Exmo. Senhor Presidente do Conselho Executivo Exmo. Senhor Presidente do Conselho Pedagógico Os professores do Departamento de Línguas da E.B.

 2,3 /S Sacadura Cabral , em defesa da  qualidade do ensino e do prestígio da Escola Pública entendem ser urgente  suspender a aplicação  do novo Modelo de Avaliação de Desempenho pelas razões que, a seguir, se enumeram:

1. Todo o processo de implementação deste modelo de avaliação de desempenho docente tem sido
conduzido pelo Ministério com total ausência de diálogo com os professores, uma grande falta de transparência e grande pressão sobre os órgãos de gestão e pedagógicos das escolas para implementação de todo o processo. A aprovação retroactiva de procedimentos administrativos, nomeadamente no caso de delegação de competência de poderes de avaliação é o exemplo de que este é um processo apressado e irreflectido.

2. Os docentes deste departamento não questionam a avaliação de desempenho como instrumento conducente à valorização das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotor do desenvolvimento profissional – pelo contrário, exigem-na;

3. No entanto, este modelo de avaliação é baseado numa divisão artificial da carreira e da classe docente, independentemente da sua competência pedagógica, técnica e científica. Desencadeia situações paradoxais de avaliadores possuírem formação científico-pedagógica e académica inferior aos avaliados;

4. O actual modelo de avaliação de desempenho dos professores assenta numa perspectiva excessivamente burocrática, dá primazia aos meios, estratégias, planificações e recursos utilizados, em detrimento do processo de ensino-aprendizagem, pois a sua apressada implementação tem desviado as funções dos professores para tarefas de elaboração e reformulação de documentos legais necessários à sua implementação em detrimento das funções pedagógicas;

5. O trabalho acrescido, na tentativa de operacionalizar o processo de avaliação de desempenho docente, constitui uma efectiva sobrecarga de trabalho, muito para além das 35 horas exigidas por lei, com prejuízos evidentes na vida pessoal e profissional dos professores, nomeadamente por parte dos professores avaliadores. A escola tende a tornar-se um cenário de professores afogados em burocracia, instabilidade e insegurança, situação inconciliável com o verdadeiro propósito da docência. Não pode haver ensino de qualidade e sucesso escolar se os professores investem a quase totalidade do seu tempo não-lectivo na elaboração e preenchimento de um emaranhado de documentos burocráticos nos quais se fundamenta este modelo de avaliação;

6. Não é legítimo que a avaliação de desempenho docente dos professores e a sua progressão na carreira se subordine a parâmetros como o sucesso, abandono escolar e avaliação atribuída aos seus alunos, já que a imputação de responsabilidade individual ao docente pela avaliação dos seus alunos contraria a norma que a decisão quanto à avaliação final é da competência do Conselho de Turma. Por outro lado, como será possível garantir a imparcialidade da atribuição das classificações dos alunos se as mesmas constituem um dos parâmetros considerados na avaliação docente;

7. Este modelo de avaliação de desempenho produz um sistema prevalentemente penalizador e não potenciador de futuros desempenhos, além de que não discrimina positivamente os docentes que leccionam ou desenvolvem projectos com as turmas mais problemáticas e com maiores dificuldades de aprendizagem.

8. Os professores deste departamento rejeitam a penalização do uso de direitos constitucionalmente protegidos como sejam a maternidade/paternidade, doença, participação em eventos de reconhecida relevância social ou académica, cumprimento de obrigações legais e nojo, nos critérios de obtenção de Muito Bom ou de Excelente;

9. O regime de quotas permite uma manipulação dos resultados da avaliação, podendo gerar nas escolas
situações de profunda injustiça e parcialidade, provocadas pela existência de percentagens máximas para atribuição das menções qualitativas de Excelente e Muito Bom. Acresce que os avaliadores, devido à existência de quotas, são parte interessada nos resultados da avaliação , estando abrangidos, a nosso ver, pelo impedimento previsto na alínea c) do artigo 44º do Código de Procedimento de Procedimento Administrativo. .

Deliberação aprovada, por unanimidade, na reunião do Departamento de Línguas de 12 de Novembro de 2008

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