VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011

FALTA DE ACESSIBILIDADE NAS RUAS DO MUNICIPIO DE CANINDÉ – CE; MUNICIPIO COM GRANDE INDICE DE ROMARIAS.
RESUMO
Acessibilidade é um direito de todo cidadão assegurado por lei, para que possam usufruir de recursos e ações no âmbito social. De acordo com a constituição brasileira, toda pessoa, inclusive aquela com limitações especiais, temporárias ou permanentes, tem direitos iguais, quanto à educação, à saúde, ao lazer e ao trabalho. As discussões sobre a acessibilidade tornam se de fundamental importância, pois contribuem para o repensar de práticas e proposição de ações, que podem favorecer a promoção de saúde e qualidade de vida destes indivíduos. Poucos estudos foram conduzidos a cerca dos fatores envolvidos na organização arquitetônica dos municípios brasileiros, no que diz respeito à acessibilidade. No nordeste, especificamente, no município de Canindé no estado do Ceará, não existem estudos com a preocupação em evidenciar as barreiras que interferem na vida de pessoas portadoras ou não de deficiências. O presente estudo teve como objetivo: identificar, descrever barreiras físicas no município de Canindé. O estudo foi descritivo – quantitativo, transversal, no qual a coleta de dados centrou – se na analise das condições arquitetônicas de três ruas de dez principais bairros. O mapeamento foi baseado nas condições ideais estabelecidas na NBR9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Os resultados evidenciam a total ausência de acessibilidade nas ruas, dificultando direito de independência de cada cidadão. Com base nos dados obtidos foi possível sugerir políticas publicas voltada para a organização e mudança na arquitetura das ruas, possibilitando plena acessibilidade, segurança e independência aos portadores de deficiências crônicas ou temporárias. PALAVRAS CHAVE: Acessibilidade, barreiras, igualdade, direito, independência.

A). pois contribuem para o repensar de práticas e proposição de ações. Para avaliação das condições de acessibilidade deve ser considerado o contexto. Figura 1. para as pessoas portadoras de deficiências. ao lazer e ao trabalho. Todavia. temporárias ou permanentes. descrever barreiras físicas na cidade de Canindé e evidenciar a necessidade intervenção de políticas publicas de mudanças na arquitetura das ruas. o compromisso com a comunidade e os aspectos políticos. degraus e bancas nas calçadas impedindo o transito de pedestres. cerca de 24.755. quanto à educação. F). possibilitando total segurança e independência aos portadores ou não de deficiências crônicas ou temporárias.799 de habitantes e cerca de 14. sabe – se que a população que declara possuir algum tipo de deficiência contata no censo de 2000 foi de 14. Deficientes temporários.S. O Brasil possui cerca de 190. os grandes centros urbanos. sociais e financeiros (Pagliuca L. equipamento urbano e elementos (ABNT NBR9050). Durante muito tempo a sociedade não via a importância de adaptar o planejamento urbano.5 milhões de devotos ao padroeiro São Francisco das Chagas. tem direitos iguais. espaço. pode-se dizer uma dos maiores desafios da atualidade. inclusive aquela com limitações especiais. buracos. que podem favorecer a promoção de saúde e qualidade de vida destes indivíduos. toda pessoa. são desníveis. Os dados e limitações desse estudo buscam identificar. interferindo nas relações interpessoais e nos comportamentos das pessoas. M. De acordo com a constituição brasileira. . obesos. dentre esses um grande número são idosos e deficientes que enfrentam todas as barreira impostas nas ruas de toda a cidade. O que não acontece na arquitetura de pequenas cidades interioranas. favorecendo a convivência e transformando atitudes e comportamentos.5 milhões de pessoas (IBGE ). mas sim a extensão e inclusão de todos os segmentos da população (Acessibilidade Brasil). no que diz respeito à organização e acessibilidade. a missão.5% da população.115. É preciso entender que acessibilidade não deve ser destinada apenas a uma parcela da população. Com isso as discussões sobre a acessibilidade tornam se de fundamental importância. principalmente. onde os mesmo são obrigados a transitarem em meio aos automóveis nas vias. mobiliário. nos últimos anos. como a cidade de Canindé. vem se contribuindo para a modificação dessa realidade. podemos destacar também nesse grupo especial as gestantes.VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011 1 INTRODUÇÃO A acessibilidade é uma reivindicação antiga. (figura 01 a 05) Acessibilidade é definida como possibilidade e condição de alcance.929 são idosos de acordo com o censo 2010. O município de Canindé possui uma população em sua maioria idosa e recebe todos os anos cerca de 2. Tendo o direito de serem percebidas com igualdade (Andrade. percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificação. M. vias e edificações. Figura 2. à saúde. (Guia de Acessibilidade Humana).

50 metros de largura. sendo eles: Centro. descritivo quantitativo.foi utilizado uma máquina fotográfica. presença de obras públicas protegidas por tapume delimitador da área de construção. . Canindezinho. para as barreiras físicas da cidade de Canindé. Santa Clara. onde pra isso. deficientes físicos. Tais locais foram visitados pelos pesquisadores afim de diagnosticar as problemáticas de acessibilidade. livres de obstáculos que impeçam ou dificultem o trânsito dessas pessoas. gestantes “Atualmente. Para mapear as condições arquitetônicas de acesso das pessoas portadoras de deficiência física aos serviços públicos. calçadas de no mínimo 1. Sendo eles os seguintes: existência de faixas para pedestres. Os dados obtidos na pesquisa foram analisados de forma descritiva pelos autores. Figura 5. semáforos em pontos estratégicos munidos de botoeiras de comando. 2004) na qual constava espaço para registro das condições arquitetônicas das ruas. Figura 4. centrado em fatos objetivamente detectáveis e observáveis. idosos. Capitão Pedro Sampaio. com base nas condições ideais estabelecidas na NBR 9050 da ABNT . utilizando-se da interpretação das observações e das fotos. rebaixamento de meio-fio em pontos estratégicos para tráfego de cadeiras de rodas. para registrar de forma plausível a dificuldade de pessoas com ou até mesmo sem deficiência de terem acesso a esses locais.onde foi utilizado uma tabela (PAGLIUCA. Bairro do Monte. Bela Vista e Conjunto Habitacional Milton Monteiro. existência de placas de sinalização de trânsito em locais visíveis. o homem padrão tem sido o único parâmetro para a criação de produtos e ambientes. Santa Luzia. gerando barreiras para muitas pessoas que possuem características diversas ou extremas” Guia de Acessibilidade Humana 2 METODOLOGIA Trata-se de um estudo transversal.Associação Brasileira de Normas Técnicas (1985). Alto Guaramiranga. Imaculada Conceição.VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011 Figura 3. O referido estudo foi realizado nos principais bairros. avaliando determinados aspectos. calçadas livres de buracos e de desnivelamentos.

05 > p>0.VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011 3 RESULTADOS Ao observar a tabela 1 e o gráfico 1. e não existem pontos estratégicos dotados de botoeiras para comando manual (ver figura 6 – 10).05 p<0. só em uma das ruas as calçadas possuíam largura adequada.50m Avenidas livres de buracos Placas de sinalização de trânsito em locais visíveis Semáforos em pontos munidos de botoeiras de comando SIM 02 05 16 01 01 01 Não 28 25 14 29 29 30 30 29 30 Variação p<0. evidencia-se a ausência de faixa de pedestres nas esquinas com semáforos.05 p<0. bicicletas.05 p<0. calçadas ocupadas com mercadorias. apenas um dos lados da rua possui rebaixamento de meio – fio.05 Tabela 1. todas as ruas deixam a desejar na sinalização. SITUAÇÃO Faixas para pedestres Rebaixamento de meio-fio em pontos estratégicos Presença de obras publica protegidas por tapume delimitador da área de construção Calçadas livres de obstáculos Calçadas livres de buracos e desnivelamentos Calçadas com largura mínima de 1.05 p<0.05 p<0. dados coletados nas observações das ruas.05 p<0. Gráfico 1 . carrinhos ambulantes e todas têm buracos ou desnivelamento.05 p<0. cadeiras.

. Imaculada Conceição. Prefeitura Municipal de Canindé. faixa de pedestres. etc. rampas.VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011 Figura 6. rua Geroncio Brigido. Pode – se ver que não existe qualquer acessibilidade.

buracos e desnivelamento nas calçadas.falta de faixas de pedestres. Centro. Santa Clara. Figura 8. com barracas. Curdulino. Rua Romeu Martins. Total desorganização no comercio. estreitas e com muitos degraus. impedindo o transito seguro de pedestres portadores ou não de deficiências. Calçadas totalmente desniveladas. .VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011 Figura 7. Rua Dr.

Calçadas repletas de barreiras. Rua Frei Bruno. Canindezinho. sem calçadas. . Santa Luzia. Rua Augusto Facundo.VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011 Figura 9. Ruas sem saneamento. Figura 10.

2006) apontam a necessidade de redução das barreiras arquitetônicas para promover a integração de pessoas com deficiência em todos os ambientes. foi possível observar que a cidade. . raízes de árvores. e constitui um instrumento educativo no trânsito. quando não existir faixa de travessia de pedestre demarcada. compromete o direito de circular livremente. excluindo as barreiras que impossibilitam o livre acesso das pessoas com ou sem deficiência em todos os setores da cidade. deverão ser informados para tomar as devidas medidas sobre a localização de rampas adequadas à circulação das pessoas portadoras de deficiência física. é necessário se implantar o processo educativo formal e despertar a consciência de cidadania nas pessoas em geral. os órgãos de trânsito. ao longo dos anos. deve ser previsto dispositivo sonoro para atendimento aos portadores de deficiência visual. Podemos inferir que tais problemas é conseqüência da falta de informação e de consciência da população. deveriam ser adotadas medidas públicas organizacionais destinadas a lhes garantir o direito de ir e vir de cada cidadão. as pessoas precisam estar atentas ao atravessar as ruas. Nas travessias de pedestres onde houver semáforos. Estes demonstram que na presença de barreiras a qualidade dos serviços prestados está comprometida e a legislação brasileira está desrespeitada. 2006) Como mostra a Tabela 1. Possibilitando maior segurança e independências aos pedestres. 2007. O não rebaixamento de guia por todo o trajeto da calçada impossibilita as pessoas circularem livremente em cadeiras de rodas. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo identificou as barreiras físicas e evidenciou a necessidade de intervenções por partes das autoridades competentes. Para facilitar o deslocamento de pessoas com ou sem dificuldades físicas. garantindo o direito de ir e vir. em uso de muletas ou outros instrumentos de apoio à locomoção. Vários estudos (ANDRADE. promovendo mudanças não só arquitetônicas mais também uma reeducação populacional em relação ao direitos e necessidades de deficientes e idosos. sendo necessário então. Como constatado na pesquisa. através de campanhas educativas e informativas. dificultando o acesso aos pedestres a calçadas e prédios públicos.nas como pontos de vendas. ciclistas e pedestres. desníveis. e cerceia a autonomia total ou parcial de terceiros. motociclistas. Para ser cumprida a lei. pois estacionam os carros nas vagas reservadas. ALMEIDA. O município de Canindé por se tratar de uma cidade com grande turismo religioso. as ruas mapeadas não atendem na íntegra as resoluções vigentes. carros estacionados e outros obstáculos que dificultam o trânsito de pedestres portadores ou não de deficiências. Ainda segundo recomendações. se faz necessários investimentos para a melhoria arquitetônica. Ao mapear as condições de acesso das pessoas portadoras não de deficiência física às ruas do município de Canindé. Requer melhor estrutura com vista a minimizar as barreiras arquitetônicas no percurso dos pedestres. com juridisção sobre a via pública. as calçadas devem ser livres de obstáculos e ter largura mínima de 1. vem crescendo em população. mas em desenvolvimento urbano não se pode dizer o mesmo. ou enfrente a calçadas rebaixadas. (ALMEIDA. os comerciantes utilizam . não existindo nenhum tipo de sinal sonoro que possibilite ao deficiente visual independência ao atravessar a rua. Desse modo. existe um número mínimo faixas para pedestres. proporcionando a circulação de pedestres e cadeirantes ou de duas cadeiras de rodas. O município por ter um grande número de pessoas idosas e receber tantas romarias não atende as normas de brasileiras de acessibilidade.50m. Desta forma. As faixas funcionam como um alerta para os motoristas. Rotineiramente observam-se buracos. reconhecer os direitos legítimos e legais da acessibilidade e integração social das pessoas.VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011 4 DISCURSSÃO De acordo com a NBR 9050 da ABNT.

mobiliário. 2003. Acesso em 10 de setembro de 2011. IBGE. MANZINI. Censo 2010.edu. de 7 de novembro de 2003. Acesso em 10 de setembro de 2011. Acessibilidade da pessoa portadora de deficiência física e/ou sensorial aos serviços de saúde: estudo das condições físicas e de comunicação.. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.gov. Arquitetura e agronomia – CREA – MG.284. 914/93. espaços e urbanos.br/revista/index /php/conquer. 9). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. PAGLIUCA L. 2004. v. p. Relatório de Pesquisa da Universidade Federal do Ceará. ABNT. et al. Acessibilidade e Cidadania: barreiras arquitetônicas e exclusão social dos portadores de deficiência física. et al.br/conade/ da Pessoa Portadora de Deficiência (CONADE). HBR On Point. Rio de Janeiro.gov. Disponível em: <http://www. et al. Acesso em: 15 abr. Fortaleza. Enf. Artigo eletrônico. Censo 2000. C. J. RJ. Artigo eletrônico.article/view/pdfinterstitial27/0 >. 2006.. 1997.fasb. Pagliuca LMF. M. M.php? id_noticia=438&id_pagina=1. Brasília. ANAIS DO 2º CONGRESSO Conselho Nacional dos Direitos http://portal. Acessibilidade em ambiente Universitário: identificação e quantificação de barreiras arquitetônicas. Reconhecer as diferenças é o que importa: um novo paradigma para a gestão da diversidade. David A.).org. Conselho Regional de Engenharia. Decreto n. 2004 PORTARIA Nº 3. In: MARQUEZINI. L. Londrina: Uel. 1994. E.mj. DF: Corde. Romeu Kazumi. Pessoas com deficiência rumo ao processo de inclusão na educação superior.acessobrasil. Disponível em: http://www. Eletr. Associação Brasileiras de Normas Técnicas.S. S. Robin J. SASSAKI. et al. GUIA DE ACESSIBILIDADE HUMANA.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.gov.VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT NBR9050: Acessibilidade a edificações.br equipamentos ALMEIDA PC. EUA. Disponível em: http://www. . http://www. WVA Editora e Distribuidora Ltda. THOMAS. 2002. Aragão AE. M. Ceará. Educação física.ibge.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.ibge. 2007. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. (Org. Harvard Business Review.8(2):205-12.. Rio de Janeiro.185-192 (Coleção Perspectivas Multidisciplinares em Educação Especial.A. BITTENCOURT. [Internet]. Os direitos das pessoas portadoras de deficiência . ANDRADE. ACESSIBLIDADE BRASIL . e ELY. atividades lúdicas e acessibilidade de pessoas com necessidades especiais. F. IBGE. Macêdo KNF. 2010 BRASIL. Rev. et al.php? id_noticia=1866&id_pagina=1 . Artigo eletrônico. Barreiras arquitetônicas no percurso do deficiente físico aos hospitais de Sobral.Lei nº 7853/89..

VI Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Aracaju-SE -2011 .