GEOGRAFIA CULTURAL OU ABORDAGEM CULTURAL EM GEOGRAFIA?

Paul Claval Professor Emérito, Universidade de Paris-Sorbonne, Francia p.claval@wanadoo.fr

1. Introdução Desejo mostrar o que o estudo da cultura traz para a Geografía. Durante a maior parte do século vinte, este tema joga apenas um papel pequeno na disciplina: a orientação dominante permanecia positivista ou neo-positivista até os anos setenta. Os colegas evitavam a análise das imagens e representações por que elas não tinham uma realidade material. Por exemplo, quando falavam da religião, eles descreviam as igrejas, as estátuas dos santos, as cerimônias, as procissões, as peregrinações, mas ignoravam a fé, as crenças, os dez mandamentos. Para o budismo, ignoravam também o nirvana; para o islã, o Alcorão e as palavras do profeta. Existiam todavia trabalhos interessantes no campo cultural, mas eles estavam relacionados aos traços materiais das culturas: Carl Sauer desenvolveu o estudo das transformações das paisagens sob a influência humana, com o cortejo dos vegetais introduzidos para a alimentação dos seres humanos ou do gado, ou para a decoração; na França, a análise dos gêneros de vida enfatizou a variedade das técnicas usadas para a exploração dos ambientes e a diversidade das atitudes relativas a eles. Desde 1970, uma mudança profunda das concepções da geografía ocorreu. Hoje, o papel das atitudes, das imagens, das representações tornou-se central na disciplina. Fala-se da « virada » cultural da geografía. Qual é o sentido desta virada ? Para alguns, um capítulo novo, a geografía cultural, foi colocado ao lado de outros mais antigos, a geografía econômica, a geografía social, a geografía política, a geografía regional, etc. Penso que essa concepção é profundamente equivocada. Fala-se da geografía cultural porque é uma expressão feita, uma expressão curta. Quando escrevi meu livro sobre esse assunto, propus à editora o seguinte titulo: « A perspectiva cultural na geografía », mas não consegui convencer o diretor da empresa. Ele preferiu « A geografía cultural » por que parecia mais clássico. O sentido da virada cultural não é apenas o de explorar um novo campo aberto para a pesquisa, mas também o de repensar totalmente a disciplina. Este é o motivo pelo qual escolhi denominar a Comissão da União Geográfica Internacional sobre o tema, que presidi de 1996 a 2004 : « A abordagem cultural em geografía ».

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Graças a Tylor e o seu livro de 1871. optaram por essa perspectiva. mas o seu uso científico só apareceu mais tarde. conhecimentos. a cultura é o conjunto de atitudes. Uma pessoa culta ultrapassou os outros pelos seus conhecimentos ou pela qualidade de seu gosto. a cultura aparece como o tecido de palavras e imagens que duplica o mundo. Eles utilizam as três concepções da cultura. da literatura. muitos geógrafos optaram por enfatizar a dimensão simbólica da cultura. imagens e símbolos que os humanos usam para desenvolver discursos e narrativas sobre o cosmos. dois dos representantes mais conhecidos dentro da corrente cultural. a mais aberta. de performance. A perspectiva da Antropologia Cultural americana mudou neste período: ela enfatizava cada vez mais a dimensão simbólica da cultura. Na Itália. (ii) Para a segunda definição. da música ou do cinema. práticas. por exemplo. da filosofía. Etnologia ou Etnografía. aquela de Tylor. entre 1920 e 1970. a sociedade ou a vida quotidiana. das belas-artes. Esses geógrafos falam naturalmente de Geografía cultural. a natureza. Depois de 1970.2. Existem três famílias de definições de cultura : (i) Para a primeira. a cultura implica uma idéía de desempenho. 2 . nos Estados Unidos. Os geógrafos tiravam sua inspiração das disciplinas vizinhas.As três concepções de cultura Para bem entender o que significa a abordagem cultural. é bom partir de uma análise dos sentidos da palavra cultura. A idéía de um esforço coletivo para transcender-se tem tambèm um grande sentido : ela é fundamental para entender o que é uma civilização. a idéía de cultura como o conjunto das práticas e dos conhecimentos adquiridos pelos humanos tornou-se o conceito central da Antropologia até a metade do século vinte. mas não as integram da mesma maneira na disciplina. (iii) A terceira definição considera a cultura como um conjunto de atividades que permite aos seres humanos transcenderem-se atravès da religião. eles prefiriram a concepção mais ampla. Até os anos sessenta. Giuliana Andreotti e Adalberto Vallega. a maior parte dos seus comportamentos são adquiridos através da educação dos jovens ou as experiências dos adultos. crenças e valores que motivam a ação humana. a cultura é o conjunto dos signos. ao contrário dos animais. o instinto não tem um papel dominante na vida dos seres humanos. A idéía da cultura como esforço individual para transcender-se é mas antiga. Ela oferece a vantagem de enfatizar o papel das representações e das imagens e os problemas do sentido da vida. permite concebê-lo e dá um sentido à vida individual ou coletiva. Ela foi central na Geografía cultural de Carl Sauer. Antropologia. Nesse sentido.

Os marxistos disseram : « A económia é a infrastructura . o social não existem desde a origem dos tempos. a gente prefire arroz. dos lipidos. E porque todas as realidades humanas são culturais e não são naturais. A cultura não se pode isolar do resto das realidades humanas : ela é uma componente de todas. O político. Ca. de pane. E um dos determinantes da vida económica. o que diferencia o homem dos macacos é a possibilidade de ficar de pé de maneira 3 . Penso que os geógrafos têm de dar conto das tres concepções que acabo de apresentar. No dominio económico. que uma volta cultural necessitava-se em geografía. Eles eram errados : a cultura não é uma consequência da économia. dos hidrocarbonos. o cinema ou a televisão por exemplo (Allen Scott). signos. Os medias de produção são também inseridos nas realidades socio-culturais : familias. 2. ali. as infrastruturas determinam os superstruturas ».Existem também alguns geógrafos que falam de geografía cultural e a concebem como estudo das industrias culturais.A cultura como conjunto de todo que os individuos aprendem durante as suas vidas A concepção da cultura como bagagem adquisido me parece fundamental por varios razões. a cultura é uma superstructura . a procura nunca é uma realidade abstrata e imutável. difficuldades aparecem muitas vezes por que os empregados não receberam a mesma cultura económica. A procura aparece como uma expressão da cultura. ou como analise do fenomeno das capitais culturais. políticas ou sociais que existiriám antés da cultura e independamente da cultura. de arroz e de vino . o antropologo francês Leroi-Gourhan publicou um livro muito importante : O gesto e a palavra.O papel do gesto et da palavra Sessenta anos atras. 1. Eles exprimem maneiras de sentir e de agir partilhadas por grupos localizados em certos lugares em certos períodos : os homens recorem à códigos. empresas.Todas as realidades sociais só existem atravès duma cultura que lhe dá suas formas Não existem realidades económicas. Cada uma explica um aspecto differente das realidades culturais. o económico. A gente não requerem das proteinas. a gente gosta de carne. feijoada e carne de sol. Berlin por exemplo (Boris Grésillon). Quando grandes companhias juntam-se. gramáticas que fazem parte de bagagem que recebiram. Numa perspectiva evolutionista. 3.

E facil transmitir atitudes. gestos. sistema agrario. A cultura é feita de martelos e de foices. Ela tem uma dobre dimensão objetiva : a de coisas e a das palavras. 4 . de carros e de campos cultivados.Comunicação e diferenciação das culturas A concepção da cultura como todo que os humanos recebem enfatiza o papel da comunicação no fabrico das realidades humanas : a bagagem que os individuos recebem diferem por que cada um tem uma historia propria : nasceu num momento diferente num lugar diferente . A palavra permitiu de dobrar o mundo real dum mundo de signos. a transmissão dos saberes e dos jeitos só repõem sobre o gesto e a palavra. a cultura é feita tão de coisas materiais que de discursos. E dificil difusir uma cultura dum lugar a outro. Come consequência. As coisas prolongam os seres humanos. 3. Graças a mão. dum lugar a outro. A mão pôde se especializar e servir a fabrico de coisas e de ferramentas : a cultura tem uma dimensão material. etc. A boca e a gola puderam doravante servir a modular sons. encontrou pessoas diferentes por que visitou lugares diferentes a períodos diferentes. conhecimentos e crenças duma geração a outra num lugar. como James Duncan o mostrou em 1980. ela sempre mudou dum individuo a outro. ela tem uma dimensão exterior. riscos. de casas. A ideía da cultura como uma realidade « supra-organica ». Os homens impôem uma grelha de noções para as describir e as pensar : campo e cidade. E toda a lição da geografía do tempo desenvolvida por Torsten Hägerstrand desde 1970. A cultura não existe como uma entitade superior . Como herança. Isso significa que cada um recebe uma cultura original e desenvolve interpretações pessoais do que recibiu. O processo de transmissão é local : esse feito introduze uma tendência a fragmentação local das culturas. faz parte duma familia diferente . Este feito permitiu a diferenciação da mão e do pé. recursos. a cultura não é somente material : ela existe atravès dos signos e exprime-se em discursos e narrativas. Nos grupos primitivos e nas classes mas populares das sociedades modernas. a cultura torna-se numa realidade material circundante.permanente. comportamentos. A evolução da mão liberta a boca de sua primeira função : descascar a comida com as dentes. O homem não é em frente de uma natureza que lhe estaria totalmente estrangeira : o ambiente e a paisagem aperecem como mistos de natureza e de cultura. defendida pelos antropologos americanos do começo du seculo vinte e tambèm aceitada por Carl Sauer era errada. A memória sobre quem a cultura repôe não é somente interior . A bagagem que os individuos recebem dependem tambèm dos media usadas para transmitir os saberes e praticas e para difundir as inovações. O aluno e o mestre devem estar muito pertos.

A primeira é a memória pessoal de cada um : uma capacidade comun a todos os seres humanos. as casas. O escrito cria um novo tipo de memória : uma memória objectiva. culturas ciêntificas e técnicas A combinação das técnicas de comunicação e de tipos de memória dá as culturas carateritiscas especiais. as artes. a mensangem é exprimida atravès de lendas e não atravès de abstracções. E dificil aprender gestos e jeitos atravès dum texto. a musica viva. os movimentos. Quando os mensagens só eram vehiculados pelo gesto e pela palavra. A accumulação cessa de se limitar a esfera intelectual. mas eruditos. Os objectos com uma função memorial têm um papel essential nos culturas orais. Ela pode propagar-se a longas distâncias. a paisagem. Este tipo de memória tem uma propriedade fundamental : ela é cumulativa. os móveis. os gestos. culturas elitistas. culturas de massa.A transmissão audiovisual aparece muito eficiente nos campos das técnicas traditionais de produção e dos gestos da vida dia-a-dia : a imitação dos gestos completa o que a palavra aprende. etc. a palavra e os gestos são transmitidos intantanêmente até o outro lado da terra. A transmissão de mensagens intelectuais é tambèm possivel graças a fala. em contactos cara a cara. mais disegualmente partilhada e qui disaparece com a morte. religioso ou filosófico passa sem problema. material e que conserva discursos ou desenhos.Culturas populares. A cultura não é mas uma realidade essentialmente local. Mais todos os mensagens não transmitem-se com igual facilidade por o escrito. Ao contrario. Graças a ela. Graças aos computadores e ao internet. Os media modernos desencadeam uma nova mudança. Falta a possibilidade da imitação. Juntam-se tambèm os objectos que circundam a gente : as ferramentas. 4. Ela é tambèm relativa a vida quotidiana. A introdução da escritura abre novas possibilidades : a transmissão dum lugar ou dum período a outro torna-se mas facil. os discursos que se aprendem de cor e são transmitidos sem alteração duma pessoa a outra. mais existem diferentes tipos de memória. é igualmente verdade para os mensagens escritos e as imagens. mas nas religiões tradicionais. Hoje.Memória e cultura A cultura é o bagagem que os homens recebem quando jovens e mais tarde. torna-se possivel desenvolver saberes mas ricos. atrévès as suas experiências vividas. 5. A essa memória pessoal juntam-se. e quando a memória permanecia pessoal – ou incluida 5 . nas sociedades primitivas. Os media modernos oferecem novas capacidades para memorizar a vida : a voz. um mensagem ciêntifico. A cultura apõe-se sobre memória. mas diferenciados.

a transmissão sempre fazia-se pelo gesta e pela palavra. E a razão porqué teve uma volta cultural em geografía. ela tem uma dimensão espacial. A cultura dos elites não tratava das técnicas de produção. em contactos cara a cara. Seus conteudos mudaram. A oralidade cessou de permanecer prisioneira de circulos estreitos. as durações relativas eram confundidas no tempo do imemorial. No mesmo tempo. As culturas populares tinham um conteudo focalizado sobre as técnicas de produção e a vida dia-a-dia. as culturas populares recuaram. As culturas populares mudaram : elas transformaram-se em culturas de massa. de técnicas sociais. Ela enfatizava os problemas de ordem. a cultura era uma cultura de oralidade pura : ela era fragmentada em unidades locais . A evolução foi diferente graças aos novos media. a vida politica. A maioria das sociedades historicas ofereceram uma justaposição de dois tipos de cultura. Seu conteudo religioso e filosofico aparece menos importante que no passado. a organização social : é uma categoria mas larga que precede as outras e lhe oferece códigos. Hoje. Porque a cultura é uma realidade transmitida de homem a homem. Ao começo do seculo vinte. contra-culturas e culturas da marginalidade. Ela falava também da Revelação. A gente não sabia ler ou escrivir. as elites (rurais e urbanas) recebiam uma formação diferente : eles sabiam ler e escrivir. de fé. de filosofía. signos. de hierarquía. Podem tambèm existir culturas de consenso e culturas de oposição. o tempo historico era curto . O resultado é que a cultura não aparece naturalmente como um 6 . Ela deve estudar-se como um fenoméno de comunicação. Elas tratam das formas modernas da produção. No mesmo tempo. antès. elas enfatizam o consumo e o lazer. culturas populares e culturas de elites. Nas areas rurais e nos camas mais pobres das populações urbanas. preferências e valores escolhidas entre as varias possibilides transmitidas pela cultura. as culturas das elites tornaram-se mas ciêntificas e mas técnicas. Conclusão da primeira parte O que mostra a concepção da cultura como conjunto de todo que os seres humanos aprenderam. a gente predizeu a sua desaparição num futuro prossimo. E importante compreender que numa sociedade podem existir uma pluralidade de culturas : culturas orais e culturas escritas. que colocava todos os eventos du passado sobre o mesmo plano. valores. A disciplina cessou de aparecer como uma justaposição de capitulos quase independentes. é primo que a cultura não é uma categoria semelhante a economia. Com os progressos da imprensa e a generalização da escola obrigatoria.nas obras materiais -. Ela trata de um chão que deve a sua unidade ao feito que ela analisa comportamentos que foram aprendidos. de teologia.

das praticas. Se a cultura é concebida como o que dá uma dimensão simbolica a vida dos grupos. graças as valores e as normas que ela propõe. a gente pode distanciar-se um pouco de suas proposições e reflectir a seu conteudo. de discursos e de imagens. Eles mostravam como ritos de passagem preparam a integração do individuo num grupo : por exemplo. ela traze a marca dos sistemas de comunicações : culturas populares baseadas sobre oralidade e imitação directa. introduze um fator de unidade. Ela deve a sua dimensão colectiva de oferecer a todos as mesmas possibilidades e os mesmos principios. o estudo dos imaginarios colectivos. Ela tende à se diferenciar dum lugar a outro. Os etnógrafos e os geógrafos sempre enfatizaram este aspecto da vida colectiva. A segunda dimensão da cultura. Ela é também de mostrar que a cultura não é uma realidade objectiva . Neste processo. e numa mesma area. o que parece comun a umo grupo na consciência de seus membros. a dimensão simbolica. religiões e ideologias. as suas valores. dos conhecimentos e das valores. o baptismo é um secundo nascimento. 4.A dimensão simbolica da cultura A vantagem da conceição simbolica da cultura que se desenvolviu depois dos anos quaranta na antropologia cultural é de enfatizar o papel que os discursos e as imagens têm na vida dos grupos. um nascimento no mundo cultural e social. a gente torna-se consciente de se e da sociedade na qual vive. avialada de novo. enquanto do primeiro nascimento. culturas de massa propagadas pelos media modernos. culturas sabias fundadas sobre o escrito. A cultura é uma realidade ao mesmo tempo individual (é a soma de todo que cada homem adquiriu durant a sua exisência) e colectiva (é feita de processos. as suas normas. que 7 .fator de unidade. tem um papel essential. A cultura torna-se numa realidade a dois niveis : o que é transmitido dum individuo a outro . empobreceda e enriquecida.Cultura e tomada de consciência individual e colectiva Como a cultura é feita de narrativas. de signos. de códigos. de sistemas de representações e de imagens que foram elaborados pelo grupo). 1. ela é feita do que dá um sentido à vida individual ou colectiva. A cultura nunca aparece como uma entidade monolitica que saria paraquedada do ceu e se imporia a todos : a concepção « supra-organica » da cultura já foi criticada por James Duncan em 1980. Dependente das condições materiais de transferência das atitudes. dum grupo a outro. classificada. culturas ciêntificas e técnicas apoaidas sobre internet. Ela deve a sua dimensão individual de estar variavel e permanentemente modificada. de regras.

introduz a vida no mundo material. os jovens passam na classe dos adultos : eles são considerados como membros de pleno direito da cultura et da sociedade. cada um sabia que ele era : os rituais de passagem asseguravam cada um de sua pertença a um grupo cujas regras e valores ele tinha interiorizidas . O alvo é de lhe fazer internalizar as regras e normas da cultura – da sociedade. Ao fim do ritual de passagem. A situação aparecia semelhante para as camas mas baixas das sociedades traditionais. apareciam dominantes. A nação moderna – e também a grande metropolis ou a região – são « comunidades imaginadas ». Os identidades do nivel superior tinham a particularidade de estar em parte pessoais (um sentimento de lealdade de fremte do rei). A sua identidade permanecia baseada sobre a homogeneidade do que era transmitido localmente atravès do gesto e da palavra : atitudes. os elementos materiais e os elementos simbolicos juntavam-se para dar a identidade uma evidência total. como Benedict Anderson o explicou vintecinque anos atras. 2-Simbolismo e identitades A questão da identitade tornou-se importante para as ciências sociais somente recentemente. O unico momente quando a pertença tornava-se problematica estava o da conversão religiosa. o que evitava de las dar bases materiais. praticas e valores semelhantes . os jovens têm de submeterse a duras provações. Ninguém pode ter uma experiência directa da totalidade duma nação – ou duma grande região e mesmo duma grande metropole urbana. compartimentos. quando as referências simbolicas disapareciam. A cultura permite aos individuos de tomar consciência do que eles são e do que querem ser. o hino nacional). a situação era diferente. cujo monopolio pertencia a essas camas. Na adolescência. essas que tinham culturas populares. A vontade de affirmar-se em frente dos outros incita os homens a marcar simbolicamente os espaços que eles consideram como seus e a colocar nos lugares publicos signos que lembram a sua existência para todos. Ela gera identidades. As suas identidades eram encaixadas : identidade local da zona de origem o de moradia normal. identidade mas larga da religião o do estado. Para as elites. mesmo quadro material. as paisagens tipicas) e simbolos (a bandeira. A situação mudou com a revolução industrial e sua corelativa. Graças a 8 . O sentido de pertença – e a identidade – são construidos atravès de imagens (a mapa. o ambiente material era estavel e contribuia também a identificação a colectividade . e o das praticas da vida dia-a-dia. Essas identidades ligam os individuos aos lugares e as paisagens por que eles lembram os momentos fortes de suas historias. Nas pequenas sociedades primitivas. a construção da nação moderna. O papel das técnicas da produção.

A evolução recente dos media de comunicação e de transporte. Imagens reciprocas que se construem desta maneira dão somente um espaço estreito as formas altas da cultura : a gente visita Italia para suas igrejas e palacios. no seculo dizenove. a Alemanha. a cortesia – ou a absência de cortesia – de sua população. o que que é importante ? A cidade ? A região ? A França. a identidade regional foi associada. todas as classes da sociedade aprendem essas noções. novas comunidades imaginarias entram em concorrência com as nações.escola obrigatoria. A maioria destes traços estava provisoria : a charneca foi substituida por forestas de eucalipti . mais como Rogério Haesbaert mostrou. as referências locais disaparecem . ela faz referência ao passado. o mundo desenvolvido. a gente confronta mas estrangeiros. mas ideías ou crenças novas. pelos geógrafos. Com a facilidade mas grande dos viagens. os « horeos » (silos a milho). seus architetos. as igrejas romanas. essa desterritorialização é seguida duma reterritorialização. por que não conhecem mais as técnicas usadas pelos grupos que os formarão : é umo resultado importante das pesquisas do historiador francès Pierre Nora sobre o que ele chama « Memória viva ». o mundo mediterraneo. os « horreos » disapereceram… Na medida onde a identidade galiciana permanece ligada a essas imagens. o Occidente ? A gente fala de desterritorialização. seus pintores. a parte Nordoeste da Espanha. As estereótipos das nações tornam-se ultrapassados. O resultado foi que no começo do seculo vinte. Um exemplo regional : na Galicia. o Portural. e uma identidade nacional. Para dar um funamento material a identidade nacional. com a charneca atlântica. como jà foram as identidades das diasporas. difundida atravès da divulgação da cultura das elites atravès da escola e da prensa. ligada ao restante de cultural popular. por exemplo. que gera identidades dum novo tipo – itentidades em archipelago. etc. a Italia. A dimensão simbolica das culturas explica deste modo a crise contemporanea das identidades. suas cidades. Com a mudança das culturas populares e sua substitução por culturas de massa. A imagem da cultura como esforço para se ultrapassar é desta maneira dissociada de essa da cultura como realidade quotidiana. O seculo dizenove foi o tempo quando os stereotipos dos nações foram élaborados pelos autores de relações de viagen. No mesmo tempo. a maioria da população não têm mas a possibilidade de entender a formação das paisagens circondantes. ? A Europa ? Outras entidades. Para um Europeo. seus hoteis. distruiram essas formas de identidade. e das formas da cultura. lugares simbolicos foram escolhidos e monumentos tombados ou construidos. a maioria da população dos grande paeses modernos tinham uma identidade multiple : uma identitade local. mais a imagem popular da Italia é baseada sobre os seus restaurantes. os bosques de carvalhos e de castanhos. pelos autores de guias turisticos. 9 .

homens conseguem limitar os efeitos dissolventes da distância e do afastamento. as iconografias – tem um papel central na construção das entidades humanes que se consideram como homogéneas : a vida de relação conduzi cada um a desenvolver relações que estão proprias . como os homens partilham alguns principios e entusiasmam-se para os mesmos simbolos religiosos ou políticos. Cada vez que pessoas acham que suas culturas comportam um numero suficiente de pontos fundamentais semelhantes para superar as diferências. Não é por que outros pessoas têm um sotaque diferente do meu. as comunicações mas facil podem ser interpretadas quer como portadores de fradernidade. E por que os grupos têm construido uma imagem comun da patria que eles formam Estados. A evolução contemporanea o enfatiza : a globalisação aproxima os homens. como ele dizia. recebem informações de todos os lugares na planeta. a dimensão simbolica joga um papel essential : graças a ela. se eles têm a mesma bandeira. Os geógrafos sabem graças a Jean Gottmann que os simbolos – ou. isto leva a fragmentação da sociedade. eles sentem-se proximos. imprecisas – mais só é verdade quando elas são analisadas como realidades objectivas. não cultivam os campos da mesma maneira e moram em outros tipos de casas que eles me aparecem como estrangeiros.A significação territorial do simbolismo A dimensão simbolica da cultura tem um papel importante no dominio territorial. Mas. esta prepara a criação de formas políticas extensas. Eles consideram como uniformos e homogéneos conjuntos que não o estão.3. não hesitam a emigrar . quer como uma ameaça sobre a segurança de cada um e de todos. Portanto. ou se eles sâo cidadãos do mesmo país. essas condições não levam automaticamente a aproximação dos grupos : simbolicamente. Neste caso. As culturas são realidades vividas. as culturas apresentem fronteiras vagas. mais ele não basta para os tornar necessarios. Sim. Eu os considero como irmãos se eles partilham a mesma fé. numa perspectiva geografíca. 10 . Logo. O melhoramento dos transportes facilita essas mudanças. as culturas aparacem como feitas duma sobraposição de camas que não admitam as mesmas limites ! Sim. os limites das areas culturales cessam de aparecer imprecisas. as mesmas crenças religiosas. Eles viagiam mas facilmente. E graças aos simbolos que as sociedades conseguem a ficar unidas e que as culturas são vividas como homogéneas mesmo se elas têm um grande variedade real.

ciêntifica. Hoje. O risco é de ver os grupos. A esperanza vim da possibilidade de mostrar que no futuro. compartamentos. Os problemas da inserção dos grupos humanos no meio ambiente sempre foram dificil. A ideía conforme a quem a razão ciêntifica conduziria automaticamente ao progresso não é mais aceitada. Na medida onde ela é uma herança. ansiosos. Os geógrafos paricipam neste movimento. O papel dos geógrafos é de recordar que os problemas culturais e identitarios do mundo actual resultam da mudança das relações espaciais que a evolução contemporânea provoca. As culturas tradicionais não estavam sistematicamente em equilibrio com o suo meio ambiante. As pesquisas de geografía histórica mostram que não existem formas de exploração inocuas. ela liga os homens com o passado. fechar-se sobre si proprio e optar para formas mais o menos agressivas de comunitarismo. ela orienta a acção humana verso o futuro. Essa ameaça introduze um elemento universal novo. esse elemento dinâmico introduze a pesquisa do universal. Ela conte um elemento dinâmico que incita as homens a transcender-se atravès da excellência moral. Na escala da colectividade. os ideais universalistos inventados pela civilização occidental são muitos criticados. todos os grupos humanos tornam-se solidarios numa planeta cujos recursos aparecem cada dia mas limitadas. Na medida onde ela introduze valores que refletem a existência dum outro mundo. A moda é a louvar a diversidade cultural e a fazer todo para a preservar. A exploração dos recursos naturais muitas vezes conduze a suo esgotamento – mesmo para essas que são. mas que têm a mesma valor para todos os individuos e para todos os grupos. O equilibrio dos meios ambientes é muitas vezes ameaçado. dum alem. ela depende tambèm do presente. A diversidade das culturas aparece como uma das riquezas as mas importantes da Terra. Os meios técnicos modernos têm 11 . O problema é de inventar outras formas de universlismo. isto é de atitudes.4. mais eles tornam-se criticos quando a diversidade torna-se um imperativo assoluto. mais el apode tambèm criar oposições e formas de incompreensão et levar a conflitos. Uma certa dosa de multiculturalismo é fecunda. renovaveis. valores e regras que não valem somente para o grupo. filósofica. mais uma dosa demais forte é perigosa. estetica. O universalismo faz parte das aspirações da maioria das populações e das culturas. A gente deve respeitar las. em principio. como a gente o supõe muitas vezes. Na medida onde ela enriquice-se das experiênças da vida.A cultura como dinamica de transcendência O que aparece importante na terceira concepção da cultura é a ideía que a cultura tem una dimensão dinamica. Os geógrafos têm uma responsabilidade particularmente forte nesse domínio : a humanidade tem de chamar a si o seu destino.

existe uma tendência espontânea a fragmentação : é uma tendência perigosa por que ela cria tensões e conflitos. e a ultrapassagem das tendências a divisão local pela constitução de grandes entidades baseadas sobre simbolos partilahdos. a tentar novas experiências. de elementos a alcance universal lhe permite de sair de elasmesmas e de dialogar. Todas as culturas do passado não conseguiram inscrivir as suas economias numa perspectiva duravel. Ela só indica que. da sociedade. Os grupos ensaiam de emancipar-se de suas limitações e de inventar programas de alcance universal – eles participam ao processo de civilização. (ii) a ideía que todos os homens têm o mesmo interesse em assegurar a sobrevivência da planeta. mais não da existência de desequilibrios. A existência. a partir da quem ele explica a crise contemporanéa das identidades. na maioria das culturas.a responsabilidade duma nova escala dos danos e polluções. (iii) o feito que ela orienta a vida e incita a transcendência quer pessoal. Nas culturas. constituar o elemento comun – ou um dos elementos comuns – a partir de quem as culturas cessam de se fechar sobre si proprio. a inovar. Deste mode. A pesquisa da transcendência dá as culturas uma dinamica que não é a da reprodução indefinida. mas enfatizam aspectos complementarios : (i) a omnipresença da cultura e seu papel fundador para a primeira. Conclusão A abordagem cultural que levam os geógrafos deve incidir sobre as tres dimensões da cultura : elas não são contradictorias. et deve. Ela incita las a mudar. da vida política. A contribução dos geógrafos ao problema do desenvolvimento duravel é de mostrar que esse pode. Certas tiveram exito. mais os seus receitos não são geralmente transportaveis no mundo de hoje. num mundo onde os universalismos que foram aceitados no passado são dados por suspeitos. a abordagem cultural coloca o geógrafo numa posição a partir da quem ele repensa as categorias classicas da economia. Isto fazendo. da vida urbana ou rural. ela introduze uma dimensão nova : ela a rrasta hos homens. dos simbolos para a segunda. quer colectiva para a terceira. (ii) o sentido dos signos. existem somente duas perspectivas qui permitem provavelmente de aproximar os homens e os grupos : (i) a ideía que todos os grupos humanos têm a mesma dignidade por que são feitos de seres de cultura . 12 . A geografía não oferece uma solução milagrosa ao problema do desenvolvimento duravel. dialogam e aceitam participar numa obra colectiva.

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