UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

PR

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
CAMPUS DE CURITIBA
DEPARTAMENTO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA
E DE MATERIAIS - PPGEM


CÉSAR DANIEL PEREA MEDINA



SIMULAÇÃO NUMÉRICA DO ESCOAMENTO
BIFÁSICO LÍQUIDO-GÁS EM GOLFADAS COM
TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM DUTOS
HORIZONTAIS






CURITIBA
OUTUBRO - 2011
CÉSAR DANIEL PEREA MEDINA







SIMULAÇÃO NUMÉRICA DO ESCOAMENTO
LÍQUIDO-GAS EM GOLFADAS COM
TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM DUTOS
HORIZONTAIS


Dissertação apresentada como requisito parcial
à obtenção do título de Mestre em Engenharia,
do Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Mecânica e de Materiais, Área de
Concentração em Engenharia Térmica, do
Departamento de Pesquisa e Pós-Graduação,
do Campus de Curitiba, da UTFPR.

Orientador: Prof. Rigoberto E. M. Morales, Dr.
Co-orientador: Prof. Silvio L. M. Junqueira, Dr.



CURITIBA
OUTUBRO – 2011




























Dados Internacionais de Catalogação na Publicação
P434 Perea Medina, César Daniel
Simulação numérica do escoamento líquido-gás em golfadas com transferência de
calor em dutos horizontais / César Daniel Perea Medina.— 2011.
xviii,161 f. : il. ; 30 cm

Orientador: Rigoberto Eleazar Melgarejo Morales.
Coorientador: Silvio Luiz de Mello Junqueira.
Dissertação (Mestrado) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de
Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais, Curitiba, 2011.
Bibliografia: f. 143-147.

1. Escoamento bifásico. 2. Calor – Transferência. 3. Gás – Escoamento. 4.
Escoamento em golfadas. 5. Modelos matemáticos. 6. Engenharia mecânica –
Dissertações. I. Morales, Rigoberto Eleazar Melgarejo, orient. II. Junqueira, Silvio Luiz de
Mello, coorient. III. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-
graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. IV. Título.

CDD (22. ed.) 620.1
Biblioteca Central da UTFPR, Campus Curitiba


TERMO DE APROVAÇÃO

CÉSAR DANIEL PEREA MEDINA


SIMULAÇÃO NUMÉRICA DO ESCOAMENTO
BIFÁSICO LÍQUIDO-GÁS EM GOLFADAS COM
TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM DUTOS
HORIZONTAIS

Esta Dissertação foi julgada para a obtenção do título de mestre em engenharia,
área de concentração em engenharia térmica, e aprovada em sua forma final pelo
Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais.


_________________________________
Prof. Giuseppe Pintaúde, Dr.
Coordenador de Curso

Banca Examinadora


______________________________ ______________________________
Prof. Rigoberto E. M. Morales, Dr. Prof. Angela Ourivio Nieckele, Ph. D.
PPGEM / UTFPR - Orientador CTC – DEM / PUC-Rio


______________________________ ______________________________
Ricardo Marques de Toledo Camargo, Dr. Prof. Cezar O. R. Negrão, Ph. D.
UO-RIO / ENGP /EE-PETROBRAS PPGEM / UTFPR


Curitiba, 20 de outubro de 2011
iii


























Dedico este trabalho à minha querida filha
Noemí Anabel.
iv

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus pelas oportunidades que me foram dadas na vida.
Ao Professor Rigoberto, meu orientador, que acreditou em mim e me abriu caminhos
nunca antes pensados. Agradeço os bons momentos de discussão, além do estímulo,
confiança e dedicação com que orientou este trabalho.
Aos colegas de mestrado pela amizade e valiosas sugestões, em especial aos colegas
Alex, Fredy e Luis, que também passaram pelo que eu passei: ficar longe da família em
busca de um ideal.
A todos os meus familiares. Em especial aos meus pais Juana e César pela
compreensão e por ser meu exemplo a seguir como profissional. Também aos meus avós,
Luz e Oswaldo, pelo carinho incondicional.
À Nathaly, por seu apoio constante e seu carinho que me deram força e coragem nos
momentos mais difíceis. Obrigado por estar sempre comigo apesar da distância.
Aos professores do PPGEM, em especial ao meu co-orientador o professor Silvio,
pelos conhecimentos transmitidos que são a base desta dissertação e da minha formação
profissional.
Aos membros do Laboratório de Ciências Térmicas, em especial à Cristiane, Paulo,
Fernando e Víctor pela amizade e por proporcionar um ambiente de trabalho agradável.
À Capes e à Petrobras pelo apoio financeiro e incentivo à pesquisa.








v


























“Só os que sonham ousam, só os
que ousam vencem.”
(Lynda Trent)

vi
PEREA MEDINA, César Daniel, Simulação numérica do escoamento bifásico
líquido-gás em golfadas com transferência de calor em dutos horizontais,
2011, Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Programa de Pós-graduação em
Engenharia Mecânica e de Materiais, Universidade Tecnológica Federal do Paraná,
Curitiba, 159p.

RESUMO
Problemas de escoamento bifásico com transferência de calor são encontrados
com frequência nas diversas áreas da engenharia. Nesse cenário, o presente
trabalho propõe estudar a transferência de calor sem mudança de fase em um dos
padrões de maior ocorrência no escoamento bifásico líquido-gás: o escoamento em
golfadas. O escoamento em golfadas está caracterizado pela sucessão alternada de
uma bolha alongada e um pistão líquido aerado. A abordagem será realizada
através de um modelo de seguimento de pistões, que está caracterizado por utilizar
a formulação integral das equações de balanço em regime transitório para um
volume de controle móvel. O modelo unidimensional, lagrangeano permite observar
a evolução dos parâmetros em cada bolha ao longo do tempo. Assim, é possível
monitorar fenômenos como as flutuações de pressão e temperatura. As equações
governantes serão encontradas através de balanços de massa, quantidade de
movimento e energia, a fim de analisar o problema em termos de velocidade,
pressão e temperatura. Como resultado, dois sistemas de equações lineares são
obtidos: um sistema pressão-velocidade e um sistema de temperaturas, os quais
interagem nos termos de compressibilidade do gás e nas propriedades dos fluidos,
que variam com a temperatura. Assim, a solução dos dois sistemas permite avaliar a
interação entre os parâmetros térmicos e hidrodinâmicos. As variáveis são
monitoradas através de sondas eulerianas e lagrangeanas ao longo do duto.
Finalmente, o modelo é validado com dados e correlações obtidos da literatura,
mostrando uma boa concordância.


Palavras-chave: Escoamento bifásico, modelo de seguimento de pistões,
transferência de calor.
vii
PEREA MEDINA, César Daniel, Numerical Simulation of two-phase liquid-gas
slug flow with heat transfer in horizontal ducts, 2011, Dissertation (Master in
engineering) - Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais,
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 159p.

ABSTRACT
Many industrial applications require the calculation of heat transfer in gas-liquid
two-phase flows. With such objective in mind, the present work aims at studying non-
boiling heat transfer in one of the most common two-phase flow patterns: slug flow.
This type of flow is characterized by the intermittent succession of two structures: an
aerated slug and an elongated bubble. In this work, a slug tracking model based on
the integral form of the balance equations in unsteady conditions for a moving control
volume will be used to describe the phenomenon. This one-dimensional lagrangian
model allows one to keep track of the evolution of each slug and bubble over time,
thus making it possible to monitor pressure and temperature fluctuations. In order to
analyze the problem in terms of the fluid velocities, pressures and temperatures, a
set of governing equations based on mass, momentum and energy balances was
developed. The discretization of the aforementioned equations yields two linear
systems: a pressure-velocity system and a temperature one, which act on the
calculation of the gas compressibility terms and on the temperature-dependent fluid
properties. The interaction between the hydrodynamic and thermal parameters is
obtained through the solution of these two systems. Eulerian and lagrangian probes
are used to monitor the problem variables. Finally, good agreement between the
literature data and the proposed model was found.






Keywords: two-phase flow, slug tracking, heat transfer.

viii
SUMÁRIO
RESUMO.................................................................................................................... vi
ABSTRACT............................................................................................................... vii
LISTA DE FIGURAS .................................................................................................. xi
LISTA DE TABELAS ................................................................................................ xiv
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS .................................................................... xv
LISTA DE SÍMBOLOS.............................................................................................. xvi

1 INTRODUÇÃO......................................................................................................1
1.1 Objetivos.................................................................................................................................. 5
1.2 Justificativa.............................................................................................................................. 6
1.3 Estrutura do trabalho............................................................................................................... 7
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................9
2.1 Conceitos básicos sobre escoamento em golfadas................................................................ 9
2.2 Revisão dos modelos existentes para escoamento em golfadas......................................... 11
2.2.1 Modelos estacionários....................................................................................................... 11
2.2.2 Modelos transientes .......................................................................................................... 13
2.3 Revisão de trabalhos sobre escoamento bifásico com transferência de calor ..................... 15
2.4 Definições básicas................................................................................................................. 20
2.4.1 Relações geométricas....................................................................................................... 20
2.4.2 Relações cinemáticas........................................................................................................ 22
2.4.3 Relações termodinâmicas................................................................................................. 24
2.4.4 Relações de transferência de calor................................................................................... 27
2.5 Equações constitutivas.......................................................................................................... 31
2.5.1 Velocidade de translação da bolha alongada ................................................................... 31
2.5.2 Velocidade de translação das bolhas dispersas............................................................... 32
2.5.3 Fração de líquido no pistão............................................................................................... 33
2.5.4 Tensão de cisalhamento e fator de atrito.......................................................................... 34
2.6 Comentários finais................................................................................................................. 35
3 MODELAGEM MATEMÁTICA............................................................................37
3.1 Considerações gerais sobre a modelagem matemática....................................................... 37
3.2 Balanço de massa................................................................................................................. 41
3.2.1 Balanço de massa de líquido no pistão............................................................................. 42
3.2.2 Balanço de massa de gás no pistão ................................................................................. 43
3.2.3 Balanço de massa de líquido no filme............................................................................... 44
3.2.4 Balanço de massa de gás na bolha alongada .................................................................. 45
3.2.5 Equações acopladas ......................................................................................................... 46
3.3 Balanço de quantidade de movimento.................................................................................. 47
ix
3.3.1 Acoplamento de pressões................................................................................................. 49
3.4 Balanço de energia................................................................................................................ 52
3.4.1 Balanço de energia do líquido no pistão........................................................................... 55
3.4.2 Balanço de energia de líquido no filme............................................................................. 58
3.4.3 Balanço de energia na bolha alongada de gás................................................................. 59
3.4.4 Balanço de energia na parede do duto............................................................................. 61
3.5 Equações auxiliares .............................................................................................................. 62
3.5.1 Velocidade das superfícies de controle............................................................................. 63
3.5.2 Velocidade do filme líquido e da bolha alongada.............................................................. 63
3.5.3 Coalescência de bolhas .................................................................................................... 65
3.5.4 Coeficiente de transferência de calor global ..................................................................... 66
3.5.5 Temperatura da mistura.................................................................................................... 68
3.5.6 Coeficiente de transferência de calor bifásico .................................................................. 70
3.6 Comentários finais................................................................................................................. 71
4 METODOLOGIA DE SOLUÇÃO.........................................................................73
4.1 Discretização......................................................................................................................... 73
4.1.1 Discretização das equações do sistema pressão-velocidade .......................................... 74
4.1.2 Discretização da equação da conservação da energia .................................................... 79
4.1.3 Discretização das equações auxiliares ............................................................................. 84
4.2 Algoritmo de solução............................................................................................................. 85
4.2.1 Dados de entrada.............................................................................................................. 86
4.2.2 Início da simulação............................................................................................................ 86
4.2.3 Desenvolvimento da simulação......................................................................................... 87
4.2.4 Fim da simulação .............................................................................................................. 89
4.3 Sondas virtuais...................................................................................................................... 89
4.3.1 Sonda euleriana ................................................................................................................ 89
4.3.2 Sonda lagrangeana ........................................................................................................... 89
4.3.3 Sonda de fotografia........................................................................................................... 90
4.4 Considerações gerais da solução numérica ......................................................................... 90
5 CONDIÇÕES INICIAIS, DE ENTRADA E DE SAÍDA.........................................91
5.1 Condições iniciais.................................................................................................................. 91
5.2 Modelo estacionário para geração da célula unitária na entrada ......................................... 93
5.2.1 Dados hidrodinâmicos....................................................................................................... 94
5.2.2 Dados de transferência de calor ....................................................................................... 97
5.3 Processo de entrada de células unitárias no domínio de cálculo......................................... 99
5.4 Processo de saída de células unitárias............................................................................... 101
6 RESULTADOS .................................................................................................103
6.1 Validação do modelo........................................................................................................... 103
6.1.1 Validação com escoamento monofásico......................................................................... 104
6.1.2 Validação utilizando um modelo estacionário................................................................. 106
x
6.1.3 Validação com dados experimentais............................................................................... 107
6.1.4 Validação com correlações da literatura......................................................................... 111
6.2 Simulações numéricas ........................................................................................................ 114
6.2.1 Temperatura externa constante (TEC)............................................................................ 116
6.2.2 Fluxo de calor constante na parede (FCC) ..................................................................... 125
6.3 Análise dos parâmetros influentes na transferência de calor ............................................. 128
6.4 Influência da transferência de calor nos parâmetros hidrodinâmicos................................. 132
7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES...........................................................136
7.1 Sugestões para trabalhos futuros ....................................................................................... 137
PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO PERÍODO 2009-2011.............................................139
REFERÊNCIAS.......................................................................................................143
APÊNDICE A – Correlações para o coeficiente de transferência de calor bifásico.148
A.1 Correlação de Kim e Ghajar (2006).......................................................................................... 148
A.2 Modelo Mecanicista de Camargo (1991).................................................................................. 149
A.3 Outras correlações.................................................................................................................... 151
APÊNDICE B – Detalhes dos resultados ................................................................154
B.1 Dados de entrada para Lima (2009)......................................................................................... 154
B.2 Dados obtidos do modelo de célula unitária............................................................................. 155
B.3 Coeficientes de transferência de calor bifásicos obtidos.......................................................... 156
ANEXO A – MODELO ESTACIONÁRIO PARA TRANSFERÊNCIA DE CALOR NO
ESCOAMENTO EM GOLFADAS............................................................................157

xi

LISTA DE FIGURAS
Figura 1-1 – Padrões de escoamento bifásico líquido-gás horizontal. ........................2
Figura 1-2 – Padrões de escoamento bifásico líquido-gás vertical .............................2
Figura 1-3 – Mudança de padrão de escoamento em um tubo evaporador horizontal.
.............................................................................................................................4
Figura 1-4 – Transporte de petróleo nas profundidades marinhas..............................7
Figura 2-1 – Conceito de célula unitária. ...................................................................10
Figura 2-2 – Descrição das partes de célula unitária. ...............................................11
Figura 2-3 – Seção transversal da tubulação: a) bolha b) pistão. .............................21
Figura 3-1 – Geometria do problema em estudo.......................................................37
Figura 3-2 – Célula unitária j e configuração da pressão. .........................................38
Figura 3-3 – Volumes e superfícies de controle para a j-ésima célula unitária. ........40
Figura 3-4 – Volumes de controle no acoplamento de pressões...............................49
Figura 3-5 – Volume de controle para o modelo de Taitel e Barnea (1990). .............51
Figura 3-6 – Condições da transferência de calor na seção transversal. ..................55
Figura 3-7 – Fluxos de calor na bolha-filme (a) e no pistão (b) .................................56
Figura 3-8 – Balanço de energia na parede do duto. ................................................62
Figura 3-9 – Volume de controle para a velocidade do filme e da bolha...................64
Figura 3-10 – Modelagem da coalescência de bolhas. .............................................66
Figura 3-11 – Resistências térmicas na seção transversal do duto ..........................67
Figura 4-1 – Algoritmo da simulação.........................................................................88
Figura 5-1 – Representação gráfica da condição inicial na simulação......................92
Figura 5-2 – Modelo de bolha de Taitel e Barnea (1990a) ........................................95
Figura 5-3 – Sequência de integração do modelo de bolha. .....................................97
Figura 5-4 – Temperaturas da célula unitária da entrada..........................................98
Figura 5-5 – Processo de entrada de bolhas na tubulação. ....................................100
Figura 5-6 – Processo de saída de bolhas da tubulação. .......................................101
Figura 6-1 – Redução do modelo de seguimento de pistões para o caso monofásico.
a) Temperatura externa constante; b) Fluxo de calor constante. .....................105
xii
Figura 6-2 – Temperatura ao longo do duto comparado com um modelo estacionário.
a) e b) j
L
= 0,53 e j
G
= 0,47 m/s; c) e d) j
L
= 0,67 e j
G
= 0,59 m/s; a) e c) h
0
= 500
W/m²K; b) e d) h
0
= 1000 W/m²K......................................................................107
Figura 6-3 – Comparação para os resultados de temperaturas. a) Sonda euleriana;
b) Sonda lagrangeana......................................................................................109
Figura 6-4 – Validação com dados de temperatura. a) j
L
= 0,58 j
G
= 0,8 m/s; b) j
L
=
0,97 j
G
= 0,68 m/s; c) j
L
= 1,23 j
G
= 0,37 m/s; d) j
L
= 1,25 j
G
= 0,30 m/s. ..........110
Figura 6-5 – Comparação entre o coeficiente de transferência de calor experimental
e o calculado no presente trabalho (ST: Slug Tracking)...................................111
Figura 6-6 – Comparação do h
TP
numérico com as correlações. a) Kim e Ghajar
(2006); b) Camargo (1991); c) Shah (1981). ....................................................112
Figura 6-7 – Temperaturas médias da mistura e do gás ao longo do duto para os
testes A@W#1 e 2 com temperatura externa constante. .................................118
Figura 6-8 – Temperaturas médias do líquido e do gás ao longo do duto para os
testes A@W#3 e 4 com temperatura externa constante. .................................119
Figura 6-9 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) seguindo a
bolha 120 ao longo do duto para A@W#1. ......................................................120
Figura 6-10 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) seguindo a
bolha 120 ao longo do duto para A@W#3. ......................................................121
Figura 6-11 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) segundo a
sonda de fotografia no instante t = 70 s para A@W#1.....................................121
Figura 6-12 – Coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
ao longo do duto
para os testes A@W#1-2 com temperatura externa constante........................123
Figura 6-13 – Coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
ao longo do duto
para os testes A@W#3-4 com temperatura externa constante........................124
Figura 6-14 – Distribuição de temperaturas da mistura ao longo do duto para a
condição de fluxo de calor constante. ..............................................................126
Figura 6-15 – Coeficiente de transferência de calor bifásico ao longo do duto para os
testes A@W1-2 com fluxo de calor constante..................................................127
Figura 6-16 – Coeficiente de transferência de calor bifásico ao longo do duto para os
testes A@W3-4 com fluxo de calor constante..................................................128
Figura 6-17 – Relação entre o número de Reynolds do líquido (a) e do gás (b) com o
coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
.............................................129
xiii
Figura 6-18 – Relação entre o número de Prandtl do líquido (a) e do gás (b) com o
coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
.............................................130
Figura 6-19 – Relação entre a velocidade de mistura J (a) e a frequência freq (b)
com o coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
. .................................131
Figura 6-20 – Relação entre a relação de comprimentos L
B
/L
U
com o coeficiente de
transferência de calor bifásico h
TP
....................................................................131
Figura 6-21 – Influência da temperatura nos comprimentos L
B
e L
S
para diferentes
velocidades superficiais. ..................................................................................134
Figura 6-22 – Influência da temperatura nas velocidades do pistão U
LS
e de
translação U
T
para diferentes velocidades superficiais. ...................................135

xiv
LISTA DE TABELAS
Tabela 2-1 – Relações geométricas para escoamento horizontal.............................22
Tabela 2-2 – Expressões para o coeficiente de transferência de calor bifásico. .......30
Tabela 2-3 – Coeficientes para a velocidade de translação da bolha .......................32
Tabela 2-4 – Tensão de cisalhamento, diâmetro hidráulico e número de Reynolds. 35
Tabela 5-1 – Expressões para o cálculo de temperatura de entrada nas paredes. ..99
Tabela 6-1. Dados de entrada para a validação com dados de temperatura. .........108
Tabela 6-2 – Condições de simulação para a validação com dados experimentais.
.........................................................................................................................110
Tabela 6-3 – Definição das condições de simulação para escoamento ar-água. ...114
Tabela 6-4 – Resultados do modelo estacionário como condição de entrada ........115
Tabela 6-5 – Posição das estações virtuais de medição.........................................116

xv
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CD - Completamente desenvolvido
FCC - Fluxo de calor constante
KG - Correlação de Kim e Ghajar
LACIT - Laboratório de Ciências Térmicas
ST - Slug Tracking: Modelo de seguimento de pistões
TEC - Temperatura externa constante
UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná

xvi
LISTA DE SÍMBOLOS

A - Área da seção transversal do duto
[m²]
C - Calor específico
[J/kgK]
C
0
- Coeficiente de velocidade da bolha
-
C

- Coeficiente de velocidade da bolha
-
Cp - Calor específico a pressão constante
[J/KgK]
Cv - Calor específico a volume constante
[J/KgK]
D - Diâmetro do duto
[m]
e - Energia específica total
[J/kg]
E - Energia total
[J]
E
-

- Taxa de energia total
[W]
f - Fator de atrito
-
freq - Frequência da célula unitária
[s
-1
]
Fr - Número de Froude
-
g - Aceleração da gravidade
[m/s²]
h
- Coeficiente de transferência de calor médio na região
[W/m²K]
h - Fator de esteira
-
i - Entalpia específica
[J/kg]
j - Velocidade superficial
[m/s]
J - Velocidade da mistura
[m/s]
k - Condutividade térmica
[W/mK]
L - Comprimento
[m]
m
-

- Vazão mássica
[kg/s]
n - Número de células unitárias no interior do duto
-
Nu - Número de Nusselt
-
P - Pressão
[Pa]
Pr - Número de Prandtl
-
Q - Taxa de calor transferido por unidade de comprimento
[W/m]
Q
-

- Taxa de calor fornecido
[W]
'' q
- Fluxo de calor
[W/m²]
R - Fração volumétrica de fase
-
xvii
9 - Constante dos gases ideais
[J/KgK]
Re - Número de Reynolds
-
S - Perímetro molhado
[m]
t - Tempo
[s]
T - Temperatura
[K]
U - Velocidade
[m/s]
û - Energia interna específica
[J/kg]
W
-

- Taxa de trabalho
[W]
x - Posição do frente do pistão
[m]
X - Título
-
y - Posição da frente da bolha
[m]
z - Direção axial
[m]
| - Ângulo de inclinação do duto
-
µ - Viscosidade
[Pa.s]
u - Ângulo interno do perímetro molhado de líquido
-
µ - Massa específica
[kg/m³]
t - Tensão de cisalhamento
[Pa]


Subscritos

L - Líquido
G - Gás
S - Região do pistão
B - Região da bolha alongada
LS - Líquido no pistão
GS - Gás no pistão
LB - Líquido na região da bolha alongada (filme líquido)
GB - Gás na região da bolha alongada
m - Mistura
T - Translação da bolha alongada
j - j-ésima célula unitária
SP - Monofásico (Single phase)
TP - Bifásico (Two-phase)
xviii
U - Célula unitária
D - Drift
0 - Propriedades no meio externo
en - Entrada
w - Parede externa
wi - Parede interna

Capítulo 1 - Introdução 1

1 INTRODUÇÃO

O escoamento simultâneo de duas ou mais fases (sólido, líquido ou gás), o
qual é chamado escoamento multifásico, está envolvido em muitas aplicações na
indústria. Problemas desta natureza ocorrem em diversas aplicações da engenharia,
por exemplo, no transporte de materiais na mineração, em sistemas térmicos com
mudança de fase e nas linhas de produção de petróleo. O entendimento dos
fenômenos associados a estes problemas é fundamental para o aprimoramento dos
processos e dos equipamentos que operam com este tipo de escoamento.
A complexidade do estudo dos escoamentos multifásicos deve-se às
interações entre as estruturas das fases envolvidas. A superfície que separa os
fluidos chama-se interface e particularmente no escoamento bifásico líquido-gás,
está distribuida geometricamente de diferentes formas, as quais dependem das
condições operacionais (vazão e pressão), das propriedades físicas dos fluidos e da
configuração geométrica do duto. Os diferentes arranjos são conhecidos como
padrões de escoamento e sua identificação é fundamental para o desenvolvimento
de modelos matemáticos.
Alguns dos principais padrões de escoamento líquido-gás em dutos horizontais
e verticais são apresentados na Figura 1-1 e na Figura 1-2, respectivamente.
A Figura 1-1 apresenta os padrões mais conhecidos em dutos horizontais. Para
baixas vazões de gás e líquido, as fases são mais suscetíveis aos efeitos da
gravidade, posicionando o líquido, de maior massa específica, na parte inferior do
duto. Neste caso, tem-se escoamento estratificado observado na Figura 1-1a.
Quando a vazão de gás aumenta, a interface apresenta ondulações. Essas
ondulações são maiores quando aumenta a fração volumétrica de líquido podendo
chegar até a parede superior do duto. Assim, grandes bolhas de gás são presas
entre pistões de líquido gerando um padrão intermitente, denominado escoamento
em golfadas (Figura 1-1b). Aumentando ainda mais a vazão de gás, ou com vazões
de líquido baixas, os pistões de líquido desaparecem deixando um núcleo de gás
contínuo com pequenas gotas de líquido, o qual é chamado escoamento anular
(Figura 1-1c). Por outro lado, para altas vazões de líquido apresenta-se escoamento
Capítulo 1 - Introdução 2

em bolhas dispersas (Figura 1-1d) onde as pequenas bolhas discretas tendem a
estar na parte superior do duto.


Figura 1-1 – Padrões de escoamento bifásico líquido-gás horizontal.


Figura 1-2 – Padrões de escoamento bifásico líquido-gás vertical
Capítulo 1 - Introdução 3

Na Figura 1-2 apresentam-se os padrões mais conhecidos do escoamento
vertical ascendente, onde a configuração geométrica das fases tende a ser mais
simétrica em relação ao eixo do duto. O padrão de bolhas (Figura 1-2a) aparece
usualmente para baixas vazões de gás, onde as bolhas são distribuídas
uniformemente na seção transversal do duto. Quando a vazão de gás aumenta, as
bolhas coalescem e originam as golfadas que se arranjam no centro do duto e
apresentam um filme líquido descendente (Figura 1-2b). Para vazões maiores de
gás, o escoamento passa por uma transição de aparência caótica, chamada agitada
(Figura 1-2c), até chegar ao padrão anular (Figura 1-2d), no qual as bolhas
alongadas coalesceram totalmente e apresentam um núcleo de gás no centro da
tubulação.
Um dos padrões com maior ocorrência nas aplicações industriais é o
escoamento em golfadas, o qual existe em uma ampla faixa de velocidades de fase
segundo os estudos de diversos autores, a exemplo de Taitel e Dukler (1976). Esse
padrão de escoamento, também conhecido como slug flow, será o objeto de estudo
no presente trabalho.
O escoamento em golfadas é um escoamento intermitente cujas características
variam no espaço e no tempo. Neste caso, duas estruturas de forma alternada são
observadas: a bolha alongada de gás e o pistão de líquido, como pode ser
observado nas Figura 1-1b e Figura 1-2b. O pistão líquido preenche completamente
a seção transversal, enquanto a bolha alongada escoa junto com um filme líquido.
No escoamento horizontal, a bolha encontra-se encostada na parte superior do duto
enquanto no escoamento vertical posiciona-se de forma concêntrica ao duto. A
maior parte do gás está concentrada na bolha alongada, porém, para determinadas
condições de vazão, existe uma pequena fração de gás no interior do pistão em
forma de bolhas dispersas.
Devido à interação entre as estruturas do escoamento em golfadas (bolha,
pistão e filme) o desenvolvimento de modelos para a predição do comportamento
deste tipo de fenômenos torna-se complexo. Devido à essa complexidade, muitas
vezes os efeitos da troca de calor são desprezados e apenas é analisada a
hidrodinâmica do escoamento. Em alguns cenários não é possível desprezar os
efeitos da troca de calor, pois a temperatura influi diretamente nas propriedades
Capítulo 1 - Introdução 4

físicas das fases e o calor adicionado pode ocasionar mudanças de fase como é
observado na Figura 1-3.
No caso particular dos problemas com transferência de calor é possível ignorar
a mudança de fase e considerar fluidos com calores específicos constantes,
assumindo adicionalmente baixas pressões, a energia específica pode ser expressa
em função da temperatura. Apesar de não considerar a mudança de fase, a troca de
calor pode afetar diretamente as propriedades físicas dos fluidos. Por exemplo, a
massa específica da fase compressível (gás) varia com a temperatura, sendo
necessário o uso de uma equação de estado. Além disso, a temperatura também
influi na viscosidade, a qual por sua vez influi nos termos de atrito diretamente
relacionados com a queda de pressão.


Figura 1-3 – Mudança de padrão de escoamento em um tubo evaporador horizontal
i
.

Os estudos anteriores sobre escoamento bifásico com transferência de calor
são, na maioria, empíricos e independentes do tipo de padrão de escoamento
(Shoham, 2006). Tais trabalhos, predominantemente experimentais, são limitados a
correlações empíricas para o coeficiente de transferência de calor. No entanto é
conhecido que as equações governantes das variáveis hidrodinâmicas têm
dependência direta do tipo de padrão de escoamento. As variáveis térmicas
dependem por sua vez das características hidrodinâmicas (Deshpande et al., 1991)
evidenciando uma relação direta entre o mecanismo de transferência de calor e o
tipo de padrão de escoamento. Assim, pode-se deduzir que é necessária a
classificação do escoamento antes de começar a modelagem. Recentemente,

i
Baseado em Thome, 2010
Capítulo 1 - Introdução 5

através do esforço de diversos pesquisadores como Kim e Ghajar (2006), Camargo
(1991), Zhang et al. (2006), Lima (2009), entre outros foram realizados estudos mais
específicos que evidenciaram a influência do padrão de escoamento na
transferência de calor.

1.1 Objetivos

O objetivo do presente trabalho é desenvolver um modelo matemático
unidimensional para simular a hidrodinâmica e a transferência de calor no
escoamento bifásico líquido-gás no padrão de golfadas em dutos horizontais. O
modelo matemático leva em conta pistões aerados e a compressão do gás devido às
variações de pressão e temperatura. As condições térmicas a serem estudadas são
as de temperatura externa constante e fluxo de calor constante na parede.
Com a finalidade de atingir os objetivos propostos, as equações de balanço de
massa, de quantidade de movimento e de energia na forma integral serão aplicadas
às estruturas do escoamento em golfadas. As equações resultantes serão expressas
em função das variáveis: pressão, velocidade e temperatura e outros parâmetros
típicos do escoamento bifásico.
O principal interesse é analisar a evolução da célula unitária ao longo do duto,
portanto será utilizado um método lagrangeano de seguimento de pistões, também
chamado slug tracking (Rodrigues, 2009). Nesse método é possível acompanhar a
evolução no espaço e no tempo das bolhas e pistões se propagando ao longo da
tubulação. Dessa forma, podem-se simular fenômenos típicos do escoamento em
golfadas tais como a intermitência e a coalescência de bolhas. O modelo de
transferência de calor será acoplado ao modelo hidrodinâmico desenvolvido por
Rodrigues (2009).
Para sua solução, as equações resultantes da modelagem serão discretizadas
e implementadas em um programa computacional na linguagem FORTRAN
utilizando Microsoft Visual Studio ® 2005 como plataforma de desenvolvimento e
programação orientada a objetos. Esse programa é uma evolução do programa
existente, desenvolvido pelo LACIT (Laboratório de Ciências Térmicas - UTFPR),
que resolve o modelo hidrodinâmico. Dessa forma, será obtido um modelo mais
Capítulo 1 - Introdução 6

completo que analise o problema em termos das variáveis: pressão, velocidade e
temperatura.

1.2 Justificativa

Estudar escoamentos bifásicos com transferência de calor é de relevância
significativa em muitas áreas da indústria. Escoamentos bifásicos ocorrem nos
processos de vaporização e condensação em sistemas térmicos, especificamente
nos condensadores, caldeiras, sistemas de refrigeração e trocadores de calor de
contato direto. Também na absorção de gases, sistemas de geração de energia e
outros processos onde a mudança de fase é significativa e o principal mecanismo de
transferência de calor é a convecção forçada.
A primeira motivação para o estudo do escoamento bifásico referiu-se às
plantas de energia com reatores nucleares principalmente por motivos de segurança.
A fim de produzir energia, as plantas nucleares geram calor que será convertido em
energia elétrica. Para evitar que as estruturas sejam danificadas pelas grandes
temperaturas, é utilizada água como fluido refrigerante. Se a vazão de fluido
refrigerante diminuir, a temperatura aumentará podendo causar danos ao reator. Por
essa razão, água de emergência é injetada, a qual se evaporará em contato com o
calor, gerando desta forma um escoamento de líquido-vapor pelos dutos de
refrigeração.
Na indústria do petróleo, uma etapa fundamental da produção é o transporte
através das linhas de produção. Normalmente, neste processo, são encontrados
areia, óleo, água e gás natural escoando simultaneamente. Nesse cenário, as
condições ambientais externas desde o início da tubulação até a saída mudam
consideravelmente, lembrando que as linhas de transporte podem ter quilômetros de
comprimento, como observado na Figura 1-4.
Com as novas bacias de petróleo em águas profundas descobertas
recentemente na camada pré-sal, o estudo de cada um dos problemas envolvidos
na extração torna-se importante. Naturalmente as condições ambientais de pressão
e temperatura serão muito diferentes no leito do oceano e na camada pré-sal. No
oceano a temperatura cai com a profundidade, chegando a 4°C, em contraste com
Capítulo 1 - Introdução 7

as altas temperaturas dos reservatórios de óleo, evidenciando trocas térmicas
significativas. Essa troca de calor alterará as propriedades dos fluidos, a exemplo da
massa específica e da viscosidade, que estão relacionadas diretamente com a
queda de pressão. Além disso, podem ocorrer fenômenos físicos governados por
processos termodinâmicos, tais como a formação de hidratos e a cristalização de
parafinas (Lima, 2009), que podem obstruir o duto através do acúmulo de sólidos.
Adicionalmente, o desenvolvimento do trabalho, que tem foco em uma linha de
pesquisa de muitas aplicações práticas, poderá servir de referência para futuros
trabalhos na área.


Figura 1-4 – Transporte de petróleo nas profundidades marinhas
ii
.

1.3 Estrutura do trabalho

O presente trabalho está dividido em sete capítulos. No primeiro capítulo é
apresentada uma introdução que descreve o problema de forma geral, explica os

ii
Fonte: http://www.manutencaoesuprimentos.com.br.
ANM: Árvore de natal molhado.
Capítulo 1 - Introdução 8

objetivos a serem atingidos e mostra as justificativas para a realização do estudo. No
segundo capítulo é realizada uma revisão da bibliografia relacionada com o
problema em questão. São apresentados os conceitos básicos do escoamento em
golfadas necessários para o completo entendimento do fenômeno físico. A revisão
bibliográfica também abrange o fenômeno de transferência de calor no escoamento
bifásico e as abordagens existentes sobre escoamento em golfadas.
No terceiro capítulo é realizada a modelagem matemática do problema, onde
são deduzidas as equações governantes do fenômeno. Balanços de massa,
quantidade de movimento e energia são realizados em volumes de controle
constituídos pelas bolhas alongadas e pistões que se propagam ao longo da
tubulação em regime transitório. Além disso, equações auxiliares são apresentadas
para modelar fenômenos como a velocidade de translação da bolha e a
coalescência.
No quarto capítulo, a metodologia para a solução do modelo matemático é
exposta em detalhe. Primeiramente, é realizada a discretização das equações
governantes encontradas no capítulo três. A seguir, é descrito o procedimento para
a solução das equações discretizadas. Finalmente, cada uma das etapas da
simulação é explicada de forma geral com ajuda de um diagrama de fluxo.
A fim de complementar a metodologia de solução apresentada no capítulo 4,
condições iniciais e condições de entrada e saída da tubulação são definidas. No
quinto capítulo essas condições são discutidas em detalhe, assim como a
modelagem de processos específicos como a entrada e saída de bolhas.
No sexto capítulo, os resultados das simulações são discutidos. Na primeira
parte é realizada a validação do modelo através da comparação com dados e
correlações encontrados na literatura. Na segunda parte o modelo é aplicado a
casos com dados hidrodinâmicos validados experimentalmente, adicionando uma
fonte de calor fictícia a fim de analisar a influência da transferência de calor nos
parâmetros hidrodinâmicos.
Finalmente, no sétimo e último capítulo, as conclusões do trabalho são
apresentadas, bem como as recomendações e as sugestões para futuros trabalhos.

Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 9


2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A fim de estudar o escoamento bifásico em golfadas com transferência de
calor, foi necessário realizar uma revisão detalhada dos diferentes trabalhos
desenvolvidos no assunto. No desenvolvimento do presente capítulo, primeiramente
será tratada a física do escoamento bifásico em golfadas e o fenômeno de
transferência de calor sem mudança de fase. Logo depois serão apresentados os
conceitos básicos para se familiarizar com a terminologia do escoamento bifásico,
onde serão tratados parâmetros geométricos, cinemáticos, termodinâmicos e da
transferência de calor. Finalmente, algumas relações de fechamento, ou equações
constitutivas, serão especificadas.

2.1 Conceitos básicos sobre escoamento em golfadas

Antes de apresentar os modelos existentes para o estudo do escoamento em
golfadas, são definidas as características principais deste padrão. O escoamento em
golfadas apresenta duas estruturas de forma alternada: um pistão de líquido com
bolhas de gás dispersas no seu interior e uma bolha alongada de gás que escoa
paralelamente a um filme líquido (Figura 2-1). Essas estruturas têm um
comportamento irregular e suas variáveis mudam ao longo do espaço e do tempo,
portanto o escoamento é classificado como intermitente.
Para escoamento horizontal e ligeiramente inclinado, a configuração
geométrica dos fluidos é mostrada na Figura 2-1. Os efeitos da gravidade
posicionam a bolha alongada, de menor massa específica, na parede superior. Além
disso, as bolhas dispersas no interior do pistão estão concentradas nas
proximidades da parede superior. O filme líquido não apresenta bolhas dispersas.
Uma forma de abordar o fenômeno do escoamento em golfadas é através do
conceito de célula unitária introduzido por Wallis (1969) e apresentado na Figura 2-1.
Observa-se que uma célula unitária é composta por um pistão de líquido e sua bolha
alongada adjacente com o respectivo filme líquido. Assim, Wallis (1969) afirma que
uma vez descrito o comportamento de uma célula unitária típica, todas as
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 10


propriedades do escoamento em padrão golfadas ao longo de um duto podem ser
previstas.


Figura 2-1 – Conceito de célula unitária.

Com base na hipótese de Wallis, cada uma das regiões da célula unitária é
descrita a seguir segundo o ponto de vista de vários autores.
Dukler e Hubbard (1975) afirmam que a dinâmica do pistão pode ser dividida
em duas regiões, como observado na Figura 2-2. A região em contato com o nariz
da bolha posterior encontra-se quase em equilíbrio e seu comportamento pode ser
modelado através das equações de escoamento monofásico completamente
desenvolvido (Região C.D.). A região atrás da bolha alongada, ou região da mistura,
apresenta turbulência e recirculação assim como uma quantidade de bolhas
dispersas que depende das condições de vazão.
O filme escoando ao lado da bolha alongada apresenta uma altura variável e
se movimenta com uma velocidade menor do que o pistão e a bolha. Nesse sentido,
o pistão arremete contra o filme líquido ocasionando uma queda de pressão por
aceleração. Consequentemente, uma quantidade de massa contida no filme sai para
entrar no pistão que vem atrás.
A bolha alongada de gás escoa junto ao filme. Apresenta a particularidade que
o nariz da bolha se movimenta com uma velocidade maior do que o resto da bolha.
Segundo Fagundes Netto et al (1999), as características da bolha alongada são
governadas pelo número de Froude. Quatro regiões são observadas: o nariz, o
corpo, o ressalto hidráulico e a cauda, conforme a Figura 2-2. Para números de
Froude menores que 1, o nariz é curto, o corpo tem uma interface ondulada e o
ressalto hidráulico não atinge o topo da tubulação apresentando uma cauda.
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 11


Quando o número de Froude aumenta, o nariz cresce e a cauda diminui. Para
números de Froude maiores que 2, a cauda desaparece totalmente e pequenas
bolhas são presas na região da mistura do pistão.


Figura 2-2 – Descrição das partes de célula unitária.

2.2 Revisão dos modelos existentes para escoamento em golfadas

O problema de escoamento bifásico em golfadas é um fenômeno
inerentemente transiente já que os parâmetros variam ao longo do tempo. Devido às
limitações de capacidade de cálculo em estudos anteriores, não era possível
resolver problemas complexos de mecânica dos fluidos em regime transitório,
portanto foram desenvolvidos métodos simplificados como os modelos estacionários.
Esses modelos reduziam as equações governantes a simples equações algébricas
implícitas, as quais eram resolvidas de forma iterativa. Com a evolução dos
processadores dos computadores, conseguiu-se resolver problemas mais complexos
e foram desenvolvidos modelos transientes. Alguns dos modelos estacionários e
transientes são apresentados a seguir.

2.2.1 Modelos estacionários
Os modelos estacionários utilizam o conceito de célula unitária para simular um
escoamento em equilíbrio dinâmico. Nessa família de modelos, as células unitárias
apresentam-se de forma periódica sendo suficiente executar os cálculos para uma
célula unitária. Para conhecer as propriedades no resto da tubulação os resultados
são extrapolados. No entanto, esses modelos não fornecem resultados confiáveis
para parâmetros comumente utilizados como as distribuições estatísticas dos
comprimentos da bolha e do pistão.
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 12


Wallis (1969), ao definir o conceito de célula unitária, discute correlações
existentes na época para calcular a velocidade da bolha e a queda de pressão. Ele
afirma que devido à baixa viscosidade e massa específica do gás, a bolha alongada
encontra-se com pressão constante. O autor propõe que a queda de pressão seja
dividida em três regiões: no pistão líquido, no corpo da bolha e no final da bolha. A
queda de pressão no pistão pode ser calculada com equações do escoamento
monofásico; a queda de pressão no corpo da bolha é desprezível devido à pressão e
à curvatura constante; e a queda de pressão no final da bolha não foi abordada.
Posteriormente, Dukler e Hubbard (1975) apresentaram uma metodologia para
o cálculo das velocidades e dos comprimentos da célula unitária no escoamento
horizontal. O modelo está baseado nas equações de conservação da massa e da
quantidade do movimento, propondo uma distribuição de pressão linear ao longo do
pistão e um gradiente de pressão nulo ao longo da bolha, como proposto por Wallis
(1969). Nesse cenário, a queda de pressão na região completamente desenvolvida é
atribuída ao atrito. Na região da mistura, os autores propõem que a queda de
pressão seja devida à aceleração da velocidade do filme até velocidade de pistão
ocorrendo na traseira da bolha.
Fernandes et al. (1983) desenvolveram um modelo para escoamento vertical.
Neste caso é utilizada a mesma metodologia de Dukler e Hubbard (1975) incluindo
características importantes do escoamento vertical. No entanto, o parâmetro da
frequência da célula unitária não é mais um dado de entrada e pode ser calculado
após os resultados terem sido obtidos. Os autores propõem uma rede de equações
para calcular fração de líquido, queda de pressão, velocidades características,
frequência da célula e características da mistura.
Em 1990a, Taitel e Barnea apresentaram um modelo mais completo que
considera qualquer inclinação da tubulação. O modelo é formado pela equação de
modelo de bolha, a expressão para a queda de pressão na célula unitária e algumas
equações constitutivas utilizadas para o fechamento do sistema de equações
algébricas. Essas equações são fáceis de implementar e fornecem resultados bons
para pressões e vazões médias. Além disso, mostraram que para calcular a fração
média de vazio na célula unitária não é necessário conhecer o perfil geométrico da
bolha.
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 13


No mesmo ano, Taitel e Barnea (1990b) examinaram de forma crítica as
abordagens anteriores de queda de pressão. Através de balanços de massa e de
quantidade de movimento mostraram que a queda de pressão proposta por Dukler e
Hubbard (1975) tinha ignorado termos significativos no balanço. Eles propõem uma
expressão mais consistente onde a queda de pressão na região da mistura pode ser
expressa em função dos termos de atrito no filme e perfil geométrico da bolha
alongada.
Em conclusão, os modelos estacionários são de fácil solução porque estão
constituídos simplesmente por equações algébricas. Esse fato favorece a
implementação computacional, já que na época em que estes modelos foram
desenvolvidos, a capacidade de cálculo era muito reduzida. Porém, não consideram
a intermitência nem a irregularidade do escoamento, portanto não são capazes de
prever parâmetros importantes como a interação entre bolhas.

2.2.2 Modelos transientes
Com os avanços observados em termos de processamento de dados, foi
possível a implementação de modelos complexos, como os de escoamento bifásico
em regime transitório. Os principais modelos em regime transitório que abordam o
problema de escoamento bifásico em golfadas são os seguintes: o modelo de dois
fluidos, o modelo drift flux, e o modelo de seguimento de pistões, ou comumente
conhecido como slug tracking. Dentre tais modelos, os de seguimento de pistões são
modelos lagrangeanos que apresentam um custo computacional menor comparado
com os outros (Rodrigues, 2009).
Devido a suas características lagrangeanas, os modelos de seguimento de
pistões podem incorporar de forma direta os modelos físicos para a velocidade de
translação da bolha (Nydal e Banerjee, 1995).
Os modelos de seguimento de pistões utilizam a formulação integral das
equações de conservação considerando volumes de controle convenientes segundo
o ponto de vista de cada autor. Neste tipo de modelo, os pistões e bolhas são
considerados como elementos separados que se propagam ao longo da tubulação.
Finalmente, os resultados dos balanços devem ser acoplados em um sistema de
equações lineares, a ser resolvido em cada instante de tempo.
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 14


A quantidade de operações realizadas neste tipo de modelo é reduzida
notavelmente pois utiliza valores médios, ao invés de locais e instantâneos.
Um dos primeiros trabalhos usando um modelo de seguimento de pistões foi
desenvolvido por Barnea e Taitel (1993). Os autores introduziram a intermitência do
escoamento através de uma distribuição normal para o comprimento do pistão na
entrada, o qual é propagado ao longo da tubulação. O movimento de cada pistão é
descrito pela variação da posição das superfícies de controle movendo-se com a
velocidade de translação da bolha, a qual é calculada através de correlações
experimentais. Os autores constataram que a distribuição do comprimento do pistão
na região completamente desenvolvida tem a forma de uma distribuição log-normal.
Zheng et al (1994) apresentaram um modelo que simula o comportamento do
escoamento em golfadas com mudança de direção em cotovelos de diferentes
inclinações. Eles usaram uma modelagem semelhante à apresentada por Taitel e
Barnea (1990a) baseada principalmente na equação da conservação da massa.
Dessa forma, simularam o movimento e crescimento de pistões, geração de pistões
em cotovelos baixos e o desaparecimento de pistões pequenos que estão atrás de
pistões maiores, fenômeno chamado de coalescência.
Em seguida, Taitel e Barnea (1998) aprimoraram seu modelo e adicionaram o
efeito da compressibilidade do gás. Eles usaram a equação da conservação da
massa em regime transitório e a equação da quantidade de movimento em regime
estacionário, assumindo que as forças estão em equilíbrio local em cada uma das
células unitárias. Os resultados mostraram que a compressibilidade do gás ocasiona
um incremento no comprimento da bolha, mas não tem efeito significativo sobre o
crescimento do pistão.
Franklin (2004) propôs uma modelagem matemática e numérica para
escoamento horizontal. Seu modelo considera pistões não aerados, líquido
incompressível e gás ideal. O autor obtém um sistema de equações em função das
velocidades dos pistões e das pressões das bolhas a partir das equações de
conservação da massa e da quantidade de movimento. O modelo é testado para
dois casos. O primeiro considera bolhas periódicas na entrada onde é possível
comparar os resultados com um modelo algébrico. O segundo considera bolhas
intermitentes na entrada que podem ser comparados com dados experimentais.
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 15


Guo et al (2009) apresentaram um estudo numérico-experimental sobre
padrões de escoamento, enfatizando o escoamento em golfadas. No modelo
numérico, eles fazem uma abordagem transiente considerando bolhas retangulares
e pistões aerados. Os balanços são realizados em um volume de controle cuja frente
está na metade de um pistão e a traseira na metade do pistão posterior. Os autores
selecionam esse volume de controle a fim de evitar complicações na região da
interface. Eles constataram que a queda de pressão dentro de seu volume de
controle é devido às forças de atrito, à força gravitacional dos fluidos e a uma queda
de pressão atribuída à aceleração do filme na traseira da bolha.
Finalmente, Rodrigues (2009) apresentou uma detalhada modelagem
matemática e numérica para a simulação hidrodinâmica do escoamento em
golfadas. Sua modelagem é válida para dutos com qualquer inclinação e leva em
conta a variação de todos os parâmetros cinemáticos ao longo do tempo. Assim, ele
calcula primeiro as velocidades dos pistões e a pressão das bolhas através de um
sistema de equações lineares. Logo, são calculados outros parâmetros, como os
comprimentos e as velocidades translacionais através de equações auxiliares. O
presente trabalho está baseado no trabalho de Rodrigues (2009), mas considera
adicionalmente a equação da conservação da energia e os efeitos da troca de calor
na modelagem.

2.3 Revisão de trabalhos sobre escoamento bifásico com transferência de
calor

Nesta seção são apresentados alguns estudos sobre escoamento bifásico com
transferência de calor. Na literatura são encontradas abordagens experimentais e
numéricas, sendo as experimentais encontradas com maior frequência. O principal
interesse desses estudos é determinar o coeficiente de transferência de calor
através de correlações ou modelos mecanicistas.
Wallis (1969) apresentou uma teoria geral do escoamento bifásico
unidimensional com transferência de calor para os modelos de caixa preta em
estado estacionário (Shoham, 2006). Ele discute as equações governantes do
escoamento bifásico para o modelo homogêneo e o modelo de fases separadas,
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 16


para os padrões de bolhas-dispersas e estratificado, respectivamente. Seu principal
objetivo é estudar a hidrodinâmica do escoamento, portanto, a distribuição de
temperaturas é ignorada. Para o escoamento homogêneo, a equação da
conservação da energia é acoplada à equação da conservação da quantidade de
movimento para encontrar a queda de pressão. Este modelo tem como característica
a vantagem de considerar a mudança de fase, a transferência de massa e a
variação da seção transversal. Para escoamento de fases separadas, Wallis
apresenta a equação da conservação da energia considerando os efeitos da
transferência de massa e o trabalho.
Shoham et al (1982) apresentaram um estudo experimental onde se analisa a
transferência de calor no escoamento líquido-gás em golfadas em dutos horizontais.
Nesse trabalho, características básicas da transferência de calor foram medidas e
calculadas, como temperaturas, coeficiente de transferência de calor e fluxo de
calor. Os resultados mostraram que o coeficiente de transferência de calor varia ao
redor da parede do tubo, sendo diferente na superfície superior e inferior. Os autores
desenvolveram uma solução aproximada baseando-se na analogia com um
escoamento entre placas paralelas em regime laminar. Respostas analíticas são
encontradas para os números de Nusselt na parte superior e inferior do duto
resolvendo a equação da conservação da energia.
Camargo (1991) realizou um estudo experimental da hidrodinâmica e
transferência de calor no escoamento em golfadas. Ele mede pressões e
temperaturas em uma bancada experimental onde a mistura bifásica água-ar é
resfriada por um escoamento externo de água fria. O coeficiente de transferência de
calor medido é comparado com correlações de outros autores. Um modelo
mecanicista é proposto baseado nos parâmetros da célula unitária, obtendo uma
expressão para o coeficiente de transferência de calor com a condição de contorno
de temperatura constante e outra para a condição de fluxo de calor constante. Uma
boa concordância é encontrada entre o modelo mecanicista e os dados
experimentais obtidos, com discrepâncias na faixa de 30%.
Deshpande et al (1991) realizou um estudo experimental para escoamento
intermitente horizontal estudando a transferência de calor na condição de fluxo de
calor constante. Os autores encontraram que o coeficiente de transferência de calor
bifásico é diferente para a parte superior e inferior do duto, concordando com os
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 17


resultados de Shoham (1982). Eles afirmam que a velocidade da mistura é um
parâmetro importante para a transferência de calor no escoamento intermitente, mas
ainda mais importante são a frequência da passagem da célula unitária, assim como
a relação de comprimentos de bolha e pistão.
Fore et al (1997) apresentaram uma abordagem experimental do escoamento
em golfadas em condições de gravidade reduzida. Nessa condição, as bolhas
permanecem no centro do duto, sem encostar na parede superior. Foram discutidas
medições da fração de vazio, gradiente de pressão e coeficiente de transferência de
calor para escoamento ar-água e ar-glicerina. Eles constataram que nessas
condições, o coeficiente de transferência de calor é menor comparado com
condições normais já que os níveis de turbulência são menores. Além disso, para
baixas frações de vazio, o escoamento apresenta velocidades quase homogêneas.
Hetsroni et al (1998) fez um estudo experimental da transferência de calor no
escoamento intermitente horizontal para baixas vazões de líquido com um duto
aquecido eletricamente. A variação circunferencial do coeficiente de transferência de
calor determina que na parte inferior do duto o coeficiente é independente da
frequência e do comprimento da bolha. Finalmente os autores propõem uma
expressão para calcular o coeficiente de transferência de calor bifásico em função do
número de Froude, da frequência e do comprimento da bolha.
Kim e Ghajar (2000) apresentaram um interessante estudo experimental do
coeficiente de transferência de calor para diferentes padrões de escoamento bifásico
sem mudança de fase. Eles propõem uma correlação geral em função do título, da
fração de vazio, da viscosidade e do número de Prandtl. A correlação apresentada
possui constantes que dependem do padrão de escoamento e estabelece faixas de
influência dos parâmetros para cada constante. As predições da fórmula concordam
consideravelmente com os resultados experimentais, mas as constantes utilizadas
são difíceis de obter e funcionam satisfatoriamente só nas faixas empregadas.
Kim (2002) fez uma revisão das correlações existentes para o coeficiente de
transferência de calor bifásico. As correlações são separadas em três tipos:
correlações de fração de vazio explícito, correlações de Lockhart-Martinelli e
correlações de análise dimensional ou de modelo de fases separadas. No primeiro
tipo considera-se que a fase gasosa é inserida para acelerar a fase líquida e a
fração de vazio aparece na correlação de forma explícita. No segundo tipo, o
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 18


coeficiente é dependente da relação entre a queda de pressão monofásica e
bifásica. No terceiro tipo, as correlações de escoamento monofásico são adaptadas
ao bifásico, sendo afetados por fatores arbitrários e parâmetros adimensionais como
a relação de massas específicas líquido-gás. Para todos os tipos, os mecanismos de
transferência de calor estão dominados pela fase líquida.
Sun et al (2003) analisaram modelos desenvolvidos por outros autores para
calcular a hidrodinâmica e a transferência de calor no escoamento em golfadas. Eles
mostraram que existe uma diferença significativa entre o coeficiente de transferência
de calor com e sem evaporação, sendo seu valor diferente na parte superior e
inferior do duto. Como resultado, eles mostraram que a ebulição de núcleo (nucleate
boiling) domina a transferência de calor na região superior do tubo; e a convecção
forçada domina na região inferior.
Sripattrapan e Wongwises (2005) realizaram um estudo numérico do
escoamento bifásico de fluidos refrigerantes puros no padrão anular. Neste trabalho,
o escoamento encontra-se em regime permanente sendo submetido a um fluxo de
calor constante, ocorrendo evaporação. Seus resultados mostram que o coeficiente
de transferência de calor diminui ao longo da tubulação devido à diminuição da
espessura do filme. A temperatura do filme líquido apresenta a mesma tendência
que a temperatura da parede, mas a diferença diminui ao longo do duto. Além disso,
a taxa de evaporação diminui ao longo do tubo.
Zhang et al. (2006) apresentaram modelos mecanicistas para o coeficiente de
transferência de calor bifásico nos padrões de bolhas, estratificado, anular e
golfadas. Os autores aplicam a equação da conservação da energia em regime
transitório em volumes de controle infinitesimais considerando um campo de
velocidades conhecido. Os autores evidenciam que o coeficiente de transferência de
calor entre os fluidos na interface é igual ao coeficiente de transferência de calor
monofásico do gás se a diferença de temperaturas entre o filme e a bolha não for
grande. O modelo mecanicista é comparado com os dados de Manabe (2001)
obtendo uma concordância de 20%.
Shoham (2006) apresentou uma interessante modelagem numérica para a
transferência de calor no escoamento em golfadas horizontal em regime transitório.
Nessa modelagem, Shoham divide a célula unitária em segmentos de tubo e faz
balanço de energia para cada um dos componentes da célula e para o duto. Além
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 19


disso, propõe uma metodologia para o processamento da equação da conservação
da energia, onde para resolvê-la, primeiro são calculadas simultaneamente as
velocidades e pressões e por fim as temperaturas.
Em 2006, Kim e Ghajar aprimoraram sua correlação anterior. A correlação
anterior é modificada de forma que os coeficientes não dependam do padrão de
escoamento substituindo a fração de volume por um fator de padrão de escoamento.
Esse fator de padrão consegue prever os perímetros molhados de cada padrão de
forma precisa, obtendo assim uma correlação mais robusta. A nova faixa de erro
encontra-se entre 20% sendo a melhor correlação encontrada até hoje para o
cálculo do coeficiente de transferência de calor.
França et al (2008) realizaram um estudo experimental com duas bancadas:
uma de pequena escala e uma de grande escala. Os autores investigaram a
hidrodinâmica e a transferência de calor para as misturas ar-água, gás natural-água
e gás natural-óleo. Os resultados hidrodinâmicos foram comparados com o modelo
de Dukler e Hubbard (1975) obtendo bons resultados para os comprimentos e a
frequência. Os autores propuseram estimar o coeficiente de transferência de calor
como uma média entre as duas expressões obtidas pelo modelo mecanicista de
Camargo (1991). Nesse cenário, eles encontraram uma boa correlação com os
resultados experimentais com erro máximo de 15% de concordância ainda para o
escoamento de óleo, que tem uma alta viscosidade.
He et al (2009) apresentaram os resultados da simulação numérica de um
escoamento em golfadas com transferência de calor em micro-tubos sem mudança
de fase. No escoamento em micro-tubos os efeitos da tensão superficial não são
desprezíveis, portanto, foi acrescentado mais um termo na equação da quantidade
de movimento. O escoamento foi modelado como simétrico em relação ao eixo axial
apresentando uma recirculação no pistão devido à presença da bolha. Além disso,
consideraram gás adiabático e transferência de calor no filme governada
principalmente pela condução. Eles mostraram que a troca de calor é maior que no
escoamento monofásico e seu desempenho depende da relação entre o
comprimento da bolha e o comprimento do pistão.
Lima (2009) fez uma abordagem experimental do escoamento em bolhas
alongadas, utilizando uma bancada parecida com a utilizada por Camargo (1991).
Assim, com instrumentação mais moderna ele conseguiu medir mais variáveis com
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 20


uma maior precisão. Primeiro foram realizados ensaios monofásicos, que mostraram
que a correlação para o coeficiente de transferência de calor que melhor se ajustou
aos resultados experimentais foi a fórmula de Gnielinski (1976). Para escoamento
bifásico, ele encontrou que a melhor correlação é dada pela fórmula de Kim e Ghajar
(2006). Além disso, uma modificação na fórmula de Camargo (1991) foi proposta,
obtendo uma boa concordância com os resultados experimentais.
Perea et al (2010) desenvolveram um modelo estacionário algébrico para
simular a hidrodinâmica e a transferência de calor no escoamento em golfadas. O
modelo foi baseado em balanço de massa, quantidade de movimento e energia
assumindo líquido incompressível e gás ideal. Células unitárias foram propagadas
ao longo da tubulação, considerando a compressão do gás devido à pressão e a
temperatura. Os resultados mostraram uma grande diferença entre a temperatura do
líquido e a do gás, evidenciando possíveis trocas de calor entre os fluidos.

2.4 Definições básicas

A fim de compreender a física envolvida na hidrodinâmica e na transferência de
calor no escoamento em golfadas, é necessário definir suas variáveis principais. A
seguir, são apresentadas as principais variáveis geométricas, cinemáticas,
termodinâmicas e da transferência de calor a serem utilizadas ao longo do presente
trabalho.

2.4.1 Relações geométricas
As relações geométricas são utilizadas para expressar as frações de volume
(R), a altura de filme (H
LB
) e os perímetros molhados (S). Estas relações são
necessárias para o cálculo das áreas de contato na força de atrito e no calor
transferido à tubulação.
A fração de volume é uma relação entre o volume da fase e o volume total do
duto. Se o duto for de seção constante, a relação entre volumes torna-se uma
relação entre as áreas transversais como apresentado nas seguintes expressões:
; 1
G L
L G L
A A
R R R
A A
÷ = ÷ ÷ (2.1)
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 21


sendo R
L
e R
G
as frações de volume do líquido e do gás respectivamente e A a
seção transversal do duto.


Figura 2-3 – Seção transversal da tubulação: a) bolha b) pistão.

Na região do pistão existem bolhas dispersas (Figura 2-3b), então a fração de
gás nessa região (R
LS
) será a soma das áreas ocupadas pelas bolhas e a área total.
Por outro lado, na região da bolha (Figura 2-3a), existem diferentes arranjos da
seção transversal segundo a inclinação do duto. Neste trabalho o escoamento será
tratado como horizontal, portanto, serão apresentadas as relações para a bolha
encostada na parede superior.
Na Figura 2-3a, observa-se o arranjo dos fluidos assumido na região da bolha.
Para um escoamento horizontal ou ligeiramente inclinado, o líquido pode ser
considerado como completamente estratificado na parte inferior, idealizando uma
interface plana como observado na Figura 2-3a. A fim de calcular as áreas de
contato do fluido com a tubulação é definido um ângulo u que pode ser relacionado
com a fração de líquido na bolha
LB
R , dada pela Eq.(2.2).

2 2
8 8
LB LB
D D
A AR Sen u u = = ÷ (2.2)
e dividindo a Eq. (2.2) pela a área total do duto obtém-se:
( )
1
2
LB
R sen u u
t
= ÷ (2.3)
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 22


Shoham (2006) apresenta algumas relações geométricas na região da bolha
para os perímetros molhados (S
LB
para o filme, S
GB
para a bolha e S
i
para a interface)
e frações de líquido (R
LB
). As relações podem ser observadas na Tabela 2-1.

Tabela 2-1 – Relações geométricas para escoamento horizontal.

Fração de líquido ( )
1
2
LB
R sen u u
t
= ÷
Perímetro molhado de líquido
2
cos 1
( | |
= ÷ ÷
| (
\ . ¸ ¸
LB
LB
H
S D A
D
t
Perímetro molhado de gás
= ÷
GB LB
S D S t
Perímetro molhado da interface
2
2
1 1
| |
= ÷ ÷
|
\ .
LB
i
H
S D
D

Derivada de R
LB
em relação a H
LB
2
2 4
1 1
| |
= ÷ ÷
|
\ .
LB LB
LB
dR H
dH D D t


2.4.2 Relações cinemáticas
Em contraste com o escoamento monofásico onde o fluido tem uma velocidade
definida, o escoamento bifásico tem várias velocidades a considerar. Assim, têm-se
as velocidades de cada uma das fases, que são diferentes para cada uma das
componentes da célula unitária. As velocidades de cada uma das fases são
calculadas através da vazão mássica, que é um dado de entrada constante ao longo
do tempo. As velocidades do líquido (U
L
) e do gás (U
G
) são dadas pelas seguintes
expressões:
;
G L
L G
L L G G
m m
U U
A A µ µ
- -
= = (2.4)
sendo
L
m
-
,
L
µ ,
L
A e
G
m
-
,
G
µ ,
G
A as vazões mássicas, massas específicas e áreas
transversais do líquido e do gás respectivamente.
Nota-se que a complexidade do cálculo das velocidades deve-se à área
ocupada por cada uma das fases. Para simplificar as expressões, são utilizadas as
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 23


frações de líquido e gás (R
L
e R
G
) das Eqs. (2.1). Substituindo as expressões (2.1)
em (2.4) obtém-se:
;
G L
L G
L L G G
m m
U U
AR AR µ µ
- -
= = (2.5)
Outra velocidade importante é a velocidade superficial, que representa a
velocidade de uma fase como se a mesma estivesse escoando sozinha na
tubulação. Essa velocidade é muito utilizada porque seu cálculo pode ser realizado
conhecendo as vazões e as dimensões da tubulação, que são parâmetros de
entrada em qualquer modelo. Além disso, a partir delas, pode-se encontrar as
velocidades absolutas das fases, uma vez que a fração
L
R (ou
G
R ) seja
determinada. As expressões das velocidades superficiais do líquido (j
L
) e do gás (j
G
)
estão na Eq. (2.6).
;
G L
L L L G G G
L G
m m
j U R j U R
A A µ µ
- -
= = = = (2.6)
Também é definida a velocidade de mistura (J) como a soma das velocidades
superficiais. Fisicamente, a velocidade de mistura representa o fluxo volumétrico
total das duas fases por unidade de área que em outras palavras é a velocidade do
centro de volume. Sua expressão é dada pela Eq. (2.7).

L G L L G G
J j j U R U R = + = + (2.7)
Um aspecto interessante é analisar os efeitos da variação da massa específica
do gás, que pode ser relacionada com sua vazão mássica. No presente trabalho, é
considerado que a vazão mássica de gás é constante ao longo da tubulação. Como
o diâmetro também é constante, a vazão pode ser relacionada com a velocidade
superficial, obtendo a Eq. (2.8) para duas posições diferentes na tubulação, 1 e 2:

1 1 2 2 G G G G
j j µ µ = (2.8)

Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 24


2.4.3 Relações termodinâmicas
A fim de expressar as variáveis termodinâmicas do escoamento em função das
incógnitas propostas na modelagem, são apresentadas as relações termodinâmicas.
As variáveis termodinâmicas de interesse são a pressão, a massa específica, a
temperatura e outras a serem definidas.
A energia total de um sistema é dada pela soma das diferentes formas de
energia. Existem muitos tipos de energia, mas do ponto de vista da termodinâmica,
as mais importantes são a energia cinética, a energia potencial e a energia interna
(Çengel e Boles, 1997). A energia cinética (E
K
) está associada com o movimento do
sistema, sendo proporcional ao quadrado da velocidade absoluta. A energia
potencial gravitacional (E
P
) está associada com a posição do sistema em relação ao
campo gravitacional da Terra. Por último, a energia interna (Û) é a energia própria da
massa relacionada com a energia cinética das partículas que a compõem. Assim, a
energia total (E) e a energia total específica (e) são dados na Eq. (2.9).
;
K P K P
E E E Û e e e û = + + = + + (2.9)
Uma propriedade importante relacionada com a energia interna é a entalpia
específica. A entalpia específica é definida como a soma da energia interna
específica mais o trabalho específico do escoamento (Wallace e Linning, 1970).
Assim, tem-se:

P
i û
µ
= + (2.10)
sendo i a entalpia específica, P a pressão e µ a massa específica.
Outras propriedades importantes são os calores específicos a volume
constante e a pressão constante, os quais estão definidos respectivamente pelas
seguintes expressões:

û
Cv
T
µ
c
=
c
(2.11)

P
i
Cp
T
c
=
c
(2.12)
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 25


As propriedades anteriormente definidas podem ser reduzidas para casos
particulares. Nesta seção, são apresentadas as relações para líquido incompressível
e gás ideal.

Relações para líquido incompressível
No caso específico dos líquidos, a energia interna específica pode ser obtida
de tabelas onde é observado que a energia interna específica varia pouco com a
pressão para uma temperatura fixa (Moran e Shappiro, 2006). Então, é razoável
fazer a seguinte aproximação:
( ) ( ) ,
L
û T P û T ~ (2.13)
Assumindo um líquido incompressível, as definições em (2.11) e (2.12) são
aplicadas em (2.10) considerando (2.13), obtendo-se:

L L L
Cp Cv C = = (2.14)
Assim, na Eq. (2.14) é observado que o Cp
L
é igual ao Cv
L
para um líquido
incompressível. Finalmente, se for considerado que o calor específico do líquido é
constante, a integração de (2.11) e (2.12) gera as relações (2.15) e (2.16).

L L L
û C T A = A (2.15)

L L L L
i û C T A = A = A (2.16)
Na Eq. (2.15) é mostrado que para um líquido incompressível a variação da
energia interna é diretamente proporcional com a variação de temperatura. Além
disso, a variação da energia interna é igual à variação da entalpia.

Relações para gás ideal
A fase gasosa tem massa específica variável, portanto será necessária uma
expressão que a relacione com as variáveis em estudo. Uma equação que relaciona
pressão (P), massa específica (µ) e temperatura (T) é chamada equação de estado.
A equação de estado mais simples é a equação de estado de gás ideal, a qual é
dada por:
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 26



G
G
G
P
T
µ
= 9 (2.17)
sendo 9 a constate do gás em J/KgK.
A equação de estado de gás ideal pode ser utilizada desde que a substância
não esteja na região de saturação nem perto dela. Estudos experimentais também
mostraram que gases com baixa massa específica obedecem à equação de estado
de gás ideal (Çengel e Boles, 1997).
Para um gás que obedece a equação de estado de gás ideal, a energia interna
específica depende unicamente da temperatura (Shapiro e Moran, 2006). Com essa
consideração, a Eq. (2.11) pode ser integrada para obter uma expressão para a
energia interna. Além disso, considerando a Eq. (2.17) nas definições em (2.12) e
(2.10), é obtida uma expressão para a entalpia. Então, as expressões (2.18) e (2.19)
são obtidas:

G G G
û Cv T A = A (2.18)

G G G
i Cp T A = A (2.19)
Além disso, das equações (2.8) e (2.17) é obtida uma relação entre a
velocidade superficial do gás e as variáveis termodinâmicas para duas seções em
posições diferentes da tubulação 1 e 2:

2 1
2 1
1 2
G G
G G
G G
T P
j j
T P
= (2.20)
A Eq. (2.20) relaciona as velocidades superficiais com a razão de pressões e
temperaturas. Nesse sentido, em uma tubulação longa onde as condições de
pressão e temperatura são diferentes na entrada e na saída, a velocidade superficial
também varia significativamente.
Uma forma de ponderar as variáveis do escoamento bifásico é através do
título. O título X é uma definição que vem da termodinâmica e está definida como a
razão entre a massa da fase gasosa e a massa total. Adequando essa definição
para o presente caso, no escoamento bifásico, o título está definido como:
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 27



G G G G
L L L G G G
L G
m U R
X
U R U R
m m
µ
µ µ
-
- -
= =
+
+
(2.21)
Observa-se que a definição em (2.21) não é rigorosamente a mesma usada na
termodinâmica já que se encontra em termos das vazões mássicas. Apesar disso,
muitas correlações de transferência de calor bifásico são propostas em função deste
parâmetro porque seu cálculo é imediato, já que as vazões sempre são parâmetros
conhecidos.

2.4.4 Relações de transferência de calor
Nesta seção serão apresentadas algumas relações para calcular o coeficiente
de transferência de calor no escoamento monofásico e no escoamento bifásico. As
correlações são dadas para um escoamento sem mudança de fase em regime
turbulento em um duto circular de seção constante.

Coeficiente de transferência de calor para escoamento monofásico
As correlações para o coeficiente de transferência de calor no escoamento
monofásico (h
MP
) normalmente são expressas em função de três parâmetros: o
número de Reynolds (Re
D
), o número de Prandtl (Pr) e o fator de atrito (f). O primeiro
evidencia a influência da cinemática do escoamento na transferência de calor, o
segundo marca a influência das propriedades do fluido e o terceiro a influência da
rugosidade da superfície de contato. Essas correlações são dadas para
escoamentos hidrodinâmica e termicamente desenvolvidos (Incropera et al., 2008).
A relação de Colburn (Incropera et al, 2008) é dada pela expressão (2.22)

4/ 5 1/ 3
0, 023Re Pr
SP D
k
h
D
= (2.22)
sendo k a condutividade térmica do fluido e D o diâmetro do tubo. Sua faixa de
operação é para os seguintes intervalos: 0,7 < Pr < 160, Re
D
>10000, L/D>10 (O Re
D

é definido em função do diâmetro do duto e da velocidade média do escoamento).
Segundo Incropera et al. (2008) essa correlação apresenta erros de até 25%.
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 28


Para diminuir os erros, Petukhov (Incropera et al., 2008) incluiu o efeito do fator
de atrito, relacionado com a rugosidade da superfície. Sua correlação funciona
satisfatoriamente para as faixas seguintes: 0,5< Pr < 2000, 10
4
< Re
D
< 5x10
6
.

( )
( ) ( )
1/ 2
2/ 3
/ 8 Re Pr
1, 07 12, 7 / 8 Pr 1
D
SP
f
k
h
D
f
=
+ ÷
(2.23)
Para incluir números de Reynolds menores, Gnielinski (Incropera et al., 2008)
aprimorou a correlação de Petukhov.

( )( )
( ) ( )
1/ 2
2/ 3
/ 8 Re 1000 Pr
1 12, 7 / 8 Pr 1
D
SP
f
k
h
D
f
÷
=
+ ÷
(2.24)
que funciona para as seguintes faixas: 0,5< Pr < 2000, 3000 < Re
D
< 5x10
6
, onde o
fator de atrito é calculado com ( )
2
0, 079 Re 1, 64
D
f Ln
÷
= · ÷ (
¸ ¸
.

Coeficientes de transferência de calor para escoamento bifásico
Os estudos feitos até hoje sobre transferência de calor no escoamento bifásico
têm por interesse principal a determinação do coeficiente de transferência de calor.
Diferentes autores fizeram estudos experimentais e propuseram correlações para
calcular esse coeficiente em função das propriedades dos fluidos (David e Davis,
1964). Outros autores tentaram fazer uma analogia com o escoamento monofásico
(DeGance e Atherton,1970), e outros fizeram uma ponderação com parâmetros do
escoamento bifásico como o título e a fração de vazio (Doresteijin 1970, Rounthwaite
1968, Rezkallah e Sims 1987).
As relações que estimam o coeficiente de transferência de calor através de
uma analogia com o escoamento monofásico são independentes do padrão de
escoamento, ou seja, partem dos modelos de caixa preta (Shoham, 2006). Por
exemplo, a Eq. (2.25), proposta por DeGance e Atherton (1970), utiliza o modelo de
não deslizamento, no qual é assumido que as duas fases escoam com a mesma
velocidade.
As relações que estimam o coeficiente de transferência de calor em função das
propriedades dos fluidos comumente utilizam a massa específica e a viscosidade.
David e Davis (1964) propuseram uma expressão ponderada com a massa
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 29


específica e influenciada principalmente pelas propriedades do líquido. Outra
expressão é dada usando o modelo de fases separadas e o parâmetro de Lockhart-
Martinelli X
TT
(Shoham, 2006). A expressão é dada na Eq. (2.27) e possui duas
constantes desconhecidas n e C. Diversos autores fizeram suas propostas para as
constantes n e C, tais como Dengler e Adoms (1956) e Collier e Pulling (1962).
Alguns autores tentaram incluir nas expressões as variáveis do escoamento
bifásico como as velocidades superficiais e a fração de vazio (Shoham, 2006).
Dorresteijin (1970) encontrou uma relação para escoamento vertical em função da
fração de vazio, apresentada na Eq. (2.28). Outra expressão também para
escoamento vertical foi dada por Rezkallah e Sims em função da velocidade
superficial e do número de Prandtl na Eq. (2.30). Ambos os autores concordam que
as expressões devem ser diferentes dependendo se o regime de escoamento for
laminar ou turbulento.
Em estudos mais recentes, Kim e Ghajar (2001) apresentaram uma correlação
mais geral, já considerando os padrões de escoamento. Eles propuseram uma
correlação única, onde as constantes da Eq. (2.32) C, m, n, p e q dependem do
padrão do escoamento. Logo depois, os autores aprimoraram sua correlação em
Kim e Ghajar (2006) com um fator de padrão de escoamento e unificaram todos
esses coeficientes em um só. As constantes e as correspondentes faixas de
emprego podem ser encontradas em Kim e Ghajar (2006).
Na Tabela 2-2 são apresentadas as correlações encontradas por vários autores
para o coeficiente de transferência de calor onde X é o título, Re
JL
representa o
número de Reynolds calculado com a velocidade superficial do líquido. F
p
é o fator
de padrão. Os índices significam: TP duas fases (two phase), L propriedades do
líquido, G propriedades do gás, NS não deslizamento (no slip). Pode-se observar que
a maioria das correlações são adimensionalizadas com o coeficiente de
transferência de calor do líquido, com o qual pode-se deduzir que o líquido tem
maior influência na transferência de calor. Mais correlações e detalhes sobre o
cálculo são apresentados no apêndice A.



Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 30


Tabela 2-2 – Expressões para o coeficiente de transferência de calor bifásico.

Autor Coeficiente de transferência de calor Equação
DeGance e Atherton
1970
0,8 1/ 3
0, 023Re Pr = =
NS
NS NS NS
NS
h D
Nu
k

(2.25)
Davis e Davis
1964
0,28
0,28
0,4
0, 06 Pr
TP L
L
L G L
h d Dm X
k A
µ
µ µ
-
| |
| |
|
=
|
|
\ .
\ .
(2.26)
Shoham, 2006
1 | |
=
|
\ .
n
TP
L TT
h
C
h X

0,1 0,5
0,9
1 | | | | ÷ | |
=
| | |
\ .
\ . \ .
G L
TT
L G
X
X
X
µ µ
µ µ

(2.27)
Doresteijin
1970
( )
( )
1/ 3
0,8
1 Re 2000
1 Re 2000
TP
G jL
L
TP
G jL
L
h
R para
h
h
R para
h
÷
÷
= ÷ s
= ÷ >

(2.28)
Shah
1981
( ) ( )
( )
0,25
1/ 3
0,14
0,14
0,8 0,4
1
1, 86 Re Pr / /
:
:
0, 023Re Pr /
G TP
L L
L jL L m w
L jL L m w
j h
h j
Nu D L
Laminar
Turbulento
Nu
µ µ
µ µ
| |
= +
|
\ .
=
=

(2.29)
Rezkallah e Sims
1987
0,25
0,23
0,9
1 4 Pr Re 2000
1
Re 2000
1
G TP
jL
L L
TP
jL
L G
j h
para
h j
h
para
h R
÷
| |
= + s
|
\ .
| |
= >
|
÷
\ .

(2.30)
Camargo
1991
1 1
S LB LB GB GB B
TP LS
U U
S B
TP LS U LB LB GB GB U
L h S h S L
h h para TEC
L D L
L L D
para FCC
h h L h S h S L
t
t
+ | |
= +
|
\ .
| |
=
|
+
\ .

(2.31)
Kim e Ghajar
2006

1
Pr
1
1 Pr
n
p q
m
p
G G TP
p
L p L L
F
h X
F C
h X F
µ
µ
¦ ¹ (
| | ÷ | | | |
¦ ¦ | |
(
= +
| ´ ` | | |
|
÷ ( \ .
\ . \ .
¦ ¦ \ .
¸ ¸ ¹ )

(2.32)




Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 31


2.5 Equações constitutivas

Sendo o escoamento em golfadas um fenômeno complexo, a quantidade de
variáveis a serem determinadas é grande. Nesse sentido, são necessárias algumas
relações adicionais que ajudam a reduzir o número de incógnitas. Essas relações
são chamadas equações constitutivas e normalmente são produto de estudos
experimentais.

2.5.1 Velocidade de translação da bolha alongada
Como a maior parte da fase gasosa encontra-se na bolha alongada de gás, o
conhecimento detalhado da dinâmica deste elemento é fundamental para descrever
corretamente a física do escoamento em golfadas. Diversas pesquisas concluiram
que a velocidade de translação de uma bolha é resultado de dois fenômenos: a força
de empuxo e o movimento do líquido. Segundo Omgba (2006) seu cálculo pode ser
realizado através da superposição da velocidade de propagação das bolhas em um
meio estagnado (drift velocity) e uma contribuição da velocidade de mistura (J).
Nicklin et al. (1962) propôs a relação na Eq. (2.33) para escoamento vertical, que foi
logo estendida para o caso geral.

0 T
U C J C gD
·
= + (2.33)
sendo C
0
e C

duas constantes cuja determinação foi objeto de pesquisa de vários
autores (Nicklin et al (1962), Bendiksen (1984), entre outros). O primeiro termo da
Eq. (2.33) é a contribuição da velocidade da mistura. O segundo termo é a
velocidade que a bolha teria se estivesse em um meio estagnado.
Bendiksen (1984) encontrou que os coeficientes C
0
e C

dependem em maior
escala do número de Froude (Fr) e do número de Reynolds (Re); e em menor escala
da tensão superficial (o) e do ângulo de inclinação (|). Mazza et al (2010) analisou
as diferentes correlações para C
0
e C

e propôs uma correlação com a influência de
todos os parâmetros propostos por Bendiksen (1984). Os coeficientes propostos são
apresentados na Tabela 2-3.


Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 32


Tabela 2-3 – Coeficientes para a velocidade de translação da bolha


0
C C
·

3, 5
m
Fr >
1,2
( )
0,58
3,06
0, 345
1 3805/
sen
Eo
|
+

Re 2000
m
>
3, 5
m
Fr <
1,0
( )
0,58 0,56
3,06
1, 76 0, 345
0, 542
1 3805/
cos sen
Eo
Eo
| |
| |
÷ +
|
\ .
+

Re 2000
m
<
2,0
( )
0,58 0,56
3,06
1, 76 0, 345
0, 542
1 3805/
cos sen
Eo
Eo
| |
| |
÷ +
|
\ .
+

sendo Fr
m
o número de Froude da mistura calculado em função da velocidade da
mistura /
m
Fr J gD = , Re
m
o número de Reynolds Re /
m L L
JD µ µ = e Eo o número de
Eötvös ( )
2
/
L G
Eo gD µ µ o = ÷ .
A correlação apresentada na Eq. (2.33) é para o caso de uma única bolha
escoando em um meio líquido. Porém, em uma sequência de bolhas a esteira da
bolha precedente pode influenciar a bolha seguinte, o qual pode ser quantificado por
um fator de esteira h (Rodrigues, 2009). Então a correlação para a velocidade de
translação da bolha é dada pela Eq. (2.34).

( ) 0
1
T
U C J C gD h
·
= + + ( ) (2.34)
O fator de esteira é calculado a partir da expressão h ( ) exp /
w w S
a b L D = ÷ onde
a
w
e b
w
são constantes de ajuste experimentais e dependem do tipo de fluido e da
inclinação do duto. Rodrigues (2009) utilizou a
w
=0,4 e b
w
=1,0 para escoamento ar-
água em dutos horizontais. Porém, o efeito da esteira depende do tipo de fluido
utilizado, sendo menor para fluidos mais viscosos onde o fator de esteira utilizado
deve ser zero (Pachas, 2011).

2.5.2 Velocidade de translação das bolhas dispersas
A velocidade de translação das bolhas dispersas no pistão segue o mesmo
conceito da bolha alongada e pode ser assumida como uma superposição entre a
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 33


velocidade da mistura e a velocidade drift. Então, a velocidade das bolhas dispersas
pode ser expressa como:

GS DS
U J U = + (2.35)
sendo U
DS
a velocidade de elevação das bolhas em um meio estagnado. Taitel e
Barnea (1990b) propuseram calcular U
DS
através da equação de Harmathy (1960)
para bolhas relativamente grandes e deformáveis:

( )
1/ 4
0,5
2
1, 54
L G
DS LS
L
U g R sen
µ µ
o |
µ
÷ (
=
(
¸ ¸
(2.36)
Além disso, aplica-se a Eq. (2.7) à região do pistão:
( ) 1
LS LS GS LS
J U R U R = + ÷ (2.37)
A velocidade de translação das bolhas pode ser expressa combinando a Eq.
(2.37) com a Eq. (2.35). Assim, obtém-se:

DS
GS LS
LS
U
U U
R
= + (2.38)

2.5.3 Fração de líquido no pistão
Um parâmetro importante na modelagem do escoamento em golfadas é a
fração de volume de líquido no pistão. Fisicamente representa a razão em volume de
líquido no pistão líquido sem quantificar as bolhas dispersas, sendo igual à unidade
para um pistão não aerado.
Rosa e Altemani (2006) observaram em seus estudos experimentais que no
escoamento horizontal quase não existem bolhas dispersas no pistão, no entanto,
no escoamento vertical o pistão contém uma alta quantidade de bolhas. Assim,
pode-se deduzir que a fração de líquido depende do ângulo de inclinação.
Segundo Rodrigues (2009), esse fenômeno acontece porque no escoamento
vertical a velocidade do filme é oposta à velocidade do pistão. No momento que o
líquido que se encontrava no filme passa ao pistão ocorre uma grande agitação que
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 34


remove pequenas porções de gás da bolha alongada, formando bolhas dispersas no
pistão.
Correlações baseadas em estudos experimentais foram desenvolvidas por
diversos autores. Algumas delas são apresentadas em Omgba (2004).
Malnes (1982) propôs uma relação para escoamento horizontal em função dos
números de Eötvös e Froude da mistura:

0,25
1
1
83
1
LS
m
R
Fr Eo
= ÷
| |
+
|
\ .
(2.39)
Andreussi e Bendiksen (1989) pesquisaram a influência do diâmetro e a
inclinação do tubo e desenvolveram a correlação seguinte:

0 1
1
LS
m
F F
R
Fr F
+
=
+
(2.40)
sendo F
0
e F
1
dados pelas seguintes expressões.

2
3/ 4
0 1
0.025
max 0; 2, 6 1 2 2400 1
3
sen
F F Eo
D
|
÷
( | |
| | | |
= ÷ = ÷ ( |
| |
|
\ . \ .
(
\ . ¸ ¸
(2.41)

2.5.4 Tensão de cisalhamento e fator de atrito
As expressões para a tensão de cisalhamento são dadas em função do fator de
atrito de Fanning. Como cada componente da célula unitária possui velocidades e
áreas transversais diferentes, os números de Reynolds e os diâmetros hidráulicos
serão diferentes para cada região. Taitel e Barnea (1990a) propuseram calcular
esses parâmetros de acordo com as expressões apresentadas na Tabela 2-4.
O coeficiente de atrito utilizado nas expressões das tensões de cisalhamento é
a correlação de Hall (1957) para dutos com superfície rugosa. Essa correlação
também foi utilizada no modelo de Taitel e Barnea (1990a):
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 35



1/3
6
4
10
Re 2000 0, 001375 1 2 10
Re
16
Re 2000
Re
F F
F F
F F
F
Se f
D
Se f
c
(
| |
( > ÷ = + · +
|
(
\ .
¸ ¸
s ÷ =
(2.42)
onde o índice F pode indicar pistão (LS), filme (LB) ou bolha (GB).

Tabela 2-4 – Tensão de cisalhamento, diâmetro hidráulico e número de Reynolds.

Pistão Filme Bolha
Tensões de
Cisalhamento
2
2
L LS
LS LS
U
f
µ
t =
2
2
L LB
LB LB
U
f
µ
t =
2
2
G GB
GB GB
U
f
µ
t =
Diâmetro
Hidráulico
LS
D D = 4
LB
LB
LB
R A
D
S
= 4
GB
GB
GB i
R A
D
S S
=
+

Número de
Reynolds
Re
L LS
LS
L
U D µ
µ
= Re
L LB LB
LB
L
U D µ
µ
= Re
G GB GB
GB
G
U D µ
µ
=

A tensão de cisalhamento e o fator de atrito na interface são dados por:

( )
; 0, 014
2
GB LB GB LB
i i G i
U U U U
f f t µ
÷ ÷
= = (2.43)
O perímetro molhado do filme
LB
S , utilizado na equação da quantidade de
movimento, é calculado usando a proposta de Fagundes Netto (1999)

1, se ~ 90º
0, 5269 0, 2365, se ~ 0°
LB
LB
S
R D
|
| t
¦
=
´
+
¹
(2.44)

2.6 Comentários finais

Neste capítulo foi apresentada uma revisão da literatura existente sobre
escoamento em golfadas e sobre o escoamento bifásico com transferência de calor
a fim de fornecer uma base teórica sólida para o desenvolvimento do projeto. Nesta
revisão foi observado que as abordagens da transferência de calor no escoamento
em golfadas são principalmente experimentais e se limitam ao estudo do coeficiente
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 36


de transferência de calor bifásico. Existem poucos estudos utilizando balanço de
energia com o objetivo de prever o comportamento da temperatura. Por outro lado, o
modelo hidrodinâmico de seguimento de pistões proposto por Rodrigues (2009)
apresenta uma base teórica consistente mostrando eficiência e rapidez no cálculo do
escoamento. Nesse cenário, o presente trabalho implementará o balanço de energia
no modelo de Rodrigues (2009) e os efeitos da troca de calor nos parâmetros
hidrodinâmicos. A seguir, no Capitulo 3, será apresentada a modelagem matemática
proposta para resolver o problema em questão.
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 37


3 MODELAGEM MATEMÁTICA

Esse capítulo apresenta a formulação matemática do escoamento em golfadas
com transferência de calor. Na primeira parte serão descritos aspectos gerais em
relação ao modelo de seguimento de pistões e à configuração dos volumes de
controle utilizados. Em seguida, serão realizados os balanços de massa e
quantidade de movimento baseados no modelo hidrodinâmico proposto por
Rodrigues (2009). Na sequência, são efetuados os balanços de energia para obter
as equações diferenciais governantes da transferência de calor. Finalmente, serão
apresentadas equações auxiliares para modelar o deslocamento da frente e da
traseira da bolha, a velocidade do filme líquido, a coalescência, assim como
parâmetros térmicos importantes como o coeficiente de transferência de calor
bifásico e a temperatura da mistura.

3.1 Considerações gerais sobre a modelagem matemática

A mistura bifásica líquido-gás escoa por uma tubulação horizontal de seção
transversal constante e circular. O padrão de escoamento existente é de golfadas e
apresenta pistões aerados, como mostrado na Figura 3-1. O duto encontra-se
submetido às condições externas que transferem calor à mistura bifásica escoando
no interior. Apesar de considerar a troca de calor, os fluidos encontram-se afastados
da região de saturação, portanto não ocorre mudança de fase.


Figura 3-1 – Geometria do problema em estudo.
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 38



O problema é modelado matematicamente considerando escoamento
unidimensional em regime transitório. O modelo matemático leva em conta a
variação espaço-temporal das frações de vazio no pistão e na bolha, das
velocidades, da pressão e da temperatura. O sistema de referência escolhido é um
sistema lagrangeano que se move junto com a célula unitária. As hipóteses para a
simplificação das equações do problema são:
a) Os fluidos são considerados newtonianos, sendo o líquido incompressível e o
gás ideal.
b) A traseira da bolha é considerada reta.
c) O líquido no filme está completamente estratificado apresentando uma interface
plana na seção transversal entre o líquido e o gás (Figura 2-3a).
d) A fração volumétrica de líquido ao longo do pistão é uniforme.
e) A fração de gás e líquido na região da bolha é considerada constante (i.e. que
pode ser representado por uma bolha retangular).
f) A pressão é uniforme em uma seção transversal, portanto a pressão da bolha
será igual à do filme. A pressão é uniforme ao longo da bolha, portanto a queda
de pressão nessa região é nula (Figura 3-2) (Dukler e Hubbard, 1975).


Figura 3-2 – Célula unitária j e configuração da pressão.

Capítulo 3 - Modelagem Matemática 39


A fim de estabelecer um modelo de baixo custo computacional, a formulação
integral das equações de conservação é utilizada. Em contraste com a formulação
diferencial, a formulação integral utiliza valores médios ao invés de valores locais e
instantâneos. Nesse cenário, consideram-se parâmetros médios em cada
componente da célula unitária que variam no tempo. De forma geral, um modelo
lagrangeano para escoamento em golfadas que utiliza parâmetros médios é
chamado de modelo de seguimento de pistões ou em inglês, slug tracking.
As equações de balanço serão aplicadas para cada uma das fases no interior
das componentes da célula unitária: o filme líquido, a bolha alongada e o pistão
aerado. A unidade a ser analisada é a j-ésima célula unitária observada na Figura
3-2, a qual é composta pelas seguintes regiões:
- O líquido do pistão aerado, indicado pelo índice LS (liquid slug)
- O gás no pistão, indicado pelo índice GS (gas in slug)
- A bolha alongada de gás, indicado pelo índice GB (gas bubble)
- O filme líquido, indicado pelo índice LB como líquido na região da bolha
alongada (liquid in the bubble region)
Assim, por exemplo, U
GB
é a velocidade da bolha alongada e U
LB
é a
velocidade do filme. O índice j indica o número de célula unitária, o qual aumenta na
direção do escoamento. Assim, caso se avalie a célula j, a célula na sua frente será
j+1. Por exemplo, os comprimentos L
Sj
e L
Bj
denotam comprimento do pistão e
comprimento da bolha da j-ésima célula unitária, respectivamente.
Antes de aplicar as equações de balanço, as fronteiras dos volumes de
controle para cada elemento devem ser estabelecidas. É importante ressaltar que a
complexidade da solução do problema dependerá da boa escolha dos volumes de
controle. Nesse sentido, para evitar analisar as interfaces nas fronteiras do líquido-
gás, as fronteiras dos volumes de controle são dispostas dentro dos pistões, como
observado na Figura 3-3.
Os volumes de controle são apresentados na Figura 3-3. O volume de controle
envolvendo o pistão tem suas fronteiras axiais dadas pelas superfícies x
j
e y
j
que se
encontram totalmente dentro do pistão j. O volume de controle envolvendo a bolha e
o filme tem como suas fronteiras axiais, as superfícies y
j
e x
j-1
que se encontram
dentro dos pistões j e j-1, respectivamente. Nota-se que a fronteira lateral, dada pela
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 40


parede da tubulação, permanece fixa e não existe transporte de massa através
dessa superfície de controle.


Figura 3-3 – Volumes e superfícies de controle para a j-ésima célula unitária.

A equação geral de balanço a ser utilizada é a equação de transporte de
Reynolds dada pela Eq. (3.1), escrita na forma geral para volumes de controle
móveis e deformáveis:

Sist
dN
d V
dt t

c
=
c
V
r
C SC
V d A qµ + ·
} }
¸¸, ¸,
(3.1)
sendo q e N as propriedades intensiva e extensiva, respectivamente, as quais
dependerão da equação de balanço utilizada. µ é a massa específica do fluido,
r
V
¸¸,
é
a velocidade relativa em relação ao sistema de referência e A
¸,
, um vetor de
magnitude igual à área transversal com sua direção normal ao escoamento.
O termo da esquerda da Eq. (3.1) refere-se à taxa de variação da propriedade
N no sistema, o primeiro termo à direita do sinal de igualdade é a taxa de variação
de q no interior do volume de controle e o último termo é o fluxo líquido da
propriedade q através das superfícies de controle. Na sequência, serão realizados
os balanços de massa, quantidade de movimento e energia para os volumes de
controle apresentados.



Capítulo 3 - Modelagem Matemática 41


3.2 Balanço de massa

A equação de balanço de massa na forma integral é dada pela Eq. (3.1)
quando q é igual a um. Pela hipótese de escoamento unidimensional, o produto
escalar
r
V d A ·
¸¸, ¸,
será simplesmente
r
V dA. Assim, o balanço de massa para um
escoamento sem mudança de fase é dado por:
d V
t
µ
c
c
V
0
r
C SC
V dA µ + =
} }
(3.2)
O primeiro termo da Eq. (3.2) é o acúmulo de massa no interior do volume de
controle. O segundo termo representa os fluxos de massa através das superfícies de
controle. Nesse sentido, os fluxos de massa podem ser expressos segundo as
seguintes expressões, cujos detalhes serão apresentados nos balanços respectivos:

j
Lxj
L LSxj LSxj
dx
m AR U
dt
µ
-
| |
÷ ÷
|
\ .
(3.3)

j
Lyj
L LSyj LSyj
dy
m AR U
dt
µ
-
| |
÷ ÷
|
\ .
(3.4)

j
Gxj
GBj GSxj GSxj
dx
m AR U
dt
µ
-
| |
÷ ÷
|
\ .
(3.5)

j
Gyj
GBj GSyj GSyj
dy
m AR U
dt
µ
-
| |
÷ ÷
|
\ .
(3.6)
onde A é a área da seção transversal do duto, µ
L
a massa específica do líquido, µ
GBj

a massa específica do gás. Deve-se ressaltar que µ
L
é constante, mas µ
GBj
é variável
com o tempo.
As equações (3.3) e (3.4) referem-se aos fluxos de líquido através das
superfícies x
j
e y
j
respectivamente, observados na Figura 3-3. Nota-se que os
índices dos parâmetros avaliados fazem referência às superfícies de controle x e y.
Assim, para o fluxo mássico de líquido na superfície x
j
, a velocidade do pistão é U
LSxj

Capítulo 3 - Modelagem Matemática 42


e a fração de vazio é R
LSxj
. A velocidade das superfícies de controle x e y são
denominadas dx/dt e dy/dt, respectivamente. Da mesma forma para os fluxos
mássicos de gás. A seguir, será realizado o balanço de massa de cada fase em
cada região. Por fim, as equações resultantes dos balanços serão acopladas em
uma equação apenas.

3.2.1 Balanço de massa de líquido no pistão
A equação (3.2) é aplicada ao pistão, que se encontra entre as superfícies y
j
e
x
j
como pode ser observado na Figura 3-3. A velocidade relativa é expressa em
função da velocidade absoluta U, em relação às velocidades das fronteiras dx/dt e
dy/dt. As áreas são expressas em função da área total e das respectivas frações
volumétricas. O balanço de massa de líquido no pistão é expresso por:

( )
0
j j
L LSj Sj L LSxj LSxj L LSyj LSyj
dx dy
d
AR L AR U AR U
dt dt dt
µ µ µ
| | | |
+ ÷ ÷ ÷ =
| |
\ . \ .
(3.7)
sendo R
LSj
a fração de líquido no pistão da célula unitária j. O comprimento do pistão
L
Sj
pode ser expresso em função das fronteiras x e y:

Sj j j
L x y = ÷ (3.8)
É assumido que a fração de líquido é uniforme ao longo do pistão, então:

LSxj LSyj LSj
R R R ~ ~ (3.9)
Substituindo a Eq. (3.9) na Eq. (3.7), rearranjando e dividindo por
L
A µ resulta
em:

Sj LSj
LSxj LSyj
LSj
L dR
U U
R dt
÷ = ÷ (3.10)
A Eq. (3.10) é uma relação entre as velocidades do líquido nas superfícies de
controle x
j
e y
j
. Para relacionar essas velocidades com a velocidade média no pistão,
Rodrigues (2009) assume uma variação linear da velocidade ao longo do pistão.
Assim, a velocidade média do pistão é uma média aritmética entre as velocidades
nas superfícies:
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 43



2
LSxj LSyj
LSj
U U
U
+
= (3.11)
Das Eqs. (3.10) e (3.11) pode-se obter expressões explícitas para
LSxj
U e
LSyj
U
em função de
LSj
U :

2
Sj LSj
LSxj LSj
LSj
L dR
U U
R dt
= ÷ (3.12)

2
Sj LSj
LSyj LSj
LSj
L dR
U U
R dt
= + (3.13)
De acordo com as Eqs. (3.12) e (3.13), a velocidade do líquido ao longo do
pistão varia devido à taxa de variação no tempo da fração do líquido. A seguir, uma
análise semelhante será realizada para o gás contido no pistão.

3.2.2 Balanço de massa de gás no pistão
Aplicando a Eq. (3.2) ao gás contido no pistão da Figura 3-3, considerando o
gás com massa específica variável, obtém-se:

( )
0
j j
GSj GSj Sj GSxj GSxj GSxj GSyj GSyj GSyj
dx dy
d
AR L AR U AR U
dt dt dt
µ µ µ
| | | |
+ ÷ ÷ ÷ =
| |
\ . \ .
(3.14)
A massa específica do gás é considerada uniforme para uma célula unitária,
mas variável com o tempo. Assim, a massa específica do gás no pistão é
considerada igual à massa específica do gás na bolha alongada:

GSj GBj GSxj GSyj
µ µ µ µ ~ ~ ~ (3.15)
As expressões em (3.8), (3.9) e (3.15) são utilizadas na Eq. (3.14), os termos
transientes são desenvolvidos e a expressão resultante é dividida por
GBj
A µ . Desta
forma, é obtida a Eq. (3.16).

( )
1 1
1
LSj GBj
GSxj GSyj Sj
GBj LSj
dR d
U U L
dt dt R
µ
µ
(
÷ = ÷ (
÷
(
¸ ¸
(3.16)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 44


Neste caso, também é utilizada a aproximação da média aritmética de
Rodrigues (2009) para a velocidade média do gás no pistão:

2
GSxj GSyj
GSj
U U
U
+
= (3.17)
Assim, são obtidas as expressões (3.18) e (3.19) para as velocidades do gás
no pistão nas fronteiras x
j
e y
j
:

1 1
2 1
Sj LSj GBj
GSxj GSj
LSj GBj
L dR d
U U
R dt dt
µ
µ
(
= + ÷
(
÷
(
¸ ¸
(3.18)

1 1
2 1
Sj LSj GBj
GSyj GSj
LSj GBj
L dR d
U U
R dt dt
µ
µ
(
= ÷ ÷
(
÷
(
¸ ¸
(3.19)
Das Eq. (3.18) e (3.19) pode-se deduzir que além da variação da fração
volumétrica, a compressão do gás também influi na variação da velocidade do gás
dentro do pistão.

3.2.3 Balanço de massa de líquido no filme
O volume de controle para o balanço de massa no filme é mostrado na Figura
3-3. Nota-se que as superfícies de controle escolhidas como limite do volume de
controle estão fora do domínio da bolha, portanto a fração de gás
G
R é avaliada nas
fronteiras pertencentes aos pistões adjacentes. Dessa forma, tem-se:

( )
1
1 1
0
j j
L LBj Bj L LSyj LSyj L LSxj LSxj
dy dx
d
AR L AR U AR U
dt dt dt
µ µ µ
÷
÷ ÷
| | | |
+ ÷ ÷ ÷ =
| |
\ . \ .
(3.20)
sendo
LBj
R a fração volumétrica média de líquido no filme. O comprimento
Bj
L pode
ser expresso em função das superfícies x e y:

1 Bj j j
L y x
÷
= ÷ (3.21)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 45


Derivando a Eq. (3.21), dividindo a Eq. (3.20) por
L
A µ , assumindo a
aproximação em (3.9) e substituindo as equações (3.12) e (3.13) na Eq. (3.20), tem-
se:

1
1 1 1
1 1
1
2
0
2
j j LBj Sj LSj j
LBj Bj LSj LSj
LSj
Sj LSj j
LSj LSj
LSj
dy dx dR L dR dy
R L R U
dt dt dt R dt dt
L dR dx
R U
R dt dt
÷
÷ ÷ ÷
÷ ÷
÷
| |
| |
÷ + + + ÷ ÷
|
|
|
\ .
\ .
| |
÷ ÷ ÷ =
|
|
\ .
(3.22)
Rearranjando a Eq. (3.22) obtém-se:

( ) ( )
1 1 1
1
1 1
2 2
j j LBj Sj LSj Sj LSj
LSj LBj LSj LBj Bj
LSj LSj LSj LSj
dy dx dR L dR L dR
R R R R L
dt dt dt dt dt
R U R U
÷ ÷ ÷
÷
÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ =
= ÷
(3.23)

3.2.4 Balanço de massa de gás na bolha alongada
Aplicando a equação de balanço de massa à bolha de gás, obtém-se:

( )
1
1 1
0
j j
GBj GBj Bj GBj GSyj GSyj GBj GSxj GSxj
dy dx
d
AR L AR U AR U
dt dt dt
µ µ µ
÷
÷ ÷
| | | |
+ ÷ ÷ ÷ =
| |
\ . \ .
(3.24)
sendo
GBj
R a fração volumétrica média de gás na bolha alongada.
Considerando a hipótese (3.15), a derivada na Eq. (3.24) é desenvolvida e a
expressão obtida é dividida por
GBj
A µ . Assim, obtém-se:

1
1 1
0
Bj GBj Bj GBj GBj j j
GBj Bj GSj GSyj GSj GSxj
GBj
dL dR L R d dy dx
R L R U R U
dt dt dt dt dt
µ
µ
÷
÷ ÷
| | | |
+ + + ÷ ÷ ÷ =
| |
\ . \ .
(3.25)
Rearranjando a Eq. (3.25), expressando as frações de gás R
G
em função de
frações de líquido R
L
= 1-R
G
, e substituindo as Eqs. (3.18) e (3.19) tem-se:

( ) ( )
1 1 1
1
1 1 1
1 1
1
2 2
2 2
j j LBj Sj LSj Sj LSj
LSj LBj LSj LBj Bj
GBj GBj Sj GSj GBj Sj GSj GBj
Bj GSj GSj GSj GSj
GBj GBj GBj
dy dx dR L dR L dR
R R R R L
dt dt dt dt dt
R d L R d L R d
L R U R U
dt dt dt
µ µ µ
µ µ µ
÷ ÷ ÷
÷
÷ ÷ ÷
÷ ÷
÷
÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ =
= ÷ ÷ ÷ + ÷
(3.26)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 46


3.2.5 Equações acopladas
As equações resultantes do balanço de líquido no pistão, (3.12) e (3.13), foram
acopladas no balanço de líquido no filme. Por sua vez, as equações do balanço de
gás no pistão, (3.18) e (3.19), foram acopladas no balanço de gás na bolha
alongada. A seguir, os balanços no filme e na bolha, (3.23) e (3.26), serão acoplados
em uma equação apenas. Considerando que o lado esquerdo das Eq. (3.23) e (3.26)
são iguais, pode-se escrever:

1 1
1 1
1 1 1
1
2
GBj GBj Sj GSj GBj
LSj LSj LSj LSj Bj
GBj GBj
GSj GBj
Sj GSj GSj GSj GSj
GBj
R d L R d
R U R U L
dt dt
R d
L R U R U
dt
µ µ
µ µ
µ
µ
÷ ÷
÷ ÷
÷ ÷ ÷
÷
÷ = ÷ ÷ ÷
÷ + ÷
(3.27)
Na Eq. (3.27) podem ser observadas as derivadas da massa específica das
células unitárias j e j-1. Porém, as taxas de variação no tempo das massas
específicas podem ser consideradas iguais para células unitárias adjacentes. Dessa
forma, é possível fazer a seguinte aproximação:

1 GBj GBj
d d
dt dt
µ µ
÷
~ (3.28)
Além disso, a velocidade média do gás no pistão pode ser expressa em função
da velocidade média do líquido no pistão, através da expressão deduzida no capítulo
2, Eq. (2.38), reescrita aqui por conveniência:

DSj
GSj LSj
LSj
U
U U
R
= + (3.29)
A massa específica do gás varia com a pressão e a temperatura. De forma
particular, a equação de estado de gás ideal, Eq. (2.17), poder ser derivada para
obter a seguinte expressão:

d dP dT
dt P dt T dt
µ µ µ
= ÷ (3.30)
Finalmente, considerando as equações (3.28), (3.29) e (3.30) na Eq. (3.27),
obtém-se:
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 47



( ) ( ) ( )
1
1 1
1
1
1
1
1 1
1 1
1 1 1
2 2
LSj LSj GBj GBj
LSj LSj DSj DSj
LSj LSj GBj GBj
Sj Sj GBj
Bj LBj LSj LSj
GBj
R R dP dT
U U U U
R R P dt T dt
L L
L R R R
µ
µ
÷
÷ ÷
÷
÷
÷
÷
| | | | | | ÷ ÷
÷ = ÷ + ÷ ×
| | |
| | |
\ . \ . \ .
(
× ÷ + ÷ + ÷
(
(
¸ ¸
(3.31)
A Eq. (3.31) representa o balanço de massa total na célula unitária. Nota-se
que se trata de uma equação diferencial ordinária cuja variável independente é o
tempo. A diferença entre as velocidades dos pistões adjacentes se deve à expansão
da bolha entre esses pistões e à diferença de velocidades das bolhas dispersas nos
pistões.

3.3 Balanço de quantidade de movimento

O balanço da quantidade de movimento será realizado somente na região do
pistão já que a quantidade de movimento do gás a baixas pressões é desprezível
por sua baixa massa específica em comparação com o líquido (Wallis, 1969). A
equação de balanço de quantidade de movimento na forma integral na direção z é
dada pela Eq. (3.1) avaliando a propriedade q como a velocidade absoluta U.
F U d V
t
µ
c
=
c
¿
V
r
C SC
U V dA µ + ·
} }
(3.32)
A equação (3.32) é aplicada ao volume de controle do pistão na Figura 3-3
considerando somente a fase líquida. O desenvolvimento da Eq. (3.32) será
apresentado em duas partes: os termos do lado direito e os termos do lado
esquerdo. O lado direito da Eq. (3.32) é desenvolvido a seguir:

U d V
t
µ
c
c
V
( )
r L LSj Sj LSj
C SC
j j
LSxj L LSxj LSxj LSyj L LSyj LSyj
d
U V dA AR L U
dt
dx dy
U AR U U AR U
dt dt
µ µ
µ µ
+ · ÷ +
| | | |
+ ÷ ÷ ÷
| |
\ . \ .
} }
(3.33)
Agrupando convenientemente, obtém-se:
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 48



U d V
t
µ
c
c
V
( )
2 2
LSj Sj LSj
r LSj Sj LSj LSj Sj LSj
C SC
j j
LSj LSxj LSyj LSj LSxj LSyj
dU dL dR
U V dA R L R U L U
dt dt dt
dx dy
R U U R U U
dt dt
µ + · ÷ + + +
| |
+ ÷ ÷ ÷
|
\ .
} }
(3.34)
Os dois últimos termos da Eq. (3.34) podem ser calculados das Eqs. (3.12) e
(3.13). As seguintes expressões são obtidas:

( )
2 2
2
LSj
LSj LSxj LSyj Sj LSj
dR
R U U L U
dt
÷ = ÷ (3.35)

2
j j Sj Sj LSj j j
LSj LSxj LSyj LSj LSj
dx dy dL L dR dx dy
R U U U R
dt dt dt dt dt dt
| | | |
÷ = ÷ +
| |
\ . \ .
(3.36)
As equações (3.35) e (3.36) são substituídas na Eq. (3.34) e reorganizadas
convenientemente, resultando em:
U d V
t
µ
c
c
V
2
LSj Sj j j LSj
r L LSj LSj L Sj LSj
C SC
dU L dx dy dR
U V dA AR L A L U
dt dt dt dt
µ µ µ
( | |
+ · ÷ + + ÷
( |
\ . ¸ ¸
} }
(3.37)
A soma das forças que aparecem no lado esquerdo da Eq. (3.32) é dada pela
soma das forças atuantes no volume de controle da região do pistão, as quais são:
força devido à pressão, força de atrito e a força gravitacional. Dessa forma, a soma
das componentes das forças na direção axial do escoamento é dada por:

( ) Sj LS LS LSj LSj Sj L LSj Sj
yj xj
F P P A S L AR L g sen t µ | ÷ ÷ ÷ ÷ ·
¿
(3.38)
sendo t a tensão de cisalhamento e S o perímetro molhado e | a inclinação do
duto.
As Eqs. (3.37) e (3.38) são substituídas na Eq. (3.32) e divididas entre µ
L
A.

( )
1
2
LSj LSj Sj LSj
LS LS LSj Sj LSj LSj
yj xj
L L
Sj j j LSj
Sj LSj
S L dU
P P R L g sen R L
A dt
L dx dy dR
L U
dt dt dt
t
|
µ µ
÷ ÷ ÷ · = +
( | |
+ + ÷
( |
\ . ¸ ¸
(3.39)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 49


A Eq. (3.39) representa o balanço de quantidade de movimento no pistão que
está em função das pressões nas fronteiras do pistão. Como a pressão no balanço
de massa, Eq. (3.31), está em função da pressão na bolha alongada, é melhor
expressar as pressões em (3.39) em função das pressões das bolhas. Para obter
relações entre as pressões do pistão e da bolha, são realizados acoplamentos de
pressão nas interfaces.

3.3.1 Acoplamento de pressões
Os acoplamentos de pressões consistem em realizar balanços de massa e
quantidade de movimento em volumes de controle infinitesimais localizados nas
interfaces, como observado na Figura 3-4. Os volumes de controle são tomados na
interface entre o pistão j e a bolha j e na interface entre o pistão j e a bolha j+1 como
visto na Figura 3-4. Os volumes de controle são indeformáveis e suas fronteiras se
movem com uma velocidade dy
j
/dt e dx
j
/dt, respectivamente.


Figura 3-4 – Volumes de controle no acoplamento de pressões.

No primeiro volume de controle, (esquerda da Figura 3-4) localizado entre o
pistão j e a bolha j, o balanço de massa considera que não existe acúmulo de massa
no interior do volume de controle:

j j
Lyj
L LSyj LSyj L LByj LByj
dy dy
AR U AR U m
dt dt
µ µ
-
| | | |
÷ = ÷ =
| |
\ . \ .
(3.40)
sendo Lyj m
-
a vazão mássica de líquido atravessando o volume de controle na frente
da bolha j.
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 50


No balanço de forças para esse mesmo volume de controle, a força de atrito e
a gravitacional podem ser desprezadas pois o volume de controle possui dimensões
infinitesimais. Assim, obtém-se:

( )
( ) Lyj
GBj LS LSyj LByj
yj
P P A m U U
-
÷ = ÷ (3.41)
Devido à curvatura do nariz da bolha, a variação de geometria é suave.
Admitindo que a mudança de geometria seja desprezível, é razoável assumir que a
velocidade não muda ao longo do volume de controle. Dessa forma o lado direito da
(3.41) torna-se zero, e também a diferença de pressões, obtendo-se:

GBj LS
yj
P P = (3.42)
No segundo volume de controle, entre a bolha j+1 e o pistão j (direita da Figura
3-4) o balanço de massa obtido é:

1 1
j j
Lxj
L LSxj LSxj L LBj LBj
dx dx
AR U AR U m
dt dt
µ µ
-
+ +
| | | |
÷ = ÷ =
| |
\ . \ .
(3.43)
Neste volume de controle existe uma variação abrupta da seção transversal.
Então existirá uma diferença de forças hidrostáticas (F
H
). Dessa forma, o balanço de
quantidade de movimento é:

( ) ( ) ( )
1 1
1
Lxj
LS GBj HS HB LBj LSxj
xj xj j
P P A F F m U U
-
+ +
+
÷ + ÷ = ÷ (3.44)
A diferença de pressões que aparece na Eq. (3.44) é grande (Dukler e
Hubbard, 1975) e denomina-se como queda de pressão na região de mistura
1 mix LS GBj
xj
P P P
+
A = ÷ . Substituída na Eq. (3.44), obtém-se:

( ) ( ) 1
1
Lxj
mix LBj LSxj HS HB
xj j
P A m U U F F
-
+
+
A = ÷ ÷ ÷ (3.45)
O termo
mix
P A A não é de fácil modelagem porque está relacionado com a
expansão da seção transversal de filme até o pistão. Como alternativa, o modelo
estacionário de Taitel e Barnea (1990b) pode ser utilizado já que apresenta uma
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 51


sólida base teórica. Apesar de ser estacionário, constitui uma aproximação razoável
no modelo apresentado. Nesse modelo, os autores realizaram balanço de
quantidade de movimento no volume de controle da Figura 3-5 para encontrar uma
expressão para a queda de pressão na célula unitária. O volume de controle acopla
a frente do pistão j com a frente da bolha j+1, como mostrado na Figura 3-5.


Figura 3-5 – Volume de controle para o modelo de Taitel e Barnea (1990).

Considerando um perfil retangular da bolha e desprezando as forças
interfaciais, o balanço de quantidade de movimento no volume de controle da Figura
3-5 de controle é dado por:

( ) 1 1 1 1 1 1 1
0
Bj LS GBj LBj LBj Bj L LBj Bj
xj
F P P A S L AR L g sen t µ |
+ + + + + + +
= ÷ ÷ ÷ · =
¿
(3.46)
No balanço estacionário de forças podem-se observar termos relacionados ao
atrito do filme e a seu peso gravitacional. A diferença de pressões no primeiro termo
da Eq. (3.46) é a expressão da queda de pressão da região da mistura, como
reportado por Taitel e Barnea (1990b). Assim, tem-se:

1
LB Bj
mix LS GBj LB L LBj Bj
xj
S L
P P P gR L sen
A
t µ |
+
A = ÷ = + · (3.47)
Assim, nas expressões (3.42) e (3.47), as pressões nos pistões foram
expressas em função das pressões nas bolhas. Finalmente, essas expressões são
substituídas na Eq. (3.39), obtendo-se:
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 52



( )
1 1
1 1 1 1
2
LSj Sj LBj Bj
GBj GBj LSj LBj L LSj Sj LBj Bj
LSj Sj j j LSj
L LSj LSj L Sj LSj
S L S L
P P g R L R L sen
A A
dU L dx dy dR
R L L U
dt dt dt dt
t t µ |
µ µ
+ +
+ + + +
÷ = + + + · +
( | |
+ + + ÷
( |
\ . ¸ ¸
(3.48)
A Eq. (3.48) é a forma final da equação da quantidade de movimento que
representa a diferença de pressões entre bolhas adjacentes ou, em outras palavras,
a queda de pressão em uma célula unitária. A Eq. (3.48) e a Eq. (3.39), obtida do
balanço de massa, constituem um sistema de equações cujas variáveis são a
velocidade do pistão
LSj
U e pressão no interior da bolha
GBj
P .

3.4 Balanço de energia

Nesta seção, será realizado o balanço de energia para três regiões da célula
unitária de forma individual: o pistão líquido, o filme líquido e a bolha alongada de
gás. A equação integral de energia, que está em função da energia específica (e), é
obtida a partir do teorema de transporte de Reynolds, dada na Eq. (3.1), e da
primeira lei da termodinâmica. Para um volume de controle não inercial, tem-se:

eixo visc P
Q W W W e d V
t
µ
- - - -
c
÷ ÷ ÷ =
c
V
r
C SC
e V d A µ + ·
} }
¸¸, ¸,
(3.49)
onde Q
-
é a taxa de calor transferido de ou para o sistema,
eixo
W
-
é a taxa de trabalho
realizado pelo eixo de uma máquina,
visc
W
-
é a taxa de trabalho realizado no volume
de controle por forças viscosas que agem na superfície de controle,
P
W
-
é o trabalho
das forças de pressão dado pela seguinte expressão:

P r
SC
W PV d A
-
= ·
}
¸¸, ¸,
(3.50)
O primeiro termo da direita da Eq. (3.49) é o termo transiente que significa a
taxa de variação da energia interna no volume de controle. O segundo termo da
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 53


direita é o fluxo líquido de energia específica que atravessa as superfícies de
controle. A seguir, será desenvolvido cada um dos termos da Eq. (3.49).
A energia específica está composta pela energia interna (û), a energia cinética
(e
k
) e a energia potencial (e
P
) como mostrado na Eq. (2.9) e reescrita aqui por
conveniência:

K P
e e e û = + + (3.51)
Em um escoamento horizontal, a energia potencial gravitacional é mantida
constante. Caso fosse utilizado um sistema de referência localizado à mesma altura
da tubulação, a energia potencial se tornaria zero para qualquer ponto da tubulação
(e
p
= 0). Além disso, considerando a faixa de velocidades nas quais ocorre o
escoamento em golfadas, a energia cinética tem uma ordem de grandeza muito
menor que a energia interna do fluido (e
k
<< û). Assim, a energia total específica
pode ser aproximada como energia interna específica.
e û ~ (3.52)
Assumindo a ausência da produção de trabalho de eixo, na Eq. (3.49),
eixo
W
-
é
igual a zero. O trabalho de cisalhamento
visc
W
-
por tensão viscosa consiste no
produto da tensão de cisalhamento e a velocidade, integrados em relação à área de
contato (White, 2001):

visc
SC
W VdA t
-
= ·
}
(3.53)
Nesse cenário, as equações (3.50), (3.52) e (3.53) são substituídas na Eq.
(3.49). Rearranjando os termos, obtém-se a Eq. (3.54):

SC
Q VdA û d V
t
t µ
-
c
÷ · =
c
}
V
r
C SC
P
û V d A µ
µ
| |
+ + ·
|
\ .
} }
¸¸, ¸,
(3.54)
Além disso, a soma de energia interna específica mais a razão entre pressão e
massa específica é a definição de entalpia específica (i) como apresentado na Eq.
(2.10). Finalmente, o termo de dissipação viscosa pode ser desprezado já que
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 54


raramente é importante (White, 2001). Dessa forma, o balanço de energia é dado
por:
Q û d V
t
µ
-
c
=
c
V
r
C SC
i V d A µ + ·
} }
¸¸, ¸,
(3.55)
A Eq. (3.55) representa a equação de energia a ser utilizada no pistão, no filme
e na bolha. A Eq. (3.55) está em função da energia interna (û) e da entalpia (i), as
quais foram definidas na revisão bibliográfica.
No desenvolvimento do termo Q
-
, os mecanismos de transferência de calor
existentes são: a condução, a convecção e a radiação, que no caso de problemas
deste tipo, não é considerada. Em relação aos outros dois mecanismos, cada um
está caracterizado por uma propriedade. No caso da condução, está caracterizada
pela condutividade térmica do fluido k e no caso da convecção pelo coeficiente de
transferência de calor h entre o fluido e a parede interna. A influência dos dois
mecanismos é medida através de um parâmetro adimensional chamado número de
Nusselt Nu, que é definido por:

h
hD
Nu
k
= (3.56)
sendo h o coeficiente médio de transferência de calor, D
h
o diâmetro hidráulico e k a
condutividade térmica.
Os primeiros testes no programa onde o presente modelo foi implementado,
mostraram que em geral o número de Nusselt é muito alto, com valores acima dos
1000 para o líquido. Isso significa que o mecanismo dominante da transferência de
calor no problema abordado é a convecção forçada.
Na Figura 3-6 são observadas as condições para a transferência de calor por
convecção na região do pistão e da bolha. Observa-se que cada elemento apresenta
um coeficiente médio de transferência de calor para a respectiva região, o qual pode
ser calculado através de correlações de escoamento monofásico (Shoham, 1982).

Capítulo 3 - Modelagem Matemática 55



Figura 3-6 – Condições da transferência de calor na seção transversal.

3.4.1 Balanço de energia do líquido no pistão
A fim de realizar o balanço de energia no líquido do pistão, será utilizado o
volume de controle apresentado na Figura 3-4 localizado entre as superfícies x
j
e y
j
.
Como a quantidade de gás no pistão é pequena, admite-se que o calor trocado entre
as fases é desprezível. Então, no balanço de energia do pistão considera-se
somente a parte líquida e a temperatura do gás contido no pistão será igual à
temperatura do líquido. Na equação (3.55) têm-se três termos, os quais serão
desenvolvidos separadamente e, posteriormente, serão acoplados.

 Fluxo de Calor Transferido: A taxa de calor transferido pelo meio externo
poderá ser expressa pela convecção entre o fluido e a parede da tubulação, cuja
expressão é dada pela lei de resfriamento de Newton:
( )
w F
Q hSL T T
-
= ÷ (3.57)
sendo h o coeficiente médio de transferência de calor na região correspondente
e ( )
w F
T T ÷ a diferença de temperaturas entre o fluido e a parede. Os fluxos de
calor existentes podem ser observados na Figura 3-7.

Capítulo 3 - Modelagem Matemática 56



Figura 3-7 – Fluxos de calor na bolha-filme (a) e no pistão (b)

O coeficiente de transferência de calor para o pistão será chamado
G
LS
h , onde
o sobrescrito G indica que é um coeficiente global que envolve os mecanismos
de transferência de calor entre o fluido e a parede externa. Neste caso,
w
T será a
temperatura da parede exterior T
wLS
e
F
T a temperatura média do pistão líquido
T
LS
. Então, a taxa de calor transferido pela parede da tubulação no j-ésimo pistão
é dada pela seguinte expressão:

( )
G
LSj LSj Sj wLSj LSj wLSj
Q h S L T T
-
= ÷ (3.58)

 Taxa de variação da energia interna no interior do pistão: No pistão líquido, a
massa específica é constante e a área pode ser expressa em função da fração
de vazio. Assim, a taxa de variação de energia interna específica é dada por:
û d V
t
µ
c
c
V
( ) ( ) ( ) .
L LS LS S L LS LS S
C
d
û d AR L A û R L
t dt
µ µ
¬
c
÷ =
c
} }
C
(3.59)
Desenvolvendo as derivadas, e expressando para a j-ésima célula unitária:
( )
L
û d V
t
µ
c
c
V
Sj LSj LSj
L LSj LSj LSj Sj LSj Sj
C
dL dR dû
A û R û L R L
dt dt dt
µ
| |
÷ + +
|
\ .
}
(3.60)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 57


Da Eq. (3.60) pode-se deduzir que a taxa de variação de energia interna no
interior do pistão deve-se à variação do comprimento do pistão, da fração de
vazio no pistão e da energia específica do líquido.

 Fluxo de entalpia que cruza as superfícies de controle do pistão: No volume
de controle (Figura 3-3), tem-se um fluxo de energia entrando pela superfície x
j
e
um saindo pela superfície y
j
na direção axial do escoamento. Assim, a taxa de
variação de energia específica é dada por:

Lxj Lyj
j j
r L LSxj LSxj Lxj L LSyj LSyj Lyj
SC
m m
dx dy
i V d A A U R i A U R i
dt dt
µ µ µ
- -
| | | |
· ÷ ÷ ÷ ÷
| |
\ . \ .
}
¸¸, ¸,
¸¸¸¸¸_¸¸¸¸¸ ¸¸¸¸¸_¸¸¸¸¸
(3.61)
Finalmente, para obter a equação de balanço no pistão da célula j, devem-se
substituir as expressões (3.58), (3.60) e (3.61) na Eq. (3.55)

( )
G
Lxj Lyj
LSj LSj Sj wLSj LSj Lxj Lyj
Sj LSj LSj
L LSj LSj LSj Sj LSj Sj
h S L T T m i m i
dL dR dû
A û R û L R L
dt dt dt
µ
- -
÷ = ÷ +
| |
+ + +
|
\ .
(3.62)
Lembrando que o líquido incompressível encontra-se afastado da região de
saturação, a energia interna específica e a entalpia específica podem ser expressas
em função da temperatura e do calor específico, Eqs. (2.15) e (2.16) (ver relações
termodinâmicas no Capítulo 2). Assim, tem-se:

( )
G
Lxj Lyj
LSj LSj Sj wLSj LSj L Lxj L Lyj
Sj LSj LSj
L L LSj LSj LSj Sj LSj Sj
h S L T T m C T m C T
dL dR dT
AC T R T L R L
dt dt dt
µ
- -
÷ = ÷ +
| |
+ + +
|
\ .
(3.63)
Da Eq. (3.63) é deduzido que o calor fornecido ao pistão ocasionará variações
em três parâmetros: o comprimento, a fração de líquido e a temperatura.
Além disso, como as bolhas no interior do pistão estão dispersas tendo líquido
em todo seu redor, a temperatura do gás no pistão é considerada igual à
temperatura do líquido nesse pistão.
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 58



GSj LSj
T T = (3.64)

3.4.2 Balanço de energia de líquido no filme
O balanço de energia no filme é semelhante ao efetuado para o pistão,
considerando também um líquido incompressível.

 Fluxo de Calor Transferido: Na região do filme, a taxa de calor fornecido pela
parede é expressa através da lei de resfriamento de Newton. Além disso, tendo o
líquido uma temperatura diferente da do gás, existirá uma troca de calor entre
eles na região da interface. Nesse sentido, o filme tem duas contribuições de
troca de calor: o calor transferido pela parede e a troca de calor com o gás da
bolha.

ij LBj wLBj
Q Q Q
- - -
= + (3.65)
sendo
LBj
Q
-
, a taxa de calor total transferido ao filme,
wLBj
Q
-
, a taxa de calor
transferido desde a parede exterior e
ij
Q
-
, a taxa de calor trocado na interface
líquido-gás.
Assim, as taxas de calor transferido na parede e de calor trocado na interface
são dados pelas seguintes expressões:

( )
G
LBj LBj Bj wLBj LBj wLBj
Q h S L T T
-
= ÷ (3.66)

( )
ij ij ij Bj GBj LBj
Q h S L T T
-
= ÷ (3.67)

 Taxa de variação de energia interna no interior do filme: A taxa de variação
da energia interna no filme pode ser expressa desenvolvendo a derivada:
û d V
t
µ
c
c
V
( )
Bj LBj LBj
L LB LB B L LBj LBj LBj Bj LBj Bj
C
dL dR dû
d
A û R L A û R û L R L
dt dt dt dt
µ µ
| |
÷ = + +
|
\ .
}
(3.68)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 59


A taxa de variação da energia interna no interior do filme é devida à variação
do comprimento da bolha, da fração de vazio no filme e da energia interna do
líquido.

 Fluxo de entalpia que cruza as superfícies de controle do filme: A fim de
simplificar as expressões, os fluxos de entalpia são expressos em função dos
fluxos mássicos de líquido definidos nas Eqs. (3.3) e (3.4). Assim, os fluxos de
energia são expressos:

1
1
1 1 1
Lyj Lxj
j j
r L LSyj LSyj Lyj L LSxj LSxj Lxj
SC
m m
dy dx
i V d A U AR i U AR i
dt dt
µ µ µ
- -
÷
÷
÷ ÷ ÷
| | | |
· ÷ ÷ ÷ ÷
| |
\ . \ .
}
¸¸, ¸,
¸¸¸¸¸_¸¸¸¸¸ ¸¸¸¸¸_¸¸¸¸¸
(3.69)
Dessa forma, o balanço de energia no filme é dado por:

( ) ( )
1
1
G
LBj LBj Bj wLBj LBj ij ij Bj GBj LBj
Bj LBj LBj
Lyj Lxj
L LBj LBj LBj Bj LBj Bj Lyj Lyj
h S L T T h S L T T
dL dR dû
A û R û L R L m i m i
dt dt dt
µ
- -
÷
÷
÷ + ÷ =
| |
+ + + ÷
|
\ .
(3.70)
Através das hipóteses (2.15) e (2.16), a energia interna e a entalpia são
expressos em função dos calores específicos e da temperatura:

( ) ( ) 1
1 1
G
Lyj Lxj
LBj LBj Bj wLBj LBj ij ij Bj GBj LBj L Lj L Lj
Bj LBj LBj
L L LBj LBj LBj Bj LBj Bj
h S L T T h S L T T C m T C m T
dL dR dT
AC T R T L R L
dt dt dt
µ
- -
÷
÷ ÷
÷ + ÷ = ÷ +
| |
+ + +
|
\ .
(3.71)
A equação resultante para o filme conserva a mesma forma da equação de
balanço no pistão.

3.4.3 Balanço de energia na bolha alongada de gás
Da mesma forma que com o filme líquido, é realizado o balanço na bolha
alongada de gás. Os resultados são muito semelhantes pelo fato de apresentar os
mesmos mecanismos de transferência de calor, mas é adicionado o termo de
compressibilidade do gás.

Capítulo 3 - Modelagem Matemática 60


 Fluxo de Calor Transferido: Da mesma forma que no filme, na bolha existem
duas influências: o calor transferido com a parede e a troca de calor com o filme.
Na troca de calor com o filme, a expressão é dada pela Eq. (3.67) com o sinal
trocado, pois o calor ganho por uma fase é perdido pela outra.

( ) ( )
G
GBj GBj LBj Bj wGBj GBj ij ij Bj GBj LBj
Q h S L T T h S L T T
-
= ÷ ÷ ÷ (3.72)

 Taxa de variação de energia interna no interior da bolha: Para esse caso, a
massa específica do gás é dependente do tempo, pois é um fluido compressível.
Assim sendo, a massa específica do gás fica dentro da derivada, originando mais
um termo.

û d V
t
µ
c
c
V
( )
GB GB GB B
C
Bj Bj GBj GBj GBj
GBj GBj GBj GBj GBj GBj Bj GBj Bj
GBj
d
A û R L
dt
dL L d dR dû
A û R û R û L R L
dt dt dt dt
µ
µ
µ
µ
÷ =
| |
= + + +
|
|
\ .
}
(3.73)

 Fluxo de entalpia que cruza as superfícies de controle: A massa específica
do gás é considerada uniforme ao longo da bolha e nas superfícies dos pistões
adjacentes. O fluxo de energia nesta região é expresso em função das vazões
mássicas apresentadas em (3.5) e (3.6):

1
1
1 1 1
Gyj Gxj
j j
r GBj GSyj GSyj GSyj GBj GSxj GSxj GSxj
SC
m m
dy dx
û V d A A U R i A U R i
dt dt
µ µ µ
- -
÷
÷
÷ ÷ ÷
| | | |
· ÷ ÷ ÷ ÷
| |
\ . \ .
}
¸¸, ¸,
¸¸¸¸¸_¸¸¸¸¸ ¸¸¸¸¸¸_¸¸¸¸¸¸
(3.74)
A fim de obter a equação de balanço para a bolha de gás, as expressões
(3.72), (3.73) e (3.74) são substituídas na Eq. (3.55)

( ) ( ) 1
1
G
Gyj Gxj
GBj GBj Bj wGBj GBj ij ij Bj GBj LBj Gyj Gxj
Bj Bj GBj GBj GBj
GBj GBj GBj GBj GBj GBj Bj GBj Bj
GBj
h S L T T h S L T T m i m i
dL L d dR dû
A û R û R û L R L
dt dt dt dt
µ
µ
µ
- -
÷
÷
÷ ÷ ÷ = ÷
| |
+ + + +
|
|
\ .
(3.75)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 61


Lembrando a hipótese de gás ideal, a energia interna específica e a entalpia
específica podem ser expressas em função dos calores específicos e das
temperaturas, Eqs. (2.18) e (2.19). Dessa forma, tem-se:

( ) ( ) 1
1
G
Gyj Gxj
GBj GBj Bj wGBj GBj ij ij Bj GBj LBj G Gyj G Gxj
Bj Bj GBj GBj GBj
G GBj GBj GBj GBj GBj GBj Bj GBj Bj
GBj
h S L T T h S L T T Cp m T Cp m T
dL L d dR dT
Cv A T R T R T L R L
dt dt dt dt
µ
µ
µ
- -
÷
÷
÷ ÷ ÷ = ÷
| |
+ + + +
|
|
\ .
(3.76)
Dessa forma foram obtidas três equações de conservação da energia para a
célula unitária: uma para o pistão, uma para o filme e uma para a bolha alongada. As
três equações estão em função das temperaturas e dos parâmetros cinemáticos e
geométricos do escoamento que são variáveis do modelo hidrodinâmico. Por isso,
uma solução conjunta para pressão, velocidade e temperatura é inviável.

3.4.4 Balanço de energia na parede do duto
O duto encontra-se submetido a condições externas, portanto deve-se realizar
balanço de energia nas suas paredes, como mostrado na Figura 3-8. Considera-se
que não existe acúmulo de energia no interior da parede. Além disso, os fluxos de
energia devido ao movimento do volume de controle são desprezados. Em outras
palavras, toda a energia fornecida ao escoamento é transferida à mistura bifásica.
O balanço deve ser aplicado para cada região da célula unitária, mas como sua
expressão é semelhante em cada uma das regiões, pode ser expressa de forma
geral de acordo com a Eq. (3.77):

( )
0 ''
G e
Fj Fj Fj Fj Fj wFj Fj
D
q S L h S L T T
D
= ÷ ÷ (3.77)
sendo L
Fj
o comprimento da bolha ou pistão, D
e
o diâmetro externo da tubulação e
q’’ o calor proveniente do meio externo em W/m². O índice F refere-se às regiões da
célula unitária: pistão líquido (LS), filme líquido (LB) ou bolha alongada (GB).

Capítulo 3 - Modelagem Matemática 62



Figura 3-8 – Balanço de energia na parede do duto.

Dependendo da natureza da condição térmica, o termo '' q no balanço de
energia no duto mudará. As condições térmicas podem ser temperatura externa
constante ou fluxo de calor constante. No caso de temperatura externa constante, a
expressão para q’’ é dada por:

( )
0 0
''
wFj
q h T T = ÷ (3.78)
sendo T
0
a temperatura do meio externo e h
0
o coeficiente de transferência de calor
no meio externo. Fisicamente, a condição de temperatura externa constante
representa um escoamento isotérmico ao redor do duto por onde escoa a mistura
bifásica.

3.5 Equações auxiliares

Das equações de balanço de energia dos componentes da célula unitária, Eqs.
(3.63)-(3.71)-(3.76), pode-se observar que para sua solução será necessário
conhecer as velocidades das fronteiras e outros parâmetros cinemáticos e térmicos.
As equações auxiliares mostram a modelagem de parâmetros que estão fora dos
sistemas de equações a serem resolvidos, mas são fundamentais para o modelo. Os
parâmetros a serem apresentados nesta seção são: as velocidades das superfícies
de controle, a velocidade absoluta do filme e da bolha, a coalescência, o coeficiente
de transferência de calor global, o coeficiente de transferência de calor bifásico e a
temperatura da mistura.

Capítulo 3 - Modelagem Matemática 63


3.5.1 Velocidade das superfícies de controle
A velocidade com que a superfície de controle
j
y está se movendo é a
velocidade da frente da bolha, a qual é denominada
Tj
U . Seu cálculo é determinado
através das fórmulas propostas no Capítulo 2:

( ) 0
1
j
Tj
dy
U C J C gD h
dt
·
= = + + ( ) j (3.79)
Na revisão bibliográfica também foi encontrada uma expressão para a
velocidade de mistura J em função da velocidade do pistão, Eq. (2.7). Por sua vez,
na Eq. (2.7) aparece a velocidade das bolhas dispersas no pistão, a qual pode ser
calculada através da Eq. (2.38). Dessa forma, a velocidade da superfície de controle
é dada por:

0
1
1
j LSj
LSj DSj
LSj
dy R
C U U C gD h
dt R
·
¦ ¹ ( | | ÷
¦ ¦
= + + + ( | ´ `
|
(
¦ ¦ \ . ¸ ¸ ¹ )
( ) j (3.80)
sendo os coeficientes C
0
e C

dados na Tabela 2-3.
Por outro lado, a velocidade da superfície de controle x
j
é a velocidade da
traseira da bolha. A expressão para essa velocidade pode ser obtida rearranjando o
balanço de massa para a bolha na Eq.(3.26). Assim, obtém-se:

( ) ( )
( )
1 1
1 1
1
1
1 1
1
1
1 1
2 2
1
2 2
LBj Sj LSj Sj LSj
Bj LSj GSj LSj GSj
j
LSj LBj
GBj Sj GSj Sj GSj GBj j
Bj GBj LSj LBj
GBj GBj
LSj LBj
dR L dR L dR
L R U R U
dx
dt dt dt
dt R R
d L R L R dy
L R R R
dt dt
R R
µ µ
µ µ
÷ ÷
÷ ÷
÷
÷
÷ ÷
÷
÷
÷ ÷ ÷ + ÷ ÷ ÷
=
÷
| |
+ + + ÷
|
|
\ .
+
÷
(3.81)
Observa-se na Eq. (3.81), o efeito da compressibilidade do gás, que será
responsável pela variação do comprimento da bolha L
Bj
ao longo do tempo.

3.5.2 Velocidade do filme líquido e da bolha alongada
Para encontrar a velocidade do filme líquido, necessária para o cálculo do atrito
no filme, é utilizado o balanço de massa. O balanço é realizado através de um
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 64


volume de controle que se move com a velocidade de translação da bolha, mostrado
na Figura 3-9. Suas fronteiras encontram-se nas superfícies onde a velocidade é
igual à velocidade média da região.


Figura 3-9 – Volume de controle para a velocidade do filme e da bolha

O volume de controle se move com a velocidade de translação da frente da
bolha
Tj
U . Então o balanço de massa através deste volume é dado por:

( ) ( )
0
L LSj LSj Tj L LBj LBj Tj
AR U U AR U U µ µ ÷ ÷ ÷ = (3.82)
Arranjando a Eq. (3.82) pode-se obter uma expressão para
LBj
U :

( )
LSj
LBj Tj LSj Tj
LBj
R
U U U U
R
= + ÷ (3.83)
De forma análoga, é realizado um balanço de gás no volume de controle da
Figura 3-9 obtendo-se a seguinte expressão:

( )
1
LSj
GBj Tj GSj Tj
GBj
R
U U U U
R
÷
= + ÷ (3.84)
Dessa forma foram obtidas equações auxiliares que servirão para calcular os
parâmetros cinemáticos faltantes após a solução das equações acopladas. Porém,
sendo o escoamento intrinsecamente transiente e intermitente, a velocidade da
frente da bolha alongada pode ser maior que a velocidade da traseira da bolha
precedente. Dessa forma, as duas bolhas podem coalescer dando origem a uma
maior. Esse fenômeno é modelado na próxima seção.

Capítulo 3 - Modelagem Matemática 65


3.5.3 Coalescência de bolhas
A coalescência é o fenômeno no qual duas bolhas que se encontram muito
próximas se juntam para formar uma de maior dimensão. No escoamento em
golfadas a coalescência ocorre quando a frente de uma bolha toca a traseira da
bolha a sua frente.
No modelo matemático, a coalescência é representada por uma condição
relacionada ao comprimento do pistão. Assim, se o comprimento do pistão j for
menor que o diâmetro da tubulação, as bolhas j e j+1 coalescem e o pistão j
desaparece. O novo comprimento da bolha é a soma das bolhas j e j+1, tornando-se
ela a bolha j.

1
N O O
Bj Bj Bj
L L L
+
= + (3.85)
Apesar do pistão j ser muito pequeno, sua massa não pode ser desprezada
porque ocasionaria um déficit no balanço de massa total. Nesse sentido, a massa do
pistão j passa a formar parte do pistão j-1.

1 1
N O O
Sj Sj Sj
L L L
÷ ÷
= + (3.86)
Dessa forma, a célula unitária j desaparece e passa a formar parte das células
j-1 e j+1. No caso da fração de líquido no pistão, a nova célula j conserva a mesma
fração da antiga célula j+1. A fração de gás na bolha j é considerada como a
máxima entre as antigas bolhas j e j+1. Assim, tem-se:

1
N O
LSj LSj
R R
+
= (3.87)

1
max ;
N O O
GBj GBj GBj
R R R
+
( =
¸ ¸
(3.88)
No caso das propriedades calculadas, a velocidade do pistão assume a
velocidade do pistão j+1. A fim de não desprezar a perda de pressão calculada, a
pressão é considerada uma média entre as pressões das antigas bolhas j e j+1. No
caso da temperatura, também é calculada uma média. Assim, tem-se:

1
N O
LSj LSj
U U
+
= (3.89)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 66



1
2
O O
GBj GBj N
GBj
P P
P
+
+
= (3.90)

1 1 1
; ;
2 2 2
O O O O O O
LSj LSj LBj LBj GBj GBj N N N
LSj LBj GBj
T T T T T T
T T T
+ + +
+ + +
= = = (3.91)
Na Figura 3-10 são apresentadas as condições do escoamento antes e depois
da coalescência. Pode-se observar que as posições das superfícies de controle
também mudam, mas a frente da bolha j-1 e a traseira da bolha j+1
N
(ou j+2
O
)
permanecem imóveis.


Figura 3-10 – Modelagem da coalescência de bolhas.

3.5.4 Coeficiente de transferência de calor global
A temperatura da parede a ser avaliada nos balanços de energia é a
temperatura da parede externa, como observado na Figura 3-6. Caso a
condutividade térmica do material do duto seja muito alta (cobre, por exemplo), a
resistência térmica pode ser desprezada, de forma que todo o calor fornecido é
transferido diretamente aos fluidos. No caso geral, essa condução deve ser
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 67


considerada já que alguns materiais utilizados na indústria possuem baixa
condutividade térmica e atuam como isolantes térmicos.
Nesse cenário, o coeficiente de transferência de calor, além de representar a
convecção interna, deve também considerar a condução na espessura do duto.
Esses dois mecanismos atuam como resistências térmicas, os quais são
representados na Figura 3-11. Então, um coeficiente global de transferência de calor
baseado no conceito de resistências térmicas é utilizado (Incropera et al., 2008):

1
1
2
G
F
e
c F
h
D D
Ln
k D h
=
+
(3.92)
sendo D
e
o diâmetro exterior do duto e o índice F refere-se às regiões da célula
unitária: pistão líquido (LS), filme líquido (LB) ou bolha alongada (GB). A taxa de calor
transferida do exterior é expressa por:
( )
G
F F F wF F F
Q h S L T T
-
= ÷ (3.93)
sendo T
wF
a temperatura na parede externa do duto na região F.


Figura 3-11 – Resistências térmicas na seção transversal do duto

O coeficiente h
F
é calculado com expressões do escoamento monofásico e
mudará segundo as propriedades da região avaliada. Segundo o estudo
experimental de Lima (2009), a correlação que melhor se ajusta para modelar o
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 68


coeficiente de transferência de calor monofásico é a correlação de Gnielinski
(Incropera et al, 2008) dada na Eq. (2.24).

3.5.5 Temperatura da mistura
Como visto anteriormente, a solução do modelo matemático irá calcular as
temperaturas nas diferentes partes da célula unitária. Porém, para obter um
parâmetro mais de acordo com os interesses da engenharia, as temperaturas
calculadas devem ser expressas em função de uma única temperatura, a qual será
chamada de temperatura da mistura. Portanto, deve-se encontrar uma expressão
para a taxa de energia total da célula unitária. A energia total de uma célula unitária
pode ser expressa como a soma das energias de cada fase nas diferentes regiões:

U LS GS LB GB
E E E E E
- - - - -
= + + + (3.94)
sendo E
-
a taxa de energia em unidades de energia por tempo. Por outro lado, a
taxa de energia total da célula unitária também pode ser definida em função da
temperatura da mistura, considerando propriedades constantes:
E mCT
- -
= (3.95)
Expressando a energia em função das temperaturas, tem-se:

U LS L LS LB L LB GS G GS GB G GB
E m C T m C T m Cp T m Cp T
- - - - -
= + + + (3.96)
A fim de evitar cálculos desnecessários, é realizada uma análise de escala
para as duas fases. Espera-se que para baixas pressões os termos relacionados à
fase gasosa possam ser desprezados uma vez que suas propriedades físicas têm
um valor numérico muito menor quando comparado às propriedades do líquido.
, , ,
U LS L LS LB L LB GS G GS GB G GB
E m C T m C T m Cp T m Cp T
- - - - -
~ (3.97)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 69


As vazões mássicas, por sua vez podem ser expressas como o produto entre a
massa específica, a área e a velocidade. Sendo
LS L LS LS
m AR U µ
-
= ,
LB L LB LB
m AR U µ
-
= ,
GS L GS GS
m AR U µ
-
= e
GB L GB GB
m AR U µ
-
= obtém-se:
, , ,
U L LS LS L LS L LB LB L LB G GS GS G GS G GB GB G GB
E AR U C T AR U C T AR U Cp T AR U Cp T µ µ µ µ
-
~ (3.98)
Considera-se que todas as temperaturas, as velocidades e as áreas estejam na
mesma ordem de grandeza, e assim podem ser associadas em um fator que divide
toda a expressão (3.98).
, , ,
U
L LS L L LB L G GS G G GB G
E
R C R C R Cp R Cp
AUT
µ µ µ µ
-
~ (3.99)
Desta forma, as quantidades estão basicamente governadas pelo produto da
massa específica vezes o calor específico. Como exemplo, a mistura ar-água será
utilizada. Para baixas pressões, a massa específica da água está em torno de 1000
kg/m³ e a do ar por volta de 2 kg/m³. Os calores específicos da água e do ar são
aproximadamente 4000 J/KgK e 1000 J/KgK respectivamente. O produto Cµ,
chamado capacidade térmica, no líquido é 2000 vezes maior que a do gás, o que
representa 0,05% do valor total. Assim, a análise de escalas mostra que a fase
gasosa pode ser desprezada no cálculo da energia total da mistura por sua baixa
contribuição. Portanto, a energia da célula unitária na Eq. (3.96) pode ser escrita
ignorando os termos devido à fase gasosa:

U LS L LS LB L LB
E m C T m C T
- - -
= + (3.100)
A energia total da célula unitária também pode ser expressa em função de uma
temperatura da mistura:

U L L m
E m C T
- -
= (3.101)
Substituindo (3.100) em (3.101)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 70



LS LS LB LB
m
L
m T m T
T
m
- -
-
+
= (3.102)
onde
L L LS LS L LB LB
m AR U AR U µ µ
-
= + . Assim:

LS LS LS LB LB LB
m
LS LS LB LB
U R T U R T
T
U R U R
+
=
+
(3.103)
Na Eq. (3.103) tem-se a expressão para o cálculo da temperatura da mistura, o
qual é realizado depois do cálculo das temperaturas no filme e no pistão.

3.5.6 Coeficiente de transferência de calor bifásico
Um coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
é definido para calcular a
troca de calor entre os fluidos e a parede do duto. Sua expressão é dada pela
seguinte equação:

( ) ( )
0
0
s b
s
s b
s
t t
LS FG
t
U U
TP
t t
wiLS LS wiLB LB
t
U U
Q Q dt dt
D t D t
h
dt dt
T T T T
t t
t t
+
=
÷ + ÷
} }
} }
(3.104)
sendo Q
LS
a taxa de calor transferido por unidade de comprimento no pistão, Q
FG
a
taxa de calor transferido por unidade de comprimento de bolha, t
s
o tempo de
passagem do pistão, t
b
o tempo de passagem da bolha, t
U
o tempo de passagem
total da célula unitária, T
wiLS
a temperatura da parede interna na região do pistão,
T
wiLB
a temperatura da parede interna na região do filme.
Os calores podem ser expressos em função dos coeficientes locais de cada
região. Além disso, os tempos são escritos em função da velocidade de translação
da bolha e do comprimento de cada região (t
s
= L
S
/U
T
e t
b
= L
B
/U
T
). Considerando
temperaturas médias na célula unitária, o coeficiente de transferência de calor
bifásico em (3.104) pode ser calculado de acordo a seguinte expressão:

( )
( ) ( )
( ) ( )
LBj LBj Bj wiLBj LBj GBj GBj Bj wiGBj GBj
LSj Sj wiLSj LSj
TPj
Sj wiLSj LSj Bj wiLBj LBj
h S L T T h S L T T
h L T T
D
h
L T T L T T
t
÷ + ÷
÷ +
=
÷ + ÷
(3.105)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 71


onde as temperaturas da parede interna são calculadas da seguinte forma:
( )
G
F
wiF F wF F
F
h
T T T T
h
= + ÷ (3.106)

3.6 Comentários finais

No presente capítulo foram apresentadas as equações que governam a
hidrodinâmica e a transferência de calor no escoamento em golfadas. O modelo
hidrodinâmico é dado pelos balanços de massa e quantidade de movimento nas
equações diferenciais (3.31) e (3.48) rescritas a seguir:

( ) ( ) ( )
1
1 1
1
1
1
1
1 1
1 1
1 1 1
2 2
LSj LSj GBj GBj
LSj LSj DSj DSj
LSj LSj GBj GBj
Sj Sj GBj
Bj LBj LSj LSj
GBj
R R dP dT
U U U U
R R P dt T dt
L L
L R R R
µ
µ
÷
÷ ÷
÷
÷
÷
÷
| | | | | | ÷ ÷
÷ = ÷ + ÷ ×
| | |
| | |
\ . \ . \ .
(
× ÷ + ÷ + ÷
(
(
¸ ¸
(3.31)

( )
1 1
1 1 1 1
2
LSj Sj LBj Bj
GBj GBj LSj LBj L LSj Sj LBj Bj
LSj Sj j j LSj
L LSj LSj L Sj LSj
S L S L
P P g R L R L sen
A A
dU L dx dy dR
R L L U
dt dt dt dt
t t µ |
µ µ
+ +
+ + + +
÷ = + + + · +
( | |
+ + + ÷
( |
\ . ¸ ¸
(3.48)
onde as variáveis a serem resolvidas são a velocidade do pistão U
LSj
e a pressão na
bolha alongada P
GBj
. O modelo de transferência de calor é dado pelas equações
diferenciais, (3.63), (3.71) e (3.76):

( )
G
Lxj Lyj
LSj LSj Sj wLSj LSj L Lxj L Lyj
Sj LSj LSj
L L LSj LSj LSj Sj LSj Sj
h S L T T m C T m C T
dL dR dT
AC T R T L R L
dt dt dt
µ
- -
÷ = ÷ +
| |
+ + +
|
\ .
(3.63)

( ) ( ) 1
1 1
G
Lyj Lxj
LBj LBj Bj wLBj LBj ij ij Bj GBj LBj L Lj L Lj
Bj LBj LBj
L L LBj LBj LBj Bj LBj Bj
h S L T T h S L T T C m T C m T
dL dR dT
AC T R T L R L
dt dt dt
µ
- -
÷
÷ ÷
÷ + ÷ = ÷ +
| |
+ + +
|
\ .
(3.71)
Capítulo 3 - Modelagem Matemática 72



( ) ( ) 1
1
G
Gyj Gxj
GBj GBj Bj wGBj GBj ij ij Bj GBj LBj G Gyj G Gxj
Bj Bj GBj GBj GBj
G GBj GBj GBj GBj GBj GBj Bj GBj Bj
GBj
h S L T T h S L T T Cp m T Cp m T
dL L d dR dT
Cv A T R T R T L R L
dt dt dt dt
µ
µ
µ
- -
÷
÷
÷ ÷ ÷ = ÷
| |
+ + + +
|
|
\ .
(3.76)
onde as variáveis a serem calculadas são a temperatura do pistão T
LSj
, do filme T
LBj

e da bolha alongada T
GBj
.
Devido à sua alta não-linearidade, uma solução analítica para as equações
anteriormente apresentadas é inviável, portanto deverá ser encontrada uma solução
numérica. A metodologia de solução numérica é apresentada no próximo capítulo.

Capítulo 4 - Metodologia de Solução 73


4 METODOLOGIA DE SOLUÇÃO

Neste capítulo será apresentada a metodologia para a solução do problema de
escoamento em golfadas utilizando o modelo de seguimento de pistões. Como as
equações governantes encontradas no capítulo anterior não são lineares, uma
solução analítica é inviável. Por conseguinte, essas equações precisam ser
discretizadas a fim de torná-las equações lineares. Como resultado da discretização,
dois sistemas de equações serão obtidos. O primeiro acopla os balanços de massa
e quantidade de movimento em um sistema de equações cujas incógnitas são a
velocidade do pistão e a pressão da bolha. O segundo sistema é obtido a partir do
balanço de energia, onde a variável a ser calculada é a temperatura do líquido. Ao
mesmo tempo, as equações auxiliares recebem também um tratamento a ser
implementado na solução. A seguir, o algoritmo de solução e sua implementação
computacional serão detalhados. Finalmente, é apresentado o conceito de sondas
virtuais, as quais servirão para monitorar as variáveis em posições específicas.

4.1 Discretização

A primeira etapa para a solução do problema é a linearização do sistema de
equações encontrado no capítulo 3. Note-se que todas as derivadas estão em
relação ao tempo, portanto deve ser utilizado um esquema de integração temporal,
que de forma geral é dado pela seguinte expressão:
( ) 1
t t
N O
t
dt t t
o
| o| o | |
+A
( ~ + ÷ A = A
¸ ¸ }
(4.1)
sendo | uma variável qualquer que depende do tempo, o o fator de ponderação que
é igual a zero no esquema explícito, um para o esquema totalmente implícito e 0,5
para o esquema Crank-Nicholson. Os índices N e O indicam a função | avaliada no
tempo atual e antigo, respectivamente.

Capítulo 4 - Metodologia de Solução 74


4.1.1 Discretização das equações do sistema pressão-velocidade
No capítulo 3 foram deduzidas duas equações a partir do balanço de massa e
da quantidade de movimento para uma célula unitária. Essas equações estão em
função da derivada da velocidade do pistão e da pressão na bolha. As equações
acopladas encontradas na modelagem matemática são aplicadas a um escoamento
horizontal. Assim, são rescritas novamente nesta seção por conveniência:

( ) ( ) ( )
1
1 1
1
1
1
1
1 1
1 1
1 1 1
2 2
LSj LSj GBj GBj
LSj LSj DSj DSj
LSj LSj GBj GBj
Sj Sj GBj
Bj LBj LSj LSj
GBj
R R dP dT
U U U U
R R P dt T dt
L L
L R R R
µ
µ
÷
÷ ÷
÷
÷
÷
÷
| | | | | | ÷ ÷
÷ = ÷ + ÷ ×
| | |
| | |
\ . \ . \ .
(
× ÷ + ÷ + ÷
(
(
¸ ¸
(4.2)

1 1
1 1
2
LSj Sj LBj Bj LSj
GBj GBj LSj LBj L LSj LSj
Sj j j LSj
L Sj LSj
S L S L dU
P P R L
A A dt
L dx dy dR
L U
dt dt dt
t t µ
µ
+ +
+ +
÷ = + +
( | |
+ + ÷
( |
\ . ¸ ¸
(4.3)
A pressão tem uma ordem de grandeza muito superior à velocidade. Desse
modo, se o sistema for resolvido em função de P e U, a matriz estaria mal
condicionada (Rodrigues, 2009). Nesse sentido, define-se o fator de pressão P
*
, que
possui uma ordem de grandeza menor que da pressão, o qual é necessário para dar
estabilidade numérica. Assim, o fator de pressão está definido como:

* GBj
GBj
L
P
P
µ
= (4.4)
Também são definidas algumas expressões a fim de simplificar as equações:

1
1
1
1 1
LSj LSj
DSj DSj DSj
LSj LSj
R R
U U U
R R
÷
÷
÷
| | | | ÷ ÷
A = ÷
| |
| |
\ . \ .
(4.5)

1 2
1 1 1 1 2
2
LBj
Sj LBj Bj L LB
S
P f L U
D
µ
t
+
+ + + +
A = (4.6)
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 75



2
Sj j j LSj
j L Sj LSj
L dx dy dR
I L U
dt dt dt
µ
( | |
A = + ÷
( |
\ . ¸ ¸
(4.7)
A Eq. (4.5) é o termo devido à velocidade das bolhas dispersas. A Eq. (4.6)
representa o termo de atrito do filme. A Eq. (4.7) representa a variação da
quantidade de movimento devido à variação de fração de líquido no pistão. Testes
experimentais no 2PFG/FEM/UNICAMP (Rosa e Altemani, 2006) mostraram que a
variação da fração de líquido no pistão é muito pequena ao longo do tempo (em
alguns casos é nula), portanto, o termo dR
LS
/dt na Eq. (4.7) pode ser desprezado e
AI
j
é zero.
As equações resultantes são rescritas de forma simplificada, em função do
fator de pressão e dos parâmetros em (4.5), (4.6) e (4.7):

( ) ( ) ( )
1
1 1
1
1 1
1 1 1
2 2
GBj GBj Sj Sj GBj
LSj LSj DSj Bj LBj LSj LSj
GBj GBj GBj
dP dT L L
U U U L R R R
P dt T dt
µ
µ
÷
÷ ÷
÷
| | (
÷ =A + ÷ ÷ + ÷ + ÷
| (
|
(
\ .¸ ¸
(4.8)

* * 2
1 1
1
2
LSj Sj
GBj GBj LSj Sj LSj LSj Sj
L
dU L
P P R L f U P
dt D µ
+ +
÷ = + + A (4.9)
Nota-se na Eq. (4.8) que existem termos de derivadas da pressão e da
temperatura em relação ao tempo. No presente estágio da metodologia, a solução
dos balanços de massa e quantidade de movimento está sendo desenvolvida,
portanto é possível expressar a derivada dP
GBj
/dt em função do tempo atual. Porém,
as temperaturas serão calculadas após as velocidades e pressões sejam
conhecidas. Nesse sentido, para evitar um sistema acoplado de pressão velocidade
e temperatura, o termo da derivada da temperatura na Eq. (4.8) é avaliada em dois
instantes anteriores. Assim, o primeiro fator do segundo termo da direita na Eq. (4.8)
pode ser discretizado da seguinte forma:

1 1 1 1
N O O OO
GBj GBj GBj GBj GBj GBj
O O
GBj GBj GBj GBj
dP dT P P T T
P dt T dt P t T t
| | | | ÷ ÷
÷ = ÷
| |
| |
A A
\ . \ .
(4.10)
onde
OO
GBj
T é a temperatura da bolha alongada avaliado dois instantes anteriores em
relação ao instante atual.
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 76


A expressão em (4.10) e o esquema de integração em (4.1) é aplicado na Eq.
(4.8). Assim, obtém-se:

( ) ( )
1 1
* *
1
1 *
1
1 1
1 1
2 2
N O N O
LSj LSj LSj LSj DSj
N O O OO O
GBj GBj GBj GBj Sj Sj GBj
Bj GBj GSj GSj O O O
GBj GBj GBj
U U U U U
P P T T L L
L R R R
P t T t
o o o o
µ
µ
÷ ÷
÷
÷
÷
( ( + ÷ ÷ + ÷ = A +
¸ ¸ ¸ ¸
| | ( | | | | ÷ ÷
÷ + + | | | (
| | |
A A
(
\ . \ . ¸ ¸ \ .
(4.11)
Aplicando o esquema de integração da Eq. (4.1) na Eq. (4.9):

( ) ( )
* * * *
1 1
1
1 1
1
2
N O N O
GBj GBj GBj GBj
N O
LSj LSj Sj N O
LSj Sj LSj LSj LSj Sj
L
P P P P
U U L
R L f U U P
t D
o o o o
µ
+ +
+
( ( + ÷ ÷ + ÷ =
¸ ¸ ¸ ¸
÷
+ + A
A
(4.12)
Isolando os termos que estão avaliados nos tempos novos:

( )
1 *
1 1 1
1
1
1
1
1
1
2 2
1
1
2 2
O
Sj Sj GBj N N N O O
LSj LSj Bj GBj GSj GSj GBj LSj LSj O O
GBj GBj
O OO O
GBj GBj Sj Sj GBj DSj
Bj GBj GSj GSj O O
GBj GBj
L L
U U L R R R P U U
P t
T T L L U
L R R R
t T
µ o
o µ o
µ
o µ o
÷
÷ ÷ ÷
÷
÷
÷
÷
| |
÷
( ( ÷ ÷ + + = ÷
|
¸ ¸ ¸ ¸
|
A
\ .
| || | ÷ A
÷ + + + +
| |
| |
A
\ .\ .
(4.13)

( )
* *
1
* *
1 1
2
1
1
LSj Sj Sj N N O N
GBj GBj LSj LSj LSj
O
LSj O O
GBj GBj LSj Sj Sj
L
R L L
P P f U U
t D
U
P P R L P
t
o o
o
o o oµ
+
+ +
| |
( ÷ + + =
|
¸ ¸
A
\ .
÷
( ÷ + ÷ A
¸ ¸
A
(4.14)
As equações (4.13) e (4.14) estão expressas para uma célula genérica j e
devem ser escritas também para todas as células no interior da tubulação desde 1
até n em um sistema de 2n equações lineares. Dessa forma, um sistema de
equações é constituido; o qual deste ponto em diante será conhecido como sistema
pressão-velocidade. As condições de contorno para a solução desse sistema são a
velocidade na entrada e a pressão na saída.
Nesse contexto, pode-se construir o sistema a ser resolvido da seguinte forma:
A X B · = (4.15)
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 77


sendo A a matriz de coeficientes, X o vetor de incógnitas e B o vetor dos termos
independentes.
A expansão de cada um dos termos da Eq. (4.15) é apresentada na Eq. (4.16)
na forma matricial.

Capítulo 4 - Metodologia de Solução 78


1 0 1
1 1 1 0
1 0
1 1 1
1 1
1
1
1
1
1 0 0
2 2
1 2 0 0
1
0 0 1
2 2
0 0 1 2
O
S S GB
B GB GS GS O O
GB GB
O LS S S
LS LS
O
Sn Sn GBn
Bn GBn GSn GSn O O
GBn GBn
O LSn Sn Sn
LSn LSn
L L
L R R R
P t
R L L
f U
t D
A
L L
L R R R
P t
R L L
f U
t D
µ
o µ
o o
µ
o µ
o o
÷
÷
÷
| |
+ +
|
A
\ .

| |
÷ +
|
A
\ .
=
| |
+ +
|
A
\ .
| |
÷ +
|
A
\ . ¸

. . . .

(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸

( )
( )
1 1 1 0 1 1
0 0 1 1 1 1 0 *
1 1 0
*
* * 1 1
1 2 1 1 2
1
*
1
1
1
2 2
1
1
;
O OO O
N O O GB GB S S GB DS
LS LS LS B GB GS GS O O O
GB GB GB
N O
O O GB LS
GB GB LS S S
N
L LS
N
GBn
N
LSn
T T L L U
U U U L R R R
P t T
P U
P P R L P
t U
X B
P
U
o µ
o o µ o
o
o o oµ
÷ | || | ÷ A
( + ÷ ÷ + + + +
| |
¸ ¸
A
\ .\ .
÷ (
( ÷ + ÷ A +
(
¸ ¸
A
(
(
= =
(
(
(
¸ ¸
.
( )
( )
( )
( )
1 1
1
1 1 *
1
* * *
1 1 1
1
1
1
2 2
1
1
G
O OO O
O O GBn GBn Sn Sn GBn DSn
LSn LSn Bn GBn GSn GSn O O O
GBn GBn GBn
O
O O N LSn
GBn GBn LSn Sn Sn Gn n GBn
L
P I
T T L L U
U U L R R R
P t T
U
P P R L P P I P
t
o µ
o o µ o
o
o o oµ
÷
÷ ÷
÷
+ + +

A +A

÷ | || | ÷ A
( ÷ ÷ + + + +
| |
¸ ¸
A

\ .\ .
÷
( ÷ + ÷ A +A +A ÷
¸ ¸
A
¸
.
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(4.16)

Capítulo 4 - Metodologia de Solução 79


A matriz A, apresentada na Eq. (4.16), é tridiagonal, pois possui coeficientes
não nulos apenas na diagonal principal e nas duas diagonais secundárias. Sistemas
de equações desse tipo podem ser resolvidos facilmente através do método TDMA
(Tridiagonal Matrix Algorithm). O método TDMA fornece a solução exata do sistema
executando 4n operações sendo n o número de células unitárias no interior da
tubulação (Patankar, 1980). Esse sistema de equações será resolvido para cada
instante de tempo e fornecerá os valores no tempo atual das variáveis
N
LS
U e
N
GB
P . O
esquema de integração no tempo utilizado para o sistema pressão-velocidade é o
esquema de Crank-Nicholson, onde o = 0,5.

4.1.2 Discretização da equação da conservação da energia
As equações resultantes do balanço de energia são discretizadas considerando
que sua solução será encontrada depois que o sistema pressão-velocidade for
resolvido. Por causa disso, as velocidades e as pressões são conhecidas e os
coeficientes de transferência de calor podem ser calculados com parâmetros no
instante atual através da Eq. (3.92).
Segundo os estudos de vários autores (Kim e Ghajar, 2006, Deshpande et al,
1998), a transferência de calor no escoamento líquido-gás é influenciada
principalmente pela fase líquida. Assim, é construído um sistema de equações em
função da temperatura do líquido utilizando as equações (3.63) e (3.71). A
temperatura do gás é calculada depois que a temperatura do líquido for conhecida.
A variação da fração de líquido no pistão é desprezada de acordo com o
exposto na seção 4.1.1. A fração de líquido no filme também é considerada
constante. Além disso, como resultado dos primeiros testes, foi comprovado que a
variação espacial da temperatura no interior de uma célula não é pequena. Por
consequência, as temperaturas nas superfícies x e y são diferentes. Nesse cenário,
é utilizada a seguinte aproximação:

1
;
2 2
Lxj Lyj Lyj Lxj
LSj LBj
T T T T
T T
÷
+ +
= = (4.17)
Substituindo a Eq. (4.17) na Eq. (3.63) obtém-se:
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 80



2
2 2
Lxj Lyj G
Lxj Lyj
LSj LSj Sj wLSj L Lxj L Lyj
Sj Lxj Lyj Sj Lxj Lyj
L L LSj
T T
h S L T m C T m C T
dL T T L dT dT
AC R
dt dt dt
µ
- -
+ | |
÷ = ÷ +
|
\ .
+ ( | | | |
+ + +
( | |
\ . \ . ¸ ¸
(4.18)
Para a equação do filme líquido (3.71), a equação da conservação da energia é
expressa por:

1
1
1
1 1
2
2 2
Lyj Lxj G
Lyj Lxj
LBj LBj Bj wLBj L Lyj L Lxj
Bj Lyj Lxj Bj Lyj Lxj
L L LBj
T T
h S L T QI C m T C m T
dL T T L dT dT
AC R
dt dt dt
µ
- -
÷
÷
÷
÷ ÷
+ | |
÷ + = ÷ +
|
\ .
+ ( | | | |
+ + +
( | |
\ . \ . ¸ ¸
(4.19)
sendo QI o calor trocado na interface líquido-gás na região da bolha alongada igual
a h
ij
S
ij
L
Bj
(T
GBj
-T
LBj
).
Todas as variáveis, com exceção da temperatura, foram calculadas no sistema
pressão-velocidade, portanto, o esquema de integração na Eq. (4.1) para a equação
da conservação da energia é considerado como totalmente implícito o=1. Assim,
integrando numericamente as Eqs. (4.18) e (4.19), obtém-se:

2
2 2
N N
Lxj Lyj G N N
Lxj Lyj
LSj LSj Sj wLSj L Lxj L Lyj
N O N N N O N O
Sj Sj Lxj Lyj Sj Lxj Lxj Lyj Lyj
L L LSj
T T
h S L T m C T m C T
L L T T L T T T T
AC R
t t t
µ
- -
| | +
÷ = ÷ +
|
|
\ .
( | || | | | ÷ + ÷ ÷
+ + + ( | | |
| | |
A A A
(
\ .\ . \ . ¸ ¸
(4.20)

1
1
1
1 1
2
2 2
N N
Lyj Lxj G N N
Lyj Lxj
LBj LBj Bj wLBj L Lyj L Lxj
N O N N N O N O
Bj Bj Lxj Lyj Sj Lyj Lyj Lxj Lxj
L L LSj
T T
h S L T QI C m T C m T
L L T T L T T T T
AC R
t t t
µ
- -
÷
÷
÷
÷ ÷
| | +
÷ + = ÷ +
|
|
\ .
( | || | | | ÷ + ÷ ÷
+ + + ( | | |
| | |
A A A
(
\ .\ . \ . ¸ ¸
(4.21)
Como é observado nas Eqs. (4.20) e (4.21), as variáveis a serem calculadas
são as temperaturas do líquido nas superfícies de controle x
j
e y
j
. Então, o sistema
de equações deve ser construído em função dessas variáveis. As equações (4.20) e
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 81


(4.21) são arranjadas separando os termos novos dos antigos. A equação para o
filme é escrita primeiro por conveniência.
( )
( )
1 1
1
2
2 2 2 2
2
N O
G G
L L LBj Bj Bj
LBj LBj Bj L L LBj Bj LBj LBj Bj N N
Lxj L Lxj Lyj L Lyj
L L LBj Bj G O O
LBj LBj Bj wLSj Lxj Lyj
AC R L L
h S L AC R L h S L
m C T m C T
t t
AC R L
h S L T QI T T
t
µ
µ
µ
- -
÷ ÷
÷
( (
÷
( ( ÷ + + + + =
A A
( (
¸ ¸ ¸ ¸
= + + +
A
(4.22)
( )
( )
2
2 2 2 2
2
N O
G G
L L LSj Sj Sj
LSj LSj Sj L L LSj Sj LSj LSj Sj N N
Lyj L Lyj Lxj L Lxj
L L LSj Sj G O O
LSj LSj Sj wLSj Lyj Lxj
AC R L L
h S L AC R L h S L
m C T m C T
t t
AC R L
h S L T T T
t
µ
µ
µ
- - ( (
÷
( ( ÷ + + + + =
A A
( (
¸ ¸ ¸ ¸
= + +
A
(4.23)
Testes computacionais anteriores revelaram que o termo QI tem um valor muito
baixo e não influi significativamente na solução. Assim, esse termo pode ser
calculado em função dos parâmetros no instante anterior, para evitar um sistema de
equações que envolva a temperatura do gás no tempo atual:

1
2
O O
Lxj Lyj O
ij ij Bj GBj
T T
QI h S L T
÷
| | +
= ÷
|
|
\ .
(4.24)
Dessa forma é obtido um sistema de equações lineares com a forma C Y D · =
sendo C, a matriz de coeficientes, Y, a matriz de temperaturas e D, o vetor de termos
independentes.
Assim, é obtido um sistema de equações em função das temperaturas T
Lyj
e
T
Lxj
. Do mesmo modo que no sistema pressão-velocidade, nesse sistema existem
duas equações para cada célula unitária. Porém, somente precisa-se de uma
condição de contorno, que neste caso será a temperatura na entrada
0
N
Lx
T .
Os termos da matriz são apresentados na Eq. (4.25), sendo C, uma matriz com
coeficientes não nulos na diagonal principal e na diagonal secundária inferior. A
primeira linha da matriz em (4.25), que é a condição de contorno do problema, pode
ser resolvida por substituição direta. Assim, os outros valores são obtidos por uma
substituição sucessiva desde a linha 2 até a linha n. Esse sistema de equações será
resolvido para cada instante de tempo e fornecerá os valores no tempo atual das
variáveis
N
Lx
T e
N
Ly
T .
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 82


( )
( )
( )
1 1 1
1 1 1
1
1 1 1
1 1 1 1 1 1 1 1
1 1
2
0 0 0
2 2
2
0 0
2 2 2 2
2
0 0 0
2 2
2
0 0
N O
G
L L LB B B
LB LB B
Ly L
N O
G G
L L LS S S
LS LS S L L LS S LS LS S
Ly L Lx L
N O
G
L L LBn Bn Bn
LBn LBn Bn
Lyn L
L L LSn
AC R L L
h S L
m C
t
AC R L L
h S L AC R L h S L
m C m C
t t
C
AC R L L
h S L
m C
t
AC R
µ
µ
µ
µ
µ
-
- -
-
÷
+ +
A
÷
÷ + + +
A A
=
÷
+ +
A

. . . .

( )
2 2 2 2
N O
G G
Sn Sn
LSn LSn Sn L L LSn Bn LSn LSn Sn
Lyn L Lxn L
L L
h S L AC R L h S L
m C m C
t t
µ
- -
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
÷
(
÷ + + +
(
A A ¸ ¸

( )
( )
( )
( )
1 1 1 1 1
1 1 1
0 1 0 0
1
1 1 1
1 1 1 1 1
1
2 2
2 2 2
2
2
;
N O N O
G
L L LBj B B L L LB B B
G O O N LB LB B
LBj LBj Bj wLSj Lx Ly Lx L Lx
N
N O
Ly
L L LS S S
G O
N
LS LS S wLS Ly
Lx
N
Lyn
N
Lxn
AC R L L AC R L L
h S L
h S L T QI T T m C T
t t
T
AC R L L
h S L T T
T
t
Y D
T
T
µ µ
µ
- (
÷ ÷
( + + + ÷ ÷ +
A A
(
¸ ¸
(
÷
(
+ +
(
A
(
= =
(
(
(
¸ ¸
.
( )
( )
( )
( )
( )
1
1
2
2
2
2
O
Lx
N O
L L LBj Bn Bn
G O O
LBj LBj Bj wLSj Lxn Lyn
N O
L L LSn Sn Sn
G O O
LSn LSn Sn wLSn Lyn Lxn
T
AC R L L
h S L T QI T T
t
AC R L L
h S L T T T
t
µ
µ
÷
(
(
(
(
(
(
(
(
(
÷
(
+ + +
(
A
(
(
÷
( + +
A ¸ ¸
.
(4.25)
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 83


A temperatura da bolha alongada de gás pode ser calculada uma vez que as
temperaturas do líquido sejam conhecidas. Neste caso é utilizada a Eq. (3.76),
reescrita aqui, lembrando as hipóteses anteriores (fração de vazio e comprimento de
bolha constantes no tempo):

( ) 1
1
G
Gyj Gxj
GBj GBj Bj wGBj GBj G Gyj G Gxj
Bj Bj GBj GBj
G GBj GBj GBj GBj GBj GBj Bj
GBj
h S L T T QI Cp m T Cp m T
dL L d dT
Cv A T R T R R L
dt dt dt
µ
µ
µ
- -
÷
÷
÷ ÷ = ÷
| |
+ +
|
|
\ .
(4.26)
Considerando que as temperaturas nas superfícies de controle são as mesmas
que no líquido, a equação também é discretizada utilizando o esquema totalmente
implícito.

( ) 1
1
G N N N
Gyj Gxj
GBj GBj Bj wGBj GBj G Lyj G Lxj
N O N O
Bj Bj GBj GBj GBj N N
G GBj GBj GBj GBj Bj Bj GBj
h S L T T QI Cp m T Cp m T
L L d T T
Cv AR T T L L
t dt t
µ
µ µ
- -
÷
÷
÷ ÷ = ÷ +
| | ÷ ÷
+ + +
|
|
A A
\ .
(4.27)
Rearranjando a Eq. (4.27), a expressão para a temperatura do gás é dada por:

( )
( )
1
1
2
1
2
O
GBj G N N N O
Gyj Gxj
GBj GBj Bj wGBj G Lyj Lxj G GBj Bj Bj GBj
N
GBj
GBj G N O
GBj GBj Bj G GBj Bj Bj GBj
T
h S L T QI Cp m T m T Cv AR L L
t
T
d
h S L Cv AR L L
t dt
µ
µ
µ
- -
÷
÷
| |
(
÷ ÷ ÷ + ÷
|
( |
A
¸ ¸
\ .
=
| |
+ ÷ +
|
A
\ .
(4.28)
Finalmente, as equações para as temperaturas nas paredes externas na Eq.
(3.77) são calculadas antes de começar o cálculo do sistema de temperaturas em
função das temperaturas no instante antigo. Rearranjando a Eq. (3.77) tem-se:

( )
''
G e
Fj wFj Fj
D
q h D T T
D
= ÷ (4.29)
Aplicando a Eq. (4.29) a cada um dos componentes da célula unitária e
considerando as aproximações na Eq. (4.17), as temperaturas nas paredes podem
ser calculadas através das seguintes expressões:
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 84



1
''
2
O O
Lyj Lxj
wLBj
G
LBj
T T
q
T
h
÷
+
= + (4.30)

''
2
O O
Lxj Lyj
wLSj
G
LSj
T T
q
T
h
+
= + (4.31)

''
O
wGBj GBj
G
GBj
q
T T
h
= + (4.32)

4.1.3 Discretização das equações auxiliares
As equações auxiliares são utilizadas para calcular parâmetros que não foram
encontrados no sistema pressão-velocidade. Sua solução é encontrada após o
cálculo de
N
LS
U e
N
GB
P mas, antes do cálculo das temperaturas
N
Lx
T e
N
Ly
T . Têm-se
duas equações auxiliares que correspondem às velocidades das fronteiras do
volume de controle, as quais foram apresentadas no capítulo anterior e são
reescritas aqui por conveniência:

j
Tj
dy
U
dt
= (4.33)

( ) ( )
( )
1 1
1 1
1
1
1 1
1
1
1 1
2 2
1
2 2
LBj Sj LSj Sj LSj
Bj LSj GSj LSj GSj
j
LSj LBj
GBj Sj GSj Sj GSj GBj j
Bj GBj LSj LBj
GBj GBj
LSj LBj
dR L dR L dR
L R U R U
dx
dt dt dt
dt R R
d L R L R dy
L R R R
dt dt
R R
µ µ
µ µ
÷ ÷
÷ ÷
÷
÷
÷ ÷
÷
÷
÷ ÷ ÷ + ÷ ÷ ÷
=
÷
| |
+ + + ÷
|
|
\ .
+
÷
(4.34)
A discretização das equações (4.33) e (4.34) dá como resultado expressões
para as posições no tempo atual das superfícies de controle. Para a frente da bolha
j, obtém-se:

N O N
j j Tj
y y U t = + A (4.35)
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 85


No caso da traseira da bolha, os termos da variação das frações de líquido e
gás no tempo são desprezados. Dessa forma, é obtida a seguinte expressão para a
posição da traseira da bolha:

( ) ( ) ( )
1 1
1 1
1
* *
1 1
1
1 1
2 2
N
LSj LBj Tj LSj GSj LSj GSj
N O
j j
LSj LBj
N O O OO O O
GBj GBj GBj GBj Sj GSj Sj GSj O
Bj GBj O O
GBj GBj
LSj LBj
R R U t R U R U t
x x
R R
P P T T L R L R
L R
P T
R R
÷ ÷
÷ ÷
÷
÷ ÷
÷
(
÷ A + ÷ ÷ ÷ A
¸ ¸
= +
÷
| || | ÷ ÷
÷ + +
| |
| |
\ . \ .
+
÷
(4.36)
As equações finais apresentadas nas seções 4.1.1, 0 e 4.1.3 estão linearizadas
e prontas para ser implementadas em um algoritmo de solução. Porém, essas
equações não são suficientes para resolver o problema. Sendo o escoamento em
golfadas um fenômeno em regime transitório, é necessário definir condições iniciais
e condições na entrada. Por exemplo, na Eq. (4.16) é necessário conhecer alguns
parâmetros na entrada como a velocidade U
LS0
, os comprimentos L
B1
e L
S1
e as
frações volumétricas R
LS1
e R
GB1
.
Esses parâmetros não podem ser definidos arbitrariamente, portanto devem
ser estimados através de alguma metodologia. Assim, para iniciar a simulação, o
modelo de seguimento de pistões requer uma sequência de células unitárias, que
serão inseridas na tubulação e propagadas ao longo dela através das equações da
modelagem. A metodologia para gerar essas células unitárias e os mecanismos para
a entrada e saída de bolhas são apresentados em detalhe no capítulo 5.
A seguir, o algoritmo para a solução do modelo de seguimento de pistões é
apresentado de forma geral.

4.2 Algoritmo de solução

Nesta seção será apresentado o procedimento de cálculo a ser implementado
no programa computacional. Primeiro serão definidos os dados de entrada do
modelo. Em seguida, será explicada cada uma das etapas da simulação: seu início,
desenvolvimento e fim. Processos específicos como a entrada e saída de bolhas e
as condições iniciais serão apresentados de forma detalhada no capítulo 5, mas
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 86


serão mencionados superficialmente nesta seção. O diagrama de fluxo do algoritmo
pode ser observado na Figura 4-1.

4.2.1 Dados de entrada
Para iniciar uma simulação, alguns dados de entrada devem ser conhecidos.
Assim, parâmetros hidrodinâmicos, parâmetros térmicos, geometria do duto e
propriedades dos fluidos devem ser fornecidos ao programa. São eles:

- Parâmetros hidrodinâmicos: velocidade superficial do líquido e do gás,
pressão na saída da tubulação, frequência da passagem da célula unitária.
- Parâmetros térmicos: temperatura na entrada. No caso da condição de
temperatura externa constante: temperatura externa e coeficiente de
transferência de calor externo. No caso de fluxo de calor constante, o fluxo na
parede.
- Configuração do duto: diâmetro interno, diâmetro externo, comprimento total,
massa específica, calor específico e condutividade térmica do material do duto.
- Propriedades dos fluidos: viscosidade, condutividade térmica, calor específico
a pressão e volume constante. Todas estas propriedades variam com a
temperatura, portanto devem ser definidas como funções q = q(T).

4.2.2 Início da simulação
A simulação inicia com a geração da célula unitária na entrada, a qual é obtida
a partir das velocidades superficiais e da frequência (Ver capítulo 5). Essa célula
unitária possui informação de velocidade superficial (j
G
e j
L
), comprimentos de bolha
e pistão (L
B
, L
S
), frações volumétricas (R
LS
e R
GB
) e temperaturas na entrada (T
LS
, T
LB

e T
GB
).
O modelo de seguimento de pistões permite dois tipos de condições na
entrada: condição periódica e condição intermitente. Na condição periódica todas as
células unitárias na entrada são iguais e seus parâmetros são calculados com
modelo estacionário. Na condição intermitente, as células unitárias respondem a
uma distribuição de frequência. Porém, devido à falta de dados na literatura sobre
intermitência na transferência de calor, no presente trabalho será abordada somente
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 87


a condição periódica. Assim, colocam-se os parâmetros das células em uma lista
onde cada linha representa uma célula unitária.
Uma vez geradas as células unitárias na entrada, o programa captura as duas
primeiras células da lista e as insere no domínio de cálculo. A simulação começa
com o nariz da primeira bolha na posição z=0. Nesse momento, o sistema pressão-
velocidade é resolvido para uma célula unitária. Um instante de tempo depois, a
frente da bolha está deslocada para frente em uma posição z>0. Mais detalhes sobre
a entrada de células unitárias na tubulação são apresentados no Capítulo 5.

4.2.3 Desenvolvimento da simulação
Uma vez que a tubulação tenha pelo menos três bolhas no seu interior, é
verificada a existência de coalescência dentro do domínio de cálculo. A seguir, é
calculada a matriz do sistema pressão-velocidade e encontram-se os parâmetros
N
LS
U e
N
GB
P para o instante novo. Uma vez calculadas as pressões e velocidades, são
avaliados os parâmetros auxiliares (comprimentos da bolha e do pistão e as
velocidades de deslocamento das superfícies de controle). Posteriormente, o
sistema de equações para as temperaturas é resolvido. A partir dos resultados do
sistema de equações de energia, pode-se obter a temperatura da mistura de acordo
com a modelagem apresentada anteriormente. Tendo já as três variáveis (pressão,
velocidade e temperatura) calculadas, as propriedades físicas dos fluidos são
calculadas com as pressões e temperaturas no tempo atual.
Em cada instante de tempo é verificada a entrada ou saída de células através
de sub-rotinas específicas. Os dados são salvos seguindo o conceito das sondas
virtuais, apresentadas na próxima seção. Em seguida, incrementa-se um passo de
tempo At e os dados são atualizados fixando os parâmetros no tempo novo como
parâmetros no tempo antigo. O processo é repetido até cumprir o critério de
finalização de simulação.

Capítulo 4 - Metodologia de Solução 88


Início
Cálculo da
sequência de
Dados de Entrada
Cálculo das
Condições Iniciais
Cálculo dos termos da
matriz e solução do
sistema pressão-
velocidade.
Cálculo dos termos da
matriz e solução do
sistema de temperaturas
Cálculo dos parâmetros
auxiliares
Verificar Coalescência
Renumeração
das células
Verificar saída de bolha
Verificar entrada
de bolha
n = n - 1
Cálculo das propriedades da
célula 0
Passagem pelas sondas
virtuais
Atualização das
variáveis N O
Número de bolhas que
saíram é igual ao
especificado?
Salva
resultados
Fim
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Não
Não
t = t + t
Atualização das propriedades

Figura 4-1 – Algoritmo da simulação

Capítulo 4 - Metodologia de Solução 89


4.2.4 Fim da simulação
Como o modelo encontra-se em regime transitório, um critério deve ser
estabelecido para indicar o final da simulação. Nesse cenário, duas formas de
finalizar as simulações são propostas:
- Fixar um tempo de simulação.
- Fixar um número de bolhas saindo da tubulação.
Dentre esses dois métodos, o segundo é escolhido já que garante que a
tubulação esteja cheia de bolhas quando a simulação acaba. Quando a simulação
termina, os dados armazenados nas sondas virtuais são salvos em arquivos e o
programa é finalizado.

4.3 Sondas virtuais

As sondas virtuais são pontos de monitoramento das variáveis ao longo da
tubulação. O modelo apresentado permite utilizar vários tipos de sonda virtual: a
sonda euleriana, a sonda lagrangeana e a sonda de fotografia.

4.3.1 Sonda euleriana
As sondas eulerianas são pontos estáticos de controle ao longo da tubulação
que capturam informação sobre a célula unitária que está passando. No programa
foram implementadas oito sondas em diferentes pontos do duto. Assim, cada sonda
monitora as variáveis da célula unitária que está passando por esse ponto.
As sondas começam a salvar os dados quando a primeira bolha sai da
tubulação. Assim, uma linha de dados é salva para cada célula unitária que passa
pela sonda.
Dessa forma podem ser obtidos valores médios no tempo para cada ponto da
tubulação, bem como as funções densidade de probabilidade (PDF) que mostram as
distribuições estatísticas das variáveis.

4.3.2 Sonda lagrangeana
A natureza lagrangeana do método de seguimento de pistões permite
monitorar as variáveis através do acompanhamento de uma célula unitária. Uma
Capítulo 4 - Metodologia de Solução 90


sonda lagrangeana acompanha uma determinada célula unitária definida pelo
usuário em toda sua passagem pelo duto. Os dados são salvos para cada instante
de tempo permitindo estudar as oscilações típicas do escoamento intermitente.

4.3.3 Sonda de fotografia
Neste tipo de sonda, os dados de todas as células unitárias no instante t
foto
são
salvos. Assim, pode-se conhecer a variação espacial dos parâmetros em um
determinado instante de tempo, como se fosse uma fotografia tirada nesse
momento.

4.4 Considerações gerais da solução numérica

O diferencial de tempo a ser utilizado nas simulações é de At = 0,001 s. Esse
valor já foi utilizado por Rodrigues (2009) no seu modelo hidrodinâmico. Testes
realizados com o modelo de transferência de calor implementado evidenciaram que
um refinamento desse passo de tempo não forneçe um ganho significativo nos
resultados hidrodinâmicos e da transferência de calor.
Por outro lado, o critério de parada da simulação foi determinado testando
quantas bolhas saindo da tubulação são necessárias para que as médias em uma
determinada estação de medição (sonda euleriana) não variem. Após testes, foi
verificado que a saída de 200 bolhas fornece valores estáveis nas médias.
Em relação às sondas de medição eulerianas (seção 4.3.1), os valores médios
começam a ser salvos a partir da saída de 10 bolhas. Isto com o objetivo de evitar
efeitos indesejáveis do início da simulação e obter médias estáveis para as
velocidades, pressões e temperaturas. Com esse mesmo critério, determinou-se que
a sonda lagrangeana (seção 4.3.3) seja colocada na célula unitária número 120.

Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 91


5 CONDIÇÕES INICIAIS, DE ENTRADA E DE SAÍDA

No capítulo anterior foi apresentada a metodologia para resolver o modelo de
seguimento de pistões com transferência de calor. Devido à natureza transiente do
modelo, condições iniciais e condições de entrada e saída devem ser estabelecidas.
No presente capítulo, essas condições são discutidas em detalhe, pois constituem
as condições de contorno das equações diferenciais apresentadas na modelagem
matemática. Além disso, também é apresentada a descrição detalhada de processos
específicos como a entrada e saída de bolhas.

5.1 Condições iniciais

Para iniciar o cálculo dos parâmetros através das equações discretizadas, é
necessário conhecer o valor destes parâmetros no instante inicial (t = 0). Uma opção
é assumir que inicialmente um número de células unitárias encontra-se no interior da
tubulação. Caso a tubulação estivesse cheia de bolhas e pistões no instante inicial,
seria necessário conhecer as velocidades, pressões e temperaturas para todos eles
antes de iniciar a simulação.
Nesse cenário, Rodrigues (2009) propõe que a simulação comece com uma
tubulação cheia de líquido com um nariz de bolha na coordenada z=0 no instante
t=0, como observado na Figura 5-1. Assim, tem-se uma célula unitária em toda a
tubulação no instante inicial, onde existe um pistão do tamanho da tubulação e uma
bolha prestes a ingressar com seu nariz encostado na entrada do duto. Fisicamente,
a hipótese de Rodrigues (2009) representa um escoamento monofásico de líquido
onde subitamente é injetada uma determinada vazão de gás. A condição inicial é
descrita graficamente na Figura 5-1.

Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 92



Figura 5-1 – Representação gráfica da condição inicial na simulação.

No instante inicial, existem três células unitárias chamadas célula 0, célula 1 e
célula 2 como observado na Figura 5-1. A célula 2 fisicamente não existe e sua
definição é dada somente para introduzir a condição de contorno de pressão
conhecida na saída
* *
2 2
N O
GB GB
P P cte = = . A célula 1 tem o nariz de sua bolha alongada
encostado na posição z = 0 e um pistão do tamanho do duto (L
S1
= L). A velocidade
deste pistão é calculada a partir da velocidade de mistura e a pressão a partir da
equação de escoamento monofásico. Assim, tem-se:

( )
1
1 1
1
1
LS O
LS DS
LS
R
U J U
R
÷
= ÷ (5.1)

( )
2
* *
1 1 1
2
N O
GB atm LS LS
L
P P f U
D
= + (5.2)
A célula 0 não se encontra no domínio de cálculo do sistema pressão-
velocidade e seus parâmetros são calculados através das seguintes relações:

( )
0
0 0
0
1
LS O
LS DS
LS
R
U J U
R
÷
= ÷ (5.3)

( )
2
* * * 0
0 0 1 0 0
2
O N N O S
GB GB GB LS LS
L
P P P f U
D
= = + (5.4)
No caso das temperaturas, no instante inicial é necessário conhecer as
temperaturas T
Lx1
e T
Ly1
. Neste caso, como a simulação inicia com o nariz da bolha
encostado em z = 0, T
Ly1
será igual à temperatura na entrada.

1
N
Ly en
T T = (5.5)
Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 93


A temperatura T
Lx1
será calculada com equações do escoamento monofásico
de líquido, sendo diferente para fluxo de calor ou temperatura constante.
No caso de fluxo de calor constante, tem-se:

1
''
N
Lx en
L L
q D
T T L
m C
t
-
= + (5.6)
sendo
L L L
m j Aµ
-
= a vazão mássica de líquido.
No caso de temperatura externa constante, tem-se:
( )
1
1 0 0
exp
N x
Lx en
L L
h D
T T T T L
m C
t
-
| |
|
= ÷ ÷ ÷
|
\ .
(5.7)
onde
1
G
x
h é calculado:

1
0
1
1
1
ln
2
G
x
e
c e x
h
D D D
h
k D D h
=
+ +
(5.8)
O coeficiente
1 x
h é calculado com a correlação (2.24) utilizando o número de Prandtl
do líquido e o número de Reynolds calculado com a velocidade
0
O
LS
U .
Dessa forma, as condições iniciais estão completamente definidas. O último
detalhe é calcular as propriedades da célula unitária como L
B
, L
S
, R
LS
e R
GB
na
entrada, a fim de avaliar os valores de U
LS0
e P
GB0
.

5.2 Modelo estacionário para geração da célula unitária na entrada

Para iniciar a simulação o modelo de seguimento de pistões proposto requer
que todas as propriedades da célula unitária na entrada sejam conhecidas. Nota-se
que as Eqs. (5.1) até (5.4) dependem dos parâmetros U
LS0
, L
S
, L
B
, R
LS
e R
GB
, que são
parâmetros da célula na entrada. Além disso, sabe-se que a velocidade U
LS0
é
utilizada como condição de contorno do sistema pressão-velocidade. Dessa forma,
as células unitárias na entrada devem ser conhecidas para todo instante de tempo.
Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 94


Nesse cenário, o modelo de seguimento de pistões permite duas condições de
entrada: a condição periódica e a condição intermitente. Na condição periódica,
todas as células unitárias na entrada são iguais. Na condição intermitente, as células
unitárias respondem a um comportamento aleatório. No presente trabalho, será
abordada somente a condição periódica, já que não existem dados na literatura para
validar a intermitência no escoamento em golfadas com transferência de calor.
A seguir, é apresentada a metodologia para calcular os parâmetros
hidrodinâmicos e da transferência de calor na célula unitária na entrada. Os dados
hidrodinâmicos são calculados a partir do modelo de Taitel e Barnea (1990a) e os
dados da transferência de calor são obtidos através de equações do escoamento
monofásico.

5.2.1 Dados hidrodinâmicos
O modelo estacionário está baseado no modelo de Taitel e Barnea (1990a). As
equações governantes são encontradas a partir do balanço de massa e quantidade
de movimento na célula unitária, considerando a geometria da bolha alongada.
Os dados de entrada para o modelo estacionário são: as velocidades
superficiais j
L
e j
G
, a frequência de passagem de uma célula unitária freq e as
propriedades dos fluidos avaliadas na temperatura de entrada µ, µ. As relações
básicas derivadas do balanço de massa na célula unitária, mostrada na Figura 5-2,
são os seguintes:
( ) 1
LS LS GS LS
J U R U R = + ÷ (5.9)
( )
LS
LB T T LS
LB
R
U U U U
R
= ÷ ÷ (5.10)
( )
( ) 1
LS
GB T T GS
GB
R
U U U U
R
÷
= ÷ ÷ (5.11)
Para calcular a velocidade das bolhas de gás dispersas no pistão U
GS
é
utilizada a equação (2.35). A fração de líquido no pistão R
LS
é obtida de uma das
correlações apresentadas na seção 2.5.3. Como sugestão é proposta a Eq. (2.40). A
Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 95


velocidade de translação da bolha pode ser calculada através da correlação
apresentada na Eq. (2.34) utilizando os coeficientes da Tabela 2-3.


Figura 5-2 – Modelo de bolha de Taitel e Barnea (1990a)

Para encontrar o comprimento da bolha é utilizado um balanço da quantidade
de movimento no filme, conhecido como o modelo de bolha de Taitel e Barnea
(1990a). O resultado deste balanço aplicado a um duto horizontal é apresentado na
Eq. (5.12).

( )
( ) ( )( )
( )
*
2 2
1 1
1
1
GB LB
LB GB i i
LB GB LB GB
LB
T LS LS T GS LS LB LB
L G L LB G GB
LB LB LB
LB
S S
S
A A A A
dH
U U R U U R dz dR dR
g V V
R dH dH
R
t t t
µ µ µ µ
| |
÷ ÷ +
|
\ .
=
÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷
÷
(5.12)
onde V
LB
=U
T
- U
LB
, V
GB
=U
T
- U
GB
, H
LB
é a altura de filme. A Eq. (5.12) representa o
perfil geométrico da bolha alongada, sendo dH
LB
/dz a variação da altura de filme ao
longo do comprimento da bolha mostrado na Figura 5-2. Todos os parâmetros da
Eq. (5.12) podem ser calculados a partir das correlações e das relações geométricas
apresentadas na seção 2.4.1.
A integração da Eq. (5.12) tem como resultado o perfil geométrico da bolha.
Porém, é necessário um critério de parada, caso contrário resultaria em um
comprimento de bolha infinito. Esse critério de parada é dado pelo balanço de
líquido na célula unitária:
( )
0
1
B
L
B T
L LS LS T LS GB
B S B S
L U
j U R U R R dz
L L L L
= + ÷ ÷
+ +
}
(5.13)
Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 96


Assim, como a frequência é conhecida freq = U
T
/(L
S
+L
B
), a equação (5.12) deve
ser integrada até a expressão em (5.13) ser satisfeita. Uma vez conhecido o
comprimento da bolha, pode-se calcular o comprimento do pistão através da fórmula
de frequência:

T
S B
U
L L
freq
= ÷ (5.14)
Finalmente, a fração de vazio média é calculada através da integração:

0
1
B
L
GB GB
B
R R dz
L
=
}
(5.15)
A sequência de integração numérica da Eq. (5.12) é apresentada na Figura
5-3. A fim de resumir a metodologia proposta, apresenta-se um algoritmo para o
cálculo dos parâmetros iniciais da célula unitária:

1. Avaliar U
GS
, U
T
, R
LS
através de correlações e U
LS
a partir da Eq. (5.9).
2. Assumir um H
LB
inicial H
LB
(z
*
=0) = H
LB1
e calcular seu respectivo R
LB1
. O H
LB0

pode ser considerado igual ao diâmetro do duto, mas testes mostraram que
um melhor valor é H
LB0
= 0,9D.
3. Calcular todos os parâmetros necessários para calcular o lado direito da Eq.
(5.12) utilizando as Eqs. (5.10) e (5.11), e as relações geométricas na seção
2.4.1. Calcular a derivada dH
LB
/dz
*
.
4. Integra-se numericamente a equação (5.12), assumindo um AH
LB
= 0,001D.
Calcular a nova posição de z
*
, z
*
n
= z
*
n-1
+ AH
LB
/( dH
LB
/dz
*
). Observa-se a
sequência de integração na Figura 5-3.
5. Calcular a integral de R
GB
e
GB
R com a Eq. (5.15) e avaliar a satisfação da Eq.
(5.13). Se a Eq. (5.13) for satisfeita, a posição de z
*
= L
B
. Caso contrário,
continuar integrando a Eq. (5.12) repetindo os passos 3, 4 e 5 atualizando o
valor da altura do filme H
LBn+1
= H
LBn
÷ AH
LB.

6. Calcular L
S
através de (5.14)

Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 97



Figura 5-3 – Sequência de integração do modelo de bolha.

Assim, através dos parâmetros da célula unitária de entrada que serão
fornecidos ao modelo de seguimento de pistões são: j
L
, j
G
, L
B
, L
S
, R
GB
e R
LS
. Vale
ressaltar que a variável
GB
R da célula unitária torna-se simplesmente R
GB
no modelo
de seguimento de pistões.

5.2.2 Dados de transferência de calor
As temperaturas das células de entrada também devem ser estabelecidas
como mostrado na Figura 5-4. Segundo a disposição geométrica de uma célula na
entrada, a superfície x da primeira célula sempre estará na posição z = 0. Então:

0 Lx en
T T = (5.16)
Por outro lado, a temperatura da superfície y da primeira célula encontra-se
fora da tubulação no momento da entrada, e sua temperatura deve ser calculada
através de uma extrapolação. Nesse caso, a temperatura é modelada como se fosse
um escoamento monofásico de líquido com vazão
L L L
m Aj µ
-
= . Para escoamento
unidimensional, existem expressões analíticas (Bejan, 1995) que descrevem a
temperatura média na seção transversal para qualquer posição no duto. Essas
expressões dependem da condição térmica, sendo para o caso de temperatura
externa constante dada pela Eq. (5.17):
( )
0
0 0 0 0
exp
G
Ly
Ly en S
L L
h D
T T T T L
m C
t
-
| |
|
= ÷ ÷
|
\ .
(5.17)
Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 98


onde T
0
é a temperatura do meio externo e
0
G
Ly
h é calculado de forma análoga à
expressão (5.8).
Por outro lado, no caso da condição de fluxo de calor constante, a expressão é
dada pela Eq. (5.18):

0 0
''
Ly en S
L L
q D
T T L
m C
t
-
= ÷ (5.18)
A temperatura da bolha de gás é fixada como a temperatura da superfície y já
que no momento da entrada da célula unitária, a bolha encontra-se fora do duto.

0 0 GB Ly
T T = (5.19)
As temperaturas das paredes são encontradas assumindo que todo o fluxo de
calor fornecido na parede do duto é transferido aos fluidos, utilizando as expressões
do escoamento monofásico (Incropera et al, 2008). Para fluxo de calor constante na
parede, tem-se:
( )
0 0
''
G
F wF F
q h T T = ÷ (5.20)
No caso de temperatura externa constante, tem-se:
( ) ( )
0 0 0 0 0 0
G
F wF F F F
h T T h T T ÷ = ÷ (5.21)
Assim, as temperaturas de entrada nas paredes podem ser calculadas através
das expressões mostradas na Tabela 5-1. As posições onde as temperaturas são
avaliadas são mostradas na Figura 5-4.


Figura 5-4 – Temperaturas da célula unitária da entrada.
Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 99


Tabela 5-1 – Expressões para o cálculo de temperatura de entrada nas paredes.

Fluxo de calor
constante
Temperatura Externa Constante
Pistão líquido
0 0
0
0
''
2
Lx Ly
wLS
G
LS
T T
q
T
h
+ | |
= +
|
\ .
0 0 0 0
0 0
2 2
G
Lx Ly Lx Ly
LS
wLS
LS e
T T T T
h D
T T
h D
+ + | | | |
= ÷ ÷
| |
\ . \ .
Filme líquido
0 0
0
''
wLB Ly
G
LB
q
T T
h
= +
( )
0 0 0 0
G
LB
wLB Ly Ly
LB e
h D
T T T T
h D
= ÷ ÷
Bolha
alongada
0 0
0
''
wLB GB
G
GB
q
T T
h
= +
( )
0 0 0 0
G
GB
wGB GB GB
GB e
h D
T T T T
h D
= ÷ ÷

5.3 Processo de entrada de células unitárias no domínio de cálculo

Nesta seção é apresentado o processo para inserir no domínio de cálculo as
células unitárias geradas na seção anterior. Uma vez que a sequência de dados é
gerada segundo a metodologia apresentada na seção 5.2, os dados são salvos em
um arquivo, onde cada linha tem dados de j
L
, j
G
, L
B
, L
S
, R
GB
e R
LS
. Esse arquivo será
lido linha por linha pelo programa Slug quando a simulação começa. Sendo o
escoamento periódico na entrada, todas as linhas desse arquivo são iguais.
Quando a simulação começa (t=0), duas células unitárias são requeridas da
lista gerada. A primeira célula tem o nariz de sua bolha na posição z = 0 e a segunda
encontra-se atrás dela. Um passo de tempo depois, os parâmetros da primeira célula
unitária são atualizados através da solução do sistema pressão-velocidade. Passos
de tempo são acrescentados e sistemas são calculados até que a primeira célula
esteja completamente dentro do duto. Nesse instante, a segunda célula começa a
entrar no duto e uma terceira célula unitária da sequência de dados é requerida.
Essa terceira célula unitária é posicionada atrás da segunda e o sistema pressão
velocidade é resolvido com a primeira e segunda célula já no interior do duto. O
processo é repetido para todas as células unitárias que ingressam no duto.

Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 100



Figura 5-5 – Processo de entrada de bolhas na tubulação.

Na Figura 5-5 é apresentado o processo de entrada de bolhas na tubulação.
Supondo que em algum instante t = t
n
, o nariz de uma bolha esteja encostado na
posição z = 0. Nesse instante, essa bolha e seu respectivo pistão têm a numeração
1. A bolha e o pistão 0 encontram-se atrás deles. No instante t = t
n+1
, a bolha
encontra-se entrando na tubulação e a numeração do instante anterior é mantida.
No instante t = t
n+2
a bolha 1 encontra-se completamente na tubulação e o pistão 0
começa a entrar. Nesse instante, uma nova célula unitária é requerida da lista de
entrada, o qual é mostrado como uma bolha com linhas tracejadas. Assim, o sistema
é renumerado: o novo pistão (e bolha) passa a ser pistão 0 (ou bolha 0), o pistão
que encontra-se entrando na tubulação passa a ser pistão 1, e assim todos os
índices são acrescentados em 1. No instante t = t
n+3
acontece a situação do instante
t = t
n
. E assim sucessivamente, até a entrada de todas as bolhas. Note-se que a
numeração somente muda quando um novo pistão ingressa no duto.



Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 101


5.4 Processo de saída de células unitárias

A célula unitária n sai do domínio de cálculo quando a frente da sua bolha toca
a posição z = L. Nesse instante, a pressão dessa bolha é a pressão de saída.
Enquanto a bolha n está saindo, o programa resolve os sistemas pressão-velocidade
com n – 1 células unitárias e a célula n é eliminada.


Figura 5-6 – Processo de saída de bolhas da tubulação.

O processo de saída de bolhas é ilustrado na Figura 5-6. Em um instante de
tempo, a bolha n tem seu nariz exatamente na posição z = L. Nesse instante, a
pressão dessa bolha é igual à pressão da saída imposta como condição de
Capítulo 5 - Condições iniciais, de entrada e de saída 102


contorno. A partir desse instante, o sistema pressão-velocidade é resolvido apenas
desde a célula 1 até a célula n-1.
Se a célula n sai do domínio de cálculo, a velocidade da frente dy
n
/dt e a
traseira, dx
n-1
/dt, da bolha não são calculadas. Nesse caso, é imposto que a
velocidade da traseira da bolha n, dx
n-1
/dt, e da frente da bolha n-1, dy
n-1
/dt, sejam
iguais, ocasionando que o comprimento de pistão L
Sn
seja constante.
No instante t = t
n+1
, a bolha está passando pela saída, sendo resolvidos n-1
sistemas de equações, mantendo constante o comprimento do pistão. No instante t
= t
n+2
, a bolha inteira passou e a interface x
j-1
está na posição z = L. Nesse mesmo
instante a bolha n é eliminada e o sistema inteiro é renumerado: a antiga célula n-1
torna-se a nova célula n, como observado no instante t = t’
n+2
. Da mesma forma para
as outras células.
No instante t = t
n+3
, o pistão encontra-se saindo da tubulação. Nesse cenário o
pistão mantém um comprimento constante, estendendo o comprimento do duto, até
o pistão sair completamente. Quando o pistão acaba de sair, o nariz da seguinte
bolha encontra-se na posição z = L e o processo explicado para o instante t = t
n
é
repetido.
O sistema de equações para as temperaturas também utiliza o mesmo número
de equações que o sistema pressão-velocidade. Porém, não é necessário fazer
ajustes em relação à temperatura já que a temperatura na saída não é uma
condição de contorno.

Capítulo 6 - Resultados 103

6 RESULTADOS

Neste capítulo são apresentados os resultados obtidos da simulação do
escoamento em golfadas com transferência de calor em um duto horizontal. Deve-se
mencionar que a hidrodinâmica do escoamento em golfadas utilizando o método de
seguimento de pistões já foi estudado amplamente por Pachas (2011) e Rodrigues
(2009). O escopo do presente trabalho é estudar a transferência de calor, portanto
não será abordada a parte hidrodinâmica neste capítulo de resultados.
O modelo de transferência de calor é validado através da comparação dos
resultados médios obtidos da simulação com dados e correlações encontrados na
literatura. Após a validação do modelo, são mostrados os resultados das simulações
transientes com diferentes condições térmicas para escoamento periódico utilizando
os dados hidrodinâmicos fornecidos pelo 2PFG/FEM/UNICAMP. Depois, é realizada
uma análise da influência dos parâmetros do escoamento em golfadas sobre a
transferência de calor. Finalmente, é mostrada e discutida a influência da
temperatura nos parâmetros hidrodinâmicos.

6.1 Validação do modelo

Os dados disponíveis na literatura sobre escoamento em golfadas com
transferência de calor são muito limitados: ou fornecem temperatura ou os
parâmetros hidrodinâmicos, sendo difícil encontrar uma fonte com informação
completa. Nesse cenário, a validação do modelo é realizada de duas formas:
- Redução do modelo para casos com solução conhecida.
- Comparação dos resultados médios com dados da literatura.
Na redução para casos com solução conhecida, utiliza-se a solução analítica
do escoamento monofásico e um modelo estacionário. No caso de dados da
literatura, serão utilizados dados experimentais de temperatura e correlações para o
coeficiente de transferência de calor h

propostos por outros autores.


Por conveniência, deste ponto em diante o coeficiente médio de transferência de calor h será denominado
simplesmente por h.
Capítulo 6 - Resultados 104


6.1.1 Validação com escoamento monofásico
O modelo de seguimento de pistões caracteriza-se por considerar as bolhas e
pistões como elementos separados no interior da tubulação. Caso os pistões fossem
muito grandes e as bolhas muito pequenas, o comportamento do modelo deve
assemelhar-se ao escoamento monofásico.
A fim de comparar os resultados do escoamento monofásico com o modelo de
seguimento de pistões, devem ser utilizadas condições de entrada convenientes.
Assim, as células unitárias da entrada deverão apresentar pistões grandes não
aerados e bolhas muito pequenas com uma baixa fração de gás. Além disso, a
velocidade de translação da bolha será igual à velocidade das bolhas dispersas
devido a seu tamanho reduzido.
O problema de escoamento turbulento incompressível monofásico com
propriedades constantes em um tubo de seção circular foi amplamente estudado por
diversos autores (Bejan, 2006, Incropera et al 2008). Assim, existem soluções
analíticas para a avaliação da temperatura média em uma seção para um
escoamento completamente desenvolvido. A temperatura média do fluido na seção
é calculada através das equações (6.1) e (6.2) para as condições de temperatura
externa constante e fluxo de calor constante, respectivamente (Incropera et al,
2008):
( )
( ) 0 0
exp
G
SP
L z en
L L L
h D
T T T T z
C U A
t
µ
| |
= ÷ ÷ ÷ |
|
\ .
(6.1)

( )
''
L z en
L L L
q D
T T z
C U A
t
µ
= + (6.2)
sendo
G
SP
h , o coeficiente de transferência de calor monofásico, U
L
, a velocidade
média do escoamento, T
0
, a temperatura externa e T
en
, a temperatura na entrada. As
equações (6.1) e (6.2) expressam a solução analítica para a temperatura em um
escoamento monofásico sem mudança de fase com propriedades constantes.
Capítulo 6 - Resultados 105

As condições utilizadas para a simulação são: escoamento de água com uma
mínima quantidade de ar, duto de 52 mm de diâmetro, 40 metros de comprimento,
temperatura na entrada de 310 K. A fim de simular escoamento monofásico, a célula
unitária na entrada apresenta as seguintes características: j
L
= 2 m/s, j
G
= 0,001 m/s,
L
B
= 0,0001 m, L
S
= 1 m, R
GB
= 0,01 e R
LS
= 1. O coeficiente c
0
da velocidade de
translação da bolha é igual a 1.
Para a condição de temperatura externa, o coeficiente de película externo é
3000 W/m²K, sendo o coeficiente global de transferência de calor igual a 2337
W/m²K. Para a condição de fluxo de calor constante, o q’’ = -30000 W/m².

0 10 20 30 40
z [m]
285
290
295
300
305
310
315
T
L

[
K
]
Seguimento de pistões 'monofásico'
Solução analítica
Temperatura externa constante
h
0
= 3000 W/m²K - T
0
= 310 K
a)

0 10 20 30 40
z [m]
285
290
295
300
305
310
315
T
L

[
K
]
Seguimento de pistões 'monofásico'
Solução analítica
Fluxo de calor constante
q'' = -30000 W/m²
b)

Figura 6-1 – Redução do modelo de seguimento de pistões para o caso monofásico.
a) Temperatura externa constante; b) Fluxo de calor constante.

Na Figura 6-1 são mostrados os resultados de uma bolha sendo seguida ao
longo de seu trajeto na tubulação (sonda lagrangeana). Os resultados mostram que
Capítulo 6 - Resultados 106

o modelo de seguimento de pistões consegue reproduzir a solução analítica para
escoamento monofásico. Ao redor da curva da solução analítica, existem pequenas
oscilações, as quais dependem do comprimento de pistão. Assim, com pistões
maiores existem oscilações menores. No caso de temperatura externa constante,
Figura 6-1a, a tendência é exponencial ocorrendo um maior gradiente na entrada,
mas diminuindo enquanto se afasta dela. Por outro lado, observa-se na Figura 6-1b
uma tendência linear no caso de fluxo de calor constante.

6.1.2 Validação utilizando um modelo estacionário
Os resultados do modelo de seguimento de pistões em regime transitório são
comparados com resultados obtidos a partir de um modelo estacionário proposto por
Perea et al (2010) e detalhado no Anexo A. O modelo estacionário é caracterizado
por fornecer um valor médio de temperatura para cada estação virtual de medição.
Assim, os resultados do modelo estacionário são comparados com os dados obtidos
da sonda lagrangeana.
Na Figura 6-2 são mostrados os resultados do modelo de seguimento de
pistões junto com os resultados do modelo estacionário. Pode-se observar que os
dois modelos têm resultados semelhantes com pequenas discordâncias. Essas
diferenças devem-se ao fato do modelo estacionário considerar a massa do pistão e
do filme como constante. Porém, Dukler e Hubbard (1977) mostraram que como o
pistão arremete contra o filme devido a sua velocidade maior, o filme perde uma
porção de massa a qual passa para o pistão detrás. Assim, existe um fluxo de
massa indo na direção oposta do escoamento devido à célula unitária movimentar-
se com uma velocidade maior do que seus componentes. Em outras palavras, como
a velocidade de translação da bolha U
T
é maior que a velocidade do pistão, do filme
e da bolha, existe uma porção de massa que sai do filme para entrar no pistão que
vem detrás. Esse fenômeno é conhecido como scooping. Devido ao scooping,
também existe uma porção de energia sendo transferida entre o filme e o pistão. No
modelo estacionário, é considerado que o fluxo de energia entrando é igual ao que
sai, o que não acontece na realidade. Esse efeito é considerado no modelo de
seguimento de pistões, evidenciando diferenças significativas.

Capítulo 6 - Resultados 107

0 5 10 15 20
z [m]
280
300
320
340
T
m

[
K
]
0 5 10 15 20
z [m]
280
300
320
340
T
m

[
K
]
M. estacionário
M. Slug tracking
j
L
= 0,53 m/s
j
G
= 0,47 m/s
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
a)
b)

0 5 10 15 20
z [m]
280
300
320
340
T
m

[
K
]
0 5 10 15 20
z [m]
280
300
320
340
T
m

[
K
]
M. estacionário
M. Slug tracking
j
L
= 0,67 m/s
j
G
= 0,59 m/s
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
c)
d)

Figura 6-2 – Temperatura ao longo do duto comparado com um modelo estacionário.
a) e b) j
L
= 0,53 e j
G
= 0,47 m/s; c) e d) j
L
= 0,67 e j
G
= 0,59 m/s; a) e c) h
0
= 500
W/m²K; b) e d) h
0
= 1000 W/m²K.

6.1.3 Validação com dados experimentais
Nesta seção, o modelo matemático apresentado é validado com os dados
experimentais obtidos por Lima (2009). Os experimentos de Lima (2009) foram
realizados com a mistura ar-água escoando em um duto de cobre de 52 mm com 6
m de comprimento. A mistura bifásica é resfriada por água fria que escoa em
corrente paralela no tubo anular exterior com uma determinada vazão mássica. As
temperaturas na entrada e na saída são medidas quando uma estabilidade é
atingida.
Os dados experimentais de Lima (2009) são utilizados para a condição de
temperatura externa constante. Para comparar os dados experimentais com a
simulação, foi necessário encontrar um coeficiente de transferência de calor externo
h
0
. Esse coeficiente é estimado com a correlação de Gnielinski (Incropera et al,
2008), Eq. (2.24), utilizando a velocidade média da água fria e o diâmetro hidráulico
da região anular. A temperatura externa é considerada como a temperatura média
entre a entrada e a saída da seção de teste da água de refrigeração.
Capítulo 6 - Resultados 108

A fim de reproduzir corretamente as temperaturas obtidas experimentalmente
por Lima (2009), a validação das simulações numéricas com dados de temperatura é
realizada a partir de dados hidrodinâmicos conhecidos. Na experiência utilizada,
todos os parâmetros hidrodinâmicos foram medidos, sendo os parâmetros de
entrada ao modelo apresentados na Tabela 6-1.

Tabela 6-1. Dados de entrada para a validação com dados de temperatura.

L [m] 6,07 D [mm] 52
j
L
[m/s] 1,378 j
G
[m/s] 0,283
L
S
[m] 0,82 L
B
[m] 0,34
U
T
[m/s] 2,1 P [kPa] 173,7
T
en
[K] 307,7 T
0
[K] 284,85
h
0
[W/m²K] 2463

No caso da velocidade de translação da bolha U
T
foi verificado que os
coeficientes propostos por Bendiksen (1984) na Tabela 2-3 se ajustam melhor aos
resultados experimentais. O valor experimental para U
T
é de 2,1 m/s, sendo o valor
previsto pela correlação de Bendiksen (1984) de 2,0 m/s.
Simulações preliminares evidenciaram que a modelagem da condição de
temperatura constante é muito dependente da correlação utilizada para h
LS
, h
LB
e h
GB
,
sendo a de melhor ajuste, a correlação de Gnielinski (Incropera et al, 2008)
apresentada na Eq. (2.24). Além disso, a presença de vórtices, esteira e recirculação
na parte posterior do pistão ocasiona um comportamento caótico que aumenta a
eficiência da troca de calor. A fim de reproduzir esse efeito, o coeficiente h
LS
foi
aumentado 30% a mais, como proposto por Camargo (1991) fundamentado nos
estudos de Shoham et al (1982).
Na Figura 6-3 pode-se observar a predição da temperatura segundo o modelo
apresentado para dois tipos diferentes de sondas. A Figura 6-3a mostra os
resultados médios no tempo em diferentes pontos ao longo da tubulação (sonda
euleriana). A Figura 6-3b apresenta os resultados monitorados conforme a célula
unitária se desloca ao longo do duto (sonda lagrangeana). Nota-se que apesar de
estar na condição de temperatura constante, a distribuição aparenta ser linear. Isso
Capítulo 6 - Resultados 109

ocorre devido ao fato de que o comprimento do duto é tão pequeno que não é
possível perceber a distribuição logarítmica, própria das distribuições de temperatura
constante.

0 2 4 6
z [m]
300
302
304
306
308
310
T
m

[
K
]
Presente Trabalho
Lima, 2009
0 2 4 6
z [m]
300
302
304
306
308
310
T
m

[
K
]
a)
b)

Figura 6-3 – Comparação para os resultados de temperaturas. a) Sonda euleriana;
b) Sonda lagrangeana.

Lima (2009) apresenta 25 experimentos onde a partir das medidas das
temperaturas de entrada, saída e parede, são calculados os coeficientes de
transferência de calor bifásicos. Este estudo somente fornece dados de vazão e
temperaturas médias, portanto outros parâmetros devem ser calculados através do
modelo de célula unitária apresentado no capítulo 5, onde parâmetros como a
frequência e as frações de líquido são estimadas através do modelo de bolha de
Taitel e Barnea (1990a) e de correlações.
Os experimentos de Lima (2009) apresentam diferentes combinações de
velocidades superficiais de líquido e gás, estando na faixa de 0,579 – 1,380 m/s e
0,217 – 0,795 m/s respectivamente como apresentado na Tabela 6-2. A fim de
encontrar o coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
, Lima mede a
temperatura dos fluidos e das paredes na entrada e saída para calcular h
TP
em
função do calor total perdido e das temperaturas. Assim, foram realizadas 25
simulações cujos resultados são comparados com os valores experimentais. As
condições de entrada (ou células unitárias) são calculadas através da metodologia
apresentada no capítulo 5. As condições de simulação para esta seção são
apresentadas na Tabela 6-2. Os dados de entrada para a simulação são
Capítulo 6 - Resultados 110

apresentados no apêndice B, na Tabela B1. O resultado das condições de entrada
são apresentadas na Tabela B2.

Tabela 6-2 – Condições de simulação para a validação com dados experimentais.

D [m] 0,052 j
L
[m/s] 0,579 – 1,380
L [m] 6,07 j
G
[m/s] 0,217 – 0,795

Na Figura 6-4 são observados alguns resultados para a temperatura de uma
célula unitária evoluindo ao longo do duto (sonda lagrangeana). Pode-se observar
que o comportamento da temperatura da mistura apresenta oscilações que variam
em intensidade de acordo com as vazões. Para altas vazões de líquido, Figura 6-4c-
d, as oscilações tendem a ser menores. Nota-se que apesar das grandes oscilações
em algumas vazões, a tendência das temperaturas é reproduzida de forma coerente.

310
315
320
325
330
T
m

[
K
]
Presente Trabalho
Lima, 2009
300
304
308
312
316
320
T
m

[
K
]
0 2 4 6
z [m]
300
304
308
312
316
320
T
m

[
K
]
0 2 4 6
z [m]
300
304
308
312
316
320
T
m

[
K
]
j
L
= 0,58 m/s
j
G
= 0,80 m/s
j
L
= 0,97 m/s
j
G
= 0,68 m/s
j
L
= 1,23 m/s
j
G
= 0,37 m/s
j
L
= 1,25 m/s
j
G
= 0,30 m/s

Figura 6-4 – Validação com dados de temperatura. a) j
L
= 0,58 j
G
= 0,8 m/s; b) j
L
=
0,97 j
G
= 0,68 m/s; c) j
L
= 1,23 j
G
= 0,37 m/s; d) j
L
= 1,25 j
G
= 0,30 m/s.

De acordo com a Eq. (3.105), é possível calcular um coeficiente para cada
célula unitária, ou seja o h
TP
mudará ao longo da tubulação. Porém, as variações
a) b)
c) d)
Capítulo 6 - Resultados 111

deste parâmetro são pequenas e pode-se calcular um valor médio representativo do
escoamento.

0 2000 4000 6000 8000
h
TP
- Lima [W/m²K]
0
2000
4000
6000
8000
h
T
P

-

S
T

[
W
/
m
²
K
]
+30%
-30%

Figura 6-5 – Comparação entre o coeficiente de transferência de calor experimental
e o calculado no presente trabalho (ST: Slug Tracking).

Na Figura 6-5 observa-se a comparação dos resultados numéricos com os
resultados experimentais, encontrando-se uma faixa de erro de 30%. Note-se que os
pontos onde ocorreu uma maior porcentagem de erro correspondem aos h
TP

grandes, onde o valor geralmente é subestimado. Deve-se mencionar que a
incerteza das medições tem uma média de 18%, e que a correlação de Gnielinski
tem uma concordância de 11% para o escoamento monofásico. Assim,
considerando a irregularidade do escoamento em golfadas, uma concordância de
30% é aceitável.

6.1.4 Validação com correlações da literatura
O coeficiente de transferência de calor bifásico é calculado utilizando a
expressão proposta na Eq. (3.105) em função das temperaturas obtidas da
simulação. Os resultados numéricos para o coeficiente de transferência de calor
bifásico com dados de Lima (2009) são comparados com correlações encontradas
na literatura. As correlações utilizadas são: Kim e Ghajar (2006), Camargo (1991) e
Shah (1981), as quais são apresentadas em detalhe no Apêndice A.
Capítulo 6 - Resultados 112

A correlação de Kim e Ghajar (2006) apresenta a influência de vários
parâmetros, a exemplo do perímetro molhado, das propriedades das fases e da
fração de vazio média, constituindo assim uma fórmula robusta para o cálculo de h
TP
.
A correlação de Camargo (1991) utiliza uma expressão semelhante à utilizada no
presente trabalho, portanto é interessante comparar os dois resultados. A correlação
de Shah (1981) é selecionada por sua simplicidade, pois somente considera as
velocidades superficiais das fases.

0 2000 4000 6000 8000
h
TP
- K&G [W/m²K]
0
2000
4000
6000
8000
h
T
P

-

S
T

[
W
/
m
²
K
]
+10%
-10%
0 2000 4000 6000 8000
h
TP
- Shah [W/m²K]
0
2000
4000
6000
8000
h
T
P

-

S
T

[
W
/
m
²
K
]
+15%
-15%
0 2000 4000 6000 8000
h
TP
- Camargo [W/m²K]
0
2000
4000
6000
8000
h
T
P

-

S
T

[
W
/
m
²
K
]
+20%
-20%
a)
b)
c)

Figura 6-6 – Comparação do h
TP
numérico com as correlações. a) Kim e Ghajar
(2006); b) Camargo (1991); c) Shah (1981).

Capítulo 6 - Resultados 113

Nas figuras Figura 6-6a-b-c, os resultados numéricos são comparados com as
correlações Kim e Ghajar (2006), Camargo (1991) e Shah (1981). Deve-se
mencionar que a correlação de Camargo utilizada é avaliada com a modificação
proposta por Lima (2009), na qual os coeficientes individuais h
LS
, h
LB
e h
GB
são
calculados com a correlação de Gnielinski e não com a de Dittus e Boelter. No caso
da correlação de Kim e Ghajar (2006), observa-se uma ótima correlação com uma
faixa de erro de 10% concordando também na tendência. No caso da correlação de
Camargo, a faixa de erro está em 20%, e todos os valores encontram-se abaixo do
valor calculado pela correlação. Porém, os valores mantêm a mesma tendência. No
caso da correlação de Shah observa-se uma boa concordância para todos os
valores de h
TP
.
A expressão do modelo mecanicista de Camargo (1991) é semelhante à
expressão utilizada no modelo para calcular h
TP
. Porém ele considera que as
diferenças de temperaturas entre fluido e parede são iguais no líquido e no gás. Os
resultados mostram que essa diferença não é desprezível, ocasionando uma
discordância considerável entre o modelo de Camargo e os resultados obtidos do
modelo aqui apresentado.
Na correlação de Shah (1981) predominam os efeitos da fase líquida, sendo a
velocidade superficial do gás a única contribuição da fase gasosa. Porém, j
G
sozinho
não caracteriza por completo os efeitos do gás na transferência de calor, como foi
discutido também por outros autores (Deshpande et al, 1991; Shoham et al, 1982;
Kim e Ghajar, 2001; etc.).
A correlação de Kim e Ghajar (2006) não depende dos parâmetros próprios do
escoamento em golfadas, como comprimentos característicos ou a frequência.
Porém, a correlação contém um fator de padrão de escoamento F
P
(ver Eq. (2.32))
que quantifica de forma muito acertada os perímetros molhados dos diferentes
padrões de escoamento bifásico. Além disso, inclui a influência da fração
volumétrica, número de Prandtl e da viscosidade, revelando-se uma correlação
robusta, validada experimentalmente. Coincidentemente, é a correlação que mostra
um melhor ajuste com os resultados obtidos das simulações apresentadas no
presente trabalho. Assim, a comparação dos resultados do modelo será feita com a
correlação de Kim e Ghajar (2006).
Capítulo 6 - Resultados 114

6.2 Simulações numéricas

O modelo proposto foi validado na seção anterior e mostrou consistência,
portanto pode ser aplicado a situações reais. Nesta seção serão apresentados os
resultados da transferência de calor nas simulações para temperatura externa
constante e fluxo de calor constante em um duto de 20 metros. Como já foi discutido
anteriormente, a transferência de calor é dependente dos parâmetros hidrodinâmicos
como a velocidade de translação da bolha e dos comprimentos de pistão e bolha.
Porém, nos dados da literatura disponíveis somente são informadas as vazões e as
propriedades dos fluidos.
Nesse cenário, no presente trabalho serão utilizados dados do
2PFG/FEM/UNICAMP com dados hidrodinâmicos validados (Rodrigues, 2009 e
Pachas, 2011). Assim, esses testes dão coerência aos resultados da transferência
de calor, já que carecemos de dados experimentais para a inicialização das
simulações. Esses dados são para escoamento isotérmico (sem transferência de
calor), mas no presente trabalho será adicionada uma fonte de calor fictícia para
forçar uma variação de temperaturas. Logo, os resultados serão comparados com a
correlação de Kim e Ghajar (2006), denominada K&G, que é a correlação que
apresenta melhor ajuste aos dados experimentais no escoamento intermitente (Lima,
2009 e Kim e Ghajar, 2006).
Os experimentos a serem analisados utilizam ar e água como fluidos de
trabalho em um duto de 20 metros de comprimento e 0,026 m de diâmetro. A sigla
A@W (Air at water) identifica o escoamento ar-água e o número # identifica a
combinação de vazões nessa experiência. As vazões e as frequências de cada uma
das experiências estão apresentadas na Tabela 6-3.

Tabela 6-3 – Definição das condições de simulação para escoamento ar-água.

j
L
[m/s] j
G
[m/s] freq [Hz]
A@W #1 0,330 0,595 0,740
A@W #2 0,525 0,472 2,890
A@W #3 0,670 0,588 4,470
A@W #4 0,658 1,110 2,440
Capítulo 6 - Resultados 115


Como foi apresentado no Capítulo 5, para inicializar o modelo de seguimento
de pistões deve-se conhecer a célula unitária na entrada. Essas células unitárias são
geradas com o modelo estacionário a partir das velocidades superficiais e da
frequência. A seguir, são apresentados os resultados das células unitárias na
entrada onde foram calculados os parâmetros L
S
, L
B
, R
GB
e R
LS
. Esses resultados são
comparados com os dados experimentais obtendo uma boa concordância. Observa-
se que os maiores erros são para as frequências grandes.
Dos resultados na Tabela 6-4 pode-se observar que o modelo acerta
satisfatoriamente no cálculo das propriedades da célula unitária para A@W#1 e
A@W#4. Para A@W#2 e A@W#3 é obtido um elevado erro principalmente para o
comprimento do pistão. Porém, o comprimento total da célula unitária é reproduzido
corretamente para todos os casos. Isso poderia ter sido causado pelos erros na
medição experimental, já que a bolha pode ter uma cauda que dificulta uma medida
exata do comprimento da bolha. Assim, o modelo de célula unitária proposto
concorda com a medida de L
U
, mas erra no cálculo dos seus componentes L
B
e L
S
.

Tabela 6-4 – Resultados do modelo estacionário como condição de entrada

A@W #1 Modelo Experimen. Erro % A@W #2 Modelo Experimen. Erro %
L
B
1,041 1,056 1,42% L
B
0,235 0,279 15,77%
L
S
0,359 0,344 4,36% L
S
0,152 0,107 42,06%
L
U
1,400 1,400 0.00% L
U
0,387 0,386 0,26%
R
GB
0,771 0,762 1,18% R
GB
0,696 0,585 18,97%
R
LS 0,978
R
LS 1,000
A@W #3 Modelo Experimen. Erro % A@W #4 Modelo Experimen. Erro %
L
B
0,192 0,210 8,57% L
B
0,634 0,654 3,06%
L
S
0,123 0,106 16,04% L
S
0,177 0,157 12,74%
L
U
0,315 0,316 0,32% L
U
0,811 0,811 0,00%
R
GB
0,670 0,628 6,69% R
GB
0,712 0,695 2,45%
R
LS 0,970
R
LS 0,959


Para os parâmetros médios, as localizações das oito estações de medição são
especificadas na Tabela 6-5.


Capítulo 6 - Resultados 116

Tabela 6-5 – Posição das estações virtuais de medição.

z z/D z z/D
Estação 1 0,10 3,85 Estação 1 9,56 367,69
Estação 2 1,79 68,85 Estação 2 13,23 508,85
Estação 3 3,59 138,08 Estação 3 16,90 650,00
Estação 4 6,58 253,08 Estação 4 19,50 750,00

6.2.1 Temperatura externa constante (TEC)
A fim de visualizar os resultados a temperatura externa constante, sondas
virtuais eulerianas de medição são instaladas em oito pontos da tubulação ao longo
dos 20 metros (ver Seção 4.3). Assim, é possível avaliar as temperaturas médias
temporais nesses pontos para o líquido e para o gás. A configuração espacial das
temperaturas em um instante de tempo é monitorada através da sonda de fotografia.
Além disso, medições utilizando sondas lagrangeanas são adquiridas para avaliar a
evolução da temperatura no interior de uma célula unitária.
As figuras a seguir apresentam os resultados para diferentes coeficientes de
transferência de calor externos h
0
, que fisicamente representam a exposição da
tubulação a um escoamento externo, como os casos estudados por Lima (2009) e
Camargo (1991). Os coeficientes externos selecionados h
0
são 500, 1000, 2000 e
4000 W/m²K que são valores fisicamente possíveis para um escoamento externo,
considerando que o máximo valor está em 20000 W/m²K (Incropera et al, 2008)
Uma temperatura de entrada deve ser imposta, a qual é tomada como uma
temperatura aproximada à de ambiente de 293,15 K. A temperatura da corrente
externa escolhida é de 340 K. Essa temperatura atua como um limite já que nem a
temperatura do líquido nem a do gás podem exceder desse valor. O critério da
escolha foi achar uma temperatura suficientemente alta para causar mudanças
perceptíveis no escoamento, mas sem risco de entrar em uma região onde exista
mudança de fase.
Na Figura 6-7 e Figura 6-8 são mostradas as distribuições de temperaturas ao
longo do duto para o líquido e para o gás. Da mesma forma como no escoamento
monofásico, é mostrada uma tendência exponencial, onde nos pontos mais próximos
da saída a temperatura tende à temperatura do escoamento externo. Como
esperado, conforme h
0
aumenta, a mudança de temperaturas será maior. Observa-
Capítulo 6 - Resultados 117

se que para baixos h
0
, a temperatura praticamente não muda apesar de ter uma
grande diferença com a temperatura externa, apresentando uma distribuição quase
linear. No caso de h
0
maiores, a temperatura sobe rapidamente.
Observando as distribuições de temperatura do gás na Figura 6-7 e na Figura
6-8, pode-se perceber que essa temperatura varia rapidamente ainda para baixos
valores de h
0
. Isso é devido à baixa capacidade térmica do gás, que é definida como
a massa específica vezes o calor específico. No caso particular de água-ar, a
capacidade térmica da água é 4000 vezes maior que a do ar. Em geral, para outras
combinações de fluidos a baixas pressões, a capacidade térmica do gás é muito
menor que a dos líquidos. Fisicamente, isso significa que o gás precisa de muito
menos calor para variar sua temperatura.
Note-se que nos testes A@W#3-4 (Figura 6-8), onde a velocidade superficial
do líquido é mantida constante (Tabela 6-3), a presença do gás origina variações
nas distribuições de temperatura. No teste A@W#3 a maior temperatura atingida
supera os 320 K enquanto no teste A@W#4 apenas chega a 318 K. Assim, é
evidente que uma maior quantidade de gás ocupa um maior volume e por sua vez
uma maior área de contato. Pode-se afirmar que a variação da temperatura do
líquido é menor quando tem mais gás, já que o gás está absorvendo maior
quantidade de energia.
Uma particularidade observada na Figura 6-7 é que para o testes A@W#1, a
temperatura da mistura apresenta descontinuidades. Uma das causas dessa
instabilidade poderia ser a menor vazão volumétrica de líquido em relação à do gás.
Assim, um maior volume de gás introduz uma instabilidade que perturba a
distribuição de temperaturas. Outro fato interessante é que em A@W#1 têm-se
bolhas grandes (L
B
> 1,0 m), as quais mudam de temperatura rapidamente. Isso faz
com que o calor trocado na interface seja muito maior, portanto aumenta a
temperatura do líquido em algumas regiões.
No teste A@W#1 (Figura 6-7, j
L
= 0,33 m/s) é observada a máxima
temperatura da mistura e no teste A@W#4 (Figura 6-8, j
L
= 0,66 m/s) a mínima.
Assim, é confirmando que para uma maior vazão de líquido, a máxima temperatura
atingida será menor já que o líquido precisa uma maior quantidade de calor para
aumentar sua temperatura. Outro fato interessante a ressaltar é que as células
unitárias da entrada nos testes A@W#2-3 são pequenas (Tabela 6-4), o qual
Capítulo 6 - Resultados 118

favorece o processo de obtenção de médias. Isto é, que com uma quantidade maior
de bolhas as médias são mais confiáveis.

A
@
W

#
1

0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
m

[
K
]
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K
h
0
= 4000 W/m²K
0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
G

[
K
]
A
@
W

#
2

0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
m

[
K
]
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K
h
0
= 4000 W/m²K
0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
G

[
K
]
Figura 6-7 – Temperaturas médias da mistura e do gás ao longo do duto para os
testes A@W#1 e 2 com temperatura externa constante.

Observando as temperaturas do gás, a temperatura cresce abruptamente no
teste A@W#1 (Figura 6-7), e para a segunda estação de medição a temperatura já
superou os 315 K ainda para baixos h
0
. Uma particularidade desse experimento é
seu grande comprimento de bolha. Além disso, observa-se que o teste A@W#4,
apesar de ter uma alta velocidade superficial de gás j
G
, a distribuição de
temperaturas do gás é similar a A@W#2-3, que têm baixos j
G
. Isso evidencia que
para a distribuição de temperaturas do gás e a transferência de calor de forma geral,
Capítulo 6 - Resultados 119

é mais importante o comprimento da bolha, independente da velocidade superficial
do gás. Conclusões similares foram obtidas por Deshpande et al., que concluiram
que a transferência de calor no escoamento intermitente é influenciada também pelo
comprimento da bolha e a frequência.

A
@
W

#
3

0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
m

[
K
]
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K
h
0
= 4000 W/m²K
0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
G

[
K
]
A
@
W

#
4

0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
m

[
K
]
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K
h
0
= 4000 W/m²K
0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
G

[
K
]
Figura 6-8 – Temperaturas médias do líquido e do gás ao longo do duto para os
testes A@W#3 e 4 com temperatura externa constante.

Nas Figura 6-9 e Figura 6-10 são apresentadas sondas lagrangeanas que
monitoram os dados de temperatura do líquido e gás dentro de uma célula unitária
ao longo do tempo. Para garantir a estabilidade dessa célula, é avaliada a célula
unitária número 120 que entra na tubulação. A coordenada z é expressa como a
Capítulo 6 - Resultados 120

posição do nariz da bolha no instante de tempo capturado pela sonda lagrangeana,
assim z = z
0
+ U
T
At.
Nota-se que na Figura 6-9 e Figura 6-10 existe uma distribuição de escada
ondulada para a temperatura do líquido. Isso acontece devido à variação no tempo
da temperatura no interior do volume de controle lagrangeano. Essas ondulações
são maiores para A@W#1 (freq = 0,74 s
-1
) do que para A@W#3 (freq = 4,47 s
-1
),
evidenciando uma relação com a frequência de passagem da célula unitária. O
comprimento de cada uma dessas ondulações está relacionado com o tempo de
residência de uma célula unitária, ou em outras palavras, o inverso da frequência.
No caso da temperatura do gás, a distribuição é parecida com a distribuição de
médias tanto para A@W#1 quanto para A@W#3. A tendência desta temperatura
também é exponencial, mas apresenta uma curva suave.

0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
m

[
K
]
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K
h
0
= 4000 W/m²K
0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
G

[
K
]
a)
b)

Figura 6-9 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) seguindo a
bolha 120 ao longo do duto para A@W#1.

Capítulo 6 - Resultados 121

0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
m

[
K
]
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K
h
0
= 4000 W/m²K
0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
G

[
K
]
a)
b)

Figura 6-10 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) seguindo a
bolha 120 ao longo do duto para A@W#3.

Na Figura 6-11 é mostrado o resultado de uma sonda de fotografia para
A@W#1. Para garantir uma estabilidade no escoamento, o instante em que a foto é
capturada ocorre quando o escoamento e as temperaturas estão completamente
desenvolvidos. Assim, testes evidenciaram que para um tempo de t = 70 s, o
escoamento é estável. Nesse instante, podem-se observar instabilidades que são
próprias do modelo e devem ser analisadas em futuros trabalhos.

0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
m

[
K
]
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K
h
0
= 4000 W/m²K
0 4 8 12 16 20
z [m]
290
295
300
305
310
315
320
325
330
335
340
T
G

[
K
]
a)
b)

Figura 6-11 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) segundo a
sonda de fotografia no instante t = 70 s para A@W#1.
Capítulo 6 - Resultados 122

A seguir, é avaliada a variação do coeficiente de transferência de calor bifásico
h
TP
ao longo da tubulação. O h
TP
é calculado a partir das temperaturas segundo a
expressão na Eq. (3.105). Os resultados são comparados com a correlação de Kim e
Ghajar (2006) devido às vantagens já apresentadas anteriormente. A correlação de
Kim e Ghajar (2006) depende das vazões (ou velocidades superficiais) e das
propriedades dos fluidos. A expansão (ou compressão no caso de resfriamento) da
bolha faz com que a velocidade superficial do gás mude ao longo da tubulação e,
portanto, também a velocidade da mistura. Além disso, como as propriedades in situ
dos fluidos mudam com a temperatura, é possível avaliar a correlação de K&G em
diferentes pontos da tubulação e encontrar uma tendência.
Das Figura 6-12 e Figura 6-13 pode-se observar que o coeficiente de
transferência de calor bifásico muda ligeiramente ao longo do duto, o que é
ocasionado por dois fatores. O primeiro é a velocidade superficial do gás que
aumenta ao longo do duto devido à expansão do gás. O segundo é a variação das
propriedades com a temperatura. A variação é maior quando o escoamento externo
é mais forte, já que as mudanças na temperatura também são maiores.
Pode-se observar que existe uma ótima relação entre a simulação numérica e
a correlação de Kim e Ghajar (2006) com uma erro máximo de 5% para os testes
A@W#1-2-3 (Figura 6-12 e Figura 6-13). Os maiores erros encontram-se para o
teste A@W#4 (Figura 6-13) onde o valor do h
TP
é superestimado com 15% de erro.
Esse teste está caracterizado por ter uma alta vazão de gás e bolhas grandes,
sendo difícil quantificar de forma correta o perímetro molhado de líquido na região da
bolha. No modelo, é assumido que na região da bolha o líquido encontra-se
completamente estratificado, o que na realidade não ocorre.
Observando os testes A@W#3-4 na Figura 6-13 (j
L
= 0,67 m/s e 0,66 m/s,
respectivamente), pode-se deduzir que para uma velocidade superficial do líquido j
L

constante, o h
TP
não muda significativamente, independente da velocidade
superficial do gás j
G
. Essa situação é observada nos testes A@W#3-4 onde o h
TP

médio é 3338 e 3320 W/m²K respectivamente. Porém, para definir de forma mais
rigorosa a dependência do h
TP
com a velocidade superficial do gás, precisa-se ter
vários dados de j
G
, fixando um valor de j
L
.
Além disso, para velocidades superficiais de líquido baixas, o h
TP
é menor que
2000 W/m²K evidenciando novamente uma relação direta entre j
L
e h
TP
. Para os j
L

Capítulo 6 - Resultados 123

maiores o h
TP
cresce de forma proporcional sendo o menor para A@W#1 (j
L
= 0,33
m/s) com uma média de 1750 W/m²K e o maior para A@W#6 (j
L
= 0,66 m/s) com
uma média de 3320 W/m²K.

A
@
W

#
1

1000
2000
3000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
] Presente trabalho
Kim e Ghajar 2006
1000
2000
3000
0 5 10 15 20
z [m]
1000
2000
3000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
0 5 10 15 20
z [m]
0
1000
2000
3000
4000
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K h
0
= 4000 W/m²K

A
@
W

#
2

2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
2000
3000
4000
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K h
0
= 4000 W/m²K

Figura 6-12 – Coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
ao longo do duto para
os testes A@W#1-2 com temperatura externa constante.

Para todos os casos, o h
TP
tem a tendência de ser mantida apesar da
distribuição de temperaturas diferentes. Evidentemente, quanto maiores forem as
variações de temperatura, maiores serão as variações nas propriedades físicas dos
fluidos e por conseguinte no h
TP
, mas é observado que essas variações não são
significativas. Porém, os valores encontrados através do modelo tendem a afastar-se
Capítulo 6 - Resultados 124

dos valores da correlação K&G nas estações que estão pertos da saída,
evidenciando que o efeito da expansão do gás afeta em menor escala a
transferência de calor do que o estimado pelo modelo.

A
@
W

#
3

2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
Presente trabalho
Kim e Ghajar 2006
2000
3000
4000
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
h
0
= 500 W/m²K h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K h
0
= 4000 W/m²K

A
@
W

#
4

2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
2000
3000
4000
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
h
0
= 500 W/m²K
h
0
= 1000 W/m²K
h
0
= 2000 W/m²K
h
0
= 4000 W/m²K

Figura 6-13 – Coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
ao longo do duto para
os testes A@W#3-4 com temperatura externa constante.

Capítulo 6 - Resultados 125

6.2.2 Fluxo de calor constante na parede (FCC)
Nesta seção são apresentados os resultados das simulações para a condição
de fluxo de calor constante na parede externa (FCC). Da mesma forma que com os
resultados para TEC são apresentados os resultados para uma sonda lagrangeana
e para um instante de tempo. As simulações são realizadas para as condições de
aquecimento e resfriamento, representadas por fluxos de calor positivos e negativos,
respectivamente.
As condições para a simulação são colocadas a seguir. A temperatura de
entrada é fixada em 293,15 K, como no caso de TEC. Os fluxos de calor utilizados
seguem o mesmo critério de escolha para h
0
e T
0
: um fluxo de calor suficientemente
alto para ocasionar variações perceptíveis na temperatura, mas afastado da região
de saturação.
Na Figura 6-14 são observadas as distribuições de temperatura média temporal
ao longo do duto para as condições de aquecimento e resfriamento. De forma geral,
é observada uma tendência linear da temperatura para todos os casos, típico da
condição de fluxo de calor constante. Nota-se que existe uma simetria ao redor da
temperatura de entrada para fluxos de calor com valores numéricos opostos.
Para os testes A@W#1-2-3 (Figura 6-14) são observadas certas oscilações
uniformes, mas conservando a tendência linear. As oscilações tornam-se
desorganizadas e maiores no teste A@W#4, onde existe uma alta velocidade
superficial do gás (j
G
= 1,1 m/s). Isto evidencia instabilidades numéricas mais
intensas para uma alta vazão de gás. Porém, o modelo consegue reproduzir as
tendências.
Na Figura 6-15 e Figura 6-16 são apresentadas as distribuições do coeficiente
de transferência de calor bifásico h
TP
ao longo da tubulação para os quatro testes
A@W#1-2-3-4. Para todos os perfis, pode-se observar que o h
TP
não muda ao longo
da tubulação, mantendo um valor constante. É notável também que os valores do h
TP

obtidos na condição FCC são muito próximos aos obtidos na condição TEC, portanto
pode-se afirmar que existe um único valor para o h
TP
para cada combinação de
vazões, independente da distribuição de temperaturas.

Capítulo 6 - Resultados 126


A
@
W

#
1

0 4 8 12 16 20
z [m]
270
275
280
285
290
295
300
305
310
T
m

[
K
]
q'' = -20000 W/m²
q'' = -10000 W/m²
q'' = 10000 W/m²
q'' = 20000 W/m²
A
@
W

#
2

0 4 8 12 16 20
z [m]
270
275
280
285
290
295
300
305
310
T
m

[
K
]
q'' = -20000 W/m²
q'' = -10000 W/m²
q'' = 10000 W/m²
q'' = 20000 W/m²
A
@
W

#
3

0 4 8 12 16 20
z [m]
270
275
280
285
290
295
300
305
310
T
m

[
K
]
q'' = -20000 W/m²
q'' = -10000 W/m²
q'' = 10000 W/m²
q'' = 20000 W/m²
A
@
W

#
4

0 4 8 12 16 20
z [m]
270
275
280
285
290
295
300
305
310
T
m

[
K
]
q'' = -20000 W/m²
q'' = -10000 W/m²
q'' = 10000 W/m²
q'' = 20000 W/m²
Figura 6-14 – Distribuição de temperaturas da mistura ao longo do duto para a
condição de fluxo de calor constante.


Capítulo 6 - Resultados 127

A
@
W

#
1

1000
2000
3000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
Presente trabalho
Kim e Ghajar 2006
1000
2000
3000
0 5 10 15 20
z [m]
1000
2000
3000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
0 5 10 15 20
z [m]
1000
2000
3000
q'' = -20000 W/m²
q'' = -10000 W/m²
q'' = 10000 W/m²
q'' = 20000 W/m²

A
@
W

#
2

2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
2000
3000
4000
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
q'' = -20000 W/m² q'' = -10000 W/m²
q'' = 10000 W/m²
q'' = 20000 W/m²

Figura 6-15 – Coeficiente de transferência de calor bifásico ao longo do duto para os
testes A@W1-2 com fluxo de calor constante.

Em relação às faixas de erro, é obtido o mesmo valor que com a condição
TEC. Assim, o máximo erro para os testes A@W#1-2-3 é de 5% e para o teste
A@W#4 é de 15%. Nota-se que não existe diferença significativa entre o h
TP
com
aquecimento e com resfriamento. A tendência em relação à correlação de K&G é
mantida, de tal forma que quando o modelo subestima o h
TP
de K&G em TEC,
também faz o mesmo com FCC.

Capítulo 6 - Resultados 128

A
@
W

#
3

2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
2000
3000
4000
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
Presente trabalho
Kim e Ghajar 2006
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
q'' = -20000 W/m² q'' = -10000 W/m²
q'' = 10000 W/m² q'' = 20000 W/m²

A
@
W

#
4

2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
2000
3000
4000
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
h
T
P

[
W
/
m
²
K
]
0 4 8 12 16 20
z [m]
2000
3000
4000
q'' = -20000 W/m² q'' = -10000 W/m²
q'' = -10000 W/m² q'' = 20000 W/m²

Figura 6-16 – Coeficiente de transferência de calor bifásico ao longo do duto para os
testes A@W3-4 com fluxo de calor constante.

6.3 Análise dos parâmetros influentes na transferência de calor

Nesta seção serão analisados os parâmetros próprios do escoamento em
golfadas que influenciam a transferência de calor. Serão considerados os resultados
da simulação junto com os dados de Lima (2009) para avaliar quais são os
parâmetros que afetam o coeficiente de transferência de calor. De forma geral, os
coeficientes de transferência de calor monofásicos dependem do número de
Reynolds e do número de Prandtl. Com essa idéia, tentará se estender o conceito
Capítulo 6 - Resultados 129

para escoamento bifásico analisando esses números adimensionais avaliados no
líquido e no gás. Além disso, será analisado como os parâmetros próprios do
escoamento em golfadas afetam a transferência de calor.
A Figura 6-17 representa a variação do h
TP
com o número de Reynolds do
líquido e do gás para os dados experimentais e para as simulações. Os números de
Re são avaliados com as velocidades superficiais j
L
e j
G
. Pode-se observar que o h
TP

tende a aumentar quando Re
jL
cresce, mostrando inclusive uma tendência linear nos
resultados das simulações. Porém, não existe uma tendência definida do h
TP
em
relação ao Re
jG
, já que os dados encontram-se dispersos tanto para os resultados de
Lima quanto para as simulações. Assim pode-se deduzir que h
TP
está dominado pela
velocidade superficial do líquido j
L
(diretamente relacionado a Re
jL
). Porém para
afirmar que o j
G
não afeta consideravelmente o h
TP
, teria que se estudar uma faixa
de Re
jG
maior.

40000 60000 80000 100000 120000
Re
jL
0
2000
4000
6000
8000
10000
h
T
P

[
w
/
m
²
K
]
0 1000 2000 3000 4000 5000
Re
jG
0
2000
4000
6000
8000
10000
h
T
P

[
w
/
m
²
K
]
Lima (2009)
Presente Trabalho

Figura 6-17 – Relação entre o número de Reynolds do líquido (a) e do gás (b) com o
coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
.

Na Figura 6-18 é mostrada a relação entre o número de Prandtl e o coeficiente
de transferência de calor bifásico. Note-se que o número de Prandtl depende do tipo
de fluido, independente das características do escoamento. Esse número
adimensional quantifica a difusividade de momentum em relação à difusividade
térmica para um tipo de fluido. Como para todas as simulações foi utilizado ar-água,
as diferenças não são muito grandes. Porém, devido à variação da temperatura, as
propriedades mudam de forma que pode ser estabelecida uma tendência.
a) b)
Capítulo 6 - Resultados 130

Para o líquido pode-se observar altos números de Prandtl (Pr > 3,5). Assim
como o número de Reynolds, uma tendência ascendente é observada do h
TP
em
relação ao número de Prandtl. Por outro lado, o gás apresenta baixos números de
Prandtl (Pr < 0,75). Além disso, observam-se muitos valores de h
TP
para um
determinado valor de Pr
G
mostrando uma alta dispersão que não permite avaliar
uma tendência definida do h
TP
em relação ao Pr
G
.

3.5 4 4.5 5
Pr
L
0
2000
4000
6000
8000
10000
h
T
P

[
w
/
m
²
K
]
0.7 0.71 0.72 0.73
Pr
G
0
2000
4000
6000
8000
10000
h
T
P

[
w
/
m
²
K
]
Lima (2009)
Presente Trabalho

Figura 6-18 – Relação entre o número de Prandtl do líquido (a) e do gás (b) com o
coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
.

Na Figura 6-19a mostra-se a relação entre o h
TP
e a velocidade da mistura.
Uma tendência ascendente é observada, mas de forma mais dispersa do que com o
número de Prandtl ou o número de Reynolds. No caso da frequência, Figura 6-19b,
a tendência também é positiva. Isto é coerente já que uma frequência alta significa
um menor tempo de residência, o qual implica velocidades grandes da célula unitária
e seus componentes. Altas velocidades provocam altos números de Reynolds que,
como foi verificado anteriormente, têm uma relação proporcional com o h
TP
.
Na Figura 6-20 é mostrada a relação entre a razão L
B
/L
U
e o h
TP
. Apesar de
apresentar um alto grau de dispersão, é possível apreciar uma tendência negativa
em relação à razão L
B
/L
U
, portanto, o incremento de L
B
/L
U
ocasiona um
decrescimento no h
TP
. Esse fato está relacionado com o comprimento da bolha,
evidenciando que para comprimentos de bolha altos o h
TP
diminui. Para razões L
B
/L
U

altas, a quantidade de líquido que está em contato com a tubulação é menor já que
uma maior porção de tubulação está em contato com a bolha de gás. Sendo que a
principal contribuição para o h
TP
vem da fase líquida, uma menor área de contato
a) b)
Capítulo 6 - Resultados 131

ocasiona o decréscimo da transferência de calor. Os comprimentos de bolha e pistão
são calculados através de modelo, portanto os erros no cálculo ocasionam um alto
grau de dispersão. Supõe-se que se os comprimentos fossem medidos
experimentalmente, a dispersão na Figura 6-20 seria menor, mas a tendência seria
mantida.

1 1.5 2
J [m/s]
0
2000
4000
6000
8000
10000
h
T
P

[
w
/
m
²
K
]
0 0.5 1 1.5 2
freq [s
-1
]
0
2000
4000
6000
8000
10000
h
T
P

[
w
/
m
²
K
]
Lima (2009)
Presente Trabalho

Figura 6-19 – Relação entre a velocidade de mistura J (a) e a frequência freq (b) com
o coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
.

0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8
L
B
/L
U
0
2000
4000
6000
8000
10000
h
T
P

[
w
/
m
²
K
]
Lima (2009)
Presente Trabalho
Linha de tendência - Lima
Linha de tendência - ST

Figura 6-20 – Relação entre a relação de comprimentos L
B
/L
U
com o coeficiente de
transferência de calor bifásico h
TP
.

Nesta seção foram determinados os parâmetros influentes no coeficiente de
transferência de calor. Foi encontrado que propriedades da fase líquida como o
número de Reynolds e o número de Prandtl afetam o h
TP
significativamente. Por
outro lado, não foi possível definir uma tendência em relação às propriedades do gás
a) b)
Capítulo 6 - Resultados 132

devido ao alto grau de dispersão em relação a esses parâmetros. Finalmente,
constatou-se que parâmetros próprios do escoamento em golfadas como a
frequência e a relação entre comprimento da bolha e comprimento total da célula
unitária L
B
/L
U
também influem na transferência de calor, fato que foi verificado
também por outros autores como Deshpande et al (1991) e Hetsroni et al (1998).

6.4 Influência da transferência de calor nos parâmetros hidrodinâmicos

Para encontrar a influência da temperatura nos parâmetros hidrodinâmicos, são
realizadas simulações com diferentes fluxos de calor para três combinações de
velocidades superficiais: alta velocidade superficial do líquido j
L
, alta velocidade
superficial do gás j
G
e velocidades superficiais equilibradas j
L
-j
G
. São simulados os
casos de aquecimento, resfriamento e isotérmico com a condição de fluxo de calor
constante em um duto de 26 mm de diâmetro. A temperatura de entrada de todos os
casos é a mesma: 290 K. O fluxo de calor escolhido (±10000 W/m²) é o maior
possível para fazer perceptíveis as variações, sem fazer com que as temperaturas
chegarem na região de saturação. São avaliados o comprimento de bolha, o
comprimento de pistão, a velocidade do pistão e a velocidade de translação da
bolha.
No presente modelo, não é considerada nem a mudança de fase nem altas
pressões, portanto, os efeitos da troca de calor na hidrodinâmica estarão
relacionados à compressão do gás e à variação das propriedades físicas dos fluidos.
Os principais parâmetros afetados são os comprimentos do pistão e bolha e as
velocidades do pistão e de translação, portanto suas variações ao longo do duto são
apresentadas nas Figura 6-21 e Figura 6-22.
A alteração dos comprimentos de bolhas e pistões está relacionada a dois
efeitos: a expansão do gás e a coalescência de bolhas. A expansão do gás está
relacionada à queda de pressão e à variação da temperatura ao longo da linha,
enquanto a coalescência está relacionada à intermitência do escoamento. Devido à
periodicidade da condição de entrada, a coalescência é muito baixa e não será
abordada nesta seção.
Capítulo 6 - Resultados 133

Quando somente o efeito da pressão está presente, o volume de gás nas
bolhas aumenta de forma gradual, e, consequentemente, também aumentam seus
comprimentos. Como os comprimentos dos filmes de líquido abaixo das bolhas
também aumentam, os comprimentos dos pistões diminuem, pois os pistões perdem
parte do líquido para o filme. Com a presença da troca de calor, existem diferentes
consequências dependendo se existe aquecimento ou resfriamento. No caso de
aquecimento, o efeito de expansão da bolha e redução do pistão é maior. Isto deve-
se à expansão do gás ocasionado pelo incremento da temperatura. Como o fluido
utilizado é ar, que por sua parte comporta-se como gás ideal, o volume do gás é
diretamente proporcional à temperatura.
Para o caso de resfriamento, observa-se que existe um conflito: a bolha
expande-se pela queda de pressão mas se comprime pela redução de temperaturas.
Mesmo que a bolha tenha que se expandir devido à queda de pressão, ela tende a
ser comprimida no caso de resfriamento. O efeito depende da razão entre as vazões
volumétricas de líquido e gás: nota-se que para altas vazões de líquido predomina a
expansão por perda de pressão. Para vazões volumétricas da mesma ordem, os
dois efeitos se cancelam. Para vazões volumétricas maiores de gás, a influência da
temperatura é maior e a bolha diminui seu volume apesar da perda de pressão.
No caso do comprimento do pistão, a tendência sempre é diminuir. Para
resfriamento, praticamente é mantido um comprimento constante ao longo do duto.
No aquecimento, o pistão diminui seu comprimento, o qual pode ser explicado da
seguinte forma. No aquecimento, a bolha cresce mais, em consequência o filme
também deverá crescer. Esse filme líquido está crescendo à custa da massa do
pistão, o que ocasiona sua redução.
Observa-se que para diferentes combinações de vazão, a tendência é mantida
mas a intensidade das variações muda. Por exemplo, para vazões maiores de gás,
as bolhas tendem a se expandir (ou comprimir) em menor grau que quando tem
vazão menor de gás. No caso do comprimento do pistão, para nenhum dos casos a
variação é significativa, mas em todos eles o pistão tende a diminuir, devido ao
crescimento do filme líquido.
A velocidade do pistão e a velocidade de translação da bolha são afetadas em
menor escala pela transferência de calor. Para vazões volumétricas de líquido
grandes e médias, as variações nas velocidades são pequenas. As variações nestas
Capítulo 6 - Resultados 134

velocidades estão relacionadas à velocidade da mistura, que por sua vez depende
da velocidade superficial do gás, que muda segundo a expansão ou compressão do
gás. Para aquecimento em altas vazões de gás, observa-se que as velocidades
aumentam notavelmente devido ao incremento da velocidade da mistura, que por
sua vez aumenta pela expansão do gás.

A
l
t
o

j
L

e

b
a
i
x
o

j
G

0
5
10
15
20
25
30
L
B

/
D
Resfriamento
Isotérmico
Aquecimento
30
32
34
36
38
40
L
S

/
D
j
L
= 1,38 m/s
j
G
= 0,28 m/s

j
L

e

j
G

e
q
u
i
l
i
b
r
a
d
o
s

0
5
10
15
20
25
30
L
B

/
D
Resfriamento
Isotérmico
Aquecimento
0
2
4
6
8
10
L
S

/
D
j
L
= 0,53 m/s
j
G
= 0,47 m/s

B
a
i
x
o

j
L

e

a
l
t
o

j
G

0 200 400 600 800
z/D
60
65
70
75
80
85
90
L
B

/
D
0 200 400 600 800
z/D
5
7
9
11
13
15
L
S

/
D
Resfriamento
Isotérmico
Aquecimento
j
L
= 0,33 m/s
j
G
= 1,20 m/s
Figura 6-21 – Influência da temperatura nos comprimentos L
B
e L
S
para diferentes
velocidades superficiais.
Capítulo 6 - Resultados 135


A
l
t
o

j
L

e

b
a
i
x
o

j
G

0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
U
L
S

[
m
/
s
]
0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
U
T

[
m
/
s
]
Resfriamento
Isotérmico
Aquecimento
j
L
= 1,38 m/s
j
G
= 0,28 m/s
j
L

e

j
G

e
q
u
i
l
i
b
r
a
d
o
s

0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
U
L
S

[
m
/
s
]
0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
U
T

[
m
/
s
]
Resfriamento
Isotérmico
Aquecimento
j
L
= 0,53 m/s
j
G
= 0,47 m/s
B
a
i
x
o

j
L

e

a
l
t
o

j
G

0 200 400 600 800
z/D
0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
U
L
S

[
m
/
s
]
0 200 400 600 800
z/D
0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
U
T

[
m
/
s
]
Resfriamento
Isotérmico
Aquecimento
j
L
= 0,33 m/s
j
G
= 1,20 m/s

Figura 6-22 – Influência da temperatura nas velocidades do pistão U
LS
e de
translação U
T
para diferentes velocidades superficiais.


Capítulo 7 – Conclusões e Recomendações 136

7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

No presente trabalho, foi apresentado um modelo de seguimento de pistões em
regime transitório para simular escoamento bifásico em golfadas com transferência
de calor. O modelo considera a compressão do gás devido às variações de pressão
e temperatura, ocasionando uma interação entre as variáveis térmicas e
hidrodinâmicas. Assim, é possível analisar a influência da transferência de calor na
física do escoamento em golfadas.
As equações governantes foram encontradas a partir de balanços de massa,
quantidade de movimento e energia em cada um dos elementos da célula unitária. O
balanço de massa evidencia que a velocidade do pistão é afetada pela interação das
bolhas dispersas no seu interior e à expansão da bolha alongada. O balanço de
quantidade de movimento mostra que a queda de pressão em uma célula unitária
deve-se principalmente às forças de atrito e à aceleração local do pistão. O balanço
de energia evidencia que o calor fornecido aumenta a energia interna dos fluidos, e
portanto sua temperatura, mas também ocasiona deformações nos volumes de
controle.
A fim de dar solução às equações obtidas na modelagem matemática, uma
solução numérica foi proposta. A discretização das equações do modelo resultou em
dois sistemas de equações a serem resolvidos para cada instante de tempo. O
primeiro sistema, chamado de sistema pressão-velocidade, é constituído pela
discretização dos balanços de massa e quantidade de movimento. O segundo
sistema é produto da discretização do balanço de energia e sua solução é obtida
depois de resolver o sistema pressão-velocidade. O modelo é implementado em um
programa em linguagem Fortran com orientação a objetos.
Com o objetivo de validar o modelo proposto, os resultados numéricos são
comparados com a solução analítica de escoamento monofásico e com um modelo
estacionário. Os resultados mostram coerência, portanto a consistência do modelo é
comprovada. Adicionalmente, os resultados do modelo foram comparados com
dados experimentais de temperatura. Nesse caso, pode-se observar que apesar de
ter aproximado muitas das variáveis de entrada, o modelo consegue reproduzir a
Capítulo 7 – Conclusões e Recomendações 137

tendência de temperaturas. Por fim, os resultados também foram comparados com
correlações da literatura para coeficiente de transferência de calor bifásico. O
modelo mostrou uma excelente concordância com as correlações de Kim e Ghajar
(2006), Shah (1981) e Camargo (1991).
É observado que os resultados para a temperatura da mistura apresentam
oscilações, mas apresentam um comportamento coerente: uma tendência
exponencial no caso de temperatura externa constante (TEC) e uma tendência linear
no caso de fluxo de calor constante (FCC). Assim, também foi observado que o
coeficiente de transferência de calor bifásico h
TP
não varia significativamente para as
condições de TEC e FCC para um determinado j
L
e j
G
. Os resultados também
mostram que o h
TP
tem uma alta dependência com os parâmetros próprios do
escoamento em golfadas, como são a frequência, o comprimento de bolha e a
velocidade da mistura. Essas afirmações concordam com os resultados obtidos por
outros pesquisadores como Deshpande et al (1991), Hetsroni et al (1998), Shoham
et al (1982) e Kim e Ghajar (2006).
Foi analisada também a influência da transferência de calor nos parâmetros
hidrodinâmicos. Mostrou-se que para altas vazões de líquido, as variações são
menores em parâmetros relevantes como a velocidade de translação da bolha e os
comprimentos de bolha e pistão. Apesar da expansão da bolha devido à queda de
pressão, o resfriamento da bolha ocasiona sua compressão, o qual evidencia que o
volume da bolha é também suscetível a variações de temperatura, mas a
intensidade dependerá da relação entre a vazão volumétrica de líquido e gás.
Por fim, o modelo de seguimento de pistões se apresenta como uma
ferramenta útil para a simulação do escoamento em golfadas com transferência de
calor. O presente trabalho constitui uma referência para futuros modelos com maior
complexidade onde poderão ser incluídos fenômenos como a mudança de fase.

7.1 Sugestões para trabalhos futuros

Como sugestão para trabalhos futuros, o modelo apresentado poderia ser
validado com uma quantidade maior de dados. É necessário contar com uma ampla
base de dados experimentais com hidrodinâmica corretamente descrita, ou seja com
Capítulo 7 – Conclusões e Recomendações 138

condições de entrada conhecidas para as frações volumétricas e comprimentos
característicos. A organização de tais dados experimentais também é importante.
Assim, ter vários j
G
para cada j
L
fornece uma melhor idéia da influência da vazão de
gás em cada vazão líquida, tanto nos parâmetros hidrodinâmicos quanto nos
térmicos. Visando isto, é conveniente a realização de um estudo experimental.
Em relação ao modelo apresentado, as seguintes sugestões são propostas
para trabalhos futuros:
- Analisar a estabilidade numérica do modelo de transferência de calor a
fim de reduzir as oscilações obtidas na temperatura da mistura.
- Testar com condição de entrada intermitente a fim de verificar a variação
das médias em relação à condição periódica.
- Testar o modelo para outros fluidos. Por exemplo, com líquidos mais
viscosos e com gases com equação de estado diferente à de gás ideal.
- Incluir na modelagem os termos de dissipação viscosa e a modelagem
para escoamentos em altas pressões.
- Estudar a transferência de calor em dutos com outras inclinações,
considerando a energia potencial.
- Implementar o modelo em função da entalpia a fim de evitar a hipótese
de líquido incompressível e gás ideal.
- Incluir os termos de mudança de fase. Variações simultâneas de
pressão e temperatura podem ocasionar evaporação ou condensação,
portanto é interessante a consideração deste fenômeno.

Referências 139

PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO PERÍODO 2009-2011
ARTIGOS EM CONGRESSOS

Título: Numerical Simulation of Gas-Liquid Slug Flow along vertical pipes using
the Slug Tracking Model
Autores: A. A. Pachas N., César D. Perea M., R. E. M. Morales, C. Cozin, E. S.
Rosa, R. A. Mazza.
Publicado: Procceedings of ASME-JSME-KSME Joint Fluids Engineering
Conference 2011.
Local: Hamamatsu, Shizuoka, Japão.
Data: 24 a 29 de julho de 2011
Resumo: The intermittent gas-liquid flow, or slug flow, in vertical tubes occurs over a wide range of
gas and liquid flow rates, with many applications, such as oil industry. Predicting the properties of this
kind of flow is important to design properly pumps, risers and other components involved. In the
present work, vertical upward slug flow is studied through a one-dimensional and lagrangian frame
referenced model called slug tracking. In this model, the mass and the momentum balance equations
are applied in control volumes constituted by the gas bubble and the liquid slug, which are propagated
along the pipe. The flow intermittency is reproduced through the conditions at the entrance of the pipe,
which are analyzed in statistical terms. These entrance conditions are given by a sequence of flow
properties for each unit cell. The objective of the present work is to simulate the slug flow and its
intermittency through the slug tracking model. The numerical results are compared with experimental
data obtained by 2PFG/FEM/UNICAMP for air-water flow and good agreement is observed.

Título: Hydrodynamics and heat transfer simulation for two-phase intermittent
flow in horizontal pipes.
Autores: C. D. Perea M., C. Cozin, R. E. M. Morales, S. L. M. Junqueira.
Publicado: 13th Brazilian Congress of Thermal Sciences and Engineering.
Local: Uberlândia, MG, Brasil.
Data: 5 a 10 de dezembro de 2010
Resumo: Two-phase flows with heat transfer are found in many engineering applications. One of
them is the conduction of oil and gas in the deep ocean, where exists a temperature gradient due to
the difference between the temperature in the source and that from the surrounding environment. In
liquid-gas two-phase flows, one of the most frequent patterns is the slug flow. This flow pattern is
Referências 140

characterized by the alternate succession of two structures: an aerated slug and an elongated gas
bubble, which constitutes a unit cell. In spite of the unit cell properties variation with time, it can be
modeled as stationary if mean time values are used. In that context, the present work presents a
mechanistic one-dimensional stationary model for the calculation of the main hydrodynamical and heat
transfer parameters of slug flow. Based on mass, momentum and energy balances on the unit cell, an
implicit algebraic equation system will be obtained. The solution for a unit cell is found through an
iterative process and then propagated along the pipe, assuming that the pressure and temperature
gradients are linear. As a result, geometric characteristics, phase velocities, pressure and temperature
along the pipe can be known. From the temperature profile, the two-phase heat transfer coefficient can
be calculated, which can be compared with some correlations found in the literature. Results show
good agreement with the reported data in the literature.

Título: Influence of the initial conditions for the numerical simulation of two-
phase slug flow.
Autores: A. A. Pachas N., C. D. Perea M., C. Cozin, R. E. M. Morales, R. A.
Mazza, E. S. Rosa.
Publicado: 13th Brazilian Congress of Thermal Sciences and Engineering.
Local: Uberlândia, MG, Brasil.
Data: 5 a 10 de dezembro de 2010
Resumo: Multiphase flows in pipelines commonly show several patterns depending on the flow rate,
geometry and physical properties of the phases. In oil production, the slug flow pattern is the most
common among the others. This flow pattern is characterized by an intermittent succession in space
and time of an aerated liquid slug and an elongated gas bubble with a liquid film. Slug flow is studied
through the slug tracking model described as one-dimensional and lagrangian frame referenced. In
the model, the mass and the momentum balance equations are applied in control volumes constituted
by the gas bubble and the liquid slug. Initial conditions must be determined, which need to reproduce
the intermittence of the flow pattern. These initial conditions are given by a sequence of flow properties
for each unit cell. Properties of the unit cell in initial conditions should reflect the intermittence, for
which they can be analyzed in statistical terms. Therefore, statistical distributions should be obtained
for the slug flow variables. Distributions are complemented with the mass balance and the bubble
design model. The objective of the present work is to obtain initial conditions for the slug tracking
model that reproduce a better adjustment of the fluctuating properties for different pipe inclinations
(horizontal, vertical or inclined). The numerical results are compared with experimental data obtained
by 2PFG/FEM/UNICAMP for air-water flow at 0º, 45º and 90º and good agreement is observed.



Referências 141

Título: Numerical Analysis of slug flow for slight changes of direction using slug
tracking model (submetido)
Autores: M. G. Conte, C. L. Bassani, C. D. Perea M., O. B. S. Scorsim, C. E. F. do
Amaral, R. E. M. Morales.
Publicado: XXXII Iberian Latin American Congress on Computational Methods in
Engineering.
Local: Ouro Preto, MG, Brasil.
Data: 13 a 16 de novembro de 2011.
Resumo: Slug flow is the most common flow pattern of gas-liquid flow in petroleum industry. Hilly-
terrain pipelines change flow parameter and there’s a need to predict the behavior of the phases for
the production lines design. The present work aims the implementation of this phenomenon in a slug
tracking program. The numerical analysis is developed for two-phase slug flow in horizontal duct with
slight change if directions in 3º, 5º e 7º. The liquid mass accumulation at the low elbow is calculated
from a mass balance equation, which generates a new slug or can be scooped by the next slug. The
Kelvin-Helmholtz stability criterion is implemented for the case of slug generation. A numerical
compensation of the pressure at the elbow is developed during the passage of a slug in the elbow.
The entrance parameters for the program are the liquid and gas flow rates and mean length of the
slugs and the bubbles. The simulations results are the mean values and the distribution (pdf) of the
bubble velocity, the pressure drop and the slug and bubble length. The Numerical results are
compared with experimental data.

Título: Numerical analysis of slug flow in inclined ducts using slug tracking
model (submetido)
Autores: M. G. Conte, C. L. Bassani, C. Cozin, A. E. Nakayama, C. D. Perea M.,
R. E. M. Morales.
Publicado: XXXII Iberian Latin American Congress on Computational Methods in
Engineering.
Local: Ouro Preto, MG, Brasil.
Data: 13 a 16 de novembro de 2011.
Resumo: Slug flow is the most frequently flow pattern in gas-liquid transportation at the petroleum
industry, and the prediction of its parameters is important for pipeline and equipment design and
operation. This pattern is characterized by the intermittent (in space and time) repetition of liquid
masses called slugs (which may contain dispersed bubbles) and elongated gas bubbles, which occupy
almost all pipe cross section. This work presents the numerical analysis of slug flow in inclined lines
using slug tracking model. The mass and momentum conservation equations are applied for each
bubble and slug. The differential equations obtained in the mathematical model are discretized using
Referências 142

the finite difference method and the resulting linear system is solved with the TDMA algorithm. Typical
parameters of slug flow are calculated, such as the bubbles and slugs lengths and velocities and
pressure drop. These variables are monitored through its mean values or distributions in determined
locations along the pipe, or by the following of one bubble passage through the pipe. Numerical results
are compared with the experimental results from 2PFG/FEM/UNICAMP for air-water and air-glycerin
flows in with inclinations of 0º, 15º, 30º, 45º, 60º, 75º and 90º.

Referências 143

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Apêndice A - Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 148


APÊNDICE A – CORRELAÇÕES PARA O COEFICIENTE DE
TRANSFERÊNCIA DE CALOR BIFÁSICO

Nesta seção, algumas correlações para o cálculo do coeficiente de
transferência de calor bifásico são apresentadas.

A.1 Correlação de Kim e Ghajar (2006)

A correlação de Kim e Ghajar (2006) é uma correlação robusta em função de
vários parâmetros do escoamento bifásico. Portanto, é tratada com detalhe porque
requer cálculos prévios. Essa correlação é dada pela seguinte expressão:

Pr 1
1
1 Pr
n p q
m
G G P
TP P L
P L L
F X
h F h C
X F
µ
µ
¦ ¹ (
| | | | | | ÷ ¦ ¦ | |
( = +
´ ` | | | |
÷
\ . (
\ . \ . \ .
¦ ¦
¸ ¸ ¹ )
(A.1)
onde as constantes são C = 0,7, m = 0,08, n = 0,06, p = 0,03 e q = -0,14. O
coeficiente h
L
é calculado da correlação para escoamento monofásico turbulento de
Sieder e Tate (1936):

0,14
4/ 5 1/ 3
0, 027Re Pr
L L
L L L
wL
k
h
D
µ
µ
| |
| |
=
| |
\ .
\ .
(A.2)
onde µ
wL
é a viscosidade do líquido na parede. O número de Reynolds para avaliar
esse coeficiente é calculado através da seguinte expressão:

4
Re
1
L L L
L
L L
U D m
D
µ
µ µ t c
-
= =
÷
(A.3)
A fração de vazio c é calculada pela correlação de Chisholm (1983)

1
0,5
1
1
G L
m L
X
X
µ µ
c
µ µ
÷
(
| | | | ÷ | |
( = +
| | |
\ . (
\ . \ .
¸ ¸
(A.4)
Apêndice A - Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 149


sendo ( ) ( ) 1/ 1 / /
m L G
X X µ µ µ = ÷ + . O título X é a relação entre as vazões de gás e
vazão total, como visto na Eq. (2.21).
A variável F
P
representa o fator de padrão de escoamento que é um parâmetro
que quantifica o perímetro molhado efetivo. Esse parâmetro é encontrado a partir
das configurações geométricas de cada padrão. Para capturar a forma real da
interface líquido-gás, o fator de padrão tem contribuições da fração de vazio e de um
fator de forma F
S
:
( )
2
1
P S
F F c c = ÷ + (A.5)
Por sua vez o fator de forma é encontrado:

( )
( )
2
2
atan
G G L
S
L G
U U
F
gD
µ
t µ µ
| |
÷
|
=
| ÷
\ .
(A.6)
As velocidades de fase são calculadas:

( )
;
1
G L
L G
L L
m m
U U
A A µ c µ c
- -
= =
÷
(A.7)

A.2 Modelo Mecanicista de Camargo (1991)

Camargo propõe um modelo mecanicista para o coeficiente de transferência de
calor bifásico exclusivamente para o padrão de golfadas. Assumindo transferência
de calor unidimensional na direção radial, o h
TP
pode ser obtido através de uma
média:
( )
0 0
U U
t t
TP w
U U
Q dt dt
h T T
S t t
| | | |
= ÷
| |
| |
\ . \ .
} }
(A.8)
t
U
representa a inversa da frequência freq que é calculada com a seguinte
expressão:
Apêndice A - Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 150



S B
U s b
T T
L L
t t t
U U
= + = + (A.9)
Assim, a expressão em (A.8) também pode ser escrita:

( ) ( )
0
0
s b
s
s b
s
t t
LS FG
t
U U
TP
t t
LS wiLS LB wiLB
t
U U
Q Q dt dt
D t D t
h
dt dt
T T T T
t t
t t
+
=
÷ + ÷
} }
} }
(A.10)
É assumido que T
wiLB
~ T
wiGB
e T
LB
~ T
GB
, de tal forma que as taxas de calor
podem ser expressas como:

( )
( ) ( )
LS LS LS LS wiLS
FG LB LB LB wiLB GB GB GB wiGB
Q h S T T
Q h S T T h S T T
= ÷
= ÷ + ÷
(A.11)
Supondo que a variação tangencial da temperatura em uma seção transversal
é uniforme, as temperaturas nas paredes e nos fluidos do filme e da bolha são iguais
T
wiLB
~ T
wiGB
, T
LB
~ T
GB
. A Eq. (A.10) é rescrita:

( ) ( )
( ) ( )
0
0
s U
s
s U
s
t t
LB LB GB GB
LS LS wiLS LB wiLB
t
TP t t
LS wiLS LB wiLB
t
h S h S
h T T dt T T dt
D
h
T T dt T T dt
t
+ | |
÷ + ÷
|
\ .
=
÷ + ÷
} }
} }
(A.12)
A Eq. (A.12) pode ser resolvida para as duas condições de contorno
comumente encontradas nas aplicações de transferência de calor.

Tabela A. 1 – Correlações para o modelo mecanicista de Camargo.

Temperatura constante na parede
S LB LB GB GB B
TP LS
U U
L h S h S L
h h
L D L t
| |
+
= +
|
\ .

Fluxo de calor constante
1 1
S B
TP LS U LB LB GB GB U
L L D
h h L h S h S L
t | |
= +
|
+
\ .


Para os cálculos individuais dos coeficientes h
LS
, h
LB
e h
GB
, Camargo. propõe
utilizar uma correlação da forma de Dittus e Boelter:
Apêndice A - Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 151



0,8 0,3
, ,
F F F F F
F F
F F
U D Cp
h a F LS LB GB
k
µ µ
µ
| | | |
= =
| |
\ . \ .
(A.13)
onde Shoham (2006) propõe a
LS
= 0,03 e a
LB
= 0,037.
Por outro lado, Lima sugere utilizar a correlação de Gnielinski (1976) na
expressão (2.24), a qual é utilizada na validação deste trabalho.

A.3 Outras correlações

O cálculo do coeficiente de transferência de calor bifásico tem sido estudado
por muitos autores. Kim (2002) fez uma recompilação das principais correlações
encontradas na literatura, a qual é reportada a seguir:

Tabela A. 2 – Recompilação de correlações para o cálculo do h
TP
(Kim, 2002)

Autor Correlação
Agour
(1978)
Laminar
( )
1/ 3
0,14
1/ 3
1
1, 615 Re Pr
TP L G
L
L jL L
wL
h h R
D
Nu
L
µ
µ
÷
= ÷
| |
| |
=
| |
\ .
\ .
Turbulento
( )
0,83
0,33
0,83 0,5
1
0, 0155Re Pr
TP L G
L
L jL L
wL
h h R
Nu
µ
µ
÷
= ÷
| |
=
|
\ .

Chu &
Jones
(1980)
0,14
0,17
0,83 0,5
0, 43Re Pr
atm TP L
TP L
L wL
P h D
k P
µ
µ
| |
| |
=
| |
\ .
\ .

Davis &
David
(1964)
0,87
0,28
0,4
( )
0, 060 Pr
L G TP L
L
L G L
D m m X h D
k A
µ
µ µ
- -
| |
| | +
|
=
|
|
\ .
\ .

Dorresteijin
(1970)
Laminar
( )
1/ 3
0,14
0,9 0,33
1
0, 0123Re Pr
TP L G
L
L jL L
wL
h h R
Nu
µ
µ
÷
= ÷
| |
=
|
\ .

Turbulento
( )
0,8
0,14
0,9 0,33
1
0, 0123Re Pr
TP L G
L
L jL L
wL
h h R
Nu
µ
µ
÷
= ÷
| |
=
|
\ .

Apêndice A - Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 152


Dusseau
(1968)
0,87 0,4
0, 029Re Pr
TP
TP L
L
h D
k
=
Elamvaluthi
& Srinivas
(1984)
0,14 1/ 4
0,7 1/ 3
0, 5 Re Pr
G TP L
TP L
L L wL
h D
k
µ µ
µ µ
| | | |
=
| |
\ . \ .

Groosthuis
& Hendal
(1959)
Para ar-água
0,14
0,87 1/ 3
0, 029Re Pr
TP L
TP L
L wL
h D
k
µ
µ
| |
=
|
\ .

Para ar-óleo
0,14
0,39 1/ 3
2, 6Re Pr
TP L
TP L
L wL
h D
k
µ
µ
| |
=
|
\ .

Hughmark
(1965)
0,14
1/ 2
1, 75
TP L L L
L
L L L wL
h D m C
R
k R k L
µ
µ
-
÷
| |
| |
|
=
|
|
\ .
\ .

Khooze et
al. (1976)
0,2 0,55 0,4
0, 26Re Re Pr
TP
jG jL L
L
h D
k
=
King (1952)
0,32
0,52
0,5
0,8 0,4
/
1 0, 025Re
0, 023Re Pr
TP L
TP L L jG
L jL L
h R P P
h L L
Nu
÷
( A A | | | |
=
| | (
+ A A
\ . \ .
¸ ¸
=

Knott et al.
(1959)
1/ 3
1
G
TP L
L
j
h h
j
| |
= +
|
\ .
h
L
de Sieder & Tate (1936)
Kudirka et
al. (1965)
0,14 1/ 8 0,6
1/ 4 1/ 3
125 Re Pr
G G TP L
jL L
L L L wL
j h D
k j
µ µ
µ µ
| | | | | |
=
| | |
\ . \ . \ .

Martin &
Sims(1971)
1 0, 64
G
TP L
L
j
h h
j
| |
= +
|
|
\ .

h
L
de Sieder & Tate (1936)
Oliver &
Wright
(1964)
0,36
1, 2 0, 2
TP
L
L L L
h D
Nu
k R R
| |
= ÷
|
\ .

1/ 3 0,14
2
1, 615 Pr
m L
L L
m wL
J D
Nu
L
µ µ
µ µ
( | |
=
| (
¸ ¸ \ .
Ravipudi &
Godbold
(1978)
0,14 0,3 0,2
0,6 1/ 3
0, 56 Re Pr
G G TP L
jL L
L L L wL
j h D
k j
µ µ
µ µ
| | | | | |
=
| | |
\ . \ . \ .

Serizawa
et al.
(1975)
( )
1,27
1 462
TP L TT
h h X
÷
= +
h
L
de Sieder & Tate (1936)
Apêndice A - Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 153


Ueda &
Hanaoka
(1967)
( )
0,6
Pr
0, 075Re
1 0, 035 Pr 1
TP L
J
L L
h D
k
=
+ ÷

Vijay et al.
(1982)
Laminar
( )
0,451
0,14
1/ 3
/
1, 615 Re Pr
TP L TPF L
L L
jL L
L wL
h h P P
h D D
k L
µ
µ
= A A
| |
| |
=
| |
\ .
\ .
Turbulento
( )
0,451
0,33
0,83 0,5
/
0, 0155Re Pr
TP L TPF L
L L
jL L
L wL
h h P P
h D
k
µ
µ
= A A
| |
=
|
\ .

Sieder &
Tate (1936)
Monofásico
Laminar
0,14
1/ 3
1, 86 Re Pr
L L
jL L
L wL
h D D
k L
µ
µ
| |
| |
=
| |
\ .
\ .

Turbulento
0,14
4/ 5 1/ 3
0, 027Re Pr
L L
jL L
L wL
h D
k
µ
µ
| |
=
|
\ .



Apêndice B - Detalhes dos resultados 154


APÊNDICE B – DETALHES DOS RESULTADOS
B.1 Dados de entrada para Lima (2009)

Nesta seção, são apresentados os dados de entrada para o modelo de célula
unitária utilizados para as simulações com dados de Lima (2009)


j
L

[m/s]
j
G

[m/s]
P
saida

[kPa]
T
en

[K]
h
0

[W/m²K]
T
0

[K]
q'’
[W/m²]
1 0,636 0,465 135,7 318,0 1525 287,25 18635
2 0,721 0,559 142,6 316,3 1925 288,05 19465
3 0,916 0,496 151,7 315,6 1945 288,10 22466
4 1,049 0,452 157,0 314,9 1624 286,35 20394
5 1,053 0,426 157,3 315,0 1910 286,05 24722
6 0,978 0,680 160,0 315,3 1911 286,55 21170
7 0,674 0,790 113,2 317,2 1942 287,50 18488
8 0,774 0,387 140,7 316,3 1922 286,80 18461
9 0,660 0,374 134,6 316,9 1923 287,65 18293
10 0,698 0,220 133,4 316,6 1923 287,60 18711
11 0,579 0,795 137,1 318,7 2312 286,35 24430
12 0,973 0,680 160,0 315,1 2415 286,50 26158
13 0,981 0,647 160,1 312,6 2145 286,15 20594
14 1,024 0,500 157,6 312,8 2110 286,80 21932
15 1,076 0,321 155,0 312,2 1853 286,60 19850
16 1,114 0,216 153,4 312,4 1884 287,30 19702
17 1,232 0,370 167,7 311,2 2620 284,10 28746
18 1,232 0,370 166,9 310,8 2414 285,60 25629
19 1,170 0,558 169,5 310,1 2279 284,45 24617
20 1,123 0,721 171,7 310,1 2279 284,30 22933
21 1,241 0,686 180,0 309,6 2378 285,60 24481
22 1,307 0,462 177,9 309,2 2396 285,60 24633
23 1,380 0,284 174,6 312,5 2212 284,85 27413
24 1,378 0,283 173,7 307,7 2463 284,85 24298
25 1,255 0,297 165,8 309,6 2458 283,75 25082

Apêndice B - Detalhes dos resultados 155


B.2 Dados obtidos do modelo de célula unitária

Com os dados da tabela anterior, foram geradas as células unitárias que
servem como condição de entrada do modelo slug tracking. Essas células são
mostradas a seguir.


freq
[1/s]
L
B

[m]
L
S

[m]
R
GB
R
LS

1 0,67 1,93 0,66 0,378 0,994
2 0,72 2,07 0,64 0,392 0,986
3 1,00 1,39 0,71 0,368 0,981
4 1,20 1,09 0,74 0,352 0,977
5 1,22 1,03 0,76 0,347 0,978
6 0,94 1,87 0,68 0,401 0,970
7 0,58 3,27 0,49 0,438 0,978
8 0,92 1,25 0,71 0,352 0,992
9 0,76 1,14 0,72 0,356 0,998
10 1,10 0,63 0,72 0,314 0,990
11 0,49 3,70 0,44 0,441 0,983
12 0,93 1,83 0,71 0,398 0,971
13 0,96 1,71 0,72 0,392 0,972
14 1,13 1,21 0,75 0,360 0,976
15 1,43 0,68 0,76 0,318 0,982
16 1,72 0,42 0,74 0,288 0,985
17 1,55 0,70 0,78 0,322 0,973
18 1,55 0,70 0,78 0,322 0,973
19 1,24 1,20 0,78 0,366 0,968
20 1,07 1,67 0,75 0,398 0,963
21 1,20 1,44 0,80 0,388 0,959
22 1,49 0,87 0,81 0,341 0,966
23 1,90 0,46 0,79 0,294 0,970
24 1,92 0,45 0,78 0,293 0,970
25 1,72 0,53 0,77 0,303 0,975


Apêndice B - Detalhes dos resultados 156


B.3 Coeficientes de transferência de calor bifásicos obtidos


h
TP
Lima
(2009)
h
TP
Presente
Trabalho
h
TP
K&G
(2006)
h
TP
Shah
(1981)
h
TP
Camargo
(1991)
1 3788 3030 3314 3696 3663
2 3991 3450 3582 4062 4047
3 4905 4341 4526 4734 5098
4 4754 4861 5156 5158 5803
5 5728 4950 5200 5148 5838
6 4564 4446 4634 5087 5362
7 3595 3156 3223 4058 3780
8 3494 3714 3988 4116 4902
9 3537 3380 3463 3675 4266
10 3700 3612 3817 3678 4404
11 4969 3563 2783 3698 3285
12 6459 4503 4588 5050 5320
13 4706 4565 4560 4966 5279
14 6132 4636 4889 5015 5555
15 4194 5128 5282 5031 6348
16 4455 5527 5558 5078 6508
17 7778 5737 5833 5548 7123
18 6479 5725 5816 5535 7106
19 7103 5160 5332 5447 6175
20 6738 5063 4989 5408 5896
21 8492 5637 5501 5759 6487
22 8323 5875 5952 5791 6868
23 7593 6461 6645 6036 7749
24 7366 6560 6329 5795 7614
25 6964 5860 5911 5490 7105


Anexo A - Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 157

ANEXO A – MODELO ESTACIONÁRIO PARA TRANSFERÊNCIA DE
CALOR NO ESCOAMENTO EM GOLFADAS

O escoamento em golfadas pode ser modelado como estacionário se são
utilizados valores médios no tempo. Assim, assume-se um escoamento periódico, o
qual representa fisicamente que uma célula unitária é repetida ao longo do espaço e
do tempo. Os modelos estacionários fornecem uma boa aproximação para valores
médios (Taitel e Barnea, 1990, Dukler e Hubbard, 1975 entre outros), mas ignoram
efeitos transitórios como a coalescência.
No caso da transferência de calor, é desenvolvido um modelo estacionário de
simulação de temperaturas a partir de balanço de energia nas regiões da célula
unitária. O balanço de energia está baseado na primeira lei da termodinâmica
aplicado a um volume de controle infinitesimal da célula unitária em regime
estacionário.

V
VedA µ
C
Q W
- -
= ÷
}
(AA.1)
A fim de obter um modelo com solução analítica, são aplicadas algumas
hipóteses simplificadoras:
- Pressão constante ao longo da bolha alongada.
- Dissipação viscosa desprezível.
- Estado dos fluidos está afastado da região de saturação.
- Líquido incompressível e gás ideal.
- O termo de trabalho deve-se ao trabalho necessário para deslocar o
volume de controle.
- Bolhas quadradas.
Como é um modelo unidimensional, a fonte de calor é o calor fornecido nas
fronteiras laterais do volume de controle. Assim, o calor pode ser expresso pela lei
de resfriamento de Newton. Além disso, a energia total do escoamento está
composta pela energia interna a energia cinética e a energia potencial. A variação
Anexo A - Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 158

da energia cinética é desprezível em relação à energia interna considerando a
ordem de grandeza das velocidades no escoamento em golfadas. Como o
escoamento é horizontal, a energia potencial é igual a zero se o sistema de
referênca encontra-se no mesmo nível do duto.

Figura AA. 1. Volumes de controle para o modelo estacionário.

Aplicando o balanço de massa estacionário aos volumes de controle
infinitesimais na Figura AA. 1, é obtida a seguinte expressão:

2
2
U
U û µ +
û
gz +
<
2
0
2
2
z
z
U
A U û µ
=
A
+
| |
|
÷ +
|
\ .
û
gz +
<
( )
0
0
2 2
2
z z
z z
z
z
A hS z T T UPA UPA
=
A A
+ ÷
A
÷
| |
| |
|
= A ÷ ÷ ÷
|
| \ .
\ .
(AA.2)
O termo da esquerda somado com o último termo da direita resulta em entalpia
específica. Dividindo por Az e fazendo Az0, é obtido:
( )
0
di
AU hS T T
dz
µ = ÷ (AA.3)
A entalpia específica pode ser expressa em função das expressões
apresentadas na revisão bibliográfica para líquido incompressível e gás ideal.
Aplicando a Eq. (AA.3) às regiões da célula unitária, o pistão, o filme líquido e a
bolha alongada, obtém-se:

( )
( )
0 ( )
LS z G
L L LS LS LS LS LS z
dT
C AR U h S T T
dz
µ = ÷ (AA.4)

( ) ( )
( )
0 ( ) ( ) ( )
LB z G
L L LB LB LB LB LB z i i GB z LB z
dT
C AR U h S T T h S T T
dz
µ = ÷ + ÷ (AA.5)
Anexo A - Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 159


( ) ( )
( )
0 ( ) ( ) ( )
GB z G
G G GB GB GB GB GB z i i GB z LB z
dT
Cp AR U h S T T h S T T
dz
µ = ÷ ÷ ÷ (AA.6)
Nota-se que para o caso do pistão, a fonte de calor é devido à troca térmica na
parede. No caso do filme e da bolha existe um calor adicional trocado na região da
interface. Essa troca de calor é causada pela diferença de temperaturas entre os
fluidos.
Para dar solução às Eqs. (AA.4), (AA.5) e (AA.6) é necessário definir algumas
condições de contorno. O sistema de referência z é colocado em zero na interface
pistão e filme. Assim, a coordenada para o pistão é negativa e para o filme é
positiva, como observado na Figura AA. 1. A temperatura nessa interface deve ser
conhecida e é assumida igual à temperatura da mistura T
m
.
- Pistão líquido: 0 ( 0)
S LS m
L z T z T ÷ s s ÷ = =
- Filme líquido: 0 ( 0)
B LB m
z L T z T s s ÷ = =
- Bolha alongada: 0 ( 0)
B GB m
z L T z T s s ÷ = =
A solução da Eq. (AA.4) é facilmente obtida por integração direta. Por outro
lado, as Eqs. (AA.5) e (AA.6) constituem um sistema de equações diferenciais e sua
solução é obtida através de análise matemática. Assim, finalmente são obtidas as
seguintes expressões para a distribuição de temperaturas:
( )
( ) 0 0
exp
G
LS LS
LS z m
L L LS LS
h S
T T T T z
C AR U µ
(
= ÷ ÷
(
¸ ¸
(AA.7)
( ) ( )
( ) 1 1 2 2 3
exp exp
LB z F F F
T r z r z ¢ ¢ ¢ = + + (AA.8)
( ) ( )
( ) 1 1 2 2 3
exp exp
GB x B B B
T r z r z ¢ ¢ ¢ = + + (AA.9)
Onde as constantes são dadas por: r
1
= –[a
1
+b
2
– ((a
1
+b
2
)²–4(a
1
b
2
–a
2
b
1
))
0.5
]/2,
r
2
= –[a
1
+b
2
+((a
1
+b
2
)²–4(a
1
b
2
–a
2
b
1
))
0.5
]/2, ¢
B3
=(c
1
a
2
+c
2
a
1
)/(a
1
b
2
–a
2
b
1
),
( )( ) ( ) ( )
1 2 1 2 3 2 2 3 2 1 3
/
B B B B
T a T r b T c b r r ¢ ¢ ¢ ¢ = ÷ ÷ + ÷ + ÷ ÷ ÷ ,
Erro! Não é possível criar objetos a partir de códigos de campo de edição.,
¢
F1
=(¢
B1
r
1
+b
2
¢
B1
)/a
2
, ¢
F2
=(¢
B2
r
2
+b
2
¢
B2
)/a
2

,
¢
F3
=(b
2
¢
B3
–c
2
)/a
2
.
Anexo A - Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 160

As soluções analíticas apresentadas permitem conhecer o perfil de
temperaturas dentro de uma célula unitária. Para propagar esses resultados ao
longo da tubulação, precisa-se outra metodologia, a qual será apresentada a seguir:
Define-se um gradiente de temperaturas linear para a temperatura da mistura:

B S
LB LS
z L z L T m
m
B S
T T
dT
dz L L
ì
= =÷
÷
= =
+
(AA.10)
Assim, a temperatura da mistura em qualquer ponto da tubulação pode ser
conhecida através da seguinte expressão levando em conta que a temperatura da
entrada da tubulação é conhecida:

( ) ( 0)
T
m z m z m
T T z ì
=
= + (AA.11)
Pode-se observar que para aplicar o modelo estacionário, é necessário
conhecer todos os parâmetros hidrodinâmicos. Caso não sejam conhecidos os
parâmetros L
B
, L
S
, R
LS
, R
GB
e as velocidades, pode-se utilizar o modelo de célula
unitária apresentado no capítulo 5.
A seguir são apresentados alguns resultados de simulações realizadas com o
modelo estacionário. As simulações são realizadas com os dados experimentais de
Lima (2009) com as especificações apresentadas no capítulo 6.
Na Figura AA. 2 observa-se os resultados para j
L
= 1,38 m/s e j
G
= 0,25 m/s
onde os parâmetros hidrodinâmicos são conhecidos. Na Figura AA. 3, observa-se os
resultados para todos os experimentos de Lima (2009) comparados com o modelo
estacionário. Como dados hidrodinâmicos de entrada, foram utilizados os
parâmetros calculados pelo modelo de célula unitária apresentados no capítulo 5.
Os resultados mostram uma boa concordância com os dados experientais para
a estimação das temperaturas e para o coeficiente de transferência de calor bifásico.
Porém, nota-se que os resultados do modelo de seguimento de pistões (Figura 6-5)
têm uma melhor aproximação devido a que considera os efeitos transitórios do
escoamento em golfadas.

Anexo A - Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 161

-0.9 -0.6 -0.3 0 0.3
z [m]
307
308
T

[
K
]
T
S
T
F
T
B
0 1 2 3 4 5 6
z [m]
300
302
304
306
308
310
T
m

[
m
/
s
]
Modelo estacionário
Lima (2009)

Figura AA. 2. (a) Perfil de temperaturas de uma célula unitária. (b) Temperatura da
mistura ao longo do duto.

0 0.3 0.6 0.9 1.2
AT/Az - Lima [K/m]
0
0.3
0.6
0.9
1.2
A
T
/
A
z

-

m
o
d
e
l
o

e
s
t
a
c
i
o
n
á
r
i
o

[
K
/
m
]
+10%
-10%
2000 4000 6000 8000
h
TP
- Lima [w/m²K]
2000
4000
6000
8000
h
T
P

-

m
o
d
e
l
o

e
s
t
a
c
i
o
n
á
r
i
o

[
w
/
m
²
K
]
+30%
-30%

Figura AA. 3. Comparação do modelo estacionário com os resultados experimentais
de Lima (2009).

CÉSAR DANIEL PEREA MEDINA

SIMULAÇÃO NUMÉRICA DO ESCOAMENTO LÍQUIDO-GAS EM GOLFADAS COM TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM DUTOS HORIZONTAIS

Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Engenharia, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais, Área de Concentração em Engenharia Térmica, do Departamento de Pesquisa e Pós-Graduação, do Campus de Curitiba, da UTFPR.

Orientador: Prof. Rigoberto E. M. Morales, Dr. Co-orientador: Prof. Silvio L. M. Junqueira, Dr.

CURITIBA OUTUBRO – 2011

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação
P434 Perea Medina, César Daniel Simulação numérica do escoamento líquido-gás em golfadas com transferência de calor em dutos horizontais / César Daniel Perea Medina.— 2011. xviii,161 f. : il. ; 30 cm Orientador: Rigoberto Eleazar Melgarejo Morales. Coorientador: Silvio Luiz de Mello Junqueira. Dissertação (Mestrado) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais, Curitiba, 2011. Bibliografia: f. 143-147. 1. Escoamento bifásico. 2. Calor – Transferência. 3. Gás – Escoamento. 4. Escoamento em golfadas. 5. Modelos matemáticos. 6. Engenharia mecânica – Dissertações. I. Morales, Rigoberto Eleazar Melgarejo, orient. II. Junqueira, Silvio Luiz de Mello, coorient. III. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pósgraduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. IV. Título. CDD (22. ed.) 620.1

Biblioteca Central da UTFPR, Campus Curitiba

D. 20 de outubro de 2011 .TERMO DE APROVAÇÃO CÉSAR DANIEL PEREA MEDINA SIMULAÇÃO NUMÉRICA DO ESCOAMENTO BIFÁSICO LÍQUIDO-GÁS EM GOLFADAS COM TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM DUTOS HORIZONTAIS Esta Dissertação foi julgada para a obtenção do título de mestre em engenharia. PPGEM / UTFPR . D. M. Dr. Rigoberto E. Ph. Ph. CTC – DEM / PUC-Rio ______________________________ Ricardo Marques de Toledo Camargo. Giuseppe Pintaúde. UO-RIO / ENGP /EE-PETROBRAS ______________________________ Prof. Coordenador de Curso Banca Examinadora ______________________________ Prof. Morales. PPGEM / UTFPR Curitiba. _________________________________ Prof. Negrão. Angela Ourivio Nieckele. Dr. R. área de concentração em engenharia térmica. Cezar O. e aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. Dr.Orientador ______________________________ Prof.

iii

Dedico este trabalho à minha querida filha Noemí Anabel.

iv

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus pelas oportunidades que me foram dadas na vida. Ao Professor Rigoberto, meu orientador, que acreditou em mim e me abriu caminhos nunca antes pensados. Agradeço os bons momentos de discussão, além do estímulo, confiança e dedicação com que orientou este trabalho. Aos colegas de mestrado pela amizade e valiosas sugestões, em especial aos colegas Alex, Fredy e Luis, que também passaram pelo que eu passei: ficar longe da família em busca de um ideal. A todos os meus familiares. Em especial aos meus pais Juana e César pela compreensão e por ser meu exemplo a seguir como profissional. Também aos meus avós, Luz e Oswaldo, pelo carinho incondicional. À Nathaly, por seu apoio constante e seu carinho que me deram força e coragem nos momentos mais difíceis. Obrigado por estar sempre comigo apesar da distância. Aos professores do PPGEM, em especial ao meu co-orientador o professor Silvio, pelos conhecimentos transmitidos que são a base desta dissertação e da minha formação profissional. Aos membros do Laboratório de Ciências Térmicas, em especial à Cristiane, Paulo, Fernando e Víctor pela amizade e por proporcionar um ambiente de trabalho agradável. À Capes e à Petrobras pelo apoio financeiro e incentivo à pesquisa.

v

“Só os que sonham ousam, só os que ousam vencem.” (Lynda Trent)

pressão e temperatura. que está caracterizado por utilizar a formulação integral das equações de balanço em regime transitório para um volume de controle móvel. modelo de seguimento de pistões. O escoamento em golfadas está caracterizado pela sucessão alternada de uma bolha alongada e um pistão líquido aerado. Assim. A abordagem será realizada através de um modelo de seguimento de pistões. RESUMO Problemas de escoamento bifásico com transferência de calor são encontrados com frequência nas diversas áreas da engenharia. lagrangeano permite observar a evolução dos parâmetros em cada bolha ao longo do tempo. César Daniel.vi PEREA MEDINA. . Finalmente. a solução dos dois sistemas permite avaliar a interação entre os parâmetros térmicos e hidrodinâmicos. o modelo é validado com dados e correlações obtidos da literatura. Como resultado. Curitiba.Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. Palavras-chave: Escoamento bifásico. é possível monitorar fenômenos como as flutuações de pressão e temperatura. 159p. Assim. transferência de calor. 2011. a fim de analisar o problema em termos de velocidade. O modelo unidimensional. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. As equações governantes serão encontradas através de balanços de massa. Nesse cenário. Dissertação (Mestrado em Engenharia) . os quais interagem nos termos de compressibilidade do gás e nas propriedades dos fluidos. As variáveis são monitoradas através de sondas eulerianas e lagrangeanas ao longo do duto. dois sistemas de equações lineares são obtidos: um sistema pressão-velocidade e um sistema de temperaturas. mostrando uma boa concordância. que variam com a temperatura. quantidade de movimento e energia. Simulação numérica do escoamento bifásico líquido-gás em golfadas com transferência de calor em dutos horizontais. o presente trabalho propõe estudar a transferência de calor sem mudança de fase em um dos padrões de maior ocorrência no escoamento bifásico líquido-gás: o escoamento em golfadas.

In this work. César Daniel. Dissertation (Master in engineering) . Numerical Simulation of two-phase liquid-gas slug flow with heat transfer in horizontal ducts. . good agreement between the literature data and the proposed model was found. a slug tracking model based on the integral form of the balance equations in unsteady conditions for a moving control volume will be used to describe the phenomenon. 159p. momentum and energy balances was developed. which act on the calculation of the gas compressibility terms and on the temperature-dependent fluid properties. 2011. Eulerian and lagrangian probes are used to monitor the problem variables. thus making it possible to monitor pressure and temperature fluctuations. the present work aims at studying nonboiling heat transfer in one of the most common two-phase flow patterns: slug flow. With such objective in mind. Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. This one-dimensional lagrangian model allows one to keep track of the evolution of each slug and bubble over time. Keywords: two-phase flow.vii PEREA MEDINA. a set of governing equations based on mass. In order to analyze the problem in terms of the fluid velocities. heat transfer. Finally. The discretization of the aforementioned equations yields two linear systems: a pressure-velocity system and a temperature one. The interaction between the hydrodynamic and thermal parameters is obtained through the solution of these two systems. This type of flow is characterized by the intermittent succession of two structures: an aerated slug and an elongated bubble. ABSTRACT Many industrial applications require the calculation of heat transfer in gas-liquid two-phase flows. pressures and temperatures. slug tracking.Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais.

................................................................4.......................2 2........................................... 45 Equações acopladas ...........4.........................................4.........................................3 2.........................2............................... 11 Modelos transientes ......... 27 Velocidade de translação da bolha alongada .................................................................................2 2.4 Revisão de trabalhos sobre escoamento bifásico com transferência de calor ................................................................................................. 31 Comentários finais......................5.3 2............. 6 Estrutura do trabalho ............. 9 Revisão dos modelos existentes para escoamento em golfadas .......... xi LISTA DE TABELAS .......................................................................................................... xvi 1 INTRODUÇÃO..................................................... xv LISTA DE SÍMBOLOS........... 32 Fração de líquido no pistão .1 1...........................2......2 3...................................................1 3....... 15 Definições básicas.1 3................................ 24 Relações de transferência de calor........................................................................................................... xiv LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS .....4 2..............................................................5.....................................6 Equações constitutivas.... 22 Relações termodinâmicas ..............................3 Balanço de quantidade de movimento ............................................................. 41 Balanço de massa de líquido no pistão..................4 2................................................................ 47 ....... 20 Relações geométricas .................................... 11 Modelos estacionários.......................4................................. 43 Balanço de massa de líquido no filme......................................37 3............................................ 37 Balanço de massa .5 2...1 1..................................2.................. 13 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................2..4 3...................... 20 Relações cinemáticas............................................ 7 Conceitos básicos sobre escoamento em golfadas.............................................................................................viii SUMÁRIO RESUMO..................... 33 Tensão de cisalhamento e fator de atrito ................................ 34 2............................................. 5 Justificativa ................................................................2..........................................................................................1 2..........................................................................................................................5...................9 2................................................................3 3................................................................... vii LISTA DE FIGURAS .................. 35 Considerações gerais sobre a modelagem matemática ..........................1 2........................................ 44 Balanço de massa de gás na bolha alongada ..........................................................................................2..................................................................................................................................................2........................................................................................................................................................................2 2.........3 Objetivos............................................................................................5 3.............................................................................................................1 2..................................................................2 1...........................5............................................................... 42 Balanço de massa de gás no pistão ................. 31 Velocidade de translação das bolhas dispersas ...........................2 3.....................................................................2 2. vi ABSTRACT .................. 46 3 MODELAGEM MATEMÁTICA ...............1 2..................................3 2.................................................................................

.....................................1 4.......................................................... 62 Comentários finais..........................................................................................................4 4.............................. 86 Desenvolvimento da simulação................. 58 Balanço de energia na bolha alongada de gás...... 91 Modelo estacionário para geração da célula unitária na entrada ...................73 4.............1 3...........1 3....................4 3.................................................................................................... 104 Validação utilizando um modelo estacionário ........2..........2 4....2 4.............. 97 5 CONDIÇÕES INICIAIS........................................ 49 Balanço de energia do líquido no pistão ........................6 3.............................................................4 Processo de entrada de células unitárias no domínio de cálculo .........................................2 4. 85 Sondas virtuais ....................................2.....................................................................................................................................103 6...................................................1................................1..........3 4................................................................2 5.............................. 89 Sonda euleriana ..........4.......... 90 Condições iniciais.............. 71 Discretização ..................................... 74 Discretização da equação da conservação da energia . 106 6 RESULTADOS .........................................5 3... 94 Dados de transferência de calor .....2....3 3.........1 4..........1 6..............................................................1.................2 3.4 3.........1 6.......5...........2 4..........................................3 5.................. 87 Fim da simulação .3 4..............................................................4 3....................... 89 Sonda de fotografia ............ 52 Equações auxiliares ........................................................... 84 Dados de entrada ...........................2...............................3 4...........................................................................................................................5........................................................................5 3.........3 4..........................................................2 3.................. 68 Coeficiente de transferência de calor bifásico .................................................5................................................ 61 Velocidade das superfícies de controle..................................................1 4..............................................1 5..................................3 3....... 65 Coeficiente de transferência de calor global .......3.........................................................................................................6 Acoplamento de pressões..........2................ 90 4 METODOLOGIA DE SOLUÇÃO................. 66 Temperatura da mistura ..................1 4......................................................5...........................................................................................2 5.................... 103 Validação com escoamento monofásico................................................................................................................5............... 86 Início da simulação..................................................4................1......... 89 Sonda lagrangeana .............................................................4 Algoritmo de solução ............... 73 Discretização das equações do sistema pressão-velocidade ........1 5.4............................................. 59 Balanço de energia na parede do duto .......................................................................................................................................................3.........................3........................................................................................................... 93 Dados hidrodinâmicos ..... 55 Balanço de energia de líquido no filme ....................................................................................................91 5................ 63 Velocidade do filme líquido e da bolha alongada....................... 101 Validação do modelo ................................................................................................... 70 Balanço de energia.......... DE ENTRADA E DE SAÍDA .......... 99 Processo de saída de células unitárias.........4.......1..............2...................................................... 89 Considerações gerais da solução numérica ........................................................................................3...................... 63 Coalescência de bolhas .2 ..... 79 Discretização das equações auxiliares .............................................................ix 3...........1 3......5..........

....................................................................................... 111 Temperatura externa constante (TEC)..........................................................3 Outras correlações..................................................................3 Coeficientes de transferência de calor bifásicos obtidos..................................1 6.........................136 7.........................4 Validação com dados experimentais.....3 6......................................................................... 154 B.........................................................................................................................................................................................................................154 B.............x 6......................................2 Modelo Mecanicista de Camargo (1991).............4 6.................... 107 Validação com correlações da literatura ....2. 125 Simulações numéricas ..1 Correlação de Kim e Ghajar (2006)..........................................157 ............................................ 116 Fluxo de calor constante na parede (FCC) .........2....................... 149 A.............143 APÊNDICE A – Correlações para o coeficiente de transferência de calor bifásico..................................1 Dados de entrada para Lima (2009)........................................................................139 REFERÊNCIAS......................................................................... 148 A.......... 132 Sugestões para trabalhos futuros .............................1 PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO PERÍODO 2009-2011.....148 A................. 137 7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ..........2 6......................................................................................... 155 B.3 6............................... 156 ANEXO A – MODELO ESTACIONÁRIO PARA TRANSFERÊNCIA DE CALOR NO ESCOAMENTO EM GOLFADAS ..................................1................................................. 128 Influência da transferência de calor nos parâmetros hidrodinâmicos.........................................................2 Dados obtidos do modelo de célula unitária...........................................2 6... 114 Análise dos parâmetros influentes na transferência de calor ........ 151 APÊNDICE B – Detalhes dos resultados ...........................................................1.........

............66 Figura 3-11 – Resistências térmicas na seção transversal do duto ......... ........................................92 Figura 5-2 – Modelo de bolha de Taitel e Barnea (1990a) ..7 Figura 2-1 – Conceito de célula unitária..97 Figura 5-4 – Temperaturas da célula unitária da entrada............55 Figura 3-7 – Fluxos de calor na bolha-filme (a) e no pistão (b) ..............56 Figura 3-8 – Balanço de energia na parede do duto..................................................................4 Figura 1-4 – Transporte de petróleo nas profundidades marinhas.....37 Figura 3-2 – Célula unitária j e configuração da pressão.......................................................................... ............ ....... a) Temperatura externa constante............. .............38 Figura 3-3 – Volumes e superfícies de controle para a j-ésima célula unitária.........................105 ...........2 Figura 1-3 – Mudança de padrão de escoamento em um tubo evaporador horizontal......95 Figura 5-3 – Sequência de integração do modelo de bolha........................ ......................21 Figura 3-1 – Geometria do problema em estudo....................67 Figura 4-1 – Algoritmo da simulação.......................98 Figura 5-5 – Processo de entrada de bolhas na tubulação................................................. ............................... ....................101 Figura 6-1 – Redução do modelo de seguimento de pistões para o caso monofásico.................................................................... .........40 Figura 3-4 – Volumes de controle no acoplamento de pressões...............................49 Figura 3-5 – Volume de controle para o modelo de Taitel e Barnea (1990)..................62 Figura 3-9 – Volume de controle para a velocidade do filme e da bolha............. ...............................100 Figura 5-6 – Processo de saída de bolhas da tubulação...................................................... b) Fluxo de calor constante.......................10 Figura 2-2 – Descrição das partes de célula unitária........ ...88 Figura 5-1 – Representação gráfica da condição inicial na simulação......... ...........................................11 Figura 2-3 – Seção transversal da tubulação: a) bolha b) pistão................................................................................ ..........64 Figura 3-10 – Modelagem da coalescência de bolhas.....xi LISTA DE FIGURAS Figura 1-1 – Padrões de escoamento bifásico líquido-gás horizontal....... ......51 Figura 3-6 – Condições da transferência de calor na seção transversal....2 Figura 1-2 – Padrões de escoamento bifásico líquido-gás vertical ..................................................................................

...112 Figura 6-7 – Temperaturas médias da mistura e do gás ao longo do duto para os testes A@W#1 e 2 com temperatura externa constante.................. ..... a) Kim e Ghajar (2006)....... c) Shah (1981).......37 m/s............................. c) e d) jL = 0............23 jG = 0...................... .............107 Figura 6-3 – Comparação para os resultados de temperaturas.111 Figura 6-6 – Comparação do hTP numérico com as correlações...... ..........109 Figura 6-4 – Validação com dados de temperatura................................................58 jG = 0... a) jL = 0.......................................67 e jG = 0..110 Figura 6-5 – Comparação entre o coeficiente de transferência de calor experimental e o calculado no presente trabalho (ST: Slug Tracking)......... b) Camargo (1991)..................... a) e b) jL = 0.......119 Figura 6-9 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) seguindo a bolha 120 ao longo do duto para A@W#1.25 jG = 0............................. a) e c) h0 = 500 W/m²K.......121 Figura 6-11 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) segundo a sonda de fotografia no instante t = 70 s para A@W#1......................127 Figura 6-16 – Coeficiente de transferência de calor bifásico ao longo do duto para os testes A@W3-4 com fluxo de calor constante.........................................................121 Figura 6-12 – Coeficiente de transferência de calor bifásico hTP ao longo do duto para os testes A@W#1-2 com temperatura externa constante..8 m/s........120 Figura 6-10 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) seguindo a bolha 120 ao longo do duto para A@W#3.129 ......................126 Figura 6-15 – Coeficiente de transferência de calor bifásico ao longo do duto para os testes A@W1-2 com fluxo de calor constante.128 Figura 6-17 – Relação entre o número de Reynolds do líquido (a) e do gás (b) com o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP............................... b) Sonda lagrangeana..... c) jL = 1.......................53 e jG = 0.............97 jG = 0.124 Figura 6-14 – Distribuição de temperaturas da mistura ao longo do duto para a condição de fluxo de calor constante..................... b) jL = 0............123 Figura 6-13 – Coeficiente de transferência de calor bifásico hTP ao longo do duto para os testes A@W#3-4 com temperatura externa constante.... a) Sonda euleriana...68 m/s........47 m/s............................... ............. d) jL = 1..........................................30 m/s........59 m/s..........................................................................................................118 Figura 6-8 – Temperaturas médias do líquido e do gás ao longo do duto para os testes A@W#3 e 4 com temperatura externa constante.. ...........xii Figura 6-2 – Temperatura ao longo do duto comparado com um modelo estacionário... b) e d) h0 = 1000 W/m²K...

..............131 Figura 6-21 – Influência da temperatura nos comprimentos LB e LS para diferentes velocidades superficiais............................................131 Figura 6-20 – Relação entre a relação de comprimentos LB/LU com o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP.................................. ..... ........xiii Figura 6-18 – Relação entre o número de Prandtl do líquido (a) e do gás (b) com o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP................................................................................................................130 Figura 6-19 – Relação entre a velocidade de mistura J (a) e a frequência freq (b) com o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP......134 Figura 6-22 – Influência da temperatura nas velocidades do pistão ULS e de translação UT para diferentes velocidades superficiais...........................................135 .

...................................... Dados de entrada para a validação com dados de temperatura... 35 Tabela 5-1 – Expressões para o cálculo de temperatura de entrada nas paredes.....114 Tabela 6-4 – Resultados do modelo estacionário como condição de entrada ..............30 Tabela 2-3 – Coeficientes para a velocidade de translação da bolha ......22 Tabela 2-2 – Expressões para o coeficiente de transferência de calor bifásico.. ........115 Tabela 6-5 – Posição das estações virtuais de medição...... diâmetro hidráulico e número de Reynolds.........xiv LISTA DE TABELAS Tabela 2-1 – Relações geométricas para escoamento horizontal........................................................................ .110 Tabela 6-3 – Definição das condições de simulação para escoamento ar-água.......................116 ................... .....108 Tabela 6-2 – Condições de simulação para a validação com dados experimentais.... ....32 Tabela 2-4 – Tensão de cisalhamento.99 Tabela 6-1........................... .....

Correlação de Kim e Ghajar .Laboratório de Ciências Térmicas .xv LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CD FCC KG LACIT ST TEC UTFPR .Universidade Tecnológica Federal do Paraná .Completamente desenvolvido .Slug Tracking: Modelo de seguimento de pistões .Temperatura externa constante .Fluxo de calor constante .

Taxa de energia total .Fator de esteira .Número de Nusselt .Pressão .Energia total .Fração volumétrica de fase [m²] [J/kgK] [J/KgK] [J/KgK] [m] [J/kg] [J] [W] [s-1] [m/s²] [W/m²K] [J/kg] [m/s] [m/s] [W/mK] [m] [kg/s] [Pa] [W/m] [W] [W/m²] - f Fr g h freq .Área da seção transversal do duto .Número de Froude .Vazão mássica .Energia específica total .Coeficiente de velocidade da bolha .Número de Prandtl .Fluxo de calor .Diâmetro do duto .Taxa de calor transferido por unidade de comprimento .Velocidade da mistura .xvi LISTA DE SÍMBOLOS A C C0 C∞ Cp Cv D e E E  .Velocidade superficial .Número de células unitárias no interior do duto .Entalpia específica .Aceleração da gravidade .Calor específico .Comprimento .Condutividade térmica .Frequência da célula unitária h i j J k L  m n Nu P Pr Q Q q ''  R .Coeficiente de velocidade da bolha .Taxa de calor fornecido .Calor específico a pressão constante .Fator de atrito .Calor específico a volume constante .Coeficiente de transferência de calor médio na região .

j-ésima célula unitária .Gás no pistão .Ângulo de inclinação do duto .Região da bolha alongada .Número de Reynolds .Título .s] [kg/m³] [Pa] Re S t T U û W  x X y z      Subscritos L G S B LS GS LB GB m T j SP TP .Líquido no pistão .Posição do frente do pistão .Constante dos gases ideais .Bifásico (Two-phase) .Posição da frente da bolha .Região do pistão .Perímetro molhado .Energia interna específica .Direção axial .Ângulo interno do perímetro molhado de líquido .Gás .Tempo .Velocidade .Viscosidade .xvii  .Temperatura .Líquido .Monofásico (Single phase) .Massa específica .Líquido na região da bolha alongada (filme líquido) .Taxa de trabalho .Translação da bolha alongada .Tensão de cisalhamento [J/KgK] [m] [s] [K] [m/s] [J/kg] [W] [m] [m] [m] [Pa.Gás na região da bolha alongada .Mistura .

Parede interna .Entrada .Célula unitária .Drift .xviii U D 0 en w wi .Parede externa .Propriedades no meio externo .

as fases são mais suscetíveis aos efeitos da gravidade.Capítulo 1 . Problemas desta natureza ocorrem em diversas aplicações da engenharia. Aumentando ainda mais a vazão de gás. está envolvido em muitas aplicações na indústria. A complexidade do estudo dos escoamentos multifásicos deve-se às interações entre as estruturas das fases envolvidas. na parte inferior do duto. os pistões de líquido desaparecem deixando um núcleo de gás contínuo com pequenas gotas de líquido. as quais dependem das condições operacionais (vazão e pressão). tem-se escoamento estratificado observado na Figura 1-1a.Introdução 1 1 INTRODUÇÃO O escoamento simultâneo de duas ou mais fases (sólido. Essas ondulações são maiores quando aumenta a fração volumétrica de líquido podendo chegar até a parede superior do duto. O entendimento dos fenômenos associados a estes problemas é fundamental para o aprimoramento dos processos e dos equipamentos que operam com este tipo de escoamento. em sistemas térmicos com mudança de fase e nas linhas de produção de petróleo. respectivamente. grandes bolhas de gás são presas entre pistões de líquido gerando um padrão intermitente. está distribuida geometricamente de diferentes formas. denominado escoamento em golfadas (Figura 1-1b). Alguns dos principais padrões de escoamento líquido-gás em dutos horizontais e verticais são apresentados na Figura 1-1 e na Figura 1-2. o qual é chamado escoamento anular (Figura 1-1c). a interface apresenta ondulações. das propriedades físicas dos fluidos e da configuração geométrica do duto. Assim. de maior massa específica. Quando a vazão de gás aumenta. Para baixas vazões de gás e líquido. líquido ou gás). ou com vazões de líquido baixas. para altas vazões de líquido apresenta-se escoamento . Por outro lado. por exemplo. no transporte de materiais na mineração. o qual é chamado escoamento multifásico. posicionando o líquido. A superfície que separa os fluidos chama-se interface e particularmente no escoamento bifásico líquido-gás. Os diferentes arranjos são conhecidos como padrões de escoamento e sua identificação é fundamental para o desenvolvimento de modelos matemáticos. A Figura 1-1 apresenta os padrões mais conhecidos em dutos horizontais. Neste caso.

Figura 1-1 – Padrões de escoamento bifásico líquido-gás horizontal.Introdução 2 em bolhas dispersas (Figura 1-1d) onde as pequenas bolhas discretas tendem a estar na parte superior do duto.Capítulo 1 . Figura 1-2 – Padrões de escoamento bifásico líquido-gás vertical .

será o objeto de estudo no presente trabalho. duas estruturas de forma alternada são observadas: a bolha alongada de gás e o pistão de líquido. até chegar ao padrão anular (Figura 1-2d). O escoamento em golfadas é um escoamento intermitente cujas características variam no espaço e no tempo. onde a configuração geométrica das fases tende a ser mais simétrica em relação ao eixo do duto. o escoamento passa por uma transição de aparência caótica. Em alguns cenários não é possível desprezar os efeitos da troca de calor. pois a temperatura influi diretamente nas propriedades . A maior parte do gás está concentrada na bolha alongada. como pode ser observado nas Figura 1-1b e Figura 1-2b.Introdução 3 Na Figura 1-2 apresentam-se os padrões mais conhecidos do escoamento vertical ascendente. porém. as bolhas coalescem e originam as golfadas que se arranjam no centro do duto e apresentam um filme líquido descendente (Figura 1-2b). Quando a vazão de gás aumenta. para determinadas condições de vazão. muitas vezes os efeitos da troca de calor são desprezados e apenas é analisada a hidrodinâmica do escoamento.Capítulo 1 . No escoamento horizontal. a exemplo de Taitel e Dukler (1976). O padrão de bolhas (Figura 1-2a) aparece usualmente para baixas vazões de gás. também conhecido como slug flow. Devido à essa complexidade. o qual existe em uma ampla faixa de velocidades de fase segundo os estudos de diversos autores. Um dos padrões com maior ocorrência nas aplicações industriais é o escoamento em golfadas. Neste caso. existe uma pequena fração de gás no interior do pistão em forma de bolhas dispersas. pistão e filme) o desenvolvimento de modelos para a predição do comportamento deste tipo de fenômenos torna-se complexo. Esse padrão de escoamento. O pistão líquido preenche completamente a seção transversal. enquanto a bolha alongada escoa junto com um filme líquido. chamada agitada (Figura 1-2c). onde as bolhas são distribuídas uniformemente na seção transversal do duto. Devido à interação entre as estruturas do escoamento em golfadas (bolha. no qual as bolhas alongadas coalesceram totalmente e apresentam um núcleo de gás no centro da tubulação. a bolha encontra-se encostada na parte superior do duto enquanto no escoamento vertical posiciona-se de forma concêntrica ao duto. Para vazões maiores de gás.

Os estudos anteriores sobre escoamento bifásico com transferência de calor são. são limitados a correlações empíricas para o coeficiente de transferência de calor. pode-se deduzir que é necessária a classificação do escoamento antes de começar a modelagem. na maioria. a energia específica pode ser expressa em função da temperatura. Figura 1-3 – Mudança de padrão de escoamento em um tubo evaporador horizontali. No caso particular dos problemas com transferência de calor é possível ignorar a mudança de fase e considerar fluidos com calores específicos constantes. 2006). As variáveis térmicas dependem por sua vez das características hidrodinâmicas (Deshpande et al.. Assim. i Baseado em Thome. a troca de calor pode afetar diretamente as propriedades físicas dos fluidos. a temperatura também influi na viscosidade. Apesar de não considerar a mudança de fase. a qual por sua vez influi nos termos de atrito diretamente relacionados com a queda de pressão. a massa específica da fase compressível (gás) varia com a temperatura. Tais trabalhos. assumindo adicionalmente baixas pressões. sendo necessário o uso de uma equação de estado. predominantemente experimentais. 2010 .Capítulo 1 . empíricos e independentes do tipo de padrão de escoamento (Shoham. 1991) evidenciando uma relação direta entre o mecanismo de transferência de calor e o tipo de padrão de escoamento. Por exemplo. Recentemente. Além disso.Introdução 4 físicas das fases e o calor adicionado pode ocasionar mudanças de fase como é observado na Figura 1-3. No entanto é conhecido que as equações governantes das variáveis hidrodinâmicas têm dependência direta do tipo de padrão de escoamento.

Para sua solução. Camargo (1991). Com a finalidade de atingir os objetivos propostos. podem-se simular fenômenos típicos do escoamento em golfadas tais como a intermitência e a coalescência de bolhas. 2009). as equações resultantes da modelagem serão discretizadas e implementadas em um programa computacional na linguagem FORTRAN utilizando Microsoft Visual Studio ® 2005 como plataforma de desenvolvimento e programação orientada a objetos. Dessa forma. desenvolvido pelo LACIT (Laboratório de Ciências Térmicas . Lima (2009). Dessa forma. Nesse método é possível acompanhar a evolução no espaço e no tempo das bolhas e pistões se propagando ao longo da tubulação. também chamado slug tracking (Rodrigues. as equações de balanço de massa.Introdução 5 através do esforço de diversos pesquisadores como Kim e Ghajar (2006).Capítulo 1 . O modelo matemático leva em conta pistões aerados e a compressão do gás devido às variações de pressão e temperatura. portanto será utilizado um método lagrangeano de seguimento de pistões.1 Objetivos O objetivo do presente trabalho é desenvolver um modelo matemático unidimensional para simular a hidrodinâmica e a transferência de calor no escoamento bifásico líquido-gás no padrão de golfadas em dutos horizontais. Zhang et al. As equações resultantes serão expressas em função das variáveis: pressão. velocidade e temperatura e outros parâmetros típicos do escoamento bifásico. O principal interesse é analisar a evolução da célula unitária ao longo do duto. será obtido um modelo mais . Esse programa é uma evolução do programa existente. O modelo de transferência de calor será acoplado ao modelo hidrodinâmico desenvolvido por Rodrigues (2009).UTFPR). As condições térmicas a serem estudadas são as de temperatura externa constante e fluxo de calor constante na parede. (2006). 1. entre outros foram realizados estudos mais específicos que evidenciaram a influência do padrão de escoamento na transferência de calor. de quantidade de movimento e de energia na forma integral serão aplicadas às estruturas do escoamento em golfadas. que resolve o modelo hidrodinâmico.

A primeira motivação para o estudo do escoamento bifásico referiu-se às plantas de energia com reatores nucleares principalmente por motivos de segurança. gerando desta forma um escoamento de líquido-vapor pelos dutos de refrigeração. Escoamentos bifásicos ocorrem nos processos de vaporização e condensação em sistemas térmicos. a temperatura aumentará podendo causar danos ao reator. Na indústria do petróleo. óleo. são encontrados areia. A fim de produzir energia. Nesse cenário. sistemas de geração de energia e outros processos onde a mudança de fase é significativa e o principal mecanismo de transferência de calor é a convecção forçada. água e gás natural escoando simultaneamente.2 Justificativa Estudar escoamentos bifásicos com transferência de calor é de relevância significativa em muitas áreas da indústria.Introdução 6 completo que analise o problema em termos das variáveis: pressão. Também na absorção de gases. como observado na Figura 1-4. No oceano a temperatura cai com a profundidade. neste processo. Normalmente. especificamente nos condensadores. Por essa razão. as condições ambientais externas desde o início da tubulação até a saída mudam consideravelmente. lembrando que as linhas de transporte podem ter quilômetros de comprimento. caldeiras. em contraste com . a qual se evaporará em contato com o calor. Se a vazão de fluido refrigerante diminuir. o estudo de cada um dos problemas envolvidos na extração torna-se importante. é utilizada água como fluido refrigerante. Com as novas bacias de petróleo em águas profundas descobertas recentemente na camada pré-sal. as plantas nucleares geram calor que será convertido em energia elétrica. velocidade e temperatura. Naturalmente as condições ambientais de pressão e temperatura serão muito diferentes no leito do oceano e na camada pré-sal. chegando a 4°C.Capítulo 1 . uma etapa fundamental da produção é o transporte através das linhas de produção. água de emergência é injetada. 1. sistemas de refrigeração e trocadores de calor de contato direto. Para evitar que as estruturas sejam danificadas pelas grandes temperaturas.

podem ocorrer fenômenos físicos governados por processos termodinâmicos.3 Estrutura do trabalho O presente trabalho está dividido em sete capítulos. a exemplo da massa específica e da viscosidade. ANM: Árvore de natal molhado. Adicionalmente. explica os Fonte: http://www. Figura 1-4 – Transporte de petróleo nas profundidades marinhasii. 1. evidenciando trocas térmicas significativas. tais como a formação de hidratos e a cristalização de parafinas (Lima.Introdução 7 as altas temperaturas dos reservatórios de óleo.manutencaoesuprimentos. Essa troca de calor alterará as propriedades dos fluidos. que estão relacionadas diretamente com a queda de pressão. que podem obstruir o duto através do acúmulo de sólidos.Capítulo 1 . que tem foco em uma linha de pesquisa de muitas aplicações práticas. ii . 2009). o desenvolvimento do trabalho. No primeiro capítulo é apresentada uma introdução que descreve o problema de forma geral.com. Além disso. poderá servir de referência para futuros trabalhos na área.br.

A revisão bibliográfica também abrange o fenômeno de transferência de calor no escoamento bifásico e as abordagens existentes sobre escoamento em golfadas. equações auxiliares são apresentadas para modelar fenômenos como a velocidade de translação da bolha e a coalescência. cada uma das etapas da simulação é explicada de forma geral com ajuda de um diagrama de fluxo. adicionando uma fonte de calor fictícia a fim de analisar a influência da transferência de calor nos parâmetros hidrodinâmicos. No quinto capítulo essas condições são discutidas em detalhe. São apresentados os conceitos básicos do escoamento em golfadas necessários para o completo entendimento do fenômeno físico. no sétimo e último capítulo. A fim de complementar a metodologia de solução apresentada no capítulo 4. A seguir. é realizada a discretização das equações governantes encontradas no capítulo três. Na primeira parte é realizada a validação do modelo através da comparação com dados e correlações encontrados na literatura. a metodologia para a solução do modelo matemático é exposta em detalhe. No segundo capítulo é realizada uma revisão da bibliografia relacionada com o problema em questão. Balanços de massa. os resultados das simulações são discutidos. onde são deduzidas as equações governantes do fenômeno. Finalmente.Capítulo 1 . bem como as recomendações e as sugestões para futuros trabalhos. Finalmente. Na segunda parte o modelo é aplicado a casos com dados hidrodinâmicos validados experimentalmente. as conclusões do trabalho são apresentadas. Primeiramente. No sexto capítulo. condições iniciais e condições de entrada e saída da tubulação são definidas. No terceiro capítulo é realizada a modelagem matemática do problema.Introdução 8 objetivos a serem atingidos e mostra as justificativas para a realização do estudo. é descrito o procedimento para a solução das equações discretizadas. . quantidade de movimento e energia são realizados em volumes de controle constituídos pelas bolhas alongadas e pistões que se propagam ao longo da tubulação em regime transitório. Além disso. No quarto capítulo. assim como a modelagem de processos específicos como a entrada e saída de bolhas.

na parede superior. cinemáticos. portanto o escoamento é classificado como intermitente. primeiramente será tratada a física do escoamento bifásico em golfadas e o fenômeno de transferência de calor sem mudança de fase. onde serão tratados parâmetros geométricos. foi necessário realizar uma revisão detalhada dos diferentes trabalhos desenvolvidos no assunto. termodinâmicos e da transferência de calor. Logo depois serão apresentados os conceitos básicos para se familiarizar com a terminologia do escoamento bifásico. Assim. Finalmente. a configuração geométrica dos fluidos é mostrada na Figura 2-1. Os efeitos da gravidade posicionam a bolha alongada. as bolhas dispersas no interior do pistão estão concentradas nas proximidades da parede superior.1 Conceitos básicos sobre escoamento em golfadas Antes de apresentar os modelos existentes para o estudo do escoamento em golfadas. Essas estruturas têm um comportamento irregular e suas variáveis mudam ao longo do espaço e do tempo. Para escoamento horizontal e ligeiramente inclinado. O escoamento em golfadas apresenta duas estruturas de forma alternada: um pistão de líquido com bolhas de gás dispersas no seu interior e uma bolha alongada de gás que escoa paralelamente a um filme líquido (Figura 2-1). Uma forma de abordar o fenômeno do escoamento em golfadas é através do conceito de célula unitária introduzido por Wallis (1969) e apresentado na Figura 2-1. No desenvolvimento do presente capítulo. serão especificadas. 2. Observa-se que uma célula unitária é composta por um pistão de líquido e sua bolha alongada adjacente com o respectivo filme líquido.Capítulo 2 . Além disso. algumas relações de fechamento. de menor massa específica. Wallis (1969) afirma que uma vez descrito o comportamento de uma célula unitária típica. ou equações constitutivas. O filme líquido não apresenta bolhas dispersas. são definidas as características principais deste padrão.Revisão Bibliográfica 9 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A fim de estudar o escoamento bifásico em golfadas com transferência de calor. todas as .

Dukler e Hubbard (1975) afirmam que a dinâmica do pistão pode ser dividida em duas regiões. Consequentemente. Apresenta a particularidade que o nariz da bolha se movimenta com uma velocidade maior do que o resto da bolha. o ressalto hidráulico e a cauda. A região em contato com o nariz da bolha posterior encontra-se quase em equilíbrio e seu comportamento pode ser modelado através das equações de escoamento monofásico completamente desenvolvido (Região C. cada uma das regiões da célula unitária é descrita a seguir segundo o ponto de vista de vários autores.D. O filme escoando ao lado da bolha alongada apresenta uma altura variável e se movimenta com uma velocidade menor do que o pistão e a bolha. A região atrás da bolha alongada.Revisão Bibliográfica 10 propriedades do escoamento em padrão golfadas ao longo de um duto podem ser previstas. como observado na Figura 2-2.Capítulo 2 . Para números de Froude menores que 1. Figura 2-1 – Conceito de célula unitária. o corpo tem uma interface ondulada e o ressalto hidráulico não atinge o topo da tubulação apresentando uma cauda. Nesse sentido. conforme a Figura 2-2. apresenta turbulência e recirculação assim como uma quantidade de bolhas dispersas que depende das condições de vazão. A bolha alongada de gás escoa junto ao filme. Com base na hipótese de Wallis. o corpo. Quatro regiões são observadas: o nariz. o pistão arremete contra o filme líquido ocasionando uma queda de pressão por aceleração. o nariz é curto. uma quantidade de massa contida no filme sai para entrar no pistão que vem atrás.). as características da bolha alongada são governadas pelo número de Froude. Segundo Fagundes Netto et al (1999). ou região da mistura. .

2. a cauda desaparece totalmente e pequenas bolhas são presas na região da mistura do pistão. No entanto. 2. Devido às limitações de capacidade de cálculo em estudos anteriores. .2 Revisão dos modelos existentes para escoamento em golfadas O problema de escoamento bifásico em golfadas é um fenômeno inerentemente transiente já que os parâmetros variam ao longo do tempo. Para números de Froude maiores que 2. não era possível resolver problemas complexos de mecânica dos fluidos em regime transitório. Com a evolução dos processadores dos computadores. portanto foram desenvolvidos métodos simplificados como os modelos estacionários. Nessa família de modelos. o nariz cresce e a cauda diminui. as células unitárias apresentam-se de forma periódica sendo suficiente executar os cálculos para uma célula unitária. Para conhecer as propriedades no resto da tubulação os resultados são extrapolados.Revisão Bibliográfica 11 Quando o número de Froude aumenta. Alguns dos modelos estacionários e transientes são apresentados a seguir. as quais eram resolvidas de forma iterativa.Capítulo 2 . Figura 2-2 – Descrição das partes de célula unitária.2.1 Modelos estacionários Os modelos estacionários utilizam o conceito de célula unitária para simular um escoamento em equilíbrio dinâmico. esses modelos não fornecem resultados confiáveis para parâmetros comumente utilizados como as distribuições estatísticas dos comprimentos da bolha e do pistão. Esses modelos reduziam as equações governantes a simples equações algébricas implícitas. conseguiu-se resolver problemas mais complexos e foram desenvolvidos modelos transientes.

Dukler e Hubbard (1975) apresentaram uma metodologia para o cálculo das velocidades e dos comprimentos da célula unitária no escoamento horizontal. Essas equações são fáceis de implementar e fornecem resultados bons para pressões e vazões médias. frequência da célula e características da mistura. a queda de pressão no corpo da bolha é desprezível devido à pressão e à curvatura constante. mostraram que para calcular a fração média de vazio na célula unitária não é necessário conhecer o perfil geométrico da bolha. Fernandes et al. a queda de pressão na região completamente desenvolvida é atribuída ao atrito. Nesse cenário. O autor propõe que a queda de pressão seja dividida em três regiões: no pistão líquido. ao definir o conceito de célula unitária. O modelo é formado pela equação de modelo de bolha. a expressão para a queda de pressão na célula unitária e algumas equações constitutivas utilizadas para o fechamento do sistema de equações algébricas.Revisão Bibliográfica 12 Wallis (1969). os autores propõem que a queda de pressão seja devida à aceleração da velocidade do filme até velocidade de pistão ocorrendo na traseira da bolha. o parâmetro da frequência da célula unitária não é mais um dado de entrada e pode ser calculado após os resultados terem sido obtidos. . Em 1990a. Ele afirma que devido à baixa viscosidade e massa específica do gás.Capítulo 2 . Posteriormente. queda de pressão. O modelo está baseado nas equações de conservação da massa e da quantidade do movimento. Taitel e Barnea apresentaram um modelo mais completo que considera qualquer inclinação da tubulação. discute correlações existentes na época para calcular a velocidade da bolha e a queda de pressão. A queda de pressão no pistão pode ser calculada com equações do escoamento monofásico. propondo uma distribuição de pressão linear ao longo do pistão e um gradiente de pressão nulo ao longo da bolha. e a queda de pressão no final da bolha não foi abordada. a bolha alongada encontra-se com pressão constante. No entanto. velocidades características. Neste caso é utilizada a mesma metodologia de Dukler e Hubbard (1975) incluindo características importantes do escoamento vertical. (1983) desenvolveram um modelo para escoamento vertical. no corpo da bolha e no final da bolha. como proposto por Wallis (1969). Além disso. Os autores propõem uma rede de equações para calcular fração de líquido. Na região da mistura.

foi possível a implementação de modelos complexos.Revisão Bibliográfica 13 No mesmo ano. Porém. já que na época em que estes modelos foram desenvolvidos. 1995). Esse fato favorece a implementação computacional. os modelos estacionários são de fácil solução porque estão constituídos simplesmente por equações algébricas. Taitel e Barnea (1990b) examinaram de forma crítica as abordagens anteriores de queda de pressão. Através de balanços de massa e de quantidade de movimento mostraram que a queda de pressão proposta por Dukler e Hubbard (1975) tinha ignorado termos significativos no balanço. os modelos de seguimento de pistões podem incorporar de forma direta os modelos físicos para a velocidade de translação da bolha (Nydal e Banerjee. portanto não são capazes de prever parâmetros importantes como a interação entre bolhas. Dentre tais modelos. Neste tipo de modelo. como os de escoamento bifásico em regime transitório. os pistões e bolhas são considerados como elementos separados que se propagam ao longo da tubulação. a capacidade de cálculo era muito reduzida. Os principais modelos em regime transitório que abordam o problema de escoamento bifásico em golfadas são os seguintes: o modelo de dois fluidos.2 Modelos transientes Com os avanços observados em termos de processamento de dados. Em conclusão. a ser resolvido em cada instante de tempo. Eles propõem uma expressão mais consistente onde a queda de pressão na região da mistura pode ser expressa em função dos termos de atrito no filme e perfil geométrico da bolha alongada. os de seguimento de pistões são modelos lagrangeanos que apresentam um custo computacional menor comparado com os outros (Rodrigues. ou comumente conhecido como slug tracking.Capítulo 2 . Os modelos de seguimento de pistões utilizam a formulação integral das equações de conservação considerando volumes de controle convenientes segundo o ponto de vista de cada autor. .2. Devido a suas características lagrangeanas. e o modelo de seguimento de pistões. os resultados dos balanços devem ser acoplados em um sistema de equações lineares. o modelo drift flux. 2. 2009). Finalmente. não consideram a intermitência nem a irregularidade do escoamento.

O autor obtém um sistema de equações em função das velocidades dos pistões e das pressões das bolhas a partir das equações de conservação da massa e da quantidade de movimento. mas não tem efeito significativo sobre o crescimento do pistão. Dessa forma.Capítulo 2 . geração de pistões em cotovelos baixos e o desaparecimento de pistões pequenos que estão atrás de pistões maiores. Seu modelo considera pistões não aerados. O modelo é testado para dois casos. assumindo que as forças estão em equilíbrio local em cada uma das células unitárias. fenômeno chamado de coalescência. Os autores constataram que a distribuição do comprimento do pistão na região completamente desenvolvida tem a forma de uma distribuição log-normal. simularam o movimento e crescimento de pistões. ao invés de locais e instantâneos. O segundo considera bolhas intermitentes na entrada que podem ser comparados com dados experimentais. Os autores introduziram a intermitência do escoamento através de uma distribuição normal para o comprimento do pistão na entrada. O movimento de cada pistão é descrito pela variação da posição das superfícies de controle movendo-se com a velocidade de translação da bolha. Taitel e Barnea (1998) aprimoraram seu modelo e adicionaram o efeito da compressibilidade do gás. Em seguida. Os resultados mostraram que a compressibilidade do gás ocasiona um incremento no comprimento da bolha. o qual é propagado ao longo da tubulação. . O primeiro considera bolhas periódicas na entrada onde é possível comparar os resultados com um modelo algébrico.Revisão Bibliográfica 14 A quantidade de operações realizadas neste tipo de modelo é reduzida notavelmente pois utiliza valores médios. líquido incompressível e gás ideal. Eles usaram uma modelagem semelhante à apresentada por Taitel e Barnea (1990a) baseada principalmente na equação da conservação da massa. Franklin (2004) propôs uma modelagem matemática e numérica para escoamento horizontal. Um dos primeiros trabalhos usando um modelo de seguimento de pistões foi desenvolvido por Barnea e Taitel (1993). Zheng et al (1994) apresentaram um modelo que simula o comportamento do escoamento em golfadas com mudança de direção em cotovelos de diferentes inclinações. Eles usaram a equação da conservação da massa em regime transitório e a equação da quantidade de movimento em regime estacionário. a qual é calculada através de correlações experimentais.

ele calcula primeiro as velocidades dos pistões e a pressão das bolhas através de um sistema de equações lineares. O principal interesse desses estudos é determinar o coeficiente de transferência de calor através de correlações ou modelos mecanicistas. 2. Eles constataram que a queda de pressão dentro de seu volume de controle é devido às forças de atrito. . mas considera adicionalmente a equação da conservação da energia e os efeitos da troca de calor na modelagem. Os balanços são realizados em um volume de controle cuja frente está na metade de um pistão e a traseira na metade do pistão posterior. sendo as experimentais encontradas com maior frequência.3 Revisão de trabalhos sobre escoamento bifásico com transferência de calor Nesta seção são apresentados alguns estudos sobre escoamento bifásico com transferência de calor. No modelo numérico.Capítulo 2 . Finalmente. Ele discute as equações governantes do escoamento bifásico para o modelo homogêneo e o modelo de fases separadas. são calculados outros parâmetros. eles fazem uma abordagem transiente considerando bolhas retangulares e pistões aerados.Revisão Bibliográfica 15 Guo et al (2009) apresentaram um estudo numérico-experimental sobre padrões de escoamento. Assim. O presente trabalho está baseado no trabalho de Rodrigues (2009). Logo. Os autores selecionam esse volume de controle a fim de evitar complicações na região da interface. 2006). Na literatura são encontradas abordagens experimentais e numéricas. Wallis (1969) apresentou uma teoria geral do escoamento bifásico unidimensional com transferência de calor para os modelos de caixa preta em estado estacionário (Shoham. como os comprimentos e as velocidades translacionais através de equações auxiliares. à força gravitacional dos fluidos e a uma queda de pressão atribuída à aceleração do filme na traseira da bolha. enfatizando o escoamento em golfadas. Sua modelagem é válida para dutos com qualquer inclinação e leva em conta a variação de todos os parâmetros cinemáticos ao longo do tempo. Rodrigues (2009) apresentou uma detalhada modelagem matemática e numérica para a simulação hidrodinâmica do escoamento em golfadas.

concordando com os . Para escoamento de fases separadas. respectivamente. Um modelo mecanicista é proposto baseado nos parâmetros da célula unitária. Nesse trabalho. obtendo uma expressão para o coeficiente de transferência de calor com a condição de contorno de temperatura constante e outra para a condição de fluxo de calor constante.Revisão Bibliográfica 16 para os padrões de bolhas-dispersas e estratificado. O coeficiente de transferência de calor medido é comparado com correlações de outros autores. como temperaturas. com discrepâncias na faixa de 30%. portanto. a distribuição de temperaturas é ignorada. Este modelo tem como característica a vantagem de considerar a mudança de fase.Capítulo 2 . Os autores encontraram que o coeficiente de transferência de calor bifásico é diferente para a parte superior e inferior do duto. Os resultados mostraram que o coeficiente de transferência de calor varia ao redor da parede do tubo. a equação da conservação da energia é acoplada à equação da conservação da quantidade de movimento para encontrar a queda de pressão. Camargo (1991) realizou um estudo experimental da hidrodinâmica e transferência de calor no escoamento em golfadas. coeficiente de transferência de calor e fluxo de calor. Respostas analíticas são encontradas para os números de Nusselt na parte superior e inferior do duto resolvendo a equação da conservação da energia. Para o escoamento homogêneo. Wallis apresenta a equação da conservação da energia considerando os efeitos da transferência de massa e o trabalho. Deshpande et al (1991) realizou um estudo experimental para escoamento intermitente horizontal estudando a transferência de calor na condição de fluxo de calor constante. Os autores desenvolveram uma solução aproximada baseando-se na analogia com um escoamento entre placas paralelas em regime laminar. a transferência de massa e a variação da seção transversal. sendo diferente na superfície superior e inferior. Seu principal objetivo é estudar a hidrodinâmica do escoamento. Ele mede pressões e temperaturas em uma bancada experimental onde a mistura bifásica água-ar é resfriada por um escoamento externo de água fria. Shoham et al (1982) apresentaram um estudo experimental onde se analisa a transferência de calor no escoamento líquido-gás em golfadas em dutos horizontais. Uma boa concordância é encontrada entre o modelo mecanicista e os dados experimentais obtidos. características básicas da transferência de calor foram medidas e calculadas.

As predições da fórmula concordam consideravelmente com os resultados experimentais. A variação circunferencial do coeficiente de transferência de calor determina que na parte inferior do duto o coeficiente é independente da frequência e do comprimento da bolha. No segundo tipo. Eles constataram que nessas condições. da frequência e do comprimento da bolha. Finalmente os autores propõem uma expressão para calcular o coeficiente de transferência de calor bifásico em função do número de Froude. da fração de vazio. Hetsroni et al (1998) fez um estudo experimental da transferência de calor no escoamento intermitente horizontal para baixas vazões de líquido com um duto aquecido eletricamente. o . Eles propõem uma correlação geral em função do título. Eles afirmam que a velocidade da mistura é um parâmetro importante para a transferência de calor no escoamento intermitente. sem encostar na parede superior. Kim (2002) fez uma revisão das correlações existentes para o coeficiente de transferência de calor bifásico. assim como a relação de comprimentos de bolha e pistão. gradiente de pressão e coeficiente de transferência de calor para escoamento ar-água e ar-glicerina. No primeiro tipo considera-se que a fase gasosa é inserida para acelerar a fase líquida e a fração de vazio aparece na correlação de forma explícita. o escoamento apresenta velocidades quase homogêneas. Foram discutidas medições da fração de vazio. Nessa condição. correlações de Lockhart-Martinelli e correlações de análise dimensional ou de modelo de fases separadas. mas ainda mais importante são a frequência da passagem da célula unitária.Revisão Bibliográfica 17 resultados de Shoham (1982). para baixas frações de vazio. As correlações são separadas em três tipos: correlações de fração de vazio explícito. mas as constantes utilizadas são difíceis de obter e funcionam satisfatoriamente só nas faixas empregadas. A correlação apresentada possui constantes que dependem do padrão de escoamento e estabelece faixas de influência dos parâmetros para cada constante.Capítulo 2 . Kim e Ghajar (2000) apresentaram um interessante estudo experimental do coeficiente de transferência de calor para diferentes padrões de escoamento bifásico sem mudança de fase. o coeficiente de transferência de calor é menor comparado com condições normais já que os níveis de turbulência são menores. Fore et al (1997) apresentaram uma abordagem experimental do escoamento em golfadas em condições de gravidade reduzida. da viscosidade e do número de Prandtl. Além disso. as bolhas permanecem no centro do duto.

e a convecção forçada domina na região inferior. No terceiro tipo. Eles mostraram que existe uma diferença significativa entre o coeficiente de transferência de calor com e sem evaporação.Capítulo 2 . mas a diferença diminui ao longo do duto. Os autores evidenciam que o coeficiente de transferência de calor entre os fluidos na interface é igual ao coeficiente de transferência de calor monofásico do gás se a diferença de temperaturas entre o filme e a bolha não for grande.Revisão Bibliográfica 18 coeficiente é dependente da relação entre a queda de pressão monofásica e bifásica. (2006) apresentaram modelos mecanicistas para o coeficiente de transferência de calor bifásico nos padrões de bolhas. Zhang et al. Sripattrapan e Wongwises (2005) realizaram um estudo numérico do escoamento bifásico de fluidos refrigerantes puros no padrão anular. o escoamento encontra-se em regime permanente sendo submetido a um fluxo de calor constante. a taxa de evaporação diminui ao longo do tubo. Shoham (2006) apresentou uma interessante modelagem numérica para a transferência de calor no escoamento em golfadas horizontal em regime transitório. Nessa modelagem. anular e golfadas. Shoham divide a célula unitária em segmentos de tubo e faz balanço de energia para cada um dos componentes da célula e para o duto. estratificado. ocorrendo evaporação. Seus resultados mostram que o coeficiente de transferência de calor diminui ao longo da tubulação devido à diminuição da espessura do filme. sendo afetados por fatores arbitrários e parâmetros adimensionais como a relação de massas específicas líquido-gás. Sun et al (2003) analisaram modelos desenvolvidos por outros autores para calcular a hidrodinâmica e a transferência de calor no escoamento em golfadas. Como resultado. os mecanismos de transferência de calor estão dominados pela fase líquida. as correlações de escoamento monofásico são adaptadas ao bifásico. sendo seu valor diferente na parte superior e inferior do duto. Para todos os tipos. O modelo mecanicista é comparado com os dados de Manabe (2001) obtendo uma concordância de 20%. A temperatura do filme líquido apresenta a mesma tendência que a temperatura da parede. eles mostraram que a ebulição de núcleo (nucleate boiling) domina a transferência de calor na região superior do tubo. Os autores aplicam a equação da conservação da energia em regime transitório em volumes de controle infinitesimais considerando um campo de velocidades conhecido. Além disso. Além . Neste trabalho.

Eles mostraram que a troca de calor é maior que no escoamento monofásico e seu desempenho depende da relação entre o comprimento da bolha e o comprimento do pistão. No escoamento em micro-tubos os efeitos da tensão superficial não são desprezíveis. portanto. Nesse cenário. Os autores propuseram estimar o coeficiente de transferência de calor como uma média entre as duas expressões obtidas pelo modelo mecanicista de Camargo (1991). Além disso. Em 2006. foi acrescentado mais um termo na equação da quantidade de movimento.Revisão Bibliográfica 19 disso. Kim e Ghajar aprimoraram sua correlação anterior. He et al (2009) apresentaram os resultados da simulação numérica de um escoamento em golfadas com transferência de calor em micro-tubos sem mudança de fase. onde para resolvê-la. Os resultados hidrodinâmicos foram comparados com o modelo de Dukler e Hubbard (1975) obtendo bons resultados para os comprimentos e a frequência. que tem uma alta viscosidade. França et al (2008) realizaram um estudo experimental com duas bancadas: uma de pequena escala e uma de grande escala. A nova faixa de erro encontra-se entre 20% sendo a melhor correlação encontrada até hoje para o cálculo do coeficiente de transferência de calor. A correlação anterior é modificada de forma que os coeficientes não dependam do padrão de escoamento substituindo a fração de volume por um fator de padrão de escoamento.Capítulo 2 . primeiro são calculadas simultaneamente as velocidades e pressões e por fim as temperaturas. obtendo assim uma correlação mais robusta. com instrumentação mais moderna ele conseguiu medir mais variáveis com . Esse fator de padrão consegue prever os perímetros molhados de cada padrão de forma precisa. propõe uma metodologia para o processamento da equação da conservação da energia. gás natural-água e gás natural-óleo. utilizando uma bancada parecida com a utilizada por Camargo (1991). O escoamento foi modelado como simétrico em relação ao eixo axial apresentando uma recirculação no pistão devido à presença da bolha. consideraram gás adiabático e transferência de calor no filme governada principalmente pela condução. eles encontraram uma boa correlação com os resultados experimentais com erro máximo de 15% de concordância ainda para o escoamento de óleo. Lima (2009) fez uma abordagem experimental do escoamento em bolhas alongadas. Assim. Os autores investigaram a hidrodinâmica e a transferência de calor para as misturas ar-água.

quantidade de movimento e energia assumindo líquido incompressível e gás ideal. Perea et al (2010) desenvolveram um modelo estacionário algébrico para simular a hidrodinâmica e a transferência de calor no escoamento em golfadas.1) . Estas relações são necessárias para o cálculo das áreas de contato na força de atrito e no calor transferido à tubulação. considerando a compressão do gás devido à pressão e a temperatura.Revisão Bibliográfica 20 uma maior precisão. 2. Primeiro foram realizados ensaios monofásicos. Células unitárias foram propagadas ao longo da tubulação. que mostraram que a correlação para o coeficiente de transferência de calor que melhor se ajustou aos resultados experimentais foi a fórmula de Gnielinski (1976). a altura de filme (HLB) e os perímetros molhados (S). evidenciando possíveis trocas de calor entre os fluidos. obtendo uma boa concordância com os resultados experimentais. A seguir. 2. Se o duto for de seção constante. a relação entre volumes torna-se uma relação entre as áreas transversais como apresentado nas seguintes expressões: RL  AL A . Para escoamento bifásico. A fração de volume é uma relação entre o volume da fase e o volume total do duto.1 Relações geométricas As relações geométricas são utilizadas para expressar as frações de volume (R).Capítulo 2 .4 Definições básicas A fim de compreender a física envolvida na hidrodinâmica e na transferência de calor no escoamento em golfadas.4. O modelo foi baseado em balanço de massa. ele encontrou que a melhor correlação é dada pela fórmula de Kim e Ghajar (2006). são apresentadas as principais variáveis geométricas. Os resultados mostraram uma grande diferença entre a temperatura do líquido e a do gás. Além disso. cinemáticas. é necessário definir suas variáveis principais. RG  1  RL  AG A (2. uma modificação na fórmula de Camargo (1991) foi proposta. termodinâmicas e da transferência de calor a serem utilizadas ao longo do presente trabalho.

2) pela a área total do duto obtém-se: RLB  1   sen  2 (2. Figura 2-3 – Seção transversal da tubulação: a) bolha b) pistão.(2. idealizando uma interface plana como observado na Figura 2-3a.3) .2) e dividindo a Eq. Por outro lado. existem diferentes arranjos da seção transversal segundo a inclinação do duto. observa-se o arranjo dos fluidos assumido na região da bolha. A fim de calcular as áreas de contato do fluido com a tubulação é definido um ângulo  que pode ser relacionado com a fração de líquido na bolha RLB . (2. portanto. o líquido pode ser considerado como completamente estratificado na parte inferior. então a fração de gás nessa região (RLS) será a soma das áreas ocupadas pelas bolhas e a área total. ALB  ARLB  D2 D2  Sen 8 8 (2. dada pela Eq.2). Para um escoamento horizontal ou ligeiramente inclinado. Neste trabalho o escoamento será tratado como horizontal.Capítulo 2 .Revisão Bibliográfica 21 sendo RL e RG as frações de volume do líquido e do gás respectivamente e A a seção transversal do duto. serão apresentadas as relações para a bolha encostada na parede superior. Na região do pistão existem bolhas dispersas (Figura 2-3b). na região da bolha (Figura 2-3a). Na Figura 2-3a.

4) sendo mL .Revisão Bibliográfica 22 Shoham (2006) apresenta algumas relações geométricas na região da bolha para os perímetros molhados (SLB para o filme. são utilizadas as . As relações podem ser observadas na Tabela 2-1. Tabela 2-1 – Relações geométricas para escoamento horizontal. m UG  G G AG  (2. que são diferentes para cada uma das componentes da célula unitária. AG as vazões mássicas. Fração de líquido Perímetro molhado de líquido Perímetro molhado de gás Perímetro molhado da interface RLB  1   sen  2   2 H LB    1  S LB  D   A cos   D   SGB  D  S LB  2 H LB  Si  D 1    1  D  2 Derivada de RLB em relação a HLB dRLB 4  2 H LB   1   1 dH LB  D  D  2 2. G .  L .2 Relações cinemáticas Em contraste com o escoamento monofásico onde o fluido tem uma velocidade definida. Assim.4. As velocidades do líquido (UL) e do gás (UG) são dadas pelas seguintes expressões: m UL  L  L AL    .Capítulo 2 . AL e mG . o escoamento bifásico tem várias velocidades a considerar. Para simplificar as expressões. massas específicas e áreas transversais do líquido e do gás respectivamente. SGB para a bolha e Si para a interface) e frações de líquido (RLB). As velocidades de cada uma das fases são calculadas através da vazão mássica. Nota-se que a complexidade do cálculo das velocidades deve-se à área ocupada por cada uma das fases. que é um dado de entrada constante ao longo do tempo. têm-se as velocidades de cada uma das fases.

5) Outra velocidade importante é a velocidade superficial.8) . Sua expressão é dada pela Eq. mG UG  G ARG  (2. Essa velocidade é muito utilizada porque seu cálculo pode ser realizado conhecendo as vazões e as dimensões da tubulação. (2. pode-se encontrar as velocidades absolutas das fases. Como o diâmetro também é constante.Revisão Bibliográfica 23 frações de líquido e gás (RL e RG) das Eqs. que são parâmetros de entrada em qualquer modelo.6). Fisicamente.7).1).1) em (2. obtendo a Eq.6) Também é definida a velocidade de mistura (J) como a soma das velocidades superficiais. Substituindo as expressões (2. 1 e 2: G1 jG1  G 2 jG 2 (2. (2. a partir delas.7) Um aspecto interessante é analisar os efeitos da variação da massa específica do gás.8) para duas posições diferentes na tubulação. a velocidade de mistura representa o fluxo volumétrico total das duas fases por unidade de área que em outras palavras é a velocidade do centro de volume. (2. m jG  G  U G RG G A  (2. As expressões das velocidades superficiais do líquido (jL) e do gás (jG) estão na Eq. uma vez que a fração RL (ou RG ) seja determinada.Capítulo 2 . a vazão pode ser relacionada com a velocidade superficial. que representa a velocidade de uma fase como se a mesma estivesse escoando sozinha na tubulação. m jL  L  U L RL L A  . é considerado que a vazão mássica de gás é constante ao longo da tubulação. Além disso. (2. No presente trabalho. J  jL  jG  U L RL  U G RG (2. que pode ser relacionada com sua vazão mássica.4) obtém-se: mL UL   L ARL  .

12) P .9). A entalpia específica é definida como a soma da energia interna específica mais o trabalho específico do escoamento (Wallace e Linning. a temperatura e outras a serem definidas. E  EK  EP  Û . As variáveis termodinâmicas de interesse são a pressão. 1970). 1997). e  eK  eP  û (2. A energia cinética (EK) está associada com o movimento do sistema. Por último. a energia interna (Û) é a energia própria da massa relacionada com a energia cinética das partículas que a compõem. Existem muitos tipos de energia. mas do ponto de vista da termodinâmica. sendo proporcional ao quadrado da velocidade absoluta. as mais importantes são a energia cinética.4. A energia total de um sistema é dada pela soma das diferentes formas de energia. tem-se: iû P  (2.3 Relações termodinâmicas A fim de expressar as variáveis termodinâmicas do escoamento em função das incógnitas propostas na modelagem. Outras propriedades importantes são os calores específicos a volume constante e a pressão constante.11)  Cp  i T (2. Assim. são apresentadas as relações termodinâmicas. P a pressão e  a massa específica. os quais estão definidos respectivamente pelas seguintes expressões: Cv  û T (2.Capítulo 2 .Revisão Bibliográfica 24 2. (2. A energia potencial gravitacional (EP) está associada com a posição do sistema em relação ao campo gravitacional da Terra. a energia total (E) e a energia total específica (e) são dados na Eq. Assim.10) sendo i a entalpia específica. a massa específica. a energia potencial e a energia interna (Çengel e Boles.9) Uma propriedade importante relacionada com a energia interna é a entalpia específica.

13) Assumindo um líquido incompressível. a integração de (2. 2006). Relações para líquido incompressível No caso específico dos líquidos. a energia interna específica pode ser obtida de tabelas onde é observado que a energia interna específica varia pouco com a pressão para uma temperatura fixa (Moran e Shappiro.16).15) e (2.12) são aplicadas em (2. portanto será necessária uma expressão que a relacione com as variáveis em estudo.15) é mostrado que para um líquido incompressível a variação da energia interna é diretamente proporcional com a variação de temperatura.10) considerando (2. na Eq. a qual é dada por: .14) é observado que o CpL é igual ao CvL para um líquido incompressível. Nesta seção. Finalmente.15) (2. P   ûL  T  (2. são apresentadas as relações para líquido incompressível e gás ideal. (2. A equação de estado mais simples é a equação de estado de gás ideal.12) gera as relações (2. se for considerado que o calor específico do líquido é constante. Além disso. (2. obtendo-se: CpL  CvL  CL (2. Uma equação que relaciona pressão (P). Relações para gás ideal A fase gasosa tem massa específica variável.13). as definições em (2.11) e (2. Então. a variação da energia interna é igual à variação da entalpia. massa específica () e temperatura (T) é chamada equação de estado.Capítulo 2 .14) Assim. é razoável fazer a seguinte aproximação: û  T .11) e (2.16) Na Eq. ûL  CL TL iL  ûL  CL TL (2.Revisão Bibliográfica 25 As propriedades anteriormente definidas podem ser reduzidas para casos particulares.

18) e (2. (2. Estudos experimentais também mostraram que gases com baixa massa específica obedecem à equação de estado de gás ideal (Çengel e Boles. Nesse sentido.20) A Eq. a energia interna específica depende unicamente da temperatura (Shapiro e Moran. as expressões (2.18) (2. das equações (2.19) são obtidas: ûG  CvG TG iG  CpG TG (2.17) nas definições em (2.10). PG  TG (2. 2006). a Eq. no escoamento bifásico. em uma tubulação longa onde as condições de pressão e temperatura são diferentes na entrada e na saída.11) pode ser integrada para obter uma expressão para a energia interna. considerando a Eq. Para um gás que obedece a equação de estado de gás ideal.17) A equação de estado de gás ideal pode ser utilizada desde que a substância não esteja na região de saturação nem perto dela.Revisão Bibliográfica 26 G sendo  a constate do gás em J/KgK. (2. 1997). (2.20) relaciona as velocidades superficiais com a razão de pressões e temperaturas.8) e (2. O título X é uma definição que vem da termodinâmica e está definida como a razão entre a massa da fase gasosa e a massa total. Além disso.17) é obtida uma relação entre a velocidade superficial do gás e as variáveis termodinâmicas para duas seções em posições diferentes da tubulação 1 e 2: jG 2  TG 2 PG1 jG1 TG1 PG 2 (2. o título está definido como: . Com essa consideração. é obtida uma expressão para a entalpia.12) e (2. Uma forma de ponderar as variáveis do escoamento bifásico é através do título. Então. a velocidade superficial também varia significativamente. Adequando essa definição para o presente caso.19) Além disso.Capítulo 2 .

4 Relações de transferência de calor Nesta seção serão apresentadas algumas relações para calcular o coeficiente de transferência de calor no escoamento monofásico e no escoamento bifásico. 023Re4 / 5 Pr1/ 3 D k D (2..Revisão Bibliográfica 27 X mL  mG  mG    GU G RG  LU L RL  GU G RG (2.4. já que as vazões sempre são parâmetros conhecidos. 2008) é dada pela expressão (2.Capítulo 2 . o segundo marca a influência das propriedades do fluido e o terceiro a influência da rugosidade da superfície de contato. ReD>10000.21) Observa-se que a definição em (2. (2008) essa correlação apresenta erros de até 25%.22) sendo k a condutividade térmica do fluido e D o diâmetro do tubo. muitas correlações de transferência de calor bifásico são propostas em função deste parâmetro porque seu cálculo é imediato. o número de Prandtl (Pr) e o fator de atrito (f). Sua faixa de operação é para os seguintes intervalos: 0.21) não é rigorosamente a mesma usada na termodinâmica já que se encontra em termos das vazões mássicas. A relação de Colburn (Incropera et al. As correlações são dadas para um escoamento sem mudança de fase em regime turbulento em um duto circular de seção constante. Essas correlações são dadas para escoamentos hidrodinâmica e termicamente desenvolvidos (Incropera et al. . 2. L/D>10 (O ReD é definido em função do diâmetro do duto e da velocidade média do escoamento). O primeiro evidencia a influência da cinemática do escoamento na transferência de calor. 2008). Segundo Incropera et al.22) hSP  0. Apesar disso.7 < Pr < 160. Coeficiente de transferência de calor para escoamento monofásico As correlações para o coeficiente de transferência de calor no escoamento monofásico (hMP) normalmente são expressas em função de três parâmetros: o número de Reynolds (ReD).

hSP   f / 8 Re D Pr k 1/ 2 2/3 1. Rezkallah e Sims 1987). partem dos modelos de caixa preta (Shoham. 2008) incluiu o efeito do fator de atrito. 1964). (2.25). As relações que estimam o coeficiente de transferência de calor através de uma analogia com o escoamento monofásico são independentes do padrão de escoamento. utiliza o modelo de não deslizamento.   2 Coeficientes de transferência de calor para escoamento bifásico Os estudos feitos até hoje sobre transferência de calor no escoamento bifásico têm por interesse principal a determinação do coeficiente de transferência de calor. Petukhov (Incropera et al. relacionado com a rugosidade da superfície.23) Para incluir números de Reynolds menores. no qual é assumido que as duas fases escoam com a mesma velocidade.Capítulo 2 .. Diferentes autores fizeram estudos experimentais e propuseram correlações para calcular esse coeficiente em função das propriedades dos fluidos (David e Davis. proposta por DeGance e Atherton (1970). hSP   f / 8 Re D  1000  Pr k 1/ 2 1  12. As relações que estimam o coeficiente de transferência de calor em função das propriedades dos fluidos comumente utilizam a massa específica e a viscosidade. 2008) aprimorou a correlação de Petukhov. Por exemplo. 104 < ReD < 5x106.5< Pr < 2000. 3000 < ReD < 5x106. Outros autores tentaram fazer uma analogia com o escoamento monofásico (DeGance e Atherton. 2006). David e Davis (1964) propuseram uma expressão ponderada com a massa . 64  . onde o fator de atrito é calculado com f  0. Sua correlação funciona satisfatoriamente para as faixas seguintes: 0. ou seja. 7  f / 8   Pr 2 / 3  1 D (2. Rounthwaite 1968. Gnielinski (Incropera et al. 079  Ln  Re D   1.5< Pr < 2000.. 7  f / 8   Pr  1 D (2. e outros fizeram uma ponderação com parâmetros do escoamento bifásico como o título e a fração de vazio (Doresteijin 1970.1970).Revisão Bibliográfica 28 Para diminuir os erros. 07  12.24) que funciona para as seguintes faixas: 0. a Eq.

Outra expressão é dada usando o modelo de fases separadas e o parâmetro de LockhartMartinelli XTT (Shoham.Revisão Bibliográfica 29 específica e influenciada principalmente pelas propriedades do líquido. Dorresteijin (1970) encontrou uma relação para escoamento vertical em função da fração de vazio.Capítulo 2 . já considerando os padrões de escoamento. com o qual pode-se deduzir que o líquido tem maior influência na transferência de calor. Ambos os autores concordam que as expressões devem ser diferentes dependendo se o regime de escoamento for laminar ou turbulento. Pode-se observar que a maioria das correlações são adimensionalizadas com o coeficiente de transferência de calor do líquido. Re JL representa o número de Reynolds calculado com a velocidade superficial do líquido.32) C. apresentada na Eq. As constantes e as correspondentes faixas de emprego podem ser encontradas em Kim e Ghajar (2006). NS não deslizamento (no slip). p e q dependem do padrão do escoamento.27) e possui duas constantes desconhecidas n e C. (2. Os índices significam: TP duas fases (two phase). A expressão é dada na Eq. . Outra expressão também para escoamento vertical foi dada por Rezkallah e Sims em função da velocidade superficial e do número de Prandtl na Eq. Diversos autores fizeram suas propostas para as constantes n e C.30). n. Na Tabela 2-2 são apresentadas as correlações encontradas por vários autores para o coeficiente de transferência de calor onde X é o título. Kim e Ghajar (2001) apresentaram uma correlação mais geral. Alguns autores tentaram incluir nas expressões as variáveis do escoamento bifásico como as velocidades superficiais e a fração de vazio (Shoham. Mais correlações e detalhes sobre o cálculo são apresentados no apêndice A. (2. Em estudos mais recentes.28). Fp é o fator de padrão. os autores aprimoraram sua correlação em Kim e Ghajar (2006) com um fator de padrão de escoamento e unificaram todos esses coeficientes em um só. (2. 2006). tais como Dengler e Adoms (1956) e Collier e Pulling (1962). L propriedades do líquido. Logo depois. Eles propuseram uma correlação única. G propriedades do gás. onde as constantes da Eq. m. (2. 2006).

29) Rezkallah e Sims 1987  j  hTP  1 4 G  hL  jL  0.9 X TT  1  X   G    L         X    L   G  0.Capítulo 2 .4   /  0.28 0. 023Re0.28) para Re jL  2000 0.28    Dm X  A L  n     0.14 1/ 3 L jL L m w 0.86  Re jL PrL D / L   m /  w  Turbulento : Nu  0.8 Pr 0. 06  L  kL  G  0. 2006  1  hTP C  hL  X TT  0.4 PrL Shoham.23 para Re jL  2000 (2.8 PrNS3 NS k NS Equação (2.25 Shah 1981 j  hTP   1  G  hL  jL  Laminar : NuL  1.25) (2. 023Re0.1 (2. Autor DeGance e Atherton 1970 Davis e Davis 1964 Coeficiente de transferência de calor h D 1/ Nu NS  NS  0.30) Camargo 1991 hTP  1   para Re jL  2000  hL  1  RG  L h S h S  L hTP  hLS S   LB LB GB GB  B para TEC D LU   LU 0.25 Pr 0.14 (2.27) Doresteijin 1970 hTP 1/ 3  1  RG  hL hTP 0.8  1  RG  hL para Re jL  2000 (2.31) Kim e Ghajar 2006 (2.9 D 1 1 LS    hTP hLS LU  hLB S LB  hGB SGB   X m  1 F hTP    p  Fp 1  C     F hL  1  X   p     LB para FCC   LU n p q   PrG   G        Pr          L   L   (2.26)   hTP d  0.32) .Revisão Bibliográfica 30 Tabela 2-2 – Expressões para o coeficiente de transferência de calor bifásico.5 0.

Essas relações são chamadas equações constitutivas e normalmente são produto de estudos experimentais. Nesse sentido. entre outros). Nicklin et al. (1962) propôs a relação na Eq. (2. Os coeficientes propostos são apresentados na Tabela 2-3.33) para escoamento vertical.5 Equações constitutivas Sendo o escoamento em golfadas um fenômeno complexo. que foi logo estendida para o caso geral. (2.33) é a contribuição da velocidade da mistura.1 Velocidade de translação da bolha alongada Como a maior parte da fase gasosa encontra-se na bolha alongada de gás.Revisão Bibliográfica 31 2. o conhecimento detalhado da dinâmica deste elemento é fundamental para descrever corretamente a física do escoamento em golfadas. . são necessárias algumas relações adicionais que ajudam a reduzir o número de incógnitas. Bendiksen (1984).5. U T  C0 J  C gD (2. e em menor escala da tensão superficial () e do ângulo de inclinação (). O primeiro termo da Eq. 2. a quantidade de variáveis a serem determinadas é grande. O segundo termo é a velocidade que a bolha teria se estivesse em um meio estagnado. Diversas pesquisas concluiram que a velocidade de translação de uma bolha é resultado de dois fenômenos: a força de empuxo e o movimento do líquido.33) sendo C0 e C∞ duas constantes cuja determinação foi objeto de pesquisa de vários autores (Nicklin et al (1962). Segundo Omgba (2006) seu cálculo pode ser realizado através da superposição da velocidade de propagação das bolhas em um meio estagnado (drift velocity) e uma contribuição da velocidade de mistura (J).Capítulo 2 . Bendiksen (1984) encontrou que os coeficientes C0 e C∞ dependem em maior escala do número de Froude (Fr) e do número de Reynolds (Re). Mazza et al (2010) analisou as diferentes correlações para C0 e C∞ e propôs uma correlação com a influência de todos os parâmetros propostos por Bendiksen (1984).

2.58 sen 1. o efeito da esteira depende do tipo de fluido utilizado.345  sen  0.58 Eo   1  3805 / Eo3.0 sendo Frm o número de Froude da mistura calculado em função da velocidade da mistura Frm  J / gD .2 Velocidade de translação das bolhas dispersas A velocidade de translação das bolhas dispersas no pistão segue o mesmo conceito da bolha alongada e pode ser assumida como uma superposição entre a .58 Eo   1  3805 / Eo3.56  cos   0.06 0.06  1. U T  C0 J  C gD 1  h    (2.33) é para o caso de uma única bolha escoando em um meio líquido. Porém. Rodrigues (2009) utilizou aw=0. sendo menor para fluidos mais viscosos onde o fator de esteira utilizado deve ser zero (Pachas.542  0. o qual pode ser quantificado por um fator de esteira h (Rodrigues.0 1. 76  0.06   Re m  2000 2. A correlação apresentada na Eq.Revisão Bibliográfica 32 Tabela 2-3 – Coeficientes para a velocidade de translação da bolha C0 Frm  3. Porém.34) O fator de esteira é calculado a partir da expressão h  aw exp  bw LS / D  onde aw e bw são constantes de ajuste experimentais e dependem do tipo de fluido e da inclinação do duto.5 Re m  2000 Frm  3.Capítulo 2 .5 1. (2. Rem o número de Reynolds Re m   L JD /  L e Eo o número de Eötvös Eo    L  G  gD 2 /  .542  0.5. Então a correlação para a velocidade de translação da bolha é dada pela Eq. em uma sequência de bolhas a esteira da bolha precedente pode influenciar a bolha seguinte. 2009). (2.56  cos   0. 2011).345 3.0 para escoamento arágua em dutos horizontais. 76  0.345  sen  0.34).4 e bw=1.2 C 1  3805 / Eo  0.

3 Fração de líquido no pistão Um parâmetro importante na modelagem do escoamento em golfadas é a fração de volume de líquido no pistão. esse fenômeno acontece porque no escoamento vertical a velocidade do filme é oposta à velocidade do pistão. pode-se deduzir que a fração de líquido depende do ângulo de inclinação. no entanto.54  g L 2 G  L   1/ 4 0. sendo igual à unidade para um pistão não aerado. No momento que o líquido que se encontrava no filme passa ao pistão ocorre uma grande agitação que . Assim.7) à região do pistão: J  U LS RLS  U GS 1  RLS  (2.38) 2.Capítulo 2 . Assim.5 RLS sen (2. Rosa e Altemani (2006) observaram em seus estudos experimentais que no escoamento horizontal quase não existem bolhas dispersas no pistão. Segundo Rodrigues (2009). aplica-se a Eq.36) Além disso. (2.Revisão Bibliográfica 33 velocidade da mistura e a velocidade drift. (2. a velocidade das bolhas dispersas pode ser expressa como: U GS  J  U DS (2. Fisicamente representa a razão em volume de líquido no pistão líquido sem quantificar as bolhas dispersas.35) sendo UDS a velocidade de elevação das bolhas em um meio estagnado. no escoamento vertical o pistão contém uma alta quantidade de bolhas. (2.37) com a Eq.5.35). obtém-se: U GS  U LS  U DS RLS (2.37) A velocidade de translação das bolhas pode ser expressa combinando a Eq. Então. Taitel e Barnea (1990b) propuseram calcular UDS através da equação de Harmathy (1960) para bolhas relativamente grandes e deformáveis: U DS       1.

6 1  2      D        sen F1  2400  1  3   3/ 4  Eo  (2.Revisão Bibliográfica 34 remove pequenas porções de gás da bolha alongada. Correlações baseadas em estudos experimentais foram desenvolvidas por diversos autores. 2    0. formando bolhas dispersas no pistão.39) Andreussi e Bendiksen (1989) pesquisaram a influência do diâmetro e a inclinação do tubo e desenvolveram a correlação seguinte: RLS  F0  F1 Frm  F1 (2.41) 2. Taitel e Barnea (1990a) propuseram calcular esses parâmetros de acordo com as expressões apresentadas na Tabela 2-4. Malnes (1982) propôs uma relação para escoamento horizontal em função dos números de Eötvös e Froude da mistura: RLS  1  1   83 1  0.025    F0  max 0. Como cada componente da célula unitária possui velocidades e áreas transversais diferentes.4 Tensão de cisalhamento e fator de atrito As expressões para a tensão de cisalhamento são dadas em função do fator de atrito de Fanning. Essa correlação também foi utilizada no modelo de Taitel e Barnea (1990a): . O coeficiente de atrito utilizado nas expressões das tensões de cisalhamento é a correlação de Hall (1957) para dutos com superfície rugosa. os números de Reynolds e os diâmetros hidráulicos serão diferentes para cada região.25   Frm Eo  (2. Algumas delas são apresentadas em Omgba (2004). 2.5.Capítulo 2 .40) sendo F0 e F1 dados pelas seguintes expressões.

001375 1   2 10    DF Re F       16 Se Re F  2000  f F  Re F (2. fi  0. Pistão  U2  f LS L LS 2 Filme Bolha 2 LB Tensões de Cisalhamento Diâmetro Hidráulico Número de Reynolds  LS DLS  D Re LS   LU LS D L 2 RLB A DLB  4 S LB U D Re LB  L LB LB  LB  f LB  LU  GB  fGB DGB 2 GU GB L ReGB 2 RGB A 4 SGB  Si U D  G GB GB G A tensão de cisalhamento e o fator de atrito na interface são dados por:  i  fi G U GB  U LB  U GB  U LB 2 . Tabela 2-4 – Tensão de cisalhamento.44) 2.42) onde o índice F pode indicar pistão (LS). Nesta revisão foi observado que as abordagens da transferência de calor no escoamento em golfadas são principalmente experimentais e se limitam ao estudo do coeficiente . 2365. 014 (2.Revisão Bibliográfica 35 1/3   106   4  Se Re F  2000  f F  0. se  ~ 0° (2. é calculado usando a proposta de Fagundes Netto (1999) S LB 1. diâmetro hidráulico e número de Reynolds.5269 RLB  0.43) O perímetro molhado do filme S LB .Capítulo 2 . se  ~ 90º   D 0. utilizado na equação da quantidade de movimento. filme (LB) ou bolha (GB).6 Comentários finais Neste capítulo foi apresentada uma revisão da literatura existente sobre escoamento em golfadas e sobre o escoamento bifásico com transferência de calor a fim de fornecer uma base teórica sólida para o desenvolvimento do projeto.

Revisão Bibliográfica 36 de transferência de calor bifásico. será apresentada a modelagem matemática proposta para resolver o problema em questão. o presente trabalho implementará o balanço de energia no modelo de Rodrigues (2009) e os efeitos da troca de calor nos parâmetros hidrodinâmicos. . Por outro lado. o modelo hidrodinâmico de seguimento de pistões proposto por Rodrigues (2009) apresenta uma base teórica consistente mostrando eficiência e rapidez no cálculo do escoamento. Nesse cenário. Existem poucos estudos utilizando balanço de energia com o objetivo de prever o comportamento da temperatura. A seguir. no Capitulo 3.Capítulo 2 .

serão apresentadas equações auxiliares para modelar o deslocamento da frente e da traseira da bolha. são efetuados os balanços de energia para obter as equações diferenciais governantes da transferência de calor. assim como parâmetros térmicos importantes como o coeficiente de transferência de calor bifásico e a temperatura da mistura. Finalmente. . portanto não ocorre mudança de fase. a coalescência. 3.1 Considerações gerais sobre a modelagem matemática A mistura bifásica líquido-gás escoa por uma tubulação horizontal de seção transversal constante e circular.Modelagem Matemática 37 3 MODELAGEM MATEMÁTICA Esse capítulo apresenta a formulação matemática do escoamento em golfadas com transferência de calor. Na sequência. serão realizados os balanços de massa e quantidade de movimento baseados no modelo hidrodinâmico proposto por Rodrigues (2009).Capítulo 3 . Em seguida. como mostrado na Figura 3-1. os fluidos encontram-se afastados da região de saturação. O duto encontra-se submetido às condições externas que transferem calor à mistura bifásica escoando no interior. Figura 3-1 – Geometria do problema em estudo. Apesar de considerar a troca de calor. Na primeira parte serão descritos aspectos gerais em relação ao modelo de seguimento de pistões e à configuração dos volumes de controle utilizados. a velocidade do filme líquido. O padrão de escoamento existente é de golfadas e apresenta pistões aerados.

que pode ser representado por uma bolha retangular). das velocidades. f) A pressão é uniforme em uma seção transversal. Figura 3-2 – Célula unitária j e configuração da pressão. da pressão e da temperatura. portanto a queda de pressão nessa região é nula (Figura 3-2) (Dukler e Hubbard. portanto a pressão da bolha será igual à do filme. c) O líquido no filme está completamente estratificado apresentando uma interface plana na seção transversal entre o líquido e o gás (Figura 2-3a). d) A fração volumétrica de líquido ao longo do pistão é uniforme. b) A traseira da bolha é considerada reta. O sistema de referência escolhido é um sistema lagrangeano que se move junto com a célula unitária. As hipóteses para a simplificação das equações do problema são: a) Os fluidos são considerados newtonianos. A pressão é uniforme ao longo da bolha. e) A fração de gás e líquido na região da bolha é considerada constante (i. 1975).Capítulo 3 . sendo o líquido incompressível e o gás ideal.Modelagem Matemática 38 O problema é modelado matematicamente considerando escoamento unidimensional em regime transitório. O modelo matemático leva em conta a variação espaço-temporal das frações de vazio no pistão e na bolha. .e.

indicado pelo índice LB como líquido na região da bolha alongada (liquid in the bubble region) Assim. consideram-se parâmetros médios em cada componente da célula unitária que variam no tempo. O índice j indica o número de célula unitária. Por exemplo. respectivamente. Antes de aplicar as equações de balanço. respectivamente. as superfícies yj e xj-1 que se encontram dentro dos pistões j e j-1. a qual é composta pelas seguintes regiões:     O líquido do pistão aerado. O volume de controle envolvendo a bolha e o filme tem como suas fronteiras axiais. slug tracking. por exemplo. Os volumes de controle são apresentados na Figura 3-3. as fronteiras dos volumes de controle para cada elemento devem ser estabelecidas. A unidade a ser analisada é a j-ésima célula unitária observada na Figura 3-2. Em contraste com a formulação diferencial. para evitar analisar as interfaces nas fronteiras do líquidogás. os comprimentos LSj e LBj denotam comprimento do pistão e comprimento da bolha da j-ésima célula unitária. indicado pelo índice GB (gas bubble) O filme líquido. Nota-se que a fronteira lateral. dada pela .Capítulo 3 . Nesse sentido. É importante ressaltar que a complexidade da solução do problema dependerá da boa escolha dos volumes de controle.Modelagem Matemática 39 A fim de estabelecer um modelo de baixo custo computacional. a formulação integral utiliza valores médios ao invés de valores locais e instantâneos. a formulação integral das equações de conservação é utilizada. a bolha alongada e o pistão aerado. como observado na Figura 3-3. Nesse cenário. As equações de balanço serão aplicadas para cada uma das fases no interior das componentes da célula unitária: o filme líquido. indicado pelo índice LS (liquid slug) O gás no pistão. caso se avalie a célula j. UGB é a velocidade da bolha alongada e ULB é a velocidade do filme. a célula na sua frente será j+1. o qual aumenta na direção do escoamento. De forma geral. indicado pelo índice GS (gas in slug) A bolha alongada de gás. O volume de controle envolvendo o pistão tem suas fronteiras axiais dadas pelas superfícies xj e yj que se encontram totalmente dentro do pistão j. as fronteiras dos volumes de controle são dispostas dentro dos pistões. Assim. um modelo lagrangeano para escoamento em golfadas que utiliza parâmetros médios é chamado de modelo de seguimento de pistões ou em inglês.

O termo da esquerda da Eq. (3. Vr é a velocidade relativa em relação ao sistema de referência e A . A equação geral de balanço a ser utilizada é a equação de transporte de Reynolds dada pela Eq. respectivamente.Capítulo 3 .Modelagem Matemática 40 parede da tubulação. permanece fixa e não existe transporte de massa através dessa superfície de controle.1). escrita na forma geral para volumes de controle móveis e deformáveis: dN dt  Sist  t VC   d V   Vr  d A SC     (3. Na sequência. . as quais dependerão da equação de balanço utilizada.1) refere-se à taxa de variação da propriedade      no sistema. (3. quantidade de movimento e energia para os volumes de controle apresentados. Figura 3-3 – Volumes e superfícies de controle para a j-ésima célula unitária. o primeiro termo à direita do sinal de igualdade é a taxa de variação de  no interior do volume de controle e o último termo é o fluxo líquido da propriedade  através das superfícies de controle.1) sendo  e N as propriedades intensiva e extensiva. um vetor de magnitude igual à área transversal com sua direção normal ao escoamento.  é a massa específica do fluido. serão realizados os balanços de massa.

Capítulo 3 - Modelagem Matemática

41

3.2

Balanço de massa A equação de balanço de massa na forma integral é dada pela Eq. (3.1)

quando  é igual a um. Pela hipótese de escoamento unidimensional, o produto     escalar Vr  d A será simplesmente Vr dA . Assim, o balanço de massa para um escoamento sem mudança de fase é dado por:
 t

VC

d V 

SC

 V dA  0
r

(3.2)

O primeiro termo da Eq. (3.2) é o acúmulo de massa no interior do volume de controle. O segundo termo representa os fluxos de massa através das superfícies de controle. Nesse sentido, os fluxos de massa podem ser expressos segundo as seguintes expressões, cujos detalhes serão apresentados nos balanços respectivos:
 dx j   m Lxj   L ARLSxj  U LSxj   dt  

(3.3)

 dy j   m Lyj   L ARLSyj  U LSyj   dt  

(3.4)

 dx j   mGxj  GBj ARGSxj  U GSxj   dt  

(3.5)

 dy j   mGyj  GBj ARGSyj  U GSyj   dt  

(3.6)

onde A é a área da seção transversal do duto, L a massa específica do líquido, GBj a massa específica do gás. Deve-se ressaltar que L é constante, mas GBj é variável com o tempo. As equações (3.3) e (3.4) referem-se aos fluxos de líquido através das superfícies xj e yj respectivamente, observados na Figura 3-3. Nota-se que os índices dos parâmetros avaliados fazem referência às superfícies de controle x e y. Assim, para o fluxo mássico de líquido na superfície xj, a velocidade do pistão é ULSxj

Capítulo 3 - Modelagem Matemática

42

e a fração de vazio é RLSxj. A velocidade das superfícies de controle x e y são denominadas dx/dt e dy/dt, respectivamente. Da mesma forma para os fluxos mássicos de gás. A seguir, será realizado o balanço de massa de cada fase em cada região. Por fim, as equações resultantes dos balanços serão acopladas em uma equação apenas.

3.2.1 Balanço de massa de líquido no pistão A equação (3.2) é aplicada ao pistão, que se encontra entre as superfícies yj e

xj como pode ser observado na Figura 3-3. A velocidade relativa é expressa em
função da velocidade absoluta U, em relação às velocidades das fronteiras dx/dt e

dy/dt. As áreas são expressas em função da área total e das respectivas frações
volumétricas. O balanço de massa de líquido no pistão é expresso por:
dx  d   L ARLSj LSj    L ARLSxj U LSxj  dtj dt  dy j      L ARLSyj  U LSyj  dt    0 

(3.7)

sendo RLSj a fração de líquido no pistão da célula unitária j. O comprimento do pistão

LSj pode ser expresso em função das fronteiras x e y: LSj  x j  y j
É assumido que a fração de líquido é uniforme ao longo do pistão, então: (3.8)

RLSxj  RLSyj  RLSj

(3.9)

Substituindo a Eq. (3.9) na Eq. (3.7), rearranjando e dividindo por  L A resulta em:

U LSxj  U LSyj  

LSj dRLSj RLSj dt

(3.10)

A Eq. (3.10) é uma relação entre as velocidades do líquido nas superfícies de controle xj e yj. Para relacionar essas velocidades com a velocidade média no pistão, Rodrigues (2009) assume uma variação linear da velocidade ao longo do pistão. Assim, a velocidade média do pistão é uma média aritmética entre as velocidades nas superfícies:

Capítulo 3 - Modelagem Matemática

43

U LSj 

U LSxj  U LSyj

2

(3.11)

Das Eqs. (3.10) e (3.11) pode-se obter expressões explícitas para U LSxj e U LSyj em função de U LSj :

U LSxj  U LSj 

LSj dRLSj

2 RLSj

dt

(3.12)

U LSyj  U LSj 

LSj dRLSj

2 RLSj

dt

(3.13)

De acordo com as Eqs. (3.12) e (3.13), a velocidade do líquido ao longo do pistão varia devido à taxa de variação no tempo da fração do líquido. A seguir, uma análise semelhante será realizada para o gás contido no pistão.

3.2.2 Balanço de massa de gás no pistão Aplicando a Eq. (3.2) ao gás contido no pistão da Figura 3-3, considerando o gás com massa específica variável, obtém-se:
dx  d  GSj ARGSj LSj   GSxj ARGSxj U GSxj  dtj dt  dy j     GSyj ARGSyj  U GSyj  dt    0 

(3.14)

A massa específica do gás é considerada uniforme para uma célula unitária, mas variável com o tempo. Assim, a massa específica do gás no pistão é considerada igual à massa específica do gás na bolha alongada:

GSj  GBj  GSxj  GSyj

(3.15)

As expressões em (3.8), (3.9) e (3.15) são utilizadas na Eq. (3.14), os termos transientes são desenvolvidos e a expressão resultante é dividida por GBj A . Desta forma, é obtida a Eq. (3.16).
 dRLSj 1 1 d GBj  U GSxj  U GSyj  LSj    GBj dt   1  RLSj  dt  

(3.16)

também é utilizada a aproximação da média aritmética de Rodrigues (2009) para a velocidade média do gás no pistão: U GSj  U GSxj  U GSyj 2 (3. 3.19) Das Eq.20) sendo RLBj a fração volumétrica média de líquido no filme. tem-se: dy  d   L ARLBj LBj    L ARLSyj U LSyj  dtj dt  dx j 1       L ARLSxj 1  U LSxj 1  0 dt    (3. O comprimento LBj pode ser expresso em função das superfícies x e y: LBj  y j  x j 1 (3.17) Assim.2.Modelagem Matemática 44 Neste caso.18) U GSyj  U GSj  (3. Nota-se que as superfícies de controle escolhidas como limite do volume de controle estão fora do domínio da bolha. a compressão do gás também influi na variação da velocidade do gás dentro do pistão. são obtidas as expressões (3.21) . Dessa forma.18) e (3.18) e (3.3 Balanço de massa de líquido no filme O volume de controle para o balanço de massa no filme é mostrado na Figura 3-3.19) pode-se deduzir que além da variação da fração volumétrica. (3.Capítulo 3 . portanto a fração de gás RG é avaliada nas fronteiras pertencentes aos pistões adjacentes.19) para as velocidades do gás no pistão nas fronteiras xj e yj: U GSxj  U GSj  LSj  1 dRLSj 1 d GBj     GBj dt  2 1  RLSj dt   LSj  1 dRLSj 1 d GBj     GBj dt  2 1  RLSj dt   (3.

22) R dt  RLSjU LSj  RLSj 1U LSj 1 LSj  RLBj  dy j   RLSj 1  RLBj  dx j 1 dt  LBj dRLBj dt  LSj dRLSj 2 dt  LSj 1 dRLSj 1 2 dt  (3.20) por  L A . (3.26)   LBj RGBj d GBj LSj RGSj d GBj dt LSj 1 RGSj 1 d GBj 1 2 GBj 1 GBj  RGSj 1U GSj 1  RGSjU GSj .13) na Eq.2.25).9) e substituindo as equações (3. obtém-se: dy  d  GBj ARGBj LBj   GBj ARGSyj U GSyj  dtj dt  dx j 1      GBj ARGSxj 1  U GSxj 1    0 (3. (3.19) tem-se: R LSj  RLBj  dy j dt dt   RLSj 1  RLBj   2 GBj dx j 1 dt   LBj dRLBj dt  LSj dRLSj 2 dt dt  LSj 1 dRLSj 1 2 dt  (3. e substituindo as Eqs. assumindo a aproximação em (3.4 Balanço de massa de gás na bolha alongada Aplicando a equação de balanço de massa à bolha de gás. temse:  dR L dRLSj dy j   dy dx  RLBj  j  j 1   LBj LBj  RLSj  U LSj  Sj    dt  dt dt  2 RLSj dt  dt    L dRLSj 1 dx j 1   RLSj 1  U LSj 1  Sj 1  0  dt  2 RLSj 1 dt   Rearranjando a Eq. a derivada na Eq.12) e (3. Considerando a hipótese (3.25) dt    RGBj GBj dt Rearranjando a Eq. Assim.18) e (3. obtém-se: dLBj dt  LBj dRGBj dt  LBj RGBj d GBj dy j   RGSj  U GSyj  dt  dx j 1      RGSj 1  U GSxj 1    0 (3.24) é desenvolvida e a expressão obtida é dividida por GBj A . (3. (3. expressando as frações de gás RG em função de frações de líquido RL = 1-RG.Capítulo 3 .20). (3.23) 3.Modelagem Matemática 45 Derivando a Eq.24) dt    sendo RGBj a fração volumétrica média de gás na bolha alongada.21).22) obtém-se: (3. dividindo a Eq. (3.15). (3.

5 Equações acopladas As equações resultantes do balanço de líquido no pistão.23) e (3.30) na Eq. Por sua vez. a velocidade média do gás no pistão pode ser expressa em função da velocidade média do líquido no pistão.27). De forma particular. é possível fazer a seguinte aproximação: d GBj 1 dt  d GBj dt (3.27) podem ser observadas as derivadas da massa específica das células unitárias j e j-1. considerando as equações (3. Eq.12) e (3. reescrita aqui por conveniência: U GSj  U LSj  U DSj RLSj (3. (3.19). (3. Porém.Modelagem Matemática 46 3.23) e (3.28) Além disso.26) são iguais. (3.2.27) GBj 1  RGSj 1U GSj 1  RGSjU GSj Na Eq. Eq.13). poder ser derivada para obter a seguinte expressão: d   dP  dT   dt P dt T dt (3. pode-se escrever: RLSjU LSj  RLSj 1U LSj 1   LBj  RGSj 1 LSj 1 d GBj 1 dt RGBj d GBj GBj dt  LSj RGSj d GBj 2 GBj dt  (3.38). (3. os balanços no filme e na bolha. (3.Capítulo 3 .17).18) e (3. (3. foram acopladas no balanço de gás na bolha alongada. obtém-se: .28). A seguir.29) e (3.29) A massa específica do gás varia com a pressão e a temperatura. as taxas de variação no tempo das massas específicas podem ser consideradas iguais para células unitárias adjacentes. foram acopladas no balanço de líquido no filme. as equações do balanço de gás no pistão. a equação de estado de gás ideal. (2.26). (3. Considerando que o lado esquerdo das Eq. serão acoplados em uma equação apenas.30) Finalmente. (2. Dessa forma. através da expressão deduzida no capítulo 2.

1969). O desenvolvimento da Eq. (3.Modelagem Matemática 47  1  RLSj U LSj 1  U LSj    RLSj    1  RLSj 1   1 dPGBj 1 dTGBj   U DSj    U DSj 1     RLSj 1   PGBj dt TGBj dt          L L     LBj 1  RLBj   Sj 1  RLSj   Sj 1 1  RLSj 1  GBj  GBj 1  2 2    (3. Nota-se que se trata de uma equação diferencial ordinária cuja variável independente é o tempo. (3.31) A Eq. obtém-se: . (3. A equação de balanço de quantidade de movimento na forma integral na direção z é dada pela Eq. (3.32) A equação (3.33) Agrupando convenientemente.1) avaliando a propriedade  como a velocidade absoluta U. O lado direito da Eq. 3.32) é aplicada ao volume de controle do pistão na Figura 3-3 considerando somente a fase líquida.32) é desenvolvido a seguir:  t VC  U d V  SC  U V r  dA  d   L ARLSj LSjU LSj   dt dx j  dy j    U LSxj  L AR LSxj  U LSxj    U LSyj  L AR LSyj  U LSyj   dt  dt    (3.  F  t  U  d V   U V VC SC  r  dA (3.31) representa o balanço de massa total na célula unitária.Capítulo 3 . A diferença entre as velocidades dos pistões adjacentes se deve à expansão da bolha entre esses pistões e à diferença de velocidades das bolhas dispersas nos pistões.32) será apresentado em duas partes: os termos do lado direito e os termos do lado esquerdo.3 Balanço de quantidade de movimento O balanço da quantidade de movimento será realizado somente na região do pistão já que a quantidade de movimento do gás a baixas pressões é desprezível por sua baixa massa específica em comparação com o líquido (Wallis.

as quais são: força devido à pressão. Dessa forma.38) são substituídas na Eq.39) .13).32) e divididas entre LA.34) podem ser calculados das Eqs.37) dt dt   2  dt  dt A soma das forças que aparecem no lado esquerdo da Eq.36) são substituídas na Eq. (3. (3. resultando em:  t VC  U  d V   U V  dA   r SC L ARLSj LLSj dU LSj  L  dx dy   dR   L A  Sj  j  j   LSjU LSj  LSj (3.35) e (3. (3.Modelagem Matemática 48  t VC  U d V  SC  U V r  dA  R LSj LSj dU LSj dt  RLSjU LSj dLSj dt  LSjU LSj dRLSj dt  2  R LSj U LSxj dx j dy j   2  U LSyj   R LSj  U LSxj  U LSyj  dt dt   (3. P LS yj  PLS xj  1  L  LSj S LSj LSj dU LSj  RLSj LSj g  sen   RLSj LLSj  dt L A L   Sj  2  dRLSj  dx j dy j      LSjU LSj  dt   dt  dt (3. Sj  PLS  yj  PLS xj  A  LSj S LSj LSj   L ARLSj LSj g  sen (3.32) é dada pela soma das forças atuantes no volume de controle da região do pistão.12) e (3.34) Os dois últimos termos da Eq. força de atrito e a força gravitacional.37) e (3.Capítulo 3 . (3. (3. As seguintes expressões são obtidas: 2 2 RLSj U LSxj  U LSyj   2 LSjU LSj dRLSj dt (3.35) dx j dy j  dLSj LSj dRLSj  dx j dy j   RLSj  U LSxj  U LSyj     U LSj RLSj   2 dt  dt dt dt  dt dt   (3.34) e reorganizadas convenientemente.36) As equações (3.38) sendo  a tensão de cisalhamento e S o perímetro molhado e  a inclinação do As Eqs. a soma das componentes das forças na direção axial do escoamento é dada por: F duto. (3.

3. Os volumes de controle são indeformáveis e suas fronteiras se movem com uma velocidade dyj/dt e dxj/dt.Capítulo 3 .Modelagem Matemática 49 A Eq. No primeiro volume de controle. está em função da pressão na bolha alongada. Figura 3-4 – Volumes de controle no acoplamento de pressões. respectivamente. Para obter relações entre as pressões do pistão e da bolha. o balanço de massa considera que não existe acúmulo de massa no interior do volume de controle:  L ARLSyj  U LSyj     dy j  dy j     L ARLByj  U LByj  dt  dt      m Lyj  (3. Como a pressão no balanço de massa. como observado na Figura 3-4. (3.39) em função das pressões das bolhas. (3.40) sendo m Lyj a vazão mássica de líquido atravessando o volume de controle na frente da bolha j.39) representa o balanço de quantidade de movimento no pistão que está em função das pressões nas fronteiras do pistão. Eq. são realizados acoplamentos de pressão nas interfaces.31). 3. é melhor expressar as pressões em (3.1 Acoplamento de pressões Os acoplamentos de pressões consistem em realizar balanços de massa e quantidade de movimento em volumes de controle infinitesimais localizados nas interfaces. . Os volumes de controle são tomados na interface entre o pistão j e a bolha j e na interface entre o pistão j e a bolha j+1 como visto na Figura 3-4. (esquerda da Figura 3-4) localizado entre o pistão j e a bolha j.

a variação de geometria é suave. (3.44). obtendo-se: PGBj  PLS yj (3. Dessa forma. e também a diferença de pressões. o balanço de quantidade de movimento é: P LS xj  PGBj 1 A  FHS   xj  FHB j 1   m U  Lxj LBj 1  U LSxj  (3. entre a bolha j+1 e o pistão j (direita da Figura 3-4) o balanço de massa obtido é:  L ARLSxj  U LSxj    dx j  dx j     L ARLBj 1  U LBj 1  dt  dt      m Lxj  (3.41) torna-se zero. Assim. o modelo estacionário de Taitel e Barnea (1990b) pode ser utilizado já que apresenta uma . Dessa forma o lado direito da (3. obtém-se: Pmix A  m Lxj U LBj 1  U LSxj   FHS   xj  FHB j 1  (3. a força de atrito e a gravitacional podem ser desprezadas pois o volume de controle possui dimensões infinitesimais.42) No segundo volume de controle. 1975) e denomina-se como queda de pressão na região de mistura Pmix  PLS xj  PGBj 1 . (3.45) O termo Pmix A não é de fácil modelagem porque está relacionado com a expansão da seção transversal de filme até o pistão.44) A diferença de pressões que aparece na Eq. Admitindo que a mudança de geometria seja desprezível.43) Neste volume de controle existe uma variação abrupta da seção transversal. Substituída na Eq. Então existirá uma diferença de forças hidrostáticas (FH).Capítulo 3 .44) é grande (Dukler e Hubbard. é razoável assumir que a velocidade não muda ao longo do volume de controle. Como alternativa.Modelagem Matemática 50 No balanço de forças para esse mesmo volume de controle.41) Devido à curvatura do nariz da bolha. obtém-se: P GBj  PLS yj Am  Lyj U LSyj  U LByj  (3.

O volume de controle acopla a frente do pistão j com a frente da bolha j+1. como reportado por Taitel e Barnea (1990b). (3. Considerando um perfil retangular da bolha e desprezando as forças interfaciais. Nesse modelo.39). o balanço de quantidade de movimento no volume de controle da Figura 3-5 de controle é dado por: F Bj 1  PLS  xj  PGBj 1 A   LBj 1S LBj 1 LBj 1   L ARLBj 1 LBj 1 g  sen  0  (3.42) e (3. tem-se: Pmix  PLS xj  PGBj 1   LB S LB LBj A   L gRLBj LBj  sen (3.47). essas expressões são substituídas na Eq.Capítulo 3 . as pressões nos pistões foram expressas em função das pressões nas bolhas. (3. A diferença de pressões no primeiro termo da Eq. Finalmente.46) é a expressão da queda de pressão da região da mistura.47) Assim.46) No balanço estacionário de forças podem-se observar termos relacionados ao atrito do filme e a seu peso gravitacional.Modelagem Matemática 51 sólida base teórica. os autores realizaram balanço de quantidade de movimento no volume de controle da Figura 3-5 para encontrar uma expressão para a queda de pressão na célula unitária. nas expressões (3. como mostrado na Figura 3-5. obtendo-se: . Assim. Apesar de ser estacionário. Figura 3-5 – Volume de controle para o modelo de Taitel e Barnea (1990). constitui uma aproximação razoável no modelo apresentado.

49) onde Q é a taxa de calor transferido de ou para o sistema.4 Balanço de energia Nesta seção. W eixo é a taxa de trabalho realizado pelo eixo de uma máquina. O segundo termo da . o filme líquido e a bolha alongada de gás. Para um volume de controle não inercial. tem-se: Q  Weixo  Wvisc  WP        t VC  e  d V   e V SC   r   d A (3. (3.Capítulo 3 .39). A equação integral de energia. (3.48) e a Eq. (3. (3. obtida do balanço de massa. em outras palavras. será realizado o balanço de energia para três regiões da célula unitária de forma individual: o pistão líquido.48) dU LSj  LSj  dx j dy j   dRLSj  L      LSjU LSj  dt dt   2  dt  dt   LBj 1 S LBj 1 LBj 1 A Eq.49) é o termo transiente que significa a taxa de variação da energia interna no volume de controle. e da primeira lei da termodinâmica.50) O primeiro termo da direita da Eq.48) é a forma final da equação da quantidade de movimento que representa a diferença de pressões entre bolhas adjacentes ou.Modelagem Matemática 52 PGBj  PGBj 1   LSj S LSj LSj A   L RLSj LLSj   L g  RLSj LSj  RLBj 1 LBj 1   sen  A (3. a queda de pressão em uma célula unitária. Wvisc é a taxa de trabalho realizado no volume de controle por forças viscosas que agem na superfície de controle. 3. é obtida a partir do teorema de transporte de Reynolds. A Eq. constituem um sistema de equações cujas variáveis são a velocidade do pistão U LSj e pressão no interior da bolha PGBj . dada na Eq. WP é o trabalho das forças de pressão dado pela seguinte expressão: WP      SC      PVr  d A (3. que está em função da energia específica (e).1). (3.

52) e (3. (3.49). considerando a faixa de velocidades nas quais ocorre o escoamento em golfadas.Modelagem Matemática 53 direita é o fluxo líquido de energia específica que atravessa as superfícies de controle.50).54): Q    VdA  SC   t VC  ûd V     P     û   Vr  d A   SC  (3. O trabalho de cisalhamento Wvisc por tensão viscosa consiste no produto da tensão de cisalhamento e a velocidade.49). integrados em relação à área de contato (White. Finalmente. será desenvolvido cada um dos termos da Eq. a soma de energia interna específica mais a razão entre pressão e massa específica é a definição de entalpia específica (i) como apresentado na Eq. (3. a energia cinética (ek) e a energia potencial (eP) como mostrado na Eq. (2. o termo de dissipação viscosa pode ser desprezado já que .51) Em um escoamento horizontal. Além disso.9) e reescrita aqui por conveniência: e  eK  eP  û (3.53) são substituídas na Eq. A seguir. na Eq.53) Nesse cenário. (3. 2001): Wvisc    VdA SC   (3. a energia potencial gravitacional é mantida constante. a energia total específica pode ser aproximada como energia interna específica. as equações (3. A energia específica está composta pela energia interna (û). (3. Assim. eû (3. Weixo é igual a zero.54) Além disso. obtém-se a Eq.52)  Assumindo a ausência da produção de trabalho de eixo. a energia cinética tem uma ordem de grandeza muito menor que a energia interna do fluido (ek << û). Rearranjando os termos. a energia potencial se tornaria zero para qualquer ponto da tubulação (ep = 0). (3. Caso fosse utilizado um sistema de referência localizado à mesma altura da tubulação.Capítulo 3 .10).49). (2.

Observa-se que cada elemento apresenta um coeficiente médio de transferência de calor para a respectiva região. Na Figura 3-6 são observadas as condições para a transferência de calor por convecção na região do pistão e da bolha. que no caso de problemas deste tipo. (3.Capítulo 3 . mostraram que em geral o número de Nusselt é muito alto. o balanço de energia é dado por: Q   t VC  û  d V   i V SC   r   d A (3. o qual pode ser calculado através de correlações de escoamento monofásico (Shoham. No desenvolvimento do termo Q . as quais foram definidas na revisão bibliográfica. A influência dos dois mecanismos é medida através de um parâmetro adimensional chamado número de Nusselt Nu. no filme e na bolha. A Eq. Dessa forma. Os primeiros testes no programa onde o presente modelo foi implementado. que é definido por:  Nu  hDh k (3.55) A Eq. 1982). (3. Em relação aos outros dois mecanismos.Modelagem Matemática 54 raramente é importante (White. . Isso significa que o mecanismo dominante da transferência de calor no problema abordado é a convecção forçada. não é considerada.55) está em função da energia interna (û) e da entalpia (i). 2001).55) representa a equação de energia a ser utilizada no pistão. com valores acima dos 1000 para o líquido. está caracterizada pela condutividade térmica do fluido k e no caso da convecção pelo coeficiente de transferência de calor h entre o fluido e a parede interna. a convecção e a radiação. No caso da condução. Dh o diâmetro hidráulico e k a condutividade térmica.56) sendo h o coeficiente médio de transferência de calor. os mecanismos de transferência de calor existentes são: a condução. cada um está caracterizado por uma propriedade.

1 Balanço de energia do líquido no pistão A fim de realizar o balanço de energia no líquido do pistão. Como a quantidade de gás no pistão é pequena. admite-se que o calor trocado entre as fases é desprezível. serão acoplados. Os fluxos de calor existentes podem ser observados na Figura 3-7.57) sendo h o coeficiente médio de transferência de calor na região correspondente e Tw  TF  a diferença de temperaturas entre o fluido e a parede. . será utilizado o volume de controle apresentado na Figura 3-4 localizado entre as superfícies xj e yj.4. os quais serão desenvolvidos separadamente e. Então.Capítulo 3 . 3. Na equação (3. cuja expressão é dada pela lei de resfriamento de Newton: Q  hSL Tw  TF   (3. no balanço de energia do pistão considera-se somente a parte líquida e a temperatura do gás contido no pistão será igual à temperatura do líquido.  Fluxo de Calor Transferido: A taxa de calor transferido pelo meio externo poderá ser expressa pela convecção entre o fluido e a parede da tubulação.55) têm-se três termos.Modelagem Matemática 55 Figura 3-6 – Condições da transferência de calor na seção transversal. posteriormente.

Modelagem Matemática 56 Figura 3-7 – Fluxos de calor na bolha-filme (a) e no pistão (b) G O coeficiente de transferência de calor para o pistão será chamado hLS . Neste caso.60) . Tw será a temperatura da parede exterior TwLS e TF a temperatura média do pistão líquido TLS. a taxa de calor transferido pela parede da tubulação no j-ésimo pistão é dada pela seguinte expressão: G Q wLSj  hLSj S LSj LSj TwLSj  TLSj   (3. Assim.Capítulo 3 .d  ARLS LS    L A dt  ûLS RLS LS  t  (3.58)  Taxa de variação da energia interna no interior do pistão: No pistão líquido. onde o sobrescrito G indica que é um coeficiente global que envolve os mecanismos de transferência de calor entre o fluido e a parede externa. Então. a taxa de variação de energia interna específica é dada por:  t VC  ûd V   d    LûLS  . a massa específica é constante e a área pode ser expressa em função da fração de vazio.59) Desenvolvendo as derivadas. e expressando para a j-ésima célula unitária:  t VC   ûd V L dLSj dRLSj dûLSj     L A  ûLSj RLSj  ûLSj LSj  RLSj LSj  dt dt dt   (3.

tem-se: G hLSj S LSj LSj TwLSj  TLSj   m Lxj CLTLxj  m Lyj CLTLyj    dL dR dT     L ACL  TLSj RLSj Sj  TLSj LSj LSj  RLSj LSj LSj  dt dt dt   (3. (3. tem-se um fluxo de energia entrando pela superfície xj e um saindo pela superfície yj na direção axial do escoamento. para obter a equação de balanço no pistão da célula j. Assim.63) Da Eq. da fração de vazio no pistão e da energia específica do líquido. (3.Modelagem Matemática 57 Da Eq. Além disso.63) é deduzido que o calor fornecido ao pistão ocasionará variações em três parâmetros: o comprimento.16) (ver relações termodinâmicas no Capítulo 2). como as bolhas no interior do pistão estão dispersas tendo líquido em todo seu redor.Capítulo 3 .61) na Eq.62) Lembrando que o líquido incompressível encontra-se afastado da região de saturação.  Fluxo de entalpia que cruza as superfícies de controle do pistão: No volume de controle (Figura 3-3). devem-se substituir as expressões (3.58). Eqs.55) G hLSj S LSj LSj TwLSj  TLSj   m Lxj iLxj  m Lyj iLyj    dL dR dû     L A  ûLSj RLSj Sj  ûLSj LSj LSj  RLSj LSj LSj  dt dt dt   (3. (3. . (3. a temperatura do gás no pistão é considerada igual à temperatura do líquido nesse pistão. a energia interna específica e a entalpia específica podem ser expressas em função da temperatura e do calor específico.60) e (3. Assim. a fração de líquido e a temperatura.15) e (2.61) mLyj  Finalmente. a taxa de variação de energia específica é dada por:     dx  dy    i Vr  d A   L A  U LSxj  j  RLSxj iLxj   L A  U LSyj  j  RLSyj iLyj    dt     dt   SC     mLxj  (3. (2.60) pode-se deduzir que a taxa de variação de energia interna no interior do pistão deve-se à variação do comprimento do pistão.

67)  Taxa de variação de energia interna no interior do filme: A taxa de variação da energia interna no filme pode ser expressa desenvolvendo a derivada: dLBj dRLBj dûLBj    d C ûd V  L A dt  ûLB RLB LB   L A ûLBj RLBj dt  ûLBj LBj dt  RLBj LBj dt  (3.Modelagem Matemática 58 TGSj  TLSj (3. Assim. Q wLBj . tendo o líquido uma temperatura diferente da do gás. Além disso. a taxa de calor trocado na interface líquido-gás. as taxas de calor transferido na parede e de calor trocado na interface são dados pelas seguintes expressões: G Q wLBj  hLBj S LBj LBj TwLBj  TLBj    (3.4. a taxa de calor fornecido pela parede é expressa através da lei de resfriamento de Newton. considerando também um líquido incompressível.2 Balanço de energia de líquido no filme O balanço de energia no filme é semelhante ao efetuado para o pistão.66) Qij  hij Sij LBj TGBj  TLBj   (3.65) sendo QLBj . o filme tem duas contribuições de troca de calor: o calor transferido pela parede e a troca de calor com o gás da bolha. a taxa de calor transferido desde a parede exterior e Qij .64) 3.68) t V   .  Fluxo de Calor Transferido: Na região do filme. existirá uma troca de calor entre eles na região da interface. Q LBj  Q wLBj  Qij      (3. Nesse sentido. a taxa de calor total transferido ao filme.Capítulo 3 .

4. 3. é realizado o balanço na bolha alongada de gás.  Fluxo de entalpia que cruza as superfícies de controle do filme: A fim de simplificar as expressões. o balanço de energia no filme é dado por: G hLBj S LBj LBj TwLBj  TLBj   hij Sij LBj TGBj  TLBj    L A  ûLBj RLBj   dLBj dt  ûLBj LBj dRLBj dt  RLBj LBj  dûLBj     m Lyj iLyj  m Lxj 1 iLyj 1 dt  (3. (3.Modelagem Matemática 59 A taxa de variação da energia interna no interior do filme é devida à variação do comprimento da bolha.3) e (3.4). Os resultados são muito semelhantes pelo fato de apresentar os mesmos mecanismos de transferência de calor.69) m Lxj 1  Dessa forma. Assim. .Capítulo 3 .71) A equação resultante para o filme conserva a mesma forma da equação de balanço no pistão.15) e (2. mas é adicionado o termo de compressibilidade do gás. os fluxos de entalpia são expressos em função dos fluxos mássicos de líquido definidos nas Eqs. da fração de vazio no filme e da energia interna do líquido.70) Através das hipóteses (2.16). os fluxos de energia são expressos:     dy  dx    i Vr  d A   L  U LSyj  j  ARLSyj iLyj   L  U LSxj 1  j 1  ARLSxj 1 iLxj 1  dt  dt    SC      m Lyj  (3.3 Balanço de energia na bolha alongada de gás Da mesma forma que com o filme líquido. a energia interna e a entalpia são expressos em função dos calores específicos e da temperatura: G hLBj S LBj LBj TwLBj  TLBj   hij Sij LBj TGBj  TLBj   CL m Lyj TLj 1  CL m Lxj 1 TLj 1    dL dR dT     L ACL  TLBj RLBj Bj  TLBj LBj LBj  RLBj LBj LBj  dt dt dt   (3.

na bolha existem duas influências: o calor transferido com a parede e a troca de calor com o filme. pois o calor ganho por uma fase é perdido pela outra.73)  Fluxo de entalpia que cruza as superfícies de controle: A massa específica do gás é considerada uniforme ao longo da bolha e nas superfícies dos pistões adjacentes.Capítulo 3 .55) G hGBj SGBj LBj TwGBj  TGBj   hij Sij LBj TGBj  TLBj   mGyj iGyj  mGxj 1 iGxj 1    dLBj LBj d GBj dRGBj dûGBj  AGBj  ûGBj RGBj  ûGBj RGBj  ûGBj LBj  RGBj LBj  GBj dt dt dt dt      (3.73) e (3.5) e (3. (3. a massa específica do gás é dependente do tempo. pois é um fluido compressível. (3.6): SC  ûV  d A   r     dy j  dx j 1    A UGSyj   RGSyj iGSyj  GBj A UGSxj 1   RGSxj 1 iGSxj 1 dt    dt          GBj mGyj  (3.  t VC  ûd V A d  ûGB GB RGB LB   dt      dL L d GBj dR dû  AGBj  ûGBj RGBj Bj  ûGBj RGBj Bj  ûGBj LBj GBj  RGBj LBj GBj  dt dt dt GBj dt  (3. originando mais um termo.67) com o sinal trocado. O fluxo de energia nesta região é expresso em função das vazões mássicas apresentadas em (3.72). a massa específica do gás fica dentro da derivada. a expressão é dada pela Eq.74) mGxj 1  A fim de obter a equação de balanço para a bolha de gás. (3.Modelagem Matemática 60  Fluxo de Calor Transferido: Da mesma forma que no filme.74) são substituídas na Eq.75) .72)  Taxa de variação de energia interna no interior da bolha: Para esse caso. Na troca de calor com o filme. as expressões (3. Assim sendo. G QGBj  hGBj S LBj LBj TwGBj  TGBj   hij Sij LBj TGBj  TLBj   (3.

19). 3. tem-se: G hGBj SGBj LBj TwGBj  TGBj   hij Sij LBj TGBj  TLBj   CpG mGyj TGyj  CpG mGxj 1 TGxj 1    dLBj LBj d GBj dRGBj dTGBj CvG AGBj  TGBj RGBj  TGBj RGBj  TGBj LBj  RGBj LBj  GBj dt dt dt dt   (3.4. portanto deve-se realizar balanço de energia nas suas paredes. os fluxos de energia devido ao movimento do volume de controle são desprezados. Em outras palavras.76)    Dessa forma foram obtidas três equações de conservação da energia para a célula unitária: uma para o pistão.4 Balanço de energia na parede do duto O duto encontra-se submetido a condições externas. velocidade e temperatura é inviável.Capítulo 3 .Modelagem Matemática 61 Lembrando a hipótese de gás ideal. toda a energia fornecida ao escoamento é transferida à mistura bifásica. a energia interna específica e a entalpia específica podem ser expressas em função dos calores específicos e das temperaturas. Além disso. . Eqs. De o diâmetro externo da tubulação e q’’ o calor proveniente do meio externo em W/m². uma solução conjunta para pressão. O balanço deve ser aplicado para cada região da célula unitária. Por isso. As três equações estão em função das temperaturas e dos parâmetros cinemáticos e geométricos do escoamento que são variáveis do modelo hidrodinâmico. filme líquido (LB) ou bolha alongada (GB).77) sendo LFj o comprimento da bolha ou pistão. mas como sua expressão é semelhante em cada uma das regiões. uma para o filme e uma para a bolha alongada. O índice F refere-se às regiões da célula unitária: pistão líquido (LS). (2.18) e (2.77): 0  q '' S Fj De G LFj  hFj S Fj LFj TwFj  TFj  D (3. Considera-se que não existe acúmulo de energia no interior da parede. pode ser expressa de forma geral de acordo com a Eq. Dessa forma. (3. como mostrado na Figura 3-8.

63)-(3. o termo q '' no balanço de energia no duto mudará.76). (3. a condição de temperatura externa constante representa um escoamento isotérmico ao redor do duto por onde escoa a mistura bifásica. Os parâmetros a serem apresentados nesta seção são: as velocidades das superfícies de controle. Dependendo da natureza da condição térmica. As condições térmicas podem ser temperatura externa constante ou fluxo de calor constante. a velocidade absoluta do filme e da bolha. a coalescência. 3. o coeficiente de transferência de calor global. a expressão para q’’ é dada por: q ''  h0 T0  TwFj  (3. pode-se observar que para sua solução será necessário conhecer as velocidades das fronteiras e outros parâmetros cinemáticos e térmicos. o coeficiente de transferência de calor bifásico e a temperatura da mistura. Fisicamente. As equações auxiliares mostram a modelagem de parâmetros que estão fora dos sistemas de equações a serem resolvidos.71)-(3. No caso de temperatura externa constante. Eqs.78) sendo T0 a temperatura do meio externo e h0 o coeficiente de transferência de calor no meio externo.Capítulo 3 .Modelagem Matemática 62 Figura 3-8 – Balanço de energia na parede do duto.5 Equações auxiliares Das equações de balanço de energia dos componentes da célula unitária. mas são fundamentais para o modelo. .

5.38).5.(3.Capítulo 3 .2 Velocidade do filme líquido e da bolha alongada Para encontrar a velocidade do filme líquido.Modelagem Matemática 63 3.7) aparece a velocidade das bolhas dispersas no pistão. (3. Dessa forma. Por outro lado. Por sua vez. (2.79) Na revisão bibliográfica também foi encontrada uma expressão para a velocidade de mistura J em função da velocidade do pistão.81). (2.26). a velocidade da superfície de controle é dada por: dy j    1  RLSj   C0 U LSj  U DSj   R dt    LSj         C gD  1  h     j  (3. Seu cálculo é determinado através das fórmulas propostas no Capítulo 2: dy j dt  U Tj  C0 J  C gD 1  h   j  (3.81) Observa-se na Eq.80) sendo os coeficientes C0 e C∞ dados na Tabela 2-3. na Eq. O balanço é realizado através de um . a qual pode ser calculada através da Eq. obtém-se:  LBj dRLBj dt  LSj dRLSj 2 dt  LSj 1 dRLSj 1 2 dt  1  RLSj  U GSj  1  RLSj 1  U GSj 1 dx j 1 dt  RLSj 1  RLBj  1 d GBj GBj dt  LSj RGSj LSj 1 RGSj 1 GBj  dy j   LBj RGBj     RLSj  RLBj   2 2 GBj 1  dt   RLSj 1  RLBj (3. A expressão para essa velocidade pode ser obtida rearranjando o balanço de massa para a bolha na Eq. Assim. a qual é denominada U Tj .7). necessária para o cálculo do atrito no filme. (2. 3. que será responsável pela variação do comprimento da bolha LBj ao longo do tempo. a velocidade da superfície de controle xj é a velocidade da traseira da bolha. Eq. é utilizado o balanço de massa.1 Velocidade das superfícies de controle A velocidade com que a superfície de controle y j está se movendo é a velocidade da frente da bolha. o efeito da compressibilidade do gás.

Esse fenômeno é modelado na próxima seção. sendo o escoamento intrinsecamente transiente e intermitente. . Porém.82) pode-se obter uma expressão para U LBj : (3.84) Dessa forma foram obtidas equações auxiliares que servirão para calcular os parâmetros cinemáticos faltantes após a solução das equações acopladas. Dessa forma.83) De forma análoga. Então o balanço de massa através deste volume é dado por:  L ARLSj U LSj  U Tj    L ARLBj U LBj  U Tj   0 Arranjando a Eq. mostrado na Figura 3-9. Suas fronteiras encontram-se nas superfícies onde a velocidade é igual à velocidade média da região. a velocidade da frente da bolha alongada pode ser maior que a velocidade da traseira da bolha precedente. as duas bolhas podem coalescer dando origem a uma maior. é realizado um balanço de gás no volume de controle da Figura 3-9 obtendo-se a seguinte expressão: U GBj  U Tj  1  RLSj RGBj U GSj  U Tj  (3.Modelagem Matemática 64 volume de controle que se move com a velocidade de translação da bolha.82) U LBj  U Tj  RLSj RLBj U LSj  U Tj  (3.Capítulo 3 . Figura 3-9 – Volume de controle para a velocidade do filme e da bolha O volume de controle se move com a velocidade de translação da frente da bolha U Tj . (3.

tornando-se ela a bolha j. A fim de não desprezar a perda de pressão calculada.87) N O O RGBj  max  RGBj . se o comprimento do pistão j for menor que o diâmetro da tubulação. tem-se: N O U LSj  U LSj 1 (3.85) Apesar do pistão j ser muito pequeno. Assim. No caso da fração de líquido no pistão. O novo comprimento da bolha é a soma das bolhas j e j+1. A fração de gás na bolha j é considerada como a máxima entre as antigas bolhas j e j+1. LN 1  LO  LO 1 Sj Sj Sj (3.89) . No escoamento em golfadas a coalescência ocorre quando a frente de uma bolha toca a traseira da bolha a sua frente. a pressão é considerada uma média entre as pressões das antigas bolhas j e j+1. sua massa não pode ser desprezada porque ocasionaria um déficit no balanço de massa total.Modelagem Matemática 65 3. LN  LO  LO 1 Bj Bj Bj (3. Assim. a coalescência é representada por uma condição relacionada ao comprimento do pistão. a velocidade do pistão assume a velocidade do pistão j+1. No modelo matemático.5.3 Coalescência de bolhas A coalescência é o fenômeno no qual duas bolhas que se encontram muito próximas se juntam para formar uma de maior dimensão. Assim. Nesse sentido.86) Dessa forma. tem-se: N O RLSj  RLSj 1 (3. a nova célula j conserva a mesma fração da antiga célula j+1.88) No caso das propriedades calculadas. a massa do pistão j passa a formar parte do pistão j-1. também é calculada uma média. as bolhas j e j+1 coalescem e o pistão j desaparece. No caso da temperatura.Capítulo 3 . a célula unitária j desaparece e passa a formar parte das células j-1 e j+1. RGBj 1    (3.

Caso a condutividade térmica do material do duto seja muito alta (cobre. No caso geral. TLBj  2 N .Modelagem Matemática 66 N PGBj  O O PGBj  PGBj 1 2 O O TLBj  TLBj 1 O O TGBj  TGBj 1 (3. mas a frente da bolha j-1 e a traseira da bolha j+1N (ou j+2O) permanecem imóveis.90) N TLSj  O O TLSj  TLSj 1 2 N . 3. Pode-se observar que as posições das superfícies de controle também mudam. TGBj  2 (3.91) Na Figura 3-10 são apresentadas as condições do escoamento antes e depois da coalescência. por exemplo). como observado na Figura 3-6.Capítulo 3 . a resistência térmica pode ser desprezada.5. essa condução deve ser . de forma que todo o calor fornecido é transferido diretamente aos fluidos.4 Coeficiente de transferência de calor global A temperatura da parede a ser avaliada nos balanços de energia é a temperatura da parede externa. Figura 3-10 – Modelagem da coalescência de bolhas.

. deve também considerar a condução na espessura do duto. o coeficiente de transferência de calor. Então. Figura 3-11 – Resistências térmicas na seção transversal do duto O coeficiente hF é calculado com expressões do escoamento monofásico e mudará segundo as propriedades da região avaliada.93) sendo TwF a temperatura na parede externa do duto na região F. A taxa de calor transferida do exterior é expressa por: G Q F  hF S F LF TwF  TF   (3. 2008): G hF  1 D 1 D  Ln e D hF 2kc (3. um coeficiente global de transferência de calor baseado no conceito de resistências térmicas é utilizado (Incropera et al. os quais são representados na Figura 3-11. Nesse cenário.Modelagem Matemática 67 considerada já que alguns materiais utilizados na indústria possuem baixa condutividade térmica e atuam como isolantes térmicos. a correlação que melhor se ajusta para modelar o . além de representar a convecção interna.92) sendo De o diâmetro exterior do duto e o índice F refere-se às regiões da célula unitária: pistão líquido (LS).Capítulo 3 . filme líquido (LB) ou bolha alongada (GB). Esses dois mecanismos atuam como resistências térmicas. Segundo o estudo experimental de Lima (2009).

Modelagem Matemática 68 coeficiente de transferência de calor monofásico é a correlação de Gnielinski (Incropera et al. Porém. (2.96) A fim de evitar cálculos desnecessários. EU  mLS CLTLS .24).94) sendo E a taxa de energia em unidades de energia por tempo. a taxa de energia total da célula unitária também pode ser definida em função da temperatura da mistura.Capítulo 3 . Por outro lado. as temperaturas calculadas devem ser expressas em função de uma única temperatura.5 Temperatura da mistura Como visto anteriormente. 2008) dada na Eq. Espera-se que para baixas pressões os termos relacionados à fase gasosa possam ser desprezados uma vez que suas propriedades físicas têm um valor numérico muito menor quando comparado às propriedades do líquido. mLB CLTLB .5.97) . 3. a qual será chamada de temperatura da mistura. A energia total de uma célula unitária pode ser expressa como a soma das energias de cada fase nas diferentes regiões: EU  ELS  EGS  ELB  EGB       (3. para obter um parâmetro mais de acordo com os interesses da engenharia. Portanto. a solução do modelo matemático irá calcular as temperaturas nas diferentes partes da célula unitária. deve-se encontrar uma expressão para a taxa de energia total da célula unitária. tem-se: EU  mLS CLTLS  mLB CLTLB  mGS CpGTGS  mGB CpGTGB        (3. considerando propriedades constantes: E  mCT Expressando a energia em função das temperaturas. é realizada uma análise de escala para as duas fases. mGB CpGTGB      (3.95) (3. mGS CpGTGS .

Portanto. mLB   L ARLBU LB .101)   (3.101) . Os calores específicos da água e do ar são aproximadamente 4000 J/KgK e 1000 J/KgK respectivamente. G RGB CpG AUT  (3. Como exemplo. G ARGSU GS CpGTGS . a área e a velocidade. a mistura ar-água será utilizada. no líquido é 2000 vezes maior que a do gás.Capítulo 3 .  L ARLBU LB CLTLB .  L RLB CL .98)    Considera-se que todas as temperaturas. a análise de escalas mostra que a fase gasosa pode ser desprezada no cálculo da energia total da mistura por sua baixa contribuição. Sendo mLS   L ARLSU LS . e assim podem ser associadas em um fator que divide toda a expressão (3.98). G ARGBU GB CpGTGB (3. G RGS CpG . a energia da célula unitária na Eq.100) A energia total da célula unitária também pode ser expressa em função de uma temperatura da mistura: EU  mL CLTm Substituindo (3. as quantidades estão basicamente governadas pelo produto da massa específica vezes o calor específico. a massa específica da água está em torno de 1000 kg/m³ e a do ar por volta de 2 kg/m³. por sua vez podem ser expressas como o produto entre a massa específica. (3.96) pode ser escrita ignorando os termos devido à fase gasosa: EU  mLS CLTLS  mLB CLTLB    (3.05% do valor total.99) Desta forma. Para baixas pressões. EU   L RLS CL . o que representa 0. chamado capacidade térmica. Assim.100) em (3.   mGS   L ARGSU GS e mGB   L ARGBU GB obtém-se: EU   L ARLSU LS CLTLS .Modelagem Matemática 69 As vazões mássicas. as velocidades e as áreas estejam na mesma ordem de grandeza. O produto C.

TwiLB a temperatura da parede interna na região do filme.Modelagem Matemática 70 Tm  mLS TLS  mLB TLB mL    (3. TwiLS a temperatura da parede interna na região do pistão. Os calores podem ser expressos em função dos coeficientes locais de cada região. Assim:  Tm  U LS RLS TLS  U LB RLBTLB U LS RLS  U LB RLB (3.104) sendo QLS a taxa de calor transferido por unidade de comprimento no pistão.6 Coeficiente de transferência de calor bifásico Um coeficiente de transferência de calor bifásico hTP é definido para calcular a troca de calor entre os fluidos e a parede do duto. Considerando temperaturas médias na célula unitária. (3. Sua expressão é dada pela seguinte equação: tb Q QLS dt dt   FG 0  D tU ts  D tU hTP  t tb dt dt s TwiLS  TLS   ts TwiLB  TLB  0 tU tU ts (3. os tempos são escritos em função da velocidade de translação da bolha e do comprimento de cada região (ts = LS/UT e tb = LB/UT). o qual é realizado depois do cálculo das temperaturas no filme e no pistão. ts o tempo de passagem do pistão. QFG a taxa de calor transferido por unidade de comprimento de bolha.103) Na Eq. 3.103) tem-se a expressão para o cálculo da temperatura da mistura.5.102) onde mL   L ARLSU LS   L ARLBU LB . o coeficiente de transferência de calor bifásico em (3.104) pode ser calculado de acordo a seguinte expressão: hLSj LSj TwiLSj  TLSj   hLBj S LBj LBj TwiLBj  TLBj   hGBj SGBj LBj TwiGBj  TGBj  hTPj  LSj TwiLSj  TLSj   LBj TwiLBj  TLBj  D (3. Além disso. tb o tempo de passagem da bolha.105) .Capítulo 3 . tU o tempo de passagem total da célula unitária.

63)   dL dR dT     L ACL  TLBj RLBj Bj  TLBj LBj LBj  RLBj LBj LBj  dt dt dt   (3.Capítulo 3 .48) rescritas a seguir:  1  RLSj   1  RLSj 1   1 dPGBj 1 dTGBj U LSj 1  U LSj     U DSj    U DSj 1    R   R  P TGBj dt  LSj   LSj 1   GBj dt    L L   LBj 1  RLBj   Sj 1  RLSj   Sj 1 1  RLSj 1  GBj  GBj 1  2 2    PGBj  PGBj 1   LSj S LSj LSj A   LBj 1 S LBj 1 LBj 1     (3.71) e (3.48) onde as variáveis a serem resolvidas são a velocidade do pistão ULSj e a pressão na bolha alongada PGBj. (3.6 Comentários finais No presente capítulo foram apresentadas as equações que governam a hidrodinâmica e a transferência de calor no escoamento em golfadas. O modelo de transferência de calor é dado pelas equações diferenciais.71) .106) 3.Modelagem Matemática 71 onde as temperaturas da parede interna são calculadas da seguinte forma: TwiF  TF  G hF TwF  TF  hF (3.31)   L RLSj LLSj   L g  RLSj LSj  RLBj 1 LBj 1   sen  A  LSj  dx j dy j   dRLSj dU LSj  L      LSjU LSj  dt dt   2  dt  dt (3.76): G hLSj S LSj LSj TwLSj  TLSj   m Lxj CLTLxj  m Lyj CLTLyj    dL dR dT     L ACL  TLSj RLSj Sj  TLSj LSj LSj  RLSj LSj LSj  dt dt dt   G hLBj S LBj LBj TwLBj  TLBj   hij Sij LBj TGBj  TLBj   CL m Lyj TLj 1  CL m Lxj 1 TLj 1  (3.63). (3. O modelo hidrodinâmico é dado pelos balanços de massa e quantidade de movimento nas equações diferenciais (3.31) e (3.

76)    onde as variáveis a serem calculadas são a temperatura do pistão TLSj. Devido à sua alta não-linearidade. portanto deverá ser encontrada uma solução numérica. uma solução analítica para as equações anteriormente apresentadas é inviável.Capítulo 3 . A metodologia de solução numérica é apresentada no próximo capítulo.Modelagem Matemática 72 G hGBj SGBj LBj TwGBj  TGBj   hij Sij LBj TGBj  TLBj   CpG mGyj TGyj  CpG mGxj 1 TGxj 1    dLBj LBj d GBj dRGBj dTGBj CvG AGBj  TGBj RGBj  TGBj RGBj  TGBj LBj  RGBj LBj  dt dt dt GBj dt   (3. . do filme TLBj e da bolha alongada TGBj.

as equações auxiliares recebem também um tratamento a ser implementado na solução. A seguir.Metodologia de Solução 73 4 METODOLOGIA DE SOLUÇÃO Neste capítulo será apresentada a metodologia para a solução do problema de escoamento em golfadas utilizando o modelo de seguimento de pistões. Por conseguinte. Note-se que todas as derivadas estão em relação ao tempo. um para o esquema totalmente implícito e 0.5 para o esquema Crank-Nicholson.Capítulo 4 . as quais servirão para monitorar as variáveis em posições específicas.  o fator de ponderação que é igual a zero no esquema explícito. é apresentado o conceito de sondas virtuais. o algoritmo de solução e sua implementação computacional serão detalhados. . O primeiro acopla os balanços de massa e quantidade de movimento em um sistema de equações cujas incógnitas são a velocidade do pistão e a pressão da bolha. Os índices N e O indicam a função  avaliada no tempo atual e antigo. onde a variável a ser calculada é a temperatura do líquido. respectivamente.1) sendo  uma variável qualquer que depende do tempo. O segundo sistema é obtido a partir do balanço de energia. 4. Finalmente. uma solução analítica é inviável. dois sistemas de equações serão obtidos. Como resultado da discretização. portanto deve ser utilizado um esquema de integração temporal. essas equações precisam ser discretizadas a fim de torná-las equações lineares. Ao mesmo tempo. que de forma geral é dado pela seguinte expressão: t t    dt   t N   1     O  t    t (4. Como as equações governantes encontradas no capítulo anterior não são lineares.1 Discretização A primeira etapa para a solução do problema é a linearização do sistema de equações encontrado no capítulo 3.

se o sistema for resolvido em função de P e U. Desse modo.6) . As equações acopladas encontradas na modelagem matemática são aplicadas a um escoamento horizontal. a matriz estaria mal condicionada (Rodrigues.3) A pressão tem uma ordem de grandeza muito superior à velocidade.4) Também são definidas algumas expressões a fim de simplificar as equações:  1  RLSj U DSj    RLSj    1  RLSj 1  U  U DSj     RLSj 1  DSj 1     S LBj 1 (4. 2009).5) PSj 1  2 f LBj 1 LBj 1  L D 2 2 U LB 1 (4. Assim. Essas equações estão em função da derivada da velocidade do pistão e da pressão na bolha. que possui uma ordem de grandeza menor que da pressão. são rescritas novamente nesta seção por conveniência: 1 RLSj   1 RLSj1   1 dP 1 dTGBj  GBj ULSj1 ULSj     UDSj  UDSj1    R   R   P dt T dt   LSj  LSj 1  GBj GBj      LSj LSj1   LBj 1 RLBj   1 RLSj   1 RLSj1   GBj  2 2  GBj 1    S LSj LSj A S LBj 1 LBj 1 A dU LSj dt (4. Nesse sentido. o fator de pressão está definido como: * PGBj  PGBj L (4.2) PGBj  PGBj 1   LSj   LBj 1   L RLSj LLSj  LSj  L   2  dRLSj  dx j dy j      LSjU LSj  dt   dt  dt (4.Capítulo 4 .Metodologia de Solução 74 4. define-se o fator de pressão P*. Assim.1 Discretização das equações do sistema pressão-velocidade No capítulo 3 foram deduzidas duas equações a partir do balanço de massa e da quantidade de movimento para uma célula unitária.1. o qual é necessário para dar estabilidade numérica.

5) é o termo devido à velocidade das bolhas dispersas. As equações resultantes são rescritas de forma simplificada. (4. as temperaturas serão calculadas após as velocidades e pressões sejam conhecidas. (4. (4. a solução dos balanços de massa e quantidade de movimento está sendo desenvolvida.7):  1 dP LSj LSj1   1 dTGBj  GBj ULSj1 ULSj  UDSj    LBj 1 RLBj   1 RLSj   1 RLSj1   GBj  (4.9) Nota-se na Eq.5). (4. A Eq. (4.7) representa a variação da quantidade de movimento devido à variação de fração de líquido no pistão.7) A Eq. Assim. para evitar um sistema acoplado de pressão velocidade e temperatura.8) é avaliada em dois instantes anteriores.6) representa o termo de atrito do filme. o termo dRLS/dt na Eq. Testes experimentais no 2PFG/FEM/UNICAMP (Rosa e Altemani.8) que existem termos de derivadas da pressão e da temperatura em relação ao tempo.Capítulo 4 .10) OO onde TGBj é a temperatura da bolha alongada avaliado dois instantes anteriores em relação ao instante atual. o primeiro fator do segundo termo da direita na Eq. Nesse sentido. (4. (4.6) e (4. o termo da derivada da temperatura na Eq.8)  P dt TGBj dt   2 2 GBj 1   GBj   dU LSj dt LSj D * * PGBj  PGBj 1  RLSj LSj  2 f LSj 2 U LSj  1 L PSj 1 (4. 2006) mostraram que a variação da fração de líquido no pistão é muito pequena ao longo do tempo (em alguns casos é nula). portanto. Porém. . No presente estágio da metodologia.8) pode ser discretizado da seguinte forma: 1 dPGBj 1 dTGBj 1   O PGBj dt TGBj dt PGBj N O  PGBj  PGBj   t   1  O  T  GBj O OO  TGBj  TGBj   t      (4. A Eq. (4.7) pode ser desprezado e Ij é zero. portanto é possível expressar a derivada dPGBj/dt em função do tempo atual.Metodologia de Solução 75  L  dx dy   dR I j   L  Sj  j  j   LSjU LSj  LSj dt   2  dt  dt (4. em função do fator de pressão e dos parâmetros em (4.

12) Isolando os termos que estão avaliados nos tempos novos:  U N LSj 1 O  LSj LSj1 GBj  *N 1  O O    U   O RGSj 1 O  P   LBj RGBj  RGSj  ULSj ULSj1    GBj P t  GBj 1   2 2 GBj (4.8). Dessa forma. Nesse contexto.11) Aplicando o esquema de integração da Eq.9): *N *O *N *O  PGBj  1    PGBj    PGBj 1  1    PGBj 1       N O U  U LSj L 1 N O RLSj LSj LSj  2 f LSj Sj U LSjU LSj  P  L Sj 1 D t (4. Assim.14) estão expressas para uma célula genérica j e devem ser escritas também para todas as células no interior da tubulação desde 1 até n em um sistema de 2n equações lineares. obtém-se: N O N O U LSj 1  1    U LSj 1   U LSj  1    U LSj   U DSj      *N *O O OO O  1  PGBj  PGBj  1  TGBj  TGBj    L L GBj  LBj RGBj  Sj RGSj  Sj 1 RGSj 1 O   O   *O     T     PGBj  GBj 1  t t 2 2   GBj       (4. o qual deste ponto em diante será conhecido como sistema pressão-velocidade.1) é aplicado na Eq. (4.13) e (4. pode-se construir o sistema a ser resolvido da seguinte forma: A X  B (4. (4.Capítulo 4 .13) O OO O LSj LSj1 GBj  UDSj 1  TGBj  TGBj   RGSj 1 O   1  LBj RGBj  RGSj  O t  TGBj  GBj 1   2 2    N LSj 1 L R L *N *N O  N  PGBj 1  PGBj    LSj Sj  2 f LSj Sj U LSj  U LSj    D  t  O 1     P*O  P*O   R L U LSj  1 P Sj 1   GBj GBj 1  LSj Sj t  L (4. As condições de contorno para a solução desse sistema são a velocidade na entrada e a pressão na saída. um sistema de equações é constituido.Metodologia de Solução 76 A expressão em (4.14) As equações (4.10) e o esquema de integração em (4.15) . (4.1) na Eq.

Metodologia de Solução 77 sendo A a matriz de coeficientes. . X o vetor de incógnitas e B o vetor dos termos independentes. (4.15) é apresentada na Eq. A expansão de cada um dos termos da Eq.Capítulo 4 . (4.16) na forma matricial.

Metodologia de Solução 78  1  LS1 L O  RGS1  S 0 RGS 0 GB1  1  O  LB1RGB1  O GB0  2 2 GB  P 1t   L  RLS1LS1 O   1  2 f LS1 S1 U LS1   t D     A     0 0     0 0             0 0      O  GBn  LSn LSn1 1  1 RGSn  RGSn1 O    LBn RGBn  O 2 2 PGBnt  GBn1    L  RLSn LSn O  1  2 f LSn Sn U LSn   D  t   0 0  P*N1  GB  N  ULS1  X     *N  P  GBn U N   LSn  .Capítulo 4 . O OO  N 1  O O  U  L L 1  TGB1  TGB1  O ULS 0 ULS1   *O 1 LB1RGB1  S1 RGS1  S 0 RGS 0 GB1   DS1  ULS 0   O O  P t    2 2 GB0    TGB1  GB1     O 1  P*O  P*O   R L ULS1  1 P  P  I    G1 1   GB1 GB2  LS1 S1 t L S 2     B   O OO O  1   TGBn  TGBn   UDSn  GBn LSn LSn1 1 O  O    RGSn1 O    LBn RGBn  RGSn  ULSn1 ULSn   P*O t 1 T O 2 2 GBn1      GBn GBn     O 1  P*O  P*O   R L ULSn  1 P  P  I  P*N    Gn n GBn1     GBn GBn1  LSn Sn t L Sn1   (4.16) .

Deshpande et al. Por causa disso. a transferência de calor no escoamento líquido-gás é influenciada principalmente pela fase líquida. A temperatura do gás é calculada depois que a temperatura do líquido for conhecida.17) Substituindo a Eq.17) na Eq. é tridiagonal.5.63) e (3. é construído um sistema de equações em função da temperatura do líquido utilizando as equações (3. A variação da fração de líquido no pistão é desprezada de acordo com o exposto na seção 4. A fração de líquido no filme também é considerada constante. as temperaturas nas superfícies x e y são diferentes. 1980). as velocidades e as pressões são conhecidas e os coeficientes de transferência de calor podem ser calculados com parâmetros no instante atual através da Eq. Nesse cenário. como resultado dos primeiros testes. (3. (3. 4.92). é utilizada a seguinte aproximação: TLSj  TLxj  TLyj 2 .16).71). O método TDMA fornece a solução exata do sistema executando 4n operações sendo n o número de células unitárias no interior da tubulação (Patankar.1.Capítulo 4 . 1998). foi comprovado que a variação espacial da temperatura no interior de uma célula não é pequena.Metodologia de Solução 79 A matriz A. O esquema de integração no tempo utilizado para o sistema pressão-velocidade é o esquema de Crank-Nicholson.2 Discretização da equação da conservação da energia As equações resultantes do balanço de energia são discretizadas considerando que sua solução será encontrada depois que o sistema pressão-velocidade for resolvido. Segundo os estudos de vários autores (Kim e Ghajar. 2006. Além disso. Sistemas de equações desse tipo podem ser resolvidos facilmente através do método TDMA (Tridiagonal Matrix Algorithm). pois possui coeficientes não nulos apenas na diagonal principal e nas duas diagonais secundárias. apresentada na Eq. Por consequência. onde  = 0.1. Assim.63) obtém-se: . TLBj  TLyj  TLxj 1 2 (4. Esse sistema de equações será resolvido para cada N N instante de tempo e fornecerá os valores no tempo atual das variáveis U LS e PGB .1. (4. (4.

20) N N    TLyj  TLxj 1  N N h S LBj LBj  TwLBj    QI  CL m Lyj TLyj  CL m Lxj 1 TLxj 1    2   N O N N N O N O  LBj  LBj   TLxj  TLyj  LSj  TLyj  TLyj TLxj 1  TLxj 1     L ACL RLSj         2    t t 2  t        G LBj (4. (4. foram calculadas no sistema pressão-velocidade. a equação da conservação da energia é expressa por:   T T   G hLBj S LBj LBj  TwLBj  Lyj Lxj 1   QI  CL m Lyj TLyj  CL m Lxj 1 TLxj 1  2    dL  T  T dT  L  dT    L ACL RLBj  Bj  Lyj Lxj 1   Bj  Lyj  Lxj 1   dt   2  2  dt  dt  (4.21).21) Como é observado nas Eqs.20) e (4. o esquema de integração na Eq.1) para a equação da conservação da energia é considerado como totalmente implícito =1. Então.20) e .71). obtém-se: N N   TLxj  TLyj   N N h S LSj LSj  TwLSj    m Lxj CLTLxj  m Lyj CLTLyj    2   N N N O N O  LN  LO   TLxj  TLyj  LSj  TLxj  TLxj TLyj  TLyj Sj   L ACL RLSj  Sj          t t 2  t    2   G LSj      (4. integrando numericamente as Eqs. portanto. (4.18) Para a equação do filme líquido (3.19) sendo QI o calor trocado na interface líquido-gás na região da bolha alongada igual a hijSijLBj(TGBj-TLBj). Todas as variáveis.Capítulo 4 . com exceção da temperatura. o sistema de equações deve ser construído em função dessas variáveis. as variáveis a serem calculadas são as temperaturas do líquido nas superfícies de controle xj e yj. As equações (4. Assim.18) e (4.Metodologia de Solução 80  T T    G hLSj S LSj LSj  TwLSj  Lxj Lyj   m Lxj CLTLxj  m Lyj CLTLyj  2   dT    dL  T  T  L  dT   L ACL RLSj  Sj  Lxj Lyj   Sj  Lxj  Lyj   dt   2  2  dt  dt  (4. (4.19).

sendo C. pode ser resolvida por substituição direta. A equação para o filme é escrita primeiro por conveniência. uma matriz com coeficientes não nulos na diagonal principal e na diagonal secundária inferior.24) Dessa forma é obtido um sistema de equações lineares com a forma C  Y  D sendo C. é obtido um sistema de equações em função das temperaturas TLyj e TLxj. Y. Esse sistema de equações será resolvido para cada instante de tempo e fornecerá os valores no tempo atual das N N variáveis TLx e TLy .22) L ACL RLBj LBj O G O  hLBj SLBj LBjTwLSj  QI  TLxj 1  TLyj  2t G G   L ACL RLSj  2 LN  LO    hLSj S LSj LSj  N   L ACL RLSj LSj hLSj S LSj LSj  N Sj Sj   TLyj    TLxj   mLyj CL   mLxj CL  2t 2 2t 2         (4. o vetor de termos independentes. que é a condição de contorno do problema. Porém.Capítulo 4 . . nesse sistema existem duas equações para cada célula unitária. os outros valores são obtidos por uma substituição sucessiva desde a linha 2 até a linha n. esse termo pode ser calculado em função dos parâmetros no instante anterior. a matriz de temperaturas e D.Metodologia de Solução 81 (4. (4. que neste caso será a temperatura na entrada TLx 0 .25). Do mesmo modo que no sistema pressão-velocidade. a matriz de coeficientes. Assim. Os termos da matriz são apresentados na Eq. para evitar um sistema de equações que envolva a temperatura do gás no tempo atual: O O  O TLxj 1  TLyj QI  hij Sij LBj  TGBj   2      (4.21) são arranjadas separando os termos novos dos antigos.23)  AC R L G O O  hLSj S LSj LSjTwLSj  L L LSj Sj TLyj  TLxj  2t Testes computacionais anteriores revelaram que o termo QI tem um valor muito baixo e não influi significativamente na solução. Assim. somente precisa-se de uma N condição de contorno. G  L ACL RLBj  2LN  LO    AC R L   hLBj SLBj LBj  N hG S L  N Bj Bj   TLxj 1   L L LBj Bj  mLyj CL  LBj LBj Bj  TLyj   mLxj 1 CL  2t 2 2t 2         (4. A primeira linha da matriz em (4. Assim.25).

25) .   L ACL RLB1  2LN1  LO1   L ACL RLBj  2LN1  LO1  O hG S L  N  B B B B G O hLBj SLBj LBjTwLSj  QI   mLx0 CL  LB1 LB1 B1  TLx0  TLx0 TLy1    2t 2t 2         N O   L ACL RLS1  2LS1  LS1  O G O hLS1SLS1LS1TwLS1  TLy1  TLx1     2t   D     L ACL RLBj  2LN  LO  O   Bn Bn G O hLBj SLBj LBjTwLSj  QI  TLxn1 TLyn    2t     L ACL RLSn  2LN  LO  O Sn Sn G O   hLSn SLSn LSnTwLSn  TLyn  TLxn   2t   (4.Metodologia de Solução 82  L ACL RLB1  2LN1  LO1   hG S L B B   mLy1 CL  LB1 LB1 B1 2t 2    AC R  2LN  LO   G  L L LS1 S1 S1  m C  hLS1SLS1LS1 Ly1 L  2t 2  C     0    0   0  G hLS1SLS1LS1  2  0 0  L ACL RLS1LS1 2t  mLx1 CL   0 0    L ACL RLBn  2L  L N Bn O Bn 2t L ACL RLSn  2LN  LO  Sn Sn 2t  m  Lyn CL  G hLBn SLBn LBn 2 G hLSn SLSn LSn 2  mLyn CL        0       0   G h S L L ACL RLSn LBn   mLxn CL  LSn LSn Sn   2t 2  0 N TLy1   N TLx1  Y     N TLyn  T N   Lxn  .Capítulo 4 .

77) são calculadas antes de começar o cálculo do sistema de temperaturas em função das temperaturas no instante antigo.Metodologia de Solução 83 A temperatura da bolha alongada de gás pode ser calculada uma vez que as temperaturas do líquido sejam conhecidas. (4.76).27).28)   1 d  G hGBj SGBj LBj  CvG ARGBj  2LN  LO   GBj  GBj  Bj Bj t dt   G GBj GBj N TGBj Finalmente. (3.27) Rearranjando a Eq. (3. (4.77) tem-se: q '' De G  hFj D TwFj  TFj  D (4. G N N N hGBj SGBj LBj TwGBj  TGBj   QI  CpG mGyj TLyj  CpG mGxj 1 TLxj 1  N O  LN  LO d GBj TGBj  TGBj Bj Bj N N CvG ARGBj  GBjTGBj  TGBj LBj  LBj GBj  t dt t        (4. reescrita aqui. as equações para as temperaturas nas paredes externas na Eq. a equação também é discretizada utilizando o esquema totalmente implícito. Rearranjando a Eq. lembrando as hipóteses anteriores (fração de vazio e comprimento de bolha constantes no tempo): G hGBj SGBj LBj TwGBj  TGBj   QI  CpG mGyj TGyj  CpG mGxj 1 TGxj 1    dLBj LBj d GBj dTGBj  TGBj RGBj  RGBj LBj CvG AGBj  TGBj RGBj  GBj dt dt dt      (4. Neste caso é utilizada a Eq.17). (3.29) a cada um dos componentes da célula unitária e considerando as aproximações na Eq. (4.29) Aplicando a Eq.26) Considerando que as temperaturas nas superfícies de controle são as mesmas que no líquido. as temperaturas nas paredes podem ser calculadas através das seguintes expressões: . a expressão para a temperatura do gás é dada por: O   TGBj   N N  N O h S LBjTwGBj  QI  CpG mGyj TLyj  mGxj 1 TLxj 1   CvG ARGBj  2LBj  LBj   GBj   t      (4.Capítulo 4 .

33) e (4. antes do cálculo das temperaturas TLx e TLy .Capítulo 4 .34) A discretização das equações (4. Sua solução é encontrada após o N N N N cálculo de U LS e PGB mas. Têm-se duas equações auxiliares que correspondem às velocidades das fronteiras do volume de controle.32) 4. as quais foram apresentadas no capítulo anterior e são reescritas aqui por conveniência: dy j dt dRLBj dt LSj dRLSj 2 dt  U Tj (4.31) TwGBj  q '' h G GBj O  TGBj (4. obtém-se: N y N  y O  U Tj t j j (4. Para a frente da bolha j.35) .3 Discretização das equações auxiliares As equações auxiliares são utilizadas para calcular parâmetros que não foram encontrados no sistema pressão-velocidade.1.Metodologia de Solução 84 TwLBj  q '' G hLBj  O O TLyj  TLxj 1 2 (4.33) dx j 1 dt   LBj   LSj 1 dRLSj 1 2 dt  1  RLSj  U GSj  1  RLSj 1  U GSj 1 RLSj 1  RLBj  1 d GBj GBj dt  LSj RGSj LSj 1 RGSj 1 GBj  dy j   LBj RGBj     RLSj  RLBj   GBj 1  2 2 dt   RLSj 1  RLBj (4.34) dá como resultado expressões para as posições no tempo atual das superfícies de controle.30) TwLSj  q '' G hLSj  O O TLxj  TLyj 2 (4.

Sendo o escoamento em golfadas um fenômeno em regime transitório. Dessa forma. 0 e 4. Esses parâmetros não podem ser definidos arbitrariamente. Porém. A metodologia para gerar essas células unitárias e os mecanismos para a entrada e saída de bolhas são apresentados em detalhe no capítulo 5.16) é necessário conhecer alguns parâmetros na entrada como a velocidade ULS0.Capítulo 4 . 4. é necessário definir condições iniciais e condições na entrada. os comprimentos LB1 e LS1 e as frações volumétricas RLS1 e RGB1. Em seguida.1. Assim. A seguir.2 Algoritmo de solução Nesta seção será apresentado o procedimento de cálculo a ser implementado no programa computacional. Primeiro serão definidos os dados de entrada do modelo. na Eq.Metodologia de Solução 85 No caso da traseira da bolha. desenvolvimento e fim.1. o modelo de seguimento de pistões requer uma sequência de células unitárias. mas . para iniciar a simulação. essas equações não são suficientes para resolver o problema. Por exemplo. (4. portanto devem ser estimados através de alguma metodologia.1. será explicada cada uma das etapas da simulação: seu início. que serão inseridas na tubulação e propagadas ao longo dela através das equações da modelagem.36) O OO *N *O  PGBj  PGBj TGBj  TGBj   O  LO R LO R LBj RGBj  Sj GSj  Sj 1 GSj 1     O O   PGBj  2 2 TGBj    RLSj 1  RLBj As equações finais apresentadas nas seções 4.3 estão linearizadas e prontas para ser implementadas em um algoritmo de solução. o algoritmo para a solução do modelo de seguimento de pistões é apresentado de forma geral. Processos específicos como a entrada e saída de bolhas e as condições iniciais serão apresentados de forma detalhada no capítulo 5. os termos da variação das frações de líquido e gás no tempo são desprezados. é obtida a seguinte expressão para a posição da traseira da bolha: x N j 1 x O j 1  R LSj N  RLBj  U Tj t  1  RLSj  U GSj  1  RLSj 1 U GSj 1  t   RLSj 1  RLBj (4.

Capítulo 4 - Metodologia de Solução

86

serão mencionados superficialmente nesta seção. O diagrama de fluxo do algoritmo pode ser observado na Figura 4-1.

4.2.1 Dados de entrada Para iniciar uma simulação, alguns dados de entrada devem ser conhecidos. Assim, parâmetros hidrodinâmicos, parâmetros térmicos, geometria do duto e propriedades dos fluidos devem ser fornecidos ao programa. São eles:

 

Parâmetros hidrodinâmicos: velocidade superficial do líquido e do gás, pressão na saída da tubulação, frequência da passagem da célula unitária. Parâmetros térmicos: temperatura na entrada. No caso da condição de temperatura parede. externa constante: temperatura externa e coeficiente de transferência de calor externo. No caso de fluxo de calor constante, o fluxo na

 

Configuração do duto: diâmetro interno, diâmetro externo, comprimento total, massa específica, calor específico e condutividade térmica do material do duto. Propriedades dos fluidos: viscosidade, condutividade térmica, calor específico a pressão e volume constante. Todas estas propriedades variam com a temperatura, portanto devem ser definidas como funções  = (T).

4.2.2 Início da simulação A simulação inicia com a geração da célula unitária na entrada, a qual é obtida a partir das velocidades superficiais e da frequência (Ver capítulo 5). Essa célula unitária possui informação de velocidade superficial (jG e jL), comprimentos de bolha e pistão (LB, LS), frações volumétricas (RLS e RGB) e temperaturas na entrada (TLS, TLB e TGB). O modelo de seguimento de pistões permite dois tipos de condições na entrada: condição periódica e condição intermitente. Na condição periódica todas as células unitárias na entrada são iguais e seus parâmetros são calculados com modelo estacionário. Na condição intermitente, as células unitárias respondem a uma distribuição de frequência. Porém, devido à falta de dados na literatura sobre intermitência na transferência de calor, no presente trabalho será abordada somente

Capítulo 4 - Metodologia de Solução

87

a condição periódica. Assim, colocam-se os parâmetros das células em uma lista onde cada linha representa uma célula unitária. Uma vez geradas as células unitárias na entrada, o programa captura as duas primeiras células da lista e as insere no domínio de cálculo. A simulação começa com o nariz da primeira bolha na posição z=0. Nesse momento, o sistema pressãovelocidade é resolvido para uma célula unitária. Um instante de tempo depois, a frente da bolha está deslocada para frente em uma posição z>0. Mais detalhes sobre a entrada de células unitárias na tubulação são apresentados no Capítulo 5.

4.2.3 Desenvolvimento da simulação Uma vez que a tubulação tenha pelo menos três bolhas no seu interior, é verificada a existência de coalescência dentro do domínio de cálculo. A seguir, é calculada a matriz do sistema pressão-velocidade e encontram-se os parâmetros
N N U LS e PGB para o instante novo. Uma vez calculadas as pressões e velocidades, são

avaliados os parâmetros auxiliares (comprimentos da bolha e do pistão e as velocidades de deslocamento das superfícies de controle). Posteriormente, o sistema de equações para as temperaturas é resolvido. A partir dos resultados do sistema de equações de energia, pode-se obter a temperatura da mistura de acordo com a modelagem apresentada anteriormente. Tendo já as três variáveis (pressão, velocidade e temperatura) calculadas, as propriedades físicas dos fluidos são calculadas com as pressões e temperaturas no tempo atual. Em cada instante de tempo é verificada a entrada ou saída de células através de sub-rotinas específicas. Os dados são salvos seguindo o conceito das sondas virtuais, apresentadas na próxima seção. Em seguida, incrementa-se um passo de tempo t e os dados são atualizados fixando os parâmetros no tempo novo como parâmetros no tempo antigo. O processo é repetido até cumprir o critério de finalização de simulação.

Capítulo 4 - Metodologia de Solução

88

Início

Cálculo da sequência de Dados de Entrada

Cálculo das Condições Iniciais

t=t+ t

Verificar Coalescência
Não

Sim

Renumeração das células

Cálculo dos termos da matriz e solução do sistema pressãovelocidade.

Cálculo dos parâmetros auxiliares

Cálculo dos termos da matriz e solução do sistema de temperaturas Atualização das propriedades
Sim

Verificar saída de bolha
Não

n=n-1

Verificar entrada de bolha
Não

Sim

Cálculo das propriedades da célula 0

Passagem pelas sondas virtuais

Não

Atualização das O variáveis N

Número de bolhas que saíram é igual ao especificado?

Sim

Salva resultados

Fim

Figura 4-1 – Algoritmo da simulação

Capítulo 4 - Metodologia de Solução

89

4.2.4 Fim da simulação Como o modelo encontra-se em regime transitório, um critério deve ser estabelecido para indicar o final da simulação. Nesse cenário, duas formas de finalizar as simulações são propostas:

 

Fixar um tempo de simulação. Fixar um número de bolhas saindo da tubulação. Dentre esses dois métodos, o segundo é escolhido já que garante que a

tubulação esteja cheia de bolhas quando a simulação acaba. Quando a simulação termina, os dados armazenados nas sondas virtuais são salvos em arquivos e o programa é finalizado.

4.3

Sondas virtuais As sondas virtuais são pontos de monitoramento das variáveis ao longo da

tubulação. O modelo apresentado permite utilizar vários tipos de sonda virtual: a sonda euleriana, a sonda lagrangeana e a sonda de fotografia.

4.3.1 Sonda euleriana As sondas eulerianas são pontos estáticos de controle ao longo da tubulação que capturam informação sobre a célula unitária que está passando. No programa foram implementadas oito sondas em diferentes pontos do duto. Assim, cada sonda monitora as variáveis da célula unitária que está passando por esse ponto. As sondas começam a salvar os dados quando a primeira bolha sai da tubulação. Assim, uma linha de dados é salva para cada célula unitária que passa pela sonda. Dessa forma podem ser obtidos valores médios no tempo para cada ponto da tubulação, bem como as funções densidade de probabilidade (PDF) que mostram as distribuições estatísticas das variáveis.

4.3.2 Sonda lagrangeana A natureza lagrangeana do método de seguimento de pistões permite monitorar as variáveis através do acompanhamento de uma célula unitária. Uma

pressões e temperaturas. Testes realizados com o modelo de transferência de calor implementado evidenciaram que um refinamento desse passo de tempo não forneçe um ganho significativo nos resultados hidrodinâmicos e da transferência de calor. como se fosse uma fotografia tirada nesse momento. 4. foi verificado que a saída de 200 bolhas fornece valores estáveis nas médias.3.Metodologia de Solução 90 sonda lagrangeana acompanha uma determinada célula unitária definida pelo usuário em toda sua passagem pelo duto.3. .3. os dados de todas as células unitárias no instante tfoto são salvos. pode-se conhecer a variação espacial dos parâmetros em um determinado instante de tempo. Por outro lado. o critério de parada da simulação foi determinado testando quantas bolhas saindo da tubulação são necessárias para que as médias em uma determinada estação de medição (sonda euleriana) não variem.3 Sonda de fotografia Neste tipo de sonda. determinou-se que a sonda lagrangeana (seção 4. os valores médios começam a ser salvos a partir da saída de 10 bolhas. Assim.1).Capítulo 4 .001 s. 4.3) seja colocada na célula unitária número 120. Em relação às sondas de medição eulerianas (seção 4. Os dados são salvos para cada instante de tempo permitindo estudar as oscilações típicas do escoamento intermitente. Isto com o objetivo de evitar efeitos indesejáveis do início da simulação e obter médias estáveis para as velocidades. Esse valor já foi utilizado por Rodrigues (2009) no seu modelo hidrodinâmico. Após testes.4 Considerações gerais da solução numérica O diferencial de tempo a ser utilizado nas simulações é de t = 0. Com esse mesmo critério.

Nesse cenário. 5. Além disso.1 Condições iniciais Para iniciar o cálculo dos parâmetros através das equações discretizadas.Capítulo 5 . seria necessário conhecer as velocidades. No presente capítulo.Condições iniciais. Uma opção é assumir que inicialmente um número de células unitárias encontra-se no interior da tubulação. pressões e temperaturas para todos eles antes de iniciar a simulação. também é apresentada a descrição detalhada de processos específicos como a entrada e saída de bolhas. Devido à natureza transiente do modelo. essas condições são discutidas em detalhe. Fisicamente. a hipótese de Rodrigues (2009) representa um escoamento monofásico de líquido onde subitamente é injetada uma determinada vazão de gás. pois constituem as condições de contorno das equações diferenciais apresentadas na modelagem matemática. Caso a tubulação estivesse cheia de bolhas e pistões no instante inicial. A condição inicial é descrita graficamente na Figura 5-1. DE ENTRADA E DE SAÍDA No capítulo anterior foi apresentada a metodologia para resolver o modelo de seguimento de pistões com transferência de calor. Rodrigues (2009) propõe que a simulação comece com uma tubulação cheia de líquido com um nariz de bolha na coordenada z=0 no instante t=0. . onde existe um pistão do tamanho da tubulação e uma bolha prestes a ingressar com seu nariz encostado na entrada do duto. é necessário conhecer o valor destes parâmetros no instante inicial (t = 0). tem-se uma célula unitária em toda a tubulação no instante inicial. de entrada e de saída 91 5 CONDIÇÕES INICIAIS. Assim. como observado na Figura 5-1. condições iniciais e condições de entrada e saída devem ser estabelecidas.

no instante inicial é necessário conhecer as temperaturas TLx1 e TLy1. Assim. N TLy1  Ten (5.Condições iniciais.4) No caso das temperaturas. tem-se: O U LS 1  J  U DS 1 1  RLS1  RLS 1 L O 2 U LS1  D (5. A célula 2 fisicamente não existe e sua definição é dada somente para introduzir a condição de contorno de pressão *N *O conhecida na saída PGB 2  PGB 2  cte . de entrada e de saída 92 Figura 5-1 – Representação gráfica da condição inicial na simulação. A velocidade deste pistão é calculada a partir da velocidade de mistura e a pressão a partir da equação de escoamento monofásico. A célula 1 tem o nariz de sua bolha alongada encostado na posição z = 0 e um pistão do tamanho do duto (LS1 = L). No instante inicial. TLy1 será igual à temperatura na entrada. como a simulação inicia com o nariz da bolha encostado em z = 0. célula 1 e célula 2 como observado na Figura 5-1.5) .1) *N * PGB1  Patm  2 f LS 1 (5.Capítulo 5 . existem três células unitárias chamadas célula 0.3) *O *N *N PGB 0  PGB 0  PGB1  2 f LS 0 (5.2) A célula 0 não se encontra no domínio de cálculo do sistema pressãovelocidade e seus parâmetros são calculados através das seguintes relações: O U LS 0  J  U DS 0 1  RLS 0  RLS 0 LS 0 O 2 U LS 0  D (5. Neste caso.

5. Dessa forma. tem-se: N TLx1  Ten  q ''  D mL CL  L (5. LS.4) dependem dos parâmetros ULS0. de entrada e de saída 93 A temperatura TLx1 será calculada com equações do escoamento monofásico de líquido.24) utilizando o número de Prandtl O do líquido e o número de Reynolds calculado com a velocidade U LS 0 . .2 Modelo estacionário para geração da célula unitária na entrada Para iniciar a simulação o modelo de seguimento de pistões proposto requer que todas as propriedades da célula unitária na entrada sejam conhecidas. tem-se:   h D  N x TLx1  T0  T0  Ten  exp   1 L  m C  L L   G onde hx1 é calculado: (5. No caso de temperatura externa constante. sendo diferente para fluxo de calor ou temperatura constante.7) G hx1  1 D D D 1  h0 ln e  D De hx1 2kc (5. Nota-se que as Eqs. que são parâmetros da célula na entrada.1) até (5. sabe-se que a velocidade ULS0 é utilizada como condição de contorno do sistema pressão-velocidade. O último detalhe é calcular as propriedades da célula unitária como LB. Além disso. LB. LS. RLS e RGB. RLS e RGB na entrada. as condições iniciais estão completamente definidas. as células unitárias na entrada devem ser conhecidas para todo instante de tempo. Dessa forma. (5. No caso de fluxo de calor constante.6) sendo mL  jL A L a vazão mássica de líquido.Condições iniciais. a fim de avaliar os valores de ULS0 e PGB0.Capítulo 5 .8) O coeficiente hx1 é calculado com a correlação (2.

o modelo de seguimento de pistões permite duas condições de entrada: a condição periódica e a condição intermitente. Na condição periódica. (2. considerando a geometria da bolha alongada.9) U LB  U T  U T  U LS  RLS RLB (5. já que não existem dados na literatura para validar a intermitência no escoamento em golfadas com transferência de calor.3. No presente trabalho. . As equações governantes são encontradas a partir do balanço de massa e quantidade de movimento na célula unitária. Os dados hidrodinâmicos são calculados a partir do modelo de Taitel e Barnea (1990a) e os dados da transferência de calor são obtidos através de equações do escoamento monofásico.10) U GB  U T  U T  U GS  1  RLS  RGB (5. a frequência de passagem de uma célula unitária freq e as propriedades dos fluidos avaliadas na temperatura de entrada . as células unitárias respondem a um comportamento aleatório. 5. A seguir. Como sugestão é proposta a Eq. Os dados de entrada para o modelo estacionário são: as velocidades superficiais jL e jG.2. A fração de líquido no pistão RLS é obtida de uma das correlações apresentadas na seção 2. de entrada e de saída 94 Nesse cenário.1 Dados hidrodinâmicos O modelo estacionário está baseado no modelo de Taitel e Barnea (1990a).11) Para calcular a velocidade das bolhas de gás dispersas no pistão UGS é utilizada a equação (2. Na condição intermitente. são os seguintes: J  U LS RLS  U GS 1  RLS  (5. mostrada na Figura 5-2.40). As relações básicas derivadas do balanço de massa na célula unitária. é apresentada a metodologia para calcular os parâmetros hidrodinâmicos e da transferência de calor na célula unitária na entrada. todas as células unitárias na entrada são iguais. será abordada somente a condição periódica.Condições iniciais.35).Capítulo 5 . A .5.

Capítulo 5 . caso contrário resultaria em um comprimento de bolha infinito. O resultado deste balanço aplicado a um duto horizontal é apresentado na Eq.13) .ULB.UGB. (5. (5.1.34) utilizando os coeficientes da Tabela 2-3. Figura 5-2 – Modelo de bolha de Taitel e Barnea (1990a) Para encontrar o comprimento da bolha é utilizado um balanço da quantidade de movimento no filme.12)  UT  U LS  RLS dRLB   V UT  UGS 1  RLS  dRLB  L  G  g  LVLB G GB 2 2 RLB dH LB dH LB 1  RLB  dH LB dz*  LB onde VLB=UT .12).Condições iniciais. é necessário um critério de parada. de entrada e de saída 95 velocidade de translação da bolha pode ser calculada através da correlação apresentada na Eq. (5. Esse critério de parada é dado pelo balanço de líquido na célula unitária: jL  U LS RLS  U T 1  RLS  LB UT  LB  LS LB  LS LB R 0 GB dz (5. (2.12) representa o perfil geométrico da bolha alongada.  1 S SLB 1    GB GB   i Si    ALB AGB  ALB AGB  (5. A Eq. VGB=UT . (5.12) tem como resultado o perfil geométrico da bolha. A integração da Eq. Todos os parâmetros da Eq. conhecido como o modelo de bolha de Taitel e Barnea (1990a). sendo dHLB/dz a variação da altura de filme ao longo do comprimento da bolha mostrado na Figura 5-2. HLB é a altura de filme. Porém.4.12) podem ser calculados a partir das correlações e das relações geométricas apresentadas na seção 2.

Calcular a integral de RGB e RGB com a Eq.10) e (5. 3. (5. como a frequência é conhecida freq = UT/(LS+LB).13) for satisfeita. (5.12) repetindo os passos 3.1. continuar integrando a Eq.14) . 6.14) Finalmente. pode-se calcular o comprimento do pistão através da fórmula de frequência: LS  UT  LB freq (5. a posição de z* = LB. A fim de resumir a metodologia proposta. (5. 4. z*n = z*n-1 + HLB/( dHLB/dz*). O HLB0 pode ser considerado igual ao diâmetro do duto. 4 e 5 atualizando o valor da altura do filme HLBn+1= HLBnHLB. apresenta-se um algoritmo para o cálculo dos parâmetros iniciais da célula unitária: 1. Calcular LS através de (5. e as relações geométricas na seção 2. 5.15) A sequência de integração numérica da Eq. (5.4. Observa-se a sequência de integração na Figura 5-3.001D. 2.Capítulo 5 . Calcular a nova posição de z*.11). a fração de vazio média é calculada através da integração: RGB 1  LB LB R 0 GB dz (5.12) deve ser integrada até a expressão em (5. a equação (5. Assumir um HLB inicial HLB(z*=0) = HLB1 e calcular seu respectivo RLB1.Condições iniciais. assumindo um HLB = 0. Integra-se numericamente a equação (5. UT. (5.12) é apresentada na Figura 5-3.12).13).9).12) utilizando as Eqs. Calcular todos os parâmetros necessários para calcular o lado direito da Eq. Avaliar UGS.9D. (5. (5. RLS através de correlações e ULS a partir da Eq.15) e avaliar a satisfação da Eq. Calcular a derivada dHLB/dz*. Se a Eq. de entrada e de saída 96 Assim. (5.13) ser satisfeita. Caso contrário. Uma vez conhecido o comprimento da bolha. mas testes mostraram que um melhor valor é HLB0 = 0.

jG. LS.17) . Para escoamento unidimensional. 5. existem expressões analíticas (Bejan. a temperatura é modelada como se fosse um escoamento monofásico de líquido com vazão m L   L Aj L .Capítulo 5 . a temperatura da superfície y da primeira célula encontra-se fora da tubulação no momento da entrada. de entrada e de saída 97 Figura 5-3 – Sequência de integração do modelo de bolha. (5. Vale ressaltar que a variável RGB da célula unitária torna-se simplesmente RGB no modelo de seguimento de pistões.2 Dados de transferência de calor As temperaturas das células de entrada também devem ser estabelecidas como mostrado na Figura 5-4. Essas expressões dependem da condição térmica. Nesse caso. RGB e RLS. Assim. LB. sendo para o caso de temperatura externa constante dada pela Eq.Condições iniciais. 1995) que descrevem a temperatura média na seção transversal para qualquer posição no duto. Então: TLx 0  Ten (5. através dos parâmetros da célula unitária de entrada que serão fornecidos ao modelo de seguimento de pistões são: jL.16) Por outro lado.17):   hG  D  TLy 0  T0  T0  Ten  exp  Ly 0 LS 0    m C   L L  (5. e sua temperatura deve ser calculada através de uma extrapolação. a superfície x da primeira célula sempre estará na posição z = 0.2. Segundo a disposição geométrica de uma célula na entrada.

Para fluxo de calor constante na parede.Condições iniciais. 2008).19) As temperaturas das paredes são encontradas assumindo que todo o fluxo de calor fornecido na parede do duto é transferido aos fluidos. TGB 0  TLy 0 (5. as temperaturas de entrada nas paredes podem ser calculadas através das expressões mostradas na Tabela 5-1.18): TLy 0  Ten  q ''  D mL CL  LS 0 (5. utilizando as expressões do escoamento monofásico (Incropera et al.8).21) Assim. tem-se: G q ''  hF TwF 0  TF 0  (5. (5. As posições onde as temperaturas são avaliadas são mostradas na Figura 5-4. . Figura 5-4 – Temperaturas da célula unitária da entrada. tem-se: G hF 0 TwF 0  TF 0   hF 0 T0  TF 0  (5.20) No caso de temperatura externa constante.18) A temperatura da bolha de gás é fixada como a temperatura da superfície y já que no momento da entrada da célula unitária. de entrada e de saída 98 G onde T0 é a temperatura do meio externo e hLy 0 é calculado de forma análoga à expressão (5. no caso da condição de fluxo de calor constante. a expressão é dada pela Eq. Por outro lado. a bolha encontra-se fora do duto.Capítulo 5 .

A primeira célula tem o nariz de sua bolha na posição z = 0 e a segunda encontra-se atrás dela. Sendo o escoamento periódico na entrada.2. os dados são salvos em um arquivo. Uma vez que a sequência de dados é gerada segundo a metodologia apresentada na seção 5. Um passo de tempo depois. todas as linhas desse arquivo são iguais. de entrada e de saída 99 Tabela 5-1 – Expressões para o cálculo de temperatura de entrada nas paredes. RGB e RLS. Nesse instante. Passos de tempo são acrescentados e sistemas são calculados até que a primeira célula esteja completamente dentro do duto. O processo é repetido para todas as células unitárias que ingressam no duto. Fluxo de calor constante Pistão líquido Temperatura Externa Constante  T  T  q '' TwLS 0   Lx 0 Ly 0   G 2   hLS 0 TwLB 0  TLy 0  TwLB 0  TGB 0  q '' G hLB 0  T  T  hG D  T  T  TwLS 0   Lx 0 Ly 0   LS  Lx 0 Ly 0  T0  2 2   hLS De   TwLB 0  TLy 0  G hLB D TLy 0  T0  hLB De Filme líquido Bolha alongada q '' G hGB 0 TwGB 0 G hGB D  TGB 0  TGB 0  T0  hGB De 5. a segunda célula começa a entrar no duto e uma terceira célula unitária da sequência de dados é requerida. Quando a simulação começa (t=0). Essa terceira célula unitária é posicionada atrás da segunda e o sistema pressão velocidade é resolvido com a primeira e segunda célula já no interior do duto.Condições iniciais. jG. onde cada linha tem dados de jL. duas células unitárias são requeridas da lista gerada. os parâmetros da primeira célula unitária são atualizados através da solução do sistema pressão-velocidade.3 Processo de entrada de células unitárias no domínio de cálculo Nesta seção é apresentado o processo para inserir no domínio de cálculo as células unitárias geradas na seção anterior. LB. LS.Capítulo 5 . . Esse arquivo será lido linha por linha pelo programa Slug quando a simulação começa.

e assim todos os índices são acrescentados em 1. Na Figura 5-5 é apresentado o processo de entrada de bolhas na tubulação. No instante t = tn+1. Nesse instante. o sistema é renumerado: o novo pistão (e bolha) passa a ser pistão 0 (ou bolha 0). Note-se que a numeração somente muda quando um novo pistão ingressa no duto. Nesse instante. a bolha encontra-se entrando na tubulação e a numeração do instante anterior é mantida.Capítulo 5 . uma nova célula unitária é requerida da lista de entrada. o pistão que encontra-se entrando na tubulação passa a ser pistão 1. de entrada e de saída 100 Figura 5-5 – Processo de entrada de bolhas na tubulação. E assim sucessivamente. o nariz de uma bolha esteja encostado na posição z = 0. Assim. No instante t = tn+3 acontece a situação do instante t = tn.Condições iniciais. Supondo que em algum instante t = tn. . No instante t = tn+2 a bolha 1 encontra-se completamente na tubulação e o pistão 0 começa a entrar. essa bolha e seu respectivo pistão têm a numeração 1. A bolha e o pistão 0 encontram-se atrás deles. até a entrada de todas as bolhas. o qual é mostrado como uma bolha com linhas tracejadas.

a pressão dessa bolha é igual à pressão da saída imposta como condição de .Capítulo 5 . Nesse instante. Em um instante de tempo. O processo de saída de bolhas é ilustrado na Figura 5-6.Condições iniciais. Figura 5-6 – Processo de saída de bolhas da tubulação. Nesse instante. Enquanto a bolha n está saindo. a pressão dessa bolha é a pressão de saída.4 Processo de saída de células unitárias A célula unitária n sai do domínio de cálculo quando a frente da sua bolha toca a posição z = L. a bolha n tem seu nariz exatamente na posição z = L. de entrada e de saída 101 5. o programa resolve os sistemas pressão-velocidade com n – 1 células unitárias e a célula n é eliminada.

sejam iguais. Da mesma forma para as outras células. Nesse mesmo instante a bolha n é eliminada e o sistema inteiro é renumerado: a antiga célula n-1 torna-se a nova célula n. o nariz da seguinte bolha encontra-se na posição z = L e o processo explicado para o instante t = tn é repetido. dyn-1/dt. ocasionando que o comprimento de pistão LSn seja constante. dxn-1/dt. o pistão encontra-se saindo da tubulação. a bolha inteira passou e a interface xj-1 está na posição z = L. não é necessário fazer ajustes em relação à temperatura já que a temperatura na saída não é uma condição de contorno.Condições iniciais. o sistema pressão-velocidade é resolvido apenas desde a célula 1 até a célula n-1. Quando o pistão acaba de sair. dxn-1/dt. . Se a célula n sai do domínio de cálculo. a bolha está passando pela saída. a velocidade da frente dyn/dt e a traseira. No instante t = tn+2. Nesse caso. como observado no instante t = t’n+2. No instante t = tn+3. de entrada e de saída 102 contorno. até o pistão sair completamente. Porém. da bolha não são calculadas. é imposto que a velocidade da traseira da bolha n. No instante t = tn+1.Capítulo 5 . mantendo constante o comprimento do pistão. estendendo o comprimento do duto. O sistema de equações para as temperaturas também utiliza o mesmo número de equações que o sistema pressão-velocidade. sendo resolvidos n-1 sistemas de equações. e da frente da bolha n-1. A partir desse instante. Nesse cenário o pistão mantém um comprimento constante.

é realizada uma análise da influência dos parâmetros do escoamento em golfadas sobre a transferência de calor. 6. serão utilizados dados experimentais de temperatura e correlações para o coeficiente de transferência de calor h‡ propostos por outros autores. ‡ Por conveniência. sendo difícil encontrar uma fonte com informação completa. utiliza-se a solução analítica do escoamento monofásico e um modelo estacionário. deste ponto em diante o coeficiente médio de transferência de calor h será denominado simplesmente por h. Comparação dos resultados médios com dados da literatura.Capítulo 6 . O escopo do presente trabalho é estudar a transferência de calor.1 Validação do modelo Os dados disponíveis na literatura sobre escoamento em golfadas com transferência de calor são muito limitados: ou fornecem temperatura ou os parâmetros hidrodinâmicos. Deve-se mencionar que a hidrodinâmica do escoamento em golfadas utilizando o método de seguimento de pistões já foi estudado amplamente por Pachas (2011) e Rodrigues (2009). Após a validação do modelo. No caso de dados da literatura. são mostrados os resultados das simulações transientes com diferentes condições térmicas para escoamento periódico utilizando os dados hidrodinâmicos fornecidos pelo 2PFG/FEM/UNICAMP. O modelo de transferência de calor é validado através da comparação dos resultados médios obtidos da simulação com dados e correlações encontrados na literatura. portanto não será abordada a parte hidrodinâmica neste capítulo de resultados. Finalmente. . Na redução para casos com solução conhecida. é mostrada e discutida a influência da temperatura nos parâmetros hidrodinâmicos. a validação do modelo é realizada de duas formas:   Redução do modelo para casos com solução conhecida. Nesse cenário. Depois.Resultados 103 6 RESULTADOS Neste capítulo são apresentados os resultados obtidos da simulação do escoamento em golfadas com transferência de calor em um duto horizontal.

existem soluções analíticas para a avaliação da temperatura média em uma seção para um escoamento completamente desenvolvido.Resultados 104 6.1) e (6. As equações (6.1) e (6. A fim de comparar os resultados do escoamento monofásico com o modelo de seguimento de pistões. Além disso. respectivamente (Incropera et al. A temperatura média do fluido na seção é calculada através das equações (6. o comportamento do modelo deve assemelhar-se ao escoamento monofásico. . T0. a temperatura na entrada.2) expressam a solução analítica para a temperatura em um escoamento monofásico sem mudança de fase com propriedades constantes. 2008):  hG  D  TL ( z )  T0  T0  Ten  exp   SP z  CL  LU L A    q ''  D z CL  LU L A (6. Assim.1. Incropera et al 2008).1 Validação com escoamento monofásico O modelo de seguimento de pistões caracteriza-se por considerar as bolhas e pistões como elementos separados no interior da tubulação. Caso os pistões fossem muito grandes e as bolhas muito pequenas.Capítulo 6 .2) para as condições de temperatura externa constante e fluxo de calor constante. a velocidade média do escoamento. a velocidade de translação da bolha será igual à velocidade das bolhas dispersas devido a seu tamanho reduzido.2) G sendo hSP . O problema de escoamento turbulento incompressível monofásico com propriedades constantes em um tubo de seção circular foi amplamente estudado por diversos autores (Bejan. devem ser utilizadas condições de entrada convenientes. Assim. 2006. a temperatura externa e Ten.1) TL ( z )  Ten  (6. as células unitárias da entrada deverão apresentar pistões grandes não aerados e bolhas muito pequenas com uma baixa fração de gás. UL. o coeficiente de transferência de calor monofásico.

sendo o coeficiente global de transferência de calor igual a 2337 W/m²K. Para a condição de fluxo de calor constante. a célula unitária na entrada apresenta as seguintes características: jL = 2 m/s.001 m/s. Para a condição de temperatura externa. 315 310 305 Temperatura externa constante h0 = 3000 W/m²K . A fim de simular escoamento monofásico.0001 m. jG = 0. RGB = 0. LS = 1 m. b) Fluxo de calor constante.T0 = 310 K TL [K] 300 295 Seguimento de pistões 'monofásico' 290 285 0 315 310 305 Solução analítica a) 10 z [m] 20 30 40 Fluxo de calor constante q'' = -30000 W/m² TL [K] 300 295 Seguimento de pistões 'monofásico' 290 285 0 Solução analítica b) 10 z [m] 20 30 40 Figura 6-1 – Redução do modelo de seguimento de pistões para o caso monofásico.01 e RLS = 1. Os resultados mostram que . O coeficiente c0 da velocidade de translação da bolha é igual a 1. o q’’ = -30000 W/m². o coeficiente de película externo é 3000 W/m²K. LB = 0. a) Temperatura externa constante. Na Figura 6-1 são mostrados os resultados de uma bolha sendo seguida ao longo de seu trajeto na tubulação (sonda lagrangeana).Resultados 105 As condições utilizadas para a simulação são: escoamento de água com uma mínima quantidade de ar.Capítulo 6 . duto de 52 mm de diâmetro. temperatura na entrada de 310 K. 40 metros de comprimento.

observa-se na Figura 6-1b uma tendência linear no caso de fluxo de calor constante.2 Validação utilizando um modelo estacionário Os resultados do modelo de seguimento de pistões em regime transitório são comparados com resultados obtidos a partir de um modelo estacionário proposto por Perea et al (2010) e detalhado no Anexo A. evidenciando diferenças significativas. Por outro lado. é considerado que o fluxo de energia entrando é igual ao que sai. Na Figura 6-2 são mostrados os resultados do modelo de seguimento de pistões junto com os resultados do modelo estacionário.1. Essas diferenças devem-se ao fato do modelo estacionário considerar a massa do pistão e do filme como constante. o filme perde uma porção de massa a qual passa para o pistão detrás. Ao redor da curva da solução analítica. Esse fenômeno é conhecido como scooping. Pode-se observar que os dois modelos têm resultados semelhantes com pequenas discordâncias. Assim. Esse efeito é considerado no modelo de seguimento de pistões. O modelo estacionário é caracterizado por fornecer um valor médio de temperatura para cada estação virtual de medição. Assim. . Assim. como a velocidade de translação da bolha UT é maior que a velocidade do pistão. Em outras palavras. os resultados do modelo estacionário são comparados com os dados obtidos da sonda lagrangeana. existe um fluxo de massa indo na direção oposta do escoamento devido à célula unitária movimentarse com uma velocidade maior do que seus componentes. 6.Capítulo 6 . do filme e da bolha. Porém. com pistões maiores existem oscilações menores. No caso de temperatura externa constante. a tendência é exponencial ocorrendo um maior gradiente na entrada. existem pequenas oscilações. as quais dependem do comprimento de pistão. o que não acontece na realidade. mas diminuindo enquanto se afasta dela. Figura 6-1a. também existe uma porção de energia sendo transferida entre o filme e o pistão.Resultados 106 o modelo de seguimento de pistões consegue reproduzir a solução analítica para escoamento monofásico. existe uma porção de massa que sai do filme para entrar no pistão que vem detrás. No modelo estacionário. Devido ao scooping. Dukler e Hubbard (1977) mostraram que como o pistão arremete contra o filme devido a sua velocidade maior.

b) e d) h0 = 1000 W/m²K. 2008). estacionário M. Os dados experimentais de Lima (2009) são utilizados para a condição de temperatura externa constante. Eq. a) e b) jL = 0.1. Para comparar os dados experimentais com a simulação. estacionário M. c) e d) jL = 0.53 e jG = 0. a) e c) h0 = 500 W/m²K.3 Validação com dados experimentais Nesta seção. o modelo matemático apresentado é validado com os dados experimentais obtidos por Lima (2009). utilizando a velocidade média da água fria e o diâmetro hidráulico da região anular.67 e jG = 0.53 m/s jG = 0.47 m/s Tm [K] 320 320 300 280 M. (2.Resultados 107 340 h0 = 500 W/m²K a) 340 h0 = 1000 W/m²K b) Tm [K] 300 jL = 0.24). Os experimentos de Lima (2009) foram realizados com a mistura ar-água escoando em um duto de cobre de 52 mm com 6 m de comprimento.59 m/s.Capítulo 6 .47 m/s. As temperaturas na entrada e na saída são medidas quando uma estabilidade é atingida. Slug tracking 280 0 340 h0 = 500 W/m²K 5 10 z [m] 15 20 340 0 5 10 z [m] 15 20 c) h0 = 1000 W/m²K d) Tm [K] 300 jL = 0.67 m/s jG = 0. A temperatura externa é considerada como a temperatura média entre a entrada e a saída da seção de teste da água de refrigeração. 6. . A mistura bifásica é resfriada por água fria que escoa em corrente paralela no tubo anular exterior com uma determinada vazão mássica. foi necessário encontrar um coeficiente de transferência de calor externo h0. Slug tracking 280 0 5 10 z [m] 15 20 0 5 10 z [m] 15 20 Figura 6-2 – Temperatura ao longo do duto comparado com um modelo estacionário. Esse coeficiente é estimado com a correlação de Gnielinski (Incropera et al.59 m/s Tm [K] 320 320 300 280 M.

Na experiência utilizada. A Figura 6-3b apresenta os resultados monitorados conforme a célula unitária se desloca ao longo do duto (sonda lagrangeana).Capítulo 6 . a correlação de Gnielinski (Incropera et al.85 No caso da velocidade de translação da bolha UT foi verificado que os coeficientes propostos por Bendiksen (1984) na Tabela 2-3 se ajustam melhor aos resultados experimentais. (2. Tabela 6-1.1 m/s. A fim de reproduzir esse efeito.1 307. a validação das simulações numéricas com dados de temperatura é realizada a partir de dados hidrodinâmicos conhecidos. O valor experimental para UT é de 2.07 1. Nota-se que apesar de estar na condição de temperatura constante. hLB e hGB. sendo a de melhor ajuste.7 2463 D [mm] jG [m/s] LB [m] P [kPa] T0 [K] 52 0. 2008) apresentada na Eq.283 0. sendo o valor previsto pela correlação de Bendiksen (1984) de 2. Simulações preliminares evidenciaram que a modelagem da condição de temperatura constante é muito dependente da correlação utilizada para hLS. como proposto por Camargo (1991) fundamentado nos estudos de Shoham et al (1982). Isso . sendo os parâmetros de entrada ao modelo apresentados na Tabela 6-1. todos os parâmetros hidrodinâmicos foram medidos. Na Figura 6-3 pode-se observar a predição da temperatura segundo o modelo apresentado para dois tipos diferentes de sondas.34 173. a presença de vórtices. esteira e recirculação na parte posterior do pistão ocasiona um comportamento caótico que aumenta a eficiência da troca de calor. L [m] jL [m/s] LS [m] UT [m/s] Ten [K] h0 [W/m²K] 6.0 m/s.82 2.7 284.Resultados 108 A fim de reproduzir corretamente as temperaturas obtidas experimentalmente por Lima (2009). Dados de entrada para a validação com dados de temperatura.378 0. o coeficiente hLS foi aumentado 30% a mais.24). a distribuição aparenta ser linear. Além disso. A Figura 6-3a mostra os resultados médios no tempo em diferentes pontos ao longo da tubulação (sonda euleriana).

são calculados os coeficientes de transferência de calor bifásicos. saída e parede. Lima mede a temperatura dos fluidos e das paredes na entrada e saída para calcular hTP em função do calor total perdido e das temperaturas. 310 308 Tm [K] 306 304 302 300 0 2 z [m] 4 6 Presente Trabalho Lima. própria das distribuições de temperatura constante.579 – 1. onde parâmetros como a frequência e as frações de líquido são estimadas através do modelo de bolha de Taitel e Barnea (1990a) e de correlações.380 m/s e 0. As condições de simulação para esta seção são apresentadas na Tabela 6-2. portanto outros parâmetros devem ser calculados através do modelo de célula unitária apresentado no capítulo 5.Resultados 109 ocorre devido ao fato de que o comprimento do duto é tão pequeno que não é possível perceber a distribuição logarítmica.Capítulo 6 . Lima (2009) apresenta 25 experimentos onde a partir das medidas das temperaturas de entrada.217 – 0. 2009 310 a) b) 308 Tm [K] 306 304 302 300 0 2 z [m] 4 6 Figura 6-3 – Comparação para os resultados de temperaturas. Este estudo somente fornece dados de vazão e temperaturas médias. Assim. Os experimentos de Lima (2009) apresentam diferentes combinações de velocidades superficiais de líquido e gás. foram realizadas 25 simulações cujos resultados são comparados com os valores experimentais. b) Sonda lagrangeana. As condições de entrada (ou células unitárias) são calculadas através da metodologia apresentada no capítulo 5.795 m/s respectivamente como apresentado na Tabela 6-2. Os dados de entrada para a simulação são . estando na faixa de 0. a) Sonda euleriana. A fim de encontrar o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP.

D [m] L [m] 0. na Tabela B1.68 m/s c) jL = 1. b) jL = 0.217 – 0. c) jL = 1. ou seja o hTP mudará ao longo da tubulação. O resultado das condições de entrada são apresentadas na Tabela B2. Figura 6-4cd. De acordo com a Eq.80 m/s 320 316 Tm [K] 312 308 304 300 b) jL = 0.07 jL [m/s] jG [m/s] 0.37 m/s.105). a) jL = 0.8 m/s.37 m/s 320 316 Tm [K] 312 308 304 300 d) jL = 1.23 m/s jG = 0.Capítulo 6 . as variações . Para altas vazões de líquido. Nota-se que apesar das grandes oscilações em algumas vazões.30 m/s Presente Trabalho Lima.380 0. Tabela 6-2 – Condições de simulação para a validação com dados experimentais.30 m/s.23 jG = 0.Resultados 110 apresentados no apêndice B.052 6.58 m/s jG = 0.25 jG = 0.579 – 1. 2009 0 2 z [m] 4 6 0 2 z [m] 4 6 Figura 6-4 – Validação com dados de temperatura.97 m/s jG = 0. Pode-se observar que o comportamento da temperatura da mistura apresenta oscilações que variam em intensidade de acordo com as vazões. as oscilações tendem a ser menores.58 jG = 0. 330 325 Tm [K] 320 315 310 320 316 Tm [K] 312 308 304 300 a) jL = 0.68 m/s.25 m/s jG = 0. é possível calcular um coeficiente para cada célula unitária. d) jL = 1. a tendência das temperaturas é reproduzida de forma coerente.795 Na Figura 6-4 são observados alguns resultados para a temperatura de uma célula unitária evoluindo ao longo do duto (sonda lagrangeana). (3. Porém.97 jG = 0.

considerando a irregularidade do escoamento em golfadas. Deve-se mencionar que a incerteza das medições tem uma média de 18%.Capítulo 6 . onde o valor geralmente é subestimado. Camargo (1991) e Shah (1981). as quais são apresentadas em detalhe no Apêndice A. As correlações utilizadas são: Kim e Ghajar (2006). 8000 +30% hTP .Lima [W/m²K] 8000 Figura 6-5 – Comparação entre o coeficiente de transferência de calor experimental e o calculado no presente trabalho (ST: Slug Tracking). e que a correlação de Gnielinski tem uma concordância de 11% para o escoamento monofásico. Na Figura 6-5 observa-se a comparação dos resultados numéricos com os resultados experimentais. uma concordância de 30% é aceitável. 6. Assim. Note-se que os pontos onde ocorreu uma maior porcentagem de erro correspondem aos hTP grandes.1.ST [W/m²K] 6000 4000 -30% 2000 0 0 2000 4000 6000 hTP . encontrando-se uma faixa de erro de 30%.105) em função das temperaturas obtidas da simulação. Os resultados numéricos para o coeficiente de transferência de calor bifásico com dados de Lima (2009) são comparados com correlações encontradas na literatura. (3.4 Validação com correlações da literatura O coeficiente de transferência de calor bifásico é calculado utilizando a expressão proposta na Eq. .Resultados 111 deste parâmetro são pequenas e pode-se calcular um valor médio representativo do escoamento.

c) Shah (1981). . constituindo assim uma fórmula robusta para o cálculo de hTP. pois somente considera as velocidades superficiais das fases. A correlação de Shah (1981) é selecionada por sua simplicidade. b) Camargo (1991).Capítulo 6 .Shah [W/m²K] 8000 Figura 6-6 – Comparação do hTP numérico com as correlações. das propriedades das fases e da fração de vazio média. portanto é interessante comparar os dois resultados.ST [W/m²K] 6000 hTP .Resultados 112 A correlação de Kim e Ghajar (2006) apresenta a influência de vários parâmetros. A correlação de Camargo (1991) utiliza uma expressão semelhante à utilizada no presente trabalho. a exemplo do perímetro molhado.ST [W/m²K] 6000 +15% -15% 4000 2000 0 0 2000 4000 6000 hTP .ST [W/m²K] +10% -10% 6000 +20% -20% 4000 4000 2000 2000 0 0 2000 4000 6000 hTP . 8000 a) 8000 b) hTP . a) Kim e Ghajar (2006).Camargo [W/m²K] 8000 8000 c) hTP .K&G [W/m²K] 8000 0 0 2000 4000 6000 hTP .

revelando-se uma correlação robusta. validada experimentalmente. Os resultados mostram que essa diferença não é desprezível. Porém ele considera que as diferenças de temperaturas entre fluido e parede são iguais no líquido e no gás. No caso da correlação de Shah observa-se uma boa concordância para todos os valores de hTP. Assim. Deve-se mencionar que a correlação de Camargo utilizada é avaliada com a modificação proposta por Lima (2009). número de Prandtl e da viscosidade. inclui a influência da fração volumétrica. Além disso. etc. e todos os valores encontram-se abaixo do valor calculado pela correlação. A correlação de Kim e Ghajar (2006) não depende dos parâmetros próprios do escoamento em golfadas. como comprimentos característicos ou a frequência. na qual os coeficientes individuais hLS. 1991. . a faixa de erro está em 20%. Porém. jG sozinho não caracteriza por completo os efeitos do gás na transferência de calor. os valores mantêm a mesma tendência. observa-se uma ótima correlação com uma faixa de erro de 10% concordando também na tendência.32)) que quantifica de forma muito acertada os perímetros molhados dos diferentes padrões de escoamento bifásico. Kim e Ghajar. Na correlação de Shah (1981) predominam os efeitos da fase líquida. Porém. Camargo (1991) e Shah (1981). como foi discutido também por outros autores (Deshpande et al. Shoham et al. é a correlação que mostra um melhor ajuste com os resultados obtidos das simulações apresentadas no presente trabalho. a correlação contém um fator de padrão de escoamento FP (ver Eq. No caso da correlação de Camargo. Porém.). hLB e hGB são calculados com a correlação de Gnielinski e não com a de Dittus e Boelter. 2001. sendo a velocidade superficial do gás a única contribuição da fase gasosa. No caso da correlação de Kim e Ghajar (2006).Resultados 113 Nas figuras Figura 6-6a-b-c. Coincidentemente. 1982. (2. a comparação dos resultados do modelo será feita com a correlação de Kim e Ghajar (2006). ocasionando uma discordância considerável entre o modelo de Camargo e os resultados obtidos do modelo aqui apresentado.Capítulo 6 . A expressão do modelo mecanicista de Camargo (1991) é semelhante à expressão utilizada no modelo para calcular hTP. os resultados numéricos são comparados com as correlações Kim e Ghajar (2006).

110 freq [Hz] 0.740 2. Como já foi discutido anteriormente. no presente trabalho serão utilizados dados do 2PFG/FEM/UNICAMP com dados hidrodinâmicos validados (Rodrigues.330 0. Os experimentos a serem analisados utilizam ar e água como fluidos de trabalho em um duto de 20 metros de comprimento e 0. os resultados serão comparados com a correlação de Kim e Ghajar (2006). Tabela 6-3 – Definição das condições de simulação para escoamento ar-água. denominada K&G. Logo.2 Simulações numéricas O modelo proposto foi validado na seção anterior e mostrou consistência.658 jG [m/s] 0. portanto pode ser aplicado a situações reais.890 4. que é a correlação que apresenta melhor ajuste aos dados experimentais no escoamento intermitente (Lima.472 0. Nesse cenário. jL [m/s] A@W #1 A@W #2 A@W #3 A@W #4 0. a transferência de calor é dependente dos parâmetros hidrodinâmicos como a velocidade de translação da bolha e dos comprimentos de pistão e bolha. 2009 e Kim e Ghajar. Nesta seção serão apresentados os resultados da transferência de calor nas simulações para temperatura externa constante e fluxo de calor constante em um duto de 20 metros. 2009 e Pachas.026 m de diâmetro. As vazões e as frequências de cada uma das experiências estão apresentadas na Tabela 6-3.Resultados 114 6.670 0. Porém. mas no presente trabalho será adicionada uma fonte de calor fictícia para forçar uma variação de temperaturas.470 2.588 1.525 0. nos dados da literatura disponíveis somente são informadas as vazões e as propriedades dos fluidos.Capítulo 6 .440 . Esses dados são para escoamento isotérmico (sem transferência de calor). esses testes dão coerência aos resultados da transferência de calor. A sigla A@W (Air at water) identifica o escoamento ar-água e o número # identifica a combinação de vazões nessa experiência. 2006). 2011). Assim. já que carecemos de dados experimentais para a inicialização das simulações.595 0.

Isso poderia ter sido causado pelos erros na medição experimental.36% 0.712 0.279 0.811 0.811 0.628 Erro % 8.00% 2. as localizações das oito estações de medição são especificadas na Tabela 6-5.000 Modelo 0.970 Experimen.771 0. 0.959 Experimen.316 0. Essas células unitárias são geradas com o modelo estacionário a partir das velocidades superficiais e da frequência.77% 42.386 0. Para A@W#2 e A@W#3 é obtido um elevado erro principalmente para o comprimento do pistão.344 1. mas erra no cálculo dos seus componentes LB e LS.762 Erro % 1. 1.57% 16.74% 0.695 Erro % 3.235 0. Dos resultados na Tabela 6-4 pode-se observar que o modelo acerta satisfatoriamente no cálculo das propriedades da célula unitária para A@W#1 e A@W#4.177 0.585 Erro % 15.400 0.26% 18.106 0. Tabela 6-4 – Resultados do modelo estacionário como condição de entrada A@W #1 LB LS LU R GB R LS A@W #3 LB LS LU R GB R LS Modelo 1. LB. 0.107 0. o comprimento total da célula unitária é reproduzido corretamente para todos os casos.Resultados 115 Como foi apresentado no Capítulo 5.978 Modelo 0.152 0. A seguir. Assim.06% 0.315 0.634 0.387 0.00% 1.Capítulo 6 .32% 6.359 1. Porém. são apresentados os resultados das células unitárias na entrada onde foram calculados os parâmetros LS.123 0. 0. .97% Experimen.400 0.041 0.69% Experimen.056 0. RGB e RLS.45% Para os parâmetros médios.18% A@W #2 LB LS LU R GB R LS A@W #4 LB LS LU R GB R LS Modelo 0. o modelo de célula unitária proposto concorda com a medida de LU.670 0. Observase que os maiores erros são para as frequências grandes.210 0.04% 0.192 0. Esses resultados são comparados com os dados experimentais obtendo uma boa concordância. para inicializar o modelo de seguimento de pistões deve-se conhecer a célula unitária na entrada.06% 12.654 0.696 1.157 0. já que a bolha pode ter uma cauda que dificulta uma medida exata do comprimento da bolha.42% 4.

1 Temperatura externa constante (TEC) A fim de visualizar os resultados a temperatura externa constante. Da mesma forma como no escoamento monofásico. 1000. Como esperado.23 16. Estação 1 Estação 2 Estação 3 Estação 4 z 0. que fisicamente representam a exposição da tubulação a um escoamento externo.15 K.85 138. 2000 e 4000 W/m²K que são valores fisicamente possíveis para um escoamento externo.85 68. Na Figura 6-7 e Figura 6-8 são mostradas as distribuições de temperaturas ao longo do duto para o líquido e para o gás.3). A temperatura da corrente externa escolhida é de 340 K. Além disso.79 3.2.69 508. medições utilizando sondas lagrangeanas são adquiridas para avaliar a evolução da temperatura no interior de uma célula unitária.56 13. conforme h0 aumenta.Resultados 116 Tabela 6-5 – Posição das estações virtuais de medição.00 6. As figuras a seguir apresentam os resultados para diferentes coeficientes de transferência de calor externos h0.08 Estação 1 Estação 2 Estação 3 Estação 4 z 9. considerando que o máximo valor está em 20000 W/m²K (Incropera et al. é mostrada uma tendência exponencial. sondas virtuais eulerianas de medição são instaladas em oito pontos da tubulação ao longo dos 20 metros (ver Seção 4. Observa- . a qual é tomada como uma temperatura aproximada à de ambiente de 293.50 z/D 367. A configuração espacial das temperaturas em um instante de tempo é monitorada através da sonda de fotografia. a mudança de temperaturas será maior. O critério da escolha foi achar uma temperatura suficientemente alta para causar mudanças perceptíveis no escoamento.00 750.10 1.Capítulo 6 .58 z/D 3.08 253.85 650. 2008) Uma temperatura de entrada deve ser imposta. como os casos estudados por Lima (2009) e Camargo (1991). Assim. onde nos pontos mais próximos da saída a temperatura tende à temperatura do escoamento externo.59 6. mas sem risco de entrar em uma região onde exista mudança de fase. Os coeficientes externos selecionados h0 são 500.90 19. Essa temperatura atua como um limite já que nem a temperatura do líquido nem a do gás podem exceder desse valor. é possível avaliar as temperaturas médias temporais nesses pontos para o líquido e para o gás.

a máxima temperatura atingida será menor já que o líquido precisa uma maior quantidade de calor para aumentar sua temperatura. Note-se que nos testes A@W#3-4 (Figura 6-8). portanto aumenta a temperatura do líquido em algumas regiões. Em geral. Assim. pode-se perceber que essa temperatura varia rapidamente ainda para baixos valores de h0. que é definida como a massa específica vezes o calor específico. apresentando uma distribuição quase linear. a capacidade térmica da água é 4000 vezes maior que a do ar. a presença do gás origina variações nas distribuições de temperatura. já que o gás está absorvendo maior quantidade de energia. o qual . Fisicamente. jL = 0. Uma particularidade observada na Figura 6-7 é que para o testes A@W#1.66 m/s) a mínima. um maior volume de gás introduz uma instabilidade que perturba a distribuição de temperaturas. isso significa que o gás precisa de muito menos calor para variar sua temperatura. Pode-se afirmar que a variação da temperatura do líquido é menor quando tem mais gás. é evidente que uma maior quantidade de gás ocupa um maior volume e por sua vez uma maior área de contato. Outro fato interessante é que em A@W#1 têm-se bolhas grandes (LB > 1. Observando as distribuições de temperatura do gás na Figura 6-7 e na Figura 6-8. No caso particular de água-ar.0 m).33 m/s) é observada a máxima temperatura da mistura e no teste A@W#4 (Figura 6-8. No teste A@W#3 a maior temperatura atingida supera os 320 K enquanto no teste A@W#4 apenas chega a 318 K. onde a velocidade superficial do líquido é mantida constante (Tabela 6-3). Outro fato interessante a ressaltar é que as células unitárias da entrada nos testes A@W#2-3 são pequenas (Tabela 6-4).Capítulo 6 . a temperatura sobe rapidamente. Assim. é confirmando que para uma maior vazão de líquido. para outras combinações de fluidos a baixas pressões. Assim. a capacidade térmica do gás é muito menor que a dos líquidos. Isso é devido à baixa capacidade térmica do gás. jL = 0. a temperatura da mistura apresenta descontinuidades. as quais mudam de temperatura rapidamente. No teste A@W#1 (Figura 6-7.Resultados 117 se que para baixos h0. No caso de h0 maiores. a temperatura praticamente não muda apesar de ter uma grande diferença com a temperatura externa. Isso faz com que o calor trocado na interface seja muito maior. Uma das causas dessa instabilidade poderia ser a menor vazão volumétrica de líquido em relação à do gás.

observa-se que o teste A@W#4. 340 335 330 325 h0 = 500 W/m²K h0 = 1000 W/m²K h0 = 2000 W/m²K h0 = 4000 W/m²K 340 335 330 325 Tm [K] A@W #1 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 TG [K] 320 320 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 340 335 330 325 h0 = 500 W/m²K h0 = 1000 W/m²K h0 = 2000 W/m²K h0 = 4000 W/m²K 340 335 330 325 Tm [K] A@W #2 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 TG [K] 320 320 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 Figura 6-7 – Temperaturas médias da mistura e do gás ao longo do duto para os testes A@W#1 e 2 com temperatura externa constante. a temperatura cresce abruptamente no teste A@W#1 (Figura 6-7). Isto é.Resultados 118 favorece o processo de obtenção de médias. Uma particularidade desse experimento é seu grande comprimento de bolha. Além disso. apesar de ter uma alta velocidade superficial de gás jG . a distribuição de temperaturas do gás é similar a A@W#2-3. e para a segunda estação de medição a temperatura já superou os 315 K ainda para baixos h0. Isso evidencia que para a distribuição de temperaturas do gás e a transferência de calor de forma geral.Capítulo 6 . Observando as temperaturas do gás. . que com uma quantidade maior de bolhas as médias são mais confiáveis. que têm baixos jG.

340 335 330 325 340 h0 = 500 W/m²K h0 = 1000 W/m²K h0 = 2000 W/m²K h0 = 4000 W/m²K 335 330 325 Tm [K] A@W #3 315 310 305 300 295 290 0 340 335 330 325 h0 = 500 W/m²K h0 = 1000 W/m²K h0 = 2000 W/m²K h0 = 4000 W/m²K TG [K] 16 20 320 320 315 310 305 300 295 290 4 8 z [m] 12 0 340 335 330 325 4 8 z [m] 12 16 20 Tm [K] A@W #4 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 TG [K] 320 320 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 Figura 6-8 – Temperaturas médias do líquido e do gás ao longo do duto para os testes A@W#3 e 4 com temperatura externa constante. independente da velocidade superficial do gás..Capítulo 6 .Resultados 119 é mais importante o comprimento da bolha. A coordenada z é expressa como a . Conclusões similares foram obtidas por Deshpande et al. é avaliada a célula unitária número 120 que entra na tubulação. Para garantir a estabilidade dessa célula. Nas Figura 6-9 e Figura 6-10 são apresentadas sondas lagrangeanas que monitoram os dados de temperatura do líquido e gás dentro de uma célula unitária ao longo do tempo. que concluiram que a transferência de calor no escoamento intermitente é influenciada também pelo comprimento da bolha e a frequência.

evidenciando uma relação com a frequência de passagem da célula unitária. 340 335 330 325 h0 = 500 W/m²K h0 = 1000 W/m²K h0 = 2000 W/m²K h0 = 4000 W/m²K 340 335 330 325 Tm [K] 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 TG [K] a) 320 320 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 b) Figura 6-9 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) seguindo a bolha 120 ao longo do duto para A@W#1.74 s-1) do que para A@W#3 (freq = 4. mas apresenta uma curva suave. A tendência desta temperatura também é exponencial. o inverso da frequência. assim z = z0 + UTt. ou em outras palavras. Essas ondulações são maiores para A@W#1 (freq = 0.Resultados 120 posição do nariz da bolha no instante de tempo capturado pela sonda lagrangeana. No caso da temperatura do gás. . O comprimento de cada uma dessas ondulações está relacionado com o tempo de residência de uma célula unitária.47 s-1). Nota-se que na Figura 6-9 e Figura 6-10 existe uma distribuição de escada ondulada para a temperatura do líquido.Capítulo 6 . a distribuição é parecida com a distribuição de médias tanto para A@W#1 quanto para A@W#3. Isso acontece devido à variação no tempo da temperatura no interior do volume de controle lagrangeano.

340 335 330 325 h0 = 500 W/m²K h0 = 1000 W/m²K h0 = 2000 W/m²K h0 = 4000 W/m²K 340 335 330 325 Tm [K] 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 TG [K] a) 320 320 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 b) Figura 6-11 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) segundo a sonda de fotografia no instante t = 70 s para A@W#1. Assim. Para garantir uma estabilidade no escoamento. o instante em que a foto é capturada ocorre quando o escoamento e as temperaturas estão completamente desenvolvidos. Nesse instante. testes evidenciaram que para um tempo de t = 70 s. Na Figura 6-11 é mostrado o resultado de uma sonda de fotografia para A@W#1. o escoamento é estável. .Resultados 121 340 335 330 325 h0 = 500 W/m²K h0 = 1000 W/m²K h0 = 2000 W/m²K h0 = 4000 W/m²K 340 335 330 325 Tm [K] 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 TG [K] a) 320 320 315 310 305 300 295 290 0 4 8 z [m] 12 16 20 b) Figura 6-10 – Distribuição de temperaturas da mistura (a) e do gás (b) seguindo a bolha 120 ao longo do duto para A@W#3.Capítulo 6 . podem-se observar instabilidades que são próprias do modelo e devem ser analisadas em futuros trabalhos.

Os resultados são comparados com a correlação de Kim e Ghajar (2006) devido às vantagens já apresentadas anteriormente.Resultados 122 A seguir. respectivamente).105). (3.Capítulo 6 . Observando os testes A@W#3-4 na Figura 6-13 (jL = 0. A correlação de Kim e Ghajar (2006) depende das vazões (ou velocidades superficiais) e das propriedades dos fluidos. Esse teste está caracterizado por ter uma alta vazão de gás e bolhas grandes. Os maiores erros encontram-se para o teste A@W#4 (Figura 6-13) onde o valor do hTP é superestimado com 15% de erro. pode-se deduzir que para uma velocidade superficial do líquido jL constante. No modelo. A expansão (ou compressão no caso de resfriamento) da bolha faz com que a velocidade superficial do gás mude ao longo da tubulação e. O primeiro é a velocidade superficial do gás que aumenta ao longo do duto devido à expansão do gás. Das Figura 6-12 e Figura 6-13 pode-se observar que o coeficiente de transferência de calor bifásico muda ligeiramente ao longo do duto. Porém. fixando um valor de jL. é assumido que na região da bolha o líquido encontra-se completamente estratificado. Essa situação é observada nos testes A@W#3-4 onde o hTP médio é 3338 e 3320 W/m²K respectivamente. sendo difícil quantificar de forma correta o perímetro molhado de líquido na região da bolha.67 m/s e 0. é possível avaliar a correlação de K&G em diferentes pontos da tubulação e encontrar uma tendência. portanto. o que na realidade não ocorre. o que é ocasionado por dois fatores. Pode-se observar que existe uma ótima relação entre a simulação numérica e a correlação de Kim e Ghajar (2006) com uma erro máximo de 5% para os testes A@W#1-2-3 (Figura 6-12 e Figura 6-13). já que as mudanças na temperatura também são maiores. A variação é maior quando o escoamento externo é mais forte. para velocidades superficiais de líquido baixas. é avaliada a variação do coeficiente de transferência de calor bifásico hTP ao longo da tubulação. Além disso. O segundo é a variação das propriedades com a temperatura. independente da velocidade superficial do gás jG. Para os jL . Além disso. também a velocidade da mistura. o hTP é menor que 2000 W/m²K evidenciando novamente uma relação direta entre jL e hTP.66 m/s. precisa-se ter vários dados de jG. para definir de forma mais rigorosa a dependência do hTP com a velocidade superficial do gás. como as propriedades in situ dos fluidos mudam com a temperatura. o hTP não muda significativamente. O hTP é calculado a partir das temperaturas segundo a expressão na Eq.

Para todos os casos. Porém. mas é observado que essas variações não são significativas.Capítulo 6 .66 m/s) com uma média de 3320 W/m²K. Evidentemente.Resultados 123 maiores o hTP cresce de forma proporcional sendo o menor para A@W#1 (jL = 0. o hTP tem a tendência de ser mantida apesar da distribuição de temperaturas diferentes. 3000 3000 Presente trabalho Kim e Ghajar 2006 hTP [W/m²K] 2000 h0 = 500 W/m²K 1000 3000 2000 h0 = 1000 W/m²K 1000 4000 3000 A@W #1 hTP [W/m²K] 2000 h0 = 2000 W/m²K 1000 0 5 10 z [m] 15 20 2000 1000 0 0 5 10 z [m] 15 20 h0 = 4000 W/m²K 4000 4000 hTP [W/m²K] 3000 h0 = 500 W/m²K 2000 4000 3000 h0 = 1000 W/m²K 2000 4000 A@W #2 hTP [W/m²K] 3000 h0 = 2000 W/m²K 2000 0 4 8 z [m] 12 16 20 3000 h0 = 4000 W/m²K 2000 0 4 8 z [m] 12 16 20 Figura 6-12 – Coeficiente de transferência de calor bifásico hTP ao longo do duto para os testes A@W#1-2 com temperatura externa constante. os valores encontrados através do modelo tendem a afastar-se . maiores serão as variações nas propriedades físicas dos fluidos e por conseguinte no hTP. quanto maiores forem as variações de temperatura.33 m/s) com uma média de 1750 W/m²K e o maior para A@W#6 (jL = 0.

4000 4000 h0 = 500 W/m²K 3000 Presente trabalho Kim e Ghajar 2006 hTP [W/m²K] h0 = 1000 W/m²K 3000 A@W #3 2000 4000 2000 4000 h0 = 2000 W/m²K h0 = 4000 W/m²K 3000 hTP [W/m²K] 3000 2000 0 4000 4 8 z [m] 12 16 20 2000 0 4000 4 8 z [m] 12 16 20 hTP [W/m²K] 3000 h0 = 500 W/m²K 2000 4000 3000 h0 = 1000 W/m²K 2000 4000 A@W #4 hTP [W/m²K] 3000 h0 = 2000 W/m²K 2000 0 4 8 z [m] 12 16 20 3000 h0 = 4000 W/m²K 2000 0 4 8 z [m] 12 16 20 Figura 6-13 – Coeficiente de transferência de calor bifásico hTP ao longo do duto para os testes A@W#3-4 com temperatura externa constante.Resultados 124 dos valores da correlação K&G nas estações que estão pertos da saída.Capítulo 6 . . evidenciando que o efeito da expansão do gás afeta em menor escala a transferência de calor do que o estimado pelo modelo.

De forma geral. como no caso de TEC. Para os testes A@W#1-2-3 (Figura 6-14) são observadas certas oscilações uniformes. típico da condição de fluxo de calor constante. é observada uma tendência linear da temperatura para todos os casos. Nota-se que existe uma simetria ao redor da temperatura de entrada para fluxos de calor com valores numéricos opostos. mas afastado da região de saturação. As oscilações tornam-se desorganizadas e maiores no teste A@W#4. É notável também que os valores do hTP obtidos na condição FCC são muito próximos aos obtidos na condição TEC. mas conservando a tendência linear.1 m/s). mantendo um valor constante. . Na Figura 6-14 são observadas as distribuições de temperatura média temporal ao longo do duto para as condições de aquecimento e resfriamento.Capítulo 6 . Porém. pode-se observar que o hTP não muda ao longo da tubulação. respectivamente.Resultados 125 6.2.15 K. As condições para a simulação são colocadas a seguir. onde existe uma alta velocidade superficial do gás (jG = 1. Na Figura 6-15 e Figura 6-16 são apresentadas as distribuições do coeficiente de transferência de calor bifásico hTP ao longo da tubulação para os quatro testes A@W#1-2-3-4. independente da distribuição de temperaturas. Da mesma forma que com os resultados para TEC são apresentados os resultados para uma sonda lagrangeana e para um instante de tempo. A temperatura de entrada é fixada em 293. Isto evidencia instabilidades numéricas mais intensas para uma alta vazão de gás. As simulações são realizadas para as condições de aquecimento e resfriamento.2 Fluxo de calor constante na parede (FCC) Nesta seção são apresentados os resultados das simulações para a condição de fluxo de calor constante na parede externa (FCC). representadas por fluxos de calor positivos e negativos. portanto pode-se afirmar que existe um único valor para o hTP para cada combinação de vazões. o modelo consegue reproduzir as tendências. Para todos os perfis. Os fluxos de calor utilizados seguem o mesmo critério de escolha para h0 e T0: um fluxo de calor suficientemente alto para ocasionar variações perceptíveis na temperatura.

Capítulo 6 . .Resultados 126 310 305 300 295 310 305 300 295 Tm [K] A@W #1 290 285 280 275 270 0 4 8 z [m] 12 16 20 q'' = -20000 W/m² q'' = -10000 W/m² q'' = 10000 W/m² q'' = 20000 W/m² A@W #2 Tm [K] 290 285 280 275 270 0 310 305 300 295 q'' = -20000 W/m² q'' = -10000 W/m² q'' = 10000 W/m² q'' = 20000 W/m² 4 8 z [m] 12 16 20 310 305 300 295 Tm [K] A@W #3 290 285 280 275 270 0 4 8 z [m] 12 16 20 q'' = -20000 W/m² q'' = -10000 W/m² q'' = 10000 W/m² q'' = 20000 W/m² A@W #4 Tm [K] 290 285 280 275 270 0 4 8 z [m] 12 16 20 q'' = -20000 W/m² q'' = -10000 W/m² q'' = 10000 W/m² q'' = 20000 W/m² Figura 6-14 – Distribuição de temperaturas da mistura ao longo do duto para a condição de fluxo de calor constante.

Assim. é obtido o mesmo valor que com a condição TEC. o máximo erro para os testes A@W#1-2-3 é de 5% e para o teste A@W#4 é de 15%. de tal forma que quando o modelo subestima o hTP de K&G em TEC. Nota-se que não existe diferença significativa entre o hTP com aquecimento e com resfriamento.Capítulo 6 . A tendência em relação à correlação de K&G é mantida. .Resultados 127 3000 3000 Presente trabalho Kim e Ghajar 2006 hTP [W/m²K] 2000 q'' = -20000 W/m² 1000 3000 2000 q'' = -10000 W/m² 1000 3000 A@W #1 hTP [W/m²K] 2000 q'' = 10000 W/m² 1000 0 4000 5 10 z [m] 15 20 2000 q'' = 20000 W/m² 1000 0 4000 5 10 z [m] 15 20 hTP [W/m²K] q'' = -20000 W/m² 3000 3000 q'' = -10000 W/m² A@W #2 2000 4000 2000 4000 hTP [W/m²K] q'' = 10000 W/m² 3000 3000 q'' = 20000 W/m² 2000 0 4 8 12 16 20 2000 z [m] 0 4 8 12 16 20 z [m] Figura 6-15 – Coeficiente de transferência de calor bifásico ao longo do duto para os testes A@W1-2 com fluxo de calor constante. também faz o mesmo com FCC. Em relação às faixas de erro.

Serão considerados os resultados da simulação junto com os dados de Lima (2009) para avaliar quais são os parâmetros que afetam o coeficiente de transferência de calor. tentará se estender o conceito .3 Análise dos parâmetros influentes na transferência de calor Nesta seção serão analisados os parâmetros próprios do escoamento em golfadas que influenciam a transferência de calor. os coeficientes de transferência de calor monofásicos dependem do número de Reynolds e do número de Prandtl. 6. Com essa idéia.Resultados 128 4000 4000 hTP [W/m²K] q'' = -20000 W/m² 3000 Presente trabalho Kim e Ghajar 2006 q'' = -10000 W/m² 3000 A@W #3 2000 4000 2000 4000 hTP [W/m²K] q'' = 10000 W/m² 3000 3000 q'' = 20000 W/m² 2000 0 4000 4 8 12 16 20 2000 z [m] 4000 0 4 8 12 16 20 z [m] q'' = -10000 W/m² 3000 hTP [W/m²K] q'' = -20000 W/m² 3000 A@W #4 2000 4000 2000 4000 hTP [W/m²K] q'' = -10000 W/m² 3000 3000 q'' = 20000 W/m² 2000 0 4 8 12 16 20 2000 z [m] 0 4 8 12 16 20 z [m] Figura 6-16 – Coeficiente de transferência de calor bifásico ao longo do duto para os testes A@W3-4 com fluxo de calor constante. De forma geral.Capítulo 6 .

Pode-se observar que o hTP tende a aumentar quando RejL cresce.Resultados 129 para escoamento bifásico analisando esses números adimensionais avaliados no líquido e no gás. independente das características do escoamento. Na Figura 6-18 é mostrada a relação entre o número de Prandtl e o coeficiente de transferência de calor bifásico. Porém. Assim pode-se deduzir que hTP está dominado pela velocidade superficial do líquido jL (diretamente relacionado a RejL). Porém para afirmar que o jG não afeta consideravelmente o hTP. Como para todas as simulações foi utilizado ar-água. 10000 8000 hTP [w/m²K] 6000 4000 2000 0 40000 hTP [w/m²K] 10000 8000 6000 4000 2000 0 60000 80000 RejL 100000 120000 0 1000 2000 3000 RejG 4000 5000 Lima (2009) Presente Trabalho a) b) Figura 6-17 – Relação entre o número de Reynolds do líquido (a) e do gás (b) com o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP. Note-se que o número de Prandtl depende do tipo de fluido. devido à variação da temperatura. as diferenças não são muito grandes. A Figura 6-17 representa a variação do hTP com o número de Reynolds do líquido e do gás para os dados experimentais e para as simulações. não existe uma tendência definida do hTP em relação ao RejG. será analisado como os parâmetros próprios do escoamento em golfadas afetam a transferência de calor. as propriedades mudam de forma que pode ser estabelecida uma tendência. mostrando inclusive uma tendência linear nos resultados das simulações. Os números de Re são avaliados com as velocidades superficiais jL e jG. Além disso. . Porém. Esse número adimensional quantifica a difusividade de momentum em relação à difusividade térmica para um tipo de fluido.Capítulo 6 . já que os dados encontram-se dispersos tanto para os resultados de Lima quanto para as simulações. teria que se estudar uma faixa de RejG maior.

Sendo que a principal contribuição para o hTP vem da fase líquida. têm uma relação proporcional com o hTP. uma tendência ascendente é observada do hTP em relação ao número de Prandtl. Na Figura 6-19a mostra-se a relação entre o hTP e a velocidade da mistura. Assim como o número de Reynolds.73 Figura 6-18 – Relação entre o número de Prandtl do líquido (a) e do gás (b) com o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP. 10000 8000 hTP [w/m²K] 6000 4000 2000 0 3. portanto. o qual implica velocidades grandes da célula unitária e seus componentes. Figura 6-19b. o gás apresenta baixos números de Prandtl (Pr < 0. Para razões LB/LU altas.5 4 PrL 4. Por outro lado. observam-se muitos valores de hTP para um determinado valor de PrG mostrando uma alta dispersão que não permite avaliar uma tendência definida do hTP em relação ao PrG.5 5 10000 a) hTP [w/m²K] 8000 6000 4000 2000 0 0. o incremento de LB/LU ocasiona um decrescimento no hTP.75). Apesar de apresentar um alto grau de dispersão. como foi verificado anteriormente. Além disso. mas de forma mais dispersa do que com o número de Prandtl ou o número de Reynolds.5). a tendência também é positiva. Isto é coerente já que uma frequência alta significa um menor tempo de residência.Resultados 130 Para o líquido pode-se observar altos números de Prandtl (Pr > 3.7 b) Lima (2009) Presente Trabalho 0. a quantidade de líquido que está em contato com a tubulação é menor já que uma maior porção de tubulação está em contato com a bolha de gás. é possível apreciar uma tendência negativa em relação à razão LB/LU. evidenciando que para comprimentos de bolha altos o hTP diminui. Na Figura 6-20 é mostrada a relação entre a razão LB/LU e o hTP.71 PrG 0. uma menor área de contato .72 0. No caso da frequência. Uma tendência ascendente é observada. Esse fato está relacionado com o comprimento da bolha.Capítulo 6 . Altas velocidades provocam altos números de Reynolds que.

Resultados 131 ocasiona o decréscimo da transferência de calor.5 2 Figura 6-19 – Relação entre a velocidade de mistura J (a) e a frequência freq (b) com o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP.ST Figura 6-20 – Relação entre a relação de comprimentos LB/LU com o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP.8 Lima (2009) Presente Trabalho Linha de tendência .Capítulo 6 . Foi encontrado que propriedades da fase líquida como o número de Reynolds e o número de Prandtl afetam o hTP significativamente. portanto os erros no cálculo ocasionam um alto grau de dispersão. mas a tendência seria mantida. Supõe-se que se os comprimentos fossem medidos experimentalmente.Lima Linha de tendência . a dispersão na Figura 6-20 seria menor.6 0. 10000 8000 hTP [w/m²K] 6000 4000 2000 0 1 1.5 1 freq [s-1] 1. 10000 8000 hTP [w/m²K] 6000 4000 2000 0 0.7 0. Os comprimentos de bolha e pistão são calculados através de modelo.5 LB/LU 0.4 0.2 0.3 0. não foi possível definir uma tendência em relação às propriedades do gás . Por outro lado.5 J [m/s] 2 10000 a) hTP [w/m²K] 8000 6000 4000 2000 0 0 b) Lima (2009) Presente Trabalho 0. Nesta seção foram determinados os parâmetros influentes no coeficiente de transferência de calor.

A alteração dos comprimentos de bolhas e pistões está relacionada a dois efeitos: a expansão do gás e a coalescência de bolhas. a coalescência é muito baixa e não será abordada nesta seção. Os principais parâmetros afetados são os comprimentos do pistão e bolha e as velocidades do pistão e de translação. não é considerada nem a mudança de fase nem altas pressões. portanto suas variações ao longo do duto são apresentadas nas Figura 6-21 e Figura 6-22. A expansão do gás está relacionada à queda de pressão e à variação da temperatura ao longo da linha. Finalmente. sem fazer com que as temperaturas chegarem na região de saturação. O fluxo de calor escolhido (±10000 W/m²) é o maior possível para fazer perceptíveis as variações. constatou-se que parâmetros próprios do escoamento em golfadas como a frequência e a relação entre comprimento da bolha e comprimento total da célula unitária LB/LU também influem na transferência de calor. portanto.Capítulo 6 . . resfriamento e isotérmico com a condição de fluxo de calor constante em um duto de 26 mm de diâmetro. São avaliados o comprimento de bolha. Devido à periodicidade da condição de entrada. No presente modelo. alta velocidade superficial do gás jG e velocidades superficiais equilibradas jL-jG. 6. São simulados os casos de aquecimento. A temperatura de entrada de todos os casos é a mesma: 290 K.Resultados 132 devido ao alto grau de dispersão em relação a esses parâmetros. fato que foi verificado também por outros autores como Deshpande et al (1991) e Hetsroni et al (1998). enquanto a coalescência está relacionada à intermitência do escoamento.4 Influência da transferência de calor nos parâmetros hidrodinâmicos Para encontrar a influência da temperatura nos parâmetros hidrodinâmicos. a velocidade do pistão e a velocidade de translação da bolha. o comprimento de pistão. são realizadas simulações com diferentes fluxos de calor para três combinações de velocidades superficiais: alta velocidade superficial do líquido jL. os efeitos da troca de calor na hidrodinâmica estarão relacionados à compressão do gás e à variação das propriedades físicas dos fluidos.

a tendência sempre é diminuir. No aquecimento. praticamente é mantido um comprimento constante ao longo do duto. Isto devese à expansão do gás ocasionado pelo incremento da temperatura. os dois efeitos se cancelam. consequentemente. para vazões maiores de gás. ela tende a ser comprimida no caso de resfriamento. para nenhum dos casos a variação é significativa. Como o fluido utilizado é ar. em consequência o filme também deverá crescer. pois os pistões perdem parte do líquido para o filme. As variações nestas . a bolha cresce mais. No caso de aquecimento.Resultados 133 Quando somente o efeito da pressão está presente. que por sua parte comporta-se como gás ideal. a influência da temperatura é maior e a bolha diminui seu volume apesar da perda de pressão. o efeito de expansão da bolha e redução do pistão é maior. mas em todos eles o pistão tende a diminuir. Para o caso de resfriamento. o que ocasiona sua redução. O efeito depende da razão entre as vazões volumétricas de líquido e gás: nota-se que para altas vazões de líquido predomina a expansão por perda de pressão. observa-se que existe um conflito: a bolha expande-se pela queda de pressão mas se comprime pela redução de temperaturas. as bolhas tendem a se expandir (ou comprimir) em menor grau que quando tem vazão menor de gás. o volume do gás é diretamente proporcional à temperatura. Para vazões volumétricas da mesma ordem. Esse filme líquido está crescendo à custa da massa do pistão. No aquecimento. o volume de gás nas bolhas aumenta de forma gradual.Capítulo 6 . os comprimentos dos pistões diminuem. No caso do comprimento do pistão. No caso do comprimento do pistão. e. existem diferentes consequências dependendo se existe aquecimento ou resfriamento. Observa-se que para diferentes combinações de vazão. Por exemplo. A velocidade do pistão e a velocidade de translação da bolha são afetadas em menor escala pela transferência de calor. Para vazões volumétricas maiores de gás. Como os comprimentos dos filmes de líquido abaixo das bolhas também aumentam. devido ao crescimento do filme líquido. Para resfriamento. as variações nas velocidades são pequenas. Mesmo que a bolha tenha que se expandir devido à queda de pressão. Com a presença da troca de calor. o qual pode ser explicado da seguinte forma. Para vazões volumétricas de líquido grandes e médias. o pistão diminui seu comprimento. também aumentam seus comprimentos. a tendência é mantida mas a intensidade das variações muda.

Para aquecimento em altas vazões de gás. . que muda segundo a expansão ou compressão do gás.20 m/s 15 13 Resfriamento Isotérmico Aquecimento Baixo jL e alto jG 80 LB /D 75 70 65 60 0 200 400 z/D 600 800 LS /D 11 9 7 5 0 200 400 z/D 600 800 Figura 6-21 – Influência da temperatura nos comprimentos LB e LS para diferentes velocidades superficiais.28 m/s 38 Resfriamento Isotérmico Aquecimento Alto jL e baixo jG 25 20 LB /D 15 10 5 0 30 LS /D jL = 0.33 m/s jG = 1.Resultados 134 velocidades estão relacionadas à velocidade da mistura.47 m/s 36 34 32 30 10 8 jL e jG equilibrados 25 20 LB /D 15 10 5 0 LS /D 6 4 2 0 Resfriamento Isotérmico Aquecimento 90 85 jL = 0. que por sua vez depende da velocidade superficial do gás.Capítulo 6 . observa-se que as velocidades aumentam notavelmente devido ao incremento da velocidade da mistura. 30 40 jL = 1.53 m/s jG = 0. que por sua vez aumenta pela expansão do gás.38 m/s jG = 0.

20 m/s UT [m/s] 2 2 1.5 jL = 0.5 1 0.5 0 3 2.5 3 jL = 1.5 0 3 2.5 0 3 Resfriamento Isotérmico Aquecimento jL e jG equilibrados 2.Resultados 135 3 2.5 1 0. .53 m/s jG = 0.33 m/s jG = 1.5 1 0.5 1 0.5 Alto jL e baixo jG ULS [m/s] 1.5 0 3 UT [m/s] 2 2 1.28 m/s 2.Capítulo 6 .5 0 0 200 400 z/D 600 800 UT [m/s] 2 2 1.5 ULS [m/s] 1.38 m/s jG = 0.47 m/s 2.5 0 0 200 400 z/D 600 800 Resfriamento Isotérmico Aquecimento Figura 6-22 – Influência da temperatura nas velocidades do pistão ULS e de translação UT para diferentes velocidades superficiais.5 1 0.5 jL = 0.5 1 0.5 Resfriamento Isotérmico Aquecimento Baixo jL e alto jG ULS [m/s] 1.

O balanço de energia evidencia que o calor fornecido aumenta a energia interna dos fluidos. O primeiro sistema. Adicionalmente. os resultados numéricos são comparados com a solução analítica de escoamento monofásico e com um modelo estacionário.Capítulo 7 – Conclusões e Recomendações 136 7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES No presente trabalho. é constituído pela discretização dos balanços de massa e quantidade de movimento. uma solução numérica foi proposta. O modelo considera a compressão do gás devido às variações de pressão e temperatura. mas também ocasiona deformações nos volumes de controle. Com o objetivo de validar o modelo proposto. chamado de sistema pressão-velocidade. As equações governantes foram encontradas a partir de balanços de massa. Os resultados mostram coerência. O segundo sistema é produto da discretização do balanço de energia e sua solução é obtida depois de resolver o sistema pressão-velocidade. ocasionando uma interação entre as variáveis térmicas e hidrodinâmicas. quantidade de movimento e energia em cada um dos elementos da célula unitária. foi apresentado um modelo de seguimento de pistões em regime transitório para simular escoamento bifásico em golfadas com transferência de calor. e portanto sua temperatura. O balanço de massa evidencia que a velocidade do pistão é afetada pela interação das bolhas dispersas no seu interior e à expansão da bolha alongada. é possível analisar a influência da transferência de calor na física do escoamento em golfadas. A fim de dar solução às equações obtidas na modelagem matemática. Assim. Nesse caso. pode-se observar que apesar de ter aproximado muitas das variáveis de entrada. A discretização das equações do modelo resultou em dois sistemas de equações a serem resolvidos para cada instante de tempo. o modelo consegue reproduzir a . os resultados do modelo foram comparados com dados experimentais de temperatura. O balanço de quantidade de movimento mostra que a queda de pressão em uma célula unitária deve-se principalmente às forças de atrito e à aceleração local do pistão. portanto a consistência do modelo é comprovada. O modelo é implementado em um programa em linguagem Fortran com orientação a objetos.

É necessário contar com uma ampla base de dados experimentais com hidrodinâmica corretamente descrita. Shah (1981) e Camargo (1991). Hetsroni et al (1998). Por fim. o modelo de seguimento de pistões se apresenta como uma ferramenta útil para a simulação do escoamento em golfadas com transferência de calor. O presente trabalho constitui uma referência para futuros modelos com maior complexidade onde poderão ser incluídos fenômenos como a mudança de fase. ou seja com . É observado que os resultados para a temperatura da mistura apresentam oscilações.1 Sugestões para trabalhos futuros Como sugestão para trabalhos futuros. o resfriamento da bolha ocasiona sua compressão. Por fim. mas apresentam um comportamento coerente: uma tendência exponencial no caso de temperatura externa constante (TEC) e uma tendência linear no caso de fluxo de calor constante (FCC). mas a intensidade dependerá da relação entre a vazão volumétrica de líquido e gás. Essas afirmações concordam com os resultados obtidos por outros pesquisadores como Deshpande et al (1991). o qual evidencia que o volume da bolha é também suscetível a variações de temperatura. 7. O modelo mostrou uma excelente concordância com as correlações de Kim e Ghajar (2006). Mostrou-se que para altas vazões de líquido. Os resultados também mostram que o hTP tem uma alta dependência com os parâmetros próprios do escoamento em golfadas. o modelo apresentado poderia ser validado com uma quantidade maior de dados. Foi analisada também a influência da transferência de calor nos parâmetros hidrodinâmicos. o comprimento de bolha e a velocidade da mistura. os resultados também foram comparados com correlações da literatura para coeficiente de transferência de calor bifásico. Assim. Apesar da expansão da bolha devido à queda de pressão. como são a frequência. as variações são menores em parâmetros relevantes como a velocidade de translação da bolha e os comprimentos de bolha e pistão. também foi observado que o coeficiente de transferência de calor bifásico hTP não varia significativamente para as condições de TEC e FCC para um determinado jL e jG. Shoham et al (1982) e Kim e Ghajar (2006).Capítulo 7 – Conclusões e Recomendações 137 tendência de temperaturas.

Variações simultâneas de pressão e temperatura podem ocasionar evaporação ou condensação. portanto é interessante a consideração deste fenômeno. Assim. Incluir os termos de mudança de fase. . é conveniente a realização de um estudo experimental.Capítulo 7 – Conclusões e Recomendações 138 condições de entrada conhecidas para as frações volumétricas e comprimentos característicos. Implementar o modelo em função da entalpia a fim de evitar a hipótese de líquido incompressível e gás ideal. Por exemplo. Incluir na modelagem os termos de dissipação viscosa e a modelagem para escoamentos em altas pressões. Em relação ao modelo apresentado. com líquidos mais viscosos e com gases com equação de estado diferente à de gás ideal. Testar com condição de entrada intermitente a fim de verificar a variação das médias em relação à condição periódica. ter vários jG para cada jL fornece uma melhor idéia da influência da vazão de gás em cada vazão líquida. Visando isto. Estudar a transferência de calor em dutos com outras inclinações. as seguintes sugestões são propostas para trabalhos futuros:        Analisar a estabilidade numérica do modelo de transferência de calor a fim de reduzir as oscilações obtidas na temperatura da mistura. considerando a energia potencial. A organização de tais dados experimentais também é importante. Testar o modelo para outros fluidos. tanto nos parâmetros hidrodinâmicos quanto nos térmicos.

such as oil industry. Perea M. César D. The flow intermittency is reproduced through the conditions at the entrance of the pipe. risers and other components involved. Título: Autores: Local: Data: Hydrodynamics and heat transfer simulation for two-phase intermittent C. Pachas N. In the present work. 24 a 29 de julho de 2011 Resumo: The intermittent gas-liquid flow. S. In this model. S. A.. Morales. with many applications. Perea M.Referências 139 PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO PERÍODO 2009-2011 ARTIGOS EM CONGRESSOS Título: Autores: Numerical Simulation of Gas-Liquid Slug Flow along vertical pipes using A. Morales.. Cozin. M. One of them is the conduction of oil and gas in the deep ocean. R. which are analyzed in statistical terms. 5 a 10 de dezembro de 2010 flow in horizontal pipes. Cozin. These entrance conditions are given by a sequence of flow properties for each unit cell. of ASME-JSME-KSME Joint Fluids Engineering the Slug Tracking Model Rosa. Brasil. The objective of the present work is to simulate the slug flow and its intermittency through the slug tracking model. M. L. or slug flow. E. C. Japão. Predicting the properties of this kind of flow is important to design properly pumps. which are propagated along the pipe. E. R. C. E.. D. Publicado: 13th Brazilian Congress of Thermal Sciences and Engineering. Junqueira. The numerical results are compared with experimental data obtained by 2PFG/FEM/UNICAMP for air-water flow and good agreement is observed. in vertical tubes occurs over a wide range of gas and liquid flow rates. R. Publicado: Procceedings Conference 2011. Resumo: Two-phase flows with heat transfer are found in many engineering applications. Local: Data: Hamamatsu. This flow pattern is . M. Mazza. vertical upward slug flow is studied through a one-dimensional and lagrangian frame referenced model called slug tracking. the mass and the momentum balance equations are applied in control volumes constituted by the gas bubble and the liquid slug. MG. In liquid-gas two-phase flows. A. where exists a temperature gradient due to the difference between the temperature in the source and that from the surrounding environment. one of the most frequent patterns is the slug flow. Shizuoka. Uberlândia.

C. C. momentum and energy balances on the unit cell. The objective of the present work is to obtain initial conditions for the slug tracking model that reproduce a better adjustment of the fluctuating properties for different pipe inclinations (horizontal. Slug flow is studied through the slug tracking model described as one-dimensional and lagrangian frame referenced.Referências 140 characterized by the alternate succession of two structures: an aerated slug and an elongated gas bubble.. R. an implicit algebraic equation system will be obtained. Distributions are complemented with the mass balance and the bubble design model. vertical or inclined). Morales. E. . the slug flow pattern is the most common among the others. assuming that the pressure and temperature gradients are linear. The solution for a unit cell is found through an iterative process and then propagated along the pipe.. pressure and temperature along the pipe can be known. E. Publicado: 13th Brazilian Congress of Thermal Sciences and Engineering. Brasil. Perea M. phase slug flow. Local: Data: Uberlândia. In oil production. D. the present work presents a mechanistic one-dimensional stationary model for the calculation of the main hydrodynamical and heat transfer parameters of slug flow. Cozin. Rosa. Based on mass. Título: Autores: Influence of the initial conditions for the numerical simulation of twoA. MG. In that context. Initial conditions must be determined. the mass and the momentum balance equations are applied in control volumes constituted by the gas bubble and the liquid slug. Properties of the unit cell in initial conditions should reflect the intermittence. Mazza. This flow pattern is characterized by an intermittent succession in space and time of an aerated liquid slug and an elongated gas bubble with a liquid film. In the model. The numerical results are compared with experimental data obtained by 2PFG/FEM/UNICAMP for air-water flow at 0º. which can be compared with some correlations found in the literature. which constitutes a unit cell. 5 a 10 de dezembro de 2010 Resumo: Multiphase flows in pipelines commonly show several patterns depending on the flow rate. M. geometric characteristics. Results show good agreement with the reported data in the literature. the two-phase heat transfer coefficient can be calculated. which need to reproduce the intermittence of the flow pattern. phase velocities. for which they can be analyzed in statistical terms. These initial conditions are given by a sequence of flow properties for each unit cell. A. A. In spite of the unit cell properties variation with time. geometry and physical properties of the phases. statistical distributions should be obtained for the slug flow variables. As a result. S. Pachas N. Therefore. 45º and 90º and good agreement is observed. R. it can be modeled as stationary if mean time values are used. From the temperature profile.

G. E. G. D. Resumo: Slug flow is the most common flow pattern of gas-liquid flow in petroleum industry. C. Título: Autores: Numerical analysis of slug flow in inclined ducts using slug tracking M. The differential equations obtained in the mathematical model are discretized using . C. L. O. L. 5º e 7º. MG. Bassani. Local: Data: Ouro Preto. C. Hillyterrain pipelines change flow parameter and there’s a need to predict the behavior of the phases for the production lines design. A. S. Conte. D. Nakayama. Local: Data: Ouro Preto. do tracking model (submetido) Amaral. Cozin. The Kelvin-Helmholtz stability criterion is implemented for the case of slug generation. F.. model (submetido) R. Perea M. E. The Numerical results are compared with experimental data. Publicado: XXXII Iberian Latin American Congress on Computational Methods in Engineering. E. The numerical analysis is developed for two-phase slug flow in horizontal duct with slight change if directions in 3º. M. The mass and momentum conservation equations are applied for each bubble and slug.. C. The liquid mass accumulation at the low elbow is calculated from a mass balance equation. Conte. 13 a 16 de novembro de 2011. MG. This work presents the numerical analysis of slug flow in inclined lines using slug tracking model. The entrance parameters for the program are the liquid and gas flow rates and mean length of the slugs and the bubbles. Morales. A numerical compensation of the pressure at the elbow is developed during the passage of a slug in the elbow. C.Referências 141 Título: Autores: Numerical Analysis of slug flow for slight changes of direction using slug M. which generates a new slug or can be scooped by the next slug. Morales. The present work aims the implementation of this phenomenon in a slug tracking program. Publicado: XXXII Iberian Latin American Congress on Computational Methods in Engineering. The simulations results are the mean values and the distribution (pdf) of the bubble velocity. the pressure drop and the slug and bubble length. Brasil. Scorsim. E. and the prediction of its parameters is important for pipeline and equipment design and operation. R. Resumo: Slug flow is the most frequently flow pattern in gas-liquid transportation at the petroleum industry. which occupy almost all pipe cross section. Perea M. B. 13 a 16 de novembro de 2011. Bassani. M. C. Brasil. This pattern is characterized by the intermittent (in space and time) repetition of liquid masses called slugs (which may contain dispersed bubbles) and elongated gas bubbles.

75º and 90º. such as the bubbles and slugs lengths and velocities and pressure drop. 45º. These variables are monitored through its mean values or distributions in determined locations along the pipe. or by the following of one bubble passage through the pipe. Typical parameters of slug flow are calculated. .Referências 142 the finite difference method and the resulting linear system is solved with the TDMA algorithm. 15º. 30º. Numerical results are compared with the experimental results from 2PFG/FEM/UNICAMP for air-water and air-glycerin flows in with inclinations of 0º. 60º.

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03 e q = -0.1) onde as constantes são C = 0.06.Apêndice A .14 4/5 L Pr 1/ 3 L (A. p = 0. O número de Reynolds para avaliar esse coeficiente é calculado através da seguinte expressão: U D 4 mL Re L  L L  L  L D 1   A fração de vazio  é calculada pela correlação de Chisholm (1983)    0. O coeficiente hL é calculado da correlação para escoamento monofásico turbulento de Sieder e Tate (1936): hL  0. algumas correlações para o cálculo do coeficiente de transferência de calor bifásico são apresentadas. Portanto. 027 Re  kL   L      D    wL  0.4) . m = 0.7.5  1  X   1   L     m   X    G    L     1  (A. A.1 Correlação de Kim e Ghajar (2006) A correlação de Kim e Ghajar (2006) é uma correlação robusta em função de vários parâmetros do escoamento bifásico. é tratada com detalhe porque requer cálculos prévios. Essa correlação é dada pela seguinte expressão:    X  m  1  F  n  Pr  p   q    G G P  hTP  FP hL 1  C          1  X   FP   PrL    L        (A.14.3) (A.08.Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 148 APÊNDICE A – CORRELAÇÕES PARA O COEFICIENTE DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR BIFÁSICO Nesta seção.2) onde wL é a viscosidade do líquido na parede. n = 0.

8) tU representa a inversa da frequência freq que é calculada com a seguinte expressão: . UG  G  L 1    A  L A   (A. A variável FP representa o fator de padrão de escoamento que é um parâmetro que quantifica o perímetro molhado efetivo. Esse parâmetro é encontrado a partir das configurações geométricas de cada padrão. (2.7) A.2 Modelo Mecanicista de Camargo (1991) Camargo propõe um modelo mecanicista para o coeficiente de transferência de calor bifásico exclusivamente para o padrão de golfadas. O título X é a relação entre as vazões de gás e vazão total.21).Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 149 sendo 1/  m  1  X  /  L   X / G  .6) m mL UL  . como visto na Eq. o fator de padrão tem contribuições da fração de vazio e de um fator de forma FS: FP  1      FS2 (A. Assumindo transferência de calor unidimensional na direção radial.Apêndice A .5) Por sua vez o fator de forma é encontrado:   U  U 2 L FS  atan  G G  gD   L  G    2 As velocidades de fase são calculadas:     (A. o hTP pode ser obtido através de uma média:  tU Q dt  hTP     S tU   0   tU dt    T  Tw    tU  0  (A. Para capturar a forma real da interface líquido-gás.

(A. TLB  TGB.Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 150 tU  ts  tb  LS LB  UT UT (A.11) Supondo que a variação tangencial da temperatura em uma seção transversal é uniforme.12) pode ser resolvida para as duas condições de contorno comumente encontradas nas aplicações de transferência de calor. Temperatura constante na parede hTP  hLS LS  hLB S LB  hGB SGB  D LU   LB   LU  LB   LU Fluxo de calor constante 1 1 LS  D   hTP hLS LU  hLB S LB  hGB SGB Para os cálculos individuais dos coeficientes hLS. Tabela A. A Eq.10) é rescrita: ts  h S  h S  tU hLS  TLS  TwiLS  dt   LB LB GB GB   TLB  TwiLB  dt 0 D   ts hTP  ts tU  TLS  TwiLS  dt   TLB  TwiLB  dt 0 ts (A.9) Assim.12) A Eq.8) também pode ser escrita: tb Q QLS dt dt   FG 0 D t ts  D t U U hTP  t tb dt dt s 0 TLS  TwiLS  tU  ts TLB  TwiLB  tU  ts (A.10) É assumido que TwiLB  TwiGB e TLB  TGB. de tal forma que as taxas de calor podem ser expressas como: QLS  hLS S LS TLS  TwiLS  QFG  hLB S LB TLB  TwiLB   hGB SGB TGB  TwiGB  (A. 1 – Correlações para o modelo mecanicista de Camargo.Apêndice A . as temperaturas nas paredes e nos fluidos do filme e da bolha são iguais TwiLB  TwiGB . (A. Camargo. a expressão em (A. propõe utilizar uma correlação da forma de Dittus e Boelter: . hLB e hGB.

5     0.4 PrL Turbulento hTP  hL 1  RG  0.28  Patm     P      0. 0123Re 0. LB.33 L  L      wL  0.14 .14 0.3 F  LS .Apêndice A .33 L  L      wL  0.9 jL Pr 0.83 D     Nu L  1.14 Correlação Turbulento hTP  hL 1  RG  1/ 3 0.14 Nu L  0.17    D (mL  mG ) X   A L  0. 0123Re 0. a qual é reportada a seguir: Tabela A.5 L  L      wL  0.9 jL Pr 0. 43ReTP PrL  L  kL   wL    hTP D  0.8 0. 0155 Re 0.87 0. 2 – Recompilação de correlações para o cálculo do hTP (Kim.03 e aLB = 0.13) onde Shoham (2006) propõe aLS = 0.8 Dorresteijin (1970) hTP  hL 1  RG  1/ 3 Nu L  0. A.83 jL Pr 0.3 Outras correlações O cálculo do coeficiente de transferência de calor bifásico tem sido estudado por muitos autores.037.33 Chu & Jones (1980) Davis & David (1964) hTP D 0. Lima sugere utilizar a correlação de Gnielinski (1976) na expressão (2. a qual é utilizada na validação deste trabalho.Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 151   U D   Cp   hF  aF  F F F   F F   F   kF  0. 615  Re jL PrL   L  L    wL   Nu L  0.24). Por outro lado. GB (A. Kim (2002) fez uma recompilação das principais correlações encontradas na literatura.83 0. 060  L  kL  G  Laminar 0. 2002) Autor Laminar Agour (1978) hTP  hL 1  RG  1/ 3 0.

14 hL de Sieder & Tate (1936) .55 PrL jG jL kL  hTP RL 0.2  L      wL   j    hTP D  0.5 jG King (1952)  P   P    L  /  L   TP  L   0. 025 Re0. 64 G   jL     1.7 TP Pr 1/ 3 L  L      wL  0. 029 ReTP PrL 3  L  kL   wL  hTP D 0.14  J  D2  Nu L  1.87 0. (1959) Kudirka et al.Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 152 Dusseau (1968) Elamvaluthi & Srinivas (1984) Groosthuis & Hendal (1959) Hughmark (1965) Khooze et al.3 Re 1/ 4 jL Pr 1/ 3 L  L      wL  0.14 Para ar-óleo 0. (1965) Martin & Sims(1971) Oliver & Wright (1964) Ravipudi & Godbold (1978) Serizawa et al. 023Re0.56  G   G  kL  jL    L  1.4  0.32 0.6 jL Pr 1/ 3 L  L      wL  0.4  0.8 PrL jL Knott et al.27 hTP  hL 1  462 X TT  Re 0.14    hTP D 1/ 2  mL C L    L   1. 615  m PrL   m L  0. (1975)  j  hTP  hL  1  G  jL   1/ 3 hL de Sieder & Tate (1936) 1/ 8 0.5  G  kL  L  Para ar-água 1/ 4 Re 0. 2  hTP D  Nu L  0. 029 ReTP PrL kL   hTP D  0.Apêndice A . 2 0.14 0.6  j    hTP D  125  G   G  kL  jL    L   j  hTP  hL 1  0.52  hL 1  0.14 hL de Sieder & Tate (1936) 1/ 3 0.36   kL RL   RL 0. (1976) hTP D 0.4 Nu L  0. 6 ReTP PrL 3  L  kL   wL  0.14 hTP D 0.39 1/     2.2 Re0.87 1/     0. 26 Re0. 75RL    RL k L L    wL  kL   hTP D 0.

451 0.14 Turbulento hL D / 1/     0. 0155 Re0. 035  PrL  1 kL Laminar Vijay et al.14 .5     0.451 0.Correlações para o coeficiente bifásico de transferência de calor 153 Ueda & Hanaoka (1967) hTP  hL  PTPF / PL  hTP D PrL  0. (1982) 0.6 J 1  0.Apêndice A .83 PrL  L  jL kL   wL  Sieder & Tate (1936) Monofásico Laminar hL D D      1. 027 Re 4jL5 PrL 3  L  kL   wL  0. 075 Re0.14 Turbulento hTP  hL  PTPF / PL  1/ 3 0. 615  Re jL PrL   L  kL L    wL   hL D 0.33 hL D D      1.86  Re jL PrL   L  kL L    wL   1/ 3 0.

0 316.387 0.216 0.3 315.1 Dados de entrada para Lima (2009) Nesta seção.4 311.0 315.60 287.674 0.465 0.65 287.50 286.462 0.Detalhes dos resultados 154 APÊNDICE B – DETALHES DOS RESULTADOS B.0 153.370 0.374 0.500 0.774 0.6 314.232 1.721 0.8 312.8 310.60 284.114 1.9 169.1 157.284 0.559 0.45 284.80 286.370 0.7 180.7 166.698 0.5 307.7 157.4 167.378 1.3 316.721 0.60 286.1 310.2 312.0 160.283 0.2 140.7 142.10 285.4 137.85 283.30 285.660 0.686 0.75 q'’ [W/m²] 18635 19465 22466 20394 24722 21170 18488 18461 18293 18711 24430 26158 20594 21932 19850 19702 28746 25629 24617 22933 24481 24633 27413 24298 25082 .6 312.30 284.981 1.80 287.1 312.973 0.558 0.496 0.0 113.6 309.076 1.123 1.6 151.60 285.7 165.6 155.795 0.321 0. são apresentados os dados de entrada para o modelo de célula unitária utilizados para as simulações com dados de Lima (2009) jL [m/s] 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 0.6 318.35 286.6 173.25 288.15 286.307 1.579 0.6 133.85 284.5 171.35 286.647 0.10 286.7 315.452 0.0 157.7 134.680 0.3 317.2 312.2 310.05 288.255 jG [m/s] 0.680 0.049 1.380 1.3 160.241 1.Apêndice B .6 h0 [W/m²K] 1525 1925 1945 1624 1910 1911 1942 1922 1923 1923 2312 2415 2145 2110 1853 1884 2620 2414 2279 2279 2378 2396 2212 2463 2458 T0 [K] 287.60 284.220 0.232 1.053 0.05 286.1 309.170 1.978 0.2 316.9 316.8 Ten [K] 318.024 1.0 177.1 160.916 1.7 309.426 0.790 0.636 0.9 174.297 Psaida [kPa] 135.55 287.50 286.9 315.

90 1.322 0.293 0.366 0.22 0.971 0.71 0.66 0.71 0.39 1.994 0.322 0.09 1.977 0.982 0.983 0.78 0.72 1.438 0.970 0.92 1.46 0.81 0.49 0.986 0.985 0.55 1.63 3.24 1.14 0.68 0.93 2.981 0.27 1.368 0.93 0.20 1.963 0.03 1.966 0.398 0.13 1.07 1.78 0.79 0.77 RGB 0.78 0.64 0.67 1.968 0.00 1.72 LB [m] 1.978 0.49 1.401 0.303 RLS 0.72 0.441 0. foram geradas as células unitárias que servem como condição de entrada do modelo slug tracking.71 0.Apêndice B .70 1.44 0.341 0.72 1.72 0.378 0.58 0.44 0.67 0.978 0.356 0.94 0.975 .75 0.72 0.96 1.392 0.990 0.20 1.87 0.53 LS [m] 0.20 1.07 1.55 1.42 0.388 0.75 0.973 0. Essas células são mostradas a seguir.87 3.970 0.347 0.972 0.398 0.80 0.360 0.959 0.74 0.970 0.71 1.70 0.Detalhes dos resultados 155 B.76 0.25 1.83 1.992 0.294 0.2 Dados obtidos do modelo de célula unitária Com os dados da tabela anterior.45 0.976 0.76 0.74 0.392 0.43 1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 freq [1/s] 0.352 0.998 0.352 0.70 1.21 0.76 1.78 0.68 0.318 0.92 0.973 0.314 0.49 0.10 0.288 0.

Detalhes dos resultados 156 B.3 Coeficientes de transferência de calor bifásicos obtidos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 hTP hTP hTP Lima Presente K&G (2009) Trabalho (2006) 3788 3030 3314 3991 3450 3582 4905 4341 4526 4754 4861 5156 5728 4950 5200 4564 4446 4634 3595 3156 3223 3494 3714 3988 3537 3380 3463 3700 3612 3817 4969 3563 2783 6459 4503 4588 4706 4565 4560 6132 4636 4889 4194 5128 5282 4455 5527 5558 7778 5737 5833 6479 5725 5816 7103 5160 5332 6738 5063 4989 8492 5637 5501 8323 5875 5952 7593 6461 6645 7366 6560 6329 6964 5860 5911 hTP hTP Shah Camargo (1981) (1991) 3696 3663 4062 4047 4734 5098 5158 5803 5148 5838 5087 5362 4058 3780 4116 4902 3675 4266 3678 4404 3698 3285 5050 5320 4966 5279 5015 5555 5031 6348 5078 6508 5548 7123 5535 7106 5447 6175 5408 5896 5759 6487 5791 6868 6036 7749 5795 7614 5490 7105 .Apêndice B .

a fonte de calor é o calor fornecido nas fronteiras laterais do volume de controle. Os modelos estacionários fornecem uma boa aproximação para valores médios (Taitel e Barnea. Líquido incompressível e gás ideal.Anexo A .1) A fim de obter um modelo com solução analítica. O balanço de energia está baseado na primeira lei da termodinâmica aplicado a um volume de controle infinitesimal da célula unitária em regime estacionário. 1975 entre outros). A variação . VC  VedA  Q  W   (AA. a energia total do escoamento está composta pela energia interna a energia cinética e a energia potencial. o calor pode ser expresso pela lei de resfriamento de Newton. Bolhas quadradas. Dissipação viscosa desprezível. O termo de trabalho deve-se ao trabalho necessário para deslocar o volume de controle. No caso da transferência de calor. são aplicadas algumas hipóteses simplificadoras:       Pressão constante ao longo da bolha alongada.Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 157 ANEXO A – MODELO ESTACIONÁRIO PARA TRANSFERÊNCIA DE CALOR NO ESCOAMENTO EM GOLFADAS O escoamento em golfadas pode ser modelado como estacionário se são utilizados valores médios no tempo. Estado dos fluidos está afastado da região de saturação. Como é um modelo unidimensional. Assim. Assim. 1990. o qual representa fisicamente que uma célula unitária é repetida ao longo do espaço e do tempo. Dukler e Hubbard. mas ignoram efeitos transitórios como a coalescência. Além disso. assume-se um escoamento periódico. é desenvolvido um modelo estacionário de simulação de temperaturas a partir de balanço de energia nas regiões da célula unitária.

5) . Como o escoamento é horizontal. Aplicando a Eq.3) A entalpia específica pode ser expressa em função das expressões apresentadas na revisão bibliográfica para líquido incompressível e gás ideal. (AA. Figura AA. o pistão. é obtida a seguinte expressão:  U2 û   U2 û  0 0  U û   gz  A  U û   gz  A  hSz T0 T   UPA zz UPA zz  (AA.Anexo A . o filme líquido e a bolha alongada.4)  LCL ARLBU LB dTLB ( z ) dz G  hLB S LB T0  TLB ( z )   hi Si TGB ( z )  TLB ( z )  (AA.3) às regiões da célula unitária.Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 158 da energia cinética é desprezível em relação à energia interna considerando a ordem de grandeza das velocidades no escoamento em golfadas. 1. Dividindo por z e fazendo z0. 1. é obtido:  AU di  hS T0  T  dz (AA. obtém-se:  LCL ARLSU LS dTLS ( z ) dz G  hLS S LS T0  TLS ( z )  (AA. a energia potencial é igual a zero se o sistema de referênca encontra-se no mesmo nível do duto. Aplicando o balanço de massa estacionário aos volumes de controle infinitesimais na Figura AA.2)    z   z 2 2 2 2     z   z 2 2 O termo da esquerda somado com o último termo da direita resulta em entalpia específica. Volumes de controle para o modelo estacionário.

. a coordenada para o pistão é negativa e para o filme é positiva.5]/2. O sistema de referência z é colocado em zero na interface pistão e filme. as Eqs. (AA.Anexo A .9) Onde as constantes são dadas por: r1= –[a1+b2– ((a1+b2)²–4(a1b2–a2b1))0.6) constituem um sistema de equações diferenciais e sua solução é obtida através de análise matemática. Para dar solução às Eqs. Essa troca de calor é causada pela diferença de temperaturas entre os fluidos. . F2=(B2r2+b2B2)/a2 .Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 159 G CpG ARGBU GB dTGB ( z ) dz G  hGB SGB T0  TGB ( z )   hi Si TGB ( z )  TLB ( z )  (AA. finalmente são obtidas as seguintes expressões para a distribuição de temperaturas: G  hLS S LS TLS ( z )  T0  T0  Tm  exp    LCL ARLSU LS  z  (AA. B3=(c1a2+c2a1)/(a1b2–a2b1).6) é necessário definir algumas condições de contorno.6) Nota-se que para o caso do pistão. como observado na Figura AA.5) e (AA. Erro! Não é possível criar objetos a partir de códigos de campo de edição. A temperatura nessa interface deve ser conhecida e é assumida igual à temperatura da mistura Tm.7) TLB ( z )   F 1 exp  r1 z    F 2 exp  r2 z    F 3 TGB ( x )   B1 exp  r1 z    B 2 exp  r2 z    B 3 (AA. a fonte de calor é devido à troca térmica na parede. (AA. r2= –[a1+b2+((a1+b2)²–4(a1b2–a2b1))0.4) é facilmente obtida por integração direta. (AA.5]/2.F3=(b2B3–c2)/a2.5) e (AA. (AA. 1.8) (AA.4). Assim. No caso do filme e da bolha existe um calor adicional trocado na região da interface.    Pistão líquido:  LS  z  0  TLS ( z  0)  Tm Filme líquido: 0  z  LB  TLB ( z  0)  Tm Bolha alongada: 0  z  LB  TGB ( z  0)  Tm A solução da Eq. B1  T   a2T   r1  b2 T B3   c2  b2B3  /  r2  r1  B3 . Assim. F1=(B1r1+b2B1)/a2 . Por outro lado.

. foram utilizados os parâmetros calculados pelo modelo de célula unitária apresentados no capítulo 5. As simulações são realizadas com os dados experimentais de Lima (2009) com as especificações apresentadas no capítulo 6. nota-se que os resultados do modelo de seguimento de pistões (Figura 6-5) têm uma melhor aproximação devido a que considera os efeitos transitórios do escoamento em golfadas.25 m/s onde os parâmetros hidrodinâmicos são conhecidos. é necessário conhecer todos os parâmetros hidrodinâmicos.10) Assim. Como dados hidrodinâmicos de entrada.Anexo A . Para propagar esses resultados ao longo da tubulação. pode-se utilizar o modelo de célula unitária apresentado no capítulo 5.11) Pode-se observar que para aplicar o modelo estacionário. a temperatura da mistura em qualquer ponto da tubulação pode ser conhecida através da seguinte expressão levando em conta que a temperatura da entrada da tubulação é conhecida: T Tm ( z )  Tm ( z 0)  m z (AA. LS. Os resultados mostram uma boa concordância com os dados experientais para a estimação das temperaturas e para o coeficiente de transferência de calor bifásico.Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 160 As soluções analíticas apresentadas permitem conhecer o perfil de temperaturas dentro de uma célula unitária. observa-se os resultados para todos os experimentos de Lima (2009) comparados com o modelo estacionário. Na Figura AA. A seguir são apresentados alguns resultados de simulações realizadas com o modelo estacionário. RGB e as velocidades. precisa-se outra metodologia. Caso não sejam conhecidos os parâmetros LB. 3. Na Figura AA. 2 observa-se os resultados para jL = 1. Porém.38 m/s e jG = 0. RLS. a qual será apresentada a seguir: Define-se um gradiente de temperaturas linear para a temperatura da mistura: T m  dTm TLB z  LB  TLS  dz LB  LS z  LS (AA.

3 z [m] 0 0. 2.9 -0. 1.6 0. (b) Temperatura da mistura ao longo do duto.2 hTP . .2 2000 2000 4000 6000 8000 hTP .3 0 1 2 3 4 z [m] 5 6 Figura AA.Modelo estacionário para transferência de calor no escoamento em golfadas 161 310 Modelo estacionário 308 Tm [m/s] T [K] 308 306 304 302 300 Lima (2009) TS 307 TF TB -0.9 +10% -10% 0. Comparação do modelo estacionário com os resultados experimentais de Lima (2009).Lima [K/m] 1.9 T/z . (a) Perfil de temperaturas de uma célula unitária. 3.Lima [w/m²K] Figura AA.3 0 0 0.3 0.Anexo A .6 -0.6 0.modelo estacionário [w/m²K] 8000 +30% 6000 -30% 4000 T/z .modelo estacionário [K/m] 0.

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