Apostila de Economia Prof.

Lucas Lautert Dezordi

MATERIAL DE APOIO I MACROAMBIENTE ECONÔMICO Prof. Lucas Lautert Dezordi Mestre e Doutorando em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Professor de Macroeconomia da UFPR: 2001-2003 e atualmente Professor de Macroeconomia da FAE Business School.

1. INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA 1.1 O que é Macroeconomia? A Macroeconomia estuda o comportamento de todos os agentes econômicos (famílias, empresas, governo e resto do mundo) que participam do processo de produção de bens e serviços. Conseqüentemente seu objeto de estudo está focalizado no desempenho econômico do país. Tem como objetivo principal estudar a produção nacional, a composição da renda nacional, as funções da moeda, a determinação da taxa de juros, o comercio exterior e a ação do governo. As principais variáveis macroeconômicas fazem parte das principais manchetes dos jornais. São elas: Produto Interno Bruto de um determinado período (PIB ou PNB); Renda Nacional (Y); Taxa de Juros da Economia (i ou r); Taxa de inflação de um determinado período (); e Taxa de Desemprego (u). 1.2 Formas de Mensuração do Produto O Produto Nacional Bruto (PNB) é o valor monetário de todos os bens finais e serviços produzidos no decorrer de um determinado período (trimestre, semestre e ano). Ele inclui o valor dos bens produzidos, como casas e automóveis e valor dos serviços como educação e segurança. O PNB é gerado no Sistema Econômico de uma nação. Este sistema aloca os fatores de produção (terra, capital e trabalho) para dentro dos setores da economia gerar o Produto e a Renda Nacional. A figura abaixo ilustra como o Produto Nacional e a Renda Nacional são gerados:

FATORES DE PRODUÇÃO

APARELHO PRODUTIVO SETORES DA ECONOMIA

MERCADO NACIONAL

Pontos Importantes (Resumo): -O processo de produção é um processo de geração de renda -Produto Nacional Bruto (PNB) é equivalente (igual) à Renda Nacional Bruta (RNB), em unidades monetárias: PNB=RNB.

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-Há três formas de mensuração do PNB, isto é, da atividade econômica: i) Produto (oferta agregada); ii) Renda (remuneração dos fatores de produção); e iii) Demanda Agregada (dispêndio). i) Ótica do Produto (oferta agregada) Neste caso, o produto nacional será calculado pela somatória de todos os bens e serviços produzidos, em unidade monetária, durante um período de tempo específico. Por Exemplo: Uma hipotética economia registrou no ano de 2003, os seguintes dados macroeconômicos. Produto A B Preço em R$ 7 5 Quantidade em Kg 10 16

Esta mesma economia registrou no ano de 2004, os seguintes dados macroeconômicos. Produto A B Preço em R$ 9 6 Quantidade em Kg 11 19

O Produto Nominal ou a Preços Correntes para os respectivos anos será determinado pela somatória do produto dos preços e das quantidades, descrito a seguir:

PNBno min al   ( pt qt )

(1.1)

O Produto Real ou a Preços Constante é calculado a partir da definição de um ano-base o qual será o período de referência do índice de preços. Neste exemplo poderemos ter dois anos bases: 2003 e 2004. A fórmula do produto real é dada por:

PNBreal   ( p *qt )
Sendo p* o nível de preços do ano-base.

(1.2)

Calcule o PNB real de 2004 a preços de 2003 e o PNB real de 2003 a preços de 2004. Os índices de preços irão mensurar apenas as variações nos preços e são construídos de acordo com a determinação do ano-base. Índice de Preços de Paasche (IP): adota o período final como referência. É calculado pela seguinte equação:

Ip 

pq p q
t 0

t t

(1.3)

Índice de Preços de Laspeyres (IL): adota o período inicial como referência para seu cálculo. É determinado pela seguinte equação:

IL 

pq p q
t 0

0 0

(1.4)

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Índice de Preços de Fischer: é conhecido como o índice ideal e foi proposto para tentar diminuir as distorções dos índices de Laspeyres e Paasche. Com isso, é calculado pela média geométrica destes dois índices:

I F  I L xI P

(1.5)

Pontos Importantes (Resumo): -O PNB nominal mede as variações em preço e quantidade. -O PNB real mede apenas as variações no índice de quantidade. -No ano-base, o PNB nominal será necessariamente igual ao PNB real e o deflator será igual a 1. -Já os índices de preços medem apenas as variações nos preços. -O Índice de Preços de Laspeyres usa o período inicial como referência para o cálculo. -O Índice de Preços de Paasche adota o período final como referência para o cálculo. -O Índice de Fischer é conhecido como o índice geral: média geométrica do IL e IP. Portanto, é muito próximo dos dois índices. -Os índices de preços ao consumidor utilizados no Brasil são obtidos a partir da formulação de Laspeyres. Os mais conhecidos são: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o Índice Geral de Preços (IGP). iii) Ótica da Demanda Agregada O produto calculado pela ótica da demanda agregada é contabilizado pelo gasto realizado por todos os agentes da economia. É importante destacar que a Demanda Agregada é determinada pela geração de Renda na economia. Produto Nacional = Gasto Pessoais em Consumo ( C ) + Gasto do Governo (G) + Investimento Privado Nacional (I) + Exportações de Bens e Serviços não Fatores ( X ) Importações de Bens e Serviços não Fatores ( M ) 

Produto Nacional ( PN ) = C + G + I + X – M

Despesa Nacional

(1.6)

Investimento Privado Bruto: Ib = FBKF + ΔE (1.7) Sendo a FBKF a formação bruta de capital físico corresponde aos gastos com novos equipamentos, edificações, máquinas sem descontar a depreciação do capital; e, ΔE variações nos estoques. Investimento Privado Líquido: IL = FLKF + ΔE (1.8) Sendo a FLKF a formação líquida de capital físico corresponde aos gastos com novos equipamentos, edificações, máquinas descontando a depreciação do capital e, ΔE variações nos estoques. Produto Nacional Bruto ( PNB ) = C + G + Ib + X – M Produto Nacional Líquido ( PNL) = C + G + IL + X - M

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É importante ressaltar que: - PNB=RNB e PNL=RNL. Diferença entre PNB e PIB em um Sistema Econômico O PNB é medido através da renda gerada internamente e no exterior a qual irá ser gasta necessariamente no mercado nacional. Com isso, o PNB expressa o valor global de bens e serviços produzidos por brasileiros localizados no país ou fora dele. O PIB é medido apenas pela renda gerada internamente destinada para o mercado nacional e externo. Com isso, o PIB expressa o valor global de todos os bens e serviços produzidos nos limites geográficos do país. É importante analisar a renda recebida do exterior (RRE) e a renda enviada ao exterior (REE). A Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE) = REE – RRE. Com isso temos três possibilidades: - Se REE > RRE, então: PIB > PNB PIB = PNB + RLEE - Se REE < RRE, então: PIB < PNB PNB = PIB - RLEE - Se REE = RRE, então: PIB = PNB 1.3 Noções Básicas do Balanço de Pagamentos (Setor Externo) O setor externo é representado por todas as transações econômicas entre residentes (famílias, empresas e governo) e não-residentes (resto do mundo), em um determinado período. O Balanço de Pagamentos (BP) registra contabilmente, em dólares norte-americanos (US$), estas transações externas. Créditos: (sinais positivos)  Exportações de bens e serviços não fatores  Recebimentos de doações e indenizações de estrangeiro  Vendas de ativos para estrangeiro  Recebimentos de fretes internacionais, serviços de seguros, etc. Débitos: (sinais negativos)  Importações de bens e serviços não fatores  Pagamentos de doações e indenizações a estrangeiro  Compra de ativos de estrangeiro  Pagamentos de fretes internacionais, serviços de seguros, gastos diplomáticos, etc.

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A estrutura básica de um Balanço de Pagamentos é dada pelas seguintes contas: ESTRUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENTOS (US$) BALANÇA DE TRANSAÇÕES CORRENTES Balança Comercial (FOB – Free on Board) Exportações FOB Importações FOB Balança de Serviços (Invisível) Serviços não Fatores Serviços de Fatores (Renda de Capital) Transferências Unilaterais BALANÇA (MOVIMENTO) CAPITAIS Investimentos Reinvestimentos Empréstimos d Financiamentos a Longo e Médio Prazo Empréstimos a Curto Prazo Amortizações ERROS E OMISSÕES SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS

A A.1. A.1.1. A.1.2. A.2 A.2.1. A.2.2. A.3. B. B.1. B.2. B.3. B.4. B.5. C. A+B+C

Sendo que: A.1. Balança Comercial: inclui basicamente as exportações e as importações de mercadorias. Se as exportações forem maiores do que as importações, a balança comercial do país será superavitária. Se ocorrer o contrário, a balança comercial será deficitária. O termo FOB, free on board, indica que devem ser incluídos nas exportações e importações todos os gastos até o embarque da mercadoria. A.2.1. Balança de Serviços não Fatores: inclui transportes e seguros internacionais, viagens internacionais, gastos governamentais. A.2.2 Serviços de Fatores (Renda de Capital): São incluídos juros, lucros, salários e royalties pagos (ou recebidos) ao exterior. A.3. Transferências Unilaterais (Donativos): Refere-se a pagamentos sem contrapartida de um país para outro, principalmente entre as unidades familiares e os governos. B.1. Investimento: refere-se ao capital de não-residentes no país aplicados no país, sejam diretos ou de carteira. B.2. Reinvestimentos: Refere-se basicamente aos investimentos de empresas estrangeiras já localizadas no exterior. B.3. Empréstimos e Financiamentos a Longo e Médio Prazo: são recursos externos basicamente utilizados para aumentar o ativo imobilizado das empresas. B.4. Empréstimos a Curto Prazo: são recursos destinados a melhorar o ativo circulante das empresas e em geral seu vencimento é menor do um ano B.5. Amortizações: registra os pagamentos do principal referente a empréstimos ou financiamentos obtidos no exterior, ou vice versa. C. ERROS E OMISSÕES: surgem em função de equívocos existentes no registro das operações do país com o exterior

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Desconsiderando a conta “Erros e Omissões” podem determinar que o setor externo pode ser representado pela seguinte relação: SBP = STC + SCK Onde: SBP = Saldo do Balanço de Pagamentos. STC = Saldo em Transações Correntes SCK = Saldo da Conta Capital Pode-se registrar três SBP: - Se o total de Créditos for maior que o total de Débitos externos, em um determinado período, então: SBP > 0, Superávit Externo. - Se o total de Crédito for menor do que o total de Débitos externos, em um determinado período, então: SBP < 0, Déficit Externo. - Se o total de Crédito for igual ao total de Débitos externos, em um determinado período, então: SBP = 0, Equilíbrio Externo.

Pontos Importantes (Resumo): - Se RLEE > 0, então: PIB > PNB. Se RLEE < 0, então PIB < PNB. - O Investimento Bruto é igual a FBKF + ΔE. - O SBP não é necessariamente igual a zero.

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2. AS CONTAS DO SISTEMA FINANCEIRO MONETÁRIO E A CRIAÇÃO DE MOEDA Calculamos o produto (PNB ou PIB) pelo seu valor monetário. No Brasil, o produto é calculado em reais, nos EUA em dólar norte-americano, na Inglaterra a libra e na maioria dos países europeus o euro. Todavia, o que vem a ser moeda? Como ela é criada? Neste item iremos responder essas perguntas. Para um sistema econômico, moeda é representada pelos ativos de elevadíssima liquidez (aceitação generalizada), podendo ser utilizado para a liquidação oficial de uma dívida. No Brasil, a moeda oficial utilizada pelos agentes econômicos é o Real (R$). Esta moeda é conhecida como Meios de Pagamento (MP) e podem estar em duas formas: i) moeda manual, conhecida como Papel Moeda em Poder do Público; e ii) moeda escritural, representada pelo volume de Depósitos à Vista nos bancos comerciais. Neste caso teremos então:

MP  PMPP  DVBC
A criação dos Meios de Pagamento só pode ser realizada pelo: i) ii)

(2.1)

Banco Central do Brasil (Bacen) – Emissão de Moeda Manual; e Bancos Comerciais (BC) – Criação de Moeda Escritural.

Conseqüentemente o Sistema Financeiro Monetário é formado pela Autoridade Monetária (Bacen) e pelos Bancos Comerciais (instituições financeiras autorizadas a receber depósitos à vista).

2.1 Criação de moeda manual (PMPP): O Banco Central tem o poder instituído legalmente para emitir o papel-moeda. Entretanto, nem todo Papel Moeda Emitido (PME) transforma-se em moeda. O quadro abaixo mostra como o PME se transforma em moeda no sistema econômico. 1 passo 2 passo 3 passo Bacen autoriza a emissão de moeda: PME PME – Caixa do Bacen = PMC PMC – Reservas totais nos bancos comerciais (R) = PMPP

Com isso, temos: Reservas Totais = Reservas Voluntárias + Reservas Compulsórias  Reservas Voluntárias no Banco Central: são feitas pelos bancos comerciais com o objetivo de atender excesso de pagamentos frente a recebimentos na compensação de cheques. Reservas Compulsórias ou Obrigatórias: são recolhidas junto ao Banco Central como proporção dos depósitos à vista, e são utilizadas para garantir uma segurança mínima ao sistema bancário.

No Brasil a taxa de compulsório é de 45% sobre os DVbc. PME = Caixa do Bacen + R + PMPP PMC = R + PMPP (2.3) (2.2)

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O Papel Moeda em Circulação (PMC) é conhecido também como Base Monetária (B). Este agregado inclui o papel-moeda emitido pelo governo em poder do público (PMPP) e o volume de reservas mantidos pelos bancos comerciais (R). A Base Monetária pode ser entendido como a moeda “física” disponível na economia (papel moeda e moeda metálica), exceto a que ficou retida no caixa das autoridades monetárias (Bacen). É esta variável que o Banco Central tem controle direto. O balancete consolidado do Bacen pode ser expresso pelas seguintes contas: BALANCETE CONSOLIDADO DO BANCO CENTRAL Ativo Reservas Internacionais Títulos Públicos Redesconto e Empréstimos Outras Aplicações Total do Ativo 

Passivo Passivo Monetário (Base Monetária) Papel Moeda em Poder do Público Reservas Bancárias Passivo não-Monetário Empréstimos do Exterior Total do Passivo

Redesconto ou Assistência Financeira de Liquidez: são créditos em reservas bancárias concedidos pelo Banco Central aos bancos comerciais para cobrir eventuais problemas de liquidez.

2.2 Criação de Moeda Escritural (DVbc): A criação de moeda escritural (bancária ou invisível) ocorre quando um agente econômico toma um empréstimo junto a um banco comercial. Esta instituição realiza uma operação contábil de criação de depósito à vista. Por exemplo: João deposita R$10.000,00 no banco comercial X e deixa o dinheiro na instituição (sabendo que o depósito compulsório é de 30%). José necessitando de recursos pede um empréstimo de R$ 7.000,00 no banco X. BALANCETE CONSOLIDADO DO BANCO COMERCIAL Ativo Conta corrente Empréstimos Títulos públicos Imobilizado Total do Ativo 2.3 O Multiplicador Monetário (m): A quantidade ofertada de base monetária é estabelecida pelo Banco Central. Entretanto, a quantidade de moeda (Meios de Pagamento) na economia é maior que a base monetária, pois o Banco Central não é a única instituição responsável pela criação de moeda na economia, os bancos comerciais também o fazem. Como os bancos sabem que nem todos os clientes desejam sacar ao mesmo tempo seus depósitos, criam moeda escritural em uma quantidade superior às reservas que possuem. Conseqüentemente, os meios de pagamento tornam-se um múltiplo da base monetária, como destacado a seguir.

Passivo Depósitos à vista Depósitos a prazo Empréstimos do exterior Redesconto e empréstimos Total do Passivo

MP  m.B

(2.4)

m = multiplicador monetário ou multiplicador dos meios de pagamento em relação à base monetária.

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O multiplicador monetário pode ser definido como:

m
Onde:

1 1  d (1  R)

(2.5)

d = depósitos à vista nos bancos comerciais/meios de pagamento. R = reservas (encaixes) totais dos bancos comerciais/depósitos à vista nos bancos comerciais.  O multiplicador monetário mede a capacidade dos bancos comerciais em criarem moeda escritural (depósito à vista).

Por exemplo: se o multiplicador monetário de uma economia for de 1,54 e o Banco Central aumentar a base monetária em 100 milhões de unidades monetárias, então os meios de pagamento serão expandidos em 154 milhões de unidade monetária. O multiplicador monetário é função de duas variáveis: d e R: - Quanto maior d, mais recursos líquidos os bancos comerciais irão ter para emprestar e, com isso, maior será o multiplicador monetário, m. -Quanto maior R, menos recursos líquidos terão os bancos comerciais para emprestar e, com isso, menor será o multiplicador monetário, m. Sendo: c = papel moeda em poder do público/meios de pagamento Temos que: c+d=1 Atualmente, no Brasil c = 30% e d = 70%. (percentuais aproximados). Pontos Importantes (Resumo): - Bacen e Bancos Comerciais criam moeda na economia. - O PME não é necessariamente moeda. - A Base Monetária é controlada diretamente pelo Banco Central. - O multiplicador monetário mede a capacidade de criação de moeda escritural (empréstimos) dos bancos comerciais. -Quanto maior d, maior será m. -Quanto maior c, menor será então d e m. -Quanto maior R, menor será m.

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3. MACROECONOMIA KEYNESIANA A macroeconomia keynesiana surge a partir do livro do economista inglês John Maynard Keynes, de 1936, intitulado: “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”. Esta obra tinha como objetivo explicar de forma agregada (geral) o funcionamento de um sistema econômico capitalista e, ajudar os países a saírem da Grande Depressão da década de 1930. Os efeitos da depressão foram severos. Nos EUA de 1929 (após o crise na bolsa de Nova York) a 1933, o PNB caiu de US$104,4 bilhões para US$56 bilhões, uma redução na ordem de 46%; a produção industrial caiu 50% e o investimento bruto passou de US$16 bilhões para US$1 bilhão. Os preços dos produtos agrícolas caíram 55%, o custo de vida 31% e os preços dos bens de produção 26% (Deflação). O desemprego passou de 1,5 milhões para 13 milhões de pessoas, jamais descendo para 7 milhões até 1940 o que equivaleria a 25% da força de trabalho. Queda dos salários em 60% e aumento da pobreza nos EUA. O desemprego foi o pior problema social vivido pelas economias desenvolvidas. Por exemplo, nos países europeus o desemprego alcançado em 1932 foi de 5,2 milhões de trabalhadores na Alemanha e 3,5 milhões na Inglaterra. A teoria keynesiana é apresentada em duas partes: i) o modelo keynesiano simples (MKS), onde a taxa de juros (i) é supostamente constante, ou seja, não irá determinar o investimento; ii) o modelo keynesiano generalizado (MKG) conectando o lado real e monetária através da taxa de juros da economia 3.1 Hipóteses básicas do Modelo Keynesiano As hipóteses básicas do modelo são: i) A economia apresenta capacidade ociosa no seu nível de produção, com isso, as empresas podem aumentar seu volume de produção sem elevar os preços. ii) O nível de Renda (Produção) é determinado exclusivamente pelo nível de Demanda Agregada da economia iii) É uma teoria de curto prazo, com estoque e preços constantes. 3.2 O Modelo Keynesiano Simplificado O modelo keynesiano simplificado é analisado a partir do equilíbrio macroeconômico o qual é observado quando:

OFERTA AGREGADA (OA) = DEMANDA AGREGADA (DA) Isto significa dizer que toda a produção da economia no período será vendida aos agentes econômicos, ou seja, a economia não apresenta variações nos estoques. Os desequilíbrios macros podem ocorrer, mas serão corrigidos pela produção. Por exemplo: OA > DA, então teremos superprodução e aumento nos estoques ΔE > 0. Com isso, a produção irá ser reduzida para se equilibrar com a demanda. OA < DA, então teremos excesso de demanda e diminuição nos estoques ΔE < 0. Com isso, a produção irá ser expandida para se equilibrar com a demanda. 3.2.1 Composição da Demanda Agregada DA = C + I + G + X – M (3.1)

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Função Consumo Keynesiana A função consumo mostra que os gastos com a aquisição de bens de consumo das Famílias (C) d estão diretamente relacionados ao nível de renda disponível (Y ). Assim, quanto maior a renda disponível, maior será o consumo. O comportamento do consumo em relação à renda disponível pode ser representada pela seguinte função linear: C = a + bY Onde: a = Consumo autônomo b = Propensão marginal a consumir (PMgC) d Y = Renda Disponível Y = (Y – T) Y = Renda Nacional T = Impostos Diretos A propensão marginal a consumir, representada pelo parâmetro b, mede o acréscimo no consumo d ΔC decorrente no acréscimo da renda disponível ΔY . Por exemplo, se a renda disponível aumentar em $100 unidades monetárias e isto causar um aumento em $80 unidades monetárias no consumo, então a propensão marginal (adicional) a consumir será de 0,8 ou 80%:
d d

(3.2)

b
A PMgC é maior do que zero e menor do que 1. Função Poupança Keynesiana

C Y d

A função poupança keynesiana é derivada da própria função consumo. Sabendo que a popança (S) é a parcela da renda disponível (Yd) não gasta em consumo (C), temos que: S=Y –C Como C = a + bY , então S = Y – (a + bY ) S = -a + (1-b)Y Sendo: (1-b) = Propensão marginal a Poupar (PMgS ou s) b+s=1 Exemplo: uma hipotética economia registrou os seguintes dados sobre a função consumo: C = 100 + 0,8Y
d d d d d d

(3.2’)

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Complete o quadro abaixo: Renda Disponível, Y 800 1.000 1.250 1.500
d

Consumo, C

PMgC, b ------

Poupança, S

PMgS, s ------

Função Investimento No modelo keynesiano simplificado (MKS) o investimento não está correlacionado à taxa de juros. Em geral ele é representado pela seguinte função constante:

II
Onde: I = Gasto em investimento das empresas

(3.3)

I  Gasto autônomo do investimento
Iremos considerar também os gastos do governo e as exportações como autônomas

GG
XX

(3.4)

(3.5)

As importações podem ser autônomas ou relacionadas ao nível de renda. Perceba que quanto maior a renda, isto é, o crescimento da economia, maior será o volume de importações. O m representa a propensão marginal a importar.

M M
ou

(3.6) (3.6’)

M  M  mY
3.2.2 Determinação da Renda de Equilíbrio no MKS

Sabendo que o nível de renda no MKS é determinado pela Demanda Agregada em equilíbrio, representada pela identidade 1, e substituindo as equações 2-6 em 1, temos de acordo com o exemplo:

Exemplo 1: C = 70 + 0,8Y I = 80 G = 90 T = 75 X = 50 M = 30
d

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O equilíbrio macroeconômico ocorre quando: Y=C+I+G+X-M Y = 70 + 0,8Y + 80 + 90 + 50 - 30 Y = 260 + 0,8Y
d d d

Como Y = Y – T, isto é: (Y – 75): Y = 260 + 0,8(Y – 75) Y = 260 + 0,8Y – 60 Y – 0,8Y = 200 Y(1 – 0,8) = 200

Y

1 200 1  0,8

O multiplicador keynesiano (k) será obtido pela seguinte expressão:

k

1 1 b

Sendo b = 0,8 então k = 5 O nível de gastos autônomos (A) será obtido pela seguinte expressão A = a + I + G + X – M - bT Neste caso A = 70 + 80 + 90 + 50 – 30 – 0,8.(75) = 200 E, o nível de renda de equilíbrio da economia será: Y = 5.(200) Y = 1.000 Renda de Equilíbrio é obtida pela seguinte equação: Y = k.A

3.2.3 Mudanças no nível de gastos autônomos e variações na renda de equilíbrio: Considerando o exemplo acima (Exemplo 1), calcule o novo nível de renda de equilíbrio, caso o governo aumentasse seus gastos para 190 unidades monetárias. Primeiro: o multiplicador keynenesiano iria permanecer o mesmo, k = 5 Segundo: o nível de gastos autônomos seria:

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A = 70 + 80 + 190 + 50 – 30 – 0,8.(75) A = 300 Terceiro: a nova renda de equilíbrio seria de: Y = 5.(300) Y = 1.500 Quarto: a variação da renda de equilíbrio seria de: ΔY = (Y2 – Y1) ΔY = (1.500 – 1.000) = 500 Ou ΔY = kΔG ΔY = 5.(190-90) ΔY = 5.(100) = 500 Neste nosso exemplo, o governo aumentou seus gastos em $100 unidades monetárias e a renda de equilíbrio da economia se expandiu em $500 unidades monetárias. Por quê?

Pontos Importantes (Resumo): MKS - No MKS o investimento não está relacionado à taxa de juros. - A Demanda Agregada irá determinar o nível de Renda e Produção da economia. - A renda de equilíbrio é determinada por: Y = k.A - Variações na renda de equilíbrio devido à mudanças nos gastos autônomos são obtidas pela seguinte equação: ΔY = kΔA