TEMA 1 – AS BASES DO DIREITO ELEITORAL Democracia e sufrágio universal − Nem sempre um regime é democrático.

Há também os regimes autocráticos, isto é, que não representam a vontade popular. É o caso das ditaduras, tiranias e impérios. − A democracia pode ser direta, representativa ou semidireta. A direta é aquela em que os próprios cidadãos, geralmente reunidos em determinado local público, legislam e deliberam sem a necessidade de representantes. A representativa, por sua vez, é aquela em que não há deliberação pelo povo, mas sim por seus representantes eleitos. Já a semidireta reúne características dos dois regimes anteriores, sendo a adotada no Brasil e na grande maioria dos países ocidentais. Ressalte-se que, em qualquer dos regimes democráticos, o poder pertence ao povo, ainda que seu exercício seja eventualmente delegado a representantes. − Características da democracia brasileira: − Igualdade de voto – a participação de cada eleitor tem o mesmo peso, isto é, não há votos mais importantes do que outros; − Universalidade – vigora o sufrágio universal, o qual prevê a capacidade eleitoral ativa e passiva de todos os cidadãos (salvo exceções); − Liberdade de escolha – para que se garanta a liberdade de escolha e se evite a coação na votação, o voto é secreto; − Periodicidade – não há hereditariedade ou vitaliciedade nos mandatos eletivos, ou seja, eles possuem duração definida. − Seria o voto um direito ou um dever? Não há dúvida de que o voto é um direito. Mas parte da doutrina entende que o dever não é de votar, e sim o de comparecer à seção eleitoral no dia da votação, pois o voto branco e o nulo não são contabilizados como votos. Participação direta do povo − Dado que o Brasil é uma democracia semidireta, há três hipóteses, constitucionalmente previstas, de deliberação popular direta: o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular. − O plebiscito consiste em consulta prévia à população acerca de projeto de lei ainda não aprovado. Para a convocação deve haver iniciativa de 1/3 (um terço) dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional, sendo aprovada mediante decreto legislativo. Em 1993, houve um plebiscito para se decidir entre o presidencialismo e o parlamentarismo no Brasil. − Já o referendo é uma consulta posterior, isto é, após o início da vigência da lei. Trata-se, portanto, de sanção ou veto popular. O procedimento no Congresso é o mesmo adotado para o plebiscito. Em 2005, houve um referendo para se analisar o art. 35 da Lei 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento), que proibia a comercialização de armas de fogo no Brasil. − A iniciativa popular, por sua vez, é a apresentação de projeto de lei popular, de interesse nacional, à Câmara dos Deputados, que é o órgão

Vejam-se: − Obrigatoriedade de apresentação de dois documentos – a epigrafada lei passou a obrigar os eleitores a apresentar. O voto também é facultativo para os analfabetos. − A Lei das Eleições (9. DF e Municípios). o eleitor vota diretamente no candidato a representante. Aqui. o novo Presidente será eleito pelo Congresso Nacional. pois a tarefa de comparecer à seção eleitoral não pode ser delegada a terceiros. exigem-se 5% do eleitorado da região. isto é. como ocorre nos Estados Unidos. − O voto é direto. a que visa a prover interesse específico de determinado local (cidade. Um eminente exemplo de projeto de lei complementar de iniciativa popular foi o Ficha Limpa. O primeiro reflete a discordância do eleitor em relação a qualquer parte do sistema eleitoral. razão pela qual foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A iniciativa popular é permitida para a apresentação de projetos de lei ordinária e complementar. São proibidos de votar os conscritos no serviço militar e os estrangeiros sem cidadania brasileira. os votos serão impressos e .representante do povo. É facultativo para os menores com 16 e 17 anos. no momento da votação. distribuído em pelo menos 5 Estados. posteriormente aprovado pelo Congresso Nacional. sem que o vice possa assumir. embora eles não possam ser votados. − Há. segundo José Afonso da Silva. Portanto. − Criação do voto impresso auditado (a partir das eleições de 2014) após a votação na urna eletrônica. a iniciativa popular local.507/97) passou a prever o sistema eletrônico de votação e de contabilização dos votos como obrigatório. viagem ou qualquer outro motivo) deve justificar a ausência. enquanto o segundo representa a não adesão às candidaturas lançadas. − O voto é pessoal. só podendo ser utilizado o sistema convencional em casos excepcionais. sendo que uma delas já foi declarada inconstitucional. Vale ressaltar que o projeto de lei de iniciativa popular não pode ser rejeitado por vícios de forma ou erros de redação. de emendas constitucionais.). contudo. − Tanto o voto nulo quanto o branco não são considerados votos válidos. − Já a Lei da “Reforma Eleitoral” (12. Eleição dos representantes − O voto é obrigatório para os maiores de 18 e menores de 70 anos. com não menos de 0. e não pelo povo. Para que o Congresso analise o projeto. bairro.3% do eleitorado de cada um deles.034/09) implantou duas mudanças bastante polêmicas. bem como para os maiores de 70. uma hipótese de voto indireto prevista na CF/88: vagando o cargo de Presidente da República nos dois últimos anos de mandato. a pessoa que estiver impossibilitada de comparecer à sua seção (por doença. etc. Tal regra também pode ser aplicada nos demais entes federativos (Estados. Há. deve haver subscrição de no mínimo 1% do eleitorado nacional. bem como. ainda. e não em um intermediário. isto é. Tal medida veio a constituir claro obstáculo ao exercício do direito de voto. o título de eleitor e um documento de identidade com foto.

que possuem força de lei ordinária. − Dado que a competência para legislar sobre matéria eleitoral é privativa da União. que altera a Lei das Inelegibilidades (1990). com vistas a conferir a veracidade das informações. com o objetivo de retomar a moralidade e a probidade no Poder Legislativo. juízes) só pode ser regulamentada ou modificada por meio de lei complementar.depositados em uma urna lacrada. demitir. − Lei das Inelegibilidades (1990) – lei complementar que prevê hipóteses de inelegibilidade. a referida lei não atinge as eleições realizadas em até 1 ano após o início da sua vigência. − Ao contrário do que ocorre no Direito Tributário. Foi alterada pela Lei da Ficha Limpa. de iniciativa popular. de acordo com o princípio da anterioridade eleitoral (art. − Lei da “Reforma Eleitoral” (2009) – promoveu uma verdadeira reforma no sistema eleitoral. as leis ordinárias e leis complementares que dispõem sobre matéria eleitoral e as resoluções do TSE. − A organização da Justiça Eleitoral (competências. Também é proibido o uso de lei delegada. nomear. 16 da CF/88). a jurisprudência e os estatutos partidários. Este. vejam-se as principais leis eleitorais: − Código Eleitoral (1965) – foi recepcionado pela CF/88 com status de lei complementar. fontes e princípios do Direito Eleitoral − O Direito Eleitoral. é o ramo do Direito Público que regula o processo eleitoral. tribunais. − As fontes diretas. são a Constituição Federal. Proibições nos 3 meses que antecedem as eleições − É vedado aos agentes públicos. por sua vez. Conceito. tem início com o alistamento dos eleitores e vai até a diplomação dos candidatos eleitos. alterando as leis supracitadas. Por esse motivo. é expressamente defesa a utilização de medida provisória para regulamentar matéria eleitoral. funcionamento. − Lei da Ficha Limpa (2010) – trata-se de lei complementar. exonerar ou remover servidores . − Lei das Eleições (1997) – implantou o sistema eletrônico de votação e de contabilização dos votos. As fontes indiretas são a doutrina. espelhado em decisão do STF. Uma das mudanças foi o voto impresso auditado. as mais importantes. nos três meses antecedentes das eleições: − Contratar. Já foi bastante alterado por outras leis. Cada zona eleitoral terá 2% de suas urnas auditadas. a ser implantado a partir das eleições de 2014. − Lei dos Partidos Políticos (1995). − A lei que dispõe sobre matéria eleitoral entra em vigor na data de sua publicação. como se sabe. No entanto. a Lei da Ficha Limpa não alcançou as eleições havidas no ano de 2010.

seja por nascimento ou naturalização. − Realizar pronunciamento em cadeia de rádio e televisão. jamais ela poderá ser tácita.públicos (não se inclui a nomeação de concursos públicos anteriormente homologados. Não podem se alistar os conscritos no serviço militar e os estrangeiros sem cidadania brasileira. ou seja. − O brasileiro nato tem até os 19 anos para se alistar. com idoneidade moral e residência no Brasil há 1 ano ininterrupto – é um ato discricionário do Presidente da República. facultativo aos analfabetos. mas também opinar em plebiscitos/referendos e assinar projetos de lei de iniciativa popular. Ressalte-se que os indivíduos temporariamente doentes. o alistamento é obrigatório. aos menores de 16 e 17 anos ou maiores de 70. Do mesmo modo que o voto propriamente dito. Também é permitida a exoneração de ocupantes de cargos em comissão. Já a cidadania é o exercício de direitos e deveres. A naturalização ordinária – para indivíduos oriundos de países de língua portuguesa. os que se encontrem fora de seu domicílio eleitoral e os funcionários em serviço no dia da eleição se isentam apenas do voto. policiais e agentes penitenciários). isto é. − Veicular publicidade institucional nos meios de comunicação. O indivíduo dotado de capacidade eleitoral ativa pode não só votar nos candidatos a representante. Já a naturalização extraordinária – para todos os estrangeiros sem condenação penal e com residência há 15 anos no Brasil – é um ato vinculado do Presidente. − É facultativo o alistamento eleitoral aos chamados índios “integrados”. TEMA 2 – DIREITOS POLÍTICOS (OU CÍVICOS) − A nacionalidade é o vínculo jurídico-político que une um indivíduo a um Estado. É. sem o requerimento do estrangeiro. que se materializa através do título de eleitor. aqueles que se expressem em português e que portem algum documento de identificação. não se trata de direito subjetivo do estrangeiro. do Ministério Público. porém. dos Tribunais de Contas e da Presidência da República. O prazo limite para o alistamento eleitoral é de 5 meses antes das próximas eleições. − Quanto à naturalização. − O primeiro e mais importante passo para a aquisição da capacidade eleitoral ativa é o alistamento eleitoral. de modo que há direito subjetivo do indivíduo. enquanto o naturalizado deve alistar-se em até 1 ano após a naturalização. mas não do alistamento eleitoral. Capacidade eleitoral ativa e alistamento eleitoral − Sabe-se que a capacidade eleitoral ativa é a de votar. o indivíduo sofre sanções. bem como a nomeação para cargos do Judiciário. isto é. enquanto a passiva é a de ser votado. assim como a remoção de ofício de militares. . aos inválidos (que não puderem manifestar suas vontades) e aos brasileiros no exterior. Caso não se aliste.

a idade mínima requerida é de 16 anos. Trata-se. o fornecimento de certidões de nascimento e de casamento. A inscrição é efetivada através do preenchimento do RAE – Requerimento de Alistamento Eleitoral. para fins de alistamento. acarreta dispensa de 2 dias para o trabalhador. Por outro lado. bem como a transferência do título de eleitor. é gratuito.− O alistamento. de incentivos legais ao exercício dos direitos e deveres eleitorais. . completos até a data da eleição. − Para se alistar. portanto.