ISCE – Instituto Superior de Ciências Educativas

Nacionalismo e pós-modernismo

Curso de Educação Musical – Ciências Musicais III João Guimarães Ribeiro – 2.º ano

Índice
Apresentação.....................................................................................................................3 Nacionalismo.....................................................................................................................4 Dvorak - Biografia.............................................................................................................6 A “Sinfonia Nº 9, Do Novo Mundo”.................................................................................9 Pós-Modernismo..............................................................................................................12 Fernando Lopes Graça - Biografia..................................................................................14 Fernando Lopes Graça e a Música Coral........................................................................16 O Compositor intelectual.................................................................................................17 Piano – instrumento dominante.......................................................................................18 Bibliografia......................................................................................................................19

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Apresentação
Em todas as vertentes artísticas, a história é recheada de períodos ou escolas, e logo em seguida bruscas rupturas das leis estéticas

Tal momento de ruptura é de grande valia para a continuidade dos acontecimentos nas artes em geral. mais propriamente dito. Quase sempre influenciado por motivos socioeconómicos. será abordada a influência dos compositores do ponto de vista musical composicional nas gerações de compositores posteriores. O presente trabalho é o resultado de uma pesquisa sobre dois compositores de duas épocas diferentes. Na segunda parte do trabalho falo um pouco do movimento Pós-modernista. As épocas em questão são o Modernismo e o Pós-modernismo. e em tudo o que de novo ele nos trás. essa quebra de valores suscita uma transformação na sociedade que se reflete nas artes. por ser o país onde o compositor Antonín Dvorak passou a maior parte da sua vida. Na primeira época escolhi o compositor Nacionalista Antonín Dvorak.vigentes de modo a formar uma nova escola ou período. e do Pós-modernismo escolhi um compositor português Fernando Lopes Graça. abrindo novas portas e possibilidades de realizações. Por fim. e as vertentes estéticas resultantes. 3 Nacionalismo . É necessário se desprender do passado para melhor ver o futuro. reciclando os conhecimentos adquiridos para alcançar novas fronteiras. na Checoslováquia. e depois centralizo-me no compositor português. sendo que a primeira parte centraliza-se na Europa. O trabalho foca quais as características de cada movimento cultural.

não significa países menos desenvolvidos do ponto de vista cultural. Houve países onde floresceu mais que nos outros. este movimento teve origem nas tradições folclóricas que estavam muito implantadas nos seus países. No entanto por serem considerados países rurais.Dizem as enciclopédias que este movimento teve origem na Europa através da revolução Francesa e que se trata de uma corrente política. estando associado ao desenvolvimento económico e à cultura agrícola implementada. Se tomarmos como exemplo a antiga Checoslováquia ou a Hungria. verificamos que nas cidades existe uma menor . Se nos quisermos concentrar no Nacionalismo musical. Mas as raízes do Nacionalismo podem e devem ser encontradas não só no espectro político como em todas as vertentes de qualquer sociedade.

a Noruega com Grieg. ou seja. na Checoslováquia apareceram Smetana. XVIII. Não se pode negar que teve um papel fundamental na evolução estética musical de cada país. Dvorak e Janacek. na Rússia o grupo dos cinco. pois como se sabe a fonte de inspiração da música vem em grande parte de origem popular. Granados. Sabe-se que o nacionalismo musical como movimento teve uma importância excepcional. Referindo-me agora ao nacionalismo Checo. . eslovaco. Existiram vários compositores que são a prova desta afirmação nacional. XIX. e também pelo seu desmembramento. factos estes que contribuem para uma maior conservação da cultura rural ao longo do passar dos anos. na Suécia com Gade e Nielsen. Com o movimento nacionalista começou a existir uma necessidade de afirmação nacional que deu origens a vários movimentos deste tipo pela Europa fora desde o século XIX até aos inícios do século XX. Mas nestas cidade existe um fluxo de emigração menor e um desenvolvimento mais lento. a chegada do Romantismo originou o aparecimento de vários movimentos nacionalistas e é assim que aparece na região da Boémia um compositor ( Bedrich Smetana) a introduzir e a integrar as tradições folclóricas da sua região e do seu país nas suas músicas. Mas o curioso é que na altura não existia propriamente dito uma música checa. Dargomyzhsky e Glynka fizeram a sua escola.concentração de população que nos países mais desenvolvidos economicamente. Falla e Rodrigo. constatamos que Praga foi um dos grandes centros de actividade cultural. A partir do Séc. Seja pelo que for. pois por ali passaram e cruzaram-se muitos dos principais estilos musicais europeus da época. húngaro e outros têm uma particularidade pois foi marcado pela ocupação e opressão exercida pelo império Austro-Húngaro. na Finlândia com Sibelius e a Espanha com Albéniz. nomeadamente o alemão e o italiano. e verificando o que se passou ao longo do Séc. 4 O nacionalismo musical checo. sabe-se que o folclore foi conservado e serviu de fonte de inspiração.

5 Antonín Dvorak – Biografia Antonín Dvorak nasceu a 8 de Setembro de 1841. juntando o rigor dos alemães ao espírito nacional boémio. sendo Dvorak o mais velho. Verificamos que o discípulo Antonin Dvorak continuou o mesmo caminho. Dvorak foi um compositor que conseguiu dar à música checa uma projecção a nível mundial que até então não possuía. embora utilizou uma linguagem mais lírica e descritiva. Os seus dotes artísticos revelaram-se . O seu pai e avô foram talhantes e hospedeiros.mas ao mesmo tempo adaptando os estilos italiano e alemão às características do povo checo. profissões que Dvorak nunca idealizou. em Nelahozeves. Casou-se com Anna Zdenková e desta união resultaram 8 filhos. numa aldeia situada a 70 quilómetros de Praga.

6 Concluídos os estudos. Foi com a estreia do hino patriótico “The Heirs of the White Mountain”. A sua primeira experiência foi “Alfred” e de seguida “King and Charcoal Burner” (1871). Dvorak integrou a orquestra do Teatro Provisional de Praga. que o sucesso se juntou a Dvorak. a 9 de Março de 1873. com a intenção de aprender alemão. ao aperceberse do seu talento ensinou-lhe harmonia. recebendo aulas do seu pai que tocava cítara e violino e de Josef Spitz. sede de ópera checa. escreveu várias obras. para Zlonice. que posteriormente se comutou na orquestra do Teatro Provisional de Praga. e teve estreia em Novembro de 1874. “Serenata em Mi Maior” e a “Sinfonia Nº5”. Foram tempos de trabalho árduo. Esta tentativa teve sucesso e Dvorak passou a frequentar a Escola de Órgão de Praga onde se tornou aluno de Josef Foerster (1857-1859). que até então. Dvorak viu-se obrigado a cumprir o ofício militar. Com a ansiedade de se aprimorar n arte musical. Foi neste ano que casou com Anna Cermaková. a ópera. um dos autores que mais o influíram. a qual foi reformulada. pois morreram os seus três filhos mais velhos . fundado em 1862. órgão. Em 1855 e 1856. como os “Duetos Morávios”.prematuramente. compôs a “Sinfonia Nº3 e ocupou o posto de organista na Igreja de São Adalberto. entre 1862 e 1873. tentou convencer o pai. nunca se atrevera a experimentar. O seu professor. ingressou como violetista num agrupamento de música popular. Neste período. deu os seus primeiros frutos com as composições para piano. embora por pouco tempo. mas também de grande sofrimento. Foi enviado pela família. Foi nesta orquestra. onde teve a oportunidade de dar a ouvir as suas primeiras peças e de conhecer a obra de Brahms. por Dvorak. Antonín Liehmann. nitidamente nacionalistas. que esta podia constituir uma fonte de vencimentos para a família. docente na escola da aldeia. em Praga. com o seu interesse pela música. piano e viola d’arco. Nasceu assim um interesse.

do qual resultou um convite para dirigir variados concertos em Moscovo e São Petersburgo. compões a “Sinfonia Nº9. Em Nova Iorque. Apresentou “The Spectre’s Bride” em Birmingham. a troco de 15 mil dólares anuais. Quando regressou a Boémia (aldeia onde nasceu) teve um encontro com Tchaikowsky. Quando decidiu que a viagem valia a pena. Em 1882. Durante a cerimónia ouviu-se a “Sinfonia Nº8” e o “Stabat Mater”. Nesse mesmo ano recebeu 7 um convite para dirigir a instituição. o que revela que o campo lírico foi sempre mais forte. Este sofrimento pessoal levou-o a compor o delirante “Trio em Sol menor” e o comovente “Stabat Mater”. para a celebração do 4º centenário da chegada de Colombo às Américas e escreveu “Quarteto em Fá Maior Americano” e o nobre “Concerto para Violoncelo e Orquestra”. Em 1892. Este tempo caracterizou-se por intensa criatividade. onde acabou por ser nomeado membro honorário de London Philharmonic Society (1885). Josef Suck. onde teve como seu aluno.(1876). Em 1890. no mês de Setembro partiu em direcção aos Estados Unidos. por Jeanette Thurber. que posteriormente se tornou seu genro. publicou os “Duetos Morávios”. Ocupou uma cátedra no Conservatório de Praga. recebeu o douturamento “honoris causa” pela Universidade de Cambridge. Fritz Simrock. . fundadora do Conservatório de Nova Iorque. Dvorak decidiu assimilar ritmos negros e melodias indígenas até então desconhecidas. nos quais foram interpretados a “Sinfonia Nº6” e as “Variações Sinfónicas”. Em 1879. Do Novo Mundo”. apressou-se a ultimar os expedientes relativos à sua dispensa do Conservatório de Praga. em 1891. os quais ajudaram na notoriedade de Dvorak e no aumento dos seus honorários. compôs a ópera histórica em quatro actos apelidada “Dimitri”.

“Arminda”. Após algumas doenças temporárias. vítima de uma trombose cerebral. do qual se tornou director. A sua enorme paixão pelo lírico conduziu-o a concluir a ópera “Kate and the Devil”.Em Maio de 1894 voltou a Praga e em 1895. foi-lhe diagnosticada uma alarmante uremia. 8 A “Sinfonia Nº 9. Morreu a 1 de Maio de 1904. Dvorak foi sepultado no cemitério dos heróis de Vysehrad. que se revelou um fracasso em 1904. representada no Teatro Nacional de Praga em 1900. Em 1903. Como consequência. A última foi publicada como “Sinfonia Nº5” e assim conhecida até à década de 70. Prosseguiu o modelo beethoveniano utilizando temáticas checas e compôs nove sinfonias. recomeçou a sua actividade como docente no Conservatório de Praga. produziu a sua última ópera. Dvorak perdeu o ânimo que se incidiu na sua saúde. . Perante uma comovida multidão. Do Novo Mundo” Dvorak cultivou desde muito cedo a sinfonia como um género alemão. Dvorak atribuiu-lhe o subtítulo “Do Novo Mundo” que teve estreia a 16 de Dezembro de 1893 no Carnegie Hall de Nova Iorque.

na qual se insere a possibilidade que o compositor tenha dedicado temas de ambas as linhagens. folclóricos Americanos. Dvorak disse a um discípulo que uma das passagens do segundo andamento representava o pranto da jovem índia ao despedir-se de Hiawatha. Foram os americanos em particular que se interessaram em encontrar estas semelhanças e as suas afirmações. O título de “Sinfonia do Novo Mundo” deve-se à temática principal. O chefe índio Hiawatha costumava todos os anos. sabia-se que apenas se utilizava o folclore popular. Actualmente. todas as pretensões de atribuir a sua procedência a um ou outro folclore não foram nada científicas: pois não aparece nenhuma que seja estritamente copiado deste folclore.A “Sinfonia Nº9. Posteriormente. foi extraído do poema “A Canção de Hiawatha”. 9 Desde então. que narra a história das cataratas Minnehaha. Pois na Europa. estudos desmentem esta opinião e classificam-na como sendo construída sobre temas nitidamente checos ou eslavos. Largo. Contudo. enquanto se começa a articular uma terceira hipótese. É incompreensível que os europeus tenham admitido este erro e inclusivamente denunciável os ter seguido fielmente. Ao observarmos cuidadosamente os esboços do segundo andamento. despedaçando-se violentamente contra as rochas. verificámos que foram realizadas inúmeras alterações. Longo. por ingenuidade e adversidade foram aceites por muitos estudiosos europeus. a mulher. Até hoje. perto de Mineápolis. Minnehaha (“água sorridente”) atirou-se às cascatas. . O tema principal do andamento lento. estas duas versões reafirmam-se nas suas posições. Para impedir o chefe de aplicar esta lei. através de uma discussão sobre a arte Boémia e sobre as características que o definem nas suas obras. sacrificar uma jovem a fim de compensar os espíritos da cascata. a catarata adoptou o seu nome. existem semelhanças que se verificam nos sujeitos que aparecem ao longo da sua obra. Do Novo Mundo” está na totalidade de mi menor e situa-se cronologicamente entre o “Te Deum” e o “Quarteto em fá maior”. de Longfellow.

A sinfonia começa com um andamento marcado “Adagio. à entrada do “Allegro”. que levou a cabo a sua tarefa por amor à música do compositor checo. o último compositor do romantismo. Simrock. depois de um duplicar de timbales.000 marcos que o compositor pediu. em uma escala leve e ascendente. As flautas responsabilizam-se de dar um traço mais melancólico ao segundo tema. Quando Simrock a publicou na Alemanha. e teve um êxito extraordinário. Depois deste desenvolvimento. Enquanto o segundo motivo na corda baixa acompanha os violinos e os instrumentos de madeira. As sinfonias sétima e oitava são tão belas e aceitáveis como a que estou a descrever. no Carnegie Hall. O terceiro tema em sol maior insiste no ritmo do primeiro tema e é o que induz a diversos críticos a assimilá-lo com o canto espiritual negro “Swing low swing chariot”. o editor consentiu em pagar 6. O editor. ficou a saber que não podia discutir mais com Dvorak e principalmente com a sua qualidade no mundo da música. Por fim. O segundo andamento da obra é muito longo e começa com longos acordes. que repete de seguida a corda. No “Adágio” introdutório. a rectificação de provas foi encomendada a Johannes Brahms. Allegro ma non troppo”.A “Sinfonia do Novo Mundo” teve estreia em Nova Iorque. Dvorak enfurecido não aceitou e disse que daria a outros editores que lhe pagariam o dobro. queria pagar por ela apenas 3. O segundo motivo do “Adágio” numa nova versão. Este êxito contagiou na Europa e foi determinante para o resto da obra sinfónica do autor ter sido ofuscada. um motivo extraído do principal serve de passagem para uma recente exposição deste que leva. conduz-nos à repetição do “Allegro” que desta vez é cantado por todos os instrumentos de metal. Na primeira.000 marcos. violoncelos e flautas levam-nos de novo aos acordes 10 . o motivo apresenta-se em duas versões. As discussões frequentes entre Dvorak e Simrock deram origem a uma história bastante curiosa. mas sem saber se conseguia pagar ou não esta quantia. há uma reexposição na qual a forma de orquestra varia constantemente. quando lhe encomendou a edição e publicação da sétima sinfonia.

o enraizamento no folclore do país. A ideia de Dvorak é alcançar uma linhagem musical tão coerente. nunca se torna repetitivo ao ouvido e continua a surpreender-nos a cada andamento. Na primeira parte há uma variação subtil do tema referido pela corda que através de sete compassos nos leva à reexposição. dando uma uniformidade ao pensamento que várias vezes faltava ao modelo da sinfonia clássica. Na segunda parte “Un poco piú mosso”. que nos leva ao aparecimento do tema de instrumentos de metal. chega-se à introdução em mínimas dos acordes que iniciam o andamento e uma zona sobre – aguda reforçada pelas flautas e oboés. apesar de ser o mesmo. acto que se irá repetir em Bartok. mas desta vez ouvimos os instrumentos de madeira em sustenido e reforçados pelas trompas no fim. Nos clássicos existe esta pretensão de unidade. aparece tratado com figuras de valor duplo. criando a unidade da sequência tonal. a partir deste marco. como por exemplo a sua Nona Sinfonia. ajustada a uma quantidade indeterminada de peças a que apenas se unia. na qual o discurso.que fazem a apresentação deste andamento. que são considerados como instrumentos principais no primeiro andamento. Dvorak comuta as quatro partes num todo. que foi dos primeiros a usar através dos quatro andamentos que geralmente o esquema da sinfonia clássica tem. pois é uma descendente directa da “suite”. É fundamental que apareça o romantismo e um compositor revolucionário para que surja um todo através dos quatro andamentos clássicos da sinfonia. É preciso realçar que as coisas são mesmo assim no período da sinfonia clássica. o tema cantado por flautas e oboés conduz-nos a “Un poco meno mosso” onde o primeiro tema exposto pelos violinos. Outro aspecto a evidenciar é a claridade com que é mostrado o regresso às fontes. em que Dvorak juntamente com Tchaikovsky. Dvorak expôs esta melodia com uma economia de meios orquestrais que nos mostra o grande mestre que chegou a ser. que o orientou a criar um folclore próprio. deixou quase por completo de ser seguido sem ser em formas distintas da sinfonia. Em “Allegro com fuoco” reaparecem todos os temas principais da sinfonia. em Albeniz e outros compositores que fizeram parte da escola do . um andamento cíclico total. Depois de várias repetições. Não se chega a nenhuma conclusão.

demasiado cedo. pois caminhava por um caminho promissor e a sua contribuição poderia ter sido ainda mais notável. Tem como expoentes Leopoldo Lugones. fazendo com que os compositores de todo o Mundo centrassem toda a atenção para o interior das suas perspectivas pátrias. Pós-Modernismo Corrente literária de expressão hispano – americana. seu fundador segundo alguns críticos. As tragédias sociais que agitaram o mundo na primeira metade do século XX revelam o quanto enganador era continuar a fazer música em termos do passado. típicas da Idade Média. Uma corrente nacionalista desenvolveu-se com Béla Bartok. Amado Nervo. Acentuados motivos de carácter romântico e reage contra as literaturas tradicionais e contra os escritos naturalistas. finais do século XIX. Inspira-se em temas e problemáticas orientais e ainda em outras. 11 Antonín Dvorak falecer. . talvez. princípios do século XX. Manuel Machado e Ruben Dário.nacionalismo musical e que em última instância trouxeram muito aos criadores que os seguiam.

O modernismo valoriza essencialmente a criatividade e a inovação. Seguidamente. O desenvolvimento que ocorreu depois do movimento modernista. cujas figuras mais representativas são: Bartok. menos categorizantes e reservados. Sacrorum Antistites. deu-se a revolução anti – romântica através das obras de Stravinsky. Honnegger. a maioria das tendências modernas. música aleatória e o animalismo que são designados por pós – modernismo. à coexistência do pós – romantismo com o movimento impressionista. materiais e genética ocorrem mudanças no modo como a sociedade pensa e nas suas instituições. A modernidade que surgiu nesse período é criticada pelos pilares imprescindíveis. literatura e sociedade. que iriam servir de base na superação . É diferenciado do pós – modernismo a consciente aceitação de filosofias pós – modernas ou traços da arte. por outro. Surgiu entretanto.Surge um movimento religioso que procura renovar os cânones tradicionais da Igreja Católica nos finais do século XIX. por um lado. Assim. compositor que se dedicou ao ideal da busca da música absoluta. A par da evolução das tecnologias de comunicação. como alcançar a razão. Prokofiev entre outros. As críticas apontam sobre o Homem e sobre os seus aspectos. da modernidade. no sentido de estabelecer a harmonia entre a fé cristã e as modernas críticas históricas e filosóficas. crença são na verdade novos e o rumo ao aperfeiçoamento. e a Igreja Católica e o evoluir da civilização ocidental. inclui música concreta. a segunda metade do século XX sofreu mudanças no pensamento e na técnica. designadas no século XV e fundadas no século XVIII. as condições na sociedade que fazem-na pós – moderna ou então o estado de ser que é associado a uma sociedade pós – moderna. Ravel. Este movimento pode ser a resposta para uma sociedade pós – moderna. sugeridos valores. Este movimento é condenado pela primeira 12 vez em 1901 e seguidamente em 1910 por Pio X. arte. Em suma.

13 Fernando Lopes Graça . a 17 de Dezembro de 1906. em público. mas antes deste acontecimento. escreve os primeiros artigos de ensaísmo musical na revista “De Música” que funda nesse ano com Pedro Prado. actuou. como pianista. Teve a sua primeira actuação como compositor. num quinteto organizado para acompanhar filmes no Cine – Teatro de Tomar. composição e ciências musicais e posteriormente matriculou-se no curso complementar de letras do liceu de Passos Manuel. Iniciou muito cedo os estudos em piano e solfejo. Frequentava o Curso Superior de Piano. Em 1929. Neste . em 1928.Biografia Fernando Lopes Graça nasceu em Tomar.

Por incumbência do Governo Provisório saído do MFA de 25 de Abril. Em 1986. reassume este posto novamente. Fernando Lopes Graça abandona a Faculdade de Letras como protesto contra certas medidas coercitivas tomadas pelo Conselho Escolar durante uma greve académica.º aniversário é condecorado pelo Presidente Mário Soares com o Grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. no qual dá a conhecer “Canciones de Tierras Altas” para canto e piano. 14 Entre 1940-1944. desde 1944. sobre poemas de António Machado. Em 1954. Em louvor da paz”. Vários acontecimentos ocorreram entre 1931-1932. escritas de propósito para as comemorações promovidas pela Universidade de . à 1ºaudição absoluta da sua peça sinfónica. alista-se no corpo de voluntários dos Amis de la République Française. a que assiste.mesmo ano entra. Nos anos seguintes. Realiza-se em Turim um concerto com obras suas. Obtém a 1ºclassificação em Piano mas. presta provas de concurso para as vagas de professor de Solfejo e Piano. da qual fora. Ao eclodir a Segunda Guerra Mundial. por motivos políticos. desloca-se a Paris com o Coro da Academia de Amadores de Música para realizar concertos em Pantin para os emigrados portugueses. ganhou três vezes o prémio de Composição do Círculo de Cultura Musical com o 1º Concerto para piano e orquestra. como pianista para a orquestra do Cinema Central de Lisboa. não é nomeado para esse lugar. que lhe valem ser preso e em seguida desterrado para Alpiarça. A convite do MFA (1975). assiste em Cracóvia. Henrique. o que o força a abandonar os seus cursos de Academia de Amadores de Música. executa. Por ocasião do seu 80. é-lhe cessado o diploma de professor do Ensino Artístico Particular. pela primeira vez em Portugal música para piano de Hindemith e Shonberg e escreve os primeiros ensaios em língua portuguesa sobre estes compositores. um dos directores artísticos. assume a presidência da Comissão para a reforma do Ensino Musical. em 1973. por decisão ministerial.

Ponta Delgada e Horta. Depois desta data. No seu catálogo.º aniversário da sua morte do seu mestre no Conservatório Nacional.Turim. para os 80 anos de Álvaro Cunhal. evidenciam-se as suas obras corais. 15 Fernando Lopes Graça e a Música Coral A música de Fernando Lopes Graça manifesta a confiança do compositor no domínio da palavra para confrontar de forma livre a opressão. manteve-se como maestro admirável durante três décadas. a influência da música tradicional portuguesa obtêm uma grande percentagem. numa ampla variedade de estilos e formas. com música do compositor Azio Corghi. de origem açoriana. Vítima de franquismo (1990). Padre Tomás Borba. mas é talvez particularmente . é convidado a assistir em Milão à estreia da ópera “Blimunda”. nas comemorações do 40. que foram compostas ao longo do século XX. Participa numa conferencista e pianista. Nas suas obras. baseando-se em alguma escolhas literárias que foram retiradas de obras das maiores vozes literárias da história e da contemporaneidade portuguesas. Neste mesmo ano. a “Música Festiva Nº 23”. em Agra do Heroísmo. concluída em Abril de 1994. Lopes Graça compôs ainda mais quatro obras até 1992 e uma quinta e última. extraída do romance “Memorial do Convento” de José Saramago. O Coro da Academia de Amadores de Música foi fundado por Fernando Lopes Graça. Fernando Lopes Graça faleceu a 27 de Novembro de 1994. Este grupo de obras mostra o seu domínio absoluto do instrumento coral. em homenagenm à figura do grande poeta espanhol.

a utilização de paralelismos melódicos. apresentam uma abordagem dramática e honesta ao tema. José Viana da Mota e Luís de Freitas Branco. revelando a segurança de Lopes Graça como compositor. Béla Bartok na sua integração de material genuinamente tradicional em técnicas de composição modernistas. o “Requiem pela vítimas do fascismo em Portugal”. sendo uma das suas obras mais valorizadas. Esta série de canções . No “Requiem” é evidente a influência da música tradicional portuguesa que torna claro. entre as quais prevalecem as peças escritas para piano solo e para voz e piano. Os textos da “História trágico – marítima” foram escritos quando grande parte da música oficial portuguesa era de natureza nacionalista. para além de um grandioso número de canções corais ou harmonizações para essa mesma formação. uma página coral – sinfónica.evidente nas duzentas peças corais que fazem parte das “Canções Regionais Portuguesas”. escritas para tenor solo. por último. O catálogo de Fernando Lopes Graça inclui. Este facto prejudicou-o. Foi aluno de dois compositores que determinam o caminho da música portuguesa. que remetem tanto para a canção popular como para a evocação da música sacra da igreja. As suas composições abarcam um vasto leque de formações intelectuais. nunca exerceu uma sólida influência através do ensino em estabelecimentos oficiais. . 16 O Compositor intelectual Fernando Lopes Graça é das figuras mais influentes da cultura portuguesa do século XX e o músico mais valorizado da sua geração. A “História trágico – marítima” para barítono e orquestra inclui breves interacções de um coro feminino. o que não significa que não sejam tão importantes. Estas adaptações corais mostram a influência do compositor. que por razões de natureza política. As suas composições para orquestra e coro não são tão numerosas.

acabaram por contribuir para a sua identificação com a tentativa de criação de uma música nacional portuguesa. José Régio. dominava a contento como pianista. A partir da década de 40. As suas obras mais ambiciosas foram o resultado de encomendas do Estado ou da Fundação Calouste Gulbenkian.Contudo. o seu arquivo pessoal foi doado ao Museu da Música Portuguesa. com o seu falecimento. a apreciar todos os estágios. Em Novembro de 1994. do elementar . nasceu uma imagem do compositor nacional. surgem em torrente criativa diferenciada. que ainda hoje está aberto ao púbico. cujo pressuposto era criar uma música que se tornasse no reflexo da oportunidade real. marcado pela sua militância no Partido Comunista Português. Fernando Lopes Graça principiou uma espécie de limbo dos intangíveis. oposto a Portugal “bonitinho” criado pelo Estado Novo. apesar de ser através de uma perspectiva negativa. na década de 30 considerava Fernando Lopes Graça. faz de Fernando Lopes Graça uma figura incontornável da pedagogia musical em Portugal durante o Estado 17 Piano – instrumento dominante É através do piano. décadas. que Fernando Lopes Graça. a sua prolífica produção artística e a sua persistente presença na imprensa portuguesa como crítico musical ao longo de quatro Novo. É fundamental distinguir as críticas direccionadas às suas opções ideológicas às críticas às suas obras musicais. pelo menos no nosso meio”. símbolo da resistência ao Estado Novo. que muitas das mais importantes contribuições formais e pianísticas do século XX. um compositor “revolucionário. Após o 25 de Abril. Os críticos de Lopes Graça. onde o principal objectivo era a desvalorização do seu talento enquanto compositor. dependente da Câmara Municipal de Cascais. O compositor manteve-se à margem dos lugares de decisão ou de influência.

O estilo de Lopes Graça é a consequência da sua atitude perante a música. Fernando Lopes Graça percorreu o século XX em quase toda a sua duração e o facto de ter produzido desde a juventude da idade adulta até ao acaso vivencial tornam possível uma contemplação a respeito da enorme contribuição que. podem ser consideradas um dos maiores depositários da técnica pianística do século XX. o talento existe. à natural fixação das impressões digitais. pode-se considerar que a exploração tímbrica. As suas primeiras composições criadas. a vida e a opção ideológica. abrange categorias distintas de percepção: do “multum mínimo” das privilegiando conjunto pequena monumentalidade arquitectónico excepcional representado pelas “Seis Sonatas”. Felizmente pianistas portugueses de alto nível têm revelado e expandido o reportório de Fernando Lopes Graça. por volta dos 20anos. A sua obra para piano tem sido divulgada e estudada com entusiasmo. já contêm determinadas estruturas que poderiam ser observadas em obras de plena maturidade. várias classes. Característica que identifica o autor no seu percurso. A in criação pianística obras. desse deste compositor a é excessivamente peça à diversificada. 18 Bibliografia . este compositor. desde a mais pequena ou determinadas sonatas monolíticas sem interrupção. trouxe para o piano.didáctico à mais apta virtuosidade. O instrumento das suas características tradicionais atinge o limite dos seus recursos. quando há vista de todos. Isso deve-se à necessidade de uma reafirmação da escrita manual e sobre outro abrigo. Se a virtuosidade é absoluta. rítmica e dinâmica também o são. compreendida como consequência e não como finalidade. para piano. Fernando Lopes Graça sabe editar a cada criação. pode das ser fases compartimentada independentes composicionais. As “Seis Sonatas” de Fernando Lopes Graça. A obra deste em compositor.

e Palisca. Ed. Ed. 2009. Gradiva. Ed. Temas da actualidade Candé. Edições 70. 2009. Frédéric. Roland. Edições 70 19 . 1994 Grandes Compositores da Actualidade. Claude V. História da Música Ocidental. Donald J. Grout. Graça. Compêndio de Música.Platzer. Dicionário dos Músicos. Ed. volume 4. Ed. Caminho. Tábua póstuma da obra musical de Fernando Lopes Graça. Fernando Lopes.

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