Outro aspecto delicado da intimidade do empregado relaciona-se com as informações que pode o empregador exigir no momento da seleção de candidatos. Certas outras informações.

A boa-fé no contrato de emprego cit. ou quando 50 António Menezes Cordeiro. 1. os que são obrigatórios. Manual de Direito do Trabalho. Não há como validamente as solicitar. há. Como ressalta o art. an organization may collect personal information without the knowledge or consent of the individual only if (a) the collection is clearly in the interests of the individual and consent cannot be obtained in a timely way. Poderão ser feitos ainda outros exames. 7. o direito à reserva sobre a intimidade no âmbito da relação de emprego compreende a preservação de informações relacionadas com “a vida familiar. Não pode o empregador. and despite the note that accompanies that clause. 707. 168. norma geral sobre proteção de informação. O art. desde que – como expresso no art. casos excepcionais. os de relevante interesse da informação ou de seu caráter público53. Editorial Centro de Estúdios.. todavia. or (d) the information is publicly available and is specified by the regulations”. como proposto em doutrina50. além dos obrigatórios. 2001. 12 . por exemplo. nem mesmo em se tratando de empregador de tendência. independentemente de questionamento do empregador. 53 Dispõe. 16º. do Código do Trabalho de Portugal. p. da CLT – “tenham por finalidade a proteção e segurança do trabalhador ou de terceiros. artistic or literary purposes. Em princípio não se deve admitir a obtenção de informações do empregado sem o seu prévio conhecimento e consentimento. Coimbra. como. questionar o empregado sobre sua convicção política. Droit du travail et société cit. do Código do Trabalho de Portugal. p. com o estado de saúde e com as convicções políticas e religiosas”. Ressalvem-se. Derecho del Trabajo. § 2º. em decorrência da boa-fé objetiva. Madrid. p. (c) the collection is solely for journalistic. n. 1999. a propósito. caput. o art. assim redigido: “For the purpose of clause 4. Almedina. ou seja. afectiva e sexual.do empregado de prestar informação do gênero. expressamente disposto no Personal Information Protection and Electronic Documents Act do Canadá. 559 e Francisco Rossal de Araújo. da CLT.3 of Schedule 1. do Personal Information Protection and Electronic Documents Act do Canadá. e o empregado tem a prerrogativa de não as revelar. aliás. invocando precedente da Corte de Cassação francesa. 251. (b) it is reasonable to expect that the collection with the knowledge or consent of the individual would compromise the availability or the accuracy of the information and the collection is reasonable for purposes related to investigating a breach of an agreement or a contravention of the laws of Canada or a province. suas preferências sexuais ou sua crença religiosa51. Jacques Le Goff. trata dos primeiros. Já algumas informações estão postas ao abrigo da ciência do empregador. Relativamente aos exames médicos. (1). de instituição vinculada a determinada crença ou convicção52. melhor redigido que o art. p. 51 Manuel Carlos Palomeque López e Manuel Alvarez de la Rosa. 196. aplicável também às relações de trabalho. os que são permitidos e os que são proibidos.. tal como em matéria de informação exigível do empregado. 52 Em sentido contrário. 168. como. por exemplo. 19º.

ante o interesse público na preservação da segurança de certas atividades54.records or information compiled for law enforcement purposes. Interpretando esse dispositivo.C. determinar. A regra do art. do U. 5º. a Suprema Corte norte-americana registrou: “As a general rule. por qualquer meio ou forma.029. alguns de modo expresso. 237. the statute recognizes limitations that compete with the general interest in disclosure. if the information is subject to disclosure. nos termos da Lei n. Ac. hodiernamente e em tempos de globalização.. it belongs to all... Juíza Vera Marta Publio Dias. pelas garantias da personalidade e da dignidade humanas. in appropriate cases. p.06. afastando-se cada vez mais de sua antiga visão privatística. Proibição expressa existe relativamente a exame para apuração de gravidez ou de esterilidade. que não desaparece por haverem sido transmitidas. não é mais um simples empreendimento em busca de lucros para um pequeno grupo. O interesse público não justifica toda e qualquer quebra da intimidade. 10ª T. a despeito de o Capítulo 5. certos exames estão proibidos. mas também a responsabilidade pelos seus empregados.segurança . as informações obtidas em decorrência do contrato de trabalho não 54 “Contrato de transporte aéreo de pessoas e coisas . embora não estejam expressamente proibidos. mas a segurança da população em geral e clientes em particular. Por fim. (certiorari n. inciso XIV. 9.particulares exigências inerentes à actividade (os) justifiquem”.”(TRT – 2ª Reg. Na jurisprudência brasileira chegou-se mesmo a admitir o uso do polígrafo. however. da Constituição. o que se afigura excessivo. nos termos do Freedom of Information Act (FOIA). tem um novo papel no contexto social eis que. como empregador. cuja salvaguarda é também de interesse público. 55 Eduardo Milléo Barac at. Assim. RO n. vem se amoldando cada vez mais à dinâmica social. 00735200203602002. que os órgão governamentais permitam o acesso público a certas informações. No direito norte-americano. não implica obrigação de tornar essas informações disponíveis a qualquer interessado.Há que se considerar. outros exames que. como seria o caso de exame destinado a apurar.. n. 02-954). envolvam práticas discriminatórias. § 552 (a). o item (b) (7) (C) do mesmo texto ressalva não se aplicar a determinação “to matters that are.S. 13 . As informações obtidas antes da celebração do contrato ou durante a sua vigência. When disclosure touches upon certain areas defined in the exemptions. por determinação legal.04). A boa-fé no Direito Individual do Trabalho cit. encontram-se protegidas por dever de sigilo55. 56 National Archives and Records Administration v. can overcome it”56. Rel. outros de forma implícita. 20040242581 in DOE de 01. a origem étnica do empregado. and that. but only to the extent that the production of such law enforcement records or information…could reasonably be expected to constitute an unwarranted invasion of personal privacy”. A subsunção do teste do polígrafo não tem por finalidade a salvaguarda do patrimônio da empresa.. do mesmo modo. que a empresa. Não se devem aceitar. a órgãos públicos. para assumir não só os riscos do negócio. Favish et al. por exemplo..

1. A ofensa. Cf. Previsão semelhante encontra-se no Código Civil suíço. sem o consentimento do interessado57. no exercício de suas funções. por exemplo.a direito de personalidade”. salvo motivo relevante. identificação de doença de notificação compulsória ou esclarecimento. como a subjacente no Statuto dei diritti dei lavoratori. depois de consumada. pelo que a prevenção adquire enorme relevância. as quais também ficam sujeitas a reserva. Não raro o empregado. instrução de processo. amparado por lei. É preciso não perder de vista que a proteção legal da personalidade. a simples ameaça de ofensa a direito de personalidade já é bastante para que se busque a devida proteção. 7. a previsão do art. que o fato de haverem sido as informações sobre a intimidade da pessoa obtidas com a concordância do titular do direito de personalidade não as torna suscetíveis de divulgação. ser reveladas a terceiros. n. de autoridade pública58. art. A tutela dos direitos de personalidade manifesta-se de modo amplo e em diferentes planos. cumpre não adotar concepção unilateral. 164. toma contato com informações pessoais do empregador. A proteção constitucional da intimidade e da vida privada do empregado cit. com o seguinte teor: “O empregador e o trabalhador devem respeitar os direitos de personalidade da contraparte. pois. respectivamente: “Celui qui subit une atteinte illicite à sa personnalité peut agir en justice pour sa protection contre toute personne qui y participe”. n. aludiu à possibilidade de pedir-se “que cesse a ameaça. Ainda no tocante ao direito à intimidade.. 59 I diritti della personalità cit. apenas. estende-se igualmente ao empregador pessoa física. 14 . De início. imminente ou actuelle. 28. designadamente. dispondo os arts. 141. ao contrário do que pareceu a Adriano de Cupis59. (3). do Código do Trabalho de Portugal. n. que conhece a vida íntima do empregador e de sua família. que se ocupa apenas da tutela do empregado. p. 16º. p. 6. 12. e 28c. Ressalte-se. n. guardar reserva quanto à intimidade da vida privada”. em princípio.. nem sempre comporta reparação adequada ou suficiente. 1. é suficientemente expressivo e dispensa outras referências. sob forma cautelar. como. do Personal Information Protection and Eletronic Documents Act. especialmente no tocante à intimidade. et que cette 57 58 Sandra Lia Simón. cabendo-lhes. Tutela dos direitos de personalidade. 355. do Canadá. e “Celui qui rend vraisemblable qu’il est l’objet d’une atteinte illicite.podem. Oportuna.. 1. do Código Civil. tanto que o próprio art. O caso do empregado doméstico..

foi submetido a revista íntima enquanto em vigor o seu contrato de trabalho. São Paulo. embora incompleta e imperfeita. e. o art. de indenização. n. 15 . 97. bem assim. 50. Butterworths. ademais. art. 60 61 Cf. Sobrevindo violação a direito de personalidade. que não estão taxativamente previstas em lei. p. sob pena de aplicação de multa ou de outra medida adequada (CPC. em cuja seção 13 (1) lê-se: “An individual who suffers damage by reason of any contravention by a data controller of any of the requirements of this Act is entitled to compensation from the data controller for that damage”61. 96. 123. do Personal Information Protection and Electronic Documents Act do Canadá confere amplos poderes ao juiz para determinar a medida adequada em caso de violação ao dever de sigilo. 273. ainda. pode-se postular tanto que ela cesse como. no Data Protection Act britânico. e n. do art. reparação do dano. Labor law. Tal o caso. e ficam “a determinar perante as circunstâncias do caso concreto”62. o art. Simon Deakin e Gillian S. Cf. p. Estêvão Mallet. (a) order an organization to correct its practices in order to comply with sections 5 to 10. dá margem à emissão de ordem de abandono da prática. 769. peut requérir des mesures provisionnelles”. 62 Direito Civil – Teoria Geral cit. Como pondera José de Oliveira Ascensão. London. não trabalhando mais na empresa. 2003. Já a extração de informação contrária ao direito do empregado à intimidade permite tanto que se postule a condenação do empregador a não se utilizar do conhecimento obtido como ainda a destruir o registro em que contida essa informação. including damages for any humiliation that the complainant has suffered”. por exemplo.. na forma do art. para retomar exemplo anterior. 50-A. in addition to any other remedies it may give. prevista expressamente. a propósito. da CLT60. do empregado que. Antecipação da tutela no processo do trabalho. Nessa linha. Morris. portanto. 953.atteinte risque de lui causer un préjudice difficilement réparable. podem ser requeridas as providências adequadas.. aplicável subsidiariamente no direito processual do trabalho. LTr.. a única compensação possível para os que já foram atingidos pelo ato ilícito. p. whether or not ordered to correct them under paragraph (a). p. do CPC. 1999. Muitas vezes a indenização é. and (c) award damages to the complainant. 461. à condenação no pagamento de indenização (parágrafo único. Tem plena incidência no direito brasileiro. A realização de revista íntima pelo empregador. preceituando: “The Court may. por exemplo. do Código Civil). tudo sem prejuízo. 352. § 5º). 16. (b) order an organization to publish a notice of any action taken or proposed to be taken to correct its practices.

do Código Civil.. Éléments de droit roman. Roma. 1886. 65 “Indenização por dano moral – Fixação do valor – Desvinculação do tempo de serviço e do salário. deve-se deixar de lado a idéia de indenização rigidamente tarifada. até porque não há como medir monetariamente a extensão do dano perpetrado. 1ª T. 20010669773. n. 02980038517. Saraiva. PJ. 20000561970. 02970026044. julg.10. 183. que pretende indicar parâmetros para estabelecimento da indenização. com fixação de indenização correspondente a um mês de salário por ano de serviço. quando não se prova prejuízo material. do art. RO n. Ac. n. que permite melhor harmonizar os ideais de justiça e de igualdade67. Librairie de la Société du Recueil Général des Lois et des Arrêts. 8ª T. Rel.03. 170 e TA-PR. TRT 2ª Reg. A regra do parágrafo único. Précis de droit roman. p. nº 2154/2002. em 17.10. inversamente. 428). A aplicação analógica do art. Rel. 4ª T. diversamente do que já se sugeriu68. p.10.2001 in DOE SP. No direito romano mesmo.. 5ª Câm. o valor fixo da indenização devida em caso de atentado à dignidade da pessoa. Marescq. em 26. 9ª T.2001. e Gaston May.. A gravidade da lesão nem sempre guarda nexo com o valor do salário do empregado ou com o tempo de vigência do contrato de trabalho65. 67 É a justificativa que oferece Jhering à evolução correspondente à actio injuriarum aestimatoria (L´esprit du droit romain. Comentários ao Código Civil.. Juiz Godoy Ilha in DJSC de 07. tome deuxième. Juiz Marques Cury in DJ de 22.896/98. Juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva. de 26. Rel.998. Ac. Ac. de 10. PJ. § 33. 142. se inicialmente era definido. p. ante os termos da Súmula 281. Juiz Luiz Edgar Ferraz de Oliveira. Juiz Dirceu Júnior in DJPR de 03. 68 Carlos Roberto Gonçalves. RO n.2ª Reg. 492 e segs. Na verdade.1999. do Superior Tribunal de Justiça63. p. São Paulo. 953. p. pouco esclarece.289-3. n. 64 TRT . 677. Em jurisprudência: TRT – 12ª Reg. Casa Editrice Gismondi. 1901. Ac.2002. La certeza del diritto. Paris..1. Os limites previstos na Lei de Imprensa já não mais são invocáveis.. n. 556. 2003. 92). O arbítrio. proposta mais de uma vez em jurisprudência64. p. 16 .. julg. 142. 66 Accarias. Concebe-se seja produzido dano gravíssimo a empregado recém admitido e remunerado com salário bastante baixo ou. p. da CLT. O valor da indenização por dano moral deve ser arbitrado levando-se em conta a gravidade da ofensa apenas.01. Cív. Paris. é incompatível com a idéia de direito69. Rel.. 148. tome second. sem levar em conta as peculiaridades de cada situação.1998. n. nº 6.O valor da indenização não se acha fixado em lei. Dela não se extrai esteja o julgador investido de “prudente arbítrio” para fixar o valor da indenização. 356 e segs. Ac. conquanto não exista precisa 63 Preceitua a citada Súmula: “A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na Lei de Imprensa”. 1891. 69 Flavio Lopez Õnate. Rel. Ap. caput. evoluiu-se para sistema de determinação do montante por meio de estimativa do juiz 66. Paris. n. sem e considerar o tempo de serviço ou a remuneração percebida.1998 in DOE SP. dano pouco expressivo a empregado com largo tempo de serviço e salário elevado. Cív. Em síntese. mesmo quando prudente. ante a vaga alusão às “circunstâncias do caso”. não escapa a crítica.04. de modo antecipado.” (TRT – 9ª Reg.. Librairie Cotillon. 1942. 9790. 478.02.

1972. Rel. 58). não se deve perder de vista o caráter dissuasório – e não apenas reparatório – da indenização 73. p. State Farm Mutual Automobile Insurance Co. a Suprema Corte dos Estados Unidos da América registrou: “Perhaps the most important indicium of the reasonableness of a punitive damages award is the degree of reprehensibility of the defendant's conduct”71. por exemplo. Ofensa ao direito à vida reclama condenação economicamente mais severa para o agressor do que ofensa ao direito ao uso do nome.2001 in DJMG de 23. 10. TRT – 3ª Reg.2001.S. RO n. RO n. A Text-book of Jurisprudence. julg. no mesmo sentido. Oxford. Se houve mera culpa. 72 TRT – 3ª Reg. p. Dalloz. se reveste também de função punitiva74. Claredon Press. is not compensation but the deterrence of inefficient accidents” (Economic analysis of law. La colpa nel diritto civile odierno. n. julg. Por fim. p. do Código Civil.272/2000.2003. Como escreve Richard A. Do mesmo modo. no direito brasileiro. 89. 20. “if compensation is the only purpose of the negligence system. v. indenização menos elevada do que a atribuída em caso de dolo72.09. em 18. 73 Raymond Lindon.01. 329. Min. do art. (U. Fratelli Bocca. 00106-2002-092-03-00 (14. Rel.. Paris.. 1998. volume II. 491. 944. em 24.00. 15.S. Elements of English law. REsp. com apoio no parágrafo único. certiorari 011289). há critérios cuja observância não se pode deixar de lado.04. 559. New York.. 70 Cf. p. A indenização por dano moral deve guardar correspondência com o dano e deve representar. como soa até mesmo evidente. n. 210. Sálvio de Figueiredo Teixeira in DJU de 11. s. v. Critério de fixação. 220). 3ª T.515/2002). 71 517 U. p. Aspen Publisher. Henry Holt and Company. p. it is indeed a poor system. Inc. é preciso levar em conta a relevância do direito violado. Donald (165 U. p. being both costly and incomplete.. 256455. Na jurisprudência de direito comum: STJ – 3a T..delimitação do valor da indenização devida em caso de prejuízo sem natureza material. consoante reiteradamente enfatizado pela doutrina britânica70 e pela jurisprudência norte-americana em matéria de punitive damages. La création prétorienne en matière de droits de la personnalité et son incidence sur la notion de famille. como bem registrado na seguinte decisão: “Indenização por dano moral. 1906. 1974. Geldart. cf. Também o grau de repreensibilidade da conduta do agente causador do dano deve ser considerado. e George Whitecross Paton. Posner. d. veja-se o julgamento mais antigo proferido também pela Suprema Corte dos Estados Unidos da América em Scott v. Juiz Sebastião Geraldo de Oliveira. admite-se. Na paradigmática decisão tomada em BMW of North America. Juíza Maristela Íris da Silva Malheiros. 17 . Rel.. 2ª T. 74 Chironi. se o agente obrou de modo fraudulento sua conduta demanda sanção mais firme. W. however. Ainda. Torino. n. Em primeiro lugar. embora não perca a indenização a sua função reparatória..S. Campbell et al.2002 in DJMG de 25.12. p. 414bis. M. Pode-se dizer que. 162. Sempre reiterando a orientação. mais recentemente. Its economic function.05. New York. Gore.

2000 in DJMG de 28. p.. 75 TRT –3ª Reg.. em idênticas condições.. Ainda no mesmo sentido: “Na fixação da indenização do dano moral.02. deferida certa indenização. esse deve servir como inibidor de futuras ações lesivas à honra e boa fama dos empregados. RO n. Min. havendo repetição da ofensa ao mesmo direito.02. julg. julg. uma sanção ao agressor. Juíza Taísa Maria Macena de Lima.2003 in DJU de 21. eleve-se o valor da condenação.ainda. Antônio José de Barros Levenhagen. RR n. 18 . não se exclui que. para que não se repita novamente a conduta. tendo em conta a situação econômica do ofensor. 16. Rel. 808/2000. 2ª T.571. Rel. em 13. deve o juiz se nortear por dois vetores: a reparação do dano causado e a prevenção da reincidência patronal.”(TST – 4ª T.2000. Logo.06. além de estimar o valor indenizatório.06. Vale dizer que. em 05. 641.2003). de modo a coibir a repetição dos atos lesivos”75.