A PRISÃO CIVIL POR INADIMPLEMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.

IRANDIR ROCHA BRITO1[1] RESUMO O estudo da prisão civil por dívida alimentar é um tema sempre polêmico que denota uma imensa carga emocional na sua avaliação. Na maioria das vezes haverá um credor necessitando de meios para subsistência, porém não podemos deixar de avaliar que do outro lado há um devedor que possui direitos que devem ser respeitados. Este vetusto instituto nos remete aos tempos antigos, onde a dívida era cobrada com a vida do devedor e não cabe mais nos tempos atuais. A evolução histórica e aguerrida dos direitos humanos não condiz com a manutenção deste instituto em nosso ordenamento jurídico. Palavras-chave: prisão, dignidade da pessoa humana, alternativas, débito alimentar. ABSTRACT The study of civil imprisonment for debt food is always a polemical topic that denotes a huge emotional charge in their evaluation. For the most part will be a creditor requiring means to subsistence, but we cannot assess what in the other side there is a debtor who has rights that must be respected. This decrepit institute brings us back to ancient times, where the debt was charged with the life of the debtor and no longer fits nowadays. The historical development and fierce human rights is inconsistent with the maintenance of this institute in our legal system. Keywords: prison, human dignity, alternatives, food output.

SUMÁRIO: 1 INTRODUÇÃO. 2 FUNDAMENTOS LEGAIS DA PRISÃO CIVIL POR INADIMPLEMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. 3 CONSIDERAÇÕES SOBRE A “DUVIDOSA” EFICÁCIA DO PROCEDIMENTO DE PRISÃO DO DEVEDOR DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. 4 PROPOSTAS DE ALTERNATIVAS APRESENTADAS À QUESTÃO. 5 CONCLUSÕES. 1[1] Trabalho de Conclusão de Curso apresentado pelo estudante do 9º Semestre do Curso de Direito do
Centro Universitário Jorge Amado como requisito parcial à obtenção do Grau de Bacharel em Direito. Orientação do Professor Thiago Borges. Salvador, 2010.

1. INTRODUÇÃO O presente artigo trilhará um caminho extremamente tortuoso, visto que nele tentaremos apresentar críticas a um tema bastante polêmico, qual seja, a prisão civil do devedor de pensão alimentícia. Este tema coloca em confronto, pelo menos em tese, dois princípios individuais quais sejam: a liberdade do indivíduo, no caso em tela o devedor da pensão alimentícia e a subsistência do alimentado, para muitos traduzida na própria sobrevivência deste. Sabemos que é de extrema relevância que casos que envolvam pensão alimentícia tenham uma rápida solução, a fim de que seja oportunizada a pronta e integral satisfação judicial do elementar direito alimentar ameaçado, mas não podemos concordar que em pleno século XXI, decorridos 22 anos da chamada Constituição Cidadã, ainda não existam em nosso ordenamento jurídico, alternativas eficazes de cobrança para débitos de pensão judicial que não seja só a prisão do devedor. Vale lembrar que após a promulgação da Constituição Brasileira de 1988, a Dignidade da Pessoa Humana passou a ser, mais do que nunca, evocada como um dos mais importantes princípios constitucionais do nosso país, considerado como um dos baluartes do Estado Democrático de Direito e sendo assim, ao nosso olhar, manter vigente a prisão civil por dívida em nosso ordenamento jurídico é estar na contramão da evolução do Direito. Não será nossa intenção questionar a constitucionalidade da prisão do devedor de pensão alimentícia visto que o tema já foi objeto de avaliação do Supremo Tribunal Federal e sendo assim não cabe apelarmos para este embate jurídico no presente artigo. Porém, frente às mudanças ocorridas a partir da promulgação da Constituição de 1988, quando os princípios constitucionais relativos aos direitos sociais e individuais passaram a fazer parte de forma muito intensa do cotidiano dos brasileiros, nos parece pelo menos estranho que a prisão por dívida ainda que alimentar seja mantida no ordenamento jurídico pátrio. Segue-se um caminho inverso do ramo do Direito Penal, que através de procedimentos especiais, a exemplo da Lei 9.099/1995, estabelece formas alternativas de execução de sentenças penais fora do cárcere. O próprio ramo do Direito Processual Civil, com a reforma do CPC através da Lei 11.382/2006, buscou dotar o credor de alternativas muito mais céleres de satisfação de seu crédito, a exemplo da adjudicação e alienação por iniciativa particular, e caminhou positivamente no tempo, dotando o nosso código de meios executivos muito mais céleres e

contemporâneos. Sendo assim. . Lembremos que para a expropriação.. Para a análise dos pontos acima apresentados. a chamada penhora “on line” traz um forte instrumento de expropriação de débitos alimentares através da ação do juízo em conjunto com o Banco Central. a expropriação de bens. “. à luz do que já ocorreu com a prisão do depositário infiel. tais como o desconto em folha. em que tipo de débito alimentar é possível se lançar mão do instituto da prisão civil e se a prisão civil pode ser utilizada como meio coercitivo para cobrança de para qualquer tipo de título executivo. os fundamentos legais que delimitam a prisão do devedor de pensão alimentícia. objeto do Capítulo V do Título II do Livro II”.. em primeiro lugar. utilizaremos os preceitos positivados que regulam a prisão civil do devedor de pensão alimentícia. a disciplina da execução de alimentos. Como já afirmado alhures. curiosamente. judicial ou extrajudicial. não alterou. o tempo máximo de decretação da prisão. o propósito do presente artigo será apresentar. conforme assevera ASSIS (2008). porém. nosso questionamento é quanto à efetividade da prisão do devedor de pensão em muitos casos e a decisão de se lançar mão deste expediente antes de se buscar o adimplemento do crédito alimentar por outros institutos de execução. a legitimidade para a decretação da prisão. sabemos que o tema coloca em confronto dois direitos constitucionais da maior valia. trouxe a reforma do CPC de 2006 novamente à baila as possibilidades de adjudicação e alienação por iniciativa particular. destacando as principais divergências doutrinárias acerca de questões que envolvem o tema tais como a gradação entre os procedimentos de execução do débito alimentar. que possivelmente tornarão muitos mais ágeis tal processo. além de adentramos ao posicionamento observado por alguns doutrinadores e decisões de Tribunais de Justiça. o direito à vida do alimentado. Em segundo lugar apresentaremos uma análise crítica da chamada “eficácia” da prisão do devedor como pressão psicológica para adimplemento do débito existente e por fim proporemos novas alternativas ao adimplemento do débito alimentar. regionais e superior. Entretanto. na busca de afastar do nosso ordenamento jurídico a prisão civil por este tipo de débito. Quis o legislador alterar os procedimentos relativos à execução do devedor solvente. visto que o não pagamento de pensão pode supostamente levá-lo à morte pela falta de alimentos e o direito à liberdade do alimentante. Além disso. o desconto em alugueres.

para que ocorra o enquadramento na presente tipificação.Além disso. à igualdade.não haverá prisão civil por dívida. à liberdade. com fulcro no artigo 7º. dada a relevância de seu crédito. 5º. Vale ressaltar que a prisão civil do depositário infiel não é mais admitida em nosso ordenamento jurídico. seja oportunizada a pronta e integral satisfação judicial do seu elementar direito alimentar ameaçado e para o devedor seja estabelecido pelo operador jurídico os meios que se revelem necessários a prestação da tutela executiva. A prisão civil do devedor de pensão alimentícia. Sendo assim. inciso LXVII. nas alternativas de propostas à execução do crédito alimentar inadimplido. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. 2. de 22 de novembro de 1969: "Ninguém deve ser detido por dívidas. cujo enunciado pertinente é retrato da política internacional protetora dos direitos humanos. é necessário que o agente devedor de alimentos não arque com sua responsabilidade de pagar por mera liberalidade unilateral e sem qualquer justo motivo que ratifique o inadimplemento. OS FUNDAMENTOS LEGAIS DA PRISÃO CIVIL POR INADIMPLEMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. Nossa Carta Magna de 1988 tornou elementar a infração legal acrescentando os termos “voluntário e inescusável”. sem distinção de qualquer natureza. nos termos seguintes: (. desde que observados os limites impostos pelos direitos fundamentais. estabelece: Art. Este princípio não limita os mandatos de autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar”. à segurança e à propriedade. Todos são iguais perante a lei. nos apoiaremos nos direitos fundamentais da pessoa humana não só do credor.Pacto de San José da Costa Rica -.. A Magna Carta. medida considerada de natureza excepcional. (grifos nossos). Para o credor. mesmo que não previstos em lei. encontra guarida na Constituição Federal de 1988. no seu artigo 5º.) LXVII . da Convenção Americana sobre Direitos Humanos . mas também do devedor. item 7. tendo em vista que a Convenção Interamericana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica). incorporada em nosso direito .

§ 1º). o juiz mandará citar o devedor para. O Supremo Tribunal Federal também já se posicionou sobre o assunto e desde o ano de 2008. in verbis: STJ Súmula nº.Débito Alimentar . de 25 de dezembro de 1968. efetuar o pagamento. § 1o Se o devedor não pagar. expressos a seguir: Código de Processo Civil: Art. 2008. 5.Prestações Anteriores ao Ajuizamento da Execução e no Curso do Processo. Lei de Alimentos: Art. O juiz. O entendimento jurisprudencial sobre o tema também já foi firmado. 5. 19. majoritariamente. pôs fim à prisão por dívida financeira no Brasil. somente admitiu a prisão civil em caso de débito alimentar. Sendo assim.478. tendo o Superior Tribunal de Justiça editado a Súmula 309. artigo 19) e o Código de Processo Civil (Lei nº. São eles: a Lei de Alimentos (Lei nº. nem se escusar. que fixa os alimentos provisionais. provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo.positivo pelo Decreto n. p. O débito alimentar acumulado por período superior a três meses. Por unanimidade. 678/92. em 3 (três) dias.230). tem-se. desde dezembro de 2008. para instrução da causa. Além da Constituição Federal. de 11 de janeiro de 1973. o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses.Prisão Civil . depois de dois anos de discussão sobre o tema. ou na execução da sentença ou do acordo. 733. os ministros da corte acabaram com a prisão do depositário infiel em três hipóteses: em contratos de alienação fiduciária. No que se refere à possibilidade de prisão do devedor de pensão alimentícia. Na execução de sentença ou de decisão. artigo 733. perde o seu caráter alimentar. outros textos normativos disciplinam a prisão civil do devedor de alimentos. poderá tomar todas as providências necessárias para seu .869. o seguinte entendimento doutrinário: Somente as três últimas parcelas devidas e as que venceram no curso do processo podem ser cobradas pelo rito processual da prisão. em contratos de crédito com depósito e em casos de depositário judicial. 309 . (GONÇALVES. o único caso de prisão civil ainda possível no país é a por falta de pagamento de pensão alimentícia. O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo.

Por sua vez. tal dispositivo determina que o valor da prestação "Quando o devedor for funcionário público. 18 e 19.320) e TEODORO JUNIOR (2007.” Na impossibilidade do desconto. 905) Fredie Didier Jr também reconhece a ordem de preferência entre os meios executórios. doutrinadores com opiniões divergentes a exemplo CÂMARA (2009. p. assim. Das cláusulas cuidadosamente dispostas nos textos legislativos resulta a seguinte gradação: primeiro. ainda assim.478/68. porém. da prisão do alimentante faltoso.. p. Nas palavras de Arakem de Assis há uma gradação entre os meios de execução do débito alimentar: Mostra-se evidente. É o que estabelece o artigo 17 da Lei 5. 733 e 735. (DIDIER. nos artigos 16. do Código de Processo Civil. 692) Há. restará a determinação da prisão civil como medida coercitiva. porém também determinando uma gradação entre a expropriação de quaisquer bens e a prisão: [. No artigo 16. excepcional e fundamentada. que devem ser cumpridos visando o pagamento da prestação devida. de estabelecer certa ordem no uso dos meios executórios.. o juiz mandará descontar em folha de pagamento a importância da prestação alimentícia.esclarecimento ou para o cumprimento do julgado ou do acordo. indiferentemente. do Código de Processo Civil. bem como empregado sujeito à legislação do trabalho. será observado o que dispõe o artigo 734 e seu parágrafo único. as prestações alimentícias poderão ser cobradas de alugueres ou de quaisquer outras rendas do devedor. por último. 2007. destinada a forçar o pagamento. diretor ou gerente de empresa. 421) que entendem que a prisão pode ser . o artigo 18 da Lei de Alimentos autoriza ao credor requerer a execução da sentença na forma dos artigos 732. não for possível obter a satisfação da obrigação. até a decretação. p. Se. o desconto em folha. inclusive a decretação de prisão do devedor até 60 (sessenta) dias. em seguida. A Lei de Alimentos. militar. 2009. procede-se a expropriação de bens suficientes à satisfação do crédito.] Não havendo rendas a serem alcançadas. a expropriação (de aluguéis ou de outros rendimentos). 17. que na execução da sentença ou do acordo. prevê uma seqüência de atos especiais. (ASSIS. a expropriação (de quaisquer bens) e a coação pessoal.478/68. Não sendo possível a satisfação da dívida pelos meios acima descritos. estabelece essa lei. p. o intuito dos artigos 16 a 18 da Lei 5.

Luiz Guilherme Marinoni. provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo". Assim também pensa Montenegro (2007. traz uma consideração bastante interessante. porém para que a prisão seja imposta. não podendo o magistrado deferir pretensão aquém ou além do que foi pedido.decretada mesmo que ainda não se tenha esgotado os demais meios de se obter a satisfação do crédito exeqüendo. concordamos plenamente com a linha adotada pelo TJ do Rio Grande do Sul. sendo discutido o procedimento adotado. Sem deixar de reconhecer as dificuldades advindas de um processo de expropriação de bens. apesar de não concordar com a linha traçada. Abordaremos com mais detalhes nossas considerações sobre estas afirmativas mais a frente. não podendo decorrer de mero despacho ordenando o pagamento. p. entende-se “que o credor não pode optar entre a prisão e a expropriação. sob o aspecto do "erro in procedendo". salientando a 2[2] MARINONI. restando a prisão para a hipótese de a expropriação não ser capaz de gerar efeitos” 2[2]. é necessário que haja pedido expresso deste na petição inicial. Naquele tribunal. que utiliza como pressuposto o princípio da intangibilidade física da pessoa humana. Com isto será possível afastar cada vez mais o expediente da prisão do processo de execução do débito alimentar. 441). visto que o rito de expropriação não seguirá somente o rito da alienação em hasta pública. 378) . p. o que acabará muito provavelmente minimizando a morosidade destes processos. Entendemos que o processo de expropriação poderá e deverá ter nova dinâmica com as mudanças processadas no CPC a partir de 2005. a expedição de mandado citatório ao demandado deve conter o prazo e a advertência para "efetuar o pagamento. havendo a possibilidade de adjudicação e alienação por iniciativa particular. Luiz Guilherme (2007. para quem a utilização da prerrogativa de execução do artigo 732 ou 733 do CPC é opção do credor. mas preferir obrigatoriamente a expropriação. verifica-se a possibilidade ou a existência de prisão ilegal. A ocorrência de decisão de decretação de prisão sem a devida fundamentação. O procedimento só possibilita a ordem da prisão civil em despacho fundamentado. sob pena de prisão. baseada nas decisões do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. salientando que nesta. Constata-se que em face da norma. sob pena de nulidade que pode ser argüida na ação de Habeas Corpus preventivo. Cabe também salientar que a Constituição Federal de 1988 e a Lei Processual Civil exigem que a prisão do devedor de pensão alimentícia seja precedida de decisão fundamentada. enseja à possibilidade de interpor o recurso de agravo com pedido liminar ou impetrar a ação de Habeas Corpus.

Segundo este autor. quando no parágrafo 1º do artigo 733 do Código de Processo Civil é dado ao juiz o poder de decretar a prisão ex officio do devedor de pensão e de outro lado o artigo 2º deste mesmo código estabelece que “nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou interessada a requerer. No que concerne à legitimidade para decretar a prisão do devedor. visando compeli-lo. p. nos deparamos com a confrontação entre estatutos jurídicos.” Para este autor. que deve funcionar no processo na condição de custos legis. p. 939) estabelece que depois de preenchidos os requisitos legais contidos no artigo 282 do Código de Processo Civil. p. Já Fredie Didier Jr. rejeitada a justificativa do executado e não tendo o mesmo realizado o pagamento do débito das três últimas parcelas do débito alimentar.93 e inciso IX da C. a prerrogativa de determinar a prisão do executado pelo prazo de um a três meses. 443). ao adimplemento. 318) também concorda com tal procedimento e afirma que a prisão pode ser decretada de ofício pelo magistrado e deverá ser suspensa se o executado pagar a dívida. não é indispensável prévia audiência com o agente do parquet. Por outro lado GONÇALVES (2009. há na doutrina diversos entendimentos em relação à questão. Para TEODORO JUNIOR (2007. reconhece a eficácia do meio coercitivo para a satisfação do credor e afirma não haver razão para que se aceite a decretação da prisão de ofício. p. afirma que por ser a relação entre credor e devedor de alimentos uma relação de direito de família. apoiado em Pontes de Miranda. após o devido parecer do Ministério Público./88.incidência do art. que na oportunidade. “o juiz decretará a sua prisão civil. p.F. que terá o magistrado. permitida a defesa ou justificativo do executado e realizadas pelo magistrado todas as possíveis verificações de incidentes processuais. CÂMARA (2009. 419) a prisão não deve ser decretada de ofício pelo magistrado. Apesar de prevalecer na jurisprudência do STJ o entendimento de que não deve a prisão ser decretada de ofício. “é o credor que sempre estará em melhores condições que o juiz para avaliar a sua eficácia e oportunidade”. in extremis. consubstanciado no chamado Princípio da Demanda. ASSIS (2007. Deverá sim haver a . possibilitando o contraditório e a ampla defesa. nos casos e formas legais”. não cabe a decretação da prisão de ofício e a conveniência e oportunidade da medida coercitiva devem ficar a critério do credor. Afirma MONTENEGRO (2007. 231). Defende o autor a impossibilidade de decretação da prisão até mesmo por requerimento do Ministério Público. analisa a peça de justificação do executado.

Esta distinção esbarra no absurdo de considerar que o prazo de prisão a que está sujeito o devedor de alimentos definitivos é inferior ao prazo a que se sujeita o devedor de alimentos provisionais. Afiança Alexandre Câmara: O ordenamento jurídico é um sistema lógico. deverá o juiz intimar o autor para que reafirme a sua decisão de requerer a prisão civil do devedor. pois deixar a decisão da prisão nas mãos do credor pode impregná-la de um caráter de vingança. dificultando ainda mais o adimplemento do crédito.388). Lei 5. o que nos leva à necessidade de interpretação pelo método lógicosistemático de hermeneuta. se decretada a prisão e estando o devedor empregado. Outro aspecto de ordem legal no que concerne à prisão do devedor de pensão alimentícia e que enseja divergências doutrinárias é quanto ao prazo que deve ficar preso o devedor. faz também considerações acerca da questão. a interpretação segundo a qual há prazos diferenciados para a prisão do executado por alimentos provisionais e definitivos. Estabelece a Lei de Alimentos. o princípio do menor sacrifício possível do executado há que ser também respeitado. Luiz Guilherme Marinoni e Marcos Vinicius Gonçalves a mais correta. Além disso. sendo rejeitada a justificativa ou não tendo o devedor se manifestado. analisar o pedido de tutela jurisdicional feito pelo credor. investido da função jurisdicional que a Constituição Federal lhe confere. O prazo será sempre um só. que o prazo máximo para prisão do devedor será de 60 (sessenta) dias. analisando os aspectos legais e jurídicos que envolvem a questão. Entendemos que nunca se deve deixar a decretação da prisão do devedor de pensão nas mãos de uma pessoa comum. Parece-nos ser a posição adotada pelo STJ e pelos doutrinadores Humberto Teodoro. os princípios constitucionais da dignidade humana do devedor. não investida das prerrogativas legais que possui o Estado Juiz. visto que. desde logo. sem contradições. e deve-se . enquanto o artigo 733.provocação da parte interessada para que o juiz atenda ao pedido de tutela jurisdicional. parágrafo 1º do Código de Processo Civil afirma que este prazo será de 01 (um) a 03 (três) meses. MARINONI (2009. nas questões de direito de família há uma grande carga emocional envolvida e todos os cuidados devem ser tomados pelo magistrado. frise-se. É de se afastar. Esta é uma medida extremamente temerária. Deve somente o juiz. p. observando fielmente. analisando o que estabelece os princípios constitucionais e as leis infraconstitucionais para poder decretar a dita prisão do devedor de pensão alimentícia. Para o autor. Além disso. será ele afastado de seu emprego o que com certeza comprometerá a sua disponibilidade financeira.478/68.

de que há que ser respeitado Princípio do Menor Sacrifício Possível ao Executado. Analisando o aspecto lógico-sistemático de hermenêutica na interpretação das leis. à habitação. (CÂMARA. 2007. quanto à causa jurídica. O Código Civil de 2002. “a doutrina classifica os alimentos segundo vários critérios. Além disso. o seu conteúdo. p. Diz também que o vocábulo “alimento”. foi mais explícito em alguns dispositivos que tratam do conteúdo da obrigação alimentar e nos artigos 1. afiançando ao final de sua análise sobre o tema que o prazo máximo da prisão não poderá ultrapassar os sessenta dias. favorece a exegese do artigo 620 do CPC.694 a 1. assim como as responsabilidades do devedor de pensão e seus possíveis substitutos na obrigação alimentar. citando Pontes de Miranda. lei esta que adapta ao Código de Processo Civil às leis por ele mencionadas.478/68.18). visto que o artigo 19 da Lei Federal 5. que estabelece o prazo máximo de 60 dias. tratou de delimitar os chamados beneficiários da pensão alimentícia. e. p. decretando-se a prisão por menor tempo. quanto à . Nas palavras de CAHALI (2002. as obrigações decorrentes dela. é uma lei especial e não foi revogada pelo CPC. Lei Federal 6. em caso de débito de alimentos provisionais ou definitivos.319). A lei 5. 2009.] a palavra alimento. diz que: [. possui o sentido amplo de compreender tudo o quanto for imprescindível ao sustento. Entendendo-se como válida a condição de se decretar a prisão. podada de conotações vulgares.. assim: quanto à natureza. 906).. na chamada obrigação alimentar tem a conotação de “prestações para satisfazer as necessidades vitais de quem não pode provêlas por si”. devendo-se buscar sempre a forma menos gravosa para o executado. (ASSIS. p. ao vestuário. deverá ser considerada a condição de prisão por somente 60 dias. Arakem de Assis. ao contrário do que ocorria com o Código de 1916. ao tratamento das enfermidades e às despesas de criação e educação. conseguintemente. Fredie Didier Jr também aborda tal questão.478/1968 foi mantido por norma posterior. qualquer que seja a condição.descobrir qual a norma em vigor se a do CPC ou se a da Lei de Alimentos.014/1973. conforme a melhor acepção técnica.710. com vistas principalmente a identificarmos em qual situação se aplica o expediente da prisão civil. Destacamos também a necessidade de conceituar e classificar a obrigação alimentar. que a execução seja feita da maneira menos gravosa ao alimentante.

devidos por força legal. podendo assim ser classificados assim os débitos alimentares em: legítimos. embora seja a orientação prevalente nos tribunais. cuja prestação seja pecuniária. em nenhuma hipótese. é o único meio de sustento que a vítima dispõe. como o dever do pai ou mãe de prestar auxílio alimentar ao filho. no mais das vezes. 375) . Não caberia manter somente a via da expropriação para adimplemento deste tipo de crédito alimentar. Luiz Guilherme Marinoni entende que não procede limitar o uso da prisão civil apenas para os alimentos legítimos. Já os alimentos indenizatórios. p. inciso II e 950 do Código Civil de 2002. se a necessidade que sustenta o uso da prisão civil é a mesma para alimentos legítimos e indenizativos. que na afirmativa de ASSIS (2007. assim como o dever do filho de prestar auxílio alimentar ao pai ou mãe. Alimentos voluntários são os decorrentes de negócio jurídico inter vivos ou causa mortis. Porém este entendimento não é uniforme. decorrem da prática de ato incapacitante à vítima e esta pensão. Entende o autor que a manutenção de tal procedimento é ignorar as necessidades concretas do credor de alimentos indenizativos. se constituídos em título extrajudicial. Confirma esta posição a decisão do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrita: 3[3] MARINONI. Para o autor. exclusivamente. há entendimento doutrinário e jurisprudencial de que. não se poderá. utilizar a coerção pessoal para o adimplemento do seu crédito.478/68. Interessa-nos neste trabalho estabelecer a classificação quanto à causa jurídica. Os chamados alimentos indenizatórios e os alimentos voluntários seguirão o rito da execução por quantia certa conta devedor solvente. Luiz Guilherme (2007. quanto ao momento da prestação. Alimentos legítimos são aqueles decorrentes da relação jus sanguinis. a exesposa (o) ou companheira (o). pode-se afirmar que o procedimento de execução por coerção pessoal só é possível. são os decorrentes de atos ilícitos e estão disciplinados nos artigos 948. da atividade do homem. quanto à modalidade de prestação”. Da leitura do artigo 733 do CPC e do artigo 19 da Lei 5. ou seja. 3 [3] Ainda no que concerne aos alimentos legítimos.finalidade. 909) “teriam uma melhor designação se chamados de indenizativos”. p. Sua justificativa é que os alimentos fixados a partir de ato ilícito (indenizativos). voluntários ou indenizatórios. deverá haver tratamento no mesmo nível na técnica processual. Sendo assim não é justo que somente o credor de alimentos legítimos possa utilizar-se de um meio executório tão poderoso como a prisão civil. para o crédito alimentar decorrente de alimentos legítimos.

p. ou seja. p. Afirma a autora que a homologação judicial é um mero ato chancelatório e que assim não se entendendo. Excluídas da competência do Juizado Especial as causas de natureza alimentar. para que uma ação seja eficaz. eficácia é aquilo que mede a relação entre os resultados obtidos e os objetivos pretendidos. Maria Berenice Dias.INVIABILIDADE. DJ de 17. principalmente se o acordo firmado é referendado pelo Ministério Público.380). Afiança Cristiano Chaves de Farias (2006. ainda que homologado por aquele Juízo. deverá esta levar em consideração os resultados obtidos para as duas partes. Rel. Nesta mesma linha reforça MARINONI (2007. 3.. desrespeita-se todo o esforço feito pelos envolvidos para compor um litígio. pena de incompatibilidade com o Texto Magno”.(HC 9. Isto pelo simples motivo de que os meios de execução se subordinam às regras do meio idôneo e da menor restrição possível. à míngua do devido processo legal. Defensoria Pública ou pelos advogados das partes. 36): “. (2007. atingir o seu objetivo.RESP 769334 /. ser eficaz é conseguir atingir um dado objetivo. BARROS MONTEIRO.1999).ALIMENTOS . o acordo celebrado pelas partes. não tem eficácia para a compulsão executória da prisão civil do devedor.363/BA.toda e qualquer decisão acerca de alimentos deve ser presidida pelo (fundamental) princípio da dignidade do homem.SC RECURSO ESPECIAL 2005/0119462-0 RECURSO ESPECIAL . Sendo assim.PRISÃO CIVIL ACORDO CELEBRADO PERANTE O JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL . que sendo a prisão civil a técnica mais drástica e agressiva de se executar a obrigação alimentar. Min.12. CONSIDERAÇÕES SOBRE A “DUVIDOSA” EFICÁCIA DO PROCEDIMENTO DE PRISÃO DO DEVEDOR DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. 500) discorda desta posição afirmando que a lei não distingue que seja usada a via executiva com a ameaça de coação pessoal somente para o título executivo judicial e sim também para o extrajudicial. “sua adoção somente é possível quando não existem meios idôneos à tutela do direito.” Conjugando as afirmativas acima. respeitando as personalidades do alimentante ou alimentado. p.. De acordo com o Dicionário Aurélio. poderíamos dizer que um procedimento eficaz de cobrança de débito alimentar deverá ser idôneo. fazendo com .

478/68 estabelecem uma ordem nos meios executórios e sendo assim. Saliente-se. analogicamente ao que o Direito Positivado reserva ao Direito Penal. Não estamos aqui defendendo a total extinção do mecanismo da coerção pessoal. a exemplo da alienação por iniciativa do particular. p. estabelecer que a prisão do devedor de pensão seja efetivamente a “ultima ratio” para a cobrança do débito alimentar. Esperar 90 (noventa) dias para que o credor possa cobrar do devedor o valor em atraso é tempo demais.que o devedor pague o débito alimentar. levando-se em conta a sua dignidade humana. passaremos a avaliar pontualmente a eficácia do procedimento de coerção pessoal em algumas de suas nuances. diante desta avaliação. mais uma vez. e o credor o receba o mais rápido possível. O questionamento inicial é em relação ao prazo para que se lance mão da coerção pessoal. nem estamos deixando de reconhecer a importância do mecanismo para aqueles (ir) responsáveis que não cumprem com a sua obrigação por uma simples “vontade pessoal”. que o artigo 620 do CPC estabelece que “quando por vários meios o credor puder promover a execução. assim como nos artigo 17 da Lei 5. Dito isto. Estabelece a legislação que só possível a decretação da prisão como meio de coerção.478/68. mas apenas tentando propor caminhos alternativos à efetividade do cumprimento do dever alimentar. poderíamos até afirmar que se a prisão civil do devedor de pensão é estabelecida sem antes se lançar mão de outros meios executórios previstos no artigo 734 do Código de Processo Civil. Podemos afirmar que este prazo é coerente à luz da necessidade do credor alimentado? Entendemos que não. resguardando o complexo balanço entre o direito à vida do assistido e o direito à liberdade do alimentante. É cediço o entendimento doutrinário e jurisprudencial que a prisão civil em face do inadimplemento da obrigação alimentícia é um meio de coerção pessoal que tem natureza coercitiva e não punitiva. depois de decorridos 03 (três) meses de atraso da prestação alimentícia. Nas condições existentes em nossa legislação. há meios executórios que poderão se tornar muito mais eficientes. o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o devedor”. ASSIS (2007. Nossa proposta é. 905) defende que os artigos 16 a 18 da Lei 5. introduzido em nosso código processual . devendo-se analisar a possibilidade de sua eficácia. Objetiva-se com essa prisão o cumprimento obrigacional e a sua decretação deve ser fundamentada. atentam contra a dignidade da pessoa humana do devedor de pensão alimentícia.

foi determinada manutenção da prisão um devedor de pensão desempregado. seguindo a execução as formas estabelecidas para a execução por quantia certa para devedor solvente. Questionamos também os casos da decretação de prisão do devedor que é autônomo e necessita essencialmente de sua liberdade para trabalhar e obter recursos. Afinal. Onde está a eficácia da prisão para estes casos? Não a vislumbramos. tendo em vista que ele sobrevive com o ganho do dia a dia? Se decretada a sua prisão o mesmo ficará impossibilitado de trabalhar e consequentemente não poderá quitar débitos alimentares existentes. Tomando por exemplo a situação de decretação de prisão de um motorista de táxi. Temos decisões em nossa jurisprudência que em total desrespeito a dignidade da pessoa humana do devedor de pensão alimentícia.382/2006. como estabelece o inciso II do artigo 585 do CPC. inclusive o débito alimentar. sob a alegação de que o fato do executado se encontrar desempregado não é causa suficiente para evitar o cumprimento da obrigação. sendo o mesmo libertado após este prazo. E no caso do devedor não ter meios de pagar o débito através pecúnia? Determina a legislação que o mesmo deverá ficar detido pelo tempo estabelecido em lei (60 dias conforme nossa posição acima adotada). Abordaremos nosso posicionamento sobre este ponto com mais detalhes um pouco mais à frente. Por que desta diferenciação? Para o meio de cobrança ser considerado eficaz deveria englobar as duas formas de execução. Defensoria Pública e advogados.através da Lei 11. Será que ao invés de prendê-lo não poderia o juiz deixá-lo trabalhar e estabelecer a decretação de uma alta multa diária (astreintes) por cada dia de atraso da pensão? Entendemos que há e deveremos buscar caminhos alternativos. que serão abordamos posteriormente. a celebração de títulos executivos extrajudiciais também é abarcada pela nossa codificação civil. Estabelece a legislação só ser possível utilizar o meio coercitivo em execuções oriundas de títulos executivos judiciais e não nos títulos extrajudiciais. serão realizados os procedimentos de expropriação de bens do devedor. honrando seus compromissos. Vejamos o teor da decisão abaixo transcrita: . qual a eficiência em se decretar a sua prisão. Não concordamos com a alegação de que os títulos extrajudiciais não trazem segurança jurídica. ou seja. Para se ter a segurança jurídica que este instrumento exige basta garantir que ele seja referendado pelo Ministério Público. Outro aspecto a considerar é quanto às possibilidades de utilização da coerção pessoal.

em primeiro lugar. alegando não ser naquele tribunal o local para se examinar fatos complexos e controvertidos. se os débitos se referiam as três últimas prestações e a exclusão das cobranças pretéritas. DJ 2. j.” No voto do Ministro Barros Monteiro. relator do HC. superiores a este prazo conforme preconiza a Súmula 309. A simples alegação de desemprego não é o bastante para eximir o devedor do pagamento das prestações acordadas. BARROS MONTEIRO. quem pede parcelamento de dívida está. rel.9. O Habeas Corpus foi impetrado por uma defensora pública contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro com o objetivo de revogar a prisão decretada pelo Juízo de Direito da Décima Quarta Vara de Família da capital e mantida por aquele tribunal. a situação financeira alegada nem a sua perspectiva laborativa. ou seja. não reconheceu a inexistência de ilegalidade na medida constritiva confirmada pelo TJ do Rio de Janeiro. em transição parcial). Não-demonstração. de modo cabal.312. em sua decisão. O STJ. disposto a pagála e em segundo incapacitado de pagá-la no valor mensal em que a mesma se encontra. Há também a informação de que o mesmo exerce suas funções como pedreiro sem vínculo formal e a incoerente alegação de que o paciente não se encontra totalmente impossibilitado de solver as parcelas devidas pelo fato de ter proposto o parcelamento das mesmas.EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. A decisão da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça quanto à negativa do HC foi unânime e levou em conta tão somente a avaliação formal de cumprimento ou não do artigo 733 do CPC.2002. Min. dependentes de prova.17. dependentes de prova. da impossibilidade de cumprir a obrigação. O objetivo do parcelamento de uma dívida é adequá-la a capacidade financeira do devedor e possibilitar o seu adimplemento de forma mais alongada. EXECUÇÃO APARELHADA NOS MOLDES DO ART. Ora. 733 DO CPC. Em sede de hábeas corpus não se examinam fatos complexos e controvertidos. ADMISSIBILIDADE QUANTO ÀS TRÊS ÚLTIMAS PRESTAÇÕES. ASSERTIVA DO DEVEDOR DE QUE SE ENCONTRA IMPOSSIBILITADO DE ARCAR COM AS PRESTAÇÕES EM RAZÃO DE DESEMPREGO.12. há a afirmativa de que “o paciente já declarara não possuir emprego. que entendeu que “o devedor não justificou razoavelmente a inadimplência. (HC 22489 – RJ. p. 4ª turma do STJ.2002. vivendo de favor na casa de sua madastra e de que havia postulado o parcelamento do débito”. . PEDIDO ABRANGENDO PARCELA PRETÉRITA. STJ.

PROPOSTAS DE ALTERNATIVAS APRESENTADAS À QUESTÃO. somente a admitindo nas exceções da dívida voluntária e inescusável do devedor de alimentos. Sabemos que a relação paterna ou materna deve prevalecer independente dos problemas advindos dos descontentamentos e dificuldades da separação conjugal. mas para quem passa por este infortúnio deverá haver um maior e mais grave estremecimento nesta relação. “é indubitável que um dos problemas mais angustiantes do Direito de Família contemporâneo concerne às dificuldades práticas para assegurar. Sendo assim. propor parcelamento pode demonstrar a capacidade do credor de saldar uma dívida. céleres. tornando talvez insustentável uma futura convivência amena e pacífica entre aquele que passou pela desagradável situação de ser preso a pedido de seu ente familiar. a proposta de parcelar a dívida existente não pode ser utilizada como meio para se afirmar que o devedor tem como solver as parcelas devidas. defendemos a busca de meios alternativos para que o crédito alimentar seja satisfeito através de mecanismos ágeis. 4. visto que preso não poderá o mesmo solver suas dívidas. em atendimento ao princípio da dignidade humana do devedor de pensão e visando assegurar a subsistência do alimentado. mas. Devemos reconhecer que a prisão do pai representará para ele e sua família o alargamento do abismo que normalmente se estabelece quando de uma separação. eficazes e efetivos. porém entendemos caber ser aqui abordado. pois nesta condição não poderá sequer exercer labor para saldá-las. Como acima afirmado. com efetividade. ao contrário. prolongando o seu adimplemento por um tempo maior que o originalmente acordado. já que este é o . a reconhece como permissiva. proibí-la. Trata-se da relação afetiva familiar. fica claro que o fim da norma constitucional não é determinar a prisão civil por dívidas. porém é necessário entender que deverá haver uma novação desta dívida. o cumprimento da obrigação por quem foi condenado a pagar alimentos”. Como afirma Cristiano Chaves de Farias. iremos propor alternativas ao tema apresentado partindo do pressuposto que a Constituição Federal do Brasil não determina a prisão do devedor de alimentos. Dito isto. É a partir desta afirmação que.Entendemos absurda a manutenção da prisão civil do devedor por tais alegações. Além do mais. Dito isto insistimos na pergunta: onde está a eficácia da prisão para casos como este? Cabe finalmente abordar um aspecto que é indubitavelmente um problema do Direito de Família.

o juiz.” (grifos nossos) Poderia sim o legislador ter inserido nas reformas processadas um expediente especial que conjugasse os procedimentos de penhora (com a celeridade processual que a Lei 11. onde o EstadoJuiz expropria bens do patrimônio do executado. as possibilidades de mudanças no tratamento da prisão do devedor de pensão alimentícia que as Leis 11. transformando-os em espécie. Inicialmente abordaremos. que possibilita a penhora de dinheiro em depósitos ou aplicações financeiras. objeto do Capítulo V do Título II do Livro II. p. informações acerca de ativos em nome do executado e poderá no mesmo ato determinar sua indisponibilidade. Vale salientar que a adjudicação.diante da natureza do crédito . curiosamente..propósito fiel e final da execução alimentícia. é um ato executivo. O judiciário deverá utilizar-se de outros mecanismos processuais para a efetivação do dever alimentar. Neste meio de expropriação. Yussef Said Cahali afirma que a prisão civil por dívida “é o único meio eficaz em condições de remover a recalcitrância de grande número de devedores inadimplentes”. É alinhado com esta posição e defendendo a absoluta excepcionalidade da prisão do devedor de pensão alimentícia que discorreremos sobre alternativas a esta prisão. De posse destes bens. porém também reconhece que já há expressiva jurisprudência que condena tal expediente e preconiza a sua excepcionalidade. promovida pela Lei 11. até o valor indicado na execução.232/2005 e 11. Estas também são as palavras de Luiz Guilherme Marinoni que afirma que “.. Afiança ASSIS (2007. já inserida no ordenamento pátrio. Com certeza este é um meio idôneo e que dará efetividade à tutela do direito do crédito alimentar.903) que “A reforma da execução do título judicial. através do qual seriam expropriados bens do patrimônio do executado já penhorados anteriormente. à luz do que estabelecem os artigos 461 e 461-A do CPC. ao nosso olhar. requisitará eletronicamente à autoridade supervisora do sistema bancário (Banco Central). poderia o credor alienálos de acordo com a suas necessidades.382/2006 poderiam fazer e não o fizeram.232/2005. os quais já haviam sido objetos de penhora. a disciplina da execução de alimentos. inclusive a própria possibilidade de tutela específica. Não esqueçamos também de um eficiente meio de expropriação que é a penhora “on line”.382/2006 tenta implementar) seguida da adjudicação de bens moveis ou imóveis do executado. não alterou. a pedido do exeqüente.

alimentar. buscar o apoio do Estado-Juiz logo depois de caracterizada a inadimplência do primeiro mês de pensão alimentícia. para que as alternativas acima sejam consideradas.382/2006 tenta incentivar a sua utilização. a citação do devedor. 320) já reconhece ser o expediente da alienação por iniciativa particular muito mais ágil que o da hasta pública. ser devolvido ao juízo da execução. que como determina o artigo 685-C do CPC. Alexandre Câmara (2009. Poderia ele.” Esta com certeza é uma medida drástica. as mudanças introduzidas pelas recentes reformas no CPC trataram de atacar estes males. processaria a alienação dos bens transformando-os em espécie. O exeqüente ou um profissional do ramo. “que se proceda à interceptação telefônica do mesmo para conseguir localizá-lo. 317) reconhece que instrumentos como a alienação por iniciativa particular já era prevista anteriormente no artigo 700 do CPC. tornaria o processo muito mais eficaz. p. pois estas mudanças deverão agilizar os processos de execução. O credor receberia o valor suficiente à satisfação do crédito alimentar. dando ao credor maior possibilidade de receber seus créditos. Sugere a autora que ante a resistência do devedor em se deixar citar. CÂMARA (2009. deverá também o legislador mudar as regras para que o credor da pensão possa acionar o judiciário. mas cabível e necessária ante a resistência do credor em assumir sua dívida e dada a . trazendo novamente a baila o expediente da expropriação dos bens do executado. (2007. mas a sua utilização não era de utilização na prática e que a reforma introduzida pela Lei 11. 502) traz uma posição bastante interessante para uma outra questão que envolve o tema. se houvesse. Um outro expediente que poderia ter sido inserido na reforma é a penhora de bens móveis ou imóveis seguida da alienação por iniciativa particular. devendo o restante. o credor. até a expropriação de bens do devedor seria com certeza inferior aos noventa dias estabelecidos pela norma atual. p. poderá ser um corretor credenciado perante a autoridade judiciária. pois com certeza o prazo decorrido desde o acionamento do judiciário. que não concilia com a demora da execução que se realiza através da alienação de bens. comparativamente ao procedimento atual que determina que só é possível o meio de coerção pessoal após comprovada a inadimplência de pagamento de pensão por três meses. p. Neste expediente haveria a expropriação de bens do executado. tem grande importância a penhora on line”. Se a justificativa em manter o meio coercitivo da prisão para o devedor de pensão alimentícia são os problemas da ineficácia das decisões judiciais. após inadimplência do primeiro mês. após o processamento da penhora. Isto a nosso ver. Maria Berenice Dias. Porém.

ª C. portanto. 28. Não estamos aqui transferindo responsabilidades. 4[4] É cediço que podemos elencar outros mecanismos processuais para efetivação do crédito alimentar. consubstanciado no que estabelece os artigos 461 e 461-A do CPC. sub-rogando-se em relação aos futuros créditos de responsabilidade do devedor. É. Comparecendo o devedor à presença do juiz após citação. Des. reconhecendo a sua incapacidade em tornar céleres os processos de execução. o lazer. o trabalho. A jurisprudência.. a imposição 4[4] Execução de alimentos – Interceptação telefônica do devedor de alimentos – Cabimento.importância que se estabelece ao crédito alimentar. que afirma: “São direitos sociais a educação. 7. Um outro mecanismo que poderia ser utilizado para se garantir o crédito alimentar é a imposição de astreintes (multas). conforme abaixo exposto: É permitido (. a segurança. Há inclusive precedentes quanto à questão.. a previdência social. multa diária com natureza inibitória. propormos uma nova alternativa a partir do artigo 6º da Constituição Federal. astreintes. na forma desta Constituição” (grifos nossos). Tentada a localização do executado de todas as formas. poderá o Estado-juiz valer-se da Seguridade Social para prestar um atendimento especial ao credor de pensão alimentícia enquanto o procedimento de execução do débito alimentar se concretiza.]. já admite a tese. a moradia. j. mas tão somente garantindo com agilidade e rapidez o crédito alimentar para quem tanto dele precisa. entendemos que.03. Poderia o Estado-Juiz. como mecanismo de conscientização para razoável execução do título judicial. residindo este outro Estado e arrastando-se a execução por quase dois anos. deverá o mesmo pagar o débito e caso não o faça no tempo determinado fixará o juiz. E dentre estes. mas vamos nos ater a alguns poucos que o conhecimento atual sobre o tema nos possibilita. cumprindo o dever estabelecido na Carta Magna. determinar o pagamento de pensão alimentícia ao credor necessitado. Cív. . não fazer e entregar coisa. a assistência aos desamparados. que tem como objetivo induzir o devedor ao cumprimento de uma obrigação de fazer. Dito isto.. Maria Berenice Dias. independente de contribuição à seguridade social. o meio imposto pelo juiz para coagir o devedor (réu) a satisfazer a obrigação decorrente da decisão judicial. Já o artigo 203 da Carta Magna afiança que a Assistência Social será prestada a quem dela necessitar.2007). rel.[. inclusive. mostra-se cabível a interceptação telefônica do devedor de alimentos.. a proteção à maternidade e à infância.) que o Estado-Juiz estabeleça. a saúde. com o objetivo de atuar psicologicamente sobre o devedor e obrigá-lo a cumprir a obrigação inadimplida. Agravo provido (TJRS. AI 7001868508.

As propostas apresentadas seguem no sentido de se respeitar estas duas condições. temperando a sansão prisional. o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o devedor. Há notícias de várias outras alternativas adotadas por diversos paises que caminham na direção de buscar atingir o objetivo principal da execução do crédito alimentar. não se esgotam nos citados acima. 5.11. . Ac. a segurança.5. rel. um fator de inegável utilidade para persuasão do provedor de alimentos a cumprir. Elas não precisam 5[5] Código de Processo Civil. sem desrespeitar outro. Como já afirmado. através da manutenção do crédito alimentar. 620 . Os princípios inseridos no processo de execução nos remetem a pensar desta forma. ApCiv 241. sem que para isso se lance mão de um expediente tão cruel para a dignidade da pessoa humana que é a perda de sua liberdade. tais como a liberdade.12. a satisfação do crédito. o dever de depositar a prestação. o bem-estar. 3ª Cam.0204/4 – comarca de São Caetano do Sul. não ponderando os interesses de cada parte. No presente artigo buscamos discutir as possibilidades de garantir à vida do alimentado. conforme preceitua o artigo 620 do Código de Processo Civil5[5]. onde os direitos fundamentais previstos no preâmbulo da nossa Carta Magna.02). j. deverá caminhar na direção de reconhecer que o encarceramento de um ser humano não deverá a primeira e única forma de se fazer respeitar a lei. mas atendendo um. De Direito Privado.no prazo. sejam cada vez mais respeitados. O Direito Processual Civil a exemplo do Direito Penal brasileiro. Há que se atender as necessidades do alimentado.Quando por vários meios o credor puder promover a execução.de multa (astreinte). Des. DOESP 16. o desenvolvimento. apontando caminhos e alternativas que confiram a efetividade do dever de alimentar. porém não esquecendo da dignidade da pessoa humana do devedor de pensão alimentícia. Ênio Santarelli Zuliani. respeitando a dignidade da pessoa humana do devedor. a igualdade e a justiça. (TJ/SP. os exemplos de alternativas capazes de aumentar o índice de adimplência ou reduzir a inadimplência dos créditos de pensão alimentícia.02. adotando a constrição corporal como último e excepcional recurso para adimplir o direito do credor. Art. CONCLUSÃO Desde a promulgação da Constituição Brasileira de 1988 a sociedade brasileira tem buscado cada vez mais o estabelecimento de um estado democrático de direito.

a solução de problemas como o adimplemento do crédito alimentar. o que pode dificultar ainda mais o adimplemento das prestações de alimentos. p. por que não fazê-lo por primeiro. que o juiz: “[. ou readquirir a liberdade. apontamos caminhos que buscam a satisfação destes créditos por meios que sejam efetivos e que não atentem contra a dignidade humana do devedor. de coagi-lo a pagar”. mas para forçá-lo a indiretamente pagar.ser excludentes. prende-se o executado não para puni-lo. Se a finalidade da prisão é econômica. podendo o Estado utilizar-se de meios alternativos que garantam o adimplemento do crédito... evitando levar para o cárcere alguém que não tem pena a cumprir? . muito diverso. Como já afirmamos alhures. Afirma CAHALI (2002. Por que não substituir a prisão civil por alternativas ao adimplemento do crédito? Se a nossa Carta Magna determina que a prisão é medida considerada de natureza excepcional. respeitarmos ambos os direitos fundamentais. p. não com o fim de punir o executado pelo fato de não ter pago pensão alimentícia. em muitos casos. como se criminoso fosse. Acreditamos ser possível. a vida e a liberdade. mas sim com o fim. as propostas de soluções alternativas rompem com o conservadorismo existente em alguns dos nossos tribunais. (2008. que sempre ensejam a prisão como tratamento correto e eficaz para adimplemento do crédito alimentar. e consequentemente a subsistência do alimentado. que se utilize do meio coercitivo da prisão. não poderá exercer atividade laborativa. visto que. não são garantidos com a prisão do devedor. Porém. sabendo da essencialidade do crédito alimentar para o alimentado. que adotemos na prática esta excepcionalidade e só nas situações onde o devedor é recalcitrante e teimoso e. quando o executado está preso. supondo-se que tenha meios de cumprir a obrigação e queira evitar a sua prisão. na grande maioria das vezes. mesmo tendo meios para satisfazer a obrigação não o faz. 439): “neste caso o devedor não adimpliu o crédito alimentar por sua própria conduta” e deverá assumir o ônus do seu ato. Como afirma Luiz Fux. 10170).] Decreta a prisão civil não como pena. É preciso dar uma dose de humanidade às questões que envolvem a relação familiar e não tratá-las unicamente à luz do que está codificado ou normatizado. A prisão civil é meio executivo de finalidade econômica. Não podemos admitir nem concordar com decisão da prisão decretada pura e simplesmente para um devedor que está desempregado ou não é assalariado e vive no mercado informal. mantendo no inconsciente coletivo a máxima de que pensão inadimplida sempre deverá levar o devedor à prisão. Destarte.

Em um país como o nosso. Porém não se poderá lançar mão deste artifício pela simples configuração da escusa não justificada e inadimplemento voluntário. onde se relata a discussão de débito alimentar de um trabalhador informal. que o conduza a uma decisão absolutamente útil. Meios sancionatórios como a prisão civil por dívida não podem cristalizar-se como via primeira e única para a satisfação do crédito alimentar. há na maioria das vezes conseqüências drásticas para o preso por débito de alimentos. Em nossa avaliação a decretação da prisão nem sempre é útil para a satisfação do crédito alimentar. onde a alegação de estar desempregado e trabalhar no mercado informal não é aceita como justificativa plausível para configurar o inadimplemento da pensão alimentícia. onde se exige do juiz uma análise profunda de cada caso sob sua apreciação. além de sua autoestima ser literalmente afetada. Para coibir decisões desta ordem. nem tão pouco realizar atividade laborativa e pagar o que deve. fixará o prazo para o cumprimento da obrigação. além de tudo. é citado que o paciente propôs nos autos da execução o parcelamento do débito existente e mesmo assim foi mantida a sua prisão. 461-A – Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa. ao conceder a tutela específica. não levar em consideração fatos como estes são verdadeiros absurdos. Não esqueçamos também que. Art. O Direito de Família contemporâneo nos direciona para a busca novos paradigmas jurídicos e legais. ficam presos sem possibilidade de quitar o débito. Lembremos que existem precedentes de decretação de prisão. Observemos que no relatório deste HC. e aí nossa defesa são para aqueles que não possuem meios para adimplemento do crédito e não para aqueles que não o fazer por decisão pessoal e são reticentes e relapsos. principalmente os filhos e a sociedade. conforme decisão acima apresentada (HC 22489). Também Meios como a penhora seguida da adjudicação de bens ou penhora seguida da alienação por iniciativa particular ou imposição de astreintes. enquanto não encontramos meios processuais que possam eliminar este instrumento. onde os níveis de desemprego se mantêm no patamar de dois dígitos. pode e deve o Estado-Juiz lançar mão de outros mecanismos processuais para efetivação do dever alimentar.Reiteramos nossa posição de não afastar por completo o mecanismo da prisão do devedor de pensão alimentícia. . à luz do que já acontece com o Direito Penal. com o desgaste de sua imagem perante a família. deverá apresentar 6[6] Código de Processo Civil. podem e dever passar a fazer parte da resolução de lides que envolvem o pagamento de pensão alimentícia. Não são raras as vezes em que o devedor do crédito alimentar. O Direito de Família. o juiz. a exemplo do que estabelece o artigo 461-A do CPC6[6].

Dos Alimentos. Como estabelece a Constituição Federal de 1988. 2º ed. PANÓPTICA – Revista Eletrônica Acadêmica de Direito. REFERÊNCIAS ANGHER. Yussef Said. Alexandre. São Paulo. Maria Berenice. 4ª ed. antecedendo a coerção pessoal. este é um meio de cobrança excepcional e assim deverá ser utilizado. Cristiano Chaves de. 2007.alternativas para que o cárcere seja cada vez mais afastado da vida do homem. 2002. Editora Lúmen Júris. Lições de Direito Processual Civil. Bahia: Editora JusPODIVM. ano 1. A prisão civil por dívida. Rio de janeiro. expropriação de bens. Manual do Processo de Execução. Curso de Direito Processual Civil. FUX. Vade Mecum Acadêmico de Direito. Em síntese. 8ª ed. deve ser repelida no estado democrático de direito. 2007. cobrança de astreintes. 1ª ed. 2. entendemos que deverá haver no processo de execução que cobra débitos alimentares. Editora Revista dos Tribunais. tais como desconto em folha ou alugueres. 2009. DIAS. O novo Processo de Execução. Resta agora caminhar em direção a eliminar a prisão por débito alimentar. CAHALI. O Supremo Tribunal Federal já deu um importante passo nesta direção eliminando a possibilidade de prisão do depositário infiel. o total exaurimento dos demais meios executórios. 4º ed. Rio de Janeiro: Editora Forense. 2008. nº. ASSIS. São Paulo: Rideel. Fredie & Outros. 2010. Que seja possível no futuro a humanização do sistema jurídico com o afastamento da privação de liberdade como mecanismo coercitivo para adimplemento da obrigação alimentar. 2006. . FARIAS. CÂMARA. Editora Revista dos Tribunais. DIDIER JR. São Paulo. numa triste reminiscência aos tempos em que o devedor respondia corporalmente pelas obrigações não atendidas. Manual de Direito das Famílias. Não pode nosso ordenamento jurídico continuar a utilizar como regra a prisão para garantir o pagamento de dívidas. Anne Joyce.São Paulo. vetusto instituto que ainda integra o nosso ordenamento jurídico. 17ª ed. Luiz. Editora Revista dos Tribunais. 4º ed. Arakem de.

Novo Curso de Direito Civil – Obrigações. Editora Atlas. Editora Saraiva. Volume 2.GONÇALVES. São Paulo. 2008. Pablo & PAMPLONA. 2007. . Curso de Direito Processual Civil. 42º ed. Novo Curso de Direito Processual Civil. São Paulo. Curso de Direito Processual Civil. Rio de Janeiro: Editora Forense. Editora Saraiva. Marcus Vinicius Rios. Volume 3. São Paulo. Humberto. Rodolfo. Volume 3. STOLZE. Curso de Processo Civil – Execução. Volume II. TEODORO JUNIOR. 2009. MONTENEGRO FILHO. Luiz Guilherme & ARENHART. MARINONI. 2008. Sérgio Cruz. São Paulo. 5ª ed. Editora Revista dos Tribunais. Misael. 2002.