CORTINAS COM UM APOIO ESTRUTURAL NA PARTE SUPERIOR: DIMENSIONAMENTO PELOS MÉTODOS TRADICIONAIS E PELO EUROCÓDIGO 7 SINGLE PROPPED RETAINING

WALLS: COMPARISON BETWEEN CONVENTIONAL DESIGN PRATICE AND THE APLLICATION OF EUROCODE 7 Vieira, Castorina Silva - Assistente, Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Matos Fernandes, Manuel - Prof. Catedrático, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

RESUMO Neste trabalho faz-se uma recensão dos métodos de cálculo mais vulgarmente utilizados no dimensionamento de estruturas de suporte flexíveis com um apoio estrutural perto do topo, designadas por estruturas de suporte monoapoiadas. Procede-se a um estudo comparativo dos resultados desses métodos e ainda da aplicação do Eurocódigo 7. É apresentado um estudo paramétrico envolvendo os métodos de equilíbrio limite onde se compara as diferentes formas de introduzir a segurança (as clássicas e os chamados casos B e C do Eurocódigo 7) e analisa a influência da resistência da interface solo-cortina e da posição do nível freático. ABSTRACT In this work a critical appreciation of the methods of design commonly used in single propped retaining walls is presented. A comparative study of the results of these methods and the application of Eurocode 7 is carried out. A parametric study involving limit equilibrium methods is presented comparing the distinct ways of introducing the safety in the design (the classical ones and the so-called cases B and C of Eurocode 7) and analysing the influence of shearing resistance and the position of the water table.

1 - INTRODUÇÃO As estruturas de suporte flexíveis com um apoio estrutural perto do topo, designadas por estruturas de suporte monoapoiadas podem constituir soluções atractivas para o suporte de escavações quando estas não se situam nas imediatas proximidades de estruturas e infraestruturas particularmente sensíveis aos movimentos do terreno. A estabilidade das cortinas monoapoiadas depende das tensões desenvolvidas ao longo da sua altura enterrada e da reacção no apoio estrutural. O cálculo desta altura enterrada, bem como dos esforços na cortina é usualmente efectuado com base em métodos de equilíbrio limite (Vieira, 1997). No presente trabalho faz-se uma recensão dos métodos de dimensionamento mais vulgarmente utilizados e procede-se a um estudo comparativo dos resultados desses métodos e ainda da aplicação do Eurocódigo 7 (ENV 1997-1, 1994). O trabalho termina com a explanação de algumas conclusões de interesse prático, com destaque para o uso do Eurocódigo 7. 2 - MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO DE CORTINAS MONOAPOIADAS 2.1 - Generalidades O dimensionamento de estruturas de suporte monoapoioadas é frequentemente baseado em cálculos aproximados de equilíbrio limite, sendo aplicado um coeficiente de segurança para assegurar a

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Fp. Conhecida a geometria da cortina e a distribuição de pressões de terras é possível determinar a força que o apoio recebe. Os métodos clássicos para o dimensionamento destas estruturas diferem essencialmente no tipo de apoio que admitem no pé da cortina e na forma como é introduzida a segurança.Proposta Alemã para o Eurocódigo 7 (Shuppener. Fnp.a cortina é apoiada na ancoragem (ou escora) e no seu pé.existência de ambos os lados da cortina de estados de equilíbrio limite.35. aplicam-se coeficientes de segurança (γM) superiores à unidade aos valores característicos dos parâmetros de resistência do solo. v) aplicando às acções permanentes e às acções variáveis factores iguais a 1.0 (Figura 1(b)). iii) afectando (dividindo) a soma algébrica das pressões passivas e activas respeitantes ao solo abaixo da escavação (net passive earth pressures) por um coeficiente de segurança. A altura enterrada mínima é determinada por forma a assegurar o equilíbrio de momentos das pressões activas e passivas em relação ao ponto de apoio da cortina.40 .35 e 1. Com o conhecimento da totalidade das forças aplicadas à cortina determina-se o diagrama de momentos flectores e o respectivo valor máximo. Fnp (Figura 1(c)). 1998). iv) introduzindo coeficientes parciais de segurança. 2. através de uma equação de equilíbrio em termos de forças horizontais. neste caso. 1981) sugerem que se utilize o valor de 2..a cortina é analisada como uma viga solicitada pelas pressões do solo.0 para o coeficiente de segurança. ii) afectando (dividindo) o impulso passivo do solo que se estabelece em frente à cortina por um coeficiente de segurança. o que implica o agravamento das pressões activas e a redução das pressões passivas (Figura 1(d)). 1994. Este método pode aplicar-se de várias formas no que respeita à introdução da segurança: i) multiplicando a altura enterrada mínima da cortina. respectivamente e afectando (dividindo) o impulso passivo que se estabelece em frente à cortina por um factor de valor igual a 1. são afectadas (multiplicadas) de um factor igual a 1. para o Caso B do mesmo código trabalhar-se-á com os valores característicos dos parâmetros de resistência. 1983): .7 (d’ é a altura enterrada correspondente a um coeficiente de segurança unitário em relação à rotura da cortina por rotação em torno do ponto de apoio). . mas as acções permanentes (peso próprio do terreno) ou o seu efeito.5 e 2. o que equivale a considerar uma apoio simples no pé da cortina. processo adoptado por Tschebotarioff (1973) (Figura 1(a)). 1248 . que em geral toma valores compreendidos entre 1. os autores desta proposta (Burland et al. em que o factor de segurança relativo às acções permanentes é unitário. o apoio admitido pode ser um apoio simples ou um encastramento. Admite-se que se estabelece o estado de equilíbrio limite activo atrás da cortina e que a resistência passiva do solo em frente a esta é completamente mobilizada. Os métodos clássicos de cálculo para cortinas monoapoiadas têm em consideração os seguintes aspectos (Matos Fernandes.Apoio simples do pé da cortina ("Free-earth support method") Um dos métodos de cálculo mais antigos é aquele que considera que as condições impostas pelo solo à parte enterrada da cortina não são suficientes para produzir nesta momentos negativos.2 .50. para o chamado Caso C do ENV 1997-1.VII Congresso Nacional de Geotecnia estabilidade e para reduzir os movimentos do solo e os deslocamentos da estrutura a níveis aceitáveis. d’. por um factor 1. .

Cálculo Mmax h h Ia d -∑ MP = 0 → d -∑ Fx = 0 → Fe . a relação x/h.d = 1. Para a realização do encastramento é indispensável a mobilização de uma força. δ P (b) γ. δ φ’d φ’ . Para o aplicar é necessário localizar o ponto da cortina nas proximidades do fundo da escavação onde se anula o momento flector. (b) . φ’. Rd. Fe P γ. Conhecida a profundidade desse ponto é possível decompor a estrutura em duas vigas isostáticas.3 . (d) . e que é habitualmente designada por "contra-impulso passivo". φ’.Cálculo M max d Ia(φ’d) Ip(φ´d) I np / Fnp (c) (d) Fig.∑ Fx = 0 → Fe . Admite portanto o encastramento do pé da cortina. δ Fe P γ. 1 . Ri.0. com o ângulo de atrito do solo. 1249 .Método que admite o apoio simples do pé da cortina e as suas variantes de acordo com a forma de introduzir a segurança: (a) .∑ MP = 0 → d’ .∑ MP = 0 → d .1. Blum relacionou a profundidade do ponto de inflexão da deformada abaixo do fundo da escavação. (c) . x. ponto esse que corresponde ao ponto de inflexão da deformada.7d’.Aplicação dos Códigos Estruturais 2. em que h é a altura da escavação. Para valores do ângulo de atrito do solo superiores a 30º e para maciços totalmente emersos. A parte inferior da cortina é considerada como uma viga simplesmente apoiada na qual se conhece a reacção no apoio superior.Fp = 2.∑ Fx = 0 → Fe .Cálculo M max . que representa o impulso passivo desenvolvido atrás da cortina na sua extremidade inferior. φ’. Através de uma equação de equilíbrio de momentos determina-se o vão da viga referida e posteriormente a altura enterrada da cortina.Fnp = 2. A reacção no apoio e o diagrama de momentos flectores na cortina acima do ponto de inflexão calculam-se considerando a cortina acima desse ponto como uma viga isostática. e se desconhece o seu vão.0.Caso C (EC7) A Figura 2 ilustra a aplicação do método que admite o encastramento do pé da cortina na sua versão atribuída a Blum (1931) aplicável a maciços emersos ou totalmente imersos. como ilustra a Figura 2(b) e (c).∑ MP = 0 → d . δ h h Ia d .Cálculo M max Ip (a) Fe P Fe γ. A forma mais corrente de aplicar este método é o chamado método da viga equivalente (Blum.∑ Fx = 0 → Fe . φ’.7d’ d Ia Ip / Fp . 1931).d = 1.Encastramento do pé da cortina ("Fixed-earth support method") Este método clássico considera que as condições impostas pelo solo à parte enterrada da cortina são suficientes para produzir nesta momentos flectores negativos. toma valores inferiores a 0.

h. de modo a cobrir a gama mais comum de valores deste parâmetro.1 . a altura enterrada da cortina (d) é directamente proporcional à profundidade da escavação. dependendo ainda do peso 1250 . φ’ .∑ MA = 0 . As pressões em causa correspondem a admitir que a perda de carga é proporcional à distância percorrida pelas partículas de água.vigas isostáticas em que a estrutura é decomposta No estudo considerou-se um maciço homogéneo em condições drenadas e com um ângulo de atrito φ’ variando entre 20º e 40º.Generalidades Tendo como objectivo a comparação de resultados obtidos pelas diferentes formas de introduzir a segurança no dimensionamento de cortinas monoapoiadas efectuou-se o estudo paramétrico que seguidamente se apresenta. O peso volúmico do solo foi variando em concomitância com o ângulo de atrito.Cálculo de M+max . desde os maciços argilosos aos solos granulares compactos. Esta mesma figura ilustra as pressões da água sobre a cortina admitidas para o caso em que o nível freático se encontra à superfície no exterior e do lado da escavação é mantido coincidente com a base desta por bombagem permanente (Escavação M3). conforme ilustra a Figura 3. Fe γ.∑ MB = 0 → l . respectivamente. 2 .∑ Fx = 0 → Rd . O estudo envolveu ainda a consideração para cada caso de dois valores para o ângulo de atrito da interface solo-estrutura (δ = 0 e δ = (2/3)φ’) e ainda três posições referentes ao nível freático.ESTUDO PARAMÉTRICO 3. enquanto o momento flector máximo (Mdmax) e a reacção no apoio (Fe) são proporcionais. δ h Ponto de inflexão Ia d’ Ip Rd (a) Fe . (b) e (c) .diagramas de pressões sobre a cortina.Método que admite o encastramento do pé da cortina: (a) . As designações usadas para distinguir estas condições encontram-se na Figura 3. ao cubo e ao quadrado dessa mesma profundidade.∑ Fx = 0 → Fe → Ri .d = 1.2 (x+l) Ri l x A Rd Ri (b) B (c) Fig. Considerando um maciço homogéneo e o nível freático em qualquer das posições referidas na Figura 3.VII Congresso Nacional de Geotecnia 3 .

2 . isto é. respectivamente. os esforços estruturais (reacção no apoio e momento flector máximo na cortina) nos cálculos em que não foi aplicado o EC7 foram multiplicados por um factor de 1.Condições de base para o estudo paramétrico e hipótese de distribuição das pressões da água sobre a cortina para a Escavação M3 Para efeito de comparação de resultados.Influência das condições do nível freático A Figura 4 resume os resultados obtidos para as três escavações em estudo. com a resistência efectivamente mobilizada nas interfaces contabilizando o peso próprio da cortina.0 sobre as pressões passivas é mais conservativa do que o método que prevê a majoração da altura enterrada mínima (d = 1. Em relação aos esforços estruturais.7d’ para qualquer das posições do nível freático consideradas. Esta constatação é válida quer para a geometria da estrutura. o método Fp = 2. considerando que o ângulo de atrito na interface solo-cortina é igual a 2/3 do valor do ângulo de atrito do solo. As Figuras 4(a). Mdmax/(γh3) e Fe/(γh2) são independentes da profundidade da escavação.7d’) nas Escavações M1. Neste estudo paramétrico não se considerou explicitamente o equilíbrio vertical de forças dado que se verifica ser possível conseguir este equilíbrio. h. do ângulo de atrito na interface solo-parede. que se o nível freático se encontrar numa posição distinta das indicadas. quer para os esforços estruturais.Nível freático à profundidade h Escavação M3 . no que se refere à geometria da cortina. por exemplo intermédia entre a superfície e o fundo da escavação ou entre este e o pé da cortina já não se verifica esta independência. φ’. Na maioria das situações analisadas as curvas relativas à reacção no apoio têm uma evolução semelhante à dos momentos flectores na cortina.Aplicação dos Códigos Estruturais volúmico do solo. 30º e 35º. 3 . Como as relações d/h. os resultados deste estudo apresentam-se em função destas relações. (Escavação M3) γ (kN/m 3 ) h φ' (º) 18 20 19 25 20 30 21 35 22 40 Pressão hidrostática δ=0 δ = 2/3 φ’ Pressão admitida (Escavação M3) Escavação M1 .35. que a aplicação de um coeficiente Fp = 2. Essas constantes de proporcionalidade dependem logicamente do valor do ângulo de atrito do solo.Nível freático à superfície γwd γ w (h+d) γ wh ×d h + 2d γ wh × (h + d) h + 2d Fig. e da posição do nível freático. no entanto. As pressões de terras foram calculadas pela teoria de Caquot-Kérisel.0 fornece resultados ligeiramente menos conservativos do que a aplicação de Fp = 2. 4(c) e 4(e) referem-se à relação d/h e as restantes figuras dizem respeito à relação Mdmax/(γh3). δ.0 é sempre mais conservativo do que o método d = 1. M2 e M3 apenas para valores do ângulo de atrito dos solo inferiores a cerca de 25º. chamando-se a atenção do leitor sempre que tal não se verifique.Sem nível freático d Escavação M2 .0 sobre as pressões passivas apenas para valores do ângulo de atrito inferiores a cerca de 30º. O uso do coeficiente Fnp = 2. Note-se. para as três posições do nível freático admitidas. para 1251 . A análise dos resultados permite constatar. 3.

o Caso C origina valores intermédios entre o método que se designou por d =1. constata-se que em relação à geometria da estrutura.15.0 são mais acentuadas. para a gama de valores do ângulo de atrito analisada e para as posições do nível freático admitidas.7d’ são quase coincidentes. para as três posições do nível freático admitidas e para a gama de valores do ângulo de atrito considerada. particularmente para ângulos de atrito baixos. Quando se considera nula a resistência na interface solo-cortina (δ = 0). Da análise das Figuras 6(a) e 6(c) verifica-se que em termos de altura da cortina as diferenças entre o método d = 1. evidencia que. considerando duas hipóteses relativas à resistência da interface solo-cortina. equivale a majorar os esforços estruturais obtidos com os valores característicos dos parâmetros do terreno com o coeficiente parcial de segurança γG = 1. 1252 . Por outro lado. as diferenças entre os métodos que se têm designado por Fp = 2. Note-se que o Caso B. e para a gama de valores do ângulo de atrito do solo considerada. Em termos de esforços estruturais. para qualquer das posições do nível freático. como seria de esperar.0.0 para valores do ângulo de atrito elevados (próximos de 40º). o Caso C apenas é menos conservativo do que os métodos clássicos para valores do ângulo de atrito do solo inferiores a cerca de 35º. quando se admite que a resistência na interface é nula. A análise comparada das Figuras 4(c) e 5(a) e das Figuras 4(d) e 5(b). quando se considera δ = 0 ocorre um aumento significativo dos valores da altura da cortina e dos esforços estruturais.7d’ (coincidente com o Caso B em termos de esforços estruturais) e os métodos Fp = 2.Pesquisa do valor do coeficiente parcial de segurança γM fornecendo resultados equivalentes aos métodos de Tschebotarioff e Alemão A Figura 6 ilustra a evolução das relações d/h e Mdmax/(γh3) para a Escavação M2 admitindo diferentes valores de γM (1. quando se considera o nível freático à superfície e δ = 0 os valores da reacção no apoio obtidos para o Caso C e para d = 1. Constata-se ainda que a Proposta Alemã é sempre mais conservativa do que o Caso C do EC7.0 e Fnp = 2.35. Curiosamente.VII Congresso Nacional de Geotecnia qualquer das posições do nível freático e para os dois valores da resistência na interface solo-cortina considerados. particularmente quando se considera na interface solo-cortina δ = (2/3)φ’ ou solos com ângulo de atrito superior a cerca de 30º.0 e Fnp = 2. No que diz respeito aos esforços estruturais. 3. δ Para avaliar a influência da resistência na interface solo-cortina apresenta-se a Figura 5 que ilustra os resultados relativos à Escavação M2.7d’).3 . 1. tendo maior significado o afastamento quando a resistência na interface solo-parede é nula. Considerando o maciço emerso ou com o nível freático coincidente com a base do corte os esforços estruturais obtidos com a introdução dos coeficientes parciais de segurança do Caso C tendem a aproximar-se dos valores obtidos pelos métodos Fp = 2. 3. a Proposta Alemã é sempre mais gravosa do que o Caso C e do que o método tradicional.Influência do ângulo de atrito solo-cortina. o Caso C do EC7 é menos conservativo do que os métodos clássicos no que se refere à altura da cortina. quando se recorre aos métodos de equilíbrio limite. Relativamente às outras duas posições do nível freático.4 . Em termos de esforços estruturais as conclusões que se podem retirar são semelhantes às apresentadas para a situação de maior resistência na interface solo-parede.7d’ e a Proposta Alemã não são muito significativas.0 e Fnp = 2.35) e aplicando a Proposta Alemã e o método de Tschebotarioff (d = 1. a introdução dos coeficientes parciais de segurança relativos ao Caso C é menos gravosa do que os métodos tradicionais (Figura 4(e)). Admitindo o nível freático à superfície.25 e 1.

Aplicação dos Códigos Estruturais 1.6 h γ.2 0.25 0.075 0. φ’ δ = 2 ’ φ 3 d d 0.06 0.300 h δ = 2 φ 3 d d 1.000 φ'(º) 30 35 40 15 20 25 φ' (º) 30 35 40 (e) (f) d = 1. (c). φ’ 2 φ 3 0. φ’ δ = 2 ’ φ 3 0.8 0.09 3 d/h φ'(º) 30 35 40 (a) 2.Escavação M2.00 φ' (º) 30 35 40 15 20 25 φ' (º) 30 35 40 (c) 2. (e).225 d/h 3 0.4 0.7d’ Caso C Fp = 2.00 15 20 25 0.30 1.Escavação M1. (f) . 4 .Escavação M3 1253 .Comparação de resultados para distintas situações referentes ao nível freático (δ = (2/3)φ’): (a).0 Fig. φ’ δ = 2 ’ φ 3 0.00 15 20 25 φ' (º) 30 35 40 M dmax /(γ h ) 0.150 0.8 0.4 0.0 0. (d) .15 1.03 0.75 0.12 0.0 15 20 25 M dmax /(γ h ) 0.25 0.50 0.12 h γ.06 0.375 (d) γ.6 h δ = γ. φ’ 1.24 h γ.0 (b) 0.0 Fnp = 2. φ’ δ = 2 ’ φ 3 d d 1.00 h γ. (b) .0 15 20 25 M dmax /(γ h3 ) 0.2 0.18 d/h 0.

φ’ δ=0 d d 1.00 15 20 25 M dmax /(γ h3) 2. Admitindo o maciço emerso ou totalmente imerso. apresenta-se a Figura 7 que ilustra os resultados relativos à Escavação M1 quando se considera na interface solo-cortina δ = (2/3)φ’. a utilização de γM = 1.30 0. os valores dos momentos flectores obtidos com a introdução de γM = 1.Comparação de resultados relativos à Escavação M2 (δ = 0): (a) .15 0. exceptuando as situações apresentadas nas Figuras 6(b) e 6(d).35 sobre a tangente do ângulo de atrito do solo tende a aproximar-se da Proposta Alemã e do método d = 1.25 0.7d’).45 d/h 0.00 h γ.7d’.75 3. φ’ δ=0 0. o método clássico d = 1. A análise da Figura 6(a) permite constatar que admitindo nula a resistência na interface solo-parede o método clássico é sempre mais conservativo do que a introdução de γM = 1. 5 . para a gama de valores do ângulo de atrito considerada.15 e γM = 1. com o que se obtém para o Caso B do EC7 (coincidente com d = 1.0 Fig. (b) .15 é sempre menos conservativa do que o método clássico quer em termos de geometria da estrutura. 3.15 são quase coincidentes com os que se obtêm para o Caso B.7d’ (coincidente com o Caso B) origina valores intermédios em relação à utilização de γM = 1. Com esta figura pretende-se comparar o método que admite o apoio simples do pé da cortina (“free-earth support method”) na sua versão atribuída a Tschebotarioff (d = 1.VII Congresso Nacional de Geotecnia 3.25 (Caso C). no que diz respeito à reacção no apoio a introdução de γM = 1. Da análise destas figuras constata-se que admitindo o nível freático coincidente com a base da escavação. As Figuras 6(b) e 6(d) permitem comparar os valores do momento flector máximo na cortina obtidos para diferentes valores de γM.0 Fnp = 2.relação d/h. a introdução de um coeficiente parcial de segurança γM = 1. tornando-se mais gravosa do que os métodos referidos para valores do ângulo de atrito superiores a cerca de 35º.15 é ligeiramente menos gravosa do que o Caso B. 1254 . Em termos de esforços estruturais.50 0. com o método que considera o encastramento do pé da mesma (“fixed-earth support method”) na versão apresentada por Blum (1931) e comparar estes métodos com a introdução dos coeficientes parciais de segurança.5 .7d’).60 h γ.relação Mdmax/(γh3) A Figuras 6(c) permite concluir ainda que admitindo o nível freático à cota da base da escavação e δ = (2/3)φ’.7d’ Caso C Fp = 2.75 0.75 0.Influência do método de cálculo Para avaliar a influência do método de cálculo na comparação entre os métodos clássicos e a introdução dos coeficientes parciais de segurança (Eurocódigo 7).35. quer no que se refere aos esforços estruturais.00 φ' (º) 30 35 40 15 20 25 φ'(º) 30 35 40 (a) (b) d = 1. Porém.

06 3 d/h 30 35 40 15 20 25 φ'(º) 30 35 40 (a) (b) d = 1.10 1.0 15 20 25 φ' (º) 30 35 40 M dmax/(γ h3) 1.8 0.Pesquisa de γM para a Escavação M2: (a).48 h γ.δ = 0.05 0.Aplicação dos Códigos Estruturais 3. φ’ δ = 2 ’ φ 3 d d 0.12 0. (b) .30 0. (b) . φ’ δ = 2 ’ φ 3 0.15 γM = 1.00 h γ.00 15 20 25 φ' (º) 30 35 40 M dmax /(γ h ) 2.75 0. (c).00 15 20 25 φ' (º) 30 35 40 (c) (d) γM = 1.7d’ P.50 0.7d’ (Free) Caso C (Free) d = 1.2 d’ (Fixed) Caso C (Fixed) Fig.35 d = 1.00 0.20 h γ.08 h γ.δ = (2/3)φ’ 1.25 γM = 1.Mdmax/(γh3) 1255 .60 3. (d) .00 15 20 25 φ' (º) 30 35 40 (a) 2.02 0.25 0.6 0.50 0. φ’ δ = 2 ’ φ 3 1. 6 .10 0.00 15 20 25 φ' (º) M dmax /(γ h ) 0.25 (b) h γ. 7 .20 h γ.75 0.36 d/h 3 0.60 0.4 0.15 d/h 0.2 0.04 0. φ’ δ=0 d d 1.d/h. φ’ δ = 2 ’ φ 3 d d 0.Comparação de métodos de cálculo relativa à Escavação M1 (δ = (2/3)φ’): (a) .90 0.24 0. φ’ δ=0 0. Alemã Fig.0 0.

No. Potts. Berlin.S. Pela observação da Figura 7(a) constata-se que no que diz respeito à altura da cortina. verificando-se o inverso para os esforços estruturais. ENV 1997-1:1994 . CEN. As conclusões apresentadas são ainda válidas quando se admite na interface solo-cortina δ = 0. The overall stability of free and propped embedded cantiliver retaining walls. Recorrendo ao método que admite o apoio simples do pé da cortina e considerando nula a resistência na interface. tende a ser mais conservativa do que a versão actual do referido código.P. como seria de esperar. Dissertação apresentada à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto para obtenção do grau de Mestre em Estruturas de Engenharia Civil. Einspannungsverhaeltnisse bei Bohlwerken. quer em termos de geometria da estrutura. Ernst und Sohn. W. Vieira. Dimensionamento de Estruturas de Suporte Flexíveis segundo o Eurocódigo 7. Tschebotarioff. o método que considera o encastramento do pé da cortina é mais conservativo do que o método de Tschebotarioff no que se refere à altura da cortina. MacGraw-Hill.5. A resistência da interface solo-estrutura influencia a relação entre os resultados do Caso C e os métodos tradicionais.Geotechnical Design . que o inverso se verifica quando se recorre ao free-earth support method. (CEN/TC 250/SC7/WG1). para o tipo de estruturas analisado. J. Estruturas Flexíveis para Suporte de Terras. Em relação aos esforços estruturais o método que considera o encastramento do pé da cortina é menos conservativo do que o método que considera o seu apoio simples. Constatou-se ainda que a proposta de alteração do sistema de segurança do EC7 apresentada pela Alemanha. os estados limites essencialmente dependentes da resistência dos elementos estruturais.Eurocode 7 . C. D. 1256 .VII Congresso Nacional de Geotecnia Analisando a Figura 7 pode observar-se que. isto é. a introdução dos coeficientes parciais de segurança (Caso C do EC7) é mais conservativa do que o método tradicional (método de Blum) e. Shuppener (1998). os resultados do Caso C tendem a aproximar-se dos métodos tradicionais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Blum. G. 4 . Dissertação para Doutoramento em Engenharia Civil. quando se recorre ao fixed-earth support method. New York. verificou-se que na maioria das situações analisadas o Caso C aparece como condicionante não apenas da geometria da estrutura mas também no que diz respeito ao dimensionamento estrutural. verificando-se que a introdução dos coeficientes parciais de segurança é menos conservativa quando comparada com o processo clássico quando se utiliza o primeiro método referido e o inverso quando se utiliza o segundo método. (1997). FEUP. Ground Engineering 14. 28-38. verificou-se que o Caso C é menos conservativo do que os métodos tradicionais.CONCLUSÕES Apesar de o Caso B ser apresentado no Eurocódigo 7 como sendo tipicamente aquele que condiciona o dimensionamento interno da estrutura. (1931). Burland.Part 1: General Rules.B.. (1983). Quando se considera o ângulo de atrito na interface δ = (2/3)φ’. Novos Métodos de Dimensionamento. Porto. Documento de Trabalho. Comparative calculations according to EC7 part 1 (Case B and Case C) and according to the German proposal.M. quer no que se refere aos esforços estruturais. tal como já se referiu anteriormente. M. Matos Fernandes. Retaining and Earth Structures. H. N. (1973). Foundations.F.M. & Walsh. (1981).