1.

Introdução A expropriação pode ser conceituada como a forma de subtrair, privar, legalmente, a propriedade ou direito de outrem; podendo ser por necessidade pública ou como medida de constrição judicial com o fito de satisfação do direito do credor pelo devedor. A lei 11.382 de 2006 trouxe varias mudanças quanto às formas de expropriação, conforme artigo 647 CPC, que a disciplina, dentre outros modificados por esta. Antes de tal lei a prioridade era a alienação de bens no devedor em hasta pública, arrematação, em sequência se dava a adjudicação em favor do credor e usufruto de imóvel ou de empresa; constando apenas 03 (três) os meios executivos. A letra do antigo artigo foi totalmente extinta, passando o ordenamento em vigor a expor 04 (quatro) formas de expropriação que devem obedecer a uma ordem de preferência sendo: a adjudicação prefere à alienação por iniciativa de particular; que prefere por sua vez à alienação em hasta pública e que prefere ao usufruto de bem móvel e imóvel. 2. Adjudicação A adjudicação é a forma de expropriação de bens que precede as demais na ordem de preferência. 2.1. Conceito Adjudicação é o ato de transferir a propriedade de um bem penhorado do devedor para o credor com intenção de satisfazer suas dividas para com este. 2.2. Cabimento Cabe adjudicação no processo de execução em que o exeqüente, e/ou outros legitimados, requerer que lhe seja transmitido os bens penhorados do executado, segundo prescreve o artigo 685-A caput. 2.3. Prazo Quanto ao prazo, a opção é que a adjudicação seja realizada antes da designação de hasta pública. Em razão de o legislador ter omitido o prazo para o exercício da adjudicação, resta ao juiz o dever fixar um prazo para que os legitimados o exercitem ou não. 2.4. Forma de Processamento Após a penhora o juiz fixara o prazo para o requerimento da adjudicação. Poderá então, o exeqüente ou qualquer dos entes do §2° do artigo 685-A CPC, requerê-la. Se mais de um destes a requerer realizar-se-á licitação entres os requerentes nos termos do

Parafraseando.§3º do referido artigo. se for presente. ou mandado de entrega ao adjudicante. com remissão à sua matrícula e registros. Art. adequada a interposição do recurso de agravo de instrumento contra a decisão que a defere Por fim resta lembrar que. o juiz manda lavrar o auto de adjudicação. o credor com garantia real ou com penhora anteriormente averbada. no caso de ser o bem móvel. Como prescreve o parágrafo único do 685-B. a carta de adjudicação deve conter a descrição do imóvel. 2. a adjudicação considera-se perfeita e acabada. tem preferência se se proceder à licitação com igualdade de valores. Então. 698: ³Não se efetuará a adjudicação ou alienação de bem do executado sem que da execução seja cientificado. ou para o cônjuge. de 2006)´. a cópia do auto de adjudicação e a prova de quitação do imposto de transmissão. ou para os credores concorrentes que tenham penhorado o mesmo bem. Na letra do § 4° do artigo supracitado. o cônjuge. segundo o artigo 685-B CPC. assegurando preferência aos sócios´. Legitimados Nos termos do artigo 685-A § 2° CPC: ³Idêntico direito pode ser exercido pelo credor com garantia real. esta será intimada. no caso de ser o bem imóvel. ser transmitido também o credor com garantia real. sendo. Decididas as questões suscitadas. expede-se a respectiva carta de adjudicação. portanto. descendente ou ascendente. pelos credores concorrentes que hajam penhorado o mesmo bem. pelos descendentes ou ascendentes do executado. ou para os sócios no caso de penhora de quotas da sociedade. alem do credor. pelo executado.5. . ou para os descendentes ou ascendentes do executado. o senhorio direto. A adjudicação não põe fim ao processo executivo. pelo adjudicante. Após a lavratura e assinatura do auto pelo juiz. Entretanto. que não seja de qualquer modo parte na execução´. um bem penhorado poderá. procedida por exeqüente alheio à sociedade. mediante oferecimento de preço não inferior ao da avaliação. (Incluído pela Lei nº 11.382. nessa ordem. pelo escrivão e. §5º do 685-A CPC. pelo cônjuge. por qualquer modo idôneo e com pelo menos 10 (dez) dias de antecedência. ³no caso de penhora de quota.

Assim. A alienação Particular A alienação por iniciativa de particular é o segundo meio expropriatório na ordem de preferência do CPC. 3. artigo . o exeqüente poderá requerer sejam eles alienados por sua própria iniciativa ou por intermédio de corretor credenciado perante a autoridade judiciária´. 3.2. 2. CPC. 3. Forma de Processamento Havendo pleito de alienação por iniciativa particular. A sua natureza é tal qual a da arrematação em hasta pública. poderá fazê-lo mediante o oferecimento do preço do bem que nunca poderá ser inferior ao da avaliação. não é ato meramente convencional. II ± manifestação de vontade do credor/legitimados. sendo que a única diferença entre esses meios expropriatórios é a forma como o adquirente assume tal posição. IV ± legitimidade. a alienação particular deve ser requerida após o termo final da adjudicação. na tentativa derradeira de obter um pagamento justo pelo bem gravado. 3. Conceito A alienação deve ser entendida como um ato expropriatório processual.3. entretanto pela ordem de preferência.Cabimento Cabe alienação particular no processo de execução. antecipando-se ao futuro praceamento. Requisitos I ± bem penhorado. se não realizada a adjudicação. de natureza executiva A ³alienação por iniciativa particular´ objetiva a venda dos bens do executado. caso alguns destes sujeitos se interesse por adjudicar os bens penhorados. 3. mas ato de império estatal. III ± preço da avaliação. esgotado o prazo da moratória judicial e realizada a devida avaliação do imóvel. Prazo Por omissão legislativa não há um prazo expresso. o exeqüente estará apto a promover com a mesma.Assim. Não há tempo exato para efetivar a alienação por iniciativa particular.4.1. sem a necessidade de realizar qualquer procedimento licitatório prévio. sobre os quais recaiu a penhora. quando requere o exeqüente nos termos do artigo 685-C.6. segundo seu artigo 685-C: ³Não realizada a adjudicação dos bens penhorados. o juiz fixará um prazo em que a alienação pelo próprio credor ou por meio do corretor pode ser realizada. Todavia.

685-C caput. não cabendo aos Tribunais fazê-lo. Ocorre que tal dispositivo é considerado inconstitucional pela doutrina. inclusive com o concurso de meios eletrônicos. se não realizada a alienação particular. 685-C do CPC dispõe que: ³Os Tribunais poderão expedir provimentos detalhando o procedimento da alienação prevista neste artigo. Alienação em Hasta Pública Como dito nas notas introdutórias. Legitimidade O texto legal (artigo 685-C. Pode ser por: I ± Leilão: bem móvel (artigo 704). Conceito Hasta pública é o procedimento público para a alienação do bem penhorado por meio de arrematação a favor daquele que oferece o maior lanço. as condições de pagamento e as garantias a serem prestadas pelo adquirente. e dispondo sobre o credenciamento dos corretores. a alienação em hasta pública. 4. bem como o preço mínimo (art. hoje vem depois da adjudicação e. dar-se-á alienação em hasta pública. caso ele não pague à vista. o preço mínimo não poderá ser inferior ao valor atribuído ao bem na avaliação. exeqüente e adquirente). antes da lei 11. O juiz definirá também a forma de se dar publicidade a essa tentativa de alienação. uma vez que a competência para legislar sobre matéria processual ou procedimental é da União. O §3° do art. expede-se a carta de alienação do imóvel para o devido registro imobiliário. caput. 680). II ± Praça: bem imóvel (artigo 697). CPC) prevê como legitimado apenas o ³exeqüente´ para optar pela alienação por iniciativa particular. nos termos do §1º do artigo supracitado. 3. . mandado de entrega ao adquirente. os quais deverão estar em exercício profissional por não menos de 5 (cinco) anos´. Após proceder tal como o §2° do 685-B do CPC (assinatura do juiz.5.382/06 era a primeira na ordem de preferência. ou. na hipótese de ser o bem imóvel. CPC.1. 4. se houver intermediação de corretor. caberá ao juiz definir também a comissão da corretagem. se o bem for móvel.

art. CPC. o primeiro ato é expedir o edital de hasta pública. se não requerida a adjudicação ou não realizada a alienação particular. deve-se descrever a situação e divisas deste. Nos termos do artigo 687 § 5° a intimação do dia. inc. em que os bens foram penhorados. Neste caso. caput. o lanço não será aceito. 686. art. recurso ou causa pendente sobre os bens a serem arrematados. 686. Sobre o edital é importante dizer que. deve-se indicar os autos do processo. 4. art. ou a alienação particular como mostra o artigo 686 CPC. art. art. com antecedência mínima de 05 (cinco) dias. que deve conter: I ± A descrição do bem penhorado. II e §1° CPC. 686. caberá alienação em hasta pública caso não tenha sido requerida adjudicação e não tenha sido realizada alienação particular do bem penhorado. 686. CPC. 686. segundo texto do artigo 687. CPC. Caso a expropriação se refira a um direito e ação. em dia e hora que forem desde logo designados entre os dez e os vinte dias seguintes.3. CPC. Se o bem for imóvel. Cabimento Nos termos do artigo 686. CPC. veículos e semoventes. III. 686. I. II ± O valor do bem. Prazo Os artigos da subseção VII do capitulo IV ³da execução por quantia certa contra devedor solvente´ não especifica diretamente o prazo. V ± Menção da existência de ônus. se na segunda praça ou leilão for oferecido preço vil. em resumo. IV ± O dia e a hora de realização da praça. II. caput. III ± O lugar onde se encontram os móveis. inc. com suas características. se este não tiver procurador . V. ou o local. VI ± A comunicação de que. CPC.4. inc. se bem móvel. IV.2. pelo menos uma vez em jornal de ampla circulação local. CPC. art. inc. se o bem não alcançar lanço superior à importância da avaliação. será afixado no local do costume e publicado. a sua alienação pelo maior lanço. entretanto deve ser feita se não realizada a adjudicação. hora e local da hasta pública é feita por intermédio do advogado do executado ou.4. inc. seguir-se-á. 4. inc. com remissão à matrícula e aos registros. dia e hora de realização do leilão. SS. caput. se bem imóvel. Forma de Processamento Nos termos do artigo 686 CPC.

a praça é realizada no átrio do edifício do Fórum. por pagamento imediato do preço. nunca inferior ao valor da avaliação. 698 do CPC) . o credor com garantia real ou com penhora anteriormente averbada. o auto é assinado pelo juiz.a descrição do imóvel." (parágrafo único. a alienação de bem do executado não será realizada sem que da execução seja cientificado. por meio de mandado. que não seja de qualquer modo parte na execução. com remissão à sua matrícula e registros. (art.constituído nos autos. pelo arrematante e pelo serventuário da justiça ou leiloeiro. edital ou outro meio idôneo. art. B. carta registrada. e III . Esta foi uma alteração significativa do CPC.382/2006 o prazo era de 03 (três) dias). Artigo 686 § 2°. uma vez que ampliou o prazo para pagamento do bem alienado em hasta pública de forma significativa (antes da Lei 11. acabada e irretratável. Possibilidade de arrematação de bem imóvel a prestações Outra inovação foi possibilidade de aquisição de bem imóvel mediante prestações. Artigo 690 CPC. "A ordem de entrega do bem móvel ou a carta de arrematação do bem imóvel será expedida depois de efetuado o depósito ou prestadas as garantias pelo arrematante. 693 do CPC) Após. Forma de pagamento da arrematação: O pagamento da arrematação pode ser feito de duas formas: A.a cópia do auto de arrematação. Artigo 686 § 2°. mediante caução. Artigo 690 CPC. ou no lugar designado pelo juiz. o leilão é realizado onde estiverem os bens. Realização da hasta pública: A. Neste caso. B. com oferta de pelo menos 30% (trinta por cento) à vista. que deve conter: I . o interessado deve apresentar por escrito sua proposta. por qualquer modo idôneo e com pelo menos 10 (dez) dias de antecedência. o senhorio direto. Como na hipótese de adjudicação. II . ainda que venham a ser julgados procedentes os embargos do executado Em seguida é expedida a carta de arrematação.a prova de quitação do imposto de transmissão. a arrematação considerar-se-á perfeita. no prazo de até 15 (quinze) dias. sendo o restante garantido por hipoteca sobre o próprio imóvel.

o juiz dará inicio então a hasta pública. Conceito O usufruto é a modalidade de expropriação judicial que consubstancia-se na retirada das faculdades que dispõe o proprietário de usar e gozar do bem. Depois do decreto de usufruto é o exeqüente quem irá gozar do bem até que seja ressarcido. mas. antes desta só era possível usufruir de bem imóvel de uma empresa agora é possível tanto móvel quanto imóvel. 5. e.do juiz. temporariamente. II . por ineficácia ao caso concreto ou por falta de requerimento dos legitimados. dos frutos e das utilidades.Legitimidade Não requeridos os procedimentos anteriores. síndicos ou liquidantes. não consiste exatamente em uma forma de expropriar o proprietário de seu bem.dos mandatários. nele mencionadas as condições da arrematação. Essa forma de execução é paulatina. quanto aos bens confiados a sua guarda e responsabilidade. mantendo o domínio sobre o bem. 5.4. III . membro do Ministério Público e da Defensoria Pública. administradores. adjudicação e alienação particular. caberá o usufruto do bem pelo exeqüente quando o juiz reputar menos gravoso ao executado e eficiente para o recebimento do credito. Quem pode oferecer o lanço: Art.dos tutores. operando-se pro solvendo e não pro soluto como a entrega do dinheiro ou coisa. Esta forma foi inserida pela lei 11. 690-A. curadores. qualquer um que esteja na livre administração de seus bens pode oferecer lanço. Cabimento Como prescreve o artigo 716. 5.1.4. Tendo em vista que as outras formas de expropriação tenham ficado para traz. tal arrematação passa a constar de auto. escrivão e demais servidores e auxiliares da Justiça. com exceção: I . Alienado em hasta pública o bem. nos termos do artigo 690-A. nos termos do artigo 717 CPC. testamenteiros. que deve ser lavrado de imediato. . Instituição do Usufruto A instituição do usufruto de bem móvel e imóvel é a ultima e menos usada forma de expropriação.382/06 pois. apenas uma maneira de restringir seu uso para beneficiar o credor.2. É admitido a lançar todo aquele que estiver na livre administração de seus bens. quanto aos bens de cuja administração ou alienação estejam encarregados.

ou seja. artigo 722 §2°. o juiz nomeia um perito para avaliar os frutos e rendimentos do bem e calcular o tempo necessário para o pagamento da dívida´. Se o usufruto de imóvel for deferido. baseado no artigo supracitado. que será investido de todos os poderes que concernem ao usufrutuário. o juiz já ordena a expedição de carta para averbação no respectivo registro. abre vista para as partes e após a manifestação destas sobre o laudo. Prazo Nos artigos que regulam tal expropriação não traz um prazo definitivo.4. e não as partes. Havendo discordância. Aqui apenas a decisão judicial. Na carta deve constar a identificação do imóvel e as cópias do laudo e da decisão. o juiz decidirá a melhor forma de exercício do usufruto. 5. 5.5. não cabe às partes nem ao menos concordarem ou não. art. § Único. artigo 722 §1°. art. Segundo a letra do artigo subseqüente. 719. 722.3. segundo o artigo 716. mas. Legitimidade Cabe ao juiz conceder. art. Este administrador pode ser o credor ou o devedor. 716. . artigo 716 a 724 CPC. profere a decisão. o juiz nomeia o administrador.5. tem poder de instituí-la ou não. Forma de Processamento Após a concessão do usufruto. Ou seja. mas sempre com o consentimento do outro. tão somente sua manifestação ao contraditório. Conforme o artigo 722: ³Ouvido o executado. não cabe a parte requerer como nas formas anteriores. 724. restando às normas gerais estabelecerem tais.

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GO 2011 . Caiapônia. como parte das exigências. Universidade de Rio Verde.FUNDAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DE RIO VERDE ± CAMPUS CAIAPÔNIA FACULDADE DE DIREITO Formas de Expropriação Aluno: Moabe Alves de Sousa Professora: Fernanda Malvaccini Trabalho apresentado á Fesurv. Campus Caiapônia. para obtenção de nota na disciplina de Direito Processual Civil.