Escola Secundária Eça de Queirós

2006-2007

Recursos Marítimos

Carlos Costa, n.º 5

Cristina Silva
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Índice Escola Secundária Eça de Queirós.......................1
2006-2007......................................................................................................................1

Carlos Costa, n.º 5.....................................................................1

Introdução................................................................4 Os Recursos Marítimos..........................................5
As potencialidades do litoral.........................................................................................5 A costa portuguesa.........................................................................................................5 A acção do mar sobre a linha de costa.........................................................................10

Principais factores que influenciam os recursos piscatórios.............................................................10
A Plataforma Continental............................................................................................10 Correntes marítimas.....................................................................................................12

A ZEE Portuguesa.................................................13 A Actividade piscatória.........................................14
A importância da Pesca...............................................................................................14 Principais áreas de pesca.............................................................................................14

Os pescadores portugueses pescam essencialmente no nosso mar territorial e na ZEE. Além disso, podem pescar na ZEE dos restantes países da União Europeia, desde que respeitem as quotas de pesca e as épocas do ano em que é possível pescar determinadas espécies...............................14
Tipos de pesca.............................................................................................................15

A Política Comum das Pescas...............................................16
Evolução do número de embarcações.........................................................................18 A pesca descarregada...................................................................................................31 A evolução da mão-de-obra.........................................................................................49

A qualificação da mão-de-obra..............................................54 Formação Profissional (Estruturas governamentais)..........55
As infra-estruturas portuárias e a frota........................................................................56

Na costa portuguesa existe uma grande quantidade de portos, principalmente nos estuários dos rios com descargas muito reduzidas. Os portos têm deficiente apetrechamento no que diz respeito a cais de acostagem e de desembarque, falta de barreiras protectoras, equipamentos de descargas ultrapassados, falta de
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instalações frigoríficas e lotas muito velhas e inadequadas. ..................................................................................................56 Esta situação tem vindo a melhorar nos últimos anos, devido às ajudas comunitárias, existindo actualmente cerca de 18 lotas informatizadas. É de referir que, apesar da existência de grandes portos, apenas os portos de Matosinhos, Peniche, Sesimbra, Figueira da Foz, Olhão, São Miguel e do Pico (Açores) respondem por cerca de 60% dos totais das descargas a nível do país..............................56
A aquicultura...............................................................................................................57

Evolução da Aquicultura em Portugal..................................58 Principais espécies produzidas em Portugal.......................58
Os vários ensaios efectuados por equipas nacionais já concluíram que o nosso país apresenta um forte potencial aquícola. Em Vila do Conde, por exemplo, ficou demonstrado que é possível produzir mexilhão em nove meses. A ostra também possui elevadas taxas de crescimento na zona do estuário do Sado, conseguindo-se um ciclo de produção em cerca de oito meses.............................................................59 A indústria transformadora da pesca...........................................................................59 Balança comercial dos produtos da pesca...................................................................63 Plano Estratégico Nacional para a Pesca (PEN PESCA)............................................63 A gestão do espaço marítimo.......................................................................................64

Os problemas na gestão do mar............................................64 Os Problemas ambientais......................................................64 Potencializar o uso do espaço marítimo...............................65 É necessário tomar medidas que protejam os oceanos, de forma a tornar possível uma exploração sustentável dos recursos nele existentes. Assim, a rentabilização das águas nacionais deve passar pelas seguintes medidas:...............65 protecção dos recursos, racionalização das capturas e regularização do sector da pesca;........................................65

A Pesca na Póvoa de Varzim...............................66
O porto de pesca da Póvoa de Varzim.........................................................................66 A Actividade piscatória na Póvoa de Varzim..............................................................67 Dados estatísticos sobre a actividade piscatória na Póvoa de Varzim........................68 Formas de organização de trabalho na Póvoa de Varzim, nos finais do século XIX. .70 Empregados no sector das pescas por sexo e idade.....................................................70 O Contexto Tecnológico..............................................................................................71 A aquicultura na Póvoa de Varzim..............................................................................72 As Conservas na Póvoa de Varzim..............................................................................72

Conclusão..............................................................77 Bibliografia.............................................................79 Livros e Artigos.....................................................79
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Introdução
A pesca é uma actividade que está intimamente ligada à cultura portuguesa tendo, por isso, muito mais relevância no nosso quotidiano e imaginário do que qualquer outra actividade económica. Considerado um sector estratégico para a economia portuguesa pelo Estado Novo, período histórico durante o qual se pode considerar que teve maior importância, nomeadamente pelo valor que assumia no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a pesca assentava numa organização corporativa, com fortes ligações às indústrias de construção e de reparação naval, de conservas e secagem de bacalhau, indústrias que assentavam no uso de mão-de-obra feminina e mesmo infantil, fracamente remunerada. Como é actualmente? Uma das cidades que mais se destaca ao nível da actividade piscatória é a Póvoa de Varzim. Desde tempos remotos até finais do século passado, podemos dizer que a Póvoa foi o mais importante núcleo piscatório do país, o que permitiu transformar esta cidade num dos centros mais progressivos e populosos de Portugal. Mas será que, presentemente, assume a mesma importância ou, pelo contrário, se verifica um período de decadência deste sector, na Póvoa de Varzim?

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Os Recursos Marítimos
As potencialidades do litoral
Portugal, pela sua posição geográfica, tem uma longa linha de costa, com cerca de 832 km. O seu traçado resultou de sucessivas alterações ao longo da história geológica da Terra, principalmente devido à actuação dos movimentos tectónicos e às variações climáticas. Assim, ao longo de toda a formação/evolução da Península Ibérica registaram-se subidas e descidas do nível médio das águas do mar, que deram origem a dois tipos de costas:

− costas de submersão – áreas que no passado
se encontravam emersas e ficaram submersas devido às transgressões marinhas;

− costas de emersão – áreas que estavam
submersas no passado e que depois ficaram emersas devido a regressões marinhas.

A costa portuguesa
A costa portuguesa (figura 1) é rectilínea, com poucas saliências e reentrâncias, o que é desfavorável à edificação de portos de pesca e comerciais. A norte de Espinho, a costa é

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rochosa e rectilínea, existindo entre o mar e as arribas fósseis uma faixa pedregosa intercalada por pequenos areais. É uma costa de emersão, vestígio de uma pequena plataforma de abrasão que foi abandonada pelo mar. Não existem acidentes litorais que constituam bons abrigos para portos, por isso, eles vão aparecer na foz dos rios, aproveitando o assoreamento – acumulação de areia e de aluviões nos estuários dos rios e ao longo da costa baixa –, que muitas vezes dificulta a entrada das embarcações. O porto de Leixões foi, por isso, construído artificialmente a norte da foz do rio Douro (figura 2)

Figura 1 – Tipos de costa e acidentes do litoral

Figura 2 – Localização dos principais portos de pesca em Portugal Continental. Entre Espinho e Nazaré, a costa é baixa e arenosa, sendo os acidentes mais importantes a “ria” de Aveiro, a baía da Nazaré e o seu respectivo promontório, que abriga o porto e o Cabo Mondego. A impropriamente denominada “ria” de Aveiro, que é na realidade um haff-delta do rio Vouga, é uma área lagunar onde existe uma forte acumulação de sedimentos marinhos e fluviais, transportados por este rio (fig. 3 A). Esta sedimentação dificulta a comunicação com o

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mar, que só se realiza através de um canal (abertura artificial) e por onde, com alguma dificuldade, as embarcações chegam ao porto de Aveiro. Da Nazaré até ao rio Tejo, a costa é alta e rochosa, talhada nos planaltos calcários, onde se encontram falésias abruptas. Os principais acidentes são a concha de São Martinho, a lagoa de Óbidos, o tômbolo de Peniche e o Cabo da Roca. O tômbolo de Peniche (fig. 3 B) é um istmo arenoso que liga uma pequena ilha ao continente. A sul do Cabo Carvoeiro localiza-se o porto de pesca de Peniche, um dos mais importantes do país.

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Figura 3 – Acidentes da costa portuguesa

A partir de Lisboa, encontramos os estuários do Tejo e do Sado, que abrigam importantes portos, o Cabo Espichel, ponta avançada da serra da Arrábida, costa baixa, arenosa e bastante rectilínea e, finalmente, o promontório de Sagres. A costa algarvia pode dividir-se em duas partes: uma, até Quarteira, alta e rochosa, com algumas reentrâncias que dão origem a belas praias; e a outra., de Quarteira até Vila Real de Santo António, onde a costa é baixa e arenosa, com extensas praias. O acidente mais importante é a ria ou lido de Faro (fig. 3 C), que é uma zona lagunar com numerosas pequenas ilhas, extensos cordões arenosos e canais que permitem a passagem de embarcações.

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A acção do mar sobre a linha de costa
O mar desenvolve de forma articulada, como qualquer agente erosivo, três acções: desgaste, transporte e acumulação. Denomina-se abrasão marinha o processo de erosão do mar sobre a linha de costa. Esta acção desencadeada pela projecção das águas – ondas – contra a costa é reforçada através do transporte de materiais, como areias e fragmentos de rocha. O mar vai, assim, alterando a fisionomia da costa.

Figura 4 – Recuo da arriba. Formação de uma arriba fóssil

Analisando a figura, verifica-se que o mar, com a sua acção erosiva, vai progressivamente desgastando a arriba na base, arrancando-lhe materiais. A parte superior, por falta de apoio na base, acaba por se desmoronar, verificando-se a acumulação dos materiais na parte inferior da arriba e o seu recuo. Assim, forma-se na frente da arriba uma superfície pedregosa que se denomina plataforma de abrasão. Esta plataforma pode aumentar, dando lugar a uma praia, impedindo, desta forma, o mar de atacar a arriba. Denomina-se por arriba fóssil, quando a arriba já não pode ser alvo de ataque do mar.

Principais factores que influenciam os recursos piscatórios

A Plataforma Continental
A plataforma continental é uma superfície submersa, levemente inclinada, constituindo um prolongamento da placa continental, com cerca de 200 metros de profundidade. O talude continental é uma área de forte declive, logo a seguir à plataforma, que estabelece a transição entre esta e as zonas abissais que são as zonas profundas dos oceanos. A plataforma continental portuguesa oscila entre os 30 e os 60 km de largura, não sendo, por isso, uma das mais favoráveis à fauna marinha.

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Figura 5 – O fundo marinho: da plataforma continental à zona abissal

É nas plataformas continentais que existem maiores quantidades e variedade de fauna marinha, devido à conjugação de várias condições: − − − − pouca profundidade, facto que permite a penetração da luz; abundância de oxigénio, devido à agitação das águas; baixo teor de sal, devido às águas dos rios e à agitação das águas; águas ricas em nutrientes: a formação de plâncton é favorecida pela matéria orgânica transportada pelos rios.

O Ministério da Defesa Nacional lançou, recentemente, um projecto designado por EMEPC (Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental) – documento 1. Documento 1

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Campanha oceanográfica vai estudar fundo do mar dos Açores Entre 15 de Maio e meados de Junho, uma equipa de investigadores portugueses vai estudar o fundo do mar dos Açores, no âmbito da proposta de extensão da soberania náutica além das 200 milhas náuticas que deverá ser entregue às Nações Unidas até 13 de Maio de 2009. "Vamos fazer um levantamento hidrográfico sobre a natureza do fundo submarino para ver se as áreas que vão ser alvo de observação correspondem ao material recolhido junto das ilhas açorianas. Isso vai servir para fundamentar a nossa proposta", explicou o responsável da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMPEC). A extensão da plataforma continental está actualmente circunscrita às 200 milhas de costa que demarcam a Zona Económica Exclusiva (cerca de 300 quilómetros). A área da Plataforma Continental à qual Portugal poderá estender a sua jurisdição corresponde a um limite entre a sua Zona Económica Exclusiva e 350 milhas náuticas medidas a partir de uma linha base ou até uma distância que não exceda 100 milhas náuticas da isobatimétrica (uma linha de profundidade) de 2500 metros O conhecimento do fundo submarino é fundamental para garantir que a proposta está de acordo com os requisitos da Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar e para saber o que é que existe. Além do desenvolvimento científico-tecnológico no domínio dos mares, a extensão da plataforma continental prende-se com uma afirmação estratégica de Portugal, que pretende garantir mais território e maior controlo marítimo.

In Público Online, Última Hora, 7 de Maio de 2007

Correntes marítimas
As correntes marítimas são ricas em peixe, pois possibilitam uma renovação constante de água e de plâncton. É na zona de contacto entre correntes quentes e frias que encontramos a maior quantidade e variedade de fauna marinha. Isto deve-se à quantidade de plânctones que as correntes arrastam e ainda à combinação das temperaturas e graus de salinidade, que permitem a sobrevivência de espécies próprias de cada uma das zonas.

Figura 6 – As correntes marítimas

A corrente de Portugal, que na costa ocidental se orienta de norte para sul, é uma ramificação da corrente quente do Golfo, que nasce no Golfo do México e vem até ao Norte da Europa.

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A corrente das Canárias, que é o prolongamento da corrente de Portugal até Cabo Verde, é uma corrente fria e muito rica em peixe. É importante referir o upwelling – corrente de compensação formada pelo movimento ascendente de águas profundas até à superfície, que arrasta consigo grandes quantidades de nutrientes e minerais –, que se manifesta principalmente na costa ocidental portuguesa no Verão, determina a abundância de algumas espécies, como a sardinha e o carapau, nas águas portuguesas.

A ZEE Portuguesa
A ZEE – Zona Económica Exclusiva – é uma zona com cerca de 200 milhas para além do mar territorial, que é considerada território nacional. Portugal possui uma das maiores ZEE do mundo e a maior da União Europeia, com cerca de 1 600 000 km2. Nesta área, Portugal tem o direito de pesquisar e explorar os recursos naturais (peixes, algas, minerais …), o dever de conservar e proteger e o poder de impor regras aos demais países.

Figura 7 – A ZEE Portuguesa

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A Actividade piscatória
A importância da Pesca
Em Portugal, a actividade piscatória é uma das actividades socio-económicas mais antigas, principalmente porque os portugueses são os maiores consumidores de peixe da Europa. Podemos mesmo dizer que o consumo anual de peixe por habitante é um dos mais altos do mundo. Esta actividade tem, no entanto, um contributo modesto no PIB (Produto Interno Bruto) – valor do output (exportação) final total de todos os bens e serviços produzidos internamente numa economia ao longo de um determinado período de tempo (geralmente um ano) –, pois não vai além dos 0,8% e apenas representa 5% da população activa do sector primário.

Principais áreas de pesca
Os pescadores portugueses pescam essencialmente no nosso mar territorial e na ZEE. Além disso, podem pescar na ZEE dos restantes países da União Europeia, desde que respeitem as quotas de pesca e as épocas do ano em que é possível pescar determinadas espécies. A frota portuguesa ainda pratica pesca longínqua nas águas internacionais, ao abrigo de acordos que Portugal e a União Europeia vão estabelecendo com outros países:

− Atlântico NW – costa da América do Norte, em particular na Terra Nova e na
Gronelândia (bacalhau);

− Atlântico NE – costa NW da Europa, em especial, a costa da Noruega e mar de
Barents (bacalhau e cantarilho ou red-fish). Com a diminuição das quotas de bacalhau, intensificou-se a pesca do cantarilho para completar a capacidade dos navios;

− Atlântico Central e Leste – costa ocidental de África, nomeadamente de
Portugal retoma tradição de pescaao Golfo da Guiné. Esta é uma boa alternativa ao Atlântico Marrocos (Doc.2) até em Marrocos Norte, pois, embora o número de espécies seja reduzido, a quantidade e o valor Foi hoje concluído em Bruxelas um novo Acordo de Pescas, importante, que retoma a tradição portuguesa de unitário em Marrocos. (marisco) são hoje bastante atractivos para os nossos pescar do pescado pescadores; Com entrada em aplicação no próximo dia 1 de Março de 2006, dentro de oito meses, a frota − Atlântico Sul – costa sul voltará a ter acesso à importante e tradicional costa comunitária, incluindo navios portugueses,de África (Angola, Namíbia e África do Sul) ezona de pesca marroquina da qual estava afastada desde 1999. Este acordo que garante uma adequada estabilidade oriental da América do Sul (principalmente a pescada); para os navios que vierem a ser licenciados tem uma validade de quatro anos, renovável. − Índico Ocidental – ainda pouco utilizado, mas constituindo uma boa alternativa, O novo acordo de Pescas permite à frota portuguesa retomar a sua actividade tradicional naquele principalmente para a pesca de crustáceos. pesqueiro capturando espécies como a pescada, pargos e o peixe-espada branco, obtendo Portugal ainda a possibilidade de capturar novas espécies em Marrocos como o carapau, biqueirão e atum. Documento 2 Face ao passado Portugal vai aumentar a sua capacidade pesqueira apesar de uma diminuição do número total de licenças. 14/79 Em 1999 pescavam em Marrocos cerca de 40 embarcações portuguesas envolvendo 600 pescadores predominantemente de Olhão e Sesimbra. Com este acordo para além destas comunidades outras poderão vir a ter acesso aos novos pesqueiros.

In Portal do Governo, Nota de Imprensa do MADRP, 28 de Julho de 2005

Tipos de pesca
Em Portugal, em função da permanência das embarcações e tripulações e ainda a sua localização, podem classificar-se os seguintes tipos de pesca:

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− pesca local – realiza-se nos rios, lagos e lagoas e ainda perto do litoral; − pesca costeira – pratica-se junto à costa e
os navios ausentam-se por um período máximo de 24 horas;
100% 80% 60% 40% 20% 0% Pesca local Pesca costeira Pesca de largo 12% 1% N.º de embarcações 87%

− pesca de largo – realiza-se para lá das 12
milhas e dura entre uma e duas semanas.

− pesca longínqua – pratica-se a grande
distância do porto de origem, geralmente, em águas internacionais, durante vários meses. As embarcações são dotadas de

grande autonomia e aptas a conservar/congelar o pescado. Podem-se ainda classificar os tipos de pesca quanto às embarcações e técnicas utilizadas:

− pesca artesanal – utiliza meios tradicionais (linhas e redes), barcos de estrutura
pequena e média, geralmente sem motor e ligados à pesca local e costeira. A permanência no mar é inferior a um dia, porque não existem meios de conservação do pescado, utiliza pouca tripulação e as capturas são pouco significativas;

− pesca industrial – utiliza técnicas modernas de captura de peixe (cerco, arrasto,
sondas de detecção dos bancos de pesca, etc.), navios de grandes dimensões, bem equipados com câmaras frigoríficas e grande capacidade de armazenamento, possibilitando a conservação e congelação do peixe.

A Política Comum das Pescas
A Comunidade Europeia definiu, desde 1983, um conjunto de regras no domínio da pesca, que abrangem todos os aspectos do sector, desde o mar até ao consumidor. Portugal, como membro da UE, aceitou a Política Comum das pescas que tem como base quatro domínios fundamentais:     Conservação e gestão dos recursos de pesca; Apoios financeiros; Relações com países terceiros; Organização comum do mercado − abertura às frotas de toda a comunidade da zona marítima comunitária Figura 8 Logótipo da (antes CEE) – UE

Relativamente ao primeiro domínio, a União Europeia tem adoptado várias medidas: de 200 milhas;

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fixação dos TAC (Totais Admissíveis de Capturas) para cada ano, ou

seja, fixação anual das quantidades máximas de captura, principalmente para as espécies menos abundantes ou sobreexploradas; − − − atribuição de quotas de pesca, ou seja, de capturas máximas estabelecimento de malhas mínimas das redes, para proteger os peixes limitação das actividades de pesca, em algumas zonas e em autorizadas para cada país-membro; jovens e instituição de tamanhos e pesos mínimos das espécies capturadas; determinadas épocas do ano, para permitir a renovação das espécies. Quanto aos apoios financeiros, foram tomadas as seguintes providências: − − − − − − − − construção e modernização das embarcações; elaboração de programas plurianuais das reestruturações a efectuar; financiamento de investimentos que respeitem as determinações comunitárias; melhoria das unidades de aquicultura e incentivos a novos projectos; financiamentos para o sector de transformação e comercialização do pescado; desenvolvimento de um programa ligado à investigação oceanográfica; constituição de sociedades mistas com entidades de países terceiros; apoios destinados à formação profissional dos pescadores. A União Europeia celebrou vários acordos internacionais, dos quais se destacam os seguintes: − − − − − acordos de reciprocidade; acordos com a Namíbia; acordos com a Gronelândia; acordos com países africanos em desenvolvimento; acordos com os países da Europa de Leste, América Latina e Ásia. Quanto à última competência, esta abrange todas as regras comuns de comercialização que são: − fixação dos preços de orientação para as principais espécies, isto é, estabelecimento do preço médio ideal com base na situação passada e na evolução previsível do mercado; − firmação dos preços de retirada, isto é, quando os preços do pescado atingem um nível baixo – 70% a 90% dos preços de orientação -, este é retirado do circuito normal de comercialização e os produtores são indemnizados; − constituição de um prémio para produtos de alta qualidade, incentivando o seu reaproveitamento;

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− − −

protecção da produção comunitária face às importações, assegurada protecção através dos preços de referência, ou seja, determinação dos reposições que compensam a diferença entre os preços europeus e os

através de direitos aduaneiros; preços mínimos de entrada na comunidade de alguns produtos de pesca; preços mundiais, relativamente às exportações de pescado excedentário. A adesão de Portugal (e de Espanha) à CEE, ocorrida no ano de 1986, foi extremamente significativa para o sector das pescas:

− o número de pescadores na Comunidade aumentou em cerca de 80%;
− − a sua capacidade de pesca em 75%; a produção e o consumo humano dos produtos de pesca em 45%.

Desta forma, a CEE tornava-se no terceiro produtor de peixe a nível mundial.

Evolução do número de embarcações
 a nível nacional

16000 14000 12000 10000 8000 6000 4000 2000 0 1990 1992 1994 1996 Com Motor 1998 Sem Motor 2000 2002 2004

Gráfico 1 – Evolução do número de embarcações (desde 1990 a 2005)

Tabela de Dados Com Sem Total

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1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Motor Motor 8875 7003 8755 6041 8548 5657 8322 4845 9609 3011 9401 2761 9060 2537 8935 2505 8747 2442 8556 2377 8420 2330 8247 2285 8284 2264 8061 2201 7921 2168 7799 2156

15878 14796 14205 13167 12620 12162 11597 11440 11189 10933 10750 10532 10548 10262 10089 9955

A partir da análise do gráfico e da tabela de dados, verifico que: − entre 1990 e 1993, se registou uma queda no número de embarcações com motor (superior a 500). Porém, entre 1993 e 1994, dá-se uma subida considerável, de quase 1300 embarcações. Desde 1994, Portugal apresenta uma tendência descendente, possuindo em 2005, 7799 embarcações com motor;

− entre 1990 e 2005, o número de embarcações tem vindo a diminuir, não
apresentando nenhum ano de recuperação. Em 1990, o nosso país apresentava 7003 embarcações sem motor, no ano de 2005, o número de embarcações é bastante inferior (2156 embarcações); − o número total de embarcações tem vindo a sofrer decréscimos, de ano para ano. Em 1990, era de 15878, já em 2005, passados 16 anos, é de 9955.

a nível regional
NORTE

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2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 1996 1997 1998 1999 Com Motor 2000 2001 2003 2004 2005

Sem Motor

Gráfico 2 – Evolução do número de embarcações (desde 1996 a 2005) Tabela de Dados Com Sem Motor Motor Total 1849 144 1993 1812 150 1962 1764 149 1913 1736 153 1889 1701 148 1849 1646 151 1797 1572 134 1706 1558 121 1679 1492 126 1618

1996 1997 1998 1999 2000 2001 2003 2004 2005

CENTRO

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2500 2000 1500 1000 500 0 1996 1997 1998 1999 Com Motor 2000 2001 2003 2004 2005

Sem Motor

Gráfico 3 – Evolução do número de embarcações (desde 1996 a 2005) Tabela de Dados Com Sem Motor Motor Total 1132 137 1269 1108 143 1251 1104 133 1237 1093 139 1232 1076 141 1217 1102 129 1231 1718 564 2282 1694 556 2250 1653 550 2203

1996 1997 1998 1999 2000 2001 2003 2004 2005

LISBOA E VALE DO TEJO / LISBOA*

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3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 1996 1997 1998 1999 Com Motor 2000 2001 2003 2004 2005

Sem Motor

Gráfico 4 – Evolução do número de embarcações (desde 1996 a 2005)

* NOTA: A Região de Lisboa possuía a designação de Lisboa e Vale do Tejo antes da
alteração publicada em Diário da República em 5.11.2002. Tabela de Dados Com Sem Motor Motor Total 2154 1141 3295 2123 1117 3240 2088 1090 3178 2038 1033 3071 2018 1008 3026 1935 986 2921 1267 500 1767 1249 498 1747 1239 495 1734

1996 1997 1998 1999 2000 2001 2003 2004 2005

ALENTEJO

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300 250 200 150 100 50 0 1996 1997 1998 1999 Com Motor 2000 2001 2003 2004 2005

Sem Motor

Gráfico 5 – Evolução do número de embarcações (desde 1996 a 2005)

Tabela de Dados Com Motor 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2003 2004 2005 223 218 217 218 210 201 195 191 197 Sem Motor 48 47 45 40 39 39 37 39 39 Total 271 265 262 258 249 240 232 230 236

ALGARVE

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2500 2000 1500 1000 500 0 1996 1997 1998 1999 Com Motor 2000 2001 2003 2004 2005

Sem Motor

Gráfico 6 – Evolução do número de embarcações (desde 1996 a 2005)

Tabela de Dados Com Sem Motor Motor Total 2162 334 2496 2138 328 2466 2061 324 2385 1978 325 2303 1946 314 2260 1913 308 2221 1862 307 2169 1833 301 2134 1808 305 2113

1996 1997 1998 1999 2000 2001 2003 2004 2005

R.A. Açores

24/79

1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 1999 2000 2001 Com Motor 2003 Sem Motor 2004 2005

Gráfico 7 – Evolução do número de embarcações (desde 1999 a 2005)

Tabela de Dados Com Sem Motor Motor Total 1250 420 1670 1236 413 1649 1216 408 1624 1214 403 1617 1185 397 1582 1196 388 1584

1999 2000 2001 2003 2004 2005

R. A. Madeira

25/79

600 500 400 300 200 100 0 2000 2002 2003 2004 2005

Com Motor

Sem Motor

Gráfico 8 – Evolução do número de embarcações (desde 2000 a 2005)

Tabela de Dados Com Motor 2000 2002 2003 2004 2005 165 203 233 211 214 Sem Motor 379 273 256 256 253 Total 544 476 489 467 467

Analisando, cuidadosamente, os gráficos anteriores, constata-se que:

26/79

NORTE    tendência descendente pouco significativa, quanto ao número total; fraca variação no número de embarcações sem motor; entre 1996 e 2005, diminuição em quase 400 embarcações com motor.

CENTRO  o período 2001-2003 torna-se histórico para esta região, pois registam-se aumentos bastante significativos quer nas embarcações com motor, quer nas embarcações sem motor;  a partir de 2003, torna-se a região com maior número de embarcações do país LISBOA E VALE DO TEJO / LISBOA desde 1996 a 2001, é a região com maior número de embarcações; apresenta maior número de embarcações sem motor;  entre 2000 e 2001, é a região com maior número de embarcações com motor. ALENTEJO é a região com menor de embarcações; é a região com menor número de embarcações sem motor; ALGARVE  o número total de embarcações encontra-se sempre na casa das 2000 (valor máximo – 2496 ; valor mínimo – 2113, nos anos 1996 e 2005, respectivamente);  entre 1996 e 1998 e de 2001 até 2005, apresenta maior número de embarcações com motor − R.A. Açores  o número de embarcações total localiza-se, sempre, entre as 1500 e 1670 −  R.A. Madeira o número total de embarcações sofre fracas variações;  apresenta maior número de embarcações sem motor do que com motor, um caso único em Portugal.

27/79

nos portos da região Norte
Matosinhos
500 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 1996 1997 1998 1999 Com Motor 2000 2001 2003 2004 2005

Sem Motor

Gráfico 9 – Evolução do número de embarcações (desde 1996 a 2005)

Tabela de Dados Com Motor 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2003 2004 2005 462 436 426 413 404 374 353 350 346 Sem Motor 21 21 22 24 26 29 29 28 30 Total 483 457 448 437 430 403 382 378 376

28/79

Póvoa de Varzim
400 350 300 250 200 150 100 50 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2003 2004 2005

Com Motor

Sem Motor

Gráfico 9 – Evolução do número de embarcações (desde 1996 a 2005) Tabela de Dados Com Sem Motor Motor 331 333 313 306 304 295 288 286 269 Total 49 50 51 49 49 46 42 42 42 380 383 364 355 353 341 330 328 311

1996 1997 1998 1999 2000 2001 2003 2004 2005

Viana do Castelo

29/79

1200 1000 800 600 400 200 0 1996 1997 1998 1999 Com Motor 2000 2001 2003 2004 2005

Sem Motor

Gráfico 10 – Evolução do número de embarcações (desde 1996 a 2005) Tabela de Dados Com Sem Motor Motor 1056 1043 1025 1017 993 977 931 922 877 Total 1130 1122 1101 1097 1066 1053 994 973 931

1996 1997 1998 1999 2000 2001 2003 2004 2005

74 79 76 80 73 76 63 51 54

30/79

Analisando, cuidadosamente, os gráficos anteriores, constata-se que: − MATOSINHOS


 PÓVOA DE VARZIM

apresenta o menor número de embarcações sem motor; tendência descendente quanto ao número total de embarcações

  VIANA DO CASTELO 

apresenta o menor número de embarcações com motor;

tendência descendente quanto ao número total de embarcações, porém pouco significativa

apresenta

o

maior

número

de

embarcações com e sem motor e, automaticamente, o maior número de embarcações total;  tendência descendente quanto ao número total de embarcações, sendo que entre 1996 e 2005, esse número diminuiu em quase 200 embarcações.

A pesca descarregada
 a nível nacional
500000 400000 300000 200000 100000 0 Milhares de euros Toneladas 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

248500 241911 253968 255800 251568 255141 267593 271593 240063 255000 203112 185036 189536 170320 152188 146094 148246 151577 139643 145656 Toneladas Milhares de euros

Gráfico 11 – Evolução da pesca descarregada (desde 1996 a 2005) NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE

31/79

Relativamente à pesca descarregada em Portugal, constato que a distribuição ao longo dos anos avaliados, quer em toneladas, quer em milhares de euros, é irregular. No caso da pesca descarregada em toneladas, concluo que: − − o maior valor atingido pertence ao ano de 1996 e que, pelo contrário, o menor valor atingido diz respeito ao ano de 2004; o período mais vantajoso para o nosso país foi 1996-1998, em que, apesar de registar um decréscimo significativo de 1996 para 1997, regista os maiores valores do período considerado, algo que dificilmente se atingirá no futuro; − o período mais desfavorável para Portugal foi 1998-2001, em que se dá uma queda expressiva de quase 20 mil toneladas (1998-1999) e se regista o primeiro valor abaixo das 150 mil toneladas. No caso da pesca descarregada em milhares de euros, infiro que: − − − o maior valor atingido pertence ao ano de 2003 e que, pelo contrário, o menor valor atingido diz respeito ao ano de 2004; o período mais vantajoso para o nosso país foi 2000-2003, em que se regista uma subida de mais de 20 milhões de euros; o período mais desfavorável para Portugal foi 2003-2004, em que se dá uma queda repentina de mais de 30 milhões de euros.

Principais espécies desambarcadas em 1999

Sardinha 5% 11% 8% 12% 11% Carapau (e chicharro) P eixe-espada 53% Cavala Atum e sim ilares M oluscos

Gráfico 12

32/79

Principais espécies desambarcadas em 2000

Sardinha 4% 10% 6% 13% 13% Carapau (e chicharro) Peixe-espada 54% Cavala Atum e similares Moluscos

Gráfico 13
Principais espécies desambarcadas em 2001

4% 4% 6% 14%

13%

Sardinha Carapau (e chicharro) Peixe-espada 59% Cavala Atum e similares Moluscos

Gráfico 14
Principais espécies desembarcadas em 2002

15% 5% 5% 6% 14% 55%

Sardinha Carapau (e chicharro) Peixe-espada Cavala Atum e similares Moluscos

Gráfico 15

33/79

Principais espécies desembarcadas em 2004

15% 9% 12% 6% 11% 47%

Sardinha Carapau (e chicharro) Peixe-espada Cavala Atum e similares Moluscos

Gráfico 16
Principais espécies desembarcadas em 2005

18% 6% 13% 6% 12% 45%

Sardinha Carapau (e chicharro) Peixe-espada Cavala Atum e similares Moluscos

Gráfico 17 NOTA: Entre 1999 e 2002, foram considerados os valores do carapau e do chicharro, como se de apenas uma espécie tratasse. No grupo dos Moluscos, destaca-se o polvo. Através dos gráficos anteriores, verifico que: − − − a sardinha foi a espécie mais desembarcada no nosso país, entre 1999 e 2005; nos últimos anos, o grupo dos moluscos tem ganho maior importância; entre 1999 e 2005, a cavala tem vindo a ser capturada em maior número.

34/79

 a nível regional
Norte
90000 80000 70000 60000 50000 40000 30000 20000 10000 0 Milhares de euros Toneladas 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

42268 39930 39161 39603 31676 34832 35477 38933 30867 44093 38448 35326 34556 26995 32807 31921 30837 26317 Toneladas Milhares de euros

Gráfico 18 – Evolução da pesca descarregada (desde 1996 a 2004) NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE Relativamente ao Norte, retiro as seguintes conclusões quanto à pesca descarregada em toneladas: − o maior valor obtido pertence ao ano de 1996. Por outro lado, o menor valor atingido diz respeito ao ano de 2004.

− o período mais vantajoso para o Norte foi 2000-2001, com um aumento de
cerca de 6000 toneladas.

− o período mais prejudicial para o Norte foi 1996-2000, em que se registou
uma queda de 17098 toneladas. De registar que, no período considerado, apenas em 1996, o Norte atingiu um valor acima das 40000 toneladas. Já quanto à pesca descarregada em milhares de euros, corroboro que: − − o maior valor obtido diz respeito ao ano de 1996. Em sentido contrário, temos o ano de 2004; o período em se registou maior subida dos valores foi 2000-2003. Por outro lado, o período menos lucrativo foi 2003-2004, com uma queda de mais de 8 milhões de euros.

35/79

Principais espécies desembarcadas em 1999

8% 14%

5%

4%

Sardinha Carapau Polvo 69% Faneca Sarda

Gráfico 19
Principais espécies desembarcadas em 2000

5%

6%

4%

Sardinha Carapau Polvo 65% Faneca Sarda

20%

Gráfico 20
Principais espécies desembarcadas em 2001

3% 12%

7%

3%

Sardinha Carapau Polvo Faneca 75% Sarda

Gráfico 21
Principais espécies desembarcadas em 2002

4% 11%

5%

3%

Sardinha Carapau Polvo Faneca 77% Sarda

Gráfico 22

36/79

Principais espécies desembarcadas em 2003

7% 10%

6%

5%

Sardinha Carapau Polvo Faneca 72% Sarda

Gráfico 23
Principais espécies desembarcadas em 2004

5% 13%

5%

4%

Sardinha Carapau Polvo Faneca 73% Sarda

Gráfico 24 Através dos gráficos anteriores, posso constatar que: − − − a sardinha é a espécie mais descarregada no Norte, registando o maior valor em 2002 e o menor valor em 2000; o carapau é a segunda espécie mais descarregada no Norte, registando o maior valor em 2000 e o menor valor em 2003; o polvo, a faneca e a sarda, ao longo dos anos, têm apresentado valores entre os 3% e os 7%, demonstrando que a sua importância a este nível é diminuta.

Centro

37/79

120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 Milhares de euros Toneladas 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

22409 21212 23901 20014 20669 21113 63874 65268 58687 20648 19266 25875 18621 16551 16639 44475 46395 40083 Toneladas Milhares de euros

Gráfico 25 – Evolução da pesca descarregada (desde 1996 a 2004) NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE

Relativamente ao Centro, retiro as seguintes conclusões quanto à pesca descarregada em toneladas:

− o maior valor obtido pertence ao ano de 2003. Por outro lado, o menor
valor atingido diz respeito ao ano de 2000.

− o período mais vantajoso para o Centro foi 2001-2003, com um aumento
extraordinário de cerca de 30000 toneladas.

− o período mais prejudicial para o Centro foi 2003-2004, em que se registou
uma queda de mais de 6000 toneladas. Já quanto à pesca descarregada em milhares de euros, corroboro que:

− o maior valor obtido diz respeito ao ano de 2003. Em sentido contrário,
temos o ano de 1999;

− o período em se registou maior subida dos valores foi 2001-2003. Por outro
lado, o período menos lucrativo foi 2003-2004, com uma queda de mais de 6 milhões de euros.

Lisboa e Vale do Tejo / Lisboa*

38/79

160000 140000 120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 Milhares de euros Toneladas 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

84833 82715 82516 80957 75849 77676 40940 43889 39131 58111 51304 52190 49582 45113 44036 17371 18991 16628 Toneladas Milhares de euros

Gráfico 26 – Evolução da pesca descarregada (desde 1996 a 2004) NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE

* NOTA: A Região de Lisboa possuía a designação de Lisboa e Vale do Tejo antes da
alteração publicada em Diário da República em 5.11.2002.

Relativamente a Lisboa, retiro as seguintes conclusões quanto à pesca descarregada em toneladas: − − o maior valor obtido pertence ao ano de 1996. Por outro lado, o menor valor atingido diz respeito ao ano de 2004. o período mais vantajoso para Lisboa foi 2002-2003, com um aumento de 1600 toneladas.

− o período mais prejudicial para Lisboa foi 1998-2002, em que se registou
uma queda de 8000 toneladas. Já quanto à pesca descarregada em milhares de euros, corroboro que: − o maior valor obtido diz respeito ao ano de 1996. Em sentido contrário, temos o ano de 2004;

− o período em se registou maior subida dos valores foi 2002-2003. Por outro
lado, o período menos lucrativo foi 2001-2002, com uma queda de quase 37 milhões de euros.

39/79

Alentejo
25000 20000 15000 10000 5000 0 Milhares de euros Toneladas 1996 9323 9412 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

9329 10194 10496 11561 11242 11535 12340 12796 9503 10021 10539 9368 Toneladas 7473 8444 8588 9128

Milhares de euros

Gráfico 27 – Evolução da pesca descarregada (desde 1996 a 2004)

NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE Relativamente ao Alentejo, retiro as seguintes conclusões quanto à pesca descarregada em toneladas:

− o maior valor obtido pertence ao ano de 2001. Por outro lado, o menor
valor atingido diz respeito ao ano de 1999.

− o período mais vantajoso para o Alentejo foi 2001-2004, com um aumento
de mais de 1500 toneladas.

− o período mais prejudicial para o Alentejo foi 1999-2001, em que se
registou uma queda de 3000 toneladas. Já quanto à pesca descarregada em milhares de euros, corroboro que:

− o maior valor obtido diz respeito ao ano de 2004. Em sentido contrário,
temos o ano de 1996;

− o período em se registou maior subida dos valores foi 2001-2004. Por outro
lado, o período menos lucrativo foi 2000-2001, com uma queda de cerca de 2 milhões de euros.

Algarve

40/79

120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 Milhares de euros Toneladas 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

58106 56400 60573 68850 75489 75167 75392 72733 58297 41907 40483 40901 39535 39321 31383 30596 30175 28373 Toneladas Milhares de euros

Gráfico 28 – Evolução da pesca descarregada (desde 1996 a 2004)

NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE Relativamente ao Algarve, retiro as seguintes conclusões quanto à pesca descarregada em toneladas:

− o maior valor obtido pertence ao ano de 1996. Por outro lado, o menor
valor atingido diz respeito ao ano de 2004.

− o período mais vantajoso para o Algarve foi 1997-1998, com um aumento
de cerca de 600 toneladas.

− o período mais prejudicial para o Algarve foi 1999-2004, em que se registou
uma queda de 11200 toneladas. Já quanto à pesca descarregada em milhares de euros, corroboro que:

− o maior valor obtido diz respeito ao ano de 2000. Em sentido contrário,
temos o ano de 1997;

− o período em se registou maior subida dos valores foi 1997-2000. Por outro
lado, o período menos lucrativo foi 2002-2004, com uma queda de mais de 17 milhões de euros.

41/79

R.A. Açores
40000 30000 20000 10000 0 Milhares de euros Toneladas

1999 24423 9775

2000 24847 8085 Toneladas

2001 22043 7070

2002 24611 7840

2003 26119 10013

2004 27452 11042

Milhares de euros

Gráfico 29 – Evolução da pesca descarregada (desde 1999 a 2004) NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE

Relativamente à R.A. Açores, retiro as seguintes conclusões quanto à pesca descarregada em toneladas: − − − o maior valor obtido pertence ao ano de 2004. Por outro lado, o menor valor atingido diz respeito ao ano de 2001. o período mais vantajoso para os Açores foi 2001-2004, com um aumento de cerca de 4000 toneladas. o período mais prejudicial para os Açores foi 1999-2001, em que se registou uma queda de mais de 2500 toneladas. Já quanto à pesca descarregada em milhares de euros, corroboro que: − − o maior valor obtido diz respeito ao ano de 2004. Em sentido contrário, temos o ano de 2001; o período em se registou maior subida dos valores foi 2001-2004. Por outro lado, o período menos lucrativo foi 2000-2001, com uma queda de mais de 2,5 milhões de euros.

R.A. Madeira

42/79

25000 20000 15000 10000 5000 0 Milhares de euros Toneladas 1999 10833 7605 2000 10883 6653 Toneladas 2001 13068 6686 2002 15259 7599 2003 12811 6578 2004 12823 8072

Milhares de euros

Gráfico 30 – Evolução da pesca descarregada (desde 1999 a 2004) NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE

Relativamente à R.A. Madeira, retiro as seguintes conclusões quanto à pesca descarregada em toneladas:

− o maior valor obtido pertence ao ano de 2004. Por outro lado, o menor
valor atingido diz respeito ao ano de 2003.

− o período mais vantajoso para a R.A. Madeira foi 2003-2004, com um
aumento de cerca de 1500 toneladas.

− o período mais prejudicial para a R.A. Madeira foi 1990-2000, em que se
registou uma queda de cerca de 1000 toneladas. Já quanto à pesca descarregada em milhares de euros, corroboro que:

− o maior valor obtido diz respeito ao ano de 2002. Em sentido contrário,
temos os anos de 1999 e 2000;

− o período em se registou maior subida dos valores foi 2000-2002. Por outro
lado, o período menos lucrativo foi 2002-2003, com uma queda de mais de 1,4 milhões de euros.

nos portos da Região Norte
43/79

Matosinhos
70000 60000 50000 40000 30000 20000 10000 0 Milhares de euros Toneladas 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

31036 26543 28383 27989 22224 24319 26450 27676 21905 36837 29120 29747 28758 22538 26474 28254 27099 23390 Toneladas Milhares de euros

Gráfico 31 – Evolução da pesca descarregada (desde 1996 a 2004)

NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE Relativamente ao porto de pesca de Matosinhos, retiro as seguintes conclusões quanto à pesca descarregada em toneladas: − − − o maior valor obtido pertence ao ano de 1996. Por outro lado, o menor valor atingido diz respeito ao ano de 2000. o período mais vantajoso para Matosinhos foi 2000-2002, com um aumento de cerca de 6000 toneladas. o período mais prejudicial para Matosinhos foi 1996-1997, em que se registou uma queda de 7500 toneladas. De registar que, no período considerado, apenas em 1996, Matosinhos atingiu um valor acima das 30000 toneladas. Já quanto à pesca descarregada em milhares de euros, corroboro que: − o maior valor obtido diz respeito ao ano de 1996. Em sentido contrário, temos o ano de 2004;

− o período em que se registou maior subida dos valores foi 2000-2003.
Porém, entre 1996-1998, regista-se um valor acima dos 30 milhões de euros e, ainda se dá uma subida de quase dois milhões de euros entre 1997-98;

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o período mais prejudicial para esta cidade foi 2003-2004, em que se assistiu a um decréscimo de quase 6 milhões de euros. Esta queda, nos últimos anos, deixa transparecer uma tendência negativa. Póvoa de Varzim
14000 12000 10000 8000 6000 4000 2000 0 1996 6053 5159 1997 6936 6752 1998 5281 3604 1999 6099 3628 2000 4749 2387 2001 5067 3352 2002 4160 1845 2003 5296 2104 2004 3815 1594

Milhares de euros Toneladas

Toneladas

Milhares de euros

Gráfico 32 – Evolução da pesca descarregada (desde 1996 a 2004) NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE Os dados da pesca descarregada do Porto de Pesca da Póvoa de Varzim, em toneladas, permitem-me concluir que: − − − − o maior valor conseguido data de 1997 e que, pelo contrário, o menor valor obtido se registou em 2004; o período em que verificaram maiores valores foi 1996-1997, com uma subida de mais de 1500 toneladas; desde 1998, nunca mais se registaram valores na casa das 4000 toneladas; nos últimos anos (2003 e 2004), a Póvoa de Varzim apresenta uma tendência descendente. Já os valores da pesca descarregada, em milhares de euros, possibilitam confirmar que: − − o maior valor alcançado data de 1997 e que, na situação inversa se encontra o ano de 2004; o período mais lucrativo foi 1996-1997, com uma subida de quase um milhão de euros;

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o período mais prejudicial foi 2003-2004, em que se regista o valor mais baixo (3815 – 2004), dentro do período considerado. Esta tendência descendente permite antever uma situação bastante embaraçosa para o porto de Pesca da Póvoa de Varzim, caso não se tomem medidas rápidas.

Principais espécies desembarcadas em 1999

14%

3%

Sardinha Carapau Polvo

17% 8%

58%

Faneca Sarda

Gráfico 33
Prinicipais espécies desembarcadas em 2000

20%

3% Sardinha 49% Carapau Polvo Faneca 8% Sarda

20%

Gráfico 34
Principais espécies desembarcadas em 2001

3% 23%

Sardinha Carapau Polvo Faneca Sarda

7% 4%

63%

Gráfico 35

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Principais espécies desembarcadas em 2002

8% 34%

25%

Sardinha Carapau Polvo 10% Faneca Sarda

23%

Gráfico 36
Principais espécies desembarcadas em 2003

5%

15% 8%

Sardinha Carapau Polvo Faneca Sarda

41% 31%

Gráfico 37
Principais espécies desembarcadas em 2004

4% 30%

28%

Sardinha Carapau Polvo Faneca Sarda

7% 31%

Gráfico 38 Através dos gráficos anteriores, concluo que: − a sardinha foi a espécie mais desembarcada no porto da Póvoa de Varzim até 2001. A partir daí, passou a ser a segunda (2002) e a terceira espécie mais descarregada (2003 e 2004); − − a faneca tornou-se na espécie mais desembarcada no porto poveiro a partir de 2002, perdendo esse lugar, em 2004, para o polvo; o carapau e a sarda representam uma pequena parte da pesca descarregada na Póvoa de Varzim, nunca superior a 18%.

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Viana do Castelo
10000 8000 6000 4000 2000 0 Milhares de euros Toneladas 1996 5180 2097 1997 6452 2576 1998 5497 1975 1999 5515 2170 2000 4703 2070 2001 5446 2981 2002 4867 1822 2003 5961 1634 2004 5147 1333

Toneladas

Milhares de euros

Gráfico 39 – Evolução da pesca descarregada (desde 1996 a 2004)

NOTA: A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda oficial de Portugal passou a ser o EURO (EUR), em substituição do Escudo (PTE). Taxa de conversão: 1 EUR = 200.482 PTE Os dados da pesca descarregada do Porto de Pesca de Viana do Castelo, em toneladas, permitem-me concluir que: − − o maior valor data de 2001 e o menor data de 2004; entre 1996 e 2001, os dados estatísticos apontavam para valores muito próximos ou superiores a duas mil toneladas, podendo assim afirmar que este foi o período mais satisfatório; − entre 2002 e 2004, já não se registam valores na casa das 2000 toneladas, transparecendo uma queda progressiva a este nível – período negativo; Já os valores da pesca descarregada, em milhares de euros, possibilitam confirmar que: − − − o maior valor alcançado foi 6452 milhares de euros, em 1997; o menor valor obtido foi 4703 milhares de euros, em 2000; Viana do Castelo regista períodos altos e baixos, mas, de certo modo, a distribuição ao longo dos anos é regular.

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A evolução da mão-de-obra
 a nível nacional

30000 25000 20000 15000 10000 5000 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Total 28458 27347 27197 26660 25021 23580 22025 20487 21345 19777 Total

Gráfico 40 – Evolução da mão-de-obra (desde 1996 a 2005) Através do gráfico, constato que: − − − a evolução da mão-de-obra a nível nacional é negativa; apenas houve um período, dentro dos anos estudados, em que se verificou uma subida: 2003-2004 o valor mais alto alcançado foi 28458, em 1996, e o mais baixo foi 19777 em 2005, o que deixa antever uma aproximação a uma situação delicada.

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a nível regional (em Portugal Continental)
25000

20000

15000

10000

5000

0 Algarve Alentejo LVT / Lisboa Centro Norte

1996 8232 623 4974 3182 6394

1997 6958 623 4565 3172 6957

1998 7061 707 4784 2925 6263

1999 6788 728 5050 2625 6211

2000 6539 733 3659 2526 6094

2001 6210 719 3906 2321 5380

2002 6168 719 2077 3256 5492

2003 3511 698 2062 3919 6163

2004 3510 688 2186 4166 6098

2005 3411 703 2278 3791 4983

Norte

Centro

LVT / Lisboa

Alentejo

Algarve

Gráfico 41 – Evolução da mão-de-obra (desde 1996 a 2005) Este gráfico permite verificar que: − a região do Algarve apresentou valores superiores até 2002, isto porque, na transição de 2002 para 2003, ocorreu uma queda bastante expressiva de mais de 2500 pescadores; − − − a partir de 2003, os maiores valores passaram a surgir na Região Norte; desde 1996 até ao último ano apreciado, foi o Alentejo que apresentou os valores mais diminutos (entre 623 e 728 pescadores matriculados); nos últimos três anos estudados, apenas Lisboa apresenta uma tendência ascendente. Pelo contrário, o Norte regista valores cada vez menores, após uma subida significativa entre 2002 e 2003 de mais de 600 pescadores; − o Centro se posiciona no segundo lugar entre as regiões com maior número de pescadores matriculados, a partir de 2003, em detrimento da região do Algarve.

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a nível regional (Regiões Autónomas)

6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 RA Madeira RA Açores RA Açores 1996 1997 1998 1999 2000 1443 3937 4210 RA Madeira 2001 2002 2003 2004 906 805 689 844 2005 820 3797

4138 3684 3415 3853

Gráfico 42 – Evolução da mão-de-obra (desde 1999 a 2005) NOTA: O Instituto Nacional de Estatística (INE) apenas possui dados disponíveis quanto ao número de pescadores matriculados desde 1999, da R.A. Açores e desde 2000, da R.A. Madeira. Com este gráfico, posso corroborar que: − a Região Autónoma dos Açores apresenta valores bastante mais significativos que a Região Autónoma da Madeira;

− a R.A. Madeira registou como maior valor 1443 pescadores matriculados e
como menor valor 689 pescadores matriculados. De 2000 para 2001, deuse uma queda significativa de mais de 500 pescadores. Esta tendência manteve-se até 2003, em que iniciou uma pequena subida. Em 2005, registava 820 pescadores matriculados;

− a R.A. Açores registou como maior valor 4210 pescadores matriculados e
como menor valor 3415 pescadores matriculados. De 1999 para 2000, deuse uma subida considerável, atingindo a casa dos 4000 pescadores, situação que se manteve até 2001. Em 2005, registava 3797 pescadores matriculados.

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na região Norte
7000 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 Total 1996 6394 1997 6957 1998 6263 1999 6211 2000 6094 Total 2001 5380 2002 5492 2003 6163 2004 6098 2005 4983

Gráfico 43 – Evolução da mão-de-obra (desde 1996 a 2005)

A visualização do gráfico de pescadores matriculados na Região Norte permite concluir que: − − − − nos últimos três anos considerados, apresenta uma tendência descendente, atingindo o valor mais baixo em 2005, com 4983 pescadores; o valor mais alto foi alcançado em 1997, com 6957 pescadores; entre os anos de 1997 e 2001, se deu uma queda significativa, de quase 1600 pescadores; entre os anos 2001 e 2003, ocorreu uma subida considerável no número de pescadores (cerca de 800 a mais).

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nos portos da Região Norte
7000 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0
Matosinhos P. Varzim V. Castelo 1996 1227 3029 2138 1997 1149 3710 2098 1998 947 3188 2128 1999 980 3136 2095 2000 912 3181 2001 2001 913 2706 1761 2002 915 2808 1769 2003 1284 3237 1642 2004 1390 3104 1604 2005 1392 2093 1498

V. Castelo

P. Varzim

Matosinhos

Gráfico 44 – Evolução da mão-de-obra (desde 1996 a 2005)

Analisando o gráfico, constato que: − − − a Póvoa de Varzim apresenta os maiores valores no período considerado (1996-2005). Por outro lado, Matosinhos regista os menores valores; o número de pescadores matriculados em Viana do Castelo tem vindo a diminuir ao longo dos anos (exceptuando 1997-98 e 2001-2002) o período compreendido entre 1996 e 2000 foi o mais significativo para a Póvoa de Varzim, atingindo sempre valores acima dos 3000 pescadores matriculados; − o período compreendido entre 1998 e 2002 foi o mais penoso para Matosinhos, considerando os valores abaixo de 1000 pescadores matriculados. No entanto, nota-se que, desde 2003, essa situação tem sido ultrapassada.

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Como pude verificar, a mão-de-obra empregada neste sector atravessa uma tendência descendente, isto porque: − − − este tipo de trabalho não é motivante para os jovens; o sector atravessa uma crise; há falta de apoios quanto à frequência de acções de formação para profissionais no activo.

A qualificação da mão-de-obra
A maior parte dos pescadores de Portugal – cerca de 74% – tem idade superior a 45 anos, o que mostra que a classe piscatória é uma classe envelhecida. Além disso, o nível de qualificação é relativamente baixo ou, pelo menos, insuficiente. Como se pode ver pelos gráficos 20 e 21, 68% dos pescadores têm apenas o 1.º ciclo e, nos pescadores com mais de 49 anos, a taxa de analfabetismo é de 76%, o que demonstra as fracas qualificações profissionais.

Grau de instrução
9,10% 0,10% 0,20% 5,50% 16,40% 0,70% Ensino básico (1.º ciclo) Ensino básico (2.º ciclo) Ensino secundário Ensino médio 68% Ensino superior Não sabe ler nem escrever Sabe ler e escrever

Gráfico 45
Percentagem da população activa (pesca) sem qualquer grau de ensino por grupos etários
100% 50% 0% mais 30 12 de aos aos 49 49 29 76% 18% 6%

Gráfico 46 Para ultrapassar este problema, Portugal apostou na formação profissional, dando uma preparação técnica especializada nos domínios da navegação, meteorologia, detecção de recursos, conservação das pescas, organização e gestão das pescas, etc.

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O Fundo Social Europeu (FSE) criou um conjunto de acções de formação e cursos de pescador, marinheiro, contramestre, etc.

Formação Profissional (Estruturas governamentais)
Centro Forpescas
Objectivos: O FORPESCAS resulta do Protocolo celebrado, em 1986, entre o Instituto do Emprego e Formação Profissional e a Escola Profissional de Pescas de Lisboa (actualmente Escola das Marinhas do Comércio e Pesca). A sua única actividade é a Formação Profissional, tendo por objectivo promover a Figura 9 – Logótipo do FORPESCAS

qualificação e certificação dos Profissionais dos Sector das Pescas, desenvolvendo acções de formação nas áreas da Captura (Convés e Máquinas), Construção Naval, Transformação e Comercialização dos Produtos da Pesca, Conservação, Administração e Gestão Pesqueira e Aquacultura. Localização: Além de Matosinhos, existem mais oito Delegações, todas em localidades com importância para as Pescas: Viana do Castelo, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Ílhavo, Figueira da Foz, Peniche, Lisboa, Sesimbra e Olhão. Actividades: Destacam-se os cursos de formação de Marítimos Pescadores (Pescadores, Marinheiros Pescadores, Arrais de Pesca e Contramestres Pescadores), de Motoristas Marítimos (Ajudantes de Motorista e Motoristas Práticos de 3ª, 2ª e 1ª Classes), de Carpinteiros Navais; de Técnicos de Gestão, de Transformação de Produtos Alimentares (Pescado), de Aquacultura, de Operadores Aquícolas e Aquacultores, e ainda de Electromecânicos de Frio.

Escola de Pesca e da Marinha de Comércio
Objectivos: A Escola de Pesca e da Marinha de Comércio (EPMC) é um serviço central do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, dotado de autonomia administrativa e pedagógica, que tem como atribuição o ensino técnicoprofissional a nível nacional para os sectores das pescas, dos transportes marítimos, da marinha de recreio e actividades conexas, bem como coordenar as acções de formação que se desenvolvam no âmbito das suas atribuições. Figura 10 – Escola de Pesca e da Marinha de Comércio

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Actividades: Formação especializada nos diferentes domínios das pescas, entendidas como o conjunto de actividades que se estende desde a pesca propriamente dita à apanha e aquicultura, passando pela transformação, até à comercialização.

As infra-estruturas portuárias e a frota
Na costa portuguesa existe uma grande quantidade de portos, principalmente nos estuários dos rios com descargas muito reduzidas. Os portos têm deficiente apetrechamento no que diz respeito a cais de acostagem e de desembarque, falta de barreiras protectoras, equipamentos de descargas ultrapassados, falta de instalações frigoríficas e lotas muito velhas e inadequadas. Esta situação tem vindo a melhorar nos últimos anos, devido às ajudas comunitárias, existindo actualmente cerca de 18 lotas informatizadas. É de referir que, apesar da existência de grandes portos, apenas os portos de Matosinhos, Peniche, Sesimbra, Figueira da Foz, Olhão, São Miguel e do Pico (Açores) respondem por cerca de 60% dos totais das descargas a nível do país A frota portuguesa é pequena e mal apetrechada, predominando as pequenas embarcações com um grau de modernização fraco, reflectindo uma actividade essencialmente artesanal. Nos últimos anos, a renovação das embarcações portuguesas tem sido insatisfatória, criando uma verdadeira crise, pois os nossos navios sofrem a concorrência das frotas comunitárias.

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Figura 11 – Embarcações do Porto de Pesca de Viana do Castelo

Figura 12 – Porto de pesca de Peniche

A aquicultura
A tendência crescente verificada na Aquicultura em todo o Mundo, e em Portugal em particular, deve-se, sobretudo, às necessidades de obtenção de proteína de origem animal perante o crescimento da população humana, como forma de complemento às capturas provenientes da Pesca, a qual, perante um estado de sobreexploração dos recursos, deixou de satisfazer as necessidades humanas em matéria de produtos do mar e, mais propriamente, em peixe. Além disso, o declínio das capturas comerciais provenientes da Pesca fez aumentar o custo dos produtos do mar, tendência que não deixará de ser crescente, face às restrições impostas pela Política Comum das Pescas pela redução dos efectivos disponíveis. A Aquicultura define-se como um conjunto de actividades que dizem respeito à cultura de animais e vegetais aquáticos, caracterizando-se pela intervenção do Homem no ciclo biológico das espécies produzidas. Apesar dos quatro mil anos de história, esta desenvolveu-se como uma indústria mundialmente importante nos últimos 30-40 anos, como demonstra a figura 13.

Gráfico 47 – Evolução da Pesca e da Aquicultura (106 toneladas) a nível Mundial entre 1950 e 2003

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De notar que esta figura também ilustra claramente uma estagnação das capturas provenientes da pesca a partir de 1994 e um acentuado crescimento da aquicultura.

Evolução da Aquicultura em Portugal
A Aquicultura em Portugal, apesar de registar um ligeiro crescimento (figura 14) tem-se mantido, desde 2001, na ordem das 8000 toneladas.

Gráfico 48 – Evolução da Aquicultura em Portugal (em toneladas) entre 1984 e 2003 As culturas marinhas em Portugal tiveram início, pelo menos de uma forma representativa, em 1984. Verifica-se, pelo gráfico da figura 14, que as culturas marinhas apresentam, ao longo do tempo, uma proporção crescente nos produtos provenientes da aquicultura.

Principais espécies produzidas em Portugal
Até 1998, a maior proporção baseou-se na cultura de bivalves (figura 15). Dentro dos bivalves, é a amêijoa a espécie que regista maiores volumes tanto em peso como em preço. A partir de 1995, verifica-se um interesse crescente por parte dos profissionais do sector na produção de espécies piscícolas marinhas. Analisando as estatísticas oficiais, constata-se que as maiores produções são de dourada e robalo.

Gráfico 49 – Evolução das produções de peixes marinhos e bivalves para o total do Continente no período entre 1984 e 2003

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Os vários ensaios efectuados por equipas nacionais já concluíram que o nosso país apresenta um forte potencial aquícola. Em Vila do Conde, por exemplo, ficou demonstrado que é possível produzir mexilhão em nove meses. A ostra também possui elevadas taxas de crescimento na zona do estuário do Sado, conseguindo-se um ciclo de produção em cerca de oito meses.

A indústria transformadora da pesca
 Conservas e Semiconservas
O sector conserveiro é um dos vectores mais importantes da Indústria Transformadora da Pesca, quer pela tradição, quer pela importância estratégica que detém na balança comercial do País. É um sector que aposta fortemente na exportação, embora o mercado nacional venha a ser reconhecido como uma alternativa às vicissitudes dos mercados internacionais. Em Portugal, a indústria conserveira foi introduzida de Sul para Norte, tendo conhecido o seu berço numa fábrica de atum em Vila Real de Santo António, no Algarve, em 1865. O fabrico de conservas de sardinha terá sido introduzido em Setúbal, já em 1880. Em 1884 existiam já 18 fábricas no País, para em 1926 ser atingido o número máximo de 400 unidades.

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Em 1936 foi criado o Instituto Português de Conservas de Peixe, um organismo de coordenação económica que veio disciplinar o sector e que acabou por fomentar a exportação e dirigir o sector para níveis nunca antes alcançados. A produção conserveira baseia-se, desde sempre, quase exclusivamente em três espécies pelágicas (sardinha, atum e cavala), embora dentro destas a sardinha demonstre ser o principal produto exportado e o atum o produto mais importante destinado ao mercado interno, facto este que se evidenciou a partir da década de noventa. O segmento da semiconserva, que recorre tradicionalmente ao biqueirão como matéria-prima, tem vindo mais recentemente a utilizar também a sardinha. Actualmente estão licenciadas 39 unidades industriais, que englobam cerca de 3.000 postos de trabalho directos, recorrendo maioritariamente a mão-de-obra feminina. O subsector conserveiro denota vantagens competitivas reconhecidas por diversos estudos, considerandose hoje premente conjugar uma cooperação directa entre as empresas e um marketing de marcas, atendendo a uma forte competitividade decorrente da globalização do mercado.

 Frescos e Congelados
O subsector da preparação e transformação de pescado congelado é, indubitavelmente, o mais recente de todos os que integram o sector da indústria transformadora da pesca, tendo vindo a afirmar-se em crescendo, quer enquanto actividade económica, quer enquanto fileira alimentar, perfilando-se como uma das principais fontes alimentares para o século XXI. Em finais de 1999 o subsector engloba 120 unidades licenciadas em todo País, empregando cerca de 2600 pessoas em postos de trabalho directos. Uma das características principais deste subsector é a directa interacção com a armação, uma vez que absorve uma parcela importante de matéria-prima de origem nacional, mostrando-se como um complemento fundamental da actividade piscatória.

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O pescado congelado importado, enquanto matéria-prima que incorpora valor acrescentado a partir da sua transformação, assume algum significado na balança comercial dos produtos da pesca, com o inerente contributo positivo no campo económico e social. A exportação dos produtos transformados congelados tem vindo a manifestar uma dinâmica apreciável no sector, em particular no espaço europeu. As instalações modernas e os novos circuitos de produção, são o reflexo da actualização e adequação tecnológica às normas comunitárias e à segurança do consumidor, seja em unidades de grande ou de pequena dimensão. Também por esse motivo, os produtos congelados da pesca tornaram-se habituais no grande consumo, mostrando uma adaptação fora do comum à vida moderna, onde, por exemplo, o posteado, os filetes, os cefalópodes, o marisco ou as preparações alimentares são elementos paradigmáticos desta realidade. Como imagem de evolução dinâmica e sustentada do subsector, tem vindo a assistir-se durante a última década a uma reconcentração em unidades de maior dimensão, numa clara busca de economias de escala e de capacidade de internacionalização, ao mesmo tempo que os níveis tecnológicos e de controlo de qualidade se têm aproximado a passos largos do mais exigente padrão europeu. Os produtos de pescado congelados estarão, assim, definitivamente associados à evolução do consumo alimentar da sociedade do novo milénio.

 Salgas e Secas
O subsector da salga e secagem, cuja forte implantação no nosso País é bem visível nos níveis de consumo e na tradicional diversidade gastronómica, depende, em grande medida, de uma única espécie – o bacalhau Com o evoluir dos tempos, as “secas”, vão-se equipando tecnologicamente, passando da seca extensiva, dependente da exposição solar, para níveis de produtividade elevados, baseados na secagem artificial, tecnologia de que os portugueses se podem orgulhar de terem sido um dos pioneiros. Neste sentido, actualmente são muitas as empresas prestadoras de serviços a terceiros, ou seja, empresas que cumprem contratos de secagem de peixe para empresas fora do circuito industrial. Existem actualmente 41 empresas licenciadas, nas quais encontram emprego directo cerca de 1500 pessoas, das quais cerca de 70% mão-de-obra feminina.

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O mercado do bacalhau é muito heterogéneo quer no âmbito interno, quer no âmbito externo. Como a produção depende quase em exclusivo da importação de matéria-prima – hoje as capturas nacionais são quase residuais após a quebra de actividade da frota bacalhoeira – quaisquer flutuações da oferta, em quantidade ou preços, mostram-se de vital importância na sobrevivência de muitas empresas. A Noruega apresenta-se actualmente como a principal fonte de abastecimento de matéria-prima. O mercado nacional do bacalhau salgado seco tem sido direccionado para as grandes superfícies, estimando-se que estas absorvam cerca de 80% das quantidades vendidas, para o restante ser então da responsabilidade do comércio tradicional. O recente aparecimento de novos produtos, como o bacalhau salgado desfiado ou o demolhado ultracongelado, são agora formas alternativas de diversificar a produção deste subsector. Em síntese, Portugal continua a ser o maior consumidor de bacalhau salgado seco do mundo. Dos 62 quilogramas de consumo anual de pescado, cerca de metade são desta espécie.

 Outras actividades
É um subsector que engloba diferentes actividades produtivas da Indústria

Transformadora das Pescas e que por definição da tipologia de fabrico – tecnologia e processo fabril – escapam aos agrupamentos anteriores. São cerca de 20 empresas licenciadas, que agregam mais de 200 postos de trabalho directos. Um destaque especial recai sobre a fumagem de pescado que, embora de pouca tradição nos padrões de consumo no País, tem vindo a impor-se como um produto de riqueza e qualidade acrescida. São especialidades alimentares que tendem a valorizar os recursos endógenos – em particular o espadarte ou, entre outros, os produtos de aquicultura – havendo ainda muito espaço de evolução, sobretudo no mercado nacional. Neste subsector estão também englobadas actividades conexas da indústria, em particular, as unidades de pré-cozinhados, de acondicionamento, de armazenamento e de expedição de produtos da pesca. Deste modo, está aqui incluída grande parte da capacidade

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de frio disponível para apoio ao sector industrial e comercial dos produtos haliêuticos, e que se reveste de importância capital na sua gestão e distribuição. A busca de novas soluções para a satisfação do paladar dos consumidores, encontra nestes produtos uma complementaridade optimizada face aos produtos convencionais.

Balança comercial dos produtos da pesca
Exportação (tons) Importação (tons) Saldo (tons) Exportação (mil euros) Importação (mil euros) Deficit Comercial (mil euros) Uma observação atenta do Quadro 1 permite-me conferir que: − − − − entre 1999 e 2003, Portugal conseguiu aumentar o volume das suas exportações e, daí, obter maiores lucros; o volume das importações, no mesmo período, sofreu uma queda, porém os custos ultrapassaram 1 milhão de euros; o saldo resultante das importações e exportações se mantém negativo; Portugal é um país com uma balança comercial negativa, apresentando valores de défice comercial, em 2004, de quase 670.000 euros 1999 95.820 354.888 -259.068 265.828 980.457 714.629 Quadro 1 2000 2001 98.162 100.651 334.366 346.763 -236.204 -246.112 314.341 316.519 959.552 1.077.792 645.212 761.273 2002 112.546 348.308 -235.762 338.271 1.031.816 693.545 2003 116.607 335.045 -218.438 370.791 1.007.807 637.015 2004 115.658 340.757 -225.100 341.021 1.010.616 669.595

Plano Estratégico Nacional para a Pesca (PEN PESCA)
O Plano Estratégico Nacional para a Pesca (PEN PESCA) visa definir os objectivos e prioridades de Portugal para o sector da pesca, quer os referentes à Política Comum das Pescas (PCP) quer a outros domínios específicos não directamente abrangidos pela PCP. O Plano Estratégico Nacional deve conferir uma visão estratégica de conjunto sobre a política de desenvolvimento do sector da pesca, em sentido lato, para o período 2007-2013. O PEN constituirá o quadro de referência para a execução da política pesqueira nacional e é a base das acções a financiar ao abrigo do Fundo Europeu das Pescas, no quadro do Programa Operacional a aprovar oportunamente pela União Europeia. Para os próximos anos, são tidas como grandes prioridades: − − − a promoção da competitividade do sector pesqueiro num quadro de adequação aos recursos disponíveis; o reforço, inovação e diversificação da produção aquícola; a criação de mais valor e diversificação da indústria transformadora;

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a garantia do desenvolvimento das zonas costeiras dependentes da pesca.

A gestão do espaço marítimo
Os problemas na gestão do mar
Portugal terá de dispor de meios eficazes que permitam vigiar e controlar a ZEE. No entanto, a profunda insuficiência de meios técnicos, como embarcações rápidas e meios aéreos e informáticos, não permite o correcto desempenho desta missão. Os grandes problemas da falta de controlo da ZEE são: − − − possibilidade de serem capturadas espécies não permitidas, conduzindo ao esgotamento dos nossos recursos piscatórios; descargas de substâncias nocivas – petróleo, zinco, chumbo, etc. – que provocam problemas ambientais; possibilidades para o tráfico de cargas proibidas, nomeadamente, de droga e armamento, e entrada de produtos sem pagamento dos direitos aduaneiros.

Os Problemas ambientais
 A sobreexploração dos recursos piscatórios A busca de espécies que proporcionem lucros levou à destruição maciça e diminuição de determinadas espécies, provocando desequilíbrios quer pela ruptura das cadeias alimentares quer pela exploração excessiva e irracional dos recursos. É disto exemplo o uso abusivo das redes de malha apertada que não deixam escapar o pescado jovem e que reflecte uma acentuada redução dos stocks de algumas espécies. Em Portugal, algumas espécies fundamentais, como o pescado, o carapau e a faneca, estão ameaçadas, sendo preciosos longos anos de conservação e contenção de capturas para reconstituição dos stocks destas espécies. Uma solução lógica para este problema seria o desenvolvimento da aquicultura.

A poluição das águas marinhas É a poluição da faixa contígua à linha da costa o principal problema, altamente destruidor dos nossos stocks de pesca costeira. As zonas costeiras onde desaguam os rios, em cujas margens há intensa actividade industrial, encontram-se poluídas e, por isso, com pouco pescado.

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Além disso, as águas residuais, dos esgotos e as águas utilizadas na agricultura, carregadas de fertilizantes e pesticidas, são lançadas, em grande parte, directa ou indirectamente, no mar. As marés negras, provocadas pelo derrame de petróleo, provocam desastres ecológicos, sendo responsáveis pela morte de um número de fauna marinha. Os terminais petrolíferos de Lisboa, Sines e Matosinhos são zonas consideradas de risco, já que existe uma maior possibilidade de acidentes graves a nível ambiental. A degradação das zonas costeiras A ocupação desordenada do território, com construções em pleno areal, nas dunas e arribas, em consequência da expansão do turismo balnear e da enorme pressão urbana, constitui uma ameaça cada vez maior para o ambiente. Finalmente, a concentração de grande número de população, no Verão, nas zonas balneares traduz-se em praias e matas repletas de papéis, garrafas, sacos de plástico, etc., principalmente em áreas onde não existem boas condições sanitárias.

Potencializar o uso do espaço marítimo
É necessário tomar medidas que protejam os oceanos, de forma a tornar possível uma exploração sustentável dos recursos nele existentes. Assim, a rentabilização das águas nacionais deve passar pelas seguintes medidas: protecção dos recursos, racionalização das capturas e regularização do sector da pesca; − − − − − − − − − incentivo à investigação científica e inventariação dos recursos para servirem de base à regulação da actividade piscatória e utilização das águas: protecção social e formação profissional das pessoas que vivem do mar; reforço da capacidade de vigilância e de controlo do espaço marítimo português; reconversão da frota de pesca; interligação das capturas e do sector industrial conserveiro; melhoria dos circuitos de comercialização; incentivo à expansão da aquicultura; incentivo ao desenvolvimento das actividades turísticas; obtenção de água potável através do processo de dessalinização (processo que permite obter água doce, pela subtracção dos sais minerais de água do mar).

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A Pesca na Póvoa de Varzim
O porto de pesca da Póvoa de Varzim
O porto de pesca da Póvoa de Varzim é, hoje, classificado como porto industrial. Situado numa enseada, em costa baixa e aberta, desprovido de qualquer acidente geográfico importante a enquadrá-lo, foi construído sem ter as condições naturais desejáveis para acondicionar a actividade piscatória.

Figura 13 – Porto de Pesca da Póvoa de Varzim

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A Actividade piscatória na Póvoa de Varzim
 na primeira metade do século XIX Nos primeiros anos do século XIX, a Póvoa de Varzim era constituída por um aglomerado populacional de média dimensão, com ligações muito directas a toda a zona Norte do país. Atendendo à proximidade do mar, cedo os seus habitantes se dedicaram à actividade piscatória. Nesta época, verificou-se um crescimento demográfico de assinalar. Como tal, houve necessidade de incentivar as actividades da pesca e da salga, garantindo assim a subsistência da população. O consumo de pescado fresco fazia parte dos hábitos alimentares dos portugueses, principalmente das populações do Norte (Litoral e Interior nas regiões de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes). Com o grande incremento da população do Minho no século XVIII, e o consequente aumento do consumo, foram solicitadas maiores quantidades de pescado, porém, como os centros nacionais de Caminha, Viana, Fão, Vila do Conde, Porto, Aveiro e Póvoa de Varzim eram incapazes de auto-abastecimento, foi necessário a importação de pescado da Galiza. A situação poveira volta à normalidade, nos finais do século XVIII, assumindo uma posição de liderança no conjunto nacional. Os contratadores de pescado oriundos da Galiza deslocavam-se, regularmente, à Póvoa, onde vinham comprar pescado fresco, que negociavam no interior do nosso país e em Espanha. Na primeira metade do século XIX (1815-1819), os contratadores e os regateiros1 representam cerca de 3,8% da população activa, não incluindo vendeiros ou almocreves2. Se a actividade comercial do pescado envolvia muita gente, ainda mais numerosos eram os que se dedicavam à faina da pesca, – os pescadores – classe piscatória com elevado peso no conjunto da população activa (cerca de 54,2%, em 1792) Como indicador da importância alcançada por este sector da economia temos o rendimento que os impostos sob o produto da pesca proporcionavam à Casa de Bragança3.
Rendimento da dízima do peixe

30000 25000 20000 15000 10000 5000 0 1765 1816 2380 28710

Nota: Os valores do eixo dos YY estão em “mil reis”.
1 2

Regateiro – aquele que discute o preço de algo. Almocreve – homem que aluga e conduz bestas de carga. 3 Casa de Bragança – armazém onde se recolhiam os dízimos arrecadados para a Coroa. 67/79

Apesar disto, a actividade piscatória continuou a passar dificuldades, muito devido aos pesados encargos. Como tal, foram tomadas medidas para inverter a situação. Mesmo assim, a classe continuava a obter lucros baixíssimos, por causa dos impostos que lhe eram cobrados. Já em 1821, D. João VI deliberou que os pescadores e negociantes de pescado da Póvoa deixariam de pagar alguns direitos, como a isenção do peixe destinado à salga ou à seca. Finalmente, como Decreto de 6 de Novembro de 1830, foram abolidos todos os impostos sobre o pescado.

Dados estatísticos sobre a actividade piscatória na Póvoa de Varzim
Barcos e pescadores na Póvoa de Varzim
2500 2000 1500 1000 500 0 Pescadores Embarcações 30 56 70 1736 1758 1782 1789 1340 300 1821 1020 150 1834 2087 153 1856 2000 250 Pescadores Embarcações

No ano de 1789, o centro piscatório poveiro atravessa uma frase extremamente dinâmica, verificável através de uma numerosa frota composta por cerca de 300 embarcações e do elevado número de pescadores, mais de 1300 homens. A partir dessa data, verifica-se uma diminuição considerável do número de pescadores e de barcos. Analisando a questão no contexto nacional, destaca-se a prosperidade que se vivia no centro poveiro, a ponto de, em 1821, este apresentar a maior frota pesqueira do país. A partir do ano de 1821, e num espaço de pouco mais de 10 anos, a classe piscatória duplicou, atingindo, em 1834, um total de 2087 efectivos. Este foi o período de maior crescimento, a partir do qual se entrou numa fase marcada por uma estabilidade quanto ao número de pescadores e por um aumento da quantidade de barcos.

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Embarcações e pescadores nas povoações da costa noroeste em 1821 2000 1500 1000 500 0 Embarcações Pescadores Cam Via Esp Fão Póv Vila Foz Cos Cos Cos Cos Figu Ped Peni 132 39 43 24 150 49 51 20 128 92 51 23 53 146 Embarcações Pescadores

406 239 820 216 1020 162 171 1564 820 1416 430 117 490 664

Nota: As localidades/zonas consideradas neste estudo estatístico são: Caminha, Viana do Castelo, Esposende, Fão, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Foz do Douro, Costa de Espinho, Costa do Furadouro, Costa Nova, Figueira da Foz, Pederneira e Peniche. A frota pesqueira poveira, formada por cerca de 150 barcos, é a maior, apenas comparável à de Peniche ou de Caminha. Relativamente ao número de pescadores, verifica-se que os 1020 mencionados apenas são ultrapassados pelos 1564 da Costa de Espinho e pelos 1416 da Costa do Furadouro, mas, nestes dois casos, os números contabilizados referem-se a regiões mais amplas que uma vila e o seu respectivo porto, como era o caso da Póvoa de Varzim. na segunda metade do século XIX No último quartel do século XVIII, Constantino Lacerda Lobo, academista português, ao constatar a decadência estrutural do sector das pescas, considerava, na generalidade, o pescador improdutivo, porque na maior parte do litoral o seu trabalho reduzia-se, quase exclusivamente, à pesca sazonal da sardinha. Os únicos, na sua opinião, merecedores de serem designados por pescadores eram os da costa a norte do Porto, os da Póvoa de Varzim: não só pescavam junto à costa como igualmente ao largo, desde o Cabo de S. Vicente até Caminha. A pesca passou, lentamente, a ser considerada como um dos sectores produtivos da indústria. O sinal desta mudança revela-se nos Inquéritos Industriais de 1881, altura em que o relatório do Porto incluiu informação detalhada acerca da importância do núcleo da Póvoa de Varzim. Tornou-se ponto assente, na política económica, que o sector das pescas era vital para a economia do Reino, até por razões que se prendiam com uma conjuntura internacional de crise pesqueira: gerou-se nos anos de 1880-1887, com o desaparecimento de sardinha das costas bretãs, até então primeira produtora mundial de conservas, o desenvolvimento do sector em Portugal e Espanha, pressionando as técnicas massivas de pesca. Em 1884, existiam, em Portugal, 18 fábricas; em 1886 passavam de 66 (enquanto em Espanha, Itália e Áustria não ultrapassava 57), Em 1890 verifica-se uma ligeira quebra pelo efeito da concorrência francesa,

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contando-se 54 estabelecimentos com 2515 operários; em 1896 o seu número alarga-se para 76 e 4653 operários.

Formas de organização de trabalho na Póvoa de Varzim, nos finais do século XIX
Através da análise do quadro seguinte, verificamos a existência de disparidades quanto ao número de pescadores. A justificação para esta situação prende-se com as condições de emissão da informação. Quadro 2
N.º pescadores Valor pescado 1868 3200/7930 1878 400/4000 188 1880 4224/8000 300/350 1886 4500 278 1885-1888 120/140 Por ano 1889 200 1890 6336 1898 2644

O relatório de 1879, inscrito no Livro Branco das Pescas, refere que “o número de pescadores matriculados [1878] é 400, porém 4000 aproximadamente fazem uso desta indústria, sem cumprir o preceito de matricular-se afim de fugirem ao recrutamento marítimo; as alfândegas acabavam por permitir tal abuso ao passarem licenças de pesca sem exigirem a apresentação das matrículas dos barcos. Outro motivo para a desarticulada estatística dos pescadores está associação à forma de organização do trabalho. O relatório de 1890 refere-a: “o que acontece, especialmente na Póvoa, é um determinado pescador, que pertence hoje a uma embarcação, abandoná-la amanhã por outra que tenha visto trazer mais abundante pescaria …”.

Empregados no sector das pescas por sexo e idade
Quadro 3
Sexo Maiores de 16 anos Masculino Feminino 2066 2131 Entre 12 e 16 anos 406 297 Menores de 12 anos 828 608 Total pescadores: 6336 3300 3036 de Total População: 12977 6185 6792

A primeira constatação é a de que mais de 50% da população vive da pesca, directa ou indirectamente. O universo feminino activo na pesca (ou ligado à família do pescador) representa quase 45% da população total.

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O Contexto Tecnológico
No passado, a adopção de malhagens mais apertadas e de maiores dimensões foi uma tentativa, notável, de optimizar a captura. Um exemplo verificado em meados do século XVIII, foi o da introdução das novas “artes” de xávega (de arrasto pelágico, conjuntos de redes ligadas, de grandes dimensões, malha a viés, grande saco), copiadas ou trazidas pelos catalães para a Galiza e a Andaluzia, transpostas para as costas portuguesas, especialmente a sul do Douro e Algarve, que implicaram um aumento considerável das capturas de sardinha, dando origem mesmo a uma indústria de conserva e salga. Em meados do século XIX assiste-se à introdução dos cercos a vapor que, conhecidos nas costas do Algarve, alargaram-se a outras águas, nomeadamente à costa da Póvoa, não obstante as residências assinaladas. É inquestionável, no entanto, que, na actividade piscatória os avanços tecnológicos notórios só se verificam após a 2.ª Guerra Mundial com a motorização, os sistemas hidráulicos de guinchos, as fibras sintéticas na construção das redes, os sistemas electrónicos de detecção de pescado, assim como a conservação a bordo, articulados com outros aspectos mais subtis: o conhecimento das previsões meteorológicas, a atenção aos preços mais convidativos dos mercados, o uso de canais de ensaio para a simulação das artes, etc. Percebeu-se, entretanto, que o avanço tecnológico pode fazer reduzir, a médio prazo, as taxas de captura, com as inerentes consequências de agravamento dos custos de produção. Mesmo avultados empates de capital e tecnologias não conseguiram, em muitos casos, ultrapassar a natureza aleatória da pesca, atendendo à variabilidade do ecossistema. No passado esta percepção, muitas vezes empírica, terá conduzido à adopção prolongada de técnicas menos eficientes mas adequadas aos ecossistemas em causa, aspecto que foi tomando consciência através de estudos incipientes das espécies, restrição de redes, épocas de defeso. Hoje, a alteração tecnológica de maior impacto passará pela gestão dos recursos mananciais, o que pressupõe um conhecimento da ecologia marítima, uma planificação dos mananciais, com vista à manutenção das espécies, ultrapassando a perspectiva da pesca como colheita, para dar lugar a uma intervenção activa no sentido da manutenção e reprodução dos stocks. Este aspecto foi equacionado, desde inícios da década de 70 do século XX, tendo em costa o desgaste alarmante de certos bancos de pesca. Assim sendo, seja qual for a época em causa, o contexto tecnológico terá que ter em consideração os seguintes indicadores: o indicador espacial que apresenta os suportes geográficos, de circulação e, sobretudo, os ecossistemas condicionadores das respostas humanas; o indicador tecnológico que pressupõe uma inventariação de dispositivos, aparelhos, artes de pesca e procedimentos, quer os utilizados quer os recomendados para aquele espaço dos recursos humanos que engloba os dados relativos à adaptação tecnológica (experiência de vida: o saber prático, padrões de cultura partilhados); a formação profissional (a informação e a sua aplicação); os recursos financeiros (capitais); e o indicador das infra-estruturas de

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transporte e comunicação que pressupõe o sector da transformação e o do mercado distribuidor, dentro de um conceito de eficácia económico-técnica.

A aquicultura na Póvoa de Varzim
A empresa A. Coelho e Castro, Lda. possui uma unidade de produção de peixes marinhos situada na Estela (Póvoa de Varzim) – a piscicultura do Rio Alto. Esta unidade possui uma capacidade produtiva que ronda as 150 ton. /Ano e os 2 milhões de euros/ano e predomina a produção, em ciclo completo de pregado. Desde 1993, ano da sua entrada em funcionamento, que esta unidade caso do robalo e do salmão. Esta empresa actua, com preponderância, no mercado nacional, vendendo a sua produção aos Grupos Sonae e Jerónimo Martins, donos dos supermercados e hipermercados Modelo e Continente e Pingo Doce e Feira Nova, respectivamente. Quanto ao mercado internacional, apenas exporta para Espanha, em pequenas quantidades. Figura 14 – Logótipo da A. Coelho e Castro, Lda.

produz, para além do pregado, outras espécies marinhas de elevado valor comercial como é o

As Conservas na Póvoa de Varzim
Na Póvoa de Varzim, encontramos, também, fábricas de conservas, como são “A Poveira” e “A Madrugada. Fábrica de Conservas “A Poveira” Lda. A Fábrica de Conservas “A Poveira”, Lda. dedica-se ao fabrico de conservas de sardinha e cavala. Esta fábrica possui um mercado bastante alargado, isto porque os seus consumidores se encontram na Europa e na América

Figura Produtos fábrica

15

– desta

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Principais Produtos Sardinha em azeite, óleo, tomate, sem pele sem espinha – Filetes de cavala em azeite Marcas Comerciais JOÃO MARAVILHA; POVEIRA; LAPA; VARZIM; HENRI IV

Pessoal 80 Trabalhadores Produção (Kg) 399.789 Valor das Vendas (EUR) 1032511,65

Exportação (toneladas) 382 Exportação (EUR) 1032511,65

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Recentemente, o Póvoa Semanário on-line publicou uma notícia que afirmava que as duas fábricas anteriormente referidas vão formar consórcio. (Doc.3)

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Documento 3

‘A Madrugada’ e ‘A Poveira’ vão formar consórcio
A união de recursos humanos é o primeiro efeito da estratégia adoptada pelas duas empresas de conservas de peixe da Póvoa de Varzim. O objectivo final passa pela implantação de uma unidade industrial no Parque Industrial de Laúndos – estrutura que deverá ser concretizada no espaço de dois anos ‘Consórcio Poveiro de Conservas’. Esta poderá ser a futura designação da parceria estabelecida entre ‘A Madrugada’ e ‘A Poveira’ – conserveiras sedeadas na cidade da Póvoa de Varzim. Apesar de alguns pormenores legais estarem ainda por definir, a fusão das duas empresas é um dado adquirido, sendo que as trabalhadoras de ‘A Madrugada’ foram já incluídas na estrutura de laboração de ‘A Poveira’ – unidade industrial que, recentemente, foi alvo de um investimento de cerca de meio milhão de euros. No essencial, essa verba destinou-se às obras necessárias para o cumprimento das normas de higiene e segurança alimentar em vigor, tendo também servido para suportar os encargos salariais do pessoal ao longo dos cerca de seis meses em que decorreu essa intervenção estrutural. A aposta na revitalização das conservas de peixe na Póvoa de Varzim foi assumida há cerca de três anos por Sérgio Real – actual gerente da empresa. Esse processo foi iniciado a partir do momento em que houve a confirmação de que ‘A Poveira’ estava prestes a encerrar, em definitivo, a sua laboração. Nessa altura, recorda Sérgio Real, "estava a dar seguimento à actividade comercial que envolvia as antigas fábricas do meu avô, em Matosinhos. Como ‘A Poveira’ era um dos meus principais fornecedores e como o produto que produzia era de boa qualidade, eu tinha todo o interesse na sua viabilidade e continuidade. Por isso reuni-me com o gerente da fábrica e conseguimos chegar a acordo". A partir desse momento, Sérgio Real deparou-se com a necessidade de serem feitas várias melhorias na actual fábrica – o que foi concretizado – surgindo de imediato um outro problema a solucionar: a falta de mão-de-obra. "Não tinha pessoal suficiente para trabalhar o que me causou grandes dificuldades", reconheceu o empresário. "Recorri ao Instituto de Emprego e aos próprios trabalhadores a quem pedia que me arranjassem pessoas para trabalhar, mas não tive sucesso nem de um lado, nem do outro". Perante isso, "e como a união faz a força", contactei a administração de ‘A Madrugada’ dando início a um processo negocial que se estendeu durante algum tempo, visando a concretização de uma parceria. Chegamos a um acordo de princípio que permitiu que os trabalhadores de ‘A Madrugada’ [cerca de meia centena], mantendo-se contratualmente ligados a essa empresa, começassem já a laborar na ‘A Poveira’, dando início a uma fase de trabalho comum que irá concluir-se após a transferência para a nova unidade que será construída no Parque Industrial de Laúndos (PIL). Actualmente, a fusão das duas empresas representa cerca de 120 postos de trabalho. (…) Adaptado de Póvoa Semanário, versão on-line, Maio de 2007

Conclusão

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Com este trabalho, pude angariar novos conhecimentos sobre um assunto que não dominava. Desde a actividade piscatória à indústria transformadora da pesca, passando pela aquicultura, foi-me possível descobrir diversas áreas que se incluem neste tema – os recursos marinhos. Por outro lado, conheci a evolução da actividade piscatória no meu país e, especialmente, na minha cidade, o que, sem dúvida, é bastante importante e, ao mesmo tempo, gratificante. Por estes motivos, entendo que se tratou de um trabalho bastante enriquecedor.

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Bibliografia
Livros e Artigos

 
Póvoa de Varzim, 2003

AMORIM, Inês, A organização do trabalho da pesca, em finais do século XIX, na Póvoa de Varzim BORGES, Júlio António, Paisagem Poveira – Câmara Municipal da

  
Portugal

LOBO, Paula, Geografia A – Editora ASA MOTA, Raquel; ATANÁSIO, João, GEO 10 – Plátano Editora PESSOA, M.F; MENDES, B; OLIVEIRA, J.S., Culturas marinhas em

Internet

 Centro de Formação Profissional para o Sector das Pescas
(FORPESCAS) – http://www.forpescas.pt/

 Direcção Geral das Pescas e Aquicultura – http://www.dg-pescas.pt  Docapesca Portos e Lotas S.A. – http://www.docapesca.pt/  Instituto Nacional de Estatística – http://www.ine.pt/  Portal da CMPV – http://www.cm-pvarzim.pt/  Portal do Governo – http://www.portugal.gov.pt/  Portal da Póvoa de Varzim – http://www.povoadevarzim.com.pt/  Póvoa Semanário – http://www.povoasemanario.pt/  Wikipédia – http://www.wikipedia.com/

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